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O que é Vocação?

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- Vocação é o chamado de Deus que tem como finalidade a realização plena da pessoa humana.

- É um gesto gracioso de Deus que visa a plena humanização do Homem. - É dom, é graça, é eleição cuidadosa, visando a construção do Reino de Deus. - É um chamado para fazer algo, para cumprir uma missão. - Toda a pessoa é vocacionada, é eleita por Deus. - Deus elege por causa de alguns (comunidade) e esta eleição manifesta-se no nosso dia a dia. A mensagem do Evangelho à um convite contínuo a seguir Jesus Cristo. Vem e segue-me. (Mt 9,9 ; Mc 8,34; Le 18,22; Jo 8,12). VEM-CHAMADO: é um convite pessoal dirigido por Deus a uma pessoa. SEGUE-ME - MISSÃO: é o seguimento da prática de Jesus. É uma iniciativa gratuita, proposta que parte de Deus (dimensão teológica). Impulso interior de cada pessoa onde conscientemente responde ao plano de amor de Deus (dimensão antropológica).

Para compreendermos em profundidade o significado da vocação, precisamos fazer a distinção entre: VOCAÇÃO FUNDAMENTAL e VOCAÇÃO ESPECÍFICA A) VOCAÇÃO FUNDAMENTAL: Entendemos por vocação fundamental o chamado de cada pessoa: à vida, a ser Filho de Deus, a ser Cristão, a ser Igreja. A tomar consciência de que todos somos irmãos e fazemos parte do Reino de Deus. Pela revelação sabemos que todos os homens foram chamados por Deus a santidade (Gn 1,26; 2,7; lPe 1,15-16). É um chamado a desenvolvermos plenamente todas as nossas potencialidades. Todas as vocações específicas derivam desta vocação fundamental. Pelo Baptismo todos fomos chamados a viver a Santidade. A Pastoral Vocacional deveria ser a Pastoral da Vocação Fundamental, sob a qual é possível descobrir a Vocação Específica.

B) VOCAÇÃO ESPECÍFICA: Entendemos por vocação específica a maneira própria de como cada pessoa realiza a sua vocação fundamental, como leigo, sacerdote ou religioso. As vocações específicas são três: LAICAL RELIGIOSA E SACERDOTAL COMO DEUS CHAMA ? PESSOALMENTE E PELO NOME PELOS VALORES QUE NOS ATRAEM PELA COMUNIDADE PELAS NECESSIDADES DO MUNDO E DA IGREJA - ATRAVÉS DE MEDIADORES DIRECTOS

O que é vocação.

De acordo com o dicionário da língua portuguesa, Vocação significa “Talento”. Para nós cristãos, o significado de vocação vai bem mais além do que um simples talento.

Vocação é um dom que recebemos de Deus para bem realizarmos o nosso papel na evangelização de seus filhos, a cada um é dado um dom. Deus nos deixou 07 Dons: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor a Deus. São Paulo, em sua carta aos Coríntios, cita alguns dos carismas que são provenientes dos Dons: “A cada um é dada à manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz.” (I Cor 12,7-11).

Todos nós nascemos com uma vocação, Deus nos dá a vocação de acordo com a nossa necessidade. Você deve estar se perguntando: “Sim, ele falou, falou, mas não disse qual é a minha vocação?”. Nossa vocação é revelada através do Espírito Santo. “Sim, certo, mas como o Espírito Santo irá revelar a minha vocação?”. É bem simples, através da oração, do jejum, do anúncio do Evangelho, da Sagrada Eucaristia e, principalmente, através do Sacramento do Crisma . E através do Espírito Santo, somos capacitados para com nossa vocação seguir nossa missão, como construtores do reino de Deus. “O Baptismo , o Crisma e a Eucaristia são os Sacramentos da iniciação cristã, por isso, são a base da vocação comum de todos os discípulos de Cristo, vocação à santidade e à missão de evangelizar o mundo. Conferem as graças

necessárias à vida segundo o Espírito nesta vida de peregrinos a caminho da Pátria” (CIC 1533). Tipos de vocação de acordo com o CIC: Vocação da Humanidade: consiste em manifestar a imagem de Deus e ser transformada à imagem do Filho único do Pai. Esta vocação implica uma dimensão pessoal, pois um é chamado a entrar na bem-aventurança divina, mas concerne também ao conjunto da comunidade humana. Vocação dos Leigos: é especifico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus. Vocação para a Castidade: castidade significa a integração correcta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual. A virtude da Castidade comporta, portanto, a integridade da pessoa e a integralidade da doação. Vocação para o Amor: Deus, que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata de todo

ser humano. Pois o homem foi criado á imagem e semelhança de Deus, que é Amor. Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e infalível de Deus pelo homem. Vocação para o Apostolado: toda a Igreja é apostólica na medida em que, por meio dos sucessores de S. Pedro e dos apóstolos, permanece em comunhão de fé e de vida com sua origem. Toda a Igreja é apostólica na medida em que é ‘enviada’ ao mundo inteiro; todos os membros da Igreja, ainda que de formas diversas, participam deste envio. “A vocação cristã é também por natureza vocação ao apostolado”. Denomina-se “apostolado” “toda a actividade do Corpo Místico” que tende a “estender o reino de Cristo a toda a terra”.

Vocação ao Casamento: a intima comunhão de vida e de amor conjugal que o Criador fundou e dotou com suas leis é instaurada pelo pacto conjugal, ou seja, pelo consentimento pessoal irrevogável. A vocação para o Matrimónio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, conforme sairão da mão do Criador. “A salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade conjugal e familiar”. “Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do Criador, que é amor” (I Jo 4,8.16). E esse amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum de preservação da criação: “Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a”. (Gn 1,28). Vocação Sacerdotal: os que recebem o sacramento da Ordem são consagrados para

ser, em nome de Cristo, “pela palavra e pela graça de Deus, os pastores da Igreja”. Por sua vez, “os esposos cristãos, para cumprir dignamente os deveres de seu estado, são fortalecidos e como que consagrados por um sacramento especial”. A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo a seus Apóstolos continua sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos; é, portanto, o sacramento do ministério apostólico. E não podemos falar de vocação sem falar da vocação de Maria. Para ser a Mãe do Salvador, Maria “foi enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função”. No momento da Anunciação, o anjo Gabriel a saúda como “cheia de graça”. Efectivamente, para poder dar o assentimento livre de sua fé ao anúncio de sua vocação era preciso que ela estivesse totalmente sob moção da graça de Deus. E se tornou o modelo de vocação perfeita, através da unção do Espírito Santo.

Qual é a sua Vocação " Muitos jovens nesta época do ano ficam frente a frente com o desafio do Ensino Secundário. É um momento especial, recheado de emoções, angústias e reflexões. Ah, diriam alguns, é simples: se gostar de matemática faça Engenharia! Se gostar de história e geografia faça Direito! Se gostar de química e biologia faça Medicina! Será que é tão fácil assim? O problema vivenciado pelos jovens, porém, não é tão simples como resolver uma equação do segundo grau, nem como descrever em detalhes as grandes navegações do século XVI, nem tão pouco como falar sobre o funcionamento de uma célula. A questão que está na cabeça dos estudantes não tem cinco alternativas e apenas uma delas é a correcta. Com a expansão das faculdades e o aumento significativo dos cursos superiores disponíveis (meio ambiente, oceanografia, ciências atuariais, relações internacionais, turismo etc.) os jovens ficam cada vez mais expostos aos estímulos de muitas carreiras e profissões e isso tende a ser um ingrediente a mais no processo de decisão: ter muitas opções pode causar ainda mais confusão! A pressão familiar ou a forma como o jovem percebe o que os pais esperam dele; a sua ambição e a sua necessidade de

independência; o tempo e o dinheiro disponível; o status e o reconhecimento da profissão; os sonhos e anseios que são associados ao seu futuro são apenas algumas das questões que passam pela cabeça da maior parte dos vestibulandos. Conciliar todos esses factores ao mesmo tempo e agora nem sempre é possível. Uma variável, porém, tem pressionado cada vez mais os jovens: a empregabilidade. Afinal, todos, sem excepção, acreditam que vão trabalhar na área que escolheram e vêem a faculdade como a “porta de entrada” no mercado (a maioria precisa de um estágio ou de um emprego ao mesmo tempo em que estudam). As empresas, por sua vez, querem experiência, mesmo para as vagas de estágio. Consciente dessa situação e buscando alternativas para apoiar os jovens no ingresso do mercado de trabalho, colaboro com iniciativas inovadoras tais como o “Prêmio FECAP” que valoriza o potencial profissional dos estudantes. Sabemos que ter um diploma, simplesmente, não significa muita coisa. Com o aumento vertiginoso de cursos superiores uma parte dos estudantes fica seduzida em fazer cursos “bons, bonitos e baratos”, mas descobrirão, em pouco tempo, que o curso escolhido por esse critério não era tão superior assim e aprenderão que a imagem nem sempre

corresponde com a realidade. Há jovens que pensam que ter o diploma é factor suficiente para alcançar um lugar ao sol. Enganam-se, pois com um mercado de trabalho cada vez mais exigente, há poucas chances para quem “está na média” e contenta-se com o regular, perfil típico de quem busca simplesmente um diploma. Para quem já passou pela experiência de decidir “o que fazer” sabe a importância de se seguir uma profissão que tenha vocação. As empresas, os governos e as ONG´s precisam das pessoas que querem fazer a diferença e têm capacidade e condições para isso. O suposto dilema entre “fazer o que gosta” ou “o que dá dinheiro”, na verdade, é pouco pertinente. Se não fizer o que gostar, provavelmente, será um profissional mediano e, portanto, dificilmente alcançará sucesso no mercado de trabalho e, principalmente, sentir-se realizado com o que faz. Recomendo, contudo, que a escolha leve em consideração a qualidade do ensino, a seriedade e o compromisso da faculdade com a formação superior. Informar-se sobre como o curso e a faculdade têm sido avaliados pelo MEC, Ministério da Educação, é um bom caminho. Saber a opinião de quem já estudou e como estão no mercado de trabalho é uma alternativa. Observar os que já estão formados, as suas actividades, as suas

características e obrigações pode ser útil, pois podemos nos questionar: será que fazendo o que aquela pessoa faz serei feliz? Decidir o que estudar no Secundário, portanto, não é simples. Mas também não é definitivo: Gilberto Gil, por exemplo, é formado em administração, mas nem por isso deixou de ser um dos melhores cantores brasileiros. Kandinski, o pintor genial, era economista. Os integrantes do Casseta e Planeta são formados em arquitectura e engenharia e descobriram ainda durante o período universitário que poderiam transformar o humor em profissão, pois era o que tinham prazer em fazer. A vocação profissional, assim, não fica limitada à escolha do curso, por isso encontramos com freqüência médicos que são administradores, engenheiros diretores de banco, advogados liderando ONG´s etc. A informação é o caminho mais seguro para escolher a faculdade, o que prestar no vestibular e a carreira a seguir. Se acertar, muito bem, se errar, não há problemas, é possível aprender sempre. O vestibular da vida é construído de erros e acertos e cada um tem o direito de tentar o que acredita ser o seu rumo. Agora é com você, pois a resposta sobre o que realmente quer e gosta de fazer está no seu íntimo; não tenha medo de conhecer-se cada vez mais e encontrar a sua verdadeira vocação!

Sacerdócio, vocação e serviço ao Amor
D. Ilídio Leandro, Bispo de Viseu, escreve ao Clero da Diocese

«Não vim para ser servido… (Mt 20, 25-28)» A vida de Jesus poderá ver-se em três grandes momentos. Cada um tem uma unidade essencial entre si mas, também, está em função dos outros dois: do nascimento aos 30 anos; a vida pública e os 3 últimos dias. Cada um destes momentos começa com um acto no qual, Jesus “Se esvaziou a Si mesmo, tomando a condição de servo”, inserindo-se totalmente na Sua missão, “tornandose semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a Si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (cf Filp 2, 7-8), explicando-a depois com a mensagem, com as atitudes e com a vida. O primeiro momento inicia-se com o Nascimento – que acto de “serviço” na identificação e na “morte”!...; o segundo, com o Baptismo – avança mais ainda, assumindo-se “pecado”!...; o terceiro com o lava-pés – aqui assume os gestos de escravo (portanto, abaixo de “homem”)!... As explicações: Não sabíeis que Eu devo ocupar-me das coisas do Meu Pai?; Eu sou o Bom Pastor e dou a minha vida pelas Minhas ovelhas – vou à procura da “perdida”!...; Eu estou no meio de vós como Aquele que serve. Para o terceiro momento, ainda: Fazei isto em memória de Mim; Não sois vós a tirar-me a vida… Eu a dou por Mim próprio… Pai, nas Tuas mãos, entrego o Meu espírito… Tudo isto é proposto a todos nós no convite que Jesus faz a quem O queira seguir: “Se alguém quer seguir-me… É a síntese da missão de Jesus que aparece de outras formas: Lc 4, 18-19; “venho, ó Pai, para fazer a Tua vontade”…; “O Meu alimento é fazer a vontade de Meu Pai”...; “Se o grão de trigo, caído à terra, não morre, não dá fruto”… Esta é, também, a síntese da missão de Maria (cf Lc 1, 38). Não pode deixar de ser, também, a síntese da missão da Igreja, pois, o seu caminho e a sua finalidade é o homem. É a afirmação correcta e perfeita da vontade de Deus a nosso respeito – “a glória de Deus é o homem vivente”. Ele vem para ser nosso Caminho, nossa Verdade e nossa Vida. Em Cristo, não é o homem quem procura encontrar Deus, mas é Deus Quem vai ao encontro do homem. Toda a acção de Jesus Cristo foi viver esta atitude de serviço. Porém, “antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a Sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os Seus que estavam no mundo, levou o Seu amor por eles até ao extremo” (Jo 13, 1-2). Importância do “lava-pés” para se entender a Eucaristia… João não descreveu a instituição da Eucaristia, mas o que a prepara e realiza… Não podemos celebrar o culto e somos, mesmo, contra a Igreja ou a pastoral da manutenção, das missas… da multiplicação das celebrações… De facto, elas não traduzem nada se não passam pela atitude de serviço. O culto sem serviço é hipocrisia (rico e publicano) … Então… é o nosso Plano Pastoral – Vocação ao Amor – vivido na nossa própria dimensão, vocação e missão de padres e de responsáveis pela Pastoral da Diocese… Sim, da Diocese, pois somos Presbitério e não há padres sem esta comunhão no Presbitério… Temos que tomar consciência que a Pastoral da Diocese nos diversos âmbitos – vocações, catequese, família, juventude, cultura…

depende de cada um na medida em que cada um está unido à cepa – alegoria da videira!... - O que é viver a vocação ao Amor? Viver a vocação ao Amor, ao jeito de Deus e de Deus encarnado em Jesus Cristo, é procurar a relação com o outro para o fazer viver, crescer e ser feliz. Se a vocação não é entendida como Amor, numa entrega e doação totais a alguém, essa vocação não realiza a pessoa, mas, depois de a entusiasmar por algum tempo, deixa-a vazia, frustrada, estéril e infeliz. Muito mais se é uma vocação consagrada. - O que é lavar os pés aos irmãos? - O que é “servir” para Jesus Cristo? – É, certamente, servir as grandes causas dos homens ou, melhor ainda: servir os homens nas suas grandes causas… - Quais são as grandes causas dos homens? - Em primeiro lugar e com a causa da dignidade da pessoa, coloco a causa da comunhão – Sentir que ser pessoa é viver uma relação dependente (de dependência)… Em primeiro lugar entre nós, no Presbitério. - Coloco, depois, a causa da Verdade. Também a da Esperança. Ainda, a da Reconciliação... Importantíssima a causa do Acolhimento (essencial para todas as outras). Talvez as causas da Verdade e da Esperança se integrem na causa da Comunhão… Ficariam, então, as 3 (Comunhão – Reconciliação – Acolhimento). Vocação ao Amor = Vocação ao Serviço nas causas da Comunhão, da Reconciliação e do Acolhimento. Vocação ao Amor é aprender a amar até dar a vida. Vocação ao Amor é, pois, vocação à doação a fundo perdido, gratuitamente, como Jesus… Urgência da necessidade de um testemunho profético “diferente”, ao mundo e aos homens do nosso tempo, com a necessidade de: - Dar primazia a Deus; valorizar os bens futuros; imitar Jesus Cristo, casto e pobre; viver a vocação à santidade na obediência; amar os irmãos. Tudo isto e cada um destes aspectos na minha vida pessoal de padre, na minha vida pessoal de pastor, na minha vida pessoal de cristão e de seguidor de Jesus Cristo… Apesar da secularização e, precisamente, por causa dela – exigência de espiritualidade e permanente carência de oração. Quanto maior é a dificuldade de evangelizar, de viver e de testemunhar a fé e o amor… mais urgente é a necessidade de recuperar a missão essencial de levedura, de fermento, de sinal e de profecia… Quanto maior se apresentar a massa a levedar, tanto mais rico em qualidade deverá ser o fermento evangélico e tanto mais refinados o testemunho de vida e o serviço carismático das pessoas consagradas. Importa fazer vir fora, hoje mais que nunca, o carisma específico – o carisma apostólico, a implementar nesta Nova Evangelização. Quais as características próprias do serviço do padre diocesano? Qual é o nosso serviço específico? Não será a prática de Lc 4, 18-19 – a cura integral das pessoas? Não será ser um “médico de família” em cada Comunidade? Que significa e como se traduz e concretiza? Temos que actuar na procura da formação das consciências e da renovação das mentalidades – Rom 12, 2… Através de pequenos grupos, do recurso à direcção espiritual e da reconciliação. Tudo isto se consegue, somente, com um ambiente de comunhão, de inter-ajuda,

de alegria, de partilha de actividades… SERVIR!... Quem?... O Quê?... Como?... Se o modelo do Serviço no Amor é o Bom Pastor, o acolhimento – abertura – compaixão – ir ao encontro… tem que ser a metodologia, pois, hoje, muitas pessoas continuam a andar sozinhas e sem Pastor. Há necessidade de montar “consultórios” abertos, com liberdade na agenda, no coração e no relógio. Temos absoluta necessidade de reflectirmos sobre o que é o essencial da missão do pároco e do padre e, concretamente, na Quaresma… As pessoas têm o direito de saber os horários de atendimento e de presença do seu pároco, em lugares acessíveis e disponíveis para a marcação de serviços, para um diálogo informal, para uma direcção espiritual, para a reconciliação fora dos dias e datas previstas e para outros eventuais contactos. Queria fazer apelo a que todos nós usássemos, também para nosso próprio benefício, destes meios de espiritualidade. Ser-nos-á difícil compreender as necessidades dos leigos e sernos-á difícil marcar na agenda e no coração tempos para estas actividades se nós, pessoalmente, não as usamos para a nossa vida pessoal, cristã e sacerdotal. Isto é Serviço no Amor que supõe uma resposta positiva à Vocação ao Amor. Sem esta Vocação e sem este Serviço, nem dignos “funcionários” somos e o sacerdócio vai muito além de um serviço digno de funcionário… Sem esta Vocação e sem este espírito de Serviço, não há Padres Felizes e não há Presbitério em Comunhão, o objectivo e ideal fundamentais para o Secretariado do Clero no presente Ano Pastoral. Queria que a nossa Quaresma fosse vivida a partir destas reflexões e orientações. Faço votos para que, na Quinta-feira Santa, todos nos sintamos felizes a renovar as Promessas Sacerdotais, como um verdadeiro Presbitério em Comunhão.

Todos somos chamados Quando se fala de vocação, é habitual pensar só em padres, freiras ou missionários. Mas isto é um erro. De facto, todos somos chamados a cumprir um projecto de vida ao longo da existência. Quem chama é Deus. E as circunstâncias da vida costumam ser os meios que tornam perceptível tal projecto. Ser chamado é ter vocação. Os esposos, para se casarem, hão-de ter vocação para o matrimónio. O médico, mecânico, professor... todos devem de ter vocação para a tarefa que realizam. Ou seja, cada um deve fazer-se a pergunta: qual é a minha vocação? O que é que sou chamado ou chamada a realizar na vida? É importante «perder» tempo a reflectir sobre esta questão no início da juventude. Por tradição, os adultos perguntam: «O que queres ser quando fores grande?» Mas a vocação não é o que «eu quero ser». A pergunta deve ser: a quê é que sou chamado(a)? A escola da vocação Na infância acontece uma descoberta fundamental. Cada um reconhece que tem uma inclinação, um jeito para fazer melhor umas coisas do que outras. Isso é um dos sinais da vocação. Deve-se, então, aperfeiçoar as qualidades pessoais.

Depois, há factores que despertam a consciência. A escola, o contacto com outras pessoas, os meios de comunicação social, a Igreja são alguns destes factores. Então, surge a noção de que há realidades no mundo com as quais se está em desacordo. Reage-se assim aos médicos ou enfermeiros que não tratam os doentes como pessoas; às leis injustas que só beneficiam uns poucos; ao drama da multidão de pobres confrontada com a excentricidade dos ricos; aos políticos que prometem e não cumprem; aos padres que já não dizem nada de jeito nas missas; aos professores que não sabem ensinar... Ao mesmo tempo, a consciência diz que cada pessoa tem a responsabilidade de trabalhar para a mudança, para o aperfeiçoamento da vida e do mundo. Então, o jovem pergunta-se: com as minhas qualidades, como é que posso ser útil para construir um mundo melhor? E é daqui que surgem as respostas: médico, enfermeiro, advogado, economista, sacerdote, missionário, carpinteiro, sapateiro, político ou… Que profissão escolher? Quantas vezes a escolha do curso não se baseia no salário ou no prestígio de determinada profissão? E os pais não condicionam a escolha com as suas preferências? A escola mostra as opções profissionais. Os psicólogos dão orientações. Porém, há tendência para desprezar as profissões tidas como menos importantes socialmente. Deve-se, por isso, pensar de modo diferente. A felicidade e realização pessoal vão depender da orientação vocacional e profissional. Quem não quer ser um advogado infeliz, um enfermeiro que não gosta dos doentes, ou, até, um carpinteiro que só martela os dedos, esse pára e pensa bem na sua vocação. Talvez as famílias não sejam uma escola onde se aprende a vocação. É possível que a Igreja tenha dificuldades em mostrar o melhor caminho aos mais novos. Todavia, a cultura da vocação é algo que urge cultivar. Há muita gente pronta a ajudar. Pede ajuda. Mas tu tens a última palavra! Descobre a tua vocação e serás feliz! A vocação do grão de trigo Era uma vez um grão de trigo. Foi escondido na terra pela mão do lavrador. No escuro, debaixo da terra, o grão pensava para si mesmo: «Porque é que vim aqui parar? Não escolhi este lugar, nem tão triste solidão! Eu nasci para ser grão! Porque me veio enterrar o lavrador? Tenho vida para dar!» E continuava a gritar o pobre, esquecido no seio da Terra-mãe. O tempo ia correndo e o pobre grão sofria sem ver fim ao seu desterro. Até que a terra intervém e, agarrando-o bem a si, segreda-lhe com carinho: «Se aceitares o desafio que está dentro do teu ser!... Se não tens medo de romper a “capa” que te atrofia, verás de novo a alegria e a vida renascerá. Multiplicarás o teu valor, serás pão, serás Amor, n’Aquele que se dá a nós.» E o grãozinho, sorrindo, dia a dia, foi-se abrindo. E a planta nova cresceu e deu fruto como foi prometido.

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