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Atas VII Congresso

Atas VII Congresso

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  • Adrián Pablo Fanjul
  • Adriana Aparecida de Figueiredo Fiuza
  • Adriana Martins Simões
  • Adriana Virginia Bonatto
  • Aleyda Gutiérrez Mavesoy
  • Amanda Brandão Araújo
  • Amarino Oliveira de Queiroz
  • Ana Carolina da Silva Pinto
  • Ana Carolina Macena Francini
  • Ana Cristina dos Santos
  • Ana Maria Mendes Larghi
  • Ana Paula de Souza
  • André Luis Mitidieri
  • Angela dos Santos
  • Anne Katheryne Estebe Maggessy
  • Antonio Andrade
  • Antonio Ferreira da Silva Júnior
  • Antonio Messias Nogueira da Silva
  • Antonio R. Esteves
  • Ary Pimentel
  • Bárbara Zocal da Silva
  • Beatriz Adriana Komavli de Sánchez –UERJ
  • Bruna Macedo de Oliveira1
  • Bruna Maria Silva Silvério
  • Bruna Tella Guerra
  • Carina Zubillaga
  • Carla Dameane P. de Souza
  • Carlos Felipe Pinto
  • Carlos Garcia Rizzon
  • Célia Navarro Flores
  • Cinthia Belonia
  • Clara Pajares Gil
  • Clarisse Lyra Simões
  • Cláudia Luna
  • Cristina do Sacramento Cardôso de Freitas
  • Cristina Vergnano-Junger
  • Damaris Pereira Santana Lima
  • Daniel Mazzaro Vilar de Almeida
  • Daniela Ioná Brianezi
  • Daniele Cristina da Silva
  • Diana Araujo Pereira
  • Diego da Silva Vargas
  • Diogo de Hollanda Cavalcanti
  • Eduardo Fava Rubio
  • Edwirgens A. Ribeiro Lopes de Almeida
  • Eidson Miguel da Silva Marcos
  • Elena Palmero González
  • Eleni Nogueira dos Santos
  • Esther Myriam Rojas Osorio
  • Fabiola Fernández Adechedera
  • Fabíola Silva Tasca
  • Fátima Aparecida Teves Cabral Bruno
  • Felipe Diogo de Oliveira*
  • Fernanda Ap. Ribeiro
  • Flávia Almeida Vieira Resende
  • Francineide Palmeira
  • Franklin Larrubia Valverde
  • Gabriela Beatriz Moura Ferro Bandeira de Souza
  • Giselle da Motta Gil
  • Gracielle Marques
  • Gustavo Walter Spandau
  • Henrique Marques Samyn
  • Iandra Maria Weirich da Silva Coelho
  • Isabela Roque Loureiro
  • Isis Milreu
  • Ivan Rodrigues Martin
  • Ivani Cristina Silva Fernandes
  • Jamyle Rocha Ferreira Souza
  • Jany Alfaia
  • Jean Pierre Chauvin
  • John Lionel O´Kuinghttons Rodríguez
  • José Maria Lopes Júnior
  • José Mauricio da Conceição Rocha
  • José Ronaldo Batista de Luna,
  • Jozefh Fernando Soares Queiroz
  • Joziane Ferraz de Assis
  • Juan David González Betancur
  • Juan Facundo Sarmiento
  • Juliana Bevilacqua Maioli
  • Karen Alejandra Calvo Díaz
  • Karine Rocha
  • Larissa Pujol
  • Larissa Zanetti Antas
  • Laura Janina Hosiasson
  • Laureny A. Lourenço da Silva
  • Liège Rinaldi
  • Leandro da Silva Gomes Cristóvão
  • Leticia Gomes Montenegro
  • Ana Célia Clementino Moura
  • Lílian Reis dos Santos
  • Lina Arao
  • Lorena Mariel Menón
  • Louise Áurea Oliva
  • Lucielena Mendonça de Lima
  • Luciene Azevedo
  • Mara Gonzalez Bezerra
  • Marcelo Maciel Cerigioli
  • Márcia de Fátima Xavier
  • Marcia Paraquett
  • Maria Auxiliadora de Jesus Ferreira
  • María Cecilia Manzione Patrón
  • Maria Mercedes Riveiro Quintans Sebold
  • Maria Mirtis Caser
  • Mariana Sierra Aponte
  • Mariela Sánchez**
  • Marina L. Guidotti
  • Mario M. González
  • Mercedes Pessoa Cavalcanti
  • Meritxell Hernando Marsal
  • Mirta Groppi
  • Mônica Gomes da Silva
  • Nadja Paulino Pessoa Prata
  • Nieves Rodríguez Valle
  • Phelipe de Lima Cerdeira
  • Raabe Oliveira
  • Rachel Coelho Coimbra
  • Raquel Alves Mota
  • Raquel Macciuci
  • Regina Kohlrausch
  • Regina Simon da Silva
  • Rodrigo Vasconcelos Machado
  • Roosevelt Ferreira
  • Rosa Yokota
  • Roseli Barros Cunha
  • Rosineide Guilherme da Silva
  • Ruben Daniel Méndez Castiglioni
  • Samuel Anderson de Oliveira Lima
  • Sandra Mara Mendes da Silva Bassani
  • Santiago de Pablo
  • Sebastião Ferreira Leste
  • Simone de Jesus Santos
  • Stela Maris Detregiacchi Gabriel Danna*
  • Susana Álvarez Martínez
  • Suziane Carla Fonseca
  • Thais Marçal Passos Sarmento
  • Thiago José Moraes Carvalhal
  • Valter de Almeida Freitas
  • Vanessa Nogueira
  • Virginia Videira Casco
  • Viviane Conceição Antunes Lima
  • Viviane da Silva Santos
  • Yara Augusto

ATAS

Organizadores Adrián Pablo Fanjul Ivan Rodrigues Martin Margareth Santos

VII Congresso Brasileiro de Hispanistas
Comitê Organizador
Coordenação Adrián Pablo Fanjul (ABH-USP) Carlos Bonfim (UFBA) Fernanda Castelano Rodrigues (ABH-UFSCar) Marcia Paraquett (UFBA) Antonio Marcos Pereira (UFBA) Claudia Blaszkowski de Jacobi Edleise Mendes (UFBA) Hernán Yerro (UFBA) Ivan Rodrigues Martin (ABH-UNIFESP) Juan Facundo Sarmiento (UFBA) Julia Morena Silva da Costa (UFBA) Luciana Mariano (UNEB – Campus V) Mailson dos Santos Lopes (UFBA) Margareth Santos (ABH-USP) Patrício Barreiros (UEFS / UNEB – Campus I) Rosa Yokota (ABH-UFSCar) Xoán Carlos Lagares Diez (ABH-UFF)

Comitê Científico
Alai Garcia Diniz (UFSC) Alfredo Cordiviola (UFPE) Ana Cecilia Olmos (USP) Antônio Esteves (UNESP – Assis) Del Carmen Daher (UFF) Ester Abreu Vieira de Oliveira (UFES) Graciela Ravetti (UFMG) Heloísa Pezza Cintrão (USP) Isabel Gretel Eres Fernandes (USP) Livia Reis (UFF) Luizette Guimarães de Barros (UFSC) Magnolia Brasil Barbosa do Nascimento (UFF) Maria Augusta Vieira (USP) María Aurora Consuelo Alfaro Lagorio (UFRJ) Maria Eugênia Olimpio (UFBA) María Teresa Celada (USP) María Zulma M. Kulikowski (USP) Mario González (USP) Miriam Gárate (UNICAMP) Neide T. Maia González (USP) Silvana Serrani (UNICAMP) Silvia Cárcamo (UFRJ) Vera Lucia de Albuquerque Sant’Anna (UERJ)

Apoio

ATAS
do VII Congresso Brasileiro de Hispanistas
Organizadores Adrián Pablo Fanjul Ivan Rodrigues Martin Margareth Santos

São Paulo, 2013

Copyright © 2013 dos autores

Catalogação na Publicação (CIP) Serviço de Biblioteca e Documentação Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

C749

Congresso Brasileiro de Hispanistas (7. : 2012 : Salvador, BA). Atas do VII Congresso Brasileiro de Hispanistas [Salvador, BA, 3 a 6 de setembro de 2012] [recurso eletrônico] /organizadores: Adrián Pablo Fanjul, Ivan Rodrigues Martin, Margareth Santos. – São Paulo : ABH, 2013. 18.291 Kb ISBN 978-85-66188-01-1 1. Literatura hispano-americana (História e crítica). 2. Literatura espanhola. 3. Língua espanhola (Estudo e ensino). I. Fanjul, Adrián Pablo. II. Martin, Ivan Rodrigues. III. Santos, Margareth. IV. Associação Brasileira de Hispanistas. V. Título. CDD 868.909

SUMÁRIO

Erotismo y picardía en Vida y costumbres de la Madre Andrea(c. 1650) A. Robert Lauer ............................................................................................................................................................ 17 Topografías del artista y desestabilización enunciativa en el rock de Argentina ............................................................. Adrián Pablo Fanjul .................................................................................................................................................... 23 Memórias da Guerra Civil Espanhola na ficção: leituras de ¿Qué me quieres, amor?, de Manuel Rivas e La lengua de las mariposas, de José Luis Cuerda Adriana Aparecida de Figueiredo Fiuza ...................................................................................................................... 31 A variação na realização do objeto pronominal acusativo no espanhol: um estudo inicial Adriana Martins Simões .............................................................................................................................................. 36 El pensamiento neomoderno en las columnas de Rosa Montero y Rosa Regás Adriana Virginia Bonatto ............................................................................................................................................ 45 Formas de enunciar la violencia en la obra de Doris Salcedo Alexander Castillo Morales – Instituto Caro y Cuervo ............................................................................................... 38 Relación autor-personaje en La última escala del Tramp Steamer de Álvaro Mutis Aleyda Gutiérrez Mavesoy ........................................................................................................................................... 59 Ensino de e/le e inclusão: reflexões sobre formação e trabalho docente Alice Moraes Rego de Souza (PG-UERJ) ..................................................................................................................... 66 Diálogos de Historia Natural: o homem prototípico e o homem em construção Amanda Brandão Araújo ............................................................................................................................................ 73 A hispanidade disposta em paralelo: vozes literárias contemporâneas dos povos originários das américas Amarino Oliveira de Queiroz ...................................................................................................................................... 80 África, Ásia e Oceania: fronteiras fluidas do hispanismo Amarino Oliveira de Queiroz ...................................................................................................................................... 85 Natalia, Julia, Mercedes y Elvira – Retrato de la mujer española en la posguerra Ana Carolina da Silva Pinto ........................................................................................................................................ 91 O “ensaio criativo” de Julio Cortázar Ana Carolina Macena Francini ................................................................................................................................... 98 Discurso autobiográfico e a busca identitária em Mi nombre es Victoria de Victoria Donda Ana Cristina dos Santos ............................................................................................................................................. 104

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O currículo das Universidades Públicas do Estado do Rio de Janeiro e a formação de professores em língua estrangeira: uma reflexão crítica Ana Maria Mendes Larghi ....................................................................................................................................... 111 Las ratas de Miguel Delibes e a denúncia da crise camponesa em Castela nos anos 1950-1960 Ana Paula de Souza ................................................................................................................................................... 118 Quando o metatexto de Tomás Eloy Martìnez autentica as vidas de Perón André Luis Mitidieri .................................................................................................................................................. 124 Calle Mayor e Señorita de Trevélez sob a ditadura franquista Angela dos Santos ...................................................................................................................................................... 131 Distribuição da perífrase “ter” + particípio no espanhol do México Anne Katheryne Estebe Maggessy .............................................................................................................................. 136 Literatura e Espanhol/LE: a questão da comunidade Antonio Andrade ........................................................................................................................................................ 142 A formação de professores de espanhol no Instituto Federal de Roraima: reflexões sobre a prática docente Antonio Ferreira da Silva Júnior ............................................................................................................................... 149 Polifuncionalidad de los marcadores del discurso y enseñanza del ELE Antonio Messias Nogueira da Silva ........................................................................................................................... 156 En busca del Paraíso: la representación de los germánicos en la obra de María Rosa Lojo Antonio R. Esteves ...................................................................................................................................................... 163 Rompendo fronteiras da cidade e da nação: representações de sujeitos que se moven entre as “islas urbanas” de Sergio Olguín e Cristian Alarcón Ary Pimentel .............................................................................................................................................................. 169 As traduções de quadrinhos sob um olhar discursivo Bárbara Zocal da Silva .............................................................................................................................................. 176 Discursos oficiales del 12 de octubre: un día conmemorativo peculiar Beatriz Adriana Komavli de Sánchez ........................................................................................................................ 183 Subordinadas temporais e finais em português e espanhol: questões de contraste e efeitos para a tradução Bruna Macedo de Oliveira ......................................................................................................................................... 190 O tema transversal da Pluralidade Cultural e sua reconfiguração nos LDs de língua espanhola Bruna Maria Silva Silvério ........................................................................................................................................ 198 O policialesco na figura de Amalfitano Bruna Tella Guerra .................................................................................................................................................... 204 ¿Bacrim o paramilitarismo? Análisis de la concepción de paramilitarismo en Colombia en el período 2002-2006 a través de la prensa escrita Camilo Ramírez Rodríguez e Adriana Yamile Suárez Reina .................................................................................... 209

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Inicios de la santidad medieval en lengua castellana: traducción y protagonismo femenino en La Vida de Santa María Egipciaca Carina Zubillaga ....................................................................................................................................................... 215 Chungui: violencia y trazos de memoria, (2009), de Edilberto Jiménez: desenhando a memória coletiva Carla Dameane P. de Souza ...................................................................................................................................... 221 O preenchimento da posição pré-verbal por complementos verbais e a noção de operador na história do espanhol Carlos Felipe Pinto ..................................................................................................................................................... 230 Invasiones del tiempo en el espacio de la casa Carlos Garcia Rizzon ................................................................................................................................................. 239 Pedidos de informação e pedidos de ação em português e em espanhol: um estudo entonacional de produção e percepção Carolina Gomes da Silva, Maristela da Silva Pinto e Priscila Cristina Ferreira de Sá ............................................ 246 De Dulcinéia a Heliana: perspectivismo e metaficção Célia Navarro Flores .................................................................................................................................................. 252 Sierva María de Todos los Ángeles e Maria Mandinga Cinthia Belonia .......................................................................................................................................................... 257 Espacios, mitos y claves del imaginario andaluz en la poesía de Federico García Lorca. Clara Pajares Gil ........................................................................................................................................................ 263 Poesia e ficção na obra de Roberto Bolaño: interseções Clarisse Lyra Simões .................................................................................................................................................. 268 Representaçãoes da mulher e vozes femininas no contexto iberoamericano Cláudia Luna ............................................................................................................................................................. 273 A destreza oral e sua importancia para a formação dos falantes de espanhol como língua estrangeira Cristina do Sacramento Cardôso de Freitas .............................................................................................................. 278 A leitura de professores de espanhol, formadores de leitores, mediada por computador Cristina Vergnano-Junger .......................................................................................................................................... 286 História, memória e ficção em Yo el Supremo e em Hijo de Hombre de Roa Bastos Damaris Pereira Santana Lima ................................................................................................................................. 293 O tratamento dos conectores nas coleções de língua espanhola aprovadas no PNLD-2012: uma questão textual ou discursiva? Daniel Mazzaro Vilar de Almeida ............................................................................................................................. 300 Diccionario Panhispánico de Dudas: dúvidas, definições e comentários Daniela Ioná Brianezi ............................................................................................................................................... 307 Textos e testes: como se configuram as provas de língua espanhola no Enem? Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro e I. Gretel M. Eres Fernández ....................................................................... 312

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A necessidade de narrar vivênciada pelos personagens do romance La hora violeta de Montserrat Roig Daniele Cristina da Silva ........................................................................................................................................... 320 La re-invención de América en la poesía y las artes del siglo XX Diana Araujo Pereira ................................................................................................................................................. 327 O trabalho com o plano inferencial de leitura em livros didáticos de Espanhol-LE22 Diego da Silva Vargas ................................................................................................................................................ 335 História, memória e ficção em Juan Gabriel Vásquez Diogo de Hollanda Cavalcanti .................................................................................................................................. 342 Juan José Saer: realidade, representação e ficção na perspectiva de gênero Eduardo Fava Rubio .................................................................................................................................................. 348 O ver-se nas páginas do papel: um estudo da representação feminina nas novelas cervantinas Edwirgens A. Ribeiro Lopes de Almeida .................................................................................................................... 353 Literaturas hispânicas no Oriente? A dupla identidade cultural e linguística em Margalit Matitiahu, de Israel Eidson Miguel da Silva Marcos ................................................................................................................................. 359 Heterotopias de función compensatoria en la escritura hispano-canadiense contemporánea Elena Palmero González ............................................................................................................................................ 364 O discurso de Fama em El cerco de Numancia, de Cervantes, e nas adaptações de Rafael Alberti Eleni Nogueira dos Santos ......................................................................................................................................... 371 Dialogo con la novela El Baile de la Victoria de Skármeta Esther Myriam Rojas Osorio. .................................................................................................................................... 376 Un extranjero en el poema: notas sobre la poesía de Fabio Morábito Fabiola Fernández Adechedera .................................................................................................................................. 380 Santiago Sierra: performer?* Fabíola Silva Tasca ..................................................................................................................................................... 386 Traduzindo e reconstruindo uma representação.Reflexões teórico-metodológicas em torno à implantação de um (novo) curso de E/LE Fátima Aparecida Teves Cabral Bruno ..................................................................................................................... 392 Sintagmas nominais complexos nos gêneros jornalísticos: Uma abordagem comparada entre artigos de opinião e notícias Felipe Diogo de Oliveira ............................................................................................................................................ 398 La literatura argentina revisitada: el mito de La Cautiva en un cuento de María Rosa Lojo Fernanda Ap. Ribeiro ................................................................................................................................................. 404 “La casita de los viejos”, de Maurício Kartun: tempo do sujeito, tempo da história Flávia Almeida Vieira Resende .................................................................................................................................. 408

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As escritoras na literatura afro-colombiana Francineide Palmeira ................................................................................................................................................. 412 O legado de Mercedes Sosa: a arte como instrumento de luta pela cidadania Franklin Larrubia Valverde ....................................................................................................................................... 418 Néstor Perlongher e Haroldo de Campos – um diálogo antropofágico Gabriela Beatriz Moura Ferro Bandeira de Souza ................................................................................................... 423 Reforma e a compreensão de sentidos de Licenciatura: questão filosófica ou de carga horária? Giselle da Motta Gil ................................................................................................................................................... 430 Corpo e espaço: reescritas da história em Finisterre, de María Rosa Lojo e Desmundo, de Ana Miranda Gracielle Marques ...................................................................................................................................................... 437 Rodolfo Walsh. ‘Exotización’ y conflicto en sus ‘escritos cubanos’ Gustavo Walter Spandau ........................................................................................................................................... 444 A que não soube vingar-se: em torno de “A meu amigo, que eu sempr’ amei” (B846, V432), de Johan Garcia Henrique Marques Samyn ......................................................................................................................................... 448 El uso de los modos indicativo/subjuntivo con tres verbos del español: “creer, pensar y saber” Iandra Maria Weirich da Silva Coelho ..................................................................................................................... 453 O diário de Ana Ozores: a escrita como expressão da subjetividade feminina em La Regenta Isabela Roque Loureiro .............................................................................................................................................. 460 Un niño grande: a ficcionalização de Jorge Luis Borges em Las libres del Sur Isis Milreu .................................................................................................................................................................. 466 Angústia e distopia: a Guerra Civil Espanhola em Saga, de Érico Veríssimo Ivan Rodrigues Martin .............................................................................................................................................. 471 Los marcadores discusivos en español a partir de la Lingüística de la Enunciación: una perspectiva en los estudios de E.L.E. Ivani Cristina Silva Fernandes .................................................................................................................................. 477 Observações sobre a relação cortesania/rusticidade na cena ibérica Jamyle Rocha Ferreira Souza ..................................................................................................................................... 484 La Colmena, de Camilo José Cela: conceitos de grotesco Jany Alfaia .................................................................................................................................................................. 488 A loucura como estrutura narrativa: de Miguel de Cervantes a Machado de Assis Jean Pierre Chauvin ................................................................................................................................................... 494 Religión y alegoría en las narraciones intercaladas del Quijote de Avellaneda John Lionel O´Kuinghttons Rodríguez ...................................................................................................................... 500 A ficção argentina traduz a Guerra das Malvinas Jorge Hernán Yerro ..................................................................................................................................................... 507

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Histórias, estórias e histórias: representações ficcionais da matéria de extração histórica nas narrativas de Delibes e de Assis Brasil Jorge Paulo de Oliveira Neres ..................................................................................................................................... 517 Cuerpos indígenas em metamorfosis: Un estudio del cuerpo a parir de mitos y leyendas de indios de la Amazonía Brasileña y Boliviana y sus representaciones en la actualidad José Maria Lopes Júnior ............................................................................................................................................. 519 Quemar las naves: por uma análise do Diccionario de Americanismos da Asociación de academias de la lengua española José Mauricio da Conceição Rocha ............................................................................................................................ 526 El atajo y La trama celeste, de Bioy Casares: historias de mundos posibles José Ronaldo Batista de Luna .................................................................................................................................... 533 Aspectos urbanos y culturales en narrativas gráficas argentinas Jozefh Fernando Soares Queiroz ................................................................................................................................ 540 Livro didático de espanhol e uma aprendizagem intercultural: é possível? Joziane Ferraz de Assis ............................................................................................................................................... 548 Una identidad para los apátridas. Identidad y exilio en dos novelas históricas latinoamericanas Juan David González Betancur ................................................................................................................................. 554 El uso del cómic como instrumento para la formación intercultural del profesor de español Juan Facundo Sarmiento ........................................................................................................................................... 560 O discurso ficcional em Los ríos profundos, de José María Arguedas: as leituras críticas de Antonio Cornejo Polar e Mario Vargas Llosa Juliana Bevilacqua Maioli ......................................................................................................................................... 566 De tabúes y terrores: Costa Rica y Brasil o dos modalidades de la literatura gótico-fantástica en Latinoamérica Karen Alejandra Calvo Díaz...................................................................................................................................... 571 Falar com deus: Estrategias de legitimação da mística feminina na américa hispânica colonial Karine Rocha .............................................................................................................................................................. 578 Percorrendo a trajetória da formação inicial do professor de E/LE Kelly Cristiane Henschel Pobbe de Carvalhoe Rozana Aparecida Lopes Messias .................................................... 583 A autonomia na formação de professores-tutores de espanhol como LE Kélvya Freitas Abreu, Priscila Barros David e Raquel Santiago Freire .................................................................... 589 A caricata valentia e o enredo “casi como fue” – uma análise da releitura “Don Juan Tenorio”, de Chespirito Larissa Pujol ............................................................................................................................................................... 597 Uma análise discursiva da mulher na sociedade através das tirinhas da Mafalda Larissa Zanetti Antas ................................................................................................................................................. 600 Pedro Lemebel, recepción, lectura Laura Janina Hosiasson ............................................................................................................................................. 605

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O grotesco em Del sol naciente, de Griselda Gambaro Laureny A. Lourenço da Silva .................................................................................................................................... 610 O conceito da honra no Século de Ouro e seu uso como mola dramática em El pintor de su deshonra, de Calderón de la Barca Liège Rinaldi .............................................................................................................................................................. 617 Esta mujer es su padre: Almodóvar, desestabilizações de gênero e a aula de ELE Leandro da Silva Gomes Cristóvão ............................................................................................................................ 623 O corpo em confissão: um discurso sobre o universo feminino simbolizado na obra de arte de Frida Kahlo Leticia Gomes Montenegro ........................................................................................................................................ 628 La potencialidad de los materiales lúdicos como protocolo de observación para el reconocimiento de géneros textuales escritos en español Letícia Joaquina de Castro Rodrigues Souza e Souza Ana Célia Clementino Moura ................................................................................................................................... 634 La tarea/renuncia del traductor en José María Arguedas Ligia Karina Martins de Andrade ............................................................................................................................. 641 Exames de Proficiência em espanhol como língua estrangeira Lílian Reis dos Santos ................................................................................................................................................ 648 Identidades em diálogo: mulher, sexualidade e família no livro didático de espanhol Liliene Maria Novaes Pereira da Silva ...................................................................................................................... 653 Nação idealizada em Aves sin nido Lina Arao ................................................................................................................................................................... 660 La expresión de la contrafactualidad en español: ¿diferentes variantes, diferentes interpretaciones? Lorena Mariel Menón ................................................................................................................................................ 665 Relações entre o Magrebe e a Espanha: os dois mundos de Najat El Hachmi em El Último Patriarca Louise Áurea Oliva .................................................................................................................................................... 673 Considerações sobre a importância da carga cultural compartilhada de unidades fraseológicas no ensino/aprendizagem intercultural de espanhol como língua estrangeira Luana Ferreira Rodrigues .......................................................................................................................................... 671 A formação do professor de Espanhol da Bahia e as variantes culturais hispano-americanas Luciana Vieira Mariano ............................................................................................................................................ 683 Análise das representações sociais nos cinco livros didáticos selecionados pelo PNLD para o ensino de espanhol a brasileiros Lucielena Mendonça de Lima .................................................................................................................................... 689 Representações sociais de futuros professores de espanhol sobre o Mercosul* Lucielena Mendonça de Lima .................................................................................................................................... 695

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Um copypaste de si mesmo: Mario Bellatin Luciene Azevedo ......................................................................................................................................................... 702 Tiempo verbal y discurso indirecto: diferentes abordajes Luizete Guimarães Barros ......................................................................................................................................... 709 O uso do pronome relativo possessivo cuyo em língua espanhola: considerações descritivo-analíticas Mailson dos Santos Lopes .......................................................................................................................................... 716 A tradução da ironia na narrativa de Maria Rosa Lojo Maira Angélica Pandolfi ............................................................................................................................................ 723 Aire de las Colinas, Cartas a Clara. Cartas pessoais de Juan Rulfo Mara Gonzalez Bezerra ............................................................................................................................................. 727 María Rosa Lojo: Una escritora de los bordes Marcela Crespo Buiturón ........................................................................................................................................... 732 Versos e cores do Prado Marcelo Maciel Cerigioli ............................................................................................................................................ 736 Literatura e Direito: o entrecruzar de fronteiras em Abel Posse Márcia de Fátima Xavier........................................................................................................................................... 743 O papel da Universidade na implantação do Espanhol no Estado da Bahia Marcia Paraquett ....................................................................................................................................................... 748 La presencia del negro y sus representaciones en el teatro cubano de Gerardo Fulleda León y Eugenio Hernández Espinosa Marcos Antônio Alexandre ........................................................................................................................................ 756 A corrosão dos anos triunfais franquistas Margareth Santos ....................................................................................................................................................... 763 A escrita de si como uma tradução de si: o caso específico da pintora Frida Kahlo Maria Auxiliadora de Jesus Ferreira .......................................................................................................................... 771 El español de todo el mundo María Cecilia Manzione Patrón ................................................................................................................................ 776 Poéticas da memória nas narrativas de Alfons Cervera e Vázquez Montalbán Maria de Fátima Alves Oliveira Marcari .................................................................................................................. 783 Explicaciones de lo femenino en la narrativa de Marcela Serrano María Esther Blanco Iglesias ...................................................................................................................................... 789 Contexto de ocorrência do imperfectivo habitual no Espanhol Paraguaio Maria Mercedes Riveiro Quintans Sebold ................................................................................................................. 796 Variação sobre o mesmo tema: acerca da memória em Sangra por la herida Maria Mirtis Caser .................................................................................................................................................... 803

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Las animalias… como elementos constructores del discurso en el Libro de buen amor de Juan Ruiz, Arcipreste de Hita María Teresa Miaja de la Peña ................................................... ..............................................................................810 Avatares de la historia en Paralelos. La pintura y la poesía en Cuba (en los siglos XVIII y XIX) de José Lezama Lima Mariana Sierra Aponte .............................................................................................................................................. 817 Préstamos terminológicos para una memoria del franquismo. Los niños encontrados de la literatura: una lectura de Mala gente que camina, de Benjamín Prado Mariela Sánchez ........................................................................................................................................................ 822 La investigación académica como sustrato de la narrativa histórica de María Rosa Lojo Marina L. Guidotti .................................................................................................................................................... 829 La casa de Bernarda Alba, metáfora conventual Mario M. González .................................................................................................................................................... 836 O différend indígena na narrativa do subcomandante Marcos Mélanie Létocart Araujo ............................................................................................................................................ 841 Literatura y conflicto armado: cotejando una novela de Garro Mercedes Pessoa Cavalcanti ....................................................................................................................................... 847 La traducción cultural en la literatura latinoamericana: reflexiones a partir de la obra de Gamaliel Churata y José María Arguedas Meritxell Hernando Marsal ....................................................................................................................................... 855 La Guerra Civil Española bajo la mirada de dos escritores aragoneses en el exilio: lectura de El cura de Almuniaced, de José Ramón Arana y Réquiem por un campesino español, de Ramón J. Sender. Michele Fonseca de Arruda ........................................................................................................................................ 864 El tema que nos ocupa: oraciones relativas en español Mirta Groppi .............................................................................................................................................................. 868 Expresso, logo existo: linguagem e constituição do indivíduo nas obras Mañana en la batalla piensa en mí de Javier Marías e Budapeste de Chico Buarque Mônica Gomes da Silva ............................................................................................................................................. 875 Evidencialidad en textos periodísticos: un análisis funcionalista en español Nadja Paulino Pessoa Prata ....................................................................................................................................... 881 Voces daba el bárbaro Corsicurvo. Lenguas y mecanismos de comunicación en el Persiles Nieves Rodríguez Valle ............................................................................................................................................... 887 Cómo se cuenta o contamos nuestra historia: historiografía literaria latinoamericana y enseñanza de la literatura Pablo Gasparini ......................................................................................................................................................... 896

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La luz de Cristina Bajo que ha tocado la historia y la memoria cordobesa. Una lectura desde la obra Como vivido cien veces (1995) Phelipe de Lima Cerdeira .......................................................................................................................................... 903 A trajetória dos manuais do professor de ELE no Brasil Raabe Oliveira ........................................................................................................................................................... 910 Manuel Rivas y Miguel Hernández: poesía hacia el porvenir Rachel Coelho Coimbra ............................................................................................................................................. 917 O horizonte filosófico do espaço de La Grande de Juan José Saer Raquel Alves Mota ..................................................................................................................................................... 923 De la prensa periódica a la novela. Cara y ceca o del otro lado del espejo: Manuel Vicent y Benjamín Prado (Aguirre el magnífico y Mala gente que camina) Raquel Macciuci ........................................................................................................................................................ 930 A ficcionalização da teoria, da crítica e do processo de criação literárias em La saga\fuga de J.B, de Gonzalo Torrente Ballester Regina Kohlrausch ..................................................................................................................................................... 937 Ricardo Palma e Las tradiciones peruanas: literatura e formação dos imaginários Regina Simon da Silva ............................................................................................................................................... 944 O aguirre posseano: tirano ou libertador? Regina Simon da Silva ............................................................................................................................................... 953 Provocações de um direito latino-americano que inclua os povos vencidos: notas a partir da Antropofagia de Oswald de Andrade e o surrealismo jurídico de Warat Ricardo Baitz .............................................................................................................................................................. 960 Educación-m no ensino de E/LE: análise de curso via SMS Rita de Cássia Rodrigues Oliveira ............................................................................................................................. 967 Poesía en Voz Alta y la escena cultural mexicana: la experiencia dramática de Octavio Paz Robson Batista dos Santos Hasmann ........................................................................................................................ 975 Cortés, Guatemotzin e Atzimba: da Conquista à ópera nacional mexicana! Robson Leitão ............................................................................................................................................................. 980 Desencuentros con Guimarães Rosa: la polémica de Vargas Llosa y Crespo por la traducción de Gran Sertón: Veredas Rodrigo Labriola ........................................................................................................................................................ 987 El ensayo: prolegómenos para una nueva historiografía ensayística iberoamericana Rodrigo Vasconcelos Machado ................................................................................................................................... 994 Tradução de La ciudad y los perros: análise da domesticação dos termos militares Roosevelt Ferreira ..................................................................................................................................................... 1000

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O que dizem os (ex) estudantes de um curso de licenciatura em letras-espanhol? Rosa Yokota .............................................................................................................................................................. 1009 O pronome tônico na produção não nativa de brasileiros falando espanhol e de argentinos falando português Rosa Yokota .............................................................................................................................................................. 1016 Palabra y poder en El sueño del pongo, de José María Arguedas Roseli Barros Cunha ................................................................................................................................................ 1023 Linguística Aplicada: estudos interdisciplinares e multiculturais na formação docente Rosineide Guilherme da Silva .................................................................................................................................. 1029 Sobre Ernesto Sábato, el surrealismo y la entrevista a un desconocido muchacho Ruben Daniel Méndez Castiglioni........................................................................................................................... 1035 José de Anchieta: o Barroco na poesia española Samuel Anderson de Oliveira Lima ......................................................................................................................... 1040 Contribuições de Jorge Amado para a Literatura Hispânica no Brasil Sandra Mara Mendes da Silva Bassani ................................................................................................................... 1047 El cine brasileño y España: El caso de Carlota Joaquina, princesa do Brasil (1994) Santiago de Pablo ..................................................................................................................................................... 1053 Zonas de penumbra e vacíos: ficção e História em Manuel Rivas Sebastião Ferreira Leste ........................................................................................................................................... 1060 Conhecendo Urganda Silvia Cobelo e Giselle Cristina Gonçalves Migliari ................................................................................................ 1067 Para enegrecer os modos de saber: histórias da NegrAmérica contadas na literatura de afrolatinos(as) Simone de Jesus Santos ............................................................................................................................................ 1074 Mania de escrever poesia: a prosa poética nas cartas de Emilio Prados Solange Munhoz ...................................................................................................................................................... 1080 La corrección del error y el feedback en la clase de lengua extranjera. Un análisis desde las teorías de la afectividad Stella Maris Baygorria ............................................................................................................................................. 1086 A escolha de retórica em Andrés Bello (1847) Stela Maris Detregiacchi Gabriel Danna ................................................................................................................ 1092 A palavra em O Livro das mil e uma noites e em O lapis do carpinteiro, de Manuel Rivas Susana Álvarez Martínez ......................................................................................................................................... 1098 Tradição e memória: um diálogo possível entre contos de Borges e Cem anos de solidão Suziane Carla Fonseca ............................................................................................................................................. 1105

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(Re)Construção de Chico Buarque: analisando a tradução do português para o espanhol em canções de protesto Thais Marçal Passos Sarmento ................................................................................................................................ 1113 Educação intercultural e ensino de e/le Thaísa Alves Brandão .............................................................................................................................................. 1020 Quando as luzes se acendem: a cumbia sob os holofotes, em Noites vazias, de Washington Cucurto Thiago José Moraes Carvalhal ................................................................................................................................. 1124 A transitividade em narrativas escritas por alunos brasileiros aprendizes de espanhol Valdecy de Oliveira Pontes ....................................................................................................................................... 1131 O gênero textual digital blog: o diário virtual eletrônico na aquisição de e/le Valéria Jane Siqueira Loureiro................................................................................................................................. 1137 Os trabalhadores e o impasse do Mercosul social. Valter de Almeida Freitas ......................................................................................................................................... 1144 La dificultad del uso de la preposición en las oraciones relativas de E/LE Vanessa Nogueira ..................................................................................................................................................... 1149 “Das Unheimliche”, de Freud e Así que pasen cinco años, Leyenda del tiempo en tres actos y cinco cuadros, de Lorca Virginia de Sousa Bonfim ........................................................................................................................................ 1156 “La rosa de piedra”: el cuento de nunca acabar Virginia Videira Casco ............................................................................................................................................. 1162 Casos de reinterpretação dativa na área geoletal mexicana Viviane Conceição Antunes Lima ............................................................................................................................ 1168 La traducción como práctica social en el curso de Secretariado Ejecutivo Viviane Cristina Poletto Lugli ................................................................................................................................. 1174 Leitura na Internet: a leitura literária no espaço virtual Viviane da Silva Santos ........................................................................................................................................... 1181 El Brasil Intelectual, de García Mérou, una mirada argentina sobre la formación de la literatura brasileña Weslei R. Cândido .................................................................................................................................................... 1187 Sobre a escritura pictural de Alejandro Xul Solar Yara Augusto ............................................................................................................................................................ 1192

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EROTISMO Y PICARDÍA EN VIDA Y COSTUMBRES DE LA MADRE ANDREA (C. 1650)

Dedicado a Mario M. González
A. Robert Lauer The University of Oklahoma

Vida y costumbres de la Madre Andrea (c. 1650), obra desconocida hasta 1958, cuando el hispanista neerlandés Jonas Andries van Praag publicara el manuscrito que había encontrado en la casa Beijers de Utrecht en 1950 (PRAAG, 1958, p.111), ha sido clasificada, desde entonces, como una novela picaresca anónima. Así la designa Enriqueta Zafra en sus dos recientes libros (ZAFRA, 2009, p.136 y ZAFRA, 2011, p.1), así como Howard Mancing en un importante ensayo (MANCING, 1996, p.288). Si así fuera, Madre Andrea sería entonces la última novela europea escrita en español que versa sobre una pícara, de la misma forma que La lozana andaluza (1528), de Francisco Delicado, constituiría la primera narrativa de este género. Dentro de este marco (15281650) tendríamos otras obras como el Libro de entretenimiento de la pícara Justina (1605) de Francisco López de Úbeda, La hija de Celestina (1612) de Alonso Jerónimo de Salas Barbadillo, La niña de los embustes, Teresa de Manzanares (1632) y La garduña de Sevilla y anzuelo de bolsas (1642) de Alonso de Castillo Solórzano y, acaso, «El castigo de la miseria» (Novelas amorosas y ejemplares, 1637) de María de Zayas y Sotomayor. Se excluyen

antecedentes como la Celestina de Fernando de Rojas, así como obras posteriores a 1650 escritas en otras lenguas como Die Lebensbeschreibung der Erzbetrügerin und Landstörzerin Courasche (La pícara Coraje ) (1669) de Hans Jakob Christoph von Grimmelshausen o The Fortunes and Misfortunes of the Famous Moll Flanders (1722) de Daniel Defoe. Poco sabemos de Vida y costumbres de la Madre Andrea. Se piensa que el autor sería un judío converso de origen portugués establecido en Amsterdam (ZAFRA, 2011, p.15). El hecho de que escribiera la obra en español no sería extraño, ya que los judíos conversos portugueses, amén de otros, solían escribir literatura en español durante la Monarquía Dual (1580-1640). De hecho, el autor usa varias palabras de origen portugués como velhaco (bellaco), ajudé (del port. ajudar > ayudar), remasgando (del port. resmungar > quejarse, refunfuñar), holla abafada (cubierta), pedintón (del port. pedinte > pordiosero), copo (vaso), baxuras (esp. bajezas, del port. baixar > bajar), mágoas (tristezas), papar (conseguir, follar). A la vez, van Praag indica que la obra contiene algunos galicismos (PRAAG,

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1958, p.119), lo que haría pensar que nuestro autor habría sido acaso un converso sefardita que hubiera pasado por algunos de los centros franceses de judíos portugueses como Ruán, Bayona o Burdeos antes de emigrar a Amsterdam. Otrosí, resalta en la obra el hecho de que el autor tenga altos conocimientos de matemáticas y de que sus alusiones bíblicas sean al Antiguo Testamento (PRAAG, 1958, p.126). El manuscrito de nuestra obra contiene 146 páginas y mide 17 x 11 cm., encuadernado en pergamino. A la par, en la guarda del libro se menciona en francés el hecho de que la obra es un «Manuscrit espagnol, en prose et en vers, du 17e siècle?» (PRAAG, 1958, p.111). Van Praag anota el hecho de que la última página contiene una filigrana que presenta unas armas entre dos grifos, la cual indica una procedencia italiana (genovesa). No obstante, este tipo de filigrana se usó en Provenza, España y Portugal en los siglos XVII y XVIII (PRAAG, 1958, p.111-112). En ausencia de un facsímile, el cual nos daría información sobre la caligrafía, nos ajustamos a la posible fecha de redacción de 1650, sugerida por el crítico neerlandés (PRAAG, 1958, p.113), aunque es de suponer, como este estudioso indica, que el único manuscrito de esta obra fuera una «copia dieciochesca de otro anterior» (PRAAG, 1958, p.112). La narrativa de Madre Andrea mantiene una organización esencialmente cronológica (ab ovo) que empieza con el nacimiento del personaje homónimo y termina en un punto indeterminado de su madurez. De esta forma sigue inicialmente la estructura básica de todas las novelas picarescas, con excepción de La hija de Celestina, que comienza in medias res. A la vez, Madre Andrea usa una retrospección temporal para informarnos de sus antecedentes, los cuales siempre son determinantes en la narración picaresca. Andrea fue hija de una prostituta y un padre de mancebía, o sea, un dueño de un burdel. Asimismo, por haber tenido su madre múltiples amantes, cada

cliente defiende que Andrea tiene algo suyo. Su herencia biológica y moral, por lo tanto, determina su vida ulterior. Después de este punto inicial, la narrativa hace un salto temporal indeterminado en el cual la protagonista ha dejado en parte su vida prostibularia para fungir el cargo administrativo de madre de mancebía: «después de la pasión me valí de la agencia» (ZAFRA, 2011, p.36). En este oficio tuvo gran éxito y ganó buen dinero: «Era tanta la miel que no me dejaban dormir las moscas» (ZAFRA, 2011, p.36). A diferencia de otras obras picarescas como, v. gr., Lazarillo de Tormes, Andrea, desde el principio de su relato, ha llegado a su «prosperidad y […] cumbre de toda buena fortuna» (CARRASCO, 1997, p.88). Lo que sigue será una serie de encuentros entre clientes, trabajadores sexuales y la Madre Andrea. Los relatos prostibularios se dan, primero, en series de parejas sencillas, v. gr., un joven y una prostituta; después, en tríadas; finalmente, en series de parejas gemelas o cuaternarias. Esta sección es en efecto pornográfica, en su sentido etimológico, y de carácter, primero, erótico, en sus relaciones ordinarias; después, exótico, en sus relaciones singulares1. Enriqueta Zafra nos recuerda que antes de que se clausuraran los burdeles de España en 1623 (ZAFRA, 2011, p.5), los prostíbulos servían ciertas funciones públicas, tanto para mujeres como para hombres. Para las primeras, la casa de lenocinio proporcionaba un modo de vida para féminas pobres y solteras que hubieran perdido la virginidad y que no tuvieran familiares en la ciudad donde trabajaran. El administrador de un burdel, el así llamado padre de mancebía, proporcionaba por una cifra fija, comida, alojamiento, ropa, sábanas y velas (ZAFRA, 2011, p.8). A la vez, las prostitutas eran examinadas por un médico y, en caso de que adolecieran de un mal venéreo, eran consignadas a un hospital. Si se arrepentían y decidían cambiar de vida, todas sus deudas se cancelaban. En cuanto a los segundos, se

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suponía que los clientes fueran hombres solteros que por falta de dinero o trabajo no podrían casarse. El burdel, a diferencia de la prostitución clandestina, protegía, por lo tanto, a las trabajadoras, a sus clientes y a la comunidad de mujeres honorables y acomodadas, las cuales se reservaban para uniones matrimoniales (laicas o eclesiásticas). Esta forma social de «contener el deseo» en ámbitos destinados para su ejercicio se limitaba legalmente a la fornicación simple entre un hombre y una mujer solteros, solutus cum soluta, y evitaba tanto el incesto como la penetración no natural (ZAFRA, 2011, p.8). Sin embargo, el deseo en Vida y costumbres de la Madre Andrea no puede ser contenido o limitado socialmente. En efecto, cada incidente prostibulario prueba precisamente lo contrario de lo que se supondría que ocurriera en un burdel antes de su clausura en 1623. El primero, por ejemplo, muestra a un joven de familia adinerada que roba dinero de su padre para deleitarse en los brazos de la joven y bella ramera Philipa. El segundo expone a un fraile impetuoso que estupra simultánea y encarnizadamente a tres mujeres: la Madre Andrea; una criada que, asustada, grita «Aquí del Rey» (ZAFRA, 2011, p.84); y, finalmente a una pobre y deslucida ramera destinada para su remate. El tercero revela a un letrado y un médico que primero dialogan extensa y cínicamente sobre sus profesiones y después se valen de una pareja de jóvenes de diferente sexo, «dos piezas de serafinas y serafines», para actos descomunales: «vengan orinales no diáfanos sino maduros y encarnados» (ZAFRA, 2011, p.132). Como vemos, todos estos usuarios no son personas indigentes sino pudientes y, en el caso del fraile, desposados con la Iglesia. El hecho de que se use a jóvenes de ambos sexos para actos singulares también indica la práctica de un tipo de sexualidad prohibida o «no natural», precisamente lo que un burdel trataba de evitar. El prostíbulo de la Madre Andrea, por tanto, no circunscribe sino que provoca un exceso o

elemento sobrante (super plus): no limita sino que provoca el deseo: y todo por un apreciable precio: «Allá se las hubieron y a mí […] me pagaron altamente» (ZAFRA, 2011, p.132)2. Lo antedicho constituiría el elemento erótico y picaresco 3 de Vida y costumbres de la Madrea Andrea. Toda novela picaresca se vale de episodios y peripecias que, al llegar a un punto culminante, provocan un cambio o paro permanente en la vida, el carácter o el movimiento del personaje principal. La obra, aunque indique la posibilidad de una subsiguiente parte, en efecto termina en ese momento4. A veces el cambio es súbito, como en La lozana andaluza, cuyo personaje principal renueva repentinamente su vida después de soñar que Plutón y Marte asolan Sierra Morena: «pues he visto mi ventura y desgracia, […] haré como hace la Paz, que huye a las islas, […] Estarme he reposada, y veré mundo nuevo, y no esperar que él me deje a mí, sino yo a él» (DELICADO, 1972, p.245). En otras ocasiones el cambio se intuye: Elena, de la Hija de Celestina , antes de ser agarrotada y encubada, «causando en los pechos más duros lástima y sentimiento doloroso» (SALAS BARBADILLO, 2008, p.153), hace testamento y restituye el hurto hecho a un tal don Rodrigo de Villafañe. Finalmente el cambio se impone: La pícara Justina, a pesar de narrar una vida jocosa, aunque moralmente reprehensible, indica al final del primer tomo que su fin será paulatinamente infausto: en el «primer libro me llamo la alojada, en el segundo la viuda, en el tercero la mal casada y en el cuarto la pobre» (LÓPEZ DE ÚBEDA, 2010, p.874). Asimismo, Teresa de Manzanares, al concluir su escandalosa crónica, indica que tuvo un fin infeliz casada, por cuarta y última vez, con un mercader civil, cincuentón y miserable. La «segunda parte» de su vida se llamaría, pues, « La congregación de la miseria » (CASTILLO SOLÓRZANO, 2005, p.283).

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La Madre Andrea es semejante a las susodichas obras, aunque con algunas diferencias. Si bien hay un cambio o peripecia decisiva, la narrativa se vale a lo largo de su extensión de fisuras que en efecto alteran el discurso salaz dominante. Estas fisuras generalmente se manifiestan como elocuciones vocativas dirigidas al lector que en efecto interrumpen y suplantan el discurso previo. En términos arquitectónicos, las fisuras representarían atalayas colocadas en encrucijadas, las cuales advierten al lector de cómo debiera captar el relato. Tienen, por lo tanto, una función adverbial. La palabra «lector» aparece cuatro veces en el texto. La primera vez se menciona en forma neutral al inicio de la obra para advertir al leedor que no tome «el fin de la palabra», o sea, los «salados casos, ridículos sucesos, pasatiempos deleitables y dichos de discreción y agudeza», sino que discierna en el modo de leer: «antes saca desta obra la cándida flor de la harina con que hagas pan de los santos» (ZAFRA, 2011, p.38). La segunda vez invoca al «lector lascivo o continente» (ZAFRA, 2011, p.100), precisamente después de fuertes descripciones exóticas que acaso provocarían placer en el primero y desazón en el segundo. Las dos últimas invocaciones a un «tú» se hacen hacia el final y van dirigidas al «lector pío» y al «lector benévolo». En ambos casos, las descripciones eróticas han concluido y la Madre Andrea, después de haber narrado congeries de desorden y escándalo, declara que «me metí a devota» (ZAFRA, 2011, p.144). Su última advertencia es que uno debe apartarse de ruines compañías, juegos y negocios que provocan la deshonestidad: «Huye pues del demonio y sus tentaciones, y sigue el bien y la santa y verdadera doctrina […], porque sólo de este modo puedes estar, vivir y morir cierto y tendrás en este mundo paz y después gloria» (ZAFRA, 2011, p.146). Se remata esta obra con una décima penitencial y ocho redondillas donde el autor pide clemencia divina. Vida y costumbres de la Madre Andrea es por lo tanto una obra picaresca con rasgos pornográficos y un auténtico fin moral. En efecto, todas las obras

picarescas tienen aspectos pornográficos, aunque generalmente de tipo erótico. Piénsese en la pícara Justina, que siempre está en peligro de perder la flor; o en Teresa de Manzanares o Elena, la hija de Celestina, quienes expresan cándidamente sus deseos sexuales y mantienen ocasionalmente relaciones adúlteras. Aldonza, la lozana andaluza, es, por supuesto, una cornucopia (pornucopia) de sexualidad ilimitada. Las relaciones triangulares, evidentemente, son comunes en toda narrativa picaresca, como se ve en los padres de Guzmán de Alfarache o en la relación entre el arcipreste de San Salvador, Lázaro de Tormes y la criada-esposa de ambos. Los elementos exóticos también se intuyen, como se observa en el padre afeminado de Guzmán de Alfarache, cuyos afeites inducen al narrador a declarar que «son actos de afeminados maricas, [que] dan ocasión para que dellos murmuren y se sospeche toda vileza, viéndolos embarrados y compuestos con las cosas sólo a mujeres permitidas» (ALEMÁN, 1984, vol. 1, p.118). Recuérdese asimismo la posible inversión del hiperactivo fraile de la Merced del tratado cuarto de Lazarillo de Tormes. Sin embargo, a diferencia de estas obras, Madre Andrea minimiza lo erótico y enfatiza lo exótico y escatológico. El lector de estas narrativas acaso sonriera ante los leves embustes de Justina o Teresa de Manzanares, pero probablemente se turbara ante las alusiones de sodomía, felación, urolagnia y coprofilia de la Madre Andrea y sus clientes. Lo exótico en esta obra se usa no para despertar el interés sino para provocar el desasosiego en el lector. No atrae; repele. En este sentido, se asemeja al Guzmán de Alfarache, aunque también, acaso, a Los 120 días de Sodoma del Marqués de Sade. No obstante, a diferencia de estas dos últimas obras, la intención moral se explica clara y largamente al final de Vida y costumbres de la Madre Andrea. A la vez, este propósito se expone en las fisuras del texto a lo largo de la obra. De esta forma, lo moral irrumpe en los momentos culminantes ímprobos, precisamente para desplazar lo concupiscente y

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desviarlo hacia la probidad: «Deja pues mujercillas, porque quitan el sueño, estragan la salud, deslustran la honra, consumen la hacienda, y muchas veces hacen perder las vidas; sé casto» (ZAFRA, 2011, p.144). Por ende, si las narrativas picarescas tienden hacia una finalidad moral, Madre Andrea mantiene esmeradamente esta función. En esto difiere del final irónico de Lazarillo de Tormes o del desenlace ambiguo de Guzmán de Alfarache: «Aquí di punto y fin a estas desgracias. Rematé la cuenta con mi mala vida. La que después gasté, todo el restante della verás en la tercera y última parte» (ALEMÁN, 1984, vol. 2, p.480). No obstante, se ajusta estructuralmente a éstas, y otras, en, v. gr., las extensas digresiones morales de Guzmán de Alfarache; las descripciones aciagas de la Roma puttana de La lozana andaluza; los aprovechamientos finales del narrador subalterno de La pícara Justina ; la narrativa «objetiva» del narrador de La hija de Celestina; los rótulos, escritos en tercera persona, de los capítulos de La niña de los embustes, Teresa de Manzanares; el prefacio del autor de Moll Flanders, el cual corrobora, antes de iniciar la narrativa principal, el arrepentimiento ulterior de la protagonista homónima y su cónyuge: «we resolve to spend the remainder of our years in sincere penitence for the wicked lives we have lived» (DEFOE, 2005, p.308); y la nota final del autor de la pícara Coraje, donde advierte a los jóvenes sobre los peligros de una vida pecaminosa y un arrepentimiento tardío (GRIMMELSHAUSEN, 2001, p.175). En concreto, Vida y costumbres de la Madre Andrea reúne a la vez lo más pecaminoso y moral de la novela picaresca escrita en español. En efecto, el tema de la pícara española, iniciado en Italia con La lozana andaluza, culmina en Holanda con la Madre Andrea . Sus descendientes literarias se extenderán después por el Reino Unido y América (Moll Flanders) y el Sacro Imperio Romano Germánico (la pícara Coraje). Sus aventuras, sin embargo, requerirían un subsiguiente estudio. Muchas gracias.

Referencias bibliográficas
ALEMÁN, Mateo (1984): Guzmán de Alfarache. Edición de Benito Brancaforte. Madrid: Cátedra. 2 tomos. CARRASCO, Félix, ed. (2001): La vida de Lazarillo de Tormes, y de sus fortunas y adversidades. New York: Peter Lang Publishing, Inc. CASTILLO SOLÓRZANO, Alonso de (2005): La niña de los embustes, Teresa de Manzanares . Edición de María Soledad Arredondo. Barcelona: Debolsillo. CERVANTES, Miguel de (2004): Don Quijote de la Mancha. Edición dirigida por Francisco Rico. Barcelona: Galaxia Gutenberg. 2 tomos. CUDDON, J. A. (1993): Pornography. En: A Dictionary of Literary Terms and Literary Theory, p. 729-733. Oxford: Basil Blackwell Ltd. DEFOE, Daniel (2005): Moll Flanders . Introducción y notas de Michael Seidel. New York: Barnes & Noble Classics. DELICADO, Francisco (1972): La lozana andaluza . Edición de Bruno Damiani. Madrid: Clásicos Castalia. GRIMMELSHAUSEN, Johann (2001): The Life of Courage: The Notorious Thief, Whore and Vagabond. Traducción de Mike Mitchell. Sawtry: Dedalus. LÓPEZ DE ÚBEDA, Francisco (2010): La pícara Justina. Edición de Luc Torres. Madrid: Clásicos Castalia. MANCING, Howard (1996): The Protean Picaresque. En: MAIORINO, Giancarlo.: The Picaresque: Tradition and Displacement , p. 273-291. Minneapolis: University of Minnesota Press. PRAAG, J. A. van (1958): Vida y costumbres de la Madre Andrea : Novela picaresca anónima. En: Rev ista de Literatura, No 14, p. 111-169. SALAS BARBADILLO, Alonso Jerónimo de (2008): La hija de Celestina . Edición de Enrique García Santo-Tomás. Madrid: Cátedra.

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ZAFRA, Enriqueta (2009): Prostituidas por el texto: discurso prostibulario en la picaresca femenina . West Lafayette: Purdue University Press. ________, ed. (2011): The Life and Times of Mother Andrea / Vida y costumbres de la Madre Andrea. Traducción al inglés de Anne J. Cruz. Woodbridge: Tamesis.

Notas
1 Según John Anthony Cuddon, la pornografía (del griego porn– [prostituta] y graphein [escribir] > escritura de rameras) es una obra de ficción que enfatiza la actividad sexual de una forma cómica, seria, bizarra o sobrecogedora para suscitar la emoción sexual. Se subdivide en dos clases: a) erótica, la cual describe una actividad heterosexual en gran detalle; y b) exótica, que enfatiza lo perverso u anormal, incluyéndose el sadismo, el masoquismo, la pederastia y otras parafilias (CUDDON, 1993, p.729). 2 Se eliminan de este análisis los relatos no sexuales: El primero entre un poeta, un ebrio y un soldado que se emborrachan, se pelean y después abandonan el burdel sin tener comercio sexual; el segundo entre un filósofo, un matemático y un jaque que arguyen, comen y se salen del prostíbulo; y el de los tres ciegos que se emborrachan, se duermen y después simplemente se retiran de la casa de mancebía. El burdel, por tanto, sirve en estos casos no como un espacio de contención sino de desorden público. 3 El término alemán para este tipo de narrativa es Räuberroman (novela de depredadores o saqueadores). En efecto, el pícaro o la pícara es similar a un ave de rapiña. La acción principal que define a este ente es la de raptar, ya sea pan o vino en el caso de Lazarillo de Tormes, o dinero u honra en el caso de las pícaras. En la novela que nos ocupa, Andrea se jacta de haber trocado «sin violentarme» su honra por dinero: «Porque yo espontánea y liberalmente la repartía [honra], quedándome sin ella; mas no fui tan necia que no pidiese en recompensa el metal que la fortuna a tantos niega, que esa fue la lección primera con que me educó mi madre» (ZAFRA, 2011, p.34). El intercambio nunca es ecuánime, por supuesto. Al final de la novela, Andrea indica que el Hospital de Nuestra Señora del Amor de Dios (de Antón Martín) ya no tiene cupo para los enfermos que les manda la Madre. Las «picarillas [que] tan negro encarnadas […] infectaban cuántos árboles de cinselas [sic] las comunicaban» (ZAFRA, 2011, p.132) se han tenido que trasladar a Suecia y Baviera a infectar nuevos clientes. Por ende, Andrea y sus proxenetas privan, a cambio de un sucinto encuentro, no sólo de tesoro sino de salud, amén de la vida, a sus confiados e incautos clientes. 4 El hecho de que la mayoría de las novelas picarescas aludan a una subsecuente parte se debe a que el personaje al final de la obra todavía vive (salvo Elena, de La hija de Celestina, novela que requiere una narración en tercera persona). Por ende, Moll Flanders afirma lo obvio: «We cannot say, indeed, that this history is carried on quite to the end of the life of this famous Moll Flanders, for nobody can write their own life to the full end of it, unless they can write it after they are dead» (DEFOE, 2005, p.7). Considérese también la respuesta del pícaro Ginés de Pasamonte a la pregunta redundante de don Quijote sobre si el libro de su vida está acabado: «–¿Cómo puede estar acabado –respondió él–, si aún no está acabada mi vida? Lo que está escrito es desde mi nacimiento hasta el punto que esta última vez me han echado en galeras» (CERVANTES, 2004, vol. 1, p.266).

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TOPOGRAFÍAS DEL ARTISTA Y DESESTABILIZACIÓN ENUNCIATIVA EN EL ROCK DE ARGENTINA

Adrián Pablo Fanjul Universidade de São Paulo

1. Un caso puntual de un proyecto más amplio
Desarrollamos actualmente un estudio sobre la discursividad en el rock argentino, recorriendo sus diferentes épocas, acompañando mecanismos de regulación discursiva, que abordamos principalmente como delimitación de la exterioridad del campo1. En función de un factor que nos ha aparecido como significativo en los procesos de regulación, específicamente en cuanto a una de las fronteras recortadas para lo decible en el campo, factor al que no nos referiremos aquí porque afecta una de las hipótesis centrales de un trabajo que todavía está en elaboración, hemos dado bastante atención a la composición “Toxi Taxi”, grabada en 1991 por la banda Patricio Rey y los Redonditos de Ricota, más conocida como Los Redondos, una de las más nodales en la historia del rock nacional. El tema fue lanzado en el disco La mosca y la sopa . Creemos que esa composición es un punto de especial densidad, en el corpus del rock argentino, en cuanto a las redes de memoria hacia dentro del funcionamiento del campo y en relación con su exterior. Aquí la abordaremos a

partir de que se trata de uno de los casos, dentro de ese corpus, en que se escenifica, en la enunciación, al artista en actividad creadora relacionada con un desplazamiento en el espacio representado, lo que no excluye, por supuesto, la concomitancia de otras lecturas. Ese abordaje nos llevará a la posibilidad de confrontarlo, en la memoria discursiva, con dos temas del período clásico del rock argentino: “El oso”, de Moris (Mauricio Biravent, 1970), y “La balsa”, atribuido a Lito Nebbia y a Tanguito2 (1967). Esa misma confrontación promueve la observación de otra problemática central en nuestra investigación en curso: la de las configuraciones enunciativas, como modos relativamente estables de articulación de los seres en la enunciación, cuya articulación con la problemática de la memoria explicamos en el ítem siguiente. Las tres composiciones están transcritas al final, como anexos.

promueve la regularidad . Y es importante recordar que fue un tema de “pogo”. vemos la regulación como principio de una memoria discursiva: espacio de producción de implícitos (o preconstruidos). en Pêcheux (2007). lo que. el conjunto de letrística musical alcanza una figuración menos precisa que en la narrativa literaria. relacionamos el pogo con la interpelación como acción enunciativa. por ejemplo. en Maingueneau (2001). Como punto de partida. el espacio del cual la enunciación dice provenir. memoria y seres en escena Consideramos la regulación a partir de diversos lugares de la teorización foucaultiana y de su lectura por estudiosos de la enunciación y del discurso en función de la problematización de la memoria discursiva. entre ellos. en determinados períodos de la reflexión de Pêcheux y seguidores. tienen en común una representación de la actividad estética creadora relacionada con el desplazamiento en la escena representada. en el título denominamos una “topografía del artista”. 3. si es observada en una determinada serie de enunciados en un campo. No sólo para este caso. Escenas ricoteras3 Un biógrafo de Los Redondos ha definido “Toxi Taxi” como un tema de “urgencia rítmica”. se concibe el discurso como una violencia ejercida sobre las cosas. Al trasladarse a un abordaje del discurso como materialidad lingüística. en El orden del discurso. temas y objetos. la dimensión espacial de la escenografía representada en la enunciación. 1999:80).24 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 2. Una bisagra entre el mundo creado. paráfrasis y diversas formas de retomada y remisión. concepto ampliamente tratado a lo largo de La arqueología del saber como juego de reglas de formación de los enunciados. vale recordar que. esos conceptos reciben especificaciones. Como anticipamos. Las tendencias dominantes para esas configuraciones y para la delimitación entre los seres en las mismas son un factor que relacionamos con la regulacióndesregulación de la memoria. y a la vez como matriz representacional del conflicto que todo discurso conlleva y que. o sea. Así. que en el caso de la . 2002: 191). La topografía es. reglas que “los atraviesan y les constituyen un espacio de coexistencia” (FOUCAULT. a los modos como se articulan los participantes representados en la enunciación. En la primera parte y en el estribillo de “Toxi Taxi” es interpelado un ser representado en segunda composiciones entre las que estableceremos relaciones parafrásticas en este trabajo. 2008: 53). damos crucial importancia a las configuraciones enunciativas. Nos referimos a la interpelación representada en la enunciación . la percepción de la regulación como relaciones entre enunciados. al proponerse el “principio de especificidad” (FOUCAULT. es precisamente un juego de voces. Como movimiento de choque de cuerpos. se revela como resultado de esa violencia reguladora del discurso a la que nos referimos a partir de Foucault. por darse en una escena enunciativa. La corriente de análisis del discurso en que actuaron estudiosos como Michel Pêcheux y Jean-Jacques Courtine adoptó varios aspectos de la teorización de Foucault. Esa violencia. sino en el conjunto de nuestro trabajo sobre la memoria discursiva en el rock argentino. no debiendo confundirse con el concepto –de raíz althusseriana– de interpelación ideológica como constitutiva de posiciones de sujeto. Regulación. que selecciona y recorta modalidades de enunciación. Así lo sostenemos porque creemos que esa distribución de voces y seres. tanto los interlocutores como los personajes y las voces citadas. una práctica que les es impuesta. y la configuración enunciativa. un “reggae – acelerado” (GOBELLO.

pero que no dejó de estar muy presente. concomitantemente con una diversificación del campo del rock y con el aumento cualitativo de las desigualdades en la clase media urbana.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 25 persona. marcó un desplazamiento en el rock argentino. conviene referirnos brevemente a características del campo a respecto. en la poeticidad de géneros de lo popular en Argentina. o en la forma lingüística. que en el rock se expresó más en su versión hedonista que contestataria. la percepción de ethé relativamente homogéneos y seres representados con un cierto cerramiento sobre sí. diferencias entre agente y paciente. Esa tendencia se desestabiliza notablemente en los años 80. 1991:22). con el poder opresor y con la industria del espectáculo. Como hemos defendido en varios trabajos anteriores (fundamentalmente en FANJUL. un cierto deseo de homogeneidad para su lado imaginario en el conflicto. con la peculiaridad de estar representada como interpelación realizada “en público”. A veces. en este caso. como veremos. como el disimulo del enemigo en “Nuestro amo juega al esclavo”. para la voz enunciadora. Pero también el paso no marcado de la . instrumentador e instrumento de la violencia del poder. debido al carácter “en público” que señalamos. gozador y gozado. por parte de una voz que se identifica al comienzo en una primera persona del plural (“Te tenemos allí…”). había una tendencia ya verificable. la interpelación se relaciona con el papel de los interlocutores en el campo roquero y en relación con los conflictos que lo delimitan. el influjo de una racionalidad “humanocéntrica” dominante en el campo intelectual argentino de la época (TERÁN. Sobre la primera. La representación de ese tipo de interpelación tiene una larga tradición en la música urbana argentina en períodos de desestabilización de modelos. Los Redondos son una banda que no sólo corresponde al momento en que la estabilidad de identificaciones roqueras se ha derrumbado (ya no es pensable. no íntima. a la delimitación reforzada de los contornos de los seres en la enunciación. Por un lado. de modo general. el rock nacional está marcado históricamente por una cierta rigidez en cuanto a la representación de los seres y voces. están sometidas a diversos juegos enunciativos. así como los posicionamientos subjetivos que la atraviesan requieren diferenciar dos órdenes de problemas que creemos que son clave para confrontar momentos y tendencias en la discursividad del rock argentino: a) La producción de una interpelación cuestionadora hacia un interlocutor. Por otro. sino que hace efectiva una interpelación. la alternancia a la que nos referimos puede ser más o menos marcada. en su época de primer desarrollo y auge. en las situaciones de opresión reiteradamente representadas en sus composiciones. al conjunto del campo en ese sentido. Varios factores favorecieron. visibles en la figuración. por percibir que es uno de los rasgos mediante los cuales la obra de Los Redondos. una fuerte tendencia a ese tipo de escenificación caracterizó el debilitamiento de las figuras marginales en la evolución de la poética del tango argentino en los años 20/30. en relación con el conflicto representado. y. juegos mostrados. como el papel alternado de ejecutor y víctima (“te esnifo” / “me esnifan”) en “Rock para los dientes”. para los años 60 y 70 del siglo XX. Esa interlocución. un colectivo de “la juventud”). En cuanto a lo segundo. Y muy especialmente. más o menos velada. b) La alternancia de ubicaciones. debe tenerse en cuenta. por ejemplo. 2010) mediante observaciones que podemos relacionar con las de investigadores que abordan la letrística de rock desde otros puntos de vista. Como ha mostrado el trabajo de Menezes (2012).

Provoca a la comparación. como “No te dejes desanimar”. subyace un preconstruido sobre el desplazamiento como posibilidad creadora. irá tras los que lo hacen negocio. El locutor / artista de “La balsa” seguirá estricta e indudablemente su impronta: su (propia) idea es la de ir al lugar que él mismo más quiera. desde el lugar de análisis. por ese camino. recogen esa imagen a la que. no se registra. tres ámbitos: la naturaleza. creemos. en la que circula muy contento. En ese trabajo que acabamos de referir. que tuvo un carácter comparativo en relación con pioneros del rock brasileño. Desencuentros –de memorias– del andar Proponemos abordar las tres composiciones propuestas en la Introducción a partir de lo que en ellas podemos observar como representación de la actividad de creación estética. en este mundo abandonado / Te tenemos allí. en el caso de “Toxi Taxi”. No diseñará su naufragio. va detrás del toxi taxi. y la naturaleza ilimitada. con una impronta propia. como está. toque y toque. propone el cuerpo roquero como “la epifanía misma del conflicto”. 2009). con los preconstruidos que les dieron sustento. Su naufragar es un propósito. de la época de la dictadura. No en vano Monteleone (1992:30). rescata metafóricamente la imagen de un círculo trazado en rituales satánicos 4 para llegar a una propuesta que resume muy felizmente ese aspecto de la poética ricotera: “es una invocación: no está dentro del círculo pero tampoco fuera porque su sitio no es el pretendido cielo de la pureza”. Quien se dispone a naufragar construirá su propia balsa para ir donde quiera. la artesanía y la industria del espectáculo. de ese modo. una deriva positiva y afirmada en su mismidad. es una figura recurrente en la delimitación no sólo de la identidad del artista sino también de héroes en general en las escenografías creadas por el rock argentino del 4. sino directamente con las composiciones que consideraremos. Una de los rasgos del tipo de locutor y de personaje puesto en escena por el rock primero y del ethos que su voz encarna es el de una hexis de propósito (Fanjul. Y aun composiciones con un tono de profunda desazón. Una delimitación espacial determinando una predicación de abandono: Estoy muy solo y triste acá. va a seguir su “propia” dirección. de Charly García. El oso se desplaza “sin cesar”. una intertextualidad deliberada con composiciones clásicas del rock argentino. cierta resonancia en el inicio de “La Balsa” y de “Toxi Taxi”. El prefabricado de “Toxi Taxi” está “preso”. como en otros temas de la banda. encontrar un funcionamiento parafrástico que resulta polémico. aunque sea la de naufragar. pero va. Indagando el frecuente recurso a la figuración infernal en las composiciones de la banda. El andar con un propósito. abandonado allí. Ambos se desplazarán desde ese lugar. Así vemos los andares de los seres construidos en esas composiciones. Pensamos que la desestabilización de identificaciones en el campo del rock nacional a partir . NI siquiera vuelto sombra.26 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS voz de un posicionamiento a otro en relación con el sojuzgado: compartiendo su lugar o asumiendo una sorna que la acerca al beneficiario-verdugo. observamos que ese rasgo se presenta inclusive en la escenificación de seres identificados con la locura. como Mutantes o Raul Seixas. sólo será recortada en signos tras aprender las piruetas en la jaula-ciudad de los hombres. Creemos que. entran en escena. en un artículo centrado en Los Redondos. pero que es posible. Con ellas. Pero el artista-negocio pequeño y simple. entre período clásico.

te mantenemos? Y ¿qué ubicaciones propone ese acusativo te. con eco en la sílaba siguiente? ¿Estás allí para nosotros? ¿Sufrimos tu prisión. ¿Cómo no ver la ambigüedad de la declaración punteada. de mis tardes y de mí” (destacado nuestro) al enumerar lo que no fue olvidado. todos podemos “darnos un toque”. Por otro lado. En efecto. en lo que Authier-Revuz (2011:12) caracterizó como “movimientos bruscos de báscula del sentido en una palabra”: “Un toque por si las moscas van / Otro toque por si vas detrás”6. pero de este se dice que está preso como si lo fuera. por medio de la imagen de las “piruetas”. con cierta sorna. vemos escenificado un desplazamiento que puede percibirse. Presos. en varias de las composiciones de la época se propone. de modo más explícito que en “El oso”. de la “no cultura” a la “cultura propia”. es el momento de fiesta colectiva. Esa palabra de la calle juega torciendo el significante hacia su letra. el locutor gana cuerpo en una sonoridad ansiosa y trémula para la voz del intérprete. el héroe encuentra la posibilidad de resistencia en la autopercepción. tiene su contrapartida en la voz enunciadora. a la resistencia a ese poder. se desliza hacia una problemática diferente y una escenificación más específica). como serializada e imitativa. “Toxi Taxi” es un claro caso de la alternancia de la voz entre diferentes lugares de decir en relación con el conflicto. también la confrontación de “Toxi Taxi” con “El oso” da lugar a interesantes relaciones de acercamiento y desencuentro en una memoria relacionada con el género. caminando “sin cesar” inicialmente en la vastedad de la no cultura. Así. de esos dos versos? Te te-ne-mo-s a-llí / A-ban-do-na-do a-llí ¿Allí te guardamos. al volver del encierro está “contento de verdad”. como explicaremos. en el hermanamiento que sigue al pogo. Su tono en los dos primeros versos es de quien habla casi en privado. Aunque debe someterse a esa repetición por estar prisionero. si lo consideramos como recorrido del artista. Ni el oso de Moris aparece como “un animal feroz”. el instinto como fundamento de la creatividad5. ni parece serlo el artista producido de “Toxi Taxi”.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 27 de los 80 fue dando lugar a representaciones del desplazamiento y de la creación no compatibles con ese preconstruido. La ambigüedad respecto del interpelado. que está preso pero “va”. Viendo primeramente esa prisión como control sobre el artista (la segunda parte del tema. finalmente. Esa industria-circo. la naturaleza como espacio de creación. el tipo de movimiento que Kozack (1992:25) caracteriza como “recorridos circulares y constantemente invertidos”. La autora los relaciona con una ”estética del sobreviviente” de la cual Los Redondos marcarían un “límite crítico”. El yo/nosotros representado se desplaza entre voces y posicionamientos atribuibles al poder opresor -poder sobre la escena y sobre el espectáculo-. Al inicio del canto. sólo después la voz gana volumen. una figuración como la del artista de la “no cultura”. Por ejemplo. Así. que es uno de los extremos de la primera etapa del rock argentino. se caracteriza. en su materialidad sonora y por el movimiento que sugiere a los cuerpos. lo que más interesa aquí. en un estribillo que. tu abandono? Creemos que es el inicio de una oscilación que se desplazará por toda la primera parte y el estribillo. e incluso. En el viejo tema de Moris. Obsérvese el orden “de mis bosques. al fin y al cabo. a la palabra de la calle. después de la “prisión” de la industria del espectáculo. silabeada. y. en algo todos nos parecemos al pequeño artistanegocio . la pregunta desafiante “la fiera más fiera ¿dónde está?” parece evocar. la cultura establecida desde fuera del campo de identificaciones del rock.

141-155. para una nueva regulación de los presupuestos. 2008. Montevideo: Fundación de Cultura Universitaria.” En: Espacios de crítica y producción. Elementos para una comparación con Brasil. Estudios sobre la enunciación. Se configura más claramente un posicionamiento de resistencia. C. J. mientras el terror construía las nuevas topografías del rincón y la pared desierta9. Estabilización del decir. (2010) “Enunciadores en el rock argentino. si se la compara con el resto del tema. Buenos aires: Tusquets. creer y crear es una concesión. Luis María actualiza el pasado.” En: Letr@ Viv@. fundamentalmente porque se trae un nombre propio. Em: Anais do V Congresso Brasileiro de Hispanistas e I Congresso Internacional da Associação Brasileira de Hispanistas. no solo porque el “nosotros” pasó a ser un “yo”. “Luis María” y porque la temporalidad pasa a ser episódica: un narrador cuenta un sueño. MAINGUENEAU (2001) O contexto da obra literária. murió preso “de verdad” en 1978. Y las palabras que repite acentúan la diferenciación a respecto del creador representado en el período clásico del rock nacional. Y con él viene un colectivo que compartió la percepción del roquero como “visionario”8. está en el pasado y no va a ningún lugar. _____ (2009) “Loucura. M. vol. realidade e deslocamento em cenografias pioneiras do rock”. Luis María Canosa. 23-28. La segunda parte de “Toxi Taxi” recupera estabilidad en los posicionamientos de modo concomitante con una fijación de la escenografía enunciativa. pág. A diferencia de la figura representada en la primera parte. M. al. nueva regulación. futuro compositor y vocalista de Virus. el rock no está en el pretendido cielo de la pureza. Al fin y al cabo. de la gestión opresora sobre los cuerpos que es uno de los grandes asuntos de Los Redondos. Apuntes sobre el mito de Los Redondos. como sólo puede hacerlo un muerto en un sueño. Cuando ya no actuaba en música. fue preso acusado de tráfico minorista de drogas7. Sara Rojo et. São Paulo: Martins Fontes. Había sido parte del rock platense en los primeros setenta. junto con Federico Moura. 1. (1999): Banderas en tu corazón. pág. Un claro caso de prisionero del control social. cobra nitidez: está claro qué instancia o voz representada dice qué. (2011): Detenerse ante las palabras. 2009. (org. 2239-47. _____ (2002) La arqueología del saber.28 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 5. FANJUL. o que al menos no oscila hacia formulaciones o direcciones argumentativas identificables con el poder. Pero ahora dice que cada día ve menos. Buenos Aires: Siglo XXI. Buenos Aires: Prego. Referencias bibliográficas AUTHIER-REVUZ. Menos mal que todavía creo en algo. o que creo algo. (2005): Libro de viajes y extravíos: un recorrido por el rock argentino 1965-1985. Era cercano a Los Redondos y llegó a integrar la banda Dulcemembrillo. GOBELLO. O. y acabó muriendo en medio de un motín en el que todo indica que no tenía participación.). p. C. BELTRÁN FUENTES. Alfredo (1989): La ideología antiautoritaria del rock nacional. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG. FOUCAULT. un “común” preso político. (1992): “Estética del sobreviviente: una letra contemporánea. Y la distribución de las voces. Córdoba: Narvaja Editor. No 10. por qué no. Nº 11. cada día creo menos mal. DÍAZ. Buenos Aires: Centro Editor de América Latina. KOZAK. (2008) El orden del discurso. . Y en el cierre. la figura evocada. A. Y la escena también cobra singularidad.

Otra vez el verde de la libertad. 1991 Te tenemos allí. A. Un toque por si las moscas van y otro toque por si vas detrás.” Tesis de doctorado en Letras. Era una noche sin luna. Sólo exigen que hagamos las piruetas. Estoy viejo. preso como un animal (como un animal feroz). Anexos Toxi . Violencia y poesía del rock. En un pueblito alejado alguien no cerró el candado. 49-56. 29-33. la fiera más fiera… ¿dónde está? Toxi-taxi viene y va y tu sombra va detrás de hordas notables con los secretos para hacer un negocio tan pequeño y simple como vos. En: ACHARD. PÊCHEUX. Vuelvo al bosque. p. y a la noche me tiraba a descansar. Ahora piso yo el suelo de mi bosque. El oso Moris. O embate entre vozes marginais e disciplinadoras em composições de samba e tango (19171945). En el circo me enseñaron las piruetas. y yo dejé la ciudad. muerto cuando me decía: Y yo así perdí mi amada libertad. M. Las mañanas y las tardes eran mías. “Entre pátrias. et. (2012). “Nunca el techo y la comida han de faltar. Papel da memória. Con el circo recorrí el mundo así.T axi Taxi Solari / Bellinson.” Han pasado cuatro años de esta vida. me decía un tigre viejo. P. Caminaba. (1992): “El infierno encantador. MONTELEONE. de mis tardes y de mí. y a los chicos podamos alegrar.” En: Espacios de crítica y producción. caminaba sin cesar. Nº 11. al. me encerró y me llevó a la ciudad. J. Pero un día vino el hombre con sus jaulas. (2007). p. pero las tardes son mías. “Conformate”. Ya no hay tiempos de lamentos ¡Ya no hay más! Un sueño con Luis María. pandeiros e bandoneones . Universidade de São Paulo. estoy contento de verdad. así las cosas. 1970 Yo vivía en el bosque muy contento.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 29 MENEZES. “Papel da memória”. Campinas : Pontes. abandonado allí. Pero nunca pude olvidarme del todo de mis bosques. . “Cada día veo menos cada día veo menos cada día veo menos creo menos mal”.

1967 Estoy muy solo y triste. tanto en el contexto de esta lectura interdiscursiva del tema a partir de la representación de la creación artística como en cualquier otro abordaje temático. 6 “Por si las moscas” es una unidad relativamente fijada. como introductor explicativo que pone como causa la percepción de una posibilidad. 7 Esa circunstancia ha dado lugar a que. 9 Aludimos a las composiciones “Mientras no tenga miedo de hablar”. La continuidad (“por si las moscas van”) restituye “las moscas” a un valor independiente de esa construcción. de Nito Mestre. como quien ve lo que otros no ven. y aprovechando el tema de Los Redondos “Barba Azul y el amor letal” va produciendo una reflexión que vincula lo infernal con la figuración del espacio social como prisión. Tengo una idea. no es nuestra preocupación lo que hayan tenido en mente o no los compositores. no podemos afirmar si era o no esa su idea. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Con mi balsa yo me iré a naufragar. en este mundo abandonado. o como dirigida “al mismo” de la segunda estrofa. Tengo que conseguir mucha madera. 3 4 Adjetivo muy usado para referirse a lo relativo a Los Redondos. Uno de los seudónimos de de José Alberto Iglesias (1945-1972). en lecturas de interpretación literal de la letra de “Toxi Taxi” que han circulado en los medios. . Pero nuestro abordaje no es contenidístico. acá. hay un interesante recorrido en Díaz (2005: 154-167). A respecto. Construiré una balsa y me iré a naufragar. tengo que conseguir. la de irme al lugar que yo mas quiera. y “En el hospicio”. en el rock argentino de los 60-70. miembro de los primeros núcleos que fueron dando forma a la delimitación del rock nacional como campo. registrado por Beltrán Fuentes (1989:95). ambas compuestas entre 1975 y 1976. de donde sea. Por eso. aproximadamente como “por si acaso” o “por las dudas”. Me falta algo para ir pues caminando yo no puedo. 5 Así está claramente enunciado. en español. haya una cierta reiteración de “entender” la interrogación “¿la fiera más fiera dónde está?” como denuncia de que no se lleva a prisión a los jefes del tráfico sino a sus agentes menores. comportamientos atribuidos al asesino serial Giles de Rais. por ejemplo. y por supuesto. Monteleone relata. para ello. 8 Sobre la representación del artista. no se propone un desciframiento alegórico de las composiciones parte a parte. de Alejandro de Michele y Miguel Ángel Erausquin. A partir de ese relato. también conocido como “Barba Azul”.30 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS La balsa Lito Nebbia – Tanguito. nos parecería muy reductor ver esa interrogación como mera denuncia. redactado por Luis Alberto Spinetta: “El que recibe debe comprender definitivamente que los proyectos en materia de rock argentino nacen del instinto”. Notas 1 2 El proyecto cuenta con apoyo del CNPq. en un manifiesto circulante en 1973. Y cuando mi balsa esté lista partiré hacia la locura.

o menino reluta em estabelecer uma relação amistosa com o professor e os outros alunos. aparece acordado no quarto. Moncho. ansioso com seu primeiro dia na escola. traduzindo-se em um grande êxito cinematográfico. está presente um conjunto de dezesseis relatos que narram a trajetória de personagens que transitam pelo contexto espanhol. retratos do atraso social de uma Espanha tradicionalista com os olhos voltados para o passado. São imagens de pessoas simples do interior.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 31 MEMÓRIAS DA GUERRA CIVIL ESPANHOLA NA FICÇÃO: LEITURAS DE ¿QUÉ ME QUIERES. pode ser tão verossimilhante quanto à realidade histórica. por medo. relatada no filme. publicado em 1995 e escrito originalmente em galego. criando com estas representações um suposto pacto de “verdade”. associada à pobreza e às dificuldades de sobrevivência da Espanha rural pré-franquista. para escapar da guerra na África. DE JOSÉ LUIS CUERDA Adriana Aparecida de Figueiredo Fiuza UNIOESTE No livro de contos ¿Qué me quieres. como havia feito um tio. chegando a querer fugir para a América. DE MANUEL RIVAS E LA LENGUA DE LAS MARIPOSAS. Tanto a narrativa literária quanto a fílmica relatam uma intensa relação entre um professor primário. Trata-se de uma maneira de iludir o espectador. O medo de apanhar . AMOR?. juntamente com outros dois contos. pela ameaça que significa a ideia de frequentar a escola. incomodando o irmão mais velho com perguntas sobre o ambiente escolar e a atuação do professor. Don Gregorio. Na cena seguinte. Manuel Lozano. É neste momento em que o espectador dá um salto para a ficção sem se dar conta de tal fato. e seu aluno Moncho. “ Un saxo en la niebla ” e “Carmiña”. do início ao fim do século XX. aproximando-o da narrativa ficcional. “ La lengua de las mariposas” é uma dessas narrativas que. Estas imagens “reais” se mesclam estrategicamente com as cenas do filme. interpretado pelo ator Fernando Fernán Gómez. A primeira experiência escolar de Moncho. de mulheres e crianças. de Manuel Rivas. Certamente este recurso é uma forma de dialogar com o espectador no sentido de mostrar como a narrativa fílmica. amor?. A princípio. principalmente. foi transposta para o cinema em 1999 por José Luis Cuerda. As cenas iniciais do filme mostram imagens fotográficas da época. embora seja uma ficção. é traumática. em que se evidenciam a vida cotidiana.

Y se dirigía hacia el ventanal. no conto e no filme. Pronto me di cuenta de que el silencio del maestro era el peor castigo imaginable. (RIVAS. ao complementar o relato do menino: No. muito mais poderoso que a correção física. casi siempre sonreía con su cara de sapo. y hacía que se estrecharan la mano. mi padre. urinando na frente de todos. 2006. Com o transcorrer da narrativa. tendré que callarme yo”. a natureza e as mulheres de maneira libertária. que se via advertida pela proposta do Estado laico da República. 29) No discurso final da mãe percebe-se um tom de ameaça. como si nos hubiese dejado abandonados en un extraño país. Era un silencio prolongado. el maestro Don Gregorio no pegaba. “Ellos son las luces de la República”. con sentida solemnidad. já se sente de maneira velada uma ameaça política no pano de fundo social. Mi madre. Cuando dos se peleaban durante el recreo. percebe-se que o tema das duas Espanhas também está metaforizado no próprio discurso do casal. divulgada pela Igreja. “Los maestros no ganan lo que tendrían que ganar”. sua conduta libertária é o que propiciará sua perseguição em um ambiente político sufocante que já se anunciava. castigando não com violência física. logo em seguida ao diálogo dos pais de Moncho. Entretanto. perdida en el Sinaí. que comenta as posições ideológicas dos personagens: “Mi padre era republicano. Entretanto. como no do próprio pai do menino ao comentar-lhe em tom de ameaça: “Ya verás cuando vayas a la escuela!. “¡La República. decía mi madre por la noche. no diálogo entre os pais de Moncho sobre a condição econômica de Don Gregorio: “ Estoy segura de que pasa necesidades”. ao discorrer sobre a literatura. uma vez que o aluno percebe de maneira sensível os pressupostos libertários do professor e. quando o professor se sente desrespeitado pelos alunos. p. Este tirocínio está relatado pelo narrador tanto no filme quanto no conto e é um ponto crucial para entender a metáfora do autoritarismo que paira naquele momento em que a Guerra Civil ainda não havia sido deflagrada na Galicia. contrariando as convenções da sociedade espanhola daquele momento. como se a vitória dos franquistas estivesse dada como certa. p. como assegura o narrador Moncho: . El maestro no pega” (RIVAS. por exemplo. O diálogo entre Moncho e sua mãe é referendado pelo narrador. Al contrario. Moncho torna-se amigo íntimo de Don Gregorio. Quiero decir que mi madre era de misa diaria y los republicanos Portanto. 2006. ele instrui seus alunos também sobre as lições da vida. a exemplo de quando a mãe de Moncho pergunta como havia sido na escola: “ Te ha gustado la escuela?” “Mucho. 26-27) Don Gregorio é o professor que ensina não apenas conhecimentos científicos. “parecéis carneros”. atua de maneira diferente dos outros “maestros” da época. Y no pega. 2006. Esta questão dos ideais libertários pode ser vista ao longo da narrativa. frase que se repete na narrativa com o objetivo de enfatizar o tormento que era ir à escola. con la mirada ausente. la República!¡Ya veremos adónde va a parar la República! (RIVAS. p. no. o que revela uma pedagogia de Don Gregorio diferente daquela que se praticava nos anos de 1930 e que ficava expresso no discurso de outros personagens. 26) “Si vosotros no os calláis. Esta ameaça pode ser visualizada em alguns episódios como. o respeito aos alunos que advém deste princípio pedagógico. Portanto. Esta dicotomia pode ser observada na voz do narrador do conto. uma vez que o pai se identifica com a República (“Ellos son las luces de la República”) e a mãe adota uma postura conservadora. mas com o silêncio. sobretudo. descorazonador. p. él los llamaba. Porque todo lo que él tocaba era un cuento fascinante.32 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS e a exposição a que o menino é submetido frente aos outros alunos o fazem perder o controle de seu corpo. 26). Después los sentaba en el mismo pupitre. […] La forma que Don Gregorio tenía de mostrarse muy enfadado era el silencio (RIVAS. 2006. sentenciaba.

31) El alcalde. el bibliotecario del ateneo Resplandor Obrero.. ainda que possa ser considerado um gesto covarde. juntamente com outros homens do povoado. Ramón. em sua inocência de criança. Todo. a queima dos livros do pai se trata de um prenúncio do que viria a ser a ditadura franquista. 33). inclusive o pai. o acovardamento dos que não foram encarcerados. Na verdade. mas que compactuaram com a prisão dos inocentes como forma de eles próprios se livrarem do infortúnio dos vizinhos.) “¡Asesino! ¡Anarquista! ¡Comeniños!” (…) “¡Cabrón! ¡Hijo de mala madre!” (RIVAS. Neste sentido. 2006. o professor é preso. O episódio nos traz à memória dois momentos emblemáticos da história da espanha. Tal fato é observado na conduta imitativa dos que assistiram a atuação da guarda civil: Se escucharon algunas órdenes y gritos aislados que resonaron en la Alameda como petardos. em minoria. Ramón. (RIVAS.. que. el vocalista de la Orquesta Sol y Vida. chepudo y feo como un sapo. ¡grita!” Mi madre llevaba a papá cogido del brazo. El maestro. Poco a poco. [. 2006.” (RIVAS. 2006. p. p. 2006. de la multitud fue saliendo un murmullo que acabo imitando aquellos insultos. É por esse motivo que ela faz todos negarem o passado republicano. p.” (RIVAS. No ápice do conflito entre republicanos e franquistas no povoado a mãe impõe seu caráter religioso na tentativa de salvar sua família. 2006. p. 32) Ao final da narrativa literária e fílmica. p. custa a entender a conjuntura daquele momento histórico: “Recuerda esto. por lo que más quieras. los libros. 32) Em seguida. uma vez que todo o povoado representava uma maioria que poderia facilmente ter parado a guarda civil. Papá no era republicano. padre de Dombodán. “¡Que vean que gritas. começa a gritar envergonhado e logo desesperado ofensas para dissimular sua profunda consternação e fraqueza: “¡Traidores!”. Moncho. argumenta: “ Hay que quemar las cosas que te comprometan. “¡Traidores! ¡Criminales! ¡Rojos!” (RIVAS.. Moncho. A imposição da mãe se dirige também a Moncho. Papá no Le regalo un traje al maestro”. afim de livrar o personagem Quijote de sua suposta loucura. o da Santa Inquisição. “No. como ocorre com: O pai. “Sí que se lo regalo”. A mãe de Moncho é a primeira da família a tomar a iniciativa de compactuar com os crimes do franquismo. instauraria a Censura e não somente a literária e junto com ela a repressão. Papá no era amigo del alcalde. p. mas nem por isso menos aterrorizante. primeiro o povo sendo aprisionado de forma arbitrária.. como si lo sujetase con todas sus fuerzas para que no desfalleciera. convencido que o melhor seria gritar.. no se lo regaló”. Ramón. O término do relato é contundente.] “¡Criminales! ¡Rojos!” (. como revela o narrador: “Grita tú también.. pois demonstra os dois lados da Guerra. que proibiria a liberdade de expressão. Moncho. aflito. 31). 2006. Moncho. o menor da família. el cantero a que llamaban Hércules. No se lo regalo. Papá no hablaba mal de los curas. por ser considerado um inimigo do regime ditatorial que se instaura. que vean que gritas!” (RIVAS. p. . 32) Este pacto com o gesto criminoso da guarda civil é uma forma de proteger-se do mesmo crime. mamá. cujos livros são queimados. (RIVAS. 2006. insulta aqueles que antes pertenceram ao mesmo grupo ideológico que ele. 29). Y al final de la cordada. Y otra cosa muy importante. sem haver cometido crime algum. Los periódicos.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 33 aparecían como enemigos de la Iglesia. los de los sindicatos. Charli. época em que se queimavam os livros considerados proibidos e da cena de Don Quijote de la Mancha (1605). ¿Has entendido bien? ¡No se lo regaló!” “No.

A borboleta. yo fui uno de los niños que corrieron detrás. O menino. na febre e na angústia” (2003. que Moncho se surpreende pelo fato de as borboletas possuírem uma língua. o controle da memória coletiva pode ser entendido como um instrumento e um objeto de poder. p. sólo fui capaz de murmurar con rabia: “¡Sapo! ¡Tilonorrinco! ¡Iris!” (RIVAS. 2006. Monchiño. Moncho se consome ao ver o profesor sendo levado para alguma prisão franquista e seu grito de insulto nada mais é que um grito de desesperança pelo que estava ocorrendo e o que haveria ainda de ocorrer na Espanha de Franco. […] con los puños cerrados. grítale tú también!” (RIVAS. Esta cena é marcante no final do filme em que a câmera fica lenta. a imagem da língua da borboleta enrolada dentro de sua boca é a imagem da mordaça. 26). que é o narrador do conto. como já é de conhecimento. Em tempos de ditadura.34 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS também participa do episódio incitado pela mãe: “¡Grítale tú también. As possibilidades de respostas são variadas. prenunciando os longos anos da ditadura que se iniciava. una lengua finita y muy larga. um animal belo.. A memória da Guerra Civil advém justamente da memória desse narrador que. relembra a efêmera alegria em companhia do professor Don Gregorio.. É importante ressaltar que assim como seu pai. agora já adulto. época em que tudo parece ser mais admirável. p. a literatura. cargados de presos. o próprio narrador também parece se surpreender pela falta de língua. p. passa muitas vezes despercebida pelas instâncias do poder. manipulou a memória da forma que pôde. Tanto é assim. precisa ser desenrolada como a língua da borboleta do relato. Portanto. também alcança o poder. com o objetivo de mascarar e eliminar a memória republicana e antifranquista. da falta de liberdade e do silêncio que a ditadura franquista impôs à sociedade espanhola. Quem possui o controle desta memória. cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje. inevitavelmente. Daniel Lvovich e Jaquelina Bisquert (2008. Franco é um dos maiores exemplos desta teoria. 33). que llevan enrollada como el muelle de un reloj. para que se tome consciência dela. 33). ao refletir sobre a importância da memória no mundo contemporâneo. (. visto que a literatura pode ser considerada como um espaço público da expressão da sociedade. 2006. a não ser por meio de um microscópio. por sua linguagem altamente simbólica. Esta é a última lembrança do narrador daquele período turbulento que a história relataria. caberia questionar o motivo dessa necessidade de se abordar o tema da memória na literatura e no cinema contemporâneo. Outra resposta plausível é a que nos oferece o historiador Jacques Le Goff.) ¿A que parece mentira eso de que las mariposas tengan lengua?” (RIVAS. para permanecer no poder. parece ser no conto de Rivas a metáfora da própria infância. entretanto. utilizadas para estabelecer a memória coletiva. p. Buscaba con desesperación el rostro del maestro para llamarle traidor y criminal. já que nada consegue vê-la. p. relata como fora sua intervenção no acontecimento: Cuando los camiones arrancaron. estando livre de suas . configurada na idéia da memória da história recente. tirando piedras. 469). 8) discorrem que a memória se transmite e se reforça por meio de práticas de rememoração e comemoração variadas. No relato. que sonhava em receber de Madrid um microscópio para mostrar aos alunos da escola a língua das boborletas: “Hoy el maestro ha dicho que las mariposas también tienen lengua. Por fim. o tema da memória na literatura é um gesto de se rememorar de forma coletiva. colorido e delicado. Portanto. Le Goff assevera que “a memoria é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade. 2006. que. individual ou coletiva.

La cambiante memoria de la dictadura: discursos políticos. BISQUERT. Jaquelina. Daniel. legenda. são fundamentais para a valorização dos códigos memorialísticos. Jacques. Local: Espanha: Sogecine. movimientos sociales y legitimidad democrática. nas fraturas de seu discurso. 2008. a literatura pode desempenhar a função de preservar uma memória que se perde no tempo e no espaço.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 35 amarras. 2003. 2006. podendo revelar. por meio de políticas da memória. não se pode esquecer que as reivindicações do presente e a intenção do Estado em dar voz e visibilidade ao passado. Em tempos de democracia. color. Entretanto. a memória silenciada e esquecida. . Sonoro. Direção de José Luis Cuerda. ¿Qué me quieres. oferecendo novas perspectivas sobre a memória e o seu reconhecimento público. 1999. LE GOFF. Buenos Aires: Biblioteca Nacional. DVD (95 minutos). RIVAS. Manuel. Los Polvorines: Universidad Nacional de General Sarmiento. amor? Madrid: Punto de Lectura. História e memória. ajudando a fixar sentidos para as reminiscências. Campinas: UNICAMP. Referências bibliográficas LA LENGUA DE LAS MARIPOSAS. LVOVICH.

observamos categorias vazias em função de objeto acusativo com referente [+determinado. . 2003. 1994. a partir das teorias gerativa (CHOMSKY. 1999). +/específico]. específico]. específico]. 1999) e sociolinguística (LABOV. Na terceira parte apresentaremos alguns dados da análise e por fim algumas considerações a respeito. Considerando-se esses estudos. 2001. 1997. 2005. WEINREICH. ao analisar os dados. HERZOG. LICERAS. 1981. tendo como variantes o clítico e o objeto nulo e como corpus entrevistas do PRESEEA. 2006). Partimos da hipótese de que essa variedade apresentaria objetos nulos restringidos a antecedente [-determinado. LABOV. 2003). 1998. Este artigo se estrutura da seguinte forma: na primeira parte abordaremos aspectos da gramática do espanhol quanto à realização do objeto pronominal acusativo. -específico]. a variedade de espanhol de Montevidéu também apresentaria objetos nulos restringidos a antecedente [-definido. Neste trabalho apresentaremos alguns dados da análise da variedade de espanhol de Montevidéu. 2002.36 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS A VARIAÇÃO NA REALIZAÇÃO DO OBJETO PRONOMINAL ACUSATIVO NO ESPANHOL: UM ESTUDO INICIAL Adriana Martins Simões PG . 2008. na qual objetivamos detectar diferenças sintáticas subjacentes entre o espanhol e o português brasileiro nessa área da gramática.Universidade de São Paulo 0. A segunda parte será dedicada à metodologia. 1999. Conforme Groppi (1997). Essa análise integra nossa pesquisa de doutorado1. embora em outras variedades do espanhol essa categoria vazia seja possível em contextos mais amplos (FERNÁNDEZ ORDÓÑEZ. Introdução Os trabalhos de Campos (1986) e Fernández Soriano (1999) mostram que o espanhol seria uma língua em que a categoria vazia em função de objeto direto estaria restringida a antecedente [-definido. Entretanto. o que contrariaria essa hipótese inicial. 1996. a fim de investigar a gramática não nativa do espanhol (GONZÁLEZ. iniciamos uma análise sociolinguística a respeito da variação na realização do objeto pronominal acusativo de 3ª pessoa no espanhol.

Essa categoria vazia ocorre em estruturas de topicalização [exemplo (3)]. LEONETTI. 1986. las c cosas de muje ujer ugue t e i ]. (9) — No tengo coche. como pode ser observado pela diferença no julgamento de gramaticalidade das sentenças (9) e (10). -específico] ocorreria o objeto nulo. A gramática do espanhol na realização do objeto pronominal acusativo Por ser um determinante definido (DI TULLIO. no qual o objeto nulo ocorre em referência a antecedente [-animado. res — ¿Compraste las flo flor es? — Sí. nas construções em que o verbo seleciona o objeto direto e o indireto [exemplo (4)] e nas orações que precedem a do antecedente [exemplo (5)]: (3) (4) (5) osas d em uje resi nadie Ø i entiende. Vos sabés. 1999). — No vas a encontrar las b botas — Sí voy a encontrar Ø i . Ø/*las compré. -específico] (GROPPI. Siempre Ø i encontré cuando Ø i busqué. que nas variedades em geral do espanhol se restringiria apenas a esse tipo de antecedente (CAMPOS. Como na ausência de determinante os nomes comuns do espanhol não constituiriam expressões referenciais (LACA. conforme Fernández Ordóñez (1999). jugue uguet Me Ø i quitó otra vez [ e l j otasi en la chacra. Assim. no caso de um referente [-determinado. 1999): (6) (7) (8) Las e le c cio nesi yo nunca Ø i entendí. 1997. FERNÁNDEZ SORIANO. (1) (2) res — ¿Compraste flo flor es? — Sí. 1999). FERNÁNDEZ ORDÓÑEZ. No vayas a ver esa p pe Já na variedade de espanhol de Montevidéu os objetos nulos estariam restringidos a antecedente [-definido. em construções com objeto direto e indireto [exemplo (7)] e em orações adverbiais [exemplo (8)] (cf. o clítico poderia ter como referente apenas um sintagma nominal [+específico] (FERNÁNDEZ SORIANO. *Ø/las compré. Entretanto. que também apresenta objetos nulos com referente [-animado. seria incompatível que fossem retomados por clítico. como pode ser observado pelo contraste de gramaticalidade nas sentenças em (1) e (2). 1997) 2. 1999). +determinado] na fala de pessoas bilingues de nível sociocultural médio e baixo. ele lec ciones r abajoi ]. Outra variedade em que o objeto nulo seria possível em contextos mais amplos seria a do espanhol falado na Serra do Equador. . em algumas variedades do espanhol o objeto nulo poderia ocorrer em contextos mais amplos. — Yo tampoco *lo / Ø tengo. 1999).ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 37 1. tr ¿Te Ø i permitirán entregar sin terminar Ø i ? [ e l t e lículai porque no Ø i vas a entender. Entre essas variedades estaria o espanhol falado no Paraguai em contato com o guarani. +determinado] em construções de topicalização [exemplo (6)].

construções em que o verbo seleciona objeto direto e indireto e orações subordinadas adverbiais. construções em que o verbo seleciona os objetos direto e indireto e em construções adverbiais. Nos enunciados em (11) e (12) os clíticos retomam um antecedente [+determinado. os traços semânticos 5 do antecedente e diferentes contextos estruturais como topicalização. analisamos diferentes faixas etárias6 e variedades do espanhol. A análise sociolinguística: corpus e metodologia Para a realização do estudo sociolinguístico. r io no lo sentí tan mío / (…) (11a) I: (…) porque después cuando volví allá / ya como que e l bar barr icic le ta tirada en la plaza de deportes ¡no sabía icicle leta (11b) I: no antes no / eeh como ser Roberto dejó ocho días la b bicic dónde estaba! // <risas = “I” /> después se la trajo el hombre que cuidaba / porque al ver que no la iba a buscar se la trajo el hombre que cuidaba! (11c) us ab ue los te acordás? E: ahá // decime ¿y a t tus abue uelos ue los no los conocí I: <tiempo=”02:43"/> no / porque a mis ab abue uelos (12a) r it o I: (…) <vacilación/> después tuvieron el tupé de entrar al dormitorio // que hay un alhaje alhajer ito que Valeria tenía las alhajitas más // mejores l <vacilación/> las trajeron para acá porque yo lo encontré acá / y se lo llevaron / (…) (12b) c e ne ro a un c o no cid on uest ro d e a cá I: (…) esa misma noche porque habían asaltado a un alma almac ner co nocid cido nuest uestr acá a la v ue lta / estee no no lo había asaltado lo había amenazado / de asalto vue uelta . de modo que nos contextos em que tivéssemos referentes [+determinados] e [+/-específicos] esperaríamos encontrar a retomada pelo clítico. encontramos dados que contrariaram essa hipótese como veremos na terceira parte do artigo. Tendo em vista esses estudos. analisamos 20 entrevistas da variedade de espanhol de Montevidéu provenientes do PRESEEA (Proyecto para el Estudio Sociolingüístico del Español de España y de América). Alguns dados da análise Iniciaremos apresentando alguns dados de 2. +específico]. 3 ocorrência de clítico encontrados nas entrevistas.38 (10) — No tengo el coche. Contudo. sendo elas a variedade de Montevidéu e a de Madri. Quanto aos fatores extralinguísticos. — Yo tampoco lo / *Ø tengo. entre eles analisamos a estrutura do sintagma determinante4. partimos da hipótese de que na variedade de espanhol de Montevidéu os objetos nulos estariam restringidos a antecedente [-determinado. ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Em relação aos fatores linguísticos. -específico]. porém em (12) trata-se dos casos em que o sintagma nominal é encabeçado por um quantificador7. A variável de nossa pesquisa constitui a realização do objeto pronominal acusativo de 3ª pessoa e como variantes temos o clítico e o objeto nulo. Na maior parte dos fragmentos selecionados os clíticos ocorrem em construções com topicalização. 3.

que. -específico]. FERNÁNDEZ SORIANO. sendo os antecedentes dos enunciados em (14) sintagmas nominais encabeçados por quantificador. 1986...) no es que le guste tanto e l d de a contracturar su espalda por ejemplo / (…) (13c) o ¿cuál es tu forma de tratamiento? E: perfecto / y cuando vas al médic médico I: bueno / ahí viste que bah bueno depende de la situaciones ¿no? un poco formales / también depende un poquito / voy y observo /si me tutea eeh yo lo tuteo / porque él me habilitó o nst r uc ción / podíamos hacerla la (14a) I: eh bueno ta la propuesta fue para para hacer algo una c co nstr ucción acá e r so na mm no sé de setenta años capaz (14b) I: sí / y ahí para mí es el tema de la edad // si es una p pe sona e r so na que la trato de usted / si es una p pe sona na<alargamiento/> hasta esa edad / eeh / de chico hasta esa edad más o menos yo ya la trataría de vos / en mi caso por lo menos Nos enunciados em (15) temos casos de objeto nulo com referente [-determinado. como vimos. constituiriam o tipo de antecedente com o qual essa categoria vazia seria possível nas variedades de espanhol em geral (CAMPOS. -específico]. (15a) I: (…) porque yo he comido piza en bares / Ø he comido en otras casas escuchado mil historias de gente que ma // he (15b) I: (…) yo por suerte nunca he tenido p ro b le lema Ø ha tenido pero / yo no no no Ø he tenido así (15c) E: y en el jardín ¿tenés plantas plantas? I: sí / en el fondo Ø tenemos sí / (…) cio nes o no? (15d) E: ¿y en navidad también tenés v a ca cacio ciones I: no / en navidad no / Ø tengo únicamente el veinticinco de diciembre no trabajo porque igualmente es un feriado <ininteligible/> (15e) amig os E: listo / y<alargamiento/> y bueno tenés ¿amig amigos os? me imagino I: Ø tengo <risas = “I”/> . 1997). 1999) e na variedade de Montevidéu (GROPPI. (13a) E: pero claro // ¿y tenés pasaporte / el pasaporte? o r t e me lo saqué sí I: e l pasap pasapo e p o r t e pero lo considera una necesidad y tiene tendencia (13b) I: (.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 39 Os enunciados em (13) e (14) constituem ocorrências de clítico cujo referente é [+determinado.

) crema / pero un he hela lad de hela lad e r so na (16b) I: y<alargamiento/> suponete / si es una p pe sona determinado ca<alargamiento/>rgo en el en el área laboral te digo / por ejemplo / este Ø trato de usted na / y no Ø tuvieron y bueno (.. 1999).) (16c) I: (…) siempre le hubiera gustado tener una ne nena e int icinc o lo pasamos con la madre de mi marido acá (17a) I: (…) todo bien tranquilo y<alargamiento/> e l v ve inticinc icinco / en Montevideo / es viuda hace unos años / Ø pasamos con ella y la hija soltera vive con ella (…) (17b) I: (…) yo<alargamiento/> hace tres años atrás no sabía manejar una computadora / tenía miedo o mpu ta dor a y<alargamiento/> al empezar este curso<alargamiento/> me gustaba lo que era el diseño pero a la c co mputa tad la odiaba por el simple hecho de que no Ø conocía y me parecía más difícil de lo que era // y fui a hacer este curso medio a regañadientes y cuando me quise acordar estaba <vacilación/> ya estaba manejandoØ Ø y era mucho más fácil de lo que pensaba (…) (17c) nú E: ¿y tienen una comida típica para Navidad o van cambiando e l me menú nú? I: no Ø vamos cambiando de acuerdo al estado de ánimo de<alargamiento/>l que recibe / ulc es o los b udín ing lés / o a veces Ø preparaba mi (17d) I: (…) mi madre siempre preparando o los pan d dulc ulces budín inglés abuela y los mandaba para allá (. constituem contextos estruturais em que o objeto nulo ocorre nas variedades do Paraguai e da Serra do Equador. assim como com referente [+determinado. -específico]. Os enunciados em (16)-(18) apresentam ocorrências de objeto nulo [+determinado. la d o en la heladería <cita> porque Miguel I: (. -específico].) mi madre así <vacilación/> no se compraba un he hela lad nos ayuda / y tú sabes que no / yo te Ø hago en casa de lo que tú quieras / de chocolate / de ma yo<alarg amie nt o/>r u ocupa may o<alargamie amient nto/>r no / porque / la do d e he la d e ría no te Ø puedo comprar </cita> (.. Observamos que algumas das construções com objetos nulos ocorreram em estruturas de topicalização. em que o sintagma nominal antecedente é encabeçado por determinante. que.. Nos enunciados (17a). o que revela variabilidade na intuição dos falantes. o referente também é retomado por clítico. sendo que os enunciados em (16) constituem sintagmas nominais encabeçados por quantificadores.) e nt e ma yo r / por costumbre Ø trato de usted (17e) I: ahí lo trato de usted / no tengo mucha onda con la g ge nte may (18a) / la piza (18b) I: (…) ahora me tocó esto yestee y bueno / y<alargamiento/> lo primeros días fueron muy osas más e le me ntales no Ø podía hacer (…) podía / las c cosas ele leme mentales sobrellevé lo mejor que pude / los vestirme bravos porque ni bañarme podía sola / estee no podía nada / ni I: hace tiempo que no lo hace más / desde que falleció mi padre hace / veintiún año no / ella o midas case r as // dejó de hacer t o das esas c co caser no Ø hace más // lo que hace los domingos / de tradición así . variedades estas que apresentam objetos (16a) nulos em contextos mais amplos (FERNÁNDEZ ORDÓÑEZ. +específico]... -específico]. conforme vimos. construções com objeto direto e indireto e sentenças adverbiais. -específico]. (17b) e (17d). além de objetos nulos em referência a antecedente [-determinado.... encontramos essa categoria vazia com referente [+determinado.40 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Entretanto. Esses dados contrariaram nossa hipótese inicial de que o objeto nulo na variedade de Montevidéu estaria restringido a antecedente [-determinado. os em (17) sintagmas nominais encabeçados por determinantes e os em (18) sintagmas nominais encabeçados por quantificador e determinante. além da ocorrência do objeto nulo.

A seguir apresentamos algumas considerações e possibilidades de análise. nulos seriam possíveis não apenas com referente [determinado. -específico]. +específico]. Algumas considerações sobre os dados Os dados observados revelam que na variedade de espanhol de Montevidéu os objetos Esses dados parecem sugerir que haveria um processo de variação linguística nessa variedade de espanhol. .) yo ya me quebré el año pasado un pie / no fue acá pero / pero quedé E: ¿dónde fue? / ¿qué te pasó? I: y yo me Ø quebré en la Intendencia / (. nossa hipótese é de que haveria uma coexistência de gramáticas (CHOMSKY... Em (20a). +/-específico]. A partir disso. sendo que em (19) o sintagma é encabeçado por quantificador. apesar das ocorrências de objeto nulo. a que me quedé sin 4... contextos nos quais esperávamos encontrar apenas clíticos.. em que o sintagma nominal antecedente é encabeçado por determinante. observamos que a retomada do referente por clítico constitui a forma mais recorrente.) (20b) ea E: ¿y cómo afecta eso t u tar tarea ea? ¿afecta en algo? I: <tiempo = “6:00”/> a veces Ø afecta en la labor en el aspecto de que no tenemos totalmente una / una resolución (…) Os dados que apresentamos constituem algumas ocorrências de realização do objeto pronominal acusativo de 3ª pessoa por clítico e objeto nulo encontrados nas entrevistas analisadas..) (19b) I: (…) entonces eeh <vacilación/> Belén ahora por ejemplo estudia en <vacilación/> en unos lib ros no donde si la tarea es sintetizar la información / eeh <vacilación/> nos ahogamos porque libr no hay lo que es sintetizar porque están previstos para que el niño <énfasis> ya </énfasis> Ø tenga resumido (19c) I: nunca he llegado al <risas = “todos”/> / este<alargamiento/> / cuando llegué a los / unos cub ie r t os creo que Ø tenía Devoto / ya habían aparecido los táper / así cubie ier los cubiertos (…) (19d) E: ¿ahí en el Parque Rodó? I: sí / una plazoleta chiquitita / estee / 21 de Setiembre / se engancha con Bulevar ee l las / Ø violaron / eran las seis de la mañana España por ahí / a una d de el (20a) I: (…) digo / acá tenemos un solo canal de televisión que pasa información sobre <siglas = [sída]/> SIDA </siglas> / o / no lo mira nadie sobre / sobre drogas / que es e l canal cinc cinco E: <tiempo = “30:35”/> ah no I: <ininteligible/> ¿quién Ø mira? muy pocas personas miran canal cinco // (.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 41 Nos enunciados em (19) e (20) os objetos nulos têm como referente um sintagma nominal [+determinado. (19a) I: (. Por outro lado. o que contrariou nossa hipótese inicial. como também com referente [+determinado. ocorre variação entre o clítico e o objeto nulo.

FERNÁNDEZ-ORDÓÑEZ. Nossa ideia seria considerar a gramática que permite objetos nulos em contextos mais amplos como uma pista sobre a possibilidade dessa categoria vazia nas línguas naturais e a gramática dos objetos nulos restringidos como base para a análise da gramática não nativa. 163-176. p. _____. as ocorrências de clíticos revelam que a ampliação na possibilidade de objetos nulos não estaria relacionada à perda do clítico. A análise quantitativa revelará os contextos linguísticos que favorecem o clítico e o objeto nulo e a análise das diferentes faixas etárias poderá indicar se se trata de uma variação estável. Em: ROBERTS. p. (2005): Quantas caras tem a transferência? Os clíticos no processo de aquisição/aprendizagem do Espanhol/Língua Estrangeira. Tese de doutorado. p. Carlos (SP): Claraluz. Brasília: Ministerio de Educación. DI TULLIO. Cultura y Deporte/ ABH. Em: BOSQUE. p. 17. Em: RILCE: 14. Angela (1997): Manual de gramática del español. p. (1999): Sobre a aquisição de clíticos do espanhol por falantes nativos do português. (2001): La expresión de la persona en la producción CAMPOS. Em: Cadernos de Estudos Lingüísticos. S. São Paulo. p. & REIS. (1998): Pero ¿qué gramática es ésta? Los sujetos pronominales y los clíticos en la interlengua de brasileños adultos aprendices de Español/LE. Referências bibliográficas _____.): Gramática Descriptiva de la Lengua Española. Buenos Aires: Edicial.): Ensino-Aprendizagem de Línguas Estrangeiras: reflexão e prática. Em: BRUNO. André Luiz G. _____. Editora da Unicamp.2: Español como lengua extranjera: investigación y docencia. Campinas – SP. LIGHTFOOT. Neide Therezinha Maia (1994): Cadê o pronome? O gato comeu. laísmo y loísmo . FERNÁNDEZ SORIANO. 1. GONZÁLEZ. E. GALVES. (2003): Lugares de interpretação do fenômeno da aquisição de línguas estrangeiras. publicado em forma de CD Rom. Mary (orgs. Por alguma razão essa variedade do espanhol teria passado a permitir objetos nulos com referentes [+determinados]. Em: TROUCHE. Em: Linguistic Inquiry. 239256. Os pronomes pessoais na aquisição/ aprendizagem do espanhol por brasileiros adultos. de español lengua extranjera de estudiantes brasileños: perspectivas de análisis. 354-359. 2001).): Português brasileiro: uma viagem diacrônica. 1993. Trad. Raposo. p. _____. 36. Editora da Unicamp. DL/FFLCH/USP. Campinas (SP): UNICAMP. Violeta (orgs. n. 387-408. _____. ________ (2001): Ensaios sobre as gramáticas do português. Dordrecht: Foris. inédita. Olga (1999): El pronombre personal. Em: Estudos Lingüísticos XXXIII. Entretanto. n. 243-263. Madrid: Espasa. Formas y distribuciones. 1209-1273. Ignacio & DEMONTE. p. Inés (1999): Leísmo. GALVES. . (1999): O Programa Minimalista. Hector (1986): Indefinite object drop. Pamplona: Universidad de Navarra. sendo uma gramática a que permite o clítico e a outra a que possibilita o objeto nulo em contextos mais amplos. Lisboa: Caminho. Violeta (orgs. Charlotte (1993): O enfraquecimento da concordância no português brasileiro. Lívia de Freitas (orgs. Ian & KATO. 1999) nessa variedade da língua. v. Neste momento estamos investigando a natureza dessas categorias vazias. _____. Em: BOSQUE. Ignacio & DEMONTE. 1317-1391. Campinas: UNICAMP/IEL. Pronombres átonos y tónicos. Madrid: Espasa. Fátima Cabral (org. Noam (1981): Lectures on Governing and Binding. Campinas – SP.): Hispanismo 2000.42 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 1999. CHOMSKY. 53-70.): Gramática Descriptiva de la Lengua Española. ao contrário do que ocorreu no português brasileiro (cf.

São Paulo. change. Marta Pereira Scherre. Cardoso. Yves: Romance linguistics: Theory and acquisition. mas não identificam um referente. (1999): Los determinantes. Para o desenvolvimento dessa pesquisa contamos com uma bolsa do CNPq. 891-928. Malden. ________ (2003): Monosyllabic place-holders in early child language and the L1/L2 ‘Fundamental Difference Hypothesis’. Ana Teresa. p. esses seriam os numerais e os determinantes indefinidos. os demonstrativos e os possessivos. Carolina R. por carecerem de definitude.gub.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 43 GROPPI. Madrid: Arco Libros. ROBERGE. (2002): Spanish L1/L2 crossroads: can we get there from here? Em: PÉREZ-LEROUX. de Marcos Bagno. Paula & PIÑEROS. o que não implica que esse referente seja conhecido. Acquisition.: Cascadilla Press. 317350. 2 3 Exemplos extraídos e adaptados de Groppi (1997:93). apenas quantificam. Manuel (1990): El artículo y la referencia. Proceedings. Tese de Doutorado. Trad. Madrid: Síntesis. Madrid: Taurus. Barcelona: Universitat Pompeu Fabra. Conforme esse autor (LEONETTI. Carlos Eduardo: Theory. WEINREICH. Notas 1 Nossa pesquisa de doutorado está sendo desenvolvida sob a orientação da Profa. 2002. Amsterdam: John Benjamins.): Gramática Descriptiva de la Lengua Española. processo n° 146998/ 2010-3. Ignacio & DEMONTE. HERZOG. Quanto aos quantificadores. 258-283.mec. Papers from the 6th Hispanic Linguistics Symposium and the 5th Conference on the Acquisition of Spanish and Portuguese. Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Trad. _____. Mirta (1997): Pronomes pessoais no português do Brasil e no espanhol do Uruguai . As entrevistas analisadas da variedade de espanhol de Montevidéu estão disponíveis em http:// www. Views on the acquisition and use of a second language. Isso significa que identificam um referente. p. 4 Nos baseamos na classificação de Leonetti (1999) para distinguir determinantes e quantificadores.htm. Brenda (1999): Presencia y ausencia de determinante. Neide Therezinha Maia González pelo Programa de Pós-Graduação em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana da Faculdade de Filosofia. Em: KEMPCHINSKY. LEONETTI. Em: EUROSLA ’97. (1997): The now and then of L2 growing pains. _____. Dra. Assim. São Paulo: Parábola Editorial. 65-85. Juana Muñoz (1996): La adquisición de las lenguas segundas y la gramática universal. practice and acquisition. William. LABOV. _____. de Marcos Bagno. p. São Paulo: Parábola. David (1999): The development of language. Mass: Blackwell. esses elementos determinariam a referência de um sintagma nominal por terem como característica semântica a definitude. William (2008): Padrões Sociolinguísticos. LABOV. Mass. Somerville. p. and e volution . .uy/academiadeletras/MarcoPrincipal. que. Violeta (org. Uriel. LIGHTFOOT. Em: BOSQUE. Marwin (2006): Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança lingüística. 1999). LACA. seriam determinantes o artigo definido. FFLCH-USP. LICERAS. Madrid: Espasa.

conforme Leonetti (1999). 1990). De acordo com Leonetti (1999).44 5 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Consideramos especificidade com base em critérios lógicos (LEONETTI. 19 a 29 anos. que. careceriam de definitude. o sintagma nominal un yate em (3) seria considerado [+específico] por referir-se a um objeto determinado. sendo elas. 30 a 45 anos. Por outro lado. 46 a 59 anos e 60 a 89 anos. ainda que desconhecido pelo falante. Contudo. um sintagma [+definido] não significa que seja [+referencial] e um [-definido] não seria necessariamente [referencial]. 6 Os informantes das entrevistas foram divididos em quatro diferentes faixas etárias. embora não se possa identificar um referente. em (1) ‘una película’ será [+específico] se tiver o sentido de (2). (1) Óscar quiere ver una película. (4) Lucas quiere el coche más rápido del mercado. a ausência de determinante implica que o sintagma seja [-referencial]. um sintagma determinado como em (4) teria uma referencialidade enfraquecida. Assim. consideramos que um sintagma nominal encabeçado por esse quantificador pode ter um referente identificável e ser [+específico]. (2) Hay una película que Óscar quiere ver. . 7 Apesar de classificarmos un(os)/una(s) como quantificadores. (3) Ernesto quiere comprarse un yate. de modo que o SN será [+específico] apenas se fizer referência a um objeto determinado. se a especificidade for vista a partir de critérios psicológicos. Assim.

se distinguen dos tendencias bien delimitadas. La organización de grupos politizados de mujeres urgía en los setenta y principios de los ochenta y gracias a ellos la situación cívica de la mujer española se modificó de manera radical. con una presencia menos contundente en la península. a partir de la lectura de dos realidades epistémicas (el feminismo ilustrado y la literatura neomoderna) que en ellas convergen y que dan cuenta de la particular significancia del género en esta clase específica de comunicación. proponemos aquí un acercamiento a las particularidades del discurso público dirigido de dos autoras españolas. visto además con ojos despectivos tanto por la derecha franquista como por la izquierda que retornaba a la escena política. cultural y económica que protagonizara España desde la transición a la democracia en adelante debe una parte de su desarrollo a las intervenciones. del movimiento feminista de la década del setenta. Universidad Nacional de La Plata (UNLP) Teniendo en cuenta el escaso número de estudios que se detienen en particular en el análisis de la columna de “autora”. pasando de un estado de carestía de los derechos de ciudadanía a la adquisición de un cúmulo de reivindicaciones que lograron sacarla de la “minoría de edad legal” (Romero Pérez. 2006). La modernización social. privilegió el trabajo de los “grupos de autoconsciencia” . y que por por entonces era llamado “movimiento de liberación de la mujer” (León Hernández.escasamente reconocido por la historiografía acerca del periodo mencionado.CONICET) Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación (FaHCE). que reiteran la gran división del movimiento posterior a Simone de Beuvoir en Francia y en Estados Unidos: el feminismo de la diferencia y el feminismo de la igualdad. 2011.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 45 EL PENSAMIENTO NEOMODERNO EN LAS COLUMNAS DE ROSA MONTERO Y ROSA REGÁS Adriana Virginia Bonatto Centro Interdisciplinario de Investigaciones en Género (CINIG) / Instituto de Investigaciones en Humanidades y Ciencias Sociales (UNLP .340) y de la adquisición de una serie de derechos impensables unos años atrás. en contraste con la considerablemnte mayor atención que reciben los autores que escriben en prensa y el género del articulismo literario como fenómeno de hibridez (análisis en los que no se toman en cuenta las significaciones que el género sexual comporta en ellos). 2009).. El primero de ellos. p.1 En el ámbito del feminismo teórico. y para quienes la igualdad de derechos entre el hombre y la mujer no constituía una urgencia en la agenda de cambios por lograr (Martínez Ten et al. en la teoría y en la praxis. en los .

2011.20) y la invención de una metáfora aglutinante que preserve la visión ilusoria de unidad y de desarrollo progresivo es una empresa inconcebible. la literatura que se escribe a partir de la década del ochenta pauta el inicio de una nueva modalidad epistémica que se caracteriza por la aserción cognitiva y axiológica y que se aparta progresivamente de la configuración posmoderna. se contraponen al programa emancipatorio desarrollado por la otra gran corriente. En la situación posmoderna el mundo se percibe como “confuso y declinante” (1996. retoman sus disquisiciones en torno a la vindicación. con una proyección teórico política destacada en todo el ámbito español (Romero Pérez. se vuelve. al multiculturalismo de Amorós y al islamismo de Rosa Rodríguez Magda. aspectos en los que encuentran efectos perjudiciales para los grupos femeninos menos favorecidos (Romero Pérez. que en España ha venido impulsando los cambios más contundentes en relación con las políticas de igualdad e inclusión durante las últimas décadas.2 Desde un punto de partida teórico que considera que el único modo de superar la desigualdad dentro del patriarcado es buscando estrategias de homologación de las mujeres con el sexo-género que detenta el poder.346-347). al cual consideran partícipe de un proyecto inacabado. 2011. en la novela .46 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS que se abordaron temáticas como la sexualidad. y sin delimitaciones valorativas específicas. 2006. 1996. la negatividad axiológica y la heterogeneidad formal (Navajas. en la que se revela la impostura masculina de apropiarse fraudulentamente de lo universal. el feminismo de la igualdad. Las feministas de la igualdad hunden sus raíces en el pensamiento ilustrado. La corriente de la diferencia. la autoestima y la solidaridad (Romero Pérez. abriendo un espacio inédito de reflexión y de acción. caracterizado por Gonzalo Navajas como estética neomoderna (Navajas. en sus planteos generales. así como a la interpelación social y política en torno al cuidado del medioambiente y al uso racional de la tecnología. Desde este punto de vista. quien creó en la década del ochenta el Seminario Permanente “Feminismo e Ilustración” en la Universidad Complutense de Madrid.341). movimientos con fuerte sustento filosófico que apuntan a la integración cultural y a la igualdad de los grupos étnicos oprimidos. p. p. p. p. dentro y fuera de España.344). a la necesidad de las mujeres de participar en lo definido como lo “genéricamente humano” (Amorós.17-19). 2011. por no haber permitido la emancipación de las mujeres. que han producido obras fragmentarias y no conclusivas. es decir. caracterizada esta última por la indeterminación epistemológica. p. p.45). el feminismo de la igualdad cuenta en España con una trayectoria académica definitivamente asentada y reconocida.2). Herederas del pensamiento filosófico de Simone de Beauvoir. creadora del Feminismo de Estado3 y Celia Amorós. de autoinstituirse en representante de lo irreductiblemente humano (2006. 4 De acuerdo con Gonzalo Navajas. especialmente fuerte en narrativa. p. Las ramificaciones de este pensamiento se extienden al ecofeminismo de Alicia Puleo. p. de regreso parcial a los supuestos de una episteme moderna.43) y proponen que la única forma de lograr la emancipación es mediante una verdadera y transformadora crítica al androcentrismo. 2011. en cambio. se presenta como la expresión feminista del posestructuralismo teórico y del posmodernismo artístico: lectoras atentas y críticas del psicoanálisis lacaniano y seguidoras del pensamiento estetizante de Luce Irigaray. aunque limitado a grupos restringidos de mujeres cultas y lectoras de las nuevas tendencias provenientes del posestructuralismo francés y del psicoanálisis lacaniano (Sendón de León. y sus principales impulsoras son Amelia Valcárcel. La recuperación de premisas ilustradas en un contexto posmoderno es comparable al movimiento paralelo en el ámbito literario. 1996).

244). Estas características obligan a leer a estas autoras de modo diferencial dentro del vasto universo del articulismo literario. En los modos de llevar a cabo el ejercicio persuasivo. y Angulo Egea.61). en las estrategias que se despliegan y en el tipo de diálogo que se establece con el lector. por sobreabundancia y por yuxtaposición acelerada de la oferta cultural y mediática. 2004.69). 2007. 2008. Nos interesa demostrar cómo en un mundo en que los valores dominantes son los impuestos por el mercado y la competencia. situación que no deja de lado la visión que muchos autores aducen de sus textos como ejercicios literarios (Grohman. p. 2007. como los vencidos de la Guerra Civil. Angulo Egea y León Gross. ambas han reflejado en sus relatos y novelas aspectos relacionados con la realidad desigual de la mujer y con la problemática de los juegos de poder que subyacen a las relaciones entre los sexos.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 47 contemporánea a una suerte de “potenciación del yo” (Navajas. la literatura y la crítica hechos por mujeres y por artistas pertenecientes a minorías. el cine.68)– en un tipo de comunicación en la que la persuasión pareciera constituir el objetivo primero y último. p. sátira.83). 2008. que en la mayoría de los casos puede describirse como una prolongación de la escritura literaria: las obras de ficción resultan enriquecidas por las reflexiones diarias o semanales de un yo que afirma en la columna su punto de vista más personal y que en ella se toma todas las libertades retóricas (persuasión.65). dan lugar a lo que Huyssen describe como los fenómenos posmodernos de obsolescencia planificada (Huyssen. como recurso para atraer la atención del interlocutor y comprometerlo en el tema tratado (Fernández Pérez. p. y en que la saturación de la información. la mitigación en las afirmaciones y los juicios de valor mediante el uso de fórmulas indirectas .183) en la que se experimenta con la posibilidad efectiva de alcanzar modos de conocimiento que rehabilitan la significación del lenguaje y la investigación ética (1996. Sin haber estado inscriptas oficialmente en ningún movimiento feminista. p. absurdo. la escritura periodística de estas autoras configura una voz femenina y un yo de enunciación que se reviste de dos tipos de autoridad: la de escritora y la de mujer. Un yo que se constituye en una suerte de guía de multitudes con resonancias morales fuertes. p. los inmigrantes pobres y los niños. en la clase o en la raza y en su constante despegue de los procesos de canonización estandarizada (Huyssen. 2011. 2008. p. práctica definitivamente consolidada en España. p. Esta vertiente es además visible especialmente en el arte. El cruce que proponemos entre pensamiento feminista ilustrado y literatura neomoderna nos sirve porque da cuenta del trasfondo cultural y epistémico que sostiene los procesos de construcción de un yo de enunciación femenino con características diferenciales en las columnas literarias Rosa Regás y de Rosa Montero. 1996.151). y ambas también se han mostrado comprometidas con las realidades de las identidades social y culturalmente marginadas. 2009)5. Entre las características que se enumeran como propias del género femenino en el discurso público dirigido encontramos como predominantes la utilización del discurso cooperativo. de manera mucho más marcada que en la literatura de invención. algunos creen encontrar diferencias sustantivas en las columnas de las escritoras mujeres (Fernández Pérez. ironía. experimentación lingüística) y actitudinales (desde el compromiso abierto con causas sociales y políticas hasta el desenfado y la irrisión desconcertantes) con el fin de conectarse con el lector –aquél que fielmente acude a la columna como primer texto a ser leído del periódico (Castellani. En relación con el género columna de autor. p. en su tarea de exploración de la subjetividad basada en el sexo. se ha señalado que el subjetivismo más radical es una de las características que comparten quienes se dedican a esta actividad (Castellani. 2007.

35) que les permite lograr una identificación exitosa con el lector. además. pero las rutinas sanitarias impiden la distribución de los mismos a personas desesperadas que ya no tienen tiempo que perder. con un fuerte componente crítico. q ue sólo enf nfe meda dad de Pr imer Mund undo que af e c tan al 10% d e la p obl a ción d e l plane ta. que tiene una hija. En las columnas de Regás y Montero se observa con fuerza el trasfondo de un tipo de pensamiento que superador de las premisas de la configuración posmoderna. legitima un saber y un pensamiento específicos en los que la problemática de género. (…) dispo de de re cursos. directo y desencantado (Villar Hernández.66). fe de po ación de planeta. entonces. p. El lenguaje es sencillo y coloquial. p. Desde nuestro punto de vista. A veces sí que existen medicamentos nuevos. 2007. la no conclusividad y la ausencia de valoraciones específicas. pérdida de tono muscular. la pormenorización descriptiva antes que la jerarquización (Fernández Pérez. el 90% d e la fo de ig a ción sanitar ia m undial se c e nt r aba e n in v est inv estig iga sanitaria mundial ce ntr en las e nf e r me da d es d el P r ime r M und o. 2011.304). lo que implica convulsiones. p. en las columnas de Rosa Montero y de Rosa Regás se combinan ambos estilos y en este sentido pueden leerse como textos abocados a una construcción de imagen que cruza la expresividad femenina. como veremos en los ejemplos citados a continuación: S e g ú n dec í a el i n f or m e . la preferencia por el tono testimonial y confesional. En contra de la fragmentación. 2011. 2008. con la autoridad de la voz de escritora. no obstante. Anabel. La participación de Rosa Montero en la sección de columnas de El País se remonta a los inicios de este periódico en 1976. con la terrible enfermedad de Niemann-Pick en su versión precoz y más brutal. como etiqueta que. p. 2007. r e lat os histo de fro nte de vida.36). suele subrayarse la captatio benevolentiae y la mitigación de las mujeres opuestas a un “yo dictatorial” y “agresivo” (Castellani. re latos so brecogedores d e pa dr es c onmo vedores y ob de ad re co ov gue r r e r os q ue l uc han p or e l fu t ur od es us hi jos guer que luc uchan po el fut uro de sus hijos en e lb o r d e mismo d e la oscur ida d.67). y que guarda al mismo tiempo una indiscutible orientación axiológica. nt r as q ue e l 90% d e los e nf e r mos r estant es mie restant estantes mient ntr que el de enf nfe sólo disp o nían d e un 10% d e los r e cur sos.59) y la proyección de “un ethos empático y situado entre los ciudadanos de a pie” (Angulo Egea y León Gross. declive intelectual. como así tampoco ocurre con la opción a una voz dictatorial o de autoridad como exclusiva del perfil masculino: como intentaremos demostrar. 2007. p. su estilo fue progresivamente adaptándose al ritmo de las ideas de compromiso y de conciencia social hasta transformarse su voz en las últimas décadas en una perfecta mediadora encargada de elevar a rango público las voces silenciadas de los colectivos marginados (inmigrantes pobres.69) en las columnas firmadas por voces masculinas. Abocada a una escritura que en un principio privilegiaba el componente lúdico y el comentario inesperado. demencia y muerte. Es el caso de José María Hernández. e n los límit es el bo de oscurida idad. mujeres golpeadas. p. nunca está ausente. el uso del dialogismo o de la “retórica del consenso” como soporte para la cooperación en una estructura comunicativa igualitaria no es característica sólo de la columna femenina. en el vasto espacio de la palabra pública. ambas escritoras apuntan de manera programática a la preser vación de una instancia narrativa o enunciadora que recupera su posición de autoridad y de saber ante el lector a partir de la transfiguración subjetiva de las experiencias o de los hechos argumentados. En general. ubicada en un punto de mediación igualitaria con el otro . pueblos africanos. p. p. 2011. dificultades de aprendizaje. enfermos terminales. 2009.48 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS o de la ironía (Fernández Pérez. las apreciaciones afectivas con un uso considerable del diminutivo y de la hipérbole (Fernández Pérez. en límites . la búsqueda de la identificación.2 y Angulo Egea y León Gross. etcéctera). (…) S o n hist o r ias d e la fr o nt era d e la v ida. En las columnas es claramente visible la construcción de un proyecto individual asertivo que continúa y completa el desplegado en las obras de creación literaria y que formaría parte de la episteme neomoderna. irónico y reivindicativo (Angulo Egea.

«aguanta hija mía aguanta. El País 13/09/2011. D e he ch o . El País 30/10/2011. (…) Me pregunto. Cristina. por su parte. con el fin de llevar a cabo una suerte de misión pedagógica que instruye acerca de los deberes cívicos y humanos. De héroes y heroínas tenaces y discretos con los que convivimos sin apenas darnos cuenta de que están iosame nt e no a d v e r t imos q ue ahí. la prosa del articulismo de Regás se revela con un tipo de autoridad que no deja dudas acerca de la legitimidad del saber de quien enuncia: […]El mundo divide de un plumazo el comportamiento del ciudadano y el de sus gobiernos. Con una retórica que no echa mano ni de máscaras ni de ambigüedades identitarias (Benson. (…). (…) (“Una vida que merezca ser llamada vida”. la historia pura y dura: Liliana. filo de la oscuridad”. Esta es. ha c e mos t o d o lo p osib le p o r no hec o. Un país donde una mujer se quedaba sin hijos si osaba separarse de su marido. (“Guerreros en el posib osible de raz azo nable. La justicia no protegía nunca a la mujer y la religión le aconsejaba paciencia. 2006). […] p e r o cur curiosame iosament nte ad que ha y batal las m uc ho más g r andiosas y difíciles hay batallas muc ucho gr q ue se están lib r and o e n la pue r ta d e e nfr e nt e. En contraposición a una narrativa que en sus cuentos y novelas privilegia el universo de la intimidad y la exploración de las complejidades internas de los personajes (Benson. Y ese chillido se abrió paso y exigió su lugar. El Correo de Bilbao 28/10/ 2007. la única que puede forzar a que algún día lleguen a buen fin las decisiones que los gobiernos toman de vez en cuando para acabar con la pobreza en un plazo determinado (que hasta hoy nunca se ha cumplido). etcétera).Ef Efe ament nte: po de mund undo es fr uto d e las p olít icas ne olib e r ales d e est os fru de polít olíticas neolib olibe de estos países y los ci uda danos r esp o nsab les q ue q uie ren ciuda udadanos resp espo nsables que quie uier a cabar c on e l la sab en q ue no disp o ne n d e más co el sabe que dispo nen de ar ma q ue una p ro t esta q ue ha d e mo vers e rm que pr te que de ov ne c esar iame nt ee n la ar e na p olít ica nec esariame iament nte en are polít olítica ica.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 49 d e lo p osib le y d e lo r az o nab le. es decir. (…). de aquellas personas que. Madre y niño están en cuidados intensivos. (…) . Hoy voy a hablar de un puñado de guerreros. colombiana. Est o y hab land o d e la di v e r sida d te arnos. libr ando en puer de enfr nfre nte. el trato despótico y sobre todo el olvido a que la justicia sometía a quienes vivían en condiciones infinitamente más precarias. y luego con una columna dominical que aún continúa en El Correo de Bilbao. el subrayado es nuestro) Rosa Regás. Pues yo hoy tenía preparado un artículo muy elaborado y algo sarcástico sobre el disparate de los recortes a los profesores. vive en Madrid. inició tardíamente su actividad columnista primero en El País. (“Pobreza cero”. el subrayado es nuestro). y Liliana tuvo que volver a ser operada el sábado. si la ciega burocracia que defiende como perro cancerbero nuestros privilegios podría dejar de ser tan ciega. Esto ocurría en las clases sociales llamadas ‘elevadas’ porque la falta de libertad. están de alguna manera limitadas en su funcionamiento. me contó una de esas historias modestas y urgentes que son como un chillido. se asemejaba mucho más a una situación de esclavitud. pero resulta que ayer una lectora. Regás utiliza la columna como medio Nací en un país y en una época en que para abrir una cuenta corriente donde ingresar el primer sueldo de mi primer trabajo. el subrayado es nuestro). en fin. el subrayado es nuestro). Esto habland lando de div sidad funcio nal. y ha entrado en este espacio por derecho propio y sin florituras estilísticas. ya fuera porque su amor se había acabado o incluso porque recibía constantes malos tratos. 2006). El País 13/11/2011. parálisis musculares o cerebrales. La madre de Liliana vive en Medellín y aún no ha podido ni siquiera escuchar la voz de su hija. y que señala injusticias y olvidos históricos. tenía que ir armada de la venia marital. que viven pendientes de otros asuntos. por funcional. La hospitalizaron el miércoles por una cesárea de urgencia a causa de una complicación llamada preclampsia. en 1994. (…). lo importante es mantener la familia unida». hac to posib osible po en t e r ar nos. (“Clamores”. como si la pobreza no tuviera nada que ver con sus Ef e c t i v ame nt e: la p o b r eza d el m und o decisiones. de tal modo que se tiene la impresión de que la lucha contra la pobreza. para hacer denuncia política y social. es casi nada en comparación con las políticas que llevan a cabo los gobiernos de los países ricos. razones distintas (discapacidad intelectual. desde la ciudadanía. pues.

ANGULO EGEA. la defensa de los derechos del animal y el cuidado del ecosistema) puede cumplir con el proyecto ilustrado de emancipación humana. El de quie uien emit mite Correo de Bilbao 06/03/2011. p. En conclusión. (“Ideas”. I d eas so b r e la dictat tato de su pr histo Id sob c o nse r v a ción d e la T ie rra q ue he mos r e cib id o. (…). (…) (“Día de la mujer”. c o mo dig na d soe el tr dicional. 13/09/2011) de aquel que no puede hacerse escuchar porque no parece poder acceder a marcos institucionales que hagan su voz inteligible y traducible a demandas legislativas de primer orden. el fomento de la dignidad y autoridad de los maestros. las columnas de opinión de estas autoras pueden leerse como un modo particular de mediar en el complejo mundo de la voz pública a partir de la convicción de que aquello de lo que se argumenta responde a urgencias sociales. además de lucirse en los estrenos y las exposiciones y conseguir que los medios hablen durante dos días de tan grandes bre j ust icia. te niend ndo en memo mor en la e xp e r ie ncia las v e c es q ue lo fuimos nosot r os exp xpe iencia ve que nosotr en e l sig lo X X y no sólo por razones políticas. en consonancia con la línea neomoderna. s o b r e n u e s t r o p a p e l e n ex te or en c o nflic t os b r u tales c o mo e l Sáhar a o P alest ina. (…). Id eas so sob p o l í ti c a e xt erio r.110). también e crít icas so e c es por e lt r a dicio nal.y lo único que oímos son promesas de cuantiosos regalos. Madrid: Ediciones Cátedra. y tamb ién juzg uzga po el homb mbr cav nícola. nser de Tie ier que hemos re cibid ido d e los ríos y d e los mar es de mares es. En: Actas del I Congreso Internacional Latina de Comunicación Social. o aquello que Montero denomina “chillido” (“Clamores”. el subrayado es nuestro). co digna de críticas le v an p or d e lant e q ue o f e nd en s u dig nida d y se l de lante of nde su dignida nidad lle lev po la d e q uie n las e mit e . alabanzas de la propia gestión y hundimiento de la del contrario. por pon e r sólo d os ej e mplos. Está por comenzar la batalla electoral -de hecho este periodo preelectoral que vivimos ya es pura campaña. Estas columnas se articulan. r e f e r ida p or e je mplo éxitos. (2006): La gran diferencia y sus pequeñas consecuencias… para las luchas de las mujeres . 2000. los medios profesionales y materiales para incrementar la eficacia de los bre programas y el interés de los alumnos. Id eas so sob just usticia. re po eje jemplo a los inmig r ant es. Celia. nflict br co el Sáhara Palest alestina. supone la utilización de la cualidad tradicionalmente femenina de ‘mediadora’ pero desde un lugar lo suficientemente alejado del margen como para imponer ideas y generar la toma de conciencia. Quisiéramos un debate de ideas sobre qué entienden por cultura. no sobre lo que nos dan o nos van a dar.50 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS n un país […]. o id eas q ue er do em de qu j ust ifiq ue np or q ué d e f e nd e mos países carg a d os ustifiq ifique uen po qué de nde carga d e ult r ajes a los D e r e c hos H umanos y nos ultr De Humanos ale j amos d e ot r os q ue int e ntan camb iar e l cur so alej de otr que inte cambiar el curso dic tat o r ial d e s u p r o pia hist o r ia. sino el siglo XX por miseria pura y dura y anhelo de labrarnos una vida más digna. asistimos una c o nstant e discr imina ción d e la m uje r q ue co nstante discrimina iminación de muje ujer que es j uzg a da p or e l ho mb r e ca v e r níc ola. La capacidad de introducir y de vindicar la voz del otro. con proyectos de leyes que impidan descalabrar más aún el paisaje de nuestras costas. con la vertiente del feminismo de la igualdad como referente teórico que entiende que sólo mediante el reconocimiento de una razón crítica la lucha por la igualdad de las mujeres (ampliada a la reivindicación de las minorías. en cambio. María (2009): Las mujeres en el periodismo literario: tres casos paradigmáticos. t e nie nd oe n la me mo r ia y e n inmigr antes. asist imos a dest este ya dicta tad ura. revelando así una apropiación asertiva de la capacidad argumentativa racional del yo. políticas y éticas que deben ser puntualizadas por la voz autorizada de la escritora que se ubica en relación de .Pero ¿no echamos de menos un debate. Universidad de la Laguna / SLCS. El País. y contraponiéndose a la vertiente del pensamiento y la literatura feminista en los que se pone el acento en las diferencias y en lo particular produciendo retóricamente el efecto de una diseminación y pulverización del sujeto constituyente (Femenías. Ideas sobre lo que ha de ser la educación. igualdad con el otro que padece pero de autoridad con el lector que lee el periódico. El Correo de Bilbao 17/02/2008). Po r q ue inc incl que vi en l uso los q ue v i v imos e q ue ha d est er r ado y a la dic ta d ur a. Referencias bibliográficas AMORÓS. sino sobre las ideas? (…).

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Notas 1 Nos referimos. p. Jordi Gracia anota acertadamente que las variables terminológicas apuntan a un mismo fin: “identificar una defensa de valores que no han caído abatidos por la aguda conciencia relativista del desconstruccionsimo ni. y candidaturas a cargos políticos que modificaron el escenario de posibilidades durante la democracia. 299-327. y de los planteamientos en torno a la creación de un espacio simbólico alternativo al patriarcado por medio del arte y de los medios de comunicación.): Artículo femenino singular. Elvira Lindo. las representantes de esta corriente han interpelado el espacio político mediante propuestas concretas y guiadas de cambio. Clara Sánchez. por parte de Victoria Sendón de León (Cf. Rosa Montero. como fue el caso de la candidatura de Lidia Falcón al Parlamento europeo en 1999. p. Cádiz: Ediciones APM. Teodoro (dirs. 2000c. Carmen Rigalt. Romero Pérez. Diez mujeres esenciales en la historia del articulismo español . de la Democracia Paritaria. Carmen Martín Gaite. además. . por ejemplo. 220).52 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS ANGULO EGEA. p. Maruja Torres. la dispersión tentadora y cumulativa del posmodernismo” (Gracia. 5 Las escritoras analizadas por los estudios citados son Magda Donato. al derecho al divorcio en 1981. Si bien hay quienes incluyen este movimiento de la literatura hacia la narratividad y hacia la recuperación de un yo coherente y unitario en las filas de un posmodernismo estético menos experimental. entre otras. Josefina Carabias. 2 Desde una perspectiva basada en la reivindicación de lo específicamente femenino y en la revalorización de las relaciones matrilineales. Gabriela Wiener. el del uso de anticonceptivos en 1983 y la legalización. con restricciones. María y LEÓN GROSS. todos promulgados gracias a la Constitución de 1978. del aborto inducido en 1985. 2011. Carmen de Burgos. que asegura cupos para mujeres en los cargos políticos. 2011 y Sendón de León. Carmen Rico Godoy. Concha Espina.18) 3 4 Impulsora. en general.

Artistas anteriores. tal como lo indica Malagón (2010). así como también sus tácticas y estrategias. Uno de esos discursos es el artístico. la obra de Salcedo se Doris Salcedo ha producido. sentidos que toman forma en una multiplicidad de discursos a partir de los cuales es posible determinar las relaciones de poder en un contexto social. para articular una conciencia ética. esta última entendida desde la perspectiva teórica de Ramírez (2008) como el proceso de actualización del lenguaje artístico en la puesta en escena de la obra misma. La no representación física hace que la focalización se aleje de cierto sensacionalismo que se produce cuando el primer plano presenta la atrocidad y el desgarro físico. En palabras de Merewether: violencia en cinco obras de Salcedo a partir de dos ejes: las condiciones de producción de la obra y su situación de enunciación. particularmente en el caso que aquí nos ocupa. espacialización y focalización. (MEREWETHER. el proyecto estético de Salcedo se basa en el convencimiento de que. mientras que en el caso de Salcedo se hace como realidad ausente. sf.1) articula a través de la idea de evocación la cual permite una manera diferente de tratamiento del cuerpo humano. su modalización. La evocación del cuerpo ausente En su decir artístico. párr. En respuesta a la experiencia de vivir en un país sujeto a la violencia indiscriminada y al terrorismo. la obra de la escultora colombiana Doris Salcedo. el propósito de este trabajo es analizar el proceso enunciativo de la . es decir. el arte debe dirigirse a la representación como tema político. puesto que en su decir estético se tematiza constantemente la violencia y se hace una aproximación a esta desde el arte político. presentaban el cuerpo como escenario de agresión. De acuerdo con lo anterior. a través de sus esculturas y montajes.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 53 FORMAS DE ENUNCIAR LA VIOLENCIA EN LA OBRA DE DORIS SAL CEDO1 SALCEDO Alexander Castillo Morales Instituto Caro y Cuervo Adriana Yamile Suárez Reina Universidad Libre El fenómeno de la violencia hace parte de la cognición social por lo cual este se considera como un producto de interacciones personales que hacen posible toda una red de sentidos vinculados en la semiosis social. una serie de meditaciones acerca del tema de la violencia. la sociedad y la cultura que se entretejen a través de una manifestación estética. esto con el ánimo de develar los vestigios de las voces del individuo.

se conjugaban partes de camas de hospital desechadas con un andamio metálico para construcción. fría y de paso. tal como se ha dicho anteriormente. el material es metálico. El espectador queda enfrentado a una construcción que ha de generarle extrañamiento y preguntas. el tiempo de los hechos violentos es evocado como cotidianidad doméstica cuyo ritual ha sido fracturado y puesto en suspenso. Quizá alrededor de lo que implica la cama de hospital se circunscriban muchos sentimientos y deseos de curación. Así que más que la evocación de un cuerpo se evoca una actitud. atravesadas por varillas de . el dolor y el sufrimiento como centro de los procesos de construcción nacional. los trozos desechados (enfermos) de las camas de hospital se complementaban con las secciones de andamio. la conexión con los sucesos violentos o con la realidad nacional depende del lugar en donde se presente la obra. indiferencia u olvido. Algo así como una arqueología de la desmemoria e indiferencia sobre nuestra enferma y perversa realidad. De esa manera. y que por efecto de la repetición y el desgaste termina volviéndose corriente y cotidiano. cuya referencia es la enfermedad. No crea la idea de una presencia humana próxima. Así. pues se evoca en su sentido de tránsito. No se alude al espectador desde la presentación de una imagen que a primera vista le resulte “cotidiana”: gesto de dolor. La imagen presentada por Salcedo configura y clama por un lector inquisitivo que por lo menos deje la pasividad acostumbrada. desde la perspectiva de las víctimas. pero también debe pensarse en la idea de muerte. De ese modo. Se acude al espectador como un individuo que debe construir alguna interpretación frente a la presencia de la obra que se deja hablar. imaginario y opinión sobre algún hecho o evento. cadáver. propio para la construcción. la violencia no se aborda desde la figuración. sino desde la evocación y comporta la capacidad para sugerir múltiples lecturas.54 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Aquí se alude a la idea de sufrimiento. La nueva estructura entremezcla de manera paradójica las nociones de enfermedad y construcción como referencia y como sentido profundo. pasividad que ha permitido que en Colombia la violencia y sus diferentes formas se naturalicen y se acepten como parte del destino. más bien lo que hace es crear un objeto cuya constitución evoca un espíritu minimalista centrado en una idea que sustenta su significado en la evocación metonímica que tiene cada elemento. La espacialización como presentación del dolor. Las personas que interactúan con el ser cama o el ser andamio lo hacen desde una perspectiva funcional. según el ámbito del que proviene. El escenario hospitalario funge como un lugar en el cual de acuerdo con la atención prestada se dará el paso a la recuperación o al deceso. Los andamios no generan más afecto que el necesario para ensamblarlos y ponerlos para trabajar. Para Malagón. Allí el cuerpo humano no aparece de forma directa. De ese modo. En Sin título . No es el modo invasivo del medio de comunicación que presenta e induce una idea. Para el caso de la obra Sin título 1987. En ambas estructuras originales. herida o arma. la evocación desde lo hospitalario o de salud hace pensar en la idea de curación. pero por otra parte puede ser más en el sentido de enfermedad. Así mismo. la desfuncionalización y la resemantización van más allá de la esfera formal y se convierten en idea sensible. clama por espectadores que no sean meros turistas culturales y que se involucren con los sentimientos y el sufrimiento de quienes viven en carne propia el conflicto. 1988-1989 (Camisas almidonadas) se presentan pilas de camisas muy bien dobladas y enyesadas. es frialdad y en sí mismo genera distancia. Por eso se ha dicho que puede ser un objeto que evoca las nociones de construcción y enfermedad de manera simultánea.

Al respecto Salcedo afirma que: “Cada vez que vemos un acto violento quedan los zapatos. Este uso de las camisas se ve paralizado por el hecho de que están enyesadas y atravesadas por las varillas de acero. los objetos seleccionados son mínimos y sus posibilidades expresivas y sobre todo comunicativas son máximas. el hogar cambia por un hecho violento que lo ha vulnerado. que en un país de corte machista como Colombia. pero en este caso el único resto humano es un objeto: los zapatos de mujer. y hoy por hoy. Salcedo centra su mirada en las fronteras o límites que se le imponen a la alteridad. La violencia amarillista que muchas veces es convocada con fotografías de primer plano y sangre es sustituida por formas sutiles. una herida que está presente. Las camisas y los catres como presencia hablan de lo pendiente. economía. En ese sentido la obra propone una posición crítica y estética frente a las formas de comunicar la violencia. Además. Allí se inserta la cotidianidad doméstica de una familia y en particular del rol femenino. El yeso quita la función de las camisas. párr. El nicho se constituye entonces en una representación del osario en tanto lugar en el cual se guardan los restos humanos a manera de entierro. grotescos y fuertes” (citada por GÓMEZ. un tiempo pasado y familiar en donde el quehacer doméstico ha sido roto. Algo muy fuerte les ha hecho perder la posibilidad de ser usadas. la violencia con que son atravesadas parece invocar una respuesta.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 55 acero. es decir. sobre todo desde los medios masivos. Por su parte. Por otro lado. también el tiempo es invocado. incluso espiritual queda abierta y requiere ser sanada. Se crea un mundo posible en el cual se evocan cuerpos ausentes que no pueden usar la ropa y que se refuerzan en las mallas o “catres” los cuales sirven de personificación para representar el dolor y sufrimiento de los que no están.. Cabe anotar que el nicho a su vez se cubre con una piel de animal estirada y cocida. Perduran son reconocibles. se es en tanto que diferente a otro. sf. De ese modo. es decir. lo cual no implica olvidada. la seguridad. son fuente de información sobre sus dueños. por lo tanto. Entonces. en donde la afirmación de la identidad se configura como una línea divisoria que se va modificando con los años: racismo. son terriblemente personales. Este objeto al ser presentado blanco. En Shibboleth (2007-2008). en Atrabiliarios (1993). de la herida que no sana. la focalización de la obra se centra en una construcción metafórica en el cuerpo que no vuelve a la vida doméstica. esto en razón a que uno de los principales elementos definitorios de un grupo busca responder a los interrogantes: ¿Qué lo hace diferente de otro? ¿Cuál es el espacio social que ocupa? Es decir que lo trasversal allí es la noción de división. del duelo fallido. Salcedo elige cuidadosamente los nichos en los muros dentro de los cuales se aprecian zapatos de mujer usados. Atrabiliarios remite a la desaparición violenta y a la ausencia de personas. en vez de sellar un ciclo. donde la literalidad espectacular se coloca en primer plano. eso significa que la idea de espacio es fundamental. 5). De acuerdo con esto. . del dolor que no es superado y. el espectador tiene la posibilidad de transitar por entre la ausencia y la espera de las víctimas de la violencia. coloca a la mujer como quien ha hecho dicho oficio para que el esposo se coloque la ropa y vaya a trabajar. no está sellado con una lápida por lo cual deja ver el objeto en su interior. habla de víctimas cuyo cuerpo aún no se encuentra. El material de algodón de color blanco de las camisas se presenta limpio y acentúa la referencia a la camisa misma. Es importante indicar que esta obra se desarrolla como instalación. este entierro. hace volver la mirada sobre el sentido de éstas y crea un interrogante ¿por qué? Luego. planchado y en pilas evoca el estado de potencialidad de uso: la “ropa” está lista para que alguien la use. Así. Esa herida emocional. La pérdida de un ser querido implica una herida y un duelo para sus familiares.

el registro fotográfico es impactante por cuanto cada objeto escultórico tiene bastante fuerza y la idea de muerte genera un choque. Puede afirmarse que sin que haya la menor información sobre la anécdota que motivó el desarrollo de la obra. propicia la vida en el nacimiento de nuevos brotes de pasto. La obra es una grieta de 167 metros en el suelo del Tate Modern -situado en el centro de Londres y el cual alberga a los representantes más importantes del arte moderno-.2010). duelo y dolor. Justamente. Por eso. la noción de tiempo hace que la obra cobre fuerza en un “aquí y ahora”. La grieta de Shibboleth traza una línea que aunque perteneciente a la estructura social pocas veces se visibiliza. La enorme cicatriz de Shibboleth marca el discurso de la exclusión como elemento violento. tierra y hierba simplemente. se propone que los espectadores sean “envueltos por su presencia”. esa es una de las características de las instalaciones. de tal modo. La obra juega entonces con la ambivalencia vida/ muerte en razón a que en apariencia se visibiliza un ciclo natural por los materiales que Salcedo elige. No obstante.se genera gracias a sus características estructurales. Este índice conlleva la rememoración de la violencia como artificio que altera el rito de despedida de la vida. pero de trasfondo se encuentra la irrupción de la muerte pues no se puede acceder a la identificación del ser que allí yace. es decir. visibiliza la muerte y pone de manifiesto que la naturaleza -la tierra. el marco que se instaura hace que el espectador establezca una conexión emocional debido a su carga simbólica. La distribución de las mesas en el espacio hace que la espacialización sea un factor modal muy importante en el desarrollo de la obra. la desigualdad. al presentarse en dicha galería se evidencia la incursión de discursos de fractura. y esa sensación es a la que se expone el espectador para entrar en los zapatos de quienes han sufrido este tipo de situación. No se trata de la construcción de un ensamble de mesas.que se disponen una sobre otra de manera invertida y se encuentran unidas por una capa de tierra sobre la cual en algunos casos se perciben formas humanas y se deja ver el crecimiento de pasto.56 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS El sentido de la división en Shibboleth enunciado anteriormente. La experiencia como recorrido es muy importante en esta obra. Finalmente. el escenario implica lo lúgubre y doloroso. la rompe. adicionalmente. la penetra. Asimismo. La violencia entonces es focalizada en términos de sus aristas dentro de las cuales se encuentran las condiciones de pobreza. es gradual. La grieta trasgrede entonces la institución y subvierte los parámetros de un arte canonizado.se convierte en muerte al combinarse con los cuerpos en tanto que la tierra termina consumiéndolos y. sino que al presentarse como un gran conjunto donde la idea de instalación es el marco. protegido de otros a quienes no le pertenece. parcelado y mercantilizado. la obra atraviesa la galería. Es el momento en que se está junto al ser querido en el acto ritual de la despedida. algo que inició hace mucho tiempo pero no se detiene. Acciones que tienen una fuerte carga psicológica en los individuos que se enfrentan a esta experiencia. una obra que se compone por 120 parejas de mesas de color gris con unas dimensiones de aproximadamente 50 centímetros de ancho por dos metros de largo -las mismas dimensiones de un ataúd convencional. El tiempo que se invoca y la focalización misma conducen a la sensación de pérdida. en Plegaria muda (2008 . En tanto grieta posee un potencial simbólico que indica no solamente un daño temporal sino su historia y continuidad. casi como artefacto de fuerte connotación ritual. . factores políticos e institucionales como la segregación espacial y simbólica.

en el 43 por ciento de los casos son paramilitares de derecha. Más bien. el conflicto armado habría producido unos 11. 2012. la incidencia de esta violencia política. p.984 son directamente imputables al conflicto armado. paramilitares y en mucho menor grado por la fuerza pública. pobres en su mayoría. 2012. la guerra abierta con el narcotráfico.000 muertos representan un 10 por ciento de todos los homicidios cometidos en estos dos decenios. Consideraciones finales En términos generales se encuentra que los elementos enunciativos de la obra de Salcedo permiten hablar de la violencia como hecho no . 478) A este periodo los autores lo denominan “Interregno”. Aquí no se menciona el narcotráfico. el Estado y la política quedaron en vilo ante poderosas fuerzas centrífugas como la globalización. 2012. Al respecto Palacios y Safford dicen: “Los desarrollos legales de la Constitución quedaron en manos de la clase política preconstituyente.483). En suma. El 65 por ciento en forma familiar o individual y el 35 por ciento restante como éxodo colectivo. masacres. Puede ponerse en perspectiva la realidad del conflicto con algunas cifras con las cuales se puede ilustrar la creciente violencia: Entre 1975 y 1995. A parte de la desestabilización estatal por cuenta de los factores mencionados. (PALACIOS Y SAFFORD. El 66 por ciento de los refugiados son campesinos. (PALACIOS Y SAFFORD. de los cuales 12. al tiempo. El problema de fondo sigue siendo el mismo desde la fundación de la república: la distancia entre los sueños del constitucionalismo y las prácticas sociales” (PALACIOS Y SAFFORD. desaparición de personas) perpetrados por guerrillas. por el contrario los aspectos sociales se hacen más dramáticos: Desde 1995. p. pues la indiferencia y pérdida de memoria sobre la que tematiza salcedo no es sólo el conflicto armado. que se desarrollan los procesos de liberalización de mercado y la Constitución de 1991. los entramados de narcotraficantes y políticos clientelistas. ejecuciones extrajudiciales. Todas estas son formas de violencia y de inequidad sobre las cuales el interés no es profundizar pero que se deben mencionar. Tampoco se habla de una pérdida de confianza en la justicia y la creciente corrupción. estos 34.000 en episodios de asesinatos y ejecuciones extrajudiciales. Sin embargo. se instauran procesos de negociación con las guerrillas.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 57 La voz de la violencia Las obras de Salcedo se inscriben en momentos históricos de la realidad nacional cuando “en Colombia. p.000 muertos en combate y otros 23. el conflicto armado ha forzado el desplazamiento de un millón y medio de colombianos de sus hogares y vecindarios. 57 por ciento mujeres y 70 por ciento menores de 18 años. 514) Es así como la violencia ha tomado un papel cada vez más estelar. aumentó considerablemente después de 1997. En el trienio de 1998 – 2000 se registraron en el país 73.” (PALACIOS Y SAFFORD. a las que se atribuye el 35 por ciento. poco a poco se da una escalada militarista y el desarrollo social nunca se convierte en una realidad. el cual data de 1986 hasta el presente. 2012. El conflicto está cada vez menos ideologizado y la presencia de intereses económicos es cada vez más prominente. más aún cuando se ha aumentado la estigmatización frente al disenso y se le formulan señalamientos. seguidos por guerrillas.978 homicidios totales (excluyendo para el año 2000 las muertes por accidentes de tráfico). el exterminio de los miembros de la Unión Patriótica. aunque los diferentes actores armados del conflicto tienen de una u otra forma conexiones con el mismo. En cuanto a los causantes de esta tragedia. entendida como las muertes en combate y los homicidios políticos de población civil inerme (asesinatos. 514) Resulta imposible evitar el tema pues es parte de la realidad colombiana que continúa ahondándose sin una solución. p. el 6 por ciento a la fuerza pública y el 16 por ciento a otros agentes. sino que se da en términos generales. los poderes locales de los guerrilleros y de los paramilitares.

Referencias bibliográficas GÓMEZ JARAMILLO. porque las obras interpelan al espectador y esperan una actitud más dinámica. Bogotá: Universidad de los Andes.edu. Estos deben acercarse al “escenario” que la artista construye y dejarse ir. Departamento de arte.58 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS espectacular. más que un impacto estético. Nota 1 Este texto es una síntesis de las disquisiciones presentadas en el XXVII Congreso Nacional y I Internacional de Lingüística. cuando la mayoría se adentra con mayor facilidad a formas claramente narrativas y directas. de allí que la voz de la violencia sea bastante nítida en su producción.htm PALACIOS. Literatura y Semiótica de la Universidad Pedagógica y Tecnológica de Colombia.) “ Dor is Salcedo ”. el trabajo de Doris Salcedo es importante pues busca mantener fresca la memoria mediante la generación de objetos artísticos que involucren a los espectadores. Por lo tanto. No obstante. de: http://www. sociedad dividida. termina presentando a los demás (críticos y espectadores extranjeros) realidades que en buena medida le resultan exóticas y en dónde la fuerza de crítica política no tiene. María Margarita (2010) Arte como presencia indéxica. En esa línea. Charles (sf. Sobre esta última afirmación bien valdría la pena profundizar en un futuro. cotidiano y científico. Facultad de Administración.org/blaavirtual/todaslasartes/ anam/anam27a. Pero también. Su obra entra en constante diálogo con los discursos de la violencia en Colombia. su éxito se registra por fuera de los contextos iniciales y aunque la obra continúa comunicando. Oscar Muñoz y Doris Salcedo en la década de los noventa. La banalización y la indiferencia son dos frentes de anestesia y de algún modo de protección y acomodamiento. donde el ritual y lo simbólico son fundamentales. Bogotá: Cooperativa editorial Magisterio. de: http://www. pareciera que este tipo de obras tuviese más impacto en los escenarios especializados que en el público en general (colombiano). Comunicarse con atención y cuidado con los elementos meticulosamente seleccionados. pues se connota el cuerpo vulnerado y se evoca el dolor que no acaba de quienes pierden a sus seres queridos. De algún modo. Ediciones Uniandes. Recuperado el día 19 de julio de 2012. País fragmentado. . Recuperado el 22 de julio de 2012. La obra de tres artistas colombianos en tiempos de violencia: Beatriz González.edu. En: unalmed. En: banrepcultural. RAMÍREZ. Patricia (sf. quizá. no todas las veces resulta atractivo para el público en general. porque el acceso a la cultura artística no es una constante en Colombia y por otra. Luís Alfonso (2008) Comunicación y discurso La perspectiva polifónica en los discursos literario. Frank (2012) Historia de Colombia.co. el tipo de lenguaje que en el ámbito artístico tiene gran aceptación y dentro del cual resulta altamente novedoso. MEREWETHER.unalmed. En tal caso.org.) “Testimonio y Violencia”. Bogotá: Universidad de los Andes. Tunja 2012.banrepcultural.co/mediateca/ artenaturaleza/espanol/arte_tierra/ artetierra_col_tv. Facultad de Artes y humanidades.htm#1 MALAGÓN-KURKA. porque para la mayoría se vuelve demasiado cifrado debido a que la artista siguiendo el norte minimalista y la expresividad de los materiales espera que el lector haga ese tipo de lectura. Ediciones Uniandes. La artista produce obras con el fin de conmover a los espectadores a través de la experiencia que implica el recorrido de sus obras (todas se centran en apropiación espacial). Marco & SAFFORD.

y la última es el relato de la historia de amor propiamente dicha. Ahondemos un poco en este concepto. Del amor y otros demonios. con mi ninguna destreza. El Decamerón. azar que lo lleva a encontrarse con ese viejo barco mercantil en varias ocasiones y no sólo en una escala. no se pierda aquí el encanto.Lector Narratario . El marco de composición narrativa es un recurso de la narración ya clásico.Universidade de São Paulo En La última escala del tramp steamer hay un juego con el azar como presencia recurrente en la vida del narrador-autor.Lector Narratario . Álvaro Mutis finge la realidad de lo narrado a través de esta apertura que en sí misma tiene otra apertura dirigida al lector. hasta verlo por última vez por el delta del Orinoco. ¿Cuál es el juego que propone Mutis al disponer de esa manera la trama? ¿por qué se hace personaje de sus ficciones? ¿cómo lo hace? Hay en esta obra un juego de composición que oscila entre tres relatos. sino en varias paradas por los distintos continentes. Uno es el relato del narrador autor como testigo de los viajes del tramp steamer . la dolorosa y peregrina fascinación de estos amores”. otro es el relato de cómo el narrador-autor conoce la historia en su encuentro con Jon Iturri en el Orinoco. Los sufrimientos del joven Werther.Autor El primer relato funciona como marco de composición de los otros. “Como lo que voy a narrar es algo que supe por boca del . “Ojala. Historia 1 Historia 2 Historia 3 Narrador Autor Narrador Autor Narrador . contada por Iturri al narrador-autor.Jon Iturri Encuentros con el tramp steamer Encuentro con Jon Iturri Historia de amor entre Jon Iturri y Warda Bashur Narratario .ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 59 RELACIÓN AUTOR-PERSONAJE EN LA ÚLTIMA ESCALA DEL TRAMP STEAMER DE ÁLVARO MUTIS Aleyda Gutiérrez Mavesoy PG . desde Las mil y una noches. con claves que desde las primeras líneas “Hay muchas maneras de contar esta historia (…)”. o El corazón de las tinieblas .

del universo narrativo. Podemos. No podía dar crédito a mis ojos. p. con ello. prevenciones. o aperitivos que despiertan el apetito por la historia principal. también. (Peña. A nosotros. con lentitud de saurio malherido. es así como recurre a un testimonio que simula ser verídico para enganchar definitivamente al lector en esta historia de amor que “algo tienen de las nunca agotadas leyendas que nos han hechizado durante tantos siglos. su vinculación laboral a una multinacional petrolera “Tuve que viajar a Helsinki para asistir a una reunión de expertos en publicaciones internas de las compañías petroleras. siempre desde la voz del narrador-autor-personaje como deíctico que nos señala dónde hay salto y a cuál historia damos el salto. en este caso. atajos y meandros que ni domino ni. hacerlo de la manera más sencilla y directa para no arriesgarme por caminos.60 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS protagonista” (Mutis. . o bien intercalando en el discurso las dos historias en una especie de espiral. Considero que. la historia del tramp steamer “Entró de repente en el campo de mi vista. engañado. p. ficticia. a otra. Todo este juego genera una forma de la verosimilitud y. bien como su nombre lo dice -y siguiendo la metáfora de la pintura.” (313). Esos “marcos” operan como aperturas narrativas de carácter especial. logra hacer figurar como “verdadero” lo que en adelante escribe. creador. ahora que la escribo para él –ya que contársela no me ha sido posible–. bien como el juego de las cajas chinas o de las muñecas rusas.” (316). ya que parte de un hecho biográfico. Iba. sin que el lector tenga tiempo de distinguir entre la primera y la segunda. para ello. sería aconsejable intentar. 2010. que la historia ocurrió y él la supo de boca del protagonista. 3131). crea la imagen del autor como elemento fundamental de la ficción que la obra construye. como en Las Mil y una noches el narrador pasa del relato al relato del relato. desde Príamo y Tisbe hasta Marcel y Albertine. le permite a Mutis ubicarse y ubicarnos en el borde del mundo ficcional y del mundo real.” (314). imaginarlos como túneles por donde el autor lleva de la mano al lector y lo transporta. frente a la supuesta muerte del autor. Vamos a detenernos un poco en esta idea. le indican al lector que el narrador es el mismo autor. pronto se pasa a una historia apócrifa o ficticia. La figura del autor como personaje. La simulación continúa a lo largo de todo el texto con los saltos entre una historia y otra. con el papel de narrador como mediador. ni advertencias.la primera historia rodea la historia central como el marco de un cuadro. mejor. 292). La simulación empieza por el hecho de que el narrador se hace pasar por el autor. sin temores. pasando por Tristán e Isolda. los lectores nos va a contar una historia de amor relacionada con un barco mercantil.” (313). “Por eso he preferido. o inducciones hipnóticas para que el lector pase sedado al tema central de la obra. con muy pocas ganas. que buscan liberar al lector de las ataduras de la realidad primaria para llevarlo hacia la libertad de la ficción total. de una primera realidad que se supone verdadera. Existen distintas formas del marco de composición. 2001. al mismo tiempo. Álvaro Mutis no sólo actualiza el marco de composición sino también la importancia del autor como orquestador. secundaria. Esta estrategia narrativa además de crear la ilusión de “verismo”. frente a la experimentación exacerbada después del Nouve romance francés. ayuda a generar expectativa en el lector por la historia que ha de ser contada en adelante. pero nunca dice que es el mismo Álvaro Mutis -sólo a lo largo de la historia va enviando datos biográficos que a los conocedores de su vida lleva a asumir que es él mismo-. o “prólogos” narrativos. con esa máscara logra fijar la idea de que se basa en un hecho real. en verdad. Mutis legitima el papel del autor como motor de la narración y señala la necesidad de la vuelta a la sencillez de la forma por la contundencia de la historia.

luego nos cuenta cómo conoció al capitán del barco y finalmente nos cuenta la historia de amor que a su vez le cuenta el capitán del barco. nos damos cuenta de que cada historia es una caja china de relatos. que acumula información y utiliza la información previa para configurar la trama. con valoraciones sobre lo dicho. o las muñecas rusas. aclaraciones de términos. en síntesis las formas de actuar del narrador hipostático -autor y personaje al mismo tiempo-. porque en el interior de cada historia -a la que llamaremos macro. sobre los otros. las intromisiones frecuentes del Narrador-autor en el plano de la narración. Iturri mencionó algo como “esas estatuas de mujer que hay en Roma” o “los kouros que hay en Atenas” (344). si nos detenemos en el hilo del relato. Primer nivel Narrador (autor impl íci to) Segundo Nivel Narrador Tercer nivel (Jon Iturri) Historia Jon . Como en el siguiente esquema de las cajas chinas.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 61 primero nos cuenta cómo se encontró con el tramp steamer.que hacen avanzar a la narración en una especie de espiral. han corrido por mi cuenta. De cierta manera. como se prefiera nombrar a esta forma particular de narrar donde un relato está contenido por otro relato y así sucesivamente.Warda Narratario (autor implícito) Narratario (lector implícito) En realidad. la figura más cercana sería de este tipo: Sin embargo. el esquema sería el de cajas chinas. reflexiones sobre las emociones y percepciones personales sobre lo narrado.se desarrollan pequeñas historias -o micro historias. Un modelo de esta forma de avanzar el relato en el plano del discurso podría plantearse de la siguiente manera: . Asistimos a la historia de la historia de la historia. vuelven al lector a la conciencia de quién es el que escribe la historia: “Creo que no sobra advertir a mis lectores que ciertas alusiones museográficas hechas en esta descripción.

Esto explica que las acciones que presenta sean mínimas en comparación al copioso discurrir de la conciencia incrédula que se esfuerza por anular la impotencia que resulta de la imposible acumulación del saber. 188). considerar al narrador hipostático como el narrador-autor-personaje que establece la narración en distintos niveles de diálogo: como diálogo con el lector. p. sin previsión y sin intención de permanencia. apuntan a señalar esa misma pérdida. por eso el preámbulo y las intromisiones constantes. es la característica fundamental de la propuesta de Mutis en La última escala del Tramp Steamer. Cercano a la idea de la necesidad de resemantizar la palabra -en nuestro caso en el universo narrativo. y está mediatizada por un mundo. Ahondemos un poco en estos dos aspectos. 2008. que algo faltó. contrario a lo que él pensaba. o plantear un juego con el lector. La producción novelística de Mutis en su calidad de poética constituye un discurso difuso. Esta propuesta de narrador puede relacionarse con el planteamiento de Michel Onfray (2000) sobre la necesidad de la acción performativa en el uso del lenguaje. Al hacer presencia explícita como el escritor de lo narrado. su labor. conciencia del papel del escritor como mediador “Tal como aquí la resumo u ordeno.62 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Ahora bien. diarios. y sin embargo percibir que la obra se queda corta. manuscritos. no sólo busca organizar el universo de la narración. El autor implícito se introduce en el relato como narrador. es un universo entero cuyo destino es un oído. En las . por ello. no permite. por ello la necesidad de explicar. el del otro” (Onfray. El autor en varias ocasiones ha declarado que. En primer lugar. etc). de que no dimos en el blanco”. de aclarar y no sólo contar. dar los acentos de retenida emoción que iban creciendo en el relato. (Laverde. o como testigo directo de los acontecimientos. transcriptor de información que le ha sido dada por fuentes orales. le sucede lo mismo que con la poesía: “la sensación de insuficiencia. algo de salmodia o cantinela” (350). p. la imposibilidad de comunicar la experiencia como acontecimiento -hacer y padecer en el mundoes vista por Mutis como la carencia fundamental del escritor. pretende también marcar dos puntos: la imposibilidad de la escritura de captar completamente lo que le ha sido relatado y. 2000. diálogo con otros personajes y diálogo entre personajes. ya que permite establecer nuevos vínculos entre la palabra y el sentido. considera que el lenguaje. estos juegos del narrador-autorpersonaje llevan al lector a la oscilación entre el relato y la historia con mediación del narrador hipostático. al mismo tiempo.que ha caído en el vacío del significado -abuso de la técnica para lo literario. como la de Sísifo consiste en volcar en palabras la apreciación ético-estética del mundo. 212-213). Entonces. “toda palabra utilizada por alguien. pleno de ausencias y de signos súperalimenticios. pero para mantener su credibilidad se enmascara en: editor de papeles encontrados (cartas. justamente por su condición de modelo performativo. La manera como el capitán de navío insistía sobre la belleza de Warda Bashur tenía algo de reiterativo. saturado de agujeros y de luces. la prosa no lo ha liberado de la función de denunciar la otra orilla y.a través de la palabra como fundadora del sentido -en su componente dialógico-. desafortunadamente. entre el conjunto de signos posibles es el más tangible a pesar de sus vacilaciones y lagunas. de reflexionar.

caracterizada por la imposición del estilo. incluso. la búsqueda de lo selecto. al comparar a Joseph Conrad con Álvaro Mutis. pero a la vez. Se hace personaje. 2008. de Conrad. me había invitado en San José a un paseo en yate por la bahía Nicoya en Punta Arenas. 2000. de la actitud ética de crítica a la modernidad industrial: Con mayor elocuencia que las veces anteriores. a partir de La última escala del tramp steamer se introduce dentro del mundo novelado como autor-personaje. por ejemplo. por enésima vez. p.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 63 primeras novelas: La nieve del Almirante. (…) Estaba en Costa Rica como asesor de prensa de una comisión de técnicos de Toronto que realizaba un estudio para la construcción de un oleoducto. en momentos de incandescencia de una vida cotidiana transformada en vasto campo de experimentación para las agudezas y el momento propicio” (Onfray. cada época construye su ética de la elegancia. la grandeza unida a la magnificencia y la prodigalidad. 19). es decir. dentro de ese sistema de seres fuera de lo común -en el sentido literal y metafórico. como . pues participan de las empresas del mundo sin creer en ellas. la escultura. desesperanzados. del instante y el derroche. activa una moral del desprecio por los valores burgueses. Abdul Bashur. lo fundamental de este cambio es que el narrador entra a formar parte de esos seres de excepción. entonces. y Tríptico de mar y tierra. se construye tanto como organizador responsable del relato. p.en el universo de su materia narrativa. la presencia en Lord Jim de del personaje narrador Marlow coincide con el papel de Maqroll en las novelas del colombiano. En las obras posteriores: Armirbar . por el acto mismo de estar en el mundo. se enmascara para no presentarse directamente. simula no tener perspectiva. la música. p. todo ello. así. unido a la tragedia. del dandy afirma “jugador desencantado y esteta melancólico. Tanto Illona. no hay rastro de su manera particular de ver o evaluar el mundo. como Abdul Bashur y Jon Iturri (protagonista y narrador de La última escala del Tramo Steamer ) forman parte de esa familia espiritual a la que pertenecen el Bolívar de “El último rostro” y Alar el Ilirio de “La muerte del estratega” e. Ilona llega con la lluvia y Un bel morir . “una auténtica teoría de las pasiones destinada a producir una bella individualidad” (Onfray. se me hizo patente la ruinosa condición de este viejo servidor de los mares que. como los llama Mutis. Construye una nueva mirada sobre la ética del individuo a partir del análisis del arte en sus diferentes manifestaciones.en el relato. la energía como fuerza vital. la pintura. la importancia de lo sublime y la pulsión por el hedonismo. (Laverde. trocando lo inefable. 54) Asimismo. asunto que me suscita una náusea inmediata. encantado de librarme de la insulsa conversación de mis compañeros de trabajo y de las interminables rememoraciones de sus hazañas en el golf. alguien que sabe reconocer en los otros la presencia o ausencia de esa condición propuesta en la saga de Maqroll el Gaviero. Como lo afirma Consuelo Hernández. Acepté. sin ninguna orientación a un fin determinado. 2000. el teatro y la literatura. aparece al principio como preámbulo y le da la voz a Maqroll para qué sea él quien narre y reflexione sobre lo narrado. en última instancia. un editor que no aparece como personaje de lo narrado. es interesante comprobar la coincidencia en ambos -el condottiere y el narrador de Mutis-. como par. emprendía su amarga aventura con una resignación En La última escala del Tramp Steamer da el paso para mostrarse explícitamente como voz y como personaje de la narración. (317) parte del grupo de los desesperanzados. narrador hipostático. se presenta como un recopilador. Cada época tiene su condottiere. soñador de navíos. se permite el juego de nuevas “máscaras” con las cuales crea una sensación de mayor “veracidad” -recurrir al dato biográfico. Un par de amigos que había hecho en una accidentada sesión itinerante de alcohol y cabarets de nota más que dudosa. Marlow y Axel Heyst. 189) Michel Onfray (2000) propone la figura del condottiere como una ética de la elegancia. no recuerdo ya desde qué puerto hacia el interior.

Experiencia que debe ser arrasadora o simplemente confirmarnos en ciertas certezas harto útiles para seguir viviendo. si bien es cierto que. además. Se presenta como un escritor que trabaja en una compañía petrolera. la literatura y la filosofía. bohemio nostálgico y poeta por vocación. hemos visto cómo el juego de voces entre el narrador-autor y el relator personaje produce un efecto de “realidad” que se afianza en el hecho biográfico introducido en la narración y con lo cual el lector asume un pacto narrativo cuasi “veraz” de la historia que le es contada. Me quedé contemplando cómo se perdía en el horizonte y sentí que una parte de mí mismo se internaba en un viaje sin regreso. También permite explicar porqué el personaje femenino es objeto y no sujeto de deseo. modelos éticos. con ironía se burla de esa gente y sus preocupaciones. referencias ilustradas constantes y. Poca cosa. En la obra menciona que su poesía se nutre de los encuentros con seres. pero que definitivamente no pertenece a ese mundo. pero también conocedor del arte. Cuando una de esas imágenes regresa con toda su voraz intención de persistir. en estos tiempos de “mezquina necedad”. pasan a ser extraños por obra del poder mimético. cosmopolita. (325) el de las soberbias maldiciones con las que los dioses de la Hélade castigaban a los trasgresores de sus designios inmutables.a la degradación del mundo a través de la escritura. Obediente a las empresas del hombre. Como autor implícito y personaje testigo de los viajes del tramp steamer hace de sí mismo un escritor que pretende una salida espiritual -estética. lo ajeno. Ahora que lo recuerdo. De ahí que su imagen se construya a partir de la erudición con evocaciones artísticas explícitas. No es ese ya nuestro mundo. el tramp steamer y el Caribe “Algún día me propongo narrar lo que fueron aquellos paseos. que se dirigen a la confirmación de una individualidad basada en el viaje como aprendizaje que. como Jon Iturri. permite ver lo otro. intelectual. A tal punto me pareció vetusto. en buena parte de la poesía que he ido dejando por ahí regada en revistas efímeras y en ediciones no menos olvidables.y ratifica su condición de artista. su actitud frente a lo narrado como confirmación de la ética de la desesperanza. de tan nuestros. Los hombres sólo conseguimos ahora cumplir con la mezquina cuota de venganza que nos imponen otros hombres. (326) De este modo llegamos también al final del análisis. Nuestro modesto infierno en vida no da para ser materia de la más alta poesía.” (327). engañoso y constante del precario presente. Si seguimos la lógica de Onfray sería una especie de actualización del condottiere. de una diabólica espiral cuyo final podía ser . Concluimos que el propósito de este juego del narrador-autor-personaje apunta a hacer presentes distintos sistemas axiológicos. esteta en la vida cotidiana.64 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS de un buey del Latio sacado de las Geórgicas de Virgilio. están las huellas de esos días. Es así como trabaja el olvido. Consideramos que por esta misma razón. cuya mezquina desaprensión concedía aún mayor nobleza a ese esfuerzo sin otro premio que el desgaste y el olvido. el juego de las cajas chinas permite ver el relato del relato de la historia como un recurso de la veracidad y no sólo retruécano narrativo. amante de la buena vida. sucede lo que los doctos llaman una epifanía. Nuestros asuntos. la cosa hubiera adquirido los síntomas de una persecución mítica. lo que sí fue evidente para mí era que de continuar los encuentros. golpeado y sumiso. la buena compañía. obsequio de los dioses. como posible sin menoscabo de una actitud ética individual: la lucidez. la buena comida. Es así como dentro de la obra se configura como un conocedor de arte. objetos y lugares especiales. (330) En La última escala del Tramp Steamer el narrador se focaliza y se modaliza a sí mismo dentro de la obra.

Bogotá: Alfaguara.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 65 Referencias bibliográficas LAVERDE. Álvaro (2001). La condición humana. Poesía y prosa . Empresas y tribulaciones de Maqroll el Gaviero. Nota 1 En adelante. la moral estética. Edward (2004). MUTIS. PEÑA Isaías (2011). Buenos Aires: Sudamericana. el texto y el crítico . Tradición literaria colombiana. Instituto Colombiano de Cultura. Buenos Aires: Libros Perfil. . Bogotá. cuando se mencione apartados de la obra estudiada. MALRAUX. Alfredo (2008). La construcción de uno mismo. El mundo. Mondadori. só lo se indicará el número de la página. El universo de la creación Narrativa. dos tendencias. ONFRAY. Bogotá: El Huaco. Medellín: Universidad de Antioquia. Barcelona: Random House. André (1999). SAID. _____ (1981). Michel (2000).

cultural e linguística foram. O quadro recém-apresentado começa a mudar nos anos 1980. No Brasil. as discussões sobre a ampliação do acesso e a qualidade da educação das pessoas com necessidades educacionais especiais. Assim. cujo objetivo é apoiar a transformação dos sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos. o trabalho do professor tem sido apontado como condição essencial para a inclusão eficaz dos alunos com necessidades educacionais especiais nas classes regulares de ensino. p. sob formas distintas. em 2003.9). é implantado. física. é proclamado o Ano Internacional dos Deficientes pelas Nações Unidas. em 1981. o Programa Educação Inclusiva. sob a influência. É quando começam. seja por fatores socioeconômicos. da Conferência de Jomtien (1990) e da Declaração de Salamanca (1994). posteriormente. o atendimento a alunos com necessidades especiais seguiu sendo realizado sobre os pressupostos da Normalização e Integração. na Constituição Federal de 1988. o acesso à escola sempre foi marcado pelo paradoxo inclusão/exclusão. seja pela presença de padrões físicos considerados distintos dos de uma suposta homogeneização. o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. Mesmo com o advento da Constituição de 1988. Acompanhando a tendência mundial de luta contra a exclusão das minorias e a favor da igualdade de oportunidades. Dentro dessa perspectiva. social. promovendo um amplo processo de formação de gestores e educadores nos municípios brasileiros para a garantia do direito de acesso de todos à escolarização. à oferta do atendimento educacional especializado e à garantia da acessibilidade (BRASIL. o Brasil estabelece. durante muito tempo. 2008. quando. aqueles que “distoam” de uma “normalização” intelectual. item III). na década de 1990.66 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS ENSINO DE E/LE E INCLUSÃO: REFLEXÕES SOBRE FORMAÇÃO E TRABALHO DOCENTE Alice Moraes Rego de Souza PG-UERJ Roberta Fraga de Mello PG-UERJ Introdução Historicamente. excluídos do espaço escolar. . no âmbito internacional. de acordo com a qual o aluno com necessidades educativas especiais deveria adequar-se à “hegemonia” presente em sala de aula. preferencialmente na rede regular de ensino” (artigo 208. principalmente.

problemas destacados é o que se designa como “desconsideração das especificidades próprias dos níveis e/ou modalidades de ensino em que são atendidos os alunos da educação básica” (BRASIL. cria-se ambiente propício para a discussão sobre a participação dos institutos básicos na formação de professores das diversas áreas de conhecimento. Ainda que possamos antecipar que “de maneira geral. as universidades e outras instituições a contribuírem para a elaboração das diretrizes curriculares dos cursos de graduação. no sentido de atender a uma política de integração dos alunos . p. o presente trabalho fomenta uma reflexão sobre os novos currículos de licenciatura em Letras (habilitação PortuguêsEspanhol) das universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro. 150). Considerando a interseção entre as discussões sobre educação especial e sobre a reforma dos cursos de formação de professor. afirmando que: “A educação básica deve ser inclusiva. o qual convoca a sociedade civil. formalizada pelo CNE. A partir daí. Neste tópico.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 67 o que nos leva a refletir sobre a formação deste profissional visando atender às demandas da atualidade. De maneira geral. em geral. 2009. visto que este é um dos eixos que orientam as diretrizes curriculares de formação de professor em nosso país. Diversas temáticas atravessam as reflexões acerca de um novo currículo para formar professores em nível superior. o MEC publica o Edital nº4 de 1997. com a publicação do Parecer CNE/CP nº9 de 2001 e.20) Uma vez conhecido o contexto de surgimento da reforma. no ano seguinte. (DAHER & SANT’ANNA. um dos 1. os quais precisam ser refletidos e explicitados. Para tal.394/1996 – a qual define que cada instituição de ensino superior (IES) deverá fixar seus currículos a partir das diretrizes pertinentes. focaremos em algumas disposições do Parecer CNE/CP nº9 de 2001. como já apresentado. as licenciaturas não estão preparadas para desempenhar a função de formar professores que saibam lidar com a heterogeneidade posta pela inclusão” (PLETSCH. dentre outros temas. sendo uma delas a questão da educação especial. buscando observar como se apresenta a questão da educação especial nesses documentos institucionais. p. depara-se com problemas em termos institucionais e curriculares.25). no contexto da mencionada reforma. O parecer em questão explicita que ao revisar o processo de formação docente. se reflete em documentos oficiais (pareceres e resoluções) que se destinam a formalizar a última reforma dos cursos de licenciatura. buscamos apresentar alguns possíveis progressos relativos à formação de professores de Língua Espanhola que beneficiem a perspectiva inclusiva e de respeito à heterogeneidade no espaço escolar. falase sobre o ensino para alunos com necessidades especiais. a partir da análise de seus fluxogramas. Especificamente no campo curricular. por meio do Parecer CNE/CP nº9 de 2001 e respectivas Resoluções CNE/CP nº1 e 2 de 2002. Ao mesmo tempo. A importância atribuída ao papel do professor. a reforma surge a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Lei nº 9. particularmente no que diz respeito à educação especial. iniciada oficialmente no ano de 2001. culminando na reforma dos cursos de licenciatura. A educação especial no âmbito da reforma das licenciaturas A reforma das licenciaturas é uma culminância de certa circulação de discursos sobre o papel do professor e suas responsabilidades na formação de cidadãos no contexto escolar. p. 2009. de modo a observar a relevância dada à temática no decorrer do documento. 2001. com a publicação das Resoluções CNE/CP nº1 e 2. resta ainda observar em que termos é tratada a questão da educação especial.

oferecer uma formação comum a todos os docentes e o atendimento às especificidades do trabalho com as diferentes etapas ou modalidades com que o professor irá trabalhar. dentre as possibilidades de formação específica que a IES pode ter. p. na formação do professor. p. inclusive à questão da educação especial.27)..)” (BRASIL. Por uma questão de afinidade profissional das pesquisadoras. as IES reformularam seus currículos de modo a atender às novas demandas. o Parecer menciona a educação especial. são. a saber: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). 26) currículos uma escolha de cada IES. dá recorrente espaço para discussão sobre necessidade de incluir. 2001.. A problemática desta seção se centra na dificuldade de. Assim. Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). optou-se por focar a análise apenas nas IES do Estado do Rio de Janeiro que passaram pelo processo de reforma curricular iniciado em 2001. Mesmo diante da possibilidade da presença da temática sobre educação especial apenas em termos de formação específica. 2. 27) Outra proposta contida no documento. o que faz de sua presença nos A partir do Parecer CNE/CP nº9 de 2001 e suas respectivas resoluções.. 2001. vê-se que o Parecer CNE/CP nº9 de 2001. nas novas estruturas curriculares? Inicialmente. o Parecer apresenta alguns eixos. Por uma necessidade de recorte de corpus . p. dentre os quais está o “eixo que articula a formação comum e a formação específica”.68 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS com necessidades educacionais especiais nas classes comuns dos sistemas de ensino. 2001. (BRASIL. de maneira geral. p. a escolha foi por analisar a formação do professor de Língua Espanhola. Nesse sentido. considerando suas demandas próprias. Assim sendo.)” (BRASIL. Nesse caso. o curso de Letras Português-Espanhol. o Parecer esclarece que a construção espacial para alunos cegos. Isso exige que a formação dos professores das diferentes etapas da educação básica inclua conhecimentos relativos à educação desses alunos “(BRASIL. portanto. quais serão os reflexos deste aspecto nas atuais estruturas curriculares das IES que formam docentes na área de Língua Espanhola? Tal será a discussão que cabe ao próximo item deste artigo.formação específica é a proposta de inclusão de espaços e tempos adequados que garantam “opções. já que esta é uma realidade indissociável da escola. O documento reconhece que temáticas relativas à educação para alunos com necessidades especiais “raramente estão presentes nos cursos de formação de professores. 55). quais são os reflexos desses discursos oficiais. as formas de comunicação dos paralisados cerebrais. momento propício para o preparo do profissional para atuação com alunos com necessidades especiais. a critério da instituição.. portanto. são necessários alguns esclarecimentos sobre a escolha do corpus de análise. Novos currículos de formação docente e educação especial . ao mesmo tempo. embora devessem fazer parte da formação comum a todos (. diz respeito aos critérios de organização para desenho de uma matriz curricular que contemple os diversos aspectos envolvidos com a atividade docente. a existência de uma brecha no Parecer. uma vez que a educação especial pode configurar apenas como formação específica. A saída proposta para superar a “dicotomia” formação comum . no que tange à atuação docente diante desse público. Nesse caso. a singularidade linguística dos alunos surdos. entre outras. para atuação em modalidades ou campos específicos incluindo as respectivas práticas (. especialmente no que concerne à educação especial. Constata-se. 2001. temáticas a serem consideradas.

Assim sendo. 2005.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 69 Em síntese. trabalhamos com a formação do professor de Língua Espanhola no Estado do Rio de Janeiro e seu preparo para atuar na educação especial. é um retrato de um curso de formação superior. como. Para refletir. Nem mesmo como eletiva existia a opção de disciplinas sobre tal temática. tampouco apresentava qualquer indício de disciplina que se voltasse para esse tema. trata-se de uma eletiva. o fluxograma mostra a inclusão de algumas oportunidades de discussão sobre educação especial. Partindo de uma perspectiva discursiva. 2. Vale ressaltar que a primeira disciplina relacionada não vem como uma resposta à demanda da reforma de 2001.2. nas subseções a seguir. Maingueneau (2005) afirma que os discursos têm caráter de ação. Em outras palavras. não mais nos aprofundamos em aspectos teóricos. o fluxograma. não há tipo algum de menção explícita a disciplinas que tratem especificamente da questão . metodológicos e mesmo em detalhes de análise. do que se privilegia ou não como parte da trajetória a ser percorrida pelo profissional em formação. pois esta compõe o grupo de disciplinas designadas como eletivas práticas. por meio da disciplina intitulada “Planejamento de Material para Ensino de Língua Portuguesa como L2 para a Comunidade Surda” (vinculada ao Departamento de Linguística) e a disciplina “Prática Pedagógica em Educação Inclusiva” (oferecida pela Faculdade de Educação). ao enunciar sobre formação de professor é também uma forma de construir certa ideia de formação de professor. A reformulação curricular na UFF Tanto na grade curricular (expressa em forma de fluxograma) anterior e posterior à reforma das licenciaturas. A reformulação curricular na UERJ Antes da reforma das licenciaturas iniciada em 2001. buscamos abrir caminho para reflexões que merecem atenção mais detida em trabalhos futuros. ainda que brevemente sobre esta questão. na medida em que tem seu surgimento e sua circulação fundamentada em “regras de organização vigentes em um grupo social determinado” (MAINGUENEAU. a grade curricular do curso de Letras com habilitação em Português-Espanhol não sinalizava nenhum tipo de disciplina específica quanto à educação especial ou educação inclusiva. Quanto a esta última. podendo esta ficar de fora. Assim. A escolha deste material se deve ao entendimento de que o fluxograma. ou seja. 2. Já após a reforma. Sendo assim. O fluxograma. Entretanto. Ainda nesse sentido. mostrando uma síntese do curso. realizam-se algumas observações de análise sobre a presença do tema educação especial nos fluxogramas selecionados. o aluno cursará apenas se quiser. o aluno precisa escolher três para cursar. seus marcos. de certo modo. o ponto de par tida são os fluxogramas que materializam a estrutura curricular dos cursos de graduação. o fluxograma pode ser compreendido como um discurso.626 de 2005. Por uma questão de limitação de espaço. suas etapas constituintes. consequentemente. por sua vez. o fluxograma irá refletir questões colocadas ou não em destaque pela IES a que pertence. assumir que os fluxogramas das IES são um discurso é sustentar a ideia de que seu surgimento e desenvolvimento são inseparáveis das relações sociais que o contextualizam. por exemplo. mas sim a outra legislação específica sobre a questão da inclusão da LIBRAS na formação superior em algumas áreas de conhecimento – Decreto nº 5.1. de um grupo de seis disciplinas. p.52).

passa a ser oferecida. Isso se choca com a realidade da atividade docente. uma redução do espaço aberto à reflexão e à produção de conhecimentos sobre ensino de língua espanhola como língua estrangeira para alunos com necessidades especiais. a existência de disciplina alguma que fosse específica para tratar de questões de inclusão ou ensino para alunos especiais. ao Instituto ou à Faculdade de Letras. Mesmo diante de um cenário . para alunos que ingressaram a partir de 2012. A reformulação curricular na UFRJ Antes da reforma. sejam LIBRAS ou disciplinas que abordem temas gerais sobre tal comunidade. ou seja. relativa aos departamentos a que estão vinculadas as disciplinas.70 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS do ensino de espanhol para alunos com necessidades especiais. não se trata de uma alteração devido à reforma. pois ele também tem a sua disposição outras optativas.626 de 2005 . visto que apenas há a inclusão da questão específica da surdez. complementando as disposições do fluxograma1. na verdade. o que mostra. mas de uma resposta a uma exigência legal de inclusão de LIBRAS nos cursos de Letras – Decreto nº 5. Na maioria dos casos. o que torna indispensável a reflexão sobre tais assuntos durante o processo de formação. muito embora esta seja obrigatória para os cursos de Letras – considerando o Decreto nº 5. mais uma vez. Após a reforma. por se tratar de uma questão de linguagem. 2. tal como ocorre na UFF e na UERJ. essa disciplina compõe o grupo de optativas. as disciplinas que passaram a ser oferecidas são em caráter de eletivo ou optativo. Comentários gerais No caso das três IES. o fluxograma passou a apresentar a disciplina LIBRAS (vinculada ao departamento de Linguística e Filologia). O fluxograma tampouco sinaliza a disciplina LIBRAS. 2. podem ou não ser escolhidas pelo aluno. já mencionado. a disciplina eletiva “Tópicos Especiais em Educação Especial”. No caso das IES que oferecem disciplinas relacionadas à comunidade surda.4. a inclusão de disciplinas que tematizem a questão da inclusão e da educação para alunos com necessidades especiais não sofre alterações.3. visto que as poucas oportunidades oferecidas possibilitam uma abordagem desde uma perspectiva mais ampla. as mudanças relativas Outros documentos que descrevem a estrutura curricular do curso de Letras PortuguêsEspanhol na UFF mostram que. consequentemente. Ainda assim. Entretanto. Já as disciplinas de educação especial costumam obter um caráter mais geral. Sendo assim. sendo oferecidas pela Faculdade de Educação. ficando a critério do aluno escolher cursar a disciplina. que abrange o ensino de maneira geral e não focado apenas em uma discussão específica. visto que atuar com alunos especiais não depende da escolha. pela Faculdade de Educação. explicitamente. Sendo assim. é comum que a mesma fique atrelada aos departamentos de linguística.626 de 2005 . ao espaço ocupado pela educação especial não foram expressivas. Ainda há mais uma questão. Em nenhum caso foi possível verificar a associação de uma disciplina que trate de educação especial ligada a algum departamento do Instituto ou da Faculdade de Letras. o fluxograma da UFRJ não indicava. mas do surgimento de tal demanda. sendo que. tal disciplina compõe o currículo do referido curso. o que é explicado no site da universidade. após a reforma. o espaço para debate sobre questões relativas ao ensino de Língua Espanhola é reduzido.

In: Trajetórias em Enunciação e Discurso: práticas de formação docente. SANT’ANNA. Brasília: Inclusão – Revista da Educação Especial – out/2005. mesmo que não tenha de dar conta de prescrever o trabalho docente. Curitiba: Editora UFPR. SCHWARTZ. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. Referências bibliográficas BRASIL. MAINGUENEAU.gov. Entretanto.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 71 que. 4 ed. de Cecília P. Formação e exercício profissional de professor de língua espanhola: revendo conceitos e percursos. 27894. _______. de algum modo. ________(2010). Márcia Denise (2009). dá relevância ao assunto. Coleção Explorando o Ensino. In: Espanhol: Ensino médio. embora seja uma realidade com a qual o professor está sujeito a se deparar.626 de 22 de dezembro de 2005 .planalto. A formação de professores para a educação inclusiva: legislação. Parecer CNE/CP nº9. diretrizes políticas e resultados de pesquisas. Nesse sentido. Considerações finais No caso dos fluxos analisados. no exercício da profissão. A abordagem do trabalho reconfigura nossa relação com os saberes acadêmicos: as antecipações do trabalho. 35-9. Del Carmen. Yves (2002).br/ccivil_03/ _ato2004-2006/2005/decreto/d5626. p. Disponível em: <http://www. minimamente. seja na formação. p. tal como visto na análise do Parecer CNE/CP nº 9 de 2001. In: SOUZA-E-SILVA. _______. Trad. Editora Cortez: São Paulo. São Carlos: Editora Claraluz. ainda. 31. Análise de textos de comunicação. Diário Oficial da União. na perspectiva de Schwartz (2002) podem ser articuladas. Brasília. 18 de janeiro de 2002. aos saberes acadêmicos. seja na atividade docente. 33. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Decreto 5. E. Do otium cum dignitate dos cursos de Letras à formação de línguas. GLAT. não foram identificadas marcas que explicitassem a relevância dada às discussões sobre ensino de Espanhol como Língua Estrangeira (E/LE) para alunos com necessidades especiais. 4. De Souza e Décio Rocha. em algum momento.394. 23 de dezembro de 1996. quando surgem disciplinas relacionadas à educação especial. de 20 de dezembro de 1996. precisa proporcionar mais espaço para reflexão do assunto. Brasília: MEC. Dominique (2005). FAITA . DAHER. o presente trabalho mostra que. Lei nº 9. Diário Oficial da União. n. Vera L. tal ausência não implica a não criação de normas. 143-56. Edicléa Mascarenhas (2005). p. Seção 1. em nível superior. PLETSCH. curso de Licenciatura de graduação plena. portanto. ainda que o tratamento da educação especial pensada especificamente em termos de ensino de E/LE seja tarefa complexa. 3. A formação. Assim. Rosana.A (2009). o professor precisará refletir sobre tal questão. Acessado em 10/08/2012. elas constituem-se como optativas / eletivas. de 8 de maio de 2001. p. Da educação segregada à Educação Inclusiva: uma breve reflexão sobre os paradigmas educacionais no contexto da educação especial brasileira. Revista Educar . as quais serão feitas na própria situação de trabalho e que. contribuindo para uma forma diferente de pensar as antecipações do trabalho. participando do processo de produção de normas e prescrições do trabalho realizado por este sujeito.htm>. FERNANDES. nota-se a constituição de um espaço restrito de prescrições ao trabalho do professor relativo a essa modalidade de ensino na etapa de formação. de modo a. Brasília. orientar o docente em sua trajetória futura.

Acessado em 10/08/2012. Fluxograma do curso de Licenciatura em Letras Português – Espanhol.).letras. b r / index. UFRJ.br/obrigatoriedade-da-disciplinalibras>.72 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS (orgs. Disponível em: http:// www. Disponível em: http:// w w w . UFF.br/sites/default/files/ letras_portugues_espanhol_-_licenciado_novo.br/arqs/fluxogamas_cur sos/ letras_portugues_espanhol_licenciatura. dep. . Fluxograma do curso de Licenciatura em Letras Português – Espanhol.uerj.uff. u f r j .pdf.php?option=com_content&task=view&id=45&Item( ( Nota 1 A informação mencionada está disponível em <http://www. Fluxograma do curso de Licenciatura em Letras Português – Espanhol. l e t r a s .letras. Linguagem e trabalho : construção de objetos de análise no Brasil e na França. São Paulo: Cortez. Acessado em 10/08/2012.pdf.uff. Disponível em: http:// www. Acessado em 30/08/2012. UERJ.

contudo. advindo da inferioridade daquele meio e da fraqueza de suas espécies animais. “a tese da ‘debilidade’ ou ‘imaturidade das Américas” nasce com o Conde de Buffon. homens conhecedores e adeptos a outros pontos de vista se propuseram a divulgá-los. como Gonzalo Fernández Oviedo e os padres Acosta e Herrera. mas excessivamente interessado em matemáticas e ciências. . Segundo Antonello Gerbi (1996). Foi o que fizeram europeus que de fato conheceram o cnotinente americano. como o Conde Buffon. alguns crioulos e uns quantos padres jesuítas. fundamentada nos progressos realizados através do processo histórico europeu. a partir dos naturalistas ilustrados. na ideia de que o homem ocidental teria alcançado a aptidão de elevarse a uma chamada “maioridade intelectual”. ou Georges-Louis Leclerc (17071788). no século XVIII. Alguns autores que precederam o século XVIII. manifesta-se a superioridade do homem civilizado. na qual aparecem suas teorias sobre os temas americanos. o Abade Raynal e o historiador William Robertson. Em vários textos produzidos por europeus que conheceram a América ou por americanos põe-se em questão a validade do caráter débil e frágil das espécies do Novo Mundo. vegetais e humanas. Entre as conclusões buffonianas referentes às Américas coloniais destacam-se formulações intrigantes que merecem ser comentadas.Universidade Federal de Pernambuco* A presença de dois discursos referentes à imagem simbólica do Novo Mundo representa a oposição entre Europa e América que seria determinante para a formação do pensamento moderno. a “polêmica do Novo Mundo” passa a apresentar discussão contínua.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 73 DIÁLOGOS DE HISTORIA NATURAL: O HOMEM PROTOTÍPICO E O HOMEM EM CONSTRUÇÃO Amanda Brandão Araújo PG . encontra-se o nativo americano. o que o levou a trilhar um caminho em direção aos estudos científicos. ocuparam-se de descrever muitas das peculiaridades americanas sem. culminando. Cornelius De Pauw. natural de Paris. Do lado oposto. Entretanto. freqüentador do Colégio de Jesuítas e estudante de Direito. postular uma teoria universal da inferioridade do novo continente. Em um pólo. Divulgadas as teorias e razões da inferioridade. Entre suas principais obras encontra-se a volumosa História Natural .

impotente. A natureza americana seria hostil a qualquer desenvolvimento. 1996). inoperantes. os As deduções de Buffon deturpam as descrições dos autores que o antecederam. os cervos. todos esses animais. ou pelo menos muito mais novo que o antigo... A umidade do ambiente é tão elevada que pode fazer definhar qualquer espécie passível de evolução.) nem se encontra ali nenhum animal que se compare a eles. O homem é errante. De Pauw não acredita na “bondade natural” do homem. um grau de desenvolvimento semelhante ao das mais incipientes civilizações européias. abandonado durante seis anos na ilha de Fernandez.) Buffon entende que o continente – e o homem – americano está ainda em processo de evolução. que nem de longe poderia comparar-se aos grandes mamíferos. São imaturos. devido a sua “dimensão de um novilho de seis meses ou de uma pequeníssima mula” (GERBI. mas no oposto a isso: o homem apenas se aperfeiçoa em sociedade. 19). filósofo e enciclopedista ilustrado de naturalidade discutível (provavelmente holandesa). 56). mudo. são também consideravelmente menores na América que na Europa. As espécies trazidas da Europa tenderiam a definhar-se. Os animais em geral são poucos em diversidade e em tamanho. em critérios científicos relacionados à Ilustração. os carneiros. em tom extremamente mais enfático e definitivo que o do Conde. divide espaço com eles. Rejeitam as leis e a ordem. A natureza do hemisfério ocidental não mais é imatura e . em algum dia ainda indeterminado.. ao contrário de Buffon e de Rousseau. (BUFFON apud GERBI. Mais que isso: a maioria dos nativos vive como os próprios animais. ora para menosprezar os aspectos naturais e comportamentais da natureza e do homem. os bois. Os cavalos. inimigos do progresso e da sociedade. Recusaram-se a aceitar quaisquer formas de desenvolvimento e cultura “evoluída”. (DE PAUW apud GERBI. um mundo que ficou mais tempo sob as águas do mar. as raposas. “imberbes”. e não existem no Novo (. Para ele. numa palavra aqueles que são comuns aos dois mundos. deve aquilo que é à sociedade: o mais metafísico. se tornaria embrutecido. tais como os lobos. 1996: p. as cabras. portanto. mas com o tempo e o exemplo dos europeus. a América é um mundo novo. Sem ela. Nas Recherches sur lês Américains.” Alude. 20. ao saber da época. os porcos. etc. ainda. Diz Buffon: “os elefantes pertencem ao Antigo Continente. os alces. 27.. defende e aprofunda a tese de que os americanos são degenerados. Os “selvagens” americanos são. portanto. insalubre portanto para gente civilizada e animais superiores. incapaz de dominar a natureza em seu favor. a América é um continente ainda intocado. fundamentado. 1996: p. Quaisquer semelhanças que pudessem existir entre as espécies de maior porte de ambos os continentes eram refutadas. imbecil e nada conheceria em toda a natureza . que mal acaba de emergir e ainda não secou direito. mas lá chegaram por si mesmos. Cornelius De Pauw.. ora para ridicularizar. 1996: p. é apenas um bruto incapaz de progresso.] os que não foram transportados. os cabritos monteses. 1996. p. os criadores do progresso. O homem não é. (GERBI. garantindo a superioridade das espécies do Velho em detrimento das do Novo Mundo. o maior filósofo. Grifo do autor). à anta brasileira. Opondo-se ao concluído por Buffon. tornaram-se menores. com exceção destinada aos insetos e répteis de menor porte. do qual o homem ainda não tomou posse. Fisicamente. e [. nada por si só. Fonte de elevado preconceito e ignorância gerados a partir das teorias buffonianas é o postulado da degenerescência dos animais na América. e isto sem exceção alguma.74 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS A primeira delas refere-se à inexistência de grandes animais selvagens. os asnos. Humanamente. que apenas multiplicam-se e avolumam-se. digo. de construir impérios e domar animais. continua as “difamações” da América. conseguiriam atingir. (GERBI. os cães.

É um vicio radical no outro hemisfério. Na Europa mesmo levantaram-se contra ele vários defensores do “bom selvagem”. descaracterizado) a fauna e flora locais. .. da grandeza e magnificência das cidades e monumentos. (RAYNAL apud GERBI. 1996). atribuindo ao clima as doenças contagiosas e as baixas taxas de natalidade entre os povos. fraca porque corrompida. A imagem da Para concluir os “ataques” às Américas a que nos propomos. finalizamos com as considerações de Robertson. toltecas e incas. rejeitando as descrições de Hernan Cortés e do inca Garcilaso de la Vega. América em Raynal resulta da projeção de uma teoria climática que divide o mapa-mundi em zonas tórridas. onde a imaturidade se revela por essa espécie de impotência. como nos indivíduos do nosso Continente que não chegaram à puberdade. e era impossível que fosse de outro modo. supõe uma imperfeição nos órgãos. “De Pauw repete até a saturação que a natureza é fraca e corrompida na América.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 75 imperfeita (como o era para Buffon). várias tragédias naturais nunca observadas no antigo continente. mais ou menos abrangentes. “A natureza se esqueceu de fazê-la crescer” (GERBI. Raynal adota a posição de Buffon e De Pauw sobre as zonas tórridas e úmidas como insalubres. A América não havia ainda se desenvolvido: era impúbere. Raynal e De Pauw contestam a As radicais teses depauwnianas suscitaram grande número de réplicas. pois entende que “é sem dúvida um grande e terrível espetáculo ver a metade deste globo a tal ponto desgraçada pela natureza que tudo é ou degenerado ou monstruoso” (DE PAUW apud GERBI. inferior porque degenerada ” (GERBI. Sua História da América (1777) fala sobre o Novo Mundo num tom mais Deve-se relegar ao plano das fábulas esta quantidade prodigiosa de cidades construídas com tanto cuidado e dispêndio. para ele. 1996). 1996). Também insurgiram-se jesuítas que. porém é dada maior relevância ao posicionamento em favor de grandes catástrofes. como se “desevoluísse” o que sequer começou a se desenvolver. nas Américas. como dilúvios e “medonhos tremores de terra”. que teriam determinado o temperamento dos habitantes (animais não políticos) e caracterizado (ou. trazendo assimetrias valorativas com implicações políticas. traziam de volta as experiências vividas nas mesmas. mais determinadas ou mais indiretas. cuja inspiração é voltairiana e permeável às ideias de De Pauw. A indiferença quanto ao sexo. da bondade natural do homem e da natureza virgem. Considera como inverídica toda a obra de Garcilaso de la Vega sobre os incas. De Pauw é tido como veemente antiamericanista. Os dados de Las Casas sobre as numerosas populações do México e do Peru também são objeto de crítica. 1996.. As teses sobre as influências do clima e outros fatores naturais são consideradas por De Pauw. expulsos das colônias. 53) Buffon.] Os povos se encontravam dispersos nos campos. é degenerada. ao qual a natureza confiou o depósito da reprodução. uma espécie de infância nos povos da América. retorna constantemente à “desventurada” natureza física americana. Mais um defensor da inferioridade americana foi o Abade Raynal. (RAYNAL apud VENTURA. já que estes foram atrasados e incapazes tanto quanto os demais seres daquele mundo. 1988) antigüidade das civilizações astecas. Haveria ocorrido. sem meios termos. A ênfase do Abade. [. zonas glaciais e zonas temperadas. Ao inicio da “adolescência americana” também corresponderia a impotência dos nativos e a falta de atração por suas fêmeas. com sua Histoire Des Deux Indes. A umidade do clima fez com que essa condição “infantil” do continente e dos homens que nele habitavam fosse agravando-se. embora deva apresentar idade semelhante à européia. O clima americano explicaria também a propensão dos seus habitantes ao alcoolismo e à concubinagem. porém. p.

aplicándolas solamente al placer de nuestro gusto corrompido. havia mantido contato com viajantes. procuraram conhecer a outra versão da história. pedían limosna a sus puertas: y encontraban extraño que esos otros hombres no cogieran a los otros por la garganta. filho de pai espanhol e mãe crioula. inclusive. envidia. seja através da longa estadia em solo americano.] A natureza não somente era menos vigorosa prolífica no Novo Mundo. (. No ensaio Sobre los caníbales. p. Explicavase a grandeza e a miséria da natureza americana. En aquellos se hallan vivas y vigorosas las verdaderas y más Obra importantíssima sobre a defesa do Novo Mundo é a do padre jesuíta Francisco Javier Clavijero. 1954. p. (ROBERTSON apud GERBI. . em dois ensaios famosos – um. entendeu. p. jamás se oyeron entre ellos... patriota e ilustrada.] as diferentes espécies de animais peculiares a ele são em muito menor número que as do outro hemisfério [. desfallecidos de hambre y desnudos con pobreza y necesidad. (MONTAIGNE apud HENRRÍQUEZ UREÑA. traición. Os animais que pertencem originalmente a esse quadrante do globo parecem ser de uma raça inferior. Do lado oposto da polêmica estão outros intelectuais. tentando inclusive justificar atos de violência que pudessem ser cometidos pelos nativos. 28-29). Perseguindo o objetivo de criticar os filósofos iluministas.. em parte. Em seu ensaio. marinheiros. mientras otros. falsía. a legitimidade dos rituais. comerciantes e ainda com uns “selvagens” brasileiros levados a Rouen durante o reinado de Carlos IX. 29-30). sino que cada cual suele llamar barbarie a aquello que no le es común…Son salvajes así como llamamos salvajes a aquellos frutos que la naturaleza por sí misma y por su natural progreso ha producido. sobre os canibais – levou a crítica da civilização européia. 1996. comenta que quando conversou com os “selvagens” brasileiros em Rouen.. maledicencia y perdón. 1954. Entende que o Século das Luzes teria publicado mais erros do que todos os séculos passados pois escreve-se com liberdade. disimulo.. A oposição filosófica entre natureza e cultura e a comparação entre o homem natural e o civilizado também ocuparam a mente desses intelectuais que. (MONTAIGNE apud HENRRÍQUEZ UREÑA. Leitor de crônicas de viagens e conquistas. tendo a maior parte deles se baseado em experiências próprias. por exemplo. 9). nem tampouco se reputa como tal aquilo que não ataca a religião e adota a linguagem da impunidade (CLAVIJERO apud DOMINGUES.76 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS intermediário e repleto de meios termos. no caso dos padres jesuítas e dos crioulos. a consequências extremas. nascido na Nova Espanha. em comparação com o estado selvagem.134) provechosas virtudes y piedades naturales. o pusieran fuego a sus casas. diz: Creo que nada hay en esa nación que sea bárbaro o salvaje.) Las palabras mismas que significan mentira. no entanto. 2006. Montaigne (século XVI). nem tão feroz quanto as do outro continente. Como em: O princípio da vida parece ter sido menos ativo e vigoroso do que no velho continente [. através de uma visão ao mesmo tempo barroca. codicia. mas mente-se desavergonhadamente: não é apreciado o que não é filosófico. p. mas parece ao mesmo tempo ter sido menos vigorosa em suas produções. nem tão robusta. cuando en verdad es a aquellos que nosotros mismos hemos alterado con nuestras artes y mudado de su orden común a los que con más propiedad debíamos designar salvajes. por exemplo) e usa o que pode de suas obras em defesa de seus argumentos.. A defesa de Montaigne beneficia não só as tribos pacíficas. seja através da realização de viagens. como Humboldt. embora o tom pessimista predominasse. Clavijero cita os antigos pioneiros nas descrições da América (Oviedo e Herrera. mas também as canibais. que en éstos hemos bastardeado. Diz Montaigne relatando o que os nativos haviam declarado: que habían visto que había hombres entre nosotros colmados de toda clase de comodidades.

em muitos tópicos. relata não haver outro sentimento senão encanto: as dificuldades de aclimatação tendiam a inexistentes.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 77 Centra suas críticas principalmente sobre a obra de De Pauw. por considerá-la a mais ofensiva dentre todas as calúnias propagadas sobre a América. e reúne-as basicamente nas Disertaciones e na Historia Antigua de México. porém. La obra de los jesuitas defensores de América constituye un ejemplo de cómo la razón ilustrada es una y la misma. uma contradição ainda maior: apesar de defender a América em sua unidade. que os nativos americanos têm valor equivalente aos europeus. A respeito da degeneração dos animais domésticos. Raynal e Robertson com relação aos astecas. los segundos para mostrar la invalidez y relatividad de esos sistemas antiamericanos que arrojarían las mismas conclusiones si se aplicaran al estudio del Antiguo Continente. (HUMBOLDT apud GERBI. os do antigo. Nos setecentos foram construídas. 307) Humboldt rechaça ainda vários dos postulados de Buffon e De Pauw. durante o século XVIII a produção artística das colônias excedeu a da Espanha e de Portugal. uma posição ambígua. Humboldt critica ainda a falta de apreciação advinda dos naturalistas do porte de De Pauw. havia leitores e havia estudiosos. o Jardim Botânico do . de crescente aridez e inércia da terra envelhecida só podem surgir naqueles que. porque. em solo americano. Refuta definitivamente a ideia de degeneração dos animais europeus na América e enaltece todos os aspectos culturais de sua terra natal e do Peru. Afirma que as Imagens fantásticas de juventude e inquietação. afirma e reafirma que não se pode. 1954). em estabelecer hierarquias. lamentando que os mesmos não tivessem se dado a oportunidade de aprofundar-se em tão instrutivas culturas. 1996. 242) Alexander von Humboldt. Contradiz-se. A diferença entre mexicanos e europeus seria relativa somente à falta de instrução dos primeiros. história civil e cultural e filosofia iluminista. Segundo Pedro Henrriquéz Ureña (1979. contudo. comenta: Essas idéias se propagaram com facilidade. os estabelecimentos científicos do México e a biblioteca de Botânica eram de tão boa qualidade que nenhuma da Europa poderia ousar comparar-se. porém mescla conceitos religiosos aos racionais. O jesuíta demonstra admirar a racionalidade ilustrada e a universalidade do ser humano. o que confere a seus escritos. Clavijero opõe-se às generalizações sobre o Novo Mundo e demonstra. resultando em uma mistura densa de história natural. se ligavam a hipóteses brilhantes sobre o antigo estado de nosso planeta. Apresenta. Os povos do novo continente superariam. circunscrita a los límites que le impone su propia naturaleza. nem se deve. religião. através de uma obra maestra de algum filósofo. em muitos aspectos. não se esforçam por conceber com uma visão de conjunto a estrutura do globo terrestre. 1988). num jogo vazio de buscar contrastes entre os dois hemisférios. seu estudo incrementou sobremaneira as discussões em torno da polêmica. p. restringindo sua defesa às sociedades “civilizadas”. comparar os povos da Nova Espanha e do Peru aos demais do continente. p. Tanto los filósofos europeos como los jesuitas americanos utilizaron la misma lógica de razonamiento: los primeros para desarrollar teorías de principios antiamericanos. política. Segundo Méndez-Bonito. partindo de vários exemplos baseados em sua vivência. muitos dos quais ele se propôs a analisar através da interação de todos os fatores naturais que teve a oportunidade de observar em sua viagem. mas foi garantida pelos processos políticos. viajando pela América do Sul e pelo Caribe de 1799 a 1804. (2005. (HUMBOLDT apud VENTURA. De qualquer forma. sociais e culturais desenvolvidos no continente pelas mãos de seus administradores. A defesa suprema da América não foi feita. as primeiras bibliotecas públicas. econômicos. porém. lisonjeando a vaidade dos europeus.

Afirma que Entre las gentes educadas de la América hispánica hubo mucha afición a la lectura. fez com que os críticos do “Novo Mundo” pudessem repensar seus valores a partir da força dos fatos históricos. etnicidade. pp. Montesquieu. Goiania. 39. Terry Eagleton lembra que A sociabilidade se impõe a nós como indivíduos em um nível ainda mais profundo do que a cultura. sumaba 37 612 volúmenes. p. Mas não diferem naquelas capacidades – linguagem. Juan Ignacio de Molina y Juan Velasco. Leibniz. Antonello (1996): O Novo Mundo. 2010. empresa que.: Fondo de Cult. Rousseau. Luis Millones.] 221-250. Beatriz Helena (2010). através da penetração gradual e moderada do “espírito do século”. v. HENRIQUEZ URENA. a n p h l a c . In: FIGUEROA. Copérnico. Acesso em: 05 jun. gênero. MENDÉZ-BONITO. El saber de los jesuitas. una sola remesa de libros recibida en El Callao. capacidades físicas etc. EAGLETON. Domingo. Anphlac : Revista Eletrônica. México: Fondo de Cultura Económica. 1979. inclusive. Os ideais iluministas. em primeiro lugar. história natural e ilustração. se mantuvieron en circulación secreta todavía cuando se les consideró peligrosos y se prohibió su lectura (HENRIQUEZ UREÑA. Pensar sobre as discussões em torno da “polêmica do Novo Mundo” nos leva a delinear de forma mais clara como a ignorância funciona como um véu sobre os olhos. catolicismo. Laplace. Económica. História de uma polêmica (1750-1900). Disponível em: <http:// w w w. Boyle. denotando o uso inteligente e adaptado às necessidades locais. Descartes. trabalho. LEDEZMA. o Museu de Historia Natural e o Jardim Botânico na Guatemala. abrangendo as mais variadas manifestações artísticas. Anual. sexualidade – que lhes permitem entrar em um relacionamento potencialmente universal uns com os outros. 5. GERBI. En el Brasil. deixa-se de ver com clareza e o que resta são impropérios. o Observatório Astronômico de Bogotá e a Escola Náutica de Buenos Aires.F.. Ureña tece largo comentário sobre a vida cultural latinoamericana.pdf>. São Paulo: Cia das Letras. los libros suplían la falta de universidades (…) Las listas de obras remitidas de Europa a los libreros de las colonias abarcan la mayor variedad concebible de títulos y asuntos.) É claro que os corpos humanos diferem. por ejemplo. Condillac. Buffon. São Paulo: Unesp. Pedro (1979): Historia de la cultura en la América Hispánica. Lavoisier. historias naturales u el Nuevo Mundo. puerto de Lima. Gassendi. . HENRIQUEZ URENA. Locke. manifestações das Luzes se fizeram sentir fortemente nos aspectos sociais. em sua história. quando alcançada. Além da intensa atividade cultural. las cantidades eran extraordinarias: así. Voltaire. Culturalmente é possível ser conduzido por um caminho etnocêntrico de rechaço a outras culturas diferentes da própria. Terry (2006): A ideia de cultura. obras de Bacon. porém existe algo essencial no homem que mantém mesmo as culturas mais fechadas com um potencial de ser inerentemente ilimitadas e abertas. México D.78 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS México. fundamentaram a justificativa teórica da emancipação das colônias. Madrid: Iberoamericana. Houve um entrelaçamento dos temas ilustrados às formas tradicionais. 2006. Pedro (1954): Las corrientes literarias en la América hispánica.. O México na “Polêmica do Novo Mundo”: humanismo. [. Referências bibliográficas DOMINGUES. Silvia Navia (2005): Las historias naturales de Francisco Javier Clavijero. en 1785. o r g / p e r i o d i c o s / r e v i s t a / r e v i s t a 5 / dossie2. políticos e econômicos. En el siglo XVIII circulaban muchos libros de orientación moderna: la Encyclopédie.

ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 79 ur as de R a y nal e a VENTURA. Aluna do mestrado em Teoria da Literatura através do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco. Nota * Bolsista CNPQ. Acesso em: 08 mai. p h p ? p i d = S 0 1 0 3 40141988000300003&script=sci_arttext>. Avançados da Universidade de São Paulo. São Paulo. Disponível em: <http://www. . set/ dez. Roberto (1988) L e i t tu ras Ra ilust r ação na A mér ica L at ina. 2010.scielo.br/ s c i e l o . 1988. Instituto de Estudos ilustr mérica La tina.

que chegou mesmo a reivindicar no livro intitulado Decolonising the Mind – The . mapuche ou guarani. por exemplo. como é o caso das literaturas africanas de língua espanhola ou os registros literários hispano-filipinos em espanhol e em chabacano. Na tentativa de identificar criações que. diversos autores e autoras se movimentaram e se movimentam no sentido de instrumentalizar as línguas locais. passaremos a referir como literaturas em espanhol dos povos originários das Américas. lado a lado com a língua do colonizador. Tal situação é agravada pela quase nenhuma circulação desses textos poéticos e narrativos entre nós. antologias ou coletâneas brasileiras de literaturas de língua espanhola. O uso de idiomas europeus como língua de literatura em detrimento dos idiomas locais veio configurando questão bastante delicada por dividir a opinião de realizadores. críticos e observadores da cultura em alguns espaços geopolíticos conformados pela experiência colonial. buscaremos desenvolver ao longo deste estudo uma breve reflexão acerca do exercício de tradução cultural e linguística que permeia algumas dessas manifestações poéticas e narrativas. por exemplo. as quais via de regra contemplam regularmente a experiência peninsular e. as manifestações do universo canônico hispano-americano. Na África e na América hispânica. em seu conjunto mais amplo. na condição de veículos de comunicação interétnica e de elaboração estética. investindo numa maior visibilidade internacional das chamadas literaturas menores ou periféricas. preocupados não apenas com o trabalho de afirmação de seus pertencimentos etnoculturais e suas identidades literárias. manuais. compêndios. Os argumentos favoráveis a esta utilização foram rechaçados por escritores como o queniano Ngugi Wa Thiong’o. ausentes que estão na maioria dos livros. quíchua. até certo ponto. entre outras experiências equivalentes relacionadas aos povos maia. bem como as manifestações literárias bilíngües do povo zapoteca no México. Em meio ao trabalho acabam sendo preteridas outras possibilidades de apreciação estética e crítica desse universo.80 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS A HISPANIDADE DISPOSTA EM PARALELO: VOZES LITERÁRIAS CONTEMPORÂNEAS DOS POVOS ORIGINÁRIOS DAS AMÉRICAS Amarino Oliveira de Queiroz Universidade Federal do Rio Grande do Norte As experiências literárias contemporâneas cultivadas em língua espanhola pelos chamados povos originários das Américas configura matéria de pouquíssima visibilidade no ambiente da pesquisa acadêmica brasileira.

ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 81 Politics of Language in African Literature. Que nos diga por que razão as suas últimas obras. child . ¿Por qué no reconocer entonces que la lengua. Chinua Achebe o Ben Okry no es el de Oxford. já que. o recurso exclusivo das línguas africanas para a produção literária escrita do continente. Para trazer outro importante nome da literatura nigeriana escrita originalmente em inglês. p. para quem: Ngugi esquece-se. não é propriamente o uso do idioma herdado do colonizador como meio de expressão literár ia que torna as literatur as afr icanas cultur almente inautênticas ou mesmo as circunscreve aos domínios ur banos ou alfabetizados. em linhas gerais. Diante do exposto. publicidade e difusão da obra literária. e também noutros. revelando caminhos diversificados e abrindo espaço para interessantes soluções não só no fazer literário como na própria estrutura das línguas “tomadas de empréstimo”. sino el de los obreros de Lagos. isto agravado pelo fato de que é supostamente na Europa e nos Estados Unidos que se encontra a maior parte do público das literaturas anglófonas e francófonas. dentro do debate lingüístico. Soynka empreende em seu exercício poético e ficcional uma combinação entre técnicas assimiladas do Ocidente e o expressivo universo cultural iorubano. destaque-se o exemplo do poeta. Nas modernas literaturas da África. p. tais como The River Between ou Weep not. Descrevendo as razões que o motivaram a substituir o inglês pela sua primeira língua. ante todo. contudo. y lo importante es cómo y para qué se usan? (NDONGO-BIDYOGO. que el inglés de Amos Tutuola. Devil on the cross (romance) e I Will Marry when I want (drama. romancista e crítico Woyle Soynka: primeiro escritor da África negra a conquistar. 1992. como ya sucede en Hispanoamérica. é pertinente a constatação do escritor e crítico literário guinéu-equatoriano Donato Ndongo Bidyogo: Dicen los expertos que el francés en que escribieron Amadou Kourouma o Sony Labou-Tansi no es el de París. instrumentos de comunicación. escritos ainda em inglês. 61). contrariando . em 1986. disposição também compartilhada pela maioria dos escritores anglófonos. o gikuyu.o que defendeu no seu ensaio Decolonising the Mind . que o imperialismo cultural manifesta-se no domínio lingüístico. Neste sentido. p. recorrendo à memória e às tradições orais bem como a um profundo engajamento social e político. todas las lenguas. el español de María Nsue y de Maximiliano Nkogo no es el de Burgos o Madrid. Ele que o diga. do Caribe e da América Latina produzidas em línguas europeias é cada vez maior o registro de experiências estética e politicamente inovadoras. cultural e literário de intenção hispanista as múltiplas realidades através das quais . Thiong’o baseia seu argumento numa possível maior capacidade de apreensão das culturas africanas através das próprias línguas autóctones. (VENÂNCIO. a posição dos escritores africanos francófonos admite a legitimidade e reivindica o uso dos dois procedimentos. sino el que se habla en los suburbios de Abidján o Brazzaville. son. Os próprios livros de Ngugi. Esta atitude foi contestada por vários autores e críticos literários como é o caso do angolano João Carlos Venâncio. o argumento defendido por Ngugi Wa Thiong’o não chegaria a estabelecer um consenso sequer entre seus pares.de certa forma . propriamente dito. atendo-se ao modo pelo qual a utilização das línguas tomadas de empréstimo legitima o exercício criativo desses autores. co-autor). 23). o prêmio Nobel de Literatura. sino el de la gente iletrada de Luanda o Maputo. 2006. 3) De acordo com grande par te da crítica literária africanista que adotou opiniões concordantes. de 1986. entendendo que o vasto leque de possibilidades investigativas que se abre no espaço acadêmico brasileiro revela tanto a urgência quanto a necessidade de atualizar e incluir. sino el de Malabo y Bata. como o da publicação. que el portugués de Luandino Vieira o de Pepetela no es el de Coimbra o Lisboa. são exemplos perfeitos de como a ficção africana nada perde em autenticidade cultural por utilizar idiomas da colonização como meio de expressão literária. (LEITE: 1998. y que. foram imediatamente traduzidas do gikuyu para o inglês? Na verdade.

uma vez que tal atividade. Luis Cárcamo-Huechante e Emilio del Valle Escalante (2012) argumentam que a emergência desse corpus autoral não apenas põe fim ao império dos indigenismos crioulos e mestiços. estético. Um extenso leque de exemplos caracteriza esta tendência. a partir de experiências literárias à margem. Bem a propósito. cultura. se anticipa en el terreno de la literatura escrita.82 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS se movimenta o castelhano em sua condição de idioma de comunicação. Muitos de seus autores encontrariam forte substância na tradição pré-colombiana. para ficar com apenas quatro desses nomes. sobretudo. epistêmico e político representa importante fenômeno ocorrido na produção simbólica do continente: En estas literaturas se reconfiguran las subjetividades indígenas y se cuestiona la hegemonía de “literaturas nacionales” circunscritas al imaginario de la población hegemónica criollomestiza de los Estados-naciones dominantes. seja por um particular procedimento de reinvenção lingüística e renovação estilística motivado pela interpenetração cultural cada vez mais ativa e diversificada. no imaginário americano e na realidade sócio-cultural dos povos indígenas e seus descendentes. os pesquisadores Arturo Arias. Tal caráter parece pontuar grande parte dos discursos identitários formatados. em “Literaturas de Abya Yala” 1. algumas vozes literárias contemporâneas emanadas dentre os povos originários das Américas. Mas é principalmente durante todo o século posterior que várias destas literaturas escritas passaram a experimentar de efervescência criativa na busca de uma autonomia estética. artigo que intenta realizar um breve mapeamento das escritas contemporâneas de autores e autoras na América de língua oficial espanhola.e também em língua castelhana. pese as sucessivas tentativas de apagamento decorrentes da experiência colonial. o processo de re-apropriação da língua do colonizador constitui uma das tendências claramente identificáveis em grande parte da obra assinada por representativos nomes das literaturas latino-americanas escritas nestes dois idiomas ibéricos. De modo assemelhado ao que ocorre com a escrita africana contemporânea em português e espanhol. passando pelo peruano José María Arguedas até o guatemalteco Miguel Ángel Asturias. . No que diz respeito aos povos originários das Américas propriamente. que hoy articula las movilizaciones de los pueblos originarios. seja pela interferência dos idiomas autóctones e de outras línguas estrangeiras. é sabido que tanto através da tradição oral como por meio do exercício da escrita nas próprias línguas autóctones e em castelhano seu pensamento e expressão cultural tiveram continuidade e difusão. gerando assim momentos de afirmação positiva e de reconhecimento internacional. em muitos casos . ensino e literatura. envolvendo incontáveis escritores que vão desde o boliviano Alcides Arguedas ao equatoriano Jorge Icaza. La emergencia de dicha producción literaria se ha vuelto notable en países como Perú (quechua). entendida como um projeto lingüístico. como também inscreve a literatura num território de agenciamento indígena dentro do atual contexto latino-americano. pretendemos chamar a atenção para o caráter inclusivo desta condição plural e polifônica. tanto como estratégia de visibilização dos discursos poéticos e narrativos subalternizados como na condição de espaço de resignificação cultural e re-apropriação lingüística como parecem descrever. período que corresponde à independência política e à consolidação dos vários novos Estados americanos. la lucha por la restitución de soberanías y autonomías territoriales en el nivel político y social. produzidas em contextos onde também a língua castelhana comparece como protagonista lado a lado com outros idiomas de literatura. En efecto. fazendo com que esta auto-representação e essa autodeterminação literária dos povos originários das Américas configurem um modo de dotar-se de soberania intelectual. Esta característica é flagrante já a partir de meados do século XIX.

Tal es el caso de las “lecturas literarias” de los poetas Leonel Lienlaf y Víctor Cifuentes (cultores del ül o canto mapuche). Los textos no se agotan en el espacio escrito. pero de permanecer sólo en éste. pp. CÁRCAMO-HUECHANTE. Lorenzo Aillapán (sonidos pajariles del entorno mapuche). Alimentando a proposta a partir de um lugar de enunciação que se aproxima ao de Marisol Ceh Moo. lançado em 2009 pela ensaísta.. ESCALANTE. México (sobre todo maya.) romancista yucateca Marisol Ceh Moo. Dichas prácticas indigeneizantes se suelen asimismo enriquecer con el uso de las técnicas contemporáneas de la performance. la autora incursiona con su novela bilingüe en un género tradicionalmente escrito en español. Se amplifican en el evento de la performance pública. 2012). expresión de una cultura que ya no se puede encasillar en un pasado prehispánico. p. pp. ESCALANTE. 2009. que saca origen de la literatura hispanoamericana. Guatemala (maya). para além do seu contexto específico de produção. o primeiro romance bilíngüe espanhol-maia. a ensaísta e tradutora zapoteca Irma Pineda Santiago. a autora preteriu a retomada de relatos sobre a criação do mundo e outros elementos da cultura e da cosmogonia maia para investir na ficcionalização da vida e do assassinato de uma liderança social ocorrido nos anos 70 do século passado.) También resaltan en este proceso las producciones literarias escritas de autores nativos de la Amazonía. Não obstante. De modo distinto ao de outras publicações realizadas anteriormente.. CÁRCAMOHUECHANTE. 2012. Así. de acordo com a investigadora Michela Craveri. han hecho de este texto un ejemplo significativo de la nueva producción literaria en las lenguas indígenas de México. contista. en lengua española. como é o caso de XTeya.). Esto conlleva una desestabilización de nuestros marcos categoriales e invita a indigenizar “la ciudad letrada” (. su difusión estaría restringida al ámbito comunitario. 7-8) Não obstante. un corazón de mujer). por lo que para poder llegar a una diversidad de lectores y escuchas. pero con una perspectiva interna a los grupos mayas. uma vez que Poetas y escritores indígenas contemporáneos mixturan además sus lecturas públicas con recursos sonoros. zapoteca y náhuatl) y. en línea. ni en la adhesión fiel a los modelos hispánicos. ya que es una creación pensada en alguno de los idiomas originarios de nuestro país. 2012. ainda que tomando como veículo de expressão e divulgação a língua do antigo colonizador. Tal es el caso de la literatura indígena en Colombia (. tradutora e . entretanto.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 83 Chile (mapuche). (Pineda. (CRAVERI.. (ARIAS. necesariamente tiene que ser traducida al español. também ela própria poetisa bilíngue entende que esta produção literária contemporânea dos povos originários das Américas no puede concebirse sino de manera bilingüe. o de Rosa Chávez (ritualidad colectiva maya). incluyendo aquellos lenguajes del entorno animal y natural. as práticas literárias desenvolvidas por vários desses criadores e criadoras não estão delimitadas apenas pelo chamado universo letrado. especialmente en las últimas dos décadas. las temáticas sociales. (. uma experiência estética inovadora e politicamente instigante como exercício de tradução cultural. El estilo de la autora.. paulatinamente. Asimismo. 25-26) En este nuevo contexto. las identidades urbanas de la contemporaneidad indígena comienzan a adquirir notoriedad en narraciones y poemarios.. comienzan a ganar visibilidad otras literaturas indígenas emergentes. visuales y corporales provenientes de sus tradiciones rituales nativas. musicales. Assim vêm se multiplicando experiências assemelhadas nos vários quadrantes da antiga América de colonização ibérica.. uma tarefa problemática. la capacidad de cruzar barreras lingüísticas y formales. ejemplificándose en la poesía de Dourvalino Moura Fernández (pueblo desana) y Daniel Munduruku (pueblo mundurucu) en Brasil. 9) o que parece configurar. u puksiikal koolel (Teya. en otras latitudes del continente. Traduzir e traduzir-se configuram. (ARIAS. a obra de Marisol Ceh Moo se caracteriza por un equilibrio entre las fuentes prehispánicas y una experimentación formal. tematizando a mobilização das populações autóctones na península de Yucatán.

: Heinemann. “Para una teoria literaria hispanoamericana”. para que juntos possam contribuir para a conformação de um novo tecido social onde as novas gerações vivam e convivam num ambiente social pluricultural e plurilingüe. Lisboa: Ministério da Educação . por conseguinte. winter 2012 : volume xliii : issue 1. Nota 1 No idioma cuna do Panamá. conforme já apontava Antonio Cornejo Polar (1999) na penúltima década do século passado.mxcppdfla_auto traduccion_irma_pineda.H. Portsmouth. CRAVERI. Irma. Decolonizing the mind: the politics of language on African Literature. Oralidades e escritas nas literaturas africanas. Lisboa: Colibri. a expressão Abya Yala significa “tierra en plena madurez”.: Consejo Nacional para la Cultura y las Artes (Letras Indígenas Contemporáneas). pp. un corazón de mujer. Lima-Hanover. THIONG’O. Marisol. Literatura e poder na África lusófona. não apenas um conceito. 1986. 1990. México D. mas também como uma riqueza a ser explorada no sentido de fazer valer. Nº 50. Referências bibliográficas ARIAS. 2009. mas também um exercício cada vez menos restritivo de literatura e do próprio fazer literário. London: J. Luis. Ngugi wa. 2006. VENÂNCIO. pois.pdf Acessado em 12 ago 2012. e onde o saber indígena seja um componente fundamental das novas sociedades. tributárias das criações na oralidade e do letramento em língua espanhola se nos coloca.gob. Lasaforum. CEH MOO. Teya.F. PINEDA. un corazón de mujer. POLAR. Año XXV. “X-Teya. Recife: UFPE. Michela. como um desafio permanente. 13.pdf. Amarino Oliveira de. Disponível em: http://www. Literatura Indígena.edu/ PDF/lacs_event_040306. As inscrituras do verbo: dizibilidades performáticas da palavra poética africana.Instituto de Cultura e Língua Portuguesa. José Carlos.hofstra. A dinâmica ascendente dessas escritas bilingües. 2007. 9-12 QUEIROZ. 2do. LEITE. Arturo. NDONGO-BIDYOGO. Curry. 2008.84 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Retomando as considerações do poeta e professor de literaturas indígenas Natalio Hernández (1990). Conferencia en Hofstra University. Ana Mafalda. México: DGCP. Semestre de 1999. “Literaturas de Abya Yala”. La autotraducción en la Literatura Indígena: ¿cuestión estética o soledad? Disponível em: www. Literatura guineana: una realidad emergente. é a própria Irma Pineda Santiago quem indaga sobre o papel que devem desempenhar os escritores indígenas no futuro. Rev ista de Crítica Literaria Latinoamericana. . HERNÁNDEZ. Antonio Cornejo. Donato. ayer y hoy. Emilio del Valle. CÁRCAMO-HUECHANTE. e é através dela que os movimentos indígenas costumam identificar o continente americano em sua totalidade. N. n. Natalio.1998. 25-26. El Caracol. de Marisol Ceh Moo”. Acesso em: 5 mai 2006. pp. o estabelecimento de um diálogo permanente entre escritores de diferentes línguas e culturas no mundo. Programa de Pós-graduação em Letras. 3 de abril.culturaspopulareseindigenas. ESCALANTE. um dos iniciadores do movimento de escritores indígenas no México.1992. fazendo suas as palavras do professor mexicano e defendendo. Tese de Doutorado.

ainda. do chabacano e de outros idiomas nacionais das Filipinas.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 85 ÁFRICA. Com destaque na expressão arquitetônica. por exemplo. Argélia. ao sul do Pacífico. as leis do mercado editorial. as relações entre o cânone e as margens ou a eleição de prioridades na hora de propor e cumprir os atuais componentes curriculares dos cursos de Letras. Vejamos. Presente como língua co-oficial até o ano de 1987 ao lado do tagalo e do inglês. atualmente o castelhano enfrenta um delicado processo político particularidades e implicações culturais do idioma espanhol e sua apreciação como língua de literatura a partir de outros contextos que não o peninsular ibérico e o hispano-americano parecem representar. a questão identitária hispânica revela algumas complexidades do ponto de vista linguístico nas Filipinas. Se nos ocuparmos da Ásia e da Oceania teremos o judeu-espanhol ou ladino de Israel e sua presença na comunicação e na literatura. ou literatura filipina escrita em . a crescente utilização dessa língua como recurso literário por parte de vários autores e autoras oficialmente francófonos nos Camarões e na Costa do Marfim. a resistente presença do idioma na comunicação e na expressão literária produzida no Saara Ocidental e nos acampamentos para refugiados saarauis em Tinduf. na África. sugerindo uma discussão que passa por questões diversas como o direito à informação. as diversas língua espanhola. o chamorro de Guam e das ilhas Marianas: cada um destes exemplos aponta em maior ou menor grau para a emergência do tema proposto. no artesanato. as relações do guanche autóctone com o castelhano das Canárias e suas implicações culturais. ÁSIA E OCEANIA: FRONTEIRAS FLUIDAS DO HISPANISMO Amarino Oliveira de Queiroz Universidade Federal do Rio Grande do Norte Salvo raras exceções. a colonização e a descolonização intelectual. na dança ou na manutenção de uma religiosidade católica que perpetua. uma grande área a descoberto no que tange aos estudos hispanistas desenvolvidos em território brasileiro até o presente. o jaquetía ou haquitía do Marrocos. a chamada literatura filhispana. a literatura hispano-negro-africana da Guiné Equatorial. as inserções hispânicas sobre a cultura rapanui da ilha de Páscoa. e a interferência do castelhano na formação do tagalo. com suas respectivas literaturas. inclusive. o ritual católico da crucificação durante as festividades da Semana Santa.

a quase totalidade destes registros escritos desapareceu. Em sua Breve Historia de la Literatura Filipina en Español. Cuando Filipinas “siempre” ha sido hispanizada. realizada por missionários católicos. Federico Licsi Espino e Mariano Loyola. como veremos a seguir. por volta de 1593. conforme mencionado. causada pela supressão do castelhano e da crescente anglicização do país. que também defende o conceito de fil-hispano em parte de sua obra gravada simultaneamente em inglês e espanhol. la franca . uma simbiose cultural filipina perpassada historicamente por elementos autóctones e hispânicos.los filipinos somos un nexo viviente entre Occidente y Oriente. o teatro. apesar de exemplos curiosos como o do cantor Josh Santana. Gómez Rivera refere ainda a existência de uma literatura hispano-filipina contemporânea. representada por nomes como os de Antonio Fernández Pasión. La mirada naturalista y determinista. o surgimento de uma expressão literária filipina é bastante anterior à chegada dos colonizadores espanhóis. Bem a propósito. rápidamente sufrieron primero el trueque cultural y la supresión del pasado. resistindo como língua de literatura. de artistas que defendem uma estética abertamente fil-hispana. autor de importantes textos ficcionais. Cultivada inicialmente em tagalo através de alfabeto silábico próprio. Marra Lanot ou Wystan de la Peña. y después. Somente no século XVI. De allí el debate actual y absurdo de si Filipinas debería hispanizarse de nuevo o no. y ahora de nosotros frente a nosotros mismos. na qual floresceram. opinando sobre a polêmica instaurada a partir de uma possível “rehispanización” cultural e linguística do arquipélago das Filipinas. correspondendo ao período formativo e onde predominaram a poesia e a crônica. para a formação do idioma chabacano e de outras línguas locais. poéticos e da letra do hino nacional filipino. ou pela iniciativa. em que se desenvolveram a poesia e o ensaio. ou seja. na sua literatura contemporânea. além da poesía e do ensaio. Edmundo Farolán Romero. tanto de los españoles y de los norteamericanos.. María Dolores Tapia del Río. Elisabeth Medina. a escritora Elisabeth Medina (2000) afirmaria que: . eliminada por iniciativa dos conquistadores da mesma maneira como ocorreu com a maioria dos códices pré-colombianos nas Américas. a da decadência. dramáticos. durante o século XIX. é que foram aparecendo os primeiros criadores. caso do já referido cantor pop Josh Santana ou da artista plástica e escritora Paulina Constancia. encontrando reverberação também. na atualidade. com a introdução da escrita em espanhol com caracteres latinos. o escritor Guillermo Gómez Rivera (2001) propõe uma periodização dessa literatura em quatro principais etapas: a inicial. Esse caráter fil-hispânico é igualmente defendido por outros setores artísticos e culturais naquele arquipélago asiático. Somos de los dos mundos y los dos mundos son nuestros. no século passado. e mais Edwin Agustín Lozada. Não obstante. Além dos trabalhos individuais em livro. Sólo que los “filipinos” nacidos a partir de 1901. a de crescimento. além de contribuir. O debate acerca do tema provoca opiniões diversificadas e nem sempre favoráveis nos mais diferentes setores da vida nacional. essa expressão contemporânea da literatura filipina em língua castelhana é alimentada pela publicação de revistas como “Guirnalda Polar” ou “Perro Berde”. o conto e o romance. no campo cultural. apesar da atual vigência e prestígio interno do idioma inglês. a da plenitude. com destaque para o nome de José Rizal.86 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS de restabelecimento desta condição.. A essa lista de autores e autoras podemos acrescentar o próprio Guillermo Gómez Rivera. dentro e fora do arquipélago. também se expressam literariamente em castelhano. Concepción Huerta. criadores bilíngües que. dijo que éramos indios o asiáticos y por lo tanto debemos atenernos a ser lo que somos y nada más.

portanto.. Guy Merlin V i-M Tadoun. ainda que escrevendo paralelamente em outros idiomas por motivações muitas vezes coincidentes. disposto entre parênteses. Germain Metamno. editor de literatura e professor de língua espanhola. Edmundo Farolán (1981) apresenta uma voz lírica ambígua que. contos. Edmundo Farolán Romero revela através da voz lírica o duplo lugar cultural de um autor que. 152-153). en línea). na permanência e atualidade dessa particular expressão literária. Honrando al Rey Felipe. é novamente o hispanista italiano Andréa Gallo quem observa: el gran problema del escritor filipino que decide escribir en español es la falta de un público nacional y en consecuencia la falta de un público internacional. [. sigue manteniéndose viva y representando una tradición que para muchos filipinos es patrimonio de identidad. este país mestizo... Joe y MacArthur. Encuentro el hispanismo de Aparri hasta Joló: Filipinas y España. ¿quién soy yo? Y busco en lo español al indio filipino.) […] Pero pronto llegaron las aves de rapiña— El gringo o el yanqui su nombre no importa. la pregunta. francês e outros . un punto de vista sobre la realidad. O uso literário do castelhano em países asiáticos como as Filipinas é uma realidade compartilhada com a de alguns Estados africanos. além do espanhol. transformaram o castelhano literário em sua verdadeira plataforma de expressão. política e identitária. La nobleza cristiana se esfuma en estas islas. Allí es donde me meto. el nombre Filipinas. (. (Y yo me desespero. p.) Estamos delante de textos escritos y publicados (. dividida entre os dois idiomas oficiais do pais: o árabe hassania e o espanhol. um curioso diálogo intercultural: Y llegó el español a esas islas indias Magallanes su nombre. 30-31) Autor de poesia. A ese archipiélago de numerosas islas Descubiertas el año mil quinientos veintiuno. “pone de manifiesto el sincretismo original de la nación filipina” e estabelece. textos que a menudo hablan de Filipinas o que de todas formas presentan un enfoque. Ya no soy cristiano. A G. entre outros). I. al dólar y al peso. Situação similar vive a literatura produzida no Saara Ocidental. una sensibilidad. idiomas. Farolán desenvolve outras atividades lingüísticas como a tradução para o tagalo do conhecido romance de Ricardo Güiraldes. tagalo. (MEDINA. Margalit Matitiahu) e filipinos que escrevem em chabacano e espanhol o hispano resiste. de familias filipinas. la espada en la mano. Sin embargo esta situación no ha decretado la muerte definitiva y permanente de esta literatura. Don Segundo Sombra. em países oficialmente francófonos da África diversos escritores e escritoras ak o mé (Robert Johlio. En su lugar el inglés y su música tonta.) por filipinos. 20062007. 1981.] (FAROLÁN. ni en los países hispanos. Me gusta jazz y disco. (En esta lucha del Yo. 2000 . que a través de diferentes voces. Nascido em Manila em 1943. novela. para dizê-lo com palavras de Andreas Gallo (2007:160). o bien en el extranjero (fenómeno en cierta forma común a otras literaturas post-coloniales). una interpretación del mundo peculiarmente filipina y curiosamente son textos que se dirigen a los filipinos. textos teatrais e ensaios críticos. Apostando. hombres y mujeres nacidos en Filipinas. Em seu poema “Elogio a la Hispanidad”.. bien en el suelo patrio. Céline Cléménce Ndé e Mbol Nang. Me gusta el dinero. Inongo-V i-Mak ako mé. pp. a este camino voy yo. Lo mataron al león el león de Castilla. convertendo-se numa opção estético-literária.. Soy “brown” americano. se expressa literariamente em inglés. Tras dos razas unidas.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 87 tergiversación y aniquilamiento de su conciencia histórica.. (GALLO. Se para israelenses que escrevem em judeu-espanhol (Avner Pérez.

Conforme assegura o poeta Mohamed Salem Abdelfatah (2007). três influências principais: a tradição oral fortemente apegada à natureza e às vivências de seu país. acumula força nos acampamentos para refugiados saarauis montados em território argelino. real e simbolicamente. esta recente literatura hispano-saaraui envereda ainda pelo romance. Divididos. sob condições muito particulares. Apesar de ter quase toda a superfície territorial inserida dentro da zona desértica homônima. entre os mundos arábico-africano e europeu-ibérico. muitos dos autores e autoras saarauis refletem. Mohamidi Fakal-la. Larosi Haidar. ganhando expressividade como língua de resistência cultural que se caracteriza pela influência de arcaísmos do castelhano ou a assimilação do idioma árabe. sobretudo através do conto e do ensaio: Mohamed Ali Ali Salem. a República Árabe Democrática Saaraui foi invadida e ocupada militarmente pelo exército marroquino. Fatma Ghalia ou Limam Boisha entre eles. Não obstante. Además de temas que reflejan la vida cotidiana de la sociedad saharaui no exenta de sentimientos tan universales como el amor. sobretudo a partir do exterior. o que teria motivado a sua invasão e ocupação militar quase que imediatamente após declarada a sua independência. Bahia Mahmud Awah. la felicidad y la profunda pasión por hacer que la vida de los saharauis deje de ser rutinariamente triste y dolorosa. No es hasta finales de los ochenta y principios de los noventa cuando parece que comienzan a aparecer atisbos claros de una poesía seria. De acordo com o estudioso Francisco Cenamor (2008). além de desenvolverem intensa relação com o universo hispano-americano. preocupada por todo lo que acontecía en su entorno. recuperada da tradição para o formato impresso através de vários livros que vêm sendo publicados. em síntese. Além de cultivar fundamentalmente a poesia. como dissemos. passados três meses de sua autoproclamada e até hoje não reconhecida independência política comandada pela Frente Popular de Liberación de Saguía el Hamra y Río de Oro. passando a ser objeto de uma disputa política que envolve confrontos armados e negociações diplomáticas sem solução até os dias atuais. diversos criadores se dedicam também à prosa.88 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Território cedido por acordo em fins de 1975 pela monarquia espanhola ao Marrocos e à Mauritânia. pois. ou Frente Polisario. Um juízo descuidado poderá classificá-la como incipiente. Zahra Hasnaui. já que grande parte de seus escritores e escritoras vive fora do país. también una evidente preocupación por lo que pasaba en el mundo. também ao longo de suas obras uma multiplicidade de vivências culturais que por sua vez reivindicam. no sólo la lucha del pueblo saharaui y sus aspiraciones de libertad. a ampliação desses espaços. a produção saaraui em castelhano revela uma forte interferência da criação poética e narrativa na oralidade. sino. de quem está fisicamente separado por enormes muros especialmente construídos para este fim. profunda. 1 . que já vem se arrastando há mais de trinta anos. Localizado ao sul do Marrocos. com escritores como Ahmed Mulay Ali. Mesmo com uma produção mais reduzida. também conhecido por Ebnu. o Saara Ocidental também divide fronteiras com a Argélia e a Mauritânia. no mundo árabe o saaraui é conhecido como um povo de poetas e sua atividade apresenta. embora venha perdendo espaço gradativamente nos territórios ocupados. a poesia em castelhano da Espanha e da América e a luta pela independência do Reino de Marrocos. Mohamed Sidati ou Abderrahman Budda Hamadi. na condição de língua co-oficial ao lado de uma modalidade local do idioma árabe. A língua espanhola aparece ali. o país é rico em jazidas de fosfato e em atividade pesqueira. Quanto à atividade literária. porém torna-se necessário acrescentar que o seu surgimento é relativamente recente: as primeiras manifestações literárias registradas em espanhol por autores locais tiveram lugar nas últimas décadas do século XX.

pela projeção que está alcançando. Perpectivando.aquí particularizadas nos recortes canário e cubano se revela na forma de uma sensível metáfora para atestar.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 89 Mohamed Salem Abdelfatah Ebnu atuais das letras hispano-filipinas e saarauis.com/numero25/ sahara/sahara. CORDIVIOLA. a mescla das experiências. complementa seu raciocínio defendendo que a poesia local em espanhol. Salka Embar ek ou Fatma Ghalia Abdesalam. “Poesía saharaui en castellano”. Mohamed Salem. Disponível em: http://letraclara. no debate brasileiro de intenção hispanista. / y a las tres / las quiero por igual”. entendendo que esses espaços representam um contributo à parte na perspectiva do redimensionamento de conceitos como hispânico e hispanidade (CORDIVIOLA. Saleh Abdalahi. 2005. Referências bibliográficas ABDELFATAH. Los versos de la madera . In: La Guirnalda Polar Núm. Conforme se pode observar através do sujeito poético de “Poligamia”. “La poesía saharaui”. Mohamed Salem. Francisco. agosto 2003. 2005. Sukeina Taleb e Zahra Hasnaui. culturas. Desafiando. Bahía Awah. culturais e literárias relacionadas ao castelhano hoje. “Literatura hispanofilipina: pasado. pois. Ali Salem Iselmu. felizmente. In: Revista Ariadna 25. Imaginação. Disponível em: http://www. Las Palmas: Puentepalo. FUENTES. insistem em brotar. Recife: PGLetras/UFPE. interferências como as dos escritores filipinos Elisabeth Medina e Edmundo Farolán ou dos saarauis Mohamed Salem Abdelfatah e Limam Boisha. Embarek O conjunto de elementos híbridos resultantes do progressivo contato entre realidades díspares como a afro-arábica e a hispana encontram na expressão cultural saaraui motivação criadora permanente. O escritor integra a chamada Generación de La Amistad. 2004. poeticamente. 82 – Pluralidades. pluralizando-os culturalmente e estendendo pela fluidez de suas fronteiras a transversalidade de manifestações como essas.com/ Acesado em: 22 abr 2008. Luali Lehsan. Chejdan Mahmud. constituem o coletivo Limam Boisha. sua emergente presença no cenário das letras contemporâneas assinala também que à literatura hispano-saaraui toca caminhar afirmativamente ao lado das outras tantas expressões literárias que a partir da África. À guisa de ilustração. CENAMOR. dispondo-as de forma mais abrangente e buscando assimilar a fluidez com que têm se movimentado. as várias realidades linguísticas.htm Acessado em 3 abr 2007. Um mundo singular.wordpress. embora a literatura saaraui em espanhol conte com ma A hame d. FAROLÁN. duas de suas vozes no feminino. a fim de que questões como a condição da hispanidade se coloque num patamar além das reinvidicações “nacionalistas”. Além de Mohamed Salem Abdelfatah. S alka outras representantes como F at atma hamed. Cuba y Canarias. ao confessar a existência real e simbólica de “tres…/ tres amantes: Sáhara. portanto. ideias e sentimentos que ali encontram lugar. poema de Limam Boisha publicado em Los versos de la madera (2004). tão interessantes quanto desconhecidas.ariadna-rc. os recortes aqui esboçados buscaram realizar o registro de alguns nomes presente y futuro”. memória e conflito na literatura hispano-americana do século XVI. hispanas e latino-americanas . Limam. 1998). converte-se numa ponte que tende a promover um rico encontro entre a cultura autóctone do Saara Ocidental com as culturas espanhola e iberoamericana. . a relação com outras alteridades africanas. Alfredo. parece-nos necessário e inadiável incluir. BOISHA. especial: Cultura y literatura saharaui. Edmundo. tantas vezes legitimadoras de uma pureza original tanto descabida como anacrônica. um dos mais ativos grupamentos de escritores reunidos em torno da causa saaraui no exílio. as incertezas política do país.

ariadna-rc. Edmundo. 1981. Programação e Caderno de Resumos. No 2 (2006) & Vol 4. 150-174.geocities. Disponible en: http:// www. “Elogio a la Hispanidad”. Quezón City. No 1 (2007). pp.html. Org. número 25. Elisabeth. MEDINA. Maceió. “¿Literatura Hispano-Filipina Disponible en: http://hispanismo. “De la invisible presencia: voces literarias en español desde África y Asia”. Madrid: Taurus. “La poesía saharaui”. NOTA 1 ABDELFATAH.com/kaibigankastil/rivera7. Acessado em: 02 abr 2006. especial: Cultura y literatura saharaui. Filipinas. “Filipinas Hispanizada: ¿Una Buena Opción?” In: Hispanismo . RIVERA.html Acessado em: 4 abr 2009. In: Tercera primavera. Carlos.com/numero25/sahara/sahara. In: Revista Ariadna. Andrea. Mohamed Salem. Bogotá: Editorial Cabrera.htm Acceso en: 3 abr 2007 . El espejo enterrado. In: Humanities Diliman . 1998. 2009. Disponible en http://www. 2009. 53. A. GALLO. p. In: II Congreso Nordestino de Español. O.org/hispanoasia/5218filipinas-hispanizada-una-buena-opcion. “Breve Historia de la Literatura Filipina en Español.90 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS FAROLÁN. Vol 3. 28 de marzo de 2000. Contemporánea? Un ejemplo en la poesía de Edmundo Farolán Romero”. Guillermo Gómez. FUENTES. QUEIROZ.

la neorrealista y la dialéctica. establecido terminada la guerra con la victoria del bando nacionalista que duró treinta y seis años en el poder (1939 – 1975). pero una necesidad de la autora para que pudiera expresarse. se dividen en tres tipos: la existencialista y tremendista. generando odio.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 91 NATALIA. Las novelas de posguerra. en la que las técnicas realistas no fueron una moda. La primera etapa. por Carmen Martín Gaite. y del régimen franquista. o sea. MERCEDES Y ELVIRA – RETRATO DE LA MUJER ESPAÑOLA EN LA POSGUERRA Ana Carolina da Silva Pinto PG . 411). Entre Visillos es una novela que forma parte de la segunda etapa. desaparece el ansia del testimonio objetivo y surge una visión dialéctica de la realidad española basada en la confrontación de los estratos ideológicos y sociales. JULIA.” (RICO. por lo tanto. de forma que se observa que “la mirada apasionada del autor comienza a ser substituida por el frío contemplar de la cámara fotográfica. la existencialista.Universidade Federal Fluminense A mediados del siglo XX una nueva forma de hacer novelas pasa a ser observada en España. termina exactamente en el año de 1950 y tenía como característica estudiar la vida en las ciudades de los años 40 y la angustia existencial del individuo que en ellas vivía. p. la dialéctica. la neorrealista. pero obser vamos un cambio en la estructura de la novela. de la Guerra Civil Española (1936 – 1939) que dividió el país en dos partes (la España Nacionalista y la España Republicana). Finalmente. 1980. tal forma nueva tenía como objetivos retratar el cotidiano de las ciudades y la crisis existencial por la que pasaba el individuo que en ellas vivía. pues el protagonista individual cede la vez a un protagonista colectivo. sigue con el tema de la de la vida en las ciudades y la angustia existencial del individuo. Estamos hablando. Según Sanz Villanueva. la tercera etapa. tras pasar por una sangrienta guerra que duró tres años y que dejó sus rastros destructivos en las décadas posteriores. la neorrealista. La segunda etapa. hasta la muerte del dictador Francisco Franco. cuya lección sacamos de su Historia de la novela social española . pobreza y varios muertos en ambas partes. Publicada en 1957. la cronología no es linear y las acciones son descritas de modo simultáneo. según Gonzalo Sobejano.

301). La novela tiene inicio con la llegada de Pablo Klein. por lo menos sintieron sus efectos – Carmen Martín Gaite con Entre Visillos escribe una novela social que hace una crítica a los modelos de conducta femeninos preconizados por la sociedad patriarcal española y a la vez denuncia una sociedad en la cual la mujer no tenía vez. por lo tanto. Somos. en el libro). Ana Maria Matute (n. presentados a Natalia y a sus hermanas Julia y Mercedes. p. y dos narradores intradiegéticos. Natalia y Pablo Klein. São os representantes do chamado realismo social. el espacio que les era reservado a las mujeres de la época. Pablo Klein y el narrador omnisciente en tercera persona narran la sociedad como ven. Ignacio Aldecoa (1925 – 1969). escritor español que sigue produciendo y que también formó parte de la generación de los niños de la guerra. (SANZ VILLANUEVA apud ÁLVAREZ. Entre Visillos narra. entonces.1926). así que si no presenciaron el efectivo impacto que toda guerra engendra. Novela que le dio reconocimiento a su autora por ganar el Premio Nadal en el mismo año de su publicación. además de tratar de otros temas como la diferencia entre las clases sociales – ricos despreciando pobres y viceversa –. Entre Visillos tiene como tema principal la situación de las mujeres en los años de 1950 con todos los tabúes y privaciones que tenían que enfrentar. Natalia. Também defenderam essa função social. pues es a través de él que la historia es delineada. esta figura inexiste en este tipo de novelas. 1994. esa es la razón de la cantidad de diálogo que observamos en ellas y es a través de ellos que la trama es conducida. principalmente. de un grupo de chicas adolescentes de clase media de los años 50. escrevem com técnicas de representação que aproximam os discursos narrativos da reportagem e privilegiam a expressão do castelhano coloquial. Jesús Fernández Santos (1926 – 1988) e Carmen Martín Gaite podem ser agrupados sob o rótulo de neo-realistas. El lector es presentado a los hábitos y costumbres de la burguesía de la pequeña ciudad española a partir de tres visiones. en especial. la vida de un grupo de jóvenes de misma generación de una ciudad provinciana española (que no es explicitada . reproduciendo. Juan Goytisolo. profesor de alemán que vuelve a su ciudad natal para impartir clases en el Liceo de la ciudad. como una cámara que registra todo lo que pasa delante de ella. Mas nestes últimos impunha-se uma concepção utilitária da arte que por vezes se sobrepunha à salvaguarda da qualidade artística da sua ficção. en estas novelas. que narran en primera persona sus vivencias e impresiones de la sociedad en la que están inseridos. y la religiosidad que no podría dejar de aparecer. El narrador no interviene en la historia. pero. retratando todo el conservadurismo y retraso de una sociedad patriarcal marcada por una dictadura que la devastó. diciéndonos que Perteneciente a la llamada generación del medio del siglo o generación de los niños de la guerra – una vez que los escritores que produjeron alrededor de los años 50 eran niños en la época de la Guerra Civil.92 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Sánchez Ferlosio. pues la novela es narrada por tres focos narrativos: un narrador extradiegético que narra en tercera persona todo lo que ve. outros escritores que orientaram a sua produção no sentido da urgência da denúncia. como se fuera una cámara lo que testimonia. A pesar de no ser el personaje principal. nos explica el motivo de la necesidad de que se hiciera en España novelas de este tipo. LOURENÇO. este personaje se configura como un hilo conductor. la cuestión de la hipocresía y del conservadurismo de una ciudad que todavía se encontraba cerrada en razón de los años de guerra vividos. pues como ya vimos. huérfanas de madre. nos es posible visualizar un retrato de las sociedades provincianas españolas del medio del siglo XX y. A través de las relaciones que establecen con los demás personajes de la trama. pues estamos tratando de una sociedad conservadora. Todos eles coincidem na defesa da função social da literatura. que viven con su padre y su tía.

sin verle la cara. habla sobre todo lo que le aprieta el corazón menos sobre sus intenciones de proseguir sus estudios en Madrid: Qué difícil era: era dificilísimo. nos complementa Concha Alborg. no provee modelos maternales positivos” (ALBORG. Me arrodillé en la alfombra y allí. y el futuro historiador de la sociedad española deberá apelar a ella si quiere reconstruir la vida cotidiana del país a través de la espesa cortina de humo y silencio de nuestros diarios. Según ella esta imagen de sus madres. dedicadas al trabajo doméstico hasta la obsesión y sin siquiera la compensación del reconocimiento por parte de unos hombres que. prefiero no vivir. Natalia no tenía madre. 38). cuando la niña empieza a crecer. lo que quiere es seguir sus estudios en una universidad. p. por lo tanto. De este modo la novela cumple en España una función testimonial que en Francia y los demás países de Europa corresponde a la prensa. 1958. (…) he arrancado a hablar y le he dicho todo de un tirón. 1997. obligándola a hacer sus tareas en la sala. que sólo quería convertirlas en unas estúpidas. con quien podría conversar abiertamente como hacía con su padre en la infancia. un hombre viudo. Saqué lo del novio de Julia. y la distancia entre padre e hija aumenta. […] Le he dicho que si tengo que ser una mujer resignada y razonable. a su vez. que estaba dominada por las tareas domésticas y por la obligación de encontrar un novio para casarse. 185). Como ya vimos. primeramente por confesar a su padre el cuanto le aburría la educación que les daba su tía Concha a ella y a sus hermanas. encerradas como el buen paño que se vende en el arca y esas cosas que dice ella a cada momento. María del Mar Jorge de Sande en sus Apuntes sobre la Novela Española Femenina de Posguerra nos explica el porqué de la orfandad de la mayoría de las chicas de las novelas sociales. o sea. sacándola de un local privado para uno público donde pudiera ejercer más control sobre la chica. pero no como cualquier adolescente de su edad y sí por cuestionar el ambiente opresivo en el que vivía la mujer de su época. donde la madre sigue las normas sociales. 229-231).ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 93 los novelistas españoles – por el hecho de que su público no dispone de medios de información veraces respecto a los problemas con que se enfrenta el país – responden a esta carencia de sus lectores trazando un cuadro lo más justo y equitativo posible de la realidad que contemplan. (MARTÍN GAITE. A los dieciséis años. por el contrario. (GOYTISOLO apud MARTÍNEZ CACHERO. Natalia descubre un nuevo modelo masculino en su profesor de alemán Pablo Klein. . por lo tanto a través de su diario que Natalia se refugiaba. (SANDE. educándolas para que tuvieran un novio rico y nada más. que. Natalia no se preocupa en conseguir un novio y menos aún en casarse. […] De lo de mi carrera no le he dicho nada. que la tía Concha nos quiere convertir en unas estúpidas. 2005. es una chica independiente. la más joven de las tres hermanas. soñadora y rebelde. no podía resultar atractiva a las niñas y adolescentes de posguerra En este fragmento podemos observar la inconformidad de Natalia con el medio en el que vivía. me puse a defenderle y a decir que era un chico extraordinario. p. sin embargo. 1993. caso su padre. Que nos volvemos mayores y él no lo quiere ver. “La sociedad patriarcal. Siendo así. Era. el cine y los seriales radiofónicos hallaron fórmulas diversas para aspirar a finales más felices. que sólo nos educa para tener un novio rico y que seamos lo más retrasada posible en todo. p. Empezamos. era el hecho de no dejar que estudiara en su cuarto. lo que hacía con que ella depositara todas sus carencias afectivas en su padre que representaba un modelo de conducta para ella. tuvieron que pensar en cómo modificar y mejorar esas condiciones de vida: en la publicidad. es Pablo Klein quien la incentiva para que hable con su padre sobre sus pretensiones de seguir una carrera. compensaban con actitudes prepotentes en la familia sus también difíciles condiciones de trabajo. Otra acción de tía Concha que también le aburría muchísimo a Natalia. a analizar a Natalia. 93-94). p. lo permita. que no sepamos nada ni nos alegremos con nada. sin embargo cuando toma coraje.

porque a Ángel no le gusta el ambiente del Instituto. cogiendo un poco las cosas que había encima.] Julia lloraba. A partir de este fragmento observamos el triunfo de Julia como persona y como mujer que toma sus decisiones y enfrenta su destino. al apoyar la unión de su hermana Julia con Miguel. puesto que son tratados como trastos lo que representa para uno la salida de la ignorancia y la apertura de puertas para la libertad. [. y es que ella por lo visto le ha contado lo de Fonsi. p. para que se uniera a un hombre que solamente buscaba una joven inocente y virtuosa para dominarla. Miguel interpreta un hombre libre e Al final de la novela sabemos que Julia. Natalia observa la reproducción de los dictámenes de la sociedad patriarcal. ¿sabe? Se va a Madrid. sirviéndole como ama de casa y en la educación de sus hijos. representa la virilidad y la fuerza física y psicológica que somete a la mujer. un guionista de cine que vive en Madrid. puesto que Miguel se niega a someterse a la tradición de pedir la mano de su novia a su padre. llegando. ya hace mucho. Con su amiga Gertru. como por ejemplo lo de su amiga Gertru que dice que este curso por fin no se matricula. 1958. Yo le pregunté por qué. no sé para qué se lo ha tenido que contar a él. a la vez.. También percibimos el papel transgresor de Natalia. se cree que vuelve después de las Natividades. como ya hemos visto en la conversa de Natalia y su padre. la hermana del medio de Mercedes y Natalia. Así le cuenta Natalia: “[…] He venido despedirme de mi hermana. (MARTÍN GAITE. a través de Natalia que le cuenta la decisión de su hermana a Pablo Klein cuando lo encuentra en la estación de tren. a ir a la iglesia para confesarse: – Pero la tentación la tengo siempre. asumiendo todas las responsabilidades que sus actitudes pueden causar. p. pero mi padre no sabe nada todavía. Si te sirve alguno. incluso. se siente culpada por el creciente deseo sexual que empieza a atormentarla. 243). […] Se sentaron en el sofá amarillo. aquella chica de quinto que tuvo un hijo el año pasado. que desaprueba tal unión. En nuestras casas no lo habíamos dicho. 1958. tengo que hacer una selección de los libros antes de casarme.94 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS registrando en él todo lo que le afligía. como también podemos percibirla en la fiesta del noviazgo de ésta misma amiga. Siendo así. . en el día de la partida de su hermana. y su familia. finalmente. En este fragmento constatamos el malestar psicológico de Julia al descontrolarse por los deseos que le atormentaban y a la vez por lo que había sentido y hecho. 11). (MARTÍN GAITE. Allí juntas. oyendo la música de una emisora francesa – tan lejos. Julia. que por fin. que son los libros. independiente que. (MARTÍN GAITE. A partir de este fragmento percibimos la perplejidad de Natalia al ver que su amiga no proseguiría sus estudios a causa de su novio. p. El novio le ha encontrado allí un trabajo. que tuvo una formación tradicional y católica. lo más malo que se puede usted figurar. 1958. decide ir para Madrid quedarse con Miguel. 83). ¿qué miras? – Que has quitado la repisa con los libros. 255). p. ¿Dónde tienes los libros? – En el cuarto trastero.. 1958.” (MARTÍN GAITE. Yo creo que si le viera mucho. al no encontrar los libros que tenía: – Sí. vive dividida entre el deseo de entregarse a su amor yendo para Madrid concretizar su unión con el guionista. que es mentira cuando le digo que me enfado por las cosas que me dice él en las cartas …. con él deseo de excitarle. Julia. volvería a pasar lo de aquel verano. sabe Dios de donde venía – Natalia se tapó la cara contra el hombro de Gertru y se echó a llorar desconsoladamente. diciéndole que me acordaba mucho de todo lo de ese año cuando nos hicimos novios. Anoche me desperté y estuve escribiéndole cosas como las que me escribe él.

en un tono casi histérico desfoga toda su frustración de vivir años reclusa en una misma ciudad. yo no me resigno. vivía a las vueltas con sus hermanas. al contrario de Natalia. pelea con la chica para que se incluya al medio social: [. como lo confiesa a Pablo Klein: No puede entender nada. puesto que la tensión erótica que surge entre ella y Pablo Klein le genera una lucha interior entre su deseo y la barrera que la sociedad patriarcal de la España posbélica le ofrecía a la mujer. qué manía de estar siempre en otro lado. quiere aprovechar la vida con intensidad. es reservada. a quien conocía desde niño. sin entrar. sin embargo se encontraba dividida entre el nuevo amor por el profesor y su pacata relación con Emilio. por Dios. representa una mujer llena de complejos. va a visitar su familia. puesto su doble condición de hermana mayor de una familia sin madre y de mujer. Elvira le escribe a Pablo Klein una carta pidiéndole disculpas por lo ocurrido. ella se reconcilia con esta misma sociedad. Es un personaje que reproduce la típica solterona de la época que como no poseía un hogar propio para preocuparse. por el cual se enamora sin nunca confesarlo. no que no sienta la muerte de su padre.Mentira. Pasado este primer encuentro. 20) Este personaje se encuentra. . Finalmente. Mercedes estaba discutiendo con Natalia. (MARTÍN GAITE.] En el pasillo. como hace Natalia. Es la responsable por reproducir. 1958. la hermana mayor de Julia y Natalia. Elvira es una chica que vive el aburrimiento del luto por la muerte de su padre. interfiriendo en la vida de ellas: desaprobaba la relación de Julia y Miguel y vivía criticando a Natalia por sus hábitos raros. Te vienes al mirador con nosotras. haciendo con que en sus posteriores encuentros no esconda la atracción física que siente por la joven. El ambiente de la provinciana ciudad le aburre. director del Instituto donde Pablo Klein vino a dar clases. pues ya pasó de la edad de relacionarse y casarse. Si le explico por qué no fui a Suiza se reirá. que dicen que con el fallecimiento de su padre debe quedarse en casa de luto.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 95 sin embargo es interesante notar que al mismo tiempo en que transgrede los valores de la sociedad patriarcal en que vive. pero no habrá entendido nada. por lo tanto. al lado de su tía-madre Concha. pasa del control de una figura masculina a otra. . que así como la tía Concha. Martín Gaite nos da otro ejemplo de mujer que cuestiona su papel en la sociedad. p. Elvira. 1958. para mostrarse una mujer independiente y segura de si. yo me desespero. Elvira también se siente atraída por la experiencia y seguridad que Pablo Klein le transmitía. p. Nos es presentada a través del propio profesor que al llegar al Instituto y saber de la muerte del director. al contrariar su familia para vivir con su novio. Mercedes.. Con su carácter difícil. no has desayunado. el modelo patriarcal del cual también era víctima. con Elvira. sin embargo lo que quiere es salir a divertirse en las fiestas de sus amigos. exhibiendo abiertamente sus amistades con otros hombres. que eso no puede ser. 55). Solamente uno que vive aquí metido puede llegar a resignarse con las cosas que pasan aquí. Elvira. A pesar de mostrarse una mujer liberal. dirá que qué disparate. pero es joven. En la cocina no hay ninguna taza sucia. A seguir podemos observar el papel de madre siendo cumplido por la hermana mayor. Don Rafael. Creerá que lo ha entendido. La carta le suena a Pablo como una carta de amor.. hipócrita y conservadora. y hasta puede llegar a creer que vive y que respira. dividido entre sus convicciones y los dictámenes de las normas sociales bajo las cuales vive. es la heroína fracasada de la novela. ¡Pero yo no! Yo me ahogo. (MARTÍN GAITE. puesto que. En este primer encuentro con el profesor. como la familia escocida. y como tal.

Martín Gaite construye. Acessado em: 12/08/2012. Ramón. Elena Fonseca. la eclesiástica y la política. sin despertar la atención de la censura. CASADO. Sin embargo. y. es a través de Natalia. el aislamiento cultural. la frustración.cotidianomujer. la traición. un malestar muy grande. Con Natalia. no tenían donde mirar. denunció. FONSECA. por las delaciones que ellas denunciaron y se las llamó la “generación del silencio”. Gonzalo (1980): Caracteres de la Novela de los Cincuenta. Mercedes y Elvira. Asa. Pablo Gil y SOBEJANO. la soledad. donde ocultaban. N° 35. Literarias. porque hacia atrás era el horror. la nada. BUCKLEY. (FONSECA. que veían la vida pasar entre los visillos de sus ventanas. Eloísa.: Historia y Crítica de la Literatura Española. el hambre. indeterminación para superar sus frustraciones. sin discursos. en que la Franco implantó su ley. por eso iban a fiestas. Em Revista Cotidiano Mujer . Después de analizar los personajes femeninos significativos de la novela. […] En ese clima surgió una generación de escritoras.). lo que la censura no les permitía. en su artículo Las Escritoras del Silencio. Madrid: Ed. en pleno año de 1957. hace su más fuerte denuncia al construir un personaje que representaba una chica rara – como la propia autora así lo definió. al cine y a la iglesia. el desarraigo. ÁLVAREZ. en segundo lugar. junto a la decadencia generalizada. 2001). que sin decirlo. en su libro Desde la Ventana – al cuestionar el espacio que le era reservado a la mujer de la España posbélica. Referencias bibliográficas ALBORG. António Apolinário (1994): História da Literatura Espanhola. la mentira.96 pues al final. Crítica. Boixadós y Aldecoa. asegurando la reproducción de los esquemas patriarcales.org. la particular represión del régimen franquista sobre las mujeres. LOURENÇO. ahogándose en las tareas domésticas y en el ambiente opresivo de tener que encontrar un novio para casarse. constatamos que Martín Gaite transgrede dos veces con Entre Visillos : primeramente por publicar una novela del realismo social en una sociedad en que solamente les era permitido a la mujer escribir lo que se quedó conocido en las letras hispánicas como novela rosa. de las mil maneras que elige la escritura para decir entre líneas. Elena (2001): Las Escritoras del Silencio. la angustia.htm. Francisco (org. Pertenecían al “realismo tremendista” y también al “cainismo”. Concha (1993): Cinco figuras en torno a la novela de posguerra: Galvarriato. Em: RICO. afirma que: Quienes vivieron la posguerra de esa guerra. Lisboa: Ed. y también la pobreza moral. p. 410-427. un personaje que representa una metáfora de futuro. Venían de diferentes regiones de España. unas más jóvenes que otras. NORA. representa la esperanza en generaciones de mujeres que consiguieron romper con estereotipos para encontrar una posición en la sociedad. Barcelona: Ed. Formica. así. Eugenio G. Eligieron un enfoque existencial. Soriano. y hacia delante. pero las unía el peso de la doble censura. que Martín Gaite. admite ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS su incapacidad e contribuye con la memoria de su país al criticar la vida de las chicas de clase media de las pequeñas ciudades españolas de los años 50. al paseo central.uy/2001/35_p31. de. quien le proporcionaría el matrimonio. la corrupción. como es el caso de Julia. Concluimos así que es a través de las entrelíneas de Entre Visillos que Martín Gaite . bajo la simplicidad de lo cotidiano. Contaron la realidad. la pobreza. por aún cuestionar el papel de la mujer de esta misma sociedad. al casino. Disponível em http:// www. escritora de la revista electrónica Cotidiano Mujer . la mayoría de los “maestros” se había ido al exilio y la necesidad de dejar su testimonio en la memoria del país. al decidir quedarse con Emilio.

523526. Crítica. María del Mar Jorge de (2005): Apuntes sobre la Novela Española Femenina de Posguerra. t u f s . p. Acessado em 01/08/2012. 8/1 Época Contemporánea: 1939 – 1975. Destino. (1958): Entre Visillos. Vol 70.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 97 MARTÍN GAITE.pdf. j p / b i t s t r e a m / 1 0 1 0 8 / 2 4 4 6 6 / 1 / acs070005. Madrid: Ed.: Historia y Crítica de la Literatura Española. Barcelona: Ed. Gonzalo (1999): Carmen Martín Gaite. Carmen (1999): Desde la ventana .). Culture Studies . SANDE. Em Area and RICO. Barcelona: Ed. Madrid: Ed. . Castalia. Espasa-Calpe. Francisco (org. SOBEJANO. José María (1997): La novela española entre 1936 y el fin del siglo – Historia de una aventura. ________. Em: MARTÍNEZ CAHERO. a c . Disponível em: http:// r e p o s i t o r y.

representado por grandes nomes.dentro e fora de suas obras-. porém dando-lhe novo ânimo.23) narrativa e o próprio ensaio. especialmente. como os textos “Verano en las colinas” e “Con legítimo orgullo”. 199. de modo distinto. a partir do século XIX. como José Martí (1853-1895) e Manuel González Prada (18441918). tornando (novamente) a América Latina objeto central de reflexão e representação nos anos sessenta. Em uma época na qual política e arte pareciam estreitar ao máximo suas relações. Neste nova forma do ensaio. sobre um tema que pode ser o mais variado possível. por sua vez. original. é interessante ressaltar que este livro foi publicado em um período de grande efervescência política e cultural impulsionada. p. em seu livro Breve historia del ensayo hispanoamericano. Sobre esses dois escritores. Cada uno. por meio do que Oviedo denominou “ensaio criativo”. Julio Cortázar (1914-1984) fez parte dessa tradição. Na América Latina. é possível encontrar exemplos do “ensaio criativo” do escritor argentino. principalmente. . os quais serão o foco da análise desse trabalho. : “Estos son los grandes padres del género: con ellos comienza la historia de nuestro ensayo. ficção e reflexão podem mesclar-se.” (OVIEDO. Em princípio. pela Revolução Cubana (1959).Universidade de São Paulo Como se sabe. Ademais. borrando os limites entre os vários gêneros concebidos tradicionalmente. os intelectuais reconheceram como uma obrigação social posicionar-se frente aos acontecimentos. assinala José Miguel Oviedo.94) Na obra La vuelta al día en ochenta mundos (1967). poesia. o ensaio é o gênero que propõe a elaboração de uma reflexão profunda. “ensayo creador debe entenderse también en el sentido de que surgen abundantes ejemplos de creadores que sienten la necesidad de asumir la función crítica como un reconocimiento de la importancia que ésta tiene para su ejercicio artístico. p.” (OVIEDO. refletindo sobre a realidade latinoamericana. subjetiva.98 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS O “ENSAIO CRIATIVO” DE JULIO CORTÁZAR Ana Carolina Macena Francini PG. frente a Europa primero y luego ante Estados Unidos. o ensaio começa a ter papel importante. 1991. contribuyo decisivamente al conocimiento de la realidad de sus respectivos países y así a definir la identidad hispanoamericana.

fotografias etc. 1996. cujas fronteiras também se borram na narrativa. os animais acabam por provocar o sentimento do fantástico.em que a conscientização dos leitores era prioridade em detrimento da criação artística-. em seu livro Entre la pluma y el Fusil (2003). a dualidade que há na relação entre o homem e o animal. considera o modo fantástico uma forma mais complexa e profunda de relacionar-se com a realidade latino-americana de seu momento. . o papel do escritor latinoamericano até considerações sobre seu gato preto. ( BETILLÓN. poemas. es que estos nos acercan al “sentimiento de lo fantástico”: su manera de vivir y de percibir el mundo son materia fértil de lo fantástico. como veremos nos “ensaios criativos” de La vuelta al día en ochenta mundos. novamente se problematiza a relação entre o humano e o animal. La vuelta al día en ochenta mundos pode ilustrar essa noção de arte defendida pelo escritor argentino.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 99 Mas havia entre os escritores polêmicas discussões sobre a forma de apropriar-se da realidade latino-americana e intervir nela. Como o próprio nome sugere. Um deles é seu aspecto comunicativo: Julio Cortázar interage com o leitor. Com sua existência irracional. há alguns ensaios que mais parecem ‘ensaios fantásticos’. chamado Adorno. Dessa forma. Em “Verano en las colinas”. Tema recorrente na obra de Cortázar. são seres alheios e incomunicáveis e. tratando-o com familiaridade. acreditavam na equivalência entre política e prática simbólica. é uma viagem aos vários mundos de Cortázar. a despeito das diferenças. Por isso. como Cortázar. escritores experimentais. os textos de Cortázar buscam explorar. Nele há contos. podem assemelhar-se em vários aspectos. tal como ocorre em seu primeiro livro de contos Bestiario (1951). dispostas de maneira aleatória remetendo às ilógicas colagens surrealistas. Esse tom informal também condiz com a temática desse ensaio. Em “Verano en las colinas” e “Con legítimo orgullo”. na prática de alguns hábitos. muita vezes. Enquanto alguns intelectuais defendiam a estética realista (os denominados anti-intelectualistas) .. é possível identificar com maior facilidade traços peculiares do ensaio. por exemplo. y que el ser humano vive como una experiencia de horror (. visando desestabilizar a realidade preconcebida pelo leitor. Pero la particularidad de los animales en los cuentos. que muitas vezes foge da nossa compreensão. se manifiestan con singular intensidad dentro o fuera de la mente humana. humor e certa ironia. ilustrações. em que o leitor poderá encontrar de tudo. conforme explicou Claudia Gilman. P. pois o escritor argentino retoma este modo de narrar dando-lhe uma nova dimensão mais comprometida. também.384) Assim. Talvez por essa razão os animais aparecem nos textos de Cortázar da maneira mais variada possível..). impossível de ser compreendida a partir da racionalidade. desde reflexões sobre o Jazz. o animal reforça a concepção de realidade absurda do escritor argentino. No entanto a própria organização do livro reforça uma das temáticas centrais da escritura de Cortázar: a concepção da realidade como absurda. y suelen presentarse como criaturas domesticadas. que apesar da convivência. citações. Sendo assim. salvajes o monstruosas. ensaios. em seus textos. as artes plásticas. nessa obra. reales o imaginarios. Nos invitan a establecer pasajes hacia “lo otro” que no pueden expresar. Catherine Bretillón faz um panorama interessante sobre esse tema em seu artigo “La animalidad como materia de lo fantástico en los cuentos de Julio Cortázar”: Los animales cortazarianos. pois consideravam o ato criador em si uma forma legítima de compromisso com a realidade e um instrumento para a ruptura desta. além de se confundirem os limites entre o ensaio e a ficção. Este livro à primeira vista chama a atenção por sua difícil ou impossível classificação.

jugué con el gato Teodoro W. Uma experiência que estes não Tal recurso para causar o efeito perturbador recobra outros textos de Julio Cortázar. como aponta Cortázar mais à frente. se torna uma experiência perturbadora tanto para os personagens como para o leitor. chamado Obispo. em que se parece estar vivenciando momentos íntimos e banais da vida de Cortázar. que. criando uma outra realidade de natureza misteriosa. p. o mundo real e o mundo sobrenatural. incontroláveis que parecem perturbar a saúde mental e física de seus criadores. p. como nos definiu Todorov. Sabemos. la sombra del obispo se proyecta en las paredes enjalbegadas. (CORTÁZAR. Magritte. “(. Daí a contradição que expõe Lukács sobre o ensaio: Refiro-me aqui à ironia que há no fato de que o crítico sempre fala das questões últimas da vida. se sobrepõem dois mundos de lógicas diferentes. e mesmo aqui do mais íntimo do íntimo. Porém.. apenas de ornamentos belos e nãoessenciais da grande vida. dejándole apenas un punto de apoyo para el pie derecho. numa relação que se torna cada vez mais angustiante ao longo do conto. criaturas pouco dóceis.¿Va a ser un libro de memorias? Entonces.. os cuidados com seu outro animalprovavelmente um pássaro-. elaborá-lo é dar forma a uma situação vivida pelo crítico.) Cuando llega la hora de comer y enciendo el cabo de vela. 1970. como nos contos “Bestiario”. grifo meu). em outras palavras. como afirma Lukács. típica do conto fantástico. do contato com o desconhecido.16. além de conjecturar sobre o tema para um próximo livro. do livro Bestiario.100 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS a qual não parece nada mais que cotidiana e trivial. Neste último relato. pois o animal de “Cefalea” também não pertence a uma fauna conhecida. 1970. que este tipo de relato se configura quando.1 podem explicar por meio de uma lógica racional: é a perturbação da dúvida. 1970. em seu livro Introdução à Literatura Fantástica . p. y veo al obispo de frente (. ¿ya empezó la arterioesclerosis? ¿Y dónde vas a instalar la jaula del obispo?” (CORTÁZAR. p. pois não se sabe de que animal se trata o Obispo e se este será assunto de um livro de Cortázar ou se de fato existe: Ya he encerrado al obispo: con dos llaves inglesas apreté el dogal de hierro que ciñe el cuello. em uma narrativa. porém sempre no tom de quem falasse apenas de quadros e livros. são as indefiníveis ‘mancuspias’. W.16). Entretanto. por sua vez. que intencionalmente as torna familiar ao leitor. por sua vez. animal que não aparece totalmente identificado no texto. o leitor se depara com a seguinte pergunta de sua esposa: “. La cadena que sostiene la jaula chirría cada vez que se abre la puerta de mi cuarto. su lado mandrágora se acusa más en la sombra. Cortázar parece relatar fatos corriqueiros de sua vida cotidiana: os momentos com seu gato T. y descubrí sobre el cielo de Cazenueve una nube solitaria que me hizo pensar en un cuadro de René le d e l’A rg o nne bataille de l’Arg rgo nne. Adorno. Adorno. a semelhança com o ensaio parece maior. a realidade e a experiência mais imediata da vida são matérias do ensaio.. em que o homem e o animal convivem no mesmo espaço.. . vão se incorporando novos dados que acabam retirando o leitor do aparentemente habitual e trazendo-lhe a sensação do estranho. enquanto passa o verão em um povoado francês: Anoche acabé de construir la jaula para el obispo de Evreux. ao longo do ensaio. A partir desse ponto. e sim tão-somente de uma bela e inútil superfície. Neste ensaio.17) Da mesma forma ocorre em “Verano en las colinas”.) me falta encarcelar al obispo que además es una mandrágora.” (CORTÁZAR. La batail 1970.15) O leitor então toma conhecimento dessas informações dadas pelo ensaísta. que tem necessidade de indagá-la. Já em “Verano en las Colinas”. começamos a duvidar da existência do gato e do Obispo. “Carta a una señorita en París” ou “Cefalea”. que vai crescendo cada vez mais. Esse “además” reforça o sentimento do fantástico no texto. ( CORTÀZAR.

não se sentiam à vontade para escrever um livro de memórias.irão comer. por outro. como propõe o ensaio. como comentado acima. poderia ser considerado um relato fantástico. O ensaísta sugere que os escritores latino-americanos. narra-se um antigo costume de um país (não especificado) de recolher as folhas secas que caem sobre os túmulos no cemitério. a angústia da dúvida seguirá até o fim do ensaio. Cortázar volta à pergunta de sua mulher sobre escrever um livro autobiográfico e tece críticas sobre isso. os túmulos estejam visíveis para serem homenageados. que força uma nova visão do leitor. como um escritor europeu. para elaborar uma essência que será utilizada para pulverizar as folhas que. Aludindo às questões de sua época. No entanto. o leitor vai se interando da lógica absurda que há num costume que aparenta ser tão inofensivo. pois lhe parece mais divertido falar de gatos e mandrágoras. exerciam uma vigilância perante aos demais escritores que deveriam. as mangostas . Contudo. pois temiam ser tachados de vaidosos ou pedantes. o “ensaio criativo” vai avançando para o seu desfecho. assim como no conto fantástico. inclusive crianças e idosos. seja um dos ensaios mais políticos de La vuelta al día en ochenta mundos. ao discutir o papel do escritor latino-americano nos anos 1960. Cortázar que não partilhava dessa ideia aponta que a consequência para os escritores latino-americanos é que acabavam ficando presos em suas próprias narrativas e no mundo real eram “señores aburridos”.que se alimentam de serpentes. porém as indistinções no “ensaio criativo” – tanto com relação ao animal quanto ao gênero – buscam. pôr o compromisso político em primeiro lugar. novamente dando destaque para “Cefalea”. questão polêmica nesse período. Cortázar declara que a ele não interessa escrever suas memórias. realidade e reflexão parecem se mesclar. A população desse país é obrigada pelo governo a recolher as folhas secas para que. nesse texto a situação. Ainda que em “Con legítimo orgullo” o animal representado remeta ao real . Se. diferentemente da quase mandrágora de “Verano en las colinas” ou das “mancuspias”. pulverizar as folhas e apanhar as cobras nas expedições na selva.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 101 ainda que de forma menos aterrorizante. na sua visão. reafirmar a concepção do escritor sobre a realidade incompreensível e inclassificável. primordialmente. Entretanto nele há uma estratégia de composição ficcional muito parecida com a do ensaio “Verano en las colinas” e nos contos de Bestiario. pois borram-se as fronteiras entre ficção e realidade e inclui-se a subjetividade do autor. por um lado.as mangostas. Para tal. sarcasticamente. fantástica. por sua vez. é familiar ao leitor e aos poucos vai se tornando estranha. ao longo da narrativa. em meio a esse estado de perturbação e dúvida. ironicamente. no dia de finados. No ensaio em questão. ele parece fazer críticas aos escritores que. assim eliminando as incômodas folhas secas. o governo organizou uma complexa campanha em que é necessário ir à selva caçar serpentes. já que seriam considerados individualistas e alheios ao engajamento político defendido na época pelos escritores de visão anti-intelectualista. Já o ensaio “Con legítimo orgullo” está ainda mais próximo ao conto e se não estivesse num livro que mescla os gêneros. dividindo as tarefas de cuidar das mangostas. mas que não deixa de conter reflexões e críticas sobre a realidade e talvez. é uma tarefa que ninguém sabe a origem e simplesmente aceita como uma tradição que não pode ser contestada: . desde uma posição anti-intelectualista. muitas vezes por causa dessa vigilância e da autocensura. o próprio ensaio contrapõe tal afirmação e confirma seu modelo estético. sem deixar de lado o compromisso com o seu momento histórico. a princípio. Porém. essa é uma campanha de que toda a população participa. Por sua vez. em que ficção.

com o tom irônico do narrador em primeira pessoa do plural. . o que também pode ser uma referência à sociedade daquele período e um questionamento da condição humana.” (OVIEDO. deteniéndonos apenas para comer (hay trozos de pan en la mesa y sobre la repisa del living) o miramos en el espejo que duplica el dormitorio. pois. sustentada pela falta de consciência dos personagens. cumpliendo uno tras otro los actos que el hábito escalona. crescendo a quantidade de túmulos e por conseguinte de folhas secas a serem retiradas: “(. parecem viver num tempo a-histórico em que tudo se repetirá infinitamente. nos inquieta “que los animales parecen cumplir destinos de complejidades extrañamente refinadas. p. la municipalidad ha expropiado los terrenos adyacentes para ampliar el cementerio. como nessa passagem: Andamos entonces sin reflexionar. pelo contrário. p.)” (BETILLÓN. nota-se que por meio do modo fantástico. Desse modo. sem fim e sem razão de ser.39). o ensaio é um “género camaleónico.. como delata o final da narrativa. Apagando os limites entere o homem e o animal. pero estamos convencidos de que a nadie se le ocurriría que puede dejar de recogerlas.. 1970. 1970.. lo que es otro modo de decir que no se ciñe a una forma establecida. Por fim. como revela a ironia do trecho. em seus hábitos.)” (CORTÁZAR. es una de esas cosas que vienen desde muy atrás. o ensaio “Con legítimo orgullo”. o “ensaio criativo” parece ter sido a forma encontrada por Julio Cortázar para dar conta das necessidades políticas e estéticas de seu momento histórico.” (CORTÁZAR. 2001.38). também parece haver momentos em que os criadores se confundem com os animais. é possível indagar a realidade e refletir sobre ela. o texto alude a uma situação de leis autoritárias e população alienada e o decorrer da narrativa delata as consequências dramáticas dessa condição: a existência torna-se um ciclo vicioso. (CORTÁZAR. conviene subrayarloqué ocurre con nuestros gloriosos heridos. p.38) Ao viver essa rotina infinita e absurda. da criação de uma situação absurda. tal como acreditava Julio Cortázar.385). 1996.29) seguiente (. foi possível analisar algumas características do “ensaio criativo”. pois sempre terão a mesma atitude: “En cierto modo nos alegra haber tropezado con tantas dificultades para encontrar las tumbas porque eso prueba la utilidad de la campaña que va a comenzar a la mañana Porém. p.102 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Ninguno de nosotros recuerda el texto de la ley que obliga a recoger las hojas secas. sin rebelarse contra ese enrevesado orden establecido (¿por quién?). 1991. sin parecer preocuparse por redefinir ellos mismos sus gestos (. incluso en aquellas cosas que podrían perturbar la tranquilidad pública.. 1970. 1970. Isso vai ficando mais nítido e mais absurdo quanto mais detalhes o narrador apresenta da campanha.. já que a cada ano são necessários mais recrutas para a expedição da selva em que cada vez aumenta o número de mortos. representa uma alegoria dos regimes políticos de opressão: “La generosidad de nuestras autoridades no tiene límites. p. [que] tiende a adoptar la forma que le convenga. além de estimular a consciência crítica do leitor. assim como afirma Bretillón. diferentemente de “Cefalea”. p.. Opressão esta. de Julio Cortázar.11) Assim. Por eso nunca sabremos -ni queremos saber. Como afirma José Miguel Oviedo. a partir da apresentação dos dois textos de La vuelta al día en ochenta mundos ..) (CORTÁZAR. con las primeras lecciones de la infancia (. os homens do conto não se diferenciam da serpente ou da mangosta ..72) Assim.) Como en los últimos años el número de bajas ha sido cada vez más grande.” (CORTÁZAR. Em “Cefalea”. p. os personagens do conto produzem no leitor o mesmo sentimento do fantástico que podem causar os animais.

reitera a sua noção de realidade que foge da explicação lógica e necessita de outras formas de narrar para estabelecer com ela um vínculo mais significativo. 383-410. São Paulo: Perspectiva. representada pelo modo fantástico. Tomo II. “La animalidad como materia de lo fantástico en los cuentos de Julio Cortázar. pobre animalito. Referências bibliográficas BRETILLÓN. criando uma nova forma do gênero que buscava sondar níveis mais profundos da realidade latino americana. CORTÁZAR. Julio (1970b). esse gênero híbrido representa seu posicionamento sobre o papel do escritor e da literatura. Entre la pluna y el fusil. os animais. ________. TODOROV. Nota 1 Lukács. Breve historia del ensayo hispanoamericano. 1970. valorizando a prática simbólica como forma de engajamento. 75) Dessa forma. Madrid: Siglo XXI de España Editores.” ( CORTÁZAR.com/doc/56014858/ essenciaFormaEnsaio. Julio (1970a). OVIEDO. p. Tradução Maria Clara Correa Castelo. Georg. GILMAN.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 103 Por um lado. nos dois textos analisados nesse estudo. Tomo I.com/doc/56014858/essenciaFormaEnsaio .” Em: Actual Investigación. Teodoro ya no sería el único en quedarse tan quieto. Buenos Aires: Siglo XXI Editores Argentina. La vuelta al día en ochenta mundos. “Sobre a essência e a forma do ensaio: uma carta a Leo Popper”. dando relevância assim tanto à criação artística quanto ao compromisso com as questões sociais e políticas dos anos sessenta. Catherine (1996). do mesmo livro. P. A temática animal vista nos dois ensaios também corrobora para essa ideia. tem maior facilidade para captar o fantástico na realidade: “Si en cualquier orden de lo fantástico llegáramos a esa naturalidad. pois como assinala Cortázar no ensaio “Del sentimiento de lo fantástico”.p. Madrid: Alianza Editorial. Por outro. “Sobre a essência e a forma do ensaio: uma carta a Leo Popper”. Introdução à Literatura Fantástica . mirando lo que todavía no sabemos ver. contrapondo-se aos antiintelectualistas. Georg. Tradução Mario Luiz Frungillo. Febrero-mayo 96. Madrid: Siglo XXI de España Editores. Claudia (2003). Tzvetan (2007) . como seu gato Teodoro Adorno. Tradução Mario Luiz Frungillo. observou-se como as características do próprio ensaio e da ficção. http://pt. Em: http://pt. José Miguel (1991). ao lançar mão do modo fantástico na ficção de seus ensaios. entremearam-se. La vuelta al día en ochenta mundos.7. LUKÁCS.scribd.scribd.

Tais relatos de experiências pessoais. subjetividade. propagam-se da memória individual para a memória coletiva política. Desse modo. durante os anos de 1976 a 1983. políticos e morais da sociedade atual. os discursos sobre o “eu” proliferamse principalmente nas regiões em que houve a queda dos regimes totalitários. o registro minucioso da vida do outro e da sua própria.. autobiografias e confissões são formas de “escritas de si” que se multiplicaram nas diferentes literaturas. Grande parte dos textos do final do século XX e início do XXI se relaciona a um dos temas da literatura da região: o viver durante e depois do golpe militar que instaurou uma ditadura de terror e repressão no país. A memória de sua própria experiência abarca também a experiência da coletividade. Testemunhos. o indivíduo necessitou contar a sua própria versão dos acontecimentos e a elaboração textual de fatos memorialistas. Esse é o caso das narrativas em primeira pessoa na Argentina.] solo tiene sentido . Durante os anos de transição e de recuperação democrática. quando algo que se supõe como fixo. Por isso. o sujeito ao narrar sua trajetória pessoal através da escrita. sejam eles literários ou não. em diversos países da região. reconstrói tanto a sua identidade quanto o passado de seu país. memórias. mas alcançam também o coletivo. (MERCER. Nesses relatos. como ocorre no texto autobiográfico Mi nombre es Victoria: una lucha por la identidad (2009). como é o caso da América Latina. discutem tanto as questões relacionadas à subjetividade quanto as relacionadas aos aspectos filosóficos. K..104 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS DISCURSO AUTOBIOGRÁFICO E A BUSCA IDENTITÁRIA EM MI NOMBRE ES VICTORIA DE VICTORIA DONDA Ana Cristina dos Santos UERJ / IL * A identidade somente se torna uma questão quando está em crise.) Na época contemporânea. A narração dessas experiências individuais revelou a existência de histórias que traziam versões diferentes das apresentadas pela historiografia “oficial”. históricos ou ficcionais funcionou (e ainda funciona) como elementos de recuperação da memória individual e coletiva. Os sujeitos presentes nesses escritos delineiam uma trajetória que parte do individual. há uma ênfase nos gêneros discursivos que abordam as questões sobre identidade. como círculos concêntricos. diários íntimos. Desse modo. a autobiografia e os gêneros textuais correlatos. da argentina Victoria Donda: “Mi historia [. coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza. postulam a identificação entre a experiência pessoal e a história da nação.

A partir dos conceitos de escritas de si e autobiografia. o pacto com o leitor se torna mais forte porque a autobiografia retrata o processo de recuperação identitária de Victoria Donda. Seu objetivo é discutir questões vinculadas à escrita autobiográfica. O texto analisado permite discutir essas questões. em par ticular a história de sua personalidade”. pois segundo Hall (2005. p.. 21) “a identidade muda de acordo com a forma como o sujeito é interpelado ou representado” e do termo “verdade” como construto discursivo. Esse processo de construção e desconstrução adequa-se à noção de identidade descentralizada difundida pelo teórico Stuart Hall (2005. A autobiografia Mi nombre es Victoria Donda (2009) inscreve-se na definição de gênero autobiográfico apresentada pelo teórico francês Philippe Lejeune (2008. ter sido apropriada ilegalmente pela família do militar que a criou. abordam-se questões da identidade como parte de um processo de construção social e cultural. 1999.. o da memória coletiva. ocorrida no ano de 2004 e noticiada em vários meios de comunicação na Argentina. A narrativa registra fatos verídicos ocorridos na história contemporânea da Argentina. O segundo. Através do relato de sua experiência pessoal. 13) na época contemporânea: uma identidade fragmentária. verificar como essa escrita reconfigura uma nova identidade para a narradora e suas implicações para a reconstrução identitária que aflora do sujeito feminino emergente dos ambientes sociopolíticos de poder e opressão. no qual os filhos dos presos . identidade e alteridade e a constituição de novos sujeitos discursivos. pois sabe existir uma realidade anterior e exterior ao texto. Dentro do texto analisado. O primeiro da memória individual.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 105 rodeada de las otras treinta millones de historias que habitan la Argentina” (DONDA. o enunciador deve permitir a sua identificação no interior do mesmo discurso. Logo. para que haja o pacto. A narrativa abrange dois planos. 243). ter o seu nome verdadeiro mudado na certidão de nascimento e como chegou a ser a deputada mais jovem do país. A existência de um pacto diminui a ficcionalidade do texto e faz o leitor acreditar na “verdade” do que lê. de uma pessoa real . em constante transformação à medida que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam. Esse é o tema do trabalho ora apresentado: a autobiografia como forma de autoconhecimento e de recuperação identitária individual e coletiva. 14 ): “[. O conhecimento desses dados extralinguísticos cria uma identidade entre a narradora. a narradora busca desconstruir e reconstruir uma subjetividade particular que a reporta a um grupo específico: o das crianças raptadas pelos militares na época da ditadura e que recuperam sua identidade anos ou décadas mais tarde. especialmente quando reconstrói discursivamente uma nova identidade para o sujeito feminino que nasceu sob o signo da opressão e foi privado de sua identidade. ocorre quando sua história pessoal se entremeia com a história do país e abrange o período sombrio da ditadura argentina. p. na qual a narradora conta como descobriu ser filha de militantes políticos desaparecidos durante a ditadura militar. quando focaliza sua história individual. de modo que a sua indagação sobre a veracidade do narrado é quase inexistente.Victoria Donda – e de maneira retrospectiva. a autora real e a personagem central. A característica que define a existência do pacto autobiográfico é a identificação do nome do autor que aparece na capa do livro com o nome que o narrador se dá como personagem principal. p. estabelecendo o que Lejeune denominou como “pacto autobiográfico” 1 . p.] narrativa retrospectiva em prosa que uma pessoa real faz de sua própria existência.

195. os fatos . no fragmento destacado. Sabe-se. A recordação está submetida à memória e essa por sua vez. 170). p. Assim. através da narradora-personagem. Viveu durante vinte e sete anos com essa família. no momento da enunciação. qual é a verdade? Para a narradora. de um fato modificador em sua vida que marca um antes e um depois em sua existência pessoal. 31) uma das características mais importantes de todo relato autobiográfico é a ideia da vida como devir. Após se certificarem de que se tratava realmente de Victoria. que Victoria foi separada de sua mãe ainda recémnascida. e entregue a uma família de militar por seu próprio tio paterno. de uma mudança ou transformação radical que a impulsione ou justifique”. foi descoberta pelas Abuelas de la Plaza de Mayo (associação da qual sua verdadeira avó materna foi uma das fundadoras). Porém. a história pessoal de Vitória narrada na autobiografia conta o que lhe aconteceu em outro tempo para transformá-la na pessoa que é agora. obrigatoriamente. Sua busca pela identidade pessoal se desenha quase que obrigatoriamente no horizonte da construção da identidade coletiva argentina. 1999. na existência anterior do indivíduo. erros. de não ser Analía. filha de José María Laureano Donda (Laureano) y María Hilda Pérez (a Cori). Grifo nosso). Esses dois planos fazem com que sua narração ultrapasse as linhas limítrofes entre a história individual e a coletiva. Essa distância faz com que a voz narrativa só se recorde daquilo que a sua memória deseje recordar e essa recordação.] si toda conclusión es el punto de partida de una nueva historia. no ano de 2007. decide candidatar-se a uma vaga de deputada. por meio de uma denúncia anônima. prevê e admite falhas. O núcleo do narrável na autobiografia – a experiência pessoal – equivale à transformação do indivíduo. Para Wander Mello Miranda (1992. omissões e deformações na história da personagem. verifica-se que a escrita já aponta para uma marca de ambiguidade: o uso do verbo recordar. O verbo delata a existência de uma distância temporal entre o momento da enunciação – o presente. p. 2009. que a “memória perfeita” é capaz de reconstruir em seus detalhes: “En aquel momento recuerdo que lo único que quería era que los resultados dieran otra cosa que la que esperaba” (DONDA. na época um importante comandante militar e que nos dias atuais está preso por delitos de lesa humanidade.o divisor de um antes e um depois no decurso pessoal da narradora . mas Victoria “[. p. esquecimentos. A partir dessa consideração. como transformação: “parece não haver motivo suficiente para uma autobiografia se não houver uma intervenção. questiona-se: como é possível falar de verdade no texto autobiográfico? A busca pela verdade dos fatos foi a luz que guiou a narradora pelo caminho de seu autorreconhecimento. ainda passa pelo filtro da subjetividade: a voz narrativa traz ao relato somente o que acredita ser importante para a compreensão da transformação sofrida. O desejo da narradora de falar de si procede do episódio que funda o ato autobiográfico na narrativa: o reencontro com sua própria história antes de ser raptada. A descoberta de uma “história pessoal” diferente da conhecida é o ponto de partida da autobiografia de Victoria..é tão importante em sua vida que aflora no relato como uma lembrança vívida.e o relato de acontecimentos – o passado. atendendo pelo nome de Analía quando. é seletiva. en aquel momento comenzaba a inscribirse el final de Analía y. Também por esse motivo. e é eleita. se abría el juego para la aparición de Victoria” (DONDA. Mas. Esse momento de transformação ..106 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS políticos nascidos na prisão eram dados para adoção às famílias de militares e notificava-se às verdadeiras famílias que a criança havia morrido. as integrantes da associação revelaram-lhe seu verdadeiro nome e sua história. a descoberta da verdade.

Nesse aspecto. Ela é o norte da narração porque.. não há como afirmar que as suas experiências pessoais ocorreram da maneira como se apresentam na narrativa. podem-se possuir tantas verdades quantos pontos de vista em seu relato. Sua história é narrada através de outros relatos fragmentários que tampouco dão conta da realidade tal como ela foi. representa a si próprio através do retrato do “outro”. apenas sostenido por declaraciones cruzadas de testigos y gente que les conoció [. . Sua identidade pessoal é construída através de seu olhar e do olhar dos outros sobre si mesmo. todo ló que sé de mis padres y el destino que corrieron se fragiliza.]” (DONDA. através da narração. mas eles realmente aconteceram como ela conta? Se o que ela lembra está relacionado à subjetividade ou aos fatos relatados por outrem. as experiências pessoais que edificam o autorretrato de Victoria não advêm somente de suas lembranças. Se cada olhar traz um ponto de vista. porque os acontecimentos podem ser alterados segundo a visão de quem os conta. esses relatos estão repletos de subjetividades. O momento da escrita autobiográfica faz convergir um “eu” que ao mesmo tempo é um “outro”. A impossibilidade de contar o passado ocorre também da dificuldade de o individuo aceder aos momentos anteriores de sua vida. necessita de narrações alheias. tal como ela relampeja num momento de perigo” (BENJAMIN. A contradição presente no texto autobiográfico de apresentar o vivido e a sua representação discursiva realça para inúmeros teóricos. Significa apropriar-se de uma reminiscência. dos relatos das “abuelas de la Plaza de Mayo” e dos textos históricos da época. a narração autobiográfica só existe enquanto discurso e não pode ser conclusiva. p. entre eles Leonor Arfuch (2010. entre o “eu” que se foi e cuja vida se narra e o “eu” que se é no momento da escrita presente no texto autobiográfico. É a divergência entre a vida e a escrita. a percepção de verdade depende sempre da visão de quem reconta os fatos: “Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo ‘como ele de fato foi’. saber quem é: La verdad. Duque-Estrada (2009. Os diversos “olhares” inseridos no relato autobiográfico de Victoria colaboram para tornar tênue a noção de “verdade”. questionou-se o próprio conhecimento histórico. mas das pertencentes a outras pessoas: dos amigos de seus pais. logo. Sua identidade é construída por meio de diversos “olhares” que se entrecruzam entre o seu presente e o seu passado. enredase com as das outras pessoas que conviveram com ela e com os seus verdadeiros pais: “A partir de este momento.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 107 contados constituem “a verdade”. como a contemporânea. então. 1985. por más consecuencias que puede tener sobre una existencia. sua autobiografia vai além de si mesma. Como construções linguísticas. Logo. reestruturá-la e contar os fatos como eles aconteceram. No texto analisado. 224). p. 2009. essa constatação não impede a voz narrativa de buscar a “verdade”. 43).. Para tal. por dolorosa que sea. logo. Desse modo. Se o acesso ao passado só pode ocorre pela textualidade. 17) também aborda essa contradição ao afirma que: Talvez a maneira mais apropriada de abordar o tema da autobiografia seja afirmando positivamente aquilo que ela não pode ser. para a narradorapersonagem conhecer a “verdade” sobre quem foi lhe permite. no momento da escritura. p. Esse fato ocorre na autobiografia analisada. p. “a impossibilidade da narração de si mesmo”. de sua verdadeira família. afirmando a sua impossibilidade de cumprir a sua mais profunda promessa: apresentar a verdade de uma vida reunida numa trama narrativa. Em uma realidade dúctil. A estética pós-moderna mostrou a impossibilidade de o homem conhecer a realidade e representá-la através da linguagem. Com isso. o relato autobiográfico falha em sua premissa principal: rever a história de si mesmo para. 136).

2009. a narradora – em um movimento de sinceridade próprio à autobiografia . No se trata de una simple verdad de un nombre. incorporar a Analía y avanzar.] demasiadas cosas habían sucedido desde que conocí la verdad sobre mi identidad. (DONDA. Desse modo. y aquel documental representaba el comienzo de un nuevo periodo en mi vida: Victoria. lo cierto es que así fue como las viví. Nesse “espaço biográfico” (ARFUCH. p. La verdad afirma la existencia. 54) Uma vez que a construção identitária no mundo contemporâneo se relaciona também com o seu lugar no mundo social e cultural. quien se había ido formando durante todo aquel tiempo. a narradora reconstrói o passado individual e o A afirmação presente ao longo da autobiografia de que os fatos relatados são como os vivenciou é importante para a narradora-personagem alcançar seu objetivo primordial com a escrita: sua recuperação identitária. es la condición para ser uno mismo. Voltar ao seu passado é buscar uma nova versão para os acontecimentos. a narradora rejeita a opção de experiência “verdadeira”. Entende que a escrita de sua trajetória é incapaz de traçar um retrato “verdadeiro” de quem ela foi. la historia de un país que aún tiene problemas en reconocer y aceptar su pasado” (DONDA. essa cisão ocorre entre uma identidade que se autorreconhecia como Analía e que agora de autodenomina Victoria: “Se ló debo [a identidade] a Analía. e fragmentária de sua identidade: reordena a sua experiência pessoal para conceber os limites e a interseção entre Analía e Victoria. sua identidade pessoal mesclase com a identidade coletiva. p. p. Victoria y Analía eran al fin la misma persona. pois mostra a busca identitária a partir da cisão entre a identidade anterior e a atual. 2009. Y esa persona era yo. 244).. y por más complejo que pueda parecer hacer referencias a aquellas cosas como integrando una verdad incuestionable.. No texto analisado. pois a voz narrativa afirma que a confecção de um documentário cinematográfico também foi essencial em sua busca identitária.22). mas não a de “experiência vivificada”. não é somente através do discurso escrito que reordena a sua trajetória pessoal. 2009. em sua reconstrução discursiva. 2010) do documentário e da autobiografia. Ao contar sobre a sua própria vida. trazendo à tona o discurso controverso da autobiografia. Porém. a personagemnarradora assimila a pluralização de suas identidades. 219). de un origen o de una filiación. Entender a sua trajetória pessoal é entender também a de seu próprio país.percebe a impossibilidade de exprimir toda a “verdade” dos fatos na escrita devido à distância temporal entre o momento da enunciação e o vivido. 2009.] mi historia es puesta al desnudo. p. A questão identitária é um dos temas mais importantes nas escritas atuais e torna central no texto autobiográfico.108 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS es la condición esencial para ser.236) Porém.. com o objetivo de revelar como o discurso hegemônico da ditadura modificou a sua história e a de seus pais. p. a narradora-personagem se apropria do discurso autobiográfico para pôr em ordem a vivência caótica . acredita que sua enunciação retrate os fatos tais como os vivenciou: Contar aquel momento a través del filtro de una verdad revelada años después no sería ni justo ni honesto. definirse. foi fundamental a contribuição da identidade construída no passado: [. Victoria se conscientiza de que para construir a identidade atual. (DONDA. (DONDA. quien no pudo sino sucumbir y sacrificarse para que la verdad ocupase su lugar en la historia” (DONDA. podía finalmente aceptar. Mas. Com esse ponto de vista. a voz narrativa não pode abarcar o “eu” sem relacioná-lo com a realidade de seu país. a qual chama de “eu”. y con ella. Sua subjetividade se revela à medida que sua história pessoal completa as lacunas vazias sobre os anos de ditadura da Argentina: “[. Nessa busca de autorreconhecimento.. 2009.

Trad. O discurso autobiográfico é uma ferramenta para que Victoria. ressignifica-o para poder abarcar tanto a história da personagem. sabedora de que “[.] como uma coisa que ainda se precisa construir a partir do zero ou escolher entre as alternativas e então lutar por ela e protegê-la lutando ainda mais” (BAUMAN. identificándome. (DONDA.. Victoria inscreve Desse modo. p. a escrita autobiográfica empreendida pela narradora não relata somente o caminho percorrido pela personagem para a incorporação de um novo nome – marca indelével da identidade – e a perda do nome antigo. de Paloma Vidal. Segundo Figueiredo e Jovita (2005. recuperar a identidade que lhe foi tomada. En ese desafío simbólico vive Cori. político e histórico de seu país. 254) Ao ressignificar o seu nome. destruição e reconstrução identitária. a pesar de la certeza de que le robarían a su hija. 2009. A voz narrativa está consciente de que a realidade pode ser reordenada através da palavra. 21-2). EDUERJ. Sua narrativa transita entre o espaço privado e o público. a reconstrução do passado é um combate pela reconstrução histórica que “también llamamos ahora de combates por la identidad”. O processo identitário de Victoria é instituído pela reivindicação do reconhecimento social de sua nova identidade: de quem é. de que discurso é poder. p. Es por eso que mi nombre es Victoria.. y en él se encuentra también mi legado. Desse modo. En mi nombre está su último grito. apodere-se da palavra e adquira um papel fundamental no processo social. de quem são seus pais. em uma relação de complementaridade. Com a ressignificação. A narração de suas experiências é o processo pelo qual Victoria tenta se redescobrir e redefinir a sua identidade.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 109 coletivo. Não é uma intervenção feminina no espaço público dominado pelo sujeito masculino para publicar apenas suas intimidades. pois essa só é reivindicada por aqueles que não são reconhecidos por seus interlocutores. de seu passado e de sua atuação político-social no presente. Referências bibliográficas . mas também a luta pelo reconhecimento social da identidade incorporada. a narradora faz com o seu nome adquira novos matizes. 191). 27). Su último obstinado rechazo al destino que le era impuesto. No momento de enunciação de sua história. que Cori les ganó la última partida. A compreensão desse fato aclara o subtítulo da autobiografia – “Una lucha por la identidad”. p. relaciona a acepção do termo vitória (ação ou efeito de vencer) ao nome de batismo que recebeu de sua mãe ainda na prisão. Cori hizo pasar un mensaje a sus asesinos dándome un nombre. a busca por uma identidade está estreitamente relacionada à questão do reconhecimento. enfrenta um movimento de revisão. 2005. para mostrar que ARFUCH. nascida sob o signo da opressão. o regime de opressão da ditadura não foi mais forte que a vontade materna de que sobrevivera: Después de todo. filha de presos políticos.. a sua trajetória pessoal na História da Argentina. dandolhe voz e poder para intervir tanto na reescritura de sua história quanto na História da Argentina e assim. Nessa luta.] a “identidade” só nos é revelada como algo a ser inventado. a pesar de imaginar que su esposo estaba muerto y que ella no sobreviviría mucho después del parto. e não descoberto [. Leonor (2010): O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea. p. como a de seus pais e da própria Argentina. Para Beatriz Sarlo (2007. a escrita autobiográfica analisada deve ser entendia como uma escrita cujo discurso é eminentemente político.. Rio de Janeiro. Porque mi existencia prueba que finalmente Cori consiguió su objetivo. seu texto é um ponto de resistência cultural. Dessa forma.

Em: Magia e técnica. 222-32. 17-58. 189 -205. Buenos Aires: Siglo XXI Editores Argentina. Eurídice (org. DONDA. DUQUE-ESTRADA. Walter (1994): Sobre o conceito de história. Notas * Professora Adjunta do Mestrado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada e do Departamento de Letras Neolatinas (Português/Espanhol) do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. de Carlos Alberto Medeiros. Arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Trad. p. Rio de Janeiro: Nau/ Ed Puc-Rio. BENJAMIN. Belo Horizonte: Ed. I. São Paulo: Brasiliense. de Sergio Paulo Rouanet. é uma construção da memória. Em: FIGUEIREDO. 1 Em textos posteriores. Lejeune amplia o termo “pacto autobiográfico” para “pacto de verdade” ou “pacto referencial”. Juiz de Fora: UFJF. de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Philippe (2008): O pacto autobiográfico. LEJEUNE. Trad. (2009): Im/ Possibilidades da autobiografia. FIGUEIREDO Eurídice e NORONHA. Conceitos de literatura e cultura. pois afirma que o relatado na autobiografia só existe enquanto discurso e. Buenos Aires: Editorial Sudamericana. como tal. p. Vol. Una discusión. Trad. HALL. Em: Dev ires autobiográficos: a atualidade da escrita de si. 10 ed. Rio de Janeiro: DP&A. p. SARLO. Obras escolhidas. Beatriz (2007): Tiempo pasado : cultura de la memoria y giro subjetivo. Rio de Janeiro: Zahar. Victoria (2009): Mi nombre es Victoria: una lucha por la identidad. Entrevista a Benedetto Vechi. Elyzabeth Muylaert. Jovita Maria (2005): Identidade nacional e identidade cultural.110 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS BAUMAN. UFMG. 7ª ed. Stuart (2005): A identidade cultural na pósmodernidade. .). Zygmunt (2005): Identidade .

enseñar y aprender lenguas extranjeras es una oportunidad increíble de promover la integración entre mi mundo y este mundo mágico que me llega y que me permite verme y sentirme parte de un todo complejo”. de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo PARECER 492/2001 do Ministério da Educação. . é interagir com o outro de modo a alterar e construir saberes de forma dialética. E o compromisso da Universidade é levar o aluno/ professor de LE a aprender muito mais que ensinar a gramática e o léxico de uma língua. Analisar criticamente o ensino de línguas nas universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro. 2009. os profissionais do curso de Letras devem “ter domínio do uso da língua ou das línguas que sejam objetivo de seus estudos. Ana Maria Mendes Larghi PG .. Portanto. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) . desenvolver no aluno a consciência de que aprender uma língua estrangeira é muito mais que adquirir habilidades linguísticas. É importante lembrar que.Universidade Federal Fluminense Introdução Esta comunicação é parte inicial de uma investigação que tem como objetivo apresentar alguns dados levantados acerca dos currículos das Universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro nos cursos de Licenciatura em Português/Espanhol. possa entender a si mesmo e a sua própria.7): “. são elas: Universidade Federal Fluminense (UFF). assim como seus currículos não é tarefa simples. é oportunizar o aprendizado de outra cultura para que. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Segundo (PARAQUETT.. funcionamento e manifestações culturais”. são unânimes em encaminhar o aprendizado para a formação integral do aluno/professor. Foram analisadas quatro universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro. os currículos. principalmente porque sabemos da excelência que cada uma delas busca. p. E. ainda.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 111 O CURRÍCULO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: UMA REFLEXÃO CRÍTICA. E. em termos de sua estrutura. a partir dela. quanto ao ensino de línguas. embora apresentem variações estruturais e quantitativas nas disciplinas. a Universidade deve estar preparada para formar o profissional que possa atender as especificações legais.

Enquanto que.LEI 9394 de 20 de dezembro de 1996. integrativa e contextualizada. ainda. 53. A primeira delas é a importância do Currículo para a formação do professor de LE e sua consonância com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) e as OCEM (Orientações Curriculares para o Ensino Médio). inicia-se aqui uma das questões que permeia a nossa reflexão. observou-se como se deu a implantação da língua espanhola na rede pública do Estado do Rio de janeiro. Com relação às propostas curriculares e a autonomia que a LDB . A importância do currículo na formação do professor de língua estrangeira Tomando como tema central a importância do currículo para a formação do futuro professor. baseados na Lei 11. vimos a importância de ações políticas direcionadas à melhoria da educação brasileira.161/2005. seu conhecimento e utilização das sugestões dos documentos oficiais em sua prática. O gráfico 1 apresenta o resultado da pesquisa: 1. 2009) e MOTA (2004) em definições sobre Inter/ multiculturalismo. Os dados coletados na pesquisa com professores apontaram ser de responsabilidade do Estado a elaboração de políticas públicas para melhorias na educação brasileira. 2008). HALL (2006) e MENDES (2004. A publicação dos documentos oficiais promoveu uma maior reflexão sobre a organização curricular do ensino de LE. Essa investigação. como forma de ampliar o espaço do conhecimento. na aventura do aprender uma LE. esses e outros questionamentos. Perguntados sobre a formação de professores de LE a pesquisa aponta que 75% do total dos entrevistados responsabiliza o poder público por melhorias nas condições de formação do professor de LE. tornando-o mais próximo da realidade. sugerindo uma prática dinâmica. pois a extinção do currículo mínimo proporcionou um avanço para o ensino. II. no decorrer da investigação proposta para o Doutorado. ancora-se na Pedagogia Multicultural. e o quanto as questões políticas são determinantes na elaboração da grade curricular.112 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Dessa maneira. E os resultados nos levaram a questionar como estão sendo formados os futuros professores de LE? Por que encontramos professores tão inseguros diante das classes? Pretendese aclarar. a “integração entre os mundos”. e se apoia nas concepções de cultura de CANCLINI (2006). Em estudos anteriores. em seu Art. Esta investigação adota como referência PARAQUETT (2007. a melhoria do nível cultural do professor situarse-ia em 25% como responsabilidade do poder público. . 2007. dá as Universidades. A pesquisa de campo (por amostragem) foi realizada com professores do ensino médio da rede pública estadual. coletou dados a respeito da formação dos professores da rede pública.

.interagir com outras disciplinas. ser interdisciplinar. Vale lembrar que ambos os documentos foram criados para orientar a prática do professor em sala de aula. p. Dessa maneira. em sua grade regular. O desafio de preparar os professores para ensinar E/LE através dos gêneros discursivos.. já que a utilização da língua está envolvida nos discursos históricos. promovendo o ensino que possa: “ levar o estudante a ver-se e constituir-se como sujeito a partir do contato e da exposição ao outro. 8). Reitera-se que o trabalho com os gêneros discursivos é proposta de disciplinas nas Universidades. encontrar interdependências. o que se observa. de cidadania e de inclusão social. abarcando mais do que conteúdos tradicionais. contextualiza o ensino com o “currículo real” (OCEM. . convergências.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 113 Não resta dúvida que os documentos trouxeram contribuições importantes. E este exercício poderia se iniciar durante os estágios de regência.. é que os professores encontram muitas dificuldades em entender a proposta de ensinar LE a partir dos gêneros. criar novas disciplinas poderiam ser contribuições para habilitar professores que tornem as aulas de LE reais “ferramentas” de inclusão social. ao reconhecimento da diversidade”. abrangente e flexível. a produzir material didático a partir dos gêneros. na prática. Atitudes como revisar as ementas das disciplinas. 2008. No entanto. encaminho a discussão para a importância do ensino de LE estar voltado para “. ler. as OCEM entendem que o currículo para o ensino de E/LE deve abordar “temas relevantes para a vida do estudante”. ( OCEM. à diferença.”. Dentre as Universidades que fazem parte da pesquisa. 9). à medida que se apoia em um contexto que circula à nossa volta todo o tempo. deve promover a alteridade. p. Em consonância com os PCNs. Segundo Bakhtin. sugerindo que o Projeto Político Pedagógico e o Currículo possam aproximar-se sempre do “currículo real” dos alunos. Os PCNs afirmam que “o estudo dos gêneros discursivos e dos modos como se ar ticulam proporciona uma visão ampla das possibilidades de usos da linguagem” (BRASIL. portanto. culturais e sociais”. E por que tantos professores não fazem uso das sugestões dos documentos oficiais? Como esses professores foram formados? Essas foram algumas das interrogações que nos levaram a refletir sobre o papel do currículo na formação de professores. p. O currículo do curso de Letras. Refletindo sobre as contribuições dos PCNs (BRASIL. 1998). p. percebe-se que a proposta de trabalho com os gêneros discursivos. na preparação do material didático. consoante com OCEM (2008. embora não haja nenhuma disciplina específica com esta nomenclatura (o que poderia ser uma sugestão). inclusive. “todo enunciado ocorre em um gênero do discurso... a UERJ é a única que apresenta a disciplina “Produção de material didático para o ensino de Espanhol”. para formar professores de LE. dedicamos a segunda parte às Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (OCEM). entender) e das sequências lexicais e componentes gramaticais próprios da norma culta”. a utilização dos gêneros na prática pedagógica. que façam parte do “currículo real”. falar. Os gêneros são criados e recriados. poderia ser a adoção de disciplinas na grade curricular que levasse o professor/aluno. ressaltando. embasadas na teoria de Bakhtin. é bastante enriquecedora. Continuando a reflexão sobre os documentos oficiais. o valor do aprendizado de LE como forma de autoconhecimento. 133). 150). para o Currículo das Universidades. “. e fazem parte da comunicação humana.é preciso adotar uma visão ampliada dos conteúdos a serem incluídos nos programas de curso para além das tradicionais ( ouvir. 2000..

em sua sede.criar. II. do respectivo sistema de ensino. como linguista aplicada... 2. De acordo com o artigo 53. 2008.”. compar tilhada e importante modificadora de todo o processo ensinoaprendizagem. 2004. Essa reflexão nos leva a pensar que são necessárias mudanças paradigmáticas no contexto . do aperfeiçoamento da formação cultural. uma perspectiva de construção do conhecimento de forma dialética e multidimensional. 53. sem prejuízo de outras. Dessa forma. 53.de 20 de dezembro de 1996. as Universidades desenvolveram currículos que preconizam a formação docente. pois deu condições às Universidades de ‘aproximar’ o currículo de sua realidade social. obedecendo às normas gerais da União e. técnica e científica do cidadão. e 200 (duzentas) horas para outras formas de atividades acadêmico-científico cultural. de 19 de fevereiro de 2002 estabelece que será de. no exercício de sua autonomia. Portanto. 1800 (mil e oitocentas) horas de aulas para os conteúdos curriculares de natureza científico-cultural. “nas quais a articulação teoria-prática garanta.. as seguintes atribuições: Na busca do desenvolvimento de competências e habilidades. 41) I . através do dialogismo.. II . Art. são necessárias revisões curriculares que tenham como principal objetivo construir um ambiente de aprendizagem onde o aluno/professor possa interagir e participar democraticamente do aprendizado. de acordo com o Art. ainda é a maneira mais usual de ensinar LE. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei. p.. Sobretudo entendendo cultura como prática social.Em outras palavras. através do diálogo. A carga horária das licenciaturas de graduação plena. 2800 (duas mil e oitocentas) horas. no mínimo. concede-se às Universidades autonomia para “fixar os currículos dos seus cursos e programas.”. . No exercício de sua autonomia. III . é que quando assumem suas classes a simples transmissão de conhecimentos. 2004. da LDB. a pedagogia multicultural acredita na valorização da voz do sujeito/professor e do sujeito/estudante.. quando for o caso. esta medida caracterizou um avanço para o ensino no Brasil. divididas em: 400 (quatrocentas) horas de prática como componentes curricular. observadas as diretrizes gerais pertinentes. entendo que a proposta de uma abordagem que seja social e Inter/Multicultural para o ensino de línguas.114 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS É importante e necessário que a universidade leve o aluno/professor a refletir sobre sua língua e sua cultura.estabelecer planos. nos termos dos seus projetos pedagógicos. em um mundo pluriligue e multicultural. p. em um mundo onde as relações culturais estão cada vez mais próximas. produção artística e atividades de extensão. promove a construção de conhecimentos em LE. De acordo com ( MOTA e SCHEYERL. na prática. pensando o ensino do E/LE como “um conjunto de valores e de relações interculturais” (OCEM. assegura que as Universidades: Art.fixar os currículos dos seus cursos e programas.41). 400 (quatrocentas) horas de estágio curricular supervisionado. Das Universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro Quanto ao currículo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB . mas o que se observa. (Mota e Scheyerl. programas e projetos de pesquisa científica.. em contato com outra(s) língua(s). as dimensões dos componentes comuns:. outra (s) cultura (s). pg. o “conteudismo”.149). descobrindo a polarização dos saberes e assumindo. assim como no desenvolvimento da sensibilidade de escuta às múltiplas outras vozes. II. 1º da Resolução do CNE/ CP 2. organizar e extinguir. são asseguradas às universidades.

É preciso lembrar que esta é uma pesquisa inicial. Gráfico 2 O gráfico 2 mostra que para a formação em E/LE são apontadas 18 disciplinas para a primeira categoria. acrescida de 120 optativas. totalizando 3.9% do curso. 60 eletivas e 200 horas de atividades complementares. Na sequência. optou-se por apresentar abaixo. E/LE e Literaturas.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 115 acadêmico. o que corresponde a 62. os dados classificados em apenas duas categorias.0% da grade curricular. portanto. para a segunda categoria são 29 disciplinas.360 horas. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) o currículo encontra-se distribuído entre Língua materna e Literaturas. na cor vermelha. a fim de desenvolver a formação por meio de atividades de pesquisa que integrem as disciplinas e possam dar conta de um ensino humanizado e criativo. e disciplinas pedagógicas. são elas: a primeira em azul envolve as disciplinas de E/ LE e literaturas. Não foram computadas nos gráficos as disciplinas optativas e eletivas. A segunda categoria envolve a formação em Língua materna. assim como as atividades complementares.980 horas. apresentaremos os gráficos elaborados a partir das grades curriculares das Universidades. o que corresponde a 37. estas foram levadas em conta. Gráfico 3 . Literaturas e a parte pedagógica. Contando com uma carga horária de 2. Quanto à carga horária.

3%. e para a segunda categoria 44 disciplinas. o que corresponde a 31. o que corresponde a 24. o que corresponde a 75. Conta com uma carga horária de 4.280 horas. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ) o currículo encontra-se distribuído entre Língua materna e Literaturas. Gráfico 5 O gráfico 5 mostra que para a Formação em E/LE são apontadas 11 disciplinas na primeira categoria. através de entrevista junto aos alunos do curso de letras. e para a segunda categoria 44 disciplinas. o que corresponde a 68. e disciplinas pedagógicas. e um total de 152 créditos. e disciplinas pedagógicas.116 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS O gráfico 3 mostra que para a formação em E/LE são apontadas 20 disciplinas para a primeira categoria.07% da grade curricular. e um total de 242 créditos.200 horas.07% da grade curricular. o que corresponde a 68. e a parte pedagógica. Conta com uma carga horária de 3. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ) o currículo encontra-se distribuído entre Língua materna e Literaturas. e um total de 242 créditos. Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) o currículo encontra-se distribuído entre Língua materna e Literaturas.5% da grade curricular.5% do curso. o que corresponde a 31. E/LE e Literaturas. Gráfico 4 O gráfico 4 mostra que para a formação em E/LE são apontadas 20 disciplinas na primeira categoria. Buscar-se-á com a pesquisa. e para a segunda categoria 34 disciplinas.200 horas. E/LE e Literaturas.3%. avaliar . Conta com uma carga horária de 4. E/LE e Literaturas.

.mec. no Brasil. sua relevância no processo ensino/ aprendizagem de língua estrangeira e na formação do professor de E/ LE. ORIENTAÇÔES CURRICULARES NACIONAIS. de 18 de Fevereiro de 2002. Kátia e Denise (2004): Recortes Interculturais na sala de aula de Línguas Estrangeiras .ufrj. p. ainda são necessários maiores investimentos em pesquisas e financiamentos para o ensino de LE. DE 19 DE FEVEREIRO DE 2002.br/ index. Acessado em 18/01/2010.br/arqs/fluxogamas_cursos/ BRASIL. de 20 dez.(1992): Estética da Criação Verbal. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CONSELHO PLENO. 1996. p. U F F : h t t p : / / w w w.179. (2008): Linguagens. Acesso 13/05/ 2012. Brasília: Ministério da Educação.uerj. Referências bibliográficas BAKHTIN. Refletindo-se sobre a relação língua/cultura. p. Revista Nebrija de Lingüística Aplicada.41Salvador. Disponível em http://portal. MEC . b r / s i te s / d e f a u l t / f i l e s / BRASIL. São Paulo: Martins Fontes. Mikhail. u f f . PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais . 9394/96. (1998).planalto. MOTA e SCHEYERL. Espanha. Acessado em 11/06/2012. códigos e suas tecnologias/ Secretaria de Educação Básica: MEC. Acessado em 11/06/ 2012. inclusión social y aprendizaje de español en contexto latinoamericano.br/graduacao/arquivos/docs_curso/ matriz/IM/76_lic_letras-portugues-espanholliteraturas_matriz_2009-1. letras_portugues_espanhol_licenciatura. BH: Editora.pdf.pdf.php?option=com_content&task=view&id=45 UFRRJ:http://r1. Dispõe das Diretrizes e Bases da Educação Nacional.ufrrj.UFBA. RESOLUÇÃO CNE/CP 2.Ensino Médio.pdf.Acessado em 12/06/ 2012.Ministério da Educação. UERJ:http://www. UFRJ:http://www.gov. Sabe-se que. PARAQUETT.gov. Acessado em 11/06/2012.pdf. a fim de alcançar a excelência na educação. Disponível em <http://www.dep. l e t r a s . Márcia (2007): Linguística Aplicada. Acessado em 07/06/2012.letras. Salvador. RESOLUÇÃO CNE/CP Nº 1.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 117 o currículo de cada uma das Universidades. Lei nº.br>.br/seesp/arquivos/ pdf/res1_2.07 l e t r a s _ p o r t u g u e s _ e s p a n h o l _ _licenciado_novo.

De maneira intuitiva. que nunca fora à escola. Esse conhecimento lhe conferia status de sábio. Sua mãe. O protagonista Nini é um menino de 11 anos de idade.” (DELIBES. 19). Depois de publicar no jornal uma série de reportagens sobre a difícil situação do trabalhador rural nos campos castelhanos. Delibes decidiu transformar em ficção a realidade social que conhecia com propriedade. por ordem da censura. 54) Com a ingenuidade própria da idade e a sabedoria extraordinária. a matéria para o enredo surgiu da impossibilidade de publicar no El norte de Castilla 1 .118 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS LAS RATAS DE MIGUEL DELIBES E A DENÚNCIA DA CRISE CAMPONESA EM CASTELA NOS ANOS 1950-1960 Ana Paula de Souza PG . 2010. no comportamento dos animais e na constituição da vegetação. Percebendo que os censores não eram tão atentos e ferrenhos com os conteúdos das obras literárias como com as publicações periódicas. Nini sobrevivia de . ao apresentar problemas psiquiátricos após a gravidez. eram vendidas no povoado.” (DELIBES. p. p. nascido da relação incestuosa entre dois irmãos. vivia da caça de ratazanas que além de alimentar a ele e ao filho. Ambientado na segunda metade da década de 1950 (provavelmente entre 1956-57). Apesar dessa desestruturação familiar. no estado do solo. uma sabedoria popular inigualável entre os habitantes do vilarejo. havia adquirido junto aos avós polígamos Abundio. o romance relata as dificuldades vividas por moradores de um pequeno e miserável povoado castelhano. e a Jesus. 2010. segundo o próprio autor. Seu pai. Nini. Parece dios. jornal no qual trabalhava. o El Norte estava impedido. o menino era capaz de analisar as mínimas nuanças nas alterações climáticas. Ratero e Marcela. de fazer qualquer menção ao problema. ao longo de um ciclo agrícola de pouco menos de um ano. denúncias relativas ao abandono sofrido pelos camponeses castelhanos por parte do governo franquista. foi levada a um manicômio de onde nunca mais retornaria.UFMT Las ratas (1962) é o quinto romance escrito por Miguel Delibes e. Román e Iluminada e ao ancião local Centenario. comparado por alguns personagens a uma espécie de pequeno deus: “Digo que el Nini ese todo lo sabe. numa intertextualidade bíblica: “¡Qué condenado crío! Cada vez que lo veo así me recuerda a Jesús entre los doctores. um homem ignorante e embrutecido. fazendo com que de alguma maneira aquela história fosse contada.

as principais características da agricultura castelhana até os anos 1960 eram as mesmas da primeira metade do século XIX. Por outro lado. para a qual se utilizava uma tecnologia produtiva tradicional voltada para o mercado interno. O presente estudo se dedica a desvendar o social por trás do literário. a presença da criança na obra literária representa a nostalgia de uma fase da vida genuinamente feliz e íntegra. o protagonista cumpria em seu povoado um papel do qual o estado se ausentara. 1990. Esses grandes latifundiários contratavam o serviço de trabalhadores sem terra que viviam no campo por jornadas. tendo como base a exploração do campesino. a fome e a improdutividade. Ou seja.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 119 pequenos trabalhos realizados para os agricultores e criadores de animais. por exemplo. num relato existencialista e desolado. além da denúncia do abandono político dos trabalhadores dos campos castelhanos. de acordo com as . Desse modo. p. faz-se presente no respeito do homem do campo pelos ciclos da vida na natureza. ajudava os camponeses na luta contra as adversidades da região . não fosse a candura do olhar infantil. Las ratas apresenta a profunda relação do camponês espanhol com a terra. Problemas esses literariamente suavizados pela sabedoria carismática do protagonista infantil e pelas crenças supersticiosas de um povo inconsciente do seu papel social e. e as consequências concretas desse acontecimento histórico para as condições da sociedade anos após o desfecho do conflito. cuya fascinación sólo advertimos cuando ya nos ha escapado de entre los dedos… (DELIBES apud RODRÍGUEZ PUÉRTOLAS. sobretudo o trigo. o que desapareceria na vida do adulto que enfrentava as vicissitudes de um pós-guerra e de uma ditadura: Hoy más que nunca gusta el hombre de recuperar su consciencia de niño. existente em Castela até a primeira metade do século XIX. além de outros problemas menos evidenciados. desapareceu a figura do señor. aquele que possuía a maior concentração de terra em uma determinada região (geralmente mais de 100 hectares). o clima austero e a total falta de investimentos. Na organização social agrária do século XX. Esse modelo agrário denominado tradicional 3 foi reafirmado pelo estado franquista de forma autoritária. Nini se converteu em uma espécie de oráculo de sua comunidade á medida que com suas previsões meteorológicas e com sua percepção da natureza. mas como recurso estrutural que constitui o literário. e surgiu o cacique.o solo pouco fértil. Delibes constrói uma visão autêntica e poética de uma realidade que seria insuportavelmente cruel. O retrato da crise campesina castelhana em Las ratas Segundo Pérez-Díaz (1994). o autor desnuda as consequências do abando no estabelecimento de relações humanas embrutecidas. portanto incapaz de reivindicar seus direitos políticos. Ao revelar tais implicações sociais a partir da narrativa ficcional delibesiana. de evocar una etapa – tal vez la única que merece ser vivida – cuyo encanto. Por um lado. Através da ótica do personagem. animalizadas e na configuração de personagens primitivos e ignorantes que parecem não ter lugar em pleno século XX. 115) castelhana tais como a apatia social. procurando entender a crise agrária dentro do contexto econômico do país e os problemas vividos pela população campesina 1. Segundo o próprio autor. Interessa também para este estudo verificar de que modo as cicatrizes da Guerra Civil permeiam o inconsciente coletivo dos personagens. este trabalho inscreve-se na perspectiva de Candido (2000) ao entender o social não como causa ou significado2. tratava-se de uma agricultura baseada centralmente na produção de cereais. A preocupação ambiental de Delibes. da qual depende sua existência.

oscilações térmicas e aridez do solo. que além de agricultor é o marceneiro do lugar. aos quais Nini se refere como vecinos del lugar. y la última cuarta parte se la distribuían. não sem dificuldades. Esto no impedía a don Antero. señora Clo e Pruden representam nessa pirâmide. os campesinos médios e pequenos conseguiam. y ante los nublados. verões quentes e secos. p. p. que tinha em sua base aliada o apoio dos grandes proprietários de terra. como é o caso de Antoliano. o vilarejo castelhano fictício criado por Delibes reproduz essa organização social exatamente como o descrito no estudo de Pérez-Díaz: Don Antero. entre las dos. o pastoreio. a total ausência de políticas públicas e investimentos para melhorar a condição de trabalho desses camponeses. anarquistas e membros de outros grupos políticos que lutaram pela república durante a Guerra. mitad por mitad. 42) Delibes atribui ao personagem Don Antero o epíteto el Poderoso. 2010.120 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS necessidades do plantio e da colheita. 47) aos perdedores da guerra. sobreviver exclusivamente da agricultura. inclusive com maior ênfase. lamenta não ter acesso à tecnologia diante da possibilidade de ter de ressemear os campos por falta de chuvas: Y el Pruden. é a subordinação do agricultor às intempéries do clima. são aqueles que para manter suas famílias tem de trabalhar como jornaleiros em outras terras ou se dedicam a outros trabalhos como a caça. Os demais campesinos. pois não conseguiam sobreviver apenas da terra e eram obrigados a realizar outras atividades. Além da má distribuição das terras. el Pruden y el puñado de vecinos del lugar. le contestó que el mal era para los pobres. Proprietários de 10 a 100 hectares. Pruden. A própria ideia de divisão de terras estava ideologicamente relacionada . chegava apenas para os grandes latifundiários que tinham como financiá-la. observa-se. la sequía o la helada negra. geadas e nevascas. Doña Resu.” (DELIBES. 36). el Poderoso. El señor Rosalino. O agricultor castelhano tinha de lidar com invernos rigorosos. socialistas. De acordo com Pérez-Díaz. la tierra andaba muy repartida. irregularidades das chuvas. las gentes maldecían de la soledad. aliado à austeridade da natureza na região redundam no isolamento destacado no trecho. conforme resume o narrador: “En el pueblo. Em Las ratas . poseía las tres cuartas partes del término. Numa região que tinha como principal atividade econômica a agricultura. ou seja. Por isso o personagem Don Antero se sente confortável para afirmar que em seu povoado a terra está ainda muito dividida. detentor da maior proporção de terras. (DELIBES. os agricultores médios que sobrevivem da agricultura. 2010. puesto que utilizando la máquina. p. inclusive como jornaleiros. Os camponeses que possuíam menos de 10 hectares eram considerados marginais . doña Resu y la señora Clo sumaban. a criação de animais ou a manufatura. para garantir o sustento da família. Esse esquecimento por parte do poder público. republicanos. indicando ao leitor de forma direta o lugar social que o mesmo ocupa no povoado: o de cacique. (…) soltó una carcajada: ___ A voleo no siembran ya más que los mendigos y los tontos. 2010. comunistas. através do relato de Delibes. como hacían ellos. manifestar frívolamente en su tertulia de la ciudad que “por lo que hacía a su pueblo. A mecanização agrícola. aos traidores da pátria. blasfemaban y decían: ‘No se puede vivir en este desierto’. personagem da obra que sintetiza a figura do agricultor incansável na luta contra as adversidades. el Poderoso. las tres cuartas partes de la cuarta parte restante. por exemplo. bien poco costaba hacerlo. o projeto de reforma agrária surgido no período da Segunda República (1931-39) foi invalidado durante o governo Franco. outro problema enfrentado pelo campesinato castelhano e denunciado por Delibes em Las ratas.” (DELIBES. a quien las adversidades afinaban la suspicacia.

com foices e trilhos tirados por mulas. talvez o autor quisesse lembrar que ideias como a do reflorestamento surgiram no bojo da Guerra Civil Espanhola e da mente de homens afinados com o ideal republicano. porém secas que dependiam do projeto de irrigação para tornarem-se de fato produtivas. 89). 89). Somente a partir da década de 1960 foram introduzidos os arados modernos e o trator. para essa segunda etapa do trabalho. Sendo a seca no momento do plantio e do desenvolvimento da plantação uma das principais preocupações dos agricultores castelhanos da época. (DELIBES. e o de Rosalino que assume a voz do cacique e impassível. p. ao assumir o Ministério da Agricultura entre os anos de 1951-57. Nini. por las inhóspitas laderas. boa parte do cultivo era realizado com a ajuda de rudimentares arados como os utilizados no período romano. intelectuais que conheciam. que plantar árboles. A colheita também era feita manualmente. y cuando la guerra. ao longo da década de 1950 esse plano de irrigação havia atingido menos de dois por cento das zonas mapeadas. foram declaradas zonas de interesse nacional as áreas agricultáveis. al. Tão logo. Delibes opõe dois discursos antagônicos – o de Pruden. 2010. o plano era agora retomado pelo novo ministro da agricultura e. se organizaron brigadas de voluntarios con el fin de convertir la escueta aridez de Castilla en un bosque frondoso. 45) Outro projeto desse ministério foi o de reflorestamento. (DELIBES. . 2010. zomba dos agricultores que ainda semeiam de forma primitiva. Em Las ratas esses trabalhadores vinham de Estremadura. “dispuestos a convertir Castilla en un jardín” (DELIBES. os benefícios da recomposição vegetal para o clima e para o solo. Cuando el Pruden quiera agua no tiene más que levantar la compuerta y ya está. De acordo com Pérez-Díaz. talvez esses homens não conhecessem de fato o rigor climático do ambiente castelhano. após meses de trabalho dos Segundo Barciela López et. la azada al hombro. según se sentaba en el banco del fondo: ___ Date cuenta. De fato. os habitantes locais que conheciam os resultados da primeira tentativa de reflorestamento respondiam: “Sólo Dios hace milagros”. porque o que era promessa de resgate da produtividade do campo desfez-se no primeiro verão. 88-89) O projeto do reflorestamento já havia sido executado pelos republicanos durante a guerra civil através do trabalho de brigadistas voluntários. o personagem Pruden menciona esperançoso um plano de irrigação elaborado pelo governo: Tomó al Nini nerviosamente por el pescuezo y le explicó confusamente algo sobre un plan de regadío de que hablaba el diario y que alcanzaría hasta el pueblo. p. (DELIBES. pues. um plano de irrigação. ao menos teoricamente. La repoblación forestal era la obsesión de los hombres nuevos. Rafael Cavestany tinha como projeto para sanar a aridez castelhana. apenas a las veinticuatro horas de estallar. Hay. personagem que dá voz ao camponês consciente da impossibilidade do trabalho naquelas condições. 2010. No había tarea más apremiante y los prohombres decían: “Los árboles regulan el clima. aunque ahora eran empleados del Estado dedicados a la ardua tarea de la repoblación forestal. p. Após um mapeamento. p. até os anos 1950 em Castela. ¡Arriba el campo!” Y todos los hombres de todos los pueblos de la cuenca se desparramaron ilusionados.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 121 Nesse trecho da narrativa. Hay que hacer la revolución. não restava aos agricultores como Pruden outra coisa que esperar dos céus o milagre da chuva. Em Las ratas Delibes narra o processo de replantio florestal em Castela: Antes hicieron esto en Torrecillórigo. atraen las lluvias y forman el humus. No entanto. Ao referir-se a hombres nuevos. si llueve como si no. Dijo impulsivamente al niño. contratavam-se jornaleiros.. Entretanto. o tierra vegetal. Pero llegó el sol de agosto y abrasó los tiernos brotes y los cerros siguieron mondos como calaveras. Mesmo tendo sido negativos os resultados da primeira tentativa. Diante dessa otimista afirmação. ¿Te das cuenta? Dejaremos de vivir aperreados mirando al cielo todo el día de Dios. 2010.

(DELIBES. arracimados desordenadamente por la violencia cambiante del ciclón. E assim. 2010. permaneceria de forma velada no inconsciente Delibes constrói a imagem da perda da colheita por meio de personificações que humanizam os cereais. Nini. não poderia ser ignorado por aqueles que detinham o saber científico. esse trecho confronta não apenas saberes como também culturas. o protagonista contempla a plantação destruída: Los trigos. entre as quais a da reforma agrária. Após dias de secura e calor intensos. se a terra fosse dividida de maneira equitativa entre as famílias camponesas. Delibes não só critica políticas públicas fracassadas como também confronta o saber científico com o saber popular. Em Las ratas Delibes aponta as principais dificuldades enfrentadas cotidianamente pelo campesino castelhano durante a crise agrária dos anos 1950. entre a má distribuição da terra. p. Terminada a forte chuva. Como profundo conhecedor de Castela e de sua gente. decapitados e cadavéricos. 91) popular e se repetiria como no fragmento do discurso dos personagens delibesianos.122 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS estremenhos. desapareceria a figura do cacique. Por los caminos y junto a las linderas yacían los cadáveres de los trigueros y las alondras. devido ao forte sentido de comprometimento crítico de Delibes ao revelar a difícil condição do camponês . o autor vai deslindando a tênue margem que separa ou vincula a denúncia social e a literatura. Segundo PérezDíaz. uma mão-de-obra barata a serviço do grande latifúndio. 179) Talvez essa rejeição pelos trabalhadores jornaleiros vindos de outras regiões do país tivesse uma explicação social mais profunda. o oráculo do clima castelhano. rebrillaban las charcas. comparando-os a seres humanos recostados ao solo. Durante su estancia los nativos disfrutaban de una absoluta impunidad. rígidos sobre los granos de trigo y los cascabillos desparramados. As precipitações climáticas e as mudanças que elas provocam no meio ambiente são descritas com a poeticidade e a sensibilidade de quem conhece com propriedade a paisagem castelhana. desde antes da Guerra Civil Espanhola os camponeses começaram a reivindicar suas pautas econômicas e sociais. O castelhano não era amistoso à vinda dos trabalhadores estremenhos e no inconsciente coletivo se construíam todo tipo de estereótipos negativos em torno aos forasteiros: Pero en el pueblo no querían a los extremeños porque estimaban su labor inútil. 2010. na figura do jornaleiro. Embora tenha sido publicada em 1962. nenhuma vicissitude impressiona mais o leitor que a impotência do trabalhador perante a natureza adversa. Com tudo. Las ratas nos parece ser um romance ainda arraigado ao conceito de novela social espanhola dos anos 50. contratante dos serviços dos jornaleiros. entre las espigas decapitadas.”(DELIBES. Ante cualquier desaguisado la gente decía: ___ Habrán sido los extremeños. Ainda que o saber camponês fosse empírico. Nesse momento. p. impedían el acceso de las ovejas a las colinas y les atribuían toda clase de vicios. a falta de investimento e crédito e os projetos políticos ineficazes. o autor resgata a figura do homem do campo como aquele que melhor entende o seu habitat. A trechos. o desfecho conhecido dos agricultores castelhanos repetiu-se ao início do verão. Os pequenos camponeses viam. A narrativa que começa cronologicamente com o início do ciclo agrícola no outono. Esse enfrentamento entre jornaleiros e pequenos agricultores existente desde antes da guerra. se acostaban mansamente sobre el lodo. No entanto. lê nos sinais da natureza e vinda de uma forte chuva de granizo que aniquila os campos ás vésperas da colheita do trigo. poeticamente. Ora. termina com a chegada do verão e os riscos que a estação traz consigo. quando a ideia era a de que cada trabalhador tivesse uma pequena porção de terra na qual trabalharia apenas a sua família.

. El Estado y la modernización económica. Carlos (Coor. Antonio (2000): Literatura e sociedade .org/ docs/ayer/ayer21_03. Queiroz. A. São Paulo: T. Carlos. Miguel Delibes iniciou seu trabalho no periódico a partir de 1940 chegando a ser o diretor de 1958 a 1963.). CANDIDO.asp-research. María Inmaculada e MELGAREJO MORENO. Segundo Pérez-Díaz (1994). DELIBES. Joaquín (1996): La intervención del Estado en la agricultura durante el siglo XX.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 123 castelhano. Iris (1974): Historia social de la literatura española III. PÉREZ-DÍAZ. Referências bibliográficas BARCIELA LÓPEZ. utiliza-se o termo tradicional para definir o sistema agrário espanhol de meados do século XIX a meados do século XX. o autor faz da literatura um instrumento de ação social capaz de fazer com que as autoridades políticas da época voltassem seu olhar para uma região do país esquecida e isolada. LÓPEZ ORTIZ. Disponível em http://www. Em Ayer. Notas 1 Jornal publicado em Valladolid até os dias atuais. Acessado em 07/08/2012. RODRÍGUEZ PUÉRTOLAS. nº 21. Nesse romance. Madri: Castalia. Acessado em 07/08/2012. campesinos y agricultura en Castilla entre mediados del siglo XVI y mediados del sig lo XX. Barcelona: Destino. BLANCO AGUINAGA. Julio e ZAVALA. pp.pdf.pdf. Miguel (2010): Las ratas.com/pdf/ Asp5a. Víctor (1994): Transformaciones de una tradición. 51-96. 2 3 Palavras tal qual empregadas por Antonio Candido em Literatura e sociedade. Disponível em http://www.ahistcon.

notas de pé de páginas. uma relação de copresença entre dois ou mais textos. decadencia y derrota de José López Rega” (p. prólogos etc. “Ascenso. gravadas por Martínez durante quatro dias. a presença efetiva de um texto em outro. 5) hipertextualidade: responsável por unir um texto B (hipertexto) com um texto anterior A (hipotexto) no qual se enxerta de uma maneira distinta à do comentário. sem nomeá-lo. epílogos. e previamente ditadas pelo general Juan Domingo Perón a López Rega. é por excelência a relação crítica. notas à margem. 2) pelas relações com os paratextos: títulos. 179-188) retrata histórias cotidianas do exílio de Perón e sua extravagante relação com o secretário e mordomo José López Rega. 1985) e Santa Evita (MARTÍNEZ. epígrafes. finais. 1989). fazendo com que se considere as relações. prefácios. os romances La novela de Perón (MARTÌNEZ. ou seja.). concebido tanto como o movimento político nascido depois do golpe de Estado de 1943. com outros textos e textualidades (Cf. advertências. e a identidade política de quem o invoca quanto como uma proposta de constituir a nação argentina. 1995). A transtextualidade ocorre de diferentes modos: 1) pela intertextualidade. GENETTE. Dessa forma. 4) arquitextualidade: articula uma menção paratextual (subtítulos e títulos. Ensaios etc.124 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS QUANDO O MET ATEXT O DE TOMÁS EL OY META TEXTO ELO MAR TÌNEZ AUTENTICA AS VID AS DE PERÓN VIDAS MARTÌNEZ André Luis Mitidieri UESC Centramos atenção nas coletâneas de artigos jornalísticos de Tomás Eloy Martínez intituladas Las memorias del General (1996) e Las vidas del General (2004). ou seja. cifradas ou expressas. Publicadas na revista . ilustrações etc. relação geralmente denominada comentário. a maneira pela qual se viabiliza a possibilidade de um texto escapar a uma singularidade que muitas vezes se torna insatisfatória a seu deciframento ou a sua compreensão. intertítulos. como em Poesias. no limite. as quais discorrem sobre o peronismo. subtítulos.. unindo um texto a outro texto que fala dele sem citá-lo e inclusive. assim como Las memorias del General e Las vidas del general constituem hipertextos de um hipotexto chamado “Las memorias del semanario Panorama”. triunfo. Esse artigo revela-se como indicativo das formas por intermédio das quais pode ocorrer a transtextualidade. Integrando a última coletânea. “El Brujo”. 3) pela metatextualidade.

1996). integra a coletânea Las memorias del General (MARTÍNEZ. MARTÍNEZ 1996. contudo. 11). figurando em sua página de rosto. Todas essas relações intertextuais e paratextuais. Ainda informa que. o intelectual argentino afirma que prepara Las vidas del General esperando. constantes na edição anterior. 195-218). hipertextual. 123-134) e “La tumba sin sosiego” (p. agora voltam a ser republicados. loc. na edição precedente. 14). O texto fonte. Mais adiante. que o título recente lhe parece mais apropriado por refletir nem tão somente os relatos com os quais Perón desejou inserir-se na história. MARTÍNEZ. refere-se à omissão de que o corpo completo das “Memórias” se originou daqueles diálogos (Cf. Outra alteração. configura-se simultaneamente como uma relação arquitextual e paratextual que parece fazer mais jus ao caráter plural das identidades no mundo contemporâneo. reelaborando o que nomeia como “desmemorias” no capítulo “Las memorias de Puerta de Hierro” (p. p. . 195-218). aliadas às contracapas de ambas as edições. o jornalista edita fragmentos relacionados àquele texto: sobre Evita. fornece informações a respeito de quatro outros textos que. essas “memórias” englobam os 50 primeiros anos da vida do expresidente argentino. o autor procede a investigações e à reconstrução de diálogos. 13-122) que. No mesmo periódico. Dentre outras mudanças que ocorrem nesse paratexto. menos significativa. diz suprimir o que considera um pleonasmo: o capítulo “Las memorias del semanario Panorama ” (MARTÍNEZ. 2004). insere dois outros capítulos: “Perón y sus novelas” (p. quer dizer. ao mesmo tempo. como “Las memorias del semanario Panorama” (MARTÍNEZ 1996. que dialogue com todas as ficções que ele havia escrito sobre o peronismo e possam encerrá-las. importa mencionar o fragmento no qual o jornalista afirma que “este libro restaura los diálogos de Puerta de Hierro en el orden y del modo como sucedieron ” (p. 135-170). dentre outras considerações. 1996. comporta entre seus outros textos.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 125 argentina Panorama a 14 abr. “Ascenso. além das (des)memórias de Perón. instauram consideráveis mudanças que se reiteram na relação arquitextual. Insatisfeito com as lacunas encontradas no discurso de Perón. p. dizia respeitar e. acompanhado de respectivos documentos. 9-15) no qual o autor infere. O prefácio utilizado em Las memorias del General passa a servir de introdução ao capítulo “Las Memorias de Puerta de Hierro” de Las vidas del General (MARTÍNEZ 2004. 13-122). se sublevar contra a vontade de Perón (Cf. O subtítulo dessa publicação – “memorias del exilio y otros textos sobre Juan Domingo Perón”. a partir do momento em que o autor substitui a palavra “Memorias” (constante na edição de 1996) pelo termo “Vidas” no título da obra lançada a público em 2004. 1970. As relações arquitextual. é republicado ao final do mesmo livro. acrescida de um prólogo (p. p. a morte do sindicalista Augusto Vandor e as ideias de Perón sobre o que denominava “a liberação dos povos”. intertextual e paratextual são elas mesmas indicativas da relação metatextual. mas aos dias 21 e 28 de abril. o subtítulo do livro Las vidas del General (MARTÍNEZ. Enquanto professor de literatura em universidades norte-americanas.). talvez inutilmente. Martínez não ignora os desenvolvimentos teóricos acerca desse tema. Reiterando os vínculos entre Las memorias del General e o primeiro dos romances mencionados. p. cit. mas também os outros relatos dissidentes que completam ou contradizem tal imagem (p. da forma crítica como o autor encaminha seus textos ao leitor. A mesma coletânea passa a ser intitulada Las vidas del General: memorias del exilio y otros textos sobre Juan Domingo Perón (MARTÍNEZ 2004)1 em nova edição. 20) quando. No mesmo prólogo. A título de exemplo. na nova versão.

Martínez informa que os escritos de dom José interpretavam o destino dos seres humanos “como um diálogo entre o poder dos perfumes e o poder das cores. GENETTE. consideravelmente frequente. e que propunham. em uma das vias de acesso à Costaneira Norte de Buenos Aires. Moisés e Maomé”.. 18). a instância autoral inclui. por volta de 1950. sustentada por avisos de militantes peronistas. o então cabo reformado pediu a Alberte para servir como custódia de Isabel. a quem quisesse 3 Em 1963. Abel. um dos herdeiros de Perón. praticamente todas as mensagens. López Rega havia imprimido alguns panfletos do peronismo clandestino e conquistado a confiança do major Bernardo Alberte. quando se vinculou com alguns membros da loja maçônica Anael e instalou uma pequena imprensa próxima à ponte ferroviária da rua Salguero. no exílio em Madri”.4 Por meio de seu narrador.. de intertexto citacional de apoio. Ainda não associado “ao paroquiano das ciências ocultas que vivia em Madri por um ano à procura da aprovação do General para sua difusa doutrina espiritualista. posso dizer que demorei nove anos para voltar [. dois dias depois que o “Bruxo” viu-se obrigado a renunciar e par tiu ao Rio de Janeiro como embaixador extraordinário da presidenta Isabelita Perón. sem talento aparente para a política. para apoiar o candidato a governador Ernesto Corvalán Nanclares. Viajei à França. a voz autobiográfica do jornalista. 1989. Alem. o escritor insere a própria voz autobiográfica para dizer que ouviu pela primeira vez o nome de José López Rega quando tomou conhecimento do livro Astrologia esotérica. com esperança de retornar em poucas semanas. referendando o indício paratextual que tem valor contratual (CF. p. que assim declara: No final de abril de 1975. a Triple A. Os libelos me declararam inimigo da Argentina e me concediam quarenta e oito horas para partir ao estrangeiro. da Associated Press. Elias. estalou uma segunda bomba e recebi ameaças mais rotundas no apartamento onde morava e em um restaurante onde estava almoçando. Buenos Aires. uma organização parapolicial que era financiada com fundos do Ministério de Bem-Estar Social e que. que teceria o iluminismo Rosacruz e alquimia de Paracelso com os rituais brasileiros de Umbanda”. Quando esse mandou a esposa a Mendoza em 1965.5 López Rega é apresentado como um rosto anônimo entre aqueles que rodeavam Perón em 1966. ao começo do texto.126 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS triunfo. 179-188). fez explodir uma bomba lança-panfletos em frente ao edifício da editora Abril. artigo escrito em Caracas e publicado no jornal La Opinión em 22 de julho de 1975. decadencia y derrota de José López Rega” (p. e depois como um cabo disciplinado e ambicioso. na qual o esotérico aparecia como integrante circunstancial da equipe de vigilância presidencial.2 alcançar uma compreensão global do universo. Na mesma direção. Executando o retrato biográfico daquele protagonista quase iletrado. aparentemente.6 Em 1971. O metatexto crítico de Martínez assim é praticado com uma parte. era conhecido como empregado para tarefas domésticas e editor de uma revista de tiragem limitada. respondia às ordens de José López Rega. “Conjetura-se que foi então quando a convenceu de seu desinteresse patriótico e obteve consentimento para colaborar com ela. como secretário ou assistente. escrito por “el Brujo”. submeter-se ao simultâneo ensino de Antúlio.]. a quem a lentidão de suas ascensões no escalão policial induziu-o a pedir para ser reformado em 1962. Desobedeci à advertência e tomei somente algumas precauções. na esquina de Paraguai e Leandro N. Caso não conte com uma fugaz semana em agosto de 1975. Alguns . telefonemas e pedidos de audiência dirigidos ao General passam pela anuência do “Bruxo”. fornece outros dados através de uma biografia reconstruída por membros do Clube de Correspondentes de Madrid. Dez dias mais tarde. Pela memória de Tony Navarro. Sua militância peronista parece iniciar aquele ano.

10 Com uma ideologia esdrúxula. é informada por Martínez a partir de correspondentes estrangeiros que. maciço como um touro. tomada biográfica na qual o testemunho de Martínez reitera o procedimento autobiográfico anteriormente indicado: A impressão que me causou. 7 A relação metatextual que se vai confirmando não prescinde de um elemento típico das narrativas ficcionais. mas o secretário (a quem o narrador oferece voz). A gravidade estaria no fato de ele impor ao produto o nome de Perón e sugerir que esse recomendaria suas virtudes. todos esses dados são antecedidos no texto pela breve. O autor-narrador. descobri uma espécie de sossegado bodegueiro de subúrbio. a partir dessa fonte. literalmente. mas significativa. consiste em toda intrusão do narrador ou do narratário extradiegético no universo diegético (ou de personagens diegéticas num universo metadiegético etc.9 O narrador recorre a informes detidos em 1972 por um dos correspondentes de Madri para comunicar que o secretário do ex-presidente tinha um plano para transformar a Argentina num campo de cultivo mágico. trata-se da “metalepse” que. As lembranças do escritor alcançam o protagonista no mês de “junho de 1972. provém uma possível resposta: “‘Eu sou o para-raios que detém todos os males enviados contra esta casa. A ambição por bens materiais. seu ponto frágil. da qual seria ele o profeta e o pontífice. a fim de transferir o peso político e o carisma de Perón a si mesmo e. capaz de ressuscitar os mortos e ler os pensamentos alheios. a crença de que o destino da humanidade seria decidido por claves musicais. sabendo de tal vigilância. segundo Gérard Genette (2004).12 A informação de que “el Brujo” teria utilizado o conhecimento adquirido nos arquivos e nas correspondências de Perón a fim de amedrontar peronistas que deixaram rastros escritos de sua deslealdade ou torpeza é atribuída a alguns de seus adversários. publicada em Astrología estérica junto a conjeturas místicas sobre Perón. Mais uma vez. não duraria muito tempo. que carecia de escrúpulos na relação social e de senso do ridículo.11 O cotidiano do “Bruxo” no escritório da Gran Vía em Madri. o “milagreiro” deteve um poder que. o hábito da escrita. ou inversamente. de cuja voz. deixam para entregar a correspondência quando se despedem do ex-mandatário. assegura: “O certo é que o domínio dessa enorme . em 1970. seu único prazer.). posteriormente. e na qual sua presençã é solicitada como narradorpersonagem: “Não sou o único a quem se definiu em Madri como um fazedor de milagres. quando mantivemos um diálogo fugaz junto à Quinta 17 de Outubro”. quando o vi pela primeira vez. capaz de ir mais longe do que sonhava.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 127 peronistas. Também não sou o único que começou a levá-lo a sério quando já era muito tarde”. reuniram dados sobre uma empresa de engarrafar água em Uruguaiana. O escritor confirma essas pretensões místicas quando soma seu testemunho à história primeira que ele mesmo narra. outra vez destacada na narrativa. a metalepse autobiográfica de Martínez confere autenticidade à narração: “Perguntei a López Rega sobre a veracidade daquela história. não raro toma para si o envelope. Cada vez sou menos López Rega e cada vez sou mais a saúde do General’”. contudo. foi de qualquer maneira inferior ao personagem delirante e descarado que haviam prometido as fábulas madrilenhas. fundar uma religião para o Terceiro Mundo. Em vez do megalomaníaco e intrometido Rasputin anunciado por seus detratores. ao ódio que lhe professavam ‘alguns inimigos bruxos’”. Devo dizer que a negou e atribuiu sua invenção. cidade brasileira fronteiriça com a Argentina.8 A ocasião permite a Tomás Eloy Martínez levantar uma hipótese a respeito da tolerância de Perón para com o mordomo. segundo ele. “com o pretexto de que ‘o General tem muitas coisas para atender e não convém abusar de sua saúde’”.

14 É também considerado metaléptico esse enunciado que o mordomo havia proferido acerca de si mesmo. A esses. Traducción por Luciano Padilla López. de cuja existência.16 Participante assíduo nas reuniões políticas da Puerta de Hierro aproximadamente desde 1969. Foi o próprio Perón quem. se for verdade – pois é verdade – que je sempre é também um outro”. porque a imprensa. Gérard (1989): Palimpsestos . a perspectiva biográfica voltada ao secretário de Perón é compartilhada com as intrusões autobiográficas de Martínez. De acordo com a parte final do artigo que. de acordo com as convicções e as palavras de López Rega. a vida do general junto a outras vidas – tomando a forma de uma metalepse que “está no núcleo íntimo de tudo o quanto cremos poder dizer ou pensar a respeito de nós mesmos. Taurus. além da cobiça. Planeta.15 Referências bibliográficas GENETTE.128 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS massa informativa. política ou religiosa. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica. ________ (1985): La novela de Perón . o fanatismo e a intolerância daqueles tempos alertam-nos sobre os riscos dos atuais fundamentalismos. o secretário acreditava em um Espírito Supremo que outorgaria poderes a alguns seres humanos e a outros. se uniram e conciliaram para dizer-lhe basta. ________ (1995): Santa Evita. Altea. foi uma das chaves de seu poder político”. de certo modo. os sindicatos. Você com quem quer estar? Com a massa ou com o que amassa?”. Taurus. “Ascenso. Nesse artigo. Tomás Eloy (1996): Las memorias del General. somada a sua infalível memória de policial bem adestrado. ________ (2004): Las vidas del General . Buenos Aires: Biblioteca del Sur. consistindo em discurso secundário que confirma o artigo por ele protagonizado. o derrubou de maneira póstuma. o povo desesperado. Buenos Aires: Aguilar. de ordem étnica. Ao contrário. aos inimigos. decadencia y derrota de José López Rega”. haverá possibilidade de saber se essa voz de mando não teria se pronunciado tarde demais. Gérard (2004): Metalepsis : de la figura a la ficción. MARTÍNEZ. a . triunfo. o excesso de fé em seus poderes individuais: Antes de regressar à Argentina. nem Deus nem sabe. 13 arrogância. López Rega acreditou no isolamento do poder e na necessidade de que o país se colocasse a serviço de suas convicções. caberia tratálos com rigor. os empresários e. somente quando se fizer o novo inventario das ruínas. e que somente uma política de conciliação e unidade nacional poderia salvá-lo. Perón havia pronunciado que o país estava em ruínas. Alfaguara. O metatexto crítico autentica as configurações que esse havia estabelecido para sua obra – as (des)memórias de Perón ao lado de outros textos. que forma parte do amplo cenário psicossocial contemplado pelas referidas obras de cunho jornalístico e memorialístico. como também em outros artigos que integram Las memorias del General e Las vidas del General. a derrota do “Bruxo” talvez encontrasse entre seus motivos. Presentes não apenas no texto aqui estudado. pois há “homens que são escolhidos por Deus e outros. No entanto. mas que integra uma coletânea na qual o papel de protagonista é ocupado por Perón. integrando a coletânea Las memorias del General. é depois eliminada de sua reedição em Las vidas del General. os partidos político. Madrid: Altea. Buenos Aires: Planeta. GENETTE. não. sobretudo. Alfaguara. Buenos Aires: Planeta.

3 “al feligrés de las ciencias ocultas que vivía en Madrid desde hacía un año buscando la aprobación del General para su difusa doctrina espiritualista. p. Diez días más tarde. 183). p. estalló una segunda bomba y recibí amenazas más rotundas en el departamento donde vivía y en un restaurante donde estaba almorzando. 182). 9 "‘Yo soy el pararrayos que detiene todos los males enviados contra esta casa. cuando lo vi por primera vez. p. 181). cuando mantuvimos un diálogo fugaz junto a la entrada de la quinta 17 de Octubre” (MARTÍNEZ. a quien la lentitud de sus ascensos en el escalón policial indujo a pedir retiro en 1962. Su militancia peronista parece arrancar aquel año. macizo como un toro. Buenos Aires. 7 "con el pretexto de que ‘el General tiene demasiadas cosas que atender y no conviene abusar de su salud’” (Id. 2004. cit. en la esquina de Paraguay y Leandro N. quando de seu exílio em Caracas. Ibid. 185). Alem. p. Tardé nueve años en volver. someterse al magisterio simultáneo de Antulio. p. la Triple A. literalmente. 1996. en el exilio de Madrid” (Id. Ibid. 11 "Pregunté a López Rega sobre la veracidad de aquella historia. fue de todos modos inferior al personaje delirante y cachafaz que habían prometido las fábulas madrileñas. con la salvedad de una fugaz semana en agosto de 1975 […]” (MARTÍNEZ. a quienes quisieran alcanzar una comprensión global del universo. p. 4 “como un diálogo entre el poder de los perfumes y el poder de los colores. y que proponían. 20. Los libelos me declararon enemigo de la Argentina y me concedían cuarenta y ocho horas para marcharme al extranjero. p. 2004. 2004. Moisés y Mahoma” (MARTÍNEZ. Ibid. cuando se vinculó con algunos miembros de la logia Anael e instaló una pequeña imprenta cerca del puente ferroviario de la calle Salguero. loc. descubrí más bien a una especie de sosegado almacenero de suburbio. loc. 12 "La impresión que me causó. una organización parapolicial que se financiaba con fondos del Ministerio de Bienestar Social y que. Desobedecí la advertencia y sólo tomé algunas precauciones. con la esperanza de regresar a las pocas semanas. é eliminado da coletânea Las vidas del general. Ao contrário do que afirmava o general. 182-183). Abel. p. hizo estallar una bomba lanzapanfletos frente al edificio de la editorial Abril. sin embargo. 8 “junio de 1972. que entretejía el iluminismo Rosacruz y la alquimia de Paracelso con los rituales brasileños de Umbanda” (Id. cit. 116-119). al odio que le profesaban ‘algunos brujos enemigos’” (MARTÍNEZ.). constante nessa seção de Las memorias del General (MARTÍNEZ. como secretario o asistente. 5 "como circunstancial integrante del equipo de vigilancia presidencial. 6 “Se conjetura que fue entonces cuando la convenció de su desinterés patriótico y obtuvo consentimiento para colaborar con ella. o explosivo não teria sido colocado no veículo pela embaixada da Argentina na Venezuela e sim pelo chefe do Serviço de Inteligência daquele país.). hacia 1950. 10 “No soy el único ante quien se definió en Madrid como un hacedor de milagros. En vez del Rasputín megalómano y entrometido que anunciaban sus detractores. 2004. Viajé a Francia. Trata-se do informe sobre uma bomba que destruiu o carro de Perón em 1957. p. Ibid. 184). respondía a las órdenes de José López Rega. en una de las vías de acceso a la Costanera Norte de Buenos Aires” (Id. Cada vez soy menos López Rega y cada vez soy más la salud del General” (MARTÍNEZ. Elías. capaz de resucitar a los muertos y leer los pensamientos ajenos. al parecer. 184). y luego como un cabo disciplinado y ambicioso. Debo decir que la negó y que atribuyó su invención. 182). p. Tampoco soy el único que empezó a tomarlo en serio cuando ya era demasiado tarde” (MARTÍNEZ. 2 “A fines de abril de 1975. 186). 2004.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 129 Notas 1 O documento n. . que carecía de escrúpulos en la relación social y de todo sentimiento del ridículo” (MARTÍNEZ.

. porque la prensa. López Rega creyó en el aislamiento del poder y en la necesidad de que el país se pusiera al servicio de sus convicciones. y que sólo una política de conciliación y unidad nacional podía salvarlo. 14 "hombres que son elegidos por Dios y otros de los que Dios ni se entera que existen. Perón había predicado que el país estaba en ruinas. si es verdad – pues es verdad – que je siempre es también otro” (GENETTE. los empresarios y. 129). loc. fue una de las llaves de su poder político” (MARTÍNEZ. cit. sobre todo. 187). los partidos políticos. 144). A la inversa. sumada a su infalible memoria de policía bien adiestrado.).130 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 13 “Lo cierto es que el dominio de esa enorme masa informativa. p. Fue el propio Perón quien. p. se unieron y conciliaron para decirle basta. 2004. Pero sólo cuando se haga el nuevo inventario de las ruinas. 16 “está en el núcleo íntimo de todo cuanto creemos que podemos decir o pensar respecto de nosotros mismos. 1996. ¿Usted con quién quiere estar? ¿Con la masa o con el que amasa?” (MARTÍNEZ. los sindicatos. 2004. 15 "Antes de regresar a la Argentina. podrá saberse si esa voz de alto no se pronunció demasiado tarde” (MARTÍNEZ. p. en cierto modo. lo derrocó de manera póstuma. el pueblo desesperado.

o silêncio imposto nos longos anos de ditadura de Franco. através das câmaras perspicazes de Antonio Bardem. mutilando obras e ditando regras tanto políticas quanto religiosas. contribuiu de forma contundente para a difusão dos ideais franquistas. a produção cinematográfica de transposições literárias tomou uma proporção ainda maior que nos anos anteriores. Não era raro. de que maneira o cineasta conseguiu subverter a ordem. Especialmente no pós-guerra. e sob a vigilância da censura. devido ao fato de atingir um contingente enorme de pessoas. que os regimes totalitários exercessem sobre os filmes uma censura asfixiante. Mas o inverso também ocorreu. e produziu uma obra crítica à . Neste sentido. Assim. a moral e os bons costumes. No plano das possibilidades. ao mesmo tempo em que encomendavam obras para propagar seus ideais e impor sua forma e conteúdo. segundo Walter Benjamin (1985). uma análise do filme Calle Mayor (1956). com o apogeu da indústria cinematográfica. Certamente isso não foi diferente no regime franquista. no início do século. do dramaturgo Carlos Arniches. poderiam promover a democratização no campo das artes. do cineasta Juan Antonio Bardem. Neste período.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 131 CALLE MAYOR E SEÑORITA DE TREVÉLEZ SOB A DITADURA FRANQUISTA Angela dos Santos FATEC – ZL e SCS O cinema e a técnica cinematográfica ganham corpo nas primeiras décadas do século XX. O objetivo é tentar vislumbrar. tornandoo um instrumento de propaganda política. A partir desta problemática. pretende-se apresentar aqui. A censura atuou de forma incisiva nas produções cinematográficas. o cinema também foi utilizado como meio de propaganda ideológica sobre as massas. foi crucial para que o cinema e a literatura espanhola fossem diretamente afetados em suas produções. passando a ser caracterizado como uma técnica que permitia movimentos de massas. essa se torna uma mídia explorada com fins de mudança social. essas técnicas de reprodução da arte. cujo enredo é baseado em uma adaptação livre da obra La Señorita de Trevélez (1916). na medida do possível. em vista de manter o status quo . posto o seu poder de fascínio e sua vertente influenciadora.

simplesmente para evadir-se do tédio da vida quotidiana da pequena cidade. proliferam nos teatros apresentações de obras de todo tipo de gênero. Ele revela um conflito dramático relacionado ao cotidiano de uma pequena cidade. Trata-se de encontrar. vítimas de uma cruel brincadeira engendrada por jovens ociosos. uma linguagem própria que logo é repassada ao povo. Criando assim. associado ao costumbrismo e ao humor. na impossibilidade. uma solteirona de idade avançada de classe burguesa “la cara ridícula. suprimindo sílabas. É bastante próxima à obra de Arniches. que enchem as salas de teatro. Vale destacar as principais personagens da peça. Ela sacrificou um possível matrimônio pela felicidade de sua irmã. na qual se percebe que não há a pretensão de uma crítica severa à sociedade. e D. já que o trabalho de Arniches é reconhecido como uma comédia grotesca. são próximas quanto ao argumento. foram realizadas duas versões cinematográficas. . com intenção evidente de caricaturar o madrileno. pois o engano é perpetuado e Flora de Trevélez segue em completa ignorância dos fatos. em sua maioria peças cômicas. Também merece atenção Numeriano Galán. para fugir do tédio de uma cidade. Sem dúvida. Sua obra está a meio caminho entre a tragédia e a comédia. jovem escolhido pelos amigos fanfarrões para ser o suposto pretendente de Flora. Comediógrafo e excelente pintor de ambientes populares. com fins humorísticos. O argumento desta tragédia grotesca apresenta um conflito dramático relacionado ao cotidiano e protagonizado por heróis igualmente grotescos que tramam brincadeiras de mau gosto. membros de um cassino provinciano. La Señorita de Trevélez é considerada a obra mais relevante de sua produção teatral.132 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS sociedade de sua época. Suas personagens são apresentadas com características singulares. uma teatral e a outra fílmica. que se aproximam do folclórico. A obra de Arniches relaciona características regionalistas. principalmente o conhecido género chico. preferência de certo tipo de público. Na obra fílmica. produzida às vésperas da guerra civil espanhola em 1936. mas estaciona neste ponto. A primeira. tornando-o um verdadeiro “vício nacional”. irmão de Flora. que é sem dúvida a personagem de maior relevância. ainda que residual ou mínima. Já não possui o tom jocoso e não se emprega o jogo de palavras que caracteriza a obra teatral. a esta comicidade própria da farsa está presente o drama que vivem os irmãos Trevélez. perpetuam as condições da mulher frente à sociedade patriarcal. tendendo ao sentimentalismo e ao melodrama. Gonzalo de Trevélez. p. Nesse período. Carlos Arniches foi um mestre na arte de escrever obras deste gênero. a transposição é feita somente através do argumento e converte o cômico em tragédia. tem o mesmo título da obra teatral.94). 1998. Qualificada pelo autor de “farsa cómida en tres actos”. aplicando um léxico próprio. Ele narra um drama causado por homens que. de fala peculiar. pintarrajada e sonriente” (ARNICHES. . São elas: Flora de Trevélez. soube recriar de maneira exemplar a riqueza da linguagem popular de Madri. tecendo uma odiosa brincadeira sem precedentes. As duas obras em análise. a possibilidade. utilizando jogo de palavras. A obra em análise de Arniches foi escrita e levada à cena em plena Guerra Mundial. de Edgar Neville. Dada a importância desta obra. mas não quanto ao gênero. e é considerado o criador da “tragédia grotesca”.

A cidade indefinida no filme é na realidade Logroño. Una ciudad cualquiera en cualquier provincia de cualquier país. político e social. Bardem é detido. O motivo principal é ver e serem vistos. a indústria cinematográfica enfrenta uma censura feroz e. Parte dessa ambientação de Juan consiste na aproximação a um grupo de jovens acostumados a zombar das pessoas. pois era obcessão da censura de que qualquer filme não revelasse a localização e a época das histórias contadas. sob forte pressão do Estado para que o filme prossiga com outro diretor. Bardem evidentemente teve problemas com o roteiro. se recusa a continuar as filmagens sem Bardem. na qual o diretor não se preocupou em seguir a história linear do gênero cômico. anunciando precisamente: Aquí abajo está la ciudad. Possivelmente foi graças à intervenção da coprodutora francesa e a esta recusa de Betsy Blair que o diretor conseguiu ser liberado algumas semanas depois. convidada pelo próprio diretor para protagonizar Isabel. e a atriz. com brincadeiras nada honrosas. em cidades provincianas. dos bons costumes. 1956). a catedral. evidenciando os costumes de uma pequena cidade. não é mais uma jovem na idade de “buen merecer”. tais como o cassino. El color del pelo o la forma de las casas. além de outros locais pontuais da cidade. Nessa transposição. Outras cenas foram cortadas pela censura. principalmente as mulheres solteiras. um jovem de Madrid que reside na cidade havia apenas três meses e que já se ambientou ao estilo de vida provinciano. sendo possível vislumbrar diversos elementos. as personagens perdem as características grotescas e assumem um papel mais fidedigno da realidade. ou melhor dizendo. em condições pouco convencionais. Isabel é uma solteirona e. Esta obra é uma coprodução hispano francesa. ele tomou o argumento da obra teatral e transformou-a em uma tragédia. em 1956. a um sistema de classificações que tenta controlar a indústria por meio de subvenções que servem à ideologia do regime franquista. Durante a rodagem do filme. Foi obrigado a retirar os letreiros de lojas e bares das filmagens. los anuncios en las paredes o una determinada manera de sonreír y hablar no debe ser forzosamente una bandera concreta para envolver a estos hombres y mujeres que va a empezar a vivir delante de nosotros (BARDEM. como já foi dito. quanto ao seu conteúdo moral. Juan Antonio Bardem realiza o filme Calle Mayor . sem espaço e tempo próprios de uma sociedade. a partir de 1943. Na verdade.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 133 Anos depois. tão comum à época. como se o expediente pudesse ser uma fábula. Calle Mayor . o bairro velho e a calle Mayor de Palencia. é uma transposição livre de uma obra teatral. onde os constantes passeios pela calle mayor reproduzem um ritual cotidiano. Durante os longos anos de ditadura. que são maioria e vão acompanhadas por outras amigas ou alguém da família. Una pequeña ciudad de provincias. . mas Bardem soube magistralmente revelar aspectos políticos e religiosos. La historia que está a punto de comenzar no tiene unas coordenadas geográficas precisas. É o que levantaremos nesta análise. Um fato que fornece a dimensão do momento político merece ser pontuado. com argumento e roteiro do próprio diretor. Vê seus sonhos de se casar prestes a se realizem quando percebe as investidas de Juan. Só assim ele conclui o filme. A principal tarefa da Junta de Clasificación y Censura é a de exercer a censura dos filmes nacionais e estrangeiros. daquela sociedade. A censura encarregou-se de que o diretor fizesse um prólogo. em plena ditadura franquista. que tem como intérprete a norte-americana Betsy Blair. para os padrões da época. dando ênfase à visão de uma pequena burguesia local.

pois ela não é feia. Dessa forma traça uma diferença entre o roteiro original e o resultado final do filme. Y no de cualquier mujer. As personagens masculinas perdem a característica grotesca e adquirem uma personalidade mais complexa. fica claro que ele critica as atitudes . Apesar de a censura ter impedido que a prática religiosa tivesse mais relevância no filme. já que Juan se acovarda e foge. Yo tomé como elemento fundamental de mi texto la broma. Edgar Neville hizo una versión cinematográfica de La señorita de Trevélez con María Gámez como protagonista. sino específicamente de una señorita de la pequeña burguesía de una ciudad de provincias. Un tercer afluente venía del poema de Agustín de Foxá: las seis muchachas en el mirador. No filme o aspecto religioso.134 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Fazendo parte desse grupo. Don Gonzalo. las seis mujeres de maridos ricos. estabelece uma oposição ao franquismo e que a personagem Federico traz de forma que atualiza a ação e a situação política da época. Bardem desenvolve uma sequência exemplar no interior de uma igreja. o domínio das figuras masculinas prevalece. amigo de Juan. Otra vez la soledad de una mujer abandonada y asfixiada por las conveniencias sociales de su mundo. Sua atitude em tentar ajudar Isabel a fugir daquela cidade e dos olhares de escárnio de todos. onde Juan dá indicações a Isabel de seu interesse. as eliminações se deram aos momentos de referências a manifestações amorosas apaixonadas. Flora não é a protagonista. religião e meros planos de passeios de seminaristas. cantando com mais entusiasmo. Mas é manifesto que Bardem explora bem mais o aspecto social que em Arniches. Yo no. segue a procissão. Além dos muitos cortes realizados. terna e patética. já que Apesar de Bardem dar ênfase ao drama da mulher espanhola. Juan torna-se algoz e também vítima de seus amigos. revela sua visão comprometida com o lado social. O papel de protagonista cabe agora à personagem feminina. uma revista que. foram acrescentadas algumas sequências ao roteiro original. Federico. manifesta-se poucas vezes. Bardem diz: El texto nace de una fuente y más afluentes. nos anos 50. no final. cabendo a seu irmão este papel. Un afluente fue Doña Rosita la soltera de Federico García Lorca. no filme desaparece completamente. mas de maneira contundente. Não se evidencia uma proposta para que as mulheres adotem um papel mais ativo na sociedade. dos homens perante a vida inculta. improdutiva e conformista. no filme. às freiras e seminaristas. Outra sequência é a declaração de amor feita por ele na metade de uma procissão. Foram cortadas todas as outras sequências sobre caridade.. estarrecida e feliz pela audácia do suposto amante. Federico terá um papel importante como representante de uma postura comprometida. não está de acordo com as constantes brincadeiras do grupo e condena suas atitudes. pois é escolhido para forjar uma relação com Isabel. roubando a cena da protagonista. que aparece como o protagonista na peça teatral. pois naquela Numeriano Galán é involuntariamente envolvido na trama. me dediqué a explicar y expandir una crítica general del mundo español de los 50 y. Apesar do título da obra teatral. siguiendo paso a paso la línea que había escrito don Carlos. que está de passagem pela cidade. Isabel revela-se uma personagem viva. un análisis de la condición de la mujer en España. ya en el borde de la soltería. e muito menos grotesca. nada se parecendo com Flora. próxima da realidade. A respeito de sua obra. se vê obrigado a revelar tudo a Isabel. en particular. Um indicativo importante que se faz referência no filme é a revista Ideas. y a partir de ahí. É um aspecto que difere da obra teatral.. La fuente: La señorita de Trevélez de Don Carlos Arniches. Dentre os cortes. No entanto. É ele que. na qual somente as mulheres participam e Isabel.

já que a censura tinha o papel de mutilar e descaracterizar as produções em geral. (2000): El teatro en el cine español. S. De certa forma.A. Nos anos 50. Aunque Carlos Arniches siempre critica a los burladores y a quienes.A. BARDEM. mais reveladora e instigante. (1956): Calle mayor. BENJAMIN. el retrato de la solterona casi invita a burla. O que torna esse filme uma obra singular. não rompe com o modelo estabelecido. com matizes próprios do diretor.P. que se evidencia no texto fílmico. No es fea como Florita. W. Bardem faz parte deste grupo e este filme diferencia- . cai uma forte chuva. Ao mudar completamente o gênero da obra original. Madrid: Cátedra. Um futuro sombrio e tormentoso a aguarda. J. de que é uma obra sobre a condição feminina. en general.A. (1998): La señorita de Trevélez. Alicante: Publicaciones de la Universidad. Isabel es todo lo contrario. A brincadeira torna-se sem sentido e Isabel segue com sua atitude passiva e conformista. elevada ao papel de protagonista. J. Magia e técnica. RÍOS CARRATALÁ. v. Fora. rezos y. procesiones. DVD. Bardem. J. trad. na medida do possível. faz uma crítica à sociedade patriarcal. Rouanet. graças a um grupo de cineastas que busca uma nova forma de representar e que partem de um universo mais realista. BARDEM. Suevia Films / Play Art / Iberia Films. se limita a hacer lo mismo que las demás mujeres de la ciudad: novenas. un baile en el Círculo. se por seu corte neorrealista. mas na verdade são as convenções. Dessa forma. Coproducción España-Francia. O filme termina com Isabel vendo o mundo através da janela de seu quarto. 95 min. arte e política. en cualquier caso. o diretor subverte a obra teatral e escreve outra história. I. C. paseos.(1993): Calle Mayor . Madrid: Plot Ediciones. juegan con los sentimientos de los demás. o que ganha corpo na história é a pequena cidade provinciana. a brincadeira. inaugura-se uma produção voltada a uma aguda consciência social. São Paulo: Brasiliense. tampoco es cursi y. anualmente. distanciando-se dos filmes produzidos até então. 135) explica a brincadeira ao personagem feminino: No es lo mismo burlarse de un personaje grotesco como Florita que de una mujer como Isabel. com personagens cotidianos e familiares.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 135 percebemos um deslocamento do que diz respeito ao próprio Bardem. mesmo sob a censura franquista. (1985): Obras Escolhidas . No hay ninguna razón objetiva porque la condene a la soltería. Ríos Carratalá (2000. Ele utiliza-se de suas câmaras perspicazes para revelar o absurdo de tal sociedade e nos brinda com um filme de oposição à norma e à política vigente. Referências bibliográficas ARNICHES.

A perífrase “tener” + particípio é considerada uma perífrase aspectual. Introdução O espanhol. na proposta do autor. pois serve para mostrar a categoria verbal denominada aspecto. as perífrases podem ter quatro tipos de valores: temporais. Além disso. há dois aspectos básicos na língua. é uma língua que apresenta grande abundância de perífrases verbais. O aspecto contínuo/durativo ainda poderá ser dividido em progressivo e não progressivo. Para este autor. Enquanto na primeira o aspecto é imperfectivo. Segundo COMRIE (1976. como por exemplo no próprio português. haverá a leitura habitual iterativa. Essa oposição é gramaticalizada em diversas línguas. então ela será apenas habitual. o aspecto perfectivo e o imperfectivo. decidimos verificar a co-ocorrência desta perífrase com outras perífrases. no contexto do aspecto iterativo e na variante do espanhol da Cidade do México. Contudo. p. Já em sentenças como em (7). completo. então para . por exemplo. no português. p. segundo o autor. Para GÓMEZ TORREGO (1988. O aspecto iterativo. assim como o português. o aspecto imperfectivo se refere essencialmente à estrutura interna de uma situação. Para este autor. por isso. o aspecto imperfectivo é dividido em aspecto habitual e aspecto contínuo/durativo. ou seja. Essa perífrase. Enquanto o aspecto perfectivo trata a situação ou evento como um todo. Ao observar os exemplos “João estava lendo um livro” e “João leu um livro”. há uma diferença no modo como a constituição interna da situação é vista. Mas se essa situação não puder ser prolongada.3).19). para abarcar outros tipos de distinções aspectuais que podem fazer parte de algumas línguas. como no exemplo do inglês abaixo em (6). percebe-se que ambas as sentenças referem-se ao passado. está sendo substituída pela perífrase “estar” + gerúndio e. na segunda é perfectivo. tem traços comuns1 com a habitualidade e faz referência a uma pluralidade de ações.136 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS DISTRIBUIÇÃO DA PERÍFRASE “TER” + PARTICÍPIO NO ESPANHOL DO MÉXICO Anne Katheryne Estebe Maggessy UFRJ 1. se uma situação individual pode ser prolongada indefinidamente no tempo. o aspecto se define em função dos diferentes modos de observar a constituição temporal interna de uma situação. há uma diferença aspectual entre elas. modais e estilísticos. vendo-a de dentro. aspectuais.

sólo me quedan la cocina y el baño Tengo corregidos ya veinte exámenes. desempenham papel principal na composição dos aspectos durativo e iterativo. verificase que a perífrase “estar” + gerúndio (EG) está gradativamente substituindo a perífrase “ter” + particípio nas gerações mais jovens da população. se indica um valor repetitivo ou de insistência como em: . 2. 2010 e 2011). na variante carioca. Mas. de Buenos Aires e de Valparaíso. a iteratividade é uma categoria aspectual com marcas linguísticas específicas como tipo de verbo. Com isso. o valor mais característico da perífrase “tener” + particípio é o valor perfectivo-acumulativo de um estado alcançado. em estudos anteriores (2009. E. já que segundo GÓMEZ TORREGO (1988). nos surgiu a curiosidade de investigar se a perífrase “tener” + particípio também estaria apresentando leitura aspectual iterativa no espanhol do México como a perífrase “estar” + gerúndio.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 137 o autor a única interpretação razoável envolvida será a iterativa. Dessa forma. já pudemos verificar a possibilidade da expressão aspectual iterativa em sentenças com a perífrase EG tanto no PB. o aspecto iterativo é considerado como pertencente ao aspecto imperfectivo. tanto do português quanto do espanhol. ou seja. um dos aspectos básicos da língua. seu uso mais produtivo expressa o aspecto perfectivo. p. sólo me Em português. Além disso. mas em estudos como o de MENDES (2005). que apresenta repetição. O comportamento perifrástico de “tener” + particípio Segundo GÓMEZ TORREGO (1988. como em (8). (7) “The policeman used to stand at the corner for two hours each day” (O policial costumava ficar no corredor duas horas por dia) (8) “The old professor used always to arrive late” (O velho professor costumava sempre chegar tarde). outras vezes. quanto no espanhol de Madri. como a que expressa o aspecto progressivo ou durativo. é pelo menos um dos fatores propiciadores da leitura aspectual iterativa. De acordo com os estudos de WACHOWICZ (2006). Como nos exemplos abaixo: Tengo escrito ya cincuenta fólios. “estar” + gerúndio e “ter” + par ticípio são construções perifrásticas que quedan veinte. FERNÁNDEZ DE CASTRO (1999) e YLLERA (1999). segundo o próprio COMRIE. A perífrase EG é canonicamente descrita. o aspecto iterativo é normalmente expresso pela perífrase “ter” + particípio com o auxiliar no presente do indicativo. pode-se dizer que para COMRIE. marcadores adverbiais e argumentos plurais. Segundo o autor. sólo me quedan diez O autor também afirma que. (6) “The temple of Diana used to stand at Ephesus” (O templo de Diana costumava ficar em Efesus) dentro dos estudos linguísticos. um marcador adverbial como two hours each day (duas horas por dia) ou always (sempre). ao observar os exemplos do inglês acima.192 ). Tengo empapeladas ya três habitaciones. considera-se nesse trabalho a iteratividade como aspecto por apresentar um evento escalonado.

FERNÁNDEZ DE CASTRO (1990. Mas. Felipe.. si es inútil. ainda que rejeitadas por outros.. Le tengo prestado el coche muchas veces. aceitas por alguns falantes de . p. Tengo castigado al niño muchas veces. y sabía ser te ngo afe de ve un tío cordial cuando quería. es inútil.. c. apud TRAVAGLIA 2006). esse tipo de construção não se usa mais e um exemplo como o apresentado tende a ser interpretado com valor de imperfectivo. como no caso anterior. Eso es grande! Yo lo t e ng o af e itado la mar d e v e c es.166). Tengo despertado al niño un montón de veces. faenas de ésas.[…] Ahora. segundo estudos do PB e do espanhol. Tengo perdida la cartera varias veces. que te ngo . parece ser que.278). de ésas le t te ngo vistas po cas.138 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Te tengo dicho que te calles Te lo tengo advertido. Com isso. Tenemos hablado mucho sobre este asunto. espanhol.) Tengo entendido que te robaron este verano (=creo. no te pongas a llorar E que.. eso sí. HARRE cita outros exemplos em que. de ponerse hecho un toro colorado y salir arreando con todo lo que e ng ov istas unas p o cas pilla por delante. 950)”. se lo digo en serio. Tienen vivido mucho tiempo en España y por eso hablan tan bien el español. temos acesso aos estudos de HARRE (1991: 52-78). Fiéis. Tiene viajado mucho por el extranjero. Por isso. b. que cita exemplos de sentenças com “tener” + particípio expressando o aspecto iterativo. d. Para TRAVAGLIA (2006. com verbos intransitivos e advérbios quantificadores. Enquanto isso. em ocasiões. Me gusta el espectáculo. estas construções distam muito de ser unanimemente aceitas e empregadas por todos os falantes do espanhol. a perífrase expressa uma ação iterativa sem implicar necessariamente um estado resultante: a. observamos nos exemplos abaixo a presença da conjunção de ênfase e quantificações temporais extensivas que acompanham a perífrase “tener” + particípio: (133) No. p. pero grande. o meu discurso (VIEIRA.) Tengo decidido ir a tu casa (= estoy decidido ir. no sirve discutir. cursivo. a. não só como meramente concluído. Quizás que no se lo tengo yo dicho eso un montón de veces. luego. b. v e c es q ue s e lo t e ng or e p e t ido hasta la sa re sacie cieda dad. Segundo DIAS (1970. a perífrase “ter” + particípio já apresentou o valor de aspecto acabado como no exemplo “Tenho acabado. te robaron) Da mesma forma. não-acabado e durativo. como dito anteriormente. Si no lo vas a apear de su convencimiento. c. Especial si alcanzo a tempo de la primera embestida. afirma que o valor de “tener” + particípio. I. no trabalho de YLLERA (1999). o la mo ntaña d e montaña de unas economías. Lo menos cinco años que se lo vengo diciendo ya: “vamos a hacer un esfuerzo. a nossa hipótese é a de que a produtividade dessas sentenças com “tener” + particípio em contexto iterativo estará relacionada com a presença de verbos intransitivos e de advérbios quantificadores. q ué sé y yo cie da d. é de uma gradação perfectiva na qual o processo não aparece. interessa o estado no sujeito e não no objeto. […]”. Sentenças essas. quando perífrase. mas também como estendido e relevantemente durativo. como nos seguintes casos: Tengo pensado ir a tu casa (= pienso ir.

com nível superior.4 0 3/120 5/120 2. De acordo com este autor. expressa o aspecto perfeito (perfect).8 4/90 0 4. para verificar se os nativos da Cidade do México selecionariam sentenças com “tener” + particípio ou com “estar” + gerúndio ou com “haber” + particípio em contexto iterativo. pois indica a relevância do presente contínuo de uma situação passada. E por 6 sentenças alvo. com 14 lacunas.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 139 3. Resultados ALVO INTRANS. que tem significação iterativa. 4.6 67/120 55.61). foi “haber” + particípio. p. Metodologia Elaboramos um teste de preenchimento. com verbos intransitivos mais advérbio quantificador. + QUANTITATIVO N/TOTAL HABER + PARTICÍPIO ESTAR + GERÚNDIO TENER + PARTICÍPIO TOTAIS 62/90 % 68. Ele está composto por 8 sentenças distratoras formadas por verbos do tipo estado. O teste se resume a uma carta de uma estudante mexicana que está no Chile e descreve tudo o que tem feito à sua família. Observando também o comportamento das sentenças distratoras. é interessante notar que a perífrase mais selecionada nas sentenças alvo. A variável sexo não pôde ser controlada.1 Após a leitura da tabela. percebemos que a perífrase mais . também expressa o aspecto iterativo.5 4. Esta perífrase chamada de pretérito perfeito composto. que são formadas por verbos do tipo estado.5 24/90 26. como os seguintes verbos: gustar / tener / amar / permanecer / vivir en un piso/ odiar / querer / creer. o aspecto perfeito também pode ser expresso no português pelo pretérito perfeito “ter” + particípio. segundo COMRIE (1976. que estão relacionados abaixo: llegar tarde todos los días correr un chingo de veces bailar un chingo de veces salir varias veces despertarme muchas veces nadar todos los días Aplicamos o teste à 15 falantes de espanhol da cidade do México entre 20 e 24 anos.8 DISTRATORAS ESTADO N/TOTAL 45/120 % 37. segundo a classificação de VENDLER (1967). que segundo os estudiosos do PB.

DISTRATORA (n° de sentenças selecionadas): A) Tengo creído que ser gordita no es bueno. (+) dinâmico.140 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS selecionada foi “estar” + gerúndio. Conclusão . (1) B) Aquí he salido varias veces. (5) C) Estoy corriendo un chingo de veces. ao contrário. (14) B) He permanecido firme en mi propósito. (3) Estes exemplos acima. (1) B) He creído que ser gordita no es bueno. (1) B) He nadado todos los días. apresentamos as sentenças distratoras que não esperávamos que fossem selecionadas. que seriam com a presença de verbos intransitivos e advérbios quantificadores. (10) C) Estoy permaneciendo firme en mi propósito. (2) B) He corrido un chingo de veces. Abaixo apresentamos as sentenças que tiveram ocorrência da perífrase “tener” + particípio. Pois não há fatores que diferenciem essas sentenças de outras que não foram selecionadas como “llegar tarde todos los días”. (2) A) Tengo permanecido firme en mi propósito. Diferente do esperado. (9) ALVO (n° de sentenças selecionadas): A) Tengo corrido un chingo de veces2. pois um verbo de estado que é por sua natureza (-) dinâmico. pois não possuíam as características descritas por HARRE como favorecedoras da iteratividade. (1) 5. pois encontramos ocorrências de “tener” + particípio em sentenças com advérbios quantificadores e verbos D) Permanezco firme en mi propósito. A hipótese não pôde ser refutada. (6) C) Estoy nadando todos los días. (1) A) Aquí tengo salido varias veces. essa é uma construção possível na língua. “bailar un chingo de veces” e “despertarme muchas veces”. Ainda assim. Essa combinação pode parecer inicialmente estranha. as sentenças selecionadas abaixo não possuem essas características e apresentam o verbo principal do tipo estado. (6) D) Me gustan/ agradan todas las personas. mas não é considerada muito produtiva. nos mostram que a seleção das sentenças com a perífrase “tener” + particípio. (8) C) Estoy creyendo que ser gordita no es bueno. (6) A) Tengo nadado todos los días. parece ter sido aleatória por parte dos informantes. (8) C) Estoy gustando de todas las personas. juntamente com as escolhas feitas pelos informantes e com o número de vezes que foi selecionada entre parêntesis: Abaixo. se apresenta em forma de gerúndio que é.3 (1) B) He gustado de todas las personas. (5) A) Tengo gustado de todas las personas de la Universidad.

na variante investigada do espanhol do México. Oviedo. 6. p. L. Embora o número de ocorrências tenha sido baixo. WACHOWICZ. Madrid. Além disso. Finalmente. FERNÁNDEZ DE CASTRO.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 141 intransitivos. Publicaciones del Departamento de Filología Española. Arco/Libros. o traço que é comum em todos os habituais. Luiz Carlos (2006): O aspecto verbal no português: a categoria e sua expressão. 2. Comportamiento sintáctico e historia de su caracterización. 3 Em consulta informal. é a descrição de uma situação que é característica de um período estendido de tempo. (1993): A theory of aspectuality . como um traço característico de todo o período. Zener (1967): Linguistics in Philosophy. Uberlândia: EDUFU. GÓMEZ TORREGO. 4. Artigo publicado nos Anais do 6° Encontro Celsul – Círculo de Estudos Linguísticos do Sul. Ignacio Bosque y Violeta Demonte. Vol. foi possível encontrar o uso da perífrase “tener” + particípio em contexto do aspecto iterativo. Universidade Estadual de Campinas. C. Notas 1 Segundo Comrie (1976). 2 A expressão “un chingo de veces” é uma forma coloquial dos jovens da Cidade do México expressarem uma repetição. YLLERA. 3391-3441. como tratado por alguns estudiosos. (2006): Marcas linguísticas de iteratividade em PB. podendo ser combinado também com verbos do tipo estado. Contudo. É significativo observar também.The interaction between temporal and atemporal structure . estendido no fato de que a situação referida é para ser vista não como uma propriedade acidental do momento. sendo ou não também iterativos. Ronald Beline (2005): Estar + gerúndio e ter + particípio. não só de perfectividade. que também compartem os traços de imperfectividade e iteratividade. verificamos que a perífrase “tener” + particípio também possui traços de imperfectividade e de iteratividade. Referências bibliográficas COMRIE. eds. VENDLER. e sem advérbios do tipo quantificador. Ithaca: Cornell. aspecto verbal e variação no português. (1988): Perífrasis verbales. a flutuação do uso dessa perífrase com as perífrases “haber” + particípio e “estar” + gerúndio. conforme é usado no PB. ainda não é possível falar da substituição da perífrase “tener” + particípio por qualquer outra perífrase. segundo a classificação vendleriana . Alicia (1999): “Las perífrasis verbales de gerundio y participio. . Tese de doutorado. verificamos um uso dessa forma do verbo gustar. TRAVAGLIA. semántica y estilística. (1990): Las perífrasis verbales en español. F. MENDES. Sintaxis. Bernard (1976): Aspect. Cambridge University Press. mas precisamente. T. Seria o equivalente a “muchas veces”.” Gramática descriptiva de la lengua española. pudemos perceber que o uso de “tener” + particípio pode não ser tão restrito.ed. entre outros. Cambridge: Cambridge University Press. VERKUYL. Universidad de Oviedo. Madrid: Espasa. H .

possuir um grau de inserção no universo discursivo referente à língua em que se processa o ato de ler. e por outro. p. una tierra. discurso e comunidade pela seguinte pergunta: escrever ou ler em uma língua estrangeira significa pertencer à comunidade? A própria pergunta já deixa intencionalmente aberto um campo de definição: comunidade a que pertence(m) o(s) autor(es) ou a que pertence(m) o(s) leitor(es)? A resposta a essa questão leva-nos a aceitar a ideia de duplicidade ao tratarmos do processo de interação verbal em língua estrangeira. lugar de estabelecimento de relações múltiplas e imprevistas com a alteridade – e a noção de immunitas – ligada . la comunidad queda amurallada dentro de sí misma y separada de su exterior. construir formas de identificação do leitor com o texto. aquele que lê em uma língua estrangeira. (ESPOSITO. o problema da comunidade advém da tensão entre a ideia de communitas – termo que delineia a configuração do “espaço comum” como um vazio. 44-45) De acordo com Esposito.1 Tal duplicidade está ligada ao movimento pendular de abertura e resistência que se verifica no contato entre diferentes culturas e comunidades discursivas2 e. 2008) que dão sustentação àquilo que se materializa no texto. a lo particular de un sujeto común. ese vacío tiende irresistiblemente a proponerse como un lleno. necessariamente. num esforço de previsão das expectativas discursivas de uma dada comunidade a que o texto se dirige. Aquele que escreve em uma língua não materna precisa. buscar estratégias de compreensão das formações discursivas e das condições de produção do discurso (FOUCAULT. 2007. segundo a ótica de Roberto Esposito: Pese a todas las precauciones teóricas tendientes a garantizarlo.142 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS LITERATURA E ESPANHOL/LE: A QUESTÃO DA COMUNIDADE Antonio Andrade UFRJ É possível iniciar uma discussão a respeito da relação entre língua. una esencia –. tem de. y la inversión mítica queda perfectamente cumplida. por um lado. De forma paralela. Una vez que se la identifica – con un pueblo. embora seu lugar de enunciação seja quase sempre distinto ao lugar de enunciação do seu interlocutor. entre sujeito e alteridade. a reducir lo general del ‘en común’. num nível mais profundo. Isto se percebe ainda na própria polissemia que a noção de “comunidade” enceta. embora traga para a leitura as marcas ideológicas e inconscientes de sua constituição identitária.

” Mas em lugar de reproduzir a frase na língua original. Consciente de que “aquilo que se diz significa em relação ao que não se diz. de outra forma. que o personagem principal de 62 Modelo para armar – seja por desconhecimento das condições de produção do discurso na leitura em língua estrangeira. 98) Aprofundando o exame das relações entre literatura. op. compartilhando o conhecimento consciente ou inconsciente de suas regras de funcionamento ideológico. a imprevisibilidade. ele a traduz . a partir de textos escritos e lidos sob as mesmas condições. ao situar-se na ordem do discurso. o que acontece na interação com textos em língua estrangeira escritos. as possibilidades de nascimento da pluralidade de sentido. bem como aos discursos que. a partir de condições de produção do discurso divergentes? Como bem apontou Serrani (2010). distintas formações discursivas que atravessam os contextos socioculturais brasileiro e argentino. para quem se diz. No entanto. a possibilidade de o não compar tilhamento da memória discursiva e o não reconhecimento das marcas de regularidades enunciativas. Mas. Santiago assinala. o analista do discurso que se debruça sobre o ato de ler precisa reconhecer que toda leitura tem sua história. Desse modo..). (SERRANI. Tal reflexão de ordem político-filosófica coaduna-se com a perspectiva da análise do discurso. com Silviano Santiago (2000). tais considerações estão perfeitamente conectadas ao estudo da interação entre coenunciadores pertencentes à mesma comunidade. ou seja. em boa parte. muitas vezes. relacionar-se com ausência ou presença de polidez. a reflexão proposta por Orlandi (2001) a propósito dos mecanismos de variação e regulação (polissemia e paráfrase) encetados pela relação do texto com a sua exterioridade. o sujeito estará habilitado a produzir (ou deslocar) sentidos. ainda que a possibilidade do “equívoco” não esteja excluída nesse caso.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 143 aos projetos de (auto)proteção. suas condições de produção. A modo de exemplificação. de modo especular. o leitor tende a seguir modelos de leitura já instaurados que funcionam como padrões de previsibilidade. op. são responsáveis pela produção de diferentes formas de leitura de um texto: (. por um lado. gregarismo e consequente isolamento de distintos grupos sociais. Evidentemente.) considerando o estudo sobre leitura em espanhol e português (. seja por vontade paródica – traduz a frase avistada no espelho de um restaurante parisiense. cultura e discursividade. cit. seu contexto original: “je voudrais un château saignant.. Essas regularidades condicionam a produção e a compreensão verbais do sujeito do discurso que. poderia. ao longo da história. p.. ideológica e cultural que o definem. da mesma forma como Foucault (2002. em relação aos discursos. Essas marcas integram a constituição subjetiva. p. tentam justificar a prevalência ou a posição desses grupos no terreno de disputas pela hegemonia. O que poderia ser recebido como a formação de um mal-entendido capaz de vedar a comunicação. isto é. Pode-se verificar. a partir da análise do texto de Cortázar.. p. ou a partir da história da leitura de um texto.. ao lugar social do qual se diz. não possui controle consciente do seu dizer.. 85). etc. ser lido como um produtivo mecanismo de desterritorialização/ descolonização do sentido. do enunciado com o contexto sociodiscursivo.” (ORLANDI. gerarem outros tipos de deslocamento significativo. é importante para o analista evidenciar. 36) demonstra que os princípios e regras de coerção do discurso são simultaneamente responsáveis por sua produtividade. a partir dos modelos de leitura. cabe pensar que os modos de enunciar denominados abruptos [contexto argentino] ou por transições [contexto brasileiro] podem. pode-se vislumbrar. cit. por exemplo. mas também devem ser vistos como marcas de regularidades enunciativas e de memórias discursivas. na interação verbal entre brasileiros e hispânicos mediado pelo texto escrito. invertendo. Neste caso. a título de exemplo.

Tal compreensão do letramento em comunidades discursivas não hegemônicas liga-se a uma concepção muito engessada da relação entre discurso e classe social. Consequentemente.). relatadas em diversos congressos da área... op. além de desconsiderar. motivando e agravando seu afastamento em relação às práticas de letramento promovidas pela escola. na leitura. 22) Tais observações. de derrubálo. 93) a respeito da hegemonia das políticas de leitura da classe média. mas por meio de expressões faciais e outros gestos corporais. (SANTIAGO. nos ajudam a desmistificar certo receio ora velado. são fatores preponderantes para o afastamento do leitor em relação ao texto que lhe é apresentado. No entanto. embora sua perspectiva crítica só enxergue. 51-52) . torna-se a marca evidente de um ataque.” Escrito no espelho e apropriado pelo campo visual do personagem latinoamericano. de maneira engajada. ora declarado.. ainda que relacionadas a um estudo de caso em contexto educacional de língua materna. sangriento .. a maioria manifestou que não acharia esse tipo de material adequado e que a leitura não entusiasmava. p. que se tratava de pré-conceito. seriam adequados para uso em sala. de uma rebelião. o desejo de ver o château. Curioso notar que essa mesma questão foi desenvolvida por Serrani (2010) em texto em que a autora examina dados de pesquisa a propósito dos mitos e preconceitos sobre o interesse de alunos no ensino médio pela poesia: (. posteriormente. na pena do escritor argentino. A propósito. O não pertencimento à comunidade estrangeira e o não compartilhamento de determinados modelos literários da cultura letrada. op. que significava apenas a preferência ou o gosto do cliente pelo bife malpassado. portanto. que. os depoimentos mostraram. o castillo sacrificado. vêm comprovando a possibilidade de engajamento discursivo de jovens estudantes brasileiros com esse tipo de texto. p. p. el castillo . que dentro do impulso imunitário de agrupamento sociocultural subsiste conjuntamente Tal concepção do discurso literário como um “entre-lugar” prevê não só a inevitabilidade da conexão entre leitura e produção.) perguntamos aos estudantes (e a alguns futuros professores) se poemas como esses seriam aptos para aulas de língua a adolescentes. mas também o deslizamento do sentido no interior deste processo. conforme aponta Esposito. visto que inúmeras experiências escolares. E o adjetivo.144 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS imediatamente para o espanhol: “Quisiera un castillo sangriento. de certo modo. deve-se também evitar interpretar dessa maneira as considerações de Orlandi (2001. Digo isso porque a própria autora sinaliza a possibilidade de tensão entre conhecimento dominante e dissidência no contexto das mesmas práticas sociodiscursivas. A tradução do significante avança um novo significado (.. é preciso evitar a ideia de que. a casa onde mora o senhor. da perspectiva do interesse dos estudantes. por parte dos estudantes da educação básica. cit. já que o material interessou à maioria dos alunos. colonialista. de outro modo. a interação entre coenunciadores pertencentes a distintas comunidades – ou. cit. A dúvida sobre a (in)adequação do texto literário à didática de língua estrangeira tem demonstrado ser uma falsa questão. pelo fato de não compartilharem os mesmos modelos discursivos do grupo social a que pertence o autor. “impediria” a classe popular de formar seus modelos de leitura. Dessa forma. nem sempre. de muitos professores de língua estrangeira em relação à abordagem de textos literários em suas salas de aula. o que reforça visões deterministas sobre os percursos de formação dos sentidos.. a produção dissidente da classe popular como sinal de “resistência cultural”. Os futuros professores responderam explicitamente de modo negativo e os jovens que iriam responder o questionário não foram explícitos. saignant. château sai do contexto gastronômico e se inscreve no contexto feudal. a fogo e sangue. esses poemas. ancorados em diferentes formações ideológicas e subjetivas – só poderá dar lugar a gestos de repúdio por par te dos leitores. (SERRANI.

quero chamar atenção ao fato de que a formação docente para o trabalho com textos literários em aulas de espanhol não pode. Esse ponto de vista solicita ainda o entendimento do leitor como instância enunciativa ligada à natureza dúplice – (ir)repetível – da discursividade. portanto.. procuro estender o critério de não coincidência entre os papéis enunciativos colocados em jogo no âmbito da produção escrita para a análise da compreensão leitora. sugerem a necessidade de se focalizar as distintas exotopias envolvidas na produção da leitura literária em E/LE por sujeitos situados em diversos contextos. Com isso. nenhum idioleto”. quem em lugar de aceitar a existência de um processo único e autônomo de letramento. “O prazer (. 484). leitor virtual e leitor real. Isto sinaliza. 2003. p.) não é um elemento do texto..) clarificar e refinar conceitos de letramento. 2001. (. admitindo o dialogismo de vozes não coincidentes na interação propiciada pelo ato de ler. lançando mão da perspectiva bakhtiniana (BAKHTIN. reivindica atenção às “demandas locais de letramentos diferentes”: “Antes de tudo. em vez disso.) é uma deriva. ser reduzida ao estereótipo de que a literatura estrangeira serviria como uma estratégia de resolução de conflitos hipotéticos ou como forma de “substituir” experiências diretas com o estrangeiro (cf. (. nenhuma mentalidade. de modo algum. junto com Barthes. de modo muitas vezes imprevisto. por isso é capaz de estabelecer e romper resistências quanto ao discurso do outro.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 145 um impulso comunitário de abertura à exterioridade. asociada al inconsciente psicoanalítico: aquel donde está instalado el deseo.. abandonar o grande divisor entre ‘letramento’ e ‘iletramento’ e. 2007.. isto é. receptáculo de divergentes forças discursivas de acabamento e dispersão... p.. 29). qualquer coisa que é ao mesmo tempo revolucionária e associal e que não pode ser fixada por nenhuma coletividade. portanto. Tais concepções. personagens. Para Barthes (2008. nos conflitos entre formas de compreensão textual e nos graus de consciência do leitor em relação a sua posição no processo de leitura. CÁRCAMO. autor representado. estudar as práticas de letramento em contextos culturais e ideológicos diversos” (Ibidem). p. vista assim como espaço de tensão entre diferentes vozes: autor real. 239). Tal consciência requer da pesquisa uma investigação mais densa quanto à produtividade da noção de exotopia3 (do autor e do leitor) no processo dialógico. mas também desde o . Isso remete às considerações de Neide González sobre a dimensão afetiva (o investimento desejante) que permeia a relação das comunidades e dos sujeitos – entendidos como entidades não monolíticas – com a língua estrangeira: “En los últimos años.) afecta ese proceso especial en el que inevitablemente identidad y alteridad se enfrentan” (GONZÁLEZ. que (. ao mesmo tempo produzido pelo modo como é posicionado na trama do discurso literário e produtor de atos responsivos em face do enunciado: ator envolvido em tensos movimentos de adesão e deslocamento. Esta perspectiva coaduna-se à de Brian Street (2006. a necessidade de se estar atento às diferenças institucionais e subjetivas envolvidas nas (re-)significações conduzidas pela ação pedagógica – desde a escolha do texto até sua mediação –. É preciso se buscar uma compreensão mais aprofundada da heterogeneidade cultural e discursiva das comunidades. Assumir uma posição menos simplificada em relação ao papel da ideologia na atividade leitora significa compreender. precisamos (.. que o prazer que se manifesta no processo de interação com o texto literário é atópico. bem como do possível deslocamento de sentidos produzido não só desde o âmbito da produção. 30).) ha entrado en el escenario otra dimensión.. Seguindo a esteira dessa colocação. chamo a atenção para a necessidade de se buscar um viés mais complexo de entendimento dos sinais de proximidade e distanciamento manifestados no ato da leitura. p. não ocupa lugares fixos na cadeia significante.. Não à toa. 2010a).

“Na minha opinião. É preciso despertar. um conhecimento sobre o mundo. 6º período). fazendo com que seus alunos conheçam e aprendam a respeitar outras culturas” (Rafaela. vem tornando mais aguda a potência apassivadora (e apaziguadora) do discurso. A vontade de enunciar dá lugar a um ser enunciado. se a questão da estrangeiridade só consegue ser representada aí em termos de “adaptação”/”aceitação”. entretanto aqui talvez a falta de um contato mais íntimo com a literatura. mesmo “o amor ao outro” não é capaz de suspender a diferença: traço constitutivo da própria discursividade. como é de se esperar que ocorra em toda e qualquer atividade discursiva. Tal opinião é baseada na defesa de que aprender uma língua é muito mais do que conhecer a estrutura da mesma. pudesse ser abarcada na sua inteireza como um conteúdo didático. apresento adiante alguns excertos de textos produzidos em 2011 por licenciandos de Letras Português-Espanhol de uma universidade pública do Estado do Rio de Janeiro ao serem interrogados a propósito da contribuição da literatura para sua formação inicial como docentes de língua estrangeira: “Os estudos literários são importantes para a formação do professor de L. que o ato estético de enunciação pode provocar. ao mesmo tempo singular e comunitário. mas também ter acesso à cultura dos países que têm tal língua como oficial. a questão gramatical e estrutural também é importante.146 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS da leitura do texto literário. que cede lugar à má interpretação da produção teórico-crítica sobre o literário (note-se nos fragmentos acima certa tendência a se confundir a literatura com o domínio institucional dos “estudos literários”).4 Esses dizeres ignoram a plurivocidade de sentidos da linguagem nos gêneros literários. 4º período). De certa maneira.E de formação” (Vanessa. a experiência literária estrangeira que vem sendo vivenciada na universidade não é a do questionamento e da desconstrução do senso comum. percebe-se nesses enunciados a força tipificadora que a simplificação do discurso em torno do literário. É importante lembrar. uma outra cultura) e a tomar gosto por um outro tipo de leitura” (Frederico. “o aluno de língua estrangeira aprende. certa cristalização de visões simplificadoras da ideia de outridade. p. futuro professor de línguas e literaturas. para a formação do professor de língua estrangeira. portanto. “[a literatura] nos faz quebrar (ou confirmar) paradigmas (. principalmente se o futuro professor busca obras literárias da sua L.) e aceitar as diferenças ou lidar melhor com elas” (Daniele. como se a cultura do outro. silenciando dilemas da subjetividade e da comunidade. dentre outras coisas. talvez isso seja um sinal de que. a se adaptar a algo diferente (no caso. Tenho podido constatar. para muitos. A título de exemplo. 5º período). ou de maneira positiva. Além disso. por exemplo. os estudos literários contribuem muito. para concluir. . 104). em Bakhtin (2010b. Como se vê.. a consideração do leitor nesse processo é fundamental para qualquer intento de se (re-)configurar as bases dessa formação. que. Aliás. mas a história. O professor ensinará não só a gramática da língua.E pela oportunidade que oferece a literatura de um maior conhecimento cultural.. no contexto de minha pesquisa sobre a relação entre letramento literário e formação docente. no aluno-leitor universitário. cujo reflexo nesses casos é a busca de “soluções mágicas” para os problemas linguísticos e interculturais através do conhecimento literário. bem como o fato de que sujeito e alteridade estão imbricados e se problematizam mutuamente. 5º período). representada por comunidades linguísticas e literárias estrangeiras. do cultural e do histórico vem produzindo em nosso cenário acadêmico. a sensibilidade para o efeito dialógico e tensivo.

ORLANDI. SWALES. (2007): Communitas: origen y destino de la comunidad. . 95-114. 2006. (2010): Discurso e cultura na aula de língua. compartilham interesses e expectativas comuns e encontram-se engajados em práticas comunicativas propiciadas por determinados gêneros discursivos. Notas 1 Trago à tona aqui uma consideração de Kumaravadivelu a propósito do vínculo inexorável – observado no pensamento de Foucault – entre discurso. Em: ELT Journal Volume. atribuído a Swales (1987). (2001): La expresión de la persona en la producción de Español Lengua Extranjera de estudiantes brasileños: perspectivas de análisis. São Paulo: Contexto/Ed. (2002): A ordem do discurso. SANTIAGO. Unicamp. Em: BRAIT. p. 8. ESPOSITO. S. São Paulo: Parábola. 57/4. B. (2000): O entre-lugar do discurso latinoamericano. Rio de Janeiro: Rocco. BARTHES. Rio de Janeiro: Forense Universitária. GA). (org. São Paulo: Contexto. (2008): Cronotopo e exotopia. KUMARAVADIVELU. R. (2006): Linguística aplicada na ________ (2010a): Problemas da poética de Dostoiévski. ________ (2008): A arqueologia do saber. ________ (2010b): Para uma filosofia do ato responsável. BORG. B. Atlanta. STREET. E. (.. 465-488.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 147 Referências bibliográficas AMORIM. mas porque é gerado pelas formações discursivas. (2003): Discourse community. p. Campinas: Pontes. Oxford University Press. v. (2006): Perspectivas interculturais sobre o letramento. (2008): O prazer do texto .. Em: Annual Meeting of the Conference on College Composition and Communication (38 th. March 19-21.) Por uma linguística aplicada indisciplinar . (2007): La literatura en la formación y en la práctica del profesor. N. 9-26. Em: MOITA LOPES. (1987): Approaching the concept of discourse community. 239-255. 25-31. SERRANI. n. J. (2003): Estética da criação verbal. p. São Paulo: Martins Fontes. São Paulo: Pedro & João Editores. E. cada qual com suas ideologias particulares e modos particulares de controlar o poder. S. p. 398-400. GONZÁLEZ. 1. (org. Em: Anuario Brasileño de Estudios Hispánicos. Buenos Aires: Amorrortu. embora não necessariamente precisem interagir de maneira direta ou estar próximos uns dos outros. Rio de Janeiro: Forense Universitária. p. M. Suplemento Jubileo de Plata de la APEERJ. p. textualidade e significação. São Paulo: Perspectiva. focaliza os usos e análises da comunicação escrita realizados por indivíduos (membros da comunidade) que. 129-148. FOUCAULT. M. L. Em: Revista de Filologia e Linguística Portuguesa. CÁRCAMO. Em: Hispanismo 2000. S. (2001): Discurso e leitura . era da globalização. R. M. B. 2 Segundo Borg (2003). Em: Uma literatura nos trópicos.) Bakhtin: outros conceitos-chave.) Analisar texto ou discurso significa analisar formações discursivas essencialmente políticas e ideológicas por natureza” (KUMARAVADIVELU. p. fundamental para a análise dos procedimentos de construção do sentido acionados pela leitura: “Um texto significa o que significa não por causa de quaisquer traços linguísticos objetivos inerentes. 140). BAKHTIN. o conceito original de “comunidade discursiva”. P. São Paulo: Loyola. p.

95-96).148 3 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS O conceito bakhtiniano de exotopia. p. fundamental ao trabalho de criação e de objetivação”. . segundo Amorim (2008. “refere-se à atividade criadora em geral”. de onde provém sua singularidade dentro do processo discursivo-enunciativo e de onde se derivam os valores éticos de sua posição. à possibilidade de o enunciador situar-se em “um lugar exterior. 4 Todos os nomes dos licenciandos que colaboraram com a pesquisa foram alterados a fim de preservar suas identidades.

somente no ano de 2000 (decreto 3. no decorrer dos seus mais de cem anos de existência. sinalizando que tal proposta não é decorrente do atendimento de uma exigência do MEC para preenchimento de vagas. No entanto. implicando um interesse e debate entre os professores. antes da mudança para Instituto Federal. ensino técnico. pioneiro na oferta de cursos de Letras no cenário da Rede. as “escolas” da Rede preocuparam-se com a formação de mão de obra especializada de nível médio para atender as demandas profissionais da indústria. 2 Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET) e 1 Universidade Tecnológica. A partir da publicação de tal decreto. Durante muito tempo. servidores e teóricos da Educação pelo entendimento do seu verdadeiro papel perante a sociedade. bacharelados e pós-graduação (lato e stricto sensu). instituições responsáveis por oferecer em todos os Estados brasileiros uma gama de cursos: ensino médio. Matemática e Ciências. Vale à pena destacar o curso inicia suas atividades no ano de 2006. nasce uma ampla discussão interna e externa sobre o papel de atuação dessas instituições no cenário educacional brasileiro e sobre a identidade institucional de cada Centro de formação. portanto. do setor de agronegócios e de serviços. concepções de ensino e a imagem do . Esperamos a partir da análise do Projeto Político Pedagógico do referido curso tecer considerações para as seguintes questões: formação docente em Institutos Tecnológicos. por determinação do MEC como alternativa para escassez de professores em algumas áreas do conhecimento. Para este artigo.462/2000). PUCSP Introdução A Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica é formada por 38 Institutos Federais. nos centramos no histórico dos Institutos Federais e sua proposta de formação de professores e no debate sobre o curso de Licenciatura em Espanhol do Instituto Federal de Roraima (IFRR). a Rede Federal passou por uma constante mudança de sua identidade institucional. ensino médio integrado ao técnico. alguns CEFET começam a oferecer cursos de licenciatura em Física. No que se refere à formação de professores na Rede. licenciaturas. cursos superiores de tecnologia.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 149 A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE ESPANHOL NO INSTITUTO FEDERAL DE RORAIMA: REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DOCENTE Antonio Ferreira da Silva Júnior CEFET/RJ.

podemos dizer que foi quase unânime. o fortalecimento e a padronização de uma identidade visual para a Rede Federal de ensino. CELANI (2001) e PAIVA (2005). Para alcançar tais objetivos. tais “escolas” passam a ser vistas como “instituições de educação superior. normalmente. os CEFET passaram a atuar na formação e na capacitação de professores para a Educação Básica e da Educação profissional atendendo a um chamado do Ministério da Educação com a aprovação do decreto número 2. Esses são alguns pontos colocados em cena. Técnico e Tecnológico. alunos. A transformação dos CEFET em Institutos Federais não foi uma medida governamental obrigatória. que foi reescrito e substituído pelo decreto número 3. 2. tais 1. (d) oferta de cursos de licenciatura como mera formalidade para atendimento de demandas impostas pelo MEC ou vocação dos colegiados. as escolas federais da Rede de educação profissional e tecnológica. Institutos Federais: seu percurso identitário No dia 23 de setembro de 1909. o então Presidente da República. pluricurriculares e multicampi” (BRASIL. (c) atuação do professor em diferentes níveis de ensino. (f) formação do licenciando vista como de um trabalhador técnico. permitindo uma maior expansão e diversidade das licenciaturas oferecidas no país.462/00.406/97 1. Desde sua aprovação e expansão aos demais Estados da Federação. passaram por diferentes nomenclaturas. (e) presença de professores concursados sem formação pedagógica atuando nos cursos de licenciatura. Os Institutos Federais são equiparados às universidades federais. após a constituição dos Institutos Federais e a abertura de inúmeros cursos de licenciatura em diferentes áreas do conhecimento. cria 19 Escolas de Aprendizes e Artífices nas capitais dos estados da confederação e com essas o desenvolvimento do ensino profissional primário e gratuito. Tal mudança acarretou novamente em uma mudança identitária das escolas e. Isso implica um processo interno de compreensão de como articular num mesmo espaço e. A reestruturação interna dos CEFET estava sendo discutida no teor desse documento. 1961). De acordo com o decreto de criação. como: (a) articulação entre cursos de diferentes níveis de ensino. no entanto. .150 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS professor contemporâneo. contando com o mesmo corpo docente cursos de diferentes níveis e modalidades de ensino. inclusive. Nilo Peçanha.566. dirigentes e demais membros da comunidade escolar) da Rede Federal permitiu uma série de questões internas advindas dessa política de expansão do ensino técnico e superior do governo Lula. (b) falta de esclarecimentos da atuação do docente na Carreira de Professor do Ensino Básico. O objetivo inicial dessas escolas era formar operários e contramestres a partir de um ensino focado nas habilidades necessárias e práticas para desempenhar ofícios manuais (FONSECA. não podem deixar de ministrar o ensino profissionalizante. além do desenvolvimento de atividades de pesquisa e extensão. (g) necessidade de mudança do estigma de origem atribuído aos Institutos Federais/CEFET conhecidos até hoje como “escolas” técnicas. básica e profissional. técnicos administrativos. no entanto. através do decreto número 7. recorremos. A formação de professores nas “escolas” da Rede Federal No final dos anos 90. aos estudos teóricos de GADOTTI (2001). Essa expansão inesperada e pouco discutida entre os atores (professores. principalmente. principalmente. 2008).

3. Aliado a isso. porém. entendemos que a própria origem da Rede sustente essa demanda. já que os licenciandos. que os saberes relacionados à área industrial. à tecnologia e às exatas são privilegiados. a ofertar Bacharelados em Engenharia com inúmeras habilitações. (e) o aprimoramento em práticas investigativas. em pouco tempo de instituição. De acordo com essas diretrizes. (f ) a elaboração e a execução de projetos de desenvolvimento dos conteúdos curriculares. porém. o perfil dos cursos de Licenciatura é reformulado através da Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE). favorecendo. em 18 de fevereiro de 2002. por conta de uma nova identidade para a Rede. encontram amparo no decreto 5. determinou carga mínima de 2800 horas. carga horária e Diretrizes para os cursos de formação de professores do país. estratégias e materiais de apoio inovadores. 400 horas de estágio curricular supervisionado. a partir também dos anos 90. Histórico do Curso de Letras/Espanhol do IFRR Como professor da Rede Federal desde 2007. (b) o acolhimento e o trato da diversidade. da oferta de cursos de Licenciatura em Letras/Espanhol em dois CEFET.224/04. por outro lado.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 151 O decreto acima ainda é reforçado por outro de número 5. extinguiu-se a formação do professor da Educação Básica no chamado regime 3 + 1. três anos de conteúdos característicos de um curso de bacharelado somados a um ano de formação pedagógica. 1800 horas de aulas para os conteúdos curriculares de natureza científicocultural e 200 horas para atividades acadêmicocientífico-culturais. na superação do tradicional modelo hegemônico disciplinar dos cursos de formação de docentes e reforçando a verticalização do ensino. Vale à pena ressaltar também que esses cursos abriram uma nova estrutura interna no ensino das escolas da Rede Federal. (d) o desenvolvimento de hábitos de elaboração e trabalho em equipe.224. Em relação à carga horária das licenciaturas. conseguimos visualizar uma interdisciplinaridade entre os eixos de formação específica. Com a nova roupagem desses cursos. A inquietação para o desenvolvimento deste artigo surgiu ao tomar conhecimento. : . de 1º de outubro de 2004. os primeiros cursos de licenciatura dos CEFET começaram a se configurar. a resolução número 1 de 19 de fevereiro de 2000. cujo objetivo era rever aspectos da prática docente formalizando sua duração. 2005). já que elas possuíam longa tradição no ensino de formação técnica e começaram. percebemos. Essa proposta de integração entre os saberes teóricos e práticos já é algo bastante comum na organização curricular das licenciaturas dos Institutos Federais. convivem com modalidades e níveis de ensino diversificados. ainda em constante construção. de licenciaturas na Rede. de certa maneira. que dispõe no parágrafo único do capítulo II sobre a possibilidade de abertura de cursos em outros campos do saber. (g) o uso das tecnologias da informação e da comunicação e (h) de metodologias. num mesmo espaço institucional. no ano de 2006. Com essa regulamentação. de formação pedagógica e de formação geral. Após a publicação desses documentos muitos cursos de Licenciatura nos CEFET começaram a ser projetados em todo o país. Alguns pontos centrais foram: (a) o ensino visando à aprendizagem do licenciando. Acreditamos que essa abertura para as Letras representou um importante movimento de quebra de paradigmas que culmina no ano de 2008. (c) o exercício de atividades de enriquecimento cultural. nem sempre adequada à realidade e ao contexto de cada curso de licenciatura (PAIVA. englobando 400 horas de prática curricular. Os cursos de Letras fogem do eixo tecnológico previsto inicialmente para oferta.

. aparece citada como mais um argumento para a criação do curso. Segundo Paiva (2005): [. em torno de disciplinas. No entanto.1165/05. percebemos o caráter diferenciado desses cursos em comparação aos já oferecidos no mercado. condução e a manutenção desses cursos. além de a maioria não apresentar coerência entre os objetivos e o perfil do egresso. O único existente até aquele momento. o da UFRR. Cada universidade precisa refletir sobre a necessidade constante de estudar o perfil de professor mais adequado à realidade escolar do país. além do mercado econômico. No entanto. e ainda conta com um Centro de Estudos de Línguas Estrangeiras (CELEM).152 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Por meio do decreto mencionado.. sabemos que fatores decorrentes da motivação de um colegiado de professores são fundamentais para a apresentação. nosso objetivo principal nas páginas a seguir está em averiguar como o IFRR idealizou seu curso de Licenciatura a partir das informações públicas disponíveis em seu projeto pedagógico. o projeto apresenta a carência de profissionais de ensino de espanhol como língua estrangeira (E/LE) na cidade de Boa Vista e nos municípios do interior. Ainda. através de análise de projetos e matrizes. Outro ponto de reforço do projeto é a falta no Estado de cursos de formação de professores. o texto informa que o Estado O projeto pedagógico deve ser entendido como um gênero importante para a definição de uma concepção única de formação por parte dos docentes . acreditamos que tais orientações permitem avaliar como cada instituição entende e concebe a formação de professores.] o projeto do curso deveria ser o carro chefe para garantir a qualidade do ensino. de um curso. como pensar a formação do profissional de linguagens numa instituição onde algumas áreas do saber são vistas como mais tradicionais que outras? Tal pergunta constitui nosso interesse ao estabelecer uma reflexão sobre os cursos de Licenciatura em Espanhol da Rede mediante análise dos projetos e matrizes curriculares dos cursos. cultural e social existente nessa área de fronteira. Cada vez mais. o texto sinaliza que a instituição oferece o espanhol desde o ano de 1995 na grade de todos os seus cursos. 18) como um processo dinâmico: “[. p.. revelando uma carência de 12 mil professores em todo o Brasil para aplicação da lei de oferta do espanhol. com o intuito de funcionar como mais um espaço de formação. que atribuem sentido ao teor de tais prescrições. e elemento norteador da discussão do perfil desejado de profissional da área de atuação. dentro do modelo de transmissão de conhecimento. 2001. em nosso caso o de língua estrangeira. A lei 11. Na introdução do documento. Além de a oferta acontecer num espaço até pouco tempo visto como de formação para Educação Básica e Profissional.] Todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o futuro”. As ementas e programas se escoram em bibliografia desatualizada. coletados em agosto de 2005. O projeto pedagógico do IFRR nomeia o curso como sendo de Licenciatura Plena em Língua Espanhola e Literaturas. que torna obrigatória a oferta de espanhol no Ensino Médio. Nesse sentido. a análise dos projetos revela o predomínio de currículos organizados de forma tradicional. Isso implica em reconhecer o projeto de curso. não conseguia suprir a demanda por profissionais da área. e a metodologia é ainda centrada no professor. o que implica numa demanda significativa de interessados pela aprendizagem da língua. a teoria não dialoga com a prática.. conforme assinala Gadotti (apud VEIGA. destaca a aproximação do Estado de Roraima a países hispanofalantes. o projeto do IFRR apresenta estudos estatísticos como os da Agência Brasil/ Radiobrás. porque. A elaboração do mesmo deuse por uma comissão liderada por duas representantes da área de espanhol. Como justificativa. alguns CEFET conseguiram o embasamento para ofertar as primeiras licenciaturas em Humanas. Em seguida. No desenvolvimento da justificativa.

alerta que o modelo curricular está baseado em competências que contribuam para uma completa formação humanística e pedagógica. O projeto. culturais e pedagógicos.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 153 de Roraima necessita de um número emergencial de 128 docentes para atuação nas escolas do Estado. 600 horas de práticas a serem vivenciadas ao longo do curso. pedagógica e cultural. documentos responsáveis por instituir as diretrizes curriculares nacionais para a formação de Professores da Educação Básica. ainda. O curso do IFRR apresenta diferentes linhas teóricas somente na apresentação do ciclo introdutório da aprendizagem da língua espanhola. alicerçado numa sólida base científica. Cultura e Formação Docente.059 de 10 de dezembro de 2004. O diferencial da proposta do programa curricular do IFRR é que distribui entre os vários períodos a carga horária da disciplina de “Prática profissional” (estágio supervisionado. passando por aspectos históricos. o programa organiza-se em quatro ciclos (Introdutório. entre eles a pesquisa. a consultoria. o projeto destaca “formar profissionais competentes no processo de ensino e aprendizagem da Língua Espanhola como língua estrangeira e suas Literaturas”. o documento apresenta que a proposta de trabalho do curso se pauta “numa estrutura com identidade própria. de 18 de fevereiro de 2002 e da Resolução CNE/CP número 02/2002. ética e democrática”. técnica. Como objetivo geral do curso do IFRR. que não articulam.580 horas dos Conteúdos/ Conhecimentos/Competências Curriculares de natureza científica. Não podemos afirmar que tal desmembramento da carga seja positivo ou negativo. Tendo em vista que o eixo central do programa é a área de Língua Espanhola. permitindo uma maior flexibilização curricular e. em nível superior e determinar a duração e a carga horária mínimas dos Cursos de Licenciatura. A matriz curricular subdivide-se em 2. mas pelo menos pode ser considerado um avanço comparado às demais grades. Como ponto diferencial. O projeto sinaliza uma ampla formação. desde os primeiros períodos. A possibilidade de educação a distância é vista como um avanço. coletados em 2003. 400 horas de estágio obrigatório e 100 horas de aprofundamento de estudos. mas também apresenta espaços possíveis de atuação do profissional concluinte do curso. Literatura.680 horas. O documento delimita o foco da formação como sendo a preparação do licenciado para atuar na docência. desde os conhecimentos mais estruturais da língua de estudo. Formação Docente e Complementação Profissional) perpassando em quatro áreas do saber: Língua Espanhola e Linguística. prática curricular e de pesquisa). os componentes curriculares dividem-se em dois campos do conhecimento: (1) Literatura e cultura e (2) Metodologia para aquisição e/ou aprendizagem de E/ LE. Básico. valorizando a formação do professor como profissional do ensino. conforme portaria número 4. do sujeito da aprendizagem. como já mencionado anteriormente neste estudo. a tradução e como intérprete. O projeto atenta para a adequação das orientações do Parecer CNE/CP número 1. O projeto de ambos possibilita que até 20% do conteúdo também possa ser ministrado à distância. conforme consta a seguir o texto do projeto: . O curso está dividido em 8 períodos com duração mínima de 4 anos. atividades de extensão e de natureza acadêmico-científico-cultural. a teoria e a vivência em sala de aula por parte dos aprendizes. humanística. O documento emprega os dados de 2002 do Sistema Estadual de Educação e dados da esfera educacional do município de Boa Vista. O curso na íntegra soma 3. porque permite a inclusão do aluno na realidade digital. as redações de jornais. para traçar um mapa da Educação Básica do Estado. consequentemente. A partir dessa divisão.

privilegiando o enfoque contrastivo na aprendizagem da Gramática Espanhola (IFET RORAIMA. seu percurso acadêmico e sua identidade institucional em 1909 no ato de criação das primeiras escolas de Aprendizes e Artífices. morfossintaxe. projetos e experiências de ensino. quanto comunicacional da língua espanhola. o projeto também inova em relação às outras grades curriculares de Letras em todo o Brasil. Como vimos no decorrer do artigo. idealizada por docentes. 2005) Considerações finais Os Institutos Federais de Educação.. pragmática). Deverá atender à integração dos distintos componentes curriculares. Ciência e Tecnologia são instituições de ensino superior diferenciadas. o curso de Letras/Espanhol do IFRR é uma proposta recente e inovadora. Por outro lado. que num primeiro momento foram concursados para atuar no ensino médio. Além disso. incluindo uma gramática descritiva e uma metodologia de análise dos discursos. acreditamos que os projetos analisados imprimem uma formação vinculada a um futuro trabalhador da sala de aula. o projeto apresenta todos esses pontos no nível inicial de aprendizagem (correspondente ao segundo semestre).] Constitui o eixo da carreira tendo como base o enfoque integral da língua espanhola (semântica. que iniciaram. já que o projeto não sinaliza a necessidade de conhecimento da língua para realizar o mesmo. futuro professor. As ementas das disciplinas permitem visualizar a preocupação da comissão elaboradora do projeto a todo o momento na transversalidade do saber. e está orientado tanto à operação funcional-instrumental. dotado de conhecimentos teóricos e de ampla formação cidadã. o texto de apresentação das competências a serem desenvolvidas no primeiro ciclo expõe múltiplas correntes. no entanto. Não queremos dizer que discutir a língua sobre diferentes abordagens não seja importante para o aluno. Em relação às disciplinas de formação didático-pedagógica.154 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS [. morfossintaxe. na relação entre a teoria e prática do futuro professor de E/LE. levanta o método comunicativo e finaliza mostrando a importância da análise contrastiva. talvez seja mais coerente o colegiado primar por uma consonância teórica na elaboração das disciplinas iniciais de língua espanhola. usa a “análise do discurso” sem a implicação teórica apropriada. vale à pena reforçar que em relação aos cursos de licenciatura da Rede. mas que acabaram por levar a experiência desses níveis para a idealização de um curso de licenciatura. técnico e tecnológico. estar focada na formação de trabalhadores para atuação no mundo produtivo. cada “escola” constituinte da Rede Federal foi construindo uma história própria. 2001) para atuar em diferentes contextos educacionais brasileiros. desde sua origem. pela necessidade de formação de docentes de espanhol.. . Apresenta uma visão mais tradicional do ensino demonstrada pela menção à gramática descritiva e ao reduzir a língua em blocos fechados (semântica. o que pode representar uma dificuldade para o aluno iniciante no estudo da língua estrangeira. por anseios profissionais. Apesar de a Rede Federal. em sua maioria. implicou no aumento de vagas e diversidade dos mesmos. de abordagens e de olhares para o ensino de línguas. primeiro. por exemplo). O projeto fornece importante contribuição para a formação de profissionais diferenciados e reflexivos (CELANI. seja por vontade política ou de interesse democrático. No trecho acima. e segundo. a mudança de CEFET para Instituto. No decorrer de sua existência.

Pelotas: Educat.php/ component/content/article/46-cursos/68-licenciaturaplena-em-lingua-espanhola-e-suas-literaturas>. (Org. pp. Nota 1 A oferta inicial dos cursos de licenciatura nas escolas da Rede remete à oferta voltada para a área das Ciências da natureza.php?option=content&task=view&id=91&Itemid=207>. Ciência e Tecnologia IFET. A.ifrr. V. “O novo perfil dos cursos de Licenciatura em Letras”.). ed. CELANI. 8º do Decreto 2. Celso Suckow da. 21-40. MEC. no âmbito da Rede Federal de Educação Tecnológica.dá nova redação ao art. p. Decreto 3. Florianópolis: UFSC. de 19 de fevereiro de 2002.http://p or tal. Campinas: Papirus.edu. ———. Resolução CNE/CP 1/2002.) O professor de línguas estrangeiras – construindo a profissão. de formação de professores da Educação Básica em nível superior.L. Vilson (org.br/setec/ index. que regulamenta a Lei nº 8. A interculturalidade no ensino de inglês.406. “Ensino de Línguas Estrangeiras – ocupação ou profissão”. 2005. 1961. ———. 2000. Expansão da Rede Federal.462 de 17/05/2000 .M. Decreto 6. FONSECA. 345363. Resolução CNE/CP 2/2002.Estabelece diretrizes para o processo de integração de instituições federais de educação tecnológica. de 8 de dezembro de 1994. I. In: TOMICH. 2005. 2001. ET (orgs.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 155 Referências bibliográficas BRASIL. . História do ensino industrial no Brasil. 2001. Disponível em: < http://www. Rio de Janeiro: Composto e Impresso no Curso de Tipografia e Encadernação da Escola Técnica Nacional. 2011.948. Brasília. Último acesso em: 03 set 2009. MEC. In: LEFFA. BRASIL. 23. de 27 de novembro de 1997. ———.gov. para fins de constituição dos Institutos Federais de Educação.095 de 24/04/07 . de graduação plena.Institui a duração e a carga horária dos cursos de Licenciatura. Plano de curso para formação do professor da Educação Básica em nível superior – Licenciatura plena em Língua Espanhola e Literaturas.mec. de 18 de fevereiro de 2002 . VEIGA. Maria Antonieta Alba.O. Último acesso em: 30 fev. P. Disponível em: <www. PAIVA.br/campus_bv/index.) Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. IFET RORAIMA.

por lo que deben ser incorporados a ellas. no asociados con una pieza léxica en concreto. Van Dijk (1979). Así. como los que se basan en la coherencia discursiva. el marco de participación y el estado informacional (SCHIFFRIN. por su parte. no ha recibido bastante atención por parte de estudiosos que se han ocupado de desvelar el valor semántico-pragmático de estas unidades discursivas. todavía hacen falta estudios que se ocupen de forma más detallada del tratamiento de la polifuncionalidad de los marcadores del discurso. Lo cierto es que muchos de los estudios que se han llevado a cabo en este ámbito suelen señalar la especificidad de los rasgos suprasegmentales (como la entonación . asociados con los marcadores. El modelo de Schiffrin. también han puesto de relieve la polifuncionalidad de los MD. 1987: 25). la estructura ideacional. Redeker (1991). en su precursor estudio “Pragmatic connectives”. En el ámbito hispánico. observó que algunas unidades presentan un carácter polifuncional porque operan en distintos planos del discurso: el semántico y el pragmático . el modelo ideal se debe basar en tres componentes: estructura ideacional. tal es el caso de los modelos de Shiffrin (1987) y de Redeker (1991). determinan el sentido de estas partículas discursivas. pueden funcionar como marcadores. estructura retórica y estructura secuencial (las cuales corresponden. la duración silábica. al estudiar la coherencia que se construye por medio de relaciones entre unidades adyacentes en el discurso. al parecer. a la estructura de los actos de habla y a la estructura de intercambio comunicativo propuestas por Schiffrin). respectivamente. la estructura de los actos de habla. En este sentido. o la delimitación por pausas) que.156 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS POLIFUNCIONALIDAD DE LOS MARCADORES DEL DISCURSO Y ENSEÑANZA DEL E/LE Antonio Messias Nogueira da Silva Universidade Federal do Pará 1. así como suelen indicar la existencia de algunos de esos rasgos que. estudios como los discurso (en adelante MD) es un tema que. realiza una revisión de algunos . según esta autora. a la estructura ideacional. Otros estudios. Introducción La polifuncionalidad de los marcadores del aspectos del estudio de Schiffrin y defiende que el marco de participación y el estado informacional no son independientes de las otras tres estructuras. deslinda el aspecto polifuncional de los MD a partir de cinco dominios del discurso: la estructura del intercambio comunicativo.

en mayor o menor medida. puede indicar una ueno simple y clara aceptación (a ). con lo que se contribuye a matizar el valor semántico-estilístico (el sentido) de dichas unidades”. según esta autora. señala que la polifuncionalidad de los MD “está en relación con la aptitud de las par tículas extraoracionales para recibir rasgos suprasegmentales distintos (sobre todo. y que. los cuales indicarían. tales como la entonación.. precisamente. o. por ejemplo. matizado por la entonación. más o menos convicción por parte del hablante en relación con el “comentario” que reflejan.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 157 de Domínguez García y Dorta Luis (2002). una misma forma tiene asociada varias . la cuestión es que en la mente de los especialistas ha acabado calando la importancia de lo prosódico como factor decisivo para explicar la polifuncionalidad de los marcadores.Bue Buen o. como. Martín Butragueño (2002). las reacciones del interlocutor. b) -¿ Te apetecen no ! ¡Encantado!). cuyo propósito es reforzar la réplica. d) -Me ha dicho tu ex mujer gominolas? (-Buee Bueeno noo no o . Elordieta y Romera (2002). por ejemplo. perspectivas. Así pues.¿Te no apetecen gominolas? (. o. En contraste con los marcadores comunes en la escritura. podrían señalar también que afectan. o una aceptación neta y entusiasmada (b ). puede expresar desacuerdo (d ) del interlocutor (también en este caso. pueden tener su sentido determinado por los rasgos suprasegmentales. sino En definitiva. 1974). Martín Zorraquino (1998: 23). además. la entonación. en este caso bueno puede aparecer con un alargamiento de las vocales. -Buee Bueeno noo ueeno noo crees? no . Sirvan de ejemplo las siguientes palabras para comprender la dinámica de los conectores: Comenzar el análisis desde las funciones permite explicar la polifuncionalidad de un conector y. Para Hidalgo Navarro (2010: 65).) es una necesidad para entender el funcionamiento de estos elementos en la conversación coloquial (PONS BORDERÍA. etc. creemos que resulta posible establecer las diferencias entre los diversos conectores pragmáticos contrastando el funcionamiento pragmático y discursivo de aquellos que realizan una misma función. una mayor o menor cantidad en las sílabas y una mayor o menor duración en las pausas se corresponderían con sentidos o matices diversos en la expresión de los marcadores. el que una ocurrencia de un conector se pueda analizar desde distintas. aunque complementarias. Con todo. 2000: 209). en una misma ocurrencia de un marcador sea posible identificar más de un valor (tanto en el plano semánticoargumentativo como en el enunciativo y en el interactivo. 2004). Por otro lado. o un consentimiento resignado (c ). por ejemplo. de otro modo. no solo el marcador b ue ueno o (que ) también muchos otros marcadores. se puede afirmar que: (…) una mayor o menor fuerza en el acento. por ejemplo. la entonación). la información directamente accesible a partir del contexto situacional. De esta manera. más importante aún. el hecho. Briz (1996) e Hidalgo (1997) aportan nuevos datos sobre las propiedades prosódicas y las funciones de algunos marcadores del discurso del español. frecuentemente matizan el contenido instruccional de los MD (MARTÍN ZORRAQUINO. el marcador bueno puede aparecer con un alargamiento de las vocales y acompañado de una repetición del signo.) determina que resulte extremadamente difícil proponer un significado constante para cada marcador. La polifuncionalidad (. o más o menos connivencia con el interlocutor. el marcador b ue no. una mayor o menor elevación de tono. en cambio. por su parte. y en función de factores que no tienen incidencia en el texto escrito.. los marcadores conversacionales presentan una mayor polifuncionalidad en el discurso. de que una misma función pueda ser desempeñada por más de una forma. c) -¿Te apetecen gominolas? (-¡Bue Bueno no o …). algunos rasgos suprasegmentales. ). como c lar laro y b i e n . b uee no o … ¿Tú que siempre te ha sido fiel. a la palabra que les queda más cercana en el enunciado (ALLERTON Y CRUTTENDEN. Así. intensificándola o atenuándola): a) .

se presentan. combinados o no en la conversación. “Las palabras b ue ueno también con otras muchas funciones”. en primer lugar. conforme este manual. puesto que en diversas unidades didácticas de los manuales analizados suelen aparecer algunos marcadores que. de los 15 manuales investigados. La relación entre formas y funciones es. con objeto de facilitar a sus alumnos el aprendizaje de su empleo” (MARTÍN ZORRAQUINO. p ues …”. al principio de frase cuando se quiere marcar que pasamos de una etapa de la conversación a otra: no . § 3.81) que. o para darse tiempo a pensar en la no … P ues … o Bue no . un problema para el aprendizaje de estas unidades. por ejemplo. tomando como base un texto conversacional que el estudiante debe escuchar para resolver algunos ejercicios. principalmente en los niveles avanzado y superior. Polifuncionalidad de los MD y su enseñanza en los manuales de E/LE1 Cabe destacar. comentarios sobre la polifuncionalidad uales d e ni v e l B2 que manuales de niv de algunos MD 2. a numerosos ejemplos de cada uno de ellos (de cada marcador). según parece. se lo presenta como una fórmula que los hablantes utilizan para cumplir dos no …) y funciones: iniciar una conversación ( b ue ueno no . con frecuencia. aunque muy por encima. a nuestro modo de ver. La polifuncionalidad de los MD es una realidad en la lengua y su enseñanza en las clases de ELE facilitaría al aprendiz la calidad de su aprendizaje. p ues yo resulta que es que he tenido las dos “Bue Bueno condiciones…”. el surgimiento de diferentes contextos en los que los MD se manifiestan con múltiples funciones.4. ocupa una parte muy pequeña dentro de una unidad. suprayectiva. presenta brevemente un comentario respecto al aspecto polifuncional de los marcadores b ue no y p ues . ofrecen dificultades para su comprensión. apenas se ofrecen aclaraciones teóricas sobre el valor semánticopragmático de los MD y la poca información que se presenta respecto de este aspecto suele ser de forma muy superficial y. procedentes. a diferencia de los niveles anteriores (A1. (…) tiene que recurrir. Así. Es decir. el profesor de ELE debe introducir una mayor diversidad de MD con vistas a que el aprendiz convierta “sus frases en un discurso claro y coherente” (MCER. excusas o justificaciones”. puede introducir “explicaciones y. que la mayoría de los manuales analizados sigue el enfoque comunicativo. . por ejemplo. ueno no y p ues se usan Según este manual.). además. pero. por su polifuncionalidad y carácter distribucional. c) Aula 4 (p. según el MCER. 1999). pues solo en cuatro. el profesor de ELE: (…) más aún que para la didáctica de otras clases de palabras. b) respuesta “Bue Bueno Bueno Sueña 3 (p.65) presenta una concluirla (b ue ueno nota en la que queda claro el valor polifuncional del conector es que . lo que comporta que. a partir de estos niveles. lo que. por lo que tanto el docente como el discente se ven ante situaciones donde no saben muy bien cuándo. en palabras de Pons Bordería (2000). los marcadores en el discurso oral sean mucho más difícilmente sistematizables.158 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS funciones y una misma función puede estar desempeñada por varias formas. de textos diversos y situados en contextos diferentes.159) también se refiere a la no cuando. 2. Tal diversidad de marcadores implica también atención a la versatilidad semántico- La polifuncionalidad de los MD es un aspecto que muy raramente se advierte en los manuales de nivel B2 que analizamos. al trabajar con los MD. además. a diferencia de lo observado en la lengua escrita. en estos. Los man tratan de este aspecto son: a) A Fondo (p. A2 y B1). pragmática de estas unidades. por polifuncionalidad del marcador b ue ueno medio de un ejercicio.). cómo y qué formas usar en determinados contextos. ya que. constituye. como. en la enseñanza de estos elementos. el cual.

por presentar matices de versatilidad semántica un poco más complicados. es que . introducir una autocorrección. etc. poseen un doble valor.. pues son casos complejos que normalmente y según el MCER. PONS BORDERÍA. la clasificación del conector ade además exclusivamente como estructurador de la información que ordena el discurso con vistas a dar continuidad al mismo puede crear confusión tanto en las explicaciones pertinentes que el profesor pudiera dar a sus alumnos. Téngase en cuenta que el marcador a d e m á s (junto con el conector a p a r t e . como ordenador del discurso. es decir. De manera particular. resultaría más práctico empezar por el B2. casos de versatilidad o . oy e . e ni ve l uales d prácticamente no se trata en los man manuales de niv C1 que hemos analizado (un total de 8 manuales de este nivel). en general. aun. los cuales. e nc ima . en especial. el profesor dejaría b ueno3 . este último. est o es . (cfr. Si bien es cierto que al profesor de ELE no deberían preocuparle excesivamente los casos de polifuncionalidad en un nivel B2. v ale . sino elegir polifuncionalidad de b ue ueno dos o tres funciones más sencillas de este marcador y. etc. cumple funciones distintas en cada caso de su empleo (expresar conformidad con lo propuesto previamente por alguien. o bien “introducen un argumento que dice exactamente lo mismo de otro modo” o bien “introducen una consecuencia del argumento anterior”. como. aplicando. por lo que las explicaciones que se presentan en los más deberían contemplar. MARTIN ncima bie ien ZORRAQUINO Y PORTOLÉS. atenuar el contenido de una respuesta en relación con la pregunta del interlocutor. explicativos es dec decir esto sabe sea según este manual. sí . a sab er y o s ea . Tanto en los manuales de nivel B2 como en más los de nivel C1. pensamos que lo primero que se debería explicar es su significado de adición en tanto en cuanto resulte como un elemento conectivo y su función sea la de vincular dos miembros discursivos cuya orientación argumentativa tiene que ser la misma. 1998: 214). es decir. inclusive en los contextos que exigen su uso como conector aditivo.etc. luego. más b ie n . su significado semántico-pragmático de conector aditivo. oig a . Así pues. y a . 1999) que. Así pues. ya que estas unidades desarrollan diferentes estrategias discursivas en la conversación. como también a los propios estudiantes que podrían utilizar este conector. semántico-pragmática de los marcadores c lar laro v e ng a . por ejemplo.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 159 La polifuncionalidad de los MD los casos más complejos de polifuncionalidad. introducir un cambio de tema en la conversación. por ejemplo: la toma del turno de palabra. oig a y otros semejantes de los marcadores mir mira oiga resultaría profundamente interesante en las clases de ELE. únicamente. se deben aplicar de manera más detallada en los niveles C1 y C2. Ahora bien. no trate de aplicar todos los casos en un nivel B2 o en un nivel C1 o C2. más propio del español oral coloquial) es el conector aditivo más frecuente. El único método que introduce algún tipo de información sobre este aspecto es el manual El Ventilador (p. p ues . si es deseo del profesor trabajar con casos de polifuncionalidad de determinados marcadores. Para los niveles C1 y C2. v amos . exigiría de los aprendices un mejor dominio de las competencias lingüística y pragmática para comprenderlos y ponerlos en práctica. e h . la atención a la polifuncionalidad a . 58) que presenta una notación en la que comenta la polifuncionalidad de los conectores ir . en manuales acerca de ade además primer lugar. b ue nga mira oiga ueno no . o el caso de los marcadores b ie ien s ea . tal es n . el inicio del diálogo o.). mir a . ya que no tiene sentido desde un punto de vista metodológico y didáctico. en el nivel C1 comentar todos los casos posibles. por ser marcadores explicativos. si bien lo más práctico sería no aplicar todos los casos de no en el nivel B2. siempre y cuando tome como referencia el manual donde figura esta información. o y e . señalan las relaciones sociales que se establecen entre hablante y oyente (cfr. será más razonable que él realice una concienciada selección de marcadores de polifuncionalidad más sencilla para ir introduciéndolos a partir del B2.

hasta su polifuncionalidad. aporta una mayor seguridad con respecto al uso de estas partículas. aspecto que. se le podrían. en este nivel.. Según nuestra opinión. Pero esta es una tarea que no solo requiere del profesor un conocimiento más profundo del valor semántico-pragmático de los MD que explica. Tomamos como más de que hemos ejemplo el caso del conector ade además venido hablando: este marcador también puede ordenar la materia discursiva. convierte la tarea de aprendizaje de los MD aún más engorrosa. lo que indica la gran riqueza de sus matices expresivos. por lo que en el nivel C1 deberían recibir mayor atención. puesto que no toma en consideración el hecho de que la polifuncionalidad de estas unidades constituye un rasgo característico de muchas de ellas. sino que también requiere que él cambie la manera de enseñar dichas unidades. etc. se hace necesaria su atención. o en otros términos. por ejemplo– debe aprender a escribir “(…) textos claros. mostrando un uso controlado de estructuras organizativas. est o es . este significado básico de ade además entonces. Este es un problema sabe sea (es dec decir esto que. el problema surge porque los manuales no suelen explicar la polifuncionalidad de los MD que introducen en sus unidades didácticas. la consecuencia. como ordenador del discurso. Así. funcionando. una vez entendido. a nuestro modo de ver. Para ello. “(…) en su explicación debería huir de una presentación estática. para aclarar el aspecto polifuncional de los MD. en listas que perpetúen la vieja idea . restringiéndose a un pequeño grupo de marcadores ir . además. se presentasen anotaciones a través de cuadros didácticos. Lo cierto es que el profesor de ELE. solo uno 4 de los ocho manuales publicados para el nivel C1 comenta. este aspecto y. Además. aunque de manera muy general. Por otro lado. pues al tiempo que introduce una nueva información coorientada con la temática que se presenta en el miembro discursivo precedente (función de conector aditivo). que –no hace falta decir– ya se enfrenta a la compleja tarea de explicar en sus clases cuáles son los mecanismos de los que se valen los hablantes nativos para estructurar u ordenar su discurso así como expresar la causa. una vez que el alumno aprenda más . queremos dejar constancia de que ninguno de los manuales de ELE de que nos ocupamos en este estudio contiene suficientes informaciones sobre la polifuncionalidad de los MD como para que un aprendiz de español pueda llegar a comprender perfectamente el funcionamiento de las unidades que introduce. donde mucho más que en el nivel B2. globos. conectores y otros mecanismos de cohesión” (MCER: p. enseñar otras funciones que este conector puede ejercer en los textos. así. resultaría conveniente que. hecho que refuerza la necesidad de los estudiantes del nivel C1 de aprender a usar un mayor número posible de MD. etc. con vistas a que el discurso resulte más fácilmente comprensible. la condición. el aprendiz necesariamente deberá reconocer otros rasgos característicos de estas partículas discursivas que pasan desde el aprender los diversos efectos de sentido que subyacen al uso de varios marcadores. 220). pero siempre después de que se explicase su significado semántico-pragmático más básico y frecuente en español. la oposición y el contraste. 3. Conclusiones En fin. también la distribuye y la divide en agrupaciones más pequeñas.160 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Ahora bien. es donde el aprendiz –en lo que se refiere a su expresión escrita. la sucesión temporal o la expresión de hipótesis. se ha de poner de manifiesto la notable carencia del tratamiento de la polifuncionalidad de los MD en los manuales de nivel C1. en los manuales de ELE. a sab er y o s ea ). conforme hemos visto más arriba. fluidos y bien estructurados. Sin embargo. también deberá hacer frente a este otro problema que es la ausencia o la carencia de informaciones respecto de la polifuncionalidad de los MD en los manuales de ELE.

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VV. Nuevo Ven 3. Aula 4. VV. Eco 3 (Libro del Alumno). Madrid: EDELSA. VV.A. Madrid: EDELSA. Edelsa. Pasaporte 4. VV. VV. EsEspañol 3. 2008. Madrid: SGEL.AA.162 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Lista de manuales consultados VV. Español lengua viva 4. Madrid: SGEL. VV. Destino Erasmus 2. Madrid: Edinumen.AA. 2004.AA. 2007. Sueña 4. véanse Bauhr (1994). Barcelona: Difusión. Puesta a punto. Madrid: Santillana.AA. 2008. Madrid: EDELSA.58). 2005.AA. A fondo. Barcelona: Difusión. Madrid: Edelsa. El Ventilador. 2006. Barcelona: Difusión. 2008. Madrid: SGEL. Punto final.AA. Analizamos 15 manuales del nivel B2 y 08 del nivel C1. Abanico. 2008. . 2006. Madrid: SGEL. Chicos Chicas 4 (Libro del Alumno). VV. 4 Se trata del manual El Ventilador (p. S.AA. VV. 2007. Madrid: SGEL. 2007. VV. Madrid: Grupo Anaya. 2007. Madrid: EDELSA.AA. Madrid. 2009. Dominio. Madrid: Edinumen. 2005. VV.AA. Español sin fronteras 2. S. VV. 2006. Martín Zorraquino y Portolés (1999) y Martín Zorraquino (1994). Madrid: EDELSA. 2005.AA. Madrid: Santillana.AA. 2006. 2006.AA. Notas 1 2 3 La completa información bibliográfica de estos manuales figura en el apartado Referencias. VV. VV.AA. Para el estudio de la polifuncionalidad de bueno. VV. 2007. Español lengua viva 3. VV. 2007.AA. Sueña 3.AA. Gente 3 (Libro de Trabajo).AA. VV. Prisma consolida. VV. A fondo 2.AA. VV. Barcelona: Difusión. Madrid: Espasa-Calpe. 2010. VV.AA. Prisma avanza.AA. 2007.AA.1998.AA. Español sin fronteras 3.AA. Madrid: Grupo Anaya. VV. VV. VV.AA.A.

a pesar de la casi sinonimia. originarios de tierras germánicas. también tenían la cabeza poblada por fantasías sobre la tierra nueva y soñaban construir nuevas realidades. usar el adjetivo “germánico”. discutiendo como están dibujados discursivamente dichos personajes y cuál es la imagen del continente americano reflejada en su mirada. El mapa de dicha presencia arranca de su primera novela. este último se asocia más directamente a Alemania como Estado moderno. El autoconcepto de ésa cultura trasciende el territorio comprendido por Alemania como nación . migrantes. Como los demás. El presente trabajo pretende trazar una breve cartografía de la presencia de los germánicos en narrativas de María Rosa Lojo. En la larga lista de su obra ficcional merecen destaque las narrativas casi siempre urdidas en los borrosos límites entre historia y ficción.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 163 EN BUSCA DEL PARAÍSO: LA REPRESENTACIÓN DE LOS GERMÁNICOS EN LA OBRA DE MARÍA ROSA LOJO Antonio R. Exiliados. en especial por el vasto territorio argentino. La vasta galería de sus personajes está poblada por seres excéntricos que tratan de encontrar una identidad posible o un lugar. viajeros y aventureros en general. para estas notas. por algún motivo. en lugar de “alemán”. viene ocupando un destacado lugar en las letras argentinas. en un constante deambular. Esteves FCL-UNESP-Assis Autora de una obra variopinta que incluye. circulan por las fronteras de varios mundos. Preferimos. colecciones de relatos y varias novelas. de uso más amplio. imaginario o real. pasa por La pasión de los nómades (1994). en donde encontrarla y/o encontrarse. por el libro de relatos Amores insólitos de nuestra historia (2001) y concluye en Las libres del sur (2004). Hay que subrayar. ya que. “Tatuajes en el cielo y en la tierra” y “Ojos de caballo zarco”. desde la publicación de su primer libro en 1984. Entre ellos se pueden constatar aquellos que. Rosa María Lojo. llegaron a la región del rio de la Plata. que con excepción de los dos relatos de Amores insólitos de nuestra historia. en esas novelas los personajes germánicos no son protagonistas ni tampoco su visión de América y de Argentina es el tema central. poemarios. sin embargo. Canción perdida en Buenos Aires al Oeste (1987). que en general abordan cuestiones históricas e identitarias asociadas a tránsitos y fronteras. en el ámbito literario.

otros son personajes puramente ficcionales. entretejida a través de la memoria de la mujer una vez que en el relato la nativa conquistada es quien se apodera del cuerpo del amado. viajeros e inmigrantes. 2001. atraídos por la exuberante naturaleza local o . Este lansquenete bávaro que participó de la expedición de la primera fundación de Buenos Aires dejó uno de los primeros relatos de la ocupación del rio de la Plata. el relato que hace una especie de relectura a contrapelo del episodio de la conquista y se ubica en la base de la construcción discursiva de la Argentina. usaré en este trabajo el orden cronológico de la acción de los relatos y no las fechas de su publicación. relato incluido en el volumen Amores insólitos de nuestra historia (2001). p. Algunos son personajes históricos ficcionalizados. 2006. Como los relatos de María Rosa Lojo. Los germánicos que aparecen en los relatos de María Rosa Lojo. se tejen en los umbrales de la ficción y de la historia. de “Tatuajes en el cielo y en la tierra”. abarcan un período que va del XVI al siglo XX y han nacido en varios puntos del ancho territorio ocupado por la lengua alemana y la cultura germánica. El grado de ficción e historia que hay en cada uno de ellos cambia según el personaje. partiendo de ello. Tenemos entonces no un conquistador español sino su equivalente germánico. era gozar de los encantos de la mujer americana. sigue las estrategias usadas en las narrativas de extracción históricas. aventureros. es su experiencia y el relato de Lojo. p.164 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS moderna. que se trata de mera opción personal. p. que trata de trazar la cartografía del cuerpo de la mujer americana y no los mapas de los tesoros de las nuevas tierras. más que encontrar al reino del Dorado. Solamente por cuestiones didácticas. partiendo de dicha mirada. una riqueza superior al deseo de volver a Europa cargado de oro y plata. una vez que según el relato. La presencia de germánicos en América. sin embargo. los dividí en cuatro categorías que a veces se cruzan ente sí: conquistadores. 2008. la imagen y autoimagen que los germánicos construyeron de su cultura es muy compleja y su discusión ultrapasa los objetivos de esta ponencia y al espacio de que dispongo. una indígena de la tribu de los Xarayes. La marca principal de ese aventurero de Straubing es la lectura particular que él hace del Nuevo Mundo. juntamente con la imaginada Ximú. Él abandona los anales de la historia de la conquista argentina para protagonizar. tratando de encontrar fortuna. Hay que quedar claro. La construcción de los personajes germánicos en las obras en cuestión. viene desde los tiempos de la conquista. Una de sus preocupaciones centrales. capaz de ver al otro y dispuesto a descubrir en los cuerpos. Lo que él ofrece al mundo. de acuerdo con aquello que Beatriz Pastor llama de discurso narrativo del fracaso (PASTOR. sobreviven en el “territorio natural de su pasión” y proponen otra lectura posible para la conquista. 33). 44). que ocupó y ocupa un espacio que va más allá de las fronteras geográficas de aquél. como se sabe. de los Un típico a v e n t tu re muchos que deambularon por el territorio americano en el siglo XIX. El relato de María Rosa Lojo. hace una inversión de la épica tradicional de la conquista. 219). “las Amazonas eran notoriamente inexistentes” (LOJO. presentándolo como un hombre sensible. Ambos amantes. comprendiendo prácticamente toda la historia del continente después de la llegada de los conquistadores. El ejemplo de c onquistador está en Ulrich Schimidl. entendidos como narrativas de extracción histórica (TROUCHE. ur e r o germánico. centraliza el foco en la mirada que Ximú tiene del conquistador germánico. Esa versión alternativa de la historia se hace posible a partir de las fisuras del relato del cronista germánico y es a partir de dicho entrelugar que la narrativa de María Rosa Lojo teje su contrapunto a la historia hegemónica. Además.

quien lo había invitado a Buenos Aires. patrocinado por la mecenas de las artes argentinas que fue Victoria Ocampo. Ese personaje. reta al caudillo Facundo Quiroga y por su audacia consigue un espacio en la nueva patria en construcción. el filósofo alemán trataba de defender. también nacido en Straubing. una vez que además de ser incapaz de ver el “otro”. Como en el caso anterior. casado con una nieta de Bismarck. su imagen es opuesta a la de Ulrich Schimidl. Totalmente ficcional. En defensa de su amor por una criolla.98). usando lo ajeno para estabilizar lo propio. la salvación de la hegemonía europea (BLOSS. no regresa a su tierra y decide fijarse en la Argentina después de casarse con la gallega Carmen Brey. Sus relatos de viaje muestran una Argentina bárbara. Reconstruyendo los desencuentros amorosos de la pareja y la posterior polémica del conde con Victoria. pero descendiente del hombre de “ojos de caballo zarco”. en el cual se quedan las mujeres. esa pantalla de proyección invertida. transformándolo en una especie de ogro primitivo. al lado de su amada. Representa en el relato una inversión del tópico de la superioridad europea que normalmente sostiene los discursos racistas. 1995). Personaje de la misma novela y asociado a él. en La Rioja. Debido a su piel blanca y principalmente por el color de sus ojos. ha sufrido la más inicua discriminación y la burla de los campesinos analfabetos” (LOJO. La imagen que él construye de Argentina. 202). 2004. en su discurso. en sus relatos de viaje será desconstruída por la propia Victoria en sus memorias y sirven de base para lectura que hace María Rosa Lojo de la relación de ambos. una especie de pantalla de proyección en la que. a una huerta y a una “escuela especializada y a un Instituto de Idiomas”. 2001. mientras él se pierde en su estéril Europa. por ejemplo. Evidentemente él será expulsado de dicho paraíso. Se trata de una nueva estrategia del discurso colonial. Utz von Phorner. se fija. El conde está reconstruido como el modelo negativo del germánico. ocupando la segunda mitad de la novela. Además repite un par amoroso presente en buena parte de la narrativa de Lojo: el germánico (o su descendiente) que se enamora de la gallega (o su descendiente) para formar un matrimonio que representa una especie de emblemática pareja fundadora argentina. gracias a su relación con Victoria Ocampo. es el Conde Hermann von Keyserling. En Chivilcoy él se dedica. su figura muestra como el viajero/aventurero se transforma en inmigrante al entrar en contacto con la nueva tierra y principalmente al encontrar en ella el amor de su vida. en Argentina como ganadero y adopta la nueva tierra como suya. protagonista de “Ojos de caballo zarco”. protagonista de la narrativa. noble báltico de lengua alemana. lo representa negativamente en sus escritos. ante la imposibilidad de la posesión de los metales (cobre y plata) de las minas de Famatina. una nueva visión del mundo. Se trata de un conocido filósofo de las primeras décadas del siglo XX que viajó a Argentina en fines de los años 20. p. por amor. El personaje histórico se traslada a las páginas de Las libres de Sur (2004). ese hombre “que se considera un espíritu libre pensador y libertario. Victoria fue. En ese sentido. la narradora dibuja su imagen en la novela.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 165 simplemente en búsqueda de aventuras es Karl von Phorner. en las páginas de la novela Las libres del Sur (2004). también en Amores insólitos de nuestra historia (2001). . hundida en la crisis que producirá los desastres de la Segunda Guerra Mundial. “de tanto hurgar en historias de alemanes y españoles que perseguían las Fuentes de Juvencia o los palacios de El Dorado” (LOJO. llega a la Argentina como secretario del Conde Hermann von Keyserling. capaces de hacer nacer una nueva realidad. p. negación de lo que él considera cultura civilizada europea. en tiempos de crisis. violador del universo femenino y de la imagen edénica de las tierras americanas. Ese ingeniero de minas. construido a partir de los dos anteriores.

Inicialmente se fijan en Brasil y después en la provincia argentina de Misiones. Me quedo con el ámbito imperfecto que me ha tocado. la historia: No voy a repetir la búsqueda del Paraíso en la tierra. “Irene miraba al vacío. el médico de origen misionero Alberto Krieger. el capítulo IV de la segunda parte de La pasión de los nómades. cuando los Reuter entran en escena. sin embargo. p. María Rosa Lojo tiene entre sus temas la cuestión del desarraigo y la búsqueda de una patria posible.166 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS La representación del universo americano como una especie de paraíso siempre estuvo presente en el imaginario europeo y es parte de los sucesivos discursos relativos a la región. sin saberlo pertenecía ya a esta tierra y a Alberto Krieger. estudiosa de filosofía. que en la historia ya han regresado a Misiones. Allí cerca. El hijo/nieto de inmigrantes alemanes ayuda a Irene en el encuentro con la identidad argentina. incluyendo los primitivos conquistadores. p.” (LOJO. una vez más. Con los inmigrantes alemanes pasó lo mismo. Irene y Alberto. que. también las r ant es que abandonaron el sucesivas olas de mig migr antes “Viejo continente” para fijarse en tierras americanas en búsqueda de ese El Dorado imaginario. de paso. en La pasión de los nómades (1994. Discutiendo la costumbre de los argentinos en abandonar su tierra delante de las casi cíclicas crisis. Como en los antiguos “coloquios”. representada por sus sobrevivientes. Con ello. en los últimos dos siglos. […] Yo no diría ya que el país es mío sino . los diversos viajeros que la visitaron y. el protagonista del viaje anterior. con padre gallego y socialista. Hija de la diáspora republicana española. los protagonistas. se enamora del hijo de un inmigrante alemán. Federico reitera que no pretende hacer repetir. La casa de los Neira hospedará a Rosaura dos Carballos y Merlín. protagonistas de su primera novela. Rosaura va a encontrar. El origen extranjero común hermana a los personajes. que “había sido gaucho brasilero casi antes de ser alemán” (LOJO. la segunda novela de la autora. La familia Neira. 36). Ese discurso se reitera y se discute en las dos primeras novelas de María Rosa Lojo: Canción perdida en Buenos Aires al Oeste (1987) y La pasión de los nómades (1994). al mismo Lucio Victorio. De ese modo. Alberto. es decir. vuelve a aparecer. Federico Reuter narra entonces la epopeya de sus antepasados que en el siglo XIX abandonan Alemania en busca de una nueva patria. que decide rehacer su trayecto juntamente con los dos gallegos. que tiene el mismo nombre del padre.29). paradójicamente ella siente más distante en su casa. Para la presente discusión. en donde el médico busca la reconciliación con su padre. parece estar en la novela justamente para discutir la cuestión de la identidad argentina y lo hace a partir de la experiencia de la inmigración de la familia Reuter. 1987. interesa la presencia germana. Se puede decir que Federico Reuter y su esposa Ana sean una especie de dobles de Alberto Krieger e Irene Neira. un ex pastor luterano que había abandonado la familia y el sacerdocio debido al alcohol. en las ramas de un gigantesco aguaribay. La joven pareja va a vivir en un pueblo de Misiones. asociada a esa familia gallega. antes de su periplo siguiendo los pasos de Lucio Victorio Mansilla. Irene. Aquí hay una duplicación de la pareja compuesta por un descendiente de alemanes y una descendiente de gallegos. 1987. los protagonistas se reúnen en una cena en la casa de los Reuter en la que se discute el problema de la inmigración asociado al drama de la identidad argentina. Canción perdida en Buenos Aires al Oeste (1987). hay cierta similitud entre su historia familiar y la historia de la familia Neira. y se casa con él para disgusto de su padre. es educado por la madre y el abuelo. La hija de los Neira.

María Rosa (2010): Árbol de familia. El primero es la construcción de la identidad argentina y todo lo que conlleva esa temática. reiterando la opinión de Federico Reuter: “Que no hay paraísos. 2008. Buenos Aires: Sudamericana. La idea del Paraíso. la identidad y la Referências bibliográficas BLOSS. La obra narrativa de María Rosa Lojo. criando un entrelugar (SANTIAGO. 1999. (Tesis de Doctorado). A través de la metáfora del tránsito. aparece rotundamente negada en la voz de Merlín. 2. discute dos problemas básicos y centrales. G. tan repetida en el discurso de conquistadores. tiene una significación especial ejerciendo la función de promover la comunicación. 109). irremediablemente. Rio de Janeiro: Imago. Ser argentino.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 167 que nosotros. El amor. Anja (1995): El drama de la comunicación transatlántica. es la capacidad de promover dicho tránsito. Linda. El capítulo concluye con la voz narrativa de Rosaura dos Carballos. en ese contexto. CRESPO BUITURÓN. pp. (LOJO. a los cuales se asocian los demás. en el cual la identidad se presenta como un discurso en movilización continua. (2008): Andar por los bordes. 110). otredad. La idea de argentinidad aparece asociada en nuestros relatos con la unión entre una mujer hispánica o americana. Los escritos de viaje del conde Hermann Keyserling como psicodrama de una relación amorosa? In Limites. 108-9). entonces. penetrando por las fisuras naturales del sistema. Tales corredores (LOJO. entonces. ampliando el espacio de la discusión a la superación de los límites de la frontera: “Nos despedimos pensando en alas. Cruz. El segundo es la inserción de la mujer en el universo tradicionalmente dominado por el varón. Poética do pós-moderninsmo (1991): Trad. aventureros e inmigrantes y aventureros. la frontera. p. las migraciones. p. 2008. Lo insólito del amor. y un hombre de origen germánico. 2001. HUTCHEON. Marcela. espacio de transición. El lugar de realización de dicho amor son las tierras argentinas. p. no hace falta ir muy lejos. Lleida: Facultad de Letras de la Universidad de Lleida. le pertenecemos y mucho más de lo que nos damos cuenta. Dichos temas siempre se plantean a partir de la experiencia femenina y la dificultad que tiene la mujer para hacer escuchar su voz en un mundo dominado por el discurso masculino. R. en ríos y en migraciones” (LOJO. LOJO. Cuando no ocurre el encuentro. la traducción como mediación. se establece el conflicto y el germánico. los tránsitos en general son constantes en su obra. 1978). sino los paraísos pasados y los futuros y que para buscar esas pobres verdades incluso raramente alcanzadas por los hombres llamados sabios. como se sabe. los personajes de María Rosa cruzan las fronteras tradicionales. se trata de un constante ajuste en dichos espacios de frontera y de circulación. ———— (2001): Amores insólitos de nuestra historia Buenos Aires: Alfaguara. Dicho personaje germánico es el hombre que sale de su tierra en busca de un paraíso y lo encuentra no solamente en la tierra plena de elementos telúricos pero principalmente en el amor de una mujer. USP. São Paulo: Ed. viajeros. Por ello. 2010) permiten el tránsito entre lo uno y lo diverso. la tierra americana del deseo de los conquistadores/viajeros/aventureros/ migrantes. . Entre la historia y la ficción: el exilio sin protagonistas de María Rosa Lojo. deja de ser el hombre sensible que descubre el cuerpo y la tierra de la amada y se transforma en el ogro violador. Anais do 3° Congresso ABRALIC. 125-131.ed. Niterói: ABRALIC. en dicho contexto. el exilio.” (LOJO.

. ———— (2008): Una pasión de los nómades. In GIUFFRÉ. TROUCHE. Víctor C. Buenos Aires: Debolsillo. Buenos Aires: Ed. pp. II. MOLINA. (ed. Buenos Aires: Edhasa. SANTIAGO. Silviano (1978): O entre-lugar do discurso latino-americano. La conquista de América narrada por sus coetáneos (14921589). 109-127. del Signo. Barcelona. pp.168 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS ———— (1987): Canción perdida en Buenos Aires al Oeste Buenos Aires: Torres Agüero. En busca de una identidad . Ensaios sobre dependência cultural. MOLINA. La novela histórica en Argentina. Vol. Hebe B.) Poéticas de autor en la literatura argentina (desde 1950). (2010): La poética de la rosa: Modulaciones de la ficción histórica en María Rosa Lojo. In ZONONA. André (2006): América: história e ficção . Niterói: EdUFF: 2006. PASTOR. Buenos Aires: Sudamericana. Beatriz (2008): El segundo descubrimiento. ———— (2004): Diálogo con Mercedes Giuffré. 1128. Buenos Aires: Corregidor. . In Uma literatura nos trópicos. ———— (2004): Las libres del Sur . Hebe B. São Paulo: Perspectiva. M.

de todos os lados. um distúrbio em direção. este trabalho se propõe discutir alguns aspectos relacionados às estratégias de representação da cidade e da nação em histórias narradas desde as margens da cidade e da própria literatura. para lá e para cá. Em diálogo aberto com os arquivos da antropologia. no ‘além’: um movimento exploratório incessante. fort/da. que o termo francês au-delà capta tão bem – aqui e lá. As “zonas sagradas” e os “espaços incivilizados” se interpenetram e se projetam em contraponto complementar nesta espécie de viagem ao outro lado dos muros da cidade. agora como imensas manchas urbanas totalmente fragmentadas que dificultam ou impossibilitam as interações materiais entre seus habitantes. fazem com que surjam novas “zonas de contato” entre distintos territórios e culturas de uma megalópole como a capital argentina. passado e presente. tal como assinalou Roberto Echevarría em seu libro Mito y archivo (2000). ao mesmo tempo. A partir dos dois modelos de urbanização complementares (segregação e auto-segregação sócio-espacial) que traduzem as contradições e crises vividas “aqui” por uma América Latina que se enfrenta a radicais transformações no processo de modernização. Isso porque há uma sensação de desorientação.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 169 ROMPENDO FRONTEIRAS DA CIDADE E DA NAÇÃO: REPRESENTAÇÕES DE SUJEITOS QUE SE MOVEN ENTRE AS “ISLAS URBANAS” DE SERGIO OLGUÍN E CRISTIAN ALARCÓN Ary Pimentel UFRJ “Encontramo-nos no momento de trânsito em que espaço e tempo se cruzam para produzir figuras complexas de diferença e identidade. estes relatos dão visibilidade e um papel protagônico a grupos muito particulares da urbe contemporânea. inclusão e exclusão. para frente e pra trás.” Homi K. Bhabha As cidades latino-americanas da narrativa contemporânea se apresentam como espaços fragmentários e territórios de enfrentamento nos quais circulam personagens que vivem entre a estranheza e a descoberta de si e do Outro. uma literatura da ambivalência e do entrelugar: assim são os textos que nos últimos tempos . tais como os sujeitos diaspóricos de Si me querés quereme transa (Cristian Alarcón) ou o personagem que transita entre distintas ilhas ao longo de um só dia em Oscura monótona sangre (Sergio Olguín). interior e exterior. Uma literatura que deriva do encontro de dois mundos. Textos como estes conseguem gerar uma reflexão questionadora acerca do cruzamento de fronteiras que separam e.

nessas novas “ilhas urbanas” (entidades que se constituem em torno de territórios reais ou simbólicos) que se passam as ações da maioria dos romances escritos nos últimos dez anos. Tal como concluiu Néstor García Canclini. drogas e imigrantes peruanos. para usar uma expressão de Josefina Ludmer. o mundo da cultura e os territórios em que se fragmentou a cidade.17). permanecem em plena fronteira vivenciando os sentidos e sem-sentidos da cidade através das mediações das narrativas veiculadas pela literatura. “chegamos assim a necessidade de dar conta de um mundo no qual a diversidade não está só em terras longínquas. García Márquez. Em uma. como rádio. O processo de construção de uma memória comum e a coesão comunitária antes tributárias de relatos totalizadores agora só é possível nas “novas tribos” ou “aldeias urbanas”. nas “micropoles” que. Embora muito diferentes na sua concepção. segundo García Canclini. é o que permite estruturar este território de novas identificações apresentado por Cristian Alarcón: . A fragmentação tanto identitária como territorial resultante da pluralização e heterogeneização de culturas. ainda dentro das grandes urbes. Cristian Alarcón vai à procura do mundo de jovens criminosos. Viajam dentro da própria urbe a procura de uma cidade que não é sua. “construímos.” (2008. chilenos e bolivianos. (. p. mas buscando fazer dela a sua cidade. mas aqui mesmo” (GARCÍA CANCLINI . temos um repórter-escritor que mergulha na realidade de um enclave popular no coração urbe para tentar entender um mundo de violência. de alguma forma o deslocamento dos sujeitos é bastante semelhante nas duas obras. Para contar a história de cinco clãs que disputam o controle da distribuição de cocaína em uma villa de Buenos Aires. Na outra. suas guerras. Cortázar..) fragmentos que elegemos para ancorar nossa subjetividade. E é aí. seus códigos. O que está no centro dos dois textos é a passagem de fronteiras: do cotidiano familiar para o estranho que emerge no território do Outro ou na zona intersticial que se projeta entre os dois mundos. Trata-se de duas narrativas publicadas em 2010 que podem muito bem exemplificar certos aspectos da produção que. É justamente nestes territórios que circulam os personagens de Si me querés quereme transa e Oscura monótona sangre. 22). e a ação de grupos pequenos. Personagens e narradores mergulham na zona de contato e. pelo cinema e pelos meios de comunicação. em Diferentes e desiguais e desconectados.170 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS constituem nosso campo de interesse. 113). jornal e televisão. Nos dois casos estamos diante de sujeitos que já não conseguem viver a nação ou a cidade como totalidades integradas. o protagonista se desvia do caminho que faz todos os dias em direção a sua empresa para buscar os prazeres e a “adrenalina” de uma outra vida em regiões praticamente desconhecidas por ele. 2019. os labirintos da Villa 21. Oscura monótona sangre . sem jamais se decidir a abandonar integralmente o seu mundo. “vem depois” dos grandes clássicos latino-americanos. pequenas comunidades onde as mediações entre indivíduo e a identidade grupal ainda se estabelecem face-to-face. seu culto à coragem. p. Si me querés quereme transa e Oscura monótona sangre nos permitem fazer uma reflexão sobre as relações entre o imaginário. e constata o fim das ideologias em tempos nos quais ex-guerrilheiros maoístas tornam-se “capos” do tráfico de varejo. 2005. derivando em subculturas e conflitos interculturais.. p. donde se habla tanto guaraní como argentino” (OLGUÍN. como Borges. “la villa de los paraguayos.

impõe-se um novo marco legal.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 171 Villa del Señor se extiende a lo largo y ancho de treinta manzanas. 2008. ao mesmo tempo. Cristian Alarcón expressa sua atração por um mundo de disputas territoriais onde mais importante que o pertencimento à nação e o compartilhamento de seus grandes relatos é o respeito ou a traição aos códigos de fidelidade grupal. también. onde Josefina Ludmer se propõe a pensar os novos tempos a partir . Constituído de um conjunto de clãs. surge uma arte que se estrutura a partir dos novos deslocamentos humanos. entre nosotros. En cada una de las treinta ciudades más importantes del mundo existe una procesión del Señor de los milagros que es idéntica a una en el centro de Lima. comunidades de migrantes convivem com o mundo “narco” e se tornam peças de um jogo complexo em cujo centro estão as frequentes guerras para definir o comando absoluto do tráfico de cocaína entre “transas” paraguaios. (ALARCÓN. cómo la migración de sujetos y culturas generan un fenómeno de transnacionalidad. narco-traficantes e grupos paramilitares. quereme transa. tanto dentro das fronteiras da cidade como para além das fronteiras nacionais. p. num processo em que a dinâmica cultural transcende as fronteiras nacionais: Me fascina cómo la historia de América latina vuelve a surgir a miles de kilómetros. Diante de mobilidades. fundamento mais importante da vida social neste contexto. más desconocidos: los que están aquí mismo. (ALARCÓN. na quarta capa da primeira edição. de Cristian Alarcón. Si me querés.” Assim o promove. 2010. cabe lembrar que.61) E os cógidos ganham enorme destaque nesta viagem mediada pelo texto narrativo aos “redutos da violência”. Em Aquí. A partir desta perspectiva. sus terrenos fueron ocupados por los inmigrantes que llegaron a Buenos Aires a partir de la década del cincuenta. Nesse mundo à parte. nesta verdadeira experiência de “voyeurismo protegido”. Bajo esas leyes inquebrantables funciona el ejército privado (…). Si el muchacho no entendió con la vergüenza de andar con la cara como un mutante. o en un brazo. Em entrevista intitulada “El mundo narco habla de un mundo por venir”. 2008.1 Num bairro em que se instala a ausência do Estado e suas instituições. peruanos e bolivianos. da cidade e da própria narrativa. atravesadas por arbitrarios pasillos angostos. o escritor argentino Mar tín Caparrós.25). Esses movimentos redesenham as car tografias da nação. De formas irregulares. esta é também uma literatura que constrói “relatos de localização” (GARCÍA CANCLINI. El ercer error es el fatal: muere acribillado. un viaje a los mundos más lejanos. chilenos. Mas. migrações e trânsitos de todo tipo. tal como a define Beatriz Jaguaribe (Apud GARCÍA CANCLINI. “es. Oriundas que são de um processo de deterritorialização e reterritorialização da cultura. América Latina . p. em suas tramas assume um contorno estrutural o movimento da migração limítrofe motivado por razões econômicas ou pelos “desplazamentos” derivados das guerras entre guerrilheiros. o mundo das “islas urbanas” reúne sujeitos em torno de um território e de um conjunto de códigos com base nos quais se constrói o sentimento de pertencimento a um lugar e a um grupo.61) A cidade narrada em ambas narrativas é fruto de uma experiência de deslocamento. se gana un tiro en una pierna. talvez já possamos começar a falar de uma literatura que está se gestando em diálogo com uma cultura “deslocalizada” ou “translocal” de que nos fala James Clifford em Dilemas de la cultura. p. 2010.20). p. No lugar onde antes imperava a anomia passam a reger os códigos da “isla urbana”: Entre todos ellos rige un código que permite el dominio piramidal sin titubeos: a la primera falta la sanción es rapar a cero y afeitar las cejas.

obra de um autor que opera na fronteira entre a invenção. como uma investigação histórica. Tal como o primeiro livro de Alarcón ( Cuando me muera quiero que me toquen cumbia . escreve-se a partir de pedaços da realidade. Em meio a estas fronteiras de gênero cada vez mais voláteis. um testemunho” 2 . Mas não só isso. Por “pós-autônoma” Ludmer entende a literatura que “trata de ser outra coisa. “realidadeficção” e “literatura pós-autônoma”. as ilhas residenciais do condomínio ou as ilhas dos espaços de segregação nos quais residem “cartoneros”. Enquanto que os clássicos latino-americanos falavam de territórios muito maiores e buscavam as chaves da identidade em grandes narrativas nacionais. Cinema e literatura. só que agora em uma escala bem mais reduzida. O território. como tudo. territórios insulares que constituem um grande arquipélago no qual cada vez mais deslocam os sujeitos. se destacaban las tradiciones o resistencias locales a lo innovador. essa narrativa contemporânea. havia uma certa cartografia mais sólida e clara. de um presente que não pode produzir clássicos.3 . mas sim sobre “ilhas urbanas” como sugere Josefina Ludmer em seu texto “La ciudad: en la isla urbana”. E é justamente isto que encontramos em Si me querés quereme transa.172 de termos como ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS “imaginação pública”. e a própria representação estava associada a lugares estabelecidos. la antropología fue la primera ciencia social que se ocupó de los otros lejanos. narrativa de tempos e discursos fugazes. monolítico ou compreensível. uma biografia. Antes. fornecendo as marcas de pertencimento a pequenos coletivos. Agora a representação e seus sujeitos (como obser vamos nas “narrativas migrantes”. está fragmentado. que ela chama de instrumentos conceituais para organizar certas reflexões. Cuando unos y otros fueron modernizándose o cambiando. “paraguas” ou “bolitas”. o relato de reportagem e a pesquisa de campo da antropologia. Si me querés. Porto & Torres. 2010) está em disputa e em constantes deslocamentos estratégicos. Não faz mais sentido falar sobre cidade. este também circula entre a crônica familiar e o testemunho. pero con predominio de lo que sucede en interacciones locales y de escala pequeña. 2003). y luego de los diferentes. mas sim a partir dos seus fragmentos. cf. A cidade não se narra a partir de um todo sintético. sejam estes os que integram as ilhas do trabalho. destaca-se o discurso antropológico como mediador na literatura. De manera que la antropología es una disciplina con largo entrenamiento para estudiar procesos de aculturación. entre o romance verdadeiro e o jornalismo investigativo. minoritarios y subalternos en la propia sociedad. uma crônica. como nos recorda Néstor García Canclini: Como se ha dicho a menudo. Talvez seja justamente a partir da percepção do trabalho com a escala pequena e do processo de microlocalização identitária presente nas duas obras que se possa destacar um dos aspectos centrais para o estudo da literatura produzida neste momento de virada de século quando se observa uma tendência que aponta para a erosão das narrativas nacionais e para a importância crescente do território como um espaço de ancoragem da identidade que pode contribuir para a coesão de comunidades imaginadas. identidades e nações vão por esse caminho. de transculturación y las zonas de contacto entre culturas. quereme transa é um projeto essencialmente pautado em um trabalho de campo. Assim como o romance latino-americano moderno no qual se estabelecem mecanismos de narrativa derivados do “arquivo” da antropologia. buscando o Outro distante no interior da própria cidade.

e ilhas que são destinadas aos refugos ou às quais estes são destinados. as que apresentam uma expressiva concentração de peruanos. Não estão dentro. descarnado e objetivo. Elizabete Jelín. p. quer ser ensaio de sociologia ou geografia urbana. A su vez. Isto nos leva a pensar num aspecto muito específico envolvido em um fenômeno que acontece na história recente da cidade: o surgimento das novas favelas a partir da migração limítrofe. Não apenas a relação interindividual. segundo o crítico indiano: Esses “entre-lugares” fornecem o terreno para a elaboração de estratégias de subjetivação – singular e coletiva – que dão início a novos signos de identidade e postos inovadores de colaboração e contestação. Sus sentidos no son compartidos por todas las personas y grupos que residen dentro del territorio argentino. enclaves. sobre su lugar en la sociedad argentina. ilhas de prazer. (JELIN. são o longe perto de Buenos Aires. os “entre lugares” ou o “aqui e lá” de que nos fala Bhabha (1998. As favelas e. paraguaios. Elas são movediças. É nestes espaços intersticiais que o valor da cultura do agora está sendo negociado. é a partir da ancoragem no território da “ilha urbana” que se constituem as tramas identitárias da comunidade. de residência dos que garantiram o direito instável de ocupar o que Noé Jitrik definiu como “zona sagrada”4. Trata-se não da cidade real. a um meio ambiente natural que partilho com outros. afirma Ludmer. por sua vez. p. dos processos econômicos e das manifestações culturais. observa que: La membresía. mas também a que me liga a um território. no ato de definir a própria ideia de sociedade. p. Menos aún por la población migrante. elemento que começa a se tornar obsoleto neste contexto. Aqui percebemos mais uma vez a importância do território. Essas são as pequenas histórias do dia-a-dia : tempo que se cristaliza em espaço. los diferentes grupos migratorios desarrollan distintas estrategias de inserción a partir de la idea. (2010. De tal forma que a história do território se confunde com a história da comunidade. A partir daí. não estão fora: são o dentrofora.19). bolivianos ou coreanos.20).141). 198). destacado o movimento dos grupos humanos. É em torno do território compartilhado que se organizam as narrativas da memória e os mitos comuns. Michel Maffesoli nos recorda que: Devemos estar atentos ao componente relacional da vida social. bairros fechados. com fronteiras deslizantes que nos impedem uma cartografia segura. Como assinala Beatriz Sarlo em relação às ficções de Borges. em particular. mas da cidade que é ao mesmo tempo lida e imaginada: a Buenos Ares narrada através de seus fragmentos. p. a história de um lugar se torna história pessoal.48) Numa literatura que recusa a fixidez das imagens geográficas. na medida em que a ênfase recai no que transcende o indivíduo e reforça a comunidade na qual ele se insere. 2009. p. “trata de ser outra coisa”. más o menos compartida. as narrativas construídas por Sergio Olguín e Cristian Alarcón. Não se pode traçar um mapa destas ilhas a partir do percurso trilhado no dia-a-dia. ganha espaço protagônico a . seu relato quer ser roteiro de cinema: filme de estrada sem sair do interior da grande metrópole. em um estudo sobre as migrações limítrofes na Argentina. 2006. Oscura monótona sangre quer ser cartografia. (BHABHA. 1998. ilhas urbanas. Deduz-se um mapa impreciso que apontaria para a existência de ilhas de trabalho. la lealtad y la pertenencia nacional son conceptos en transformación. Para além da importância da nação. O homem em relação. são versões da cidade (SARLO. chilenos. a uma cidade.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 173 A literatura pós-autônoma. Existen y se generan distintos criterios de diferenciación y jerarquización que catalogan a algunos grupos como potenciales contribuyentes al desarrollo del país.

Mas as ilhas que são ao mesmo tempo um território e um sujeito coletivo “es un mundo con reglas. Buenos Aires: Norma. um cenário de realidade/ficção onde os sujeitos constroem constantemente estratégias para entrar e sair sem que saibam já muito bem se estão dentro ou fora. como os personagens de Si me querés. uma nova nação. nos bairros humildes que margeiam essas avenidas. Belo Horizonte: Editora UFMG. mas que só vivencia a verdadeira aventura ao mergulhar. Eliana Lourenço de Lima Reis e Gláucia Renate Gonçalves. o protagonista de Oscura monótona sangre. quereme transa e Oscura monótona sangre. 15-31. GARCÍA CANCLINI.131). quereme transa. p. ______ (2008): Imaginários culturais da cidade: conhecimento / espetáculo / desconhecimento. CLIFFORD. demonstram que as fronteiras já não impedem a passagem de um lado para o outro. Barcelona: Gedisa. pelo contrário. Itaú Cultural. p. “las ciudades latinoamericanas de la literatura son territorios de extrañeza y vértigo con cartografías y trayectos que marcan zonas. (1998): O local da cultura . Aparece assim um quadro recorrente. Como diz Josefina Ludmer em seu ensaio “La ciudad: En la isla urbana”. ______ (2005): Diferentes. José Teixeira. A literatura do presente parece determinada por uma estrutura que frequenta diferentes narrativas: o cruzamento de uma fronteira cada vez mais porosa e deslizante que em vez de separar propicia contatos. religando pedaços dispersos e propiciando interações simbólicas que permitem superar parcialmente a fragmentação da experiência. entre fragmentos y ruinas. Cristian (2010): Si me querés. Trad. James (1995): Dilemas de la cultura : antropología. BHABHA. org. literatura y arte en la perspectiva posmoderna. A cultura pela cidade. mas que. . A construção de pontes ou de caminhos de aproximação através de textos que narram e dão coerência à cidade. Referências bibliográficas ALARCÓN. despertam a curiosidade e propiciam o contato. In: COELHO NETTO. Barcelona: Gedisa. In: GARCÍA CANCLINI. 2010. Néstor. Rio de Janeiro: Editora UFRJ. movido pelo impulso. São Paulo: Iluminuras. p. Trad. Trad.174 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS figura da migração limítrofe e os contextos de sociabilidade construídos por estes sujeitos em uma concentração territorial e identitária que assume a forma de pequenas tribos e parece demonstrar em cada uma de suas narrativas que ainda não sabemos lidar com a diferença interna. Luiz Sérgio Henriques. líneas y límites. pequena nação que requer um novo relato. 103-112. org (2011): Conflictos interculturales. Este é caso de Julio Andrada. Carlos Reynoso. De la diversidad a la interculturalidad. As cidades cindidas de modo cada vez mais radical apresentamse nas narrativas do século XXI como “ilhas urbanas”. p. de Aquí América Latina. 2ª ed. da cidade e da sociedade: formando uma nova comunidade. Inicialmente caracterizado pelos contrários. os personagens experimentam as consequências de um efeito inesperado de deslocamento nos dois sentidos do termo: saem de um lugar cuja lógica dominavam para penetrar em outro território bastante instável e ao mesmo tempo se sentem eufóricos e desconfortáveis neste novo lugar. leyes y sujetos específicos” (LUDMER. Myriam Ávila. Parece que estão dentro e fora da nação. Néstor. Homi K.” (2010. Um empresário que se sente seguro em sua vida de cidadão modelo a percorrer todas as manhãs as mesmas avenidas que comunicam a sua ilha residencial à ilha industrial onde trabalha do outro lado da cidade. desiguais e desconectados: mapas da intelectualidade.130).

Beatriz (2009): La ciudad vista : mercancías y cultura urbana.valor. Acessado em 01/09/2012. 104-5. Buenos Aires: Prometeo. TIRRI. In: GRIMSON. 1968. In: GARCÍA CANCLINI. de Clarín. Juan Manuel. Maria de Lourdes Menezes. MAFFESOLI. p. 25 abr.: Fondo de Cultura Económica. Néstor. 2011. Editora UFJF. La vuelta a Cortázar en nueve ensayos. Elizabeth (2006): Migraciones y derechos: instituciones y prácticas sociales en la construcción de la igualdad y la diferencia. Trad. 13 -39. 4ª ed. TORRES (2010): Literaturas migrantes. 4 Cf. Rio de Janeiro. Alejandro. org.com/diariodelaferia/2010/04/25/ cristian_alarcon_el_mundo_narco_habla_de_un_mundo_por_venir/. Barcelona: Gedisa. 2010. Buenos Aires. Maria Bernadette. Buenos Aires: Tusquets. Virginia Aguirre Muñoz. 2ª ed. Trad. Michel (2010): O tempo das tribos: o declínio do individualismo nas sociedades de massa. desigualdad y derechos. orgs. Roberto (2000): Mito y archivo: una teoría de la narrativa latinoamericana. JELIN. Buenos Aires: Siglo XXI. Néstor. México. Eurídice. p. p. Notas sobre la “zona sagrada” y el mundo de los “otros” en Bestiario de Julio Cortázar.com. Conflictos interculturales. Sergio (2010): Oscura monótona sangre.br/cultura/1130334 Acessado em 01/09/2012. . pp. Sara Vinocur de. Revista Ñ. JITRIK. 225-260. Néstor.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 175 GONZÁLEZ ECHEVARRÍA. Disponível em http://publicidade-valordigital. PORTO. OLGUÍN. Notas 1 BORDÓN. In: FIGUEIREDO. JELIN. Niterói: EdUFF. 2 BERTOL Rachel. 2ª ed. A literatura não é mais sagrada: entrevista a Josefina Ludmer. D. Migraciones regionales hacia la Argentina: diferencia. Cristian Alarcón: “El mundo narco habla de un mundo por venir”. In: TIRRI. Disponível em http://weblogs. Elizabeth. 47-68. Noé. org. Valor. Rio de Janeiro: Forense Universitária. De la diversidad a la interculturalidad. SARLO. org. Conceitos de literatura e cultura. 3 GARCÍA CANCLINI.F.clarin.

muito valorizado na Europa e na América Latina. à ordem de sequência dos diálogos e à ordem de permanência das mesmas personagens (SANTOS. principalmente no gênero da aventura. Personagens como Peanuts (de Charles M. meio e fim definidos. consagraram-se neste design que conhecemos por volta dos anos 1880. à ordem de narrativa. animais e crianças aparentemente ingênuos. inovou a estrutura dos quadrinhos ao colorir as histórias e ao delimitar as falas das personagens por meio do balão. 2010). Garfield (de Jim Davis). indagam-se sobre os problemas sociais e políticos e valem-se de um humor sarcástico para fazerem chistes. . com começo. Há uma valorização maior do texto sobre a imagem. Calvin & Hobbes (de Bill Watterson) e Mafalda (de Quino). Um dos nomes mais expressivos do meio de produção das HQs é o do italiano Hugo Pratt. com sua série The Yellow Kid . assim. em especial na Argentina. Schulz). Esse movimento de exportação conquistou muitos fãs – grandes consumidores – e também estimulou um intenso desenvolvimento da criação de HQs em outros países como na França. como também as publicações do grande roteirista Hector Oesterheld. popularmente chamadas de HQs. o que os torna expressivamente ricos. intensificaram-se as criações intelectuais das Histórias em Quadrinhos. que no fim do século XIX. na Itália e na Argentina. questionam a formação das relações familiares. cultural e popular.176 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS AS TRADUÇÕES DE QUADRINHOS SOB UM OLHAR DISCURSIVO Bárbara Zocal da Silva PG. as HQs se popularizaram nos Estados Unidos e tal pioneirismo deve-se ao americano Richard Fenton Outcalt. No entanto. O período entre os anos 1929 e a Segunda Guerra Mundial é considerado como o que mais ousou em criatividade e propiciou a expansão e a exportação das HQs. não há como especificarmos certamente quando surgiu e qual foi a primeira história em quadrinhos. esse produto de massa. e suas intensas publicações. que. em 1895. permitiram à Argentina criar uma rica tradição em suas historietas densamente elaboradas. obedecendo. para onde se mudou nos anos 1950. A partir da década de 1950. Sabe-se.Universidade de São Paulo As Histórias em Quadrinhos. Suas produções artísticas influenciaram consideravelmente a qualidade de produção das historinhas em toda a América Latina. os quadrinhos aderem a um caráter mais ácido.

à condição apática da população diante da ditadura. De acordo com Patati. com foco sempre para o lado infantil. p. o humor crítico e político. além de inovar quanto à estética dos quadrinhos – criava não apenas faces. tornou-os as mais influentes publicações de seu tempo. escritor. criada por Maurício de Souza. de Hank Ketcham). que lutaram bravamente contra a censura para verem publicadas suas edições. entre tantos outros humoristas e jornalistas. Tanto caíram no gosto do público que muitas outras histórias de humor e de aventura. percebeu-se o sucesso das HQs de humor que comentavam “de modo agudo os problemas do momento” (PATATI.10). ou ainda. . e que ainda obtém grande êxito. criada por Ziraldo Alves Pinto. e A Turma da Mônica . foram os responsáveis pela fundação da Editora Abril em 1950. fizeram sucesso como a Luluzinha ( Little Lulu . o terror.199) Henrique de Souza Filho. Ivan Lessa. Entretanto. como. Carlos Estevão e Millôr Fernandes. entre tantos outros projetos culturais idealizados. Um exemplo de resistência da época é o semanário O Pasquim. Ziraldo. assim. entre outros. A evolução dos acontecimentos políticos tornou o espaço dos quadrinhos e do humor na imprensa do Brasil ainda menor do que já era. Millôr. o Versus .14). ao governo e. Duas outras revistas que contribuíram para uma história das HQs no Brasil surgiram na década de 1960 e são a revista O Pererê. 2010. pois. (PATATI. A primeira revista brasileira que publicou regularmente quadrinhos no Brasil foi a revista Ticotico. durante o período da ditadura militar no Brasil. que “abusava de uma linguagem polêmica de humor contra o milagre econômico e fazia críticas incansáveis à ditadura” (SANTOS. afinava com os propósitos de variados humoristas e quadrinhistas: ganhar dinheiro sem abrir mão de criticar e rir de nossas mazelas. lançada em 1905 (VERGUEIRO. popularmente conhecido como Henfil. chamados “alternativos”. Os quadrinhos humorísticos foram ideologicamente significativos entre os anos 1964 e 1985. o Brasil era tomado pelas produções norte-americanas e caminhava vagarosamente em direção a uma produção própria de Histórias em Quadrinhos. inclusive.199). Os gibis da família Disney. Destacam-se grandes nomes de cartunistas como os de Angelo Agostini. Os brasileiros não mais se satisfaziam em rir dos problemas político-sociais do mundo. Fortuna. pois. o gênero infantil foi o que prevaleceu na criação das HQs brasileiras. p. A persistência de um jornal como O Pasquim . Angeli. as tirinhas com tendências críticas fizeram. 2011. de acordo com Patati. 2006. “considerada talvez como a mais importante e genuína contribuição brasileira à industria dos quadrinhos” (VERGUEIRO. BRAGA. principalmente as historinhas de O Pato Donald . nessa época. Com o crescimento na produção de quadrinhos no Brasil. p. a guerra. Braga (2006). 2006. eles queriam falar de seus próprios problemas. de John Stanley) e o Pimentinha (Dennis the Menace. Braga (2006). colunista. O jornal contou com a colaboração criativa de Jaguar. e ainda fazem. outros gêneros de quadrinhos invadiram o mundo das HQs brasileiras. pois fizeram frente aos governos da época. Henfil. p.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 177 As HQs no Brasil Em contrapartida. mas traços claros das expressões faciais –. inovou quanto à criticidade a seu país. Guidacci. A comunhão de propósitos entre autores e editores destes jornais. BRAGA. apresentador. devido aos temas regionais abordados. 2011. o mundo dos super-heróis. foi um dos quadrinhistas mais representativos no Brasil. a aventura. pensava-se que esse tipo de literatura era dirigido exclusivamente às crianças.14). p. roteirista. por exemplo. Henfil foi reconhecido – internacionalmente – pela influência que seus trabalhos tiveram em sua vida militante e pelo seu brilhante trabalho como cartunista. muito sucesso nas páginas dos periódicos.

De acordo com Orlandi (1999). e. a cultura geral. uma representatividade do cotidiano dessa classe. em suas opções tradutórias. as privações da infância. inclusive pela Argentina e pelo Brasil. quando nos deparamos com Mafalda lançando seu olhar crítico à sua vida e ao mundo à sua volta. pois. eles têm condições financeiras de terem uma casa própria.20) Ao voltarmo-nos para a análise das traduções. considerando a produção de sentidos enquanto parte de suas vidas. com homens falando. com maneiras de significar. Mouzar Benedito. Henfil participou em 1982 de um projeto do grande cartunista argentino Joaquín Salvador Lavado. p. definimos a garotinha de seis anos. 1999. seja enquanto sujeitos. jornalista também engajado politicamente. que usa da expressividade da fala como uma tentativa de buscar seus direitos e de conscientizar a população para as questões políticas à sua volta. Mafalda. para cumprir esse propósito. participariam conjuntamente Quino. em plena crise econômica. de uma forma geral. (ORLANDI.15) As tirinhas da Mafalda que pertencem ao corpus . assim. problemas sofridos nessas décadas por grande parte dos países. ou seja. percebemos que essa é uma das características primordiais para que o humor seja compreendido. historicamente posicionada. como revelado em uma entrevista de Mouzar sobre Henfil na Rev ista Imprensa de junho de 2008. e editada pela Global. de certa forma.] a primeira coisa a se observar é que a Análise de Discurso não trabalha com a língua enquanto um sistema abstrato. O projeto consistia numa tradução diferenciada de algumas histor ietas da personagem Mafalda .. os conflitos da guerra fria. o quadrinhista. a constante luta pelo poder entre os Estados Unidos e a ex-URSS. mas com a língua no mundo. [. pois Quino queria muito que ele estivesse envolvido no projeto. o editor-revisor. e editada pela Martins Fontes. pois a Argentina passava por um momento de repressão política sob o comando de militares peronistas. uma vez que ele não poderia realizar o trabalho na época.178 O projeto ambivalente ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS norte-americana. decidiram que Mouzar. vemos a forma histórica de um sujeito inserido numa conjuntura política de tensão. e outra foi realizada por Mouzar Benedito. Ela seria traduzida para o “portunhol” e. Sob a luz da Análise do Discurso de linha francesa. em 1998. p. problemas incompreensíveis aos olhos de uma menina de seis anos de idade. Dessa forma. “funciona pelo inconsciente e pela ideologia”. a má educação. como sujeito discursivo. pretendemos observar algumas questões linguísticas. (ORLANDI.. retratam. um carro. uma televisão e direito às férias em família. Em princípio. estruturas frasais mais próximas da língua portuguesa indica uma tendência Como editor. em 1982. O fato de Mônica Stahel (doravante MS MS) manter. comportando-se. sociais e políticas que podem estar contidas em duas traduções diferentes realizadas no Brasil das mesmas tirinhas escritas originalmente em espanhol hispano-americano. como sujeito de tendência socialista. como mostram as tirinhas. Mafalda provém da classe média e percebemos. Uma dessas traduções foi realizada por Mônica Stahel. o tradutor. seria o tradutor ideal e Henfil revisaria tudo. a problemática familiar. conhecido como Quino. Assim. porém. por trás de seus debates. a influência . e Henfil. seja enquanto membros de uma determinada forma de sociedade. ainda assim. notamos que uma característica bem marcante da divergência entre as duas traduções das mesmas tirinhas de Mafalda é a relação de seus respectivos tradutores com suas próprias concepções de tradução. Ao analisarmos o discurso de Mafalda. politizado. e o mundo sofria com a Guerra Fria. são as imagens que constituem as diferentes posições na relação discursiva. Ela e sua família gozam de regalias. como uma criança. a idéia de Quino era que Henfil traduzisse as tirinhas. 1999. escritas entre as décadas de 1962 e 1973. Por outro lado.

as diferentes concepções de tradução nos levam à reflexão sobre o quão ideologicamente marcadas são as traduções de MS MS. fato que pode ser justificado pela sua participação militante tanto na época conflituosa. em segundo lugar. 1995) impostas pelas editoras que manipulam e difundem a idéia equivocada de que uma tradução deve ser “fiel à idéia do autor do texto original”. aos seus objetivos. é condicionada por fatores ideológicos e contextuais. o estudo das relações entre o signo. “¡Como!” e “Bueno” (tirinha 2) – privilegiando uma linguagem mais truncada e. Ao compararmos as duas traduções das tirinhas. abrangendo. década de 80. p. 1995). o discurso e a ideologia presentes nas traduções de Mouzar Benedito e de Mônica Stahel. por seguir as exigências de domesticação (VENUTI. assim como a leitura. 1999. dessa forma. uma leitura fluente e transparente. em relação ao original.” (ORLANDI. privilegiando. por exemplo. não há discurso sem sujeito e não há sujeito sem ideologia: o indivíduo é interpelado em sujeito pela ideologia e é assim que a língua faz sentido. 1999. Mouzar Benedito (doravante MB MB) mantém as estruturas das traduções das tirinhas mais próximas da língua espanhola – ele mantém os pontos de interrogação e de exclamação. inclusive. o que possibilitaria a compreensão de tais tirinhas em uma maior comunidade interpretativa (FISH.20) . Primeiramente. Sendo assim. inclusive entre as crianças. trabalhando a relação línguadiscurso-ideologia discutida em Orlandi (1999). p. a relação entre a língua. as interjeições e muitas palavras grafadas como em espanhol como.” (ORLANDI. ao contrário da de Mônica Stahel. assim. “como diz Pêcheux (1975). 1992). De acordo com Arrojo (1986). de acordo com a concepção de Venuti (1995). afinal. a ideologia e a construção de discurso mostra que a tradução. por exemplo. à sua concepção de tradução e. “¡AAAAAAI!” (tirinha 1). a que comunidade interpretativa. de forma prática. a presença de itens lexicais marcados ideologicamente pelos conflitos vivenciados na América Latina entre o período das ditaduras. “¿E daí?”.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 179 à invisibilidade do tradutor . às suas interpretações proporcionadas pela sua leitura. muitas vezes. 1992) distintas das abrangidas por MS e permanecendo como um tradutor mais visível (VENUTI. período de Diretas Já e de sindicalismo. Entretanto. significam em nós e para nós. a concepção pós-moderna de tradução. comunidades interpretativas (FISH. período de intensa participação popular após os anos de silêncio. em último lugar. expõe que há três questões sobre as quais o tradutor Tirinha 1 deve refletir e ser fiel a elas. percebemos na tradução de Mouzar Benedito. quanto na época de sua tradução. restrita aos leitores que não têm conhecimento da língua espanhola e. para ilustrar o fato de que até mesmo as palavras mais “simples do nosso cotidiano já chegam até nós carregadas de sentidos que não sabemos como se constituíram e que. retratada nas tirinhas.17) A teoria na prática Analisemos agora. a quem ele pretende dirigir determinada tradução. no entanto. às crianças leitoras. à qual vinculamos MB MB. consumidores alvo das histórias em quadrinhos no Brasil. Diferentemente.

a garotinha fantasia com a possibilidade de o mundo ter sofrido a dor. num impulso. a expressão da dor.p h. inserida no contexto de seu ambiente familiar. estão inhas 2 presentes nas Tir irinhas 2. em sua relação transparente com a literalidade do significante). etc. de uma preposição. nos determos nas palavras “re c lamand lamando itad percebemos que a opção tradutória de MB relacionase ao discurso de um sujeito afetado. é determinado pelas posições ideológicas que estão em jogo no processo sócio-histórico no qual as palavras. expressões e preposições são produzidas (isto é.cr h. vemos que a tradução de MB do primeiro quadrinho mantém uma semelhança maior em relação à forma e ao léxico da língua espanhola. reproduzidas). mas. ouve uma y!” e sai em busca do sofredor da ação interjeição “¡A “¡Ay!” que desencadeou.. dadas as condições de produção na qual se inserem. (PECHÊUX... 1988. .pe nsei que er mu n do q ue esta va r eclamand o ” e a de M B qu av re do “A h..a c he iq ue e ra o m und oq ue t inha g r ita d o” e h. ao contrário..180 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Mafalda. de uma expressão.. simplesmente... No último quadrinho. ao iq ue e ra o e nse compararmos a opção de MS “A h. p. pela ideologia socialista da época.160) Outras formas discursivas relevantes para exemplificarmos a relação do sujeito com a historicidade e com o interdiscurso.. na tirinha 1. não existe “em si mesmo” (isto é.creí que lq ue se había q ue j a d o” . por mudança. ao mesmo tempo que desliga seu rádio. ouve as notícias sobre o mundo e. mas grita como se clamasse por socorro. Sendo assim.. o sentido de uma palavra.ac hei que er mund undo que tinha gr itad o” e “g r ita d o” . que não se queixa ou reclama da situação política e social do mundo. Ao se deparar com o globo terrestre na sala de sua casa. porém... em seguida. inconscientemente.. encontra eí q ue seu pai com um martelo na mão e diz: “A h... er a e lm und oe el mund undo el que que uej (Tradução de Mônica Stahel) (Tradução de Mouzar Benedito) Ao observarmos as traduções.

. assim mesmo.. por exemplo. destacamos a expressividade r te-ame r icanos ” e “co me rciam ” das das palavras “no nor e-amer icanos” mer ciam” traduções de MB MB. M B traduz os mesmos r t e-ame r icanos e os r ussos quadrinhos como “os no nor e-amer russos também estão b r avos e mesmo assim c o me rciam br co mer e nt re e les ” e “a h umanida d e não está far ta ne m da ntr eles les” humanida umanidad farta nem S usanita ne md ev o cê” nem de vo cê”. Não há espaço para uma mer negociação. respectivamente nos segundo e quarto quadrinhos.. Enquanto MS traduz “os ame amer r ussos também estão d e mal no e ntant o ne g o ciam de entant ntanto neg e nt re si” e “a h umanida d e não está c he ia ne m da ntr humanida umanidad che heia nem Susanita ne md ev o cê” nem de vo cê”. M S mantém uma linguagem mais clara e de fácil compreensão para seu o cê não esta va d e público alvo. para um acordo. elas r t e-ame r icanos especificam que são os no nor e-amer icanos. o discurso e a ideologia. com um enfoque especial para o Brasil e a Argentina..ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 181 (Tradução de Mônica Stahel) (Tradução de Mouzar Benedito) Na segunda tirinha. eles somente o fazem para cumprir o protocolo. mediante um olhar discursivo sobre a língua..¿V o cê não esta da língua espanhola. as crianças “Ué. co me rciam com os russos. contudo. “¡C “¡Co mo!.¿Vo estav b r avo c om e la?” co ela?” la?”. Essas formações discursivas dão maior ênfase ao conflito da Guerra Fria em si. desde o fim do século XIX até o fim do século XX. de como duas . v vo estav de mal c om e la?” ela?” la?”. outra estrutura nos chama r icanos e os a atenção. que estão em confronto e. e MB aproxima-se mais das estruturas co va o mo!.. e não os países subdesenvolvidos da América do Sul. Considerações finais Após um breve esboço da história das Histórias em Quadrinhos. pudemos propor um ensaio de análise.

M. (2010). M. BRAGA. W (Orgs). p. 10 anos com Mafalda. Palavra.189-206. R. (1995). jul./dez. (1988). (2006). RODRIGUES. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução de Monica Stahel.br/edicao11outubro2010/ universo-femin-hq. Tradução de Eni Pulcinelli Orlandi.uol. (2011) A história contextualização constitui intrinsecamente a interpretação. (19): 25-42. (1999).3. Oficina de Tradução: a teoria na prática. Is there a text in this class? Tradução de Rafael Eugênio Hoyos-Andrade. pois no ato da interpretação nos posicionamos ideologicamente. ORLANDI. na verdade. Rio de Janeiro: Ediouro. Disponível em < http:// www. (1990). Tradução de Eni Pulcinelli Orlandi. Tradução de Celene M. .). SANTOS. AUTHIER-REVUZ. A invisibilidade do tradutor. Campinas: Pontes. (2011). evolução e mercado. podem apresentar divergências quanto às concepções de tradução. QUINO. F. (1998). Tradução de Carolina Alfaro.asp?idEdicao=11&idMateriaRevista=123>. VERGUEIRO. R. Mafalda 2. PATATI.144-185. São Paulo: Martins Fontes. p. Campinas: Pontes.historiaimagem. FISH. (1986). PECHÊUX. (1990). 3ª ed. (2006). n. p. Deste estudo é depreendemos inevitável e que a PADIAL. Buenos Aires: Ediciones de la Flor. p. em quadrinhos no Brasil: Análise. QUINO. Heterogeneidade(s) enunciativa(s). somos. S.. São Paulo: Ática. v. SANTOS. Campinas: Pontes. Discurso e Textualidade. Henfil não morreu. In: Cadernos de estudos lingüísticos . A língua não é transparente – não deveríamos tratá-la de forma ingênua –. (Org. K. E. (1982).pdf >. Almanaque dos quadrinhos: 100 anos de uma mídia popular. Rio de Janeiro. São Paulo: Editora Global. J.. (2002). Lawrence. Análise de discurso: princípios e procedimentos.com. 1990) às estruturas e governados pelas ações regidas ideologicamente e constituídas dadas as relações que estabelecemos com a língua e com a história em nossas experiências de mundo. à relação do tradutor com o léxico e à significação das palavras em sua relação com o mundo.br/revista/ edicao_mes.111-134. (1992). Referências bibliográficas ARROJO. somos meros sujeitos assujeitados (AUTHIEZ-REVUZ. Acesso em: 14 de março. Tradução de Mouzar Benedito. Disponível em <http:// portalimprensa. M. do cartunista argentino Quino. PORTAL IMPRENSA. somos determinados por nossa relação com a língua e com a história e essa relação se faz no inconsciente. PECHÊUX.36. Campinas: Editora da UNICAMP. contudo. A. 10 años con Mafalda.com. C. Alfa (São Paulo). VENUTI. seja na escolha das palavras que utilizamos. S. Campinas (SP). E.182 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS traduções diferentes das mesmas tirinhas da personagem Mafalda. seja na exposição de nossas próprias idéias. levados a pensar que mandamos em nossos pensamentos e temos controle de nossas formas de expressão. O discurso: estrutura e acontecimento. O Universo Feminino nas Histórias em Quadrinhos. QUINO. Cruz e João Wanderley Geraldi. P. Acesso em: 15 de março de 2011. 43-68. São Paulo: Laços.

Actualmente. objeto de resignificaciones a lo largo del tiempo. hace con que pertenezcan a un espacio privilegiado. provoca un efecto de rareza que. Esos discursos oficiales. Presentaremos algunas aproximaciones iniciales de nuestra investigación de doctorado que pretende contribuir para discutir la noción de hispanidad de aquella época y construir un archivo. que lo domina y que lo indica en su alteridad. trataban de un ámbito no de objetos materiales sino de dependencias simbólicas y de parentesco. vigente en el calendario oficial español y en muchos países hispanoamericanos. una vez que el régimen de enunciabilidad ha cambiado: El análisis del archivo comporta. pronunciado por el entonces . conmemorativo del 12 de octubre. una región privilegiada: al mismo tiempo próxima a nosotros. “entre la tradición y el olvido”. se trata de la orla del tiempo que cerca nuestro presente. (p. de estas prácticas discursivas de la memoria pública del 12 de octubre1. Los discursos conmemorativos del “Día de la Raza”. Su lectura. pues. “Día de la Hispanidad”. en los posicionamientos políticos de las Academias de Lengua y Letras de América y en la política externa de aquella época. según Foucault ([1969]1995). es aquello que fuera de nosotros. nos delimita. 150-151) (Traducción de la autora) Escogimos para esta ocasión presentar algunos esbozos analíticos del discurso de 12 de octubre de 1947. vigoraron con fuerza entre fines del siglo XIX y la primera mitad del siglo XX y responden a circunstancias históricas y políticas muy particulares.UFF El objetivo de esta comunicación es presentar una serie de reflexiones en torno al día festivo.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 183 DISCURSOS OFICIALES DEL 12 DE OCTUBRE: UN DÍA CONMEMORATIVO PECULIAR Beatriz Adriana Komavli de Sánchez –UERJ PG . siempre fragmentado. pero diferente de nuestra actualidad. parcial. la práctica de construcción de un archivo con estos pronunciamientos se nos presenta como instigante y desafiadora. pronunciados por presidentes o altos mandatarios de gobierno. La descripción del archivo desarrolla sus posibilidades (y el control de sus posibilidades) a partir de los discursos que comienzan a dejar de ser los nuestros. Ese vínculo exaltado con la ‘madre patria’ fue tan relevante que se plasmó en otros dominios asociados: en la educación. su descripción hoy.

creando. etc. una especie de fraternidad horizontal que atraviesa a todos los integrantes que. El abordaje teórico La visión dialógica de Bajtín y el Análisis del Discurso de línea francesa que considera los estudios enunciativos nos ayudarán a destacar algunas marcas lingüísticas de la red de filiaciones identitarias que se tejían entre la madre patria y las excolonias materializadas en los discursos oficiales del 12 de octubre. caracterizado por Daher (2000. en su arqueología. El género pronunciamiento es así En esta primera aproximación destacamos el proceso designativo que conforma. conforman ese concepto moderno aglutinante que se materializa en prácticas. Estos direccionamientos pueden ser recuperados por medio de diferentes marcas lingüísticas. p. en la medida en que tratan del mismo dominio de objetos. p. no reactualice otros enunciados” ([1969]1995. p. 86): En el género pronunciamiento político. Esos vínculos conforman un juego enunciativo que es preciso examinar. Anderson (2011. general Juan Domingo Perón2. parafraseándolo. Ese proceso comprende estrategias de sustitución. diseña. Anderson afirma que en América. 32) así define el concepto de nación. aunque pueda dirigirse a muchos otros destinatarios que no sean los directamente anunciados. Ese proceso al mismo tiempo funciona describiendo. Para la autora. Otra particularidad de ese discurso político presidencial es la de que el enunciador tiene garantizado por el poder del cargo empírico que ocupa el derecho al pronunciamiento – ya que su papel social así lo autoriza y legitima. y aún más: “no hay enunciado que. guiado por una visión antropológica: “una comunidad política imag inada – e imaginada como siendo intrínsecamente limitada y. de la tensión que subyace entre la paráfrasis (lo mismo) y la polisemia (lo diferente). 113). soberana”. de lo ‘decible faltoso’. La certeza de un auditorio en el cual se incluyen no solo los destinatarios explícitamente designados por él en su discurso. 83-108) se refiere a dicho mecanismo en términos de reescritura. sostiene que los límites del enunciado son los otros enunciados con los cuales se puede establecer un espacio de correlaciones. de sinonimia. de una forma o de otra. la estabilización del referente. valiéndose de otros recursos. de paráfrasis. sino una multiplicidad de “oyentes” es otra marca importante de esos discursos. objetos del discurso. por un lado. Del conflicto. en ninguna de las florecientes naciones la lengua constituyó un problema en aquel inicio (finales del siglo XVIII y comienzos del XIX) ya que los pueblos y líderes criollos tenían la misma lengua que los Foucault. un abanico de relaciones posibles futuras. el enunciador acostumbra a anunciar de forma explícita a quien se dirige. 2001. la ilusión de una equivalencia entre las palabras y. surge el sentido como efecto. al mismo tiempo. 37) en términos de ‘interdicto’ de un discurso. (Traducción de la autora) Contextualización del discurso En su clásica obra de referencia para los estudiosos de las ciencias sociales. calificando.184 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS presidente de la República Argentina. por el otro. Orlandi (apud KARIM. Esa relación no solo es posible de ser establecida con otros enunciados pasados como también condiciona. sin conocerse. la reescritura es un mecanismo constitutivo del lenguaje que nos posibilita nominar algo o alguien de modos diferentes. Aquellos enunciados renegados son reformulados por . inaugura. p. p. Maingueneau (2008. Se imagina y no se inventa.

luego la pérdida en 1895 de Cuba y de Puerto Rico en 1898. de la Hispanidad.Fue justamente el hecho de compartir con la metrópolis la misma lengua (y también la religión y la cultura) que había posibilitado las primeras creaciones de imágenes nacionales (p.. la descolonización de África. aliada a la ideología de esa hispanidad se mostró muy efectiva para consolidar la fecha conmemorativa: “Se trata así de poner de manifiesto la pureza moral de la nacionalidad española: la categoría superior. p. Las guerras revolucionarias. Para entender lo que ocurrió en ese período de tiempo es menester considerar que hasta mediados del siglo XX predominó una manera única. en este caso los descendientes remanecientes de diversas comunidades indígenas. Si es imperial. cuyo propósito era recuperar un prestigio perdido. s/d). El castellano. después de un cierto período de resentimiento. y a veces políticos y económicos. la madre patria recorre a su pasado exaltándolo.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 185 excolonizadores. 2003. en la segunda mitad de ese siglo.. el intento fracasado en el norte de África y los regionalismos internos aceleraron la necesidad de reatar lazos con las excolonias americanas. el creciente expansionismo de los Estados Unidos en América.. así califica a esta conmemoración “fiesta imposible de la nación española”. Para tal. hecha por la Unión Ibero-Americana en 1912. 1999 e ABÓS. (. de nuestro espíritu imperial. si es imposible para España. la fecha fue redesignada como Día del Respeto a la Diversidad Cultural3. entre las exmetrópolis y las nuevas naciones (p. ese proceso fue motivado por: la disgregación de la Unión Soviética. de adoptar la fecha del 12 de octubre como Día de la Raza fue acogida rápidamente por muchos gobiernos. fuera posible reatar íntimos lazos culturales. fue impuesto a los indígenas americanos en los dominios de la corona española. aun así eran tranquilizadoras. lengua vernácula. 268). por más duras que hayan sido. entre otras. que es la Cristiandad” (VALLS. p. La coincidencia de la fecha con el día festivo religioso de la Virgen del Pilar. ¿cómo calificarla para las naciones de lengua española. 16-17) apunta que. En el caso específico de Argentina que nos interesa. de entender la unidad cultural de cada nación que da lugar. (Traducción de la autora) universalista. Tateishi (2005. Grupos enteros que habían permanecido en el olvido. fiesta imperial.) defensora y misionera de la verdadera civilización. siguiendo a Tateishi (2005). 262). . Heymann (2007. Cristina Kirchner. A propósito de las fiestas nacionales. el presidente Hipólito Irigoyen. Conflictos internos en España postergaron la definición de una fecha conmemorativa nacional hasta que las celebraciones por el IV Centenario del Descubrimiento de América en 1892. En ese sentido es coincidente con S. y la que celebra la nación moderna a partir de la ruptura con el pasado”. apud TATEISHI. Según el mencionado autor. ahora estimadas como ‘hijas’ bajo un nuevo prisma de política la externa. s/d) apunta dos tipos de celebraciones de la memoria pública: “la que insiste en la continuidad de la nación desde el pasado histórico.. monolítica. también. Una fiesta compartida puede cumplir esa función de afianzar. el 11/10/1917 publica un decreto declarando el 12 de octubre fiesta nacional dedicada a la raza. lazos culturales. Sin embargo la festividad solo gana estatuto legal el 9 de enero de 1958. el proceso de globalización y los movimientos migratorios. excolonias? En América la propuesta. la constitución de nuevos bloques económicos (UE y Mercosur). 2005. en la medida en que eran guerras entre parientes. la fiesta de 12 de octubre en España no se encajaría en ninguno de los dos tipos señalados en el párrafo anterior. Recientemente. Juliá (1990) que en su artículo Vieja nación. en escala mundial. p. al multiculturalismo. por el decreto 1584/2010 sobre feriados nacionales y días no laborables de la actual presidenta argentina. Ese vínculo familiar garantizaba que.

(14) Argentina es libertad. Persiles y Sigismunda. su vida. (15) Transformación del mundo y (16) Resurrección del Quijote . otros discursos pronunciados por Perón (8/6/44. el prototipo del caballero católico. Son ellas: la reina Isabel (Nueva Recopilación de las Leyes de Indias). su palpitación humana. su universalidad (6). Consideramos entonces que es ese nuevo régimen de enunciabilidad el que nos posibilitará la descripción del archivo en cuestión. A la introducción del extenso discurso de 13 páginas. no exhaustiva. Diario de Madrid (1788). el misterio y la magia de Cervantes (9). Weber. (5) Porvenir enraizado en el pasado. el genio máximo del idioma. Presentamos a seguir. su propio dolor físico y espiritual. Menéndez y Pelayo. la sencillez de su estilo. para conformar su entramado. (10) La revolución y las almas. La Galatea. magistral. España. una recolección. o indirectamente. estrecha. genio auténticamente español. con genial previsión (7). el glorioso manco de Lepanto. CERVANTES: el grande hombre. la hispanidad y la lengua. de hecho. A lo largo del pronunciamiento son hechos comentarios sobre la obra Don Quijote de La Mancha así como también hay réplicas a los detractores internos y a las potencias extranjeras enemigas (expansionismo de los Estados Unidos y el avance de la Unión Soviética en Eurasia). le siguen dieciséis tópicos cuyos subtítulos.y Argentina mantuvieron vínculos políticos muy estrechos. Crónica General de Alfonso el Aproximaciones al discurso del 12 de octubre de 1947 La sesión fue realizada en la Academia Argentina de Letras con el doble objetivo de rendir homenaje al cuarto centenario del nacimiento de Miguel de Cervantes. un deber moral de reconocer múltiples identidades. el inmortal complutense.… una riqueza tal de vocablos. un notable cervantista inglés (s/d). de las designaciones correspondientes a Cervantes. 10/7/44 y 24/11/44). (8) Cervantes. otras voces comparecen de manera más o menos explícita. (11) Grandeza de España. prototipo católico. la raza. (12) América y España: identidad pacifista.(10). la más alta expresión de las virtudes. código del honor y breviario del caballero. un versículo de Job. Discurso de las armas y de las letras de Cervantes. su vida triste. espejo y paradigma de su raza (1). el inmortal alcaíno. un escritor contemporáneo (s/d). Como en todo discurso. de raíz hispana. la universalidad de Cervantes. Argentina. (2) La raza: superación de nuestro destino. por los siglos de los siglos. a tal punto que en 1946 las dos naciones firmaron el Convenio Comercial y de Pagos por el cual Argentina fornecería cereales a España5. Ortega y Gasset. la perennidad del Quijote. merecedores de muchas críticas.186 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS lucharon por sus derechos y reivindicaron su lugar en la memoria ahora transformada en valor. un dicho. su obra. Se hace preciso aclarar que en aquella época. aquí numerados son: (1) Espíritu contra utilitarismo. decreto del presidente Irigoyen de 1917. su indómita inteligencia (8). aprovechando la proximidad supuesta del nacimiento del homenajeado (entre el 29/9 y 9/10/1547) y conmemorar el Día de la Raza. el título del discurso es Homenaje a Cervantes 4. Renán. su honda vivencia espiritual y su suprema gracia hispánica (5). (3) América: empresa de héroes. España – bajo el régimen del General Francisco Franco . Los números entre paréntesis indican los subtítulos en los que se encontraron tales designaciones. la inmortal figura de Cervantes. Cervantes –el prototipo del español. 6 Sabio. dolorosa. sus compañeros de esclavitud. pozo de sabiduría y. (13) Paz y justicia social. (7) Conciencia social de Cervantes. Madariaga. directa . (9) Inteligencia y milicia. su prosa …fina. (6) Entraña popular cervantina. (4) España rediviva en el criollo Quijote. el más grande de los escritores castellanos.

…el más puro y elevado. vínculos de idioma. su empresa. la armonía de su lengua (4). una empresa universal. Esta hispanidad se alinea al espiritualismo. Hoy. un patrimonio cultural acumulado durante siglos (16). su maternal regazo. la ascética grandeza ibérica y cristiana (5). el pensamiento inspirador de sus grandes estadistas (12). nuevo Prometeo. Una figura emblemática ha llamado nuestra atención. lo español. ‘la ventura de todo afán justiciero’ y ‘el sabor de “jugarse por entero”’. isla de paz (1). fecunda. un estilo de vida (2). de cultura. que bajo determinada coyuntura se proyecta para un presente y un futuro y así hacer frente a las grandes transformaciones sociales en el panorama mundial de aquella época. su gloriosa trayectoria histórica. quijotesca) (13). estas identidades. Se rescatan fragmentos del pasado de España. Una vez más nos deparamos con un ámbito semántico difícil de delimitar. eterna. la pasión patriótica. tan noble tronco (1). la madre España. la riqueza espiritual. la más prodigiosa acumulación de incitaciones ideales (9). valores y creencias. En varios momentos hay como una superposición entre los valores adjudicados a los diversos objetos de discurso. de sacrificios y de ejemplares renunciamientos. unidad de origen. nos referimos a la curiosa designación ‘quijotes de nuestras pampas’ (1) en la que se condensan la figura del Quijote y la del gaucho para predicar los rasgos en común valorizados: ‘el riesgo por el bien’. de religión. ARGENTINA: coheredera de la espiritualidad hispánica. la patria. los únicos valores eternos (10). acaso resignado. la más prodigiosa acumulación de incitaciones ideales. nuestro sello personal indefinible e inconfundible. su obra civilizadora. una suma de imponderables. sus más sublimes proporciones (la vertiente hispánica de la cultura occidental y latina) (4).ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 187 ESPAÑA: la Patria Madre. LA LENGUA: el idioma más hermoso de la tierra (2). la universalidad de lo español (9). el éxito de nuestra política exterior (idealista. el ascetismo y la espiritualidad. distintas a la madre en su forma y apariencia. empresa universal. iguales a ella en su esencia y naturaleza (3). magnífico aporte a la cultura occidental. Perón cierra el discurso haciendo una exhortación que no podíamos dejar de traer: Como miembros de la comunidad occidental no podemos sustraernos a un problema que. los valores espirituales. sus hijas (3). civilizadora. única en el mundo. de no resolverlo con acierto. ese orbe espiritual. la magnitud de su empresa. un afán pacifista. su más calificado blasón. marcados por el signo de una misión cristiana.… un desbordamiento de pasión. la verdadera unidad espiritual de los pueblos hispanos. una comunidad de ideas e ideales. ya los oponentes son considerados utilitaristas. esta filiación (4). su sangre. estoico. el sentido misional de la cultura hispánica. nuestro origen y nuestro destino. el signo de una auténtica misión (2). los pueblos de la hispanidad. por esta grandiosidad y por esta fuerza. puede derrumbar un patrimonio espiritual acumulado durante siglos. la mejor ejecutora de la raza. esta imposición del destino (5). el ideal hispánico-ascético. valor incorporado y absorbido por nuestra cultura. este sentido primario de la justicia (11). LA HISPANIDAD: el heroísmo y la nobleza. el sentimiento patriótico español (11). LA RAZA: algo puramente espiritual. más que nunca. nuestra . para (re)crear una historia. la levadura de su sangre. interpretada como destino. la flor de la caballería. debe resucitar don Quijote y abrirse el sepulcro del Cid Campeador. un rosario de heroísmos. unidad de cultura y unidad de destino. una herencia inmortal (4). de historia.

história. Benedict (2011): Comunidades imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. política e cultura. São Paulo : Librería Española e Hispanoamericana . La fiesta del 12 de octubre parece haber servido de pasquín para una determinada coyuntura histórica y política. 2-8. Luciana Quillet (2007): O devoir de mémoire na França contemporânea: entre memória.es/exterior/br/ es/publicaciones/XI_congreso. Mario Miguel (2005): Hispanidad e Hispanismo para profesores brasileños de Español. En consonancia con González (2005). se observan marcas lingüísticas de un movimiento político-cultural que surge a fines del siglo XIX bajo el signo del conservadorismo (GLOZMAN. que se aparta de la definición genérica dada por el diccionario7. En: GOMES. 2 da reimpressão. 4ta ed. (2001): Significação –Da História ao nome Israel e Palestina na Folha de S.com/diario/ 1990/07/19/internacional/648338411_850215.): Direitos e cidadania –memória.ne. DAHER. Taisir M. Dominique (2008): Gênese dos ANDERSON. PUC-SP. GONZÁLEZ. En: Oralità e Memoria.Casa del Lector. G. Cáceres. podríamos decir que desacraliza una visión de lengua monolítica que se ajustaba a esa formación ideológica. Tese de doutorado em Lingüística Aplicada ao ensino de línguas.pdf. legislação e direitos. Rio de Janeiro: Forense Universitária.html (consulta realizada el 08/04/2012). p. 19-7-1990. noción que puede ser confundida con la de hispanismo y con la que mantiene parentescos. a cura di Joan Armangué i Herrero. KARIM. 15-43. Trad. Paulo. Referencias bibliográficas MAINGUENEAU. Em: Sociedade e Discurso. discursos. Santos (1990): Vieja nación. SP: Parábola. En definitiva.htm (última consulta realizada el 25/06/2012). Denise Bottman. Michel ([1969]1995): A Arqueologia do Saber. Campinas. Actas del XI Congreso Brasileño de Profesores de Español. GLOZMAN. Disponible en: http://elpais.educacion. p. TATEISHI. 59-71). Maria C. En: XI Congreso Brasileño de Profesores de Español. . www. Consulta realizada el 26/01/2012. São Paulo: Pontes. Disponible en: http://www7a. fiesta imperial. F.jp/~hirotate/ hiro-es/art-hiro/hiro-4.188 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Consideraciones finales Estas primeras aproximaciones se mostraron muy productivas por revelar los valores adjudicados en aquella época a la noción de hispanidad. La Academia Argentina de Letras y el peronismo (1946-1956). HEYMANN. Angela de Castro (coord. pp. 2007. Salvador. (2000): Discursos presidenciais de 1o de maio: a trajetória de uma prática discursiva. p. a partir de la segunda mitad del siglo XX. JULIÁ. São Paulo: Companhia das Letras.biglobe. Tateishi (2005) especifica más aún y afirma que “(la hispanidad) era un concepto íntimamente ligado al nacional-catolicismo del régimen franquista”. 2008) y que rescata valores vigentes en la Castilla del siglo XV. . 129-144. Hirotaka (2005): Estado–nación y fiesta nacional. FOUCAULT. Jornal El País. En: anclajes XIII. Rio de Janeiro: FGV. El advenimiento del multiculturalismo. Cagliari: Arxiu de Tradicions . Mara (2008). MT: Unemat.

http://cvc. G. Además discursaron el señor presidente de la Academia Argentina de Letras. Carácter genérico de todos los pueblos de lengua y cultura hispánica. 5 6 http://www.: 1. académicos. miembros del Cuerpo Diplomático y Consular. ministros. representantes de instituciones culturales y universitarias. aclarando que faltan los subtítulos (1) y (8). Departamento Colecciones Especiales.tau. Consulta realizada el 28/1/2012.il/eial/I_1/rein.ac. Se encontraban también presentes el embajador de España.htm Consultado el 6/4/2012. Dada la extensión del discurso no lo presentamos en anexo.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 189 Notas 1 Título provisorio de la tesis: Discursos oficiales del 12 de octubre: ¿Raza. . 1947. Juan D.htm. 2 Biblioteca del Congreso de la Nación. etc. sin los contenidos de los subtítulos (6) al (15). enviados especiales. Daher –UFF. Discursos Gral. 3 4 www.boletinoficial.cervantes.ar Consultado el 26/01/12. don Carlos Ibarguren y el Académico de Número. don Arturo Marasso. También alertamos que en otros sitios investigados el pronunciamiento figura incompleto y sin aclaraciones. 2. Para su versión completa remitimos al lector al sitio del Centro Virtual Cervantes. carpeta No 11. Conjunto y comunidad de los pueblos hispánicos.gov.es/literatura/quijote_america/argentina/ ibarguren. 7 Diccionario de la Lengua Española (RAE). Hispanidad o Resistencia indígena? Orientadora: Dra Maria Del Carmen F. Perón. 22da ed.

no que se refere à seleção dos tempos e modos verbais que se seguiam a essas estruturas. que as construções utilizadas naquele orações são descritas. DEMONTE. em ambas as línguas. Isso fazia com que o produto das traduções desses sujeitos soasse. e nas orações subordinadas adverbiais finais. seria verificar como tais 1 Introdução A partir da observação de um corpus de traduções de receitas feitas por treze aprendizes brasileiros de espanhol como língua estrangeira (E/ LE). p. 1996). as informações normativodescritivas levantadas para o português e para o espanhol. 2004. 2003) e na Gramática descritiva do português (PERINI.Universidade de São Paulo estudo se desviavam do padrão de frequência normal de seleção de infinitivos ou subjuntivos dessas construções em português. 1998) e. com “para/ para”. constatamos uma grande proximidade entre o texto meta e o texto fonte. buscamos sistematizar. 315). par tindo de alguns casos que serão analisados em nossa pesquisa de mestrado e com base em gramáticas e trabalhos que abordam tais estruturas. de forma comparada. 2 As subordinadas adverbiais temporais: comparações entre “quando/cuando” e “até/hasta” . considerando a noção de “naturalidade” como aquelas “coisas que de fato são ditas numa dada área de uma dada língua ou variante linguística” (TAGNIN. com “quando/cuando” e “até/hasta”. O primeiro passo no sentido de comprovar essa intuição. pouco natural. para o espanhol. para o português. na Gramática de usos do português (NEVES. No presente estudo.190 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS SUBORDINADAS TEMPORAIS E FINAIS EM PORTUGUÊS E ESPANHOL: QUESTÕES DE CONTRASTE E EFEITOS PARA A TRADUÇÃO Bruna Macedo de Oliveira 1 PG . principal. 2000) e em Construcciones temporales (MARTÍNEZ GARCÍA. mas não somente. fundamentalmente nas chamadas orações subordinadas adverbiais temporais. intuitivamente. de uma perspectiva gramatical. TEIXEIRA. na Gramática descriptiva de la lengua española (BOSQUE.

p. segundo Perini (1998). aparecem com indicativo se designam eventos factuais (passados.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 191 A oração subordinada adverbial temporal compõe um período composto. a presença de formas verbais futuras. ou seja. segundo a qual não existiria um. na subordinada em língua espanhola.787). Diferentemente do que acontece em língua portuguesa. quando o referido na oração principal se orienta ao futuro. no que se refere ao infinitivo flexionado. Ilari et al (2008) explicam que se localiza entre as menos gramaticalizadas do português. só será possível na subordinada o uso do imperfeito do subjuntivo (2a) ou do presente (2b): (2a) Junto con la patata cortada echamos el pimentón y cuando estuviera sofrito echamos el agua. pois. fornecendo-nos informações sobre o momento em que começa e/ou termina o evento verbal. A preposição “até” estabelece relações de dois o r ais (4b). como em (5b)). p. como indica Martínez García (1996. de acordo com Perini. apresenta um sujeito e possui flexões de número e pessoa (3). em geral. (5a) Juan se quedó hasta las tres. O infinitivo flexionado. 2000). se o que se pretende é uma expressão de eventualidade. Quando segundo a concordância estabelecida em cada caso. Um fator importante. Esse conector admite verbos tanto no modo finito quanto na forma infinitiva. mas dois tipos de “hasta”: at i v o (que apontaria o limite final de um um d ur urat ati calização intervalo. espa espaciais presente a ideia de um limite. (5b) Juan no llegó hasta las tres. extraer la rama de vainilla. Contudo. . p. “a análise das construções temporais pode ser representada pela análise das orações iniciadas pela conjunção ‘quando’”. em que está ciais (4a)3 e t e mp mpo tipos. é que. é um caso especial existente apenas em língua portuguesa. de modo que. ao contrário do infinitivo impessoal existente nas línguas românticas. suas condições de concordância são distintas das dos demais tempos e as intuições dos sujeitos sobre quando utilizá-lo são muito menos seguras do que para os outros tempos verbais. um ponto final cujo início se pressupõe.38). (4b) Sove bem a massa até dar o ponto. (2b) Cuando enfríe. podendo ou não aparecer flexionados. constituído por uma oração principal (nuclear ou matriz) e uma temporal que tem o papel de situar ou delimitar cronologicamente o evento da oração principal (PÉREZ SALDANYA.3198-3199) explica que há uma segunda hipótese relativa a esse conector em língua espanhola. No caso da preposição “até”. como em (5a)) e outro de lo localização p o nt ual (que situaria o momento em que o evento ntual ocorre. (4a) É um caminho progressivo até chegar ao pódio olímpico. (1) Quand o ferver. de acordo com Neves (2003. presentes ou habituais) e com subjuntivo quando se referem a contextos posteriores e não factuais. García Fernández (2000. por ser ela uma das mais produtivas em língua portuguesa. o conector “ cuando ” não admite. desligue e deixe esfriar. A preposição “ hasta ” também se constitui como um nexo de tipo delimitativo. especialmente na correlação temporal do modo indicativo. (3) Junte a cebola e o alho e cozinhe até estarem macios. As orações introduzidas por “ cuando ” em língua espanhola se comportam de maneira análoga ao restante das orações temporais. “quando” será acompanhado de futuro do subjuntivo (1)2. Em língua portuguesa.

O segundo baseia-se na possibilidade de que dito elemento seja seguido por uma oração de infinitivo. a finalidade do pensamento contido na sentença matriz”. de uma forma geral. O primeiro diria respeito ao fato de que alguns gramáticos observaram que essa preposição não se comporta da mesma forma em contextos afirmativos e negativos. par para finalidade e avaliarmos a sua extrema importância na administração. aparecer flexionado (9). Castilho (2010) explica que.201). 2003. tal relação não está prevista. esse não seria o caso das orações finais. o infinitivo flexionado. como se nota em (7a e 7b). As orações formadas pela preposição “para” seguidas de verbo em infinitivo. Cabo. Em casos como (6b). como dispõe o referido autor (ibidem. por outro lado. segundo Bechara (1999. Segundo Neves (2003. essa possibilidade se limita a alguns casos nos quais há uma relação de consequência entre a oração subordinada e a principal (6a). Tal diferença. p. Na presença de “ hasta ” durativo. oração principal. não existiria a mesma restrição. p. (7a) No pararé hasta no haberlo conseguido. 3 As o r ações s ub o r dina das finais: o caso d e or sub ubo dinadas de “par a/p ar a” para/ ara (10) Convém. p. os animais foram a serem/ser colocados um a um em canoas par para levados até o cativeiro natural.3. “expressam a intenção.886-887). Essas orações são formadas por uma oração principal (nuclear ou matriz) e uma oração final que. par para subordinada tiver o mesmo referente de qualquer outro membro da oração principal. quando o sujeito da oração Da mesma forma que as temporais podem ser representadas por “quando”. o objetivo. para fazer a concordância com o respectivo sujeito (10). atualmente. p. (9) Na base em Maranguape. mas sim se houvesse dois. (7b) No me habló hasta no haber llegado al teatro. para concordar com seu sujeito. (11) Comprou oito hectares(obj. caso em que é mais comum o infinitivo aparecer flexionado. subdividir a própria a melhor apreendermos a sua contabilidade. direto) em Arraial do a servir de base à criação de gigas.192 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS García Fernández destaca que tal proposta não estaria livre de problemas. por suas . e ii) com sujeito distinto do da oração principal. caso em que o infinitivo pode ou não. as orações adverbiais constituem exemplos de orações construídas com indicativo e subjuntivo. (6a) Cantó la escena final de Salomé hasta perder totalmente su voz.889): Como havíamos assinalado ao tratar da temporal com “até”. as orações finais introduzidas pela preposição “para” seguida de “que” e um verbo no subjuntivo (modo finito) são aquelas que apresentam um sujeito distinto da oração principal (8). podem construir-se: i) com sujeito idêntico ao da (6b) *Cantó la escena final de Salomé hasta bajar al mercado. No entanto. ambos extraídos de Neves (2003: 886). em que ambas as sentenças são gramaticais. não encontra explicação natural se considerarmos a existência de um só “hasta”. a flexão para indicar o sujeito da final é desnecessária (NEVES. o que comprovaria a dupla natureza. embora haja dois pontos a seu favor. Entretanto. No caso de “hasta ” pontual. as finais encontram sua representante máxima na preposição “para”. (8) Leve(suj1) ao fogo par a que as batatas(suj2) fiquem para bem douradinhas.501). que só se constroem com subjuntivo ou com a preposição “para” seguida de infinitivo.

um evento virtual.74). Segundo Porto Dapena (1991. Neves (ibidem) explica que. (15) Juana canta p ar a alegrarse. p. . e subjuntivo quando os agentes não sejam os mesmos (16). se chegar a ser produzida.3625) expõe que as orações finais foram incluídas nas chamadas adverbiais circunstanciais em razão de que a finalidade expressa por elas enuncia uma circunstância. mas um objetivo. ocupa um lugar marginalizado na sintaxe de nossa língua. que p. Embora as possibilidades de manifestação do fenômeno dependam de traços semânticos e sintáticos do verbo principal. p. p. Galán Rodríguez (2000. (14) Par a dizer a verdade. será utilizado o infinitivo não flexionado e se a opção se der em favor do segundo. ara (16) Juana canta p ar a que nos alegremos. Para Cunha e Cintra (2001). Essa afirmação é corroborada por Galán Rodríguez (2000. aparecer em contextos sem agente. ara O uso do subjuntivo neste caso justifica-se pelo traço de intencionalidade que marca a oração subordinada final e porque esta não exprime nenhum fato. mas a um sujeito genérico ou indeterminado. como em (18). Nesses casos. p. apesar de não contarem com advérbio. e i i ) as que rc e modificam o próprio ato linguístico. seja porque o sujeito da oração subordinada coincide com um argumento da principal.3629). Galán Rodríguez (2000. em muitos casos. segundo Pérez Saldanya (2000.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 193 características bastante particulares. exemplos como (11) mostram que a escolha pela forma flexionada ou não do infinitivo é.209-210) acrescenta que há situações em que o infinitivo será utilizado mesmo quando os sujeitos das duas orações não forem os mesmos. como (17). que indicam o propósito ou a intenção pela qual um agente realiza o evento expresso na oração principal.3310). Para a língua espanhola. a rascar y cortar las (18) Este tipo de azada sirve p ar ara malas yerbas. e as que têm r basicame nt ec o nse cu t i vo . Existem. p. ao explicar que é desnecessário. a d v e r b iais d de e n unciação (14): ( 1 3 ) Esboçou um movimento p a r a seguíssemos em frente.3308). cuja realização. seja porque não diz respeito a nenhum sujeito concreto. como (19). de maneira que. de forma que o (17) Esta cuerda servirá p ar a mantener sujeto el ara paquete. será necessariamente posterior ao designado pela oração principal. como expõe Perini (1998). mais optativa do que obrigatória. se a opção se der em favor da primeira.3621) assinala que os traços semânticos que exprimem a finalidade têm um claro reflexo sintático. de acordo com Pérez Saldanya (2000. p. dois tipos de orações finais: as propriamente ditas. do ponto de vista do nível em que estão construídas. um v alo alor basicament nte co nsecu cut Com relação aos tempos e modos verbais que acompanham as finais. adver biais cir c u n s t a n c i a s (13). p. ou p u r a s s. que a correferência se dê entre os sujeitos. não sei o que se passa na ara cabeça do Rei. essa eleição depende da evidência dada à ação ou a seu agente. a oração subordinada geralmente aparece em infinitivo. as orações finais podem ser de dois tipos. em tais orações. nos quais se referem à ideia de objetivo como utilidade. distinguidos de acordo com seu comportamento sintático: i ) as que ligam o conteúdo proposicional da oração principal. o infinitivo flexionado. As orações finais podem ainda.209) nas orações finais. Porto Dapena (1991. ambos os exemplos extraídos de García (1996. utilizar-se-á obrigatoriamente infinitivo quando os sujeitos têm o mesmo referente (15).

aos casos que serão objeto de estudo em nossa pesquisa. (19) Le presté (suj. em que a ação da oração dependente só se cumprirá se a ação contida na principal também realizar-se. para realizar a mesma relação de sentido. p.194 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS agente que executa a ação pode manifestar-se em um complemento direto ou indireto. estaria previsto com “quanto”. diretamente. e i v) a oração de <para que + subjuntivo> denota a atitude do falante (GALÁN RODRÍGUEZ. Em língua portuguesa. Nas receitas. segundo tipologia trazida à luz por at i vo . além do sujeito do verbo (no caso de este ser também o agente). 1996. Quando o verbo da oração principal está no imperativo. em especial quando: i) o verbo principal é passivo. No caso das finais com “para/ para ”. aparecerá nas situações em que há dois agentes distintos. com subjuntivo (24). neste item. no gênero receita. Se os sujeitos não são correferenciais. (23) Los jefes lo enviaron a Madrid p ar a hacer unas ara gestiones. A partir da comparação efetuada. (21) Esto servirá p ar a que nos dejen en paz durante ara una temporada. como em (21) 4 . Nas situações em que o verbo apresentar um complemento direto referido a pessoas. (24) Haz los deberes p ar a que mañana no te riña el ara profesor. . tanto o infinitivo quanto a forma pessoal (ambos em 25) são possíveis. O modo subjuntivo. As estruturas com “até/hasta” encontradas em o r al e poderiam receitas exprimem uma relação t e mp mpo ser classificadas. já que é García Fernández. pudemos observar que no uso moderno da língua espanhola. como (20). há duas possibilidades para o emprego de verbos nas construções temporais iniciadas por “cuando”: o de imperfeito do subjuntivo e o presente do subjuntivo. ii) os sujeitos designam entidades inanimadas e não aparece na oração principal um agente explícito. para indicar eventos orientados ao futuro. o complemento direto é suscetível de ser correferencial com o sujeito do infinitivo (23) (GARCÍA. poderá ocorrer com agentes idênticos (22)5 . aquelas informações que dizem respeito. embora se entenda como uma ação que alguém realizará. a alternância entre infinitivo e um verbo na forma finita pode ser modificada. em alguns casos. se há correferência entre os sujeitos. o futuro do subjuntivo. 4 Orações subordinadas adverbiais temporais e finais estudadas: contrastes e efeitos para a tradução Tomaremos. enfatizamos principalmente as tipologias adotadas em cada uma das línguas. em que não se pode considerar a final como de tipo “pura” por não haver um sujeito pessoal (+humano) na oração principal. Não obstante. como de tipo d ur urat ati evidente nelas a ideia de consequência entre as duas orações. iii) o verbo principal está modalizado.75). p. principalmente. a situação geral também sofre ligeira alteração. de maneira geral. utiliza-se um verbo na forma pessoal. a mandarla hoy / p ar (25) Escribe la carta p ar a que ara ara la mandes hoy. Isso ocorre porque. 2000. = yo) mi coche p ar a ir (suj.3634). ‘“ ara yo) a la feria. ( 2 0 ) Llama a la enfermera p a r a levantarte ra (enfermera-tú). essas construções poderiam ser identificadas como de tipo (22) Los corresponsales fueron convocados a una a que informasen correctamente rueda de prensa p ar ara a sus agencias y periódicos.

ou que há dois sujeitos distintos e a correferência se dá entre o objeto direto da oração principal (as batatas) e o sujeito da final (as batatas). Numa breve observação de um corpus de receitas coletadas da internet e escritas originalmente nas duas línguas. para o uso de infinitivo e subjuntivo nas estruturas subordinadas com um caráter prospectivo. com agente humano. A circunstancial as divisão entre finais pur puras as. Não se constatou o mesmo comportamento nessas estruturas em língua espanhola: encontramos. (27). Embora seu uso esteja igualmente previsto quando haja . parece ser mais provável quando o sujeito da primeira oração se mantém na oração dependente. por exemplo. com predomínio de correferencialidade com o objeto direto. quando for possível a correferência com qualquer um dos termos. seja ele flexionado ou não (28b). correferencialidade com qualquer dos termos da principal. não resulta pouco incomum. o que pode corroborar a afirmação de Perini (1998) sobre a insegurança dos falantes com relação ao emprego dessa estrutura. Em língua espanhola. não parece ser possível utilizar infinitivo nas subordinadas finais em todos os casos indicados para a língua portuguesa. lo ara podemos pasar por el pasapurés. abordada por Pérez Saldanya. como em (28c). em língua portuguesa. sem agente ou com um sujeito e de v alo alor co nsecu cut não humano. em língua portuguesa. (28a) Vá virando os cubinhos conforme vão a q ue fiquem com um dourado por dourando par para igual. as subordinadas finais com “para” parecem funcionar de maneira análoga às temporais com “até”. será eletiva. em geral. apenas 18%. (28c) Prepárala en un gran molde cuadrado y córtala a tener unos deliciosos pasteles. em língua portuguesa. algumas mais e outras menos frequentes em seu uso. devido à possibilidade de não concordância (não flexão) com o sujeito.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 195 cir cunstancial (segundo classificação de Neves). 33% dos casos seguidos de infinitivo e com “hasta”. Isso pode evidenciar a natureza flutuante do infinitivo em português. só 2% do total de orações eram seguidas de infinitivo flexionado. em língua portuguesa. podemos supor que vo cê leva o sujeito de “levar” é o mesmo de “assar” (v ao forno para v o cê assar). com “para”. p ar ara 5 Considerações finais (27) El aceite sirve p ar a que no se peguen las láminas ara de lasaña. No gênero receita. verificamos que. lev para Em (28b). Esses dados podem indicar que. podemos dizer que parece haver. (26). apesar de o infinitivo ser possível nas duas línguas em caso de correferencialidade com outros (28b) Embrulhe as batatas em papel alumínio e le v e ao forno par a assar(em) por cerca de 1 hora. um leque um pouco mais abrangente que o verificado em língua espanhola. Com base no cotejo gramatical aqui realizado. já que ambas podem ser construídas tanto com presente de subjuntivo (28a). Embora esta pareça ser uma hipótese estranha. quanto com infinitivo. três possíveis escolhas na tradução para língua portuguesa. rc onse cu t i vo . (26) Par a conseguir una textura más delicada. Esta última hipótese. Parece existir. em que fica clara a característica semântica de agentividade e prospectividade. são seguidas de infinitivo. pode configurar-se como um importante parâmetro de análise na classificação das orações finais das receitas de nosso corpus. en porciones. Observamos ainda que a grande maioria das construções finais com “para” (89% do total) e das temporais com “até” (80% do total). especialmente nos casos de “até/hasta” e “para/para”.

(2010): Nova Gramática do Português Brasileiro. GARCÍA.. L. (2000): Los complementos adverbiales temporales. 3129-3207. (2001): Nova gramática do português contemporâneo. DEMONTE. Resta-nos. Referências bibliográficas . T. p. 760-763. Em: BOSQUE. Campinas: Editora da UNICAMP. M. Vol. Gramática Descriptiva de la Lengua Española. como se dá nesse gênero e na tradução a questão da correferencialidade nas duas línguas. 3621-3642. et al. São Paulo: Editora UNESP. Rio de Janeiro: Lucerna. apesar de semelhantes em determinados casos. 37.. dos quais apresentamos aqui apenas uns poucos dados quantitativos. CUNHA. (2000): La Subordinación Causal y Final.196 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS termos da oração principal. a distribuição desses usos não ocorra numa mesma medida. Madrid: Arco/Libros. p.. no que se refere ao emprego de infinitivos. I. e se haverá diferenças significativas no uso dessa forma nominal nas estruturas com “até/hasta” e “para/para”. GARCÍA FERNÁNDEZ. 2. NEVES. (dir. H. e ampl. (orgs. como ocorria no texto fonte. NEVES. houve predominância de estruturas com subjuntivo. MARTÍNEZ GARCÍA. ed. p. L. C. Em: BOSQUE. II. já que. Os dados das traduções dos aprendizes referidos na introdução parecem ir na contramão dos números iniciais obtidos nos corpora de receitas escritas em português. V.. (2008): A preposição. agora. por fim. 3253-3318. p. p.. 338-381. mais detidamente. ILARI R. DEMONTE. (1999): Moderna gramática portuguesa. Em: BOSQUE. Madrid: Espasa. Vol. I. (1996): Las expresiones causales y finales. I.) Gramática Descriptiva de la Lengua Española. Em: ILARI.) Gramática do português culto falado no Brasil. V. Madrid: Arco/Libros. comparar o que neles encontrarmos com as descrições gramaticais efetuadas e. Vol. (2000): El modo en las subordinadas relativas y adverbiales. 787-801. PÉREZ SALDANYA. La subordinación temporal. Madrid: Espasa. C. realizar um tratamento mais acurado desses corpora de receitas. H. (1996): Construcciones temporales. tanto nas temporais com “até” como nas finais com “para”. M. V. M. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. GALÁN RODRÍGUEZ. 884-893. nem sempre parecem coincidir nas duas línguas e no gênero tratado e. H. São Paulo: Contexto. V. S. Assim. 3. realizar um cotejo de ambas as análises com o produto das traduções que serão feitas por outros estudantes brasileiros de E/LE. poderemos observar como (e se) nossos sujeitos farão uso de todas essas possibilidades que. E. DEMONTE. M. rev. Madrid: Espasa. L. 2. CINTRA. R. BECHARA. CASTILHO. Gramática Descriptiva de la Lengua Española. (2003): Gramática de usos do português. Classes de palavras e processo de construção. F. p. nos textos finais por eles traduzidos. A. M.

A.br/campusonline/esportes/item/2329-brasilienses-rumo-aop%C3%B3dio-ol%C3%ADmpico 4 5 Exemplo extraído de Pérez Saldanya (2000. 199-206.fac. 3 Exemplo extraído de http://www. M. PORTO DAPENA. 313-358.310). p. 292-297. S. 10. p.. TEIXEIRA. (2004): Linguística de Corpus e Tradução Técnica – Relato da montagem de um corpus multivarietal de culinária.209). Os exemplos a seguir. sempre que não especificada outra fonte. E. TAGNIN. p. E. O.125-179. Exemplo extraído de Porto Dapena (1991.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 197 PERINI. Madrid: Arco/Libros. FFLCH/USP. Em: TradTerm. São Paulo: Ática. (1998): Gramática descritiva do português.unb. A. São Paulo. foram extraídos de receitas culinárias obtidas em sites (brasileiros e espanhóis) da Internet.3. v. p. Notas 1 2 Bolsista Fapesp. (1991): Del indicativo al subjuntivo: valores y usos de los modos del verbo. J. .

Para isso é importante levar em conta que o termo identidade apresenta uma definição complexa. a identidade está intimamente relacionada a sistemas simbólicos e sempre assumimos uma posição. Baseando-se no discurso de Hall (2000). A identidade “brasileiro”. tampouco são fixas. não pode-se deixar de focalizar a importância que as relações de poder têm para no seu processo de formação. 2011. todo processo que gera significados está envolvido com relações de poder. Para Woorward (2000). 2000). para citar alguns. etnográficos. por sua vez. 80) Ao conceituar identidade. segundo Silva (2011): A identidade “ser brasileiro” não pode. no ensino de . onde há sempre a dicotomia entre o incluído e o excluído. A autora afirma isso ao dizer: “É por meio dos significados produzidos pelas representações que damos sentido à nossa experiência e àquilo que somos. em diferentes épocas do ensino de Espanhol.” (Woorward. o sujeito. p. estabelecendo significados e nos posicionando na sociedade. como deixa bem claro Silva (2000).198 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS O TEMA TRANSVERSAL DA PLURALIDADE CULTURAL E SUA RECONFIGURAÇÃO NOS LDS DE LÍNGUA ESPANHOLA. prioritariamente. em que o “ser brasileiro” não tem nenhum referente natural ou fixo.UFF De uma forma geral. Isso quer dizer que “ser brasileiro” entende-se não se enquadrar em outras identidades que apoiamse em nacionalidades. não é um absoluto que exista anteriormente à linguagem e fora dela. geográficos. pressupõe um referente antagônico a ela. Entendendo-se que a identidade está intimamente relacionada à diferença. naturais ou predeterminadas. Isso quer dizer que a identidade está presente e qualquer tipo de relação (principalmente nas de poder). Além disso. mesmo sem darnos conta. Bruna Maria Silva Silvério PG . ser compreendida fora de um processo de produção simbólica e discursiva. é importante ressaltar que a identidade nacional pode pautar-se sob diversos princípios: sociais. […]. pois uma já pressupõe outra. mas que há anos vem sedo estudado por diversas áreas do conhecimento. Ainda. Essas questões devem ser inevitavelmente abordadas no ensino. por exemplo. a pesquisa propõe-se a analisar como é abordada a identidade nacional brasileira nos livros didáticos. Ela só tem sentido em relação com uma cadeia de significação formada por outras identidades nacionais que. políticos. (Silva. ao reconhecer a sua identidade. reconhecerá também o outro.

Depois de dez anos da criação do Programa. o ser brasileiro não é consituído por como nos vemos. social e nacional. Ou seja. além de . também. No Guia de Livros Didáticos – PNLD 2011. no sentido de que se assume a posição de existência de “culturas”. pode-se afirmar que o ensino de língua estrangeira deve vincular-se à noção de cultura. “é possível afirmar que as representações que fazemos do estrangeiro e as representações que o estrangeiro faz de nós atravessam.” (Coracini. pois. respeitando as diferenças sem estabelecer uma organização hierárquica entre elas. em suas próprias palavras. “fica definido para o componente curricular de Língua Estrangeira o atendimento a partir do PNLD 2011. com livros de inglês ou espanhol. a universalização da distribuição dos livros de Espanhol e Inglês significa um avanço na qualidade do ensino público brasileiro. 2004) e Saludos (MARTIN. p. 1990). 2010). que reflete um reconhecimento do papel que esse componente curricular tem na formação dos estudantes. a interrelação ativa de várias culturas que vivem em um mesmo espaço geográfico. portanto. ano em que foi inserido o componente curricular Língua Estrangeira Moderna.201) O presente trabalho propõe analisar três coleções de livros didáticos destinados ao Ensino Fundamental. o momento não é só de ingresso das disciplinas de língua estrangeira no Programa do FNDE para a escolha dos livros didádicos para o ensino público básico. Arriba (CALLEGARI e RINALDI. de um momento importante na história do ensino de LEM nas escolas públicas brasileiras. os estrangeiros acham que somos. de modo constitutivo.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 199 língua. a autora defende que o sujeito é formado pelas concepções e impressões do outro. Saludos (MARTIN. 2010). de Língua Estrangeira Moderna. já que esta também está subordinadas às relações de poder. no que dispõe sobre a execução do PNLD. mas também representa uma esperança de que o Espanhol seja mais difundido entre as escolas. ao assumir uma visão da psicanálise lacaniana. Com base nessas questões da identidade brasileiro. apenas no edital de 2011. Ou seja. Como afirma Paraquett. Com relação ao corpus do trabalho. No caso específico de Espanhol. encontra-se a seguinte consideração: Trata-se. a coleção foi reformulada para participar da seleção do Programa Nacional do Livro Didático –PNLD 2011 e será essa a edição analisada. uma ampliação do número de escolas que oferecem essa língua. e sim pelo que os outros. Em suma. o sentimento de identidade subjetiva. segunda ela. foi um dos livros aprovados pelo PNLD de 2011. Dessa forma. Língua Estrangeira (inglês e espanhol) passa a integrar a lista de disciplinas contempladas pelo PNLD. 2003. pode-se dizer que o LD tem grande importância na aprendizagem da língua estrangeira. através da Resolução nº 3 de 11 de janeiro de 2008. Embora tenha sido lançada anteriormente. para os anos finais do ensino fundamental” (Diário Oficial da União. em uma sociedade essencialmente pluricultural1 é importante que haja uma uma educação também focada na interculturalidade. esse momento pode significar. em seu ar tigo “A celebração do outro na constituição da identidade” (2003). que é. 14 de janeiro de 2008). 2010) Isto é. considerando que sua inclusão no ensino público é um fato recente. A coleção mais atual. uma vez que esta é parte constitutiva da cultura de um povo ou nação. (MEC/SEB. referentes a diferentes épocas de ensino de Língua Espanhola: Vamos a hablar (JIMÉNEZ e CÁCERES. Segundo Coracini. Já que há pouco tempo que foi estabelecida a obrigatoriedade de oferta desta disciplina para o ensino fundamental e médio.

é importante ressaltar que a identidade nacional pode pautar-se sob diversos princípios: sociais.” (Woorward. para citar alguns. essa construção identitária também tem uma base social. geográficos. Essas questões devem ser inevitavelmente abordadas no ensino. Baseando-se no discurso de Hall. compreende-se que os LDs têm a função de formar um cidadão crítico. 1990 apud Woodward. não é um absoluto que exista anteriormente à linguagem e fora dela. . de que tais conceitos são inerentes a qualquer pessoa e a qualquer relação. como afirma ainda a autora. Dessa forma. como deixa bem claro o autor. baseando-se em Woorward (2011). por exemplo. […]. ser compreendida fora de um processo de produção simbólica e discursiva. Ela só tem sentido em relação com uma cadeia de significação formada por outras identidades nacionais que. estamos submetidos a sistemas simbólicos e assumimos uma posição na sociedade mesmo sem dar-nos conta. prioritariamente. nessa visão. advêm de relações de poder e das vastas possibilidades de relações nos permeiam: […] a identidade marca o encontro de nosso passado com as relações sociais. uma representação simbolica: “É por meio dos significados produzidos pelas representações que damos sentido à nossa experiência e àquilo que somos. naturais ou predeterminadas. 2011) Além de depender do símbolo. 2011. Isso se dá a partir da visão socio-interacional da língua e da aprendizagem. o aluno. 19) De acordo com a visão de Silva (2011). segundo Silva (2011): A identidade “ser brasileiro” não pode. a partir da aprendizagem de língua estrangeira. onde há sempre a dicotomia entre o incluído e o excluído. A identidade “brasileiro”. todo processo que gera significados está envolvido com relações de poder. entende-se que ele deve também ter a preocupação de inserir o aluno na sociedade em que vive como cidadão crítico e que seja capaz de reconhecer-se como participante da diversidade cultural de sua nação. Isso significa que a construção de uma determinada identidade depende de um símbolo. Além disso. uma não se consolida sem a outra. como propõe os PCNs (BRASIL/SEF. 1998). (RUTHERFORD. p.200 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS apresentar um suporte a conteúdos abordados em sala de aula. Sistemas simbólicos porque a identidade é marcada por meio de símbolos. Além disso. não pode-se deixar de focalizar a importância que as relações de poder têm para no seu processo de formação. tampouco são fixas. Isso quer dizer que “ser brasileiro” entende-se não se enquadrar em outras identidades que apoiam-se em nacionalidades. no ensino de língua. até porque está intimamente ligada a práticas de significaões que Ao conceituar identidade. que se posicione e que saiba aceitar e respeitar o outro. Levando isso em conta. p. Isso se deve ao fato. culturais e econômicas nas quais vivemos agora […] a identidade é a interseção de nossas vidas cotidianas comas relações econômicas e políticas de subordinação e dominação. identidade e diferença estão intimamente imbricadas em uma relação interdependente. políticos. 80) A relevância das questões identitárias no ensino de língua Cultura e identidade são assuntos que vêm sendo discutidos há muito tempo e abrangem os estudos de diversas áreas. em que o “ser brasileiro” não tem nenhum referente natural ou fixo. por sua vez. já que esta também está subordinadas às relações de poder. deve posicionar-se de forma autônoma como uma função de sua cidadania plena. etnográficos. pode ser considerado um dos principais formadores de opinião do aluno acerca dos aspectos sociais e culturais da língua. cuja manifestação mais evidente na aula de língua estrangeira seja a cultura diferente da sua. 2011. isto é. Ainda. (Silva. pressupõe um referente antagônico a ela. Enquanto sujeitos.

A normalidade. a depender de um sistema de classifições onde diversos fatores estão envolvidos. através de elos sociais.24) Silva. 91 e 92) Segundo Coracini. 2000. Woodward (2000). Também. a resposta a tal pergunta tem dependência também na ideia do que fazemos do que é ser brasileiro. como aquilo que existe e que devemos apenas entender e respeitar.83) Essa relação de desigualdade identitária também precisa tomar um lugar no ensino de língua: “A pedagogia e o currículo deveriam ser capazes de oferecer oportunidades para que as crianças e os/as jovens desenvolvessem capacidades de crítica e questionamento dos sistemas e das formas dominantes de representação da identidade e da diferença. principalmente quando se trata de um país plural como o Brasil. (Silva. a atividade pedagógica se dá entre sujeitos. em seu livro Identidade e Diferença (2011). o falante toma outra posição subjetiva. faz com que ela se torne invisível. normalmente o mais superior. o aluno deve ser capaz não só de entender essa diversidade como um produto. Isso significa que um será sempre mais privilegiado que outro. assumindo uma visão dicotômica da identidade e diferença – onde sempre existe um “eu” ou “nós” e “o outro” ou “os outros” – os dois lados nunca terão o mesmo peso. em seu ar tigo “A celebração do outro na constituição da identidade” (2003). criticar e questioná-lo: Uma política pedagógica e curricular da identidade e da diferença tem a obrigação de ir além das benevolentes declarações de boa vontade para com a diferença. p. sempre é considerado o “normal”. 2000. além de ser dependente do passado histórico e das relações sociais de poder. já que não é possível ter contato com todas as pessoas que fazem parte da nossa identidade nacional. que põe em jogo as contradições da constituição histórica dos sujeitos. o estranho: “A força homogeneizadora da identidade normal é diretamente proporcional à sua invisibilidade.(Neves. por exemplo – pode-se afirmar que identidade. interessado na inserção do aluno como cidadão participante dos processos de constituição e significação da identidade e da diferença. p.” (Silva. bem como o material e o livro didático utilizados. “devemos ter uma ideia partilhada sobre aquilo que a constitui. Essa posição diz respeito a uma intersubjetividade inconsciente. 2006) desenvolvimento da pesquisa pode basear-se na pergunta o que é ser brasileiro?. afirma que a identidade e.” (Silva. essencialmente. consequentemente. como afirma. o ser brasileiro não é consituído por como Dessa forma. relacionada a uma identidade.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 201 Uma questão importante para o comprometer-se com a proposta de formação de um sujeito crítico. destacando-se o “anormal”. que embora também intermediada pelos métodos e pelos materiais adotados. Aqui fica bem claro que o estabelecimento de uma identidade depende da diferença. deve . entende-se que um currículo pedagógico. pois são a partir delas que as pessoas assumem determinadas posições. Apesar de ser uma pergunta difícil de ser respondida. questionador dos sistemas de representação de identidades existentes em seu entorno e. Entende-se que mais do que aprender o código e suas funções na outra língua. Mas sim. Assim. Ela tem que colocar no seu centro uma teroria que permita não simplesmente reconhecer e celebrar a diferença e identidade. 100) A identidade de um povo e a sua cultura formam-se através de diferenças. um dos lados. Ou seja. até pensando na diversidade do nosso país – o “ser brasileiro’ pode mudar de acordo com cada região do país. p. Ainda. do país em que vive. por não terem o mesmo papel perante a sociedade. p. já que o encontro com o outro (incluindo o espaço social da escola) é inevitável. também tem grande base no que acreditamos ser. portanto. No espaço heterogêneo em que vive. Entendo.” (Silva. 2000. compreender o processo em que se dá o estabelecimento das identidades. mas questionála. 2000. a diferença devem integrar o currículo pedagógico.

São Paulo: Moderna.” (Coracini. Marília Vasques e RINALDI.br/organon/article/view/30024 COLECTIVO AMANI (1994): Educación Intercultural: Análisis y resolución de conflictos. p.com/ revista/impresa/8estudios/texto_cgimenez.202 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS nos vemos. para que exista uma identidade nacional.M. SP: Mercado das Letras. Stuart (2009): Da diáspora: identidades e mediações culturais. novas formas de organização do pensamento e novas imagens do outro. Sempre que se aprende uma nova língua há um processo de formação da identidade.doc HALL. São Paulo: Martins Fontes. por exemplo. JIMÉNEZ. social e nacional. Impresso). de nossos antepassados ou daqueles que parecem não deixar rastros. v. A. memória e identidade. e CÁCERES. P.. ao assumir uma visão da psicanálise lacaniana.cesdonbosco. Simone (2004): ¡Arriba!. essa heterogeidade se complexifica. (1990): Vamos a hablar: curso de lengua española. (2007): A celebração do outro: arquivo. é que sustenta a nossa identidade: “o que somos e o que pensamos ver está carregado do dizer alheio. _____ (2003): “A celebração do outro na constituição da identidade”. Ed. M.] 1ª edição atualizada – Belo Horizonte: Editora UFMG. Carlos (2003): Pluralismo. CALLEGARI. e nos tornamos singulares diante do estrangeiro. p. 35. Revista Organon. em suas próprias palavras. V. sem saber como nem porquê. Disponível em: www.ufrgs.P. Dessa forma. D.A. a autora defende que o sujeito é formado pelas concepções e impressões do outro.M (2009): Pluralidade Cultural nos Parâmetros Curriculares Nacionais: uma diversidade de vozes. pois uma língua sempre traz com ela outras identidades. E segundo Coracini (2007) essas novas vozes se entremeiam no incosciente do sujeito aprendiz. 17. 12. de modo constitutivo. Campinas. é preciso que o outro dê a sua existência. F. BRASIL/SEF (1998): Parâmetros curriculares nacionais : terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira. . In: Políticas de integração curricular. o sentimento de identidade subjetiva. 201) É através desse dizer alheio que constroi-se o imaginário de pertencimento de uma nação. abrindo novas formas de ver o mundo. e sim pelo que os outros. GIMÉNEZ ROMERO. M.C (2008): O livro didático na política de currículo para o ensino médio.” (Coracini. São Paulo: Editora Ática. As característica que são atribuídas a nós brasileiros. CORACINI. 2003. Disponível em: http://seer. Catarata. “é possível afirmar que as representações que fazemos do estrangeiro e as representações que o estrangeiro faz de nós atravessam. p. VARGENS. Tradução Adelaine La Guardia Resende [et al. O sujeito por si só é heterogêneo e. multiculturalismo e interculturalidad. 2003. R. UERJ. (1992): Estética da criação verbal. Ou seja. 373-392. n. FREITAS. os estrangeiros acham que somos. M. n. LOPES. In: Linguagem & Ensino (UCPel.201) Ainda. ao entrar em contato com uma língua estrangeira. L. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. Organização Liv Sovik. In: Educación y futuro: revista de investigación aplicada y experiencias educativas.8. LARAIA. Brasília: MEC/SEF. dizer que nos precede ou que precede nossa consciência e que herdamos. J. Roque de Barros (2009): Cultura: um conceito antropológico. Referências bibliográficas BAKHTIN. RJ: Ed.

) e COSTA. Brasília: Ministério da Educação. In: BARROS. . R (2010): Saludos – curso de lengua española. (org. multiculturalismo e currículo intercultural.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 203 PARAQUET T. São Paulo: Editora Ática. P. ressaltando as diferenças. M.).(Biblioteca freiriana. Kathryn MARTIN.9). interculturalismo e ensino/aprendizagem de espanhol para brasileiros. Nota 1 a autora entende esse conceito como a co-presença de várias culturas. In: Currículo intertranscultural: novos itinerários para a educação / SP: Cortez: Intituto Paulo Freire . Tomaz Tadeu da (org. v. G. Stuart Hall. C. Marcia (2010): Multiculturalismo. Woordward (2000): Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. E. (org. SILVA. Secretaria de Educação Básica. I. PADILHA.). Petrópolis. S. RJ: Vozes. R (2004): Cultura.

ad infinitum. sem. e assim. empresta a figura dos palimpsestos (antes usada por Philippe Lejeune).Unicamp Uma característica essencial da Literatura é a transcendência textual. que conheceria um tomo com a súmula perfeita de todos os outros. Definida por Gerard Genette (1997) como transtextualidade. imitações. essa questão abrange muito mais do que a noção comum de intertextualidade. eliminar inteiramente o que havia sido escrito antes. de Jorge Luis Borges. alusões. surge a lenda del Hombre de Libro. Genette. Nele. é tido como infinito. mas todas as maneiras pelas quais um texto pode ultrapassar suas “barreiras”. dividido em partes geometricamente semelhantes. comentários. transformações. nos links textuais estabelecidos entre um texto e outro(s). apesar dos limitados caracteres de uma língua). que passam a almejar a justificativa de suas próprias existências através do entendimento da Biblioteca. enfim. Nesses tempos. de um livro B os resquícios de um A. eram reutilizados. da coletânea Ficciones. uma empreitada ilimitada (assumindo a dimensão da própria Biblioteca). após terem suas inscrições apagadas. Diante de tal grandiosidade (sem um livro sequer igual ao outro. Exemplos disso são os títulos. No sentido figurado. esses “rastros”. é descrita uma biblioteca que é comparada ao Universo.204 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS O POLICIALESCO NA FIGURA DE AMALFITANO Bruna Tella Guerra PG . Tal local. é abordada no conto “La Biblioteca de Babel” . transpassam e oferecem sentidos aos textos. Não existe sequer um texto que não seja transtextual. intertítulos. pergaminhos utilizados antes da invenção do papel e que. sua compreensão tornase um desafio aos seres humanos. é a transtextualidade. . até a possível obtenção do objetivo. estabelecer relações de sentido. inclusive. epígrafes. e. para isso. o objeto da poética estaria justamente nessa transcendência. Essa característica. essa sobreposição de textos. contudo. entre outros elementos que tangenciam. Mais que isso. seus limites. A procura por tal bibliotecário anônimo e pelo resumo de todo o acervo geram uma ânsia de busca retrospectiva: em um livro C poderiam ser encontradas pistas de um livro B.

Roberto Bolaño nos dá pistas sobre um aspecto ao qual podemos considerar ao lermos seus textos. Entretanto. pistas. teríamos um tipo de transtextualidade a qual poderíamos chamar de “externa”. Os textos de Roberto Bolaño não apresentam enredos que se enquadram na literatura policial tradicional. os poemas “Los detectives”. retoma a vida de um dos principais heterônimos de Fernando Pessoa. têm estruturas distintas e não contêm casos policiais aos moldes Sherlock Holmes. Outros casos de transcendência textual interna são o deserto de Sonora. Apesar desses textos trazerem a mesma figura no nome. Os links dentro de seus próprios textos são intensos. Bolaño afirmou que sua poesia e sua prosa pertencem a um mesmo projeto estético. que é o detetivesco. Tomemos como modelo o personagem Quincas Borba. “Los detectives perdidos”.) e estruturas comuns (crime – investigações – desvendamento do crime). ambos locais que aparecem constantemente nos textos de Bolaño. é um retorno moderno da Odisseia . que após aparecer roubando o relógio de Brás Cubas em Memórias Póstumas. hiperbólicos: há recorrência de personagens. Um exemplo é o personagem Arturo Belano. A busca por um autor “desaparecido” também ocorre por mais de uma vez: em Los detectives salvajes e 2666. uma representante rigorosa da transtextualidade interna é a obra de Roberto Bolaño. por exemplo. Há ainda outros exemplos pertencentes a coletâneas de textos e somente sob forma de intertítulos: o conto “Detectives” de Llamadas telefónicas. de James Joyce. assumindo que esta. desaparecimentos. um dos protagonistas de Los detectives salvajes e também do conto “Fotos”. No que reside. estabelecida por Edgar Allan Poe e Arthur Conan Doyle. Mais . que Ulysses. sentidos e links dentro da obra de um mesmo autor.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 205 Uma das tantas possíveis interpretações do conto que a procura pelo livro súmula traz à tona é a questão da transtextualidade. O premiado e famigerado Los detectives salvajes é um dos exemplos. o detetivesco em Bolaño? Uma das soluções possíveis para essa questão reside no fato de que o gênero policial. ainda. ganha um folhetim no qual é o protagonista. É quase uma obviedade. Ignácio Echevarría. que ganhou o apreço bolañeano” nos leva a inferir que essa característica faz parte do próprio projeto estético do autor. tornando claro que encontrar “rastros” e sentidos de um texto em outro é inerente à Literatura. de Machado de Assis. Nesses casos. afirma em Nota Editorial que seria Belano o narrador de 2666. A construção desse linkado “mundo coerente e plausível torna-se essa ideia quando tomamos nota de que em entrevista a Dunia Gras Miravet para a revista Cuadernos Hispanoamericanos. Não são poucos seus títulos e intertítulos que contemplam a figura do detetive. sejam eles poemas. aquela que apresenta referências. etc. bem como a cidade de Santa Teresa. investigações. há também a transtextualidade “interna”. contos ou narrativas longas. apresenta elementos constantes (assassinatos. Nos finais do século XX e início do XXI. Uma intenção interpretativa: as pistas de Bolaño Aliado ao projeto estético transtextual. raciocínio lógico. podemos nos atentar a outro ponto importante da literatura bolañeana: geralmente sob forma de paratextos. “Los detectives helados” de Los perros románticos. apresentando a imagem do detetive como intitulação do texto geral da narrativa e como intertítulo da segunda parte do livro. fronteira de México e Estados Unidos. da coletânea Putas asesinas. de José Saramago. ou que O Ano da Morte de Ricardo Reis. espaços e ações. então. porque estabelece sentidos com obras de outros autores.

por exemplo. sua estrutura. O que nos leva a fazer relações da literatura de Bolaño com o aspecto detetivesco não é. as histórias não se fecham. como assassinatos. sem necessariamente um estar ligado ao outro. nem mesmo . por exemplo. o Amalfitano e detetivesco: relações Um dos personagens sobre o qual podemos pensar a respeito dessas questões é Amalfitano. então. apontando para o próprio projeto estético transtextual. é um professor universitário. O outro livro chama-se Los sinsabores del verdadero policía. O fato de ser professor universitário é a primeira característica desse personagem que poderia assemelhar-se ao detetivesco. Em El Túnel (1948). buscas e mistérios. podem haver outras tentativas de identificação do aspecto detetivesco. que em certo momento sofre demissão da Universidad de Barcelona e muda-se para o México. passou. praticamente descartada. não conhecemos por completo nada que nos é apresentado. chileno. na maioria das vezes. Nesse caso. inclusive. sendo que três delas abordam ações. nomes e ações. que permeia mais de um texto de Roberto Bolaño. diante de tantas informações. ainda que participe com maior ou menor frequência nas outras. ocorre também em Bolaño na tentativa de encontrar significações e relações. sendo ele. apesar de o enredo também não mostrar nenhuma narrativa policial tradicional. sentimentos e características de Amalfitano. Esse tipo de leitura é perfeitamente possível para a obra bolañeana no geral. de Ernesto Sabato. informações que obtemos em Los sinsabores del verdadero policía são. as pistas são inconclusas. diferentes daquelas de 2666 . então. sendo que Amalfitano tem uma só para si: “La parte de Amalfitano”. muitas pistas “escapam por entre nossos dedos”. Os textos de Bolaño são mais difusos ainda: apresentam elementos típicos desse tipo de narrativa. Ele aparece em dois livros póstumos: um deles é 2666. Bolaño constrói um mundo ficcional. O movimento feito em La Biblioteca de Babel para buscar um sentido da vida ou da existência da Biblioteca. e. também com uma divisão de cinco partes. Devido a isso. Além de entendermos o leitor como detetive. No caso de Amalfitano. Este último apresenta o mesmo caso de intitulação que remete ao policialesco. que teria dito que el verdadero policía é o leitor tentando ordenar incansavelmente a trama. mas os títulos temáticos que trazem a questão policialesca. em meados do século XX a assumir um caráter diferente. onde começa a trabalhar na Universidad de Santa Teresa. e seus leitores procuram encontrar sentidos e relações em vão. A precisão lógica de Auguste Dupin é. o narrador da história. conhecemos o assassino já no primeiro parágrafo. dividido em cinco partes supostamente que o torna o próprio detetive. em séries televisivas e filmes). A pesquisa acadêmica independentes. acabando por adquirir um sentido enigmático: quem é o policial? Quais seus dissabores? A contracapa da edição da Editora Anagrama traz uma citação de Roberto Bolaño (sem referência). Amalfitano.206 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS do público (mostrando-se até hoje na literatura. Isso nos mostra uma completa inversão da conhecida ordenação dos fatos e do foco narrativo da literatura policial. apesar de estar longe de ser um Holmes. eles acabam assumindo um sentido figurado que encadeam alguns questionamentos: 1) Quem são os detetives dos textos bolañeanos? 2) Por que são referidos dessa maneira? 3) Qual o sentido decorrente dessa escolha? algum personagem literalmente detetive ou da polícia. a transtextualidade se dá pela percepção de um leitor que utiliza o paradigma indiciário para encontrar possíveis relações e estabelecer sentidos.

porém. um escritor “desaparecido” que não é encontrado por eles. de Rafael Dieste e. enfim. uma vez que todos parecem ser “retalhos de uma mesma colcha”. distanciando-se do tipo de investigação feita pelos tradicionais detetives. Para Amalfitano. acaba por ficar intrigado. A imagem detetivesca do professor universitário é recorrente em Bolaño. quatro coisas sobre a vida. nas ideias de Duchamp. tal qual a pesquisa em Literatura. faz inferências e estabelece conclusões a respeito de seus objetos de estudo. que nunca oferece soluções definitivas. então. sobre questões da existência. em que quatro professores universitários viajam em busca de Archimboldi. que são citados diversas vezes em “La parte de Amalfitano”. no México. por certos episódios de mistério impossíveis de serem resolvidos em sua objetividade. Esse aspecto nos permite alastrar interpretações de um texto para outros. ocorrendo também em “ La parte de los críticos” (também do 2666 ). a resolução de um problema descarta qualquer raciocínio lógico. O professor depara-se com um chamado Testamento geometrico. Conclusão É possível percebermos que a estética transtextual de Roberto Bolaño acaba por criar um “mundo bolañeano”. uma voz que Amalfitano escuta e com a qual conversa. Nesse momento. não lembrando-se de ter comprado tal livro. Nesse mesmo sentido de indefinição. mas nada é concluído. região marginal do globo (como toda a América Latina). Por fim. Um deles acontece quando Amalfitano está desencaixotando os livros que havia selecionado durante a mudança de Barcelona para Santa Teresa. uma vez que parece apresentar conflitos com a questão sexual (Amalfitano assume-se homossexual depois de adulto) ou uma vivência mística que ironizaria o realismo mágico. nem mesmo de ter estado na cidade da livraria na qual ele havia sido comercializado. local no qual. Baseado. é resvalado à margem através da figura de Amalfitano: mandado para o México. de 2666.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 207 segue pistas. Não se sabe se tal voz é a consciência de Amalfitano. Juntos. inconclusas. que ganharão uma das parte de 2666: “La parte de los crímenes” e serão abordados também em Los sinsabores del verdadero policía. Essa última interpretação estaria em consonância com a apatia de Bolaño por alguns autores que compuseramo boom da Literatura hispano-americana na década de 1960. para uma cidade fronteiriça entre México e Estados Unidos. ocorrendo das mais variadas formas. um elemento que representaria o ponto de partida de uma narrativa policial tradicional ocorre como “pano de fundo” das ações de Amalfitano: os assassinatos de mulheres de Santa Teresa. no qual há uma “dança” entre textos. . através de uma visão eurocêntrica da exoticidade da América Latina. Amalfitano passa. esses casos não parecem ter significativa importância em sua vida. que seriam um oásis de horror em meio ao tédio de Amalfitano (caso quisermos oferecer uma interpretação à epígrafe baudelaireana de 2666). renderia um relato policial de primeira magnitude. O intelectual latino-americano. para que ele sofresse as intempéries e aprendesse. segundo um personagem de “La parte de Fate”. acabam refletindo sobre a vida. As buscas são frustradas e as pistas. Outro episódio é o de “la voz”. porém. Amalfitano decide pendurar o livro de geometria no varal do quintal. onde questões inexplicáveis estariam passíveis de ocorrer. muito menos de tê-lo colocado nas caixas de mudança.

(C. Trad. . (2009): Ficciones. A estética de Bolaño permite.. Barcelona: Editorial Anagrama. imágenes sin asidero.” (p. Esta. MIRAVET. Reflexão esta que parece ser uma metonímia de sua própria obra. R.) que todo lo que había visto en el extrarradio de Santa Teresa y em la misma ciudad. presente objetivamente em títulos de livros. parecem ser descritas. utilizamos como exemplo a questão detetivesca. (D. GENETTE. contos ou poemas.208 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Aqui. então. a busca incansável por pistas e a possibilidade de relacionar elementos que aparecem com frequência. enfim. (2011): Los sinsabores del verdadero policía. BORGES. servindo também de respaldo para a interpretação do recidivante personagem Amalfitano. G. Referências bibliográficas BOLAÑO. 265). fragmentos. L.) Lincoln: University of Nebraska Press. fragmentos. Barcelona: Editorial Anagrama. A incompletude dessas investigações e a infinita busca proporcionada pelo caráter de La Biblioteca de Babel. R. imágenes que contenían en sí toda la orfandad del mundo. por uma reflexão de Amalfitano sobre Santa Teresa. J. Madrid: Alianza Editorial. G. BOLAÑO. (1997): Palimpsests: literature in second degree. (2011): 2666. Entrevistador) Cuadernos Hispanoamericanos.. BOLAÑO. N. Doubinsky. (oct de 2000): Entrevista con Roberto Bolaño. que pensa “(. R.

en par ticular el periódico El Tiempo. Metodológicamente. El análisis de estos dos mecanismos permite rastrear formas conscientes e inconscientes de legitimar intereses ideológicos en el discurso. –without privileging any of these choices as more ´literal´ than others. Para ello se parte de los postulados de Theo Van Leeuwen los cuales se remiten a los diferentes sistemas de designación discursiva que hacen alusión a los actores sociales como medio de representación. . razón por la cual este trabajo pretende analizar cómo la prensa escrita. by reference to their person or their utterance. para el autor.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 209 ¿BACRIM O PARAMILITARISMO? ANÁLISIS DE LA CONCEPCIÓN DE PARAMILITARISMO EN COLOMBIA EN EL PERÍODO 2002-2006 A TRAVÉS DE LA PRENSA ESCRITA Camilo Ramírez Rodríguez Corporación Universitaria Minuto de Dios Adriana Yamile Suárez Reina Universidad Libre El abordaje que desde la prensa se hace a los paramilitares como actores sociales que influyen en la sociedad colombiana -pues detentan un poder y tienen un objetivo claro de acción. Así. en primer lugar. se remite a modos explícitos de enunciar a los actores. porque se hace necesario reconocer las connotaciones de dicho consenso bajo el supuesto de que los medios responden a los intereses propios de determinadas estructuras de poder. y en segundo lugar. la exclusión. en el segundo. aluden a la consolidación del “deber ser” del concepto de paramilitarismo en el escenario de la prensa escrita. 33). representa el concepto de paramilitarismo en Colombia durante los años 2002 al 2006. que para el caso de este trabajo. De esta manera. La motivación de este análisis parte. en palabras del autor: How can ´Sayers´ be represented –impersonally or personally. individually or collectivety. Para el primer mecanismo. se elige el periódico El Tiempo por su alto índice de lecturabilidad en Colombia y porque además está en sintonía directa con las políticas gubernamentales de turno. and without thereby also privileging the context or contexts in which one or the other tends to occur as more normative than others (VAN LEEUWEEN.no responde necesariamente a una perspectiva objetiva. etc. p. la construcción de los actores se hace principalmente a través de los mecanismos de inclusión y exclusión. del interés por estudiar la capacidad de los medios masivos para erigirse como instancias sociales fundamentales en los procesos de construcción del consenso. dicha representación se configura a partir de la omisión total o parcial de los sujetos. se selecciona un corpus en relación con los siguientes criterios: 1. 1996.

2. básicamente. Lo que se busca a través de estas categorías textuales es analizar el porqué de dicha ausencia o presencia. por una parte. […] los paras se han vuelto un factor de inseguridad. autónomo del Estado pero sin confrontarlo. es decir. el diario caracteriza a los paramilitares como poseedores de un proyecto político que se basa en contrarrestar el avance y la acción de las guerrillas. 3. En primera instancia. Así. ya que la exclusión es un indicador de que algo debe ser controlado. De allí. De este modo. algunos editoriales sugerían que el reto para el de la “ilegalidad” de su accionar pero se concibe como “un mal necesario” en relación con la guerrilla: Losparasi son la máxima expresión de la debilidad territorial del Estado: sectores de la sociedad civil han tenido que recurrir a apoyar la sedición. tras los primeros acercamientos entre el gobierno y los paramilitares. se avecinaban unas elecciones presidenciales que se alimentaron de la idea de ahondar en la confrontación militar como única vía para resolver dicho conflicto. Bajo esta situación. por su parte. el corpus resultante fue de cinco (5) editoriales de cada uno de los años que abarcan el periodo estudiado. por otro. La necesidad de realizar una intervención militar. así como en la debilidad del Estado colombiano para Construcción.210 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Referenciar al paramilitarismo en tanto actor del conflicto armado colombiano. y la inclusión. este problema se da en términos 2002 – 2003: El fracaso de un “proyecto político” En los primeros meses del año 2002 se generó un clima de tensión pues. porque estaba comprometida con acabar el problema de los grupos al margen de la ley. reduciendo el análisis a su aparición o a su ausencia. gracias a la categoría de activación. presidente entrante era establecer un diálogo y buscar una posible desmovilización de dichos grupos. se recrudecieron los ataques armados y. a apelar a la justicia privada y hasta a confabularse con el narcotráfico para defender su vida y sus intereses ante el acoso de la guerrilla. el diario . se recurre a la estrategia de atenuar las características negativas del actor. Pertenecer a la tipología textual de editorial puesto que representa la línea de pensamiento del diario. Cabe destacar que este trabajo no se basa sencillamente en abordar la exclusión o la inclusión de los actores. De acuerdo con lo anterior. el diario El Tiempo representa a los paramilitares como un actor con unas condiciones bastante particulares a través del mecanismo de inclusión. afrontar tales acciones. pues el Estado los dejó desamparados (II). Haber sido publicado entre los años 2002 al 2006. propició que la propuesta presidencial de Álvaro Uribe “Primero Colombia” tuviera éxito. situación concebida por Van Leeuwen como sobredeterminación por desviación. Ellos sencillamente se independizaron de sus progenitores y ahora esquilman a todo el mundo (I) No obstante. dicho proyecto se les sale de las manos tanto a sus líderes como al Estado. de alcance nacional. No obstante. el paramilitarismo se concibe entonces como un proyecto paralelo al Estado que comparte un objetivo en común: las guerrillas. difusión y ocultamiento del concepto de paramilitarismo A continuación se presentarán los resultados fruto del estudio del corpus mencionado anteriormente. incluso para quienes en un primer momento los promovieron con la ilusión de brindarse protección frente a la guerrilla. y se convierte en un problema: Sus más lúcidos dirigentes aspiraron a configurar un proyecto contrainsurgente civil. señala que es necesario adherirse a las ideas presentadas.

Por tanto. Adicionalmente. En este periodo. que fortalecerá la confianza ciudadana en el Gobierno y el prestigio del presidente Álvaro Uribe Vélez” (V). Pero sin olvidar tampoco que para muchos es mejor tener alguna seguridad que no tener ninguna. Esta situación conlleva ambigüedad pues se da una justificación o valoración benéfica de dicho grupo: “PDS. para dar un golpe sustantivo al narcotráfico… (VII). en conjunto con la minimización del actor y sus acciones realizada por el diario. se cuestionan las posibles solicitudes de extradición. dicha ley genera una fuerte polémica que divide la opinión pública ya que pasar del “dicho al hecho” no es tan fácil como inicialmente se creía. el proceso no pinta bien (VI). como diría Maturana. El éxito de dichos diálogos fortalece la credibilidad en el gobierno del presidente Uribe: “Sin duda. Como se puede apreciar. El diario hace uso de la estrategia de activación para poner en el ojo del huracán al gobierno y su aparente poca voluntad de diálogo. asimismo. entre otras. Su verdadero y único interés es aprovechar las expectativas de un desarme paramilitar y el poder intimidatorio de la extradición.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 211 cambia no sólo la nominación del actor. se mantiene la ambigüedad en relación con la caracterización del actor paramilitar. la situación del discurso combativo se utiliza como trampolín para la futura reelección ya que. pero muy pragmático. una posible intervención externa no enfrenta el fenómeno paramilitar sino que lo toca 2004: Desmovilización: un problema “Porque. lo encuadran como un ente con el cual se puede dialogar. En esa medida. presenta el diario. en cuatro años no es posible realizar un proceso de desmovilización y lo que menos se quiere es incurrir en los errores de los gobiernos pasados: “Muy probablemente la promesa oficial de desarticularlos completamente antes de terminar la actual administración no se pueda cumplir” (IV). la intervención de este país se restringe al provecho que pueda sacar de la situación. que así sería más dura que nunca…” (VII). por supuesto. el “fracaso” del proyecto político paramilitar y su posible desmovilización fue el éxito político del gobierno Uribe: la idea de reelección. es mucho más complejo y exigente. De otro lado. ya que a través de la categoría de la exclusión parcial se cataloga de “más dura” la tarea del gobierno frente a las guerrillas sin el “apoyo” que brindaban los grupos paramilitares: “pues la lucha contra las Farc. “simples pandilleros”. es mejor tener siete milparasi en armas que tener diez mil. sino las características de sus acciones. promotores de desarrollo social en los barrios”. disminuye la responsabilidad correspondiente a los paramilitares con la estrategia de beneficialización. la dejación de armas constituye un éxito político para el Gobierno en su política de Seguridad Democrática. desmonte total del paramilitarismo. Tras los primeros diálogos y algunas “desmovilizaciones” se plantea una Ley de Alternatividad a través de la cual se negociará el . el Gobierno podría estar frente a un nuevo traspié: el fracaso de las conversaciones con los grupos paramilitares con vistas a su desmovilización. “Boy scouts que han aprendido a hacer la guerra en los últimos meses” (III). sin importarle los crímenes cometidos por los paramilitares en Colombia. A pesar de la insistencia de algunos de estos grupos en realizar hechos demostrativos de su intención de desmovilizarse. Las primeras desmovilizaciones de miembros de los paramilitares. “Grupo antigurrillero”. las negociaciones son calificadas desde el diario como “empantanadas” y la responsabilidad de este impase recae únicamente en el gobierno: Luego del fracaso del Referendo. Sin embargo. situación expresa de los Estados Unidos: Lo de Estados Unidos.” (II) tangencialmente.

Aquí.el hecho de que la guerrilla posiblemente retome el poder. a través del uso de la exclusión parcial. como la referenciada en los editoriales de los años 2005 y 2006. sirvió para que finalizara este cruento episodio. La redención a la cual se hace alusión en las líneas anteriores se presenta en los editoriales a través del apoyo a la Ley 975 de 2005 o Ley de Justicia y Paz. En dicha falacia se apela a la minimización de la influencia de organismos internacionales que están interesados en que este proceso no quede en la impunidad. el proceso de desmovilización de los paramilitares no se consagra a una deidad católica de manera directa. y no a través de la justicia. Este documento es calificado en el diario como “lo mejor” que se podría lograr en esta coyuntura a pesar de lo que sus opositores afirman: “Y. Un ejemplo de ello es cuando se cuestiona el valor institucional de la Corte Penal Internacional como ente de justicia: La Corte Penal Internacional no es el irresistible y omnipotente ángel vengador que nos pintan. En épocas más recientes. En esa misma dirección. el recrudecimiento de los ataques por parte de la guerrilla. y entonces tendríamos un escenario catastrófico: un Estado precario atacado simultáneamente por dos ejércitos irregulares. en efecto. según cuentan los ciudadanos de la época. Lo que es más real es la posibilidad de la perpetuación y el agravamiento de la guerra en Colombia si no se desmovilizan pronto los paramilitares con un acuerdo nacional inspirado en el principio de la paz como valor supremo. Dicha consagración. y la poca efectividad del Estado frente a un conflicto en dos frentes: 2005 . el país del Sagrado Corazón: ¿una “justicia” confesional? Colombia fue consagrada en época de la guerra de los mil días al cuidado del Sagrado Corazón. aun cuando también más bajo que el que anhelan los paramilitares” (VIII). podrían actuar como una fuerza desestabilizadora y atacar violentamente instituciones y políticas del Gobierno. para llegar a un acuerdo de paz tal vez el nivel de perdón tendría que ser más alto que el que finalmente otorgará la Ley. esto en razón a que a la paz se llega a través de la redención.2006: Colombia. La paz también es un acto de soberanía (VIII). Una intervención externa sería no solo la piedra en el zapato para el proceso. (VIII) Otro de los argumentos que sustentan la “confesionalidad” de la justicia se basa en la falacia de la autonomía del Estado colombiano. aun cuando Pero mañana. incluso por encima de la justicia. sino que también traería como consecuencia –implícita. […] Los paramilitares están hoy más fuertes que nunca y sus posibilidades de perduración y expansión hacia el futuro son prácticamente ilimitadas. tal como reza el adagio popular: “el que peca y reza empata”. Esto podría coincidir con una reactivación del accionar armado de la guerrilla. en medio de un proceso electoral decisivo. en varios editoriales se reitera que es mejor aceptar dicha ley antes de una posible reacción violenta de los paramilitares. se insinúa en una sola editorial.212 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS De otro lado. Aquí se invocan nuevamente las voces de la cultura: “el . parece que se reviviera una parte de la historia. para presionar una negociación en condiciones más favorables. pero automáticamente subvierte esta apreciación a través de un cuestionamiento implícito en sus líneas: si se buscara una paz definitiva la disposición de “perdón” debe ser mayor ¿Qué estamos dispuestos a dar por una paz definitiva? ¿Cuál es su costo? simultáneamente la estimen demasiado blanda para los paramilitares” (IX). sino que por el contrario se concibe dicho proceso desde una “justicia” confesional. cómo dicho proceso puede incurrir en la impunidad. Para justificar la viabilidad de la ley se hace uso del contraste: “ni las Farc ni el Eln aceptarán dicha ley por considerarla demasiado dura para ellos. Los argumentos esgrimidos son la capacidad de su poder militar.

que a su vez conforma una “estructura social” -descompuesta. igualmente. el uso recurrente de contrastes ambiguos normalmente entre los paramilitares y la guerrilla no deja una posición clar a. aunque imperfecta. En el periodo estudiado se evidencia cómo la representación del actor justifica las políticas del Estado y legitima la violencia que este órgano ejerce en defensa de la comunidad. se da cuenta de dos ejes particulares: las estrategias empleadas para velar el fenómeno y la validación del proceso de impunidad. se justifica disimuladamente la acción paramilitar bajo la idea del “mal necesario”. pero como fenómeno estructural endémico de la sociedad colombiana sí. y por el contrar io. Por otra parte. se utiliza una disociación por contraste. el problema ahora es que es de difícil identificación. basado en acciones hechas pero presentadas como hipotéticas en un futuro próximo. la beneficialización se utiliza para destacar ese potencial bélico del que disponen los paramilitares. Ahora bien. enquistada. atentan contra las instituciones estatales. En esa misma línea. se hace uso de la categorización al poner en el mismo racero a aquellos que pertenecieron a grupos paramilitares y no se desmovilizaron y al delincuente común. Sin embargo. Así. verdad y reparación que hasta el momento no se han cumplido. sino que ahora. la Ley de Justicia y Paz. se alude al fenómeno paramilitar con los términos “desmovilizados” o “no desmovilizados” de acuerdo con la favorabilidad o no respecto a la Ley de Justicia y Paz. así como también hace eco del proceso que pretende sustentar su impunidad. Así.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 213 enemigo de tu enemigo es tu amigo” y la ley debe tratarlo como tal. funcionó como mecanismo para que miles de paramilitares se desmovilizaran. No obstante. sino. . se conceptualiza el fenómeno al afirmar que para concebir un grupo como paramilitar es porque dicho grupo tiene nexos con el Estado: La diferencia central entre estas nuevas manifestaciones criminales y los grupos paramilitares es que su enemigo ya no son solo los grupos guerrilleros o sus bases de apoyo social y político. Asimismo. Respecto a las estrategias. se resalta entonces la necesidad de un diálogo a cualquier precio a partir del miedo. las instituciones estatales” (x) Consideraciones finales El anterior análisis relacionado con el concepto de paramilitarismo presentado por el diario El Tiempo permite establecer los mecanismos a través de los cuales la representación del fenómeno es de difícil identificación y atenúa la importancia de abordar dicha problemática. este instrumento jamás contestó al interrogante del ¿Por qué no reconocer que hay conflicto armado? El simple hecho de analizarlo implicaría revisar la noción de justicia. pues se dice que estas nuevas “manifestaciones criminales” no comparten el mismo objetivo del gobierno. Adicionalmente. Al hacer un acercamiento para resolver la situación legal de esa “estructura social” se visualiza una posibilidad política para el Estado de sacarle partido al conflicto. Además. como lo afirma el mismo diario-. Posterior a la aplicación de dicha ley. el paramilitarismo desde su forma nominal no existe. se encuentran: la asignación del rol para mostrar a dicho actor como poseedor de una “estructura política” -aunque problemática-. Aquí la estrategia es utilizar la exclusión parcial en razón a que no se puede hablar de paramilitarismo ya que este concluyó en el proceso de desmovilización de sus miembros. los editoriales del año 2006 se enfrentan a la diatriba de mencionar o no al paramilitarismo.

II. La desmovilización de los paramilitares. 24 de noviembre de 2003. la prensa al caracterizar al actor por su nombre determina su identidad. y se propicia. VAN LEEUWEN. su impunidad. F. El Pantano Paramilitar. Este mecanismo conlleva la impunidad puesto que al no presentarse nominalmente al fenómeno. Es más. El Tiempo emplea esta retórica bélica al evadir la responsabilidad de utilizar la nominación del fenómeno paramilitar como tal. Readings in Critical Discourse Analysis. Gracias a la exclusión parcial de este actor se legitima la creación de un discurso sobre la defensa de las normas. & SIERRA. La lógica entonces de difundir el éxito de la desmovilización paramilitar trae consigo no solamente la supresión del nombre sino el cambio en la concepción del fenómeno. 8 de abril de 2005. Madrid: Editorial Cátedra. V. Justicia y paz: 2005 y 2016. IV. (2004) El Capitán América nunca supo convencer a los malos. p. Leyendo en los cómics más allá de la adolescencia. Juan Carlos. Una desmovilización inédita. 7 de noviembre de 2003. El Tiempo. Al respecto. 1989. El futuro de los paramilitares. London: Routledge. En: CONTRERAS. El Tiempo. VII.214 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS De acuerdo con esto último. X. VIII. 8 de julio de 2005. In C. 7 de noviembre de 2003. ANEXOS: Noticias I. ¿Tercera generación?. Entonces. oculta no solo un nombre sino un discurso que busca la impunidad. No maduros para el perdón. Caldas-Coulthard & M. El Tiempo. Fernández afirma: La retórica bélica tiene como finalidad explicar razones. 189 . VI. The representation of social actors. El Tiempo.224 .). Texts and practices.es difícil identificar quién es el responsable de los hechos violentos. 5 de junio de 2006. En esa medida. p. se excluyen de manera sistemática los aspectos ideológicos y estructurales de la violencia en Colombia. (1996). De esta manera el “buen ciudadano” debe ser sobre todo un “buen patriota” o inscribirse en cualquier otro patrón de lo que es “correcto” en tiempo de guerra. sin encontrar argumentos que hagan imposible el rechazo popular a las acciones armadas y a elaborar relatos dirigidos a crear una ilusión al mismo tiempo de victimismo y de orgullo patrio (…). El Tiempo. Así. 4 de octubre de 2004. Culturas de guerra. El ralito y mi abuela. por ende. el proceso de significación de este discurso se configura a partir de unas condiciones de producción específicas que están determinadas por la filiación del medio con la ideología que proclama el gobierno de la época a través del uso de la retórica bélica. El Tiempo. . 189) Referencias bibliográficas FERNÁNDEZ. El pantano paramilitar. R. El Tiempo. pero cuando no hay actor – porque es elidido. F. T. 28 de noviembre de 2003. Desmovilización de autodefensas. El Tiempo. ahora ya no existe el problema. El Tiempo. El Tiempo. Coulthard (Eds. 4 de julio de 2003 III. 2 de agosto de 2002. El Tiempo. al difundir el desvanecimiento de la categoría “paramilitar”. según haya dictaminado el discurso de autoridad dominante para la formación social en la que política y/o administrativamente se encuentre integrado el individuo (FERNÁNDEZ. se limpia el nombre del gobierno sin perder ese brazo oscuro de acción. IX.

DELGADO se pregunta: “¿Se debió a un precoz individualismo el . María. en ellas. después de lo cual ella dirige una larga oración a la Virgen María. sino sólo el ejemplo de santidad frente al cual resulta confrontado Gozimás. extendiéndose luego el relato de su vida y muerte santas desde allí a toda la cristiandad. Intentando encontrar una explicación para la transformación de la leyenda en el paso de la versión inicial oriental a la occidental. entonces.Universidad de Buenos Aires La leyenda de Santa María Egipciaca. padece incontables sufrimientos y finalmente muere en una muerte santa que presencia el monje Gozimás. quien la entierra ayudado por un león y confirma la historia de la penitente en la abadía de San Juan. ya en su versión occidental. En un viaje a Jerusalén. La historia. en la biografía de la santa2. de la que es miembro. una de las santas más populares y paradigmáticas durante la Edad Media. pasa cuarenta y siete años en el desierto. en el cual se embarca con unos romeros siete años después. una fuerza sobrenatural le impide la entrada al templo el día de la Ascensión.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 215 INICIOS DE LA SANTIDAD MEDIEVAL EN LENGUA CASTELLANA: TRADUCCIÓN Y PROTAGONISMO FEMENINO EN LA VIDA DE SANTA MARÍA EGIPCIACA Carina Zubillaga SECRIT (IIBICRIT-CONICET) . Por indicación divina y como penitencia por su vida anterior de pecado. cambia totalmente el eje de la historia. centrándola en María de Egipto y relegando a Gozimás a ser sólo el testigo de la santidad de la nueva protagonista. La versión occidental de la leyenda. la vida de la santa se transforma. María no es la protagonista del relato. donde sobrevive con sólo tres panes. se convierte y cambia absolutamente de conducta. que a los doce años huye de su casa paterna a Alejandría para ejercer allí la prostitución y abandonarse a toda clase de pecados. que comienza a desarrollarse probablemente en Francia a partir del siglo XII. tiene como primer testimonio escrito un texto griego compuesto por Sofronio en el siglo VII que se traduce luego al latín en la segunda mitad del siglo VIII. Estas redacciones iniciales de la historia de la santa constituyen la versión oriental de la leyenda de María Egipciaca como prostituta arrepentida. un monje que la descubre como penitente en el desierto y que encuentra en ella el modelo de humildad necesario para variar su conducta y reorientar su vida espiritual1. La narración de la vida de María se concreta en tercera persona y asume un estricto orden cronológico. narra la vida de una joven nacida en Egipto.

El poema francés del siglo XII y luego el poema hispánico del temprano siglo XIII –que a su vez lo traduce– trasladan la leyenda no sólo del latín. un cambio tanto social como devocional. sino que además cambian la prosa por el verso. Ante la santidad . también: “¿Fue deliberado el desdén del desconocido autor del siglo XIII hacia el protagonismo de Zósimas?” (DELGADO. Su respuesta se enfoca. 1980. A la popularidad de la Virgen como intercesora y como anti-tipo de Eva se suma. Un nuevo público. O. en una doble orientación que se manifiesta tanto en el ritmo y estructura de los poemas como en su variación narrativa.216 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS que se amplificara el protagonismo de la pecadora penitente y se la caracterizara físicamente allí donde la versión original se presentaba en forma tan espartana?” (DELGADO. sin embargo. p. cuyo eje en los sacramentos del arrepentimiento y la penitencia se piensa puede haber impulsado relatos e historias como ésta de la pecadora arrepentida. 184-185). 98). un verdadero proceso de adaptación cultural. será el receptor privilegiado de la reformulación de las viejas leyendas hagiográficas que contemplarán inversiones de protagonismo. como sucede también con otros tantos estudiosos. p. El fenómeno religioso innovador que se está produciendo en ese momento histórico es. p. en los lineamientos del IV Concilio de Letrán de 1215. p. de manera paralela. La manera en que se transformó la leyenda de Santa María Egipciaca en su paso a las lenguas vernáculas revela sin dudas una adaptación cultural expresada primera y fundamentalmente en lo lingüístico. Entre los fenómenos religiosos más relevantes del siglo XII se encuentra asimismo la extensión del culto mariano debido. más amplio que un concilio singular –por más importante que éste sea– y además anterior3. Frente al ideal imposible de feminidad que la Virgen María encarnó. a la difusión de las órdenes mendicantes. el culto también creciente de las prostitutas arrepentidas. 2005. 2004. la devoción paralela a las penitentes tal vez resultó la respuesta posible. fundamentalmente. mayoritariamente laico. que contribuyó al desarrollo y avance de la espiritualidad femenina 5 . aunque igualmente difícil de alcanzar. 305). preeminencia de la figura femenina y un lenguaje accesible para todos como parámetros determinantes. lo que la hace contrastar aún más con la producción hagiográfica castellana más relevante del período: la escrita por Gonzalo de Berceo en el marco del mester de clerecía como escuela poética y de la estilizada cuaderna vía de versos alejandrinos monorrimos4. Por tal motivo. centrado primeramente en la lengua y en la apertura a la laicidad que supone el acceso de historias y leyendas –antes circunscritas especialmente al ámbito monástico– al conjunto de los fieles cristianos. Se trata de la necesidad de la Iglesia de orientar el proceso de conversión cristiana particularmente hacia los laicos. 2004. 185). La evolución de las leyendas hagiográficas atraviesa un umbral literario crítico en su traslación a las lenguas vernáculas (ROBERTSON. La Vida de Santa María Egipciaca (en adelante. La traducción de las vidas de santos desde el latín a las lenguas vernáculas que se desarrolla en Europa occidental a partir del siglo XII testimonia. Vida) del siglo XIII traduce la francesa Vie de Sainte Marie l’Egyptienne con bastante fidelidad y constituye probablemente la hagiografía castellana más antigua de las conservadas por escrito (BAÑOS VALLEJO. como en este caso de la leyenda de María Egipciaca. Es anónima y está compuesta en verso irregular. y hacerlo a través de las lenguas vernáculas y de las historias de santos más accesibles y cercanos a los fieles como principales estrategias espirituales. como bien lo testimonian numerosas leyendas y devociones a santos que se intensifican ya a partir del siglo XII. se prefieren el verso a la prosa y las imágenes plásticas al convencionalismo retórico.

535). sino también su cuerpo. Narrativamente. La dramatización de este proceso de conversión habría resultado un vehículo privilegiado en Europa para la exposición de la doctrina cristiana. duenya. en el cual María se muestra arrepentida al oponer su pecado a la majestad de la Virgen. así como la humildad de la Madre de Dios es confrontada con el orgullo de María de Egipto. El proceso de conversión de María Egipciaca. que elevarían sus súplicas tanto a la Madre de Dios como a la pecadora arrepentida. 483-484)8. En este punto la oración alcanza su máximo lirismo. 533-534). A la castidad de la Virgen se opone la lujuria como principal característica de la pecadora. dulçe madre. la intercesora por excelencia entre su Hijo y todo pecador11. lo que las prostitutas arrepentidas representaron fue justamente el proceso de transformación del pecado a la gracia visible en las figuras contrapuestas de Eva y de la Virgen. A la dinámica de la paradoja de la Virgen María como Madre de Cristo el poeta suma también a continuación la dinámica de la oposición entre ambas Marías. la pecadora reconoce en su oración que las 7 diferencias las separan: “Un nonbre avemos yo e ti. pero extendiéndose luego a una oposición que parte de la correspondencia entre una y otra y por eso deviene finalmente en identificación gracias a las logradas simetrías formales del fragmento. contrastada como la representación gráfica de un antes y un después del . se expresa básicamente en su Vida a partir de su imagen física.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 217 innegable de la Virgen María. 517-518: “Grant maravilla fue del padre / que su fija fizo madre”. arrepentimiento y penitencia las leyendas de prostitutas santas comunicaron la doctrina cristiana a los lectores u oyentes como experiencias concretas a ser compartidas antes que como conceptos abstractos6. sin dudas. A pesar de compartir el mismo nombre. reconociéndola como aquella que personifica en sí misma todo el misterio de la Encarnación : “… ¡Ay. por ejemplo en los v. Este encuentro entre María Egipciaca y la Virgen María en el espacio de la oración refleja con seguridad la práctica devocional de gran cantidad de los fieles del período. En este sentido. del pecado a la santidad. Esta idea se reiterará en otros lugares de la misma plegaria. en principio a partir de la yuxtaposición entre la primera persona de quien ruega y la segunda persona que es rogada en el nombre que comparten (“tú María e yo María”. La plegaria se revela a partir de estas paradojas y oposiciones que la construyen como un espacio de auto-confrontación. lo central en la nueva versión de la leyenda de la santa es el protagonismo femenino. visible particularmente en el diseño biográfico de la vida de María y su transformación espiritual concebida como un proceso tan integral que abarca no sólo su espíritu. Esta relación innegable entre la Virgen y María de Egipto presente en los cultos compartidos está tematizada en el poema en el momento crucial de la conversión de la pecadora. v. más allá de la gravedad de su pecado. como expresión acabada de la posibilidad de cambio de todo cristiano. / mas mucho eres tú luenye de mí” (v. cuando en Jerusalén le dirige una oración a María. / que en el tu vientre toviste al tu padre!” (v. tanto María Magdalena –el prototipo básico de la penitente– como María Egipciaca dramatizan en sus respectivas leyendas a la santidad como un proceso arduo y complejo pero posible para cualquier pecador. María como Madre del Redentor es también. que se vuelve entonces imagen en el poema de cómo rezarle a la Virgen. conformando a través de la sucesión de estas paradojas9 la figura de la Virgen María como la única en la cual pueden reconciliarse todas las diferencias10. reconociéndose entonces en la Madre de Dios como el modelo de la santidad que finalmente alcanzará. en este sentido. ya que al desarrollar actos de conversión.

que eran alvas. 738-739). ya en el desierto “tan negra era su petrina / como la pez e la resina” (v. 217218). / blanquas como leche d’ovejas” (v. y lo testimonia en relatos hagiográficos como su Vida hispánica centrados en el arrepentimiento y en la dinámica de la penitencia como horizontes de todo cristiano. El poeta organiza estos retratos de María de modo valorativo. 740-741). en su vejez se le vuelve “la faz muy negra e arrugada / de frío viento e elada” (v.218 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS arrepentimiento presente en el centro del poema en la oración que ya hemos referido. mientras que en el primero sobreabunda el blanco como representación de la belleza juvenil. asignándole en la primera descripción una luminosidad exterior –dada por el blanco de su cuerpo. / tornaron blancos e suzios” (v. en el segundo retrato. por otro. 213-214). y el plateado y dorado de su vestimenta– y una vivacidad evidente –que aporta el colorado– que contrastan con la oscuridad interior que ese brillo externo necesariamente supone. en tanto cuando era bella “la faz tenié colorada. fealdad con santidad y vejez. tal como la flor del espina” (v. que podría reconocerse fácilmente en el pecado inicial de lujuria de María de Egipto y eso le daría la posibilidad de no ver como tan lejana la promesa de santidad. connotando una materialidad viva y colorida. En ambos retratos el mismo esquema de color predomina. 726-727). Seguramente los laicos. la presencia e importancia de la santidad femenina en los siglos XII y XIII no es un fenómeno aislado en el marco de las nuevas prácticas devocionales y la expresión de la piedad del período. sucio y seco de la penitente– remite valorativamente a su purificación interior. con la leche de las ovejas. se oponen luego en el segundo retrato de la penitente a la resina. / tales son como maçana” (v. entre quienes se difundían . en tanto en su juventud “braços e cuerpo e todo lo al / blanco es como cristal” (v. con la rosa o con las manzanas. en el segundo se destaca el negro como imagen gráfica de la fealdad y de los atributos físicos perdidos. / como yo cuido eran secas” (v. la Edad Media asume con interés creciente el culto de las prostitutas arrepentidas. y el negro se emplea sólo para los ojos: “ojos negros e sobreçejas” (v. En este sentido. que asocian por un lado belleza con juventud y corrupción interior y. / mucho eran negras e pegadas” (v. hermosa y pecadora María y luego de la vieja y espantosa penitente asume la forma de dos extremos tan irreconciliables como impactantes. Además de aquellas santas que manifiestan vocación de santidad desde la infancia. El eje legendario del modelo de la prostituta arrepentida está cifrado en estos dos retratos contrastantes de María Egipciaca. al arrepentirse de sus pecados “en sus pechos non avía tetas. Las comparaciones que sobreabundan en la descripción de la joven y hermosa pecadora. sólo que invertido. 223-224). / quando los tiende semejan espetos” (v. la impureza física –dada por el cuerpo opaco. Baste citar sólo los ejemplos más destacados de esa contraposición para imaginar cómo pudieron haber sido recibidos por los hombres y mujeres del Medioevo. dejándose el blanco sólo como término de comparación o para describir los cabellos envejecidos de la anciana: “e los sus cabellos. 215). si joven tenía “su cuello e su petrina. en su vejez posee “braços luengos e secos dedos. como María Egipciaca. 736-737). mientras como prostituta “de sus tetiellas bien es sana. 225-226). como penitente “las sus orejas. por el contrario. que tiene entre sus principales manifestaciones el modelo de las penitentes. en una pérdida de carnadura que se evidencia claramente en la casi tangible sequedad de su cuerpo sometido a las inclemencias del desierto. 732-733). 724-725)12. El contraste de la descripción primero de la joven. 221-222). Mientras en su juventud María Egipciaca “redondas avié las orejas. / como la rosa quando es granada” (v. que eran ruvios.

Duncan (1980): Poem and Spirit. y españoles en la creación de la vertiente occidental de la leyenda de Santa María Egipcíaca: hacia el nuevo modelo hagiográfico de los siglos XIII-XIV. La dudosa ejemplaridad de las santas en los poemas medievales. Francisco Javier (2005): La religiosidad medieval en España. vocabulario. Alfred A. N° XXXVIII. 83-96. CRUZ-SÁENZ. Biblioteca Nacional BN 780). (1977): La vida de Santa María Egipcíaca: A Fourteenth-Century Translation of a Work by Paul the Deacon (Ms. Walsh. 41-45. 183-208. Ediciones Trea-Ediciones de la Universidad de Oviedo. p. Tamesis. Fernando (2005): Una “pecatriz” y una mística. BAÑOS VALLEJO. p. a santas como María Egipciaca como modelos con los cuales los fieles devotos pueden relacionarse e identificarse más directa y afectivamente. New York: Ed. SEIDENSPINNER-NÚÑEZ. Hispanic Seminary of Medieval Studies. M. se vincula con la creciente devoción a la Virgen María como Madre del Salvador y propicia una sensibilidad que define nuevas manifestaciones religiosas durante el período. N° 2. p. de (1964): “La Vida de Santa María Egipciaca” traducida por un juglar anónimo hacia 1215: gramática. 2005. 305-327. E. Madison: Ed. Madrid: Ed. ingleses Particularmente en España. Plena Edad Media (siglos XI-XIII). edición de los textos . WEISS. Manuel (1970-72): “Vida de Santa María Egipciaca”: estudios. p. En: Medioevo Romanzo. María S. Meretrics. CORTINA. Jane E. encontraron en la transformación espiritual de María de Egipto. En: CONNOLLY. Asturias-Oviedo: Ed. B. 452). fuentes. Lynn Rice (1980): The Aesthetics of Morality: Two Portraits of Mary of Egypt in the Vida de Santa María Egipciaca. Julian (2006): The “Mester de Clerecía”: Intellectuals and Ideologies. John K.: Saints and their Authors: Studies in Medieval Hagiography in Honor of John K. Toulouse: Ed. Knopf. Woodbridge: Ed. Esa devoción. Esa impronta humanizadora eleva. The Twelfth-Century French Life of Saint Mary the Egyptian.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 219 de manera privilegiada estos nacientes textos en lengua vernácula. WARNER. University of Exeter. CSIC. N° VII. el eje del cambio devocional que se produce a partir del siglo XII es la veneración a la figura de Cristo en consonancia con el descubrimiento de la intimidad individualizadora de la persona humana (FERNÁNDEZ CONDE. En: Medievalia et Humanistica. En: Revista de Estudios Hispánicos. p. ANDRÉS CASTELLANOS. 97-111. . RAE. DELGADO. Exeter: Ed. versificación. un ejemplo cercano y posible de los alcances inconmensurables de la gracia cristiana de la salvación. FERNÁNDEZ CONDE. (1990): Notes on the Fourteenth-Century Spanish Translation of Paul the Deacon’s Vita Sanctae Mariae Aegyptiacae. p. texto y vocabulario. 95128. En: CAZAL. Marina (1976): Alone of All Her Sex: The Myth and the Cult of the Virgin Mary. WALSH. asimismo. Puvill. Université de Toulouse-Le Mirail. presentada particularmente a través de las imágenes contrastantes de su cuerpo. p. Schiavonne de (1979): The Life of Saint Mary of Egypt: An Edition and Study of the Medieval French and Spanish Verse Redactions. SNOW. Ernesto (2004): Mariales franceses. Françoise: Pratiques hagiographiques dans l’Espagne du Moyen Âge et du Siècle d’Or. Madrid: Ed. Referências bibliográficas ALVAR. Barcelona: Ed. N° 18. and BUSSELL THOMPSON. ROBERTSON. En: Hispanic Journal. Dayle (1992): The Poetics of (Non)Conversion: The Vida de Santa María Egipçiaca and La Celestina. Joseph T. que se centra en Jesús Niño y en los episodios de su vida oculta.

luego de más de cuarenta años de penitencia en el desierto (ROBERTSON. del cual estoy preparando una edición crítica conjunta. como el uso de la siguiente metáfora: “E fue maravillosa cosa / que de la espina salió la rosa” (v. 10 En esta oración la Virgen María no es meramente una persona a quien la pecadora ora. p. 4 Llamativamente. p. 187). 1980. ver SNOW (1990. 100). el Libro de Apolonio. la reconciliación universal de los contrarios (ROBERTSON. la Vida se conserva en un manuscrito de fines del siglo XIV. 7 Desde comienzos del siglo XII. orientando particularmente sus observaciones y su análisis al carácter figural que adquieren esos retratos. 12 CORTINA (1980. 11 “De todas las ideas difundidas desde los albores de la Alta Edad Media. 2 La prinicpal implicancia del paso de la narración de la vida de la santa a su biografía es una secuencia ininterrumpida desde su infancia hasta su muerte. 1980.220 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Notas 1 Para ahondar en esta versión oriental de la leyenda de Santa María Egipciaca. p. ALVAR (1970-72) y CRUZ-SÁENZ (1979). 8 Cito según mi propia transcripción del poema que integra el Ms. 519-520). p. madre de todos los que viven en un sentido espiritual. p. Para profundizar en los diversos aspectos del culto mariano. p. 6). sino un principio formal encarnado. mediadora entre Dios y la humanidad a causa de la Encarnación de la divinidad que la convirtió en una segunda Eva. 5 Sólo un secreto oculto en la psiquis medieval explicaría de manera acabada la fascinación de la leyenda de las prostitutas arrepentidas. cuando la difusión del culto mariano se extiende de manera sistemática entre los laicos. Esc. K-III-4. p. . 1992. 41-45) ya señaló la importancia del empleo del color en las dos descripciones contrastantes de María Egipciaca. 6 La función catequética de este tipo de leyendas prevalece sobre los sermones o la enseñanza abstracta (SEIDENSPINNER-NÚÑEZ. el K-III-4 de la Biblioteca de San Lorenzo de El Escorial. la santidad de la Virgen María se basó en su rol como theotokos (Madre de Dios). sin embargo. 8396). 318). el Libro de los tres reyes de Oriente. 84). 2004. y otro que es una reescritura de los Evangelios Apócrifos. 3 Aunque es un indicador crucial de los asuntos eclesiásticos contemporáneos. quizá la que mayor influjo tuvo en los siglos posteriores fue la idea de la Virgen como intercesora entre el pecador devoto y Cristo. ver WARNER (1976). 9 La paradoja está incluso reforzada con el empleo de algunos dispositivos ornamentales. en particular María Magdalena (WALSH y BUSSELL THOMPSON. Existen ediciones del poema hispánico de ANDRÉS CASTELLANOS (1964). 2006. junto con un poema escrito en cuaderna vía. 313). 1986. p. la influencia directa del IV Concilio de Letrán sobre la leyenda occidental de Santa María Egipciaca no debe ser exagerada (WEISS. que es el aspecto más pragmático de su culto…” (DELGADO.

UFMG Seja a memória uma configuração cultural. em Chungui e. em formatos de escritura diferenciados. de Souza PG . posteriormente. E se a História assume a função de um tribunal. porque atua de maneira revisionista sobre os eventos do passado selecionando-os. Foi num contexto prévio aos trabalhos da CVR . O antropólogo visitou Chungui. estudos literários e outros). psicologia sociologia. filosofia. atua contra o amnésia e manifesta váriadas versões sobre os espisódios que pertencem. capacidade investigada por diversas disciplinas (teologia. em 1996. DE EDILBERTO JIMÉNEZ: DESENHANDO A MEMÓRIA COLETIVA Carla Dameane P. em toda a Região das Fazendas (Oreja de Perro)3. a Memória. além de determinar as responsabilidades jurídicas sobre tais acontecimentos e apresentar as consequências dos abusos contra dos direitos humanos. Sendo recebido com festa e música. a um evento histórico específico. ou. através de seu arquivamento. por exemplo.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 221 CHUNGUI: VIOLENCIA Y TRAZOS DE MEMORIA. vía construção de imagens possíveis de serem transmitidas oralmente. que Edilberto Jiménez tornou-se um interlocutor de testemunhas da violência. à medida em que passa a ser captada pela História. A necessidade de discurtir e apurar estes eventos aciona a comunidade nacional. pois. ele presenciava as dificuladades e . ou. com a finalidade de reunir e escrever uma História respaldada pela heterogeneidade de versões e sujeitos envolvidos. com a finalidade de difundir informações sobre como vivia e se organizava aquela população. como membro da equipe profissional do Centro de Desenvolvimento Agropecuário (CEDAP) e condutor do programa de rádio Rimaykusunchik4.Peru . em seu permanente exercício. O Relatório Final da Comissão da Verdade e Reconciliação 1 do Peru resulta da reunião de uma série de narrativas sobre a recente História dos conflitos políticos vividos pelo país. torna-se um recurso privilegiado de acesso ao passado. pela primeira vez. evitando e ao mesmo tempo promovendo o seu esquecimento. (2009). sua presença na comunidade passa a ser constante. nos anos entre 1980 e 2000 2 Essa comissão trabalhou com o objetivo de esclarecer a natureza do processo e dos fatos da guerra interna.

Foi nesse ambiente em que se tornou uma figura familiar e rompeu. indiretamente pelos sujeitos enunciativos. cada um dos testemunhos registrados no livro admite “a iniciativa de uma pessoa física ou jurídica que visa a preservar os rastros de sua própria atividade” (RICŒUR. 2007. correspondendo aos relatos. traduzindo lembranças-imagens. durante o processo de produção desse livro. porém ele cumpriu uma função extensiva a de escrivão. tratamentos Recordar. violência sexual contra mulheres. quanto da Comisedh (Comissão de Direitos Humanos do Peru). Por levar em conta a importância da imagem para os povos pré-hispânicos. aos 20 minutos Jiménez conta sobre como o esboço dos desenhos. O material recolhido foi entregue a CVR . infanticídio. dos quais elas haviam sido testemunhas. pouco a pouco. penso que. O silencio sobre a violência em Chuingui chega definitivamente ao fim quando uma delegação desta cidade. entre outros). p. em torno do reconhecimento dos eventos de violência ocorridos em Chungui. Nesse contexto. nesse processo. Esses testemunhos formam parte de uma macro narrativa e adquirem um valor de fonte histórica e jurídica. tortura. ativamente. 178) e a partir desse rastro “inaugura o ato de fazer história” (RICŒUR. realiza uma denúcia formal ao Congresso. ou lugares onde ocorreram tais delitos. por causa disso. Na medida em que “fazer história” relacionase com a necessidade de escrever e arquivar. sequestros. No documentário Chungui. suas imagens como um formato de escritura legível. ou. com o medo que havia nas pessoas de conversarem sobre os acontecimentos violentos. eram muitas vezes supervisionados pelas testemunhas que lhe diziam “así como estás dibujando. do continente latinoamericano. que não o da letra. a essa comoção. no intuito de responder. muitas delas falantes do quéchua. o idioma quéchua para o castelhano. Jiménez passou a ser membro tanto dessa comissão. Envolvido nesse debate. Como se estivessem reconstituindo cada um dos crimes (massacres. por que se referem a fatos reais testemunhados diretamente. Além de traduzir a oralidade para a escrita. amparada por outros códigos. para lembranças-imagens visuais5 . execuções arbitrárias.8 Violência e transformação do espaço Ao considerar que um dos temas centrais de que se ocupa a problemática da representação da . encabeçada pelo prefeito. as testemunhas voltavam aos locais onde haviam fossas comuns. imaginar. así ocurrió”. Jiménez ouve de diversas pessoas relatos que o deixaram comovido e.222 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS participava das discussões e atividades relativas ao cotidiano dos moradores. degradantes. 178). desenhar e mostrar Em Chungui: violencia y trazos de memoria aparecem os relatos orais recolhidos por Jiménez.Peru e. p. A denúncia tornou pública a existência de 40 fossas comuns e o registro de mais de 200 desaparecidos. ou. solicitou a ajuda dos comitês de auto defesa para que pudesse recorrer outras comunidades da região e registrar mais testemunhos. Foi nessa situação de vis memoriae7 que Jiménez registrou os relatos e os transpôs para outro código de escritura associando o trabalho de tradutor à criação dos desenhos e retábulos. horror sin lágrimas… una historia peruana de Luis Felipe Degregori6. recordadas oralmente. começou a anotar os testemunhos orais e a esboçar seus primeiros desenhos. 2007. a participação de Edilberto Jiménez foi decisiva. desaparecimentos forçados. Jiménez atuou diretamente sobre as recordações das testemunhas. analfabetas. que possuem dificuldades para ler e escrever. Jiménez devolve às testemunhas. Além disso.

por parte dos sobreviventes. “Dijeron: “Deben obedecer a los responsables” (H. diretamente. p. o espaço celeste aparece comprimido por olhos. os encontros sociais (festivais juvenis. e de que maneira esse espaço de confraternização seria afetado devido a presença e permanência dos grupos violentos (Partido Comunista do Peru-Sendero Luminoso (PCP-SL) e as Forças Armadas Oficiais do Estado Peruano (FFAA)). a elaboração das ilustrações em Chungui: violencia y trazos de memoria resulta de um processo que inclui previamente. a ação de recordar. recorrendo aos seus talentos como retablista transpõe para os desenhos essa memória individual e coletiva.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 223 Memória reside na relação estreita entre recordar e imaginar penso que. 317). Naquela imagem onde se representa o relato sobre a chegada do PCP-SL em Chillihua. retratando a presença do . festas religiosas. “Laqta Maqta” (Desenho de Edilberto Jiménez em: Chungui: violencia y trazos de memoria. aniversários) relacionando-se. batizados. por sua vez. 2009. p. A ação de imaginar (no sentido de propor uma imagem à recordação). desde antigas gerações. 2009. Um dos últimos desenhos de Chungui: violencia y trazos de memoria faz referência ao Llaqta Maqta (jovem da cidade) um gênero musical tradicional da região. com o modo de convivênicia que agrega os moradores à comunidade. matrimônios. tem a colaboração de Jiménez que. J. Edilberto Jiménez refere-se a essa expressão de vida e alegria como algo que consegue ser preservado mesmo após os anos de violência. tornando visíveis os crimes e os detalhes que entornam os acontecimentos que lhes são relatados. 156-157). Esse taqui9 acompanhou. Em: JIMÉNEZ. Através dos desenhos é possível perceber como a presença do autoritarismo em Chungui compromete as perspectivas espaciais e temporais e obstrui a normalidade que antes definia as relações que os campesinos mantinham entre si e com o território. Ao fazer essa analogia o autor chama atenção aos muitos aspectos que caracterizavam o relacionamento dos chunguinos com o lugar.

por estarem envolvidos nas situações descritas. dirigindo-se a casa de sua família em Ninabamba. e L. que não presenciou os assassinatos. e C. E. Em: JIMÉNEZ. 236). p. Em: JIMÉNEZ. O sobrevivente. 2009. O. Em: JIMÉNEZ.224 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS atoritarismo e da vigilância de um partido “que tenía muchísimos ojos y oídos y muy facilmente se enteraba de todo” (E. C. 298-269) e em “Lírio Qaqa Profundo Abismo” (T. p. (Desenho de Edilberto Jiménez. 2009. . livre de qualquer metáfora. H. B. há casos em que este sobrevivente tornou-se testemunha por acaso. Em: JIMÉNEZ. 246-247). C. A representação visual desse testemunho põe em cena. No caso dos testemunhos “Vi con mis propios ojos” (M. 236-237). ou.M. encontra os corpos das vítimas numa tal disposição que o faz supor o que de veras teria ocorrido. 2009. 2009. quando se depara frente a uma situação em que é convocado pelos soldados da FFAA a testemunhar um assassinato. 2009. Trata-se da respresentação que oferece ao relato “Las cabezas estaban en distintos lugares” (V. mas tiveram acesso ao cenário onde este ocorreu. Q. p. indiretamente testemunhas desses crimes. também teremos sujeitos enunciativos que não presenciaram diretamente os crimes. a crueldade desses assassinatos e a percepção daquele que foi tesmunha indireta do fato. Em: JIMÉNEZ. p. J. p. onde os corpos haviam sido abandonados. 160-161). D. como no relato “Asustado agarraba la soga” (E. p. 2009. Mas. “Las cabezas estaban en distintos lugares”. O. O jovem estudante caminhava despreocupado. ou. Em: JIMÉNEZ. Os relatos são sempre de sobreviventes que foram direta. 200-201). p. Em outro testemunho Jiménez utiliza essa linguagem oferecendo elementos visuais distribuídos pelo céu e que faz com o que o espaço funcione como um refletor cósmico. Em: Chungui: violencia y trazos de memoria. 2009.147). Essa mesma elaboração de um espaço carregado de olhos e orelhas se repete fazendo alusão ao testemunho “Le dieron más de 20 Chicotazos” (G.

2009. e L. 201). p. Em: Chungui: violencia y trazos de memoria. entre eles mulheres e crianças. D. p. as testemunhas presenciaram o assassinato dos detidos. “Estuve calladito en el árbol y lloraba calladito” (M. Nessa situação. 2009. Em: JIMÉNEZ. I. p. 239). Em: Chungui: violencia y trazos de memoria. escondidos entre árvores. . “Estuve calladito en el árbol y lloraba calladito”(Desenho de Edilberto Jiménez. 238-239) sobreviventes contam como se esconderam em meio a paisagem para nela se camuflar e poder acompanhar as diversas pessoas de sua familia que haviam sido apreendidas pelos soldados da FFAA. 2009.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 225 “Asustado agarraba la soga”(Desenho de Edilberto Jiménez. Em outro testemunho.

fechada em si mesma. com a finalidade de que facilitassem os mecanismos de assassinato e a paisagem. No relato a mulher conta que estava acompanhada por seu cunhado. para o olhar do leitor. p. sobreviventes e algozes. 2011. Os caminhos e abismos foram redefinidos. percebo como esse território. deixada pela alma do marido. à pedradas. 2009. 2009. que a espreitam. os grupos a um . contra as próprias pessoas que antes residiam ali. tornam-se testemunhas de sua busca. compar tilhada entre vítimas fatais. nos llevamos su cuerpito” (Desenho de Edilberto Jiménez. os elementos utilizados impregnam o ambiente e fazem com que o espaço se pareça. como em um sonho. um “Local de Geração” (ASSMANN. 51). no contexto da guerra. a viúva sai a procura do corpo. na maioria das vezes. Através desses relatos e suas versões visuais. não sugeria frestas para a liberdade. e os zorros (raposas). Em: JIMÉNEZ.226 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Grande parte desses sobreviventes tornaramse peças fundamentais para o posterior reconhecimento de fossas comuns e lugares onde eles mesmos haviam enterrado seus familiares. Com base na mensagem onírica. No testemunho “Calladitos sin que nadie sepa. 296). “Calladitos sin que nadie sepa. 2009. p. desde muito tempo. 297). nos llevamos su cuerpito” (H. Esse enquadramento relativo ao espaço delineia. mas no desenho apenas aparecem como companhias uma lua. que chora. A mulher encerra seu testemunho contando que ela mesma realizou o funeral do esposo enterrando-o ao lado de sua casa desde onde “él simpre me cuida y cuida a sus hijos” (H. 296-297) uma viúva relata. seu esposo lhe disse o local onde seu corpo se encontrava após ter sido assassinado. após terem os encontrado mortos. p. p. Em: JIMÉNEZ. Nos desenhos de Jiménez. aludindo a Abilio Vergara 10 “territorio-paisaje-prisión” (VERGARA. Em: Chungui: violencia y trazos de memoria. 2009. pelos soldados da FFAA. R. Na representação visual elementos da natureza e ao mesmo tempo cósmicos. p. o sofrimento como uma experiência concreta. R. para Jiménez. 320) impregnado de afetividade e que vincula. O território foi utilizado.

Chungui: violencia y trazos de memoria. devemos celebrar. às doenças e ao atraso consequentes de anos de esquecimento. 2009. 129) No livro de Jiménez encontra-se vários motivos para que Chungui torne-se um lugar a ser recordado. esse território é o lugar onde os moradores cultivam à terra como espaço sagrado e estabelecem o contato. COMISEDH. (2009). (JIMÉNEZ. a histór ia. o esquecimento. recopilado por Jiménez: Karu llaqtapin tiyani Chungui llaqtapin tiyani karu laqtalla kaptincha periodistapas chayanchu congresistapas qamunchu 11 Qanchi riupas waqansi Chungui mayuwan tupaspa chaynama llaqtallay waqan manaña pipas yuyaptin13. finalmente. por Jiménez. – Campinas. 2. Campinas. Fazer-se recordar na memória das autoridades e de outros povos é o que deseja o chunguino quando canta e dança este Llaqta Maqta. é o motivo pelo qual esse lugar tornou-se inesquecível. Lima: IEP. SP: Editora da Unicamp. Chungui destaca-se por ali terem-se cometido crimes exemplares contra os direitos humanos14. 349) sobre o qual não é possível formalizar um sentido . ao analfabetismo. (2007). (2011). são os mesmos que abrem fissuras sugererindo a impossibilidade de se reproduzir a aura12 desse local e tudo que se refere a multidimensionalidade dos fatos que ocorreram aí. Essa união permeabiliza os obstáculos que se colocam diante da possibilidade de se refazer as próprias vidas e superar os traumas sofridos. A memór ia. DED. SP. 2011.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 227 familiares. que a população revindica mudanças estruturais e sociais que podem dar fim à pobreza. através dela. p. Por outro lado. mesmo por aquelas pessoas que nunca estiveram lá. em seus desenhos. como seus mortos. cuja história não deve se repetir. Formas e Transformações da Memória cultural. Referências bibliográficas ASSMANN. Edilberto. RICŒUR. torna-se também um “Local Traumático” (ASSMANN.]. É para esse território. vivos e mortos. p. Essa conexão constitui por um lado. . Editora da Unicamp. ed. Paul. Projeto de Tradução Coordenado por Paulo Soethe. aqueles elementos que ajudam a elaborar a representação dessas memórias. étnicos e sociais. Aleida. Tradução: Alain François [et al. Por mais que se tente narrar as histórias relativas aos crimes cometidos nessa região. Mesmo assim. uma ferida difícil de cicratizar na memória nacional e histórica. Espaços da Recordação. pois. enquanto “Local de Geração” Chungui possui uma memória afetiva e costumes que fortalecem os vínculos que unem as pessoas ao lugar. JIMÉNEZ. e cuja lembrança de seus moradores. No que se refere à violência indiscriminada que caracteriza a guerra interna do Peru.

36-67. Segundo Edilberto Jiménez. Edilberto. isto é. 8 Conferir a exposição virtual “Universos de Memoria. que tornem identificáveis estas conexões entre memória e imaginação. Introducción. e afirma ser possível estabelecer uma linha que as una. possui relações com os processos de armazenamento e pretende. ars memoriae.228 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Notas 1 A Comissão da Verdade do Peru tem sua formação durante o governo de Valentin Paniagua (1936-2006) e no governo seguinte. Diferente dela a vis memoriae seria uma memória em “potência”. p. Coordenador da Tradução Paulo Soethe. 2010. em alusão ao mapa do estado de Ayacucho. una introducción. Acessado em 23 de junho de 2012. Toda essa região próxima a Chungui corresponderia a orelha desse cachorro. atuar contra o tempo e o esquecimento “cujos efeitos são superados com a ajuda de certas técnicas” (ASSMANN. COMISEDH. cuja forma. 62 minutos. Tradução de Daniel Martineschen. 87-129. 34). (2009). Conferir: JIMÉNEZ. Lima: IEP. 317-361. Formas e Transformações da Memória cultural. A memória como Ars e Vis. Coordenador da Tradução Paulo Soethe. Contudo. cverdad. sem dispor de métodos de armazenamentos artificiais (como é o caso da mnemotécnica) sempre podem ser acessadas pela memória. Ver mais detalhes em ASSMANN. 61). “a presença do ausente” (RICŒUR. 2007.pe/ ifinal/pdf/TOMO%20I/INTRODUCCION. 11 Ver: ASSMANN. sobretudo. . a realidade se encontra em suspenso. Em: JIMÉNEZ. Lima: IEP. Disponível em: < http://www. pelos militares. p. entendida como “arte”. DED. 61). (2003).” Em: Revista del Museo Nacional. Primera Parte: El Proceso. Los Hechos.pe/cid/galeria-cid/>. Peru. Diretor Luis Felipe Degregori. Retablos de Edilberto Jiménez sobre la Violencia Política” . 2011. p. O nome Orelha do Cachorro foi dado à essa região. (2009). na memória existe um “real” anterior à imagem. Lima Peru. horror sin lágrimas… una historia peruana. 122-159. Tradução de Fernanda Boechat Em: Espaços da Recordação. (2011). 4 5 “Conversemos”. com Alejandro Toledo (1946). COMISEDH. La violencia. (1943). Violencia y Trazos de Memoria. Espaços da Recordação. Las Víctimas. tomo XV. 122) no Peru antigo Taki/Taqui significava dançar e cantar como duas ações que se realizam simultaneamente. 3 “Orelha do Cachorro”. p. 31-36. DED. Em: Galería Virtual Carlos Iván Degregori. Em: ASSMANN. Em: JIMÉNEZ.pdf>. Campinas. Ele explica que na imaginação é possível enxergar um “irreal”. Trata-se da “lembrançaimagem” (RICŒUR. “La fiesta y la danza en el antiguo Perú. Edilberto. Aleida. Formas e Transformações da Memória cultural. Campinas. para os moradores de Chungui não é usual a expressão Orelha do cachorro como nome que dá referência a região das Fazendas “Zona de Hacienda”. Chungui. 2007. La memoria de la barbarie en imágenes. 10 VERGARA Abílio. assemelha-se a um cachorro sentado. p. Instituto de Estudios Peruanos. p. p. Por outro lado. uma imagem fabulada. Conferir: JIMÉNEZ BORJA. 2 Consultar: Informe Final da Comisión de la Verdad y Reconciliación. (2011). o autor aponta ser um traço comum tanto na imaginação quanto na memória. Locais. no caso de operações historiográficas do passado. 9 Segundo Jiménez Borja (1946. Em Castelhano e Quéchua. Em Paul Ricœur (2007). encontram-se as postulações que distinguem imaginação de memória. Arturo. Acessado em 25 de julho de 2012. 6 Chungui. Chungui: Violencia y trazos de memória. 7 Para Aleida Assmann (2011) a ideia da mnemotécnica romana. SP: Editora da Unicamp.org. Aleida.iep. passa a se denominar Comissão da Verdade e Reconciliação. Edilberto. p. SP: Editora da Unicamp. pois. Versão digital disponível em: <http://www.org. p. Aleida. Estaria mais relacionada com a recordação involuntária que.

Em: Magia e técnica.org.pdf>.165-196. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. p. 14 De acordo com o Relatório Final da Comissão da Verdade. 7.cverdad. Acessado em 26 de junho de 2012. (2003).pe/ifi nal/pdf/TOMO%20V/ /2. Vol. por mais perto que ela esteja”. Versão dig ital disponível em: < http://www. os conflitos alcançaram os maiores índices de violência. em Chungui e nos territórios asháninka.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 229 12 No sentido em que propõe Aleida Assmann.170). Primera Parte: Capítulo 2. como “uma figura singular. composta de elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante. / Dizem também que o rio Qanchi chora / ao se encontrar com o rio de Chungui / assim chora a o meu povoado / quando ninguém se lembra”. p. Historias representativas de la violencia. Walter. a partir do conceito de aura proposto por Walter Benjamin (1994. . São Paulo: Brasiliense.0% SECCION%20TERCERALos%20Escenarios%20de%20la%20v iolencia%continuacion)/ 2. 13 “Vivo num povoado distante / vivo na comunidade de Chungui / certamente por estar distante / os jornalistas não chegam. (1994). I. ed. BENJAMIN. Conferir: Informe Final da Comisión de la Verdad y Reconciliación. arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. / nem os congressistas chegam. Tradução de Sergio Paulo Rounet.%20HISTORIAS%20REPRESENTATIVAS%20DE%20LA%20VIOLENCIA 20Introduccion.

*De dos partes el examen co nsta nsta. EN EL PARO resid eside b. . (HERNANZ e BRUCART. que não impõe restrições de fronteamento (exemplos (2) e (3): (2) Tematização: e. EN PRIMAVERA v isitó Juan Leningrado. a. En primavera Juan v isitó Leningrado. estrutura informativa e prosódia tem sido um aspecto bastante estudado nos últimos anos dentro do quadro da gramática gerativa. Considerando as possíveis ordens de constituintes. 1987. a única ordem possível é Foco-V-S2 (exemplo (1)). Hernanz e Brucart (1987) mostram que: a) com a tematização. os autores mostram que o espanhol atual. ao estudar o posicionamento dos pronomes clíticos na história do espanhol. No referido trabalho. 95) Com respeito à flexibilidade de fronteamento. com a focalização. DE DOS PARTES co nsta el examen. *esa aria c a n t ó Montserrat Caballé maravillosamente. como se ilustra no contraste entre (4) e (5): (4) (1) a. (3) Focalização: e el problema. apresenta uma série de variações que estão relacionadas com efeitos informativos. *En el paro. embora tenha a ordem básica S-VO. p. b. a. ao contrário da focalização. é possível a ordem Tópico-S-V.3 espanhol atual: a. b) não é todo elemento que pode ser tematizado. el problema resid eside b. Fontana (1993) mostra que: a) O espanhol antigo não impunha restrições ao constituinte fronteado. Introdução1 A relação entre ordem de palavras.230 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS O PREENCHIMENTO DA POSIÇÃO PRÉ-VERBAL POR COMPLEMENTOS VERBAIS E A NOÇÃO DE OPERADOR NA HISTÓRIA DO ESPANHOL Carlos Felipe Pinto Universidade Tiradentes 1. Um dos primeiros trabalhos sobre o espanhol nesse sentido é o de Hernanz e Brucart (1987).

Uino & agua d e ue el clerigo mezclar en el caliz. d. b. dois aspectos que contrastam claramente o espanhol atual com o espanhol antigo são a maior flexibilidade para fronteamento de constituintes no espanhol antigo e a maior possibilidade de fronteamento de objetos sem a recuperação com o clítico5. M. *?maravillosamente cantó Montserrat Caballé esa ária. rían esos c. como se ilustra em (6). esa aria la c a n t ó Montserrat Caballé maravillosamente. 1993. podem ser fronteados sem restrição em ambas as fases da língua6. Confessar =se d e ue uen pecados. tenho o objetivo de explicar o motivo desses contrastes entre as duas fases do espanhol. *?con una horquilla para el pelo ab abrían chorizos las puertas de los coches. a Alexandria de la Palla. Grande duelo av ie ien espanhol atual: b. p. (6) espanhol antigo: n las yentes christianas. por outro lado. 64/55/56) Em (7a). a. v ió Nuria andando e. em (7d) o objeto fronteado é o elemento interrogado. n los xpistianos de sus c. em (7c) o objeto fronteado deixa um vazio dentro da oração. em (7b). conforme os exemplos em (7) a seguir: Clitic left dislocation (CLLD) b.4 (FONTANA. O espanhol atual tem. A discussão se concentra nos complementos verbais já que os adjuntos. *esa aria c a n t ó Montserrat Caballé maravillosamente. pelo menos. p. Distintos tipos de fronteamento (5) espanhol antigo: a. sólo tengo romances. Deste lugar de Vigeva fue S. diferentemente do que acontece no espanhol atual. 107) mostra o seguinte contraste: . Left dislocation (LD) Librosi. ¿qué libros tienes? Wh-movement c. (7) a. 2. Topicalization7 3. 55/61/65/86) b) Os complementos verbais podiam ser fronteados sem a duplicação pelo clítico no espanhol antigo.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 231 r í a n los invitados el otro b. A Nuriai lei dieron un libro anoche. p. c. A noção de operador Como se observa pela rápida discussão acima. 1993. o XP fronteado não tem correspondência dentro da oração. Cinque (1995. d. Neste trabalho. (FONTANA. Discutindo a noção de operador. Libros. o objeto é recuperado por um clítico dentro da oração. dicen que Nuria tiene ___i. *?desde Cornellá v ol olv porque no habían autobuses. *visitar q u e er pabellón. quatro tipos de construções A-Barra.

é proibida. não pode ficar sem ser duplicado pelo clítico. o convidarei amanhã (não hoje) Cinque (1995) comenta que a falta de movimento-WH nesse tipo de construção é um argumento crucial10 tendo em vista que. “Línguas V2” tem sido uma etiqueta utilizada para classificar aquelas línguas nas quais o verbo finito aparece na segunda posição na oração e é precedido exclusivamente por um único constituinte seja qual for a sua função sintática13. Os dados em (9) também mostram que somente a topicalização é gerada via movimento-WH8 tendo em vista o paralelismo entre (9) e (10). Com relação ao exemplo em (10). Se o clítico é introduzido. loj invitero domani (non oggi) Gianni. o problema de (11) é que o DP “Gianni” não se caracteriza como um operador e o DP nulo dentro da oração não pode ser caracterizado como nenhum tipo de categoria vazia. a oração se torna agramatical não A pergunta que Cinque (1995) procura é responder é por que o DP em TopP. 108) oração é caracterizado como operador já que é derivado via movimento-WH . como no caso da CLLD. a categoria vazia é caracterizada como uma anáfora (vestígio de DP) e pode ser licenciada. é preciso explicar que tais diferenças estão relacionadas com diferenças mais profundas entre as duas fases da língua 12 . 9 diferenças apresentadas nos exemplos de (4) a (6) acima levaram Fontana (1993) a analisar o espanhol antigo como uma língua V2. O efeito V2 no espanhol antigo Antes de explicar as diferenças entre as duas (CINQUE. a categoria vazia poderia se caracterizar como variável já que seria vinculada pelo operador11. que não é uma variável). As Na análise de Cinque (1995). A inserção do clítico é uma estratégia de último recurso para licenciar a categoria vazia dentro do VP. não pode ser pro porque é não identificado. na CLLD. (11) *Giannij.232 (8) ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Giannij. a presença do clítico é requerida e. p. (9) GiANNIj (*loj) invitero (non Pietro) Gianni (*o) convidarei (não Pietro) Os dados em (8) e (9) mostram que. Quando o clítico é inserido. como em (8). Não pode ser PRO porque é governado. e não pode ser variável porque não é vinculado por um operador . este DP é capaz de vincular a categoria vazia dentro da oração caracterizando-a como variável. ho visto ___j Gianni. 1995. 109) fases do espanhol. mas porque o operador não pode vincular nenhuma variável (o operador vincularia o clítico. não pode ser vestígio de DP porque é livre na sua categoria de regência. 1995. a explicação vai no sentido contrário: como o DP no inicio da (10) *Chii loi inviterai? (CINQUE. Aux visto 4. se houvesse um movimento-WH . como mostra a agramaticalidade de (11): porque a categoria vazia fica sem ser caracterizada. na topicalização. p. Os exemplos abaixo ilustram essa característica do espanhol antigo: .

mais especificamente em FinP. has. O conjunto de ordem O-V com clítico aumenta. como não há um traço EPP d e mi paciencia t ole r ar que haya pued c. aqui c o mie historias de oriente dados em (12) a (15) oferecem evidências de que o verbo. se nota o interessante cruzamento de dados em Fontana (1993) e Pinto (2011): quando a ordem O-V sem clítico diminui. em FinP. No espanhol atual. p. E esta carta ot Garcíez. matando a tu madre (12) a. a Os exemplos em (12) ilustram a ordem V2 em oração matriz e oração subordinada. o objeto fronteado se caracteriza como um operador e pode licenciar a categoria vazia. no espanhol antigo. no espanhol antigo (e nas línguas V2 em geral). Por essa razão. 255) externa. b. (PINTO. 5. os dados em (14) ilustram a ordem Aux-S-V. quando se tem a ordem O-V. os exemplos em (13) ilustram a ordem O-V sem retomada clítica em oração matriz e oração subordinada. 2011. não se caracteriza como operador e a presença do clítico é necessária na CLLD e a presença de outro DP é necessária na LD. porque este cuerpo muchas lágrimas ha d e j a d o a sus parientes: y amargos dolores. o rg a la abatíssima Sancha oto rga (13) a. o traço EPP em CP. diferentemente do espanhol atual. Como o objeto não pode ser movido para SpecFinP. é possível ter uma explicação para o contraste entre as duas fases do espanhol. armas odiosas t o mast maste Clitemestra ro n el maestre don Pero b. assim como nas línguas V2. o que é um reflexo da mudança linguística16. e la priora doña María Fortúnez e tod el convento. si corazon has nz o el espiritu por las medulas mienz nzo (14) a. a dios d e b e hombre a d e lantar y p o ne primeramientre. que exibe movimento do verbo exclusivamente para IP14. Explicando o contraste entre as duas fases do espanhol A partir da exposição de Cinque (1995). Assim. si el deudor otros bienes t uv iese b.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 233 e . o verbo não se move para Finº e não permite que qualquer constituinte ocupe esta posição. que no pue oler subido en corazón humano conmigo en el ilícito amor comunicar su deleite. en todos los buenos hechos que quisiere comenzar. se movia para CP. atrai o verbo e o movimento do verbo para Finº permite que qualquer constituinte seja movido para SpecFinP15. mas somente pode ser concatenado diretamente em SpecTopP através da operação de concatenação (15) a. . que é caracterizada como variável deixada dentro do VP. como agora f ezie ezier Núnnez nza el libro de la flor de las mienza c. os dados em (15) ilustram construções de object shif . No espanhol antigo. y así co mie d esc e nd er : esce nde r ner b.

104-120. no caso da focalização. como as ilustradas em (16) a seguir. Tal movimento era desencadeado por questões meramente formais. p. Quando um objeto é movido. Phrase structure and the Syntax of clitics in the history of Spanish. Topic. principalmente de complementos circunstanciais. quantified A contraparte gramatical das orações em (16) no espanhol atual exibe obrigatoriamente a ordem V-O18 . Josep M.. In: RIZZI. Null Subjects and Verb Second Phenomena. a categoria vazia deixada dentro do VP precisa ser caracterizada de alguma forma: a) como esses elementos não possuem clíticos. POLETTO. p. No caso da tematização. esses elementos fronteados não se caracterizam como operadores e não podem caracterizar a categoria vazia como uma variável. como apontaram Hernanz e Brucart (1987) e Fontana (1993) nos exemplos ilustrados em (2) e (3).D. Quando esses elementos são tematizados. Gramática didáctica del español. No espanhol atual. Esta análise explica também porque o espanhol atual apresenta restrições à tematização . 1.D Dissertation. Em consequência disso. No espanhol antigo.). Dissertation. L. The Cartography of Syntactic Structures. são agramaticais no espanhol atual: Referências bibliográficas ADAMS. ed. podia ocupar a primeira posição sem a duplicação pelo clítico. Nova Iorque: Cambridge University Press. A conclusão que se obtém dessa discussão é que os objetos fronteados no espanhol antigo e no espanhol atual ocupam lugares diferentes na estrutura. . 8.. Por isso. qualquer constituinte. Guglielmo (1995). n. Natural Language & Linguistic Theory. b r antar ueb antar. From Old French to the Theory of Pro-Drop. No espanhol antigo. a periferia esquerda da oração é destinada para usos informativos.] (16) a. Marianne (1987a). a categoria vazia não pode ser caracterizada como uma anáfora. Cecilia (2004). o seu lugar de pouso é SpecFocP17. independentemente de sua função informativa. Complementos circunstanciais são selecionados pelo verbo lexical. Focus and V2: Defining the CP Sublayers. The Structure of CP and IP. o objeto é concatenado diretamente em SpecTopP. assim como os objetos diretos e NPs. E tod aquel quj esta carta q ue (1223) ue b r antar (1225) que ueb b. quyen esto q uisiese q BENINCÀ. esses complementos circunstanciais fronteados conseguiam caracterizar as categorias vazias deixadas no VP como variável porque se caracterizavam como operadores. orações do espanhol antigo. por isso. p. University of California. Marianne (1987b). [. b) como a tematização no espanhol atual é gerada via concatenação. ADAMS. 1-32. 2. como o verbo se movia para Finº e qualquer constituinte podia ocupar a posição de SpecFinP. and the notion of operator at S-structure. Bare quantifiers. FONTANA. Old French. v. Ph. CINQUE.234 6. Madrid: Ediciones SM. Paola. Italian syntax and Universal Grammar . 5. devido ao traço EPP de FinP. 52-75. o elemento em primeira posição ocupava SpecFinP. Oxford: Oxford University Press. v. (1993). Conclusão ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS indiretos. a ordem O-V em contextos neutros é banida já que não há lugar de pouso disponível para o objeto (SpecFinP não é uma posição ativa no espanhol atual). (2002). Luigi (org. In: ______. GÓMEZ TORREGO. Ph. University of Pennsylvania.

Language Variation and Change. RIZZI. dada. VIKNER. Residual verb second and the Wh criterion. Maria Luisa (1980). A noção de fronteamento que estou assumindo está relacionada exclusivamente com a ordem superficial. Liliane (org. VIKNER. Linguistic Inquiry. Oxford: Oxford University Press. ou seja. é posto em matização destaque. Universidade de Geneva (citado do manuscrito). KROCH. RIZZI. n. Pr incípios teór icos. subjects in the Germanic languages . In: BELLETTI. pressuposta ou como o tópico discursivo. 281-337. La sintaxis. tanto formais como funcionais. The C-Systen in brythonic celtic languages. Anthony (1989). p. 2011). Verb movement and expletive RIVERO. Sten (1995). p. predominantemente na periferia esquerda. Reflexes of Grammar in Patterns of Language Change. Kluwer: Dordrecht. 2. como informação conhecida. V2 and the EPP. F r ont eame nt o = EFEITO SINTÁTICO LINEAR em que um constituinte aparece no início da oração onteame eament nto (periferia esquerda). Ian (2004). 11-62. Parametters and functional heads. Ordem de palav ras. Universidade Estadual de Campinas. . Barcelona: Crítica. Oxford: Oxford University Press. The Structure of CP and IP. RIZZI. Te mat ização = ESTRATÉGIA DISCURSIVA na qual um constituinte é tematizado. In: RIZZI. Luigi (1997). Nova Iorque/Oxford: Oxford University Press. 2. A estratégia discursiva de tematização pode ser realizada através da operação com ou sem movimento sintático. SCHWARTZ. Luigi (orgs. v. Luigi (org. v. 363-393. movimento do verbo e efeito V2 na história do espanhol. Carlos Felipe (2011). The fine structure of the left periphery. p. 199-244. On Left Dislocation and Topicalization in Spanish. Elements of grammar. Adoto a seguinte distinção terminológica: To picalização = ESTRATÉGIA SINTÁTICA na qual um constituinte é movido de sua posição de base dentro da oração para a periferia esquerda. 2 Os termos tópico/topicalização são termos que cobrem vários fenômenos linguísticos e são usados por várias vertentes teóricas. Adriana. p. 11. María Lluisa. ou seja. 297328. 1. The Cartography of Syntactic Structures. Notas 1 Este trabalho faz parte da discussão sobre o movimento do verbo na história do espanhol apresentada em minha Tese de Doutorado (PINTO.). Bonnie. José María (1987). ROBERTS. In: HAEGEMAN. The Verb always leaves IP in V2 clauses. Luigi (1991). BRUCART.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 235 HERNANZ. La oración simple .). Tese de Doutorado.). v. sem considerar se há ou não movimento de constituinte. Sten (1996). assumo a topicalização como uma operação sintática de movimento A-Barra independentemente de seus efeitos discursivos. p. (citado do manuscrito) PINTO.

GÓMEZ TORREGO. Observar que esta definição é diferente da apresenta em algumas gramáticas do espanhol (por exemplo. 1980. já os adjuntos. o sintagma “en la mesa” é um complemento do verbo. Dinero. 8 Rivero (1980) assume que a topicalização é diferente de movimento-WH a partir de dados como (i) e (ii) (i) a. que a topicalização é um movimento A-Barra que deixa uma posição vazia dentro da oração. Tal contraste pode ser explicado pelo caráter do clítico. 2004. no lo vi. 2002). não. nas quais se diz que os complementos circunstanciais podem ser facultativos ou obrigatórios. é posto em destaque. no lo vi. sempre é derivado via movimento A-Barra (topicalização ). como a informação nova que completa a pressuposição ou o contraste que corrige a asserção anterior. (RIVERO. 6 É importante ter em mente a diferença entre complemento e adjunto verbal: complemento verbal é o elemento que é selecionado semanticamente pelo verbo. *¿Qué preguntan (que) quién tiene? (ii) a. ou seja. Quando o constituinte focalizado se encontra fora da sua posição canônica na oração. b. as orações em (ii) não deveriam ser possíveis. Os verbos são destacados em negrito.236 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Focalização = ESTRATÉGIA DISCURSIVA na qual um constituinte é focalizado. que é essencialmente definido: (i) A: ¿Viste al chico? B: No. como o catalão e o francês. para uma discussão detalhada da questão em modelos . te pregunta (que) por qué no tiene. Contudo se são o mesmo tipo de movimento ou não é irrelevante para a discussão (ver BENINCÀ e POLETTO. Dinero. a retomada só pode ser observada com objetos diretos e indiretos. B’: No. 3 Nos exemplos. p. exibem os mesmos fatos com outras funções sintáticas. as maiúsculas indicam que o constituinte recebeu a proeminência prosódica. preguntan (que) quién tiene. Assumo. Nesta definição. objetos indefinidos têm retomada facultativa. não necessariamente na periferia esquerda. 4 Parece haver alguma relação entre definitude e presença do clítico nesse tipo de construção: objetos definidos são obrigatoriamente retomados. (ii) A: ¿Viste algún chico? B: *No. como apresentei acima. 5 Como o espanhol tem um sistema de clíticos defectivo. na frase “Juan puso el libro en la mesa”. no he visto ninguno. 380) Se topicalização e movimento-WH fossem o mesmo tipo de movimento. Línguas que possuem um sistema de clíticos mais ricos. 7 O que Cinque (1995) chama de topicalização é equivalente a focus movement. Se esse movimento é usado como recurso de tematização ou de focalização é algo que pode variar entre as línguas. *¿Qué te pregunta (que) por qué no tiene? b.

a oração deveria ser agramatical já que orações relativas são caracterizadas como ilhas e não podem ter constituintes extraídos de dentro de si. que perdeu tal propriedade já há algum tempo. no Critério-WH por exemplo. O que é relevante é que ambas as construções são derivadas via um tipo de movimento A-Barra.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 237 minimalistas). como os quantifcadores nus. passa obrigatoriamente pela questão do movimento. of course. p.] If we fit a logistic curve to Priestley’s data via regression and compare the logistic transform of the fitted curve with Fontaine’s results. we obtain the pattern in Figure 5 below. efeito “that-trace” etc). the only effect of the change in accent on word order will be a decline in the rate of subject-verb inversion. Minha análise. e línguas assimétricas.. 11 Lembrar que a definição de operador de Rizzi (1991). Ver também Rivero (1980).. há línguas que. there will be an additional effect. No Capítulo 01 de Pinto (2011) fiz uma discussão bastante densa da questão e apresento fortes evidências com base no modelo cartográfico de Rizzi (1997) e nos argumentos apresentados por Vikner (1995) e Schwartz e Vikner (1996) de que o efeito V2 acontece sempre no campo CP. 15 Esta análise se baseia em Roberts (2004). nas orações subordinadas. que exibem o efeito V2 tanto em orações principais como em orações subordinadas. 1987. 16 Este aspecto também é trazido por Kroch (1989) a partir da proposta de Adams (1987a. observe-se o parâmetro do sujeito nulo: línguas de sujeito nulo exibem uma série de características que não são encontradas em línguas de sujeito preenchido (extração de sujeito de orações subordinadas. since the rise in left dislocation corresponds to the loss of topicalization. [. inversão livre. 13-14) . 1987b) sobre a história do francês: In sentences with preposed adverbs and prepositional phrases.. 9 Cinque (1995) diz um operador pode ser definido inerentemente. reversed the sign of the slope of the regression. (KROCH. ou estruturalmente. 1989. 10 Que este tipo de construção não é derivado através de movimento é evidenciado pelo fato de que podem aparecer em contextos de ilha. (HERNANZ e BRUCART. p. como mostra o exemplo do espanhol: (i) El dinero Maria ignora quién lo tiene. No caso das línguas simétricas. deixam o verbo na última posição da oração e há línguas que deixam o verbo na posição medial. Por exemplo. We have. exceto o inglês. 86) Se houvesse movimento do DP de dentro da oração relativa para o inicio da oração matriz. As línguas V2 são divididas principalmente em dois grupos: línguas simétricas. como alguns DPs em CP. an increase in the rate of use of the resumptive clitic pronouns required by left dislocation. 12 Tais diferenças reforçam a hipótese de que um parâmetro é uma série de características que se manifesta em conjunto. but in sentences with preposed noun phrase complements. 14 As análises propostas para o efeito V2 nas línguas humanas são muitas e diversas: há análises que propõem que o efeito V2 sempre implica em movimento do verbo para CP e há análises que propõem que há possibilidade de efeito V2 em IP (especialmente no caso das línguas simétricas). não se caracteriza como operador. 13 O grupo mais representativo de línguas V2 na atualidade são as línguas germânicas. que exibem somente o efeito V2 em orações principais. Se uma categoria não se move. No caso das línguas assimétricas. o efeito V2 em oração subordinada pode ser generalizado ou restringido. ademais. procura explicar a variação na manifestação no efeito V2 dentro do campo CP.

Por isso. o foco sempre se caracteriza como operador e qualquer constituinte pode se mover para a periferia esquerda.238 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 17 O movimento de constituinte é obrigatório na focalização por uma questão de escopo: o elemento focalizado precisa ter escopo sobre o restante da oração. 18 Em Pinto (2011.212) sintetizo a seguinte correlação: Contexto Focalização Tematização Neutro Espanhol antigo O-V O-V O-V Espanhol atual O-V O-cl-V V-O . p.

El primero iar io es el cuento que abre B est estiar iario io. por ruidos imprecisos. La lectura del tiempo como invasor de las casas es otra de las posibles interpretaciones: es el pasado. por la réplica de la estatua de un Chac Mool. obra que marca el estreno del escritor mexicano en 1954. de Julio Cortázar. lo que induce a una exaltación del alma en el lector. todas las palabras de la composición deben estar direccionadas a provocar. Sorprendiendo en sus finales. que será alcanzado con la fuerza derivable de la totalidad del texto. esos cuentos crean efectos que abren diferentes posibilidades para interpretar los abandonos de las casas por sus moradores. quien toma la casa en “Chac Mool”. En ambas narrativas. de Carlos Fuentes. desde su primera frase. caracterizado en la estatua. En los textos “Review of Twice-told tales” (1842) y “The philosophy of composition” (1846). Las escritas de esos cuentos respetan la brevedad y la intensidad reconocidas por Edgar Allan Poe. la lectura del cuento en una sola asentada . y el otro. y “Chac Mool”. y a la transferencia de identidades en relación a “Chac Mool”. Algunos críticos ya apuntaron alegorías al peronismo (que se apodera de Argentina) o a las inmigraciones (que se apropian de Buenos Aires) o mismo del lector (que se adueña del texto) en el caso de “Casa tomada”. cuentista que principió la teoría sobre el género. también iniciando el libro. el escritor estadounidense estableció principios en la estructuración del cuento que apuntan para una unidad de efecto. personajes de vidas solitarias y hábitos rutineros abandonan sus casas – herencias y recordaciones de patrimonios familiares – porque ellas son invadidas. Para eso.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 239 INVASIONES DEL TIEMPO EN EL ESPACIO DE LA CASA Carlos Garcia Rizzon UNIPAMPA Los acercamientos entre “Casa tomada”. figura de la mitología mexicana que simbolizaba un mensajero entre los hombres y Tlaloc. del año de 1951. . dios de la lluvia que propiciaba la agricultura. son muy perceptibles a los lectores de esos cuentos publicados en libro en la década de 1950. como sonidos sofocados o murmullos de una conversación. la otra. a su luz y de modo inverso. podemos leer al tiempo presente como siendo el deflagrador de la expulsión de los hermanos – siempre restrictos al mundo del pasado – en el cuento del escritor argentino. Una. hace parte de L os días e nmascar a d os enmascar nmascara os. sin interrupciones. el efecto deseado. en el final. Según Poe. se torna necesaria.

señaló algunas cuestiones más sobre la elaboración de los cuentos. 429) También Julio Cortázar. dará su sombra en nuestra memoria” (2004. Muy sutilmente el narrador nos atrae a su terrible mundo. regidas por rutinas triviales. rechazar la subjetividad del autor y volcarse a extrañamientos percibidos en la observación de la propia realidad cotidiana. Su pensamiento coincide con Poe cuanto a la brevedad y al efecto. otro escritor. entonces. (2001. 520). De esa forma. el relato de una historia bastante interesante y suficientemente breve para que absorba toda nuestra atención” (QUIROGA. vemos la sugestión de la complicidad del lector en la construcción del cuento. p. para Cortázar “un cuento es significativo cuando quiebra sus propios límites” (2004. O sea. 68). un fragmento de la realidad. Comparó esa escritura a una fotografía. p. aconsejándolos respecto a los textos. presentando normas para la producción de cuentos. preserva la idea de unidad y depuración con el objetivo de alcanzar una intensidad narrativa que sea atractiva. y publicada con el título de “Algunos aspectos del cuento” en la revista “Casa de las Américas”. “Tesis sobre el cuento”. Chejov observa también un carácter de apertura de la obra. el de explayar en quinientas páginas una idea cuya perfecta exposición oral cabe en pocos minutos. pues. Es un mundo poroso. 1970. p. actúa como una explosión que se abre a una realidad mucho más amplia. pues persiste retumbando en la mente del lector la continuidad de los acontecimientos. nt os d e amo r. Ese árbol crecerá en nosotros. d e lo cur ayd em ue r te autor de Cue uent ntos de amor de locur cura de mue uer (1917). donde la felicidad es imposible. Siguiendo conceptos que venían desde Poe. aborda . en palabras de Cortázar. p. Cortázar amplía la idea del efecto que el cuento provoca en el lector. en una conferencia proferida en Cuba. dice. que el cuento inicia por su final. “Chac Mool” y “Casa tomada” trabajan con la perspectiva de lo no acabamiento. En el mismo sentido y con sarcasmo. Otro texto teórico. Jorge Luis Borges comenta en el prólogo de Fic cio nes Ficcio ciones nes: “Desvarío laborioso y empobrecedor el de componer vastos libros. pues “el cuento literario consta de los mismos elementos que el cuento oral y es. que el cuento deba tratar sus temas sin exageraciones. Sin embargo. como este. En sintonía con las ideas de Chejov. Pensando en la ruptura de lo cotidiano que los cuentos de Chejov ofrecen. De la misma forma. redijo textos como “Manual del perfecto cuentista”. A pesar de no haber escrito artículos teóricos que tratasen de sus concepciones acerca del género. en que los seres se entrelazan”. probablemente por su ceguera. 1989. donde un recorte. presentó cuestiones respecto al cuento como narrativa. trascendiendo espiritualmente la imagen que muestra. 521-522). de Ricardo Piglia. en el final de la década de 1960. nuestros escritores igualmente se dedicaron a pensar sobre el cuento como género literario. el tiempo”. Y Borges continúa: “También se juega con la materia de que somos hechos. siendo exigida su participación en la creación de la historia narrada.” (BORGES. 516) y va más allá de lo que cuenta. Antón Chejov. es decir. el autor ruso mantuvo correspondencias con jóvenes escritores iniciantes para quienes exponía sus consideraciones. por ejemplo. p. con ironía. El uruguayo Horacio Quiroga. “todo cuento perdurable es como la semilla donde está durmiendo el árbol gigantesco. también escritor argentino. que es llevado a dar continuidad a la narrativa. mas que pueden ser extendidos también al protagonista del cuento de Carlos Fuentes – deliberadamente triviales.240 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS Aún en el siglo XIX. “Los trueques del perfecto cuentista” y “Decálogo del perfecto cuentista”. partiendo de los principios sugeridos por Poe y Chejov. En América Latina. en 1970. Sugiere. el cotidiano se refleja en las acciones de los “personajes – caracterizados por Jorge Luis Borges en análisis a los textos de Julio Cortázar.

la noción de lo fantástico no difiere de lo real. cerrando puertas y abriendo espacio para lo irracional: Aún según Piglia. al mismo tiempo o un segundo después. Los puntos de cruce son el fundamento de la construcción. 508-509) Fui por el pasillo hasta enfrentar la entornada puerta de roble [. dice más adelante. Encerrados en la seguridad de sus hogares – protecciones de lo ya establecido –.. 73) de lana para las tricotas de Irene. la cerré de golpe apoyando el cuerpo. y espaciosa y antigua la de los personajes de “Casa tomada”. de relaciones de causa y efecto. con el “fecundo descubrimiento de Alfred Jarry. Para Piglia. pues no hay sobresaltos o protestas. apenas buscan refugiarse cada vez más en el interior de la casa. 133) Cuando la invasión se hace completa. También lo oí. Tanto en uno como en otro cuento. como un volcarse de silla sobre la alfombra o un ahogado susurro de conversación. en el fondo del pasillo que traía desde aquellas piezas hasta la puerta. (p. Contrariando lo que podría ser natural. (2004. la historia secreta se construye con lo no dicho. en su análisis de […] a ese falso realismo que consiste en creer que todas las cosas pueden describirse y explicarse como lo daba por sentado el optimismo filosófico y científico del siglo XVIII. felizmente la llave estaba puesta de nuestro lado y además corrí el gran cerrojo para más seguridad. de Ernest Hemingway. las casas son descriptas como sólidas construcciones de tiempos imponentes. y otra aludida.] cuando escuché algo en el comedor o la biblioteca. Los hermanos. Trabajar con dos historias quiere decir trabajar con dos sistemas diferentes de causalidad. “un poco lúgubre en su arquitectura porfiriana” la casa de Filiberto. dentro de un mundo regido más o menos armoniosamente por un sistema de leyes. Representan mundos autárquicos y aislados. son incapaces de reaccionar a la invasión de los ruidos. (PIGLIA. Para Cortázar. de psicologías definidas. una que se lee en la superficie de las líneas escritas. Cada una de las dos historias se cuenta de un modo distinto. o sea. de geografías bien cartografiadas. apenas el hermano. Borges destaca. El sonido venía impreciso y sordo. Eso nos remete a la teoría del iceberg . 509). siendo apenas la cara oculta de la realidad.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 241 que el cuento presenta dos historias. tiene la costumbre de comprar madejas Cortázar comparte.. a la cocina. Los elementos esenciales del cuento tienen doble función y son usados de manera distinta en cada una de las dos historias. como dijo en la conferencia a los cubanos. las historias aparentes de las invasiones caracterizan formas literarias que subvierten padrones convencionales de la racionalidad. personaje de “Chac Mool”. prácticamente no salen de casa. oponiéndose. Irene y su anónimo hermano. Se dedican a la limpieza de la casa. p. el hermano a la lectura u ordenación de una colección de estampillas (“para matar el tiempo”) e Irene a los tejidos de lana (tal vez un “gran pretexto para no hacer nada”). de principios. es decir. de manera fantástica en el cuento de Cortázar y en el ámbito de lo maravilloso en el relato de Fuentes. con lo subentendido y con la alusión de la historia que está aparente. personajes de Cortázar. donde “podían vivir ocho personas sin estorbarse”. Lo perturbador en “Casa tomada” está en la actitud de los hermanos. p. De forma similar. 2000. En los cuentos “Casa tomada” y “Chac Mool”. . Los mismos acontecimientos entran simultáneamente en dos lógicas narrativas antagónicas. los sábados. la solución encontrada es el abandono de la casa. esos personajes presentan una falta de aspiración y una indiferencia con el mundo y la sociedad que los rodea. que se mueven en el terreno de lo fantástico sin distinguirlo de la realidad. comprendida por lo que está por detrás de ellas. el cuento es una historia que esconde una historia secreta. Me tiré contra la puerta antes de que fuera demasiado tarde. para quien el verdadero estudio de la realidad no residía en las leyes sino en las excepciones a esas leyes” (p.

. pues él se desequilibra mentalmente y llega a ofrecer “sus servicios al Secretario de Recursos Hidráulicos para hacer llover en el desierto” (p.. por el momento en el sótano mientras reorganizo mi cuarto de trofeos a fin de darle cabida” (p. Allí estaba Chac Mool. Si en la historia fantástica de “Casa tomada” hay una naturalización de lo irreal.. y se desbordó por el suelo y llegó hasta el sótano” (p. 15). mensajero que es. Así como el interior de las pirámides de los antiguos pueblos mexicanos preservaba los elementos culturales del pasado.] Todas las leyes naturales lo rigen. [. ocre. Sí. Pesadilla. p. (1989.. [. que lo obliga a buscar agua. (CARPENTIER. Esas actividades. Su interés por “ciertas formas del arte indígena mexicano” no pasa de un deseo coleccionista. no su contradicción. la profundidad del sótano comienza a reavivar Chac Mool. Pero ya está aquí. Cuando volví a abrir los ojos. en el cuento de Fuentes. percibidas con particular intensidad en virtud de una exaltación del espíritu que lo conduce a un modo de “estado límite”. A partir del momento en que Filiberto lleva la estatua a su casa. Así. todas en relación al agua. y otras imaginarias”.] Cuando sin aliento encendí la luz.242 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS “Casa tomada”. sin ningún carácter investigativo. No sé cuánto tiempo pretendí dormir. e irán interferir en su trabajo. una vez que “la tubería volvió a descomponerse. El cuarto olía a horror. donde la presencia concreta de una estatua gana vida y los elementos de lo maravilloso se asocian a los mitos de las culturas indígenas. inundando el sótano” (p. (p. interliga el pasado con el presente.. la estatua adquiere vida y lo hace prisionero y esclavo de sus deseos: Y ayer. alimentos e inclusive a ceder sus aposentos. [. que “la magia es la coronación o pesadilla de lo casual. sonriente. sin embargo. Para Bella Josef. con esa seguridad espantosa de que hay dos respiraciones en la noche. 28). 20-21) Dominado por la estatua.. de que en la oscuridad laten más pulsos que el propio. entre ellos. Filiberto es un funcionario público preso a una vida de rutinas y hábitos rígidos.] Chac Mool avanzó hacia la cama. Incauto. yuxtaponiendo los tiempos y alterando maravillosamente la realidad: […] lo real maravilloso comienza a serlo. El Chac Mool. un objeto decorativo sin ninguna significación histórica o religiosa. revelan actitudes mecánicas y superficiales. antes de llevarla a su cuarto de trofeos: “El traslado a la casa me costó más que la adquisición. él pasa a enfrentar una serie de perturbaciones. donde la réplica de un Chac Mool que él compra en una feria popular será nada más que un trofeo conquistado. aún no amanecía. Fue en el sótano que. Filiberto colocó la estatua del Chac Mool. Los tormentos de Filiberto seguirán en casa. en “Chac Mool” el “algo más” se revela por una sobrenaturalización de lo real. erguido. entonces empezó a llover. dejé correr el agua de la cocina. 16). primeramente. Vuelta a dormir. xvii) . Aumentando sus problemas. 21).. 15). p. 1976. el mundo de los antiguos mexicanos actuará sin ningún extrañamiento a la comprensión racional de la realidad. cuando surge de una inesperada alteración de la realidad (el milagro). elemento vinculado a Chac Mool en la mitología: “Amanecí con la tubería descompuesta. de una revelación privilegiada de la realidad.. se escuchaban pasos en la escalera. “na literatura hispano-americana. de manera inequívoca. de una iluminación incomún o singularmente favorecedora de las escalas y categorías de la realidad. creando una atmósfera en que la tensión mental es provocada por difusos e inexplicables ruidos de algo apenas mencionado. o mito passou a ser considerado o próprio real compreendido na simultaneidade de suas perspectivas prováveis” (1993. un despertar sobresaltado. visitar sitios arqueológicos y coleccionar piezas antiguas de la cultura mexicana. huir y dejar la casa es la única alternativa para Filiberto. y las lluvias se han colado. por fin. 335). con su barriga encarnada. p. a incienso y sangre.

sin criados ni vida familiar” (p. Irene rechazó dos pretendientes sin mayor motivo. Las lecturas de los mismos libros que el hermano hace no añaden nada. probablemente la casa haya interferido en las vidas de él y de Irene... Y las estampillas reordenadas en el álbum no alteran la preservada antigüedad. Sus actividades también son repetitivas. 21) retrata su conformismo por no haber alcanzado los planes idealizados en la juventud: “parecíamos prometerlo todo. la cola aquí. presentes y olvidados? [. Real bocanada de cigarro efímera.... hoy volví a sentarme en las sillas. Filiberto no acompañó los cambios: […] decidí gastar cinco pesos en un café. “ciertamente muy grande” y “única herencia y recuerdo” de sus . percepciones que se funden en la mente del personaje: […] todo es tan natural. ausente de valor e interferencia en la realización de su vida. Sin embargo. quedamos a la mitad del camino” (p. sin renovación.. sin alteraciones en sus hábitos. Si es real un garrafón. 132). o estar. y luego. como barricada de una invasión. acomodado a una existencia uniforme.]. una vez que consideraba que “desde 1939 no llegaba nada valioso a la Argentina” (p. sólo real cuando se le aprisiona en un caracol. En fin. Del mismo modo. mientras el mundo se transformaba con el tiempo.. pero esto lo es. reales. y a eso de las once yo le dejaba a Irene las últimas habitaciones por repasar y me iba a la cocina. pues no pasan de simples rellenos del tiempo. el interés por un Chac Mool no demuestra ningún conocimiento por una cultura. Como reconoce el hermano. y nosotros no conocemos más que uno de los trozos desprendidos de su gran cuerpo. con la ciudad misma. siempre puntuales. ya no quedaba nada por hacer fuera de unos pocos platos sucios. con la mitad de los cuartos bajo llave y empolvados. la fuente de sodas [.. Las ejecuciones mecánicas de sus tareas se tornan operaciones improductivas. 131) Filiberto es un sujeto de “tentaciones burocráticas”.] Realidad: cierto día la quebraron en mil pedazos. y lo que era una antigua representación divina se reduce a un objeto decorativo que se compra en una tienda de feria que vende recuerdos para turistas. (p. Es el mismo al que íbamos de jóvenes y al que ahora nunca concurro [. a mí se me murió María Esther antes que llegáramos a comprometernos” (p. si un bromista pinta de rojo el agua. real imagen monstruosa en un espejo de circo. los hermanos de “Casa tomada” preservan la casa “espaciosa y antigua” que “guardaba los recuerdos” de infancia por el hábito de “persistir en ella”. que no constituyeron familias y permanecieron estériles: “A veces llegamos a creer que era ella [la casa] la que no nos dejó casarnos. No existe ningún avance y ninguna construcción. Con el café que casi no reconocía. como relata el hermano: Hacíamos la limpieza por la mañana. es apenas un reflejo condicionado de su rutina.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 243 Cuando el Chac Mool se humaniza. Almorzábamos a mediodía.]. Océano libre y ficticio. apenas mantiene la evasiva función de evitar el Su esfuerzo en mantener la casa. pues en toda su trayectoria de vida “había habido constancia”. De igual manera. 19) padres. ¿no lo son todos los muertos. lo que le causaba algún sufrimiento: “Sentí la angustia de no poder meter los dedos en el pasado y pegar los trozos de algún rompecabezas abandonado” (p. 12). mecánica y mediocre. se cree en lo real. más que lo creído por mí. (p.. y más. la cabeza fue a dar allá. 11-12) La limpieza de la casa es una rutina que mantiene un pasado envejecido. Nos resultaba grato almorzar pensando en la casa profunda y silenciosa y cómo nos bastábamos para mantenerla limpia. habían ido cincelándose a ritmo distinto del mío”.. modernizadas – también. Es incapaz de ambicionar un cambio. Vivir “en aquel caserón antiguo. Filiberto ya no distingue lo que es realidad o delirio. porque nos damos mejor cuenta de su existencia. caracterizándose por la manutención de una disciplina que lo impidió de cualquier transformación o realización de un sueño. 131). (p. 11). levantándonos a las siete. pues no realiza relaciones con otras obras.

a los hombres. de la vida. La vida de los hombres es una vida en profundidad. [. Mas nos toca fazer que se convertam em fatos históricos mediante a identificação das relações que os define. Ya Irene. más recientemente. en “Casa tomada” los ruidos invasores pueden indicar el tiempo de la modernidad. “aparte de su actividad matinal pasaba el resto del día tejiendo en el sofá de su dormitorio. donde el ritmo de vida de viejos tiempos ya no encuentra lugar.. únicos seres previsores e históricos. este por no conocer y respetar el pasado. mas às categorias que ele nos legou. p. ou melhor. um conceito. independentes de nós. según Korzybski. É por sua existência histórica.244 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS contacto con los ruidos invasores. que cierran la casa y a sí propios con el intuito de impedir la novedad.] a veces tejía un chaleco y después lo destejía en un momento porque algo no le agradaba (p. irreal e impotente. correndo o risco de confundir o presente com aquilo que já não o é. lo que hizo nacer el imperialismo. sob pena de nos perder em um presente abstrato. despertadores y. Eso tornó la vida humana menos intensa y más extensa. que se reconhecem as categorias da realidade e as categorias de análise. Já não estaremos. son obligados a abandonar sus casas porque no ofrecen espacio al transcurso del tiempo. sua história. Si en “Chac Mool” es el pasado. Los sonidos de máquinas. 198) En esa clasificación. seja pela constatação da ordem segundo a qual eles se organizam para formar um sistema. Se puede vivir sin pensar” (p. ancho y profundidad. não ao passado. Jorge Luis Borges presenta tres dimensiones de la vida: Tres dimensiones tiene la vida. lo diferente y la transformación. La expulsión o el abandono de sus casas son fantásticas o maravillosas cobranzas que el tiempo hace del aislamiento de Irene y su hermano y de Filiberto. representado por la estatua de una cultura antigua. La permanencia y la conformación de lo establecido. el geógrafo Milton Santos observa: Para apreender o presente é indispensável um esforço no sentido de dar as costas. cabría a los vegetales acumular energía. Presos en las recordaciones y en la manutención de lo mismo. altoparlantes. vivir el tiempo. Vivir sin pensar es no reconocer el pasar del tiempo. Confortables en la mediocridad. no interior de uma estrutura social. todo conceito se esgota no tempo. p. que se apodera de la casa. La vida de los animales es una vida en latitud. como Filiberto. Se quiséssemos apreender o “presente como história” de Lukács e Sweezy. 135). Os fatos estão todos aí. y poco a poco empezábamos a no pensar. Sem relações não há “fatos”. exigiendo el reconocimiento de su presencia. alarmas de autos y llamadas de teléfonos celulares son marcas indisimuladas de nuevos tiempos. bocinas.. En ese sentido. então. Abdicando del tiempo y dado a la adquisición de objetos y pertenencias. 10) En el ensayo “La penúltima versión de la realidad”. um novo sistema temporal. assim definida. y aquellos por la indiferencia con el presente. (1989. deveríamos ver o passado como algo que encobre as raízes do presente. La segunda dimensión pertenece a la vida animal. . Tanto los hermanos de “Casa tomada”. La primera dimensión corresponde a la vida vegetal. um novo momento do modo de produção antigo. Conservar categorias envelhecidas equivale a redigir um dogma. sin alteraciones que agreguen novedades. citando diferentes pensadores. aún según Borges. un acumulador de piezas de arte indígena que desfigura y anula sus representaciones del pasado. sendo histórico. La vida de los vegetales es una vida en longitud. no se desenvuelven y no producen. del movimiento. La tercera dimensión equivale a la vida humana. no demuestran necesidades y tampoco ambiciones: “Estábamos bien. seja pela observação de suas relações de causa e efeito. isto é. Largo. 2002. el hombre materialista conquistó personas y territorios. apropiarse del espacio y. llevan a una inexistencia histórica. sin renovación o actualización. um modo de produção novo ou a transição entre os dois. los hermanos no crecen. (SANTOS. 131-132). a los animales. E.

8ª ed.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 245 Referencias bibliográficas BORGES. 17ª ed. São Paulo: Ática. Cuentos completos. JOSEF. Buenos Aires: Emece. Buenos Aires: Emece. Buenos Aires: Nemont. Vol. _____ (1989): Prólogo. 10ª ed. Prólogos. Buenos Aires: Emecé. GOTLIB. Formas breves. Carlos (2001): Chac Mool. Obras completas. Bestiario. PIGLIA.: Ediciones Era. _____ (2004): Algunos aspectos del cuento. Milton (1986): O presente como espaço. São Paulo: Hucitec. Montevideo: Arca. Julio (2008): Casa tomada. FUENTES. 11ª ed. 17ª ed. Bella (1993): O espaço reconquistado. Buenos Aires: Suma de Letras Argentina. Vol. Vol. 2. São Paulo: Paz e Terra. Horacio (1970): Sobre literatura: obras inéditas y desconocidas. Discusión. Barcelona: Anagrama. Jorge Luis (1989): La penúltima versión de la realidad. Alejo (1976): Prólogo. El reino de este mundo. Obra crítica. CORTÁZAR. México D. Ficciones. 2ª ed. Pensando o espaço do homem. CARPENTIER. Ricardo (2001): Tesis sobre el cuento. 2ª ed. QUIROGA.F. Nádia Battella (2006): Teoria do conto. 7. SANTOS. . Los días enmascarados. _____ (1992): Julio Cortázar: cuentos. 1. Obras completas. Buenos Aires: Punto de lectura.

Em um segundo momento. descrevemos fonética e analisamos fonologicamente os pedidos de informação e os pedidos de ação em ELE. morfológicos e sintáticos no ensinoaprendizagem de espanhol como língua estrangeira (ELE). No entanto. Nosso trabalho está organizado da seguinte forma: na sessão 1 definimos nosso objeto de estudo: . Considerando as diferenças prosódicas já descritas entre o PBLM e o ELM. contamos com julgamento de nove juízes nativos de seis áreas dialetais distintas e de três aprendizes de ELE. a parte prosódica ainda precisa de mais estudo e descrição.393). por parte de falantes de LM? Nossas hipóteses são: (a) os aprendizes cariocas de ELE realizam os pedidos de informação e os pedidos de ação – em ELE como o fazem em PBLM. Do ponto de vista fonético e fonológico. (c) a transferência prosódica da LM compromete a inteligibilidade e/ou gera um julgamento negativo da competência prosódica do falante de LE. inclusive em seu quadro de variações dialetais. a parte segmental está bastante descrita. (b) que características prosódicas esses falantes transferem de sua LM para a LE?. nos perguntamos: (a) como os aprendizes cariocas de ELE produzem o acento tonal de tais pedidos?.246 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS PEDIDOS DE INFORMAÇÃO E PEDIDOS DE AÇÃO EM PORTUGUÊS E EM ESPANHOL: UM ESTUDO ENTONACIONAL DE PRODUÇÃO E PERCEPÇÃO Carolina Gomes da Silva PG/UFRJ Maristela da Silva Pinto UFRRJ Priscila Cristina Ferreira de Sá PG/UFRJ Introdução Dispomos de uma quantidade de informação relativamente importante para a sistematização dos níveis lexicais. p. contrastamos o estudo realizado por Moraes (2008) para o PBLM com o de Estevas Vilaplana & Prieto (2008) para o ELM. respectivamente (MORAES. pretendemos com este trabalho realizar uma analise contrastiva de tais pedidos em português brasileiro como língua materna (PBLM) e em espanhol madrileno como língua materna (ELM). a fim de verificar a produção desses atos ilocutórios por aprendizes de ELE e a percepção de ditos atos por parte de nativos de diferentes áreas dialetais. 2008. com o padrão entonacional L+<H*L% e L+>H*L%. (b) os juízes reconhecem os pedidos. mas julgam a entoação dos aprendizes como insuficiente. ou seja. Já para o estudo da percepção. Como nosso objeto de estudo são os pedidos de informação e de ação. Para realizar o estudo da produção.

Cabe ressaltar que o enunciador espera que o ouvinte lhe dê uma resposta com sim ou não. na sessão 3 apresentamos os resultados e na sessão 4. com nível superior completo em Letras – Português/ Espanhol. 19932012). cariocas. na sessão 2 apresentamos a metodologia adotada. 1 do Peru. Já para o estudo da percepção. nossas discussões e conclusões. como em “Renata jogava?”.94). para o pedido de informação e H+L*L%. Santiago de Chile. Tais enunciados foram produzidos por dois informantes. ou seja. 2005.Metodologia Nosso trabalho se divide em duas partes: a primeira se refere à análise da produção dos pedidos de informação e de ação por falantes brasileiros de ELE. Para o estudo da produção. 2011. Comparamos esses 24 enunciados em 1. esses pedidos apresentam diferenças entre si. marcada na frase pela formulação interrogativa. para o ELM (fala madrilena): L*HH%. No entanto. Os contornos entonacionais dos enunciados analisados foram obtidos a partir do programa PRAAT (BOERSMA & WEENINK. professores de ELE e inseridos no mercado de trabalho. obser vamos o comportamento dos parâmetros acústicos de frequência fundamental (F0) e duração no tonema (último vocábulo tônico do enunciado) dos pedidos.102). ELE com quatro enunciados modelo. adultos. considerando o formato do contorno entonacional e seus movimentos. para o pedido de ação. isto é. para o pedido de informação e L+>H*L%. para o pedido de ação. 1 de Honduras. A segunda. San Salvador. 1 de Porto Rio. sendo dois de pedido de informação e dois de pedido de ação. embora o enunciador faça uma pergunta. extraídos dos trabalhos de Moraes (2008) para o PBLM (fala carioca) e de Estevas Vilaplana & Prieto (2008) para o ELM (fala madrilena). 3 do Chile. proposto por Pierrehumbert (1980) e Ladd (1996. como em “Destranca a janela?”. 1999) marcando o tonema (ou núcleo) a partir de um tom alto (H) ou baixo (L). pedidos de ação. Para dar conta da análise fonológica seguimos o sistema de notação Métrico Autossegmental (AM).Atos ilocutórios: Pedidos de informação e pedidos de ação Os pedidos de informação e os pedidos de ação equivalem a atos ilocutórios diretivos. com idade entre 25 e 35 anos. o enunciador pergunta algo que desconhece ao ouvinte e supõe que este detém a informação (KERBRAT-ORECCHIONI. p. diz respeito à percepção de ditos enunciados por falantes nativos de espanhol. Diferentemente dos pedidos de informação. 2 da Guatemala. espera uma ação verbal por parte do receptor. sendo seis de pedidos de informação e seis de Vilaplana & Prieto (2008).ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 247 pedidos de informação e pedidos de ação. Com relação à descrição fonética. espera-se o cumprimento de um ato qualquer. Usamos as propostas de Moraes (2008). 1984 apud Wilson. Andaluzia. ambos do sexo feminino. cidade da Guatemala. para o PBLM (fala carioca): L+<H*L%. Lima. Nos pedidos de informação. e as de Estevas 2. Descrevemos esses 24 enunciados foneticamente e os analisamos fonologicamente. p. nos pedidos de ação. ele espera uma ação não verbal por parte do ouvinte. correspondendo a tentativas do falante de levar o ouvinte a fazer algo (Searle. gravamos a leitura em voz alta de 24 enunciados interrogativos totais em ELE. selecionamos 12 enunciados e os deslexicalizamos para que fossem julgados por nove juízes nativos de seis áreas dialetais distintas: 1 da Espanha. San Juan e por três falantes de .

observamos que nos pedidos de informação os sujeitos implementam a F0 em ELE com uma subida. observamos que os sujeitos implementam a F0 em ELE com uma subida.1. em média. os pedidos de informação e os de ação são analisados segundo o reconhecimento dos atos ilocutórios e a avaliação da entoação dos aprendizes por parte dos juízes. Já para o estudo da percepção. se o juiz julgasse a entoação dada ao enunciado pelo sujeito como média e C . tônicas e pós-tônicas do tonema dos pedidos de informação e ação em ELE. como ilustrado no gráfico 1. como não b bo analisados. de 40 Hz da sílaba pretônica para tônica.248 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS ELE. Esses conceitos poderiam ser: A . Cabe destacar que os três juízes cariocas são professores de ELE.Resultados Para o estudo da produção. a seguir. Já nos pedidos de ação. B. todos do Brasil. Esses juízes/avaliadores. Rio de Janeiro. sendo dois do sexo feminino e uma do sexo masculino. com idade entre 20 e 45 anos.Produção Analisando os dados. em função da implementação da F0 e da duração. falantes de espanhol nativos ou não. ELM e ELE são os d e inf o r mação e d e ação o ne ma/núc le o (Hz): p e did Média d e F0 das v o g ais no t de leo pe didos de info de vo to nema/núc ma/núcle Gráfico 1: Variação de média de F0 nas vogais pretônicas. tiveram de definir o tipo de pedido (de informação ou de ação) e atribuir um conceito à entoação dada por nossos sujeitos aprendizes a cada um desses 12 enunciados. 3. após ouvirem cada enunciado. se o juiz julgasse a entoação dada ao enunciado pelo sujeito oa. em média. todos com nível superior. seguida de uma queda de 73 Hz da tônica para a póstônica. os pedidos de informação e os de ação em PBLM. seguida de uma queda de 65 Hz da sílaba tônica para a pós-tônica. assim como em função de sua configuração tonal. . se o juiz julgasse a entoação dada ao enunciado pelo sujeito como b o a . de 25 Hz da sílaba pretônica para tônica. 3.

393) Espanhol Europeu (fala madrilena): H+L*L% ( Estevas Vilaplana & Prieto. Tal atribuição se assemelha a atribuição tonal do PB. Sintetizamos estes resultados na tabela abaixo. sendo com alinhamento tardio (L+<H*L%). como exemplificado no gráfico 2. constatamos em nossas análises que os sujeitos realizam os contornos dos pedidos de informação e de ação em ELE com o contorno melódico final circunflexo L+H*L%. no primeiro caso e com alinhamento antecipado (L+>H*L%). nos pedidos de ação. nota-se que nos pedidos de informação há um alinhamento tardio na sílaba tônica. a distância em milissegundos correspondendo ao alinhamento tonal (pico. Análise Fonológica de Pedidos de Informação e Pedidos de Ação: Atribuição Tonal Pedido de Informação Português do Brasil (fala carioca): L+<H*L% (Moraes. 2008. sua língua materna e se diferencia do padrão descrito para o ELM. 393) Espanhol Europeu (fala madrilena): L*HH% (Estevas Vilaplana & Prieto. nos pedidos de informação e um alinhamento antecipado médio de 390ms (39%) do total da sílaba proeminente. 280) Espanhol/LE (falantes cariocas): L+>H*L% Tabela 1: Síntese das atribuições tonais para os pedidos de informação e os de ação. fala madrilena: um contorno melódico final ascendente (L*HH%) para o pedido de informação e um contorno melódico final descendente (H+L*L%) para o pedido de ação. p. No que concerne à atribuição tonal. Por outro lado. ou seja. . p. 2008. Qua dr oc o mpar at i vo da média d o alinhame nt ot o nal e mr e lação à sílaba p ro e mine nt e no t o ne ma/ Quadr dro co mparat ati do alinhament nto to em re pr minent nte to nema/ núc le o (%): p e did os d e inf o r mação e d e ação núcle leo pe didos de info de Gráfico 2: Há um alinhamento tardio médio de 890ms (89%) do total da sílaba proeminente. 280) Espanhol/LE (falantes cariocas): L+<H*L% Pedido de Ação Português do Brasil (fala carioca): L+>H*L% (Moraes. no segundo caso. p. 2008. vale) em relação à sílaba proeminente é superior a 60% da duração total desta sílaba. vale) em relação à sílaba proeminente é inferior a 40% da duração total desta sílaba. a distância em milissegundos correspondendo ao alinhamento tonal (pico. fala carioca.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 249 Com relação ao comportamento da duração. 2008. p. ou seja. observase um alinhamento antecipado na sílaba tônica.

nota-se que os juízes atribuem melhor nota para os pedidos de ação (7.0/2 5. nota-se que em 47% dos casos há reconhecimento dos pedidos de informação e 44% dos pedidos de ação.0/1 7.3/5 7.6/6 3. Rio de Janeiro Pedido de Informação 10.0/4 7. somente o prosódico. San Juan Brasil. San Salvador Peru. cidade da Guatemala Honduras. acreditamos que possa ter dificultado o reconhecimento por parte dos juízes.6/6 5. Com os resultados obtidos através do teste de percepção.6) do que para os pedidos de informação (6. Cabe ressaltar que houve um maior número de reconhecimento do pedido de informação pelos juízes (vide tabela 3). Notas at r ib uídas aos p e did os d e inf o r mação e d e ação atr ibuídas pe didos de info de Área dialetal dos juízes Espanha.0/1 6.8/3 8. Como utilizamos neste teste de percepção enunciados deslexicalizados. ou seja.6/7 5. sem o nível lexical.7). É interessante observar que uma matriz de confusão Mat r iz d eC o nfusão: P e did os d e inf o r mação e d e ação atr de Co Pe didos de info de Percepção Produção Pedido de Informação Pedido de Ação Pedido de Informação 34 40 Tabela 2: Resultados na matriz de confusão.250 3. . como ilustrado na tabela 2. Confrontando os dados referentes ao reconhecimento dos pedidos de informação e de ação.7/3 9.3/5 5.5/3 8. confeccionamos uma matriz de confusão.0/9 Pedido de Ação 10.7/11 Tabela 3: Avaliação do julgamento dos juízes. Pedido de Ação 38 32 Confrontando os dados referentes ao quantitativo de casos em que a intenção do aprendiz em produzir seus enunciados foi identificada pelos juízes. o que está sendo confundido com o que foi reconhecido.2. Andaluzia Chile. isto é. Santiago de Chile Guatemala. Lima Porto Rico.Percepção ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS permite confrontar pares binários de confusão.

). com alinhamento antecipado do pico na sílaba tônica. No ensino de espanhol como língua estrangeira são muitos os trabalhos que apresentam as dificuldades enfrentadas por um brasileiro aprendiz dessa língua. Campinas: IEL. Mário Eduardo (org. Já para o pedido de ação. KERBRAT_ORECCHIONI. p. Disponível em: http://stel. Acessado em 05/02/2012. em outras palavras. Paul & WEENINK. João Antônio de (2008): The Pitch Accents in Brazilian Portuguese: analysis by synthesis. 87 – 110. com a descrição dos contornos entonacionais dos enunciados na LM e na LE. Pilar (2008): La notación prosódica del español: una revisión del Sp_ToBI.hum. mas são poucos os estudos que tratam especificamente da relação entre entoação e atos ilocutórios. & PRIETO. MORAES.nl/praat/ ESTEBAS VILAPLANA. com este trabalho contribuir no ensino da oralidade do Espanhol como língua estrangeira.uva. Catherine (2005): Os atos de linguagem no discurso. com alinhamento tardio do pico na sílaba tônica. Niterói: EdUFF. empregam o sistema de sua LM pelo qual filtram a fala da LE. São Paulo: Contexto. por parte de falantes de LM. Esperamos. Em: BARBOSA.pdf.ub. David (1993-2012): Praat. Em suma. Referências bibliográficas BOERSMA. os aprendizes de LE têm elementos para contrastar marcas específicas da LM com as da LE e se tornam capazes de minimizar as transferências prosódicas de sua LM quando se expressam na LE. fato este que dificulta a inteligibilidade da produção oral do falante de LE e. Em: Estudios de fonética experimental XVII. CÉSAR (eds.edu/labfon/sites/default/files/XVII-15. Sandra & REIS. quando não compromete a inteligibilidade. Disponível em: http://www. Plinio. Em: MARTELOTTA.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 251 Conclusões Constatamos com este estudo que o acento tonal nuclear mais frequente produzido pelos falantes brasileiros aprendizes de ELE nos enunciados interrogativos totais que funcionam como pedido de informação apresenta subida da sílaba pretônica para tônica seguida de uma queda da sílaba tônica para pós-tônica. Eva. . Victoria (2011): Motivações pragmáticas.) Manual de linguística. portanto. WILSON. o acento tonal nuclear mais frequente apresenta subida da sílaba pretônica para tônica seguida de uma queda da sílaba tônica para pós-tônica.fon. gera um julgamento negativo da competência prosódica do falante de LE. os aprendizes tendem a se basear no sistema prosódico da sua LM. pois acreditamos que. MADUREIRA.: Proceedings of the Speech Prosody The Fourth International Conference in Speech Prosody.

as duas são descritas a par tir de modelos literários pré-existentes. como ambas são construídas a partir de um processo metaficcional. No poema “La señora Oriana a Dulcinea del Toboso” (DQ. que nos apresenta Aldonza Lorenzo. dura ella y vos no amante. Preliminares. por um lado. uma das mais misteriosas2. sem dúvida. Nossa intenção é mostrar como. p. p. Não há na obra de Cervantes uma descrição precisa da personagem. Preliminares. a influência da obra cervantina. do livro de Suassuna. Dulcinéia ora será descrita como uma linda princesa. em uma perspectiva comparatista. Neste trabalho pretendemos estabelecer algumas relações entre as personagens Dulcinéia del Toboso. sob diferentes perspectivas e. na obra O Romance d’ A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta. 27). ou seja. por outro. visamos observar. como “una moza labradora de muy . 152). no primeiro capítulo. mas uma multiplicidade de pontos de vista 3 que incidem sobre ela e que propiciam inúmeras leituras de Dulcinéia. Necio él. I. tanto Dulcinéia como Heliana são apresentadas ao leitor de forma ambígua. Das 669 personagens que compõe a obra de Cervantes (RILEY. sugerindo-nos a possibilidade de uma união carnal entre Dom Quixote e Dulcinéia e colocando sua honestidade em dúvida: Y si la vuesa linda Dulcinea. p. En tal desmán vueso conorte sea Que Sancho Panza fue mal alcagüete. Dulcinéia é. podemos observar diferentes pontos de vista sobre a personagem. Ni a vuesas cuitas muestra talante. honesta y sabia” e em “De Solisdán a Don Quijote de la Mancha”. Já nos poemas introdutórios. Iniciemos por Dulcinéia. I. da obra cervantina e Heliana. (DQ. o “eu lírico” atribui a castidade de Dom Quixote à incompetência de Sancho como alcoviteiro. Dulcinéia é descrita como “famosa.252 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS DE DULCINÉIA A HELIANA: PERSPECTIVISMO E METAFICÇÃO Célia Navarro Flores Universidade Federal de Sergipe – UFS Em nossa pesquisa atual1. ora como uma feia prostituta. do escritor brasileiro Ariano Suassuna. Desaguisado contra vos comete. 33) Essa dualidade da personagem será reforçada e reiterada ao longo da obra. A única descrição mais confiável seria a do narrador. 2000. mais especificamente o livro El ingenioso hidalgo Don Quijote de La Mancha.

Segundo González (2010). su patria. I. corais. Sancho também sentiria um desejo reprimido por Dulcinéia e. su frente campos elíseos. pero hame de dar licencia el señor don Quijote para que diga lo que me fuerza a decir la historia que de sus hazañas he leído. 141-142) Nesta descrição. “inventa” Dulcinéia del Toboso. ni con otras deste jaez. de quien están llenas las historias que vuesa merced bien sabe. como em português. ou seja. con las Alastrajareas. puesto que se conceda que hay Dulcinea en el Toboso o fuera de él.. sua voz se assemelha ao som de um sino e é uma mulher de talhe robusto (“qué rejo tiene”). pescoço. Dom Quixote mobiliza todo um sistema de descrição do modelo feminino herdado da literatura renascentista 5: a descrição a partir da parte superior do corpo (cabelos. no capítulo 25 da primeira parte (p. no capítulo 1 da primeira parte. A perspectiva de Dom Quixote sobre Dulcinéia é oposta a de Sancho. y que sea hermosa en sumo grado que vuesa merced nos la pinta. o duque põe em dúvida a existência e a linhagem de Dulcinéia e novamente se alude à literatura ao comparar Dulcinéia com as damas dos livros de cavalarias: — Así es — dijo el duque. olhos. mas um escritor.. a expressão “todos los imposibles y quiméricos atributos de belleza que los poetas 6 dan a sus damas”. bochechas. su blancura nieve (. 32) Vejamos agora como Ariano Suassuna se vale da mesma estratégia para criar a personagem Heliana. nessa descrição. da qual o protagonista é Sinésio. p. Sancho a rebaixa ainda mais ao compará-la a uma prostituta afirmando que ela “tiene mucho de cortesana: con todos se burla”: “cortesã” também significa. não é delicada como uma princesa. mármol su pecho. alabastro su cuello. Vejamos rapidamente dois pontos de vista: o de Sancho e o de Dom Quixote. ou seja.. à diferença de Dom Quixote. episódio em que Sancho engana Dom Quixote ao afirmar que três feias lavradoras seriam Dulcinéia acompanhada de duas damas. um cavaleiro que — após ser raptado e preso — volta . p. Quando Sancho descobre que Dulcinéia é Aldonza Lorenzo. “prostituta” e “burlar com alguém” pode significar “ter relações sexuais” — também a descrição das atividades realizadas por Aldonza (“rastrillando lino o trillando en las eras”) tem conotação sexual. o protagonistanarrador.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 253 buen parecer”4 (DQ. Dom Quixote conscientemente a descreve a imitação dos “poetas”. marfil sus manos. Enfatizamos. II. con las Madasimas.). estaria tornandoa uma mulher acessível a ele. Como todo bom cavaleiro. tomando como modelo uma vizinha por quem durante algum tempo andou apaixonado. pues es reina y señora mía. el Toboso. Alonso Quijano necessita uma dama por quem se enamorar e. (. lábios. dentes. Sancho cria o que González chamou de “la antidulcinea”. p. 44). sobrehumana. sus cejas arcos del cielo. sol. Dom Pedro Dinis Ferreira-Quaderna.. en lo de la alteza del linaje no corre parejas con las Orianas. ao rebaixá-la a uma e prostituta. sobrancelhas. perlas sus dientes. 13. O romance que está escrevendo é uma epopeia. Na obra de Suassuna. su calidad por lo menos ha de ser princesa. 1. No capítulo 32 da segunda parte.). testa. de donde se infiere que. pérolas etc. Dom Quixote descreve Dulcinéia diversas vezes. un lugar de la Mancha. a qual se personifica no capítulo X. sus mejillas rosas. a intenção de Sancho é destruir o universo de Dom Quixote. 283).. sus labios corales. da segunda parte. (DQ. su hermosura. Ao longo do livro de Cervantes.. peito e mãos) e a comparação com elementos nobres da natureza (ouro. uma das melhores descrições é a do capítulo 13 da primeira parte. ele diz que ela seria uma mulher de “pelo en pecho” — que tanto pode significar “valente” quanto referir-se ao caráter masculinizado de Dulcinéia —. não é um cavaleiro.) Solo sé decir.) que su nombre es Dulcinea. —(. (DQ. I. pues en ella se vienen a hacer verdaderos todos los imposibles y quiméricos atributos de belleza que los poetas dan a sus damas: que sus cabellos son oro. sus ojos soles.

. presenciou um ato estranho de Heliana: a acompanhante da moça.) É por causa de Heliana que ele (o pai delas) prefere viver isolado. Quaderna considera “uma coincidência epopeica. Dulcinéia é inventada por Dom Quixote a partir de um processo metaficcional. 498) (. o narrador nos conta que a moça possuía hábitos estranhos e constrangedores. 2007. 499). Gustavo conta a Clara que. com um graveto. contou que Gustavo descreveu a Clara o ato obsceno de Heliana. Assim como Dulcinéia. Heliana é a perfeita dama de cavaleiro andante dos livros de ficção. Clara conta que a família já está acostumada com as esquisitices de Heliana: — “La em casa.. que desempenha o papel das “dueñas” dos livros de cavalarias. parenta de Clara conta a Quaderna que ouviu uma conversa entre Clara e Gustavo. Quaderna nos conta que Sinésio havia se apaixonado por Heliana quando ainda crianças. p. Heliana é apresentada ao leitor por meios tortuosos: Quaderna conta ao Corregedor que uma informante sua. desabotoou o vestido e começou a passar mel nos mamilos. a dama pintada em seu escudo aparece com as mãos cobertas. porém o pai de Sinésio e o de Heliana tinham acordado que Sinésio se casaria com Clara. Maria Elvira. Heliana sempre foi meio estranha e selvagem. porém. Ou seja. Maria Elvira. naquela Fortaleza afastada (SUASSUNA.254 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS para vingar a morte de seu pai. a não ser. Sinésio7. Quaderna nos conta que costumava dar consultas astrológicas em seu gabinete. Nessa conversa. Heliana é mostrada em diferentes facetas. ao nos apresentar a personagem sob diferentes perspectivas. Quaderna observa que em sua capa havia um escudo bordado com a figura de uma mulher de cabelos soltos e com as mãos cobertas. nós já estamos todos habituados com as estranhezas de Heliana! Não é que eu tenha vergonha nenhuma dela. “estranha e selvagem”. Heliana retirou o mel da colmeia. 207. Entretanto. Até aqui. Se por um lado é a dama dos livros de cavalaria. 207. sempre são outros personagens que se referem a ela. a qual é descrita como uma dama dos livros de cavalaria. Como vimos.). 47) o fato de que Heliana. como veremos. ocultamente. fizera uma pequena fogueira para afugentar as abelhas de uma colmeia e. o amor da vida de Sinésio. coincidentemente. Assim como Dulcinéia. da mesma forma que Cervantes criou a antidulcinéia. mostrando-nos uma faceta da personagem que se opõe à imagem de perfeita dama. mesmo quando os outros acham que aquilo é mais do que esquisitice!” (SUASSUNA. Tais quais as damas dos livros de cavalaria. “Nós já temos passado por outras situações semelhantes. a senhora idosa. Em uma delas. logo o amor de Sinésio por Heliana era secreto e impossível. nunca ouvimos a voz de Heliana.. o cavaleiro está enamorado por uma mulher que cobre as mãos e. Com isso queremos evidenciar o fato de que Heliana é a típica dama dos romances de cavalaria. personagem que estava enamorado por Clara. astrosa e fatídica” (SUASSUNA. Como vimos. todas constrangedoras. as irmãs Heliana e Clara vivem isoladas em uma fortaleza construída pelo pai e são acompanhadas por uma criada. ou . Poderíamos dizer que. Ao descrever as roupas do Donzel Sinésio. p. não acho nada de censurável no que ela faz. vivia com as mãos cobertas e não permita que nenhum homem as descobrisse. que vive isolada do mundo por seu pai e que tem seu rosto estampado no escudo de seu cavaleiro. irmã de Heliana. é a mulher lasciva. Ariano Suassuna está criando uma antiheliana. assim como Dulcinéia. Encontramos aqui a dicotomia pureza/lascívia presente na personagem de Cervantes. por outro. que unta os seios com mel. desde menina! (. A dama de Sinésio é Heliana.. ela apresenta algumas ambiguidades. a história de Heliana passou de boca em boca até chegar aos ouvidos do corregedor e aos olhos do leitor. uma senhora idosa.

porém. na obra de Suassuna temos três: Clemente. Heliana apresenta facetas opostas: o “negro escarlate da paixão e a cassa da Pureza”. era espanto e unidade. macio. mas se conjugam. Ao mencionar Lucíola.. Depois. presente em Dulcinéia. não em contradição e separadamente. isto é. Heliana. nas quais há também reis e rainhas como no xadrez e há os naipes com duas cores. Fogo presente também coxas”. a urze. tendo conhecido Heliana como menina-e-moça e. morena. Essa unidade buscada a partir de oposições (a união dos contrastes) é constante na obra de Suassuna. neste breve trabalho vimos como a personagem do Romance d’A Pedra do Reino. ela estava com doze anos. “c c hamas embebida em mel”. Posteriormente. Seu amor era “vinho.. poderia dizer dela tudo o que José de Alencar disse de tantas outras. pelo que pude ver e adivinhar de seu amor por Sinésio.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 255 seja. entretanto. peão. o Vinho. (. as duas são opostas. loura e angélica. Para Suassuna popular e erudito não se opõem. Quaderna atribui a Heliana a faceta prostituta. cavalo. irmã de Gustavo e noiva de Arésio. o amor felino da Onça jovem e fêmea. personagem do livro de Cervantes por diversos vieses. Heliana pode ser comparada com Dulcinéia del Toboso. deriva de Helios. O mesmo processo ocorre com Heliana. Clemente preferia a dama (negros contra brancos). o negro-escarlate da Paixão e a cassa da Pureza. Heliana é considerada a dama de um cavaleiro e é apresentada ao leitor por. Enquanto na obra de Cervantes. e sim em unidade. 504) fragmento “o mel de abelhas” e “embebidas em mel” — elemento relacionado à Heliana. Sr. Corregedor. mais sofisticado e reproduz os personagens da corte (rei. O movimento armorial9 encabeçado por Suassuna nos anos 70 procura criar uma arte erudita a partir das raízes populares. Genoveva como Isabel: uma. fruto e chamas embebidas em mel”. O mel. como a Emília de Diva. Assim como Dulcinéia. jogo mais simples e popular. “ambas a r rd te s”. Para ele. o calor e o sol são elementos recorrentes no Romance d’A Pedra do Reino. 2007. Quaderna compara Heliana às personagens de Alencar: (.. “aveludada pela pubescência”. e era daí que se originava também a penugem macia e rara que lhe dourava as coxas “alvas mas amorenada pelo sol” (. fino. diferentemente de Dulcinéia. De fato. uma recorrência de e e no cio”. “morenadas pelo sol em seu nome.) (SUASSUNA. Samuel preferia o jogo de xadrez. pelo menos. que é a síntese dos dois: moreno.). como moça e mulher. o mel de abelhas. é uma síntese das duas. que era irmão de Sinésio. negro. assim era Heliana! E eu. a urtiga. dourado. Essa ideia de síntese está na própria concepção da obra de Suassuna: o Romance d’A Pedra do Reino é um modelo do que Suassuna chama de “romance armorial”. fogo e canto do sangue. as cartas. pois Heliana. que é descrita em comparação com as mulheres das obras de José de Alencar. na “atitude da corça arisca”.. a outra. ardente e no cio. temos dois protagonistas que aparentemente se opõem (Dom Quixote e Sancho). segundo o narrador. rainha. Mas Heliana juntava tudo isso. “f a d o ”. O cabelo dela era como se tivesse sido formado somando-se o louro de Ceci e Clara com o escuro de Lucíola e Isabel.. ambas ardentes. sempre separando em muitas o que. quando Dom Quixote descreve sua amada a partir dos retratos femininos da Literatura renascentista. depois. em Heliana. É que. torre etc). como vimos anteriormente — também apresenta a cor do sol. unindo a Verbena. imagens relacionadas ao fogo: “ar ard nte ar d e nt den t es f o g o e o canto do sangue”. Inicialmente. o fogo de Isabel e o angelical de Ceci. essas oposições estão em perfeita unidade. com “H”. Assim como Dulcinéia..) Clara era como Cecília8. duas diferentes perspectivas: a mulher casta Notamos no fragmento. “d d our av a as oura “d oura d our sol”. p. quando eu e Sinésio vimos pela primeira vez aquela que seria a Dama e princesa de sua vida. Vejamos. que aparece duas vezes no . O fogo. a mesma idade da irmã de Lucíola. Samuel branco e Quaderna. que significa “sol”. a ficção se remete à própria ficção. Enfim. Era um fruto verde. Quaderna compara Clara com Genoveva Moraes. como o jogo de damas. para dar um castanho-claro. despertava nela a mulher. e Quaderna.

no qual ele apresenta os principais estudos sobre o tema. em um processo de metaficção. Notas 1 2 A pesquisa conta com o apoio do CNPq. Sobre Suassuna e o movimento armorial. FLORES. Emblemas da sagração armorial. RILEY. Heliana apresenta as características de uma dama (rosto pintado no escudo e amada secretamente pelo cavaleiro Sinésio. (2000) Ideales e ilusiones. DIDER. Rio de Janeiro: José Olympio. nº 14. Tanto uma como outra é descrita. Sancho Pança e Dulcinéia del Toboso . Barcelona: Crítica. Para um estudo mais profundo sobre a construção da personagem Dulcinéia na obra de Cervantes. Edward.256 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS e a lasciva. 3 Sobre o perspectivismo no Quixote. (2000) Modos de ser. a partir da própria literatura. porém uma cortesã para Sancho. Cide Hamete Benengeli. . é mentiroso. Em Introducción al Quijote. CLOSE. p. Em Lemir . assim como Dulcinéia é uma princesa para Dom Quixote. pp. remetemos o leitor ao texto de Close (2005. Miguel de (1998). Mario M. SUASSUNA. é descrita como “estranha” e pratica atos. RILEY. de José de Alencar. tese defendida na Universidade de São Paulo. Ariano Suassuna e o movimento armorial 1970/ 76. Anthony. ver DIDIER (2000). GONZÁLEZ. Em Introducción al Quijote. Edward. Dulcinéia é descrita por Dom Quixote a partir dos retratos femininos da poesia renascentista e Heliana é uma das personagens femininas de José de Alencar. 262-276). à imitação dos cavaleiros ficcionais. (2007) Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai e volta. ver nossa tese de doutoramente “Da palavra ao traço: Dom Quixote. vive isolada em uma fortaleza) e. 4 Lembremos que Dom Quixote desautoriza o narrador/autor. 5 6 7 Lembremos do famoso poema de Góngora “Mientras por competir con tu cabello”. Dirigida por Francisco Rico. 205-215. Ariano. 8 9 Cecília e Isabel são personagens de O Guarani. Barcelona: Crítica. em determinado momento. Lembremos que. ao mesmo tempo. Dom Quixote pretende pintar um retrato de Dulcinéia em seu escudo. Referências bibliográficas CERVANTES. Da palavra ao traço: Dom Quixote. em 2007. Recife: Editora Universitária da UFPE. Don Quijote de La Mancha . (2000). Edición del Instituto Cervantes. Sancho Pança e Dulcinéia del Toboso. Maria Thereza. quando diz que por ser árabe. que poderíamos considerar lascivos. Em La concepción romántica del Quijote. (2005) Perspectivismo y existencialismo. Barcelona: Crítica. Grifo nosso. Célia Navarro (2007). Barcelona: Crítica. (2010) Las transformaciones de Aldonza Lorenzo. defendida na Universidade de São Paulo.

À época (século XVIII na América espanhola).UFF Neste trabalho abordo o comportamento da personagem Sierva María de Todos los Angeles da obra Del amor y otros demonios de Gabriel García Márquez. da posição social considerável em sua cidade e de um nome de batismo católico. tuvo una infancia de expósita. hija de noble y plebeya. ela dormia na rede do pátio dos escravos junto das outras escravas da casa. Durante o vice-reinado da Colômbia. a personagem adquire um comportamento semelhante ao dos escravos e. Tal personagem é uma menina branca que fora criada no pátio dos escravos de sua casa. é quem a cria dentro de seus costumes. esse discurso servia à legitimação da inquisição e do sistema escravocrata. aguça a suspeição já existente sobre seu comportamento identificado com o ethos dos escravos. pois após seu nascimento foi negligenciada por seus pais. La madre la odió desde que le dio de . uma estratégia da Igreja Católica para a perpetuação do poder eclesiástico através da imposição do discurso religioso. além de possuir um nome de batismo visivelmente católico. Trata-se de uma menina que possui um comportamento identificado com o ethos negroafricano. Seu comportamento rotulado como “negro” passa a ser mal interpretado pela sociedade local. Devido a essa criação. quando. Sierva María de Todos los Angeles é uma personagem complexa. reproduzidas pela personagem. E foi ali que cresceu: La niña. estigmatizavam-se as pessoas que contraiam a raiva (Rhabdoviridae). que não aceita nenhuma explicação médica. recebe também um nome com a marca da migração interlinguística crioula. constitui. escrava governanta da casa. Dominda de Adviento. dado por sua mãe. Para a Igreja. principalmente pela Igreja Católica. que não ultrapassa os 13 anos de idade. do título de marquesa. por isso. a menina é vítima de uma manifestação demoníaca. apesar da pele branca. Mesmo tendo um quarto na casa grande. no romance. A demonologização das práticas culturais de origem negro-africana e ameríndia.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 257 SIERVA MARÍA DE TODOS LOS ÁNGELES E MARIA MANDINGA Cinthia Belonia PG . após ter sido mordida por um cachorro raivoso em companhia de negros. que caracteriza um ato de exclusão e discriminação: María Mandinga.

Por isso híbrida. ela possui características do pluriculturalismo que identifica muitos povos colonizados. A Dos habían desaparecido. p. Stuart Hall afirma que: A distinção de nossa cultura é manifestadamente o resultado do maior entrelaçamento e fusão. . y un tercero había muerto del mal de rabia en la segunda semana. y siempre con una máscara. sin duda escamoteados por los suyos para tratar de hechizarlos. Afinal. 91). era capaz de atravessar a fronteira que há entre senhores e escravos. 2011. o Hemisfério Sul da escravidão e o Hemisfério Norte da diáspora e da migração. proporcionava a Sierva María um sentimento de proteção em relação à sociedade escravocrata. através da metáfora literária. A história de Sierva María inicia após ela ser mordida por um cachorro na rua quando passeava com uma das escravas fazendo compras para a festa de seus 12 anos.258 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS mamar por la única vez. 2007. a marquesinha branca cresceu diferente dos seus. 2007. de diferentes elementos culturais africanos. Graças a essa criação negra. ao mostrar que em sociedades estratificadas até os cachorros são preconceituosos. no sentido do suplemento derridiano. na qual nenhum colonizado poderia experimentar a mesma liberdade que ela. como un ser inmaterial (MÁRQUEZ. Sierva María aprendió a bailar desde antes de hablar. Como uma hispano-americana que era. y estaba agonizando en el hospital del Amor de Dios (MÁRQUEZ. por não podermos classificar a personagem numa única identidade. p. Había un cuarto que no fue mordido sino apenas salpicado por la baba del mismo perro. Além dela. Ele atravessa as fronteiras entre senhor e escravo. mas. O que toma (o) lugar. conseguindo passar entre os cristãos sem ser vista. p. a beber sangre de gallo en ayunas y deslizarse por entre los cristianos sin ser vista ni sentida. y se negó a tenerla con ella por temor de matarla. podemos chamar de astúcia. Dominga de Adviento la amamantó. Sierva María estava completamente sã. ela não era uma deles. A exclusão geográfica. asiáticos e europeus. na fornalha da sociedade colonial. Sobre esse hibridismo. p. É possível que o narrador tenha escolhido esses personagens para sublinhar. Fazendo sua mãe acreditar que o cachorro contraíra raiva após mordê-la. ele abre um espaço interalar entre os dois locais do poema. o preconceito étnico-social. la bautizó en Cristo y la consagró a Olokun. cor. baseada em suas estruturas simbólica e espacial comuns – a estrutura maniqueísta de Fanon – articuladas dentro de diferentes relações temporais. a instância subalterna que executa a sua vingança circulando sem ser visto. culturais e de poder (BHABHA. filha dessa colonização. 2007. também foram mordidos três escravos negros. como nos ensina Bhabha. e essa livre transição não era permitida aos colonizados. Sobre esse aspecto da personagem. Caracterítica típica dos negros e dos colonizados para sobreviverem num mundo de repressão. além de transitar também no mundo dos negros por se identificar com os mesmos. por mais que se parecesse com eles devido aos costumes que mantinha. Meses depois: O pátio dos escravos constituía o local onde Sierva María se sentia livre para manifestar seu comportamento dúbio sem sofrer nenhum tipo de discriminação.24). Sobre isso o pensador indo-britânico Homi Bhabha em O local da cultura nos diz que: A invisibilidade apaga a autopresença daquele “Eu” em termos do qual funcionam os conceitos tradicionais de agência política e domínio narrativo. Esta duplicação resiste ao tradicional elo causal que explica o racismo metropolitano contemporâneo como resultado dos preconceitos históricos das nações imperialistas.54). una deidad yoruba de sexo incierto. O que ela de fato sugere é uma nova compreensão de ambas as formas de racismo. demarcada pela fronteira que separava o pátio da Casa Grande. cuyo rostro se presume tan temible que sólo se deja ver en sueños. é o mau olho desencarnado. Transpuesta en el patio de los esclavos. aprendió tres lenguas africanas al mismo tiempo. Esse resultado híbrido não pode mais ser facilmente desagregado em seus elementos “autênticos” de origem (HALL. que então se tornam estranhamente duplicados no centenário fantasmático do inconsciente político. Pois a menina tinha liberdade para transitar no mundo dos brancos por ser essa a sua Diferente das outras vítimas. 31). mas também não tão igual aos negros.

E de fato a menina se comporta de forma diferente entre um e outro. mas sim assume os valores negro do povo no qual se identificava. nada mais é do que uma criação europeia. aos olhos do Fanon retoma Sartre. 2008. colonizador. E alternava seu nome com um nome africano que havia inventado: María Mandinga. Esse comportamento se apresentava nas danças africanas que a personagem aprendera desde muito nova.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 259 ironia. que diz que “é o antisemita que faz o judeu” (SARTRE apud FANON. para poder dizer . o status de humanidade. afroreligioso e africano (Mandinga). a forma como a mãe se referia à filha. sua mãe já a considerava de um comportamento diferente. é porque o negro e o índio adquirem status de humanidade e as suas culturas começam a ser repensadas dentro dos novos enfoques da História (CHIAMPI. Mesmo assim “estaba dispuesta a hacer la farsa de las lágrimas y a guardar un luto de madre adolorida por preservar su honra. principalmente aos brancos. Ao falar a língua dos negros. 2007. p. visto que: Toda a projeção eufórica do mestiço passa pela reabilitação dos seus componentes raciais: se a mistura de sangues se torna aceitável para o branco. p. O negro. exemplifica. Como a cor é sinal exterior mais visível da raça. católico e europeu (Maria) com o negro. p. no entanto. sem se levar em conta as suas aquisições educativas e sociais. não poderiam sofrer a humilhação de ter uma filha com raiva. por ter sido colonizado e escravizado. excluindo-a e exilando-a em um mundo (o dos escravos) onde a carga semântica do nome ganha.90).116). Renomeando a filha. ela suporta. uma com seus semelhantes e outra com o branco. traduzindo o preconceito étnico-cultural característico do período colonial. Como se só confiasse nos negros. o desprezo dos povos fortes e ricos por aqueles que eles consideram inferiores. possuía hábitos e valores negros. Mesmo antes da menina ser mordida pelo cachorro. pois antes . se igualando sempre aos negros. Frantz Fanon fala em Pele negra Máscaras brancas que o negro tem duas dimensões. o peso desse povo. As raças de pele clara terminaram desprezando as raças de pele escura e estas se recusam a continuar aceitando a condição modesta que lhe pretendem impor (BURNS apud FANON. por identificação cultural e afetiva. conotação pejorativa. Sabendo disso. congo e iorubá. pois comia com as escravas o que era servido no pátio onde eles viviam. Desenvolveu. Considerava a menina de uma presença fantasmagórica e muito assustadora. p. E “ella le aumentaba el susto con una retahíla en lengua yoruba” (MÁRQUEZ. Sierva María assume essa cultura. aqui.56). 2007. Ela não assume os valores da metrópole. Bernarda Cabrera marca a diferença entre as duas. Tal nome era uma forma da mãe demonstrar seu preconceito com os negros e com o comportamento da filha que se assemelhava ao deles. um paladar culinário exótico comparado com o europeu. 2008. a menina aproveitava para assustar a mãe fazendo um barulho estranho. o costume de mentir por vício. através dela.25). Possuía. que a menina conhecera antes mesmo do castelhano. nas línguas mandinga. ela tornou-se o critério através do qual os homens são julgados. além desse comportamento. Sua mãe costumava dizer que a única coisa que a menina tinha de branco era a cor. p. por isso o índio e o crioulo (nesse caso não se trata da cor da pele) não adquiriram. tão comum nas obras de García Márquez. que quem cria o inferiorizado é o racista: O preconceito de cor nada mais é do que a raiva irracional de uma raça por outra. con la condicíon de que la muerte de la niña fuera por una causa digna” (MÁRQUEZ. através de Burns. por isso de uma posição social insegura. sendo ela filha de índio e seu marido um crioulo1. Pois. e depois o amargo ressentimento daqueles que foram oprimidos e frequentemente injuriados. também. como diz Fanon. Um nome que combinava o branco. do país colonizador. 110). Sierva María era branca.

cristão e vodu. uma possessão demoníaca e o sucesso em seu exorcismo. com isso. Mas o que incomodava a Igreja era a sabedoria do médico. e os dois dizem que Deus os deu meios para salvar sua alma. Dessa forma. 160). 2011. do estrangeiro e colonizador. pôde sentir a “África” devido à forma como os deuses africanos foram combinados com os santos cristãos no vodu haitiano. Quem fazia a ligação entre os dois mundos nos quais a menina vivia era Dominga de Adviento. antes de iniciar seu trabalho” (HALL. fazendo isso no dia seguinte: “Fue en la última celda de ese rincón de olvido donde encerraron a Sierva María. E assim. mas sim para o “camino do branco. em todo lugar há a différance. O bispo diz ainda. se é negro – tanto faz se isso se refira à sujeira física ou à sujeira moral” (FANON. segundo Hall. E foi nesse hibridismo que Sierva María cresceu. não é estranho o fato de Sierva María ser considerada uma possessa por apresentar um comportamento negro. era uma boa propaganda para a Igreja Católica. considera junto a este que o corpo da menina não tem salvação. o padre-bibliotecário e braço direito do bispo. está presente em toda a América Latina no “pecado-contriçãoabsolvição”. dom Toribio de Cárceres y Virtudes. animal e. do opressor” (FANON. pois a diferença é essencial ao significado. agonístico uma vez que nunca se completa. E acrescenta: “fala-se de trevas quando se é sujo. sin orden ni concierto” (MÁRQUEZ. Delaura. Fanon afirma que o negro é visto pelo branco como a figura do mal. a escrava governanta da casa e quem criara Sierva María: “Se había hecho católica sin renunciar a su fe yoruba. numa época de Inquisição. Na Europa o mal é sempre representado pelo negro. E assim como Dominga de Adviento. até mesmo.] Trata-se de um processo de tradução cultural. que vive na indecidibilidade da cultura negra a de sua etnia branca. p. a los noventa y tres días de ser mordida por el perro y sin ningún síntoma de la rabia” (MÁRQUEZ. Em Os condenados da terra. 2008. Esse hibridismo. do amo.. marquês de Casalduero. O escândalo dos vexames e desvarios de Sierva María chega aos ouvidos do bispo da diocese. tanto na figura do carrasco quanto na figura de Satã. 2011. p. p. Ele alerta ainda que o termo “hibridismo não se refere a indivíduos híbridos. além da escrava Dominga de Adviento. leva-a até a cozinha. o diabo. p. e explica que o que há com ela é uma possessão. 2007.76-77). como um selvagem. pois o baile na terça-feira de carnaval vem seguido da missa na quarta-feira de cinzas. que se atém a duas religiões. ela . y practicaba ambas a la vez.67). como é o caso da personagem aqui trabalhada. que a menina não deveria estar aos cuidados do médico Abrenúncio. Stuart Hall fala sobre o hibridismo religioso que presenciou tanto no Haiti como na Jamaica. 20). A menina é internada num convento porque. Pois a Igreja é de brancos. o marquês de Casalduero se convence de que deve internar sua filha no convento de Santa Clara. p. do pecado. o contemporâneo pintor francês André Pierre “fazia uma prece a ambos os deuses.260 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS do contato com o branco ele não se sentia inferiorizado por nenhuma outra raça. e este é crucial à cultura. 38). 71). Ao querer salvar a alma da personagem. onde. Ao perguntarem o que aconteceu com seu tornozelo. por este ser judeu. que representa a razão na obra. e sabia que a personagem não estava possessa. Nos diria Hall. uma das escravas do local a vê no pátio e reconhece os colares de candomblé. p. [.. 2007. mas que permanece em sua indecidibilidade” (HALL. Este conversa com o pai da menina. segundo Hall. p32). 2007. 1961. pois o que se dizia nas ruas era que a menina “rueda por los suelos presa de convulsiones obscenas y ladrando en jerga de idólatras” (MÁRQUEZ. Fanon diz que a Igreja das colônias não chamavam os colonizados para a religão. o que o bispo realmente pretende é colonizar e usá-la como exemplo e demonologizar as práticas culturais oriunda dos negros e ameríndios. Ao chegar no convento.

78). 2007. Al almuerzo se comió un plato con las criadillas y los ojos del chivo. Sierva María recupera seu mundo: Ayudó a degollar un chivo que se resistia a morir. y les ganó a todos. en síntesis. intimamente relacionadas y privilegiadas en ese mundo) eran contrarias a la ‘civilización’ y a las ‘buenas constumbres’. claro de que não há provas de que a menina esteja de fato possessa. Sempre que alguém tenta tirar seus colares (Sierva María usava colares de candomblé. Lê saco los ojos y le cortó las criadillas . Como haviam dito para ela que a menina estava possuída. naquele convento ela tem todas as condições possíveis para que isso aconteça. tudo o que acontece daí em diante no convento será atribuído aos demônios presentes em Sierva María. anormais. E diz ao bispo que as atas onde as clarissas anotavam o comportamento da menina serviam mais para justificar a mentalidade da abadessa que o estado de Sierva María. o con las bestias de cualquier pelaje (MÁRQUEZ. considerados por elas. E diz que o que parece demoníaco para eles (católicos) são os costumes negros que a menina aprendeu ao viver no pátio dos escravos após o abandono dos pais.. Ao ser informada de que o canto era produzido pela “possessa” que ela aguardava. en congo y en mandinga. 2007. outro motivo forte que levava a Igreja a condenar (através da Inquisição) as pessoas é o fato de se tratar de uma estratégia de controle e dominação políticosócio-cultural. p. Cayetano Delaura fora incumbido pelo bispo de cuidar do caso. Jugó al diábolo con los adultos en la cocina y con los niños del patio. além de uma escapulário) ela se altera com muita agressividade. p. foi para a cozinha erguendo o crucifixo que trazia pendente ao pescoço. Cayetano Delaura é o único na obra a perceber que a acusação de possessão feita pela Igreja à menina foi devido à intolerância e ignorância desta para com o comportamento negro e afro-religioso da personagem. que eran las partes que más lê gustaban. Além da intolerância e ignorância. Ao conversar com a abadessa deixa . Cantó en yoruba.107) A abadessa do convento ao ouvir o canto da menina fica deslumbrada com sua voz. p. E ao conhecer Sierva María. mejor que ellos mismos entre si. E assim.) Una niña endemonia dentro del convento tenía la fascinación de una aventura novedosa (MÁRQUEZ. p. E diz ainda que mesmo que não esteja possuída. eurocidental y católica (CORONEL. representada por la clase dominante. y aun los que no entendían la escucharon absortos. Mas as clarissas. Sobre as atas: Decían que la niña se había complacido descuartizando un chivo que degolló con sus manos. y se comió las criadillas y los ojos aliñados como fuego vivo. A Igreja condenava à fogueira ou a outros castigos todos aqueles que.49). pareciam ter mais curiosidade que medo: Pero los terrores de las clarisas eran contradictorios.84).ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 261 responde que sua mãe fez isso com uma faca. mas todas as freiras do convento lhe atribuem todos os acontecimentos. movidas pelo tédio. vê apenas uma menina pura e indefesa.. E quando perguntaram seu nome. Não só a abadessa. 1993. usa desse estratagema para esconder a verdade sobre o tornozelo mordido pelo cão raivoso. pois como tinha o costume de mentir por vício. disse Maria Mandinga. noviças do convento de Santa Clara. Segundo o filólogo cubano Rogelio Rodríguez Coronel: Queda explícito. (. Hacía gala de un don de lenguas que le permitía entenderse con los africanos de cualquier nación. la celda de Sierva María se convirtió en el centro de la curiosidad de todas. de certa forma. no entanto não sabe ainda de quem se trata. Sendo considerada pelas freiras dona de uma força de outro mundo. 2007. blanca. pues a pesar de los aspavientos de la abadesa y de los pavores de cada quien. que las manifestaciones ‘de caráter africano’ (precisamente las religiosas y las danzarias. guisados en manteca de cerdo y sazonados con especias ardientes (MÁRQUEZ. ameaçavam sua hegemonia religiosa e política.

. passando.) . Gabriel García (2007): Del amor y otros demonios. o negro nascido nas Américas. Faculdade de Letras – PósGraduação. p. a ignorância) – inclusive nas zonas de culturas autóctones superiores (CHIAMPI. Serafim Ferreira. que por serem considerados inferiores pelos europeus e seus descendentes de cor branca.Belo Horizonte: EdUFMG. _______ (2008): Pele negra máscaras brancas. 103-5. dominando também de crioulo o dialeto falado por essas pessoas. Belo Horizonte: EdUFMG. o termo identificava os que nasciam e eram educados nas Américas sem ser originários delas como os ameríndios. Sierva María. animais e plantas que se transportaram para o continente americano a partir de 1942. em Conceitos de Literatura e Cultura. refere-se à lógica sincrética do crioulo vernacular como modelo inclusivo com um majoritário aporte de construções sociais. a escravidão. Rio de Janeiro. Sobre essa América Chiampi afirma: Os elementos que compõem a imagem da América bárbara são identificados com a herança espanhola (a Inquisição. os escravos e a população nativa dessa Colômbia.. como já havia dito Fanon. Eliana Lourenço de Lima Reis. ULISSEIA. Forma e Ideologia no Romance Hispano-Americano. Rogelio Rodríguez (1993): Marginalidad y literatura en textos afrocubanos de origen yorubá . de classes subalternas. o termo crioulo não só indica os membros. a indicar. Irlemar (1980): O Realismo Maravilhoso.) O Novo dicionário de língua portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira define crioulo como: o indivíduo de raça branca.110). nº1. o despotismo) e com o substrato indígena (a perfídia. Referências bibliográficas BHABHA. sua família. respectivamente. afro-religiosos e primitivos. o dialeto português falado em Cabo Verde e em outras possessões portuguesas da África. Editora Perspectiva. que. era facilmente visto como algo demoníaco.262 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS García Márquez apresenta em Del amor y otros demonios uma América de brancos. a indolência e o primitivismo são construções estereotipadas que legitimavam a visão deturpada. Trad. do europeu sobre os povos das Américas. Magdala França Vianna. Nota 1 O termo crioulo é “egresso do latim criare com o sentido de educar.) Na América hispânica. Centro de Letras e Artes. A contraposição América e Europa no antagonismo entre a inocência do primitivo e a degeneração da razão é representada na obra por. MÁRQUEZ. não percebiam que o que a menina tinha era um comportamento diferente do europeu. a indolência. muitas vezes carregadas de preconceito. também. e. nascidos nas Américas. 1980. Homi K (2007): O local da cultura . Renato da Silveira. mas. Gláucia Renate Gongalves. E o definiram como uma possessão.. Crioulização e Crioulidade. fanáticos em suas crenças.. Buenos Aires: Debolsillo. p. (. Trad. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Frantz (1961): Os condenados da terra. o primitivismo. CORONEL. HALL. CHIAMPI. O que na verdade era um comportamento semelhante ao dos escravos. e de negros. no segundo caso. A perfídia. católicos de ascendência européia. In: Terceira Margem: Revista de Pós-Graduação em Letras. Salvador: EDUFBA. 2005. Brasília: Representação da UNESCO.” (cf. Lisboa: Ed. pela abadessa e pelo bispo. entretanto. nascido nas colônias europeias de além-mar. Miryam Ávila. (. Stuart (2011): Da diáspora: identidades e mediações culturais . FANON. Ano 1. particularmente as das Américas. por extensão. homens de todas as raças.

perdidos en la noche de los tiempos. que componen el entorno de su niñez y adolescencia. 1989. la obra de Lorca no ha dejado de expandirse hasta alcanzar una posición universal en el mundo de la literatura. Pocos escritores en lengua castellana han alcanzado una trayectoria semejante después de su muerte. MITOS Y CLAVES DEL IMAGINARIO ANDALUZ EN LA POESÍA DE FEDERICO GARCÍA LORCA Clara Pajares Gil Universidade Federal de Viçosa Desde su violento asesinato en 1936 a manos del bando fascista. creencias. Ya desde inicios de la Edad de Piedra se encuentran muestras de culturas prehistóricas en Andalucía. además de las experiencias y lecturas particulares. entre el Atlántico y el Mediterráneo. p. las mismas que han dado lugar a una región cuyos orígenes. En ella se encuentra la Punta de Tarifa que es el lugar más al sur de la Europa continental y el más cercano al continente Africano. Y entre las múltiples propiedades que hicieron de su obra un tesoro inmortal se encuentra ese ingenio único para mezclar en un cóctel singular la tradición milenaria y la vanguardia. imágenes.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 263 ESPACIOS. de los paisajes. se debaten a medio camino entre el mito. entre África y Europa. Nos acercaremos a un poeta que es heredero de viejísimas culturas.87). y foco de atracción de grandes civilizaciones. en este trabajo se recorre la palabra del escritor granadino a la luz de los ingredientes de los que se ha nutrido la historia y el fértil imaginario de su tierra natal. la leyenda y la historia. etc. Una región mucho más cercana a Marruecos que al propio norte de España. En los valles del Guadalquivir y del . Andalucía. universalizando Andalucía y convirtiéndola en un espacio mítico en el que confluyen todos los grandes temas y las grandes preguntas (GARCÍA-POSADA. leyendas. tan sólo catorce escasos kilómetros de agua separan ambos continentes. La posición geográfica de Andalucía la convirtió en tierra de paso de diversos pueblos ya desde la prehistoria. así como del conocimiento adquirido gracias a una enorme curiosidad hacia la historia de su propio pueblo. Con la pretensión de ser capaces de abrir ventanas inéditas desde las que poder asomarse a la obra lorquiana. supersticiones. La formación del complejo universo simbólico lorquiano se nutre. Se ha considerado un lugar geoestratégico al hallarse en el extremo sur de la Península.

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Guadalete se encontraron guijarros tallados como primer exponente del paso del homo hábilis y ya en el último estadio del Paleolítico superior, la etapa llamada magdaleniense aparecen las primeras manifestaciones artísticas del hombre de CroMagnon andaluz en diversas cuevas malagueñas y gaditanas. Algunas de éstas, tras el paso y la huella de sucesivas generaciones prehistóricas, acabarían convertidas en auténticos santuarios profusamente decorados con toda clase de motivos zoomórficos, cinegéticos, mágicos etc. Destacan también, repartidos por casi todo el territorio andaluz, los monumentos funerarios megalíticos (MAZARRASA, 1980, p.33-48). Varios de estos sepulcros fueron encontrados en la provincia de Federico García Lorca, Granada. Eran monumentos dedicados al culto de los antepasados, generalmente levantados en lugares altos (para ver y ser vistos), en sociedades que comenzaban tener una relación particular con la muerte y a conceder importancia a la memoria de sus antepasados. Hay quien, como Gómez-Moreno, considera que los monumentos megalíticos andaluces de la Edad del Hierro constituyen el único testimonio arqueológico capaz de sustentar racionalmente el mito de los Tartesios (MAZARRASA, 1980, p.48). Caro Baroja, sin llegar a mencionar ninguna civilización, afirma: “Es lícito pensar que acaso algunos de los grandes sepulcros megalíticos andaluces fueran hechos para grandes reyes de tipo faraónico” (MAZARRASA, 1980, p.52). No sería una aberración pensar que el poeta granadino pudo encontrarse cerca de alguno de estos mausoleos arcaicos, estudiarlos u oír hablar de ellos en algún momento de su infancia. El culto de la tradición andaluza a la muerte (cuyo origen, como vemos, nos remonta al Neolítico) es un tema recurrente en la literatura lorquiana. El poeta dice que España es un país de danzas milenarias (haciendo alusión a pueblos ancestrales) y también de muerte, donde la gente cobra verdadera importancia después de abandonar la vida. Un país que exhibe a sus difuntos, donde “un

muerto está más vivo como muerto que en ningún sitio del mundo” (LORCA, 2004, p.154). En los escritos lorquianos se manifiesta un especial interés por las primeras civilizaciones que pasaron por Andalucía, como la de los tartesios. Situada a medio camino entre la Prehistoria y la Historia, en la llamada Protohistoria, la tartesia fue considerada por los griegos como la primera civilización de Occidente. Esta cultura, según el arqueólogo e historiador Adolf Schulten, prosperaría gracias a la riqueza metalúrgica de la zona (enclave importante de comercio de cobre y estaño) (MAZARRASA, 1980, p.55) que atraería a fenicios, griegos e indoeuropeos. Y la imaginación de algunos antropólogos y estudiosos (entre los que se encuentra el propio Schulten) ha querido asociarla a la fabulosa Atlántida de Platón, que algunas teorías presuponen que fue levantada en el espacio correspondiente al actual Parque Nacional de Doñana. A manos de Lorca llegaría un artículo que Schulten publicó en la Revista de Occidente en 1923 y que se refiere a los tartesios como la civilización más antigua de occidente (JOSEPH Y CABALLERO, 2006, p.21). Numerosos autores de la Antigüedad cuentan historias sobre los tartesios. Estesícoro, en su poema Gerioneida , habla de un fundador de la dinastía tartésica, el rey Gerión, poseedor de rebaños de vacas y toros. García Lorca también lo menciona en su ensayo Juego y teoría del duende : “Allí estaban los Floridas, que la gente cree carniceros, pero que en realidad son sacerdotes milenarios que siguen sacrificando toros a Gerión”. Este sería quizá un modo literario de situar históricamente un primer precedente de la tauromaquia, a la que Lorca dedicará poemas como La cogida y la muerte o Llanto por la muerte de Ignacio Sánchez Mejías. Justino, escritor romano del s.II d.C., habla de los habitantes del bosque de los tartesios, cuyo rey fue Gargoris, padre de Habis. Habis había sido fruto de amores incestuosos (cosa frecuente en las dinastías divinas

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de la tradición mítica mediterránea) y sería considerado como un rey muy beneficioso para su pueblo, dictando las primeras leyes, enseñando a labrar la tierra y dividiendo la sociedad en castas. En su Ora Marítima, Avieno (poeta latino del siglo IV d.C.) alude a la tierra tartesia (identificándola con el territorio correspondiente a la actual Cádiz) como a una ciudad opulenta. En Juego y Teoría del duende Lorca menciona al que fue considerado el último rey tartesio: “Allí estaba Ignacio Espeleta, hermoso como una tortuga romana, a quien preguntaron una vez <¿Cómo no trabajas?>; y él, con una sonrisa digna de Argantonio, respondió: <¿Cómo voy a trabajar, si soy de Cádiz?>” (LORCA, 2004p. 152) Heródoto nos cuenta que el rey tartesio Argantonio gobernó durante ochenta años (entre 630 y 550 a.C aproximadamente). Pero a partir del año 500 a.C ya no se tienen más noticias sobre los tartesios. Su desaparición aún continúa siendo un misterio (MAZARRASA, 1980, p 51-63). Después de los tartesios las civilizaciones más destacadas (previas a la conquista católica de la Península completa en 1492) que pasaron por Andalucía fueron: Turdetanos, griegos, fenicios, cartagineses, romanos, vándalos, visigodos, musulmanes y judíos. Se calcula que los gitanos llegarían a la Península en el siglo XV y proliferarían (aunque despreciados y marginados) sobre todo en época de dominio católico. Este cúmulo de costumbres, tradiciones y religiones heredadas de todos estos pueblos aparece claramente reflejado en los versos lorquianos. Pero lo interesante es de qué modo se presentan estos elementos, originalmente amalgamados y manifestando asociaciones interculturales estilizadas por la subjetividad artística del genio granadino que revelaban el mestizaje que Lorca respiraba en su propio ambiente. Si nos deslizamos atentamente a través de sus versos, observaremos que Lorca era conocedor de la historia de Andalucía anterior al catolicismo y al

islamismo. Encontramos multitud de referencias a la Antigüedad Clásica. Alusiones a los dioses del panteón, como en el poema San Rafael: “Y mientras el puente sopla/ diez rumores de Neptuno, / vendedores de tabaco/ huyen por el roto muro” (LORCA, 2012, p.84) A la cultura latina en poemas como El emplazado: “Y la sábana impecable, / de duro acento romano, / daba equilibrio a la muerte/ con las rectas de sus paños” (LORCA, 2012, p.101) O a las guerras púnicas, recordemos el poema Reyerta en el que dice: “Han muerto cuatro romanos/ y cinco cartagineses” (LORCA, 2012, p.66). Para Lorca, Andalucía representaba, entre otras cosas, un pequeño oriente dentro de occidente, generado básicamente gracias a las aportaciones de dos culturas: la árabe y la gitana (esta última llegada desde la Península indostánica). Los musulmanes permanecerían más que ninguna otra civilización en el sur de la Península ibérica (casi ocho siglos), por eso su influencia en la literatura y en las diversas artes será capital. Hasta el punto de que con ellos nacen las primeras manifestaciones líricas (conservadas por escrito) en español, las jarchas (aquellos poemillas breves, en lengua romance que acompañaban a las extensas moaxajas árabes o hebreas). Lorca había nacido en un pueblo, Fuentevaqueros, de la provincia de Granada, la ciudad de la Alhambra, último baluarte del islam hispánico. En la poesía lorquiana aparecerán referencias al pasado musulmán, frecuentemente diluyendo el elemento árabe en otros de la tradición cristiana (al igual que ocurría en Al Ándalus). En el poema San Rafael encontramos: “El arcángel aljamiado/ de lentejuelas oscuras” (LORCA, 2012, p.85) O en el poema San Miguel dice: “San Miguel, rey de los globos/ y de los números nones/ en el primor berberisco/ de gritos y miradores” (LORCA, 2012, p.82). Algunos símbolos característicos de la escritura lorquiana, como la luna y el color verde, también guardan una estrecha relación con la cultura

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árabe. La luna es el símbolo del islam, cultura que también concederá importancia a la noche desde un punto de vista literario. Y el color verde, del que tanto se ha hablado, constituye dos de las franjas de la bandera de Andalucía (a este verde se le ha llamado verde omeya , haciendo alusión a la dinastía de Al Ándalus). También el verde es el color de los infinitos olivares del sur de España y remite a la piel morena “aceitunada” de los gitanos. Su poema Crótalo es otra muestra del gusto del poeta por remontarse a un pasado remoto cuyos objetos guardan un vínculo estrecho y casi secreto con otros de la actualidad. En dicho poema Lorca establece una evidente conexión entre el antiguo instrumento musical de la tradición oriental y las castañuelas. Llama al crótalo “escarabajo sonoro”, imagen que se corresponde bastante bien con la de una castañuela, si pensamos en el típico escarabajo negro que abunda en tierras andaluzas (cuyo aspecto ciertamente se asemeja al de una castañuela) y describe el movimiento como “araña de la mano”. Esa imagen, dotada de gran plasticidad, remite directamente al movimiento de las manos cuando se tocan las castañuelas (LORCA, 2006, p.201). Para Francisco Umbral, Lorca paganiza , esoteriza y regionaliza el cristianismo andaluz en sus romances. Señala Umbral que, en el Romance de la Guardia Civil española, desacraliza e identifica la condición de judíos de la Virgen y San José con la de gitanos. Estas dos minorías (los judíos y los gitanos) habían estado proscritas por el catolicismo, imperante en Andalucía desde 1492 (UMBRAL, 2012, p.123). Como es sabido, Lorca fue un gran admirador de la cultura gitana, cuyos ambientes frecuentó. Sus visitas a las casas-cueva, hogar de los gitanos del Sacromonte granadino y escenario de fiestas flamencas, quedarían plasmadas en poemas como Cueva, en el que dice que: “El gitano evoca/ países

remotos” (LORCA, 2006, p.161), dejando constancia de la raíz oriental y exótica de los gitanos. En sus voces encuentra Lorca los ecos de matusalénicas culturas ya profundamente mezcladas con la, también viejísima, alma andaluza, cuya condición híbrida había dado lugar a fenómenos muy apreciados por el poeta, como el Cante Jondo. Nos cuenta Ian Gibson en su biografía de Lorca que un Lorca jovencito acompañó durante varios días a Ramón Menéndez Pidal a las cuevas del Sacromonte granadino para recoger romances orales (GIBSON, 1985, vol. I, p.300). Tras aquel acercamiento filológico (en compañía de Menéndez Pidal) a los romances vivos del Sacromonte (con el que el poeta quedó encantado), no es casualidad que Lorca sienta predilección por esta combinación métrica para su Romancero Gitano, considerándola el molde idóneo. Lorca (al igual que habían hecho otros poetas del Barroco y del siglo XIX) revitaliza una forma primitiva y oral que se mantenía en el mundo hispánico desde los albores medievales de su literatura. La pasión de Lorca por todas aquellas viejas culturas que entretejieron la historia mestiza del sur de la Península Ibérica nos transporta en un viaje que comienzó en la Prehistoria. Todos estos pueblos están, de algún modo (más o menos explícito), evocados en la pluma del poeta granadino. Porque, más allá del localismo folclórico anecdótico, más allá del egocentrismo y del subjetivismo literario, Lorca ha sabido proyectarse hacia el exterior, captar la esencia de una tierra compleja y saltar de lo antropológico a lo poético y de lo poético a lo inmortal.

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POESIA E FICÇÃO NA OBRA DE ROBERTO BOLAÑO: INTERSEÇÕES

Clarisse Lyra Simões PG - USP

Parece haver se formado já entre a crítica e os leitores de Roberto Bolaño um consenso sobre a menor valia de sua poesia em relação à sua prosa. Exemplo disto pode ser observado neste congresso, em que temos duas mesas de comunicações dedicadas ao autor (Cervantes lidera com três mesas, Bolaño vem na sequência) e nenhum trabalho que trate especificamente de sua produção poética. O meu texto, como vocês irão notar, não foge à regra, tendo como objetivo principal especular o modo como a poesia pode se imiscuir em suas narrativas, e não o contrário. Não deixa também de ser emblemático o fato de o mercado editorial brasileiro vir ignorando a grande parcela da obra de Bolaño escrita em verso. O crítico Matías Ayala, por exemplo, defende que o trabalho poético do chileno se tornou parte da “pré-história do narrador”, um trabalho que pode ser tomado como um “ índice biográfico-literario para investigar retrospectivamente su proceso creativo ” (AYALA, 2008, p. 98), mas cujo valor literário é relativizado, não chegando a ser comparável com o de sua produção ficcional. Ayala afirma que “el hecho de […] dejar de escribir en la primera persona del

singular le permitió [a Bolaño] sobrepasar los escollos de una lírica en la que no parecía destacar” (ibidem, p. 99), concluindo que
[...] se puede afirmar que Bolaño deja de escribir poesía para escribir sobre poetas, para ficcionalizar su propia vida azarosa y su fracasada carrera poética en Los detectives salvajes. Bolaño se sabe un mal poeta, y publica para demostrar y atestiguar que ha fracasado (ibidem, p. 100).

Esta passagem da escritura de Bolaño, que nos anos 90 se afasta da poesia, passando a escrever principalmente ficção, aparece ficcionalizada em Los detectives salvajes e é aludida com frequência pela sua crítica. Andrea Cobas Carral e Verónica Garibotto vêm nisto um trânsito que se relaciona com a economia da escrita, que se desloca desde “la poesía como una práctica que se desarrolla mayormente por fuera del mercado a la narrativa como un ejercicio de supervivencia ” (COBAS CARRAL e GARIBOTTO, 2008, p. 178). Alan Pauls, por sua vez, reflete sobre como em Los detectives salvajes – “un gran tratado de etnografía poética” (PAULS, 2008, p. 328), segundo ele - Bolaño “hace brillar a la Obra por su ausencia” (ibidem, p. 328), substituindo o idealismo que

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geralmente cerca a figura do poeta pela colocação em cena do que ele chama, segundo a “gran tradición del melodrama de artista”, “sed de vivir” (ibidem, p. 328). Diz Pauls:
Operación extraña, la de Los detectives salvajes: la poesía – la “obra poética” – queda afuera, del lado de lo real, de lo real-histórico (Mario Santiago, el infrarrealismo, la historia de la poesía mexicana, etc.); y lo que entra, lo que se infiltra en la ficción y ocupa el sistema circulatorio de la literatura, es algo que sólo creíamos conocer (y despreciábamos) bajo la forma del peor de los estereotipos: la Vida misma, la Vida Poética (ibidem, p. 328).

e sus configuraciones literarias ” (ibidem, p. 3), e levantando nos textos estudados procedimentos como o apelo afetivo ao destinatário, a adesão ideológica e o ocasional predomínio da emotividade (em Amuleto ), a crítica chilena acredita que, por muitas vezes, o “eu” emerge na narrativa de Bolaño, elidindo a distância imposta pela referencialidade e fazendo-se notar no texto um “profundo deseo [do autor] de estar sin distancia presente en su obra ” (ibidem, p. 16). Tais disposições, que corroboram os estudos da autoficção na narrativa bolañiana, interessam aqui na medida em que Solotorevsky as introduz não apenas como expediente narrativo, mas como uma espécie de resquício ou substrato lírico. Sabemos, é verdade, e Julio Cortázar escreveu sobre isto, que não existe uma linguagem romanesca pura (CORTÁZAR, 1994, p. 143). Segundo o argentino, “toda narración comporta el empleo de un lenguaje científico, nominativo”, que se alterna e se imbrica com “un lenguaje poético, simbólico” (ibidem, p. 143, grifo do autor). Além disto, já fora de uma instância puramente verbal, diz Cortázar que o romance conta ainda com o que ele chama de “aura poética”, “atmósfera que se desprende de la situación en sí [...], de los movimientos anímicos e acciones físicas de los personajes, del ritmo narrativo, [de] las estructuras argumentales” (ibidem, p. 144). Acima de qualquer teorização, no entanto, Cortázar considera o romance um “imenso baú”, uma forma sem leis (CORTÁZAR apud GONZÁLEZ BERMEJO, 2002, p. 73), tendo chegado a afirmar: “Há romances que são poemas. Há poemas que são romances” (ibidem, p. 72). A hipótese que nós gostaríamos de aventar neste ar tigo, tendo em conta esta prévia de informações, se erige contra a seguinte ideia, sustentada por Matías Ayala (crítico já citado no início do texto):
Esta segunda sección de la obra poética de Roberto Bolaño [aqui ele se refere à obra poética adulta de

Não obstante estas opiniões que enfatizam a passagem de um gênero a outro, o poeta catalão Pere Gimferrer enxerga na narrativa em prosa de Bolaño “una forma, apenas mascarada, de poema”, e afirma que “sus ficciones son tan poéticas cuanto narrativos son sus poemas ” (GIMFERRER, 2006, p. 7). Tais asseverações, em grande medida contrárias à crítica que insiste em uma mudança substancial de gênero, nos levam a pensar em como poderia o poema subsistir na produção ficcional de Bolaño, resposta que Gimferrer não nos dá. Myrna Solotorevsky aponta uma perspectiva interessante para a consideração deste questionamento. Em ensaio sobre a “Anulación de la distancia en novelas de Roberto Bolaño”, ela defende que, apesar do trânsito executado por ele do gênero lírico (no qual predomina a função emotiva e a expressão da interioridade do falante) ao narrativo (ao qual corresponde a função referencial), restam em sua ficção marcas “de esa proximidad al ‘yo’ y de su necessidad de manifestación” (SOLOTOREVSKY, 2008, p. 3). Analisando variadas obras do autor, tais quais as novelas Amuleto, Estrella distante, Amberes e La pista de hielo , Solotorevsky estima que “ el Bolaño presente en sus textos remite a [...] un pseudo-referente real ” (ibidem, p. 3). Considerando, contudo, o “Bolaño real” e as “equivalencias entre este, su biografía

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Bolaño, os libros Tres , Los perros románticos y Fragmentos de la universidad desconoc ida , publicados durante os anos 90], variopinta, y poco concentrada, parece ser la compilación de textos escritos a lo largo de los años más que un razonado o persistente proyecto poético. Se puede conjeturar que para entonces estaba concentrado en su narrativa y la poesía la ejecutaba en honor a los viejos tiempos (AYALA, 2008, p. 91-92).

cantadas no por hombres, sino por fantasmas (ibidem, p. 109).

Entre as qualidades que se associam à poesia em sua obra crítica, e mesmo em seus poemas, aparecem sempre as palavras (tão repetidas por ele) “ valentía ”, “ voluntad ”, “ valor ”, e jamais qualquer menção a uma condição específica de linguagem.

Nossa hipótese, portanto, é a de que havia sim um projeto poético posto em marcha por Bolaño, e que este projeto incluía não somente a sua produção em verso, mas também a sua narrativa. Longe do esquematismo pretendido pelo crítico chileno, que chega quase a opor poesia e ficção na produção de seu compatriota, acreditamos que a relação entre ambos gêneros em Bolaño se dá por contaminação e fluidez, em uma relação ambígua difícil de ser equacionada. Para justificar a falta de limites precisos entre poesia e prosa que vemos na obra de Bolaño, seria necessário recorrer às suas possíveis concepções de poesia. A concepção expressada por ele em ensaios e textos críticos (cuja formulação nunca se aproxima do conceito) parece extrapolar qualquer ideia de forma ou estrutura. É uma concepção que tem por base preceitos outros que não o de verso ou o de “infinitos juegos de la Analogía” (CORTÁZAR, 1994, p. 144), mas que parece orientar-se por uma espécie de caráter da poesia, e que poderia tranquilamente ser contemplada pela narrativa. Sobre o escritor chileno Pedro Lemebel, por exemplo, Bolaño disse: “Lemebel no necesita escribir poesía para ser el mejor poeta de mi generación. Nadie llega más hondo que Lemebel” (BOLAÑO, 2006, p. 65). Sobre os poetas em geral, afirmou:
No hay nadie en el mundo más valiente que ellos. No hay nadie en el mundo que encare el desastre con mayor dignidad y lucidez. Son, en apariencia, débiles, […] y trabajan en el vacío de la palabra, como astronautas perdidos en planetas sin salida posible, en un desierto donde no hay lectores, ni editores, apenas construcciones verbales o canciones idiotas

Também em seus romances encontramos formulações significativas desta tensão. Em 2666 , lemos: “Ingeborg le preguntaba a Reiter por qué no escribía poesía y Reiter le contestaba que toda la poesía, en cualquiera de sus múltiples disciplinas, estaba contenida o podía estar contenida, en una novela ” (idem, 2004, p. 969). Em Amuleto, por sua vez, se enuncia a seguinte profecia: “ La poesía no desaparecerá. Su no-poder se hará visible de otra manera” (idem, 2009, p. 134). Não por acaso, Amuleto se encontra em alto grau contaminada pela poesia. Relato construído a partir de uma temporalidade múltipla e cambiante, nele Bolaño logra elidir o tempo uniforme tradicional da narrativa, através de uma enunciação extremamente lírica da narradora e protagonista Auxilio Lacouture. No capítulo 9 do livro, exemplar neste sentido, oscilam três tempos: os anos 1963 imaginado, o 1968 rememorado, e o tempo da enunciação, que não se sabe ao certo quando é. Nós percorremos o fluxo da consciência de Auxilio e nos perdemos nele como ela própria, já que nenhum dos tempos de seu relato é sólido, nenhum constitui o que se poderia chamar o “tempo da realidade”. Se o comum nas memórias é o tempo da enunciação funcionar como base, como ponto a partir do qual se organizam as experiências, neste relato a base encontra-se desestabilizada, pois é um espaço – o banheiro feminino do quarto piso da UNAM, onde a protagonista permaneceu enclausurada durante a invasão da universidade em 1968 – que funciona como mirante, já descolado no tempo, flutuante, a partir do qual Auxilio vê o seu passado e o seu futuro.

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Encontrar-se no banheiro, para esta uruguaia residente no México, não implica necessariamente um relembrar: este é um espaço que ela ainda habita (pelo menos imaginativamente). Ele não se restringe, portanto, à experiência do ano ‘68, ele se desloca no tempo e se transforma no teatro de suas visões: em determinada cena, por exemplo, Auxilio estende a mão no banheiro para apontar o quadro instalado na sala da casa de Remedios Varo, que ela visita em sonho; em outra sequência, a voz da Remedios do sonho de Auxilio se perde entre os ladrilhos do banheiro da UNAM. Tal disposição temporal nos remete ao texto de Octavio Paz que diz: “a crise da sociedade moderna manifestou-se no romance como um regresso ao poema” (PAZ, 1996, p. 72). E mais adiante: “desde os princípios deste século o romance tende a ser poema de novo” (ibidem, p. 73). Neste ensaio sobre a “Ambiguidade do romance”, Paz faz referência a autores como James Joyce, Marcel Proust e William Faulkner. Sabemos que eles, através do monólogo interior, aboliram a perspectiva, eliminaram o abismo entre o homem e o mundo instaurado pelo narrador em terceira pessoa. Mas, mais do que isso, o monólogo interior instaura um tempo na narrativa que não é o dos fatos, mas um tempo que se desdobra, no caso de Amuleto, em temporalidades múltiplas que, ainda que não prescindam da história (isto é, de “uma narrativa de eventos dispostas conforme a sequência do tempo” [FORSTER, 2004, p. 57]) – e, por isso, continuem inseridas no âmbito do romance –, flertam com a noção temporal do poema, que às vezes é inexistente e às vezes se desloca livremente de um instante a outro, sem a necessidade de constituir uma cronologia. Experiência mais extrema neste sentido é a que Bolaño proporciona com o livro Amberes. Datado de 1980, o volume foi publicado em 2002 na categoria romance, gênero que lhe foi atribuído pelo próprio autor no prólogo à edição, no qual ele diz:

“ Obviamente, nunca llevé esta novela a ninguna editorial” (BOLAÑO, 2009, p. 9). Em 2007, porém, sai publicado o volume intitulado La universidad desconocida , reunião de grande parte da poesia de Bolaño organizada por ele mesmo e datada de 1993. Neste livro, encontra-se publicado novamente Amberes, agora sob o título “Gente que se aleja”. O ato não é gratuito. Amberes oferece um texto fragmentado de alto poder desestabilizador, cuja leitura envolve um acentuado grau de angústia, ocasionado pela dificuldade (ou impossibilidade) de se encontrarem os elos que permitam remontar os fatos e a cronologia. Desta forma, com a dupla inserção do texto em volumes de catalogação diferente, Bolaño desloca a questão da determinação do gênero do autor para o leitor, transformando-a em um ato de leitura. Ler Amberes como romance certamente é mais desconcertante, já que as convenções de leitura deste gênero implicam a possibilidade de se obter uma linearidade final (que insiste em escapar do leitor neste caso), enquanto a operação de leitura da poesia obedece a normas outras, podendo ser uma leitura salteada ou corrida, não estando o leitor preocupado em obter um sentido final para o conjunto. Neste sentido, pode-se dizer que o que determina o caráter genérico ambíguo deste texto é, antes de tudo, o recurso ao fragmento, elemento constitutivo de grande parte da obra de Bolaño. No jogo da representação, no qual estão em pugna fragmentação e totalidade, caos e ordem, organicidade e arbitrariedade, e, em última instância, a própria possibilidade do narrar, Bolaño logra por em cena a tenuidade dos limites entre poesia e ficção, ao sinalizar que, nas bordas de um romance cujas peças não se encaixam (e que por isto não teria sido aceito inicialmente por nenhuma editora), pode muito bem desenhar-se um poema.

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Nota
1

Aluna do mestrado do Programa de Pós-Graduação em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana da Universidade de São Paulo. Desenvolve com o apoio da Fapesp o projeto de pesquisa “Fragmentação e multiplicidade em Los detectives salvajes, de Roberto Bolaño”.

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REPRESENTAÇÃOES DA MULHER E VOZES FEMININAS NO CONTEXTO IBEROAMERICANO

Cláudia Luna UFRJ

El discurso sobre la mujer es también un discurso sobre identidad y ciudadanía. Más importante, tal vez menos obvio, el discurso masculino sobre la identidad y la ciudadanía es también un discurso sobre el género. Las dos formaciones discursivas se determinan mutuamente, aunque en relaciones de desigualdad radical. (Pratt, 1995, p. 273)

Vive-se hoje um processo de revisão histórica propiciado pelos bicentenários dos processos de independência e formação das nacionalidades e seus respectivos imaginários na América Latina. Nesse contexto, abre-se oportunidade ímpar de repensar a escrita da história como um processo de cunho marcadamente androcêntrico, sob recorte tradicional, que relegou ao esquecimento ou a papel secundário a participação de mulheres como a peruana Micaela Bastidas, a equatoriana Manuela Sáenz, ou a brasileira Bárbara de Alencar, embora tivessem papel relevante nos processos encabeçados respectivamente por Tupac Amaru, Simón Bolívar e Frei Caneca. O projeto de pesquisa que ora realizamos visa a confrontar representações e autorrepresentações destas entre outras personagens históricas, considerando os projetos de emancipação que enunciam e as repercussões de sua atuação, no contexto latino-americano. Inicialmente, trata-se de analisar o processo de autorrepresentação expresso nas cartas e documentos públicos e privados de protagonistas das Independências latino-americanas.

A primeira etapa de trabalho constitui-se no estabelecimento do corpus a partir da compilação das fontes, que podem contar com o auxílio de trabalhos recentes de recuperação, em curso, ou fazer-se diretamente nos arquivos. Em muitos casos, há lacunas importante a preencher, pois a documentação existente é escassa ou de autoria coletiva. Interessa-nos investigar como se representam as mulheres nas independências e se afirmam (ou não) nas esferas pública e privada? Que elementos interferem no processo de construção da subjetividade, afirmação ou negação do protagonismo? Nossa hipótese inicial é de que há diferentes condicionantes, como questões étnicas e de classe, estado civil e origem. Por um lado temos a afirmação vigorosa de Micaela Bastidas, esposa de Tupac Amaru e uma das líderes da insurreição andina contra a metrópole; temos o mascaramento dos ideais de Manuela Sáenz, ao colocar-se perante Bolivar como mera amante e cuidadora, apesar de arguta estrategista e lutadora aguerrida. Quanto a Bárbara Alencar, há o ápice do

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processo de apagamento: apesar de presa e perseguida, transfere o protagonismo para o filho Martiniano, e mascara ou dilui sua subjetividade na construção de documentos coletivos, como na Proclama de 1817.

Como já observava Ángel Rama, a América Latina se caracteriza pela existência de regiões culturais, marcadas por história comum e, nesse traçado, esfumam-se as fronteiras nacionais estabelecidas pelo História oficial. Recordemos a mais evidente, a gauchesca, unindo territórios pertencentes à tríplice fronteira – Uruguai, Argentina e Brasil. A

O Brasil em face das Independências – cruzamentos e peculiaridades
Considerando os projetos emancipadores e as rebeliões ocorridas no Brasil, a primeira diferença que se percebe em relação aos países vizinhos é a referente ao projeto vitorioso – o da monarquia bragantina, de recorte centralizador e unificador, em oposição à vitória das propostas republicanas. Por outro lado, há intenso intercâmbio de ideias entre os americanos de colonização espanhola e os de colonização inglesa. São diversos projetos de América, intentos utópicos e de construção de novas nações ou de repúblicas, de territórios livres, de fundação de espaços sociais marcados por contratos sociais mais ou menos inclusivos, mais ou menos heterogêneos. O Brasil pareceria estar distante deste intercâmbio, à primeira vista, impressão que se desfaz à medida que adentramos o exame do passado. Uma primeira hipótese seria a de que o projeto absolutista e monárquico, centralizador, enfatiza o recorte atlântico, voltando as costas aos processos que se sucedem na América Hispânica. No entanto, é marcante o recorte imperial brasileiro a respeito dos vizinhos, as longas lutas pelo estabelecimento do território nacional, marcando as guerras de fronteiras que atravessam todo o século XIX e os episódios da diplomacia continental a esse respeito – da Guerra do Paraguai, a República Cisplatina, a disputa pelo território do Acre, em suma, a definição do grande território emergindo unificado sobre a variedade regional.

cultura guarani, do Paraguai e Centro Oeste brasileiro, o elemento afro-americano, no Rio de Janeiro, Bahia e Antilhas, o vasto território cultural amazônico, congregando países como Brasil, Equador, Peru, Bolívia, Venezuela, Colômbia. São linhas que se cruzam e sobrepõem imaginariamente sobre as linhas demarcatórias oficiais de províncias e nações, compondo um segundo traçado, a respeito do qual Rama pondera:
En este segundo mapa el estado Rio Grande do Sul, brasileño, muestra vínculos mayores con el Uruguay o la región pampeana argentina que con Matto (sic) Grosso o el nordeste de su propio país; la zona occidental andina de Venezuela se emparenta con la similar colombiana, mucho más que con la región central antillana. (RAMA, 1985, p. 58).

No caso brasileiro, o século XIX será palco de um jogo de tensões entre o regional e o nacional, no qual se insere o movimento de 1817, do qual participará Bárbara de Alencar. Nas primeiras décadas do século XIX assiste-se, sucessiva ou simultaneamente, a intentos mais ou menos logrados de emancipação em relação a Portugal, movimentos internos separatistas, oposição entre os diversos projetos dos agentes sociais envolvidos, acionando liberais e conser vadores, monarquistas e republicanos, regionalistas e centralistas. Distintos projetos de construção da nacionalidade que se cruzarão até que vença o projeto unificador, sob o Império de Pedro II. No Nordeste brasileiro, em especial na província de Pernambuco, o espírito independentista era bastante acirrado. Ao mesmo tempo que se mantinha comércio diretamente com países europeus

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e africanos, a dimensão continental do país isolava o a região do centro de decisões. A esse respeito narra o viajante Robert Walsh:
Os pernambucanos foram os primeiros a reconhecer o direito do Imperador ao trono do Brasil, bem como a total separação deste país de Portugal. Contudo, ainda alimentavam a esperança de se tornarem um Estado independente. Existia uma grande rivalidade entre a província e o Rio de Janeiro, e pequenas causas de descontentamento eram motivo de constante atrito entre as duas províncias. Entre outras coisas, os pernambucanos se queixavam de que lhes era cobrado um imposto para a iluminação das ruas do Rio, enquanto as de própria cidade eram mantidas em total escuridão. (WALSH, 1985, p.184).

negros, mulatos e brancos, comuns na Argentina, no Peru e no Brasil – a tentativa de implantar no Brasil um modelo semelhante ao intentado nas Antilhas (vide Haiti); o intercâmbio e busca de apoio com os Estados Unidos, por parte de insurgentes, calcados num prenúncio de pan-americanismo, antecipando a doutrina Monroe. Finalmente, o intercâmbio entre o Velho e o Novo Mundo, ou seja, a atuação conjunta de intelectuais hispano-americanos na Europa, como Fray Servando Teresa de Mier ou Andrés Bello, principalmente em Londres, e a busca de aprovação pela opinião pública europeia; já no caso do Brasil, a presença de brasileiros como estudantes na Escola de Coimbra, trazendo para cá o pensamento liberal. Em contrapartida, a presença dos viajantes europeus e seus depoimentos sobre o cenário americano, como, por exemplo Maria Graham1, Robert Walsh ou Daniel P. Kidder, constituindo um corpus precioso de relatos de viagem que nos trazem informações minuciosas sobre nossa história e sobre as representações cruzadas que se fizeram, reconstituindo o olhar estrangeiro sobre a América, na esteira de Humboldt.

Como afirmou lucidamente Marcel Velásquez, em sua exposição no Seminario Escritoras del Siglo XIX, em Lima (2009), resgatar a produção feminina no século XIX importa também como forma de resgatar o contexto em que estão engastadas, muitas vezes trazendo à tona publicações esquecidas ou renovando o interesse por áreas pouco exploradas. Em suma, um efeito colateral positivo na revirada do passado histórico. Nesse sentido, refletir sobre a posição das mulheres neste processo, antes de tudo nos leva a repensar uma série de questões que nos desafiam nestes dois séculos. Como já apontei em trabalhos anteriores, há alguns elementos comuns a todo o continente, como o sentimento nativista e o rechaço do elemento ultramarino (os reinóis); o papel destacado das ordens religiosas no processo – confrontem-se, por exemplo, os jesuítas expulsos, que, da Itália, revalorizam o dado americano, como Rafael Landívar, e a atuação de Frei Caneca, um dos mentores da Confederação do Equador, de 1824. Especialmente no Nordeste brasileiro, não podemos esquecer a relação estreita que se mantinha entre os coronéis (e as coronelas), a Igreja e o Estado. Outros dados a considerar são a separação entre as etnias e raças, as corporações militares de

Rodolfo Walsh, por exemplo, capelão da comitiva de Lord Strangford, em suas Notícias do Brasil (1825-1829), retrata conflitos regionais, narrando uma tentativa de insurreição malograda que se deu em fevereiro de 1929, em Pernambuco, e uma outra no Maranhão. Ele as explica pela distância em relação à Corte, associada à proximidade com outras “províncias republicanas”. Diz ele, referindo-se ao Maranhão:
A situação dessa província era sabidamente alarmante. Ela fica tão distante da capital que as comunicações entre esta e suas cidades de fronteira nunca se completam em menos de um ano, e em Tabatinga as notícias do Rio são trazidas muitas vezes passando pelo Cabo Horn, vindo assim do litoral e atravessando os Andes. Isso torna a influência do governo relativamente fraca, ao passo que a vizinhança das províncias republicanas representa um forte estímulo para que o seu

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exemplo seja seguido. (WALSH, 1985, p. 85) (grifo nosso)

e de 1824. No seu caso, o destaque maior será para o filho Martiniano de Alencar. Bastidas tampouco terá melhor sorte.

Das heroínas – semelhanças e contrastes
No cotejo entre a trajetória das personagens históricas podemos observar, em primeiro lugar, a masculinização da figura feminina no processo das independências. No caso de Manuela Sáenz, isso se vincula ao papel destacado que tiveram as mulheres no campo de batalha, nos diversos países, como soldados; no caso de Bárbara Alencar, ao matriarcado, ou seja, ao fato de que era comum as viúvas assumirem o comando de suas fazendas e por atuarem no campo político. Quanto a Micaela Bastidas, a morte após torturas atrozes aponta para o necessário processo de escarmento, a exemplaridade no castigo como forma de coibir novas rebeliões. Em segundo lugar, o jogo curioso de revelação e encobrimento – em relação a Sáenz, o processo de apagamento de sua atuação, de sua importância no campo político como estrategista e militante, que no seu caso começa por suas próprias mãos, ao colocarse como coadjuvante de Bolívar, nas cartas; e pela posteridade, que a conhece a partir do batismo que este lhe confere de Libertadora do Libertador. No caso de Bárbara se associa à figura da mártir, da mãe extremada, da mulher aprisionada, que sofre vexames e punição inclemente, mas se mantém fiel a seus ideais. Quanto a Micaela Bastidas simplesmente sua atuação será relegada a segundo plano, e associada sempre ao marido, ou seja, como a companheira de resistência e luta.

Até onde pude pesquisar, por outro lado, a figura de Bolívar se prestará a uma representação culta e popular de amplíssimo espectro, em todos os níveis, o que, creio, não sucede com Manuela Sáenz. Já quanto a Bárbara de Alencar, alcançou um destaque muito grande no campo do imaginário popular brasileiro, nos cancioneiros, na música popular, no cordel, no maracatu, em suma, em diversas formas de representação oral. Em relação a Bastidas, ainda estamos no começo da investigação. De todas as formas, o que ressalta da pesquisa é o quanto ainda há para se buscar, de forma a reconstituir pelo menos minimamente o efetivo papel desempenhado pelas mulheres nos processos de independência na América Latina. Nosso projeto, em suma, visa a contribuir para o processo de revisão histórica e ampliação do cânone literário latino-americano, no âmbito do processo coletivo de reflexão e crítica acerca dos bicentenários das independências na América Latina. A discussão local, temos certeza, será relevante na construção de saberes globais mais inclusivos e libertadores.

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Em relação à escrita da história, todas praticamente desapareceram do panteão de heróis da historiografia oficial. Manuela Sáenz surge sempre atrelada à figura de Bolívar, como um capítulo à parte. Quanto a Bárbara de Alencar é mencionada em pouquíssimos textos referentes às revoluções de 1817

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Nota
1 Seu diário da viagem e permanência no Brasil, entre 1821 e 1823, foi publicado em Londres em 1824 (GRAHAM, 1990).

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A DESTREZA ORAL E SUA IMPORTÂNCIA PARA A FORMAÇÃO DOS FALANTES DE ESPANHOL COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA

Cristina do Sacramento Cardôso de Freitas Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC

Introdução
A partir das ideias geradas no projeto de iniciação à docência intitulado “Ensinoaprendizagem da Língua Espanhola: a proficiência oral em foco”, desenvolvido na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC - Ilhéus – BA), definiu-se o objetivo desta proposta, que é o de realizar uma reflexão a respeito de alguns aspectos relacionados à destreza oral entre alunos de nível iniciante, entre os quais se encontram: a investigação criteriosa das causas que conduzem à deficiência de sua produção oral, em língua espanhola; a análise detalhada das consequências de tal problema; e, finalmente, a proposição de atividades variadas de incentivo à otimização da expressão oral entre os mesmos. Para melhor compreendermos os aspectos que se relacionam ao desenvolvimento da destreza oral em língua espanhola, como L2, entre alunos de nível iniciante, decidimos organizar este referencial teórico em tópicos, entre os quais se encontram: a análise da questão das interferências linguísticas entre o português e o espanhol; a observação do uso de

métodos pretensamente comunicativos que visam facilitar a aprendizagem desta destreza; o papel da afetividade na relação professor-aluno e como esta influencia na capacidade de expressão oral do mesmo; as dificuldades específicas de aprendizagem da destreza oral em língua espanhola; a questão da fossilização e da interlíngua; a elaboração de um quadro em que se visualizam estes e outros fatores que definiríamos como de caráter individual, institucional e intrainstitucional; e, finalmente, a proposição de atividades que desenvolvam de maneira criativa, natural e estimulante a capacidade de expressão oral de alunos de nível iniciante. Para tal, sabemos que o processo natural de aquisição de uma língua tem como primeiro elemento de contato a oralidade, considerado o mais constante instrumento de uso linguístico. Portanto, um dos primeiros pontos a se desenvolver nos aprendizes espera-se que seja a oralidade. Mas o que vem a ser esta capacidade, habilidade ou destreza de se expressar corretamente em outro idioma? Quais são suas características?

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1. Revisão da Literatura
1.1. Características da destreza oral Estudos e pesquisas se desenvolveram no Brasil com o objetivo de compreender o fenômeno da produção oral em língua estrangeira, por falantes não nativos. Para Martín Peris (1996, p.50), algumas das principais características desta destreza são: é a destreza mais importante para muitos aprendizes de uma L2; possui uma utilidade prática real; as oportunidades de praticá-la dependem de muitos fatores externos ao aprendiz; conseguir um bom domínio desta destreza não é fácil, já que implica em ser capaz de utilizar um número considerável de microdestrezas capacitadoras, de interação e atuação com o outro, em contexto real. No entanto, em função das similaridades em diversos níveis reconhecidamente existentes entre a língua espanhola e a portuguesa, é possível afirmar que ainda há uma carência significativa no que diz respeito à discussão sobre as dificuldades específicas de alunos brasileiros e a proposição de materiais ou atividades que busquem o aprimoramento da expressão oral dos mesmos. As interferências que se produzem na aprendizagem do espanhol por lusofalantes representam o cavalo de batalha de profissionais e alunos e afetam a ambos.

do espanhol, dois grandes mitos sobre a língua povoam o imaginário comum. O primeiro é o de que a língua é composta basicamente por uma grande lista de palavras. Essa concepção é refletida no senso comum pelo apego que muitos professores têm aos chamados ‘falsos amigos’, os famosos falsos cognatos que evidentemente podem levar o indivíduo que não domina o idioma a uma série de situações embaraçosas. O problema não está em ensinar os ‘falsos amigos’ aos aprendizes, já que, de fato, esses elementos fazem parte da competência gramatical e linguística ideal de um falante da língua. A questão se centra na ideologia que essa ênfase nas questões lexicais da língua acarreta. Ao apresentar a língua como um grande inventário de vocábulos, essa ideologia, difundida inclusive pelos próprios meios de comunicação, constrói uma imagem de que a diferença entre as línguas portuguesa e espanhola se resolve apenas através de uma simples substituição de itens lexicais, promovendo uma visão de que os processos de uma língua se repetem uniformemente na outra. Não é difícil imaginar o quanto essa visão reducionista pode comprometer o desempenho de um aprendiz.

1.3. Métodos pretensamente ‘comunicativos’ O segundo ponto discutido pelas autoras é a

1.2. Interferências entre o português e o espanhol Determinando os efeitos da proximidade entre estas línguas, Kulikowsky e González (1999) fazem uma importante reflexão com relação à prática docente de espanhol para brasileiros. As autoras discutem como a imagem que o aprendiz de uma língua estrangeira tem do seu objeto de estudo pode determinar seu sucesso ou fracasso em termos de domínio oral desse conhecimento específico. No caso

ideia, não tão velada quanto a anterior, de que a língua é um instrumento destinado fundamentalmente à comunicação. Se a ênfase nos itens lexicais promove uma ideologia reducionista que impede o aprendiz de entender a língua como um sistema autônomo e extremamente complexo, a ênfase no fator comunicativo pode ter efeitos ainda piores no processo de ensino-aprendizagem do espanhol. Isso se deve ao fato de que a troca dos chamados objetivos gramaticais pelas competências comunicativas, na prática, não se realiza da maneira mais adequada.

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O falso objetivo de dominar as quatro habilidades em cada vez menos tempo é o principal elemento motivador do aprendizado, uma vez que fornece uma sensação de domínio imediato logo nas primeiras aulas, ainda que essa sensação seja ilusória, como salientam Celada e González (2005), pois provém de um novo reducionismo, o que se refere à uniformidade das situações pragmáticas nas quais um indivíduo pode se encontrar. Ao entender a língua como um instrumento que ‘serve’ basicamente para se comunicar, o indivíduo se apossa de suas expressões de maneira imediatista e utilitária, o que o distrai da real tarefa de compreender a língua como um sistema autônomo, com seus processos particulares. Alguns teóricos opinam sobre a importância do desenvolvimento desta capacidade comunicativa oral, o que inclui, a nosso ver, uma questão mais ampla que envolve a fluência verbal no idioma estrangeiro. Faerch e Kasper (1983) alegam que quanto mais o aluno se engaja em situações comunicativas, maior variedade e mais possibilidades ele tem não só de praticar sua capacidade comunicativa oral na língua estrangeira, como também de construir hipóteses sobre a L2 e testá-las. Dubin e Olshtain (1977) acreditam que o papel do professor deve ser o de facilitar o aprendiz a desenvolver suas próprias capacidades e recursos interiores para realizar adequadamente as tarefas comunicativas. Para Canale e Swain (1980), proficiência linguística significa não somente saber fonologia, sintaxe, vocabulário e semântica, mas também ser capaz de fazer uso desse conhecimento apropriadamente em comunicação real.

começaram a apresentar maior interesse a partir dos anos 70. A este respeito, Krashen (1982) estabeleceu uma relação direta entre a primeira e o êxito do aluno no processo de aprendizagem de uma nova língua. Este psicolinguista levou em conta três variáveis que possuem uma influência direta sobre a aprendizagem de idiomas: a atitude, a motivação e a personalidade. Explicou que existe um filtro de percepção, o chamado filtro afetivo, que se refere a um conjunto de circunstâncias, angústias, falta de interesse, de motivação, que, em determinados casos, bloqueiam a aquisição satisfatória do código e a compreensão ou, no nosso caso, a produção em idioma estrangeiro. Por isso, o aluno deverá ter uma atitude positiva que lhe permita uma maior permeabilidade diante do processo de aprendizagem e evitar as barreiras afetivas, que geram por sua vez, bloqueios mentais que não permitem que os dados sejam processados de forma completa. Em consequência, para que haja uma melhor receptividade aos conteúdos, se requer empatia, disponibilidade e autoconfiança.

1.5. Dificuldades específicas de aprendizagem da destreza oral em língua espanhola Além destas dificuldades pessoais e interpessoais que o aluno pode apresentar com relação à aprendizagem da língua estrangeira, em nossa prática docente percebemos também que, muitas vezes, alunos brasileiros, aprendizes de espanhol como língua estrangeira, demonstram algumas dificuldades no que diz respeito à pronúncia da língua espanhola.

1.4. O papel da afetividade na aprendizagem da expressão oral Por sua vez, estudos sobre a relação entre a afetividade e a capacidade de aprendizagem do aluno

Podemos dizer que existem aspectos nas duas línguas que não criarão dificuldades na aprendizagem. Teríamos também outros aspectos na língua estrangeira, sem equivalência na língua

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materna, nos quais seria mais difícil para os alunos alcançarem um nível de produção oral mais próximo do ideal. E, por último, há aqueles aspectos que de tão similares nas duas línguas, se tornam os mais passíveis de interferência e que, possivelmente, são os que provocarão mais problemas na aprendizagem. O ensino da pronúncia, em língua espanhola, é uma das destrezas que todo aluno necessita dominar quando aprende uma língua estrangeira. Por isso, deveria fazer parte dos conteúdos de qualquer plano curricular e o professor teria que incorporar às suas atividades em aula. Com relação ao momento da correção da pronúncia do aluno, esta é necessária no momento em que na produção oral se detectam equívocos. No entanto, o professor deverá enfrentar este momento da correção da pronúncia com cautela. É necessário também que tenha consciência do grau de “precisão fonética”, ou seja, o grau que deseja alcançar na produção oral dos estudantes.

influência direta e que o aproxima cada vez mais da língua-alvo de aprendizagem. Trata-se ainda de um sistema variável e dinâmico, distinto tanto da língua materna como da estrangeira (ainda que nele se encontrem elementos das duas); e que contém regras que lhe são próprias, pois cada aprendiz possui seu sistema específico em determinado estágio de aprendizagem. Entre os vários aspectos que observamos com relação às dificuldades enfrentadas por alunos brasileiros de espanhol, como segunda língua, encontram-se: a realização de fonemas nasais na língua espanhola, a abertura e o fechamento dos fonemas vocálicos, os encontros vocálicos em ditongos crescentes, alguns fonemas e alófonos oclusivos e fricativos, a realização da vibrante múltipla, entre outros fenômenos.

1.7. Análise de alguns fatores Foi possível observar que muitos fatores podem intervir no processo de aquisição de uma Quando não ocorre a devida correção dos equívocos de pronúncia cometidos pelos alunos, desde os primeiros contatos com o idioma estrangeiro, a consequência poderá ser a formação de um processo denominado interlíngua, em que estes futuros professores parecerão se contentar com o estado de língua atingido, sem desejar evoluir a partir da problemática mescla criada entre a língua materna e a língua estrangeira a qual estão expostos. O sistema linguístico desenvolvido por um falante não nativo na língua estrangeira foi denominado de várias maneiras, no entanto, o termo mais aceitado é o de interlíngua, proposto por Larry Selinker (1972). Para ele, a interlíngua é um sistema linguístico interiorizado (com características de linguagem porque serve para comunicar-se e possui gramática interna), sobre o qual o aprendiz possui Fatores institucionais; Fatores intrainstitucionais A tabela abaixo busca apresentar estes três aspectos principais envolvidos nesta pesquisa, objetivando investigar criteriosamente as causas da deficiência oral, analisar sua consequência e propor, à luz da teoria da revisão da literatura realizada, soluções criativas, modernas e práticas para tal questão. segunda língua. A partir de uma série de observações, detectamos que, entre os fatores que mais dificultam a solidez da expressão oral para os alunos iniciantes do Curso de Graduação em Letras (PortuguêsEspanhol), da Universidade foco de estudo nesta investigação, encontram-se: Fatores pessoais ou individuais;

1.6. A questão da interlíngua e da fossilização

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CAUSAS DA DEFICIÊNCIA ORAL 1. FATORES INDIVIDUAIS (ALUNO) a) timidez excessiva, vergonha, medo de errar e ser ridicularizado em sala de aula. b) distância afetiva no relacionamento professor-aluno, o que afasta os alunos da possibilidade de desejar expressar-se oralmente em língua estrangeira, em sala de aula. c) falsa ideia de facilidade na aprendizagem da língua espanhola, por tratar-se de uma língua-irmã à portuguesa. d) interferências linguísticas da língua materna sobre a língua estrangeira, criando a chamada interlíngua. e) falta de hábito de expor-se em público, em ambiente acadêmico, em língua estrangeira. f) dificuldades naturais de aprendizagem de um novo idioma, no início do processo. g) ausência de conhecimentos prévios em língua espanhola, anteriores à entrada na universidade. h) falsa crença de que, ao se graduarem como professores, ministrarão aulas de língua espanhola, em instituições públicas e privadas de ensino fundamental ou médio, em língua portuguesa. 1. FATORES INDIVIDUAIS (professor) a) utilização de metodologias pretensamente comunicativas no ensino da língua estrangeira. b) ausência de projetos ou atitudes individuais que privilegiem a presença de professores, alunos e outros convidados, falantes de língua espanhola como L1, em atividades acadêmicas em sala de aula de língua espanhola nesta universidade. 2. FATORES INSTITUCIONAIS a) grande quantidade de alunos por turma. b) carga horária insuficiente de aulas. c) ausência de meios auxiliares à aprendizagem, em ambiente acadêmico: laboratórios de informática e de idiomas bem equipados e modernos. 3.FATORES INTRAINSTITUCIONAIS a) ausência de programas de intercâmbio entre professores e alunos de universidades na Espanha e na América e as universidades públicas no Brasil.

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2. Proposição de atividades variadas de incentivo à otimização da expressão oral entre alunos de Língua Espanhola de nível básico
2.1. Assistir a um filme, em espanhol, sem legenda, e interromper a projeção antes do final para que os alunos tenham a oportunidade de propor finais criativos para a história e para os personagens principais, em forma de redações curtas, individuais (atividade indicada para trabalhar produção escrita e oral criativa). Algumas sugestões de filmes seriam: El laberinto del fauno, Un cuento chino, Vicky, Cristina, Barcelona, La suerte está echada, La casa de los espírutus, Manolito Gafotas, Crónica de una muerte anunciada, Frida, Muerte en Granada e Mujeres al borde de un ataque de nervios.

oralmente (explicando por que escolheu esta notícia, relatando seus principais aspectos e dando sua opinião sobre o tema); num primeiro momento, os demais alunos escutam a notícia e, num segundo momento, emitem suas opiniões sobre o mesmo, criando-se naturalmente um ambiente de debate sobre temas atuais diversos.

2.4. Relato de fotos de viagens (atividade indicada para trabalhar produção oral e descrição) Sequência de atividades: na aula anterior, o professor deverá solicitar aos alunos que tragam 5 fotos de viagens pessoais ou familiares, em pen driver, que considerem interessantes; na aula seguinte, as fotos de cada aluno serão projetadas para que todos possam visualizá-las com clareza; os alunos deverão fazer perguntas do tipo quem está na foto, onde e

2.2. Criação de conto moderno, em língua espanhola. Sequência de atividades: tempestade de ideias sobre o tema contos de fadas; compreensão auditiva de conto de fadas curto; leitura em voz alta, pelos alunos, do mesmo conto; escritura, em grupos, de novo conto (com características modernas), de forma criativa; gravação em áudio do conto produzido; apresentação, de forma teatralizada, do conto criado pelo grupo.

quando foi tirada, por quem, por que escolheu aquela foto específica para apresentar, etc.

2.5. Produção, em duplas, de diálogo em estabelecimento comercial, baseado em material autêntico (folhetos recolhidos em viagens a países de fala hispânica). Sequência de atividades: na aula anterior, o professor deverá entregar folhetos de estabelecimentos comerciais, em língua espanhola, aos alunos, em duplas; os estabelecimentos selecionados vão depender dos folhetos que o professor possuir para a atividade (por exemplo, de restaurantes, hotéis, estações de metrô, casas de dança, far mácias, consultórios dentár ios ou médicos, livrarias, lojas de roupas, teatros, cinemas, museus, mercados, lojas de eletrodomésticos, bancos, bares, etc).

2.3. Pesquisa no laboratório de informática da universidade sobre jornais e revistas digitais, em língua espanhola (atividade indicada para trabalhar leitura, relato oral e capacidade de argumentação, além do uso das novas tecnologias de informação). Sequência de atividades: cada aluno deverá pesquisar na internet uma notícia interessante, em língua espanhola; em seguida, deverá apresentá-la

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2.6. Produção de um vídeo curto (em forma de comercial de tv), em grupos, em língua espanhola, divulgando o Curso de Letras (Português-Espanhol) da universidade (atividade indicada para trabalhar produção oral, escrita, criatividade, organização, trabalho em grupo, uso das novas tecnologias, etc).

análise contemplativa destes fatores que geram dificuldade de produção oral entre os alunos de nível iniciante nas instituições de ensino superior. No entanto, ao longo do processo, nos demos conta de que, sem detectá-los claramente e sem tentarmos solucioná-los em curto ou médio prazo, a consequência recairá diretamente sobre a capacidade de expressão oral dos alunos. Acreditamos também que, de nada adiantaria a mera proposição de inúmeras atividades comunicacionais, em sala de aula, de aprimoramento da destreza oral e aquisição de fluência em idioma estrangeiro, se tais fatores mencionados não forem observados “com novos olhos”, tanto pela instituição de ensino superior, quanto pelo professor e, principalmente, pelos próprios alunos em questão, que deverão encarar o problema da aquisição da destreza oral de frente e não fingir que ele não existe. Assim, para concluir, como podemos observar, as causas da deficiência de expressão oral em língua espanhola estão intimamente relacionadas à sua consequência, a falta de fluência no idioma estrangeiro, e todos devem estar cientes deste fato:

2.7. Atividade de produção oral a partir do vídeo humorístico ‘Qué hora es’ (visa desenvolvimento da produção oral, escrita, criatividade, organização, trabalho em grupo, uso das novas tecnologias, etc). Sequência de atividades: neste vídeo de humor produzido por um grupo de humoristas mexicanos, os personagens são americanos e usam frases soltas, completamente descontextualizadas, em espanhol, para demonstrar questões relativas às dificuldades de produção oral em língua estrangeira; após assistirem ao vídeo, o professor dividirá a turma em grupos e lhes solicitará que criem situações teatralizadas semelhantes às que aparecem no vídeo ‘Qué hora es’. Tais situações deverão ser gravadas em vídeo.

Considerações finais
Finalmente, se pode afirmar que o objetivo do professor de ELE não deve ser simplesmente a

alunos, professores e, em última instância, a própria instituição de ensino superior.

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Referências bibliográficas
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A LEITURA DE PROFESSORES DE ESPANHOL, FORMADORES DE LEITORES, MEDIADA POR COMPUTADOR

Cristina Vergnano-Junger UERJ

1. Introdução
Este trabalho traz à discussão parte dos resultados da pesquisa “ Interleituras : interação e compreensão leitora em língua estrangeira mediadas por computador”, que vimos desenvolvendo na UERJ, há cerca de três anos. Vem sendo crescentes os estudos sobre as interações mediadas por computador. Neles observamos exposições teóricas sobre as características dos textos virtuais (MARCUSCHI, 2004; 2005); em vários casos, formas de lidar com eles (RIBEIRO, 2005; MAGNABOSCO, 2009) e sobre impactos que as tecnologias da informação e comunicação (TICs) vêm gerando no modo de vida/ interação das/entre as pessoas nesta era da informação (LAVID, 2005; CASSANY, 2011). No entanto, sentimos falta de mais pesquisas, hoje mais frequentes, com um desenho empírico que oferecesse amostras desses novos comportamentos associados aos gêneros digitais. Essa foi nossa motivação para utilizar uma abordagem metodológica empírica no Interleituras , a fim de monitorar procedimentos

leitores e, assim, refletir sobre como vêm ocorrendo, suas diferenças e especificidades com relação à leitura em meio impresso. Nossa questão central volta-se, portanto, para como se lê em ambientes vir tuais. Ou seja, preocupam-nos estratégias, procedimentos e conhecimentos que são postos em marcha durante o processo leitor mediado por computadores, em especial quando se trata da Internet. Neste breve artigo, apresentamos uma sucinta revisão teórica sobre o tema, as bases gerais de nosso desenho metodológico e uma síntese dos resultados encontrados, especificamente no que foi observado junto a dois docentes de espanhol, sujeitos do estudo.

2. Revistando alguns aspectos teóricos
Um rápido olhar à nossa volta já nos dá um panorama de como as TICs passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas, independentemente, muitas vezes, da faixa etária e de condições socioeconômicas. São caixas eletrônicos, smartphones, câmaras digitais,

ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 287 cibercafés. v ideogames . já em sua natureza. No que se refere às TICs e à leitura em meio virtual. 2005. de diferentes partes do mundo. VERGNANO-JUNGER. ainda muito recente. Adotamos uma abordagem qualitativa dos dados. viabilizados pelos recursos das TICs (MARCUSCH. implicam a existência de diferentes contextos. tanto gêneros que se caracterizam como reestruturações daqueles já existentes em fontes impressas. tomando tal compreensão já como um tipo de produção de sentidos. Deve-se assumir. e-mails. 2010). multidirecional. Os . oferecer exemplos que favoreçam. sem a pretensão. crítico e reconstrutor de sentidos (VERGNANO-JUNGER. avaliamos essa perspectiva multidirecional como produtiva. suportes e/ou gêneros não são acessíveis de forma universal ou democrática e várias pessoas conseguem prescindir de muitos (ou. parte) deles em seu dia-a-dia. Essa revolução da era da informação é. De modo que as teorias a respeito e a caracterização de gêneros. a atividade caracteriza-se como um processo de construção de sentido que inclui insumos de diferentes direções e naturezas. Uma proposta metodológica O Interleituras se define como uma pesquisa exploratória e descritiva. 2005). também. histórico e cultural. Isso porque entendemos que não se pode produzir sem ser capaz de compreender. Talvez. o texto. uma vez que buscamos identificar os comportamentos que vêm caracterizando as práticas leitoras mediadas por computador. por isso. no entanto. o leitor com toda a sua bagagem de conhecimentos prévios. que. nem uma hierarquia fixa entre suas partes. seja cedo para uma definição precisa de padrões. nesse momento. 2009). Importam. 3. recursos e atividades estão em construção e estudo. linguagens. de demandando. pluralidade acessos se fazem tanto de forma assíncrona como síncrona. entendida como uma atividade complexa. assim. blogs. Nesse meio obser vamos. como e em que medida isso estaria ocorrendo. em distintos idiomas. diferentes outros textos que podem ser colocados em diálogo com o que se está lendo. Em resumo. 2004. Isso permite que cada leitor construa seu caminho próprio e componha. a discussão. Nosso foco está direcionado especificamente à leitura. Isso significa dizer que. redes sociais. tais recursos. que está presente em diferentes práticas sociais e demanda um sujeito ativo. o contexto espaço-temporal. diferentes produtos finais (“textos”) para leitura (RIBEIRO. como nos casos da inclusão de outras tecnologias no passado. ao menos. como as próprias práticas sociais relacionadas às TICs. o que significa que não têm um centro. A questão passa a ser. 2005. Necessariamente. Propomos. ao contrário. com suas marcas linguísticas e tipográficas. em conjunto com todos os estudos do grupo de pesquisa LabEV. reflexão e construção de um conhecimentos e atitude ativa de seus leitores. 2010). em tal perspectiva. como inovações próprias do ambiente virtual. contudo. simultânea ou isoladamente. interconectados por links. profusão de mensagens instantâneas (SMS). fomentando a interação e o acesso a uma realidade plurilinguística e pluricultural. habilidades e estratégias. Isso porque os autores que vêm estudando os textos produzidos especificamente em e para ambiente digital os caracterizam como hipertextuais e multimodais (RIBEIRO. gêneros. portanto. são efêmeros. tantas inovações estejam transformando nossa maneira de usar a linguagem e interagir. A forma de constituição dos gêneros virtuais é hipertextual. de apresentar generalizações sobre as novas práticas. fragmentados. sons imagens etc. trabalhando com amostras limitadas. MAGNABOSCO.

As únicas limitações que lhes impusemos nessas sessões de leitura foram: de tempo (entre 30 e 45 minutos para cada sessão) e de meio (no caso da virtual. (b) um questionário. e em arquivo de áudio e vídeo (voz do sujeito e imagens da tela do computador). (b) em que medida se diferencia e/ou aproxima da leitura em meio impresso. ao contrario das leituras guiadas que têm uma tarefa a cumprir. hipertextos.288 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS quadro mais amplo da questão. respectivamente. procuramos contribuir para responder os nossos problemas: (a) como o processo leitor está sendo desenvolvido em meio virtual e. além do aspecto prático da limitação de espaço. as sessões são gravadas em áudio. de um texto virtual e. muito. sempre/totalmente) com uma série de 116 assertivas divididas em seis blocos temáticos. no caso das leituras em meio impresso. de um texto impresso. Também lhes pedimos que registrassem sua atividade no protocolo escrito e que comentassem oralmente (para a gravação) o que fizessem e pensassem durante a leitura (ações. Apresentando e discutindo alguns dados Neste artigo apresentamos dados apenas de dois docentes – d-018 e d-019 –. No que se refere ao uso do computador e acesso à Internet. O motivo. Também fazemos um recorte no que se refere às leituras selecionadas para comentário. em quatro sessões de leitura: duas livres e duas guiadas. apenas o uso do computador conectado à Internet e no caso da impressa. por outro. Além do material preenchido pelos sujeitos. utilizamos: (a) uma ficha de caracterização de sujeito. (d) duas atividades de leitura guiada. no qual se recolhem as crenças do sujeito sobre leitura. (c) quatro protocolos de acompanhamento do processo leitor – dois para leitura impressa e dois para leitura virtual. dúvidas. No que se refere ao perfil da ficha de sujeito. mas se admitindo o uso de materiais impressos próprios). relativamente. faixa etária e atividade profissional. por um lado. D-018 gasta mais tempo (até 5 horas diárias) em atividades de leitura e no uso da Internet do que d-019 (entre 1 e 3 horas). cujo conjunto de coletas está completo. Ao finalizar as análises. Ou seja. com menor pressão e definições de objetivos e atividades por parte dos pesquisadores. que estivesse disponível na biblioteca de um projeto de extensão sob a responsabilidade do Setor de Espanhol da UERJ. Como nossa abordagem de análise é qualitativa. com informações sobre seus hábitos leitores e de atividades em meio virtual. junto com o preenchimento dos protocolos. Nossos sujeitos são professores de espanhol. cada qual em suportes impressos e virtuais. nas sessões de leitura virtual. estratégias usadas). leitura em espanhol língua estrangeira (ELE) e uso de bens informáticos. enquanto d-018 o faz tanto em casa . é que se caracterizam como um contato mais espontâneo com a leitura. monitoramos apenas seis sujeitos docentes. segundo uma abordagem multidirecional de leitura. a serem resolvidas durante as sessões correspondentes de monitoramento. limitando-nos às leituras livres: impressa e virtual. Como instrumentos para as diferentes coletas de dados. convidaremos os sujeitos a participar de entrevistas a fim de discutir com eles nossas observações. 4. respectivamente livres e guiadas – preenchidos pelo sujeito durante cada uma das quatro sessões de leitura monitorada. dificuldades. escolhidos pelo fato de que suas práticas leitoras podem influenciar seu trabalho como mediadores e formadores de leitores. d-018 (faixa de 31 a 40 anos) é mais velho que d-019 (faixa de 26 a 30 anos) e ambos são professores de espanhol nos ensinos fundamental e médio. pouco. contendo propostas de compreensão. qualquer material não digital/virtual/multimídia. a partir do grau de concordância (nunca/nada.

” . d-019 manteve-se ligado ao trabalho. ao contrario do segundo. podendo esta estar centrada no texto ou no leitor. conceitos e estruturas gramaticais é essencial à leitura.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 289 quanto no trabalho. talvez pela menor frequência de uso do computador. houve avaliações de assertivas em que ora um. Focalizam seu interesse em questões relacionadas a trabalho e estudo. ao concordar plenamente com “Compreender um texto significa formar uma estrutura mental que representa o significado e a mensagem atribuídos ao texto. nem tecnofóbica) a respeito das TICs e seu emprego. d-019 só o faz em casa. Isso seria admissível. embora d-018 abra mais o leque de possibilidades do computador e da rede. b) d-018 concorda totalmente com a assertiva “O leitor entende um texto ao apreender seu significado. pois a assertiva indica uma supervalorização das imagens que o leitor projeta no texto para lhe dar sentido.”. que se considera apenas como relativamente hábil e autônomo. Quanto ao perfil de usuários de meio virtual. Quando efetivamente vão ler durante as sessões de monitoramento. tendendo a uma perspectiva decodificadora. escolhendo histórias em quadrinhos e contos com temática de futebol. podendo ser avaliadas como pessoas que têm uma posição equilibrada (nem ufanista. cada um poderia definir o que fazer. Pudemos constatar diferenças não apenas entre ambos os sujeitos. nesse caso. Também contradiz sua tendência multidirecional. tanto d-018. é que as assertivas tenham sido compreendidas de forma diferente da pretendida quando da elaboração do instrumento. enquanto d-018 optou por ler para relaxar. D-018. com ênfase no texto.” . navegação e participação em redes sociais. Em termos de crenças coletadas a partir do questionário. ignorando a bagagem do leitor e outros elementos que possam ser conjugados para estabelecer a compreensão. representado pelas suas marcas linguísticas. incluindo a busca de informação e materiais. define . D-019 restringe seu uso ao e-mail. Uma das possibilidades. desconsiderando que há outros elementos que entram em jogo na interação e contradizendo algumas avaliações feitas em outras assertivas. já que a leitura pode variar de indivíduo para indivíduo e poderá ser verificado durante a entrevista.”. Exemplos disso são: a) d-019 concordou totalmente com a assertiva “O centro do processo de leitura é o leitor. não descar tada pelos pesquisadores. na qual “apreender” implica capturar/ receber o que está exposto no texto. Uma vez que as leituras eram livres. reconhecem tanto os aspectos positivos quanto as limitações do meio. afirmou concordar muito com o fato de que “O domínio de vocabulário. para ter um momento de lazer. selecionando textos que contribuíssem para a melhoria de sua prática e planejamentos. Contraditoriamente. podemos tecer algumas reflexões sobre as possíveis tensões entre crenças e práticas. esta última não citada por d-018. ambos o dominam para usos cotidianos de caráter instrumental. mas. A primeira observação que fazemos se refere à definição de objetivos de leitura e às escolhas de gêneros e assuntos. mas também entre as duas modalidades de leitura: impressa e virtual. quanto d-019 oferecem dados que nos permitem incluí-los numa categoria de leitores prioritariamente multidirecionais. os papéis se inverteram. centrada no leitor. Já na leitura virtual. No caso da leitura impressa. como e por quê. Apesar disso. numa perspectiva unidirecional. O primeiro se avalia como um usuário muito hábil e autônomo. ora outro. tendeu para uma perspectiva unidirecional.

d-018 demonstrou mais facilidade com a internet e o computador de maneira geral: utilizou editor de texto. ao contrário do que havia feito na leitura impressa. embora de forma menos linear do que na leitura impressa. procurou textos sobre atualidade. saltar de um texto para o outro. como no caso de d-019 com o jornal cujas notícias leu e do qual. d-018 não definiu hipóteses sobre o que encontraria ao ler os textos impressos. sem um fim preciso (nunca temos exata dimensão de sua totalidade espacial). uma vez que sua formatação vertical. seguiu a navegação de forma mais controlada/ordenada. a fim de se atualizar e informar. guardou informação na área de trabalho para uso posterior. A observação do comportamento do mouse e da barra de rolagem da página pôde ajudar a confirmar que a leitura feita pelos dois docentes. na leitura virtual. sempre silenciosa. mesmo sendo seu conhecido. se estivesse em papel. não seguia palavra a palavra. pois conseguiu seguir do início ao fim e alcançar seus objetivos. Concluiu que. na leitura virtual. Nesse aspecto observamos a contradição entre crenças e práticas com relação à postura unidirecional . o pouco tempo para a atividade (informou que lê devagar). Ao contrário. com o skimming servindo como estratégia básica para uma panorâmica geral de cada material. Foi um pouco menos linear na leitura virtual. ao contrario de d-019 que esperava ler textos que atendessem seu objetivo de aperfeiçoamento. salvou arquivos em pendrive. no caso de d-019. D-019 considerou-se mais seguro na leitura impressa. não acessou links. saltando de um a outro (o cursor serviu de apoio a essa movimentação). Apesar disso. por não conseguir encontrar o que procurava. dificulta a organização em texto corrido que temos em materiais impressos. enviou para si mesmo por email materiais. Provavelmente foi motivado pelo costume que tem de utilizar a Internet como fonte de recursos para suas aulas. já que d-018 mostrouse sempre menos linear. Embora tenha demonstrado mais proficiência no trato com o computador. em vista da impossibilidade de encontrar o tema originalmente desejado. utilizando skimming e scanning. ao qual sempre retornavam para novas pesquisas. mudando seu foco. A observação chama atenção. havia diferença entre ambos. disse não ter sentido falta de apoio impresso ao ler na tela. Em termos estratégicos. a não ser. quase se perdendo. em português. estratégias de copiar/recortar e colar. D-019. d-018. teria sido mais fácil. Já d-019. Isso tornava a leitura desconfortável e mais difícil. Ambos destacaram a importância do conhecimento de mundo e. educação e política brasileira. não deu muito valor às imagens de maneira geral. ao contrário. não sabia o endereço eletrônico para acesso. Apesar de ter mais idade. Isso ocorria inclusive quando se tratava de uma fonte habitualmente consultada. mas também nos permite refletir sobre a necessidade de os textos veiculados em meio virtual serem mais curtos e apresentarem os links para enlaçarem conteúdos. ambos consideraram ter alcançado seus objetivos. na leitura livre impressa. consultou diferentes sites. aproveitando melhor os recursos que o meio virtual lhe oferecia. sem relatar nada que os tivesse atrapalhado. abandonando o que não lhe interessava e. Os gêneros escolhidos foram notícias e vídeo. sua insegurança concretizou-se pela fragmentação da leitura. Era feita em blocos. Mesmo assim. integrando em sua leitura conteúdos ali encontrados. dispostos em páginas numeradas e sequenciais. usaram como ponto de partida o buscador Google. Selecionou notícias e críticas de arte (procurava textos verbais sobre Guernica) em fontes em língua espanhola. Ao se autoavaliar.290 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS sua atividade em termos de busca de materiais para usar em sala de aula. queixou-se que um dos materiais lidos tinha a imagem do quadro Guernica muito antes das suas explicações e comentários.

menos linear. merece atenção o estabelecimento do diálogo entre academia e meio escolar. Cabe. sejam eles de sua bagagem pessoal. 2011. A par tir da descrição desses sujeitos. o histórico de como aprendemos e daquilo que usamos. conhecimentos. sob uma perspectiva crítica e reflexiva. . gêneros e ferramentas das TICs. poucas foram as estratégias eminentemente virtuais observadas: copiar/colar. do texto ou de outros discursos/textos. continuar investigando para ampliar o campo teórico e para levar as novas teorias que estão sendo construídas ao terreno da prática. Como normalmente transferimos para nossa atividade 5. Na verdade. um perfil leitor que oscila entre uni e multidirecional. observamos uma melhor integração ao meio. como já regitramos.. a necessidade. assim. didático-pedagógica nossas crenças. mesmo quando tende ao segundo caso em termos de crenças. estratégias que possuam. é factível assumir que professores que são exploradores das TICs. Textos de didáctica de la lengua y de la literatura. 57. de apoio de suporte impresso em alguns contextos de leitura. um aproveitamento heterogêneo e não sistemático dos recursos tipicamente virtuais dos textos de gêneros digitais. mas para interagir com docentes e alunos. mas nem sempre são fatores determinantes. A atitude de d-018 foi. p. n. não só para aprimorar a formação inicial e favorecer a formação continuada de professores. Da mesma forma. defendemos que é possível uma reflexão sobre seu papel na formação de seus alunos leitores e de como tais conhecimentos podem contribuir para otimizar o letramento em espanhol na era digital. 12-22. Em especial e em nossa avaliação. apesar de ter apresentado posicionamentos favoráveis a uma perspectiva multidirecional em seu questionário. Destacamos: o uso de estratégias clássicas de leitura. somando sua experiência aos constructos acadêmicos. adaptadas ao ambiente virtual. Nos casos aqui exemplificados. do contexto. seus gêneros e recursos tenderão a levá-los à suas salas de aula. As faixas etárias podem contribuir para a maior ou menor intimidade com o ambiente virtual.. embora. portanto. acessar links. ainda. Daniel. aproveitando todos os recursos. por parte do sujeito d-018. Algumas conclusões iniciais Embora não caiba generalizar comportamentos leitores em ambiente virtual com base neste estudo de amostra reduzida. sermos melhores professores. Aprender a ter consciência dessa tensão entre expectativa e realidade pode nos ajudar a aperfeiçoar a própria compreensão e. ter tendido igualmente a uma leitura seguida e completa dos contos escolhidos. Después de internet. nos textos literários. inclusive no que se refere à autopercepção da proficiência. é viável apresentar alguns comportamentos que se caracterizam como possíveis tendências na leitura desses docentes. mais velho do que d-019. A fragmentação de atividade leitora em meio virtual atende a uma característica do suporte. abrir diferentes aplicativos para resolver as questões de leitura. leitores multidirecionais poderão provocar em seus aprendizes um perfil de exploradores dos textos. Outro aspecto que nos chama atenção é o fato de que não necessariamente as crenças e percepções sobre nossas práticas leitoras se concretizam durante o ato de ler. Isso. Referências bibliográficas CASSANY. mas é rejeitada como falha de leitura pelo sujeito.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 291 marcada pela leitura linear (do início ao fim) realizada e valorizada por d-019. abril.

[S. M. 1. n. GÊNEROS DIGITAIS: modificação na e subsídio para a Leitura e a Escrita na Cibercultura. A. Ana Elisa. MARCUSCHI. MARCUSCHI. Belo Horizonte: CEALE. XAVIER.292 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS LAVID. p. (Orgs. _____. Ler na tela – letramento e novos MAGNABOSCO. v./abr. ed. 24-37. p. RIBEIRO.).P. p. n. In: DIONISIO. R. A.C. COSCARELLI. nuevas herramientas. RIBEIRO. L. métodos y herramientas para el lingüista del siglo XXI. 3 ed.A. Rio de Janeiro: Lucerna. A. v. Julia. Gislaine Gracia. suportes de leitura e escrita. . jan.A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. V. C. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. Cristina. jan. 2010. 2005. BEZERRA. Lenguaje y nuevas tecnologías. MACHADO. 125-150. Rio de Janeiro: Lucerna. 2009.l.8. Madrid: Cátedra.) Gêneros textuais e ensino. 2005. (Orgs. Calidoscópio. (org). Elaboração de materiais para o ensino de espanhol como língua estrangeira com apoio da internet./jun. VERGNANO-JUNGER. A. Hipertexto e gêneros digitais . 2004. aspectos soc iais e possibilidades pedagógicas. 2005.2. 1.1. E. 90-101. In: Revista Prolíngua (UFPB) .]: Unisinos. Letramento dig ital. Luiz Antonio.

personagem para quem não foram unânimes os julgamentos da história. os quais Roa Bastos mostra como podem ser reinterpretados pela ficção com a intenção de desvelar um fato histórico mascarado.UNESP/ Assis Hijo de Hombre (1971) e Yo el Supremo (1974) são romances do escritor paraguaio Augusto Roa Bastos (1917-2005). o isolamento e militarização do Paraguai como . que recuperam vários períodos da história do Paraguai no século XIX e XX. O romance contém notas que complementam e outras que contradizem. 2008. o que Patiño jamais conseguirá. Francia. Alguns o veem como um déspota sombrio. Em seguida todos os funcionários da casa civil e militar também deveriam ser enforcados. Em Yo el Supremo Roa Bastos trata de vários temas ligados ao Dr. O ditador começa a procurar quem seria o autor de tal documento exigindo que seu secretário Policarpo Patiño localizasse o dito autor. Francia: as revoluções e a independência do Paraguai. outros como um prócer da nação paraguaia. Para isto o povo deveria ser convocado através do sino da igreja para ver esta barbaridade. No documento apócrifo o Supremo ordena que seu cadáver seja decapitado. que a cabeça seja posta em um poste por três dias. p. Mas o que há de unanimidade é que ele era um ferrenho defensor da independência e da soberania nacional. Francia. O romance Yo el Supremo começa quando um pasquim é encontrado cravado na porta da Catedral de Encarnación em forma de decreto com assinatura falsificada do Supremo Ditador. no Paraguai (1816-1840). Francia. soberana? Lo que es más importante ¿de haberle dado el sentimiento de Patria? (…) ¿De esto me acusan? (ROA BASTOS. do período do governo do Dr. Francia. como as notas às margens com letra desconhecida que levam à reconstrução das circunstâncias históricas que viveu o Dr. 57). o Dr. independiente. A partir destes fatos desencadeia-se toda a narrativa. Nos questionamentos do Supremo há a evidência dos temas históricos do século XIX. Quando ele se defende das acusações sobre si no pasquim fixado na porta da catedral questiona retoricamente: “¿De qué me acusan estos anónimos papelarios? ¿De haber dado a este pueblo una Patria libre. como a ditadura do Dr.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 293 HISTÓRIA. MEMÓRIA E FICÇÃO EM YO EL SUPREMO E EM HIJO DE HOMBRE DE ROA BASTOS Damaris Pereira Santana Lima PG .

31-32). p. pois fala do presente da enunciação do romance e se remete à história do Paraguai anterior à ditadura do Dr. a colônia penal.294 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS estratégia do ditador para livrar seu país das intenções anexionistas de Buenos Aires e as imperialistas do Brasil. Na narrativa há muitas evidências de vários fragmentos que dão a impressão de rascunhos. ou seja. as crueldades e castigos para com inimigos. “Letra desconocida” (p. O Supremo pode fazer o que está declarando. conta e corrige esta imagem. enriqueciendo su sentido y verdad”. La hago. Nora Esperanza Bouvet (2009). foi-se passando a limpo a história. incluindo o presente da narrativa e até transcendê-lo. por fontes contemporâneas ao ditador e por historiadores. Puedo rehacerla según mi voluntad. consultados.66). personagem que não é onisciente. As fontes extratextuais são muitas. O Supremo age de acordo com sua vontade nesta contra-história que é construída com personagens e acontecimentos que são históricos. p. enquanto ele narra. 119). y unas quince mil horas de entrevistas grabadas(…) (ROA BASTOS.amigos. 2008. 585). os fuzilamentos. Francia. éditos e inéditos. “quemado el borde del folio” (p. um plano de fundo o qual ele não pode exercer o seu poder de controlá-lo ou corrigi-lo. em sua obra Estética del plágio y crítica política de la cultura em Yo el Supremo diz que em seu romance Roa Bastos realiza um trabalho de transformação dos materiais historiográficos em literários para construir uma obra de ficção colada aos referentes históricos que questiona os modos que se utilizaram para construílos. mas que não tem limitações quanto à história. “faltan folios” (p. Supremo. Há um passado. folletos. porque o autor outorgou-lhe um caráter fictício e ao mesmo tempo histórico. espiados. correspondencias y toda suerte de testimonios ocultados.de unos veinte mil legajos. adversários e ex. Também nestas memórias estão as contradições de seu regime paternalista. 274). espigados. de maneira que a narrativa é a escrita da leitura de vários textos. seus caprichos e sua postura para com os estrangeiros. 76). 2009. O romance reescreve a história com dados para a escritura de uma versão divergente da história oficial e hegemônica. “al margen escrito em tinta roja” (p. 2008.30). 2009. ajustando. A história é apresentada através da visão do Supremo que se gaba afirmando: “Yo no escribo la historia. reforzando. O conteúdo histórico utilizado pelo compilador foi produzido pelo próprio Dr. O Supremo se debate contra uma imagem que lhe fora construída por seus sucessores e em particular por seus detratores. de otros tantos volúmenes. considerado pelo Supremo como Neste trabalho de investigação empreendido pelo Supremo e seu secretário Policarpo Patiño para descobrir quem se atreveu a parodiar os decretos do . Este conteúdo histórico é integrado ao simulacro romanesco. en bibliotecas y archivos privados y oficiales. Para a referida autora “son hilos ficcionales de esbozos novelescos que los historiadores hacen y Roa Bastos reorienta” ( BOUVET. É muito clara a denúncia contra o regime atual. A cópia deste material dá voz à memória do Supremo. as arbitrárias detenções. p. p. Os grandes e pequenos defeitos de seu governo. A história da Ditadura Perpétua é a matéria da ficção e consiste na cópia de escritos de e sobre o ditador. Todos os temas que fazem parte do romance tem matriz historiográfica. (…) . Hay que agregar a esto las versiones recogidas en las fuentes de la tradición oral. (ROA BASTOS. Para a autora “el texto que escribe no olvida en ningún momento que lo es. Francia. ou de papéis que teriam sido descartados: “hoja suelta”. 97). per iódicos. Esta maneira de construir a narrativa possibilita a Roa Bastos ir do passado ao futuro. no pretende ser otra cosa (reflejar ni representar nada) sino escritura generada por esas otras escrituras contra las cuales se vuelve. à narrativa. já que a narrativa é pós-morte.” (BOUVET.

texto do livro de Ezequiel. a religião como veículo de transculturação. a obra ainda evoca a história do período da ditadura de José Gaspar Rodríguez de Francia. O principal da narrativa se dá nesse segmento temporal. Hijo de Hombre (1960) é o romance de Augusto Roa Bastos que recupera a história do começo do século XX. referindo-se à construção da usina de Itaipú. p. conta a história do ditador e do país alterando a linearidade da história oficial. Na Circular Perpétua o Supremo declara: “Llámese Imperio de Portugal o del Brasil. data da chegada do cometa Halley. fundindo a cultura cristã com a cultura aborígene. A descrição do povoado de Itapé. A identidade paraguaia se constrói em um espaço onde as culturas lutam para se impor e. Além dos dados citados acima. 2008. O personagem faz alusão às relações entre Paraguai e Brasil e à sua firme política de defesa da integridade territorial. cria outra história acrescentando o não registrado. no entanto há alusões a fatos que precedem a esse período. P. Yo el Supremo é uma narrativa que desestabiliza o que a história oficial registrou. 1971. 11). Onde a língua e a religião espanhola se modificam pelo contato com a língua e com a religião do índio.” (ROA BASTOS. as rebeliões dos camponeses e a guerra do Chaco. o que não se sabe e o que se desejaria saber sobre Francia. espaço onde restavam poucas coisas do tempo . onde o Supremo insiste em falar das más intenções do Brasil. e a seguir trata de um tema presente naquele momento. A cultura ocidental é mesclada com o substrato dos autóctones. lugar “perdido em el corazón de la tierra bermeja del Guairá” (ROA BASTOS. Hijo de Hombre conta a história de dois povoados. 115). Os fatos históricos que se referem ao século XIX são evocados pelas memórias do ancião Macario. criador do Cristo de Itapé. sus hordas depredadoras de mamelucos. a saber. período do governo do general Alfredo Stroessner (1954-1989). pouco tempo depois do final da guerra do Chaco em 1935. da fundação de Sapukai e do desaparecimento de Gaspar Mora. no período de aproximadamente vinte e cinco anos. protegendo. las fuentes de nuestros ríos. sendo uma da tradição judaico-cristã. “hijo de uno de los esclavos del dictador Francia” (ROA BASTOS. 1971. personagem que era considerado a aparição do passado. Francia (1814-1840) e da guerra contra a Tríplice Aliança (1864-1870).” (ROA BASTOS. o segundo momento é o presente. los altos de nuestras sierras aserradas con la sierra de los tratados de límites. Em Hijo de Hombre emerge a convivência dos rituais e ideias míticas aborígenes junto aos ritos do cristianismo. observar-se-ia que os acontecimentos começam em 1910. que foram trazidos pelo colonizador há mais de quinhentos anos. no entanto se fundem dando origem a uma nova visão de mundo. Dr. O narrador conta o que ele ouvia quando criança através do velho Macario. No texto da Circular Perpétua o Supremo traz à memória as invasões brasileiras em território paraguaio. p. pelo império do Brasil. Sapukai e Itapé e do seu povo. Se o tempo da obra fosse ordenado de maneira linear. Esta afirmação é evidenciada desde as epígrafes do romance. de bandeirantes paulistas a los que contuve e impedí seguir bandereando bandidescamente en territorio patrio. quando especifica o roubo de los saltos de nuestras aguas. assim a soberania nacional do Paraguai. 2008. quando lhes fora roubada grandes extensões de terra.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 295 entreguista. somente. p. los saltos de nuestras aguas. e termina com a morte de Miguel Vera e a conservação e compilação de seu manuscrito por Rosa Monzón. 115). “Ya nos ha robado miles de leguas cuadradas de territorio. Neste fragmento há a alusão a dois momentos: o primeiro à agressão do império português no passado. Antigo Testamento e a outra é o Himno de los muertos de los guaraníes. 12).

1971. Profetizaron convertir a este país en la nueva Atenas. ¡Vaya fineza! ¿Qué alma han de tener estos desalmados calumniadores? Estómagos cuadrúpedes de bestias cuatropeas. países que segundo o Supremo. os espaços e os relatos de Hijo de Hombre apresentam a imagem de agonia da história e da sociedade paraguaia do começo do século XX. mas muita dor. Para o Supremo a memoria dos “memoriosos” é uma má memória. Uma das poucas coisas que resta é o rancho do Cristo no alto do monte de Itapé. Mancillativa. 14) Ao contar sobre a Ditadura Perpétua. a história anterior ao tempo da narrativa. o esquecimento faz parte da estrutura da memória . Francia defendia a nação das tentativas anexionistas do Brasil e da Argentina.” (LE GOFF. O Supremo ironiza utilizando a metáfora de Platão “Estómago del alma. bem como a história. p. Os personagens. A memória. tem uma intertextualidade complexa. Areópago de las ciencias. Repetitiva.296 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS da sua fundação há mais de três séculos. 2010. anotações de uma letra desconhecida.” (LE GOFF.24). individual ou coletiva. 2008. Su padre el liberto Pilar era ayuda de cámara del Supremo . queriam devorar a nação paraguaia. intertextualidade que traduz o inconsciente coletivo do Paraguai no período histórico registrado pelo romance. Outro tema histórico evocado no romance é a tortura e a vigília que se estabeleceu nos ervais eram como menciona o texto. pois. Ninguém se atrevia a fugir deste reino de terror. 2010. p. perseguido pelo avanço da modernidade que promete sucesso para alguns. citações intercaladas.” (ROA BASTOS. pode ser compreendida como reconstrução do passado e como conservação das experiências humanas. miséria e esquecimento para a maioria da população. Sobre o tema Jacques Le Goff ainda pontua: “A memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade. O início do romance apresenta as memórias do narrador sobre o que ouvia na sua infância. 218). Desfigurativa. ou seja. amparadas pela lei. conforme a narrativa. é meramente armazenadora. reflexões em um caderno privado. ou a Guerra Grande é evocada no romance. a visão que Macario apresenta é o Dr. na febre e na angústia . las letras. O romance é construído sobre um sistema de citações direta e indiretas. p. o ditado de uma longa circular. Yo el Supremo é uma metanarrativa onde se percebem as considerações iniciais e as dúvidas a respeito do quê e como narrar na maior parte das modalidades da escrita que irá inserir os diálogos do ditador com seu secretário. cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje. um dos presos militares da prisão de Peña Hermosa. também através das memórias de Macario. Lembrar o passado é uma necessidade do ser humano. que repete sem refletir e é demasiada porque exige esquecimento. Memoria de ingiero-digiero. Relatos. No primeiro capítulo é evocada a história da Ditadura Perpétua quando se narra a vida de Macario que “ habría nacido algunos años después de haberse establecido la Dictadura Perpetua. las artes de este Continente…” (ROA BASTOS. p. A guerra contra a Trílice Aliança. A narrativa apresenta um país destruído pelas guerras com seus vizinhos. A Guerra del Chaco (1932-1935) é outro fato histórico evocado em Hijo de Hombre através dos registros do diário de Miguel Vera. Para o Supremo. 218).” Compara seus opositores a animais ruminantes e define suas memórias como “ Memoria de mascamasca. A memória tema recorrente nas narrativas de extração histórica tem papel de destaque na sociedade em termos de representação coletiva. pois: “Os indivíduos que compõem uma sociedade sentem quase sempre a necessidade de ter antepassados.

anotarlo en alguna parte. Después olvidaba lo que había dictado. em princípio o esquecimento é considerado um dano à confiabilidade da memória. etc. Lembrar somente o que convém. a celebração através de um monumento e pontua sobre a pedra mármore como suporte a uma sobrecarga de memória. O referido autor ainda salienta que “ todo documento tem em si um caráter de monumento e não existe memória coletiva bruta. mas a qualidade do que se lembra ou se esquece. “le hace ignorar el sentido de los hechos. Os “arquivos de pedra em Yo el Supremo. Olvídenlas.” (LE GOFF. O referido autor problematiza esta perspectiva paradoxal dizendo que o esquecimento constitui-se uma das condições da memória. p. faz-se necessário esquecê-la. a história ou a imprensa oficial não conseguiriam penetrar nos pensamentos de uma sociedade. pois. da Pré-história à Antiguidade. p. A própria memória luta contra o esquecimento.) Esta passagem corrobora a importância da escrita na preservação da memória. a piedra-bezoar e o meteoro-azar estão associados às reflexões sobre a memória. (RICOEUR. 424). nobles señores. Segundo Paul Ricoeur (2007. 315) . Em Yo el Supremo. Como a memória é imortalizada pela escrita. se lo ruego.” (ROA BASTOS. Al principio no escribía.. pois é nos documentos históricos. únicamente dictaba. Es el único modo que tengo de comprobar que existo aún. p. p. A escrita que possui as funções de armazenamento de informações e a possibilidade de reexame e de correção. Lo que es necesario recordar es el bien de nuestras patrias. Para Le Goff “a outra forma de memória é o documento escrito num suporte especialmente destinado à escrita”. pois é um discurso incapaz de escrever o que passa pelo imaginário coletivo. 2008.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 297 porque para lembrar alguma coisa. 75. Em Yo el Supremo o leitor se depara com diversos monumentos escritos. conforme ele mesmo declara em entrevista a qual se refere Bouvet (2009). Rotundamente no. pois faz-se necessário poder esquecer dos detalhes sem relevância para concentrarse no que é essencial. Quando Le Goff (2010.40). os fatos revolucionários pela independência do seu país. pois o discurso da história não é confiável. 2008. p. “Yo busque superar los estereotipos de la narrativa regional. De seguro estarán fatigadas sus mercedes con tantas bufonerías. nas circulares. que se encontram os fios condutores da narrativa. O esquecimento não significa amnésia. pois é uma maneira de se renunciar al beneficio del olvido. no documento apócrifo. Ahora debo dictar/ escribir. p. memória e esquecimento exigem equilíbrio. o “exceso de memória” carrega o discurso de detalhes desnecessários. ele fala das formas de memória que são a comemoração. Aunque estar enterrado en las letras ¿no es acaso la más completa manera de morir? ¿No? ¿Sí? ¿Y entonces? No. 435) . A narrativa é uma construção em leitura. Já em Hijo de Hombre o tratamento da memória é diferente do que se vê em Yo el Supremo.” (ROA BASTOS. não é a quantidade do que se lembra ou do que se esquece que faz construir uma boa memória. p. escrita e correção do que se escreve. 2010. “Disculpen. 427) discorre sobre o desenvolvimento da memória: da oralidade à escrita. No romance a tônica é a revisão e a correção dos arquivos que armazenam a história do Paraguai. . É necessário saber lembrar e saber esquecer. Em Yo el Supremo há a simbologia de duas pedras: a piedra-bezoar e o meteoro-azar. 428). (…) Se escribe cuando ya no se puede obrar (ROA BASTOS. 2007. 2008. Nisto se vê o objetivo de Roa Bastos em se escrever uma intra-história. mas ao mesmo tempo o autor pontua que uma memória que nada esquecesse seria considerada monstruosa. pois há uma diferença substancial na produção literária de Roa Bastos. Pedras como fio condutor da reflexão sobre a memória e como um recurso literário.

a los asombros de mi infancia.) em Hijo de Hombre y otros textos. do motorista. Sapukai não seria o único povoado fundado junto a um cemitério secular. Jacques Le Goff (2010). A passagem revela que conta-se para reviver o passado. 2009. do filho do escravo. Ele declara ainda que não conta e escreve com a intenção de reviver o passado. No estoy reviviendo estos recuerdos. A observação de que as histórias eram sempre contadas em guarani mostra que Paraguai é uma sociedade que neste momento parece estar em transição entre a oralidade e a escrita. As declarações acima podem ser consideradas resposta à diferença percebida na maneira de produção textual e de tratamento do tema memória. se mezclan mis traiciones y olvidos de hombre. 1971. Mi testimonio no sirve más que a medias. (ROA BASTOS. p. 467).. mas com o objetivo de purgar os males cometidos consciente ou inconscientemente no passado. 2009. A história se esforça para criar uma história científica a partir da memória coletiva. 28). testemunho não serve mais para nada. evidenciadas pelas repetidas mortes provocadas por Miguel Vera. Vale ressaltar que o ancião Macario sempre contava suas histórias em guarani.. tal vez los estoy expiando. do leproso. “(.. pontua que toda a evolução do mundo contemporâneo se dirige para as memórias coletivas.298 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS pero equivoqué el camino hacia fuera y hacia adentro. 2010. lugares simbólicos. “Lo que quería entonces era trabajar el texto desde adentro.” (ROA apud BOUVET. de uma cultura ágrafa de uma literatura sem passado. Miguel Vera que apresenta suas lembranças de infância: Yo era muy chico entonces. el planteo estético había quedado condicionado por el mandato ético.. Os dois romances de Roa Bastos aqui comentados são textos em que história e ficção se cruzam promovendo. o bilinguismo e a oralidade geraram o “mandato ético” de denunciar esta situação e de dar voz ou ser de alguma maneira o intérprete de uma coletividade vitimada pela desventura de suas vicissitudes. “História que fermenta a partir do estudo dos ‘lugares’ da memória coletiva. y podía dejar que esos infortunios fueran irradiados por la vida misma del texto. O fato de o país ser marcado por tantas mortes faz dos cemitérios lugares monumentais. A memória também aparece na voz do narrador. etc. E diz ainda que quando escreveu Yo el Supremo tinha deixado de ser o cruzado de uma literatura militante. mientras escribo estos recuerdos.” (BOUVET. Neste fragmento também é evidenciada a marca de tempo cíclico. (. 2009. ou seja.. las repetidas muertes de mi vida. Ahora mismo. ao tratar dos desenvolvimentos contemporâneos da memória. O trabalho como coveiro era muito cobiçado em Sapukai. pela fragmentação da cultura paraguaia. p. “El puesto de sepulturero en Sapukai es casi una dignidad”( ROA BASTOS. Em Hijo de Hombre desde as primeiras linhas emergem as memórias da coletividade na voz do excêntrico. pela inexistência de uma tradição literária paraguaia na qual inserir-se.) lugares monumentais como os cemitérios (.” (BOUVET. Em outro momento do romance há a alusão à Guerra Grande quando se trata da relação morte e vida no imaginário nacional. siento que a la inocencia. p. 52). pois diz que seu . Emerge no relato sobre María Regalada a filha do coveiro. p. 27).)” (LE GOFF. As memórias de Miguel Vera contando de sua infância. p. assim. aqui quem é detentor da memória coletiva detém uma memória essencialmente oral. 27) e se auto justifica por sua situação como escritor exilado. p. Escrever suas lembranças é também uma maneira de contar e reviver o passado. Me había librado de esa conciencia que parecía estar dictándome los infortunios de la colectividad. com certo pesar.14). uma intertextualidade. 1971.. Em muitos povoados paraguaios o cemitério é o lugar mais antigo.

Alain François [et al. LE GOFF. 1971. Jacques. . SP: Editora da Unicamp. Y si sabe olvidarse en vida de sí mismo. SP: Editora da Unicamp. si ha sido cabal con el prójimo. História e Memória . Asunción: Servilibro. Estética del plagio y crítica política de la cultura en Yo el Supremo. obra y pensamiento. ROA BASTOS. Hijo de Hombre. Campinas.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 299 O discurso ficcional ao dialogar com a história faz um questionamento à história oficial. RICOEUR. 1971.]. la tierra come su cuerpo pero no su recuerdo…” (ROA BASTOS. Augusto. Buenos Aires: Debolsillo. mis hijos – decía repitiendo casi las mismas palabras de Gaspar–. o esquecimento. Buenos Aires: Editorial Losada. Paul. A memória. (trad. Asunción: Servilibro. 2008. otro al morir… Muere pero queda vivo en los otros. Yo el Supremo . Antônio. a história. Nos dois romances há também a presença de memória e esquecimento. temas em debate na atual produção literária da América Latina. Roa Bastos – Vida. ROA BASTOS. 2012. 2009. Campinas. “—Porque el hombre. tiene dos nacimientos. Augusto. 38) Referências bibliográficas BOUVET. Nora Esperanza. desta maneira uma contra história. p. 2007. Uno al nacer. PECCI. construindo. 2010. como diz o próprio Roa.

não são levados em conta como elementos que conectam mais que frases ou enunciados (embora este último conceito alcance a semântica e/ou a pragmática da língua) e alcançam o nível discursivo do texto. quando comparamos suas definições. portanto. Neste trabalho refletirei sobre o tratamento dos conectores nos livros didáticos do Ensino Médio aprovados no PNLD 2012. observando o que se espera do aluno quando estudam os conectores. se não contraditórios.300 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS O TRATAMENTO DOS CONECTORES NAS COLEÇÕES DE LÍNGUA ESPANHOLA APROVADAS NO PNLD-2012: UMA QUESTÃO TEXTUAL OU DISCURSIVA? Daniel Mazzaro Vilar de Almeida PG-UFMG/UFV/UNIFAL Introdução Nos estudos linguísticos existem muitos conceitos e termos que. Em outras palavras. analisarei as três coleções de Língua Espanhola aprovadas no PNLD de 2012. Ao desenvolver um estudo sobre qualquer elemento que se inclui ou que leva no nome algum desses termos. já tomamos a perspectiva de que se tratam de elementos ou conceitos diferentes. partirei de uma breve discussão dos termos texto e discurso para mostrar a complexidade da separação entre ambos. aqui entendido como uma construção social. Em seguida. mostrarei como também são escorregadias as definições do termo conector e seu “quase” sinônimo marcador discursivo. parecem intercambiáveis. mas sim. Após essas ponderações. dentre as diversas possibilidades de . Isso acontece até mesmo com os objetos de estudo mais recorrentes nas teorias modernas. Embora não apareçam sob esta nomenclatura. frequentemente. parece crucial. percebemos que não existe um trabalho efetivo desses elementos que ultrapassem o âmbito formal do texto. sob os nomes das classes gramaticais tradicionais a que pertencem. discurso e gênero (textual e discursivo). No entanto. refletir sobre o posicionamento teórico que se segue. como texto. o que parece ser um senso comum para vários linguistas e teóricos da linguagem. às vezes. a nossa intenção é escolher. Sendo assim. são muito próximos e. Texto e discurso: limites incertos Ao propor a diferenciação de texto e discurso neste trabalho.

já que esta é entendida como sistema de valores virtuais e/ou como idioma compartilhado pelos membros de uma comunidade linguística. Fazendo um breve histórico do conceito de texto. Bentes (2001) identifica três fases. as pesquisas da área discursiva podem se separar em dois polos: . uma diferenciação que possa nos servir para compreender o que acontece com o tratamento dos conectores. Maingueneau (2008) explica que discurso pode ser. Essa distinção permite distinguir a atividade discursiva nas suas múltiplas dimensões e sua única manifestação verbal. na interação. isto é. até seu cenário imediato de ocorrência ou o conhecimento prévio dos falantes e a própria linguagem . a segunda fase o define não como uma estrutura acabada (um produto). o conceito de texto já incorporou o de contexto. e a linguagem é considerada na sua relação com seus objetivos social. ou seja. desde o entorno sociocultural no qual a atividade comunicativa se desenvolve. uma atividade verbal em contexto que se manifesta sob a forma de unidades transfrásticas. escrita ou oral. tem-se afirmado que o discurso é a relação de um texto com seu contexto (discurso = texto + contexto). discurso deve ser visto de forma diferente de língua. estável e abstrato. As restrições podem ser um posicionamento em um campo discursivo (discurso feminista). que filtra esses valores virtuais ou que pode suscitar novos valores (vê-se uma associação de discurso à dimensão social e mental). No segundo caso. o texto passou a ser entendido como um sistema uniforme. uma vez que a análise do discurso é uma tentativa de articular estruturações textuais e situações de comunicação. Segundo Maingueneau (2008). em um momento dos estudos da LT. 1 É nesse mesmo caminho tortuoso que se tenta definir discurso.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 301 definições. Mas. Desse ponto de vista. Maingueneau (2008) esclarece que. de modo a permitir aos parceiros. não apenas a depreensão de conteúdos semânticos. Ao fazer um panorama sobre análise do discurso. Ele passa a ser visto como uma manifestação verbal constituída de elementos linguísticos selecionados e ordenados pelos falantes durante a atividade verbal. ele pode englobar muitas ideias. e sim parte de atividades mais globais de comunicação. produções verbais específicas de uma categoria social (discurso das enfermeiras) ou uma categorização baseada num critério comunicacional (discurso polêmico). expressivo e referencial. Já a terceira fase considera que sempre teremos à nossa disposição mais de uma definição de texto ou daquilo que se postula ser o objeto da Linguística Textual (LT). superior à sentença e. a textualidade seria uma propriedade distintiva do texto. um tipo de discurso (discurso jornalístico). verbalização e construção. o compreende no seu próprio processo de planejamento. Discurso é também diferente de texto. como vimos anteriormente. discurso é um uso restrito desse sistema compartilhado. Quanto ao primeiro. Quanto ao contexto. No entanto. Enquanto a primeira define o texto como uma sequência coerente e consistente de signos linguísticos delimitada por interrupções significativas na comunicação e possui status de maior unidade linguística. se desprendem conceitos como textualidade e contexto . dessa forma. em decorrência da ativação de processos e estratégias de ordem cognitiva. No primeiro caso. o discurso é o uso da língua em um contexto particular. uma unidade linguística mais alta. que foram passos expressivos para perceber que o texto não é apenas um combinado de frases. o que deixa margens a dúvidas se realmente existe uma diferença entre esse e discurso. por um lado. por outro lado. mas também a interação (ou atuação) de acordo com práticas socioculturais. objeto.

operadores discursivos.-M. aos mesmos elementos estudados e. P. no entanto. 2008. além disso. partículas discursivas etc. já que no tratamento dos marcadores discursivos elas se complementam devido aos âmbitos do objeto de estudo que cada teoria analisa: seja o contexto em que aparece um conector.De um lado. Podemos citar pessoas que trabalham na revista MOTS (S.302 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS . e em seguida os pragmaticistas. enquanto que os limites do discurso se encontram em seu alcance sócio-ideológico. aqueles que visam primeiramente articular discursos e posicionamentos ideológicos. de que nem todas as teorias (que não são poucas) coincidem entre si e. (MAINGUENEAU. conectores pragmáticos . Roulet em Genebra. os pesquisadores que têm como argumento o estudo da organização textual. Em Almeida (2011). Várias foram (e são) as teorias que deram sua contribuição para elucidar a questão e o funcionamento dos conectores2. por exemplo. os conceitos atribuídos a esses termos ora se identificam. las inferencias que se realizan en la comunicación. como descrever o valor dos elementos de conexão entre orações e outros elementos se tantos pesquisadores o tomam o tomaram como seu assunto de investigação? Conectores ou Marcadores Discursivos? Uma das maneiras de alcançar o sucesso de que um texto/discurso possa fazer sentido é por meio de conexões entre as palavras. P. Tournier. frases. no ejercen función sintáctica en el marco de la predicación oracional y poseen un cometido coincidente en el discurso: el de guiar. (PORTOLÉS. essa diferença costuma estar no imaginário comum quando se distingue texto de discurso . ou seja. os limites do texto estão em sua organização sistêmica. Barbéris. Portolés (1998). . enunciados ou segmentos discursivos. semánticas y pragmáticas. referindo-se. quando ele explica que a finalidade dessas expressões é de guiar as inferências que se realizam na comunicação. optamos por não nos deter a apenas uma das teorias. muitas vezes. foi um dos problemas que mais preocupou. usa o termo marcadores del discurso e assim os define: son unidades lingüísticas invariables. devido à diversidade de critérios adotados e às diferentes proposições metodológicas a partir dos quais se tem abordado o estudo dos conectores e dos marcadores discursivos Vê-se claramente o eixo pragmático e semântico da definição de Portolés. marcadores de estruturação textual. Détrie. p. M. seja suas características sintáticas etc. conectores discursivos . seja a carga semântica da expressão. seja a intenção do falante em usá-lo. orações. como se definem os conectores. e na do segundo polo ele usa “discursos” e “posicionamentos ideológicos”.. Fiala) ou o grupo de Montpellier “Praxiling” (J. B. como explica Escandell (2006). 1998. primeiramente os gramáticos e filósofos. por isso.De outro. a conceituação de MD e conectores apresentam diferenças.). de acuerdo con sus distintas propiedades morfosintácticas. que defendem uma concepção de linguagem na qual se misturam as influências do marxismo e da linguística da enunciação. .147-148). Por isso. Vejamos. Devemos ter a noção. parágrafos. p. ora se complementam. na próxima seção. Curiosamente. partículas pragmáticas.23-24) O autor faz uma divisão interna da área discursiva para a qual utiliza termos específicos: na definição do primeiro polo aparece a expressão “organização textual”. elementos que. Ou seja. J-M. (doravante MD). Siblot.. especialmente na Suíça romanda. enlaces extraoracionais . Bres. é possível encontrar termos como marcadores de relação textual . Adam em Lausanne. Bonnafous. A questão é que. ou E. apoios do discurso . J. não se chegou a um acordo em questões básicas como a denominação e definição de seu conceito.

(MONTOLÍO. p. Dessa forma. Logo. ponto(s) de vista. esto es. prática discursiva. que envolve concepções. Vejamos. como os conectores/MD são tratados nas três coleções didáticas de espanhol do Ensino Médio aprovados no PNLD 2012 que são as seguintes: El arte de leer en español (PICANÇO. ayudar al receptor de un texto guiándole en el proceso de interpretación. 2001. 2010). 1998. Nossa pergunta é: por que o termo mais usado é marcador discursivo e não textual? Portolés (1998) entende por discurso la acción y el resultado de utilizar las distintas unidades que facilita la gramática de una lengua en un acto concreto de comunicación. a fin de que su lector siga sin esfuerzos ni dificultades el camino interpretativo trazado” (MONTOLÍO. 2010). conforme dividimos de forma didática anteriormente. então. Montolío (2001) propõe uma definição. mas usa o termo conectores e explica que (…) tienen como valor básico esta función de señalar de manera explícita con qué sentido van encadenándose los diferentes fragmentos oracionales del texto para. todo discurso se compone de una parte puramente gramatical y de otra pragmática. as coleções. p. Portolés e Montolío se preocupam pelos posicionamentos ideológicos dos sujeitos envolvidos no jogo discursivo ao estudar os conectores e MD? Até que ponto as questões socioculturais influenciam o uso e interpretação desses elementos nos discursos? . podemos ver que o conceito de linguagem está bem próximo ao que discutimos sobre discurso já que expressam ideologia(s). marca um limite com a definição de discurso proposta pelas correntes de Análise do Discurso. esses pontos de vista. intenção(ões) e argumentação(ões). E essa definição. Até este momento. obtenida gracias al contexto. atividade em permanente construção.27) Assim.21). Enlaces (OSMAN et al.21) Estas perguntas dariam origem a outras pesquisas. Essas ideologias. para serem aprovadas. “como señales de balizamiento que un escritor eficaz va distribuyendo a lo largo de su discurso. p. expressa por meio de manifestação verbal e não verbal e que se concretiza em diferentes línguas e culturas. por isso heterogênea e historicamente situada. VILLALBA.10). intenções e argumentações podem se materializar no discurso por meio de conectores de modo a guiar o interlocutor desse texto/discurso no processo de interpretação. áreas de muita influência na Linguística Textual e na Análise do Discurso. p. esse elemento é de extrema importância para a leitura crítica do texto. devem entender e orientar em suas atividades a linguagem como atividade social e política. principalmente quando explica que os conectores funcionam. valores e ideologias inerentes aos grupos sociais. voltemos à proposta deste texto e analisemos como os livros didáticos de espanhol aprovados no PNLD 2012 tratam os MD e os conectores. Um olhar sobre os conectores nas coleções de Língua Espanhola do Ensino Médio aprovadas no PNLD 2012 Segundo o Guia de Livros Didáticos: PNLD 2012: Língua Estrangeira Moderna (2011. Sua definição também possui uma estreita relação com a semántica e pragmática. (PORTOLÉS. estreitamente relacionada à de enunciado 3. se sob o viés textual ou discursivo. em um texto. 2001. por ello. como vimos anteriormente. 2010) e Síntesis (MARTIN.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 303 De forma parecida. já que é uma porta para inferências do tipo socioculturais. temos as informações de que tanto as definições de marcadores discursivos como de conectores possuem uma raiz muito forte na pragmática e na semântica. de esa manera.

não vamos descrever cada uma das atividades. Em uma delas. Já no volume 2. no segundo capítulo. volume 2). quando se trabalha o subjuntivo e é proposto ao aluno fazer frases sobre os personagens de um texto lido usando as expressões ojalá. Os autores propõem um trabalho com as conjunções de coordenação y. os MD não aparecem em apenas um volume como um tema a ser estudado. Após alguns exercícios de escrita nessa mesma seção. por su parte e sino a partir de frases retiradas dos textos das seções ¡Mira! e ¡Acércate!. mas sim ao longo dos três. como eles são Na coleção El arte de leer en español. e sistematizados nessas coleções. algumas conjunções (y/e. quizás. afirmación. na primeira unidade. marcadores temporais (unidade 3. negación e duda. na seção Para consultar um sinônimo e/ou uma breve explicação do seu sentido. por meio de um quadro-resumo com outros exemplos e. unidade 5). Deixamos claro que nem todos os conectores citados apresentam o mesmo tratamento. por lo tanto na unidade 1 do volume 2). ni. no volume 1. volume 2) e expressões de possibilidade e desejo (unidade 6. porque. e no volume 3 também aparecem outros conectores. o e pero por meio de exemplos tirados do áudio do capítulo e uma tirinha (apresenta-se o valor e um exemplo de cada conjunção). cantidad.) e outros exemplos. expressões condicionais (unidade 7). tratam das variações e. así que. por exemplo. así. Assim como nesses livros. ante. probablemente. tampoco.304 Vejamos apresentados nelas. ora. debidamente e si bien . na qual os autores os apresentam sob o título “conectores del discurso”. pues. o tema é resgatado em Como te decía. por exemplo. sin embargo. por eso. modo. como. A divisão nas unidades é semântica: expressões concessivas (unidade 4).. temos. Essas expressões são explicadas posteriormente na seção Para charlar y escribir .. na qual encontramos fragmentos dos textos (frases). Novamente estas e outras expressões aparecem no capítulo 5 na seção Gramática básica sob o título Adverbios em um quadro-resumo dividido em lugar. sin embargo. em seguida. No caso da coleção Síntesis. outras conjunções como aunque. o/ ó/u. isto é. como aunque (unidade 2) y si (unidade 3). ó e u das duas primeiras conjunções e propõem atividades principalmente de preencher lacunas. no es seguro que e tal vez. A coleção Enlaces apresenta os conectores principalmente no volume 3. Nos volumes anteriores citam. o sea. ya que.. nem todos se explicam por meio de fragmentos dos textos para que o aluno entenda seu funcionamento. Os conectores parecem ser resgatados novamente apenas no volume 3. alguns advérbios de frequência (volume 1. además. porque. dedicadas à leitura e compreensão de texto. sin embargo. uma atividade oral. expressões temporais (unidade 6). o volume 3 trata dos MD na seção Manos a la obra . o tratamento dos conectores por eso. Parte deles aparece em atividades de preencher lacuna e possui. como ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS os conectores são o segmento que segue o conector (tempo verbal. ora e luego aparecem ser ter nenhum estudo sistemático prévio. tiempo. com destaque nas expressões.. Assim. os conectores são trabalhados pela primeira vez no capítulo 1 do segundo volume na seção Gramática básica . classe gramatical etc. uma breve explicação sobre . Como nossa intenção neste trabalho não é o de esgotar o assunto sobre o tratamento dos conectores nas coleções aprovadas no PNLD-2012. exceto na unidade 8. isto é. a unidade 3 apresenta na seção Para consultar (seção na qual consta um pequeno resumo dos temas linguísticos contemplados na seção gramatical ¡Ojo! ) de uma breve explicação das expressões en suma. por eso.

como a coleção Enlaces que apresenta exercícios que conjugam a semântica e a sintaxe. A. C. Em: MUSSALIM. pudemos perceber que esses elementos linguísticos são tratados no nível textual. Isso talvez se deva ao fato de os materiais preferirem seguir uma sequência de temas que está próxima à das gramáticas tradicionais. 1. chegamos a algumas conclusões preliminares: 1) O estudo dos conectores costuma aparecer a partir do volume 2. Não me refiro a questões que pedem. A exceção é da coleção El arte de leer en español. já que o objetivo do ensino médio é de formar leitores críticos e isso só pode acontecer por meio de leituras analíticas que englobem as questões extratextuais. Anna Christina (2001): Linguística Textual. linguístico. como guia na interpretação discursiva. Introdução à Linguística: domínios e fronteiras.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 305 tampouco analisar as definições dadas às expressões. 245-287. pudemos perceber também que não há atividades de compreensão de texto nas quais seja BENTES. Apresentar atividades que envolvam essa esfera da linguagem não é uma questão de dificuldade ou facilidade. e. o seu tratamento entre parágrafos. mas. isto é. as coleções tratam os conectores como assunto importante a ser estudado? Sob que viés: textual e/ou discursivo? Em uma análise geral. 3) O enfoque é dado aos conectores interfrásticos ou interoracionais. ou seja. nosso objetivo é ver o alcance do tratamento dessas expressões. F. já que a maioria é de preencher lacuna. no final das contas. Há exceções. Não dizemos que isso seja equivocado. mas sim de necessidade. (Org). por exemplo. 2) As obras costumam restringir-se à importante fazer inferência de um conector. BENTES. da 2ª série. ignora-se seu alcance social. enumeraremos apenas essas. São Paulo: Cortez Editora. Dessa constatação. mas sim que não contempla mais que o uso semântico das expressões. por exemplo.. Eles não são tratados. Outras conclusões podem ser obtidas. obviamente. p. 2ª Ed. aparecem apenas nas seções destinadas a tal estudo. Considerações finais Por meio das conclusões preliminares da análise do tratamento dos conectores e MD nas coleções de espanhol aprovadas pelo PNLD-2012. Como já dito. sistêmico. ignorando. . na qual os alunos devem relacionar ideias por meio de conectores e também conjugar os verbos. v. nas quais o leitor é convidado. por exemplo. a refletir sobre a estratégia textual de apresentar determinados argumentos como contrapostos ou como causa-consequência. Refiro-me a leituras inferências sociais. Referências bibliográficas 4) Os marcadores discursivos são um assunto gramatical. devido ao recorte do trabalho. que desde o primeiro volume já apresenta um estudo de MD mais comuns. apresentação de sinônimos e ideias dos conectores. Inclusive as atividades refletem esse pensamento. começando pelo artigo e terminando nas conjunções. ou seja. dessa forma. em alguns casos. a causa de um fato e o aluno encontra a expressão porque ou ya que no texto e responde à atividade.

e se define dentro de uma teoria pragmática. Barcelona: Ariel. São Paulo: Macmillan. . assim como da obscura fronteira entre a classe dos marcadores e outras categorias limítrofes. Em: SIGNORINI. I. Secretaria de Educação Básica. p. Sua interpretação depende de seu conteúdo semântico e de suas condições de emissão. M. [Re]Discutir texto. questões e fronteiras [con]textuais. I. Ivan (2010): Síntesis. sugerimos uma leitura atenta de Portolés (1998a) e/ou Martín e Portolés (1999). Soraia. Guia de livros didáticos: PNLD 2012: Língua Estrangeira Moderna (2011).306 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS ________. Barcelona: Ariel. VILLALBA. São Paulo: Parábola Editorial. no qual se discute com relativa profundidade os conceitos de textualidade e contexto.. et al (2010): Enlaces . de acordo com critérios discursivos. São Paulo: Ática. Estrella (2001): Conectores de la lengua escrita. p. REZENDE. 2 Para esta pesquisa. PORTOLÉS. advérbios. Renato Cabral (2008): Texto: conceitos. OSMAN. MARTIN. como conjunções. Victoria (2006): Introducción a la pragmática. Para uma apresentação mais completa dos problemas de etiquetagem que se propõem das unidades suscetíveis de serem consideradas como marcadores do discurso. Em: SIGNORINI. interjeições. José (1998): Marcadores del discurso . Dominique (2008): Discurso e análise do discurso. gênero e discurso. 1946. sugiro a leitura do capítulo de Bentes e Resende (2008). embora saibamos que existem diferenças teóricas entre eles. Terumi Koto Bonnet (2010): El arte de leer español. ESCANDELL VIDAL. MAINGUENEAU. Curitiba: Base Editorial. uma sequência linguística concreta realizada por um emissor em uma situação comunicativa. consideraremos marcadores discursivos e conectores termos sinônimos. [Re]Discutir texto. PICANÇO. São Paulo: Parábola Editorial. MONTOLÍO. 3 Escandell (2006) explica que enunciado é uma unidade do discurso. – Brasília: Ministério da Educação. gênero e discurso. 135-156. Deise Cristina de Lima. Notas 1 Devido ao recorte deste texto. vocativos etc. Barcelona: Ariel (nova edição atualizada).

como pode ser visto em Qué es el Diccionario Panhipánico de Dudas. ed. As dúvidas tratadas no DPD podem ser de caráter fonológico. de 1996. consideramos o dicionário como instrumento linguístico (Auroux. Seu objetivo. 1992). sintático e lexicossemântico.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 307 DICCIONARIO PANHISPÁNICO DE DUDAS: DÚVIDAS. de 2005.Universidade de São Paulo Analisamos neste trabalho a imagem de dúvida no Diccionario Panhispánico de Dudas (DPD) da Real Academia Española ( RAE ) e Asociación de Academias de la Lengua Española (ASALE). como o Diccionario Gramatical y de Dudas del idioma. Mostramos assim que existe um grande repertório de dicionários de dúvidas no campo da língua espanhola desde algumas décadas. de 2011. ortográfico. Em seguida recortamos alguns verbetes. Esse trabalho faz parte dos estudos que desenvolvemos no mestrado em língua espanhola pela USP. XIII. cuja primeira edição data de 1961 e que está em sua 10a. Além destes temos o Diccionario de Dudas y Dificultades del Español de Manuel Seco. sob a ótica da análise do discurso e da História das Ideias Linguísticas. visto que Manuel Seco ocupa desde 1980 a cadeira da letra A da RAE. tomamos algumas formulações das seções que precedem a nomenclatura (conjunto de verbetes) do DPD. o primeiro de dúvidas produzido pela RAE/ASALE.. DEFINIÇÕES E COMENTÁRIOS Daniela Ioná Brianezi PG . o Diccionario Sopena de Dudas y Dificultades del Idioma. analisando sua estrutura para ver como se dá resposta à dúvida. p. O DPD é um dicionário recente. como mostrado na seção Qué es el Diccionario Panhispánico de Dudas. tomando como eixo da conceitualização o jogo de “antecipações imaginárias” descrito por Pecheux ([1969] 2010). é dar “respuesta a las dudas más habituales”. morfológico. Conforme argumenta Pecheux. A relevância deste último dicionário é especial para nossas análises. Nessa linha. Há outros dicionários de dúvidas na língua espanhola. de 1981 e o Diccionario de Usos y Dudas del Español Actual de José Martínez de Sousa. de Emilio M. Para mostrar como é construída a imagem de dúvida no DPD. se referindo especificamente ao caso do discurso politico mas que podemos transferir diretamente a nosso caso (ibid:76): “ [a relação de sentidos entre discursos] implica que o orador experimente de certa maneira . Martinez Amador (1953). p XIII .

observamos novamente a especificação numérica. temos o sujeito lexicógrafo institucional. exponiendo sus dudas sobre cuestiones ortográficas. de naturalizar seu papel de especialista que serve ao sujeito consulente. los miles de dudas concretas que asaltan a los hablantes en su manejo cotidiano del idioma y donde las Academias pudiesen. Continuando ainda na ‘presentación’. léxica ou gramatical. como já mostramos. (sublinhado nosso) sd2: Se echaba de menos una obra que permitiera resolver. temos a seguinte formulação: . que ‘se echaba de menos’. A especificação especial “de todo el mundo” remete à própria denominação do dicionário: ‘Panhispánico’. para que todo ello ocurra dentro de los moldes propios de nuestra lengua y. um não especialista. No caso do DPD. São também especificadas como “concretas”. apesar de todos os dicionarios que mostramos anteriormente de dúvidas. Notamos ainda em sd2 uma divisão no que se refere ao modo de projetar ou pensar a dúvida. […]” (destaques do autor). de preceder o ouvinte é. onde este ouvinte o “espera”. sobre todo. ou seja. pXI. adelantarse a ofrecer recomendaciones”. al mismo tiempo. decisiva se ele sabe prever. o que funciona na direção de produzir a evidência da necessidade do próprio dicionário. segundo a qual a instituição se ocuparia de tratar o que vê como Percebemos que inicia-se apresentando a dúvida como algo que “parte de um sujeito falante da língua espanhola”. Se produz aí o efeito de que a dúvida irrompe naturalmente (ela ‘asalta’ o falante) o que por sua vez opera a favor de abrir o lugar da academia. O ‘se’ impessoal produz um efeito de generalização. Trata-se aqui de uma dúvida “prevista” pela Academia. Temos aí um sintagma nominal marcado por uma especificação numérica. No fragmento ‘miles de dudas concretas que asaltan a los hablantes’. adelantarse a ofrecer recomendaciones sobre los procesos que está experimentando el español en este mismo momento. era uma obra que faltava e veio para preencher um vazio existente. A especificação que aí opera a favor de quantificar as consultas argumenta a favor da publicação e do funcionamento do dicionário. (destaque nosso) Em sd2 notamos primeiramente a antecipação feita sobre a obra. que antecipa a dúvida quanto ao consulente e constrói a imagem de dúvida nos paratextos a partir de um determinado jogo de antecipações. Opera aí um efeito de sentido pelo qual isso funciona como uma evidência. A instituição “RAE/ASALE” administra essa dúvidas começando por uma classificação das mesmas: seriam da ordem ortográfica. que tem dúvidas quanto à língua e recorre à RAE ou às Academias da ASALE para pedir esclarecimentos. Já no fragmento seguinte aparece uma outra modalidade: “y donde las Academias pudiesen. en especial en lo que atañe a la adopción de neologismos y extranjerismos.308 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS o lugar de ouvinte a partir de seu próprio lugar de orador: sua habilidade de imaginar. às vezes. de forma unitaria en todo el ámbito hispano. temos a seguinte formulação: sd1: Centenares de hispanohablantes de todo el mundo se dirigen a diario a la Real Academia Española. Iniciando nossas análise no item ‘presentación’ do DPD. o a cualquier otra de las que con ella integran la Asociación de Academias de la Lengua Espanõla. produzindo o efeito de sentido de são reais e não hipotéticas (são os falantes os que expõem suas dúvidas). Uma primeira projeção tem a ver com aquela proveniente do falante. con comodidad y prontitud. al mismo tiempo. léxicas o gramaticales y pidiendo aclaración sobre ellas. e que chegaria “espontaneamente”. em tempo hábil. de sua necessidade. Esta antecipação do que o outro vai pensar parece constitutiva de qualquer discurso. ‘centenares’ e outra que remete ao espaço (“de todo el mundo”) que tem como referente o consulente.

) ou técnicas (medicina. Como adjetivo. uma formulação que já nos permite passar a tratar uma outra parte do dicionário: sd3: El DPD se dirige tanto a quienes buscan resolver con rapidez una duda concreta y. aquelas anticipadas. a retomada da primeira acepção do Esta formulação nos faz compreeder a estrutura do verbete do DPD. jornais e portais eletrônicos. tipo de dúvida levantada pelo sujeito. embora não se mencione este fato nas sessões iniciais e em nenhum outro local do DPD. ‘destinatarios’ (DPD:XIII). havendo no final do DPD a lista de todas as obras citadas.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 309 importante de ser trabalhado para que a língua continue ‘unitaria en todo el ámbito hispano’. neste caso. (destaque negrito e itálico do DPD.” (destaque nosso) lacrimal: «Los ojos.. 1982]). Levando em conta essas considerações. se referiria a neologismos e estrangeirismos. geográfico-políticas (Arg. previstas pela academia. Temos o primeiro vocábulo. sublinhado nosso). como explicitado na seção antecedente à nomenclatura ‘signos’ (DPD:XXXV). 1993]). biol. de restrição de uso (informal. leísmo. De acordo com nossa pesquisa. Percebemos que esta é uma tendência também dos outros dicionários de dúvidas em língua española e. Notamos a volta do uso de ‘dudas concretas’. obervamos na parte ‘1’ da enunciação do vocábulo lagrimal. por minoritario.). 2. Con este mismo sentido se usa también el adjetivo . sempre com referência de onde foram tirados e do país de procedência. formado pela letra ‘L’: sd6: lag r imal lagr imal. Veremos aqui algumas ocorrências de verbetes não temáticos. A estrutura dos verbetes pode conter ainda o enunciado definidor entre aspas simples. Como sustantivo masculino. no item. o DPD manteria a regularidade. voseo. verificamos que o enunciado definidor dos lexemas é retomado do DRAE. As restrições de uso no caso do DPD são encontradas no corpo do verbete. temporais (desusado). Continuando nossa busca da imagem de dúvida construída no DPD. 1992]). Con este sentido se desaconseja. os não temáticos vão escritos em letras minúsculas. 1. Percebemos algumas diferenças quanto à maneira de enunciação dos vocábulos no DPD em relação aos dicionários integrais ou diferenciais em língua espanhola. Registra-se na enunciação da maioria dos verbetes exemplos de uso dos vocábulos. no tienen párpados ni glándulas lacrimales» (Vattuone Biología [Arg. retirado de nosso corpus de estudo para a dissertação do mestrado. como laísmo. ainda de acordo com sd2. São de número menor e vão escritos em letras maiúsculas. ‘de (las) lágrimas’: «El conducto nasolagrimal va del saco lagrimal a la nariz» (Rosales/Reyes Enfermería [Méx. já que este se diferencia do que encontramos num dicionário de língua. si los poseen. Par. v. el uso de lacrimal . que restringe ou não o uso do vocábulo.). por consiguiente. encontramos na seção: ‘qué es el diccionario panhispánico de dudas’. ‘extremo del ojo por donde salen las lágrimas’: «Sacó un pañuelo del bolsillo del delantal y enjugó con él sus lagrimales» (Bain Dolor [Col. Começamos a mostrar agora como são os enunciados encontrados nos verbetes Temos dois tipos: os temáticos e os não temáticos. como a quienes desean conocer los argumentos que sostienen esas recomendaciones. O DPD explicita que a maioria dos exemplos dos vocábulos foram retirados do CREA (Corpus de referencia del español actual) e em menor medida do CORDE (Corpus diacrónico del español). que englobam literatura. vulgar). A primeira delas é a falta de marcas no corpo do verbete. están solo interesados en obtener una recomendación de buen uso. Esta dúvida prevista. silenciando o segundo tipo de ‘dudas’ tratadas pelo DPD. Os temáticos se referem a temas gramaticais. sejam elas gramaticais (adj.

é porque essa forma é “usada”. Como argumenta Indursky (1997:213-244). las aceptadas. que nesse caso tem informações enciclopédicas. Em seguida temos um comentário que ‘desaconseja’ o uso do vocábulo ‘lacrimal’ no caso de seu uso como substantivo. La Goleta. Consultando então ‘La Goleta’ percebemos que não faz parte da nomenclatura do DRAE e carece de enunciado definidor no DPD. 1986]). mostrando novamente a preferência pelo vocábulo em espanhol. é remetido à palavra adaptada à grafia espanhola. O uso de ‘no se debe’ traz consigo o discurso-outro. que não dever ser usada. La Goulette com ‘no debe usarse’. ou seja. Pensamos que o DPD segue também esta preferência. ’! La Goleta. subitem Variantes Preferidas: sd10: Cuando las variantes admitidas no pueden figurar en un mismo artículo por exigencias del orden alfabético. visto que Neste caso. la preferida por la Academia es la que lleva la definición directa. ao contrário do que ocorreu em seu uso como adjetivo e tal fato é justificado por seu uso ser ‘minoritario’. pero no preferidas. havendo a recusa do vocábulo em sua grafia originária. a remissão sugere que o vocábulo preferido é. situando o consulente quanto à localização de tal cidade. O fato da preferência pelo topônimo em espanhol poderia ser explicado pelo relacionamento da Espanha com La Goleta. Temos agora um topônimo de origem estrangeira. com um exemplo de uso. igualando os sentidos deste aos do primeiro. item Manejo del diccionario. Na parte ‘2’. Go ulett tte sd9: La Gole ta Goleta ta. também é retomado o enunciado definidor deste (agora da segunda acepção) e novamente se apresenta um exemplo. “a negação é um dos processos de internalização de enunciados oriundos de outros discursos”. Diccionario de la Lengua Española (DRAE). já que trata-se de um deôntico de obrigação ‘dever’.2. Irrompe aí uma forma de alteridade sobre a qual se regula. Na próxima formulação comenta-se que há um outro vocábulo possível de ser usado com o mesmo sentido.2 6. uma outra posição sujeito que admitiria o uso do vocábulo em francês. que num movimento anafórico retoma a cidade. se está desaconselhado pelo DPD. Novamente vemos um enunciado com verbo negativo. em sua grafia original. em certas práticas. mostrando uma forma de “lidar com a alteridade” no discurso do DPD. antepuerto de Túnez» (Faner Flor [Esp.2) a aquella. Nombre tradicional español de esta ciudad de Túnez: «Estuvieron cuatro días fondeados en La Goleta. visto que há uma proibição explícita do termo em sua grafia originária em francês. Cabe destacar que há um sintagma nominal com um adjetivo ‘nombre tradicional’. La Goulette: sd8: La G o ule tt e . sem nenhuma formulação. o que funciona a favor da direção do dizer que aí se instala: usar esta forma e não a otura. mais contundente que em ‘lagrimal’. Temos então um exemplo. O uso de ‘desaconsejar’ nos permite ver que. sublinhado nosso). temos em Advertencias para el uso de este diccionario .2. (destaque negrito e itálico do DPD. Temos o uso do deítico ‘esta’. No debe usarse en español la forma francesa La Goulette. Esta é uma prática regular no dicionário. que se baseia em Milner(1983) e Culioli (1990). se definen mediante remisión (v.310 ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS vocábulo no DRAE. quando o consulente busca a palavra La Goulette. neste caso. Consultando os paratextos da versão online do . marcado por un morfema de negação. criando uma circularidade com a palavraentrada em espanhol La Goleta . que produz o efeito de longevidade de uso. por certos falantes dessa língua. Reparamos na presença do verbo (desaconsejar). ‘lacrimal’.§ 6.

8): “suponho que em toda sociedade a produção do discurso é ao mesmo tempo controlada. Sylvain (1992): A revolucao tecnologica da gramatizacao . 61-161. interpelando assim os sujeitos consulentes a se assujeitarem à FD na qual o DPD se inscreve. Campinas: Editora da Unicamp. Françoise. esquivar sua pesada e temível materialidade”. mas em 1574 ela foi tomada pelos otomanos. lagrimal . São Paulo : Ed Loyola.ATAS DO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS 311 ela conquistada pelo rei Espanhol Carlos V em 1535. SP: Editora da Unicamp. Sua língua oficial é o árabe. Tony (orgs. e só tornou-se independente em 1956. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas. Em: GADET. Referências bibliográficas AUROUX. HAK. enunciados de caráter sugestivo e prescritivo que seviriam para esclarecer a dúvida tratada. Com essas ocorrências gostaríamos de mostrar como o DPD ‘resolve’ os dois tipos de dúvidas encontrados. como uma das dúvidas concretas. mas o francês continua sendo usado como língua do comércio. 2010. SP: Editora da Unicamp. no jogo de ‘poderes’ do discurso. Em 1881 ela foi anexada à França. FREDA (1997): A Fala dos Quarteis e outras vozes. p. p. organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que têm por função conjurar seus poderes e perigos. Podemos classificar o primeiro. por tratar-se de um lexema estrangeiro. INDURSKY. Michel (2010): A ordem do discurso. Percebemos com a apresentação dos vocábulos. Como argumenta Foulcault ([1970]. FOUCAULT. dominar seu acontecimento aleatório. por tratar-se de uma vacilação na sua grafia e La Goulette como uma dúvida das previstas pela instituição.). Os comentários sugestivos e prescritivos do DPD poderiam deste modo encaixarse como um destes ‘procedimentos’ de tentativa de controle da língua. . Campinas. traducao: Eni Puccinelli Orlandi. PECHEUX. Michel ([1969] 2010): Análise Automática do Discurso (AAD-69). tanto recomendando o uso de alguns vocábulo e beirando a proibição em outros. selecionada.

houve aumento no número de questões e a aplicação do exame foi organizada em dois dias. inferimos que o fato de inserir o espanhol numa prova de nível nacional poderá levar a uma aceleração do processo de implantação da língua como um dos efeitos retroativos do Enem. Física e Biologia). referente ao primeiro dia do exame). garantem a oferta do espanhol (conforme prevê a Lei 11. por meio de algumas mudanças. foram incluídas 45 questões para cada área de conhecimento: Linguagens. inclusive as públicas. cinza. no segundo dia do Enem). o objetivo de selecionar alunos concluintes da educação básica para acesso ao ensino superior de várias instituições. E se até o presente momento nem todas as instituições de ensino médio. A partir de 2009 a prova.161/ 2005 ). Linguagens. . As questões são as mesmas e mantêm-se os enunciados. Língua Estrangeira (LE)