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Simbolos e a Fé Cristã

Simbolos e a Fé Cristã

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Livro Deposito de Fé Vol I :
Capitulo 22 Símbolo
22.1 São símbolos de Jesus Cristo:
22.2 Gestos simbólicos de Jesus
22.2.1 Homem necessita de sinais
22.2.2 Símbolos do Antigo Testamento
22.2.3 Símbolos litúrgicos
22.2.4 Simbolismo das Cores
22.2.4.1 Branco
22.2.4.2 Vermelho
22.2.4.3 Púrpura
22.2.4.4 Azul
22.2.4.5 Verde
22.2.4.6 Preto
22.2.4.7 Violeta
22.2.4.8 Marrom
22.2.4.9 O Simbolismo do Ouro
22.3 Sinais (nos Sacramentos)
22.3.1 Sacramentos como sinais
22.3.2 Sinais da Confirmação
22.3.3 Sinais da Ordem
22.3.4 Sinais do Batismo
22.3.5 Canto e música sinais na liturgia
22.4 Igreja como Sinal
22.5 Imposição das mãos
22.6 Interpretar os sinais dos tempos
22.7 Pão e vinho
22.8 A Pomba
22.9 O Sangue
22.10 Sinais assumidos por Cristo
22.11 Sinais na Antiga Aliança
22.12 Sinais da contradição de Jesus
22.13 Sinais litúrgicos
22.14 Sinais nos sacramentais
22.15 Sinais para entender e expressar as reali­dades espirituais
22.16 Sinal da Santa Cruz
22.17 Símbolos da fé
Livro Deposito de Fé Vol I :
Capitulo 22 Símbolo
22.1 São símbolos de Jesus Cristo:
22.2 Gestos simbólicos de Jesus
22.2.1 Homem necessita de sinais
22.2.2 Símbolos do Antigo Testamento
22.2.3 Símbolos litúrgicos
22.2.4 Simbolismo das Cores
22.2.4.1 Branco
22.2.4.2 Vermelho
22.2.4.3 Púrpura
22.2.4.4 Azul
22.2.4.5 Verde
22.2.4.6 Preto
22.2.4.7 Violeta
22.2.4.8 Marrom
22.2.4.9 O Simbolismo do Ouro
22.3 Sinais (nos Sacramentos)
22.3.1 Sacramentos como sinais
22.3.2 Sinais da Confirmação
22.3.3 Sinais da Ordem
22.3.4 Sinais do Batismo
22.3.5 Canto e música sinais na liturgia
22.4 Igreja como Sinal
22.5 Imposição das mãos
22.6 Interpretar os sinais dos tempos
22.7 Pão e vinho
22.8 A Pomba
22.9 O Sangue
22.10 Sinais assumidos por Cristo
22.11 Sinais na Antiga Aliança
22.12 Sinais da contradição de Jesus
22.13 Sinais litúrgicos
22.14 Sinais nos sacramentais
22.15 Sinais para entender e expressar as reali­dades espirituais
22.16 Sinal da Santa Cruz
22.17 Símbolos da fé

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260

22 Símbolo
1
aquilo que, por um princípio de analogia formal ou de outra
natureza, substitui ou sugere algo
1.1
aquilo que, num contexto
cultural, possui valor evocativo, mágico ou místico
1.2
elemento
descritivo ou narrativo ao qual se pode atribuir mais de um
significado, do qual se pode fazer mais de uma leitura
1.3
pessoa ou personagem que se torna representativa de
determinado comportamento ou atividade
1.4
sinal indicativo;
signo
2
aquilo que, por pura convenção, representa ou substitui
outra coisa
2.1
objeto, som, ato que, por convenção arbitrária,
representa uma realidade complexa
2.2
representação
convencional de algo; emblema, insígnia
3
palavra ou imagem
que designa outro objeto ou qualidade por ter com estes uma
relação de semelhança; alegoria, comparação, metáfora
5
REL
formulário de fé nas Ìgrejas cristãs, para uso dos fiéis ETÌM
lat. symblum, 'sinal, marca distintiva, insígnia', adp. do gr.
súmbolon,ou 'sinal, signo de reconhecimento', orign., 'um
objeto partido em dois, em que dois hospedeiros conservam
cada um uma metade, transmitida a seus filhos; essas duas
partes comparadas serviam para fazer reconhecer os
portadores e para comprovar as relações da hospitalidade
contraída anteriormente', donde 'signo, sinal, convenção', der.
do v. sumbáll 'lançar, jogar conjuntamente, comparar'.
Sendo o homem ao mesmo tempo corporal e espiritual,
necessita de exprimir as realidades espirituais através de sinais e
de símbolos perceptíveis pelos sentidos. Tal necessidade amplia-
se quando se trata de relacionar o homem com Deus e ter
acesso aos seus mistérios e desígnios. O Cat. (§§1145-1152)
refere os sinais e símbolos cósmicos que elevam até ao Criador
(a luz, a noite, o vento, o fogo, a água, as árvores...), os da vida
social capazes de exprimir a presença santificadora de Deus e a
gratidão humana (lavar, ungir, repartir o pão...), os da Antiga
Aliança (a circuncisão, a sagração dos reis, os sacrifícios...) e os
da Nova Aliança, estes propostos ou assumidos por Cristo e que
tecem as celebrações litúrgicas (em boa parte retomados dos
anteriores). Faz parte da iniciação e da formação cristãs o
conhecimento destes sinais e símbolos, entre os quais assumem
261
especial importância os sacramentos, que são sinais eficazes da
graça revestidos de fortes simbolismos, que a palavra de Deus
ilumina.
22.1 São símbolos de 1esus Cristo:
a Santa Cruz;
o peixe derivado do pentagrama
grego: IXOYL Jesus Cristo, Filho
de Deus, Salvador,
o " - A O¨ Alfa e Ômega;
Os Ícones de Jesus sempre
figurará as letras ÌC XC que é Jesus Cristo.
No icone "Pantocrátor¨ inclui ainda as letras
gregas oeN que são as iniciais da frase "Eu
Sou o que Sou¨.
Quando se trata da figura da Virgem se
colocam as letras MP , a abreviatura de OY
"Mãe de Deus¨, a rosa mística, a torre de
marfim, a estrela da manhã...;
Símbolos do Espírito
Santo: a água, o fogo, a
mão, a pomba, a unção...;
Na iconografia dos Santos: a palma do
martírio, o lírio da pureza virginal, as Chaves do
Reino dos céus, São Pedro; o gládio
a
da palavra
São Paulo, a caveira aos pés dos santos
simboliza penitência, mortificação.
22.2 Gestos simbólicos de 1esus
§1151 Sinais assumidos por Cristo. Em sua pregação, o
Senhor Jesus serve-se muitas vezes dos sinais da criação
para dar a conhecer os mistérios do Reino de Deus. Realiza
suas curas ou sublinha sua pregação com sinais materiais ou
gestos simbólicos. Dá um sentido novo aos fatos e aos sinais
|a| espada
262
da Antiga Aliança, particularmente ao Êxodo e à Páscoa, por
ser ele mesmo o sentido de todos esses sinais.
22.2.1 Homem necessita de sinais
§1146 Sinais o mundo dos homens. Na vida humana, sinais
e símbolos ocupam um lugar importante. Sendo o homem um
ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe
as realidades espirituais por meio de sinais e de símbolos
materiais. Como ser social, o homem precisa de sinais e de
símbolos para comunicar-se com os outros, pela linguagem,
por gestos, por ações. Vale o mesmo para sua relação com
Deus.
§1148 Enquanto criaturas, essas realidades sensíveis podem
tornar-se o lugar de expressão da ação de Deus que santifica
os homens, e da ação dos homens que prestam seu culto a
Deus. Acontece o mesmo com os sinais e os símbolos da vida
social dos homens: lavar e ungir, partir o pão e partilhar o
cálice podem exprimir a presença santificante de Deus e a
gratidão do homem diante de seu criador.
§1152 Sinais sacramentais. Desde Pentecostes, é por meio
dos sinais sacramentais de sua Ìgreja que o Espírito Santo
realiza a santificação. Os sacramentos da Ìgreja não abolem,
antes purificam e integram toda a riqueza dos sinais e dos
símbolos do cosmos e da vida social. Além disso, realizam os
tipos e as figuras da antiga aliança, significam e realizam a
salvação operada por Cristo, e prefiguram e antecipam a
glória do céu.
22.2.2 Símbolos do Antigo Testamento
§522 A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de
tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos
e sacrifícios, figuras e símbolos da "Primeira Aliança¨, tudo ele
faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas
que se sucedem em Ìsrael. Desperta, além disso, no coração
dos pagãos a obscura expectativa desta vinda.
263
§697 A nuvem e a Iuz. Estes dois símbolos são inseparáveis
nas manifestações do Espírito Santo Desde as teofanias do
Antigo Testamento, a Nuvem, ora escura, ora luminosa, revela
o Deus vivo e salvador, escondendo a transcendência de sua
Glória: com Moisés sobre a montanha do Sinai, na Tenda de
Reunião e durante a caminhada no deserto; com Salomão por
ocasião da dedicação do Templo. Ora, estas figuras são
cumpridas por Cristo no Santo Espírito Santo. É este que
paira sobre a Virgem Maria e a cobre "com sua sombra¨, para
que ela conceba e dê à luz Jesus. No monte da
Transfiguração, é ele que "sobrevêm na nuvem que toma¨
Jesus, Moisés e Elias, Pedro, Tiago e João "debaixo de sua
sombra¨; da Nuvem sai uma voz que diz: "Este é meu Filho, o
Eleito, ouvi-o sempre¨ (Lc 9,
34-35
). É finalmente essa Nuvem
que "subtrai Jesus aos olhos¨ dos discípulos no dia da
Ascensão e que o revelará Filho do Homem em sua glória no
Dia de sua Vinda.
22.2.3 Símbolos litúrgicos
§ 1145 Como ceIebrar? Sinais SímboIos. Uma celebração
sacramental é tecida de sinais e de símbolos. Segundo a
pedagogia divina da salvação, o significado dos sinais e
símbolos deita raízes na obra da criação e na cultura humana,
adquire precisão nos eventos da antiga aliança e se revela
plenamente na pessoa e na obra de Cristo.
§1189 A celebração litúrgica comporta sinais e símbolos que
se referem à criação (luz, água, fogo), à vida humana (lavar,
ungir, partir o pão) e à história da salvação (os ritos da
Páscoa). Ìnseridos no mundo da fé e assumidos pela força do
Espírito Santo, esses elementos cósmicos, esses ritos
humanos, esses gestos memoriais de Deus se tornam
portadores da ação salvadora e santificadora de Cristo.
22.2.4 Simbolismo das Cores
Na iconografia, as cores têm um papel fundamental. Sua
função não é apenas estética, mas de levar um simbolismo
atrelado à imagem que se está representando. Assim sendo, o
264
iconógrafo tem uma liberdade muito limitada para escolher as
cores, devendo sempre ser fiel aos cânones estabelecidos e à
Tradição.
a
Por exemplo, a Theotokos (Mãe de Deus) deve estar vestida com
as cores azul e púrpura e o Cristo, antes da crucificação,
também, apenas invertendo a posição: A túnica interna (chiton)
do Cristo é púrpura, assim como o manto externo (maphorion) da
Virgem, enquanto que o manto externo (himation) do Cristo e a
túnica interna da Virgem serão da mesma cor, azul. Ìsso porque
o púrpura era o símbolo da realeza, a cor utilizada pelos
imperadores bizantinos e o azul, a cor do céu, é a cor de tudo
que vem do mundo espiritual. Como o Cristo se fez homem, sua
vestimenta interna será púrpura, mas revestida do divino, que é o
azul, por fora. E quanto à Virgem, ela era humana e abrigou
dentro de si o divino, gerando-o em seu ventre. Então, o azul
está no interior e o púrpura por fora.
Quando vemos as Nossas Senhoras todas de azul, aos nossos
olhos ocidentais tão belas, famosas desde a Renascença,
devemos entender que houve nesse caso uma perda do
simbolismo. Na verdade, o azul passou a ser cada vez mais
usado para demonstrar poder, pois era pintado com o pigmento
mais caro da época ÷ o lápis lazuli ÷ e aquele que o usava
mostrava assim seu poder econômico. Toda a arte ocidental,
ainda que sacra, preocupa-se muito mais com o externo, com a
estética, perdendo o simbolismo da arte iconográfica. Vale a
pena ressaltar também que, infelizmente, muitos restauradores
alteraram as cores originais de alguns ícones antigos, e por isso
encontramos algumas Virgens antigas de azul.
22.2.5 Branco
No mundo pagão, o branco já era visto como uma cor
consagrada ao divino. Pitágoras ordenava aos discípulos que se
vestissem de branco para cantar os hinos sagrados. Mesmo para
nós, o branco, por seu efeito óptico, sua ausência de coloração,
nos parece próximo da própria luz. Sua irradiação transmite
pureza e calma.
|a| Fonte: http://iconograIiabrasil.com/Simbolismo.htm
265
É a cor do reino dos céus, da luz divina de Deus, da santidade
e da simplicidade. As pessoas justas ÷ aquelas que eram boas,
honestas e viveram pela Verdade - são representadas nos
ícones com vestes brancas.
Mas o branco também é a cor dos lençóis da morte, do Cristo
na deposição na tumba e de Lázaro. Segundo Dionísio
Aeropagita, o branco é cor da glória e da potência do divino, mas
também da destruição do mundo terrestre. Após a ressurreição,
o Cristo é sempre representado de branco.
Diz Salomão: "A Sabedoria é mais móvel que qualquer
movimento e, por sua pureza, tudo atravessa e penetra. Ela é um
eflúvio do poder de Deus, uma emanação puríssima da glória do
Onipotente, pelo que nada de impuro nela se introduz. Pois ela é
um reflexo da luz eterna, um espelho nítido da atividade de Deus
e uma imagem de sua bondade.¨ (Sb 7,
24-26
).
O Profeta Daniel assim vê a Divindade: "Eu continuava
contemplando, quando foram preparados alguns tronos e um
Ancião sentou-se. Suas vestes eram brancas como a neve; e os
cabelos de sua cabeça, alvos como a lã. Seu trono eram chamas
de fogo com rodas de fogo ardente.¨ (Dn 7,
9
).
Como o branco é a unidade de todas as cores,
consequentemente, torna-se, simbolicamente, o emblema da
Divindade, da Onipotência de Deus, que encerra em si mesma
todas as virtudes. O branco, atribuído a Deus Pai, é o símbolo da
Verdade absoluta de Deus, unidade de tudo que procede,
verdade por essência, verdade imutável.
Na Transfiguração no Monte Tabor, os apóstolos vêem que o
rosto de Jesus "resplandeceu como o sol e as suas vestes
tornaram-se alvas como a luz.¨ (Mt 17,
2
). No Ícone da
Paternidade, o Pai é representado vestido de branco. Os anjos
que anunciam a ressurreição do Cristo também são
representados com vestes brancas, fulgurantes. (Mt 28,
3
; Mc
16,
5
, Lc 24,
4
, Jo 20,
12
) assim como o anjo da Ascensão (At 1,
20
).
De seu principal significado, como Verdade absoluta, derivam
outros significados não menos importantes, como a fé e a
pureza. O Papa veste-se de branco para indicar que suas
266
virtudes devem ser a fé e a pureza de coração, uma vez que
representa o Cristo sobre a terra e é o depositário da verdade.
No plano profano, o branco representa a virgindade, a
inocência, a pureza e a candura.
22.2.6 Vermelho
O Aeropagita caracteriza a cor vermelha com as palavras
"incandescência¨ e "atividade¨. De todas as cores, o vermelho é
a mais ativa: ela avança na direção do espectador, se impõe, tem
movimento.
O vermelho e o branco, cores que traduzem o Amor e a
Sabedoria de Deus, são aquelas que encontramos no Cristo
após a ressurreição. O vermelho simboliza também a realidade
celeste, a Ressurreição e a segunda vinda de Cristo. Os serafins,
que ficam ao lado do trono de Deus, também são representados
em vermelho.
O vermelho indica o Espírito Santo intenso como Amor, como
Fogo que purifica. Ele se manifesta como sob a forma de uma
chama na testa dos apóstolos: "Apareceram-lhes, então, línguas
como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um
deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a
falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se
exprimissem.¨ (At 2,
2-4
).
O vermelho é uma das cores mais usadas nos ícones. É a cor
do calor, paixão, amor, e da energia doadora de vida, e por isso
tornou-se o símbolo da ressurreição ÷ da vitória sobre a morte.
Mas ao mesmo tempo é a cor da tormenta, do sangue, do
martírio, do sacrifício de Cristo. Os mártires costumam ser
representados com vestes vermelhas.
Alguns ícones, sobretudo nos russos entre os séculos 14 e 16,
tem o fundo vermelho, como símbolo da celebração eterna da
vida.
22.2.7 Púrpura
A cor púrpura exprime, sobretudo, a ideia da riqueza, pois era
um produto de alto custo. Mas essa ideia de riqueza se mistura
com elementos de poder e religiosos: é essencialmente potência
267
e, como tal, instrumento e testemunha de consagração. Os
sacerdotes e reis vestiam vestes de cor púrpura sendo, portanto,
a cor das mais altas dignidades. Em Bizâncio, a cor era de uso
exclusivo dos imperadores.
É a cor do manto da Theotokos (Mãe de Deus). Entretanto, na
iconografia, raramente se usa a tonalidade púrpura pura, mas
uma cor que se aproxima mais do vermelho, ficando mais
luminosa.
22.2.8 Azul
Na cosmogonia, o Deus Criador é cor azul. O Cristo durante os
três anos de seu ministério da verdade e da sabedoria, também
é representado com o manto externo (himation) azul. De azul ele
inicia os homens nas verdades da vida eterna. Com sua
profundidade infinita, o azul é símbolo do caminho na fé.
O azul é o infinito do céu e o símbolo de outro mundo eterno. O
azul escuro é a cor da túnica de Nossa Senhora. Muitos afrescos
dedicados à Theotokos têm o fundo pintado de azul.
22.2.9 Verde
No Cristianismo o verde é o símbolo da regeneração da
consciência. Assim o azul da Virgem e do Cristo muitas vezes é
substituído pelo verde. São João Batista, o Precursor, é quase
sempre representado de verde, simbolizando sua qualidade de
apóstolo da caridade e realização espiritual, e da nova vida que
anuncia através do batismo. É a cor dos profetas. Na Bíblia se
diz que de Deus emanaram três esferas concêntricas (Ez 1,
26
; Ex
24,
9-10
): uma vermelha (do amor), uma azul (da sabedoria) e outra
verde (da criação).
O verde também é símbolo da juventude. Na infância, Jesus é
representado muitas vezes de verde, como símbolo da
esperança de regeneração da humanidade, de uma nova vida. E
a Mãe de Deus, nas cenas da anunciação e do nascimento de
Cristo às vezes também usa o verde ao invés do azul, como
símbolo da nova vida que se inicia.
Nas escrituras o verde serve como atributo da natureza,
exprimindo a vida dada vegetação, simbolizando também o
268
crescimento e a fertilidade. Daí ser também o símbolo da
esperança. Para o Aeropagita, o verde é a "a juventude e a
vitalidade¨.
A irradiação do verde é calma e neutra, pois fica entre o
movimento profundo do azul e o movimento de avanço do
vermelho. Em composições com outras cores, o verde as
harmoniza. Perto do vermelho gera um efeito complementar.
22.2.10 Preto
Tradicionalmente, o preto se opõe ao branco, assim como as
trevas se opõem à luz, o mal ao bem e a noite se opõe ao dia.
Mas o preto também é o símbolo da luta contra o mal. Em muitas
pinturas da Ìdade Média Jesus é representado de preto quando
luta contra o demônio, nas tentações do deserto. O preto
também é usado nas vestes dos monges como símbolo da mais
alta ascese, de sua morte para este mundo material.
O inferno no ícone da ressurreição é preto, assim como a
tumba de onde Lázaro é ressuscitado e a gruta embaixo da cruz
de Cristo, com a caveira, símbolo da entrada da morte pelo
pecado, da qual Cristo nos livra.
Também a gruta da natividade de Cristo é preta, para recordar
que o Cristo aparece "para iluminar com cores aqueles que estão
nas trevas e na sombra da morte, e dirigir nossos passos pelo
caminho da paz.¨ (Lc 1,
79
) Mas o preto também significa que o
menino, como todos os homens, passará pela morte para nos
doar a vida eterna.
O preto nunca é usado puro em iconografia, mas sempre
misturado com algum outro pigmento.
22.2.11 Violeta
O violeta, mistura de azul e vermelho, é desde tempos muito
antigos o símbolo do luto. Se pensarmos que o vermelho é o
símbolo do fogo espiritual, do amor divino, e o azul é a verdade
terna, o violeta será o símbolo da ressurreição eterna. Durante a
semana santa, a cor da igreja é ao violeta, para simbolizar não
apenas o luto pela morte do Cristo, mas também a preparação
para a sua ressurreição.
269
22.2.12 Marrom
Essa cor é uma composição de vermelho, azul, verde e contém
preto. Quando comparado com o preto, parece uma cor viva,
mas com as outras cores, mostra-se uma cor morta. É o reflexo
da densidade da matéria: falta o dinamismo e irradiação de
outras cores. Assim encontramos o marrom em tudo que é
terreno. Também é a cor símbolo da humildade. Nos monges e
ascetas, é símbolo da renúncia às alegrias da vida terrena e da
pobreza.
O marrom também é usado em combinação com o tom púrpura
nas vestes da Theotokos, para lembrar de sua natureza humana,
mortal.
22.2.13 O Simbolismo do Ouro
O amarelo, o ouro e o sol simbolizam a união da alma a Deus,
a luz revelada aos profanos, sendo o amarelo, o ouro e o sol os
três graus dessa revelação.
O ouro, sendo um metal, uma substância que não faz parte da
pintura, é difícil de harmonizar com o sistema de cores do ícone.
Não obstante, está firmemente estabelecido na prática
iconográfica. Se as cores expressam-se como a luz refletida, o
ouro é própria luz, pura e genuína.
Visualmente, diz Florensky, a pintura e o ouro pertencem a
esferas diferentes de existência e é exatamente dessa diferença
que o iconógrafo faz uso. As linhas de ouro (assist) aplicadas às
vestes, não correspondem a quaisquer linhas visíveis, como
pregas ou no caso de tronos, às diferenças de planos. Florensky
está convencido de que elas representam o sistema de linhas
potenciais da estrutura energética do objeto, semelhantemente
às linhas de força de um campo magnético. Assim, elas nunca
podem ser aplicadas a todos os objetos representados no ícone.
São em número limitado e, na maior parte dos casos, aplicadas
às vestes do Salvador (seja criança ou adulto), à Bíblia, ao Trono
do Salvador, ao assento dos anjos no ícone da Trindade e aos
próprios anjos. De um modo geral, o ouro num ícone representa
a luz divina.
270
22.3 Sinais (nos Sacramentos)
22.3.1 Sacramentos como sinais
§1084 CRÌSTO GLORÌFÌCADO... "Sentado à direita do Pai¨ e
derramando o Espírito Santo em seu Corpo que é a Ìgreja,
Cristo age agora pelos sacramentos, instituídos por Ele para
comunicar sua graça. Os sacramentos são sinais sensíveis
(palavras e ações), acessíveis à nossa humanidade atual.
ReaIizam eficazmente a graça que significam em virtude
da ação de Cristo e peIo poder do Espírito Santo.
§1123 "Os sacramentos destinam-se à santificação dos
homens, à edificação do Corpo de Cristo e ainda ao culto a
ser prestado a Deus. Sendo sinais, destinam-se também à
instrução. Não só supõem a fé, mas por palavras e coisas
também a alimentam, a fortalecem e a exprimem. Por esta
razão são chamados sacramentos da fé.¨
§1130 Os sacramentos da Vida Eterna A Ìgreja celebra o
mistério de seu Senhor "até que Ele venha¨ e até que "Deus
seja tudo em todos¨ (1Cor 11,
26
; 15,
28
). Desde a era apostólica
a liturgia é atraída para seu termo (meta final) pelo gemido do
Espírito na Ìgreja: "Maran athá!¨ (Palavras aramaicas que
significam: "O Senhor vem¨) (1Cor 16,
22
). A liturgia participa
assim do desejo de Jesus: "Desejei ardentemente comer esta
páscoa convosco (...) até que ela se cumpra no Reino de
Deus¨ (Lc 22,
15-16
). Nos sacramentos de Cristo, a Ìgreja já
recebe o penhor da herança dele, já participa da Vida Eterna,
embora ainda "aguarde a bendita esperança, a manifestação
da glória de nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus¨ (Tt
2,
13
). "O Espírito e a esposa dizem: Vem! (...) Vem, Senhor
Jesus!¨ (Ap 22,
17.20
).
Santo Tomás resume assim as diversas dimensões do sinal
sacramental: "Daí que o sacramento é um sinal rememorativo
daquilo que antecedeu, isto é, a Paixão de Cristo; e
demonstrativo daquilo que em nós é realizado pela Paixão de
Cristo, a saber, a graça; e prenunciador, isto é, que prenuncia
a glória futura¨.
271
§1131 Os sacramentos são sinais eficazes da graça,
instituídos por Cristo e confiados à Ìgreja, por meio dos quais
nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis sob os quais
os sacramentos são celebrados significam e realizam as
graças próprias de cada sacramento. Produzem fruto
naqueles que os recebem com as disposições exigidas.
§1152 Sinais sacramentais. Desde Pentecostes, é por meio
dos sinais sacramentais de sua Ìgreja que o Espírito Santo
realiza a santificação. Os sacramentos da Ìgreja não abolem,
antes purificam e integram toda a riqueza dos sinais e dos
símbolos do cosmos e da vida social. Além disso, realizam os
tipos e as figuras da antiga aliança, significam e realizam a
salvação operada por Cristo, e prefiguram e antecipam a
glória do céu.
22.3.2 Sinais da Confirmacão
§695 A unção. O simbolismo da unção com óleo também é
significativo do Espírito Santo, a ponto de tomar-se sinônimo
dele. Na iniciação cristã, ela é o sinal sacramental da
confirmação, chamada com acerto nas Ìgrejas do Oriente de
"crismação¨. Mas, para perceber toda a força deste
simbolismo, há que retomar à unção primeira realizada pelo
Espírito Santo: a de Jesus. Cristo ("Messias¨ a partir do
hebraico) significa "Ungido¨ do Espírito de Deus. Houve
"ungidos¨ do Senhor na Antiga Aliança de modo eminente o rei
Davi. Mas Jesus é o Ungido de Deus de uma forma única: a
humanidade que o Filho assume é totalmente "ungida do
Espírito Santo¨. Jesus é constituído "Cristo¨ pelo Espírito
Santo A Virgem Maria concebe Cristo do Espírito Santo, que
pelo anjo o anuncia como Cristo por ocasião do nascimento
dele e leva Simeão a vir ao Templo para ver o Cristo do
Senhor; é Ele que plenifica o Cristo é o poder dele que sai de
Cristo em seus atos de cura e de salvação. É finalmente Ele
que ressuscita Jesus dentre os mortos. Então, constituído
plenamente "Cristo¨ em sua Humanidade vitoriosa da morte,
Jesus difunde em profusão o Espírito Santo até "os santos¨
constituírem, em sua união com a Humanidade do Filho de
272
Deus, "esse Homem perfeito... que realiza a plenitude de
Cristo¨ (Ef 4,
13
): "o Cristo total¨, segundo a expressão de Santo
Agostinho.
§1293 Os sinais e o rito da Confirmação No rito deste
sacramento convém considerar o sinal da unção e aquilo que
a unção designa e imprime: o selo espiritual. A unção, no
simbolismo bíblico e antigo, é rica de significados: o óleo é
sinal de abundância e de alegria, ele purifica (unção antes e
depois do banho) e torna ágil (unção dos atletas e dos
lutadores), é sinal de cura, pois ameniza as contusões e as
feridas, e faz irradiar beleza, saúde e força.
§1294 Todos esses significados da unção com óleo voltam a
encontrar-se na vida sacramental. A unção, antes do Batismo,
com o óleo dos catecúmenos significa purificação e
fortalecimento; a unção dos enfermos exprime a cura e o
reconforto. A unção com o santo crisma depois do Batismo, na
Confirmação e na Ordenação, é o sinal de uma consagração.
Pela Confirmação, os cristãos, isto é, os que são ungidos,
participam mais intensamente da missão de Jesus e da
plenitude do Espírito Santo, de que Jesus é cumulado, a fim
de que toda a vida deles exale "o bom odor de Cristo¨
§1295 Por esta unção, o confirmando recebe "a marca¨, o seio
do Espírito Santo O selo é o símbolo da pessoa, sinal de sua
autoridade, de sua propriedade sobre um objeto - assim, os
soldados eram marcados com o selo de seu chefe, e os
escravos, com o de seu proprietário; o selo autentica um ato
jurídico ou um documento e o torna eventualmente secreto.
§1296 Cristo esmo se declara marcado com o selo de seu
Pai. Também o cristão está marcado por um selo: "Aquele que
nos fortalece convosco em Cristo e nos dá a unção é Deus, o
qual nos marcou com um selo e colocou em nossos corações
o penhor do Espírito¨ (2Cor 1,
21-22
; Ef 1,
13
; 4,
30
). Este selo do
Espírito Santo marca a pertença total a Cristo, o colocar-se a
273
seu serviço, para sempre, mas também a promessa da
proteção divina na grande provação escatológica
a
.
§1297 A CeIebração da Confirmação Um momento
importante que antecede a celebração da Confirmação, mas
que, de certo modo, faz parte dela, é a consagração do santo
crisma. É o Bispo que, na Quinta-feira Santa, durante a missa
do crisma, consagra o santo crisma para toda a sua diocese.
Nas Ìgrejas do Oriente, esta consagração é até reservada ao
patriarca:
A liturgia de Antioquia exprime assim a epiclese da
consagração do santo crisma (µupov mýron): Pai... enviai o
vosso Espírito Santo sobre nós e sobre este óleo que está
diante de nós e consagrai-o, a fim de que seja para todos os
que forem ungidos e marcados por ele: mýron santo, mýron
sacerdotal, mýron régio, unção de alegria, a veste da luz, o
manto da salvação, o dom espiritual, a santificação das almas
e dos corpos, a felicidade imperecível, o selo indelével, o
escudo da fé e o capacete terrível contra todas as obras do
adversário.
§1298 Quando a Confirmação é celebrada em separado do
Batismo, como ocorre no rito romano, a liturgia do sacramento
começa com a renovação das promessas do Batismo e com a
profissão de fé dos confirmandos. Assim aparece com clareza
que a Confirmação se situa na sequência do Batismo. Quando
um adulto é batizado, recebe imediatamente a Confirmação e
participa da Eucaristia [Cf CÌC cânone 866].
§1299 No rito romano, o Bispo estende as mãos sobre o
conjunto dos confirmandos, gesto que, desde o tempo dos
Apóstolos, é o sinal do dom do Espírito. Cabe ao Bispo
invocar a efusão do Espírito:
Deus Todo-Poderoso, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que
pela água e pelo Espírito Santo fizestes renascer estes
|a| Escatológica:
1
doutrina das coisas que devem acontecer no Iim dos tempos. no Iim do
mundo
1.1
teol doutrina que trata do destino Iinal do homem e do mundo; pode apresentar-se em
discurso proIetico ou em contexto apocaliptico etim escato- (gr. eskhatos.e.on 'extremo. ultimo')
¹ -logia.
274
vossos servos, libertando-os do pecado, enviai-lhes o Espírito
Santo Paráclito; dai-lhes, Senhor, o espírito de sabedoria e
inteligência, o espírito de conselho e fortaleza, o espírito da
ciência e piedade - e enchei-os do espírito de vosso temor.
Por Cristo Nosso Senhor.
§1300 Segue-se o rito essencial do sacramento. No rito latino,
"o sacramento da Confirmação é conferido pela unção do
santo crisma na fronte, feita com a imposição da mão, e por
estas palavras: 'Accipe signaculun doni Spitus Sancti, 'N,
recebe, por este sinal, o selo do Espírito Santo, o dom de
Deus. Nas Ìgrejas orientais de rito bizantino, a unção do µupov
(Miron) faz-se depois de uma oração de epiclese sobre as
partes mais significativas do corpo: a fronte, os olhos, o nariz,
os ouvidos, os lábios, o peito, as costas, as mãos e os pés,
sendo cada unção acompanhada da fórmula: "Z¢pqviç
` ôopsóç Rvsúµq¡oç Aviou¨, "Selo do dom do Espírito Santo¨.
§1301 O ósculo da paz, que encerra o rito do sacramento,
significa e manifesta a comunhão eclesial com o Bispo e com
todos os fiéis.
22.3.3 Sinais da Ordem
§1574 Como todos os sacramentos, ritos anexos cercam a
celebração. Variando consideravelmente nas diferentes
tradições litúrgicas, o que têm em comum é exprimir os
múltiplos aspectos da graça sacramental. Assim, os ritos
iniciais no rito latino - a apresentação e a eleição do
ordinando, a alocução do Bispo, o interrogatório do ordinando,
a ladainha de todos os santos - atestam que a escolha do
candidato foi feita de conformidade com a prática da Ìgreja e
preparam o ato solene da consagração, depois da qual
diversos ritos vêm exprimir e concluir, de maneira simbólica, o
mistério que acaba de consumar-se: para o Bispo e para o
presbítero, a unção do santo crisma, sinal da unção especial
do Espirito Santo que torna fecundo seu ministério; entrega do
livro dos Evangelhos, do anel, da mitra e do báculo ao bispo,
em sinal de sua missão apostólica de anúncio da Palavra de
Deus, de sua fidelidade à Ìgreja, esposa de Cristo, de seu
275
cargo de pastor do rebanho do Senhor; entrega da patena e
do cálice ao presbítero, "a oferenda do povo santo¨ que ele
deve apresentar a Deus; entrega do livro dos Evangelhos ao
diácono, que acaba de receber a missão de anunciar o
Evangelho de Cristo.
22.3.4 Sinais do Batismo
§628 O Batismo, cujo sinal original e pleno é a imersão,
significa eficazmente a descida ao túmulo do cristão que
morre para o pecado com Cristo em vista de uma vida nova:
"Pelo Batismo nós fomos sepultados com Cristo na morte, a
fim de que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela
glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova¨ (Rm 6,4).
§694 A água. O simbolismo da água é significativo da ação do
Espírito Santo no Batismo, pois após a invocação do Espírito
Santo ela se torna a sinal sacramental eficaz do novo
nascimento: assim como a gestação de nosso primeiro
nascimento se operou na água, da mesma forma também a
água batismal significa realmente que nosso nascimento para,
a vida divina nos é dado no Espírito Santo Mas "batizados em
um só Espírito¨ também "bebemos de um só Espírito¨ (1Cor
12,
13
): o Espírito é, pois também pessoalmente a água viva
que jorra de Cristo crucificado como de sua fonte e que em
nós jorra em Vida Eterna.
§1235 O sinal-da-cruz no limiar da celebração, assinala a
marca de Cristo naquele que vai pertencer-lhe e significa a
graça da redenção que Cristo nos proporcionou por sua cruz.
§1238 A água batismal é então consagrada por uma oração
de epiclese (seja no próprio momento, seja na noite pascal). A
Ìgreja pede a Deus que, por seu Filho, o poder do Espírito
Santo desça sobre esta água, para que os que forem
batizados nela "nasçam da água e do Espírito¨ (Jo 3,
5
).
§1241 A unção com o santo crisma, óleo perfumado
consagrado pelo Bispo, significa o dom do Espírito Santo ao
novo batizado. Este tornou-se um cristão, isto é, "ungido¨ do
276
Espírito Santo, incorporado a Cristo, que é ungido sacerdote,
profeta e rei.
§1243 A este branca simboliza que o batizado "vestiu-se de
Cristo¨: ressuscitou com Cristo. A vela, acesa no círio pascal,
significa que Cristo iluminou o neófito. Em Cristo, os batizados
são "a luz do mundo¨ (Mt 5,
14
). O novo batizado é agora filho
de Deus no Filho único. Pode rezar a oração dos filhos de
Deus: o Pai-Nosso.
22.3.5 Canto e música sinais na liturgia
§1157 O canto e a música desempenham sua função de
sinais de maneira tanto mais significativa por "estarem
intimamente ligados à ação litúrgica¨,
segundo três critérios principais: a
beleza expressiva da oração, a
participação unânime da assembleia
nos momentos previstos e o caráter
solene da celebração. Participam
assim da finalidade das palavras e
das ações litúrgicas: a glória de Deus
e a santificação dos fiéis:
Quanto chorei ouvindo vossos hinos,
vossos cânticos, os acentos suaves
que ecoavam em vossa Ìgreja! Que emoção me causavam!
Fluíam em meu ouvido, destilando a verdade em meu
coração. Um grande elã de piedade me elevava, e as lágrimas
corriam-me pela face, mas me faziam bem.
§1158 A harmonia dos sinais (canto, música, palavras e
ações) é aqui mais expressiva e fecunda por exprimir-se na
riqueza cultural própria do povo de Deus que celebra? Por
isso, o "canto religioso popular ser inteligentemente
incentivado a fim de que as vozes dos fiéis possam ressoar
nos pios e sagrados exercícios e nas próprias ações litúrgicas,
de acordo com as normas e prescrições das rubricas. Todavia,
"os textos destinados ao canto sacro hão de ser conformes à
doutrina católica, sendo até tirados de preferência das
Sagradas Escrituras e das fontes litúrgicas.
277
22.4 Igreja como Sinal
§775 "A Ìgreja é, em Cristo, como que o sacramento ou o sinal
e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo
o gênero humano.¨ Ser o sacramento da união íntima dos
homens com Deus é o primeiro objetivo da Ìgreja. Visto que a
comunhão entre os homens está enraizada na união com
Deus, a Ìgreja é também o sacramento da unidade do gênero
humano. Nela, esta unidade já começou, pois ela congrega
homens "de toda nação, raça, povo e língua¨ (Ap 7,
9
); ao
mesmo tempo, a Ìgreja é "sinal e instrumento¨ da plena
realização desta unidade que ainda deve vir.
22.5 Imposicão das mãos
§699 A mão. E impondo as mãos que Jesus cura os doentes
e abençoa as criancinhas. Em nome dele, os apóstolos farão
o mesmo. Melhor ainda: é pela imposição das mãos dos
apóstolos que o Espírito Santo é dado. A Epístola aos
Hebreus inclui a imposição das mãos entre os "artigos
fundamentais¨ de seu ensinamento. A Ìgreja conservou este
sinal da efusão onipotente do Espírito Santo em suas
epicleses sacramentais.
§1507 O Senhor ressuscitado renova este envio "Em meu
nome... eles imporão as mãos sobre os enfermos e estes
ficarão curados¨. Mc 16,
17-18
e o confirma por meio dos sinais
realizados pela Ìgreja ao invocar seu nome. Esses sinais
manifestam de um modo especial que Jesus é
verdadeiramente "Deus que salva¨.
22.6 Interpretar os sinais dos tempos
§1788 Para tanto, o homem deve se esforçar por interpretar
os dados da experiência e os sinais dos tempos graças à
virtude da prudência, aos conselhos de pessoas avisadas e à
ajuda do Espírito Santo e de seus dons.
278
22.7 Pão e vinho
§1333 A Eucaristia na economia da salvação os sinais do
Pão e do Vinho Encontram-se no cerne da celebração da
Eucaristia o pão e o vinho, os quais, pelas palavras de Cristo
e pela invocação do Espírito Santo, se tornam o Corpo e o
Sangue de Cristo. Fiel à ordem do Senhor, a Ìgreja continua
fazendo, em sua memória, até a sua volta gloriosa, o que ele
fez na véspera de sua paixão: "Tomou o pão...¨ "Tomou o
cálice cheio de vinho...¨ Ao se tomarem misteriosamente o
Corpo e o Sangue de Cristo, os sinais do pão e do vinho
continuam a significar também a bondade da criação. Assim,
no ofertório damos graças ao Criador pelo pão e pelo vinho,
fruto "do trabalho do homem¨, mas antes "fruto da terra¨ e "da
videira¨, dons do Criador. A Ìgreja vê neste gesto de
Melquisedec, rei e sacerdote, que "trouxe pão e vinho¨ (Gn
14,
18
), uma prefiguração de sua própria oferta.
§1334 Na antiga aliança, o pão e o vinho são oferecidos em
sacrifício entre as primícias da terra, em sinal de
reconhecimento ao Criador. Mas eles recebem também um
novo significado no contexto do êxodo: os pães ázimos que
Ìsrael come cada ano na Páscoa comemoram a pressa da
partida libertadora do Egito; a recordação do maná do deserto
há de lembrar sempre a Ìsrael que ele vive do pão da Palavra
de Deus. Finalmente, o pão de todos os dias é o fruto da Terra
Prometida, penhor da fidelidade de Deus às suas promessas.
O "cálice de bênção¨ (1Cor 10,
16
), no fim da refeição pascal
dos judeus, acrescenta à alegria festiva do vinho uma
dimensão escatológica: da espera messiânica do
restabelecimento de Jerusalém. Jesus instituiu sua Eucaristia
dando um sentido novo e definitivo à bênção do Pão e do
Cálice.
§1335 O milagre da multiplicação dos pães, quando o Senhor
proferiu a bênção, partiu e distribuiu os pães a seus discípulos
para alimentar a multidão, prefigura a superabundância deste
único pão de sua Eucaristia. O sinal da água transformada em
vinho em Caná já anuncia a hora da glorificação de Jesus.
Manifesta a realização da ceia das bodas no Reino do Pai,
279
onde os fiéis beberão o vinho novo, transformado no Sangue
de Cristo.
§1336 O primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos,
assim como o anúncio da paixão os escandalizou: "Essa
paIavra é dura! Quem pode escutá-la?¨ (Jo 6,
60
). A Eucaristia
e a cruz são pedras de tropeço. É o mesmo mistério, e ele
não cessa de ser ocasião de divisão. "Vós também quereis ir
embora?¨ (Jo 6,
67
). Esta pergunta do Senhor ressoa através
dos séculos como convite de seu amor a descobrir que só Ele
tem "as palavras da vida eterna¨ (Jo 6,
68
) e que acolher na fé o
dom de sua Eucaristia é acolher a Ele mesmo.
§1412 Os sinais essenciais do Sacramento Eucarístico
são o pão de trigo e o vinho de uva, sobre os quais é invocada
a bênção da Espírito Santo, e o sacerdote pronuncia as
palavras da consagração ditas por Jesus durante a ultima
ceia: "Ìsto é o meu Corpo entregue por vós. (...) Este é o
cálice do meu Sangue (...)¨
22.8 A Pomba
§701 No fim do dilúvio (cujo simboIismo está Iigado ao
batismo), a pomba solta por Noé volta com um ramo novo de
oliveira no bico, sinal de que a terra é de novo habitável.
Quando Cristo volta a subir da água de seu batismo, o
Espírito Santo, em forma de uma pomba, desce sobre Ele e
sobre Ele permanece. O Espírito desce e repousa no coração
purificado dos batizados. Em certas igrejas, a santa Reserva
eucarística é conservada em um recipiente metálico em forma
de pomba (o columbarium) suspenso acima do altar. O
símboIo da pomba para sugerir o Espírito Santo é
tradicionaI na iconografia cristã.
22.9 O Sangue
§2260 A aliança entre Deus e a humanidade está cheia de
lembranças do dom divino da vida humana e da violência
assassina do homem:
280
Pedirei contas do sangue de cada um de vós...Quem
derramar o sangue do homem, pelo homem terá seu sangue
derramado. Pois à imagem de Deus o homem foi feito (Gn 9,
5-
6
).
O Antigo Testamento sempre considerou o sangue como um
sinal sagrado da vida. A necessidade deste ensinamento é
para todos os tempos. (Ver também Cap. 2)
22.10 Sinais assumidos por Cristo
§1151 Em sua pregação, o Senhor Jesus serve-se muitas
vezes dos sinais da criação para dar a conhecer os mistérios
do Reino de Deus. Realiza suas curas ou sublinha sua
pregação com sinais materiais ou gestos simbóIicos. Dá
um sentido novo aos fatos e aos sinais da Antiga Aliança,
particularmente ao Êxodo e à Páscoa, por ser ele mesmo o
sentido de todos esses sinais.
22.11 Sinais na Antiga Alianca
§1150 O povo eleito recebe de Deus sinais e símbolos
distintivos que marcam sua vida litúrgica: estes não mais são
apenas celebrações de ciclos cósmicos e gestos sociais, mas
sinais da aliança, símbolos das grandes obras realizadas por
Deus em favor de seu povo. Entre tais sinais litúrgicos da
antiga aliança podemos mencionar a circuncisão, a unção e a
consagração dos reis e dos sacerdotes, a imposição das
mãos, os sacrifícios, e sobretudo a Páscoa. A Igreja vê
nesses sinais uma prefiguração dos sacramentos da
Nova AIiança.
22.12 Sinais da contradicão de 1esus
§575 Muitos atos e palavras de Jesus constituíram, portanto,
um "sinal de contradição¨ para as autoridades religiosas de
Jerusalém - que o Evangelho de São João com frequência
denomina "os judeus¨ - mas ainda do que para o comum do
povo de Deus. Sem dúvida, suas relações com os fariseus
não foram exclusivamente polêmicas. São os fariseus que o
281
previnem do perigo que corre. Jesus elogia alguns deles,
como o escriba de Mc 12,
34
, e repetidas vezes come com
fariseus. Jesus confirma doutrinas compartilhadas por essa
elite religiosa do povo de Deus: a ressurreição dos mortos, as
formas de piedade (esmola, jejum e oração) e o hábito de
dirigir-se a Deus como Pai, a centralidade do mandamento do
amor a Deus e ao próximo.
22.13 Sinais litúrgicos
§1149 As grandes religiões da humanidade atestam, muitas
vezes de maneira impressionante, este sentido cósmico e
simbólico dos ritos religiosos. A liturgia da Ìgreja pressupõe,
integra e santifica elementos da criação e da cultura humana
conferindo-lhes a dignidade de sinais da graça, da nova
criação em Jesus Cristo.
§1161 Todos os sinais da ceIebração Iitúrgica são
reIativos a Cristo: são-no também as imagens sacras da
Santa Mãe de Deus e dos Santos. Significam o Cristo que é
gIorificado neIes. Manifestam "a nuvem de testemunhas¨ (Hb
12,
1
) que continuam a participar da salvação do mundo e às
quais estamos unidos, sobretudo na celebração sacramental.
Por meio de seus ícones, revela-se à nossa fé o homem
criado "à imagem de Deus¨ e transfigurado "à sua
semelhança¨, assim como os anjos, também recapitulados em
Cristo:
Na trilha da doutrina divinamente inspirada de nossos santos
Padres e da tradição da Ìgreja católica, que sabemos ser a
tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com
toda certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens,
bem como as representações da cruz preciosa e vivificante,
sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria
apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus,
sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em
quadros, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de
Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de
Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos
santos anjos, de todos os santos e dos justos.
282
§1189 A celebração litúrgica comporta sinais e símbolos que
se referem à criação (luz, água, fogo), à vida humana (lavar,
ungir, partir o pão) e à história da salvação (os ritos da
Páscoa). Ìnseridos no mundo da fé e assumidos pela força do
Espírito Santo, esses elementos cósmicos, esses ritos
humanos, esses gestos memoriais de Deus se tornam
portadores da ação salvadora e santificadora de Cristo.
22.14 Sinais nos sacramentais
§1167 O domingo é o dia por excelência da assembleia
litúrgica, em que os fiéis se reúnem "para, ouvindo a Palavra
de Deus e participando da Eucaristia, lembrarem-se da
paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus, e darem
graças a Deus que os 'regenerou para a viva esperança, pela
ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos¨
Quando meditamos, ó Cristo, as maravilhas que foram
operadas neste dia de domingo de vossa santa ressurreição,
dizemos: Bendito é o dia do domingo, pois foi nele que se deu
o começo da criação (...) a salvação do mundo (...) a
renovação do gênero humano.(...) E nele que o céu e a terra
rejubilaram e que o universo inteiro foi repleto de luz. Bendito
é o dia do domingo, pois nele foram abertas as portas do
paraíso para que Adão e todos os banidos entrem nele sem
medo.
§1168 O ano Litúrgico: Partindo o tríduo pascal, como de sua
fonte de luz, o tempo novo da Ressurreição enche todo o ano
litúrgico com sua claridade. Aproximando-se
progressivamente de ambas as vertentes desta fonte, o ano é
transfigurado pela liturgia. É realmente "ano de graça do
Senhor¨. A economia da salvação está em ação moldura do
tempo, mas desde a sua realização na Páscoa de Jesus e a
efusão do Espírito Santo o fim da história é antecipado, "em
antegozo¨, e o Reino de Deus penetra nosso tempo.
283
22.15 Sinais para entender e expressar as realidades
espirituais
§1146 Sinais o mundo dos homens. Na vida humana, sinais
e símbolos ocupam um lugar importante. Sendo o homem um
ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe
as realidades espirituais por meio de sinais e de símbolos
materiais. Como ser social, o homem precisa de sinais e de
símbolos para comunicar-se com os outros, pela linguagem,
por gestos, por ações. Vale o mesmo para sua relação com
Deus.
§1147 Deus faIa ao homem por intermédio da criação
visíveI. O cosmos material apresenta-se à inteligência do
homem para que este leia nele os vestígios de seu criador. A
luz e a noite, o vento e o fogo, a água e a terra, a árvore e os
frutos falam de Deus, simbolizam ao mesmo tempo a
grandeza e a proximidade dele.
§1148 Enquanto criaturas, essas realidades sensíveis podem
tornar-se o lugar de expressão da ação de Deus que santifica
os homens, e da ação dos homens que prestam seu culto a
Deus. Acontece o mesmo com os sinais e os símbolos da vida
social dos homens: lavar e ungir, partir o pão e partilhar o
cálice podem exprimir a presença santificante de Deus e a
gratidão do homem diante de seu criador.
22.16 Sinal da Santa Cruz
§2157 O cristão começa seu
dia, suas orações e suas
ações com o sinal-da-cruz,
"em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo. Amém¨. O
batizado dedica a jornada à
glória de Deus e invoca a
graça do Salvador, que lhe
possibilita agir no Espírito
284
como filho do Pai. O sinal-da-cruz nos fortifica nas tentações e
nas dificuldades.
22.17 Símbolos da fé
São fórmulas, sancionadas pela
autoridade eclesiástica,
sintetizando as principais
verdades da fé cristã.
Etimologicamente, a palavra
símbolo, do grego, designa um
sinal de identificação. Desde os
primórdios cristãos, foi exigido
para o Batismo a profissão de fé,
como sinal de identificação com
os discípulos de Cristo. Mais
tarde, quando surgiram as
grandes heresias, os Concílios
elaboraram símbolos da fé (ou
credos). O mais antigo chegado
até nós (do séc. ÌÌ) parece ser o "Símbolo dos Apóstolos¨; o
mais conhecido, até por ser proclamado nas missas
dominicais e nas solenidades litúrgicas, é o "Símbolo de
Niceia-Constantinopla¨ (saído dos Concílios de 325 e 381);
mas, até aos nossos dias, têm sido vários os propostos, de
entre os quais se cita o "Credo do Povo de Deus¨ de Paulo VÌ
(30/6/1968). (Cf. Cat. 185ss).

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