Você está na página 1de 154

Disciplina

Evolução do Pensamento Administrativo

Professor Edson

Ricardo Barbero

São Paulo

2004

Ementário

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

O pensamento administrativo, as escolas de administração e o paradigma desenvolvimentista. Administração como Ciência. O Pensamento Administrativo e o Processo de Modernização da Sociedade. A escola Clássica de administração. Historia e Modernidade. Administração Científica. Escola de Relações Humanas. Teorias sobre motivação e liderança: da Administração de Recursos Humanos à Gestão de Pessoas. Processos decisórios nas organizações. O estruturalismo e a teoria da burocracia. A teoria dos sistemas abertos e as organizações. O sistema e a Contingência: Teoria das Organizações e Tecnologia.

Habilidades e Atitudes Evolução do Pensamento Administrativo - UVB 1. Adquirir uma visão global da

Habilidades e Atitudes

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

1. Adquirir uma visão global da história do pensamento administrativo.

2. Reconhecer na história do pensamento administrativo processos inerentes às transformações da sociedade.

3. Trabalhar com a perspectiva e o contexto histórico da evolução das ciências e técnicas organizacionais. Estabelecer relação entre técnicas organizacionais e a evolução das ciências na busca da solução de problemas do Homem.

4. Compreender as razões e as causas do nascimento e formação da teoria científica da administração, visando formular uma postura crítica e analítica diante dos problemas apresentados.

5. Distinguir e analisar as principais características das escolas de administração, estudando criticamente suas visões e analisando os impactos causados na sociedade a partir de suas ações.

6. Desenvolver senso critico, relacionando diferentes variáveis em relação às escolas de administração, como subsídio para reflexão diante da tomada de decisão.

Sumário

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

01.

Aula 01 - As Teorias Administrativas enquanto um produto da história

02.

Aula 02 -Administração: Ciência ou Arte?

03.

Aula 03 - Pré-Requisitos para o surgimento das teorias administrativas

04.

Aula 04 - Taylor e a Escola Científica: As empresas vistas como máquinas

05.

Aula 05 - Fayol e a Escola Clássica

06.

Aula 06 - Teoria das Relações Humanas: As empresas vistas como grupos sociais

07.

Aula 07 - Decorrências da Escola das Relações Humanas

08.

Aula 08 - Weber e a Teoria da Burocracia

09.

Aula 09 - Abordagem Sistêmica: As empresas entendidas como sistemas vivos.

10.

Aula 10 - Decorrências da Abordagem Sistêmica

11

Aula 11 - Abordagem Contingencialista

12.

Aula 12 - A Administração Japonesa: O Sistema de Produção Enxuta

13.

Aula 13 - Administração Japonesa: Tudo pela Qualidade

14.

Aula 14 - Abordagens modernas para a Administração

15.

Aula 15 - Desafios para o futuro

Aula 01 As Teorias Administrativas enquanto Evolução do Pensamento Administrativo - UVB um produto do
Aula 01 As Teorias Administrativas enquanto Evolução do Pensamento Administrativo - UVB um produto do

Aula 01 As

Teorias

Administrativas enquantoAula 01 As Teorias Evolução do Pensamento Administrativo - UVB um produto do contexto histórico Objetivos

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

um

produto do contexto histórico

Objetivos da Aula
Objetivos da Aula

Ao final desta aula, espera-se que o aluno desenvolva habilidades

e atitudes para:

• Motivar-se ao estudo da Evolução do Pensamento Administrativo;

• Desenvolver compreensão geral dos temas a serem debatidos

na disciplina.

Introdução:

Desde os primórdios da humanidade, a História tem mostrado que o ser humano é fortemente impulsionado pelo desejo de incrementar o seu padrão de vida, através do controle das forças da Natureza e do seu meio-ambiente. Desde as comunidades primitivas, dedicadas a atividades extrativas, passando pelo pastoreio e pela a agricultura de subsistência, até os dias atuais, é neste sentido que as organizações humanas têm se desenvolvido.

As organizações humanas têm evoluído em complexidade, sempre no sentido de proporcionar a seus membros melhores condições de subsistência e maior conforto material. Em resumo, os seres humanos se associam para conseguir, por meio do esforço conjunto, atingir determinados objetivos.

meio do esforço conjunto, atingir determinados objetivos. A evolução das organizações e dos arranjos produtivos

A evolução das organizações e dos arranjos

produtivos

Paracompreendermosaevoluçãodasteoriasadministrativas,éfundamental uma referência, ainda que breve, à evolução das organizações humanas.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Em que pese a enorme complexidade do assunto, é fundamental compreender que as organizações evoluem no sentido de lidar com grupos humanos cada vez numerosos e com necessidades crescentes em volume e complexidade, o que leva, necessariamente, ao estabelecimento de arranjos produtivos cada vez mais elaborados.

À medida que as atividades humanas envolvem mais indivíduos e maiores volumes de recursos, a sua organização oferece novos e crescentes desafios, seja qual for a atividade ou conjunto de atividades em questão: caça, agricultura, comércio, guerra, etc. O processo de tentativa-e-erro de fornecer respostas a estes desafios constitui o cerne do processo de evolução das organizações.

Podemos citar um exemplo interessante: no Antigo Testamento, o livro do Êxodo narra a história de Moisés conduzindo o seu povo através do deserto para a Terra Prometida. Moisés mostra temor diante da dificuldade da tarefa; Jetro, seu sogro, recomenda a Moisés que estabeleça “lideres sobre dez, líderes sobre cem e líderes sobre mil”. Em outras palavras, Jetro sugere a criação de uma cadeia de comando que permita que ele, Moisés, se ocupe apenas das grandes questões, deixando a estes chefes menores a solução das questões corriqueiras. Este exemplo mostra como as necessidades forçam as inovações que constituem a evolução das organizações; provavelmente, Jetro possa ser considerado o primeiro consultor organizacional da História.

Os primeiros

modelos: o Exército e a Igreja

Sendo a guerra uma das atividades humanas mais antigas, as organizações militares foram das primeiras a adotar sistemas sofisticados de planejamento e comando. Os conceitos desenvolvidos e testados nas organizações militares constituem uma forte influência na construção do pensamento administrativo.

Assim, também a estrutura organizacional da Igreja Católica ( que foi por séculos a maior e até a única grande organização do Ocidente) serviu como modelo para várias organizações.

Vemos que alguns conceitos básicos foram percebidos e aplicados desde muito cedo na História: a hierarquia e a cadeia de comando constituem as primeiras bases do pensamento administrativo.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Um breve passeio pela História

Sem dúvida, espera-se do administrador a capacidade de identificar padrões e tendências e compreender as influências mútuas dos eventos que o cercam. Distinguir o fundamental do acessório e o duradouro do passageiro é o que possibilita lidar com o presente e preparar-se para o futuro.

Assim, é nosso objetivo contextualizar a evolução das teorias sobre

a administração de organizações humanas em relação ao processo

histórico. Em outras palavras, questionar a Evolução do Pensamento

Administrativo em relação à filosofia, à ciência, à tecnologia e ao pensamento econômico, vistos como os principais formadores da evolução das sociedades humanas.

Ë também necessário manter em vista a grande influência dos grandes fatos históricos, em especial as guerras que têm exercido papel fundamental na História, condicionando fortemente a evolução das sociedades.

Ë claro que os processos de evolução não ocorrem de forma isolada;

ao contrário, cada evento influencia e é influenciado por todos os outros, formando uma “teia” intricada e fascinante. A compreensão deste processo, ainda que incompleta, é uma tarefa que vale a pena

ser empreendida.

O papel da Filosofia

Ao longo da História, diversos filósofos se ocuparam das questões inerentes ao desenvolvimento e da crescente complexidade das organizações, trazendo, mais ou menos diretamente, contribuições para as teorias administrativas.

Sócrates, Platão e Aristóteles ocuparam-se com os problemas éticos, políticos e sociais na Grécia Antiga, incluindo aí a preocupação com os sistemas políticos (Monarquia, Aristocracia, Democracia) que ainda hoje formam as bases da vida em sociedade.

Após o longo período da Idade Média (durante o qual a filosofia parece ter se dedicado exclusivamente às questões de teologia) os filósofos Iluministas do início da Era Moderna (sec. XVI e XVII), retomaram a preocupação com a compreensão racional e consequente domínio

dos fenômenos e do ambiente físico.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Francis Bacon (1561-1626) e Renè Descartes (1596-1650) foram os grandes expoentes do Iluminismo. Suas obras lançaram as bases do pensamento analítico (cartesiano) e do método experimental

e indutivo. Estas são as bases do que conhecemos como método científico.

O método científico viria a fornecer a estrutura teórica e conceitual para

a incrível onda de progresso científico e tecnológico que, começando

pela obra de Isaac Newton, levaria à impressionante sucessão de inovações tecnológicas ocorrida ao longo do século XVIII.

Estas inovações possibilitaram, em última análise, o advento da RevoluçãoIndustrial. Trataremosdesteassuntoemmaiorprofundidade nas próximas aulas.

O pensamento econômico; os economistas

liberais

A maioria dos autores considera que o pensamento administrativo

moderno tem origem no pensamento econômico clássico. A partir do século XVII, o pensamento econômico começou a desenvolver-se de forma independente do pensamento filosófico da época.

Já no século XVIII, o pensamento econômico, dito liberal, passou a ser

amplamente aceito na Europa. O liberalismo pregava o afastamento da economia da influência do Estado, a livre-iniciativa (o chamado laissez-faire) e a livre concorrência.

A publicação, em 1776 de “A Riqueza das Nações” de Adam Smith,

marca para muitos autores o início da Revolução Industrial ; de fato, neste livro, surgem pela primeira vez o “princípio da especialização”

e o “princípio da divisão do trabalho”, que viriam a constituir as bases do pensamento administrativo por várias décadas.

Outros economistas liberais influíram fortemente na formação do pensamento econômico e administrativo no início da Revolução Industrial. James Mill (1773-1826), com o livro “Elementos de Economia Política”, publicado em 1826; David Ricardo (1772-1823) e Thomas Malthus (1766-1834), que publicaram (respectivamente em 1817 e

1820) os seus Princípios da Economia Política.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

O liberalismo econômico foi um período de enorme crescimento da

economia capitalista, baseada na livre concorrência. Esta, porém, conduziu a grandes conflitos sociais, causados pela forte acumulação de capitais e renda.

A partir de meados do século XIX, a influência do liberalismo econômico diminuiu, dando lugar ao então chamado “novo capitalismo” dos grandes magnatas (Du Pont, Morgan, Krupp, Rockefeller) e baseado na produção em massa em grandes unidades industriais. É neste contexto que a Administração começa a tomar a forma e adquirir status de ciência.

Invenções, inventores:

Tecnológica”

Da mesma forma que a maioria dos autores considera a publicação de

“A riqueza da Nações” como o marco conceitual que inicia a Revolução

Industrial, a invenção da máquina a vapor por James Watt em 1769 (a operação só começaria anos mais tarde, em 1775) foi o grande marco tecnológico que abriu caminho para esta mesma Revolução. Alguns outros inventos merecem destaque, bem como os seus inventores. Salvo raras exceções, todos são britânicos; daremos alguma atenção à explicação deste fato em uma próxima discussão. Em 1698, Thomas Savery colocou em operação uma bomba a vapor para drenagem de minas; foi a primeira aplicação comercial de um dispositivo a vapor. A partir daí, seguem algumas das principais inovações tecnológicas da época:

a “Revolução

- 1712 máquina a vapor atmosférica (Thomas Ncomen)

- 1738 lançadeira para manufatura de tecidos (John Kay)

- 1742 máquina de cardar (Lewis Paul)

- 1760 máquina de fiar (James Hargreaves)

- 1769 máquina a vapor com condensador separado ( J a m e s Watt)

- 1784 tear mecânico (Edmund Cartwright) -1799 máquina a vapor de alta pressão locomotiva a vapor (Richard Trevthick)

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Mais do que a lista de inventos e inventores, é importante lembrar que estas ( e centenas de outras) inovações tecnológicas possibilitaram o mais espantoso progresso material experimentado pela humanidade até então.

O que entendemos hoje por sociedade industrial se formou a partir dos acontecimentos desencadeados por estes inventos, ou melhor, pela substituição sistemática e sem precedentes na História do trabalho humano e animal pela máquina. A Revolução Industrial foi, antes tudo, uma revolução tecnológica.

A organização industrial que se formou a partir dos processos brevemente descritos acima é o campo no qual o pensamento e a prática administrativa se desenvolveram. Esta é a História que devemos compreender. Como as organizações se formam e se modificam para atender os anseios das sociedades que lhes dão origem? Qual o papel dos seus administradores?

Compreendendo melhor o passado, lidamos melhor com o presente e nos preparamos para o futuro. É a esta tarefa que nos dedicaremos durante o nosso curso: Compreender a Evolução do Pensamento Administrativo.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Aula 02Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Administração: Ciência ou Arte? Objetivos da Aula Nesta aula vamos

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Aula 02 Administração: Ciência ou Arte? Objetivos da Aula Nesta
Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Aula 02 Administração: Ciência ou Arte? Objetivos da Aula Nesta

Administração: Ciência ou Arte?

Objetivos da Aula
Objetivos da Aula

Nesta aula vamos discutir a necessidade de uma abordagem sistemática à teoria administrativa. Pretende-se que ao término desta o aluno esteja habilitado para:

- Compreender a inserção do profissional de administração nas empresas; - Estabelecer a importância da compreensão teórica dos modelos administrativos.

Conceitos básicos:

afinal, o que é administrar?

A administração trata, desde seus primórdios, de organizar o trabalho de forma racional. A partir desta premissa, surgem várias definições para esta atividade. Maximiano (1997), por exemplo, sugere que “a administração é o processo de tomar e colocar em prática decisões sobre objetivos e utilização de recursos”.

Esta e outras definições mostram a administração como uma atividade- meio; administrar diz respeito ao desempenho de uma organização em um certo contexto.

Desempenho, por sua vez, está relacionado aos conceitos de eficácia, eficiência e efetividade. Eficácia é a capacidade de realizar objetivos,

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

eficiência é utilizar produtivamente os recursos, efetividade é realizar

a coisa certa para transformar a situação existente.

Portanto, administração pode ser entendida como o conjunto de

conceitos e técnicas que permitem que as organizações alcancem

o desempenho que desejam. Neste contexto, podemos conceituar

os processos básicos da administração – planejamento, direção, organização e controle.

Existem diversos tipos de organizações. Assim, as noções de eficiência, eficácia e efetividade - bem como os processos básicos da administração - vão assumir características específicas em cada tipo de organização. O que devemos ter em mente é que estas funções gerais são inerentes a qualquer uma delas.

Tipos de organizações

De forma bastante sintética, podemos classificar as organizações em três grandes tipos: governamentais, privadas sem fins lucrativos (o chamado 3o setor) e privadas com fins de lucro, ou seja, as empresas.

As organizações governamentais têm o objetivo de atender as necessidades públicas e de gerir o funcionamento do Estado. As necessidades e prioridades são definidas a partir do jogo político de forças da sociedade, e decorrem em grande parte do regime

político (democrático, autoritário, socialista, etc) de cada país. Não nos deteremos no estudo destas organizações, deixando também de lado

as chamadas empresas estatais.

As organizações sem fins lucrativos atuam no âmbito da sociedade civil

e são pautadas por interesses que podem variar, desde um conjunto

de membros (um sindicato, por exemplo) até propostas mais amplas de transformação social (o caso das ONGs), passando pelas propostas de assistência aos carentes (entidades beneficentes). Sua atuação

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

diz respeito a atingir fins públicos, a partir da utilização de recursos privados e públicos.

Já as empresas privadas são caracterizadas por atender as necessidades de grupos de consumidores (clientes); são estas o foco de nossos estudos, em particular aquelas que atuam em um contexto de competição em mercados livres. Para estas organizações, desempenho está ligado a conquistar um lugar no mercado em meio a outras empresas que oferecem produtos ou serviços semelhantes, em regime de livre concorrência.

ou serviços semelhantes, em regime de livre concorrência. Administração de empresas A tarefa de administrar uma

Administração de empresas

A tarefa de administrar uma empresa - planejar seus objetivos, mobilizar os meios necessários para atingi-los e controlar os resultados obtidos - tem sido considerada tradicionalmente mais uma arte ou uma qualificação adquirida pela experiência, do que um conjunto de técnicas baseadas no conhecimento científico.

Nas fases iniciais de uma empresa, é comum a figura do empreendedor solitário, individualista, auto-encarregado de todas as decisões, normalmente baseadas mais em suas percepções individuais (intuição) do que em análises racionais.

Entretanto,àmedidaqueasempresascrescem,passamasercompostas por um grupo de pessoas, entre as quais, algumas responsáveis pelas tomadas de decisões. As contribuições das diversas pessoas que compõem a empresa não são iguais, até porque algumas contribuem, por exemplo, com capital e outras com trabalho.

Uma empresa é constituída pela associação de elementos heterogêneos, cujos interesses podem mostrar-se bastante divergentes. No processo de crescimento, a empresa eventualmente alcança dimensões tais, que seus dirigentes perdem o controle sobre

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

os seus processos. Em conseqüência disso, surge a figura do diretor

ou administrador de empresas, que pode ou não ser a pessoa que detém a maior parte do capital.

Funções de direção

A direção da empresa tem a função de determinar as políticas

empresariais de promover a coordenação dos diferentes setores. Uma empresa pode ser comparada a uma máquina, cujas peças devem se ajustar de modo a atingir o melhor funcionamento geral. Para obter este resultado, a direção da empresa dispõe de diferentes procedimentos que, conforme já citado, podem ser classificados em:

Planejamento - tomar decisões sobre objetivos, ações futuras e recursos; Organização - compreende as decisões sobre a divisão de poder; autoridade, tarefas e responsabilidades , divisão de recursos; Coordenação - mobilizar pessoas para atingir os objetivos propostos; Controle - verificar a compatibilidade entre os objetivos e resultados.

Planejamento

Pode-se considerar o planejamento como um conjunto de decisões antecipadas com o objetivo de conduzir a empresa a atingir seus objetivos. O planejamento global da empresa, a curto prazo,

deve considerar principalmente as limitações impostas pelos seus componentes mais fracos. Por exemplo: se a empresa tem diante de

si um mercado de grandes possibilidades, mas sua capacidade de

produção é insuficiente, o planejamento a curto prazo deverá tomar como referência essa capacidade limitada de produção. A longo

prazo, ao contrário, o objetivo do planejamento deverá ser a redução

da distância entre os setores mais fracos e aqueles mais fortes. Neste

exemplo, seria necessário planejar a compra de novas máquinas, a contratação de pessoal , etc, para atingir no prazo previsto a plena realização do potencial da empresa.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Organização

A finalidade da organização é maximizar a eficácia no conjunto de

atividades da empresa. Para isso, a direção deve definir funções, obrigações e responsabilidades.

Além disso, é preciso elaborar um sistema de informações, que possibilite que as ordens e diretrizes circulem da maneira mais fluente possível. Com a devida organização, as operações de caráter repetitivo se mecanizam, de forma que sua execução se faça automaticamente , com ganho de tempo e rendimento.

A organização bem planejada e executada permite que a direção da

empresa se ocupe exclusivamente das questões mais importantes. Os problemas menos relevantes se solucionam em níveis inferiores da estrutura.

O planejamento e a organização são complementares: sem

planejamento, uma empresa, mesmo perfeitamente organizada, não poderá funcionar adequadamente. Do mesmo modo, a melhor idéia permanecerá parada na fase de planejamento se não houver uma organização adequada para realizá-la.

A estrutura organizacional geralmente obedece a um dos modelos básicos:

e

unidade de comando, cada subordinado obedece seu chefe imediato, e

Na

organização

linear,

rigidamente

fundamentada

na

hierarquia

a coordenação se faz exclusivamente por meio da escala hierárquica.

Aorganizaçãofuncional sepropõeaestabeleceradepartamentalização

por funções em todos os níveis da empresa.

A organização matricial surge nos casos em que se combinam, numa mesma estrutura, a organização funcional e a organização orientada

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

para a realização de projetos concretos. Ocorre assim uma interação dos fluxos de autoridade: um vertical, que corresponde à organização funcional, e o horizontal, que emana da autoridade técnica.

Coordenação

Para o bom funcionamento da estrutura organizacional de uma empresa, é necessário considerar certos princípios referentes à coordenação das atividades de seus colaboradores:

1- Princípio da unidade de objetivos: facilitar a contribuição de cada indivíduo, departamento ou órgão para atingir os objetivos; 2- Princípio da eficiência: conseguir os objetivos com o mínimo de custos; 3- Amplitude da autoridade: encontrar um ponto de equilíbrio em que a amplitude de autoridade seja suficientemente pequena para permitir o controle, e aberta o bastante para não bloquear o fluxo de informações; 4- Divisão e especialização do trabalho: centralizar a atenção em um número menor de operações ou problemas, trazendo maior rendimento com o mesmo esforço. Ainda que se reconheça a conveniência da divisão do trabalho e a conseqüente especialização dos membros da empresa, deve-se considerar que, levada essa prática além de certo limite, os resultados podem ser contraproducentes; 5- Unidade de comando: a organização deve ser disposta de tal modo que, em caso de conflito entre ordens emanadas de autoridades diferentes, a precedência seja clara; 6-Autoridade e hierarquia. A autoridade consiste no “direito de mandar e no poder de fazer-se obedecer”. A par da autoridade se situa a responsabilidade; quem exerce a autoridade deve assumir a responsabilidade conseqüente.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Controle

A função de controle busca avaliar em que medida os objetivos da

empresa são atingidos, localizar possíveis desvios e atuar mecanismos de correção.

Existem muitos tipos de controle nas empresas. Por exemplo, o controle de qualidade determina se um produto preenche certos requisitos. O controle integrado de gestão consiste no emprego de um conjunto de subsistemas de controle, que fiscalizam todos os aspectos da atividade empresarial e produzem um conjunto de relatórios que refletem o estado da empresa em certo momento.

A principal função dos controles é fornecer subsídios para os processos

de decisão na empresa. A partir dos dados fornecidos pelos sistemas de controle, a empresa: (1) orienta o seu processo de planejamento, (2) redimensiona sua organização e (3) redefine a coordenação das suas atividades.

Deste modo, a função de direção pode ser vista como um processo em contínua renovação em função dos desafios propostos pela própria organização, e pelo ambiente em que ela atua em contínua interação.

Muitas atividades, que são hoje objeto de tratamento científico, foram tidas como arte ou como conjunto de conhecimentos empíricos adquiridos pela experiência.

A atividade empresarial não escapou a essa regra. Até o início do

século XX essa atividade era vista como uma habilidade especial, fruto da intuição e exclusividade de certas pessoas. Ã medida que o

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

conhecimento administrativo evoluiu, multiplicaram-se em todo o mundo as instituições de ensino da administração como disciplina de caráter científico.

A análise operacional, a psicologia industrial, a mercadologia, a

estatística, a informática e a organização administrativa, entre outras, são disciplinas científicas, cujo domínio é obrigatório para dirigentes

de empresas.

Entre estas disciplinas fundamentais, destaca-se o estudo da Evolução do Pensamento Administrativo. O dirigente empresarial deve tentar compreender de que maneira as organizações evoluíram para responder às solicitações do ambiente em que atuavam. Estudando

os

casos de sucesso, poderemos tentar repeti-los. E, ao compreender

as

razões que conduziram aos grandes fracassos, teremos melhores

chances de evitá-los.

Prosseguiremos a nossa discussão, portanto, iniciando o estudo de um período fascinante da História empresarial; a chamada Revolução Industrial. Começaremos analisando os fatos históricos, econômicos e tecnológicos que criaram as condições que nos conduziram ao que, provavelmente, tenha sido o período de mudanças mais radicais e intensas vividas pela humanidade, desde seus primórdios. Até o próximo encontro!

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Aula 03Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Métodos de Pesquisa Científica 1ª parte Objetivos da aula: Ao

Métodos de Pesquisa CientíficaEvolução do Pensamento Administrativo - UVB Aula 03 1ª parte Objetivos da aula: Ao final desta,

1ª parte

Objetivos da aula:

Objetivos da aula: Ao final desta, aula espera-se que o aluno tenha desenvolvido habilidades suficientes para:

Ao final desta, aula espera-se que o aluno tenha desenvolvido habilidades suficientes para:

• Identificar os fatores que conduziram à Revolução Industrial; • Discutir as transformações ocorridas neste período e as influências ainda presentes;

• Localizar o surgimento da Teorias Administrativas no contexto dos eventos históricos relevantes da época.

no contexto dos eventos históricos relevantes da época. Os primórdios da Administração de Empresas Sempre

Os primórdios da Administração de Empresas

Sempre existiram empresas rudimentares, que remontam à época dos assírios, babilônios, fenícios etc. Durante toda a Antiguidade e a Idade Média, as pequenas empresas de base familiar constituíram a quase totalidade dos empreendimentos comerciais. Mesmo nos nossos dias, as empresas familiares de pequeno porte constituem uma grande parcela da “população”. De forma geral, estas empresas raramente adotaram modelos sofisticados de administração.

Sempre houve, porém, exceções; desde a Antiguidade existiram grandes organizações comerciais e bancárias, pertencentes às grandes famílias da nobreza européia. O comércio de longa distância sempre foi um negócio complexo e arriscado, exigindo organizações bem estruturadas e demandando complexas estruturas financeiras para o

seu financiamento.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

A

História registra a existência de grandes corporações comerciais

e

bancárias na Europa desde o século XIII. Alternando períodos de

crescimento e estagnação, o comércio europeu desenvolveu-se conjuntamente com a evolução dos meios de pagamento e crédito ( a cunhagem de moedas de alto valor, a invenção das cartas de crédito,

etc), o aperfeiçoamento dos controles contábeis ( a invenção na ália da contabilidade por partidas duplas) e as inovações técnicas (como

a bússola, por exemplo) que tornaram possíveis as viagens marítimas de longo curso dos séculos XV e XVI.

A evolução do comércio da Europa com o Oriente e depois com o

Novo Mundo proporcionou o surgimento das grandes Companhias mercantis (a Companhia das Índias Orientais, por exemplo), que

constituíram um capítulo à parte na História do capitalismo, levando

a Europa pós-feudal a adotar o sistema mercantilista.

O Mercantilismo Europeu

a adotar o sistema mercantilista. O Mercantilismo Europeu O Mercantilismo foi a política econômica adotada na

O Mercantilismo foi a política econômica adotada na Europa nos

séculos XVI e XVII, baseada no absolutismo estatal e na empresa

privada. A fase de desenvolvimento do mercantilismo corresponde

à transição do feudalismo para o capitalismo e à formação das

monarquias nacionais , apoiadas pela burguesia e desejosas de se

tornarem potências.

Nessa época, a riqueza de uma nação era determinada pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) que possuía. Para isso, os Estados- Nações da Europa buscaram sua expansão marítima e comercial, conquistando e explorando novos territórios, utilizando tanto o comércio quanto a força das armas.

Particularmente na Inglaterra, a burguesia mercantil se destacava

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

como força econômica e política. Gozando de ampla liberdade. Foi enormemente beneficiada pelo comércio exterior, sustentado pelo poderio militar e náutico do Reino. Estima-se que metade do ouro

extraído de Minas Gerais (além de grande parte dos lucros advindos

do comércio internacional de escravos) no século XVIII tenha ido parar

nos cofres do Banco da Inglaterra.

Os

recursos advindos do comércio durante este período financiaram

as

obras de infra-estrutura (estradas, canais), o que reduziu os custos

de

transação de mercadorias. Além disso, dada a sua abundância,

garantiram baixas taxas de juros, estimulando os investimentos em produção de bens destinados principalmente à exportação, fechando assim o circuito.

Os lucros acumulados nas mãos da burguesia inglesa criaram

simultâneamente a disponibilidade de capitais e a disposição para

o investimento; essa foi uma das molas mestras da Revolução Industrial.

A
A

influência do Liberalismo

O Liberalismo foi a doutrina política e econômica surgida na Europa,

no século XVIII, associada ao crescimento da classe média. Desafiando

o Estado absolutista, aristocrático e religioso, os liberais lutaram para implantar governos parlamentares e constitucionais, separados do clero e da monarquia.

O Liberalismo político defendia as liberdades individuais frente

ao poder do Estado, oportunidades iguais para todos e o direito do indivíduo de seguir a própria determinação, dentro dos limites impostos pelas normas, como fundamento das relações sociais.

O

liberalismo econômico propunha o fim da intervenção do Estado

na

economia por acreditar que a dinâmica de produção, distribuição

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

e

consumo de bens seria regida por leis próprias, como a lei da oferta

e

da procura.

Seu principal teórico foi o economista escocês Adam Smith (1723- 1790), autor do livro “Uma Investigação sobre a Natureza e Causas da Riqueza das Nações”. Ele propunha uma economia dirigida pelo jogo livre da oferta e da procura, (o chamado laissez-faire, “deixai fazer”), em contraposição ao Estado absoluto e intervencionista, que até então protagonizara o Mercantilismo europeu.

Para Adam Smith, a verdadeira riqueza das nações estaria no trabalho, que deve ser dirigido pela livre iniciativa dos empreendedores. O liberalismo econômico recebeu, posteriormente, as contribuições dos economistas ingleses Thomas Malthus (1766-1834) e David Ricardo

(1772-1823).

Na obra de Adam Smith, encontram-se as primeira referências à divisão do trabalho e à especialização (no seu clássico estudo da produção em uma fábrica de agulhas). Ele preconizou a importância do planejamento e do controle, do estudo de tempos e movimentos e

da adequada remuneração dos trabalhadores, que viriam a constituir

o cerne das teorias da administração moderna.

Revolução Industrial; afinal, o que aconteceu?

Nenhum período da História foi tão esmiuçado e dabatido pelos historiadores quanto a Revolução Industrial. Todos concordam que em nenhuma outra fase da História a Humanidade viveu transformações tão extraordinárias.

Para a maioria dos autores, a Revolução Industrial teve início com a invenção da máquina a vapor, por James Watt, em 1776. O trabalho do homem, do animal e da roda d’água foi substituído pela máquina, surgindo o sistema fabril. O antigo artesão transformou-se em

operário, a oficina em fábrica .

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

A aplicação da máquina no processo de produção provocou enormes

mudanças sociais. As novas oportunidades de trabalho provocaram

migrações e consequente urbanização ao redor de centros industriais.

A revolução estendeu-se aos meios de transportes e comunicações,

com o surgimento da navegação a vapor, da locomotiva a vapor, do telégrafo, etc. Entre o fim do século XVIII e meados do século XIX, o mundo mudou como nunca antes havia mudado.

Não existe, porém, consenso em torno de duas questões centrais:

O que, exatamente, provocou as radicais mudanças ocorridas entre

o final do sec.XVIII e a primeira metade do sec.XIX? E por que elas começaram exatamente no Reino Unido?

Revolução Industrial; afinal, o que aconteceu?

Unido? Revolução Industrial; afinal, o que aconteceu? Algumas respostas De maneira geral, a maioria dos autores

Algumas respostas

Industrial; afinal, o que aconteceu? Algumas respostas De maneira geral, a maioria dos autores concorda sobre

De maneira geral, a maioria dos autores concorda sobre a importância

da influência conjunta dos seguintes fatores:

• a acumulação de capitais, a partir do comércio marítimo e da colonização dos novos territórios (principalmente a América), além dos ganhos advindos do comércio de escravos;

• a liberalização da sociedade inglesa, com a adoção do parlamentarismo monárquico a partir de 1688 (a chamada Revolução Gloriosa, com a coroação de Guilherme de Orange), que veio a favorecer a burguesia mercantil e a nobreza rural progressista;

• a legislação inglesa da época (Declaração dos Direitos, em 1689), que limitou o poder do Estado de estabelecer monopólios e criar ou aumentar impostos, aumentando assim a atratividade das operações comerciais;

• a abundância de carvão, que proporcionou uma fonte de

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

energia muito mais adequada aos processos industriais do que a lenha, conferindo à Inglaterra uma enorme vantagem competitiva em relação a outros Estados;

• os ganhos de produtividade na agricultura, somados à facilidade de importar grãos do Novo Mundo, liberaram um enorme contingente de trabalhadores da agricultura para a indústria, sem comprometer a oferta de alimentos;

• a existência na Inglaterra, já desde o início do sec. XVIII, de um sistema muito consolidado de produção domiciliar voltado à comercialização (o putting-out sistem). Neste sistema, os artesão trabalhavam por encomenda dos comerciantes, que lhes forneciam as matérias primas. O putting-out sistem forneceu as bases para o sugimento do modelo de produção fabril;

• a liberdade política e a efervescência cultural e acadêmica na sociedade abastada da época levaram a progressos científicos sem precedentes, com destaque para a obra de Isaac Newton e outros;

• a combinação de disponibilidade de capitais, progresso científico e livre iniciativa com mercados em expansão conduziu a uma incrível onda de inovações tecnológicas, baseadas na tecnologia do vapor.

Revolução Industrial; o “marco zero”:

A história da administração moderna surge com o aparecimento da

grande empresa industrial. Foi a Revolução Industrial que provocou o aparecimento da grande empresa e da moderna administração.

A Revolução Industrial desenvolveu-se em duas fases distintas:

A primeira fase, de 1780 a 1860, foi a revolução do carvão (como

principal fonte de energia) e do ferro (como principal matéria-prima).

A introdução da máquina de fiar, do tear hidráulico e posteriormente

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

do tear mecânico e do descaroçador de algodão provocaram a mecanização das oficinas e da agricultura.

A

segunda fase, de 1860 a 1914, foi baseada na adoção da eletricidade

e

derivados do petróleo (como as novas fontes de energia) e do aço

(como a principal matéria-prima).

Com a introdução definitiva da automação e da especialização, ocorreu uma intensa transformação dos meios produção , que se estendeu aos transportes e comunicações; vieram a estrada de ferro, o automóvel, o avião, o telégrafo sem fio, o rádio. O capitalismo financeiro consolidou- se com o surgimento das grandes organizações multinacionais (Standard Oil, General Electric, Westinghouse, Siemens, Dupont, United States Steel etc.)

A moderna administração surgiu em resposta ao crescimento

acelerado e desorganizado das empresas, que forçou a adoção sistemas de administração capazes de substituir o empirismo e aumentar produtividade das empresas, para fazer face à intensa concorrência e à competição entre países que levaria, finalmente, à Primeira Grande Guerra, em 1914.

levaria, finalmente, à Primeira Grande Guerra, em 1914. A Moderna Administração A moderna administração surgiu
levaria, finalmente, à Primeira Grande Guerra, em 1914. A Moderna Administração A moderna administração surgiu

A Moderna Administração

A moderna administração surgiu no início do século XX, com a

publicação dos trabalhos de Taylor e Fayol. Esses precursores da

administração jamais se comunicaram entre si e seus pontos de vista são diferentes, até mesmo opostos. As suas idéias se complementam

e suas teorias dominaram o panorama da administração das empresas até meados do século XX.

O americano Frederick Winslow Taylor (1856- 1915) desenvolveu a

chamada Escola da Administração Científica, com a preocupação

de aumentar a eficiência da industria por meio da racionalização do

trabalho dos operários.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Henri Fayol, engenheiro de minas francês, (1841- 1925) elaborou a Escola Clássica da Administração, com a preocupação de aumentar a eficiência da empresa por meio de sua organização e da aplicação de princípios gerais de administração.

A partir desses dois pioneiros, a história da administração moderna

pode ser assim resumida :

- Teoria da Administração Científica: desenvolvida por engenheiros

americanos, seguidores de Taylor. Preocupavam-se principalmente com a organização das tarefas, isto é, com a racionalização do trabalho dos operários.

- Teoria Clássica da Administração: desenvolvida por seguidores de Fayol, enfoca a estrutura organizacional da empresa e o processo administrativo.

- Teoria das Relações Humanas: desenvolvida a partir de 1940, nos

Estados Unidos. Preocupada principalmente com as pessoas, com os grupos sociais e com a organização informal.

- Teoria da burocracia de Max Weber: desenvolvida a partir de 1950, preocupada em integrar todas as teorias das diferentes escolas acima.

O conjunto destas escolas forma um corpo teórico conhecido como a Perspectiva Clássica da Administração. Vamos estudá-las individualmente e em detalhe ao longo das próximas aulas.

Referência Bibliografica

BERNARDES. C. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Atlas, 1997

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Aula 04Evolução do Pensamento Administrativo - UVB A Administração Científica de Taylor a Ford Objetivos da Aula

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Aula 04 A Administração Científica de Taylor a Ford Objetivos
Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Aula 04 A Administração Científica de Taylor a Ford Objetivos

A Administração Científica de

Taylor a

Ford

Objetivos da Aula
Objetivos da Aula

Ao final da aula, é esperado que o aluno tenha desenvolvido habilidades e competências para compreender:

- Os acontecimentos que, durante o século XIX, culminaram com o surgimento das escolas modernas de administração; - Os aspectos fundamentais da primeira das grandes escolas: a Administração Científica; Também é esperado que o aluno desenvolva habilidades para analisar o caso mais clássico de aplicação dos princípios da Administração Científica: o fordismo.

O século XIX

No final do século XVIII, a introdução do uso intensivo das máquinas

a vapor na manufatura, combinada à influência do liberalismo econômico, inaugurou um período de profundas mudanças na economia e na sociedade: a Revolução Industrial.

Durante a primeira fase da Revolução Industrial (que ficou conhecida como

o desenvolvimento do pensamento

administrativo, com as obras dos economistas liberais: Adam Smith, Robert Malthus, David Ricardo, John Stuart Mill, Samuel P. Newman, entre outros.

a revolução do vapor), começou

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Os economistas liberais abordaram questões que viriam a constituir a base teórica do pensamento administrativo. Adam Smith introduziu os conceitos da especialização e divisão do trabalho; Malthus e Ricardo teorizaram sobre sistemas produtivos; Mill enfatizou as funções de controle e Newman abordou as funções do empreendedor. Embora genérica e pouco técnica, a contribuição dos economistas liberais estabeleceu as bases da teoria administrativa como campo de conhecimento independente.

A obra de Charles Babbage (mais conhecido com o precursor do

computador digital) também influenciou autores posteriores ao enfatizar a importância da especialização e divisão do trabalho, da padronização dos processos e controles e outros conceitos básicos de administração.

A obra do general prussiano Carl Von Clausevitz (1780-1831) também

merece citação. Em seus tratados “Sobre a Guerra” e ‘Princípios da Guerra”, ele estabeleceu alguns princípios fundamentais sobre a administração de grandes organizações: o conceito de estratégia, a aceitação da incerteza (e a importância do planejamento como forma de reduzi-la), o predomínio da razão e do cálculo sobre a intuição no processo decisório.

Os conceitos de Clausevitz foram muito utilizados nas grandes ferrovias construídas no início do século XIX. Depois dos exércitos, as ferrovias foram as primeiras corporações espalhadas em grandes áreas e que exigiam a coordenação precisa de esforços e recursos. Particularmente, Henry V. Poor (1812-1905), engenheiro ferroviário admirador e estudioso de Clausevitz, empregou e divulgou seus conceitos. Poor é considerado o primeiro consultor industrial e precursor do pensamento administrativo moderno.

De maneira geral, porém, o século XIX foi caracterizado por um grau até então desconhecido de inovação tecnológica e expansão da economia mundial. As economias industrializadas (Europa Ocidental,

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

principalmente Inglaterra, os Estados Unidos e posteriormente o Japão) experimentaram neste período taxas de expansão sem precedentes. A renda nestes países aumentou rapidamente para níveis inimágináveis em 1750, e imensamente superiores aos dos países mais “atrasados”, como Índia e China.

Este crescimento assombroso foi em grande parte sustentado pela adoção quase universal da cartilha liberal; o comércio internacional, impulsionado pelos transportes a vapor e pelos avanços nas comunicações (o telégrafo e posteriormente o telefone) foi tremendamente estimulado por uma política quase uniforme de baixas tarifas, pouco protecionismo e até pela aceitação quase universal do padrão-ouro, que forneceu uma conveniente base monetária para as transações internacionais.

Ao

final do século XIX, iniciou-se uma reversão gradual desta tendência

de

liberalização. Gradualmente, os governos passaram a ver o domínio

de

mercados e a acumulação de reservas como de importância bélica.

O

crescimento explosivo e desordenado das grandes corporações

internacionais européias e americanas levou à intensificação da concorrência. O crescente peso político destas corporações fez com que os governos adotassem políticas de restrição ao livre comércio, que fariam aumentar ainda mais as tensões internacionais, culminando com a eclosão da 1a Grande Guerra, em 1914.

A crescente hostilidade dos mercados a partir do final do século XIX parece ter sido a causa da preocupação com a eficácia das empresas da época. Os conhecidos conceitos assumiram a importância de questões vitais para a sobrevivência das empresas e passaram a ser adotados de forma ampla.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Cronologia das Origens do Pensamento Administrativo:

- UVB Cronologia das Origens do Pensamento Administrativo : (extraído de LODI, 2003; origem: Claude S.

(extraído de LODI, 2003; origem: Claude S. George Jr.)

: (extraído de LODI, 2003; origem: Claude S. George Jr.) Taylor e a Administração Científica Frederick

Taylor e a Administração Científica

Frederick W. Taylor (1856 - 1915), foi uma das figuras de maior destaque na história do pensamento administrativo. Nascido de uma família de classe média superior da Nova Inglaterra, teve uma educação primária privilegiada, porém, só aos 29 anos concluiu o curso de Engenharia.

Começou a trabalhar como aprendiz e operário de oficina mecânica. Em 1878 entrou na Siderúrgica Midvale Steel Co. Em seis anos, foi de torneiro a engenheiro-chefe, tendo iniciado seus estudos de tempos e processos já em 1881.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Em 1896, foi para a Bethlehem Steel Works. Seus estudos de

racionalização do trabalho levaram à redução de uma equipe de 600

para 140 homens, e diminuição (“de 7/8 para 3/4 de cêntimo” custos de manipulação de materiais.

nos

)

Taylorpublicoudiversostrabalhoseregistrouváriaspatentesaolongode

sua carreira. A sua principal obra, “Princípios de Administração Científica”,

é de 1911. Taylor declarou que o principal objetivo da Administração Científica consistia em “assegurar a máxima prosperidade para o empregador junto com a máxima prosperidade para o empregado”.

Máxima prosperidade significa para o empregador lucros a curto e a longo prazo, e para o empregado, remuneração gradualmente maior e pleno desenvolvimento de suas capacidades.

Taylor dizia que a “eficiência administrativa aumenta com a especialização do trabalho”. Assim, no início, Taylor preocupou-se apenas com processos. Mais tarde, chegaria à caracterização dos seus princípios de administração:

1 - Atribuir a cada operário a tarefa mais elevada possível;

2 - Solicitar de cada operário o máximo de produção possível;

3 - Oferecer a cada operário uma remuneração adequada à sua produtividade e acima dos padrões normais da época.

A partir de 1911, Taylor passou a ocupar-se, principalmente, da

identificação dos problemas das empresas, do estudo de suas causas

e soluções. Ele identificou a “vadiagem” do operário como o grande

problema da indústria da época, conceituando, assim, as suas causas:

1

- a idéia dos trabalhadores de que o maior rendimento do homem

e

da máquina terá como resultado o desemprego de grande número

de operários;

2 - sistemas defeituosos de gerência, que praticamente obrigavam os empregados a “fazer cera” (soldering) no trabalho;

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

3 - métodos empíricos antiquados e ineficientes, com os quais o operário desperdiçava grande parte de seu esforço.

Em seus estudos, Taylor colocou as seguintes condições para a solução:

1 - Desenvolver novos métodos científicos de trabalho, em lugar dos velhos métodos rotineiros;

2 - Selecionar o melhor trabalhador para cada tarefa; em seguida,

treiná-lo, formá-lo e motivá-lo, criando um “homem de primeira classe” (first class man);

3 - Criar um espírito de cooperação entre a direção e os trabalhadores;

4 - Aperfeiçoar a divisão do trabalho, combinando “seleção científica” e a ciência o trabalho.

Taylor também expôs regras e normas para o trabalho de usina ou oficina:

1 - Para cada indústria e processo, estudar e determinar a técnica mais conveniente;

2 - Analisar metodicamente o trabalho do operário, estudar e cronometrar os movimentos elementares;

3 - Transmitir instruções técnicas ao operário de forma sistemática;

4 - Selecionar os operários com base em critérios científicos;

5 - Separar as funções de preparação e execução;

6 - Especializar o operário;

7 - Predeterminar tarefas individuais e conceder prêmios pela boa execução;

8 - Padronizar ferramentas e utensílios;

9 - Distribuir eqüitativamente, por todo o pessoal, os ganhos decorrentes do aumento de produção;

10 - Controlar a execução do trabalho;

11 - Classificar as ferramentas, processos e produtos;

Um dos pontos principais do trabalho de Taylor é a separação entre as funções de preparação e as de execução. A finalidade do planejamento é estabelecer qual trabalho deve ser feito, como,

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

onde, por quem e, finalmente, quando será executado. Para isso,

Taylor propunha o emprego de quatro encarregados de preparação

e quatro encarregados de execução.

Os resultados obtidos por Taylor foram consequência de um estudo sistemático de fatores que afetam a produção. Sua contribuição para

a indústria foi o enfoque científico, substituindo processos rotineiros por outros deduzidos de análises prévias. Taylor abordou aspectos humanos e psicológicos, assim como os materiais e mecânicos, em suas investigações sobre produtividade.

Através da análise do trabalho e estudo de tempos e movimentos, ele viu a possibilidade de decompor cada tarefa em uma série ordenada de movimentos simples. Assim, procurou eliminar os movimentos inúteis, visando a economia de tempos e esforços. Determinando o tempo

médio que um operário médio levaria para executar determinada tarefa (cronoanálise), e adicionando a esse tempo os tempos elementares e

resulta o TEMPO PADRÃO, conceito

mortos ( espera, necessidades, central na teoria de Taylor.

),

( espera, necessidades, central na teoria de Taylor. ), Vantagens da “Administração Científica” -

Vantagens da “Administração Científica”

de Taylor. ), Vantagens da “Administração Científica” - otimização dos movimentos, redução dos tempos de

- otimização dos movimentos, redução dos tempos de produção;

- racionalização da seleção e do treinamento; - melhoria da eficiência do operário, mais rendimento da produção;

- distribuição uniforme do trabalho;

- estabelecimento de base uniforme para salários e prêmios;

- definição mais precisa do custo unitário;

Taylor estabeleceu o conceito de que o ser humano agiria de acordo com o seu interesse material (“homo economicus”), ignorando outras fontes de motivação e simplificando excessivamente os aspectos psicológicos do comportamento.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Os princípios de Taylor, apesar de criticados, ainda hoje servem como “critérios” gerais para o treinamento da supervisão. A obra de Taylor ainda constitui um marco e uma contribuição inestimável à Teoria Administrativa.

O fordismo

Para alguns autores, fordismo é sinônimo de taylorismo; produção em massa, linha de montagem automatizada. A Ford representou, por décadas, um modelo quase perfeito de aplicação sistemática e maciça dos conceitos tayloristas de organização da produção.

Mais do que isso, Ford soube compreender as características da

sociedade americana da época e, desta forma, construiu uma história

de

enorme sucesso empresarial. O modelo fordista reconheceu o modo

de

organização e atuação dos sindicatos dos trabalhadores, utilizando

políticas salariais ousadas como um elemento da sua estratégia.

O

traços fundamentais:

método

administrativo

de

fordista

apresenta

os

seguintes

de

especialização;

2-desenvolvimentodamecanizaçãoutilizandoequipamentos

especializados;

3 - produção em massa com elevado grau de padronização;

4 - salários elevados e crescentes, incorporando ganhos de produtividade.

1

-

racionalização

taylorista

do

trabalho,

alto

grau

Ford levou às últimas conseqüências o emprego da racionalização taylorista da produção em série, empregando a linha de montagem e a padronização das peças num grau inédito.

A divisão do trabalho em segmentos de tarefas repetitivas

exigia

de

uma

direção

bastante

autoritária

e

a

imposição

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

disciplina ao operário e, portanto, requeria uma pesada estrutura de controle/supervisão da produção.

Os anos de crescimento

Em 1902, Ford alugou uma oficina e fundou a Ford Motor. As

pessoas na época tratavam os carros como brinquedos velozes

e não vislumbravam o futuro como Henry Ford. Seu valor como

indústria dos automóveis

não repousava no que chamaríamos uma base honesta

ali por 1910 e 1911, o dono

de um carro passava por um homem rico que devia ser espoliado. Desde o primeiro momento enfrentamos com firmeza tal situação. Não queríamos que o nosso êxito comercial se entorpecesse graças à cupidez estúpida de alguns indivíduos

”, numa dura

crítica aos empresários da época. E “

empreendedor revela-se nestas frases: “

a

até

Ford sempre acreditou na utilidade do automóvel; ele devia ser robusto, simples, confiável. Baseado nestes princípios, criou o Modelo T (que venderia um total de 15 milhões de unidades). Em 1911, Ford terminou de construir uma fábrica imensa, ocupando um terreno de 32 acres e que chegou a empregar dezenas de milhares de pessoas nos ano 20.

O Milagre Americano da década de 20 foi um período de prosperidade.

De 1919 a 1929, a produção de automóveis cresceu 255% nos EUA. As indústrias expandiam-se impulsionadas pela inovação tecnológica. A linha de montagem em série revolucionou a produção industrial. A produção em massa proporcionou massificação do consumo.

A combinação destes fatores leva à compreensão do modelo fordista:

1 - Organização do processo de produção com intensa divisão/especialização do trabalho, estruturas empresariais altamente hierarquizadas, ênfase na mecanização para a solução de problemas técnicos;

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

2 - Acentuada estratificação das qualificações;

3 - Elevada mobilidade dos trabalhadores entre firmas e regiões;

4 - Indexação parcial dos salários aos preços e total indexação dos salários à produtividade (não explícita), influência moderada do desemprego em relação ao salário e baixa incidência de benefícios previdenciários em relação aos salários; 5 - Estilo de vida dos assalariados caracterizado pelo consumo de massa.

vida dos assalariados caracterizado pelo consumo de massa. A crise do Fordismo A crise do fordismo

A crise do

Fordismo

A crise do fordismo foi estrutural. A fadiga do modelo de produção em massa levou à queda dos ganhos de produtividade (escala), o que representou o esgotamento do fordismo taylorista como modo de organização de produção.

Os principais fatores que levaram à crise fordista foram:

1 - Aumento do poder dos sindicatos, questionando alguns

aspectos básicos de organização e gestão de produção, tais como o tempo-padrão, os ritmos de linha de montagem, os horários de trabalho, etc; 2- Recusa dos operários de determinadas formas de organização do trabalho, especialmente aquelas com forte pressão de tempo;

3 - Elevação do nível de instrução, fazendo com que cada vez menos pessoas se sujeitassem ao trabalho desqualificado das linhas de montagem;

4 - Discrepância entre a administração científica e a tendência de avaliar a qualidade e a iniciativa no trabalho;

5 - Excessiva rigidez do sistema baseado na produção maciça,

face à necessidade de soluções de maior flexibilidade para atender a crescente diversificação e sofisticação da demanda.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Comparado aos sistemas mais antigos, o fordismo mostrou-se tremendamente eficiente na tarefa de expandir mercados. O fordismo possuía uma estratégia de crescimento muito explícita: “qualquer cor, desde que seja preta”. Esta é frase emblemática do sistema de produção em massa voltado ao processo que representou a essência do industrialismo do início do século XX. A indústria de massa atende às demandas de operários e consumidores pouco exigentes. O fordismo taylorista foi vítima da prosperidade que ele próprio ajudou a criar.

A evolução, sofisticação e diversificação das demandas do mercado e da concorrência viriam a transformar a indústria e, consequentemente, o pensamento administrativo contemporâneo. O foco passaria do processo para o cliente, das máquinas para as pessoas. Trataremos destes assuntos nas próximas aulas.

Referência Bibliográfica:

BERNARDES. C. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Atlas, 1997. CHIAVENATO, Idalberto. Administração: Teoria, Processo e Prática. São Paulo: McGraw Hill, 1987.

CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração: Abordagens Prescritivas e Normativas da Administração. São Paulo: Makron Books, 1997.

MOTA, Fernando C. Prestes & VASCONCELLOS, Isabella F. Gouveia de. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Thomson, 2002.

Aula 05 Fayol e a Escola Clássica Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Objetivos da

Aula 05

Fayol e a

Escola Clássica

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Objetivos da aula:

Objetivos da aula: A aula de hoje tem como objetivo promover o estudo dos aspectos fundamentais

A aula de hoje tem como objetivo promover o estudo dos aspectos fundamentais da chamada Escola Clássica de Administração.

Introdução:

Enquanto Frederick Taylor e outros engenheiros americanos desenvolviam nos Estados Unidos a Administração Científica, por volta de 1916, surgia na França o movimento conhecido como a Teoria Clássica da Administração, que logo se espalharia pela Europa.

As duas escolas, Cientifica e Clássica, tinham por objetivo maximizar

a eficiência da organização, que se tornava questão de sobrevivência,

à medida que as empresas expandiam-se, levando a concorrência a

níveis desconhecidos até então. A grande diferença entre as duas é que, enquanto Taylor e seus seguidores colocavam toda a ênfase nas tarefas (ou seja, no trabalho do operário), os devotos da Teoria Clássica da Administração, encabeçado por Fayol, enfocaram a estrutura da organização.

Na Escola da Administração Científica, desenvolvida por Taylor, a preocupação básica era aumentar a produtividade da empresa por meio do aumento de eficiência no nível operacional. Nesse

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

sentido, essa abordagem trata a organização “de baixo para cima” (do operário para supervisor e gerente). Essa análise constituiu a chamada “Organização Racional do Trabalho”.

Já a Teoria Clássica tinha como preocupação básica aumentar a eficiência da empresa por meio da forma e disposição dos órgãos competentes da organização e das suas inter-relações estruturais. Nesse sentido, essa corrente é inversa à abordagem da Administração Científica: de cima para baixo (da direção aos departamentos) e a sua principal característica é a ênfase na estrutura.

Partindo da análise do todo organizacional, a Escola Clássica busca a eficiência, a partir da otimização da estrutura da organização, que levaria naturalmente à máxima eficácia de cada uma das suas partes. Taylor enfoca o operário e a sua supervisão, Fayol dá mais importância à chefia em si, bem como aos cargos mais elevados dentro da empresa.

em si, bem como aos cargos mais elevados dentro da empresa. Vida e obra de Fayol

Vida e obra de Fayol

Henri Fayol (1841 - 1925), nasceu em Constantinopla e faleceu em Paris. Formou-se em engenharia de minas aos 19 anos, ingressando, então, na empresa metalúrgica e carbonífera, na qual desenvolveu toda sua carreira. Aos 25 anos, tornou-se gerente de minas e em 1888, aos 47 anos, assumiu a gerência geral da Commanbault, que estava em grave crise desde 1943.

Segundo o seu próprio relato:

houve ”

apenas uma mudança na forma de exercer a função

administrativa

,

os negócios voltaram a prosperar

Com

as mesmas

minas,

máquinas

e recursos

idênticos

mercados,

a

Sociedade

começa um movimento ascendente.(

)

A aplicação do método de

administração positiva é a única razão da mudança que se operou a

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

partir de 1888 na vida da Sociedade Commanbault.” (Fayol apud PARK ,1997).

Durante muitos anos, Fayol não escreveu nem divulgou suas idéias,

a não ser em sua própria indústria. Seu livro Administração Geral e

Industrial (1916) só veio a ser publicado quando Fayol já tinha 70 anos;

o trecho entre aspas acima foi extraído da tradução brasileira.

Como engenheiro, Fayol acostumou-se a trabalhar baseado em princípios e técnicas. Ele levou esse hábito de trabalho para o seu cargo de gerente e depois para o diretor, formulando um conjunto de “princípios de administração geral” que ele considerava úteis para toda situação administrativa, qualquer que fosse o tipo ou ramo da empresa.

Fayol sempre afirmou que seu êxito devia-se não só às suas qualidades pessoais mas aos métodos que empregava. Fayol empregou seus últimos anos de vida à tarefa de demonstrar que, com previsão científica e métodos adequados de gerência, resultados satisfatórios, eram inevitáveis, deixando uma influência na administração francesa conhecida como “fayolismo”.

na administração francesa conhecida como “fayolismo”. Princípios da Administração Fayolista A ciência da

Princípios da Administração Fayolista

A ciência da administração, como toda ciência deve basear-se em

leis ou em princípios. Dessa forma, como a função administrativa restringe-se somente ao pessoal, isto é, ao corpo social, é necessário um certo número de condições e de regras, as quais poderia-se dar o nome de princípios, para assegurar o seu bom funcionamento.

No livro Administração Geral e Industrial, Fayol elaborou os seus princípios gerais da administração, alguns dos quais contrastam com os de Taylor. Por exemplo, Taylor propunha o emprego de diversos supervisores, cada um especializado em um aspecto da tarefa

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

do operário, enquanto Fayol defendia o princípio de unidade de comando, segundo o qual uma pessoa deve ter apenas um chefe no seu trabalho.

A fim de delinear a capacidade administrativa, Fayol apresenta 14

princípios:

• Divisão do Trabalho – especialização das tarefas e pessoas para a máxima eficiência;

• Autoridade e Responsabilidade - Uma pessoa responsável pelo resultado de uma operação deve ter autoridade para tomar as medidas necessárias para o sucesso dessa operação;

• Disciplina – obediência, respeito aos acordos;

• Unidade de Comando - um empregado deve receber ordens de apenas um superior;

• Unidade de Direção - deve haver “uma cabeça e um plano” para um grupo de atividades que cumpre o mesmo objetivo;

• Interesses Gerais – sobrepostos aos interesses particulares

• RemuneraçãodoPessoal–retribuiçãojustaparaaorganização e para seus colaboradores;

• Centralização – concentração da autoridade no topo da pirâmide hierárquica;

• Cadeia de Comando – linha única de autoridade, do topo à base;

• Ordem – “um lugar para cada coisa, cada coisa (ou pessoa) em seu lugar”;

• Eqüidade – amabilidade e justiça para obter lealdade

• Estabilidade – quanto mais tempo em um cargo, melhor;

• Iniciativa – visualizar um plano e garantir seu sucesso;

• Espírito e Equipe – união e harmonia entre as pessoas.

O caráter universal desses princípios os tornava muito vagos e pouco

indicativos para decisões específicas, ainda mais que eles podem

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

colidir e auto eliminar-se em um dado momento. Os chamados “princípios” de Fayol, como os de Taylor, devem ser tomados como critérios genéricos.

os de Taylor, devem ser tomados como critérios genéricos. As funções Básicas da Empresa Como a

As funções Básicas da Empresa

Como a Teoria Clássica da Administração de Fayol enfatiza a estrutura da organização, fez-se necessário ao teórico distinguir as funções essenciais de uma empresaria. São elas:

• Técnicas – relacionadas à produção;

• Comerciais – compra e venda;

• Financeiras – captação e gerenciamento de capitais;

• Segurança – proteção do patrimônio e das pessoas;

• Contábeis – inventários, balanços, etc;

• Administrativas – integram as outras funções.

Partindo dessas funções, Fayol procurou estabelecer a importância relativa dessas diversas funções/capacidades em cada nível da empresa (diretor, chefe de serviço técnico, chefe de divisão, chefe de oficina, contramestre e operário). Ele sugeriu tabelas de avaliação que, embora elaboradas sem rigor estatístico, apresentam uma proposição muito útil ainda hoje: “A capacidade técnica é a principal capacidade dos chefes inferiores da grande empresa e dos chefes da pequena empresa industrial; a capacidade administrativa é a principal capacidade dos grandes chefes. A capacidade técnica domina a base da escala hierárquica, a capacidade administrativa, o topo.”

Quanto à função administrativa: “nenhuma das outras cinco funções tem o encargo de formular o programa de ação geral da empresa, constituir seu corpo social, coordenar os esforços e harmonizar os atos. Essas atribuições constituem uma função designada, habitualmente, pelo nome de Administração”.

Os

Os Elementos da Administração Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Como você estudou, a administração é

Elementos da Administração

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Como você estudou, a administração é a principal função do gerente, pois imagine uma empresa que tecnicamente é excelente, mas que não consegue gerenciar a sua produção. Seria uma loucura, não

é mesmo?!?! Seguindo essa afirmativa, Fayol destacou as funções administrativas ou elementos da administração, como sendo as seguinte:

• Previsão – avaliação do futuro e aprovisionamento de acordo com essa avaliação em plano de ação que deve ter unidade, continuidade, flexibilidade e precisão;

• Organização – provisão do necessário ao funcionamento da empresa; dividida em organização material e social;

• Comando – obtenção do máximo empenho dos funcionários na consecução dos objetivos da empresa;

• Coordenação – harmonização das atividades da empresa;

• Controle – verificação da conformidade do andamento das ações com o planejamento, instruções e princípios.

O diretor, o gerente, o chefe, o supervisor, o encarregado - cada

qual em seu nível – devem assim exercer todas as atividades acima para uma boa gestão; essas atividades são chamadas de processo administrativo.

Lembrandoque,independentedopontohierárquicoondeofuncionário encontra-se, ele sempre fará parte do processo administrativo, entretanto, a medida que se desce na escala hierárquica, mais será aumentada a proporção das outras funções da empresa e, a medida que sobe na escala hierárquica, mais aumenta a extensão e o volume das funções administrativas.

Comando: Autoridade e Responsabilidade Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Mesmo não tendo preocupado-se,

Comando: Autoridade e Responsabilidade

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Mesmo não tendo preocupado-se, excessivamente, em estudar a

previsão, a coordenação e o controle; Fayol foi bastante específico quanto à analise da organização e comando. Quanto organização, ele preocupou-se em estudar os tipos de funcionários que comporiam

os quadros da média e baixa administração, além de determinar suas

características.

E o qual seria o perfil do chefe? No tocante ao comando, Fayol

enfatizou o conceito da autoridade como sendo inseparável da responsabilidade. Assim sendo, o elemento que exerça um cargo de chefia deve:

• Ter um conhecimento profundo de seu pessoal;

• Excluir os incapazes;

• Conhecer os contratos de trabalho entre a empresa e seus agentes;

• Dar o exemplo;

• Fazer inspeções periódicas;

• Reunir seus principais colaboradores em conferências, para obter unidade de direção e convergência de esforços;

• Não se deixar absorver pelos detalhes;

• Incentivar no pessoal a atividade, a iniciativa e o devotamento.

Fayol dizia que a “autoridade é o direito de dar ordens e o poder de exigir obediência”. Da mesma forma que a autoridade, a responsabilidade é um dos termos mais mal compreendidos na literatura administrativa.

O termo responsabilidade é usado como sentido de dever, de

atividade, de atribuição. Diz-se que a responsabilidade é delegada a subordinados, embora, na realidade, o que se delegue seja autoridade.

A essência da responsabilidade é a obrigação de utilizar a autoridade

para exigir que sejam executadas as tarefas.

Síntese:

Síntese: A Abordagem Clássica Evolução do Pensamento Administrativo - UVB A abordagem Clássica da Administração tem
Síntese: A Abordagem Clássica Evolução do Pensamento Administrativo - UVB A abordagem Clássica da Administração tem

A Abordagem

Clássica

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

A abordagem Clássica da Administração tem origem no ambiente

econômico da época da 2ª Revolução Industrial, a partir de meados do século XIX. O crescimento acelerado e desorganizado das empresas, característica desse período, veio a exigir abordagens estruturadas das questões de administração.

Tornava-se imperativo aumentar a eficiência e a competência das organizações, no sentido de obter-se o melhor rendimento possível dos seu recursos e fazer face à concorrência e à competição que se avolumavam entre as empresas.

O panorama industrial, no início deste século, tinha todas as

características e elementos para poder inspirar uma Ciência da Administração: variedade de empresas, tamanhos diferenciados, problemas de baixo rendimento da maquinaria utilizadas, etc. As soluções basearam-se, normalmente, no princípio de especialização e divisão de trabalho, particularmente entre as funções de planejamento e as operacionais, com grande valorização daquelas.

As teorias propostas por Taylor e Fayol deram ênfase à organização

formal e à racionalização dos métodos de trabalho. A organização

cientifica do trabalho trouxe uma abordagem rígida, que considera o homem quase um acessório da máquina. Na organização fayolista, o

ser humano é um elemento da estrutura.

A aplicação combinada dos conceitos de ambas levou a indústria a

novos níveis de eficiência, porém viria a mostrar-se incapaz de resolver todas as questões organizacionais. Mesmo assim, a contribuição de Fayol foi imensa e poderia talvez ser resumida neste parágrafo:

“Até agora, o empirismo tem reinado na administração dos negócios. Cada chefe dirigia à sua maneira, sem se preocupar em saber se há leis

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

que regem a matéria. É necessário introduzir o método experimental, como Claude Bernard introduziu na Medicina . Isto é, observar, recolher, classificar e interpretar os fatos. Instituir experiências. Impor regras”.

Referência Bibliográfica:

BERNARDES. C. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Atlas, 1997. CHIAVENATO, Idalberto. Administração: Teoria, Processo e Prática. São Paulo: McGraw Hill, 1987.

CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração: Abordagens

Prescritivas e Normativas da Administração. São Paulo: Makron Books,

1997.

MOTA, Fernando C. Prestes & VASCONCELLOS, Isabella F. Gouveia de. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Thomson, 2002.

Aula 06Teoria das Relações Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Humanas Objetivos da aula: Nesta aula

Teoria das RelaçõesAula 06 Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Humanas Objetivos da aula: Nesta aula espera-se que

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Humanas

Objetivos da aula:

Objetivos da aula: Nesta aula espera-se que o aluno desenvolva habilidades e competências

Nesta

aula

espera-se

que

o

aluno

desenvolva

habilidades

e

competências para:

 

Estabelecer

as

condicionantes

históricas

e

sociais

do

surgimento da Teoria das Relações Humanas;

 

Descrever a sua evolução;

 

Expor seus princípios;

 

Discutir a sua atualidade e aplicabilidade.

 
• Discutir a sua atualidade e aplicabilidade.   Introdução: A Escola das Relações Humanas A Teoria

Introdução: A Escola das Relações

Humanas

A Teoria das Relações Humanas surgiu nos Estados Unidos como

conseqüência imediata das conclusões obtidas na Experiência em Hawthorne, desenvolvida por Elton Mayo e seus colaboradores. Foi basicamente um movimento de reação e de oposição à Teoria Clássica da Administração.

A Escola das Relações Humanas é o grande contraponto às teorias

de Taylor e Fayol, por afirmar que o trabalho é uma atividade grupal e que os indivíduos têm motivações não econômicas (psicológicas) para o trabalho. A teoria das Relações Humanas só ganhou expressão após a morte de Taylor, a partir do início da década de 30.

A partir da Abordagem Humanística, a Teoria Administrativa sofreu

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

uma verdadeira revolução conceitual, transferindo a ênfase do pensamento administrativo dos processos (Taylor) e da estrutura (Fayol) para as pessoas que trabalhavam na organização.

Seu surgimento deve-se em grande parte ao desenvolvimento da Psicologia, bem como às modificações ocorridas no panorama social, econômico e político da época, com destaque para o advento da Grande Recessão dos anos 30, que forçou as empresas a redefinirem seus conceitos de produtividade.

A Teoria das Relações Humanas surge a partir dos seguintes fatores:

• A necessidade de humanizar e democratizar a administração, libertando-a dos conceitos rígidos e mecanicistas da Teoria Clássica e adequando-a aos novos padrões de vida do povo americano;

• O desenvolvimento da psicologia e da sociologia no início do século XX;

• As conclusões da Experiência de Hawthorne, desenvolvida entre 1927 e 1932, sob a coordenação de Elton Mayo.

entre 1927 e 1932, sob a coordenação de Elton Mayo. A Transição: Follet e Barnard Já

A Transição:

Follet e Barnard

Já a partir do início do século, diversos autores questionaram os conceitos da abordagem clássica de Taylor e Fayol, sendo que os mais expressivos foram Mary Parker Follet e Chester Barnard. Suas obras representam a transição entre a escola Clássica e Científica e a escola das Relações Humanas.

Para muitos estudiosos, a visão de Mary Parker Follet (1868-1933) é até mais profunda do que a de Mayo e seus colaboradores. O seu trabalho baseia-se na sua crença em soluções positivas para os conflitos. Para ela, o conflito é algo inerente às relações humanas e representa a diferença que habita a individualidade humana. Cada indivíduo tem

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

propósitos, desejos e vontades próprios, que muitas vezes conflitam com os de outros. Assim, também, as organizações têm objetivos que conflitam com os de outras organizações e/ou dos indivíduos que dela fazem parte.

O conflito, portanto, é algo do qual não podemos fugir. Podemos,

porém, tratá-lo de diversas formas. Podemos buscar soluções de dominação, do tipo um “ganha e outro perde” ou ainda encontrar uma conciliação que adie o confronto. Nestas duas formas de tratar os conflitos, os desejos de pelo menos uma das partes não foram

satisfeitos, o que fatalmente fará com que o conflito se manifeste novamente, potencializado.

Follet propõe uma terceira solução, a integração. Na integração, o

conflito seria resolvido de forma a atender ambas as partes, buscando-

se uma solução criativa que não estaria em nenhuma das alternativas

em conflito. A solução integrativa, portanto, exigiria criatividade; a busca de uma terceira alternativa que contemplasse o desejo de ambas

as partes em conflito. É claro que nem sempre é possível uma solução

integrativa, mas na maioria dos casos que resultam em dominação ou conciliação, em tese seria possível uma solução integrativa.

Mary Parker Follet e Chester Barnard (1886-1961) compartilham a visão de que a organização é um sistema social e que a produção é um processo cooperativo que depende da participação integrada de seus diferentes componentes. Esta visão da organização como um sistema cooperativo é a base de todo o trabalho de Barnard sobre as funções do executivo. O executivo, para ele, deveria manter o sistema de esforços cooperativos, dando propósito organizacional e convergindo a atenção aos interesses individuais (eficiência) e aos da organização (efetividade).

A Teoria das Relações Humanas surgiu do amadurecimento destes

questionamentos. Ela foi desenvolvida principalmente por George Elton Mayo, considerado o fundador da escola graças às conclusões

obtidas na Experiência de Hawthorne.

Hawthorne:

obtidas na Experiência de Hawthorne. Hawthorne: os Estudos de Elton Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

os Estudos de Elton

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

George Mayo

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB George Mayo A Western Eletric era uma companhia norte-americana que

A Western Eletric era uma companhia norte-americana que

fabricava equipamentos para empresas telefônicas. A empresa sempre se caracterizara pela preocupação com o bem estar de seus funcionários e por cerca 20 anos não se constatara nenhuma greve ou manifestação.

No período entre 1927 e 1932 foram realizadas pesquisas em uma das fábricas da Western Electric Company, localizada em Hawthorne,

distrito de Chicago. A fábrica contava com cerca de 40 mil empregados

e as experiências realizadas visavam detectar de que modo

fatores ambientais - como a iluminação do ambiente de trabalho - influenciavam a produtividade dos trabalhadores.

Estas experiências foram coordenadas por Elton Mayo e se estenderam

ao estudo da fadiga, dos acidentes no trabalho, da rotação de pessoal

e do efeito das condições físicas de trabalho sobre a produtividade

dos empregados.

O principal resultado do experimento de Hawthorne foi seu fracasso

inicial. Os pesquisadores não conseguiram provar a existência de qualquer relação simples entre a intensidade de iluminação e o ritmo de produção. Reduzia-se e aumentava-se a iluminação na sala experimental. Esperava-se queda na produção quando as condições eram pioradas; o resultado foi o oposto. A produção na verdade aumentou quase sempre, independente das variáveis ambientais.

Os pesquisadores verificaram que os resultados da experiência eram

“prejudicados”porvariáveisdenaturezapsicológica.Tentarameliminar

ou neutralizar o fator psicológico, então estranho e impertinente. A

experiência prolongou-se até 1932, quando foi suspensa em razão da

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

crise dos anos 30.

Descrição da Experiência de Hawthorne

crise dos anos 30. Descrição da Experiência de Hawthorne Os estudos básicos efetuados por Mayo e
crise dos anos 30. Descrição da Experiência de Hawthorne Os estudos básicos efetuados por Mayo e

Os estudos básicos efetuados por Mayo e seu grupo tiveram

três fases:

básicos efetuados por Mayo e seu grupo tiveram três fases: - Sala de Provas de Montagem
-
-
efetuados por Mayo e seu grupo tiveram três fases: - Sala de Provas de Montagem de

Sala de Provas de Montagem de Relés

tiveram três fases: - Sala de Provas de Montagem de Relés Teve inicio em 1927 e

Teve inicio em 1927 e a sua finalidade era realizar um estudo da fadiga no trabalho e dos efeitos gerados por mudanças de horários ou introdução de intervalos de descanso no período de trabalho. Foram selecionadas para a experiência seis operárias. A ênfase dada pelos pesquisadores estava em se manter o ritmo de produção, controlando com maior exatidão algumas condições físicas, como temperatura, umidade da sala, duração do sono na noite anterior, alimentos ingeridos, etc.

Após um longo período de experimentos, verificou-se aumento contínuo da produção, independente da variação das condições ambientais e da estrutura de benefícios oferecidos às trabalhadoras, contrariando totalmente os pressupostos do Método Científico.

Verificou-se, por outro lado, que as moças declaravam gostar de trabalhar na sala de provas; a supervisão era branda, o ambiente era amistoso e sem pressões, a conversa era permitida e não havia temor ao supervisor. Houve um desenvolvimento social do grupo experimental. As moças fizeram amizades entre si e essas amizades estenderam-se para fora do trabalho. Tornaram-se uma equipe, desenvolvendo lideranças e objetivos comuns.

-
-

Programa de Entrevistas

lideranças e objetivos comuns. - Programa de Entrevistas O objetivo do programa de entrevistas anuais era

O objetivo do programa de entrevistas anuais era determinar os

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

motivos que levavam os funcionários a adotar posturas diferentes nos seus departamentos e na sala de provas. O enfoque da pesquisa passou do método científico para as relações humanas.

Nesta fase, a maioria dos supervisores foi incluída no programa como entrevistadores. O programa foi bem aceito tanto pelos operários quanto pelos supervisores, já que os primeiros encontravam a possibilidade de falar o que sentiam a respeito da organização como um todo, enquanto os últimos poderiam conhecer os problemas e anseios que afligiam seus subordinados.

O resultado do início do programa foi sentido imediatamente: a

produtividade dos operários aumentou e a supervisão melhorou. A

melhoria dos resultados dos operários foi atribuída a um sentimento de importância desencadeado pelo programa. No caso dos supervisores,

o conhecimento dos interesses dos operários foi o responsável pelas sensíveis mudanças no modo de supervisão.

O Programa de Entrevistas constatou que os fatores psicológicos

alteravam de maneira significativa o comportamento dos funcionários.

O Programa possibilitou que os funcionários mostrassem à direção

quais eram suas angústias mais freqüentes, possibilitando que estas fossem estudadas e seus efeitos minimizados.

-
-
que estas fossem estudadas e seus efeitos minimizados. - Sala de Observações de Montagem de Terminais

Sala de Observações de Montagem de Terminais

- Sala de Observações de Montagem de Terminais A principal descoberta dos pesquisadores durante as

A principal descoberta dos pesquisadores durante as entrevistas foi a

existência dos chamados grupos informais. Formados pelos operários para zelar pelo seu bem-estar, estes grupos eventualmente forçavam

a produção controlada.

Através desta organização informal, os operários mantinham uma certa lealdade ente si. Porém, os pesquisadores notaram que, muitas vezes, o operário pretendia também ser leal à empresa. Este aparente conflito entre o grupo e a companhia trazia tensão, inquietação e

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

descontentamento. Para estudar este fenômeno, os pesquisadores desenvolveram a Quarta Fase da experiência.

Escolheu-se um grupo experimental – nove operadores, nove soldadores e dois inspetores, todos da montagem de terminais para estações telefônicas – que passaram a trabalhar em uma sala especial com idênticas condições de trabalho do departamento. Havia um observador dentro da sala e um entrevistador que ficava do lado de fora e que entrevistava esporadicamente aqueles operários. Esta experiência durou de novembro de 1931 a maio de 1932 e visava analisar a organização informal dos operários.

O sistema de pagamento era baseado na produção do grupo, havendo

um salário-hora com base em diversos fatores, com um salário mínimo- horário, para o caso de interrupções na produção. Os salários somente poderiam ser elevados se a produção total aumentasse. Logo ficou constatado que os operários usavam de vários truques; logo que montavam o que julgavam ser a sua produção normal, reduziam seu ritmo de trabalho.

Verificou-se que estes operários passaram a apresentar uma solidariedade grupal, desenvolvendo métodos para assegurar suas atitudes. Considerava-se “delator” quem prejudicasse algum

companheiro e os mais rápidos eram pressionados para “estabilizarem”

a sua produção. Essa fase permitiu o estudo das relações entre a organização informal dos empregados e a organização formal da fábrica.

Conclusões da Experiência em

Hawthorne

formal da fábrica. Conclusões da Experiência em Hawthorne A experiência em Hawthorne levou ao estabelecimento dos

A experiência em Hawthorne levou ao estabelecimento dos princípios

básicos da Escola das Relações Humanas. As principais conclusões

foram:

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

- O nível de produção é resultante da integração social e não da capacidade física ou fisiológica do empregado (como afirmava a teoria clássica). Quanto mais integrado socialmente no grupo de trabalho, maior a sua disposição de produzir;

- Os empregados se apóiam no grupo; não reagem isoladamente como indivíduos, mas como membros do grupo. O grupo define as regras de atuação e pune o indivíduo que sai das normas grupais;

- A empresa é na verdade uma organização social composta de diversos grupos sociais informais. Esses grupos definem suas regras de comportamento, suas formas de recompensas ou sanções sociais, seus objetivos, sua escala de valores sociais, suas crenças e expectativas;

- Os indivíduos dentro da organização participam de grupos sociais e mantêm uma constante interação social. Relações Humanas são as ações e atitudes desenvolvidas pelos contatos entre pessoas e grupos;

- Cada indivíduo é uma personalidade diferenciada que influi no comportamento e nas atitudes dos outros indivíduos com quem mantém contatos. A compreensão da natureza destas relações humanas permite ao administrador obter os melhores resultados de seus subordinados;

- O “conteúdo do cargo”, a especialização e portanto a maior fragmentação do trabalho não é a forma mais eficiente de organização do trabalho, pois leva à monotonia e reduz a motivação;

- Os elementos emocionais, não planejados e mesmo irracionais do comportamento humano merecem atenção especial;

- A organização desintegra grupos primários (família), mas forma uma outra unidade social.

Implicações da Experiência de Hawthorne

unidade social. Implicações da Experiência de Hawthorne Com os resultados obtidos nessa experiência o engenheiro e

Com os resultados obtidos nessa experiência o engenheiro e o técnico

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

cedem lugar ao psicólogo e ao sociólogo, surgindo então uma nova concepção sobre a natureza do homem: o homem social.

Em última análise, a Teoria das Relações Humanas estuda a influência

da motivação no comportamento. A compreensão da motivação exige

o conhecimento das necessidades humanas. A motivação refere-se ao

comportamento causado pelas necessidades do indivíduo e é dirigida em direção aos objetivos que podem satisfazê-las.

Foram identificados três estágios de motivação:

• Necessidades fisiológicas;

• Necessidades psicológicas;

• Necessidades de auto-realização.

Ë possível motivar uma pessoa quando se sabe o que ela necessita

em um dado momento. Quando as necessidades de um determinado nível são satisfeitas passa-se para o próximo nível na hierarquia.

A Escola das Relações Humanas propõe o conceito de “Homem

Social”, em contraposição ao Homem Econômico da Abordagem Clássica. O indivíduo seria mais motivado pela necessidade de “estar junto” e ser “reconhecido socialmente” no contexto do grupo do que por recompensas econômicas individuais. Desta forma, as maiores recompensas são simbólicas e não financeiras.

as maiores recompensas são simbólicas e não financeiras. A Organização Informal A organização informal ganha

A Organização

Informal

A organização informal ganha importância e tem sua origem na

necessidade do individuo de conviver com os demais seres humanos. Apresenta as seguintes características:

- Relação de coesão ou de antagonismo: relações pessoais de simpatia ou de antipatia, de diferentes intensidades;

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

- Status: o prestígio está mais ligado à participação do indivíduo na organização informal (grupo) do que propriamente na organização formal (cargo);

- Colaboração espontânea; - A possibilidade de oposição à organização informal: pode ocorrer em razão da inabilidade da direção de propiciar um clima favorável.

- Padrões de relações e atitudes;

- Mudanças de níveis e alterações dos grupos informais: devido à mudança de pessoal na organização formal.

Em suma, a abordagem humanística que dá origem à Teoria das Relações Humanas passa a considerar a influência de variáveis que as escolas Científica e Clássica simplesmente ignoraram. Na verdade, as abordagens se sobrepõem e se complementam. É preciso levar em conta a evolução da indústria e da sociedade durante o período em que ambas as escolas se desenvolveram. Taylor e Fayol construíram sua teorias em um contexto social e econômico muito mais “primitivo” do que aquele existente na época de Mayo.

Comparação Entre as Teorias:

Relações:

Clássica e das

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Teoria Clássica

Teoria das Relações

A organização como uma máquina. Enfatiza as tarefas ou a tecnologiaInspirada em sistemas de engenharia. Autoridade centralizada. Linhas claras de autoridade. Especialização e competência técnica. Acentuada divisão do trabalho. Confiança nas regras . Clara separação entre linha e staff.

A organização como grupo de pessoas. Enfatiza as pessoasInspirada em sistemas de psicologia. Delegação plena de autoridade. Autonomia do empregado. Confiança e abertura. Ênfase nas relações entre as pessoas. Confiança nas pessoas. Dinâmica grupal e interpessoal.

Principais críticas à Teoria das Relações Humanas:

- Inadequada visualização das relações industriais;

- Concepção ingênua do operário; - Limitação do campo experimental;

- Ênfase excessiva nos grupos informais;

- Enfoque manipulativo das relações humanas.

A partir dos anos 50, a Teoria das Relações Humanas passaria por uma completa reorganização, dando origem à Teoria Comportamental.

Referência Bibliográfica:

BERNARDES. C. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Atlas, 1997.

CHIAVENATO, Idalberto. Administração: Teoria, Processo e Prática. São Paulo: McGraw Hill, 1987.

CHIAVENATO,

Idalberto. Teoria Geral da Administração: Abordagens

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Prescritivas e Normativas da Administração. São Paulo: Makron Books,

1997.

MOTA, Fernando C. Prestes & VASCONCELLOS, Isabella F. Gouveia de. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Thomson, 2002.

Aula 07 Decorrências Relações da Humanas Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Escola das Objetivos

Aula 07

Decorrências

Relações

da

Humanas

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Escola

das

Objetivos da aula:

Objetivos da aula: Nesta aula espera-se que o aluno desenvolva habilidades e competências

Nesta

aula

espera-se

que

o

aluno

desenvolva

habilidades

e

competências para:

 

Estabelecer

as

condicionantes

históricas

e

sociais

do

surgimento da Teoria das Relações Humanas;

 

Descrever a sua evolução;

 

Expor seus princípios;

 

Discutir a sua atualidade e aplicabilidade.

 

Introdução:

Nosso objetivo nesta aula é fazer uma revisão crítica da evolução das Escolas de Pensamento Administrativo, dos seus primórdios até a consolidação da Escola Das Relações Humanas, passando pela Abordagem Clássica de Taylor e Fayol.

Para tanto, vamos rever o que você já estudou até a aula de hoje:

1. Em suas primeiras aulas, foi estudada a expansão marítima das potências européias durante o séc. XVI, que deu origem ao Mercantilismo, durante o qual surgiram as grandes Companhias comerciais;

2. O grande acúmulo de capitais (além de outros fatores, vistos nas aulas 1 e 2), criou as condições para a Revolução

Industrial dos séculos XVIII e XIX;

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

3. Assim, a violenta expansão das empresas industriais, principalmente a partir da segunda metade do séc. XIX, levou as empresas a buscarem modelos de gestão cada vez mais elaborados. A Administração Científica de Taylor e Escola Clássica de Fayol dominaram o cenário do pensamento administrativo durante o início do séc XX;

4. Você também verificou que a intensificação da concorrência internacional entre empresas e países o final do século XIX e início do século XX, levou à eclosão da 1ª Guerra (1914-18), seguida pelo “boom” econômico dos anos 20. As empresas enfrentavam desafios organizacionais cada vez mais complexos, levando ao questionamento do pensamento administrativo clássico pela Escola Humanista de Mayo;

5. Finalmente, vale relembrar o “estouro da bolha” de prosperidade com o “crack” dos mercados em 1929, que marcou a Grande Depressão dos anos 30. Essa insatisfação, provocadapelaprolongadarecessãomundial,crioucondições para o surgimento de regimes totalitários (Alemanha, Itália, Rússia, Japão), levando à eclosão da 2ª Guerra (1939-1945).

Neste cenário, a história da Evolução do Pensamento Administrativo

diz respeito às soluções encontradas pelas organizações, notadamente

as empresas, para fazer frente às condições do ambiente de negócios

que, por sua vez, decorrem em grande parte do processo de evolução social, política, tecnológica e econômica da sociedade.

Agora, faz-se necessário examinar de forma crítica os modelos de pensamento adotados pelas três grandes escolas estudadas até aqui. Esta análise preparará o terreno para o estudo das abordagens modernas da Administração, que viriam a tomar forma durante o Pós - Guerra, nas décadas de 50 e 60.

“modelos

clássicos” de administração, principalmente no que se refere ao ponto

A análise

consiste

na

discussão

das

limitações

destes

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

central da gestão de qualquer empresa (ou organização); o inevitável conflito entre os objetivos organizacionais e os individuais ou, se preferirmos, entre os objetivos dos proprietários das empresas e seus colaboradores.

A discussão abaixo se baseia principalmente no artigo “As Inexoráveis Harmonias Administrativas e a Burocracia Flexível”, de autoria de ANA PAULA PAES DE PAULA, publicado em set/02 na edição No 16 da Revista Espaço Acadêmico.

Vamos começar?

Conhecendo as Premissas

Para iniciarmos a analise da história do pensamento administrativo, iniciaremos nosso estudo baseado nas seguintes idéias centrais:

• As teorias administrativas são produtos das formações sócio- econômicas de um determinado contexto histórico;

• A burocracia é a base comum das teorias administrativas, sendo também produto do contexto histórico e sócio- econômico no qual está inserida;

• As teorias administrativas podem ser abordadas: (a) ideologicamente, ao se manifestarem como um conjunto de idéias e (b) operacionalmente, ao constituírem práticas consistentes com estas idéias;

• As teorias administrativas são adaptativas, mas obedecem a um princípio geral a partir do qual são elaboradas;

• A harmonização das relações de trabalho.

A partir destas premissas, verificamos que cada teoria administrativa incorpora os elementos fundamentais das escolas precedentes e simultaneamente reflete as características do modo de produção vigente.

Crítica à Abordagem Clássica Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Você lembra que estudamos em

Crítica à Abordagem

Clássica

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Você lembra que estudamos em aulas passadas que no início do

século, a conjuntura histórica e econômica favoreceu a racionalização da produção? Ou seja, as corporações buscavam meios de maximizar

a produtividade por meio do uso das máquinas e da intensificação do

trabalho. Taylor correspondeu à estas expectativas ao criar um sistema de produção onde havia uma “única maneira correta de se executar uma tarefa”, determinada pela medição dos tempos e movimentos, e regulada pelo estabelecimento de quotas de produção, que significava

uma remuneração proporcional à quantidade de trabalho realizado.

O taylorismo foi complementado pelas teorias de Fayol que, inspiradas

nas estruturas militares, demarcaram os parâmetros essenciais da organização burocrática: o formalismo e a hierarquia. Assim, da combinação entre a racionalização do trabalho na fábrica e nas estruturas administrativas nasceu o que chamamos de Abordagem Clássica da Administração.

Essa escola recorria a métodos rígidos e mecanismos punitivos para manter a disciplina e obter a obediência dos funcionários, sufocando conflitos e resistências através de sanções e ameaças.

As teorias elaboradas por Frederick Taylor e Henry Fayol auxiliaram na transição do capitalismo liberal para o capitalismo monopolista. No âmbito deste modo de organização econômico-social, estabeleceram-se grandes corporações que detinham o monopólio do mercado e ambicionavam produzir em larga escala. Isto conferiu maior estabilidade ao ambiente, característica que, associada ao ideal de produção de massa, resultou no planejamento de longo prazo da produção, na organização do trabalho por meio de rotinas rígidas e na divisão do trabalho entre os planejadores e os executantes das tarefas.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Os representantes da Abordagem Clássica viabilizaram a primeira fase do capitalismo monopolista, mas suas tentativas de obter, através da força, a harmonia nas relações trabalhistas se mostraram bastante limitadas. Tais métodos em nada contribuíam para reduzir a insatisfação do funcionário em relação à exploração de sua força de trabalho, e esta fragilidade abriu espaço para contestações individuais e organizadas ao sistema, que acabaram por fortalecer o movimento sindical.

Crítica à Escola da Relações Humanas

Pressionados pelos movimentos sindicalistas, a Abordagem das Relações Humanas vem com uma proposta mais voltada à satisfação do trabalhador, solucionando as falhas da Abordagem Clássica.

Como já foi visto, esta escola foi representada por Mayo e seus seguidores que defendiam a valorização dos grupos informais na organização, como forma de combater a sensação de alienação dos funcionários e promover o equilíbrio das relações.

Mayo reequacionou a lógica eficientista da Abordagem Clássica a partir da máxima cooperação, consenso, integração e participação.

A Escola das Relações Humanas procura atenuar a sensação de dominação (do indivíduo pela
A
Escola
das
Relações
Humanas
procura
atenuar
a
sensação
de
dominação
(do
indivíduo
pela
organização)
através
de
práticas
participativas, mantendo o objetivo central de manter a produtividade
nas
organizações
e
reduzir
as
tensões
entre
a
empresa
e
seus
colaboradores.

Porém, mesmo com uma visão mais humanística, a Escola das Relações Humanas ainda herda características tayloristas; embora substituindo a contenção direta pela manipulação dos conflitos, esta abordagem mantém a separação entre planejamento e execução no desenvolvimento das tarefas.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

A Escola das Relações Humanas estimularia nos funcionários uma “falsa

consciência” de que são importantes no processo decisório, quando na verdade apenas endossam decisões já tomadas. Ao interpretar tensões procedentes das relações entre capital e trabalho como problemas individuais e de personalidade, o psicologismo ocultaria os reais conflitos, impossibilitando sua solução.

os reais conflitos, impossibilitando sua solução. As duas Abordagens: Humanas Clássica e das Relações Em
os reais conflitos, impossibilitando sua solução. As duas Abordagens: Humanas Clássica e das Relações Em

As duas Abordagens:

Humanas

Clássica e das Relações

Em síntese, ao analisar as duas principais escolas administrativas da primeira metade do século XX, podemos concluir que estas refletem

o modo de produção do capitalismo monopolista. Pois, se você

bem percebeu, estas escolas se estabeleceram como portadoras de teorias e práticas eficientes para viabilizar a produção massificada, mas auxiliaram principalmente na harmonização das relações entre capital e trabalho.

Você notou que, ao compararmos a Abordagem Clássica e a Escola das Relações Humanas, percebemos que as teorias administrativas são dinâmicas? Isto é, transformam-se de acordo com mudanças

estruturais e conjunturais. Apesar da facilidade com que se reeditam

e se adaptam, cada teoria herda características de suas antecessoras.

cada teoria herda características de suas antecessoras. A “Harmonia Administrativa” A Abordagem Clássica e a
cada teoria herda características de suas antecessoras. A “Harmonia Administrativa” A Abordagem Clássica e a

A “Harmonia Administrativa”

A Abordagem Clássica e a Escola das Relações Humanas legitimaram o

modelo fordista de produção e consumo. Foi a crise deste modelo de desenvolvimento que desencadeou o movimento de reestruturação produtiva e a reformulação das teorias administrativas. Pois, não podemos esquecer que:

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

As teorias administrativas são respostas aos conflitos entre os interesses das corporações e os dos seus colaboradores. Seu objetivo é garantir a produtividade e promover um ordenamento harmônico das relações no mundo do trabalho. Em outras palavras, promover a “harmonia administrativa”.

A “era do ouro” do capitalismo do pós-guerra baseou-se em um

compromisso entre os empresários e trabalhadores que, regulado pelo Estado, teria realizado a necessária conexão entre produção e consumo, cujo anterior descompasso redundara na crise de 29. Tal compromisso edificou-se a partir das seguintes bases:

• a organização fordista do trabalho, que recorre aos métodos da Abordagem Clássica e da Escola de Relações Humanas;

• o pleno emprego, com a plena utilização das máquinas e taxas estáveis de lucros, advindas do equilíbrio entre produção e consumo, emprego e produtividade;

• a regulação das relações sociais, sendo o Estado o mediador do pacto entre capital e trabalho e provedor de direitos sociais aos excluídos do mercado de trabalho.

Assim, a legitimação do modo fordista de produção é conseqüência de seu alinhamento com o modelo de desenvolvimento vigente. Desse modo, quando o “compromisso fordista” entrou em crise, a hegemonia do fordismo e sua eficiência no campo produtivo passaram a ser questionadas.

Pós-Fordismo?

A partir da segunda metade do século XX, o paradigma fordista

de produção e organização do trabalho foi enfraquecido pela argumentação de que não garantia mais os níveis de produtividade necessários; seria muito “rígido” para acomodar as novas tecnologias de produção, bem como para atender às exigentes e renovadas

demandas do mercado consumidor.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Além disso, uma vez tendo-se tornado impossível manter taxas estáveis de lucro a partir do equilíbrio dos binômios produção e consumo, emprego e produtividade, as sociedades capitalistas evoluíram para um novo modelo produtivo, que combina taxas variadas de emprego (estáveis e flexíveis), produção e consumo, maximizando ganhos a partir das diferentes formas de contratação da mão-de-obra, de produção de bens e serviços e de investimentos de capital.

No campo da administração, isto se expressaria através das organizações enxutas e flexíveis, que ganharam espaço na mídia e nas práticas empresariais nos últimos anos: reengenharia, downsizing, terceirização, quarteirização, virtualização organizacional. A regulação do mercado de bens, serviços e mão-de-obra, antes concretizada pela legislação estatal, passa a ser um entrave; desregulamentar se torna a meta e o Estado mínimo, o ideal.

Diante destas mudanças, as teorias administrativas ajustaram-se para atender às demandas da restruturação produtiva, que reclama tecnologias e formas de organização do trabalho mais flexíveis do que as fordistas. Estudaremos estas assim chamadas “escolas modernas” da administração no prosseguimento do nosso curso.

da administração no prosseguimento do nosso curso. A Burocracia Nas organizações empresariais, a burocracia

A Burocracia

Nas organizações empresariais, a burocracia desempenha o papel de mediadora entre os interesses dos proprietários e os interesses dos trabalhadores. Os administradores profissionais são os representantes do corpo burocrático. O papel destes é o estabelecimento e a execução das normas que regulam o comportamento dos funcionários e preservam os interesses dos acionistas.

Em outras palavras, os administradores profissionais incorporam o

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

poder e são os guardiões da “harmonia” na organização: procuram

asseguraraprodutividadeamenizandoasnaturaistensõesentrecapital

e trabalho, valendo-se dos instrumentos de controle disponíveis.

Para organizar o trabalho e a produção, os burocratas recorrem às teorias administrativas e suas práticas. Dessa forma, a organização burocrática é um repositório de discursos e práticas administrativas; analogamente às teorias, se adapta às novas condições históricas.

No âmbito do fordismo, por exemplo, a burocracia empresarial absorveu as idéias rígidas e centralizadoras da Abordagem Clássica, bem como o discurso integrador da Escola das Relações Humanas. Foi, principalmente, a partir das características da Escola Clássica que Max Weber construiu o seu modelo de organização burocrática, marcado pelo formalismo, a impessoalidade, a hierarquia e a administração profissional.

A organização burocrática é centralizada, hierárquica, autoritária e baseada em regras, disciplina e divisão do trabalho. No contexto do

capitalismomonopolista,Weberestabelecequeinstituircompetências,

poderes de mando, meios coativos e hierarquias rígidas, bem como estabelecer regras gerais fixas e abrangentes é a melhor maneira de organizar a empresa.

E ficamos por aqui! A Teoria da Burocracia de Weber será o tema de nossa próxima aula.

Esta aula foi dedicada à crítica das Escolas estudadas até aqui, onde pudemos constatar que cada Teoria, ao mesmo tempo que questiona as Teorias anteriores e corrige suas falhas, herda parte da estrutura conceitual que pretende questionar; E notar que as Teorias Administrativas refletem as condições sócio-econômicas do contexto histórico no qual surgem e influenciam a evolução do sistema

produtivo, num processo auto-alimentado.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

A próxima aula será dedicada ao estudo Teoria da Burocracia de Weber. ATÉ LÁ!

Aula 08 Max Weber da Burocracia Evolução do Pensamento Administrativo - UVB e a Teoria

Aula 08 Max Weber

Aula 08 Max Weber da Burocracia Evolução do Pensamento Administrativo - UVB e a Teoria Objetivos

da Burocracia

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

e a Teoria

Objetivos da Aula
Objetivos da Aula

•Identificar o surgimento da Teoria da Burocracia e suas origens; •Estudar seus fundamentos teóricos; •Analisar seus pontos positivos e negativos; •Identificar os fatores que conduzirão à evolução para outros modelos.

Origens da Teoria da Burocracia

A burocracia é uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos.

Max Weber (1864-1920), sociólogo alemão, foi o criador da Sociologia da Burocracia. Seu principal livro, para o propósito deste estudo, é “A Ética Protestante e o Espírito de Capitalismo”.

MaxWeberafirmaqueomodernosistemadeprodução,eminentemente racional e capitalista se originou da “ética protestante”: o trabalho árduo e o ascetismo proporcionando a poupança e reaplicação das rendas excedentes, em vez de seu dispêndio para o consumo.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Weber notou que o capitalismo, a organização burocrática e a ciência moderna constituem três formas de racionalidade que surgiram a partir dessas mudanças religiosas ocorridas inicialmente em países protestantes.

A Teoria da Burocracia e o Pensamentoreligiosas ocorridas inicialmente em países protestantes. Administrativo A Teoria da Burocracia desenvolveu-se dentro

Administrativopaíses protestantes. A Teoria da Burocracia e o Pensamento A Teoria da Burocracia desenvolveu-se dentro da

A Teoria da Burocracia desenvolveu-se dentro da Administração

ao redor dos anos 40, em função, principalmente, dos seguintes

aspectos:

- A fragilidade e parcialidade da Teoria Clássica e da Teoria das Relações

Humanas;

- A necessidade um modelo de organização racional aplicável

não somente à fábrica, mas a todas as formas de organização, principalmente às empresas;

- O tamanho e complexidade crescentes das empresas;

- O ressurgimento da Sociologia da Burocracia.

Bases da Teoria da Burocracia

O conceito central da Teoria da Burocracia é a autoridade legal, racional

ou burocrática. Os subordinados aceitam as ordens dos superiores como justificadas, porque concordam com um conjunto de preceitos ou normas que consideram legítimos e dos quais deriva o comando.

A obediência não é devida a alguma pessoa em si, mas a um conjunto

de regulamentos legais previamente estabelecidos.

O aparato administrativo que corresponde à dominação legal é a

burocracia. A posição dos funcionários (burocratas) é definida por regras impessoais e escritas, que delineiam de forma racional a hierarquia os direitos e deveres inerentes a cada posição, os métodos de recrutamento e seleção, etc.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

A burocracia é a organização típica da sociedade moderna

democrática e das grandes empresas. Através do “contrato” ou instrumento representativo da relação de autoridade dentro da empresa capitalista, as relações de hierarquia nela passam a constituir esquemas de autoridade legal.

Weber notou a proliferação de organizações de grande porte que

adotaram o tipo burocrático de organização, concentrando os meios

de administração no topo da hierarquia e utilizando regras racionais e

impessoais, visando à máxima eficiência.

Fatores principais para o desenvolvimento da moderna burocracia:

- O desenvolvimento de uma economia monetária;

- O crescimento das tarefas administrativas do Estado Moderno;

- A superioridade técnica do tipo burocrático de administração.

Características da Burocracia

- Caráter legal das normas e regulamento.

- Caráter formal das comunicações.

- Caráter racional e divisão do trabalho.

- Impessoalidade nas relações.

- Hierarquia da autoridade.

- Rotinas e procedimentos padronizados.

- Competência técnica e meritocracia.

- Especialização da administração.

- Profissionalização dos participantes.

- Completa previsibilidade do funcionamento.

Vantagens da Burocracia Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Para Weber, comparar os mecanismos burocráticos

Vantagens da Burocracia

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Para Weber, comparar os mecanismos burocráticos com outras organizações é como comparar a produção da máquina com modos não-mecânicos de produção.

Assim, as vantagens da burocracia são:

- Racionalidade em relação ao alcance dos objetivos da organização;

- Precisão na definição do cargo e na operação;

- Rapidez nas decisões;

- Unicidade de interpretação;

- Uniformidade de rotinas e procedimentos;

- Continuidade da organização através da substituição do pessoal afastado;

- Redução do atrito entre as pessoas;

- Subordinação dos mais novos aos mais antigos;

- Confiabilidade.

Nessas condições, o trabalho é profissionalizado, o nepotismo é evitado e as condições de trabalho favorecem a moralidade econômica e dificultam a corrupção.

A eqüidade das normas burocráticas assegura a cooperação entre grande número de pessoas, que cumprem as regras organizacionais, porque os fins alcançados pela estrutura total são altamente valorizados.

Dilemas da Burocracia

Fragilidade da estrutura burocrática (dilema típico): pressões constantes de forças exteriores e enfraquecimento gradual do compromisso dos subordinados com as regras burocráticas.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

A capacidade para aceitar ordens e regras como legítimas,

principalmente quando contrariam os desejos da pessoa, exige uma autodisciplina difícil de se manter.

Assim, as organizações burocráticas apresentam uma tendência a

se desfazerem, seja na direção carismática, seja na tradicional, onde

as relações disciplinares são mais “naturais” e “afetuosas” e menos

separadas das outras.

Existem chefes não-burocráticos: indicam e nomeiam os subordinados, estabelecem as regras, resolvem os objetivos que deverão ser atingidos. Geralmente são eleitos ou herdam sua posição, como, por exemplo, os presidentes, os diretores e os reis.

Esses chefes (não-burocráticos) da organização desempenham o importante papel de estimular a ligação emocional e mesmo irracional dos participantes com a racionalidade. A identificação com uma pessoa, um líder ou um chefe influi psicologicamente, reforçando o compromisso com a organização (imagem concreta/”afetuosa”).

A ausência ou morte de um chefe não-burocrático da organização - único indivíduo perante o qual as identificações são pessoais, e não- burocráticas - provoca uma crise, a chamada crise de sucessão, que geralmente é acompanhada de um período de instabilidade.

Disfunções da Burocracia

Ao estudar as conseqüências previstas (ou desejadas) da burocracia

que a conduzem à máxima eficiência, notou também as conseqüências

imprevistas (ou indesejadas): as disfunções da burocracia, que são basicamente as seguintes:

- Exagerado apego aos regulamentos;

- Excesso de formalismo e de papelório;

- Resistência a mudanças;

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

- Despersonalização do relacionamento;

- Categorização como base do processo decisório;

- Superconformidade às rotinas e procedimentos;

- Exibição de sinais de autoridade;

- Dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o público;

Conclusão:

a clientes e conflitos com o público; Conclusão: críticas à burocracia Com essas disfunções, a burocracia

críticas à burocracia

Com essas disfunções, a burocracia torna-se esclerosada, fecha-se ao cliente, que é o seu próprio objetivo e impede totalmente a inovação

e a criatividade.

As causas das disfunções da burocracia residem basicamente no

fato de que a burocracia não leva em conta a chamada organização informal, que existe fatalmente em qualquer tipo de organização, nem se preocupa com a variabilidade humana (diferenças individuais entre as pessoas), o que necessariamente introduz variações no desempenho das atividades organizacionais.

A

impossibilidade prática de se padronizar completamente o comportamento humano nas organizações.

da

organização

informal

surge

como

uma

conseqüência

Esta aparece como um fator de imprevisibilidade das burocracias, pois

o

sistema social racional puro de Weber pressupõe que as reações e

o

comportamento humano sejam perfeitamente previsíveis, uma vez

que tudo estará sob o controle de normas racionais e legais, escritas

e exaustivas.

Emfacedaexigênciadecontrolequenorteiatodaaatividadeorganizacional

é que surgem as conseqüências imprevistas da burocracia.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Aula 09Evolução do Pensamento Administrativo - UVB Abordagem Sistêmica:as“Teorias de transição”. Objetivos da aula:

AbordagemEvolução do Pensamento Administrativo - UVB Aula 09 Sistêmica:as“Teorias de transição”. Objetivos da aula:

Sistêmica:as“Teorias

de transição”.

Objetivos da aula:

Objetivos da aula: Analisar os “desafios administrativos”dos anos 50; • Descrever as limitações dos modelos da

Analisar os “desafios administrativos”dos anos 50;

• Descrever as limitações dos modelos da Administração consagrados, até então, diante destes desafios;

• Descrever algumas das principais contribuições ao Pensamento Administrativo surgidas neste período;

• Indicar como estas contribuições “prepararam o terreno” para as abordagens sistêmicas contemporâneas

Introdução: dilemas

modernos

Desde os seus primórdios, a Administração se ocupa com a questão de

compatibilizar os objetivos das organizações – mais especificamente, das empresas – com os objetivos individuais de seus colaboradores. Esta questão tornou-se aguda a partir do início do século XX, com

a rápida expansão das empresas industriais e os desafios impostos

pelas enormes mudanças ocorridas na sociedade e na economia: a 1ª Grande Guerra, o “boom” dos anos 20, a Grande Recessão dos anos 30, culminando com a 2ª Guerra Mundial.

Durante este período, ocorreu a evolução da Administração de Empresas: as proposições de Taylor e Fayol no início do século; a sua contestação pelos teóricos da Escola das Relações Humanas, voltando

o foco dos processos e da estrutura para as pessoas; finalmente,

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

universal do modelo burocrático nas grandes

corporações – empresas, governos, escolas, exércitos (principalmente estes) - nos anos da 2ª Grande Guerra.

a adoção quase

Ocorria no mundo uma expansão sem precedentes de governos totalitaristas; o nazismo na Alemanha, o fascismo na Itália, o stalinismo, as ditaduras. O mundo estava em guerra; sem contestação, as organizações – inclusive as empresas – adotaram as feições de exércitos.

Apartirdosanos50,iniciaram-sealgunsmovimentos,quecontestavam

a predominância absoluta e prepotente do modelo burocrático.

As disfunções da burocracia provocavam reações; a prosperidade voltava após os anos da guerra e da reconstrução; as pessoas exigiam ser reconhecidas como indivíduos, queriam liberdade, contestavam o sistema burocrático.

Neste contexto, surgiram “escolas” de pensamento administrativo que,

na verdade, não se apresentavam como linhas coesas de pensamento,

mas como correntes genéricas, compostas por vários autores mais ou menos independentes. Estes autores contestaram o onipresente

modelo burocrático a partir de três pontos de vista complementares.

A chamada Escola Estruturalista propôs a expansão do conceito de

burocracia. A Escola Neoclássica enfocou a prática administrativa e os resultados organizacionais. A Escola Comportamental retomou e expandiu os conceitos da Escola das Relações Humanas e sua ênfase no indivíduo e no grupo.

Estas correntes de pensamento administrativo expuseram as falhas da burocracia, e prepararam o terreno para o surgimento das correntes contemporâneas da Administração, a partir dos anos 70.

A Teoria Estruturalista Evolução do Pensamento Administrativo - UVB A oposição entre a Teoria Clássica

A Teoria Estruturalista

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

A oposição entre a Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas criou um impasse dentro da Administração, que nem a Teoria da Burocracia teve condições de resolver. Neste contexto surge a Teoria Estruturalista.

Estruturalismo é a teoria que preocupa-se com o todo e com o relacionamento das partes na constituição do todo. A totalidade, a interdependência das partes e o fato de que o todo é maior do que a soma das partes são suas características básicas.

As organizações são uma forma de instituição, predominante em nossa sociedade altamente especializada e interdependente. Uma organização tem um objetivo, uma meta, e para que este seja alcançado com mais eficiência, é necessário que haja uma relação estável entre as pessoas.

Um indivíduo desempenha vários papéis, pois participa de diversas organizações e grupos, com grande número de normas diferentes. Estas normas são direcionadas para uniformizar o comportamento dos membros do grupo ou organização. Com um comportamento mais uniforme, o risco de surgirem conflitos é menor e a administração da organização torna-se mais fácil.

Enquanto a teoria clássica se concentra na organização formal, a teoria das relações humanas tem como objeto de estudo a organização informal. A teoria estruturalista estuda o relacionamento entre ambas, buscando o equilíbrio entre as duas organizações formal e informal.

Ambiente é tudo o que envolve externamente uma organização. Uma organização depende de outras organizações para atingir seus objetivos. Assim, é importante não somente a análise organizacional, mas também a análise interorganizacional, que está voltada para as

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

relações externas entre uma organização e outras organizações no ambiente.

Dois conceitos para a análise interorganizacional:

- Interdependência das organizações com a sociedade: toda organização depende de outras organizações e da sociedade em geral para poder sobreviver. Algumas conseqüências da interdependência das organizações são: mudanças freqüentes nos objetivos organizacionais à medida que ocorrem mudanças no ambiente externo e um certo controle ambiental sobre a organização, o que limita sua liberdade de agir.

- Conjunto organizacional: cada organização ou classe de organizações tem interações com uma cadeia de organizações em seu ambiente, formando um conjunto organizacional.

Assim, inicia-se um novo ciclo na teoria administrativa: o gradativo desprendimento daquilo que ocorre dentro das organizações para aquilo que ocorre fora delas.

Conflitos Organizacionais

Os estruturalistas discordam que haja harmonia de interesse entre patrões e empregados (como afirma a teoria clássica) ou de que essa harmonia deva ser preservada pela administração, através de uma atitude compreensiva e terapêutica, nivelando as condutas individuais (como afirma a teoria das relações humanas).

Ambas as teorias punham fora de discussão o problema conflito; para os estruturalistas, os conflitos são os elementos geradores de mudanças e do desenvolvimento da organização. Conflito significa a existência de idéias, sentimentos, atitudes ou interesses antagônicos que podem se chocar.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

As fontes de conflitos podem ser, desde uma colisão frontal de interesses e completa incompatibilidade em um extremo, até interesses diferentes, mas não necessariamente incompatíveis em outro extremo.

Conflito e cooperação são elementos integrantes da vida de uma organização. As teorias administrativas anteriores ignoraram completamente o problema conflito-cooperação. Consideram-se

o conflito e a cooperação como dois aspectos da atividade social,

estando inseparavelmente ligados na prática. A resolução do conflito

é muito mais vista como uma fase do esquema conflito-cooperação,

do que um fim do conflito. O pensamento administrativo tem se preocupado profundamente com os problemas de obter cooperação e de sanar conflitos.

A Teoria Estruturalista pode ser denominada “Teoria de Crise”, por

ter mais a dizer sobre os problemas e patologias das organizações complexas, do que propriamente a respeito de sua normalidade.

do que propriamente a respeito de sua normalidade. Abordagem Neoclássica da Administração A Teoria

Abordagem

do que propriamente a respeito de sua normalidade. Abordagem Neoclássica da Administração A Teoria Neoclássica surgiu

Neoclássica da Administração

A Teoria Neoclássica surgiu no decorrer dos anos cinqüenta, diante

de um novo contexto de crescimento. Enfatiza a preocupação dos administradores (empresários, diretores e principalmente, gerentes) em dotar a organização de uma série de modelos e técnicas administrativas.

A Teoria Neoclássica retoma os aspectos discutidos na Teoria Clássica, revistos e atualizados dentro de um conceito moderno de Administração, conciliando esta abordagem com contribuições importantes de Teorias subseqüentes.

“Apesar da profunda influência das ciências do comportamento sobre a teoria administrativa, os pontos de vista dos autores clássicos

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

nunca deixaram de subsistir. Malgrado toda a crítica estruturalista e behaviorista aos postulados clássicos, bem como ao novo enfoque da administração como um sistema aberto, verifica-se que os princípios da administração, a departamentalização, a racionalização do trabalho, a estruturação linear ou funcional, enfim, a abordagem clássica nunca foi totalmente substituída por outra abordagem, sem que alguma coisa fosse mantida. Todas as teorias administrativas se assentaram na Teoria Clássica, seja como ponto de partida, seja como crítica para tentar uma posição diferente, mas a ela relacionada intimamente.” Chiavenato

Características da Escola Neoclássica

- Ênfase na prática da administração: Os neoclássicos procuram

desenvolver seus conceitos de forma prática, visando principalmente

à ação administrativa e resultados concretos e mensuráveis.

- Reafirmação dos postulados clássicos: A Teoria Neoclássica é uma reação à influência das ciências do comportamento no campo da Administração, em detrimento dos seus aspectos econômicos e concretos.

- Ênfase nos princípios gerais de administração: Os princípios

gerais: Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar são apresentados como comuns a todo e qualquer tipo de empreendimento humano, e enfatizados como funções do administrador.

- Ecletismo: A proposta Neoclássica é justamente abrigar diversas correntes do pensamento administrativo, como por exemplo, os

conceitos de organização informal, liderança e autoridade; motivação

e teoria da decisão. Drucker consegue, com essa postura, alimentar

a gerência com o rigor da autocracia, do controle e da racionalidade

e ao mesmo tempo, oferecer uma configuração mais maleável aos defensores do humanismo.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

- Pragmatismo: Ênfase nos aspectos práticos da administração.

Nenhuma teoria terá sentido ou validade se não trouxer resultados práticos e que realmente sejam operacionalizados pela administração.

- Ênfase nos resultados e objetivos: A empresa deve definir

claramente seus objetivos, assim a organização será dimensionada para produzir resultados práticos. Contrapondo a Teoria Clássica que preconizava a máxima eficiência, a Teoria Neoclássica busca a eficiência ótima através da eficácia. Um dos melhores produtos desta

Teoria é o modelo de Administração por Objetivos (ApO).

Para os autores neoclássicos, a Administração consiste em orientar, dirigir e controlar os esforços de um grupo de indivíduos para um objetivo comum. O bom administrador é, naturalmente, aquele que possibilita ao grupo alcançar seus objetivos com o mínimo dispêndio de recursos e de esforço, e com menos atritos com outras atividades úteis.

esforço, e com menos atritos com outras atividades úteis. Administração Por Objetivos - ApO A partir

Administração Por

atritos com outras atividades úteis. Administração Por Objetivos - ApO A partir da década de 1950,

Objetivos - ApO

A partir da década de 1950, a Teoria Neoclássica deslocou a atenção

das chamadas “atividades-meio” para os objetivos ou finalidades da organização. O enfoque no “processo” e nas atividades (meios) passa para os resultados e objetivos alcançados (fins). A preocupação de “como” administrador passa à preocupação de “por que” ou “para que” administrar.

A Administração por objetivo (APO) ou administração por resultados

surgiu em 1954, quando Peter F. Druker publicou seu livro, caracterizando a Administração por Objetivos. Buscava-se uma forma de equilibrar objetivos, admitir maior participação, descentralizar decisões, permitir autocontrole e auto-avaliação, proporcionando maior liberdade e relaxamento dos controles.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

APO é um método no qual as metas são definidas em conjunto pelo gerente e subordinado, as responsabilidades são especificadas para

cada um em função dos resultados esperados, que passam a constituir os padrões de desempenho sob os quais ambos serão avaliados.

É uma técnica participativa de planejamento e avaliação por meio da

qual superiores e subordinados estabelecem objetivos (resultados)

a serem alcançados, em um determinado período e em termos

quantitativos, dimensionando as respectivas metas e acompanham sistematicamente o desempenho (controle), procedendo às correções necessárias.

A APO envolve um processo cíclico de tal forma que o resultado de um

ciclo permite correções e ajustamentos no ciclo seguinte, por meio da retroação proporcionada pela avaliação dos resultados.

retroação proporcionada pela avaliação dos resultados. Abordagem Comportamental da Administração Da oposição

Abordagem

Comportamental

pela avaliação dos resultados. Abordagem Comportamental da Administração Da oposição entre a Teoria das

da Administração

Da oposição entre a Teoria das Relações Humanas (com sua profunda ênfase nas pessoas) e a Teoria Clássica (com sua profunda ênfase nas tarefas e na estrutura organizacional) surge a Teoria Comportamental. Chester Barnard, Douglas McGregor, Rensis Likert, Chris Argyris são os seus principais autores. No campo da motivação, Abraham Maslow, Frederick Herzberg e David McClelland.

A Teoria Comportamental representa um desdobramento da Teoria

das Relações Humanas, rejeitando suas concepções ingênuas

e românticas. Critica a Teoria Clássica; há autores que vêem no

behaviorismo uma verdadeira antítese à teoria da organização formal, aos princípios gerais da administração, ao conceito de autoridade formal e à posição rígida e mecanicista dos autores clássicos.

A Teoria Comportamental ou Behaviorista da Administração deu

uma nova direção à Teoria Administrativa. A partir da abordagem das ciências do comportamento, abandona as posições normativas

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

e prescritivas das teorias anteriores e adota posições explicativas e descritivas. A ênfase está nas pessoas, dentro do contexto organizacional mais amplo.

Com a Teoria Comportamental deu-se a incorporação da Sociologia da Burocracia, ampliando o campo da teoria administrativa. Com relação à Teoria Burocrática, mostra-se muito crítica, principalmente no que se refere ao “ modelo de máquina” que aquela adota para representar a organização.

Para entender o comportamento organizacional, a Teoria Comportamental fundamenta-se no comportamento das pessoas. Para entender como as pessoas se comportam, estuda-se a motivação humana. Os autores behavioristas verificaram que o administrador necessita conhecer as necessidades humanas, para melhor compreender o comportamento humano, e utilizar a motivação humana como meio para melhorar a qualidade de vida dentro das organizações.

para melhorar a qualidade de vida dentro das organizações. Hierarquia das Necessidades de Maslow Maslow apresentou

Hierarquia das Necessidades de Maslow

das organizações. Hierarquia das Necessidades de Maslow Maslow apresentou uma teoria da motivação, segundo a qual,

Maslow apresentou uma teoria da motivação, segundo a qual, as necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, numa hierarquia de importância:

- Necessidades fisiológicas: intervalos de descanso; conforto físico; horário de trabalho razoável;

- Necessidades de segurança: condições seguras de trabalho; remuneração e benefícios; estabilidade no emprego;

- Necessidade de estima: responsabilidade por resultados; orgulho e reconhecimento; promoções;

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

- Necessidades sociais: amizade e colegas; interação com clientes; gerente amigável;

- Necessidades de auto-realização: trabalho criativo e desafiante; diversidade e autonomia; participação nas decisões;

Somente quando um nível inferior de necessidade está satisfeito é que o nível imediatamente mais elevado surge no comportamento da pessoa. Em outros termos, quando uma necessidade é satisfeita, ela deixa de ser motivadora de comportamento, dando oportunidade para que um nível mais elevado de necessidade possa se manifestar.

Teoria do Desenvolvimento Organizacional

(DO)

O Desenvolvimento Organizacional é um desdobramento prático e

operacional da Teoria Comportamental a caminho da abordagem sistêmica. O precursor deste movimento foi Leland Bradford, autor do livro “T-Group Theory and laboratory methods” (Nova York, 1964). Essa teoria representa a fusão de duas tendências no estudo das organizações: o estudo da estrutura de um lado, e o estudo do comportamento humano nas organizações de outro, integrados através de um tratamento sistêmico.

Os modelos de D.O. consideram basicamente quatro variáveis:

- o meio ambiente: turbulência ambiental, a explosão do

conhecimento, a explosão tecnológica, a explosão das comunicações,

o impacto dessas mudanças sobre as instituições e valores sociais,

etc;

- a organização: impacto sofrido em decorrência da turbulência

ambiental e as características necessárias para sobreviver nesse

ambiente;

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

- o grupo social: aspectos de liderança, comunicação, relações interpessoais, conflitos, etc;

- o indivíduo: motivações, atitudes, necessidades, etc.

O conceito de Desenvolvimento Organizacional está intimamente ligado aos conceitos de mudança e de capacidade adaptativa da organização à mudança. Os autores do D.O. adotam uma posição antagônica ao conceito tradicional de organização, a partir das diferenças entre os Sistemas Mecânicos (conceito tradicional) e os Sistemas Orgânicos (abordagem do D.O.).

Sistemas Mecânicos

Sistemas Orgânicos

Divisão do trabalho e supervisão hierárquica rígidas .Tomada de decisões centralizada.

Ênfase nos relacionamentos entre e dentro dos grupos.

Confiança

e

crença

recíprocas.

Controle rigidamente centralizado.Solução de conflitos por meio de repressão, arbitragem e/ou hostilidade.

Interdependência

e

responsabilidade compartilhada.

Participação e responsabilidade multigrupal.A tomada de decisões é descentralizada.

 

Amplo compartilhamento de responsabilidade e de controle.

Solução de conflitos através de negociação ou de solução de problemas.

Os modelos de D.O. que introduzem simultaneamente alterações estruturais e comportamentais são modelos integrados e complexos, precursores da Abordagem Sistêmica.

Aula 10 A Abordagem
Aula
10
A Abordagem

Sistêmica

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Objetivos da Aula
Objetivos da Aula

Analisar a evolução dos modelos teóricos da Abordagem Sistêmica; Descrever os principais aspectos da Teoria de Sistemas; Indicar aplicações dos modelos de sistemas à Teoria Administrativa; Introduzir os conceitos de Informática e Cibernética

Introdução

Diversos autores fizeram críticas importantes às abordagens estáticas e racionalistas, e destacam a questão da incerteza nas transações entre os agentes econômicos. Do lado da evolução das teorias da administração pode-se perceber também um movimento de abordagens estáticas e racionalistas, para visões mais amplas dos negócios.

A administração científica de Taylor é um exemplo de como eram tratados os problemas no âmbito das empresas industriais. Taylor tinha uma concepção individualista e determinista do comportamento humano. No paradigma da teoria clássica, Fayol também comungava de princípios estáticos e racionalistas, principalmente por dar grande ênfase ao planejamento, a ordem e a disciplina.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Com a teoria da burocracia, há um aprofundamento do racionalismo positivista. Com Weber houve um triunfo da racionalidade e da legitimidade da autoridade unilateral, dentro de uma organização racional. Para os adeptos desta abordagem, as pessoas agem, exclusivamente, como ocupante de cargo e posição. As abordagens humanistas mostraram a limitação deste tipo de análise.

Uma das teorias que tiveram maior repercussão e que influenciou diversos campos do saber foi a teoria de sistemas. Foi somente a abordagem sistêmica que ligou os descobrimentos comportamentais com o tratamento estrutural. Pode-se dizer que a base da abordagem sistêmica está diretamente relacionada com a teoria geral de sistemas, elaborada pelo biólogo alemão Bertalanffy, através da qual se buscou definir um corpo único para a ciência que pudesse integrar todas as abordagens, até então apresentadas por pesquisadores e cientistas de outras disciplinas.

No âmbito da Administração, a abordagem de sistemas permitiu uma visão mais ampla e integrada da organização. Um dos pressupostos básicos da teoria de sistemas é que as organizações são sistemas abertos que interagem com o ambiente. A organização é vista como um conjunto de comportamentos inter-relacionados Katz e Kahn destacaram a tendência das organizações se desorganizarem até a morte, também chamado de processo entrópico, e a necessidade destas se reabastecerem de energia para manter sua estrutura. Para evitar o processo entrópico, as organizações buscam manter uma certa constância de importação e exportação de energia, ao que se chama de homeostase dinâmica.

Os autores também afirmam que uma organização pode alcançar um mesmo objetivo por vários caminhos diferentes, o que difere a abordagem de sistemas das abordagens mais racionalistas.

Abordagem Sistêmica Evolução do Pensamento Administrativo - UVB O biólogo alemão Ludwig von Bertalanffy elaborou,

Abordagem Sistêmica

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

O biólogo alemão Ludwig von Bertalanffy elaborou, por volta da

década de 50, uma teoria interdisciplinar capaz de transcender aos problemas exclusivos de cada ciência e proporcionar princípios gerais e modelos gerais para todas as ciências envolvidas, de modo que as descobertas efetuadas em cada ciência pudessem ser utilizadas pelas demais.

Essa teoria interdisciplinar - denominada Teoria Geral dos Sistemas

- demonstra o isomorfismo das várias ciências, permitindo maior

aproximação entre as suas fronteiras e o preenchimento dos espaços vazios entre elas. Essa teoria é essencialmente totalizante: os sistemas não podem ser plenamente compreendidos apenas pela análise separada e exclusiva de cada uma de suas partes.

Assim, os diversos ramos do conhecimento - até então estranhos uns aos outros pela intensa especialização - passam a tratar seus objetivos de estudos como sistemas. Dentre eles está a Administração.

A Abordagem Sistêmica da Administração trata de três escolas

principais: Teoria de Sistemas, Cibernética e Administração, Teoria Matemática da Administração

A Teoria Gerale Administração, Teoria Matemática da Administração dos Sistemas O aparecimento da Teoria geral dos sistemas

dos Sistemas

O aparecimento da Teoria geral dos sistemas forneceu uma base para a

unificação dos conhecimentos científicos nas últimas décadas. Ludwig von Bertalanffy (1901-1972) concebeu esse nome no início da década de 1920, criando em 1954 a Society for General Systems Research. Bertalanffy introduziu esse nome para descrever as características

principais das organizações como sistemas, pouco antes da Segunda Guerra Mundial.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

A Teoria Geral dos Sistemas, segundo o próprio Bertalanffy, tem por finalidade identificar as propriedades, princípios e leis característicos dos sistemas em geral, independentemente do tipo de cada um, da natureza de seus elementos componentes e das relações entre eles.

De acordo com o autor, existem certos modelos ou sistemas que,

independentemente de sua especificidade, são aplicáveis a qualquer área de conhecimento. Tais modelos impulsionariam uma tendência

em direção a teorias generalizadas.

Um sistema se define como um complexo de elementos em interação

de natureza ordenada e não fortuita. A Teoria Geral dos Sistemas é

interdisciplinar, isto é, pode ser utilizada para fenômenos investigados nos diversos ramos tradicionais da pesquisa cientifica. Ela não se limita aos sistemas materiais, mas aplica-se a todo e qualquer sistema constituído por componentes em interação. Além disso, a Teoria Geral dos Sistemas pode ser desenvolvida em várias linguagens matemáticas, em linguagem escrita ou ainda computadorizada.

A aplicação do pensamento sistêmico tem uma particular

importância para as ciências sociais. A teoria de sistemas possibilitou, por exemplo, a unificação de diversas áreas do conhecimento, pois “sistema é um conjunto de elementos em interação e intercâmbio com o meio ambiente”.

Para entendermos a teoria de sistemas e sua difusão, devemos levar

em conta duas características obrigatórias aos sistemas sociais:

- Funcionalismo: cada elemento tem uma função a desempenhar no sistema mais amplo. Isto significa que cada elemento de um subsistema tem um papel a desempenhar em um sistema mais amplo.

- Holismo: um conceito estreitamente relacionado ao do funcionalismo, é a concepção de que todos os sistemas se compõem de subsistemas e seus elementos estão inter-relacionados. Isto

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

significa que o todo não é uma simples soma das partes, e que o próprio sistema só pode ser explicado como uma globalidade. O holismo representa o oposto do elementarismo, que encara o total como soma das partes individuais.

Assim, o conceito de organização como um sistema complexo de variáveis torna-se cada vez mais importante na sua análise e compreensão.

Principais Conceitos da Teoria dos Sistemas

Uma distinção importante para a teoria da organização é a classificação das organizações em sistemas fechados ou abertos. Um sistema fechado é aquele que não realiza intercâmbio com o seu meio externo, tendendo necessariamente para um progressivo caos interno, desintegração e morte.

Nas teorias anteriores da Administração, a organização era considerada suficientemente independente (“fechada”) para que seus problemas fossem analisados em torno de estrutura, tarefas e relações internas formais, sem referência alguma ao ambiente externo, pois as atenções estavam concentradas apenas nas operações internas da organização, adotando-se, para isso, enfoques racionalistas.

Um sistema aberto é aquele que troca matéria e energia com o seu meio externo. E, como diz Bertalanffy, a organização é um sistema aberto, isto é, um sistema mantido em importação e exportação, em construção e destruição de componentes materiais, em contraste com os sistemas fechados de física convencional, sem intercâmbio de matéria com o meio.

Considerando a perspectiva de sistema aberto, podemos dizer que um sistema consiste em quatro elementos básicos:

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

- Objetivos: são partes ou elementos do conjunto. Dependendo da

natureza do sistema, os objetivos podem ser físicos ou abstratos.

- Atributos: são qualidades ou propriedades do sistema e de

seus objetos.

- Relações de interdependência: um sistema deve possuir relações

internas com seus objetos. Essa é uma qualidade definidora crucial

dos sistemas. Uma relação entre objetos implica um efeito mútuo ou interdependência.

- Meio ambiente: os sistemas não existem no vácuo; são afetados pelo seu meio circundante.

Propriedades Fundamentais dos Sistemas

- Entropia: conceito emprestado da termodinâmica, diz respeito

à tendência que todos os sistemas fechados apresentam de passar

a um estado caótico ou aleatório, caminhando para a desordem e conseqüente declínio;

- Eqüifinalidade: Os sistemas abertos, por sua vez, podem alcançar um estado constante de equilíbrio, de modo que os processos e

o sistema como um todo não chegue a um repouso estático. Essa

propriedade, denominada eqüifinalidade, significa que um certo estado final pode ser atingido de muitas maneiras e de vários pontos de partida diferentes.

- Mecanismos de feedback: Os mecanismos de feedback correspondem a respostas a uma perturbação externa. Partindo das saídas do sistema, o feedback remete às suas entradas, de forma a controlar o funcionamento do sistema, para manter um estado desejado ou orientá-lo para uma meta específica. O feedback pode ser positivo ou negativo, dependendo do modo que o sistema lhe responde. O feedback negativo ocorre quando há um desvio em relação a um padrão e o sistema ajusta-se reduzindo ou neutralizando esse desvio. Esse tipo de feedback é o mecanismo mais importante

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

para a homeostase. Por outro lado, diante do desvio, o sistema pode também responder ampliando ou mantendo esse desvio. A isso se dá

o nome de feedback positivo. Esse tipo de mecanismo é importante no desenvolvimento do sistema.

- Homeostase: O funcionamento autônomo do sistema e seu impulso

para realizar certos movimentos representa o princípio da homeostase, que focaliza exclusivamente uma tendência para o equilíbrio. Umas das tarefas primárias do muitos subsistemas interatuantes é a manutenção do equilíbrio no sistema. A homeostase é, essencialmente, referente á

manutenção da constância durante um certo lapso de tempo.

- Diferenciação: Como existe um meio ambiente circundante

em constante mudança, o sistema deve ser adaptável e capaz de ele próprio efetuar mudanças e reordenar-se na base de pressões ambientais.

- Hierarquias: Todo sistema compõe-se de sistemas de ordem inferior,

que, por sua vez, fazem parte de um sistema de ordem superior. Desse modo, há uma hierarquia entre os componentes do sistema.

- Fronteiras: Qualquer sistema possui fronteiras, que estabelecem

uma separação entre o sistema e o meio ambiente e fixam o domínio em que devem ocorrer as atividades dos subsistemas. Isso significa que toda organização possui fronteira, isto é, uma determinação de seu campo de ação. Uma organização só pode ser eficaz à medida que conhece suas fronteiras, seu limite organizacional.

- Inputs e outputs: O fenômeno denominado em matemática de

“transformação” é algo que transforma um determinado tipo de entrada (input) em determinado tipo de saída (output). A organização procura introduzir o input certo e obter o output desejado. Daí a

importância do controle, tanto em sistemas quanto em atividades.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

Importância do Enfoque Sistêmico

- Evidencia a importância do pensamento holístico: entender

e manejar a complexidade de qualquer situação ou problema enfrentado pelas organizações.

- Estabelece

determinante da eficácia da organização

a

importância

de

considerar

o

ambiente

como

- Consolida a abordagem situacional (contingencial) para o processo administrativo, segundo a qual as práticas administrativas e a estrutura organizacional devem estar em sintonia com o ambiente para serem eficazes.

- Facilita o tratamento da questão estratégica na administração e de outros enfoques, para os quais a visão global é importante.

enfoques, para os quais a visão global é importante. Cibernética e Administração A Cibernética é uma

Cibernética e Administração

A Cibernética é uma ciência relativamente jovem. Foi criada por

Norbert Wiener entre os anos de 1943 e 1947, justamente na época em que surgiu o primeiro computador de que se tem notícia, assim como a Teoria de Sistemas.

Cibernética é a ciência da comunicação e do controle, seja no animal (homem, seres vivos), seja na máquina. A comunicação é que

torna os sistemas integrados e coerentes e o controle é que regula

o seu comportamento. A Cibernética compreende os processo e

sistemas de transformação da informação, e sua concretização em processos físicos, fisiológicos, psicológicos, etc. de transformação da informação.

A Cibernética é uma teoria dos sistemas de controle baseada na

comunicação (transferência de informação) entre o sistema e o meio

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

e dentro do sistema, e do controle (retroação) da função dos sistemas com respeito ao ambiente.

O campo de estudo da Cibernética são os sistemas. Sistema é qualquer

conjunto de elementos que estão dinamicamente relacionados entre si, formando uma atividade para atingir um objetivo, operando sobre entradas, (informação, energia e matéria) e fornecendo saídas (informação, energia ou matéria) processadas. Os elementos, as relações entre eles e os objetivos (ou propósitos) constituem os aspectos fundamentais da definição de um sistema.

Os sistemas cibernéticos apresentam três propriedades principais:

-são excessivamente complexos; -são probabilísticos; -são auto-regulados;

O Sistema Cibernético é extremamente complexo. No fundo, é uma máquina manipuladora de informações, pelas suas relações com o ambiente. A atividade de seu mecanismo depende de sua capacidade de receber, armazenar, transmitir e modificar informações. É uma máquina de operar informações: pela sua grande diversidade, possui grande grau de incerteza, sendo descritível apenas em termos de probabilidades.

Um dos grandes problemas da Cibernética é a representação de sistemas originais através de outros sistemas comparáveis, que são denominados modelos. Modelo é a representação

simplificada de alguma parte da realidade. Existem três razões para a utilização de modelos:

- A manipulação de entidades reais (pessoas ou organizações) é socialmente inaceitável ou legalmente proibida;

- O volume de incerteza com que a administração está lidando cresce rapidamente e faz aumentar desproporcionalmente as consequências dos erros.

Evolução do Pensamento Administrativo - UVB

- A

representações da realidade aumentou enormemente.

capacidade

de

construir

modelos

que

constituem

boas

Os sistemas são homomorfos quando guardam entre si proporcionalidades de formas, embora nem sempre do mesmo tamanho. Assim, um sistema deve ser representado por um modelo reduzido e simplificado, através do homomorfismo do sistema original.

É o caso de maquetes ou plantas de edifícios, diagramas de circuitos elétricos ou eletrônicos, organogramas de empresas, fluxogramas de rotinas e procedimentos, modelos matemáticos de decisão, etc.

Conceito de Entrada, Saída e Caixa Negra

O sistema recebe entradas (inputs) ou insumos para poder operar,

processando ou transformando essas entradas em saídas (outputs). A entrada de um sistema é aquilo que o sistema importa ou recebe do seu mundo exterior. A entrada pode ser constituída de um ou mais dos seguintes elementos:

- Informação

- Energia

<