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Planos de aula

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES

Planos de aula

As sugestões abaixo encontram-se no livro didático Palavra Chama Palavra, de autoria de Roberto Magalhães e Clodoaldo M Cardoso, da Editora do Brasil. DEBATE - Nas atividades de debate, alguns procedimentos contribuem para que o objetivo seja atingido: 1- delimitar claramente o assunto em discussão; 2- garantir democraticamente , com regras preestabelecidas a igualdade de participação dos alunos; 3- evidenciar aos alunos a relatividade das opiniões e a possibilidade de ocorrências de outros entendimentos. Agindo dessa forma, o professor estará estimulando a manifestação dos mais diferentes pontos de vista. 4- Evitar sempre que o resultado do debate seja traduzido em termos de vencedores e vencidos, absolutizando assim um determinado ponto de vista que se elege como único e verdadeiro. REDAÇÃO - A atividade de redação é proposta para capacitar o aluno a produzir eficientemente textos diversificados. Fator fundamental nessa atividade é o de se evitar que as atividades de redação seja produzidas fora de um contexto motivador, quer pela ausência de uma finalidade concreta, quer pela ausência de destinatários demarcados. Quando isso acontece, o objetivo redacional acaba reduzindo-se apenas à correção avaliativa do professor, perdendo-se o seu real sentido de interlocução. Os procedimentos que poderão enriquecer as atividades redacionais são: 1- reescrever ou parafrasear textos lidos ; 2- transformar um gênero em outro: notícia de jornal em conto, texto poético em crônica; 3- organizar coletivamente enredos possíveis para uma determinada situação problemática. CRIATIVIDADE - A língua não é apenas um veículo de comunicação, de informação, mas um instrumento lúdico motivador da fruição do prazer estético. Essa atividade objetiva dar ao aluno oportunidades de agir criativamente sobre a própria língua, explorando-a na sua dimensão estética. Nessa prática o aluno , cada vez mais, sensibiliza-se a perceber o rítmo, os sons e as imagens inusitadas da linguagem criativa para produzir outros textos do gênero. GRAMÁTICA - As atividades gramaticais da Língua Portuguesa devem ser epilingüísticas , ou seja, a reflexão voltada para o uso da língua em situações de produção e interpretação textual e as atividades metalingüísticas, a análise voltada para a descrição , categorização e sistematização dos elementos lingüísticos. ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO - o processo de avaliação é o recurso integrador entre aprendizagem e ensino. Envolve um conjunto de ações que visam produzir o ajuste do aluno no processo pedagógico. É através da avaliação que o professor percebe os acertos e as deficiências de sua atividade docente; ao aluno permite a consciência de seus avanços e dificuldades.

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A avaliação, como é notória, é um processo constante, já que toda a atividade produzida em sala de aula deve ser valorizada segundo seus objetivos. Por isso, as chamadas provas ou avaliações formais, que sempre mereceram atenção especial na tradição de nossas escolas, devem figurar apenas como um instrumento dentre outros do processo avaliatório. Na prática avaliativa, o professor estará sempre objetivando conhecer o desenvolvimento do aluno nas habilidades de uso da língua, através dos procedimentos: ler, ouvir, escrever e falar. ( Roberto Magalhães - Palavra chama palavra – Editora do Brasil S/A) Texto para análise: MAMÃE ( Ricardo Azevedo ) Não me conformo nem vou me conformar com essa viagem sem sentido. Sinceramente, largar a casa, a família, sair por aí a troco de nada, não dá pra entender. Acho um desperdício, um dinheirão jogado fora. Mamãe, será que você não perceber que é loucura ? Não tem cabimento. E se você passar mal? E se cair e quebrar a bacia? Como vai ser? Quem vai socorrer ? O Araújo ? Um sujeito que vive no meio de cobras e vacas? Lamento a hora em que este elemento apareceu em sua vida. Para mim , não passa de um espertalhão ou então de um doido varrido. Não quero interferir em nada. Como você mesmo fez questão de esfregar na minha cara é dona do seu nariz e faz o que bem entender. Se quiser a minha opinião, a opinião de seu filho único que tanto lhe quer, acho que deveria largar esse aventureiro e voltar pra casa imediatamente. Já pensou na vizinhança ? N dona Otília, no doutor Ruy, na dona Olguinha ? O que eles vão pensar de você passeando por aí, ninguém sabe onde, com esse fulaninho ? Mamãe, peço que pense, pese bem as coisas, veja os prós e os contras e volte o quanto antes. André. Tabu ...5....... Esta atividade se baseia num jogo muito apreciado pelos alunos nas aulas de inglês. Ela desenvolve a rapidez de raciocínio, o vocabulário, a criatividade, a expressão oral e a capacidade de se fazer entender em situações adversas. É uma ótima opção de atividade para os finais de aula. 1. Com antecedência, prepare cartões com uma palavra principal (em cor diferenciada) e outras quatro que se relacionem a ela. _Ex: Aeroporto: Avião, viagem, passageiro, mala. Banana: fruta, macaco, bananeira, fruto. Camelo: deserto, Saara, dromedário, animal. 2. Em aula, separe a tutma em dois grupos. Cada grupo deverá escc.;. um representante, que pegará um cartão e tentará descrever a palavra princ..; sem mencionar as demais palavras do cartão, ou seja, as palavras tabu. ::::. também não poderá fazer gestos ou imitar sons não-verbais (a voz de um mx:. co, por exemplo). Se conseguir que o grupo descubra o substantivo dentro:. prazo estipulado (entre 30 e 60 segundos, contados no relógio), o aluno roquistará o cartão para o grupo; se não conseguir, terá de passar a vez ao rep= sentante do outro grupo, que pegará um novo cartão. Vencerá o

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grupo c:r_ alternando os seus representantes a cada rodada, conquistar um maior núm::de cartões. Português como recurso O português sempre foi malvisto -- quando não inteiramente banido -- das aulas de língua estrangeira, apesar de já se ter passado por incontáveis modismos pedagógicos desde os tempos em que se batia nos alunos com palmatória. Muitos de nós, professores, fomos obrigados a fazer malabarismos gestuais para que o alunos entendessem, depois de cinco minutos de mímica, o que lhes poderia ser explicado com uma ou duas palavras na língua materna. Usar ou não a língua materna nas nossas aulas, entretanto, não se restringe apenas à questão da comunicação com nossos alunos. Vários tipos de material em português, que a maioria dos professores jamais cogitou em usar, podem enriquecer nosso trabalho ao servir de "ponte" para o desenvolvimento de habilidades na LE. Parte deste capítulo se destina a apresentar algumas possibilidades de utilização desse material abundante e subaproveitado. Tal e qual o lixo seco, o que ontem era descartado, hoje tem o seu valor! Atividade-exemplo: A Hora da Novela Pode ser brega, inverossímil, chatinha, fraquinha, enrolada, água-com-açúcar ou até ridícula, mas na hora da novela uma grande fatia da população -- e dos nossos alunos -- vai estar na frente da telinha para ver se o segredo guardado há 79 capítulos será finalmente revelado: mesmo quem não gosta deste tipo de programa há de concordar que as novelas são parte indissociável da nossa cultura. Quando se fala em "explorar aspectos culturais" nas aulas de idiomas, pensa-se invariavelmente em costumes e tradições dos países que falam a língua que está sendo ensinada. Por que não a nossa cultura também? Nossas lendas, nossas etnias, nossos artistas e nossas "paixões nacionais" --aí incluídas as novelas-- podem render um material enriquecedor da nossa atividade pedagógica. 1. Grave em vídeo alguns capítulos de diferentes novelas e selecione uma cena de impacto, daquelas que as pessoas perdem uma festa na sexta-feira porque não querem deixar de ver. 2. Em aula, divida os grupos de acordo com o número de personagens da cena. Se a divisão não for perfeita, ou seja, se há quatro personagens na cena e vinte e sete alunos em aula -- o que daria seis grupos de quatro e um de três alunos -- proponha uma cena alternativa com menos personagens, a aglutinação de dois personagens num só, ou ainda, se possível, permita que um mesmo aluno faça dois papéis. 3. A atividade pode ser precedida por uma breve conversa na LE sobre quem vê a novela, o que acham dela ou de determinados atores e atrizes que nela atuam. A seguir, mostre a cena escolhida e depois explique que os alunos terão de, nos grupos, reproduzir o mais fielmente possível a cena apresentada usando a LE.

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4. Dê algum tempo para que os componentes do grupo se organizem e escolham seus papéis, e depois volte a apresentar a mesma cena, alertando para que prestem atenção aos detalhes. (Se os diálogos forem um pouco longos, distribua uma transcrição do texto a fim de ajudar os alunos a reproduzirem-no melhor.) 5. Se houver a possibilidade de os alunos trabalharem fora da sala de aula, permita que eles elaborem os diálogos e ensaiem a cena ao ar livre ou numa área da escola onde não prejudiquem, com o "barulho da criação", os demais alunos. O sucesso do trabalho docente, assim como de um casamento, requer uma quebra da rotina, às vezes. Mas lembre-se de estipular um prazo determinado para o término da tarefa (no mínimo meia hora), e agende para a próxima aula a apresentação das cenas, para que todos tenham tempo de estudar as suas falas.

Livro de contos de fadas Redação

Texto traduzido e adaptado do site americano AskERIC (http://www.askeric.org)

5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental

5 a 7 aulas de 50 minutos

Com esta atividade você poderá trabalhar todos os ingredientes necessários para uma boa composição (criatividade, imaginação, linguagem escrita, seqüência, coesão textual, personagens) e ao mesmo tempo ensinar seus alunos a utilizar os recursos do computador para finalizar seus textos. Os alunos vão estudar os elementos que compõem os contos de fadas e vão criar suas próprias histórias ilustradas com desenhos próprios.

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O que se quer com essa atividade é que os alunos saibam identificar os elementos de um conto de fadas e que escrevam de forma criativa as suas próprias histórias e saibam como ilustrá-las. Além disso, para os que puderem utilizar computadores, o objetivo é que saibam digitar, editar e imprimir seus trabalhos.

livro de histórias infantis, gibis, papel sulfite, lápis, lápis de cor, giz de cera, tinta guache e, se possível, um computador, um scanner, uma impressora e um software de edição de texto tipo Word.

1a aula: em círculo para a leitura das histórias 2a e 3a aulas: em duplas (embora cada aluno crie sua própria história, o processo de criação poderá se dar em dupla) 4a e 5a aula: trabalho individual ou em dupla (um dita o texto e o outro digita, depois trocam). Propicie a troca de idéias inventivas e a circulação pela classe. 6a aula: trabalho individual. 7a aula: alunos em círculo.

1a aula Leve para a classe alguns livros de histórias infantis e gibis. Mostre as figuras para os alunos, leia os títulos das histórias, aguçando a curiosidade. Depois de estimular a imaginação de seus alunos, leia pausadamente alguns contos de fadas. Não se esqueça de dar seu toque especial à leitura. A seguir, levante com os alunos o que mais chamou a atenção na história e quais os personagens de que mais gostaram. Solicite que justifiquem suas respostas. Depois, comente sobre as características dos personagens (físicas, emocionais e morais), do ambiente e dos demais componentes de um conto de fadas. 2a aula e 3a aulas Solicite aos alunos que criem um conto de fadas com heróis e vilões. Ensine-os a criar heróis e vilões, com traços de personalidade bem marcados. Peça que inventem nomes criativos para identificar os personagens. Depois, que desenhem os personagens de suas histórias, colocando os nomes ao lado das figuras. Solicite aos alunos que digitem suas histórias no computador, e se for possível, reproduza os desenhos no computador utilizando um scanner. Se não puder, depois dos textos editados e impressos devolva-os para que os alunos ilustrem suas histórias à mão. Durante a digitação dos textos, não se esqueça de orientar os alunos a deixar um espaço livre para as ilustrações à mão. Cada aluno deverá imprimir a sua história. 6a aula Peça que transformem a história escrita em história em quadrinhos. Tire cópias de todas os trabalhos, faça uma única edição e distribua para todos os alunos da classe.

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7a aula Estimule os alunos a ler suas histórias para os colegas da classe e para as outras turmas da escola. Os livros poderão ser levados para casa ou deixados na biblioteca da escola. OBSERVAÇÃO Você poderá pedir ajuda aos pais e a outros professores da escola para colaborar com você no laboratório de informática, orientando e acompanhando o processo de digitação dos alunos.

Depois do livro elaborado, sugira aos alunos que observem os programas infantis na televisão e tentem identificar possíveis semelhanças com os personagens e as histórias criadas. Solicite também que as crianças os relacionem com a vida real. Como são as pessoas, como se expressam, que características de heróis ou vilões têm. Aproveite o momento para falar de filmes como os da série Guerra nas Estrelas ou Jornada nas Estrelas

O(A) professor(a) de Artes poderá ajudar na composição gráfica dos personagens, na escolha das cores, e nas representações das expressões faciais de cada personagem.

Plano de aula

Não basta ler as falas. É preciso dominar o contexto para compreender plenamente um texto de teatro ou uma entrevista

Priscila Ramalho Ilustrações Alessandra Kalko

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extos em forma de diálogo costumam atrair o leitor iniciante. Por dois motivos: porque em geral são mais leves e porque a conversação é uma das práticas mais comuns no dia-a-dia. As pessoas se cumprimentam, dão orientação, argumentam, expressam idéias e opiniões... "Pelo que dizemos é possível identificar crenças, valores e posições ideológicas", explica a consultora Maria José Nóbrega. Na literatura não é muito diferente. As declarações dos personagens complementam, esclarecem, trazem informações novas e importantes que se juntam ao que é relatado pelo narrador. "Essa pluralidade de vozes abre espaço para a polêmica." O problema é que muitas vezes o aluno aborda o diálogo de forma ingênua. Ele tende a se fixar no conteúdo das falas e não percebe que o modo como são enunciadas também revela muito. As expressões usadas, o vocabulário, a estrutura sintática, o trecho em que foram encaixadas — num texto bem elaborado, nada está ali à toa. É exatamente nesse "conteúdo oculto" que você deve focar seu trabalho. Parta do pressuposto de que o autor se preocupou com cada detalhe durante a construção das conversações. E que, portanto, existem, escondidas nas entrelinhas, informações riquíssimas. É preciso inferi-las por meio de uma análise cuidadosa. Outra dificuldade dos jovens, segundo Maria José, é perceber as relações entre o trecho dialogado e o restante do texto. Para ajudá-los a integrar as partes, chame a atenção para as técnicas usadas pelo autor. Conheça alguns mecanismos usados na redação de uma entrevista e de uma peça de teatro, dois gêneros em que há o predomínio do diálogo, e confira dois planos de aula para trabalhar esse conteúdo com turmas de 5ª a 8ª série.

A leitura do teatro Os diálogos teatrais são os que mais bem imitam as situações reais. Neles os personagens conversam entre si para dar ao espectador a sensação de estar dentro da cena. Na peça de teatro não existe a figura do narrador, apenas os diálogos e as rubricas — que orientam o leitor ou o diretor sobre a montagem da cena, o figurino usado pelos personagens e a entonação da voz, por exemplo. A maneira como as coisas são ditas permite ao leitor fazer inferências sobre as características de cada personagem e compreender os conflitos da trama. Veja, abaixo, um trecho extraído da peça O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues. Nele não são as palavras em si, mas a estrutura das frases, as observações das rubricas e a 7

pontuação que revelam a insegurança do personagem. "Explicar o processo de construção de uma peça de teatro, o que são as rubricas e como são divididas as cenas também facilita muito a leitura", afirma o professor Alexandre Mate, mestre em teatro pela Universidade de São Paulo. CUNHA (rápido e incisivo) — Gosta de sua mulher, rapaz? (Arandir, por um momento, acompanha o movimento do fotógrafo que se prepara para bater uma nova fotografia) ARANDIR — Naturalmente! CUNHA (com agressividade policial) — E não usa nada no dedo por quê? ARANDIR (atarantado) — Um dia, no banheiro, caiu. Caiu a aliança. No ralo do banheiro. AMADO — Casado há quanto tempo? ARANDIR — Eu? CUNHA — Gosta de mulher, rapaz? ARANDIR (desesperado) — Quase um ano! Plano de aula Quando trabalhar a leitura de peças de teatro em sala de aula, procure levar os estudantes a enxergar além do conteúdo explícito no texto. Sugira que os jovens descrevam os traços que caracterizam os personagens que participam da ação. É preciso chamar a atenção para a relação entre essas características e o modo como eles se expressam e para as alterações no discurso quando conversam uns com os outros. Num segundo momento, peça à turma que transforme alguns contos e crônicas em peças teatrais. O exercício permite adquirir maior clareza da história e dominar os mecanismos usados no processo de construção desse gênero. Escolha um autor. Convide os alunos a selecionar um conto ou uma crônica desse escritor para transformar em peça de teatro. Repare que para encontrar o melhor texto eles vão precisar ler muito. Selecione algumas peças de teatro e leve para a classe. Esses textos são essenciais para a turma ter como parâmetro. Todos devem ler vários deles para se apropriar das características específicas do gênero. Solicite que os estudantes passem a obra selecionada para a forma dramática. O trabalho inclui a elaboração dos diálogos e a redação de várias rubricas com as indicações sobre os cenários, as movimentações, a entonação da voz dos diferentes personagens... Para finalizar a tarefa, convide os estudantes a ensaiar a leitura dramática. Se houver possibilidade, o melhor é montar o espetáculo e apresentá-lo às demais turmas.

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A edição da entrevista As entrevistas que aparecem nos jornais e nas revistas não são uma mera reprodução do depoimento da personalidade enfocada. Nem sempre as respostas são apresentadas na ordem como foram ditas e, às vezes, trazem até termos que não foram usados pelo entrevistado. As declarações são reorganizadas, cortadas e alteradas pelo jornalista de acordo com seus objetivos: ilustrar uma afirmação, endossar uma tese, apontar uma contradição... Esse processo chama-se edição. Compreendê-lo é fundamental para uma leitura crítica. Veja a transcrição de parte de uma conversa em que a psicóloga Terezinha Nunes dava ao editor Ricardo Falzetta um exemplo de proporção. O texto tem trechos típicos da oralidade que precisam ser suprimidos: "...Então se você diz assim: uma manga custa 1 real e 10. Tá muito cara essa manga? Não sei quanto custa uma manga. Uma manga, vamos dizer, custa 90 centavos. Isso já é uma relação entre duas variáveis: a quantidade de mangas e o preço." Na entrevista publicada em nossa edição de abril, a resposta ficou mais curta, clara, lógica e formal: "Quando dizemos que uma manga custa 1,10 real, temos uma relação entre duas variáveis, a quantidade de mangas e o preço." Um pouco de história Os primeiros e mais conhecidos diálogos são atribuídos ao filósofo grego Platão (429347). Apesar de ter aprendido a importância da conversação com Sócrates, de quem era discípulo, foi Platão o primeiro a adotar esse método para escrever textos filosóficos. As idéias têm de ser deduzidas com base no que dizem os personagens criados por ele. O personagem principal dos primeiros diálogos de sua autoria é Sócrates. Foi a forma encontrada por Platão para eternizar as idéias do mestre, que não deixou nada escrito. À medida que vai amadurecendo as próprias concepções, no entanto, ele passa a criar personagens para exprimi-las. Eles discutem assuntos complexos como a natureza humana, a virtude, a sabedoria, a justiça e, principalmente, a política — seu tema preferido. Os diálogos, enriquecidos com exemplos da vida cotidiana, contribuíram para que as idéias platônicas atingissem mais facilmente o grande público. Veja o trecho abaixo, extraído de O Banquete, em que os personagens Sócrates e Diotima discutem sobre o amor: — Que seria então o amor, ó Diotima? Um mortal?

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— Como nos casos anteriores, algo entre mortal e imortal. — O que, então, ó Diotima? — Um grande gênio, ó Sócrates. E, com efeito, tudo o que é gênio está entre um deus e um mortal. — E com que poder? — O de interpretar e transmitir aos deuses o que vem dos homens, e aos homens o que vem dos deuses, de um as súplicas e os sacrifícios, e dos outros as ordens e recompensas pelos sacrifícios; e como está no meio de ambos ele os completa, de modo que o todo fica ligado todo ele a si mesmo. Plano de aula Para transformar entrevistas gravadas em textos editados, a turma necessita se empenhar na compreensão do que foi dito. Só assim poderá apresentar ao leitor uma versão fiel das idéias relatadas. Proponha que a classe, tal qual os jornalistas, entreviste pessoas sobre algum assunto que esteja sendo estudado. Depois peça a transcrição exata e uma edição do depoimento, como se fosse para publicação em um jornal ou uma revista, seguindo estes passos: cortar passagens repetitivas ou palavras e expressões que funcionam bem oralmente, mas que, em geral, são desnecessárias na escrita; acrescentar informações que não tenham sido ditas, por serem facilmente subentendidas, mas que precisam aparecer na versão escrita; substituir termos vagos por palavras ou expressões mais específicas; inverter expressões para deixar as idéias mais claras; dividir o texto em parágrafos e frases, empregando a pontuação adequada e usando as letras maiúsculas de modo correto. Para entender a linguagem dos Quadrinhos Introdução: Nos quadrinhos, há uma interação muito forte entre as linguagens verbal e não-verbal. Imagens e palavras se sobrepõe para, juntas, darem sentido ao texto. Falar em leitura de quadrinhos, portanto, é conferir um sentido mais amplo a esse termo, que inclui

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elementos como a forma e o tamanho das letras, a expressão dos personagens e o contorno dos balões. Todos eles são informações importantes para ler e compreender a fala do personagem. Se as palavras estão dentro de uma nuvem, por exemplo, o leitor sabe que se trata de um pensamento. Se foram escritas com letras maiúsculas, significa que estão sendo gritadas. Veja, no exemplo abaixo, como as diferentes “caras e bocas” do personagem criam sentidos totalmente diversos a uma mesma fala: Objetivos: Neste exercício, você os alunos devem adaptar episódios narrados em um conto para quadrinhos, e vice-versa. Ao final da aula, eles devem perceber a função das imagens e as representações gráficas na significação do texto e, com isso, entender melhor a linguagem dos quadrinhos. Atividade: • Escolha um conto e peça que a turma adapte a história para os quadrinhos. Perceba que muitas das informações tornam-se desnecessárias, pois já estão dadas pelas imagens e pelos recursos gráficos. • Depois, experimente fazer o inverso: transforme quadrinhos em contos. Sem o apoio das imagens, os alunos serão obrigados a construir verbalmente o cenário e a descrever a forma como as frases são ditas. Quer saber mais? Quadrinhos e Arte Seqüencial, Will Eisner, 154 págs., Ed. Martins Fontes, tel. (0_ _11) 3241-3677, 42,50 reai

Produção de um ensaio a partir de uma análise do conto TCHAU de Lígia Bojunga Nunes. SÉRIES PREVISTAS: 7ª E 8ª AULAS PREVISTAS: 14 horas de aula (mais ou menos) . PESQUISA E DADOS SOBRE O PERFIL DO ALUNO NESSA FAIXA ETÁRIA: · capacidade para leitura de textos mais extensos e complexos; · habilidade para fazer uma leitura mais crítica; · leitor mais amadurecido;

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· condições de inferir o conteúdo simbólico de uma obra, transpondo-a para o contexto sócio-cultural; · abre espaço para uma postura mais pessoal diante dos fatos narrados; · a realização de debate torna-se importante nessa fase, pois o confronto entre os diferentes sentidos atribuídos à obra pelos leitores conduz à construção coletiva do significado; · o aluno já está em condições de confrontar sua posição com a do autor, professor e próprios colegas. TIPOS DE TEXTOS A SEREM TRABALHADOS NESSA FASE: · aventuras mais intelectualizadas; · narrativas de viagens; · conflitos psicológicos; · conflitos sociais; · crônicas e contos.

PROPOSTA 1- MOTIVAÇÃO OU ESTÍMULO PARA A RECEPÇÃO DO TEXTO: * Passar para os alunos o filme Uma babá quase perfeita . * Resumo do filme: Após o divórcio, o ex- marido, tido como um irresponsável pela ex-esposa, é impedido pelo juiz de passar mais tempo com os filhos. Daniel Hillard não é um pai comum, ao saber que a ex-mulher procura uma governanta e babá para seus filhos, ele se apresenta para o emprego. Com uma peruca perfeita, um pouco de maquiagem e um vestido comportadíssimo, ele se torna uma devotada babá inglesa que é contratada de imediato. O pai, a partir disso, através de situações hilariantes e muito comoventes, constrói uma nova vida para sua família. 2- DEBATE EM SALA DE AULA A PARTIR DE ALGUMAS QUESTÕES PERTINENTES AO FILME: Levantar questões ( orais ) do tipo: · O que motivou a separação do casal? · Por que, ao conceder o divórcio, o juiz determinou que o pai só poderia ver as crianças aos sábados? · Qual foi a reação dos filhos ao saberem disso? · A mãe julgava o ex-marido um sujeito um tanto irresponsável. Por que ela pensava dessa forma? · Como vocês vêem o personagem Daniel Hillard como pai? Era um bom pai? Como era seu relacionamento com os filhos?

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· Ao saber que ex-esposa estava a procura de uma babá e governanta, que fez o pai das crianças? · Que confusões a nova babá aprontou no decorrer da história? · Que transformações começaram a ocorrer na vida do pai a partir do momento que começa a trabalhar como babá de seus próprios filhos? · Que transformações ocorreram na vida das crianças e da ex-esposa? · É comum um tipo de atitude como essa em que o pai se fantasia de mulher e vai trabalhar de babá na casa da ex-mulher para ficar mais perto dos filhos? Que você pensa sobre isso? · Quando a mãe das crianças descobriu quem era a verdadeira babá que atitude resolveu tomar? · Como ficaram as crianças após a atitude tomada pela mãe? · De que modo se reverteu essa situação? 3- LEITURA INDIVIDUAL DO CONTO *RESUMO DA HISTÓRIA: Uma mulher ( a mãe) decide separar-se do marido e dos filhos para ir embora do país com o homem por quem havia se apaixonado. A filha mais velha, Rebeca, tenta fazê-la desistir. Nesse conto, a criança é a protagonista da história. É através da visão de Rebeca, a filha, que o leitor toma conhecimento do sofrimento do casal cuja relação foi se desgastando com o tempo. Ela é testemunha da fraqueza da mãe diante dessa nova forma de amor que a domina por completo e da fraqueza do pai que busca o esquecimento do problema na bebida. Não há no conto, uma prepotência do adulto sobre a criança. Ao contrário, eles parecem buscar na filha o apoio de que precisam. E, embora um tanto triste, a história traz um certo humor no final do conto quando a mãe está indo embora e Rebeca puxa a mala impedindo-a de sair: Rebeca aproveitou para se agarrar na mala de um jeito que pra mãe levantar a mala ia ter que levantar a Rebeca também E outra vez a buzina tocou. A mãe abriu o olho ( parecia que a tonteira tinha passado), disse: - Tchau. - E saiu correndo. O Pai volta tarde e encontra um bilhete no travesseiro: Querido pai Não deu para eu cumprir a promessa, a mãe foi mesmo embora. Mas a mala dela ficou. E eu acho que assim, sem mala, sem roupa pra tocar, sem escova de dente nem nada, não vai dar para a mãe ficar muito tempo sem voltar. Não sei. Vamos ver. Eu arrastei a mala e escondi ela debaixo da sua cama, viu? Um beijo da

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Rebeca. 4- ANÁLISE ORAL DO CONTO: · Quem eram os personagens do texto? · Por que motivo a mãe resolveu ir embora do país com outro homem e deixar os filhos com o marido? · Qual foi a reação de Rebeca ao saber que a mãe ia separar-se de seu pai? · Como era o pai de Rebeca em relação à esposa e os filhos? · Como reagiu o pai ao saber que a esposa iria embora? · Que tipo de amor a mãe sentia pelo outro homem? · Assim que a buzina do táxi tocou, a mãe correu para pegar a mala, que atitude tomou Rebeca diante dessa situação? · Quem era a protagonista da história? · Sob que ponto de vista narrativo é contada a história? Quem é que o autor privilegia? · Qual é a linguagem adotada pela narradora? · Qual é o momento de maior tensão ( clímax ) dentro da história? · Como se resolveu o conflito? · Que relação poderíamos estabelecer entre o filme visto e o conto lido? · Que semelhanças poderíamos estabelecer entre os sentimentos das crianças no filme ao saber da separação dos pais e o sentimento de Rebeca ao saber que a mãe iria embora de casa e morar em outro país? · Como era o pai no filme? Atuante, participativo? Como era o pai no conto? · Como era a mãe no filme? Muito ocupada, independente , atuante na criação dos filhos? E a mãe dentro do conto? · Que outras semelhanças e/ou diferenças poderíamos estabelecer entre o conto e o filme? 5- ATIVIDADE EXTRA-CLASSE- Entrevista O professor pediria ao aluno que assumisse a condição de repórter e entrevistasse algumas pessoas ou colegas de sua idade sobre como encarariam ou encaram (se porventura já passaram por essa experiência ) a situação de separação dos pais. Após a entrevista (que seria feita fora da sala de aula) , os alunos relatariam as diversas opiniões recolhidas ao grande grupo e comentariam com a classe. 6- ATIVIDADES ESCRITAS · Em grupo - Elaboração de argumentos que justificariam a atitude tomada pela mãe no filme e a atitude tomada pela mãe no conto TCHAU; · Em grupo - Criação de um novo final para o conto a partir do clímax da narrativa, juntamente com a justificativa de seu final; Após, os novos finais criados pelos alunos seriam expostos em um mural dentro da sala de aula. · Individual - Recriação da história narrada pelo ponto de vista da mãe ou do pai

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(narrador em 1ª pessoa do singular); - Leitura oral das histórias criadas; · Individual - Produção de um texto (ensaio ) em que o aluno faria uma análise escrita do conto de uma forma bem livre e criativa, fazendo uma reflexão pessoal e muito subjetiva sobre o texto lido. Obs: Seria previamente explicado ao aluno em que se constitui uma análise subjetiva (ensaio) de um texto. OBJETIVOS · Criar receptividade para a leitura do texto; · Desenvolvimento do gosto pela leitura, levando o aluno a fazer dela uma forma habitual de lazer; · Ampliação do universo vivencial do aluno; · Internalização de novos recursos de expressão lingüística; · Identificação e relação de personagens principais e secundárias, bem como suas idéias, atitudes e reações; · Compreensão e interpretação das mensagens do texto, posicionando-se como indivíduo; · Oportunizar o aluno a expressar suas idéias próprias em público, auxiliando a desinibição e a autoconfiança; · Vivenciar a linguagem oral e gestual; · Desenvolvimento de hábitos como: ouvir com atenção e respeitar opiniões alheias. · Desenvolvimento da capacidade de observar, imaginar e criar, expressando por escrito suas idéias e pontos de vista. · Expressar suas mensagens pessoais, refletindo personalidade, nível de reflexão e clareza de pensamento. AVALIAÇÃO · Observação do professor no interesse e aplicação dos alunos; · Comentários da classe; · Verificação de leitura; · Realização de diversas atividades orais e escritas a partir da leitura do texto; · Auto-avaliação. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA: NUNES, Lygia Bojunga. Tchau. Rio de Janeiro: Agir, 1985. COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria - análise - didática. São Paulo: s.ed.,1991. SANDRONI, Laura. De Lobato a Bojunga : as reinações renovadas. Rio de Janeiro:

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Agir,1987.

Os grandes textos da escrita universal permitem ao leitor descobrir mais sobre a alma, o mundo e os recursos estilísticosda língua

Roberta Bencini Gloria Aragão/Fotos divulgação ó as obras bem escritas passam para a posteridade, tornam-se fonte de conhecimento — e não apenas de entretenimento — e, enfim, podem ser chamadas de clássicos. Seus autores são verdadeiros artistas. Eles conseguem organizar bem seus pensamentos, esculpem a língua com cuidado e estilo e põem em foco os principais conflitos da existência humana. Assim, ao experimentar as emoções de diversos personagens consagrados, o leitor busca respostas para a própria vida, compreende melhor o mundo e se torna um escritor mais criativo. "Já que não podemos entrar em uma máquina do tempo e conhecer o cotidiano da Grécia Antiga ou a realidade do século 18, ler é a melhor maneira de nos transportar para outros universos, tempos e espaços", diz a escritora Ana Maria Machado. "Todo leitor é, quando está lendo, um leitor de si mesmo", disse Marcel Proust (1871-1922), um dos maiores escritores franceses, autor da obra-prima Em Busca do Tempo Perdido. Isso acontece quando os personagens retratados servem de inspiração e reflexão para leitores de qualquer época e lugar. E como trabalhar com esses livros? Em que fase os estudantes estão preparados para esse tipo de leitura? É um equívoco explorar apenas títulos que o grau de autonomia da turma permite compreender sem dificuldade. Um projeto de leitura comprometido com a formação de leitores apresenta, além de títulos que podem ser lidos com fluência, uma cuidadosa seleção que rompa com seu universo de expectativas. Um clássico pode ser retomado em diferentes etapas do processo de aprendizagem. Quanto mais velhos forem os alunos, maior o aprofundamento da análise da obra. As adaptações literárias Uma das estratégias para aproximar os estudantes desse tipo de literatura é a leitura de adaptações. Nem todos os especialistas recomendam sua utilização, já que a obra é modificada no tamanho e nos recursos lingüísticos. Muitas vezes apenas o enredo

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permanece. A consultora Maria José Nóbrega defende a utilização dessas publicações, apesar de reconhecer que elas mutilam o texto. "É uma forma de se aproximar da obra, do enredo e da mensagem que o autor quis passar. Mas nenhum professor deve se contentar apenas com isso." Considere também as adaptações de obras literárias produzidas para cinema, teatro e TV como atalhos de acesso ao original. Você já reparou como elas despertam a curiosidade pelo livro? Em qualquer caso, os alunos precisam ter contato com o texto original, nem que seja apenas com trechos. Sugira um exercício de comparação. Peça a eles que confrontem passagens importantes de uma obra original e da adaptada. Veja no exemplo abaixo como um trecho de Alice no País das Maravilhas é resumido na adaptação e como a linguagem fica mais coloquial. Tradução do original "Isso nada tinha de extraordinário; nem Alice achou muito fora do normal ouvir o Coelho dizer consigo mesmo — Meu Deus, Meu Deus! Vou chegar atrasado! Quando o Coelho tirou um relógio do bolso do colete, olhou-o e saiu apressado. Alice se levantou, porque pelo espírito correu-lhe que antes nunca vira um coelho de colete nem de relógio no bolso, e ardendo de curiosidade saiu pelo campo atrás dele..." Oliveira Ribeiro Netto, do original de Lewis Carroll / Ed. do Brasil, s/data, pág. 9, cap. 1 / Na Toca do Coelho Adaptação Alice não estranhou muito, mas se impressionou bastante quando o coelho, ofegante, tirou do bolso um relógio e olhou a hora, espantado. "Que coelho mais engraçado! De relógio, é demais!", Alice pensou, e correu atrás. Nílson José Machado / Ed. Scipione, 2002, pág. 4, cap. 1 / A Queda na Toca do Coelho Branco Escolha a adaptação Verifique quem é o adaptador. Há diversos escritores de renome que se dedicam ou se dedicaram a esse trabalho, como Ana Maria Machado, Carlos Heitor Cony, Clarice Lispector, Monteiro Lobato, Orígenes Lessa e Tatiana Belinky. Leia cada linha do livro e compare com o original se o adaptador não for conhecido. Confira se ele foi fiel ao enredo da história, no caso de prosa. Não há como justificar uma edição de Chapeuzinho Vermelho em que o lobo não devora a vovó. Observe se foram preservados recursos estilísticos, como metáforas e ironias. Não faz sentido, por exemplo, ler Honoré de Balzac, famoso escritor francês do século 19, na linguagem coloquial. Veja se o texto tem fluência e se é bem escrito. Há adaptações que parecem resumo de

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novela. Como são muito fragmentadas, acabam não envolvendo o leitor. Baseie-se nas listas de livros recomendados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e nos indicados de alguns prêmios de literatura nacional, como o Jabuti. Na sala de aula O tema e os recursos de linguagem empregados em uma obra clássica podem determinar a maior ou menor dificuldade de leitura. A familiaridade que o leitor tem com o assunto de um livro pode ser um atrativo. Veja o exemplo: A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, escrito em 1843, trata das aventuras amorosas de um grupo de amigos de férias em Paquetá, no Rio de Janeiro. Apesar de a linguagem ser do século retrasado, o tema não o é. Ainda hoje, amores, desejos e viagens são assuntos que interessam aos jovens. Pergunte à turma como eram os namoros 150 anos atrás. Quais os assuntos tratados em uma roda de amigos na faixa dos 20 anos? Fique atento. Apesar de o tema ser familiar, outros pontos da trama podem não fazer parte do repertório da classe, como o papel do homem e da mulher na sociedade da época, a economia, a política e a cultura locais. Nesse caso, trabalhe em conjunto com professores de História e Geografia. Analise a maneira como a história foi escrita, se há um narrador, se o autor utiliza metáforas e ironias. Muitas vezes a criança ainda desconhece o valor desses recursos. Veja também se as palavras empregadas fazem parte do universo da turma. Muitas delas podem ser desconhecidas, pois o livro foi escrito há bastante tempo. Esses pontos são os principais obstáculos da leitura. "O melhor de um livro é a maneira como a história é contada. Caso contrário, não haveria diferença entre a história de amor de uma telenovela, como Mulheres Apaixonadas, da Rede Globo, e Romeu e Julieta, de William Shakespeare", explica Ana Maria Machado. Entrevista [Ana Maria Machado] Ricardo Beliel Ela é uma das mais importantes escritoras do país. Já publicou 110 livros, a maioria para crianças, e no ano passado lançou mais um: Como e Por Que Ler os Clássicos Universais Desde Cedo. Também já foi professora e conhece bem as necessidades e dificuldades ao trabalhar com os textos universais. Qual o primeiro passo que um professor sem intimidade com os clássicos deve dar? Ao se propor a trabalhar com literatura, é fundamental que ele conheça essas obras. Deve ao menos ter lido uns três títulos na vida. Caso contrário, é como ensinar a nadar sem nunca ter entrado na água.

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Como deve ser a mediação entre o aluno e as histórias universais? O professor deve demonstrar paixão pela leitura. Se ele gosta de ler, deve ser deslumbrado. Pode, por exemplo, chegar à sala de aula dizendo: "Olhem, existe no mundo uma coisa maravilhosa, que são as histórias. Mas é difícil descobrir sozinho o quanto é bom conhecer esses textos. Por isso, quero compartilhar com vocês um deles, que fala sobre um menino que não podia crescer, o Peter Pan". Ensinar a ler clássicos é uma iniciação afetiva. Que pecados não podem ser cometidos em uma atividade de leitura? Primeiro, obrigar a criança ou o jovem a ler. A leitura deve ser encarada como uma paixão, e isso não acontece durante uma tarefa obrigatória. Segundo, avaliar a leitura por meio de perguntas óbvias, cujas respostas podem ser encontradas em qualquer resumo. A avaliação deve verificar se o estudante teve contato com o texto indicado e dar espaço para ele dizer se gostou ou não. Por isso uma boa prova pode ser feita com consulta.

Os imperdíveis, segundo a escritora Para leitores de 1ª a 4ª série Qualquer livro de Monteiro Lobato, Contos dos Irmãos Grimm (Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida e outros), Peter Pan, de James Mattew Barrie, As Aventuras do Ursinho Puff, de A. A. Milne, e Odisséia, de Homero. Divulgação

Para leitores de 5ª a 8ª série Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, O Rei Artur e a Távola Redonda, de autor desconhecido, Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, Robin Hood, de Neil Philip, e Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes. Um ótimo trampolim Desde que foi lançada, em 2000, a série Harry Potter, da escocesa J.K. Rowling, já vendeu mais de 50 milhões de livros. Por que tanta gente se inebria com as histórias do garotinho órfão que vira aprendiz de feiticeiro? Alguns críticos atribuem o sucesso ao marketing. Outros afirmam que os livros são bem escritos. Nelly Novaes Coelho, professora da Universidade de São Paulo, afirma que Harry Potter tem tudo para se tornar um clássico. "A autora explora o enigma, o mistério e a magia, elementos que nos levam para fora do espaço da lógica." Para ela, os recursos estilísticos também são bem utilizados. "A leitura é ágil como um videogame, por isso prende o leitor." Divulgação

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A consultora Maria José Nóbrega sugere que esses livros sejam trabalhados a partir da 5a série como trampolim para leituras mais complexas. Escolha títulos que tenham pontos em comum com a trama, como Oliver Twist, de Charles Dickens, e O Rei Arthur e a Távola Redonda, de autor desconhecido.

Disciplina: INGLÊS Professora: SILVANA MANTELATTO Classe: 7ª SÉRIE 1) A mensagem “o mundo em miniatura” fez comparações que mostraram a enorme desigualdade existente no mundo. Citem as que chamaram mais atenção. 2) Na opinião do grupo, o que causou esta desigualdade? 3) O clip de Louis Armstrong mostra que apesar de todos os problemas, vivemos num mundo maravilhoso. Citem trechos em inglês da música “What a wonderful world” que comprovam a opinião do cantor. Expliquem, usando suas próprias palavras, o que ele quis transmitir. Qual é sua mensagem de otimismo? 4) Suponhamos que o grupo fosse hoje candidato a governar o planeta. Seu objetivo é mostrar às pessoas que vale a pena viver e que o mundo é realmente maravilhoso. Como políticos, vocês têm que preparar uma campanha. Baseados nas mensagens vistas, e seguindo as sugestões que se seguem, coloquem em prática suas idéias: — Entrem no site do Educacional, Eleições 2002, onde vocês terão uma idéia de como organizar a campanha. Neste projeto vocês poderão navegar e coletar informações importantes que demonstrarão como vocês podem divulgar suas idéias e convencer seus eleitores. — Ao organizar a campanha, lembrem-se de se inspirar na mensagem da música “What a wonderful world” , que estará sendo apresentada no local onde serão expostas as várias campanhas. A mensagem da música é clara: “Que mundo maravilhoso”. — Cada equipe deverá buscar formas artísticas para expor suas idéias, sendo que a exposição será aberta ao público e este é que elegerá o melhor grupo candidato a governar o planeta. — As frases criadas ou plagiadas para a campanha, deverão ser escritas em inglês, mantendo-se assim o ambiente sugerido pelo fundo musical já citado. — A eleição acontecerá no último dia da fecicuca, sendo que antes do termino do evento será divulgado o resultado da eleição.

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— A campanha para a eleição poderá se estender às outras dependências do colégio, nos locais onde estiver acontecendo a fecicuca. Haverá também espaço para a equipe que queira discursar ou fazer qualquer outro pronunciamento em prol da campanha. — Enfim, o grupo deve entrar em clima de campanha eleitoral e buscando formas de conquistar o voto do eleitor.

Observações: — As equipes deverão apresentar as frases e mensagens escritas até o dia 22/08 para que possam ser feitas as correções necessárias antes da exposição. — O projeto será considerado instrumento de avaliação, sendo que o resultado desta será somado `as demais provas e atividades. — Além da apresentação visual (artística), a equipe deverá apresentar o plano de campanha (diretrizes e objetivos) por escrito, sendo que este poderá ser redigido em português. BOA CAMPANHA!

Ensine a estabelecer inferência e previsão, estratégias que ajudam a entender melhor um texto

Roberta Bencini prender a ler é não só uma das maiores experiências da vida escolar. É uma vivência única para todo ser humano. Ao dominar a leitura abrimos a possibilidade de adquirir conhecimentos, desenvolver raciocínios, participar ativamente da vida social, alargar a visão de mundo, do outro e de si mesmo, como disse Carlos Drummond de Andrade no poema Infância. "E eu não sabia que minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé." Faz mais de 500 anos que o gráfico alemão Johannes Guttenberg inventou a prensa manual e deu início a uma das maiores revoluções da humanidade, o acesso em massa à leitura. Ele criou a técnica da impressão provavelmente em 1453, mas só completou seu primeiro livro, a Bíblia, em 1455. No entanto, até hoje ler é um problema para muitas pessoas. Cabe à escola, em meio a tantas mudanças tecnológicas e sociais, estimular a leitura, melhorar as estratégias, principalmente de compreensão (um dos principais problemas de

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aprendizagem, segundo os exames de avaliação nacionais e internacionais) e oferecer muitos e variados textos. Dos caminhos a seguir, dois favorecem a intimidade dos alunos com o texto: ensinar a estabelecer previsão e inferência, estratégias que são invocadas na prática da leitura, logo no primeiro contato com o texto, e que devem ser "provocadas" conscientemente pelo professor na prática de leitura. Se usadas com clareza, previsão e inferência exigem que o leitor acione conhecimentos prévios, como idéias, hipóteses, visão de mundo e de linguagem sobre o assunto. "A leitura é uma atividade de procura do passado de lembranças e conhecimentos do leitor. O que orienta o ato de ler é a direção, a elaboração do pensamento e sua imagem de mundo", diz Ângela Kleiman, professora do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas. Ler é interagir O ato de ler não se dá linearmente, como um processo contínuo, tranqüilo e sem interrupções. Ao contrário. É uma operação mental complexa marcada por tensões, porque envolve ativamente a pessoa. "Ler não é fácil, exige esforço mental e físico. E, como tudo que dá trabalho, muitas vezes tendemos a abandonar", explica Heloísa Cerri Ramos, consultora de Língua Portuguesa. "Por isso, o esforço dos professores deve ser incansável." Quem lê está em contato com quem escreveu o texto, com as idéias de uma ou de várias pessoas. E recorre às próprias idéias para conferir o que conhece sobre um assunto, para criticar ou concordar com o autor. Portanto, a leitura só desperta interesse quando interage com o leitor, quando faz sentido e traz conceitos que se articulam com as informações que já se tem. Na sala de aula Uma atividade de leitura deve ser bem planejada. O professor deve pesquisar textos e se preocupar em: Ter um objetivo bem definido para desenvolver com os estudantes. Escolher textos à altura do repertório dos alunos para que o diálogo com a leitura seja produtivo, mas também outros de leitura complexa, que mediados pelo professor permitam tornar o diálogo possível. Ativar o conhecimento prévio dos alunos, ensinando a fazer perguntas sobre o texto, para aumentar as inferências necessárias para atingir seu objetivo. Fazer hipóteses e previsões sobre o texto a ser lido. E ensinar a estabelecer previsões, baseando-se no gênero, no título, no subtítulo, nas ilustrações etc. Favorecer a participação do aluno por meio de perguntas e situações em que ele tenha de fazer uso de estratégias que lhe facilitem a compreensão do texto. Articular diferentes situações de leitura — silenciosa, coletiva, oral, individual e compartilhada — e encontrar os textos mais adequados para alcançar os objetivos. Estimular a turma a sempre trocar idéias e discutir o que foi lido. Propor trabalhos em que os alunos precisem ler para seguir instruções, revisar a própria

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escrita, praticar a leitura em voz alta e memorizar. Fonte: Heloisa Cerri Ramos, professora e consultora de Língua Portuguesa Os especialistas falam Louise Chin "Que ninguém se iluda: só a leitura intensa permite conhecer os múltiplos recursos da língua e usá-los com eficiência, sem a decoreba gramatiqueira" Marcos Bagno, escritor, tradutor e professor de Lingüística da Universidade de Brasília Gustavo Lourenção Ezequiel Theodoro da Silva, professor da Universidade do Contestado, SC, e da Universidade Estadual de Campinas, SP

"Ler em si não é viver. Ler é conseguir o devido combustível de idéias para viver em sociedade. E essa conquista passa necessariamente pela objetividade do ensino e pela qualidade da escola. Isso não é uma inferência, mas um fato real ou, no mínimo, uma previsão mais do que acertada"

Gustavo Lourenção Maria José "O domínio das estratégias de leitura decorre de uma Nóbrega, mestra prática viva do ato de ler, de um lado vivenciando os em Língua diferentes modos de ler existentes nas práticas Portuguesa e sociais; de outro, respondendo aos diferentes assessora em propósitos de quem lê" programas de desenvolvimento profissional Dialogar com o texto Durante a leitura, captamos informações pela aparência (tamanho do texto ou livro), a existência ou não de fotos e ilustrações, o tamanho e sua disposição no papel. Sem falar, é claro, no título do texto e no que já sabemos sobre o autor. É o primeiro contato que faz o leitor imaginar o assunto. Quer um exemplo prático? Leia o texto abaixo: "A liberação de neurotransmissores é um processo probabilístico. Tal liberação, chamada de exocitose, ocorreria com uma probabilidade relativamente baixa. De cada

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cinco impulsos nervosos chegando à vesícula sináptica de células piramidais do neocórtex, apenas um liberaria o neurotransmissor". Deu para entender alguma coisa? Quem não conhece neurociência dificilmente vai se interessar pelo assunto, porque não conseguirá estabelecer um diálogo com o texto. Ainda assim é possível perceber algumas características: não se trata de uma história, não há ação, o texto é informativo. Ou seja, nenhum texto passa em branco para quem é letrado. Isso é inferência, uma estratégia que leva em conta os elementos (sejam eles fotos, tabelas, gráficos, desenhos, a divisão dos parágrafos do texto, o significado de uma palavra) que possibilitam tirar conclusões a partir de dados avulsos e, por isso, incompletos. Quanto menos conhecimento o leitor tem de um assunto, mais ele se agarra à inferência. É fácil inferir que abaixo temos um poema, pois ele está organizado em estrofes. Veja agora como é diferente a questão do diálogo com o texto quando o texto faz parte de nosso repertório de conhecimento. O BICHO Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. O autor é Manuel Bandeira, poeta do modernismo (leia mais sobre o escritor e esse movimento artístico do século XX no quadro abaixo). Mesmo quem não conhece nada sobre ele ou o contexto em que a poesia foi produzida consegue entender a mensagem, pois o poeta utiliza ferramentas da língua para expressar sua visão de mundo. Antes de ler O Bicho, quem tem informações sobre Manuel Bandeira pode antecipar o estilo ou o tema. Ou seja, um conhecimento do assunto, do autor, antecipa a expectativa da leitura. Isso é previsão. Quanto maior o repertório de uma pessoa, quanto mais experiências de leitura tiver uma pessoa, mais previsões ela é capaz de fazer. Quanto mais sabe sobre o mundo e a linguagem, melhor ela lê. Por isso, seu papel é apresentar vários tipos de texto e imagem. Teoria Para entender o que se lê, é preciso: Conhecer a língua. Ter um objetivo. Ter experiências ou conhecimentos prévios sobre o assunto do texto.

Abaixo os puristas

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O modernismo foi um movimento literário e artístico nascido na Europa e que se espalhou por vários países do mundo. Chegou ao Brasil na década de 1910. Na literatura, teve início em 1922 com a Semana de Arte Moderna, que contou com a participação de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Graça Aranha, Guilherme de Almeida e muitos outros, no Teatro Municipal de São Paulo. Os modernistas ridicularizavam o parnasianismo, movimento artístico mais importante da época (que cultivava uma poesia de notável apuro de forma), e apresentaram uma Programa e revista renovação na linguagem e nos formatos, marcando a ruptura modernista: ruptura definitiva com a arte tradicional. O modernismo privilegiava os com o passado temas populares brasileiros, quase sempre com humor e irreverência. As regras gramaticais nem sempre eram respeitadas, sobretudo nos textos sem pontuação e nos versos descontínuos, o que era abominado pelo parnasiano Olavo Bilac. Paixão pela vida Manuel Bandeira (1886-1968) é uma das figuras mais importantes da literatura brasileira. Estreou na poesia em 1917 com o livro A Cinza das Horas e, na Semana de Arte Moderna, seu poema Os Sapos foi declamado, virando um dos marcos do movimento. Certa vez definiu sua obra como um "gosto humilde de tristeza", pois seus textos biográficos são marcados pela tragédia e a tuberculose, a melancolia e a paixão pela vida. Tratou de temas como o amor, a morte e o cotidiano, aliando freqüentemente o humor e a ironia amarga. Manuel Bandeira foi também professor de Literatura e membro da Academia Brasileira de Letras.

Ensinar ortografia é essencial desde as primeiras séries. Você só precisa saber quando e como. E conhecer bem as regras, claro Paulo Araújo, de São Bernardo do Campo (SP) e do Rio de Janeiro Fotos Gustavo Lourenção

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á vários motivos para você ensinar seus alunos a escrever de forma correta. Além de estimular o aprendizado da língua oficial do país — que todos temos a obrigação de conhecer bem —, o conhecimento das normas ortográficas ajuda a garotada a superar o medo de se expressar por escrito e, diferentemente do que muitos acreditam, não afeta em nada a criatividade. Ao contrário. No momento em que dominam as palavras com segurança, as crianças não precisam parar a toda hora para verificar a grafia e podem voltar toda a atenção para o desenvolvimento da história. E isso vale desde as primeiros anos do Ensino Fundamental. Não perca tempo! Os primeiros passos

Aluno de 1ª série de São Bernardo do Campo redige texto: é papel do professor ajudar a compreender que as regras existem e devem ser seguidas

O ensino da ortografia deve ter início assim que o estudante começa a entender o sistema de escrita alfabética — de preferência ainda na 1ª série. Isto é, quando tiver aprendido o valor sonoro das letras e já puder ler e escrever pequenos textos. Segundo o professor Artur Gomes de Morais, do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é preciso deixar bem claro para os alunos que todas as regras ortográficas são fruto de uma convenção social, de um acordo estabelecido pelos especialistas cujo objetivo é padronizar a escrita — e que, no mundo em que vivemos, quem não domina essa convenção corretamente é discriminado. "Por isso, não deixe a criança acreditar que vai aprender ‘na hora certa’. Desde os primeiros momentos é papel do professor ajudá-la a refletir sobre os erros ortográficos", afirma. "Só assim ela internaliza as regras, que, por serem aparentemente complexas, vão desafiá-la por toda a vida." Morais alerta também para o fato de que o domínio da escrita alfabética nem sempre é homogêneo em cada sala de aula e que o número de erros num texto nunca deve ser usado como parâmetro de avaliação. Durante a última década, o professor pernambucano pesquisou o tema em escolas espanholas e brasileiras sob a orientação da educadora argentina Ana Teberosky e percebeu que explorava um terreno árido em que coexistem falsas crenças, dúvidas, sentimentos de insegurança — e muito autoritarismo —, tanto por parte de quem ensina a língua escrita como de quem precisa usá-la na escola e fora dela. "Quem não cria oportunidades de reflexão sobre as dificuldades ortográficas do idioma não pode nunca exigir que o aluno escreva certo", ensina Morais em seus livros de formação.

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Refletir sobre a escrita Estudo realizado há cinco anos em Pernambuco sob a orientação da professora Lucia Lins Browne Rego e da psicóloga Lair Levi Buarque, do Departamento de Psicologia da UFPE, detectou algumas fontes de dificuldade na aprendizagem de regras ortográficas. No trabalho, 79 crianças do Ensino Fundamental de escolas públicas e particulares do Recife escreveram um ditado de palavras reais e inventadas, no meio de frases, que exigiam o uso de r, rr, ç, s e outras letras consideradas difíceis. O aluno recebia um papel com frases incompletas. Os examinadores liam cada uma, ditavam as palavras faltantes e explicavam caso a caso as irregularidades que porventura as crianças encontrassem. Quando comparadas com crianças que não tinham sido expostas a esse tipo de intervenção (escrever refletindo sobre a grafia das palavras), as pesquisadas demonstraram ampla superioridade no entendimento das regras. "O desafio maior do professor é elaborar situações didáticas que permitam à turma compreender as conexões entre a língua e a ortografia", aconselha Lucia. "Com alguma criatividade, é possível transformar esse ‘patinho feio’ que sempre foi a ortografia numa atividade prazerosa." Os especialistas falam Gilvan Barreto "A aprendizagem da ortografia não é uma tarefa simples que a criança domina com a mera exposição à língua escrita, pois nem sempre o universo de palavras a que ela tem acesso permite abstrair os princípios da norma adequadamente" Lucia Lins Browne Rego, professora de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco Jorge Bispo Artur Gomes de Morais, professor de PósGraduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco e autor de livros didáticos Edison Vara

"Assim como não se espera que um indivíduo descubra sozinho as leis de trânsito — outro tipo de convenção social —, não há por que esperar que os alunos das nossas escolas descubram sozinhos a forma correta de grafar as palavras"

"Pesquisas mostram que, no desbravamento do campo da ortografia, as crianças empregam todos os meios que estiverem ao seu alcance para

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adquirir conhecimento. O professor deve acompanhar de perto esse processo"

Paulo Francisco Slomp, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Psicogênese O professor Paulo Francisco Slomp, do Departamento de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolve desde 1996 um trabalho para averiguar se é possível falar em psicogênese (origem e evolução psíquica) da ortografia nas crianças, se existe um padrão no modo pelo qual um recém-alfabetizado encara as normas ortográficas e se há níveis de desenvolvimento cognitivo proporcionais à apropriação dessas normas. "Uma forma muito comum de enfrentar uma dúvida na hora de escrever é não solucionála, substituindo a palavra que nos é difícil por um sinônimo", exemplifica Slomp. "Com isso, o problema imediato se resolve, mas chega um momento em que essa saída não é mais possível." Ele também lembra um hábito quase natural de decidir a grafia de certas palavras apresentando duas versões (pretenciosa/pretensiosa, por exemplo) para chamar a atenção para o contraste e obter, de memória, a grafia correta. "Desconheço a origem desse método de resolução, mas acredito que ele não provém de nenhuma teoria clássica sobre o conhecimento", relativiza Slomp, levantando uma questão para ser pensada por todo professor. Teoria A convenção que unifica a escrita das palavras em Língua Portuguesa exige algum esforço para ser compreendida. Observe abaixo os casos mais freqüentes, seguidos de exemplos práticos. Regulares — São as palavras cuja grafia podemos prever e escrever, mesmo sem conhecê-las, porque existe um "princípio gerativo", regra que se aplica à maioria das palavras da nossa língua. As correspondências regulares podem ser de três tipos: Diretas — Inclui a grafia de palavras com p, b, t, d, f e v (exemplo: pato, bode ou fivela). Não há outra letra competindo com elas, mas é comum a criança ter dificuldade para usá-las por causa do pouco conhecimento da pronúncia. Contextuais — A "disputa" entre o r e o rr é o melhor exemplo desse tipo de correspondência. A grafia que devemos memorizar varia em função do som da

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letra. Por exemplo: para o som do "r forte", usamos r tanto no início da palavra (risada), como no começo de sílabas precedidas de consoante (genro). Quando o mesmo som de "r forte" aparece entre vogais, sabemos que temos que usar rr (carro, serrote). E, quando queremos registrar o outro som do r, que alguns chamam de "brando", usamos só um r, como em careca e braço. Essa variedade explica por que, a princípio, as crianças têm tanta dificuldade. Morfológico-gramaticais — Nesse caso são os aspectos ligados à categoria gramatical da palavra que estabelecem a regra com base na qual ela será escrita. Por exemplo: adjetivos que indicam o lugar onde a pessoa nasceu se escrevem com esa (francesa, portuguesa), enquanto substantivos derivados se escrevem com eza (certeza, de certo; avareza, de avaro). Na maioria dos casos essas regras envolvem morfemas (partes internas que compõem a palavra), sobretudo sufixos que indicam a família gramatical. Irregulares — Não há regras que ajudem o estudante a escrever corretamente. A única saída é memorizar a grafia ou recorrer ao dicionário. Elas se concentram principalmente na escrita: do som do s (seguro, cidade, auxílio); do som do j (girafa, jiló); do som do z (zebu, casa); do som do x (enxada, enchente); o emprego do h inicial (hora, harpa); a disputa entre e, i , o e u em sílabas átonas que não estão no final de palavras (seguro, tamborim); ditongos que têm pronúncia "reduzida" (caixa, madeira, vassoura etc.). Texto adaptado do livro Ortografia: Ensinar e Aprender, de Artur Gomes de Morais A língua é viva, muda sempre A ortografia é uma invenção mais ou menos recente. Há 300 anos, línguas como o francês e o espanhol não tinham uma ortografia. No caso da nossa língua — o português —, as normas de escrita das palavras, tanto no Brasil como em Portugal, só surgiram no século XX. E vêm sendo reformuladas de tempos em tempos. Até a reforma ortográfica de 1940, escrevíamos "pharmácia", "rhinoceronte", "encyclopédia", "architetura" etc. Em 1971 tivemos uma minirreforma que eliminou os acentos diferenciais ("tôrre" virou "torre") e graves em palavras como "sòmente" e "fàcilmente". Reprodução Abril Cultural

Anúncio publicado em 1931: repare na grafia das palavras

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telégrafo e transmitirá

Um plano de aula, passo a passo Veja aqui como uma professora de São Bernardo do Campo trabalha com sua turma de 1ª série para garantir que todas as crianças aprendam corretamente as normas ortográficas da Língua Portuguesa usando histórias que elas precisam ouvir, compreender e reescrever em sala de aula. 1. Escolha uma história com narrativa simples e de fácil memorização (fábulas, por exemplo). Peça que um aluno leia o texto em voz alta, grave a leitura numa fita cassete e, em seguida, ponha a fita para toda a turma ouvir. 2. Organize os alunos em pequenos grupos e peça que escrevam a história ouvida. Cada um escreve um trecho numa folha de rascunho e, depois, alguém (de preferência um voluntário) passa a limpo a história completa. Os outros ficam em volta, ajudando o "redator". Nessa etapa alerte para o cuidado com os parágrafos, o emprego de letras maiúsculas e minúsculas e o encaminhamento das idéias. 3. À medida que a história for sendo reescrita — e sempre que um aluno tiver dificuldade para escrever uma palavra —, incentive o uso do dicionário. O hábito dá segurança à atividade de escrever. 4. Quando surgirem dúvidas (campo é com "m" ou com "n"?), estimule e ajude a garotada a formular e redigir, em pedaços de cartolina, as regras ortográficas que estão sendo questionadas (no caso, antes de "p" e "b" só se usa "m"). Afixe os pedaços de cartolina num local visível da sala, para que sejam consultados sempre que surgirem as mesmas dúvidas. 5. Escolha uma das redações produzidas pelos grupos, apague o nome do aluno que a fez e oriente uma leitura crítica coletiva. Questione o porquê das transgressões e ajude os alunos a refletir sobre cada solução encontrada.

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Material necessário Aparelho de som Cartolina Papel almaço para rascunho Retroprojetor e algumas lâminas para transparência Testado e aprovado Este plano de aula, para 1ª série, foi aplicado pela professora Kátia Rincón Vendramini (foto 2), do Colégio Arbos, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

ÁLBUM DE FIGURINHAS- FICHA TÉCNICA

Título: Álbum de Figurinha. Ciclo: Primeiro. Áreas: Língua Portuguesa e Ciências. Temas transversais: Meio ambiente. Tempo de duração: 4 meses. Conteúdo de aprendizagem dos alunos:
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Uso da leitura para obtenção de informações em textos descritivos e em imagens (ilustrações, fotografias etc.); Uso da escrita e do desenho como recurso de sistematização e socialização dos conhecimentos adquiridos; Uso do gravador para realização e registro de entrevistas; Produção de textos, utilizando estratégias de planejamento e revisão; Uso de aspectos da diagramação e convenções gráficas dos textos; Valorização da fauna e da flora do Brasil e de outras partes do mundo.

Recursos tecnológicos: Máquina fotográfica, computador, CD-ROM e gravador.

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Produto final: Um álbum de figurinhas e/ou produtos como calendário e cartazes, contendo imagens do álbum ampliadas para distribuição no comércio local, em escolas da comunidade e/ou do Programa Escola que Vale 10 Sugestões para trabalhar com textos 1.Texto em tiras a) Selecione um texto curto e escreva-o em tiras de papel pardo -aquele bem barato que se compra em metros. Cada frase ou parte do texto deverá estar escrito em uma tira. b) Divida a turma em grupos. c) Distribua uma ou mais tiras para cada elemento do grupo -de forma desordenada- e peça para que o grupo o reconstrua no chão, de preferência no corredor ou pátio da escola. Essa atividade é sócio-interativa e promove a participação de todos na reorganização do texto. Também é uma forma de tirá-los das cadeiras e mudar o ambiente de aprendizagem. 2. Horóscopo Quem não gosta de dar uma espiadinha no seu horóscopo de vez em quando, que atire a primeira pedra. a) Selecione do jornal os horóscopos de todos os signos. Pode ser um da semana passada, ninguém vai perceber. b) Pegue o corretivo e, aleatoriamente, dê umas pinceladas nele. Cuide para que haja um apagamento em cada signo. c) Tire o xerox e dê para cada dupla recompor os textos que foram apagados. Poderá, antes, fazer um aquecimento, perguntando quem acredita em horóscopo, quando costuma lê-lo, se alguma vez já deu certo a previsão feita pelo horoscopista... 3. Anedotas Selecione algumas piadas de salão e, em duas colunas, divida as piadas ao meio: o início da piada na primeira coluna e na outra - de forma desencontrada- o final das piadas. Os alunos deverão ler e combinar os textos humorísticos. Sugestão: Convide os alunos a formarem duplas e encenarem as piadas para a turma. 4. Tiras em Quadrinhos a)Recorte algumas tiras de histórias em quadrinhos. b) Cole-as em uma folha com as partes desencontradas.

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c) Os alunos deverão lê-las e reorganizá-las de forma apropriada. 5. Outra com tiras a) Recorte novas tiras de histórias em quadrinhos e cole em uma folha, porém na ordem certa. b) Com o corretivo, apague as falas. c) Peça que os alunos completem da melhor maneira possível de forma que a história tenha coerência. Esse trabalho poderá ser feito em duplas. 6. Ache a foto da notícia a) Recorte várias notícias com fotos do jornal. Elimine as legendas. b) Separe as fotos das notícias. c) Desafie o grupo a encontrar o par (notícia + foto). 7. A Notícia Completa a) Recorte várias notícias de jornal que tenham as quatro partes fundamentais: título/manchete, lead, corpo, e foto com legenda. b)Desmembre as notícias, recortando as partes de cada uma. c) Embaralhe tudinho e peça ao grupo para reorganizá-las novamente. 8.Texto Quebra-cabeças a) Recorte alguns textos (tantos quantos forem os grupos com os quais você irá trabalhar). Os textos poderão ser coloridos para motivá-los. b)Faça marcações de forma desorganizada nos textos (tal qual nos quebra-cabeças) e recorte-os. c) Ofereça-os aos grupos para que os montem novamente. Você poderá ter em mãos algumas perguntas de interpretação para que o grupo responda, dando conta do entendimento da leitura que fizeram. Também poderá ser feita em forma de gincana: o grupo que primeiro responder corretamente a todas as perguntas será o vencedor. 9. Charges Ler charges de jornal é uma forma divertida de se manter atualizado.

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a)Recorte as charges que encontrar pelos jornais. b) Distribua-as para os grupos e peça para fazerem a leitura do momento, discutindo o acontecimento que está sendo abordado, além de tentar identificar as pessoas que estão sendo focalizadas. c) Troque com os outros grupos de forma que todos possam fazer as várias leituras. d) Compare as diferenças que forem surgindo. 10.Lendo figuras a) Selecione figuras - pode ser de jornal também- que apresentem uma situação passível de se criar um enredo. Explique que uma boa história deve, necessariamente, ter um conflito, senão não é uma história. b) Peça para que cada um faça a sua leitura do texto extra-verbal silenciosamente. c) Solicite que, nesse segundo momento, contem para o colega do lado que leitura fizeram e como resolveram o conflito que imaginaram para aquela figura . É importante que cada um fale; não ligue se gerar tumulto na aula, já que isso "faz parte", como diria o Ban-ban.

3 sugestões para trabalhar ludicamente com literatura Por Antônio Falcetta 1. Festa no Pantheon - com personagens da(s) obra(s) lida(s). Material necessário: Etiquetas auto-colantes (uma por aluno) Para que essa atividade dê certo, tente "criar o clima", lendo ou contando para os alunos a seguinte situação: Uma correspondência é colocada por baixo da sua porta. O envelope é em papel nobre e as letras são escritas em dourado no estilo gótico. Não parece ser propaganda de nada, e não é. Ao abri-la, você se depara com um convite. Você, escolhida/o como uma das trinta

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personalidades mais especiais e importantes cuja história bem que daria um livro, é convidada a um jantar no Pantheon das Personalidades da Literatura. Tudo pago! Confirme sua presença e mande dar uma guaribada naquele modelito do ano passado. Não haverá tempo para pensar em lipo. Apenas quarenta e oito horas a/o separam do evento. Após a faustosa recepção, você é introduzida/o no salão em que estão todos os convidados. Você recebe uma etiqueta na testa, anunciando seu nome. Não se assuste, o ambiente é excêntrico por natureza! Agora é só confraternizar. Instrução 1: cada participante deve escrever em uma etiqueta o nome de uma personagem da literatura (das obras analisadas). Instrução 2: na ante-sala, cada participante é etiquetado (na testa, para não ver o que está escrito, ou seja, quem é) e, então, ingressa no ambiente da confraternização. (As etiquetas podem ser preparadas pelo professor ou pelos alunos. Se feita pelo aluno, cada um a colocará em um colega, sem que este saiba o que está escrito.) Objetivo: descobrir que personagem cada um é a partir das dicas (sutis, indiretas, sugestivas) dadas pelos convivas.

2. Quem falou? Quando? a. Os grupos selecionam e escrevem, em uma folha, falas significativas de personagens de uma mesma obra, numerando-as. b. As folhas são trocadas (entre os grupos) para que sejam identificados os autores das falas e as situações (em que momento ocorrem).

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c. Correção argumentativa: folhas voltam aos grupos de origem para verificar respostas. Após verificação, os grupos podem validar, de forma oral, suas escolhas. Caberá ao grupo corretor aceitar ou não o(s) argumento(s). 3. Acontecimentos Significativos (de obra literária lida e/ou analisada) a. Organize a turma em colunas, todas com o mesmo número de participantes (mínimo seis). b. Peça à turma que indique monitores (um por coluna). c. Cada aluno deverá ter uma folha com seu nome. Irá, então, dividi-la (com linhas) em partes de número igual ao dos participantes de sua coluna. Nela irá escrever, sucintamente, um acontecimento ou episódio significativo a determinada personagem, sem nomeá-la de forma alguma (pois o sentido do jogo é descobrir de que personagem se trata). d. Concluída essa primeira etapa, cada participante entregará a sua folha ao colega da direita (mesma linha). Este deverá "ler" de que personagem trata o episódio citado pelo colega e acrescentar outro (episódio), numa das divisões da folha, sobre a personagem em questão. Identificar-se no mesmo campo e passar a folha ao colega da direita. e. Observação: naturalmente, o aluno que estiver na coluna da extrema direita passará as folhas ao colega da coluna da extrema esquerda. f. Atenção: o primeiro aluno é quem seleciona a personagem e o episódio; o segundo identifica de quem trata o texto e acrescenta informações; e assim sucessivamente. Se houver inadequação nas informações de algum dos participantes, o que norteará os demais sempre será o texto do primeiro. g. Quando a folha estiver completa, deverá ser alcançada ao monitor da linha para análise. Sugerimos que os monitores façam a apreciação das narrativas em grupo, para que possam esclarecer suas dúvidas e compartilhar as análises. h. Combine com a turma se eles preferem que haja pontuação. Se eles preferirem uma atividade competitiva, sugerimos que se façam as médias dos pontos individuais dos integrantes de cada coluna para a obtenção dos escores finais.

BRINCANDO COM PONTINHOS

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JUSTIFICATIVA - A adivinhação envolvendo “pontinhos” é uma das brincadeiras preferidas atualmente . Ex. O que é um pontinho rosa voando no céu ? É um gay-vião. O que é um pontinho azul voando no céu ? É um urublu. OBJETIVO - Fazer com que o aluno pesquise adivinhações com pontinhos e escolha algumas para fazer um texto descritivo-narrativo. COMPONENTES ENVOLVIDOS - Português Inglês e Educação Artística - opcionais a a CLASSES ENVOLVIDAS - de 3 . a 8 . MATERIAL - caderno, papel sulfite, cola, tesoura, lápis de cor. DESENVOLVIMENTO 1O professor de Português poderá pedir para o professor de Inglês ensinar ou recordar as cores em Inglês, porque algumas adivinhações com pontinhos envolvem essas palavras. Pedirá para que os alunos pesquisem todas as adivinhações possíveis com “pontinhos “ envolvendo ou não as cores em inglês e as coloquem em seu caderno. Ex. urublu. 2O professor fará um levantamento geral de todas as adivinhações, colocando na lousa apenas as palavras “adivinhadas” - Exemplo: urublu, green-nalda, gayvota. OBSERVAÇÃO - Para facilitar, o professor poderá complementar o levantamento dos alunos com o seu próprio levantamento . LEVANTAMENTO DE ADIVINHAÇÕES COM PONTINHOS: OBSERVAÇÃO - Apesar de “gay” não ser cor, a palavra está associada à cor rosa, por essa razão constar da lista. 1- O que é um pontinho cinza no meio de uma praça ? - Uma Igrayjá 2- O que é um pontinho cinza numa churrasqueira ? - Uma graylha 3- O que é um pontinho cinza cantando num mosteiro ? - É um monge entoando cantos graygorianos. 4- O que é um pontinho cinza pendurado no pescoço ? - Uma grayvata 5- O que é um pontinho cinza numa moldura ? - Uma grayvura 6- O que é um pontinho cinza fazendo estrago num arrozal ? - Uma grayúna (graúna) 7- O que é um pontinho cinza no chão depois da chuva ? - Um graynizo. 8- O que é um pontinho marrom andando com o Snoopy ? - O Charlie Brown. 9- O que é um pontinho marrom com falta de ar ? - É alguém com brownnquite. 10O que é um pontinho marrom na praia ? - Um banhista brownzeado. 11O que é um pontinho verde na cabeça de uma noiva ? - Uma green-nalda 12O que é um pontinho verde de bermudas, sapato e meia soquete ? - É um green-go. 13O que é um pontinho vermelho girando rapidamente ? - Um red-moinho. 14O que é um pontinho vermelho em cima de uma peça valiosa de um museu ? - Uma red-doma. 15O que é um pontinho vermelho em cima de um morro ? Um Cristo Red-entor

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16O que é um pontinho cor-de-rosa devorando plantações ? - Um gayfanhoto. 17O que é um pontinho cor-de-rosa olhando o céu ? - O Gaylileu Gaylilei 18O que é um pontinho cor-de-rosa em cima de um cavalo de corrida ? - Um jóquei gaylopante. 19O que é um pontinho cor-de-rosa na prateleira de um bar ? - Uma gayrrafa 20O que é um pontinho cor-de-rosa driblando todos no campo de futebol ? - O Gayrrincha. 21O que é um pontinho cor-de-rosa tomando chimarrão ? - Um gayúcho. 22O que é um pontinho cor-de-rosa voando pelo céu ? - Um gayvião. 23O que é um pontinho cor-de-rosa num manguezal ? - Um gayxinim (guaxinim) 24O que é um pontinho cor-de-rosa pulando na panela ? - Uma pinkpoka. 25O que é um pontinho cor-de-rosa com uma lata de tinta na mão ? - Um pinktor. 26O que é um pontinho cor-de-rosa cantando em cima de uma casa ? - Um pinktassilgo. 27O que é um pontinho rosa andando por uma parede ? É um pinkcel de pinktura 28O que é um pontinho preto declamando uma poesia ? - É o Bertold Blackcht 29O que é um pontinho azul voando no céu ? Um urublu 30O que é um pontinho azul voando entre as flores ? Uma bluboleta 31O que é um pontinho azul voando numa vassoura ? Uma bluxa 32O que são vários pontinhos azuis na beira de uma lagoa ? Uma plantação de blambu 33O que é um pontinho rosa ciscando ? Uma gaylinha 34O que são pontinhos rosa atrás de um outro pontinho rosa ? São os pinktinhos atrás de uma gaylinha 35O que é um pontinho vermelho pulando na floresta ? Um morangotango 36O que é um pontinho verde atrás de um pontinho amarelo ? Um Volks-vagem tentando ultrapassar um Uno Milho. 37O que é um pontinho vermelho pulando numa perna só ? Um caqui-pererê 38O que é um pontinho verde em frente de uma mansão ? Uma limão-zine. 39O que é um pontinho rosa voando sobre o mar ? Uma gayvota. 40- O que é um pontinho azul no meio do pasto ? É um bluraco de tatu. 3De todas as palavras colocadas na lousa ou apresentadas no levantamento do professor, o aluno selecionará mais ou menos dez que mais lhe agradaram, para posteriormente montar um texto com elas. Elas serão personagens desse texto. 4Em casa, os alunos pesquisarão em livros , revistas e Cdrooms , figuras ou desenhos que representem as palavras que escolheram. Por exemplo: um gavião - gayvião um urubu - urublu uma grinalda - green-nalda Se preferirem, poderão desenhar numa folha de sulfite , com o auxílio do professor de Educação Artística. OBSERVAÇÃO - O professor poderá distribuir para a classe uma folha mimeografada, escaneada , xerocopiada com ilustrações daquilo que ele levantou ou as folhas com desenhos anexas. Os alunos, se quiserem, usarão o material dessas folhas e/ou complementarão com o seu material ilustrativo . 4- No dia marcado pelo professor de Português, os alunos deverão trazer para a sala de aula todo o material ilustrativo que recolheram e colocá-lo sobre a carteira. 38

5- O professor poderá pedir para alguns alunos mostrarem para a classe as ilustrações que conseguiram . 6- Com as ilustrações sobre a carteira, o professor iniciará a fase oral da atividade. a- Fará uma exposição motivadora para despertar a criatividade do aluno. Poderá dizer, por exemplo, que numa galáxia distante existe um planeta habitado apenas por pontinhos: os pontinhos rosa são gayviões, pinktinhos, gaylinhas; os pontinhos azuis são urublus, bluboletas e assim por diante. b- Depois, pedirá para os alunos que dêem sugestões de como é a vegetação desse planeta, os animais e como todos vivem. Se quiser, poderá ir colocando as sugestões na lousa, somente a titulo de exemplificação. O aluno deverá ter total liberdade de humanizar aquilo que quiser, transformando em personagem e colocando as características que preferir. c- Explicará que nesse mundo, nem tudo é paz. Existe alguma coisa que gera um conflito. O que será ? Os alunos podem sugerir à vontade. d- Nesse mundo há também, se desejarem, um herói, que resolverá o conflito sozinho ou com a ajuda dos outros. 6- Terminada a fase oral, os alunos poderão selecionar, dentre as dez palavras que escolheram, aquelas com as quais querem trabalhar. 7- Escolhidos os personagens, o professor orientará a produção escrita: a- Os alunos deverão fazer uma introdução contando quando e onde acontece a narrativa. b- Deverão descrever os personagens da narrativa, colocando características físicas , psicológicas e ações. c- Os alunos deverão colocar um problema para que os personagens o resolvam. Pode aparecer a figura do herói. d- Fechar o texto com uma conclusão. 8O professor recolherá os textos, corrigirá e devolverá aos alunos que deverão passá-los a limpo, numa folha de papel almaço. 9Se desejarem, com as ilustrações que têm em mãos, poderão montar um livrinho. As figuras têm que estar de acordo com o seu nome: se é uma gayvota, ela deve ser cor-de-rosa. Para isso usarão pintura, colagem, ou outra técnica. AVALIAÇÃO - O professor avaliará o texto como um todo, observando a coesão, coerência, aspectos criativos e gramaticais.

EXEMPLO DE TEXTO. Na Floresta , um pontinho vermelho pulava de galho em galho. Era um morangotango muito esperto e curioso que passseava pelas árvores. Em determinado momento, ele começou a ouvir uns barulhinhos, que iam ficando mais fortes . O morangotango pendurou-se num cipó e foi até uma árvore alta para ver se conseguia saber o que seriam aqueles barulhos. E o que viu ? Uma porção de pontinhos rosa. Era um gaylinha com seus pinktinhos que procuravam um lugar para fazer um pinknique.

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- Fiquem quietinhos aqui, meus pinktinhos, que vou até ali na frente ver se tem um lugar bem legal pra gente ficar. E a gaylinha foi em direção a um riacho procurar uma sombra onde pudesse se instalar com seus filhotes. O morangotango muito curioso, aproximou-se dos pinktinhos , mas , por azar, escorregou no cipó e espatifou-se no chão. - Socorro ! Acuda ! Um pontinho vermelho se espatifou aqui no chão ! - É um caqui-pererê ! Ele vai nos assustar ! - Mentira ! Não é caqui-pererê ! Você não está vendo que é um morangotango ? - E agora ?! Ele vai nos devorar ! - Não vou não ! Fiquem sossegados ! Eu só estava querendo ver o que vocês estavam fazendo. Um pontinho rosa apareceu correndo. Era a gaylinha, que ouvindo os gritos dos pinktinhos, foi socorrê-los. - Fique sossegada, mamãe ! Não foi nada ! É apenas um pontinho vermelho que quer participar do nosso pinknique. E assim, o pontinho vermelho e todos os pontinhos rosa foram juntos para perto do riacho e se deliciaram com todas as guloseimas que a gaylinha havia trazido. SUGESTÃO PARA INGLÊS 1- O professor ensinará as cores em Inglês. 2- Explicará que os nomes das cores em Inglês estão sendo usados em palavras do Português na brincadeira de “pontinhos”. Ex: o que é um pontinho azul voando pelo céu ? - É um urublu. 3- Fará na lousa um levantamento das adivinhações com pontinhos que os alunos conhecem. Complementará com o seu próprio levantamento. 4- Distribuirá para a classe as folhas com os desenhos e pedirá para que os alunos coloquem em cada quadradinho , o nome correto de cada figura da folha. Ex: urubu, pintinhos. 5- Depois pedirá que coloquem os nomes modificados: urublu, pinktinhos. 6- Os alunos deverão pintar as figuras de acordo com a cor que está no seu nome: pinktinhos, de rosa; urublu, de azul. Jaú, 26 de agosto de 1998. Projeto - Maria Waldete de Oliveira Cestari - Jaú Ilustrações - Samra Issa - Barra Bonita Brincando com provérbios Provérbios, quem não os conhece? Essas expressões tão peculiares à cultura das famílias são desde cedo aprendidas como um legado que herdamos de gerações anteriores

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(as avós costumam ser mestres no assunto) e que nos cabe passar adiante. Mas podemos brincar com eles, não podemos? Essa atividaa: vai mostrar que o uso de provérbios na aula de língua portuguesa pode propor cionar momentos de reflexão... e de criatividade! Peça aos alunos que pesquisem provérbios entre suas famílias, com amigc: em livros, CD-roms, ou na ihternet. É importante que, na pesquisa, _ tenham conhecimento das situações de uso desses provérbios e também apre-sentem um estudo da sua forma. Poderá ser analisada, por exemplo, a estru_ binária dos provérbios. (Dê-Ihes o tempo necessário.) Faça o inventário do material pesquisado. (Será interessante que a seleçã= final deste material seja reproduzida para todos.) Convide então os alunos "' brincar com os provérbios, construindo novos significados, a partir da subsrr tuição de uma das partes. Exemplos: a) Água mole em pedra dura, tanto bate, que encharca tudo. b) Quem ri por último, não entendeu a piada. c) A pressa é amiga do avião. d) É melhor um pássaro na mão do que na boca de um cão. Sugestão: * Peça aos alunos que ilustrem os provérbios - "novos" ou antigos -exponham esse material. Caixa de Resenhas Leitura

Heloisa Cerri Ramos, especialista em ensino da Língua Portuguesa, do ensino Fundamental ao Médio, formadora do ensino Fundamental e Médio, assessora da área de Língua Portuguesa e de reorganização curricular, em escolas da rede pública e particular e diretora da Helos Consultoria Pedagógica

heloramos@uol.com.br

6ª série (3º ciclo) do Ensino Fundamental

8 aulas

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O gosto pela leitura e a apreciação crítica de um livro podem ser ensinados. Lendo e analisando modelos de resenha, o aluno aprende a fazer a sua própria resenha que será escrita em fichas que ficarão numa caixa para consulta da classe. Esta atividade se propõe a dar um sentido à aprendizagem de resenha. As resenhas dos alunos terão a mesma função que têm socialmente: dar informações suficientes a respeito de um livro a um leitor em potencial que, de posse das informações, decide lê-lo ou não.

Os alunos serão capazes de: a) reescrever uma resenha lida e analisada em classe; b) reconhecer os elementos lingüísticos que entram na organização deste tipo de texto; c) escrever uma resenha crítica para um ou mais livros do acervo de leituras da classe; d) definir resenha; e) reconstruir oralmente o percurso que fizeram na atividade (metacognição); f) consultar a caixa de resenhas, no momento de escolher um livro da biblioteca de classe.

Uma biblioteca de classe composta de, pelo menos, um livro para cada aluno; modelos de resenhas publicadas na imprensa; catálogos de editoras; folhas grandes de papel; fichas pautadas retangulares de cartolina; uma caixa de madeira, de papelão ou tipo arquivo onde ficarão guardadas as fichas; lápis, borracha, régua e caneta.

Os alunos deverão sentar-se em duplas.

1) Avise a classe sobre o dia da atividade, pedindo aos alunos que pesquisem, em casa, o que significa "resenha". 2) Selecione para a aula um bom acervo de resenhas, de jornais, revistas, catálogos de editoras etc. 3) No dia marcado, faça uma introdução sobre o assunto e o andamento da aula, explicando seus objetivos e como ela será desenvolvida. 4) Solicite aos alunos que digam o que entendem por resenha, escrevendo suas respostas numa folha grande de papel que ficará exposta na parede da classe durante toda a atividade, para posterior confronto com os conceitos que surgirem após a atividade. 5) Distribua às duplas de alunos duas resenhas diferentes. Avise que você fará uma leitura em voz alta e peça que eles observem nos textos que têm em mãos, enquanto escutam, qual é a finalidade deste tipo de texto. Terminada a leitura, a classe deverá dizer o que concluiu ser a intenção de uma resenha. Novamente, anote as respostas dos alunos na folha grande de papel. 6) O momento seguinte é de estudo da estrutura da resenha. Para isso, você deverá selecionar uma resenha de cada vez, dizendo que a análise deverá servir para responder as perguntas: "Como esse tipo de texto é organizado?", "Tem estrutura narrativa, descritiva ou dissertativa?", "O adjetivo tem papel importante numa resenha crítica?", "Que informações

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não podem faltar numa resenha?". Assim, do princípio ao fim, você provocará reflexões e respostas do aluno. 7) Ao final da análise, elabore junto com os alunos uma síntese sobre o que é uma resenha, qual é sua função e como se estrutura este tipo de texto, escrevendo as conclusões numa folha grande de papel que, enquanto durar a atividade, também ficará exposta na parede, junto com as demais, formando um painel. 8) O passo seguinte é propor aos alunos que, em duplas, em duas aulas, reescrevam de memória, sem consultar o texto original, mas podendo recorrer ao painel, uma das resenhas analisadas anteriormente, com o objetivo de avaliar o que eles apreenderam e do que se apropriaram em relação à função, estrutura e linguagem de uma resenha. Quando estiverem prontas, você lerá as reescritas, comentando-as, apontando por escrito, em cada uma, o que precisa ser melhorado: em primeiro lugar, com relação à estrutura da resenha e, só depois disso, corrigindo os problemas relativos à linguagem: ortografia, acentuação, concordância, regência e pontuação. 9) Depois disso, as duplas, em classe, deverão passar a limpo sua reescrita. Assim, você poderá acompanhar os alunos em seu processo de revisão. 10) Após todas estas etapas, com o objetivo de tomar consciência do próprio processo de aprendizagem, os alunos deverão contar oralmente, reconstruindo seu percurso, o que fizeram para aprender o que é resenha. 11) Concluído o trabalho, peça aos alunos que comparem seus conceitos anteriores com os atuais, consultando o que foi escrito nas folhas que ficaram penduradas na parede. Houve mudanças? Quais? Nesse momento da comparação, faça anotações das observações orais dos alunos nas folhas da parede. 12) Ao final, faça uma síntese ora da evolução da classe - o que sabiam antes do trabalho e o que sabem agora, depois de passar por todo o processo de aprendizagem do que é, da função e de como se estrutura uma resenha. 13) Depois de aprender a escrever uma resenha e de saber qual é sua função, é hora de pôr em prática o que foi aprendido: cada aluno escolhe um livro do acervo da biblioteca de classe para ler em casa e, depois, resenhar. 14) A resenha, depois de pronta, passará por uma revisão orientada por você e, só então, será passada a limpo nas fichas que irão compor a Caixa de Resenhas dos livros da classe. A partir dessa atividade, toda vez que o aluno for retirar um livro da biblioteca de classe, deverá consultar também as resenhas, que estarão, então, cumprindo sua função e contribuindo para a formação do leitor crítico.

Você tem várias oportunidades de avaliar o aluno, de perceber seus avanços e dificuldades e de interferir neste processo, pois, a todo momento, em sua presença, o aluno está se expondo oralmente e por escrito.

O leitor crítico é aquele que dialoga com o texto. Para escrever uma resenha, é preciso que seu autor olhe para o texto com olhos de quem quer enxergar, exercitando seu poder de análise e criticidade.

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Todos os eventos da escola podem merecer resenhas críticas de diferentes pontos de vista, que são expostas no mural ou publicadas no jornal escolar.

a) Resenhas de diferentes tipos podem ser encontradas nos catálogos das editoras; nos jornais, podem ser encontradas nos cadernos infantis, de variedades e em suplementos especiais; nas revistas, nas seções dedicadas a comentar lançamentos. b) Mostrar aos alunos a importância do adjetivo na descrição e no julgamento de uma obra. c) Ao final do ano, a 6a série deixa sua Caixa de Resenhas para a 6a série do ano seguinte. A caixa não é da classe, mas da série. Esta é uma forma de incentivar o espírito de cooperação e de percepção do outro.

"Resenhar significa fazer uma relação das propriedades de um objeto, enumerar cuidadosamente seus aspectos relevantes, descrever as circunstâncias que o envolvem. O objeto resenhado pode ser um acontecimento qualquer da realidade (...) ou textos e obras culturais (...) ." "..., a importância do que se vai relatar numa resenha depende da finalidade a que ela se presta." "A resenha pode ser puramente descritiva, isto é, sem nenhum julgamento ou apreciação do resenhador, ou crítica, pontuada de apreciações, notas e correlações estabelecidas pelo juízo crítico de quem a elaborou. A resenha descritiva consta de: a) uma parte descritiva em que se dão informações sobre o texto: - nome do autor; - título completo e exato da obra; - nome da editora e, se for o caso, da coleção de que faz parte a obra; - lugar e data da publicação; - número de volumes e páginas. No caso de uma obra estrangeira, é útil informar também a língua da versão original e o nome do tradutor. b) uma parte com o resumo da obra: - indicação sucinta do assunto global da obra e do ponto de vista adotado pelo autor; - resumo que apresenta os pontos essenciais do texto. Na resenha crítica, além dos elementos já mencionados, entram também comentários e julgamentos do resenhador sobre as idéias do autor, o valor da obra, etc." (Fonte: Fiorin, José Luiz & Savioli, Francisco Platão. Para entender o texto - leitura e redação. São Paulo, Ática, 1997.)

Concretismo na Moda Disciplinas e graus sugeridos: Artes, História, Língua Portuguesa, Matemática, Ensino Fundamental Temas transversais: Ética/Pluralidade Cultural/Meio Ambiente/Moda/Costumes 44

1) Material: livro Alfredo Volpi, coleção Mestres das Artes no Brasil, Editora Moderna. 2) Tempo previsto: uma hora/aula por atividade; 3) Objetivo: desenvolva atividades didáticas sobre a vida e a obra de Alfredo Volpi, enfocando sua importância no contexto artístico e cultural do Brasil; 4) Faça a leitura da poesia concreta, no final do livro Alfredo Volpi, da coleção Mestres das Artes no Brasil, Editora Moderna, e peça que os alunos estabeleçam uma relação entre essa poesia, a vida e a obra de Alfredo Volpi; 5) Escolha uma obra de arte concreta e elabore a releitura da mesma; 6) Proponha que os alunos criem obras abstratas-geométricas, com a técnica da colagem, usando recortes de papel e outros materiais; 7) Peça que os alunos pesquisem objetos que tenham um "visual" aproximado ao das obras concretas de Volpi. Exemplos: tabuleiro de xadrez, campo de futebol, pipa etc. 8) Construa um catavento e peça que os alunos o desenhem numa folha de papel; 9) Roteiro de avaliação: o professor deve avaliar a participação e o interesse dos alunos, observando seu envolvimento com as atividades e a produção realizada, tendo como parâmetros a criatividade, a expressão artística e a compreensão do texto do livro. Das Telas para as Ruas Disciplinas e graus sugeridos: Artes/História/Língua Portuguesa/Matemática, Ensino Fundamental Temas transversais: Ética/Pluralidade Cultural/Meio ambiente/Moda/Costumes 1) Material: livro Alfredo Volpi, coleção Mestres das Artes no Brasil, Editora Moderna. 2) Tempo previsto: uma hora/aula por atividade; 3) Objetivo: desenvolver atividades didáticas sobre a vida e a obra de Alfredo Volpi, enfocando sua importância no contexto artístico e cultural brasileiro; 4) Proponha a criação de quebra-cabeças, jogos de encaixe, dobraduras, tangram, a partir das obras concretas e abstratas de Volpi; 5) Mostre as relações matemáticas e geométricas encontradas nas imagens dos quadros de Volpi, como, por exemplo, a transformação de um triângulo em bandeira; 6) Desenhe no chão, com giz colorido, diversos triângulos, formando um painel geométrico; 45

7) Recorte em papel manilha formas geométricas - com medidas pré-estabelecidas - que os alunos devem juntar formando uma obra de arte abstrata-geométrica; 8) Descubra quantos triângulos existem em uma única bandeira de Volpi; 9) Decomponha uma bandeira em triângulos; 10) Observando a obra Ogiva, no encarte do livro Alfredo Volpi, descubra todas as formas geométricas existentes na tela; 11) Escolha uma obra de Volpi, calcule a área e o perímetro de triângulos, retângulos e quadrados; 12) Analise o espectro das cores de Volpi; 13) Proponha uma pesquisa sobre a moda e os costumes, no mundo, na década de 60; 14) Elabore uma revista de moda com modelos usados na década de 60; 15) Sugira que os alunos criem estampas com motivos geométricos para peças de vestuário, usando a técnica da colagem; 16) Organize um desfile, no qual os modelos estarão usando vestidos, camisetas, jeans etc. com aplicações com formas geométricas, coladas ou pintadas. 17) Roteiro de avaliação: o professor deverá avaliar a participação e o interesse dos alunos por meio de seu envolvimento com as atividades e a produção realizada, tendo como parâmetros a criatividade, a expressão artística e a compreensão do texto do livro. Consumo consciente em sala de aula Crianças e adolescentes vivem em uma sociedade consumista que valoriza o jeans, o tênis, a mochila, tudo de acordo com determinado padrão. Essa sociedade cria grifes que se transformam no sonho de consumo de milhões de jovens. Nada mais oportuno, portanto, do que levá-los a refletir na escola sobre o significado do consumo desenfreado, de suas conseqüências para o meio ambiente, da exploração de trabalho infantil e de mão-de-obra praticamente escrava em muitos países, cujos artigos são vendidos a preços muito baixos. Um excelente tema transversal para ser levado à sala de aula. Séries: 5ª a 8ª do Ensino Fundamental e Ensino Médio Justificativa: O consumo é tema transversal do currículo escolar. Consumir faz parte do cotidiano de todos. A escola tem papel fundamental em ensinar seus alunos, desde crianças, a consumir com consciência.

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Objetivos: Ensinar os alunos a consumir com consciência. Mostrar as desvantagens de se consumir erradamente. As conseqüências podem ser muito graves para cada indivíduo, para a sociedade e até para todo o planeta. Conceitos: Consumo consciente e cidadania. Habilidades desenvolvidas: Formação de espírito crítico, composição de texto e imagem e trabalho em equipe. Atividades sugeridas: • Discussão dos conceitos de consumo consciente. Inicie a aula perguntando a opinião dos alunos sobre o tema. Peça que cada aluno conte sua experiência como consumidor: o que mais gostam de consumir; o que pensam antes de comprar um produto; onde costumam fazer suas compras; por que compram; com que freqüência vão às compras. • Avaliação de um produto e de sua propaganda. Escolha um produto e discuta com a classe como deve ser seu consumo consciente. Depois, avalie a propaganda do produto. Como é feita? É confiável ou parece ser enganosa? Que idéias transmite para os consumidores? • A partir da discussão, os alunos podem criar uma antipropaganda do produto. Exemplo: se na propaganda original de determinado tênis aparece um atleta correndo na rua, todo sorridente e feliz, na antipropaganda pode ser apresentada uma menina pobre correndo descalça, fugindo da fábrica que quer usá-la como mão-de-obra semi-escrava. Veja algumas sugestões no site canadense http://www.adbusters.org.br/ (em inglês). • Para finalizar, cada grupo deve apresentar seu trabalho: um cartaz com uma antipropaganda do produto escolhido. O professor e a classe deverão comentar cada trabalho. Método de trabalho: Debate oral, trabalho em grupo e individual, construção de texto e imagem, pesquisa em revistas e jornais. Duração prevista: Três aulas, com 50 minutos cada uma. currículo escolar. Consumir faz parte do cotidiano de todos. A escola tem papel fundamental em ensinar seus alunos, desde crianças, a consumir com consciência. Objetivos: Ensinar os alunos a consumir com consciência. Mostrar as desvantagens de se consumir erradamente. As conseqüências podem ser muito graves para cada indivíduo, para a sociedade e até para todo o planeta. Conceitos: Consumo consciente e cidadania.

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Habilidades desenvolvidas: Formação de espírito crítico, composição de texto e imagem e trabalho em equipe. Atividades sugeridas: • Discussão dos conceitos de consumo consciente. Inicie a aula perguntando a opinião dos alunos sobre o tema. Peça que cada aluno conte sua experiência como consumidor: o que mais gostam de consumir; o que pensam antes de comprar um produto; onde costumam fazer suas compras; por que compram; com que freqüência vão às compras. • Avaliação de um produto e de sua propaganda. Escolha um produto e discuta com a classe como deve ser seu consumo consciente. Depois, avalie a propaganda do produto. Como é feita? É confiável ou parece ser enganosa? Que idéias transmite para os consumidores? • A partir da discussão, os alunos podem criar uma antipropaganda do produto. Exemplo: se na propaganda original de determinado tênis aparece um atleta correndo na rua, todo sorridente e feliz, na antipropaganda pode ser apresentada uma menina pobre correndo descalça, fugindo da fábrica que quer usá-la como mão-de-obra semi-escrava. Veja algumas sugestões no site canadense http://www.adbusters.org.br/ (em inglês). • Para finalizar, cada grupo deve apresentar seu trabalho: um cartaz com uma antipropaganda do produto escolhido. O professor e a classe deverão comentar cada trabalho. Método de trabalho: Debate oral, trabalho em grupo e individual, construção de texto e imagem, pesquisa em revistas e jornais. Duração prevista: Três aulas, com 50 minutos cada uma. Copiar para aprender a escrever Escrita

Heloisa Cerri Ramos, especialista em ensino da Língua Portuguesa, do ensino Fundamental ao Médio, formadora do ensino Fundamental e Médio, assessora da área de Língua Portuguesa e de reorganização curricular, em escolas da rede pública e particular e diretora da Helos Consultoria Pedagógica

heloramos@uol.com.br

Sétima série - quarto ciclo do Ensino Fundamental

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Duas aulas

Os textos de nossos alunos costumam apresentar inadequações de regência e de concordância nominal e verbal. Pode-se ensinar esses processos sintáticos com um procedimento didático muito simples: a cópia.

Os alunos serão capazes de: a) reconstruir oralmente o percurso que fizeram na atividade (metacognição); b) listar separadamente os casos de concordância e de regência encontrados; c) reescrever o texto, sem olhá-lo, procurando aproximar-se da sua forma original; d) construir os conceitos de regência e de concordância.

Um texto curto; lousa, giz, folhas grandes de papel, caderno e lápis; um ou mais exemplares de dicionários e de gramáticas.

Os alunos deverão sentar-se em duplas.

1) Avise a classe sobre a atividade com uma semana de antecedência, solicitando-lhes que pesquisem, em casa, o que significam regência e concordância. Selecione o texto que será usado no dia da atividade. 2) Explique como será a condução da aula e quais os seus objetivos. Peça aos alunos que digam o que entendem por regência e concordância, escrevendo suas respostas na folha grande de papel que ficará exposta para posterior confronto com os conceitos que surgirem, após a atividade. 3) Comece a copiar o texto selecionado na lousa e peça que os alunos o façam no caderno, simultaneamente. 4) Não é uma cópia mecânica. Ao copiar o texto, você deverá fazer pausas estratégicas, antes dos casos de regência e concordância. Nesse ponto, você fará perguntas de antecipação, discutindo com os alunos a solução dada por eles, e ao próprio texto que está sendo copiado. Assim, do início ao fim da cópia, você provocará respostas que vão sendo confrontadas com as soluções dadas pelo escritor. 5) Quando houver dúvida de vocabulário, da regência de algum nome ou verbo ou de concordância, faça com os alunos pesquisas nos dicionários e gramáticas. Os casos de regência e concordância vão sendo grifados para depois serem classificados. 6) Após a cópia, os alunos deverão reescrever o texto copiado sem consultá-lo. É o momento do fechamento. Os alunos reconstroem o percurso que fizeram para aprender esses processos sintáticos, dizem que conceitos têm deles agora, confrontando-os com os que tinham e avaliam suas reescritas e as de seus colegas.

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O professor deverá estar atento ao acertos e às dificuldades dos alunos, confirmando e comentando os acertos e intervindo com correções quando necessário.

Espera-se, com a atividade, despertar no aluno uma preocupação com a correção da escrita, ajudando-o a se apropriar de meios, estratégias e ferramentas que vão servir-lhe em todas as situações da vida social que exigem o padrão culto da língua.

Buscar os conceitos de regência e de concordância nas outras áreas do conhecimento: na história, na matemática, na física, na química, na geografia, na biologia, na astronomia.

A cópia, quando realizada mecanicamente, sem reflexão, é uma atividade sem nenhum sentido pedagógico. Aqui, ela se reveste de significação para a aprendizagem, uma vez que existe reflexão sobre a construção do texto copiado. O texto selecionado deve ser um bom modelo de texto escrito: crônica, lenda, fábula, conto breve, notícia, piada e deve ser estudado previamente por você, em seus casos de regência e de concordância. Evite utilizar minidicionários, pois essas edições não contêm muitas das palavras do nosso idioma. Na avaliação das reescritas, você ficará tentado a corrigir os erros de ortografia e acentuação, mas deve deixar essa correção, sem abandoná-la, para outra ocasião. O aluno, nesse momento, tem que se concentrar na aprendizagem de conceitos novos. O estudo da regência e da concordância pode ser sistematizado, ao longo da 7a e da 8a séries.

Em geral, uma palavra exerce, na oração, duas funções: uma taxionômica, outra sintática. Função taxionômica é a que a palavra exerce quanto à classe a que pertence (substantivo, adjetivo, pronome etc); a segunda função vem a ser a que a palavra exerce em relação a outros termos da oração (sujeito, complemento, etc.). A concordância e a regência dos termos que entram na formação da oração são processos sintáticos, ou seja, são requisitos a que deve obedecer um termo ao referir-se a outro termo da oração. Concordância é o processo sintático pelo qual uma palavra se acomoda, na sua flexão, com a flexão de outra palavra da qual depende. Essa acomodação flexional pode efetuar-se quanto ao gênero, ao número e à pessoa. Na língua portuguesa, há dois tipos de concordância: 1) nominal, em que o artigo, o adjetivo, o pronome adjetivo, o numeral e o particípio concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem; 2) verbal, em que o verbo concorda em número e pessoa com seu sujeito. Tanto para um como para outro caso, há uma regra geral e regras especiais. Regência é a relação de subordinação, ou seja, de dependência dos termos, uns dos outros, ou ainda, é a propriedade de ter uma palavra, sob sua dependência, outra ou outras que lhe

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completem o sentido. A palavra que está servindo de complemento chama-se regida ou subordinada; a palavra que é completada, inteirada na sua significação chama-se palavra regente ou subordinante. Assim é que se diz que as preposições regem, subordinam palavras, e as conjunções subordinativas regem orações subordinadas. Quando o termo regente é um verbo, ocorre a regência verbal; quando é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), ocorre a regência nominal. As relações de regência são na frase indicadas: a) pela posição em que os termos se encontram na frase; b) pela preposição; c) pela conjunção subordinativa. (Fonte: Almeida, Napoleão Mendes de. Gramática Metódica da Língua Portuguesa. 40a ed. São Paulo, Saraiva, 1995.) Ditado seletivo Nesta técnica, o professor estipula uma determinada classe gramatical, regra de acentuação ou outro assunto que esteja sendo trabalhado e lê um texto ou parágrafo para os alunos. Estes, em vez de anotarem todas as palavras, escreverão apenas as palavras pertencentes ao tópico proposto. Por exemplo: Se o professor escolheu a classe dos substantivos, os alunos escreverão apenas os substantivos; se optou por revisar as palavras acentuadas por serem proparoxítonas, apenas estas serão anotadas. Ao final do ditado, duplas ou pequenos grupos de alunos poderão se reunir para comparar o resultado do seu trabalho e, se necessário, pedirão a ajuda do professor. Ensinando Seminário Ivaneide Dantas da Silva, Pedagoga e Mestre em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem - PUC -SP

neide99@uol.com.br

Todas

Em torno de 10 aulas. A velocidade do preparo de um seminário depende da quantidade de alunos envolvidos com o trabalho e do ritmo de trabalho do grupo.

Em geral, os seminários são mais comuns em aulas de História, Geografia, Ciências e Língua Portuguesa (veja aqui um exemplo de seminário sobre a Semana de Arte Moderna). Mas a técnica não tem restrições e pode ser utilizada em qualquer disciplina, conforme o planejamento do professor. O seminário é instrumento que tem por objetivo permitir a um expositor que transmita informações a um público leigo sobre um determinado assunto pesquisado. Para que os ouvintes tirem proveito das informações, faz-se necessário que o

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expositor faça uso, com eficácia, da linguagem oral, assim como dos recursos materiais, caso sejam necessários na apresentação. Por isso, quando se quer ensinar apresentação de seminário aos alunos, é fundamental que o trabalho seja planejado e organizado. Não se pode perder de vista que o objetivo principal da tarefa (transmitir, com eficácia, as informações) deve ser garantido. A utilização do seminário de forma organizada e estruturada não só contribui para a aprendizagem dos ouvintes, como também para a aprendizagem daquele(s) que o apresenta(m). Este deverá pesquisar o tema abordado nas mais diversas fontes de informações; elaborar um esquema orientador da fala; utilizar os procedimentos lingüísticos discursivos característicos do gênero oral e, por fim, utilizar os recursos técnicos e materiais que, por ventura, sejam necessários na apresentação.

Ao final da atividade, espera-se que os alunos sejam capazes de:
• • • • •

transmitir com eficácia as informações pesquisadas; utilizar o registro formal; elaborar um esquema orientador da fala; reconhecer as marcas lingüísticas características do gênero seminário; utilizar recursos técnicos.

Cartolina para confeccionar cartaz, lápis preto, lápis de cor, borracha, caneta hidrocor, apagador, papel, mimeógrafo, giz, lousa. Folha de transparência, caso a escola tenha retroprojetor; xerox, vídeo cassete, fita de vídeo e filmadora também são ótimos recursos de auxílio ao desenvolvimento deste tipo de trabalho pedagógico.

No momento da apresentação, organize a sala de aula de forma a facilitar o trabalho do grupo ou aluno que fará o seminário. Garanta que os ouvintes possam ver e ouvir o(s) apresentador(es). Círculo e semicírculo geralmente são disposições mais adequadas, principalmente se o debate estiver previsto na apresentação.

Após o término da pesquisa realizada pelos alunos em diversas fontes sobre o tema que será apresentado, prepare-se para ensinar os procedimentos de apresentação do seminário. 1º momento Uma aula Levante os conhecimentos prévios dos alunos com o objetivo de identificar o que eles sabem a respeito de como se organiza um seminário. Discuta com os alunos o que um seminário tem que ter, qual o papel dos participantes (expositor, platéia, professor) e o que não pode acontecer durante a apresentação. Depois disso, apresente aos alunos sua proposta de trabalho. Explique o objetivo do trabalho e organize os grupos, definindo quem serão os interlocutores, os temas, o que se espera dos alunos, o tempo de duração da preparação, a

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data da apresentação e os passos da tarefa. Deixe claro também que a avaliação se dará durante e no final da atividade. 2º momento Duas aulas Como modelo de apresentação de seminário, solicite, por exemplo, que um outro adulto (especialista) prepare uma aula sobre um determinado assunto que seja de interesse dos alunos. Ou prepare um seminário você mesmo, utilizando, se possível, os recursos materiais que gostaria que seus alunos utilizassem em suas futuras apresentações. Por exemplo, cartazes contendo gráficos, tabelas, mapas, ou ilustrações, a própria lousa, mapas (do mundo, das regiões, ...). Caso a escola tenha retroprojetor, incentive o uso de transparência para escrever o esquema e o planejamento da fala. Se a escola não dispõe desse recurso, use o mimeógrafo para distribuir a informação para toda a turma. Se a escola tiver filmadora, grave a apresentação do convidado, ou a sua própria, para fazer com os alunos a avaliação da postura dos apresentadores durante o seminário. Forneça o seguinte roteiro de observação aos alunos. Cada um, dentro do grupo, pode observar e registrar um aspecto diferente da apresentação. Roteiro Verifique como o apresentador:
• •

• • •

abre a exposição. Que forma ele utilizou para entrar em contato com o público? Qual foi a saudação inicial? introduz o tema e delimita o assunto dentro desse tema. Fique atento, nesse item, a expressões do tipo: O assunto de minha exposição será.... Abordarei nesta exposição alguns aspectos sobre...; desenvolve o tema. Veja se o apresentador é claro em sua maneira de falar, se as informações estão bem organizadas, se são coerentes e se têm uma progressão lógica. finaliza a apresentação. Houve a retomada de forma sintética dos principais pontos da exposição? Observe expressões do tipo: Em resumo...; O que foi dito aqui foi... ; Para concluir...; Recapitulando, podemos dizer que...; lança, ao final, uma questão aos ouvintes, com o objetivo de desencadear uma discussão ou reflexão entre os participantes; utiliza com eficácia os recursos materiais: cartazes, registro na lousa, equipamentos; posiciona-se diante do público. Observe a direção do olhar, o tom de voz em cada situação. E um último aspecto, observe nas frases do apresentador algumas marcas lingüísticas como as expressões então; portanto; sobretudo; no momento; ao longo desta apresentação...; para finalizar... vamos observar...

3º momento Uma aula Retome com os alunos os itens da aula anterior, com o objetivo de socializar as observações. Caso a apresentação tenha sido filmada, utilize o filme para análise. 4º momento Três aulas 53

Solicite aos alunos que retomem, em classe, os resumos dos conteúdos pesquisados para preparar a apresentação. Acompanhe-os na elaboração do esquema orientador da fala, utilizando algumas palavras-chave. Ensine-os a preparar os cartazes, destacando a importância da disposição das imagens e das frases de síntese. Mostre aos alunos como preparar transparências, se for o caso. De posse dos esquemas e dos cartazes, que devem ser revisados por você, peça aos alunos que estudem o tema em casa para que, na aula seguinte, façam o ensaio da apresentação. 5º momento Duas aulas Reserve duas aulas no horário escolar para os ensaios. No caso de uma apresentação de uma classe para outras, acompanhe o ensaio. Neste tipo de apresentação, todos devem ter um papel e aquele que não falar desta vez falará na próxima. No caso de haver apenas um grupo expositor que fará a apresentação para os demais colegas da mesma classe, o ensaio precisa acontecer só com a presença dos responsáveis pelo seminário. Por se tratar de um treino, se os ouvintes souberem de antemão como será o seminário podem perder o interesse por assistir à apresentação oficial. Se você não tiver com quem deixar os alunos que não participarão da apresentação, talvez não seja possível o acompanhamento do ensaio. Nesse caso, os alunos fazem o ensaio em casa. Mas lembre-os dos aspectos que eles precisam considerar em suas apresentações (os itens do roteiro utilizado na observação inicial). 6º momento Duas ou três aulas De acordo com o número de grupos, reserve mais ou menos tempo para as apresentações. Caso a escola tenha filmadora, combine com os alunos a filmagem dos seminários, para facilitar a avaliação final, uma vez que esta poderia ser feita a partir da análise das imagens do vídeo.

A avaliação deve acontecer no processo e no final. Durante o desenvolvimento do seminário, valorize os aspectos positivos dos alunos e oriente-os quanto aos aspectos que precisam melhorar. Ao final, tanto os alunos como você fazem comentários sobre o que mais gostaram bem como os pontos mais problemáticos que apareceram nas apresentações. Tanto os avaliadores (alunos) como os avaliados (expositores) devem ter clareza do objetivo dessas observações, qual seja, de contribuir para a melhoria das futuras apresentações.

O foco deste plano de aula é ensinar procedimentos para apresentação de seminário. Caso você ainda não trabalhe dessa forma, não exija de imediato que os alunos utilizem todos os procedimentos de um seminário. Eles podem ser trabalhados desde as séries iniciais, obedecendo, é claro, ao nível de exigência da tarefa. À medida que as séries avançam, você pode tornar mais complexas as exigências das tarefas.

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Professores das outras disciplinas que costumam utilizar seminários podem trabalhar em parceria com o professor da área de Língua Portuguesa, já que ambos têm formações diferentes que se complementariam, num trabalho dessa natureza.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental (1998), Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa - 3º e 4º Ciclos do Ensino Fundamental, Brasília:MEE/SEF DOLZ, J. & Schneuwly, B.(1998) Pour un enseignement de l'oral. Initiation aux genres formels à l'école, pp. 141-161. Paris: ESF Editeur. ENCICLOPÉDIA BARSA. Vol. 2. Rio de Janeiro, São Paulo Encyclopedia Britannica Editores Ltda. GRANDES FATOS DO SÉUCLO XX- Vol. II. 1984. Ed. Rio Gráfica. NOSSO TEMPO: A COBERTURA JORNALÍSTICA DO SÉCULO. Vol. I. Jornal da Tarde. Klick Editora.

Entrega do Oscar Esta atividade é idéia da profa. Andréa Lima, de Curitiba, que a define como "uma adaptação muito livre do jogo "True Colors" (Cores Verdadeiras). Nós a testamos e comprovamos que é ótima entre alunos que não se conhecem, pois reforça a idéia de que poucos minutos de contato permitem que as pessoas formem pré-julgamentos em relação umas às outras. Mas ela também funciona bem em grupos que vêm juntos há muito tempo, pois leva os alunos a observar e analisar as (re)ações das pessoas e permite que eles descubram a imagem que os colegas fazem deles - o que nem sempre condiz com a imagem que eles fazem de si mesmos ou que pretendem passar ao grupo. 1. A parte mais trabalhosa é a preparação dos envelopes de votação (mas garantimos que vale a pena!) É necessário ter um envelope para cada aluno da turma e elaborar algumas perguntas do tipo "Quem tem mais jeito de um dia se apaixonar por um(a) professor(a)?" ou "Quem fica mais chateado quando tira uma nota ruim?" O ideal é elaborar umas dez perguntas (tá bom! Na área de "sugestões", lá embaixo, daremos mais algumas). Se forem quarenta alunos na sala, por exemplo, escreva cada pergunta em quatro envelopes. (4xlO =40). Com clipes de pápel, forme "bolinhos" de cinco ou seis envelopes, tendo o cuidado de não repetir nenhuma pergunta. Mais uma coisinha: corte pequenos pedaços de papel para servirem como folha de votação. Cada aluno deveráreceber seis "boletinhos" de votação. (40x 6... melhor nem fazer a conta.) 2. Divida a turma em grupos de cinco ou seis pessoas, solicitando que posicionem suas cadeiras em círculo. Dê, a cada elemento de cada grupo, os pequenos pedaços de papel em branco e um envelope contendo, na parte da frente, uma das perguntas elaboradas. 3. Explique como funciona a atividade: os alunos usarão um dos seus pe

dIaços e pape para votar no quesIto correspon ente ao enve ope que tem na mão, escrevendo o nome da pessoa que, na sua opinião, melhor se encaixa no perfil solicitado

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pela pergunta. 4. Depois de colocar o seu voto no envelope, cada aluno no grupo irá passá-Io à próxima pessoa à sua direita e receber o envelope do companheiro de grupo à sua esquerda, que também já terá votado em outra "categorià'.

5. Quando todos tiverem votado em todos os "quesitos" constantes nos envelopes, ou seja, quando os envelopes tiverem voltado à sua posição original, os alunos, um a um, abrirão os envelopes, contarão os votos e "entregarão o Oscar" à pessoa mais votada. Na verdade, se trata de uma entrega não-concreta, pois isso será feito oralmente: "O Oscar de Quem mais provavelmente se apaixonaria por um professor vai para... Mariazinha!" Para dar mais suspense e semelhança à entrega dos Oscars no cinema, antes de lido o nome do ganhador, pode-se ler a lista dos indicados. Mas o ideal é que não se divulgue quantos pontos cada um recebeu. Sugestões: * Não permita que os alunos mudem a dinâmica da atividade, fazendo uma votação aberta. Isso pode inibi-Ios em relação à honestidade de suas respostas. Igualmente, solicite que apenaS a pessoa que abre o envelope para contagem tenha contato com os votos. Muitas vezes, pela letra, os alunos são facilmente identificados, e o sigilo das respostas ficará comprometido. * Aproveite os envelopes para fazer o jogo com várias turmas. Mas não esqueça de cortar mais papéis para votação. * As perguntas com certeza irão variar dependendo da faixa etária do gru po, mas podemos sugerir algumas: a) Quem mais chora no cinema vendo filmes tristes? b) Quem não hesitaria em colar numa prova? c) Quem mais sente saudades dos pais quando fica uns dias sem vê-Ios? d) Quem fica mais tempo se preparando antes de sair para uma festa? e) Quem melhor aproveita a vida? f) Quem vai ser mais bem sucedido no futuro? g) Quem você não gostaria de enfrentar numa briga? h) Quem mais tem dificuldade de guardar um segredo?

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Estudo do Hino Nacional Teste seus conhecimentos, responda às questões seguintes: Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante E o sol da liberdade em raios fúlgidos, Brilhou no céu da Pátria nesse instante. 5 Se o penhor dessa igualdade Conseguimos conquistar com braço forte, Em teu seio, ó liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte! Ó Pátria amada 10 Idolatrada, Salve! Salve! Brasil, um sonho intenso, um raio vívido De amor e de esperança à terra desce, Se em teu formoso céu, risonho e límpido, 15 A imagem do Cruzeiro resplandece. Gigante pela própria natureza És belo, és forte, impávido colosso, E o teu futuro espelha essa grandeza. Terra adorada, 20 Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil. Pátria amada, 25 Brasil! Dados sobre os autores
Joaquim Osório Duque Estrada nasceu em Pati do Alferes (RJ) em 1870 e faleceu em 1927, no Rio de Janeiro. Professor do Colégio D. Pedro II e da Escola Normal, foi poeta e crítico literário. Obras principais: A Arte de Fazer Versos, Crítica e Polêmica. Francisco Manuel da Silva nasceu em 1795 no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1865. Dedicou-se à música desde a infância, fundando a Sociedade Beneficente Musical e o Conservatório de Música do Rio de Janeiro.

Deitado eternamente em berço esplêndido, Ao som do mar e à luz do céu profundo, Fulguras, ó Brasil, florão da América, Iluminado ao sol do Novo Mundo! 30 Do que a terra mais garrida Teus risonhos, lindos campos têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida Nossa vida, no teu seio, mais amores. Ó Pátria amada, 35 Idolatrada, Salve! Salve! Brasil, de amor eterno seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado E diga o verde-louro dessa flâmula 40 Paz no futuro e glória no passado. Mas se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho teu não foge à luta Nem teme, quem te adora, a própria morte. Terra, adorada 45 Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil Pátria amada, 50 Brasil!

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Curiosidades No hino brasileiro aparecem várias palavras referindo-se à bandeira. A origem da bandeira é muito antiga. Os romanos usavam um molho de palha nas pontas das lanças para marcar sua presença. Na Idade Média, o uso das bandeiras e insígnias generalizou-se. Os cavaleiros, para serem reconhecidos, usavam distintivos na armadura ou nos elmos com que cobriam a cabeça. Os cruzados colocavam panos coloridos nas pontas de hastes para se identificarem. Os símbolos mais usados eram o pendão, bandeira armada em vara atravessada horizontalmente sobre o mastro (Salve lindo pendão da esperança...- hino à bandeira); a bandeira real, só desfraldada na hora do combate; o guião, sinal peculiar do príncipe ou do senhor; o lábaro ou estandarte, bandeira que indicava a presença do rei, e o gonfalão, bandeira de guerra com três ou quatro pontas pendentes. Estudo do vocabulário 1. Faça a ligação entre as palavras do hino e seus significados, usando as letras: a) fúlgidos( v. 3) ( )calmas, tranqüilas, serenas b) penhor (v. 5) ( ) que ressoa, ecoante c) Salve! (v.11) ( ) belo, gracioso d) florão (v. 28) ( ) brilhante, luminoso e) garrida (v. 30) ( ) destemido, arrojado f) lábaro (v. 38) ( ) grito, clamor g) flâmula (v. 39) ( ) adorada, venerada, amada h) clava (v. 41) ( ) interior, âmago i) plácidas (v. 1) ( ) admirável, magnífico, gran dioso j) brado (v. 2) ( ) cintilas, realças, brilhas l) retumbante (v. 2) ( ) brilhantes, resplandecentes m) idolatrada (v.10) ( ) garantia, prova n) vívido (v. 12) ( ) passe bem, tenha saúde o) formoso (v. 14) ( ) adorno, enfeite, ornamento p) impávido (v. 17) ( ) alegre, vistosa q) colosso (v. 17) ( ) bandeira, estandarte r) esplêndido (v. 28) ( ) bandeira, galhardete s) seio (v. 33) ( ) arma, tacape u) fulguras ( ) gigante 2. Observe os adjetivos sublinhados no texto. a) O significado que eles contêm são positivos ou negativos? b) Por que o autor escolhe adjetivos com este tipo de significado? 3. O que valorizaria um simples riacho (Ipiranga) a ponto de ser citado no hino oficial do país? 4. Por que Cruzeiro (v. 15) está escrito com letra maiúscula? 5. No verso 29, o hino cita Novo Mundo. Por que o autor da letra usou tal expressão. Explique.

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6. Leia o poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, e responda: Canção do Exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar - sozinho, à noite Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem quinda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. (Coimbra, julho de 1843) Qual estrofe deste poema foi incorporada ao Hino Nacional? 7. Segundo o autor da letra, o país passou a ter liberdade com independência. a) A que tipo de liberdade se refere? b) Pelas idéias expressas no texto, essa liberdade foi conquistada com luta ou obtida com facilidade? Retire do texto versos que comprovem sua resposta. 8..A escrever a expressão Deitado eternamente em berço esplêndido, o autor quer passar a idéia de o país estar acomodado, parado ou de ter condições privilegiadas para o desenvolvimento? Justifique sua reposta.

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9. O hino diz que o brasileiro dá a vida por seu país. a) Quais os versos que provam essa afirmação? b) É uma afirmação verdadeira ou não? O que você acha? 10. Os versos 5 e 6: Se o penhor dessa igualdade/ Conseguimos conquistar com braço forte afirmam que os brasileiros conseguiram fazer do Brasil um país igual às outras nações livres e independentes. Você acha que o Brasil, na sua economia, é um país livre? Por quê? 11. Depois de estudar a letra do hino responda: O que é ser patriota na atualidade brasileira? 12. Coloque toda a letra do hino na ordem direta. Exemplo: Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retubante. Sujeito: As margens plácidas do Ipiranga Predicado: ouviram o brado retumbante de um povo heróico. Ordem direta: As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retubante de um povo heróico. Faça o mesmo com a letra do hino. REPOSTAS Questão 1 j) calmas; l) ecoante; o) belo; a) brilhante, luminoso; p) destemido; j)grito; m)adorada; s) interior; r) admirável; u) cintilas; n) brilhantes, resplandescentes; b) garantia; c) passe bem; d) adorno e) alegre; f) bandeira, estandarte; g) bandeira, galhardete; h) arma; q) gigante. Questão 2 a) Positivo. b) Porque todo hino tem como objetivo o enaltecimento da Pátria, do time, de Deus. Questão 3 - O riacho Ipiranga aparece no hino porque foi às suas margens, conforme conta a História do Brasil, que D. Pedro deu o Grito da Independência. Questão 4 - Por que "Cruzeiro" é o nome da constelação em forma de cruz, que aparece no céu do Brasil e está retratada em sua bandeira. Questão 5 - Porque a nomenclatura era "Novo Mundo" para se referir ao novo continente, as Américas. Atualmente, usam-se mais as designações "Primeiro Mundo" e "Terceiro Mundo". Questão 6 - A segunda estrofe.

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Questão 7 a) Liberdade política de se organizar enquanto nação e ter um território com independência administrativa. b) Com luta. "Conseguimos conquistar com braço forte". Questão 8 - Muita gente faz piada com este verso do hino, dizendo que o Brasil não acordou até, ainda dorme em berço esplêndido, mas o sentido real é "ter condições privilegiadas para o desenvolvimento", pois possui recursos naturais em abundância. Questão 9 a) "Verás que um filho teu não foge à luta Nem teme, quem te adora, a própria morte" b) Resposta subjetiva, pessoal. O brasileiro sempre teve o sentimento patriótico, que aflora no futebol e se revela desde que haja muita confiança nos homens públicos. Exemplo: no Plano Cruzado, houve os fiscais do Sarney. Questão 10 - Resposta subjetiva, pessoal. Nesta resposta pode ser colocada a dependência econômica brasileira, a questão da dívida externa e da globalização da economia. Questão 11 - Resposta subjetiva, pessoal. Nesta questão pode ser explorada o cumprimento dos deveres, ser bom cidadão, cada um fazer a sua parte em prol da comunidade. Pátria não quer dizer Forças Armadas e autoridades, é o povo, com sua cultura e sua fé. Questão 12 - Hino Nacional (Em ordem direta.) As margens plácidas do Ipiranga ouviram o braço retumbante de um povo heróico, e o sol da liberdade brilho nesse instante, em raios fúlgidos no céu da pátria. Se conseguimos conquistar com braço forte o penhor dessa igualdade o nosso peito desafia, em teu seio, ó liberdade, a própria morte. Salve! Salve! Ó pátria amada idolatrada. Brasil, um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança à terra, se a imagem do Cruzeiro resplandece em teu formoso céu risonho e límpido. Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, (és) impávido colosso, e essa grandeza espelha o teu futuro. Brasil, ó pátria amada, és tu, terra adorada entre outras mil! Brasil, pátria amada, és mãe gentil dos filhos deste solo! 61

Ó Brasil, florão da América, fulguras, deitado eternamente em berço esplêndido, (fulguras) ao som do mar, (fulguras) à luz do céu profundo, (fulguras) iluminado ao sol do Novo Mundo! Teus campos lindos (e) risonhos têm mais flores do que a terra mais garrida, No teu seio, nossos bosques têm mais vida, e nossa vida (tem) mais amores. Salve! Salve! Ó pátria amada, idolatrada.. Brasil, o lábaro que ostentas estrelado seja símbolo de amor eterno e o verde-louro dessa flâmula diga: paz no futuro e glória no passado. Mas, se ergues a clava forte da justiça, verás que um filho teu não foge à luta, (verás que) quem te adora, não teme à própria morte. Brasil, ó pátria amada, és tu, terra adorada entre mil outras. Brasil, pátria amada, és mãe gentil dos filhos deste solo. (Extraído e adaptado do livro Descoberta & Construção, de Tadeu Rossatto Bisognin, 8ª série, Editora FTD) HINO NACIONAL A) Identifique os significados das palavras em destaque associando as colunas: a. margens plácidas b. brado retumbante c. penhor d. idolatrada e. raio vívido f. impávido colosso g. berço esplêndido h. fulgurar i. terra garrida j. lábaro estrelado l. flâmula m. clava forte ( ) majestoso ( ) bandeira ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) serenas, tranqüilas ) destemido ) resplandecer ) estandarte ) arma ) adorada ) vistosa, alegre ) vivo ) estrondoso ) garantia 62

2- Explique com suas palavras os seguintes versos: a) "Dos filhos deste solo és mãe gentil."

b) "Desafia o nosso peito a própria morte."

c) " Brasil, de amor eterno seja símbolo o lábaro que ostentas estrelado."

d) "Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta,nem teme quem te adora a própria morte."

RESPONDA 1- O Hino Nacional é um dos símbolos oficiais do Brasil. Além dele, que outro símbolos tem a nação brasileira?

2- Como o Brasil é descrito no Hino Nacional?

Fotocópia autenticada de mim Temos (ou teremos) documentos que comprovam nossa participação na sociedade como cidadãos: certidão de nascimento, certificado de reservista, título de eleitor, carteira de identidade, carteira de habilitação, histórico escolar, carteira do clube, ih... é documento que não acaba mais. Neles, normalmente, estão registrados dados que nos identificam e habilitam como seres 'nascidos', como 'cumpridores dos nossos deveres civis' e como tendo direitos a votar, dirigir, ingressar no clube etc. Para isso existem os documentos. E nossos sentimentos, quem os registra? Você confia tanto assim na sua memória? Então, conte com detalhes o que você fez e sentiu no seu aniversário de doze anos. Difícil, hein? É possível, obviamente, que fotos mostrem algumas cenas marcantes, mas, e o registro dos seus sentimentos, onde estão? Faça essa provocação aos seus alunos, oralmente, e lhes proponha á elaboração de um 'documento' autenticado (tanto por estar endossado pela assinatura como pela sua veracidade) dos pensamentos que expressem tudo o que eles são agora. Deixe claro que este precioso documento deverá ser cuidadosamente guardado para que possa, daqui a um ano, dois, três ... ou quem sabe para uma civilização do futuro, mostrar como eles eram. Diz um ditado: "lembrar é viver". 63

1. Bole com seus alunos um meio de fazer o registro. (Pode ser em um caderno especial, em uma agenda, em um papel envelopado, guardado em uma q1Íxa, bem... usem a criatividade.) 2. Elabore um questionário sobre temas que os alunos apontem como re levantes. Abaixo, apresentamos algumas sugestões: a) Você se acha uma pessoa feliz? b) O que o deixa feliz? c) Que coisas mais chateiam você? d) O que você faz para isso mudar? e) Quem são os seus melhores amigos? f) Aponte uma qualidade e um defeito desses amigos. g) Quem você levaria para uma viagem? Para onde? h) Qual o seu esporte favorito? i) Você tem algum hobby? j) O que você mais gosta no seu corpo? k) Quais qualidades o definem? 1) Se você pudesse mudar algo, o que mudaria em você (um comporta mento e um traço físico)? m)O que você _ais gosta de fazer na escola? n) Qual a matéria que você mais curte? o) Qual o professor mais importante da sua vida? p) O que você acha dos/das meninos/as? q) A Internet é importante para a sua vida? r) Como você cuida da sua alimentação? s) Qual o seu prato e a sua bebida favorita? t) Quem é a pessoa que você mais ama? u) O que você mais admira nela? v) O que ela faz que você não suporta? w) Qual foi o dia mais importante da sua vida? x) Você se preocupa com o seu país e com o momento político atual? y) Como você acha que vai ser daqui a dez anos? z) E o mundo, como será?

3. É importante esclarecer que respostas como 'sim' e 'não' limitarão UIIJ,;i leitura futura; quanto mais detalhado, maior valor afetivo terá esse documenm e mais relações poderão ser estabelecidas.

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RUIM DE BOLA O futebol vinha constituindo para mim uma série de ***********fracassos. Para começar, na escola eu sempre ficava por ************ na escolha dos times que os dois melhores faziam, ***********, depois de tirarem *************** para saber quem começava. No dia em que um dos que escolhiam me apontou por **************antes do fim, os já escolhidos protestaram: _ Ah, ele não! Tinha de me conformar com o fato de ninguém me querer no seu time. Procurava me ***********com a idéia de que me ***********não por jogar mal, mas por ser dos menores. Não podia nem apelar para a ************, como fazia o Bolão, um gorducho que mal conseguia correr em campo, mas que vivia avisando logo , por ser o dono da bola. _ Ou eu jogo , ou ninguém joga. Não que eu fosse assim tão ruim , dos piores. Conseguia controlar a bola que me passavam( quando passavam) jogando em geral ( quando deixavam) na ponta *********** , por ser *********** mas veloz. Conseguia também levá-la de vez em quando à linha de fundo , como bola e tudo , pois me esquecia de centrar. Eu era **********, eis o problema. Ficava prestando atenção em coisas que nada tinha com o jogo: um ***********que passava na rua , um ********* pousado na árvore , um avião no céu ... De repente era aquela gritaria dos outros , me *********** : _ Vai nela ! Vai nela ! Era **********? Eu caía das nuvens , procurando ir na bola , mas nem mesmo sabia onde estava: quando descobria , o *************** adversário já se havia *********** , afastando o ********** , enquanto os companheiros reclamavam , pedindo minha **************. O ************é que eu era um peso *********** nas raras ************ que me deixavam disputar , tanto na escola como no campinho daquele lote **********perto de casa. Um dia experimentei jogar de ************ e o resultado foi ainda mais desesperador : engoli cinco ********* , sendo três contra , feitos por mim mesmo , na hora da confusão ( dois de cabeça e um com o ************). ( Sabino, Fernando - Menino no Espelho )

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sucessivos

último

alienadamente consolar direita carro

par ou ímpar distração rejeitavam pequenino passarinho zagueiro ignorância distraído

incentivando comigo antecipado perigo morto vazio traseiro

substituição resultado peladas goleiro Haikai campinho gols

Você sabe o que é haikai (ou haiku)? Segundo as explicações do Rodrigo de Almeida Siqueira na sua página da internet "O Zen e a Arte do Haikai", "O Haikai é um pequeno poema com métrica e moldes orientais surgida no século XVI. O seu objetivo é capturar a essência do local numa poesia contemplativa e descritiva com grande valorização dos contrastes, da cor, das estações do ano, da união com a natureza, no que é momentâneo versus o que é eterno e no elemento surpresa". Por ser um texto curto e geralmente simples, o haikai é muito versátil para praticar redação, gramática (principalmente presente do indicativo e separação silábica) e até oralidade. Embora o haikai seja regido por uma série de regras, elas nem sempre são cumpridas na íntegra. Existem poemas baseados em apenas algumas das características do Haikai (ainda segundo Rodrigo Siqueira): · Poesia de três linhas e 17 sílabas normalmente distribuídas na forma 5, 7 e 5 sílabas respectivamente em cada linha. · Assim como o "click" de uma máquina fotográfica, deve registrar ou indicar um momento, sensação, impressão ou drama de um fato específico da natureza. É aproximadamente a imagem de um "flash" ou resultado de um "insight" (=visualização/iluminação), cercado de pureza, simplicidade e sinceridade. · Não costuma haver posicionamento do poeta, pois é preferencialmente uma descrição do presente evitando comparações ou conceitos do tipo "isso é belo (ou feio)". Para utilizar a técnica nas aulas de língua portuguesa, 1) Obtenha algumas gravuras de paisagens (podem ser fotos ou reproduções de pinturas).

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2) Em grupos ou individualmente, os alunos deverão descrever o que vêem sob a métrica e a filosofia do haiku. 3) Componha você também um haiku sobre uma das paisagens. Leia para os alunos, que terão de identificar a figura a que você se refere. 4) Peça aos alunos que leiam os seus mini-poemas para que os colegas também tentem descobrir que figura eles descrevem. Ou... 1) Nos sites listados abaixo, escolha três haikus que abordem assuntos diversos. Reproduza-os em letras grandes (fonte 36, aproximadamente) e recorte-os em tiras. 2) Como se fosse um quebra-cabeças poético, os alunos terão de separar os assuntos e tentar reconstituir os poemas à sua ordem original. 3) Apresente os haikus na sua versão verdadeira para que os alunos verifiquem se estavam corretos nas suas suposições. Para maiores informações sobre a interessante arte do Haikai, visite os sites abaixo: O ZEN e a ARTE DO HAIKAI e o HAIKU SEM FRONTEIRAS Este último é um site que abre em feancês, mas se você clicar no link "Haiku sans frontières", você terá acesso a trabalhos de vários países do mundo, inclusive do "Bresil". Jornalistas de Mentirinha Algumas imagens ficaram famosas mundialmente, como o bombeiro americano carregando o corpo inerte de uma criança vítima da bomba em Oklaho_ ou o jogador Baggio, da Itália, ajoelhado com as mãos no rosto em frente é. gole ira depois de perder o pênalti que deu o título ao Brasil na copa de 19_ Se é verdade que uma foto vale por mil palavras, que tal você "vender" as fotc. aos alunos em troca de um bom texto? 1. Esse é o tipo de atividade que você pode ir preparando com bastam_ antecedência: recorte fotos bem intrigantes de jornais e revistas, como ua. menino de rua vestido de Papai Noel dormindo ao relento, assim como c. textos que as acompanham. 2. Espalhe só as fotos no chão e peça para que cada aluno escolha aquela que mais lhe chama a atenção. Embora cada um possa ter a sua própria foto, uma mesma figura pode ser escolhida por mais de um aluno. 3. Peça que cada um imagine e escreva, para entregar, uma história que poderia ser ilustrada com a cena escolhida. Se houver um espaço ao ar livre e o clima ajudar, esta é uma ótima oportunidade para realizar um trabalho fora da sala de aula, contribuindo para a motivação dos alunos. 4. Na aula seguinte, monte um painel com as fotos acompanhadas de suas histórias, inventadas e verdadeiras. Outra possibilidade é voltar a distribuir as fotos no chão e ler um resumo dos artigos que correspondem a elas, e pedir que os alunos tentem descobrir a que 67

foto cada artigo se refere. A curiosidade é uma ótima maneira de atrair os alunos, principalmente crianças e adolescentes, para o mundo das notícias, ao qual a maioria deles é tão avessa. Variações: * Quando você dispuser de pouco tempo, peça aos alunos que escrevam cinco perguntas, e não um texto, sobre uma das fotos. Você distribuirá então os artigos, explicando que o objetivo é contar quantas perguntas têm respostas no texto original. Cada pergunta com resposta vale um ponto, e quem obtiver mais pontos ganha. * As perguntas poderão ser também aproveitadas para uma atividade de dramatização, em que alguns alunos serão os repórteres e outros serão os entrevistados sobre os acontecimentos (fictícios ou verdadeiros) que digam respeito às fotos. Sugestão: I * Se você tiver uma vídeo câmera à disposição, filme os alunos lendo suas "reportagens" com ar de apresentador ou fazendo suas entrevistas "ao vivo". Permita que eles ensaiem para aperfeiçoar entonação e clareza na leitura. Depois das filmagens, mostre o noticiário completo para a turma, que com certeza se divertirá com o resultado.

Eu sei quem você é Essa é uma atividade para descontrair o primeiro encontro entre os alunos e o professor, ajudando este a memorizar mais facilmente os nomes de cada um na turma. Tarefa, aliás, penosa para aqueles que têm muitos grupos ou grupos grandes, especialmente em início de semestre ou ano letivo. 1. Na véspera ou alguns minutos antes do início da aula, prepare pequenos retângulos de papel em branco. 2. Quando a aula começar, se apresente e "encene" um pequeno discurse sobre a importância de sabermos nos comunicar hoje em dia, e sobre co_ está feliz pela coincidência de ser você a conduzi-Ios, neste ano, no estudo da língua portuguesa. Diga também que, na verdade, coincidência não exisre e certamente há um bom motivo de natureza mística para que todos estejam reunidos sob esse "pretexto". Explique que você é uma pessoa esotérica e que ".à fez vários cursos nesse assunto, inclusive de leitura de mentes e adivinhação. (Com certeza, risinhos de incredulidade ou surpresa "pipocarão" entre os presentes.) Proponha, a seguir, uma demonstração: dê a cada aluno um pedaço. de papel - daqueles que você preparou com antecedência - e peça que todos escrevam o seu nome, dobrem o papel duas vezes e devolvam a você. 3. De posse de todos os papéis dobrados, finja concentração e abra o primeiro papel. Digamos que o nome escrito seja "José": conclua, sério, que as vibrações mostram que se trata de uma pessoa do sexo masculino. Se pOSSÍV'ei "enrole" mais um pouco, até apontar aquele que, alearoriamente, você adalque tem "cara" de José. Se acertar, os alunos ficarão surpresos e propensos 2. acreditar que você estava falando sério. Se errar, o que é bem

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provável, inves razões para o engano, como falta de concentração dos presentes ou eneJ . negativas influenciando o seu campo magnético (ou o do José). À medida qu a atividade se desenrola e os erros se acumulam"os alunos têm a certeza de tudo não passa de uma gozação, mas em geral entram na brincadeira. 4. Ao terminar de ler todos os nomes, dando a cada aluno o papel com nome que você acha que lhe pertence, peça desculpas, confessando que o I foi feito por correspondência e que você promete estudar mais e fazer nova demonstração no fim do ano. Solicite, então, que cada aluno desfaça , enganos, dizendo (por exemplo) Eu não sou o José, eu sou o Antônio. (E, apontando:) Ele é o José. O José então diz que não é o Sérgio, apresenta o colega que tem este nome, e assim sucessivamente, até que todos os equívocos tenham sido desfeitos e todos os alunos apresentados.

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