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Poema: Reflexo no espelho Constri-se a cada dia, A fiel personalidade Do que ser outro dia.

Hoje quando no espelho A olhar-se , h de reconhecer O homem de estranho semblante, Que te fita insinuante. O corao no gela ? Ante a figura torturante De to enftico semelhante ? Deslumbra-se e perturba-se consigo, No mesmo e estranho ser, Onde habita luz e vida, E que num instante, Ver-se- : nada era... Alm de um palhao, Bobo da corte, De um reino distante, desconhecido e vazio. Quem s tu ? Pobre reflexo do que j no s, No insatisfeito desejo de conhecer-se. Mas impossvel dizer, Do impossvel ser, Que viemos a ser. Inacreditvel e desacreditado, Apenas um mortal. Na inglria iluso De responder s perguntas, Que de milnios em milnios O Homem j fez, Que decerto f em outros milnios mais. Da terra os seres, No espelho...do espelho... Desejando apenas, Perceberem-se, Nele refletido. (E. T. SILVA 07/10/1999)