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Marco Aurélio Gondim


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- FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS


- ABSOLUTISMO
- MERCANTILISMO

 
RESUMO E QUESTÕES DE VESTIBULARES 

A FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS, ENFOQUE SOBRE PORTUGAL

1. A formação dos estados nacionais, características gerais:


. Acordo entre nobreza, clero e burguesia: Com o enfraquecimento da classe feudal – os
senhores de terra –, as monarquias vão conseguir se fortalecer no panorama europeu. As
novas monarquias são chamadas de absolutas, características da Era Moderna na Europa
(séculos XV-XVIII). Essa monarquia onde aparentemente o rei tem todo o poder do
Estado é, na verdade, um Estado com a preponderância do clero e da nobreza, tendo
também a presença importante da burguesia.

. Mercado nacional unificado: Interessa ao comércio e à produção dos burgos um estado


nacional onde não se precise pagar taxas para atravessar os senhorios (como acontecia
na Idade Média), onde os pesos e medidas sejam os mesmos em todo o território
nacional e a moeda seja a mesma em todo o reino. Tudo isso é cumprido no novo estado
que está surgindo. O mercado nacional é unificado pelos interesses do comércio e da
produção da burguesia.

. Língua nacional: É nesse mesmo período que surgem as línguas nacionais européias.
Elas são importantes para que todos no país se entendam na fala e na escrita e o Estado
se faça presente em todo o território com uma língua comum. O surgimento das línguas
nacionais é marcado pela publicação de grandes obras literárias nacionais.

. Redução do poder da Igreja e do papa: Se durante a Idade Média, o poder do papa se


fazia presente em toda a Europa fragmentada em pequenos senhorios, agora na Era
Moderna, o poder papal encontrará dificuldade de se impor diante de poderosos estados
nacionais. Há diversos conflitos entre a Igreja e os Estados recém-surgidos.

. Casos particulares: Apesar de haver características gerais ao surgimento dessa nova


forma de organização política, o estado nacional, cada país se unificou em condições
específicas: A Espanha se unificou pela luta de várias casas de nobreza contra os
muçulmanos na península ibérica, é a chamada guerra de Reconquista. No final do
conflito, o rei de Aragão se casou com a rainha de Castela unificando o território; a
França fortaleceu a sua monarquia e o seu exército com a guerra dos cem anos contra a
Inglaterra; a Inglaterra teve a especificidade de manter forte os poderes regionais através
do parlamento durante a Idade Média, que não era completamente submisso ao rei;
Itália e Alemanha não conseguiram se unificar, só o fazendo no século XIX, já no
contexto das revoluções burguesas.

2. A unificação de Portugal:
. Uma região voltada para o mar: Também dominada pelos mouros – muçulmanos
ibéricos – assim como a Espanha, Portugal surgiu na luta de Reconquista contra os
mouros, que chegaram na península no século VIII. Desde cedo, Portugal mostrou uma
forte tendência para a pesca e o comércio, visto que era o entreposto marítimo entre as

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duas principais regiões de comércio da Europa, as cidades italianas e Flandres. Assim,


conseguiu se organizar facilmente para a expulsão dos mouros. No século XII, todos já
tinham sido expulsos da região, diferentemente da Espanha que só expulsou os últimos
muçulmanos do seu território em 1492.
. Feudalismo diferente, centralizado: O condado Portucalense surge como um estado
vassalo de Castela, tornando-se independente em 1139. Portugal se caracterizava no
início por ter um feudalismo muito centralizado, diferente de outros feudalismos na
Europa. O rei tinha mais poder do que em outras regiões da Europa, o feudalismo iria
acabar no país com a Revolução de Avis de 1385.

. Decadência do feudalismo em Portugal: O rei era forte em Portugal e, opondo-se aos


senhores feudais, faz um amplo incentivo à fuga dos servos e também a criação das
feiras de comércio. Os senhores feudais vão se enfraquecer e desesperadamente tentam
se aliar a Castela para manter o poder sobre os senhorios. Isso detona a guerra que trará
a formação do moderno estado português, a chamada Revolução de Avis.

. Revolução de Avis: Em uma disputa dinástica, dois postulantes ao trono se confrontam


em uma guerra. A casa de Borgonha era aliada aos senhores feudais portugueses e ao
poderoso reino de Castela. Do outro lado, Dom João da casa de Avis, aliado dos
comerciantes portugueses, dos pescadores e mestres de ofício. A vitória é de Dom João
I e marca o fim do feudalismo em Portugal e o início do estado nacional monárquico
português. Com essa unificação adiantada do país, os lusitanos serão o primeiro povo a
navegar pelos oceanos em busca de riqueza. Nesse momento, Portugal é uma das
regiões mais avançadas comercialmente da Europa, sendo o primeiro Estado a se
unificar de fato.

O ESTADO MODERNO: ABSOLUTISMO E MERCANTILISMO

1. Apresentação:
A época moderna é um período de transição entre o feudalismo medieval para o
capitalismo contemporâneo. Apesar de formas de trabalho semelhantes à servidão
continuarem comuns no campo, existe uma burguesia mercantil e manufatureira com
certo poder. Em função desse quadro social complexo em que coexistem burguesia e
nobreza, existe uma forma própria de Estado, o estado absolutista e uma teoria e política
econômica de forte intervenção do Estado também restrita a esse período histórico, o
mercantilismo.

2. O Absolutismo:
. Conceituação: O nome absolutismo dá a falsa idéia de que o rei tem poderes absolutos,
totais. Na verdade, o rei serve como um ponto de equilíbrio entre os conflitos existentes
entre as classes sociais daquela sociedade – burguesia, nobreza e campesinato. Em
função desse quadro contrastante, o rei representava o poder que terminaria com todos
os conflitos. Na verdade, o rei tinha que jogar com as pressões desses grupos sociais. A
classe hegemônica daquele meio, no entanto, era a classe que se sustentava a partir do
controle da terra, ou melhor, a nobreza e o clero.

.Antigo regime: É o nome dado ao regime absolutista pelos iluministas do século XVIII
de uma forma pejorativa. Na história é sinônimo de monarquia absoluta ou absolutismo.

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. Teóricos do absolutismo: O poder absoluto era legitimado através de discursos. Esses


discursos foram importantíssimos para que o regime se consolidasse e fosse aceito por
todos. As principais teorias são:

. O Direito divino dos reis: Le Bret, Bodin e Bossuet são teóricos franceses que afirmam
que os reis têm uma origem divina e por isso têm a legitimidade para governar. Essa é a
principal base de sustentação teórica do regime absolutista. Portanto, a figura do rei nos
tempos modernos é sagrada.

.O Leviatã: Hobbes afirma que o homem é o lobo do homem e sem um governo forte e
coercitivo, o homem pode se destruir. Diante dessa animalidade humana, é necessário
um governo forte na mão de um rei.
. Maquiavel: Esse autor escreveu o livro O Príncipe mostrando como os reis italianos de
seu tempo agiam, como eram anti-éticos e arbitrários, mostra como eram os regimes
absolutistas de seu tempo.

3. Mercantilismo
. O que é: É a teoria e a prática econômica dos estados modernos, das monarquias
absolutas. Tem como característica fundamental a intervenção do Estado na economia
para o fomento da riqueza nacional.
Pressupõe que a riqueza não se reproduz, ela é limitada na natureza, por isso os estados
europeus vão ter longas e numerosas guerras para ter essa riqueza. Essas medidas têm o
objetivo também de fortalecer o poder dos ainda fracos Estados nascentes. Existem
ainda aspectos específicos do mercantilismo:

. Metalismo – ou bulionismo: É o fator maior do sistema mercantilista que vai explicar


todas as outras características desse sistema. Pensava-se na época que toda a riqueza do
mundo estava nas pedras preciosas e outras riquezas naturais, principalmente o ouro e a
prata. A riqueza de um país media em quanto ouro e prata havia em seu território.
Diante disso, os países europeus restringem a saída de ouro e prata dos seus territórios,
tentando trazer o máximo desses metais para dentro se suas fronteiras.

. Balança comercial favorável: Os países europeus traçaram várias formas de se


conseguir essa riqueza em metais. Com a balança comercial favorável, exportando-se
mais do que se importava, o reina adquiria metais de outros reinos. Todos os países
europeus tentavam manter esse saldo positivo na balança.

. Colonialismo: Consistia na aquisição matérias-primas de alto valor, ouro e prata nas


colônias no ultramar e a venda de produtos manufaturados para estas regiões. Era mais
uma forma de enriquecimento.

. Industrialismo: Era o fomento da produção de manufaturas, principalmente para


exportação, objetivando uma balança favorável. Essa é uma característica mais tardia do
mercantilismo, dos séculos XVII e XVIII. As unidades fabris desse período não são as
mesmas da Revolução Industrial, são manufaturas.

. Populacionismo: O poder de uma nação também era medido pela população que havia
no reino. Isso porque a população mostrava o tamanho do exército que o país podia
montar e a produção de alimentos e manufaturas que esse país podia ter, especialmente
em períodos de guerra.

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. Contraste com o liberalismo: A teoria econômica que surge no final do século XVIII e
consolida-se no século XIX, o liberalismo, nasce da crítica dessas práticas
mercantilistas. O liberalismo defende a não intervenção do Estado na economia, já que
as leis naturais do mercado regulariam automaticamente a economia.

EXERCÍCIOS

(UFSCAR/SP) Questão 21: As revoluções contra o poder absolutista dos reis


atravessaram grande parte da história moderna da Europa. Houve, no entanto, diferenças
entre as revoluções francesa e inglesa. Assinale a alternativa correta.
A - Na França a oposição ao absolutismo implicou, ao contrário do que ocorreu na
Inglaterra, o estabelecimento de um regime republicano, mesmo que passageiro.
B - A revolução inglesa, diferentemente da francesa, reivindicou os direitos do
Parlamento contra o arbítrio real, expressos por documentos escritos que remontavam à
Idade Média.
C - A revolução inglesa ao contrário da francesa, contou com o apoio popular na luta
contra os reis absolutistas, desvinculando-se de disputas entre facções religiosas.
D -A luta contra o absolutismo na França distinguiu-se do processo que se desenvolveu
na Inglaterra pela violência e execução do monarca absolutista.
E - A revolução francesa removeu os obstáculos impostos à economia pelo antigo
regime, industrializando o país no século XVIII; na Inglaterra, ao contrário, a revolução
conteve o crescimento econômico.

(UFRJ) Questão 22: O Absolutismo monárquico manifestou-se de formas variadas,


entre os séculos XVI e XVIII na Europa, através de um conjunto de práticas e doutrinas
político-econômicas que fundamentavam a atuação do Estado Nacional Absoluto.
Dentre essas práticas e doutrinas, identificamos corretamente a:
A - condenação da doutrina política medieval que justificava a autoridade monárquica
absoluta através do Direito Divino dos Reis;
B - concentração dos poderes de governo e da autoridade política na pessoa do rei
identificado com o Estado;
C - promoção política das burguesias nacionais, principais empreendedores mercantis
da expansão econômica e geográfica do Estado Moderno Absoluto;
D - adoção de práticas capitalistas e liberais como fundamento da organização
econômica dos Impérios coloniais controlados pelas Monarquias européias;
E - rejeição dos princípios mercantilistas: dirigismo econômico e protecionismo
alfandegário.

(PUC-MG) Questão 23: Na Península Ibérica, o Absolutismo Monárquico, forma


política predominante do Antigo Regime, tem relação com as seguintes instituições,
exceto:
A - Parlamento Bicameral.
B - Mercantilismo.
C - Colonialismo.
D - Igreja.

(UFMG) Questão 24: Leia este trecho, escrito por um pensador cujas idéias foram
influentes no processo de formação dos Estados nacionais na Europa Ocidental:
Há, porém, duas maneiras de tornar-se príncipe o homem comum, as quais não podem
ser inteiramente atribuídas ou à sorte ou ao merecimento, e não me parece que deva

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deixá-las de lado, embora de uma delas se possa mais extensamente falar no lugar em
que se discorrer sobre as repúblicas. São elas: quando, por qualquer forma criminosa ou
nefanda, se ascende ao principado; e quando, mediante o favor dos seus concidadãos,
torna-se alguém príncipe de sua pátria.
As idéias contidas nesse trecho podem ser associadas a
A - Maquiavel, que considerava a fortuna e a virtude fatores importantes para se
alcançar o poder.
B - Bodin, que defendeu, quando necessário, a investidura do soberano no poder por
meios ilícitos.
C - Grotius, que preconizava a existência de um Estado forte para controlar a sociedade
civil.
D - Hobbes, que pregava a afirmação da soberania de cada um dos indivíduos frente ao
Leviatã.

(FUVEST/SP) Questão 25: "É praticamente impossível treinar todos os súditos de um


[Estado] nas artes da guerra e ao mesmo tempo mantê-los obedientes às leis e aos
magistrados."
(Jean Bodin, teórico do absolutismo, em 1578).
Essa afirmação revela que a razão principal de as monarquias européias recorrerem ao
recrutamento de mercenários estrangeiros, em grande escala, devia-se à necessidade de:
A - conseguir mais soldados provenientes da burguesia, a classe que apoiava o rei;
B - completar as fileiras dos exércitos com soldados profissionais mais eficientes;
C - desarmar a nobreza e impedir que esta liderasse as demais classes contra o réi;
D - manter desarmados camponeses e trabalhadores urbanos e evitar revoltas;
E - desarmar a burguesia e controlar a luta de classes entre esta e a nobreza.

(CESGRANRIO/RJ) Questão 26: "... o príncipe, que trabalha para o seu Estado,
trabalha para os seus filhos, e o amor que tem pelo seu reino, confundido com o que tem
pela sua família, torna-se-lhe natural... O rei vê de mais longe e de mais alto; deve
acreditar-se que ele vê melhor..."
(Jacques de Bossuet. Política tirada da Sagrada Escritura. Livro II, 10ª. proposição e
Livro VI, artigo1º.)
O trecho acima se refere ao absolutismo monárquico, que se constituiu no próprio
modelo dos regimes políticos dos estados europeus do Antigo Regime. Apresentou
variáveis locais conforme se expandia na Europa, entre os séculos XVI e XVIII.
Entretanto, podemos identificar no absolutismo monárquico características comuns que
o distinguiam, entre as quais destacamos corretamente a:
A - implementação de práticas econômicas liberais como forma de consolidar a aliança
política e econômica dos reis absolutos com as burguesias nacionais;
B - unificação de diversas atribuições de Estado e de governo na figura dos monarcas,
tais como a prerrogativa de legislar e a administração da justiça real;
C - substituição de um tipo de administração baseada na distribuição de privilégios e
concessões régias por uma organização burocrática profissional que atuava em
atividades desvinculadas do Estado;
D - submissão política dos governos reais absolutistas à hierarquia eclesiástica,
conforme definido pela doutrina do Direito Divino dos Reis;
E - definição da autoridade dos monarcas absolutos e seus limites de poder, através da
atuação dos parlamentos nacionais constitucionalistas, controlados por segmentos
burgueses.

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(UFES) Questão 27: "A longa crise da economia e da sociedade européias durante os
séculos XIV e XV marcou as dificuldades e dos limites do modo de produção feudal no
último período da Idade Média. Qual foi o resultado político final das convulsões
continentais da época? No curso do século XVI, o Estado Absolutista emergiu no
Ocidente."
(ANDRESON, P. Linguagens do Estado Absolutista. São Paulo: Brasiliense, 1985: 15.)
Acerca das características do Estado Absolutista, não se pode afirmar que:
A - se constituía como um aparelho de dominação feudal recolocado e reforçado que, ao
manter submissas as massas camponesas, perpetuava o controle político exercido pela
nobreza sobre a sociedade;
B - se organizou a partir do incremento da autoridade pública e da crescente
centralização administrativa, acontecimentos corporificados no poder absoluto do
monarca cuja fundamentação jurídica provinha do Direito Romano;
C - empreendeu a retomada dos princípios tomistas vigentes no século XII, segundo os
quais toda e qualquer autoridade terrena deveria submeter-se á Santa Sé, razão pela qual
os soberanos absolutistas faziam contar o seu tempo de reinado a partir da sua sagração
em Roma;
D - procurou superar os particularismos regionais e promover a integração do reino, o
que significou a extensão do poder régio sobre territórios controlados de modo
autônomo pelos senhores feudais, passando os monarcas absolutistas a revestir novos e
extraordinários poderes diante da nobreza;
E - se empenhava em fortalecer a sua posição diante dos outros estados rivais por
intermédio da exportação de mercadorias, da proibição de exportação de ouro e prata e
do controle monárquico sobre a produção manufatureira e o comércio, princípios que
integravam a assim denominada "Doutrina Mercantilista".

GABARITO: - questão 21: B - questão 22: B - questão 23: A - questão 24: A -


questão 25: D - questão 26: B - questão 27: C

(UPE) Questão 1: O Mercantilismo serviu de base para a exploração econômica das


colônias e a expansão da dominação europeia. O Mercantilismo defendia a
A - livre exportação de produtos, evitando taxações.
B - mesma lógica econômica do feudalismo francês.
C - exploração agrícola, apenas, nas colônias da América.
D - prevalência das exportações sobre as importações.
E - existência de uma ágil descentralização econômica.

(UFGD/MS) Questão 2: O chamado Antigo Regime, que existiu em muitos países


europeus ao longo da Idade Moderna, compreende um conjunto de características
econômicas, sociais, políticas e culturais. Dentre essas características, é CORRETO
incluir
A - na economia, o predomínio de relações capitalistas; e, na política, a hegemonia das
ideias liberais.
B - na sociedade, uma hierarquia determinada não pelo nascimento mas pelas riquezas
que o indivíduo conseguisse acumular; e, na economia, as práticas monopolistas.
C - na política, o predomínio de monarquias absolutistas; e, na economia, o
intervencionismo estatal (mercantilismo).
D - na economia, a generalização do princípio do laissez-faire; e, na sociedade, uma
hierarquia constituída segundo critérios de estamentos e ordens.
E - na cultura, o predomínio do pensamento racional e científico; e na religião o
enfraquecimento da influência das igrejas protestantes.

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(UNEMAT/MT) Questão 3: Leia analiticamente, as recomendações do conselheiro P.


W. von Hornick para o enriquecimento do reino austríaco no século XVII.
“[...] ouro e prata, uma vez no país, sejam estes provenientes da minas do país ou
obtidos de países estrangeiros por meio de indústria, não devem em caso algum [...] ser
levados embora, nem tampouco deve ser permitido que sejam enterrados em cofres ou
caixas fortes; mas devem ficar perpetuamente em circulação.
[...] os habitantes do país deveriam fazer todo esforço de limitar os seus luxos aos
produtos domésticos [do país] e [“...] dispensar os produtos estrangeiros o quanto
possível”.
Apud Carvalho, Delgado D. História documental moderna contemporânea. Rio Janeiro.
Record, 1976, p.102.
Estas orientações referem-se a uma doutrina econômica administrativa da Era Moderna.
Assinale a alternativa correta.
A - Capitalismo.
B - Feudalismo.
C - Comunismo.
D - Escravismo.
E - Mercantilismo.

(UNEMAT/MT) Questão 4: A pirataria é uma atividade tão antiga quanto a história,


porém, ela vai se modificando com o tempo. Por exemplo, durante os séculos XVI e
XVII, para alguns historiadores, a pirataria chega ao seu apogeu histórico. Nessa época,
a pirataria:
A - desenvolveu-se através dos avanços náuticos, principalmente pela invenção da
navegação a vapor.
B - foi uma alternativa para se obter riquezas coloniais, sem necessidade de montar
impérios coloniais.
C - sempre foi uma ação militar, muito utilizada para conquistar impérios coloniais.
D - perdeu muito do seu antigo aspecto econômico, tornando-se mais um recurso militar
e diplomático.
E - tornou-se um importante instrumento de colonização e defesa dos impérios coloniais
na América.

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(UEPA) Questão 5:

No contexto da produção artística da obra Monalisa, os países europeus desenvolveram


um conjunto de práticas econômicas referendadas na expressão “mercantilismo”. Esta
prática variou de país a país, resguardando traços essenciais em sua configuração, tinha
a preocupação com a obtenção de riquezas através da efetivação de uma política
protecionista. Afirma-se que, dentro do conjunto de medidas marcantes do
mercantilismo, destacou-se o (a):
A - incentivo para o desenvolvimento da auto-suficiência colonial, através do impulso
dado para as manufaturas familiares, elemento fundamental para o aumento das divisas
metropolitanas e consequente fortalecimento das monarquias nacionais.
B - criação de um conjunto de leis administrativas por parte do Estado Português
visando ao afastamento dos concorrentes estrangeiros, presente no estabelecimento de
uma área de “livre comércio” no interior de áreas coloniais como o Brasil.
C - visão acumulativa de riquezas como requisito de poder dos governantes, fortemente
marcado nos costumes desenvolvidos pela nobreza espanhola e presente em teorias
econômicas como o metalismo.
D - criação das Companhias de Comércio, particularmente a inglesa, essenciais para a
regulamentação e proteção do montante de riquezas extraídas da América espanhola,
utilizadas para a ativação do comércio com os países baixos.

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E - incentivo das coroas ibéricas para o desenvolvimento do plantation, pois o


estabelecimento de pequenas propriedades permitia a ampliação da produção,
enriquecimento colonial e reforço dos laços econômicos entre colônias e metrópoles.

(UNIRIO/RJ) Questão 6: "Um conhecido provérbio chinês diz que uma viagem de mil
léguas começa com um curto passo. Portugal deu esse pequeno passo, em 1415, quando
D. João I e seus filhos conquistaram Cauta, praça forte mourisca do lado sul do estreito
de Gibraltar. Dentro de um século, esse pequeno passo abria o caminho até a China."
(MISKIMIN, Harry. A Economia do Renascimento Europeu, 1300 – 1600. Lisboa:
Editorial Estampa 1984, p. 159.)
A expansão ultramarina européia, desenvolvida pelos portugueses ao longo do século
XV, permitiu a superação das limitações da economia comercial do continental europeu.
A área de atuação econômica dos europeus foi nesse período transformada e ampliada
em uma escala maior que aquela de seu continente de origem. Incluiu, também, o
continente africano, ao final do século, o asiático.
Dentre tais transformações, podemos apontar, corretamente:
A - o estabelecimento de rotas comerciais lucrativas através do Atlântico sul
viabilizadas com o tráfico de escravos.
B - a concorrência comercial promovida contra Portugal por diversas cidades européias
que mobilizaram os recursos necessários a sua expansão ultramarina.
C - a fixação dos interesse econômicos dos portugueses no rico comércio da China
transformada em principal entreposto no ultramar.
D - a ocupação e colonização preferencialmente das regiões do interior da África pelos
portugueses devido à abundância de marfim e de ouro.
E - o abandono do interesse no continente africano pelos portugueses em decorrência da
descoberta de vastas extensões de terras na América.

(UEFS/BA) Questão 7:
“Ouro, Grandeza e Glória”
(Arcebispo de Canterbury)
A frase do arcebispo resume os princípios do mercantilismo, pautados na:
A - acumulação de ouro e prata pela burguesia, o que levou os reis absolutistas a se
oporem ao processo de expansão marítima, temerosos do fortalecimento do poder dos
comerciantes.
B - exploração das minas de ouro e prata na Europa, como prioridade dos Estados
absolutistas, em detrimento da exploração das matérias-primas coloniais.
C - livre concorrência como pressuposto para o desenvolvimento industrial,
enrique-cimento e fortalecimento do poder real na Europa.
D - utilização do ouro para o embelezamento das cidades, como fortalecimento do
orgulho nacional e minimização dos problemas sociais.
E - intervenção do Estado na economia, objetivando a acumulação de metais preciosos e
o fortalecimento do Estado absolutista.

(UFMS) Questão 8: Metalismo ou Bulionismo, Comercialismo, Colbertismo e


Companhias Comerciais Privilegiadas são termos que se referem a práticas econômicas
do:
A - capitalismo industrial;
B - capitalismo monopolista;
C - liberalismo econômico;
D - mercantilismo;
E - neoliberalismo.

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(PUC-PR) Questão 9: Em 1703, estipulou-se a compra de vinho português pela


Inglaterra em troca da importação de tecidos ingleses por Portugal.
O texto refere-se ao Tratado de:
A - Fontainebleau;
B - Madri;
C - Methuen;
D - Utrecht;
E - Londres.

(UNIFEI/MG) Questão 10: A dependência econômica de Portugal e suas colônias, em


relação à Grã-Bretanha, cristalizou-se definitivamente com a assinatura do Tratado de
Methuen, em 17 de dezembro de 1703, que estabelecia um mecanismo de dominação
econômica que acabou por transferir para a Inglaterra quase todas as riquezas que os
portugueses arrancavam da colônia brasileira (...). Enquanto o ouro brasileiro contribuía
para a acumulação primitiva de capital que iria possibilitar, na Inglaterra, a Revolução
Industrial, em fins do século XVIII, nossas classes dominantes, recém-saídas do período
colonial, não tinham ficado sequer com as migalhas. (...) Não obstante essas
circunstâncias tão desfavoráveis, houve, durante a primeira metade do século XIX,
várias tentativas de implantação de fábricas.”
(História da Indústria e do trabalho no Brasil. Foot Hardman & Victor Leonardi)
Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira e a seguir marque a opção correta:
I. As primeiras manufaturas que surgiram durante o século XVIII estavam voltadas para
o abastecimento dos mineradores e seus escravos – panos para roupas. Com a
transferência da Corte e as medidas liberalizantes do alvará de primeiro de abril de
1808, a tradição e a falta de recursos fez desenvolver-se apenas a atividade têxtil.
II. O analfabetismo era generalizado, sendo incipiente o ensino técnico oficial. O Brasil
era o único país do hemisfério que conservava a monarquia como forma de governo.
Em 1881, após a reforma eleitoral, apenas 150 000 eleitores se qualificaram, numa
população de 12 milhões. O eleitorado era quase inteiramente limitado aos membros das
classes dos grandes latifundiários e comerciantes.
III. Era elevadíssimo, no século XIX, o número de pequenas fábricas de quintal,
oficinas onde patrões e empregados trabalhavam lado a lado, utilizando número
reduzido de máquinas.
IV. A grande maioria das fábricas importava alguns maquinários, porém utilizava quase
exclusivamente o trabalho escravo.
V. As verdadeiras fábricas modernas, empregando maquinário importado e operários
livres assalariados, começaram a se estabelecer a partir de 1840 com o início da
contratação de imigrantes, protegido pela tarifa Alves Branco (1844) e pelo início de
recuperação das exportações brasileiras.
VI. De início, a tecnologia utilizada era o motor hidráulico; aos poucos foram
introduzidos os motores a vapor. O uso de motores hidráulicos desenvolveu a
construção de diques. Muitas fábricas uniam a energia hidráulica e o vapor e cresceram
com a criação de fundições, ferrarias, carpintarias e marcenarias para a sua autonomia.

( ) Fábrica têxtil
( ) Trabalho escravo
( ) Fábricas modernas e trabalho livre
( ) Tecnologia
( ) Fábricas de quintal
( ) Analfabetismo, Império e eleições

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A - I, II, III, VI, V e IV.


B - I, II, V, IV, III e VI.
C - IV, V, II, III, VI e I.
D - I, IV, V, VI, III e II.

(UNIRIO/RJ) Questão 11: ... a reprodução da economia colonial não é inteiramente


comandada pelas variações conjunturais do mercado internacional; se isto é verdade,
resta saber: o que influenciaria tal ritmo? Ao nosso ver, esta pergunta é respondida se
considerarmos a Colônia como uma sociedade, com as suas estruturas e hierarquias
econômicas e sociais. Em realidade, o ritmo da economia colonial seria comandado pela
lógica e necessidades da reiteração da sociedade colonial.
(FRAGOSO, João Luis Ribeiro. Homens de grossa aventura: acumulação e hierarquia
na praça mercantil do Rio de Janeiro (1790-1830). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional,
1992. p. 243.)
Atualmente vários trabalhos vêm procurando realizar uma revisão sobre a estruturação
da economia colonial brasileira. Assim, esses novos trabalhos contestam as teses do
"sentido da colonização" e do "Antigo Sistema Colonial", as quais afirmam que a
atividade colonizadora:
A - previa o afrouxamento do exclusivo colonial como forma de cooptação política dos
colonos, permitindo, desta forma, acumulações internas, embora fosse subordinada à
expansão comercial européia;
B - foi um desdobramento da expansão comercial européia e, nesse sentido, a realização
da produção colonial dava-se na especialização para o abastecimento do mercado
externo;
C - foi pensada enquanto complementar à economia metropolitana, o que não significa
dizer que os capitais investidos na produção colonial fossem exclusivamente da
burguesia metropolitana e voltados para enriquecê-la;
D - era dotada de ritmos próprios, os quais regulavam o sentido da produção colonial
para uma transferência de excedentes para a metrópole, mas não para uma subordinação
total desta economia ao capital mercantil europeu;
E - não era totalmente regulada por uma transferência de excedentes para o mercado
externo, sendo o sentido da colonização, deste modo, muito mais uma categoria de
subordinação política do que econômica.

(PUC-MG) Questão 12: Segundo Thomas Mun, "os meios ordinários, portanto, para
aumentar nossa riqueza e tesouro são pelo comércio exterior, para o que devemos
obedecer sempre a esta regra: vender mais anualmente aos estrangeiros em valor do que
consumimos deles". O argumento apresentado acima reflete o princípio mercantilista:
A - da busca pela obtenção e acúmulo de metais nobres;
B - das vantagens comparativas no comércio internacional;
C - da manutenção de uma balança comercial favorável;
D - do equilíbrio das contas externas e redução dos gastos públicos.

(UNIMEP/SP) Questão 13: O mercantilismo, concepção econômica que dominou as


relações mundiais durante a Idade Moderna, tinha como um de seus traços:
A - o princípio de que o acúmulo de metais preciosos pelo Estado poderia desequilibrar
a balança de pagamentos a curto prazo;
B - o ideal de um colonialismo liberado da escravidão, considerada esta um sistema
iníquo diante das leis naturais;

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C - a afirmação de que a reciprocidade deveria regular as relações das metrópoles com


suas respectivas colônias;
D - a crença de que o comércio, para sobreviver, deveria eliminar a intervenção do
Estado na economia;
E - o desenvolvimento de uma política econômica protecionista, que visava obter uma
balança de comércio sempre favorável ao Estado Nacional.

(UFPR) Questão 14: Idéia fundamental da forma “bulionista” do Mercantilismo:


A - O Estado regulamenta a produção, fiscaliza as exportações, controla as vendas no
exterior e o lucro.
B - A estrita subordinação dos interesses do indivíduo aos da coletividade, justificando
a intervenção do Estado.
C - A prosperidade dos países está na razão direta da quantidade de metais preciosos
que ele possui.
D - A necessidade de aumentar o volume da moeda para fazer crescer a riqueza pública.
E - A liberdade de produção e de comércio, tanto em âmbito nacional como
internacional.

(FGV/RJ) Questão 15: A definição do mercantilismo constitui uma tarefa complicada.


Entretanto, como afirma o historiador Fernand Braudel, "mesmo que não seja boa, essa
etiqueta reagrupa comodamente uma série de atos e de atitudes, de projetos, de idéias,
de experiências que marcam, entre o século XV e o XVIII, a primeira afirmação do
Estado Moderno em relação aos problemas concretos que ele tinha que enfrentar".
(Fernand Braudel. Civilisation, économie et capitalisme, XVe-XVIIIe siècle. Les jeux
de l’échange. Paris: Armand Colin, 1979.)
Acerca do mercantilismo, analise as afirmativas a seguir:
I. a partir do século XVI, os Estados Modernos de Inglaterra, Holanda e França
organizaram verdadeiras políticas comerciais nacionais com a criação de companhias
privilegiadas, baseados na idéia de que o comércio era a atividade mais importante,
porque fazia circular o metal precioso, medida e condição de todo o poder;
II. O mercantilismo era o conjunto de ações econômicas (direitos alfandegários e
tributos) utilizado para garantir as crescentes necessidades financeiras do Exército, da
Administração e da Corte, instrumentos indispensáveis para a consolidação e expansão
do Estado Moderno;
III. o incentivo à exportação de produtos manufaturados de valor (objetos de luxo, de
moda, perfumes, porcelanas etc.) e as altas tarifas alfandegárias aplicadas aos produtos
importados tinha como objetivo exclusivo uma política protecionista de
desenvolvimento industrial por meio de uma balança comercial favorável;
IV. Para os governantes que implementaram ações mercantilistas, a reserva de metais
acumulada pelos Estados era o principal indicativo do seu poderio econômico.
Assinale:
A - se somente a afirmativa I estiver correta;
B - se somente as afirmativas I e II estiverem corretas;
C - se somente as afirmativas II e III estiverem corretas;
D - se somente as afirmativas I, II e IV estiverem corretas;
E - se todas as afirmativas estiverem corretas.

(UFPE) Questão 16: O mercantilismo foi um conjunto de idéias e de práticas


econômicas dominantes na Europa, entre os séculos XIV e XVIII, que variou de Estado
para Estado. Sobre o mercantilismo, assinale a alternativa correta:

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A - Foi uma forma de exploração da natureza, empregada aos recursos minerais,


vegetais, animais e humanos que obedecia a interesses imediatistas, sem preocupação
com o futuro.
B - A Holanda praticava um tipo de mercantilismo conhecido como metalista e
industrial que veio a desenvolver em parceria com a Espanha no século XVIII.
C - Portugal desenvolveu apenas o mercantilismo de plantagem baseado na produção
tropical destinada ao mercado internacional.
D - As refinarias de açúcar de Sevilha substituíram as refinarias de Portugal, na fase do
desenvolvimento do mercantilismo industrial de Castela.
E - Companhias de comércio foram instaladas por todos os Estados mercantilistas
europeus, para reforçar a política comercial ou o colbertismo (referência a Colbert,
ministro francês, que defendia o comércio de produtos baratos vendidos mais caros nos
mercados coloniais).

GABARITO: questão 1: D - questão 2: C - questão 3: E - questão 4: B - questão 5:


C - questão 6: A - questão 7: E - questão 8: D - questão 9: C - questão 10: D -
questão 11: B - questão 12: C - questão 13: E - questão 14: C - questão 15: D -
questão 16: A

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