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ÍNDICE

História da Arte.....................................5
• Fotografia 6 • Expressionismo Abstrato 29
• Impressionismo 7 • Pop Art 30
• Neo-Impressionismo 9 • Arte Cinética e Op Art 31
• Pós-Impressionismo 10 • Muralismo 33
• Nabis 10 • Modernismo Brasileiro 34
• Art Nouveau 11 • Grupo Santa Helena 36
• Simbolismo 12 • Concretismo e Neo-Concretismo 37
• Expressionismo 13 • Informalismo 39
• Die Brücke 14 • Arte Contemporânea 40
• Fauvismo 15 • Arte Conceitual 41
• Cubismo 16 • Body Art 42
• Futurismo 17 • Instalação 43
• Orfismo 18 • Hiper-Realismo 44
• Der Blaue Reiter 19 • Video Arte 45
• Vanguarda Russa 20 • Sound Art 45
• Pintura Metafísica 22 • Site-Specific 46
• Dada 23 • Earth Art 46
• De Stijl 24 • Minimalismo 47
• Art Déco 25 • Performance 47
• Bauhaus 26 • Neo-Expressionismo 48
• Ècole de Paris 27 • Arte Contemporânea - Infos Adicionais 49
• Surrealismo 28 • Arte Contemporânea Brasileira 50

Desenho de Criação................................53
Desenho de Observação...........................61

Autores
Marília Carvalho • uiu cavalheiro • Tamara Takaoka • Lis Morila
Leonardo Matsuhei • Edison Eugênio
Verônica Gelesson • Laiz Hiromi • Wagner Linares • Verônica Sayuri
Rebeca Alcântara
Diagramação
Lucas Fiacadori
HISTÓRIA DA ARTE
Introdução

Para começar a estudar a tal Arte Moderna exigida bom gosto burguês ao exibir sua tela A Origem do
nos vestibulares é bom entender em quais circuns- Mundo, de 1886, que tem da mulher uma acepção
tâncias e como essa modernidade chegou até nós. de mulher real que não consistia na formosura, gra-
Trataremos a seguir do contexto em que se inaugura ça ou exotismo da mulher ideal do Romantismo.
o rompimento com a tradição na arte e dos fatores Até aí o mundo já não era mais o mesmo do co-
que colaboraram com isso. meço do século. A relação com outras culturas e
O século XIX foi marcado pela Revolução Industrial as exigências determinadas pelas novas tecnologias
e pelas novas descobertas da ciência, que propor- fazem o novo se impor não como uma novidade,
cionaram ao mundo e, mais precisamente às eco- mas como uma necessidade de um mundo que
nomias capitalistas européias, uma nova onda de quer ser, a todo custo, moderno. Essa necessida-
progresso e anseio pelo moderno, antes inimaginá- de vai, segundo o crítico de arte Mário Pedrosa,
vel. A burguesia industrial se consolida no poder e, culminar na “(...) proclamação da autonomia do
de classe revolucionária passa a ser tradição, estabe- fenômeno artístico, até então forçado a servir e a
lecendo uma nova cultura romântica feita para eno- subordinar-se a imposições de forças, interesses e
brecer os bons sentimentos. fins extrínsecos. Ela recusa-se a continuar serva da
Uma vez industrializadas, essas economias, essen- religião, do Estado, das do rei, dos príncipes, dos
cialmente urbanas, adquiriram autonomia para a nobres e, finalmente dos ricos”.
consolidação dos estados nacionais, gerando radi- A modernidade instala-se definitivamente e, inerente
cais transformações em sua estrutura social e, con- a ela, o caráter efêmero das novidades, das neces-
seqüentemente, novas necessidades. sidades, das imagens e tendências, das vanguardas
O período correspondia a uma nova expansão do artísticos caracterizadas durante a maior parte do sé-
sistema capitalista representada na disputa por novos culo XX pelos “ismos”. O modernismo foi uma rea-
mercados consumidores e mão-de-obra barata. Esse ção radical ao valor associado ao passado em favor
processo, o Neocolonialismo, foi caracterizado pela da valorização do que era considerado “ultrapassado”,
dependência econômica e dominação política das no sentido de voltar-se para o primitivismo outrora
potências capitalistas sobre os povos tidos como atra- desprezado pela alta cultura e tem na Arte Moderna
sados, por não terem atingido as revoluções tecnoló- o reflexo da crise trazida pela industrialização.
gicas que configuravam o mundo moderno.
Já no plano das ideias e das artes, esse contato, até
então inédito, com consciências ainda não contami-
nadas pelo capitalismo industrial (em geral caso dos
povos africanos, asiáticos e latino americanos) signi-
ficou a descoberta de novas formas de expressão e
novos valores, independentes e não domesticadas
pela cultura burguesa e pela economia industrial.
Os primeiros indícios de ruptura com os temas no-
bres e clássicos acontecem quando o Realismo in-
troduz em suas obras figuras até então rejeitadas,
negando-se a enfeitar e idealizar o mundo como fa-
ziam os românticos. Gustave Coubert, por exemplo,
foi um dos primeiros a balançar as bases estáveis do

História da Arte 5
FOTOGRAFIA

Seja para fins históricos ou para fins artísticos, a O argumento de que a fotografia reproduz a reali-
necessidade de fixação de um momento em um dade tal como ela é não foi sustentado por muito
suporte externo sempre foi algo existente. A fotogra- tempo, já que esta realidade expressa pela foto-
fia é fruto de dez anos de experiências de Joseph grafia é direcionada pelo olhar do fotógrafo, assim
Nicéphore Niépce que, em pleno desenvolvimento como o artista direciona sua pintura para o que lhe
industrial em 1826, conseguiu reproduzir e fixar a atrai ou convém. “Só surgirá uma fotografia de alto
vista descortinada da janela do sótão de sua casa, nível estético quando os fotógrafos, deixando de se
em Chalons-sur-Saône atravéz da ação direta da luz. envergonharem por serem fotógrafos e não pinto-
Outros experimentos importantes que justificam a res, cessarem de pedir à pintura que tornem a fo-
revolução que a fotografia causou no final do sé- tografia artística e buscarem fonte do valor estético
culo XIX foram os de Eadweard Muybridge que fez na estruturalidade intrínseca à sua própria técnica.”
dezenas de fotografias do movimento dos corpos (ARGAN, 1992). É, porém, inegável que a fotografia
no espaço-tempo, como por exemplo as fotos se- tenha trazido consigo uma revolução no modo de
qüenciadas que fez do galopar de um cavalo, des- pensar o fazer artístico, influenciando vários movi-
mitificando e questionando o modo como isso era mentos estéticos a partir de então.
representado em pinturas anteriores, trazendo à
tona perguntas como “o que é a realidade e como
a representamos fielmente?”.
Criou-se então uma barreira na relação entre as
novas técnicas industriais e as tradicionais técnicas
artísticas. Os pintores, a quem antes cabia retratar
a vida que os rodeava, tiveram seu posto substi-
tuído pelo fotógrafo, que retratava mecanicamente
o mesmo mundo, mas com fidelidade absoluta e
muito mais rapidamente.
Diante dessas questões, a pintura teve de se rein-
ventar como uma arte não necessariamente re-
tratista. Os impressionistas tentam acompanhar a
fotografia no uso da cor, na instantaneidade, etc. Já
a corrente simbolista passa a encarar a arte como Nicéphore Niépce, Vista da Janela em Le Gras, 1826
um bem espiritual e insubstituível, recusando rela-
ções, mas reconhecendo que a fotografia supera
a pintura quanto á representação do verdadeiro.
Mais tarde, com os avanços científicos e dos es-
tudos sobre ótica, contribuíram com o desenvol-
vimento do Pontilhismo, que partiam do princípio
dos pequenos pontos que nunca se fundem e que
formam as imagens, mas que reagem uns aos ou-
tros em função do olhar à distância.

6 História da Arte
IMPRESSIONISMO

Onde e quando A escultura também tem nomes importantes que se


França, entre as décadas de 1860 e 1880. encaixam dentro do impressionismo, com figuras
menos bem-acabadas com um movimento mais
Contextualização orgânico e natural. Degas e Renoir foram os únicos
O movimento surgiu na ascensão do sistema capi- pintores que também esculpiram, e temos ainda
talista e da industrialização, que traziam uma nova Rodin e Rosso que foram exclusivamente escultores
concepção materialista do mundo. Muitas ideias re- e podem ser encaixados dentro do impressionismo.
volucionárias se desenvolvem nesse período, e a ci- O movimento impressionista deu origem a movi-
ência conhece um grande avanço com as pesquisas mentos como o Pós-Impressionismo, o Neo-Impres-
no campo da ótica, física e química, que estabele- sionismo, entre outros que se valeram da quebra
cem um diálogo com as ideias impressionistas. de paradigmas que o Impressionismo causou pra
Foi principalmente a fotografia que instigou os im- explorar novos meios e técnicas.
pressionistas a redefinirem sua essência e finalidades
e a separar-se radicalmente das tradições. Os traba-
Ideologia
Busca registrar as sensações visuais imediatas, liber-
lhos de outros artistas também influenciaram este
tando-as das experiências anteriores que pudessem
movimento, como Manet, que pode ser considerado
interferi em seu caráter imediatista. Acreditam e
o precursor do grupo, embora nunca tenha se con-
buscam registrar o aspecto efêmero da vida sem se
siderado um impressionista. Camille Corot, Gustave
interessarem por temáticas tidas como nobres e des-
Coubert e os ingleses William Turner e John Consta-
considerando as convenções e regras da academia.
ble, por suas paisagens luminosas e pela exploração
dos efeitos visuais da luz e do tempo. Também bus- Características
caram inspiração nas estampas japonesas, que não “Impressionismo é o termo usado para designar uma
seguiam a perspectiva e as normas de composição corrente pictórica que tem origem na França, entre
da academia ocidental. as décadas de 1860 e 1880, e constitui um momen-
A partir de 1880 inicia-se a chamada “crise impres- to inaugural da arte moderna.” (itaucultural.org.br). A
sionista”. Os estilos pessoais começam a se diversi- primeira exposição realizada aconteceu no estúdio
ficar e fica difícil classificá-los ou enquadrá-los em do fotógrafo Felix Nadar, em 1874, e contava com ar-
um só movimento. A busca pelas sensações visuais tistas como Renoir, Degas, Pissarro, Sislet, Cezzáne e
dão origem ao divisionismo, que as levam às últimas Monet, sendo esse último o realizador da pintura “im-
consequências. Degas, apesar de estar sob forte in- pressão, sol nascente” que deu inspiração ao nome
fluência do estilo impressionista, não se considerava do movimento. As pinceladas se tornam rápidas e
um realista, nao um impressionista. As bailarinas, seu vigorosas, e as misturas cromáticas se fazem na tela
tema principal, fazem com que ele se volte para ce- a partir das justaposições de cores, dando um ar de
nas de interiores onde já não há a efemeridade da luz fragmentação ao quadro. O abandono de contornos
do sol, somente o movimento. Suas composições são e claro-escuros, a preferência por temáticas da natu-
nitidamente afetadas pela fotografia. Renoir rompe reza, a rejeição pelo “realismo” que predominava a
com o impressionismo e volta-se ao estilo clássico de pintura por séculos e a busca por sensações visuais
figuração, pintando nus de forma mais seca e menos através da captação da luz definem boa parte desse
sensual. Monet tem suas figuras mais sólidas e é con- movimento pouco homogêneo em sua totalidade.
siderado o impressionista por excelência.
(cont.)
História da Arte 7
IMPRESSIONISMO
(cont.)

O movimento repercutiu o advento a fotografia cau-


sara com a imagem e com a função do pintor: este
já não era mais o responsável pela captação da ima-
gem em seus mínimos detalhes, com extrema perfei-
ção. A partir dai então se começou a buscar outras
coisas. Com o advento da tinta em tubos, os pintores
começaram a sair de seus ateliês e buscar as paisa-
gens externas buscando captar a impressão cromáti-
ca que a luz causava aos olhos, e como isso poderia
ser representado em uma tela de forma rápida e sin-
cera, o que, por sua vez, iniciou um movimento de
questionamento do que é, enfim, a realidade.

Principais nomes
Claude Monet, Edgar Degas, Pierre-Auguste Renoir,
Camile Pissaro, Auguste Rodin, Edouard Manet, Claude Monet, A Canoa Sobre O Epté,1890.
Paul Cézanne.

Edouard Manet, Almoço Na Relva, 1863

Auguste Rodin, O Pensador, 1879-89

8 História da Arte
NEO-IMPRESSIONISMO
Pontilhismo, Divisionismo, Cromoluminarismo

Onde e como começou


França, em 1880.

Contextualização
O fim do século XIX é marcado pela industriali-
zação crescente e desenvolvimento científico. A
corrente filosófica positivista ganhava popularida-
de, sustentando a ideia de progresso e da ciência
baseada apenas no mundo material. Sofre influên-
cia das novas descobertas científicas, principalmente
no campo da ótica. Nas artes, dos pintores franceses
Jean-Antoine Watteau e Eugène Delacroix.
Opunha-se à visão mais romântica e espontânea do
Impressionismo, sendo ao mesmo tempo um desen-
Paul Signac, Retrato de Félix Feneon, 1890
volvimento e uma crítica a esse movimento, tendo
a intenção de superá-lo, no sentido de dar um fun-
damento científico ao processo visual e operacional
da pintura. Também ia de encontro ao espiritualismo
característico dos simbolistas.
Exerce influência sobre Van Gogh e Gauguin, além de
abrirem caminho para a pesquisa ótica nas artes e, nes-
se sentido, para a Op Art e a Arte Cinética. A obra de
Signac é retomada pelo Fauvismo e pelo Raionismo.

Características
Trata-se de dividir as cores em seus componentes fun-
damentais. As inúmeras pinceladas regulares de cores
puras que cobrem a tela são recompostas pelo olhar
do observador e, com isso, recupera-se sua unida- Georges-Pierre Seurat, Banhistas Em Asnières, 1884
de, longe das misturas feitas na paleta. A sensação
de vibração e luminosidade decorre da “mistura óti-
ca” obtida pelos pequenos pontos de cor de tamanho
uniforme que nunca se fundem, mas que reagem uns
aos outros em função do olhar à distância
Quanto à temática, é comum a vida urbana, o lazer
e paisagens marítimas.

Principais nomes
Georges Seurat e Paul Signac. Brasil: Eliseu Visconti,
Belmiro de Almeida.

História da Arte 9
PÓS-IMPRESSIONISMO NABIS

Onde e quando Onde e quando


Início por volta de 1885 até aproximadamente 1905 Paris, 1888.
(emergência dos fauves e cubistas).
Contextualização
Contextualização Surge como uma corrente pós-impressionista
O pós-impressionismo não é considerado uma van- fortemente influenciada pelo trabalho de Paul
guarda com manifesto ou movimento artístico com Gauguin,buscando de novas formas de representação.
período, estilo e ideologia definidos. O termo pós- O termo Nabis vem da palavra hebraica referente a
impressionismo, criado pelo teórico Roger Fry, é usa- “profetas”, referência à atitude séria e ao mesmo tem-
do para designar uma arte que se desenvolve à partir po burlesca dos membros do grupo. Começando em
do impressionismo ou reage a ele. Consideravam a 1888 em Paris, inspirados por Paul Gauguin, os “profe-
ideia de análise da realidade dos impressionistas res- tas” buscavam fazer uma síntese de tudo o que acon-
tritiva, superficial e ilusionista. teceu no campo das artes plásticas na época.Além
Cada artista pós-impressionista tinha um estilo e de Gauguin, foram influenciados por Odilon Redon,
pesquisas próprias. Essas pesquisas possibilitaram Seurat, Cézanne e pinturas japonesas. Fizeram tam-
aos artistas posteriores uma infinidade de novas prá- bém cartazes, cenografias e ilustrações para livros,
ticas fazendo com que surgissem novas linhagens influenciando a produção de Toulouse-Lautrec.
na arte, começando assim a era das vanguardas. O grupo teve curta duração, mas deixou à Art No-
Para trazer renovação na arte ocidental, os artistas veau seu legado de exploração de linhas sinuosas e
pós-impressionistas buscavam inspiração em culturas de planos de cor delimitados por contornos. Abriu
diferentes das que estavam inseridos. Podemos desta- caminho à arte não-figurativa.
car a relação de Toulouse-Lautrec com a arte japone-
sa e de Gauguin com a cultura das ilhas do pacífico. Ideologia
Paul Cézanne, um dos mais importantes artistas “Uma pintura, antes de ser um corcel, um nu ou al-
pós-impressionstas, influenciou vanguardas mar- guma historieta, é essencialmente uma superfície co-
cantes da história da arte, como o Fauvismo e o berta de cores que foram dispostas em certa ordem”,
Cubismo, por causa de seu método de estruturação afirmava Maurice Denis, teórico do grupo, referindo-
geométrica das formas naturais e apreciação direta se à inovação formal do grupo.
dos efeitos de luz e cor. Ele é considerado o proge-
nitor do abstracionismo. Características
Vincent van Gogh, outro importante pós-impressio- Usando a cor de forma emocional e decorativa,
nista, influenciou mais tarde os expressionistas e fau- usavam grandes áreas de cores chapadas, criando
vistas com suas pinceladas largas de cores fortes e uma pintura figurativa forte e viva. Sua inovação,
expressivas, sem tentar imitar as cores da natureza. porém se revelava somente no que diz respeito à
Toulouse-Lautrec precedeu a publicidade e as artes forma, uma vez que sua temática ainda continuava
gráficas, além de estilos como a Art Noveau e simpli- sendo a mesma temática de movimentos anteriores
ficação do desenho com o uso das cores puras e pla- como retratos, interiores, cenas da vida parisiense
nas de Gauguin exerce influência sobre os fauvistas. e, no caso de Denis, cenas religiosas.

Principais nomes Principais nomes


Paul Cézanne, Vincent van Gogh, Paul Gauguin, Paul Sérusier, Maurice Denis, Pierre Bonnard, Jean-
Henry de Toulouse-Lautrec. Édouard Vuillard.

10 História da Arte
ART NOUVEAU
Jugendstil, Arte Nova, Modern Style, Liberty, Stilo Floreale

Onde e quando Ideologia


Se desenvolve entre 1890 e a Primeira Guerra Mun- O foco era atenuar as fronteiras entre belas-artes e
artesanato pela valorização dos ofícios e trabalhos
dial, na Europa e nos Estados Unidos.
manuais e pela recuperação do ideal de produção
coletiva.
Contextualização
Estabeleceu-se num período onde se iniciava a Se- Principais nomes
gunda Revolução Industrial, o que possibilitava a Antonio Gaudí, Gustav Klimt, Alfons Mucha, Henri
produção de novos artefatos, como móveis que até de Toulouse-Lautrec, Victor Horta, Emile Gallé; Au-
então não eram produzidos em maior escala e car- gust Endell, Louis Comfort Tiffany, Jan Toorop, Hec-
tazes, que com a invenção da litogravura colorida, tor Guimard, Henry van de Velde, Joseph Olbric,
passaram uma linguagem mais explorada. Josef Hoffmann, Ferdinand Hodler.
Rompeu com a arte acadêmica e naturalismo, pois
buscava a essência da natureza e não sua superfí-
cie. Foi influenciado pelos impressionistas no que
diz respeito a seu apreço por temas naturais e a
busca pelo orgânico.
Porém, o Impressionismo buscava impressões efême-
ras e sensações luminosas, a Art Nouveau baseava-se
nas formas e curvas. Apesar de grandes nomes da
Art Nouveau serem conhecidos por suas pinturas,
exerceu – e exerce até hoje – grande influência na
produção de objetos de decoração e está ligada à ori-
gem ao design. Na arquitetura os artistas passaram a
pensar em todas as partes, dando valor aos menores
detalhes de um edifício.

Características
Valorização das artes aplicadas: arquitetura, artes
decorativas, design, artes gráficas, mobiliário, joa-
lheria e outras, colocando a “arte nova” ao alcance
de todos, pela articulação estreita entre arte e in-
dústria, como no movimento social e estético inglês
Arts and Crafts, liderado por William Morris (1834
- 1896), e que está nas origens do Art Nouveau.
A fonte de inspiração primeira dos artistas é a na-
tureza, as linhas sinuosas e assimétricas das flores
Alfons Mucha, A Fruta, 1897
e animais. Arabescos e as curvas, complementados
pelos tons frios.

História da Arte 11
SIMBOLISMO
Decadentismo

Onde e quando Principais Nomes


França, fim do século XIX. Torna-se movimento Gustave Moreau, Odilon Redon, Maurice Denis,
consciente em 1886, com o Manifesto Simbolista Paul Sérusier, Paul Gauguin, Edvard Munch.
do poeta Jean Moréas. Vários desses artistas depois aderiram a outros mo-
vimentos; Edvard Munch depois torna-se um dos
Contextualização expoentes do Expressionismo.
O Simbolismo tem influência de peças, pinturas e
linhas de pensamento orientais. Coloca-se contra a
arte acadêmica e o realismo, inclusive a ideia de na-
turalismo associada ao impressionismo.
Nessa época a Europa recebia as influências orientais
e o pensamento realista/parnasiano/lógico entrava em
decadência. Caminhou lado a lado com o Realismo
e o Pré-Modernismo. No Brasil teve seu fim apenas
com a Semana de Arte Moderna de 1922.
Foi o primeiro movimento a explorar o mundo in-
consciente, fundamental para correntes posteriores
ligadas ao Expressionismo. O estudo de Gauguin de
formas “primitivas” originou o Sintetismo e os Nabis.

Ideologia
Aprofundar-se no “eu” interior, no inconsciente
e na sua representação. Tenta mostrar o que se
passa dentro do artista e suas reais intenções. Re-
presenta os elementos e personagens através de
ideias subjetivas, sem tornar óbvia a interpretação
através apenas da aparência externa.

Características
Temas místicos e alegóricos, sonhos, visões, o oculto,
o erótico e o perverso, morte e doença, com ob- Paul Sérusier, Solidão, 1891
jetivo de criar um impacto psicológico. Propõe a
expressão de ideias através de formas, símbolos sin-
téticos metodicamente compreensíveis.
Alcança todos os campos da arte, principalmente a
literatura e a pintura, os Simbolistas foram os primei-
ros a declarar que o mundo interior do artista seria
um tema mais apropriado à arte que a aparência
externa das coisas. Utilizam símbolos para evocar
emoções e criar imagens do imagens do irracional.

12 História da Arte
EXPRESSIONISMO

Onde e quando Principais Nomes


Frequentemente o termo Expressionismo é designa- Os pioneiros: James Ensor, Emil Nolde e Edvard
do somente à arte alemã do início do século XX. É Munch. Outros nomes importantes são os austría-
pertinente, porém, classifica-lo como um fenôme- cos Egon Schiele e Oskar Kokoschka.
no que teve diversas faces em toda a Europa (Ale-
manha, França, Bélgica, Áustria, Holanda, etc.) até
a década de 1920.

Contextualização
Com ênfase na emoção subjetiva e na defesa de uma
poética sensível à expressão do irracional, dos impul-
sos e paixões individuais, encontram suas raízes no
pós-impressionismo de Van Gogh e Paul Gauguin, no
Simbolismo, na Art Noveau e especialmente em Gus-
tav Klimt. Na Alemanha a principal precursora do ex-
pressionismo foi Paula Modersohn-Becker, que fazia
uso simbólico das cores e dos padrões.
O Expressionismo se opõe ao caráter essencial-
mente visual desenvolvido pelos impressionistas,
adotando uma atitude subjetiva e muitas vezes até
agressiva com relação à realidade. Enquanto o Im-
pressionismo se empenhava em captar a luz e o
movimento, o Expressionismo acontece de dentro
para fora, trazendo à tona as emoções, angústias e
pontos de vista do artista.
A eliminação do papel descritivo da arte, a exaltação
Edvard Munch, O Grito, 1893
da imaginação do artista e a ampliação dos poderes
expressivos da cor, linha e forma influenciaram mui-
tas manifestações artísticas que vieram em seguida e
até a contemporaneidade.

Ideologia
Representar uma visão subjetiva, através do uso da
cor e da linha. Ao invés de registrar uma impressão
do mundo exterior, o artista deve o efeito de seu
próprio temperamento sobre sua visão de mundo.

Características
Uso de cores simbólicas, imagística exagerada e
intensa. Uma característica das manifestações ale-
mãs do Expressionismo é que em geral apresentam
uma visão sombria da humanidade. Egon Schiele, Mulher Deitada Com Meias Verdes, 1917

História da Arte 13
DIE BRÜCKE
“A Ponte”

Onde e quando transfere a beleza do plano do ideal para o plano real.


Corrente alemã do Expressionismo, começou em Die Brücke significa “A Ponte”. O nome foi escolhi-
Dresden, em 1905 e se dissolveu em 1913. do para representar a ligação que desejavam fazer
com a arte do futuro.
Contextualização
O grupo de artistas se organizava em uma oficina na Principais Nomes
qual pintavam, esculpiam em madeira e faziam xi- A princípio o grupo foi formado por quatro estudan-
logravuras, colaborando entre si em vários projetos. tes de arquitetura, Fritz Bleyl, Erich Heckel, Ernst Lu-
Tinham interesse em artes gráficas e essa foi uma de dwig Kirchner e Karl Schmidt-Rottluff.
suas influências, assim como as xilogravuras góticas Mais tarde foram se juntando outros artista, sendo o
alemãs e as esculturas em madeira da África e da mais reconhecido Emil Nolde, que sendo mais ve-
Oceania. Os artistas da Ponte tinham conhecimento lho do que eles foi convidado pelo grupo e aceitou,
dos movimentos contemporâneos na França e entu- permanecendo por alguns meses, entre 1906 e 1907.
siasmo pelos Fauves. Seus ideais e sua visão do pa-
pel da arte no mundo vieram a dar base a Bauhaus,
após a queda do expressionismo.
No Brasil nota-se influência expressionista na pri-
meira fase da produção de Anita Malfatti e nas
obras de Lasar Segall, Oswaldo Goeldi, Flávio de
Carvalho e Iberê Camargo. E no México no socia-
lismo realista de Diego Rivera e Orozco.

Ideologia
Acreditavam que por meio da pintura poderiam
criam um mundo melhor para todos, viam a arte
como um dever social, um trabalho criativo em
oposição ao trabalho industrial alienante que defor-
ma a sociedade. Valorizavam a cultura das classes
trabalhadoras em detrimento da cultura erudita.

Características
Sobretudo as xilogravuras, apresentam uma visão
intensa, muitas vezes angustiante, do mundo con-
temporâneo. Utilizavam linhas rígidas e angulosas e
cores violentas sem preocupação com a verossimi-
lhança, mas com os significados (mais preocupados Emil Nolde, O Profeta, 1912
com o significado delas do que com a verossimilhan-
ça). A distorção e deformação das formas reafirmam
a postura pessimista do movimento com relação à
vida, constituindo a primeira “poética do feio”, que

14 História da Arte
FAUVISMO
fovismo

além da influência tiveram nos demais expressio-


Onde e quando nistas, desde seus contemporâneos alemães até o
As características fauvistas começaram a aparecer
expressionismo abstrato e o neo-expressionismo.
na França no final do século XIX, mas só passaram
Pode-se dizer também que esse foi o primeiro mo-
a ter força publicamente, como uma nova vanguar-
vimento a trazer o gosto pelas cores puras presente
da, em 1905 quando recebem essa denominação.
até hoje na cultura contemporânea.
Fauvismo ou Fovismo, nome atribuído pelo crítico
Louis Vauxcelles, “Les Fauves” significa “as feras” e Ideologia
era uma comparação pejorativa dos artistas a ani- Os fauves compartilhavam a atitude simbolista de
mais selvagens. que a arte deveria evocar sensações emocionais por
meio da forma e da cor, mas tinham uma aborda-
Contextualização gem mais positiva da vida.
O fauvismo foi a primeira vanguarda do século XX O próprio fato de não serem um movimento organiza-
a se colocar no centro do mundo da arte, mas os do se dá pois não tem pretensões intelectuais, a idéia
fauves jamais foram um grupo organizado, eram era criar uma arte que não possuísse relação com o in-
apenas artistas, amigos e estudiosos que comparti- telecto, mas com o impulso do instinto e das sensações.
lhavam ideias quanto a arte.
Muitos dos fauves haviam estudado com o simbo- Características
lista Gustave Moreau, cujas atitudes abertas, origi- O uso da cor e da luz para expressar emoções pode
nalidade e crença no poder expressivo da cor pura ser considerado uma nova técnica que surge com o
seriam fonte de inspiração. fauvismo, pelo menos no que tange a tradição fran-
Também sofriam influência dos pós-impressionistas, cesa. Seus temas são leves, buscam emoções na
que já se preocupavam com a cor nesse sentido da alegria de viver, sem intenção crítica. Buscavam a
bidimensionalidade, principalmente na simplificação máxima expressão pictórica através da exploração
das formas e cores puras utilizadas por Gauguin. Ao da expressividade das cores, para tanto , utilizam
mesmo tempo em que descobriam a mais recente ge- cores puras, intensas e não verossímeis, tentando
ração da vanguarda, os fauves se voltavam para a arte produzir emoções mais do que reproduzir as cores
francesa pré-renascentista (a partir de uma exposição naturais. Cada espaço delimitado é preenchido por
ocorrida em 1904 chamada “Primitivos Franceses”), uma cor lisa, sem gradações ilusionistas de sombra
para a arte islâmica (também exposta em Paris na ou profundidade. Os fauvistas compartilham tam-
época), e escultura africana. bém o sentido de libertação e de experimento.
Eles dão uma guinada no interesse pela cor iniciado pe-
los impressionistas, deixando de lado o interesse pela Principais Nomes
sensação visual explicável pela ótica e voltando-se Henry Matisse tornou-se conhecido na época como
para questões da expressão de sensações e emoções. “o rei das feras”, e permaneceu fauve após a dissolu-
Por volta de 1906 os fauves passaram a ser vistos ção do movimento, e tornou-se um dos artistas mais
como os pintores mais avançados de Paris, mas logo adorados e influentes do século XX. Além dele os
depois cada artista seguiu seu caminho, e a aten- principais fauves foram Maurice Vlaminck e André
ção do mundo da arte se voltou para os cubistas. Derain, pode-se ainda incluir Albert Marquet, Charles
Entretanto, o próprio cubismo sofreu influência do Camoin, Henri-Charles Manguin, Othon Friez, Jean
Fauvismo no sentido de entender o quadro como Puy, Louis Valtat, Georges Rouault e Raoul Dufy.
uma estrutura autônoma, uma realidade própria,

História da Arte 15
CUBISMO

Onde e quando Características


França, em 1907 com o quadro Les Demoiselles Baseando-se em formas geométricas e linhas retas,
d’Avignon de Picasso. Dissolve-se com o começo os quadros cubistas buscavam reconstruir formas
da Primeira Guerra mundial, em 1914. através da representação simultânea de diversas
faces de um mesmo objeto sobre o mesmo plano,
Contextualização afastando-se da perspectiva e da luz e sombra.
O Cubismo surge no período que antecede a Pri- O Cubismo divide-se em duas fases: Cubismo Ana-
meira Guerra Mundial, período em que a cultura eu- lítico, que consistia na desconstrução quase com-
ropéia encontrava-se em crise e buscava em outras pleta do objeto, se aproximando da abstração, e
fontes novos valores, diferentes daqueles incorpora- com predominância de uma cor; e Cubismo Sinté-
dos pela burguesia e pela economia industrial. tico, que tentou tornar os objetos reconhecíveis no-
É nesse contexto que o contato com culturas tidas vamente. Nesta fase, Picasso e Braque inovam com
como primitivas se torna de fundamental importân- as colagens, incorporando papel e outros fragmen-
cia, como é o caso dos cubistas com a arte africana. tos de materiais relacionados com a vida cotidiana,
Também são fortemente influenciados por Cézanne, (recortes de jornais, pedaços madeira, cartas de ba-
através de sua construção de espaços por meio de ralho, caracteres tipográficos, etc) às suas pinturas.
volumes, simplificando-os em “cubos, cilindros e
cones”, e da decomposição de planos. Principais nomes
Foi um dos movimentos mais influentes do séc. XX, Pablo Picasso, Georges Braque, Juan Gris, Fernand
marcando outras vanguardas e tendências, como o Léger, Robert Delaunay, Sonia Delaunay. No Bra-
Dadaísmo, no que diz respeito à inserção de objetos sil, influências cubistas podem ser observadas nas
à obras, o Futurismo, o Orfismo, a abstração, a ar- obras de Antônio Gomide, Vicente do Rego Mon-
quitetura de Le Corbusier entre e muitos outros. teiro, Tarsila do Amaral e Candido Portinari.

Ideologia
A representação da profundidade sobre uma super-
fície plana sempre foi um entrave paradoxal dentro
da pintura. Ao tentar planificar todas as faces de um
objeto, o Cubismo busca uma nova forma de ex-
plorar esse paradoxo sem, entretanto, encobri-lo. Os
cubistas não se propunham a abolir a representação,
o que pretendiam era reformá-la, recusando a idéia
de arte como imitação da natureza. Pensavam em
construir e não em copiar algo.
Essa maneira de se representar implicava porém no
emprego de formas razoavelmente conhecidas para
que fosse possível a compreensão da relação entre
as partes e, conseqüentemente, na preservação de
referências ao mundo objetivo. Este foi o alvo das
Pablo Picasso, O Beijo, 1969
críticas mais intensas que este movimento recebeu,
principalmente por parte dos abstracionistas.

16 História da Arte
FUTURISMO

Onde e quando As ideias futuristas serviram de inspiração, em me-


Paris, 1909. nor ou maior escala, a grupos como o Raionismo,
Dadá e Der Blaue Reiter. No Brasil, os modernistas
da Semana de 22 receberam a alcunha de futu-
Contextualização ristas paulistas, devido a seu caráter renovador. O
O Manifesto Futurista foi publicado pelo poeta espírito do movimento refletiu também na tipogra-
italiano Filippo Tommaso Marinetti em francês no fia moderna, no design gráfico, e na maneira veloz
jornal Le Fígaro, de Paris, em 1909. Foi um movi- de comunicar a ideia de velocidade na publicidade,
mento essencialmente italiano mas de importância histórias em quadrinhos etc.
mundial, cujo ímpeto chegou ao fim nos meados O Futurismo teve seu irônico fim com a morte de
da Primeira Guerra Mundial. Sant’Elia no campo de batalha e de Boccioni por
cair de um cavalo. A prisão de Marinetti acelerou
Ideologia mais ainda o processo de encerramento.
O futurismo queria romper com tudo o que se relacio-
nava ao passado e pretendiam se tornar a expressão Principais nomes
mais moderna da arte em seu tempo, refletindo em Filippo Marinetti, Umberto Boccioni, Carlo Carrà,
suas obras o ritmo e espírito da sociedade industrial. Luigi Russolo, Antonio Sant’Elia, Giacomo Balla.

Características
Grande parte do que foi o futurismo se deve a
ideias de outros movimentos como a necessidade
de captar o movimentos e a efemeridade da luz
dos impressionistas, os recortes, planificações e
geometrizações cubistas e os estudos fotográficos
de locomoção humana e animal realizados pelo
americano Eadweard Muybridge. Para expressar
a interação entre objetos e espaço, faziam uso de
elementos geométricos, repetição e fragmentação
das figuras, compondo o que Umberto Boccioni
chamou de “abstração dinâmica”.
O movimento futurista foi basicamente um movi-
mento de manifestos, por isso está intimamente li-
gado à política, sendo que muitos dos artistas do
grupo, entre eles o próprio Marinetti, se identifi-
cavam com o fascismo por glorificarem a guerra Giacomo Balla, Dinamismo De Um Cachorro Na Coleira,
1912
como sendo “a única verdadeira higiene do mun-
do”. Anticlerical e antissocialista, exaltava a vida
moderna e industrial, cultuando a velocidade atra-
vés de meios literários e artísticos.

História da Arte 17
ORFISMO
cubismo órfico

Onde e quando
Surgido em Paris por volta de 1911.

Contextualização
O grupo parte do cubismo e dirige-se cada vez mais
à abstração, rompendo com seu movimento de ori-
gem na busca de recuperar o lirismo e a espirituali-
dade na pintura. Ao contrário da atitude intelectual
e racional dos cubistas, não seguem lógica aparente.
Por identificações ideológicas no que tange às
propriedades musicais e poder espiritual, os pinto-
res órficos se tornam aliados naturais dos expres-
sionistas alemães e os influenciam, principalmente
os integrantes da Der Blaue Reiter.
Orfismo foi um termo criado, com referência a
Orfeu, o lendário tocador de lira da mitologia
grega, pelo poeta e crítico Guillaume Apollinaire
em 1912 para descrever o que considerava um
movimento interior ao cubismo.
Sonia Delaunay, Composição Com Discos, 1938

Ideologia
Acreditavam nas propriedades musicais e espiritu-
ais de seus trabalhos. A referência a Orfeu remete
ao arquétipo do poder irracional na arte.

Características
As obras do Orfismo diferem do cubismo pela
tendência à maior fragmentação por meio da cor,
que lhes atribui um lado emocional. Além disso
utiliza formas abstratas e estruturas circulares que
trazem o movimento e o dinamismo do mundo
moderno. Isso os tornou pioneiros na abstração
da cor. Delaunay tentava atingir o que chama de
“consciência moderna”, trabalhando sem fazer es-
boços e improvisando diretamente na tela.

Principais Nomes
Robert Delaunay e sua esposa Sonia Delaunay. Tam-
Robert Delaunay, Ritmo, Alegria De Viver, 1930
bém Fernand Léger, Francis Picabia, Marcel Du-
champ e Frank Kupka, pioneiro da arte abstrata junto
com Kandinsky.

18 História da Arte
DER BLAUE REITER
“O Cavaleiro Azul”

Onde e quando fruição de uma obra de arte como mera contempla-


Grupo de artistas que se reuniu em Munique, ao re- ção, mas sim como estímulo que se dispõe a desper-
dor do russo Wassily Kandinsky entre 1911 e 1914. tar reações e sugestões distintas em cada indivíduo.

Contextualização Características
O grupo teve inspiração nos expressionistas, mas Jamais foi objetivo dos artistas de O Cavaleiro Azul
sua principal influência se deve ao interesse pelo criar um estilo homogêneo. Suas orientações são
misticismo e pela arte primitiva, arte popular, arte fundamentalmente espirituais, que para Kandinsky
infantil e arte dos deficientes mentais. significava tudo o que não é racional e impulsiona a
Contrapõe-se ao cubismo, pois entendem que esse criação das formas ao sabor das emoções, exploran-
proponha apenas a reformulação da representação do a dimensão lírica da cor e da forma, fazendo da
e não a abolição da mesma, enfocando teorias ra- arte a expressão de uma necessidade interna.
cionalistas e, de certa forma, realistas, que precisa-
vam ser desligadas da arte. Principais Nomes
O período em que surgem antecede a Primeira Wassily Kandinsky, Franz Marc, August Macke,
Guerra Mundial. As disputas entre nações imperia- Alfred Kubin e Paul Klee.
listas já abalavam a paz e o equilíbrio europeu, e
a eclosão da Guerra levou a dissolução do grupo.
Entretanto, para além desse período, os desdobra-
mentos de suas atividades tiveram grande alcance,
eventualmente conduzindo à arte da fantasia do Sur-
realismo, Dada e Expressionismo Abstrato. Também
influenciaram a escola Bauhaus, na qual Kandinsky e
Klee lecionaram mais tarde. A principal herança des-
se movimento foi a inauguração da arte não figurativa.

Ideologia
O misticismo de Kandinsky era espiritual e analíti-
co. Ele postulou que a arte deveria ser sacramental
e defendia a liberdade do artista de escolher seu
modo de expressão, fosse ele abstrato, realista ou
qualquer combinação intermediária. Mas o gru-
po não se preocupava em ter uma formação ho-
mogênea, cabia também, por exemplo, a filosofia
panteísta de Franz Marc que combinava a crença
religiosa com um profundo sentimento em relação
aos animais e à natureza.
Em suma, acreditavam na eficácia simbólica e psi- Paul Klee, On a Motif from Hamamet, 1914
cológica das formas e das cores, não entendiam a

História da Arte 19
VANGUARDA RUSSA
Suprematismo e Construtivismo

Contextualização SUPREMATISMO
A Rússia foi um dos países que ingressou tardia-
mente no processo de industrialização e, para isso,
contou com incentivo de capital estrangeiro, prin-
Onde e quando
Surge na Rússia por volta de 1913, mas sua sistemati-
cipalmente das potências capitalistas européias.
zação teórica, só acontece em 1935, com o manifesto
Essa nova relação levou a uma ocidentalização gra- “Do Cubismo ao Futurismo ao Suprematismo: o novo
dativa de diversos países, que pode ser observada realismo na pintura”, escrito por Kasimir Malevich em
através dos movimentos artísticos russos desenvol- colaboração com o poeta Vladímir Maiakóvski.
vidos no início do século XX, que herdaram prin-
cipalmente a desconstrução do espaço e do objeto
cubista e, do futurismo, a temática da cidade, do
Ideologia
Defende uma arte sem finalidades práticas e com-
movimento e da velocidade. Ao mesmo tempo em
prometida com a pura visualidade plástica, negan-
que sofriam influência das vanguardas européias,
do tanto a utilidade social da arte como a sua pura
essas novas vanguardas russas, trataram de romper esteticidade. Malevich propõe um mundo destitu-
com a arte figurativa e, conseqüentemente, com a ído de objetos, reduzindo o sujeito e o objeto a
representação formal das imagens e com qualquer uma única forma, ao “grau zero”. Esse mundo “sem
referência ao mundo objetivo, que ainda podia ser objetos” seria uma concepção proletária, já que
observado no Cubismo. implica a não propriedade das coisas e noções.
A Vanguarda Russa exerce influência na formação
do método didático da Bauhaus e também em dois Características
dos principais movimentos da arte moderna brasi- Abstração geométrica. Estuda a estrutura funcional
leira: o Concretismo e o Neoconcretismo, que sur- da imagem, buscando o significado primário dos
gem a partir da década de 50. Seu maior legado, símbolos e signos expressivos. Para Malevich, as
entretanto é a abstração, que refletia, no campo formas geométricas representavam a supremacia
das artes, a revolução social e política que a Rús- de um mundo maior que o mundo das aparências,
sia enfrentava naquele período e também sugeria sendo a linha reta a forma elementar suprema que
o triunfo oriental sobre o racionalismo ocidental, simboliza a ascendência do homem sobre as não-
uma vez que ali surgia a tendência que predomina- linearidades da natureza.
ria durante o século XX. A “Supremacia do puro sentimento”: refere-se à
Na década de 30, com o Stalinismo, a arte de van- supremacia da sensibilidade e dos sentidos sobre
guarda russa foi suprimida pelo Realismo Soviético todas as outras considerações artísticas.
e reduzida a um instrumento de propaganda políti- O Suprematismo caracteriza-se formalmente pelo
ca e divulgação cultural. uso de formas geométricas e cores puras. Ao longo
do tempo, as formas foram se tornando mais com-
plexas à medida que também se ampliava a gama
de cores, criando ilusões de espaço e movimento.

Principais nomes
Liubov Popova, Olga Rozanova, Nadezhda Udaltso-
va, Ivan Puni, Kazimir Malevich.
(cont.)
20 História da Arte
VANGUARDA RUSSA
Suprematismo e Construtivismo
(cont.)

CONSTRUTIVISMO Principais nomes


Vladimir Tátlin, o casal Alexander Rodchenko
e Varvara Stepanova e os irmãos Naum Gabo e
Onde e quando Anton Pevsner. Os dois últimos romperam com o
Por volta de 1914, Vladimir Tatlin fez sua primei- movimento em 1920, com seu “Manifesto Realista”,
ra construção, dando abertura para o movimento passando a estabelecer um diálogo entre a arte e
Construtivista, que viria a ser o estilo mais dissemi- a ciência e usando materiais indústrias. Os meados
dos anos 20 foram o auge do movimento, em que
nado da Rússia. Durou até 1934. Também foi co-
artistas como Olga Rozanova, Gustav Klutsis, Ge-
nhecido como Produtivismo.
orgii Yakulov e El Lissitzky se esforçaram para apli-
car a linguagem da arte abstrata ao objeto prático.
Ideologia
O Construtivismo pensa o artista como um en-
genheiro que constrói uma realidade ao invés de
representá-la, da mesma forma que vê a pintura e
escultura como construções e não como represen-
tações. “A arte deve estar a serviço da revolução,
fabricar coisas para a vida do povo como antes fa-
bricava para o luxo dos ricos”.
Os artistas construtivistas, em sua maioria, possu-
íam ideologias marxistas e consideravam-se pro-
dutores de imagens assim como os operários são
produtores de outros objetos diversos. Buscavam
dessa forma abolir a idéia de que o trabalho artísti-
co é superior às demais formas de trabalho, alheio
ao cotidiano e à vida das pessoas.
Idealizavam a socialização da arte e não uma arte
política. Foram essas discussões a cerca da função
social da arte que levaram a uma cisão do grupo.

Características
Não podia ser representativa e deveria possuir um
valor funcional e informativo, mostrando ao povo,
visualmente, a revolução em andamento e manten-
do um diálogo com os meios gráficos e fotográficos Vladimir Tátlin, Monumento À Terceira Internacional,
de comunicação. Genericamente, usavam elemen- 1919
tos geométricos, cores primárias, fotomontagens e
tipografias em suas obras.

História da Arte 21
PINTURA METAFÍSICA

Onde e quando
Ferrara, na Itália, por volta de 1913, mas foi entre
1917 e 1920 que se consolidou.

Contextualização
Simultânea à Primeira Guerra Mundial. Os filósofos
Nietzche, Schopenhauer e Weininger inspiraram as
invenções metafísicas de De Chirico. Outras influên-
cias foram a cultura clássica de Nicolas Poussin e Ca-
lude Lorrain e do romântico Caspar David Friedrich.
A Pintura Metafísica teve forte impacto no Dadaísmo
e no Surrealismo, por seu foco no universo onírico da
arte e pela aproximação de objetos díspares. Recusa
porém a temática e o nacionalismo futurista.

Características
Volta-se para uma “outra realidade” atemporal. Os ele-
mentos arquitetônicos mobilizados nas composições
(colunas, torres, praças, monumentos neoclássicos,
chaminés de fábricas) constroem, paradoxalmente,
espaços vazios e misteriosos. Figuras humanas, quan-
do presentes, carregam consigo forte sentimento de
solidão e silêncio. São meio-homens, meio-estátuas,
vistos de costas ou de muito longe. Quase não é pos-
sível ver rostos, apenas silhuetas e sombras projetadas
pelos corpos e construções. A incorporação de ele-
mentos presentes nas naturezas-mortas (luvas, bolas,
frutas, biscoitos) reforçam a idéia de deslocamento e a
sensação de irrealidade que rondam os trabalhos.

Ideologia
Os pintores metafísicos acreditavam na arte como
profecia e o artista como poeta, capaz de remover a
máscara para revelar a “verdade real” escondida nas
aparências. Para tanto, recorriam à arte transcendental.
Giorgio De Chirico, A Grande Torre, 1913
Principais nomes
Giorgio de Chirico. Carlo Carrà, Giorgio Morandi,
Alberto Savinio, Filippo de Pisis, Mario Sironi.

22 História da Arte
DADA
dadaísmo

Onde e quando
Zurique, 1916, terminando por volta de 1921.

Contextualização
O Dadá foi um movimento multidisciplinar (visuais,
teatro, poesia, etc) nascido simultaneamente em vá-
rias metrópoles do mundo, principalmente Zurique,
Nova York, Paris, Berlim, Hanover e Colônia.
O movimento se inicia como uma reação à Primeira
Guerra Mundial por jovens artistas indignados perante
a falência e hipocrisia de valores estabelecidos pela so-
ciedade. Os dadaístas eram contra as instituições políti-
cas, sociais e artísticas; essencialmente anarquistas.
Eram iconoclastas, desprezavam a história e os gran-
des heróis da arte, quebraram inúmeras tradições
e abriram caminhos para uma nova concepção de
arte. Anteciparam questões e práticas básicas do Marcel Duchamp, A Fonte, 1917
pós-modernismo, como por exemplo a Body Art, a
instalação, a performance, a arte feminista, o happe-
ning e a relação da arte e vida.
Uma das invenções dadaístas mais importantes fo-
ram os ready-mades, criados por Marcel Duchamp.
Produzir o ready-made consiste no ato de deslocar
objetos de um contexto familiar e apresentá-los como
arte. Duchamp fez ready-mades com urinol, secador
de garrafas, rodas de bicicleta, entre outros objetos.
Embora o posicionamento desse movimento não
fosse somente com relação à arte, o marco que foi
criado após a aparição de um urinol numa expo-
sição traz questionamento sobre o que é a arte e
quais são seus rumos até os dias de hoje.

Ideologia
Para as convenções da época, esses artistas beiravam
a loucura. Usavam o primitivo e o irracional para
questionar toda a razão e lógica até então formada.

Principais nomes
Marcel Duchamp, Jean (Hans) Arp, Kurt Schwitters,
Tristan Tzara, Hugo Ball, Man Ray, Francis Picabia, Man Ray, Le Violin D’ingres, 1924
Raoul Hausmann, George Grosz.

História da Arte 23
DE STIJL
Neoplasticismo

Onde e quando
Países Baixos, de 1917 a 1928.

Contextualização
De Stijl, também chamado de Neoplasticismo, foi um
movimento artístico surgido na Holanda que envol-
veu artes plásticas, arquitetura, e design. É também o
nome de uma revista onde eram publicadas as ideias,
manifestos, e pesquisas do grupo encabeçado por
Piet Mondrian, Theo van Doesburg e Gerrit Rietveld.
O grupo tinha como objetivo criar uma nova arte in-
ternacional em um espírito de paz e harmonia e um
vocabulário visual para objetivos práticos, ou seja,
o design e as artes aplicadas tinham um papel pri-
mordial no movimento. O De Stijl queria comunicar
através de seus objetos uma sociedade melhor onde Piet Mondrian, New York City, 1942
a arte e a vida se integram em perfeita harmonia.

Ideologia
Buscava uma arte clara e disciplinada, que refletis-
se de algum modo as leis objetivas do universo e
valorizava a estrutura formal e o equilíbrio assimé-
trico. Para Mondrian, o artista não deve influenciar
emotiva ou sentimentalmente o espectador. Por
isso reduziu seu estilo a formas elementares, evi-
tando assim provocar reações individuais.

Características
O movimento não valorizava a tradição lírica e
sentimental da história da arte. Tinha como premis-
sa a redução e a purificação da cor em cores pri-
márias e da forma em linhas verticais e horizontais.
Os artistas do grupo acreditavam no ordenamento
geométrico fundamental do universo.

Principais nomes
Piet Mondrian, Theo van Doesburg, Gerrit Rietveld.
No Brasil, Mondrian influencia Milton Dacosta e
Lygia Pape, no Livro da Arquitetura e no desenho Theo van Doesburg, Composição X, 1918
Mondrian de 1907.

24 História da Arte
ART DÉCO

Onde e quando
França, 1925-1939

Contextualização
Surgiu na França no entreguerras e logo em seguida
migrou para os Estados Unidos a princípio com um
estilo inspirado nas maquinas e formas insdustriais e,
em seguida, começa a se inspirar nos figurinos e ce-
nários de Hollywood.

Ideologia
Busca sintetizar formas e fazer objetos para produ-
ção em série, seguindo a ideia da Bauhaus porém,
com uma preocupação menor quanto à funcionali-
dade e maior quanto à decoração, ou seja, fazendo
objetos meramente decorativos e estéticos. Victor Brecheret, Monumento Às Bandeiras, 1954

Características
Foi altamente influenciada pela Art Nouveau e o
movimento Arts & Crafts, além de ter sido meio
que um compilado de todas as vanguardas anterio-
res do inicio do séc. XX como o Construtivismo, o
Cubismo, o Modernismo, a Bauhaus e o Futurismo,
tranformando todo esse aglomerado de influências
objetos que traziam linhas retas, circulos sintéticos,
simplicidade e limpeza.
Teve maior influência na arquitetura e no design de
produtos fazendo objetos menos funcionais e pode
ser vista como uma tentativa de modernizar a Art
Nouveau, buscando porém, linhas menos orgânicas
menos influenciadas pela natureza.
A Art Déco se fez importante principalmente na ar-
quitetura, predios como o Empire State Building e o
Chrysler Building foram baseados nesse estilo, no Bra-
sil as obras de Victor Brecheret como o Monumento
às Bandeiras e o estádio do Pacaembu tiveram uma
forte influência, além de outras obras como a torre do
relógio da Central do Brasil e o Cristo Redentor.
William Van Alen, Chrysler Building, 1928
Principais nomes
Walter Gropius, Victor Brecheret.

História da Arte 25
BAUHAUS

Onde e quando arquitetura, escultura e pintura de acordo com um


Foi criada em 1919 por Walter Adolf Gropius, na ideal de sociedade civilizada e democrática, em que
Alemanha e funcionou até 1933. não há hierarquia, somente funções complementares.

Contextualização Principais nomes


A ascendência mais próxima da Bauhaus está na Johannes Itten, Theo van Doesburg, Wassily Kan-
associação Deutscher Werkbund, fundada em dinsky, Paul Klee, László Moholy-Nagy, Breuer, Han-
1907 por Hermann Muthesius para incentivar as re- nes Meyer, Van der Rohe, Oskar Schlemmer, Joseph
lações entre os artistas modernos, os artesãos qua- Albers, Lyonel Feininger. No Brasil: Luiz Nunes
lificados e a indústria. Muthesius desejava criar o
que chamava de Maschinenstil (estilo da máquina).
Há influência também da Arts & Crafts, De Stijl e
Der Blaue Reiter. Apesar de ter aspectos em co-
mum, rompeu com a Art Nouveau, pois não havia
funcionalidade nos ornamentos exagerados.
A Bauhaus criou um novo pensamento em arqui-
tetura e design: a forma deve estar aliada à função
do objeto. Foi criada nos moldes da sociedade in-
dustrial Pós-Segunda Revolução, adqueando a pro-
dução às novas tecnologias. Os protótipos eram
criados artesanalmente mas visando a posterior
produção em larga escala.
Encerra suas atividades por determinação dos na-
zistas em 1933. A emigração dos professores da
escola é fator decisivo na difusão das ideias da
Bauhaus pelo mundo todo. Vem a ser conhecido
como “International Style”.

Características
Foi uma das primeiras escolas que aliavam design,
artes plásticas e arquitetura de vanguarda. Tinha em Joost Schmidt, Pôster Para Exibição Da Bauhaus, 1923
suas produções uma severa geometrização e a utili-
zação de novos materiais. Seu design é aliado à sim-
plicidade e totalmente voltado para a funcionalidade.

Ideologia
A proposta de Gropius para a Bauhaus une em um
único projeto a dimensão estética, social e políti-
ca. Trata-se de formar novas gerações de artistas da

26 História da Arte
ÈCOLE DE PARIS
Escola de Paris

Onde e quando Pablo Picasso, Piet Mondrian, Pierre Bonnard e Hen-


Paris, primeira metade do século XX. ri Matisse.
Outros como Jean Arp, Robert Delaunay, Sonia De-
launay, Joan Miró, Constantin Brancusi, Raoul Dufy,
Contextualização René Iché, Tsuguharu Foujita e Chaim Soutine, tra-
Paris era um símbolo do internacionalismo cultural no
balharam em Paris no período entre-guerras.
entreguerras. Esse panorama se modifica com a Se-
Após a Segunda Guerra (Tachismo ou COBRA): Jean
gunda Guerra Mundial e o deslocamento da “capital
Dubuffet, Pierre Soulages, Nicholas de Stael, Hans
mundial da arte de vanguarda” para Nova York.
Hartung, Serge Poliakoff e Georges Mathieu.
Possui influência das naturezas mortas rurais e realis-
tas variados, de Courbet a Van Gogh. Convive com
outras vanguardas, entretanto o maior antagonismo se
dá com o Cubismo, considerado excessivamente inte-
lectual. Após a Segunda Guerra, a Escola de Paris co-
meçou a se referir aos artistas do Tachismo ou COBRA.

Características
Uma visão mais genérica de toda a comunidade de
artistas franceses e estrangeiros e também de diversos
movimentos como Fauvismo, Cubismo e Surrealismo,
entre outros, e que conviveram nesse período. O ter-
mo refletiria a concentração de atividade artística em
Paris, cidade que se torna um símbolo do internacio-
nalismo cultural.
É um grupo indefinido de artistas que, nesse cená-
rio, alguns não se filiavam a nenhuma das outras van-
guardas e pintava em estilo informal e naturalista, não
clássica, mas baseada na observação.

Ideologia
Cosmopolita e não idealista, não segue programas
políticos nem vanguardas específicas, pelo contrário,
busca respeito à natureza das coisas de forma intuiti-
va, baseada em sentimento, honestidade, franqueza e
inocência. Prezava pela liberdade, não só a artística.
Amadeo Modigliani, Retrato De Léopold Zborovski,
1916
Principais nomes
Maurice Vlaminck, André Derain (ambos haviam
sido fauvistas), Amadeo Modigliani, Maurice Utrillo,
Marc Chagall, Georges Rouault, Constantin Brancusi,

História da Arte 27
SURREALISMO

Onde e quando plano inconsciente e subconsciente. Abandonam a


O movimento surrealista foi lançado em 1924 por racionalidade, tornando o sonho uma forma de enca-
André Breton, a princípio em Paris. rar o mundo, onde a realidade, a lógica e a fantasia
coexistem sem choques. Também abordavam a ques-
tão da desconstrução e estranheza ao que é familiar.
Contextualização
Essa foi uma das vanguardas mais populares da pri-
meira metade do século passado, que teve muitos Principais nomes
adeptos em várias cidades do mundo, principal- Salvador Dalí, Man Ray, Luis Buñuel, Max Ernst, Me-
mente Paris e Madrid. Aconteceu no período en- ret Oppenheim, René Magritte, Jean (Hans) Arp, Hans
tre - guerras, que corresponde ao fortalecimento de Bellmer, Yves Tanguy, Alberto Giacometti, Joan Miró,
ideologias nacionalistas. Antonin Artaud.
Os surrealistas mantinham relações próximas com
os dadaistas, haviam muitas questões em comum,
como por exemplo, o acaso, a ressignificação e a
reestruturação das coisas e conceitos, outra seme-
lhança importante é o espírito revolucionário de
ambos. A diferença entre os dois movimentos, en-
tretanto, reside na formulação teórica e princípios
surrealistas, ao invés do anarquismo dadaísta.

Ideologia
O surrealismo tinha como objetivo fazer uma arte
que expressa o pensamento na ausência de qual-
quer controle exercido pela razão e alheio a todas
as considerações morais e estéticas. Tinha um cará-
ter revolucionário e as principais referências eram a
teoria psicanalítica de Sigmund Freud, Leon Trótski,
o marxismo, as filosofias ocultistas e o espírito vi-
sionário em revolta contra a sociedade de Arthur
Rimbaud e conde de Lautréamont.

Características
A maior parte do repertório visual usado pelos surre-
alistas vinha da teoria freudiana sobre o inconsciente
e o onírico, era também comum a representação do
medo, desejo, erotização e morte. Salvador Dalí, A Vênus De Gavetas, 1936
Os surrealistas queriam libertar a imaginação e toma-
da da consciência no seu aspecto mais poético do
que científico, atingindo outra realidade situada no

28 História da Arte
EXPRESSIONISMO ABSTRATO

Onde e quando Pollock, criava suas obras através de respingos de


Nova Iorque, 1952. tinta que deixava cair sobre grandes panos no chão,
formando texturas fortes e únicas. Agindo somente
com seus impulsos instantâneos, integrava-se à obra
Contextualização em sua feitura, dando origem à Action Painting.
O expressionismo abstrato foi o primeiro movimen-
to a fazer o caminho inverso do que se era habitual,
pois surgiu nos Estados Unidos e somente depois foi Principais nomes
para a Europa, sendo, portanto, classificado como Jackson Pollock, Arshile Gorky, Mark Rothko, Adol-
o “primeiro grande movimento pictórico” criado nos ph Gottlieb, Willem de Kooning, Isamu Noguchi. No
Estados Unidos. O país surgira como uma grande Brasil: Manabu Mabe, Tomie Othake, Flávio-Shiró.
potência após o termino da Segunda Guerra Mun-
dial e a grande ascensão da criação artística deu-se
pelo fato de que muitos intelectuais e artistas se mu-
daram para lá na época, como por exemplo Arshile
Gorky, que foi considerado o primeiro expressionista
abstrato e o mais importante mediador das vanguar-
das europeias como o cubismo e o surrealismo com
as novas vanguardas criadas em solo americano.

Ideologia
Pretendia-se criar uma arte mais livre e espontânea,
nada convencional. O Expressionismo Abstrato trazia
em si uma carga muito grande de tudo o que foi dei-
xado pela Segunda Guerra. Era, portanto, uma arte
forte e violenta, muitas vezes sombria. Era influencia-
da por teorias como “A interpretação dos sonhos” de
Jung e pelo Existencialismo de Sartre.

Características Jackson Pollock, Nº1, 1949


O Expressionismo Abstrato surge com a união de in-
fluências da abstração do Der Blaue Reiter – grandes
áreas de cores fortes – e temáticas surrealistas – o
inconsciente e o automatismo – fazendo com que
as pinturas se voltassem mais para dentro, trazen-
do à tona um resultado plástico que se baseava em
formas soltas e não-figurativas com cores densas e
fortes; traz também em si um pouco da arte con-
ceitual e do que viria a ser a performance posterior-
mente. Um dos seus principais expoentes, Jackson

História da Arte 29
POP ART

Onde e quando Características


A partir do fim dos anos 50, simultaneamente nos Arte com apelo popular que se comunica diretamen-
Estados Unidos e na Inglaterra. te com o público, representando o retorno de uma
arte figurativa, em oposição ao Expressionismo que
Contextualização dominava a cena estética desde o final da Segunda
O pop reflete o estilo de vida que se desenvol- Guerra. Incorpora signos e símbolos da cultura de
veu depois da Segunda Guerra Mundial, quando massa suburbana e industrial, como o cinema, a pu-
os Estados Unidos cresceram se tornaram potên- blicidade, as histórias em quadrinhos, a televisão e o
cia industrial, conduzindo a sociedade a um ritmo design, recusando-se a separar arte e vida.
desenfreado de consumo, difundindo a noção do Utiliza-se de desenhos simplificados e cores satura-
sucesso ligado diretamente aos bens materiais. No das através de técnicas comerciais de reprodução,
seio dessa sociedade cresce a cultura de massa, como o silkscreen, e de materiais industriais, que
matéria-prima da arte Pop. acabando afastando vestígios do gesto artístico.
Uma das primeiras imagens relacionadas ao Pop é a Andy Warhol enfatiza, com a repetição imagens de
colagem de 1956 de Richard Hamilton “O que Exa- celebridades como Marilyn Monroe, Mao Tse-tung,
tamente Torna os Lares de Hoje Tão Diferentes, Tão Che Guevara ou Elvis Presley, o desgaste que a mí-
Atraentes”, feita para a exposição “This is Tomorrow”, dia propicia a elas e a paradoxal ideia de anoni-
organizada pelo Independent Group, da Inglaterra. mato. Já Lichtenstein parece pretender demonstrar,
Nela, celebridades e objetos da vida moderna trans- ao extrair fragmentos de histórias em quadrinhos e
portam o American Way of Life para a obra de arte. reproduzi-los manualmente, o caráter efêmero dos
Os artistas norte-americanos também tem como interesses e do consumo na sociedade moderna in-
referência as colagens tridimensionais de Robert dustrializada e os valores que essa sociedade rece-
Rauschenberg e as imagens planas e emblemáti- be e forma a partir deles.
cas de Jasper Johns, que inicia o uso de objetos e Principais nomes
imagens do cotidiano em obras. Precursores dessa Eduardo Luigi Paolozzi, Richard Smith e Peter Blake
atenção especial dada à objetos comuns são tam- são alguns dos principais nomes do grupo britânico.
bém os dadaístas e os surrealistas. Nos EUA, Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Claes Ol-
denburg, James Rosenquist e Tom Wesselmann.
Ideologia
A Pop Art tenta aproximar as chamadas “alta cultu-
ra” e “baixa cultura”, apropriando-se de elementos
da cultura de massa com a intenção de resgatar a
função da arte como participante do dia-a-dia das
pessoas, dando significado à vida da maioria.
Em 1957, Richard Hamilton descreveria essa arte
como “popular, transitória, consumível, de baixo
custo, produzida em massa, jovem, espirituosa, sexy,
chamativa, glamourosa e um grande negócio”, afir-
mando a cultura comercial como sua matéria prima,
inesgotável, ao contrário do Dadaísmo, que a consi-
dera um mal a ser combatido. Andy Warhol, Lata de Sopa Campbell, 1961-62

30 História da Arte
ARTE CINÉTICA E OP ART

Contextualização
A Guerra Fria impulsionou a ciência, numa corrida
ARTE CINÉTICA
tecnológica entre as duas superpotências da épo-
Cinetismo
ca: EUA e a URSS. Neste momento foram desen-
volvidas tecnologias das mais variadas, das quais Onde e quando
a sociedade se tornou cada vez mais dependente, A partir da década de 50, nos Estados Unidos.
mas que também serviram de inspiração e, muitas
vezes, até mesmo de matéria-prima para a arte. Ideologia
A ideia de movimento esteve presente no mundo Busca romper com a condição estática da pintura,
artístico de longa data. Seja pelo Futurismo que co- explorando efeitos visuais através do movimento físi-
loca o Cubismo em movimento, ou no Manifesto co de objetos móveis ao invés de apenas traduzir ou
Realista de Antoine Pevsner e Naum Gabo ou nos representar esse movimento. Alexander Calder se
escritos de László Moholy-Nagy. Na década de 50, destaca entre os artistas considerados cinéticos por
entretanto, vários artistas começaram a inserir o desenvolver uma nova forma de escultura, os mó-
movimento em suas obras de maneiras diferentes. biles. Calder intencionava uma arte que divertisse,
O termo Cinético foi incorporado a partir de 1955, com um ritmo oposto ao que via na “vida moderna”,
quando acontece a exposição Le Mouvement (O tão séria e mecânica. Inspirado nos construtivistas e
Movimento), na galeria parisiense Denise René, que na obra de Mondrian, ele também queria uma arte
contou com obras de artistas como Marcel Duchamp, que refletisse leis matemáticas, mas acreditava que
Alexander Calder, Jésus Raphael Soto e Victor Vasarely essa arte não devia ser rígida nem estática.
Alguns críticos, como Frank Popper, não restringem
o significado do termo a trabalhos que possuem Características
movimento real, estendendo-o também aos que im- Utiliza materiais industriais, como chapas, perfila-
plicam no movimento óptico. A principal diferença dos, placas metálicas e obtém cores por esmaltes
entre Arte Cinética e a Op Art é que, na primeira, o comuns, porém desvia o pensamento do espectador
movimento constitui a estrutura da obra enquanto daquilo que é o emprego normal desses materiais
que, na segunda, o movimento é apenas virtual. Os objetos exigem do espectador uma interação fí-
sica, pois se movimentam aleatoriamente, produzin-
do efeitos que mudam de acordo com a luz, o vento
e a manipulação do observador.

Principais nomes
Alexander Calder. Além dele, em 1955 participaram
de exposições: Duchamp, Jesus Raphael Soto, Vasa-
rely, Yaacov Agam e Jean Tinguely. No Brasil, a obra
de Abraham Palatnik, Lygia Clark e Mira Schendel
se aproximam das experiências com objetos móveis.

(cont.)
História da Arte 31
ARTE CINÉTICA E OP ART
(cont.)

OP ART Principais nomes


Arte Ótica, Optical Art Bridget Rilley, Victor Vasarely, Yaacov Agam, Stella
e Kenneth Noland. No Brasil: Lothar Charoux, Al-
mir Mavignier, Ivan Serpa, Abraham Palatnik.
Onde e quando
Surgiu nos meados de 1950, principalmente nos USA,
mas teve seu auge no final da década de 60. O termo
passou a ser usado após a exposição “The Responsi-
ve Eye” (O olhar interativo), no MoMA, em 1965.

Contextualização
Inspirou-se em Albers, docente da Bauhaus que, no
final da década de 40, nos Estados Unidos, passou
a se dedicar a pintura, com sua série abstrata Ho-
menagem ao Quadrado e também influenciou-se
pelo esforço que o Pontilhismo de Seruat e o Orfis-
mo de Delaunay exigiam dos olhos.

Ideologia
“Menos expressão e mais visualização”.
Baseia-se na construção científica das imagens que
exige do observador persistência e concentração,
fazendo com que ele participe completamente da
obra. Para Victor Vasarely, um de seus principais, a
obra deveria ser passível de reprodução e também
de ser criada por outras pessoas ou por máquinas.

Características Victor Vasarely, Vega, 1957


Não possui nada de simbólico ou que não se apre-
sente na percepção imediata. Partindo da lei ótica
dos contrastes simultâneos e dos dados experimentais
da Psicologia da Gestalt (Psicologia da Forma), cria
planos ilusórios, fazendo as formas vibrarem através
da mutação de cores, que são geralmente lisas.
É comum a utilização de produtos da indústria mo-
derna: plásticos, pinturas acrílicas luminosas, ilumina-
ção elétrica, motores e aparelhos eletrônicos.

32 História da Arte
MURALISMO
Muralismo Mexicano, Escola Mexicana

Onde e quando que vê na arte um instrumento contra a opressão e


México, meados do século XX. se utiliza da história mexicana, denunciando ricos e
poderosos, e enaltecendo a multiplicidade cultural.
Francisco Goitia pode ser considerado um pioneiro
Contextualização e participou ativamente da Revolução, tendo inclu-
Surgidas no México, em meados do século XX, as sive pintado in loco.
primeiras obras que podem ser enquadradas sob O muralismo influencia vários artistas, por exemplo,
este título aparecem logo em 1910, porém o mani- Frida Kahlo, que não pode ser classificada como mu-
festo redigido por Siqueiros data de 1921 e a maioria ralista mas aproxima-se ao grupo sobretudo por seu
das obras são produzidas entre as décadas de 1920 casamento com Rivera. No Brasil, exerce influência
e 1930, logo após o país sair de uma ditadura mili- sobre obras de Di Cavalcanti e Candido Portinari.
tar e o movimento revolucionário se ancorar numa
aliança entre camponeses e setores urbanos, onde
visava-se o combate ao analfabetismo e uma reno- Principais nomes
vação cultural dentro de uma ideologia progressista, Diego Rivera, David Alfaro Siqueiros, José Clemente
anticlerical, antiditatorial, a favor da reforma agrária, Orozco, Francisco Goitia.
da nacionalização das empresas petrolíferas e me-
lhoria do padrão de vida da classe operária.

Ideologia
Tinha elevado teor político e buscava ser uma arte
de grande alcance popular, assim sendo, as pinturas
eram feitas em áreas públicas com o intuito da cons-
cientização da população com relação à sua própria
realidade econômica, política e social.

Características
A manifestação consiste em murais sobre paredes de
concreto e fachadas de edifícios com temas sociais
e políticos que procuram por uma expressão auten-
ticamente mexicana e ao mesmo tempo original e
moderna, produzindo uma arte compreensível e de
alcance social, que fizesse sentido tanto para a clas-
se média quanto para as massas nativas. Através do
mural como suporte, buscava não se tornar proprie- Diego Rivera, O Carregador De Flores, 1935
dade privada, rompendo com os círculos restritos de
galerias, museus e coleções particulares.
É uma arte monumental, em todos os sentidos do ter-
mo, de feitio realista e que utiliza espaços públicos
e um dos seus principais expoentes é Diego Rivera,

História da Arte 33
MODERNISMO BRASILEIRO

Onde e quando importado da Europa, não trazendo nada de efetiva-


A primeira manifestação coletiva pública da neces- mente novo em relação ao que se fazia fora. O que
sidade de uma renovação estética foi a Semana de ele considera como a principal herança que o mo-
Arte Moderna, acontecida nos dias 08 a 13 de feve- vimento é “o direito permanente à pesquisa estética;
reiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. a atualização da Inteligência artística brasileira; e a
estabilidade de uma consciência criadora nacional.”
Em sua primeira fase, foi um movimento de “bur-
Contextualização gueses querendo chocar burgueses”, que se pre-
No início do século XX, o Brasil encontrava-se num ocupava com a liberdade estética, no qual estava
período de transição e contradição, caracterizado ausente qualquer tipo de preocupação político –
como uma nação independente que se mantinha social. Mas já na segunda fase, diante da crise que
presa às estruturas coloniais, e na qual as ideias de o mundo enfrentava na década de 30, os artistas
progresso, modernidade e industrialização convi- assumem uma postura mais crítica diante da reali-
vam com a tradição e o conservadorismo das oligar- dade, trazendo um amadurecimento para arte mo-
quias rurais. Esse período, que sucedeu a Primeira derna brasileira, principalmente na literatura.
Guerra Mundial, favoreceu a elite paulista cafeeira,
mudando radicalmente as estruturas políticas e eco-
nômicas do país, fazendo de São Paulo uma metró- Ideologia
pole mundial e também a capital cultural do país. Há algo de futurista nas ideias dos modernistas de
As ideias modernistas que predominavam o cenário eu- 22, que exige a deposição dos temas tradicionalistas
ropeu chegam ao Brasil e contaminam jovens intelec- em nome da sociedade industrial. Os modernistas
tuais através do contato com pintura de Anita Malfatti anseiam por um nacionalismo primitivo e ingênuo,
e com a escultura de Victor Brecheret. Ambos tinham que recusa qualquer tipo de arte importada, buscan-
ido à Europa e traziam ideias de movimentos como o do uma identidade nacional verdadeira e valorizan-
Cubismo, Art Decó, Expressionismo e Futurismo. do o país como um caldeirão cultural, encontrando
Dentro da história da arte do Brasil, o movimento no cabloco e na mestiçagem, que outrora foram
modernista em si e, principalmente a Semana de considerados entraves para o crescimento nacional,
Arte Moderna, foi uma etapa destrutiva de rejei- fontes integradora da cultura brasileira.
ção ao conservadorismo e significou uma profunda
ruptura com relação à temática e ao compromisso Características
com a realidade e com o tradicionalismo cultural Num primeiro momento, o modernismo brasileiro
associado às correntes literárias e artísticas anterio- volta-se para o interior de seu país, buscando for-
res: o parnasianismo, o simbolismo e a arte acadê- mas de expressão que não tivessem sido domes-
mica, em voga até então. Agora, a arte brasileira ticadas pela cultura burguesa e descobrindo um
volta-se para o homem “vulgar” que há no interior Brasil caboclo, primário, ingênuo e híbrido. Logo
de seu país e para a ordem social, enquanto as van- após essa descoberta do Brasil pelos modernistas,
guardas européias precisavam voltar-se para outras vieram os manifestos “Pau Brasil” e “Antropofágico”.
culturas em busca de novas fontes de inspiração.
Entretanto, o “espírito revolucionário” do movimen-
to modernista brasileiro foi segundo Mário de An-
drade (um dos principais líderes da Semana de 22),
(cont.)
34 História da Arte
MODERNISMO BRASILEIRO
(cont.)

Principais nomes (e um pouco mais)


Da semana de 22, destacam-se os nomes de: Anita
Malfatti, Di Cavalcanti, Ferrignac, John Graz, Vi-
cente do Rego Monteiro, Yan de Almeida, Victor
Brecheret e outros. Entre os literatos e poetas estão:
Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Mário de
Andrade, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade,
Ronald de Carvalho, Manuel Bandeira e outros. E
entre a programação musical trazia composições
de Villa-Lobos e Debussy. Entre os artistas moder-
nistas da primeira geração que não participaram da
semana de 22, destacam-se: Lasar Segall, Tarsila
do Amaral, Ismael Nery, Antonio Gomide e Cícero
Dias, entre outros.
Essa primeira geração modernista é chamada de
revolucionária, pelo seu caráter mais radical com
relação ao combate ao passadismo e exaltação do
nacional. Mas já na segunda fase, diante da crise que
Di Cavalcanti, Cartaz Da Semana De Arte Moderna,
o mundo enfrentava na década de 30, os artistas as- 1922
sumem uma postura mais crítica diante da realidade,
trazendo um amadurecimento para arte moderna
brasileira. Era a geração de Cândido Portinari, Cíce-
ro Dias e Alberto da Veiga Guignard marcada por
um novo figurativismo modernista, freqüentemente
social e político, que buscou dar continuidade às
conquistas formais de seus predecessores.
A década de 1940 presenciou o surgimento de
toda uma geração de abstracionistas geométricos,
influenciados pelo cubismo. Seu nome mais repre-
sentativo é o de Alfredo Volpi, e num segundo pla-
no, Samson Flexor e Milton Dacosta em sua fase
madura. Na contracorrente desta mesma geração
estavam pintores figurativos como Mario Zanini,
Francisco Rebolo e José Pancetti.

Anita Malfatti, A Boba, 1915-16

História da Arte 35
GRUPO SANTA HELENA

Onde e quando O apego à representação da realidade leva-os a pintar


O grupo Santo Helena começou em salas aluga- principalmente paisagens, cujos focos são as vistas
das como ateliê no Palacete Santa Helena, antigo dos subúrbios e arredores da cidade, as praias visitadas
edifício na Praça da Sé, em São Paulo, a partir de nos fins de semana, a paisagem urbana. Percebe-se
meados de 1934. a preferência por locais anônimos no limite entre o
campo e a cidade.A despeito das diferenças estilísticas
Contextualização entre eles, identifica-se em suas obras uma preferên-
Os artistas são de origem proletária ou da pequena cia por tons rebaixados, de fatura fosca, dando uma
burguesia. Rebolo, Volpi e Zanini eram decoradores- tonalidade acinzentada aos quadros. Outros gêneros
pintores de paredes; Clóvis Graciano era ferroviário; foram trabalhados pelo Grupo Santa Helena, como a
Fulvio Penacchi dono de açougue; Aldo Bonadei, fi- natureza-morta, o retrato e auto-retrato.
gurinista e bordador; Rizzotti, mecânico e torneiro;
Manuel Martins, ourives; e Humberto Rosa era pro- Ideologia
fessor de desenho. O grupo não possuía nenhum compromisso concei-
A pintura de cavalete é realizada nos momentos de tual e tinha o intuito de ser uma troca de conhecimen-
folga. A influência européia - principalmente do im- to entre seus integrantes. Tinha preocupação com o
pressionismo e pós-impressionismo, do novecento apuro técnico, à volta à tradição do fazer pictórico e
italiano e do expressionismo - que se faz sentir na o interesse pela representação da realidade concreta.
produção dos santelenistas se dá pela leitura de livros
e revistas e por exposições que chegam do exterior. Principais nomes
Em 1937 foi realizada uma exposição da chamada Francisco Rebolo, Humberto Rosa, Vittorio Gobbis,
“Família Artística Paulista”, agregando um conjunto de Manoel Martins, Rossi Osir, Clóvis Graciano, Mário
artistas e incluindo todo o Grupo Santa Helena que, Zanini, Bonadei, Fulvio Pennacchi, Alfredo Volpi,
desse modo, apresentaram seus trabalhos ao público Rizzotti.
pela primeira vez. A partir daí, o Grupo tornou-se co-
nhecido e despertou o interesse de Mário de Andrade,
que neles identificou uma “escola paulista”.
Com a dissolução do grupo no fim da década de
1930, seus artistas desenvolvem carreiras individuais.
Entre eles, Alfredo Volpi é com certeza o que mais
se destaca. Vale dizer que esses artistas nunca dei-
xam de conviver e manter a amizade.

Características
O ambiente das salas de trabalho era de troca mútua,
dividindo-se os conhecimentos técnicos de pintura e
as sessões de modelo vivo, decidindo sobre o envio de
obras aos salões e organizando as famosas excursões
de fim de semana aos subúrbios da cidade para execu-
Alfredo Volpi, Grande Fachada Festiva, década de 50
ção da pintura ao ar livre.

36 História da Arte
CONCRETISMO E NEOCONCRETISMO

Contextualização Características
A partir dos anos 50, o Brasil alinha-se mais intensa- Não obedeciam nenhum código rígido e tampouco
mente aos moldes do capitalismo internacional, ex- possuíam uma unidade estilística, mantendo-se inde-
perimentando um grande crescimento econômico pendentes aos postulados teóricos da arte concreta.
e um certo otimismo com relação à modernização. “Para esses artistas, a linguagem geométrica não era
Juscelino Kubitschek assumia a presidência da repú- um ponto de chegada, mas sim um campo aberto à
blica, implantando uma política desenvolvimentista experiência e à indagação.”, explicou Ferreira Gullar.
sem precedentes, simbolizada pela construção de
Brasília inaugurada em 1961. Esse crescimento, po- Principais nomes
rém, vem atrelado ao investimento externo, manten- Da primeira exposição do grupo participaram: Aluí-
do o país dependente e atrasado. É essa realidade sio Carvão, Carlos Val, Ivan Serpa, Décio Vieira, Ly-
que leva os artistas concretistas a desejarem superar gia Clark, Lygia Pape, entre outros. Já na segunda
a condição de país subdesenvolvido, adotando pos- exposição, em 1955 no MAM/RJ, aderiram ao gru-
tulados racionalistas (no caso do grupo paulista). po Franz Weissmann, Hélio Oiticica, Rubem Ludof,
O movimento concretista acontece quando o mo- Abraham Palatinik, entre outros.
dernismo declinava como força artística no país,
muito embora Portinari, já consagrado nas décadas Grupo Ruptura
anteriores, ainda fosse considerado o maior artista
brasileiro na época. Onde e quando
Sob influência de Max Bill, artista suíço trouxe ao A primeira exposição do grupo foi inaugurada em
Brasil as ideias concretisas e que, em 1951 ganha dezembro de 1952, no Museu de Arte Moderna de
o prêmio aquisição com a obra Unidade Tripartida São Paulo e no mesmo ano publicaram seu mani-
na primeira Bienal de São Paulo, foi o primeiro si- festo. O grupo começa a se dispersar ainda no final
nal contrário à pintura moderna. Sua origem aponta da década de 50.
também para os princípios do Construtivismo e do
Neoplasticismo, rejeitando a figuração em favor da Características
abstração geométrica. Recusavam-se a utilizar recursos ópticos para a
criação do movimento virtual e o uso das cores
CONCRETISMO de maneira expressiva. Materiais industriais eram
largamente utilizados.
Pretendiam incorporar processos matemáticos à
Grupo Frente produção artística. Através do manifesto, escrito
por Waldemar Cordeiro e diagramado por Haar,
Onde e quando posicionam-se contra as principais correntes artís-
Agrupado em torno de um dos precursores da abs- ticas do país, contra qualquer forma de figuração e
tração geométrica no Brasil, Ivan Serpa, abre sua também contra a abstração informal.
primeira exposição em 1954, no Rio de Janeiro. As
últimas exposições do grupo foram em 1956.
A rejeição à arte modernista brasileira, de caráter fi-
gurativo e nacionalista, unia os integrantes do grupo. (cont.)
História da Arte 37
CONCRETISMO E NEOCONCRETISMO
(cont.)

NEOCONCRETISMO
Onde e quando
O Manifesto Neoconcreto foi publicado em 1959 e
lançado do mesmo ano na I Exposição de Arte Ne-
oconcreta, no MAM do Rio de Janeiro, marcando a
ruptura neoconcreta da arte brasileira. Não ultrapas-
sa muito as fronteiras do Rio de Janeiro, deixando
mais claras as divergências com o grupo concreto
paulista. A dissolução do grupo ocorre em 1962.

Ideologia
Os artistas neoconcretos ultrapassaram as barreiras
Helio Oiticica, Metaesquema, 1958
entre o geometrismo puro e a subjetividade, defen-
dendo a liberdade de experimentação e as possibi-
lidades criadoras do artista em detrimento das teses
mecanicistas e reducionistas do concretismo orto-
doxo, que submetia sua produção artística à nor-
mas e a arte à ciência, ao invés de integrá-la a vida

Características
Defende uma arte não-figurativa e geométrica, po-
rém não isenta da criação intuitiva.
Os neoconcretistas incorporam o espectador às
suas obras, permitindo que ele as toque e manipu-
le. Esta atitude define o fazer artístico no tempo e
no espaço, rompendo com as ditâncias até então
existentes ente o espectador e a obra.
Esse posicionamento pode ser notadon os Bichos
de Lygia Clark, no Livro da Criação de Lygia Pape,
nos Penetráveis, Bólides e Parangolés de Helio Oi-
ticica, os Objetos Ativos de Wyllis de Castro.

Principais nomes
Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Wyllis de Max Bill, Unidade Tripartida, 1948-49
Castro, Franz Weissmann, Amilcar de Castro.

38 História da Arte
INFORMALISMO
Abstração Informal

Onde e quando teve um papel importante, se tornando mais que


A abstração informal começa a aparecer no Brasil no uma técnica de criação de imagens reprodutíveis
fim dos anos 50 e toma corpo na década seguinte. para desenvolver uma linguagem própria.

Contextualização Principais Nomes


Cícero Dias, Antônio Bandeira. Os nipo-brasileiros
Essa tendência artística vinha da Europa, dos Es-
Manabu Mabe, Tikashi Fukushima e Kazuo Waka-
tados Unidos e do Japão do Pós-Guerra e, muitas
bayashi, além de Tomie Ohtake que nunca chegou
vezes, representava a consciência da perda da he-
a ser totalmente informalista, e na década de 70
gemonia artística do continente europeu. Fruto da
adotou as formas geométricas e Flávio-Shiró,que
mesma tendência é, por exemplo, o expressionis-
faz uma síntese entre abstração gestual e figuração.
mo abstrato nos Estados Unidos.
Outros imigrantes são Henrique Boese, nascido na
Os brasileiros pioneiros foram Cícero Dias e An-
Alemanha, Yolanda Mohalyi, nascida na Hungria,
tônio Bandeira que viviam na Europa nos anos 40
Mira Schendel, nascida na Suíça, além dos naturais
e eventualmente vinham ao Brasil, mas a grande
do Brasil Wega Nery, Loio Pérsio, Maria Leontina e
influência para seu desenvolvimento foi a Bienal
Ana Bella Geiger, e dos gravuristas Fayga Ostrower,
de São Paulo, a partir de 1951 e principalmente
Artur Luís Piza, Rossini Perez e Maria Bonomi.
durante a década de 60, por mostrar informalistas
e gestuais que internacionalmente já estavam no
auge do reconhecimento.
Os artistas nipo-brasileiros também já traziam de
sua terra natal uma tradição de arte abstrata e pre-
ocupada com o gesto.
Ainda hoje alguns artistas seguem essa tendência,
mas um dos desdobramentos do informalismo são
as misturas entre uma sugestão de figuração e a
abstração informal, o vigor e a quantidade de maté-
ria pictórica e o gesto marcante e expressivo.

Ideologia
Informal no sentido de “sem forma”, tenta ultrapassar
os conteúdos realistas e os formalismos geométricos.

Características
Tendência artística que recusa qualquer tipo de
formalização, valorizando o gesto e enfatizando
as características pictóricas. No Brasil esse movi-
mento não se baseia em grupos organizados e nem
provoca grandes embates teóricos. A expressão Mira Schendel, Este É Um Desenho Gostoso, 1965
abrange artistas bem diferentes entre si. A gravura

História da Arte 39
INTRODUÇÃO À ARTE CONTEMPORÂNEA

Na década de 60, a Pop Art revolucionou a história da arte. De uma maneira genérica, podemos dizer
da arte, transformandoo modo de se fazer e prin- que dentro do conceito de arte contemporânea
cipalmente de se ver a arte. Continuando o legado encontram-se experiências culturais muito díspares
do Dadaísmo e seus ready-mades, a Pop Art estrei- – tanto no sentido de englobar artistas de origens
tou ainda mais a relação que viria a ser uma das diversas, que incorporam atores sociais diversos
premissas básicas desse nosso período contempo- (como as “minorias”), quanto no sentido do uso de
râneo: a relação entre a vida cotidiana e a arte. novas mídias, tecnologias e suportes diversos. As
Uma característica importante da arte contemporâ- obras muitas vezes articulam diferentes linguagens
nea é a divergência marcante de estilos e práticas. A – performance, música, pintura, escultura, instalação,
narrativa modernista, baseada em vanguardas e ma- body art, etc. – , desafiando as classificações e a
nifestos, é desafiada por artistas que não mais querem própria definição de arte, bem como o mercado e o
descobrir a verdade definitiva sobre uma arte pura, sistema de validação da arte.
mas pretendem criar uma multiplicidade de atitudes A liberdade de práticas artísticas da contempora-
e abordagens em uma história da arte não-linear sem neidade proporcionaram aos artistas a possibilida-
a ideia de progresso. A pluralidade de estilos e de de de ter como suporte e material de trabalho o
linguagens convivendo, contraditória e independen- lixo, o corpo, as palavras, os conceitos, o video, as
temente, é uma característica da contemporaneidade. novas tecnologias, os espaços, a mídia e até mes-
Não existem mais estilos ou movimentos de van- mo a tela e a tinta. Todas a práticas e técnicas po-
guarda como se dava na modernidade, não há mais dem ter uma abordagem contemporânea.
lugar para afirmações e verdades absolutas. Principais movimentos e práticas da arte contempo-
Um fator importante para a leitura de uma obra de rânea: Pop Art, Minimalismo, Arte Conceitual, Land
arte contemporânea é o contexto em que ela está in- Art, Performance, Body Art, Instalação, Videoarte,
serida. Algumas vezes esse contexto (social, político, Arte Povera, Op Arte, Arte Cinética, entre outros.
cultural, científico, etc.) toma tanta importância na
obra que ela chega a ser confundida com uma pes-
quisa antropológica, uma reportagem ou uma ex-
periência científica. A hibridização dos campos de
conhecimentos são questões comuns não somente
à arte mas a toda a contemporaneidade.
Alguns temas bastante caros à arte contemporânea
são a política e as identidades culturais em uma so-
ciedade globalizada, onde a relações das pessoas
com o espaço e tempo são radicalmente alteradas
pelos meios de comunicação e transporte. Em meio
a esse processo de globalização era impossível igno-
rar a existência e importância da produção artística
de países do terceiro mundo (culturalmente domina-
dos). A participação da mulher na história da arte foi
reavaliada assim como se considerou a importância
de toda a cultura marginal para o desenvolvimento

40 História da Arte
ARTE CONCEITUAL

Onde e quando Principais nomes


Anos 60 diversos lugares. Piero Manzoni, Marcel Broodthaers, Joseph Beuys,
William Wegman, Douglas Huebler, Mel Bochner,
Ideologia John Baldessari, Sol Lewitt, Yoko Ono, Lawrence
Na década de 60 a crescente politização de mui- Weiner, Mike Kelley e Tracy Emin.
tos artistas traz para o campo das artes questões No Brasil podemos citar Cildo Meireles, entretanto
como: O que é arte? Quem determina o que é arte? é difícil enquadrar artistas muito contemporâneos
Quem decide como ela é exposta e criticada? Des- nessa categoria pois a arte conceitual se difundiu
construindo a definição de arte de forma radical, e dissolveu, fundindo-se no campo das artes, a tal
insistindo em que é no salto imaginativo, e não na ponto que hoje em dia a grande maioria dos artis-
execução de uma obra estética, que a arte reside. tas trabalha com conceitos.
Contextualização
A arte conceitual surgiu como categoria no final da
década de 60 e também costumava ser designada
como arte da ideia ou da informação.
A obra e as ideias de Marcel Duchamp foram uma
influência primordial. Outro pioneiro foi Alan Koprow,
que organizava os chamados happenings (literalmen-
te, “acontecimentos”) em que o próprio acontecimen-
to se tornava a obra de arte.
As ideias ou conceitos constituem a verdadeira
obra de arte, isso desmistifica o ato criativo, como
a obra de arte é apenas uma conseqüência de uma
ideia, a obra, como entendida até então, pode ser
dispensada, assim como o mercado de arte.
Basta que a ideia, conceito, ou salto imaginativo,
seja registrado em forma de documentos, propos-
tas escritas, filmes, performances, fotografias, insta-
lações, mapas ou qualquer outro suporte. E muitas
vezes os artistas optam conscientemente por for- Joseph Kosuth, Uma E Três Cadeiras, 1965
mas visualmente desinteressantes com o intuito de
focar a atenção do espectador sobre o conceito.

Características
O que as obras conceituais compartilham é uma
necessidade do espectador apreende-las através de
suas faculdades intelectuais.
No início, os artistas conceituais se preocupavam es-
sencialmente com a linguagem da arte, mas a partir dos
anos 70 ampliaram seu campo de atuação colocando
em questão temas e conceitos diversos e ilimitados.

História da Arte 41
BODY ART

Onde e quando em forma de peça única e exclusiva, associada à


Surgiu em meados da década de 1960 e tem repre- temporalidade, como em local privado e depois
sentantes no mundo todo. divulgado por filmes ou fotografias, firmando um
compromisso com a posteridade.
Apesar da inovação, a Body Art teve várias influên-
Contextualização cias de experiências de surrealistas e dadaístas, que
Esse tipo de expressão artística surge no auge da já usavam o corpo como matéria da obra. Na área
Guerra Fria, período que representara a idealiza- das artes cênicas, especialmente o teatro dos anos
ção de projetos culturais e ideológicos alternativos 1960, o Teatro Nô japonês, o Teatro da Crueldade e
ao moralismo rígido da década anterior, rompendo o Living Theatre, bem como as Performances, que já
com a impessoalidade do minimalismo. Os anos fazem esse diálogo entre artes visuais e artes cênicas.
60 são marcados pelo início das lutas contra o en- Nos anos 1960 e 1970 houve o movimento Fluxus,
durecimento dos governos, pela liberação sexual, que mesclava artes visuais com música e literatura,
drogas, uma grande revolução comportamental também influenciando a Body Art.
embalada ao som dos Beatles. Por fim, não se pode esquecer a influência das prá-
ticas de sociedades “primitivas” como pintura cor-
Ideologia poral, tatuagens e inscrições sobre o corpo.
Busca alternativas à todos os suportes extra-corpo-
rais que vinham regendo a arte até então, fazen- Principais nomes:
do com que o artista buscasse o corpo (inclusive Bob Flanagan, Bruce Nauman, Dennis Oppenheim,
o seu próprio) como material e suporte para suas Gina Pane, Rebecca Horn, Vito Acconci, Yves Klein,
expressões. Dando muitas vezes a oportunidade Youri Messen-Jaschin.
ao espectador de se transformar em agente ativo
por fazer um convite à reflexão ou até mesmo a
participação efetiva em alguma obra.

Características
A Body Art toma o corpo como suporte, meio de
expressão e matéria para a realização das obras, uti-
lizando-se de fluidos corporais, tatuagens, ferimen-
tos, deformações, escarnificações e travestimentos.
Pode-se dizer que a Body Art inova tanto em forma
quanto em temática e conceito, uma vez que inverte
a relação obra artista fazendo com que, muitas vezes,
o artista seja sua própria obra. Associa-se também a
Performances e Happenings e está constantemente
relacionada à dor e ao esforço físico.
Como é uma arte que deve estar associada ao cor-
Dennis Oppenheim, A FeedBack Situation, 1971
po de alguma forma, a Body Art se revela de várias
formas, podendo tanto ser realizada em público

42 História da Arte
INSTALAÇÃO

Onde e quando Outro aspecto importante de uma instalação é pos-


A partir da década de 60, em diversos lugares. sibilidade de combinação entre diversas linguagens
e as novas possiilidades de suporte.
Contextualização
Surge no auge da Guerra Fria, período que repre- Principais nomes
sentara a idealização de projetos culturais e ideo- Anish Kapoor, Barbara Kruger, Claude Simard,
lógicos alternativos ao moralismo rígido da década Maurizio Cattelan, entre muitos outros. Artistas de
anterior. Os anos 60 são marcados pelo início das vários movimentos diferentes também vieram a ter
lutas contra o endurecimento dos governos, pela li- experiências com instalações. No Brasil, deve-se
beração sexual, as drogas, em suma, por uma gran- citar alguns trabalhos de Lygia Pape e Helio Oitici-
de revolução comportamental. ca. Mira Schendel, Nuno Ramos e Carlos Farjado ,
Nesse época, os artistas começaram a questionar- que também se aproximam das instalações.
se sobre os suportes tradicionais da arte. Antes disso,
porém, alguns artistas já tinha se aproximavam do
que viria a se chamar de instalação, como Marcel
Duchamp, que realizou duas obras desse gênero
(1200 sacos de carvão e Milhas de barbantes) no fi-
nal da década de 30 e começo da de 40. Nos anos
20, Piet Mondrian projeta um ambiente que seria
revestido com suas cores características,chamado
de Salão de Madame B. Kurt Schwitter também
prenunciava o que viria a ser uma instalação com
sua obra Merz, de 1919.
Nas décadas de 80 e 90, muitos artistas de todo o
mundo investiram na produção de instalações das
mais diversas possíveis, misturando diferentes su-
portes e estilos. No final do século XX e início do
século XXI, a Instalação se estabilizou como um
dos principais gêneros artísticos.

Características
Uma instalação só faz sentido se vista e analisada
no tempo-espaço no qual foi concebida, pois se
relaciona com eles estabelecendo, dos objetos que
a compõe, novas áreas espaciais, evidenciando as-
pectos arquitetônicos e construindo novos ambien- Barbara Kruger, Sem Título, 1991
tes ou cenas. Ao inserir o espectador no interior
desses ambientes, o artista exige que ele interaja
com a obra, sendo necessário percorrê-la e aden-
trá-la, para sua apreensão.

História da Arte 43
HIPER-REALISMO
Sharp focus, Fotorrealismo, Novo realismo

Onde e quando Principais nomes


Fim dos anos 60, Nova York e Califórnia, EUA. Estados Unidos: Chuck Close, Robert Cottingham, Au-
drey Flack e Richard Thorpe McLean, Ralph Ladell
Contextualização Goings, Don Eddy, Robert Bechtle, Tom Blackwell, Du-
Representou uma retomada do realismo na arte con- ane Hanson, John De Andrea, Ron Mueck.
temporânea, contrariando o minimalismo e as pesqui- Ingleses: John Salt, Malcolm Morley, David Hockney
sas formais da arte abstrata. A vida moderna fornece - embora não se submetam inteiramente ao rótulo
a matéria (temas) e os meios (materiais e técnicas). do hiper-realismo, dele se aproximam pelo registro
O final da década de 60 foi marcado pela efervescên- quase documental de suas cenas cotidianas e do di-
cia cultural e desenvolvimento tecnológico industrial álogo que estabelecem entre pintura e fotografia.
nos Estados unidos, pós segunda guerra mundial. Em Brasil: São associados ao hiper-realismo alguns traba-
diálogo estreito com a produção norte-americana, os lhos de Glauco Rodrigues, Antonio Henrique Amaral,
artistas ingleses aderem à nova linguagem pictórica. Gregório Gruber.
É uma repercussão da Arte Pop dos anos 1950, po-
rém realismo não utilizava sem fazer uso de símbo-
los retirados da cultura de massa.

Características
Expressão artística que procura reproduzir na pintu-
ra ou na escultura imagens com precisão fotográfica.
O hiper-realismo faz uso de clichês, de imagens pré-
fabricadas e de elementos do cotidiano. As pinturas
mimetizam as fotos em que se baseiam.
O mundo cotidiano retratado, em geral, refere-se
aos aspectos banais, às cenas e atitudes familiares,
aos detalhes captados pela observação precisa. Di-
versos artistas utilizam também a fotografia como
suporte, pintando sobre a imagem revelada no papel.
Outra novidade foi o uso do aerógrafo (airbrush),
que nunca toca a tela e que, portanto, não deixa
impressas as marcas do gesto e do pincel. A pin-
tura é lisa, sem texturas e sua superfície espelha-
da - painéis com espelhos, vidros e metal reluzente:
deslocamento, distorção e reflexo. Na escultura, Chuck Close, Leslie, 1973
utiliza-se silicone e fibra de vidro.

Ideologia
Aproximar a arte da realidade visual, resgatando a
idéia de mimesis grega deixada de lado após a série
de movimentos que procuravam alternativas à repre-
sentação do real vindos após o advento da fotografia,

44 História da Arte
VIDEOARTE SOUND ART

O nascimento simbólico da videoarte é 1965, quan- Onde quando


do Nam June Paik comprou sua primeira câmera Final dos anos 70, artistas do mundo inteiro.
manual. Mas as influências que culminaram em seu
surgimento vem do início dos anos 60 quando os
artistas do Fluxus já incluíam televisões em suas ins- Contextualização
talações. Enquanto a Pop Art introduzia a cultura de As origens da Sound Art estão no início do sécu-
massas no mundo das artes, a Sound Art e a Arte lo XX, no qual o relacionamento entre a música
Cinética exploravam a tecnologia de som e movi- e a arte foi uma força motriz para a abstração (O
mento, nada fazia mais sentido do que adotar o mais Cavaleiro Azul, Orfismo, Sincronismo). A “arte dos
novo e poderoso meio de comunicação, a televisão. ruídos” foi explorada pelos futuristas e dadaístas e
Os videoartistas buscavam abalar a autoridade desenvolvida pelo compositor John Cage nos anos
dos estereótipos da mídia, apropriaram-se da lin- 50. Influenciou artistas dos anos 50 e 60 associa-
guagem da televisão com a intenção de apontar os dos ao Beat, Neodadá, Fluxus e performance.
perigos de um meio de comunicação tão poderoso. Grande parte da Sound Art recente é influenciada
Os primeiros artistas da videoarte fundiam teorias pela cultura clubber, a disseminação da música ele-
da comunicação global com elementos da cultu- trônica e do uso de sampleadores.
ra popular para realizar vídeos, instalações de um
canal ou multicanais, produções com transmissões Características
via satélite e esculturas com vários monitores. Obras que utilizam sons naturais, criados pelo ho-
Já na segunda metade da década de 80 a fusão do mem, musicais, tecnológicos ou acústicos. As obras
vídeo com o computador, juntamente com a tecno- podem assumir a forma de assemblage, instalação,
logia da projeção, levou a uma videoarte mais am- vídeo arte, performance ou arte cinética, bem como
pla e complexa, para além da moldura do monitor. de pintura e escultura, estando sujeita a novos avan-
ços da tecnologia digital e na internet.
Principais nomes
Nam June Paike, Ira Scheneider, Frank Gillette, Bill Ideologia
Viola, Eric Siegel, Steina Vasulka, Woody Vasulka, Levar o espectador para a experiência multissenso-
Dara Birnbaun, Ana Mendieta, Matthew Barney, Ste- rial da percepção.
ve McQueen, Gary Hill.
No Brasil, estão entre os artistas que utilizam a vi-
deoarte Regina Silvera, Júlio Plaza, Carmela Gross,
Principais nomes
John Cage, Rauschenberg, Lee Renaldo, Laurie An-
Marcello Nitsche, Anna Bella Geiger, Ivens Macha-
derson, Mimmo Paladino, Robin Rimbaud, Katarina
do, Paulo Bruscky e Fernando Cocchiarale.
Matiasek, Paul Farrington (Tonne).

História da Arte 45
SITE-SPECIFIC EARTH ART
Site Works Land Art, Earthwork

Desde os anos 50 os artistas vêm criando obras Onde e quando


que se ligam especificamente ao seu entorno e a O conceito surgiu numa exposição da Dwan Gal-
arte tem sido levada para as ruas e o campo, como lery, Nova York, em 1968, e na exposição Earth Art,
no caso da Earth Art. promovida pela Universidade de Cornell, em 1969.
Ao longo dos anos 60 a expressão site-specific foi
usada para se referir a obras de minimalista, ear-
th artists e artistas conceituais. No mesmo período Contextualização
desenvolvia-se a idéia, no meio artístico de que a A produção artistico-cultural estadunidense da dé-
arte deveria ser disponibilizada para muitos e não cada de 60 apontava cada vez mais para a exaltação
apenas para uns poucos privilegiados. e massificação da indústria cultural e tecnologia. Ex-
Desde a segunda metade dos anos 70 os governos pressões artisticas como o minimalismo e sua conci-
de vários lugares de Europa e dos Estados Unidos são formal, espacial e conceitual estavam em voga,
têm criado programas de patrocínio para arte pú- criando uma arte um tanto quanto fria e impessoal.
blica a fim de levar arte a lugares em que a obra
não é mais considerada um monumento, mas um Ideologia
meio de transformar um lugar. Isso deu um bom A Land Art surgiu tentando promover uma busca
impulso para os site-specifics, mas não é só nes- mais orgânica e diferenciada para a produção artísti-
ses casos que consideramos uma obra site-specific, ca estabelencendo uma relação maior com a nature-
elas podem ser obras pensadas para qualquer lu- za e discutindo questões ligadas à ecologia.
gar, ambientes internos ou externos, desde que as
obras sejam adequadas a sua localização e dialo-
guem com o contexto em que se encontram.
Características
A Land Art é um tipo de arte que utiliza o terreno
natural como suporte como por exemplo, pedras, a
Principais Nomes terra, o mar, árvores, etc. As obras muitas vezes tem
Claes Oldenburg, Daniel Buren e Richard Serra são al- dimensões tão grandes que não passam da fase do
guns artistas importantes com trabalhos site-specific. projeto pela inviabilidade de sua execução. Sendo
assim, não é possivel que seja exposta em museus
ou galerias e nem vendidas. Atingindo um ponto im-
portante para os artistas da Land Art.
É, portanto, uma reação à monotonia e à limitação
das galerias.As obras de Land Art só tem seu obje-
tivo cumprido depois de demolidas ou destruídas.

Principais nomes
Robert Smithson, Sol LeWitt, Robert Morris, Carl
Andre.

46 História da Arte
MINIMALISMO PERFORMANCE

Onde e quando Onde e quando


Nova York, entre 1963 e 1965. início por volta de 1916 com os dadaístas. Início do
termo “Performance Art”: década de 60
Contextualização
Iniciou-se no ambiente de efervescência cultural es- Contextualização
tadunidense em meados do séc.XX, no rastro do A performance não é considerada por muitos teóri-
Expressionismo Abstrato de Jackson Pollock e da cos um movimento na história da arte, mas sim uma
Pop Art de Andy Warhol. linguagem artística que teve seus primórdios no da-
daísmo zuriquenho. Artistas e poetas como Tristan
Tzara, Richard Huelsenbeck e Hugo Ball se junta-
Ideologia vam no Antológico Cabaret Voltaire para declamar
Redução de objetos à sua estrutura primária. Sen- e interpretar poesias de modo pouco convencional.
do assim mais um mvimento formal que ideológico, Em arte, a performance se desenvolveu em vanguar-
onde o conceito era muitas vezes descartado em das como Futurismo e na escola Bauhaus, mas ela
função da essência estrutural do objeto. sempre esteve relacionada ao teatro, dança, poesia
ou artes circenses. Só criou autonomia como lingua-
Características gem artística porém na década de 60, quando foi
Na verdade o termo se refere a um punhado de artis- criado o termo Performance Art, intimamente ligada
tas que de uma forma ou de outra tem a estrutura de à Arte Conceitual, Neo-dadaístas, Body Art, Happe-
suas obras parecidas. Apesar disso, o minimalismo ning e o movimento Fluxus.
nunca chegou a ser um movimento com ideologias A performance é uma arte imaterial. O objetivo do
e artistas com obras homogêneas entre si. Os obje- performer é explorar as relações espaço-temporais
tos têm estrutura simples, reduzidas, descartavam o entre seu corpo com o corpo coletivo, a audiência. A
uso das cores e emoções e tentantavam, em garnde obra é o próprio evento, não os materiais envolvidos.
parte, utilizar-se de materiais primario também, tais Um dos objetivos da performance art é quebrar
como: tojolos, areia, pedras, etc. convenções sobre teatro e atuação assim como de-
Causou mais divergências quanto a sua classificação sestabilizar antigos conceitos sobre o que é a arte.
e existência que quanto a seu caráter, suas ideologias. Da performance surgiram os happenings, desen-
volvidos principalmente pelo grupo Fluxus. Os ha-
ppenings, como o termo já diz, são acontecimentos
Principais nomes onde as barreiras entre o artistas e o público são
Carl Andre, Dan Flavin, Donal Judd, Sol le Witt, Ro- ainda menores. O público é convidado direta ou
bert Norris. indiretamente a participar da obra de arte. Na per-
formance o público pode ser somente expectador.

Principais artistas
Yves Klein, Vito Acconci, Hermann Nitsch, Chris
Burden, Yoko Ono, Joseph Beuys, Wolf Vostell, Allan
Kaprow, Gilbert and George, Marina Abramovic, Ca-
rolee Schneemannz.

História da Arte 47
NEO-EXPRESSIONISMO

Onde e quando Nos Estados Unidos assumiu-se uma postura anti-


Alemanha, Itália e Estados Unidos, fim dos anos 70. American Way Of Life. Os artistas retratavam então
cenas de um suburbio sujo, alertando para os peri-
Contextualização gos de uma vida de vaidade e conformismo.
O Neo-Expressionismo nasceu de uma urgência que Dessa possibilidade de resgate do expressionismo
explodiu no fim da década de 70, onde, em reação explorando novas formas surgiram expressões muito
à expressões artísticas extra-quadros como o mini- variadas entre si como por exemplo as obras monu-
malismo, o happening, Fluxus e a arte conceitual, os mentais de Anish Kapoor, a obra intimamente pes-
artistas se viram necessitados da retomada da pintu- soal de Louise Bourgeois com suas Aranhas e, no
ra e da expressão interior, que ainda se via abafada Brasil, artistas como Nuno Ramos como foral alta-
pela necessidade do esquecimento dos sentimentos mente influenciados por esse pensamento.
que a segunda guerra causaram. O movimento foi
mais vivo e intenso na Alemanha, Itália e Estados Principais nomes
Unidos, mas teve forte influência mundial. Georg Baselitz, Markus Lüpertz, Gerhard Richter,
Jenny Saville, Anish Kapoor, Jean Michel Basquiat,
Ideologia Keith Haring.
Com essa retomada da pintura em tela o pensa-
mento formal também foi buscar no passado suas
influências. A partir desse momento, então, viu-se
surgir uma pintura forte e carregada, visivelmente
situada num pós-guerra, onde os sentimentos de hu-
manidade e de nação ainda estavam perdidos. Por
isso, o artista-indivíduo foi também retomado, com
suas angustias sendo recolocadas de forma visível, e
emocional de cunho autobiográfico. Houve também
o resgate da narrativa na pintura em alguns casos e
muitas obras abordavam temas como a memória, a
psicologia, o simbolismo, a sexualidade, a literatura.

Características
Assim como o seu principal influenciador, o Expres-
sionismo do início do século, o Neo-Expressionismo
expandiu-se e passou a ser considerado mais uma
definição para artistas com afinidades do que um
movimento propriamente dito. Materiais diferentes
são explorados no Neo-Expressionismo, como pig-
mentos puros em pó, superfícies espelhadas, capa-
chos, couro de pônei, louça quebrada e chumbo.
Na Alemanha artistas como Anselm Kiefer e Georg Georg Baselitz, Oberon, 2005
Baselitz se utilizaram dessa nova velha forma de repre-
sentar para poder falar sobre o passado nazista da Ale-
manha, tema pouco abordado em outros movimentos.

48 História da Arte
ARTE CONTEMPORÂNEA
Outros artistas e movimentos importantes

Um dos pioneiros da Pop Art, Jasper Johns insere a arte realística que abordasse especificamente a
em seus trabalhos objetos do cotidiano como ma- imagem americana. Norman Rockwell persuade o
pas, bandeiras e algarismos. O tema dos algarismos, espectador dos valores da família norte-americana,
entretanto, não era novidade já que, por volta de 30 ao ilustrar em sua obra a família americana ideal,
anos antes, Charles Demuth já havia o antecipado próspera, sólida e saudável. Contemporâneo a Ro-
em telas como “Eu Vi O Número 5 em Ouro”, de ckwell, Edward Hooper encara o mundo americano
1928. O também americano Robert Indiana atribui de maneira bem menos otimista, retratando de ma-
um sentido mais amargo aos algarismos de Demu- neira subjetiva a solidão urbana e a estagnação do
th. Interessado também pela imagem das palavras, homem, através de ambientes vazios e silenciosos.
representa em três dimensões aquela que é prova- Le Corbusier: arquiteto francês que rompeu com
velmente a palavra mais conhecida no mundo: Love. as barreiras nacionalistas durante o séc.XX, abrindo
Pode-se com o designer gráfico norte-americano caminho ao que viria ser conhecido como Estilo In-
Milton Glaser, conhecido principalmente pela cam- ternacional. Contribuiu com as formulações da nova
panha “I Love NY”, na qual substitui a palavra Love linguagem arquitetônica, abolindo qualquer forma
por um coração vermelho. de ornamentação, aproveitando melhor a ilumina-
Outros artistas ligados à Pop Art, por considera- ção e o espaço, suspendendo as construções.
rem a superfície da tela muito limitada, recorrem Henry Moore: escultor inglês atraído pelo primiti-
a outros materiais e suportes, criando assim outras vismo de Brancusi que, segundo G.C. Argan, retorna
formas de arte como a Instalação e Assemblage. da forma humana à orgânica, mas não com o intuito
Entre esses artistas está Robert Rauschenberg, que de rejeitar tudo o que é civilização ou história, e sim
na década de 50 já construía suas obras “partin- de recuperar a unidade originária do homem, antes
do do refúgio da civilização urbana”, como diz H. da racionalidade e da geometria. Em sua obra, dá
W. Janson; Louise Nevelson, que também começa, o mesmo valor às formas vazias e às formas cheias,
a partir dos anos 50, a desenvolver seus grandes combinando o figurativo e o abstrato.
painéis murais, constituídos de compartimentos de
madeira e cujo interior também é preenchido com
diversos objetos também de madeira e que remon-
tam paisagens urbanas e edifícios; e Duane Hanson,
que faz esculturas muito realistas que podem, se
consideradas como um todo, representarem uma
sátira ao “sonho americano”.

Outros artistas
Norman Rockwell e Edward Hopper: o período
entreguerras foi marcado pela ascensão dos Estados
Unidos como potência mundial, enquanto a Europa
estava arruinada social e economicamente. Muitos
americanos consideravam a tendência abstrata na Henry Moore, Figura Reclinada, 1936
arte como símbolo da decadência européia e, em
face dessa decadência, propunham um retorno

História da Arte 49
ARTE CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA
Artistas e movimentos importantes

Geração 80 Carybé: artista argentino naturalizado brasileiro, con-


Grupo de artistas que se reuniu na exposição “Como siderado um ícone da “baianidade”, que passou atuar
vai Você, Geração 80?” realizada em 1984 na Esco- no cenário artístico brasileiro a partir da década de 30.
la de Artes do Parque do Lage, no Rio de Janeiro. Lívio Abramo: gravurista autodidata, encontrou na
Esses jovens artistas comemoravam a redemocrati- gravura a saída para a frustração de seu sonho de
zação do Brasil nos anos 80 e através da pintura, ex- ser arquiteto. Interessava-se pelo comunismo e dizia
pressavam tudo o que tinha sido contido e anulado que “não gostava de trabalhar em função de uma
durante o período militar. Se opunham à vertente demanda de mercado.”
conceitualista dos anos 70 e tinham por caracterís- Wesley Duke Lee: desenhista, gravador, artista gráfi-
tica a pesquisa de novas técnicas e materiais. Entre co e professor atuante na segunda metade do século
os 123 artistas que participaram dessa exposição, XX. Seus trabalhos são caracterizados pelos contex-
destacam-se Beatriz Milhazes, Frida Baranek, Karen tos sócio-políticos, o erotismo e pela utilização de
Lambrecht, Leonilson, Ângelo Venosa, Leda Catun- materiais e práticas inovadoras.
da, Sérgio Romagnolo, Sérgio Niculitcheff, Daniel Abraham Palatnik: a maior referência de arte ci-
Senise, Barrão, Jorge Duarte, Victor Arruda. nética no Brasil, realiza instalações elétricas com
jogos de cor e de luz, procurando unir em seu tra-
Arquitetura balho pesquisa visual ao rigor matemático.
Entre os arquitetos modernos brasileiros, os mais
renomados são Oscar Niemeyer, que é o mais con- Alguns artistas já citados por se identificarem em
sagrado e reconhecido; Afonso Eduardo Reidy, o algum dos movimentos aqui relacionados:
paisagista Roberto Burle Marx, entre outros que ti- De influência cubista: Antonio Gomide, que tam-
verem influência do arquiteto francês Le Corbusier. bém apresenta traços renascentistas e da Art Déco,
Numa segunda geração moderna da arquitetura sem, contudo, se reter apenas a um estilo; Cândido
brasileira, privilegiam-se as diferenças e as necessi- Portinari, cuja obra é permeada pela temática social
dades regionais e destaca-se Lina Bo Bardi, italiana e que conheceu notoriedade e o sucesso nacional
que encontrou no Brasil uma nova potencialidade e internacional; Tarsila do Amaral, que combinou
para suas idéias e que já não compartilhava das as novas tendências artísticas advindas da Europa à
influências estéticas de Corbusier. cultura brasileira, principalmente ao que se refere à
expressão popular; Vicente do Rego Monteiro, que
Outros artistas marca sua obra pela sinuosidade e sensualidade e
nos reporta a um clima místico e metafísico.
Alberto Guignard: pintor, professor, desenhista, ilus- Influência expressionista: Iberê Camargo, cujas obras
trador, gravador. É destacado por Mário de Andrade são livres de religiosidade e imaginação, mas possuem
como uma das revelações do Salão revolucionário uma preocupação social e equilíbrio entre emoção e
de 1931. Sua produção compreende paisagens, re- racionalidade; Oswaldo Goeldi, que na década de 30
tratos, pinturas de gênero e de temática religiosa. abriu o Clube dos Artistas Modernos, com Antonio
Frans Krajcberg: artista polonês cuja obra reflete a Gomide, Di Cavalcanti e Carlos Padro e realiza eventos
paisagem brasileira, em especial a floresta amazô- sob o nome de Experiência para estudar a reação po-
nica e sua constante preocupação com a defesa do pular; Flávio De Carvalho, que trabalhou como arqui-
meio ambiente. “Com minha obra, exprimo a cons- teto e projetor de cenários e figurinos para espetáculos.
ciência revoltada do planeta”. (cont.)
50 História da Arte
ARTE CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA
Artistas e movimentos importantes
(cont.)

Influência surrealista: Ismael Nery, que também


passou por fases cubistas e expressionistas e sem-
pre teve seus temas relacionados a figuras humanas,
mas sem se interessar por temas nacionais ou re-
gionais; Cícero Dias, que na década de 40 realiza
vários murais e passa a se interessar pela temática
do inconsciente.

Beatriz Milhazes, Bibi, 2003

Carybé, Caçadores, 1973

Frans Krajcberg, Flor Do Mangue, 1973

História da Arte 51
52
DESENHO DE CRIAÇÃO

Introdução Ler uma imagem


Você já pesquisou na internet, Orkut, revistas, livros, Uma forma de desenvolvermos a capacidade de
conversou com estudantes de artes e professores e comunicação é treinando o olhar. Ler uma obra é
agora está aqui, neste cursinho, para buscar a “re- compreendê-la e interpretá-la, mas, para isso, passa-
ceita infalível” que poderá garantir sua vaga em um mos por vários estágios. Primeiro, identificamos seu
curso de artes. título, o artista, o material, o tipo de representação e
Quando pensamos no desenvolvimento de uma as características existentes (vertical, horizontal, cir-
proposta de desenho de observação, basta um pou- cular, plano, escuro, brilho etc.) Depois observamos
co de técnica e uma boa percepção artística para as maneira como os elementos se relacionam (co-
que não haja grandes problemas na elaboração des- res, texturas, formas, figura/fundo, espaço, volumes).
te tipo de avaliação. Porém, quando nos deparamos Não esquecer que interpretamos pelo todo: uma
com uma proposta de desenho de criação, dúvidas tentativa de leitura baseada pelos elementos pode
podem surgir. Uma das maiores angústias de vesti- se tornar fraca e desconexa, somente com a inte-
bulandos é saber qual potencial demonstrar quando gração desses elementos é que melhor entendemos.
entra em foco a palavra “criar” em uma prova. Devemos considerar também o contexto histórico
na qual a obra foi desenvolvida. Como poderíamos,
Criar. V.t. 1. Dar existência 2. Dar origem a; formar. por exemplo, compreender a música “Cálice”, de
3. Imaginar. 4. Fundar. 5. Educar. 6. Promover a pro- Chico Buarque, se não considerarmos a censura da
criação de. 7. Cultivar. 8. Adquirir, granjear.P. 9. Nas- ditadura militar?
cer, originar-se. Passando por esses estágios, vamos criando signifi-
cações, conectando ideias, descobrindo sentimen-
Diante dessa definição temos a seguinte questão tos e sensações. A interpretação de uma obra de arte
para pensarmos juntos: “qual o potencial que temos nunca se fecha e raramente é a mesma para todos.
que demonstrar quando entra em foco a palavra Devemos considerar que cada um tem uma vivência
criação? O que o examinador espera?” e uma carga de conhecimento acumulado e estes
Na maioria dessas provas espera-se que você possa vão influenciar na leitura. Alguns vão apreciar mais a
se comunicar através das imagens. Relaxa... Não vá beleza da composição e do objeto, outros vão enfo-
também querer provar sua genialidade desde já! De- car sua interpretação na profundidade e intensidade
pois você ainda terá bastante tempo para desenvol- da experiência e nas ideias transmitidas.
vê-la a até se exibir. Apenas mostre que você é um Mas por que interpretar? Não precisamos apenas re-
artista em uma fase embrionária, mas com potencial ceber informações, nós lemos, interpretamos e pro-
para crescer e contribuir com as artes visuais. duzimos, seja essa produção pessoal, acadêmica ou
É bem provável que o examinador queira apenas profissional. E é toda essa bagagem cultural e inte-
que você consiga transmitir de forma compreensível lectual que enriquecerá nosso trabalho criando uma
suas ideias para o papel. Se colocar as ideias em teia de interpretações intermináveis. É estimulando a
uma redação já é difícil, imagine em uma imagem! criatividade que estaremos capazes para lidar com
Esse é o intuito dessas aulas, te orientar a organi- os problemas do dia-a-dia, sermos melhores artistas,
zar seus pensamentos e transmiti-los. Palavras como designer, arquitetos, cineastas, historiadores, pai de
“intervenção”, “projeto”, “conceito” e principalmente família etc.
“artes” deixarão de ser tão assustadoras.

Desenho de Criação 53
DESENHO DE CRIAÇÃO

Projeto Explicando-se: Vamos dividir o mundo em que vi-


Em muitas provas de criação é comum encontrar- vemos em dois grupos, que são: (1) os objetos do
mos propostas que solicitem a elaboração de um nosso cotidiano que facilitam nossa vida e (2) nós,
projeto. Em um projeto, não é necessário que haja seres humanos, usuário desses objetos. Todo obje-
um produto final e sim a demonstração da constru- to tem como característica básica da sua existên-
ção de um processo. cia ter alguma função útil para algum ser humano.
“A arte é todo o processo.” Exemplificando-se:
A importância do processo está nas possibilidades de A)A Gangorra (objeto) serve basicamente para que
mudanças e questionamentos durante a elaboração duas crianças (indivíduos) consigam se divertir du-
do projeto. Um bom exemplo a ser explorado está na rante o recreio da escola (tempo pode ser incluído
feitura de uma redação. Muitos fazem um esboço ou posteriormente – ver time-specific).
uma ideia do que querem explorar do tema, quan- B)A Ponte (objeto) serve basicamente para que vá-
do passam para a finalização acabam por modificar rias pessoas (indivíduos) possam atravessar um
algumas frases e palavras. A palavra “projeto” por si rio (espaço pode ser incluído posteriormente - ver
só já induz a uma ideia do que planejamos fazer, ou site-specific).
seja, eles não esperam um produto finalizado, mas Tendo em vista que os objetos servem às pessoas
uma busca do candidato em conseguir organizar suas por algum motivo, a intervenção se dá no momento
ideias e em elaborar um processo de criação para tor- em que algo além dos objetos e indivíduos entra na
nar compreensivo seu projeto. Para isso, em alguns equação para complementar esta relação de alguma
casos, podemos criar um texto explicativo que dialo- maneira. O nosso algo é a arte. A arte deve juntar-se
gue com a imagem desenvolvida. à relação estabelecida entre o indivíduo ou o grupo
E m um exame como esse, o modelo de projeto a ser de indivíduos e o objeto do trabalho, possivelmente
usado deve ser o mais sintético possível, mas que não agregando mais uma função ou conceito a este.
deixe de tornar clara e compreensível sua proposta. É importante suscitar que o artista que vá trabalhar
Afinal, não podemos nos esquecer que o examinador com intervenção tenha consciência que ele pode
é um ser humano e que, sendo assim, cansa e pode transitar com todas as áreas artísticas. Que esta
ficar estressado diante de textos exagerados. vertente dá abertura para que sejam utilizados sons,
músicas, instrumentos musicais, projeções, esculturas,
Intervenção telas, atores, dançarinos, bonecos e etc. É interessante
A intervenção é uma linguagem que se relaciona que o artista saiba que ele não precisa, necessaria-
com muitos artistas da contemporaneidade por con- mente, utilizar-se de elementos gráficos ou visuais. E
ta do seu caráter multimídia. Dentro de intervenção que seu trabalho torna-se mais amplo cada vez que
vemos tanto música, teatro, artes visuais e poesia ele agrega mais elementos artísticos à sua obra.
num contexto único, trabalhando em conjunto para
que o público alvo tenha maior contato com aquilo
que a intervenção irá sugerir. Entre os vários signifi-
cados que a palavra intervenção tem no dicionário,
talvez possamos destacar especialmente esse:

“Entrar como parte (em um processo).”

54 Desenho de Criação
DESENHO DE CRIAÇÃO
Exercícios

1) Unicamp - Arquitetura - 2008 2) Unicamp – Artes – 2007


O tema desta questão refere-se ao fragmento de primeira parte
texto e à imagem abaixo. A partir desse tema, refli-Com a folha de papel sulfite A1 (fornecida), cons-
ta e elabore um desenho (à mão livre) que conju- trua um objeto pelo processo de dobradura, conse-
gue e explore texto e imagem. guindo um resultado tridimensional.
Técnica: lápis de cor O objeto conseguido será o tema de seu desenho
de observação, que será feito sobre uma folha de
“[...] Uma descrição de Zaíra como é atualmente de- papel canson (fornecida).
veria conter todo o passado de Zaíra. Mas a cidade
não conta o seu passado, ela o contem como as Finalidade: Avaliar a capacidade de compreender
linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas estruturas e representá-las por meio do desenho,
explorando suas possibilidades de sombra e luz, fi-
grades das janelas, nos corrimões das escadas, nas
gura e fundo. A avaliação recairá exclusivamente
antenas dos pára-raios, nos mastros das bandeiras,
sobre o desenho realizado.
cada segmento riscado por arranhões, serradelas,
Tempo: 50 (cinqüenta) minutos.
entalhes, esfoladuras.” ( CALVINO, Ítalo. As Ci-
Material: lápis grafite número 6B ou 8B e papel
dades Invisíveis. Trad. Diogo Mainardi. São Paulo: canson (fornecidos).
Companhia das Letras, 1990, p. 14)
segunda parte
Em uma nova folha de papel canson (fornecida),
desenhe o objeto que você construiu, atentando
para os atributos construtivos do desenho (ponto,
linha, forma, proporção e estrutura).
Finalidade: Avaliar a capacidade de criar uma com-
posição linear representando seu objeto.
Tempo: 35 (trinta e cinco) minutos.
Material: Lápis grafite (livre escolha) e papel canson
(fornecido).

terceira parte
Em uma terceira folha de papel canson (fornecida),
construa uma composição explorando novos ma-
teriais e relacionando cor e forma. Você deve partir
dos elementos formais sugeridos pelos dois dese-
nhos anteriores e pode proceder livremente.
Finalidade: Avaliar a capacidade de expressão e re-
flexão na construção de uma imagem.
Fonte: MILLÁN, J.A.. El arte de las medianeras (party Tempo: 50 (cinqüenta) minutos.
walls art) – Las Tripas AL Descubierto. Disponível Material: Qualquer material indicado no manual do
em: http://jamillan.com/medianeraw.htm candidato.

Desenho de Criação 55
DESENHO DE CRIAÇÃO
Exercícios

3) UNESP – Artes Visuais - 2006 4) UNESP- Artes visuais - 2007


01. Desenvolver o projeto de interferência visual Considere que o céu da cidade de São Paulo possa
num ônibus urbano. ser suporte para manifestações artísticas. Elabore um
O projeto deve conter detalhes, observações visu- “projeto” artístico baseado no conceito de sky art.
ais e/ou escritas, que esclareçam as idéias visuais e
O projeto deve conter detalhes, observações visu-
o objetivo da interferência visual. ais e/ou escritas, que esclareçam as idéias visuais
Será considerada a capacidade criativa, expressiva e o objetivo da sua manifestação artística, baseada
e de clareza do projeto. no conceito de sky art.
O projeto deve ser desenvolvido em folha dada. Será considerada a capacidade criativa e de clareza
de expressão
Material livre (constante no item 3 da INSTRUÇÃO, do projeto. O projeto deve ser desenvolvido numa
página 1 desta Prova Específica). (40 pontos) das folhas de papel canson A3.
02. Observe a sala e selecione um elemento. De- Material/técnica livres. (40 pontos)
senvolva uma composição gráfica, a partir da ima-
gem proposta na figura 6, incorporando o elemento Sky Art.
selecionado.
José Wagner Garcia, depois de estagiar no Center
Será avaliada a composição, o desenho de obser-
for Advanced Visual Studies, CAVS, do Massachu-
vação, a leitura e a interpretação visual, a capacida-
setts Institute of Technology, MIT, trouxe ao Brasil
de de selecionar e integrar elementos.
as idéias relacionadas com a sky art, uma corrente
A composição gráfica deve ser desenvolvida em
artística que busca elaborar obras efêmeras no céu,
folha dada.
Utilizar apenas grafite e/ou esferográfica preta. com projeções de raios laser, bombardeamento de
nuvens com pó químico colorido ou iridescente,
arco-íris artificiais, ou ainda sinais eletromagnéticos
codificados e enviados para as estrelas. A síntese do
trabalho de Garcia está na trilogia Sky: Life, Body
and Mind (1988).
(www.itaucultural.org.br)

56 Desenho de Criação
DESENHO DE CRIAÇÃO
Exercícios

5) UNESP- Artes Visuais - 2008


Considere que a região da Estação Barra Funda do ”A arte ambiente ou ambiental não faz referência
Metrô de São Paulo possa ser suporte para mani- a um movimento artístico particular, mas sinaliza
festações artísticas. Elabore um “projeto de interfe- uma tendência da arte contemporânea que se volta
rência visual urbana” baseado no conceito de arte mais decididamente para o espaço – incorporando-
ambiental, descrito no quadro abaixo. o à obra e/ou transformando-o –, seja ele o espaço
O projeto deve conter detalhes, observações visu- da galeria, o ambiente natural ou as áreas urbanas.
ais e/ou escritas, que esclareçam as idéias visuais Diante da expansão da obra no espaço, o especta-
e o objetivo da sua manifestação artística baseada dor é convocado a se colocar dentro dela, expe-
no conceito de arte ambiental. Será considerada a rimentando-a; não como observador distanciado,
capacidade criativa e de clareza de expressão do mas parte integrante do trabalho.”
projeto. O projeto deve ser desenvolvido numa das (www.itaucultural.com.br)
folhas de papel Canson A3.
Material/técnica livre. (40 pontos)

Foto: Carlos Frucci (Mestrado em Artes Unesp – IA 2007)


Vista Oeste com Estação Barra Funda (à esquerda) e obras do Novo Campus da Unesp
(ao centro e à direita).

Foto: Carlos Frucci (Mestrado em Artes Unesp – IA 2007)


Vista Panorâmica Leste das obras do Novo Campus da Unesp (ao centro) e Estação
Barra Funda (à direita).

Desenho de Criação 57
DESENHO DE CRIAÇÃO
Exercícios

5) UNESP- Artes Visuais - 2008 7) USP – Artes Plásticas - 2005


(cont.) As imagens reproduzidas nesta página represen-
tam dois momentos de uma crise que irá marcar
a história da cultura ocidental nos séculos 20 e 21,
sendo que cada uma delas representa, de forma
distinta, eventos semelhantes que abalaram a opi-
nião pública de suas respectivas épocas.
A força que elas irradiam tem sua origem nos fatos
a que se referem e nas suas próprias características
visuais.

Foto: Lis Morila (1.º BLAV – Unesp – IA 2007)


Vista Leste do muro do terreno do Novo Campus da
Unesp (à esquerda) e Estação Barra Funda (à direita).

6) USP – Artes Plásticas - 2007


A fotografia tem como referência básica a luz. O
desenho, a relação de atrito do grafite sobre o pa-
pel. As especificidades materiais dos dois meios,
portanto, são diferentes. No entanto, o desenho
de observação e a fotografia registram o real de
maneiras diferentes. Observando a realidade à sua
volta, mostre o que apensas o desenho – e não a
fotografia – é capaz de produzir.

58 Desenho de Criação
DESENHO DE CRIAÇÃO
Exercícios

8) UFRJ- ARQUITETURA - 2009 9)UFRJ – Artes Plásticas - 2009


Leia atentamente os fragmentos a seguir. Faça um Inspirando-se na letra da música popular abaixo
desenho de cada cena descrita (uma externa e ou- apresentada, crie a paisagem de uma praça, in-
tra interna) representando todas as palavras subli- cluindo os elementos mencionados na música e
nhadas. Use a folha A3 que já está dividida em outros que a caracterizem.
duas áreas.
A Praça
“Resolveu seguir o homem para saber onde mo- (Carlos Imperial)
rava. O relógio da esquina marcava duas horas e
seis minutos, temperatura de vinte e cinco graus. Hoje eu acordei com saudades de você
Ao sair da avenida Atlântica, o homem retomou a Beijei aquela foto que você me ofertou
rua Santa Clara, caminhando um pouco apressado, Sentei naquele banco da pracinha só porque
mão no bolso da calça, provavelmente acarician- Foi lá que começou o nosso amor
do o achado. O menino seguia-o a uma distância Senti que os passarinhos todos me reconheceram
prudente. Não precisou andar muito, na quadra E eles entenderam toda a minha solidão
seguinte o homem dobrou à direita na avenida Co- Ficaram tão tristonhos e até emudeceram
pacabana e entrou num prédio que tinha no térreo E então eu fiz esta canção
uma galeria com bar e várias lojas pequenas, A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o
todos fechados àquela hora de madrugada. A por- mesmo jardim
taria do edifício era gradeada, espremida num can- Tudo é igual, mas estou triste, porque não tenho você
to, no limite com o prédio vizinho... perto de mim
...O apartamento não passava de um quarto com Beijei aquela árvore tão linda onde eu,
quitinete e banheiro, cujo luxo era o boxe com es- Com o meu canivete um coração desenhei
quadrias de alumínio. No quarto, além do armário Escrevi no coração o meu nome junto ao seu
Ser seu grande amor então jurei
embutido, havia uma cômoda antiga em peroba e
O guarda ainda é o mesmo que um dia me pegou
mármore rosa com um
Roubando uma rosa amarela prá você
pequeno espelho bisotado; sobre o mármore, uma
Ainda tem balanço tem gangorra meu amor
enorme variedade de vidros, potes, caixas e uma
Crianças que não param de correr
pena de pavão enfiada na junção do espelho com Aquele bom velhinho pipoqueiro foi quem viu
a moldura; num dos cantos, próximo à janela, um Quando envergonhado de namoro eu lhe falei
cabideiro com bolsas, chapéus, colares e lenços co- Ainda é o mesmo sorveteiro que assistiu
loridos; uma pequena bergère necessitando forra- Ao primeiro beijo que eu lhe dei
ção nova; na parede, duas reproduções de pintores A gente vai crescendo, vai crescendo e o tempo passa
famosos; debaixo da janela, uma mesa de dobrar Nunca esquece a felicidade que encontrou
com duas cadeiras; e ocupando a maior parte do Sempre eu vou me lembrar do nosso banco lá da praça
espaço, uma grande cama em ferro batido sobre a Onde começou o nosso amor
qual estava Magali...”
(Luiz Alfredo Garcia Rosa, Achados e Perdidos,
1998).

Desenho de Criação 59
DESENHO DE CRIAÇÃO
Exercícios

10) MACKENZIE - ARQUITETURA 12) UFMG – 2009


- 2006
No conto “Os mortos não têm desejos”, a autora, en-
“...Na sala, a porta e as grandes janelas semi-abertas tremeando seqüências e flashbacks, elabora o que
permitiam mostrar os dois sofás surrados, os dois ela própria chama de “Roteiro de uma vida inútil”.
quadros nas paredes, a antiga cadeira de balanço Leia atentamente este trecho:
sobre o pequeno tapete, o computador ligado so-
bre a escrivaninha parcialmente iluminada pelo sol FLASHBACK II
Caminho por uma praça deserta. O sol penetra por
e a cadeira desocupada.
Na estante, atrás da escrivaninha, livros à espera entre as folhas das árvores e se transforma: quero
de consulta e, pelo chão, rascunhos amassados de pegar as estrelas no chão, porém elas se apagam
entre os meus dedos. Um cavaleiro passa a galo-
textos que não convenceram...”
par e não me nota. Figura desconhecida de homem
Considerando o texto acima, crie uma composição encaminha-se para mim e me abraça: tem barba e
bigodes ruivos.
gráfica, utilizando técnica livre.
STEEN, Edla van. Os mortos não têm desejos. In:
STEEN,Edla van (Org.).
O conto da mulher brasileira. São Paulo: Global, 2008.
p.49.

11) MACKENZIE – DES. INDUSTRIAL A partir dessa leitura, CRIE duas ilustrações, utilizan-
- 2008 do-se das imagens literárias apresentadas nesse trecho.

“Uma palavra não faz história, mas duas fazem.” Material a ser utilizado: Apenas lápis preto e, se
necessário, borracha.
Coluna I Coluna II

Garfo Bicicleta
Pincel Quadro
Colher Prato com macarrão e molho
Martelo Banana Split

Observando as colunas I e II acima e, utilizando


aspectos da linguagem visual tais como linhas,
contrastes, luz e sombra, textura e cor, faça uma
composição livre, de uma cena em um ambiente,
considerando dois elementos, um de cada coluna.

60 Desenho de Criação
DESENHO DE OBSERVAÇÃO

INTRODUÇÃO segundo), linear (pensa em termos de idéias ligadas,


Existe uma certa crença de que desenhar é somente um pensamento seguindo-se diretamente a outro)
para poucos indivíduos, que possuem “dom” ou “ta- Hemisfério direito:
lento raro”. Percebe a realidade de maneira não verbal (com o
O que nós propomos aqui é que desenhar é uma mínimo de conexão com palavras), sintética (agrupa
capacidade que pode ser aprendida por qualquer as coisas para formar um todo), concreta (percebe
pessoa. Isso pouco tem a ver com habilidade manual cada coisa tal como ela é), não temporal, não racio-
– se você consegue escrever, suas mãos já estão aptas nal, espacial, intuitiva (assimila as coisas aos pulos),
para desenhar. Tem, sim, a ver com a maneira que holística (aprende as coisas integralmente; percebe
usamos os olhos, ou melhor, nosso cérebro. configurações e estruturas globais).
O desenho de observação está relacionado com a
maneira que processamos as informações visuais. É Resumindo:
necessário usar o cérebro de um modo diferente do O hemisfério esquerdo analisa no tempo, e o he-
que normalmente ele é usado. misfério direito sintetiza no espaço.
Maurice Grosser disse: “O pintor pinta com os olhos, Você pode estar agora se perguntando o que esse
não com as mãos (...) O importante é ver com clareza.” papo de cérebro tem a ver com o desenho.
A essa altura você deve estar achando que vê as coi- Muitos artistas já mencionaram o fato de verem as
sas, sim, muito bem, e que o difícil é desenhar. Mas coisas de modo diferente enquanto desenham. Se
é justamente o contrário. Falemos um pouco sobre sentem unificados com a tarefa que estão execu-
esse outro modo de usar a mente. tando, a passagem de tempo fica subjetiva, não há
palavras se intrometendo no processo de sua cons-
SOBRE O CÉREBRO ciência. Dizem os artistas que se sentem alertas e
Certos conceitos de dualidade, do duplo aspecto do conscientes, porém relaxados e isentos de ansieda-
pensamento e da natureza humana já foram postula- de, experimentando uma atividade mental agradá-
dos por filósofos, professores e cientistas em muitas vel e quase mística.
épocas e culturas diferentes. A idéia central é que O problema é que essa maneira diferente de pro-
existem duas ‘maneiras paralelas de saber’. cessar é quase sempre obscurecida pelo nosso tipo
As principais divisões, por exemplo, são entre pen- de cotidiano. Na nossa cultura, o saber não verbal
samento e sensação, intelecto e intuição e por aí vai. e gestaltico é pouco valorizado. Na escola somos
Segundo Jerry Levy Sperry temos, dentro do crânio, sempre estimulados a desenvolver o lado oposto,
um cérebro duplo dotado de duas maneiras de sa- aprendendo línguas, matemática, etc. Aí quando
ber, o do lado esquerdo do cérebro e o do lado di- tentamos desenhar ou fazer qualquer atividade ar-
reito do cérebro. tística e nos frustramos, caímos naquele mito do
‘escolhido’ ou ‘talentoso’.
Hemisfério Esquerdo: Assim, quando vamos fazer desenhos de observa-
Percebe a realidade de maneira analítica, verbal (usa ção acabamos sempre usando o nosso hemisfério
palavras para designar, descrever), racional (usa a ra- esquerdo. Desse jeito, nossos desenhos se tornam
zão e a lógica para tirar conclusões), simbólica, tem- pouco expressivos e fracamente ligados ao que
poral (coloca as coisas em sequência, faz primeiro retratamos, pois usamos o nosso arquivo de me-
o que vem em primeiro lugar, depois o que vem em mórias para representar o que vemos, não nossa
Desenho de Observação 61
DESENHO DE OBSERVAÇÃO

própria percepção visual. (por exemplo, se vou de- 2- Trace linhas horizontais no topo e na parte de
senhar o rosto de um colega, vou buscar na minha baixo do perfil.
mente como um olho é e vou desenhá-lo daquele
jeito, muito embora aquela lembrança que tenho
de um olho possa nada se parecer com o que vejo
em meu colega.)
O que vamos propor aqui é fazer pequenos exercí-
cios de percepção e desenho para que seja possível
haver a transição mental entre o a modalidade es-
querda para a direita. Vamos tentar realizar tarefas
que nosso cérebro racional despreze e se desligue
da atividade.
3- Agora desenhe o mesmo perfil invertido.
EXERCÍCIOS Observe a maneira que você resolve o problema.
A sua preocupação deve ser fazer um rosto igual
do outro lado, como um espelho. Talvez você ex-
1) VASOS E ROSTOS perimente uma sensação de conflito mental no
começo. Mas depois algumas questões como essas
1- Desenhe o perfil de uma cabeça de uma pessoa costumam surgir:
no lado esquerdo do papel, voltada para o centro
(se você for canhoto desenhe do lado direito) -Onde começa essa curva?
-Qual a profundidade dessa curva?
-Qual o ângulo em relação a borda do papel?
-Qual o comprimento essa linha tem em relação a
que acabo de desenhar?
Etc..

Você provavelmente começará a esquecer essas


idéias de que os riscos são narizes ou testas, isso na
verdade não importa, o que importa é como os ris-
cos estão dispostos no espaço, prestando atenção
nisso é que se vai conseguir fazer um bom desenho
de observação.

62 Desenho de Observação
DESENHO DE OBSERVAÇÃO

2) VASOS E ROSTOS NO.2 O desenho que vai ser utilizado aqui é este feito
por Picasso, um retrato compositor Igor Stravinsky,
de 1920. Copie em outra folha de papel:
Dessa vez, desenhe o perfil do rosto mais estranho
que você possa conceber – por exemplo, um monstro.

Exagere nas formas, vale verruga, narigão, queixo


deformado.

Acrescente as linhas horizontais e agora faça o


mesmo perfil invertido.

Você verá que nessa segunda proposta, a comple-


xidade da forma obriga a transição da modalidade
esquerda para a direita. Seu cérebro ‘desiste’.

Ao fazer os desenhos vasos-rostos, você desenhou o


primeiro perfil à maneira do hemisfério esquerdo e
o perfil correspondente à maneira do cérebro direito.
Provavelmente verificou que era melhor não conce-
ber o desenho como um rosto. Pensar num vaso era
melhor. Dar nome as partes também não ajudava.
Era mais simples se concentrar nas sutilezas das for-
mas e como as linhas ocupavam o espaço.

3) DESENHO DE CABEÇA PARA


BAIXO
Não vire o desenho na posição normal antes de
Quando a imagem está invertida (de cabeça para terminar.
baixo) os sinais não são os mesmos. A mensagem Você vai ver que o processo é similar ao dos va-
fica estranha e confunde o cérebro. É mais fácil ver sos-rostos, mas tem bem mais coisas pra se reparar,
as formas e zonas de luz e sombras do que proces- portanto não tenha pressa, saiba que pressa e preo-
sar racionalmente a imagem. cupação com o resultado são problemas do hemis-
Usaremos essa falha de aptidão do nosso cére- fério esquerdo, demore o tempo que for necessário.
bro esquerdo para permitir que usemos a outra É obvio que nem sempre podemos virar as coisas
modalidade. de cabeça para baixo. O objetivo desse exercício
(Curiosidade: ao copiarem assinaturas, os forjado- é ensinar a fazer a transição cognitiva em qualquer
res viram os originais de cabeça para baixo para situação.
verem mais claramente as formas exatas das letras.)
Desenho de Observação 63
DESENHO DE OBSERVAÇÃO

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Por fim, uma citação de Frederick Frank.

“É para realmente ver, ver cada vez mais profun-


• Desenhar não é tão difícil quanto parece. damente, cada vez mais intensamente e, portan-
• A intenção desse capítulo da apostila é ajudá-lo to, para estar plenamente consciente e vivo, que
a compreender e fazer melhores desenhos de eu pinto o que os chineses chamam “As dez mil
observação, com alto grau de similaridade. Não coisas” que há em torno de mim. O desenho é a
que este tipo de desenho de desenho seja supe- disciplina mediante a qual eu constantemente re-
rior a outras formas de arte. Mas é interessante descubro o mundo.
ter essa habilidade para: “Aprendi que, quando não desenho uma coisa, não
-Ver em profundidade (citação) chego a vê-la realmente; e que, quando passo a
-Criação de um senso de confiança em desenhar uma coisa comum, verifico quão extraor-
nossa capacidade criativa, tirar o bloqueio dinária ela é, o milagre que ela é.”
e liberar o potencial para explorar outros
tipos de arte.
-Aprendermos a fazer a transição para a
outra modalidade de pensamento.
• Realmente, aprender a desenhar é desenhando,
e observando. O progresso que você fará vai
depender da sua energia e curiosidade.
• Não existem regras pra você decorar. Tudo que
queremos é te mostrar um jeitinho, uma postu-
ra pra você lidar com as informações que você
vê. O resto é com você.
• O objetivo do desenho não é somente mostrar
aquilo que você está querendo retratar, mas
também mostrar você.
• Pode parecer paradoxal, mas quanto mais nitida-
mente você percebe e desenha o que vê a sua
volta, mais nitidamente o espectador verá você
e mais você saberá acerca de si próprio.
• A intenção não é ensiná-lo a exprimir a sua per-
sonalidade, mas dotá-lo de habilidades que o
libertarão de expressões estereotipadas. E essa
liberação abrirá espaço para que você expresse
o seu estilo particular de desenho.

64 Desenho de Observação
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