Anuário Monarquia Já O anuário dos Monarquistas do Brasil Dezembro de 2012 – Ano III

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Veja como a Monarquia pode dar certo no Brasil

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Mais um ano. 365 dias de lutas monárquicas, de intensos trabalhos e de muitos resultados positivos. O Anuário Monarquia Já está recheado destas conquistas. 2012 também foi marcado pelas efemérides. Ano de grandes acontecimentos, momentos dedicados às celebrações. 90 anos de falecimento do Conde d’Eu, 150 anos do primeiro monumento do país, 165 anos de nascimento da Princesa Dona Leopoldina, 190 anos da Independencia do Brasil, 200 anos de nascimento da Imperatriz Dona Amélia e muitos mais. O ano também foi marcado por nascimentos, batizados, casamentos e falecimentos. Confira mais esta edição do Anuário dos monarquistas do Brasil.

O Anuário Monarquia Já é uma publicação do Blog Monarquia Já – http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com. Sugestões, reclamações, retificações devem ser feitas pelo e-mail: anuariomj@gmail.com. Os textos aqui transcritos são de responsabilidade de seus autores, os demais são de responsabilidade e exclusividade do Anuário Monarquia Já. A impressão deste informativo deve ser feita em papel A4 de mesma cor da edição, sendo preservadas as características e as imagens dispostas nesta obra.

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Sumário
Santa Princesa Isabel.......................................................................................................................... 4 150 anos do monumento a Dom Pedro I.................................................................................... 5 A Princesa Brasileira e o Príncipe Britânico ............................................................................. 7 Vestido que a Princesa Isabel mo Museu do Traje do Têxtil ............................................. 8 Princesa Dona Isabel: uma mulher de muitas virtudes ....................................................... 13 Dom Rafael: a esperança de um Brasil melhor ...................................................................... 15 Princesa Dona Leopoldina de Bragança: 165 de nascimento ..............................................19 XXII Encontro Monárquico e aniversário do Chefe da Casa Imperial do Brasil .........34 190 anos da Independência do Brasil .........................................................................................36 2012: anos de muito trabalho ........................................................................................................37 Ordem Real de Santa Isabel de Portugal recebe novas Damas ...................................... 39 Imperatriz Dona Amélia: bicentenário de nascimento ........................................................ 41 Os acontecimentos da Monarquia no mundo ....................................................................... 46 90 anos de falecimento do Conde d’Eu ................................................................................... 57 As viagens de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança .................................... 62 Orgulho sem preconceito ............................................................................................................. 64 Dom Luiz e Dom Bertrand na Ordem Equestre do Santo Sepulcro ...........................65 Antigo Museu do Índio sofre ameaça de demolição ...........................................................67
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Santa Princesa Isabel
Por Aristóteles Drummond*
Nada mais apropriado do que comentar que já se encontra com o arcebispo do Rio, D. Orani João CV Tempesta, o pedido de abertura de processo no Vaticano visando à beatificação da Princesa Isabel do Brasil, a Redentora. O que é o primeiro passo para sua santificação. O processo não se baseia apenas na decisiva participação na Abolição da Escravatura — que ela iniciou em 1871, com a Lei do Ventre Livre, e terminou com a Lei Áurea, de 1888, o que por si só justificaria o pedido —, mas pela sua intensa vida religiosa e fé integral. É sabido que, com dificuldades para conceber, foi a Caxambu tentar um tratamento, com muita fé e oração, onde obteve o dom da maternidade. E deixou na cidade uma capela dedicada a Santa Isabel. Curioso é que, antes, duas rainhas com o mesmo nome foram beatificadas e santificadas: em Portugal e na Hungria. A Princesa Isabel criou filhos e netos no catolicismo no Brasil, primeiro, e no exílio, depois — aliás, os Orleans e Bragança mantêm até hoje inquebrantável fé. O Brasil muito deve aos 49 anos do Segundo Reinado, que contou com diversas regências da princesa, herdeira do trono brasileiro, que viveu na França por 33 anos com o coração voltado para a pátria. E jamais reclamou da forma com que se deu a mudança do regime e, especialmente, a maneira com que a Família Imperial foi embarcada para o exílio, sem o conhecimento do povo, que amava o Imperador. Certamente o ano marcará intensa mobilização de católicos, muitos de irmandades criadas por antigos escravos e seus descendentes, na busca de sinais que permitam o bom andamento do oportuno pedido. A Princesa Isabel foi criada dentro dos princípios éticos e morais de seu pai, o Imperador, que morreu no exílio modestamente, tendo se recusado a receber uma soma que lhe fora oferecida pela constrangida República. Até hoje, em largas faixas da população, a princesa no Brasil e condessa na França é lembrada com o título de ‘Mãe dos Brasileiros’. Que a igreja, sempre criteriosa nesses casos, faça da grande brasileira a cristã beata, uma vez que fundamentos não faltam. Um belo legado de bondade, simplicidade e correção, em que nunca faltou a fé.
* O autor é jornalista e apresentador. Matéria originalmente publicada no Jornal O Dia, em 12 de janeiro de 2012. ___________________________________________________________

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150 anos do monumento
a Dom Pedro I
metros de altura e mais de 50 toneladas de bronze. A estátua representa o fundador do Império do Brasil, a quem os brasileiros devem a identidade, nacionalidade e Soberania. Ainda no monumento estão representados os Rios Amazonas, Paraná, São Francisco e Madeira, completados com figuras indígenas e com gárgulas. No dia 30 de março de 2012, o monumento ganhou uma bonita homenagem que contou com a presença das autoridades locais, de membros da Família Imperial do Brasil e da população carioca. Na ocasião, o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança, represen-

As comemorações em torno do primeiro monumento do Brasil
tando Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil, seu irmão, proferiu um discurso com dados históricos, reavivando os tempos áureos do Império e a figura do seu ilustre antepassado. Segundo Dom Antonio, “Dom Pedro I foi o fundador de nosso império, ele se arriscou, ele tinha um grande amor pelo país. Então as cortes portuguesas queriam fazer que o Brasil voltasse a ser colônia. Dom Pedro I, junto com grandes brasileiros como José Bonifácio, resolveu que aquele era o momento de fazer a independência”. Dom Antonio foi ao evento acompanhado de outros membros da Família Imperial. Fotos: CMRJ, Divulgação e DMB

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estátua equestre em homenagem ao Imperador Dom Pedro I, no Rio de Janeiro, foi inaugurada em 30 de março de 1862, numa cerimônia com a presença do filho e sucessor do homenageado, o Imperador Dom Pedro II, contando então com uma orquestra de mais de 600 componentes, que tocaram, na ocasião, o Hino da Independência, comovendo a multidão que lá se encontrava. O monumento foi encomendado a Louis Rochet, famoso escultor francês, que executou a bela obra de 15

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Iniciativa oportuna
Por Aristóteles Drummond

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jovem secretário de Conservação da Prefeitura do Rio, Carlos Roberto Osório, teve uma iniciativa que pode parecer simples, fruto apenas de sua sensibilidade e formação. No entanto, é um exemplo a ser seguido nos mais diferentes níveis da administração pública e da própria sociedade. Trata-se do convite feito à Família Imperial do Brasil, os Orleans e Bragança, para se fazer representar na reinauguração da Praça Tiradentes, onde está a estátua do imperador D. Pedro I, tendo o símbolo do Império marcado em seu piso de pedras portuguesas. A família indicou o príncipe D. Antônio e sua mulher, D. Christine de Ligne, para o evento. Ora, o Brasil deve sua independência a D. Pedro I — e à sua mulher, a imperatriz Leopoldina. Seu filho Pedro II nos proporcionou 49 anos de pro-

gresso e dignidade; a princesa Isabel marcou suas regências pelo processo de libertação dos escravos e por seu exemplo de mulher austera, de muita fé e amor ao Brasil, que os 33 anos de exílio não fizeram diminuir. Seus filhos, netos e bisnetos dão exemplos de discrição, correção e patriotismo. Um de seus netos, D. João, foi oficial da Força Aérea, tendo atuado na Segunda Guerra, e um dos bisnetos, D. Eudes, oficial da Marinha de Guerra. Nada mais natural que esse gesto oportuno e justo do secretário municipal fosse seguido pelos governos estadual e federal quando de outros eventos. Especialmente os de significado histórico, como o 7 de Setembro em seus tradicionais desfiles. A oportunidade de se lembrar a gestão da Casa de Bragança em nossos destinos, desde D. João VI, independe de eventuais debates entre monarquia e República, mas, sim, de se exaltarem exemplos de patriotismo e desprendimento. Dois itens que andam escassos na atualidade que vivemos na vigência da Constituição.
Matéria originalmente publicada no Jornal O Dia, em 4 de abril de 2012. Foto: CMRJ.

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Casamento civil da Princesa Paola de Sapieha-Rozanski

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Princesa Paola de Sapieha-Rozanski e o Príncipe Constantin SwiatopolkCzetwertynski, casaram-se civilmente em março na Bélgica, numa cerimônia íntima onde estiveram presentes apenas 10 pessoas. A Princesa Paola é filha da Princesa Dona Cristina de Orleans e Bragança (filha do Príncipe Dom Pedro Gastão de Orleans e Bragança e da Princesa Dona Esperanza de Bourbon) e do Príncipe polonês Jan Pavel SapiehaRozanski. O Príncipe Constantin é filho do Príncipe Michael Swiatopolk-Czetwertynski e de Kristina Sigurdsson. Com o casamento a Princesa Paola, além de ser, por nascimento, Princesa de Sapieha-Rozanski, passa ser Princesa de Swiatopolk-Czetwertynski, ambos títulos poloneses.

Foto: Arquivo pessoal da Princesa Paola

Ainda em 2012, no Brasil, a Princesa Dona Cristina de Orleans e Bragança referiu que o casamento iria ocorrer no final do mesmo ano, na Catedral de Petrópolis, no entanto, os noivos recém-casados afirmam que a cerimônia religiosa deve ocorrer em 2013, podendo ser realizada em Petrópolis ou Parati.

A Princesa Brasileira e o Príncipe Britânico

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Na ocasião, a Princesa Dona Maria Beatriz de Orleans e Bragança, filha do Príncipe Dom Alberto e da Princesa Dona Maritza de Orleans e Bragança, sobrinha, portanto, de Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil, deu uma aula de história ao Príncipe Harry sobre o Império do Brasil. O Príncipe ficou encantado e disse que pretende voltar ao Brasil em breve. Divulgação FBN

Princesa Isabel: a redentora de carne e osso

Foto: Marcia Peltier

m visita oficial ao Brasil, o Príncipe Harry do Reino Unido da Grã-Bretanha, terceiro na linha de sucessão ao Trono daquele país, compareceu há vários eventos e recepções, dentre os quais uma festa no Morro da Urca no Rio de Janeiro, tradicional e requintado ponto de encontro, onde membros da Família Imperial do Brasil o aguardavam, além de autoridades, membros da sociedade e personalidades cariocas.

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o dia 15 de maio de 2012, a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, no ciclo de debates “Biblioteca Fazendo História”, promoveu colóquio com o tema “Princesa Isabel: a redentora de carne e osso”, onde Robert Daibert Júnior e Maria de Fátima Moraes Argon puderam discutir sobre a vida e fatos da biografia da Princesa, fazendo, inclusive comentários sobre a iconografia da Família Imperial. O evento contou com a presença de professores e alunos de escolas, monarquistas, pesqui___________________________________________________________ sadores e da sociedade de modo geral. Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Vestido que Princesa Isabel utilizou para assinar a Lei Áurea está na Por G1.com Bahia

zendo que a comemoração feita por ela tinha sido a que mais tinha tocado a alma da família. Quando o afeto fala, as coisas ficam mais bonitas. Anos depois o vestido veio para o Instituto", disse. “A peça é um gorgorão de seda, todo bordado em fios de ouro e prata com os ramos de café desenhado na cauda. Os ramos de café estão representados no traje para ostentar e mostrar a grande riqueza da época. O manto é feito em veludo e todo bordado com fios de ouro. O verde do veludo representa o verde da bandeira do Brasil”, afirmou Azevedo. Vestido foi utilizado pela Princesa Isabel em dois momentos históricos. (Foto: Ingrid Maria Machado/G1)

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a década de 60, o Instituto Feminino da Bahia recebeu através da Família Orleans e Bragança um vestido produzido em tafetá de seda pura. O fato recebe grau de importância porque o vestido doado foi usado pela Princesa Isabel para assinar a Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Independentemente do reconhecimento histórico da data, o vestido é considerado o mais emblemático no Museu do Traje e do Têxtil, que fica localizado no Instituto Feminino e está exposto para visitação gratuita em Salvador. “Esse vestido a Princesa Isabel utilizou primeiramente para prestar juramento como Regente do Império do Brasil em 1871 e depois foi utilizado para a assinatura da Lei Áurea em 1888. A Família Real mantinha relações de amizade com a família de Henriqueta Catharino, então o neto da princesa resolveu doar para o Instituto, porque sabia que seria preservado. Ele sabia que em algum momento o vestido seria exposto a visitação, como está hoje em dia”, contou a museóloga Ana Maria Azevedo. Recebido em uma solenidade especial com a presença de Henriqueta Catharino e do neto da princesa, Dom Pedro de Orleans e Bragança, o vestido chegou à Bahia na dé-

cada de 60. Assim que chegou, a peça passou por uma restauração. Não foi possível recuperar o busto, por isso a restauradora Cláudia Nunes criou outro busto, cópia autêntica do original. A saia e a cauda foram originalmente recuperadas e são os destaques do traje. A museóloga conta ainda que a razão do vestido ter sido doado a casa, foi por conta de uma solenidade realizada por Henriqueta Catharino e que comemorava o centenário da Princesa Isabel.

"Dona Henriqueta comemorou solenemente o centenário da Princesa Isabel. Creio que outros estados tenham feito outras comemorações. A partir daí a família Orleans e Bragança encaminha uma carta a Henriqueta Catharino, di-

Logo após a restauração ele foi exposto na sala da Princesa Isabel, mas com a criação do Museu do Traje ele passou a ser a peça mais importante do acervo. "Temos o cuidado e estamos sempre verificando o vestido, vendo se é preciso

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te do acervo. Foi ela quem comprou em leilão diversos trajes ou recebeu como presente, como é o caso do vestido da Princesa Isabel. Localizado no centro antigo de Salvador, em um casarão com 5 mil m², o Instituto Feminino abriga o Museu do Traje no último andar. Entre as roupas em exposição, estão trajes de baile, festas e passeio, roupas de cama e mesa, acessórios femininos, além de vestes eclesiásticas. Há vestidos datados de 1840, 1850 e 1860, indumentárias de algumas escravas, um acervo especial com 14 modelos de noivas de épocas diferentes, além de diversos outros vestidos. Há ainda um acervo composto com adereços para cabelos, sapatos, bolsas, leques e joias. Serviço Instituto Feminino da Bahia | Museu do Traje e do Têxtil Rua Monsenhor Flaviano, nº 02 - Politeama Horário de Funcionamento: Segunda, das 14h às 17h; terça a sexta, das 10h às 11h30 e das 14h às 17h30; sábado e domingo a instituição não funciona.

A Família Imperial entrega doação a Henriqueta Catharino (Foto: Reprodução/Ingrid Maria Machado)

fazer alguns ajustes, lavar", complementou. Cuidados Para lavar um vestido como esse, há todo um processo especial. Primeiro o vestido é levado para uma sala onde há uma grande bacia feita de aço inox. A peça é submersa na água e depois uma restauradora limpa o tecido com um pano. Não é utilizado nenhum tipo de produto químico. Logo após, ele é levado para outra mesa e é colocado para se-

car sob toalhas brancas. O vestido seca ao natural. A museóloga conta que há uma réplica do vestido no Museu Nacional. Museu do Traje e do Têxtil A história do Museu do Traje e do Têxtil se confunde com uma parte da história do Insituto Feminino da Bahia. Henriqueta Martins Catharino, descendente de uma das famílias mais ricas do interior da Bahia, é responsável por grande par-

Confraternização monarquista no Rio de Janeiro

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o dia 30 de maio de 2012, os monarquistas cariocas, em grande parte pertencentes ao Círculo Monárquico do Rio de Janeiro, reuniramse para uma confraternização, ocasião em que assistiram o recente produção “A Jovem Rainha Victória”, na ocasião preambulado pelo monarquista Otto de Alencar de Sá Pereira. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Anuário Monarquia Já

Pela volta da Monarquia

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Publicações sobre Beato Carlos e a Imperatriz Zita da Áustria
Tem crescido no Brasil a devoção ao Beato Carlos da Áustria (1887-1922), último Imperador da Áustria e Rei Apostólico da Hungria, modelo de governante, de militar, de pai de família. É de lembrar que ele é descendente do Imperador D. Pedro I, através de sua filha, a Rainha D. Maria II de Portugal. É de recordar igualmente que a cura milagrosa atribuída à intercessão do Imperador Carlos, que permitiu sua beatificação pelo Papa João Paulo II em 2004, ocorreu justamente no Brasil (Curitiba). Tem crescido igualmente a devoção à esposa do Beato Carlos, Zita da Áustria (1892-1989), cuja causa de beatificação foi aberta oficialmente em dezembro de 2009 na França, tendo então o título de Serva de Deus. Nascida Princesa de Bourbon-Parma, é de notar ser ela também descendente do Rei D. João VI de Portugal, através de seu filho o Rei D. Miguel I. É tia avó da Princesa D. Christine de Ligne de Orleans e Bragança. Para divulgar os aspectos religiosos da vida do Beato Carlos, as Edições Lumen Christi, do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, acabam de lançar o livreto “A vida religiosa do Beato Carlos da Áustria – Último Imperador da Monarquia Austro-húngara” (62 páginas, $ 10,00). Trata-se de um trabalho de autoria da Dra. Giovanna Brizi, estudiosa italiana e admiradora do Beato, colaboradora da Congregação para a Causa dos Santos. O livreto foi publicado já há alguns anos, de forma artesanal, no Carmelo de Cotia. Este Carmelo, nas proximidades da capital paulista, tem se distinguido pela propagação da devoção do Beato Carlos, 1) Mons. Dr. Reinhard Knittel (editor), “Novena pedindo a intercessão e canonização do Beato Imperador Carlos da Áustria” (R$ 10,00). 2) Irmão Nathan Cochran, OSB, “Beato Carlos da Áustria – Uma pequena biografia” (R$ 7,00). 3) Beato Carlos da Áustria – Textos (alocução de João Paulo II na beatificação, artigos do cardeal Schonborn, arcebispo de Viena, de Ir. Nathan Cochran, da dra. Maria Habacher, da Liga de Orações do Beato Carlos, árvore genealógica da Casa de Habsburgo, Vida e cura da Irmã Maria Zita Gradowska, miraculada pela intercessão do Beato Carlos) (R$ 8,50). Todas estas obras são encontradas na Livraria Lumen Christi, que acaba de inaugurar sua nova loja há poucos metros da Igreja e do Mosteiro de São Bento (Rua Dom Gerardo, 68 – Centro / Rio de Janeiro RJ / CEP 20090-030). Telefone: (21) 2206-8283 e (21) 2206-8327. E-mail: lumen@osb.org.br. Pedidos de fora da cidade do Rio de Janeiro podem ser pagos por boleto bancário (a livraria envia os boletos com os dados fornecidos pelos clientes) e com cartão de crédito VISA.

sendo ali inclusive venerada uma relíquia do mesmo. A tradução para o português é da Irmã Joana da Cruz, OCD. O Carmelo de Cotia lança uma primeira publicação em português sobre Zita. Trata-se do livreto de 28 páginas, “Zita, Imperatriz da Áustria e Rainha Apostólica da Hungria, Esposa e Mãe de Família – Traços biográficos” ($ 10,00). Trata-se de texto extraído de site dedicado a promover a beatificação da Serva de Deus. O Carmelo de Cotia continua divulgando mais quatro pequenos livretos:

Adquira o seu exemplar.

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Infante Dom Pedro Carlos de Bourbon e Bragança 1876 - 1812 200 anos de falecimento
Por Jean Menezes do Carmo*
o dia 26 de maio de 2012, completouse 200 anos (1812 – 2012) da morte do Infante Dom Pedro Carlos de Bourbon e Bragança (1786 - 1812), sobrinho e genro do Rei Dom João VI. O Infante veio para o Brasil com a Família Real Portuguesa em 1808. O então Príncipe Regente Dom João, nomeou o sobrinho preferido, Almirante General da Marinha Real Portuguesa e o mesmo promoveu importantes reformas na recém criada Marinha Nacional... Depois se viu metido nas disputas com a tia, a Rainha Carlota Joaquina pelas colônias espanholas. Mas os trópicos fizeram se apaixonar pela prima, nascida Princesa da Beira, Dona Maria Teresa, filha primogênita de Dom João e Dona Carlota. O casamento entre primos ocorreu em 1810 e do mesmo nasceu o Infante Dom Sebastião, uma homenagem à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, no nome do primeiro neto de Dom João VI. Mas uma tuberculose galopante levou o Infante Dom Pedro Carlos à morte em 26 de maio de 1812. O Tio, o Rei Dom João, inconsolável, encomendou ao escultor da Casa Real, José da Costa, o túmulo mais imponente do Brasil até então, três metros de altura, para guardar os despojos do sobrinho - Infante, na Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, ao lado do Convento de Santo Antonio, no Largo da Carioca. Em 2008, nas comemorações do Bicentenário da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, ninguém se lembrou do Infante Dom Pedro Carlos ou de seu imponente túmulo...
* o autor é membro do Círculo Monárquico de Juiz de Fora, colaborador do Blog Monarquia Já e proprietário da Livraria Dom Pedro II.

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IHGB resguarda a memória nacional
Por Jean Menezes do Carmo
Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB, Prof. Arno Wehling, salvou uma preciosa coleção de 50 jornais brasileiros de 1891, todos referentes à morte do Imperador Dom Pedro II em Paris - que este ano completa 121 anos - de irem parar na Biblioteca do Congresso Americano. Ele adquiriu de um colecionador para o Instituto - que foi fundado em 1838, com o apoio do Imperador Dom Pedro II. E para se ter uma ideia da raridade adquirida, o Museu Imperial de Petrópolis, em seu acervo, possui apenas um jornal do ano de 1891, referente à morte do Imperador. É bom lembrar que o Imperador Dom Pedro II morreu exilado em Paris, em 1891 (levando do Brasil, apenas terra Brasileira para descansar a cabeça no caixão) no Hotel Bedford, que existe até hoje e que é visitado por admiradores de Dom Pedro II e monarquistas de modo geral. Ao lado, Jornal do Commercio, editado em Porto Alegre em 11 de dezembro de 1891 ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Uma mulher de muitas virtudes

Princesa Dona Isabel

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o ano de 2012 muitos progressos foram feitos para a o início do processo de beatificação da Princesa Dona Isabel. Ainda em 2011, a Arquidiocese do Rio de Janeiro recebeu a visita de especialistas italianos, enviados pelo Vaticano, para investigar a vida da Princesa. Uma reunião inicial entre os enviados, o Vigário Episcopal para a Vida Consagrada Dom Roberto Lopes OSB, o Professor Hermes Rodrigues Nery e o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança, marcou o início dos trabalhos. Já nos últimos dias do ano passado, os brasileiros foram surpreendidos com a afirmação feita pelo Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, ao site "O Impossível e o Extraordinário" de que só "falta um milagre para beatificação da Princesa Isabel", advertindo também que haveria muito trabalho a ser feito, incluindo um aprofundado estudo sobre a vida e as virtudes da Princesa. O Professor Hermes, autor do pedido junto àquela Arquidiocese, recebeu do Arcebispo Dom Orani, a missão especial de fazer um primeiro perfil biográfico acerca da Princesa Dona Isabel e, já em maio de 2012, mais de 80 mil documentos, muitos deles inéditos, começaram a ser analisados, sendo enviados como subsídio à Arquidiocese. O Bispo Auxiliar, Dom Antonio Augusto Dias, afirmou que "conhecendo com mais detalhes a vida dessa regente do Império brasileiro e conversando com várias pessoas sobre a sua possível beatificação e canonização num futuro http://imperiobrasileiropróximo, fico admirado com suas qualidades rs.blogspot.com.br/2012/11/retrato-biograficohumanas e sua atuação política, sempre inspide-dona- isabel-para.html e adquirida em rada pelos princípios do catolicismo" complehttp://www.scribd.com/doc/113028908/RETRATO tando que se deve ampliar o conhecimento -BIOGRAFICO-DA- PRINCESA-ISABEL-PARTE-I, trapopular sobre a "presença régia dessa mulher – zendo muitas novidades sobre a vida de virtudes esposa, mãe, filha, irmã, cidadã", sobretudo, "na da Princesa. sua função de uma governante incansável na No Rio, o Conde d’Eu e a Princesa consecução de uma causa que se arrastava Dona Isabel à caminho da missa lentamente no Império desde 1810: a libertação dos escravos pela via institucional, sem derramamento de sangue". Em novembro de 2012, o Professor Hermes lançou com exclusividade no Blog Monarquia Já, a edição atualizada do Retrato Biográfico de Dona Isabel para a causa de sua beatificação - parte I, que pode ser vista em ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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tudo os da Europa. Na França, por exemplo, país em que a Princesa foi exilada e viveu seus últimos anos, há uma infinidade de documentos que precisam ser verificados. Transcrição da carta enviada por Armando Dias de Azevedo a Princesa Dona Maria Pia de Orleans e Bragança, mãe do Chefe da Casa Imperial do Brasil à altura: Porto Alegre, 18 de novembro de 1921. Senhora, Tem a presente carta por fim apresentar a V.A.I. e a Seus Augustos Filhos os meus sentimentos e profundos pêsames pelo fallecimento da grande e santa Princesa Dona Isabel, a Redemptora. Nesta hora de dor para a Augusta Família Imperial, já tão provada pela adversidade, espero que, além das consolações de nossa santa Religião, sirva também de lenitivo a dor do povo brasileiro por causa da morte da Maior das Brasileiras. Aproveite a oportunidade para juntar a esta o modesto artigo que sobre a excelsa I Imperatriz publiquei na Última Hora. Queira V.A.I. acceitar os protestos de profundo respeito do servidor devotado. Armando Dias de Azevedo Ainda em 2012, a emissora de televisão SBT, de São Paulo, promoveu votação popular na tentativa de eleger o maior brasileiro de todos os tempos. A Princesa Dona Isabel ficou entre os finalistas, sendo destacada no terceiro lugar, tendo a frente dois homens que já lhe haviam rendido significativas homenagens: Chico Xavier e Santos Drummond. Na mesma carta, reveladora do sentimento que a Redentora despertava na população - escrita há mais de 90 anos, Armando Dias de Azevedo já mencionava Dona Isabel como a maior das brasileiras.

Os trabalhos de pesquisa devem prosseguir. No Brasil, os mais diversos arquivos históricos e documentos particulares estão sendo analisados. No Rio Grande do Sul, nos arquivos do Instituto Histórico e Geográfico, descobriu-se correspondência do renomado professor e advogado, Armando Dias de Azevedo, grande amigo da Família Imperial no início no século XX, que atesta, dado falecimento de Dona Isabel, que já em vida a Princesa gozava da fama de santidade. Muitos arquivos ainda precisam ser vistos, sobre-

Nos passos da Santidade
ENTENDA COMO FUNCIONA O PROCESSO
1 - Fase Arquidiocesana. Início da Investigação. Solicitação de início de processo de beatificação enviada à Arquidiocese de Rouen, França, circunscrição eclesiástica em que Dona Isabel faleceu. Nomeação de um postulador e vice postulador da Causa. Iniciando-se o processo, a Princesa poderá ser chamada de Serva de Deus. 2 - Virtudes heroicas. investigação aprofundada sobre a vida e as virtudes. Devendo ser compostas várias frentes de trabalho de investigação, nos moldes de comissões integradas. Deve ser composto um relatório ou documento similar a ser encaminhada para a Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano, divisão que dará ou não o nihil obstat para iniciar o processo de beatificação. Comprovando-se as virtudes heroicas, Dona Isabel poderá ser chamada de Venerável. 3 – Pericia. todo o material obtido é enviado aos cuidados da comissão histórica da Congregação para as Causas dos Santos, devendo esta certificar a existência de um milagre. A equipe de profissionais da Santa Sé, composta por teólogos e peritos de alto grau, investigam o milagre e elaboram parecer a ser entregue ao Cardinalato. 4 – Beatificação. Sendo o milagre confirmado, é proclamada Beata pelo Papa, podendo ter uma data a ser escolhida em sua memória. A beatificação é a fase anterior a Canonização, passo definitivo para comprovação da Santidade. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Príncipe Dom Rafael: a esperança de um Brasil melhor

Em entrevista ao Herdeiros do Porvir, informativo oficial da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe, de 26 anos, mostra sua preparação para assumir sua futura posição de Herdeiro Imperial
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Monarquia é
ética
felicidade

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tradição

desenvolvimento

qualidade de vida

honestidade

transparência
dignidade

respeito

A monarquia é a melhor opção. O sistema monárquico
garante mais honestidade e possui o melhor índice de Desenvolvimento Humano. No sistema monárquico de governo, a democracia vigora plenamente.

Seja monarquista você também!

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Princesa Dona Leopoldina de Bragança

165 anos de nascimento
O Anuário Monarquia Já tem a honra de transcrever de forma integral o trabalho publicado em 1959, no volume 243 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, por Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, sobre sua bisavó, a Princesa Dona Leopoldina de Bragança e Bourbon, a filha mais moça do Imperador Dom Pedro II, que foi D uquesa de Saxe por casamento e é uma ilustre desconhecida para os brasileiros de hoje

A PRINCESA DONA LEOPOLDINA
DOM CARLOS TASSO DE SAXE-COBURGO E BRAGANÇA

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segunda filha de Dom Pedro II e de Dona Tereza Cristina foi a Princesa Dona Leopoldina. Dos quatro filhos, em que se resumiu a prole do Soberano Par, somente dois sobreviveram. Justamente, as filhas. Os varões, Dom Affonso e Dom Pedro, faleceram na primeira infância. Muito se tem falado e escrito sobre a mais velha das duas, a Princesa Isabel. Herdeira do trono, Regente do Império, por três vezes, a Redentora dos Cativos, o seu glorioso nome, por tantos motivos escritos na história, é constantemente evocado.

Conspirou para esse olvido e acentuou essa penumbra, a brevidade de sua existência, extinta aos 24 anos de idade. No esplendor da mocidade, em Viena d’Áustria, no Castelo de Ebenthal. Sua irmã, mais venturosa, chegou a atingir a casa dos setenta anos, percorrendo uma trajetória movimentada e rica de episódios. Em contraste, a vida da Princesa Leopoldina, resumida em escassos capítulos, encerra-se entre as primeiras emoções do matrimônio e da maternidade.

velho paço e todo o país o dia 13 de julho de 1847 (1). Pouco após romper o sol, às matutinas horas de 6 e 45 minutos. Anunciado o seu nascimento, chegam ao Imperador as primeiras congratulações e homenagens. Cabe ao núncio Apostólico, Monsenhor Caetano Bedini, a primazia de saudá-lo, em nome do Corpo Diplomático. A seguir o Conselho de Estado pela palavra prestigiosa do Visconde de Olinda.

“A sorte dos povos, dizia o representante da instituição, está tão inteiramente ligada Todavia, a figura jovem e tocom a dos Príncipes, que os cante dessa Princesa do Brasil, céus chamam para presidir que ganha acentos de roaos seus destinos, que, sem o mance pela suavidade e dispensar, entram na comunhão De modo especial e recente, crição do seu destino, como de seus prazeres, bem como nas comemorações, em 1946, pela rapidez de sua harmonina de seus pesares. Nesta do centenário do seu nasciosa passagem pelo mundo, ocasião em que o feliz nascimento, e na transladação, em deixou marcas e traços indemento de uma princesa ar1953, dos seus despojos. léveis. ranca dos corações de todos os brasileiros, as mais fervoroSobre a sua irmã mais nova, a Nascera, como a irmã, na Imsas demonstrações de júbilo e Princesa Leopoldina, porem, perial Quinta da Boa Vista, contentamento, o Conselho pouco se tem dito e escrito. tornando uma festa para o de Estado não podia deixar ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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de pedir licença a V.M. Imperial, para depor, como respeitosamente depõe, aos pés do trono de V.M. Imperial, o humilde tributo de suas sinceras congratulações”. Espera-se a fixação da data do batismo. É escolhido, pelo Monarca, o dia 7 de setembro, o da festa máxima da nacionalidade (2). Nesta oportunidade, coube à Princesa Leopoldina melhor sorte do que á sua irmã primogênita, cujo batizado no ano anterior, recaíra estranhamente no dia 15 de novembro! 15 de novembro, que deveria obstar-lhe, mais tarde, a sucessão ao trono e trazerlhe angústias do banimento e o amargor do exílio. Entre as duas irmãs, o problema político e o privilégio dinástico, porem não conseguiram tingir de sombras o caminho de suas existências. Cresceram e educaram-se juntas, sob a orientação direta do pai austero, extremamente zeloso nesse, como em outros assuntos. Tiveram os mesmos mestres, os mesmos métodos de instrução, sob a direção ativa da Condessa de Barral.

Entendimentos haviam-se esboçado sobre eventuais alianças. As filhas de Pedro II não eram desdenhadas pelas Casas Reais da Europa. A vastidão do Império, a riqueza do pais, o conceito elevado que desfrutava, então, entre as nações, os Soberanos do Brasil, eram de molde a atrair os mais ilustres partidos. Não conhecia a nossa monarquia a Lei Sálica.

Príncipe Fernando, esposo de Dona Maria II de Portugal e cunhado de Dom Pedro II. Por outro lado, essa antiga Casa vinha de alcançar novo triunfo na Europa, pelo advento, por eleição popular, do Príncipe Leopoldo ao trono da Bélgica. O certo é que, em setembro de 1864, chegavam ao Rio de Janeiro o Duque de Saxe-Coburgo e o Conde d’Eu. Primos duas vezes, ambos eram pertencentes a família Saxe-Coburgo. Parece, entretanto que o Principe Saxe-Coburgo, pela linha varonil, estava destinado á herdeira do trono, a Princesa Isabel, e circunstâncias sentimentais haviam trazido a modificação o projeto.

A Infanta Dona Eulália de Bourbon, em suas Memórias (“Memorias de Dõna Eulalia de Bórbon Ex Infanta de España”), registra a interessante ocorrência, nas núpcias celebradas na corte do Rio de Janeiro, muito embora não seja possível acompanha-la na versão fantasiosa e inverossímil quem empresta, a seguir, aos fatos. “El Imperador Dona Leopoldina aos 7 anos de idade Pedro II, narra a espirituosa e augusta filha de Isabel II, de Espanha, tenia dos hijas y Sua dinastia, pois, seria contiTiveram as mesmas amigas e, ningún varón que herdara la nuada pela linha feminina, por às vezes, os mesmo vestidos. E corona brasileña. Em las casas ocasião da sucessão de Dom quase tiveram até o mesmo reales de Europa comezaron a Pedro II. E o futuro esposo de noivo! tejerse conbinaciones em torDona Isabel iria influir nos desno a la Princesa Isabel, convitinos do país. Na realidade, o casamento niendose, al fin y por las gestide ambas, apesar de, no caso ones de Clementina (Princesa A Casa Real de Saxe-Coburgo de Dona Isabel, revestir-se de Clementina de Orleans, filha e Gotha havia oferecido ao maior gravidade, como herdo Rei Luiz Phillipe, de França, mundo exemplares demonsdeira do trono, foi problemas mãe do Duque de Saxe), que trações de Príncipes Consorresolvido ao mesmo tempo, Augusto (Príncipe Luiz Augusto, tes. Era o caso do Príncipe Altravés das mesmas providênDuque de Saxe) embracara berto, esposo da Rainha Vitócias. para Rio de Janeiro a fin de ria da Inglaterra. Era o caso do que se comprometiera com la ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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herdera del vastíssimo imperio americano. Com Augusto enbarcó su primo Hermano, el Conde d’Eu, hijo del Duque de Nemours, Luiz Carlos de Orleans, a quiem se destinaba la hermana menor de Isabel. Los dos Príncipes fueron recebidos amablemente em Rio de Janeiro, advertidos ya todos los cortesanos de que Augusto estaba llamado a ser emperador consorte, proyecto que naufraguó cuando parecia realizado”. Melhor, porem, do que a maliciosa e ilustre memorialista elucida o episódio, em sua versão verdadeira, a própria Princesa Isabel, em documento autografado, conservado, hoje, sob o nº 9335, no arquivo do Museu Imperial de Petrópolis. Diz textualmente a augusta senhora: “a 2 de setembro de 1864 chagavam ao Rio o Conde d’Eu e o Duque de Saxe. Meu pai desejava essa viagem, tendo em mira nossos casamentos. Pensava-se no Conde d’Eu para minha irmã e no Duque de Saxe para mim. DEUS E OS NOSSOS CORAÇÕES DECIDIRAM DIFERENTE, e a 15 de outubro tinha eu a felicidade de desposar o Conde d’Eu”.

Alcântara augusto e Dom augusto Leopoldo, sua irmã, que precedera em data, no casamento, somente nove anos mais tarde, em 1875, viria a assegurar a sua sucessão. Desta sorte, durante todo o período de 1866 a 1875, isto é, até o nascimento do filho primogênito de Dona Isabel e do Conde d’Eu, foi o Príncipe Dom Pedro de Alcântara Augusto, de acordo com a Constituição do Império, considerando herdeiro presuntivo da coroa. De forma que, “se nesse espaço de tempo falecessem Dom Pedro II e Dona Isabel, ao trono Imperial do Brasil subiria um representante da velha e nobre casa de SaxeCoburgo e Gotha”, observa, com exatidão, em artigo publicado na imprensa, o sr. Gustavo Barroso.

nar-se herdeira do Império. Pelo artigo 4, enquanto perdurasse incerta a sucessão da Princesa Isabel, o mesmo Príncipe estava obrigado a trazer ao Brasil a sua augusta Esposa, para que nele ocorresse o nascimento de seus filhos. Pelo artigo 5, comprometia-se, ainda, o Duque de Saxe a residir, parte do tempo no Brasil, com sua Esposa. Mais do que brasileiros pelo nascimento, como o foram, os Príncipes Dom Pedro de Alcântara Augusto e Dom Augusto Leopoldo foram criados e educados no Brasil. Tornaram-se, ainda, pelo prematuro falecimento da mãe, quase filhos de seus avós, os Imperadores do Brasil, sob cujo o teto e companhia passaram a viver. Netos excepcionais, erguidos pela solicitude, caridade e direta responsabilidade á condição de verdadeiros filhos. Os acontecimentos posteriores vieram a acrescentar a essas circunstancias, relevo da maior significação. O já renomado 15 de novembro encontra o Príncipe Dom Pedro de Alcântara Augusto, homem feito, com 23 anos de idade, engenheiro civil, diplomado na Escola Politécnica, depois de haver alcançado bacharelado em letras, pelo Colégio Pedro II. Encontra Dom Augusto Leopoldo, a bordo de uma nave da Marinha de Guerra do Brasil, com os galões de 2º tenente, em viagem de circumnavegação, rodeado dos seus companheiros de estudos na Escola Naval. São dois brasileiros integralmente, pois, esses jovens príncipes que o destino, num golpe de surpresa, envia

Mas não seria, apenas, essa efêmera circunstância, a única consequência da prioridade de Dona Leopoldina em assegurar descendência à Casa Imperial do Brasil. Deve ser recordado, pelos artigos 3, 4 e 5 da convecção matrimonial, regulada e concluída entre o Imperador do Brasil e S.A.. o Duque de SaxeCoburgo e Gotha, com relação ao matrimônio de seus Dois meses após, contados a respectivos filhos, foram estarigor, a 15 de dezembro (3), belecidas condições visando realizava-se as núpcias da assegurar a sucessão da coPrincesa Leopoldina com o roa brasileira. Pelo artigo 3, o Duque de Saxe (4). Príncipe Luiz Augusto, Duque de Saxe, enquanto não estiTodavia, enquanto a 19 de vesse assegurada, a critério do março de 1866 e a seguir em 6 Imperador do Brasil, a sucesde dezembro do ano imediasão da Princesa Isabel, herdeito, a Princesa Leopoldina dara presuntiva da coroa, estava va a luz, no Rio de Janeiro e impedido de aceitar qualquer em Petrópolis , aos primeiros posição que não pudesse netos dos Imperadores do Braabandonar imediatamente, sil, os Príncipes Dom Pedro de no caso de sua esposa vir tor___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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para a Europa, sob a condenação do banimento. Desencontrando, agora, a Patria para sempre, levarão ambos, para o exílio, a sua indelével imagem timbrada em seus seres pela formação radical. É a herança, o fruto da existência da Princesa Leopoldina. Se Dom Pedro de Alcântara Augusto, sob a rudeza do golpe, viu soçobrar a sua razão, seu irmão soube conservar florescente o segundo rama da Família Imperial do Brasil, hoje representado por sua filha e eventual herdeira de seus direitos políticos, a Princesa Dona Thereza Cristina de Saxe-Coburgo e Bragança. AUTO DE NASCIMENTO DE S.A. A PRINCESA DONA LEOPOLDINA (1) “Aos treze dias do mês de julho do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus-Cristo, de mil oitocentos e quarenta e sete, nesta muito leal e heroica cidade do Rio de Janeiro, achando-se reunidos no Paço da Imperial Quinta da Boa Vista, por ordem de S.M.I. o Senhor D. Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, os Ministros e Secretários de Estado, os Conselheiros de Estado, os grandes do Império e os presidentes da duas Câmaras da Assembleia GeDona Isabel e Dona Leopoldina na Quinta da Boa vista ral Legislativa, comigo abaixo assinados para ser___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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virmos de testemunhas do nascimento do Sereníssimo Príncipe ou Princesa, que S.M., a Imperatriz a Senhora D. Tereza-Cristina-Maria, augusta espôsa da dita S.M.I. o Senhor D. Pedro II, se achava próxima a dar à luz, fomos conduzidos pelo Exmo. Marquês de Itanhaem, fazendo vezes de Mordomo-mor da Casa Imperial, ao interior do referido Paço: e aí pelas seis horas e de três quartos da manhã do referido dia fomos introduzidos pelos mesmo Mordomo-mor na próxima Câmara em que S.M., a Imperatriz estava e onde nos foi apresentada por S.M. o Imperador a Augusta pessoas renascida, a qual vimos, ouvimos e reconhecemos ser do sexo feminino, e achar-se sã e perfeita. E para que o referido conste a todo o tempo, eu Manoel Alves Branco, Ministro e Secretário de Estado interino do Império, lavrei três autos todos dêste mesmo teor, por mim assinados, pelas testemunhas acima declaradas e pelo médico da Imperial Câmara, Dr. Cândido Borges Monteiro; um dos quais ficará depositado nas augustas mãos de S.M. o Imperador; outro será remetido para o Reino das duas Sicílias; e o terceiro ficará arquivado no Arquivo Público do Império.

convidadas, o dito Exmo. e Revmo. Bispo Capelão-mor batizou, e pôs os Santos Óleos à Sereníssima Princesa D. Leopoldina, Tereza, Francisca, Carolina, Micaela, Gabriela, Rafaela, Gonzaga, nascida no dia 13 do mês de julho do corrente ano, pelas seis horas e três quartos da manhã: filha legítima do dito muito alto e muito poderoso Sr. D. Pedro II Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil e da muita alta e muita poderosa Senhora D. Tereza-CristinaMaria, Imperatriz do Brasil, neta pela parte paterna do falecido Sr. Dom Pedro de Alcântara de Bragança e Bourbon, primeiro Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do AUTO DE BATISMO DE S.A. A Brasil e da sua augusta esPRINCESA DONA LEOPOLDINA pôsa, também falecida, a Senhora D. Maria Leopoldina (2) “ Ano de nascimento de Josefa Carolina; e neta pela Nosso Senhor Jesus-Cristo de parte materna do falecido Sr. mil oitocentos e quarenta e D. Francisco I, Rei do Reino das sete, aos sete dias do mês de Duas Sicílias e de Sua Majessetembro, nesta Catedral e tade a Rainha sua augusta Imperial Capela da muito leal espôsa, a Senhora D. Maria e heroica cidade de São SeTereza Izabel. Foi padrinho bastião do Rio de Janeiro, S.A.I. o Sr. D. Francisco de Orocupando o trono o muito alto leans, príncipe de Joinville, e muito poderoso Senhor D. representando por Mr. C. His Pedro II, Imperador Constitucide Buthenval, comendador onal e Defensor Perpétuo do da Ordem Real da Legião de Brasil, e o solio o Exmo. E ReHonra, da de N.S. da Conceivmo. Bispo Capelão-mor e ção de Portugal, condecoraDiocesano, D. Manoel do do com a Ordem Otomana Monte Rodrigues de Araujo, de Nichan Ifthar e enviado - Manoel Alves Branco, NicoConde de Irajá; a achando-se extraordinário e ministro plenilau Pereira de Campos Verna mesma Catedral e Imperial potenciário de Sua Majestade gueiro, Saturnino de Souza e Capela, reunidos os Ministros e o Rei do Franceses, nesta CôrOliveira, Antonio Manoel de Secretários de Estado, Consete; e madrinha Sua Alteza Real Melo, Candido Batista de Olilheiros de Estado, grandes do a Senhora Dona Francisca Caveira, Visconde de Olinda, VisImpério, oficiais e mais pessoas rolina, princesa de Joinville, conde de Abrantes, Visconde da Côrte e Casa Imperial; muirepresentada pela Ilma. e Exde Mont’Alegre, José Antonio tos Senadores e Deputados, ma. condessa de Belmonte, da Silva Maia, José Carlos PeCorpo Diplomático Estrangeicamarista-mor de S.M. a Impereira de Almeida Torres, José ro, membros dos Tribunaes da ratriz. E para todo tempo consJoaquim de Lima e Silva, FranCôrte e muitas outras pessoas tar, se lavrarem dois autos em cisco Cordeiro da Silva Torres, de distinção expressamente tudo idêntico, subscritos pelo ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

José Cesário de Miranda Ribeiro, Caetano Maria Lopes Gama, José Pedro Dias de Carvalho, Marquês de Itanhaem, Visconde de Paria-Grande, Bispo Conde Capelão-mor, o Bispo Esmoler-mor, Visconde de Baipendi, Visconde de Congonhas do Campo, Visconde de Goiana, Visconde de São Salvador de Campos, Barão de Bonfim, Francisco de Lima e Silva, Joaquim José de Siqueira, Barão de Alegrete, Manoel Inácio Alvares, Francisco Maria Teles, José Maria Velho da Silva, o Dr. Candido Borges Monteiro, Bernardo José Pinto Gavião Peixoto, Dr. Francisco de Paula Candido, Conde de Caxias”.

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Ilmo. e Exmo. Manoel Alves Branco, do Conselho de Estado, presidente do Conselho de Ministros, Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e Interinamente encarregado dos do Império e assinados tanto por eles como pelos representantes dos augustos pradinho e madrinha; devendo um dos autos ficar no arquivo da Imperial Capela e ser o outro recolhido no Arquivo Público Império. Eu Manoel Alves Branco o subscrevi e assino – Manoel Alves Branco – Como representante – do augusto padrinho, C. His de Buthenval – Dito da madrinha, condessa de Belmonte. – Manoel, Bispo Conde Capelãomor”. (3) NÓS DOM PEDRO 2º IMPERADOR CONSTITUCIONAL e DEFENSOR PERPÉTUO DO BRASIL &. Fazemos saber a todos que a presente Carta de Confirmação. Approvação e Ratificação virem que no primeiro dia de novembro do corrente anno concluio-se e assignou-se na Côrte de Viena uma Convenção Matrimonial entre a Minha muita Amada e Presada Filha a Senhora Princeza Dona LEOPOLDINA THEREZA FRANCISCA CAROLINA MICHAELA GABRIELA RAPHAELA GONZAGA e o meu muito amado e Presado Primo Sua Alteza o Senhor Príncipe LUIZ AUGUSTO MARIA EUDES DE COBURGO E GOTHA, DUQUE DE SAXE, da qual Convenção o theor é o seguinte:

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EM NOME DA SANTISSIMA E INDIVISIVEL TRINDADE Saibão todos que a presente virem que como Sua Alteza o Senhor Luiz Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, filho de Sua Alteza Real, O Senhor Príncipe Augusto Luiz Victor de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe e de Sua Alteza Real A Senhora Duqueza Clementina Sua Esposa, tenha com a autorização de SEUS AUGUSTOS PAES e com a de Sua Alteza Real O Duque de Saxe Coburgo e Gotha Seu Primo, pedido em casamento a mão de Sua Alteza A Senhora Princeza Dona Leopoldina, Thereza, Francisca, Carolina, Michaela, Gabriela, Raphaela, Gonzaga, Filha de Sua Magestade O Imperador Tenha promettido consentir n’este cazamento. Afim de estreitarem cada vez mais os laços de amizade que OS unem, Sua Magestade O Imperador do Brasil e Sua Alteza Real O Duque de Saxe Coburgo e Gothaescolherão e nomearão para regular e concluir solenemente as Convenções matrimoniais Seus Plenipotenciarios a saber: Sua Magestade O Imperador do Brasil, Sua Excellencia o Senhor Miguel Maria Lisbôa, Membro do Seu Conselho, Grande Dignitario da Ordem Imperial da Rosa, Commendador da de Christo, Veador de Sua Magestade A Imperatriz, Enviado Extraordinario e Ministro Plenipotenciario nos Estados Unidos da América do Norte, em Missão Especial junto a Sua Alteza Real O Duque de Saxe Coburgo e Gotha; e

Sua Alteza Real o Duque de Saxe Coburgo e Gotha, Sua Excellencia o Barão Emilio de Pawell Rammingen, Conselheiro d’Estado íntimo, Chefe do Departamento do Ministerio dos Negocios da Casa Ducal, Camarista, Commendador da Ordem Ducal Saxonia de Ernesto o Piedoso, Commendador da Ordem Real de Christo de Portugal e da Ordem Real de Leopoldo da Belgica. Os quaes, após de se terem respectivamente communicado Seus Plenos poderes, que sendo achados em boa e devida forma convencionarão nos artigos e condições de contracto de casamento, como se segue: ARTIGO 1º A promessa de Sua Magestade O Imperador do Brasil de consentir no casamento de Sua Alteza a Snehora Princeza Dona Leopoldina, Thereza, Francisca, Carolina, Michaela, Gabriela, Raphaela Gonzaga, Sua Augusta Filha cuja mão Lhe foi pedida em nome de Sua Alteza Real o Senhor Principe Augusto Luis Victor de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, para seu Filho Sua Alteza o Principe Luis Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, não continuará a ser obrigatória se o presente Tratado não for ratificado por Sua Majestade Imperial e se o casamento não tiver logar no dia, que Sua Magestade Imperial designar, ficando não obstante subentendido, que a realização d’este acto não dependerá da troca das ratificações.

O casamento se celebrará no Rio de Janeiro, segundo as formas e as solenidades prescriptas pelos cânones e constituição da Igreja Catholica, Apostolica e Romana. ARTIGO 3º Em quanto no entender de Sua Magestade O Imperador a Sucessão de Sua alteza Imperial a Senhora Princeza Dona Izabel, Herdeira Presumptiva da Corôa do Brasil, não estiver bem firmada, Sua Alteza o Senhor Principe Luis Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, obriga-se a não aceitar posição alguma que não possa deixar imediatamente, no caso de que venha a ser Esposo da Herdeira Presumptiva da Corôa Brasileira, e a não acceitar cargo algum sem o prévio consentimento de Sua Magestade o Imperador ou de seus Sucessores. ARTIGO 4º Em quanto a juízo de Sua Magestade O Imperador, a sucessão de Sua Alteza Imperial A Senhora Princeza Dona Izabel, Herdeira Presumptiva da Corôa do Brasil, não estiver bem firmada, Sua Alteza O Senhor Principe Luis Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, obriga-se a trazer ao Brasil Sua Augusta Esposa, para que ahi tenha logar o nascimento de Seus Augustos Filhos. ARTIGO 5º

Alem de convencionado no artigo precedente, Sua Alteza ARTIGO 2º o Senhor Principe Luis Augusto ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, obriga-se a residir periodicamente no Brasil com Sua Alteza A Senhora Princeza Dona Leopoldina, Thereza, Francisca, Carolina, Michaela, Gabriela, Raphaela Gonzaga, Sua Futura Esposa. ARTIGO 6º Sua Magestade O Imperador garante a Sua Alteza A Senhora Princeza Dona Leopoldina, Thereza, Francisca, Carolina, Michaela, Gabriela, Raphaela Gonzaga, segundo o convencionado e nos termos da Lei nº 1217 de 7 de julho de 1864, cuja cópia vae anexa a esta Convenção, o seguinte:

quando o exigir, afim de ter o destino prescripto por Lei. 3º A dotação annual de cento e cincoenta contos de réis, pagaveis mensalmente a contar do dia da celebração do casamento, emquanto os Augustos Consortes não estabeleceram seu domicilio fora do Brasil, cessando desde então a dotação que a augusta Princeza recebe actualmente. 4º A quantia de mil e duzen-

mento em dinheiro ou em lettras sobre Vienna ou sobre Londres e dando Suas Altezas conhecimento ao Governo de sua resolução sessenta dias antes de a realizar; e uma vez pago este dote cessarão todas as prestações estabelecidas pelos paragraphos 1º e 2º do Artigo 1º da lei acima mencionada, isto é, os cento e cincoenta contos de réis de renda annual, os trezentos contos de réis para acquisição de cazas, ou os desoito contos de réis para o aluguel d’estas; - mas se a acquisição de cazas, para residencia de Suas Altezas estiver realisada, Elles tem o direito de a conservar para sua habitação, salvo o cazo do artigo seguinte:

1º A quantia de trezentos ARTIGO 8º contos de reis para a acquisiNo cazo em ção de casa no que Sua Alteza Brasil destinadas o Senhor PrinCartão de noivado: O Conde d’Eu, a Princesa Dona Isabel, a Princesa Dona Leopoldina e o Duque de Saxe para a habitacipe Luiz Aução de Sua Algusto Maria tos contos de réis pagaveis de teza e de Seu Augusto Esposo, Eudes de Coburgo e Gotha, uma vez, como dote quando ou então a quantia de dezoito Duque de Saxe, sobrevivendo Suas Altezas estabelecerem contos de reis annuaes, para o á Senhora Sua Esposa, deixe o seu domicilio fora do Imperio. aluguel de casa para o mesBrasil para estabelecer seu mo fim, enquanto a dita acdomicilio fora do Imperio, perARTIGO 7º quisição não for realisada. derá todo o direito á conservação das cazas. O dote de mil e duzentos con2º Duzentos contos de reis tos de réis só será entregue para as despezas do enxoval ARTIGO 9º aos Augustos Consortes no e outros objectos de uso para caso que estabeleção seu os Augusto Consortes, podenOs futuros Consortes se comdomicilio fora do Imperio e do uma parte ser empregada promettem a não alienar o pago quando declarem que antes do cazamento e a outra capital do dote com o fim de fixão seu domicilio fora do Braentregue aos Senhor Principe assegurar a sua conservação. sil, effectuando-se o pagaLuis Augusto Maria Eudes, ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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ARTIGO 10º Sua Alteza A Senhora Princeza Dona Leopoldina Thereza Francisca Carolina, Michaela, Gabriela, Raphaela Gonzaga, traz para o cazal, além das somas declaradas nos artigos precedentes, suas propriedades em joias e outros objectos que possue actualmente. ARTIGO 11º Sua Alteza O Senhor Principe Luiz Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, traz por sua parte para o cazal o seguinte: 1º - Os objectos que lhe pertencem pessoalmente, como joias e outros. 2º - O capital de um milhão de francos, que recebe de seus Paes. 3º - A renda annual de quarenta mil francos, que lhe será Paga de trez em trez meses por seu Pae Sua Alteza Real o Senhor Principe Augusto Luis Victor de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, a contar do dia da celebração do casamento, até o dia da morte do ultimo, ficando entretanto subentendido que se Sua Alteza o Senhor Principe Luis Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, estabelecer seu domicilio no Imperio do Brasil, o pagamento desta renda cessará ipso facto sem pagamento de capital correspondente.

com a auctorização de Sua Magestade O Imperador Seu Augusto Pae, e Sua Alteza O Senhor Principe Luis Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, Seu Augusto Pae, declarão que se cazarão sem communhão de bens. Por consequencia o Esposo que sobreviver não terá direito á propriedade dos bens e ás vantagens pecuniarias com os quaes o outro Esposo tiver entrando pessoalmente para o cazal e quanto áquelles que tiver adquirido depois do cazamento, mediante bôa administração, sucessão ou doação, o Esposo sobrevivente terá o usofructo da parte desses bens, dos quaes o Esposo falecido tivesse podido dispor livremente por testamento. ARTIGO 13º Quanto ás vantagens pecuniarias concedidas pela Lei nº 1217de 7 de julho de 1864, Sua Magestade O Imperador do Brasil, em virtude das disposições do artigo 2º desta Lei e do artigo 2º da Lei nº 166 de 29 de setembro de 1840, cuja copia vae annexa á presente Convenção, garante:

dote sem deixar herdeiros necessarios nascidos de seu cazamento, Sua Alteza O Senhor Principe Luis Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, terá o usofructo da metade da renda deste dote e que se ella deixar taes herdeiros, O Senhor Principe terá somente o terço desta renda. Se Sua Alteza A Senhora Princeza Dona Leopoldina, Thereza, Francisca, Carolina, Machaela, Gabriela, Raphaela Gonzaga, sobreviver a Seu Augusto Esposo sem deixar herdeiros necessarios nascidos de seu cazamento. Ella terá direito ao usofructo da metade da renda do dote de um milhão de francos, trazido pelo Principe e se este deixar herdeiros, terá ella somente o usofructo de um terço desta renda. ARTIGO 14º

No cazo, que Sua Alteza A Senhora Princeza Dona Leopoldina Thereza, Francisca, Carolina, Michaela, Gabriela, Raphaela e Gonzaga, venha a ser a Herdeira Presumptiva da Corôa do Brasil, e que Sua Alteza e Seu Augusto Esposo 1º - Que o Esposo sobrevivente sejão chamados para fixar seu continuará a receber a metadomicilio no Brasil depois de de da dotação de cento e ter recebido o dote de mil e cincoenta contos de réis, enduzentos contos de réis, e este quanto residir no Imperio ou dote tiver tido uma taxa de d’elle ausentar-se com licença juro inferior á representada do Imperador ou de Seus Supela dotação, esta dotação, cessores. de cento e cincoentacontos de réis lhe será paga annualARTIGO 12º 2º - Que se Sua Alteza A Semente conforme o dispõe a nhora Princeza Dona Leopollei, com a condição porem de Sua Alteza A Senhora Princeza dina Thereza, Francisca, Caroque o capital do dote será Dona Leopoldina, Thereza, lina, Michaela, Gabriela, Rarestituido integralmente pelos Francisca, Carolina, Michaela, phaela Gonzaga, vier a faleAugustos Principes ao ThesouGabriela, Raphaela Gonzaga, cer depois de ter recebido o ro Publico Nacional do Brasil. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Mas se esta restituição for apenas parcial, a dotação só será paga a Suas Altezas na proporção da parte do dote,

A presente Convenção será retificada por Sua Magestade O Imperador do Brasil e por

tro mezes contados desta data, ou antes se possivel. Em fé do que Nós Plenipotenciarios respectivos a assignâmos de nosso punho e sellámos com o selo das nossas Armas. (L.S.) a. MIGUEL MARIA LISBÔA (L.S.) a. BARÃO EMILE PAWELL RAMMINGEN. - LEI Nº 1217 DE 7 DE JULHO DE 1864 – Dom Pedro por Graça de Deus e unanime acclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil: Fazemos saber a todos os nossos súbditos que a Assembléa Geral decretou, e Nós queremos a lei seguinte: Art. 1.º Ficão em vigor, para a dotação de Sua Alteza Imperial a Senhora Dona Izabel as disposições da lei n.º 166 de 29 de setembro de 1840, com as seguintes alterações: § 1.º - quando se realizar o consorcio de Sua Alteza Imperial, sera a sua dotação de cento e cincoenta contos de réis, cessando desde então os alimentos que actualmente percebe, e será paga pela forma, porque o é a de Sua Magestade O Imperador.

§ 2.º - Fica decretada a quantia de trezentos contos de réis para a acquisição de prédios, destinados á habitação de Sua Alteza Imperial e seu Augusto Consorte. que Elles houvessem de restitusua Sula Alteza Real, o Duque Emquanto não se effeituar ir. de Saxe Coburgo e Gotha, e esta acquisição, será pago as ratificações serão trocadas pelo tesouro na razão de seis ARTIGO 15º em Coburgo no prazo de quapor cento do referido capital, ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III O Duque de Saxe, Dona Leopoldina e o Príncipe Dom Pedro Augusto

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o aluguel de predios que sejão para o mesmo fim mais idoneos. § 3.º - Fica decretada a quantia de duzentos contos de réis para despezas de enxoval e outros objectos de serviço dos Augustos Consortes. § 4.º - Sahindo Sua Alteza Imperial para fóra do Império, se lhe entregará por uma só vez na forma do artigo 113 da Constituição Política, o dote de mil e duzentos contos de réis. Art. 2.º - As disposições relativas ao consorcio de Sua Alteza Imperial são inteiramente aplicáveis ao de Sua Alteza A Senhora Dona Leopoldina. Art. 3.º - Ficão revogadas as disposições em contrario. Mandamos portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumprão e fação guardar tão inteiramente como n’ella se contem. Art. 4.º - Fica mais consignada a quantia de cem contos de réis para enxoval, e outros objectos de serviço de Sua Alteza Imperial, e de Seu Augusto Esposo. Art. 5.º - Fundar se ha um Patrimonio em terras pertencentes á Nação, cujo valor será ulteriormente determinado sobre informações do Governo.

tes, segundo a ordem de sucessão estabelecida na Ordenação, Livro 4, Título 100, que fica para este effeito em vigor. Art. 7.º - Todos os bens, a que se refere o artigo antecedente, serão consignados como proprios nacionaes, quando não haja, ou se acabe a referida sucessão. Art. 8.º - Se o Principe tiver de sua parte alguns bens vinculados, e como taes os considerar no respectivo contracto, ou se taes bens lhe sobrevierem, observar se ha a este respeito o que determina a Ordenação, Livro 4, Titulo 100 - § 5.º, e seguintes, salvo o direito de sucessão estabelecido pela Legislação do Paiz a que pertencer o mesmo Principe, porque em tal cazo o contracto lhe será subordinado em tanto, quanto discrepar da referida Ordenação. Art. 9.º - O Governo fica autorizado para despender fóra do Imperio a quantias que forem necessarias para negociações relativas ao casamento de Sua Alteza Imperial e transporte de Seu Augusto Esposo, ficando igualmente compreendidas nesta autorisação as despezas, que forem de mister para o ajuste do Consorcio de Sua Magestade O Imperador, e transporte de Sua Augusta Esposa para o Brasil.

Art. 11.º - Realisado o cazo de sahir do Imperio Sua Alteza Imperial, se lhe entregará por uma vez somente, na forma do artigo 113 da Constituição, a quantia de setecentos e cincoenta contos de réis, segundo o Padrão Monetario, alem da somma marcada no Artigo 4.º da presente Lei para enxoval. Art. 12.º - As dispisções relativas ao casamento de Sua Alteza Imperial são inteiramente applicaveis ao Consorcio da Princeza A Senhora Dona Francisca. Art. 13.º - Ficão revogadas todas as leis em contrário. Mandamos por tanto a todas as autoridades a quem o conhecimento, e execução da referida Lei pertencer, que o cumprão, fação cumpri e guardar tão inteiramente, como nella se contem. O Secretario de Estado dos Negocios do Imperio a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palacio do Rio de Janeiro ao vinte nove do mez de Setembro de mil oitocentos e quarenta, decimo nono da Independencia e do Imperio. Imperador guarda) (com rubrica e

Art. 10.º - No cazo de que venha a ter logar a sucessão de Antonio Carlos Ribeiro de AnSua Alteza Imperial ao Throno, drada Machado e Silva. ficarão sem effeito as disposições desta Lei, que se tornão E sendo-nos presente a mesArt. 6.º - Ao dito patrimonio incompatíveis com os artigos, ma convenção, cujo teor fica serão incorporados os predios, em que a Constituição regula acima inserido e bem visto, de que trata o artigo 3.º e asos direitos, e prerrogativas da considerado e examinado por sim passará aos descendenFamilia Imperial. nós tudo o que nella se con___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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tem, a approvamos, retificamos e confirmamos, assim no todo como em cada um de seus artigos e estipulações sem prejuízo das declarações sobre os artigos 3.º, 4.º 3 8.º e additamentos que se hão-de especificar no acto da troca das ratificações, e pela presente a damos por firme e valiosa, prometendo emfé e palavra Imperial, observa-la inviolavelmente e fazela cumprir e observar por qualquer modo que possa ser. Em testemunho e firmeza da sobredita fizemos passar a presente carta por nós assignada passada com o sello grande das armas do Imperio e refrendada pelo nosso ministro e secretario d’Estado abaixo assignado. – dada no Palacio do Rio de Janeiro, aos treze dias do mez de dezembro do anno do nascimento de nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e sessenta e quatro. (a) Pedro Imperador João Pedro Dias Vieira. NÓS = DOM PEDRO 2º IMPERADOR CONSTITUCIONAL E DEFENSOR PERPETUO DO BRASIL &

o Duque de Saxe, um Artigo Addicional á Convenção para o Casamento entre a Minha muito Amada e Presada Filha Sua Alteza a Senhora Princeza Dona Leopoldina, Thereza, Francisca, Carolina, Michaela,

vembro de mil oitocentos e sessenta e quatro, para o Casamento entre Sua Alteza e Senhora Princeza Dona Leopoldina, Thereza, Francisca, Carolina, Michaela, Gabriela, Raphaela Gonzaga e Sua Alteza o Senhor Principe Luiz Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe: ARTIGO ADDICIONAL As Altas Partes Contractantes convem em que as estipulações dos Artigos 3.º e 4.º da Convenção, entre Sua Magestade O Imperador do Brasil e Sua Alteza Real o Duque de Saxe-Coburgo e Gotha, para o cazamento entre Sua Alteza a Senhora Princeza Dona Leopoldina, Thereza, Francisca, Carolina, Michaela, Gabriela, Raphaela Gonzaga, e Sua Alteza o Senhor Principe Luiz, Augusto, Maria, Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, assignadas em Vienna no dia de hoje, não serão consideradas em vigor senão emquanto Sua Alteza Imperial a Senhora Dona Izabel, Herdeira Presumptiva da Corôa do Brasil, não tiver dous Filhos. Este Artigo terá a mesma força, como se fosse inserido, palavra por palavra, na mencionada Convenção, e a Convenção não será valida se o dito Artigo não fôr igualmente ratificado.

Fazemos saber a todos os que a presente Carta de ConfirArtigo Addicional á Convenmação, Approvação e Ratifição entre Sua Magestade o cação virem que, no dia 1.º Imperador do Brasil e Sua Altedo mez de Novembro do corza Real O Duque de Saxe Corente anno, estipulou-se e asburgo e Gotha, assignada em signou-se na Cidade de VienVienna no dia primeiro do Nona entre Nós e Sua Alteza Real ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

Gabriela, Raphaela Gonzaga e Sua Alteza o Senhor Principe Luiz Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha, Duque de Saxe, cujo teor é o seguinte:

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Vienna, primeiro de Novembro de mil oitocentos e sessenta e quatro. (L. S.) a. Miguel Maria Lisbôa. (L. S.) a. Barão Emile Pawell Rammingen. E sendo-nos presente o referido artigo addicional, cujo teor dica acima inserido, e bem visto, considerado e examinado por nós o que nelle se contem, os approvamos, ratificamos, e confirmamos, sem prejuizo das declarações que a respeito do mesmo artigo se hão de especificar no acto da troca das ratificações; e pela presente o damos por firme e valioso para produsir o seu devido effeito, promettendo em fé a palavra Imperial cumpirl-o e fazêl-o cumprir e observar por qualquer modo que possa ser. Em testemunho e formeza do que fizemos passar a presente carta por nós assignada, sellada como sello grande das ramas do Imperio, e referendada pelo nosso ministro e secretario d’Estado abaixo. Dada no Palacio do Rio de Janeiro aos treze dias do mez de dezembro do anno do nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e sessenta e quatro. (a) Pedro Imperador João Pedro Dias Vieira ______ O Secretario de Estado dos Negocios do Imperio a faça imprimir, publicar e corre.

Dada no Palacio do Rio de Janeiro em 7 de Julho de mil oitocentos e sessenta e quatro, quadragésimo terceiro da Independencia e do Imperio. Imperador guarda) (com rubrica e

dir no Imperio, ou se se ausentar com licença do Imperador. Artigo 3.º - Fica consignada a quantia de cento e vinte contos de réis para acquisição de predios que offereção decente habitação a estes Augustos Esposos e emquanto não se effetuar essa acquisição, serão pagos pelo Thesouro Publico na razão de cinco por cento do referido capital ao alugueis de predios que sejão para esse effeito mais idoneos. PROGRAMA ______ PRESTITO E CEREMONIAS DO CAZAMENTO DE SUA ALTEZA A SERENISSIMA PRINCEZA D. LEOPOLDINA COM SUA ALTEZA REAL O SENHOR DUQUE DE SAXE RIO DE JANEIRO Typographia Nacional, Rua da Guarda Velha 1864 PROGRAMA

José Bonifacio de Andrada e Silva. Zacarias de Góes e Vasconcellos. ARTIGO 113 DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA Aos Principes que se cazarem, e forem residir fóra do Imperio, se entregará por uma vez somente uma quantia determinada pela Assembléia, com o que cessarão os alimentos que percebião. LEI N.º 166 DE 29 DE SETEMBRO DE 1840 Dom Pedro, por Graça de Deus e unanime aclamação dos Povis Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brasil Fazemos saber a todos os Nossos subsditos que a Assembléia Geral Decretou e Nós Queremos a lei seguinte: Artigo 1.º - a dotação de Sua Alteza Imperial, quando houver de realizar se o seu Consorcio, será de noventa e seis contos de réis por anno, paga pela forma que o é a de Sua Magestade O Imperador, cessando desde a epoca do referido Consorcio os alimentos assinados por lei. Artigo 2.º - O Esposo que sobreviver ao outro, continuará a perceber a metade da referida Dotação, emquanto resi-

Prestito e ceremonias do Cazamento de Sua Alteza a Serenissima Princeza D. Leopoldina com Sua Alteza Real o Senhor Duque de Saxe. As nove horas da manhã do dia designado partirão SS. MM. e Altezas do Paço da Boa-Vista em grande estado na ordem seguinte: Um piquete de Cavallaria.

Moços da estribeira. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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1ª Carruagem do Porteiro da Imperial Camara com o Guarda Roupa e Medico da semana. 2ª Carruagem com os Veadores de serviço de SS.AA., o Secretário de S.A.R. o Principe Duque de Saxe e o General Dumas. 3ª Com as Damas de SS. AA. 4ª Com a Dama de S.M. a Imperatriz e a Condessa de Barral, Aia de S.A. a Senhora D. Leopoldina. 5º Com o Camarista, veadores de semana e do serviço de SS. AA. os Senhores Principes, e o Mestre-sala. 6º Com o Estribeiro-Mor 7º Carruagem de respeito 8º Carruagem de S.A.I. e de seu Augusto Esposo. 9º Carruagem de S.M. a Impreatriz e S.A. a Senhora D. Leopoldina. 10º Carruagem de S.M. o Imperador com S.A.R. o Senhor Duque de Saxe. Aos lados das portinholas desta carruagem irão o Commandante da Guarda Archeiros á direita e os Ajudantes de Campo entre rodas. Fechará o prestito o Regimento de Cavallaria.

Ao chegar ao Paço da Cidade, onde já se acharão as pessoas convidadas, o Mestresala determinará ao introductor do Corpo Diplomático, e aos seus Ajudantes, que fação seguir os mesmo convidados para a Capella Imperial a fim de tomarem os lugares que lhes são respectivamente designados.

outro Moço Fidalgo levando do mesmo modo os anneis nupciais, e dous cartões, em que estarão escriptas as palavras canônicas que SS.AA. tem de dizer no acto do cazamento. A esquerda deste irá outro Moço Fidalgo levando tambem n’uma salva de ouro o auto do cazamento. Os Grandes do Imperio, os Camaristas e os Veadores. O Mestre-sala no seu lugar. S.A.R. o Principe Duque de Saxe á esquerda de S.A. a Senhora D. Leopoldina. S.A.R. o Principe Conde d’Eu á esquerda de S.A. Imperial. S.M. o Imperador, indo á sua direita S.M. a Imperatriz. Fechará o prestito o Mordomo-Mór, o Camarista, Ajudantes de Campo, Damas, e Veadores de semana e do serviço de SS. AA. os Srs. Principes, o Gurda-Roupa, o Medico de semana. Ao chegar á Capella SS. MM. e SS. AA. Imperiaes e Reaes serão recebidas e aspergidas pelo Arcebispo; e Dirigindo-se á Capella do Santissimo para fazerem oração, subirão para a Capella-Mór, ficando o Arcebispo no Solio ao lado da Epistola e SS. MM. e AA. no Throno.

Dona Isabel e Dona Leopoldina com os dois primeiros netos do Imperador Dom Pedro II Logo depois seguirá o prestito imperial pela fórma seguinte: Os Porteiros da Camara e da Moça. Os Officiaes da Casa, Medicos, Guarda Roupas, Moços Fidalgos, Cavalleiros Fidalgos, e Titulares com o tratamento de Senhora. O Porteiro da Imperial Camara, indo ao seu lado direito um Moço Fidalgo levando uma salva de ouro sobre almofada de veludo bordado com as condecorações que Sua Magestade o Imperador designar; e ao seu lado esquerdo

Os Monsenhores e Conegos occuparão a quadratura; os A Guarda de Archeiros deverá Marquezes, a Condessa de estra formada no largo do RoBarral, Aia de S.A. a Senhora cio da Cidade Nova, e d’ahi D. Leopoldina, as Damas de acompanhará a carruagem serviço, o Camarista, Veadode S.M. o Imperador, fazendo res de semana e do serviço de alas. SS.AA. o Mestre-sala, e os Por___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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ta-insignias estarão no centro da quadratura, e bem assim as testemunhas. Quando tudo estiver prompto , o Mestre de Ceremonias, Ecclesiastico o participará ao Mestre-sala. Obtida a Ordem de S.M. o Imperador para se começarem nas Ceremonias, e feita a vênia a SS. AA. para os prevenir da Ordem Imperial, dando S.A. o Principe Duque de Saxe a dextra á Serenissima Princeza descerão os degrâos do Throno, e do pavimento fronteiro a SS. MM. II. Lhes farão uma profunda reverencia; d’ahi subirão ao presbiterio com o Mestre-sala, as Testemunhas, a Condessa de Barral, Aia de S.A a Senhora Princeza, as Damas de serviço, e o Porta-Aneis. Approximando-se SS. AA. ao Arcebispo, este Lhes dirigirá as perguntas canônicas, e fazendo SS. AA. um reverencia a S.M. o Imperador para pedirem o Seu Consentimento, repetirão as respostas escriptas nos cartões, que Lhes serão apresentados pelo Mestresala. Tendo logo o Arcebispo benzido os anneis nupciaes que lhe serão apresentados pelos Monsenhor Diacono, entregará ao Sr. Duque de Saxe o annel da Serenissima Princeza e este o porá no dedo annullar da Mesma Augusta Princeza, recendo depois o Seu.

Concluida esta Ceremonia, os Guarda-tapeçarias estenderão no estrado do Altar-Mór uma rica colcha bordada a ouro, e offerecendo aos Veadores de semana e á serviço de S.A.R. o senhor Duque de Saxe as almofadas, os mesmos Veadores as collocarão convenientemente, e ajoelhando SS. AA. receberão as bençãos nupciaes. Findas estas, se levantarão SS.AA., e dando o Principe a direita á Serenissima Princeza, descerão do presbiterio, e fronteiros a SS. MM. II. lhes farão as revências. Subirá S.A. a Serenissima Princeza ao seu lugar, depois de ter beijado a Mão a seus Augustos Progenitores, e S.A. o Principe, subindo em frente a S. M. o Imperador, ahi receberá de Suas Augustas Mãos as condecorações destinadas por S. M. I., que serão apresentadas pelo MordomoMor. Lançadas as ordens, S.M. o Imperador se dignará de dar-lhe um osculo paternal, abraçando-o como publico testemunho de regozijo por have-lo recebido no grêmio de Sua Imperial Familia. Depois disto S.A. se collocará no seu lugar. O Ministro do Imperio, recebendo do Porta-insignias o auto do cazamento, e collocando-se em frente a S.M. o Imperador, o lerá em voz alta.

Finda a leitura, uma salva de Artilharia postada no Largo do Paço, e correspondida pelas Fortalezas e Embarcações de Guerra, annunciará aos habitantes da Cidade estar concluida a ceremonia dos cazamento de SS. AA. O Arcebispo entoará o Hymno Te-Deum Laudamus. Indo este, regressará o prestito na mesma ordem. SS. MM. e AA. receberão da janelas do Paço as continencias militares e salvas, findas as quaes, se retirará a Tropa a quarteis sem desfilar perante SS. MM. e SS. AA. SS. MM. e SS. AA., subindo ao Throno, receberão o cortejo do estylo, ficando S.A. Imperial á esquerda de S.M. a Imperatriz; e seguindo-se-lhe S.A. a Senhora D. Leopoldina, S.A. o Senhor Conde d’Eu, e S.A. o Senhor Duque de Saxe. Depois do cortejo receberão SS. MM. II. e SS. AA., na sala immediata á do Throno, as Senhoras do Corpo Diplomatico, e as convidadas, as quaes, regressando da Capella, esperarão, as Senhoras do Corpo Diplomatico na sala chamada dos Conselheiros de Estado, e as outras Senhoras na sala dos Grandes. Rio de Janeiro. Typographia Nacional. 1864.

O Duque de Saxe e a Princesa Dona Leopoldina com os filhos, os Príncipes Pedro, Augusto, José e Luiz ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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XXII Encontro Monárquico do Rio de Janeiro
Monarquistas e a Família Imperial resgatam a história e discutem importantes temas ligados ao Brasil

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om o interessante programa, o XXII Encontro Monárquico que ocorreu em 30 de junho, no Rio de Janeiro, recebeu grande público, com representantes de quase todos os Estados do Brasil. O programa compreendeu uma recepção e credenciamento às 9h30, com a abertura dos trabalhos feita pelo Príncipe Dom Antonio, às 10h. Dom Antonio foi sucedido pelo Professor Ricardo Luiz Silveira da Costa, que falou sobre a Gênese da monarquia no Ocidente cristão. Às 11h45, a Professora Valdirene do Carmo Ambiel, impressionou a todos ao falar sobre os 190 anos da Independência e as pesquisas arqueológicas sobre nossos primeiros Imperadores na cripta do Ipiranga em São Paulo, importante trabalho que está sendo realizado concomitantemente aos

trabalhos de restauros da Cripta Imperial. O almoço do primeiro dia de encontro entre os monarquistas ocorreu às 12h15 e o reinicio dos trabalhos ocorreu às 15h45, quando então o Príncipe Dom Rafael falou por 15 minutos aos presentes, sendo seguido pelo Doutor José Carlos Sepúlveda da Fonseca, palestrando sobre “O Jubileu da Rainha: fascínio dos símbolos, da pompa e da riqueza em pleno sec. XXI; sua admirável função cultural, didática e prática”. Às 16h45 houve uma pausa para um chá, sendo logo precedido pelo jornalista Nelson Ramos Barreto, que falou do tema “O Cavalo de Tróia do Ambientalismo”. O fechamento deste intenso programa foi feito pelo Príncipe Dom Bertrand, que habitualmente fascina plateias de todo o mundo com suas brilhantes alocuções. Os monarquistas já aguardam a XXIII edição deste evento.

Os 74 anos do Chefe da Casa Imperial do Brasil
No dia seguinte ao XXII Encontro Monárquico do Rio de Janeiro, 1º de julho de 2012, os monarquistas e admiradores estiveram presentes na bela homenagem ao Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, em seu aniversário de 74 anos, que foi reverenciado com Santa Missa na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. Este ato religioso foi seguido de almoço no Hotel Windsor Florida, do Flamengo. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Sítio Santa Maria é aberto à população
Residência Imperial é palco do Festival Vale do Café

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irmão de Dom Luiz de Orleans e Bragança - Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Alberto, acompanhado de sua esposa, a Princesa Dona Maritza de Orleans e Bragança foram anfitriões no Sítio Santa Maria, histórica propriedade da Família Imperial do Brasil pósexílio, em Vassouras, pelo Festival Vale do Café, ocasião em que a saxofonista Daniela Spielmann e seu quarteto fizeram apresentação nos jardins da residência Imperial. A exemplo do que ocorre na Europa com as Famílias Reais, a Família Imperial do Brasil também resolveu abrir suas residências para grandes concertos e demonstrações culturais. Segundo os organizadores do evento, "O Festival Vale do Café tem por objetivo criar um pólo turístico cultural e acelerar o desenvolvimento econômico do interior do estado do Rio de Janeiro. Através da preparação anual de uma grande celebração de música, história e natureza, aliada sempre ao respeito pelas raízes e pelo patrimônio histórico da região". O festival ocorreu de 17 a 29 de julho de 2012 e a apresentação no Sítio Santa Maria no dia 29 às 11h. Dona Maritza, renomada paisagista, harmonizou a parte externa, de natureza exuberante, com um ambiente repleto de objetos e fotografias da Família Imperial, recebendo milhares de turistas.

Medalha Pedro Ernesto é outorgada ao Professor Otto de Alencar Sá Pereira

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o dia 27 de junho de 2012, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, através de proposta encaminhada pela vereadora Sonia Rabelo, homenageou o Professor e grande monarquista Otto de Alencar Sá Pereira, com a medalha Pedro Ernesto. Estiveram presentes à cerimônia, os Príncipes Dom Fernando, Dona Maria da Graça e Dona Isabel de Orleans e Bragança. O Professor Otto serviu ao Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, na qualidade de chefe de sua assessoria. É advogado, professor de história, militante monarquista e pesquisador de genealogia.

No Rio, Dia do Soldado é comemorado com Bandeira Imperial
No dia 21 de agosto de 2012, o Comando Militar do Leste, RJ, organizou, no Pantheon do Duque de Caxias, a Solenidade em comemoração ao Dia do Soldado. O General Enzo Martins Peri, Comandante do Exército, presidiu a cerimônia que contou com a uma bela reverência ao Império. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III Foto: CML/CCOMSEx

Foto: Patricia Mayer – a cor da casa

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190 Anos da Independência do Brasil
O transcurso dos 190 anos da Independência do Brasil é prova de mais uma das grandes marcas que a monarquia deixou em cada canto do país e em cada brasileiro

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pós o grito do Ipiranga, muito teve que se consolidar para a aceitação do Brasil como nação independente. Um trabalho minucioso, todo ele acompanhado por Dom Pedro I, teve de ser realizado. A nação recém-criada necessitava de cultura e políticas próprias. O Brasil necessitava de um sentimento de nacionalidade. Dom Pedro, quando afirmava ser brasileiro, fortalecia este sentimento. O trabalho de reconhecimento do Brasil como país, no exterior, foi recheado de acordos. Assim iniciava-se, mesmo que discretamente, a diplomacia de nosso país. Na política, destacaram-se aqueles que valorosamente souberam lutar pela continuação da nova fase do Brasil e aceitar a Constituição, que serviria de exemplo até mesmo para os Brasileiros de agora. Na cultura nacional, desenvolveram-se grandes nomes, como Gonçalves Dias e Castro Alves. Até a abdicação de Dom Pedro I em nome de seu filho, o Imperador trabalhou incansavelmente para tornar o Brasil, não só soberano, mas uma referência mundial. Foi no reinado de seu filho, Dom Pedro II, que o Brasil alcançou seus mais prósperos anos. Nesta época desenvolveram-se centros de educação, cultura e de caridade. Dom Pedro II transformou o Brasil num Estado sólido economicamente. Com o único governo estável da América do Sul, o monarca manteve a unidade nacional e fortaleceu a nacionalidade. A imprensa se manifestava de forma livre, mesmo aos republicanos, com velado ódio

do Imperador e dos áureos anos do Brasil, era garantida a liberdade de expressão. Além da Independência, buscada por seu pai e sua mãe, Dom Pedro II, garantiu a Independência pessoal de cada indivíduo, sendo sua filha Dona Isabel, quando governava em seu nome, que deu a Independência aos negros. Criado e educado para ocupar o título que ostentava, Dom Pedro II era o símbolo do Brasil no exterior. No fatídico dia 15 de novembro de 1889, foi proclamada a república no Brasil. Este golpe privou violentamente a população brasileira de escolher entre o regime que lhe era mais favorável. Um golpe que não permitiu a continuação da boa governança Imperial e que marcou o início de uma era de desgoverno e dependência. Os primeiros anos da república foram um caos, praticamente uma ditadura. Todas as propagandas inicias sobre o novo governo foram enganosas ou descumpridas. Rui Barbosa, entusiasta da república, chegou a declarar a vergonha de seus atos. O novo sistema expressou suas preferências por grupos sociais, como, por exemplo, o caso da política “café com leite”, que admitia presidentes indicados de São Paulo e Minas Gerais. Ao invés da dita democracia que pregavam, foi instaurada a oligarquia, suprimindo de todo o país, o direito de eleger seu candidato, como ainda é comum. Logo, vieram as ditaduras, que calaram o Brasil com mordaça e chicote, além das seguidas mortes. Famílias inteiras desgraçadas, num episódio sombrio da história, que ainda

não foi desvendado, numa censura sem precedentes, que abalou toda a estrutura do país. Depois, com o retorno da “democracia”, o Brasil ficou dependente do governo novamente, através de uma Constituição assistencialista e controladora, com características comunistas, que já nasceu com erros brutais, tornando o país, um Estado hipertrofiado. Hoje, o brasileiro é dependente de um governo corrupto e demagógico. Dependentes de uma política devassa e subversiva, onde prevalecem acordos e conluios de origem duvidosa. Fica-se a mercê de um grupo de interesses, representado pelo presidente da república. Fica-se dependente de um dirigente sem qualificação para exercer seu trabalho. O brasileiro fica dependente na segurança, no desemprego, na educação, na qualidade de vida. Uma das marcantes características deixadas pela monarquia, regime que deu a Independência ao Brasil, foi de que um governo deve servir a pátria e seu povo, e não servir-se dele!

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2012: ano de muito trabalho
Em 2012, a Família Imperial empreendeu muitas viagens por todo o Brasil e pelo exterior
Em fevereiro Dom Bertrand esteve em Divinópolis e Bom Despacho, em Minas Gerais. O Príncipe recebeu muitas homenagens, encontrando-se com autoridades e monarquistas. O prefeito de Divinópolis, Vladmir Azevedo, destacou que a vista foi um presente para cidade em seus 100 anos.

Em Bom Despacho, o Príncipe Imperial foi recebido pelo Comandante do 7º Batalhão, Tenente Coronel Wagner Soares de Sant´Ana, oficiais e praças, além do prefeito municipal, o presidente da Câmara de Vereadores, representantes do Rotary Club e demais personalidades da cidade.

Em maio, Dom Antonio e Dom Rafael estiveram em Juiz de Fora, para um encontro com jovens monarquistas. Na ocasião, os Príncipes conheceram a exposição “Ainda hoje, Escravidão”, com 14 trabalhos artísticos elaborados por 20 presos.

Em julho, Dom Bertrand esteve em Recife tratando também de assuntos importantes para o Brasil como o PNDH-3 e outros assuntos estratégicos. Foi recebido por monarquistas e amigos. Em agosto, Dom Bertrand esteve no Ceará, em visita a Barbalha. Na cidade, o PrínciA Monarquia vai devolver ao Brape falou com jovens, universitários, empresários e produtosil sua antiga posição de potência res rurais. Atento as demandas mundial, livre e rica. do país, discursou no colégio e na universidade locais. Dom Bertrand, em visita a Divinópolis ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Também em agosto, Dom Bertrand esteve em São João Del-Rei, onde foi recebido pelas autoridades locais. Na histórica cidade cumpriu extensa agenda e ministrou módulos de um curso de formação para novos monarquistas. A cidade de Franca, em São Paulo, também recebeu a visita do Príncipe Dom Bertrand em agosto. Na ocasião o Príncipe palestrou na Faculdade de Direito de Franca. Na fotografia, de Luiz Junior, vê-se Dom Bertrand e o Dr. José Carlos Sepúlveda da Fonseca, ladeados por jovens.

Nos primeiros dias de setembro, Dom Bertrand, Dom Antonio e Dona Christine de Orleans e Bragança foram a Curitiba para um encontro monárquico comemorativo aos 190 anos da Independência do Brasil. Dona Christine foi presentada com um belo colar exclusivamente desenhado para ela. Dom Bertrand e Dom Antonio puderam discursar sobre as vantagens do sistema monárquico e também sobre o transcurso da data comemorativa. Dom Antonio foi convidado a jogar golfe, esporte já tradicional na Família Imperial. Em setembro Dom Bertrand também foi a São Luís, capital do Maranhão, para comemorar os 400 anos da cidade que leva o nome de seu antepassado, Rei e Santo. Foi recebido no aeroporto por autoridades e cumpriu agenda com vários compromissos, dentre eles, encontrou-se com monarquistas, foi convidado de honra do jantar oferecido pela governadora no Palácio dos Leões e palestrou sobre “Liberdade, propriedade e vida” no lançamento do grupo Expresso Liberdade. Dom Bertrand destacou a riqueza histórica e cultural da cidade. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Nos 159 anos da Polícia Civil do Paraná, em setembro, Dom Antonio foi homenageado em uma cerimônia comemorativa. A 6º SDP, através do delegado chefe, Sr. Rogério Antonio Lopes, afirmou que a Família Imperial foi a responsável pela a criação da polícia no Brasil.

Tanto Dom Bertrand, como Dom Antonio e Dona Christine estiveram na Europa em 2012. Sempre com a tarefa de representar a Família Imperial e o Brasil. Na imagem, Dom Bertrand com os “Arautos del Rei”, em Viseu, Portugal, no segundo semestre de 2012.

Em um dos registros das inúmeras visitas empreendidas por todo o Brasil, o jornal “Gazeta do Iguaçu”, traz na capa a notícia s obre a visita do Príncipe Dom Antonio a Foz do Iguaçu.

Com seu livro “Psicose Ambientalista”, Dom Bertrand percorreu todas as regiões do Brasil. A obra já está na terceira edição e é considerada um grande sucesso de vendas.

Brasil: a Monarquia em cada canto do país
O número de monarquistas cresce em cada canto do país. As vantagens do sistema monárquico de governo são insuperáveis diante dos da república. A ação da Família Imperial em prol de um país melhor, alcançando quase a totalidade dos estados brasileiros, cativa e enche de orgulho e esperança a todos que os ouvem. O Brasil precisa de honestidade e ética, valores que são a base deste sistema. Monarquia Já. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Ordem Real de Santa Isabel de Portugal recebe novas Damas
Dia 27 de outubro de 2012, na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma, na Itália, a Duquesa de Bragança, Dona Isabel, de jure Rainha de Portugal, conferiu a Ordem Real de Santa Isabel às Damas da Realeza e da Nobreza, como forma de reconhecimento ao trabalho filantrópico por elas realizado. A Ordem, criada em 1801, pelo então Príncipe Regente Dom João de Portugal, futuro Rei Dom João VI, foi entregue sob a responsabilidade do Grão-Mestrado de Dona Carlota Joaquina em uma homenagem a Rainha Santa Isabel de Portugal. Desde então muitas Senhoras, ligadas a Nobreza de Portugal, e Rainhas estrangeiras foram agraciadas com a Ordem. Com a proclamação da república em Portugal, o governo provisório extinguiu a Ordem. Mesmo no exílio, a Princesa Dona Augusta Victória, esposa do Príncipe Dom Manuel II, utilizava a insígnia da Ordem. Em 1986, Dom Duarte, Duque de Bragança, de jure Rei de Portugal, restabeleceu a Ordem em Portugal, tendo como 9º Grã-Mestra a Duquesa Dona Isabel de Bragança, sendo hoje uma Ordem honorífica dinástica. As homenageadas foram a Princesa Dona Christine de Orleans e Bragança, do Brasil, a Princesa Dona Eleonora de Ligne (nascida Princesa de Orleans e Bragança), Princesa Titular de Ligne, a Grã-Duquesa Maria Teresa de Luxemburgo, a Princesa Margaretha de Liechtenstein, a Princesa Herdeira Margarita da Romênia e a Princesa Philomena da França, Duquesa de Vendôme. O Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança, o Príncipe Michel de Ligne, irmão e cunhado respectivamente do Chefe da Casa Imperial do Brasil, S.A.I.R. o Príncipe Dom Luiz, o Grão-Duque Henri de Luxemburgo, o Príncipe Jean da França – Duque de Vendôme, o Príncipe Nicholas de Liechtenstein e autoridades também estiveram presentes a prestigiosa cerimônia, que foi seguida de almoço na Embaixada de Portugal. Além de Dona Christine e Dona Eleonora, Princesas do Brasil, a Imperatriz Dona Teresa Cristina, a Princesa Dona Leopoldina (Duquesa de Saxe por casamento), a Princesa Dona Isabel, a Redentora e a Princesa Dona Maria (de jure Imperatriz do Brasil) foram Damas da Ordem de Santa Isabel de Portugal, já a Rainha Dona Maria II de Portugal, nascida Princesa brasileira, e a Imperatriz Leopoldina e Dona Amélia do Brasil, na qualidade de Rainhas de Portugal, também foram GrãMestras da Ordem.

Na imagem ao lado, as novas Damas da Ordem. Acima, as Damas com os maridos e autoridades. O Duque de Vendôme representou sua esposa, que não pode comparecer. A Ordem admite apenas 26 Damas. Fotos do site do Príncipe Radu da Romênia. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Imperatriz Dona Amélia
Bicentenário de nascimento da segunda Imperatriz do Brasil

N

ascida Princesa Amélia Augusta Eugênia Napoleona de Beauharnais, em Milão, à 31 de julho de 1812, Princesa de Leuchtenberg, era a quarta filha do General Augusto Beauharnais e da Princesa Augusta da Baviera. Seu pai era filho adotivo de Napoleão Bonaparte e Vice-Rei da Itália, e sua mãe era filha do Rei Maximiliano I José da Baviera e da Rainha Augusta, nascida Princesa de HesseDarmstadt. Embora tivesse uma configuração familiar diferenciada, haja vista seu parentesco próximo com Napoleão e a repulsa de todos por este, Dona Amélia possuía em seu sangue as mais caras tradições, descendendo de grandes Famílias Reais e Principescas. Em 2012 comemorou-se seu bicentenário de nascimento.

O casamento foi arranjado. A convenção matrimonial foi assinada na Inglaterra em 30 de maio de 1829, ratificada em 30 de junho, em Munique. Em 30 de julho daquele ano, foi confirmado, no Brasil, o tratado do casamento de Sua Majestade com a Princesa Amélia de Leuchtenberg. Ao confirmar-se o casamento, Dom Pedro I instituiu a Ordem da Rosa, cujo lema é "Amor e Fidelidade". A cerimônia do casamento foi realizada por procuração em Munique, na capela do Palácio de Leuchtenberg, a 2 de agosto daquele ano. Dom Pedro I havia enviado a sua representação legal em Munique, uma considerável quantia para que se fizesse um casamento que condissesse com a situação dos noivos, porem Dona Amélia insistiu em doar a um Em 1826, tendo faleciorfanato de Munique a do a Imperatriz Dona apreciável quantia Leopoldina, Dom Pedro enviada por Dom PeI achou por bem casardro I, fazendo-se uma se novamente e incerimônia simples. Ducumbiu o Marquês de rante sua viagem ao Barbacena para que Brasil, trazendo uma buscasse esposa a altucomitiva, Dona Amélia ra nos Reinos da Euroincumbiu aos presenA Imperatriz Dona Amélia em um de seus retratos favoritos: pa, observando nascites que lhe instruíssem sua beleza e educação eram marcantes mento, beleza, virtude sobre o novo país, o e cultura. A Princesa marido, a língua porAmélia de Leuchtenberg era reconhecida por tuguesa, os costumes e tradições brasileiras. todos estes requisitos, além da refinada educação e dos mais belos modos. O jornal London Dona Amélia chegou a Brasil em 15 de outubro Times, a época do casamento, publicou que ela de 1829, na fragata Imperatriz, vinda da Bélgica era umas das Princesas mais bem educadas e e que trazia também a Princesa Dona Maria da preparadas da Alemanha. Glória vinda da Inglaterra, por motivos de segu___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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rança, pois seu tio, Dom Miguel havia lhe usurpado o Trono de Portugal. Ainda no dia de sua chegada ao Rio de Janeiro, Dona Amélia recebeu a bordo além do marido, os filhos do primeiro casamento deste, a quem recebeu com muito carinho e amor filial. No dia seguinte, com forte chuva, Dona Amélia fez o desembarque e foi calorosamente recebida com grande procissão, rumando à Capela Imperial, para receberem as bênçãos nupciais. A delicadeza de seus modos e a educação da noiva deixou a todos

Correa, na antiga Serra da Estela, onde, alguns anos mais tarde, seria erguida a cidade de Petrópolis. Os anos que se seguiram no Brasil, pouco mais de dois, foram de intenso trabalho para a Imperatriz. Dona Leopoldina havia falecido e o palácio se encontrava sobre as ordens das damas da Corte, não possuindo o brilho e a pompa de antes. Os pequenos Príncipes estavam sendo educados sem a vigilância de seu pai, haja vista

O Imperador Dom Pedro I se casa com a Princesa Amélia de Leuchtenberg na Capela Imperial, Rio de Janeiro, outubro de 1829 com muito boas impressões. Dona Amélia compareceu aquelas cerimônias com um fino vestido branco e um manto bordado em prata que lhe serviam para reforçar sua beleza. Seguindo a celebrações religiosas, houve uma cerimônia pública e todos foram convidados a se servirem no grande banquete de Estado. Somente em janeiro de 1830 o Imperador ofereceu um grande baile para apresentação oficial da Imperatriz à Corte. Depois do baile o casal passou cerca de um mês em lua de mel na Fazenda do Padre as funções do pai como Imperador do Brasil. Dona Amélia foi responsável por modernizar, trazer a pompa e a circunstância próprias a um Palácio Imperial à Quinta da Boa Vista. Quanto as crianças, Dona Amélia as tratou como verdadeira mãe, cumprindo seu valoroso papel, cuidando pessoalmente da educação das Princesas. O ambiente familiar voltou a Quinta. Em 1831, Dom Pedro I abdicou o Trono em favor de seu filho, o futuro Imperador Dom Pedro II,

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ocasião em que a Imperatriz, tendo que deixar o pequeno Dom Pedro no Brasil, suplicou as mães brasileiras: “Mães brasileiras, vós que sois meigas e carinhosas para com vossos filhinhos, supri minhas vezes: adotai o órfão coroado, dai-lhe, todas vós, um lugar na vossa família e no vosso coração. Entregando-o a vós, sinto minhas lágrimas correrem com menor amargura”. A Imperatriz Dona Amélia seguiu com o marido para a Europa, onde este empreendeu uma guerra civil contra o usurpador Dom Miguel. Em Paris Dona Amélia deu a luz a Princesa Dona Maria Amélia e, ali fixando residência, educou a Princesa Dona Maria da Glória até que fosse coroada Rainha de Portugal, bem como a filha reconhecida de Dom Pedro I, Dona Isabel Maria, Duquesa de Goiás, a que também teve a incumbência de educar, casando-a com um nobre alemão. Vencido o usurpador Dom Miguel, Dona Maria da Gloria foi reconhecida como legítima Rainha de Portugal e Dom Pedro I – na ocasião - Duque de Bragança, acompanhado da Família, foi viver em Portugal, primeiramente na Quinta do Ramalhão e depois no Palácio Real de Queluz, onde então faleceu de tuberculose a 24 de setembro de 1834.

tes de sua Família, no caso atual, da Família Real da Suécia, descendente de sua irmã, a quem deixou em testamento esta responsabilidade. De volta a Lisboa, morando então no Palácio das Janelas Verdes, faleceu em 26 de janeiro de 1873, deixando em seu testamento a vontade de que retornasse ao Brasil todos os documentos e objetos referentes ao país. Ao Arquiduque Maximiliano, deixou uma propriedade na Baviera e, à sua irmã, a Rainha da Bélgica, responsável por manter vivas as suas obras de caridade, deixou joias, dinheiro e a Tiara Bragança. Dona Amélia foi sepultada em São Vicente de Fora, de onde foi transladada para o Brasil em 1982, estando atualmente sepultada na Capela Imperial do Monumento a Independência, em São Paulo. O ano de 2012 fica marcado por celebrar o bicentenário de nascimento da Imperatriz Dona Amélia, esta grande Dama que em pouco tempo foi responsável por orientar a educação de nosso futuro Imperador Dom Pedro II, influenciando nos destinos do país nos longos anos de reinando do seu filho postiço. Foi Dona Amélia uma grande mulher de seu tempo. Forte em sua personalidade, piedosa, amorosa e caridosa. Em sua vida, marcada pelas tristezas, não se pode lembrar da amargura e do rancor.

De 1834 em diante, ou seja, até a data de sua morte, Dona Amélia dedicou-se a caridade e as orações. Parte de seu tempo era tomado pela educação da filha Dona Maria Amélia. Dona Amélia passou a requisitar por parte do governo Sobre Dona Amélia, Dom José Palmeiro Mendes, brasileiro a pertença de sua filha a Família ImpeAbade Emérito do Mosteiro de São Bento do Rio rial do Brasil, sendo reconhecida como tal em de Janeiro, em sua homilia, no dia 17 de outubro 1841, na maioridade do Imperador Dom Pedro II. de 2009, em missa na Igreja Nossa Senhora do Privada das liberdades outrora abundantes, Carmo da Antiga Sé Catedral, antiga Capela bem como das felicidades que se tinha com o Imperial, onde foi oficiado o casamento da Immarido, o destino se encarregou a 4 de fevereiro peratriz com o Imperador, e onde este religioso de 1853 de lhe levar seu maior bem, a filha Dona celebrava a missa de ação de graças pelos 180 Maria Amélia, morta nas mesmas condições do anos deste casamento, afirmou: “Sobre Dona pai. Era o desfecho de uma longa luta que a Amélia, tem que se reconhecer que humanalevou para ao Funchal, onde permaneceram mente ela levou uma vida de muitos sofrimentos. por considerável tempo, na busca pelo trataCom 11 anos perdeu o pai; imperatriz do Brasil mento, porem nada adiantou. Dona Maria Amépor ocasião do casamento, perde este título lia, então com 21 anos de idade estava se encom a abdicação do marido três anos depois; caminhando para um casamento com o futuro passa um largo tempo exilada e longe do mariImperador do México, o Arquiduque Maximiliado, só indo com ele encontrar-se em 1833. No no, que a ela devotava grande amor e que jaano seguinte perde o esposo amado (viúva com mais a esqueceria. No Funchal, Dona Amélia, apenas 22 anos) e poucos meses depois o irem memória de sua filha, fundou um hospital mão, o príncipe Augusto, que tinha casado com para o tratamento de pessoas tuberculosas, o D. Maria II. Verifica-se um estremecimento de “Hospício Princesa Dona Maria Amélia”, mantido relações com a enteada rainha. Vive para a até os dias de hoje com recursos de descendenfilha Maria Amélia, princesa belíssima e prenda___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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da, mas de 1850 a 1853 acompanha a lenta e implacável doença da filha, que morre com edificante piedade cristã na ilha da Madeira com apenas 21 anos. No mesmo ano morre D. Maria II. Fica Dona Amélia muito ligada ao neto, o rei D. Pedro V e sua esposa D. Estefânia, mas ambos tem morte prematura. Sua profunda fé cristã porém sempre a acompanhou. Dedicava-se muito a obras de caridade. Viveu retirada no chamado Paço das Janelas Verdes, em Lisboa, que tinha mais de convento religioso do que de palácio real. Ali vai receber a visita do conde

d´Eu a caminho do Brasil, onde casará com a Princesa Imperial; ali depois recebeu a neta Dona Isabel em viagem de núpcias e enfim, em 1871 o filho Dom Pedro II, com quem sempre se correspondia. Cercada de meia dúzia de incansáveis amigos, ali morre no início de 1873. Será sepultada no Panteon da Casa de Bragança na Igreja de São Vicente de Fora, ao lado de D. Pedro I. Desde 1982 seus restos repousam no Brasil, no Monumento do Ipiranga, em S. Paulo, junto aos de D. Pedro I e de D. Leopoldina.”

Acima, a Ordem da Rosa (banda, colar e insígnia) criada em homenagem a Imperatriz Dona Amélia, exemplar que pertenceu ao rei Dom Luiz I de Portugal. Ao lado, Dona Amélia já idosa, com o quadro de sua filha, a inesquecível Princesa Dona Maria Amélia. Abaixo, súplica da Imperatriz às mães do Brasil, para cuidar de Dom Pedro II em sua ausência

“Mães brasileiras, vós que sois meigas e carinhosas para com vossos filhinhos, supri minhas vezes: adotai o órfão coroado, dai-lhe, todas vós, um lugar na vossa família e no vosso coração”.
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Nascimentos, Casamentos e falecimentos.

Monarquia no Mundo
Nascimentos Família Real da França

Os acontecimentos da

Ao lado, o Duque e a Duquesa de Vendôme e os filhos. Abaixo, o Príncipe Gaston e a Princesa Antoinette de França, no Castelo d’Eu, antiga residência de seus antepassados, o Conde d’Eu e a Princesa Dona Isabel do Brasil

Duques de Vendôme
Nasceu no dia 28 de janeiro, em Paris, a Princesa Antoinette, segunda filha do Príncipe Jean e da Princesa Philomena da França, Duque e Duquesa de Vendôme, Herdeiros do Trono francês. O casal já tem um filho, o Príncipe Gaston, nascido em 2009. O Duque de Vendôme é trineto da Princesa Dona Isabel do Brasil, a Redentora.

Duques de Cambridge
O Príncipe William e a Princesa Catherine, Duque e Duquesa de Cambridge, do Reino Unido da GrãBretanha, anunciaram que esperam um herdeiro ou herdeira para o segundo semestre de 2013. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Duques de Cadaval e d’Anjou
Príncipe Michel d'Orléans, o padrinho - Príncipe Filipe da Espanha, Princesa Béatrice d'Orléans, Condessa Claudine de Cadaval, Duquesa Diana de Cadaval, a madrinha - Princesa Teodora de Loewenstein e o Príncipe Charles-Philippe d'Orléans

Homônima da Redentora, sua trisavó, e da Condessa de Paris, sua bisavó, nasceu em 22 de fevereiro a Princesa Isabelle, filha da Duquesa Dona Diana de Cadaval e do Príncipe CharlesPhilippe d’ Orléans, Duque d’ Anjou.

Família Real da Suécia

Nasceu em 23 de fevereiro em Estocolmo, a Princesa Estelle, filha da Princesa Herdeira Victória da Suécia e de seu esposo, o Príncipe Daniel, Duque de Västergötland. Como futura Rainha da Suécia, recebeu o título de Duquesa de Östergötland, de seu avô, o Rei Carl XVI Gustaf.

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Duques de Västergötland

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Herdeiros da Prússia e Alemanha

Casamentos

Os Herdeiros do trono Imperial da Prússia e Real da Alemanha, o Príncipe Georg Friedrich e a Princesa Sophie, anunciaram que esperam, também para 2013, o seu primeiro filho ou filha.

Grão-Duques Hereditários de Luxemburgo

No dia 20 de outubro de 2012, teve lugar na Igreja Nossa Senhora de Luxemburgo, o casamento do Grão-Duque Herdeiro Guillaume de Luxemburgo com a Condessa Stéphanie de Lannoy. Reis e Rainhas, Príncipes e Princesas e a Nobreza de todo o mundo se reuniu no Grão-Ducado para assistir as belas cerimônias. O Príncipe Dom Antonio e a Princesa Dona Christine e o Príncipe Michel e a Princesa Dona Eleonora, parentes próximos dos noivos, prestigiaram as celebrações. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Dom Antonio e Dona Christine de Orleans e Bragança

Os Duques de Bragança: Dona Isabel e Dom Duarte

O Príncipe Michel e a Princesa Dona Eleonora de Ligne

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Imagens: digitalização da Revista Point de Vue,, França, 2012

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Arquiduques da Áustria

No jantar de Gala: acima, os Grão-Duques Hereditários do Luxemburgo. Ao lado, entre outros, o Grão-Duque Henri de Luxemburgo, a Princesa Dona Eleonora de Ligne e a Arquiduquesa Marie Astrid da Áustria

Nos últimos dias de dezembro de 2012, casou-se na Basílica de Saint-Evpre em Nancy, na França, o Arquiduque Christoph da Áustria com Adelaide Drape-Frisch. Ele é filho do Arquiduque Carl Christian e da Arquiduquesa Marie Astrid da Áustria, nascida Princesa do Luxemburgo. O Arquiduque Christoph é descendente do Rei Dom João VI e primo da Princesa Dona Christine de Orleans e Bragança, nascida Princesa de Ligne, tanto por seu pai, quanto por sua mãe. A Arquiduquesa Marie Astrid, nascida Princesa de Luxemburgo, passou toda a juventude muito ligada a Dona Christine, participando, com aquela Princesa, de um programa de voluntariado em conjunto com as freiras da Ordem de Santa Cruz que as levou para Índia, onde puderam prestar assistência social a crianças em situação de vulnerabilidade. A noiva é filha de um diplomata da Bélgica. Antes do casamento, os pais dos noivos ofereceram um jantar de gala aos convidados. No dia seguinte, compareceram inúmeros membros do Gotha de todo o mundo à cerimônia. A festa foi celebrada na Câmara Municipal de Nancy.

A bela cerimônia na Basílica de Saint-Evpre

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A tradicional fotografia de Família, reunindo os membros do Gotha, incluindo Dona Eleonora, nascida Princesa brasileira, e o Príncipe Michel de Ligne.

Ao lado esquerdo, vê-se os Príncipes de Ligne, abaixo, o Príncipe Nikolaus e a Princesa Margaretha de Liechtenstein, acompanhados do Príncipe Guillaume e da Princesa Sibila de Luxemburgo

Morando e trabalhando no Brasil, a Princesa Alix de Ligne, na foto acompanhada pelo irmão, o Príncipe Henri de Ligne, foi a Europa para o casamento do primo

A Arquiduesa Yolande da Áustria, nascida Princesa de Ligne

A Arquiduquesa Marie Astrid e o Arquiduque Carl Christian da Áustria, pais do noivo

O Grão-Duque e a Grã-Duquesa de Luxemburgo

Dona Eleonora de Orleans e Bragança, irmão do Chefe da Casa Imperial do Brasil – S.A.I.R. Dom Luiz, atual Princesa Titular de Ligne, e o marido, o Príncipe Michel

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Jubileu de Diamante
A Rainha Elizabeth II completou no mês de junho de 2012 seu Jubileu de Diamante. São 60 anos a serviço da população e do Estado. A Soberana ajuda a personificar, através de suas ações e postura, o que se espera do uma monarquia parlamentar moderna. Como segunda Rainha mais longeva - a primeira é sua trisavó, a Rainha Victória – a Rainha Elisabeth II foi coroada em 1953, Pela Graça de Deus, Rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e de Seus Outros Reinos e Territórios, Chefe da Comunidade Britânica e Defensora da Fé. Descendente de Casas Reais como Oldenburg, Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg e SaxeCoburgo e Gotha, tem parentescos com toda a Realeza Europeia, inclusive com a Família Imperial Brasileira, compartilhando ascendentes com Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, por exemplo, que além de ser legítimo descendente dos Imperadores do Brasil, é também descendente dos Saxe-Coburgo e Gotha, pelo seu bisavô, o Príncipe Luiz Augusto, Duque desta antiga Casa. Dom Luiz de Orleans e Bragança, atual Herdeiro dos Imperadores do Brasil, e os demais membros da Família Imperial, possuem parentesco com a Rainha Elisabeth II por sua trisavó, a Duquesa Victória de Nemours, nascida Saxe-Coburgo-Koháry – mãe do Conde d’Eu, também da Casa de Saxe-Coburgo e Gotha. Para além destas importantes relações de parentesco, pompas, vistosas cerimônias e grande representação sob o aspecto da tradição, pelas quais a Rainha é conhecida, Sua Majestade encarna valores e atitudes caros a atual sociedade. É tida como conservadora em questões religiosas, moral, ética e vida particular. Foge do comum ao transparecer verdadeira figura de Estado, acima de questões políticas, efetivamente incompatíveis com representação que lhe é devida. Durante seus 60 anos de reinando, sua reputação ou popularidade jamais foi afetada, como prova pode ser citada a pesquisa apresentada pelo site da revista Veja, 24/05, que diz que “dois terços dos ingleses afirmam que o país seria pior sem a monarquia”, completando ainda que 80% dos britânicos querem a Monarquia e este índice se repete com relação a aprovação da Rainha. Graças a Monarquia, o Reino Unido é o único Estado em todo o mundo que há mil anos desfruta de prerrogativas que lhes dão direito, seja pela diplomacia ou por questões econômicas, a estar no grupo de países mais influentes do mundo, despontando sempre, através dos séculos, como potência. Convém destacar que sob o reinado da Rainha Elizabeth II passaram 12 Primeiros Ministros britânicos, mostrando a vulnerabilidade e instabilidade de um cargo eletivo, equivalente a de um presidente de república. Aos que rechaçam o sistema monárquico, referindo que o monarca, neste caso parlamentarista, não tem efetivo poder, devem se lembrar de que a Rainha pode depor o Primeiro Ministro, convocar novas eleições, arbitrando em questões legislativas e discutindo os rumos da nação, sendo a responsável pela unificação dos territórios que compõem o Reino Unido da Grã-Bretanha e 15 outros países. Sob seu reinado estão democraticamente, não apenas o País de Gales, Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte, mas também Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Ilhas Salomão e Tuvalu. A Rainha governa para grande parte do globo terrestre. As comemorações em torno do Jubileu de Diamante e a comoção popular digna da Monarquia caracteriza um sistema que não só conserva uma maioria de apoiadores e admiradores, mas sustenta uma grande nação. A Rainha Elizabeth II é a prova viva do poder que este regime tem sobre as pessoas e do quão benéfico é para um país. Para comemorar esta data, o Palácio de Buckingham lançou o site www.queenvictoriasjournals.org para brindar a todos com documentos e imagens históricas sobre a Rainha Victória. ___________________________________________________________

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Falecimentos
No dia 24 de fevereiro de 2012, na Costa da Caparica, em Portugal, faleceu a Princesa D. Maria Adelaide de Bragança, última neta viva do Rei D. Miguel I e tia do atual Chefe da Casa Real portuguesa, D. Duarte de Bragança. Nascida na França em 31 de janeiro de 1912, teve sua vida marcada pela caridade e fé. Suplantou duas guerras mundiais onde pode contribuir com seu trabalho de enfermeira e assistente social com os necessitados. Dona Maria Adelaide se casou com o médico, Dr. Nicolaas van Uden e teve seis filhos, possuindo numerosa descendência. A Princesa faleceu 24 dias depois de completar 100 anos, na localidade onde desenvolveu por longos anos, seu trabalho de caridade e assistência social.

Faleceu no dia 23 de julho de 2012, em sua residência na Suíça, aos 86 anos, o Chefe da Casa Real da Saxe (Saxônia) e Margrave de Meissen (Misnia), o Príncipe Maria Emmanuel de Saxe. Nascido em 31 de janeiro de 1926, o Príncipe também foi vítima dos nazistas, sendo capturado e condenado a morte mas, conseguiu fugir do campo de concentração onde foi aprissionado. Casou em 1962 com a Princesa Anastasia Luisa de Anhalt, com quem não teve filhos. O príncipe Maria Emmanuel adotou como sucessor de seus direitos dinásticos, o Príncipe João, descendente de Dona Leopoldina, filha de Dom Pedro II do Brasil, mas este veio a falecer num trágico acidente em 1987, o Príncipe Maria Emmanuel adotou então outro sobrinho, o Príncipe Alexander de Gessaphe, descendente também de Famílias Soberanas do Líbano, sendo este o atual Chefe da Casa Real de Saxe. O Príncipe Alexander é casado com a Princesa Gisela da Baviera, prima-irmã de Dom Luiz de Orleans e Bragança, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil.

Faleceu em 16 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro, aos 82 anos, a Princesa Ragnhild da Noruega. Ela era irmã do Rei Harald V e casaO Rei foi responsável pela da com o Erling Sven LorentEm 26 de agosto de 2012, democratização do país e zen, com teve três filhos. A faleceu a Condessa Alix de pela modernização de setoPrincesa vivia no Brasil desde Lannoy. Esposa do Conde res essenciais. a década de 50. O funeral Philippe de Lannoy, era ocorreu no Palácio Real de O sucessor de George Tupou mãe da Grã-Duquesa HeOslo e foi sepultada no cemiV é seu irmão, o Rei Tupou reditária Stéphannie de tério da Igreja de Asker. VI. Luxemburgo. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III Faleceu em 18 de março de 2012, em Hong Kong, o Rei George Tupou V de Tonga.

Monarquia X República
Quem gasta mais?

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Não há uma única pessoa, em sã consciência, que diga que a república deu certo no Brasil.
DOM BERTRAND
DE

ORLEANS

E BRAGANÇA

Brasil
República

Reino unido
Monarquia

Suécia
Monarquia

Dinamarca
Monarquia

U$ 190 milhões

U$ 90 milhões

U$ 47 milhões

U$ 30 milhões

ia já

Blog monarquia já

Blog monarquia já

Blog mona

Valores em dólares ao ___________________________________________________________ ano. Fonte: site Transparência Brasil, Governo Britânico, Sueco e Dinamarquês. Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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MARECHAL DO EXÉRCITO DO BRASIL E PRÍNCIPE IMPERIAL CONSORTE

Príncipe Gastão d’Orleans, Conde d’Eu 90 anos de falecimento
ses, seu avô, foi exilado e tiveram que passar a viver em Claremont, ao sul da Inglaterra, sob a guarda de sua prima, a Rainha Victória do Reino Unido da Grã-Bretanha. Aos 13 anos, por influência de seu tio, foi para Segóvia, servir o Exercito da Rainha Dona Isabel II da Espanha, onde fez brilhante carreira, e aos 15 anos, perdeu sua mãe, a Princesa Victória. Já aos 22 anos, portanto, chegava ao Brasil para desposar uma prima, a Princesa Isabel. O Conde d’Eu, por amor, se casou com a Herdeira do trono Imperial do Brasil em outubro de 1864. O médico particular do casal, Dr. Depaul, atestou certa vez que nunca havia visto um casal mais apaixonado e mais unido. O Príncipe e a Princesa tiveram

O

herói da Guerra do Paraguai, Marechal do Exército do Brasil e Príncipe Imperial Consorte, o Conde d’Eu, completa 90 anos de falecimento em 2012. Nascido em Neuily-sur-Seine a 28 de abril de 1842, o Príncipe Luiz Philippe Maria Ferdinando Gastão de Orleans e SaxeCoburgo-Gotha, Conde d’Eu, conhecido como Príncipe Gastão de Orléans, tinha em seu destino, marcado por grandes acontecimentos, o dever de garantir a descendência dos Imperadores do Brasil. Em 2 de setembro de 1864 chegou ao Brasil, depois de longos anos passados na Europa, onde pode experimentar os infortúnios e as glorias de um Príncipe. O Rei dos France-

quatro filhos: a Princesa Dona Luiza, natimorta, o Príncipe Dom Pedro de Alcântara, o Príncipe Dom Luiz – Herdeiro do Trono Imperial, e Dom Antonio. Tendo de Dom Pedro e Dom Luiz, numerosa descendência, incluindo-se aí o atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, seu bisneto, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança. Este casamento, que lhe encherá de responsabilidades, também lhe dera alegrias e tristezas. Como Príncipe consorte, interessava-se pelo país e foi o Príncipe da Família Imperial, que mais empreendeu viagens pelo território nacional, conhecendo quase todos os recantos do Império continental. Incialmente contribuiu com a boa imagem da monarquia no Brasil e era bem

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recebido por todos os lugares e pela população.

A partir da década de 50 do século XIX, o Brasil passou a ser vítima de um grupo de interesses que defendia a queda da monarquia e a imposição da república. Com o casamento de Dona Isabel, que por ser mulher, religiosa e caridosa, era considerada incapaz por este grupo, ela e seu marido, passaram a ser alvo de uma campanha difamatória que visava atacar a Herdeira do Trono. Rui Barbosa, líder do movimento republicano, que embora soubesse do valor e da capacidade dos Príncipes, era também responsável pelas calúnias e maledicências, sempre veiculadas nos jornais. Certa vez, em carta, o Príncipe disse: “estou cansado de ser usado aqui como bode expiatório pela imprensa, ostensivamente responsabilizado por tudo, sem, na realidade, ter voz nem influência”. Os ataques eram tantos e com tamanha intensidade que até mesmo as ações de caridade do casal Imperial eram motivo de crítica e deboche. Desde sua chesaram ao Conde d’Eu, ele, a gada ao Brasil até a data da bordo da canhoneira Parqueda da monarquia, diarianahyba, que o levou embora, mente saiam charges, tiras e no ancoradouro da Ilha Granartigos que tentavam despresExilados, o Conde d’Eu, a Prinde, lançou um manifesto a tigiar o Príncipe. Depois de cesa Dona Isabel e os filhos todo o povo do Brasil, em que 1889, o Príncipe continuou foram para a França, vivendo dizia: “A todos os amigos que sendo vítima dos mesmos ataentre o Castelo d’Eu, na Nornesta terra me favoreceram ques, colaborando para isso, mandia, e o Palacete de Bocom a sua sincera e para mim recentes livros romanceados, lougne-sur-Seine, nos arredores tão prezada afeição, aos como os da escritora Mary Del de Paris. Então, longe do terricompanheiros que, há longos Priori, que continuam a difatório brasileiro, ficaram moanos já, partilharam comigo as mar não só o Conde d’Eu, mas mentaneamente longe das amarguras e prol da honra e toda a Família Imperial. críticas infundadas, podendo segurança da Pátria Brasileira, ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

Com a queda do Império em 1889, a Família Imperial foi exiliada e foi enviada à Europa, sendo proibida por longos anos de retornar ao Brasil. Mesmo depois de tanto ódio que alguns brasileiros dispen-

a todos os que na vida militar o na civil até há pouco se dignaram comigo colaborar, a todos aqueles a quem, em quase todas as províncias do Brasil, devo finezas sem número e generosa hospitalidade, e a todos os Brasileiros em geral um saudosíssimo adeus e a mais cordial gratidão. Não guardo rancor a ninguém e não me acusa a consciência e ter cientemente a alguém feito mal. Sempre procurei servir lealmente o Brasil na medida de minhas forças. Desculpo as acusações menos justas e juízos infundados de que por vezes fui alvo. A todos ofereço a minha boa vontade em qualquer ponto a que o destino me leve. Com a mais profunda saudade e intenso pesar afasto-me deste país, no qual vivi, no lar doméstico ou nos trabalhos públicos, tantos dias felizes e momentos de imorredoura lembrança. Nestes sentimentos acompanham-me minha mui amada esposa e nossos ternos filhinhos, que debulhados em lágrimas conosco empreendem hoje a viagem do exílio. Praza a Deus que, mesmo de longe, ainda me seja dado ser em alguma coisa útil aos Brasileiros e ao Brasil”.

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viver tranquilamente. O casal pode enfim viver de acordo com suas crenças e valores, passando a frequentar, mesmo que discretamente, a sociedade, apoiando casas de caridade, recendendo brasileiros, indo a missas e celebrações religiosas. A Princesa ocupava parte de seu dia com as coisas de seu país. Eclodindo a I Guerra Mundial, o Conde d’Eu deu mais uma demonstração de sua bondade, alistando-se como voluntário da Cruz Vermelha para ajudar aos feridos, igualmente Dona Isabel ajudava no Hospital de Guerra que havia sido montado nos arredores da vila d’Eu. Esta terrível guerra acabou por vitimar também o filho e Herdeiro, o Príncipe Dom Luiz. Em 1921, depois da morte da Princesa Dona Isabel, em companhia de membros da Família Imperial, pode voltar ao Brasil. Nesta ocasião, os restos mortais do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz

Dona Teresa Cristina foram repatriados. Em 1922, com o centenário da Independência, o Conde d’Eu foi novamente convidado a vir ao Brasil, convite que aceitou com o máximo gosto. A bordo do navio Massilia em companhia de sua nora, a Princesa Dona Maria Pia, e do Chefe da Casa Imperial à altura, o pequeno Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, seu neto, rumava para as comemorações quando veio a falecer, sobre os braços de sua nora, já em águas brasileiras. Consternados, o Chefe da Casa Imperial e sua mãe, desembarcaram no Rio de Janeiro em luto que se estendeu a ampla comissão que os aguardava. Seguiu-se missa na Igreja de Santa Cruz dos Militares, do qual o Conde d’Eu era irmão protetor, e velório no Hotel Gloria. Os brasileiros, saudosos daquela época do Império, puderam prestar a este valoroso homem e exemplo de Príncipe, as suas homenagens.

Em 2012, completa-se 90 anos do falecimento do Príncipe Gastão de Orleans, o Conde d’Eu, que mesmo depois da absurda campanha difamatória, continuou a ser admirado e bem lembrado, até mesmo pelos republicanos como José Avelino, que na constituinte republicana de 1894, declarou: “O que era possível fazer para conquistar o título de Brasileiro ele o fez: regulamentos, projetos de lei para melhor organização do Exército e aperfeiçoamento do seu material de guerra; escolas, bibliotecas, colônias orfanológicas [orfanatos] para a infância desamparada; tudo enfim quanto podia falar à gratidão das massas desprotegidas da sorte ou às diversas classes da sociedade, ele planejou ou executou na maior parte”. Morreu, portanto, sereno, sem mágoa ou rancor do Brasil ou dos Brasileiros, levando a certeza de que havia dado o seu melhor a esta pátria que adotou como sua.

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A bordo do Massilia, o Conde d’Eu cercado dos netos Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança (Chefe da Casa Imperial do Brasil) e Dom Luiz Gastão, e da nora, a Princesa Dona Maria Pia, ao fundo, o fiel ajudante Albert Latapie. Acima, imagens da chegada ao Rio de Janeiro. A caminho da Igreja de Santa Cruz dos Militares, a Princesa Dona Maria Pia lidera o cortejo

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Do nascimento ao falecimento

Conde d’Eu

1842 1848
Com a queda da monarquia na França, rumam para o exílio em Claremont, no sul da Inglaterra. Nasce na França. Seus avós paternos eram Luís Filipe I, Rei dos franceses, e Maria Amélia de Bourbon-Sicílias, e seus avós maternos eram Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, Príncipe de Koháry, e Maria Antônia de Koháry. Foi ofe recido a seu pai o Trono da Bélgica, que, por honra familiar, não pôde aceitar. Foi ricamente educado e frequentou os melhores círculos de sua época. Aos 5 anos foi retratado pelo grande pintor Franz Xaver Winterhalter.

1855 1864
Chega ao Brasil e se casa com a Herdeira do Trono imperial. É pai de três filhos. Aos 15 anos é enviado à Espanha para servir o Exército da Rainha Dona Isabel II. Foi destacado Militar, combatendo na Guerra do Marrocos, de onde saiu com renome. Sua mãe falece em 1857.

1865
É chamado por Dom Pedro II para lutar pelo Brasil na guerra contra o Paraguai. Sua bela atuação garantiu-lhe o posto de Marechal.

1889
Depois de grave e absurda campanha difamatória, a Família Imperial é exilada na Europa. Segue para França com a esposa e com os filhos, onde fixou residência.

1922

Falece de causas naturais a bordo do Massilia. Foi sepultado em Dreux e transladado ___________________________________________________________ para o Mausoléu ImAnuário Monarquia Já – Dezembro dePetrópolis. 2012 – Ano III perial em

Monarquia

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Vamos restaurar esta ideia?
Confira mais em: www.monarquia.org.br
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As viagens de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança
O ilustre brasileiro, descendente dos Imperadores, lança livro, profere palestras, encontra com amigos e a Família e é homenageado no Brasil

M

orando em Portugal, terra de seus ancestrais, passando temporadas na Áustria, coração do Império Austro-húngaro, onde se encontra com os parentes da realeza e nobreza da Europa, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança tem no Brasil a sua Pátria amada, sendo também o país onde passa grande parte do seu tempo. Em 2012, Dom Carlos esteve diversas vezes no Brasil onde cumpriu extensa agenda. LANÇAMENTO DO LIVRO: grande pesquisador, tendo os maiores e melhores arquivos do mundo franqueados, Dom Carlos de Saxe-Coburgo e Bragança é um intelectual nato, dedicando-se a escrever sobre seus antepassados, lançou, com grande sucesso de público e vendas, seu novo livro, “A I ntriga”, que conta, sob a ótica do autor, momentos decisivos da história nacional. No dia 16

de maio de 2012, na Livraria da Cultura do Conjunto Nacional da Avenida Paulista, em São Paulo, Dom Carlos autografou e recebeu muitos amigos e admiradores para o primeiro evento de lançamento do livro no Brasil. Já, no Rio de Janeiro, a Livraria Timbre, do Shopping da Gávea, foi o local escolhido para o lançamento na antiga capital do Império, dia 23 de maio. Autor de 7 livros, Dom Carlos contribui também com inúmeros ensaios e artigos para as diversas intuições históricas, geográficas e genealógicas a que pertence. O livro “A Intriga”, Editora SENAC São Paulo, tem 384 páginas e ilustrações inéditas (muitas imagens dos arquivos do autor). A obra pode ser encontrado nas melhores livrarias de todo o país.

PALESTRA EM PETRÓPOLIS Ainda em maio, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança conferiu palestra sobre o Arquivo Bourbon de Nápoles e sua História, na condição de sócio correspondente do Instituto Histórico de Petrópolis. O evento, ocorrido na Casa de Claudio de Souza, tradicional reduto cultural ligado ao Museu Imperial, contou com grande público.

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HOMENAGEM A DOM CARLOS E A DONA WALBURGA TASSO DE SAXE-COBURGO E BRAGANÇA
Em outubro e novembro Dom Carlos e Dona Walburga estiveram mais uma vez no Brasil para um temporada entre o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em 30 de outubro viajaram para Treze Tílias - uma cidadezinha de colonização austríaca de Santa Catarina, onde foram homenageados. De acordo com o atestado pela população e os jornais locais, o hotel Tirol foi palco de uma noite histórica, na Sessão Solene, onde fizeram uso da palavra as autoridades da cidade, o Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina – Senhor Augusto Cesar Zeferino, a Consul Honorária da Áustria, Sra.
Foto: arquivo pessoal de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança

Anna Lindner von Pichler e os homenageados Dom Carlos e Dona Walburga. Treze Tílias foi uma das cidades que recebeu a vista da Princesa Dona Teresa Cristina e do Barão Lamoral Taxis von Bordogna und Valnigra, acompanhados do Príncipe Dom Pedro de Alcântara, com a esposa e as filhas, Dona Teresa e Dona Francisca, futura Duquesa de Bragança. Dom Carlos e Dona Walburga entregaram a população um filme produzido pela comitiva de 1938, que ajuda a contar a história da cidade recém-fundada. Fotos: Você Cidade

Ao lado, membros da Família Imperial visitam Treze Tílias em 1938. Acima e abaixo, Dom Carlos e Dona Walburga refazem a visita e são homenageados em 2012.

SOBRE TREZE TÍLIAS E A HOMENAGEM

A

pequena Dreizehnlinden, como também é conhecida a cidade de Treze Tílias foi fundada por imigrantes do Tirol Austríaco e Italiano em 1933. 5 anos depois de sua fundação, a cidade recebeu a ilustre visita de membros da Família Imperial brasileira. O Príncipe Dom Pedro de Alcântara, a Condessa Dona Elisabeth, acompanhados da Princesa Dona Teresa Cristina e o Barão Lamoral Taxis von Bordogna und Valnigra (pais de Dom Carlos), vindos do terrível exílio imposto pela república, conhecer as regiões brasileiras, empreenderam histórica viagem a São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina, desbravando as áreas inóspitas e ainda pouco habitadas das terras brasileiras. Foi a primeira vez que a Princesa Dona Teresa Cristina pisou sore o solo de sua pátria. A Princesa, descendente da segunda filha do Imperador Dom Pedro II, nasceu no exílio a que a Família foi submetida, sendo reconhecida brasileira, assim como sua descendência. Dreizehnlinden foi uma das inúmeras localidades visitas. Desta viagem, os arquivos de Dom Carlos contam muito... Muitas fotos foram feitas e, inclusive, mesmo naquela época, pequenos filmes. Em 1938, Treze Tílias ofereceu, de acordo com suas possibilidades, o melhor para os ilustres visitantes. Depois de 74 anos, o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, o Consulado da Áustria naquele Estado e a Prefeitura de Treze Tílias, se reuniram numa Sessão Solene comemorativa a imigração austríaca, homenageando Dom Carlos e Dona Walburga Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança.

Acima, pode ver Dom Carlos e Dona Walburga com o prefeito municipal e a primeira dama. Nas outras imagens, o registro da visita a cidade e a boa recepção de toda a população ___________________________________________________________

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Orgulho sem preconceito
Dona Maria Christina, de 22 anos, filha de Dom João Henrique de Orleans e Bragança e de Stella Lutterbach, faz sucesso como símbolo na luta pela inclusão social de pessoas especiais

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untas, elas venceram o preconceito. Descendente da Família Imperial, Maria Christina de Orleans e Bragança, de 22 anos, que tem síndrome de Down, e a mãe, a renomada arquiteta Stella Lutterbach Leão, 54, são símbolos da luta pela inclusão social de pessoas especiais. Sempre com apoio de Stella, Maria Christina, ou Killy, como é chamada pela família e amigos, vem superando traumas desde a infância e, hoje, entre outras atividades, escreve livros, dá aulas de informática e artes numa creche comunitária, participa de três filmes amadores que tratam de Down e acaba de ajudar a criar o portal www.movimentodown.org.br. “Eu e alguns amigos, criamos um grupo que abastece o site com dicas e informações importantes de saúde para nós, pais, professores e qualquer interessado em saber mais sobre o assunto”, explica Killy. O portal reúne organizações públicas e da sociedade civil, brasileiras e do exterior, pela inclusão em todos os espaços da sociedade. Stella comemora avanços e lembra que ainda há muito o que lutar contra a discriminação. “Muitos ainda pensam que a síndrome de Down é uma doença. Quando Killy nasceu (fruto do casamento dela com o tataraneto de Dom Pedro II, o príncipe Dom João de Orleans e Bragança, de quem se separou há seis anos), por

exemplo, havia pouca informação. Me lembro das sete escolas que a recusaram e da que pediu o afastamento dela”, recorda-se. Ao invés de se conformar, Stella se uniu a outros pais e passou a lutar de todas as formas pela causa, participando, como membro da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, de congressos, inclusive em outros países, liderando movimentos pela cidadania e o acesso à escola regular e ao trabalho. “Agora, nossos filhos são os protagonistas dessa bela história. Eles demonstram a todo momento que são capazes e tomam suas próprias atitudes. Killy já até viaja sozinha. A onda da inclusão não tem volta. Daqui a alguns anos isso não precisará nem ser discutido mais”, orgulha-se. De acordo com o último Censo, de 2010, quase 46 milhões de brasileiros, cerca de 24% da população, declararam possuir pelo menos uma deficiência nas áreas mental, motora, visual e auditiva. Recentemente, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, garantiu que vai exigir que 100% das crianças e jovens com algum tipo de deficiência sejam matriculadas em classes regulares. As classes especiais servirão como apoio. Segundo dados do Censo da Educação Básica, no ano 2000 apenas 21,4% das pessoas com deficiência estavam matriculadas no ensino regular público. Em 2011, saltou para 74,2%.
Matéria originalmente publicada no jornal “O Dia”. Foto: João Laet

Sobre o Movimento Down
O Movimento Down surgiu para congregar informações e esforços dirigidos às pessoas com síndrome de Down e deficiência intelectual. Nosso objetivo é desenvolver e impulsionar ações em prol da inclusão destas pessoas em todos os espaços da sociedade. Hoje são muitos os exemplos de pessoas com síndrome de Down e deficiência intelectual que rompem barreiras e conquistam avanços impressionantes. Por todo o mundo, há aqueles que estudam, trabalham, vivem sozinhos, se casam. O Movimento Down surgiu para que essas vitórias possam ser conhecidas e se tornem realidade para cada vez mais brasileiros. ___________________________________________________________ Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

Acesse: www.movimentodown.org.br.

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O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e, seu irmão, o Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Luiz, foram investidos como cavaleiros da Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro de Jerusalém no dia 17 de novembro de 2012, no Mosteiro de São Bento da Bahia. A cerimônia, realizada no âmbito da Delegação Magistral São Salvador, Bahia, Sé Primaz do Brasil, contou com a presença do Governador Geral da Ordem, Conde Agostino Borromeo, e do Membro do Grande Magistério, Dom João de Mendia, Conde de Rezende, e ocorreu durante Missa com início às 17h30, seguida de cocktail e jantar nas dependências do próprio Mosteiro.

A Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro de Jerusalém tem sua origem na Ordem dos Cônegos do Santo Sepulcro, constituída por Godofredo de Bouillon na época da primeira Cruzada, e é uma instituição leiga da Santa Sé encarregada de suprir as necessidades do Patriarcado Latino de Jerusalém e de sustentar as iniciativas em favor da presença cristã na Terra Santa. É dirigida por um Cardeal Grão-Mestre e conta com cerca de vinte mil membros ativos, distribuídos em cinquenta e duas Lugares-Tenências, das quais cinco se encontram na América do Sul. Dom Bertrand recebeu as insígnias também em nome de nome de Dom Luiz, que não pode estar presente.

Requinte & caridade

Em mais uma parceria de absoluto sucesso, Francesca Romana Diana e a Princesa Dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança foram a Santa Catarina para inaugurar duas novas lojas da grife e lançar o bracelete que retrata a ponte Hercílio Luiz, o mais famoso cartão postal da cidade de Florianópolis. Na ocasião, a Princesa Dona Maria Gabriela autografou as joias que receberam suas belas pinturas. Parte do valor arrecadado foi doado à Associação das Pessoas Portadoras de Câncer. Francesa Romana Diana, nobre italiana residente no Brasil, amiga da Família Imperial, é designer de joias e empresária de sucesso. Possui mais de 20 lojas em todo o Brasil e um corner no El Corte Inglês, na Espanha. Além da parceria com Dona Maria Gabriela, Francesca também tem trabalhos com Dom João Henrique de Orleans e Bragança, que fotografou para ilustrar os braceletes da grife. A Princesa Dona Maria Gabriela é, junto com sua irmã gêmea – a Princesa Dona Maria Teresa, a filha mais nova do falecido Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança. É renomada pintora de aquarelas, expondo seu trabalho no Brasil e na Europa. Dona Maria Gabriela, assim como seu irmão, o Príncipe Dom Antonio e alguns sobrinhos, herdou o notável talento do pai, Dom Pedro Henrique, e da mãe, a Princesa Dona Maria da Baviera.

Foto: divulgação

Falece o Dr. Gustavo Cintra do Prado
Faleceu no dia 21 de agosto de 2012, em São Paulo, o grande monarquista e assessor da Chefia da Casa Imperial do Brasil, Dr. Gustavo Cintra do Prado. Desde 2001 no cargo de Diretor Secretário Geral do Pro Monarquia - entidade cívica sem fins lucrativos, responsável pela coordenação das atividades monárquicas no Brasil, trabalhava incansavelmente pela Causa - sendo responsável pelo contato com todos os monarquistas do Brasil. Foi membro ativo e incentivador da Juventude Monárquica do Brasil, além de ter papel fundamental no plebiscito de 1993. Dr. Gustavo era descendente de Joaquim Pinto de Araújo Cintra e de Ana Francisca da Silveira Cintra, Barão e Baronesa de Campinas, tendo, por este motivo, a monarquia como ideal e o respeito aos Imperadores, a conduta ética, moral e profissional, como tradição.

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Foto: Luiz Mendes/BMJ

Foto: divulgação

Dom Luiz e Dom Bertrand: Cavaleiros da Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro de Jerusalém
Da esquerda para direita: o Arquiabade Dom Emanuel d’Able do Amaral, OSB, S.A.I.R., o Príncipe Dom Bertrand, o Conde Agostino Borromeo e Eduardo Cardoso Guedes

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Vivemos num sistema econômico baseado no consumismo, onde os bens materiais passam por cima dos valores morais e cristãos. As pessoas se tornam objetos e a essência da família se perde quando se estabelecem relações “descartáveis”. Devemos enfrentar este materialismo fortalecendo a fé e a espiritualidade, sobretudo através da educação.

A República tem um problema sério de governabilidade, que força o Brasil a ser gerido através da corrupção. Isso cria uma desilusão com relação à República. Desta maneira o povo não acredita mais nas instituições, e a vida se transforma num vale tudo. Em outras palavras, num completo desrespeito às leis e à civilidade.

Vejo um movimento jovem crescente, o que me enche de esperança, porque cada vez mais a população tem vontade de mudar a situação política atual. E estão vendo que a Monarquia passa a ser a melhor opção para esta mudança.
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Antigo Museu do Índio sofre ameaça de demolição
Prédio histórico, que não era tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico, doado pelo Duque de Saxe, é vítima do descaso e do desrespeito das autoridades

E

m 1865, o Duque de Saxe, Príncipe Luiz Augusto de Saxe-Coburgo e Gotha, doou uma área de considerável valor financeiro, bem localizado, próximo a Imperial Quinta da Boa Vista, com o intuito de transformar o espaço num centro de pesquisa sobre a cultura indígena. Mais tarde, o Serviço de Proteção ao Índio – SPI, criado e dirigido pelo Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, utilizou o prédio de 1910 a 1962, quando foi transferido para Brasília. Em 19 de abril de 1953, data da criação do Dia do Indio, passou a funcionar no local, o Museu do Índio, criado por Darcy Ribeiro. O museu funcionou no antigo casarão, até 1977, quando passou para o bairro de Botafogo. O prédio também abrigou em 1912, a Escola Nacional de Agricultura, base da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ. Em 1984, a Companhia Brasileira de Alimentos – COBAL recebeu a doação do imóvel por parte do governo da república, passando a dividir o espaço com os laboratórios da Secretaria de Inspeção de produto Animal – SIPA, do Ministério da Agricultura. Em 1992, a União cedeu o espaço a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – ESG, que o utilizou por curto período.

servação. Os índios que habitam a área reivindicam junto ao governo do Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro, a revitalização da área, bem como a restauração do prédio, para que no local sejam instalados, tal qual a vontade de seu doador, o Duque de Saxe, um Centro de pesquisa sobre a história e cultura indígena.

Em 2012, com as preparações para a Copa do Mundo de 2014, que será sediada pelo Brasil, o governo e a prefeitura anunciaram a demolição do prédio para servir de estacionamento para o estádio Maracanã. Indigenistas, intelectuais e monarquistas, colocaram-se contra a ideia das autoridades. Mércio Gomes, expresidente da FUNAI, autor de diversos livros, destacou em entrevistas na internet: “desde o século retrasado aquilo é a porta de entrada para índios que vêm viver no meio urbano. É o porto seguro, onde mantêm viva sua cultura", disse. "Por quê em vez de demolir, não transformar o imóvel em um centro de cultura indígena? A cultura indígena é uma marca do Brasil, atrai milhões de pessoas em todo o mundo. Seria uma grandiosa atração para torcedores e turistas da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Melhor do que dar ingresso de graça, é criar essa instituiNos últimos anos, depois de ter experimentado o ção que proporcione dignidade aos índios que mais profundo descaso, virar abrigo de margivivem no Rio”. Com receio, as autoridades carinais e dependentes químicos, em 2006, foi escoocas, embasadas em pareceres e resoluções de lhido para abrigar a “Aldeia Maracanã”, juntanconselhos ligados ao patrimônio histórico, resoldo índios de várias etnias, que se adaptavam “a veram anunciar que a decisão de demolir o civilização branca” sem deixar de lado a cultura prédio não iria ser levada a diante. Mércio Goe a tradição da “selva”. O prédio, do século XIX, mes, com razão, afirma que o governador Sergio de incalculável valor histórico, possui dois paviCabral, não tem conhecimento histórico nem mentos e um torreão,___________________________________________________________ estando precário de conslealdade com os índios. Anuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III

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Livros: confira os lançamentos do mundo monárquico em 2012
Sucesso total. O livro “Psicose Ambientalista”, de autoria de Dom Bertrand de Orleans e Bragança, conforme sinopse divulgada, mostra que toda a discussão sobre ambientalismo, aparentemente de ordem apenas técnica e com vistas a alcançar metas econômicas, sociais e ambientais, alegadamente benéficas, tem na verdade um viés ideológico profundo. Constitui nada menos que uma reapresentação da velha e fracassada doutrina comunista, hostil à propriedade privada, em que o vermelho do comunismo foi substituído pelo verde do ambientalismo. A obra, recorde de vendas, encaminha-se para a 3ª edição e já foi lançada em quase todos os recantos do país.

Dom Bertrand dá autógrafos e lança seu livro em todos o recantos do país. A obra se encaminha para terceira edição. Fotos: IPCO

Dom Carlos lançou o livro “A Intriga” em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os eventos tiveram a presença de muitos admiradores. Fotos: Blog Monarquia Já

Com um livro inusitado - “A Intriga”, outro descendente dos Imperadores do Brasil, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, ajuda a relembrar personagens históricos do Segundo Reinado e, de acordo com suas pesquisas – feitas nos arquivos das Casas Reais Europeias, reconta, de acordo com sua ótica, o casamento das filhas de seu trisavô, o Imperador Dom Pedro II. Dom Carlos lançou seu livro no primeiro semestre de 2012, tanto em São Paulo, quanto no Rio de Janeiro. Amigos e monarquistas de todo o Brasil marcaram presença nos eventos. Aguarda-se para 2013, o lançamento de mais um título deste prestigiado e ilustre autor.

Depois de lançar outros dois livros soFabio Yabu lançou a versão lúdica bre Soberanas portuguesas, agora a da história da Princesa Isabel, o Duquesa de Cadaval e d’Anjou, a livro – “A última Princesa” – alcanPrincesa Dona Diana, é autora de çou sucesso fácil e a história virará “Mafalda de Sabóia”. Nesta obra, Dofilme nos cinemas. As belas ilustra___________________________________________________________ na Diana conta a história da lendária ções da obra são de Matheus LoAnuário Monarquia Já – Dezembro de 2012 – Ano III (Mathiole). Rainha de Portugal. pes Castro

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Uma publicação do Blog Monarquia Já http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com/

Anuário Monarquia Já

3ª Edição

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