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curso completo de sonorizacao ao vivo

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Quando em uma igreja, “ao vivo”, uma das funções do operador é controlar os níveis de som
produzidos pelas várias fontes sonoras. Existe um “nível médio”, aquele para o qual dizemos
que o volume está bom, seja para o coral, seja para os músicos ou para o pregador. Mas faz
parte da dinâmica do louvor e da pregação que o som às vezes seja mais alto, e às vezes mais
baixo, como um sussurro. A falta de dinâmica deixa a música ou a pregação entendiante.

O volume ideal de som é aquele em que todos consigam ouvir completamente os sons, mas
pela média. Isso quer dizer que, quando o pregador falar bem mais alto, para enfatizar algo, o
volume estará mais alto, mas ainda sem microfonar. E quando ele quiser sussurrar, mesmo
que o volume esteja bem baixo todos ainda vão conseguir ouvir.

Só que esse volume médio é difícil de conseguir em algumas pessoas. Há pregadores que tem
dinâmica muito, muito grande, e às vezes chegam a gritar. Se o sonoplasta for atuar no
volume a cada momento, será muito trabalho e com resultados ruins, pois nunca terá a rapidez
necessária para que o resultado fique bom. Aliás, é preferível nem mexer, pois a chance de
atrapalhar o pregador é grande. Se estiver muito alto, abaixe um pouco.

Existe um aparelho que serve para conter esses picos. É o compressor. Os circuitos do
compressor acompanham o “sobe-e-desce” do nível de sinal que passa por ele. Quando
detecta uma subida dessa energia acima de limites pré-estabelecidos, o compressor aplica uma
redução pré-determinada de modo a minimizar o pico. Quando bem ajustado, esse processo
ocorre de modo transparente e de modo que ninguém no templo perceberá sua atuação.

Compressor / limitador / expansor / gate da Alto.

Uma analogia para entender o funcionamento de um compressor:

Uma criança em uma cama elástica. À medida que ela vai pulando, vai ganhando altura, cada
vez mais e mais. Se ela estiver ao ar livre, pulará tanto que correrá o risco de “voar longe”. A
pregação sem compressor é assim: se o pregador for falando cada vez mais alto, chegará ao
momento em que teremos microfonia ou níveis ensudercedores.

Agora uma criança em uma cama elástica com um toldo de lona flexível por cima. Ao atingir
a altura da lona, esta funcionará como uma segunda cama elástica, mas desta vez empurrando
para baixo, como um freio. Quanto mais alto a criança pular, mais será pressionada pela lona
superior de volta da onde veio. Esse é o funcionamento do Compressor.

O grau de elasticidade da lona superior é a chamada taxa de compressão (Ratio) aplicada ao
sinal. Já a distância entre a cama elástica e a lona superior, onde a criança poderá pular
livremente, é chamada de limiar ou Threshold. Em uma pregação, o pregador ainda
conseguirá falar mais alto (o compressor preserva a dinâmica), mas não tanto o suficiente para
microfonar ou agredir os ouvidos.

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Sonorização ao vivo para Igrejas

Agora uma criança que pula em uma cama elástica com uma laje por cima. Se ela pular muito,
ela baterá a cabeça na laje. Esse é o Limitador, ou seja, um limite superior fixo. O limitador
pode ser usado para proteger caixas acústicas dos estalos e “tiros” dos cabos. O limitador nada
mais é que um tipo de compressor que, de tanto comprimir, acaba limitando.

Uma criança em uma cama elástica. Mas ela não quer pular. Podemos ir embaixo da cama
elástica e empurrá-la para cima. Esse é o papel do Expansor, pegar sinais muito baixos e
aumentá-los para dentro de um nível pré-estabelecido.

Por último, uma cama elástica sem crianças. O que fazer? Guardar a cama elástica. Essa é a
função do (Noise) Gate. Se o sinal for menor que um nível mínimo pré-determinado, ele corta
a saída do equipamento. Isso é útil quando temos muitos equipamentos com nível de ruído
alto. Então, após o gate ser acionado, todo o som (inclusive o ruído) é cortado.

Apesar de serem 4 funções diferentes, elas geralmente são encontradas em um único
equipamento, que é chamado pela sua função mais importante - os Compressores. Existem
equipamentos mais simples, sem uma ou outra função, mas a aquisição de um equipamento
que faça todas as funções é economicamente mais vantajosa.

Os compressores são largamente utilizados em estúdios, rádios e TV. Você já reparou que,
por melhor que sejam seus equipamentos, o som de um hino em CD é muito melhor que o
mesmo hino cantado ao vivo? Em grande parte, isso é porque o som é comprimido, e os
músicos e vozes ficam com volumes mais parecidos (enquanto em sonorização ao vivo é mais
comum vermos “disputas” de quem canta ou toca mais alto).

Em rádios FM, o uso de compressores é facilmente percebido. Uma música de “rock pauleira”
e uma “balada romântica” e até mesmo a voz do locutor tem sempre o mesmo volume médio.
Trabalho do compressor, que aproxima os níveis sonoros, diminuindo a dinâmica, mas
perceba que ela ainda existe, haverá alguns picos e baixos.

Atuação de um limitador. A onda foi limitada a um valor pré-definido. Se fosse um
compressor, a onda ainda ultrapassaria o limite, mas sua amplitude seria bastante reduzida.

Apesar da variedade de fabricantes do aparelho, apresentamos a explicação dos comandos
mais comuns encontrados em um Compressor:

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Sonorização ao vivo para Igrejas

- Threshold – nível limite. Estabelece o nível a partir do qual o compressor começará a atuar
sobre o sinal. Toda vez que o nível de sinal vindo da mesa ou do equalizador ultrapassar esse
limite, ele passará a sofrer compressão. Quando o nível de sinal descer abaixo desse limite,
ele não será afetado pelo equipamento. O valor é dado em dBu, nível de sinal elétrico.

- Ratio – razão, ou taxa de compressão. Aqui se controla o quanto de compressão o sinal
sofrerá (apenas o sinal que ultrapassou o Threshold. O valor é dado como uma razão, por
exemplo, 2:1 (dois para um), 4:1 , 8:1, etc, chegando até mesmo a ∞ : 1 (infinito para um).

Por exemplo, a razão 4:1 significa que se para 4 dBu que o nível de sinal suba, somente um
dBu será acrescentado à saída. Logo, se o sinal subir na entrada, 12 dBu, então a saída só
subirá 3 dBu. Já a taxa de compressão de ∞ : 1 (infinito para um) significa que, por mais que
o sinal suba, o nível de sinal só será elevado em 1 dBu, muito pouco. Na verdade, o nível de
sinal será limitado ao valor do Threshold.

- Attack e Release (tempo de ataque e tempo de relaxamento). O Attack controla a
velocidade em que o compressor passará a atuar a partir do momento em que detectar a
elevação do nível. Já o Release controla o tempo em que o compressor deixará de atuar. O
tempo é dado em milissegundos (ms). Esses controles são um pouco complicados, e muitos
equipamentos atuais vem com uma chave para controle automático dessas funções.

- Output – nível de saída. Sempre que um sinal for comprimido, haverá uma redução no seu
nível médio. Esta redução será tão maior quanto mais comprimido for o sinal. Assim, com
esse controle recuperamos o nível médio do sinal que tínhamos antes da compressão.

- VU´s meters – leds medidores. Há VU´s para podermos monitorar o nível de sinal.
Funciona igual aos VU´s das mesas de som, inclusive com a luz vermelha de Peak, quando o
sinal estiver alto demais. Nesse caso, diminua o Output.

Em um mesmo equipamento, pode haver vários Threshold, um para o compressor/limitador,
um para o expansor e outro para o Gate. Sempre confira o manual do equipamento.

Dos compressores, não há muito em se falar em prática, erros e casos. São aparelhos com
muitas funções, que exigem leitura atenta do manual e uma boa quantidade de prática para
aprender a utilizá-los bem. Essa explicação apenas é introdutória, serve para entender o
funcionamento, mas deverá ser utilizada somente com o manual do aparelho.

É necessário lembrar que é possível a utilização de um compressor para um instrumento ou
microfone específico, utilizando-se a entrada Insert da mesa de som. Como os compressores
têm dois canais, um aparelho “atende” a até dois canais.

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Sonorização ao vivo para Igrejas

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