P. 1
o Coordenador Pedagogico No Contexto de Gestao Democratica Da Escola

o Coordenador Pedagogico No Contexto de Gestao Democratica Da Escola

|Views: 12|Likes:
Publicado pordtmerki

More info:

Published by: dtmerki on Jan 07, 2014
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

03/01/2015

pdf

text

original

O COORDENADOR PEDAGÓGICO NO CONTEXTO DE GESTÃO DEMOCRÁTICA DA ESCOLA Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos – UFMG luciola@fae.ufmg.

br Nilza Helena de Oliveira – UFMG nilzah@deii.cefetmg.br
Resumo: Este texto busca analisar a atuação do coordenador pedagógico no contexto gestão democrática da escola, em que a coordenação pedagógica, deixa de ser uma função exclusiva dos pedagogos. Buscou-se refletir sobre a coordenação no contexto atual, tendo como ponto de partida os relatórios de estágio em gestão e uma interlocução com pesquisas sobre a organização do trabalho pedagógico na perspectiva de gestão democrática. Conclui-se que os aspectos que caracterizam o trabalho do coordenador são os mesmos que caracterizavam o do supervisor pedagógico na perspectiva da gestão hierarquizada. Palavras-chave: gestão democrática; pedagogo; professor coordenador pedagógico.

INTRODUÇÃO Este texto se fundamenta em dados coletados nos relatórios de estágio da disciplina “Estágio Curricular em Gestão Educacional e Coordenação Pedagógica” do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação (FaE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e outras pesquisas no campo. Na conjuntura atual, marcada pelo princípio de gestão democrática da educação, a coordenação pedagógica nas escolas, deixa de ser uma função de competência exclusiva dos licenciados do curso de pedagogia, principalmente na rede pública. Nesse contexto, no estágio curricular, momento em que se propicia aos estudantes a aprendizagem profissional em situações reais, os estudantes de pedagogia da FaE-UFMG, nas atividades de estágio de gestão, podem ser acompanhados por um pedagogo ou por um professor coordenador pedagógico, dependendo da estrutura e funcionamento da coordenação pedagógica de cada escola, campo do estágio. Isso posto, cabe refletir como tem se caracterizado a coordenação pedagógica na perspectiva de gestão democrática. Como fio condutor dessa reflexão questiona-se em que medida tal perspectiva, que perpassa a formação do pedagogo e a organização do trabalho pedagógico nas escolas, se distancia da formação e da organização na perspectiva de gestão hierarquizada? Quais são as funções (prescritas e reais) do coordenador pedagógico? Há diferenças na coordenação pedagógica exercida pelo professor da exercida pelo pedagogo? Quais são os fatores que definem uma coordenação pedagógica de qualidade?

analisando a emergência do professor coordenador. buscando compreender a atuação. bem como suas conseqüências para a identidade e profissão docente. 2005) e São Paulo (FERNANDES. tiveram como campo investigativo as escolas públicas e particulares da região metropolitana de Belo Horizonte. buscando a supressão de hierarquias. as práticas e a relação desses profissionais com os demais sujeitos escolares. No intuito de ampliar essa reflexão serão considerados também os resultados de pesquisas que investigaram a coordenação pedagógica em prática na rede pública estadual da Bahia (PIRES. por meio de estudos de caso. . em virtude da implantação do Programa Escola Plural que suprimiu a figura do supervisor escolar e repassou suas funções ao professor coordenador pedagógico. Tais estudos. investigou a prática de duas professoras (escola municipal) e uma supervisora educacional (escola particular). A reflexão aqui proposta conta com as contribuições dos estudos de Barreira (2006) e Araújo (2007). A pesquisa de Araújo investiga o papel do professor que atua na função de coordenação na Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte (RME-BH).2 Neste texto. 2004). O objetivo da pesquisa foi identificar as transformações ocorridas na gestão e na organização escolar nas últimas décadas. Para tanto. analisou o trabalho de quatro professores em duas escolas da Rede. assim como os relatórios de estágio. especificamente. em um processo que visava conferir ao professor maior autonomia. portanto analisam a coordenação no contexto de gestão democrática. Para isso. pesquisas de mestrado concluídas recentemente no Programa de Pós-graduação da FaE-UFMG. São pesquisas desenvolvidas após LDB de 1996 e que.. espera-se contribuir para uma maior compreensão das transformações na organização do trabalho escolar. buscaremos refletir sobre as diferenças na coordenação pedagógica exercida pelo professor daquela exercida pelo pedagogo. O objetivo do estudo de Barreira foi identificar como se dá a ocupação do espaço de articulação pedagógica nas escolas municipais e particulares de Belo Horizonte. em contraposição à função de especialista da educação. dentro de uma perspectiva democrática. a partir dos relatos escritos pelos estudantes do curso de Pedagogia da FaE-UFMG sobre a coordenação pedagógica nas escolas em que estagiaram. Dessa forma. postas pelas reformas educacionais da década de 90 que. estabelecendo ênfase no trabalho coletivo e participação da comunidade escolar na construção do Projeto Pedagógico e na tomada de decisões pedagógicas e administrativas. ampliando seus espaços de atuação na escola. Barreira. como condição para os docentes ampliarem sua autonomia profissional. alterou a divisão do trabalho na escola.

No decorrer das três etapas são realizados encontros individuais e coletivos para orientação e acompanhamento do estágio. Observa-se que nas escolas municipais predomina a oferta do ensino fundamental e a Educação de Jovens e Adultos (EJA). é desenvolvido em três etapas: (1ª) análise da instituição educativa. o ensino fundamental e médio. Quanto ao profissional (pedagogo ou professor) que exerce a coordenação pedagógica. contratado para o cargo de supervisor ou orientador educacional. Dentro disso. o Estágio Curricular em Gestão Educacional e Coordenação Pedagógica do curso de pedagogia da UFMG. por questões de ordem prática. buscando apreender as funções desempenhadas pelo coordenador pedagógico no período de realização do estágio. (3) Educação Infantil. complementada com quatro percursos: (1) Gestão educacional e coordenação pedagógica. No Quadro 1 (ANEXO) verifica-se o nível e modalidade de ensino ofertada nas 17 escolas aqui consideradas. o aluno opta por uma das formações complementares oferecidas pelo curso. um relatório. Dessa forma. com uma carga horária de 120h.3 O ESTÁGIO EM GESTÃO E COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Atualmente. impressões e o trabalho realizado em um caderno de campo. perfazendo um total de 17 escolas. Essa formação é culminada com o estágio curricular. construindo ao final do estágio. (3ª) participação com desenvolvimento de atividades no processo de coordenação pedagógica. no Quadro 1 verifica-se que nas escolas particulares essa função é exercida por pedagogo. A partir de uma leitura cuidadosa dos relatórios procuramos identificar os dados sobre a organização do trabalho pedagógico nas escolas. Este texto busca sintetizar e analisar os relatórios dos alunos que cursaram o estágio no 1º semestre de 2007. o curso de Pedagogia da UFMG confere aos alunos a habilitação para docência nos anos iniciais do ensino fundamental. O estágio foi realizado em 33 escolas (11 particulares 22 públicas) de ensino de Belo Horizonte e cidades vizinhas. leitura e escrita. a partir do sexto período diurno e do sétimo noturno. (2) Educação de Jovens e Adultos. optou-se por analisar os relatórios dos estágios realizados nas escolas da Rede Municipal (9) e Particular (8) de Belo Horizonte. De acordo com a proposta curricular do curso. constituindo um cargo de confiança do diretor. (2ª) observação do cotidiano da instituição e do trabalho do(a) pedagogo(a). priorizando a análise dos dados registrados pelos estagiários sobre a observação do trabalho do coordenador pedagógico. Em cada etapa os estagiários registram as observações. nas particulares são ofertadas a educação infantil. (4) Alfabetização. enquanto nas escolas .

as funções dos especialistas (supervisor e orientador educacional) formados nos cursos de Pedagogia antes das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais (BRASIL. a aglutinação foi oficial. Também passou a ser usado como uma forma de aglutinar.4 municipais. em 1997. que passa a exercer seu papel pedagógico dentro e fora da sala de aula. “mas um par. com o trabalho voltado para o controle das atividades pedagógicas (o supervisor nas Diretorias de Ensino e o coordenador pedagógico nas unidades escolares). possibilita relações mais democráticas no interior da escola. o PCP é uma função exercida por um docente. função que na década de 80 foi fortemente criticada como sendo uma atividade controladora da prática pedagógica dos professores. com as transformações na organização do trabalho escolar. relegados à condição de executores. na RME-BH. na prática. 2005). sem a formação técnica do pedagogo. No Estado da Bahia. um . que junto com o “coordenador pedagógico”. Argumenta-se que o fato do PCP ser eleito pelos colegas. Na rede estadual de São Paulo há uma distinção de nomenclatura e atribuições funcionais entre os cargos de supervisor e coordenador pedagógico e a função de PCP. não é contratado desde 1992. como já mencionado. sendo essa função identificada pela sigla PCP (Professor Coordenador Pedagógico). Como bem explicado por Pires (2005) o coordenador pedagógico se distingui do “coordenador de área”. admitidos por concurso público. o pedagogo. como especialista. coordena a equipe de professores e as atividades de sua área de atuação. como é o caso da RME-BH e da Rede Estadual de São Paulo. em algumas redes públicas de ensino. De acordo com Araújo (2007). a coordenação pedagógica é uma função exercida por um professor. A coordenação pedagógica deve ser distinguida de outras funções de coordenação existentes na escola. 2005). quando foi criado o cargo do coordenador pedagógico para substituir os dois cargos de orientação educacional e supervisão escolar (PIRES. que é uma função exercida por um professor licenciado em uma área específica. A partir da década de 90. sendo suas atividades assumidas pelo professor. COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA: CARGO OU FUNÇÃO Partimos do pressuposto que o termo coordenador pedagógico constituiu um atenuante para a conotação negativa do termo “supervisor pedagógico”. a coordenação pedagógica passou ser uma função exercida pelo corpo docente. Enquanto os dois primeiros são cargos ocupados por pedagogos. decorrentes das reformas educacionais.

mostra ser uma opção que busca a eficiência dos processos de ensino. A coordenação exercida pelo PCP é uma experiência recente de algumas das redes públicas de ensino do país. Mas. observando a maneira como este(a) profissional lida com os conflitos ou problemas enfrentados no cotidiano da escola. destacando os pontos positivos do trabalho do coordenador. na rede particular de ensino tende a ser um cargo ocupado pelo pedagogo. conservando ainda a nomenclatura “supervisor pedagógico”. 2004). 233). Diante do aqui exposto. Dessa forma. p. a presença de um profissional qualificado no cargo de supervisor. de acordo com a autora. a coordenação pedagógica é exercida pelo docente que necessariamente não tem os conhecimentos específicos desenvolvidos nos cursos de Pedagogia. um professor que ocupa temporariamente uma função mediante eleição e atendimento as regras legais atuais e que convive cotidianamente com as dificuldades e os dilemas dos professores da escola pública” (FERNANDES. a escolha do profissional para exercer essa liderança na escola acaba sendo uma decisão de ordem política. talvez mais preocupada com resultados. com a escolha de lideranças por meio de eleições (BARREIRA. para analisar os dados da realidade da coordenação pedagógica das escolas particulares e municipais de Belo Horizonte aqui consideradas. baseada na tradição de suas formas de organização do trabalho escolar. A COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA NA REALIDADE DAS ESCOLAS No desenvolvimento do estágio. Tal medida indica maior preocupação em democratizar a escola. Enquanto função. os alunos são orientados a adotarem uma postura crítica e analítica diante da realidade em que se insere o trabalho de coordenação pedagógica. A pesquisa de Barreira (2006) aponta que a liderança pedagógica na escola é reconhecida como importante e necessária. . justificada por crenças e interesses de cada rede de ensino. as preocupações com a autonomia dos docentes e a democracia na escola levaram a transformação do cargo de supervisor educacional em coordenador pedagógico. 2006. seja ela exercida pelo “supervisor” (cargo ocupado por pedagogo) ou pelo “coordenador” (função exercida pelo professor). utilizaremos a abreviatura CP (Coordenador Pedagógico) para identificar o pedagogo que ocupa o cargo nas escolas particulares e a abreviatura PCP (Professor Coordenador Pedagógico) para os professores que exercem a função nas escolas municipais. podemos afirmar que a coordenação pedagógica.5 igual. No caso da rede municipal. assim explicado: No caso da rede privada.

Nas escolas particulares. o que favorece o desempenho das atribuições de competência do CP. a coordenação conta com funcionários ou com estagiários que prestam serviço de apoio escolar. conforme relatado: A coordenadora não atende os alunos com eficiência devido à inúmeras interrupções no seu trabalho (. conforme registrado nos relatórios: Não é habitual a coordenadora fazer telefonemas aos pais. que serão discutidos a seguir. a despeito dos CP também executarem atividades administrativas. conforme registradas nos relatórios de estágio. acompanhamento e apoio do trabalho pedagógico? Essas são as questões investigadas pelos alunos na segunda etapa do estágio e registradas nos relatórios. Os alunos que se machucam. O Quadro 2 (ANEXO) buscou categorizar as atividades desempenhadas pela coordenação pedagógica. mas a estagiária de enfermagem é responsável por fazer estes telefonemas (Escola P6 RELATÓRIO.). e quais são as intervenções positivas no cotidiano escolar? Quais são suas atividades no campo do planejamento. 2007. etc. Já nas escolas particulares. 83).6 São orientados. 2007. Em caso de indisciplina. p. contudo não tem condições concretas de realiza um acompanhamento minucioso para averiguar se os atendimentos a esses alunos surtiram efeitos positivos (Escola M1 .95 ). A equipe de coordenação pedagógica do Fundamental I é composta por duas supervisoras pedagógicas.RELATÓRIO. os PCP dedicam boa parte do seu tempo às atividades de caráter administrativo e/ou burocrático e ao atendimento a alunos por questões disciplinares. Nas escolas municipais. Quais são as atividades desenvolvidas pelo coordenador? Como seu trabalho se insere no interior das práticas pedagógicas das escolas? Como é a relação do coordenador com os atores escolares? Quais são os problemas e as dificuldades enfrentadas. também.. Podemos explicar tal fato a partir de dois pontos. verifica-se que dedicam mais tempo às atividades de cunho mais pedagógico. O Colégio possui uma equipe de supervisores em todos os níveis de ensino (infantil. estão com febre. p. dor de cabeça. nessas escolas o CP tem a quem delegar a execução de tarefas. a resolução de problemas corriqueiros que poderiam consumir tempo do trabalho do CP. 2007. p.27). entregando-lhes ocorrências administrativas. onde o quadro de pessoal é reduzido e as condições de trabalho menos favoráveis. fundamental e médio) que auxilia o corpo docente a executar uma prática de qualidade.. duas auxiliares de supervisão e dois estagiários (Escola P5 – RELATÓRIO. a coordenadora orienta e adverte os alunos. a adotarem uma postura de colaboração junto à instituição escolhida para a realização do estágio. .. (1) Condições objetivas para trabalho pedagógico . Isso já não ocorre nas escolas municipais. destacamos a natureza das atividades desempenhadas pelo coordenador. Como pode ser observado nos relatos. Inicialmente. os pais são avisados.

com certeza. Quanto mais esse profissional se voltar para as ações que justificam e configuram a sua especificidade. maior também será o seu espaço de atuação. os horários. não devem ser incorporadas à prática da liderança pedagógica da escola.7 Frequentemente é necessário que a coordenadora substitua professores que faltaram. o planejamento. Conforme apresentado no Quadro 3 (ANEXO). p 80). não criando sua identidade no espaço escolar. como sintetizado por Pires: A função primeira do coordenador pedagógico é planejar e acompanhar a execução de todo o processo didático-pedagógico da instituição. A coordenadora manifestou que gostaria de fazer sempre mais! (RELATÓRIO.39). mesmo assim. a organização das turmas. gastou em média 26% do tempo em atividades dessa natureza na semana de observação. Além disso. 40 % do da carga horária semanal de trabalho PCP e na escola particular (C) o CP. A pesquisa de Barreira (2006) vem confirmar os dados apresentados nos relatórios de estágio. tarefa de importância primordial e de inegável responsabilidade e que encerra todas as possibilidades como também os limites da atuação desse profissional. Pois. A despeito dos dados indicarem condições mais favoráveis à articulação do trabalho pedagógico nas escolas particulares. Concordamos com Garcia (1986) quando diz que todas as atividades (a matrícula. o distanciamento dessas atribuições seja por qual motivo for. em tais escolas o CP se ressente também da sobrecarga de trabalho como foi descrito em relação ao CP da Escola P4: as principais dificuldades para a execução do trabalho é que o coordenador tem muito trabalho e pouco tempo para atender a tantos assuntos importantes. e quando não está em sala de aula passeia pelos corredores verificando se nas turmas está tudo bem (Escola M4 . a relação com as famílias e a comunidade. acreditamos que atividades de caráter operacional. diz a autora: nada é meramente administrativo ou meramente pedagógico. pois. na medida em que em tal pesquisa cronometrou-se o tempo gasto pelo coordenador para cada atividade desenvolvida durante uma semana de trabalho em três escolas (duas municipais e em uma particular). tais atividades impedem o coordenador de pensar estrategicamente o trabalho pedagógico. 2007. Em contrapartida. irá aumentar a discordância e desconhecimento quanto às suas funções e ao seu papel na instituição escolar (PIRES. nas escolas municipais (A e B) as atividades administrativas e/ou burocráticas consumiram. p. Porém. p. portanto. 2007. 2004. na escola municipal (A) foi consumido apenas 7% do tempo em atividades eminentemente pedagógicas.RELATÓRIO. 182). . Percebemos também que enquanto na escola particular 44% do tempo foi gasto com o planejamento e acompanhamento pedagógico. desqualificam o cargo ou função do coordenador. a limpeza da escola) facilitam ou dificultam a aprendizagem dos alunos. em média.

na escola particular se aproximarem mais das atividades prescritas para o cargo. p. 2007. Nesse sentido. a presença destes na Escola é imprescindível como forma de trazer os conhecimentos pedagógicos necessários para a Escola. ao assumir a função. são os mesmos aspectos que há mais de vinte anos. 1993. grifos nossos). apoiar. promovendo desta forma um bom trabalho de coordenação e gestão escolar (RELATÓRIO. não seja exclusiva dos pedagogos. a análise de Garcia (1988) aponta como aspectos que marcavam o trabalho do supervisor pedagógico. o PCP incorpora muitos elementos da prática dos especialistas . seja nas tarefas que colaborem com os professores no ato de ensinar de modo que os alunos aprendam (PIMENTA. realizando um bom planejamento do trabalho docente. 2004. Importa destacar que. assessorar e avaliar as atividades pedagógicas com estratégias diferenciadas daquelas usadas pelos especialistas” (p. intencional e sistematicamente nos cursos de Pedagogia que formam pedagogo. que constituem obstáculos decisivos para a função. pois como já foi dito nas escolas particulares o cargo é ocupado pelo pedagogo que é o profissional tecnicamente formado para coordenação do trabalho escolar. a autora afirma que o PCP faz parte de “um contexto contraditório marcado pelo jogo sutil que existe entre as reformas educacionais dos anos 90 e a presença de uma visão progressista de educação herança dos anos 80” (FERNANDES. como analisa Barreira (2006). o desvio para funções administrativas e burocráticas. está relacionada à sua formação. acompanhar. Seja nas tarefas de administração – entendida como organização racional do processo de ensino e garantia da perpetuação deste nos sistemas. Considerando as condições objetivas de organização do trabalho escolar. de forma a consolidar um projeto político-pedagógico de Educação Escola –. o PCP procura atender as necessidades do professor. porém. diz que os PCP convivem com dificuldades impostas pelas próprias condições de trabalho adversas a que são submetidos. ou seja. p. na escola M6 o PCP também tem conseguido fazer um bom trabalho. a autora afirma que os conhecimentos pedagógicos têm sido desenvolvidos explícita. Para Pimenta (1993). nota-se que os aspectos que caracterizam a prática do professor na função de coordenação pedagógica na conjuntura atual de gestão democrática.8 Fernandes (2004) em sua pesquisa sobre o PCP na Rede Estadual Paulista. 81). 96. p. porém o PCP tenta realizar um trabalho significativo. criando práticas curriculares inovadoras. Conforme informado no relatório. apesar do contexto não muito favorável. (2) Formação técnica para a coordenação pedagógica – um segundo aspecto que explica o fato das atividades reais do CP. a coordenação pedagógica requer competências específicas e mesmo reconhecendo que a ciência pedagógica Segundo Araújo (2007) o PCP surge para “exercer o papel de coordenar. 44). 104). criando oportunidades para que ele interaja com a escola.

organizar o rodízio das professoras e coordenação no horário do recreio na biblioteca. Araújo (2007) apresenta as funções do PCP extraídas de um documento da Secretaria Municipal de Educação que sugere/orienta quais devem ser as funções do PCP. O fato de as funções prescritas pelos próprios PCP e as reais funções por eles desempenhadas no cotidiano das escolas se assemelharem aos papéis historicamente assumidos pelo supervisor aponta para a importância de se investigar em que proporção tal fato pode ser atribuído a ausência de condições objetivas da escola e em que proporção pode ser atribuído a ausência de uma formação. A autora afirma também que os PCP não tiveram um espaço legítimo de discussão e socialização de suas práticas que possibilitasse criar um modelo próprio de coordenação pedagógica. acompanhamento do trabalho pedagógico. cujas funções de cada uma foram definidas pelo corpo docente. auxiliar na organização das atividades coletivas. dirigir a abertura e o encerramento dos agrupamentos. frustrando assim a expectativas de renovação e organização do trabalho escolar. viabilizar a circulação dos envelopes de avaliação dos alunos. apoio logístico às atividades de formação docente (sexualidade. Por outro lado. alfabetização. socializar o coletivo. as funções do PCP na RME-BH são definidas pelo coletivo dos professores. que resumidamente consiste em articular o coletivo dos professores em torno das atividades de planejamento. p. Conforme constado nos relatórios de estágio e na pesquisa de Barreira (2006).5 foi definido dois tipos de coordenação: a pedagógica e a dinamizadora. Coordenação Dinamizadora: confeccionar o quadro das atividades previstas para cada agrupamento. atendimento à disciplina. organizar o controle de substituição de faltas (RELATÓRIO. onde o cargo é ocupado pelo pedagogo. apoio logístico às atividades previstas para os agrupamentos. coordenar as reuniões pedagógicas.9 em supervisão educacional. assim definidas: Coordenação Pedagógica: assistir previamente os filmes e direcionar o trabalho sobre os mesmo. matemática e outros). os eventos relacionados à EJA. dinamizar a organização dos eventos internos com os alunos. sob pena de ficar sujeito às contingências imediatas do cotidiano . é importante também problematizar a coordenação pedagógica exercida pelo pedagogo no atual contexto de gestão democrática. concluindo que embora haja o reconhecimento da importância do CP no gerenciamento do trabalho pedagógico. No entanto. distribuir as atividades mimeografadas. atendimento à disciplina. o CP precisa demarcar melhor seu espaço na escola. mas as PCP trabalham juntas e não seguem à risca essa divisão de tarefas. organizar as festas comemorativas. socializar o registro das reuniões pedagógicas. que não o prepara para as competências que requer a função de coordenação pedagógica. Na Escola M. 41-42). 2007. elaborar os registros complementares do Projeto EJA. uma vez que a que pesquisa de Pires (2005) investigou a prática do coordenador na Rede Pública do Estado da Bahia.

Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia. para evitar que a ausência ou insuficiência desses elementos inviabilize o exercício das atividades que caracterizam a função do coordenador. que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia. GARCIA. 2007. Dissertação. Sâmara Carla Lopes Guerra de. BRASIL. Ministério da Educação.394 de 20 de dezembro de 1996. Karla Vignoli Vegas. 1988.10 escolar. Lei n. 1996. Regina Leite. (Mestrado em Educação) . reafirmamos que a liderança pedagógica na organização do trabalho escolar é indiscutivelmente importante e necessária. 2006. Problematizando o trabalho do professor coordenador pedagógico nas escolas públicas paulistas. GARCIA. Belo Horizonte. Prática em extinção ou em processo de renovação? um estudo sobre a supervisão educacional. supostamente preparado para exercer a coordenação. 1986. de 13 de dez. Belo Horizonte. O fazer e o pensar dos supervisores e orientadores educacionais. 13-23. Universidade Estadual Paulista. Reexame do Parecer CNE/CP n. 2004. Dessa forma. 9.Faculdade de Educação. A construção da ação supervisora em Minas Gerais. . tem sido suficiente para ressignificar sua prática dentro desse novo contexto? O motivo do pedagogo da escola pública não exercer adequadamente suas funções reside apenas nas suas condições de trabalho ou está relacionada também a sua formação? Para finalizar. p. os mais novos responsáveis pelo fracasso escolar. Parecer CNE/CP n. BRASIL. Dissertação. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 5. (Mestrado em Educação) – Faculdade de Ciências e Letras. Para uma coordenação pedagógica de qualidade é imprescindível uma boa formação profissional e condições físicas e materiais favoráveis à organização coletiva do trabalho pedagógico. Universidade Federal de Minas Gerais. 2006. Nilda. Ministério da Educação. Maria José da Silva. In: ALVES. GARCIA. Araraquara. de 21 de fev. 2006. 2005. Universidade Federal de Minas Gerais. 5/2005.Faculdade de Educação. Conselho Nacional de Educação. 3. Universidade Federal de Minas Gerais. Dayse Freire. Belo Horizonte. cabe questionar até que ponto a formação do pedagogo. São Paulo: Loyola. Parecer CNE/CP n. Especialistas em educação. Regina Leite.Faculdade de Educação. (Mestrado em Educação) . BRASIL. seja ela exercida pelo pedagogo ou pelo professor. REFERÊNCIAS ARAÚJO. Dissertação. Ser professor coordenador pedagógico: sobre o trabalho docente e sua autonomia Dissertação. Conselho Nacional de Educação. BARREIRA. FERNANDES. (Mestrado em Educação) . 2005.

16. 2005. Questões sobre a organização do trabalho na escola.). (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação. A prática do coordenador pedagógico – limites e perspectivas. RELATÓRIO DE ESTÁGIO. 1993.11 PIMENTA. Ennia Débora Passos Braga. Dissertação. Belo Horizonte. v. 2007. p. G. S. . (mediu. PIRES. Universidade Estadual de Campinas. 78-83. São Paulo. Observação do cotidiano da instituição e o trabalho do coordenador(a). Idéias.

5 P. 1 M. 2 M. 7 M.Níveis/modalidades de ensino e profissional que exerce a coordenação pedagógica nas escolas em que foram realizados os estágios Níveis/modalidade de ensino Jovens e Adultos Ensino Médio M. 4 P. 9 P. 6 P. 7 P. 2007 Educação Infantil Rede Escola Pré-vestibular comunitário Ensino Fundamental Educação de Educação Profissional Profissional Professora Professora Professora Professora Professora Professora Professora Professora Professora Professora Pedagoga Pedagoga Não informado Pedagoga Pedagoga Pedagoga Pedagoga . 1 P. 6 M. 8 M. 4 Pública Municipal M. 8 Fonte: Relatório. 5 M. 3 Particular P. 3 M. 2 P.12 ANEXO Quadro 1 .

apostilas. etc. etc. palestras. elaboração de horários. avaliações) Atividades administrativas e/ou burocráticas (xérox. reuniões.Atividades desempenhadas pelos coordenadores pedagógicos. enturmação. etc. documentos. circulares. segundo observações dos alunos no período do estágio Atividades Reuniões pedagógicas Atendimento pedagógicas professores por questões Rede Municipal M1 M2 M3 M4 M5 M6 M7 M8 M9 Rede Particular P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 Atendimento a pais Atendimento a alunos [aprendizagem] Atendimento a alunos por questões disciplinares e/ou cuidados físicos ou emocionais Planejamento e/ou elaboração de projetos. preenchimento de fichas e relatórios.13 ANEXO Quadro 2 . Acompanhamento pedagógico (planejamentos. recreio e saída Fonte: Relatório.) Organização de eventos da escola – festas. atividades. materiais pedagógicos. Substituição de professores Controle movimento/fluxo dos alunos na entrada. 2007 . excursões. pagamento.

410 min . avaliações) Atividades administrativas e/ou burocráticas (xérox. documentos.) Total Fonte: Barreira (2006) Escola A (municipal) 90 min 140 min 60 min 30 min 90 min 20 min 200 min 30 min 60 min 600 min 610 min 200 min 50 min Escola B (municipal) 180 min 180 min 50 min Escola C (particular) 30 min 60 min 25 min 45 min 20 min 190 min 430 min 370 min 30 min 1.Observação das tarefas cotidianas das coordenadoras pedagógicas durante uma semana nas escolas A. elaboração de horários. materiais pedagógicos.350 min 140 min 1. apostilas. palestras.) Organização de eventos da escola (festas. preenchimento de fichas e relatórios. reuniões. circulares. enturmação.233 min 240 min 1. pagamento. substituição do professor. etc.14 ANEXO Quadro 4 . Acompanhamento pedagógico (planejamentos. B e C Tempo gasto semanal Tarefas Reuniões pedagógicas Reuniões administrativas Atendimento professores por questões pedagógicas Atendimento a professores por questões burocráticas e/ou administrativas Atendimento a pais Atendimento a alunos – aprendizagem Atendimento a alunos – questões disciplinares/cuidados físicos ou emocionais Planejamento e/ou elaboração de projetos. atividades. etc. excursões. etc.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->