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“Não-localidade” (o fim do materialismo) e o sentido de “experiência” | FATOS EM FOCO

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“Não-localidade” (o fim do materialismo) e o sentido de “experiência” | FATOS EM FOCO

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“Não-localidade” (o fim do materialismo) e o sentido de “experiência”

Por Orlando Braga Adaptado por Artur Eduardo Antes de mais, vamos ter que saber o que é “materialismo”: é uma teoria segundo a qual a matéria é a única realidade existente – sendo que matéria é tudo o que tem massa e está sujeito à ação do espaço-tempo. Para os herdeiros ideológicos de Darwin (Karl Marx, Freud, Lenine, Stálin, Richard Dawkins, Peter Singer, etc.), a matéria é a realidade fundamental a partir da qual se explica a vida espiritual. Podemos definir “não-localidade” como a possibilidade de dois objetos – por exemplo, dois fotons, ou dois elétrons – comunicarem entre si de forma instantânea (em termos de tempo universal) e independentemente da distância a que se encontrem um do outro. A não-localidade não é ficção científica: experiências científicas realizadas desde o princípio da década de 1980 (por exemplo, por Alain Aspect) confirmaram o fenómeno. Portanto, é certo e seguro que, em determinadas condições especificas, dois objectos podem comunicar entre si, de forma simultânea – ou seja, fora do espaço-tempo – e a uma distância que pode
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ser, por exemplo, de várias dezenas de milhões de anos-luz. Diz-se, então, que a comunicação entre esses dois objectos é efectuada “fora do cone-de-luz”. A maioria da literatura generalista acerca da Física não menciona a nãolocalidade. O assunto continua a ser tabu, apesar das verificações e confirmações. E é tabu porque a não-localidade coloca em causa o materialismo – ou seja, coloca em causa o fundamento da Idade Moderna e do Positivismo. A nãolocalidade significa que a realidade não se limita ao espaço-tempo; e isto coloca em causa toda a filosofia moderna desde Kant. Por exemplo, se o nosso cérebro é composto de elétrons, então está também sujeito às mesmas leis que regem a não-localidade. O materialismo está morto. E quanto à “experiência”? É vulgar confundir-se “experiência” e “experimentação”: a experimentação é científica (positivismo), mas a experiência pode não ser. Por outro lado, confunde-se “experiência subjectiva” e “experiência intersubjectiva”, sendo que esta última também pode ser chamada de “experiência objectiva”. Aquilo que é “objectivo” é sempre intersubjectivo (na dimensão humana da realidade). A tradição filosófica ocidental trata a “experiência” de duas formas radicalmente opostas: o racionalismo (Platão, Descartes, Espinoza, Kant) e o empirismo (Locke, Hume, Russell et al). Nem uma nem outra estão certas, e uma e outra têm alguma coisa de acertado.

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Definições A experiência baseia-se em factos, e um facto é algo que adquiriu uma estrutura na nossa consciência; esse facto pode ser subjectivo ou intersubjectivo. A consciência é uma experiência originária (a priori), comprovável a nível intersubjectivo, que antecede a experiência objectiva (ou experiência intersubjectiva a posteriori). A intuição é uma forma de conhecimento que põe, sem mediação, o espírito (a consciência) em presença do seu objecto. Os racionalistas desconfiam das “ilusões dos sentidos” e têm alguma razão, mas ignoram a intuição. Os empiristas dizem que a experiência é a origem de todo o conhecimento, e têm alguma razão, mas ignoram não só a intuição como também a consciência (conforme definição supracitada). “A verdade é adequação da consciência à realidade” (S. Tomás de Aquino). O primeiro problema aqui é o de que a realidade não é passível de definição. A realidade é um conceito infinito. Então, poderíamos também dizer: “A verdade é adequação da consciência ao infinito”. O segundo problema é que existem graus diferentes de “adequação da consciência ao infinito”, ou seja, há consciências mais perto da verdade do que outras. A “adequação da consciência ao infinito” difere de indivíduo a indivíduo, e muita dessa “adequação da consciência ao infinito” é feita através da intuição que reifica (reificar=transformar em factos) a experiência subjectiva.
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E quando essa experiência subjectiva é racional, ou intuitivamente compreendida por mais do que uma pessoa, estamos em presença de uma experiência intersubjectiva a posteriori(ou “experiência objectiva”). Ou seja, aquilo que é “objectivo” não é só e apenas aquilo que nós percebemos subjectiva ou intersubjectivamente através dos nossos sentidos: também é aquilo que entendemos intersubjectivamente (colectivamente) através da razão e da intuição. Os milhares de pessoas que assistiram in loco às aparições de Nossa Senhora de Fátima em 1917, tiveram uma experiência objectiva (ou experiência intersubjectiva a posteriori). A razão por que essa experiência objectiva, em concreto, não foi testemunhada por milhões de milhões de pessoas, deve-se ao facto de que nem toda a realidade obedece a leis regulares de ordem dita “natural”. Repare-se no que escreveu o cientista e físico quântico Roland Omnès : «(1) No quantum fluctuation observable on a human scale has probably occurred since the creation of the earth, (2) but let us imagine one of them taking place and being witnessed by several people; (3) they see a rock suddenly appear in a different place. They have actually seen it, but they would never be able to convince anyone else; never irrefutably show that the phenomenon may repeat itself.» – “Quantum Philosophy”, página 192, 1999, Princeton University Infelizmente, somos obrigados a recorrer à autoridade de direito de cientistas, mesmo quando eles não têm qualquer autoridade de facto. O que Roland Omnès quer dizer é que existem fenómenos “naturais” que não podem ser medidos através da estatística, e sem estatística não há ciência positivista. E essa dimensão não susceptível de ser medida estatisticamente também pertence à realidade. Obviamente que Omnès começa por dizer, na primeira parte da citação, que “provavelmente nunca ocorreu um fenómeno desse tipo desde a criação da Terra”; mas depois diz que é possível que um fenómeno desse tipo possa acontecer. A ambiguidade típica do cientista
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esclarecido actual consiste em dizer que uma qualquer coisa que escape à “lei” dita “natural”, nunca aconteceu; mas que é possível que aconteça – não vá a comunidade científica em geral, e também gente como o António Piedade, levantar-lhe um auto-de-fé e condená-lo à fogueira. Abrenuncio e Cruzes Canhoto!

Richard Dawkins coloca o problema de um modo ligeiramente diferente: no seu livro “O Relojoeiro Cego”, Dawkins afirmou que se uma multidão, reunida numa igreja para assistir à missa dominical, vir a imagem [a estátua] da Virgem Maria sair do pedestal pelos seus próprios meios, caminhar em passo estugado ao longo do interior da igreja e sair pela porta fora – diz Richard Dawkins que não devemos concluir que essa multidão testemunhou um milagre. Em vez disso, Richard Dawkins diz que “calhou” (sic) que todos os átomos da imagem da Virgem Maria se moveram na mesma direcção e ao mesmo tempo. Se isto não é fé do cientista, então o que será “fé”? Portanto – e segundo um físico de nomeada como é Roland Omnès – se um grupo de 100 pessoas vir uma pedra mudar de sítio por si mesma, a probabilidade desse fenómeno voltar a acontecer de forma regular é quase zero. Ora, isso não significa que, para aquelas 100 pessoas, o fenómeno não tenha sido uma experiência objectiva: essa experiência foi real e objectiva, embora esteja fora do âmbito da medição estatística e da ciência positivista.

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Fonte: Perspectivas NOTA: Orlando Braga, por ser católico, cita a experiência de Fátima como algo objetivo, assim como eu, contudo, atribuindo ao fenômeno ocorrido naquela cidade portuguesa, a veracidade do que se reproduziu, ou seja, que aquela foi uma autêntica aparição de Maria. Por entender biblicamente algo contrário a uma assertiva como esta, não concordo que aquela tenha sido uma genuína aparição mariana – como não acredito em qualquer “aparição” de espíritos de mortos -, contudo, penso que a experiência foi, sim, objetiva (com uma outra explicação, talvez uma ilusão demoníaca) e concordo com o Orlando sobre a autenticidade de algumas experiências objetivas (até “em massa”, como foi o caso de Fátima), que, todavia, não podem ser comprovadas pela estatística, tão requisitada no método científico que, atualmente, normatiza o que vem a ser uma “experiência científica”. Não sou partidário de todo esse “poder” dado às ciências experimentais, por ver falhas óbvias em sua normatividade. Penso que, como “ciência”, deveríamos agregar as provas racionalistas – não necessariamente mensuráveis -, mas dadas e e óbvias, quando se pensa sobre elas. Exemplo? O próprio sujeito do conhecimento, ou “cogito”, que, em Descartes, só possuía a certeza absoluta de si mesmo (mesmo a ideia de Deus e o mundo não estavam no mesmo patamar do conhecimento que o sujeito tem de si mesmo, conforme Descartes demonstra nas Meditações). Estas provas racionais e seus desdobramentos encontram-se além da metodologia científica empírica, mas não são menos racionais do que aquela.

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