P. 1
Dissertação-PBAFechine

Dissertação-PBAFechine

|Views: 906|Likes:
Publicado porpbafechine

More info:

Published by: pbafechine on Aug 21, 2009
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/11/2014

pdf

text

original

Uma propriedade fundamental de todos os dielétricos é a polarização de suas
partículas elementares, quando sujeitas à ação de um campo elétrico. Define-se por
polarização um deslocamento reversível dos centros das cargas positivas e negativas na
direção do campo elétrico externo aplicado [77].
Baseado na grandeza da constante dielétrica é possível prever o comportamento de
um material quanto a sua polarização. O mesmo é válido quanto ao fator de perdas
dielétricas, caso em que a polarização existente em um isolante traz consigo uma elevação
de temperatura do mesmo, devido à transformação de orientação dos dipolos em calor.
Os capacitores cerâmicos tais como vidros, porcelanas, óxidos e nitretos são
pertencentes à classe dos materiais conhecidos como dielétricos lineares [78]. Nestes, o
deslocamento elétrico (χ) aumenta proporcionalmente com o campo elétrico (E) [71, 78]. A
constante de proporcionalidade é definida como constante dielétrica relativa (K’). Essa
relação pode ser dada como:

E

K'

ε

E

ε

χ

o

d
0 =

=

(3.1)

onde Ed é o campo aplicado e ε0 a permissividade (constante dielétrica) do vácuo= 8,85x
10-12

F/m. O deslocamento elétrico descreve até que ponto o campo elétrico pode ser
alterado pela presença do dielétrico. A constante dielétrica, por definição, é a medida da
capacidade do material para armazenar carga em relação ao vácuo, logo é uma propriedade
intrínseca de cada material.

A partir da equação. 3.1 e da célula capacitiva ilustrada na Figura 3.3, expressões da
constante dielétrica relativa K’, carga total Q (Coulomb) e capacitância C (Farad) podem
ser desenvolvidos como se segue:

d

V
εA

Q

E

εχ

K'

0

0

=

=

(3.2)

Portanto,

CV

V

dA

K'

ε

Q

0

=

=

(3.3)

onde

19

dA

K'

ε

C

0

=

(3.4)

dA

ε

C

0

0 =

(3.5)

e

0
0 εε

CC

K' =
=

(3.6)

Nas equações acima, A representa a área do dielétrico, d sua espessura, C0 e C são a
capacitância no vácuo e no dielétrico, respectivamente. V é a voltagem impressa através do
dielétrico e ε a permissividade do material (F/m). Portanto K’ representa a razão da
permissividade ou carga armazenada no capacitor relativo ao vácuo.

Figura 3.3- Diagrama do circuito equivalente: célula capacitiva, corrente capacitiva
(IC) e de perda (IR), tangente de perda para um dielétrico típico.

20

Para o caso de V ser senoidal, a equação 3.3 pode ser escrita como

t

i
0e

CV

Q

ω

=

(3.7)

Portanto,

V

K'

C

i

CV

i

dt

dQ

I

0

ω

ω =

=

=

(3.8)

onde ω= 2πφ (φ= freqüência) e I representa o fluxo de corrente na descarga do capacitor em
um tempo t. Contudo, para um dielétrico real a corrente I possui componentes de vetor IC e
IR, como está ilustrado na Figura 3.3 para as condições de uma perda dielétrica,
representada pelo circuito análogo a uma resistência em paralelo com um capacitor. O vetor
IC representa uma corrente capacitiva proporcional ao armazenamento de carga no
capacitor. A mesma é dependente da freqüência e seu início é na voltagem de 90°. A
corrente IR é uma corrente de condução, em campo alternado, em fase com a voltagem V,
que representa a perda de energia ou energia dissipada no dielétrico. Essa condição pode
ser representada pela constante dielétrica ou permissividade complexa, em ordem para dar
com a corrente de perda, como segue:

)V
'
iK'

(K'

C

i

I

0
0 −

= ε
ω

(3.8a)

V'
K'

C

V

K'

C

i

0

0

0

0

ε

ω

ε

ω

+

=

(3.8b)

R

C

I

I +

=

(3.8c)

Pela magnitude dessas correntes o fator de dissipação (tang δ) pode ser definido como:

K''

K'

V

K'

C

V'
K'

C

II

tang

D

0

0

0

0

C

R

=

=

=

=

ε
ω ε

ω

δ

(3.9)

Esse ângulo δ é definido como segue [77]: entre as duas superfícies externas de um
isolante, a corrente que flui através do dielétrico está defasada em relação à tensão aplicada
de modo capacitivo. Estabelece-se assim, um ângulo φ, cujo cos φ representa o fator de
potência desse circuito de corrente. Esse ângulo φ será de 90°, quando o efeito capacitivo
for puro, sem perdas. Essas perdas, porém, existem e vêm caracterizadas pelo ângulo δ.
Logo, 90 - φ = δ. Assim, quanto maior a perda, menor será o efeito capacitivo.
O produto da freqüência angular (ω) pelo fator de perda relativo (K”) é igual a

condutividade elétrica (Ω-1

m-1

) em campo elétrico alternado:
σ = ωK” = ωε0K’D

(3.10)

21

Essa condutividade elétrica [7] é somada a todos os efeitos dissipativos e pode ser
representada, na realidade, como uma condutividade ôhmica causada pela migração de
portadores de carga. Os mesmos são referentes à energia de perda, que está associada à
dependência da freqüência (dispersão) de K’, como no caso do atrito que acompanha a
orientação dos dipolos.

22

4. PROCEDIEMNTO EXPERIMENTAL

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->