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  • Ícones Organizadores
  • Apresentação da Disciplina
  • OBJETIVOS
  • Áreas do Comportamento Motor
  • 1.1 Um Olhar Amplo sobre o Movimento Humano
  • 1.1.1 Fatores Individuais
  • 1.1.2 Fatores do Ambiente
  • 1.1.3 Fatores da Tarefa
  • 1.2. Áreas do Comportamento Motor
  • 1.2.1 Desenvolvimento Motor
  • 1.2.2 Controle Motor
  • 1.2.3. Aprendizagem Motora
  • Conceitos Básicos da Aprendizagem Motora
  • 2.1 Defnição de Habilidade Perceptivo-motora
  • 2.2 Classifcação de Habilidades Perceptivo-motoras
  • 2.4 Estágios da Aprendizagem
  • 2.5 Avaliação da Aprendizagem Motora
  • 2.5.1 Curvas de Performance
  • 2.5.2 Medidas de Erro
  • Teorias da Aprendizagem Motora
  • 3.1 Abordagens Teóricas sobre o Planejamento dos Movimentos
  • 3.1.1 Modelo de Processamento de Informações
  • 3.1.2 Abordagem Ecológica
  • 3.2 Teorias sobre a Coordenação e o Controle dos Movimentos
  • (1) Teorias do Programa Motor;
  • 3.2.1 Teorias do Programa Motor
  • 3.2.2. Teoria dos Sistemas Dinâmicos
  • 3.2.3. Abordagem Baseada na Restrição
  • Organizando o Ambiente de Prática
  • 4.1. Fornecendo Instruções Adequadas
  • 4.1.1. Organizando o Ambiente de Prática
  • 4.1.2 Prática Global e Prática Parcial
  • 4.1.3 Prática Variada
  • 4.1.4 Prática Aleatória
  • Glossário
  • Homem/Mundo para o Educador
  • 1.1 Desigualdade Social e Desenvolvimento Humano: uma Contradição
  • 1.2 Concepção Platônica ou Dualista de Homem/ Mundo
  • 1.3 Concepção Romântica
  • 1.4 Concepção das Diferenças Inatas
  • 1.5 Concepção Materialista Histórico-Dialética
  • Reprodutivistas
  • 2.1 As Teorias Não-Críticas
  • 2.1.1 As Teorias Não-Críticas: a Pedagogia Tradicional
  • 2.1.2 As Teorias Não-Críticas: a Pedagogia Escolanovista
  • 2.2 As Teorias Crítico-Reprodutivistas
  • 2.2.3 As Teorias Crítico-Reprodutivistas: a Escola Dualista
  • 3.1 Voltando às Teorias Críticas
  • 3.2 Educação e Trabalho: Os Fundamentos da Pedagogia Histórico-Crítica
  • 3.2.1 Sobre o Trabalho Humano
  • 3.2.2 O Trabalho como Essência Humana: a Perspectiva Marxiana
  • 3.2.3 Sobre a Pedagogia Histórico-Crítica: Primeiras Aproximações
  • 4.1 Pensando sobre as Unidades Anteriores
  • 4.1.1 Um Pouco sobre Lev Semenovicht Vigotski
  • 4.1.2 Conceitos Espontâneos e Conceitos Científcos
  • 4.1.3 Internalização
  • 5.1 Tendências/Concepções da Educação Física
  • 5.2 Concepção Crítico-Superadora
  • 5.3 Planejamento de Ensino (de Curso, de Aula)
  • 1.1 Educação Física – Uma Breve História
  • 1.1.1 Educação Física – Trajetória no Brasil
  • 1.2 Objetivos Gerais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (fragmento)
  • 1.3 Plano de curso
  • O Educando das Séries Iniciais e suas Demandas
  • 2.1 Para Início de Conversa
  • 2.1.1 Observações a Partir do 1°
  • 2.3 A Criança nas Aulas de Educação Física
  • 2.4 Planejamento para as Séries Iniciais
  • 2.5 Concepção de Educação Física Segundo os PCNs (fragmento)
  • Valores, Diferenças e Indisciplina
  • 3.1 Educação Física, Formação de Valores e Cultura de Paz nas Séries Iniciais
  • 3.2 A Indisciplina nas Salas de Aula e nas Aulas de Educação Física
  • 3.2.1 Indisciplina ou Falta de Domínio/Comando de Turma
  • 3.2.2 Causas da Indisciplina
  • 3.3.1 O Gênero e a Construção Social das Diferenças Sexuais
  • 3.3.2 Educação Física e as Relações de Gênero Durante as Aulas
  • 3.3.3 Esporte: O Diferenciador/Acentuador na Discussão de Gênero
  • Reflexões e Elaboração do Relatório Final
  • 4.1 Refexões e Elaboração do Relatório Final
  • 1.1 Para Começar, O Que É Defciência?
  • 1.2 Vamos Contar um Pouco de História
  • 1.3 E Agora um Pouco de Legislação
  • 1.3.1 Documentos Orientadores Internacionais
  • 1.3.2. Legislação Brasileira
  • 1.4.1 O que é Educação Especial?
  • 1.4.2. E Quem São os Alunos da Educação Especial?
  • 1.4.3. E Defciência, O Que É?
  • 1.4.4 Aluno Defciente
  • 1.4.5 Modalidades de Atendimento Educacional
  • 1.4.6 E a Educação Física?
  • 2.5. As Pessoas com Defciência e a Aprendizagem
  • 2.6. As Pessoas com Defciência e a Sexualidade
  • A Educação Física e o Aluno com Deficiência
  • 3.1 Defciência Intectual
  • 3.2 Síndrome de Down
  • 3.3 Defciência Visual
  • 3.4 Surdez
  • 3.5 Defciência Física
  • 3.5.1 Lesão Medular
  • 3.5.2 Lesão Cerebral
  • 3.5.3 Má Formação Congênita e Amputações
  • 3.6 Defciência Múltipla
  • Defciência múltipla
  • 3.7 Transtornos Globais do Desenvolvimento
  • 1.1 Educação
  • Educação Física
  • 1.3 Conceitos Diversos de Saúde Aplicados à Educação Física
  • 1.3.2 Atividade Física, Aptidão Física e Educação para a Saúde
  • 1.3.3 Promoção da Saúde e Educação Física Escolar
  • 1.3.5 Educação Física, Qualidade de Vida e Saúde
  • 1.3.6 Atividade Física: Aspectos Epidemiológicos
  • 1.3.7 Promoção da Saúde e Benefícios da Atividade Física à Saúde
  • Nutrição, Atividade Física e Saúde
  • 2.1 Nutrição e Atividade Física
  • 2.2 Aspectos Nutricionais
  • 2.2.1 Macronutrientes
  • 2.2.2 Micronutrientes
  • 2.2.3 Hidratação
  • 2.3 Distúrbios Alimentares
  • 2.3.1 Anorexia e Bulimia
  • 2.3.2 Obesidade
  • 3.1 Prescrição de Atividade Física para Hipertensos
  • 3.1.1 Efeitos da Atividade Física em Hipertensos
  • 3.1.2 Pressão Arterial e Exercício
  • 3.2 Prescrição de Atividade Física para Diabéticos
  • 3.2.1 Efeitos da Atividade Física em Diabéticos
  • 3.2.2 Exercícios para Diabéticos
  • 3.3 Prescrição de Atividade Física para Obesos
  • 3.4 Prescrição de Atividade Física para Idosos
  • 3.4.1 Envelhecimento
  • 3.4.2 Avaliação Médica e Funcional
  • 3.4.3 A Atividade Física e o Idoso
  • 3.5 Prescrição de Atividade Física para Gestantes
  • 3.5.1 Modifcações no Organismo
  • 3.5.4 Contraindicações
  • 3.5.5 Sintomas e Sinais que Interrompem a Atividade Física
  • 1.1 Os Eventos de Educação Física e Esportes ao Longo dos Tempos
  • 1.2 O Professor de Educação Física como Gestor do Esporte
  • A Organização de Eventos Esportivos
  • 2.1 O que é Organização?
  • 2.2 Evento
  • 2.2.1 Conceito de Evento
  • 2.2.2 O Que São Eventos em Educação Física
  • 2.2.3 Eventos Esportivos e Eventos Não Esportivos
  • eventos esportivos e eventos não esportivos
  • 2.2.4 Organização de Eventos em Geral
  • 2.2.4.1 Comissão Organizadora do Evento
  • 2.2.4.2 O Congresso Técnico de um Evento
  • Os Sistemas Esportivos de Disputa
  • 3.1 Os Sistemas Esportivos de Disputa
  • 3.1.1 Tipos de Competições Esportivas
  • 3.1.2 As Fases de uma Competição
  • 3.1.3 O Sistema de Disputa em Competições Esportivas
  • 3.1.4 Elaboração de uma Tabela na Forma de Disputa Rodízio
  • 3.1.4.1 Rodízio Simples
  • 3.1.4.2 Rodízio Duplo
  • 3.1.5 Elaboração de uma Tabela na Forma de Disputa Eliminatória
  • 3.1.5.1 Eliminatória Simples
  • O Regulamento de uma Competição
  • 4.1 O regulamento de uma Competição
  • 4.1.1 Como Redigir um Regulamento
  • 4.1.2 Forma de Representação Gráfca dos Incisos
  • Existe uma forma de representação gráfca dos incisos
  • 4.1.3 Formas de Redação de um Regulamento
  • 4.1.4 Relevância do Regulamento
  • A Organização de Eventos Não Esportivos
  • 5.1 Organização de Eventos Não Esportivos
  • 5.1.1 Os Tipos de Evento que Podem Ser Organizados
  • 5.1.2 Os Eventos sob a Forma de Reunião
  • O Projeto de Organização de Eventos
  • 6.1 O Projeto de Organização de Eventos

 

Física
6º SEMESTRE - MÓDULO 6

Educação

Curso a distância

LICENCIATURA

Faculdade de Educação Física Educação a distância

Universidade de Brasília

República Federativa do Brasil Presidenta Dilma Vana Rousseff Ministério da Educação Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário de Educação a Distância - Substituto José Guilherme Moreira Ribeiro Fundação Universidade de Brasília Reitor José Geraldo de Sousa Junior Decana de Ensino de Graduação Márcia Abrahão Moura Diretor de Ensino de Graduação a Distância Sérgio Freitas Secretario de Administração Acadêmica Arnaldo Carlos Alves Faculdade de Educação Física Diretor Alexandre Luiz Gonçalves de Rezende Coordenador do Curso de Educação Física a Distância Alcir Braga Sanches Iran Junqueira de Castro Gestora de Projetos em Educação a Distância Adriana Amidani Técnico de Informática – Administrador Ambiente Moodle Jitone Leônidas Soares Assistente Pedagógico Carlos Frederico Melo dos Santos Universidade Federal de Rondônia Reitor José Januário de Oliveira Amaral Coordenador Local Daniel Oliveira de Souza Gestora Operacional Cristiane Anita Furlanetto Técnica de Informática Arisleide Máximo Universidade Federal do Amapá Reitor José Carlos Tavares Carvalho

Coordenadora Local Maria do Socorro dos Santos Mendonça Gestora Operacional Huana da Silva Furtado Técnica de Informática Dayane da Silva Brito Professores-autores Processo Ensino – Aprendizagem de Habilidades Perceptivo Motoras Luiz Cezar dos Santos – UnB Iran Junqueira de Castro – UnB Pedagogia da Educação Física no Ensino Fundamental Juarez Sampaio – UnB Edson Marcelo Húngaro – UnB Estágio Supervisionado – Primeiro Ciclo do Ensino Fundamental Rogério Bertoldo Guerreiro – SEE/DF Jane Dullius – UnB Educação Física para Portadores de Necessidades Especiais Elvio Marcos Boato – UCB Odiel Aranha – UnB Programas de Aptidão Física Aplicados à Educação Física Michel Santos Silva – UcB Ricardo Jacó de Oliveira – UnB Organizações de Eventos em Educação Física Paulo Henrique Azevêdo – UnB Equipe de Produção Coordenação de Produção do Material Pedagógico Adriana Amidani Design Instrucional do Material Impresso e de Telas Web para EaD Cassandra Amidani – Disciplinas 2, 3, 4 e 5. Tâmara Marisi Vicentine Melo – Disciplinas1 e 6. Revisão Gilvam Joaquim Cosmo Ilustrações Cristiano Henriques de Melo – Disciplinas 1 e 6. Joselito Rodrigues Silveira – Disciplinas 2, 3, 4 e 5. Diagramação Amanda Moreira

E24

Educação física a distância : módulo 6 / Alcir Braga Sanches, coordenador. _ Brasília : Universidade de Brasília, 2011. 594 p. ; 30 cm. Conteúdo: Processo ensino – aprendizagem de habilidades perceptivo motoras / Iran Junqueira de Castro, Luiz Cezar dos Santos – Pedagogia da educação física no ensino fundamental / Edson Marcelo Húngaro, Juarez Sampaio – Estágio supervisionado – primeiro ciclo do ensino fundamental / Jane Dullius, Rogério Bertoldo Guerreiro – Educação física para portadores de necessidades especiais / Elvio Marcos Boato, Odiel Aranha – Programas de aptidão física aplicados à educação física / Michel Santos Silva, Ricardo Jacó de Oliveia – Organização de eventos em educação física / Paulo Henrique Azevêdo. 1. Educação física – ensino. 2. Educação a distância. I. Sanches, Alcir Braga (coord.). CDU 796:37

Sumário
ÍCONES ORGANIZADORES.................................................. 13 APRESENTAÇÃO DO MÓDULO 6........................................ 15 PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA........................................................22 OBJETIVOS...........................................................................................23

Áreas do Comportamento Motor........................................ 25
1.1 Um Olhar Amplo sobre o Movimento Humano�����������������������������������������������������26 1.1.1 Fatores Individuais���������������������������������������������������������������������������29 1.1.2 Fatores do Ambiente������������������������������������������������������������������������31 1.1.3 Fatores da Tarefa�����������������������������������������������������������������������������33 1.2. Áreas do Comportamento Motor�������������������������������������������������������������������������34 1.2.1 Desenvolvimento Motor��������������������������������������������������������������������34 1.2.2 Controle Motor����������������������������������������������������������������������������������35 1.2.3 Aprendizagem Motora����������������������������������������������������������������������37

Conceitos Básicos da Aprendizagem Motora..................... 43
2.1 Definição de Habilidade Perceptivo-motora���������������������������������������������������������44 2.2 Classificação de Habilidades Perceptivo-motoras�����������������������������������������������46 2.3 Definição de Aprendizagem de Habilidades Perceptivo-motoras������������������������50 2.4 Estágios da Aprendizagem�����������������������������������������������������������������������������������54 2.5 Avaliação da Aprendizagem Motora���������������������������������������������������������������������58 2.5.1 Curvas de Performance�������������������������������������������������������������������60 2.5.2 Medidas de Erro�������������������������������������������������������������������������������62

Teorias da Aprendizagem Motora....................................... 69
3.1 Abordagens Teóricas sobre o Planejamento dos Movimentos ����������������������������70 3.1.1 Modelo de Processamento de Informações�������������������������������������71

Sumário
3.1.2 Abordagem Ecológica ���������������������������������������������������������������������72 3.2 Teorias sobre a Coordenação e o Controle dos Movimentos�������������������������������76 3.2.1 Teorias do Programa Motor��������������������������������������������������������������76 3.2.2. Teoria dos Sistemas Dinâmicos �����������������������������������������������������83 3.2.3. Abordagem Baseada na Restrição �������������������������������������������������86

Organizando o Ambiente de Prática................................... 91
4.1..Fornecendo Instruções Adequadas����������������������������������������������������������������������92 4.1.1.Organizando o Ambiente de Prática�������������������������������������������������97 4.1.2 . Prática Global e Prática Parcial �������������������������������������������������������98 4.1.3 Prática Variada ������������������������������������������������������������������������������103 4.1.4 Prática Aleatória�����������������������������������������������������������������������������104

Glossário........................................................................... 107 Referências Bibliográficas................................................ 108 PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL

APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA......................................................117 OBJETIVOS.........................................................................................118

A Importância do Estudo das Concepções de Homem/Mundo para o Educador....................................... 119
1.1 Desigualdade Social e Desenvolvimento Humano: uma Contradição���������������121 1.2 Concepção Platônica ou Dualista de Homem/Mundo����������������������������������������125 1.3 Concepção Romântica���������������������������������������������������������������������������������������128 1.4 Concepção das Diferenças Inatas���������������������������������������������������������������������129 1.5 Concepção Materialista Histórico-Dialética��������������������������������������������������������131

Sumário
As Teorias Educacionais Não-Críticas e as CríticoReprodutivistas ................................................................ 135
2.1 As Teorias Não-Críticas �������������������������������������������������������������������������������������137 2.1.1 As Teorias Não-Críticas: a Pedagogia Tradicional�������������������������137 2.1.2 As Teorias Não-Críticas: a Pedagogia Escolanovista���������������������144 2.2 As Teorias Crítico-Reprodutivistas����������������������������������������������������������������������156 2.2.1 As Teorias Crítico-Reprodutivistas: o Sistema de Ensino como Violência Simbólica���������������������������������������������������������������������������������157 2.2.2 As Teorias Crítico-Reprodutivistas: a Escola como Aparelho Ideológico de Estado (AIE)���������������������������������������������������������������������������������������158 2.2.3 As Teorias Crítico-Reprodutivistas: a Escola Dualista��������������������158

As Teorias Educacionais Críticas: Fundamentos e Propostas Pedagógicas ..................................................................... 161
3.1 Voltando às Teorias Críticas.....��������������������������������������������������������������������������163 3.2 Educação e Trabalho: Os Fundamentos da Pedagogia Histórico-Crítica����������165 3.2.1 Sobre o Trabalho Humano�������������������������������������������������������������166 3.2.2 O Trabalho como Essência Humana: a Perspectiva Marxiana������173 3.2.3 Sobre a Pedagogia Histórico-Crítica: Primeiras Aproximações�����178

A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI........................................................................... 185
4.1 Pensando sobre as Unidades Anteriores... �������������������������������������������������������187 4.1.1 Um Pouco sobre Lev Semenovicht Vigotski�����������������������������������188 4.1.2 Conceitos Espontâneos e Conceitos Científicos����������������������������189 4.1.3 Internalização���������������������������������������������������������������������������������194 4.1.4 A Relação entre Aprendizagem e Desenvolvimento na Teoria Vigotskiana����������������������������������������������������������������������������������������������195

Sumário
Concepções Pedagógicas da Educação Física: Em Busca de Abordagem Metodológica................................................. 201
5.1 Tendências/Concepções da Educação Física����������������������������������������������������202 5.2 Concepção Crítico-Superadora��������������������������������������������������������������������������206 5.3 Planejamento de Ensino (de Curso, de Aula)����������������������������������������������������211

Glossário........................................................................... 215 Referências Bibliográficas................................................ 216 ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA......................................................223 OBJETIVOS.........................................................................................223 EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA........................................................................................225 1.1 Educação Física – Uma Breve História��������������������������������������������������������������227 1.1.1 Educação Física – Trajetória no Brasil�������������������������������������������228 1.2 Objetivos Gerais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (fragmento)��������������232 1.3 Plano de Curso���������������������������������������������������������������������������������������������������233

O Educando das Séries Iniciais e suas Demandas............ 243
2.1 Para Início de Conversa...����������������������������������������������������������������������������������245 2.1.1 Observações a Partir do 1° Ano������������������������������������������������������246 2.2 Jogar, Brincar, Recrear, nas Séries Iniciais – um Olhar Enviesado sobre Atividade Física������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������248 2.2.1 Jogo, Brincadeira, Esporte e a Construção do Conhecimento na Escola������������������������������������������������������������������������������������������������������250 2.3 A Criança nas Aulas de Educação Física�����������������������������������������������������������252 2.4 Planejamento para as Séries Iniciais�����������������������������������������������������������������253 2.5 A Concepção de Educação Física Segundo os PCNs ( fragmento)������������������255

Sumário
Valores, Diferenças e Indisciplina..................................... 265
3.1 Educação Física, Formação de Valores e Cultura de Paz nas Séries Iniciais���267 3.2 A Indisciplina nas Salas de Aula e nas Aulas de Educação Física���������������������271 3.2.1 Indisciplina ou Falta de Domínio/Comando de Turma�������������������272 3.2.2 Causas da Indisciplina�������������������������������������������������������������������274 3.3 Meninos e Meninas nas Aulas de Educação Física – Entendendo os Conflito���������������������������������������������������������������������������������������������������������������������278 3.3.1 O Gênero e a Construção Social das Diferenças Sexuais�������������278 3.3.2 Educação Física e as Relações de Gênero Durante as Aulas�������280 3.3.3 Esporte: O Diferenciador/Acentuador na Discussão de Gênero����281

Reflexões e Elaboração do Relatório Final........................ 285
4.1 Reflexões e Elaboração do Relatório Final��������������������������������������������������������287

Glossário........................................................................... 295 Referências Bibliográficas................................................ 297 EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA......................................................302 OBJETIVOS.........................................................................................303

Aspectos Históricos e Legais da Educação e da Educação Física para Pessoas com Deficiência................................ 305
1.1 Para Começar, O Que é Deficiência?����������������������������������������������������������������307 1.2 Vamos Contar um Pouco de História�����������������������������������������������������������������308 1.3 E Agora um Pouco de Legislação����������������������������������������������������������������������318 1.3.1 Documentos Orientadores Internacionais��������������������������������������318 1.3.2. Legislação Brasileira���������������������������������������������������������������������321 1.4 Princípios da Educação Inclusiva e o Papel da Educação Física na Inclusão Educacional de Alunos com Deficiência...................................................................324

Sumário
1.4.1 O que é Educação Especial?���������������������������������������������������������324 1.4.2. E Quem São os Alunos da Educação Especial?���������������������������325 1.4.3. E Deficiência, O Que É?���������������������������������������������������������������326 1.4.4 Aluno Deficiente�����������������������������������������������������������������������������327 1.4.5 Modalidades de Atendimento Educacional������������������������������������329 1.4.6 E a Educação Física?��������������������������������������������������������������������331

O Corpo, o Desenvolvimento e a Sexualidade da Pessoa com Deficiência........................................................................ 337
2.1 As Concepções a Respeito da Pessoa com Deficiência������������������������������������338 2.2. A Pessoa com Deficiência, seu Corpo e a Educação Física�����������������������������344 2.3. A Inclusão da Pessoa com Deficiência nas Aulas de Educação Física������������346 2.4. O Desenvolvimento das Pessoas com Deficiência�������������������������������������������348 2.5. As Pessoas com Deficiência e a Aprendizagem�����������������������������������������������349 2.6. As Pessoas com Deficiência e a Sexualidade��������������������������������������������������350

A Educação Física e o Aluno com Deficiência.................. 359
3.1 Deficiência Intelectual����������������������������������������������������������������������������������������360 3.2 Síndrome de Down.............................................................................................367 3.3 Deficiência Visual................................................................................................371 3.4 Surdez����������������������������������������������������������������������������������������������������������������378 3.5 Deficiência Física...............................................................................................382 3.5.1 Lesão Medular��������������������������������������������������������������������������������383 3.5.2 Lesão Cerebral�������������������������������������������������������������������������������387 3.5.3 Má Formação Congênita e Amputações����������������������������������������390 3.6 Deficiência Múltipla��������������������������������������������������������������������������������������������392 3.7 Transtornos Globais do Desenvolvimento����������������������������������������������������������395

Glossário........................................................................... 399 Referências Bibliográficas................................................ 400

Sumário
PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA......................................................408 OBJETIVOS.........................................................................................409 NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO FÍSICA, ATIVIDADE FÍSICA, EXERCÍCIO, SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA........................411 1.1 Educação�����������������������������������������������������������������������������������������������������������412 1.2 Atividade Física, Saúde, Exercício, Qualidade de Vida, Esporte e Educação Física�������������������������������������������������������������������������������������������������������414 1.3 Conceitos Diversos de Saúde Aplicados à Educação Física�����������������������������419 1.3.1 Aptidão Física relacionada à Saúde de Adolescentes Rurais e Urbanos���������������������������������������������������������������������������������������������������419 1.3.2 Atividade Física, Aptidão Física e Educação para a Saúde�����������421 1.3.3 Promoção da Saúde e Educação Física Escolar���������������������������423 1.3.4 Atividade Física e Qualidade de Vida Relacionada à Saúde em Adultos����������������������������������������������������������������������������������������������������426 1.3.5 Educação Física, Qualidade de Vida e Saúde�������������������������������430 1.3.6 Atividade Física: Aspectos Epidemiológicos����������������������������������432 1.3.7 Promoção da Saúde e Benefícios da Atividade Física à Saúde����435 1.3.8 Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis Mediante a Prática de Atividades Físicas������������������������������������������������438

Nutrição, Atividade Física e Saúde................................... 443
2.1 Nutrição e Atividade Física���������������������������������������������������������������������������������444 2.2 Aspectos Nutricionais�����������������������������������������������������������������������������������������446 2.2.1 Macronutrientes������������������������������������������������������������������������������449 2.2.2 Micronutrientes�������������������������������������������������������������������������������450 2.2.3 Hidratação��������������������������������������������������������������������������������������452 2.3 Distúrbios Alimentares����������������������������������������������������������������������������������������453

Sumário
2.3.1 Anorexia e Bulimia��������������������������������������������������������������������������453 2.3.2 Obesidade��������������������������������������������������������������������������������������454

Prescrição de Atividade Física aplicada à Educação Física e aos grupos especiais......................................................... 457
3.1 Prescrição de Atividade Física para Hipertensos�����������������������������������������������459 3.1.1 Efeitos da Atividade Física em Hipertensos�����������������������������������459 3.1.2 Pressão Arterial e Exercício�����������������������������������������������������������460 3.2 Prescrição de Atividade Física para Diabéticos�������������������������������������������������462 3.2.1 Efeitos da Atividade Física em Diabéticos�������������������������������������463 3.2.2 Exercícios para Diabéticos�������������������������������������������������������������464 3.3 Prescrição de Atividade Física para Obesos������������������������������������������������������467 3.4 Prescrição de Atividade Física para Idosos�������������������������������������������������������474 3.4.1 Envelhecimento������������������������������������������������������������������������������476 3.4.2 Avaliação Médica e Funcional��������������������������������������������������������478 3.4.3 A Atividade Física e o Idoso�����������������������������������������������������������480 3.5 Prescrição de Atividade Física para Gestantes��������������������������������������������������481 3.5.1 Modificações no Organismo�����������������������������������������������������������482 3.5.2 Alterações Metabólicas mais Apresentadas no Período Gestacional��������������������������������������������������������������������������������482 3.5.3 Recomendações do American College of Obstetricians and Gynecologist para Exercícios no Período Gestacional���������������������������483 3.5.4 Contraindicações����������������������������������������������������������������������������484 3.5.5 Sintomas e Sinais que Interrompem a Atividade Física�����������������485

Glossário........................................................................... 487 Referências Bibliográficas................................................ 489

....2...........3 Eventos Esportivos e Eventos Não Esportivos���������������������������������511 2................2 O Que São Eventos em Educação Física�����������������������������������������510 2............1 Os Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Fundamental e os Eventos�����������������������������������������������������������������������������������������������502 1.4 O Documento de Intervenção do Profissional de Educação Física e o Campo de Intervenção�������������������������������������������������������������������������������505 A Organização de Eventos Esportivos........................3 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira e os Eventos���504 1............2 Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e os Eventos������������������������������������������������������������������������������������������������������504 1........2...2...2 O Professor de Educação Física como Gestor do Esporte�����������������������������������502 1................2 Evento�������������������������������������������������������������������������������������������������������������������510 2.............4.............................1 Os Eventos de Educação Física e Esportes ao Longo dos Tempos���������������������500 1.....2............1 Comissão Organizadora do Evento���������������������������������������513 2.2.......4 Organização de Eventos em Geral���������������������������������������������������511 2....2..... 497 OBJETIVOS..3 Materiais e Equipamentos para Eventos Esportivos�������������514 ....499 1............507 2...........1 Conceito de Evento���������������������������������������������������������������������������510 2..2......1 O Que É Organização?�����������������������������������������������������������������������������������������508 2.. 498 Introdução......Sumário ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA...2......2.....2..................2...........4......4.2 O Congresso Técnico de um Evento�������������������������������������513 2.....

.4....1....1..1 Os Sistemas Esportivos de Disputa����������������������������������������������������������������������518 3.....1.5 Elaboração de uma Tabela na Forma de Disputa Eliminatória����������536 3..............1.......1................. 589 Referências Bibliográficas...1 Organização de Eventos Não Esportivos���������������������������������������������������������������560 5......2 Os Eventos sob a Forma de Reunião������������������������������������������������561 O Projeto de Organização de Eventos......1.....1 Eliminatória Simples���������������������������������������������������������������537 O Regulamento de uma Competição....... 549 4....1.1 O Projeto de Organização de Eventos�������������������������������������������������������������������574 Glossário.1 Como Redigir um Regulamento���������������������������������������������������������551 4............1............1 Os Tipos de Evento que Podem Ser Organizados�����������������������������560 5...........1...4............1 Tipos de Competições Esportivas������������������������������������������������������518 3.........1... 593 ..... 517 3.....2 Forma de Representação Gráfica dos Incisos�����������������������������������555 4......3 Formas de Redação de um Regulamento�����������������������������������������556 4....2 As Fases de uma Competição�����������������������������������������������������������519 3................................1......Sumário Os Sistemas Esportivos de Disputa............4 Elaboração de uma Tabela na Forma de Disputa Rodízio�����������������525 3....1..........1... 573 6.1 O Regulamento de uma Competição���������������������������������������������������������������������550 4..................3 O Sistema de Disputa em Competições Esportivas���������������������������520 3..1..2 Rodízio Duplo�������������������������������������������������������������������������536 3.................5........ 559 5.1 Rodízio Simples����������������������������������������������������������������������528 3......4 Relevância do Regulamento��������������������������������������������������������������556 A Organização de Eventos Não Esportivos......

RESUMO – Finalizando cada unidade de estudo. Por isso. lembretes que são importantes. atividades. ATENÇÃO! REFLITA – Momento em que você fará uma pausa para pensar nas questões apresentadas e aprofundar pontos relevantes. o que existe que possa contribuir com o progresso de sua aprendizagem? O Saiba+ traz endereços de sites.Ícones Organizadores ATENÇÃO – Existem conceitos. pesquisas e auto avaliação para consolidar o que aprendeu. sempre que você vir tais destaques. textos complementares. . ideias. apresentamos uma síntese dos assuntos abordados para facilitar a visão geral do que foi explorado. curiosidades sobre os temas estudados. SAIBA + – Além dos assuntos essenciais apresentados. HORA DE PRATICAR – Espaço para você realizar exercícios. aprofundamentos de ideias.

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dança. chega às quartas de final. aspectos gerais de Educação e Educação Física. com muitos conceitos básicos e várias teorias da aprendizagem motora. que continua. veremos a relação entre nutrição. Trabalharemos com várias áreas do comportamento motor. Em prosseguimento às competências desenvolvidas até o momento. infelizmente. jogos e lazer. prevê elaboração de relatos parciais e relatório final das suas reflexões e ações. a fim de relacionar teoria e prática. da saúde e da qualidade de vida. esportivos e culturais de Educação Física na escola. finalizando com a exploração do ambiente de aprendizagem. Vamos em frente! Alcir Braga Sanches Coordenador do curso – UnB motoras – nesta disciplina. Pedagogia da Educação Física no Ensino Fundamental – debatemos os aspectos teórico-metodológicos que fundamentam a sua reflexão e a sua intervenção no âmbito da Educação Física Escolar. Mas você. tais como: esporte. Estágio Supervisionado – Primeiro Ciclo do Ensino Fundamental – apresenta o segundo estágio supervisionado. Trataremos da investigação – relação entre a estrutura social e a prática educativa. Além das questões relacionadas à aprendizagem de habilidades motoras. este módulo pretende desenvolver outras específicas para o professor/aluno intervir no Ensino Fundamental – Primeiro ciclo. da reflexão – o que é a educação e as suas finalidades. finalizando com a prescrição de atividade física aplicada à Educação Física. Bem-vindo(a) ao Módulo 6! . Este material didático é fruto do esforço intelectual de professores que atuam no programa. Processo Ensino–Aprendizagem de Os conteúdos das disciplinas deste módulo são aplicáveis à disciplina agregadora do período. da atividade física. Para explorarmos tudo isso. da competência técnica de profissionais qualificados na produção de materiais e representa uma síntese atualizada dos conteúdos de cada disciplina do módulo. abordamos diversos conceitos teóricos e práticos voltados para o ensino de habilidades motoras. teremos a ajuda da Turma do Barulho. especialmente aquelas relacionadas ao fenômeno ensino–aprendizagem de habilidades motoras. Organização de Eventos em Educação Física – tem por objetivo instrumentalizar você para a administração de eventos educativos. condição Habilidades Perceptivo- Prezado (a) Estudante. ginástica. atividade física e saúde. tanto para crianças ditas “normais” como para crianças com necessidades especiais. inicialmente. o domínio de competências relacionadas à Organização de eventos em Educação Física dá a oportunidade ao futuro professor de atuar em projetos complementares ao ensino no contexto educacional. focando o período entre o quarto e o nono anos do Ensino Fundamental. lutas. apresento o sexto módulo do curso de Educação Física a distância do programa Pró-Licenciatura. no campo da Educação Física e de esportes e da inclusão educacional. Organizada em quatro etapas. do exercício. Programas de Aptidão Física Aplicados à Educação Física – disciplina com duração de oito semanas em que exploraremos. e da ciência do ato educativo sobre a Educação Física Escolar na perspectiva da Concepção Histórico-Cultural. o regimento geral da Universidade de Brasília foi aplicado e. Educação Física para Portadores de Necessidades Especiais – aborda aspectos que ajudarão você a prestar atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência. Estamos nos aproximando da reta final. muitos alunos não puderam prosseguir. Prosseguindo. Ao término do módulo 5 – lembra da metáfora do campeonato? – nas oitavas de final. Com imensa satisfação. o Estágio Supervisionado – Primeiro Ciclo do Ensino Fundamental.Sobre o Módulo 6 fundamental para um ensino de qualidade.

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Soares Técnico de Informática Brasília (DF) Arisleide Máximo Técnica de Informática Rondônia (RO) Isabel Cristina de Maria Luiza do Souza Moura Nascimento Secretária de Polo Secretária de Polo Ariquemes (RO) Porto Velho (RO) Johnson V. M.Equipes Dayane da Silva Brito Técnica de Informática Macapá (AP) Annie Leite Barbosa Secretária de Polo Macapá (AP) Maria do Socorro S. Furlanetto Gestora Operacinal Rondônia (RO) UNIR UnB Adriana Amidani Gestora de Projetos em EaD Brasília (DF) Jitone L. Santos Assistente da Gestão Pedagógica Brasília (DF) . de Oliveira Apoio Técnico Brasília (DF) Carlos F. Huana da Silva Mendonça Furtado Coordenadora Local – Gestora Operacional Macapá (AP) Macapá (AP) UNIFAP Daniel Oliveira de Souza Coordenador Local Rondônia (RO) Cristine A.

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PROCESSO ENSINO– APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVOMOTORAS .

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PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS Prof. Luiz Cezar É um grande prazer estar novamente com você em mais uma disciplina do curso de Licenciatura em Educação Física a Distância. pela Universidade de São Paulo. Especialista em Educação Física. pela UNESP – Rio Claro. pela Universidade de Iowa-USA.D. Prof. Sei das dificuldades de um curso a distância. Coordenador do Curso de Licenciatura em Educação Física a Distância da UnB. Pelo contato virtual e nas visitas aos núcleos. Mestre em Ciências do Movimento Humano. Canadá. Iran Junqueira Sou professor da Faculdade de Educação Física da UnB. Especialista em Motricidade Humana. Iran Junqueira de Castro Doutor em Ciências do Exercício. desde 1974. Muito prazer! Prof. 21 . onde tive a oportunidade de trabalhar como docente em cursos de graduação. mas estou muito satisfeito com os resultados que o curso já contabiliza. Luiz Cezar dos Santos Ph. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Prof. Mestre em Aprendizagem Motora. pela Universidade Estadual de Goiás. pela Universidade Aberta do Brasil. Espero que você aproveite todo o conhecimento a ser gerado por esta disciplina. pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. pela University of Waterloo. pela Universidade de São Paulo. em Kinesiology. Licenciado em Educação Física pela Faculdade de Educação Física da UnB. Licenciado em Educação Física. Todos os professores e a equipe técnica estão empenhados em levar o melhor possível para contribuir neste processo de formação. especialização e mestrado. Como membro de Comissões Verificadoras do INEP-MEC para fins de autorização e reconhecimento de curso de Educação Física. vejo a grande importância desta disciplina dentro do processo de formação do licenciado. tenho observado e constatado as mudanças pessoais e acadêmicas geradas ao longo das disciplinas. extensão. contextualizando-o em situações reais de ensino.

Unidade 3. Bons estudos! Os autores 22 . Lembre-se de que o aluno de ensino a distância deve ser proativo. Esta disciplina está organizada em quatro unidades: Unidade 1. Ao longo de seus estudos. O módulo representa somente um olhar sobre alguns aspectos importantes dentro do campo de estudo do comportamento motor. Isto irá contribuir significativamente na compreensão dos conceitos apresentados ao longo da disciplina.Apresentação da Disciplina Caro(a) Aluno(a). mediante o uso de materiais extras. Utilize as referências citadas no módulo para pesquisar artigos atualizados no portal de periódicos da CAPES. organizado e estar sempre à procura de algo mais. Unidade 4. Saudações! Você vai iniciar agora uma disciplina que envolve muitos conceitos teóricos e práticos relacionados ao ensino de habilidades motoras. Teorias da Aprendizagem Motora. você terá a oportunidade de aprofundar-se um pouco mais em alguns desses temas. Unidade 2. no fórum de discussões. Áreas do Comportamento Motor. Organizando o Ambiente de Prática. Conceitos Básicos da Aprendizagem Motora. consultas pela Internet.

OBJETIVOS Após concluir o estudo desta disciplina. ■ discutir sobre a utilização da prática parcial. ■ compreender os conceitos básicos sobre a aprendizagem de habilidades perceptivo-motoras e saber avaliar esse processo. da prática variada e da prática aleatória no ensino de habilidades motoras. esperamos que você possa: ■ compreender a abrangência do estudo do movimento humano dentro da área do Comportamento Motor e identificar o objeto de estudo da Aprendizagem Motora. ■ identificar o papel do professor de Educação Física na organização do ambiente de prática. ■ discutir e entender a importância das teorias sobre o controle e a aprendizagem dos movimentos para o professor de Educação Física. 23 .

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■■ conhecer a área de estudo denominada Comportamento Motor e analisar a sua importância para a prática pedagógica da Educação Física.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 Áreas do Comportamento Motor Ao longo dos anos a pesquisa na área do comportamento motor tem se concentrado em três grandes temáticas. A primeira delas é sobre o desenvolvimento de habilidades perceptivo-motoras. que inicialmente possui uma execução inconsistente com grande número de erros. A terceira temática envolve questões mais específicas sobre a organização das ações motoras. Este foco de pesquisa busca entender como surgem as habilidades perceptivo-motoras e como estas são alteradas pelo processo de maturação e de crescimento. chega a uma execução precisa com alto nível de precisão após um período de prática. Aqui o foco é entender como o aprendiz. 25 . e está voltada principalmente para os primeiros anos de vida. ■■ distinguir e conceituar as diferentes áreas do Comportamento Motor. esperamos que você seja capaz de: ■■ compreender a abrangência do estudo do movimento humano. A preocupação é entender como uma ação motora é planejada e executada. ■■ identificar o objeto de estudo da Aprendizagem Motora. Uma outra temática é sobre a influência da prática na melhoria da performance de uma habilidade perceptivo-motora. Vamos lá? OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade.

Portanto. dos esportes e de outros conteúdos da Educação Física. da ginástica. Segundo Shumway-Cook (2003). A visão apresentada por Newell (1986) altera a concepção sobre o desenvolvimento da coordenação baseada na ideia de prescrições para a ação centrado em hipóteses maturacionistas. 26 . Restrições são limites ou aspectos que delimitam. cultura corporal. na prática. pois o movimento humano é um fenômeno bastante complexo e é influenciado por diversos fatores. As habilidades perceptivo-motoras são movimentos que foram praticados com determinado objetivo. É sempre bom lembrar que o desenvolvimento de habilidades sociais e de atitudes psicoafetivas dentro da prática da Educação Física só acontece se houver um espaço de interação e de participação. Embora existam divergências no campo teórico (diferentes correntes pedagógicas e filosóficas) sobre qual o objeto de estudo da Educação Física (esporte. movimento humano). motricidade humana. 1986). tais como o meio ambiente. da tarefa e do meio ambiente (Newell. O movimento é um resultado da interação de três tipos de restrições: do indivíduo. para saltar sobre uma pedra durante a caminhada ou mesmo para equilibrar um objeto com as mãos é necessário que a pessoa tenha aprendido um conjunto de habilidades perceptivo-motoras. O movimento não é um aspecto isolado que surge e é controlado somente por nós. Este espaço surge da prática dos jogos. dão forma ao movimento (Newell. Dizer que o foco da Educação Física é ensinar habilidades perceptivo-motoras não significa pensar o movimento humano fora do contexto social e das interações afetivas. Para participar ativamente de um jogo de voleibol. 1986). podemos dizer que a Educação Física deve preocupar-se em desenvolver habilidades perceptivo-motoras. a qualidade da interação e da participação dos alunos é afetada pelo domínio de habilidades perceptivo-motoras.1 Um Olhar Amplo sobre o Movimento Humano Ensinar habilidades perceptivo-motoras nas aulas de Educação Física não é uma tarefa simples.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR 1. o tipo de tarefa e as condições individuais de cada executante. o meio ambiente restringe o movimento produzido pelo indivíduo para atender uma demanda específica de uma tarefa.

Não é que as ações são causadas pelas restrições. O termo simples não se refere ao nível de organização motora e neural. uso de implemento para auxiliar o andar – bengala. Kelso e Turvey (1980). a forma como isso será feito pode variar dependendo da tarefa. do meio ambiente ou da idade da pessoa. A mudança da superfície de apoio torna o andar um movimento diferente. a ordem em processos biológicos e fisiológicos é oriunda primariamente da dinâmica e das restrições anatômicas e funcionais. de um adulto e de um idoso veremos que o padrão de movimento de cada um deles é diferente (relação entre o comprimento das pernas e o comprimento dos passos. e outros). mas sim que algumas ações são excluídas por elas. 1 Segundo Kugler. Ao olharmos para o andar de uma criança com um pouco mais de 1 ano de idade. Para compreendermos melhor esta afirmação vamos pensar no movimento mais simples1 e muito importante que é o andar.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR Assim as informações genéticas podem ser vistas como permissivas ao contrário de deterministas no processo de desenvolvimento da coordenação. Embora o andar tenha como objetivo o deslocamento do corpo de um lugar para outro. Foi utilizado por ser um movimento comum a todos os seres humanos e que é aprendido muito rápido no primeiro ano de vida. 27 . Tente andar em um piso molhado de sabão e então você verá que o movimento das pernas e dos braços irá sofrer alterações.

as pernas assumirão uma posição com um pé à frente do outro (antero-posterior). enquanto no arremesso de precisão (por exemplo o arremesso de dardo) a posição mais confortável será manter as pernas ligeiramente afastadas com os pés posicionados lado a lado. Basta comparar o arremessar cujo objetivo é atingir uma maior distância com o arremessar em que o foco principal é a precisão. busca-se controlar diversas articulações para manter um melhor controle do movimento. 28 . vamos utilizar o exemplo do movimento de arremessar. Você verá que todo o padrão de movimento se altera. para executar um bom arremesso de precisão. No arremesso a distância será necessário utilizar um maior número de articulações do corpo para produzir uma quantidade maior de força (soma dos momentos de cada uma das articulações).PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR Para ilustrar o efeito da tarefa. No caso de um arremesso a distância. de forma oposta. enquanto.

PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR O andar também pode ser alterado por aspectos inerentes ao próprio indivíduo.1 Fatores Individuais As restrições vinculadas ao indivíduo podem ser tanto estruturais quanto funcionais. Diferenças de idade. peso e outras podem causar diferenças no padrão de movimento do andar. o jogador deve ser capaz de prever a ação do adversário. A percepção envolve a integração das impressões sensoriais e informações psicologicamente significativas. Ao reduzir a massa das pernas de bebês com 7 meses colocandoas submersas. sendo deles jogador de alto nível e o outro aprendiz dessa modalidade. a percepção das informações vinculadas à execução de habilidades perceptivo-motoras também pode variar e. Os estudos mostram que as mudanças corporais afetam os parâmetros biomecânicos da postura e da locomoção. Faça uma comparação entre dois jogadores de basquete. Thelen (1986) estudou bebês entre 4 e 7 meses de idade e identificou que as mudanças no peso corporal são significativas para o desaparecimento dos movimentos de passadas (stepping movimentos) típicos de bebês com 4 meses e ausente em bebês com 7 meses. Exemplo de restrições estruturais são o peso corporal. no basquete. tais como aspectos genéticos e neurais que estão vinculados aos processos de percepção e cognição. com isso. 1. altura. a altura e a relação músculo–gordura. Uma vez que cada pessoa percebe o mundo ao seu redor de uma forma diferente. Vamos agora apresentar com mais detalhes cada uma das restrições e tentar identificar a partir delas as possibilidades de intervenção dentro da prática da Educação Física. Será que a capacidade de concentração e percepção de detalhes afeta a realização de habilidades perceptivo-motoras? 29 . Analise quais informações perceptivas estão envolvidas em um jogo. As restrições funcionais se referem à dimensão qualitativa. as informações sensoriais sobre o estado do corpo e sobre as características do ambiente são integradas e utilizadas durante a execução dos movimentos. Por exemplo. o tipo e a forma de movimento. Mediante a percepção.1. de coordenar o seu movimento de acordo com o deslocamento da bola (noção espaço-temporal) e outros. os movimentos reapareceram.

Saber dirigir a atenção para os aspectos mais significativos do ambiente é uma necessidade para o sucesso na execução de habilidades perceptivo-motoras. e o aprendiz deve procurar identificar as mesmas dicas. (2) fase preparatória – aqui o foco da visão foi na bola e na raquete até o momento do toque da raquete na bola. 2. Bard e Fleury (1989) analisaram para onde os jogadores focavam sua visão durante o saque e identificaram que os movimentos dos olhos se concentraram em três fases do saque: (1) fase ritual que precede o saque – neste caso os jogadores experientes se concentraram na cabeça. Veja a seguir três estratégias que podem auxiliar na realização de uma busca visual eficiente propostas por Magill (2000): 1. As características da situação devem variar o máximo possível. Os processos cognitivos incluem atenção.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR Prestar atenção para a informação relevante durante um jogo de tênis de campo irá fazer diferença entre o experiente e o iniciante. Envolver-se ativamente no processo de busca. Ter muita prática em situações que incluam dicas visuais relevantes comuns. e (3) fase de execução – foco na raquete e na bola. 30 . motivação e outros aspectos que estão envolvidos no estabelecimento de uma intenção ou objetivo motor. mostrando que as dicas visuais utilizadas por eles foram mais efetivas. 3. mesmo sem ser instruído a procurar estas dicas visuais ou a indicá-las verbalmente. Utilizar variações no contexto no qual estas dicas são apresentadas. no ombro e no tronco. Goulet. A diferença entre os experientes e os iniciantes foi a rapidez da identificação do tipo de saque por parte dos experientes.

irá envolver uma capacidade de concentração muito grande. 31 . (4) a complexidade de um movimento – planejar um movimento mais complexo com maior número de componentes (sub-rotinas) também irá aumentar o tempo de preparação da resposta. (3) a compatibilidade entre o estímulo e a resposta – realizar o passe para um colega que se encontra na mesma direção do seu deslocamento é mais fácil do que arremessar para um outro que está do outro lado da quadra. Essas restrições incluem a força de gravidade. As restrições do ambiente são aquelas que não são manipuladas pelo executante e são relativamente independentes do tempo.2 Fatores do Ambiente Os movimentos são executados em uma grande variedade de contextos ambientais. 1. a temperatura ambiental. assim. O início de um movimento (ex: o passe no jogo de basquete) passa por um período de preparação que é influenciado por diversos aspectos: (1) o número de opções de resposta que o jogador possui – quais os colegas que podem receber a bola e que não estão marcados pelo adversário. por exemplo. Existem dois tipos de restrições ambientais: reguladoras e não-reguladoras. a tarefa deve obedecer a essas características reguladoras para atingir o seu objetivo.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR Estar atento na hora de executar um movimento correto em um jogo de basquete. A existência de muitas opções aumenta o tempo de preparação da resposta. a natureza da luz e outras características ambientais que não representam adaptações da tarefa.1. (2) a previsibilidade da opção da resposta correta – a existência de uma opção de passe mais fácil do que as outras irá reduzir o tempo de preparação. As características reguladoras do ambiente especificam aspectos do ambiente que configuram o movimento e.

o peso e o tamanho de um objeto a ser agarrado. rebatido ou arremessado e a presença de um obstáculo no caminho. embora ele não precise ser alterado por esta característica. As restrições não-reguladoras do ambiente podem afetar a execução do movimento. Os resultados mostraram que existe um padrão de resposta na sequência de contração dos músculos e que isto é afetado pelo tipo de superfície de apoio. seguindo a direção distal-proximal. 32 .PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR curiosidades Um estudo sobre o ajuste postural (Horak e Nashner. O estudo utilizou uma plataforma que se movimentava para frente ou para trás e analisou a atividade dos músculos da perna e do tronco por meio de eletromiografia. e que essas estratégias são afetadas pelas características do ambiente. Um exemplo dessa restrição é o ruído as distrações presentes com contexto ambiental. a resposta ocorre primeiramente na musculatura do quadril. Essas estratégias (tornozelo e quadril) ilustram o efeito de uma restrição reguladora do ambiente. depois na musculatura abdominal e por último das pernas (direção próximodistal). No caso de uma superfície menor que os pés ou numa superfície flexível. 1986) mostrou que existem duas estratégias para a manutenção da postura ereta diante de uma perturbação. Se o apoio é normal a resposta ocorre inicialmente no tornozelo. Outros exemplos de restrições reguladoras são o formato.

Imagine a quantidade de situações e variações possíveis que o professor de Educação Física pode utilizar nas suas aulas pensando somente na restrição da tarefa. Os implementos ou as ferramentas associadas à execução da habilidade perceptivo-motora. linhas demarcatórias e postes.1. As marcas limitadoras. As regras que especificam ou restringem as respostas dinâmicas. pois é um aspecto essencial que regula o movimento. tais como redes. Desde as mudanças nas regras de um jogo. A classificação dos tipos de tarefa pode ser realizada com base em diversos atributos. 2. alteração dos implementos até a alteração de metas. Por que não utilizar uma bola de basquetebol em um jogo de voleibol? A dificuldade de executar o toque e a manchete pode gerar um novo jogo com habilidades específicas. tal como a característica da base de apoio. Este atributo é utilizado. Além dos objetivos da tarefa essas restrições incluem: 1. a forma de rebatê-la sem machucar as mãos.3 Fatores da Tarefa As restrições da tarefa envolvem contextos mais específicos do que as restrições do ambiente e estão diretamente relacionadas aos objetivos e ao tipo de tarefa a ser executada. 1. tais como aprender a avaliar o tempo de quicar a bola. 33 . 3.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR Muitas vezes os professores de Educação Física desenvolvem suas aulas centradas em uma modalidade esportiva e não percebem a importância de utilizar situações desafiadoras e motivadoras.

Uma forma fácil de compreender a diferença entre essas subáreas é olhar para a dimensão temporal sob a qual o movimento é estudado.2.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR Com base neste atributo. pois todas elas estão preocupadas em entender o processo de planejamento e execução das habilidades perceptivo-motoras. no correr e no saltar. Quando a base de apoio é móvel. a tarefa pode ser classificada como: Tarefa de mobilidade . logo nos vem à mente as palavras crianças. Áreas do Comportamento Motor O campo de estudo do Comportamento Motor congrega três grandes subáreas: o Controle Motor. existe muita dificuldade em separá-las. Tarefa de estabilização (equilíbrio) Quando a base de apoio permanece imóvel. crescimento e maturação. Quando falamos em Desenvolvimento Motor.2. Outras formas de classificação das tarefas serão apresentadas com mais detalhes na Unidade 2. hereditariedade. o Desenvolvimento Motor e a Aprendizagem Motora. tal como ocorre no andar. a tarefa é classificada como tarefa de mobilidade. Embora cada uma dessas áreas possua um objeto de estudo específico. 1. 1. Estas palavras ajudam a entender que desenvolvimento motor implica compreender os processos 34 .1 Desenvolvimento Motor Como você já aprendeu bastante sobre essa área na disciplina Crescimento e Desenvolvimento Motor no 4º. semestre do seu curso vamos apenas ressaltar os aspectos importantes para diferenciar esta área das demais. ficar em pé são consideradas tarefas de estabilidade. Tarefas de sentar-se.

estamos olhando para uma dimensão temporal que implica mudanças ao longo dos anos. Isto significa dizer que o estudo sobre o controle motor está preocupado em entender as relações entre os processos sensoriais e neurais envolvidos na realização de uma única 35 . o estudo do desenvolvimento motor implica entender as mudanças na competência funcional através dos tempos. o desenvolvimento é relacionado com a idade.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR de melhoria na execução de habilidades perceptivo-motoras ao longo dos anos (idades) influenciados por fatores genéticos (maturação) e ambientais (meio ambiente e experiências). 1. é muito comum fazer a associação entre desenvolvimento motor e crianças.2 Controle Motor Na área do controle motor. Segundo Gallahue (2009). educação infantil e outros.2. mas não é dependente da idade. Quando olhamos e analisamos a capacidade de executar habilidades perceptivo-motoras dentro da área do Desenvolvimento Motor. as questões são bem mais específicas e abrangem uma dimensão temporal muito centrada no ¨agora¨. Portanto. Uma vez que nos primeiros anos de vida e durante a infância ocorrem grandes mudanças físicas e comportamentais.

somatossensitivo. 2003). e (4) contribuir para a percepção e o controle do movimento. podemos afirmar que o campo do controle motor estuda: 1. tamanho) da bola ou objeto que se aproxima. executar e corrigir o movimento quando necessário. embora nas pesquisas os estudiosos necessitem de realizar várias repetições para obter dados mais significativos estatisticamente.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR ação motora 2. Quais são os efeitos do desenvolvimento. Imagine a situação que é muito comum nos jogos com bola. cerebelo e gânglios da base) para planejar. 2. vestibular. 2 Para entender os processos neurais basta olhar somente para uma execução do movimento. 36 . (3) modular os comandos que se originam nos centros superiores do sistema nervoso. 4. O uso das informações sensoriais dos diversos órgãos dos sentidos (visão. Inicialmente. por meio de trajetos ascendentes. ele precisa identificar por meio das informações visuais a direção. Entender os mecanismos envolvidos no planejamento e na execução dos movimentos é o foco central da área do controle motor. Como o sistema nervoso central (SNC) organiza os numerosos músculos e articulações em movimentos funcionais organizados. Portanto. Como os problemas inerentes ao movimento podem ser quantificados em pacientes com disfunções do controle motor. tais como córtex motor. em que o jogador precisa receber e agarrar uma bola. a velocidade e outras características (forma. iniciar. do envelhecimento e de doenças crônico-degenerativas (diabetes. (2) modular o resultado de movimento originado das atividades dos geradores de padrão na medula espinhal. Dessa forma podemos afirmar que a dimensão temporal do controle motor é de segundos ou milésimos de segundo. auditivo) para o planejamento e a execução dos movimentos. de forma muito mais complexa (ShumwayCook e Woollacott. Em seguida utilizar essas informações (enviadas para determinadas áreas do cérebro. doença de Parkinson. ou quando necessita devolver ou rebater uma bola para outro jogador. e outras) no planejamento e na execução dos movimentos. 3. As funções das informações sensoriais são: (1) servir de estímulo para o movimento reflexivo organizado na medula espinhal.

2. processada e armazenada. Para entendermos a abrangência e os tipos de estudos da área aprendizagem motora precisamos primeiro definir o que é aprendizagem motora. “o resultado de um mapeamento dinâmico entre percepção e ação (. 1. 1999. podemos reforçar e dizer que a aprendizagem motora é um processo contínuo de mudanças inferido pelas melhorias na execução das habilidades perceptivo-motoras. Existem diversas definições sobre o que é aprendizagem de forma geral3. de modo a subsidiar a intervenção em idosos e portadores de doenças crônico-degenerativas. 54). porém vamos considerar inicialmente algumas que são mais relacionadas com a dimensão motora do comportamento conforme apresentas a seguir: 1. Aprendizagem Motora O campo de estudo da aprendizagem motora será o foco central desta disciplina e ao longo das próximas unidades vamos discutir sobre o processo ensino–aprendizagem de habilidades perceptivo-motoras com a preocupação em auxiliar o professor de Educação Física a participar ativamente neste processo.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR Embora a grande maioria dos estudos no campo do controle motor tenha mais preocupação com a pesquisa básica.)” que ocorre através do acoplamento entre as “ações realizadas pelo executante e as conseqüências sensoriais provenientes desta ação” (Barela. existe principalmente entre os profissionais da Educação Física um grande esforço para realizar pesquisas aplicadas.3. 37 . Separando algumas palavras das definições apresentadas. 2.. Este processo 3 Algumas definições já foram apresentadas na disciplina de Psicologia.. p. um processo contínuo de mudanças de como a informação é organizada.

ou seja. variando de um mais específico (microscópico) até um mais abrangente (macroscópico). Exemplos de estudos no nível microscópico são os estudos envolvendo estruturas neurais e suas interações funcionais. ou seja. 38 .PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR acontece por meio de uma interação entre as ações realizadas pelo executante e as consequências sensoriais. o campo de estudo da aprendizagem motora está preocupado em entender os processos e os mecanismos envolvidos durante a aquisição de habilidades perceptivo-motoras e também as variáveis que afetam a obtenção de formas eficientes na execução dessas habilidades. A pesquisa em Aprendizagem Motora pode ocorrer em diversos níveis de análise. Num ponto central deste contínuo temos os estudos no nível comportamental onde encontramos a grande maioria das pesquisas nesta área. o movimento executado. Portanto. Estes estudos analisam os fatores que afetam a aquisição de habilidades perceptivo-motoras analisando o comportamento observável. mediante muita prática regada a boas fontes de feedback (do próprio indivíduo ou do professor ou treinador). tal como o tipo de habilidades praticadas pelos meninos de determinada comunidade e/ou cultura e outras discussões mais filosóficas. tais como a natureza das interações bioquímicas que ocorrem dentro das células (nível bioquímico) e as atividades elétricas e mecânicas em um grupo de células (nível neurofisiológico). Os níveis acima do comportamental incluem análises mais abrangentes.

e (4) informação de feedback. Como as diferenças individuais afetam o ritmo de aprendizagem dos alunos e como isto pode ser utilizado para a detecção de talentos esportivos? 7. constante. Para compreender quais são os fatores que afetam a aprendizagem.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR Entre os vários processos estudados no campo da Aprendizagem Motora. Qual a quantidade de prática pode ser utilizada sem prejuízo da aprendizagem? 6. vamos imaginar quais as perguntas que podem ser feitas pelos professores ao planejar uma aula: 1. (3) programação motora. Quais são os tipos de feedback e qual a melhor forma de fornecê-los para o aprendiz? 3. Como ocorre a transferência de aprendizagem entre duas habilidades perceptivo-motoras? Estes fatores são as grandes ferramentas que o professor de Educação Física deve manter sempre afiadas para planejar e realizar com sucesso suas aulas. 39 . Ao longo desta disciplina vamos discutir tanto esses processos como as variáveis ou fatores que podem facilitar a aprendizagem de habilidades perceptivo-motoras. (2) atenção e tomada de decisão. destacamos os seguintes: (1) memória. Qual o método mais eficiente para fornecer instrução que ajude a pessoa a aprender uma habilidade motora? 2. Qual o tipo de prática (variada. Qual o melhor espaçamento da prática? 5. randômica) é melhor para ser utilizado no início da aprendizagem? 4.

apresentamos uma figura ilustrando as três áreas e mostrando como elas se relacionam.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR Sintetizando. Quando olhamos para a melhoria no movimento. a redução dos erros. a relação entre essas três áreas de estudo pode ser entendida pela apresentação gráfica apresentada na figura a seguir. o tempo que leva para identificar o estímulo (bola) e tomar uma decisão. e então estamos olhando para o Desenvolvimento Motor. Assim estaremos focando no Controle Motor. Também podemos olhar somente para o papel da visão na rebatida. geradas por um período de prática. estamos falando sobre Aprendizagem Motora. Tentativas/Prática Controle Motor Aprendizagem Motora Função Neural Desenvolvimento Motor Anos 40 . Uma habilidade de rebater tal como é utilizada no tênis de campo pode ser estudada considerando os efeitos da idade e do processo de maturação que ocorrem ao longo dos anos. a melhoria na capacidade de antecipação. A seguir.

diferentes áreas do sistema nervoso central.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 1 I ÁREAS DO COMPORTAMENTO MOTOR A área do comportamento motor é muito importante dentro da Educação Física. considerando as influências de três aspectos ou restrições: o ambiente no qual o movimento está sendo realizado. músculos. embora muito interligados. deve ser realizado de forma abrangente. dos processos de maturação e da hereditariedade na execução de habilidades perceptivomotoras. buscando entender os efeitos da idade. pois fornece uma sólida fundamentação teorico-prática para o professor planejar e executar as suas aulas. articulações e outras variáveis são organizadas para produzir um movimento dentro de uma meta prevista. A questão básica é entender como as informações sensoriais. Um outro foco (Controle Motor) busca o entendimento dos mecanismos envolvidos na produção e no controle dos movimentos. Um primeiro foco (Desenvolvimento Motor) se refere ao estudo das mudanças ao longo do ciclo da vida. O estudo do movimento humano. Por fim. o foco da Aprendizagem Motora se preocupa com os mecanismos e as variáveis durante a aquisição de habilidades perceptivo-motoras. foco central dessa área. O movimento humano tem sido estudado a partir de três focos distintos. 41 . as características e as peculiaridades do indivíduo (aprendiz) e a tarefa.

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esperamos que você seja capaz de: ■■ definir habilidade perceptivo-motora. ■■ utilizar medidas de erro para avaliar o desempenho de uma habilidade motora. com o objetivo de fornecer ferramentas para o professor acompanhar e avaliar o desenvolvimento dos seus alunos.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 Conceitos Básicos da Aprendizagem Motora Durante as aulas de Educação Física os alunos exploram e aprendem uma grande quantidade de movimentos. ■■ construir uma curva de performance e utilizá-la para avaliar o processo de aprendizagem. o professor pode avaliar com precisão a aprendizagem dos alunos. Nesta unidade vamos discutir sobre alguns conceitos importantes dentro do campo da aprendizagem motora. ■■ diferenciar aprendizagem motora de performance motora. Para planejar e orientar adequadamente todo o processo de ensino–aprendizagem de habilidades perceptivo-motoras é necessário um grande envolvimento do professor. 43 . OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. ■■ classificar uma habilidade motora. Por meio do uso de curvas de performance e do cálculo de medidas de erro.

O primeiro deles é considerar uma habilidade motora como um ato ou uma tarefa. a cortada e o saque no voleibol etc. Segundo Schmidt e Wrisberg (2010).1 Definição de Habilidade Perceptivo-motora Como foi dito na Unidade 1. Podemos 44 . afinal. o campo da Aprendizagem Motora está preocupado em entender como as pessoas evoluem de um movimento inconsistente e cheio de erros para uma situação com alto grau de precisão dentro dos objetivos previamente estabelecidos. Neste caso.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA 2. a manchete. ao olharmos para diferentes modalidades esportivas. o que é uma habilidade motora? Ao longo desta disciplina estamos utilizando o termo habilidade perceptivo-motora com o mesmo significado que os autores da área da aprendizagem motora utilizam para o termo habilidade motora. podemos identificar diversas habilidades motoras. Mas. a definição de habilidade motora pode se basear em dois aspectos. Imagine uma criança iniciante na modalidade futebol tentando executar o movimento de cabecear uma bola direcionando-a para um alvo ou para um gol. tais como: o chute e o cabeceio no futebol. Todos nós sabemos que será necessária muita prática para que esta criança consiga realizar esta habilidade com facilidade e com consistência.

Movimentos são partes que compõem a habilidade. 45 . ter uma meta a ser atingida. Máxima certeza Mínimo gasto energético Mínimo tempo de movimento Para diferenciar habilidade motora do termo movimento – que se refere a uma característica do comportamento de um membro específico ou de uma combinação de membros – a definição de habilidade motora apresentada por Magill (2010) ressalta que a habilidade motora deve apresentar um conjunto de características comuns que são: 1. Muitas vezes é dito “o jogador A é mais habilidoso do que o jogador B na execução do arremesso”. Para distinguirmos uma habilidade motora de outra.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA também olhar para os movimentos fundamentais (discutidos na disciplina CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO MOTOR) e considerá-los como sendo habilidades motoras. e (3) o nível de previsibilidade do meio ambiente durante a performance. O outro aspecto utilizado para definir uma habilidade motora é considerar como sendo o nível de proficiência em que determinada pessoa executa um movimento. (2) a importância relativa dos elementos motores e cognitivos. Além dessas características veremos outras formas de classificar as habilidades motoras ao longo desta unidade. Schmidt e Wrisberg (2010) consideram três características importantes: (1) a forma como a tarefa é organizada. Características da habilidade motora Proficiência está relacionada à capacidade de obter um resultado desejado com o máximo de certeza e o mínimo de gasto energético e tempo.

que representam lados extremos de um contínuo. requerer movimentos do corpo e/ou dos membros para atingir as metas da tarefa. Por meio de um sistema de classificação unidimensional. vamos utilizar o exemplo a seguir: Classifique as cores apresentadas a seguir em relação ao elemento nitidez. ao classificar uma habilidade motora. o elemento comum é subdividido em duas categorias. A classificação das habilidades motoras baseia-se na existência de elementos comuns entre elas. Neste contínuo temos as habilidades motoras grossas e as habilidades motoras finas. 2. necessitar ser aprendida. 3.2 Classificação de Habilidades Perceptivo-motoras Classificar as habilidades motoras é importante para o professor de Educação Física poder planejar adequadamente suas aulas e obter o máximo de sucesso no ensino dessas habilidades. Para entender como funciona este sistema de classificação. Assim. 4. MUITO NÍTIDO POUCO NÍTIDO Uma primeira forma de classificação considera o grau de precisão requerido pela habilidade motora. buscamos identificar o quanto ela se aproxima de um dos dois extremos do contínuo. 46 .PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA 2. ser realizada voluntariamente.

poderíamos pensar que existe um alto grau de precisão para dar conta de passar por cima do sarrafo. arremessar etc. Considerando. Atividades manuais (pintar. desenhar. em outras palavras. correr. pular. Podemos exemplificar como habilidade motora grossa as habilidades motoras fundamentais. HABILIDADES MOTORAS FINAS Pense nas pessoas que nasceram sem os braços e utilizam os pés como mãos para fazer todas as atividades manuais. existe o envolvimento de toda a musculatura corporal para fazer com que o executante tenha sucesso. saltar. Como fica a classificação sobre habilidades motoras grossas e finas? Uma outra classificação utiliza a distinguibilidade do movimento. mesmo com a grande precisão necessária para executá-la. podemos classificar a habilidade motora do salto em altura como sendo uma habilidade motora grossa. e o grau de precisão não é tão elevado. que. Porém. tais como nadar.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA Há o envolvimento de grandes grupos musculares. digitar) e habilidades esportivas. É importante ressaltar que nesta classificação a análise da musculatura envolvida deve considerar a musculatura que é prioritária para atingir a meta. HABILIDADES MOTORAS GROSSAS Requerem muita precisão e envolvem o controle de grupos musculares menores. Nessa classificação existem as habilidades motoras discretas. Assim. as habilidades motoras contínuas e entre elas as habilidades motoras seriadas. 47 . significa a maneira como o movimento é organizado em termos de início e fim. por exemplo. tais como arco-e-flecha e tiro são exemplos de habilidades motoras finas. o salto em altura.

saltar. Um exemplo muito comum no nosso dia a dia é o dirigir um carro. Nada além do executante irá afetar a execução da habilidade motora. como se fosse uma habilidade discreta.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA Habilidades motoras discretas São aquelas que apresentam de forma clara o seu início e o seu fim. temos a habilidade de chutar. Com o processo de aprendizagem. Habilidades motoras contínuas São constituídas por um conjunto de movimentos que se repetem. Exemplos: pular corda. assim fica difícil identificar o início e o fim dessa habilidade. ou seja. pedalar e nadar. Entre as várias formas de classificação de habilidades motoras. Habilidades motoras seriadas São compostas por duas ou mais habilidades discretas conectadas em uma sequência. Na analogia do ligar ou desligar um interruptor de luz. estável. Nesse caso. o executante pode reduzir o tempo e a fluência da execução de uma habilidade seriada. Essa deve ser a meta de todo professor com os seus alunos. tais como: pisar na embreagem. denominamos de habilidade motora 48 . controlando todo o movimento. Existem situações em que o ambiente (onde a habilidade motora é executada) é totalmente previsível. remar. Essa habilidade envolve vários elementos discretos. a mais relevante para o professor de Educação Física é quando tratamos da estabilidade do ambiente. arremessar. mover a alavanca para passar a marcha e pisar no acelerador. rebater.

Todas as habilidades motoras executadas durante uma situação de jogo são classificadas como habilidades motoras abertas. pois as decisões sobre o quê e o como fazer devem considerar as condições presentes a cada momento. A classificação proposta por Gentile inclui: (1) o contexto 49 . o salto sobre a mesa na ginástica olímpica. No contínuo oposto de uma habilidade motora fechada. e o subir em uma escada. Nestes casos. De modo diferente vai acontecer quando ele for executar uma caminhada dentro de um shopping center. tanto a forma de execução como o momento de iniciar serão dependentes das condições presentes nessas situações. as características do objeto (ex: bola) e as alterações do ambiente. Gentile (2000) propôs uma outra forma de classificar uma habilidade motora. tais como o adversário. rebater uma bola de tênis ou realizar um chute durante uma luta de taekwondo.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA fechada. Se o ambiente é totalmente previsível. Um exemplo dessa habilidade é o chute do pênalti. pois somente o executante poderá modificar ou parar a execução dessa habilidade. uma vez que essas não contemplam a complexidade de muitas habilidades. tal como ocorre em uma caminhada em uma pista de atletismo ou em um saque no tênis. A habilidade aberta precisa ser ensinada de forma variada para gerar um grande repertório de opções para o aluno quando for utilizá-la na situação de jogo Para tentar solucionar as limitações das classificações com apenas uma dimensionalidade. A identificação do tipo de habilidade motora aberta ou fechada tem grande importância no planejamento das aulas. que é altamente influenciada pelas condições ambientais. Um aspecto importante na diferenciação entre uma habilidade motora aberta e uma habilidade motora fechada é a decisão do executante sobre quando começar e quando terminar aquela habilidade. o executante tem total controle sobre o seu movimento. temos a habilidade motora aberta.

e (2) o tipo de ação demandada. a habilidade motora é analisada em termos de condições regulatórias e nãoregulatórias. Classificação das Habilidades Motoras. executar o arremesso livre do basquetebol TRANSPORTE DO CORPO Sem manipulação de objeto Com manipulação de objeto Contexto Ambiental Condição Regulatória Estacionária Ficar em pé sozinho Subir escadas Subir escadas carregando uma sacola ou livros Ficar em pé em diferentes superfícies Andar numa esteira rolante na velocidade constante Lavar pratos em pé na frente da pia Andar na esteira com a velocidade constante lendo um livro ao mesmo tempo Agarrar uma bola arremessada em diferentes velocidades e posições Andar em diferentes superfícies Andar de patins de gelo em um rinque de patinação com várias pessoas Realizar vários arremessos de dardo em um alvo Correr num jogo de basquetebol quicando a bola com um marcador ao seu lado Condição Regulatória em Movimento Andar numa esteira rolante em diferentes velocidades Andar em um shopping cheio de pessoas Realizar vários chutes a gol no futebol 2.3 Definição de Aprendizagem de Habilidades Perceptivo-motoras Existe uma grande confusão na área da Educação Física sobre o uso dos termos aprendizagem e performance. Você sabe diferenciá-los? 50 . Com base nessas características.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA ambiental. onde a habilidade motora é executada. segundo Gentile (2000)   ESTABILIDADE DO CORPO Sem manipulação de objeto Com manipulação de objeto Escovar os dentes. Muitas vezes esses termos são utilizados indistintamente para dizer que os alunos ou atletas melhoraram na execução das habilidades perceptivo-motoras.

Podemos apenas avaliar como foi esta performance em termos de atingir a meta pretendida ou como o movimento foi executado. Podemos sim utilizar este termo para dizer que após o ano letivo os alunos aprenderam uma série de movimentos novos. considerando as definições apresentadas. devido à prática ou à experiência” (p. habilidades esportivas novas ou mesmo para qualificar que a aprendizagem dos alunos foi significativa ao longo deste período. A utilização do termo performance refere-se à execução de uma habilidade motora específica em uma determinada situação. 51 . quando olhamos um aluno executar um chute no futebol ou um giro no skate estamos observando a performance nessas habilidades. aprendizagem é “uma alteração na capacidade da pessoa em desempenhar uma habilidade. melhorando a capacidade do executante. Quando estamos nos referindo ao termo aprendizagem motora. 136). Esta confusão é bem explicada no texto descrito a seguir. Assim. que trata de conclusões sobre estados internos das pessoas ao observar suas atitudes. estamos considerando melhorias na forma de executar uma habilidade motora geradas pela prática e auxiliadas pelas informações de feedback do professor e do aluno. A melhora relativamente permanente ocorre na medida em que existe uma associação entre prática e processos internos ao cérebro (planejamento e armazenamento via memória). Segundo a definição apresentada por Magill (2000). Utilizar o termo performance para referir-se a aprendizagem não é correto. que deve ser inferida como uma melhora relativamente permanente no desempenho.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA A aprendizagem refere-se a um processo de mudança que ocorre no comportamento. Performance ou desempenho deve ser entendido como o comportamento observável.

devemos considerar que a aprendizagem é a avaliação das mudanças na performance ao longo do tempo.” (Magill. justamente por estarmos baseando nossa conclusão no comportamento observado. Quando alguém chora. Entretanto. você poderia concluir que ele está entediado. o professor de Educação Física deve acompanhar a evolução da performance dos alunos. é possível que nossas conclusões estejam erradas. na medida em que vai ocorrendo a aprendizagem. no outro dia. Segundo Magill (2000). concluímos que ela está feliz. 2000. pode ser que ele esteja muito interessado e o bocejo seja o resultado de um cansaço extremo. ou talvez muito feliz. comparando-a passo a passo e assim poder inferir com certeza se os objetivos planejados estão sendo atingidos. Se o aluno sentado ao seu lado na classe boceja durante a aula. Existem alguns indicadores que podem ser utilizados para analisar as mudanças na performance. Em cada uma dessas situações. Existem diversas situações em que a performance observada em um dia ou em uma aula pode parecer muito satisfatória e que o objetivo desejado já foi atingido. ela retorna a um patamar bem abaixo do executado no dia anterior. o professor de Educação Física deve ter cuidado para não olhar somente para a performance e considerar que aquele resultado momentâneo reflete uma aprendizagem do aluno. devido a uma note mal dormida. supomos que ela esteja se sentindo constrangida. quando alguém sorri (um comportamento observável).. 136) Tendo como base o texto e as definições de performance e aprendizagem.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA “. porém. Para avaliar a aprendizagem dos alunos.. os 52 . deduzimos que ela deve estar triste. Quando uma pessoa enrubesce. p. Portanto. Entretanto. a observação de certas características do comportamento do indivíduo nos permite tirar uma conclusão particular sobre algum estado interno que não pode ser observado diretamente.

O nível de desempenho que for atingido em um dia irá persistir por certo período de tempo (dias. 1. 4. ainda. etc). do produto da habilidade motora (distância. estabilidade. o processo de aprendizagem ocorre mediante domínio dos graus de liberdade redundantes. 2. persistência e adaptabilidade. 5. Estabilidade: manutenção da consistência na performance mesmo diante de pequenas alterações no ambiente. consistência. Persistência: capacidade de manter o aperfeiçoamento obtido da habilidade por um longo período de tempo. 3. semanas. meses). Consistência: redução na variação dos níveis de performance de uma tentativa para outra. Aperfeiçoamento: melhoria na forma de executar a habilidade motora que pode ser verificada por meio da aproximação da meta prevista (processo) ou. (Essas ideias serão discutidas em detalhes na Unidade 3. Adaptabilidade: este indicador é muito importante principalmente quando ensinamos habilidades motoras abertas. É o momento da utilização da habilidade aprendida em um novo contexto ou diante de muitas alterações ambientais. Uma outra forma de entender o conceito de Aprendizagem Motora surge das ideias propostas inicialmente por Bernstein (1967) e que redundaram na formulação da Teoria dos Sistemas Dinâmicos. A redução dessa variabilidade é um bom indicador de que o processo de aprendizagem está ocorrendo.) Para ele. pontuação.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA indicadores são: aperfeiçoamento. tempo. 53 .

p. a preocupação do aprendiz é de compreender a tarefa a ser realizada. Segundo Magill (2000. mas deve. 1985). 151). incluir inércia e forças reativas. Na literatura encontramos quatro representações teóricas de como são os estágios da aprendizagem motora (Fitts e Posner. Gentile. ou seja. consistência e persistência e definem as fases ou os estágios da aprendizagem. eles são amplamente aceitos pelos teóricos e ainda utilizados pelos professores de Educação Física. o foco de análise não deve simplesmente relacionarse com a força muscular. 1972. Adams. que significa 54 . 1971. e Newell. De forma geral. forças geradas pelo contato mecânico com a superfície do meio ambiente. (2) problema da variabilidade relacionada ao contexto. o aprendiz deve “captar a idéia do movimento”. Para isso os estudiosos da aprendizagem motora analisam as mudanças que ocorrem desde as primeiras execuções até o momento em que a performance atinge estabilidade. podemos caracterizar a aprendizagem de habilidades motoras em três estágios. necessariamente.4 Estágios da Aprendizagem Como saber se o seu aluno está evoluindo no processo de aprendizagem? É importante para o professor de Educação Física saber como acompanhar e orientar o seu aluno durante as suas aulas.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA As ideias de Bernstein (1967) trazem à tona a preocupação de considerar o meio ambiente nos estudos sobre a coordenação e o controle dos movimentos. Embora alguns desses modelos sejam bem antigos. Estágio Inicial Neste primeiro estágio. 2. Segundo este autor. 1967. Bernstein levanta dois grandes problemas a serem resolvidos nas teorias do controle e da aprendizagem motora: (1) problema dos graus de liberdade.

o professor deve informar ao aluno somente o necessário. Nenhum detalhe sobre a posição dos braços ou pernas precisa ser enfatizado. a posição inicial do corpo. ■■ Executa movimentos desnecessários. É como se o aluno tivesse uma visão ofuscada sobre a habilidade. quais partes do corpo devem ser utilizadas e como segurar um implemento. ■■ Desempenho variável (muita inconsistência entre as tentativas). 55 . para que ele compreenda de forma geral o que é para ser feito. Para facilitar a aprendizagem nesta fase inicial. tais como a meta a ser atingida. ■■ Ainda não consegue identificar o que deve ser feito para melhorar o movimento. Características do estágio inicial ■■ Grande número de erros e. e está tentando responder internamente às perguntas sobre: quais movimentos devem ser feitos. porque o iniciante se concentra em problemas de natureza cognitiva. Basta dizer para as crianças fazerem igual a uma bola rolando. Este estágio inicial também é conhecido como um estágio cognitivo. Uma outra característica deste estágio é a necessidade de discriminar os aspectos reguladores do ambiente.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA identificar o padrão de movimento adequado ou as características invariantes exigidas para atingir a meta de executar a habilidade motora. quando ocorre um acerto. sem apresentar detalhes de movimentos específicos. na maioria das vezes isto é por acaso. Imagine um professor ensinando como fazer o rolamento para crianças do Ensino Fundamental. Pode até ser dito que todos devem ficar bem “redondinhos” com a cabeça junto ao corpo. ■■ Movimentos lentos e descoordenados. caso ele exista.

Veja a seguir outras características deste estágio: Características do estágio intermediário: ■■ Descoberta de como economizar energia e tempo. mesmo sendo de forma rudimentar. A linha limítrofe entre os estágios inicial e o estágio intermediário não é muito fácil de ser identificada. intermediário ou motor O segundo estágio dentro da ideia de que a aprendizagem consiste no domínio dos graus de liberdade caracterizase pela liberação de articulações que não estavam sendo utilizadas anteriormente. fixando. ■■ Diminuição da quantidade de erros. fazendo com que algumas articulações se movam em sincronia e outras se movam independentemente (Pellegrini. algumas articulações e tentando liberar temporariamente algumas articulações. Neste caso. O segundo estágio é conhecido como associativo. a solução é o congelamento de parte dos graus de liberdade. No estágio intermediário os movimentos que compõem a habilidade motora tornam-se mais coordenados. e o executante consegue eliminar os movimentos desnecessários. Após algumas execuções que demonstram que o executante adquiriu a ideia do movimento e quando o envolvimento cognitivo inicial está sendo direcionado para a correção do movimento. podemos dizer que ele já se encontra no estágio intermediário. ■■ A atenção é focada para os estímulos relevantes que não foram percebidos no estágio inicial. 56 . ■■ O controle visual da ação vai dando lugar ao controle cinestésico. 2000). Estágio associativo. A referência utilizada é quando o executante consegue realizar o movimento. intermediário ou motor. Pensar o estágio inicial da aprendizagem considerando o conceito de graus de liberdade significa imaginar um iniciante tentando controlar diversas partes do seu corpo (segmentos) ao mesmo tempo. A alteração dos parâmetros cinemáticos associados ao movimento muda a relação entre as articulações e as sinergias musculares. ■■ Maior confiança.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA ■■ Utiliza a verbalização para entender a sequência de movimentos. assim.

A fixação se aplica às habilidades fechadas e significa refinar o padrão básico de movimento. basta subir na bicicleta que tudo irá parecer tão normal quanto era quando aprendeu. e por isto é utilizado o termo movimentos automatizados. Você se lembra de quando aprendeu a andar de bicicleta? Estar no estágio autônomo do andar de bicicleta significa poder andar olhando para a paisagem. Para as habilidades abertas. será necessário um processo de diversificação.)” e “precisam se concentrar no desenvolvimento da capacidade de modificar as características do movimento durante a prática”.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA ■■ Desenvolvimento de mecanismos de detecção e correção de erros. (p. A qualidade da prática melhora com a utilização adequada das informações via feedback e das instruções oferecidas pelo professor. A grande característica deste estágio é a capacidade de o executante realizar uma segunda tarefa ao mesmo tempo em que executa a habilidade motora. Para desenvolver todas essas capacidades é fundamental que exista prática em quantidade e qualidade suficientes.. é nesta fase que “os aprendizes precisam se adaptar ao ambiente em modificação para desempenhar as habilidades abertas com sucesso (. 57 . que necessitam de um constante ajuste do padrão de movimento em relação às alterações do ambiente. Estágio autônomo ou avançado O estágio final da aprendizagem motora é denominado de estágio autônomo ou avançado. Considerando o modelo desenvolvido por Gentile (1972). 152). De acordo com Magill (2000). Os movimentos são realizados sem a necessidade de um foco de atenção consciente para eles. Uma vez atingido este estágio e mesmo ficando muito tempo sem pedalar. a meta a ser alcançada no estágio intermediário pode ser descrita como um processo de fixação ou diversificação da habilidade motora.. na medida em que essas habilidades serão executadas em ambientes estáveis. A segunda característica deste estágio é a capacidade de detectar os erros e saber corrigi-los durante a execução da habilidade. conversando com as pessoas da rua ou ouvindo música.

58 .PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA Veja a seguir outras características deste estágio: ■■ Padrão motor estável e fluente. músculos) atuam como uma unidade funcional (estrutura coordenativa) para atingir a meta pretendida. Referindo-nos novamente ao conceito de graus de liberdade. ■■ Desempenho preciso e consistente.5 Avaliação da Aprendizagem Motora Como saber se os alunos estão realmente aprendendo e se o planejamento está adequado ao nível e às expectativas dos alunos? Para o professor de Educação Física avaliar a aprendizagem dos seus alunos. os graus de liberdade (articulações. É o estágio da parametrização do padrão de movimento. 2. Na linguagem utilizada na Teoria dos Sistemas Dinâmicos. Dessa forma. o estágio avançado se caracteriza pela visualização de um movimento único e coordenado. ■■ Capacidade de adaptação do movimento às variações contextuais. é necessário utilizar medições sistemáticas e compará-las com as metas previamente estabelecidas. no estágio avançado. o executante se concentra em explorar as forças externas a ele para controlar e liberar os graus de liberdade dentro das necessidades da tarefa.

PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA A aprendizagem motora pode ser avaliada por meio de dois tipos de medidas: Estão relacionadas à qualidade da coordenação dos movimentos que fazem parte da habilidade motora. Rowland. O sujeito com esquizofrenia tem pouca melhora. medidas de precisão (proximidade da meta. análise da atividade muscular (eletromiografia) e análise da atividade cerebral (eletroencefalografia. medidas de processo medidas de resultado/produto A figura a seguir mostra o aumento da atividade cerebral em determinadas regiões do cérebro (córtex sensório-motor e área motora suplementar) após um período de aprendizagem de uma tarefa motora. resonância magnética). Reza Shadmehr. pois demanda tempo e instrumentação sofisticada. Incluem todos os indicadores da performance. Psychiatry Res. 163(1): 1–12. Exemplos de medidas de processo são a análise da dinâmica da coordenação mediante os retratos de fase (baseado em medidas cinemáticas e cinéticas). Estudo realizado por Laura M. Esse tipo de medida não é muito fácil de ser realizada. tempo de reação). erro) e outros. tais como: medidas de tempo (tempo gasto na execução da habilidade motora. Holcomb. medidas de distância (distância arremessada ou percorrida). 59 . 2008 May 30. Dwight Kravitz and Henry H.

300 No gráfico ao lado podemos visualizar a curva de performance para um aluno. O registro de cada performance de uma série de tentativas ao longo de vários dias possibilita ao professor de Educação Física saber como está a evolução dos seus alunos. atingindo a distância próxima de 250 cm. realizando o salto por volta de 250 cm. Por meio da curva de performance podemos observar uma tendência de aumento na distância saltada (aperfeiçoamento) e que o aluno teve uma grande melhora entre o 10º e o 13º dias. No eixo x (horizontal) são apresentados os dias em que foi realizada a medida. O professor criou um gráfico para cada aluno considerando para cada dia a média dos cinco saltos. é o acompanhamento das mudanças na performance ao longo da prática por meio de um gráfico denominado curva de performance. ou mesmo em atividades de campo. e no eixo y (vertical) a distância média entre as cinco tentativas de cada dia. Veja o exemplo a seguir: Durante um bimestre.1 Curvas de Performance A forma mais comumente utilizada para avaliar a aprendizagem motora. seja em estudos de laboratórios. Podemos ainda observar pelos dados que a partir do 21º dia o aluno manteve uma estabilidade na sua performance.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA 2. 250 Distância (cm) 200 150 100 50 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Tentativas (dias) 60 . o professor ensinou a habilidade salto em distância do atletismo e ao final de cada aula registrou a distância que cada aluno atingiu em cinco saltos consecutivos.5.

é necessário utilizar um teste de retenção e/ou de transferência. No exemplo anterior. a consistência e a estabilidade da performance. 61 . Podemos encontrar ainda uma curva de performance linear que reflete uma relação direta entre a performance e o tempo. Porém. que mostra uma progressão lenta no início das tentativas e uma grande melhora na performance posteriormente. a curva segue um padrão positivamente acelerado. Posivamente acelerado Negativamente Posivamente acelerado Negativamente acelerado Posivamente acelerado Negativamente acelerado Linear Forma de ¨S¨ Linear Linear Forma de ¨S¨ Forma de ¨S¨ Por meio da curva de performance podemos observar vários indicadores da aprendizagem. que é aplicado imediatamente após um período de prática (que pode ser uma aula ou várias aulas) e que é utilizado para saber o que o aluno consegue fazer após a prática. Diferentemente de um pós-teste. para analisarmos a persistência e a adaptabilidade do desempenho. o teste de retenção é aplicado após um período sem prática. dependendo das medidas que forem utilizadas na sua construção. Nesse caso vamos ter uma curva em forma de “S”. tais como o aperfeiçoamento.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA A curva de desempenho pode apresentar formas distintas do exemplo apresentado. Existe a possibilidade da combinação entre as curvas negativa e positivamente aceleradas. Mediante a comparação com o nível de performance obtido antes da pausa poderemos inferir se ocorreu aprendizagem. De forma contrária ao apresentado (padrão negativamente acelerado). ocorre quando observamos uma grande melhoria no início da prática seguida de pequenas melhoras ao final das tentativas.

O teste de transferência ocorre mediante a utilização de uma nova habilidade que apresenta componentes comuns com a habilidade anteriormente praticada ou a realização da mesma habilidade motora em uma nova condição (ex: modificação do ambiente. ou seja.5. Esta precisão pode ser espacial. e (2) informações sobre o desvio da performance . Se o nível de performance permanecer próximo do que foi obtido antes da pausa. Por meio delas podemos avaliar a precisão na qual o movimento foi realizado.). ainda. temporal ou. Uma forma de utilizar adequadamente as medidas de resultado é pelas medidas de erro. tais como posição.viés. 2. uma combinação das duas. a utilização das medidas de erro fornece dois outros tipos de informações para o professor: (1) informações sobre a consistência.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA Ressaltamos que a aplicação de um teste de retenção pressupõe que o executante chegue a uma performance estável caracterizada por um platô na curva de performance. força. similar ao obtido no momento da estabilidade (platô). Além da informação sobre a precisão.2 Medidas de Erro A utilização da curva de performance e do teste de retenção é uma importante ferramenta para o professor de Educação Física avaliar a aprendizagem dos seus alunos. podemos inferir que as mudanças geradas pela prática levaram à aprendizagem da habilidade. O professor pode utilizar diversas medidas de resultado para construir a curva de performance e assim acompanhar a evolução dos seus alunos. etc. 62 . modificação de determinados parâmetros.

basta somar cada erro absoluto e dividir pelo número total de tentativas.8 63 . basta subtrair o valor de cada performance das alunas Bia e Natália pelo valor de 100 que é a pontuação para o círculo central (meta prevista). vamos imaginar a situação de duas alunas (Bia e Natália) executando a habilidade de arremesso de dardo em um alvo.2 Bia EA Meta (T): 100 Tentativas 1 2 3 4 5 Soma Média Bia 93 103 99 105 96 496 99. Elas executaram cinco arremessos cada uma e para cada arremesso será calculado o erro considerando a pontuação que o dardo atingiu e a meta prevista que era o centro do alvo. Confira tabela ao lado. Para entender como as medidas de erro são calculadas.2 Natália 99 99 99 99 100 496 99.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA Na figura a seguir podemos entender o que representam os problemas de consistência e de viés.2 Natália xi 99 99 99 99 100 496 99. Para obter o erro absoluto de todas as tentativas. Considerando o exemplo. Existem três tipos de medidas de erro que podem ser obtidos com os dados coletados dos arremessos das duas alunas.2 Fórmula para o cálculo do erro absoluto Fórmula para o cálculo do erro absoluto EA = ∑ (|xi – T|)/n Onde: xi = medida na tentativa i T = Meta a ser atingida Natália EA (100-93) = 7 (100-99) =1 3 1 1 1 5 1 4 0 20 4 (20/5)=4 (4/5)=0. Meta: 100 Tentativas 1 2 3 4 5 Soma Média Bia xi 93 103 99 105 96 496 99. A primeira medida é o erro absoluto (EA) que representa a diferença absoluta entre o valor obtido na performance e a meta pretendida.

Para obter uma boa avaliação. vamos obter o erro variável. e para o exemplo do alvo a pontuação será negativa se o aluno acertar o dardo do lado esquerdo e positiva se acertar no lado direito. O erro constante fornece dados sobre o valor médio do desvio e ainda diz sobre a direção desse desvio (VIÉS). O cálculo do erro absoluto é muito útil. que no nosso exemplo seria para a direita ou para a esquerda. e o lado esquerdo. em vez de fazermos o cálculo com base na pontuação prevista como a meta (no caso do arremesso do dardo foi o círculo central com a pontuação de 100). O erro constante indica a direção da performance em relação à tendência para um lado ou outro da meta. ele apresenta limitações que serão supridas por meio de duas outras medidas de erro: o erro constante (EC) e o erro variável (EV). precisamos saber sobre a consistência da performance ao longo das tentativas. Fórmula Fórmula para para oo cálculo cálculo do do erro erro variável variável Fórmula para o cálculo do erro variável EV EV = = ∑∑ (xi (xi –– M)2/n M)2/n Onde: Onde: Onde: M = Média das tentativas n = Número de tentativas xi = medida na tentativa i 64 . Neste caso. porém. Isto significa saber sobre a variabilidade ou o desvio padrão das tentativas.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA O erro absoluto fornece informações sobre a magnitude do erro em uma série de execuções e representa um escore sobre a precisão naquela tarefa. No cálculo do erro constante devemos considerar o sinal. Com base no exemplo anterior das duas alunas. Assim. pontuação negativa. vamos calcular o erro baseado na média das tentativas. vamos considerar que o lado direito do alvo apresenta pontuação positiva.

66 sobre a pontuação de quatro aprendizes nas modalidades futebol e tênis de campo.4 Hora de praticar Utilizando os dados apresentados na tabela da p. Em seguida faça uma discussão sobre o nível de aprendizagem de cada um deles.8   Bia EC -7 3 -1 5 -4 -4 -0.8 0. a partir da análise das curvas de performance construídas com o erro constante e com erro variável calculado para cada bloco de dez tentativas.4 Natália EC -1 -1 -1 -1 0 -4 -0. construa a curva de performance considerando o somatório do erro absoluto de cada bloco de dez tentativas.8 4. 65 . calcule o erro constante e o erro variável.2   Bia EA 7 3 1 5 4 20 4   Natália EA 1 1 1 1 0 4 0. Para a modalidade tênis de campo.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA Os resultados são apresentados na tabela a seguir: Meta: 100 Tentativas 1 2 3 4 5 Soma Média EV Bia xi 93 103 99 105 96 496 99.2   Natália xi 99 99 99 99 100 496 99.

PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA FUTEBOL Meta: 10 Dias Tent 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Jog 1 13 7 9 8 10 11 8 7 6 12 7 9 8 10 11 8 12 13 9 8 13 10 12 6 8 10 6 11 9 10 12 9 10 8 9 10 11 10 9 10 10 10 9 9 11 10 11 9 10 10 Jog 2 8 7 14 12 7 13 6 14 6 11 10 11 7 14 10 12 7 13 6 14 13 7 9 8 10 11 8 12 13 9 13 7 12 6 14 8 11 7 6 14 13 8 12 8 11 10 6 12 13 9 Jog 3 Jog 4 9 7 9 8 10 11 8 12 14 13 7 12 8 11 6 14 10 9 14 10 7 8 12 13 12 8 13 7 11 10 11 9 10 9 10 11 10 8 10 9 11 8 10 9 11 9 10 12 10 8 7 14 7 13 7 9 8 10 11 8 13 9 8 12 13 10 8 13 10 12 12 7 11 8 11 8 12 9 11 10 10 11 10 11 10 9 10 10 10 10 11 10 9 10 10 11 10 10 9 10 TêNIS DE CAMPO Meta: 0 TÊ Jog 1 2 4 -1 -3 3 1 2 -2 3 2 1 4 -4 2 3 -3 -2 0 0 1 3 2 -1 -2 4 3 -4 -2 0 1 2 3 2 1 3 2 4 2 3 1 3 -2 -1 0 4 -3 -2 -1 0 2 3 2 0 1 Jog 2 4 -3 3 -2 4 -3 2 4 3 0 4 3 0 -2 -1 0 2 3 4 -2 -3 4 -4 -2 3 -1 0 0 -1 -2 3 2 0 3 -2 -2 3 0 1 2 -2 -1 0 1 -1 0 -1 -2 1 0 2 1 Jog 3 1 -1 -1 -4 3 4 0 -2 3 2 4 3 -3 0 -3 2 -2 1 0 4 -3 3 -2 2 -1 1 -2 2 -1 1 0 1 -1 1 1 1 0 -1 1 0 0 1 0 1 1 0 1 -1 0 1 0 0 1 Jog 4 0 3 -4 -2 1 4 -2 1 4 3 2 -2 4 -3 2 3 -3 -1 0 3 -4 4 -3 2 0 4 -3 1 0 -2 3 -3 3 -4 3 0 2 1 2 1 2 0 -1 0 2 1 0 0 1 0 -1 -1 0 1 2 FASE DE AQUISIÇÃO 3 4 66 FASE DE RETENÇÃO .

A busca em atingir o objetivo (meta) com a máxima precisão e o menor gasto energético e de tempo conduz o aluno iniciante por diversas fases ou estágios. alem de atender a uma meta especifica. Uma delas é a confecção de uma curva de performance que mostra como a performance do aluno se altera a cada dia ou dentro de um período estabelecido (mês. O professor pode ainda utilizar cálculos sobre as medidas de erro que proporcionam ótimas informações sobre a consistência. Para garantir um ótimo aprendizado. Ele não pode ser um agente passivo dentro desse processo. e assim que eles demonstram ter compreendido o que representa a habilidade motora. já estão na segunda fase. Com base nas informações discutidas nesta unidade. Quando o movimento está automatizado e o aluno pode prestar a atenção para outros detalhes da habilidade ou do ambiente e existe uma grande estabilidade na performance. Assim. As primeiras tentativas são caracterizadas por muitos erros.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 2 I CONCEITOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM MOTORA Nesta unidade discutimos que uma habilidade motora se diferencia de um movimento qualquer. o professor pode utilizar diversas ferramentas de avaliação. como cada parte do corpo irá se movimentar na habilidade). Neste momento a prática e o feedback (do próprio indivíduo e do professor) são fundamentais para a passagem para o estágio final. para oferecer feedbacks adequados à necessidade de cada aluno. a precisão e o viés da performance. Podemos visualizar três estágios na aprendizagem de habilidades motoras. 67 . fica clara a responsabilidade do professor de Educação Física dentro do processo de ensino–aprendizagem de habilidades motoras. é realizada voluntariamente. podemos dizer que o aluno atingiu o estágio avançado ou automatizado. O professor deve utilizar todo esse conteúdo para planejar suas intervenções práticas. pois ela. ele deve sistematizar o processo de avaliação dos alunos e utilizar esses dados cotidianamente. semestre ou ano). Para acompanhar a evolução dos alunos dentro dos estágios da aprendizagem. onde o aluno entende o que deve fazer (como deve ser a postura inicial. O primeiro deles é o estágio cognitivo. a habilidade motora se diferencia dos movimentos reflexos causados por estímulos externos à pessoa. A visualização dos estágios da aprendizagem ajuda o professor de Educação Física a acompanhar o processo de ensino–aprendizagem dos alunos e a planejar adequadamente as suas aulas.

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PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 Teorias da Aprendizagem Motora Como os seres humanos aprendem e controlam os seus movimentos? Ao longo dos anos. OBJETIVOS Após finalizar esta unidade. esperamos que você seja capaz de: ■■ discutir a relevância das teorias sobre o controle e a aprendizagem dos movimentos para o professor de Educação Física. Diversas teorias têm sido propostas para responder a este questionamento. esta tem sido uma importante questão a ser respondida no campo do comportamento motor. ■■ entender e aplicar a proposta pedagógica da abordagem baseada na restrição no ensino de habilidades perceptivo-motoras. especificamente no último século. existe um consenso sobre a necessidade de um modelo teórico sobre a aquisição de habilidades perceptivo-motoras e das contribuições que esse modelo pode ter para os professores de Educação Física. 69 . ■■ distinguir e conceituar as diferentes abordagens teóricas sobre a preparação e o controle dos movimentos. ■■ descrever as diferenças entre as teorias baseadas no programa motor e a teoria dos sistemas dinâmicos. Embora exista um grande debate sobre qual é a teoria da aprendizagem motora mais apropriada.

Isto tem caracterizado a De acordo com Fitch e Turvey (1978) o dualismo animal– ambiente é o coração de uma série de teorias da percepção que falam da sucessão de causas e efeitos iniciando no mundo e terminando em um percept. com a redescoberta dos escritos de Gibson (1966. o executante necessita interpretar internamente as informações. Percepção indireta significa que as informações (sensações) provenientes do ambiente e da tarefa são representadas internamente pelos processos mentais. a visão de percepção indireta cria uma concepção dualista entre o homem e o meio ambiente (Santos. Isto quer dizer que os estímulos vindos do meio ambiente não fornecem informações seguras ou corretas sobre os objetos e os eventos.1 Abordagens Teóricas sobre o Planejamento dos Movimentos O planejamento de qualquer habilidade motora passa necessariamente pela interpretação das informações sensoriais que vêm do corpo e do meio ambiente. O processo perceptivo afeta significativamente a execução de uma habilidade motora. por outro lado. Somente a partir do final dos anos 1980. 70 . elaborada e segura. 1979).PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA 3. em oposição ao modelo anterior. envolvendo mecanismos de memória e de comparação. As teorias perceptivas tradicionais ditas indiretas têm como pressuposto básico a afirmação de que os sentidos são providos de descrições empobrecidas do mundo (Michaels & Carello. Esse processo de reconhecimento e interpretação das informações sensoriais é conhecido como percepção. 1981). Segundo essa concepção de percepção. surgiu o conceito de percepção direta. antes de responder a elas. Uma vez que as informações sensoriais só têm sentido quando processadas pelo indivíduo. Durante muitos anos o modelo de percepção adotado dentro do campo da aprendizagem motora tem sido o da percepção indireta. A relevância e o significado das informações sensoriais surgem da comparação entre essas informações com as representações existentes internamente no SNC (Sistema Nervoso Central). 1991). é tida como sendo muito rica. A percepção.

rotação. O modelo é constituído de estágios no qual a informação é processada desde a identificação do estímulo até a emissão da resposta. O jogador tem a sua disposição uma quantidade de informações abundantes.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA visão dualista de homem e meio ambiente. trajetória. 3. o cheiro e a cor da grama. além das informações sobre a sensação de suor na sua pele. (1995) nesta visão dualista. e muitas outras.1 Modelo de Processamento de Informações O modelo teórico que busca explicar o planejamento das habilidades motoras associado à percepção indireta é o Modelo de Processamento de Informações. Veja a seguir o desenho esquemático dos estágios de processamento da informação: Sensações Percepção Decisão Execução Resposta FEEDBACK Imagine a situação de um jogador de futebol quando vai realizar um chute durante um jogo. o barulho da torcida. que incluem: o pé que será utilizado para chutar a bola.1. “o ambiente tem sido relegado ao segundo plano. tal como a sua velocidade. as características da bola. o som de um avião voando sobre o estádio. uma vez que os estímulos só se constituem em informação quando processados pelo homem”. Segundo Santos. 71 . as memórias passadas sobre tentativas de sucesso e de fracasso.

as informações geradas pela sua realização são utilizadas na forma de feedback pelo executante para checar se existe discrepância entre o que foi desejado e o que está realmente acontecendo. podemos encontrar uma mesma situação que produz affordances diferentes para duas pessoas. 1977. seja bom ou mal (Gibson. 1979). O affordance percebido por cada uma delas é totalmente diferente em razão das diferenças da altura – as crianças adoram se esconder e passar por debaixo das roupas. Isto significa dizer que o ambiente ou a tarefa são percebidos em termos das ações que o percebedor pode exercer neles. No cérebro irá ocorrer a integração dessa informação com as experiências passadas.1. tais como a velocidade e a trajetória da bola. O executante deve focalizar sua atenção para a informação (estímulo) mais relevante e crucial para a execução do chute. uma vez que o movimento é iniciado. quando falamos sobre as restrições do indivíduo. Retomando as discussões sobre as diferenças individuais realizadas na Unidade 1. enquanto outras informações devem ser ignoradas. e. Affordances: atos ou comportamentos permitidos por objetos. 3. o movimento do chute é executado. como o som do avião sobre a sua cabeça e o cheiro e a cor da grama.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA Algumas dessas informações são relevantes e críticas para a realização da tarefa. Feedback é a informação sobre a diferença entre o que foi previsto (planejado) e o que está sendo executado. Affordance é definido como sendo possibilidades de ações no ambiente e na tarefa em relação á própria capacidade da pessoa (percebedor) (Burton. Este conceito será trabalhado em outro capítulo.2 Abordagem Ecológica O outro modelo de percepção sugere que o ambiente e a tarefa são percebidos de forma direta em termos de affordances. 1979) 72 . Uma vez que essa informação foi selecionada. Gibson. 1987. então. lugares ou eventos. ela é transformada em um impulso aferente e encaminhada para o cérebro. Imagine uma criança e um adulto andando em uma loja de roupas. De acordo com o modelo de processamento de informações.

Se você acertar a caixa de fósforo. (2) O segundo arremesso é com a mesma bola. (3) Agora você se imagina em pé numa quadra de basquetebol e está posicionado embaixo da cesta. Após ter realizado todos os quatro arremessos pegue um papel e complete as informações solicitadas no quadro abaixo. Arremesso Tipo de Bola Posição dos pés e das pernas Utilização das mãos Objetivo do Arremesso 1 2 3 4 Em seguida discuta o conceito de affordance com seus colegas na plataforma virtual. (4) O próximo arremesso deverá ser com a mesma bola de basquete. 73 . Hora de praticar Feche os olhos e execute mentalmente os seguintes arremessos: (1) Primeiro você recebeu uma bola pequena (bola de gude) e o objetivo é arremessar em um alvo posicionado a aproximadamente uns 2 metros a sua frente.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA Um outro bom exemplo de affordance é o tipo de arremesso executado de acordo com o tipo de objeto a ser arremessado. Você recebeu uma bola (de basquetebol) e a sua tarefa é arremessar esta bola o mais longe possível no final da quadra. porém a tarefa é lançá-la o mais longe possível. No alvo você deverá acertar uma caixa de fósforo que está posicionada sob uma garrafa de refrigerante. vai ganhar como prêmio o refrigerante e poderá bebê-lo. porém na posição central da quadra. e a tarefa é arremessar na cesta para fazer uma cesta de três pontos.

PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA A importante contribuição do conceito de affordance no estudo do comportamento motor é que. ao expressar uma relação entre o animal e o seu meio ambiente e a mútua compatibilidade entre eles. ele faz parte do sistema animal–ambiente (Michaels e Carelo. nem do animal. Hora de praticar Pense nas suas aulas de Educação Física e imagine as situações em que o conceito de affordance pode alterar o modo como os movimentos são executados. O affordance não é uma propriedade do ambiente. 1981). não sendo então uma explicação adequada. Assim. 74 . elimina o dualismo homem–ambiente. a motivação e a aprendizagem dos alunos. dizer que as informações do meio ambiente devem ser processadas para terem um real significado para o homem. enfatiza apenas o papel de uma das partes do ecossistema. Faça uma relação de cinco (5) situações de affordance com detalhada explicação para enviar ao fórum.

Cada um deve experimentar diferentes formas de atravessar essa passagem. Hora de praticar Para praticar no encontro presencial: Escolha ou improvise uma abertura de passagem. buscando identificar e analisar as relações entre o tipo de tarefa. as aberturas em que os participantes conseguírem passar sem girar o tronco. o momento em que atravessam realizando a passagem de forma lateral e o momento em que ele afirmou não conseguir passar mais. os estudos sobre o planejamento e a realização de movimentos devem partir dessa noção de affordance. Após ter feito todas as anotações. Tarefa 1: inicie com uma grande abertura e todos os participantes deverão atravessar sobre essa abertura. apropriadamente. A sintonia ou a sensibilidade do animal para os affordances é trabalhada pela evolução das espécies e pelas experiências individuais do animal. conforme ilustrado na figura a seguir. a característica do ambiente e o padrão de movimento executado. sintonizado. Continue reduzindo a abertura em 5 centímetros a cada nova passagem. sem alterar a largura da passagem e sem tocar nas laterais dela. reduza a abertura em 5 centímetros e repita a tarefa anterior. percepção ação Para Turvey (1977). porém utilizando uma mochila cheia de jornal. discuta os dados considerando o conceito de affordance. Anote a largura dos ombros. Em seguida. Tarefa 2: execute novamente a tarefa 1. a informação significante é diretamente detectada (não construída ou inferida) por um animal ativo e.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA Podemos dizer que a abordagem ecológica sugere uma relação direta entre percepção e ação. 75 . Dessa forma. como em uma porta deslizante. até o momento em que os participantes afirmem não conseguirem passar.

PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA 3. Após a decisão sobre o que fazer. Ao longo dos anos tem sido proposta uma série de explicações estruturadas em três grandes abordagens ou teorias: (1) Teorias do Programa Motor. 76 . Entender como são organizados e produzidos esses movimentos é um grande desafio da ciência. Com igual curiosidade. (2) Teoria dos Sistemas Dinâmicos. durante um voo no half pipe. Essa explicação não durou muito em decorrência de dois grandes problemas: (1) o problema da armazenagem.2 Teorias sobre a Coordenação e o Controle dos Movimentos Ao olharmos para os atletas de elite realizando incríveis movimentos. mãos e skate.1 Teorias do Programa Motor Programa Motor: é uma representação abstrata de um plano de movimento que é armazenado na memória e que contêm todos os comandos necessários para realizar uma ação desejada. (2) o problema do movimento novo. As teorias do programa motor sugerem a existência de comandos centrais no Sistema Nervoso Central responsáveis por todas as decisões sobre a realização dos movimentos. os giros e a coordenação entre pés. As primeiras teorias que foram propostas com base na ideia do programa motor consideravam a existência de um programa motor para cada movimento executado. ou ainda uma pessoa em processo de reaprender a andar após um acidente automobilístico. e (3) Abordagem baseada na restrição (constraints-led approach). tais como o salto duplo carpado em uma série de ginástica olímpica. e as instruções necessárias são enviadas para os músculos e as articulações. 3. olhamos para a dificuldade de uma pessoa com doença de Parkinson para realizar um movimento de levantar um copo d’água. uma rebatida numa partida de tênis de campo.2. um programa motor é retirado da memória. ficamos imaginando como tudo isto é possível.

Uma linha de estudo é sobre a relação entre o tempo de reação (TR) e a complexidade. do movimento. 77 . Tempo de Reação é o intervalo de tempo entre a apresentação de um estímulo (sem que haja antecipação até o início da resposta. o TR pode ser identificado quando a atividade muscular atinge o limiar necessário para iniciar o deslocamento do segmento. fica impossível imaginar a quantidade de programas motores que precisaríamos ter para dar conta de tanta diversidade. Existe uma série de pesquisas que apresentam evidência para a existência de programas motores. Por meio da eletromiografia.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA Considerando que existe uma grande possibilidade de variação durante a realização dos movimentos. como e onde estariam todos esses programas armazenados? O segundo problema é a dificuldade de explicar como um movimento que nunca foi executado antes. Nesses estudos se observou que. Além disso. pode ocorrer e como seria formado o programa motor para esses movimentos. ou a variação de um movimento. seja variando a posição inicial. existe um significativo aumento do TR. seja mudando o implemento utilizado. alterando a meta. na medida em que os movimentos se tornam mais complexos.

Nos estudos sobre o bloqueio mecânico de um segmento durante a sua execução. O TR aumenta quando o movimento requerer mais elementos. Assim. Os estudos sobre deaferentação foram feitos com macacos pelo corte do feixe de nervos sensoriais na sua chegada na medula. os resultados mostrados anteriormente comprovam que existe uma programação prévia (programa motor) para a execução dos movimentos. Outras formas de justificar a existência de programas motores foram propostas pelos estudos sobre deaferentação e os estudos sobre o bloqueio mecânico do membro durante a execução. Isso evidencia que a ativação dos músculos responsáveis pelo movimento (agonistas e antagonistas) é planejada previamente e ocorre sem alteração nos primeiros 120 ms. e o movimento é executado sem a utilização da informação de feedback. O TR aumenta quando a duração do movimento se torna mais longa. 3. 2. o padrão inicial de atividade eletromiográfica foi similar ao observado quando o movimento não foi bloqueado. O TR aumenta quando exige a coordenação de um maior número de membros. o sistema nervoso central não recebe informações sensoriais sobre a periferia. Deaferentação: procedimento cirúrgico que realiza um corte nas vias sensoriais aferentes (que conduzem informações da periferia para o Sistema Nervoso Central) antes dessas vias atingirem a medula espinhal. ficou demonstrado que mesmo sem haver o deslocamento daquele segmento. Isso justifica dizer que os movimentos são programados pelo cérebro por meio de prescrições organizadas em programas motores.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA As pesquisas dizem que: 1. Isso elimina o feedback proprioceptivo. Esses estudos demonstraram que o feedback sensorial do segmento durante a realização do movimento não afeta a sua realização e que muitas vezes o movimento pode ser executado sem essa informação. Uma vez que o TR expressa uma medida sobre a atividade cerebral antes da execução do movimento. 78 .

Journal of Human Movement Studies 5:10). 1979. Schmidt (1975) propõe o conceito de programa motor generalizado que pode ser modificado dependendo das necessidades. “Control of fast goal-directed arm movements”. Uma coerente e muita aceita explicação para os dois problemas elencados anteriormente foi proposta em 1975 por Schmidt. quando apresentou a Teoria de Esquema. Segundo ele. tais como ¨arremessos¨. (Reproduzida de W. Wadman et al. o programa motor não deve ser exclusivo para a execução de um movimento e sim para uma determinada classe de movimentos. O programa motor generalizado é constituído de dois elementos: (1) aspectos invariantes e (2) parâmetros. o timing relativo e a força relativa.. Programa Motor Generalizado: programa motor que representa uma classe de ações ou padrões de movimento semelhantes que pode ser modificado para se adaptar as diferentes respostas possíveis. Os traçados cinzas são um movimento que foi mecanicamente bloqueado no seu início. Os aspectos invariantes são a sequência das ações.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA Estudo sobre o bloqueio mecânico durante a extensão rápida do cotovelo. Atividade de EMG (tríceps) e antagonista (bíceps) em um movimento de extensão rápida do cotovelo. 79 .

faça dez linhas horizontais e. Imagine a execução de uma cortada no jogo de voleibol. você deverá fazer também as dez linhas horizontais. independentemente das variações ocorridas nos parâmetros. a velocidade. A proporção relativa do tempo em que o pé fica em contato com o chão para as duas pernas permanece a mesma independentemente das alterações na velocidade que podem ter sido geradas propositalmente ou demandadas pelo tipo de piso. Porém. em cada linha. a direção que podem ser modificados dependendo de cada situação.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA Os parâmetros são aspectos que tornam o programa motor generalizado adaptável às demandas da tarefa. Entre os parâmetros temos a duração. salto e rebatida da bola com as mãos) que acontecem independentemente de onde a bola será direcionada. Utilizando uma folha de papel A4. a força. O timing relativo é considerado como sendo o ritmo interno da habilidade motora. quando comparamos o andar com o correr. caracterizando assim diferentes programas motores generalizados. Os aspectos invariantes permanecem constantes. verificamos que a organização temporal entre as pernas e o tempo de contato como o solo é diferente. todas com 15 cm de largura. e a cada linha acima faça a marcação com 1 cm a menos conforme mostrado no modelo apresentado. começando na linha inferior. No verso da folha. porém. Imagine você caminhando em diferentes pisos e em diferentes velocidades. A execução adequada da cortada é composta por uma sequência de movimentos (passada. 80 . faça uma marcação com o limite de 15 cm de largura. vamos realizar a seguinte atividade prática. Hora de praticar Para entender um pouco mais sobre os aspectos invariantes.

81 . Linha 8: escrevendo de forma bastante forte (com cuidado para não furar o papel). segurando a caneta ou o lápis com todos os dedos fechados. Linha 5: escrevendo de forma bem lenta.continuação Tarefa 1 (para a frente da folha): Fazer a sua assinatura em todas as linhas. Linha 4: segurando a caneta ou o lápis fixada nos dedos do pé com uma fita adesiva. Linha 2: com a mão não-dominante.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA Hora de praticar . Linha 6: escrevendo de forma bem rápida. Linha 3: segurando a caneta ou o lápis com a sua boca. porém dentro do espaço definido. Linha 7: utilizando a mão dominante. Tarefa 2 (para o verso da folha): Faça a mesma assinatura em todas as linhas seguindo as orientações para cada linha: Linha 1: com a sua mão dominante. Você deve iniciar e terminar na marcação e realizar toda a assinatura.

82 . Especificações da resposta (são os parâmetros especificados para a execução do movimento. a teoria de esquema proposta por Schmidt (1975) fala sobre o desenvolvimento de um esquema ou uma regra que é utilizada na execução dos movimentos. velocidade. Consequências sensoriais (informações sensórias percebidas pelo executante durante a execução do movimento. 3. Condições iniciais (contexto existente na hora de executar o movimento. Após realizar as duas tarefas. analise as variações e as características invariantes de sua assinatura e faça um relatório com base no conceito de programa motor generalizado para ser enviado ao ambiente virtual. que a soltura da bola não foi realizada com a força necessária. tal como força. e outros).continuação Linha 9: escrevendo de forma bastante leve (com cuidado para ser legível) Linha 10: com a sua mão dominante de forma normal. uma vez integradas. As informações são: 1.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA Hora de praticar . 2. direção do movimento e outros). O esquema é gerado a partir de quatro informações que são abstraídas durante a execução de forma inconsciente e que. irão ajudar tanto na execução e na correção dos movimentos como na execução dos movimentos novos. Associado ao conceito de programa motor generalizado. Inclui a posição dos segmentos. Perceber que o braço não estava na altura adequada. do corpo e as condições do ambiente).

O padrão de coordenação ou autoorganização emerge a partir das interações dinâmicas entre as restrições do indivíduo. 83 . ela precisa conhecer sobre as características de cada um desses implementos e compreender como será a sua posição corporal sentada ou em pé sobre esses objetos. Resultados observados (o produto final do movimento dentro da meta prevista.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA 4. Na Unidade 1 estudamos sobre os três tipos de restrições e identificamos Sistema: conjunto de elementos em interação (Bertalanffy. 3. imagine uma lista de informações que essa criança vivenciou dentro dos quatro tipos de informação propostos na teoria de esquema. Aprender dentro de um ambiente com constante variação nos parâmetros do programa motor generalizado irá contribuir para a construção do esquema cada vez mais amplo e adaptável a novas situações.) A formação de um esquema mais dinâmico.2. Mesmo sem nunca ter executado um determinado movimento novo. acertou a bola. ou seja. Após vários dias de prática e com várias tentativas de sucesso. da tarefa e do ambiente. arremessou longe. Hora de praticar Imagine uma pessoa aprendendo a andar de bicicleta ou de skate . Inicialmente.2. 1977). Baseado na teoria de esquema. etc. o executante já possui uma série de informações (esquemas) que serão ajustadas de acordo com a meta para o novo movimento. de cima para baixo. Teoria dos Sistemas Dinâmicos A teoria dos sistemas dinâmicos propõe que os comandos centrais com instruções sobre como os músculos e as articulações devem ser organizados não deve ocorrer de forma hierárquica. o ensino de habilidades motoras deve considerar a variabilidade da prática. Acertou a cesta. uma maior facilidade na correção dos movimentos e a realização de novos movimentos. rico e variado que ocorre através da prática irá possibilitar uma melhor aprendizagem.

A teoria dos sistemas dinâmicos é uma proposição teórica sobre a coordenação e o controle dos movimentos com base em diversas áreas do conhecimento (Física. Matemática) que estudam os fenômenos complexos (sistemas complexos). Um sistema altamente complexo. Sistema Complexo: sistema altamente integrado. Aqui devemos considerar como graus de liberdade tanto as articulações como os vários músculos que inervam essas articulações. Existência de muitos e diferentes níveis no sistema. Biologia. Como exemplo. em que todas as partes são afetadas pelas outras de forma bastante intrincada. tais como: 1. Existência de muitos. Podemos ainda olhar os graus de liberdade dentro de uma equipe esportiva de uma modalidade coletiva. Um sistema complexo pode ser identificado a partir de vários atributos. 84 .PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA a importância de considerá-las tanto nas reflexões teóricas no campo do comportamento motor quanto na atuação prática do professor de Educação Física. hormonal. 2. como a mente e o corpo do ser humano. A necessidade de compreender o comportamento humano como um sistema complexo com muitas partes (restrições) que interagem é mostrada por Clarke e Crossland (1995). em que cada uma delas é capaz de afetar as outras partes. Temos o nível neural. Os níveis de análise discutidos anteriormente na Unidade 1 reforçam a visão do ser humano como um sistema complexo. independentes e variados graus de liberdade. podemos olhar para os graus de liberdade existentes no braço. quando afirmam que as estruturas e as configurações das coisas deveriam ser consideradas como um todo em vez de ser examinadas nas suas partes. é impossível ser estudado considerando as unidades isoladas. composto de muitas partes que interagem entre elas. biomecânico e psicológico. etc. Graus de liberdade se referem ao número de elementos ou componentes independentes dentro de um sistema que podem se unir em muitas diferentes formas.

4. Um comportamento não-linear é quando existe uma mudança repentina no padrão observado que não foi previsível com base nas mudanças sistemáticas observadas anteriormente. na medida em que a interação entre as partes pode ocorrer de muitas maneiras. Após algumas execuções aumente a velocidade. no qual a emergência de um padrão específico de comportamento surge em razão de uma configuração específica das interações entre as partes em vez de um específico mecanismo de controle externo ao sistema. O que acontece quando a velocidade é aumentada progressivamente? 85 . Para entender este conceito faça a atividade a seguir: Hora de praticar 1. Existência de um processo de auto-organização. A mudança de um estado estável para outro (do andar para o correr) causada pela alteração em um parâmetro (aumento da velocidade) é uma situação de comportamento não-linear.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA 3. tentando manter o mesmo padrão. execute o movimento de flexão e extensão dos dedos de forma alternada entre as mãos. Existência de comportamentos não-lineares. Utilizando os dois dedos indicadores estendidos e as mãos posicionadas uma ao lado da outra. de modo que os dedos se movimentem fora de fase (enquanto está em flexão o outro em extensão).

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UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA

Hora de praticar – continuação
2. Realizar o caminhar por uma distância de 10 metros nas seguintes condições: • Andar descalço; • Andar com tênis; • Andar com os pés do tênis de forma trocada; • Andar com um tênis dois (2) números acima do seu; • Andar com um tênis dois (2) números abaixo do seu. Após vivenciar as duas atividades, discuta as experiências com base no conceito de sistema complexo e de auto-organização. Pense em outras variações de andar (no gelo, na praia, num piso molhado, etc.) e acrescente nas suas reflexões.

3.2.3. Abordagem Baseada na Restrição Esta abordagem considera o processo de aprendizagem de habilidades motoras como a busca de um estado de coordenação estável e funcional. As diferentes fases da aprendizagem representam a criação de estados temporários de coordenação que resistem às restrições com potencial para perturbar a estabilidade do sistema. Em diferentes campos de atuação, precisamos desenvolver um repertório de estados estáveis (atratores) para lidar com as restrições de contextos imprevisíveis. Segundo Davids, Botton e Bennett (2008), o repertório de atratores é como um tipo de paisagem perceptivo-motora em que os aprendizes necessitam coordenar suas ações com o ambiente para obter o sucesso na habilidade desejada. Paisagem perceptivo-motora é uma metáfora utilizada para descrever a dinâmica intrínseca do indivíduo, ou seja, as diversas restrições do indivíduo que podem afetar o processo de aprendizagem motora. Essa ideia foi proposta inicialmente no campo da biologia por Conrad Waddington (1942, 1946) como

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paisagem genética para explicar a natureza embriológica dos mecanismos de diferenciação celular, dos tecidos, dos órgãos e dos sistemas. A paisagem genética representa um conjunto de traçados (vales e depressões) que o organismo desenvolveu ao longo da vida por meio das influências genéticas e ambientais. Podemos visualizar esse processo imaginando o formato de uma corredeira em um rio caudaloso, onde as rochas (o tipo de material) podem ser vistas como os aspectos genéticos (intrínsecos) e a quantidade e a velocidade da água como sendo as influências ambientais, entre outras. Os caminhos e os vales criados pelas rochas ao longo dos tempos irão gerar estados preferenciais.

Um exemplo de paisagem perceptivo-motora para um aprendiz de ginástica olímpica inclui saltos, giros, aterrissagens e equilíbrio no solo. Já uma paisagem perceptivo-motora relacionada ao processo de aprendizagem do skate inclui coordenação multissegmentos, equilíbrio, etc. A paisagem ou o espaço perceptivo-motor representa o contexto prático para o aprendiz. Uma vez que as restrições mudam ao longo do tempo, a topologia da paisagem também se altera refletindo os efeitos do desenvolvimento, das experiências e da aquisição das novas habilidades motoras. O modelo de paisagem perceptivo-motora proposto por Muchisky, Gershoff-Stowe, Cole e Thelen (1996) mostra a evolução das habilidades motoras vinculadas à aprendizagem da locomoção representadas pelos vales e depressões.

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UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA

Gravidade

Suporte de peso

Equilibrio dinâmico

subir escadas

O que incluir na paisagem perceptivo-motora dos esportes coletivos? Os vales e as depressões formadas para uma modalidade auxiliam na aprendizagem de outras modalidades?

Entender a aprendizagem de habilidades motoras dentro da abordagem baseada na restrição significa pensar a aprendizagem como um processo de busca de soluções para satisfazer as demandas das específicas restrições. A prática deve estar voltada para a busca, a exploração, a descoberta, a organização e a estabilização funcional dos padrões de movimento (Davids, Botton e Bennett (2008)). O padrão de coordenação desejado vai ganhando estabilidade na medida em que a prática evolui, ajudando o aprendiz a se adaptar para as mudanças nas restrições da tarefa e do ambiente.

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rastejar

galopar

escalar

correr

andar

saltar

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A manipulação das restrições como uma proposta pedagógica deve ser adequadamente monitorada pelos professores de Educação Física, conforme sugerem Davids, Botton e Bennett (2008): 1. identificar as restrições que limitam o comportamento de uma determinada tarefa que está sendo ensinada; 2. examinar a reação de alguns alunos em diferentes estágios de desenvolvimento a mudanças repentinas nas restrições. Acompanhar as reações iniciais e a evolução a médio prazo; 3. modificar o grau e a frequência das mudanças nas restrições para atender as diferenças individuais dos alunos.

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UNIDADE 3 I TEORIAS DA APRENDIZAGEM MOTORA

Nesta unidade discutimos sobre as teorias da aprendizagem motora. Conforme já foi mostrado na Unidade 1 é muito difícil pensar a aprendizagem motora de forma isolada do campo do controle motor. Assim, ao discutirmos as teorias da aprendizagem motora, também falamos sobre as teorias do controle motor. Pensando inicialmente no planejamento do movimento, identificamos duas formas de compreender o processo perceptivo. Uma delas, mais tradicional, utiliza a visão de percepção indireta e coloca um grande peso no processamento das informações pelo sistema nervoso central. Esta abordagem, que segundo os críticos gera uma concepção dualista entre o homem e o meio ambiente, explica o controle e a aprendizagem dos movimentos a partir da construção de programas e esquemas armazenados em mecanismos de memória. O modelo de processamento de informações e a teoria de esquema são proposições teóricas embasadas pelo conceito de percepção indireta. A outra forma de ver o processo perceptivo surgiu com os trabalhos de Gibson (1977, 1979) propondo que a

percepção ocorre de forma direta e que as teorias do controle e da aprendizagem motora devem olhar para a interação entre o homem e o meio ambiente de forma dinâmica e integrada, tal como expressa o conceito de affordance. Aliado ao conceito de percepção direta, foi proposta a teoria dos sistemas dinâmicos, sugerindo que o movimento surge ou se auto-organiza em função das diversas restrições impostas ao sistema (indivíduo, tarefa e meio ambiente) de forma dinâmica e não hierárquica e determinista, como era enfatizado na visão de processamento de informações. Para a teoria dos sistemas dinâmicos, os processos neurais são um entre muitos sistemas que se interagem e que podem afetar o controle e a aprendizagem dos movimentos. A utilização dos princípios da teoria dos sistemas dinâmicos no processo ensino–aprendizagem de habilidades motoras foi proposta a partir do conceito de paisagem perceptivo-motora desenvolvido pela abordagem baseada na restrição. De acordo com essa abordagem, o aprendiz procura dentro das opções de potenciais soluções para o movimento uma estratégia que satisfaça as demandas impostas pelas restrições.

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UNIDADE 4
Organizando o Ambiente de Prática

Qual a melhor forma de organizar o ambiente de prática?

OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade, esperamos que você seja capaz de: ■■ identificar o papel do professor de Educação Física na organização do ambiente de prática; ■■ descrever as variáveis envolvidas no oferecimento de instruções pelo professor; ■■ decidir, a partir da compreensão dos conceitos de organização e complexidade, quando ensinar uma habilidade motora na sua forma global ou parcial; ■■ discutir sobre a importância da prática variada e sobre quando e como implementála no ensino de habilidades motoras.

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UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA

4.1. Fornecendo Instruções Adequadas O professor tem um papel muito importante em todas as fases da aprendizagem. É por meio de informações, dicas e feedbacks fornecidos por ele que os alunos são orientados no seu processo de aprendizagem. Assim, é muito importante que o professor saiba fornecer de forma adequada as orientações específicas em cada fase da aprendizagem.
Imagine você tentando ensinar uma criança a fazer uma manobra no skate ou mesmo dar um laço no cadarço do tênis. Você pode até pensar e dizer que ensinar a dar um laço é mais fácil do que ensinar uma determinada manobra no skate. Porém, para as duas habilidades, a capacidade para fornecer instruções efetivas requer muito mais do que o conhecimento e a vivência sobre a habilidade. É necessário transformar a sua experiência prática em informações capazes de serem entendidas pelo aprendiz. Muitas vezes a informação que achamos adequada não é entendida pelo aprendiz da mesma forma. Para refletir sobre essa dificuldade, vamos executar a atividade proposta a seguir:

Hora de praticar
Tarefa 1: em duplas, um apresenta instruções verbais para o outro fazer um laço no tênis. A pessoa que estiver na situação de aprendiz, deverá seguir rigidamente as orientações do outro colega professor. Tarefa 2: novamente em duplas, sendo que um deverá apresentar instruções para o outro colega, desenhar no papel a figura mostrada a seguir. O executante não poderá ver a figura, mas poderá fazer perguntas.

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Hora de praticar ( continuação)
Tarefa 3: semelhante à tarefa 2, porém utilizando outra figura. Nesta tarefa, o aprendiz não poderá fazer nenhuma pergunta de esclarecimento.

Após ter executado as duas tarefas, faça uma discussão sobre os seguintes aspectos: (1) como foi a qualidade (precisão) do resultado final? (2) quais foram as principais perguntas para clarear o entendimento feitas pelo aprendiz na tarefa 2? (3) qual é a sensação vivenciada da tarefa 3, quando não foi permitido fazer questões? (4) existem informações que foram apresentadas que podem ser generalizadas para outras situações?

Algumas dicas para melhorar a qualidade da instrução durante o ensino de habilidades motoras:
As instruções verbais devem conduzir o foco da atenção para o resultado do movimento. Diversos estudos realizados por Wulf e colaboradores (Wulf e Weigelt, 1997; Wulf, Hofl e Prinz; 1998) mostraram que a aprendizagem é mais efetiva quando o aprendiz utiliza o foco externo (atenção para os efeitos das ações no ambiente) ao contrário de quando utilizam o foco interno (atenção direcionada para os movimentos do corpo).

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As instruções verbais devem conduzir o foco da atenção para os aspectos invariantes do meio ambiente, que são relevantes para a execução da habilidade motora. Esses aspectos são conhecidos como condições regulatórias.
Wulf, Hob e Prinz (1998) compararam dois grupos em um estabilômetro (semelhante a uma tábua em cima de um rolo de madeira) e avaliou a aprendizagem após dois dias com 90 tentativas em cada dia. Um grupo foi instruído para manter os pés na horizontal (foco interno) e o outro grupo foi instruído para manter as duas barras desenhadas na frente dos pé horizontalmente. Os resultados mostraram que durante a aquisição os dois grupos não tiveram diferença, porém no teste de retenção, o grupo com foco externo foi melhor do que o de foco interno.

Mesmo considerando importante que as instruções sejam direcionadas para o foco externo e para os aspectos regulatórios do meio ambiente, o professor pode utilizar dicas verbais durante a execução do movimento. As dicas verbais fornecidas ao longo da prática ajudam o aprendiz no processo de aprendizagem. Segundo Coker (2009) as dicas verbais são palavras ou pequenas frases que direcionam a atenção do aprendiz para determinada ação do seu movimento e são utilizadas pelos aprendizes para guiar a si próprios durante a execução do movimento. Ele vai “falando” mentalmente na medida em que tenta executar a habilidade motora.

A dica verbal adequada deve ser:
CONCISA. Deve conter uma ou duas palavras; PRECISA/ESPECÍFICA. Deve apresentar uma informação clara sobre o componente da habilidade que deve ser ajustado;

LIMITADA. A quantidade de dicas verbais apresentadas não pode ser elevada, pois o aprendiz pode esquecer e ainda pode afetar na execução da habilidade;

REPETIDA. A repetição das dicas verbais ajuda ao aprendiz a desenvolver uma forte associação entre essa dica e a tarefa.

É importante que o professor reconheça que cada aprendiz é único e que a forma de captar as informações pode variar de pessoa para pessoa. As teorias e os modelos sobre os estilos

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de aprendizagem propostos ao longo dos anos têm confirmado a existência de preferências individuais na aprendizagem (Gardner, 2006; Dunn e Dunn, 2000). Howard Gardner propôs a teoria das múltiplas inteligências, ressaltando que a inteligência lógico-matemática não deve ser a única a ser valorizada e que existem outras formas de inteligência. A teoria propõe também uma alternativa para o conceito de inteligência como uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos uma performance, maior ou menor, em qualquer área de atuação. As formas de inteligência são: Inteligência linguística - Os componentes centrais da inteligência linguistica são uma sensibilidade para sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. É a habilidade para usar a linguagem para convencer, agradar, estimular ou transmitir ideias. Inteligência musical - Manifesta-se por meio de uma habilidade para apreciar, compor ou reproduzir uma peça musical. Inclui discriminação de sons, habilidade para perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, texturas e timbre e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. Inteligência lógico-matemática – Compreende a habilidade para explorar relações, categorias e padrões, por meio da manipulação de objetos ou símbolos, e para experimentar de forma controlada; é a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. Inteligência espacial - Capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. É a habilidade para manipular formas ou objetos mentalmente e, a partir das percepções iniciais, criar tensão, equilíbrio e composição, numa representação visual ou espacial. É a inteligência dos artistas plásticos, dos engenheiros e dos arquitetos. Em crianças pequenas, o potencial espacial nessa inteligência é percebido pela habilidade para quebra-cabeças e outros jogos espaciais e a atenção a detalhes visuais. Inteligência cinestésica - Habilidade para resolver problemas ou criar produtos mediante uso de parte ou de todo o corpo. É a habilidade para usar a coordenação grossa ou fina em esportes, artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza. Inteligência interpessoal - Esta inteligência pode ser descrita como uma habilidade pare entender e responder adequadamente a humores, temperamentos, motivações e desejos de outras pessoas. Inteligência intrapessoal - A habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e ideias, para discriminá-los e lançar mão deles na solução de problemas pessoais. É o reconhecimento de habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprios, a capacidade para formular uma imagem precisa de si próprio e a habilidade para usar essa imagem para funcionar de forma efetiva.

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UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA

O estilo de aprendizagem de cada pessoa é fruto da interação de vários aspectos, tais como: características do meio ambiente, questões emocionais, forma de agrupamento (individual ou coletivo) e muitas outras. Muitas vezes ouvimos as pessoas dizerem que têm mais facilidade de assimilar uma instrução (orientação do professor) quando ela é apresentada na modalidade visual, enquanto outros preferem a modalidade auditiva. Essas preferências na modalidade perceptiva refletem as diferenças individuais que o professor de Educação Física deve considerar durante as suas aulas. A partir dessas preferências, podemos agrupar os aprendizes dentro de quatro tipos: visual, cinestésico, analítico e auditivo. Veja no quadro a seguir uma síntese das características, preferências modais e estratégias que o professor pode utilizar em cada uma delas.
APRENDIZ Visual Cinestésico Ele necessita sentir o seu movimento estabelecendo uma referência para comparar nas próximas execuções Sinta Toque Movimente Vivencie Simulação Atividades guiadas Tentativa e erro Analítico Este tipo de aprendiz tem facilidade quando a aprendizagem representa uma situação de solução de problema Analise Pense Examine Compare Avalie Testes Solução de problemas Exploração Auditivo

Característica

Compreende os novos conceitos melhor na forma visual

Prefere sons e ritmos associados à habilidade motora

Veja Palavras que o professor deve utilizar Observe Olhe

Escute Perceba Marque o tempo Preste ateção Som Musica Bater palmas no ritmo

Demonstração Fotos Estratégias de ensino Vídeos Espelho

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por dificuldades de equipamento.1. Entre as várias formas possíveis de organizar a prática de uma habilidade motora. Muitas vezes. treinadores e aqueles que atuam no campo da reabilitação. o uso de vídeo seria mais adequado a qual tipo de aprendiz? 4. Para suprir parte desse problema. Qual o critério para decidir se uma habilidade motora deve ser ensinada na forma global ou na forma parcial? Que tipo de prática (variada ou constante) é melhor para os iniciantes? Qual a relação ideal entre o tempo de prática e o tempo de descanso (intervalo) entre as execuções de uma determinada habilidade motora na aula de Educação Física? 97 .PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA Na figura ao lado.1. vimos a importância de identificar qual a modalidade perceptiva mais adequada para cada pessoa. acabamos reduzindo a quantidade de prática dos nossos alunos. Mas sabemos que a quantidade de prática é fundamental para o sucesso na aprendizagem de habilidades motoras. espaços físicos e organização da grade horária. Organizando o Ambiente de Prática No tópico anterior. é importante que o tempo seja bem aproveitado qualitativamente. vamos nos concentrar em três situações que estão nas questões mais comuns levantadas pelos professores.

a complexidade é analisada também em relação à quantidade de atividade neural. é necessário analisar a natureza da habilidade motora em relação a duas importantes características: complexidade e organização.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA 4. Além desse atributo. ■■ Possibilita a prática específica nos componentes que apresentam maior dificuldade. Essas partes são praticadas de forma isolada até serem aprendidas e em seguida são incorporadas umas às outras para compor a habilidade motora. 98 . que é demandada para a execução da habilidade motora. ■■ Possibilita que os alunos iniciantes vivenciem o sucesso logo no início da prática – o que leva a um aumento no nível motivacional. por outro. aprender isoladamente as partes de uma habilidade motora pode facilitar para o aprendiz.1. Se. Habilidades mais complexas possuem mais partes e envolvem maior demanda de processamento do SNC comparadas às habilidade menos complexas. Organização se refere à relação (ligação/ conexão) entre as partes. sem perder o tempo nos componentes com maior facilidade. O método da prática em partes envolve a separação da habilidade motora em partes ou segmentos que são bem definidos de forma natural na habilidade. por um lado. Segundo Cooker (2009). ■■ Simplifica a habilidade motora. maior será a complexidade. Quanto maior a quantidade de componentes.2 Prática Global e Prática Parcial Muitas vezes o professor tem de decidir se vai ensinar uma habilidade motora na sua forma global (executando todo o movimento) ou separar este movimento em partes para facilitar a aprendizagem do aluno. pode dificultar ao executá-la dentro do contexto de jogo. A complexidade de uma habilidade motora é diretamente proporcional ao número de partes ou componentes existentes nessa habilidade. Para decidir qual método utilizar. a prática pelo método das partes possui as seguintes vantagens: Complexidade se refere ao número de partes ou componentes e também à quantidade demandada de processamento de informação.

PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA A forma de mensurar a atividade neural nas pesquisas sobre a aprendizagem e o controle motor sem a utilização de equipamentos sofisticados. Isso demonstra que planejar um movimento com muitos componentes demora mais do que um movimento com um menor número de componentes. tem sido por meio do TEMPO DE REAÇÃO. 1996. Em habilidades altamente organizadas. Uma habilidade com alto nível de organização é quando as partes são muito independentes em termos espaciais e temporais. tais como ressonância magnética ou tomografia computadorizada. Nível de complexidade A organização da tarefa refere-se ao grau de interdependência entre as partes de uma habilidade. Representa o quanto uma parte da habilidade é dependente de uma outra parte que a antecedeu. o tempo de reação aumenta na medida em que o número de componentes da tarefa aumenta. A atividade neural observada foi diretamente proporcional à complexidade da tarefa. T. as partes formam uma corrente de eventos em que as características espaciais e temporais de uma parte dependem das características espaciais 99 . Um exemplo sobre a mensuração direta do nível de atividade neural e sua relação com a complexidade da tarefa foi realizado por Drew (1996) em um estudo envolvendo a ultrapassagem de diferentes obstáculos com gatos.. et al. Conforme foi apresentado na Unidade 3 deste módulo. (Adaptado do estudo de Drew.

(Magill. Essa regra geral é válida principalmente quando na composição entre as duas características existe uma delas em um extremo e a outra no outro (ex: alta complexidade e baixa organização ou alta organização e baixa complexidade). 2010). Para algumas habilidades pode ficar um pouco difícil a aplicação dessa regra. E. COMPLEXIDADE Alta Rotina de dança Malabarismo com três bolas baixa Rebatida do basebol Salto em altura no atletismo baixa Alta ORGANIZAÇÃO 100 . tal como ocorre no saque viagem do voleibol e no salto sobre a mesa na ginástica olímpica. de forma contrária. como no malabarismo com três bolas. a forma mais indicada para ensinar é considerá-la de forma global. quando uma habilidade motora apresenta alto nível de complexidade – o que significa a existência de muitos componentes – o mais indicado é ¨dividir¨ a habilidade em diferentes partes.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA e temporais da outra parte na sequência. na medida em que tanto a complexidade como a organização apresentam níveis altos. Quando temos uma habilidade motora com alto grau de organização. considerando as possibilidades naturais da habilidade.

Em geral. As habilidades contínuas possuem uma grande relação espaçotemporal entre as partes. Existem componentes que podem ser unidos para reduzir o nível de complexidade? Descreva e justifique sua resposta. analise qual é o melhor método para ensinar essas habilidades. as habilidades contínuas ou seriadas apresentam alto grau de complexidade. Tarefa 2: Utilizando as mesmas habilidades motoras elencadas na Tarefa 1. porque apresentam claramente um movimento com início e fim. (2) seriada e (3) contínua. seriada e contínua discutidas anteriormente. as partes da habilidade são separadas de acordo com os elementos temporais e espaciais. Em seguida descreva os componentes (passos) de cada uma das habilidades na ordem em que eles acontecem. Ao contrário. A segmentação pode ser realizada de três formas: 101 . analise quais as possíveis generalizações que podem ser feitas para as habilidades classificadas como (1) discreta. As formas mais conhecidas de realizar o ensino de habilidades motoras por meio do método das partes são: Segmentação Fracionamento Simplificação Na segmentação. Tarefa 3: Considerando as fundamentações sobre a utilização do método global ou o método das partes. as habilidades discretas geralmente possuem baixa complexidade. Hora de praticar Tarefa 1: Faça uma lista com dez (10) habilidades motoras que apresentam alto nível de complexidade. podendo variar em termos de organização.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA Uma outra forma fácil de identificar as características organização e complexidade de uma habilidade motora é considerar as classificações discreta.

raquetes com maior superfície de contato. a única parte que é praticada isoladamente é a primeira parte. ela é incorporada na habilidade. Uma ou duas partes são praticadas separadamente até atingirem um nível adequado de execução. cada nova parte é adicionada à anterior e em seguida praticadas juntas. Esta redução pode ocorrer pela: (1) modificação do implemento (usar bolas mais leves. em que os movimentos dos braços e das pernas podem ser aprendidos de forma separada. ■■ Método progressivo das partes. entre mãos e pernas. ■■ Método repetição da partes. O fracionamento é utilizado quando a habilidade envolve a coordenação assimétrica entre segmentos (entre mãos. Em seguida é praticada a terceira parte da habilidade separadamente. Realizado de forma semelhante ao método progressivo. (2) redução das demandas de coordenação existentes na tarefa (executar o drible ou o chute na situação parada. então. e 102 . Assim. rede de voleibol mais baixas. Essa progressão segue até a incorporação de todas as partes da habilidade. reduzir a velocidade na execução da habilidade etc.). O modo mais comum de ensinar uma habilidade motora por partes é mediante a estratégia de simplificação. Depois essas duas partes são unidas e praticadas juntas. e em seguida elas são combinadas e a habilidade é praticada de forma global.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA Parte-todo A B C ABC Progressivo das partes A B AB C ABC Repetição das partes A AB ABC ■■ Método Parte-todo. entre pernas). porém. Um bom exemplo de utilização desse método ocorre na aprendizagem do nado crawl.). etc. que reduz o nível de dificuldade da habilidade. até atingir um bom nível de execução. e. A nova parte é praticada com a parte anterior. até chegar a um bom nível de execução. Cada parte é praticada separadamente.

De forma geral. Existem muitos estudos mostrando a superioridade da prática variada em relação à prática constante (Shoenfelt. enquanto o grupo de prática variada apresenta melhores resultados no teste de retenção.3 Prática Variada A importância de uma prática variada foi inicialmente fundamentada pela Teoria de Esquema proposta por Schmidt (1975). 2002. Esses dados reforçam a discussão sobre as diferenças entre performance e aprendizagem. A prática variada também é defendida pela Teoria dos Sistemas Dinâmicos. De acordo com essa teoria. na medida em que se observa uma significativa melhora na performance. e isto leva o aprendiz a uma contínua busca por melhores soluções.1. Snyder. conforme foi discutido na Unidade 3. 1990. 2005). o que se observa nesses estudos é que o grupo de prática constante apresenta melhores resultados durante a fase de aquisição. uma prática variada leva à construção de um esquema motor cada vez mais robusto e adaptável às novas situações. ou seja. 4. Muitas vezes. 1991. Maué. Shea e Kohl. McDowell e Wookard. o professor pode achar que a prática constante vai favorecer mais o processo de aprendizagem. Arremesso Parâmetros • Força • Direção • Velocidade Restrições • Tarefa o Precisão o Distância • Ambiente o Tipo de Objeto o Contexto 103 . a variação nos parâmetros do programa motor generalizado. Porém. quando afirma que a aprendizagem de uma habilidade motora ocorre por meio das modificações nas restrições. Douvis. como já discutimos na Unidade 2. tais como praticar habilidades abertas na forma fechada). na ansiedade de obter resultados a curto prazo. essa mudança não é permanente e quando verificada por meio de um teste de retenção não terá o mesmo efeito de uma prática variada.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA (3) redução da complexidade do ambiente (reduzindo as demandas de atenção geradas pela tarefa.

o professor pode utilizar uma combinação envolvendo diferentes tipos de habilidades motoras. Para esse autor. os adversários presentes em uma habilidade aberta etc. Para ilustrar. Portanto. Podemos variar as bolas. as características da bola nos esportes coletivos. precisamos relembrar as ideias propostas na classificação elaborada por Gentile (2000). para desenvolver uma prática variada. o tipo de chute (variando a posição do pé que toca na bola). Na linguagem da Teoria dos Sistemas Dinâmicos. basta introduzir variações nas condições regulatórias após uma detalhada análise das características do contexto físico no qual a habilidade será executada e das características da habilidade. a posição de onde o chute é realizado.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA Para responder às perguntas sobre como e quando implementar a prática variada.4 Prática Aleatória Além de organizar o ambiente de prática criando variações de uma mesma habilidade motora. A introdução da variabilidade nesse momento pode dificultar a formulação do padrão básico de movimento requerido pela habilidade motora e com isso alterar a autoconfiança do mesmo. a força do chute (chute de precisão ou chute de força). Alguns exemplos de condições regulatórias são: o tipo de piso durante o andar.1. Estas variações não devem ser introduzidas logo no início da aprendizagem. vamos imaginar como podemos desenvolver a prática variada na aprendizagem do chute a gol no futebol. Condições Regulatórias: Características do contexto no qual a habilidade é executada que especifica o tipo de movimento que a pessoa deve executar para ter sucesso na habilidade motora. são os affordances. a presença ou não de adversários e outros. 104 . 4. a análise de uma habilidade motora deve considerar os aspectos regulatórios do contexto ambiental. quando o aprendiz está tentando compreender o que deve ser feito.

A alternância na execução de diferentes habilidades motoras ou de uma mesma habilidade em diferentes contextos (condições regulatórias) gera o que Batting (1972) chamou de interferência. os alunos podem praticar de forma aleatória o passe. Prática aleatória é quando o aluno pratica de forma alternada diferentes habilidades motoras. em blocos de uma mesma habilidade. A cada nova execução da habilidade. As pesquisas comparando a efetividade da prática aleatória com a prática em blocos tem mostrado resultados semelhantes ao que foi discutido anteriormente sobre a comparação entre a prática constante e a prática variada. que é diferente da obtida anteriormente. Quando a prática é organizada de forma constante. As explicações sobre os resultados positivos observados com a prática aleatória baseiam-se no fenômeno denominado interferência contextual. ou seja. há o processo de esquecimento. A interferência acontece nos mecanismos de memória e pode ser explicado de duas formas: ■■ Uma delas afirma que. o aprendiz precisa buscar a solução para a nova tarefa. Essa forma de organizar a prática é definida como prática randômica ou aleatória. Durante a fase de prática. quando a prática ocorre de forma aleatória. gerando maior facilidade para distinguir uma da outra e para uma posterior utilização (Shea e Morgan.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA Em uma aula de voleibol. o bloqueio e o saque. ■■ A outra explicação sugere que a prática aleatória facilita a aprendizagem porque causa um esquecimento temporário das soluções da tarefa entre as tentativas. as melhores performances acontecem no grupo que realiza a prática em blocos. as informações de várias habilidades são armazenadas simultaneamente na memória de curto prazo. 105 . 1979). enquanto no teste de retenção o grupo aleatório apresenta maior retenção. a cortada.

A memória de longo prazo é onde as informações são armazenadas de forma relativamente permanentes. volume 4. páginas 820-839 de 2003. quando utilizadas adequadamente. é necessário ao mesmo tempo compreender como o aluno aprende e qual a melhor forma de fornecer uma boa dica para os alunos. Nesta unidade estudamos sobre a organização do ambiente de prática ressaltando o papel do professor no oferecimento de dicas verbais e na estruturação da prática. mas sim uma prática com qualidade. global. A prática parcial. Dessa forma. Porém. A primeira funciona como um armazenamento temporário de cerca de 20 a 30 segundos e é utilizada para integrar as informações atuais com aquelas já armazenadas na memória de longo prazo. A quantidade de prática é muito importante para a aprendizagem de habilidades motoras.PROCESSO ENSINO–APRENDIZAGEM DE HABILIDADES PERCEPTIVO-MOTORAS UNIDADE 4 I ORGANIZANDO O AMBIENTE DE PRÁTICA O modelo de memória mais aceito na atualidade foi proposto por Baddeley (2003) e compreende dois sistemas funcionais: (1) a memória de curto prazo ou a memória de trabalho. Esse sistema também está envolvido durante as ações de tomada de decisão e demais aspectos envolvidos na preparação das habilidades. Para oferecer uma boa instrução por meio de dicas verbais. esta unidade apresentou algumas situações que o professor deve considerar e utilizar ao longo de suas aulas. 106 . além de manter os alunos motivados. irão facilitar o processo de aprendizagem. não basta qualquer tipo de prática. variada ou aleatória são estratégias que. e (2) a memória de longo prazo. Mais informações leia o texto na revista “Nature Reviews Neuroscience”.

concepção teórica que entende o processo de aprendizagem como um sistema dinâmico não-linear.Glossário Affordances. No campo do comportamento motor. uma técnica de avaliação da atividade cerebral realizada por meio da medida das mudanças no fluxo sanguíneo. tal como ocorre nos padrões de coordenação envolvendo vários segmentos corporais. sistema altamente integrado. os atratores caracterizam um estado comportamental preferido. que é composto de muitas partes ou subsistemas que se interagem onde cada um é capaz de afetar o funcionamento dos demais. um conjunto de atratores que o executante necessita para coordenar suas ações com o ambiente. Feedback. A pedagogia não-linear defende a manipulação das restrições durante a prática. Resonância magnética. de modo a executar habilidades motoras efetivamente. Sistemas complexos. padrão de organização estável e funcional. 107 . informação proveniente dos Pedagogia não-linear. Propõe que as propriedades da dinâmica do sistema movimento humano forma a base para o desenvolvimento de princípios pedagógicos. Isso elimina o feedback proprioceptivo Eletromiografia. Atratores. Paisagem perceptivo-motora. uma técnica de medida que captura a atividade elétrica de um músculo ou grupo de músculos. sistemas sensoriais que indicam o status do movimento para o Sistema Nervoso Central. a percepção da informação em relação ao que ela oferece. Deaferentação. convida ou demanda de um organismo relativo a uma ação. Proporciona uma imagem da atividade de áreas específicas do cérebro. procedimento cirúrgico que realiza um corte nas vias sensoriais aferentes (que conduz informações da periferia para o Sistema Nervoso Central) antes dessas vias atingirem a medula espinhal.

101.W. DOUVIS.L. 5357. BATTING. FITCH. Oxford. Teoria geral dos sistemas (2ª. C. F. Psychology of motor behavior and sport. A.. The co-ordination and regulation of movement. 3. Thompson and J. Petrópolis: Vozes. 2000. DREW. 74. (2003). M. e DUNN. 2009. H. BARELA. DAVIDS. Variable practice in learning the forehand drive in tennis. 1967. Nature Reviews: Neuroscience. Motor learning e control for practioners. K.I. 111-150. Perceptual and Motor Skills. 4.M. e Crossland. B. L. COOKER. Role of the motor cortex in the control of visually triggered gait modifications. Adapted Physical Education Quarterly. CLARKE. 1985. Motriz. BURTON. 1.F. W. S. DUNN.) Topics in learning and performance. Cristina (Eds. e LAVOIE. A closed-loop theory of motor learning.T. T. CA: Brooks/Cale. 1971 . 108 . In D. J.F. Ed).Referências Bibliográficas ADAMS. JIANG. Action systems> An introduction to the analysis of complex behavior: Londom: Methuen. 5.M.A. 2005. 1999. Champaign. Human performance. 1967. 426-442. D. England: Pergamon Press. Lawrence: Price Systems. Intra-task interference as a source of facilitation in transfer and retention. P. On the control of activity: Some remarks from an ecological point of view. 1978. Champaign: Human Kinetics. Landers e R. BERNSTEIN. R. Il.A. 1987. Aquisição de habilidades motoras: do inexperiente ao habilidoso. 1977. W. Arizona: Holcomb Hathaway Publisher. e POSNER. 829-839. Human Kinetics. 257-267. 1996. 2008. In R. N. KABLY. e TURVEY. Dynamic of skill acquisition: a constraint-led approach. Confronting the intereaction between perception and movement in adapted physical education. Working memory: Looking back and looking forward. Belmont.). A. 4. New York: Academic Press. A. D. J. Canadian Journal of Pharmacology. FITTS. Learning styles inventory: grades 5-12. Von.W. BADDELEY. Voss (Eds. S. 1972.. Journal of Motor Behavior. Inc. BERTALANFFLY. BOTTON E BENNETT. J. 531-545. M.

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112 .

PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL .

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A minha trajetória – profissional e acadêmica – sempre foi marcada pela reflexão e pela intervenção em diferentes espaços de atuação no âmbito da Educação Física. Coordeno o projeto Expressão e Movimento para Crianças. ainda em 1987. com adolescentes do Ensino Médio e fui gestor – coordenador pedagógico e diretor do Centro Interescolar de Educação Física do GDF. ministro as disciplinas Aprendizagem Perceptivo-motora e Estágio Supervisionado para os alunos do curso presencial. Terminei minha licenciatura em Educação Física em 1987 (1982-1987). Desde então. 115 . Depois de formado. por meio de um convênio. Entre 1987 e 1999. Em 1999. trabalhei com crianças dos primeiros e últimos anos do Ensino Fundamental. Juarez Sampaio Especialista em Pedagogia do Movimento Humano (FAFLICA/PR) e professor do curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade de Brasília/UnB. fui técnico de natação (alto rendimento) e trabalhei em academias de musculação. fui cedido pelo GDF para a Universidade de Brasília. fiz estágios em uma escola pública do Distrito Federal – Escola Parque 304 Norte – e no SESC (lazer). e desenvolve experiências pedagógicas inclusivas com crianças autistas e deficientes intelectuais. mestre em Serviço Social (PUC/SP) e professor do curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade de Brasília/UnB. neste curso. envolvendo psicólogos e professores de Educação Física.Pedagogia da Educação Física no Ensino Fundamental Prof. Muito prazer! Sou o professor Juarez. fiz concurso para professor na Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal (GDF) para ministrar aulas no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Fui professor autor e supervisor da disciplina Práticas Curriculares 1 e ajudei a construir o texto da disciplina Práticas Curriculares 2. tivemos a oportunidade de nos encontrar antes. Durante esse período. que se apresenta como uma atividade no âmbito do lazer a partir de uma intervenção interdisciplinar. Edson Marcelo Húngaro Doutor em Educação Física (UNICAMP). Prof.

Faço parte do Grupo de Pesquisa e Formação Sociocrítica em Educação Física. sou professor universitário. Prof. talvez. Marcelo Húngaro 116 . Fiz o mestrado em Serviço Social na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/PUC-SP (2001) e o doutorado em Educação Física na Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP (2008). especificamente. sou pai de duas crianças lindas – a Anna Beatriz e o Pedro Henrique – e. Juarez e Prof. meu interesse de investigação é a relação entre a Educação Física e a formação humana na escola. Nasci em São Caetano do Sul/SP e me formei em Educação Física na Escola Superior de Educação Física de São Caetano do Sul – FEC do ABC (1988).. Esporte e Lazer/AVANTE. estou vinculado à linha de pesquisa Educação Física. de alguma forma. Na pesquisa – além do vínculo com o programa de estudos pós-graduados em Educação Física – coordeno (em parceria com o Prof.. possamos contribuir uns com os outros. estou vinculado à linha de pesquisa Educação Física. Fui. por essa razão. Fernando Mascarenhas) o Grupo de Pesquisa e Formação Sociocrítica em Educação Física. Atualmente. Sigamos juntos nessa busca e. serei muito rigoroso quanto à qualidade da nossa disciplina. coloco-me à disposição daqueles que estão comprometidos com uma humanidade humanizada. Além dessas atividades. mas prefiro ser chamado apenas de Marcelo Húngaro. professor de Educação Física Escolar da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo e. onde atuo tanto na graduação como na pós-graduação (mestrado). seja a atividade que melhor faço. Nesse grupo. meu nome é Edson Marcelo Húngaro. a fim de continuar o nosso processo de humanização. por isso. durante seis anos. Dr. buscando o envolvimento de todos em uma formação crítica e humanista e. Nesse grupo. Tenho muita preocupação com a formação de nossos professores e. Esporte e Lazer/AVANTE. comprometida com a humanidade. Esperamos um contato profícuo e que. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Olá. desde já. desde 1990. Assim. Formação Humana e Trabalho. Formação Humana e Trabalho. especificamente. estou vinculado à Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília/UnB.

desenvolveram-se as teorias educacionais. trataremos especificamente da reflexão. Diferentes concepções de mundo (sociedade) e de homem (indivíduo) conduzem a diferentes projetos educativos. Para tanto. a concepção histórico-cultural. O primeiro conteúdo a ser estudado é a relação entre a estrutura social e a prática educativa. do nascimento à morte). é necessário um debate sobre a ontogênese (estudo do desenvolvimento humano. Por isso. da ciência do ato educativo no que diz respeito à Educação Física Escolar. Do mesmo modo que a escola é pensada a partir de diferentes concepções de homem e de sociedade. em processo de desenvolvimento. debateremos acerca de o que é a educação e quais são as suas finalidades. Entendidas as determinações sociais da prática educativa. da investigação. Acompanhando Newton Duarte. daremos prosseguimento ao processo de reflexão (investigação) relativo às diferentes compreensões sobre o ato educativo. ficará perceptível que não existe uma única resposta a esta questão: o que é a educação? Há respostas (teorias educacionais) que caracterizam uma compreensão não crítica da educação e outras que caracterizam uma compreensão crítica (SAVIANI. Em nosso caso – levando em conta a realidade brasileira. Passemos. passaremos a refletir (investigar) sobre tais determinações na Educação Física e como. 2001). adotaremos a grafia Vigotski. nesse campo investigativo. o seu quadro de injustiças e desigualdades e o fato de que educar é um ato político – desenvolveremos a nossa reflexão pautada nos fundamentos de uma educação critica. agora. 117 . também é palco de discussões que se polemizam nas explicações sobre sua gênese e constituição humanas. O primeiro momento dessa reflexão (investigação) está centrado na discussão sobre as relações sociais. Esta disciplina pretende discutir aspectos teórico-metodológicos que fundamentam sua reflexão e sua intervenção no âmbito da Educação Física Escolar. a uma breve introdução sobre a nossa disciplina: Pedagogia da Educação Física no Ensino Fundamental – que abreviaremos pela sigla PEDFEF. Em seguida.Apresentação da Disciplina Caro (a) aluno (a). mais especificamente entre o quarto e o nono anos do Ensino Fundamental. O nome desse autor tem sido escrito de diferentes formas. Nesse momento. abordarmos a compreensão ontogenética de Lev Semenovitch Vigotski. isto é. Em PEDFEF. a criança.

refletiremos sobre algumas das compreensões de Educação Física (concepções pedagógicas em Educação Física). Discutimos as diferenciações das formulações de objetivos. Não seria possível abordar todas as respostas e. 118 . ■ analisar os elementos que envolvem a Concepção Histórico-Cultural e entendê-los nos momentos que envolvem aprendizagens de conteúdos nas aulas de Educação Física. quais sejam: Unidade 1 – A Importância do Estudo das Concepções de Homem/Mundo para o Educador. Unidade 3 – As Teorias Educacionais Críticas: Fundamentos e Propostas Pedagógicas. optamos por tratar daquelas que julgamos as mais significativas (tendo por critério a incidência na intervenção e na formação de professores de Educação Física). os fundamentos teórico-metodológicos para o desenvolvimento da disciplina serão distribuídos em cinco unidades. Portanto. ■ explicar as concepções pedagógicas em Educação Física Escolar. esperamos que você seja capaz de: ■ relacionar as distintas concepções de homem e mundo às diferentes práticas educativas. Unidade 2 – As Teorias Educacionais Não-Críticas e as Crítico-Reprodutivistas. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta disciplina. Como para a pergunta o que é Educação Física? também não há uma única resposta. os seus conteúdos.Falar sobre teoria educacional supõe uma reflexão sobre compreender o ato educativo. Práticas Curriculares 1 e Pedagogia da Educação Física na Infância. seleção de conteúdos e avaliação nas disciplinas Didática da Educação Física. a mediação pedagógica desses conteúdos e o como avaliar. por essa razão. Unidade 5 – Concepções Pedagógicas em Educação Física: Em Busca de Abordagem Metodológica. as suas finalidades. Unidade 4 – A Teoria Histórico-Cultural – Lev Semenovicht Vigotski. ■ examinar a finalidade do ato educativo no âmbito da Educação Física escolar. ■ explicar os principais aspectos das teorias educacionais Não Críticas e CríticoReprodutivistas.

escolhemos quatro daquelas que julgamos fundamentais. então. então. pela influência na sociedade e pela força no ambiente educativo. Diferentes concepções de mundo (sociedade) e de homem (indivíduo) conduzem a projetos educativos diversificados. De toda forma. as quatro concepções de homem/mundo que exploraremos: 119 . você poderá aprofundar o estudo desses temas. Não abordaremos todas as concepções de homem/ mundo porque esse estudo excederia as intenções da nossa disciplina. estudaremos a relação entre a estrutura social e a prática educativa. Por isso. Vejamos. destacamos que nossa abordagem dessas quatro concepções será muito resumida. realizando pesquisas.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 A Importância do Estudo das Concepções de Homem/Mundo para o Educador Nesta unidade. As nossas finalidades são didático-pedagógicas.

Nesta Unidade 1. esperamos que você seja capaz de: ■■ analisar a desigualdade social existente no Brasil e no mundo.. Bons estudos a todos! 120 . a partir do entendimento das teorias educacionais. A nossa proposta é que você.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. ■■ relacionar cada concepção de homem/mundo às atividades pedagógicas da Educação Física. conversaremos sobre as concepções pedagógicas sem “dar” respostas prontas de como elas são aplicadas na Educação Física. faça as relações entre elas e as práticas pedagógicas na Educação Física. ■■ examinar as distintas concepções de homem e mundo. ■■ fazer relação entre educação e sociedade. ■■ caracterizar as especificidades de cada uma das concepções de homem e de mundo. As atividades que elaboramos contribuirão para você refletir e consolidar sua aprendizagem sobre tais relações.. Uma palavrinha inicial.

Ásia e Pacífico Entre a Europa e a América do Norte Fonte: Relatório Global no quadro do Seguimento da Declaração da OIT sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho. Pense no seguinte: você quer compreender melhor a sociedade.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR 1.8 milhões de crianças. Outras regiões empobrecidas. encontramos indicadores que demonstram um assustador quadro de desigualdades.4% da população infantil). a desigualdade fica latente. Analise os dados abaixo. Caso tomássemos outros indicadores. o quadro de desigualdades se reproduziria. tal qual vimos no caso do trabalho infantil. 2006. vamos fazer um pequeno exercício de imaginação. como a África subsaariana Dos 186.2%) trabalhavam. Viviam 258.4 milhões (5. Em virtude de uma sociedade fundada na exploração do homem sobre o homem. Em outras palavras.8%) delas trabalhavam.8 milhões de crianças que lá vivem. procurou por alguns estudos sobre o assunto. 122 milhões (18.1 Desigualdade Social Humano: uma Contradição e Desenvolvimento Para iniciar a nossa conversa.3 milhões delas desempenham atividade econômica (26. há muita desigualdade entre as regiões e os países do globo. O que você percebeu? Grandes e variadas desigualdades? Sim. realizado em 2004. das quais 13. que usou como indicador o trabalho infantil. Se compararmos esses dados com os índices de outras regiões do mundo.. era assustador. por isso. tanto do ponto de vista global como do ponto de vista regional. 49. OIT– Organização Internacional do Trabalho.. como há muita desigualdade entre os habitantes de um país. Vejamos alguns dos fatos mundiais por ele sinalizados: 121 . o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). quando nos detemos a estudar a sociedade. Das 650 milhões de crianças (entre 5 e 14 anos). em 2000. Digamos que você encontrou o estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

que afere o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e que se vincula ao PNUD. ■■ Em 1998. em 1999. ■■ O monopólio estatal dos meios de comunicação social existe apenas em 5% de países. 122 .4% das exportações mundiais.pnud. Fonte: RDH/2000 – Relatório de Desenvolvimento Humano/2000. principalmente devido a causas evitáveis. nos anos 90.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR Relatório do PNUD (2000) ■■ A guerra e os conflitos internos nos anos 90 forçaram 50 milhões de pessoas a fugir de suas casas.org. ■■ Os 48 países mais pobres representam menos de 0. a renda conjunta dos 582 milhões de pessoas que vivem nos 43 países menos desenvolvidos é de 146 bilhões de dólares.4 % do total. ■■ Os conflitos armados feriram 6 milhões de pessoas. Para mais informações. as mulheres ocupam apenas 14% dos cargos parlamentares.000 crianças morrem diariamente. ■■ 40 milhões de nascimentos por ano não são registrados em todo o mundo. ■■ Estima-se que uma em cada 3 (três) mulheres tenha sido sujeita a violência numa relação interpessoal. ■■ A riqueza conjunta das 200 pessoas mais ricas do mundo atingiu 1 (um) trilhão de dólares em 1999. os 48 países menos desenvolvidos atraíram menos de três bilhões de dólares de investimento direto estrangeiro. apenas 0.br ■■ 100 milhões de crianças vivem ou trabalham nas ruas. ■■ Cerca de 500 milhões de armas leves estão em circulação em todo o mundo. ■■ Mais de 30. ■■ As guerras civis mataram 5 (cinco) milhões de pessoas em todo o mundo na última década. consulte a página http://www. a cada ano (desde 1990). ■■ Em todo o mundo. ■■ Entre 85 e 115 milhões de garotas e mulheres foram submetidas a alguma forma de mutilação genital. ■■ Existem mais de dez milhões de refugiados e 5 (cinco) milhões de pessoas deslocadas internamente. Tratase de uma pesquisa realizada pela Nações Unidas (ONU). ■■ Conseguir o fornecimento universal de serviços básicos nos países em desenvolvimento custaria mais 80 bilhões de dólares por ano. ■■ Cerca de 18 milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças transmissíveis. ■■ Cerca de 90 jornalistas e profissionais dos meios de comunicação social foram mortos em serviço.

nos últimos 25 anos. de Serra Leoa e do Lesoto (0.6%). do Paraguai (0. a diferença entre ricos e pobres tem crescido demasiadamente. a de Botsuana (56. Os pobres brasileiros detêm apenas 0. a desigualdade é assustadora. No caso brasileiro. Em quase todos os países do mundo também é assustadora a desigualdade entre seus habitantes. a da Namíbia (64. 123 . http://www.9). da Namíbia.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR A desigualdade global demonstra que há nações com níveis de desenvolvimento muito maiores do que outras. Ao mesmo tempo em que os salários na indústria manufatureira caíram mais de 1%. Vejamos alguns dados do Relatório do Desenvolvimento Humano. No Brasil. A renda de 1% dos mais ricos cresceu 135%. porém não podemos nos enganar por aquilo que os números escondem. pois só em sete países a parcela da riqueza apropriada pelos 10% mais pobres é menor que no Brasil.3%). que retratam a apropriação da riqueza no Brasil: “em apenas oito países. a do Haiti (47.pnud.org. br/rdh2006 E qual é a parcela da renda que as camadas mais desfavorecidas se apropriam? Bem.2%). e esta fatia é superior apenas à dos pobres da Colômbia. eles (os mais ricos) apropriam-se de 45.6%).8% da renda. os 10% mais ricos da população se apropriam de uma fatia da renda nacional maior que a dos ricos brasileiros”. a de Suazilândia (50. de 2006 (RDH/2006). o resultado se repete.8% da renda. e a participação deles no Produto Interno Bruto (PIB) dobrou para 16%. de El Salvador e de Botsuana (0. apropriação menor apenas que a do Chile (47%).5%) e a da República Centro-Africana (47.5%). a do Lesoto (48. Por exemplo: nos Estados Unidos. a da Colômbia (46. O RDH 2006 ainda ressalta que a desigualdade não é um problema apenas dos países subdesenvolvidos.7%).7%). Fonte: Relatório do Desenvolvimento Humano/2006 produzido pelo PNUD.7%).

entre elas. Para avaliarmos o conteúdo falsificador dessas afirmações. é necessário que o educador conheça tais fundamentos e os socialize aos seus educandos. de dominar. Vamos explicar melhor: há um mundo desigual que necessita ser radicalmente (em suas raízes) modificado. mostrando os fundamentos da realidade humana.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR Diante deste resumido quadro. pois ainda permanece válido o princípio iluminista de que só transformamos aquilo que conhecemos. Uma das formas de se manter a dominação e a desigualdade é manipulando as consciências. Mais que isso. Porém. a educação ocupa lugar de destaque. por exemplo. E como podemos lidar com essa situação? Bem. A dominação na ordem burguesa. de todos os seres humanos e não de poucos privilegiados. finalmente. para ser efetiva nessa tarefa. Esse desvelar significa retirar o véu que encobre as relações sociais. muitas frentes devem ser assumidas e. 124 . Nessa luta. em um futuro próximo. fazendo com que a aparência dos fenômenos seja tomada como sua essência. percebemos que é necessário um comprometimento de todos os setores da sociedade para evitarmos que. de ter poder sobre o outro. isso significa defender que seria da natureza humana o impulso de possuir coisas. para que seja. uma boa estratégia para evitar que as consciências se situem no nível da aparência é promover a socialização do conhecimento sistematizado sobre os fundamentos das relações sociais. precisamos recorrer aos fundamentos. vivenciemos a barbárie. Sabemos bem que ela não resolverá tudo. Cabe a uma educação de caráter crítico contribuir com tais transformações e. Em outras palavras. é justificada em um falso argumento de que os seres humanos têm uma natureza relacionada à propriedade e ao poder. deve desvelar a realidade aos seres humanos. o seu papel tem importância fundamental.

aproximando-nos mais dele. então. Platão é descendente desse caldo cultural que produziu. Veremos que muito do que pensamos – muitas vezes. Eis a razão de estudarmos as concepções de homem/mundo: desenvolver uma compreensão inicial de o que é o mundo humano (a sociedade). começaremos a explorar as quatro concepções de homem/ mundo que serão sinteticamente expostas. A ideias de Platão são extremamente eloquentes e ainda exercem grande influência na nossa forma de pensar. equivocadamente – tem sua origem nas mais remotas formulações. foi resultado do desenvolvimento histórico e social dos homens. Agora que compreendemos a importância desse estudo. criticamente. Ao estudarmos as concepções de homem/mundo. seja pela via racional ou mitológica. Percebemos.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR Por tudo isso. que a preocupação de explicar o que é o homem não nasceu com a modernidade. Na verdade. no âmbito filosófico. Observamos os frutos de tal civilização nas obras de Homero e nas grandes escolas filosóficas. notaremos o quanto elas ainda são atuais. Ao tomar posse desse instrumental. na busca de explicações sobre os mistérios humanos. O autor. a fim de subsidiar a intervenção humana. as finalidades de sua atividade. de modo racional. percebemos que o estudo dos fundamentos ganha destaque. 125 . 1. da Matemática ou das Ciências – poderá estabelecer. o educador – seja ele da Educação Física. as de Sócrates e as de Aristóteles. pois ele possibilita uma melhor compreensão da sociedade.2 Concepção Platônica ou Dualista de Homem/ Mundo Você provavelmente sabe que a cultura grega foi extremamente rica em suas manifestações e em sua ânsia de explicar o que era o homem e o mundo. e a sua origem remonta à Antiguidade Clássica. formulações como as dos pré-socráticos.

a alma está encarcerada no corpo para poder se “purificar”. O dualismo verificado na compreensão sobre o homem – ele está dividido em corpo e alma – também aparece em sua compreensão sobre o mundo. nem o amor. e a alma está encarcerada (presa) no corpo por estar marcada pelo pecado original (a ignorância). o mundo estava cindido em dois: o das sombras e o da luzes. Já o conhecimento sim. Segundo o filósofo grego. Trata-se de um mundo de aparências. uma vez que estes valores dizem respeito às questões corpóreas. Percebe-se que tal ideia gera uma dicotomia – um dualismo – entre corpo e alma? Corpo e alma são duas substâncias distintas. assim.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR em seu ponto de vista. Os corpos só têm vida por aprisionarem dentro de si almas maculadas pelo pecado original (a ignorância). e o corpo somente tinha vida porque continha dentro de si uma alma. É onde vivem as almas purificadas – aquelas que puderam se libertar dos corpos. é possível o conhecimento da essência. sistematizou uma sofisticada explicação de o que é o homem e o mundo. 126 . não é nem a bondade. Para Platão. o homem estava dividido em corpo e alma. pois prepara as almas para a ascensão ao mundo das luzes. tampouco a solidariedade que purificam a alma. a fim de ascender ao mundo das luzes. Mundo das sombras Mundo das luzes É o lugar onde os corpos existem e nele não é possível chegar à essência das coisas. Para Platão. O corpo é. uma prisão para a alma: “o cárcere da alma”. Para Platão. A purificação dessas almas se dá pelo conhecimento. Nesse mundo. Vamos entender melhor.

essa purificação se daria pela fé na Palavra de Deus – a qual só poderia ser interpretada por ela (Igreja). reinterpretando e dando outro sentido às formulações de Platão. passar fome seria tanto um sinal de força como de uma proximidade com o “mundo das luzes”. Cabe lembrar que este “domínio” das consciências também se refletiu no poder econômico e no monopólio do conhecimento. 127 . Ora. mas. colocou-se como a responsável pela purificação das almas. na Idade Média. diferentemente de Platão. de acordo com a maioria dos clérigos medievais. mas. nossa natureza é ruim e necessita ser purificada. Nessa lógica. indiscutivelmente. não foi superada e ainda hoje influencia nosso modo de pensar. se estávamos marcados pelo pecado original. E qual a consequência dessa formulação? Bem. por exemplo. no contexto das aulas de Educação Física escolar? Discutir sua resposta com seus colegas e com o tutor no fórum temático da semana. Em outras palavras: o homem é ruim por natureza! Assim. fica mais fácil compreender o poder da Igreja. acabamos compreendendo o homem e o mundo da seguinte maneira: como nossa alma é marcada pelo pecado original. Hora de praticar Reflita: como essa concepção estaria presente na escola e mais especificamente na concepção de professores sobre o corpo.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR Essa concepção teve grande influência na Antiguidade Clássica e na Idade Média. a vida na terra – o “mundo das sombras” – seria apenas uma “passagem” para a “purificação das almas”. pois.

Peri. Para ele. o homem em seu estado original (natural) é bom. Um exemplo dessa formulação sobre a bondade original dos homens na literatura brasileira é o caso dos romances de José de Alencar. o homem poderia estar de acordo com a sua natureza original: a bondade. Imagens com base em http://livrosgratis. Rousseau julgava que os homens poderiam criar uma nova sociedade. Este homem seria um exemplo de alguém que ainda não tinha sido corrompido: a manifestação clara de sua teoria sobre o homem originalmente bom. caso mudasse a sociedade – criando-se um novo padrão societário –. concluir que o pensamento romântico foi revolucionário.3 Concepção Romântica Em contraposição à Concepção Dualista de homem/ mundo.com. um novo mundo. Para favorecer sua argumentação. Ceci etc. pois convoca os homens a lutar por uma sociedade que não os corrompa. porém a sociedade em que vive o corrompe.s8. Rousseau demonstra com exemplos desta origem boa dos homens. Podemos. por exemplo. Vejamos um exemplo emblemático desta concepção: a elaboração de Rousseau.br/images/books/cover/img7/ 179297.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR 1. entre eles a Revolução Francesa. 128 . que Robespierre – o líder dos jacobinos – era um grande conhecedor do pensamento rousseauniano. Vale lembrar. O Romantismo foi um movimento que transcendeu os limites da filosofia e se expressou também na literatura. exercer sua bondade original. por fim. então. surgiu a Concepção Romântica. Com relação ao mundo.net/upload/capas/iracemajose-de-alencar.jpg http://i. Quais são seus heróis? Os bons selvagens: Iracema. no qual não seriam mais corrompidos e poderiam. Em outras palavras. Para ela. assim. a sociedade era a principal responsável pela corrupção da “natureza humana” e. focando aquele que não teve contato com o processo civilizatório – o chamado “homem primitivo”.jpg As ideias de Rousseau influenciaram inúmeros processos revolucionários no solo europeu. chama os homens para a luta por outra sociedade que não aquela à época de Rousseau.

a burguesia foi a classe social que protagonizou o processo de desmoronamento da ordem feudal. alguns as aproveitam e. Na produção capitalista. quando derrubou o feudalismo. Mais que isso.).4 Concepção das Diferenças Inatas Apesar da influência exercida no processo revolucionário burguês. alguns nasceram talentosos. outros não. e outros nasceram desprovidos ou com pouco talento.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR 1. A existência de expropriados e miseráveis é explicada pela natureza dos seres. não favoreceu a felicidade humana. as desigualdades originadas pelo modo de produção capitalista foram sendo percebidas. por isso. A dominação ideológica burguesa argumenta que a sociedade capitalista possibilita oportunidades iguais a todos. as ideias românticas foram perdendo espaço ao mesmo tempo em que a burguesia se tornava uma classe conservadora. O novo tipo de sociedade criado – a ordem burguesa – não cumpriu as promessas de “liberdade. 129 . se desenvolvem. percebeu-se que elas são insuperáveis. igualdade e fraternidade” e. exército etc. com habilidade para acumular. assim. Surge um problema para o capital: como manter a dominação? Portanto. para a concepção das diferenças inatas. Eis as razões históricas para a elaboração de uma nova concepção de homem/mundo: a concepção das diferenças inatas. O modo de produção capitalista foi revolucionário. a burguesia converte-se numa classe conservadora e busca mecanismos de força e ideológicos para se manter no poder. Uma vez instalado o modo de produção capitalista. Passado o tempo. Era necessário um suporte ideológico que justificasse a sua dominação e evitasse a luta pela superação da organização social burguesa (capitalismo). em certa época. E por que uns se desenvolvem e outros não? Bem. a burguesia necessitava de instrumentos ideológicos de dominação que permitiriam “camuflar” as injustiças. além dos mecanismos de força (polícia.

vale uma reflexão: Os grandes capitalistas colocam seus filhos em escola pública? Hora de praticar Responda: como essa concepção se expressa no âmbito da Educação Física escolar? Discuta sua resposta com o seu tutor e os seus colegas no fórum da semana. Nessa concepção. os seres pouco ou nada talentosos (que nasceram “ruins”) são os pobres? E que aqueles que enriquecem são os seres talentosos (nasceram “bons”)? Conclusão? O problema não está no mundo (na sociedade) e sim nas pessoas (seres). por esse pensamento. 130 . ao mesmo tipo de saber) e. por ser um instrumento de equalização social (tanto o pobre como o rico têm acesso a ele e. a maior prova da justeza da sociedade burguesa seria a existência do sistema público de educação.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR Percebe que. uns se desenvolvem e outros não. claramente. Eis aí a demonstração de que em suas capacidades (talentos) os seres são desiguais ao nascer. portanto. Para refutar esta compreensão conservadora.

ele pode abstrair e pensar 131 . Por exemplo: a religião materializa-se conforme se concretiza nas atitudes. se é que existe algo que está na essência de todos os homens.5 Concepção Materialista Histórico-Dialética Com o desenvolvimento da ordem burguesa. distingue-se dos outros seres pela sua possibilidade de transformar a natureza. não existe nem mundo nem natureza dada. Ou seja. Veja que esta última concepção que estudaremos irá se contrapor à ideia de que existe uma natureza humana que é dada. ou seja. que é também natureza. assim como os outros animais e plantas existentes sobre a face da terra. ambos são construções históricas e sociais. nas ações dos homens que condizem com suas crenças. compreende toda a realidade objetual. nossa necessidade de conhecer mais do conhecimento humano é material.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR 1. podemos afirmar que o homem na sua luta pela sobrevivência precisou entender que o conhecimento tem uma raiz estritamente material. acrescida do universo simbólico criado ou recriado pelos homens. Mas o que é materialidade? Podemos entender materialidade como tudo aquilo que tem existência real. física. Assim. Mas o homem não é um simples expectador desta materialidade. este ser social e histórico é fato. de acordo com suas finalidades. foi possível notar as suas contradições. material não é só o que se pode “pegar com a mão”. O homem. e um sujeito histórico interessado na superação dessas contradições surge no cenário: o movimento operário. Então. Para a Concepção Materialista Histórico-Dialética. Ele tem possibilidade de pensar à frente em relação à realidade material. ou seja. Assim. de acordo com suas intenções.

PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR além da materialidade que está posta. Aos “homens da caverna”. Contudo. deveuse à materialidade). com encosto de cabeça. ►►materialidade e historicidade estão interligadas. é um ser dialético no sentido de que a superação de uma fase por outra fase mais elaborada. ►►por fim. podemos inferir que não há rupturas abruptas na história dos homens e sim processos de transformação. é uma superação que incorpora traços da fase anterior. nos quais a contradição é o elemento fundamental para o desenvolvimento da sociedade. o homem. Raciocinar dialeticamente permite-nos a aproximação mais efetiva do real. mas é ele quem constrói as suas circunstâncias. podemos deduzir outros desdobramentos dessa concepção: ►►o homem é um ser histórico. do ponto de vista social. Assim. porém sem nunca perder as raízes da realidade em que vive. Essa possibilidade se deveu à existência da forma mais simples de cadeira (em outras palavras. Por exemplo: um homem. pois nos permite empreender 132 . pois é limitado pelas circunstâncias de sua época. a partir desse raciocínio. espuma e base giratória. pensou em construir uma cadeira reclinável. nos limites de sua época. além de ser um ser histórico e material. este imaginar tem sempre uma raiz material: os limites históricos! Por exemplo. o chamado “homem primitivo” tinha a possibilidade de imaginar coisas. em um determinado momento histórico. da verdade. Podemos imaginar algo futuro. suas possibilidades de pensamento e abstração são resultados de suas circunstâncias. tem potencial para dar direção à história e para nela se perpetuar em suas obras. Com isso. mas. seria impossível ele projetar um ônibus espacial. Veja que. esta possibilidade estava vedada (limites históricos).

histórica e dialética. mas não é todo o real”. principalmente. A aparência é uma parte do real. Finalizando.. Agora. ao efetuar esta negação. com base nele e nas reflexões anteriores. mas não é todo o real. Esse processo de superação – este “ir além” – da realidade aparente não representa a sua completa negação. não autoriza inferências superficiais que não considerem mediações históricas e materiais – que não percebam o homem e o mundo como unidade dialética (em contraditório processo). pelos meios de comunicação: Esporte é Saúde! Discuta sua resposta com o seu tutor e os seus colegas no fórum da semana. muito veiculada. Hora de praticar Pense neste suposto: “ a aparência é parte do real. abaixo. discorra sobre a afirmativa. Vale. A Concepção Materialista HistóricoDialética compreende o homem e o mundo como uma unidade indivisível. aqui.. Em outras palavras. descobrir outros aspectos que estavam além da aparência. 133 . parafrasear Marx: se a aparência e a essência do fenômeno coincidissem imediatamente não haveria a necessidade da ciência.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR a negação da aparência das coisas e. material.

em última instância. Concepção Materialista HistóricoDialética de homem/mundo. Ao explorarmos essas ideias. Tais compreensões também conduzem a distintas interpretações sobre o ato educativo ou.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DAS CONCEPÇÕES DE HOMEM/MUNDO PARA O EDUCADOR Nesta unidade. 134 . Em síntese. homem/ 3. Tais posicionamentos. 2. ao analisarmos uma determinada organização societária – uma sociedade – poderemos ter. em outras palavras. bem como com o contexto histórico-social em que essa prática social – a educação – e seus protagonistas estão inseridos. fundamentam nossa perspectiva quanto às finalidades da educação. Concepção Platônica ou Dualista de homem/mundo. 4. Concepção Romântica de mundo. discutimos quatro concepções de homem/ mundo: 1. Concepção das Diferenças Inatas. sobre o que é a educação. Assim. diante dela. pelo menos. duas posições distintas: de concordância ou discordância sobre a maneira como ela (sociedade) está organizada. percebemos que há formas distintas de se conceber o que é o homem e a sociedade. os objetivos e as finalidades da educação variam de acordo com as visões de mundo. homem e pontos de vista das classes sociais envolvidas.

Para ele. Teorias Educacionais aç ão Educação Os objetivos e as finalidades da educação variam conforme as visões de mundo. é necessário que os educadores envolvidos tenham clareza sobre as concepções pedagógicas (sobre as diversas visões de educação). aprofundaremos nosso estudo sobre as Teorias Críticas. de homem. Não é difícil notar que muita confusão na compreensão das diferentes concepções de educação tem origem no desconhecimento de seus fundamentos. Assim. percebemos que há formas distintas de se conceber o que é o homem e a sociedade. Do ponto de vista pedagógico. as Crítico-Reprodutivistas. com ênfase na Pedagogia Histórico-Crítica. interessa-nos compreender essas diversas teorias. investigaremos os fundamentos dessas concepções. Na Unidade 3. as concepções de educação podem ser categorizadas em dois grandes grupos: as Teorias Críticas e as Teorias Não-Críticas. aqui. no caso. pois a “confusão dos espíritos” dificulta a prática pedagógica de inspiração crítica. Ed uc Educação 135 .PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 As Teorias Educacionais Não-Críticas e as CríticoReprodutivistas Na unidade anterior. de pontos de vista das classes sociais envolvidas e também de acordo com o contexto histórico-social em que essa prática social – a educação – e seus protagonistas estão inseridos. Para que esta prática social seja conduzida para a emancipação humana. Estudaremos as chamadas Teorias Não-Críticas e parte das Teorias Críticas. tomando por base a categorização indicada por Dermeval Saviani (2008). em outras palavras. Tais compreensões conduzem a diferentes interpretações também sobre o ato educativo ou. sobre o que é a educação.

■■ explicar as limitações das Teorias Não-Críticas e das Teorias Crítico-Reprodutivistas. por meio da produção da marginalidade cultural. notamos a dificuldade de se formar uma nova cultura.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. para isso. compreende-a dialeticamente. movida por contradições e. Identificamonos. especialmente a educação escolar. porém. Para o grupo das Teorias Crítico-Reprodutivistas. ■■ analisar os fundamentos das Teorias Não-Críticas e das Teorias CríticoReprodutivistas. a educação é de fundamental importância. portanto.. o grupo da Teoria Histórico-Crítica reconhece as determinações que atuam sobre a educação. sentimos a necessidade da superação do senso comum. enxergamos as dificuldades para a tomada de consciência. reproduzir e reforçar a dominação. Nesse processo de superação. esperamos que você seja capaz de: ■■ examinar os critérios para se caracterizar uma teoria educacional como crítica e não-crítica. Continuando a nossa conversa. Entre as Teorias Críticas. vamos continuar o nosso estudo! 136 . com a Pedagogia Histórico-Crítica. na ordem burguesa. como possibilidade emancipatória. há uma dupla interpretação sobre as finalidades e as possibilidades da educação. A educação é. ressentimonos com a situação miserável “dos de baixo”. a educação. na qual um ser humano é instrumento de exploração de outro ser humano.. um instrumento de dominação! Por sua vez. ou seja. portanto. tem a função de legitimar. Mas também nos anima a possibilidade da emancipação humana e. E qual a posição dos autores/professores responsáveis por essa disciplina? Reconhecemos os limites da atividade escolar. segundo Saviani. exclusivamente. é necessária a superação da presente sociedade. Agora.

pedagogicamente falando. a sociedade é concebida como essencialmente harmoniosa. aqui. Exploraremos cada uma delas a seguir. com a função primordial de reforçar os laços sociais. Escolanovista e Tecnicista. Tentando nos despir de nossas tendências. Entre as Teorias Não-Críticas. Também há a necessidade de compreendermos suas variações no contexto histórico-social. Para as Não-Críticas.1. pois o mesmo carrega consigo um preconceito produzido por análises reducionistas de que foi vítima. Uma vez que não percebe as determinações que atuam sobre si. Outra necessidade é o posicionamento crítico. Nessa compreensão.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS 2. há dois grandes grupos de teorias educacionais: as NãoCríticas e as Críticas. encontram-se as pedagogias Tradicional. precisamos fazer uma análise rigorosa e séria que ultrapasse o âmbito puramente pedagógico para a fundamentação filosófica nele contido.1 As Teorias Não-Críticas Como vimos na apresentação. A marginalização escolar (“exclusão escolar”) é um desvio que pode e deve ser corrigido a partir da própria escola. livres de falsos juízos e preconceitos. a educação tem. Somente dessa maneira poderemos. para Saviani (2008). devemos compreender 137 . uma ampla margem de autonomia. a educação é um instrumento de correção das distorções: uma força homogeneizadora. Devemos ter cuidado com o termo “tradicional”. tendendo à integração de seus membros.1 As Teorias Não-Críticas: a Pedagogia Tradicional Para caracterizar o ensino tradicional. saber realmente o que representa ser “tradicional”. a coesão e a integração. 2.

não sendo uma significação empírica. nossas tendências e nossa realidade histórica. O espírito humano é entendido como organizador. a identificação com o modelo deve significar a superação do vulgar. O desenvolvimento desse espírito ocorre por meio de modelos. ou seja. Os modelos representativos das grandes produções do espírito humano passam a ser não só um objetivo a ser alcançado. o modelo torna-se o ideal a ser atingido. ou seja. assim. ao contrário do que podemos pensar. administrador da vida.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS o ensino tradicional a partir dele próprio. O essencial é. fazendo com que esse se torne claro. mas sim espiritual. saber o significado do ensino tradicional e sabê-lo por outras fontes que não as das de seus inimigos (SNYDERS. Para o ensino tradicional. O modelo é incorporado com a atividade do sujeito. Mesmo sendo fora do comum. O modelo guiará o aluno para que se torne culto no sentido de pessoa letrada. e isto implica reconhecer nossos elementos iniciais. A tarefa da educação é colocar o aluno em contato com o modelo. A vontade tem como expressão fundamental a virtude. a prática ética. não há corrosão da originalidade e sim um incentivo para que essa desabroche. com alto desenvolvimento intelectual. perfeito. e tem como potencialidades a vontade e a inteligência. 1974). o contato com os modelos não se trata de uma reprodução. mas o instrumento pedagógico utilizado. Caracterização do Ensino Tradicional O ensino tradicional entende a cultura humana como atividade específica do espírito. e a felicidade é atingida quando se chega à plenitude da inteligência em busca da verdade. mas sim de uma imitação que visa buscar inspiração. da elevação para o universo do espírito. pois. pelo contato com as grandes realizações da humanidade. o estímulo para que o aluno chegue ao mundo das 138 . Dessa maneira.

2. tornar o aluno apto ao modelo. mas de conhecimentos de cultura geral. preparada”. Para intermediar o empírico do aluno com o sublime do modelo. ou seja. o que consiste em fazer prevalecer o espírito sobre as coisas referentes à matéria. ao mesmo tempo em que terá de fazer o aluno superar o habitual para que o modelo seja atingido pela disciplina. 139 . Os modelos terão papel fundamental nessa abstração. deve ser dócil e ao mesmo tempo encantado pelo modelo. Nessa tarefa. O conhecimento é fundamental para a formação da personalidade da pessoa. deverá fazer a intermediação entre esses. tornar o modelo acessível ao aluno. ordenada. 28). Para mediar o contato do aluno com o modelo haverá necessidade de um mestre (professor). Trata-se de uma etapa pedagógica necessária. A alegria é gerada pela compreensão. Daí a importância dos exercícios de autodomínio. cumprem papéis fundamentais os esquemas. 1974. ou seja. O aluno deve assumir a postura do discípulo. (SNYDERS. Há também a necessidade de uma ação do professor para auxiliar o aluno a ordenar sua razão no sentido de se autogovernar. p. pela contemplação do verdadeiro. e não se trata de conhecimentos instrumentais. que terá dupla responsabilidade: 1. o mestre deverá estar identificado com o modelo e fazer com que ele se torne acessível. as representações simplificadoras – para concentrar a atenção no essencial ‒ e também os conceitos – para fixar as impressões. para que a compreensão da realidade possa ser efetuada em sua plenitude. “o professor transforma a exuberância não assimilável do mundo numa matéria simplificada. bem como classificá-las. para que o retorno ao concreto seja mais proveitoso.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS luzes. Para favorecer a compreensão do discípulo. O ensino tradicional pretende um afastamento do real imediato.

críticas à parte. e este esforço não é pequeno. ► o esforço do aluno a fim de atingir o modelo deve gerar alegria a ele. alguns fatores são também fundamentais: ► a disciplina escolar – não como uma forma de manter o silêncio em aula. As Bases Filosóficas do Ensino Tradicional O ensino tradicional busca realizar aquilo que o homem deve ser (SUCHODOLSKI. de apenas uma concepção filosófica e sim de várias (Concepção Clássica. Não se trata. não nos parece que seja por aí que devam girar as críticas a ele.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS de atenção ao essencial. 140 . ► o castigo. Sem dúvida. um caráter transcendental. para demonstrar que o nível exigido não foi atingido. podemos notar que as expectativas em relação aos objetivos do ensino tradicional são exigentes ao extremo. há uma integração do religioso no ensino tradicional. tanto em sua fundamentação filosófica como na prática pedagógica. porém. agruparemos em um bloco denominado essencialista. Concepção Tomista. ► a individualização dos estímulos de acordo com o nível em que cada um se encontra. inegavelmente. Veja que esse pensamento torna clara toda a fundamentação filosófica que embasa esse tipo de ensino. O conhecimento e a cultura geral são tratados como uma forma de autovalorização e têm importância fundamental na concretização da educação. para fins de estudo. Nessa tarefa de aproximação do modelo ao aluno. 2004). mas como forma educativa de normas de conduta. que. Finalizando. na verdade. busca sua essência. de busca da perfeição. Concepção Moderna e Concepção Racionalista). O contato com o modelo tem.

PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS Entre essas concepções. p. à verdade. que representa a verdadeira causa. o desejo. o mundo físico no qual não se pode chegar ao real em sua plenitude. o corpo. Podemos notar que a matriz está. A explicação teria de recorrer aos argumentos da suprassensibilidade. o domínio da vida diária. Para ele. o absoluto. Por exemplo: não há como explicar a beleza de uma flor com argumentos materiais. enfim. Kant etc. Da mesma maneira que possui uma concepção dualista de mundo. à essência das coisas. faremos uma breve explanação sobre um dos autores do pensamento tradicional – Platão. atingir a verdade. mas sim como cárcere da primeira. compreende-se o mundo material. Falamos aqui do universo suprafísico. com os sentidos. 141 . Em seguida. como ele simbolicamente diz. aquela que permite a ascensão do mundo sensível para o mundo inteligível. no pensamento clássico grego. ao mundo das ideias. do mundo sensível. posteriormente. Mas é no mundo das ideias que há a possibilidade de se atingir a realidade em sua plenitude. metafísico. ao qual pertence o espírito pensante do ser inteligível. Platão também tem uma concepção dualista de homem. 135). Na Unidade 1. faremos uma “ponte” entre a fundamentação filosófica e a prática pedagógica. vimos que Platão distingue duas dimensões de mundo: o mundo das sombras e o mundo das luzes. Com o objetivo de nos aproximarmos das raízes. citamos também alguns filósofos que influenciaram grandemente o pensamento pedagógico tradicional: Platão. indubitavelmente. pela “primeira navegação”. àquilo que é atingido. É a liberação do espírito do universo dos sentidos. encontram-se a experiência. que. os sentidos. Santo Tomás de Aquino. o empírico. há uma divisão alma-corpo. Aristóteles. para deslocar-se ao plano do raciocínio puro e “daquilo que é captado pelo intelecto e pela mente na pureza de sua atividade específica” (REALE e ANTISERI. 2003. Platão diz que os pré-Socráticos chegaram à dimensão da sensibilidade. influenciou o pensamento cristão e assim sucessivamente até o pensamento racionalista moderno. na qual o último serve não tanto como receptáculo. compreendido o mundo das ideias. esse mundo só é atingido pela “segunda navegação”. Santo Agostinho. o sensível que não se explica por si. Nas sombras.

Realçou ainda com mais força a oposição de duas esferas da realidade: verdadeira e eterna por um lado. O cristianismo manteve. ocorre pelo processo de elevação ao conhecimento supremo do inteligível e do espiritual (mundo das ideias) em busca do absoluto (o Bem). como forma de levar o aluno a ascender da vida diária (sombras) ao mundo da cultura que somente o espírito pode alcançar. o objetivo do modelo. insiste nessa ideia não como “cuidado com a alma”. A prática da virtude e da dedicação ao conhecimento significa a busca em atingir o absoluto. vem na herança aristotélica. Sócrates identificara o “cuidado com a alma” como a suprema missão moral do homem. das suas conseqüências duradouras. 2004. como falamos. transformou e desenvolveu a concepção platônica. (SUCHODOLSKI. do real. aparente e temporal por outro. 20).PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS A alma deve sempre fugir do corpo. A teoria do pecado original. ainda com mais intensidade. Com base nos mundos distintos expostos por Platão. podemos verificar a utilidade. em certo sentido. podemos agora entender melhor o ensino tradicional e as suas aplicações. por exemplo. A possibilidade de fuga do corpo se dá pelo conhecimento. o conflito interior do homem dilacerado entre o que o liga à vida material e o que o une ao mundo espiritual. Feita a purificação. ao passo que ela pertence ao mundo das ideias e somente encontra-se encarnada para purificar-se de algo que a marca em sua origem. para o homem não ceder ao que aparenta ser a sua realidade e a do meio que o rodeia. mas sim como “purificação da alma”. p. E tal purificação. pois não representa mais que um estado de corrupção e o lugar de seu exílio. Santo Tomás. de uma energia sem par. Lembramos que não foi só Platão que influenciou o pensamento religioso. constitui uma advertência. poderá ascender ao mundo do absoluto. Relembrando as características do ensino tradicional e a breve explanação sobre os fundamentos filosóficos – a partir de Platão –. pode a alma purificar-se. do desejo. Em posse desse. 142 . pois ele pertence ao mundo dos sentidos. Acentuou. Platão.

Síntese Sincrônica e Teórica Contexto (meados do século XIX) A compreensão de marginalidade e de escola na Pedagogia Tradicional Os problemas da Pedagogia Tradicional conseguiu realizar a .Havia a necessidade de se ignorância. . Essa purificação significa uma “peregrinação” em que deve haver disciplina. nem todos eram bem-sucedidos). entre os que ingressavam. 6) (SUCHODOLSKI. revolucionária).PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS Também fica fácil entender por que o espírito é o organizador da vida em busca da virtude ética e da inteligência. atividade do aluno. transmitir os conhecimentos pretendida universalização (nem todos ingressavam e. enfim.Processo de consolidação . e o modelo é o instrumento e o representante desse mundo. esforço desse e exercícios individualizados.A ESCOLA é um antídoto à dir a instrução. a superação da realidade mundana. cabe a ela “difunsuperar o “Antigo Regime”. 2004.Não da burguesia no poder (fase cada como a marginalidade. p.Necessidade de transformar o “súdito” em “cidadão”. por meio da “ilustração”. castigo nos momentos necessários. acumulados Nem todos os bem-sucedidos que se queria pela humanidade e sistemati. . 143 . p.sociedade DOLSKI. . tudo o que for necessário para atingir o modelo representativo do acesso ao mundo espiritual. Ele é ativo mesmo quando fazendo exercício disciplinar.Constituição dos “sistemas nacionais de ensino”.A IGNORÂNCIA é identifi. fica claro por que esse modelo provoca alegria no discípulo. 5) consolidar 2004. .se ajustavam ao tipo e à zados logicamente” (SUCHO. A concepção dualista e a ideia do pecado original são os motivos pelos quais a educação deve realizar a “purificação da alma”. Se atingir o mundo das ideias representa o contato com a realidade – com a verdade –. porque é seu desejo atingir o modelo.

. juntamente com ele. A educação. deve-se construir. o momento em que o homem ainda não se corrompeu. “a educação nova toma como ponto de partida as decepções e lacunas que se apresentavam como características do ensino tradicional”. aqui. 72). o espontâneo. levando-a a sério” (ibid. precisamos ter em mente essa mesma necessidade. p. dessa maneira. também precisamos ter posicionamento crítico para nos afastarmos. o interesse do aluno deve ser sempre levado em conta. 144 . o tanto possível. Em virtude disso. a partir das suas características. momento em que os homens envolvidos no processo educativo existem efetivamente. Além disso. deve ser em função da existência da criança (tendo em vista os seus desejos atuais) que tem valor em si.1. 69). para podermos conversar. de nossas tendências e. assim. 71).PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS 2. conseguirmos compreender o ensino novo. pois se coloca contrário aos modelos e à preparação futura.. Tratamos aqui do bloco de tendências pedagógicas que Suchodolski classifica como existencialistas. p. A criança possui uma originalidade que deve ser respeitada. A juventude representa.2 As Teorias Não-Críticas: a Pedagogia Escolanovista Lembra-se da nossa conversa inicial sobre a Pedagogia Tradicional e a necessidade de extrapolar a dimensão apenas pedagógica para alcançarmos a fundamentação filosófica? Pois bem. justo e não opressor. Caracterização da Pedagogia Nova Segundo Snyders (1974. defendendo a alegria do presente. todo As tendências pedagógicas existencialistas não procuram realizar o que o homem deve ser. Em verdade. A infância possui valor em si mesma. aquilo que o homem é em sua origem. “o bom selvagem”. “um significado e um sentido próprios” (id. “Ela possui uma dignidade e a obrigação do educador é respeitar esta dignidade. sobre a Pedagogia Nova. o ensino novo representa a antítese do pensamento pedagógico tradicional. portanto. p. que representa o natural. o momento no qual ele ainda está equilibrado. mas sim o que ele naturalmente na sua origem o era: bom.

que irá propor suas atividades. dessa maneira. assim. Assim como o trabalho individual. trata-se do momento em que os alunos.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS o conteúdo escolar em função de sua motivação. Os trabalhos devem ser colocados de maneira que o aluno seja levado a prepará-los por si mesmo. Por isso devemos assegurar que a criança exprima suas opiniões. autoridade e liberdade. As atividades devem partir dos alunos e não do professor. que colocará a criança em busca de um contato com o social. os trabalhos devem considerar tudo o que foi mencionado anteriormente. Dessa maneira. suas experiências. Os riscos da passividade. trata-se da preservação do desenvolvimento pessoal. como realmente se sente. Assim. 145 . tendo em vista sempre a formação do indivíduo que prevalece sobre o conteúdo como aquisição do conhecimento. uma vez que é a única forma de considerá-lo ativo. O trabalho escolar. bem como participe das decisões. da submissão e da dependência. A não diretividade deve ser a tônica dos trabalhos. será o momento de aprender com o mundo. enfim. Será o momento em que colocará em exposição suas aspirações. que nascem de suas indagações internas. que investiga. ele irá se sentir responsável. para que a educação se incorpore à vida dele. aprende e tira conclusões. um ser espontâneo. O aluno terá possibilidade de progredir mesmo diante de um pequeno fracasso. Este só interessa quando atinge a expectativa do aluno. Na prática pedagógica. fazendo toda a esquematização de como irá confeccioná-los. na verdade. são eliminados. deve permitir opção e independência. irão se organizar e encontrar formas para se equilibrar. Todo o ambiente educacional deve ser organizado de forma que o desenvolvimento individual da criatividade seja estimulado. de acordo com os seus interesses. a iniciativa do aluno deve ser assegurada como forma de autonomia. não é este último que deve organizar as atividades em função dos seus pontos de vista. e sim a criança. em grupo. a atividade da criança é fundamental na pedagogia nova. o trabalho em grupo assume um importante papel na vida escolar. A criança não é um simples executante. é.

81) enaltece a Educação Cívica com “as boas ações”. o professor deve arranjar-lhe um trabalho que após a aula ajude o aluno e a sua família a combaterem a miséria.. 82) se propõe a “agrupar conhecimentos em conjuntos coerentes que se encadeiam uns aos outros mediante elos afetivos e lógicos”. Então. p. Decroly (id. Veja que. para cada assunto. Em suas aplicações. a educação nova toma algumas ênfases distintas que podem nos ajudar. Apoiando-se continuamente sobre os fatos e condições reais de vida. É nesse momento que a cultura integrase à sua existência.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS O ambiente do grupo é rico. Assim. p. parte-se do ponto de vista de defesa da vida. Do trabalho em grupo. a justiça etc. as barragens etc. para defender a natureza. 146 . Outro exemplo: para defender a sociedade. Segundo Dewey. 1974. usamos a polícia. Os conhecimentos são colocados como eficientes e coerentes para serem postos em função da vida. trata-se da educação comprometida com a transformação social. momento em que a criança tentará contribuir para o bem comum. por exemplo. caso algum aluno procure o professor porque enfrenta um estado de miséria. pois faz com que tomem contato com experiências importantíssimas para o desenvolvimento individual: a noção de igualdade. pois faz a ponte da experiência vivida com o aprendizado na escola. Por exemplo. Dewey (in SNYDERS. das necessidades. passa-se ao contato com a comunidade. a respeitabilidade de ponto de vista e as significações das divergências (entender o que cada opinião quer dizer quando há divergências). utilizamos os açudes. a escola conduzirá os alunos a compreender melhor o mundo que os cerca e cumprir o seu dever de cidadão. a comunicação recíproca. momento no qual irá superar os egoísmos.

fique isolado. Dessa maneira. pois implicaria uma ruptura entre o eu e a tarefa a realizar. para a atividade manufatureira. a qual permite a intervenção do homem na natureza pelo conhecimento dos fenômenos naturais. Esse contexto surgiu em face do desenvolvimento da burguesia que assinala a passagem da produção feudal para a produção burguesa (surgimento de artesãos e comerciantes). A necessidade da reintegração fará com que se corrija. Desta maneira. ■■ a partir do momento em que a criança tem interesse em algo. é boa por natureza. que se baseia na ciência. parece que se chega à “forma mais alta de consciência moral”. a possibilidade de que o mal cometido seja reparado por quem o fez. 147 . pois será isolado e. sentirá a necessidade de reintegrar-se e irá rever os seus atos. As Bases Filosóficas do Escolanovismo A fundamentação filosófica da pedagogia nova encontra-se no contexto de todo desenvolvimento do pensamento moderno. Tal fato permite uma visão objetiva e científica do mundo contra a visão metafísica outrora hegemônica. não deve haver esforço cobrado na aprendizagem. uma facilidade em aprender e aprende sozinha as coisas. Isso tudo representa a diminuição da crença nas forças sobrenaturais para a crença no poder criativo e produtivo do homem. deve estar empatibilizada com a tarefa a realizar. ativo. que vê. Para o grupo do ensino novo. A sanção por reciprocidade consiste em retribuir o recebido. a partir da vida comum. espontaneamente. a criança. nas sanções por reciprocidade. dependente da natureza. O indivíduo que comete o erro rompe seus laços com o grupo. justa e dócil. Ao cometer um ato falho. por isso. aprende por motivação interna. Percebe que o ensino novo parece ter aversão total pelo ensino tradicional? Basta notar a abolição total dos modelos e o deslocamento dos objetivos da essência para a existência do ser. como sujeito. da terra. os modelos são dispensáveis porque: ■■ a criança tem valor em si. temos um sujeito histórico que se sente produtor. ao sê-lo. tomamos como exemplo Piaget. criativo. Ao se deslocar a atividade humana da produção agrícola.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS Por último. ■■ a criança tem. Assim. por instinto. há uma consequência que faz o indivíduo sentir que errou e que.

fruto do desenvolvimento econômico e científico do conjunto da sociedade. 148 . Existe uma valorização do objeto no processo de produção do conhecimento. o romantismo e o liberalismo. pois senão não deveria haver mais cristãos hoje em dia. Trata-se muito mais de uma questão hegemônica do que do desaparecimento de uma fase para surgimento da outra. Condizentes com todo o movimento descrito. Assim. É evidente. Não há mais temores com as condições climáticas. por que temos a passagem da consciência mítica para a consciência científica. bastavam as mãos. A fonte de todo conhecimento encontra-se nas impressões sensíveis e nas ideias como lembranças dessas impressões. Claro que devemos construir uma compreensão dialética dessa passagem e não encará-la como uma ruptura. que fizeram com que a burguesia assumisse o controle hegemônico da vida estrutural e superestrutural da sociedade. formula sua teoria afirmando a experiência como principal fundamento do conhecimento. com os fenômenos da natureza. surgiram novas elaborações filosóficas: o empirismo. pois. que teve em Hume um de seus expoentes. para fazer um sapato ou uma escultura em madeira. fica explicado por que temos um homem novo. Empirismo A primeira dessas linhas filosóficas. que colocamos em nossa análise todo o desenvolvimento econômico-político representado pelas revoluções burguesas e pela democracia liberal. também. Os limites desse conhecimento vão até o âmbito das relações das impressões como representações. Vejamos cada uma delas. acompanhando a herança de Hobbes e Locke.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS O homem que dependia extremamente da terra passa a depender somente de sua atividade criadora. o material e o conhecimento.

e o que influi para isso é o desequilíbrio social. Coloca-se contra a cultura tal qual se apresenta. integrando deduções passadas. O caminho para a salvação do homem é o retorno à natureza e. para melhor. mas sim à lei. Em seu “Contrato Social”. A passagem do estado natural para o estado social produz no homem uma notável mudança. biologicamente sadio e moralmente reto. desde que devidamente renovada. 149 . O homem não era mau e injusto. que levanta a hipótese do homem natural.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS Romantismo A segunda linha filosófica é o romantismo. tendo em vista o homem integral. para servir a causa humana. faremos uso das formulações de Rousseau. dos instintos. para que isso se dê. pois deturpou a natureza humana. Rousseau muda o rumo da sua preocupação. Rousseau se preocupa com o homem tal qual se apresenta: corrupto e desumano. porém se tornou. A razão. nesse novo modelo social. originalmente íntegro. a justiça e o amor são partes da natureza do homem. do interesse comum. desde que ela garanta a natureza humana e esteja de acordo com os interesses do homem. Apesar de tudo. É um pacto entre os homens. a natureza leva ao triunfo dos sentimentos. deve fazer a integração entre sentimentos. da autoconservação. da vontade geral (verdadeiro motor do estado). portanto. O mal nasceu da sociedade. nem na razão pura. não mau e não opressor. vê na razão um instrumento privilegiado para a superação dos males. justo. há necessidade de uma revolução. Para explicitá-lo. pois a sociedade se corrompeu e o homem perdeu sua vinculação com o mundo exterior. mas uma realidade que brota da renúncia dos próprios interesses. tendo em vista a coletividade. A vontade geral não é uma somatória das vontades individuais. não se centra na volta às origens. A sanidade moral. mas sim em uma nova ordem social baseada na voz da consciência global do homem. em plena liberdade e com igualdade. aberto para a comunidade. Embora saudoso do homem em sua origem. sagrada para todos por ser fruto da vontade geral. O estado transforma-se no guardião do bem comum. que ele pode ser expulso e debelado. Deixada ao seu livre desenvolvimento. pois ninguém deve obedecer a outro. mas é com esta. O princípio que move essa mudança é a vontade geral do bem comum. fruto da estrutura histórico-social que modificou a riqueza passional desse homem. bem como a espontaneidade de seus sentimentos mais profundos. que legitima o poder e garante a transformação social. instintos e paixões.

É pelo trabalho que o indivíduo chega à sua propriedade. a educação deve formar cidadãos para o pacto social. 39). primordialmente. 150 . p.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS Romantismo (continuação) No âmbito pedagógico. O controle da produção é regulado pelo mercado que assume as leis da oferta e da procura. Para que tudo isso aconteça. os instintos devem amadurecer para oferecer densidade e consistência à razão (à qual cabe a consideração da vida comunitária). mas. portanto o trabalho torna-se atividade econômica regida como lei natural. p. tratava-se. o itinerário deve ser gradual e respeitar os estágios de desenvolvimento para que o “bom selvagem” seja preservado. cotidiana e verdadeira do homem” (idem. ao criticar a cultura tal qual se apresentava. A educação — segundo Rousseau — não deve ter por objetivo a preparação da criança com vista ao futuro ou modelá-la de determinado modo. na verdade. não podendo ser afetadas pelas leis do estado. Baseado nisso. Liberalismo O liberalismo caracteriza-se pela primazia do indivíduo sobre o estado. as paixões devem transformar-se em instrumento de conservação da sociedade. não só porque ela é objeto da educação. As leis econômicas tornam-se leis naturais. 2004. Deve fazer com que o amor-próprio transforme-se em amor pela comunidade. Consequentemente. É preciso ter em conta a criança. o juízo de valor para análise dessas leis tem como critério o utilitarismo. A teoria sobre a natureza humana originalmente boa é incorporada. A liberdade nos moldes liberais torna-se a primeira exigência da natureza. A realidade absorvida por Rousseau é “a vida concreta. Toda intenção de Rousseau ao incitar a volta às origens. deve ser a própria vida da criança. de um apelo revolucionário para opor-se à ordem feudal e seus resquícios. as leis dos indivíduos são leis naturais. porque a criança é a própria fonte de educação (SUCHODOLSKI. A liberdade do indivíduo se dá com direito à propriedade – a marca do indivíduo. 40).

da educação e da escola. Temos agora. . Síntese sincrônica A compreensão de marginalidade e de escola na Pedagogia Escolanovista . 151 .Generalização no âmbito dos sistemas educacionais. do sentido de espontaneidade.Seu ideário foi amplamente difundido no sistema de ensino e acabou por rebaixar o ensino destinado às camadas populares (afrouxamento da disciplina. Enfim. . em posse da fundamentação.As experiências ficaram circunscritas às escolas da elite (pequenos grupos). despreocupação com a transmissão de conhecimentos). .Os custos eram bem mais altos que os da escola tradicional. trata-se do sentido de coletivismo.As críticas ao ensino tradicional e a manutenção da crença na escola como instrumento de equalização. . até mesmo para a elaboração da crítica.Reformas experimentais.À ESCOLA cabe a função de ajustar. a partir dessa breve explanação. Contexto (final do século XIX) Os problemas da Pedagogia Escolanovista .A burguesia consolidada (fase revolucionária). de adaptar os indivíduos à sociedade e fazer com que “se aceitem”. inicialmente. com os “anormais”). .A anormalidade como “diferença”. da importância da motivação.O marginalizado é o REJEITADO (os “anormais”.Biopsicologização da sociedade. “desajustados”. da valorização da experiência. . A explicação de o porquê de “isolar” a criança da sociedade para somente num segundo momento integrá-la.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS Liberalismo (continuação) Os indivíduos associam-se formando a sociedade como meio de se autorrealizarem no âmbito de suas vontades e de suas consequências. a compreensão fica mais fácil. a explicação da criança como valor em si mesma. . . “excluídos”). restritas (principalmente. O utilitarismo é determinado pelo prazer e pela felicidade que as coisas geram aos indivíduos. .

Exaustão do Escolanovismo. 152 . . .Fundada no suposto da neutralidade científica. dos conteúdos para os processos pedagógicos. a fim de torná-lo objetivo e operacional.Cabe ao professor fazer com que a espontaneidade do aluno floresça.Frustração com as reformas escolares.3 As Teorias Não-Críticas: a Pedagogia Tecnicista Síntese sincrônica Contexto (segunda metade do século XX) . bibliotecas etc). . . pois a impessoalidade é nociva ao processo educativo. .O professor é um estimulador e orientador da aprendizagem. minimizando as possibilidades de interferências subjetivas que coloquem em risco a eficiência.Traz a lógica fabril à escola. mas aprender a aprender. . 1. A Pedagogia Tecnicista (fundamentos) . .PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS A organização escolar e a relação professor/aluno na Pedagogia Escolanovista .A aprendizagem é decorrente da estimulação do rico ambiente escolar (laboratórios. . . . .A questão pedagógica passa do lógico para o psicológico.O fundamental não é aprender.Pequenos agrupamentos de alunos. agrupamentos de alunos de acordo com seus interesses demonstrados em suas atividades livres.Inspirada nos princípios de racionalidade.No lugar das classes. do diretivismo para o nãodiretivismo.Advoga a reordenação do processo educativo.Ineficiência do Escolanovismo no combate à marginalidade.1. eficiência e produtividade.

► ao desprezar o “mundo dos sentidos”. 153 . estes devem estar dispostos em função da relação professor/aluno.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS A compreensão de marginalidade e de escola na Pedagogia Escolanovista . Os problemas da Pedagogia Tecnicista .Ao cruzar com as condições o Ensino Tradicional e o Ideário Escolanovista.A marginalização se agravou: o conteúdo se tornou cada vez mais rarefeito.Nela. o elemento central passa a ser a organização racional dos meios.A garantia da eficiência está na organização do processo. . hipervalorizando o espírito e desprezando a realidade representada pela experiência vivida. ao propor modelos que representam as grandes realizações do espírito humano.A educação é um eficiente treinamento para a execução das múltiplas tarefas demandadas pela sociedade.Na escola. As Críticas às Teorias Não-Críticas de Educação ► a educação tradicional.Na ação educativa. a Pedagogia Tradicional confere um sentido idealista ao ensino. . . coordenação e controle ficam a cargo de especialistas habilitados. . . . a questão central é aprender a fazer! A organização escolar e a relação professor/aluno na Pedagogia Tecnicista . .O marginalizado é o INCOMPETENTE. planejamento. escolhe-os a certa distância da realidade do aluno.A escola contribui para superar a marginalidade. No Tecnicismo isto se inverte. heterogeneidade e fragmentação). .São relegados à condição de executores de um processo cuja concepção. o Tecnicismo acabou por aumentar o caos no campo educativo (descontinuidade.Embora o Escolanovismo também valorize os meios (procedimentos). e a ampliação de vagas foi irrelevante em face dos altos índices de evasão e repetência.Aluno e professor acabam por ocupar uma posição secundária. sem que eles tenham condições de interferir na ação concreta. . na medida em que forma indivíduos eficientes. crescem em importância o papel do técnico e da burocracia.

consequentemente. nociva. Toda realidade social é posta em segundo plano para valorizar o reino da essência. A partir deles. o ensino novo assume essas leis. caso o problema social não seja ao menos discutido. note que “as leis sociais”. porém. nega a possibilidade de uma visão de totalidade com vistas ao corpo. que. ► a história concreta dos homens e sua ação são negadas. para que o retorno depois? Se for para revolucionar o “mundo das sombras”. dessa maneira. em si mesma. 154 . lembremos que não se revoluciona um mundo somente com ideias. ► a teoria do pecado original faz com que muitas vezes. das ideias. que farão o trabalho escolar assumir uma postura viva. desde a sua fundamentação filosófica até a sua prática pedagógica. dá origem ao conceito de cultura como atividade exclusiva do espírito. as contradições do sistema devem ser reveladas e não encobertas. Na verdade. deixando de lado as contradições sociais e passando a não se contextualizar historicamente. Vejamos as críticas: ■■ as boas ações que Dewey defende como resoluções de problemas sociais. com prioridade da segunda sobre o primeiro. mesmo os de ordem social e econômica. O ensino deverá realizar o que este homem deveria ser. Mas se o objetivo é o acesso ao mundo das ideias. o aluno humildemente se submeta. ao ajudar o aluno com dificuldades financeiras arrumando-lhe um emprego após a aula. são muito limitadas. por desprezar a realidade mundana. Com os três exemplos de aplicações que mencionamos na caracterização do ensino novo. ► a educação nova também carrega problemas consigo. são tomadas como “leis naturais” e. ► o ensino tradicional. Dessa maneira. ou seja. o professor estará executando uma medida paliativa que não soluciona o problema social da miséria e faz acreditar que com jeito e habilidade há como superar problemas. o trabalho físico ou manual apresenta-se em inferioridade ao trabalho intelectual. “as leis econômicas”. utiliza-se de modelos para fazer com que o aluno ascenda ao mundo das ideias. Não que a medida paliativa seja. ela até poderá o ser. tentaremos “puxar” as críticas. porém menciona que ao retornar existirá uma compreensão da realidade humana que anteriormente não era possível.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS As Críticas às Teorias Não-Críticas de Educação (continuação) ► o estabelecimento do dualismo corpo–alma. pois o homem ideal está em um ponto acima da realidade humana. embora o ensino tradicional deseje a atividade. que assuma um papel de extrema submissão em relação ao conhecimento.

a necessidade de ambos para defesa da vida. ► como a liberdade é entendida individualmente e tendo em vista. 155 . Esse fato demonstra que. os desadaptados.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS As Críticas às Teorias Não-Críticas de Educação (continuação) ■■ também possuem sérias limitações as formulações de Decroly. Exemplifica falando em criação de açudes para defesa da natureza e da utilização da polícia para defesa da sociedade. sobre sanções de reciprocidade. materiais e dialéticas que envolvem todos os aspectos subjetivos e objetivos da sociedade. Mais uma vez. filhos da mesma família. não entende que. o de Piaget. as riquezas produzidas (tanto material quanto espiritualmente) devem ser socializadas. não quer dizer que existe algo errado com essa sociedade. as contradições sociais são veladas. Assume-se. ■■ no terceiro exemplo. para defender a sociedade. nem naturalmente bom (= ensino novo). por exemplo. tendo em vista uma utilidade. ou seja. como duas pessoas em uma mesma sociedade. por exemplo. tenham atitudes antagônicas em seus princípios. não percebe que a liberdade entendida exclusivamente em seu sentido individual leva ao domínio de uns sobre outros e não atende a todos. o indivíduo não nasce naturalmente ruim (= ensino tradicional). mas sim que é fruto das relações históricas. Assim. se o capitalista se sente isolado ao explorar o trabalho de um assalariado seu ou ao sonegar um imposto. os anormais e os marginalizados da sociedade. a sanção pelo ato falho tem por objetivo atingir o máximo da consciência moral coletiva. que defende a utilização do conhecimento em função de defesa da vida. nesses exemplos. ► toma o indivíduo como originalmente bom e não tem como explicar. que necessita de polícia? São fatores que deveriam ser levados em conta para fazer com que a educação estivesse realmente cumprindo o seu papel. o controle econômico da produção deve estar nas mãos da sociedade. que estudaram na mesma escola. provocando uma desigualdade entre os indivíduos. principalmente. para haver uma ampliação da liberdade. na verdade. Mas será que os problemas são da mesma ordem? Será que a polícia. a propriedade. ► o sentido de espontaneidade cai por terra quando há necessidade de explicar os desajustados. A autorregulação social e econômica historicamente não ocorre. Mas essa consciência cai por terra ao se verificar.

com interesses antagônicos que são estabelecidos a partir da produção material da vida social. Hora de praticar Faça um quadro indicando as diferenças entre as três teorias educacionais estudadas até agora (Pedagogias Tradicional. ► a abolição dos modelos faz com que muitas vezes não se passe do nível da experiência vivida. uma vez que não há um estímulo para que o senso comum seja ultrapassado. Escolanovista e Tecnicista). passaremos a explorar a Teorias Críticas.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS As Críticas às Teorias Não-Críticas de Educação (continuação) ► o utilitarismo. aquilo que não trouxer um “retorno financeiro” passa a ser desvalorizado. Leve sua elaboração para o fórum da semana e discuta com seus colegas da turma.2 As Teorias Crítico-Reprodutivistas As Teorias Críticas são aqueles que percebem as determinações sociais que atuam sobre o fenômeno educativo. pois o ideal de prazer e felicidade passa a ser o consumo. da “liberdade”). 2. Percebem que a sociedade é essencialmente marcada pela divisão entre classes sociais. do poder. Agora que compreendemos as características de cada concepção das teorias que compõem as Teorias Não-Críticas. historicamente. faz com que as pessoas desejem o conhecimento para uma acumulação de capital. 156 . O ideal de existência feliz dos indivíduos se regula pela maior quantidade possível de acumulação de capital (representante do domínio. Nesse tipo de sociedade – de classes – a marginalização escolar é um fenômeno inerente.

a teoria da escola como aparelho ideológico de Estado. Vejamos cada uma delas. perpassado por contradições (Teoria Histórico-Crítica). pregação religiosa.1 As Teorias Crítico-Reprodutivistas: o Sistema de Ensino como Violência Simbólica Toda e qualquer sociedade estrutura-se como um sistema de relações materiais entre grupos e classes. encontram-se a teoria do sistema de ensino como violência simbólica. podemos identificar uma nova divisão entre aquelas que não veem saída para a educação – por ser um instrumento de marginalização (Teorias Crítico-Reprodutivistas) – e aquelas que compreendem a educação com um fenômeno histórico e dialético. 157 . Sobre a base da forma material e sob sua determinação. propaganda e moda. A obra de Bourdieu e Passeron foca a AP (ação pedagógica) como imposição arbitrária da cultura dos dominantes a grupos e classes dominados. e objetiva a inculcação.15) Para a Teoria Histórico-Crítica. é um instrumento de contra-hegemonia. A violência simbólica manifesta-se de múltiplas formas: formação da opinião pública pelos meios de comunicação de massa. Os marginalizados (social e culturalmente) são os grupos e as classes dominados. erige-se um sistema de relações de força simbólica cujo papel é reforçar. A função da educação é a reprodução das desigualdades sociais. Entre as Teorias Crítico-Reprodutivistas. Consignada na obra A Reprodução (Bourdieu e Passeron. o trabalho escolar (TE). 1970). 2. as relações de força material (BORDIEU e PASSERON. e a teoria da escola dualista. por meio da reprodução cultural. por dissimulação. por meio da autoridade pedagógica (AuP). É um elemento reforçador das desigualdades. ou seja. portanto. atividade artística e literária. 1970. a educação contribui com a dominação e. A AP realiza-se pelo trabalho pedagógico (TP) secundário. educação familiar etc. p.2. ao mesmo tempo. pois não possuem nem capital econômico nem capital cultural.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS Entre as Teorias Críticas.

) e aparelhos ideológicos de Estado (religioso. Uma grande parte das pessoas cumpre a escolaridade básica (operários e camponeses). bem como os mecanismos de funcionamento delas.2 As Teorias Crítico-Reprodutivistas: a Escola como Aparelho Ideológico de Estado (AIE) Ao analisar a reprodução das condições de produção. mas interrompem o processo e integram os quadros médios (pequenos burgueses). A divisão de classes explica a existência das duas redes. familiar. Os aparelhos repressivos atuam massivamente pela violência e secundariamente pela ideologia.2.2. a escola é dividida em duas grandes redes. com o objetivo de reproduzir as relações sociais capitalistas. é diluída pelo peso da dominação burguesa. a administração. A escola é o mais bem acabado aparelho ideológico: toma as crianças de todas as classes sociais e durante anos lhes inculca a ideologia dominante. e está consignada em seu livro Ideologia e Aparelhos Ideológicos do Estado (1974).PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS 2. 2. Seus principais teóricos foram Baudelot e Establet (1971). quem seriam os marginalizados? Todos aqueles que compõem a classe trabalhadora. A escola é um mecanismo construído pela burguesia. Essa teoria foi formulada por um importante teórico francês. no interior da escola. Althusser distingue aparelhos repressivos (o governo. Os aparelhos ideológicos funcionam massivamente pela ideologia e secundariamente pela repressão. Althusser. Como aparelho. Tais redes compõem o aparelho escolar capitalista. escolar. jurídico etc. 158 . L. A função fundamental é a de inculcação da ideologia burguesa por dois mecanismos: a inculcação explícita e a rejeição da ideologia do proletariado. Nesse quadro.3 As Teorias Crítico-Reprodutivistas: a Escola Dualista Apesar da aparência unitária. “agentes da repressão” ou “profissionais da ideologia”). a escola cumpre duas funções básicas: formação de força de trabalho e inculcação da ideologia burguesa. que correspondem às divisões de classes sociais: a Escolarização Primária Profissional (PP) e a Escolarização Secundária Superior (SS). Apenas uma minoria atinge o vértice da pirâmide escolar (ocuparão os postos de “agentes da exploração”. outras avançam. a polícia etc. a fim de garantir e perpetuar seus interesses e a luta de classes.).

encontram-se as Pedagogias Tradicional. com interesses antagônicos que são estabelecidos a partir da produção material da vida social. 159 . a educação é. Para as Teorias Não-Críticas. as Teorias Não-Críticas e as Crítico-Reprodutivistas. e a teoria da escola dualista.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS NÃO-CRÍTICAS E AS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS A luta de classes resulta em inutilidade (na escola). Percebem que a sociedade é essencialmente marcada pela divisão entre classes sociais. a teoria da escola como aparelho ideológico de Estado. Entre as Crítico-Reprodutivistas encontram-se a teoria do sistema de ensino como violência simbólica. Como vimos. tendendo à integração de seus membros. Para este grupo de teorias. a Escolanovista e a Tecnicista. nessa unidade. A marginalização escolar (“exclusão escolar”) é um desvio que pode e deve ser corrigido a partir da própria escola. Hora de praticar Pense na seguinte questão: qual a relação entre as teorias estudadas até agora e a prática educativa em Educação Física no contexto escolar? Leve sua elaboração para o fórum da semana e faça uma reflexão com seus colegas no fórum. Nesse tipo de sociedade de classes. entre as Teorias Não-Críticas. a marginalização escolar é um fenômeno inerente. As Teorias Crítico-Reprodutivistas são aquelas que percebem as determinações sociais que atuam sobre o fenômeno educativo. exclusivamente. um instrumento de dominação. Estudamos. a sociedade é concebida como essencialmente harmoniosa.

.

nas Teorias Crítico-Reprodutivistas e na Teoria Histórico-Crítica.. 161 . Percebemos as limitações dessas teorias para os educadores que organizam a sua prática. com ênfase para a Pedagogia Histórico-Crítica. Aprendemos que elas não percebem as determinações sociais que atuam sobre a educação e.. por isso. nesta unidade. conferem uma larga autonomia ao ato educativo sistematizado. Também estudamos.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 As Teorias Educacionais Críticas: Fundamentos e Propostas Pedagógicas O que vimos na Unidade 2. Mas conversamos rapidamente sobre elas. a partir de um ponto de vista emancipatório. ou almejam objetivos inatingíveis – a superação da marginalização educacional por meio da educação – ou resultam numa grande contribuição à manutenção da ordem vigente. por isso. rapidamente. Com isso. nossa atenção recairá no exame desses dois conjuntos de teorias. as Teorias Críticas. Estudamos os fundamentos das Teorias Não-Críticas de educação. que se dividem. como vimos.

a especificidade da educação.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS Relembraremos. alguns pontos das Teorias Crítico-Reprodutivistas. ■■ discutir os fundamentos da Pedagogia Histórico-Crítica. pois não apresentam propostas. uma vez que cuidam de fazer tão somente a negação da escola capitalista – não se constituem como pedagogias e. Agora. abordando tanto os seus fundamentos como a sua compreensão do fenômeno educativo da qual emerge uma proposta pedagógica. ■■ identificar. assim. ■■ explicar as relações entre educação e trabalho. ■■ estabelecer os objetivos da educação num projeto de caráter emancipatório. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. esperamos que você seja capaz de: ■■ analisar o teor da crítica empreendida pelos reprodutivistas. Mas trataremos a Pedagogia Histórico-Crítica de outro modo. sob o enfoque da Pedagogia Histórico-Crítica. muito sinteticamente. sem nos aprofundarmos nos fundamentos que as embasam. vamos em frente! 162 . fogem do escopo de nossa disciplina.

nesse livro. Para entendermos melhor a crítica feita pelos chamados reprodutivistas. também afirma que. 163 . em sua análise sobre a reprodução das condições de produção. Lembra-se que os aparelhos repressivos atuam pela violência e pela ideologia? E que os aparelhos ideológicos atuam pela ideologia e pela repressão? A escola. às crianças de todas as classes sociais. apresenta as críticas elaboradas por três teorias: a Teoria do Sistema de Ensino como Violência Simbólica. em sua obra A reprodução. e a Teoria da Escola Dualista. continuaremos com a referência fundamental da obra Escola e Democracia. por uso da Autoridade Pedagógica (AuP).. Então. as relações de força material (p. que correspondem às divisões das classes sociais. Vamos relembrar que redes são essas: a escolarização Primária Profissional (PP) e a escolarização Secundária Superior (SS) compõem o aparelho escolar capitalista. À segunda (SS) cabe preparar as classes dirigentes. Vimos anteriormente que essa relação de força simbólica – a violência simbólica – é expressa de vários modos (pela atividade artística e literária. A primeira delas – a PP – destinada às classes trabalhadoras. tem por objetivo preparar mão de obra. a fim de garantir e perpetuar seus interesses. pela formação da opinião pública. em sua obra A escola capitalista (1971). o sistema escolar está dividido em duas grandes redes.1 Voltando às Teorias Críticas. Esta divisão explica a existência e o funcionamento das duas redes. faremos uma rápida síntese dessas teorias. em seu livro Ideologia e aparelhos ideológicos do Estado. os autores focam a Ação Pedagógica (AP). na escola. A Teoria da Escola Dualista  Formuladores dessa teoria: Baudelot e Establet. pela propaganda. de Dermeval Saviani (2001). Vimos que Althusser. apesar da aparência de unidade. Althusser. Saviani (2001) afirma que. ensina a ideologia dominante. Você deve se lembrar que Saviani. Como fica a luta contra o processo de marginalização? Embora Althusser admita que esse processo não se dá sem luta. para os autores: Toda e qualquer sociedade estrutura-se como um sistema de relações materiais entre grupos e classes.. como aparelho ideológico. pela educação familiar.15) . por dissimulação. A função deste aparelho é a reprodução das relações sociais capitalistas e das divisões de classes. erige-se um sistema de relações de força simbólica cujo papel é reforçar. entendendo-a como uma imposição arbitrária da cultura dos dominantes aos grupos e às classes dominados. A Escola como Aparelho Ideológico de Estado (AIE)  Formulador dessa teoria: teórico francês L. diferencia aparelhos repressivos dos ideológicos de Estado. Entre todas as relações de violência simbólica. O Sistema de Ensino como Violência Simbólica  Formuladores dessa teoria: os franceses Bourdieu e Passeron.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS 3. Sobre a base da forma material e sob sua determinação. Segundo esta teoria. pela pregação religiosa etc). a Teoria da Escola como Aparelho Ideológico de Estado (AIE). por anos a fio. a luta de classes é diluída pelo peso da dominação burguesa. Ela é um mecanismo construído pela burguesia.

Podemos perceber que há um elemento unificador das diversas vertentes das Teorias Crítico-Reprodutivistas: embora as determinações sociais sejam percebidas. 19). Diante das funções estabelecidas e da escola organizada em duas redes. mas absolutamente inútil. O poder exercido pela classe dominante é tão absoluto que inviabiliza qualquer luta dos dominados. com o objetivo de inculcar as ideias dominantes. 2001. A Escola como Aparelho Ideológico de Estado (AIE) A Teoria da Escola Dualista Percebe que. aqueles que almejam a superação da ordem burguesa devem tão somente negar o ato educativo sistematizado. Para essa teoria de ensino. isto é. como aparelho do Estado. de dominação ideológica! 164 . p. O trabalho pedagógico (primário e secundário) é entendido: (. a educação é entendida como um instrumento de dominação (marginalização) e. um habitus como produto de interiorização dos princípios de um arbitrário cultural capaz de perpetuar-se após a cessação da ação pedagógica (AP) e por isso de perpetuar nas práticas os princípios do arbitrário interiorizado” (BORDIEU e PASSERON apud SAVIANI. A educação formal reforça essas desigualdades e a marginalidade dos grupos e das classes dos dominados. pelo Trabalho Escolar (TE). assim. a escola cumpre duas funções básicas à reprodução do sistema? A formação de força de trabalho e a inculcação da ideologia burguesa. A escola é um instrumento da burguesia com o fim de preparar mão de obra ou. então. por meio da inculcação explícita da ideologia burguesa e da rejeição da ideologia do proletariado (sua cultura.. a luta de classes é impossível. Assim. a função do sistema de ensino – do trabalho pedagógico primário – é reproduzir as desigualdades sociais. A função fundamental é inculcar a ideologia burguesa.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS O Sistema de Ensino como Violência Simbólica Relembrando: a AP concretizase pelo Trabalho Pedagógico (TP) secundário. a luta de classes na escola é possível. isto é. pela reprodução cultural. seus valores etc.) como trabalho de inculcação que deve durar o bastante para produzir uma formação durável.)..

Para ele. estamos prontos para estudar a Pedagogia Histórico-Crítica. Note que o trabalho ocupa um papel de destaque – de centralidade – na compreensão da sociabilidade humana e. não há nelas propostas pedagógicas. Hora de praticar Pense nas seguintes questões: o que há de comum entre as três teorias de educação Crítico-Reprodutivistas? E quais as diferenças entre elas? Construa um quadro/esquema e leve suas ideias para discutir com os seus colegas e o tutor no fórum da semana.2 Educação e Trabalho: Os Fundamentos da Pedagogia Histórico-Crítica A Pedagogia Histórico-Crítica fundamenta-se nos supostos teórico-metodológicos elaborados por Marx. o que o diferencia dos outros animais? A resposta a essas questões também já é conhecida. o que o diferencia os homens dos demais fenômenos. 3. Assim. 165 . como estabelecem as relações sociais de produção. o que o diferencia dos demais seres vivos. Sabe-se que a educação é um fenômeno próprio dos seres humanos. para entendermos a complexidade da sociedade – e da educação – precisamos compreender como os homens estabelecem a produção material da vida social. 2008). Assim. Com efeito. dentro dela.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS Obviamente. Bem. essas teorias não estabelecem projeto para a escola. a educação (SAVIANI. isto é. Ora. demonstrando-a como um instrumento de marginalização. a essência humana é o trabalho: a transformação intencional do homem sobre a natureza. Assim sendo. a compreensão da natureza da educação passa pela compreensão da natureza humana. pois a tarefa dos revolucionários é empreender a negação da escola. sabe-se Essência humana significa os aspectos que diferenciam o homem do restante da natureza. agora.

isto é. portanto. especialmente. O trabalho é uma categoria que objetivamente se diferenciou nos processos que ocorreram no mundo dos homens. a nossa compreensão de trabalho está manchada pelas relações sociais de produção de nosso tempo e.1 Sobre o Trabalho Humano A categoria trabalho assumiu diferentes formas no decorrer da história. suas relações sociais e. o que diferencia o homem de outros animais é o trabalho. 3. 11. na ordem burguesa. o homem necessita produzir continuamente sua própria existência. fazendo um resgate genético ilustrativo. os homens precisam saber que os conhecimentos necessários para agir não são transmitidos geneticamente. 166 . os homens necessitam da educação! Percebe que o trabalho. transformá-la. Claro que a forma do trabalho contemporânea é resultado do processo de como ele foi composto. Então. que se adaptam à realidade natural tendo sua existência garantida naturalmente.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS que. então. é a categoria fundamental para se entender o homem. as quais somente podem ser compreendidas se levarmos em conta as determinações das circunstâncias históricas em que se dava a produção material da vida social. Portanto. mas seria um enorme equívoco teórico-metodológico tomar o trabalho apenas em sua atual expressão aparente. ele tem que adaptar a natureza a si. a educação? Ocorre que. E isto é feito pelo trabalho. Vamos começar fazendo um “passeio histórico” pelos significados do trabalho. precisamos estudar um pouco mais a categoria trabalho e a sua relação com a educação. para compreendermos os fundamentos da Pedagogia Histórico-Crítica. ou seja.2. Para tanto. (p. Vamos entender esses processos. diferentemente dos outros animais. em lugar de se adaptar à natureza. fica-nos muito difícil pensá-lo em sua dimensão criativa.) Para trabalhar.

Veja que a prosa irônica de Marilena Chauí ilustra como na cultura judaico-cristã o trabalho está ligado a um castigo divino que. dobrar-se sob o peso de uma carga. no Feudalismo. dor. não é demais lembrar que a palavra latina que dá origem ao nosso vocábulo ‘trabalho’ é tripalium. o trabalho humano era realizado por escravos e. recuperem a maldição divina lançada contra Eva usando a expressão “trabalho de parto”? (CHAUÍ. Vocês não são gregos. 1999. ou que sofreram a sua influência. Então. não cumpri-la é crime de lesa-divindade e por essa razão a preguiça é pecado capital. um gozo cujo direito os humanos perderam para sempre (id. Então. Por isso. vão trabalhar. por sua vez. e o controle dos homens sobre a natureza ainda era débil. O trabalho como castigo. condena a preguiça.. como estigma fatal. Quem não era um cidadão grego (ou romano) nem tinha a graça divina tinha o trabalho como destino. Essa atividade agrícola é extremamente dependente dos fenômenos naturais. As forças produtivas ainda não eram suficientemente desenvolvidas. a humanidade inteira. nem romanos e também não têm a graça divina.10). p. Enfim. pecarão novamente se não se submeterem à obrigação de trabalhar. só poderia ser mesmo o Tripalium. instrumento de tortura para empalar escravos rebeldes e derivada de palus. aliás. as explicações mágicas desempenhavam um papel relevante. isto é. e a atividade consciente de transformação da natureza ainda era muito vinculada à terra. E labor (em latim) significa esforço penoso. poste onde se empalam os condenados. Se somos seres 167 .PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS Na Antiguidade. que muitas línguas modernas derivadas do latim. tinha a dimensão do castigo. era realizado pelos servos. pena e fadiga. estaca. 12). Mas essa destinação divina castiga os homens com o trabalho e também pune aqueles que a ele não se destinarem: Ao ócio feliz do Paraíso segue-se o sofrimento do trabalho como pena imposta pela justiça divina e por isso os filhos de Adão e Eva. p. Porque a pena foi imposta diretamente pela vontade de Deus. sofrimento. Não é significativo.

“não é a consciência que determina a vida social”. na sociedade romana. mas. a sua ligação com a desonra. o “castigo” não era dirigido a todos. Como sabemos. para o cultivo do espírito (pelas letras. dança e arte militar). em contraposição aos honestiores. como almejar a felicidade. Não assumia a forma abstrata de castigo a todos os homens. eram chamados de humiliores. ciências) e para o cuidado com o vigor e a beleza do corpo (pela ginástica. Essa idéia aparece em quase todos os mitos que narram a origem das sociedades humanas como efeito de um crime cuja punição será a necessidade de trabalhar para viver. apesar de falsa. os homens bons porque livres. não eram todos os homens que trabalhavam. o desfrute? Não foi por acaso que. no momento revolucionário francês (Revolução Francesa). p. São estes últimos que. da guerra e da política (id. Na verdade. para o exercício na nobre atividade da política. vendo o trabalho como pena que cabe aos escravos e desonra que cai sobre os homens livres pobres. Saint Juist sintetizou: “A felicidade é uma coisa nova no mundo”. como a grega e a romana.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS marcados pelo pecado original. senhores da terra. a consciência mitificada acaba sendo considerada.11) Os gregos e os romanos eram menos hipócritas. artes. 168 . Mas a condenação do trabalho. como aparece na cultura judaico-cristã da época. durante a Idade Média. pois o “castigo” estava destinado aos pobres e aos escravos. não foi uma exclusividade da tradição judaico-cristã. Ela também aparece nas sociedades escravistas antigas. cujos poetas e filósofos não se cansam de proclamar o ócio um valor indispensável para a vida livre e feliz. os humildes ou inferiores. Mas havia o “remédio”: “bem-aventurados os pobres de espírito porque deles será o reino dos céus”.. com um desenvolvimento fraco das forças produtivas.

a política deixa de ser domínio da descendência divina etc. culto”. 1989. animal e ferramentas constituíam. A máquina poderia reduzir o tempo destinado à produção material da vida social. metafísica ou. mas que. enfim. as ciências naturais foram estimuladas. no mercado. naquelas sociedades. coloca-o diante de um novo tipo de trabalho: o labor burguês. 169 . Com a produção material da vida social. Nele. a fim de que o homem pudesse tornar-se “político. da força de trabalho. isso se demonstrou falso em sua realização. o trabalhador aparece. Trabalhador. a filosofia passou a discutir outras questões que não as da metafísica – em uma clara inflexão humanista e racionalista. sem história. possibilitar um tempo para dispor-se de si mesmo (como ser social) em suas ações criativas. 1989. segundo o próprio ideário burguês. sociais e políticas. onírica e irracional (NOSELLA. eterna e. “sua propriedade inalienável e ‘livremente’ comercializáveis com o capitalista” (NOSELLA. se o novo modo de produção “liberta o trabalhador do duro tripalium da terra”. incorporou-se o sonho renascentista de que as máquinas proporcionariam aos homens a libertação de suas mãos para que estas estivessem livres para criar. realizou um processo revolucionário (entre os séculos XVI e XVIII) que fez ruir o feudalismo. no máximo. 30). longe da terra. Com o desenvolvimento das forças produtivas. Visando diluir os fortes movimentos de resistência humana. artista. sem progresso. terra. rapidamente. p. em seu desenvolvimento subsequente. Porém.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS Com o renascimento do comércio (século XI). também. Esse novo homem tinhas possibilidades de usufruir os bens construídos por toda a humanidade. a consciência social: os indivíduos passaram a se perceber como indivíduos sociais. A perspectiva aberta para a construção de um novo homem fundava-se no novo modo de produzir a vida que poderia. Uma nova realidade que “nasce pagã” e que pretende derrubar o mito da perenidade. sem perspectiva. Do comércio para a manufatura e da manufatura para a indústria. a burguesia estimulou o desenvolvimento das forças produtivas e estabeleceu novas relações sociais de produção. toda esperança terrestre era ideológica e violentamente substituída pela esperança sobrenatural. surgiu uma nova classe social que. inaugurava o “trabalho livre”. desenvolveu-se. p. fundadas nas relações de propriedade. como possuidor de seu corpo. uma única realidade “natural”. portanto. e esses bens estariam disponíveis a todos. 32). Porém. sem experiência terrestre.

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Nesse mesmo século XVIII, percebeu-se que o “trabalho livre” era uma falácia (uma falsa ideia):

A máquina tem um dono, por isso, ela não estava a nosso favor, a favor dos trabalhadores.

O único beneficiado em todo o processo é o dono do maquinário.

Queríamos que o tempo destinado ao trabalho diminuísse, mas aumentou.

A miséria, a fome, a exploração, o medo, enfim, todos os sentimentos e as situações existentes em épocas anteriores voltaram a existir em razão das relações sociais de produção estabelecidas. Como ironicamente diria Marx sobre a situação dos trabalhadores na ordem burguesa: “são livres como os pássaros, nas gaiolas”. Rompe-se o pacto do “terceiro estado”, os trabalhadores passam a perceber que seus interesses são diferentes dos da burguesia. Percebem que aquelas promessas de emancipação humana – contidas no projeto da modernidade – terão de ser realizações deles próprios. Por sua vez, a burguesia se torna uma classe conservadora e, nessa situação, não mais estimulará o desenvolvimento da verdade. A verdade não mais lhe interessa. Dali para a frente, suas expressões ideológicas terão por objetivo mistificar, falsificar a compreensão da realidade, para ganhar as consciências e seu domínio não ser efetivado, todo tempo, pela coerção.

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Portanto, no plano ideológico, a burguesia ora estimula a razão instrumental (a dimensão prático-instrumental da razão), ora o irracionalismo. Um exemplo desse estímulo ao irracionalismo, situado na questão do trabalho, foi a operação realizada pela burguesia de reencantar o trabalho pela via da religião. O trabalho passa a ser reinterpretado como virtude. Embora Weber tenha dado respostas insuficientes ao problema, ele colocou a questão de maneira instigante, ao analisar a compatibilidade da ética protestante ao novo ethos capitalista. Porém, com limitações, sobre isso, observa criticamente CHAUÍ (1999, p. 16):
(...) a racionalidade capitalista ocidental adota uma ética que é racional e racionalizadora para o capital, porém, como deliberadamente ignora a formação histórica do capitalismo e a luta de classes, Weber não indaga se ela é racional para os produtores de capital, isto é, para a classe trabalhadora, nem indaga como a ética burguesa conseguiu tornar-se ética proletária.
O trabalho é, necessariamente, desrealização, castigo? Maximillian Weber, intelectual alemão, é considerado um dos fundadores da Sociologia.

Já que o trabalho, nessa ótica, é sempre desrealização, será possível uma organização social que suprima o trabalho?

Para as duas perguntas as respostas são não. O trabalho é o que nos diferencia em relação à natureza. Representa uma mediação eterna e necessária do homem com a natureza, e nessa relação os homens submetem a natureza à sua vontade. A realização do trabalho é um ato criativo, teleológico, pelo qual o homem cria a realidade objetiva (objetos físicos, conhecimentos sobre a natureza, costumes, crenças etc.). A grande questão não é o que os homens produzem, mas como produzem. Isso nos remete às relações sociais de produção que, há bastante tempo, vêm obstaculizando o desenvolvimento das forças produtivas.

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Poiésis é a atividade criadora do homem pelo seu trabalho.

Então, historicamente, o conjunto dos homens ainda não viveu o ideal grego da Poiésis; porém é viável a ação que nos coloque nesse nível de existência histórico-social. O que sabemos é que, nos limites da ordem burguesa, isso é irrealizável, pois nela o trabalho é apenas força de trabalho. Um projeto com proposta de emancipação humana envolve a luta pela superação do trabalho alienado e não pela eliminação da atividade humana consciente pela qual a natureza é submetida à vontade humana. Essa atividade é a nossa própria essência. É a atividade pela qual o homem se faz homem. E mais, ela é ontologicamente insuprimível. Trata-se de superarmos as relações sociais nas quais o trabalho se realiza por interesses externos ao indivíduo social. Essas relações sociais de produção conduzem à divisão do homem em gênero e singularidade. E o homem entende essas “dimensões” como contraditórias. O trabalho, portanto, não aparece ao trabalhador como o seu elemento de sociabilidade, como a sua integração com o gênero humano. Apenas quando essas relações sociais tiverem sido superadas teremos um momento em que o livre desenvolvimento de cada um não será contraditório ao desenvolvimento de todo o gênero. Eles, na verdade, estarão integrados.

Ontologia vem do grego ontos e logoi, significando conhecimento do ser. Simplificando, podemos dizer que a ontologia é o estudo mais geral do Ser, da Existência ou da Realidade. Trata do ser que tem uma natureza comum a todos e que também tem uma natureza particular de cada um.

Mas qual é a essência desse homem?
Essa pergunta nos mostra que a categoria trabalho é fundamental na visão de Marx. Por isso, precisamos compreender o trabalho tanto como realizador da essência humana, como na sua manifestação alienada. Marx identifica o trabalho como ato criativo, e a sua manifestação alienada no processo do movimento do real em que se dá a regência do trabalho pelo capital. E o que isso quer dizer? Isso significa que a manifestação do trabalho como atividade intencional e criativa é um fenômeno que se realiza no concreto.

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É importante ressaltar que as atividades não foram criações de sua cabeça, são reproduções ideais do movimento do real. 3.2.2 O Trabalho como Essência Humana: a Perspectiva Marxiana Lembra-se de que, para Marx, o trabalho é o aspecto distintivo do homem em relação à natureza? Pois bem, o trabalho contém a potencialidade da totalidade da vida humana. Ele é representativo dos patamares de desenvolvimento da sociabilidade humana e da exteriorização da individualidade dos seres humanos. Vamos analisar o processo de trabalho, detalhadamente, para compreendermos essas afirmações. Inicialmente, para entender o trabalho como essência humana, vamos considerá-lo independentemente de qualquer forma social determinada historicamente, isto é, como potencial genérico do homem. Todos os seres orgânicos mantêm-se na natureza de alguma forma específica própria de sua espécie; para viver, cada um deles se apropria da natureza de uma determinada maneira. Esta apropriação, de algum modo, representa uma transformação na natureza. Observe que se apropriar da natureza não é exclusividade do homem, transformá-la também não é aquilo que nos diferencia dos demais seres, pois eles também a transformam. Porém, nenhum deles trabalha. Nenhum deles transforma intencionalmente a natureza. Desde que foi observada a sua existência no mundo, executam as suas atividades da mesma maneira que sempre a fizeram. Por falar nisso, alguns estudos conseguiram demonstrar que “o saber fazer” dessas espécies está ligado aos seus instintos.
Antes de tudo, o trabalho é um processo entre homem e natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a natureza.
Alguns seres da natureza transformam-na por meio de um processo aparentemente sofisticado – embora não o seja. Eis alguns deles, tais como: a abelha, o castor, a aranha, o joão-de-barro etc.

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Ele mesmo se defronta com a matéria natural como uma força natural. Ele põe em movimento as forças naturais pertencentes à sua corporalidade, braços e pernas, cabeça e mão, a fim de apropriar-se da matéria natural numa forma útil para a sua própria vida. Ao atuar, por meio desse movimento, sobre a natureza externa a ele e ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza. Ele desenvolve as potências nela adormecidas e sujeita o jogo de suas forças ao seu próprio domínio. Não se trata aqui das primeiras formas instintivas, animais, de trabalho. O estado em que o trabalhador se apresenta no mercado como vendedor de sua própria força de trabalho deixou para o fundo dos tempos primitivos o estado em que o trabalho humano não se desfez ainda de sua forma instintiva (MARX, 1983, p. 149).

Percebe que o trabalho representa uma transformação do homem sobre a natureza e também a transformação da natureza do próprio homem? Homem esse sempre movido por um fim, por um objetivo – apropriar-se da matéria natural numa forma útil (o atendimento das necessidades humanas). Para Marx, o processo de trabalho apresenta três componentes fundamentais: 1) o projeto; 2) a execução; 3) o produto. Vejamos cada componente. 1) O Projeto A intenção está no projeto. O projeto é o momento de antecipação do futuro, de teleologia (do pensar prévio), ou seja: antes de modificar a natureza, o homem projeta o que irá fazer, como irá fazer e o que é necessário para esse fazer. Tal projeto não surge do nada, nem é fruto de conhecimentos anteriores ao existir; sua origem é o processo de vida concreto em que o indivíduo se apropria de conhecimentos disponíveis à sua época. Essa apropriação pode ser maior ou menor, dependendo das condições objetivas de vida as quais o indivíduo está submetido.

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Dessa forma, o projeto poderá ser mais ou menos elaborado, dependendo das circunstâncias do indivíduo e das suas opções entre as possibilidades que teve. Assim, quanto maior a apropriação de conhecimentos por parte do sujeito que trabalha, maior é a possibilidade de um projeto mais elaborado. Em outras palavras, o projeto surge das condições históricas que estabelecem os limites para a prospecção. Porém, o indivíduo não é passivo nessa relação, ele faz opções entre possibilidades. O grande problema é que, em uma sociedade na qual os produtos humanos – materiais e simbólicos – não estão disponíveis a todos os indivíduos, as possibilidades de opção são limitadas. Bem, o projeto foi elaborado. O que vem agora? Certamente, a execução. 2) Execução O indivíduo executa aquilo que projetou, transformando a natureza, e, ao mesmo tempo, sendo transformado, uma vez que a natureza impõe resistência à sua ação. Por isso, faz com que aquilo que havia sido projetado não se realize exatamente da maneira como foi idealizado. Portanto, nesse processo, mudam a natureza e o ser humano, já que esse último sai do processo, no mínimo, com novas habilidades e novos conhecimentos sobre as relações causais da natureza que buscou transformar. 3) Produto O produto representa, ao mesmo tempo, a concretização daquilo que havia sido idealmente projetado – apesar de nunca sair tal qual foi projetado – e a configuração de um novo momento da realidade. Falando de outro modo, depois do produto pronto, a realidade está diferente do que era. Essa nova realidade, depois do trabalho realizado, expressa de algum modo o sujeito que trabalhou e nela se concretizou. Mas a concretização desse sujeito é, ao mesmo

Só tenho pedras.

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tempo, a concretização da humanidade na realidade. Para comprovar isso, vamos lembrar a “origem” do projeto: um indivíduo realiza um projeto, que é, na verdade, uma consolidação dos níveis de desenvolvimento social; depois, executa uma ação transformadora sobre a natureza e chega ao produto final.

Hora de praticar
Realize as seguintes atividades: 1) Responda à questão: O que é trabalho? 2) Faça uma relação entre o ato educativo e as etapas do trabalho (projeto, execução e produto). Para isso, dê exemplo de uma aula que você deseja ministrar para uma turma do Ensino Fundamental. Discuta suas respostas com seus colegas e com o tutor no fórum temático da semana.

Em síntese, o trabalho é uma atividade adequada a um fim. Por meio dessa atividade será produzido um valor de uso que havia sido idealmente planejado. É uma atividade pertencente exclusivamente ao homem; trata-se, enfim, da submissão da natureza à vontade humana.
Pressupomos o trabalho numa forma em que pertence exclusivamente ao homem. Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha envergonha mais de um arquiteto humano com a construção dos favos de suas colmeias. Mas o [que] distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha é que ele construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera. No fim do processo de trabalho obtém-se um resultado que já no início deste existiu na imaginação do trabalhador, e portanto idealmente (MARX, 1983, p. 149).

Ao procurarmos compreender essa citação, devemos ter cuidado para não cometermos o erro de uma interpretação idealista, ou seja, não devemos simplificar o trabalho a uma simples exteriorização de uma vontade a priori.

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Precisamos nos lembrar que se trata de uma relação de produção na qual participam a atividade orientada, os meios de produção, os objetos de trabalho – que constituem os elementos simples do processo de trabalho – e o produto do trabalho. Não se trata, assim, de priorizar a razão sobre o objeto, mas de uma relação dialética na qual a práxis é o conhecimento e ao mesmo tempo o instrumento de conhecimento. Não existe conhecimento à margem da atividade prática do homem. É na prática que se comprova a verdade do pensamento, não existe verdade em si, no puro reino do pensamento. Vamos tentar compreender melhor os elementos simples do processo de trabalho, seguindo Marx. Começaremos pelo entendimento do objeto de trabalho:
A terra (que do ponto de vista econômico inclui também a água), como fonte original de víveres e meios já prontos de subsistência para o homem, é encontrada sem contribuição dele, como objeto geral do trabalho humano (id., p. 150).

Conhecer é conhecer objetos que se integram na relação entre o homem e o mundo, ou entre o homem e a natureza, relação que se estabelece graças à atividade prática humana (VASQUEZ, 1977, p.153).

Enquanto a terra e a água são mantidas em seu estado natural, denominamse objetos de trabalho preexistentes ou matérias brutas (o peixe pescado, o fruto colhido etc.).

Mas existem aqueles objetos de trabalho que são resultados de um trabalho anterior, denominados matéria-prima (a madeira cortada para o marceneiro construir uma cadeira; o látex que resultará em borracha etc.).

A diferença entre eles é que um já é resultado de um trabalho anterior e o outro não. Assim, nem todo o objeto de trabalho é matéria-prima, mas toda matéria-prima é objeto de trabalho.

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(...) o meio de trabalho é uma coisa ou um complexo de coisas que o trabalhador coloca entre si mesmo e o objeto de trabalho e que lhe serve como condutor de sua atividade sobre esse objeto. Ele utiliza as propriedades mecânicas, físicas, químicas das coisas para fazê-las atuar como meios de poder sobre as outras coisas conforme seu objetivo (MARX, 1983, p. 150). ----------------------------Não é o que se faz, mas como, com que meios de trabalho se faz, é o que distingue as épocas econômicas. Os meios de trabalho não são só medidores do graus de desenvolvimento da força de trabalho humana, mas também indicadores das condições sociais nas quais se trabalha (id., p.151).

Para mediar a atividade humana sobre o objeto de trabalho há necessidade dos meios de trabalho. Mesmo um órgão do corpo humano pode se tornar um meio de trabalho, desde que cumpra esse papel mediador da atividade humana com o objeto trabalhado. Os meios de trabalho são indicadores do nível de desenvolvimento da força de trabalho humana e também das circunstâncias históricas nas quais se trabalha. Na concretização do trabalho, realiza-se uma transformação na natureza que desde o início havia sido pretendida. Terminado o processo, temos aquilo que havia sido idealizado, ou seja, o produto, natureza trabalhada adaptada às necessidades humanas. Temos agora, sob o ponto de vista do resultado do processo todo, meios de trabalho como meios de produção, e o trabalho (a atividade) como trabalho produtivo (de valores de uso, até aqui). Entendida a compreensão de trabalho na história humana e em Marx, já temos condição de retornar à educação, mais especificamente à Pedagogia Histórico-Crítica. 3.2.3 Sobre a Aproximações Pedagogia Histórico-Crítica: Primeiras

Como vimos, o trabalho é a própria essência humana. Para garantir que suas necessidades existenciais sejam atendidas – sejam elas da “barriga ou da cabeça” – os homens estabelecem relações de produção e criam o chamado “mundo dos homens”. Nesse processo – de criação do mundo e, portanto, de si mesmos – os homens se apropriam de conhecimentos e criam outros conhecimentos. Tais conhecimentos acumulados sob a forma de uma “consciência social” não nos são transmitidos hereditariamente (em nosso código genético). Eles são transmitidos, de geração em geração, por meio da educação, seja ela formal, seja não-formal.

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Em nossa disciplina, a nossa preocupação recai sobre a escola (ou educação escolar). Então, vamos dedicar nossa atenção à educação formal. A educação é um fenômeno próprio dos seres humanos. Isso significa que nos educamos para trabalhar e, no processo de trabalho, somos educados, pois nele aprendemos. E para socializarmos os conhecimentos advindos desse processo criamos mecanismos, formas de ensinar. Ora, mas se nos ativermos à produção de ideias, valores símbolos, entre outros, podemos identificar especificidades, pois, no âmbito do trabalho não-material, notamos diferenças, por exemplo, entre um professor e um artista. Sobre isso, esclarecenos Saviani (2008):
Importa, porém, distinguir, na produção nãomaterial, duas modalidades. A primeira referese àquelas atividades em que o produto se separa do produtor, como no caso dos livros e objetos artísticos. Há, pois, neste caso, um intervalo entre a produção e o consumo, possibilitado pela autonomia entre o produto e o ato de produção. A segunda diz respeito às atividades em que o produto não se separa do ato de produção. Nesse caso, não ocorre o intervalo antes observado; o ato de produção e o ato de consumo imbricam-se. É nessa segunda modalidade do trabalho não-material que se situa a educação (p. 12).
Ao tratar da especificidade desse processo, Saviani (2008) nos trouxe importantes reflexões: (...) o processo de produção da existência humana implica, primeiramente, a garantia da sua subsistência material com a conseqüente produção, em escalas cada vez mais amplas e complexas, de bens materiais; tal processo nós podemos traduzir na rubrica “trabalho material”. Entretanto, para produzir materialmente, o homem necessita antecipar em idéias os objetivos da ação, que significa que ele representa mentalmente os objetivos reais. Essa representação inclui o aspecto de conhecimento das propriedades do mundo real (ciência), de valorização (ética) e de simbolização (arte). Tais aspectos, na medida em que são objetos de preocupação explícita e direta, abrem a perspectiva de uma outra categoria de produção que pode ser traduzida pela rubrica “trabalho não-material”. Trata-se aqui da produção de idéias, conceitos, valores, símbolos, hábitos, atitudes, habilidades. Numa palavra, tratase da produção do saber, seja do saber sobre a natureza, seja do saber sobre a cultura, isto é, o conjunto da produção humana. Obviamente, a educação situa-se nessa categoria do trabalho nãomaterial (p.12).

Com o auxílio de nosso autor, aprendemos qual é a natureza da educação, ou seja, aquilo que a torna possível, bem como a forma específica de trabalho que ela é. Precisamos, ainda, identificar a sua especificidade, isto é, captar outras determinações do fenômeno. Torná-lo menos abstrato. Sigamos, então, com a análise. Se a educação é um trabalho não-material, ela é, então, relacionada a ideias, valores, hábitos, atitudes, habilidades etc. Porém, a relação estabelecida é interessada, ou seja, cabe à educação “pedagogizar” esses elementos – ideias, valores, hábitos etc. –, a fim de que os homens os assimilem.

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Vejamos como Saviani (2008) trata este assunto:
(...) da perspectiva da pedagogia entendida como ciência da educação, esses elementos interessam enquanto é necessário que os homens assimilem, tendo em vista a constituição de algo como uma segunda natureza. Portanto, o que não é garantido pela natureza tem que ser produzido historicamente pelos homens, e aí se incluem os próprios homens (p. 13).

Bem, se à educação interessa propiciar que os homens assimilem esses elementos da cultura humana – do mundo dos homens –, cabe, então, identificar o que vem a ser o trabalho pedagógico.
(...) o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens. Assim, o objeto da educação diz respeito, de um lado, à identificação dos elementos culturais que precisam ser assimilados pelos indivíduos da espécie humana para que eles se tornem humanos e, de outro lado e concomitantemente, a descoberta das formas mais adequadas para atingir este objetivo (ibid.).

Para identificar os elementos culturais que devem ser assimilados, precisamos estabelecer critérios que atendam à perspectiva político-pedagógica emancipatória. Tratamos, aqui, dos Conteúdos. Assim, há necessidade de diferenciar aquilo que é fundamental para o processo de humanização dos homens. Nesse sentido, Saviani (2008) aponta para a noção de clássico: “o clássico é aquilo que se firmou como fundamental, como essencial”. (p. 14). O segundo aspecto apontado pelo autor, na citação, diz respeito àquilo que denominamos Metodologia de Ensino: “(...) trata-se da organização dos meios (conteúdos, espaços, tempo, e procedimentos) através dos quais, progressivamente, cada indivíduo singular realize, na forma de segunda natureza, a humanidade produzida pelos homens”. (p. 14).

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da cultura erudita (não a cultura popular). o saber sistematizado. Veja que. os rudimentos das ciências naturais e das ciências sociais (história e geografia humanas).) problema da ciência. (p. necessariamente. agora. a ciência é exatamente o saber metódico.) e uma ampliação de currículo que passa a tornar tudo necessário: temos de comemorar o Dia da Pátria. sistematizado”. Dessa forma. Saviani diz que a escola tem o papel de socializar o saber sistematizado. a linguagem da natureza e a linguagem da sociedade. nutricionais etc. a cultura erudita. Ora.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS Temos. 2008. Com efeito. Cabem nela ações assistenciais (médicas. para serem assimilados. (2008. Este é o fim a atingir”. condições de refletir sobre qual é o papel da escola. escrever.. sob o enfoque da Pedagogia Histórico-Crítica. é o conhecimento elaborado (não o conhecimento espontâneo). trata-se do saber sistematizado (não fragmentado). Há algum tempo. o Dia do Folclore etc. Isso significa que a escola está relacionada com o “(.15). (SAVIANI. ela nega a possibilidade de os filhos das classes subalternas terem acesso à ciência e à cultura elaborada. p. 14). se a escola deixa de cumprir esse papel. Daí que a primeira exigência para o acesso a esse tipo de saber seja aprender a ler e escrever.. mas não é qualquer saber. o Dia do Índio. a existência de elementos culturais que devam ser assimilados por si próprios não bastam para justificar a escola. é preciso conhecer também a linguagem dos números. sequenciados e dosados. Há a necessidade de criar as condições para que tais elementos sejam assimilados e transmitidos por meios adequados a esta finalidade: eles devem ser planejados. o Dia do Negro. a escola tem se destinado a ser muitas coisas. 18). 181 . perde-se a atenção ao que é o clássico na escola: “a transmissão-assimilação do saber sistematizado. Na verdade. é uma cultura letrada. Como vimos. contar. Está aí o conteúdo fundamental da escola elementar: ler. Além disso. p. odontológicas. menos escola.

em literatura. Mas. sobre Machado de Assis. tal realização exige que a escola seja escola. a criança deve ter contato com estes elementos. Porém. tal assimilação só será possível à medida que a criança tenha aprendido a ler e tornado esse aprendizado uma segunda natureza sua. 2) Agora. Hora de praticar Agora. iremos estudar como essas assimilações se processam no ser humano. faça o seguinte: 1) Pensando nas ideias de Saviani. que o professor seja professor e que os alunos sejam alunos (aprendizes). responda à questão: como podemos perceber essa relação no âmbito da Educação Física escolar? Compartilhe suas respostas com os seus colegas da turma e com o tutor no fórum temático da semana. Na próxima unidade. antes disso. faça uma relação entre trabalho e educação. Cabe uma reflexão: qual o papel da Educação Física nessa compreensão de escola e trabalho pedagógico? Com o desenvolvimento de nossa disciplina. esperamos dar respostas a esta pergunta. 182 . é importante que uma criança aprenda. São essas assimilações que vão tornando nossos aprendizes – cada vez mais – livres (autônomos). Por exemplo. Indiscutivelmente.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS Gradativamente. outras etapas ainda se farão necessárias.

dentro dela. por ser um instrumento de marginalização. da educação. é um espaço para a transmissão do conhecimento científico e. ao mesmo tempo. um instrumento de contra-hegemonia. É a partir dessa ótica que Saviani explica a natureza do ato educativo: o trabalho ocupa um papel de destaque – de centralidade – na compreensão da sociabilidade humana e. pois cuidam de apenas negar a escola capitalista. A Pedagogia Histórico-Crítica se fundamenta nos supostos teóricometodológicos elaborados por Marx. Pedagogia Histórico-Crítica: compreende a educação como um fenômeno histórico e dialético. com ênfase para a Pedagogia HistóricoCrítica. para quem a essência humana – seu aspecto distintivo em relação ao restante da natureza – é o trabalho: a transformação intencional do homem sobre a natureza. vimos os fundamentos e a compreensão do fenômeno educativo. do saber sistematizado. lembra? Quais sejam: 1. da qual emerge uma proposta pedagógica. 183 . portanto. Elas não se constituem como pedagogias. para Saviani. No nosso estudo da Pedagogia Histórico-Crítica. Teorias Crítico-Reprodutivistas: não veem saída para a educação. Como vocês puderam perceber. perpassado por contradições. Entre as pedagogias críticas. nossa atenção se centrou no exame desses dois conjuntos de teorias. A educação tanto contribui com a dominação como é.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I AS TEORIAS EDUCACIONAIS CRÍTICAS: FUNDAMENTOS E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS Nessa unidade estudamos as Teorias Críticas – aquelas que percebem as determinações sociais que atuam sobre a escola. 2. portanto. há diferenças. As Teorias Crítico-Reprodutivistas não apresentam propostas. A escola.

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na Unidade 3. Estudamos os fundamentos das Teorias Não-Críticas de educação. no início desta nova unidade. retomaremos algumas questões essenciais das unidades já estudadas e discutiremos a dimensão dialética do termo materialismo histórico-dialético. a partir de um ponto de vista emancipatório. Unidade 1 Unidade 2 Teorias Educacionais Unidade 3 O que vimos na Unidade 2. qual seja..PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI Nas Unidades 1 e 2. Com isso. 185 . conferem uma larga autonomia ao ato educativo sistematizado. uma posição sobre a perspectiva que temos como referência para interpretar e intervir sobre a escola. Percebemos as limitações dessas teorias para os educadores que organizam a sua prática.. Agora. Depois de termos debatido sobre a Educação. ou almejam objetivos inatingíveis – a superação da marginalização educacional por meio da educação – ou resultam numa grande contribuição à manutenção da ordem vigente. Aprendemos que elas não percebem as determinações sociais que atuam sobre a educação e. discutimos diferentes visões de homem e de mundo e distintas teorias pedagógicas da educação. por isso. a Pedagogia Histórico-Crítica. decorrente da compreensão do termo trabalho. tomamos.

considerando o enfoque da teoria vigotskiana. esperamos que você seja capaz de: ■■ identificar o materialismo histórico-dialético como fundamento comum à Pedagogia Histórico-Crítica e à Teoria Histórico-Cultural. 186 . OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. apontando novas formas de abordar esse conhecimento.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI Também continuaremos com o nosso estudo. sob o entendimento de Lev Semenovicht Vigotski. na Psicologia da Educação e na Pedagogia da Educação Física na Educação Infantil. ■■ definir relações entre a Teoria Histórico-Cultural e a educação e a prática pedagógica nas aulas de Educação Física. ■■ discutir os fundamentos da Teoria Histórico-Cultural. buscando fazer relações com as aprendizagens no âmbito da Educação Física escolar. Lembre-se: você já teve acesso a essa discussão em duas outras disciplinas. ■■ explicar as especificidades do processo de aprendizagem de conteúdos da Educação Física escolar.

resumindo: conhecimentos). ou seja. ele cria um mundo humano. resultado das atividades tipicamente humanas de gerações passadas.1 Pensando sobre as Unidades Anteriores.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI 4.) e simbólicos (atitudes. Romântica. pois essa concepção entende o homem como um ser histórico e que só se insere na história por meio de apropriações de conhecimentos. pois para Saviani (2005. mesa. da determinação das condições materiais da existência humana. máquinas etc. 88): A expressão pedagogia histórico-crítica é o empenho em compreender a questão educacional com base no desenvolvimento histórico objetivo.. Vamos iniciar com um momento de reflexão: Que concepção de homem e mundo tem a Pedagogia Histórico–Crítica (Saviani)? Platônica. você acertou.. O trabalho como ação intencional do homem sobre a natureza é o que o diferencia do animal. das Diferenças inatas ou do Materialismo histórico-dialético? Você pensou no Materialismo histórico-dialético? Então. conceitos. a compreensão da história a partir do desenvolvimento material. Por conta da sobrevivência. Ao fazer isso. p. habilidades. ferramentas. valores. Portanto. o mundo da cultura que se materializa em objetos físicos (cadeira. a concepção pressuposta nesta visão da pedagogia histórico-crítica é o materialismo histórico. o homem transforma a natureza por meio do trabalho e por ela é transformado. Nessa perspectiva é que Saviani discute a relação entre trabalho e educação: 187 . É nessa perspectiva que a Pedagogia Histórico–Crítica tem como fundamento o materialismo histórico.

pois que a educação é um fenômeno próprio dos seres humanos significa afirmar que ela é. em 17/11/1896. Ao mesmo tempo. ao mesmo tempo. um processo de trabalho (SAVIANI. 188 . pósrevolucionário – Revolução Russa de 1917. na Universidade de Moscou. Na edição espanhola das obras escolhidas tem se adotado Vigotsky. Vamos conhecê-lo um pouco mais. que se dedicou em entender como o indivíduo ao longo de sua vida se apropria de aspectos tipicamente humanos do comportamento por meio de múltiplas relações com a realidade. 2003). Portanto. ela própria. a partir de algumas reflexões anteriores. adotamos a grafia Vigotski. socializar suas dúvidas com seus colegas da turma. na Universidade popular de Shanyavskii. estudou História e Filosofia. se interessou pelo estudo do desenvolvimento humano A ontogênese tenta responder à pergunta: como acontece o desenvolvimento humano do nascimento à morte. qual seja. a concepção históricocultural ou também denominada de Teoria Sociocultural. os americanos e os ingleses adotaram a grafia Vygotsky. entre no fórum e converse com o seu tutor. uma exigência do e para o processo de trabalho. a outra. publicadas pela editora estatal soviética adotou-se Vigotski (Duarte. Percebe que. Caso não esteja conseguindo compreender nossa intenção. 2005. Após alguns anos. Faleceu em 11/06/1934. por favor. aproximamos duas concepções. apresentando uma abordagem ontogenética que tem também como base o materialismo histórico-diálético. Agora. tinha apenas 21 anos. apresentam um encadeamento que é importante você entender.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI Dizer. até agora. buscando. Vigotski inicia sua carreira em um período. Na tradução do Russo para a língua inglesa. 4. vamos começar um novo conteúdo. viveu 37 anos. Como vimos na apresentação desta disciplina. Por isso. Nesse exato ano. pedagógica no âmbito da escola? Os conhecimentos estudados nas três unidades. o nome desse autor tem sido escrito de diferentes formas. como Newton Duarte. bem como é. De 1914 a 1917 estudou Direito e Literatura. p. uma de homem e mundo e. ao mesmo tempo.1.11).1 Um Pouco sobre Lev Semenovicht Vigotski A teoria histórico-cultural tem como seu principal representante Lev Semenovicht Vigotski. Vigotski nasceu na Rússia. As traduções que vieram do russo para o espanhol.

2 Conceitos Espontâneos e Conceitos Científicos Ao nascer. 4. pôde acompanhar de perto o impacto das mudanças dos contextos educacional. o bebê humano é o ser mais frágil entre os animais. Davidov e Zaporózhets. pôde transitar em vários espaços acadêmicos e profissionais. Entre outros. Agora. na psicologia. Vigotski cria com um grupo de pesquisadores da época – o da Psicologia Histórico-Cultural (DUARTE. A partir das bases teóricas do materialismo histórico e dialético. obteve compreensão de mundo pautada na ciência e. a criança inicia seu processo de interação com o mundo cultural socializado. e também no mundo do teatro. Por isso. 2003). Não é por acaso que o título de uma de suas obras mais importantes denomina-se Formação Social da Mente. 2003). Por conta dessa trajetória. faziam parte desse grupo Leontiev. a Pedagogia Histórico-Crítica e a Concepção Ontogenética Vigotskiana.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI ao trabalhar com pessoas com deficiências (física e mental) e. como na literatura.1. Por essa breve introdução. por ter vivido a radicalidade da transformação de um modelo de sociedade em outro (do capitalismo ao socialismo). cultural. Vigotski teve a grande preocupação em criar uma psicologia geral que possibilitasse a construção de uma psicologia marxista (DUARTE. por isso. pois sem a presença do outro não sobreviveria. ingressou na faculdade de Medicina. Nesses primeiros momentos de vida. podemos perceber a inseparável relação entre a concepção materialista dialética de homem. Veja que a trajetória de Vigotski foi influenciada por diversas áreas do conhecimento e. na linguística. interessa-nos discutir alguns conceitos-chave que fundamentam a teoria de aprendizagem de Vigotski e. motivado a entender profundamente sobre o processo pelo qual ocorre o desenvolvimento psicológico humano. Galperin. Elkonin. é 189 . ao mesmo tempo. econômico e político no desenvolvimento psicológico das pessoas. Lúria. fazer algumas aproximações com as aprendizagens nas aulas de Educação Física. Por ter vivido essas contradições sociais e estudado profundamente Karl Marx e Friedrich Engels. social. nas ciências sociais.

----------------------------Por materialidade entendemos tudo aquilo que tem existência real.. A origem desses conhecimentos remonta às transformações sofridas pelo homem a partir da interação com a natureza. significações. (. Segundo Marx e Engels (1999. as quais culminaram em seu processo de diferenciação dos demais seres vivos. beber. mas que lhe fazem apreender o mundo para se relacionar de forma independente – denominam-se conceitos espontâneos.. simplesmente para manter os seres humanos vivos. é preciso antes de tudo comer.) O segundo ponto é que. por meio de suas relações imediatas com os adultos e seus pares mais experientes. compreende toda a realidade objetual. como há milhares de anos. a produção da própria vida material. são frutos da sua realidade concreta.costumes. física. que ainda hoje.. ter habitação. suas atividades se enquadram mais no plano dos mecanismos primitivos (instintivos). Apesar de o bebê estar inserido em um mundo social e cultural. uma condição fundamental de toda a história. para viver. O resultado dessa relação dialética da criança com a materialidade do mundo é o surgimento do pensamento e da linguagem. a ação de satisfazêla e o instrumento de satisfação já adquirido conduzem a novas necessidades – e esta produção de novas necessidades é o primeiro ato histórico. p.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI radicalmente dependente de intervenções sociais – o mundo de significados e sentidos já está estruturado.. assistemáticos. um momento da filogênese que antecedeu à aquisição dos atributos humanos (relações intencionais com a natureza – trabalho). vestir-se e algumas coisas mais. assim.) o primeiro pressuposto de toda a existência humana e de toda a história é que os homens devem estar em condições de viver para poder “fazer história” Mas. A criança se insere na história apropriando-se dos conhecimentos acumulados pelo homem historicamente. deve ser cumprida todos os dias e todas as horas. acrescida do universo simbólico criado ou recriado pelos homens – usos. 39): (. Filogênese diz respeito ao desenvolvimento ou à história evolutiva de uma espécie (extraído do glossário da disciplina Psicologia da Educação. conhecimentos etc. crenças. e de fato este é um ato histórico. reproduzindo. ou seja. Módulo 3 – Unidade 3). 190 . portanto. satisfeita essa primeira necessidade. a produção dos meios que permitam a satisfação dessas necessidades. O primeiro ato histórico é. Os conhecimentos que a criança tem acesso. evidentemente por meio do trabalho.

como uma necessidade para sua sobrevivência. mas como apropriação de produtos culturais da atividade humana. o homem necessitava da comida e do abrigo para não perecer. Nessa relação o ser humano. acumulando a atividade de gerações de seres humanos. de aprender a construir e a manipular os instrumentos para caçar. de aprender a correr. a saltar. a nadar. pela sua atividade transformadora apropria-se da natureza incorporando-a à sua prática social. contamos a história dos conceitos espontâneos. fruto das interações imediatas e mediadas do homem com a realidade objetiva. Dessa forma. costumes. uma realidade que adquire características socioculturais. antes de mais nada na relação entre homem e natureza. Bem.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI Duarte (2001) interpreta essa citação de Marx e Engels. ocorre também o processo de objetivação. de aprender as táticas de caça. a lançar. utilizando dois conceitos – apropriação e objetivação – para explicar a produção e a reprodução da cultura humana: O processo de apropriação surge. em poucas linhas. crenças etc. inicialmente. E quanto aos conceitos científicos? 191 . pois o ser humano produz uma realidade objetiva que passa a ser portadora de características humanas. Precisavam também conhecer as especificidades do espaço geográfico à sua volta. Ao mesmo tempo. de como colher os frutos das árvores. Dessa forma. a escalar.). o conhecimento acumulado pelo homem ao longo da história se constituiu. Para isso. conhecimentos sobre a natureza. o homem se objetiva e cria a realidade objetiva (objetos físicos. pela apropriação e pela reprodução desses conhecimentos. dos meios de comunicação e da linguagem para a transmissão desses saberes para as próximas gerações. das objetivações do gênero humano (p. 17). Isso gera outra forma de processo de apropriação da natureza.

Artes etc. Haverá uma ampliação desse conceito. Nesse sentido. envolvendo todas as áreas de conhecimento. essa generalização lhe dá certo conhecimento desse significado construído por gerações passadas. Na escola. a partir de uma sistematização elaborada em diferentes disciplinas. mamífero. a criança terá acesso ao conhecimento mais abstrato e sistematizado sobre o conceito de cachorro. o conceito científico. pertence a uma determinada raça etc. Língua Portuguesa. ao estudar Biologia. Por exemplo. vertebrado. em uma determinada fase de escolarização. o desenvolvimento dos conceitos espontâneos e científicos são processos intimamente interligados que exercem influência um sobre o outro. no seu cotidiano não escolar. História. por meio de uma determinada metodologia. a escola torna-se um espaço privilegiado de socialização do saber sistematizado.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI Para Vigotski (2000). áreas de conhecimento – Geografia. e a criança aprenderá a categorizá-lo de uma forma mais complexa: o cachorro é ser vivo. Matemática. Educação Física. uma criança aprende o conceito de cachorro. Cabe à escola a transmissão dos conhecimentos acumulados pela humanidade e assim o faz. 192 .

Essa compreensão de como é tratado o conhecimento no âmbito da Educação Física escolar se refere à concepção pedagógica da Educação Física denominada de Crítico–Superadora. dança. Práticas Curriculares 1 e Pedagogia da Educação Física no Ensino Infantil. podemos afirmar que os conteúdos construídos e acumulados pelo homem historicamente sobre a área de conhecimento Educação Física foram sistematizados como conhecimentos científicos e estão representados sob a forma de jogo. pense nas seguintes questões: Quais conhecimentos e conteúdos a escola e o professor de Educação Física devem sistematizar e transmitir para as séries/anos que você escolheu para estagiar? Baseado em que referências você responderia a essa questão? Bem. para estabelecer relação com a ontogênese vigotskiana de forma mais profunda. que você estudou em outras disciplinas – Didática da Educação Física. 193 . lutas e todas as formas de expressão corporal criadas pela humanidade. pautados na história como ciência. Com base nas reflexões que acabamos de fazer. Voltaremos a discuti-la na próxima unidade.14). em que Saviani (2005) disse que a escola “diz respeito ao conhecimento elaborado e não ao conhecimento espontâneo? Ciência é o saber sistematizado!” (p.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI Lembra-se da Unidade 3. ginástica. esporte. Sabemos que você faz Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental. E quanto aos conhecimentos/saberes no âmbito da Educação Física escolar? Momento de reflexão Caro (a) aluno (a).

ou seja. como funções interpsíquicas. ao mesmo tempo. o processo acontece de fora para dentro. Ou seja. como propriedades internas do pensamento da criança. Para melhor compreender essa discussão.3 Internalização Acabamos de discutir sobre a relevância da escola como espaço de aprendizagem de saberes sistematizados – conceitos científicos. A internalização se expressa por meio da apropriação de conteúdos culturais. Para Vigotski (2003. p.1. nas atividades individuais. 26). a segunda. Dessa forma. entende-se que as relações sociais são. 14): Função Intrapsíquica Todas as funções psicointelecuais superiores aparecem duas vezes no decurso de desenvolvimento da criança: a primeira vez nas atividades coletivas. introduziremos outros que complementarão seus estudos sobre essa teoria. ou seja.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI 4. 194 . 2010. a partir de uma relação interpsicológica. retomaremos alguns conceitos que você já deve ter explorado na disciplina Psicologia da Educação (Módulo 3 – Unidade 3) e. Perceba que um processo interpsíquico é transformado em um processo intrapsíquico. ou seja. como funções intrapsíquicas. nas atividades sociais. A questão agora é identificar como a Teoria HistóricoCultural concebe as apropriações desses conhecimentos e como se processa essa lógica na criança. ocorre por meio da intervenção de pessoas mais experientes sobre o sujeito que aprende um determinado conhecimento. concretiza-se na relação professor–aluno e nas relações que se materializam entre alunos mais e menos experientes. antes de tudo. É importante ressaltarmos que o dado social na Teoria Histórico-Cultural não se reduz exclusivamente às relações interpessoais no ato da aprendizagem. p. relações sociais e históricas (MOURA. No contexto escolar.

Mozart foi um influente compositor austríaco do período clássico (1756 – 1791). http:// pt. Tudo isso é dom natural? 195 . (encontrado em 24/10/2010). quando dominava o teclado e o violino com proficiência (Wikipedia. embora a relação adulto–criança. envolvendo meninas e meninos. cria um jogo com bola.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI Isso quer dizer que.reflita sobre isso. Demonstrou habilidade musical prodigiosa desde os cinco anos de idade. vimos que a concepção de Vigotski tem suas bases científicas no materialismo histórico e dialético. Agora. .4 A Relação entre Aprendizagem e Desenvolvimento na Teoria Vigotskiana Até aqui. Então. tinha a capacidade de compor música. Isso significa que os conhecimentos não são um dado a priori da constituição humana. reflita: Dicas para refletir sobre a questão: . tomando como base a Teoria Histórico–Cultural (Vigotski)? Que intervenções você faria.wikipedia. vamos pensar um pouco sobre isso. observa que durante o jogo os meninos não tocam a bola para as meninas. a cooperação como conhecimento humano não pode ser analisada e avaliada pontualmente apenas tendo como base as relações interpessoais. Einstein adquiriu uma grande compreensão sobre a relação entre matéria e energia (teoria da relatividade). Você. como aluno de estágio. esse indivíduo carrega consigo o conjunto das relações sociais da humanidade. Como você analisa esse comportamento dos meninos. observando alguns exemplos. Wolfgangus Amadeus Mozart. mediada por um único indivíduo. desde criança. Pelé alcançou uma alta complexidade corporal. imaginando a seguinte situação: um professor de Educação Física planeja uma aula para crianças do 6º ano do Ensino Fundamental e estipula como principal objetivo a cooperação. na aparência. conforme mostramos na figura que representa a internalização. no futebol.nessa perspectiva. a partir dos conceitos espontâneos e científicos e do termo internalização? 4. Vamos entender melhor o que estamos falando.1.org/wiki/Wolfgang_ Amadeus_Mozart. a partir dos fundamentos do materialismo histórico e dialético. Agora. possa se dar.

Diferentemente das funções psicológicas superiores. Outro aspecto fundamental que caracteriza a singularidade de Vigotski. em um determinado tempo histórico. 103): (. com isso em mente. Nessa ótica. é o fato de a aprendizagem anteceder ao processo de desenvolvimento. as funções psicológicas superiores são essencialmente humanas. Bem.141). por isso. fruto da sua concepção pautada no materialismo histórico. tais como: os reflexos e outras ações desprovidas de intencionalidade (VIGOTSKI. as funções psicológicas elementares são de natureza biológica e primária. Para Vigotski. Vamos conversar um pouco sobre as diferentes funções psicológicas. de outra forma. para Vigotski 196 . aprendizagem e desenvolvimento não coincidem. Unidade 3 – Influência de fatores sociais nos diferentes aspectos do desenvolvimento e da aprendizagem (p. veja a disciplina Psicologia da Educação – Módulo 3. o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que. Para Vigotski (2007. a orientação do ensino tinha como base o conhecimento já aprendido. Essa avaliação era realizada. deduzir. Para saber mais sobre o conceito de mediação.. mas há uma relação de interdependência entre ambos. seriam impossíveis de acontecer. agora podemos entender melhor por que a natureza humana não é dada e sim construída. p. não são dons naturais e sim resultados de inúmeras e complexas relações mediadas entre esses indivíduos e a realidade sociocultural. Assim. Lembra-se que Vigotski apontou que o aprendizado é que orienta o processo de desenvolvimento? Pois é.) aprendizado não é desenvolvimento. ele inverteu a lógica usual que as escolas adotavam para avaliar a criança. hipotetizar.. Mas. a partir das relações sociais. são funções psíquicas voluntárias e expressam-se a partir da capacidade que temos de planejar nossas ações.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI Não. o aprendizado é o aspecto necessário e fundamental das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas. a partir daquilo que a criança aprendeu. entretanto. 2007).

Na tradução das Obras escolhidas do russo para o espanhol. LEONTIEV. Vigotski (citado por Duarte. não possui todas as funções que asseguram a linguagem escrita. Isto se refere sempre à instrução escolar sadia. p.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI (2003). o processo não deveria ser esse.) Ensinar a uma criança aquilo que ela é incapaz de fazer é tão inútil como ensinar-lhe a fazer o que é capaz de realizar por si mesma. Vejamos cada um deles. Leontiev. Termo que vem sendo utilizado por Newton Duarte. 2) Zona de desenvolvimento potencial – entende-se como o que a criança é capaz de fazer com a ajuda de pessoas mais experientes. quando a criança consegue executar uma habilidade de forma independente. todavia. o ensino da linguagem escrita provoca e implica o desenvolvimento dessas funções. ou melhor. já realizado. Vigotski e outros (2003) defendem que o único bom ensino é aquele que se adianta ao desenvolvimento. adotou-se nível de desenvolvimento atual e. Precisamente por isso. E Newton Duarte adotou o termo “atual”. ----------------------O termo zona de desenvolvimento potencial adotado por mim advém da obra de LÚRIA. vemos que na realidade qualquer matéria exige da criança mais do que ela pode dar naquele momento. 2003. Psicologia e pedagogia: as bases psicológicas da apredendizagem e do desenvolvimento. que esta realiza na escola uma atividade que lhe obriga a superar-se. Começa-se a ensinar a criança a escrever quando. criou dois níveis de desenvolvimento: 1) o nível de desenvolvimento efetivo. Isto significa que a partir dessa premissa. o ensino não deve se ater exclusivamente ao nível de desenvolvimento efetivo. VIGOTSKI e OUTROS. mas os processos que estão ocorrendo.. o termo usado foi “efetivo”. 2) a zona de desenvolvimento potencial. Lúria. São Paulo: Centauro. 97) diz o seguinte sobre a aprendizagem escolar: Quando observamos o curso de desenvolvimento da criança na idade escolar e no curso de sua instrução. no livro Psicologia e pedagogia: bases psicológicas da aprendizagem e do desenvolvimento. Isso quer dizer que determinado conceito e/ou habilidade já foi internalizado. 197 . As traduções de obras de Vigotski para o português têm adotado diferentes denominações para o nível de desenvolvimento efetivo. que estão ainda amadurecendo e se desenvolvendo. 2007. o termo aparece como zona de desenvolvimento proximal. então. pode-se medir não o processo de desenvolvimento até o presente momento.. (. de Vigotski. isto é. Na tradução do livro A formação social da mente. A partir dessa afirmativa. Nas traduções das Obras escolhidas para o espanhol. 1) Nível de desenvolvimento efetivo – nível de desenvolvimento das funções psicointelectuais que se consolidaram como resultado de um específico processo de desenvolvimento. adotouse o termo zona de desenvolvimento próximo. Essa situação real se produz sempre que a instrução é fecunda. Para ele. finalmente. No livro Formação social da mente foi traduzido como nível de desenvolvimento real.

expressa os conhecimentos (conceitos espontâneos e conceitos científicos) que já foram internalizados pela criança por meio de mediações (linguagem e signos). Biológico Aprendizagem Como poderíamos pensar a prática educativa na escola sob a lógica da Teoria Histórico-Cultural? E quando poderíamos pensar nessas práticas nas apropriações dos conhecimentos da cultura corporal – esporte. Entre as bolinhas vermelha e azul. vamos procurar identificar no gráfico abaixo o que vem a ser essa zona de desenvolvimento potencial: Aprendizagem e desenvolvimento Zona de Desenvolvimento Potencial (próximo) Nível de Desenvolvimento Efetivo (atual) Interpretando o gráfico. Para ilustrar melhor esse processo.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI Com base nesse pensamento de Vigotski. no espaço compreendido entre as linhas pontilhadas. jogo. a partir dos conceitos estudados: A bolinha azul onde passa a linha pontilhada representa o nível de desenvolvimento efetivo (o que a criança já aprendeu e consegue realizar de forma autônoma). a área de cor azul representa a história social vivida pela criança. quando se processa a aprendizagem de um determinado conhecimento. dança e as demais expressões corporais criadas pela humanidade? 198 . Reside aí o conceito mais importante na teoria de Vigotski. podemos concluir que a intervenção escolar deve valorizar o ensino direcionado para a zona de desenvolvimento potencial (próximo). encontra-se a zona de desenvolvimento potencial.

na visão de Vigotski. Essa teoria diferencia os conceitos espontâneos e os conceitos científicos (saberes sistematizados). conceituais e metodológicos que fundamentam a concepção de aprendizagem e desenvolvimento da teoria de Vigotski – a Concepção HistóricoCultural. interprete uma situação na qual uma criança do Ensino Fundamental esteja aprendendo algum conteúdo da Educação Física. em que exploramos as bases do materialismo histórico-dialético. (Articule os conceitos com a prática – relação teoria e prática). indica o papel do processo de internalização e esclarece a relação entre aprendizagem e desenvolvimento. estudamos aspectos filosóficos. 2 e 3.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I A TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL – LEV SEMENOVICHT VIGOTSKI Hora de praticar Responda as questões abaixo e leve suas impressões para o fórum da semana. fundamentais à Pedagogia HistóricoCrítica e à Teoria Histórico-Cultural. 199 . Para isso. Concluímos essa unidade. Buscamos traçar relações entre essas teorias e as ações educacionais nas aulas de Educação Física. 1) O que é internalização (definição)? 2) O que é nível de desenvolvimento efetivo (definição)? 3) O que é zona de desenvolvimento potencial (próximo)? 4) Usando os conceitos das questões 1. Discuta com seus colegas e seu tutor.

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no segundo semestre. tem mais de uma concepção educacional. lembra-se? Nesta unidade. estudaremos a prática educativa da Educação Física a partir de diferentes abordagens pedagógicas. como exemplo de intervenção. Durante o curso. mais especificamente no Ensino Fundamental. pois a Educação Física. esperamos que você seja capaz de: ■■ analisar o cotidiano das aulas de Educação Física no contexto escolar. veja a Unidade 3 da disciplina Pedagogia da Educação Física no Ensino Infantil.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 Concepções Pedagógicas da Educação Física: Em Busca de Abordagem Metodológica Até agora. como conteúdos da disciplina Didática da Educação Física e da disciplina Práticas Curriculares 1. 201 . Continuaremos a nossa discussão abordando outras circunstâncias e outras relações. Para conferir. esta disciplina lhe forneceu subsídios para entender que há mais de uma forma de pensar e atuar sobre o mundo e sobre a escola. você foi apresentado a elas sob duas perspectivas: ■■ pela primeira vez. no contexto escolar. ao mesmo tempo. como conteúdos da disciplina Pedagogia da Educação Física no Ensino Infantil e. ■■ na segunda. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade.

criado na FACED/ UFBA.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA 5. Para ele. até essas novas perspectivas que se abriam. O paradigma da aptidão física.1 Tendências/Concepções da Educação Física Estudos e pesquisas referentes às concepções pedagógicas da Educação Física. O Lepel (s/d) as denominou de abordagens pedagógicas e as apresentou como: (1) Aptidão física. que se distanciavam e ocultavam relações de tensão e conflito entre escola e sociedade. a Educação e a Educação Física rediscutiram seus referenciais teóricos e suas práticas pedagógicas no âmbito da escola. Castellani Filho (1999). (4) Crítico-emancipatória. Não há consenso sobre a identificação/nomeação das diferentes concepções de ensino da Educação Física entre os autores. que existem distintas formas de se pensar a prática pedagógica no âmbito da Educação Física. saúde. (3) Construtivista. Castellani Filho (1999) faz uma diferenciação entre os termos abordagem e concepção. Esportes e Lazer. mostraram-nos a partir da análise de diferentes autores. Darido (2003). tais como. particularmente após a década de 1980. (5) Crítico-superadora. LEPEL – Núcleo de Estudos e Pesquisa em Educação Física. propiciador de um debate mais amplo e livre das pressões do Estado autoritário do regime militar. Assis (1999). (2) Desenvolvimentista. em 1997. alto rendimento). Mas atribui à concepção uma perspectiva que aproxima princípios e fundamentos epistemológicos aos meios de intervenção na realidade de ensino. A manifestação dessas diferentes abordagens/ concepções no Brasil aconteceu principalmente em um momento fértil no cenário político que se apresentava e. ao mesmo tempo. mantinha-se como proposta hegemônica no âmbito da escola e também em outros espaços de atuação profissional do professor de Educação Física (lazer. as abordagens não apresentam princípios metodológicos que orientam a intervenção. Bracht (1999). 202 . de forma a se contraporem às metodologias reducionistas e tecnicistas em voga. Com a abertura política no Brasil. Lepel (s/d). (6) Sociológica e (7) Diversificada. Muñoz Palafox e Nazari (2008).

Entre as concepções acima apontadas pelo autor e. p. Moreira.Concepção desenvolvimentista: .Concepção crítico-emancipatória: Elenor Kunz.Concepção Educação Física plural: Jocimar Daolio.Concepção crítico-superadora: Coletivo de Autores. devemos fazer uma análise considerando. Guedes entre outros. 2) a direção metodológica adotada para atingir os objetivos pretendidos na ação pedagógica. . apenas duas delas – Aptidão física e Críticosuperadora – apresentam metodologias sistematizadas para a intervenção no campo da escola. principalmente.Concepção construtivista: João Daólio. Mas o que devemos fazer para compreender determinada forma de intervenção pedagógica? Bem. . 155). e o norte-ameBetti. ricano Gallahue. . Por metodologia de ensino entende-se “a explicitação de uma dinâmica curricular que contemple a relação do tratamento a ser dispensado ao conhecimento (desde sua seleção até sua organização e sistematização no sistema escolar. com base em referenciais concernentes à metodologia do ensino. no Brasil. . 203 .Abordagem cultural: Jocimar .Concepção de aulas abertas: Hidelbrandt.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA A partir dessa compreensão. Batista Freire. dois parâmetros fundamentais: 1) suas bases teóricas (epistemologia). Silvino Santim e Wagner W. o autor apresenta um quadro de abordagens e de concepções não propositivas e propositivas: Abordagens não propositivas Principais representantes Abordagens propositivas Principais representantes . 1999.Abordagem fenomenológica: . (CASTELLANI FILHO. . . associados à questão de tempo e espaço pedagógicos)”.Aptidão física: Vitor Matsudo. segundo sua ótica. Vejamos cada um deles.Abordagem sociológica: Mauro Go Tani.

as concepções Crítico-superadora e Crítico-emancipatória são progressistas e situam-se dentro de uma perspectiva de crítica às reproduções de princípios e valores dominantes da sociedade capitalista: Não se preocupam em problematizar a relação entre a prática pedagógica e as determinações históricas.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA 1) Bases teóricas (epistemologia) – determinam principalmente as concepções de sociedade.. a Desenvolvimentista. Assim. 1999: 81). concomitantemente. propiciar um esclarecimento crítico a seu respeito. Propostas críticas Propostas não críticas Para o autor. sociais e econômicas da sociedade. 2) Direção metodológica adotada para atingir os objetivos pretendidos na ação pedagógica – nesse enfoque. por consequência. de homem e de mundo do sujeito dessa intervenção. como determinada concepção identifica seu objeto de intervenção (o conhecimento).. ao se tematizarem as formas culturais do movimentar-se humano (os temas da cultura corporal ou de movimento). 204 . desvelando suas vinculações com os elementos da ordem vigente. a (. Bracht (1999) traz uma distinção entre as propostas que fazem a crítica ao modelo societal capitalista e as que não o fazem (não críticas). Essas bases teóricas. anunciam a intencionalidade dessa intervenção (objetivos da prática pedagógica) e a seleção de conteúdos. podemos dizer que tanto os supostos teóricos como os aspectos didático-metodológicos podem estar a serviço ou não de uma ideologia hegemônica que envolve as relações de produção da sociedade capitalista. Bracht (1999) identifica como as não críticas a Aptidão física. conscientes ou dotados de consciência crítica. e o agir comunicativo para a críticoemancipatória. as competências para tal: a lógica dialética para a crítico-superadora. que possibilitem.) ambas as propostas sugerem procedimentos didático-pedagógicos Psicomotricidade e a Construtivista. os sujeitos poderão agir autônoma e criticamente na esfera da cultura corporal ou de movimento e também agir de forma transformadora como cidadãos políticos (Bracht. ou seja. desenvolvendo.

a fim de subsidiar a intervenção do professor de Educação Física na escola.1987). quadrupedar. é o movimento humano – rastejar. objeto de intervenção. Nesse contexto. de mundo e de sociedade. De posse desse instrumental. Concepção Psicomotricidade – os conteúdos de ensino são o esquema corporal – lateralidade. 1988). saltar (TANI et.. 205 . correr. o conhecimento envolvendo as teorias da Educação Física no campo da intervenção da escola e também em espaços não escolares é mediado por sujeitos históricos com diferentes concepções de homem. o educador poderá estabelecer. equilíbrio. Vejamos tais diferenciações: Concepção Aptidão física – a atividade física é conteúdo que visa à promoção da saúde. al. ritmo. as finalidades de sua prática educativa.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA Portanto. pois ele possibilita uma melhor compreensão dos processos pedagógicos envolvidos no ato educativo. se há diferentes concepções. Concepção Desenvolvimentista – o conteúdo. o estudo dos fundamentos teóricos que orientam uma dada concepção pedagógica ganha destaque. é fundamental levantar uma questão para reflexão. com base nos conteúdos que estudamos na Unidade 4: Como cada uma das concepções pedagógicas organiza e identifica seus objetos de conhecimento (conteúdos)? Perceba que a resposta mostra mais uma das diferenças entre as concepções pedagógicas no âmbito da Educação Física sobre o item conhecimento/conteúdo. criticamente. coordenação viso-motora (LE BOULCH. andar. Bem.

2001). relacionam-se intrinsecamente com o processo de formação humana. Entre elas. 1992). é importante explicar o que se entende. não cai no vazio. 206 . em 1992. Assim. Carmen Lúcia Soares e Elizabeth Varjal.2 Concepção Crítico-Superadora Essa concepção surge de forma sistematizada a partir da publicação. dança (COLETIVO DE AUTORES. as lutas e a dança devem ser trabalhados na escola em forma de jogo (FREIRE e SCAGLIA. Mas por que é crítica? Bem. pois o esporte. nesse contexto. Concepção Crítico-Superadora – domínio da cultura corporal – ginástica. evidenciadas na elaboração dos objetivos. Celi Taffarel.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA Concepção Construtivista – o jogo se configura como o conteúdo principal. por sua vez. Durante o curso e nesta unidade. agora. discutido com muita ênfase na Unidade 3. Concepção Crítico-Emancipatória – são considerados conteúdos o movimentar-se/cultura do movimento – o esporte. na seleção dos conteúdos. escolhemos a Concepção Críticosuperadora para fazer uma discussão mais detalhada. o significado desse termo. por crítica. Então. 5. 2003). vimos que Bracht considera essa proposta pedagógica de ensino como uma concepção crítica. as concepções pedagógicas anunciam uma forma pela qual se produz conhecimento e. esporte. Você deve lembrar-se que. vamos conversar sobre ela. na organização metodológica e no processo avaliativo. Walter Bracht. no início desta unidade. jogo. o jogo. a ginástica (KUNZ. a ginástica. estudamos algumas concepções. Assim. há distintas formas de se planejar o ato educativo. lutas. Para cada uma das concepções pedagógicas. do livro Metodologia do Ensino de Educação Física. Michele Ortega. a dança. Obra construída a “seis mãos” por um coletivo de autores composto por Lino Castellani Filho.

(COLETIVO DE AUTORES. resolve a nossa questão.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA Para entendermos melhor. gerar mais renda. cada classe social tem os seus interesses. repleto de tensões. à luta do cotidiano pelo direito ao emprego. à saúde... praticamente. à educação. 24). 24). 2005). correspondem à sua necessidade de sobrevivência. 1992. enfim às condições dignas de existência. o patrimônio. precisamos pensar em outra pergunta: Crítica em relação a quê? A resposta. porque vai se contrapor. Assim como a Pedagogia Histórico-Crítica (Unidade 3). A tendência Crítico-superadora foi a primeira concepção pedagógica a discutir a Educação Física em uma perspectiva de classes. ao mesmo tempo. à alimentação. (COLETIVO DE AUTORES. ou seja. p. 207 . à habitação. a Concepção Crítico-superadora vê a escola como um espaço de apropriação da cultura e. que são diferentes e antagônicos: Os interesses imediatos da classe trabalhadora. 1992. etc. justamente. Como afirmam os autores dessa tendência. diferenciando a classe trabalhadora da classe dominante (BEHMOIRAS.. ao transporte. por meio da prática educativa. na qual se incluem as camadas populares. a proposta é crítica porque faz a crítica à sociedade.. ao salário. ampliar o consumo. p. E os interesses da classe dominante correspondem à: Necessidade de acumular riquezas. Sua luta é pela manutenção do status quo. correspondem a necessidade de garantir o poder para manter a posição privilegiada que ocupa na sociedade. ao modelo de sociedade imposto pela classe dominante.

entre outros. 38).) acervo de formas de representação do mundo que o ser humano tem produzido no decorrer da história. as práticas corporais que se expressam por meio de jogo. dança. esporte. contorcionismo. malabarismo. posiciona-se ou identifica-se com os interesses da classe trabalhadora Agora. mímica e outros que podem ser identificados como formas de representação simbólica de realidades vividas pelo homem. exercícios ginásticos. 1. relações sociais do trabalho. especificamente. danças. historicamente criadas e culturalmente desenvolvidas. preconceitos raciais.. No caso da Educação Física e. lutas.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA Para o Coletivo de Autores (1992. exteriorizadas pela expressão corporal: jogos. e a apropriação dessas culturas está condicionada ao poder econômico? Autores (1992). dessa tendência pedagógica. dança. estão intrinsecamente relacionadas com os grandes problemas sociopolíticos atuais: ecologia. a cultura corporal se configura como: (.. esporte. Nessa perspectiva. esses conhecimentos se materializam pela apropriação que os homens fazem de conteúdos da cultura corporal – esporte. distribuição de renda. jogo. vamos aproveitar para fazer essa relação por meio de um exercício: Hora de praticar Responda a questão abaixo e leve suas impressões para o fórum da semana. Poderíamos afirmar que há uma cultura corporal dos ricos e uma cultura corporal dos pobres. ao fazer a leitura da realidade. Os conteúdos da cultura corporal na perspectiva da sociedade de classes são apropriados pelas crianças de ambas as classes (dos ricos e dos pobres) de forma igualitária? 2. social e econômico. Segundo o Coletivo de 208 . p. da velhice.. por serem criações humanas situadas em determinado contexto histórico. papéis sexuais. lutas e demais formas de expressão corporal criadas pela humanidade. da pessoa com deficiência. podemos fazer uma relação entre classes sociais e apropriação de conhecimentos acumulados historicamente pela humanidade. saúde pública. ginástica etc. Essa concepção.

a noção de “Sujeito Histórico” consiste no fato de oportunizar ao estudante a noção de historicidade.) se há discriminações (de classe. competitividade. o homem não nasceu pulando. do homossexual entre outros).PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA No âmbito das vivências e aprendizagens das práticas corporais no contexto escolar. 12): (. da mulher. da pessoa com deficiência. não estão definidas. no vôlei. a crítica se faz à reprodução de princípios e valores dominantes da sociedade capitalista (individualismo. desafios ou necessidades humanas. de gênero. pois está carregado de simbologias e significados da sociedade que os criou.. Por isso. Isso quer dizer que segundo Behmoiras (2005. a partir dos seus interesses de classes (COLETIVO DE AUTORES. com os valores e atitudes próprios da cultura. individualismo. a discriminação do menos habilidoso. estes também ocorrerão nas diversas manifestações da Cultura Corporal.. arremessando. no caso a capitalista. E o que isso significa. 1992). p. quando pensamos no aluno? Bem. precisamos refletir sobre esses problemas. pois coloca o aluno da escola pública numa posição de sujeito capaz de entender a realidade social. pois estão em construção. Outro ponto que merece destaque na proposta Críticosuperadora é a noção de “Sujeito Histórico”. do modo de organização da sociedade a que pertencem. agressividade.. Todas as atividades corporais foram construídas em determinadas épocas históricas. desonestidade na sociedade. como respostas a determinados estímulos. Porque essas expressões corporais foram criadas e desenvolvidas por pessoas. observa-se que o termo Cultura Corporal assume um conceito muito mais amplo. do negro. interpretando-a e explicando-a. ou seja. no basquete. 209 . Para essa tendência pedagógica. Desta forma. de lhe dar a chance de observar e perceber que as coisas são provisórias. violência. como no futebol. nas lutas etc. saltando.. a vitória sobre o outro a qualquer custo. de raça/etnia).

a Pedagogia Histórico-crítica e a Teoria Histórico-cultural no campo da intervenção na escola. podemos fazer uma possível aproximação entre a Concepção Crítico-superadora. como um instrumento de formação dos sujeitos que se inserem na história. em um contexto sistematizado de ensino. Isso só é possível porque essas três concepções interpretam o mundo e agem sobre ele de maneira muito similar. tudo que foi criado pelo homem pode ser modificado pelo homem. A partir dessas reflexões e voltando às discussões da Unidade 3 e da Unidade 4. transformadas de acordo com os interesses e necessidades de seus praticantes. Por que na escola devemos ficar restritamente presos às regras oficiais dos esportes? Não que elas não sejam importantes. A produção humana é histórica. Portanto. as regras que os constituem nem sempre foram como são hoje. então. essa concretização acontece por meio dos conteúdos da Educação Física. por meio da apropriação de conteúdos criados pela humanidade. cabe-nos. agora. 210 .PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA No caso dos esportes. ou seja. No nosso caso particular. concretiza-se na intervenção. com base na Concepção Materialista Histórico-Dialética. elas podem ser mudadas. comungam das mesmas ideias de homem e mundo. em como sistematizar esses conteúdos para determinada fase de escolarização. mas por que restringir as possibilidades pedagógicas somente ao ensino delas? Assim. inesgotável e provisória. A Concepção Pedagógica. pensar no planejamento de ensino.

3 Planejamento de Ensino (de Curso. e. Que o resultado dessa organização é a construção e a consolidação do Projeto Político-Pedagógico da escola (PPP). Teleológica: consiste em propor uma direção para a ação. está estagiando no Ensino Fundamental. estratégia. 2. ação deliberada. é necessário que o professor e a escola em geral passem por uma reflexão pedagógica. o PPP “É político porque expressa uma intervenção em determinada direção e é pedagógico porque realiza uma reflexão sobre a ação dos homens na realidade explicando suas determinações. nesse semestre. deve ter dado aulas. Judicativa: consiste em um julgamento dos dados da realidade. perguntando-lhe: O que é considerado ponto de partida para pensar o planejamento? O que deve ser feito em primeiro lugar? Nessa fase inicial. para se definir o PPP. Segundo o Coletivo de Autores (1992). por meio da disciplina Estágio Supervisionado no Ensino Infantil. 25) Ainda segundo o Coletivo de Autores. Esse PPP torna-se um referencial importante para se pensar a elaboração do seu planejamento. A primeira é entender que deve haver um trabalho conjunto e articulado entre todas as disciplinas curriculares da escola. Na perspectiva da Concepção Crítico-superadora. duas preocupações são fundamentais.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA 5. pensando no seu novo estágio (Ensino Fundamental). 3. Diagnóstica: consiste na leitura de dados da realidade que são interpretados a partir dos valores de classe. o PPP representa uma intenção. que consiste em três estágios: 1. A escola na qual você realiza seu estágio tem esse Projeto Político-Pedagógico? Você já o pesquisou? Conseguiu situar a Educação Física escolar dentro desse projeto? 211 . a partir de uma ética que representa os interesses de determinada classe. que pode ser conservadora ou transformadora.” (p. não é mesmo? Diante disso. de Aula) Você que já adquiriu experiências na escola. gostaríamos de fazer algumas reflexões importantes sobre o planejamento de ensino. agora.

sua intervenção na escola deve sempre visar à transformação dessa realidade constatada – nesse caso. por meio de sua prática? Como articular suas aulas com esse projeto maior de homem e de sociedade? Assim. o entendimento da relação professor-aluno. 1992): Que sociedade é essa (constatação da realidade – sociedades de classes)? Que projeto histórico de sociedade devemos colocar em perspectiva para que a humanidade possa usufruir de todo o patrimônio cultural criado pelos homens? É preciso que cada educador tenha bem claro: qual o projeto de sociedade e de homem que se persegue? Quais interesses de classe que defende? Quais os valores.14) Nessa ótica. é necessário que você. p. educador. deve ter definido seu Projeto Político-Pedagógico. a ética e a moral que elege para serem consolidados. Veja sobre qual definição estamos falando: 212 . podemos afirmar que todo educador realiza um ato político ao educar. que orienta sua prática na sala de aula. (. (BEHMOIRAS. 2005. considerando uma pedagogia crítica. porque ele expressará o entendimento que se tem de educação. Portanto. reflita sobre as seguintes questões (COLETIVO DE AUTORES... o entendimento de homem e de sociedade e com isso orientará toda a prática pedagógica do professor e da escola ao longo do processo educativo.) o projeto político-pedagógico tem função primordial. A partir dessas premissas. as relações que se estabeleceram e se perpetuam na sociedade capitalista.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA Com isso.

no máximo.1.3. Tendência Crítico-superadora. Tendência Desenvolvimentista. você deverá integrar um grupo de. â a seleção de conteúdos: que conhecimentos devo ensinar aos alunos? â a metodologia: qual o caminho que devo seguir para conseguir alcançar os objetivos? â que recursos materiais irei utilizar para conseguir a finalidade educativa desejada? â como será avaliado todo o processo da prática educativa? (avaliação). 1. 1. Para isso. utilize textos complementares que estarão disponíveis na biblioteca virtual. Tendência Aptidão física – saúde. Hora de praticar Atenção: tarefa em grupo. Para finalizar esta unidade. 1. 213 .2. conforme as orientações do seu tutor. Tendência Psicomotora.4. seis colegas para realizar a seguinte tarefa: 1) Elaborar um plano de aula referente a uma das tendências abaixo: 1. A atividade será discutida no fórum da semana.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA â sua intencionalidade – formulação de objetivos.

Para essa tendência. As Concepções Críticas são a Críticoemancipatória e a Crítico-superadora. ginástica.PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 5 I CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA: EM BUSCA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA Concluímos esta unidade. com valores e atitudes próprios da cultura. lutas e as demais práticas corporais criadas pela humanidade. a Psicomotora e a Construtivista. do modo de organização da sociedade a que pertencem. 2005. A tendência Crítico-superadora valoriza a questão da contextualização dos fatos e do resgate histórico. a Desenvolvimentista. em que tivemos a oportunidade de rever as diferentes concepções da Educação Física. entendendo-o em sua totalidade (BEHMOIRAS. protagonista da construção de sua história. 214 . As Concepções Não críticas são a Aptidão Física. Procura situar o estudante como ator principal. no caso.14). dança. Escolhemos discutir com mais ênfase a tendência Crítico-superadora por entender que é a única a pensar a escola como um espaço de contraposição da ideologia da classe dominante. E por acreditarmos que a educação é sempre um ato político. os conteúdos da Educação Física são expressões da cultura corporal – esporte. considerando-o como um ser predominantemente social. jogo. a sociedade capitalista. p. É importante lembrar que essas expressões corporais foram criadas e desenvolvidas por pessoas. Vimos como Valter Bracht as divide em Crítica e Não críticas.

Filogênese. Ontologia. Tudo aquilo que tem existência real. Existencialistas. da Existência ou da Realidade. mente pela violência e secundariamente pela 215 . conhecimentos etc. Tenta responder à pergunta: como acontece o desenvolvimento humano do nascimento à morte. fique isolado. significando conhecimento do ser. Significa os aspectos que diferenciam o homem do restante da natureza. Poiésis. Atividade criadora do homem pelo seu trabalho. Aparelhos repressivos. podemos dizer que a ontologia é o estudo mais geral do Ser.Glossário Aparelhos ideológicos. Vem do grego ontos e logoi. Materialidade. Sanção por reciprocidade. Ao cometer um ato falho. Essência humana. costumes. ou seja. justo e não opressor. física. Funcionam massivamente pela ideologia e secundariamente pela repressão. compreende toda a realidade objetual. ideologia. há uma consequência que faz o indivíduo sentir que errou e que. mas sim o que ele naturalmente na sua origem o era: bom. Simplificando. Atuam massivaOntogênese. acrescida do universo simbólico criado ou recriado pelos homens – usos. As tendências pedagógicas existencialistas não procuram realizar o que o homem deve ser. por isso. Trata do Ser que tem uma natureza comum a todos e que também tem uma natureza particular de cada um. Diz respeito ao desenvolvimento ou à história evolutiva de uma espécie. crenças. Consiste em retribuir o recebido. A necessidade da reintegração fará com que se corrija. significações.

Presença. 1992. Vigotski e o “aprender a aprender” – críticas às apropriações neoliberais e pósmodernas da teoria vigotskiana. PASSERON. Cadernos CEDES. C. Lisboa: Vega (trabalho original publicado em francês). LE BOULCH.. Acesso 21/05/2010. 69-88. R. Campinas: Autores Associados. Ijuí: Unijuí. Educação psicomotora. paradoxos e perspectivas. N. L. BOURDIEU. Introdução. Educação de corpo inteiro. O direito à preguiça. FREIRE. Educação como prática corporal. 1971. 2001. 1987. Educação escolar. Educação Física escolar: as principais tendências pedagógicas e suas possíveis relações com o positivismo. ASSIS. teoria do cotidiano e a escola de Vigotski. L’école capitaliste en France. Brasília. Elementos para uma teoria do sistema de ensino.1974. 2003. 2003. Sociedade do conhecimento ou sociedade das ilusões? Quatro ensaios crítico-dialéticos em filosofia de educação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. _____.19. BAUDELOT. ESTABLET. Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Hucitec. Campinas: Scipione. 4ª ed. A. A constituição das teorias pedagógicas da Educação Física. 216 . São Paulo: Scipione. A reprodução. p. 2001. Transformação didático-pedagógica do esporte. Campinas: Tese de Doutorado. Universidade de Campinas. 2001. Aparelhos ideológicos do estado. ISSN 0101-3262. E. 9ª ed. agosto / 1999. S. C. P. São Paulo: Cortez. _____. a fenomenologia e o marxismo. M. A Educação Física no sistema educacional brasileiro: percurso. no 48. In: LAFARGUE. 1999. 1970. BRACHT. Campinas: Autores Associados. L. BEHMOIRAS. Publicações em Educação Física: Abordagens e Tendências Pedagógicas.. C. S. Bahia.Referências Bibliográficas ALTHUSSER. Lisboa. CHAUÍ. 2007. V. Monografia (Especialização em Educação Física) – Faculdade de Educação Física. P. J. J. Porto Alegre: Artes Médias. J. Educação Física na Escola: Questões e Reflexões. 1999. vol. Reinventando o esporte: possibilidades da prática pedagógica. s/d. 4ª ed. DUARTE. 31 f. COLETIVO DE AUTORES. 1994. Teoria e prática da Educação Física. CASTELLANI FILHO. B. FREIRE. Campinas-SP: Autores Associados. J. Universidade de Brasília. 2005. KUNZ. 2003. Campinas: Autores Associados. Paris: Maspero. DARIDO. B. D. LEPEL. e SCAGLIA.

. 2 ed.. rev. São Paulo: Martins Fontes. S. V. 2003. B. São Paulo: Cortez. São Paulo. MARX. 1988. _____. (Os Economistas) MARX. 1. 2 ed. In: GOMES. 2006. LEONTIEV. Martins Fontes. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. 2010. et al. MUÑOZ PALAFOX. H. NOSELLA. SP: Autores Associados. 2000. 1983. 2007. São Paulo: Abril Cultural. G. VIGOTSKI. São Paulo: Boitempo. 2008.org. São Paulo: Centauro. 1977. 11 ed. Filosofia Pagã Antiga. 2003. MOURA et al. Campinas. Disponível em http://www. Psicologia e pedagogia: bases psicológicas da aprendizagem e do desenvolvimento. 2003. 2003. (Os Economistas) _____. Buenos Aires: Lecturas Educación Física y Deportes. S. Pedagogia progressista. REALE. 2007.pnud. Campinas. G. VASQUEZ. (Org.. Karl. São Paulo: Centauro. São Paulo: Hucitec. A formação social da mente. TANI. L. Relatório do Desenvolvimento Humano. ANTISERI. _____.br/ rdh2006. Abordagens metodológicas do ensino da Educação Física escolar. 2 ed. _____. Lisboa: Moraes. NAZARI. 10 ed. _____. D. K. 217 . Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 34 ed. J.. ENGELS. Trabalho e educação. SAVIANI. A Ideologia Alemã (Feurbach). A Pedagogia e as grandes correntes filosóficas. SP: Autores Associados. 3 ed. G. A atividade pedagógica na teoria histórico-cultural. 1974. SNYDERS. 2004. P. 1999. Manuscritos econômico-filosóficos. PNUD. Filosofia da práxis. In: _____. 2001.) Trabalho de Conhecimento. A. _____. Brasília: Liver livro. Rio de Janeiro: Paz e Terra.M. Para a crítica a economia política [e outros escritos]. 1989. São Paulo: Martins Fontes. História da Filosofia. São Paulo: Autores Associados. C. Campinas. São Paulo: Abril Cultural. O Capital: crítica da economia política. 2004. Escola e democracia.Referências Bibliográficas LEONTIEV et al. 2005. A construção do pensamento e da linguagem. F. Psicologia e pedagogia: as bases psicológicas da aprendizagem e do desenvolvimento. VYGOTSKY e OUTROS. G. LÚRIA. São Paulo: Centauro. São Paulo: Paulus. D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. SUCHODOLSKI. Educação Física Escolar: Fundamentos de uma abordagem desenvolvimentista. 1982a. Contribuição à critica da economia politica. Introdução [à Crítica da economia política].

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ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL .

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Ministrei disciplinas de graduação em Didática e Estágio em Faculdades particulares de Educação Física e de Filosofia. ginástica. nos conhecemos. recreação e outras práticas físicas. desde 1998. desde muito cedo. expressão corporal. depois da graduação. Atuo na Secretaria de Estado de Educação. sou Rogério Bertoldo Guerreiro. atividade voluntária voltada para o handebol com adolescentes. onde ministrava aulas de psicomotricidade. fui professora na Faculdade de Educação nas disciplinas Educação Infantil e em Psicomotricidade: o espaço do corpo na educação. Jane Dullius e. É muito oportuno estar com todos e acredito na possibilidade de um excelente trabalho. dança. Então. Muito prazer! Olá. Também fui tutor da disciplina História da Educação e da Educação Física na UAB. com Especialização em Desporto Escolar também pela UnB. Vamos continuar a caminhada. Podem contar comigo sempre! -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Olá. atualmente lotado no Centro de Ensino Fundamental 619 de Samambaia. Mestre em Educação e Doutora em Ciências da Saúde. Profa. Fundamentos do Ensino da Educação Física no Prolicenciatura. pude trabalhar em várias pré-escolas e creches. Também coordeno a ação civil RHC Handebol. 221 . sou a profa. Especialista em Educação Infantil. Licenciada em Educação Física. Jane Dullius Formada como professora de dança e expressão corporal. atuei na reoferta da disciplina de História da Educação e da Educação Física.Estágio Supervisionado – Primeiro Ciclo do Ensino Fundamental Prof. tive a oportunidade de trabalhar com crianças em práticas físicas. Recentemente atuei como professor pesquisador e supervisor da disciplina de Estágio Supervisionado na Educação Infantil. professor de Educação Física. Atuei como tutor na disciplina Fundamentos do Ensino da Educação Física. Na Universidade de Brasília. Rogério Bertoldo Guerreiro Professor de Educação Física licenciado pela Universidade de Brasília. Comecei a dar aulas de dança como monitora ainda adolescente e. Educação e Cidadania.

corporeidade. Espero tenhamos muita animação e sucesso em nossa empreitada. Ministrei cursos de atualização em jogos e atividades físicas para professores da Educação Infantil no GDF. Bem-vindos. estou outra vez com vocês. a convite da Secretaria de Educação local. dança. 222 . e colaborei com o MEC na produção de capítulo sobre Educação Física para crianças no curso TV Escola.Na pós-graduação em Psicopedagogia coordenei a área Psicomotricidade e Neurologia (disciplinas. educação em saúde e Educação Física terapêutica e. Hoje sou professora na Faculdade de Educação Física da UnB com disciplinas de rítmica. aqui na Educação Física a distância. estágios e pesquisa) e também uma disciplina de Jogos e Brincadeiras em outra pós-graduação.

por meio de textos objetivos e afazeres que levarão à reflexão. Será concluído por um relatório final. esperamos que você seja capaz de: ■ analisar o trabalho pedagógico nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. ■ planejar uma intervenção nas séries iniciais. em diferentes ambientes. Unidade 3 – Valores. e seus aprendizados provenientes dessa experiência. 223 . de observação e de intervenção. Unidade 2 – O Educando das Séries Iniciais e suas Demandas. A nossa disciplina apresenta uma rica possibilidade de aprendizagem e de descobertas. assim como o primeiro. Este segundo estágio. bem-vindo!!! Este será nosso segundo estágio supervisionado entre os quatro que terá ao longo dos próximos semestres. cada uma delas exigindo leituras e práticas. certamente. a seguir. em que você apresentará. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta disciplina. fundamentará e comentará suas ações. Diferenças e Indisciplina. as unidades e os temas pertinentes a cada etapa que o ajudarão nesta caminhada: Unidade 1 – Educação Física – A Construção da Identidade como Disciplina. Veja. será dividido em quatro etapas. e relatos parciais. reflexões. Unidade 4 – Reflexões e Elaboração do Relatório Final.Apresentação da Disciplina Prezado aluno. lhe auxiliarão com suas tarefas práticas e trarão um melhor entendimento da disciplina. E essas reflexões levarão você a produzir um relatório final claro e objetivo. Disponibilizamos uma grande quantidade de vídeos que.

224 .

especificamente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diante disso. 225 . está fundamentada na legislação brasileira. anuncia os preceitos profissionais e atrai conceitos para sua base metodológica. como disciplina curricular obrigatória. surgem as perguntas: A Educação Física cumpre o papel de componente curricular? Ela está preparada para cumprir o papel a ela delegado? E que papel é este? Estas são apenas algumas das questões que buscaremos esclarecer.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 Educação Física – A Construção da Identidade como Disciplina Certamente você se lembra que a Educação Física. que agora começamos. Essa imposição legal documentada expressa um desejo pedagógico da disciplina Educação Física no espaço escolar. no decorrer da Unidade 1.

e respectivos mecanismos de funcionamento – e dos sujeitos envolvidos nesta. esperamos que você seja capaz de: ■■ analisar a trajetória da Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. dificuldades e possíveis alternativas.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. ■■ descrever as principais características da instituição onde será realizado o estágio supervisionado – pública ou privada. bem como sua busca pela construção da identidade como disciplina. suas particularidades. inserida na comunidade e na educação brasileira. 226 .

moral e física. Bracht (1999) afirma que a teorização da ginástica escolar foi realizada com base em um olhar pedagógico (médico– pedagógico ou moral–pedagógico). autores de algumas obras que tratam da sistemática científica. 227 . Cresce o discurso científico como referencial para a Educação Física. esporte e ginástica. Significa “cheio de vigor”. Países europeus e também na América do Norte questionam a finalidade da Educação Física. 1842) e Spencer (Educação intelectual. por meio de seus escritos. Clias (Calistenia aplicada à Educação Física das moças. na Biologia e em outros tratados. O período entre as décadas de 1960 e 1980 marca a ruptura com a tradição pedagógica. Assim. com base na Medicina. para a saúde e para a educação moral. a importância dos cuidados com o corpo. 1876). pensadores como Bacon (1561-1626). Autores como Amorós (Novo manual completo de ginástica de Educação Física. Ainda no século XIX. o termo Educação Física vincula-se à sistematização científica em torno dos exercícios físicos. entre os séculos XVII e XIX. ginástica e moral.1 Educação Física – Uma Breve História Na Europa. Esses estudos confirmam as bases filosóficas que sustentam o surgimento da Educação Física e seus pressupostos conceituais atuais. Busca a harmonia do corpo por meio de exercícios musculares. explicando os exercícios físicos para a formação de indivíduos. Locke (1632-1704) e Rousseau (17121778) mostraram. confirmando que as práticas corporais seriam construídas e vistas como instrumento para a educação. Melhor traduzindo: “força harmônica”. ----------------------------Calistenia é uma palavra de origem grega kallós (belo). jogos. utilizam a expressão Educação Física.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA 1. 1830).

p. p. Sérgio (1983.1 Educação Física – Trajetória no Brasil 228 . procura o desenvolvimento das faculdades motoras imanentes no indivíduo” (id. Sob a influência de precursores franceses. como J. 155) – Parágrafo transcrito de GONZÁLEZ e FERNSTERSEIFER. Parlebas. e é proposto como “ramo pedagógico da Ciência da Motricidade Humana. 2005.1. 1. Ijuí. O termo educação motora aparece como substituto de “Educação Física”. buscando o entendimento da área para tentar construir sua identidade.. entendida como “Ciência da compreensão e da explicação das condutas motoras.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA Afinal. e isso gerou confusão e oposições que caminhariam junto com a história da Educação Física. 1987. Le Boulch e P. Dicionário critico de Educação Física. 153). visando o estudo e constantes tendências da motricidade humana” (SÉRGIO. 1987) busca fundamentar epistemologicamente uma “Ciência da Motricidade Humana” ou “Cineantropologia”. a finalidade é pedagógica ou científica? E qual o seu objeto de estudo? Esses são apenas alguns dos questionamentos.

Assim.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA No Brasil. 35). tendo como tema o movimento corporal que toma lugar na instituição educacional”. 62). Isso significa que a Educação Física seria: (. “abrange as atividades pedagógicas. brincadeiras e visando a alegria e o prazer. abrange principalmente as manifestações ligadas à ludomotricidade humana.. Betti (1992) concebe a Educação Física como a introdução e a integração da personalidade do aluno com a cultura corporal do movimento. a ginástica)”. Nesse nível de ensino. A ludomotricidade humana diz respeito aos movimentos corporais realizados de forma lúdica. (1992) definem a Educação Física como disciplina escolar que trata pedagogicamente do conhecimento de uma área denominada “cultura corporal”.) uma prática social de intervenção imediata. e não uma prática social cuja característica primeira seja explicar ou compreender um determinado fenômeno social ou uma determinada parte do real (p. Isso gera o entendimento da Educação Física como uma prática pedagógica. passa a ter pelo menos dois entendimentos: área de conhecimento científico e prática pedagógica (para alguns. “formando o cidadão que vai usufruir. configurada com temas ou formas de atividades (jogos. em sentido restrito. Soares et al.. p. utilizando jogos. reproduzir e transformar as formas culturais da atividade física (o jogo. produzir. a partir do início da década de 1980. segundo Bracht (1999). O estudo desse conhecimento “visa apreender a expressão corporal como linguagem” (p. restrita à instituição escolar). 15) disse ainda que a Educação Física. por uma repedagogização da teorização em Educação Física. esporte. por meio do discurso pedagógico. como recreação e lazer. Bracht (1992) opõe-se à concepção de Educação Física como área de conhecimento científico e a define como “prática pedagógica que tem tematizado elementos da esfera da cultura corporal/movimento”. dança etc. lutas.) que constituem seu conteúdo. a Educação Física caracteriza-se. o esporte. ginástica. a dança. com base no discurso das Ciências Humanas Sociais. Bracht (1992. 229 .

Vejamos. sistematiza e critica os conhecimentos. recebe e envia demandas à prática pedagógica e às ciências/filosofias. e. questiona as ciências e a Filosofia. a seguir. A demarcação desse objeto/saber define o tipo de conhecimento buscado para sua fundamentação. e esse conhecimento. motricidade humana ou movimento humano consciente A função da Educação Física é o desenvolvimento da aptidão física. o entendimento de Bracht sobre o saber próprio da Educação Física: Atividades físicas ou atividades físico-esportivas e recreativas Cultura corporal. Betti (1996) tenta superar os dualismos recorrentes na teoria da Educação Física e a concebe como um campo dinâmico de pesquisa e reflexão que. O objetivo da Educação Física é o desenvolvimento integral do educando. . da antropologia filosófica. em certo sentido. e as referências teóricos–conceituais provêm das ciências biológicas. por sua vez. 230 O movimentar-se humano é forma de comunicação com o mundo. 25). movimento corporal. Entende o objeto da Educação Física como o saber específico que trata essa prática pedagógica. cultura de movimento ou cultura corporal de movimento Movimento humano. constituinte e construtora de cultura. a partir de problemáticas que surgem da prática pedagógica. mas também possibilitada por ela. o referencial provém da aprendizagem motora e do desenvolvimento motor. determina a função atribuída à Educação Física. que na qualidade de cultura habita o mundo do simbólico.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA Esse entendimento caracteriza a Educação Física como uma prática de intervenção pedagógica que trata um conteúdo “configurado/retirado do universo da cultura corporal do movimento”. é linguagem. Bracht (1999) identifica na Educação Física brasileira dos anos 1990 uma tentativa de delimitá-la como “campo acadêmico que teoriza a prática pedagógica que tematiza manifestações da cultura corporal de movimento” (p.

mediante referenciais científicos. dança e atividades rítmicas/expressivas. expressam o reconhecimento de que o movimento humano assume formas culturais.. visando formar o cidadão que possa usufruir. filosóficos e estéticos. p. mediante o exercício da motricidade humana (entendida como capacidade de movimento do ser humano para a transcendência e como agente e criadora de cultura). como. dança e ginástica.) área de conhecimento e intervenção profissional–pedagógica que lida com a cultura corporal de movimento. Betti (2003. pelo sujeito. as cantigas de roda. produzir e reproduzir e transformar as formas culturais do exercício da motricidade humana: jogo. de valores e motivos.) a disciplina que tem por finalidade propiciar aos alunos a apropriação crítica da cultura corporal de movimento. reprodução e transformação indicam a maneira. ■■ Jogo. o qual deve ser incorporado pela Educação Física na escola como um saber a ser trabalhado criticamente com os alunos.. compartilhar. a dinâmica como a cultura corporal de movimento está sendo conduzida. nos planos material e simbólico.56) diz que a Educação Física escolar é: (. a regionalização. ■■ Produção. Vamos tentar entender algumas dessas expressões: ■■ Apropriação da cultura é o processo de internalização. lutas/artes marciais e práticas corporais alternativas A cultura corporal é entendida como a parcela da cultura geral que compreende as formas culturais que se vem historicamente construindo. ginásticas e práticas de aptidão física. objetivando a melhoria qualitativa das práticas constitutivas daquela cultura. esporte. por meio de atividades culturais de movimento.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA Optar pela cultura corporal do movimento como objeto da Educação Física implica avançar do fazer corporal para um saber sobre o movimentar-se do ser humano como um todo. e pode ser percebida/sentida como campo de constante conflito e negociação de sentidos.. e que as formas referidas pertencem à Educação Física. devidamente tematizadas de modo crítico.. por exemplo.155-156) não vê a Educação Física como restrita à escola e a define como: (. p. Betti (2001. 231 . esporte. na forma de conteúdos de Educação Física.

ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA 1. dependente e agente transformador do ambiente. ■■ perceber-se integrante. ■■ conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais.2 Objetivos Gerais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (fragmento) PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais OBJETIVOS GERAIS DOS PARÂMETROS NACIONAIS Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam como objetivos do ensino fundamental que os alunos sejam capazes de: ■■ compreender a cidadania como participação social e política. de sexo. 232 . civis e sociais. utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas. matemática. atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação. de etnia ou outras características individuais e sociais. assim como exercício de direitos e deveres políticos. ■■ posicionar-se de maneira crítica. ■■ conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro. responsável e construtiva nas diferentes situações sociais. atitudes de solidariedade. de classe social. para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania. cognitiva. física. ■■ conhecer e cuidar do próprio corpo. contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente. expressar e comunicar suas ideias. cooperação e repúdio às injustiças. bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações. materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País. interpretar e usufruir das produções culturais. ■■ desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva. no dia-a-dia. valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva. posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais. em contextos públicos e privados. plástica e corporal — como meio para produzir. ■■ utilizar as diferentes linguagens — verbal. estética. de inter-relação pessoal e de inserção social. identificando seus elementos e as interações entre eles. gráfica. adotando. de crenças. ética. respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito.

genérico. esses três itens se confundem muito. Isso é um erro: os dois locais podem ser pontos de prática e teoria. 1.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais OBJETIVOS GERAIS DOS PARÂMETROS NACIONAIS (continuação) ■■ saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos. sintético que serve de marco de referência às operações de ensino e aprendizagem que serão desenvolvidas durante o curso baseado nas necessidades e nas metas a serem alcançadas.3 Plano de curso O que é um plano de curso? É um plano de trabalho amplo. Caracterizase mas pela descrição geral dos seguintes aspectos: ►►Procedimento nem sempre se refere apenas à prática física. a capacidade de análise crítica. Vejamos dois deles: os procedimentos e os recursos. O maior recurso que a Educação Física tem é o corpo do estudante. Muitos professores afirmam que aula teórica é na sala e que aula prática é na quadra. ■■ questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los. selecionando procedimentos e verificando sua adequação. 233 . a intuição. ►►Os recursos nem sempre são bolas ou algo similar. Na disciplina de Educação Física. utilizando para isso o pensamento lógico. a criatividade.

Organização do plano de curso Assim. bimestre. educadores e educandos podem ter uma visão abrangente dos esforços e. as condições e as estratégias de ensino e avaliação. Traçamos este tipo de plano de um modo geral.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA Esses elementos serão utilizados nas ações educativas em função dos objetivos pretendidos para cada curso ou turma em particular. é importante considerar as condições particulares dos educandos e do ambiente com o intuito de haver coerência entre as demandas existentes e as possibilidades de desenvolvê-las correlacionadas ao ambiente e aos objetivos exequíveis. É o preestabelecimento do trabalho a ser desenvolvido enquanto durar o curso. é indispensável que a organização do plano de curso obedeça a duas direções: 1) uma vertical e 2) outra horizontal. semestre etc. todos poderão conscientemente conduzir suas ações na mesma direção do conjunto. quando se trata de processo de ensino–aprendizagem. Supervisores pedagógicos. o desenvolvimento em amplitude e profundidade ao longo do tempo. de modo coerente. assim. trimestre. Nesse sentido. devemos cuidar de descrever. relacionando de forma contínua os objetivos de ensino e os meios para seu alcance. Vejamos cada uma delas. por meio das ações que o compõem. Dessa forma. o plano de curso exercerá uma função integradora entre os elementos humanos que fazem parte de uma escola. por isso. 1) Direção vertical – processo que assegura a continuidade dentro de um curso. 2) Direção horizontal – a unidade dentro da disciplina e desta com as demais disciplinas. mas tomando o cuidado de deixar claro para o leitor as propostas. dentro de um contexto escolar. Entretanto. diretores. devemos evitar o excessivo detalhamento das ações educacionais e as respectivas minúcias desnecessárias. 234 .

Um bom plano de curso deve ter abertura para permitir a participação dos diferentes segmentos da comunidade escolar interessados na sua execução. condições socioeconômicas e de escolarização. em uma perspectiva de tempo – duração – em uma perspectiva de adequação às características da população a qual se destina. Bem que poderia haver uma fórmula para elaborarmos um plano! Mas não há uma fórmula fechada para a elaboração do plano de curso. ► Suas características (idades. significando uma economia de esforços e maior qualidade e envolvimento na busca de resultados eficazes no processo de ensino–aprendizagem. ► Local de desenvolvimento das atividades. Dados de identificação: ► Secretaria de Educação. ► Carga horária ou créditos. ► Disciplina. alguns elementos devem estar presentes. o plano de curso também deve ser exequível.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA Considerações na elaboração do plano de curso O plano de curso deve manter íntima relação com o Projeto Pedagógico da Instituição de Ensino. ► Nome da instituição de ensino. 235 . situações particulares e necessidades especiais). ► Docente. ► Número de estudantes. de forma a manter a coerência entre as ações no interior da instituição. Deve ainda se basear na realidade vivida pela instituição e pelos atores que a compõem para que expresse. ► Período. Alem do caráter individual. em cada objetivo e nos meios especificados para seu alcance. Observe o quadro abaixo. Dados sobre a população-alvo: ► Turma (e professor regente). mantendo as ações integradas. Porém. porque particulariza traços determinantes de um conjunto de educandos. uma real adequação às possibilidades dos educandos e da instituição.

nesse ambiente. de acordo com as condições. a quem se dirige ou atende. semestre. O educador deve trabalhar com o calendário disponibilizado pela secretaria da escola e/ou secretaria municipal/estadual de educação local e. ENEM etc. 236 . que temáticas aborda e que pré-requisitos exige. Uma característica importante na elaboração do plano de aula é a colocação dos objetivos que. em linhas gerais. ► Calendário de eventos promovidos pela instituição e outros órgão (festa junina. assim. poderá levar em conta os itens sugeridos abaixo: ► Datas de início e final de semestre/bimestre e de recessos.). comemorações nacionais.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA Dados sobre a população-alvo são de importância máxima. SIADE. de forma clara. englobam em uma só sentença os vários elementos constitutivos de um objetivo mais amplo a ser alcançado.). E isso é de fundamental importância na sua elaboração. O plano de curso implica uma distribuição do tempo adequada e equitativa. adequadas e fundamentais sobre aqueles aos quais se dirige tal plano. ► Calendário de aplicação de provas na instituição e demais avaliações promovidas por outros órgãos (prova Brasil. Vamos dividi-los em dois: Objetivo geral – constituem os resultados de aprendizagem de períodos longos. observará quantos dias ou horas letivos terá para as aulas em cada período (bimestre.). Assim. Objetivos específicos – constituem resultados de curto prazo ou resultados menores a serem alcançados para que o objetivo maior possa ser obtido. ano etc. É desejável que o educador tenha em mãos informações ou observações verdadeiras. descrevem o que se espera do educando ao final do estudo e que orienta o educador em suas ações. as necessidades e os objetivos desse curso. Devemos fazer uma breve introdução. contextualizando a disciplina a ser apresentada e indicando em que contexto e em que proposta ela se insere. como partes que compõem a busca por alcançar o objetivo geral. datas festivas etc.

faz parte do plano de curso a apresentação sintética. Vejamos exemplo relativo aos educandos do 1º ciclo: Se necessitamos alcançar determinados objetivos. quando derivam dos objetivos do Projeto Político-Pedagógico. explícito quanto ao conteúdo ao qual o desempenho se relacione. temos de ser claros e apresentar com quais conteúdos ou temáticas se trabalhará nesse curso ou disciplina. Assim. deve ser observável e mensurável. geralmente na forma de tópico gerais. indicando a ação ou a característica a ser evidenciada. 237 . dos conteúdos que serão abordados no decorrer dessa. ao final do período de atividades proposto.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA Os objetivos devem ser expressos em termos do desempenho esperado do aluno. Tradicionalmente são expressos por meio da colocação de um verbo no modo infinitivo. Devem ser realistas e alcançáveis nos limites propostos pela comunidade escolar e complementares.

Dimensões dos procedimentos Procedimentos que representam as ações do educador. assim. transtornos de última hora.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA E o que devemos considerar para selecionar e organizar os procedimentos de ensino? Bem. providenciando material alternativo. Podemos colocá-los em duas dimensões: Procedimentos que representam as ações do educador. E os procedimentos ou os comportamentos são planejados pelo educador para colocar o educando em situação que estimule o aprendizado de fatos ou fenômenos que possibilitem modificar sua conduta. Os meios de ensino devem ser previstos pelo educador em seu plano de curso. evitando. enquanto orienta e controla as situações de ensino favoráveis à aprendizagem. 238 . Agora. na falta dos mesmos. vamos conversar um pouco sobre as dimensões dos procedimentos. em função dos objetivos propostos e da possibilidade do pleno desenvolvimento integral do seu ser. antecipando a disponibilidade de recursos disponíveis na instituição ou. enquanto organiza as situações de ensino necessárias à realização de atividades de aprendizagem que facilitem o alcance dos objetivos pelos educandos. precisamos ter em mente que os procedimentos são ações. É importante que o educador conheça bem o manejo dos recursos disponíveis.

atividades com regras muito livres em turmas com dificuldades comportamentais. colchonetes e outros objetos). debates. gostaríamos de destacar a importância da avaliação. recursos auditivos (radio. condições psicológicas e sociais que permitem a abordagem e o desenvolvimento de certas temáticas e ações (e que devem ser levadas em consideração no planejamento de quais e do “como” as atividades serão ou não levadas à frente). Nesse item entram aulas expositivas. campo etc. atividades muito agitadas para adultos sedentários. álbum seriado. salas de aulas. MP3 etc. textos para analfabetos. etc. educandos. TV. jogos. jogos dirigidos. cordas. objetos delicados ou aguçados em turmas com comportamentos desajeitados ou agressivos etc. Recursos psicossociais e afetivo ambientais – ou seja. projetos. cones. é necessário pensar nos métodos de ensino que serão utilizados e que melhor se encaixam com as condições observadas e os objetivos que se buscam. Os recursos podem ser divididos em: Além disso. competições para grupos com altos índices de violência. ginásio. Avaliar requer pensar em todos os momentos que compõem o plano de curso. Por exemplo. oficinas e tantos outros meios. 239 . servidores escolares e comunidade em geral. dinâmicas de grupo. excesso de informações para crianças pequenas. Por último. brinquedos.) e recursos audiovisuais (vídeos. fitas. auditório. É essencial pensarmos com inteligência tais recursos. bolas. bancos.). não se usarão cartazes para cegos. toca CD.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA Recursos físicos ambientais – como pátio. Recursos humanos – educadores. cartaz. Recursos materiais – no interior da instituição constituem recursos visuais concretos (quadro.

8. 5. um cronograma. de forma refletida. Cronograma. indicando quando. A avaliação precisa considerar os objetivos propostos e que tanto os métodos utilizados pelo professor como os resultados alcançados pelos educandos devem ser levados em conta. ao longo do tempo. Os parâmetros devem ser claros. Avaliação. Introdução e contexto. Precisamos definir claramente os meios e os critérios de avaliação e as formas como tais resultados serão apresentados. e todos que compõem a comunidade escolar devem ter acesso e participar de forma crítica buscando melhorias. cada uma das ações será realizada e avaliada. Programa (conteúdos). Objetivos geral e específicos. podemos ter: 1. nesta ação. para a elaboração do plano de curso. Assim. 7. E é necessário e desejável apresentarmos uma bibliografia que tenha servido de embasamento para a construção desse plano de curso e que vá servir de subsídio para os alunos. 2. Os dados recolhidos da avaliação deverão fazer parte de avaliação institucional.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA Para tanto. Dados de identificação. Referências. Recursos. Metodologia. ainda. 4. em síntese. por exemplo: Serão atribuídos pontos? Ou notas? Ou menções? Também precisamos explicar o que significa cada parâmetro e as suas consequências. 3. Essa lista de referências bibliográficas (incluindo ou não referências eletrônicas) deve ser preferencialmente de fácil acesso e adequada ao nível de ensino e às condições desses educandos. . 6. O plano de ensino deve conter. o educador deverá indicar os instrumentos que utilizará bem como a forma de comunicar e se apropriar dos resultados da avaliação. 240 9.

no mínimo 15 linhas. de forma a buscar compreender o papel e a importância da Educação Física no Brasil e também no mundo. Nos dois casos. buscando o entendimento da área para tentar construir sua identidade. e poste na plataforma em local e data a ser informados. 1) A Educação Física cumpre o papel de componente curricular? Está presente no PPP da escola? 2) Ela está preparada para cumprir o papel a ela delegado? Que papel é este? Estagiar nas série iniciais do Ensino Fundamental é um momento oportuno para que o acadêmico possa de fato travar contato com o mundo da educação no 1º ciclo. Inúmeros questionamentos criam confusão e posições diversas que caminharam junto com a história da Educação Física. Redija um texto de. Iniciamos esta caminhada mostrando a Educação Física como disciplina curricular obrigatória fundamentada na educação brasileira por meio da LDB ao mesmo tempo em que deixamos questões abertas sobre sua importância e o papel delegado à Educação Física enquanto disciplina no interior da escola. Vários questionamentos foram apontados e autores foram citados.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA Hora de praticar Responda cada questão abaixo. 241 . Relacione as respostas com sua prática educativa. Neste sentido autores são citados e seus trabalhos vistos e revistos em busca das dúvidas expostas nos textos desta unidade. Apresentamos também os objetivos gerais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (fragmento). Exploramos a história da Educação Física no sentido de entender as abordagens a ela atribuídas e como se deu sua prática ao longo do tempo. concordando ou discordando das indagações feitas. explique sua opinião.

semestre etc.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 1 I EDUCAÇÃO FÍSICA – A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE COMO DISCIPLINA No que tange a Educação Física. Partiremos agora para a Unidade 2. item imprescindível no fazer pedagógico do docente. mais facilmente observáveis. Finalizando esta unidade. afetivos e corporais estão inter-relacionados em todas as situações. bimestre. e se bem elaborado permitirá que todos os atores envolvidos na tarefa de educar no interior da escola possam conscientemente conduzir suas ações na mesma direção e em busca da unidade educativa coletiva. e a aprendizagem esteja vinculada à experiência prática. os PCNs explicitam que embora numa aula de Educação Física os aspectos corporais sejam mais evidentes. Contamos com você! 242 . Parabéns! Você finalizou a Unidade 1. enfatizamos o plano de curso.. trimestre. O texto é abrangente e expõe de forma clara como é vista a Educação Física em seus aspectos educacionais. o aluno precisa ser considerado como um todo no qual aspectos cognitivos. O plano configura-se como o pré-estabelecimento do trabalho a ser desenvolvido enquanto durar o curso.

e como isso tudo interfere no planejamento das atividades.. veremos as preocupações com a possível diversidade da faixa etária dos alunos do Ensino Fundamental. as características de cada série. quais as reflexões que nos levam a direcionar a Educação Física como disciplina construtora do conhecimento. c ada an Como o. as dificuldades e as especificidades que apresentam.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 O Educando das Séries Iniciais e suas Demandas Cada s érie. Observe quantas questões trabalharemos nesta unidade.. ca? o icia ment p o i r c he ap ísic e con F d ão caç ução u Ed nstr o ac ? O qu e ejam consider ento a das a r no É pre t ivi c plan i ejam so fazer dades? um ento a cad a sér ie? plan go. jo Recrea oisa? esma c m a o Sã des lú ativida dicas. ção. Entre outros temas. Principalmente. 243 . tem lidar c caract om iss erístic o. na E as dife ducaç rentes ão Físi .

considerando o contexto da Educação Física.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. ■■ descrever conteúdos e técnicas de ensino. esperamos que você seja capaz de: ■■ justificar a importância de ter objetivos definidos e relevantes na sua prática com a Educação Física. ■■ discutir de que modo os conteúdos e as técnicas de ensino contribuem com a Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental. 244 .

comprometida e desejada requer o conhecimento e o entendimento das fases em que os alunos se encontram no que diz respeito aos mais diferentes aspectos do desenvolvimento do ser (emocional. cognitivo e motor).. Certamente. Segundo Gallardo (2005. A periodização das séries iniciais do Ensino Fundamental é caracterizada pela forma seriada (ano a ano) e na forma de ciclos sugerido nos PCNs. 245 .. aparecendo uma espécie de rivalidade entre ambos. Assim. de valores e papéis culturalmente aceitos no meio que vivem.) considerando os estudos psicanalíticos.. provocando uma heterogeneidade significativa nas classes de Educação Física escolar (GALLARDO. as crianças encontramse na faixa etária que deveria ir de 6 a 10 anos de idade e conforme falamos antes. O Ensino Fundamental caracteriza-se por crianças na faixa etária entre 6 e 10 anos de idade. p. No período que compreende da 1 ª a 4 ª série. Uma prática pedagógica séria. é necessário abordamos as mudanças que ocorrem nas faixas etárias que correspondem às series iniciais do Ensino Fundamental. Este é um momento em que o professor de Educação Física pode intervir. Veja que esta questão pode gerar um problema sério. Em algumas regiões do Brasil tal período não se aplica rigorosamente. buscando solucionar pacificamente os conflitos. pois a variância de idades de alunos nessa fase do ensino é grande e decorrente de vários fatores sociais. encontramos para a referida faixa etária um período denominado de latência.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS 2. período este em que os educandos estão voltados para a aquisição de habilidades..1 Para Início de Conversa. Neste momento surge a separação de gênero (meninos X meninas). constituindo atenção especial por parte do educador e também da escola. algumas turmas podem apresentar alunos fora de faixa. 2005). 66): (.

filho. claro! 246 . esses valores resultam da obediência externa. decepção etc. as crianças apresentam inúmeras dificuldades para manter uma organização em grupo de trabalho. vai ganhar um pedaço daquele bolo que você adora! 2. nessa faixa etária as emoções estão ligadas à autoestima.1. Além disso. evitando situações conflituosas que prejudiquem a relação com os demais colegas de sala. quando a criança enfrentar situações como essas. considerando-as moralmente corretas se estas lhe oferecerem prazer ou satisfação pessoal. Existe por parte dos alunos uma espécie de disfarce ou de controle das reações negativas (raiva. Por isso. vamos conversar sobre os valores morais. saberá superá-las.).ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS Ainda segundo Gallardo. Assim. O professor deve estimular o aluno de forma que ele possa alcançar certo grau de competência e domínio das atividades para não ter sentimento de inferioridade. sempre contando com a paciência docente. A criança julga as ações pelas consequências físicas sofridas (punição ou recompensa). Mesmo não sendo fácil. algumas atividades podem ser até organizadas em pequenos grupos. ou seja. A criança espera da professora e dos colegas o reconhecimento e a valorização pessoal. Muito bem. o professor deve deixar claro que situações de frustrações fazem parte da vida e também ajudar na resolução pacífica.1 Observações a Partir do 1° Ano No início das séries do Ensino Fundamental. você falou a verdade: está estudando. Agora.

as crianças se encontram em um processo de aprendizagem que se caracteriza pela combinação de diferentes habilidades motoras como também pela seleção e pelo aperfeiçoamento de movimentos tecnicamente mais elaborados. o aluno experimenta desenvolvimento mais integrado de sua imagem corporal e conhece novas formas de vivência e compreensão das ações de andar. a demonstração de interesse e prazer relacionada às atividades com movimento é bastante evidente. constituir prioridade na realização das atividades. de forma nenhuma. descer. As meninas preferem atividades relacionadas ao aspecto lúdico e expressivo. chutar etc. O controle do corpo e o reconhecimento de suas limitações estão mais evidentes. A experimentação e a troca de experiências devem ser constantes (GALLARDO. saltar. correr. é necessário estimular as atividades relacionadas aos dois aspectos. p. 67). 2005.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS Algumas habilidades inerentes ao ser humano estão bem presentes e a aprendizagem pode acontecer pela combinação delas. Combinando diferentes habilidades. Por isso. muito embora a parte técnica e tática não deva. Os meninos são mais incentivados a desenvolverem habilidades ligadas ao controle corporal e à competição relacionada à agilidade (força e velocidade). Ao final da fase inicial do Ensino Fundamental. podemos ajudar os educandos a perceberem limites corporais. 247 . Ainda segundo Gallardo. assim. Nesta etapa. subir. a partir desse momento. os alunos são capazes de realizar atividades que demandem pensamento tático e certo desempenho técnico.

Também esporte e jogo representam quase a mesma coisa. jogo e esporte. 248 .2 Jogar. 116): (. Segundo Freire (1991.. brincadeira. Todos preparados! Mas o que significa mesmo cada um destes conceitos destacados nas frases acima? Em quais contextos cada um tem aplicabilidade? São diferentes? Uma infinidade de conceituações e de classificações aparece no campo da Educação Física e da educação e. brinquedo e jogo significam a mesma coisa. p. as crianças estão jogando! ► As crianças brincam sem se machucar. Brincar. apesar de esportes ter mais a ver com a prática sistemática. em geral. nas Séries Iniciais – um Olhar Enviesado sobre Atividade Física Não faltam professores afirmando que a Educação Física é importante nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Você já parou para pensar sobre isso? E já parou para ver a quantidade de conceitos sobre os quais falamos o tempo inteiro de uma conversa? Eis alguns exemplos: ► Veja agora. Brincadeira.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS Isso é particularmente importante para o educador que agora pode e deve explorar de forma mais ampla as atividades de Educação Física. Recrear.) existe muita confusão a respeito dos termos brinquedo. 2. exceto que o jogo implica a existência de regras e de perdedores e ganhadores quando de sua prática. ► Agora é a hora da recreação! Vamos crianças! ► Amanhã será o dia de praticar esportes.. busca enfatizar diferenças sobre o que seria cada um dos conceitos destacados acima.

a criança procura harmonizar-se procura harmonizarem conformidade com se em conformidade a estratégia do com a estratégia do oponente. Já os jogos possuem regras e estruturas definidas e aspectos competitivos que se aproximam mais do jeito do adulto de passar o tempo. Para Oliveira (1986). a criança. Na língua portuguesa. 249 . desejos. podendo alterá-las em qualquer momento. No jogo. a não ser aquela em que a criança impõe às atividades. para designar a mesma coisa. para atividades que aparecem diferentes. ou realizam algo sem saber se de fato é aquilo que prepararam. a crianbusca um equilíbrio ça. com fim fim aa atingir atingir objetivos. É por isso que os livros a respeito desse assunto referemse às vezes a jogo e outras a brinquedo. Ainda segundo o autor: ao brincar.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS Há línguas em que palavras distintas servem para designar brinquedo e jogo. mesmo em se podendo observar diferenças nas práticas dessas atividades. Aceita e e oponente. conforme seus desejos. Nesse emaranhado de conceitos e de opiniões. a brincadeira não é pautada por regras. os educadores vão realizando atividades sem saber o que de fato fazem. ao contrário. busca um equidentro de si mesma e líbrio dentro de si institui uma ordem mesma e institui interna. tanto as brincadeiras quanto os jogos são práticas coletivas e ambas exigem uma série de conhecimentos e regras. Aceita trabalha com aaordem ordem trabalha com externa. que pode podeser ser externa. seus uma conforme ordem interna. Vários autores como Bettelheim (1988) apontam em seus estudos uma preocupação com esses conceitos. vontade. ao brincar. usam apenas jogo ou apenas brinquedo. faltam termos específicos para elas. que alheia a a sua suavontade. muito embora as posições nem sempre sejam convergentes. a criança No jogo. Para ele. ou.

E então? Já tinha pensado no jogo com esta possibilidade? Conhece exemplos de onde estes conceitos de Piaget estão sendo aplicados? E sua prática. por meio de uma linguagem universal decorrida de elementos da ludicidade. porque o jogo é mais antigo e muito mais original do que a civilização” (p. Esporte e a Construção do Conhecimento na Escola Segundo Huizinga (1971). Agora. 85). O homem relaciona-se consigo mesmo e com seu mundo. A criança relaciona-se com o seu mundo e. negar o vínculo das atividades lúdicas ao homem seria o mesmo que negar aquilo que constitui “os fundamentos da civilização.2. por meio das representações que são possibilitadas pela fantasia. Huizinga mostra a relação entre a formação da humanidade e o aspecto lúdico. consequentemente. Ao observarmos este fragmento do clássico Homo ludens (1971). e o jogo de regra. 250 . vem o que devemos ver com mais atenção: a escola esquece que as atividades corporais também compõem esse cabedal de conhecimentos que o homem acumulou e vem construído durante sua existência. o jogo simbólico.1 Jogo. que implica a representação de um objeto ausente. pela simbologia e pelo lúdico. que não supõe nenhuma técnica particular. que pressupõe relações sociais. A escola tem insistido em apresentar-se como instituição com a função de socializar os conhecimentos construídos historicamente pela humanidade.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS O que você pensa disso tudo? Clareou ou piorou de vez? Vamos ver mais um pouco o que escreveram os autores sobre o tema? Piaget (1978) não estabelece distinções denominando as atividades lúdicas infantis de jogo e sim classificando os jogos de acordo com a complexidade de suas estruturas e com as etapas de desenvolvimento da criança: o jogo de exercício. se parece com qual dos autores citados até agora? Daí decorre um aspecto que é importante destacar. 2. Brincadeira. com o mundo dos adultos.

–. Aqueles que dependem da iniciativa do praticante. quando brinca. as brincadeiras e as ações de recreação são elementos extremamente importantes nas mudanças das necessidades e da consciência. opera com uma série de significados de ações praticadas por ela. recreia. fruto. sobretudo nas séries iniciais.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS Socializar e entender esses conhecimentos – os jogos. os esportes. ao mesmo tempo.. as lutas etc. Mattos (2006. Em tempo: conhecer bem os conceitos e aplicá-los com intencionalidade durante as aulas de Educação Física constitui parte fundamental do plano e. possibilitam a prática e a reflexão dos alunos sobre os jogos. muitas das vezes. 251 . do pensamento lógico. Assim. o que a faz desenvolver sua vontade e. estaria incorporada ao trabalho da Educação Física na escola. “peladas” de futebol.) além das competências e dos conhecimentos desenvolvidos no campo da cultura. joga. cabra cega. 83) afirma que: (. os jogos. p. de elaborar táticas em pequenos espaços de tempo. deveria ser um dos atributos da escola entendendo-a como locus privilegiado da disseminação da cultura de um povo. entre outros. A criança.. da capacidade de trabalhar em equipe. da capacidade de argumentar. as danças. das ações do educador. Falamos das brincadeiras populares como os piques. jogo de bola de gude. amarelinha. as brincadeiras e os brinquedos populares. existem o que chama de conhecimentos construídos por atividades lúdicas. Essa dimensão cultural. encabeçada pela a disciplina de Educação Física. em tese. aprende a tornar-se consciente das suas escolhas e decisões e da existência de regras. Aqueles que possibilitam o jogador ter sucesso ou insucesso na brincadeira. claro. de séculos de existência. de atenção permanente e que não chegam aos nossos olhos como conhecimento. como conhecimento. na medida em que as aulas. a ginástica. as brincadeiras.

ou antigas. Isso é uma necessidade fundamental na formação integral do ser humano. de fato. É preciso entender a Educação Física como disciplina que também propicia a construção do conhecimento.3 A Criança nas Aulas de Educação Física A criança cria e recria o mundo enquanto brinca.. é isso o que temos visto nas escolas? O educador tem. 117) afirma a real dimensão do que o jogo representa na formação da criança: (. realmente. Mas.) o jogo para a criança é o espaço que possibilita a sua relação com uma série de informações novas. Para que de fato isso aconteça é necessário entender a Educação Física como prolongamento necessário do espaço de construção intelectual dos educandos tão valorizado nas demais disciplinas. um dos raros momentos da escola em que as crianças aprendem brincando. promovendo uma relação com o outro e com o espaço em que vive. das aulas de Educação Física. p. atuado deste modo? 2. Perceba que a fala de Freire nos mostra a importância do movimento corporal da criança e também a forma como deve ser tratado como espaço privilegiado na construção do conhecimento nas séries iniciais do Ensino Fundamental. ou seja. o espaço proporcionado pela Educação Física configura-se como um dos motivos pelos quais as crianças gostam tanto do brincar. ou do momento parecido com estas aulas e acaba sendo.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS Freire (1991. 252 . E jogando e brincando a criança vai construindo seu universo particular. consequentemente. Assim. enquanto joga. do jogar e. além dos tempos livres. através do fazer. mas que são possíveis de serem enfrentadas e resolvidas dentro de um universo particular. talvez.. divertindo-se.

a regras rígidas. de acordo com a realidade apresentada pela escola e também pelos educandos. Os procedimentos metodológicos de ensino deverão estar norteados pelas informações e descrições das atividades propostas. Assim. tendo em vista que a criança está em fase crítica de construção de suas características afetivas/corporais/cognitivas/sociais. sociais etc. econômicas. O eixo deve ser constituído por uma sequência pedagógica lógica que proporcione ao aluno um percurso. Por isso. E devemos considerar essas diferenças.) construídas ao longo do tempo. como e quando. quando planejamos as atividades. entendemos que os conceitos e as suas aplicabilidades devem estar bem entendidos e mediados por um bom plano de aula.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS Mas frequentemente se utiliza de outras formas de condução pedagógica nas quais o espaço-tempo e o corpo são também valorizados. O planejamento de atividades deve ter um eixo norteador que tenha a possibilidade de transformar a Educação Física em disciplina com real corpo de conhecimento. 2.4 Planejamento para as Séries Iniciais Para as séries iniciais do Ensino Fundamental é ideal não ficarmos presos a planos fixos. pois todas as escolas possuem diferenças (físicas. teremos uma disciplina verdadeiramente importante para as crianças e também para a escola. A relação espaço/ tempo/corpo deve ser explorada com atividades que contemplem a faixa etária das crianças. é importante que o educador planeje o que. regional e nacional. escola e todos da comunidade escolar. Portanto. importante e significativo para educandos. observando a cultura corporal em nível local. série a série. 253 . O espaço disponível nas séries iniciais destinado às aulas de Educação Física deve ser bem ocupado com estratégias de ensino que sejam relevantes para as crianças.

e a forma para conseguir isso é utilizar conteúdos significativos que tenham a ver com a realidade do aluno. o que é familiar ou local para uma criança de 6 anos é muito diferente do que é familiar ou local para uma de 11 ou 12 anos –. A referência à cultura local é explicada pelo que é mais significativo para o educando. o professor de Educação Física deve procurar desenvolver aprendizagens relevantes para os educandos. Neste momento. oferecendo ferramentas para que seja valorizada a sua individualidade e sociabilidade. já que alguns educandos. pois os interesses e as vivências podem ser bem distintos. O que muda é o nível de complexidade. Os procedimentos metodológicos de ensino vão além de informações e descrição. Após análise. as diferenças de desenvolvimento são bastante acentuadas. deve permitir que ela seja bem explorada durante toda a aula.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS Nesta fase de ensino. o professor precisa oferecer possibilidades de desenvolvimento integral para cada faixa de desenvolvimento. levando o educador a planejar as aulas. nesta fase de ensino. respeitando a faixa etária – evidentemente. e respeitando as sequências apresentadas como sugestões de planejamento. Vale observar que muitas 254 . Assim. algumas características individuais do desenvolvimento precisam ser levadas em conta para o planejamento nos anos iniciais. prevalecendo o estímulo ao estabelecimento de discussões e à criticidade dos educandos. Mas se o educador planeja uma atividade e percebe que esta entusiasma a turma e é relevante. considerando que educandos do 4º ano estão em nível diferente dos educandos do 3º ano e assim sucessivamente. Cada série apresenta nível e dificuldade diferentes. se encontram num período de desenvolvimento diferente dos demais colegas.

► jogos. o aluno precisa ser considerado como um todo no qual aspectos cognitivos. agora. ► danças. algumas sugestões de conteúdos. portanto. antes que esta morra pelo desgaste. O processo de ensino e aprendizagem em Educação Física. ► ginásticas. não se restringe ao simples exercício de certas habilidades e destrezas. afetivos e corporais estão inter-relacionados em todas as situações. ► elementos das lutas ou artes marciais. artes circenses. artes musicais e artes plásticas. exercê-las de maneira social e culturalmente significativa e adequada. mais facilmente observáveis. com vistas a automatizá-los e reproduzilos. ► elementos das atividades de expressão de artes cênicas. Vejamos. e a aprendizagem esteja vinculada à experiência prática. mas sim de capacitar o indivíduo a refletir sobre suas possibilidades corporais e.5 Concepção de Educação Física Segundo os PCNs (fragmento) PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO FÍSICA Embora numa aula de Educação Física os aspectos corporais sejam mais evidentes.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS vezes é melhor parar uma atividade. É necessário que o aluno se aproprie do processo de construção de conhecimentos relativos ao corpo e ao movimento e construa uma possibilidade autônoma de utilização de seu potencial gestual. 255 . e deixar os educandos com vontade de continuar explorando nas aulas seguintes. 2. Não basta a repetição de gestos estereotipados. com autonomia. Conteúdos sugeridos para os anos iniciais ► esportes.

na dança e na defesa pessoal. como são socialmente construídas e valorizadas. Menos atenção é necessária no controle de sua execução e essa demanda atencional pode dirigir-se para o aperfeiçoamento desses mesmos movimentos e no enfrentamento de outros desafios. É necessário que o indivíduo conheça a natureza e as características de cada situação de ação corporal. reflexão e discussão sobre as experiências corporais. o chutar é diferente no futebol. conhecer o seu histórico. em muitos casos. 256 . a ação se processa em frações de segundo. experimentar. É fundamental que as situações de ensino e aprendizagem incluam instrumentos de registro. estratégicas e grupais que as práticas da cultura corporal oferecem ao aluno. na medida em que é utilizado com intenções diferenciadas e em contextos específicos. por exemplo. Por isso. competitivo. um jogo desportivo. AUTOMATISMOS E ATENÇÃO No ser humano. Por exemplo. na capoeira. girar ou dançar. mais esses movimentos tendem a ser realizados de forma automática. ao próprio sujeito. é dentro deles que a habilidade de chutar deve ser apreendida e exercitada. Quanto mais uma criança tiver a oportunidade de saltar. compreender minimamente regras e estratégias e saber adaptá-las. que houve processamento mental. avaliar. optar entre alternativas. para aprender a diferenciá-las. é fundamental a participação em atividades de caráter recreativo. Aprender a movimentar-se implica planejar. parecendo imperceptível. enfim. uma série de procedimentos cognitivos que devem ser favorecidos e considerados no processo de ensino e aprendizagem na área de Educação Física. constata-se uma tendência para a automatização do controle na execução de movimentos.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO FÍSICA (continuação) Trata-se de compreender como o indivíduo utiliza suas habilidades e estilos pessoais dentro de linguagens e contextos sociais. E embora a ação e a compreensão sejam um processo indissociável. Dentro de uma mesma linguagem corporal. interagir com outras pessoas. coordenar ações do corpo com objetos no tempo e no espaço. Esse processo se constrói a partir da quantidade e da qualidade do exercício dos diversos esquemas motores e da atenção nessas execuções. para que possa organizar e utilizar sua motricidade na expressão de sentimentos e emoções de forma adequada e significativa. desde os mais básicos e simples até os mais sofisticados. é necessário saber discernir o caráter mais competitivo ou recreativo de cada situação. pois um mesmo gesto adquire significados diferentes conforme a intenção de quem o realiza e a situação em que isso ocorre. cooperativo. entre outros.

planejar algumas ações e isso o torna um jogador melhor. além de ser desagradável. os efeitos fisiológicos decorrentes do exercício. que são postos em ação sempre que os automatismos já construídos forem insuficientes para a execução de determinado movimento ou sequência deles. O processo de ensino e aprendizagem deve. são partes do processo da aprendizagem de esquemas motores. de manutenção e de aperfeiçoamento. sem precisar olhá-la o tempo todo. mutável.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO FÍSICA (continuação) Essa tendência para a automatização é favorável aos processos de aprendizagem das 28 práticas da cultura corporal desde que compreendida como uma função dinâmica. se o aluno já consegue bater a bola com alguma segurança. é necessário que o professor analise quais dos gestos envolvidos já podem ser realizados automaticamente sem prejuízo de qualidade. por prazer funcional. Além disso. A intervenção do professor se dá a fim de criar situações em que os automatismos sejam insuficientes para a realização dos movimentos e a atenção seja necessária para o seu aperfeiçoamento. interpretação de informações perceptivas. mais eficiente. em seguida essa realização pode ser exercida e repetida. permitindo que o aluno possa executar cada movimento ou conjunto de movimentos o maior número de vezes e criando solicitações adequadas para que essa realização ocorra da forma mais atenta possível. estão envolvidos complexos processos de ajuste neuromuscular e de equilíbrio. regulações de tônus muscular. Dessa forma. capaz de adaptar-se a uma variedade maior de situações. contemplar essas duas variáveis simultaneamente. No entanto. pode resultar num automatismo estereotipado. mais o autor pode se concentrar no assunto que está escrevendo. pode olhar para os seus companheiros de jogo. portanto. Em relação à atenção. quanto mais automatizados estiverem os gestos de digitar um texto. Por exemplo. e quais solicitam a atenção do aluno no controle de sua execução. No basquetebol. e não apenas um aspecto a ser trabalhado isoladamente. 257 . como parte integrante e não como meta do processo de aprendizagem. realizada de forma mecânica e desatenta. a repetição pura e simples. situar-se melhor no espaço. e se num primeiro momento é necessário um esforço adaptativo para que a criança consiga executar um determinado movimento ou coordenar uma sequência deles. A quantidade de execuções justifica-se pela necessidade de alimentar funcionalmente os mecanismos de controle dos movimentos. como a melhora da condição cardiorrespiratória e o aumento da massa muscular. em cada situação.

As situações lúdicas. e à medida que as execuções ocorrerem de forma cada vez mais satisfatória e eficiente. a coordenação desses movimentos nas circunstâncias espaciais propostas pela amarelinha constitui um problema a ser resolvido. responsável pela manutenção do movimento e da impulsão. competitivas ou não. resolve problemas de trajetória. a criança será capaz de realizá-las de forma cada vez mais automática. Nesse momento. No entanto. são contextos favoráveis de aprendizagem. as questões de sociabilidade constituem motivação suficiente para que o interesse pela atividade seja mantido. com as casas mais distantes umas das outras. que dá sentido à força pulsional e constante que o pedalar representa. Com a prática atenta. decide. A interação e a complementaridade permanente entre a atenção e o automatismo no controle da execução de movimentos poderiam ser ilustradas pela imagem de uma pessoa andando de bicicleta. uma atividade só se tornará desinteressante para a criança quando não representar mais nenhum problema a ser resolvido. de caráter automático e constante. ou até de olhos vendados. pelo fato de o jogo constituir um momento de interação social bastante significativo. uma proposta de jogar amarelinha em duplas. Elas incluem. em princípio já dispõe de alguns esquemas motores solicitados. a possibilidade de repetição para manutenção e por prazer funcional e a oportunidade de ter diferentes problemas a resolver. ou seja. pois permitem o exercício de uma ampla gama de movimentos que solicitam a atenção do aluno na tentativa de executá-los de forma satisfatória e adequada. direciona. Nesse sentido. simultaneamente. saltar e aterrissar sobre um ou dois pés e equilibrar-se sobre um dos pés são conhecimentos prévios e sua execução já ocorre de forma mais ou menos automática. Além disso. e esse problema solicita toda a atenção da criança durante as execuções iniciais. nenhuma possibilidade de prazer funcional pela repetição e nenhuma motivação relacionada à interação social. Quando uma criança depara pela primeira vez com esse jogo. estabelece desafios e metas. constitui um problema a ser resolvido que “chama a atenção” do aluno para a reorganização de gestos que já estavam sendo realizados de forma automática. Na roda de trás e nos pedais flui uma dinâmica repetitiva. No guidão e na roda da frente predomina um estado de atenção. um alerta consciente que opta. enfim.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO FÍSICA (continuação) Tome-se como exemplo um jogo de amarelinha. 258 .

e a possibilidade de gritar e comemorar. para que possa ser pautada pelo respeito por si e pelo outro. ainda não é. que pode ter mais facilidade para aprender uma ou outra coisa. configuram um contexto em que sentimentos de raiva. nas situações em que o equilíbrio corporal é solicitado. A aprendizagem em Educação Física envolve alguns riscos do ponto de vista físico inerentes ao próprio ato de se movimentar. ter medo disso ou vergonha daquilo ou ainda julgar-se capaz de realizar algo que. e em hipótese alguma o aluno deve ser obrigado ou constrangido a realizar qualquer atividade. a expectativa de prazer e satisfação. pode ser inédita para o aluno. As formas de compreender e relacionar-se com o próprio corpo. de forma a minimizar esses pequenos incidentes. e como essa medida varia de pessoa para pessoa. por exemplo. As propostas devem desafiar e não ameaçar o aluno. as características individuais e vivências anteriores do aluno (como vivencia a satisfação e a frustração de seus desejos de aprendizagem) e a exposição do indivíduo num contexto social. jogos e brincadeiras. como. alegria e tristeza. em muitos casos. 259 . Os tênues limites entre o controle e o descontrole dessas emoções são postos à prova. vivenciados corporalmente e numa intensidade que. com os outros. A elevação de batimentos cardíacos e de tônus muscular. ao mesmo tempo. A expressão desses sentimentos por meio de manifestações verbais. de choro ou de agressividade deve ser reconhecida como objeto de ensino e aprendizagem. de riso. medo. um indivíduo com características próprias. a organização das atividades tem que contemplar individualmente esse aspecto relativo à segurança física. impacto de bolas e cordas não possam ser evitados por completo. são vividos e expressos de maneira intensa. sentimentos e sensações do aluno interagem com a aprendizagem das práticas da cultura corporal e. Dessa forma. vergonha. de que maneira a aprendizagem dessas práticas contribui para a construção de um estilo pessoal de atuação e relação interpessoal dentro desses contextos. As características individuais e as vivências anteriores do aluno ao deparar com cada situação constituem o ponto de partida para o processo de ensino e aprendizagem das práticas da cultura corporal. cabe ao professor a tarefa de organizar as situações de ensino e aprendizagem. O receio ou a vergonha do aluno em correr riscos de segurança física é motivo suficiente para que ele se negue a participar de uma atividade. a presença de deficiências físicas e perceptivas. lutas. pequenas trombadas. a possibilidade de desequilíbrio estará inevitavelmente presente. entre outros. Alguns fatores serão considerados para essa reflexão: os riscos de segurança física. Uma outra característica da maioria das situações de prática corporal é o grau elevado de excitação somática que o próprio movimento produz no corpo. com o espaço e os objetos. particularmente em danças. mesmo considerando que escorregões. configuram um aluno real e não virtual. na realidade. quedas.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO FÍSICA (continuação) AFETIVIDADE E ESTILO PESSOAL Neste item pretende-se refletir de que forma os afetos. o grau de excitação somática.

Nessas práticas o aluno explicita para si mesmo e para o outro como é. pois o êxito gera um sentimento de satisfação e competência. simular e errar. num limite extremo. mesmo porque. portanto. a dançar e a brincar. que serão determinadas as relações de inclusão e exclusão do indivíduo no grupo. ou se as regras serão mais ou menos flexíveis. sentimentos e sensações. a rigor. Pode-se falar em estilo agressivo. como se imagina ser. as relações de afetividade se configuram. se a eficiência ou a plasticidade estética serão valorizadas. Na escola. A valorização no investimento que o indivíduo faz contribui para a construção de uma postura positiva em relação à pesquisa corporal. O êxito e o fracasso devem ser dimensionados tendo como referência os avanços realizados pelo aluno em relação ao seu próprio processo de aprendizagem e não por uma expectativa de desempenho predeterminada. conhece e se permite conhecer pelo outro. sem que isso implique algum tipo de humilhação ou constrangimento. elegante. a fim de viabilizar a inclusão de todos os alunos. entre outros. é a partir do fato de uma atividade se revestir de um caráter competitivo ou recreativo. a partir de regras e valores peculiares a determinado contexto estabelecido pelo grupo de participantes. Essas práticas corporais permitem ao indivíduo experimentar e expressar um conjunto de características de sua personalidade. No âmbito das práticas coletivas da cultura corporal com fins de expressão de emoções. Assim. cerebral.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO FÍSICA (continuação) Deparar com suas potencialidades e limitações para buscar desenvolvê-las é parte integrante do processo de aprendizagem das práticas da cultura corporal e envolve sempre um certo risco para o aluno. 260 . de sua maneira pessoal de aprender a jogar. dançar e brincar. lutar. Mais ainda. em muitos casos. Gradualmente. Em paralelo com a construção de uma melhor coordenação corporal ocorre uma construção de natureza mais sutil. de seu estilo pessoal de jogar. obstinado. irreverente. não existe um gesto certo ou errado e sim um gesto mais ou menos adequado para cada contexto. quem deve determinar o caráter de cada dinâmica coletiva é o professor. que diz respeito ao estilo pessoal de se movimentar dentro das práticas corporais cultivadas socialmente. Esse é um dos aspectos que diferencia a prática corporal dentro e fora da escola. inviabiliza a aprendizagem. vacilar. como gostaria de ser e. portanto. mas experiências sucessivas de fracasso e frustração acabam por gerar uma sensação de impotência que. a criança concebe as práticas culturais de movimento como instrumentos para o conhecimento e a expressão de sensações. decidir. a lutar. as situações de ensino e aprendizagem contemplam as possibilidades de o aluno arriscar. sentimentos e emoções individuais nas relações com o outro. ao longo do processo de aprendizagem. Por isso. ousado e retraído. de caráter mais subjetivo.

A participação nessa aula pode trazer muitos benefícios a essas crianças. nas quais a espontaneidade deve ser vista como uma construção e não apenas como a ausência de inibições. criar situações de modo a possibilitar a participação dos alunos especiais. A aula não precisa se estruturar em função desses alunos. mais pode se utilizar dessa mesma linguagem para expressar seus sentimentos. receio ou mesmo preconceito. Em primeiro lugar. que requerem procedimentos específicos. suas emoções e o seu estilo pessoal de forma intencional e espontânea. pois existem diferentes tipos e graus de limitações. de árbitro ou mesmo torcer. Garantidas as condições de segurança. Outro ponto importante é em relação a situações de vergonha e exposição nas aulas de Educação Física. 261 . deve-se analisar o tipo de necessidade especial que esse aluno tem. Uma criança na cadeira de rodas pode participar de uma corrida se for empurrada por outra e. fazendo as adequações necessárias. um neurologista. mas o professor pode ser flexível. a supervisão de um especialista em fisioterapia. posturas e esforço podem implicar riscos graves. por meio da criação de seu estilo pessoal de exercê-las. PORTADORES DE DEFICIÊNCIAS FÍSICAS Por desconhecimento. pois as restrições de movimentos. de integração e inserção social. de dança ou de luta que exerce. a maioria dos portadores de deficiências físicas foram (e são) excluídos das aulas de Educação Física. o professor pode fazer adaptações. mesmo que não desenvolva os músculos ou aumente a capacidade cardiovascular. A maioria das pessoas portadoras de deficiências tem traços fisionômicos. alterações morfológicas ou problemas de coordenação que as destacam das demais. a criança que não deve fazer muito esforço físico pode ficar um tempo no gol. É fundamental. estará sentindo as emoções de uma corrida. particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades afetivas. A atitude dos alunos diante dessas diferenças é algo que se construirá na convivência e dependerá muito da atitude que o professor adotar. a aprendizagem das práticas da cultura corporal inclui a reconstrução dessa mesma técnica ou modalidade. em alguns casos. Para que esses alunos possam frequentar as aulas de Educação Física é necessário que haja orientação médica e. pelo sujeito. quanto mais conhecimentos construir sobre a especificidade gestual de determinada modalidade esportiva. Num jogo de futebol. que alguns cuidados sejam tomados.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO FÍSICA (continuação) Quanto mais domínio sobre os próprios movimentos o indivíduo conquistar. psicomotricista ou psicólogo. fazer papel de técnico. entretanto. Dito de outra forma.

conforme a data e o local indicados pelo tutor. de respeito. 2010. A aula de Educação Física pode favorecer a construção de uma atitude digna e de respeito próprio por parte do deficiente e a convivência com ele pode possibilitar a construção de atitudes de solidariedade. publique-o na plataforma. Elementos constitutivos de uma proposta curricular para o ensino–aprendizagem da educação física na escola: um estudo de caso. G. respeitando suas limitações. b) elabore um plano de curso no formato sugerido no texto. e. peço-lhe que faça o seguinte: a) leia o texto sobre plano de curso. SOARES. acesse o endereço abaixo: http://www.asp?id=3030 Hora de praticar Neste momento. Para ler.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO FÍSICA (continuação) É possível integrar essa criança ao grupo. Será muito proveitoso você ler o texto de RESENDE.com. A. G. de aceitação.. J. Depois de concluir o seu plano.br/biblioteca_mostra. sem preconceitos. dar oportunidade para que desenvolva suas potencialidades. H. 262 . ao mesmo tempo.educacaofisica.

ora outro. mostramos a importância do planejamento realizado a cada série ou ano a ano. Entender estas circunstâncias é parte fundamental para trabalhar com as séries iniciais do Ensino Fundamental. os educadores vão enfatizando ora um. 263 . a separação entre meninos e meninas. como. econômicos. diversos que cada escola apresenta. A Unidade 2 mostra a divisão desta modalidade de ensino. por exemplo. o que leva o educador a planejar as aulas.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 2 I O EDUCANDO DAS SÉRIES INICIAIS E SUAS DEMANDAS No Brasil. jogo. durante as atividades. Em algumas regiões do Brasil. atividades lúdicas etc. Buscamos mostrar a dificuldade do corpo docente em relação a vários conceitos trabalhados na disciplina de Educação Física. Para finalizar esta unidade. O certo é que não podemos negar a presença desses conceitos na formação para a cidadania. o Ensino Fundamental caracteriza-se por crianças com a faixa etária entre 6 e 10 anos de idade. pois a variância de idades de alunos nessa fase do ensino é grande e decorrente de vários fatores sociais. sem saber de fato o que estão colocando em prática: se é recreação. considerando que educandos do 4º ano estão em nível diferente dos educandos do 3º ano e assim sucessivamente. E para elaborarmos o planejamento para as séries iniciais do Ensino Fundamental. Ressaltamos a importância de o educador observar que as séries podem apresentar alunos fora da faixa e que isso é importante no planejamento das atividades. sociais. Neste mundo de tantos conceitos. estruturada ano a ano. por conta das diferentes realidades e dos contextos físicos. Cada série apresenta nível e dificuldade diferente. esse período não se aplica rigorosamente. é melhor não nos prendermos a planos fixos e a regras rígidas. e suas respectivas características.

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Nesta unidade. Diferenças e Indisciplina O que a Educação Física tem a ver com a formação de valores? E com a construção da Cultura de Paz? Quais as causas da indisciplina. temos mais questionamentos a serem respondidos. conclusões e também de novos questionamentos. nas aulas de Educação Física? Quais os conflitos de gênero que podem surgir? Como lidar com isso. que se refletem em aspectos como a indisciplina e as diferenças entre meninos e meninas. 265 . no ambiente da Educação Física? Novamente.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 Valores. E as respostas dependerão de nossas reflexões. exploraremos as ações da Educação Física como base para a formação de valores e da cultura da paz.

266 .ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. esperamos que você seja capaz de: ■■ descrever ações de Educação Física que possam contribuir com a formação de valores e com a cultura de paz. nas séries iniciais. ■■ relacionar as atividades de Educação Física aos valores a serem construídos relativos à questão do gênero e das diferenças sexuais. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. ■■ debater a necessidade de capacitação do professor de Educação Física para ocupar a função de gestor de eventos esportivos. ■■ indicar opções de práticas de Educação Física que favoreçam uma atuação adequada do professor diante de situações de atitudes indisciplinadas dos alunos.

poderá se tornar um cidadão mais feliz e útil. a educação é a própria vida ou mesmo o meio que leva o homem – um ser consciente. Pensando em uma Educação Física de qualidade.1 Educação Física. Como assim??? Bem. colocamos as seguintes indagações: O que a Educação Física tem em comum com a ideia de Froebel? Como agilizar uma proposta de trabalho com a Educação Física nas séries iniciais que contemple a formação de valores e cultura de paz? Vamos analisar.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. sobretudo quando explora o ambiente vivido pela criança. levando em conta a faixa etária. certamente. Observando atentamente esse pensamento. Jogos com regras estimulam e fazem aprender a respeitar normas – necessárias ao bom convívio. E isso certamente pode ser iniciado nas séries iniciais. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA 3.. por meio de variadas atividades físicas podemos contribuir para que as crianças cresçam como cidadãos conscientes. Atividades bem planejadas contribuem para a formação do caráter. críticos. Formação de Valores e Cultura de Paz nas Séries Iniciais Vamos começar o nosso estudo analisando o pensamento de Friedrich Froebel (2001).. Para ele. as potencialidades da criança. pois podem proporcionar o entendimento dos valores morais e sociais que norteiam a convivência pacífica em sociedade. que prime pela formação de valores. estimulando com atividades diversas. Um sujeito que conhece bem a si mesmo e as suas possibilidades e potencialidades. A Educação Física potencializa possibilidades diversas que confirmam a frase de Froebel. é Lembrem-se das regras! 267 . racional e inteligente – a desenvolver e a expressar aquilo que tem da vida em si mesmo. bem planejada e desejada.

Então. do diálogo e da cooperação e no respeito e fomento à igualdade de direitos e oportunidades de mulheres e homens. com os demais e com o meio em que vive. (http://pt. além de todas as amarras implícitas nos aspectos relacionais. quando bem utilizado nas aulas de Educação Física e também quando permite a participação de todos sem exclusão. tende a desenvolver um novo tipo de cultura. baseada no respeito à vida. por meio da educação. comportamentos e estilos de vida associados à cultura de paz. 268 . comprometendo-se a fazê-lo melhor cotidianamente. A cultura da paz caracteriza-se por uma tríplice harmonia do ser humano consigo mesmo. tradições. a cultura da paz é o conjunto de valores. atitudes. Cultura de paz! Educação para a paz é o processo de conscientização da pessoa e da sociedade.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. Por isso. dos jogos e das brincadeiras preparam as crianças para vivenciar a vida em comunidade e também as ensinam a exercer papéis quando adultas. as escolhas dos educadores precisam estar bem norteadas e alinhavadas com um planejamento de qualidade.wikipedia. 2004). Segundo a ONU. que. os padrões das atividades. normas. Para uma proposta de Educação Física eficaz. valores presentes e ausentes. Assim é necessário atuar nos âmbitos pessoal. org). possibilita uma excelente opção para a transformação e o melhor convívio com as diferenças. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA possível formar novas gerações que conheçam e compreendam o mundo. contínuo e permanente. precisamos considerar que educar para a vida e para a formação de valores requer uma reflexão sobre o tipo de sociedade em que as crianças vão viver: observação de regras. partindo da concepção positiva da paz e do tratamento criativo do conflito. a cultura da paz. social e ambiental (CALLADO. precisamos ter a certeza de que os papéis para os quais elas estão sendo preparadas sejam desejáveis e conscientes. Agora. no fim da violência e na promoção e prática da nãoviolência. O jogo como caminho para a transformação O jogo. veja o seguinte: em uma proposta de Educação Física.

Permite vivenciar inúmeras possibilidades para transformar atitudes nas ações desenvolvidas pelas crianças. Estas ações permitem a interação com outras crianças e promovem a construção e a reconstrução de sentimentos. a seleção de local. Mas qual jogo vamos jogar? Existem vários jogos. 269 . contribui para a compreensão do mundo vivido por elas e o seu entendimento. Os jogos cooperativos são estruturados para diminuir a pressão por competir e a necessidade de comportamentos destrutivos e que visem à eliminação do “adversário”.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. desde a escolha. fundamentos. o planejamento. Os jogos cooperativos constituem alternativas em que os participantes “jogam uns com os outros e não contra os outros”. Operacionaliza interesses comuns e dá a oportunidade de se ficar atento à integridade de todos. Para ajudar a construir valores. joga-se para superar desafios e não para derrotar outras pessoas. mas vamos pensar em um jogo em que os objetivos sejam comuns. valorizando as diferentes habilidades e competências. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA O Jogo Tem o potencial de lidar com o imaginário das crianças. precisamos permitir que a crianças participem de jogo ou atividade durante todas as suas partes. que com o tempo poderão afetar a sociedade como um todo. valores etc. regras. de forma amplamente positiva. crenças. ao contrário de tê-lo como adversário. que são importantes na vida da criança. um solidário. Visam promover a interação e a participação de todos e deixar aflorar a espontaneidade e a alegria de jogar. materiais e equipes e durante todo o tempo de execução. formas de jogar. É totalmente viável trabalhar comportamentos e valores por meio de jogos e brincadeiras. Jogar cooperativamente oferece a chance de considerar o outro como um parceiro.. que todos possam e devam jogar independentemente da habilidade. São jogos em que o esforço cooperativo é necessário para conseguir um objetivo comum e não para fins mutuamente excludentes. juízos. a negociação das regras.

). criatividade e ousadia talvez distinto daquele visto em outras épocas. convivência. homens–mulheres. oriente–ocidente. alimento. O contexto educacional atual implica buscar soluções ousadas e cooperativas. terra. conhecimento). Vejamos alguns desses valores: ► a recuperação do meio ambiente. com um grau de comprometimento. Este cenário atual mostra a impossibilidade de uma solução isolada. Não necessariamente algo inédito. primitivo–civilizado. pense no seguinte: Qual o desafio da Educação Física para as séries iniciais? Qual o objeto de estudo? E o papel do educador? Na realidade. moradia. um novo desejo para a Educação Física.. ► o resgate de valores humanos (bondade. são muitos desafios a serem respondidos e precisam de estudo e reflexão. buscando o desenvolvimento sustentável. cooperação). por meio de atividades. pobres–ricos. 270 . ciência–espiritualidade. autonomia. É fundamental superarmos o paradigma do individualismo e da competição exacerbada. jogos e brincadeiras promovidas pela Educação Física. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA Jogando cooperativamente. Os desafios devem representar uma nova ordem. ► a aproximação dos diferentes (norte–sul. ► a redistribuição dos bens comuns da humanidade (tais como água. Agora. alegria. confiança. informação. compaixão.. pensamos nos desafios a superar para a construção real de valores nas séries iniciais. mas não podemos negar que precisam vir com outro olhar. ► o desfrutar do tempo livre e da vida em comumunidade. honestidade.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES.

Conversas fora de hora. pobreza extrema. Pode ser caracterizada como uma resposta à autoridade ou ao autoritarismo do professor. pelo desperdício e falta de consideração pelas necessidades e pelas diferenças entre povos. falta d’água potável. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA Este desafio que buscamos superar vem ao encontro do desejo de uma nova Educação Física. 2001). guerras. De acordo com a pesquisa Talis. aquecimento global e catástrofes naturais relacionadas a esse.2 A Indisciplina nas Salas de Aula e nas Aulas de Educação Física Um comportamento indisciplinado pode ser considerado um ato ou uma omissão que contraria princípios/regras de regulamento interno estabelecidos pela escola. os educadores brasileiros são os que mais perderam tempo na manutenção da ordem na sala de aula. comprometida. desejada e muito bem planejada. escassez de alimentos. em oposição e competição contra outros. ela continua sendo um problema para os educadores que querem ensinar para educandos que desejam aprender. 271 . 3. mensagens de celular ou ainda os velhos bilhetinhos de papel. Bem como. pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. desperdícios e tantas outras situações motivadas pelo egoísmo humano. desperdiça-se com a bagunça 18% do tempo total de aula. pelo professor ou por autoridades do estado. Por último: Ninguém joga ou vive sozinho. Subtraídos ainda 12% das aulas com questões A pesquisa Talis foi divulgada em 2009 pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). disputas egoístas por poder. Nas escolas do Brasil. ninguém joga ou vive tão bem. como se jogasse ou vivesse em sinergia e cooperação com todos (BROTTO. Talvez seja isso o que possa auxiliar o mundo para sobrepujar a difícil e urgente situação que vivemos: crises. a bagunça alcança um nível preocupante. Não importa de que maneira a indisciplina ocorre em sala de aula. Em média. e coordenada. demonstrações ameaçadoras de força. no Brasil.

Assim o educando não aceita a disciplina/matéria. 3.1 Indisciplina ou Falta de Domínio/Comando de Turma O educador vive uma crise de autoridade ou o educando está mais indisciplinado em sala de aula? Existe um contrato pedagógico elaborado pelo educador com a participação do educando? Bem. forte influência de ídolos violentos. carências sociais. passando pela chamada –. Neste caso. constituem um chamado ao educador sobre seus métodos de ensino ou sobre as estratégias em sala de aula. A negociação das regras em sala pode causar atitudes de indisciplina. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA de organização – da chegada do professor à distribuição de materiais. inserção social ou escolar.2. a participação da escola deve ser ampliada e o Serviço de Orientação Educacional deve se fazer presente. tais como problemas familiares. 272 . com seu método. etc. com o que ele pretende ensinar. Se o educador se mostrar autoritário demais pode levar a turma ou alguns educandos a partirem para o confronto desnecessário. excessiva proteção de pais. e o professor não consegue motivá-lo ou cativá-lo. O educando contesta porque não está de acordo com as exigências do educador. sobram apenas 70% do tempo para a aplicação do conteúdo.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. muitas vezes. Existe entre educador e educando uma relação desequilibrada imposta muitas vezes pelo status quo e ampliada pela falta de autoridade docente. A desmotivação dos educandos e o desinteresse explícito pelos afazeres e pelos conteúdos de ensino ou outros comportamentos inadequados. são inúmeras as perguntas. o menor índice entre as 24 nações pesquisadas. Os motivos da indisciplina podem ser extrínsecos à sala de aula. Vamos debater e buscar possíveis soluções para os conflitos ditos de indisciplina. com os critérios de avaliação.

o baixo rendimento escolar. isto é. Em palavras mais simples: o aluno que “vai mal” na escola – que não consegue boas notas – pode ser considerado como sinônimo de insucesso. a vadiagem. Os alunos falam e continuam a falar mesmo depois de o professor os chamar à atenção. A imaturidade. porque senão acabam se transformando em distúrbios comprometedores no processo de ensino–aprendizagem. ele procura na indisciplina um modo de se tornar importante no relacionamento com os demais colegas. a agressividade constituem elementos importantes no estudo sobre a indisciplina e que devem ser tratados com outro olhar. ► Para mostrar oposição à autoridade do professor – isso é fato! 273 . pode ser que o aluno não “enxergue” em si os valores cobrados pela escola.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. A constituição física ou intelectual também pode provocar comportamentos indisciplinados. procurando assim “dar valor” a sua relação com os demais colegas. E a conversa em sala? Se existe algo que o educando faz em sala de aula é conversar. Este insucesso não se refere exclusivamente às classificações nas disciplinas – ao fato de não ter “boas” notas. A conversa entre os alunos pode ser outra forma de indisciplina. a indisciplina torna-se uma forma de aparecer para os demais alunos da sala de aula. sempre! ► Para mostrar que faz parte do grupo/turma. isto é. A indisciplina pode ser um reflexo da ausência de condições para uma adequada educação familiar. Mas qual a necessidade de tanta conversa? ► Para relatar assuntos exteriores à sala de aula. mas a certos valores que ele pensa ser assumido pela comunidade e que não vê refletido nele –. A indisciplina pode surgir como alternativa ao insucesso escolar. a desatenção à incapacidade de ficar quieto. Então. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA O educando traz para a sala de aula valores e atitudes que foi aprendendo até o momento.

Contudo. 3. a demissão dos pais do emprego. nas famílias. tendo em vista que reside aí. Impotentes para lidarem com a violência dos próprios filhos. A linguagem e o discurso adequados do professor são instrumentos capazes de induzir atitudes comportamentais e colaborar assim com um melhor ambiente. Em tempos difíceis. a novidade está na participação direta dos pais na violência que ocorre nas escolas. as drogas. entre outras situações. a permissividade de vários matizes. bem presente sempre! O educador que conhece bem os educandos de sua sala utiliza estratégias adequadas a cada um e a cada situação que surge no ambiente da aula. divorcio). a violência doméstica e o alcoolismo. Hoje.2. essas são apontadas como as principais causas que deterioram o ambiente familiar. A família possui uma grande responsabilidade na criação e na implementação das atitudes indisciplinares.2 Causas da Indisciplina A família As causas familiares da indisciplina estão à frente das demais causas que são identificadas no interior da escola. geralmente. 274 . DIFERENÇAS E INDISCIPLINA ► Para esclarecer ou compreender o que o professor acabou de dizer? Quase impossível! ► Para mostrar o seu descontentamento com a disciplina e/ou o professor. em que imperam a pobreza.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. Quase sempre os alunos com mais problemas de indisciplina provêm de famílias que apresentam esses problemas. muitos pais responsabilizam professores de não saberem educar seus filhos. os modelos de comportamento que exteriorizam nas aulas. a ausência de valores. se aponta também a desagregação dos casais (separação.

assim. porque a escola é sempre sentida como uma imposição por parte do Estado ou da família. os jovens procuram obter a segurança e a força que lhes é dada pelos respectivos grupos. Grupos e Turmas Grupos. A turma é também um grupo. a atitude indisciplinar pode ser – e na maioria das vezes constitui – elemento para isso. dentro e fora da escola. Muitas vezes. O educando quer mostrar sua revolta e. Por meio das manifestações. É por isso que as aulas são locais de aumento dessa indisciplina.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. mas isso não significa que desapareça a força de todos os outros grupos aos quais os alunos se encontram ligados. as razões da indisciplina não são por conta da educação escolar. têm uma enorme importância nos processos de socialização e de aprendizagem dos adolescentes. muitas vezes. as escolas tentam resolver problemas para os quais não estão preparadas ou nem sequer são da sua competência. A sua influência acaba por ser decisiva para explicar certos comportamentos que os jovens demonstram e que são resultados de processos de imitação de outros membros do grupo. Na maioria das vezes. os prováveis problemas dos alunos. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA Alunos Por que você acha que o aluno é indisciplinado? Bem. como conjuntos estruturados de pessoas. certas manifestações de indisciplina não passam de meras manifestações públicas de identificação com modelos de comportamento característicos de determinados grupos. As escolas não conseguem fazer uma triagem e saber. 275 . adquirindo certo prestígio no seio da comunidade escolar. Os alunos são potencialmente indisciplinados. com antecedência.

que não raro acabam por gerar climas propícios à irrupção de fenômenos de indisciplina. As Associações de Pais. 276 . Escola A organização escolar está longe de ser um modelo de virtudes. principalmente utilizando métodos e técnicas inadequadas. Há muito que a escola deixou de ter um papel integrador dos alunos. nomeadamente aqueles que se prendem à gestão das suas tensões internas. Falta de preparo para lidar com situações de conflito. o seu espaço é cada vez mais preenchido por estes grupos formados a partir de interesses e motivações muito diversas (MENEZES. Na verdade. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA Numa sociedade em que os grupos familiares estão desagregados. A crescente participação de alunos. 2. Os profissionais que nela trabalham são reduzidos a meros executantes. mas quatro delas são frequentemente citadas: 1. Funciona em geral de modo pouco eficaz e pouco eficiente. nem sempre chegam a perceber quais são os seus valores e as suas regras de funcionamento. a escolas estão mal preparadas para enfrentarem a complexidade dos problemas atuais. Incapacidade para motivar os alunos. Professores Há professores que provocam mais indisciplina que os alunos. entidades públicas e privadas nas decisões tomadas nas escolas tornouse uma fonte de conflitos.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. sem capacidade de resposta para a multiplicidade de problemas de que enfrentam. quando funcionam. Embora seja um espaço onde eles passam grande parte do seu tempo. encaram muitas vezes os professores como um bando de incompetentes que aproveitam todas as ocasiões para se furtarem às aulas. São várias as razões para isso acontecer. 2008). pais.

meramente ilusória. é possível que consiga evitar alguns conflitos. e que dessa maneira se conformarão com o que nele estiver prescrito. mais os alunos descobrem pontos de fuga e continuam a manter atitudes de indisciplina. procuram torná-lo o mais completo possível. 4. Engano fatal. desde o início do ano letivo – é o chamado contrato pedagógico. Se o contrato pedagógico foi bem produzido e o educador assumir uma atitude disponível. estimulando reações violentas. Os professores sonham que com ele estão a salvo de muitos problemas disciplinares e. mas realista. A questão é. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA 3. Estigmatização e rotulagem dos alunos.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. quanto mais se apegam aos regulamento da escola. Os professores partem do pressuposto que o regulamento será acatado pelos alunos. 277 . Logo nas primeiras aulas informamos sobre a matéria. Tanto o educador como os alunos fazem avaliações mútuas. dado que foi aprovado pelos representantes. O Caráter Preventivo da Indisciplina No inicio do ano escolar. Forma agressiva com que tratam os alunos. damos as normas da escola. O aumento da sua extensão cresce na proporção direta da sua inaplicabilidade. por isso. os desconhecidos encontramse com apreensão. Regulamentos Disciplinares Um regulamento disciplinar é tudo e não é nada. todavia. entre tantas outras informações. como serão as avaliações. dando confiança aos alunos – sem perder o controle da situação e sem se mostrar inutilmente permissivo –. Mas e os educandos? E a galera que estamos vendo pela primeira vez? Por que não dedicar um pouco do tempo para conhecê-los melhor? É muito importante levar em conta os aspectos motivacionais e buscar elementos para uma relação amistosa.

peitando-o e fazendo-o respeitar. Esta ideia está fundada inicialmente nas diferenças biológicas entre os sexos. Ou. raça. etnia. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA Vejamos a seguir algumas atitudes que o educador pode lançar mão para melhorar a situação em sala de aula: ■■ Refletir sobre as atitudes e as funções do educador. aproveitando todos os momentos. ainda. a ênfase dada ao conceito de gênero não exclui as diferenças 278 . ■■ Planejar a aula cuidadosamente. altura e peso corporal. ela aponta para o caráter tacitamente relacional do feminino e do masculino.3. o gênero como um elemento constitutivo das relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos. em presença ou ausência. não aguento mais! ■■ Observar bem as relações dos alunos em sala de aula e antever possíveis conflitos. ■■ Cativar os alunos para as atividades da disciplina. ■■ Discutir e elaborar com os alunos o regulamento geral da turma. ■■ Promover o respeito mútuo entre os educandos e entre os educandos e o educador. habilidades motoras. respeitando as particularidades de cada turma. melhor vai ser o comportamento de cada aluno. sendo ministradas para turmas do mesmo sexo ou não. de modo que eles não digam: tomara que acabe logo esta aula. classe social. Além disso. relaciona-se com outras categorias. ■■ Favorecer o desenvolvimento da autoconfiança por meio de atividades que permitam ao educando se sentir seguro para executá-las. não se colocando como o dono absoluto da verdade.3 Meninos e Meninas nas Aulas de Educação Física – Entendendo os Conflitos 3. Considerando a construção social das diferenças sexuais. promovendo a concentração. Gênero é uma categoria relacional porque leva em conta o outro sexo. que fornece um meio de interpretar o significado e de compreender as complexas conexões entre várias formas de interação humana. Quanto mais dinâmica e preparada for a aula. 3. mas de uma maneira muito mais ampla: somos classificados (as) de acordo com nossa idade. Isso ocorre nos diversos espaços sociais. incluindo a escola e as aulas de Educação Física.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. pois não somos vistos (as) de acordo apenas com nosso sexo ou com o que a cultura fez dele. entre muitas outras.1 O Gênero e a Construção Social das Diferenças Sexuais Vamos procurar entender a questão de gênero como a construção social que uma dada cultura estabelece ou elege em relação a homens e mulheres.

com base nestas. o que implica – no processo ensino/aprendizagem de valores – conhecimentos. E na prática. resoluto – expressões muito masculinas e positivas). Logo. inscritas no biológico e que legitimam uma relação de dominação. cobrados/exigidos. o rebolado é assumido como feminino. nesse sentido. enfim. mas considera que. Se os corpos assumem a organização social. ereto. como se dá isso? Bem. muitas posturas e movimentos são entendidos. Nesse processo. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA biológicas existentes entre homens e mulheres. por meio de um trabalho permanente de formação. enquanto dos homens espera-se um caminhar mais firme (palavra que no dicionário vem associada a seguro. diferentemente para homens e mulheres. todo movimento corporal é distinto para os dois sexos: o andar balançando os quadris. Assim. porque 279 . Quando falamos “inscritas no biológico”. também é por eles que se expressam as estruturas sociais. o gênero é uma categoria relacional e seu conceito na sociedade depende de aspectos culturais inerentes a esse espaço-tempo onde está inserido. outras são construídas. as diferenças socialmente construídas acabam sendo consideradas naturais. o posicionamento das pernas ao sentar. especialmente nas aulas de Educação Física. conforme conversamos. Bourdieu (1995) lembra que o mundo social constrói o corpo. a política e as normas religiosas e culturais. há uma estreita e contínua amarração entre o social e o biológico.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. queremos dizer que as diferenças podem ser consideradas como algo que já vem com a pessoa. com atitudes e movimentos corporais socialmente entendidos como naturais de cada sexo. posturas e movimentos corporais considerados masculinos ou femininos. e imprime nele um programa de percepção. praticamente. Assim. de apreciação e de ação. E. um jeito de ser masculino e um jeito de ser feminino. o processo de educação de homens e mulheres supõe uma construção social e corporal dos sujeitos. É como se biologicamente a pessoa já viesse com determinadas características. o uso das mãos. Nesse sentido. temos de analisar sua articulação com outras categorias.

no contexto escolar. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA gênero.3. mas porque “as mulheres” são consideradas mais fracas e menos habilidosas que seus colegas homens.2 Educação Física e as Relações de Gênero Durante as Aulas As constatações vistas acima mostram-nos que a separação de meninos e meninas nas aulas de Educação Física desconsidera a articulação do gênero com outras categorias. Mas. de forma hierarquizada. Nas aulas de Educação Física esse processo é. e em quadra recebem a bola com menor frequência até mesmo do que algumas meninas. a existência de conflitos.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. Ademais. as diferenças entre homens e mulheres. exclusões e diferenças entre pessoas do mesmo sexo. Isso pode ser observado também no interior da escola. 280 . além de impossibilitar qualquer forma de relação entre meninos e meninas (ALTMANN e SOUZA. mais explícito e evidente. 3. pois o critério de exclusão não é exatamente o fato de elas serem mulheres. a Educação Física constitui o campo onde. por excelência. geralmente. nos comportamentos do educador ou em outros espaços – e o professor precisa estar consciente disso. como alerta Kunz (1993). 2006). em estudo sobre a construção histórico-cultural dos estereótipos sexuais. idade e habilidade são um conjunto de forças vividos por meninas e meninos que formam uma tríade frequentemente excludente. acentuam-se. meninas não são as únicas excluídas. Não podemos concluir que as meninas são excluídas de jogos apenas por questões de gênero. pois os meninos mais novos e os considerados fracos ou maus jogadores frequentam bancos de reserva durante aulas e recreios.

ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. 3. para não simplesmente reproduzir o modelo hegemônico do esporte. constrói e consome cultura. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA Discutir relação de gênero nas aulas de Educação Física é contribuir para a fundamentação de uma ação pedagógica que permita às mulheres e aos homens. em razão de sua maior força e altura. Além disso. Este modelo não cabe nas aulas de Educação Física porque apenas contribuem para a perpetuação de valores que enfatizam a disputa e a vitória. precisamos conhecêlo bem. a seguir: 281 . favorecendo a exclusão. ou seja. elevam as mulheres que assumem posições mais longelíneas e flexíveis? Mas e as atividades práticas? O que propor nas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental? Sugerimos que os educadores desenvolvam situações didáticas que possibilitem a cooperação e a solidariedade nas atividades com turmas mistas.3 Esporte: O Diferenciador/Acentuador na Discussão de Gênero A utilização do esporte como conteúdo da Educação Física pode exacerbar a utilização da figura da mulher como frágil diante do homem – o que pode gerar a falsa imagem de “perdedora” nas situações esportivas mais dinâmicas. na ginástica acrobática. conhecimento e vivências lúdicas do corpo que pensa. homens. conjunta e indiscriminadamente.3. inclusive em suas diferenças e complementariedades em relação ao corpo do outro. Por exemplo: Você já pensou por que. para isso. em geral. age. Educação Física implica “Educação Física”. sente. educação desse corpo físico em todas as suas expressões e possibilidades e. sem enfatizar o rendimento. Veja.

O corpo da mulher é visto como dotado de docilidade e sentimento. Quando o futebol é praticado pela mulher. Aliás. torna o homem viril. Observe as seguintes imagens: Podemos dizer que o dançarino é “menos homem” do que os lutadores? Ou podemos dizer que os lutadores. além da possibilidade de lhe provocar lesões. qualidades negadas ao homem pela “natureza”. O homem que dança e joga queimada corre o risco de ser visto pela sociedade como efeminado. deixem-nos provocar uma reflexão. a orientação sexual de alguém deve ser respeitada e não merece ser reprimida.. Será??? A suavidade de movimentos e a distância de outros corpos são garantidas pela ginástica rítmica. esporte violento.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. Além disso. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA Mulheres A mulher é destacada nas danças e nas artes. confronto corpo a corpo e movimentos violentos. Para que possamos tornar os valores reais. Homens Aos homens é permitido jogar futebol... são “menos homem” do que o dançarino que abraça uma mulher? Só para pensar.. esportes que exigem maior esforço físico. é necessário perceber que quanto mais o pensamento e a prática educacionais se situam no campo dos 282 . pelo voleibol e também pela queimada. por meio das aulas de Educação Física. basquete e judô. O futebol. torna-a masculinizada. que se “agarram” no tatame. não basta proclamar e se mostrar entendido das leis.

mais inevitável torna-se encarar a escola como um dos espaços instituídos da integração e da diversidade.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA direitos do cidadão. 283 . demarcado não só por relações de perda. a complexa diversidade de grupos. Hora de praticar Descreva uma atividade que você conheça. mudando seu formato. respeito. de exclusão. refaça essa atividade de forma que ela se transforme de competição para cooperação. gêneros. Transforme-a para uma atividade de cooperação. de preconceitos e discriminações. É preciso também situar a escola na construção de um projeto político e cultural por um ideal democrático que reflita. vivências e cultura. mas também por processos de afirmação de identidades. enfim. ao mesmo tempo. que seja totalmente competitiva. etnias. ou até mesmo que já tenha praticado em suas aulas. valores. Depois. regras. publique no fórum que será indicado pelo seu tutor.

Para jogar cooperativamente. crenças. O jogo. DIFERENÇAS E INDISCIPLINA! Nesta Unidade 3. As aulas de Educação Física podem contribuir para a superação dessa questão tão importante. um solidário. possibilita uma excelente opção para a transformação e melhor convívio com as diferenças. Entendemos a questão de gênero como a construção social que uma dada cultura estabelece ou elege em relação a homens e mulheres. que fornece um meio de interpretar o significado e de compreender as complexas conexões entre várias formas de interação humana. como um elemento constitutivo das relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos. Mudar comportamentos de indisciplinas nas aulas de Educação Física e também no interior da escola requer saber a origem da atitude indisciplinar. A disciplina de Educação Física potencializa possibilidades diversas e. 284 . é necessário constituir objetivo comum. é possível afirmar que através das atividades propostas nas aulas de Educação Física podemos contribuir para a formação de cidadãos conscientes. Estas ações permitem a interação com outras crianças e promovem a construção e reconstrução de sentimentos. jogamos para superar desafios e não para derrotar outras pessoas. Um comportamento indisciplinado pode ser considerado um ato ou omissão que contraria princípios/regras de regulamento interno estabelecido pela escola. O jogo permite vivenciar inúmeras possibilidades para transformar atitudes nas ações desenvolvidas pelas crianças. potencializador da cultura de paz. em que jogamos uns com os outros e não contra os outros. Assim. por isso. quando bem utilizado nas aulas de Educação Física e também quando permite a participação de todos sem exclusão. tratamos de temas importantes e que são muito pertinentes às séries iniciais – valores. deve ser tratada na exploração das atividades para as séries iniciais. ao contrário de tê-lo como adversário. além de considerar o outro como um parceiro.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 3 I VALORES. ainda. não podemos ter objetivos excludentes. Podemos jogar de forma cooperativa. O esporte pode ser um diferenciador ou acentuador na discussão de gênero. ou. Sabemos que atitudes indisciplinadas acontecem todos os dias e podem também estar relacionadas à questão de gênero. diferenças e indisciplina.

a sua reflexão ativa é parte fundamental para a finalização deste Estágio Supervisionado. Apesar de o conteúdo desta Unidade 4 ser breve.PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL Chegamos à última unidade da nossa disciplina.pdf 285 . É o momento de parar.mec. na plataforma de ensino. é fundamental Sugerimos a leitura do documento você ler o arquivo Extrato dos PCNs / Referencial Curricular Nacional completo. gov. Neste momento. pdf/livro01.br/seb/arquivos/ Biblioteca Virtual. analisar e reavaliar todo o seu percurso no estágio e concluir o relatório construído durante toda a nossa disciplina. levando em conta todas as observações e registros que fez. que está na nossa em http://portal. pensar. encontrado para as séries iniciais do Ensino Fundamental.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 Reflexões e Elaboração do Relatório Final ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA .

de modo crítico e reflexivo. considerando os pontos positivos e negativos observados.. Concluindo a caminhada. ■■ propor alternativas pedagógicas viáveis fundamentadas para as séries iniciais do Ensino Fundamental. 286 . esperamos que você seja capaz de: ■■ analisar. a intervenção da prática pedagógica..ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I REFLEXÕES E ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. Passos finais.. de acordo com as normas estabelecidas pelo curso e pela ABNT. ■■ elaborar relatório final da prática de ensino das Séries Iniciais do Ensino Fundamental devidamente fundamentado e sistematizado..

A formação profissional em Educação Física é citada pela autora com as seguintes perspectivas: tradicional/esportiva. citado por Darido. reportamse geralmente aos chavões como: a Educação Física ajuda no desenvolvimento físico. o estudo aponta que duas tendências pedagógicas parecem mais presentes na formação docente: psicomotricidade e construtivista. supervalorização do sentido de competição das atividades com ênfase no resultado e na vitória – visão essencialmente individualista. visão voltada mais para “um” esporte em detrimento de outras práticas esportivas. Algo parecido com o Espontaneísmo. Darido (id. informar o tempo da duração da aula ou simplesmente dividir a turma e grupos. Os conteúdos muitas vezes se limitam a futebol para os meninos e outros jogos para as meninas (em outro espaço que não seja a quadra principal). incapazes de explicar com clareza a que se propõe a disciplina de Educação Física. em seu artigo Educação Física de 1ª a 4ª série: quadro atual e suas implicações para a formação profissional em Educação Física. Vejamos cada uma delas. cognitivo e emocional.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I REFLEXÕES E ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL 4.) informa ainda que os docentes. Em relação à perspectiva docente. Formação tradicional/esportiva – Medina (1983).1 Reflexões e Elaboração do Relatório Final Darido (2001). científica e reflexiva. A autora diz que são poucas as intervenções docentes nas series iniciais e que na maioria das vezes são limitadas a entregar a bola. descreve as características dos profissionais de Educação Física resultantes de um processo de formação inadequado: indivíduos semialfabetizados. discorre sobre a Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. quando indagados sobre a importância da Educação Física. dificuldade de entender a importância de uma fundamentação teórica em relação à prática. mostrando a apartação existente entre meninos e meninas nas séries iniciais e que pode durar por todas as etapas da educação básica. 287 .

Biomecânica e também disciplinas da área de humanas como História da Educação e da Educação Física.11). entre outras. Formação reflexiva – este modelo se baseia na Teoria Crítica e entende que o docente elabora seu próprio conhecimento. A formação voltou-se das práticas das modalidades esportivas para a teoria. (p. pistas etc. proposta esta denominada “currículo científco”. a formação docente baseada no currículo tradicional enfatiza as disciplinas práticas. neste modelo. valorizando o conhecimento científico derivado das ciências mães como base para as tomadas de decisão do profissional. podemos encontrar professores muito “acadêmicos”. e consolidou-se no inicio da década de 90. piscinas. Recebeu muita influência da concepção que vê a Educação Física como área do conhecimento (disciplina acadêmica) ou ciência. A teoria deve anteceder a prática. Filosofia da Educação e da Educação Física. Por vezes. o saber fazer. teóricos e com dificuldades práticas para realizar as ações de intervenção com os educandos. Esta concepção valoriza disciplinas como Aprendizagem Motora. Este modelo científico traz consigo a concepção de que as disciplinas mães devem oferecer as bases para as subdisciplinas (ciência aplicada). Sociologia da Educação e da Educação Física. Geralmente referem-se à teoria como conteúdo dado em sala de aula e a prática desenvolvida em quadras. pois se o aluno dominar os conteúdos teóricos será capaz de adaptá-los à prática com mais facilidade. acompanhando as mudanças conceituais e epistemológicas da Educação Física.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I REFLEXÕES E ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL Neste sentido. o qual incorpora e transcende o conhecimento científico. Formação científica – tentando superar a formação tradicional. algumas instituições procuraram dar ao acadêmico uma formação mais ampla. promovendo no aluno uma reflexão antes. Fisiologia do Exercício. durante e depois da ação letiva. Esta perspectiva questiona a racionalidade 288 . entendido por Betti e Betti (1996) da seguinte forma: O modelo científico surgiu no Brasil na década de 80.

289 . resgatando para o espaço pedagógico a reflexão na ação e sobre a ação. ou até mesmo em função da mídia. E como facilitar o ensino integrado para os alunos? Como aproximar teoria e prática? Nas considerações apontamentos: finais. Atenuar o distanciamento entre teoria e prática na formação curricular refere-se a adotar como referência à ação pedagógica.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I REFLEXÕES E ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL técnica. provavelmente em função das experiências anteriores com as aulas de Educação Física e da formação de magistério. parecem não garantir a qualidade do ensino. citado por Darido. o desafio de ensinar de forma integrada ficaria talvez mais simples. ►►os alunos das séries iniciais adoram as aulas de Educação Física e em virtude da prática que já possuem. visto as práticas se resumirem a emprestar a bola aos alunos. Opondo-se à racionalidade técnica. mas que seja adotada desde o início da formação. Criam no ambiente fora da sala de aula tradicional um momento de castigo ou prêmio por atitudes em sala. Schön (1992). propõe um modelo curricular baseado na teoria/ prática. esperam por esportes tradicionais e percebem a diferença entre meninos e meninas. tendo em vista que a maneira como o acadêmico aprendeu foi de forma fragmentada e agora ele enfrenta uma situação real extremamente variável. Desta forma. a prática assume papel principal na organização do currículo. Darido destaca alguns ►►os docentes de sala. Desta forma. colocando-se como lugar de aprendizagem e de construção do pensamento prático do professor. além de apresentar elementos que permitem pensar a questão do afastamento teoria/prática e foi pensado com vistas à formação de professores de forma geral. complexa e incerta nas escolas. em que a prática não se dê somente no final da formação.

lembrando de fundamentá-las. ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL Prof. O relatório final final é um é um momento momento importante. neste relatório.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I REFLEXÕES E ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL ►►os docentes respondem com chavões quando indagados sobre o papel da Educação Física e assumem que a as aulas de Educação Física colaboram na aprendizagem de outras áreas. ou seja. e conhecimentos. Não Não é necessário é necessário diretamente no questionário. O relatório final é um momento importante. As respostas deverão ser postadas diretaalidade finalidade de de elaborar elaborar o Relatório o Relatório final. Assim. Jane Dullius RELATÓRIO FINAL ÁGIO O SUPERVISIONADO SUPERVISIONADO EM EM EDUCAÇÃO EDUCAÇÃO FÍSICA FÍSICA INFANTIL INFANTIL ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM Profa. encaminhe-nos encaminhe-nos suas suas conclusões. responda responda às às questões questões a seguir a seguir e enviadas. enesta consistência. Assim. importante. em que o estagiário é chamado a sistematizar tudo o que viveu e observou e a expor Nome do aluno: suas reflexões sobre sua prática e conhecimentos. É claro que quanto mais completa. Também os professores podem avaliar de que forma as orientações e os subsídios oferecidos foram úteis para este Turma/Pólo: Turma/Pólo:maior competência nesta área. na plataforma da disciplina. Matrícula: estagiário desenvolver encaminhe-nos suas conclusões. questionário. / Prof. e enviadas. na plataforma 290 . lembrando de fundamentá-las. e Não é necessário ais mais considerar considerar necessário. RELATÓR Primeiro leia todas as perguntas. final. apresentamos orientações que ajudarão na conclusão do seu relatório final. e Com a finalidaderesde elaborar o Rela mente no questionário. ua sua prática prática e conhecimentos. Agora. Jane Dullius / Prof. emem ponder O a relatório cada pergunta individualmente – mas elas servem como orientação para necessário. Profa. melhor. área. dade ou conteúdo. mas procure não ser prolixo. Assim. disciplina. responda às questões a seguir e comente o que mais considerar necessário. O comente o que mais considerar mostrar tudo alguns dos aspectos gostaríamos de ver contemplados como informao chamado é chamado a sistematizar a sistematizar tudo o que o que viveu viveu e observou e que observou ea e expor a expor suas suas que o estagiário é chamado a sistematizar t ções. conclusões. As As respostas respostas deverão deverão serser postadas postadas Primeiro leia todas as pergunta uestionário. na na plataforma plataforma da da disciplina. escrever muito sem necessiundamentá-las. Rogério Bertoldo Guerreiro / Profa. perguntas. e enviadas. Nome do aluno: ________________________________________________________ Matrícula:__________________________Turma/Polo: _________________________ : RELATÓRIO RELATÓRIO FINAL FINAL Com a finalidade de elaborar o Relatório final. bem ilustrada e fundamentada tal desenvolver maior competência nesta área resposta. Jane Jane Dullius Dullius / Prof. mas por qualidade aior r competência competência nesta área. oeia leia todas todas as as perguntas. necessário. Rogério Rogério Bertoldo Bertoldo Guerreiro Guerreiro Profa. amentá-las. Também Também os os professores professores podem podem avaliar avaliar de de reflexões sobre sua prática e conhecimentos entações orientações e os e os subsídios subsídios oferecidos foram foram úteis úteis para para este este estagiário estagiário que forma as sua orientações e os subsídios Aoferecidos avaliação será feita não pela extensão das respostas.

o que você aponta como necessário para que se torne ideal para tais atividades? E como você aproveitou e utilizou esse ambiente? 2. Metodologias utilizadas O que observou nas metodologias utilizadas com as crianças. sociais. antes de estágio. nessa etapa. nas salas de aulas ou no ambiente da instituição? Hoje. no ambiente. especialmente sobre os objetivos das práticas pedagógicas. especialmente sobre as características da criança nessa faixa etária. mais chamaram sua atenção? 291 . 3. na instituição? Em que aspectos as considera adequadas ou não e por quê? Com o que concorda e/ ou discorda? Quais motivos geraram determinadas atitudes e o estabelecimento de certas regras. jogos. lúdicos e de uma linguagem corporal? Quais elementos da Educação Física. 6. favorecem uma leitura do mundo que a cerca? É possível observar o desenvolvimento de aspectos psicomotores. presentes nas atividades. O ambiente das séries iniciais do Ensino Fundamental O ambiente onde se deu o estágio apresenta estímulos adequados ao aprendi-zado integral da criança? Que aspectos não parecem ser valorizados? O ambiente propicia desenvolvimento apropriado das atividades de Educação Física? O ambiente deixa a desejar? Se sim. levando em conta as adversidades e os sucessos durante o estágio. brincadeiras você observou que foram mais eficazes para o desenvolvimento do trabalho? Por quê? Em quais atividades as crianças ficaram mais interessadas? Como escolheu os jogos e as brincadeiras a serem utilizados? Por que estes? Que tipos de adaptações precisou realizar para poder desenvolver certas brincadeiras e atividades educativas e por quê? Em que aspectos você se baseou para realizar essas adaptações? 5. 4. comparando as convicções que tinha. com foco no atendimento das demandas físicas.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I REFLEXÕES E ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL 1. A criança e a prática pedagógica Que cuidados devem ser tomados ao elaborar planos de aulas para crianças nas séries iniciais do Ensino Fundamental? Justifique também agregando referências. Desenvolvimento nas várias áreas As atividades desenvolvidas pelas crianças e promovidas pelo educadorestagiário. A Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental Como você justifica a importância da Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental? Argumente corroborando suas opiniões com referências sólidas. cognitivas e emocionais das crianças. atividades Quais atividades. jogos. Brincadeiras. você considera que o seu pensamento modificou sobre alguns desses aspectos? Dê exemplos sobre tudo isso acima e comente.

Sobre esta disciplina e sua aptidão A disciplina conseguiu conduzir você a pensar um trabalho que contemple um bom desenvolvimento físico. e vice-versa? Você observa possibilidades reais desta área como campo de estudos e pesquisas? Como foi produzir “conhecimentos” sobre esta área? 292 . nesta disciplina. Educação Física nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental como Área de estudo De que forma as ideias. Avaliação De que forma está sendo feita a Avaliação. os conhecimentos e as experiências presentes e produzidos na disciplina podem indicar nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental como campo de conhecimento e suas possíveis interfaces com a Educação Física. nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental? Como você correlacionou as ideias presentes nos textos disponibilizados. Você se sente apto. nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. como parte da formação do Professor de Educação Física para nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental? 10.ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL UNIDADE 4 I REFLEXÕES E ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL 7. na Instituição onde fez o estágio? Qual a opção metodológica que se utiliza para promover a avaliação nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental? Quais as dificuldades que o professor encontra em realizar a avaliação nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental? Quais aspectos você observou serem positivos e negativos nas concepções de avaliação presentes na instituição? Você mudou seu ponto de vista. Desenvolvimento nas várias áreas (continuação) Quais as competências que as crianças mais desenvolveram? Que resultados você observou nas crianças que possam ter sido fruto de suas intervenções? 8. competente e preparado para ser professor nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental? 11. cultural e afetivo. social. após tais observações? 9. cognitivo. A formação do educador físico para educação infantil Quais aspectos você observou serem pertinentes e necessários à formação do profissional que atua nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental? O que o professor de Educação Física precisa saber e estar habilitado para atuar nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental? Quais aspectos você citaria como relevantes e possíveis pontos a serem mais enfocados e enfatizados. psicológico. nos vídeos e nas orientações recebidas com sua própria prática no estágio? Em que aspectos sugere que deveria haver mais ênfase (justifique com consistência e exemplos suas respostas).

ESTÁGIO SUPERVISIONADO – PRIMEIRO CICLO DO ENSINO FUNDAMENTAL
UNIDADE 4 I REFLEXÕES E ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL

Hora de praticar
Prezado aluno, chegamos ao final de nossa caminhada! Agora é a hora da produção do relatório final e esperamos que você possa relatar de forma clara e objetiva como foi seu estágio. Leia com atenção a Unidade 4 e poste seu relatório no local e data especificados pelo seu tutor.

Finalizando a disciplina, temos, na Unidade 4, a preparação para a construção do relatório final. Neste momento, a sua reflexão ativa é parte fundamental para a finalização deste Estágio Supervisionado. É o momento de parar, pensar, analisar e reavaliar todo o seu percurso no estágio e concluir o relatório construído durante toda a nossa disciplina, levando em conta todas as observações e os registros que fez. A Unidade traz um texto com reflexões propostas por Darido e discute as perspectivas da formação docente para as séries iniciais do Ensino Fundamental. O texto aborda a formação docente em três perspectivas: formação tradicional/ esportiva, formação científica e formação reflexiva.

Finalizando o texto, os autores apresentam as considerações sobre o estudo, deixando claro que os docentes das séries iniciais, no que toca o ensino da Educação Física, não conseguem garantir a qualidade do ensino, na medida em que as práticas são resumidas, a emprestar a bola aos alunos. Ao final da Unidade apresentamos considerações sobre a construção do relatório final. As questões básicas são norteadas por questões que buscam de forma clara e objetiva oferecer ao acadêmico um caminho para que o relatório final exponha de fato o que foi percorrido pelo acadêmico durante a disciplina.

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Glossário
Competição. Situação em que para que um dos membros alcance os seus objetivos, os outros serão incapazes de atingir os deles (BROTTO, 1997). Cooperação. Situação onde os objetivos dos indivíduos são de tal ordem que, para que o objetivo de um deles possa ser alcançado, todos os demais integrantes, deverão igualmente alcançar os seus respectivos objetivos (BROTTO, 1997). Cultura da Paz. Segundo a ONU, é o conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida associados à cultura de paz, baseada no respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não-violência, por meio da educação, do diálogo e da cooperação e no respeito e fomento à igualdade de direitos e oportunidades de mulheres e homens. (fonte: http://pt.wikipedia.org). Escola. Estabelecimento público ou privado onde se ministra ensino, instrução, saber sistematizado ou conhecimento coletivo. Estágio supervisionado. Tempo de Jogo. Atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana (KISHIMOTO, 2001). Ludicidade. Dimensão humana que evoca os sentimentos de liberdade e espontaneidade de ação. Abrange atividades despretensiosas, descontraídas e desobrigadas de toda e qualquer espécie de intencionalidade ou vontade alheia. Organização Criada em de 1948, Cooperação Econômico é uma e de

Desenvolvimento

(OCDE).

organização

internacional de 31 países que aceitam os princípios da democracia representativa e da economia de livre mercado. Os membros da OCDE são economias de alta renda com um alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e são considerados países desenvolvidos. (http://pt.wikipedia.org). Plano de aula. Apresentação sistematizada e justificada das decisões tomadas relativas à ação que o professor realizará para elaborar o seu dia letivo e para o registro de determinações relativas ao trabalho docente.

aprendizagem que, durante um período de permanência, alguém se demora em algum lugar ou ofício para aprender a prática do mesmo e depois poder exercer uma profissão ou ofício. Supõe uma relação pedagógica entre alguém que já é um profissional reconhecido em um ambiente institucional de trabalho e um aluno estagiário.

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Glossário
Prática de ensino. Período em que o profissional da área de educação terá a oportunidade de fazer a associação entre teoria e prática, ou seja, sair dos bancos da faculdade e colocar em exercício todos os conhecimentos teóricos aprendidos em seu curso, elaborando e aperfeiçoando seu estilo próprio como profissional. Projeto Político-Pedagógico. É o planejamento de trabalho da instituição educacional. Deve atender as necessidades de aprendizagens locais, estimulando a criticidade e a criatividade. Apresenta etapas a serem percorridas pelos autores envolvidos e tem como objeto um estudo que mude conhecimentos e atitudes a partir da solução de problemas.

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Referências Bibliográficas
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EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS

Educação Física para Portadores de Necessidades Especiais

Prof. Elvio Marcos Boato
Professor da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, lotado atualmente no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, e do Curso de Educação Física da Universidade Católica de Brasília, onde leciona as disciplinas Educação Física Adaptada e Metodologia do Ensino da Educação Física. Atua no Ensino Especial desde 1987 e em graduação e pósgraduação em Educação Física, Pedagogia, Letras, Turismo e Saúde Mental desde 1996.

Prof. Odiel Aranha
Professor da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, lotado na Faculdade de Educação Física – UnB, desde 1998. Leciona as disciplinas Metodologia do Handebol e Handebol II. Graduação em 1980 pela Faculdade Dom Bosco de Educação Física (FDBEF) e pós-graduação em Educação Física Especial, pela Universidade de Uberlândia, e Ciência do Esporte, pela FDBEF. Voluntário das Olimpíadas Especiais Brasil de 1990 a 2004. Membro da equipe que coordena o Núcleo de Atendimento Esportivo para pessoas com deficiência da FEF–UnB.

Muito prazer!
Nós somos amigos e construímos essa disciplina juntos. Temos verdadeiro encantamento pelo trabalho com pessoas deficientes e, atuando nessa área, temos procurado incessantemente nos aprofundar no estudo das questões referentes a essas pessoas, especialmente no aspecto da inclusão educacional e sociocultural desses indivíduos. Acreditamos sempre no potencial e nas possibilidades de desenvolvimento das pessoas deficientes e, em função disso, buscamos alternativas e caminhos que permitam a inserção delas de forma crítica e criativa na escola e na sociedade. Esperamos ter sucesso na discussão sobre as questões referentes às pessoas com deficiência durante o decorrer dos nossos estudos.

Grande abraço! Prof. Elvio e Prof. Odiel

301

Apresentação da Disciplina
Prezados (as) alunos (as), A disciplina Educação Física para portadores de necessidades especiais busca esclarecer questões sobre atendimento educacional especializado para pessoas que apresentam alguma deficiência e, em função disso, têm alguma necessidade educacional especial referente ao atendimento na área de Educação Física e de esportes e também quanto ao processo de inclusão educacional. Em função disso, separamos nosso estudo em três unidades de ensino.

Na Unidade 1, apresentamos os aspectos históricos e legais da Educação e da Educação Física para pessoas com deficiência. Na Unidade 2, teremos oportunidade de estudar questões sobre o corpo, o desenvolvimento e a sexualidade da pessoa com deficiência. Por fim, na Unidade 3, estudaremos a relação entre a Educação Física e o Aluno com Necessidades Educacionais Especiais, explorando questões sobre as características das deficiências e algumas sugestões de como atendê-las. A partir do estudo dessas três unidades, esperamos que você tenha uma visão crítica sobre a educação e a inclusão das pessoas com deficiência ao longo da história da humanidade e nos dias de hoje, além de ter subsídios para atender tais alunos nas aulas de Educação Física escolar e no esporte. Para nos ajudar nessa trajetória, a turma do barulho estará conosco, contando histórias e apresentando suas deficiências, limitações e potencialidades. Assim, poderemos saber um pouco mais a respeito de nossos alunos e de algumas alternativas para incluí-los em nossas aulas de Educação Física e no treinamento esportivo, independentemente das deficiências ou de outras limitações ou impossibilidades. Agora, vamos conhecer a turma do barulho.

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Maria

Maria

Maria Maria Maria Maria Maria Maria Maria Maria Maria Roberto Roberto Silvia

Marcos

Marcos Marcos Marcos Marcos Marcos

Marcos Marcos Marcos Marcos Marcos Silvia Roberto Silvia Roberto Fernando Silvia Fernando Roberto Roberto Jorge Silvia Silvia Jorge Fernando Roberto Roberto Fernando Jorge Jorge Silvia Fernando Roberto Roberto Silvia SilviaFernando Jorge Jorge Silvia Roberto Fernando Silvia Fernando Jorge Jorge Fernando Fernando Jorge Jorge Fernando Jorge Adriana Adriana Adriana Adriana Adriana Adriana Rodolfo Rodolfo Adriana Adriana Rodolfo Adriana Adriana Rodolfo Rodolfo Rodolfo Adriana Rodolfo Rodolfo Rodolfo Rodolfo Rodolfo

Antônio

Antônio Antônio Antônio Antônio Antônio Cláudia Cláudia Antônio Antônio Antônio Antônio Cláudia Cláudia Cláudia Cláudia Antônio Cláudia Cláudia Cláudia Cláudia Cláudia Mariana

Mariana Mariana Mariana Mariana Mariana

Mariana Mariana Mariana Mariana Mariana

OBJETIVOS Após concluir o estudo desta disciplina, esperamos que você seja capaz de: ■ examinar, criticamente, o papel da pessoa com deficiência na nossa sociedade; ■ analisar as possibilidades e as limitações das pessoas deficientes no processo educacional e na sua inclusão social e educacional; ■ discutir o processo histórico de educação e inclusão da pessoa com deficiência; ■ propor práxis pedagógica capaz de atender pedagogicamente, nas aulas de Educação Física, na iniciação e no treinamento esportivo, pessoas com deficiência, tanto em escolas especiais, como em escolas inclusivas.

303

304 .

considerando as maneiras como foram e são tratadas pelas sociedades em que estiveram ou estão inseridas.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 Aspectos Históricos e Legais da Educação e da Educação Física para Pessoas com Deficiência Nesta unidade. você terá a oportunidade de visualizar e discutir a trajetória das pessoas com deficiência na história da humanidade. o processo de educação em escolas especiais e entidades especializadas e os caminhos percorridos para se chegar à discussão sobre a educação inclusiva. Ontem (mundo real)? Escola regular Escola especial Hoje (utopia)? 305 .

■■ discutir a legislação brasileira vigente relacionada à educação e à inclusão das pessoas com deficiência. ■■ argumentar sobre a importância do processo de inclusão educacional e social das pessoas com deficiência e do papel da Educação Física nesse contexto. 306 .EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Também serão apresentados a legislação vigente no Brasil e os documentos internacionais que garantem a educação das pessoas com deficiência. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. esperamos que você seja capaz de: ■■ analisar o tratamento dispensado às pessoas com deficiência no decorrer da história da humanidade. ■■ identificar o papel da educação e da Educação Física no desenvolvimento das pessoas com deficiência.

sendo que. entre eles. 2% Deficiência Física. que descreve o termo deficiência como: Uma restrição física. A partir desses dados iniciais. antes. 3). Com relação ao número de pessoas com deficiência.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 1. de natureza permanente ou transitória. ao fazermos esse breve retrospecto histórico poderemos perceber como a sociedade vem lidando com seus membros diferentes dos medianos e assim avaliarmos melhor nossa prática sociopedagógica. Há muitos referenciais que tratam desse assunto e.5% Deficiência Visual. No Brasil. 5% dessas pessoas têm Deficiência Intelectual. a princípio. precisamos saber quem são essas pessoas. em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). p.5% Deficiência Auditiva. que limita a capacidade de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária causada ou agravada pelo ambiente econômico e social. e 0. a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 10% da população mundial apresentam algum tipo de deficiência. escolhemos. O Que É Deficiência? Vamos começar o nosso estudo conhecendo um pouco da trajetória histórica das pessoas com deficiência. Mas. o percentual de pessoas com deficiência é de 14. a definição proposta pela Convenção da Guatemala (BRASIL. Ribas (1975) diz que. Sendo assim. É importante salientar que sabemos que a história não é linear e. este percentual pode chegar a 20%. mental ou sensorial. segundo dados do último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).1 Para Começar. o nosso tempo não é só nosso. passaremos a descrever um pouco da trajetória dessas pessoas na história da humanidade. Porém. 1% Deficiência Múltipla. por isso. 1. 307 . 1999. O passado está ainda conosco e nos influencia fortemente.5% (2001).

e “essa irracionalidade revelase na monstruosidade da padronização. cada classe (grupo. no entanto. a forma com que o homem lidou com as questões do corpo revestiu-se (e reveste-se) de uma quase total irracionalidade. mas. nos diferentes momentos históricos.2 Vamos Contar um Pouco de História Maria Para entendermos a inclusão. A história das pessoas com deficiência coincide com a história da humanidade. estamento etc. ora o supervalorizando. o calor e a chuva. a busca de abrigo contra o frio..EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 1. a procura de alimentação e as disputas 308 . é preciso conhecer a história da educação das pessoas com deficiência. 1): (. precisou. 1). a luta contra animais ferozes.. fragmentando-o. Assim. Para Bianchetti (1995.) dominante. atitudes que só podem ser explicadas se contextualizadas. p. valorizou. De acordo com Silva (1987). casta. a vida nômade. ora o desvalorizando em favor da mente ou da alma. para tratarmos desse aspecto. encontramos poucos registros sobre esse assunto. estabeleceu como modelo/padrão? O que esse questionamento nos mostra? Bem.) de que tipo de corpo. p. partiremos da questão levantada por Bianchetti (1995. na antiguidade. estabelecida por diferentes critérios em diferentes momentos históricos”. perceba que tal pergunta permite-nos entender melhor as atitudes tomadas por determinados grupos sociais com relação à pessoa deficiente nos diversos momentos históricos em que estavam inseridos. É importante enfatizar que sempre houve formas diferenciadas de lidar com o corpo.

como um mal a ser evitado. fato que as levam a ser relegadas. 309 . Silva (1987) cita Hefesto. como detentores de poderes. É importante ressaltar que esse abandono ou sacrifício das pessoas com deficiência (por causa natural ou impingida na luta pela sobrevivência) por parte das sociedades primitivas. foi lançado do alto do Olimpo pelo próprio Zeus. e assim se tornaram o protótipo do homem grego. 1995. não era revestido de maldade ou crueldade. os deuses gregos apresentavam-se fora do padrão de corpos perfeitos e atléticos. ■■ perseguidos e evitados. como reparadores de pecados cometidos contra Deus. visto que elas poderiam significar “um empecilho. ■■ privilegiados. p. Nascido com defeitos em suas pernas. como possuídos pelo demônio ou por representantes do mal. especialmente do guerreiro.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA pela sobrevivência ressaltaram a presença das pessoas com deficiência como uma dificuldade a mais. Com raras exceções. eles eram abandonados ou mesmo sacrificados. p. Pela impossibilidade de se defender ou prover sua própria alimentação. por acharem o menino disforme e muito feio (SILVA. 30). aparentemente com a anuência silenciosa de Hera. Carvalho (1997) relata algumas formas de tratamento dispensado às pessoas com deficiência ao longo dos tempos. tanto as da antiguidade como aquelas mais próximas de nós. 1987. 2). seu pai. que foi vítima de seus pais por suas características físicas: coxo e de feia aparência. ■■ lamentados. ■■ protegidos e isolados. como insanos e indefesos. um peso morto. filho de Hera e Zeus. mas era uma forma de preservação do grupo. abandonadas e sem que isso cause os chamados sentimentos de culpa” (BIANCHETTI. um dos deuses do Panteão Grego. em diferentes culturas: ■■ sacrificados.

Platão e Aristóteles. acusado de trair o Império. e ao corpo (o escravo) degradado. 4). p. governar. o corpo era entregue ao ócio e ao pensamento. respectivamente. Aqueles que sobreviviam ficavam à margem da sociedade e viviam como pedintes. o homem foi dividido em corpo e mente. lutas e danças. 2004. sendo a mente (. France Fonte: Gugel > http://www. nós afogamos até mesmo as crianças quando nascem defeituosas e anormais: não é a cólera e sim a razão que nos convida a separar os elementos sãos dos indivíduos nocivos. Isso fez com que o povo fosse levado a eliminar as crianças que nasciam deficientes e incapazes de se inserir nesse modelo. Os pais tinham amparo legal para abandonarem ou para eliminarem filhos com deficiência. pois possibilitava que o homem participasse de guerras e delas saísse vitorioso. (Itálico da autora.) A falta de conhecimento científico facilitou que a magia e a religião fossem as responsáveis pelo entendimento e pelo 310 . superior. De acordo com Amaral (apud SCHEWINSKI. p.. Musée des Beaux-Arts. era valorizado pela estética.ampid.org. e também que praticasse esportes. em Atenas. A República e A Política. Com relação às pessoas com deficiência. visto que as necessidades básicas eram supridas pelo trabalho escravo. 37). em suas obras. dois dos maiores filósofos gregos. Segundo Bianchetti (1995). conspirador.. empecilho da mente.) a parte digna. encarregada de mandar.. Assim. ginásticas. Além disso.. externaram suas orientações sobre tais pessoas. de Jacques-Louis David. Lille. tem os olhos vazados e pede esmola..EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Com o advento da sociedade grega e o nascimento da filosofia e da ciência. Sêneca justifica o infanticídio dos bebês mal formados: (. Belisário. Em Esparta. br/Artigos/PD_Historia. Em Roma. novos paradigmas sobre o corpo se cristalizaram. deixando clara a preocupação com a presença e com o aumento do número destas nas cidades-estados.) nós sufocamos os pequenos monstros. o corpo forte era cultuado.php As leis romanas também desfavoreciam as pessoas com deficiência. cabe a missão de executar as tarefas degradadas e degradantes (id.

ou coxo. como homem cego. tem misericórdia de nós!” E Jesus. com/padreanderson/files/2009/08/ jesus_cura_cego. o sacerdote. ou corcunda. a dicotomia corpo/alma ganha mais força e justifica as fogueiras onde eram queimadas as pessoas consideradas endemoniadas. como no trecho de João 9:13. que diz: “E passando Jesus.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA tratamento dos deficientes. ou homem que tiver quebrado o pé. nas suas gerações. para que nascesse cego?” No evangelho de Mateus. porém. em que houver algum defeito. se chegará para oferecer as ofertas queimadas do SENHOR. ou sarna. parando. ou a mão quebrada. defeituoso ou possuído pelo demônio. e disse: “Que quereis que vos faça”? (MATEUS.cancaonova. viu um homem cego de nascença. ou anão. Nenhum homem da descendência de Arão. não se chegará para oferecer o pão do seu Deus (LEVÍTICO 21:17).) Jesus curando um cego Com base em http://blog. assentados junto do caminho. ou de nariz chato. usando nossa nomenclatura ou termo: Ninguém da tua descendência. ouvindo que Jesus passava. este ou seus pais. no contexto do domínio do Império Romano. Alguns povos antigos consideravam a deficiência procedente de “maus espíritos” ou castigo divino. de um corpo pecador. Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi. há registros dessa situação: E eis que dois cegos. criminosas etc. se chegará a oferecer o pão do seu Deus. em quem houver alguma deformidade. dizendo: “Senhor. que pertencia a Deus. Há relatos nos textos do Antigo Testamento sobre as pessoas defeituosas (deficientes). bruxas. chamou-os. ou impigem. era comum identificar a deficiência ou a doença como fruto do pecado. quem pecou. ou que tiver testículo mutilado. Pois nenhum homem em quem houver alguma deformidade se chegará. para que calassem. Filho de Davi. ou de membros demasiadamente compridos. – esse ato libertava a alma. defeito nele há. tem misericórdia de nós!” E a multidão os repreendia. eles. na época de Cristo. deficientes. Da mesma forma. dizendo: “Filho de Davi. clamavam. cada vez clamavam mais. ou que tiver defeito no olho. 311 . 20:30-32.jpg Durante a Idade Média.

o autor afirma que. é preciso enfatizar que mesmo em períodos de mudança paradigmática. até mesmo daqueles que acreditam que a educação da pessoa deficiente deve ser exclusividade de escolas especiais. leprosos. onde os deficientes e os doentes eram levados para receberem a atenção necessária daqueles que se dedicavam à caridade. a crise política e religiosa e o alastramento das doenças favoreciam o nascimento de pessoas com várias deficiências. para agraciar as pessoas com a possibilidade de fazerem caridade. a concepção de pecado sobre a deficiência ainda estava presente. No entanto. p. no contexto do fim da Idade Média – marcada pela queda do Império Romano (1453) – a situação precária da população. paralíticos. embora menos enfática. as igrejas e os religiosos passaram a cuidar dessas pessoas em asilos e depois se dispuseram a educá-las em locais separados dos demais membros da sociedade. era a de que eles eram instrumentos de Deus para alertar os homens. Por motivos de caridade. a escassez de alimentação. Segundo Schewinky (2004). Porém. o cristianismo contribuiu para a mudança do status das pessoas com deficiência. a desgraça de uns proporcionava meios de salvação para os outros. onde as pessoas com deficiência convivam apenas com seus pares e sejam atendidos por profissionais especializados em deficiências. A partir dessa concepção. enfim. loucos. de pessoas portadoras de qualquer deficiência. mudos. 4): Uma outra forma. Cabe ressaltar que essa concepção permanece viva na cabeça de muitos até os dias de hoje. nascem as casas de misericórdia. como aconteceu no Movimento da Reforma Protestante.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Para Bianchetti (1995. Assim. de a Igreja ver e explicar a existência de cegos. 312 .

os indivíduos que apresentavam qualquer deficiência física tinham poucas chances de sobrevivência por serem consideradas pessoas possuidoras de poderes especiais advindos de demônios. Comia e defecava. Isso se fez diariamente em Dessau. 313 . e a visão teocêntrica cede seu espaço à concepção antropocêntrica. gritava. Então eu disse ao príncipe de Anhalt: se eu fosse o príncipe. chorava. que também davam as interpretações sobre as pessoas com deficiência. os cristãos farão orações divinas na igreja. vi e contra o qual lutei.). Durante toda a Idade Média. no qual ele faz as seguintes considerações: Há oito anos. Mas o príncipe de Anhalt e o príncipe de Saxe. 8) cita um trecho retirado da obra de Martinho Lutero. Há doze anos. Quando as coisas não corriam como queria. vivia em Dessau um ser que eu. de acordo com Carmo (1991).. Segundo o autor.. foi a partir do desenvolvimento da ciência que os dogmas e as explicações religiosas. babava-se. Mas ele não fazia outra coisa senão comer. A concepção naturalista dá lugar à ciência. Martinho Lutero. de forma que se podia tomar por uma criança normal. que se achava presente. possuía vista e todos os outros sentidos. levaria essa criança ao Moldau que corre perto de Dessau e a afogaria. Por exemplo. p. Então eu disse: pois bem. e quando se lhe tocava.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Bianchetti (1995. e o ser sobrenatural morreu nesse mesmo ano (. a fim de que Nosso Senhor expulse o demônio. tanto como quatro camponeses na ceifa. puderam ser confrontados e superados. bruxas e duendes. recusaram a seguir o meu conselho. foi somente com o advento do Renascimento que a situação da pessoa com deficiência conseguiu dar seus primeiros passos rumo à superação do pensamento medieval. O renascimento fez florescer o interesse pela pessoa humana. a trepanação – abertura de um orifício no crânio – era utilizada em rituais de magia visando à eliminação do mal. Conforme Pessotti (1984).

A ciência e a tecnologia “criam” seus deficientes também pela exigência de novas aprendizagens e de domínio tecnológico para produzir a nova sociedade. muitas mudanças ocorreram no curso da humanidade: ■■ a produção em massa pelas fábricas substituiu o modo artesanal de produção. pois a falta de conhecimento científico e tecnológico favorecia a descrença na recuperação ou na melhoria dos quadros que se apresentavam. a partir do movimento liberal de educação da massa. Jannuzzi (2006) apresenta três concepções ou entendimentos pelos quais passaram as pessoas com deficiência na construção histórica da educação brasileira: 1) as concepções que se centram principalmente na manifestação orgânica da deficiência. vieram as mazelas. a educação institucionalizada das pessoas com deficiência começou. a ideia de que a deficiência era fruto do pecado ou da obra de Deus perde força e nasce uma nova concepção: a deficiência é fruto de defeitos na formação do organismo. mas não possibilitou um avanço radical e nem duradouro. De “olho” na produtividade. Ainda segundo Jannuzzi (1985). A discriminação de quem tem deficiência para aprender e para produzir nos moldes exigidos pela nova ordem é uma das mazelas produzidas pela nova forma de produção e de organização socioeconômica do mundo ocidental. passam a considerar a pessoa com deficiência como perigosa para si e para a sociedade. 2) as concepções que procuram estabelecer conexão entre a deficiência e o contexto em que ela se situa. ■■ a visão humanista e científica alterou a concepção das pessoas com deficiência. libertada pela abolição. A prática da segregação da pessoa com deficiência toma força. Você já parou para pensar nas consequências desse tipo de pensamento e de educação? 314 . e 3) as concepções que procuram considerar os dois lados da questão.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Assim. De acordo com Gugel (2010). a mão de obra das pessoas com deficiência – já qualificada pela escola – substituiria a mão de obra escrava. juntamente com os “avanços”. no Brasil. Nesse contexto. ■■ nasceu uma nova sociedade com novos valores e. com a Revolução Industrial.

sob a liderança da pedagoga russa Helena Antipoff. em 1909. 6). (ibid. No Brasil. 315 . em 1903. O médico francês Jean Itard descreve em seus estudos a história do garoto selvagem (L’enfant sauvage).. ■■ o Instituto em Recife–PE. nem fala. E sobre os deficientes intelectuais diz: Este silêncio foi tão grande que nem se encontrou quem eram estes educandos abrigados nos estabelecimentos para deficientes mentais. em Belo Horizonte–MG. apesar de gratuita e direcionada a todos (Constituição de 1824).. Ele é resgatado com cerca de doze anos de idade e passa por um tratamento que revoluciona o atendimento a pessoas com deficiência intelectual e serve de base para os estudos atuais sobre a educação de pessoas com deficiência. Vamos voltar às ideias de Jannuzzi (id. um garoto do final do Século XVIII que supostamente nunca teve contato com a sociedade. A educação do povo brasileiro. p. Eram provavelmente os mais lesados. lê ou escreve. que assim resume o atendimento da pessoa com deficiência até que o Brasil se tornasse uma República (1889): “(. algumas instituições importantes para a educação das pessoas com deficiência são lembradas por Rosadas (1986): ■■ o Hospital Psiquiátrico da Praia Vermelha.. não anda como um bípede. em 1954. é no século XVlII que se passa a crer na possibilidade de recuperação e de educação da pessoa deficiente com deficit ou transtorno mental. Trata-se de Victor. ■■ a instalação do primeiro Laboratório de Psicologia Aplicada na América Latina.. espero ter. nas Santas Casas de Misericórdia..) A partir do trabalho feito pelo médico francês Itard com O garoto selvagem. em 1600. em 1936. em 1932. os que se distinguiam. esclarecido o silêncio sobre o deficiente”.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA O atendimento escolar especial ao deficiente (físico) iniciou ainda no Brasil-Colônia. se distanciavam. com um pavilhão dedicado às crianças deficientes mentais. não foi efetivamente desenvolvida. e ■■ a criação da primeira APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – Rio de Janeiro–RJ. os que incomodavam.) (Grifo da autora. ■■ a Fundação da Sociedade Pestalozzi – Belo Horizonte–MG. ■■ o Instituto São Rafael.) no término do Império. As poucas instituições existentes desenvolviam um atendimento assistencial e inexpressivo diante da realidade social. pelo menos em parte.

No Brasil. segundo meu ponto de vista.) até o final do século XIX diversas expressões eram utilizadas para referir-se ao atendimento educacional aos portadores de deficiência: Pedagogia de Anormais. pobres e ricos também é resultado da sociedade capitalista liberal. por demais competitiva. Pedagogia da Assistência Social. a Sociedade Pestallozzi. A separação/discriminação das pessoas se deu inicialmente entre os proprietários (detentores do capital) e os trabalhadores e depois entre eficiente e deficiente. O século XX nos traz uma nova perspectiva da educação da pessoa deficiente. são utilizadas.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA De acordo com Ribas (1985). No final desse século. 1900 1930 1950 1999 2000 A partir da metade do Século XX. como a maioria das pessoas com deficiência era da classe trabalhadora e de baixa renda familiar. 17) disse com relação à educação: (. houve a criação e a manutenção de escolas especiais.. Veja a linha do tempo e os respectivos acontecimentos. Por consequência. a despeito de sua impropriedade. Pedagogia Teratológica. Vejamos o que Mazzotta (1996. essas pessoas sofreram muito mais.. 316 . passa para a perspectiva da inclusão educacional dessas pessoas. Algumas dessas expressões. instituições como a APAE. a divisão social entre miseráveis. a sociedade capitalista. ainda hoje. o Instituto Benjamin Constant (para cegos) e o Instituto Nacional de Educação de Surdos – antigo Imperial Instituto dos Surdos-Mudos são exemplos de pioneirismo no atendimento aos alunos com deficiência. Pedagogia Curativa ou Terapêutica. Pedagogia Emendativa. p. dividiu-se em classes sociais distintas. Então.

que instituiu as diretrizes nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. 317 . com participação ativa e criativa nos vários aspectos socioculturais e educacionais da sociedade em que a pessoa deficiente está inserida. O sentido a ela atribuído é. chegando à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN de 1996 e à Resolução 2/2001 do Conselho Nacional de Educação / Câmara de Educação Básica. referentes a esse atendimento: Numerosos são os educadores e legisladores que a vêem (a educação da pessoa com deficiência) como meritória obra de alguns “abnegados” que se dispõem a tratar de crianças e jovens deficientes físicos ou mentais. 11). faça um comentário a respeito dessas questões e comente as observações dos seus colegas. p. Cientes disso é necessário propor uma educação que vise à vivência plena da cidadania. os seus desejos e as suas possibilidades. ainda hoje. Porém. Hora de praticar Pare um pouco para refletir: • como é a vida das pessoas com deficiência que você conhece ou com as quais convive? • como você se relaciona com elas? • que dificuldades elas encontram no cotidiano? • como você pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas? No fórum designado pelo seu tutor. é preciso ficarmos atentos às afirmações de Mazzotta (1996.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Mas só a partir das décadas de 1960 e 1970 é que a legislação brasileira começa a se preocupar com o atendimento educacional de pessoas com deficiência. respeitando as suas limitações. mesmo diante do avanço da legislação e dos estudos referentes ao atendimento educacional para pessoas com deficiência. muitas vezes. o de assistência aos deficientes e não de educação de alunos que apresentam necessidades educacionais especiais.

A educação deve ser gratuita..3 E Agora um Pouco de Legislação Olá! Eu sou o Roberto. ao desenvolvimento pessoal e social e à livre participação na vida da comunidade. ►►Toda pessoa tem direito à educação. p. sexo. quaisquer que sejam suas origens ou condições sociais.3. condições emocionais e antecedentes culturais que possua. nível social e credo a que pertença. garante a educação para todos. da Turma do Barulho. nível mental. tanto em escolas e instituições especializadas como em classes comuns do ensino regular. como também para as gravemente prejudicadas. Em função disso. Braga e Dusi (2006. Nesse enfoque há de se ter presente os seguintes princípios: ►►Todo ser humano é elemento valioso. proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). é o centro e o foco de qualquer movimento para sua promoção. O princípio é válido tanto para as pessoas consideradas normais e para as ligeiramente afetadas.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 1. lembrase? Estou aqui para mostrar que o Brasil tem uma legislação muito avançada para a inclusão de pessoas com deficiência. indistintamente. pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. que exigem uma ação integrada de responsabilidade e de realizações pluridirecionais. 10): (. em todas as suas dimensões. 318 .1 Documentos Orientadores Internacionais Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) A Declaração Universal dos Direitos Humanos. em 1948.) a Declaração apresentada assegura às pessoas com deficiência os mesmos direitos à liberdade. Seu valor é inerente à natureza do homem e às potencialidades que traz em si. à educação fundamental. apresentaremos a seguir a legislação vigente. 1. Levando em conta tais princípios. ou grupo étnico. ►►Todo ser humano. temos um conjunto de leis que garantem esse atendimento.. a uma vida digna. segundo Carvalho. qualquer que seja a idade. Quer ver? Com relação à educação da pessoa com deficiência.

e prescreve. estimularão e assegurarão a prestação da assistência solicitada. favoreçam sua autonomia e facilitem sua participação ativa na comunidade. de acordo com os recursos disponíveis e sempre que a criança ou seus responsáveis reúnam as condições requeridas. inclusive seu desenvolvimento cultural e espiritual. Os Estados Partes reconhecem o direito da criança deficiente de receber cuidados especiais e. à preparação para o emprego e às oportunidades de lazer. a Declaração de Jomtien relembra que “a educação é um direito fundamental de todos. de maneira que a criança atinja a mais completa integração social possível e o maior desenvolvimento individual factível.) 319 . será gratuita sempre que possível. conforme disposto no parágrafo 2º do presente artigo.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Convenção sobre os Direitos da Criança (1989) A Convenção sobre os Direitos da Criança (ONU. Os Estados Partes reconhecem que a criança portadora de deficiências físicas ou mentais deverá desfrutar de uma vida plena e decente em condições que garantam sua dignidade. no mundo inteiro”. 1989) explicita. Atendendo às necessidades especiais da criança deficiente. 3. os direitos das pessoas com necessidades educacionais especiais. de todas as idades. levando-se em consideração a situação econômica dos pais ou das pessoas que cuidem da criança. à capacitação. na Tailândia. Declaração de Jomtien (1990) Fruto da Conferência Mundial sobre Educação para Todos. mulheres e homens. a responsabilidade de valorizá-las como indivíduos e como seres sociais. em seu quinto princípio. em Jomtien. 2. em seu artigo 23: 1. e visará a assegurar à criança deficiente o acesso efetivo à educação. aos serviços de saúde. aos serviços de reabilitação. levando os educadores em geral a assumirem. (BRASIL. a assistência prestada. que seja adequada ao estado da criança e às circunstâncias de seus pais ou das pessoas encarregadas de seus cuidados. 1990. conscientemente.

com a participação de 92 países. 320 . ► Sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades. inclusive o de não ser submetido à discriminação com base na deficiência. sendo considerada um dos documentos mais importantes para o desencadeamento e a estruturação do processo de inclusão educacional das pessoas deficientes (BRASIL. realizada na Espanha. criando-se comunidades acolhedoras. resultado da Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais. o custo da eficácia de todo o sistema educacional. e que teve o objetivo de promover a educação para todos. no qual os Estados Partes reafirmaram que: ►►As pessoas portadoras de deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que outras pessoas e que esses direitos. ►►Aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular. emanam da dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano. 1994). construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos. tais escolas proveem uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e. em 1994. capaz de satisfazer a tais necessidades. 2001). ►►Escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias. proclama que: ► Toda criança tem direito fundamental à educação e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter um nível adequado de aprendizagem.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Declaração de Salamanca (1994) A Declaração de Salamanca. além disso. em última instância. incluindo o Brasil. Convenção da Guatemala (1999) A Convenção da Guatemala é o documento resultante da Convenção Interamericana para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação com as Pessoas Portadoras de Deficiência (BRASIL. que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança.

1988.. 2005.3. No mesmo sentido. (BRASIL.). e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos. com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. a Educação Especial fundamenta-se na Constituição da República Federativa do Brasil. 1988). preferencialmente na rede regular de ensino.. do ponto de vista legal. Legislação Brasileira No Brasil.) Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.2.. mediante o treinamento para o trabalho e a convivência. III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência. determina no seu Artigo 2º § 1º: ►► A criança e o adolescente portadores de deficiências receberão atendimento especializado. que garante os direitos das crianças e dos adolescentes.069).).. especialmente em seu artigo 208 que determina: Art.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 1. sensorial ou mental. o Art. (BRASIL. 208 – O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de I – (. 227 determina: § 1º. II – (. e seguindo os princípios determinados pelos documentos orientadores de âmbito internacional.) 321 . II . (BRASIL.Criação de programas de prevenção atendimento especializado para as pessoas portadoras de deficiência física.

o atendimento preferencial na rede regular de ensino. escolas ou serviços especializados. § 3º A oferta de educação especial.172/01 que aprovou o Plano Nacional de Educação. Plano Nacional de Educação Segundo Carvalho. dever constitucional do Estado. a Lei nº 10.298/99) determina: ►► Desenvolvimento de ação conjunta do Estado e da sociedade civil. das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 1999. para educandos portadores de necessidades especiais. § 2º O atendimento educacional será feito em classes. quando necessário. § 1º Haverá. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. 1999). na escola regular. 322 . estabeleceu 27 objetivos e metas para a educação das pessoas com necessidades educacionais especiais.394 de 1996. (BRASIL. a modalidade de educação escolar. ►► O atendimento extraordinário em classes e escolas especiais. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. tem início na faixa etária de zero a seis anos. em função das condições específicas dos alunos. no seu capítulo V (Da Educação Especial) proclama: Art. a educação continuada dos professores que estão em exercício e a formação em instituições de ensino superior.) Política Nacional para a Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência A Política Nacional para a Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência (Decreto nº 3. Entende-se por educação especial. (BRASIL. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional A Lei nº 9. sempre que. As autoras sintetizam esses pontos da seguinte forma: ►► O desenvolvimento de programas educacionais em todos os municípios – inclusive em parceria com as áreas de saúde e assistência social – visando à ampliação da oferta de atendimento desde a educação infantil até a qualificação profissional dos alunos. durante a educação infantil. para os efeitos desta lei. de modo a assegurar a plena integração da pessoa portadora de deficiência no contexto socioeconômico e cultural. serviços de apoio especializado. Braga e Dusi (2006). 58.

por serviços das áreas de Saúde. cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais. que instituiu diretrizes nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. 2001.) Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos. de 11 de fevereiro de 2001. extraordinariamente. em situações específicas em que o aluno não tenha como ser atendido no Ensino Regular e em classes comuns. ele pode. ser atendido em escolas especiais. a necessidade de atendimento educacional especializado. assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. (BRASIL. 2001. públicas ou privadas. Trabalho e Assistência Social.) O atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais deve ser realizado em classes comuns do ensino regular. bem como adaptações curriculares tão significativas que a escola comum não consiga prover. nas creches e pré-escolas. em caráter extraordinário. assegurando-lhes os serviços de educação especial sempre que se evidencie. 2001.) Fica claro que a Resolução 2/2001 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE/CEB). (BRASIL. em qualquer etapa ou modalidade da Educação Básica. atendimento esse complementado. (BRASIL. 323 . determina no parágrafo único do Artigo 1º: O atendimento escolar desses alunos (com necessidades educacionais especiais) terá início na educação infantil. mediante avaliação e interação com a família e a comunidade. (BRASIL. podem ser atendidos. a continuidade da existência de escolas e de entidades especializadas no atendimento de pessoas com deficiência. sempre que necessário e de maneira articulada. recursos. mesmo propondo e regulamentando a inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais. garantindo. ajudas e apoios intensos e contínuos. 2001.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica A Resolução do Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica nº 2.) Os alunos que apresentem necessidades educacionais especiais e requeiram atenção individualizada nas atividades da vida autônoma e social. estabelece que. em escolas especiais. assim.

1 O que é Educação Especial? A Resolução CNE/CEB nº 2. O que esses documentos e essas leis nos mostram? Bem. 1. instituiu diretrizes nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.4... Porém. eles indicam que o Brasil tem uma legislação que contempla o atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência em todas as situações. entende-se um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Agora. do Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. modalidade da educação escolar. pare e pense por um instante. em alguns casos. de modo a garantir a educação escolar e promover o 324 . É importante salientar que uma das principais dificuldades para a inclusão de pessoas com deficiência ainda é o PRECONCEITO e a falta de conhecimento da legislação e das condições. suplementar e. a partir da década de 1990. de 11 de fevereiro de 2001. mesmo considerando todos os avanços legais que buscam um efetivo processo de inclusão educacional da pessoa com deficiência. organizados institucionalmente para apoiar. além de discutir o processo de inclusão educacional desencadeado no Brasil. substituir os serviços educacionais comuns. é preciso salientar que a inclusão só se efetivará a partir da aceitação desse processo pelos profissionais de educação. 1. Define no seu Artigo 3º: Por educação especial.4 Princípios da Educação Inclusiva e o Papel da Educação Física na Inclusão Educacional de Alunos com Deficiência Nesse tópico apresentaremos alguns conceitos referentes à Educação Especial e à Educação Física Adaptada. dos potenciais e das possibilidades dessas pessoas. complementar.

Por exemplo. de 11 de fevereiro de 2001 e observar o que diz o seu Artigo 5º: Consideram-se educandos com necessidades educacionais especiais os que. b) aquelas relacionadas a condições. É importante enfatizar que a expressão necessidades educacionais especiais diz respeito não à deficiência. 2001. em função disso. aplicando currículo adaptado e/ou funcional. (BRASIL. limitações ou deficiências. em todas as etapas e modalidades da educação básica. Esses professores também devem atender educacionalmente o aluno que não tenha condições de ser incluído. compreendidas em dois grupos: a) aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica. durante o processo educacional. disfunções. Esses profissionais devem dar apoio e suporte àqueles alunos incluídos no Ensino Regular.4. 1. um aluno que tem uma lesão medular é considerado deficiente e.2.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais. apresentarem: I – dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares. mas às necessidades do aluno que tem algum tipo de deficiência.) Isso significa que o Ensino Especial é uma modalidade de ensino que conta com professores especializados no atendimento educacional de pessoas com deficiência. com adaptações pertinentes e compatíveis com as condições de cada um. E Quem São os Alunos da Educação Especial? Vamos retomar a Resolução CNE/CEB no 2. tem necessidades educacionais especiais que devem ser atendidas para que ele 325 .

3. exploraremos esses conceitos. até o ponto de não ter possibilidade de alteração. 4) deficiência intelectual. pela determinação da Resolução 2/2001 do CNE/CEB. precisa de uma cadeira de rodas e de outras adaptações para que se beneficie das atividades propostas por essa disciplina. notamos que. e de avaliação. existe a deficiência múltipla e os Transtornos Globais do desenvolvimento. Além dessas. A partir dos conceitos das deficiências. A deficiência pode ser permanente ao ocorrer ou estabilizar-se por um período de tempo suficiente para não permitir ou não ter probabilidade de alterar-se. meios ou recursos especiais para receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. 326 . para que os alunos com deficiência se insiram efetivamente no processo educacional. Esse conceito indica quatro deficiências consideradas primárias: 1) deficiência física. E Deficiência. em uma mesma pessoa. Mais à frente. nas aulas de Educação Física. dentro do padrão considerado normal para o ser humano. teremos: A deficiência múltipla pode ser considerada a existência. o termo deficiência significa toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica. 3) surdez.4. Consideramos que a pessoa tem uma incapacidade. na Unidade 3. Não esqueçamos que a expressão necessidades educacionais especiais só é utilizada na educação e está relacionada às adaptações curriculares. O Que É? Para Negromonte (2002).EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA possa participar das aulas em condições de igualdade com os demais alunos. apesar de novos tratamentos possíveis. fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade. e necessidade de equipamentos. 1. metodológicas. de duas ou mais deficiências primárias. de materiais e equipamentos. adaptações. Por isso. ao apresentar redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social. 2) deficiência visual.

4 Aluno Deficiente Quando falamos em criança com deficiência ou aluno com deficiência. os surdos. 3) Características neuromusculares e corporais. é: (. e os casos de lesão cerebral em que o aluno não consegue se comunicar por via oral. Nessa prancha são expostas figuras.4. Grupo III – Superdotação e Altas Habilidades: casos em que o aluno apresenta grande facilidade de aprendizagem e precisa de um atendimento especializado para promover o seu desenvolvimento.. 1. citada por Rosadas (1994. a definição aprovada pelo Council of Exceptional Children – CEC. 2) Aptidões sensoriais. (. p. que precisam de LIBRAS para se comunicar. A prancha para comunicação é um equipamento usado para permitir a comunicação de pessoas com lesão cerebral espástica grave e que não conseguem falar ou gesticular.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Grupo I – Dificuldade Acentuada de Aprendizagem ou Limitações no Processo de Desenvolvimento: podemos incluir nesse grupo os deficientes intelectuais e os alunos com transtornos globais do desenvolvimento. Grupo II – Dificuldade de Comunicação e Sinalização: nesse grupo estão os deficientes visuais que necessitam do método Braille ou de tipos ampliados para ler e escrever. 4) Comportamento emocional e social.) aquela que se desvia da média ou da criança normal em: 1) Características mentais. e 6) Múltiplas deficiências. 327 . no I Congresso Mundial sobre o Futuro da Educação Especial.. 5) Aptidões de comunicação..) até o ponto de justificar e requerer a modificação das práticas educacionais ou a criação de serviços de educação especial no sentido de desenvolver ao máximo as suas capacidades. precisando de métodos como a prancha para comunicação. 15). além de alguns casos mais graves de deficiência física causada por lesão cerebral. palavras e/ou letras que são tocadas ou apontadas pela pessoa. entre outros.. a fim de estabelecer um diálogo com o professor ou com o interlocutor.

participamos das aulas de Educação Física. a Turma do Barulho está de volta.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Oi. estudamos juntos. Eu e a Maria não temos deficiência. Rodolfo é é autista Rodolfo autista 328 . Veja: Silvia tem deficiência Sílvia tem deficiência intelectual intelectual Antônio tem Antônio tem deficiência visual deficiência visual Síndrome de Down Marcos tem tem Marcos Síndrome de Down Jorge é surdo Jorge é surdo Adriana tem Adriana tem lesão medular lesão Medular lesão cerebral lesão cerebral Fernando tem Fernando tem Marianatem tem má má Mariana formação congênita formação congênita deficiência múltipla Cláudia tem tem Cláudia deficiência Múltipla Todos somos amigos. mas os nossos amigos sim. praticamos esportes e fazemos muito barulho na escola. Vamos nos apresentar.

Isso significa que hoje enfatizamos a investigação das possibilidades de desenvolvimento máximo de suas potencialidades. apesar de o quadro de deficiência do aluno não permitir a sua inserção em uma classe comum. Para aplicar o modelo pedagógico. 9o da Resolução no 2/2001 do Conselho Nacional de Educação/ Câmara de Educação Básica. Atualmente. BRAGA e DUSI. ao contrário do que muitos pensam. a classe especial contribui para o processo de inclusão do aluno com deficiência. os modelos clínicos eram utilizados no atendimento educacional. Vejamos: Modalidades que favoreçam a integração ►►Classe Comum com serviços de apoio especializado – o aluno é atendido em escolas inclusivas. de acordo com as especificações do aluno. 2006). junto com os alunos que não têm necessidades educacionais especiais.4. É importante esclarecer que. são oferecidas alternativas de atendimento educacional.912/02.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 1. E como isso acontece? Bem. conforme o artigo 2o do Decreto n o 22. durante a entrada e a saída da 329 .5 Modalidades de Atendimento Educacional Até pouco tempo atrás. ►►Sala de Recursos nas escolas comuns – oferecem atendimento educacional especializado aos alunos com necessidades educacionais especiais incluídos no ensino regular. ►►Classe especial nas escolas – modalidade garantida pelo Art. com redução do número de alunos superior à redução de alunos da classe comum (CARVALHO. esse modelo foi substituído pelo modelo pedagógico. a classe especial possibilita que ele tenha oportunidades para vivenciar experiências durante o recreio. É uma alternativa de funcionamento à Classe Comum. ►►Classe de Integração Inversa – refere-se a uma classe diferenciada.

►►Classe Hospitalar e/ou Atendimento Domiciliar – garantidos pelo Art. ■■ a idade do aluno. determina: os alunos que apresentem necessidades educacionais especiais e requeiram atenção individualizada nas atividades da vida autônoma e social. 2001. que fazem visitas periódicas às escolas inclusivas e que apoiam os professores de classes comuns que têm alunos com deficiência em suas turmas. mas precisam de atendimento pedagógico em escolas especiais.) ►►Oficina Pedagógica – oferecida àqueles alunos que não estão mais em idade escolar e não têm condições de se incluírem em escolas comuns. ao participar de festas. passeios ou de momentos de lazer oferecidos pela escola. no seu artigo 10. 10 da Resolução no 2/2001 do Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica para aqueles alunos impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação hospitalar. atendimento ambulatorial ou permanência prolongada em domicílio. 330 . ajudas e apoios intensos e contínuos. podem ser atendidos.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA escola. ►►Ensino Itinerante realizado por professores especializados em educação especial. A escolha da melhor alternativa de atendimento deve levar em conta: ■■ o grau de deficiência e as potencialidades de cada aluno. juntamente com os demais alunos. bem como adaptações curriculares tão significativas que a escola comum não consiga prover. recursos. Modalidades mais segregativas ►►Escola Especial – é uma modalidade de educação garantida para pessoas com deficiência pela Resolução no 2/2001 do Conselho Nacional de Educação. (BRASIL. que. em caráter extraordinário. em escolas especiais.

Dependendo das especificidades do aluno. respeitando as limitações e procurando sua plena inclusão na sociedade. 1. devemos sempre visar ao desenvolvimento máximo de suas potencialidades.6 E a Educação Física? A Educação Física tem se mostrado um dos componentes curriculares da escola mais importantes no processo de desenvolvimento da pessoa com deficiência e de sua inclusão educacional e na sociedade de forma geral. e também de apresentar grandes possibilidades 331 . Nesses casos. temos instituições especializadas que também são muito boas e ajudam muito as crianças com deficiências graves a se incluírem na sociedade. independentemente do tipo de atendimento que o aluno esteja recebendo. ■■ a disponibilidade de recursos humanos e materiais existentes na comunidade. O atendimento educacional especializado para pessoas com necessidades educacionais especiais é similar ao de qualquer outra pessoa. e ■■ as condições socioeconômicas e culturais da região.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA ■■ o histórico de seu desenvolvimento escolar. É importante frisar que.4. É importante lembrar que algumas crianças com deficiências mais graves não conseguem ser incluídas no ensino regular. Isso se deve ao fato de a Educação Física propiciar condições de o aluno desenvolver suas potencialidades. a partir da melhoria de suas condições cardiorrespiratória e funcional. vai da estimulação essencial até os graus superiores de ensino. como é o caso da APAE e de tantas outras entidades.

é conhecido hoje como EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA – EFA. capacidades e limitações de estudantes com deficiências que não podem se engajar com participação irrestrita. que pode ser entendida como: Um programa diversificado de atividades desenvolvimentistas. 332 . vença limites. Esporte Pedagógico.. como objetivo o desenvolvimento físico e a aquisição de destrezas manipulativas. sensório-motoras.. jogos e ritmos adequados a interesses. 8). vejamos algumas ocorrências importantes sobre o esporte para pessoas com deficiência. e da educação desportiva. A EFA tem. ainda. Recreation and Dance (AAHPERD). e Técnicas de Orientação e Locomoção. 1994. Agora. Em 1960.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA de promover momentos em que o aluno experimente suas potencialidades.) uma área do conhecimento em Educação Física e Esportes que tem por objetivo privilegiar uma população caracterizada como portadora de deficiência ou de necessidades especiais. inter-relacionando-se com os demais alunos e melhorando a sua autoestima. Recreação e Lazer Especial. Rosadas (1994. 23) define a Educação Física Adaptada como: (. chamado no passado de Educação Física Especial. de agilidade e força corporal. p. podemos dizer que a expressão Educação Física Adaptada surgiu na década de 1950 e foi definida pela American Alliance for Health. Segundo a autora. Physical Education. p. segura e bem-sucedida em atividades vigorosas de um programa de educação física geral (PEDRINELLI. e desenvolve-se através de Atividades Psicomotoras. Cabe ressaltar que o campo da Educação Física para o atendimento das pessoas com deficiência. houve a fusão de duas vertentes da Educação Física para o atendimento às pessoas com necessidades especiais: a médico-higienista e a mais voltada para o esporte.

futebol de sete. que estimulam a prática esportiva para pessoas com Deficiência Intelectual. Existem ainda duas modalidades esportivas criadas exclusivamente para os Jogos Paraolímpicos. 333 . ciclismo. Deficientes Físicos e Deficientes Visuais e as Olimpíadas Especiais. arco e flecha. amputados e pessoas com má formação congênita.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Isso mudou a história. as associações esportivas para Deficientes Intelectuais. para os deficientes visuais. temos as seguintes modalidades esportivas com as adaptações necessárias para propiciar a prática pelos atletas deficientes: atletismo. tênis. considerando que os mesmos eram direcionados a pessoas com paraplegia. tênis de mesa. judô para cegos. halterofilismo. outros movimentos esportivos vêm se concretizando no Brasil. além dos paraplégicos. que hoje fazem parte do calendário olímpico. para pessoas com lesão cerebral. futebol de cegos. Nesses jogos. além de apresentar modalidades esportivas coletivas e provas de habilidades individuais para aqueles que não conseguem se inserir nas equipes para as competições. natação. quando não consegue jogar o futsal em equipe. e Goalball . Além dos Jogos Paraolímpicos. A partir de 1964. basquete em cadeira de rodas. Vejamos um exemplo: no futsal. nas Olimpíadas de Tóquio. Atualmente. os Jogos Paraolímpicos contam com a participação de deficientes visuais. O movimento das Olimpíadas Especiais adaptou as regras esportivas para contemplar as condições das pessoas com deficit cognitivo. sendo requisito obrigatório no caderno de encargos para países que pleiteiem sediar os Jogos Olímpicos. esses jogos passaram a ser chamados de Jogos Paraolímpicos. vôlei sentado. pessoas com lesão cerebral. São elas: Bocha. Entre eles estão os jogos realizados pelas APAEs e pela Sociedade Pestallozzi – voltados para alunos com Deficiência Intelectual e Lesão Cerebral. As Olimpíadas dos Portadores de Deficiência foi realizada nas mesmas instalações físicas onde aconteceram as Olimpíadas de Roma. um atleta pode participar da competição de chute a gol para mostrar suas habilidades. esgrima. hipismo e tiro olímpico.

a cada dia. a Educação Física também se desenvolveu a partir da procura de alternativas para o atendimento às pessoas com deficiência. Costa e Sousa (2004.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA É importante esclarecer que. nos dias atuais. juntamente com os Jogos Paraolímpicos e os outros movimentos esportivos. em relação à especificidade de atendimento ao portador de deficiência. que tende a se concretizar a partir das inúmeras pesquisas e estudos que se desencadearam e que vêm.29) enfatizam que: A Educação Física. do grande número de alunos nas turmas e da dificuldade que os alunos deficientes têm de se encaixar em determinadas propostas. p. no nosso entendimento. ser uma área que atende efetivamente as necessidades educacionais especiais dessas pessoas. por se tratar de um processo ainda em fase de desenvolvimento. apesar de parecer contraditório pelo paradigma higienista que sempre reinou em sua história. 334 . Porém. trata-se de um processo irreversível. buscando conhecimentos que permitem a ela. como exemplo. citamos a concretização dos Jogos Paraolímpicos. Muitos professores se ressentem da falta de formação adequada. Podemos dizer que foi percebendo a diferença e valorizando principalmente a potencialidade dos deficientes que estes avanços puderam ser materializados e. mostrando seus bons resultados na prática docente do professor de Educação Física diante dos alunos com deficiências. é uma das áreas do conhecimento que mais se desenvolveu nos últimos anos. Mesmo bem definida e com objetivos claros. a Educação Física Adaptada e sua atuação nas escolas inclusivas ainda se encontra diante de muitas dificuldades. da falta de materiais e de equipamentos.

Nesta unidade. esperamos que ao final do estudo você tenha compreendido as dificuldades pelas quais passaram as pessoas com deficiência ao longo da história até os dias de hoje e a necessidade de sua inserção na escola e na sociedade de forma geral.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 1 I ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Hora de praticar Pense nas seguintes questões: 1. O que falta na legislação brasileira para que as pessoas com deficiência tenham atendidas todas as suas necessidades? 3. e que a sua inserção nos programas educacionais só foi efetivada a partir do século XX. Bom estudo! 335 . apresentamos um pouco da história do tratamento recebido pela pessoa com deficiência até chegar aos nossos dias. passando pela Educação Física e pelos esportes. PARABÉNS! Terminamos com sucesso a primeira unidade desse estudo. tendo respeitadas suas limitações. a Educação Física e os esportes para pessoas com necessidades educacionais especiais. Queremos chamar a atenção para o fato de que não se trata apenas da inclusão das pessoas com deficiência nos programas educacionais e sociais. Em sua opinião. Como você vê o processo de inclusão de pessoas com deficiência nas aulas de Educação Física e no desporto? Coloque as suas respostas no fórum de discussão indicado pelo tutor e comente as afirmações dos colegas. Também vimos a legislação atual sobre a educação da pessoa com deficiência e os documentos internacionais que garantem tal educação. Vimos que sempre houve formas distorcidas de ver a deficiência e a pessoa que a tem. desejos e possibilidades. o desenvolvimento e a sexualidade da pessoa com deficiência. apresentamos os conceitos necessários para entendermos a educação. vamos seguir em frente? Passaremos a falar sobre o corpo. Então. Como você vê o processo de inclusão educacional de pessoas com deficiência na sua cidade? 4. Por fim. para que elas possam participar efetivamente de tais programas de maneira crítica e criativa. Assim. mas do seu empoderamento. a legislação brasileira voltada para os direitos das pessoas com deficiência é suficiente para atender às suas necessidades? 2.

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o Desenvolvimento e a Sexualidade da Pessoa com Deficiência Nesta unidade. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. de modo crítico e contextualizado. 337 . aos olhares e às relações da sociedade no que diz respeito ao corpo da pessoa com deficiência. Também conversaremos sobre alguns mitos referentes à sexualidade da pessoa com deficiência. tentando superá-los. ■■ debater aspectos relacionados à sexualidade da pessoa com deficiência. questões relativas ao corpo da pessoa com deficiência e sobre os olhares lançados sobre ela pela sociedade. além de esclarecer dúvidas relacionadas a esse assunto. esperamos que você seja capaz de: ■■ discutir. você terá a oportunidade de discutir questões referentes à corporeidade.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 O Corpo. ■■ identificar o papel da educação e da Educação Física com relação ao corpo da pessoa com deficiência.

colocando a mente. pois não se trata apenas de um “invólucro” redutível ao belo ou ao óbvio. a potencialidade e as possibilidades que fecham ou abrem caminhos. ainda hoje.1 As Concepções a Respeito da Pessoa com Deficiência Já vimos na disciplina Fundamentos Filosóficos e Históricos da Educação Física como se deu a construção desse paradigma. o corpo se preserva como um “desconhecido”. De acordo com Rodrigues (2006). mas os olhares. A problemática do deficiente inicia-se não em sua realidade corporal ou cognitiva (mental). pensamos no homem de forma cartesiana. as leituras e as representações são infindáveis e representam os valores e as impressões das diferentes épocas e sociedades pelos quais passaram. Para o autor. ele é muito mais que um. o corpo que temos é um só. pela discriminação. Você pode voltar e rever o conteúdo. outro ou os dois. é importante entendermos que. no entanto. Para iniciar uma de nossas discussões a respeito do corpo da pessoa com deficiência. 338 . O ser não pode reduzir-se ao corpo ou à mente. o corpo (ser) deficiente vem sendo alvo de muitas mudanças. Ao longo de sua existência. mas nas representações sociais que previamente definem o valor. no contexto da modernidade.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. O estigma do corpo (ser) deficiente. ele é um ser. a alma e o corpo em oposição e analisandoos de forma dicotômica. é marcado pela impossibilidade. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 2.

podemos perceber a complexidade do problema pelo qual passam as pessoas com deficiência. por exemplo: idiota. perpetua a distância do outro. menos válido. mais recentemente. No entanto. Qual seria de fato a mudança pedagógica na relação com as pessoas? O outro passou a ser o seu igual? Deixou de nele concentrar o defeito. Para ele. esse estigma experimentou também alterações semânticas significativas. ainda hoje. se realmente quisermos uma mudança que tenha significado prático no campo pedagógico. Normalmente. as pessoas com deficiência. como um mal a ser evitado. ao longo dos tempos. especial e agora. ■■ protegidos e isolados. Rosadas (1994) afirma que o problema acompanha a pessoa com deficiência desde a antiguidade como um estigma social e cultural. 339 . mongol. como reparadores de pecados cometidos contra Deus. De certo modo. Para Rodrigues (2006). foram tratadas (e ainda continuam sendo) de várias maneiras. o problema ou o mal a ser tolerado? Continuando sua reflexão. o conceito de “normalidade – anormalidade”. como. todos nós tivemos algum contato direto ou indireto com indivíduos com alguma limitação. retardado. O autor mostra que. nas diferentes culturas em que se inseriam (e se inserem). pessimista e discriminatória dessas pessoas. a questão das mudanças de nome não inaugura um novo olhar em nossas ideias acerca do outro. excepcional. desritmado. ■■ lamentados. antes. como detentores de poderes. a partir das palavras que identificam (e identificaram) tais pessoas. ■■ perseguidos e evitados. confrontam-se dois marcos identificadores: portadores de deficiência ou de necessidades educacionais especiais. prevalece uma representação negativa.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. que estudamos na Unidade 1: ■■ sacrificados. deficiência ou necessidade especial. Ele ainda deixa algumas perguntas: Vamos relembrar algumas formas de tratamento dispensadas aos deficientes. ■■ privilegiados. como insanos e indefesos. atípico. a priori. relatadas por Carvalho (1997). como possuídos pelo demônio ou por representantes do mal. imbecil. é vital romper com este paradigma. sabíamos de suas incapacidades. o autor aponta para uma questão primordial no processo da educação inclusiva. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Assim. Para Ribas (1981). através dos tempos. deficiente.

pois ela é vista como 340 . tornando-o maior. O olhar da vítima abjeta. mais que caridade. Vamos explorar mais detalhadamente cada um deles. Nunca se esqueça de que as pessoas com deficiência. diminuir as agruras e o tamanho da desgraça. desiguais. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA O “anormal” só existe a partir do que está predeterminado como “normal” e. Outro olhar observado por Amaral (1994) é o olhar do herói. Para muitos. no esporte. desgraça. vivendo intensamente sua vida. podemos lançar sobre eles o olhar piedoso. pobre. tentamos encontrar explicações para a deficiência do indivíduo. pecado. anormais ou deficientes. caridoso. sendo assim. precisam ser incluídos e aceitos como qualquer outro membro da sociedade. Aquele que vence no trabalho. ajuda e complacência. renegada. não é disso que a pessoa com deficiência precisa.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. enquanto considerarmos as pessoas com deficiência como diferentes. não normais. ao nos depararmos com aqueles que consideramos diferentes. Esse olhar é lançado sobre aquelas pessoas que exercem seus direitos socioculturais e assumem seu papel na sociedade. Agindo assim. Também é importante enfatizar as questões levantadas por Amaral (1994) com relação aos olhares lançados sobre a pessoa com deficiência. Ou seja. ajudar. na vida. acreditando em castigo de Deus. Falamos dos olhares caridosos. Tal olhar gera o desejo de fazer caridade. distancia o observador do ser observado. contribuir. estaremos perpetuando o modelo de exclusão sempre vigente na história da humanidade. o fato de a pessoa com deficiência ter sucesso na vida significa heroísmo. Porém. Primeiramente. precisam de respeito e acessibilidade a todas as situações e a todos os espaços socioculturais de sua comunidade. mais importante e capaz de ajudar a pessoa com deficiência a vencer seus problemas por meio da caridade. dos olhares que os veem como heróis e dos olhares do arremedo do não deficiente.

não conseguindo ser o que se deseja e se espera dela. Aquele olhar que lançamos sobre a pessoa com deficiência procurando ver um não deficiente. assim. um “normal”. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA incapaz. ao erro. a pessoa com deficiência. pois ela é descaracterizada na busca de ser o que não é. Ao mesmo tempo. esse olhar impede que a pessoa com deficiência se desenvolva plenamente sendo o que é.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. à falha. suas incapacidades. não podemos subdimensionar suas dificuldades. tentamos descaracterizar a deficiência. perdemos a verdadeira dimensão dos problemas advindos da deficiência e que podem. mesmo com toda a evolução no tratamento dispensado a elas e os direitos adquiridos ao longo do tempo. a pretexto de respeitar e estimular o potencial do indivíduo. porém. não fácil. É mito digno de ser seguido e copiado e que está sempre distante. Com essa visão. ainda não consegue vivenciar efetivamente seu potencial e suas possibilidades. em muitos casos. distancia o observador da pessoa observada. Para Amaral (1994). impedir o desenvolvimento da pessoa. Porém. não é possível de se alcançar. Vencer esses olhares e buscar novas possibilidades de se ver as pessoas com deficiência é um caminho necessário. sem ter direito à humanidade. É fato que precisamos observar e estimular o potencial e as possibilidades de desenvolvimento da pessoa com deficiência. se não respeitados. pois. visto que o herói é um ser superior. pois busca a transformação dela em algo que não pode ser. Assim. Carvalho (1997) apontou alguns pontos consensuais que ainda marcam o comportamento e as atitudes diante da deficiência: 341 . da pessoa um comportamento e uma performance extraordinária que. Esse olhar também afasta. Cobramos. A autora também aponta o olhar do arremedo de não deficiente. elas ainda são discriminadas ou tratadas de maneira diferenciada dos demais.

EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. e que no seu contexto é atribuído a pessoas consideradas “normais” por sua lentidão física ou intelectual? Você pode imaginar a reação de uma família que recebe a notícia de que o filho nasceu com alguma deficiência ou síndrome? Você já se imaginou pai ou mãe de uma criança com deficiência? Qual seria a reação de um grupo de adolescentes com o qual você convive. à primeira vista. atos e realizações do deficiente. que tivesse que compor sua equipe de futsal com uma pessoa com dificuldade de locomoção? Como você imagina que um(a) jovem com paralisia cerebral vai participar dos jogos internos de sua escola? Ao responder a questões como estas. antes de dizer isso. Nesse ponto. gerando até hoje o preconceito. podemos perceber a imagem ou a concepção que temos daqueles que são identificados como deficientes e/ou especiais ou qualquer outro nome que encontremos. mas. o que subentende a 342 . ■■ a tendência em generalizar as suas limitações e a minimizar os seus potenciais está presente. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA ■■ as pessoas com deficiência ainda são identificadas e socialmente rotuladas. ou seja. Essas concepções são heranças do tratamento recebido pela pessoa com deficiência ao longo da história humana e que não conseguiram ser totalmente ultrapassadas. você os compara com as pessoas consideradas “normais”. reflita: Você se lembra de algum termo que comumente identifica certa deficiência. você pode dizer que não há uma concepção negativa do deficiente. ■■ a deficiência está sempre tão presente e enfática para o seu portador e para os que o cercam que ela justifica sucessos e fracassos. ideias e concepções equivocadas a respeito da deficiência. Perceba que.

são determinantes do curso total da vida familiar. inferior ou um cidadão de segunda categoria. além de respeitar suas condições momentâneas. no seu processo de socialização.. todas as pessoas com deficiência podem e devem se beneficiar dos programas de Educação e de Educação Física. é importante saber que: o preconceito é gerado pela falta de informação e de convívio com as pessoas deficientes. a partir do momento do diagnóstico de deficiência. éticas etc. as pessoas com deficiência não são especiais. Projetamos informações e potencialidades físicas. mas sim cidadãos donos de direitos e deveres como qualquer outra pessoa. Esse é o início de uma jornada que Junqueira (2010. É importante afirmar que o termo ou o rótulo que utilizamos na identificação das pessoas diz algumas coisas sobre elas. Facilitamos ou dificultamos o diálogo e o convívio a partir daí..). Abrimos ou fechamos portas. 343 .) as barreiras impostas.. conviver com elas e entender suas limitações e possibilidades. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA “anormalidade”.. p. pode se sentir incapaz. 15) sintetiza bem quando afirma: (.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. Enfatizamos que a pessoa com deficiência. diferentes ou atípicas. intelectuais. Para mudar essa situação. Mas você pode dizer não ao preconceito! E uma das formas mais consistentes de fazer isso é estudar e conhecer as pessoas com deficiências. lutando pela necessária superação das dificuldades relacionadas à sua inclusão sociocultural. inválida e diferente. a pessoa com deficiência não deve ser considerada incapaz. o processo de aprendizagem das pessoas com deficiência ocorre da mesma forma que o das outras pessoas. merecedoras de piedade ou caridade. por causa de uma sociedade preconceituosa. social e educacional do indivíduo (.

combinada com o Decreto n o 21. das limitações e das potencialidades dos alunos. 40). Artigo 27. toda pessoa com deficiência aprende. p. forte.2. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA necessitando de algumas adaptações curriculares e metodológicas. que sempre enfatizaram o culto ao corpo perfeito. receba-a. recebeu influências do Higienismo. que tirava da escola pessoas que não pudessem praticar essa atividade. seu Corpo e a Educação Física A Educação Física. do Competitivismo e do Pedagogicismo. permanentemente. belo. ao longo de sua história.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO.241/38. converse. a aprendizagem depende do conhecimento das características. como a enfatizada pela Portaria Ministerial n o 13. competidor e vencedor. que determinava a “proibição da matrícula em estabelecimento de ensino secundário de aluno cujo estado patológico o impedia. das aulas de Educação Física” (CANTARINO FILHO. conviva. P assou por políticas públicas. aceite-a. o professor deve conversar com a família e com os alunos sobre como se relacionar. ao se encontrar com uma pessoa com deficiência. a partir da década de 1980. lutador. trabalhador. a partir das vivências concretas. A Pessoa com Deficiência. com as pessoas com deficiências. 1982. a superproteção pode atrapalhar o desenvolvimento acadêmico e funcional da pessoa com deficiência. Só a convivência com a pessoa com deficiência pode quebrar os mitos criados pelo preconceito!!! Por isso. do Militarismo. Você vai descobrir que essa convivência é tão importante para você quanto para ela!!! 2. E mesmo com as novas perspectivas que começaram a se efetivar. desde que haja uma mediação adequada. de 1/2/1938. a Educação Física Escolar 344 .

. Por causa dessas considerações é importante perguntar: (. as pessoas com deficiência vêm sendo incluídas nas turmas regulares da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. deixando de lado os “incapazes”. Sabemos que o meio social sempre excluiu. cobrou performances extraordinárias. o que. 345 . p.) se em função das heranças das concepções históricas (higienista. de forma a respeitar suas condições. No campo da Educação Física.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. classificou. os “baixinhos”. Mas como incluí-las se os conteúdos da Educação Física Escolar. os “magricelos”. descaracteriza aqueles que não conseguem se encaixar. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA ainda não se estruturou a ponto de atender às pessoas que apresentam um corpo fora dos parâmetros sempre determinados pela própria Educação Física. os “desajeitados”.. gradativamente. mesmo diante de toda a evolução dos seus conceitos. não conseguem ainda atender às pessoas que não apresentam competências e habilidades para acompanhar as suas propostas. separou. como podemos agora incluir pessoas que têm deficiências e que não apresentam as possibilidades e as habilidades exigidas nas aulas tradicionais de Educação Física? (BOATO. consequentemente. pedagogicista. 116) O autor traz algumas importantes reflexões. sem desejar o enquadramento em padrões preestabelecidos de corpo. militarista e competitivista) e das dúvidas que cercam as novas concepções da Educação Física Escolar. caso das pessoas com deficiência? Para resolver esta questão. é muito importante discutir o papel da Educação Física na escola e redimensionar sua função no desenvolvimento dos alunos.. os “inábeis”. entre outros.. pessoas que têm deficiência e que historicamente sempre foram excluídas da participação social. 2010. ainda não conseguimos incluir aqueles alunos que não se encaixam nos modelos pré-estabelecidos como os “gordinhos”.

a pessoa com deficiência que pratica esporte precisa ser vista como uma pessoa comum. consequentemente. Dessa forma. descaracterizando olhares que não contribuem para a sua inclusão social. apesar das agruras. 2001). A Inclusão da Pessoa com Deficiência nas Aulas de Educação Física Segundo a Resolução no 2/2001 do CNE/CEB. além de contribuir com a melhora de suas condições cardiorrespiratórias e funcionais. Claro. ao contrário do pensamento daqueles que pregam a 346 . a pessoa com deficiência não apresenta condições momentâneas de ser incluída nas aulas de Educação Física do Ensino Regular. nos casos em que o aluno necessitar de adaptações tão significativas que a escola comum não consiga atendê-las. O atendimento educacional especializado no ensino especial. 2. em caráter transitório. precisamos ter claro que. a mesma Resolução no 2/2001 enfatiza que. ele deve ser atendido. consegue vencer a qualquer custo. à inclusão nas aulas de Educação Física. Em função disso.3. a visão de heroísmo imposta pela mídia e pelo senso comum pode afastar outros praticantes que não se veem capazes de atingir performances extraordinárias. no ensino especial (BRASIL. que se beneficia das propostas da Educação Física voltadas para o atendimento das pessoas com necessidades educacionais especiais. a participação em programas esportivos é importante meio para a recuperação da autoestima de pessoas com deficiência. A visão do heroísmo pode criar a necessidade de transformar a pessoa com deficiência em algo que ele não pode e não precisa ser: um ser extraordinário que. No entanto.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. Porém. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Também é importante descaracterizar os atletas que têm deficiência como sendo heróis. toda pessoa com deficiência tem direito à inclusão escolar e. e que isso não significa exclusão. em alguns casos.

orientado para suas necessidades únicas. e 5) Quando o ambiente não é seguro para o estudante com deficiência. ele terá possibilidade de compreender e desenvolver as suas condições e as suas relações com o meio ambiente em que vive e.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. 2) Quando estudantes sem deficiência não alcançam suas metas por causa da inclusão de um aluno com deficiência. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA sua extinção. às suas limitações e às suas possibilidades e a atenção para o fato de que essas pessoas não podem. visa à preparação do aluno que momentaneamente não consegue se inserir em programa inclusivo. Block (1991. 4) Quando o aluno com uma deficiência não está recebendo um programa de educação apropriado. 28) cita as seguintes condições: 1) Quando o aluno com discapacidade é extremamente destrutivo/desorganizado e/ou perigoso para outros estudantes. 2001). de forma alguma. Há programas inclusivos na Educação Física muito bons e há programas segregados muito bons. Para que possamos compreender melhor em que situações não é apropriado integrar crianças com deficiência nas aulas de Educação Física no ensino regular. gozando sempre dos benefícios que a Educação Física pode apresentar. 347 . ficar fora de tal atendimento. assim. 3) Quando estudantes com deficiência não alcançam suas metas ou dispersam por estarem incluídos na aula regular (é preciso estar claro que as metas da pessoa com deficiência não precisam ser as mesmas do restante da turma). Com isso. a partir dos atendimentos propostos. a qualidade do programa reflete muito mais a pessoa ou a instituição que oferece o serviço do que o contexto em que os serviços são oferecidos (PEDRINELLI. p. ser incluído em momento propício na escola e na sociedade. Também não podemos esquecer que o mais importante no atendimento educacional especializado na área de Educação Física para pessoas com deficiência é o respeito às suas condições. Frequentemente.

para que haja um atendimento que contemple as necessidades educacionais especiais dos alunos com deficiência. o qual deve considerar as características individuais e o estágio de desenvolvimento da criança em cada área específica. Bem. é importante esclarecer que as pessoas com deficiência passam pelos mesmos estágios do desenvolvimento de qualquer ser humano. não ocorrem de forma regular e homogênea. sem esquecer suas potencialidades ou supervalorizar suas limitações. o aluno deve ser estimulado para superar tal deficit sem ser colocado em situações que podem prejudicá-lo. “desigual” ou lento cria a necessidade de um ensino individualizado. de oito anos de idade. Para Chicon (1999). fisiologia e dos aspectos relacionados ao desenvolvimento humano. Ele enfatiza que esse desenvolvimento “desorganizado”. nesse caso. em alguns casos significativos. como correr e saltar. apresentando deficits. Eis um exemplo: imagine a situação de um aluno. 2. com diferenças no nível de desenvolvimento. nos casos de deficiência. Duas crianças com o mesmo quadro de uma determinada deficiência podem apresentar comportamentos totalmente distintos. 348 .4. cabe ao educador orientar o aluno para experiências de acordo com seu próprio ritmo e a partir de seu nível de desenvolvimento. O Desenvolvimento Deficiência das Pessoas com Para continuarmos a nossa conversa. No entanto. por causa dela – deficiência – alguns estágios podem se desenvolver com maior lentidão. Boato (2009) diz que devemos estar atentos ao fato de que o desenvolvimento e o crescimento. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA É ainda extremamente necessário o conhecimento de anatomia. com deficiência intelectual e que ainda não apresentou um desenvolvimento motor que permita a ele associar dois movimentos fundamentais.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. em todos os casos.

até que ele tenha condições de coordenar a corrida com o salto como os outros alunos. A partir do conhecimento da idade motora do aluno. chamada Manual de Avaliação Motora. porém. visto que as mesmas serão compatíveis com suas condições. Porém. é preciso estar atento às condições momentâneas do aluno e ao seu nível de desenvolvimento. precisando. de situações concretas para aprender. se você está ensinando. E como fica a Educação Física. principalmente quanto à aprendizagem da pessoa com deficiência intelectual. é preciso ficar claro que as pessoas com deficiência. para buscar uma melhoria no seu quadro. ainda existem muitos mitos.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. ao nos referirmos à pessoa com deficiência. aprendem como qualquer outra pessoa. A idade motora pode ser determinada por meio de testes motores e psicomotores. pode realizar com esse aluno com deficiência intelectual saltos parados. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Continuando o exemplo. Mesmo as pessoas com deficiência intelectual pensam com lógica. em alguns casos. diante de situações como essas? 349 . pode haver um atraso. podemos definir com mais precisão que estímulos ele precisa para se desenvolver efetivamente. além de permitir que realize com sucesso as atividades propostas. o professor de Educação Física precisa estar vigilante à idade motora do aluno e às suas condições socioemocionais e psicomotoras. além de enfatizar que os aspectos defasados devem ser trabalhados sem deixar de lado o estímulo e a ênfase no trabalho com as áreas em que esse aluno apresenta bom nível de desenvolvimento. você percebeu que. 2. Em função disso. para a sua turma. As Pessoas com Deficiência e a Aprendizagem Certamente. incluindo as com deficiência intelectual e com transtornos globais do desenvolvimento.5. salto em distância. Por isso. Uma bateria de testes motores que pode ser utilizada para que se tenha a dimensão da idade motora do aluno é a sugerida por Rosa Neto (2002).

de suas condições afetivas. além da melhoria da condição cardiorrespiratória e funcional. Devemos lembrar que. a Educação Física deve se adequar para que se torne acessível a todos. o problema não está no aluno. por conta da sua deficiência. As Pessoas com Deficiência e a Sexualidade Quando o assunto é a sexualidade da pessoa com deficiência. haverá aprendizagem e desenvolvimento. escolares ou de melhoria da qualidade de vida. não consiga se desenvolver a ponto de praticar esportes e/ou participar de competições. É fundamental que o professor tenha uma postura respeitosa e preocupada com questões que podem influenciar na sexualidade da pessoa com deficiência. a sexualidade pode ser despertada em função de equívocos cometidos pelo próprio professor. Independentemente da deficiência ou do seu nível de intensidade. ele deve usufruir o direito de se beneficiar de todas as possibilidades oferecidas pela Educação Física. seja nos recreativos. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Bem. É preciso estar ciente de que. em muitos casos. seja nos programas esportivos. Quer ver um exemplo? A vestimenta do professor. 2. de suas relações interpessoais e das possibilidades de vivências e convivências que aumentam as chances de inclusão sociocultural e escolar. Por se tratar de uma área em que há a possibilidade de se vestir de forma mais esportiva. o professor pode errar a dose e usar roupas 350 .EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. Se os estímulos apresentados forem compatíveis com as condições momentâneas do aluno e com sua capacidade de compreensão e visarem à superação dessas condições. é muito importante nos lembrar de questões éticas que devem envolver o relacionamento do professor de Educação Física e o aluno.6. mesmo nos casos em que o aluno. o aluno beneficia-se com relação à melhoria de sua autoestima. Em todos esses programas. mas nos estímulos que estão sendo propostos. em alguns casos.

da mesma forma que os outros alunos. professor. M as. pensando que. considerando que o(a) aluno(a) não tem malícia e não sente desejos como as outras pessoas. Em outras palavras.. como afirmam Glat e Freitas (2002. quando não patológica. esses pais e profissionais surpreendem-se quando os veem sexualmente excitados e atribuem seu comportamento “inapropriado” à patologia clínica. eles viverão uma vida “excepcional” (no mau sentido do termo) (GLAT e FREITAS. Esse toque também pode acontecer por parte da pessoa com deficiência que pode estar buscando se excitar com o corpo do professor. As autoras ainda dizem que os familiares e os profissionais. as pessoas com deficiência. o(a) aluno(a) com deficiência tem sexualidade e passa pelos mesmos processos que os outros alunos. por se tratar de um deficiente. Então. ao excesso de masturbação. por princípio. Assim. p. pois. tanto entre os familiares. alunos ou clientes deficientes. tenha muito cuidado. assim como qualquer um. ignoram a sexualidade de seus filhos. precisam ser orientadas quanto aos métodos contraceptivos. 2002). o mito de que a sexualidade dos portadores de deficiência intelectual (ou qualquer outro tipo de deficiência) é por natureza intrinsecamente problemática. o aluno não notará nem se estimulará. ao respeito com o próprio corpo e com o corpo do outro. em muitos casos. ao uso de camisinha..) ainda é muito arraigado. 351 . 12) (. consequentemente. Para elas. Mas. Podem ainda acontecer toques inapropriados. aos cuidados com a higiene. e. não lhes prestam algum tipo de orientação a respeito. ao contrário desse pensamento. as atitudes dos indivíduos com deficiência e suas expressões de sentimentos e desejos serão sempre vistas a partir do referencial de “anormalidade”. quanto entre os profissionais. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA provocantes.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. em razão do estigma ou rótulo de “anormal”.

para dar aulas sobre sexualidade para seus alunos. Também não podemos culpar ou tratar de forma punitiva atos como a masturbação e a tentativa de a pessoa com deficiência tocar o outro com a intenção de se excitar. frutos dos olhares lançados sobre ela na história da humanidade. 2002). ao nos referirmos à sexualidade da pessoa com deficiência. A verdade é que não existe diferença entre a sexualidade da pessoa com deficiência e a de outras pessoas. 352 . por se acreditar que ela não se apresenta. igual às outras. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA A pessoa com deficiência precisa ser orientada e informada. Nesses casos. assim como a didática necessária. o professor deve tratar o assunto da maneira mais natural possível. pois sua sexualidade não é qualitativamente diferente das demais – a não ser. Porém. muitas vezes a pessoa deficiente é alijada desse processo educacional. É sempre importante enfatizar que o(a) professor(a) de Educação Física pode ser um excelente agente de informação sobre aspectos relacionados à sexualidade de seus alunos. Esse professor tem conhecimentos de anatomia e fisiologia suficientes. depararmos com uma série de mitos e preconceitos. com relação à sexualidade. Vejamos alguns mais evidentes: Mito 1 – A pessoa com deficiência (principalmente com deficiência intelectual) tem a sexualidade aflorada (?) Mito 2 – A pessoa com deficiência é assexuada (?) Mito 3 – O cego é um ser puro (?) Mito 4 – O deficiente físico não pode ter relação sexual (?) Para todos esses casos. É comum. nos casos mais prejudicados neurologicamente (GLAT e FREITAS. talvez.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. existem visões equivocadas com relação à sexualidade da pessoa com deficiência. orientando o aluno e não brigando com ele.

mas entre os próprios profissionais de saúde) a crença de que portadores de deficiência intelectual não têm condições de controlar seus impulsos sexuais e que precisam ser medicados. pode ter dificuldade em lidar com sua sexualidade. mesmo por “especialistas”. p. 353 . vamos explorar cada um desses mitos. Mito 1 A pessoa com deficiência (principalmente com deficiência intelectual) tem a sexualidade aflorada (?) Segundo Glat e Freitas (2002. de que seus filhos ou alunos se masturbam em público. e esse ato não pode ser entendido ou tratado como ato pernicioso. pode se masturbar em excesso. Pensando nessa situação. porém essas dificuldades podem ser minoradas com a educação. a partir de um processo educacional sério. que pessoas portadoras de deficiência intelectual são também deficientes ou retardadas em seu desenvolvimento sexual e afetivo. masturbarse perto de outras pessoas. Paradoxalmente. 14): É ainda muito difundida (não só entre leigos. ou manifestar desejo sexual por alguém de forma inconveniente. é considerado como verdade. É freqüente também a queixa por parte de pais e professores. Mas também precisamos entender que. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Em alguns casos. esse aluno pode entender a inconveniência de alguns atos perto de outras pessoas e não mais agir de forma equivocada.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. o deficiente intelectual descobre sozinho a masturbação. Porém. em função de uma série de fatores. por conta de suas limitações. Agora. pode haver dificuldades em lidar com a sexualidade. é importante saber que a pessoa com deficiência intelectual. Por exemplo: se não orientada. como qualquer outro adolescente.

professores e outros profissionais. Mito 2 A pessoa deficiente é assexuada (?) É outro equívoco acreditar que a pessoa com deficiência (principalmente com deficiência intelectual) seja assexuada. familiares. para que ele. p. devemos educar o adolescente ou o adulto com deficiência intelectual. pessoas com deficiência intelectual exibem comportamentos sexuais inapropriados. a sexualidade do deficiente intelectual precisa ser entendida e educada e. casar. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Em situações assim. é uma extensão da visão popular do deficiente como “um ser demoníaco” ou como “uma eterna criança” respectivamente. Portanto. 15): Este estereótipo do deficiente intelectual como sexualmente agressivo. 18): Pode-se dizer que. por não acreditarem no desejo sexual da pessoa com deficiência.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. Em muitos casos. longe das outras pessoas. Para Glat e Freitas (2002. p. o deficiente intelectual pode apresentar condições para namorar. por não lhes ter sido dada uma educação e orientação sexual adequada. segundo Glat e Freitas (2002. justificativas para negação de sua sexualidade. Outro fato importante: em muitos casos. Estas atitudes se tornam. ter filhos e formar família. o faça em local apropriado. basta 354 . se for se masturbar. então. se for bem trabalhada. é também importante enfatizar que. ou então assexuado. como os demais. Assim. ou pelo menos. Por fim. ou são sexualmente inibidas ou inativas. ter uma vida sexual ativa. não apresentará problemas. de maneira geral. a oportunidade de “aprender na vida”. não pensando em sexo. acabam tratando-o como se ele fosse uma criança e não dão a dimensão necessária às questões referentes à sexualidade.

com a mesma intensidade. não terão naturalmente interesse por sexo! O que esse pensamento nos mostra? Bem. Porém. coloca sobre ela a responsabilidade de manter-se inocente e inofensiva. Mas não é certo pensar que os cegos sejam criaturas diferentes. se não estimulados. ao considerarmos a pessoa com deficiência assexuada. é importante saber que eles têm os mesmos interesses das demais pessoas. dando atenção a todas as suas necessidades. puras. carente afetivamente. só que usufruem das coisas de um modo particular. É importante entender a pessoa com deficiência como qualquer outra. sem opinião própria e sem desejos. sem desprezar essas necessidades e. aproveitar-se desses momentos para extravasar suas necessidades sexuais. ao mesmo tempo. desprovidas de qualquer interesse mundano e que só se ocupam das “coisas do espírito” (MELO. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA controlar (por repressão comportamental ou medicamentosa) e/ou canalizar (através de atividades diversas. Educação Física) esta sexualidade instintiva e potencialmente agressiva. 1988). 355 . Essas atitudes talvez estimulem a sexualidade da pessoa com deficiência que pode. por acreditar que não haja maldade nisso.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. como por exemplo. podemos nela tocar de maneira inconveniente ou deixar que ela nos toque. sem superestimá-las. já que no fundo eles são inocentes e. e não precisaremos mais nos preocupar com o assunto. além de descaracterizar a pessoa com deficiência. Mito 3 O cego é um ser puro (?) Muitos acreditam que os cegos não sejam como as demais pessoas. preocupando-se mais com a espiritualidade. percebemos que. tratando-a de maneira natural e ética. Para a autora. ainda.

como qualquer outra pessoa. se a produção de espermatozoides não for prejudicada no homem a partir da lesão. No caso em que não há ereção ou sensibilidade peniana. namoram. Mito 4 O deficiente físico não pode ter relações sexuais (?) Muitos pensam que a pessoa com lesão medular (paraplégicos e tetraplégicos). Com relação às mulheres. desde que haja compreensão da parceira. os deficientes físicos podem ter uma vida sexual normal. têm vida sexual ativa. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Os cegos têm desejos como qualquer outra pessoa. assim como com lesão cerebral e amputações. o que permitirá a ele ser pai. essa sensibilidade pode ser perdida. mesmo sem haver ejaculação. as relações sexuais dependem do nível e da intensidade da lesão. mesmo assim o homem pode ter relações sexuais. o homem com lesão medular pode ter ereção e sensibilidade peniana. mas o homem pode ter ereção e. É bom lembrar que a relação sexual não depende apenas da penetração. Para as mulheres que não têm sensibilidade. pode ter relações sexuais. 356 . Quanto à fertilidade. Porém. também Continuaremos explorando esse tema em tópico específico sobre deficiência física. A mulher também pode ter sensibilidade na vagina. também é necessária a compreensão e o apoio do parceiro. Dependendo da altura da lesão e do fato de essa ser completa ou incompleta. no caso da lesão medular. casam.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. filhos e formam família. assim como a mulher. No caso da lesão cerebral e das amputações não há restrições quanto à vida sexual e. poderá haver inseminação artificial. não podem ter relações sexuais. Nos casos de lesão mais alta. mesmo sem sensibilidade.

Uma não substitui a outra. A Educação Física e a sexualidade são dois elementos muito importantes para a vida de qualquer pessoa. efetivamente. assim como para a vida das pessoas com deficiência. desde que seu sistema reprodutor não tenha sido afetado. seja pela inseminação artificial. eliminando/ diminuindo/minorando as desvantagens que podem advir das deficiências? Faça um texto sugerindo possibilidades de participação das pessoas com deficiência nas aulas de Educação Física escolar e nos esportes. incluir pessoas com necessidades educacionais especiais.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. e cada uma deve ter seu espaço. reflita: O que é necessário modificar/alterar/adaptar na escola para que ela consiga. As duas. A Educação Física não pode e não deve ser usada como meio para canalizar ou extravasar a energia das pessoas com deficiência para que eles não pensem em sexo. junto com tantas outras vivências necessárias. como muitos pais e profissionais desejam. seja por meio da cópula. 357 . complementam a vida da pessoa com deficiência! Hora de praticar A partir das questões levantadas nesta unidade. é importante deixar claro que a pessoa com deficiência física pode e deve ter uma vida sexual ativa e completa. coloque-o no fórum de discussão da disciplina e comente as afirmações dos colegas. Por fim. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA poderá acontecer a gravidez.

seu desenvolvimento e sua sexualidade. Agora é hora de seguir em frente e conhecer as principais características das deficiências e as possibilidades de intervenção do professor de Educação Física. O DESENVOLVIMENTO E A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Nesta unidade. Parabéns! Mais uma unidade do nosso estudo foi concluída com sucesso. a partir da construção de sua autoestima e do respeito às suas possibilidades e limitações. Vimos o quanto essas questões são fundamentais para os professores de Educação Física e a atuação desse profissional junto aos alunos e/ou atletas que têm deficiência. enfatizamos a importância da Educação Física na construção de uma autoimagem positiva por parte da pessoa com deficiência. sendo área rica em possibilidades para a melhoria da qualidade de vida e da inclusão educacional dessa pessoa. A compreensão dos aspectos que envolvem a convivência com a pessoa com deficiência e sua aceitação levam a uma prática pedagógica coerente que busca a efetividade do processo de inclusão das pessoas que têm necessidades educacionais especiais. Dessa forma.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 2 I O CORPO. Vamos em frente? 358 . conversamos sobre o corpo da pessoa com deficiência.

esperamos que você seja capaz de: ■■ analisar os conceitos das deficiências primárias e das necessidades educacionais especiais delas advindas. no sentido de contribuir com a sua prática pedagógica nas aulas de Educação Física. ■■ propor alternativas para inserir alunos com deficiência nas aulas de Educação Física. Serão discutidos os conceitos e apresentadas algumas sugestões para o trabalho pedagógico com as pessoas que têm tais deficiências. ■■ relacionar o conceito de Transtornos Globais do Desenvolvimento e Deficiência Múltipla às necessidades educacionais especiais deles advindos. conversaremos sobre algumas das deficiências que geram necessidades educacionais especiais. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. na iniciação e no treinamento desportivo. vamos lá! 359 .EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 A Educação Física e o Aluno com Deficiência Nesta unidade. ■■ explicar as necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência. Então.

Às vezes. como: (.1 Deficiência Intectual Oi. sociais e conceituais –. a partir de 2002.. é importante ressaltar que: ■■ Deficiência mental leve ou educável. mas gosto de brincar. considerando a relação dinâmica entre o funcionamento do indivíduo.) limitações significativas no funcionamento intelectual da pessoa e em seu comportamento adaptativo – habilidades práticas. eu sou a Sílvia e tenho deficiência intelectual. eu não entendo algumas coisas.. os apoios de que dispõe e as seguintes dimensões: 360 . Esse novo modelo proposto pela AAIDD é funcional e multidimensional. jogar bola.. caracterizado pela Associação Americana de Deficiências Intelectual e do Desenvolvimento – AAIDD. ■■ Deficiência mental moderada ou treinável. conversar. usaremos o termo Deficiência Intelectual.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA 3. Conceituando a Deficiência Intelectual Apesar de o termo Deficiência Mental ainda ser muito utilizado no Brasil. ■■ Deficiência mental severa ou treinável. originando-se antes dos dezoito anos de idade. ■■ Deficiência mental profunda ou dependente são termos que não são mais usados na área educacional.. Antes de começarmos a conversar sobre o conceito de Deficiência Intelectual. dançar.

é muito importante para o professor de Educação Física valer-se de testes motores e psicomotores que identifiquem a idade motora do aluno. Isso significa dizer que a avaliação do aluno para as aulas de Educação Física deve considerar os pontos nos quais esse apresenta maior e menor dificuldade. visando à superação de suas limitações.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA a) Dimensão I: habilidades intelectuais. de posse do conhecimento do estágio em que se encontra esse aluno. Para a AAIDD (2002). c) Dimensão III: participação. Passo 3: avaliação do nível ou da intensidade do apoio. 2) o apoio apresentado para o aluno. 361 . saúde mental. o trabalho com o aluno com deficiência intelectual deve partir de uma avaliação que considere os quatro passos seguintes: Passo 1: identificação de áreas relevantes para o provimento do apoio. b) Dimensão II: comportamento adaptativo (habilidades conceituais. Passo 2: identificação de apoio relevante para cada área. Também é necessário conhecer com profundidade as etapas do desenvolvimento humano para que. Passo 4: registro do plano individualizado de apoio. etiologia). sociais e prática de vida diária). Além disso. p. possa propor atividades compatíveis com sua condição. dentro das condições apresentadas. para a AAIDD (2002. A partir daí. sem esquecer-se de fazer um plano individualizado que leve em conta as reais necessidades de cada aluno. interações e papéis sociais. d) Dimensão IV: saúde (saúde física. Nesse ponto. e) Dimensão V: contexto (ambientes. cultura). definir que estratégias utilizar nas aulas.

embora. Ele pensa com lógica. para muitos. uma maior lentidão. e pode ser minimizado quando se pode contar com o provimento de intervenções. Neves-Ferreira (1993) lembra que. apesar de o seu desenvolvimento cognitivo não corresponder à sua idade. precise de informações concretas. mas transformacional. em alguns casos. potência a ser desenvolvida e transformada em ato). não é fixo. o indivíduo cresce normalmente. havia três formas (equivocadas) de ver a aprendizagem do deficiente intelectual: 1) a aprendizagem vinha pré-formada (inata. Considerando os aspectos levantados pela AAIDD. Porém. é importante esclarecer que nem sempre o E como acontece o crescimento corporal corresponde ao desenvolvimento crescimento corporal? cognitivo.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Reflete a expressão das limitações no funcionamento individual dentro do contexto social. apesar de poder haver. em algumas situações. 362 . 3) a aprendizagem e a não-aprendizagem eram frutos de problemas emocionais. Ou seja. a aquisição de habilidades adaptativas e o estabelecimento de papéis socialmente valorizados para a pessoa. Além disso. antes de definir os objetivos e as propostas a serem desenvolvidas. é importante sempre ouvir o aluno com deficiência intelectual e a sua família. 2) o movimento seria o único responsável pela ação da inteligência. Bem. serviços ou apoios que focalizam a prevenção. Em função de tudo isso. dependendo das limitações funcionais da pessoa e dos apoios disponíveis no ambiente. a autora enfatiza que o deficiente intelectual não é um objeto a ser cuidado. os estágios do desenvolvimento do ser humano são os mesmos no deficiente intelectual.

■■ não há incompetência generalizada. 5) Usar exemplos concretos sempre que necessário. Ela pode exercer muitas funções no seu meio social. 2) Introduzir atividades novas ou não-familiares na primeira parte da aula. ■■ a condição etiológica pode ser tratável e o seu conhecimento prévio permitir procedimentos que minimizem deficiências que viriam a ocorrer. dos casos. 3) Dar orientações claras sobre a atividade a ser realizada.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA É importante saber que a pessoa com deficiência intelectual pode apresentar algumas das características citadas abaixo: ■■ atraso mais ou menos significativo no desenvolvimento motor. oferecendo primeiramente atividades familiares para o aluno. além de participar. em grande parte. ■■ lentidão na aprendizagem de habilidades necessárias aos cuidados pessoais. visuais e táteis. ■■ atraso mais ou menos significativo no desenvolvimento da linguagem. Seaman e De Pauw (1982) apresentam as seguintes sugestões para o estabelecimento de uma ordem pedagógica nas aulas de Educação Física: 1) Progredir lentamente. continua 363 . das aulas de Educação Física Escolar em classes comuns. ■■ a saúde pode ser perfeita. familiar e escolar. 4) Apresentar as ideias de forma lenta e com pequena quantidade de informações por vez. ■■ dificuldade para receber. como comer com a própria mão e desenvolver hábitos de higiene. 6) Estar ciente do nível de atenção e interesse dos alunos. ■■ dificuldade para aprender a imitar comportamentos. captar e reagir adequadamente aos estímulos auditivos. ■■ lentidão no desenvolvimento do processo de brincar com objetos e com pessoas. Também é importante saber que na pessoa com deficiência intelectual: ■■ nem sempre as síndromes biomédicas provocam deficiência intelectual.

isso porque ele está aprendendo e necessita de “um tempo” para compreender como fazer certo. 364 . 10) Elogiar as tentativas e reforçar o bom desempenho. ► não apresentar para o aluno deficiente intelectual. 11) Incluir estrutura e rotina na aula. o que fica caracterizado como um processo de “coquetel de informações”. para depois utilizar com mais proficiência habilidades abertas. 12) Oferecer experiências que permitam a participação de cada aluno.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA 7) Apresentar metas que estejam no nível de desenvolvimento do aluno e que possam ser alcançadas. Da mesma forma. muitas informações ao mesmo tempo. 13) Oferecer oportunidades para melhorar a adaptabilidade emocional. nas quais fique evidenciado o início. e enfatizando as sugestões dos autores. o meio e o fim. o princípio de reconhecimento da aprendizagem quanto às suas etapas: a) cognitiva. b) condicionada e c) voluntária – a etapa inicial de um aprendizado novo é carregada de erros. pois ele sente dificuldade em processar muitas informações ao mesmo tempo. 9) Enfatizar a terminologia das atividades. 8) Basear as novas experiências em movimentos previamente aprendidos. Orientações de Rosadas e Pedrinelli (2002) ► utilizar inicialmente com o aluno deficiente intelectual atividades fechadas. mudando sistematicamente e lentamente a estrutura da aula. ► utilizar sempre. em novas atividades. Rosadas e Pedrinelli (2002) propõem a utilização de orientações específicas para facilitar o relacionamento e a aprendizagem motora de pessoas com deficiência intelectual nas aulas de Educação Física. em uma atividade. e 14) Utilizar demonstrações (do professor ou de outros estudantes). ► cada dia de atividade física e/ou desportos para alunos com deficiência intelectual deve iniciar e terminar com atividades que se relacionam com seus pontos mais potenciais.

► prestar atenção se o aluno está identificando os estímulos que lhe são oferecidos a todo o momento e como ele responde aos mesmos. ► não limitar as aulas aos ensinamentos de habilidades motoras. enfatizar outros conhecimentos relacionados a cores. o que ele poderá fazer e quais seus limites de comportamento e participação. ► nunca subestimar nem superestimar o potencial do aluno. suas características pessoais. ► não usar críticas desnecessárias. ► usar sempre a prática mental simultânea à prática real (a claramente física) como um procedimento de aprendizagem rico para os deficientes intelectuais. ► desenvolver procedimentos motivadores e felicitar o aluno. ► procurar perceber se uma atividade foi compreendida antes de torná-la mais complexa. formas.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Orientações de Rosadas e Pedrinelli (2002) continuação ► no meio das sessões de Educação Física. atividades psicomotoras. pois esta atitude não só ajuda a fixar o aprendizado. ► evitar a superproteção. ► fazer uso dos preceitos da adaptação. pois cada homem é diferente e merece atenção e percepção de suas condições individuais. tamanhos. sempre que possível. ► estabelecer normas em qualquer atividade com o aluno – conversar com ele sobre essas normas. alimentar sempre posturas estimuladoras. posicionamentos. demonstrando satisfação quando ele participa das aulas. da sobrecarga e da continuidade. ► observar e procurar compreender os limites do aluno. 365 . sempre de forma a mais concreta possível. ► possibilitar espaços para a criatividade. mas. como também estimula um clima favorável no ambiente de atividades. sem restrições. e ► procurar estabelecer para os alunos com deficiência intelectual atividades em ambientes de inclusão. desenvolver novas propostas que necessitem ser encorajadas. jogos. ► explicar e/ou demonstrar as atividades sempre que necessário.

Para iniciar o trabalho pedagógico. podem não conseguir. a partir de sua realização. sendo necessário um trabalho individualizado. você precisa procurar atividades sempre compatíveis com as condições do aluno. mas não podem simplesmente servir de impedimento para a participação do aluno com deficiência intelectual nas atividades de Educação Física. A pessoa com Deficiência Intelectual. Também deve ser um 366 . Para ela: Do ponto de vista sócio-afetivo. na aceitação e no respeito. o estabelecimento de uma relação afetiva favorável no começo do trabalho vai favorecer o seu desenvolvimento. muitas vezes. conter grande diversidade de materiais que facilitem as descobertas e a construção do conhecimento e área suficiente para que a criança possa construir. em primeiro lugar. a fim de que o aluno mantenha-se motivado para as aulas. é muito importante. o convívio com o sucesso. ter condições de enfrentar novos desafios nas aulas de Educação Física. todo trabalho em Educação Física deve buscar o desenvolvimento individual e a inclusão do aluno em grupos. participar de atividades em grupo. trabalhar com jogos em grupos. desenhar. 23) aponta a necessidade do estabelecimento de uma relação afetiva favorável para o desenvolvimento do aluno com Deficiência Intelectual. utiliza-se em demasia da comunicação afetivo-emocional. Com isso. a fim de que possa favorecer o desenvolvimento da autonomia moral e intelectual. professor.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA É importante lembrar que as deficiências devem ser respeitadas. Além disso. Porém. o objetivo do educador deve ser. até o ponto possível para suas possibilidades. Então. Também é muito importante que o ambiente da aula tenha um espaço suficiente para que os alunos possam se movimentar e interagir com os objetos e os colegas. pois a socialização permitirá um melhor desenvolvimento. Neves-Ferreira (1993. segundo Fonseca (1987). inicialmente. o de desenvolver uma relação afetiva baseada na confiança. p. Alguns alunos. para que ele consiga realizá-las e. em razão da gravidade de sua condição.

a Síndrome de Down não é uma doença. com sede em Washington D. mas. vivenciar alegria. as APAEs. segundo Oliveira (2000). 2000). 3.2 Síndrome de Down Conceituando a Síndrome de Down Oi. a Sociedade Pestallozzi e a ABDEM – Associação Brasileira de Desporto de Deficientes Mentais também promovem treinamentos e competições para Deficientes Intelectuais. Sabia que eu jogo no time de futebol da minha turma? Ao contrário do que muitos pensam. atualmente mais de 150 países em todo o mundo participam desse programa. para que o aluno o sinta como aconchegante e familiar. Kennedy Jr. eu sou o Marcos. Com relação à prática esportiva para pessoas com Deficiência Intelectual. O principal objetivo da Special Olympics é proporcionar treinamentos e competições esportivas o ano todo. dando oportunidades de desenvolver aptidão física. precisa ter o seu lugar respeitado na escola. em alguns casos. mas sim um acidente genético que ocorre 367 .EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA local estimulante e organizado. no Brasil. Como conversamos antes. Não há restrições. é importante o Deficiente Intelectual participar das modalidades coletivas juntamente com alunos que não tenham deficiência.C. é necessário adaptar regras e técnicas para esse aluno compreendê-la. Segundo a autora. É muito importante ressaltar que a pessoa com deficiência intelectual tem todas as condições necessárias para estudar. aprender. participar de premiações. as práticas foram criadas em 1968 pela Joseph P. lembrando que tais adaptações vão depender das condições do aluno e da criatividade do professor de Educação Física e dos demais alunos. que também podem e devem contribuir com esse processo.000 atletas. estimular o companheirismo com a sua família e com outros atletas (OLIVEIRA.500. desenvolver-se e praticar atividades físicas. mas sim estimulado a participar. beneficiando diretamente mais de 1. em uma variedade de modalidades para pessoas acima de oito anos com deficiência intelectual. Foundation. Por isso. E como trabalhar as modalidades esportivas com o Deficiente Intelectual? Bem. (Special Olympics International). sem a obrigação.

quando ele descobriu os aspectos genéticos dela.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA por ocasião da formação do bebê. ela era chamada de Mongolóide. Jerome Lejeune descobriu as causas da síndrome. no início da gravidez. Isto é. afetivo. porém. formando uma cadeia de 46 cromossomos. Inicialmente. O “defeito” em um dos cromossomos provoca as alterações genéticas. só em 1958. São eles que determinam nossas características físicas. Porém. o Dr. que podem ser diagnosticadas pelo exame de Cariótipo. Em geral. No caso da Síndrome de Down. A síndrome foi caracterizada pela primeira vez pelo médico John Longdon Down. Nunca chame uma pessoa com Síndrome de Down de mongolóide!!! Como Acontece a Síndrome de Down? A Síndrome de Down é decorrente de um erro genético. mas hoje esse termo é considerado ofensivo e pejorativo. em vez de a criança nascer com 368 . embora apresentem algumas dificuldades. em decorrência de a pessoa com Síndrome de Down se parecer com as pessoas nascidas na Mongólia. bem humorado e com prejuízos intelectuais. podem ter uma vida normal e realizar atividades diárias da mesma forma que qualquer outra pessoa. Como Tudo Acontece Nossas células são formadas por 23 pares de cromossomos. a pessoa com Síndrome de Down é um indivíduo calmo. A personalidade varia de indivíduo para indivíduo. ocorre uma trissomia no cromossomo 21. intelectuais e emocionais. Este acidente é chamado de trissomia 21. ele pode apresentar grandes variações no que se refere ao seu comportamento. no século XIX. As pessoas que têm essa síndrome.

3) Mosaicismo – algumas células exibem cariótipos normais e outras trissomia livre do cromossomo 21. totalizando 47. Esse cariótipo é encontrado em aproximadamente 5% (cinco por cento) dos casos de Síndrome de Down. mãos pequenas com dedos curtos e com uma única prega. 1) Trissomia Simples do Cromossomo 21 – os indivíduos apresentam em todas as células 47 cromossomos e não 46. quando normalmente deveria ter 46. 2) Translocação – os indivíduos apresentam o número normal de cromossomos (46) em todas as suas células. ocasionando outras síndromes diferentes da Síndrome de Down. sendo que a hipotonia diminui com o passar do tempo. Às vezes. a pessoa que tem Síndrome de Down apresenta as seguintes características: é hipotônico ao nascer. apesar de existirem os diferentes tipos dos fenômenos causadores da Síndrome de Down. ele tem um pedaço a mais do cromossomo 21 aderido a outro cromossomo. o nariz é pequeno e um pouco “achatado”. tem baixa estatura. nasce com três. 369 . o cromossomo “extra” aparece em outros pares. Classificação da Síndrome de Down A Síndrome de Down é classificada em três aspectos genéticos.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA dois cromossomos. Mas. No entanto. pescoço curto e grosso. Mas nem sempre a trissomia ocorre no cromossomo 21. os olhos apresentam linha ascendente. pés achatados e língua protusa (língua para fora da boca). Vejamos cada um deles. Este cariótipo é encontrado em aproximadamente 92% (noventa e dois por cento) dos casos de Síndrome de Down. tem o cabelo liso e fino. as orelhas são pequenas. o rosto é redondo. O cromossomo extra é o do par 21. Características da Pessoa com Síndrome de Down Normalmente. em todos os casos as características físicas da pessoa são as mesmas.

incluindo um Raio-X do pescoço (para verificar se há instabilidade atlanto-axial). Atualmente. Em função dessas possibilidades de doenças ligadas à Síndrome de Down. mulheres mais jovens e mais velhas apresentam maior probabilidade de ter um filho com Síndrome de Down. a pessoa com Síndrome de Down deve participar de todas as atividades de Educação Física. ■■ problemas dermatológicos. Qualquer mulher está sujeita a ter um filho com Síndrome de Down. Essa ação cuidadosa garante o conhecimento prévio de alguma doença e permite ao professor direcionar seu planejamento. ■■ problemas de visão e audição. No entanto. não existem meios para evitar a concepção de feto com trissomia 21. ■■ problemas respiratórios. e ■■ instabilidade atlanto-axial (problemas entre a 1a e a 2a vértebras. de forma a não prejudicar o desenvolvimento do aluno com Síndrome de Down. ■■ má-formação do intestino. ■■ problemas odontológicos. solicite um laudo médico completo. Porém. pois não se trata de uma doença. 370 . Além das características físicas descritas. além das atividades esportivas. antes de começar suas aulas. ■■ deficiência imunológica (tireóide). os quais podem trazer sérias limitações com relação à prática de atividade física). ao receber um aluno nessa situação. mesmo que esses problemas de saúde existam. é muito importante que o professor de Educação Física. ou seja. a pessoa com Síndrome de Down pode apresentar alguns problemas de saúde: ■■ má-formação cardíaca (metade dos casos). sabemos que o risco de aparecimento desse tipo de deficiência genética está relacionado diretamente com a idade materna na época da fecundação.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA A Síndrome de Down não tem cura.

Outros casos podem existir. há 50% de chance de nascerem filhos sem a síndrome. diante de qualquer problema de saúde. necessitando de um calçado apropriado para não ter problemas durante a prática das atividades físicas durante as aulas. vejamos um exemplo específico. em sua turma. Exemplo: imagine que você recebeu. não recomendadas para cardiopatas. eu adoro jogar futebol. Mas não esqueçamos que. Sobre isso.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Veja que. Na reprodução de uma pessoa com Síndrome de Down e uma pessoa sem a síndrome. precisamos considerar as limitações e as necessidades de adequação do aluno com Síndrome de Down. um aluno com Síndrome de Down que apresenta problema cardíaco. é preciso verificar suas reais condições. no caso de casal com a síndrome. sou o Antônio. a probabilidade é de cerca de 25%. conforme conversamos no tópico referente à deficiência intelectual. é muito importante conversar com o médico do aluno e/ou com o seu fisioterapeuta. Mesmo não podendo enxergar. nadar e fazer mais um montão de coisas. como os de alunos com alguma deformidade nos pés.3 Deficiência Visual Oi. Você deve evitar sobrecargas e atividades muito intensas. para fazer um trabalho pedagógico com segurança. Conceituando a Deficiência Visual Deficiência Visual é o termo utilizado para descrever uma faixa de indivíduos que apresentam dificuldades de ver ou necessitam de adaptações especiais para funcionar visualmente 371 . para não propor atividades que possam acentuar seus problemas. 3. O que fazer? Bem.

■■ tem sensibilidade excessiva à luz (fotofobia). se seu aluno: ■■ tropeça ou cai com frequência. ■■ tem tonturas. necessitando do método Braille para se alfabetizar (ibid. ■■ utiliza o material de leitura muito próximo ou muito distante dos olhos. ■■ apresenta irritação. ■■ apresenta cautela excessiva ao andar e corre raramente. Você pode ajudar a diagnosticar a deficiência visual. ■■ aperta os olhos para ler. incluindo também aqueles que não têm visão útil. ■■ tem constantes purgações e terçóis. 3). ■■ pisca excessivamente. ■■ tem o hábito de esfregar os olhos. Indivíduos com Baixa Visão Aqueles que apresentam desde condições de indicar projeção de luz até o grau em que a redução da acuidade visual interfere ou limita seu desempenho (FAYE e BARRAGA. ■■ perde o contato visual com a localização do trecho que lê. ■■ tem as pálpebras com as bordas avermelhadas ou inchadas. Indivíduos com Cegueira Aqueles que apresentam desde ausência total de visão até a perda da projeção de luz. náuseas e/ou dores de cabeça frequentes. ■■ tenta afastar com as mãos impedimentos visuais inexistentes ou distantes.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA em condições abaixo da média. ■■ aperta e/ou esfrega os olhos compulsivamente. olhos avermelhados e/ou lacrimejantes. ■■ apresenta inquietação ou nervosismo após realizar atividades que requeiram mais atenção. 1985. Os deficientes visuais são divididos em dois grupos: baixa visão e cegueira.). p. franzir ou contrair o rosto ao olhar objetos distantes. 372 . ■■ inclina a cabeça para um lado durante a leitura.

saiba que ele apresenta algumas dificuldades (BOATO. e ■■ apresenta desatenção anormal durante trabalhos no quadro de giz. se ferir. ► o medo de esbarrar. ► Há atraso nos reflexos de defesa.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA ■■ apresenta excessiva confusão na leitura e na escrita das palavras. ► a carência de material adequado pode conduzir a aprendizagem da criança Deficiente Visual a mero verbalismo. ► há dificuldade no ajustamento às mudanças de posição do corpo em relação ao ambiente (caso em que a visão imediatamente orienta as pessoas que enxergam). mapas de parede etc. ► suas oportunidades são reduzidas. 2009): ► tem a motivação diminuída quando não há estimulação constante para que ele explore o próprio corpo e o espaço. por isso. ► tem dificuldade de estabelecer contato com o ambiente físico. ► a criança cega precisa desenvolver a memória para realizar percursos e movimentos. consequentemente. ► há dificuldade na imitação de comportamentos. gestos e ações. guardando pontos de referência no ambiente e em seu próprio corpo.. desvinculado da realidade. derrubar. 373 . havendo a necessidade de constante monitoramento e orientação. tensão. o que dificulta movimentos simples. é muito importante encaminhálo a um oftalmologista o mais rápido possível! Se você tem um aluno com deficiência visual. toma menos iniciativas. pois o mesmo não está em contato visual com o meio e. Ele pode ter deficiência visual. dificulta a relação da criança cega com o ambiente. como o próprio andar. cair. ► há demora na formação de conceitos básicos com relação ao esquema corporal e estruturação espaço-temporal. medo. ► a falta de estimulação do meio pode levar a criança cega à auto-estimulação por meio de maneirismos e estereotipias que também podem ser usados como uma forma de comunicação corporal para expressar ansiedade. alegria etc.

num tom de voz normal. pois isso pode atrapalhar a habilidade da criança em achar seu caminho. facilitar o desenvolvimento da autoconfiança do deficiente visual. experiência e muita explicação. a Educação Física é a disciplina com todas as condições de minorá-los e de proporcionar condições propícias para o desenvolvimento neuro e psicomotor do aluno. encorajar a independência. com ordens claras. falar naturalmente quando conversar com o deficiente visual. lembrar-se que o som é importante para a mobilidade do deficiente visual e não permitir excesso de sons ou de barulho. lembrando que. 2009. porém evitando que o aluno deficiente visual corra perigos. deixar o aluno agir sozinho sempre que possível. praticar esportes e participar efetivamente das aulas de Educação Física com todas as suas possibilidades. saltar.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Diante de todos esses problemas apresentados pelo Deficiente Visual. pois a discriminação dos sons é uma habilidade difícil que requer tempo. se o meio for seguro e o Deficiente Visual confiar nesse meio e no professor. o professor de Educação Física deve estimular o aluno em atividades psicomotoras para promover seu autoconhecimento. não tendo medo de usar palavras que se refiram ao ato de ver. Sendo assim. Mas. eliminar os sons confusos. para que isso aconteça. 374 . apropriando-se desse espaço e dos objetos. falar sobre cegueira e discutir as dificuldades do aluno deficiente visual com os outros alunos. ele tem condições de correr. 33): Dizer sempre onde está e como a criança pode chegar até ele. p. arremessar. descrever tudo com precisão e riqueza de detalhes. deixando-o tentar sempre e evitando a superproteção durante as aulas. Isso é muito importante no crescimento e desenvolvimento global de uma pessoa com deficiência visual. o professor deve estar atento a algumas questões quando estiver em aula com o aluno Deficiente Visual (BOATO. e ajudá-lo a aprender a rir e a sentir prazer com todas as experiências. É por meio da vivência de todas as possibilidades de movimentos corporais e de exploração do meio e dos objetos que o Deficiente Visual toma consciência de si e do espaço que o circunda.

Também é importante enfatizar que a prática de esportes como o futsal adaptado para cegos. o professor de Educação Física é responsável pelo desenvolvimento tanto da orientação como da mobilidade da pessoa com deficiência visual. o ciclismo. a natação. o atletismo. daremos algumas sugestões para a efetividade das aulas de Educação Física e para os treinamentos esportivos a você. quando há estimulação adequada. Assim. favorecendo. é igual ao de qualquer outra pessoa vidente. para que ele desenvolva a capacidade de se locomover sozinho pelos diversos ambientes. sua independência. a Educação Física para o aluno Deficiente Visual deve ser rica em experiências psicomotoras que visem ao desenvolvimento do esquema corporal. 2001). 1995). equilíbrio e o desenvolvimento dos sentidos remanescentes no indivíduo. usando técnicas.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Além disso. sua autoconfiança e sua integração social. estruturação espaço-temporal. Orientação e mobilidade têm por objetivo maximizar a habilidade do aluno Deficiente Visual na exploração do ambiente em que vive. por meio da aprendizagem de técnicas que lhe possibilitem a locomoção independente (BRASIL. com conceitos como lateralidade. o xadrez e o goalball (esporte criado especificamente para cegos) contribui efetivamente para o desenvolvimento dessas habilidades de orientação e mobilidade e para o autoconhecimento do corpo por parte do Deficiente Visual. a Educação Física torna-se fundamental para o Deficiente Visual e para a sua inserção na sociedade. 375 . como a bengala longa. A seguir. que deverá realizar adaptações eficientes para o aluno com deficiência visual (BRASIL. Portanto. Lembre-se de que o desenvolvimento psicomotor do Deficiente Visual. assim. professor. ritmo.

informar ou dar referências de locais ao aluno com deficiência visual. sonoridade e movimentação e comunicações em Braille ou tipo ampliado. verbal e instrucional para viabilizar a orientação e a mobilidade. evitando os “maneirismos” ou as “estereotipias” comumente exibidos por alguns alunos. 376 . corrimão nas escadas etc. ► encorajar o aluno a deslocar-se no espaço da aula e no das demais dependências da escola para obter materiais e informações. ► ensinar a boa postura. aos banheiros e às demais dependências da escola. dominó.. estimular e reforçar a comunicação. verbal e instrucional. de modo a favorecer sua possibilidade de ouvir o professor (e de falar com ele). as informações e os dispositivos apresentados em aula de maneira visual.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Sugestões ► explicar verbalmente todo o material. ► propiciar material didático e de avaliação em tipo ampliado para os alunos de baixa visão. procure a professora itinerante ou o centro de educação especializado na educação de pessoas com deficiência visual para ajudar seu aluno. a iniciativa e o desempenho do aluno. espaço entre as carteiras para facilitar o deslocamento. a participação. auditivas e olfativas para orientar na localização de ambientes. às salas de aula. ► providenciar materiais desportivos adaptados: bola com guizo. ► propiciar ambiente com adequada luminosidade. ► posicionar o aluno no espaço da aula. ► propiciar acomodação para aluno de baixa visão com iluminação adequada (o excesso de luz pode prejudicar o Deficiente Visual que tem resíduo visual). Sempre que precisar. para que o aluno consiga realizar os movimentos necessários para participar das atividades propostas nas aulas. xadrez. pistas táteis. ► dar apoio físico. baralho e outros. sempre que necessário. ► agrupar os alunos de maneira que favoreça a realização de atividades em grupo e incentivar a comunicação e as relações interpessoais. ► apoiar a locomoção dos alunos para acesso à diretoria. ► conceder tempo de descanso visual para alunos com baixa visão. ► ampliar o tempo disponível para a realização de atividades durante as aulas. visando à locomoção independente do aluno. ► encorajar. ► dar apoio físico. em Braille e adaptado em relevo para os cegos. ► divulgar informações aos demais alunos sobre a melhor maneira de guiar. dama. o sucesso. ► promover organização espacial para facilitar a mobilidade e evitar acidentes: colocar extintores de incêndio em posição mais alta.

Foram realizados oito (8) campeonatos mundiais e oito (8) participações em Paraolimpíadas. em vários momentos da nossa disciplina. 377 . Desde então. vamos agora conversar um pouco mais sobre esse esporte para cegos. O jogo foi apresentado ao mundo nas Paraolimpíadas de 1976. o goalball foi inventado em 1946 pelo austríaco Hanz Lorenzen e pelo alemão Sepp Reindle para ajudar na reabilitação dos veteranos de guerra cegos. Então. Como jogar o Goalball São duas equipes formadas por três jogadores cada uma. É utilizada uma bola com guizos.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Você. História do Goalball Segundo a Coordenação Nacional de Goalball da Confederação Brasileira de Desportos para Cegos – CBDC. O jogo consiste em que cada equipe deve fazer com que a bola cruze rodando a linha do gol contrário. em Toronto (Canadá). e os primeiros campeonatos mundiais foram celebrados na Áustria. B2 e B3 (B = Blind – Cegueira ou Baixa Visão). a popularização desse esporte vem aumentando. e hoje o goalball é jogado em todas as regiões que pertencem à Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA). Joga-se no solo de um ginásio com uma quadra retangular dividida em duas metades por uma linha central. falamos sobre o goalball. com o máximo de três substitutos por equipe. em 1978. enquanto a outra equipe tenta impedir. mas com incapacidade para reconhecer a forma de uma mão a qualquer distância ou direção. com um gol em cada extremo. Com relação à classificação dos Deficientes Visuais para a prática esportiva. Almeida e Conde (2002) descrevem a proposta adotada pela IBSA (International Blind Sports Association): B1. ► B1 – desde a inexistência de percepção luminosa em ambos os olhos até a percepção luminosa. certamente. percebeu que.

da capacidade de compreender a fala por meio dos ouvidos. quer pretendam competir usando-as. Além disso. frequentemente. quer não. tocar. todos os Deficientes Visuais. sentir.. ou seja. E eu amo fazer Educação Física com os meus amigos. A classificação do Bureau Internacional d’Audiophonologie – BIAP e da Portaria Interministerial no 186. congênita ou adquirida. todos os atletas que utilizam lentes de contato ou lentes corretivas deverão usá-las para enquadramento nas classes.6/18 metros e 1. solicitando. Eu não posso ouvir. considerando o melhor olho. Em geral. b) Surdez Moderada – indivíduo que apresenta perda auditiva entre quarenta e setenta decibéis. mas poderá ser a causa de algum problema articulatório ou dificuldade na leitura e/ou escrita. ► B3 – acuidade visual entre 2/20 e 6/60 pés (ou 0. Essa perda auditiva não impede a aquisição normal da linguagem. mas posso ver. 1995(a)) considera: Surdez parcial a) Surdez Leve – indivíduo que apresenta perda auditiva de até quarenta decibéis.4 Surdez Conceituando Surdez Sou o Jorge. com a melhor correção. sendo necessária uma voz de certa intensidade para que seja 378 . conversar. a voz fraca ou distante não é ouvida. a repetição daquilo que lhe falam. de 10/3/78 (BRASIL.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA ► B2 – desde a capacidade para reconhecer a forma de uma mão até acuidade visual de 2/60 pés e/ou campo visual inferior a 5 graus. Esses limites encontram-se no nível da percepção da palavra. Os atores apontam que. 3. Essa perda impede que o indivíduo perceba igualmente todos os fonemas da palavra.8/18 metros) ou um campo visual entre 5 e 20 graus.. esse indivíduo é considerado como desatento. A Surdez é a perda total ou parcial. segundo a IBSA.

Sua compreensão verbal está intimamente ligada a sua aptidão individual para a percepção visual. Um bebê que nasce surdo balbucia como um de audição normal. É frequente o atraso de linguagem e as alterações articulatórias. Em geral. maiores serão os problemas linguísticos e maior será o tempo que o aluno precisará receber atendimento especializado. em alguns casos. Esse indivíduo tem maior dificuldade de discriminação auditiva em ambientes ruidosos. mas suas emissões começam a desaparecer na medida em que não tem acesso à estimulação auditiva externa. não se interessa por ela. e sem o feedback auditivo. d) Surdez Profunda – indivíduo que apresenta perda auditiva superior a noventa decibéis. fator de máxima importância para a aquisição da linguagem oral. uma vez que. ele identifica as palavras mais significativas. A compreensão verbal vai depender. Assim. como à identificação simbólica da linguagem. É importante ressaltar que quanto maior for a perda auditiva. impedindo-o de adquirir a linguagem oral. Este tipo de perda vai permitir que ele identifique alguns ruídos familiares e poderá perceber apenas a voz forte. não adquire a fala como instrumento de comunicação. tendo dificuldade em compreender certos termos de relação e/ou frases gramaticais complexas. 379 . Surdez c) Surdez Severa – indivíduo que apresenta perda auditiva entre setenta e noventa decibéis. a criança poderá chegar a adquirir linguagem. também. não a percebendo. não possui modelo para dirigir suas emissões. podendo chegar até quatro ou cinco anos sem aprender a falar. A gravidade dessa perda é tal que o priva das informações auditivas necessárias para perceber e identificar a voz humana. Se a família estiver bem orientada pela área educacional. As perturbações da função auditiva estão ligadas tanto à estrutura acústica.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA convenientemente percebida. maiores problemas linguísticos. de aptidão para utilizar a percepção visual e para observar o contexto das situações. havendo. em grande parte.

380 . apesar do deficit no equilíbrio e no ritmo. a criança surda não se distingue de uma criança ouvinte. escrita) como meio de comunicação. A adaptação social é dificultada pela falta de audição e pela barreira da comunicação. A desenvoltura e o desenvolvimento dessas pessoas dependerão das oportunidades e dos relacionamentos que tenham enquanto estão crescendo. como as pessoas ouvintes. Sendo assim. não saberemos de imediato se existem no grupo crianças não ouvintes. na maioria das vezes. corporal. O que caracteriza e evidencia a surdez é justamente a problemática da comunicação. É importante ressaltar que o surdo. ► cuidar para que o aluno surdo enxergue sua boca. ► colocar o aluno surdo numa posição que lhe permita seguir facilmente tudo o que se passa. gestual. a comunicação é fator determinante no processo de ensino–aprendizagem dessas crianças. A leitura dos lábios fica impossível se o professor gesticula. mais do que qualquer outra pessoa. segura alguma coisa na frente de seus lábios ou fica contra a luz. para se fazer entender por um aluno surdo o professor de Educação Física deve: ► usar todas as formas de linguagem e de expressão (verbal. que deve ser bem observado e trabalhado na Educação Física. a contar e a entender. Se observarmos várias delas brincando em um local qualquer. Dificultada pela perda ou pela diminuição da audição. as pessoas surdas são tão diferentes umas das outras. ► falar claramente sem exageros. precisa aprender a ler.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA O aluno surdo é como outras pessoas com deficiência. no surdo. que nos ouvintes falantes se dá por meio da fala oralizada. Porém. não é possível. a escrever. Essa comunicação. Elas apresentam características físicas semelhantes às outras. discriminado e privado de certos convívios sociais. Precisamos saber que. aparentemente. apesar de alguns problemas especiais que elas devem superar por fazerem parte de um grupo pequeno na sociedade.

► falar com o tom normal de voz.). a não ser que o aluno surdo peça para levantar a voz. o professor deve estar atento à linguagem corporal do seu aluno. O trabalho deve ocorrer de forma mais lúdica e expressiva. com atividades bem contextualizadas e com muito estímulo visual. para que ele possa desenvolver formas alternativas de comunicação. mímicas etc. ► chamar a atenção da pessoa surda sinalizando com a mão ou tocando no seu braço. Se o professor olhar para o outro lado enquanto está conversando. ► manter contato visual. enquanto estiverem conversando. Por isso. o aluno surdo pode pensar que a conversa terminou. pode haver uma pobreza do vocabulário. mesmo atuando na área de Educação Física. porém. ► usar a língua de sinais sem constrangimentos. pois as limitações de estrutura linguística são uma constante. É importante também que o professor. tenha conhecimento. 381 . é preciso que a proposta curricular utilizada para a criança com surdez seja a mesma que a utilizada para qualquer criança. Além dessas sugestões. lembrando que pode haver problemas de equilíbrio e ritmo que devem ser ajustados com proposições de atividades compatíveis com sua condição. e não com o intérprete. o professor deve estar atento para entender e se fazer entender pelo aluno surdo. ► propor as mesmas atividades dos outros alunos ao aluno surdo. Gritar nunca adianta. da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Em alguns casos. ainda que básico. O problema mais significativo dos surdos com relação à sua aprendizagem é a comunicação. buscando compreender as suas expressões e posturas e permitindo que o aluno também compreenda o professor.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA ► aceitar a linguagem que o aluno surdo usar para se comunicar com o professor (gestos. ► admitir que a prótese auditiva individual é uma ajuda muito importante na reabilitação da pessoa com surdez e seu uso sistemático torna-se indispensável. é importante estimular a linguagem do aluno surdo. Todas as tentativas serão apreciadas e apoiadas. Enfim. nas aulas de Educação Física. ► falar diretamente com o aluno surdo. propondo as mesmas atividades que propõe para os demais alunos. caso esse esteja acompanhado por um intérprete.

conhecer alguns sinais do alfabeto manual e dos números que os surdos usam. podem produzir quadros de limitações físicas de grau e gravidade variáveis. As doenças ou as lesões que afetam quaisquer desses sistemas.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Vamos. então.5 Deficiência Física Conceituando Deficiência Física Deficiência física refere-se ao comprometimento do aparelho locomotor. Alfabeto Manual Números 3. A deficiência física pode acontecer em função dos seguintes fatores: 382 . que compreende o sistema osteoarticular. isoladamente ou em conjunto. o sistema muscular e o sistema nervoso. segundo o(s) segmento(s) corporal(is) afetado(s) e o tipo de lesão ocorrida (BRASIL. 2003).

►►amputações.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA ►►lesão cerebral e lesão medular. amputações e má formação congênita.1 Lesão Medular Oi. brincar. ►►má formação congênita. ►►patologias degenerativas do Sistema Nervoso Central (esclerose. ►►doenças osteomusculares. Quer ver? Conceituando Lesão Medular Segundo WERNER (1994). cifose).. correr. Eu adoro andar.5. Vejamos com um pouco mais de detalhe cada um dos casos e as adaptações necessárias para a educação da pessoa com essas deficiências. ►►sequelas de politraumatismos. eu sou a Adriana. 383 . A lesão medular é mais frequente nos adultos. e ferimentos com arma de fogo etc. a lesão medular geralmente é causada por acidentes que quebram e danificam gravemente o feixe central de nervos no pescoço ou nas costas. Concentraremos o nosso estudo nos casos de lesão medular. ►►sequelas de queimaduras. ►►reumatismo inflamatório da coluna e das articulações. acidentes de mergulho. esclerose múltipla etc. cerebelo e nervos que têm como “linha-tronco” a medula espinhal – este Eis alguns acidentes. escoliose.).. quedas de cavalos. acidentes de trânsito. entre outros: quedas de árvores. ►►distúrbios posturais da coluna (lordose. ►►hidrocefalia. ►►miopatias (distrofias musculares). lesão cerebral. nos adolescentes e nas crianças maiores e para explicá-la precisamos entender a composição do sistema nervoso: cérebro. 3.

Se a lesão acontecer na altura do pescoço (vértebras cervicais). com exceção de alguns acidentes ocasionais. cinco (5) ossos ligados uns aos outros nos quadris (vértebras sacras).EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Os nervos sensoriais levam as mensagens originárias das partes do corpo. Nessa lesão. 384 . maior a área atingida). Mas é importante mostrar que essas lesões podem ser completas ou incompletas. haverá uma tetraplegia. porém. ainda. Se a lesão acontecer na altura das costas haverá uma paraplegia. Nesse sistema. Dependendo da intensidade da lesão. é considerado o sistema de comunicação do corpo. ou apenas um deles. cinco (5) ossos na parte inferior das costas (vértebras lombares). Paraplegia é a perda de movimentos controlados e das sensações nas pernas. os quadris e parte do tronco podem ser atingidos (quanto mais alta a lesão. de tal forma que não passa mensagem sensitiva ou motora. A coluna vertebral é formada por sete (7) ossos no pescoço (vértebras cervicais). até certo ponto. degusta (língua) ou sente (pele). ocorrendo a perda dos movimentos e da sensibilidade. doze (12) ossos na parte superior das costas (vértebras torácicas). Além disso. ordenando aos músculos que se movam. nos braços e nas mãos. lesão completa – quando atinge a medula. Essa lesão vai atingir o controle da bexiga e do intestino. Também pode haver perda parcial ou completa do controle da bexiga e do intestino e. Quanto mais alta a lesão. quanto mais alta a lesão. maior a parte do corpo afetada. e osso da cauda (cóccix). ---------------------------lesão incompleta – quando algumas sensações e/ou movimentos continuam sendo passados para o corpo. embora o controle normal da bexiga e do intestino grosso raramente volte por completo. Para definir a extensão das consequências da lesão medular e as partes do corpo afetadas por ela. ouve (ouvidos). ----------------------------Os nervos motores levam mensagens do cérebro para as partes do corpo. Tetraplegia é a perda do movimento controlado e das sensações do pescoço ou do tórax para baixo e. a pessoa com lesão medular geralmente pode aprender a ser independente no uso do banheiro e a manter-se limpa e seca. e vai haver uma diminuição do controle da sudorese e da temperatura. pode haver espasticidade (espasmos musculares) ou flacidez nas pernas. sendo que a paralisia dos músculos do tórax pode atingir a respiração. é preciso saber a altura da coluna vertebral em que ocorreu a lesão medular. cheira (nariz). informando sobre o que o corpo vê (olhos). A lesão medular pode danificar os dois tipos de nervos. a pessoa pode até voltar a andar. menor a probabilidade de tal fato acontecer. o cérebro controla o corpo por meio de dois tipos de nervos: 1) nervos sensoriais e 2) nervos motores.

trabalhando. jogos e estudos. ela vai precisar de algum utensílio especial para coletar a urina. Assim. O choro ajuda a aliviar o medo e a tensão. quando a “cura” prometida não acontece. compreensão e encorajamento ela irá pouco a pouco superar essa fase. desconfiada e amedrontada. ► comece. logo que seja possível. respeite e apoie a pessoa quando ela se sentir triste e assustada. mas aprenderá a usar uma sonda e a provocar o funcionamento do intestino com um dedo ou um supositório quando necessário. a conversar e a ficar conhecendo outras pessoas com lesão medular. especialmente quando essas pessoas estiverem levando vidas plenas e felizes. mas não lhe diga para não chorar. lhe contar a verdade. e que com amor. explorando.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Em geral. as atividades e o reaprendizado para a pessoa usar as mãos e o corpo. os exercícios. ► seja honesto com a pessoa sobre a deficiência dela. Não diga: “nós vamos encontrar uma cura para você” ou “logo você vai ficar bem e poderá andar de novo”. 385 . ao mesmo tempo. gentilmente. a pessoa fica ainda mais insegura. Mas. a depressão e a raiva da pessoa são reações naturais. Comece do que a pessoa consegue fazer e progrida a partir daí. Segundo Werner (1994). conforte-a. Deixe que ela chore. ► tente levar a pessoa a observar. ► estimule a pessoa a fazer o que mais puder por si mesma. ► crie oportunidades para manter ativa a mente da pessoa: brincando. ► convide os amigos da pessoa para virem visitá-la. Muito provavelmente não é verdade. diante de alunos com lesão medular. brincar com ela e dizer a ela que está ansioso para vê-la de novo na escola. Além disso. aprendendo por meio de histórias. tudo será mais fácil para ela se você. e ouvir isso torna ainda mais difícil para a pessoa aceitar a deficiência e começar uma nova vida. é importante considerar as seguintes questões: ► compreenda que o medo. Deixe que ela faça tudo o que puder – mesmo que isso leve muito tempo. no trabalho etc..

bebedouros baixos. atendimento preferencial em supermercados e bancos. A acessibilidade é essencial para a vida da pessoa com deficiência na sociedade. O respeito aos seus diretos é respeito à dignidade humana! 386 . vagas reservadas nos estacionamentos. lugares reservados em teatro. abdômen. bexiga e controle da ereção) Cóccix É muito importante saber que rampas de acesso. pernas. cinema e locais públicos não são privilégios. tórax. ombros e membros superiores) Paraplegia 12 Torácicas (mãos e dedos. lugares reservados no transporte coletivo. banheiros adaptados. região lombar) 5 Lombares (postura na posição sentado. joelhos. pés e ejaculação) 5 Sacrais (intestinos.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Nível da Lesão Medular e Consequências Tetraplegia 7 Cervicais (pescoço. São necessidades e direitos da pessoa com deficiência física.

lesão cerebral é uma deficiência que atinge os movimentos e a postura do corpo. Além disso.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA A Educação Física e o Esporte para as Pessoas com Lesão Medular Muitas modalidades esportivas foram adaptadas para as pessoas com lesão medular. Mas para receber e atender bem um aluno com lesão cerebral é muito importante ter conhecimentos de fisiologia e anatomia que permitam trabalhar sem correr riscos de lesões e de acentuação de seus problemas. Depois de danificadas. mesmo que não sejam com o objetivo de treinar e competir. tiro. o handebol. Também podem praticar a natação. sentado e de pé. canoagem. eu sou o Fernando e estou correndo para a aula de Educação Física que já vai começar. arco e flecha. essas partes do cérebro jamais se recuperam. a dança. Modalidades esportivas adaptadas. dependendo da forma como cuidamos da criança e também da extensão da lesão no cérebro. a atividade física e a participação nas aulas de Educação Física. peteca.2 Lesão Cerebral Conceituando Lesão Cerebral Segundo Werner (1994). o tênis de campo e o tênis de mesa em cadeira de rodas. Somente algumas partes do cérebro são danificadas. mas também não pioram. maratona em cadeira de rodas. a ginástica geral. Origina-se de lesão que ocorreu no cérebro antes. hipismo. No entanto. a postura corporal e os problemas a eles relacionados podem melhorar ou piorar. o atletismo. funcional e da autoestima. os movimentos. principalmente as que controlam os movimentos. esgrima. são muito importantes na recuperação da pessoa com lesão medular e na melhoria de sua condição cardiorrespiratória. o voleibol. As pessoas com lesão medular podem praticar o basquetebol. ciclismo. Também é importante saber manusear a cadeira de rodas – além de ensinar a pessoa com deficiência e os demais alunos a manuseá-la. Oi. 3. entre outros esportes. a pessoa com lesão medular pode precisar de tempo de descanso durante e após as aulas. Você sabia que existem vários tipos de lesão cerebral? 387 . halterofilismo. visto que ficar muito tempo sentado na mesma posição pode trazer dores. Além disso. com e sem aparelhos. durante ou após o nascimento do bebê. incômodos e lesões.5.

Por isso. O equilíbrio é precário. encontrada em 60% dos casos. Parte do corpo da pessoa “espástica” fica rígida. A musculatura flexora. e a criança cai facilmente. Esses problemas se intensificam quando a criança está nervosa. Os principais sinais são: hipotonia. Ela cai muito e usa as mãos de forma desajeitada. às vezes. caracterizada pelo aumento da resistência ao estiramento. e. Há uma má distribuição no tônus muscular. em constante contração. mas nas crianças com ataxia é um problema maior e dura mais tempo (às vezes. ► Equilíbrio Precário ou ATAXIA É causada pela lesão do Cerebelo. em função disso. é importante deixar claro para a turma ou para o grupo de alunos as condições do aluno que apresenta tal deficiência. ► Movimentos Involuntários ou ATETOSE Lesão nos gânglios basais ou feixe extrapiramidal. Quando a criança decide mover-se. com relativa hipertonia dos músculos dos membros e dos eretores da cabeça e do tronco. ser cruéis e zombar delas. outras crianças podem. A rigidez aumenta quando a pessoa está aborrecida ou excitada ou quando o corpo está em determinadas posições. perturbações do equilíbrio. 388 . que são responsáveis pela organização dos movimentos comandados pelo córtex motor. Nesse sentido. e que é caracterizada pela presença de movimentos involuntários. A pessoa com ataxia tem dificuldades para sentar-se ou para ficar de pé. responsável pelo equilíbrio. algumas partes do corpo movem-se demasiado e com rapidez. tremor de ação e disartria (alteração na expressão verbal causada por uma alteração no controle muscular dos mecanismos da fala). Muitas vezes uma posição da cabeça provoca posicionamentos anormais no resto do corpo. Isso pode ser um grande obstáculo. braços. a vida toda). quando elas tentam aprender a andar ou a executar algumas tarefas. excitada ou com medo. O padrão de rigidez varia muito de pessoa para pessoa.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Tipos de lesão cerebral ► Rigidez Muscular ou ESPASTICIDADE Nesse caso a lesão é no córtex cerebral. em função da intensidade da lesão. A atetose consiste de movimentos lentos e contorcidos ou súbitos e rápidos de pés. Os movimentos são lentos e desajeitados. Muitas crianças com espasticidade ou atetose também têm problemas de equilíbrio. mãos ou músculos faciais. causa deformidades articulares. Os braços e as pernas podem fazer movimentos nervosos ou “dar saltos” ou apenas uma mão ou os dedos dos pés podem se mover sem razão. o professor deve criar um clima agradável para que ela possa executar tranquilamente as tarefas exigidas durante a aula de Educação Física. Os movimentos espásticos podem surgir e desaparecer continuamente (mudando constantemente a tensão muscular). responsável pelo comando dos movimentos. As crianças que têm problemas de equilíbrio costumam parecer mais desajeitadas do que deficientes. Tudo isso é normal nas crianças pequenas. incoordenações.

problema de visão. como comprometimento cognitivo. ■■ Paraparesia – quando as duas pernas são afetadas. problemas de audição. Ao contrário da lesão medular. Vejamos: ■■ Monoparesia – quando somente um membro é afetado. a lesão cerebral traz problemas apenas no controle e no equilíbrio dos movimentos. Sendo assim. ■■ Hemiparesia – quando um dos lados do corpo é afetado. precisando de ajuda até mesmo para comer e se comunicar. desenvolvimento lento.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Classificação da Paralisia Lesão Cerebral quanto às Partes do Corpo Atingidas Dependendo das partes do corpo que são afetadas. sensibilidade ao toque. melhorando as condições para a marcha. visando ao equilíbrio. ■■ Tetraparesia ou Quadriparesia – os quatro membros são afetados. devemos estar atentos à necessidade de atividade física para esses alunos. problema de fala. Porém. ■■ Diparesia – quando três membros são afetados. a sensibilidade das pessoas que têm lesão cerebral não é afetada. Além disso. 389 . É importante ressaltar que nem todas as pessoas com lesão cerebral têm problemas cognitivos e podem apreender todo o currículo da escola. posição corporal. comportamento irrequieto. diminuindo a espasticidade e os movimentos atetóticos. necessitando de apoio para se relacionar com o meio e com os demais alunos. frio. convulsões. reflexos anormais. algumas não vão conseguir andar sozinhas. Qualquer dos tipos de paralisia lesão cerebral pode apresentar problemas associados. contribuindo para formar suas estruturas mentais básicas para a aprendizagem. a lesão cerebral apresenta características específicas. dificuldade de comunicação. calor. É importante para o aluno com lesão cerebral explorar e vivenciar concretamente todo tipo de percepção com o próprio corpo ou com o professor e/ou os colegas fazendo o movimento com ele quando existe a impossibilidade de fazê-lo sozinho. É mais comum nos dois membros inferiores e um superior. corpo mole e flácido.

para isso. em quatro categorias descritas por Werner (1994): 1) Congênita – a ausência de uma parte ou de todo o membro ao nascimento (má formação congênita). Mas. mas com eles posso até voar!!! 3. mesmo quando sua deficiência é mais grave. Meus braços são curtinhos.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA A pessoa com lesão cerebral pode e deve participar de todas as atividades físicas propostas nas aulas. Você pode estar se perguntando qual o papel da Educação Física. pois ela precisará de trabalhos específicos para desenvolver um bom equilíbrio mesmo com a falta do membro amputado e para estimular seu corpo de forma a compensar as perdas advindas da amputação ou da má formação congênita. é importante sabermos que a Educação Física deve se preocupar com as adaptações necessárias para cada caso. que pode auxiliar o professor de Educação Física na definição dos melhores estímulos a serem apresentados para os alunos com lesão cerebral.. que varia de acordo com o membro amputado e com a amplitude dessa adaptação. nesse contexto. 2) Tumorosa – ocasionada pela remoção de parte de um membro ou do membro inteiro para interromper uma doença maligna.. Ela precisa de ajuda mais significativa para executar as tarefas. arteriosclerose). Eu sou a Mariana. é muito importante o acompanhamento de um fisioterapeuta. é fundamental a prática de atividade física.5. 3) Traumática – resultado de um agente físico repentino que pode remover um membro ou causar lesão que somente um procedimento cirúrgico possa remover. 390 .3 Má Formação Congênita e Amputações Conceituando Amputações As amputações podem ser definidas como a remoção de um membro ou parte dele ou a inexistência desse membro ou parte dele no nascimento e podem ser classificadas.: diabetes. conforme a causa. Bem. Para uma pessoa amputada. 4) Patológica – relacionada aos problemas circulatórios (Ex.

geralmente. ■■ identificação e desenvolvimento das reais potencialidades. ■■ vivência de situações de sucesso.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Além disso. que será aquela posição que oferecerá o maior conforto e a possibilidade de viver plenamente as atividades físicas propostas nas aulas. Costa e Bittar (2002) destacam os seguintes objetivos da atividade físicoesportiva para as pessoas com deficiência física: ■■ integração consigo mesmo e consequente eliminação ou minimização das barreiras com o seu “eu próprio”. que podem e devem auxiliar na definição da melhor adaptação para o aluno. possibilitando a melhoria do processo de autovalorização e autoconfiança. Para isso. ■■ contato e confronto com outras pessoas. o aluno pode ter de forçar muito os outros membros para realizar as atividades propostas. de forma a favorecer o desenvolvimento desses membros. a pessoa que nasce sem os dois braços aprende a usar os pés como mãos. pois. 391 . em uma das pernas acima do joelho ou em ambas as pernas abaixo ou acima do joelho. O professor de Educação Física também deverá conceder tempo de descanso. O professor deve ainda se preocupar com a postura do aluno. Outro ponto que merece destaque é o fato de que o trabalho deve sempre ser precedido e acompanhado por ortopedistas e fisioterapeutas. de forma a não o sobrecarregar em algum momento. e o professor tem o papel de facilitar e estimular esse procedimento. é necessário adequar as atividades de motricidade fina – normalmente realizadas com as mãos – para os pés. Objetivos da Atividade Deficientes Físicos Físico-Esportiva para As amputações das pernas podem ocorrer em uma das pernas abaixo do joelho. com deficiência ou não. o professor deve estar atento à posição mais adequada a cada aluno na cadeira de rodas ou ao uso de muletas. Para as crianças com amputações das pernas. no sentido de substituir os membros superiores ausentes. em função da falta de um membro.

É só me deixar participar e eu vou longe. física e surdez). Conceituando a Deficiência Múltipla Para Carvalho (2000). ■■ desenvolvimento da autonomia e da independência locomotora na cadeira de rodas (tocar a cadeira em vários ritmos. eu consigo fazer tudo o que o professor pede. com a ajuda dos meus colegas. reabilitação e competição. envolvendo os aparelhos circulatório. ■■ possibilidade de acesso à prática do esporte como lazer. eu sou a Cláudia. velocidade etc. ■■ alegria e prazer pela realização da atividade físico-esportiva. ■■ melhoria das condições organofuncionais.6 Deficiência Múltipla Oi. visual. Pode até não parecer.). 3. no mesmo indivíduo. e ■■ estímulo à superação diante de situações de frustração. 392 . de duas ou mais deficiências primárias (intelectual. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas revelando associações diversas de deficiência que afetam. força. mais ou menos intensamente.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA ■■ combate o sedentarismo. direções e formas). o funcionamento individual e o relacionamento social. ritmo. respiratório etc. 1995(b))..). deficiência múltipla: É a expressão adotada para designar pessoas que têm mais de uma deficiência. ■■ aprimoramento das qualidades físicas (resistência. mas. com comprometimentos que acarretam atrasos no desenvolvimento global e na capacidade adaptativa (BRASIL. Deficiência múltipla é a associação. equilíbrio etc. ■■ estímulo às funções do tronco e dos membros superiores. ■■ prevenção de deficiências secundárias. ■■ desenvolvimento das habilidades físicas (coordenação.

de um aluno que tem uma lesão cerebral tão intensa que não o permita falar ou andar e precise de ajudas significativas para sua funcionalidade. é necessário atendimento em escola especial. ■■ Deficiência Intelectual/Surdez. ■■ Deficiência Visual/Deficiência Física. Podem acontecer associações de mais de duas deficiências em uma só pessoa. Porém. ou seja. Dependendo das associações e do grau que as deficiências afetaram a pessoa é que se pode determinar o tipo de atendimento necessário para sua educação. ■■ Deficiência Intelectual/Deficiência Visual/Deficiência Física. a deficiência múltipla também pode ser considerada quando há apenas uma deficiência cuja gravidade acarreta consequências em outras áreas. necessidades e potencialidades de cada deficiência que o afetou. 2009). por exemplo. É o caso. o que dificulta ainda mais o atendimento educacional.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA A pessoa com Deficiência Múltipla pode apresentar as seguintes associações: ■■ Deficiência Intelectual/Deficiência Visual. Em alguns casos mais graves de Deficiência Múltipla. Por isso. uma deficiência inicial é geradora de outras deficiências secundárias. o que caracterizaria a múltipla deficiência (BOATO. ■■ Deficiência Intelectual/Deficiência Visual/Surdez. é improvável o atendimento do aluno no ensino regular. ■■ Deficiência Visual/Deficiência Física/Surdez. ■■ Deficiência Intelectual/Deficiência Física. Diante de um aluno com deficiência múltipla. é importante observar as características. 393 . ■■ Deficiência Física/Surdez. ■■ Deficiência Visual /Surdez (Surdocegueira).

Porém. receba-o e busque as múltiplas alternativas que o capacitarão para tal atendimento. 394 . na relação pedagógica com o Deficiente Múltiplo. o atendimento no meio líquido e a abordagem da psicomotricidade têm se mostrado efetivos para o desenvolvimento do aluno. como higienizar-se. trocar de roupa. que se localize suas necessidades e capacidades para que seja oferecido a ele um meio compatível com essas necessidades e capacidades. é preciso estar disponível para fazêlo. 37) É muito importante ter essa consciência: mais que estar preparado para atender os alunos com deficiência. desde que você tenha sensibilidade para isso. É necessário fazer adaptações mais ou menos significativas. Lembre-se: a escola tem muito mais a apresentar que os conteúdos acadêmicos. comer sozinho. devemos oferecer a ele condições de vivenciar um meio repleto de possibilidades e de atrativos que o mantenham interessado e imaginativo. não existem ainda propostas de intervenção pedagógica apropriadas para esses alunos na Educação Física. porém.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Nesses casos. ao receber um aluno com deficiência. conforme cada caso. Por isso. 2009. em vez de se declarar incapacitado para atendê-lo. seu crescimento e desenvolvimento (BOATO. propiciando situações de vida diária e um convívio pleno com o meio em que vive. O atendimento educacional especializado em Educação Física para os alunos com deficiência depende mais da sensibilidade do professor com relação às possíveis adaptações necessárias para sua participação nas aulas do que do seu conhecimento sobre as deficiências. e não é porque alguém não consegue aprender esses conteúdos que deixará de usufruir dos outros benefícios que ela tem a oferecer! Por isso: É de fundamental importância. tomar banho etc. no sentido de facilitar sua relação. como no caso do autismo. p. nos casos em que o aluno não consegue acompanhar os conteúdos do ensino regular. Falamos de situações de vida diária. é muito importante saber que o currículo a ser apresentado para o Deficiente Múltiplo é o mesmo dos outros alunos. Mesmo assim.

gov.org.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Nunca se esqueça de que.mec.br). você conseguirá incluir todos os alunos que chegarem até você! 3.br/seesp) e no site da Associação dos Amigos dos Autistas – AMA (http://www. com sensibilidade e disponibilidade. você pode buscar informações no site da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação (http://www. a Síndrome de Asperger. a Síndrome de Rett. o Transtorno Desintegrativo da Infância. Mesmo com as minhas dificuldades.ama. 395 . eu consigo conviver com os meus amigos. Dentro desse grupo estão incluídos: o Autismo. conhecendo a Educação Física e as formas de ministrar suas aulas. as habilidades de comunicação. interesses e atividades estereotipados. Meu nome é Rodolfo e sou autista. e o Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação. Esses transtornos são caracterizados por um prejuízo em diversas áreas do desenvolvimento: são afetadas as habilidades de interação social recíproca. Sobre esse grupo.7 Transtornos Globais do Desenvolvimento Outro grupo que vem gradativamente sendo incluído nas aulas de Educação Física das escolas regulares e nas aulas sistematizadas em escolas especializadas é aquele das pessoas que apresentam os Transtornos Globais do Desenvolvimento. além da presença de comportamentos.

Enfatizamos no texto que alguns alunos que apresentam deficiências graves não têm como ser inseridos nas aulas de Educação Física em classes inclusivas e precisam ser atendidos em condições especiais.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Hora de praticar Acabamos de estudar alguns conceitos e algumas características das deficiências que comumente se apresentam nas aulas de Educação Física. que conhecimentos o professor precisa ter para atender tais alunos? .Com as informações apresentadas neste módulo. comentando as afirmações dos colegas. 396 . você se sente em condições identificar as dificuldades bem como as possibilidades para desenvolver as aulas de Educação Física para turmas que têm alunos com deficiência incluídos? Faça um texto explanando essas questões e coloque-o no fórum de discussão da disciplina. Em sua opinião. A partir desse estudo reflita: .Como você vê as possibilidades da pessoa com deficiência nas suas aulas de Educação Física? .

possa participar efetivamente do convívio com os colegas na escola e na sociedade de forma geral. Parabéns! Terminamos a nossa disciplina referente à Educação Física para Portadores de Necessidades Especiais. além de se desenvolver plenamente. esperando revê-lo breve! Todos juntos podemos construir um mundo bem melhor. é importante aceitar o aluno com deficiência. Mais que isso. Também vimos o quanto é importante o professor conhecer essas deficiências e suas características para a efetividade do processo de inclusão educacional dos alunos com necessidades educacionais especiais. sorrir e ser feliz!!! 397 . Por aqui nos despedimos. estudamos algumas deficiências que se apresentam nas escolas inclusivas e discutimos suas características. Contamos com você! Venha com a gente brincar. visando à inclusão das pessoas com deficiência nas aulas de Educação Física Escolar e no Esporte. de maneira crítica e criativa. aprendido e se conscientizado da necessidade da inclusão dos alunos com deficiência nas aulas de Educação Física Escolar e também nos treinamentos. sociais e culturais. para que ele. Esperamos que você tenha aproveitado. seus conceitos e algumas formas de abordagens. nas competições esportivas e em todas as atividades escolares.EDUCAÇÃO FÍSICA PARA PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS UNIDADE 3 I A EDUCAÇÃO FÍSICA E O ALUNO COM DEFICIÊNCIA Nesta unidade. respeitá-lo e inseri-lo em todas as atividades propostas.

Glossário
Deficiência múltipla. Associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual, visual, física e surdez), com comprometimentos que acarretam atrasos no desenvolvimento global e na capacidade adaptativa (BRASIL, 1995(b)). Lesão completa. Quando atinge a medula de tal forma que não passa nenhuma mensagem sensitiva ou motora. Lesão incompleta. e/ou Quando algumas continuam Prancha para comunicação. para É um a equipamento usado permitir comunicação de pessoas com lesão cerebral espástica grave e que não conseguem falar ou gesticular. Nessa prancha são expostas figuras, palavras e/ou letras que são tocadas ou apontadas pela pessoa, a fim de estabelecer um diálogo com o professor ou com o interlocutor. Tetraplegia. Perda do movimento controlado e das sensações do pescoço ou do tórax para baixo e, até certo ponto, nos braços e nas mãos. Essa lesão vai atingir o controle da bexiga e do intestino, sendo que a paralisia dos músculos do tórax pode atingir a respiração, e vai haver uma diminuição do controle da sudorese e da temperatura.

sensações

movimentos

sendo passados para o corpo. Nervos motores. Levam as mensagens do cérebro para as partes do corpo, ordenando aos músculos que se movam. Nervos sensoriais. Levam as mensagens originárias das partes do corpo, informando sobre o que o corpo vê (olhos), ouve (ouvidos), cheira (nariz), degusta (língua) ou sente (pele). Paraplegia. ��������������������������� Perda de movimentos controlados e das sensações nas pernas. Nessa lesão, os quadris e parte do tronco podem ser atingidos (quanto mais alta a lesão, maior a área atingida). Também pode haver perda parcial ou completa do controle da bexiga e do intestino e, ainda, pode haver espasticidade (espasmos musculares) ou flacidez nas pernas.

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Referências Bibliográficas
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PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA

PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA

Prof. Michel Santos
Graduado em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília. É especialista em Fisiologia do Exercício e Avaliação Morfofuncional pela Universidade Gama Filho/RJ. Mestre em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da Universidade Católica de Brasília.

Prof. Ricardo Jacó de Oliveira
Doutor em Neurologia/Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo, em 1996. Autor de 12 capítulos de livros e de quatro livros publicados. Orientador de dissertações de mestrado, teses de doutorado e trabalhos de iniciação científica nas áreas de Educação Física, Fisioterapia, Medicina e Psicologia.

Muito prazer!
Sou o professor Michel Santos Silva, natural de Brasília – DF. Publiquei alguns artigos em revistas nacionais e internacionais, e minha linha de pesquisa atual é o Treinamento contrarresistido. Ministrei aulas de Fisiologia e Fisiologia do Exercício, na Universidade Estadual de Goiás (UEG), Unidade de São Miguel do Araguaia; de Treinamento Desportivo e Marketing e de Organização de Eventos, na Academia de Oficiais da Polícia Militar de Brasília. Participo na condição de professor convidado do programa de Pós-Graduação do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA). Atuei como tutor a distância e supervisor das disciplinas Fundamentos Biológicos Aplicados à Educação Física e Medidas e Avaliação em Educação Física e dessa mesma disciplina que aqui trabalharemos na Universidade Aberta do Brasil (UAB) 1. Participo de um grupo de estudos voltados para os efeitos hipotensores do treinamento e obesidade infantil e também realizo atividades personalizadas em academia. Estou feliz pela oportunidade de estar ao seu lado neste trajeto.

Olá, sou o professor Ricardo Jacó de Oliveira, mineiro de Uberlândia. Atualmente sou professor adjunto da Universidade de Brasília (UnB). Publiquei diversos artigos em periódicos especializados e em anais de eventos. Possuo 12 capítulos de livros e quatro livros publicados. Orientei dissertações de mestrado, teses de doutorado e trabalhos de iniciação científica nas áreas de Educação Física, Fisioterapia, Medicina e Psicologia. Em minhas atividades profissionais interagi com duzentos colaboradores e em meu currículo Lattes os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: idosas, envelhecimento, idosos, força, exercício, genética, treinamento resistido, atividade física, composição corporal, densidade mineral óssea e depressão. Espero que este nosso encontro possa ser propício à discussão dos conhecimentos adquiridos, visando reforçar a aprendizagem e a sua fixação. Dessa forma, acredito que o comportamento participativo é fundamental para que os resultados obtidos pelo grupo sejam os melhores possíveis.

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Apresentação da Disciplina
Prezados (as) alunos (as), Bem-vindos à disciplina Programas de Aptidão Física Aplicados à Educação Física! Nas próximas páginas, você encontrará informações sobre o conteúdo que exploraremos, sobre os objetivos a serem alcançados e sobre as atividades de estudo e de avaliação de conhecimentos. Esta disciplina terá a duração de oito semanas. Em todas as semanas, após estudar o conteúdo, haverá atividades para sedimentar a aprendizagem e para avaliar os conhecimentos adquiridos. Você encontrará no ambiente virtual um espaço integrador para a realização das atividades. Para cada semana de estudo será disponibilizado, no ambiente Moodle, além do material didático, artigos, textos, tarefas e fóruns temáticos. Também haverá um espaço para fazer reflexões pedagógicas sobre o encontro presencial. Os temas da nossa disciplina estão divididos em três unidades: Unidade 1 – Noções Gerais de Educação, Educação Física, Atividade Física, Exercício, Saúde e Qualidade de Vida; Unidade 2 – Nutrição, Atividade Física e Saúde; Unidade 3 – Prescrição de Atividade Física Aplicada à Educação Física e ao grupos especiais. A qualquer momento, visite o fórum de dúvidas para obter ajuda, registrar suas dúvidas, descobertas e sugestões, bem como ajudar seu colega. Lembre-se, basta estudar para se ter dúvidas. Quem não estuda não tem dúvidas.

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Bom trabalho a todos! 409 . no trabalho coletivo dos participantes por meio da troca de experiências. descobertas e reflexões. ■ definir os conceitos que envolvem os aspectos nutricionais relacionados à atividade física e à saúde. o comportamento participativo é fundamental para que os resultados obtidos pelo grupo sejam os melhores possíveis. esperamos que você seja capaz de: ■ analisar os conceitos relativos à educação. Dessa forma. A utilização e a discussão dos conhecimentos adquiridos reforçam a aprendizagem e a sua fixação. ■ diferenciar os aspectos epidemiológicos que envolvem a relação atividade física e saúde. prioritariamente.OBJETIVOS Após concluir o estudo desta disciplina. A construção de conhecimentos está baseada. dúvidas. ■ avaliar programas de atividade física aplicados à Educação Física. ■ prescrever programas de atividade física aplicados à Educação Física. ■ examinar os aspectos básicos que envolvem a promoção da saúde e a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.

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Atividade Física. 411 .. à educação.. ■■ relacionar teoria e prática da Educação Física.. da saúde e da qualidade de vida.. Saúde e Qualidade de Vida Nesta unidade. à saúde. Educação Física.. ao exercício.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 Noções Gerais de Educação. esperamos que você seja capaz de: ■■ conceituar educação. da atividade física. à qualidade de vida! OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade... do exercício. discutiremos conceitos realtivos: à Educação Física.. Exercício.

seria esta uma interpretação correta. precisamos deixar de lado a intenção de querer sempre simplificar concepções. Educação não é apenas estudo acadêmico! Mas. que poderíamos denominar sala de aula? Sabemos que os estudos acadêmicos fazem parte do processo de educação do ser humano. é equivocado afirmar e limitar educação à etapa de estudo porque educação é muito mais do que um período. EDUCAÇÃO FÍSICA. Porém. ATIVIDADE FÍSICA.1 Educação Toda vez que falamos ou ouvimos falar sobre educação.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 1. sem muito fundamento. No entanto. Enfim. esta interpretação parece um tanto superficial. que uma tarefa. mas proponho retomar este conceito por ser muito importante. o que é educação? Você deve ter estudado o que é educação. então. Assim. EXERCÍCIO. com um significado distante e irreal daquilo que é “normal” escutarmos cotidianamente. Isso deixa claro que nossa intenção é sempre relacionar educação com estudo. que normalmente fica situado entre os anos de estudo vividos por uma determinada pessoa. para que as mesmas se tornem 412 . ou ainda que uma fase. Este processo não é momentâneo ou passageiro. geralmente temos a tendência de reduzi-la a um período. que uma etapa. com um significado todo próprio e lógico? Ou não estaria ocorrendo uma tentativa de transformar todo um processo natural e gradual em um simples limite específico (espaço físico). Vejamos: educação é o processo em que o ser humano vai buscando trilhar o caminho do amadurecimento integral. mas sim uma dinâmica que precisa ser buscada e vivida durante toda a existência. Em primeira instância.

Preocupar-se com a elevação do nível de consciência de todo um povo. neste caso. EDUCAÇÃO FÍSICA. De tudo o que conversamos até aqui. para que a mesma vá perdendo seu brilho e seu valor originário. ativa e cultivada. ATIVIDADE FÍSICA. implícita. Da mesma forma. contribuindo assim.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. não damos tanto valor às coisas importantes. degradada. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA mais acessíveis à nossa compreensão. muitas vezes. Educação é passar de uma mentalidade ou de um senso comum a uma consciência. original. É justamente por isso que. desarticulada. A filosofia da “práxis” (costumes) não quer nos manter na consciência primitiva do senso comum. EXERCÍCIO. visto como a essência que move nossa consciência. nossa consciência deveria ser trabalhada para que o sentido da educação fosse sempre mantido. coerente. de toda uma nação. articulada. mecânica. Não podemos deixar que todo um processo existencial do ser humano se encaixe dentro de uma concepção simplista que formulamos. intencional. 413 . explícita. ou melhor. busca conduzir-nos a uma concepção de vida superior. a educação. ao contrário. é reconhecer na educação o sentido e o valor de nossa existência. incoerente. podemos concluir que a passagem do senso comum a uma consciência é condição necessária para situar a educação dentro de seu significado primordial. Significa sair de uma concepção fragmentária. passiva e simplista para assumir uma concepção unitária.

Nesta linha. é. Matsudo e Matsudo (2000) afirmam que os principais benefícios à saúde decorrentes da prática de 414 . por experiência própria.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. é a educação das coisas. 2) o homem – o uso que nos ensinam a fazer desse desenvolvimento interno é a educação dos homens. 1. Saúde. Exercício. 3) as coisas – a educação adquirida dos objetos que nos impressionam. resultado de uma série de pesquisas e procedimentos estabelecidos. a construção de um saber que ultrapassa o sentido escolar e torna-se uma construção permanente na vida do ser humano. acima de tudo. Por isso. educação não é somente uma atividade. ATIVIDADE FÍSICA. Qualidade de Vida. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA A educação vem de três princípios básicos: 1) a natureza – o desenvolvimento interno de nossas faculdades e de nossos órgãos é a educação da natureza. EXERCÍCIO. Esporte e Educação Física Educação Física é um termo usado para designar tanto o conjunto de atividades físicas não-competitivas e esportes com fins recreativos quanto à ciência que fundamenta a correta prática destas atividades. Uma tendência dominante no campo da Educação Física estabelece uma relação entre a prática da atividade física e a conduta saudável.2 Atividade Física. EDUCAÇÃO FÍSICA.

Guedes e Guedes (1995). da imagem corporal. a prática da atividade física influencia e é influenciada pelos índices de aptidão física. observando as definições das variáveis adotadas por Guedes e Guedes. das funções cognitivas e da socialização. aptidão física e saúde. e na diminuição do consumo de medicamentos. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA atividade física referem-se a aspectos antropométricos e neuromusculares. da densidade óssea e da flexibilidade. EXERCÍCIO. 415 . além de promover a saúde. 1985). as quais se influenciam reciprocamente. Vamos compreender melhor este modelo. afirmam que a prática de exercícios físicos habituais. Vejamos cada um desses efeitos apontados pelos autores. ■■ Efeitos psicológicos – a atividade física atua na melhoria da autoestima. ATIVIDADE FÍSICA. Segundo eles. na diminuição do estresse e da ansiedade. EDUCAÇÃO FÍSICA. à diminuição da pressão arterial. ■■ Efeitos metabólicos – relacionam-se ao aumento do volume sistólico. ■■ Efeitos antropométricos e neuromusculares – segundo os autores. o incremento da força. do autoconceito. à melhora do perfil lipídico. ocorre a diminuição da gordura corporal. da massa muscular. ■■ Atividade física – qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto energético maior do que os níveis de repouso (CASPERSEN.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. ao aumento da ventilação pulmonar. por sua vez. os quais determinam e são determinados pelo estado de saúde. Trata-se de comportamento inerente ao ser humano com características biológicas e socioculturais. à melhora da sensibilidade à insulina e à diminuição da frequência cardíaca em repouso e no trabalho submáximo. Atividade física é todo movimento corporal voluntário humano que resulta em gasto energético acima dos níveis de repouso caracterizados pela atividade do cotidiano e pelos exercícios físicos. influencia na reabilitação de determinadas patologias associadas ao aumento dos índices de morbidade e de mortalidade. metabólicos e psicológicos. ao aumento da potência aeróbica. Defendem a interrelação entre atividade física.

enfrentar emergências imprevistas sem fadiga excessiva. 1998. FECHIO. 416 . 1991. ZAGO et al. Existem duas abordagens que se diferenciam: uma é a aptidão física relacionada à saúde e a outra é a relacionada à performance esportiva. 1997. e a saúde negativa estaria associada à morbidade e. GLANER.. social e psicológica.. A aptidão física relacionada à saúde reúne os aspectos biofisiológicos responsáveis pela promoção da saúde. 1994. 1990) – um estado dinâmico de energia e vitalidade que permita a cada um. Então. sentir uma alegria de viver. podemos definir aptidão física como a capacidade de realizar as atividades cotidianas com tranquilidade e menor esforço. Nahas et al. cada uma caracterizada por um continuum com polos positivos e negativos (BOUCHARD. 1990). no extremo. ATIVIDADE FÍSICA. 1998. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA A saúde positiva estaria associada à capacidade de apreciar a vida e resistir aos desafios do cotidiano.. --------------------------A aptidão física relacionada à performance esportiva referese aos aspectos que promovem o rendimento esportivo. realizar as tarefas do cotidiano. FREITAS JÚNIOR. RIBEIRO. ■■ Aptidão física (Guedes e Guedes adotam a definição de Bouchard et al.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. funcionando no pico de sua capacidade intelectual. ■■ Saúde – uma condição humana com dimensões física. 1995. 1995. 2000). EDUCAÇÃO FÍSICA. BÖHME. e evitar o aparecimento das disfunções hipocinéticas. 1998. Alguns autores a consideram como a aptidão para a própria vida. ocupar ativamente as horas de lazer. EXERCÍCIO. PETROSKI. O modelo em questão vem orientando grande parte dos estudos com enfoque na relação entre a atividade física e a saúde na perspectiva da aptidão física e da saúde (BARBANTI. à mortalidade.

seja em termos gerais.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. O termo qualidade. vincula a prática de atividade física à obtenção e à preservação da qualidade de vida. Vários autores e entidades ligados à Educação Física ratificam este entendimento. em função de sua natureza abstrata. o autor identifica. Katch e McArdle (1996) afirmam que a prática de atividades físicas regulares é fator determinante para o aumento da expectativa de vida das pessoas. Guedes e Guedes (1995) reconhecem as vantagens da prática de atividade física regular na melhoria da qualidade de vida. EXERCÍCIO. Para ser esporte tem de haver envolvimento de habilidades e também capacidades motoras. O posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (1999) é o de que a saúde e a qualidade de vida do homem podem ser preservadas e aprimoradas pela prática regular de atividade física. a relação atividade física e saúde vem sendo gradualmente substituída pelo enfoque da qualidade de vida. assim como regras instituídas por uma confederação regente e competitividade entre opostos. Lima (1999) afirma que a atividade física representa. ao distinguir a qualidade de vida em sentido geral (aplicada ao indivíduo saudável) da qualidade de vida relacionada à saúde (aplicada ao indivíduo sabidamente doente). EDUCAÇÃO FÍSICA. Tem sua maior expressão na relação positiva estabelecida entre atividade física e melhores padrões de qualidade de vida. cada vez mais. nas sociedades industrializadas. esclarece por que a expressão boa qualidade tem significados diferentes. Nesse sentido. ATIVIDADE FÍSICA. um fator de qualidade de vida dos seres humanos. possibilitando-lhes uma maior produtividade e melhor bemestar. o qual tem sido incorporado ao discurso da Educação Física e das Ciências do Esporte. 417 . para diferentes pessoas. 2000) reiteram a prescrição de atividade física como fator de prevenção de doença e de melhoria da qualidade de vida. Nahas (1997) admite a relação entre atividade física e qualidade de vida. Esporte é uma atividade física ou mental sujeita a determinados regulamentos e que geralmente visa à competição entre praticantes. a atividade física como fator de qualidade de vida. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Recentemente. Citando Blair (1993) e Pate (1995). Silva (1999). seja relacionada à saúde. Por isso são múltiplos os conceitos de qualidade de vida. Matsudo e Matsudo (1999. em locais e em situações diferentes.

Veem na atividade física um importante instrumento de busca de melhor qualidade de vida. ou seja. pois pretende reunir em um único documento as propostas e as discussões efetivadas. ATIVIDADE FÍSICA. de modo a promover estilos de vida saudáveis rumo à melhoria da qualidade de vida. consequentemente. Fora dos círculos acadêmicos. sugere que programas de atividade física bem organizados podem suprir as diversas necessidades individuais. que representa um importante acontecimento na história da Educação Física. 418 . O manifesto expressa os ideais contemporâneos de valorização da vida ativa. multiplicando as oportunidades de se obter prazer e. Neste contexto. Lopes e Altertjum (1999) escrevem que a prática da caminhada contribui para a promoção da saúde de forma preventiva e consciente. no decorrer do século XX. EXERCÍCIO. a Federação Internacional de Educação Física – FIEP elaborou o Manifesto Mundial de Educação Física – 2000. ratifica a relação atividade física. os meios de comunicação constantemente veiculam informações a respeito da necessidade de o homem contemporâneo melhorar sua qualidade de vida por meio da adoção de hábitos mais saudáveis em seu cotidiano. aperfeiçoar a qualidade de vida. por meio da educação para a saúde e para o lazer ativo de forma continuada. no âmbito dessa entidade. buscando responder em que medida a atividade física proporcionaria uma desejável qualidade de vida.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. EDUCAÇÃO FÍSICA. saúde e qualidade de vida e prioriza o combate ao sedentarismo como objetivo da Educação Física (formal e não formal). O “Manifesto de São Paulo para a Promoção de Atividades Físicas nas Américas” – publicado na Revista Brasileira Ciência e Movimento (jan/2000) – destaca a necessidade de inclusão da prática de atividade física no cotidiano das pessoas. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Dantas (1999).

/mar. “Aptidão física relacionada à saúde de adolescentes rurais e urbanos em relação a critérios de referência”. a hipertensão. A American Alliance for Health. O conceito que engloba a AFRS aos melhores índices cardiorrespiratórios. GLANER. ansiedade. n. determinados tipos de câncer etc. 1988). jan. obesidade. ATIVIDADE FÍSICA. Revista Paulista de Educação Física. a OMS (1990) destaca que as doenças cardiovasculares apresentadas em adultos têm seu princípio na infância e na adolescência. hipertensão. foram estabelecidos critérios para esses componentes.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. M. hipertensão arterial. acidente vascular cerebral. Ao classifiEstes critérios indicam o quanto cada avaliado deve apresentar em cada componente para possuir uma aptidão física recomendada em relação à saúde e. EDUCAÇÃO FÍSICA. estar menos exposto ao desenvolvimento de doenças crônicodegenerativas.3. o diabetes. 419 . dores nas costas. Elevados níveis de colesterol sanguíneo. 2005. Ademais. diabete mellitus tipo II. osteoartrite. vários tipos de câncer. sendo os principais causadores a obesidade. flexibilidade e gordura corporal estão associados a doenças crônicodegenerativas (AAHPERD. depressão. o fumo e a vida sedentária.13-24. v. Physical Education. Considerando que melhores índices nos componentes cardiorrespiratórios. EXERCÍCIO.19. diabetes. em consequência. Doenças hipocinéticas são doenças cardiovasculares. doenças coronarianas. São Paulo.3 Conceitos Diversos de Saúde Aplicados à Educação Física 1. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 1.1. de força/resistência muscular. 1988) depende da Aptidão Física Relacionada à Saúde (AFRS).F. Recreation and Dance (1988) salientava que os fatores de risco tendem a estender seu período de latência desde a infância até o início da vida adulta. de força/resistência muscular e de flexibilidade e aos níveis adequados de gordura corporal está associado a um menor risco para o desenvolvimento de doenças hipocinéticas ou crônico-degenerativas.1 Aptidão Física Relacionada à Saúde de Adolescentes Rurais e Urbanos A capacidade de o ser humano realizar tarefas diárias com vigor e demonstrar traços e características que estão associados com um baixo risco do desenvolvimento prematuro de doenças hipocinéticas (PATE. osteoporose. além dos problemas sociais estão diretamente relacionados ao excesso de gordura corporal e inversamente relacionados a baixos índices cardiorrespiratórios. p.

a falta de atividade física e a dieta inadequada. Physical best. os dois grupos podem estar expostos ao desenvolvimento precoce das doenças crônicas degenerativas associadas à baixa aptidão física relacionada à saúde. apenas 6. Segundo Glaner (2005). uma vez que: apenas 12. Reston: AAHPERD. pessoas de uma mesma região geográfica. principalmente em relação aos hábitos alimentares e de atividade física. além do uso de diferentes drogas. podem ter estilos de vida completamente diferentes. força/resistência da parte inferior e superior do tronco e braços significativamente maior que os respectivos pares urbanos. Mesmo assim. American Alliance for Health.94% dos rapazes rurais avaliados atendem aos critérios em todos os componentes da AFRS. principalmente entre os meios rurais e urbanos. tanto em relação aos hábitos alimentares como aos de atividades físicas e laborais.67% dos rapazes urbanos avaliados atendem aos critérios em todos os componentes da AFRS.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. ATIVIDADE FÍSICA. a OMS (1999) destaca. É consenso que isto é consequência da mudança no estilo de vida. Como o meio ambiente é um determinante do estilo de vida. EXERCÍCIO. EDUCAÇÃO FÍSICA. Recreation and Dance. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA car os problemas comportamentais de saúde de jovens de países em desenvolvimento. enquanto a gordura e a flexibilidade são iguais entre os rapazes dos dois domicílios. pois indica uma situação de preocupante a alarmante. separados por apenas alguns quilômetros. 420 . Physical Education. 1988. os rapazes rurais possuem uma aptidão cardiorrespiratória. Estudos com diferentes delineamentos indicam que o nível de atividade física e a AFRS de jovens e adultos são relacionados ou influenciados pelo meio ambiente no qual estão inseridos.

jan. ATIVIDADE FÍSICA. parece evidente que a partir do avanço em tecnologias e na informação esse fenômeno tende a se agravar. A. A orientação predominante para o uso do desporto na aula de Educação Física está sendo questionada por profissionais da saúde e da própria Educação Física. mas. Neste contexto. da Academia Americana de Comitês Pediátricos em Medicina do Desporto e Saúde Escolar (1987) e do American College of Sport Medicine referem à acentuação. entendemos que a escola possa situarse no centro das preocupações com a educação para a saúde. Fís./jun. não temos a clareza se o incremento da atividade física na criança poderá influenciar a diminuição do sedentarismo nas futuras gerações. No entanto. o que torna a escola uma instituição privilegiada de intervenção. embora se aceite que a prática regular de atividade física seja amplamente benéfica aos mais jovens. da necessidade de os programas de Educação Física adotarem objetivos orientados para a saúde. 13(1): 83102. e GAYA. Por um lado.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. EDUCAÇÃO FÍSICA.. sabemos que a atividade física influencia a saúde de adultos. 1999. Atividade física. Aptidão Física e Educação para a Saúde A preocupação com a promoção da saúde cada vez mais é prioridade em países desenvolvidos e em desenvolvimento. A. Educ. pelo fato de que uma boa parte das crianças e dos jovens tem acesso à escola e nela participam das aulas de Educação Física. reportando-se a declarações da Academia Americana de Educação Física (1987). São Paulo.3. por diversas razões.T. por estes organismos. 421 . Entre as diversas abordagens deste tema. Rev. aptidão física e educação para a saúde: estudos na área pedagógica em Portugal e no Brasil. MARQUES. o que gera a necessidade de promover estilos de vida fisicamente ativos. se hoje é crescente o sedentarismo nesses países mais ou menos industrializados.2 Atividade Física. destacamse as implicações do sedentarismo como fator de risco na gênese de um conjunto de doenças denominadas hipocinéticas. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 1. sobretudo. Sallis e McKenzie (1991). por outro lado. EXERCÍCIO. paul.

o que se reflete. Tendo em conta a forte influência da TV sobre as crianças e os adolescentes. neste contexto. entre outros aspectos. a aula de Educação Física assume papel privilegiado. não pode resolver todos os problemas referentes à promoção de atividades físicas e de estilos de vida ativos. ATIVIDADE FÍSICA. pela própria diminuição dos níveis de atividade física na criança. EXERCÍCIO. 422 . EDUCAÇÃO FÍSICA. muitas vezes. configura-se como a referência cultural mais significativa de suas vidas. principalmente para as crianças de classes sociais mais baixas. portanto. para muitas crianças. estimular a adoção de estilos de vida fisicamente adequados à promoção da saúde. Isto é. Tais conclusões levam-nos a considerar que devemos perseguir estratégias integradas para promover hábitos de prática regular de atividade física e que essas estratégias devem envolver a comunidade em geral. outros espaços sociais devem ser também valorizados. Sallis (1987) sugere que se possa veicular mensagens capazes de reverter tais efeitos e. Como referem Torres e Gaya (1996). nas atividades extracurriculares e nas atividades comunitárias. Mas sabemos também que a escola.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA O que essas considerações nos mostram? Bem. as políticas públicas devem ser desenvolvidas com o intuito de oportunizar à população a possibilidade de manifestar um estilo de vida fisicamente ativo. de tal forma. Lembremos que a escola. Do mesmo modo. elas tornam claro que a escola é um local de eleição para o desenvolvimento de estratégias de promoção da atividade física e de educação para saúde e. constituise na única oportunidade de acesso às práticas de atividades físicas. a escola. consideramos que o aumento do tempo consagrado à atividade física deverá ser conseguido também à custa do tempo consagrado à atividade regular fora da aula de Educação Física. Ou seja. por si só.

alguns autores esmeraram-se em estabelecer vinculações tecendo conceitos. EDUCAÇÃO FÍSICA.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. Consequentemente. Porém. Essa especialização. Os defensores da perspectiva da saúde renovada em Educação Física escolar ancoram seus argumentos numa teia de significações estranhas. 423 . reconhecendo que as questões que envolvem currículo sofrem tensionamentos. Saúde. De acordo com Darido (2005). EXERCÍCIO. promoção da saúde e Educação Física. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA 1. UERJ. ATIVIDADE FÍSICA. É possível notar em algumas escolas um aprofundamento tático das modalidades.3. Possui um caráter renovado em relação à perspectiva biológico-higienista. Espera-se que tais embates sejam travados no campo da fundamentação dos seus argumentos e não nas justificativas ideológicas. A estratégia é ousada. Rio de Janeiro: Ed. ou seja. a abordagem da saúde renovada tem por paradigma a aptidão física relacionada à saúde. tentando somar forças com correntes antagônicas. o que nos dá a impressão de que o sentido da Educação Física passa a ser o comportamento estratégico durante a prática desportiva. princípios e aplicações. 2006. são incapazes de obter a performance desejada.3 Promoção da Saúde e Educação Física Escolar Para fundamentar a perspectiva da saúde renovada como conteúdo aplicado à Educação Física escolar. M. pois de certa forma podemos dizer que só é possível “jogar taticamente” se houver domínio dos fundamentos do jogo. 2002). Currículo. os alunos frequentam as aulas de forma descompromissada com o que está sendo ensinado. por conta da constatação do fracasso no desempenho motor. O que será considerado como conhecimento oficial no sistema educacional. no entanto. mas falha na sua justificação. muitas vezes. observa-se nessa fase uma visível evasão dos alunos das aulas (MATTOS e NEIRA. não se mostra eficaz. e FERREIRA. P. Uma técnica que causa surpresa é a de fazer inferências sobre a Educação Física escolar sem a menor fundamentação em pesquisas ou em quaisquer outros dados que as justifiquem. FARINATTI. incluindo princípios como o da não exclusão.

EXERCÍCIO.. Bracht (1988) também abordava o assunto valendo-se da teoria dos sistemas. que pudessem oferecer referenciais mais claros à atuação dos professores.) a caótica situação da Educação Física resulta[va] de uma ausência de reflexões e justificativas convincentes de sua validade pedagógica. bem como de clareza em relação aos objetivos que persegue[ia]. questionase o objeto de cada disciplina ou de matéria curricular e colocase em destaque a função social de cada uma delas no currículo. a lógica dialética. presente em grande parte das escolas brasileiras.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. A superação dialética pretendida e defendida por autores progressistas não reiterariam conteúdos que. Bracht (1988) e Betti (1991) têm abordado essa temática. denunciavam como tradicionais e/ou técnico-biologizantes. de forma a desenvolver outra lógica sobre a realidade. a compreensão e a explicação da realidade social complexa e contraditória. Guiraldelli Jr. ATIVIDADE FÍSICA. com a qual o aluno será capaz de fazer outra leitura. 3) considerava que: (. (1988). em que o currículo capaz de dar conta de uma reflexão pedagógica ampliada e comprometida com os interesses das camadas populares tem como eixo a constatação. 1992). Sua atuação ficaria ligada à influência de sistemas hierarquicamente mais fortes. muito difundida no Brasil na década de 1970. que passam a ser professor-treinador e aluno-atleta.. Esse posicionamento. Isso vai exigir uma organização curricular em outros moldes. a interpretação. Cabe aqui ressaltar o que foi dito na obra Metodologia do ensino de Educação Física (SOARES. O autor chamava a atenção para as consequências de uma Educação Física carente de teoria específica. Nessa outra forma de organização curricular. é fruto da pedagogia tecnicista. muitos deles. Castellani Filho (1988). coincidindo suas opiniões na urgente necessidade de superar esse quadro. Vários autores. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Soares (1986. Busca situar a sua contribuição particular para a explicação da 424 . como Medina (1993). p. Entre professor e aluno. O proposto na concepção da saúde renovada traz quatro nítidas referências a tudo aquilo que foi questionado na perspectiva crítica superadora. EDUCAÇÃO FÍSICA.

muito pelo contrário. perguntando: Como seria possível. no espaço escolar. É importante destacar. Contudo. são esses mesmos especialistas que questionam a área da Educação Física.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. oferecer uma prática de atividade física. histórico. linguístico. ocupando um espaço considerável nos estudos dos endocrinologistas e dos especialistas de várias áreas. biológico ou corporal expressa particularmente uma determinada dimensão da “realidade” e não a sua totalidade. de pelo menos trinta minutos diários. são verdadeiramente preocupantes. EDUCAÇÃO FÍSICA. especificamente a infantil. de forma que sejam satisfatórios os gastos calóricos e os benefícios cardiovasculares? 425 . ATIVIDADE FÍSICA. para as crianças e os adolescentes. diabetes e síndromes metabólicas estão crescendo cada vez mais. há uma clara distinção quanto à pretensão totalizante da saúde. Como podemos observar. geográfico. não há nada parecido entre os adeptos da tendência da saúde renovada e a metodologia crítica superadora. entretanto. Isso porque o conhecimento matemático. que os índices divulgados pelos defensores da corrente da saúde renovada em relação ao sedentarismo da população. EXERCÍCIO. indicando que os níveis de sedentarismo infantil. artístico. Tais estatísticas são corroboradas por especialistas da área médica. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA realidade social e natural no nível do pensamento/reflexão do aluno.

e ter uma vida longeva. inserilo dentro do horário de aulas. quando a média atual de expectativa de vida nos países desenvolvidos está em torno de oitenta anos e quando as pesquisas biomédicas encontram dados que as permitem inferir sobre o potencial genético do homem para viver até mais de cem anos. hoje em dia. EDUCAÇÃO FÍSICA. Para Mattos e Neira (2002). citadas no documento elaborado pelo professor. Educação Física na adolescência. M. essas ações voltadas para os objetos primeiros do Ensino Médio. já não é uma grande vitória. tornando-se oficiais. Portanto. Para se viver muito. 2002. ampliar a carga horária de determinado componente. amparado pela lei. procedimentos. caso nenhuma ação seja implementada. uma vez os professores articulados e convencidos dessa necessidade. ------------------------MATTOS. e NEIRA.3. todo e qualquer projeto de estímulo à atividade física deve ser proposto pelo professor.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. a solução passa apenas pelo querer. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA O Regimento Escolar é a “tábua de mandamentos” dentro da Unidade. medicamentos. pois. EXERCÍCIO. submetido à aprovação da equipe pedagógica e incluído na proposta de trabalho da escola. podendo. São Paulo: Phorte. Assim. diminuí-lo. Inovações em técnicas. serão aceitas e assimiladas. 1. níveis dignos de sobrevivência e de direitos humanos devem ser respeitados. e o cidadão deve ter acesso aos avanços científicos e tecnológicos das diferentes áreas relacionadas à saúde. M. vacinas e novos conhecimentos sobre alimentação e sobre os efeitos agudos e crônicos do exercício físico colaboraram para esse fenômeno. não haveria problema algum em modificar os conteúdos e carga horária da Educação Física escolar. prestigiá-lo ou. simplesmente. ATIVIDADE FÍSICA.4 Atividade Física e Qualidade de Vida Relacionada à Saúde em Adultos O tempo de vida do ser humano tem aumentado significativamente. 426 .

e d) meio ambiente social 427 . Programas de incentivo à prática de atividade física precisam ser estimulados por políticas públicas. aos tratamentos médicos. Ou. podemos citar a falta de segurança pública. que frequentemente aconselham a realização de exercício físico. podemos delimitar a qualidade de vida em dois tipos: 1) qualidade de vida não relacionada à saúde. O ato de exercitar-se precisa estar incorporado não somente ao cotidiano das pessoas. vamos focar a nossa conversa na qualidade de vida. Essa necessidade se dá por diferentes fatores: do fator social que proporciona ao homem o direito de estar ativo fisicamente em grupo ao fator econômico. EDUCAÇÃO FÍSICA. e 2) qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS). Agora. em que se constata que os custos com saúde individual e coletiva caem em populações fisicamente ativas. Antes. por responsabilidade da família e/ou da escola. b) pessoal social. 1) Qualidade de vida não relacionada à saúde – inclui quatro domínios: a) interno pessoal. por vários motivos. c) meio ambiente natural externo. essa prática. Vejamos cada tipo. de informação adequada e de educação. uma pergunta: Você sabia que existem dois tipos de qualidade de vida? Entre os vários motivos.. Sabemos até mesmo que a população incorporou a ideia de que “se movimentar” faz parte de nossas vidas e que a sociedade moderna tende a ser privada veladamente do seu direito de ir e vir.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. de certo modo. ATIVIDADE FÍSICA. EXERCÍCIO. de seu tempo ativo de lazer etc. e isso acaba com o hábito natural das pessoas: “exercitar-se”. É verdade. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Recentes relatos de médicos de família. ao planejamento da família e à educação infantil. mas também à cultura popular. informam que o pouco tempo disponível e a falta de conhecimento específico limitavam. ainda.

por exemplo. fatores do meio ambiente podem ter um grande impacto na QVRS de uma pessoa que sofre de asma brônquica. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA externo. não podemos ter a certeza sobre quais respostas obteremos. Gostam de fazer exercícios regularmente? Esse percentual certamente diminuirá. EXERCÍCIO.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. Essa questão é ainda mais relevante quando se analisa o profissional de saúde que tem por função orientar a população para um estilo de vida saudável. Fatores externos e internos afetam a percepção. Todavia. EDUCAÇÃO FÍSICA. em pleno século XX: Se perguntarmos às pessoas que têm acesso à informação o seguinte: Exercício físico regular faz bem à saúde? Talvez encontre um grande percentual que responda afirmativamente. Entre elas. Cada um desses domínios subdivide-se em diferentes componentes que dependem de fatores individuais. algumas ainda responderão dessa maneira porque fazem diariamente o serviço de casa ou do seu quintal. a função e a sensação de bem-estar de uma pessoa. Mas observe uma situação de hoje. mas um percentual muito baixo deverá responder positivamente. Se formos adiante e perguntarmos se elas são ativas fisicamente. 428 . ATIVIDADE FÍSICA. se perguntarmos a essas mesmas pessoas.. Outros nos dirão que são atletas porque praticam esportes no fim de semana e assim por diante.. 2) Qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) – representa a parte da qualidade de vida ligada diretamente à saúde do indivíduo.

aptidão física e saúde. Relação entre atividade física. esse grupo populacional tende a apresentar níveis progressivamente menores de aptidão física. 1. de saúde e de qualidade de vida. ATIVIDADE FÍSICA. Assim. Por exemplo: quando vemos atletas terem seu desempenho prejudicado por se adoentarem ou quando observarmos as baixas que acontecem com um indivíduo ativo fisicamente que. Aptidão Física Atividade Física Saúde Fig. fica em um leito privado de livre movimentação. atividade física e saúde – são próximas e recíprocas.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. saúde e QVRS são variáveis intimamente ligadas. Os índices de saúde também influenciam os níveis de aptidão física. repentinamente. aptidão física e saúde. como podemos observar nas Figuras 1 e 2. Indica que a prática de atividade física resulta em índices de aptidão física que certamente interferem na prática da atividade física. Quando se inicia a vida adulta. embora esse grupo tenda a apresentar fatores de risco que potencialmente levarão às doenças hipocinéticas. Adaptado de Guedes (1996). 2. Atividade Física • Lazer • Trabalho Aptidão Saúde • Bem-estar • Morbidade • Mortalidade Fig. partimos da premissa que aptidão física. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA A relação entre as três variáveis – aptidão física. especialmente a partir dos 25 anos de idade. Em decorrência do sedentarismo. 429 . Paradigma simplificado da relação entre atividade física habitual. raramente utiliza os serviços médicos. EDUCAÇÃO FÍSICA. EXERCÍCIO. provavelmente não frequenta mais o consultório do seu antigo pediatra e não presta atenção à medicina preventiva. Essa população adulta jovem pode parecer mais saudável. por ausência de sintomas. Adaptado de Guedes (1996). abaixo. existe uma tendência a prevalecer níveis de sedentarismo. Essa população.

por vezes. dos especialistas em Medicina do Exercício e do Esporte e dos profissionais de Educação Física poderá contribuir significativamente para uma melhor orientação e um melhor aconselhamento da população. alfabetização. Isso quer dizer que valorizamos aquilo que é bom para que vivamos nosso dia a dia de forma positiva. por meio de mensagens veiculadas na forma de imagens ou palavras. a partir de indicadores econômicos. Atividade física. consumo alimentar. vivenciamos e testemunhamos. como meio ambiente. sobretudo. P. emerge relacionado à atividade física. EXERCÍCIO. torna-se relevante o estudo das representações sociais sobre a qualidade de vida daqueles com os quais iremos 430 . educação. 1. Guedes D. Silva JG (orgs.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. A qualidade de vida surge sob uma subjetividade que torna difícil a conceituação estrita do termo. D. EDUCAÇÃO FÍSICA..). mortalidade infantil. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA GUEDES. aptidão física e saúde. de forma errônea. Uma maior compreensão dessa problemática por parte dos profissionais de saúde. Por isso. prática de atividade física. sem existir nenhuma ligação uma com a outra. que está totalmente envolvida com questões de ordem social. segurança e promoção da saúde. no nosso cotidiano. Qualidade de Vida e Saúde A busca por uma melhor qualidade de vida tem sido constante nas sociedades. entre outros aspectos que traduzem a complexidade da qualidade de vida. esperança de vida. Nesse sentido.5 Educação Física. 1996. à história pessoal de cada um de nós. taxa de natalidade. Brasília: Ministério da Saúde e Ministério da Educação e do Desporto. In: Carvalho T. A qualidade de vida é algo a se alcançar.3. Isso tem gerado tentativas de se estabelecer valores para o nível de qualidade de vida. que se utilizam do termo qualidade de vida para vender os seus produtos. muitas vezes. P. Orientações básicas sobre atividade física e saúde para profissionais das áreas de educação e saúde. Quer ver? Por exemplo: as propagandas de centros de atividade física. porque se refere. Algo que a prática do exercício físico pode fornecer. as relações entre atividade física e qualidade de vida que são mostradas. Um estado que. ATIVIDADE FÍSICA.

A Educação Física tem a possibilidade de ampliar o alcance de seus conteúdos se. EDUCAÇÃO FÍSICA. ida ao cinema. por estar relacionada à cultura local. no nosso caso. um grande leque de opções em que a Educação Física surge. buscar discutir aspectos relacionados à educação para a saúde. Entre outras áreas de intervenção temos o Turismo. seja por meio de atividade física orientada. 431 . fim de semana na praia. para que possamos identificar a dinamicidade desse conceito. munido de instrumentação teórica consistente. É preciso identificar qual o grau de associação que as pessoas estabelecem entre a Educação Física ou a atividade física e o que se tem chamado qualidade de vida. como mais uma contribuição. bom cochilo após o almoço. Isso pressupõe alterar o estilo de vida de pessoas. para que. se desejamos que nossa intervenção seja bem-sucedida.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. seja mediante leitura. a Gerontologia. E preciso discutir o “ter” qualidade de vida entre aqueles com os quais trabalhamos. devemos oferecer aquilo que certamente melhorará a qualidade de viver dos nossos destinatários. a Psicologia e as Artes. em alguns casos. O professor de Educação Física deve estar atualizado quanto ao conceito multifatorial da saúde e à dinamicidade do que pode ser interpretado por qualidade de vida. pela aquisição de estilos de vida ativos e hábitos saudáveis por alunos. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA intervir. mas também singularidades das pessoas que nele se insere. precisamos respeitar as singularidades de cada comunidade e do indivíduo em si. nós. EXERCÍCIO. ATIVIDADE FÍSICA. ao lado de outras áreas de intervenção. Por isso. evitando padrões conceituais. professores. A qualidade de vida tem dinâmica própria. Considerando que essas representações contribuem para alterar os comportamentos dos indivíduos. que possivelmente traz elementos compartilhados num grupo. tenha condições de discutir e ampliar a relação de compromisso da Educação Física para além da esfera da aptidão física. enfim. no mínimo. a Sociologia.

A. a transição epidemiológica está acontecendo de maneira lenta. com o paradigma da caixa-preta. a desenvolverem conhecimentos sobre a prática física e. EXERCÍCIO. Porém. entre os elementos que estavam ocultos como fatores multicausais de risco. e exige da Educação Física novas responsabilidades. pois a participação da comunidade amplia a concepção de estilos de vida do nível individual para o coletivo. corpo e saúde: uma reflexão sobre outros modos de olhar. novas ações interativas e novo papel. ATIVIDADE FÍSICA. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Esse estilo de vida extrapola a ideia de adesão à prática regular de exercícios físicos.3. a se conscientizarem da sua importância e dos benefícios para a vida. de doenças infecciosas para doenças cardiovasculares. normalmente.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. EDUCAÇÃO FÍSICA. mas é uma realidade. essas relações tiveram início na era epidemiológica das doenças crônico-degenerativas. onde. 22. 432 . até mesmo na região Nordeste. conforme evidenciado por escritas gregas e chinesas. coincide com a chamada transição epidemiológica. 1. 2001. possibilitando identificarmos fatores que os impedem. Uma Educação Física compromissada com a melhoria da qualidade de vida deve levar os alunos a se exercitarem. p. 23-39. Educação Física. na qual existe uma inversão das causas de morte. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. Campinas: Autores Associados. 2. PALMA. de praticar exercícios regularmente e melhorarem sua qualidade de vida. V. No Brasil. aparentemente. fato observado há algum tempo nos países desenvolvidos. Este momento. deve se referir à aquisição de hábitos que otimizem o seu status de saúde e de sua comunidade. o sedentarismo aparece como fator determinante de agravos à saúde. sobretudo. por vezes. n. terapeutas têm ressaltado a importância da atividade física para o tratamento de doenças e para a melhoria da saúde e a relação entre epidemiologia e atividade física.6 Atividade Física: Aspectos Epidemiológicos Desde épocas mais remotas.

uso de álcool. considerando as redes multicausais. Vamos explorar cada uma delas. sedentarismo. existem evidências bastante significativas da influência da atividade física na melhoria da eficiência do 433 . entre outras formas de modificações ambientais provocadas pela modernidade. e 3) teoria ambiental. atualmente. EDUCAÇÃO FÍSICA. com objetivo de proposição de políticas públicas de saúde. sendo identificada sua prevalência. para em seguida serem propostos modelos teóricos para incentivar a adoção e a manutenção da prática de atividades físicas. Dessa forma. EXERCÍCIO. foram analisados os modelos multicausais na determinação de agravos e identificadas três teorias: 1) teoria do germe. A estas teorias podemos acrescentar o atual estudo do genoma humano. sendo que. estando ligadas diretamente às doenças crônico-degenerativas. aparece como um dos fatores que poderia modificar o risco dos indivíduos para adoecerem. Nesta perspectiva. em virtude da possibilidade de micro-organismos serem causa do câncer. a atividade física relacionada à saúde.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. observa-se o retorno a essa tendência. bem como pela recente epidemia de Aids. bem como as estratégias para incentivar a população a adotar o estilo de vida ativo fisicamente. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Considerando que o sedentarismo já é visto como fator de risco primário para as doenças cardiovasculares. 3) Teoria ambiental – explica o surgimento de diversos problemas de saúde em razão da poluição do meio ambiente. 2) teoria do estilo de vida. hábito de fumar e alimentação inadequada. Em primeiro lugar. sendo que as principais hipóteses seriam: estresse. ATIVIDADE FÍSICA. 2) Teoria do estilosw de vida – caracteriza as causas das doenças como comportamental. torna-se fundamental a identificação dos determinantes da atividade física. durante a era epidemiológica das doenças infecciosas. 1) Teoria do germe – bastante utilizada no início do século XIX. que preconiza os aspectos genéticos como possíveis participantes das redes multicausais na determinação das doenças.

J. contribuir para sedimentar a relação atividade física e saúde. mediante a criação de espaços adequados para a prática de atividade física. Atividade física É uma opção comportamental x Atividade física É parcialmente determinada por fatores genéticos A atividade física regular pode melhorar a aptidão física! 434 . Nas últimas três décadas. Saúde e atividade física. poderíamos proporcionar modificações no meio ambiente. fato que pode reduzir a incidência de alguns tipos de câncer e melhorar a resistência de pacientes com Aids. 2005. porém inter-relacionadas formas de medida. EXERCÍCIO. Dessa forma.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. Atividade física e aptidão física são coisas diferentes. 235 p. comportamentais e ambientais estariam contemplados. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA sistema imunológico. também. Ed. hipertensão.). Além disso. as constatações da influência dos fatores genéticos não apenas nos níveis de aptidão física das pessoas. como também no nível de atividade física habitual e de participação em exercícios levam-nos a acreditar que os atuais estudos sobre o genoma humano podem. numerosos trabalhos têm consistentemente demonstrado que altos níveis de atividade física ou aptidão física estão associados à diminuição no risco de doença arterial coronariana. A partir da era epidemiológica das doenças crônicodegenerativas. (Org. Rio de Janeiro: Shape Editora. diabetes. Contudo. EDUCAÇÃO FÍSICA. Assim entendemos que os determinantes de ordem biopsicossocial. a adoção de estilo de vida ativo fisicamente irá proporcionar mudança de comportamento dos indivíduos. contribuindo como um dos meios para que as pessoas ficassem mais próximas ao polo positivo da saúde. Vejamos: OLIVEIRA. osteoporose. as políticas públicas de promoção de atividades físicas devem privilegiar os aspectos citados anteriormente. surgem diversos estudos epidemiológicos indicando a atividade física como meio de promoção da saúde. R. 1ª. Finalmente. ATIVIDADE FÍSICA.

EXERCÍCIO. Geralmente. se essa população tem uma alimentação adequada. ATIVIDADE FÍSICA. a promoção da saúde é tratada como uma forma individualizada de se buscar saúde. além de um sistema de saúde que atenda suas necessidades mínimas. os estudos de intervenção são experimentais (ensaios clínicos). Cabe a ele se esforçar para ser “saudável”. 435 . Mas a promoção da saúde. EDUCAÇÃO FÍSICA. casocontrole (retrospectivos). considerando as transformações. mas é responsabilidade também do Estado. o indivíduo não é o único responsável pela saúde.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. a simples ideia de promoção da saúde é a opção por estilo de vida saudável. transferindo ao próprio indivíduo a responsabilidade sobre ela. coorte (prospectivos) e ecológicos. está relacionada àquilo que está fora do controle do indivíduo. Estados Unidos e alguns da Europa Ocidental. como Canadá. adotando hábitos ou padrões criados por outros países. em um plano mais complexo. por exemplo. ele será o único responsável pelo “fracasso”.7 Promoção da Saúde e Benefícios da Atividade Física à Saúde O termo promoção da saúde surgiu e desenvolveu-se em países considerados desenvolvidos. como. Entretanto. os estudos observacionais subdividem-se em transversais. principalmente de ordem econômica (modernização e urbanização) pelas quais esses países estavam passando. Aqui. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Os estudos epidemiológicos na área da atividade física podem ser classificados em: observacionais e intervenção. 1. Na maioria das vezes. caso contrário.3. como o plano social e o coletivo. Tais países se apropriaram deste termo para elaborarem estratégias que tinham por objetivo influenciar os determinantes dos estilos de vida de cada indivíduo. devemos observar as condições de vida da maioria da população. há aproximadamente 25 anos. por meio de políticas públicas elaboradas e implantadas em benefício dos cidadãos e da coletividade.

com um sistema de saúde ainda muito precário. estabelecimento de prioridades. Quanto ao individual. tendo-se o conhecimento do seu contexto social e econômico. pois se dá pela aptidão física. no decorrer da sua vida. baseando-se principalmente nos benefícios orgânicos causados pelo exercício visando à saúde. prega que são as pessoas que devem buscar e selecionar as atividades de sua preferência. possam adotar os mesmos comportamentos. planejamento e implementação de estratégias visando melhorar os níveis de saúde da população. ora por tendência médica ou desportiva. tomada de decisões. que avaliem seus níveis de aptidão e. vol. além do individual. assim. conhecer e/ou estudar os padrões de comportamento e estilos de vida na população em geral ou em segmentos dela. A Educação Física e os mistérios de seu tempo. Quanto à promoção da saúde. ATIVIDADE FÍSICA. Claudia Maria. ao mesmo tempo. contribuirá para a escolha de intervenções mais eficazes e efetivas. desconsiderando-se toda a realidade socioeconômica. ação concreta e efetiva por parte de órgãos competentes./maio 2000. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Caberá. Portanto. a influência médica é a que mais aparece no contexto da Educação Física. A Educação Física e a saúde sempre tiveram uma relação histórica influenciada ora por tendência militar. espera-se que.21.2/3. e. GUEDES. resolvam seus problemas de aptidão. que a Educação Física tornou-se alvo dos interesses da Medicina e das instituições educacionais. Eis a grande crítica a esse modelo: supõe-se que todos os indivíduos são iguais. 436 . A promoção à saúde sob a perspectiva da Saúde Pública considera. em razão de sua importância para a sociedade norte-americana (GUEDES. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. o coletivo. principalmente em um país como o Brasil. jan.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. conforme essa concepção de promoção da saúde. Assim. EXERCÍCIO. EDUCAÇÃO FÍSICA. n. Foi pelo desenvolvimento da Fisiologia e pelas suas importantes descobertas. 2000). principalmente em relação aos benefícios dos exercícios físicos para a saúde. o indivíduo seja capaz de adquirir uma autonomia quanto à atividade física. então.

a nutrição e a biomecânica). p.22. Aptidão física e saúde na Educação Física escolar: ampliando o enfoque. janeiro 2001. de realidades econômicas e histórias de vida diferentes. ou seja. que se alimentam de forma diferenciada (alguns bem. o biológico e o fisiológico. que deve ser o de “educar” as pessoas a aderirem à prática regular de exercícios físicos e. a qual. 437 . nem que os mesmos devam ser excluídos desse processo. p. como a anatomia. Marcos Santos. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Não podemos também homogeneizar o físico. a grande tarefa da Educação Física Escolar é unir os conhecimentos dos determinantes sociais. No Brasil.2. a política e a sociologia) aos seus conteúdos (os da área biológica. que a prática da Educação Física deva ser concretizada pela prática de desportos. conforme as bases da proposta. pessoas que vivem nos mais variados ambientes.9-21. com o objetivo de tornar as pessoas autônomas para a prática de exercícios físicos.22. condições de vida que determinam mudanças de natureza biológica (CARVALHO. Yara Maria de. apenas redimensioná-los na esfera da Educação Física escolar (FERREIRA. e também autônomas para com o conhecimento. EDUCAÇÃO FÍSICA. pois eles têm cargas hereditárias variadas. vol. torná-las pessoas com estilo ativo de vida e hábitos de vida saudáveis. Isso também não significa. handebol.41-54. Atividade física e saúde: onde está e quem é o “sujeito” da relação? Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2001). Então. a fisiologia. a proposta de Educação Física escolar que trabalha com promoção da saúde utiliza os mesmos métodos utilizados nos países de origem dessa proposta. janeiro 2001. EXERCÍCIO. no decorrer de suas vidas. atribuise à Educação Física um compromisso com a promoção à saúde. Podemos considerar com isso um avanço naquilo que é oferecido na Educação Física Escolar brasileira. ultimamente. vol. a fim de discernir a realidade em que vivem (FERREIRA. FERREIRA. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2001). a ecologia. que têm dificuldades em encontrar tempo para a prática de atividade física. econômicos. n. CARVALHO. ATIVIDADE FÍSICA. políticos e ambientais (como a história. 2001). outros mal). tem utilizado os esportes (como basquete.2.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. com isso. n. vôlei e futebol) como conteúdo a ser dado aos alunos. enfim.

44-45. EXERCÍCIO. dislipidemias. obesidade. Na sua relação com a promoção da saúde. p. nos aspectos orgânicos e psicossocioafetivos. apresentam menores índices de aquisição de hábitos nocivos à saúde. como tabagismo. 50). Assim. ATIVIDADE FÍSICA. Vol. educação etc. adquirem melhores hábitos nutricionais. sendo assim menos sujeitos ao estresse.” (DEVIDE. a Educação Física não deve desconsiderar a importância da atividade física (aptidão física).PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. como um poderoso instrumento para atingir melhor qualidade de vida. mas não deve fazer com que a prática de exercícios físicos seja apontada como a solução para os demais problemas de saúde. EDUCAÇÃO FÍSICA. Revista Movimento. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Além do mais.3. Ela também deve aproveitar esse momento histórico para rever seu papel perante a sociedade. trabalho. renda. Educação Física e saúde: em busca de uma reorientação para a sua práxis. diabetes mellitus. o nível de atividade física tem sido associado a menores índices de morbimortalidade na população em geral.8 Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis Mediante a Prática de Atividades Físicas Hoje em dia a importância da atividade física é bastante conhecida na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. alimentação. sem perder de vista o contexto real do mundo. como hipertensão arterial. sendo a inatividade física (sedentarismo) um dos principais fatores de risco para essas enfermidades.5. DEVIDE. a Educação Física brasileira também busca uma melhor identificação daquilo que tem a oferecer aos seus alunos. n. 3. no âmbito da promoção de saúde. Fabiano Pries. o enfoque atual de prevenção em saúde pública está baseado na promoção da prática de atividade física. a qual poderia ser considerada. 438 . 1996. como disciplina escolar. Os indivíduos fisicamente ativos experimentam melhor desempenho no trabalho e/ou na escola. Assim. alcoolismo e utilização de outras drogas. 1996. habitação. p. sem esquecer de informar às pessoas que a “melhoria da qualidade de vida depende também das condições básicas de saúde. 1.

et al. Nível de atividade física da população do Estado de São Paulo: análise de acordo com o gênero. para minimizar o impacto deletério na saúde da população (MATSUDO et al. A promoção de atividades que evitem os hábitos sedentários pode ser fundamental para impedir o aparecimento de doenças crônicas futuras. ATIVIDADE FÍSICA. em 2001. 2003). e inferiores nas regiões Sudeste (59%) e Sul (53%) do país. e que este quadro é preocupante e exige ações e políticas de saúde pública. 4. ----------------------------O Ministério da Saúde. M. n. 2002). EXERCÍCIO. 1. EDUCAÇÃO FÍSICA. Bras. constatou-se que o sedentarismo é maior na população de baixa escolaridade. No Brasil. nota-se que o sedentarismo atinge tanto países desenvolvidos como os em desenvolvimento. p. distribuição geográfica e de conhecimento. 2002. Brasília. idade. 41-50. BRACCO. M. v. M. é fundamental que a atividade seja praticada de forma regular e consistente. a ser coordenado pela Secretaria de Políticas de Saúde. e Mov. p. e que há declínio da atividade física com o aumento da idade cronológica. São Paulo. 2003. na biblioteca virtual da plataforma do nosso curso. v. 12. pois os benefícios são temporários (BRACCO et al. Atividade física na infância e adolescência: impacto na saúde pública. 10.89-97. S. Rev. Revista Ciências Medicas. Você encontrará a portaria. Ciên. no interior e na região metropolitana.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. 439 . Assim.. os índices de inatividade física são superiores nas regiões Nordeste (65%) e Norte/Centro-Oeste (64%). MATSUDO. para que os benefícios da atividade física tenham reflexos em um estilo de vida saudável. lançou uma portaria visando instituir o Programa de Promoção da Atividade Física. n. Em uma revisão de estudos sobre o nível de atividade física em determinados países. nível socioeconômico. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Entretanto.. et al. especialmente nos países em desenvolvimento. na íntegra.

O que é aptidão física? 5.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA Hora de praticar Analise as questões abaixo e envie as suas respostas ao fórum da plataforma a ser indicada pelo tutor. Como o professor de Educação Física pode intervir para diminuir os níveis de sedentarismo em crianças? 440 . 14. ATIVIDADE FÍSICA. EDUCAÇÃO FÍSICA. Por que jovens urbanos e rurais possuem diferentes níveis de aptidão física relacionada à saúde? 11. Quais doenças estão relacionadas ao excesso de gordura corporal e aos baixos índices cardiorrespiratórios? 9. Segundo a OMS quais os principais causadores das doenças cardiovasculares que afetam os adultos? 10. EXERCÍCIO. Explique a influência da atividade física em adultos e crianças. O que é atividade física? 4. 3. Como a escola pode intervir no processo de educação para a saúde e promoção da atividade física? 13. Explique a relação entre atividade física e saúde pelo enfoque da qualidade de vida? 6. 12. Defina Educação Física. Em sua opinião. 1. O que é esporte? 7. Explique o conceito de saúde renovada. o que é Educação? 2. Qual o objetivo do “Manifesto Mundial de Educação Física – 2000” elaborado pela Federação Internacional de Educação Física – FIEP? 8.

o que deverá ser tratado no período de escolarização básica.. 441 . EXERCÍCIO. e notadamente uma caracterização mais clara quanto aos seus objetivos como componente curricular. qualquer iniciativa que possa auxiliar o oferecimento de uma nova concepção do real papel da disciplina Educação Física na estrutura escolar. Diante dessa realidade. em um contexto educacional mais amplo. sua permanência no currículo escolar tem sido justificada com base na abrangência e pseudoefetividade da prática esportiva no desenvolvimento biopsicossocial e cultural do jovem. a maioria delas coloca o professor de Educação Física como simples coadjuvante do processo educacional. EDUCAÇÃO FÍSICA. verificamos que esse enfoque esportivo oferecido aos programas de Educação Física escolar não consegue atender. dentro do universo de conhecimento que envolve o movimento humano. Ou seja. parece existir fundamento lógico para a modificação da orientação oferecida às aulas de Educação Física para um enfoque de educação para a saúde. Em uma sociedade onde significativa proporção de pessoas adultas contribui substancialmente para o aumento das estatísticas associadas às doenças crônicodegenerativas em consequência de hábitos de vida não-saudáveis. de maneira direta e efetiva.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I NOÇÕES GERAIS DE EDUCAÇÃO. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA A Educação Física continua sendo disciplina do componente curricular no sistema educacional brasileiro. deve surgir a partir de definições quanto ao tipo de conhecimento associado ao movimento humano que deverá ser abordado em termos educacionais nas escolas. Com base em uma nova visão que vem norteando os estudos voltados ao movimento humano. acredita-se que qualquer tentativa de resposta a esta questão deve estar orientada para os aspectos que possam se relacionar. ATIVIDADE FÍSICA. em vez de desenvolver o conjunto de conteúdos que possa verdadeiramente contribuir. Contudo. várias propostas alternativas têm sido advogadas. Na tentativa de modificar essa situação. responsável simplesmente por entreter as crianças e os jovens mediante as chamadas atividades recreativas. principalmente quanto à prática de atividade física. responsável por orientar exercícios físicos etc. por organizar e acompanhar atividades comemorativas. No entanto. ao buscar informações na literatura. Historicamente. em toda sua plenitude. na formação dos educandos. as expectativas dos programas de ensino voltados a uma formação educacional mais efetiva de nossos jovens. com a educação para a saúde.

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■■ relacionar teoria e prática da Educação Física. ■■ explicar a relação entre nutrição. esperamos que você seja capaz de: ■■ discutir os conceitos relativos à nutrição. você saberia dizer qual a relação entre nutrição. nutrição e saúde.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 Nutrição. Por falar nisso. Atividade Física e Saúde Nesta Unidade. conversaremos sobre pontos importantes da nutrição. 443 . da atividade física e da saúde. atividade física e saúde. atividade física e saúde? Saúde! OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade.

para atletas e fisicamente ativos.1 Nutrição e Atividade Física Existe diferença entre atletas e pessoas fisicamente ativas? É interessante diferenciarmos atletas de pessoas fisicamente ativas. Mas por quê? 444 . da qualidade de vida e do bem-estar. São aquelas que buscam. para o processo de crescimento e desenvolvimento. é uma grande aliada. vamos conversar sobre as consequências da participação da criança nas atividades esportivas. Atletas x Pessoas Fisicamente Ativas São esportistas profissionais que se submetem. a partir desse entendimento. Bem. na prática de atividades físicas. A abordagem nutricional que segue refere-se aos cuidados com a alimentação de pessoas fisicamente ativas. A alimentação nos dois casos. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE 2. Os cuidados nutricionais com atletas devem acontecer não só para a melhora da performance durante treinos e provas. Por conta disso têm o metabolismo e as necessidades nutricionais completamente alterados e aumentados. mas com estratégias e objetivos diferentes. é importante a criança participar de atividades esportivas. a promoção da saúde.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. Pessoas fisicamente ativas não podem ter como referência a alimentação de atletas profissionais. mas também para a reposição das perdas de vários nutrientes que ocorrem durante os exercícios. em seus treinos diários. Sabemos que. a uma carga de exercícios bastante intensa.

Por isso. A dieta do jovem atleta deve fornecer quantidades de energia e nutrientes suficientes. Atualmente. É importante que crianças e adolescentes fisicamente ativos consumam energia e nutrientes suficientes para alcançar suas necessidades de crescimento. manutenção de tecidos e para o desempenho de suas atividades intelectuais e físicas.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. os jovens têm se envolvido cada vez mais precocemente em eventos esportivos. como as mecânicas ou as psicológicas. para a integração social e para o desenvolvimento de aptidões que levam a uma maior autoestima e confiança. independentemente do seu treino. distúrbios alimentares e uso indiscriminado de substâncias encaradas como ergogênicas. vamos explicar melhor: substâncias ergogênicas são aquelas que os atletas procuram utilizar visando à melhoria do seu rendimento desportivo. A participação de crianças e adolescentes em atividades esportivas é importante para o processo de crescimento e desenvolvimento. práticas de controle de peso inadequadas. hipertensão. diabetes. incluindo agentes farmacológicos e alguns nutrientes. como obesidade. envolvemse em programas de treinamento bastante intensos. Assim. os profissionais da saúde devem estar atentos à adoção de comportamentos alimentares que podem trazer consequências não saudáveis à saúde. tais como desidratação. Também existem as técnicas consideradas ergogênicas. Substâncias ergogênicas? O que é isso? Bem. o qual deve ser avaliado periodicamente. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE Bem. proporcionando-lhe o alcance de todas as suas necessidades. além da prevenção de diversas patologias. o exercício também oferece à criança a oportunidade para o lazer. 445 .

446 . devemos considerar que nessa faixa etária há uma busca por maior independência. e a escolha de alimentos é uma das áreas em que esses jovens mais podem mostrar sua determinação e expressar suas preferências. tais como baixa estatura. embora sejam de sua preferência. atraso puberal. da idade e do grau e intensidade de atividade praticada. caso se prolongue. A manutenção do balanço energético deve ser uma preocupação constante. não são os mais nutritivos. Embora a necessidade energética exata de jovens atletas ainda não esteja determinada. alterações ósseas. vários são os fatores. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE 2. É importante verificar a frequência e a qualidade desses lanches. o tempo gasto com treinamento e outras atividades diárias são fatores que podem levar o jovem atleta a escolher alimentos que. No caso de escolares e principalmente de adolescentes.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. que pode resultar. desidratação. levando-o a um consumo subótimo de energia e nutrientes. maior incidência de lesões e maior risco para o aparecimento de distúrbios alimentares. Jovens atletas são particularmente afetados pelo desequilíbrio energético. a fim de melhorar a qualidade nutricional e a contribuição energética da dieta. suas necessidades energéticas podem ser estimadas a partir da análise da ingestão dietética atual. irregularidade menstrual. da taxa de crescimento.2 Aspectos Nutricionais Quais são os fatores que influenciam na qualidade de uma dieta? Bem. em graves consequências para a saúde. deficiência de nutrientes. do sexo. A influência de colegas. A ingestão de lanches é comum nesse grupo etário e corresponde a aproximadamente 20% da ingestão energética total diária.

As RDA podem ser utilizadas para estimar as necessidades calóricas para crescimento e desenvolvimento normais (Tabelas 1 e 2). segundo as RDA (Quotas Dietéticas Recomendadas). Equações para a previsão do gasto energético no repouso. cálcio. Para o cálculo do gasto energético durante a atividade. A ingestão energética inadequada também está associada à ingestão marginal de macro e micronutrientes. piridoxina. devemos considerar o tipo de esporte praticado. Tal 447 . Necessidades calóricas e proteicas para o crescimento e o desenvolvimento normais. zinco e magnésio. Tabela 2. a partir do peso.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. folato. a frequência. Tabela 1. a duração e a participação ou não em competições. principalmente de carboidratos. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE Diversos estudos procuraram documentar a ingestão energética e de nutrientes de jovens atletas e demonstraram que a análise da ingestão alimentar desses indivíduos indica um consumo inferior de energia para sua idade.

o que é totalmente contraindicado.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. tais como o aumento do risco de aparecimento de doenças e a diminuição da taxa metabólica. 448 . Roda dos alimentos Tabelas de equivalência de gasto energético no exercício podem ser utilizadas para o cálculo das calorias extras necessárias no dia. Vejamos um exemplo: lutadores de luta greco-romana adolescentes que repetidamente restringem drasticamente a dieta e recuperam o peso posteriormente apresentam 14% de redução na taxa metabólica basal por unidade de massa magra. Restrições alimentares são comuns entre atletas competindo em esportes em que a composição corporal e a estética são fatores determinantes para o sucesso. A alimentação deve ser adequada às diferentes fases de treinamento. exacerbando a necessidade de dietas ainda mais restritas para conseguir a perda de peso desejada. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE associação tem consequências prejudiciais sobre o crescimento. pré. tal como a proposta por Bar-Or (Tabela 3). durante e pós-competição.

PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. em menor proporção. 449 .1 Macronutrientes Recomenda-se que a dieta para atletas jovens forneça de 55 a 60% da energia total na forma de carboidratos. simples (10–15%). A ingestão inadequada de carboidratos pode resultar em estoques insuficientes de glicogênio muscular e fadiga precoce. 2. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE Tabela 3. Equações de regressão para estimar a TMB (kj/dia) em crianças de 10 a 15 anos de idade.2. Esses carboidratos devem ser preferencialmente complexos (40–45% das calorias) e. de 12 a 15% de proteínas e de 25 a 30% de lipídios. além do uso de estoques proteicos para fins de produção de energia.

Jovens apresentam níveis mais altos de glicerol no sangue. ganho de massa muscular e força. 2. o que vem a ser o dobro da recomendação para adolescentes sedentários. sugere-se que a ingestão proteica de adolescentes praticantes de atividades esportivas deva ser de 2 g/kg/dia.2 Micronutrientes Não existem recomendações específicas de micronutrientes para jovens esportistas. As RDA e as DRI (Dietary Reference Intakes) são utilizadas como padrão para verificar a adequação. a ingestão de cálcio deve ser monitorada. não se recomenda que a ingestão dietética desse nutriente seja superior a 30% do valor calórico total. Apesar dessa maior utilização de gordura durante o exercício. sendo que os ácidos graxos saturados devem contribuir com menos do que 10% desse valor. uma vez que existe uma valorização da ingestão de proteína. apesar da pouca especificidade. Além da baixa ingestão energética. indicando uma maior utilização de gorduras. porém. mas também pelo uso de suplementos nutricionais. decorrente da associação que existe entre a ingestão desse nutriente.2. 450 . não somente por via alimentar. maior utilização de ácidos graxos livres e menor razão de troca respiratória durante o exercício. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE As necessidades proteicas de jovens são maiores do que as de adultos sedentários. Não existem estudos especificando recomendações proteicas para jovens atletas. Em geral.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. Entre atletas que seguem dietas restritas é comum ocorrer um baixo consumo energético decorrente da diminuição da ingestão de lipídios. As RDA servem de guia para uma ingestão proteica que garanta o crescimento normal. as recomendações proteicas são facilmente alcançadas.

Também é um dos principais pigmentos da carne. dando a essa uma coloração vermelha. diminuindo o desempenho e interferindo no treinamento se a deficiência de ferro progredir para uma anemia. existe a necessidade de maior ingestão de ferro. 451 . ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE Um consumo adequado desse nutriente é extremamente importante para os atletas em crescimento. O aporte de cálcio pode ser insuficiente. As ginastas estão entre as atletas que apresentam maior frequência de dano ósseo. a qual está associada a uma densidade óssea menor. principalmente entre jovens que diminuem a ingestão de produtos lácteos e apresentam consumo elevado de proteínas e alimentos que fornecem alta quantidade de fósforo (ex. nessa faixa etária. especial atenção deve ser dada à ingestão de ferro. por causa da maior massa magra e das perdas menstruais em meninas. apesar de não realizar o transporte de oxigênio como a hemoglobina o faz. Então. Esse fator é particularmente importante entre atletas do sexo feminino que apresentam amenorreia primária. mais tarde.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. É o principal pigmento carregador de oxigênio dos tecidos musculares. do volume sanguíneo e das células vermelhas resulta em maior necessidade de ferro para a mioglobulina e a hemoglobina. não ingerir ferro suficientemente pode prejudicar a capacidade de transporte de oxigênio. com maior possibilidade de ocorrer anemia no estirão. Na adolescência. a fim de diminuir as fraturas de estresse e. Sua principal função é a de reserva de oxigênio nos músculos dos mamíferos. o risco de desenvolverem osteoporose. bebidas gaseificadas). O rápido aumento da massa magra. A mioglobulina é uma proteína globular de 153 aminoácidos. Mas o que acontece se houver ingestão insuficiente de ferro? Bem.

é importante monitorar os estoques de ferro corporal (ferritina) em razão da baixa biodisponibilidade desse nutriente. mas existem menos informações voltadas para as crianças. Em consequência da maior perda de água e eletrólitos. Mesmo quando a análise da ingestão diária demonstra um consumo adequado e o hemograma indica uma contagem normal de hemoglobina. em comparação a adultos. Dietas muito restritas caloricamente podem ser deficientes em piridoxina. ■■ ingestão inadequada de ferro. Isso indica que crianças possuem uma termorregulação menos eficiente que a dos adultos. A ingestão da vitamina A. A necessidade de água e eletrólitos para adultos está bem comentada na literatura. ■■ baixo consumo energético (relacionado a esportes com controle de peso). da vitamina C e do magnésio pode encontrar-se abaixo das recomendações em grupos de crianças que não possuam o hábito de ingerir frutas e hortaliças. durante e após os períodos de treinamento e competição. 2. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE Atletas adolescentes do sexo feminino apresentam risco maior para deficiência de ferro em decorrência de: ■■ mais necessidades fisiológicas.3 Hidratação A hidratação é essencial para garantir a manutenção da saúde e o desempenho físico. Durante a situação de desidratação.2. cálcio.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. ■■ perdas de ferro relacionadas à prática esportiva (hemólise por impacto). jovens atletas têm um aumento mais rápido da temperatura interna. o que provavelmente é decorrente de sua menor taxa 452 . por meio da sudorese. folato e zinco. é indicado que esportistas ingiram fluidos antes.

disfunções menstruais e uso de práticas de controle de peso inadequadas relatadas por jovens atletas sugere que muitas delas não alcançam suas demandas energéticas e nutricionais diárias.1 Anorexia e Bulimia A alta incidência de distúrbios alimentares. fisiculturismo e lutas. maior razão de área de superfície por massa corporal (que leva à maior troca de calor com o ambiente) e maior produção de calor metabólico.3 Distúrbios Alimentares 2. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE de sudorese. pode caracterizar um verdadeiro distúrbio alimentar. A transição do padrão de sudorese infantil para o adulto ocorre no início e no meio da puberdade. 2. 2 Crianças podem evitar a desidratação durante exercício prolongado e intermitente se ingerir líquidos a cada 15–20 minutos. frequentemente associado a outros sintomas. ballet. como ginástica. compatível com o critério de imagem corporal inerente a essas atividades. perda de peso extrema. uso de laxantes. A presença de um comportamento alimentar alterado. com o objetivo de manter o peso corporal baixo. Esses achados enfatizam a necessidade de garantir a ingestão de fluidos por crianças e adolescentes durante o exercício.3.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. A prática de esportes. foi identificada como um estímulo para a ingestão marginal de energia. Crianças não costumam perder mais do que 350–400ml/ hr/m de superfície corporal. patinação artística. amenorreia e outros sintomas fisiológicos e psicológicos. Essa taxa de sudorese baixa resulta mais de uma produção menor de suor pela glândula do que de um menor número de glândulas sudoríparas ativadas pelo calor. 453 . tais como vômitos.

Caracteriza-se por episódios de grande e excessivamente rápida ingestão alimentar. Annu Rev. Esses distúrbios alimentares podem se manifestar na sua forma clínica ou subclínica – de mais difícil diagnóstico – e devem ser uma preocupação dos profissionais que atuam com esse grupo de atletas. vamos conversar especificamente sobre bulimia e anorexia. alternado com episódios de vômitos provocados ou uso de laxantes e diuréticos. Public Health. Teen health. resultando. 12: 309-33 2. 454 . N. na morte do paciente. Vejamos as características de cada um. em muitos casos.2 Obesidade Existem múltiplas interações entre atividade física e obesidade. além de seus efeitos na perda de peso. preservando ou mantendo a massa magra. Bulimia e anorexia nervosa são nomes diferentes para o mesmo distúrbio? Ou são distúrbios diferentes? Boa pergunta. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE A prevalência desses distúrbios é significativamente maior entre atletas do que na população geral. em um curto período de tempo. correspondendo a 32–63%. Esse é um comportamento de difícil diagnóstico. food and exercise.3. T. atuando na regulação do balanço energético – influencia a distribuição do peso corporal. A atividade física diminui o risco de obesidade. Agora. podemos dizer que são distúrbios diferentes.. Dwyer J. uma vez que os pacientes costumam escondê-lo e apresentar peso normal. O que você acha? Bem. principalmente no início.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. Meredith C. O quadro clássico envolve alteração da imagem corporal e constante e compulsiva limitação da ingestão de alimentos ou até mesmo jejum. e em particular entre atletas do sexo feminino. 1991. de início. Bulimia Anorexia nervosa É uma síndrome mais grave e com consequências mais prejudiciais para a saúde.

Fatores psicossociais e baixa aptidão física podem diminuir a motivação da criança obesa para a atividade física. Hora de praticar Analise as lógicas abaixo e envie a sua resposta à questão ao fórum da plataforma a ser indicada pelo tutor. C. J Am Diet Assoc. The role of physical activity in the prevention and management of obesity. A perda de peso e os efeitos positivos cardiovasculares e respiratórios resultantes do condicionamento físico em crianças obesas produzem diminuição do esforço fisiológico durante o exercício. além de menor percepção de esforço. A hipoatividade física cria um ciclo vicioso: inatividade – balanço calórico positivo – obesidade – diminuição da atividade física – maior inatividade. A criança em tratamento de obesidade deve associar a ingestão calórica à prática de atividade física de baixa intensidade e ampla duração. No aspecto psicossocial. no intuito de melhorar a qualidade de vida dos escolares? 455 . 85-8. L.. os sanduíches acompanhados de brindes. levando-se ainda em consideração o aspecto recreacional. Desde pequena. sociabilidade. promove a melhora da autoimagem. acompanhados de orientação e educação alimentar.Lógica 2: há um número de crianças obesas muito maior hoje que antigamente. Ars Cvurandi. a criança deve ser incentivada a uma vida mais ativa. J. Obesidade infantil – atividade física. ----------------------------SILVA A. os lanches de qualidade duvidosa e o aumento da oferta de refrigerantes nas cantinas das escolas. 1998: S31-8.. 1994. . HESS S. N. durante o período de crescimento. .PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO. RIPPE J. M. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE A participação em esportes e o aumento da atividade física são frequentemente recomendados no tratamento da obesidade infantil. Como o profissional de Educação Física pode intervir nesse processo.Lógica 1: os restaurantes fast food.. Exercício realizado precocemente. C. SILVA V. autoconfiança. P.. previne a formação de novas células adiposas. ALMEIDA F.

a última do nosso estudo. pré. Finalizada a Unidade 2. Vamos lá? 456 . Atletas do sexo feminino podem apresentar alterações menstruais e desenvolvimento ósseo inadequado decorrentes de excesso de treinamento associado à ingestão energética inadequada. enquanto a dieta deve fornecer quantidades de energia e nutrientes suficientes para que o jovem atleta alcance todas as suas necessidades. principalmente durante a prática esportiva. durante e pós-competição. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE A participação de crianças e adolescentes em atividades esportivas é importante para o processo de crescimento e desenvolvimento. em que conversaremos sobre a prescrição de atividade física aplicada à Educação Física. podemos prosseguir para a Unidade 3. Distúrbios alimentares são relatados entre alguns grupos de atletas. o qual deve ser avaliado periodicamente. A prática esportiva deve ser estimulada como parte do tratamento de crianças com excesso de peso. A alimentação deve ser adequada às diferentes fases de treinamento. uma vez que crianças apresentam uma termorregulação menos eficiente que a dos adultos e podem desidratar mais rapidamente. A hidratação deve ser planejada cuidadosamente.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I NUTRIÇÃO.

os diabéticos.... os hipertensos. como. Estes grandes grupos aparecem com certa frequência nas escolas e têm um problema diagnosticado que os pode limitar na execução de alguns exercícios. 457 ..PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 Prescrição de Atividade Física Aplicada à Educação Física e aos Grupos Especiais Nesta unidade. os obesos. Quais os cuidados que estas pessoas especiais devem ter com a alimentação? Quais as atividades físicas indicadas para elas? E o que tudo isso tem a ver com a saúde e com a Educação Física? gestantes. hipertensos. diabéticos... entre outros. as pessoas com problemas na zona lombar. os osteoartríticos e as grávidas. as crianças.. idosos. os doentes coronários. impedir a execução de outros e por vezes exigir o aumento da frequência de certos movimentos.. exploraremos os cuidados a se ter com populações consideradas especiais.

atividade física e saúde. esperamos que você seja capaz de: ■■ discutir os conceitos relativos à prescrição de atividades físicas aplicadas à Educação Física. ■■ explicar a relação entre idosos. ■■ explicar a relação entre gestantes. atividade física e saúde. ■■ explicar a relação entre diabetes. atividade física e saúde. ■■ explicar a relação entre hipertensão. atividade física e saúde.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. 458 .

. em indivíduos com Pressão Arterial (PA) normal. Classificação da Pressão Arterial (mmHg) Fonte: Joint National Committee on Detection. a hipertensão pode ser resultante de fatores genéticos. Na maioria dos casos.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS 3. a hipertensão é uma condição na qual a tensão arterial encontra-se cronicamente elevada. ou seja. mas provocam reduções significativas Pressão Arterial Sistólica (PAS) é o maior valor verificado durante a aferição de pressão arterial. observemos a Tabela 1 abaixo: Tabela 1. É a medida de pressão arterial verificada quando da contração cardíaca para impulsionar sangue às partes corporais extracardíacas. Para entender melhor. e de outros elementos (id. acima dos níveis considerados desejáveis ou saudáveis para a idade e para a superfície corporal do indivíduo (POLLOCK. de uma dieta com altos teores de sódio. medida em milímetros de mercúrio (precedido do período de relaxamento do coração). 1993).1 Prescrição de Atividade Física para Hipertensos Você saberia dizer o que é hipertensão? Por que ela ocorre? É transmitida geneticamente? Bem. Evaluation. indicativa da força do fluxo nas artérias. citado por Pollock (1996. medida em milímetros de mercúrio (mmHg). do estresse. ----------------------------Pressão Arterial Diastólica (PAD) é o menor valor verificado durante a aferição de pressão arterial. 459 . da inatividade física. mas esta alteração depende da pressão arterial do indivíduo. Os indivíduos com uma Pressão Arterial Sistólica (PAS) superior a 160 mmHg ou de uma Pressão Arterial Diastólica (PAD) acima dos 100 mmHg precisam ser encaminhados a um médico antes de serem testados ou de iniciarem um programa de treinamento. pouca alteração ocorre com o treinamento.1 Efeitos da Atividade Física em Hipertensos A atividade física altera a pressão sanguínea. and Treatmente of High Blood Pressure.1. p. de uma combinação destes fatores. 1993). 6). 3. da obesidade.

o que. comparada com o movimento dinâmico de menor intensidade. não parece que essa forma de treinamento seja capaz de causar qualquer aumento em longo prazo na pressão arterial de repouso. 1995). resultando em menor pressão arterial em repouso (FAGARD e TIPTON. principalmente quando associados à redução do peso corporal e da ingestão de sal (SANNERSTEDT. 2003.) 3. M. respectivamente. 1994). citado por GUEDES. São formadas e secretadas no Sistema Nervoso Central e na medula da glândula Suprarrenal. Os programas de exercícios devem ser de predominância aeróbia. Estado de São Paulo. LOPES. em resposta ao exercício aeróbio regular. p. BARRETO-FILHO. somado à diminuição do tônus simpático. porém. Indivíduos hipertensos submetidos a exercícios físicos tendem a reduzir a concentração circulante de catecolaminas. Soc. Tratamento nãomedicamentoso da hipertensão arterial. 1995).1. Os exercícios aeróbios moderados e de longa duração são os mais eficientes na diminuição ou na regularização da PA. RICCO. G. F. 460 . agora. O American College of Sports Medicine (ACSM) e outros revisores concluíram que as pessoas com hipertensão discreta podem esperar uma queda média das pressões arteriais sistólica e diastólica de 8 a 10 mmHg e 6 a 10 mmHg. natação etc. 1987. As catecolaminas (norepinefrina. J.. existe uma relação direta entre pressão arterial e exercício físico. A.13.1..2 Pressão Arterial e Exercício Como conversamos antes. ciclismo. com a duração inicial de 30 minutos. epinefrina e dopamina) são importantes neurotransmissores. H. como alguns exercícios específicos refletem-se na pressão arterial. citado por GUEDES. São Paulo. ■■ Exercícios crônicos do treinamento de resistência podem causar maior elevação na pressão arterial. 1994. v. cicloergômetros.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS em indivíduos hipertensos leves e moderados (FAGARD e TIPTON. G. n. A frequência das atividades não deve ser inferior a quatro vezes por semana. aumentando gradativamente para uma hora e com intensidade entre 40 e 65% da Frequência Cardíaca Máxima (FC máx. corridas leves. ■■ Exercícios com resistência estática dinâmica comprimem o sistema arterial periférico e acarretam aumentos agudos e dramáticos na resistência ao fluxo sanguíneo.48-55. provoca diminuição do débito cardíaco e da resistência vascular periférica. como caminhadas. Vejamos. Cardiol.

Os riscos potenciais associados aos exercícios intensos podem ser reduzidos por meio da orientação correta. MONTEIRO. D. Nov. tanto em indivíduos normais. Execício Físico e Controle da Pressão Arterial. ■■ Pressão arterial nos exercícios de braço: o fluxo sanguíneo para os braços durante o exercício exige uma cabeça de pressão sistólica muito maior./ Dez. 2004. Rev. A atividade física pode aumentar a capacidade cardiovascular e reduzir a demanda de oxigênio pelo miocárdio para um dado nível de exercício. natação e ciclismo.10. as pressões sistólica (PAS). pois o trabalho do coração aumenta consideravelmente. M. 461 . n. ■■ Exercício progressivo: nessa situação. das dislipidemias. Med. Niterói. Sporte. além de poder melhorar a probabilidade de sobrevida após um ataque cardíaco. tipo trote. As atividades físicas podem auxiliar no controle do tabagismo. C. FILHO. provoca a dilatação dos vasos sanguíneos nos músculos ativos. vol. As evidências sugerem que o treinamento físico pode proteger contra o desenvolvimento da doença coronariana. diastólica (PAD) e média são plotadas como uma função da quantidade de sangue ejetada para dentro do circuito arterial a cada minuto. o que constitui o débito ou o rendimento cardíaco. da hipertensão. a PAS é reduzida temporariamente para níveis abaixo do valor pré-exercício para indivíduos tanto normotensos como hipertensos.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS ■■ Exercício em ritmo estável na atividade muscular rítmica. Essa resposta hipotensa ao exercício prévio dura cerca de duas a três horas durante a recuperação. reduz a resistência periférica total e aumenta o fluxo de sangue através de grandes segmentos da árvore vascular periférica. da obesidade e do estresse emocional. É evidente que essa forma de exercício representa um esforço cardiovascular maior. do diabetes. Bras. F.6. ■■ Na recuperação após uma sessão de exercício submáximo contínuo. como na maioria dos pacientes cardíacos. As atividades físicas exercidas regularmente são necessárias para manter os efeitos obtidos no treinamento. S.

Diabetes Care. Diabetes Mellitus Tipo I São também conhecidos como insulino dependentes. POLLOCK. Durante os exercícios. 24. 2001. a glicose se acumula no sangue e é eliminada pela urina por meio dos rins (NIELMAN. provocando aumento dos níveis de glicose sanguínea e diminuição da capacidade de o organismo queimar o material energético ou a glicose que ele retira dos alimentos para energia. 1995). Sem insulina. estresse. pois se caracterizam por apresentarem um quadro de baixa dos níveis de insulina ou mesmo a inexistência da produção dessa. como hereditariedade. Dependendo do tipo de diabetes. alimentação. Agora. idade etc. 1992.(1). 1999). De acordo com POLLOCK (1993). o tratamento inclui a administração de insulina exógena. dietas e exercícios físicos (GUEDES. ácidos graxos e cetonas. O sangue transporta a glicose. jan. obesidade. 1993). 462 . As causas podem ser as mais variadas. inatividade física. gravidez. e a insulina – que é produzida pelo pâncreas – leva a glicose para o interior das células. esses indivíduos respondem com um aumento nos níveis de glicose. Os valores normais que devem ser mantidos sob controle encontram-se entre 75 e 100 mg/dl. American Diabetes Association: Diabetes mellitus and Exercise (position Statement). agentes hipoglicêmicos por via oral. vamos conhecer dois tipos de diabetes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica os indivíduos como diabéticos quando os níveis de glicose no sangue estiverem acima dos 140mg/dl.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS 3. “o diabetes do tipo I instalase de forma mais rápida e é mais difícil de ser controlado e é tratado por meio de injeções de insulina”. O tipo I acomete de 10 a 15% dos diabéticos e tem sua maior incidência em indivíduos jovens (diabete juvenil) (TEIXEIRA.2 Prescrição de Atividade Física para Diabéticos Diabetes Mellitus caracteriza-se por uma menor produção do hormônio insulina.

e a redução de outros fatores metabólicos de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (POLLOCK. não sendo comprovada. os níveis de glicose se reduzem gradualmente em decorrência da sua maior solicitação de uso pela musculatura esquelética. A diabetes do tipo II instala-se. 463 . Em indivíduos com obesidade leve. entretanto. para alguns indivíduos. e resulta de uma produção reduzida de insulina pelo pâncreas ou de uma diminuição na sensibilidade dos receptores celulares à insulina.1 Efeitos da Atividade Física em Diabéticos A atividade física pode ser útil como elemento complementar à dieta tradicional. a modulação dos níveis glicêmicos. de forma insidiosa. o risco de surgimento de diabetes é 2.1993). cinco vezes no caso de obesidade moderada e dez vezes no caso de obesidade elevada. geralmente. Para Guedes (1998).2. dependendo. aproximadamente 80 a 90% dos diabéticos do tipo II apresentam sobrepeso ou são obesos. a ocorrência de uma hipoglicemia durante os exercícios de curta duração.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Frequentemente denominado diabetes mellitus não insulino dependente. agentes hipoglicemiantes orais e. com injeções de insulina (POLLOCK. no entanto. finalmente. Ela é tratada inicialmente com dieta e exercícios. está associada à hereditariedade.9 vezes maior que nos não obesos. 1993). Tem sua maior incidência em indivíduos com mais de quarenta anos de idade (diabete senil). É a diabete que secreta moléculas defeituosas de insulina que não são eficientes para fazer com que a glicose não entre na corrente sanguínea. Diabetes Mellitus Tipo II 3. Segundo Teixeira (1992). A produção de glicose pelo fígado é inibida pela presença de altos níveis de insulina. Durante os exercícios. o controle do peso corporal. O objetivo dos exercícios é a otimização da capacidade funcional. de fatores como vida sedentária e maus hábitos alimentares.

contribui para os níveis de glicemia aumentarem a capacidade de o corpo utilizar a glicose e elevar a capacidade da insulina na redução dos níveis de glicose no sangue. mas que não são capazes de utilizá-lo adequadamente.2. menor restrição à ingestão de glicídios. com isso. Os pacientes que ingerem simultaneamente insulina e agentes betabloqueadores podem mascarar os sintomas de hipoglicemia e de elevação da frequência cardíaca. A prática de atividades físicas. Esse fato faz com que haja a administração de uma menor quantidade de insulina para quem a toma diariamente ou um melhor aproveitamento desse substrato nos diabéticos que possuem este hormônio. 3. a tolerância à glicose aumenta. 464 . eliminando a necessidade de medicação.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS A prática de exercícios físicos provoca a elevação da sensibilidade dos tecidos à insulina. A atividade física provoca uma diminuição do risco de doenças cardíacas.2 Exercícios para Diabéticos ■■ Os benefícios Os exercícios físicos são de suma importância para os diabéticos. dessa forma. em alguns casos. da hipertensão arterial e em combinação com a dieta gera um controle do diabetes tipo II. e. há risco de levar o indivíduo diabético a um estado de hipoglicemia (GUEDES. segundo VIVOLO (1994). É importante ser informado sob efeitos provocados pelos medicamentos utilizados pelo indivíduo. A prática de exercícios físicos só é recomendada quando os níveis circulantes de glicose no sangue são mantidos sob controle mediante o uso de insulina e de dieta adequada. pois ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue e o peso corporal. permitindo. Caso isso não ocorra. 1995).

465 . ■■ Precauções quanto à prática de exercícios Os diabéticos do tipo I devem precaver-se da prática de atividade física logo após a aplicação de insulina. É também necessário realizar uma avaliação antes de iniciar o programa de exercícios. logo após ou no decorrer das 24 horas seguintes ao término da atividade física. Deste modo. N Rudeman. The Health Professional’s Guide to Diabetes and Exercice. é recomendável molhar as partes do corpo com água gelada a intervalos regulares. ■■ Prescrição de exercícios Os exercícios para diabéticos insulino-dependentes só podem ser praticados se os níveis de glicose estiverem controlados. JT Devlin (eds). os diabéticos bem controlados devem tomar cuidado com a probabilidade de ocorrência de uma hipoglicemia que poderá ocorrer antes. durante.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Segundo Guedes (1998). Não se exercitar em condições climáticas adversas sem tomar algumas precauções também é uma maneira de melhorar a prática de exercícios. pois o nível de glicose continuará a cair. Desse modo. devemos escolher roupas que permitam o isolamento adequado. O primeiro passo para prescrição de exercício é obter do indivíduo um exame que relate a condição dos níveis sanguíneos de glicose. os indivíduos diabéticos que conseguem obter uma redução de aproximadamente 20% de seu peso corporal inicial demonstram ser capazes de suspender o uso de insulina exógena ou de agentes hipoglicêmicos. No frio. American Diabetes Association. 1995. os exercícios ajudarão a perder ou a manter o peso corporal. Nos do tipo II. o autor considera que a prevenção da obesidade pode retardar ou prevenir o desenvolvimento pelos diabéticos. evitando tecidos que não permitam a evaporação do suor. Segundo Vivolo (1994). O controle toma por base o nível de aproximadamente 250mg% e a ausência de sintomas. Quando nos exercitamos no calor. Clinical Education Series. deve-se tomar cuidado com os exercícios que contribuem para que o sobrepeso do indivíduo comprima os vasos e comprometa a circulação sanguínea.

Agora. quando o indivíduo apresenta bastante disponibilidade de glicose.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Os corpos cetônicos são substâncias solúveis em água derivados da quebra dos ácidos graxos para fornecer energia ao fígado e aos rins. neste último é fonte vital de energia durante o jejum. se for aplicada imediatamente antes dela. visando prevenir hipoglicemias. Nos maus controlados. • apresentação de alguma complicação. É aconselhável iniciar a atividade até pelo menos uma hora após ter tomado insulina. a aplicação deve ser feita no abdome. veja em que casos a prática de exercício não é recomendada: • nível de glicose acima de 300 mg/dl. Deve-se evitar a realização de exercícios nos horários de pico da ação da insulina. • nível de glicose acima de 240 mg/dl e cetonas na urina. A atividade física pode influenciar na “velocidade de absorção da insulina”. São usados como fonte de energia no coração e no cérebro. a atividade física pode aumentar o nível de glicose no sangue e também produzir ou elevar os corpos cetônicos de forma indesejável. a atividade física é utilizada como uma forma de reduzir essa elevação. Um bom horário para se exercitar é após as refeições. Se o indivíduo for realizar exercícios físicos mais rigorosos. exercícios de alta intensidade devem ser evitados nessas ocasiões. 466 . Nesse caso. No entanto.

sob orientação de médico ou nutricionista. baseados em médias observadas na população. pode ser difícil o paciente prevenir a queda de glicose no sangue apenas com a alimentação suplementar. com a duração entre 30 e 40 minutos e a intensidade de 60 a 75% da FC máx ou 50 a 60% do VO2máx. Nesse caso. “A obesidade é. um dos maiores problemas de saúde da sociedade moderna. convém reduzir a dose de insulina que está agindo durante o período de realização dos exercícios. o indivíduo diabético deve se exercitar de cinco a sete dias por semana. distúrbios psicológicos. coronariopatia. males hepáticos e dificuldades mecânicas. incluindo diabetes. apoplexia.3 Prescrição de Atividade Física para Obesos A obesidade é a condição na qual a quantidade de gordura corporal excede os limites determinados. Ao realizar um exercício de maior intensidade por período mais prolongado. Segundo o American College of Sports Medicine (ACMS).” A obesidade começa no início da infância e. Consequentemente. A obesidade excessiva pode resultar em aumento de até 100% na normalidade em relação à que se poderia esperar. no caso de ela ocorrer. 3. em comparação com crianças de peso corporal normal. A atividade de predominância aeróbia.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Alguns pacientes podem ter necessidade de se alimentar antes da atividade física. doença renal. como também em temperaturas elevadas. Exercícios de intensidade elevada ou de longa duração devem ser evitados (acima de 60 minutos). A obesidade relaciona-se com inúmeras doenças. a expectativa de vida é significativamente menor entre a população obesa. Esse fato deve fazer parte do planejamento alimentar. as probabilidades de obesidade na vida adulta são três vezes maiores. hipertensão. indiscutivelmente. 467 .

Entretanto. A gordura excessiva manifesta-se também lentamente durante a vida adulta. Ela só tem uma causa direta: o balanço calórico positivo. a fase pré-escolar e a puberdade. taxa metabólica pós-prandial. necessariamente. A obesidade progressiva associa-se à obesidade hiperplásica. destacamos alguns fatores que têm sido amplamente relacionados à obesidade. a seguir. a partir daí segue progressivamente. outros fatores podem gerar obesidade. 468 . A obesidade quase manifesta na idade adulta tem de apresentar características hipertróficas. o gasto energético total para os lactentes que. os lactentes não podem ser diferenciados em termo de antropometria. Sendo que a forma mais grave inicia neste último período. dos três meses até um ano. A seguir. os genéticos. em comparação com os lactentes que mantinham um aumento normal de peso. era 21% mais baixo. no período entre 25 e 44 anos. quociente respiratório ou ingestão de energia metabolizável. o que dificulta extraordinariamente o controle do peso corporal na idade adulta. Entretanto. A obesidade não se trata. se tornavam gordos. e. As células gordurosas provavelmente aumentam em número até o início da adolescência. os endócrinos e os metabólicos. constituindo os anos mais perigosos. portanto. é mais suscetível à reversão. Os períodos críticos do surgimento da obesidade são os doze primeiros meses de vida.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Até os três meses de idade. Uma pessoa somente irá engordar se a quantidade de calorias que ela ingerir superar a quantidade de calorias gastas. As pessoas obesas possuem um número maior de células gordurosas que contêm um volume de lipídios maior que seus equivalentes magros. A falta de exercício físico e o excesso de comida podem estimular a formação delas. de excesso de comida. como os socioculturais.

7% menores que as não obesas. bem como o de amigos. As crianças obesas. ou mesmo combinar as duas coisas. não foi evidenciada qualquer relação entre a gordura corporal e a ingestão calórica. Uma 469 . podem contribuir de forma significativa para a instalação de maus hábitos alimentares. o que.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Inatividade física A obesidade infantil está mais associada à inatividade física do que à superalimentação. até certo ponto. além de hipoativas. social ou afetiva podem provocar distúrbios comportamentais ou psicológicos que podem levar a pessoa a ingerir alimentos em excesso ou a adotar uma vida mais sedentária. com aumento na atividade física diária. Esses achados indicam que a tendência para os aumentos na gordura corporal com o envelhecimento pode ser minorada. representava a consequência de um treinamento menos vigoroso não de uma ingestão alimentar maior. Problemas pessoais de ordem financeira. Curiosamente. causando o balanço calórico positivo e o consequente aumento dos depósitos de gordura no corpo. apresentam gasto energético 20. em comparação com seus congêneres mais jovens. Fatores socioculturais Os hábitos familiares. Fatores genéticos e endócrinos Relatos frequentes informam que aspectos hereditários certamente predispõem os indivíduos à obesidade. pode levar ao desencadeamento do processo de obesidade. Isso sugere que a maior quantidade de gordura corporal observada entre os homens de meia-idade ativos. por sua vez. Os aumentos na gordura corporal podem constituir muito mais uma função do nível de atividade que da idade. Existem relatos de obesidade que atribuem sua obesidade a problemas psicológicos ou emocionais.

pois sofre redução de suas capacidades físicas e diminuição da velocidade de movimento. as varizes essenciais dos membros inferiores etc. principalmente em sua forma extrema. 2) administração de glicocorticoides. O sistema circulatório é afetado pelo excesso de gordura. do que quando nenhum deles é.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS criança tem 10% de chance de ficar obesa se os pais têm peso normal. tromboses e hemorragias cerebrais. 470 . a doença vascular hipertensiva. 50% de chance se um dos pais é obeso e 80% se ambos são obesos. A grande ameaça da obesidade está na predisposição a doenças cardiovasculares e pulmonares. apenas 5% dos obesos são de origem hormonal ou genética. Há a diminuição entre 25 e 35% no número de moléstias graves com a diminuição do peso. Entre as doenças que podem ser agravadas pela obesidade. e 3) castração. por isso. O obeso está mais sujeito aos ferimentos corporais por acidentes. A obesidade. tende a tornar-se um problema de família. Três diferentes manipulações de natureza endócrina podem produzir obesidade: 1) administração de insulina. Tem-se observado que a elevação experimental de insulina produz hiperfagia (aumento do apetite). a arteriosclerose. Contudo. A taxa de mortalidade nos diabéticos é quase quatro vezes maior nos obesos do que nos não obesos. é muito mais comum nas crianças quando ambos os pais são obesos. e tromboses coronarianas. destacamos o diabete mellitus. sendo que pessoas portadoras de doenças cardiovasculares deveriam manter o peso aproximadamente 10% abaixo do normal para diminuírem a sobrecarga do coração e do sistema circulatório. Os casos mais severos são: influência cardíaca.  As mulheres obesas são mais propensas a complicações durante a gravidez.

A obesidade exógena é o excesso de gordura corporal decorrente do equilíbrio positivo entre ingestão e demanda energética. 471 . a duração da redução do peso corporal é mais curta.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS A obesidade humana é identificada de acordo com vários critérios de classificação e subgrupos de obesos. Classificação etiológica A obesidade é considerada como acúmulo excessivo de gordura no tecido adiposo. ■■ Obesidade leve – proporções discretamente altas de gordura corporal. Em razão de as intervenções terapêuticas provocarem modificações apenas no tamanho das células adiposas. Classificação anatômica De acordo com as características anatômicas do tecido adiposo. do hipotálasmo-hipofisiário. gonadal. de tumores como o craniofaringeoma e as síndromes genéticas. Vamos explorar essas classificações. a obesidade pode ser classificada como hiperplásica e hipertrófica. e a velocidade com que se volta a aumentar o peso corporal é maior nos indivíduos portadores de obesidade hiperplásica. E os 2% restantes são chamados obesidade endógena. com causas hormonais provenientes de alterações do metabolismo tireoidiano. A obesidade hiperplásica está associada ao número anormalmente acentuado de células adiposas no organismo. responsável por 98% dos casos de obesidade. que podem alcançar até 40% do seu tamanho em relação aos não obesos. Classificação segundo a quantidade de gordura ■■ Obesidade mórbida – quando a quantidade de gordura corporal é excessivamente alta. ■■ Obesidade moderada e obesidade elevada – estão entre esses dois extremos (obesidade leve e obesidade mórbida). não em seu número. ----------------------------A obesidade hipertrófica está associada ao tamanho das células.

quando a diferenciação sexual quanto à gordura tende a desaparecer. glúteos e coxa superior). como também a obesidade ginoide apresentar-se nos homens. Este tipo predomina nas mulheres a partir da puberdade. em comparação a 90% das pessoas magras. 472 . ■■ Obesidade androide – também chamada de obesidade central. na puberdade. Classificação segundo a época de início ■■ Obesidade hiperplásica – é progressiva e pode começar nos primeiros meses de vida ou. É de difícil controle. sob efeitos hormonais da testosterona e de corticoides. ou seja. sob efeito hormonal dos estrógenos. caracteriza-se pelo acúmulo de gordura predominante na metade inferior do corpo (quadril. principalmente. Manifestam-se. cintura escapular e pescoço.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Classificação segundo a distribuição regional da gordura corporal ■■ Obesidade ginoide – também chamada de periférica. Isso ocorre em pessoas excessivamente obesas. sobretudo nos homens. ■■ Obesidade hipertrófica – manifesta-se na idade adulta e é mais controlável e suscetível à reversão. A obesidade diminui a longevidade. Há possibilidades de a obesidade androide apresentar-se em mulheres. apenas 60% dos obesos chegam aos sessenta anos. apresenta acúmulo de gordura nas regiões do abdome. tronco.

proporcionando a sustentação fundamental para o desenvolvimento do sistema cardiorrespiratório. A frequência semanal de cinco a seis vezes. O American College of Sports Medicine (ACSM) recomenda exercícios físicos que demandam um maior gasto energético e que utilizem principalmente o sistema aeróbio de produção de energia. em condições ideais. e a intensidade inicial de 50 a 60% da FC máxima ou 45% do VO2máx. A duração de cada sessão de treinamento deverá ser suficiente para uma demanda energética em torno de 300Kcal. pela melhoria da resistência localizada.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Segundo Pollock (1993). Apesar de a prevenção constituir-se em uma questão de equilíbrio do consumo energético (gasto). o tratamento da pessoa obesa envolve um plano de ação muito mais complexo. Riscos Associados à Obesidade Doenças cardiovasculares Hipertensão arterial Diabetes e lipídios plasmáticos Outras disfunções (osteoartrites) Doenças de vesícula biliar 473 . Em decorrência do maior peso corporal do indivíduo. em atividades de longa duração. Não se deve descuidar do sistema neuromuscular. ciclismo. as estruturas articulares podem ser comprometidas. a obesidade deveria ser prevenida. ergométrica e natação são os mais indicados. É importante desenvolver o sistema locomotor. exercícios como caminhada. corrida. que deve ser prescrito e orientado de acordo com o grau do indivíduo. Neste caso.

são: Artrite (48%). incluindo o Brasil. lesões e/ou doenças). melhorias drásticas na expectativa de vida ocorreram em muitos países no mundo inteiro.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS 3. com nove entre dez desejando adotar uma atitude mais positiva. Os maiores medos quanto ao envelhecimento incluem viver em um asilo (64%) e ser acometido pelo mal de Alzheimer (56%). Comprometimento da audição (32%). Entre aqueles que atingem 65 anos de idade. O problema fundamental ‒ advertem os cientistas que estudam o envelhecimento ‒ é a qualidade de vida. Comprometimento visual (9%). Os problemas de saúde que ocorrem com mais frequência entre as pessoas idosas. Diabetes (11%). 474 . O National Center for Statistics estimou que 15% da vida média do americano são consumidos num estado “não-saudável” (ex: incapacidade. serão não-saudáveis. Catarata (17%). é previsto que 1/3 dos próximos anos remanescentes. Aproximadamente 85% das pessoas idosas apresentam uma ou mais doenças ou problemas de saúde. Cerca de seis em cada dez americanos desejam viver até cem anos. O processo de envelhecimento varia bastante entre as pessoas e é influenciado tanto pelo estilo de vida como por fatores genéticos.4 Prescrição de Atividade Física para Idosos Durante o último século. Hipertensão arterial (46%). segundo Nieman (1999). em média. Comprometimento ortopédico (19%). Os especialistas em envelhecimento acreditam que o ser humano em geral poderia viver até 115 a 120 anos se o estilo de vida e seu perfil genético fossem ideais. ingerir alimentos mais nutritivos ou se exercitar regularmente para atingir esse objetivo (Fonte: Alliance for Aging Research). E 2/3 acreditam que eles possuam algum controle sobre como eles viverão. Doenças cardíacas (32%).

as pessoas idosas são as mais beneficiadas pela atividade. Breslow descobriram? Bem. um ingrediente fundamental para o envelhecimento saudável é a atividade física regular. demonstraram uma diferença drástica na taxa de morte entre aqueles que seguiam sete hábitos saudáveis simples e aqueles que não os seguiam.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Exercícios. De acordo com muitos gerontologistas. Além disso. Lester Breslow (UCLA). são menos vulneráveis às doenças virais e possuem uma melhor qualidade de vida do que os idosos sedentários. 3) tomar café da manhã. 1999). Os estudos do Dr. hipertensão. 5) dormir sete a oito horas por noite. Entre elas estão: Os sete hábitos saudáveis são: 1) nunca fumar. as pessoas idosas são aquelas que praticam menos atividades comparando-se com as diversas faixas etárias. antitabagismo e outros hábitos possuem um grande efeito sobre a melhoria da extensão e da qualidade de vida. fratura óssea e diabetes) diminui com a atividade física regular (NIEMAN. As pessoas idosas que se exercitam regularmente relatam que dormem melhor. O risco de muitas doenças e problemas de saúde comuns na velhice (ex: doença cardiovascular. em termos percentuais. aqueles que adotaram hábitos de vida saudáveis apresentaram 50% de possibilidade de apresentarem incapacidades que os mantivessem afastados do trabalho ou limitassem suas atividades cotidianas. E o que as investigações do Dr. 2) ingestão moderada de álcool. dieta. E parte da deterioração atribuída ao envelhecimento é atualmente relacionada à inatividade física. Infelizmente. assim como melhorar a aptidão aeróbia. 6) exercitarse regularmente. câncer. aqueles que seguiram os sete hábitos saudáveis apresentaram taxas de mortalidade muito menores e viveriam nove anos a mais do que aqueles que não os praticaram. com seis mil pessoas da região da baía de São Francisco. 4) não petiscar. osteoporose. 7) manter o peso ideal. 475 . É interessante observar que muitas das alterações que ocorrem com o envelhecimento são similares àquelas ocorridas durante o repouso prolongado no leito e na ausência de gravidade. O exercício regular também pode reduzir a gordura corporal e aumentar a força muscular. De todos os grupos etários.

1995). mas seus órgãos. ■■ diminuição da massa e da força muscular. 3. é preciso adotar cuidados especiais. O envelhecimento fisiológico depende significativamente do estilo de vida que a pessoa assume desde a infância ou a adolescência. Em se tratando de prescrição de atividade física para idosos. escolher o tipo de atividade ocupacional. 1990). ingerir alimentos (excessivamente ou com predominância de um nutriente). o exercício físico pode melhorar a capacidade cardiorrespiratória e neuromuscular em todas as idades. praticar regularmente exercícios físicos ou esportes. etc. o envelhecimento inevitável sempre vencerá. embora resultados notáveis sobre função orgânica e aptidão física possam ser atingidos na velhice. O objetivo é tornar a fragilidade uma pequena parte da vida.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS ■■ diminuição nas funções cardíaca e pulmonar.4. e o acompanhamento deve ser feito de maneira integral. como Ashley Montagne sugeriu. ■■ perda da densidade mineral óssea. que estão sujeitos a um processo de envelhecimento diferenciado (Weineck. 1991). tais como fumar cigarros. “morrer jovem o mais tarde possível” (citado por GUEDES. 476 . o envelhecimento fisiológico é uma série de alterações nas funções orgânicas e mentais associada exclusivamente aos efeitos da idade avançada sobre o organismo.1 Envelhecimento Segundo LEITE (1990). células e estruturas subcelulares têm envelhecimentos diferenciados. o processo de envelhecimento é real e. Em geral. ■■ aumento da gordura corporal. O organismo envelhece como um todo. fazendo com que o organismo perca a capacidade de manter o equilíbrio homeostático. ou. tecidos. O organismo humano é composto por diferentes sistemas orgânicos. De qualquer modo. (LEITE.

Atividades da vida diária: relativas aos cuidados pessoais básicos. e o câncer. OKUMA (apud GUEDES. Diminuição da capacidade vital. levantar-se da cama e sentar-se numa cadeira. Entre essas são citadas as doenças coronarianas. sugerindo um efeito da atividade física como fator de proteção para esses grupos de pessoas (PESCATELLO. diminuir a taxa de morbidade e de mortalidade entre essa população. 1992). poroso e quebradiço. consequentemente. do volume – minuto respiratório máximo – e do valor limite respiratório. DI PIETRO. a atividade regular e sistemática aumenta ou mantém a aptidão física da população idosa e tem o potencial de melhorar o bem-estar funcional e. A atividade física e a aptidão física também têm sido associadas à diminuição de incidência de morbidade produzidas por doenças crônicas. utilizar o banheiro. No coração. como fazer compras. cozinhar. aumento da resistência vascular (decorrente de processos de esclerose) e. MATSUDO. como vestir-se. ocorre um enrijecimento dos tecidos das válvulas cardíacas. comer e caminhar uma pequena distância. 477 . utilizar meios de transporte e usar o telefone. 1997) completa dizendo que a falta da capacidade funcional leva à perda da capacidade para realizar as atividades da vida diária e para realizar as atividades instrumentais da vida diária (PHILLIPS e HASKELL. 1995). em razão da perda de sais minerais).PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Ocorre diminuição da força e da massa muscular. Resultados recentes mostram uma associação favorável entre a população idosa. com o aumento do colágeno total e do insolúvel. entre indivíduos de meia-idade. Segundo OKUMA (citado por GUEDES. 1997). o diabetes não-insulino dependente. tanto em repouso como em atividade. limpar a casa. a hiperlipidemia. Atrofia do tecido ósseo osteoporose (principalmente nas mulheres. a hipertensão. lavar roupa. Enrijecimento e diminuição da elasticidade dos vasos arteriais. banhar-se. Atividades instrumentais da vida diária: são tarefas mais complexas do cotidiano e incluem aspectos de uma vida independente. Aumento da Pressão Arterial Sistólica. tornando o osso mais frágil.

além de restringir sua relação com a sociedade. se presentes. é necessário o ponto de vista médico para avaliar o quadro morfofuncional do cliente. Todo idoso deverá se submeter a um “miniteste” ou a um teste ergométrico convencional. deficits sensoriais. em esteira rolante ou em bicicleta ergométrica. limitando suas possibilidades de viver confortável e satisfatoriamente. arritmias. fatalmente tem reflexos nos domínios sociais e psicológicos (PHILLIPS e HASKELL. 1995).4.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS São as perdas do domínio cognitivo e as disfunções físicas que contribuem para a maior redução da independência do idoso. O exame clínico procura detectar principalmente as seguintes patologias: anemia. hipoglicemia. o teste para avaliar a aptidão motora. com detalhes. A avaliação médica e funcional do idoso que irá se submeter a um programa de condicionamento físico deve enfatizar principalmente os seguintes aspectos: 1. o número e o horário dos medicamentos em uso. e doenças degenerativas ou inflamatórias do osso ou da articulação. o registro de incapacidade e deficiência. Um dado importante é registrar. distúrbios de equilíbrio. o teste ergométrico. hipertensão arterial. 3. 2. o tipo. 4. hipotensão ortostática. Isto. doenças ateroscleróticas coronarianas ou periféricas. distúrbios no metabolismo do cálcio. Para esteira rolante há o protocolo de 478 . deficiências nutricionais. por sua vez. o exame médico. pois a intervenção do exercício com os medicamentos pode causar sérios efeitos colaterais. 3.2 Avaliação Médica e Funcional Em decorrência das limitações do estado de saúde do indivíduo. neuropatia.

peso. O teste de bicicleta ergométrica pode ser realizado pelo protocolo de Astrand ou de Naughton. p. teste do “levanta e senta”. flexibilidade – Wells ‒ teste. O teste ergométrico nos proporciona os seguintes dados. a coordenação oculomotora. hipotensão. presença ou ausência de alterações eletrocardiográficas importantes que sugiram isquemia miocárdica. cianose. que são importantes para prescrição dos exercícios físicos: 1. Nesse grupo etário. Muitas vezes o programa inicial deve ser aquele que melhora o tônus e a elasticidade muscular. podemos propor um condicionamento físico geral. dispneia acentuada etc. que vise basicamente o desenvolvimento da capacidade funcional cardiorespiratória. da flexibilidade e do tônus muscular (idem. teste do taquinho. teste diamométrico etc. circunferência do braço. conduzir “quicando” uma bola de tênis no chão enquanto caminha. Somente após o desenvolvimento de um trabalho muscular localizado é que. subir e descer três degraus de escada. o grau de coordenação neuromuscular. a agilidade e a flexibilidade (LEITE. a dosagem dos exercícios é fator determinante não só pelos aspectos da saúde. arritmia.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Balke modificado. 7). impulsão horizontal. teste abdominal. presença ou ausência de sinais ou sintomas de esforço induzido. tais como arritmias. que também ajudam a melhorar o programa de atividades físicas. 3. a força. vertigem. tais como: altura. medidas de dobras cutâneas. 1990).. como também pelos da prevenção. 479 . hipertensão. Os parâmetros são obtidos por medidas e por testes simples. medidas de consumo máximo de O 2 em METs ou ml (km min)-1. O teste não é indicado se houver patologias ou dificuldades técnicas que impossibilitam a sua execução. obtidos por medidas e por testes simples. As avaliações da aptidão motora e da composição corporal têm sido sugeridas como parâmetros. 2. a amplitude de movimentos. muitas vezes. a endurance muscular localizada. a coordenação e o equilíbrio motor. Esses testes visam avaliar o percentual de gordura corporal. distúrbios de condução. palidez.

como em mulheres (NIEMAN. O VO2máx diminui 8 a 10% por década.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS 3.4. São necessários exercícios vigorosos para manter os músculos do corpo em boa forma. Muitos pesquisadores que avaliaram os efeitos do envelhecimento sobre o sistema cardiorrespiratório centraram a atenção sobre a aptidão aeróbia máxima ou VO2máx.3 A Atividade Física e o Idoso Um número crescente de estudos demonstrou claramente que os idosos. não existem dados convincentes demonstrando que a diminuição da aptidão aeróbia relacionada à idade possa ser prevenida pela prática regular de exercícios de resistência. são capazes de aumentar a massa e a força muscular em resposta ao treinamento com pesos. O processo de envelhecimento é real. com a intensidade de carga não ultrapassando a 50% do VO2máx ou 60% da FC máx. Alguns estudos demonstram que a taxa de declínio pode ser atenuada em até 20 anos. após os 25 anos de idade. 1999). mesmo aos 90 anos de idade. Até o momento. 480 . e várias alterações no corpo incluindo uma diminuição da capacidade do coração de bombear o sangue a uma frequência elevada e a capacidade dos músculos de utilizar o oxigênio estão ligadas ao declínio do VO2máx relacionado à idade. em razão dos exercícios de resistência regulares e vigorosos. tanto em homens. Cerca de metade dessa redução foi relacionada com o fato de as pessoas se exercitarem menos e se tornarem mais obesas à medida que envelhecem. No início. A prescrição de atividades para idosos orienta-se pelos princípios do treinamento “normal”. De forma geral. devemos dar ênfase ao sistema cardiorrespiratório. os estudos sugerem que a queda da força e da massa muscular com o envelhecimento pode ser atenuada pelo treinamento adequado de musculação.

descanso.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS A frequência semanal deverá ser de três vezes por semana. às vezes. chamado “sem dor”. foi condenada a “dar à luz na dor”. que vão desde a morte súbita. tentaram melhorar seu conforto. O iniciante deve aproximar-se gradualmente desses valores por meio de cargas intervaladas – alguns minutos de atividade.5 Prescrição de Atividade Física para Gestantes Em nossa civilização. até uma simples tonteira ou desmaio. principalmente em idosos. evitar exercícios isométricos e posição do corpo que prejudique a circulação periférica. Procurar diminuir gradativamente o intervalo de descanso. dando atenção especial à mobilidade da coluna vertebral. origem do pecado. preocupados em primeiro lugar com a parturiente. A imprudência e a prescrição incorreta de exercícios físicos podem acarretar sérias consequências. O método de preparação 481 . em dias alternados. Os exercícios de alongamento devem ser feitos no mínimo três vezes por semana. Também fazer uma avaliação da aptidão física e clínica periodicamente e ser obediente ao “princípio da sobrecarga” são importantes para se prevenir os “azares” das práticas esportivas. a fim de chegar ao parto profilático. deve-se utilizar um percentual de carga relativamente baixo no início do programa (45% do peso máximo). ainda é pouco e insuficiente. Foi preciso muito tempo para vencer os princípios ancestrais. retorno à atividade. Os médicos. com os quais todo o cuidado. infarto do miocárdio. O indivíduo deve exercitar-se dentro de sua própria “tolerância de esforço”. durante muitos séculos. 3. ter cuidados com a respiração bloqueada. No treinamento com pesos. com a duração entre 20 e 60 minutos. ombros e quadris. a mulher. preparando-a física e psiquicamente para o “grande dia”.

à medida que a barriga aumenta.2 Alterações Metabólicas mais Apresentadas no Período Gestacional Existe aumento da frequência cardíaca (setenta/oitenta em média). sujeitando-a a lordose lombar.5. A sucessão de contração e relaxamentos musculares melhora a circulação sanguínea.5. ■■ A cintura pélvica aumenta 60% sua mobilidade devido às relaxinas.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS física tenta levar em conta esses elementos: conforto da mãe e. deslocando o centro de gravidade. para a mulher. 482 . e controle das diversas situações na relação triangular pai–mãe–filho. A preparação física desenvolve harmoniosamente o corpo todo. da criança. em função do aumento de consumo de O2 (por conta do bebê) e da pressão sofrida pelo diafragma. torna os músculos elásticos e mantém a boa forma. A gestante está sempre cansada. devendo ser evitadas. ■■ O quadril aumenta também o seu tamanho para ampliar o espaço a abrigar o bebê. solicitando mais músculos dorsais e peitorais. ■■ O diafragma é comprimido em consequência do maior volume uterino. dificultando-lhe a respiração.1 Modificações no Organismo São várias as modificações anatômicas da mulher em seu período gestacional. 3. atividades que excedam a 140 bpm. O controle das apneias também são fatores importantes no controle de si. assim. condições de ter um parto fácil. ■■ O estômago tem eixo alterado para a horizontal. e as glândulas mamárias têm seu volume aumentado. 3. consequentemente.  A boa condição física e o controle da respiração constituem. dificultando a digestão. Vejamos: ■■ A parede abdominal é a primeira a sentir as modificações.

Cuidado: a musculatura. Os ossos estão bem mais frágeis e seus ligamentos mais frouxos. placenta prévia). Não objetivar condicionamento físico. Existem alterações no sistema endócrino. Realizar exercícios que não levem à fadiga. com duração de. provocando taquicardia.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Também há aumento do débito cardíaco. os quais se tornam incapazes de funcionar como sustentadores. deve-se trabalhar com cargas reduzidas. idade avançada.3 Recomendações do American College of Obstetricians and Gynecologist para Exercícios no Período Gestacional Prescrição médica – para qualquer atividade física com gestantes. A resistência periférica é diminuída e ocorre o aumento do volume sanguíneo (30%) e plasmático (40%). 30 minutos de atividade vigorosa. tem seus ligamentos e seus tendões afrouxados. Manter a frequência cardíaca até no máximo de 140 bpm. sem isso o profissional estará sujeito a correr riscos desnecessários. por isso. sempre entre 50% e 70% da capacidade da gestante. não aumentar a atividade física de antes da gravidez. Algumas devem trabalhar no máximo 110 a 120 bpm (as que têm gravidez consideradas de risco: hipertensas. são necessárias sempre as prescrições e as avaliações médicas. 483 . pois parte deste é desviado para tecidos não musculares. 3. aumentando o risco de lesões. impregnada de líquidos. no máximo.5. e a disfunção nos hormônios traz alterações emocionais e de hábitos na gestante.

pois poderá ocorrer a hipertermia. ■■ diabetes. ■■ histórico anterior de vida excessivamente sedentária. 484 . ■■ falta de peso excessivo. Evitar exercícios em gestantes que tenham riscos comprovados pelo obstetra responsável. Evitar perda hídrica durante a atividade física (bebendo água antes. ■■ utilizar água com no máximo 32º. com duração de no máximo 90 minutos. São esses os sintomas: ■■ hipertensão arterial. ■■ obesidade excessiva.5. ■■ disritmia cardíaca. ■■ evitar roupas muito quentes ou pesadas. durante e após as atividades). têm a permissão médica para a prática de atividade física. ■■ anemia ou outros distúrbios sanguíneos.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS Evitar o aumento na temperatura corporal: ■■ não frequentar lugares muito quentes. Parar a atividade assim que a gestante apresentar algum sintoma fora do comum. 3. apesar de apresentar algum sintoma diferenciado. levando-se em consideração a época do ano: inverno ou verão. sempre sob controle médico e de cuidados especiais do profissional. falamos sobre as gestantes que. ■■ disfunção tireoidal.4 Contraindicações Aqui. no inverno. Realizar atividades de duas a três vezes por semana.

■■ contrações uterinas com intervalos pequenos (20 minutos). ■■ infecção generalizada (garganta. 485 . ■■ inchaços que não diminuem. em situação longitudinal na cavidade uterina.5 Sintomas e Sinais que Interrompem a Atividade Física ■■ qualquer tipo de dor no peito. Enfatize a possibilidade de aplicação em sua comunidade. Envie o seu trabalho ao fórum da plataforma a ser indicada pelo tutor. ■■ dor nas costas intermináveis ou que aliviam na água ou em posições confortáveis. Hora de praticar Elabore um programa de atividades físicas englobando as populações especiais.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS ■■ apresentação pélvica durante o terceiro trimestre.5. está com o polo pélvico situado na área do estreito superior da bacia. ■■ placenta prévia. ■■ perda de líquido (intensa ou leve). 3. É denominada apresentação pélvica quando o feto. ■■ vertigens e/ou fraquezas. ■■ dificuldade excessiva em caminhar. ■■ palpitações e/ou taquicardias contínuas. ■■ dor nos quadris ou no púbis. ouvido. gastrointestinal). ■■ dificuldade em respirar.

Com acompanhamento adequado. objetivando uma melhora nas mais diversas patologias. bem como enfermidades e deficiências neurológicas e/ou psíquicas.PROGRAMAS DE APTIDÃO FÍSICA APLICADOS À EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA APLICADA À EDUCAÇÃO FÍSICA E AOS GRUPOS ESPECIAIS São muitas as dificuldades encontradas por portadores de necessidades especiais. é possível praticar atividades físicas com segurança e seriedade. Atualmente. Será verdade? Hoje. Esperamos ter contribuído com a sua aprendizagem. usufruindo da sensação de bem-estar físico e mental e atingindo a tão comentada hoje “Qualidade de Vida”. Um profissional capacitado e especializado elabora programas de treinamento que permitem. não se pode dizer isso com tanta convicção assim! Uma área riquíssima como a Educação Física não poderia ser tão cruel com esse público. Foi um grande prazer estar com vocês. pois se torna capaz de praticar atividade física. Fatores sociais e culturais acarretam discriminação e automaticamente excluem esses indivíduos da prática de atividades físicas. um grande desenvolvimento psicomotor junto ao aluno. acima de tudo. o aluno colhe benefícios. Finalizamos a Unidade 3 e também o estudo do conteúdo da nossa disciplina. Sempre respeitando as limitações de cada pessoa. Até uma próxima oportunidade! 486 . respeitando as limitações e os objetivos preestabelecidos.

Está associada ao tamanho das células. principal pigmento carregador de oxigênio dos tecidos musculares. Catecolaminas (norepinefrina. acentuado de células 487 . utilizar o banheiro. É a medida de pressão arterial verificada quando da contração cardíaca para impulsionar sangue às partes corporais extracardíacas. lavar roupa. Trata-se de comportamento inerente ao ser humano com características biológicas e socioculturais. dores nas costas. limpar a casa. banhar-se. Todo movimento corporal voluntário humano que resulta num gasto energético acima dos níveis de repouso. Obesidade hipertrófica. Sua principal função é a de reserva de oxigênio nos músculos dos mamíferos. É o maior valor verificado durante a aferição da pressão arterial. que podem alcançar até 40% do seu tamanho em relação aos não obesos. utilizar meios de transporte e usar o telefone. comer e caminhar uma pequena distância. São substâncias solúveis em água derivadas da quebra dos ácidos graxos para fornecer energia ao fígado e aos rins. sendo caracterizado pela atividade do cotidiano e pelos exercícios físicos. São importantes neurotransmissores. Atividades instrumentais da vida diária. osteoporose. Pressão Arterial Sistólica (PAS). Corpos cetônicos. cozinhar. Aquelas relativas aos cuidados pessoais básicos. Refere-se aos aspectos que promovem o rendimento esportivo. epinefrina e dopamina). São tarefas mais complexas do cotidiano e incluem aspectos de uma vida independente. determinados tipos de câncer etc. como fazer compras. medida em milímetros de mercúrio (mmHg). Reúne os aspectos biofisiológicos responsáveis pela promoção da saúde. Doenças hipocinéticas. diabete mellitus tipo II. arterial. indicativa da força do fluxo nas artérias. Atividade física. como vestirse. São usados como fonte de energia no coração e no cérebro. levantar-se da cama e sentarse numa cadeira. obesidade. São formadas e secretadas no Sistema Nervoso Central e na medula da glândula Supra-Renal. apesar de não realizar o transporte de oxigênio como a hemoglobina o faz. Está associada ao número anormalmente adiposas no organismo. dando a essa a coloração vermelha. Obesidade hiperplásica.Glossário Atividades da vida diária. Aptidão física relacionada à performance esportiva. É uma proteína globular de 153 aminoácidos. nesse último é fonte vital de energia durante o jejum. São doenças hipertensão cardiovasculares. Aptidão física relacionada à saúde. É um dos principais pigmentos da carne. Mioglobulina.

488 . Substâncias ergogênicas. Capacidade de apreciar a vida e resistir aos desafios do cotidiano. precedido do período de relaxamento do coração. Associada à morbidade e. independentemente do treino. no extremo. Saúde negativa. medida em milímetros de mercúrio (mmHg).Glossário Pressão Arterial Diastólica (PAD). à mortalidade. Substâncias utilizadas pelos atletas para melhorar o rendimento desportivo. É o menor valor verificado durante a aferição de pressão arterial. e incluem agentes farmacológicos e alguns nutrientes. Saúde positiva.

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ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA .

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Em 1989. Informação Desportiva. Interessei-me desde cedo pelas atividades esportivas. especificamente no que se refere à gestão e ao marketing do esporte. passei a pesquisar e a disseminar. Nessa instituição também sou credenciado no Programa de Pós-Graduação em Educação Física. Esporte e Lazer e o Laboratório de Pesquisa sobre Gestão do Esporte – GESPORTE. Desde 1994. e investigo a gestão dos clubes. praticando atletismo (corridas de fundo) e futebol. em Treinamento Esportivo (ESEFM – MG) e em Treinamento da Natação (UnB – DF).Organização de Eventos em Educação Física Prof. mudei-me para o Distrito Federal. Paulo Henrique Azevêdo Graduado em Educação Física pela Faculdade Dom Bosco de Educação Física. Muito prazer! Meu nome é Paulo Henrique Azevêdo e nasci em Frutal. sendo associado fundador da Associação Brasileira de Gestão do Esporte (ABraGEsp). Criei e coordeno o grupo de pesquisa Gestão e Marketing da Educação Física. Com o objetivo de estimular a pesquisa na formação do futuro profissional de Educação Física. sou professor do quadro efetivo da Universidade de Brasília. além de ministrar aulas sobre os fundamentos metodológicos e o treinamento técnico- 495 . A pesquisa científica e a multiplicação desse conhecimento no ambiente acadêmico sempre foram objeto de meu interesse e prática que procuro disseminar. Saúde. onde resido até os dias atuais. Minas Gerais. na graduação atuo nas disciplinas Administração Desportiva. Quando tinha dezenove anos. desde então. onde ministro a disciplina Gestão do Esporte e oriento alunos do mestrado em Educação Física. Especialista em Administração de Recursos Humanos (UniSant’Anna – SP). ofereço a disciplina Projeto de Pesquisa em Educação Física e oriento alunos no Programa de Iniciação Científica da Universidade de Brasília. tema que. O futebol é a modalidade esportiva em que me especializei. Prática de Organização de Eventos Desportivos e de Lazer. e Metodologia do Futebol. Mestre em Administração (2002) e doutor em Ciências da Saúde (2004) pela Universidade de Brasília – UnB. fui despertado para a relevância da “Gestão e do Marketing do Esporte” para o ambiente da Educação Física. Realiza pesquisa na área de Gestão e Marketing do Esporte. e graduado em Educação Física pela Escola de Educação Física da Polícia Militar do Estado de São Paulo (1990). de Brasília (1983).

unb.blogspot.br/fef/eif/ Twitter – http://twitter.net/ Blog Gestão e Marketing do Esporte – http://www. coloco à disposição os seguintes espaços na Internet: • • • • • Site Gestão do Esporte – http://www.gesporte. Fui um dos fundadores e coordeno a Escola Internacional de Futebol da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (EIF-CPLP). Se você quiser acompanhar o trabalho que desenvolvo.tático nessa modalidade.blogspot.com/ Site da Escola Internacional de Futebol da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – http://www.com/gesporte 496 . o Ministério do Esporte e o Ministério das Relações Exteriores. o que sempre me permitiu uma reflexão abrangente acerca da relevante atuação de nossa área de conhecimento para a sociedade.gesporte. que é o resultado de uma parceria entre a Universidade de Brasília.com/ Blog Educação Física e Mercado de Trabalho – http://educaref. Sou formado duas vezes no curso de Educação Física – uma em instituição civil e outra em escola militar –.

até um congresso internacional de Educação Física. contribui para o crescimento da autoestima e oferece possibilidade para que os participantes aprendam a atuar em equipe. ler o conteúdo e realizar os exercícios propostos é fator decisivo para o bom aprendizado e o conduzirá a ter maiores possibilidades de êxito na prática de realização de eventos. constitui-se num mecanismo para a disseminação de disciplina profissional. a leitura dos conteúdos textuais configura-se como um agente preparador para a atuação prática do futuro organizador de eventos em Educação Física. Esses espaços são caracterizados por reuniões formais e informais. A Educação Física é uma das áreas que possuem as maiores oportunidades de geração de espaços de interação entre os alunos das escolas. basta notar os megaeventos previstos para serem realizados em nosso próprio país nos próximos anos. em 2014 a Copa do Mundo de 497 . desde um pequeno (mas não menos importante) torneio de futsal entre os alunos de uma disciplina.Apresentação da Disciplina Prezados (as) alunos (as). entre outros são eventos que repercutem favoravelmente na atuação do professor de Educação Física. seminários sobre esportes para a comunidade. palestras educativas sobre atividades físicas e saúde. Por isso. entre muitas outras possibilidades. Essa possibilidade pode ser ampliada. A disciplina Organização de Eventos em Educação Física procura oferecer os conhecimentos básicos para o início de uma formação que possibilite ao graduando ingressar em uma área muito ligada à administração e ao marketing e cujos conhecimentos podem ser fundamentais para uma atuação que vá muito além dos momentos de vivência oferecidos pelas aulas de Educação Física. das quais a maioria pode ser qualificada como “eventos esportivos” e “eventos não esportivos”. Com um caráter verdadeiramente teórico-prático. Realizar competições esportivas. Essa disciplina pode ser o início de formação em uma das áreas que mais tem se desenvolvido no mundo. Teremos em 2011 os Jogos Mundiais Militares. a da gestão de eventos esportivos. contribuindo decisivamente para uma formação cidadã. de maneira que as atividades promovidas pelo professor de Educação Física possam oferecer oportunidades para trazer toda a comunidade para dentro do meio escolar. A possibilidade de promoção de eventos e o engajamento dos alunos e de toda a comunidade é elemento fundamental no aprendizado sobre como superar obstáculos. mas exigem capacitação e qualificação para a sua realização.

Unidade 4 – O Regulamento de uma Competição. para os interessados em aprofundar os seus conhecimentos. 498 . esperamos que você seja capaz de: ■ identificar a gestão como um componente de atuação do professor de Educação Física. Seja bem-vindo à Organização de Eventos em Educação Física. Os temas da nossa disciplina estão divididos em 6 unidades: Unidade 1 – Introdução. Por fim. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta disciplina. ■ conhecer as previsões contidas em documentos oficiais e em legislação pertinente sobre a atuação do professor de Educação Física como gestor de eventos. Unidade 5 – A Organização de Eventos Não Esportivos. Unidade 2 – A Organização de Eventos Esportivos. o que contribui para uma maior participação de todos. algumas universidades brasileiras oferecem cursos de pós-graduação em nível de especialização e até mestrado em gestão e marketing do esporte. Além disso. por isso. ■ utilizar os conhecimentos adquiridos para planejar. realizar e avaliar pequenos eventos no ambiente da Educação Física. nos jornais. Unidade 3 – Os Sistemas Esportivos de Disputa. na Internet e nos demais meios de comunicação. a partir de agora fique atento às informações dessa área e saiba aproveitá-las para ser criativo e utilizar os conhecimentos em benefício de nossa sociedade. resta dizer que o tema é agradável e motivador. Unidade 6 – O Projeto de Organização de Eventos. Eventos ligados à Educação Física estão diariamente veiculados na televisão.Futebol e em 2016 os Jogos Olímpicos e os Jogos Paraolímpicos.

499 .ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 Introdução Nesta unidade conversaremos sobre os eventos esportivos e as mudanças que eles têm sofrido ao longo do tempo. ■■ descrever o campo de intervenção do professor de Educação Física nas áreas de regência/docência e gestão. ■■ debater a necessidade de capacitação do professor de Educação Física para ocupar a função de gestor de eventos esportivos. ■■ relacionar os eventos de Educação Física como instrumentos na formação dos alunos à legislação educacional atual. E você vai aprender sobre a importância da capacitação do profissional de Educação Física como gestor de eventos na escola. esperamos que você seja capaz de: ■■ discutir como os eventos esportivos se modificam ao longo da história. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade.

I. História da Educação Física no Brasil. jogos com bolas. MARINHO. Penna. corridas de carros. constituindo-se atualmente em um dos maiores espetáculos mundiais. exigiam todo um preparo para que pudessem acontecer e reuniam. há cerca dos anos 660 a. Brasil Editora..C.. Os japoneses. 1980. São Paulo. políticos e sociais em vigor durante cada época. e os Jogos Olímpicos. extintos em 394 d. os Jogos Homéricos.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I INTRODUÇÃO 1. por vezes. em suas obras História geral da Educação Física (1980) e História da Educação Física no Brasil (1980). Cerimônias ligadas à caça. entre muitos outros. Brasil Editora. Penna. Os Jogos Olímpicos foram criados no ano 776 a. Os gregos foram. O professor Inezil Pena Marinho. efetivamente. Leia. 500 .C. quando realizaram os Jogos Fúnebres. mas esses eventos sempre possuíram algum grau de relevância nas sociedades. por iniciativa do Barão de Coubertin. denominado Tsu-chu. mas também com práticas de marcha. apresentam manifestações coletivas de eventos predominantemente baseados nas lutas. ao arco e flecha. um panorama geral sobre os eventos esportivos na história da humanidade. corrida. Existem registros de que os chineses realizavam eventos ligados às atividades físicas desde 3. os precursores dos grandes eventos ligados às atividades físicas. 1980. e renasceram em 1896.C. salto e exercícios de equilíbrio.1 Os Eventos de Educação Física e Esportes ao Longo dos Tempos Você percebeu que os eventos desportivos sofreram mudanças ao longo da história? Elas foram influenciadas por fatores econômicos. Os egípcios organizavam eventos grandiosos para lutas. 2. I. a seguir. multidões. à esgrima de sabre. São Paulo. à luta.).000 anos antes de Cristo (a. MARINHO. à dança e até a um jogo com bola para entreter os soldados. História Geral da Educação Física. comprova a relevância dos eventos em Educação Física ao longo dos tempos.C. ed..

os Jogos Cereales. foi uma época de transição para a fase atual em que se encontra a humanidade. os Jogos Plebeus e os Jogos Taurianos. A Idade Moderna. O Renascimento. feridos e prisioneiros. que era uma escala reduzida das guerras de verdade e ao seu término havia mortos. entre os quais devem ser citados os Jogos Seculares e os Jogos Decenales. mas. Ao seu final. os Jogos Cesáreos. ambos participavam de um banquete. ocorreram eventos ligados ao movimento humano. período histórico compreendido entre os séculos XVI e XVIII. seguido de um baile. O Torneio Moderno acontecia após o século XIV e continuou ainda a produzir vítimas. como o Torneio Primitivo. com o propósito de derrubar o adversário do cavalo.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I INTRODUÇÃO Os romanos utilizaram a experiência dos gregos para realizarem eventos. mas assemelhava-se mais a um jogo. As “Justas” eram um evento onde dois cavaleiros se arremetiam. A cada cinco anos eram realizados os Jogos Capitólios. os jogos Grandes Jogos ou Jogos Romanos. Com a invasão dos bárbaros e a desintegração do Império Romano. os Jogos Marciales. Anualmente eram realizados os Jogos Megalésios. os Jogos Acciacos e os Jogos Quinquenales. um contra o outro. tem início a Idade Média (século V ao século XV). os Jogos Piscatórios. com um grupo vitorioso e outro vencido. ocorrido aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII. os Jogos Apolinários. os Jogos Palatinos. que foi caracterizada pelo obscurantismo nas atividades físicas. Diversos acontecimentos 501 . Surgem os torneios. armados de lança. foi um período histórico de muita reflexão e publicação acerca da importância da atividade física para o ser humano e não tão profícuo na realização de eventos ligados ao movimento humano. os Jogos Compitalianos. mesmo assim. os Jogos Florales.

novidade. basquetebol. o professor de Educação Física tem desempenhado as funções de gestor de eventos nas escolas brasileiras. Como seu auxiliar nessa tarefa. eventos na área da Educação Física são reuniões importantes e que a cada dia estimulam as pessoas a participarem. 1. o professor tem os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). handebol. tais como voleibol. Mas ocorre que as exigências sobre a qualidade dos eventos de Educação Física cresceram. Por isso. Mas foi na Idade Contemporânea (do século XIX em diante) que ocorreu a consolidação dos eventos ligados à Educação Física e o esporte.1 Os Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Fundamental e os Eventos 502 . ginástica e outros respondem por uma parcela significativa da movimentação de recursos financeiros e de participação social em todo o globo terrestre. a Copa do Mundo de Futebol da FIFA.2. para que se aumentem as chances de sucesso. é muito representativa a quantidade de eventos ligados à atividade física e que possui relevante impacto social e econômico em todo o mundo. podendo ser promovidos por professores que possuam qualificação para realizar um processo que exige conhecimentos especializados. atletismo. os campeonatos mundiais de diversas modalidades. 1. portanto. Os Jogos Olímpicos de verão e de inverno. ciclismo. Isso não é.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I INTRODUÇÃO foram fundamentais. como a continuação de publicações sobre a importância da atividade física para os seres humanos e a criação dos primeiros métodos regulares de Educação Física. Atualmente. e existe a necessidade de uma capacitação para que o professor atinja os grandes objetivos sociais do evento que realizar.2 O Professor de Educação Física como Gestor do Esporte Desde cerca da metade do século passado. que vão disseminá-la e iniciar o processo de realização de eventos ligados ao esporte em todo o mundo.

em que determinados aspectos sejam ressaltados. Sobre a evolução da autonomia do aluno. O professor de Educação Física deve. Mais uma vez essa atividade integra o rol de componentes relevantes na Educação Fundamental. a aula de Educação Física. Perceba que o instrumento de avaliação pode exigir desde a apreciação até a participação na organização de um evento. eventos de confraternização. No que se refere à aprendizagem específica. O documento cita muitos exemplos de instrumentos de avaliação a serem utilizados. b) relatórios ou fichas de observação e autoavaliação sobre a participação na organização de um evento escolar ou para a comunidade. então. além de ser um momento de fruição corporal. painéis. possuir competências para organizar equipes competitivas e recreativas e participar de eventos. 503 . visitas.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I INTRODUÇÃO Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN. permite a organização e a participação de equipes com finalidades competitivas e recreativas em campeonatos. 1998) para a Educação Física. o que amplia o universo de aprendizagem. os PCN (1998) orientam que faz parte desse processo a elaboração de pesquisas. festivais. A seguir serão destacadas algumas considerações que o documento citado realiza sobre a interação aluno–professor e eventos. na Educação Fundamental apontam a necessidade de preparação do professor de Educação Física para atuar em eventos. entrevistas. Fica muito claro que. apreciação e organização de eventos e produção de materiais. se o professor pode cobrar do aluno a competência de participar na organização de evento. entre os quais o professor poderá construir: a) relatório de apreciação de um evento esportivo ou de um espetáculo de dança. ele terá de possuir capacitação técnica para ensinar e coordenar atividades técnicas nessa área.

■■ na criação de eventos exclusivos da área. as seguintes diretrizes: “promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não formais”. 1.2. tais como semana da saúde.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I INTRODUÇÃO 1. garantindo respeito às suas diferenças e oferecendo condições de desenvolvimento da criatividade e de potencialidades. 2000). sábados recreativos. além de se apresentarem como competentes profissionais no momento da organização de campeonatos escolares. ■■ na exibição de conceitos adquiridos nas aulas. pode. torneios envolvendo a comunidade etc. até mesmo. Fica transparente que existe uma grande relação entre as atividades do professor de Educação Física e a sua atuação na promoção de eventos escolares. em seu Inciso IV.2.3 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira e os Eventos O artigo 27 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB. por meio de painéis e cartazes. Essa atividade. A promoção do desporto dá-se por diversas maneiras e uma delas é pela realização de eventos de Educação Física. ainda. prevê que os conteúdos curriculares da Educação Básica observarão. os professores de Educação Física devem. seja não esportivos. seja eles esportivos.2 Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e os Eventos Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio propõe que. também. orientar alunos: ■■ na apresentação de trabalhos em Feira de Ciências da escola. 504 . atender a todos os alunos.

4 O Documento de Intervenção do Profissional de Educação Física e o Campo de Intervenção O Conselho Federal de Educação Física definiu as atividades próprias dos profissionais de Educação Física. desenvolver. órgãos e pessoas jurídicas cujas atividades fins sejam atividades físicas e/ou desportivas. por meio do Documento de Intervenção do Profissional de Educação Física. orientar. desenvolver.2. organizar. prestar consultoria. Pesquisa e Extensão). Também neste documento se nota a preocupação com o nível de conhecimento gerencial. avaliar e aplicar métodos e técnicas de avaliação na organização. avaliar e lecionar os conteúdos do componente curricular/disciplina Educação Física. coordenar. supervisionar. no campo das disciplinas de formação técnico-profissional no Ensino Superior. prescrever. seja eles esportivos. assessorar. Gestão em Educação Física e Desporto Em que as especificidades de intervenção previstas são: diagnosticar. No que se refere às especificidades da intervenção profissional. identificar. nos ensinos Fundamental. planejar. duas áreas podem ser ressaltadas. entidades. na Educação Infantil. seja não esportivos. Médio e Superior e nas atividades de natureza técnico-pedagógicas (Ensino. dirigir.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I INTRODUÇÃO 1. executar. contido na Resolução CONFEF nº 046/2002. ministrar. dirigir. objetivando a formação profissional. administração e/ou gerenciamento de instituições. típico do profissional que organiza eventos de Educação Física. programar. programar. dinamizar. planejar. Regência/Docência em Educação Física Suas especificidades de intervenção são as seguintes: identificar. 505 . organizar. coordenar. supervisionar.

Você também pode evidenciar que os documentos que orientam a educação no Brasil.. começando pelas atividades desenvolvidas pelos chineses 3. o que são eventos esportivos e não esportivos e como proceder a sua organização. na Unidade 2. apontam a necessidade de se utilizar os eventos como um componente importante nas atividades curriculares. vamos começar a estudar. Depois desse panorama geral.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 1 I INTRODUÇÃO Hora de praticar Tendo como base o texto desta Introdução: • faça um resumo da evolução dos eventos de Educação Física ao longo dos tempos.C. 506 .000 anos a. • cite um exemplo de como utilizar a promoção de eventos em Educação Física para se atender ao previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB. até os modernos espetáculos que possuem abrangência em todo o mundo. tais como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB). Envie o seu trabalho ao fórum da plataforma a ser indicada pelo tutor. • responda: como os Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Fundamental e para o Ensino Médio utilizam os eventos em Educação Física como mais um instrumento na formação dos alunos?. 2000). Nesta unidade você teve a oportunidade de percorrer o caminho dos eventos ligados à Educação Física.

507 . ■■ identificar um evento esportivo e um evento não esportivo. ■■ identificar a composição de uma comissão organizadora de evento. esperamos que você seja capaz de: ■■ conceituar os termos organização e evento.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 A Organização de Eventos Esportivos Nesta unidade começaremos a estudar a organização de eventos que podem ser realizados pelo professor de Educação Física. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade.

2003). preparado. É o processo de realizar. dispor ou classificar objetos. entrosado. arrumado. o que significa organização? Podemos entender organização como aparência. 3. sistemático. conformação. 4. aspecto. dividido e sequenciado um determinado trabalho. constituição. corpo. ordenado. organização. presença. 2. Mas. tudo o que sem ela seria difícil ou impossível de alcançar. É o processo de reunir recursos físicos e humanos essenciais à consecução dos objetivos de uma empresa (Montana. Desta maneira podemos entender organização como um sinônimo de arrumação 508 . de forma simples e rápida. Também entendemos por organizado. na prática. disposto. configuração. compleição. Organizar compreende atribuir responsabilidades às pessoas e atividades às estruturas de uma instituição. É a forma escolhida para arranjar.1 O que é Organização? 1. com o mínimo de esforço e o máximo de rendimento. 5. estrutura. É o modo como foi estruturado. disposição. metódico. arranjado. algo cuidadoso. documentos e informações.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS ESPORTIVOS 2.

509 .ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS ESPORTIVOS Para entender o que é organização. basta comparar as figuras: Você acha que esta competição será realizada? Veja: uma grande quantidade de jogadores de uma mesma equipe num pequeno espaço do campo e apenas um adversário .não existe organização na distribuição dos atletas em campo! Hora de praticar Vale a pena ser organizado? Envie o seu trabalho ao fórum da plataforma a ser indicada pelo tutor.

■■ festival de ginástica.2.2 Evento 2. ■■ torneio de voleibol. o fato de gerar uma grande mobilização de pessoas.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS ESPORTIVOS 2. de grupos de pessoas e de comunidades. ■■ reunião com professor de Educação Física de uma escola que realizará relato de experiência sobre como é ser um profissional que trabalha no ensino. 510 . ■■ desafios esportivos – por exemplo. por isso. Por exemplo: ■■ olimpíadas escolares. de uma festa etc. de uma prática esportiva. ■■ gincana recreativa. possuir uma duração determinada. competição de lances livres no basquete. de uma discussão técnica.1 Conceito de Evento Evento é uma reunião na qual pessoas convidadas participam de uma palestra. de um show. Tem como características: o fato de ser um acontecimento extraordinário. ■■ torneio de futsal na escola. 2.2 O Que São Eventos em Educação Física Eventos em Educação Física são acontecimentos realizados e que possuem como tema ou atividade principal algo ligado à Educação Física. ou seja.2. ■■ palestra sobre a importância da Educação Física para a qualidade de vida das pessoas. ■■ competição de natação. não ser cotidiano e.

campeonato de futebol.2. Por exemplo: festival de ginástica. esportivos ou não esportivos. contando com a valiosa colaboração de outras pessoas. vamos prepará-lo para que possa se capacitar a planejar e realizar um evento na área de Educação Física. sendo que cada um possui peculiaridades que devem ser respeitadas. A colaboração de outras pessoas é fator essencial para que se obtenha sucesso na realização de eventos em Educação Física. isto é. 2.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS ESPORTIVOS 2. 511 . guarda uma semelhança significativa. Por exemplo: palestra sobre a importância da atividade física para a qualidade de vida das pessoas. Eventos esportivos na área de Educação Física Eventos não esportivos na área de Educação Física São aqueles em que o objetivo maior é a realização de uma competição esportiva.2. Sendo assim. orientação e controle da caminhada para pessoas idosas. o profissional pode organizar eventos esportivos e eventos não esportivos.4 Organização de Eventos em Geral Organizar eventos é tarefa que requer cuidados que normalmente as pessoas não estão preocupadas em realizar. A organização de eventos. semana da avaliação cineantropométrica na escola. competição de natação. São aqueles em que o objetivo principal é a realização de atividades sobre a Educação Física. Por isso. torneio de voleibol.3 Eventos Esportivos e Eventos Não Esportivos Na área de Educação Física.

Por isso. claro e factível. Regulamentos existem em eventos esportivos e em eventos não esportivos.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS ESPORTIVOS será apresentada uma formatação geral. Regimento é um conjunto de normas funcionais para organizar e disciplinar o funcionamento de uma entidade ou de seus diversos poderes. não são exclusividade de eventos esportivos. A organização de qualquer evento tem início com a elaboração de um planejamento competente. proíbem e definem as atitudes dos participantes em eventos esportivos e eventos não esportivos. é importante conhecer bem e saber interpretar os regulamentos das competições. Organização de eventos em geral 1º passo: planejamento 2º passo: transformação do planejamento em projeto 3º passo: elaboração do regulamento 4º passo: definição da comissão organizadora 5º passo: realização do congresso técnico 6º passo: realização do evento principal Regulamento é um conjunto de normas que permitem. 512 . Uma unidade mais à frente tratará especificamente sobre regimento de eventos. que pode ser adaptada para o tipo de evento que será realizado pelo profissional de Educação Física. suas instalações sociais e esportivas. ou seja. seus departamentos. O pleno conhecimento do regulamento pode significar uma grande vantagem sobre os adversários esportivos ou pode representar o sucesso em um evento não esportivo. que deve ser registrado em um documento denominado “projeto” e pela confecção de um regulamento adequado.

sendo mais característico de um evento esportivo. 2. encerramento. ■■ Poderá. a definição de palestrantes.4. englobando a definição da programação. sites. a organização de congresso técnico. contatos. que deve ser composta por pessoas qualificadas. blogs) e com os parceiros (governo e empresas). documentação. a informação permanente aos participantes. entre outras: 513 . jornais. Como sugestão.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS ESPORTIVOS 2. ser criada uma ou mais subcomissões para cuidarem de alojamento. de abertura. alojamentos.2 O Congresso Técnico de um Evento O congresso técnico é uma reunião que antecede o evento principal. TV.2. a definição das condições de inscrição dos participantes e o controle técnico das instalações.4. ■■ Administrativa: responsável por toda a parte de organização geral do evento. quando necessário. transporte. premiação e outras.2. ■■ Marketing e relações públicas: responsável pela divulgação geral e pela manutenção de contato permanente com os veículos de comunicação (rádio.1 Comissão Organizadora do Evento Outro ponto fundamental é a definição da Comissão Organizadora do evento. alimentação e turismo. além do cerimonial das solenidades do congresso técnico. subcomissões: podem ser apresentadas as ■■ Técnica: responsável pelo planejamento e pela execução do projeto do evento. transportes. também. comprometidas com o sucesso do evento e que possuam tempo para se dedicar ao cumprimento de suas atividades. e tem por meta.

palestrantes (se for relevante a participação destes) e a indicação de quem terá direito a opinar e a votar nas decisões que serão adotadas. ■■ adotar outras decisões que se fizerem necessárias para o bom andamento do evento.4. O congresso técnico deve ser bem planejado. discutir. Por exemplo. Deve ser bem definida a quantidade de dirigentes e até de outros participantes.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS ESPORTIVOS ■■ fazer a apresentação e a integração de dirigentes e alguns atletas das equipes participantes. ■■ discutir e deliberar acerca de questões novas e relevantes sobre aspectos técnicos da disputa. De qualquer 514 . ■■ realizar sorteio de equipes ou atletas.2. uma vez que cada modalidade ou conjunto de modalidades esportivas e outras peculiaridades exigirão diferentes produtos para a sua realização. atletas. ■■ apresentar. o que poderá comprometer a efetivação do evento. ou outro que for aprovado. e a data de sua realização ser informada oficialmente a todos os participantes. nas tabelas dos sistemas de disputa adotados na competição.3 Materiais e Equipamentos para Eventos Esportivos Os materiais e os equipamentos a serem utilizados em eventos esportivos são em grande número e não há como relacioná-los de maneira precisa. O sistema de votação também deve ser definido logo no início dos trabalhos e seguido até o final. esclarecer e aprovar o regulamento e as demais normas técnicas do evento. para evitar atrasos e faltas de representantes. 2. como técnicos. pode ser definido que as decisões serão tomadas por votação no sistema aberto e não secreto. com antecedência compatível. ■■ efetivar o credenciamento de equipes e atletas inscritos.

a seguir são indicados recursos humanos. ■■ Árbitros ■■ Serviços médico e paramédico ■■ Equipe de cerimonial ■■ Cronometristas ■■ Mesários para inscrições ■■ Condutores dos atletas ■■ Fiscais ■■ Solicitação das instalações necessárias ■■ Fichas de inscrição dos atletas ■■ Súmulas das provas ou jogos ■■ Regulamento da competição ■■ Programação do evento ■■ Faixas para a divulgação do evento ■■ Sistema de computadores interligado a rede sem fio ■■ Impressoras ■■ Papel para impressão ■■ Sistema de som ■■ Pódio ■■ Mesas ■■ Cadeiras ■■ Cadeira do árbitro ■■ Mesas para anotares e cronometristas ■■ Redes ■■ Cronômetros ■■ Apitos ■■ Cartões de advertência ■■ Bandeiras ■■ Plaquetas com substituição ■■ Bolas ■■ Bomba para encher bolas ■■ Bandeja para transporte das medalhas ■■ Medalhas e outros prêmios ■■ Barraca de náilon ■■ Bolsa de primeiros socorros ■■ Bolsa com gelo ■■ Extensão de fio elétrico (mínimo 150 metros) ■■ Trena ■■ Tomada “T” ■■ Caneta. Analise quais as suas reais necessidades e elabore a sua lista. lápis e borracha ■■ Água e copos números para 515 . quando da realização de eventos esportivos. Sugestão de profissionais. materiais e serviços que podem ser necessários.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS ESPORTIVOS maneira. A relação abaixo é referente a sugestões gerais e não exatamente para uma determinada modalidade esportiva. materiais e serviços que podem servir de referência.

no sentido administrativo. • o que é um evento?. Eventos em Educação Física são acontecimentos realizados e que possuem como tema ou atividade principal algo ligado à Educação Física. Organização é uma palavra que. vamos estudar com mais detalhes o esporte. ou seja. Preparado para mais esse desafio? 516 . Na próxima unidade. • como seria a composição de uma comissão organizadora para organizar o Torneio de Voleibol das 5 as Séries de sua escola? Envie o seu trabalho ao fórum da plataforma a ser indicada pelo tutor. Nesta unidade você aprendeu que para ter mais possibilidades de sucesso. pode ter o significado de arrumação. tudo deve ser muito bem organizado. Evento é uma reunião realizada de maneira específica e que possui características próprias. um evento em Educação Física deve ter como fundamento a organização. responda: • o que é organização?. elemento essencial da maioria dos eventos realizados em Educação Física.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 2 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS ESPORTIVOS Hora de praticar Tendo como base o texto anterior.

517 .ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 Os Sistemas Esportivos de Disputa Nesta unidade você vai aprender a elaborar tabelas e chaves de disputa. de modo a poder organizar competições esportivas. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. ■■ elaborar um sistema de disputa de competição. esperamos que você seja capaz de: ■■ identificar os sistemas de disputa de competições esportivas.

Geralmente possuem curta duração. ■■ quantidade de participantes. além dos vencedores por modalidades. entre outros: ■■ tempo disponível para a realização do evento. Jogos são competições nas quais são disputadas várias modalidades desportivas simultaneamente. ■■ data definida para a realização do evento. para a sua execução. Campeonato É a competição em que há o encontro de cada participante com os demais (todos com todos). São eles. os Jogos Abertos do Estado. os Jogos Escolares. para que aumentem as possibilidades de êxito do empreendimento. apurar um vencedor geral. que possui finalidade competitiva e que. Quando o campeonato é di- 518 . as competições esportivas são realizadas por meio de campeonato e de torneio. a natação. o futebol. os Jogos Panamericanos. São exemplos de esportes o atletismo.1 Tipos de Competições Esportivas Normalmente. ou não. Após decidir pela realização de um evento esportivo é importante observar alguns aspectos essenciais.1. disputa. podendo. 3. entre muitos outros.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA 3. com a letra inicial maiúscula? A palavra Jogos deve ser escrita com a inicial maiúscula para diferenciar de jogo – partida. o handebol. Esporte é a atividade predominantemente física. O que são Jogos. uma vez que ele se constitui no elemento essencial da maioria dos eventos realizados em Educação Física. atende a regras preestabelecidas. ■■ local para a realização do evento. São os Jogos Olímpicos.1 Os Sistemas Esportivos de Disputa Inicialmente vamos descrever o termo “esporte”. entre outros. lembrando os torneios.

eventualmente. isso não ocorre em função da quantidade de participantes que estão competindo naquele momento. O ganhador de um torneio é denominado vencedor. possuindo vários grupos. Por isso. quando se refere a uma fase da competição. Normalmente utiliza-se o torneio quando o tempo disponível para a realização de uma competição é muito pequeno. Essas fases possuem uma nomenclatura própria e são originadas por uma fração matemática. o encontro pode se limitar às equipes do mesmo grupo. o rodízio simples com a diminuição do tempo oficial de jogo (ou diminuição dos escores estabelecidos). Fase da competição 0 1 2 3 4 Número de fases 1 2 3 4 5 Fração que define a fase 1/20 = 1 1/21 = 1/2 1/22 = 1/4 1/23 = 1/8 1/24 = 1/16 Nome da fase Fase final ou fase única Fase semifinal ou fase meia final Fase quarta de final ou fase um quarto de final Fase oitava de final ou fase um oitavo de final Fase décima sexta de final ou fase um décimo sexto de final Quadro adaptado de Nóbrega.2 As Fases de uma Competição As etapas em que ocorre uma competição são denominadas “fases” e começam com a fase inicial e culminam com a fase final. 519 . que utiliza as eliminatórias como forma de disputa e. 3. O ganhador de um campeonato é denominado campeão. por exemplo. Torneio É a competição geralmente de curta duração.1. Veja o quadro abaixo. oitava de final. mas de uma questão técnica relacionada diretamente com a etapa do evento esportivo. como.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA vidido em etapas. É considerado competição de longa duração. 1991.

É também conhecida internacionalmente como poule. O seu principal objetivo é definir o critério para se apurar o vencedor da competição. Sistema derivado Sistema básico de disputa de competição O sistema básico. Ou seja. 3.1. É composto por duas formas de disputa: Rodízio Eliminatória Forma de disputa rodízio O rodízio é a forma básica de disputa em que cada participante disputa pelo menos um jogo contra cada adversário. foi o precursor e possibilitou a criação do sistema misto e do sistema derivado. Sistema misto 3.3 O Sistema de Disputa em Competições Esportivas Sistema de disputa é um processo de apuração das classificações desejadas e estabelecidas nos regulamentos das competições. o rodízio simples ficaria assim definido: Turno único 1a rodada 7a série A x 7a série D 2a rodada 7 a série B x 7a série A 7a série C x 7a série D 3a rodada 7a série C x 7a série B 7a série D x 7a série A 520 7a série B x 7a série C . Por exemplo. todos jogam contra todos. Existem três tipos de sistemas de disputa: 1. sendo o numerador o algarismo 1 e como divisor o algarismo 2 elevado ao número de divisões efetuadas na competição. como o próprio nome declara. Sistema básico 2.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA O nome das fases deriva da fração que forma esta divisão. numa competição escolar de voleibol entre as 7as séries do Ensino Fundamental. supondo que existam quatro equipes.

e na 1a rodada do returno foi a vez de a 7a série D jogar em casa contra a mesma 7a série A. Constitui-se de uma série de jogos em que o vencedor é definido pela eliminação dos vencidos. os encontros podem acontecer apenas entre os participantes do mesmo grupo. 2a rodada 7a série B x 7a série A 7a série C x 7a série D 3a rodada 7a série C x 7a série B 7a série D x 7a série A Retorno (ou 2º turno) 1a rodada 7a série D x 7a série A 7a série C x 7a série B 2a rodada 7a série A x 7a série B 7a série D x 7a série C 3a rodada 7a série B x 7a série C 7a série A x 7a série D Note que na 1a rodada do turno. No rodízio duplo a mesma competição teria a seguinte composição: Turno (ou 1º turno) 1a rodada 7a série A x 7a série D 7a série B x 7a série C Quando as equipes forem de cidades diferentes No caso do rodízio duplo. cada equipe realiza um jogo em sua cidade e outro jogo na cidade do adversário. Quando a competição é dividida em fases e os participantes separados em grupos. Forma de Disputa Eliminatória A eliminatória é uma forma básica de disputa que prevê a eliminação de competidores após uma ou duas derrotas. 521 . Se todas as equipes se enfrentarem duas vezes na mesma competição. quando se tratar de equipes de cidades diferentes.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Perceba que cada equipe jogou com as demais por uma vez. a 7a série A jogou em casa enfrentando a 7a série D. permanecendo na competição apenas os vencedores. o que caracteriza o rodízio simples. Assim foi entre todas as equipes participantes. tem-se o que é denominado rodízio duplo.

em que. só que agora será utilizada a eliminatória simples.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Todos os jogos de uma competição realizada sob a forma de eliminatória devem ter um vencedor. No caso de ocorrer empate. utiliza-se uma das formas básicas de disputa e. Sistema misto de disputa de competição Sistema de disputa no qual. que é disputada na forma de eliminatória simples. utiliza-se a outra forma básica de disputa. todas as equipes jogam entre si nos diversos grupos. em uma fase da competição. A partir daí. o regulamento da competição deve definir critérios para o desempate. Como exemplo. As duas equipes mais bem classificadas de cada grupo passam para a próxima etapa. uma equipe é eliminada após a primeira derrota. voltemos à competição escolar de voleibol entre as 7as séries do Ensino Fundamental. A Copa do Mundo de Futebol é realizada por um sistema misto de disputa. Quem chega à partida final e vence é considerado o vencedor da competição. 522 . a tabela seria assim definida: Este foi um exemplo de eliminatória simples. na primeira fase. quem vence continua na competição e avança para a fase seguinte. Na eliminatória simples. O exemplo de eliminatória dupla será apresentado mais adiante. em outra fase. As eliminatórias podem ser simples e duplas. e quem perde é eliminado da competição. e na eliminatória dupla uma equipe é eliminada após a segunda derrota. Supondo que existam quatro equipes.

a tabela seria assim definida: Primeira fase da competição . a seguir. mas que possui estrutura e definição específicas. Handicap (ou desvantagem). Sistema derivado de disputa de competição É um sistema de disputa gerado a partir de uma das formas de disputa do sistema básico. Shuring ou Americano. e a ganhadora do jogo será a vencedora da competição. o seguimento da competição se daria da seguinte forma: A 7a série B e a 7a série D. com rodízio simples na primeira fase e eliminatória simples na segunda fase da competição. as seguintes formas de disputa criadas a partir do sistema derivado de competição: Bagnall-Wild ou Suíço. e Repescagem. mais bem classificadas na primeira fase.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Mais uma vez voltamos à competição escolar de voleibol entre as 7as séries do Ensino Fundamental. 523 . Consolação.rodízio simples 1a rodada 7a série A x 7a série D 7a série B x 7a série C 2a rodada 7a série B x 7a série A 7a série C x 7 a série D 3a rodada 7a série C x 7a série B 7a série D x 7a série A Supondo que o regulamento preveja que as duas equipes mais bem classificadas na fase de rodízio simples passem para a segunda fase e que estas equipes tenham sido a 7a série B e a 7a série D. Supondo que existam quatro equipes. disputarão eliminatória simples. só que agora utilizando o sistema misto de disputa. Veremos. a fase final da competição.

Forma de disputa Consolação Forma de disputa que se caracteriza por oferecer ao participante não classificado em determinada fase de competição a possibilidade de disputar classificações inferiores ao título máximo. e perde. É uma forma de competição pouco utilizada atualmente. Forma de disputa Handicap (ou desvantagem) É uma forma de competição em que uma equipe ou competidor que nitidamente é superior aos demais provoca uma desvantagem para minimizar a diferença que existe entre elas. que é realizada em eliminatória simples. ele pode continuar lutando e. estádio ou ginásio provoca melhores condições para que se conquiste uma vitória. ou ginásio) do que outras. Por exemplo. Evita que existam vantagens. as equipes que perderam para o vencedor disputam uma eliminatória. uma equipe de basquetebol que é muito superior à adversária propõe-se a iniciar a partida com o placar desfavorável em vinte pontos em relação à sua oponente. E assim sucessivamente. Forma de disputa Shuring ou Americano É uma forma de competição que evita que algumas equipes possam jogar mais em sua cidade (ou estádio. quando um atleta está em uma fase intermediária da competição. até se definir quem foi a última colocada na competição. que é considerado o primeiro lugar.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Forma de disputa Bagnall-Wild ou Suíço É uma forma de disputa elaborada ao final de uma eliminatória. Essa forma de disputa possui o grande inconveniente de continuar a competição após se conhecer o seu vencedor. no judô. caso não 524 . as equipes que perderam para a segunda colocada disputam uma eliminatória. e quem vencer é declarado terceiro lugar da competição. o que poderá não atrair torcedores. e quem vencer é declarado segundo lugar da competição. Por exemplo. pois comprovadamente jogar em sua cidade. Em seguida. pelo maior conhecimento do local de jogo e pelo apoio da torcida. Depois de definido o vencedor da competição.

Nesta competição. as seleções dos 32 países são distribuídas em oito grupos com quatro participantes cada um. poderá conseguir até o terceiro lugar. Forma de disputa Repescagem Forma de disputa que oferece ao participante não classificado em determinada fase da competição a oportunidade de disputar o título máximo dela. o regulamento pode prever que uma equipe não classificada em uma etapa de competição disputada sob a forma de rodízio possa compor um novo grupo e. composto por todos os participantes da competição.4 Elaboração de uma Tabela na Forma de Disputa Rodízio A disputa na forma de rodízio ocorre entre os participantes dentro de um ou mais grupos. Neste caso. e as duas seleções com melhores resultados são classificadas para a etapa seguinte. A outra opção é a de se criar vários grupos.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA perca novamente. que também podem ser chamados de chaves. Pode-se fazer um grupo apenas. dividindo os participantes entre eles. Dentro de cada grupo. caso se classifique. Um grupo ou chave é o agrupamento de todas ou parte do total de equipes participantes de uma competição. a disputa é realizada na forma de rodízio simples. No “Brasileirão”. Observe que ele não terá condições de se tornar o vencedor da competição. readquira condições de disputar o título máximo da competição. 3.1. como acontece na primeira etapa da Copa do Mundo de futebol. 525 . todas as vinte equipes são colocadas em um único grupo e disputam jogos contra todas as demais participantes. como ocorre no Campeonato Brasileiro de Futebol. É uma forma de competição pouco utilizada.

terá em sua etapa inicial apenas 24 jogos. Por isso. A disputa sob a forma de rodízio pressupõe a existência de rodadas. deve-se utilizar a criação de vários grupos. com a participação de quatro equipes. ao longo de toda a competição. Perceba que não é possível que a 7a série A enfrente. quando todos jogam contra todos em apenas um grupo. pois isso implicará uma menor quantidade de jogos. reduzindo-se. só que realizada com a criação de quatro grupos de quatro participantes cada. se o fator tempo for uma restrição à realização da disputa na forma de rodízio em apenas um grupo.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Quanto menor o tempo disponível para a realização da competição. Abaixo é reproduzido o exemplo que foi apresentado anteriormente. assim. uma competição realizada em rodízio simples com dezesseis participantes terá. Por exemplo. em sua etapa inicial. Essa mesma competição. e ela terá de fazer isso em três momentos diferentes. que correspondem às três rodadas da competição. 120 jogos. mas imagine o tempo que exigiria para que todos os 120 jogos fossem realizados. maior é a tendência de se criar mais de um grupo para a realização da disputa. a duração da competição. num mesmo momento. a disputa tende a ser mais justa. Assim. que são os emparceiramentos entre todos os participantes. sobre a competição escolar de voleibol entre as 7as séries do Ensino Fundamental. As rodadas existem por não ser possível que os participantes se enfrentem todos contra todos ao mesmo tempo. Veja o quadro abaixo: Competição sob a forma de rodízio simples 1a rodada 7a série A x 7a série D 7a série B x 7a série C 2a rodada 7a série B x 7a série A 7a série C x 7a série D 3a rodada 7a série C x 7a série B 7a série D x 7a série A 526 . as outras três competidoras. É claro que. as disputas vão ocorrendo ao longo de todas as rodadas.

Como exemplo. uma competição que será realizada com quatorze participantes terá a seguinte quantidade de rodadas: RP = 14 – 1 RP = 13 A competição então terá treze rodadas. 26 rodadas. é importante que se calcule sempre a quantidade de rodadas de cada competição a ser realizada. Se a competição for realizada na forma de rodízio duplo. ■■ P é quantidade de participantes da competição. Por isso. ■■ P é quantidade de participantes da competição. então. No caso do exemplo em questão.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Portanto. Para calcular a quantidade de rodadas em uma competição realizada sob a forma de rodízio simples e que possua um número par de participantes: RP = P – 1 Onde: ■■ RP é a quantidade de rodadas em competição com número par de participantes. Como exemplo. basta multiplicar por dois a quantidade encontrada no rodízio simples. quanto maior a quantidade de rodadas. Para calcular a quantidade de rodadas em uma competição realizada sob a forma de rodízio simples e que possua um número ímpar de participantes: RI = P Onde: ■■ RI é a quantidade de rodadas em competição com número ímpar de participantes. haverá. uma competição realizada com quinze participantes terá a seguinte quantidade de rodadas: RI = 15 527 . maior será a duração de uma competição.

após uma série de jogos em que todos jogam contra todos. ao elaborar uma tabela de competição utilizando-se rodízio. tenha conseguido maior quantidade de vitórias ou pontos. 528 . Dependendo da origem dos adversários. então. Para Nóbrega (1991). e o vencedor será aquele que.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Jogar em casa é atuar em suas próprias instalações esportivas. quando o sol não está tão forte. Isso visa evitar que. basta multiplicar por dois a quantidade encontrada no rodízio simples. O equilíbrio horizontal ocorre quando. atuar em casa significa jogar na própria cidade. A competição.1.4. por exemplo. estado ou país. Jogar fora de casa é atuar nas instalações. dois elementos devem ser observados e mantidos em equilíbrio: (1) a relação entre jogos realizados em casa e fora de casa. tem o mando de jogo. No caso do exemplo em questão. terá quinze rodadas. na qual os participantes disputam em horários diferentes em cada rodada. Exemplo: Equipe “A” x Equipe “B”– a Equipe “A” joga em casa e tem o mando de jogo. trinta rodadas. uma equipe realize os seus jogos sempre num horário de sol muito forte. Mas quando temos rodízio simples com número par de participantes. existe uma distribuição semelhante dos horários dos jogos para todos os concorrentes. geralmente. teremos equipes que jogarão mais em casa e outras que jogarão mais fora de casa. O correto é que o organizador procure sempre propiciar as mesmas condições a todos os participantes. O ideal é que todos joguem a metade dos jogos em casa e a metade dos jogos fora de casa. enquanto outra equipe realiza os seus jogos somente no final da tarde. em uma tabela de competição realizada sob a forma de rodízio. 3. o que provoca desgaste excessivo dos atletas. estado ou país do adversário. Existe a convenção de que a equipe citada primeiramente joga em casa e. o que minimiza o desgaste dos atletas. cidade. e (2) a distribuição dos horários em que as equipes irão realizar os seus jogos. Se a competição for realizada na forma de rodízio duplo.1 Rodízio Simples O rodízio simples é também conhecido como turno. então. Foi denominado equilíbrio vertical o fato de uma tabela prever uma quantidade semelhante entre os jogos realizados em casa e os realizados fora de casa por todos os participantes da competição. haverá. e a temperatura está amena.

com número impar de participantes (sete participantes). que pode ser expresso simplesmente pela fórmula: J = P(P-1) 2 Onde: J = quantidade de jogos e P = número de participantes. temos: 529 . no sentido anti-horário. No mesmo exemplo acima. Assim. um deve ficar isento em cada rodada. será elaborada uma tabela de rodízio simples. sabendo-se que.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Para calcular a quantidade de jogos em um rodízio simples. com número ímpar de participantes No exemplo a seguir. J = 7(7-1) = 42 2 2 RI = P J = 21 jogos P=7 RI = 7 rodadas Para elaborar a tabela. se tivermos oito inscritos em uma competição que será realizada na forma de rodízio simples. inicialmente deve-se realizar a disposição dos competidores. Primeiramente. teríamos: J = 8(8-1) = 56 2 2 J = 28 jogos Elaborando uma tabela de rodízio simples. Por exemplo. serão definidas as quantidades de jogos e de rodadas. com oito participantes. por serem em quantidade ímpar. o cálculo deverá ser o seguinte: Quantidade de jogos = 7+6+5+4+3+2+1 Quantidade de jogos = 28 Este é o raciocínio para o cálculo. deve-se realizar a soma de todos os números inferiores à quantidade de participantes.

Começaremos a elaborar a tabela passo a passo. conforme pode ser observado na figura a seguir. Passo 1 – Vejamos. então. depois das orientações anteriores. a rotação dos participantes para a formação das rodadas posteriores será realizada no sentido horário. como ficará a tabela inicial.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Repare que a distribuição foi feita no sentido anti-horário Agora. A primeira rodada ficará assim: A segunda rodada ficará assim: A terceira rodada ficará assim: 2 O rodízio das equipes nas rodadas é feito no sentido horário 3 4x2 5x1 6x7 3x1 4x7 5x6 E assim sucessivamente. 530 .

A Equipe 7 joga três vezes consecutivas fora de casa. Por isso. deve-se numerar a parte superior de cada rodada que está à esquerda da rodada central. embora as equipes joguem a mesma quantidade de vezes em casa e fora de casa. por exemplo. mas o processo que realizaremos agora fará simultaneamente os equilíbrios vertical e horizontal. o que poderá ser prejudicial para ela. deve-se colocar a rodada central (C) no início da tabela e inserir todas as demais rodadas na ordem crescente dos números romanos a elas atribuídos. passaremos a realizar o equilíbrio vertical (jogar em casa e jogar fora de casa) e o horizontal (horário dos jogos). Por que realizar o equilíbrio vertical? Veja na tabela anterior que. com números romanos ímpares. devemos realizar o equilíbrio vertical. a Equipe 5. O equilíbrio horizontal nem seria necessário fazer.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Passo 2 – Concluída esta etapa. joga três vezes consecutivas em casa. e numerar a parte superior de cada rodada que está à direita da rodada central. 531 . com números romanos pares. Depois. Primeiramente é necessário selecionar a rodada central. o que poderá lhe trazer vantagens sobre os adversários. colocando-a dentro de um retângulo e colocando uma letra C (de rodada central) sobre este retângulo. Em seguida.

será elaborada uma tabela de rodízio simples. Primeiramente. inicialmente deve-se realizar a disposição dos competidores. Assim. com sete participantes (número ímpar) fica da maneira como apresentada abaixo. todos os participantes participarão de todas as rodadas. Neste exemplo ela foi colocada no início da tabela. a critério do organizador da competição. Confira que existem 21 jogos. Elaborando uma tabela de rodízio simples. Por serem em quantidade par. com número par de participantes No exemplo a seguir. com as suas sete rodadas. com número par de participantes (oito participantes). temos: 532 . no sentido anti-horário. A tabela de rodízio simples. serão definidas as quantidades de jogos e de rodadas. J = 8(8-1) = 56 2 2 RP = P-1 RP = 8-1 J = 28 jogos P=8 RP = 7 rodadas Para elaborar a tabela.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA A rodada central (C) pode ser colocada no começo ou no fim da tabela. conforme foi calculado no princípio.

Por existirem sete rodadas.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Repare que a distribuição foi feita no sentido anti-horário Agora. como definido anteriormente. Por que realizar o equilíbrio vertical? Veja na tabela acima que a Equipe A joga todos os sete jogos em casa. Passo 1 – Depois das orientações anteriores. em todas as rodadas. Os demais participantes realizam a rotação no sentido horário. Passo 2 – Concluída esta etapa. passaremos a realizar os equilíbrios vertical (jogar em casa e jogar fora de casa) e horizontal (horário dos jogos). sendo este o principal problema. Começaremos a elaborar a tabela passo a passo. conforme pode ser observado na figura a seguir. O rodízio das equipes nas rodadas é feito no sentido horário. algumas 533 . com a diferença de que a Equipe 1 é fixada preliminarmente como o primeiro jogo e sempre jogando em casa. a rotação dos participantes para a formação das rodadas posteriores será realizada no sentido horário. a tabela inicial é montada.

devemos realizar o equilíbrio vertical. Em seguida. por exemplo. deve-se colocar a rodada central (C) no fim da tabela e inserir todas as demais rodadas na ordem crescente dos números romanos a elas atribuídos. e numerar a parte superior de cada rodada que está à direita da rodada central. é necessário selecionar a rodada central. e isso é normal. o que poderá ser prejudicial a ela. Depois.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA equipes vão jogar uma partida a mais em casa ou fora de casa. com números romanos pares. colocando-a dentro de um retângulo e colocando uma letra C (de rodada central) sobre este retângulo. Primeiramente. Só que a Equipe 8. deve-se numerar a parte superior de cada rodada que está à esquerda da rodada central. A Equipe 4 joga três vezes consecutivas fora de casa. pois não há como resolver. principalmente pelo fato de a Equipe A jogar sempre no mesmo horário. joga três vezes consecutivas em casa. o que poderá lhe trazer vantagens sobre os adversários. com números romanos ímpares. 534 . Por isso. O equilíbrio horizontal também deve ser realizado.

Para obter-se o equilíbrio vertical da equipe fixa. Neste exemplo ela foi colocada no fim da tabela. até ser trocado com o último da coluna. Trocamos o jogo do participante nº 1 com o participante abaixo. alternam-se os seus mandos de campo. rodada não. repetindo essa posição na coluna seguinte e recomeçando o processo ao inverso. 535 . rodada sim. uma vez que no exemplo anterior ela foi localizada no fim da tabela. O equilíbrio horizontal é feito com o deslocamento do participante fixo (Equipe 1). na próxima coluna. na coluna a seguir.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA A rodada central (C) pode ser colocada no começo ou no fim da tabela. A tabela de rodízio simples. trocamos com o terceiro participante. que aparece sempre no primeiro jogo de todas as composições. com oito participantes (número par) e sete rodadas. com o quarto. fica da maneira como apresentada abaixo. a critério do organizador da competição.

■■ no returno haverá a inversão do mando de campo.2 Rodízio Duplo O rodízio duplo ocorrerá de maneira semelhante ao que acontece no rodízio simples.(P-1)+1 J = 2. comparativamente ao que ocorreu no turno. A montagem de uma chave de eliminatória permite a definição de como será encontrado o vencedor da competição. a diferença é de 36 jogos entre as duas formas de disputa. 3. a diferença é de 71 ou 72 jogos entre as duas formas de disputa.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA 3.1. quando comparado com o rodízio. multiplica-se por 2 o resultado do rodízio simples. o que no caso anterior teríamos: J = 45.4.(10 -1)+1 J = 18 ou 19 Neste caso. com as seguintes modificações: ■■ haverá o dobro de jogos. ■■ haverá o dobro de rodadas.1.2 J = 90 Se for eliminatória dupla. a fórmula é a seguinte: J = 2. Vejamos: No rodízio simples: Se tivermos 10 participantes: J = P(P-1) 2 J = 10(10-1) 2 J = 90 2 J= 45 Na eliminatória simples Se tivermos 10 participantes: J = P-1 J = 10-1 J=9 Neste caso. É uma forma de disputa que possibilita a realização de uma quantidade menor de jogos.5 Elaboração de uma Tabela na Forma de Disputa Eliminatória A representação gráfica (diagrama) das tabelas de eliminatórias é denominada chave. Se for rodízio duplo. 536 .

ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Se o fator tempo for o essencial para se realizar uma determinada competição esportiva. Seguiremos agora. lembrando que 8 é uma potência de 2: J = P-1 J = 8-1 J = 7 jogos Lembre-se: J é a quantidade de jogos. 3.1 Eliminatória Simples Na eliminatória simples. tanto para eliminatória simples como para eliminatória dupla. São exemplos de potência de 2: 1. P é a quantidade de participantes. o competidor que tiver uma derrota estará excluído da competição. na elaboração da chave de eliminatória simples. 2. sem a necessidade de haver isentos em uma das fases da competição. Antes de elaborar uma chave de disputa de eliminatória simples. A decisão a ser tomada dependerá de a quantidade de competidores ser ou não uma potência de 2.5. 537 .1. Quando o número de competidores é uma potência de 2. 4. Elaborando uma chave de disputa de eliminatória simples com uma quantidade de concorrentes que seja uma potência de 2 No exemplo a seguir. Aplicando-se a fórmula: para oito competidores. passo a passo. a competição terá oito participantes. a chave é elaborada diretamente. 32. 16. 8. 64 etc. deve ser calculada a quantidade de jogos a serem realizados: J = P-1 2 É importante saber que existem duas maneiras de elaborar uma chave de disputa de eliminatórias. sem dúvida a forma de disputa eliminatória constitui-se em um modelo que contribuirá para a elaboração do melhor sistema de disputa.

bastando sortear qualquer equipe. Agora basta traçar novos traços horizontais e verticais sucessivos. trace linhas horizontais em frente a cada uma das letras. A B C D E F G H Em seguida. representada por uma das letras.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA 1º passo – inicie colocando as letras correspondentes aos nomes dos competidores em uma coluna. Perceba que sete é a quantidade de jogos. 538 . conforme prevê a fórmula. A chave acima está pronta. até se chegar a uma linha horizontal somente.

O resultado obtido é o número de isentos da primeira fase. Nesse exemplo. na elaboração da chave de eliminatória simples. a quantidade de participantes é doze. Portanto.12 = 4. Teremos. Para se determinar o número de isentos. Aplicando-se a fórmula: para doze competidores. pegue esse número e subtraia dele o número de competidores. B C D E F G H I J K L 539 . primeiramente verifique qual é a potência de 2 imediatamente superior à quantidade de competidores. haverá equipes isentas na fase inicial da competição. A 1º passo – inicie colocando as letras correspondentes aos nomes dos competidores em uma coluna. lembrando que 12 não é uma potência de 2: J = P-1 J = 12-1 J = 11 jogos Seguiremos agora. e a potência de 2 imediatamente superior a 12 é 16. a competição terá doze participantes. então. Sempre que a quantidade de participantes não for uma potência de 2. No exemplo a seguir. quatro isentos. 16 . passo a passo. Em seguida.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Elaborando uma chave de disputa de eliminatória simples com uma quantidade de concorrentes que não seja uma potência de 2.

ou na parte de baixo. teremos quatro jogos na primeira fase da competição. até chegar a uma linha horizontal somente. As linhas referentes aos quatro isentos terão o tamanho equivalente à segunda fase da competição. a partir de agora. e oito é uma potência de 2.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Em seguida trace linhas horizontais em frente a cada uma das letras. 540 . Perceba que. Assim. os quatro vencedores da fase inicial somados aos quatro isentos passam a constituir uma quantidade de oito competidores. basta fazer novos traços horizontais e verticais sucessivos. e assim sucessivamente. Assim. Isso deverá ser feito sempre que a quantidade de concorrentes não seja uma potência de 2. Veja abaixo. conforme se pode ver no diagrama anterior. uma vez que esses participantes não competirão na fase inicial. Os isentos serão sempre dispostos das extremidades para o centro da chave e sempre na seguinte ordem: um na parte de cima.

uma derrota. conforme se esclarecerá adiante. no máximo. conforme prevê a fórmula. você pode adotar os seguintes critérios de desempate (na ordem que está colocada a seguir): 1. P é a quantidade de participantes. após a segunda derrota. Eliminatória dupla Como a forma de disputa é Eliminatória Dupla. Defesa menos vazada e gol “average” poderão ser utilizados para diminuir a possibilidade do uso de sorteio para a definição do desempate. gol contra (defesa menos vazada). número de vitórias. gol “average”. 2. pois quem perde duas vezes está eliminado da competição. isso porque. ele é eliminado da competição. 3. que corresponderá a uma das letras. não tiver duas derrotas. Inicialmente. e será declarado Vencedor Geral quem. ■■ Esse +1 que aparece é o chamado “jogo opcional”. Perceba que onze é a quantidade de jogos. saldo de gols. cada competidor pode ter.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA A chave está pronta. que somente ocorrerá no caso de haver necessidade. Saiba mais Quando organizar competições. ao final de todos os jogos. bastando sortear qualquer equipe.(P-1)+1 Onde: J é quantidade de jogos. deve ser determinada a quantidade de jogos a serem realizados: J = 2. melhor ataque (gol pró). 5. (Estes três critérios acima são mais eficientes do que os apresentados abaixo. O sistema se chama Eliminatória Dupla. 541 .) 4.

puxe para o lado esquerdo os perdedores desses jogos. conforme numeração colocada no esquema ao lado.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA No exemplo a seguir. 2º passo – Depois de realizados os quatro jogos da Chave Inicial. aplicando-se a fórmula: J = 2. poderão ocorrer 14 ou 15 jogos. Vamos seguir passo a passo. assim. para entender claramente o processo. 1º passo – elabore o que denominamos Chave Inicial.(P-1)+1 J = 14 ou J = 2. portanto. a competição terá oito participantes.(8-1) + 1 J = 15 J = 14 (+1) Por isso. que prevê a realização de quatro jogos. 542 . a 1ª fase da Chave dos Perdedores. formando-se. Interrompa a sequência de jogos dos perdedores quando essa chave apresentar uma quantidade de participantes igual à quantidade de perdedores que virão da próxima Chave dos Vencedores.

agora acrescida com mais dois derrotados dos vencedores. Realize uma fase da Chave dos Vencedores.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA 3º passo – Realize uma fase da Chave dos Vencedores. e realize tantos jogos quantos forem necessários para deixar a Chave dos Perdedores com uma quantidade de participantes igual ao número de perdedores que ainda virão da Chave dos Vencedores. Comece traçando as linhas horizontais e verticais. identifique os jogos com a numeração sequencial. Em seguida. 4º passo – Retorne à Chave dos Perdedores. 543 .

realizam-se tantos jogos quantos forem necessários para deixar a Chave dos Perdedores com uma quantidade de participantes igual ao número de perdedores que ainda virão da Chave dos Vencedores. Perceba que.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA O cruzamento das linhas entre os perdedores dos jogos 7 e 8 é efetuado para evitarmos (na Chave dos Perdedores) repetição precoce de jogos realizados na Chave dos Vencedores. ele deveria ser realizado agora. mesmo que houvesse a possibilidade de outro jogo na Chave dos Perdedores. pois da Chave dos Vencedores é possível vir somente um perdedor e. O jogo 11 é. ainda teríamos dois competidores na Chave dos Perdedores. Novamente. então. nessa hipótese. 544 . realizado.

Ao final dessa segunda operação. 2ª . que é a partida final da Chave dos Perdedores. puxe o perdedor do jogo 12 para a Chave dos Perdedores. então. 545 . o jogo 12.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA 5º passo – Duas operações devem ocorrer: 1ª . saindo dali o Vencedor dos Vencedores. Aí se realiza o jogo 13.realiza-se um jogo na Chave dos Vencedores (jogo 12).Realiza-se. saindo dali o Vencedor dos Perdedores.

e que o participante é eliminado da competição ao sofrer duas derrotas. É importante ressaltar que o sistema é Eliminatória Dupla.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA 6º Passo – Transporte o Vencedor dos Perdedores para a Chave dos Vencedores. e o Vencedor dos Perdedores possui uma derrota. Perceba que o Vencedor dos Vencedores não possui derrota. 546 . Agora se realiza o jogo 14.

Como o Vencedor dos Vencedores não possuía derrota. que eliminará o último competidor e definirá o Vencedor Geral da Competição. Como o Vencedor dos Perdedores possuía uma derrota. 547 . não sofrer duas derrotas. o Vencedor dos Vencedores é o Vencedor Geral da Competição. 7º passo – Desse jogo sairá o Vencedor da Competição. Aí. haverá a necessidade do Jogo Opcional (Jogo 15). passa a ter sua primeira e continua a ter direito a continuar na competição. Mas. ao término de todos os jogos. Então. e se o Vencedor dos Perdedores ganhar essa partida? Hipótese 2 – Vitória do Vencedor dos Perdedores no jogo 14. então. Será declarado Vencedor Geral quem. O sistema se chama Eliminatória Dupla. passa a ter duas derrotas e é eliminado da competição.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Hipótese 1 – Vitória do Vencedor dos Vencedores no jogo 14. pois quem perde duas vezes está eliminado da competição.

Sistematize a competição. Envie seu trabalho para o tutor e para o fórum indicado na plataforma. Os sistemas de disputa podem ser: (a) básico. Nesta unidade você conheceu os tipos de disputa de competição. que são o campeonato e o torneio. 548 . montar a chave de disputa (tabela). definir os critérios de classificação que foram utilizados para classificação. sendo que a primeira fase deverá ser disputada sob o sistema de rodízio simples com cinco grupos e a segunda fase em eliminatória dupla com as dez melhores equipes participantes. combinado ou não com eliminatórias. montar tabelas com todos os jogos a serem realizados (demonstrar os processos de equilíbrio). Para a primeira fase – Rodízio Simples: indicar quantas equipes comporão cada grupo. (b) misto e (c) derivado. calcular o número de jogos de cada grupo e o total de jogos desta fase.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 3 I OS SISTEMAS ESPORTIVOS DE DISPUTA Hora de praticar Exercício de sistema de disputa Para um torneio de futebol de salão em sua escola se inscreveram 21 equipes. Os campeonatos são disputados sob a forma de rodízio simples ou duplo. Os torneios são disputados sob a forma de eliminatória simples ou dupla. Para a segunda fase – Eliminatória Dupla: calcular o número total de jogos desta fase.

os contratos e os documentos semelhantes? Da mesma forma. ■■ reconhecer e diferenciar os elementos de um regulamento (os incisos). ■■ conhecer as normas técnicas para a elaboração de um regulamento de evento. ■■ discutir a importância do regulamento para um evento e/ou competição. esperamos que você seja capaz de: ■■ diferenciar os conceitos de estatuto. os estatutos.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 4 O Regulamento de uma Competição Você já parou para refletir o quanto nossa vida e a convivência em sociedade seriam uma confusão se não existissem as leis. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. Você vai aprender nesta unidade que as regras de um evento esportivo ou não esportivo devem estar organizadas sob a forma de um regulamento. qualquer evento ou competição necessita de regras que devem estar bem claras para todos os participantes. regimento e regulamento. os convênios. 549 .

Em cada entidade só pode existir um estatuto. 550 .1 O regulamento de uma Competição Antes de falar sobre regulamento. proíbem e definem as atitudes dos participantes em eventos esportivos e eventos não esportivos. suas instalações sociais e esportivas. convênios. e esses regimentos não podem prever uma norma que contrarie outra que está prevista no estatuto. que normalmente é o estatuto. mas trataremos apenas desses três últimos. em uma universidade existem muitos regimentos. o documento básico. Por exemplo. Ou seja. seus departamentos. que é um documento superior. o regimento não pode contrariar uma norma prevista em um estatuto a que estiver subordinado. estatutos. contratos. que é o documento básico e único. mas que guardam diferenças entre si e merecem ser esclarecidos. ou seja. e este é o documento utilizado em competições esportivas. regimentos e regulamentos. Estatuto É a lei orgânica de uma entidade. Existem diversos tipos de documentos: leis. tem vida curta. ao contrário do estatuto. cada faculdade pertencente a uma universidade pode possuir um regimento. em uma universidade pode existir somente um estatuto. Um regulamento é criado especificamente para “regular” como será um determinado evento. Ou seja. Uma entidade pode ter tantos regimentos quanto achar necessário para o seu bom funcionamento.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 4 I O REGULAMENTO DE UMA COMPETIÇÃO 4. é necessário compreender alguns outros conceitos que parecem ser sinônimos. Por exemplo. O regimento deve ser elaborado respeitando-se as decisões contidas em documento de maior hierarquia. e sua validade se encerra ao fim da competição para a qual foi elaborado. Regimento Conjunto de normas funcionais para organizar e disciplinar o funcionamento de uma entidade ou de seus diversos poderes. Regulamento Conjunto de normas que permitem. o seu documento mais importante.

ao realizar a leitura do texto. deverá ser elaborado um novo regulamento. O regulamento tem uma vida útil prevista. a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) elabora um regulamento para o Campeonato Brasileiro de Futebol. Outro exemplo: na escola.1 Como Redigir um Regulamento Antes de iniciar o estudo sobre regulamento. Modalidade. Estrutura Básica de um Regulamento Capítulo I Finalidades. tem data para entrar em vigor e data para perder o seu poder de decisão. passa a ter uma existência longa. ao contrário do que ocorre no esporte. Ao término da competição. Patrocínio. mas deverá lembrar-se de que este documento terá validade apenas para este evento. este documento perde a validade e será elaborado um novo regulamento para a edição do ano seguinte. que pode ter um formato semelhante ao anterior. Período Capítulo II Dirigentes Capítulo III Inscrições Capítulo IV Forma de Disputa e de Apuração de Classificação 551 . o termo regulamento é sinônimo de regimento e.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 4 I O REGULAMENTO DE UMA COMPETIÇÃO Por exemplo. Em seguida. para que possa consolidar o aprendizado sobre este conteúdo. observe os quadros denominados Estrutura Básica de um Regulamento e Exemplo Teórico de um Regulamento. assim. ou seja. você poderá elaborar um regulamento para uma competição de handebol que está realizando. 4. mas que regulará de maneira específica aquele evento.1. Objetivos. quando perde a sua eficácia ao fim do evento que ele regula. Fora do ambiente esportivo. Promoção. Participantes. Na próxima edição dessa mesma competição. a cada ano. volte sempre aos dois quadros.

conforme previsto na redação deste documento. Horários dos Jogos e Arbitragem Capítulo VI Justiça e Disciplina e Segurança Capítulo VII Prêmios e Solenidades: Abertura e Encerramento Capítulo VIII Disposições Gerais Exemplo Teórico de um Regulamento Título I Objetivos e Dirigentes Subtítulo I Objetivos Artigo 1º – Os objetivos deste regulamento são definir as normas para a realização do evento e criar condições para que todos os participantes tenham condições semelhantes na competição. 552 .ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 4 I O REGULAMENTO DE UMA COMPETIÇÃO Capítulo V Regras. sob pena de punição aos infratores. Subtítulo II Dirigentes Artigo 3º – A direção é composta por profissionais de Educação Física e de Administração. Parágrafo único – Fica assegurado o cumprimento de todas as definições previstas neste regulamento. Artigo 2º – Todos os objetivos aqui definidos buscam garantir as melhores condições de realização do evento. a) São 2 (dois) profissionais de Educação Física com especialização e experiência em gestão do esporte.

que foi realizada no mês de junho próximo passado. Artigo 9º – Todas as atividades serão planejadas tendo como base as definições da reunião coletiva entre os dirigentes de todas as equipes participantes. O outro profissional de Administração tem a atribuição consolidar o projeto do evento. Título II Inscrições e Segurança Subtítulo I Inscrições Artigo 5º – As inscrições serão realizadas entre os dias 3 e 15 de dezembro de 2020. Um dos profissionais de Administração tem a atribuição de zelar pela parte administrativa do evento. Artigo 6º – Cada equipe inscrita deverá apresentar a documentação dos atletas no mínimo trinta minutos antes da realização de cada jogo. Artigo 4º – Além dos dirigentes relacionados. comporão a comissão organizadora dois representantes da Liga de Esporte da cidade. § 1º – O local designado para efetivação das inscrições possui condições de fazer o registro de todos os atletas a serem inscritos por cada equipe. 553 . 2. cada equipe deverá trazer todos os documentos exigidos pela Liga de Esporte da cidade.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 4 I O REGULAMENTO DE UMA COMPETIÇÃO b) São 2 (dois) profissionais de Administração com especialização em eventos esportivos. 1. na Secretaria da Universidade. das 9h às 16h. Subtítulo II Segurança Artigo 7º – A segurança será realizada por equipe especificamente contratada para esta finalidade. § 2º – Para efetivar a inscrição.

o regulamento possui determinadas normas que devem ser seguidas em sua elaboração. capítulos. O artigo e o parágrafo são os incisos mais conhecidos pelas pessoas. atravessando os títulos e os capítulos existentes. Talvez esse conceito provoque muitas dúvidas. que são os contratos e os convênios. parágrafos.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 4 I O REGULAMENTO DE UMA COMPETIÇÃO Artigo 10 – Será obrigatório o uso de crachá de identificação oficial do evento a todo dirigente e atletas. por exemplo. Ocorre que a cláusula é utilizada especificamente na elaboração de dois tipos de documento. leis. Inciso ■■ é um elemento que divide o documento em partes que facilitam a leitura e a busca de assuntos específicos. Para entender melhor. artigos. Existem incisos independentes e incisos dependentes. os contratos. mas basta lembrar que as leis. estando mais intimamente relacionada entre si do que com as demais frases do texto. 554 . Artigo 11 – (…) Por ser um documento. como. O artigo é o inciso mais importante em um documento e possui uma única numeração em todo o documento. os convênios e outros documentos possuem títulos. e que esses são incisos. Já o artigo é empregado nos demais documentos. entre outros. veja no nosso Exemplo Teórico de um Regulamento como é a numeração de cada artigo – mesmo mudando para um novo título ou subtítulo. regulamentos. regimentos. estatutos. a numeração dos artigos é contínua. para ter acesso ao interior das instalações onde ocorrerá a competição. Vamos começar conhecendo os elementos que constituem um regulamento. Existe um inciso que é sinônimo de artigo: a cláusula. o que chamamos ordenação do regulamento. Um regulamento é composto por diversos incisos. ■■ é uma unidade de texto que separa os conteúdos de um documento e cuja função é indicar o desenvolvimento de uma ideia.

3 etc. III etc. II. 11. Subtítulo e Seção são numerados em algarismos romanos maiúsculos: I. que é representado por números arábicos: 1. 2º. Quando o parágrafo for apenas um. B.....). (b) Letra. C etc.. São os seguintes: (a) Alínea. para existirem no documento. não obedecem qualquer hierarquia ou dependência. (d) Número. b. 2. etc. Então. c etc. passam a ser algarismos arábicos cardinais (10.1.. apresentar uma relação de itens sobre o evento e outras situações que não poderiam ser citadas diretamente em um artigo ou parágrafo. São eles: Subtítulo Seção Parágrafo só existirá se no documento tiver o inciso só existirá se no documento tiver o inciso só existirá se no documento tiver o inciso Título Capítulo Artigo Os incisos independentes são aqueles que são colocados no documento para relacionar tarefas. 555 .2 Forma de Representação Gráfica dos Incisos Existe uma forma de representação gráfica dos incisos que deve ser respeitada nos documentos.9º). Capítulo. que é representado por algarismos romanos maiúsculos: I.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 4 I O REGULAMENTO DE UMA COMPETIÇÃO Os incisos dependentes são aqueles que. A partir da dezena. deve ser escrito por extenso: Parágrafo Único. indicar etapas a serem seguidas. que é representada por letras minúsculas: a. que é representada por letras maiúsculas: A. (c) Item.. Por isso. 4. Título. II etc. dependem da existência de outro hierarquicamente superior a ele. quantos desses incisos estão presentes no nosso Exemplo Teórico de um Regulamento? Retorne e confira. Artigo e Parágrafo são numerados em algarismos arábicos ordinais até o 9º (Exemplo: 1º.

(b) definirem deveres e direitos. utilizase Título e Subtítulo e nos demais documentos usa-se Capítulo e Seção.1. pois ajudam os organizadores a: (a) não se esquecerem de providências a serem tomadas. 556 . é importante ressaltar que os regulamentos são essenciais na preparação e na realização do evento.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 4 I O REGULAMENTO DE UMA COMPETIÇÃO Quando for mais de um parágrafo no mesmo artigo. A numeração será reiniciada a cada novo inciso hierarquicamente inferior. Para ser simples. Pode surgir a dúvida: quando se deve usar Título e Subtítulo ou Capítulo e Seção? Normalmente. Capítulo. Mas é somente uma indicação e não uma obrigatoriedade. § 11). Como uma redação clara. clara e objetiva. Subtítulo e Seção são denominados de grandes incisos do documento e devem ser centralizados e escritos em letras destacadas (tamanho maior e em negrito). o texto deve tratar nitidamente daquilo a que se propõe regular. o regulamento deve possuir termos comuns. usase o símbolo § seguido da numeração (Exemplos: § 2º. (d) determinarem recompensas e punições. em documentos mais extensos e relevantes. não sendo tratados elementos supérfluos ao tema abordado. 4. que possui uma única numeração em todo o documento. A redação objetiva é caracterizada pela abrangência apenas dos assuntos indispensáveis. mas que não sejam vulgares. A única exceção se dá com o artigo. Título. (c) delimitarem requisitos. 4. da linguagem cotidiana. de maneira plenamente compreensível pelo leitor.3 Formas de Redação de um Regulamento Um regulamento deve ser redigido de maneira simples. atravessando os títulos e os capítulos existentes. (e) definirem o sistema de disputa ou apresentação.1.4 Relevância do Regulamento Por fim.

Hora de praticar Com base em seus estudos. a fim de cumpri-lo de maneira correta. 557 . regimento e regulamento? Quando utilizamos cada um desses documentos? • Como deve ser redigido um regulamento? • Qual a importância de um regulamento em um evento? Envie sua resposta para o seu tutor e para o fórum indicado na plataforma. (i) entre outras diversas contribuições. (h) formalizarem o aspecto legal que permeia o evento que será realizado. ■■ orientar a Comissão Técnica sobre pontos que podem ser favoráveis ou desfavoráveis. ■■ participar do Congresso Técnico e opinar de maneira a manter a competição com o maior nível de justiça. de maneira a poder debater o tema com os colegas. ■■ tomar providências para a utilização correta das normas previstas no regulamento. ■■ orientar os atletas e prepará-los para conhecerem bem o regulamento. Procedimentos do técnico ao participar de qualquer competição ■■ conhecer o regulamento da competição. (g) indicarem providências no caso de incidentes e acidentes.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 4 I O REGULAMENTO DE UMA COMPETIÇÃO (f) apresentarem os organizadores. responda: • Quais as diferenças entre estatuto. os patrocinadores e os participantes.

ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 4 I O REGULAMENTO DE UMA COMPETIÇÃO O estatuto é o documento mais importante de uma entidade. O regulamento é documento primordial em eventos. O regimento é um conjunto de normas que organizam e disciplinam o funcionamento de uma entidade. O regulamento é um documento criado especificamente para atender determinado evento e é o documento utilizado em competições esportivas. 558 .

imagine aqueles que gostaria de organizar e mergulhe. 559 .ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 5 A Organização de Eventos Não Esportivos Você estudou. ■■ sugerir e discutir os eventos mais adequados à sua instituição. no conhecimento sobre esse tipo de evento. lembre-se dos eventos dos quais tenha participado. Então. Lembre-se de que a organização de eventos não é uma tarefa solitária – é fruto do trabalho de equipe! OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. como organizar eventos esportivos. mas não pode perder de vista que o profissional de Educação Física também deve estar preparado para organizar eventos não esportivos. a seguir. na unidade anterior. esperamos que você seja capaz de: ■■ descrever as características principais de cada tipo de evento apresentado.

seminário. E uma reunião é um acontecimento que proporciona o encontro de diversas pessoas. Também tem sido mecanismos eficientes de avaliação e validação de teses.1 Organização de Eventos Não Esportivos Para ampliar os conhecimentos em nossa área. ciclo de palestras. que atingem uma maior quantidade de pessoas. logo de início. num determinado local (adaptado de FERREIRA. ou eventos. Organizar esses eventos que não são esportivos. relato de experiência.1. mesa-redonda. Essas grandes reuniões. entre as quais podem ser destacadas: congresso. assembleia. simpósio. são importantes. por exemplo. aperfeiçoamento ou capacitação do participante. estudo de caso. nós o denominarmos de assembleia. Existem diversas formas de organização de reuniões. pois. encontro.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 5 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS NÃO ESPORTIVOS 5. realizamos periodicamente reuniões mais abrangentes. mas requerem. 5. 560 . De maneira geral. conferência.1 Os Tipos de Evento que Podem Ser Organizados Vamos começar a estudar o assunto de maneira bem simples: um evento nada mais é do que uma reunião que adquire maiores proporções e gera grande mobilização das pessoas. painel. e convidamos especialistas para qualificar os participantes. se ao realizarmos um seminário. brainstorming. que tenham uma denominação correta. pode-se afirmar que as reuniões estão voltadas para a aquisição de novas informações. mas que são do ambiente da Educação Física exige conhecimentos administrativos essenciais para o sucesso da atividade que será desenvolvida. atualização. estaremos passando a impressão de que não possuímos conhecimento sobre a atividade que realizamos. 2004). fórum. convenção.

congressos de professores de Educação Física que atuam na Educação Básica. nacionais ou internacionais. com o objetivo de debater assuntos importantes de um determinado segmento profissional. podendo ser científico. De acordo com a sua abrangência. Por exemplo. mas o importante é que você possa ter uma referência que permita a definição correta sobre a atividade a ser realizada. 2. pois se observa. ou atender a mais de um deles.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 5 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS NÃO ESPORTIVOS A definição sobre a forma de reunião a ser adotada dependerá da identificação precisa sobre o tipo de conhecimento que o evento pretende divulgar. sempre que for realizar um evento e tiver de definir sobre o nome relativo ao tipo de reunião. comissões. 1987). união: 3. estaduais. Muitos deles possuem uma descrição bastante próxima de outros. cursos. Assim. São reuniões promovidas por entidades associativas.1. (MIYAMOTO. ao longo do tempo. Ligação. 561 . simpósio. conferência. Isso é importante.2 Os Eventos sob a Forma de Reunião A seguir vamos estudar as características dos principais eventos que podem ser realizados. que muitos eventos têm recebido um nome apenas por uma definição casual adotada pelos organizadores e não pelo tipo de reunião que efetivamente irá ocorrer. etc. tais como mesa-redonda. painéis. técnico e popular. a) Congresso É uma reunião para discussão de assuntos de importância (FERREIRA 2004): 1. realize uma avaliação sobre as diversas possibilidades apresentadas neste texto. 5. regionais. Assembleia de delegados para discutirem assuntos de importância. realizado pela Associação de Professores de determinada cidade. Reunião. encontro. os congressos podem ser locais. ajuntamento. tema livre. conferência. Nos congressos podem ser desenvolvidas diversas outras formas de atividades.

um encontro. Se aprovada. Para Miyamoto (1987). Ao final. os congressos são realizados para se tratar de assuntos técnicos ou científicos. curso. um ajuste. Pode ser. em que todos os congressistas participam da mesma maneira. de associações. a recomendação será encaminhada à sociedade em geral ou a autoridades daquela área e se constituirá no pronunciamento oficial daquela classe profissional. que definem comissões ou grupos de trabalho e realizam a discussão de temas pertinentes. podendo ter: mesa-redonda. O outro é o tema livre. será realizada votação visando à aprovação. mesa demonstrativa. Esse tipo de evento possui dois temas. ou até mesmo de ambos. onde se delibera sobre determinados assuntos. colóquio. um acordo. uma reunião ou uma assembleia de indivíduos ou representações de classe. Um é o tema oficial. painel. sessão de tema livre. Às vezes é utilizada como sinônimo de conferência. Após debate. 2004). b) Convenção É. de acordo com as peculiaridades que possuem. convenção é definida como atividades de determinados grupos. simpósio. No sentido político. Por exemplo. é a assembleia partidária em que se escolhem candidatos e adotam plataformas e regras do partido (FERREIRA. um fato. isoladamente. segundo Ferreira (2004). Os congressos técnicos são promovidos por entidades profissionais. promovidas por entidades empresariais. com a presença de todos os congressistas. um pacto ou uma determinação sobre um assunto. mesa clínica. um convênio. conferência. de congresso. Os congressos científicos são promovidos por entidades científicas e possuem em sua programação diversas formas de trabalho.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 5 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS NÃO ESPORTIVOS Normalmente. também. uma associação 562 . no qual alguns congressistas realizam apresentações para os demais participantes. as recomendações extraídas do trabalho inicial serão apresentadas a uma sessão plenária.

A dinâmica é composta por três momentos: 1. d) Mesa-Redonda É uma reunião de pessoas que possuem níveis semelhantes de conhecimento.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 5 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS NÃO ESPORTIVOS de profissionais de academia de atividades físicas pode promover uma convenção para lançar uma nova modalidade de ginástica. Em seguida. os expositores da mesa-redonda apresentam os seus pontos de vista em torno do tema escolhido. orientando a discussão. pode haver um debate entre os expositores e a participação dos presentes na 563 . 2004). FERREIRA. 1987. com as recomendações provenientes do debate. O objetivo é promover a integração de uma organização. 3. 2. para que ela se mantenha sempre em torno do tema principal (MIYAMOTO. De maneira geral. que funciona como elemento moderador. c) Seminário É a reunião de um grupo de estudos em que se debate a matéria exposta por cada um dos participantes (MIYAMOTO. Fase de exposição: quando ocorre um relato sobre a pesquisa realizada por um participante capacitado para tanto. 1987. de maneira que os seus componentes incorporem uma atitude favorável aos interesses da instituição. Também pode ser uma convenção destinada a comemorações ou a congraçamento de determinado grupo. dentro de um tempo definido. Consiste numa exposição oral para participantes que possuam algum conhecimento prévio do assunto a ser debatido. FERREIRA. Fase de discussão: quando o relato é debatido. 2004). Fase de conclusão: quando o relato é submetido à aprovação. que expõem e debatem sobre determinado assunto. a comemorações ou a fim de ano. É preparada e conduzida por um coordenador.

cada expositor realiza uma apresentação de aspectos diferentes ou especiais de determinados assuntos ou problemas. e cada apresentador emite as respostas ao público. O fórum busca promover debate e repercussão acerca de determinadas 564 . Cabe à plateia – que participa ativamente do evento – realizar perguntas. No painel. de um coordenador e de um moderador. uma forma de reunião menos técnica. No simpósio. técnicos. também. artistas. sem que caiba qualquer intervenção da plateia. outro tipo de reunião derivado da mesa-redonda. também. que possui a participação de renomados especialistas e por ser de alto nível. g) Fórum É uma reunião que tem por finalidade a realização de debates (FERREIRA. para a consecução dos objetivos do evento. escritores. O papel do moderador é fundamental para a condução dos trabalhos. para discutir determinado(s) tema(s) (FERREIRA. Para Miyamoto (1987). Tem por objetivo conseguir efetiva participação de um público numeroso. Difere da mesa-redonda por não haver debate entre os expositores a respeito do assunto. e) Simpósio É uma reunião de cientistas. 2004). É uma forma de evento destinada a estudar problemas complexos. com a presença de um presidente. 2004). sendo. f) Painel É. O painel é limitado a um pequeno número de especialistas e poderá contar. o simpósio é uma forma de evento derivada da mesa-redonda. que deve ser motivado. assim. os expositores debatem o assunto em pauta entre si.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 5 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS NÃO ESPORTIVOS forma de perguntas.

O expositor. j) Jornada É uma reunião de grupo profissional realizada periodicamente. durante determinado tempo. é selecionada previamente e preparada para participar da série de reuniões que objetivam alcançar determinado fim. discorre sobre um tema de sua especialidade.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 5 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS NÃO ESPORTIVOS questões e causas. científico e outros (FERREIRA. principalmente as de cunho social. que conhece o assunto. denominado conferencista. 2004). tratando-se de reunião de grupo de uma determinada região em épocas intencionalmente não coincidentes com a de congressos. constituindose de uma série de palestras proferidas por professores e especialistas no tema escolhido. A plateia. estimular a participação. orientará o comportamento do grupo. 565 . h) Conferência É uma reunião pública sobre assunto literário. responde a questões elaboradas por escrito pela plateia e dirigidas à mesa. Segundo Miyamoto (1987). com o objetivo de discutir um ou mais assuntos que não são usualmente objetivo de discussão em congressos. antecipadamente selecionado. i) Ciclo de Palestras É um tipo de reunião derivado da conferência. Em seguida. que deve possuir um moderador. promover e controlar o debate e apresentar uma conclusão que. depois de aprovada. A conferência destina-se a um público que possua conhecimentos sobre o assunto tratado. Pode ser considerada uma versão reduzida de um congresso. Deve ter um coordenador para levantar o problema. a conferência é o tipo de reunião pública mais conhecida para discussão de assuntos técnicos ou científicos e consiste sempre de duas partes: o auditório e o expositor.

As conclusões submetidas à votação são transformadas em recomendações da Assembleia. O grupo irá decidir.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 5 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS NÃO ESPORTIVOS k) Assembleia É uma reunião de numerosas pessoas para determinado fim deliberativo (FERREIRA. o que favorece o surgimento de novas ideias e de melhora nas ideias existentes. países. classes ou de determinadas regiões. a solução mais compatível. l) Estudo de caso É uma forma de reunião na qual um tema específico – denominado caso – é relatado ao grupo por um dos participantes e. Participam delegações representantes de grupos. Os participantes podem emitir ideias livremente. m) Encontro Reunião de uma dada categoria para discussão ou apresentação de trabalhos daquela área. compostos por pessoas altamente qualificadas no assunto. 2004). os participantes estudam a solução mais adequada. em seguida. quando as ideias são submetidas a uma triagem e a um consequente exame crítico sobre a viabilidade de execução de cada uma. que é livre de críticas e censura. e uma etapa avaliativa. n) Brainstorming Consiste numa reunião caracterizada pela estimulação dos participantes para a produção de ideias que possam solucionar problemas apresentados. É um evento típico de pequenos grupos. após análise crítica. estados. o que pode propiciar o surgimento de soluções criativas e inovadoras. 566 . O Brainstorming possui uma etapa criativa. Tem como característica principal colocar em debate assuntos de grande interesse de grupos.

567 . 6 ed. com o objetivo de se chegar a uma conclusão (adaptado de FERREIRA. alegandose razões pró ou contra. 2004). Os quadros a seguir representam uma exposição gráfica das características da maioria dos eventos apresentados nesta unidade.12 . Você pode organizar um evento que possua somente uma forma de reunião ou pode realizar um evento que possua várias formas de reunião. r) Palestra Exposição sobre determinado tema.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 5 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS NÃO ESPORTIVOS o) Relato de Experiência É uma apresentação de vivências que permitiram o acúmulo de conhecimentos que podem ser úteis a pessoas ligadas ao assunto. p) Colóquio É uma reunião caracterizada pelo diálogo entre duas ou mais pessoas. São Paulo: Pioneira. Massahiro. Edusp (Novos Umbrais). 1987. São Paulo: Positivo Informática. q) Debate Reunião em que ocorre a troca de ideias. NOTA: esta etapa baseia-se nas importantes contribuições contidas na obra de MIYAMOTO. convenção. Miniaurélio Eletrônico versão 5. seminário e outros. Aurélio Buarque de Holanda. Administração de congressos científicos e técnicos ‒ assembleia.Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa. painel. e também nos conceitos apresentados por FERREIRA. 2004.

Características de cada Tipo de Evento Aberta Debate de Aberta (de.Assunto Assunto Assunto de tema aprebatedores e público bre tema co especí. contradição Discussão ------- Debate.Aberta ao Debate sopara públi. controvérsia Encontro Reunião . assembleia. congresso Debate ------- Troca de ideias. conferência. conferência Convenção Reunião Encontro.científico técnico suntos em geral específico importância sentado por público) em geral já definido fico alguém X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Literário X Acordo Político X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X É subevento de Relacionado com Fechada (somente debatedores) Assembleia Reunião Deliberação Conferência Reunião Convenção Congresso Reunião Encontro. assembleia.568 Quadro 1 .Assunto Assunto Outros as.

acontecimento.científico técnico suntos em geral específico importância sentado por público) em geral já definido fico alguém X X X X X X X X X X X X X X Fórum Reunião Debate Mesa-redon. agrupamento Seminário Congresso Grupo de estudos Simpósio Reunião 569 .Quadro 1 .Assunto Assunto Assunto de tema aprebatedores e público bre tema co especí. discussão Reunião ------- Encontro.Reunião da Palestra ------- Conferência.Assunto Assunto Outros as.Características de cada Tipo de Evento (continuação) É subevento de X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Cultural Recreativo Cultural X X X X X X X X X Relacionado com Fechada (somente debatedores) Aberta Debate de Aberta (de.Aberta ao Debate sopara públi.

são discus- Reunião ------- Encontro.científico técnico suntos em geral específico importância sentado por público) em geral já definido res) fico alguém Assembleia Reunião Deliberação Palestra ------- Conferência.570 X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Cultural Recreativo Literário X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Quadro 2 .Assunto Assunto Outros as.Características de cada Tipo de Evento por Grupos Semelhantes É subevento de Relacionado com Fechada Aberta Debate de Aberta (de. acontecimento.Aberta ao Debate so(somente para públi. assembleia. conferência Encontro Reunião . agrupamento Conferência Reunião Convenção Congresso Reunião Encontro.Assunto Assunto Assunto de tema aprebatedores e público bre tema debatedoco especí.

Debate de (somente para Públi.Grupo de estudos so Simpósio Reunião Fórum Reunião Debate Debate ------- Troca de ideias.Aberta ao Debate so. debatedoco especí.Características de cada tipo de evento por grupos semelhantes (coninuação) É subevento de Relacionado com Fechada Aberta Aberta (de.Quadro 2 .Reunião da Seminário Congres.Assunto Assunto Assunto de batedores e Público bre tema tema apres. assembleia.Assunto Assunto Outros as. congresso mesa redon. contradição Discussão ------- Debate.científico técnico suntos em geral específico importância público) em geral já definido por alguém res) fico X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Cultural X X Político X X X X X Acordo X X X X X X X X X X X X X X X X Convenção Reunião Encontro. conferência. controvérsia 571 .

mas converse com outras pessoas e conclua sobre qual é o mais adequado para cada uma de suas ideias de eventos. exigindo desse conhecimento e experiência. • Anote cada um deles em uma folha de papel. 572 . realize o exercício solicitado. Tente imaginar eventos que sejam possíveis de ser planejados e realizados. talvez. • Em seguida verifique em qual forma de eventos cada um deles melhor se enquadra. Praticando você vai aprender! Existem diversos tipos de eventos e cada um deles se destina a atender uma necessidade dos participantes e dos organizadores. todos os quatro possam atender à descrição de mais de uma forma de evento. Perceba que. Idealizando e definindo a forma de um evento • Pense em quatro eventos que seriam interessantes de serem realizados na escola em que você for trabalhar. postando-o depois no fórum indicado na plataforma e enviando-o ao seu tutor. Conhecer os tipos de eventos e saber definir qual se identifica com os objetivos a serem atingidos é um papel fundamental do promotor de eventos.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 5 I A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS NÃO ESPORTIVOS Hora de praticar Tendo como base o texto lido e os quadros resumo.

esperamos que você seja capaz de: ■■ identificar a gestão como um componente de atuação do professor de Educação Física. vamos trabalhar um modelo de projeto para a organização de eventos em geral – sejam eles esportivos ou não. Preste atenção ao detalhamento que o projeto exige e jamais deixe de planejar todos os passos para a realização de seu evento.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 6 O Projeto de Organização de Eventos Nesta última unidade. Esteja pronto para imprevistos e atento à experiência de outros organizadores. OBJETIVOS Após concluir o estudo desta unidade. 573 . ■■ conhecer as previsões de atuação do professor de Educação Física como gestor de eventos e a importância de se conhecer e aplicar as previsões contidas em documentos oficiais e legislação pertinente.

1 O Projeto de Organização de Eventos Organizar um evento. exige um trabalho coletivo de planejamento e execução que terá mais possibilidade de ter êxito se for respeitada uma sequência de atividades que tiver sido testada. e outras necessidades podem surgir. por mais simples que ele seja. para facilitar o trabalho do organizador. apresentaremos a seguir um modelo para a elaboração de um projeto. portanto. o que deverá exigir a inclusão de outros itens que não estão presentes no modelo. deverão ser excluídos. preenchendo todos os campos do modelo. dependendo da ideia que será desenvolvida. Optamos por trabalhar um modelo e não um exemplo. o modelo será alterado. fazendo as alterações necessárias e solicitando a contribuição de outras pessoas para melhorar esse trabalho fará com que você adquira experiência na elaboração desse tipo de projeto. O modelo indica os itens a serem preenchidos e traz uma explicação sobre o que cada um deles significa. uma vez que alguns itens podem não ter relação com o evento a ser realizado e. Vamos a nosso modelo: 574 .ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 6 I O PROJETO DE ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS 6. A partir da necessidade de um referencial que facilite o processo de criação e implantação de um evento. sejam elas esportivas ou não esportivas. o que facilitará muito quando tiver de realizá-lo na prática profissional. É importante entender que. porque o exemplo ficaria muito ligado a uma situação específica. e aqui o objetivo é oferecer informações que sejam gerais aos mais diversos tipos de atividades. Realizar exercício de simular a criação de um evento. com o intuito de oferecer a melhor opção para quem atua nesta área. É uma sugestão proveniente de muitos anos de experiência e que foi reformulada e atualizada inúmeras vezes.

endereços. mês e ano em que o projeto foi concluído. Organizadores do evento Apresentação da empresa que organizará o evento. Período Data e horário: dia 8 de julho de 2015. 575 . seguido do dia. das 16:00h às 18:00h. Importância do evento no contexto em que se insere Quais os argumentos potenciais que justificam a convicção de se realizar o evento. Relacionar as participações ilustres.Identificação e análise A quem o evento é diretamente direcionado. Finalidade A que se destina o projeto em longo prazo. Nome do Evento Promotor(a) do evento: colocar o nome do responsável pela promoção do evento. Clientela-alvo . sua experiência e sua atuação no mercado. seu endereço completo. Introdução Esclarecimento sobre o tema Sinteticamente. telefones de contato e endereços eletrônicos (do grupo de trabalho).ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 6 I O PROJETO DE ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS Modelo de Projeto de Evento (Plano de Negócio) Local e data: colocar o nome da cidade. descreve o que será o evento. identificação minuciosa com dados completos dos participantes no planejamento ‒ nomes.

e) outros locais. como. Materiais necessários para os inscritos ■■ Uniforme. c) aeroporto. c) Reunião social. d) alojamentos. 576 . ■■ Material para contatos profissionais (cartão de visita). Serviços oferecidos a) Alojamentos. e) Passeio turístico. a quem e como será distribuída a premiação. por exemplo. d) Reunião profissional. b) terminal ferroviário. Local do evento ■■ Nome do local ■■ Endereço completo ■■ Como chegar ao local do evento. de práticas realizadas). Inserir dados minuciosos. a partir de: a) terminal rodoviário.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 6 I O PROJETO DE ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS Premiação Qual. com descrição do que é oferecido e preços. b) Hotéis conveniados ou existentes próximos ao local. ■■ Máquina fotográfica (se houver necessidade de registro das atividades desenvolvidas.

e-mails e telefones de cada integrante de comissão. É importante que os chefes de cada comissão tenham relação de nomes. endereços. o que deve ser apresentado no relatório). Sugestões para as comissões a serem criadas: ■■ Transporte. permitindo um canal de comunicação desobstruído entre os planejadores. bem como elaborar uma relação de nomes. por parte de todos os envolvidos no processo de planejamento). Relato de eventos semelhantes realizados anteriormente Como referência positiva para incentivo a patrocinadores. alojamento e alimentação ■■ Serviços médicos ■■ Arbitragem ■■ Apoio ■■ Finanças ■■ Comunicação social e cerimonial ■■ Segurança ■■ Técnica ■■ Infraestrutura e equipamentos ■■ Secretaria e administração Desenvolvimento Objetivos Efeitos pretendidos diretamente com a execução do atual projeto. e-mails e telefones dos demais. tal como ele se encontra (a ideia de sua concepção.ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA UNIDADE 6 I O PROJETO DE ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS Estrutura da equipe organizadora Ao definir a estrutura. relatar eventos afins que tenham tido grande êxito. Descrição das atividades previstas Redigir o funcionamento do evento. deve-se definir o chefe de cada comissão. As ações do projeto devem conduzir para a consecução dos obje