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Procedimento ordinário

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LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.

Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009
PROCEDIMENTO ORDINÁRIO

7.

NOVO PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO

Em relação ao novo procedimento comum ordinário que já nem é tão novo assim, já tem um ano de existência, mas muito do que está lá vai ser discutido por um bom tempo. 7.1. OFERECIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA

A gente começa a análise desse novo procedimento comum falando do oferecimento da peça acusatória. No intensivo I vocês já tiveram aula de denúncia e queixa. Então, os pressupostos já foram bem fixados por vocês. Aqui vale apenas registrar que o número de testemunhas:  Procedimento ordinário – 8 testemunhas.  Procedimento sumário – 5 testemunhas. Lembrem-se de que apesar de haver alguma discussão, o ideal é você dizer que esse número seria por fato delituoso. Então, se eu tenho dois fatos delituosos no processo, o que me leva a concluir que esses dois fatos poderiam ser objeto de duas denúncias distintas, mas tendo sido reunidos pela conexão se tenha 8 testemunhas por fato delituoso. Último ponto importante aqui é o questionamento sobre o início do processo. Se você for questionado quanto a isso, é uma discussão eterna no processo penal. Discute-se quando se daria o início do processo. 1ª Corrente: O início do processo, segundo essa corrente mais tradicional, somente se daria com o início da peça acusatória. Essa corrente é pouco mencionada nos manuais, mas ganha um reforço da letra da lei. O art. 35, do Código de Processo Penal Militar, muitas vezes ignorado, esquecido. Mas se numa prova aberta você chega a mencionar isso, o examinador vai ficar bem interessado. O art. 35 é bem didático e claramente diz que o processo teria início com a: Relação Processual. Início e Extinção Art. 35. O processo inicia-se com o recebimento da denúncia pelo juiz, efetiva-se com a citação do acusado e extingue-se no momento em que a sentença definitiva se torna irrecorrível, quer resolva o mérito, quer não. 2ª Corrente: Por outro lado, muitos doutrinadores sustentam que ao invés de o processo ter início com o recebimento da peça acusatória, na verdade, a partir do momento do oferecimento, o processo já teria início. Então, são duas correntes bem divididas, mas os mais modernos tem se filiado a essa segunda corrente, entendendo que, uma vez oferecida a peça acusatória, o processo já teria início, mesmo que porventura essa peça fosse rejeitada pelo juiz. E o argumento utilizado para tanto é o seguinte: mesmo que o juiz rejeite a peça acusatória, diante da interposição de um RESI (o MP não se conformou com a rejeição), quem é que vai apresentar contrarrazões? O acusado. Então, seria contraditório você dizer que o acusado é intimado para apresentar contrarrazões e ainda assim ainda não haveria processo. Por isso, alguns entendem que, oferecida a peça acusatória, o processo penal já teria tido início. Nucci, Gustavo Badaró. Aí vai depender do concurso. Se é magistratura de SP, por exemplo, um concurso mais tradicional, você pode defender a primeira corrente. Mas se é um concurso mais moderno, tipo MPF, MP/MG, você pode dizer que seria o oferecimento da peça acusatória. Oferecida a peça acusatória, qual seria o passo seguinte:

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7.2.

REJEIÇÃO DA PEÇA ACUSATÓRIA

O primeiro ponto importante sobre a rejeição da peça acusatória: antes das alterações da Lei 11.719/08, alguns doutrinadores, principalmente do RS, faziam distinção entre rejeição e não recebimento: o o Não recebimento – estaria ligado a aspectos processuais (falta de uma condição) - RESI Rejeição – estaria ligada a aspectos de direito material – Apelação.

Isso, na prática, só servia para cair em prova quanto ao recurso cabível porque diziam eles que, como o não recebimento estava ligado a aspectos de direito processual, o recurso correto seria o RESI. Então, você, contra o não recebimento, deveria ingressar com o RESI. Já a rejeição, que estaria ligada a aspectos de direito material, o recurso cabível seria a apelação. É importante que vocês fiquem atentos porque mesmo esses doutrinadores agora dizem que essa distinção acabou. O próprio Auri Lopes Jr., no seu manual de 2009 diz que essa distinção teria acabado. Então, a palavra rejeição deve ser compreendida como expressão sinônima de não recebimento. E aí, independentemente da palavra que venha a ser utilizada (rejeição ou não recebimento), o recurso cabível será sempre o RESI porque hoje todas as hipóteses são ligadas aspectos processuais. E quais seriam, então, as causas de rejeição da peça acusatória? Importante, para que você não seja induzido a erro, fazer um quadro comparativo das causas de rejeição antes da Lei 11.719/08. CAUSAS DE REJEIÇÃO DA PEÇA ACUSATÓRIA ANTES da LEI 11.719/08 DEPOIS da LEI 11.719/08 Quando o fato narrado não constituir crime, cabe a Art. 395, I - Inépcia por inobservância da rejeição da peça acusatória. Agora, isso saiu da causa qualificação do acusado e exposição do fato de rejeição e hoje é causa de absolvição sumária delituoso. Quando o juiz verificasse a extinção da punibilidade. Art. 395, II – Ausência de pressupostos processuais Caso percebesse que o MP ofereceu denúncia em de existência e de validade relação a um fato delituoso cuja punibilidade estivesse extinta, caberia a ele rejeitar a peça Art. 395, II – Ausência de condições da ação acusatória Ausência das condições da ação – última hipótese Art. 395, III – Ausência de justa causa que daria ensejo à rejeição da peça acusatória. Antes, havia questões relacionadas ao direito processual (ausentes condições da ação), daí a expressão “não recebimento” e dos aspectos ligados mais ao mérito e, aí sim, rejeição da peça acusatória. Isso daí era o que se dava antes. E agora? Com a Lei 11.719, essas hipóteses, que estão no art. 395, do CPP, foram alteradas:

Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Alterado pela L011.719-2008) I - for manifestamente inepta; (Acrescentado pela L-011.719-2008) II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.
a) Primeira hipótese de rejeição da peça acusatória

O que eu devo entender por inépcia da peça acusatória. Cuidado com isso porque na ânsia de dar uma resposta rápida, o aluno, ao ser questionado sobre a inépcia, vai dizer o seguinte: que inépcia da peça acusatória seria a inobservância dos requisitos da peça acusatória. Cuidado com isso porque, na verdade, a inépcia seria a inobservância dos requisitos obrigatórios da peça acusatória. Vamos dar uma olhada no art.41,

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO do CPP, para a gente esclarecer isso, vai nos trazer os requisitos da peça. Só que como vimos no semestre passado, nem todos eles são de observância obrigatória. O art. 41, do CPP, traz os requisitos da peça acusatória e ele vai trazer alguns requisitos cuja observância seria obrigatória. Mas alguns deles não são obrigatórios e o art. 41 não diz, mas você sabe isso. Está aí o art. 41:

Art. 41 - A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.
Se você parar para pensar, o que há de importância na hora da denúncia é a exposição do fato e a qualificação do acusado. O resto é óbvio que você vai colocar. Na segunda fase do concurso não vai dizer que o resto é bobagem e que você não precisa se preocupar com isso. É óbvio que você tem que colocar a classificação do crime, o rol de testemunhas, tem que ser assinada e escrita em vernáculo. Mas cuidado, porque o que é importante mesmo, é a exposição do fato e a qualificação do acusado. Eu já comentei isso com vocês: no processo penal, o pedido é sempre genérico de condenação. Mesmo que por acaso na minha peça acusatória eu faça um pedido de aplicação de pena de morte, o juiz não deve rejeitar porque, afinal de contas, no processo penal o acusado defende-se da imputação e não da classificação que eu formulo. Aqui, por inépcia da peça acusatória você vai entender exatamente o quê? A inobservância dos requisitos obrigatórios da peça acusatória. Então, nesse caso, aí o juiz deve rejeitar. Basicamente, seriam apenas dois: a qualificação do acusado e a exposição do fato delituoso. Então, se você imaginar uma situação em que o promotor narre o fato de maneira precária, caberá ao juiz rejeitar. E uma outra observação importante: se, por acaso, a inépcia não for apreciada pelo juiz no momento da rejeição. Imaginem vocês o seguinte: o juiz não rejeita a peça acusatória pela inépcia. Ele pode apreciar isso depois? Entre nós, não precisa anotar: normalmente o recebimento, em galáxias bem longínquas, é feita por um carimbo. Geralmente, eles não lêem a peça acusatória lá nesses países do sudeste asiático. E aí vem o questionamento. É óbvio que, depois disso, a defesa vai trabalhar com isso. E eu pergunto: será que essa inépcia pode ser apreciada depois? Cuidado com isso. Essa inépcia da peça acusatória, a falta de exposição do fato criminoso, está ligada ao seu próprio exercício do direito de defesa. Mas cuidado! De acordo com a jurisprudência, apesar de alguns questionamentos doutrinários, essa inépcia só pode ser arguida pela defesa até o momento da sentença. De acordo com a jurisprudência, a inépcia da peça acusatória só pode ser arguida até o momento da sentença. Essa é a idéia da inépcia da peça acusatória: se você ficou calado até o momento da sentença, é porque você teria conseguido se defender. Então, em grau recursal você não poderia mais questionar essa inépcia. b) Segunda hipótese de rejeição da peça acusatória

Está no inciso II: ausência dos pressupostos processuais. Se pode dizer, apesar de muita discussão na doutrina, que esses pressupostos processuais seriam: Pressupostos de existência:  Existência de uma demanda, veiculada pela peça acusatória  Exercício da jurisdição caracterizada pela competência e imparcialidade do juízo  Existência de partes que possam estar em juízo. Insisto: esse tema, na doutrina processual penal, não tem tido um entendimento muito uniforme, mas para concurso, numa doutrina bem tradicional e para a gente ganhar uns pontos, vamos sustentar isso aí. Pressupostos processuais de validade:  Originalidade  Inexistência de litispendência e coisa julgada  Inexistência de vícios processuais.

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO A idéia aqui estaria ligada à originalidade da demanda, esses pressupostos processuais estariam relacionados à originalidade da demanda. Leia-se, portanto, relacionados à inexistência de litispendência ou de coisa julgada. E alguns doutrinadores também acrescentam aqui a inexistência de vícios processuais. c) Terceira hipótese de rejeição da peça acusatória

A terceira hipótese de rejeição também está no inciso II. Além da ausência de pressupostos processuais, vem a ser a ausência das condições da ação. A ausência das condições da ação também dará ensejo à rejeição da peça acusatória. De acordo com uma corrente mais tradicional, seriam aquelas mesmas do processo civil:  Possibilidade jurídica do pedido  Legitimidade para agir  Interesse de agir. Eu não vou colocar aqui a justa causa porque o legislador deu a ela um inciso separado. Tradicionalmente a justa causa é uma condição, só que a lei colocou em um inciso separado. De acordo com a doutrina tradicional, com aquela que costuma dizer que haveria uma teoria geral do processo (basta ler o livro da professora Ada com o Cândido Rangel), você vai ver que essas seriam as condições da ação penal. Porém, hoje, cada vez mais ganha corpo uma doutrina que vem buscar condições autônomas da ação penal e vem dizer que eu não posso importar isso do processo civil. E aí, para alguns doutrinadores (hoje alguns manuais já trazem até as duas classificações), você teria condições próprias aqui:     1ª Condição: Fato aparentemente criminoso 2ª Condição: Punibilidade concreta 3ª Condição: Legitimidade para agir 4ª Condição: Justa causa

Essa corrente mais moderna vai dizer que essas são as condições. Eu confesso que ainda não vi essas condições serem cobradas em prova. As outras já. Essas não, mas o dia vai chegar e a gente já vai ter trabalhado com isso. d) Quarta hipótese de rejeição da peça acusatória

Ocorre quando não houver justa causa para a ação penal. É a última hipótese de rejeição da peça acusatória. A justa causa, tradicionalmente é trabalhada como condição da ação. Aí você pode pensar que pelo fato de ter sido colocada em um inciso a parte deixou de ser condição da ação. Mas não. Melhor você dizer que o legislador teria colocado em inciso separado porque quis dar uma importância ainda maior à justa causa e para evitar discussões de que a justa causa não seria uma condição. Lembrem-se que justa causa aqui, apesar de ser uma expressão com vários significados, aqui deve ser compreendida como um lastro probatório mínimo para o início de um processo. Foi exatamente o que o Supremo entendeu no caso Palocci. Ali entendeu que não haveria prova suficiente para dar início a um processo e aí a denúncia só foi recebida contra o gerente da Caixa. Quer dizer, o gerente da Caixa era quem teria interesse na quebra do sigilo bancário lá do caseiro. Para a gente concluir esse raciocínio, lembrem-se que a rejeição da peça acusatória agora somente está relacionada a aspectos de direito processual. O legislador, claramente, quis colocar aqui só aspectos processuais. Portanto, podemos dizer tranquilamente que a rejeição da peça acusatória só vai produzir coisa julgada formal. Uma pergunta incessante: se o juiz rejeita minha peça acusatória, o que eu, como promotor, faço? Cuidado com isso. Diante da rejeição da peça acusatória, é óbvio que o recurso correto seria o RESI. De acordo com o art. 581, I, o recurso correto seria o RESI. Só que eu chamo a atenção de vocês para o dia a dia porque às vezes não vale a pena entrar com o RESI, mas buscar corrigir o defeito processual que deu origem

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PROCEDIMENTO ORDINÁRIO à rejeição da peça acusatória. Por exemplo, o juiz pode ter rejeitado sua peça por conta da inépcia. Você pode entrar com o RESI e discutir no tribunal se sua peça acusatória seria ou não inepta. Mas aí eu acho que se você for olhar de maneira bem objetiva e pragmática, ao invés de você entrar com o RESI, que vai demorar dois anos para ser apreciado pelo tribunal, o melhor é deixar a vaidade de lado e corrigir essa eventual inépcia da sua peça acusatória. Corrigido o defeito processual, oferece nova denúncia, torcendo para o juiz dessa vez não rejeitar. Se rejeitar aí você entra no CNJ, chama a mãe dele, todo mundo. Então, o recurso seria o RESI, mas, a depender do caso concreto, talvez seja mais válido que você como promotor corrija o defeito se for possível. Depois da rejeição da peça acusatória, o que segue? Na verdade, oferecida a peça acusatória, na verdade, temos duas possibilidades. Ou o juiz rejeita ou ele vai receber a peça acusatória. Vamos falar agora sobre o recebimento da peça acusatória. 7.3. RECEBIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA

Há alguns pontos a serem destacados. O primeiro deles diz respeito à chamada defesa preliminar. Cuidado com a defesa preliminar, também chamada por alguns chamada de resposta preliminar, não existe em todos os procedimentos. Na verdade, somente alguns procedimentos especiais irão tratar do assunto. E cuidado com isso para você não misturar as coisas. Uma coisa é essa defesa preliminar que não se confunde com a resposta à acusação, que foi trazida pelo novo procedimento que, por sua vez também não se confunde com a extinta defesa prévia. São coisas bem diferentes. Você pode colocar de maneira resumida: a defesa prévia não se confunde com defesa preliminar que, por sua vez também ano se confunde com a chamada resposta à acusação. Essas são três espécies de defesa absolutamente distintas, apresentadas em momentos diferentes e com conteúdo diferenciado.

a)

Defesa Prévia

Conforme eu comentei na aula passada, a defesa prévia já não existe mais. Acabou-se. Ela estava prevista no revogado art. 395. Qual era o momento para a sua apresentação? Após o interrogatório. Vejam que o processo já estava em andamento há muito tempo. E quem podia apresentá-la? Ao contrário das outras duas, a defesa prévia poderia ser apresentada tanto pelo acusado, quanto pelo defensor. E, por último, qual era a consequência de sua ausência? A ausência da defesa prévia não era causa de nulidade. Para quem atuou no dia a dia até o ano passado, em muitos casos, a defesa nem apresentava a defesa prévia porque não havia testemunhas a arrolar. Defesa prévia era uma folha de papel dizendo que o acusado era inocente e que provaria sua inocência durante o processo. Sua ausência não causava nulidade. A doutrina e a jurisprudência diziam era o seguinte: o que poderia dar ensejo à nulidade seria a ausência de intimação para apresentar a defesa prévia. Aí eu pergunto: você consegue visualizar isso? Quer dizer, a hipótese em que o acusado e seu advogado não fossem intimados? Cuidado porque a partir do ano de 2003 a presença do advogado no interrogatório tornou-se obrigatória. Então, a partir do momento em que você enxerga que o advogado deve estar presente ao interrogatório, e se você entendeu bem que a defesa prévia era apresentada após o interrogatório, todo mundo já saía intimado, tanto o acusado que acabou de ser interrogado, quanto o próprio advogado. Então, essa nulidade, na prática, dificilmente ocorreria. Isso é a defesa prévia que, insisto, acabou, não existe mais.

b)

Defesa preliminar ou resposta preliminar

A defesa preliminar não existe em todos os procedimentos. Quais seriam os procedimentos que vão exigir a defesa preliminar?

I. Crimes funcionais afiançáveis há defesa preliminar – Já cansou de cair em prova que no art. 514, do CPP tem procedimento especial para funcionários públicos. O Pacceli, na nova edição do livro dele, disse que isso aí estaria revogado. Para concurso, vamos aguardar um pouco e continuar sustentado.

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514 . eu pergunto: qual delas não é observada? O mais comum de todos é o do funcionário público. Lei de Improbidade Administrativa – É a última defesa preliminar. 43. que foi exatamente isso. da Lei 8. Percebam. Às vezes. V. Aí. tem um outro carimbo que é ‘notifique-se o acusado para apresentar defesa preliminar. Qual é a consequência?” De todas as hipóteses que eu citei. colocou lá como defesa preliminar. Então. Lei de Drogas: também há defesa preliminar –.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. E se é assim. temos também na Lei de Imprensa. “A defesa preliminar é apresentada entre o oferecimento e o recebimento da peça acusatória. visando impedir a instauração de lides temerárias.343. Apresentou defesa preliminar. dentro do prazo de 15 (quinze) dias. então. você consegue formar no juiz a convicção de rejeitar a peça acusatória. Eu insisto que vocês abram o código depois e marquem esse art. estando a denúncia ou queixa em devida forma. o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado. Procedimento originário dos tribunais – Art. Se você quiser anotar. e o juiz se convence que você é só um usuário de baladas de finais de semana. § 1º. para responder por escrito. Pergunto: qual a consequência? “Para o STJ. Art. pode esquecer que você não acha mesmo! III. E por quê? Pensem comigo: no caso de competência original dos tribunais. Ao invés de meter o carimbo de ‘recebo a denúncia’. A depender do caso concreto. você pode convencer o juiz que não seria tráfico. que o diga o caso Palocci. é preferível citar. § 7º. veja a importância. O examinador pode perguntar: “o procedimento da defesa preliminar não foi observado. Tem natureza cível. Qual é o momento para a sua apresentação? É aqui que o aluno tem que tomar cuidado. quem me garante que o examinador ficou sabendo disso? Na dúvida. aí você junta a carteira de trabalho. convenhamos. nos juizados. vai ter um carimbo de defesa preliminar de ‘notifique -se o acusado’. 55. II. VI. Lei de Imprensa – Art. vai lá e faz sustentação oral e tenta evitar o recebimento da denúncia. 55. metem o carimbo normal mesmo do recebimento da peça acusatória. você vai tentar evitar que lides temerárias sejam instauradas. o caso mais comum é o do funcionário público e porque geralmente o funcionário vai parar na vara comum onde não se tem o cuidado de verificar o crime e qual o procedimento específico. da Lei 8038/90. da Lei 11. a ausência de notificação para apresentação de defesa preliminar seri a causa de mera nulidade relativa (HC 72306 e Súmula 330). mas que não tem natureza criminal.” 60 . pelo momento da defesa preliminar.’ Na l ei de drogas é provável que haja vara especializada. Ou seja. Juizados Especiais Criminais – Aqui também há defesa preliminar e nos Juizados é a única que pode ser apresentada oralmente. 4º.” Então. E. Então. A lei de imprensa foi embora para o espaço. Só que o legislador não é trouxa e ele sabe dos efeitos dessa ação de improbidade. Por isso. que é a ausência da defesa preliminar. vamos imaginar que você foi denunciado por tráfico. IV. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Art. mostra que é artista da Globo. na hora da prova. Como o procedimento é célere e preza pela oralidade. Cuidado! Não existe no procedimento comum ordinário. Mas. Depois. a defesa preliminar pode ser apresentada oralmente. esse é o objetivo da defesa preliminar. Foi o que aconteceu com ele. ela está prevista no art. quem é que apresenta essa defesa preliminar? Só pode ser apresentada por advogado. isso é uma beleza.Nos crimes (funcionais) afiançáveis. E aí vem o ponto mais tormentoso de todos. é óbvio que aquele carimbão que fica pronto não é usado. senão.429/92. o quanto isso é espetacular porque você como acusado vai ter a oportunidade de ser ouvido antes do juiz receber a peça acusatória. a depender do caso concreto. 17.

E se é assim.” Já vimos. então. a palavra correta não seria citação. E o dá. (Acrescentado pela L-011. Qual é o momento para a sua apresentação? O momento é: após a citação do acusado. Art. dizendo que é nulidade relativa. Cuidado para não usar. se estou dizendo que é após a citação. você não precisa observar o art. E aí vai haver nulidade. quando necessário. que vai dizer exatamente isso: que seria uma nulidade relativa). O STJ. Então. o STJ entende que quando você for denunciar o funcionário por um crime afiançável e funcional. E qual é a posição do Supremo em relação ao assunto? “Inicialmente. mas a doutrina tem dito que a apresentação dessa resposta seria obrigatória. tudo continua como antes e vida que segue. Então. E a doutrina. Veja você. fizemos a comparação entre os institutos para que vocês não usem as expressões incorretas. a defesa prévia. Como a defesa preliminar se dá antes do recebimento.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Algum problema com essa súmula? É um grande absurdo porque mesmo que você concorde com os dizeres dela. Mas ela fala só do pobre coitado do funcionário público. Obviamente. Na resposta. você entende que é após o recebimento da peça acusatória.719-2008) Com isso. quando eu falo em citação é porque antes teria havido prévio recebimento. apresentadas em momentos distintos. O Supremo disse no obiter dictum que a inobservância da defesa preliminar daria ensejo a uma nulidade absoluta. no HC 85779. portanto. Quem tem que apresentá-la? Essa resposta à acusação somente pode ser apresentada por advogado.. especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas. por conta das muitas nulidades que são arguidas em relação a isso. aqui vai se dar após o recebimento e após a citação do acusado. 396-A. sob pena de ensejar nulidade absoluta por violação ao princípio da ampla defesa. Ela só vai existir nos procedimentos que foram mencionados. 514. em julgados mais recentes (e que confesso que esse tema no STF ainda não é muito tranquilo).2006 . isso é óbvio que é um tema novo. Não! São coisas distintas. o Supremo manifestou-se contrariamente à Súmula 330.É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do Código de Processo Penal. E sempre que eu falo em nulidade relativa e em nulidade absoluta. se a ação estiver amparada em um IPL. o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa. Falando sobre o recebimento. que a resposta à acusação. leia-se. vamos trabalhar com a resposta à acusação.. qualificando-as e requerendo sua intimação. por que ela não ampliou a sua aplicação também para a competência originária dos tribunais? É engraçado.09. Porque esse tal de prejuízo que faltam por aí é algo muito imaginário e algo que você não consegue comprovar. 396-A. Porém. Aqui teria que haver a notificação. dá um tratamento diferenciado para o funcionário. com objetivos distintos. Mas e no caso de incompetência? Ou você acha que ao processar um desembargador o STJ vai dizer para o desembargador que é desnecessária a observância da defesa preliminar a que o desembargador faz jus? Concorde ou não. ainda não chegou aos tribunais. eu precisava falar de defesa preliminar. o que você tem que lembrar automaticamente? Que a nulidade relativa deve ser arguida no momento oportuno. Eu disse que alguns doutrinadores dizem que quando a lei/jurisprudência falam em prejuízo ter que ser comprovado.DJ 20. essa súmula. o prejuízo jamais será comprovado. na ação penal instruída por inquérito policial. sumulou o assunto. penso eu. oferecer documentos e justificações. no mínimo. Por último. 61 . Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO STJ Súmula nº 330 . A defesa preliminar não existe no procedimento comum. c) Resposta à Acusação A resposta à acusação foi criada pela nova lei e está colocada no art. já vimos a defesa preliminar. para acabar com isso. Às vezes o aluno sai usando achando que é tudo a mesma coisa. tem dito que seria uma nulidade relativa (HC 94011. E o prejuízo deve ser comprovado.

olhando para o art. desde que não fosse caso de rejeição. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Voltando a falar do recebimento. Concorde você ou não é a que tem prevalecido. qual foi o problema? O problema é que a lei em dois momentos distintos usou a palavra “recebimento”. A primeira corrente diz o seguinte: o processo tem início com o oferecimento da peça acusatória. o juiz designará dia e hora para a audiência.719-2008) Então. Oferecida a peça acusatória o acusado seria notificado. surgiram basicamente duas correntes: 1ª Corrente: A peça acusatória deverá ser recebida logo após o oferecimento. Ele seria notificado para quê? Se ele está sendo notificado e se ainda não houve recebimento. 2ª Corrente: Essa segunda corrente. isso hoje já está um pouco mais tranquilo. ( Alterado pela L-011. o examinador pode perguntar: “qual é o momento para o recebimento da peça acusatória?” Quanto ao tema. e desde que não fosse caso de absolvição sumária. 399. de seu defensor. Haveria a possibilidade de absolvição sumária. Então.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Recebida a denúncia ou queixa. Oferecida a defesa preliminar. o processo teria início com o oferecimento. por escrito. Depois da resposta à acusação. Nos procedimentos ordinário e sumário. o juiz receberia a peça acusatória já designando audiência de instrução e julgamento. A primeira corrente teria se baseado no art. Aí depois vem a citação. PRIMEIRA CORRENTE Oferecimento da peça acusatória Recebimento da peça acusatória Citação Resposta Possibilidade de absolvição sumária SEGUNDA CORRENTE Oferecimento da peça acusatória Notificação Defesa Preliminar Possibilidade de absolvição sumária Recebimento da peça acusatória Vejam como as duas são bem antagônicas. Vejam comigo aqui a representação dessas duas correntes. mas à época da lei do ano passado. ele vai recebê-la. no prazo de 10 (dez) dias. Art. (Alterado pela L-011. se for o caso. claramente. basicamente de acordo com a primeira corrente. isso deixa de ser uma resposta acusação e pode. Caso não absolvesse sumariamente. o juiz. Já a segunda corrente. só para que você entenda abem como são bem antagônicas. se você fosse perguntar quando se dá o recebimento da peça acusatória. Agora havia a notificação do acusado. 396 Art. vinha dizendo que deveria ser recebida após a apresentação da resposta à acusação. recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação. 399. do Ministério Público e. E qual das duas tem prevalecido? A primeira. o procedimento seria esse: o recebimento da peça acusatória vai se dar logo após o seu oferecimento (continua tudo como era antes). o juiz poderia fazer o quê? De absolver sumariamente. oferecida a denúncia ou queixa. se não a rejeitar liminarmente. 396. se baseava na leitura do art. Já para a segunda corrente. chamar isso de espécie de defesa preliminar. 396 diziam: o recebimento está se dando aí. existe a possibilidade de absolvição sumária. ordenando a intimação do acusado. o acusado é citado para apresentar resposta à acusação. Mais uma vez o doutrinador usa a palavra recebida. do querelante e do assistente.719-2008) Alguns doutrinadores. Se o juiz não rejeitar. E pelos seguintes motivos: 62 .

sem que antes tenha havido prévio recebimento da peça acusatória. art. Há dez ou doze páginas.719-2008) II . o recebimento não precisa ser fundamentado. você leia o art. é porque antes ocorreu o recebimento. eu só posso ser citado se antes ocorreu o recebimento. do CPP. nos moldes do que ocorre em outros procedimentos especiais. Nos procedimentos ordinário e sumário. Na prática.” Como é que eu posso absolver sumariamente alguém. 63 .719-2008) I . o que é um absurdo. Para a prova da magistratura. o projeto foi alterado no Congresso Nacional. daí você precisar fundamentar. (Alterado pela L011. a dica. Só que quando a agente vai estudar a lei. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Alterado pela L-011. quem vai fazer prova da magistratura. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 1º Motivo: “De acordo com o art. Ou seja. do CPP você vai perceber o seguinte: Art.o último motivo interessante para você dizer que prevalece a segunda corrente é o seguinte: 3º Motivo: “Para a segunda corrente. é que.” Então. Ou seja. se assim acontece.” Art. oferecida a denúncia ou queixa.faltar justa causa para o exercício da ação penal. Para a gente concluir: o recebimento da peça acusatória precisa ser motivado? Cuidado com isso! “De acordo com a jurisprudência (porque alguns doutrinadores questionam isso). 395. 395.” Esse foi o motivo que levou senadores e deputados a alterar o projeto. se aí ele está usando citação. A não ser que você diga que aí a palavra citação foi usada erradamente. no prazo de 10 (dez) dias.719-2008) Se você combina esse artigo com o art. É que nesse caso houve defesa preliminar. ou III . 396. no caso do inquérito do Mensalão. 395: Art. 396. o que a gente recomenda? Por que a jurisprudência diz que não precisa fundamentar para que o juiz não faça um prejulgamento. ao invés de você usar aquele capitulo do carimbo (recebo a denúncia). Quando saiu a lei muitos autores do anteprojeto ficaram indignados. se não a rejeitar liminarmente. (Alterado pela L-011.for manifestamente inepta. por escrito. é impossível que o processo esteja completo sem que antes tenha ocorrido o recebimento da peça acusatória. 363. a fim de que o recebimento se desse logo após o oferecimento da peça acusatória. nas hipóteses que eu citei. Essa é a dica para a prova da magistratura. a absolvição sumária ocorreria antes do recebimento da peça acusatória. E os argumentos esposados na defesa preliminar precisam ser rechaçados. 2º Motivo: “Apesar de a intenção dos autores do anteprojeto ter sido a criação de uma defesa preliminar. moral da história: prevalece a primeira corrente. (Acrescentado pela L-011. a jurisprudência diz que isso poderia levar a um prejulgamento e violar a sua imparcialidade.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Ora. o juiz. Mas se ele usou citação e disse antes que o processo vai ter completada a sua formação quando realizada a citação. o processo terá completada sua formação quando realizada a citação do acusado. A depender de como você faz essa motivação. na hora de receber a denúncia. você tem que interpretar o que foi aprovado e o que foi aprovado foi isso.719-2008) A não ser que você me diga que o legislador aí usou a palavra citação equivocadamente. 363. sendo o correto “notificação”.faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal. não fica muito legal. com a imediata interrupção da prescrição. dêem uma olhada no recebimento. salvo nas hipóteses em que haja defesa preliminar no procedimento. tudo como era antes. a peça acusatória vai ser recebida logo após o seu oferecimento. já que para absolver eu preciso entrar na análise do mérito. recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. Então.

395 a contrario sensu. vício na citação. antes de o ato consumar-se.” Esse é exatamente o conceito de citação. por mais que tenha havido um defeito na citação. Muito cuidado porque. desde que o interessado compareça. essa nulidade pode ser sanada. se tem que a citação consagra tanto o contraditório. cuidado com isso. ou seja.4. sem problema algum. O juiz ordenará. E como eu faço isso? Com o comparecimento do acusado. A gente pode até sugerir a mudança do carimbo. Ficou mais bonito. caso o acusado compareça. E. apesar de causar nulidade absoluta. quando reconhecer que a irregularidade poderá prejudicar direito da parte. o que há de importante? Primeiro vamos conceituar: “Citação é o ato processual pelo qual se leva ao conhecimento do acusado a notícia de que contra ele foi recebida peça acusatória. como o objetivo foi atingido. de acordo com essa regra do art. pode ser corrigida. Há algumas exceções a essa regra. desde que o acusado compareça. presentes os pressupostos processuais e as condições da ação (inciso II). essa nulidade absoluta pode ser sanada. eu vou lembrar daquele princípio da instrumentalidade das formas. dará ensejo a quê? Se a citação consagra esses dois princípios. leia=se. Parece que você analisou a denúncia. apesar de vício na hora da citação dar ensejo a nulidade absoluta. Art. do CPP. Quando é. ele é convidado para se defender. por conta do art. da intimação ou notificação estará sanada. 570. também não se pode deixar de visualizar. a citação é dita ser um misto de contraditório e ampla defesa. a suspensão ou o adiamento do ato. então. Qual é a forma usual de citação no processo penal? A regra no processo penal é que a citação seja feita sempre de modo pessoal. Você usa o art.A falta ou a nulidade da citação. eventual vício na hora da citação. Por isso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. embora declare que o faz para o único fim de argüi-la. então. Ao mesmo tempo em que é cientificado de que uma peça acusatória contra ele foi recebida. grosso modo. todavia. Então. 570. será causa de nulidade absoluta. Interessante você visualizar que a citação acaba sendo um misto de dois princípios básicos do processo: o o Contraditório e Ampla defesa. um chamamento do acusado para que possa se defender. Aí você começa a decisão dizendo assim: peça acusatória formalmente em ordem (aí você diz que não vai rejeitar por causa do inciso I). Mas cuidado. havendo justa causa para a ação penal (inciso III). deverá ser cumprida por oficial de justiça por meio de mandado de citação. quando a ampla defesa. 570 . ao mesmo tempo em que ele é comunicado disso. por último. 570. Aí você não estará fazendo nenhum prejulgamento. parece que você viu a presença dos pressupostos e das condições e. A citação acaba estando ligada ao contraditório e à ampla defesa. Mas aqui temos uma exceção importante. porque ela comunica o acusado acerca da existência do processo. Ou seja. mesmo que haja algum defeito na citação. recebo a peça acusatória. 64 . Pela regra do art. Por que ela consagra o contraditório? Por conta da comunicação feita ao acusado. que podemos dizer que a citação. ao mesmo tempo que estará atendendo ao comando constitucional que demanda que toda decisão do Poder Judiciário seja fundamentada. (Intervalo) 7. Quando eu falo isso. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Olha o raciocínio bem interessante que você pode fazer na hora de receber a denúncia. CITAÇÃO DO ACUSADO Sobre citação. Ou seja. Pergunto a vocês: eventual vício relativo à citação. para que possa se defender. Ou seja. viu que ela está em ordem. na citação. Por isso. Nós já vimos quais são as causas de rejeição. as causas de nulidade absoluta não podem ser sanadas. a presença da justa causa.

Mas alguns dizem que sim. O aluno tem que raciocinar com isso porque lá no processo civil vocês não tem isso. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. vamos fazer uma análise da citação por edital e por hora certa. também será considerado revel. mesmo o acusado revel precisa ser intimado e por quê? Por causa de sua capacidade autônoma de recorrer. hoje.” Então. não será pessoal? O aluno geralmente cita citação por edital e hora certa. Na prática. Mas agora tem uma novidade interessante. Dá uma lida no início desse artigo (acusado citado por edital). portanto. não comparece injustificadamente. Pergunto: quais são os efeitos da revelia no processo penal? No processo civil a gente estuda a tal da presunção da veracidade dos fatos. a) REVELIA Mas antes queria perguntar. na sentença condenatória. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. mesmo estando revel. essa é a revelia.Se o acusado. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO no processo penal. 366 Art. não comparecer. Mas além dessas duas alguns doutrinadores citam outros exemplos de exceções: o o Citação do inimputável – Ele deve ser citado na pessoa do seu curador. ou muda de residência sem comunicar o ju ízo.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. 65 . podemos dizer que ela vai se aplicar tanto a quem é citado por hora certa. Então. são as hipóteses seguintes: o o Citação por edital Citação por hora certa Essas duas últimas formas de citação são muito importantes. Antes era só para quem era citado pessoalmente. Então. ao ler o art. poderia chegar à conclusão de que não haveria revelia porque o processo sempre estaria suspenso. Leia-se. 366. nem constituir advogado. quanto para quem também é citado pessoalmente. Mas cuidado. que prevê a citação do acusado. se for o caso. Por isso ele tem que ser intimado. O que há de importante mesmo. você pode também entender que o acusado citado por hora certa que desaparecer também será considerado revel. Agora. O acusado também pode. Será que isso pode ser trazido para o processo penal? De modo algum. salvo na hipótese de sentença condenatória. decretar prisão preventiva. quanto o seu advogado. perceba que ele apenas pode ser aplicado a quem foi citado por edital. Citação da pessoa jurídica – Eu acho que não seria uma exceção. Você tem sempre que relacionar a revelia a quem é citado de maneira pessoal. vai existir revelia. já que estamos falando de citação: existe revelia no processo penal? Ou será que você me diz que diante do art. 312. Não é só o advogado que pode recorrer. Aqui no processo penal tem. O aluno. de maneira precipitada. já não haveria mais a revelai? Cuidado porque quando você lê o art. na prática: “O único efeito da revelia no processo penal é a desnecessidade de intimação do acusado para a prática dos demais atos processuais. tanto o acusado. 366. citado ou intimado pessoalmente. nos termos do disposto no Art. Antigamente era só para quem é citado pessoalmente. Os dois têm que ser intimados. porque a citação seria feita na pessoa do seu representante legal. sobre a revelia. Mas agora. Mas hoje também existe a citação por hora certa. com a inserção da citação por hora certa. “Revelia no processo penal ocorre quando o acusado.” Da sentença condenatória. citado por edital. que para quem não foi citado por edital e desaparece no mundo. Isso sem muita relevância. Se o acusado citado por hora certa desaparece. 366 .

Você tem que considerar as duas coisas. Dá para citar por edital quem mora numa favela violenta? Não dá. numa situação dessa. b) Citação por EDITAL Quem é citado por edital? Vejamos as hipóteses anteriores à Lei 11.719? o o o o Acusado em lugar incerto e não sabido – se ele estava sumido. que trata do local inacessível. 362 . Acusado que se ocultava para não ser citado – também era citado por edital. não comparecer. você vai continuar exigindo a citação. 363: Art. em virtude de epidemia. O oficial de justiça certificou que o acusado morava em local inacessível. será citado por edital.A citação ainda será feita por edital: I . a citação farse-á por edital. mas o processo vai seguir o seu curso. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO A revelia no processo penal não acarreta a presunção de veracidade dos fatos. no caso de citação por hora certa. Então. Se ele se evadiu é porque.Se o réu não for encontrado.quando incerta a pessoa que tiver de ser citada. no caso de mudança de residência. Uma vez eu vi uma sentença onde o juiz colocou assim: “o acusado está foragido. desaparecido. Essas eram as quatro hipóteses de citação por edital. pelo fato de a pessoa ser moradora de uma favela.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. epidemia. Agora já está riscado. com o prazo de Perceba que esse artigo continua em pleno vigor. Art. 361 . também.719-2008) II . (Revogado pela L-011. com o prazo de 5 (cinco) dias. Uma vez eu peguei uma certidão de um oficial de justiça querendo levantar a bola para isso aí. (Revogado pela L011.719. Vamos ao art. mas é óbvio que vai pedir que uma escolta seja providenciada para que o oficial possa se deslocar com segurança. Agora nós sabemos que essa pessoa que se oculta não é mais citada por edital e sim.O processo seguirá sem a presença do acusado que. citado ou intimado pessoalmente para qualquer ato. Convenhamos.719-2008) Cuidado com o inciso I. Acusado estava em local inacessível – o que o código dizia era se ele estava em local inacessível em virtude de guerra. o acusado também será considerado revel se. por hora certa. Perceba que esse artigo não foi alterado pela reforma. Guerra? Epidemia? Não! Ele morava numa favela. era citado por edital. de certa forma.quando inacessível. 363 . mas não dá para entender que. você tem que ver a situação do oficial porque infelizmente há vários casos de oficiais que são mortos no exercício da função. 66 . assume sua culpabilidade. um advogado vai ser nomeado. mas agora deve ser relido com a citação por hora certa porque agora. que tem que ser citada por edital. 362: Art. Se acusado fosse pessoa incerta – qualificação incerta do acusado. Quem era citado por edital antes da Lei 11. o lugar em que estiver o réu. 367 . E aí o local era extremamente violento e o oficial disse que o local era inacessível. de guerra ou por outro motivo de força maior. Então. Vejamos isso no texto da lei: 15 (quinze) dias.” Tá maluco! Art.Verificando-se que o réu se oculta para não ser citado. ou. não comunicar o novo endereço ao juízo. citado. Art. deixar de comparecer sem motivo justificado.

719. O processo correu como se ele fosse o irmão. Um militar servindo no Haiti. vejam que essas duas hipóteses. Eu se sou ele. Ele será citado pessoalmente. Ele quer que você dê uma porrada na bola pedindo a citação por edital. Acusado que se oculta – será citado por hora certa. Como é que na cidade de São Paulo eu posso oferecer denúncia desse jeito? Não tem o menor cabimento. Ele perdeu o emprego e a gente bem sabe como vai ficar esse estigma para o resto da vida. quem se ocultar para não ser citado não é mais causa de citação por edital.A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso. O oficial de justiça vai lá e é informado de que o Tício mudou. você oferecer denúncia contra alguém sem que você tivesse seus dados pessoais. por mais que não tenhamos sua qualificação. Então. 41 . olhos claros. edital esse com prazo de 15 dias. foram revogadas. Só que agora o Código revogou isso. há como citá-lo. Vê pega o manual de processo penal e lá na denúncia. Quando estudamos denúncia no semestre passado. como vimos. quando necessário. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Então. O Código agora. apresentou a documentação do outro irmão. E as duas últimas hipóteses. 41: Art. Então hoje. ação de indenização contra o Estado. 361) – essa hipótese continua. 361 está em pleno vigor: se a pessoa está em local incerto e não sabido será citada por edital. Uma coisa é. tamanho pequeno (máximo 1. filiação? Teoricamente pode. Conclui que o acusado está em local incerto e não sabido. o rol das testemunhas. o Hoje. finalmente.60). Ofereço denúncia contra: “pessoa de pele clara. você pode muito bem dizer que se já não cabe mais a citação por edital contra essa pessoa incerta. Eu só 67 . RG. basicamente. com todas as suas circunstâncias. foram revogadas pela Lei 11. o sentido é um só. data de nascimento. baixa uma luz e resolvem juntar os dois. a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. como promotor. a única hipótese de citação por edital ocorre quando o acusado tiver em local incerto e não sabido. local inacessível e pessoa incerta. Então. em 2008/2009. quais são hoje as hipóteses previstas na lei? o Acusado em lugar incerto e não sabido (art. Mas isso é hipótese que não acontece. você vai ter que procurar dados quanto à qualificação. cabelo sempre com gel. Até que o outro e encontrado e é preso. faz? Aí você tem que tomar cuidado porque o oficial de justiça faz isso para levantar a bola. admitirmos o oferecimento de denúncia contra uma pessoa incerta. Ele como militar. essa pessoa poderia ser denunciada e. E qual o sentido disso? A meu ver. deu um endereço. Pelo art. O que eu quero dizer com isso? Imaginem o seguinte exemplo: o acusado. mas posso lhes garantir que se um militar estiver respondendo a um processo penal dificilmente ele vai para o Haiti porque para o militar ir para o Haiti é muito importante e difícil. vocês vão saber que eu estou me referindo a determinada pessoa. você vê: “é possível denúncia contra pessoa incerta?” Teoricamente é. por exemplo. seria ela citada por edital. em 2009. a gente falou o seguinte: posso oferecer denúncia contra alguém que eu não tenha os dados concretos? Sem ter nome. cuidado porque antes de citar por edital. Será citado por hora certa. Caso do Paraná ontem: um irmão. Finalmente. está sendo muito claro. essa pessoa incerta também não poderia ser denunciada. Mas e se ele estiver numa guerra? Aí você pode entender como local incerto e pode ser citado por edital. Ele certifica que no dia tal. Diante das alterações trazidas pela Lei 11. antes. Tanto era que você conciliava as duas coisas. Mas vão procurar o irmão inocente. Mas aí. se eu dou essa descrição. Na verdade. 41. antes de denunciá-la. Aí verificam que a denúncia teria sido oferecida contra a pessoa errada. A citação por edital para o acusado que está em local incerto e não sabido deve ser usada a título excepcional. Eu coloco isso na denúncia. na década de 40. compareceu ao local indicado na denúncia e lá não encontrou o acuado. a classificação do crime e. Mas o Código que diz isso é de 1941. O que você. não possui ombros e com uma voz parecida com a do Pato Donald e que está sempre com um livro na mão fazendo propaganda. precisamos entender que é uma citação excepcional e que só será possível após o esgotamento dos meios de localização do acusado. Ele é encontrado e permanece preso por mais de 4 meses. E como eu vou citar essa pessoa? Então.719. Aí ficam os dois presos. A pessoa incerta é aquela sobre a qual você tem alguns dados. quando cometeu o crime. Só que aí parece que ele foge do presídio e aí vão procurar. Já não dá mais para.” Alguém teria dúvida quanto a esse acusado. você vai descrevê-la.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. mesmo que eu não tivesse o nome dele? Vamos ao art. o irmão é solto. ao ser preso. O art. não está em local incerto.

312. por motivo de força maior. mas a questão da prescrição.271/96. A proposta da lei à época é que a norma de suspensão processual poderia ser aplicada. como a antiga não foi revogada. Empresas de telefone celular. foi essa a posição que prevaleceu? Não. justificariam a citação por edital. artigo esse que teve sua redação alterada pela Lei 9. 366 vai trazer como consequência a suspensão do processo o que. 366. não comparecer. Art. 366. além disso. vou aplicar para ela o famoso art. a suspensão da prescrição é prejudicial ao acusado. só se aplica aos crimes cometidos após a sua vigência. O art. você vai entender que como a norma penal é prejudicial. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. se for o caso. porque apesar do brilhantismo ímpar de tal posição. quando ele tem natureza mista (reúne norma penal e norma processual). nitidamente norma de direito material. uma norma de direito material gravosa porque. a depender da natureza jurídica. 366 foi alterado em 1996). Surge então. surge o questionamento em relação ao crime ocorrido em 1995. Mas eu os convido a pensar sobre o assunto: os §§ 1º e 2º foram revogados. contempla também a suspensão da prescrição. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. a lei trouxe uma nova redação para o caput. afinal de contas. a primeira vista se poderia levar a crer que se trata de norma processual (sobre a qual incide o princípio da aplicação imediata). Mas o problema é que. por exemplo (lembre-se que o art. 366. energia elétrica. Então. 366 teria sido então revogado. Natureza jurídica do art. E. Se é assim. Alguns disseram isso. 366 tem natureza mista ou híbrida. A citação ainda será feita por edital quando inacessível. além de contemplar a suspensão do processo. ela permanece em pleno vigor. A nova redação foi vetada. o que eu faço em relação. 366. Quando isso aconteceu (há um ano). citado por edital. Esses ofícios demonstram que você esgotou os meios e se não derem resultado. Art. Se a nova redação foi vetada. nos termos do disposto no Art. Citada a pessoa por edital. o art.719-2008) VETADO. essa polemica surgiu e LFG foi um desses e entendeu que a suspensão do processo poderia ser aplicada. ou seja. Eu não posso jamais chegar a essa conclusão. companhia de gás. Mas o aluno tem que ter cuidado porque essa nova redação do caput foi vetada pelo Presidente da República. concluo o seguinte: permanece em pleno vigor o caput do art. a pergunta: a primeira norma (suspensão do processo) é norma processual. o ideal é que você busque esse indivíduo através da expedição de ofício aos órgãos públicos de praxe. Vejamos o que nos diz o caput do art. À época. 366. telefone.” Ou seja. não foi a intenção do legislador. além dos parágrafos terem sido revogados. 366. Vejamos aqui vários aspectos em relação ao art. você aplicaria ou não aos processos em andamento. aí sim. O art. A segunda norma (suspensão da prescrição) é. eles saíram do mundo jurídico. 366 para ele? Então. li alguns artigos sobre isso e esses artigos começaram a dizer que o art. Antes de pedir a citação por edital. 366 – Qual seria a natureza jurídica do art. você aí o fazendo estaria criando uma terceira lei e estaria cindindo a suspensão da prescrição o que. nem constituir advogado. somente sendo aplicável aos crimes cometidos após a entrada em vigor da Lei 9. 366 também vai acarretar a suspensão da prescrição. Moral da história: “O art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO posso citar por edital após esgotados os meios de localização do acusado. Se os parágrafos foram revogados.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. a lei também trouxe uma nova redação do caput. detalhe. Cuidado com um detalhe importante: a Lei 11.271. não. 366 .Se o acusado. já que o crime cometido por ele foi praticado antes do art. E. 366. mas não a suspensão da prescrição. convenhamos. a um crime cometido em 1995? Será que eu aplico o art.719 revogou os dois parágrafos do art. o lugar em que estiver o réu. você aplica o critério do direito penal. (Alterado pela L011. 366. decretar prisão preventiva. além da suspensão do processo e de maneira umbilical. 68 . Aí vem a pergunta: diante dessa constatação. 366? Isso vai ter relevância porque à época.

esse seria o máximo de suspensão. a prescrição voltaria a correr novamente. o processo retoma o seu curso normal. Nem o advogado e nem o acusado vão comparecer. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. mas como não passou a nova redação do art.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.” 69 . Essa corrente sempre prevaleceu nos tribunais estaduais. a depender da pena máxima prevista para o delito.Se o acusado. o tempo de prescrição pela pena máxima em abstrato do crime previsto na denúncia. passados os 20 anos sem que o acusado tenha sido encontrado. Aí fica aquela pergunta: interessa à sociedade e ao Estado retornar esse processo depois de 70 anos? De modo algum. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. hoje. a pena é de 1 a 4 anos. 312. Então. 366 . decretar prisão preventiva. após o que. que foi a resposta da magistratura. citado por edital. É óbvio que ninguém lê o edital. a prescrição voltaria a correr novamente. vai ficar com prazo indeterminado. julga-se extinta a punibilidade ao final. o processo vai ficar suspenso e a prescrição no prazo determinado. Se esquecem rápido dos fatos. daí a importância da segunda que vai usar a prescrição da pretensão punitiva abstrata. joga no art. o processo vai seguir normalmente. deverá ser declarada a extinção da punibilidade. E aí. 8 anos seria o máximo de suspensão. extinta a punibilidade. que causa uma certa perplexidade isso. Isso. quero realizar sua oitiva. por exemplo. Essa corrente ainda nem foi aplicada. quando foi aprovada. Os tribunais estaduais preferem a segunda corrente. Primeiro porque. Pense. Afinal. além do racismo e da ação de grupos armados contra a ordem constitucional. com base no art. 366. o tempo máximo de prescrição previsto no Código Penal (20 anos) quando. num caso concreto.719. que você foi citado por edital aos 19 anos. 1996. Então. 366. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO O art. Então. 366 Art. Isso gera críticas. Aí vêm as correntes (caiu na penúltima prova da magistratura): 1ª Corrente: Admite-se como tempo máximo de suspensão de processo. A primeira corrente tem o grave defeito de dar tratamento igual a crimes diferentes. RE 460971). 366. 366 prevê a suspensão do processo e da prescrição. a pergunta que poderia ser feita é a seguinte: prova testemunhal é prova urgente? Isso tem sido muito comum. você estaria criando nova hipótese de imprescritibilidade. então. se aos 90 anos você for encontrado. 2ª Corrente: Admite-se como tempo de suspensão de processo. Se ele for encontrado. E o examinador pode perguntar o prazo de duração da suspensão. Findo o prazo de 8 anos. Você pega os 4. de maneira indireta você estaria criando novas hipóteses de imprescritibilidade. tanto é verdade. Dois comentários: Produção antecipada de provas urgentes – Sobre esse assunto. ficou do jeito que estava. Curiosidade: a Lei 11. nos termos do disposto no Art. se porventura comparecer o advogado constituído. ia consagrar a segunda corrente. a prova testemunhal sob o simples argumento de que a testemunha pode se esquecer dos fatos. é ou na prova urgente? “Para o STJ. não comparecer. não é considerada urgente. Agora. Então. Para o furto. se for o caso. na hora que o juiz aplica o art. nem constituir advogado. citado por edital. chega a 8. Mas o Supremo já em duas oportunidades disse que. findo o prazo prescricional. tem trabalhado com o seguinte argumento: prova testemunhal acaba se esquecendo rapidamente das coisas. Voltando ao art. Então. 109. Ou seja. De acordo com o Supremo. 3ª Corrente: A suspensão do processo e da prescrição deve perdurar por prazo indeterminado (STF. agora vamos ficar com a posição do Supremo. é extremamente relevante e é assim porque a lei foi alterada em 1996 e lá se vão 13 anos e vocês não têm noção das pilhas que estão sendo acumuladas por causa desse art. Essa decisão causou uma certa perplexidade porque o Supremo hoje é tão bonzinho com o acusado. Promotores e procuradores. se o acusado não fosse encontrado. Leia-se. o processo retoma seu curso normal. é melhor que essa testemunha seja prova urgente. então. Apesar de o processo estar suspenso.

225): Art. tomar-lhe antecipadamente o depoimento. aquela resposta à acusação só vai ocorrer depois que o acusado for encontrado. 225. essa é a citação por edital. você pega pessoas humildes que se mudam e não comunicam ao juiz simplesmente porque ignoram essa determinação. Então. por enfermidade ou por velhice. Imagina daqui a dez anos. Você pode pensar assim. O que não dá é para estabelecer uma presunção automática. se você ouvir uma testemunha um ano após o crime. Para concluir o raciocínio: quando vai ser dar a suspensão no novo procedimento? “O art. Aí. foi citado por edital. Se a Hebe Camargo for testemunha de fato delituosos é prova de natureza urgente porque há o risco de. ele mudou de endereço e está em local incerto e não sabido por querer se furtar à aplicação da lei penal. 312. nesse caso. Vejam que o próprio Supremo está dizendo que o processo pode ficar suspenso por prazo indeterminado. 312. a prisão preventiva do acusado citado por edital que não compareceu e nem constitui advogado fica condicionada aos pressupostos do art. (Alterado pela L-011. a professora Hebe já não exista mais (usando as palavras do art. eu paro tudo.” Uma vez citado por edital. 396. provavelmente ele é um foragido. ser considerada uma prisão automática. c) Citação por HORA CERTA Vejamos como vai funcionar a nova citação por hora certa no processo penal. 366 não pode. com a consequente suspensão do processo. 394 e seguintes deste Código. manda prender.Se qualquer testemunha houver de ausentar-se. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Mas cuidado! Se porventura. O aluno pode bem pensar que se o acusado foi citado por edital e está em local ignorado. Por quê? Em muitos casos. mas cuidado para não estabelecer esse raciocínio automaticamente. 366 é a decretação da preventiva. O primeiro ponto importante é você visualizar que a citação por hora certa se aplica ao acusado que se oculta para não ser citado. de certa forma ele tinha essa consciência. A prisão preventiva no art. não tem natureza urgente para o STJ. Eu acho que você deveria ouvir essa testemunha. Aí você já perdeu totalmente a prova testemunhal. 225 . §único: Parágrafo único. “Ah. não comparecendo. E além desse. ao tempo da instrução criminal. ela já não lembra quase nada. jamais. o processo observará o disposto nos arts. § 4º: § 4º Comparecendo o acusado citado por edital. só quando o acusado pessoalmente comparecer ou quando ele constituir um advogado que compareça perante o juízo. sim. Lembre-se que mesmo na hipótese do art.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Mas é a posição do STJ. Para tanto 70 . Decretação da Prisão Preventiva – Outro ponto importante relacionado ao art. vai ser aplicado logo após a citação por edital e antes da resposta à acusação. a situação é diferente. fundamentando à luz do art. 363. em qualquer tempo. art. Já é caso de aplicarmos o art. 366. o prazo para a defesa começará a fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído. ou.719-2008) O prazo para apresentar resposta. de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. vamos ao art. o juiz poderá. por si só. você vai decretar a prisão preventiva. No caso de citação por edital. Vamos ao CPP. Prova testemunhal. é foragido. Ou seja. inspirar receio de que ao tempo da instrução criminal já não exista. Enquanto isso não acontecer fica tudo suspenso. Interessante você tomar cuidado e entender a razão de ser disso aqui. sua testemunha for a Hebe Camargo. Hoje.” Não! Você vai ter que demonstrar que. 366.

Será que eu posso citá-lo por hora certa? 71 . 2. o oficial de justiça certificará a ocorrência e procederá à citação com hora certa. Seria a citação por hora certa aplicável aos acusados que já foram citados por edital? O cara já foi citado por edital porque se ocultou. você já liga lá pro porteiro e avisa para dizer que não está em casa. ser-lhe-á nomeado defensor dativo. de certa forma. de 11 de janeiro de 1973 . Depois da Lei 11. Citação por hora certa: advogado dativo é nomeado e processo terá o seu curso. O que. na varanda do seu apartamento. era citado por edital e o processo seria suspenso. Você vai precisar essa suspeita de ocultação e vai depender muito do trabalho do oficial de justiça. quem se oculta para não ser citado. impedia o Estado de exercer contra ele sua pretensão punitiva e o processo ficava suspenso. Quer dizer: como é que eu posso premiar essa torpeza com a suspensão do processo? Por isso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Que o acusado seja procurado por três vezes em seu endereço e não seja encontrado (está tudo no CPC). se o acusado não comparecer. o juiz vai nomear advogado dativo com o prosseguimento do processo. Olha lá para baixo e vê o oficial de justiça. será citado por hora certa. o que acontece? Isso era sinônimo de impunidade. Verificando que o réu se oculta para não ser citado.719-2008) Ou seja. Queira ou não. o CPP não disciplinou. Antes da Lei 11.719 –Agora você entende a razão de ser da citação por hora certa. Que haja suspeita de ocultação. Olha o questionamento interessante que pode ser feito: a lei 11. na visão do acusado isso é bom porque seria aplicado o art. Não é isso. O acusado que praticava um crime e se ocultava para não ser citado. (Acrescentado pela L011. foi criada pela lei a citação por hora certa no processo penal. provavelmente não vai aparecer (já que já estava se ocultando antes).869. Outro ponto que merece ser destacado é o seguinte. atento e diligente. você é capaz de entender porque foi criada a citação por hora certa. Então. Agora. um senhor benefício.719-2008) O não comparecimento é o que. 366 e desse 366 ia resultar. provavelmente. ele ia ser citado por edital. Ele não pensa na prescrição porque não sabe o que é isso. de sua torpeza. Lembre-se que o processo dele está suspenso. terá o processo prosseguindo normalmente. Pressupostos da citação por hora certa: 1. na cabeça dele. Antes da Lei 11. na forma estabelecida nos arts.Código de Processo Civil. ocorrerá. que era a suspensão do processo e da prescrição. Cuidado para não confundir. Antes dele tocar. quando você pensa no quadro anterior. vejam que antes da lei. depois da lei. 227 a 229 da Lei nº 5. O parágrafo único é importante: Parágrafo único.719 entrou em vigor no dia 22/08/08. ele se ocultava. (Alterado pela L-011. Visualizando esse quadro.   Citação por edital: processo e prescrição suspensos. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO tem que olhar para o acusado que se oculta antes e depois da Lei 11. 362 traz a citação por hora certa: Art.719.719 – Imagine que você está na sua casa. Deixou o que estava no CPC mesmo. mas a suspensão do processo para ele é interessante. 362. Completada a citação com hora certa. O art.719. na cabeça dele é um benefício porque não visualiza muito bem a suspensão da prescrição. Agora. E aí o aluno precisa entender o seguinte: àquele que é citado por hora certa. O aluno não pode achar que a citação por hora certa vai se tornar a regra do processo penal. quem for citado por hora certa. E olhe o detalhe: dessa manobra fraudulenta do acusado.

de ato perfeito e acabado que não pode ser substituída por nova citação. Essa é a posição por exemplo. deixará de ocorrer a suspensão da prescrição. 8º . pode permanecer suspensa por prazo indeterminado. você deixa de ter para ele a suspensão da prescrição. tecnicamente.. A citação por edital é compatível com isso? Se eu sou citado pessoalmente. É a posição do professor Gustavo Badaró. estaria a violar a Convenção Americana de Direitos Humanos. E aí fica a pergunta: não posso premiar essa manobra torpe com a suspensão do processo. 366. sobretudo por ser benéfica ao acusado. Se cair esse tema na prova da defensoria. Então.” Essa segunda corrente não é de todo absurda. Diante desse caráter híbrido do art. você tem que raciocinar no seguinte sentido: quando eu cito por hora certa. você tem que ler isso em termos relativos. Se você visualiza que agora. Durante o processo. E para quem é citado por hora certa? O seu processo continua? Será que essa continuidade do processo não violaria a Convenção de Direito Humanos? Para quem for fazer prova para a Defensoria. 362. Não vai haver um grande prejuízo porque processo e prescrição ficarão suspensos. quem é citado por hora certa o processo segue. Então. Isso porque. toda pessoa tem direito. quem foi citado por edital porque estava em local incerto e quem foi citado por edital porque estava se ocultando. É óbvio que. essa pessoa pode não conhecer o teor da denúncia. se por um lado o prosseguimento do processo é mal. Será que a citação por hora certa é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos? A Convenção Americana. 366. basta pensar que. de certa forma. Vejam então. 72 . para o acusado. 2ª Corrente: “O art. presumida. 362 seria benéfica para ele. muito complicada porque você vai ter que pegar todos os processos suspensos pelo art. Você citou à época. com a citação por hora certa.2. creio eu que esse argumento não deverá prosperar. e verificar. já complica um pouco. na prova para MP e juiz. como premiá-la. E então. de maneira indireta. em plena igualdade. agora não tem como citá-lo por hora certa. se eu me ocultava. Art. quem está se ocultando para não ser citado é alguém que. você vai dizer que viola a Convenção de Direitos Humanos? Negativo! E negativo por quê? Porque por mais que a citação por hora certa seja conhecida como uma citação ficta. nesse aspecto material (de a prescrição voltar a correr normalmente). Trata-se. Ou seja. quando o acusado se ocultou para não ser citado pessoalmente. agora por hora certa. 8º. talvez seja uma belíssima tese você responder que a citação de hora certa. na medida em que você visualiza que não mais vai haver s suspensão da prescrição e isso é benéfico ao réu. mas ela sabe muito bem que o Estado está procurando por ela. 366. Eu acho até bem racional. lindo. Você vai entender que citação é uma só. a citação anterior. que essa posição não é de todo irracional. a norma do art. Ou seja. eu cito quem está se ocultando para não ser citado. do plano pragmático. eu tenho ciência prévia e pormenorizada da acusação. do Andrei Borges de Mendonça. talvez. assegura a todos os acusados o direito à comunicação prévia e pormenorizada da acusação.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Sabe por quê? Pensa comigo o seguinte: antes.” Essa é uma corrente que. às seguintes garantias mínimas: b) comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada. como a suspensão. 366 previa a suspensão do processo e da prescrição. Então. eu era citado por edital. O artigo então aplicado era o art. Se eu sou citado por edital. Ela é até bem interessante. por isso. deve a norma retroagir. todo mundo que foi citado por edital. haveria uma norma material porque ela retira a suspensão da prescrição. no art. para concurso seja melhor. respeitando as normas vigentes à época. Mas não tem problema porque aplica-se o art. espécie de citação presumida. Quem se oculta para não ser citado. tem conhecimento de que o Estado quer exercer contra ele a sua pretensão punitiva. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 1ª Corrente: “Não é possível a citação por hora certa aos acusados já citados por edital em momento anterior à vigência da lei (22/08/08). 2. para o Supremo. Agora. só que. E o art. passo a passo. é uma corrente bem legal. 362 deve retroagir no tempo para alcançar os processos suspensos em virtude de citação por edital. b. que tem um livro sobre as reformas. porque eu recebo citação pessoal com a cópia da denúncia. Aí vem o grande problema. Quando se diz que a pessoa não tem ciência prévia da acusação. é isso que o examinador quer que você aborde. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa.

mas agora é texto de lei também colocado para o processo penal. fiquem atentos ao art. nos termos dos arts. vai que domingo você vai fazer uma prova e cai isso. resposta preliminar e resposta à acusação.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. dispositivo aí semelhante ao que já acontece no processo civil. Defesa preliminar – Prevista em alguns procedimentos (droga. especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas. citado. E agora. RESPOSTA À ACUSAÇÃO – Art. Se você olhar.5. vamos dar uma olhada no CPP. não. concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias. saiu depois do edital. – JÁ ESTUDAMOS TODAS ELAS § 2º Não apresentada a resposta no prazo legal. 7. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Hoje está engraçado porque antes de vir dar aula.033. procedimentos originários dos tribunais. § 3º. 363. o que é uma grande tendência hoje. para que vocês percebam qual é o conteúdo da resposta à acusação: Art. 396-A. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. qual seria a diferença entre defesa prévia. Então. o juiz nomeará defensor para oferecê-la. não constituir defensor. a Lei dos Crimes Sexuais tinha saído havia pouco tempo e aí aquele aluno “Juninho” diz: “ah. Resposta à acusação não se confunde com a chamada defesa prévia que existia no antigo procedimento e também não se confunde com a defesa ou resposta preliminar. o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa. prevista no art. juizados). ou se o acusado. qualificando-as e requerendo sua intimação. passou a ser pública condicionada à representação. quando você ofende alguém em sua honra subjetiva. 7. a ação penal lá também ficou como regra a pública condicionada. A Lei 12. (Alterado pela L-011. etnia. Qual era a espécie de ação penal? Era privada. 95 a 112 deste Código. E caiu! Então. religião ou procedência nacional. Vejamos então. funcionário. valendo-se de elementos referentes à raça. defesa preliminar e resposta à acusação. a gente tem que entrar no site do Planalto. sempre apresentada por advogado antes do recebimento da peça acusatória.033 é de 29/09/09 e mudou a espécie de ação penal no crime de injúria racial. Na verdade. FORMAÇÃO DO PROCESSO Esse é um aspecto que já foi comentado com vocês (só para cair em prova mesmo). 73 . é um estímulo para que a vítima represente deixando nas mãos do Estado a persecução penal do autor do delito. do CPP: Art. (Acrescentado pela L-011. 140. aqui. por força dessa lei. não vai cair”. Na resposta.719-2008) § 1º A exceção será processada em apartado. Então.   Defesa prévia – Estava no antigo procedimento (ocorria depois do interrogatório) podia ser apresentada pelo advogado como também pelo acusado. quando necessário. Parece que na magistratura de Minas. fiquem atentos. fiquem atentos à Lei 12. até mesmo pela Lei dos Crimes Sexuais. só para facilitar a compreensão. oferecer documentos e justificações. cor.719-2008) Bem tranquilo. Antes de colocarmos as diferenças entre defesa prévia. essa é a resposta à acusação.6. 396-A O que vem a ser isso? Cuidado para não usar a palavra errada. 363.

É até interessante mas. com ela. a) Conteúdo da Resposta à Acusação A resposta à acusação deve conter: 1. isso é justificação. O acusado vai ser citado. é obrigatória (se não apresentar. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO  Resposta à Acusação – Foi a prevista no novo procedimento. você. Juntada de Documentos Juntada de Justificações Apresentação do Rol de Testemunhas Arguição de Preliminares Cuidado com essa palavra “justificação” no processo penal. você vai lá senta com ele. Além de apresentar o rol de testemunhas. é defensor público em SP. aquele procedimento cautelar que vocês estudam com o Gajardoni. conversa no telefone. geralmente. ele vai providenciar o seu deslocamento e coisa e tal. imaginando que o advogado tenha se esquecido de apresentar o rol de testemunhas. Se você tem advogado constituído. E por que você faz essa justificação? Basicamente para que você tenha uma prova pré-constituída e. a gente sabe que o inquérito é produzido para a colheita de informações que auxiliem o órgão acusatório. Você. ele deveria colher os elementos que auxiliem na apuração do fato e não somente que digam respeito à acusação. O pessoal da região de Manaus conhece mais. faça um apelo ao juiz invocando o princípio da busca da verdade de forma que aquelas testemunhas possam ser ouvidas como se fossem testemunhas do juízo. e sendo bem sincero com vocês. 2. então. 4. se você não fizer. Quando vocês tiverem aula de previdenciário. Aí vem o seguinte problema que tem acontecido na prática. 396-A é. Só que no processo penal. colhe essa prova antecipadamente e vai apresentá-la nesse momento ao magistrado para que ele forme a sua convicção. Cuidado com isso. E qual é a importância dela no processo penal? Por que ela existe no processo penal? Porque. Veja o problema: imagine que você é advogado em SP. se a defesa quiser ouvir uma testemunha de álibi é muito comum que o delegado indefira sob o argumento de que o inquérito é inquisitório e que ele vai ouvir as testemunhas que ele quer ouvir. Então. Ouvia-se lá um outro cidadão que havia trabalhado nesse período. caso haja uma outra prova que a defesa pretenda requerer. etc. Na verdade. o juiz nomeia um dativo) e a gente vai falar agora sobre o conteúdo dela. Era interessante porque as pessoas faziam essa justificação como prova pré-constituída. hoje. Um problemaço para o defensor. pensem em quantas pessoas ainda estão vivas. O advogado dativo ou defensor público 74 . O que acontece se o meu cliente está preso em Presidente Prudente e eu estou em SP? Isso tem acontecido muito. Outro dia vi num doutrinador que essa justificação seria causa excludente da ilicitude. Qual é a consequência da não apresentação do rol de testemunhas neste momento? Tecnicamente. vem sempre aquele princípio salvar aquele que não cumpriu com os preceitos da lei. eu lembro muito daquela prova pré-constituída que você vai produzir em juízo. vão ter aula sobre benefício previdenciário do soldado da borracha. Então. Imagine que o seu cliente esteja preso em Presidente Prudente. apresenta resposta a acusação: vai juntar documentos. ele é citado. Raciocina comigo. pelo fato de que geralmente a defesa tem dificuldade de ouvir suas testemunhas no curso do inquérito é que essa justificação se apresenta como um procedimento interessante. na verdade. Ele deveria fazê-lo porque. apresentar o rol de testemunhas.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. você possa ingressar em juízo. 3. preclusão. posteriormente. por esse motivo. se a lei diz que este é o momento para apresentar o rol. nada impede que você. o chamado princípio da verdade real pelo juiz. no curso do inquérito policial. na verdade. infelizmente. como defensor e era muito comum a existência de justificações quanto a esse benefício que. Então. Então. Está acabando porque é um benefício que só existe para quem trabalhou na época da II Guerra Mundial na Floresta Amazônica. Seria essa a melhor posição? Não. Essa justificação a que se refere o art. está acabando. especificar provas. esse é o momento para fazê-lo. Falo isso para vocês porque estive em Manaus durante 1 ano. Esse benefício do soldado da borracha foi trazido pelo ADCT e pago aos seringueiros que trabalharam na extração da borracha na Região Amazônica durante o período da II Guerra Mundial. Imagine a seguinte situação. Sempre apresentada por advogado. defensor.

O aluno costuma trazer do processo civil aquela ideia muito fixa de que o prazo só começaria a correr a partir da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória. já não poderia mais ser punido pela OAB (“demais sanções cabíveis”). fez carga do inquérito policial e não apresentou a resposta à acusação. haja um cuidado na hora da citação. porque pensando buscar uma solução para esse problema. O defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo imperioso. ele já fosse indagado quanto às possíveis testemunhas. Qual? Vou contar o caso de um aluno que advogava e passou para promotor. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO não tem condições de se deslocar a Presidente Prudente. O art. Então. se vê impossibilitado de apresentar o rol de testemunhas. deu uma olhada nos autos. de convênio que a gente tem aqui em SP. se não foi apresentada resposta à acusação. Esse é um grade problema da lei porque antigamente. Então. como promotor. o juiz que tivesse um pouco mais de cautela. comunicado previamente o juiz. (Alterado pela L-011. ou se o acusado. 396-A. Outro detalhe importante: e se meu advogado não apresentar? E se ele foi ao cartório. cuidado com isso! O art. quando é que o rol de testemunhas era apresentado pela defesa? Depois do interrogatório. do STF que vai nos dizer exatamente isso: STF Súmula nº 710 . durante o tempo em que ele estava estudando. sob pena de multa de 10 (dez) a 100 (cem) salários mínimos. § 2º. teremos um pequeno problema. contam-se os prazos da data da intimação. nomeia-se defensor dativo. já no interrogatório perguntava ao réu se ele tinha alguma testemunha a ser ouvida. por não ter contato com o seu cliente. citado. Você está com o seu prazo (e essa resposta é importante.7192008) É óbvio que você. 265. Ele tomou posse e esqueceu. e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem. sem prejuízo das demais sanções cabíveis. seu prazo começa a fluir a partir de amanhã (se for dia útil).DJ de 13/10/2003 . Lembrem-se: foi citado hoje. se você como advogado resolve abandonar o seu cliente. Lembrem-se. o juiz nomeará defensor para oferecê-la. Qual é a consequência? Agora. b) Prazo da Resposta à Acusação É de 10 dias. Atente para uma novidade trazida pela reforma. para não errar em prova. Quer dizer. Era bom porque no próprio interrogatório. Qual? Seu primeiro salário como promotor vai-se embora porque agora tem previsão de multa. no próprio art. então. no processo penal. 396-A. Essa é uma solução que pode ser visualizada a fim de que o defensor público ou o advogado de defesa dativo possam ter uma noção de quem seriam essas testemunhas. Ele ficou tão feliz com a aprovação que esqueceu que. O que acontece? O chamado abandono do processo pelo advogado. no seu § 2º diz isso: § 2º Não apresentada a resposta no prazo legal. concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias. Advogados dativos e defensores públicos não têm o contato adequado com o cliente. 75 . Qual é a consequência? Como vimos. 265 agora foi atualizado e prevê a aplicação de uma pena de multa Art.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. o ideal é que na hora que esse acusado fosse citado (porque aí mesmo estando preso ele vai ser citado por oficial de justiça).No processo penal. não constituir defensor. Esqueçam isso aqui no processo penal. Vamos à Súmula 710. que esse prazo é contado da efetiva citação. por conta do rol de testemunhas) e você. quem trouxe o leitinho dele para casa eram os clientes do tempo de dativo. vai ter que nomear o dativo que terá mais dez dias para apresentar essa resposta à acusação. ficando então sujeito apenas à multa. a única possibilidade é que a partir de agora.

409.8. pouco trabalhado. se convencido. deve o magistrado aplicar por analogia o art. do CPP (1º exemplo). diz: 76 . caiu em prova a seguinte questão: “existe julgamento antecipado da lide no processo penal?” lá no júri isso não é bem um julgamento antecipado porque vai ser dar no final da primeira fase. 7. a depender do caso concreto. o juiz recebeu.038/90. existe a possibilidade de absolvição sumária. era possível um julgamento antecipado da lide no art. Esse tipo de pergunta. vamos ver que. E alguns doutrinadores estão usando essa expressão “julgamento antecipado da lide”. do CPP” Art. É exatamente isso que o art. torna-se ridículo porque vai ser caso de absolvição sumária. 6º.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Em relação a essa oitiva do MP. O art. a absolvição sumária. o ideal é que ele preserve o contraditório. Só que. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 7. você pode entender que se trata de julgamento antecipado da lide. Dá uma olhada no art.719 é que agora a absolvição sumária também passa a existir no procedimento comum.O juiz rejeitará a queixa ou denúncia. 409. Essa questão agora. É pouco lido. Agora. antes das alterações. O outro exemplo está na Lei 8. 516. você não vai encontrar de maneira expressa. o juiz ouvirá o Ministério Público ou o querelante sobre preliminares e documentos. caso a defesa apresente documentos dos quais o MP não tinha prévia ciência. desde já faço uma advertência: ela não está prevista de maneira expressa. Então. A absolvição sumária sempre existiu no procedimento do júri. apesar de essa oitiva não estar prevista. Veja que essa oitiva do MP não será sempre obrigatória porque pode ser que a defesa não tenha apresentado documentos. esse artigo está dentro do procedimento de funcionários públicos. que fala sobre a competência originária dos tribunais. Porém. talvez com base em uma prova da qual o MP não tinha ciência. Se você procurar isso no texto da lei. da inexistência do crime ou da improcedência da ação. 409 vai dizer. 409 não está dentro do procedimento comum. “De modo a se observar o princípio do contraditório.689-2008) O art. logo em seguida. pela resposta do acusado ou do seu defensor. por ausência de previsão legal. A grande novidade trazida pela lei 11. mas olha o que ele diz: Art. que ela seja realizada. perceba o porquê de a gente colocar aqui a oitiva do MP: o MP ofereceu denúncia. há muito tempo. isso era até interessante porque se antes das alterações o juiz já percebesse que seria caso de improcedência do pedido condenatório. qual seria o exemplo de julgamento antecipado da lide? Havia dois exemplos e o problema é o aluno lembrar desses dois exemplos. aqui. Mas antes. é interessante que. veio a resposta à acusação. (Alterado pela L011. diante da absolvição sumária.7. Alguns doutrinadores citavam isso aí (citavam e continua válido) como julgamento antecipado da lide. OITIVA DO MP Este é o próximo passo na análise do procedimento. Mesmíssima coisa que a gente acabou de ver em relação ao art. 516. geralmente não está nos manuais. Depois da resposta à acusação. Um deles está previsto no CPP só que ele é pouco lido. no procedimento comum. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA Essa absolvição sumária já vem sendo chamada por alguns doutrinadores de julgamento antecipado da lide. Atente para o seguinte: hoje. Qual seria o problema se não existisse essa oitiva do MP? Seria possível que o juiz absolvesse sumariamente o acusado pondo fim ao processo. citado o réu. em 5 (cinco) dias. antes de se falar nisso. caso ela apresente documentos e o juiz anteveja a possibilidade de absolvição. 409. 516 . em despacho fundamentado. nada. está dentro do procedimento do Júri. Apresentada a defesa. da referida lei. Uma vez. nós vamos invocar a analogia possibilitando a aplicação do art. 516. Agora.

Será que é possível essa absolvição sumária do procedimento comum no procedimento do júri? A doutrina tem entendido que não.a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente. Quando o juiz verificar que está provada a inexistência do fato. III. Absolvição Sumária no PROCEDIMENTO COMUM Momento: Absolvição Sumária no PROCEDIMENTO DO JÚRI Ao final da primeira fase Art. IV. o relator pedirá dia para que o Tribunal delibere sobre o recebimento. 396-A. veio a resposta e o juiz absolveu sumariamente. a rejeição da denúncia ou da queixa. ALÉM DAS PREVISTAS NO PROCEDIMENTO COMUM: I. entre as causas da absolvição sumária no procedimento comum e as causas de absolvição sumária no procedimento do júri. salvo inimputabilidade. Para a gente fazer algo melhor no seu caderno. Após o cumprimento do disposto no art. pode colocar aí um ano pra lá. Essas são as quatro causas. Quais são as hipóteses de absolvição sumária no procedimento comum? são quatro hipóteses: 77 . Hipóteses: III.719-2008) II .que o fato narrado evidentemente não constitui crime. ou a improcedência da acusação. II. É óbvio que julgamento antecipado da lide é só para absolver. logo após a apresentação da resposta à acusação I.a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato. Quando o fato narrado evidentemente não constituir crime. No procedimento do júri a questão é bem diferente porque a absolvição sumária vai se dar ao final da primeira fase do procedimento do júri. Todo mundo há de saber que não é possível julgamento antecipado para condenar. Então. (Acrescentado pela L-011. Quanto tempo você acha que demora uma primeira fase do júri? Apesar de a lei falar em 120. ela se dá no início do processo.719-2008) I . deste Início do processo. III . Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade. Em qual momento do procedimento vai se dar a absolvição sumária no procedimento comum e no procedimento do júri? No procedimento comum. O fato não constituir infração penal. mas no procedimento do júri. As hipóteses de absolvição sumária estão todas previstas no CPP. A doutrina vem entendendo que a absolvição sumária do júri somente pode se dar ao final da primeira fase.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. logo após a apresentação da resposta à acusação para ser chamada de julgamento antecipado da lide. o momento correto para essa absolvição sumária seria ao final da primeira fase. 397: Código. ela se dá lá no início do processo. você tem a absolvição sumária que só vale para o procedimento comum. praticamente porque eu ofereci a denúncia. Se o tribunal perceber que já pode julgar improcedente de plano aquela pedido condenatório seria possível o julgamento antecipado da lide. Existência manifesta de causa excludente da ilicitude. se a decisão não depender de outras provas. Cuidado com isso. no art. 397. A diferença temporal de um momento para o outro é gigante. II. citou. o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Alterado pela L-011. o juiz aceitou. e parágrafos. Provado não ser o acusado autor ou partícipe do fato delituoso. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Art. Quando estiver extinta a punibilidade do agente. eu proponho o seguinte: façamos um quadro comparativo porque isso vai ser questão certa de prova. Quando demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. 6º A seguir. IV.extinta a punibilidade do agente. ou IV . no procedimento comum.

é fácil você enxergar que o legislador. no que tange a essa última previsão teria sido redundante. o juiz deve ter um juízo de certeza. de absolvição sumária. ele deve ser processado. A extinção da punibilidade. 28. pode ser tanto no plano formal. só pode ser imposta ao final do processo. etc. Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade. No momento da sentença. O juiz está privando o MP do próprio desenvolvimento do processo para provar a culpabilidade daquela pessoa. Qual é única causa excludente da culpabilidade que não autoriza a absolvição sumária? O inimputável. pode o juiz absolver sumariamente. Quando estiver extinta a punibilidade do agente . Essa é a segunda hipótese de absolvição sumária. coação moral irresistível. do CPC. pode ser declarada a qualquer momento. qual é? Pancadaria na balada às 6 horas da manhã.690-2008) Então. Lembre-se aqui de que quando se fala em fato não constituir crime estamos diante da atipicidade que. sem dúvida alguma. VI. todos do Código Penal). Então. mas não precisava. porque na hora da absolvição sumária. Não se sabe. inexigibilidade de conduta diversa. 397. desde que reconhecido que sua conduta teria sido típica e ilícita. do CPP nos diz claramente que a III. 21. pois. Na hora da sentença. Reconhecida a tipicidade e a ilicitude de sua conduta. absolve todo mundo. Verificando o juiz que você teria praticado um delito sob o amparado da causa excludente da culpabilidade. o próprio legislador teve o cuidado d e falar em existência “manifesta”. o juiz precisa estar convencido de que o fato não constitui crime. não. Vamos dar uma olhada no art. ao final do processo lhe será imposta a medida de segurança. basta a dúvida. Estando convicto de que o crime foi praticado em legítima defesa. em todas as hipóteses. em que destaco o advérbio evidentemente. pode ele absolver sumariamente. 386. O melhor exemplo de dúvida. que o inimputável não pode ser absolvido sumariamente. olha que intrigante. Verificando o juiz que está extinta a 78 . Neste ponto. o juiz vai absolvê-lo sumariamente. (Alterado pela L011. Outra coisa bem diferente é no momento da sentença. Queira ou não. Aí. II. quem deu início e fica sempre aquela dúvida: quem agiu em legítima defesa? Quem deu início a tudo? Na dúvida. a dúvida quanto uma excludente da ilicitude autoriza a absolvição. 386.O juiz absolverá o réu. que vai confirmar o que eu acabei de colocar: Art. geralmente. se caracterizada. desde que reconheça: VI . Lembre-se que esse é um julgamento antecipado. jogando no art. todos sabemos. 20. 26 e § 1º do art. resulta a imposição de medida de segurança. Para que o juiz possa absolver sumariamente. Essa é a segunda hipótese IV. 61. Parece que colocaram esse inciso IV aí porque ficou bonito. punibilidade. o juiz. precisa estar convencido de que você praticou o crime em legítima defesa. uma pergunta boa de prova seria a seguinte: “qual é o grau de certeza que o juiz precisa ter para absolver você com base na legítima defesa? O juiz precisa estar absolutamente convicto de que você matou em legítima defesa ou ele pode ter dúvida?” cuidado com isso.. Veja você que pela própria redação do art. O art.existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência. 22. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO I. Existência manifesta de causa excludente da ilicitude . pelas próprias palavras utilizadas (existência manifesta). estado de necessidade. Ou seja. Vejam. que uma coisa é a absolvição sumária (certeza).LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. como sanção penal que é. Quando o fato narrado evidentemente não constituir crime . VI. Por isso. mencionando a causa na parte dispositiva. a medida de segurança não deixa de ser espécie de sanção penal e. não havia necessidade do inciso IV por um motivo simples. o juiz pode absolver sumariamente. mais uma vez. na hora da absolvição sumária. Por que o inimputável não pode ser absolvido sumariamente? Porque da inimputabilidade. a situação é diferente porque a dúvida quanto a uma excludente da ilicitude autoriza a absolvição. Verificando o juiz que a conduta seria atípica tanto no plano formal quanto material. ele deve ter um juízo de certeza. ou seja. 386 . para absolver. quanto no plano material. 23.

E quais seriam as causas de absolvição sumária no procedimento do júri? Aqui essas hipóteses serão diferenciadas. O fato não constituir infração penal. Então. Essa seria a última hipótese de absolvição sumária. ouvirá a parte contrária e. refere-se o legislador à atipicidade que pode ser formal ou material. refere-se à excludente de culpabilidade. se o juiz percebe que está extinta a punibilidade ele pode declará-la? Pode. já tivemos uma instrução e. o juiz. Provado não ser o acusado autor ou partícipe do fato delituoso. enquanto o primeiro diz respeito ao crime em si. Quando o juiz verificar que está provada a inexistência do fato . verificando o juiz que está extinta a punibilidade. Por que você vai levar adiante um processo em relação a um crime cuja punibilidade já estaria extinta? Art. 61. não só pode como deve ser declarada a qualquer momento. Então. é possível. O que ele faz? Me absolve sumariamente. seja denunciado como autor desse homicídio (você teria empurrado a pessoa). É interessante que o aluno perceba o seguinte: a causa extintiva da punibilidade foi aqui colocada? A extinção da punibilidade é causa de absolvição sumária no procedimento do júri? Não foi colocado no texto da lei que a extinção da punibilidade seria causa de absolvição sumária no júri. mesmo que não houvesse a previsão legal do inciso IV. ela saltou do prédio. nessa primeira fase. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO extinção da punibilidade. o grau de convencimento do juiz é muito maior do que no procedimento comum. se o julgar conveniente. o juiz mandará autuá-lo em apartado. o caminho também será a absolvição IV.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. nesse momento. num primeiro momento. Quando o legislador fala em causa de isenção de pena. Exclusão do crime refere-se às excludentes da ilicitude. Basicamente. Perceba você que III. vamos imaginar que eu contratei um perito que constatou que aquela vítima só pode ter sido vítima de suicídio. Nessa hipótese. Difícil você imaginar um caso de atipicidade material aqui. ele pode declarar a qualquer momento.No caso de requerimento do Ministério Público. aqui diz respeito à sua atuação. eu pergunto: apesar disso. Não foi prevista aqui expressamente como causa de absolvição sumária. fica o questionamento: pode o inimputável ser absolvido sumariamente no procedimento do júri? Cuidado com isso! 79 . proferindo a decisão dentro de 5 (cinco) dias ou reservando-se para apreciar a matéria na sentença final. todas as anteriores também estão aqui. mas aqui iremos acrescentar mais algumas: I. de acordo com o art. É óbvio. ele vai extinguir a qualquer momento. Parágrafo único . concederá o prazo de 5 (cinco) dias para a prova. sumária. II. É claro que houve uma morte. se o juiz percebe que está extinta a punibilidade pela prescrição. pelo perdão. Imagine que você. O melhor exemplo são casos de suicídio. Já aconteceu um caso desse: a pessoa aparece morta na frente de um edifício e você foi visto no apartamento. Porém. O juiz convenceu-se da inexistência do fato. Fato é que. do querelante ou do réu. mas o fato homicídio não ocorreu. Fato não constituir infração. 61. fazendo isso com base no art. Ou seja. Absolvição sumária. se o juiz ficar convencido de que você não teria atuado como autor ou como partícipe. Por que a lei fala em “provada”? porque aqui nós estamos ao final da primeira fase. Quando demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime . 61 .Em qualquer fase do processo. mas é óbvio que. deverá declará-lo de ofício. pela morte. Ou seja. mas tecnicamente. se reconhecer extinta a punibilidade. fato “homicídio”. ou seja. Para que a gente possa concluir a absolvição sumária no júri.

eu viro para o juiz no interrogatório e digo: “juiz. do STJ: 80 . Na verdade. I.Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: I . que trata da absolvição sumária no júri: Parágrafo único. IV. de acordo com a jurisprudência. ele está apenas reconhecendo que o Estado não pode impor uma sanção. Não se aplica o disposto no inciso IV do caput deste artigo (QUE É A ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA) ao caso de inimputabilidade prevista no caput do art. Só que na hora da primeira fase do júri. que dá a resposta à pergunta formulada. na verdade. ele pode ser absolvido. Se o inimputável praticou o crime com manifesta causa excludente da ilicitude. como o resultado do júri é imprevisível. às vezes.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Vamos olhar o art. atendendo ao disposto no art. 63. é essa última hipótese: extinção da punibilidade. 415. no entanto é o seguinte: quando o juiz absolve por conta de uma excludente da ilicitude. estou dizendo que não matei. uma crítica feita pela doutrina porque. Então. o que é melhor? Que eu seja absolvido amanhã no júri com base na inexistência de autoria (os jurados dizendo que eu não matei). é o teor da Súmula 18. quando o juiz julga extinta a punibilidade. O recurso cabível seria a apelação. uma belíssima questão de prova. Por quê? Quando o juiz declara extinta a punibilidade. salvo quando esta for a única tese defensiva. Então.848. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO “No procedimento do júri. Se. § único. por acaso o fato não constituir crime. através do julgamento antecipado da lide. ele pode ser absolvido sumariamente. mesma coisa. o inimputável pode ser absolvido sumariamente com a consequente imposição de medida de segurança. O problema. também. O problema. O fato não constituir crime. advogado. eu sei que sou inimputável e sei que você já está pensando em me absolver sumariamente. é óbvio que você vai ter que dar uma olhada no CPP: art. afinal de contas. sem dúvida alguma. inclusive. apelação. 593 . Quando o juiz diz que está prescrito ou houve o perdão. Façam aí algumas observações sobre a absolvição sumária no procedimento comum :  A decisão do juiz deve ser fundamentada – ao por fim ao processo de maneira prematura. não só pelas diferenças quanto ao momento. essa decisão tem natureza declaratória.” Posso ser absolvido sumariamente? Não! Por que não? Pense: se eu. Qual seria o recurso cabível contra a absolvição sumária no procedimento comum? Para responder a essa pergunta. no entanto. estamos diante de uma sentença definitiva absolutória proferida por juiz singular.das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular. Só para ficar claro: o inimputável não pode ser absolvido sumariamente no procedimento comum. Ele só não pode ser absolvido sumariamente por conta da inimputabilidade no procedimento comum. tranquilo. corre-se o risco de amanhã você ser até condenado pelo tribunal do júri.” E por que essa exigência da lei? “Desde que seja sua única tese defensiva?” imagina que eu sou um inimputável. mas desde que a inimputabilidade seja sua única tese defensiva.  Art. mas também pelas pegadinhas. com esse quadro comparativo vocês têm aí. Então. ele não está absolvendo você. 26 do Decreto-Lei nº 2. essa é a tarefa difícil do advogado nesse momento. Mas é óbvio que nas outras hipóteses ele pode. qual seria a natureza jurídica dessa decisão? Aqui temos um sério problema e. o advogado do inimputável tem que ter muito cuidado e esse é um raciocínio bem complicado porque. ou será que é melhor para mim ser absolvido sumariamente com imposição de medida de segurança? É óbvio que o melhor para mim é que eu vá a júri por mais que seja imprevisível. para ele. de 7 de dezembro de 1940 Código Penal. é melhor ficar ali na primeira fase porque. inclusive. Prova disso. por conta da inimputabilidade. inimputável. Quando ele absolve por conta de uma excludente da culpabilidade. mas não fui eu que matei a vítima. cabe ao magistrado fazer isso de maneira fundamentada. a decisão que julga extinta a punibilidade não é uma sentença absolutória. 593.

seria o RESI e não mais a apelação.A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade. sempre foi mal colocado na absolvição sumária porque. nas hipóteses de absolvição sumária quando o juiz julga extinta a punibilidade? Tem doutrinador que não tem feito essa distinção.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. E aí você tem que ter cuidado na hora da prova. 222 (CARTA PRECATÓRIA) deste Código. Aí vem o problema: qual seria. o ideal é você dizer o seguinte: O recurso na absolvição sumária nas hipóteses de extinção de punibilidade seria o RESI. proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido. § 2º O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. (Alterado pela L-011. 581. 399. Se. Só está reconhecendo que o Estado não poderá submetê-lo ao cumprimento de uma pena. a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias. A depender do caso. devendo o poder público providenciar sua apresentação. não mais poderá submetê-lo a qualquer processo. 399: Conjugue sempre isso com a videoconferência que a gente viu. se está falando que não subsiste qualquer efeito condenatório é porque não se trata de uma sentença propriamente dita. Recebida a denúncia ou queixa. o recurso. bem como aos 81 . à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa.7192008) Essa designação está prevista a partir do art. não subsistindo qualquer efeito condenatório. AUDIÊNCIA UNA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO a) Designação da audiência una Art. então.que decretar a prescrição ou julgar. nesta ordem. Aí vem o problema: a extinção da punibilidade. (Acrescentado pela L-011. E o RESI seria o recurso correto com base no art. de seu defensor. despacho ou sentença: VIII . então.719-2008) § 1º O acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório.DJ 28. em relação àquela imputação. o juiz designará dia e hora para a audiência.1990 . Se você percebe que o examinador está só copiando a lei e pergunta qual o recurso contra a absolvição sumária. se for o caso. Já comentamos: princípio da identidade física. por acaso. ele não está absolvendo você.9. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO STJ Súmula nº 18 . por outro modo. você fala apelação mesmo. do Ministério Público e. quando o juiz julga extinta a punibilidade. Se você percebe que é uma prova mais bem elaborada e que o examinador é um pouco mais maldoso. do querelante e do assistente. VIII: Art. ordenando a intimação do acusado. teoricamente. Art. pode ir embora para casa tranquilo porque significa que o Estado. ressalvado o disposto no art. tendo efeito somente declaratório. 400. Caso não seja hipótese de absolvição sumária o processo segue: 7. traduzindo em miúdos. Então. Na audiência de instrução e julgamento. extinta a punibilidade.11. da decisão.Caberá recurso. 581 . essa apresentação não será necessária. no sentido estrito. o recurso correto. eu fui absolvido sumariamente.  A decisão de absolvição sumária faz coisa julgada formal e material – sendo absolvido sumariamente. Quando a absolvição sumária se der com base na presença de causa extintiva da punibilidade. acabou o processo.

Aqui. não poder praticar novos delitos. em seguida. Olha a pena desse delito: 2 a 5 anos.exigir exclusividade de propaganda. A suspensão condicional do processo. ridículo”. § 2º Os esclarecimentos dos peritos dependerão de prévio requerimento das Então. a maioria dos acusados estão presos. O furto não vai parar no juizado. Eu acho até que chamei a atenção de vocês no intensivo I. Crime de furto. Constitui crime da mesma natureza: I . o diretor. ou gerente de empresa a prestar à autoridade competente ou prestá-la de modo inexato.detenção. o que o juiz faz? Só faz audiência de réu preso e você que é sumário e está solto. não poder frequentar casa de tavolagem. É julgado no juízo comum. interrogando-se. Pergunto: qual procedimento demora mais? O ordinário ou o sumário? Aí você vai dizer: “o ordinário. 89.recusar-se. claro”. de acordo com a lei. Pena . Ess a é uma ótima questão para cair em prova porque aquele aluno “Juninho”. O segundo ponto a ser analisado é a suspensão condicional do processo. se você estiver no procedimento sumário esse prazo desce a 30 dias. olha a pena mínima de 2 anos e diz: “2 anos. 5º. mas o juiz sempre faz constar. como a pena mínima é de 1 ano e imaginando que não seja um furto qualificado. impertinentes ou protelatórias. nós não podemos nos esquecer da suspensão condicional do processo. Porém. Essa pergunta é meio ridícula. podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO esclarecimentos dos peritos. Perceba que não é pena que você cumpre. transmissão ou difusão de publicidade. Qual é o requisito para a suspensão? É o de pena mínima cominada igual ou inferior a 1 ano. da Lei 9. é isso: 60 dias e 30 dias. está extinta a punibilidade. você vai ter o seu processo suspenso enquanto você cumpre algumas condições. tome cuidado porque 60 dias é o prazo previsto para o procedimento comum ordinário. o sumário demora mais. Caberia suspensão condicional do processo em relação a esse crime? Vejam: “ou multa”. o acusado. está prevista no art. às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas. Pena máxima de 4 anos.sujeitar a venda de bem ou a utilização de serviço à aquisição de quantidade arbitrariamente determinada.719-2008) § 1º As provas serão produzidas numa só audiência. Mas. II . por exemplo. ou ao uso de determinado serviço. O primeiro ponto importante é que a lei diz que essa audiência deve se dar em até 60 dias. (Alterado pela L-011. 5. porém. fica aguardando anos para acontecer a audiência. Aí. III . IV . É uma verdadeira maravilha. que ninguém sabe o que é. ou multa. coloquem a seguinte observação: Art. nesse caso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Cuidado com a Lei 8. ao final desse período. ou multa. Essa é a suspensão.137.º da referida lei: em detrimento de concorrência. mas o engraçado é o seguinte: a depender do caso concreto.subordinar a venda de bem ou a utilização de serviço à aquisição de outro bem. talvez. no ordinário. Como o próprio nome diz. sem justa causa. mas não custa reforçar mais uma vez. Então. tem pena de 1 a 4 anos. administrador. vamos ver como é que funciona essa audiência una de instrução e julgamento. Qual o procedimento? Ordinário. Isso vai cair em prova já já. 82 . que iremos estudar com mais detalhes na aula de juizados. (Acrescentado pela L011. Você cumpre isso de 2 a 4 anos e.719-2008) partes. seja a maior invenção para o acusado porque é uma maravilha a suspensão. Você cumpre condições! Geralmente comparecimento mensal ao juízo. Depois da obrigatoriedade de advogado no processo penal.099 (Lei dos Juizados Especiais Criminais). Só que ele se esquece que a multa. essa. Às vezes. informação sobre o custo de produção ou preço de venda. suspensão condicional do processo. Diz o art. Antes mesmo de analisar a audiência. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. está cominada de maneira alternativa.

mas na grande maioria dos casos. Se por acaso. É até interessante você olhar para o dia a dia porque você claramente percebe que em casos de maior repercussão. quanto mais demorada a resposta estatal. ou seja. do CPP. promovido? Diante do silêncio da lei. o Juiz. 132.  3º Efeito: Identidade Física do Juiz – é última consequência dessa audiência una. Só para concluir: e se o promotor se recusar a conceder a suspensão? Imagine. Outrora previsto apenas no processo civil. vamos aplicar subsidiariamente o disposto no art. qual é o caminho? Aplicação do art. E esse princípio da oralidade vai trazer três efeitos imediatos. dissentindo. aplicando-se por analogia o art.” Quando vocês estudam Teoria da Pena (com o Rogério) e aquelas ideias de prevenção e prevenção geral pra lá e pra cá. Prova disso. Quando você lê um depoimento de uma testemunha ou o teor de um interrogatório é muito diferente do ato em si. O caminho é aplicar o art. 399. você vai para a audiência com a camisa do Corinthians e o promotor é palmeirense. do CPC que. São três os efeitos da adoção do princípio da oralidade na audiência uma:  1º Efeito: Concentração – “Redução do procedimento visando à proximidade entre o julgamento e a data do fato delituoso. “Imediatidade consiste em obrigar o juiz a ficar em contato direto com as partes e com as provas. 28.” Essa é a ideia de imediatidade. era caso de suspensão. remeterá a questão ao Procurador-Geral. foi mais 83 . será cabível a suspensão condicional do processo quando a pena de multa estiver cominada de maneira alternativa. Mas vamos imaginar que não seja caso de suspensão. suspende o processo aqui. 28 do Código de Processo Penal. os processos se arrastam anos e anos. agora também contempla o princípio da identidade física do juiz no processo penal: § 2º O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. ele pode pegar só uma multa. Trouxe essa previsão e não trouxe nenhuma exceção. O art. E aí ficam as perguntas: e se o juiz for aposentado.. § 2º. consagra o princípio da oralidade no processo penal. geralmente a resposta dada pelo Judiciário é rápida. Cuidado para não achar que o juiz poderia suprir de ofício. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO “Mesmo que a pena mínima cominada seja superior a um ano. Daí a importância de tentarmos diminuir o procedimento a fim de que a resposta estatal saia o mais rápido possível. o princípio da identidade física do juiz agora também faz parte do processo penal. pior vai ser a ideia de prevenção. seria uma incongruência não dar para ele a suspensão condicional do processo. nosso próximo passo é analisarmos a audiência uma. Detalhe interessante é você perceber que o legislador do CPP foi extremamente simples. Quem atua ou já atuou na área criminal sabe o quanto essa ideia de concentração é importante porque quando você possibilita que o mesmo juiz que teve contato com a prova sentencie. (Intervalo) . não adianta nada você pensar em teoria da pena se você não trabalha com uma ideia de concentração. 28. do CPP. Esse contato direto facilita a convicção. O promotor vai dar suspensão? Não! Diante da recusa do MP. é a súmula 696 do Supremo: STF Súmula nº 696 – DJ de 13/10/2003 – Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo.” Tem decisão do Supremo sobre assunto: se ao final. então.  2º Efeito: Imediatidade – é a segunda ideia que deriva da oralidade. mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. isso facilita a formação do seu convencimento..

dizem o seguinte: Art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO categórico. Os §§ 3º e 4º. É possível a condução coercitiva do ofendido? Perfeitamente possível. O que você não pode é. A lei foi alterada e a jurisprudência tem caminhado nesse sentido. que concluir a audiência julgará a lide. (Alterado pela L-008. Na prática. prevista no art. Será que diante da adoção desse princípio. pois. as provas que possa indicar. a expedição d carta rogatória demanda a comprovação de sua imprescindibilidade. poderá mandar repetir as provas já produzidas. a audiência. Hoje. Atentem para isso é a previsão da lei. promovido ou aposentado. com a oitiva do ofendido. Quando se fala em princípio da identidade física. então. vocês vão aplicar esse art. que depende da aquiescência da vítima. Nos demais casos. casos em que passará os autos ao seu sucessor. será que diante do princípio da identidade física continua sendo possível a expedição de carta precatória? É óbvio que sim. 400.690-2008) § 3º As comunicações ao ofendido deverão ser feitas no endereço por ele indicado. Começamos. Hoje. fica todo mundo sentado junto aguardando a vez de ser chamado. ele disse que quando entraram em vigor essas alterações.Em qualquer hipótese. do art. obrigá-lo a se sujeitar a exame pericial. Não basta você dizer que quer ouvir uma testemunha no Afeganistão.O juiz. em outro Estado e é lógico que você vai ter que lançar mão da carta precatória. poderá ser conduzido coercitivamente.637-1993) Então. você não pode pretender que haja um contato físico. o ofendido será qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da infração. tomando-se por termo as suas declarações. 201. quem seja ou presuma ser o seu autor. Você tem que dizer qual é o seu objetivo com isso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. 201. do CPP. imediato. licenciado.6371993) Parágrafo único . 84 . 132 . titular ou substituto. num grupo de discussão entre os juízes em SP. b) Oitiva do Ofendido Essa audiência una de instrução e julgamento. se entender necessário. Outro detalhe importante: deverá ser reservado um local separado para o ofendido na antessala para que fique separado do acusado. Art. ele pode ser conduzido coercitivamente. § 4º Antes do início da audiência e durante a sua realização. Bonito para Inglês ver. como vimos. Você pode conduzi-lo coercitivamente. será reservado espaço separado para o ofendido. afastado por qualquer motivo. (Alterado pela L-011. de maneira coercitiva. Sempre que possível. Entenda. Lembrem-se que em relação à carta rogatória ( expedida para ouvir testemunha em outro país) havia muito problema porque as partes pediam a expedição de carta rogatória nitidamente para gerar procrastinação. (Acrescentado pela L-008. sob pena de cercear o direito à prova. o uso de meio eletrônico. por opção do ofendido. salvo se estiver convocado. É claro que há testemunhas que moram em outra comarca. regulamentou melhor esse princípio. ele é tão relativizado no processo civil que se questiona até que ponto ele seria eficaz. que o princípio da identidade física não inviabiliza a expedição de carta precatória. Caso ele não compareça à audiência. é cabível a expedição de carta precatória? Conversando com Gajardoni. começará com a oitiva do ofendido. admitindo-se. o juiz que proferir a sentença. 132 subsidiariamente ao processo penal.

E nessa audiência temos que ouvir as testemunhas de acusação e de defesa. E isso é ridículo! A pior coisa é perguntar para o juiz porque quebra qualquer sequência que você possa fazer de perguntas. marcar uma nova data para ouvir as cinco restantes e. do STJ. o que vale a pena comentar? A gente pode começar destacando o sistema do Sistema do Cross Examination. do CPP: Art. Nesse primeiro julgado sobre o assunto (de junho de 2009). Queria ou não. As partes formulam as perguntas e o juiz poderá complementar a inquirição. Problema que vai cansar de acontecer no dia a dia. responderam que não havia qualquer objeção.”). E ninguém pode alegar nulidade quando lhe tenha dado causa. já com essas alterações. a depender do caso concreto. 312. E o juiz que não foi esperto?então. no dia a adia vai acontecer muito. já que haverá anulação da sentença e tudo o mais. (Alterado pela L-011. Sem contar que quebra qualquer sequência. eventual inversão da ordem caracteriza nulidade absoluta por violação ao princípio da ampla Para prova de concurso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. também nesse momento. já que pouparia muito esforço. E aí imagine você a vantagem do réu no que tange à prescrição. numa situação mais complicada. que é a inversão da ordem de oitiva das testemunhas. somente depois. ainda sobre a oitiva de testemunhas: a audiência. você vai conduzindo as perguntas de forma a buscar aquela resposta que você está querendo e induzir a testemunha a alguma contradição. o STJ anulou um processo. Se você é um juiz esperto e não quer ter problemas amanhã.” O juiz que teve esse cuidado já está se precavendo contra posterior alegaç ão de nulidade. A audiência ocorreu no dia 14/08 e o juiz não observou o art. Seria possível o juiz ouvir primeiro as 8 testemunhas de defesa e deixar pra ouvir depois as cinco que estão faltando? Esse é um ponto que está provocando muita discussão. você pega uma doutrina tradicional e só vai ouvir isso. Vejamos o teor do art. 212. não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. na hora de começar ele vira para as partes e pergunta se viram as alterações e pergunta se eles se importam de tocar a audiência do mesmo jeito que já se faz há setenta anos. 212. Só para que vocês tenham ideia? A lei entrou em vigor no dia 09/08. vale a pena conferir o teor do HC 121 216. mais nervosa. E já temos um julgado pioneiro sobre o assunto. são 5 testemunhas. é uma audiência una. na ata de audiência: indagada às partes quanto à possibilidade de o juiz formular as perguntas.690-2008) Quem é que gosta do cross examination e quem é que não gosta? Juiz não gosta porque não gosta de abrir mão que ele tem de formular as perguntas e de as perguntas passarem pelo juiz. ouvir as testemunhas de defesa. O que o tribunal mandou fazer? Anulou tudo. cuidado com isso: a violação a esse sistema do cross examination vai caracterizar uma nulidade absoluta por violação ao princípio do devido processo legal. Qual seria a consequência? Nulidade? Mera irregularidade? Olha só: a lei entrou em vigor no ano passado (09/08/09). E a gente sabe. o juiz. eu faço as perguntas primeiro. Anote o seguinte: defesa. Sobre isso. não tem jeito. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO c) Oitiva de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa Já foi dito mais de uma vez que esse número seria de 8 no procedimento ordinário e no procedimento sumário. Outro ponto importante. como já disse. 85 . O que acontece se o juiz não observar esse sistema e ele mesmo formular as perguntas (“não to nem aí que foi alterado. como é comum que uma testemunha deixe de comparecer em juízo.” “Para a doutrina. Qual? Compareceram apenas 3 testemunhas de acusação (das 8) e já estão presentes as 8 testemunhas da defesa. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha. Só veio uma testemunha de acusação e as oito de defesa estão lá! O juiz fica muito tentado a ouvi-las. É uma situação que. na hora da audiência. O Código de Processo Penal passou a adotar. Se só estão presentes 3 testemunhas de acusação. Você vai ter que ouvir as três. não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta. Essa é uma doutrina bem tradicional. As perguntas são formuladas primeiro pelas partes diretamente ás testemunhas e o juiz irá complementar a inquirição. porque antigamente era só no júri o sistema do cross examination. aqui quem manda sou eu.

” Se você parar para pensar num caso. Vamos dar uma olhada no art. você ouve a testemunha de acusação e aí na hora de ouvir as de defesa. como juiz. ouve as testemunhas que moram na comarca e vai ficar aguardando a devolução da precatória no prazo razoável que ele marcou. será junta aos autos. em setembro de 2009. devendo ser comprovado o prejuízo. Por isso que alguns doutrinadores entendem que esse parágrafo 2º viola o direito à prova. E se o prazo não for cumprido? Isso acontece! É muito comum! Você manda a precatória e concluiu a sua instrução.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. 222: Art. 86 . o que o § 2º diz que eu. eventual inversão da ordem é causa de nulidade relativa. Ele diz que são testemunhas beatificatórias. No juízo deprecado esse prazo não é cumprido. carta precatória. O juiz deprecante geralmente fixa um prazo de 3 a 6 meses. Se o meu álibi é que eu estava numa festa e você tem testemunhas de acusação que dizem que eu estava no local do crime. posso julgar. juiz. Mas para concurso. A gente sabe que o deprecado comunica a data da audiência. 222 . mas você já vai poder realizar a sua audiência com a oitiva das suas testemunhas. provavelmente o advogado vai se opor. *Carta Precatória Aqui você vai tomar um certo cuidado porque quando houver a necessidade de precatória. é óbvio que a oitiva dela é imprescindível para a defesa. a inversão da ordem. com prazo razoável. § 2º . mas. ele realiza a audiência dele. se tiver uma testemunha de acusação com as oito de defesa presentes. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO E a jurisprudência? Como encara o assunto? Ela diz que “Para a jurisprudência. é óbvio que. a precatória. aí a precatória pode alterar a ordem. a minha prova testemunhal vai ter que ser produzida depois da prova de acusação. Aí vem o problema: 1º . Neste caso.” Você. Convenhamos. nesse caso. Coloquem a segunda observação: “Alguns doutrinadores sustenta (não são todos) que esse parágrafo segundo viola o direito à prova. etc.A testemunha que morar fora da jurisdição do juiz será inquirida pelo juiz do lugar de sua residência. não trouxe prejuízo. faz o quê? Chama o advogado no canto e pergunta o que as testemunhas vão falar. Nesse caso. Tem juiz hoje. que nada sabem sobre o fato delituoso.A expedição da precatória não suspenderá a instrução criminal. como as testemunhas de defesa são meramente abonatórias. numa hipótese em que a minha testemunha chave de defesa resida em outro lugar. Pelo fato de a precatória não ser ouvida no prazo legal porque o juiz não tem pauta para marcar audiência. O que eu quero que vocês entendam? O juízo deprecante vai seguir adiante com a instrução. Neste dado exemplo. o que vai acontecer? Eu vou ser julgado sem que minha prova testemunhal seja colhida e é óbvio que disso vai resultar um enorme prejuízo. Se terminou o prazo que eu marquei para a precatória e a precatória não foi devolvida com a oitiva da testemunha. para dizer que o réu é gente-fina. o juiz deprecante não está ligado na data e vai realizar a audiência dele e ouve as testemunhas. uma vez devolvida. Fica lá de braço cruzado esperando. Mesmo assim. que já está marcando audiência para setembro de 2010.Findo o prazo marcado. sendo que eu tenho testemunhas que dizem que eu estava na festa. O que acontece? O que você faz diante disso. E aí? Pode ou não pode fazer o julgamento? Olha o parágrafo segundo: a todo tempo. você não pode inverter porque obviamente. você resolve ouvir. expedindo-se. poderá realizar-se o julgamento. Então. para esse fim. intimadas as partes. Isso é o que é mais interessante. a jurisprudência diria que não há nulidade.

se você quiser o perito. Agora. solicitar os esclarecimentos do perito. Se quiser desistir. Você conversa com a testemunha para saber o grau de conhecimento que ela tem para não dar um tiro no pé e prejudicar o seu cliente. na hora do oferecimento da peça acusatória. “No plenário do júri. você vai defender que o juiz precisa aguardar o retorno da precatória para somente aí realizar o julgamento. é permitido às partes. inclusive durante a própria audiência no que se refere às testemunhas que serão ouvidas. Ou você pode oferecer a peça acusatória e. a desistência de testemunhas arroladas depende da concordância da parte contrária. permitida a presença do defensor e podendo ser realizada.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. § 3º Na hipótese prevista no caput deste artigo. durante a realização da audiência de instrução e julgamento. E a defesa? Na hora da resposta à acusação. mas. inclusive. ainda mais quando o advogado de defesa mantém esse contato muito imediato com o acusado. às vezes já está de bom tamanho e você. Em se tratando de peritos não oficiais. deve haver requerimento com dez dias de antecedência. Caso isso ocorra. diante da oitiva de duas ou três. seis testemunhas. d) Esclarecimentos do Perito Eu coloquei “perito” no singular. A depender do caso concreto. primeiro os esclarecimentos. é o momento para que você requeira os esclarecimentos do perito. Pergunto: por quê? Exatamente pela possibilidade de desistência. esse número será de dois. I: § 5º Durante o curso do processo judicial. a senhora arrolaria como defensora pública as mesmas testemunhas que o MP arrolou?” A pergunta pode parecer boba. então. desiste das testemunhas sob o argumento de que a prova testemunhal já é robusta. pode? Sim. Eu não estou dizendo que você vai orientar a testemunha. concomitantemente. desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas 87 . Algumas observações importantes quanto a esse esclarecimento do perito. razão pela qual o MP desiste da oitiva. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO é aquele negócio: tem que ter maldade e saber qual a prova que você está fazendo. É comum que o MP arrole cinco. convincente. E se você quiser ouvir o perito. ele irá terminar. Geralmente. teoricamente.” No júri você tem que ficar atento a isso. quanto à perícia: I . Se for para defensoria. (Acrescentado pela L-011. Se você está fazendo prova para MP. Começou. mas não é porque envolve exatamente este ponto. tem que ser antes. A parte pode desistir da testemunha a qualquer momento.requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos. a defesa arrolar as mesmas testemunhas que a acusação. E qual é o momento para você pedir esses esclarecimentos para o perito? A acusação. Ele nem aparece na audiência. durante a própria audiência. uma vez instalada a sessão de julgamento. abrace o parágrafo 2º e vai dizer: terminou o prazo. basta um. perito oficial. Isso que eu acabei de falar é razoavelmente comum. como promotor. em se tratando de perito oficial porque agora. a defesa poderá arrolá-las. Portanto. § 5º. Art. o juiz pode julgar. você pode até deixar de oferecer a peça acusatória e pedir. Mesma coisa para magistratura. 159. desistência da oitiva é possível a qualquer momento. E ai vai uma dica (entendam bem a dica!): procure sempre saber o que a testemunha sabe. vai terminar. É óbvio que se o depoimento já teve início. não seria nem aqui na audiência.900-2009) *Desistência da oitiva de testemunhas Pergunta de prova oral da Defensoria: “doutora. a oitiva de testemunha poderá ser realizada por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real. do juiz presidente e dos jurados. os esclarecimentos do perito se dão por escrito.

pelo menos em relação à prova oral. Eu já disse a vocês que ele não é só meio de prova. até para conseguir uma atenuante ou coisa assim ou. o interrogatório era o início da instrução. e) Acareação Em relação à acareação. Novo interrogatório precisa ser feito? Há muitos doutrinadores dizendo que sim. possibilitando que ele possa ser ouvido ao final. diz respeito ao interrogatório do acusado. mas é o ato mais inútil de todos. ele marca o final. a depender da prova que já foi colhida. que ele vai materializar o seu direito de audiência. era complicado você ficar calado no primeiro ato. Hoje. Não muda nada. é importante que o aluno entenda que. o direito ao silêncio atinge o seu ápice porque é hoje que você vai saber se você fica calado ou não.719 ainda não tivesse ocorrido o encerramento da instrução. aí você consegue visualizar o que é melhor: ficar calado. O que acontece se quando entrou em vigor a lei no ano passado o meu interrogatório já tinha sido realizado. imagine que eu fui interrogado no dia 10/06/08. geralmente. a exemplo de Antonio Magalhães Gomes Filho. só que a minha instrução não estava encerrada. basicamente. f) g) Reconhecimento de Pessoas e Coisas Interrogatório do Acusado O último ato da instrução. de acordo com o revogado art. Na antiga lei. Estamos falando da audiência una! h) Pedido de diligências Quanto a esse ponto. testemunhas. 499. no final. essa fase de diligencias era feita por escrito. É óbvio que essa antecedência é importante até para que o perito possa esclarecer os fatos de maneira satisfatória. Só serve para CPI. o interrogatório era o primeiro ato. como o interrogatório era o primeiro ato. você contar uma versão diferente do fato delituoso. seu silencio é melhor porque. Observação importante: “em relação aos processos cuja instrução criminal já estivesse concluída em 22/08/08 não será necessária a realização de novo interrogatório. 229. contar a verdade. testemunha e acusado. com o interrogatório do acusado ao final. no art. Aí eles gostam de fazer. Agora. mas também é um meio de defesa. ” Isso é cada vez mais difícil porque a lei já está em vigor há um ano. Vejam que antes. a depender da dúvida do juiz em relação à prova testemunhal. você vai ter que olhar o CPP. novo interrogatório deve ser realizado por se tratar de norma processual material. se após a entrada em vigor da Lei 11. o seu silencio. aí entra em vigor a nova lei que altera isso. O juiz marca oitiva de testemunhas para o dia 10/10/08. Já estudamos o interrogatório no Intensivo I. 499) a fase de 88 . Antigamente. Agora.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. A gente bem sabe que. mas a instrução criminal não tinha sido realizada? Até o ano passado. podendo apresentar as respostas em laudo complementar. Porém. na redação original do CPP (art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez) dias. Por quê? Acarear é confrontar os depoimentos: testemunha e vítima. naquele momento. já que é uma norma que veio favorecer o status libertatis do agente. Então. a pessoa limita-se a reiterar o que disse antes.

é absurdo você imaginar que agora oficial de justiça vai ouvir. esse pedido de diligências será formulado na própria audiência. algum documento. Essa fase de diligencias. Na nova lei.   Provas impertinentes – “Não dizem respeito à questão objeto de discussão no processo. Você tem direito de confrontar essa testemunha. confirmando a ideia de prova protelatória: Art. mas nesse caso. Se tem pedido de diligências. o Ministério Público. não possui aptidão de influenciar o julgamento da causa. Eu falei sobre isso no Intensivo I. Exemplo: vamos imaginar um crime em que a vítima diga: eu paguei. Isso foi dito ao juiz. mesmo porque.” Esse. O juiz diz que se for testemunha abonatória. as aprovas. você vai ter que cortar a audiência. advogado. arcando a parte requerente com os custos de envio. essas alegações eram apresentadas por escrito. Eu dei o dinheiro à pessoa. o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução. na verdade. As cartas rogatórias só serão expedidas se demonstrada previamente a sua imprescindibilidade. 222-A.719. O artigo que fala sobre isso é o 403. art. amanhã. 500. Então. a regra é que sejam alegações orais. O indeferimento pode se dar:  Provas irrelevantes – “Apesar de tratar do objeto da causa. na verdade. com as alterações trazidas pela Lei 11. diz respeito a alguma diligencia cuja necessidade tenha surgido ao longo da instrução. diante da prova testemunhal. a seguir.” Provas protelatórias – “Visam exclusivamente ao retardamento do processo. importante que você perceba.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. é o verdadeiro objetivo desse pedido de diligencia. comparando com a redação antiga.” O melhor exemplo. do CPP. pede uma declaração.900-2009) i) Alegações Orais Aqui. Outro dia o juiz quis ouvir a testemunha por meio do oficial de justiça porque quando é uma testemunha abonatória dá até para digerir. não há porque expedir a carta rogatória). pede-se qualquer coisa. Não é dado ao juiz valer-se de poderes premonitórios para firmar a irrelevância da prova. Agora. Ele não tem esse poder premonitório. Não é pedir qualquer coisa! Mas algo que se tornou necessário no curso do processo. 402. dizerem que houve cerceamento de defesa. teoricamente. Mas em três casos. você tem direito ao confronto. ele lavrou a certidão de toda conversa que tinha tido com ela. Não vai poder julgar ali. ao invés de ouvi-la. Art. o querelante e o assistente e. sim. no oferecimento e defesa. se o juiz verificar que você não tem interesse na carta rogatória. Só que você tem que tomar cuidado porque os documentos. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO diligencias era feita por escrito. impertinentes ou protelatórias. Outra coisa diferente é quando o juiz fica imaginando e tirando conclusões. você vai pedir que o juiz oficie o banco para verificar se houve esse pagamento. Uma coisa é quando eu.719-2008) Pergunto: juiz pode indeferir pedido de diligencias? A audiência é una. (Acrescentado pela L-011. O juiz tem que ter muita cautela nesse momento porque ele tem medo de indeferir e. antes das alterações. Essa fase (pedido de diligências) agora está prevista no art. Absurdo isso. Ela é só para dizer que o meu cliente é trabalhador”. Produzidas as provas. no revogado art. na resposta à acusação. 222-A (ou seja. que você queria pedir. se presta para quê? “Ela. o que você pede na hora dessas diligencias? Na prática. Isso tem acontecido muito. Num caso desse. 402. o momento correto é na primeira oportunidade que você teve: MP. Aí eu pergunto. ao final da audiência. digo ao juiz: “essa testemunha não sabe nada sobre o fato. (Alterado pela L-011. ” Tamanha é a pressa do juiz em julgar. do CP> 89 . que tem juiz que agora pede para substituírem a prova testemunhal por declarações. o juiz pode indeferir no caso de provas irrelevantes.

sem dúvida alguma existe razão mais do que justificada para que esse prazo seja pedido em dobro. serão concedidos 10 (dez) minutos. Sempre uma boa peça para cair em prova de defensoria pública.719 a regra: alegações orais. Não havendo requerimento de diligências. pela acusação e pela defesa. § 3º O juiz poderá. respectivamente. Só que. o juiz vai acabar tendo que dar o direito de apresentar memoriais. O ideal. Diante da complexidade da causa e/ou 3. bem como imposição de multa de 10 a 100 salários mínimos. Pluralidade de acusados – diversos acusados. prorrogáveis por mais 10 (dez). Cada advogado poderá ter até 30 minutos para alegações orais. também. o tempo previsto para a defesa de cada um será individual. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Qual é o prazo das alegações orais?    Regra geral: prazo de 20 minutos para o MP e para a defesa. a situação é complicada. têm qual prazo? De acordo com a própria lei. serão 90 . A depender do caso concreto. terá o prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença. proferindo o juiz. sob pena de nulidade absoluta por violação ao princípio da ampla defesa . Em relação aos memoriais pode até acontecer porque às vezes o advogado não apresentou . Nesse caso. fiquem atentos à exceção. a exceção. prorrogáveis por mais 10 minutos. “Não é dado ao juiz proferir sentença em a apresentação de alegações orais ou de memoriais por parte da defesa. (Alterado pela L-011. Nesse caso. julgar o acusado sem alegações orais é lógico que o juiz não vai fazer um negócio desses. oferecidas alegações finais orais por 20 (vinte) minutos. Mais de um acusado: tempo individual. o prazo será de 5 dias. após a manifestação desse. Qual a consequência? A gente já comentou na aula de hoje: a depender do caso concreto. Até mesmo para o MP pode ser uma boa peça para cair. Pode o juiz levar adiante esse processo sem memoriais e sem alegações orais? Pode o juiz sentenciar sem alegações orais ou sem memorais? Lógico que não! Convenhamos. prorrogando-se por igual período o tempo de manifestação da defesa. (Acrescentado pela L-011. de alegações orais.” Art. que é inconstitucional. só que o advogado não apresentou. Quando você pode apresentar memoriais: 1. conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. Eu disse que diante da Lei 11. lembrando sempre que defensores públicos e advogados dativos têm esse prazo em dobro. Para a defesa. sentença. 2. A preocupação principal é: pode o juiz levar o processo adiante sem memoriais? E aí quando eu falo em memoriais estou falando. Quando houver o deferimento de pedido de diligências. Mas essa não é a preocupação principal. Assistente da acusação (leia-se o advogado do assistente da acusação): tem direito a 10 minutos e. nesse caso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Usa-se a expressão da lei “memoriais” que. vamos ser bem sinceros. e o juiz (“vai que o réu confesso”) já vai sentenciando. Apresentar oralmente as alegações (30 minutos para cada um) vai gerar um certo problema. apresentados por escrito. o advogado de defesa. a gente pode falar em abandono do processo. é que o juiz conceda às partes o prazo para apresentar memoriais por escrito. Nem me diga que não deve ter. são alegações escritas. Só para concluir. considerada a complexidade do caso ou o número de acusados. pegar a materialidade e pedir a condenação). no dia-a-dia é a regra. que viola a isonomia porque uma coisa é o MP apresentar alegações que é brincadeira de criança (pegando um caso comum. então. basta olhar o caso.719-2008) § 1º Havendo mais de um acusado. o abandono do processo pode sujeitar o advogado a sanções disciplinares. na verdade. Pergunto: não apresentação de memoriais. Não sendo possível sua realização de maneira imediata. A depender do exemplo. E.719-2008) § 2º Ao assistente do Ministério Público. Pergunto: esses memoriais. ou sendo indeferido. qual é a consequência? O juiz deu às partes o direito de apresentar memoriais. tem mais 10. 403. a seguir. você não sabe o que pedir. cada um com advogados distintos.

LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. tem que tomar cuidado. a falta da defesa constitui nulidade absoluta. O juiz sentenciou e condenou. O que o juiz faz. ser-lhe nomeada a defensoria pública. O que o tribunal fez? Entendeu que aquelas alegações tabajara teriam deixado o réu indefeso e anula o processo a partir da apresentação dos memoriais. Mas aí. pelo princípio da indisponibilidade o MP não pode desistir da ação E a não apresentação de memoriais pelo advogado do querelante? “A não apresentação de memoriais pelo advogado do querelante. o que acontece? Prescrição! Então. O que fazer? Cuidado com isso! Imagine que na comarca haja defensoria pública. SENTENÇA 91 . mas no caso da acusação dá para entender que caracteriza mera nulidade. “o acusado não teve sua culpabilidade provada”.No processo penal.” penal. “deve ser feita a mais bela. caso ele seja confesso. Somente ante a inércia do acusado é que você pode nomear advogado dativo ou defensor público. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO É óbvio que o MP também tem que apresentar. Súmula 523: STF Súmula nº 523 . vai demonstrar que seu cliente é inocente ou. manda entrar com apelação e suscitar como preliminar que o acusado teria ficado indefeso. mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. é causa de perempção. o que você faz? LFG conta um caso interessante (de má-fé) em que um advogado apresentou alegações tabajaras. deve o juiz intimar o acusado para que constitua novo advogado. Aí surge um ponto: Alegações Tabajara ou não apresentações de memoriais pelo advogado constituído. isso vai acabar gerando a extinção da punibilidade. lídima e serena justiça”. não o fazendo. Já vimos no Intensivo I que. O que o advogado faz? Chama um colega de escritório.” A defesa não apresentou memoriais ou apresentou Memoriais Tabajara. alguma excludente. O que você faz diante de Memoriais Tabajara? Imagine você. E a não apresentação de memoriais pelo MP? São poucos os doutrinadores que abordam isso. não vai haver pedido de condenação e nós já vimos no Intensivo I que a não formulação do pedido de condenação pelo advogado do querelante é causa de perempção com a consequente extinção da punibilidade. vai tentar invocar alguma tese jurídica (princípio da insignificância. atenuante genérica). E aí bota os três pontos de exclamação e. mas o ideal seria você dizer o seguinte: “Não apresentação de memoriais pelo MP seria uma tentativa de desistência da ação penal. Cuidado com isso! Você pode entender que a não apresentação de memoriais estaria deixando o réu indefeso e. como juiz. sob pena de.” Errou! “Ante Alegações Tabajara ou não apresentação de memoriais. 8.DJ de 12/12/1969 . do CPP. ainda bota uma citação bíblica. deve o juiz aplicar o art. 28.” Se isso acontecer. O que o juiz faz se o advogado constituído não apresentou alegações. Geralmente traz expressões abertas: “o acusado é inocente”. o juiz vai intimar o acusado. Essas alegações são importantíssimas para a defesa porque é nessa peça que o advogado vai fazer uma análise detalhada da prova colhida. se o advogado do querelante não apresentou memorial. por exemplo. levando-se em conta que existe defensoria pública na comarca? É o erro que todo mundo comete: “manda pra defensoria pública e ela que se vire. diminuição de pena. caracterizaria uma nulidade absoluta. Como isso não é possível. a que me refiro são memoriais que servem para qualquer crime: desde um processo criminal de crime ambiental. se bobear. ou seja. Então. até contra o Sistema Financeiro Nacional. Volta e aí apresenta as alegações normalmente. portanto. Detalhe: e os “Memoriais Tabajara”? Os Memoriais Tabajara.

A Lei 11. a sentença deve guardar plena consonância com o fato descrito na peça acusatória. RT. você tem aí uma ideia básica e importante sobre esse princípio que deve ser compreendido dessa forma. CP)? Ou seria violação sexual mediante fraude (art. se eivado de eventual erro cometido pelo estagiário. Imaginem o seguinte: o Rogério vai até o proctologista. essa seria a conduta. O Rogério estava lá anestesiado.015-2009) Art.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. mas não é um requisito que. não posso. Imaginem isso colocado no papel. o fato teria sido essa violação sexual mediante fraude. não podendo dele se afastar. na denúncia.” Então.” E poderia também o aluno pensar que o crime teria sido violação sexual mediante fraude.719. Porém. O que é importante são os fatos porque é partir deles que o acusado e seu advogado vão desenhar sua estratégia defensiva e aí. Vocês não vêem muito isso no processo civil.015-2009) Para mim. No processo penal. ao invés de fazer o exame. quando caem em prova. Se eu fui denunciado por peculato-apropriação. 92 . não é trabalhar com a sentença em si. E o juiz precisa atuar em consonância com o fato descrito na peça acusatória. pede ao Rogério para fazer movimentos circulares e. O médico fingiu que estava fazendo o exame no pobre coitado. mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: (Alterado pela L-012. 215. dois institutos bem interessantes que. 213. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém. No Intensivo I falamos que a classificação formulada na peça acusatória é importante. não tinha como oferecer resistência. o acusado defende-se dos fatos que lhe são imputados. costumam confundir um pouco o aluno. com algumas alterações. tanto a emendatio quanto a mutatio. Na hora de narrar o fato delituoso. as alterações trazidas pela Lei 11. o acusado não se defende da classificação formulada. a) Emendatio Libelli Para entender esse ponto. talvez o melhor seja começar com um exemplo. Há uma obra específica sobre o assunto (princípio da correlação entre acusação e sentença) do professor Gustavo Henrique Badaró. de acordo com os fatos narrados é que a defesa é arquitetada. mas trabalhar com a sentença no procedimento e. porém. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO O meu objetivo na aula de hoje. 215)? Ou não é crime? O aluno poderia pensar: “para mim. mas vocês vão perceber que são bem tranqüilos. amanhã ser condenado por peculato-furto porque essa condenação por um fato que não constou da peça acusatória seria uma surpresa indevida e essas surpresas são causas de violação ao contraditório e à ampla defesa. Vocês devem entender que esse princípio parte da seguinte premissa: “No processo penal. manda ver. Relacionados a esse assunto. leve à rejeição da peça. E por quê? A violação sexual (antigamente era posse sexual) diz o seguinte: Violação Sexual Mediante Fraude (Alterado pela L-012. enfim. mas não se tratava de um exame. Por esse motivo. Pergunto: tem crime nesse tipo de conduta? Seria um crime de estupro (art. PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO ENTRE ACUSAÇÃO E SENTENÇA É um princípio extremamente importante que somente é trabalhado no processo penal. sobretudo.1.” O outro aluno pode dizer: “para mim foi estupro. sob pena de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. mas aqui ele ganha muita importância. 8. O médico. o Rogério deu o consentimento dele. estão a emendatio libelli e a mutatio libelli. na hora de formular a classificação.719 manteve.

383. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa. acabou sendo colocada no código. se eu tivesse descrito um estupro e classificado como violação sexual. no § 1º. reconheça o juiz que o crime tem pena mínima igual ou inferior a um ano. a conduta descrita na peça acusatória teria sido estelionato. mas é o que a gente entende por emendatio libelli que. sem modificar a descrição do fato contida na peça acusatória atribui-lhe definição jurídica diversa. em outras palavras. E se na hora da emendatio libelli. o próprio LFG) sustentaram que a suspensão do processo seria um direito subjetivo do acusado. deve observar o procedimento do art. o juiz procederá de acordo com o disposto na lei. o juiz pode conceder. para por aí e aplica o procedimento do art. não haverá problema e nem haver surpresa em condenar no art. poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa. 213. seja pelo MP. a emendatio é bem mais simples que. em conseqüência. Chegamos ao final. 215. na verdade. a suspensão condicional do processo? Cuidado com a sua resposta porque você pode pensar: “se já estamos no momento da sentença. Veja que essa súmula. Aí. se o juiz reconhecer que o crime tem pena mínima igual ou inferior a um ano. nada mais é do que corrigir o equívoco na classificação. Quando surgiu a Lei dos Juizados. nada impede que o juiz condene o acusado à pena do art. Então. o juiz verificou que. Eu teria sido denunciado por furto qualificado pela fraude. houver possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo.É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva. Você não pode privar o acusado desse benefício por conta desse equívoco. (Alterado pela L-011. mas na hora da sentença. 89. Diante disso (pena mínima de 1 ano). poderia ser concedida de ofício pelo juiz. porque o juiz não fica vinculado à classificação feita pelo MP. 215. tenha de aplicar pena mais grave. também não haveria problema algum. se foi descrita a violação sexual mediante fraude. Vejam que se o exemplo fosse inverso. É um exemplo bem simples e bem fácil. Existe súmula sobre isso: STJ. 215 e sim o art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO teria havido um equívoco por órgão acusatório e lá foi colocado. em virtude da emendatio libelli.” O juiz.” Comparando-a com a mutatio libelli.2007 . não o art. ainda que em consequência tenha que aplicar pena mais grave. súmula 337: STJ Súmula nº 337 -DJ 16. 93 . alguns doutrinadores (Ada. (Acrescentado pela L-011. por que suspender o processo?” só que aí você tem que tomar cuidado porque a não suspensão do processo agora seria um absurdo porque você estaria privando o acusado de um benefício extremamente importante simplesmente porque houve um excesso ou erro da acusação. Lembrem-se que a suspensão condicional do processo depende do oferecimento de proposta. Veja que mesmo num momento avançado do processo. O juiz. 383. nesse momento da sentença. 383: Art.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof.719-2008) Só para concluir o raciocínio da suspensão. afinal de contas. Portanto. então. ainda que. pode conceder a suspensão. Tranquila a situação. nada mais é do que uma correção da classificação equivocada feita pelo MP. A emendatio libelli está prevista no caput do art. O magistrado pode fazer isso porque o que importa é a descrição do fato contido na peça acusatória. o juiz chegar a um crime cuja pena mínima seja de 1 ano. que vai ocorrer pelo menos em tese no momento da sentença. ou seja. 89. do art. cuidado: o juiz pode conceder a suspensão de ofício ou ele depende da proposta? Cuidado com isso. na hora da sentença condenatória.05. Conceito: “A emendatio libelli ocorre quando o juiz. Mas não é a posição que prevalece. da Lei dos Juizados. Como direito subjetivo do acusado.  1ª Observação: “Caso. só para concluir o raciocínio.719-2008) § 1º Se. O juiz poderia condenar pelo delito de estupro que. teria sido narrado e imputado ao acusado. em conseqüência de definição jurídica diversa. cuja pena mínima é 1 ano.

na hora da sentença. É a mesma ideia. não haveria essa remessa ao procurador-geral. mas de uma discricionariedade regrada do órgão ministerial. aplicando-se o princípio da perpetuatio. se há é porque não se trata de um direito subjetivo. aplicando-se por analogia o art. O segundo questionamento seria mais interessante. ele vê que não é lesão corporal seguida de morte. (Alterado pela L-011. é a Súmula 696. 1º) 2º) A emendatio libelli é cabível na ação penal pública e privada ou somente na pública? Tribunal de Justiça (segunda instancia) pode fazer a emendatio libelli? A primeira pergunta é respondida pelo art. razoavelmente simples. perpetuação de jurisdição ou ele se vê obrigado a remeter os autos ao Juizado? Esse mesmo raciocínio também é válido caso o juiz. Ou seja. O que o juiz faz se reconhece na hora da sentença que a infração seria de menor potencial ofensivo? Será que ele mesmo pode julgar. Restam dois pontos para que a gente possa concluir a emendatio libelli. Prova disso. E se por acaso também na hora de faze a emendatio libelli o juiz reconheça que o crime é uma infração de menor potencial ofensivo. dissentindo. Imagine: você estava respondendo por lesão corporal grave e. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Basta ler com atenção. 383. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO seja pelo querelante. quanto à queixa (peça acusatória da ação penal privada). entenda que o crime seria um crime doloso contra a vida. em virtude da emendatio libelli. Art. O que ele faz? Ele mesmo julga ou manda para o juízo competente? Manda para o juízo competente. 383. 383. tenha de aplicar pena mais grave. Depois. ficou mesmo uma lesão corporal leve. Cuidado porque apesar de entendimento doutrinário isolado de que poderia ser concedida de ofício. ainda que. na hora da emendatio. pode fazer a alteração do fato delituoso? A resposta do aluno geralmente é de que pode. Essa pergunta. remeterá a questão ao Procurador-Geral. mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la. O que ele faz? Ele mesmo julga ou manda para o juizado? E outra: se na hora de sentenciar. a este serão remetidos os autos. mas é homicídio doloso consumado. o juiz reconhecer que a infração penal é da competência de outro juízo. o Juiz.Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo.  2ª Observação: “Se. percebe que é lesão leve. diante de uma apelação. não pode. como também na ação penal privada. poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa. Vamos ao art.” São dois exemplos que caem em prova: a remessa para o juizado ou para o juízo sumariante (verificando que é um crime doloso contra a vida). e pudesse ser proposta de ofício. Então. Então. na sentença. o juiz verificou que a hipótese que tornava a lesão grave não restou caracterizada. 383 o legislador faz menção tanto à denúncia (peça acusatória da ação penal pública). a este serão encaminhados os autos. O juiz. 28 do Código de Processo Penal.DJ de 10/10/2003 . Então. a gente vai comentar com mais detalhes a proposta de suspensão na ação penal privada. § 2º: § 2º Tratando-se de infração da competência de outro juízo. em conseqüência. Será que o tribunal pode fazer a emendatio libelli? Será que o tribunal. na verdade. Mas aí você tem que tomar um certo cuidado porque. do STF: STF Súmula nº 696 . caput. se fosse direito subjetivo do acusado. imagine o juiz singular. é preciso 94 . mas hoje já vai se entendendo que também seria cabível. NO art.719-2008) Lendo este dispositivo é fácil você perceber que a emendatio libelli pode acontecer tanto na ação penal pública. inclusive.

aplica-se a mutatio libelli. Pode o tribunal fazer a emendatio libelli com um recurso exclusivo da defesa? Também pode. Vamos dar um exemplo razoavelmente simples. Leva o dinheiro da aposentadoria embora. o juiz erra e soma menos. Ainda relacionado ao princípio da correlação entre acusação e sentença. vem a mutatio. no que for aplicável. só que.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. mesmo em se tratando de erro material. devendo o MP aditar a peça acusatória com posterior oitiva da defesa. A classificação foi feita de maneira correta (art. primeiro o MP adita a peça acusatória imputando esse novo fato delituoso e depois a defesa vai ser ouvida. não podendo. o MP que apele. o tribunal pode fazer. porém. O tribunal pode fazer emendatio libelli? Vocês vão anotar o seguinte: “É possível que o tribunal aplique a emendatio libelli. não há problema algum. ser agravada a pena. Sempre que a gente fala em tribunal. Se o fizesse. no caso de recurso exclusivo da defesa. ser agravada a pena quando somente o réu houver apelado da sentença. Por isso. 617 . mas desde que não seja para prejudicar a defesa.” Então. surge uma elementar ou circunstância não contida na peça acusatória. ao aumentar de 1/3 até a metade. O raciocínio aqui é bem mais complexo. 617. Nesse caso. quando somente o réu houver apelado da sentença. durante a instrução processual. Se o acusado se visse condenado. Então. Alguns doutrinadores entendem que esse princípio é um desdobramento da ampla defesa. 383. estaria ocorrendo violação aos seguintes princípios: ampla defesa e contraditório. a gente tem que se lembrar obediência ao princípio da non reformatio in pejus: “Pelo princípio da non reformatio in pejus. 383. Vejam que o tribunal pode aplicar o art.” Quando é que vai surgir a necessidade da mutatio libelli? Quando. correlação entre acusação e sentença e ao próprio sistema acusatório. b) Mutatio Libelli Primeiro vamos definir mutatio libelli: “Ocorre mutatio libelli quando. Esse ponto é mais interessante do que a emendatio. só que aí tem um detalhe. o juiz não pode condenar por aquilo que foi apurado. Durante o 95 . a situação do acusado não poderá ser agravada. o cidadão poderá ser condenado e não haverá violação aos princípios.O tribunal. Esse princípio está colocado no CPC. Às vezes o juiz calcula errado na hora de somar a pena. 155). Seria quase que um princípio constitucional desdobrando a ampla defesa. porém. Ele coloca o dinheiro no bolso da camisa e sai andando. pois tais fatos não constaram da acusação e deles não teria se defendido o acusado. no recurso exclusivo da defesa. vamos à mutatio libelli. O vovô teve seus objetos furtados. a situação do acusado não poderá ser agravada com a alteração da classificação do crime para uma pena mais grave. Alguém vai lá e leva os 500 reais do vovô. Essa seria a sua resposta. vários princípios estariam sendo violados porque o acusado se veria condenado por um crime que ele não foi acusado. surge prova de circunstância ou elementar não contida na peça acusatória. O vovô é assaltado na frente do posto do INSS. durante a instrução processual. no art.” Já tem jurisprudência nesse sentido. Se houve um erro. sob pena de violação ao princípio da non reformatio in pejus. O fato narrado na peça acusatória foi um furto. Nesse caso. porém. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO conjugar as coisas. em recurso exclusivo da defesa. o tribunal tem que tomar o cuidado de não agravar a situação do acusado. Nessa hipótese. Nesse caso. essa é a melhor posição: dizer que cabe a emendatio. é impossível que o magistrado condene o acusado pelos fatos apurados na instrução. só que há outros doutrinadores que é um mero dispositivo previsto no CPP. não podendo. Art. câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. Vejamos um exemplo da mutatio libelli. Eu digo: defesa. É preciso saber quem recorreu. 386 e 387. Por exemplo.

olha o detalhe maravilhoso de prova: o aditamento deve ser feito. Você não pode condenar alguém simplesmente pelo que ficou provado. da mesma forma que cabe RESI contra rejeição da peça acusatória. Lembrem-se que o não recebimento hoje é a mesma coisa que rejeição. imaginando que essa seja uma audiência una de instrução e julgamento. Está aí no art. quando. qual o recurso? RESI. Porém. em regra. razão pela qual o recurso cabível seria o RESI (art. teoricamente.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. não poderá ser usado o recurso em sentido estrito. veja você. caso essa rejeição ao aditamento ocorra na própria audiência. Durante a oitiva do vovô. nesse caso. Então. contra a rejeição desse aditamento. Porém. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO curso da instrução processual. o RESI será absorvido pela apelação. como também as testemunhas. proferindo em seguida o juiz sentença. de acordo com a regra do chamado princípio da consunção ou absorção. despacho ou sentença: I . teoricamente. Então. ele contou o que aconteceu: “eu saquei o dinheiro da agencia. Você entra com uma apelação só e lá. feito o aditamento e rejeitado. “Rejeição do aditamento – Recurso cabível: a rejeição do aditamento à peça acusatória assemelha-se à rejeição da própria peça acusatória. podemos imaginar que o juiz vai. Não é que o acusado vai ter que ficar escutando com muita atenção porque se não escutar direito. entende-se que. não há dúvida que houve violência exercida contra a pessoa. E o que o MP vai fazer? Vai fazer o aditamento da peça acusatória. Então. E a rejeição do aditamento? Apesar de o código não dizer. você não vai precisar entrar com o RESI contra a rejeição do aditamento e com uma apelação contra a sentença. o órgão ministerial teria o prazo de 5 dias para fazer esse aditamento. ele estaria sendo condenado por um crime do qual ele não foi acusado. quando cabível a apelação. na audiência. a rejeição da peça acusatória dará ensejo ao RESI. a rejeição do seu aditamento. pelo menos em regra. logo em seguida sentenciar. quando o aditamento for rejeitado. 581. Então.que não receber a denúncia ou a queixa. ao momento da sentença condenatória.Caberá recurso. é óbvio que esse aditamento feito de maneira oral tem que ser reduzido a termo. ele estava se defendendo de qual imputação? Da prática de furto. não tivemos só a subtração porque houve também a trombada. veio esse cidadão. antes de o juiz sentenciar. 96 . já não estamos mais diante do crime de furto. § 4º. É nesse exemplo que surge a mutatio libelli. E se houve violência. I: Art. Sentenciando o juiz. Não é isso. com base no art. A apelação tem o condão de absorver o RESI. os autos precisam ir para o MP. Quando isso aconteceu.Quando cabível a apelação. Ou seja. de repente. Feito na audiência. vamos ouvir o vovô e vamos ouvir também as testemunhas. Mas a gente sabe que na prática o aditamento acaba sendo feito por escrito e aí. Na verdade. eu vou poder entrar com o meu RESI contra a rejeição do aditamento? Não porque contra a sentença. acabou. eu tomei uma trombada pelas costas e foi tão forte que eu caí no chão. ainda que somente de parte da decisão se recorra. não pode ser usado o RESI. É óbvio que esse aditamento feito em audiência deve ser reduzido a termo. Em regra. aborda como preliminar. Só que para que fique bem claro. logo em seguida.593. 581.” Não só o vovô diz isso. se essa rejeição se dá na audiência e se o juiz profere sentença em seguida. na própria audiência. nesse momento pode condenar pelo roubo? Cuidado com isso porque se o cidadão fosse condenado pelo crime de roubo. recurso contra sentença é apelação e. Pergunta boa de prova: “E se o juiz rejeitar esse aditamento? Qual seria o caminho possível? Qual seria o recurso cabível?” se cai na sua prova: rejeição contra aditamento. Você tem que trabalhar com a ideia da correlação entre acusação e sentença. qual o recurso cabível? Apelação. da decisão. esse aditamento deve se dar quando? Qual o momento dele? Deve se dar por escrito ou de forma oral? Lembre-se que estamos tratando de uma audiência una de instrução e julgamento. o aditamento deve ser feito de maneira oral. Nesse momento. Porém. Uma belíssima questão de prova. E o que a apelação faz com o RESI? Ela absorve. já que surgiu uma elementar que não constava da peça acusatória. É o chamado princípio da consunção. da rejeição contra o aditamento também vai caber RESI. 581 . poderia o juiz condenar pelo crime de roubo? Será que o juiz. Afinal de contas. Então. caberia o RESI.” § 4º . surge a prova de uma elementar do crime de roubo. puxou o dinheiro e levou o meu bolso junto. Ótima questão de prova. no sentido estrito. seria RESI porque é a mesma coisa que a rejeição da peça acusatória. Diante da instrução processual. Chegamos então. I).

maravilhoso. é o aditamento para imputar o crime de roubo? E se ele não fizer. todos os princípios aos quais fizemos menção estariam sendo violados. quem aqui é ouvido é a defesa técnica. eu fico me perguntando: o acusado não vai se defender dos fatos? E o aluno responde: “ora o acusado já se defendeu!” Gente. agora. se o furto foi imputado. eu não posso condená-lo sem o aditamento. O aluno que me diz que depois de recebido o aditamento. 384. 384. mesmo que já tenha ocorrido o interrogatório. porém. recebido esse aditamento. olha a situação inusitada! Se o procurador não faz o aditamento. o que vai se seguir a isso? Depois de ouvida a defesa (vamos imaginar que isso não se deu em audiência). “Caso o procurador geral se recuse a fazer o aditamento. 28. Estou convencido que ele praticou roubo. a coisa julgada estará delimitada ao furto. aplica-se aqui o famoso art. seja porque não concordou com o aditamento. o juiz nada poderá fazer senão absolver o acusado caso entenda que a imputação originária não restou comprovada. E. Então. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. novo interrogatório deve ser realizado. é óbvio que amanhã nada impede que o MP ofereça nova denúncia e nem me diga que essa nova denúncia pelo crime de roubo estaria protegida pelo manto da coisa julgada. A rejeição eu já comentei. Será a oitiva da defesa. Não! Isso porque a coisa julgada fica delimitada pelos chamados limites objetivos. 157. se está sendo formulada uma nova imputação contra minha pessoa. recebido esse aditamento. Faço. O que você tem a dizer sobre isso?” agora eu possibilitei que. imaginando que já estivesse encerrada a instrução. o órgão do MP não fizer o aditamento da peça acusatória. alguma diligência. se o procuradorgeral fizer o aditamento. essa nova instrução e aí nós vamos seguir o procedimento que vimos: alegações orais. Aqui ele vai verificar se o aditamento está em ordem. Então. não só a defesa técnica seja ouvida. Ele vai se ver obrigado a fazer o quê? Ele vai ter que absolver pelo crime de furto. Mas é óbvio que não impede que nova denúncia seja oferecida em relação à imputação de roubo. se as condições estão presentes.” Nesse caso. então. vai fazer o mesmo juízo que ele faz no momento de receber a peça acusatória. alguns doutrinadores passam batido por isso. É a única solução que resta para ele. é o advogado que está send o ouvido. eu preciso ser ouvido em relação a essa nova imputação. etc. Vamos dar uma olhada na nova redação do art. eu vou ter que chamar o acusado: “acusado. O que acontece? Como de costume. o que se segue? Nova instrução. Se o aditamento não for feito pelo órgão ministerial. Mas e se ele não fizer o aditamento? Qual a consequência? Se ele fizer. vamos imaginar que o MP tenha feito o aditamento. ele coloca o art. acusado. etc. 384. E se praticou roubo. se entender cabível nova definição jurídica do fato. se está sendo formulada uma nova imputação contra a minha pessoa. Agora. (aquilo que a gente já viu na aula passada). Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Alguns questionamentos vão surgir: E se. como também o próprio acusado. o juiz sentencia. ele recebe ou rejeita o aditamento.” Para que a gente possa concluir a análise do art. Pergunto: nesse caso. o juiz pode proferir sentença. gente pode dizer que as testemunhas serão reinquiridas. Eu. E por que isso? Porque. mas os autos irão ao juiz para receber o aditamento. Se forem as mesmas testemunhas você pode aproveitar o depoimento. por acaso. Mas e se ele não fizer o aditamento necessário que. ora. ele estará diante de uma imputação de crime de furto. o Ministério Público deverá aditar a denúncia 97 . a qual não estará acobertada pelo manto da coisa julgada. E quais são os limites objetivos? Aquilo que foi objeto de imputação. Mas veja. Todos sabemos que esse artigo leva à decisão da questão ao procurador-geral. Encerrada a instrução probatória. seja porque comeu mosca. 28. será que o juiz pode condenar pelo crime de roubo? Cuidado com isso! Se o juiz condenasse pelo roubo. os autos serão devolvidos à primeira instancia e vida segue normalmente. teoricamente. Então. essa mini-instrução. eu preciso ser ouvido. do CPP: Art. o que o juiz vai fazer logo depois? Aqui é um ponto que você tem que tomar muito cuidado porque às vezes o aluno pensa em sentença. Fazendo o MP o aditamento. A defesa será ouvida. Então. foi feito um aditamento na peça acusatória e agora o MP está dizendo que você deu uma trombada na vítima. se é caso de aditamento. logo em seguida. obviamente. Lembrem-se: no processo penal o acusado defende-se dos fatos! A gente começou a aula falando sobre isso e é uma premissa extremamente importante. no nosso exemplo. se há justa causa para esse aditamento.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Feito isso qual será o passo seguinte? Defesa. antes de receber ou de rejeitar o aditamento. O juiz. Vamos providenciar a oitiva da defesa no prazo de 5 dias e. Mas atente: o fato de o juiz estar absolvendo pelo crime de furto. óbvio. nada impede que o órgão ministerial ofereça nova denúncia pela imputação superveniente. Então. do CPP. Então. aplica-se o art. o juiz olha para o caso e fala assim: “o cara praticou roubo. Nesse caso.

o interrogatório do acusado já é o último ato da instrução e que o primeiro ato é a oitiva do ofendido. a nova instrução deverá ocorrer?” Não. 383 também são aplicáveis aqui.719-2008) § 2º Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. não contida. ficando o juiz. no prazo de 5 (cinco) dias. Encerrada a instrução probatória. Aquele juiz que está mais atento à instrução. 384 . a requerimento de qualquer das partes. quando o vovô disse pra ele que tomou uma trombada. com inquirição de testemunhas. pode ser que essa nova audiência não seja necessária porque aí já ouve a oitiva do acusado em relação a isso. o juiz.Se o juiz reconhecer a possibilidade de conseqüência de prova existente nos autos de nova definição jurídica do fato. em conseqüência de elemento ou circunstância da infração penal não prova existente nos autos de circunstância contida na acusação. no prazo de 5 (cinco) dias. quando feito oralmente. no prazo de 8 processo em crime de ação pública. na sentença. (Acrescentado pela L-011. explícita ou aditar a denúncia ou queixa. o que ele já pode fazer durante a instrução? Ele já pode conduzir a instrução de olho na trombada. 384. se o examinador perguntar: “obrigatoriamente. reduzindo-se a termo o aditamento.719-2008) Parágrafo único . § 5º Não recebido o aditamento. Ou seja. em 98 . A depender do caso concreto. aqueles parágrafos do art. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. o juiz baixará o processo. no prazo de 5 (cinco) implicitamente. Estão lembrados? Um que fala da suspensão do processo e o outro que fala da remessa ao juízo competente.719-2008) § 1º Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento. fale e.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. só para que fique bem claro na cabeça de vocês. Vamos colocar a redação antiga e a redação nova: ARTIGO 384. E aí ele já pode ir perguntando sobre essa trombada. o Ministério Público deverá elementar. na denúncia ou na queixa. Aquela nova instrução que eu coloquei. reduzindo-se a (oito) dias. É uma questão ótima para vocês ficarem atentos porque o art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO ou queixa. 383 ao caput deste artigo. novo interrogatório do acusado. 384. quando feito oralmente. em Art. pelo menos em tese ela deve ocorrer. o processo prosseguirá. abrindo-se. § 4º Havendo aditamento. 384 foi profundamente alterado e você tem que ficar atentos às alterações. (Alterado pela L-011. Ficou clara a ideia da mutatio libelli para vocês? Agora. termo o aditamento. DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL REDAÇAÕ ANTIGA REDAÇÃO NOVA Art. podendo ser ouvidas até três testemunhas. realização de debates e julgamento. aplica-se o art. § 3º Aplicam-se as disposições dos §§ 1º e 2º do art. E não por quê? Lembrese que agora. (Alterado pela L-011. Mas. produza prova. se entender cabível nova definição jurídica do fato. eu quero fazer uma comparação entre a redação antiga e a redação nova do art. se o juiz já possibilita que o próprio acusado seja ouvido em relação à trombada. a fim de que a defesa. 28 deste Código. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. baixará dias. a fim de que o Ministério Público possa aditar a denúncia ou a queixa.Se houver possibilidade de nova definição jurídica que importe aplicação de pena mais grave. se quiser. designará dia e hora para continuação da audiência. adstrito aos termos do aditamento. se em virtude desta houver sido instaurado o o processo.

caput). aí tínhamos que passar a bola para o MP. só era prevista a oitiva da defesa. como Névio foi pego com a arma. Vamos imaginar que durante a instrução processual um outro militar. Vamos demonstrar como funcionava antes. Antigamente a lei usava a expressão “ circunstancia elementar”. no prazo de 8 (oito) dias . que poderá oferecer prova. Olha que legal! O acusado deveria se defender de algo que estava implícito na peça acusatória. convenhamos. Mas eu pergunto: Tício praticou algum crime? Você pega uma pistola para tirar serviço. Isso não existe! Por quê? Porque ou é uma circunstância ou é uma elementar. No caput. entendíamos aí que seria cabível uma imputação implícita. quando o juiz baixava os autos ao MP. mas foi violado para beneficiar o acusado.” Ou seja. surge a ideia de que o Tício não teria se apropriado. Só que durante a instrução processual. produza prova. Olha que detalhe interessante: na redação antiga. Para que você entenda como funcionava o art. mas veja que a situação dele será para melhor. de certa forma. Convenhamos. Lembre-se que o peculato-apropriação. dizia que a defesa seria ouvida e não estava prevista (no caput) a oitiva do MP e o aditamento. 384. aí pode!” Cuidado! Por quê? Vamos ao art. se quiser. o que acontecia? Se houvesse a possibilidade de pena mais grave. surge a prova categórica de que o Tício não teria pegado a pistola. Pergunto a vocês: na hora da sentença condenatória.Se o juiz reconhecer a possibilidade de nova definição jurídica do fato. Então. o Névio diz que se aproveitou de um momento de descuido do Tício que dormiu e deixou a pistola em cima do beliche. baixará o processo. caput. 384 . na denúncia ou na queixa. Podemos. Geralmente o soldado “tira serviço” (fica na guarita) por duas horas. então. Então. soldado. esse “implicitamente” era uma monstruosidade porque a partir do momento que a lei dizia “não contida explícita ou implícita”. Durante a instrução processual. a lei não fala que “o juiz baixará os autos ao MP”. vamos trabalhar com um exemplo tranquilo. 384 antes. foi pego na rua com aquela pistola 9mm e. veja que a própria lei diz: “o MP deverá aditar a denúncia. Na redação nova. para que você entenda melhor. Olha o exemplo: eu. explícita ou implicitamente.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. o aluno tende a dizer que pode porque agora pena que é para melhorar a situação dele (como é para beneficiar. a defesa era ouvida no caput porque do caput não ia ocorrer a aplicação de pena mais grave. Num primeiro momento. Névio. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO seguida. o código entendeu só ouvir a defesa. Aí você entende o caput da antiga redação. peguei uma pistola 9mm para tirar serviço. O § único dizia: se houver possibilidade de nova definição. Já no §único. Mas tecnicamente. em conseqüência de prova existente nos autos de circunstância elementar. Na nova redação não tem esse “implicitamente”. 312 tem pena prevista de 2 a 12 anos. podendo ser ouvidas até três testemunhas. E você pensa: “ah. pode). ele vai para o alojamento onde ele fica descansando duas horas e depois volta para tirar mais duas horas. ele. pode o juiz condenar pelo peculato culposo? Nesse exemplo. mas como militar que é não seria o CP comum) de peculato-apropriação (art. Porque. O soldado Tício sumiu com a pistola. mas ele praticou crime. arrolando até três testemunhas. Sem dúvida alguma. Depois. não contida. Mas olha o detalhe interessante: quem é que passava a bola para o MP? O juiz. vamos imaginar que a denúncia impute a ele a conduta (eu vou colocar o CP comum. 384: Art. sem dúvida alguma concluir que o Tício teria sido negligente com a guarda da arma e ele teria dado causa à subtração pelo Névio. se você for parar para pensar nos mesmos princípios que estamos trabalhando. Veja que na redação nova. A pena dele será diminuída. previsto no art. tecnicamente. coloca ela em cima do beliche e vai dormir. o art. Vamos dar um exemplo da Justiça Militar. Mas por que falava somente em defesa? É só ler o § único. já antecipava qual seria o decreto condenatório (violação ao princípio da imparcialidade). a fim de que a defesa. deixa de ser prevista esta bola que o juiz está passando. Lembre-se que o peculato culposo tem pena prevista de 3 meses a 1 ano. 384. os mesmos princípios estariam sendo violados. ao ser preso em flagrante. fale e. Praticou crime? Sim. 312. que importe aplicação de pena mais grave. 99 . Vamos à redação antiga do art. Qual crime? Peculato-culposo. o prazo de 3 (três) dias à defesa. Desapareceu.

É óbvio que a defesa vai pedir essa desclassificação. A defesa seria ouvida e. vai ter que ocorrer o aditamento. Ele não foi acusado pelo peculato culposo. como vimos.” (na verdade é quase como se o juiz tivesse agindo de ofício). E aqui. bastando que o juiz abrisse vista à defesa para que se manifestasse no prazo de 8 dias (art. sentença condenatória. quando baixava. agora. já não acontece mais. antigamente. a gente faz a mesma coisa que fizemos antes. para a defesa. ouvir até três testemunhas. sim.” O juiz não precisará mais baixar o processo para que o MP adite a peça acusatória. na medida em que o acusado se via condenado por crime do qual não havia sido acusado. Era como se o juiz dissesse: “levanta a bola para que eu possa cortar. depois pode ser necessária a audiência e caso não seja necessária. E depois da oitiva da defesa. mesmo que seja para pena menor. tanto no art. (Intervalo) Lembrem-se que. o que vamos fazer? A defesa será ouvida e aí vai seguir aquele procedimento que comentei com vocês. sempre deverá ocorrer o aditamento porque com isso você respeita o sistema acusatório. caput – ‘o juiz baixará o processo a fim de que a defesa fale’. Só a defesa. 384. O juiz vai falar sobre o recebimento do aditamento. Vamos fazer um quadro comparativo com as diferenças entre a redação nova e a anterior:  1ª Diferença: “Na lei antiga. ele teria sido negligente na guarda da arma. ele deveria ter muita cautela porque a depender de como ele baixasse (“baixo os autos do MP. estou convencido de que o crime praticado teria sido de roubo e não o de furto como consta da denúncia” ). se. é importante que você não deixe de fazer uma comparação. Independentemente se houver ou não majoração da pena. não mais. houvesse uma diminuição da pena. ou seja. o que vai ter que acontecer? Ao invés de ouvirmos a defesa. então. já ficava ruim e nesse momento. o aditamento deverá ser espontâneo. não haveria necessidade de aditamento.” Depois de feito o aditamento. “Na nova redação do art. § 2º.  2ª Diferença: Na redação antiga. pois diante do depoimento das testemunhas. É só você olhar. o que ele fazia? Ele ia providenciar a oitiva da defesa. caput). 384. pode produzir prova e. 384. o problema do art. peculato culposo. antigamente. na redação antiga. Esse dispositivo era criticado pela doutrina por violar o sistema acusatório. o que o juiz poderia fazer? Proferir sentença condenatória. E por quê? Vocês viram comigo o que. se em decorrência da nova definição jurídica do fato a pena se mantivesse igual ou inferior à pena do fato descrito na denúncia. O juiz vai condenar pelo crime de peculato culposo (se ele achar que foi praticado). proferiria sentença condenatória em relação a qual delito? Art. tudo bem. inclusive. Então.” Percebam que agora já não existe mais essa expressão “o juiz baixará”. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Ou seja. pela nova redação do art. não seria necessário o aditamento por parte do MP. Bastava. sempre deverá ocorrer o aditamento.” Ao estudar esse procedimento. sempre que surgir uma elementar ou uma circunstancia. 384. “Com. Fica. mas tem problema sim e sabe qual é? Você estaria condenando alguém por um crime do qual ele não foi acusado. 28 porque aí. não. Hoje. 384. o MP não precisava fazer nada. Por isso que isso que acontecia antes. até para você saber o porquê das alterações. convenhamos. o juiz. o que ia acontecer? Antes de o juiz sentenciar. ou seja.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. no meu exemplo. Algum problema com essa condenação pelo peculato culposo? O aluno poderia até pensar que não. por acaso. independentemente se da nova imputação resultar pena mais grave. sempre. igual ou inferior à anterior. que ocorresse a oitiva da defesa. 312. quando surgir prova de elementar ou circunstância não cont ida na acusação. porém. já que a defesa foi ouvida. Mas se você imaginar que a defesa só tenha focado na não prática do peculato-apropriação. havia sempre a expressão ‘o juiz baixará o processo’ (isso estava previsto. já 10 0 . a nova redação do art. Hoje. sempre deverá ocorrer o aditamento. Qual é a crítica que recaía sobre essa conduta do juiz baixando o processo? Óbvio. como também no parágrafo único). Agora. Quando a pena fosse igual ou inferior. O problema era quando ele baixava o processo para que o MP aditasse. haveria até uma surpresa da defesa ao ver o seu cliente condenado pelo peculato culposo. o MP vai ter que fazer o aditamento e dizer: “na verdade o cidadão praticou. peculato culposo.

A mudança. E já era de boa hora porque a doutrina já não admitia. já não existe mais menção a essa imputação implícita. ouvimos novas testemunhas. Por que eu fiz questão de fazer esse quadro comparativo e nem no semestre anterior eu havia feito? Porque com isso. Aí você pode pensar que qualificadoras seriam circunstâncias. eu aditei. o acusado só poderia ser 10 1 .. que não existia antes e ele diz de forma categórica que.  5ª Diferença: Essa alteração e bastante interessante e agente vai ter que aguardar para ver no que vai dar. durante a instrução descobriu-se que houve violência. remetendo os autos ao procurador”. adstrito aos termos do aditamento. 28 porque queria ou não quando não há o aditamento espontâneo por parte do MP e o magistrado não dá o chute na canela do promotor. teoricamente seria cabível a imputação implícita. o legislador admitia uma imputação implícita. ouvido o defensor e “admitido o aditamento” (significando que pode rejeitar). o juiz recebe o aditamento. Na redação nova. A partir do momento em que ele dizia “contida implícita ou explicitamente na denúncia ou queixa”. posso ser condenado por qual delito? Pelo furto? Pelo roubo? Pelos dois? Cuidado com isso porque na redação antiga do art. era aquele carimbo clássico: “diga o MP”. Olha que legal! Você tem que imaginar e descobrir o que está nas entrelinhas para que possa se defender. o juiz fica adstrito aos termos do aditamento. pela leitura do § 4º. Ou seja. Na nova redação do art. você tem que entender que a imputação implícita viola a ampla defesa já que não há como o acusado se defender diante de uma imputação implícita. Tanto pelo furto quanto pela imputação superveniente. ficando o juiz. 28. era como se abríssemos um leque porque ele poderia ser condenado pela primeira ou pela segunda imputação e o acusado teria que se defender das duas imputações no momento derradeiro do processo. na sentença. do art. o que também é criticado pela doutrina porque quando o juiz diz: “diante da inércia do MP. 284: § 4º Havendo aditamento. Ele pode rejeitar. Falei que elementar era o dado essencial da figura típica e circunstancia é o dado secundário. sem problema algum. Me recuso a explicar as duas porque já expliquei quando falei de questões prejudiciais.” Para a doutrina. não deixaria de haver uma certa imparcialidade e uma espécie de prejulgamento.” Mas o problema subsiste na nova redação em relação ao art. Agora. de acordo com a doutrina. nesse ponto. havendo o aditamento. E às vezes ficava o promotor: “diga o MP sobre o quê? Tá tudo bonitinho. Na redação anterior. havendo o aditamento.  3ª Diferença: “Na redação antiga. Vocês estão lembrados do exemplo que eu dei do furto e do roubo do vovô? Vamos imaginar que tudo tenha acontecido bonitinho: eu ofereci denuncia por furto. debates e sentença. fazendo pré-julgamento. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. você percebe que o §4º é novidade. Na hora de proferir sentença condenatória. eu. defesa é ouvida. Vamos ler o §4º. enquanto que tudo o que está inserido no tipo penal vai ser considerado elementar.  4ª Diferença: Na redação antiga. significa dizer que agora. Geralmente. Ele usava a expressão ‘circunstancia elementar’. aplico o art. 384. recebido o aditamento. o juiz se vê obrigado a aplicar o 28. o que ele nos leva a acreditar? Que. 384. novo interrogatório. o legislador usava algo que ninguém até hoje sabe o que é. no prazo de 5 (cinco) dias. ele estaria dizendo que. o que a doutrina entendia? Que o acusado poderia ser condenado pelas duas imputações. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO estaria violando a imparcialidade. era possível que o acusado fosse condenado tanto pela imputação originária quanto pela imputação superveniente. há uma melhora em relação a isso porque ele usa a palavra ‘elemento’ (que você deve compreender como sinônimo de elementar) e usa a palavra ‘circunstancia’. foi bem salutar. Tanto é que a gente viu no § 2º que. acusado.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Lembrem-se que o juiz não precisa receber esse aditamento. 384 não é preciso fazer menção a nada disso. “Na antiga redação do art. diante do aditamento.

com um acréscimo de algum elemento que o modifique. Nesse caso. o MP pede a absolvição. 10 2 . haverá necessidade de uma nova peça acusatória. Ele trabalhou com a gente na subtração. porque o caso concreto é crime militar). o que eu faço? Aí surge o problema. na verdade. anotando o seguinte: “a mutatio libelli somente é cabível quando se tratar de fato diverso. vendeu para ele o fardamento. na verdade. Resta saber se a jurisprudência vai caminhar nesse sentido. o que houve foi furto. seria furtoroubo. Daí a motivação dessa alteração. sendo possível a utilização de prova emprestada. supostamente. convenhamos. nesse caso. não mais podendo condenar o acusado pelo fato inicialmente descrito na denúncia. nesse exemplo. o juiz dá a absolvição e o MP entra com nova denúncia. O fato é diverso quando os elementos de seu núcleo essencial correspondem parcialmente aos do fato da imputação.” Para concluir a mutatio libelli. na casa do cidadão foram encontradas várias peças de fardamento militar (e isso vai parar nas organizações criminosas).” Olha o exemplo concreto que aconteceu: expedido o mandado de busca e apreensão. Então. a gente acaba fazendo o aditamento. você já produziu a prova em relação ao mesmo acusado e o contraditório já foi respeitado. quando questionado sobre a origem dessas peças. substituindo por completo a imputação originária. “Diante do novo § 4º do art.” Não existe nada pior do que uma pergunta simples. Quando se tratar de fato novo. não. deve o acusado ser absolvido da imputação originária. há doutrinadores (porque tem gente que passa batido por isso e não percebe muito bem a relevância dessa alteração) dizendo que uma vez feito e recebido o aditamento pelo magistrado. Agora complicou. Ele acabou se vendo denunciado pelo crime de receptação (art. recolhendo as fardas que eram jogadas em sacos plásticos de dentro do quartel. Então. a partir do momento em que diante do aditamento eu poderia ser condenado tanto pela imputação originária. será possível usar a prova emprestada porque. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO condenado ou absolvida em relação à imputação superveniente. basta somar alguma coisa e aí dá para aproveitar a imputação anterior porque o roubo nada mais é do que o furto mais a violência ou grave ameaça. não é caso de mutatio libelli porque mutatio libelli é quando surge elementar ou circunstancia que irá se somar à imputação originária. qual seria o caminho técnico a seguir? É um só: virar para o juiz e falar: pedimos a absolvição. o militar que. da receptação a gente acabou indo para o fato completamente diferente. É como se a imputação originária tivesse sido afastada. Durante a instrução processual. Aqui. aqui é algo novo. diante do fato novo. Mas no exemplo agora. este estará adstrito aos seus termos. diante de um fato novo. Lembra do exemplo do furto. Estabeleçam aí uma conclusão importante. eu queria tratar de dois temas: *Fato Novo x Fato Diverso O examinador pergunta: “diferencie fato novo e fato diverso. mas. ele era um comparsa (“ele ficava do lado de fora do muro.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. diante da clareza do § 4º e a partir do momento que você entende como era antes. Fato diverso. ” É bem interessante essa alteração. ele disse que teria comprado de um outro militar. 384. 180. Nesse caso. O inquérito foi mal conduzido e. Você pede a absolvição em relação à receptação porque. Complicou porque. Aproveitando o gancho da mutatio libelli. ele não era o receptador. porque bastaria somar a violência. não há como fugir dessa compreensão. curta e grossa como essa. “O fato é novo quando os elementos de seu núcleo essencial constituem acontecimento criminoso inteiramente d iferente daquele resultante dos elementos do núcleo essencial da imputação. porém. quanto ela superveniente.”). em que eu saí do furto e fui para o roubo? Nesse caso. queira ou não. No dia-a-dia. tecnicamente. eu acho que para prova de concurso. Mas. Antigamente. sem prejuízo de oferecimento de nova peça acusatória pelo fato novo. isso trazia prejuízo ao acusado. resta tratar da chamada imputação alternativa. algo completamente diferente do anterior. a situação se complica porque é fato novo. Para vocês terem como exemplo de fato novo seria o receptação-furto. por mais que ele tenha sido encontrado com as fardas em casa. do CP – vamos imaginar comparativamente. Por não ter praticado a receptação. afirmou (e também outras testemunhas) que o acusado não era o receptador do fardamento porque.

na mesma situação que a sua e vai ser ali mesmo. Eu explico: amanhã quando você passar no concurso. É óbvio que. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO *Imputação Alternativa Eu fiz menção a ela no Intensivo I. diante de uma proposta inequívoca. porque você se depara sempre com aquele dilema: teria sido ele o autor do crime antecedente ou será que ele é mero receptador? Na dúvida. tenta descobrir quem deu início à agressão e o outro vai ser absolvido por legítima defesa.” Melhor exemplo: homicídio. O cidadão vai para a balada. ou mediante motivo torpe. como também a própria infração penal. você imputa os dois (ou furto ou receptação). mas o crime será o mesmo: lesão corporal para ambos. depois de dez doses. Imputação Alternativa SUBJETIVA – “Refere-se ao sujeito passivo da imputação. Não se sabe quem dá origem à pancadaria generalizada. Imputação Alternativa OBJETIVA – “Refere-se a dados objetivos do fato narrado. não só 10 3 .” E subdividese em: a) Imputação Alternativa SUBJETIVA SIMPLES – “A alternatividade decorre de dúvida sobre a autoria do crime. lembrando sempre que. E aí vem o promotor e coloca: “Renato praticou um homicídio. da briga. não só quanto a quem praticou o crime. II.” Nesse caso de imputação alternativa subjetiva simples. mas também em relação ao delito. Na complexa. O melhor exemplo disse é pancadaria no final da balada. denuncia os dois agressores e. ou seja. b) Imputação alternativa OBJETIVA ESTRITA – “É aquela que incide sobre uma qualificadora. como se dá quando os envolvidos se acusam reciprocamente. em relação ao assunto. A coisa mais difícil é alguém ser denunciado por homicídio simples. Sempre colocam uma qualificadora. há dúvida em relação ao autor e em relação ao crime praticado. mas foi de forma bem simples. teoricamente a pessoa está praticada um crime. tome cuidado com a desgraça corrupção. você coloca várias qualificadoras.” No primeiro exemplo.” E subdividese em: a) Imputação alternativa OBJETIVA AMPLA – “É aquela que incide sobre a ação principal. Essa imputação alternativa subdivide-se em: I. Então. Mas tome cuidado porque a pessoa que é presa. você tem dúvida em relação a quem colocar no polo passivo da imputação. o sujeito ativo do delito. Final de noite. durante o processo. É o melhor exemplo. ou seja. Acontece muito quando você pega alguém no ferro-velho com objetos furtados. poderia ser presa em flagrante.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. eu tenho dúvida.” Seria como se disséssemos: o cidadão praticou “ou” furto “ou” receptação. Qual é o melhor e único exemplo sempre citado: dúvida entre corrupção passiva praticada pelo funcionário público ou corrupção ativa praticada pelo particular. Vamos imaginar que eu prendo alguém em flagrante contra b) Imputação Alternativa SUBJETIVA COMPLEXA – “É aquela que abrange. Diante da dúvida. toma uma primeira dose. É o exemplo clássico. sempre de maneira alternativa. essa é a imputação alternativa objetiva porque refere-se a dados objetivos e ampla (porque recai sobre a conduta principal). tenta inverter o jogo contra você. não conseguiu nada e só sobra o indivíduo que tromba com ele na porta do banheiro. o grande nome é o do professor Afrânio Silva Jardim. ou por motivo fútil ou por recurso que tornou impossível a defesa”. Mas aqui a gente aprofunda um pouco mais. há dúvida quanto a quem começou.

Esse é o exemplo de imputação alternativa subjetiva complexa. Acrescentem uma informação que já foi feita na aula de hoje: “antes da Lei 11. (Alterado pela L-011. 384. o acusado poderia ser condenado tanto pela imputação originária. II. já não haveria mais uma imputação alternativa (porque ele só vai poder condenar ou absolver pela imputação superveniente).719-2008) Essa redação não é das melhores. Então. corrupção ativa. Ou seja. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. “De acordo com a redação do art. para responder: jurídica do fato. Se o juiz vai ficar adstrito aos termos do aditamento.  É possível mutatio libelli na ação pública e privada? Vamos ao art. Alguns doutrinadores vão dizer que há: I. ou se foi ele. se entender cabível nova definição  É possível mutatio libelli na segunda instância? 10 4 . quando feito oralmente. diz o parágrafo 4º que. dizendo respeito ao momento em que se dá a imputação alternativa. Para mim é corrupção passiva.” § 4º Havendo aditamento. por inércia do MP acabou havendo a propositura de queixa subsidiária pelo ofendido ou por seu representante legal.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. qual é a conclusão? A depender do autor do crime (se fui eu. o juiz fica adstrito aos termos do aditamento. o juiz ficará adstrito aos termos do aditamento. Então. Com o novo § 4º do art. na sentença. A imputação alternativa originária é aquela que já está na própria peça acusatória. só é possível a mutatio libelli em crimes de ação penal pública ou no caso de ação penal privada subsidiária da pública. O que é o “desta” aí? A queixa. Há ainda uma última classificação que também é feita pela doutrina. uma primeira espécie ocorre quando você coloca as imputações alternativas na própria denúncia e a outra é quando você faz o aditamento no caso de mutatio libelli.” fácil. caput. No caso. E por razões óbvias: viola o princípio e a garantia da ampla defesa. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. para ele. Imputação Alternativa ORIGINÁRIA – “A alternatividade está contida na própria peça acusatória. ficando o juiz. no prazo de 5 (cinco) dias. 384. Imputação Alternativa SUPERVENIENTE – “É aquela que surge a partir do aditamento da peça acusatória nos casos de mutatio libelli . adstrito aos termos do aditamento. Doutrina e jurisprudência não admitem essa imputação alternativa originária. reduzindo-se a termo o aditamento. qualquer espécie de imputação alternativa que você imaginar. Art.” É como se na própria denúncia eu já fiz uma imputação alternativa. mas que. particular). Atentem para essa distinção. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO corrupção. havendo aditamento e. Encerrada a instrução probatória. o que ele vai dizer? Que fui eu que pedi dinheiro. o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa.” Para que fique bem claro: só cabe em crimes de ação penal pública.719. recebido este aditamento. o delito vai ser diferente. caput. 384. funcionário público. uma imputação objetiva ampla e aí. Pergunto a vocês: é admitida? Não. no prazo de 5 (cinco) dias. 384. teoricamente. “se em virtude desta”. só que pode se dar na queixa subsidiária que não deixa de ser um crime cuja origem é a de ação penal pública. quanto pela superveniente.

devolvendo o feito à primeira instância para que seja aplicado o procedimento da mutatio libelli. havia só o parágrafo único. mas o juiz rejeitou e criou uma zona na primeira instancia. E aí já surge um pequeno problema sobre quem faria o adiamento na segunda instancia. Por que não se aplica a mutatio na segunda instancia? Você tem que pensar o seguinte: a mutatio libelli exige que o MP faça o aditamento. vou suscitar como preliminar uma nulidade. deve haver recurso da acusação. você decorou isso aí. 383. 384. 9. você já seria condenado pelo tribunal e não teria direito ao duplo grau de jurisdição. que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso.O tribunal. Daí. 384. 384 na segunda instância. Deliberadamente. Art. que é o art. o legislador fez questão de omitir daí a aplicação do art.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. na denúncia ou queixa. O que eu vou fazer ao final da primeira instancia? Eu apelo e. Resta pra gente um último ponto para fecharmos o procedimento comum. ao julgar minha apelação vai fazer? Ele vai reconhecer a inobservância do art. não podendo. por isso é que essa aplicação da mutatio estaria a demandar um recurso da acusação. Isso caiu numa prova do Rio (não sei se MP ou magistratura). portanto. é possível que o tribunal anule a sentença por error in procedendo. Só que aí é que o aluno precisa tomar cuidado.Não se aplicam à segunda instância o Art. são cinco parágrafos. no que for aplicável. 384. não é dizer muita coisa. podemos concluir o quê? “Não é possível a aplicação do art. 384 e parágrafo único do Código de Processo Penal. E esse último ponto diz respeito à indenização civil. Mas a gente precisa de algo mais para passar no concurso. Quem faria isso? O procurador? Mas esse não seria o principal problema. ser agravada a pena. Mas e se por acaso o procedimento da mutatio na primeira instancia não foi observado pelo juiz? Imagine que eu tenha tentado fazer o aditamento. porém. ao apelar. Ao tribunal não é dado fazer a mutatio libelli. Se você decorar a súmula. Dizer que não se aplica a mutatio libelli na segunda instancia. como vimos. caso houvesse o aditamento na segunda instancia. concluindo esse ponto com vocês (e é a ultima vez que falo em mutatio libelli na aula de hoje).” A Súmula 453 diz: STF Súmula nº 453 DJ de 12/10/1964 . INDENIZAÇÃO CIVIL 10 5 . 386 e 387. Nesse caso. 384 na primeira instancia e o que poderá fazer? Anula o processo e devolve à primeira instancia para que lá seja aplicado o procedimento do art. que vão anotar o seguinte: “Apesar de não ser possível a mutatio libelli na segunda instância. antigamente. 617 . essa devolução para que fosse aplicada a mutatio não seria benéfica à defesa. O principal problema.” Num recurso exclusivo da defesa. “A justificativa para essa não aplicação é a observância do duplo grau de jurisdição. Então. que leva à aplicação da não aplicação da mutatio na segunda instancia? O duplo grau de jurisdição. câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. quando somente o réu houver apelado da sentença. em virtude de circunstância elementar não contida. Agora. O que o tribunal.” Porque se houvesse a alteração da imputação lá em cima. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO 617: O tribunal pode fazer mutatio libelli? Vamos a um artigo que já foi lido na aula de hoje. percebam. Parágrafo único porque. Qual nulidade? Violação ao art. explícita ou implicitamente. Convenhamos. eu já seria condenado pelo tribunal e o meu duplo grau já estaria sendo suprimido.

I. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Em relação à indenização civil. Como não havia esse quantum debeatur. Só que eu também posso esperar a sentença penal condenatória. E aí você tinha um título executivo. do Código Penal Dos Efeitos da Condenação Efeitos Genéricos e Específicos Art. funcionava como título executivo. Você ia esperar quantos anos para a sentença condenatória transitar em julgado? Sendo bem otimistas.São efeitos da condenação: I . eventual decisão condenatória com trânsito em julgado tem o condão de tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo delito. que tem uma nova redação: 10 6 . tornou-se certo o seu dever de indenizar o dano causado pelo delito. o denominado quantum debeatur. Vejamos o que nos dizem os artigos em questão: Art. para o efeito da reparação do dano. (Acrescentado pela L-011. obviamente com trânsito em julgado.719 produziu algumas alterações com relação a isso. 91. independentemente do plano criminal. Qual é o detalhe à época? A partir do momento em que tínhamos a sentença condenatória com trânsito em julgado. depois da Lei 11. O art. toda essa questão foi alterada. 387. uns dez anos.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. resta mais fácil você entender a motivação das alterações. só para vocês raciocinarem. a partir do momento em que a questão penal está sedimentada.tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime.Transitada em julgado a sentença condenatória. seu representante legal ou seus herdeiros. restava definirmos o quanto seria devido a título de indenização pelo prejuízo causado pelo crime.719-2008) Agora.719? Antes da Lei 11. 91 . receber os valores. Não só porque dependia do transito em julgado. 63 . o ofendido. Essa é uma introdução necessária. Agora. você acabava sendo obrigado a passar por um processo de liquidação e somente após o procedimento de liquidação era que você poderia. apesar de haver o reconhecimento da dívida. Ou seja. no juízo cível. IV. Aqui. Entendendo como funcionava antes. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido. Se você imaginar um pai de família que tenha sido vítima de um homicídio culposo. a Lei 11. pelo prejuízo causado pelo delito. Porém. poderão promover-lhe a execução. Ou seja. como é que funciona essa indenização. Transitada em julgado a sentença condenatória. é óbvio que eu posso entrar com uma ação civil. que era o valor devido. Daí a importância da habilitação do assistente que faz isso para adiantar o processo e conseguir uma sentença condenatória com transito em julgado porque aí não precisa ingressar com uma ação civil. não havia a fixação de valores. mas o primeiro passo importante é que o aluno entenda que um dos efeitos da condenação (está lá no Código Penal) é exatamente é tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo delito. havia o reconhecimento da dívida. efetivamente. Reconhecia-se que você tinha que indenizar alguém pelo dano. de que você tinha que indenizar pelo dano causado pelo delito. a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. mas também porque precisava passar por uma liquidação. Eu não preciso nem dizer o quanto que demoraria para alguém receber algo. existe uma sentença condenatória com transito em julgado. Parágrafo único.719 você precisava entender que a sentença condenatória. surge essa outra possibilidade do art.719. mas agora você precisa entender o sistema. Como é que funcionava essa questão da indenização civil antes da Lei 11. É a chamada ação civil ex delicto.

o quadro que você tem sobre indenização civil. 10 7 . de modo algum. O que essa novidade (fixação de valor mínimo) na prática vai trazer de benefício para a pessoa. A lei usou a expressão “fixação de valor mínimo” por isso. Você tem que somar: agora. a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado (que é aquele valor mínimo que a gente viu) sem prejuízo da liquidação para apuração do dano sofrido. o percurso trilhado pelo ofendido. a partir do momento que vai ter dinheiro. O que acontece? Já recebi 60 mil. Os manuais de processo penal que saíram depois da lei. Eu fiz questão de ler: “transitada em julgado a sentença. 63. então. Ou seja. a fixação de valor mínimo a título de indenização independe de pedido explícito. para a vítima. eu não preciso passar mais por aquela liquidação. felizmente. pois se trata de efeito automático de toda e qualquer sentença condenatória com trânsito em julgado. Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Art. passar por uma liquidação o que já abrevia. § único. (Acrescentado pela L-011. imagine que ele fixou 60 mil reais a título de danos materiais causados pelo delito. na sua maioria dizem que pode porque na medida em que você entendeu que um dos efeitos da sentença é tornar certa a obrigação. é tudo isso que eu falei (sobre antes de depois da lei). É fácil perceber que a lei está ressuscitando a participação da vítima no processo penal porque agora. vale mais a pena você ir lá levar alguns comprovantes. Para a gente concluir. Vou receber na execução os 40 mil restantes. a execução poderá se dar pelo valor fixado. Então. Esse 60 mil reais já poderão ser objeto de execução por quantia certa. É óbvio que na sentença condenatória nem sempre o juiz vai ter a capacidade de fixar o valor certinho.719 foi abandonado? Continua válido? Continua válido. do dano efetivamente sofrido. sem prejuízo da liquida ção para apuração por dano efetivamente sofrido. considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. Essa é a grande novidade. tem-se que transitada em julgado a sentença penal condenatória. voltando para o art. hipótese em que os valores a receber serão. já poderia fixar.” Me contaram que isso estava sendo questionado na prova oral da magistratura/SP: Se o juiz.O juiz. Eu já posso ir diretamente para uma execução por quantia certa.719-2008) Agora. E. ao proferir sentença condenatória: IV . Olha que maravilha! Mas não passou. Por isso que a doutrina. imagine que o delito tenha me dado um prejuízo de 100 mil reais. impede que eu passe por uma liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. Porém. 387 . Eu pergunto: será que isso que falamos sobre antes da Lei 11. na própria sentença condenatória. Leia-se. Onde vai se dar essa execução? No juízo cível ou no penal? No Senado Federal houve uma proposta de emenda para que essa execução tramitasse no juízo criminal.fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração. por meio da liquidação. nesse caso. duas observações:  1ª Observação: “De acordo com a doutrina. tem dito que esse dano que tem que ser fixado pelo juiz penal é somente o dano material.” O que o aluno precisa entender? Que agora. não preciso. o magistrado já irá fixar valor mínimo a titulo de reparação pelos danos causados pelo delito. Depois da Lei 11. o que acontece? Agora. Aqui vem um detalhe: esse dano que vai ser fixado será de qual espécie? Seria somente um dano material ou abrange também o moral e o chamado dano estético? Cuidado com isso porque a gente também não pode querer transformar o processo penal num processo cível de indenização. na verdade.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. para o representante legal e seus sucessores? O benefício que deriva disso é um só: a partir do momento em que eu já tenho um valor mínimo. na sentença. é efeito automático da sentença tornar certo esse valor. Eu faço uma liquidação e chegamos à conclusão que o dano real teria sido de 100 mil reais. obviamente compensados.719. querendo demonstrar que a fixação desse valor não impede que você corra atrás. Essa execução por quantia certa vai se dar no cível. essa execução por quantia certa (dos 60 mil). o juiz já pode fixar o valor mínimo. entrando em vigor a lei no ano passado. sensivelmente.

é só na doutrina mesmo porque. pelo Ministério Público. O tribunal poderia dizer: “Ô meu filho. do CPP. §§ 1º e 2º). Da mesma forma que o MP. Art. Posso ou não? Alguns manuais têm dito que sim. 64) será promovida. 68. que ele é dotado de uma inconstitucionalidade progressiva. Há interesse em recorrer? O MP está no processo. mas como a vítima tem a possibilidade para entrar com uma liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. Mas não é de se assustar se amanhã a doutrina e a jurisprudência chegassem à conclusão de que não haveria interesse tanto por parte do MP quanto por parte da vítima porque esse valor que foi fixado não é um valor definitivo. Quem tem interesse em recorrer? Recurso do acusado: “Se o acusado recorre tão-somente contra o valor fixado a título de indenização. Como existe a possibilidade de posterior liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. você pode entender que a vítima não teria interesse no manejo desse recurso.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 04 – Prof. Eu disse que esse artigo que fala que o MP pode ingressar com ação civil ex delicto em favor de vítima pobre. ele continua válido. Eu acho que são 100 mil. a seu requerimento. quando falamos do art. a execução da sentença condenatória (Art. pode recorrer? O juiz fixou 60 mil. O MP pode correr atrás de interesse patrimonial? A gente já viu isso no Intensivo I. acusado. O Ministério Público somente pode recorrer em favor de vítima pobre nas comarcas em que não haja defensoria pública. o assistente da acusação (advogado) também.” É isso que alguns doutrinadores estão cogitamos o que. não será possível a execução por quantia certa do valor mínimo fixado pelo juiz. nada vai nos assustar amanha se disserem que a vítima não teria interesse recursal. O MP vai apelar pedindo aumento do valor. 68 . Renato Brasileiro – Intensivo II – 11/09/2009 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO  2ª Observação: “Interesse recursal contra a fixação desse valor mínimo” – Essa é uma outra discussão bastante interessante que alguns doutrinadores travam. Não é a ideia de que fixou e acabou e é isso mesmo. E daí o interesse dela. Você pode até entender que o assistente não gostou do valor. pois tal execução pressupõe o trânsito em julgado de sentença condenatória. convenhamos. que é a seguinte: vamos imaginar que numa sentença o juiz tenha condenado em 60 mil reais.” 10 8 . por um motivo até razoável: ela quer aumentar o valor. “Se o acusado impugnar por mei o da apelação o capítulo referente à sua condenação. nada impede a expedição de guia definitiva de execução da pena privativa de liberdade. E o assistente. por que você está recorrendo? Pega logo essa grana aí e depois você corre atrás do dano que você entende efetivamente devido. Só que isso é preciso esperar um pouco mais para ver no que vai dar. E por quê? Porque nas comarcas em que não há defensoria pública. como é que o acusado ia se dar ao trabalho de recorrer somente contra o valor? Ridículo.Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (Art.” E o MP? Tem interesse em recorrer? E o assistente? Têm ou não têm interesse? Aí já vem um problema pelo seguinte motivo: o MP pode recorrer só por conta do valor? O valor é interesse patrimonial. 32. 63) ou a ação civil (Art.

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