Universidade Federal de Campina Grande Unidade Acadêmica de Economia

DESENVOLVIMENTO ECONOMICO DA RÚSSIA.

Disciplina:
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONOMICO I

Docente:
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Discente:
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Matrícula:
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Campina Grande –PB

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO :

Rússia, período antigo ( fundaçao de Moscou) Jugo Târtaro O renascimento Russo A época do Pedro o Grande História da Rússia, o Período Socialista … I - Primeira etapa da expansão Russa II - Grande expansão territorial III - Terceira etapa da expansão Russa Principais Czares Czar Pedro, o Grande - 1689 – 1725. Neste mesmo Período NOS EUA: / Na Europa No Mundo: / No Império Russo IV - FIM DO CZARISMO E REVOLUÇÃO SOCIALISTA 1918 - 1921 - Guerra Civil na Rússia: V - Surge a URSS: expectativas de um novo mundo, um novo homem. A esquerda européia dá crédito a STÁLIN. 1939 - 1945 - Segunda Guerra Mundial

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VI - DA GUERRA FRIA AO FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA. Principais razões da CRISE SOVIÉTICA O desabamento da URSS A CRISE ECONÔMICA PARALISIA ECONÔMICA E DESASTRE SOCIAL RÚSSIA ATUAL Expectativa de apenas 60 anos Ditadura da chantagem "estabilidade", sempre ela... Crise e castigo … CONCLUSÕES :

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A ECONOMIA PÓS-SOVIÉTICA A ECONOMIA ACTUAL

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FONTES DE PESQUISA

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RÚSSIA

Mapa da Rússia

O território da Rússia atual passou a ser povoado pelo homem pré-histórico há cerca de 900 mil anos, quando veio o clima frio da Ártica. O gelo com a expessura de mais de 1000 m invadiu o Norte da Europa e quase cobriu os Montes Urais. Os homens primitivos sobreviveram ao período glaciário e também avançaram no seu desenvolvimento. Quando o gelo recuou para além do círculo polar, estabeleceu-se o clima favorável para lavoura e criaçao de gado. Os homens colheram sereais com foices de cilício, as mulheres fiaram linho e la. Nos séculos IX- VIII a.C. os pré-eslavos, defendendo-se das tribos nômades guerreiras, ergueram fortalezas de madeira e dominaram a arte de fazer armas de ferro. Naquele tempo remoto surgiram as primeiras lendas sobre os "bogatyrs"- ferreiros (herois épicos russos), que venceram os dragoes. Dragao que devorava as pessoas simbolizava, em contos de fadas russas, as incursoes das tribos das estepes que resultavam em incendios, pilhagem e cativeiro. RÚSSIA, PERÍODO ANTIGO Fundaçao de Moscou No início do século XII "Kievskaia Rus'' dividiu-se em mais de uma dúzia de principados. Uma regiao no Nordeste russo entre os rios Volga e Oka, celebre pelas suas terras férteis e bem protegida pelos bosques dos assaltos das tribos nômades, foi governada pelo príncipe Iuri Dolgoruki (Iuri-de-maos-longas).

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Ele construiu várias cidades e fez alianças com os vizinhos. Em 1147 ele convidou seus vizinhos para uma aldeia fronteiriça, "Moscou", onde eles celebraram a vitória sobre os inimigos. Esta data ficou sendo considerada como a data da fundaçao de Moscou. Em 1156 em Moscou foi construida a primeira fortaleza de madeira, que virou depois uma das maravilhas do mundo - o Kremlin de Moscou. Jugo Târtaro Em 1237 a Rússia foi invadida pelas tribos dos târtaros-mongois. Esmagando a forte resistencia das cidades separadas russas as ordas de mongois avançaram para o interior do país distruindo tudo o que foi construido durante os séculos de trabalho. O jugo târtaro durou cerca de 250 anos, dominando a vida política e cultural russa. A vitória dos russos unidos, chefiados pelo Príncipe Dmitri Donskoi, sobre as tropas târtaras, em 1380, foi o marco crucial para o fim do jugo. Mais de dois séculos foram necessários para reerguer a Rússia das cinzas. O Renascimento russo A partir da segunda metade do século XIV começa a renascimento russo. Começou a reconstruçao do Kremlin, que deveria expressar as idéias da uniao e da potencia do Estado russo. Em 1471 começou a se erguer uma nova catedral, "Uspenski". Sua arquitetura acumulou as velhas tradiçoes russas e as técnicas da arquitetura italiana da época renascentista. As maciças cúpulas de ouro fizeram lembrar a potencia e uniao das terras russas. Perto daquela catedral cresceram as outras: Blagovechenski, Arkhanguelski e outros. Uma das maravilhas do mundo é a Catedral Pokrovski (Pokrov - Festa do Manto da Virgem), erguido na Praça Vermelha pelos mestres Barma e Postnik. A catedral é constituida de 9 igrejas ímpares, reunidas em torno de um pavilhao. A época do Pedro O Grande A Rússia tradicionalmente introvertida e autosuficiente deu passo girante nas áreas económica, política, da política exterior, social e cultural, bem como nas reformas radicais do seu exército, na época do Pedro O Grande. Até o final do século XVII a Rússia nao tinha nem frota mercante, nem Marinha. Estava isolada dos mares Negro e Báltico, o que dificultava o seu relacionamento com a Europa. Em 1672 Pedro I subiu ao trono de czar da Rússia. Foi ele quem desempenhou
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um dos mais importantes papéis na história russa. Pedro I foi o primeiro a entender a importância da Marinha e mandou várias delegaçoes russas para aprenderem a arte de navegar nos mares da Europa. Ele foi o fundador das tropas regulares, sofisticou sua organizaçao e logística. A vitória na Guerra do Norte (1700-1721) garantiu r Rússia o acesso ao Mar Báltico, pelo que lutou durante muitos séculos. "A janela para o Ocidente" estimulou as atividades diplomáticas e beneficiou as parcerias, principalmente com os países da Europa Ocidental. Expandindo e desenvolvendo os seus territórios em direçao Norte, ao redor do rio Volga, montes Urais e além dos Urais, na Sibéria e na costa do Oceano Pacífico a Rússia tornou-se Império. No início do século XIX o Império Russo fez parar e fugir o exército-invasor do Napoleao I, Imperador frances, fato que entrou na história russa com o nome de Guerra Patriótica de 1812. Depois da aboliçao da escravatura em 1861 que existia na Rússia desde século XVI começou o desenvolvimento impetuoso da economia. Nas últimas décadas do século XIX registrou-se forte crescimento de manufaturas, empresas privadas, bancos e comércio. No mesmo período as disparidades socias alcançaram o seu climax e o descontentamento com governo foi muito generalizado. A Guerra Mundial de 1914-1918 diminuiu o potencial da economia da Rússia até o mais baixo nível, exauriu os recursos materiais e financeiros do país. História da Rússia, O período socialista Em Outubro de 1917 os "bolcheviques" (quer dizer - "representantes da maioria") do Partido Social-Democrático de Trabalhadores da Rússia chefiados por Vladimir Lenin conduziram a Rússia à Grande Revolução Socialista. O objetivo da revolução era a eliminação da injustiça social e a criação de uma sociedade que deveria evoluir para comunismo. Juntamente com vários países vizinhos a Rússia formou, em dezembro de 1922, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.Durante os 31 anos seguintes o país foi governado pela elite do partido de "bolcheviques" encabeçada por Joseph Stalin. Stalin com a elite bolchevique impôs o totalitarismo, usurpando todo o poder na URSS. O totalitarismo
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vitimou milhões de pessoas inocentes e dizimou-as em campos de trabalho e morte. A maioria dos dirigentes do Exército Vermelho, das Forças Armadas soviéticas, foi submetida a repressões, o que feriu gravemente o potencial defensivo do país. Apesar do terror político e da arbitrariedade, a industria estava se modernizando rapidamente, aumentando o potencial bélico e o peso do país nos processos decisórios internacionais. Em 1941 as tropas da Alemanha nazista atacaram a União Soviética. Os nazistas durante os dois primeiros anos da Segunda Guerra Mundial já tinham conquistado a maior parte da Europa. Em tempo muito curto o país recolheu todas as forças físicas e morais para rechaçar o inimigo. A valentia dos soldados, as habilidades dos generais e esforço máximo de cada cidadão contribuiram para a capitulação da Alemanha em maio de 1945. A guerra causou 27 milhões de vítimas dos cidadãos soviéticos. A idéia socialista atingiu o seu topo nos anos 60, começando depois o declínio, a estagnação e a crise. A economia dirigida pela burocracia comunista permaneceu em banho- maria graças s injeções de capitais provinientes das exportações de recursos minerais como pertróleo e gás natural. As despesas militares abalaram o orçamento estatal e influenciaram o crescimento desproporcional do ramo militar da indústria. uitas ideias construtivas que apareciam nos círculos económicos foram rejeitadas. Todos os aspectos da vida da sociedade inclusive a política externa, foram inseridos em apertados moldes ideológicos. Em meados dos anos 80 o país enfrentou a necessidade das reformas radicais nas áreas económica, social e política. Michail Gorbatchev, Secretário General do Partido Comunista, que se-tornou o primeiro e último Presidente do URSS, começou a reformar a sociedade. Entretanto, as reformas não foram fáceis. A economia entrou em crise, a inflação subiu, varias forças políticas sairam em confrontação, cresceu a tensão social, estouraram os conflitos étnicos. A União Soviética mostrou a sua incapacidade de resolver esta crise global. Assim, o acordo assinado em 1991 pelos líderes das tres maiores republicas soviéticas -Rússia, Ucránia e Bielorússia - declarou o final da União Soviética. A Rússia passou a ser a herdeira de todos ativos e passivos da URSS. A URSS herdou território, população, virtudes e defeitos do Império Russo. Século IX (862) povo russo (eslavos) iniciam processo de expansão territorial que se desenvolve até o século XX.
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Processo teve início numa estreita faixa de terra entre os mares Báltico e Negro. Buscavam novas terras e, principalmente, acesso a mares navegáveis mesmo durante o inverno. Conseqüências
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conquista e submissão de muitos povos, pelos russos intensos e constantes fluxos migratórios Estado com grande heterogeneidade étnica

I - PRIMEIRA ETAPA DA EXPANSÃO RUSSA: do século IX (862) ao século XIII (1223) De maneira geral, os rios cortam o território russo de norte a sul e vice-versa è importantes rotas comerciais entre o Báltico e o Negro. 862 - chefe escandinavo (VIKING) Rurik assume o domínio hegemônico da região norte, com sede em NOVGOROD (Rio Volkov/Lago Ilmen). Nasce aí o Estado Russo. 882 - Oleg, sucessor de Rurik, submete tribos vizinhas (eslavas) ao sul, transferindo para KIEV (Rio Dnieper) a capital do Estado Russo. Está conquistada a "estrada líquida", N/S, entre o Báltico e o Negro:
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Mar Báltico - Golfo da Finlândia Rio Neva Lago Nadoga Rio Volkov/Lago Ilmen (NOVGOROD)/Rio Lovat Estradas de terra Rio Dnieper (KIEV)

Mar Negro (BIZÂNCIO, - depois chamada de: CONSTANTINOPLA, - atualmente: ISTAMBUL). Os eslavos chamavam os vikings de RUSS (remadores, ruivos, do norte):
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Eslavos do oeste: entre osrios Vístula, Oder, Elba = atuais poloneses, tchecos Eslavos do leste: no oriente do rio Dnieper = atuais russos e ucranianos
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Eslavos meridionais: ao sul do rio Danúbio = atuais sérvios, croatas e eslovenos.

988 - Vladimir - primeiro governante eslavo do Estado Russo: ambicionando novos domínios ao sul, converteu-se ao cristianismo na Igreja Ortodoxa (sede em Bizâncio), para casar-se com a irmã do imperador bizantino. Os russos se consolidam como "ORIENTAIS" em oposição aos ocidentais (cristianismo romano). A Rússia é, então, isolada da Europa. Século XIII (1.223) até século XV - os mongóis ("tártaros" - GENGIS KHAN) vieram do norte da China e estabeleceram um enorme domínio (Mongólia, Sibéria, Ásia Central, Geórgia, Armênia, Rússia, etc.). Este domínio (REINO DA HORDA DE OURO) durou mais de 150 anos. II - GRANDE EXPANSÃO TERRITORIAL

Grande expansão territorial Ivã III (1.462-1.505) - Adotou o título de CZAR (correspondente ao César do Império Romano) e considerou-se o sucessor do Império Bizantino depois que os turcos muçulmanos tomaram a capital (Constantinopla - 1.453). Czar Ivã IV, o Terrível (1.553 - 1.584) - Moscou se torna a capital do Império Russo. Expandiu o Império Russo conquistando terras desde o Vale do Rio Volga até o Mar de Barents, e do norte do Cáucaso até Kazan (Ásia Central), além de iniciar a conquista da Sibéria. Com a morte de Ivã IV, tem início a Dinastia dos Romanov que terminará em 1.917.
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III - TERCEIRA ETAPA DA EXPANSÃO RUSSA: do final do século XVII (1.689) até o século XIX PRINCIPAIS CZARES
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Pedro, o Grande (1.689/1.725). Catarina II (1.762/1.796). Alexandre II (1.855/1.881). Período em que o Império Russo atinge o apogeu de sua expansão territorial.

1689 - 1725 - CZAR PEDRO, O GRANDE: a leste : continua a conquista da Sibéria ao sul: impõe protetorados no Cáucaso (Geórgia, Armênia); a oeste: posse dos territórios suecos do Báltico: atuais Letônia e Estônia. Rússia se torna a principal potência do Báltico. Para assegurar estas conquistas, Pedro transfere a capital, de Moscou para São Petersburgo (depois chamada de: Petrogrado / Leningrado / São Petersburgo), às margens do Rio Neva, junto ao Golfo da Finlândia. Estratégia mais ampla era projetar a Rússia com seu destino ligado à Europa (OCIDENTE). Estabeleceu um conjunto de leis que visavam impor à força a "europeizaçao" da Rússia. Dinamizou a cultura, fundou escolas. Assumiu a chefia da Igreja Ortodoxa como Patriarca.

1762 - l796 - Czarina Catarina II, a Grande (déspota esclarecida). NESTE MESMO PERÍODO Nos EUA: 1776 - REVOLUÇÃO AMERICANA (Independência)

Na Europa

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O Iluminismo, a defesa do Estado Burguês. 1750 = Inglaterra / REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 1789 = França / REVOLUÇÃO FRANCESA 1814 = Derrota de Napoleão Bonaparte (França) 1815 = Congresso de Viena / Reino Unido da Grã-Bretanha consolida-se como poder imperial supremo ao se apoderar das principais colônias estratégicas. Criou, nos Urais, indústrias de armamentos e grandes produções metalúrgicas, aproveitando as jazidas de ferro, de cobre e extensas florestas nessa região. Incentivou investimentos , encorajou negócios e criou uma espécie de servidão industrial. Aboliu a tortura, instituiu a liberdade religiosa e a igualdade de legislação para todos os domínios. 1764 - Todas as terras da Igreja foram convertidas em propriedades do Estado e os clérigos em funcionários do governo. Geórgia, Armênia e Azerbaijão, que estiveram sob os turcos muçulmanos, foram incorporados ao Império Russo. Rússia se firma como grande potência mundial, mas envolta em um desenvolvimento tímido se comparada ao Ocidente. A corrupção aumenta ainda mais.

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Expansão russa em direção ao oeste e Cáucaso (séculos XVIII e XIX) 1855 - 1881 - Czar Alexandre II:

Neste mesmo período

NO MUNDO: 1842 - Guerra do Ópio ingleses vencem chineses e forçam a China a abrir 5 portos ao comércio estrangeiro. 1850 - 2ª Revolução Industrial na Inglaterra. Na França, Itália e Alemanha, desenvolvese a Revolução Industrial. 1854 - Esquadra norte-americana aporta no Japão, forçando o Xógum a abrir 2 portos ao comércio estrangeiro. 1857 - Revolução dos Cipaios os ingleses vencem os hindus e ocupam militarmente o Hindustão, passando a colonizá-lo. 1861/65 - Guerra de Secessão nos EUA. 1868 - Começa a Era Meiji e a Revolução Industrial no Japão. 1885/87 - O chanceler alemão Bismarck convoca a Conferência de Berlim para fixar as regras da partilha da África entre as nações européias. NO IMPÉRIO RUSSO Auge da Revolução Industrial Russa e da expansão territorial. Conquistou territórios na Ásia Central (Casaquistão, Usbequistão Turcomenistão, Tajiquistão, Quirquistão), até as fronteiras da Pérsia (atual Irã) e do Afeganistão. Com a Guerra Civil Americana (1861/65), a produção algodoeira do sul dos EUA foi desorganizada e os vales dos rios da Asia Central foram destinados à monocultura do algodão. No extremo oriente, conquistou partes da China na costa do Mar do Japão,tomou posse da Ilha Sacalina, trocada pelas Curilas com o Japão. APESAR DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, PERSISTIAM OS PROBLEMAS SOCIAIS:
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pobreza ou miséria da imensa massa camponesa relações pré-capitalistas no campo (servidão e escravidão); baixa produtividade agrícola pesados impostos cobrados dos camponeses péssimas condições de vida dos trabalhadores urbanos enorme corrupção envolvendo os governos absolutistas efervescência contestatória ao czarismo crescendo cada vez mais (em 1.890, já havia 50 mil presos políticos).

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A expansão russa dos sécs. XIX e XX apoiou-se na ideologia do pan-eslavismo:

união de todos os povos eslavos sob um só Estado.

Para assegurar a posse dos novos territórios conquistados foram construídas duas ferrovias: 1883/86 - Transcaucasiana (N/S) de São Petersburgo (Mar Báltico), passando por Moscou e chegando a Baku (no Azerbaijão/Mar Cáspio) 1891/1904 - Transiberiana (L/O) de Moscou ao porto russo de Vladivostok (Oc. Pacífico). IV - FIM DO CZARISMO E REVOLUÇÃO SOCIALISTA 1894 -1917 - Czar Nicolau II - acelera-se ainda mais a industrialização. 1903 - Os opositores russos perseguidos pelo czarismo reúnem-se em Londres, divididos em dois grupos: BOLCHEVIQUES (ou majoritários) - vermelhos - revolucionários, pregavam a revolução socialista, a ditadura do proletariado. MENCHEVIQUES (ou minoritários) - brancos - reformistas, queriam chegar ao socialismo através do amadurecimento do capitalismo. 1904/1905 - Guerra contra o Japão visando ocupar a Mandchúria Chinesa e a Coréia. Rússia é derrotada e entrega Ilha Sacalina aos japoneses. (Após a 2ª Guerra Mundial, Japão derrotado entrega Sacalina e Curilas à URSS).

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1905 - "Domingo Sangrento" - insatisfação popular leva a uma manifestação pacífica, violentamente reprimida pela polícia do Czar. Militares se revoltam (Encouraçado Potenkim - Mar Negro). 1906 - Czar cede poder e é criada uma Monarquia Constitucional Parlamentar. Instala-se a DUMA (Parlamento) com deputados originários das elites. Agitação revolucionária popular cresce e impulsiona a formação dos SOVIETES (Conselhos de Trabalhadores). Conflitos aumentam. Duma é dissolvida. Retorna a autocracia czarista como solução radical. 1914 - 1918 - 1ª GUERRA MUNDIAL - Império Russo é um dos principais envolvidos. Reafirmando seu Pan-Eslavismo solidarizou-se com a Sérvia, contra Império AustroHúngaro e Alemanha, na "Questão Balcânica". 1916 -1917 - Império Russo está militarmente arrasado e economicamente desorganizado, com 1,5 milhão de mortos. março/1917 - Mencheviques depõem o Czar Nicolau II e criam a República da Duma (Parlamento). Comprometido com as potências aliadas (Tríplice Entente), que constituíam os principais investidores capitalistas estrangeiros no país, o novo governo parlamentar manteve a Rússia na 1ª Guerra Mundial, não produzindo alterações na crise. Líderes revolucionários bolcheviques (Lênin, Trótski), pregam "todo o poder aos Sovietes", contra a Duma dos mencheviques. DEFENDIAM:
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a retirada da Rússia da 1ª Guerra Mundial a divisão das propriedades rurais entre os camponeses a nacionalização das indústrias e bancos a regularização do abastecimento interno.

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25/10/1917 - BOLCHEVIQUES tomam a sede do governo e estabelecem o Conselho de Comissários do Povo, nome do novo governo russo, tendo LÊNIN na Presidência, TRÓTSKI no comando dos Negócios Externos e STÁLIN nos Negócios Internos. março/1918 - Antes do término da 1ª Guerra Mundial a Rússia assina um Tratado de Paz (Brest-Litovsk), em separado com a Alemanha e retira-se do conflito. (Eram seus inimigos, a "Tríplice Aliança": Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro, (e, depois, também o Império Turco-Otomano). Perdas territoriais da Rússia: Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Ucrânia (todas recuperadas ao final da 2ª Guerra Mundial); além de pagar pesada indenização em ouro e trigo, à Alemanha. julho/1918 - A família imperial do Czar é assassinada pelos bolcheviques.

ESBOÇO DA EXPANSÃO DO IMPÉRIO RUSSO E DA UNIÃO SOVIÉTICA 1918 - 1921 - GUERRA CIVIL NA RÚSSIA: "brancos" (Mencheviques) = favoráveis ao czarismo, pretendiam a continuidade do capitalismo. Eram apoiados pela França, Grã-Bretanha e Japão os quais buscavam abocanhar territórios pertencentes à Rússia. Chegaram a ocupar diversas regiões e formaram um "governo paralelo" ao dos "vermelhos". Os "brancos" acabaram sendo derrotados pelos "vermelhos".

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O X Congresso do PC, proibia a existência de facções (grupos organizados dentro do partido, com visão discordante da direção). Nada mais poderia se opor aos líderes bolcheviques, nem dentro nem fora do PC. Era adotado o regime de partido único. Os revolucionários bolcheviques tinham como objetivo acabar com todas as injustiças cometidas durante o czarismo mas irão conservar e reproduzir muito do antigo regime. Durante o período da guerra civil, muitas medidas autoritárias foram por eles adotadas com caráter provisório (para enfrentar o inimigo). Mas, acabaram se tornando definitivas, para poderem reorganizar o Estado e enfrentar os inimigos externos (os capitalistas), que tentavam sabotar a "experiência" socialista soviética a qualquer custo. O número de mortos elevou-se a milhões, e a produção agrícola e industrial estava praticamente paralisada. 1921 - O governo bolchevique ("vermelho") criou a GOSPLAN = Comissão do Plano Geral do Estado, grupo de trabalho para planificar e centralizar a economia. Estabeleceu um plano econômico de emergência (NEP = Nova Política Econômica) para combater a crise e a fome e direcionar a transição da economia capitalista para o socialismo, fazendo algumas concessões à economia privada e aos camponeses. V - SURGE A URSS: EXPECTATIVAS DE UM NOVO MUNDO, UM NOVO HOMEM. 1922 - Liderados por Lênin, Stálin e Trótski, os bolcheviques (vermelhos) vencedores da guerra civil criaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), cuja herança do Império Russo pode ser assim resumida: a maior extensão territorial do mundo; abrigava uma centena de povos diferentes entre si, mas com uma característica comum: dominados e submetidos pelos russos; longa tradição burocrática, centralizadora e concentradora do poder nas mãos do Estado. STÁLIN é designado Secretário-Geral do PCUS (Partido Comunista da União Soviética). 1924 - O líder dirigente LÊNIN morre. Deixa "carta-testamento" em que pede o afastamento de Stálin do cargo de Secretário-Geral do PCUS. Disputam o poder
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TRÓTSKI e STÁLIN; dois extremos se opõem: Leon Trotsky (à esquerda, preconizando a revolução internacionalista e permanente) e Josef Stálin (defendendo a "teoria" do socialismo num só país). Trótski é derrotado e expulso da URSS, exilandose no México (onde será assassinado em 1940, pelo agente russo Ramón Mercader, a mando de Stálin). Stálin governa com "mão de ferro" e impõe a Ditadura do Proletariado, governo de partido único - o PCUS. O Estado passa a ter total controle da economia. PRIORIDADES
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fortalecimento do Estado coletivização da agricultura

expansão da indústria de bens de produção (base). Surge uma elite ligada à burocracia do Estado e do Partido, com poder absoluto (NOMENKLATURA), que se perpetuará no poder. A URSS se isola do mundo (e o stalinismo ficará intocado por três décadas). 1928 - Stálin introduz os PLANOS QÜINQÜENAIS = prioridade ao setor industrial de bens de produção ou de base, exploração dos recursos minerais e aproveitamento do potencial hidroelétrico. Justificativa dos dirigentes soviéticos para a política industrial adotada:

país socialista não devia valorizar o consumo individual como os capitalistas faziam, mas deveria sim desenvolver os setores de bens de produção que é a base para outros setores industriais

necessidade de proteger o novo regime, diminuindo a dependência de tecnologia externa

desenvolver indústria de base possibilita a fabricação de equipamentos bélicos, necessários à defesa do socialismo e dá "prestígio" ao regime.

1929 - Stálin inicia a COLETIVIZAÇÃO FORÇADA DO CAMPO, que duraria até 1932. Pelo menos 13 milhões de camponeses são mortos.
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1932 - Completa-se a coletivização da agricultura, organizada em KOLKHOZES (50% de toda a área cultivada na URSS) = cooperativas de camponeses, resultantes da reunião de várias propriedades particulares. A colheita era vendida para o Estado. SOVKHOZES = fazendas pertencentes ao Estado. Trabalhadores eram funcionários do Estado. Sob Stálin, condenações, expulsões do Partido, execuções, exílios, internamentos em hospícios, e especialmente os "PROCESSOS DE MOSCOU" (1936 a 38), aniquilaram totalmente a oposição. Todos os principais dirigentes da Revolução de 1917 foram acusados de traição e executados por fazerem parte de um suposto "complô nazitrotskista" com o objetivo de subverter o Estado Soviético. A ESQUERDA EUROPÉIA DÁ CRÉDITO A STÁLIN. O desenvolvimento produtivo desse período elevou a URSS à categoria de potência mundial às vésperas da Segunda Guerra Mundial (1935) e, em 1940, já era a terceira potência industrial no mundo, ficando atrás apenas dos EUA e Alemanha. Admite-se que milhões de pessoas morreram e milhões de outras foram aprisionadas ou mandadas para trabalhos forçados em regiões remotas e inóspitas, como a Sibéria. Onze milhões de pessoas foram obrigadas a se deslocar para as cidades, segundo o esforço industrializante dos "Planos Qüinqüenais". Para consolidar a hegemonia de Moscou sobre as áreas mais distantes do domínio soviético, foram feitas maciças migrações de russos (eslavos), com incentivo do Estado. 1939 - 1945 - SEGUNDA GUERRA MUNDIAL 1939 - Os chanceleres de Josef Stálin e Adolf Hitler (MOLOTOV e RIBBENTROP, respectivamente), assinam um pacto de não-agressão, cuja cláusula secreta partilhava a POLÔNIA e garantia anexação URSS dos Estados Bálticos (ESTÔNIA, LETÔNIA e LITUÂNIA) e da BESSARÁBIA (pertencia à ROMÊNIA) atualmente pertence à MOLDOVA. 1941 - Alemães nazistas invadem a URSS. Aproveitando-se do envolvimento alemão em várias frentes de guerra simultâneas e da ruptura alemã com os soviéticos, os EUA começam a fornecer ajuda militar a URSS.
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Por instrução de Stálin, o Exército Vermelho, empregando a tática de "terra arrasada" — a mesma usada contra Napoleão — dificultou a penetração nazista. Assim, o Exército Vermelho teve tempo de reestruturar-se até que, com a chegada do inverno rigoroso, pôde passar ao ataque violento e decisivo. Mesmo sofrendo baixas consideráveis, Hitler ordenou que seus comandados continuassem o avanço, até o último homem, para conquistar os campos petrolíferos do Cáucaso e as indústrias militares de Stalingrado (atual Volgogrado). 1943 - Os soviéticos, beneficiados novamente pelo rigoroso inverno, cercaram a cidade de Stalingrado, forçando os alemães sua primeira capitulação. Terminando o episódio mais sangrento da guerra, começava o recuo nazista e a decadência do Terceiro Reich. O Exército Vermelho, avançando rapidamente sobre as zonas ocupadas pelos nazistas, conseguiu retomar a BULGÁRIA, a HUNGRIA, a TCHECOSLOVÁQUIA, a POLÔNIA e a FINLÂNDIA. Enquanto isso, os Aliados articulavam o ataque à frente ocidental, que se realizou com o desembarque maciço na Normandia (costa norte da França), em 6 de junho de 1944, o Dia D. Fev. 1945 - Conferência de IALTA (na Criméia - Ucrânia/URSS): Roosevellt (EUA), Churchill (Inglaterra) e Stálin (URSS), reúnem-se para:
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acertar os detalhes finais da grande ofensiva contra a Alemanha os limites das fronteiras soviéticas o destino dos países do Leste Europeu, onde as tropas soviéticas estavam substituindo rapidamente os invasores, (alemães nazistas).

Stálin estendeu as fronteiras soviéticas, refazendo praticamente o mesmo traçado da época em que o Império Russo estava no seu auge. A URSS anexou a ESTÔNIA, LETÔNIA, LITUÂNIA, RÚSSIA BRANCA (BIELARUS), a UCRÂNIA.

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24/04/45 - Exército Vermelho cerca Berlim, obrigando Hitler a se refugiar numa fortaleza militar (bunker), onde veio a se suicidar no dia 30. 02/05/1945 - Berlim capitula e as forças nazistas rendem-se aos Aliados. 25/04 e 26/06/1945 - Conferência de San Francisco (EUA), é criada a ONU (Organização das Nações Unidas) em substituição à Liga das Nações. A URSS torna-se um dos 5 membros efetivos do Conselho de Segurança (com direito a veto). 17/07 e 02/08/1945 - Conferência de POTSDAM (subúrbio de Berlim/Alemanha): Harry Truman (EUA), Clement Attlee (Inglaterra) e Stálin (URSS). DECISÕES IMPORTANTES A Alemanha teria suas Forças Armadas completamente desmobilizadas. Seu parque industrial seria reduzido. Pagaria reparações de Guerra. O território alemão seria dividido em QUATRO ZONAS DE OCUPAÇÃO a serem administradas pela URSS, INGLATERRA, EUA e FRANÇA. A Alemanha seria dividida e o Leste Europeu passaria à "esfera de influência" soviética. 1945 - POLÔNIA e IUGOSLÁVIA tornam-se "democracias populares" (regimes de partido único = PC). 1946 - BULGÁRIA e ALBÂNIA tornam-se "democracias populares". Em discurso pronunciado em Fulton, Missouri (EUA), Churchill usa, pela primeira vez, a expressão "CORTINA DE FERRO" para designar a "satelitização" dos países do Leste Europeu, promovida pela URSS. Na Conferência de Paris (1946), os Aliados negam aos soviéticos o controle dos Estreitos de Bósforo e Dardanelos. Os soviéticos, sentindo a superioridade bélica norteamericana (bomba atômica) adotam atitude prudente. VI - DA GUERRA FRIA AO FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA. 1947 - Começa o período denominado GUERRA FRIA (este período será tratado separadamente). As relações entre a União Soviética e o Ocidente ficam cada vez mais tensas. A ROMÊNIA torna-se "democracia popular".
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Os PCs da GRÉCIA e da TURQUIA estão próximos de chegar ao poder. Truman (EUA), anuncia um plano de ajuda para a reconstrução européia, elaborado pelo então Secretário de Estado, George Marshall, cujo objetivo é consolidar o capitalismo no lado ocidental europeul (PLANO MARSHALL). A ONU, estimulada pelos EUA e Grã-Bretanha, no ORIENTE MÉDIO, divide a Palestina entre judeus e árabes. 1948 - Moscou continua "sovietizando" os países do Leste Europeu. A TCHECOSLOVÁQUIA torna-se "democracia popular". O dirigente iugoslavo Josip Broz Tito rompe com Moscou, marcando a primeira dissidência do mundo comunista. Em represália ao Plano Marshall, aplicado também na Alemanha Ocidental, Stálin ordena, em 24 de julho, o BLOQUEIO DE BERLIM OCIDENTAL. É fundado o Kominform (organização que reunia sob o comando do PCUS, todos os PCs da Europa Oriental, Itália e França), substituindo o Komintern (III Internacional), dissolvido em 1943 por Stálin. Na Palestina, os judeus fundam o ESTADO DE ISRAEL (1ª Guerra entre árabes e israelenses = GUERRA DA INDEPENDÊNCIA DE ISRAEL). 1949 - O bloqueio de Berlim Ocidental fracassa em maio, após 11 meses, mas precipita a fundação da República Democrática da Alemanha (comunista) com a capital em Berlim Oriental e da República Federal da Alemanha (capitalista) com a capital em Bonn. A URSS explode a sua primeira bomba atômica. Os aliados (ocidentais) fundam a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). É criado o COMECON (Conselho para Assistência Econômica Mútua) organização econômica dos países do bloco soviético, a fim de estimular a reconstrução e a interdependência na produção e no comércio. Ordenados por Stálin, começam os expurgos, das lideranças comunistas nacionais no Leste Europeu, incluindo Laslo Raik (Hungria) e Vladislav Gomulka (Polônia). Em outubro, liderados por Mao Tsé-Tung, os comunistas tomam o poder na China.
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1950/53 - Guerra da Coréia. A Coréia, após o invasor japonês se retirar, em 1945, tinha sido dividida provisoriamente em uma zona de ocupação soviética ao Norte e uma zona de ocupação norte-americana ao Sul (Paralelo 38ºN). Em 1948, formaram-se 2 Estados. Em 1950, após os comunistas tomarem o poder na China, os norte-coreanos penetrara na zona capitalista ao sul, decididos a reunificar o país. Aplicando a noção de "contenção do socialismo", os EUA desembarcam tropas militares no Sul. Em 1953 é assinado o Armistício de Panmunjon, confirmando as linhas divisórias anteriores (38ºN). 1953 - Stálin morre em março, e isso desencadeia a luta pela sua sucessão, entre Lazar Kaghanovitch, Giorgi Malenkov e NIKITA KHRUCHEV (sendo este ultimo o vencedor). Em 17 de junho, o Exército Vermelho reprime um levante operário em Berlim Oriental. 1955 - Em oposição à OTAN, os países socialistas fundam sua própria aliança militar, o PACTO DE VARSÓVIA, integrada inicialmente, pela União Soviética, Albânia, Hungria, Romênia, Bulgária, Polônia e Tchecoslováquia. A Albânia deixaria o pacto em 1961. Em Bandung (Indonésia) alguns países se reúnem criando o Bloco dos PAÍSES NÃO ALINHADOS. 1956 - Para consolidar o seu poder no PCUS, Khrushev denuncia, no XX Congresso do Partido, os crimes cometidos por Stálin e acusa de stalinistas, os seus adversários. O Kremlin (sede do governo soviético) decreta o fim do Kominform, evidenciando sua disposição para a retomada de uma política de negociações e entendimentos com Whashington (EUA). Revoltas operárias reconduzem Gomulka ao poder na Polônia. Na Hungria, o dirigente comunista Imre Nagy dirige uma revolta contra Moscou e anuncia a retirada de seu país do Pacto de Varsóvia. Khrushev envia tanques para esmagar a revolta, em novembro. Nagy é preso e será executado como "traidor" em 1958. No ORIENTE MÉDIO, ocorre a 2ª guerra entre árabes e israelenses (GUERRA DE SUEZ).

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1959 - Fidel Castro lidera um movimento nacionalista (que só se tornaria marxista 2 anos depois), toma o poder em Cuba encerrando a ditadura de Fulgêncio Batista (próEUA). O Secretário Geral do PCUS, Nikita Kruschev visita os EUA, onde participa dos trabalhos da Assembléia Geral da ONU. 1960 - Após 5 anos de crescentes tensões, a União Soviética retira seus assessores técnicos da China. Os maoístas criticam a política de "desestalinização" e de "coexistência pacífica" com o capitalismo, preconizada por Nikita Khrushev. O "racha" sino-soviético tem repercussão no movimento comunista internacional. No Brasil, um grupo deixa o Partido Comunista Brasileiro e forma, em 1961, o Partido Comunista do Brasil (PC do B - maoísta) Alguns países produtores de petróleo criam um cartel, com a finalidade de enfrentar as poderosas companhias britânicas, francesas e norte-americanas. É fundada a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). 1961 - O Muro de Berlim torna-se real. O êxodo de centenas de milhares de trabalhadores da Alemanha Oriental para o lado ocidental, em busca de melhores salários e condições de vida, provoca a construção do muro, em agosto. O Muro de Berlim, construido pelos comunistas, seria o maior símbolo da Guerra Fria. A Albânia mantém-se aliada à China e rompe relações com a URSS. Os EUA enviam milhares de "assessores técnicos" ao Vietnã do Sul (capitalista). 1962 = Eclode a CRISE DOS MÍSSEIS. Khrushev decide instalar em CUBA, em outubro, lançadores capazes de transportar ogivas nucleares que atingiriam Washington em menos de 15 minutos. John Kennedy, então presidente dos Estados Unidos, ordena o BLOQUEIO NAVAL DE CUBA. Cria-se um foco de grande tensão. Moscou recua. Washington assume o compromisso de não invadir Cuba. A crise dos mísseis provoca a instalação do "telefone vermelho" entre Moscou e Washington, na realidade uma linha de telex com capacidade para colocar em contato os chefes dos dois Estados no caso de uma nova situação de emergência. 1964 - Khrushev é deposto por um golpe palaciano desferido por Leonid Brejnev, em comum acordo com dois outros membros da cúpula soviética: Alexei Kossiguin e
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Mikhail Suslov. Brejnev será proclamado o novo secretário-geral do PCUS, cargo que ocupará até sua morte, em 1982. No Brasil, os militares suspendem o regime constitucional e assumem o poder (em 31 de março), alegando, como uma das causas centrais, a necessidade de defender o país contra a ameaça do "comunismo internacional". Os EUA iniciam os bombardeios sobre o Vietnã do Norte (comunista). A China detona sua primeira bomba atômica. No ORIENTE MÉDIO, diversos grupos da resistência palestina criaram a OLP (Organização para a Libertação da Palestina). Essa organização visava lutar para a obtenção de um Estado democrático e laico para judeus, cristãos e muçulmanos, abrangendo toda a Palestina, inclusive o território de Israel. 1966 - Mao Tsé-Tung promove a Revolução Cultural na China, período de perseguições e execuções de adversários políticos que só terminaria com sua morte, em 1976. 1967 - No ORIENTE MÉDIO, acontece a 3ª guerra entre árabes e israelenses (GUERRA DOS 6 DIAS). ERNESTO CHE GUEVARA (líder guerrilheiro cubano) é executado na selva amazônica por militares bolivianos assessorados pela CIA (EUA). 1968 - Tropas do Pacto de Varsóvia invadem a Tchecoslováquia e esmagam o movimento reformista liderado pelo então secretário-geral do Partido Comunista Tcheco (PCT), Alexander Dubcek. Este episódio ficaria conhecido como a "PRIMAVERA DE PRAGA". Para justificar a invasão desse país, Brejnev anuncia "doutrina", segundo a qual as tropas do Pacto de Varsóvia poderiam intervir em qualquer país-membro daquela aliança onde o socialismo estivesse sendo ameaçado. Em Paris e em outras importantes cidades do mundo, estudantes saem às ruas num amplo movimento "contra o sistema". O movimento escapa ao controle dos partidos comunistas e das organizações de esquerda tradicionais. Este episódio ficaria conhecido como "MAIO de 68 - PARIS". Nos EUA, o líder negro pacifista MARTIN LUTHER KING é assassinado em Memphis (Tennessee).
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No Brasil é decretado o AI-5 pelo general Costa e Silva. 1972 - O presidente dos EUA, Richard Nixon visita Pequim. 1973 - Derrotados pela guerrilha comunista, os Estados Unidos retiram-se do Vietnã. No ORIENTE MÉDIO acontece a 4ª guerra entre árabes e israelenses (GUERRA DO YOM KIPPUR) Ocorre o 1º choque do petróleo. 1975 = Comunistas tomam o poder no Cambodja, liderados por POL-POT, dirigente do Khmer Vermelho, (apoiado por Pequim). No LAOS, os comunistas, tomam o poder (apoiados pelo Vietnã). 1977 - Após a morte de Mao Tsé-Tung, (em 1976), Deng Xiaoping, que havia "caído em desgraça" durante a Revolução Cultural, assume a liderança do PC chinês e começa as reformas econômicas liberalizantes na china. Na Itália, na França e na Espanha, os partidos comunistas, que vinham atravessando uma profunda crise ideológica, lançam o chamado "Eurocomunismo", rejeitando a subordinação absoluta a Moscou e aos aspectos mais "duros" do leninismo. 1979 - O Vietnã (aliado de Moscou) invade o Cambodja e depõe, em janeiro, o regime do Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot, (aliado de Pequim). De 1975, quando tomou o poder, até sua deposição, Pol Pot foi responsável pelo extermínio de um terço da população do país. Em fevereiro, a China ataca o Vietnã, mas é rechaçada. No ORIENTE MÉDIO, em 1º de abril, a REVOLUÇÃO ISLÂMICA torna-se vitoriosa no IRÃ. Ocorre o 2º CHOQUE DO PETRÓLEO. Nos EUA, Egito e Israel ratificam os Acordos de Paz de Camp David. Em dezembro, tropas soviéticas invadem o Afeganistão para apoiar o governo prósoviético de Cabul, na luta contra a guerrilha muçulmana apoiada pelos Estados Unidos. 1980 - Em agosto, liderado pelo operário eletricista católico Lech Walesa, é fundado na Polônia o Sindicato Solidariedade, o primeiro independente e de oposição, num país comunista.
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Morre o presidente da Iugoslávia, Josip Broz Tito, o único líder com poder carismático suficientemente forte para manter a coesão desse país. Sua morte estimularia movimentos separatistas que se manifestariam com intensidade variável ao longo dos anos 80 e 90. No ORIENTE MÉDIO, eclode a GUERRA IRÃ/IRAQUE (1980/88). 1981 - O general Wojciech Jaruzelski desfere um golpe de Estado na Polônia (13 de dezembro) e proscreve o Solidariedade, que passa a atuar na clandestinidade. 1982 - Morre Leonid Brejnev em novembro, sendo substituído pelo ex-chefe da KGB (Polícia Política), Iúri Andropov, na chefia do PCUS. Andropov defende reformas e "experimentos econômicos" limitados a algumas regiões da União Soviética, mas morre no início de 1984, sem tempo de colocar suas idéias em prática. 1983 - O presidente dos EUA, Ronald Reagan, anuncia o ambicioso projeto "Guerra nas Estrelas". 1984 - Morre Andropov, em fevereiro. Seu substituto, Konstantin Tchernenko, já assume o cargo em condições precárias de saúde. Analistas e historiadores acreditam que sua indicação tinha apenas o objetivo de dar tempo para que fosse decidida a luta interna pela sucessão no PCUS, desencadeada pela crise que já começava. PRINCIPAIS RAZÕES DA CRISE SOVIÉTICA: Externas: o desenvolvimento capitalista da Terceira Revolução Industrial, liderando a produtividade em todas as áreas; a corrida armamentista, obrigando os soviéticos a continuados gastos para preservar a correlação de forças bélicas e estratégicas; pressões internacionais ininterruptas pela liberalização política soviética e de seus aliados e, ideologicamente, as cobranças pelos limites alcançados no bem-estar social quando comparado com as classes médias e altas das áreas desenvolvidas do capitalismo.

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Internas: a burocracia que entravava as inovações tecnológicas e a livre circulação de idéias e criatividade; o centralismo político-econômico, que imprimia lentidão na tomada de decisões e implementação produtiva, contrastando com a rapidez e dinamismo dos países capitalistas fundados no lucro individual; os enormes gastos exigidos pela Guerra Fria, seja na indústria bélica, seja para garantir Estados e grupos políticos aliados da URSS; a limitada produtividade e baixa qualidade dos bens de consumo soviéticos ante as crescentes exigências sociais de consumo no interior da URSS e por parte de seus aliados. 1985 - Morre Tchernenko, em março, e Mikhail Gorbatchov assume a Secretaria-Geral do Partido. Começa a ser colocado em prática um amplo programa de profundas REFORMAS na URSS: a "PERESTRÓIKA" (reconstrução da Economia) e a "GLASNOST" (transparência na Política). As primeiras evidências dessas reformas foram: a diminuição da censura, a libertação dos dissidentes políticos ("subversivos") e outras medidas liberalizantes. Gorbatchov proclama a moratória nuclear unilateral (a União Soviética compromete-se a suspender os testes nucleares subterrâneos, independentemente do comprometimento dos Estados Unidos). 1986 - No XXVII Congresso do PCUS, em fevereiro, Gorbatchov lança as linhas gerais de seu programa de reformas. Em 26 de abril, o acidente na usina nuclear de Tchernobil (Ucrânia) libera perigosa nuvem radiativa que ameaça contaminar regiões imensas da União Soviética e da Europa. O acidente é tratado com abertura de informação sem precedentes na história da União Soviética. Seria a primeira grande prova da glasnost (transparência). Gorbatchov telefona, pessoalmente, ao físico dissidente Andrei Sakharov, preso na cidade de Gorki, para anunciar sua libertação.

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Nos EUA, estoura o escândalo IRÃ-CONTRAS, envolvendo o presidente Ronald Reagan em negociações secretas de vendas de armas ao Irã com repasse do dinheiro para os Contras, da Nicarágua. 1987 - Surgem, na cúpula do PCUS, as primeiras divergências públicas sobre os rumos, ritmos e prazos da perestroika. Numa sessão plenária do Comitê Central do PCUS, em novembro, Bóris Iéltsin critica os "burocratas" do partido, em particular Igor Ligatchov, e pede maior rapidez e radicalismo nas reformas. Nos meses seguintes, Iéltsin perderia seus cargos de chefe do comitê municipal do PCUS em Moscou e de membro-candidato do Politburo. 1988 - Em clima inédito de liberdade de discussão realiza-se, em junho/julho, a XIX Conferência do PCUS. As resoluções enfatizam a necessidade de ser criado um "estado de direito" no país; apontam para a desburocratização do partido e do Estado para a instauração do "pluralismo socialista" (isto é, liberdade de discussão, mas somente entre os membros do PCUS) e a necessidade de democratizar as relações étnicas. Em agosto, o Exército Vermelho começa a retirar-se do Afeganistão sem que seus objetivos tenham sido alcançados. A saída das tropas seria completada em fevereiro de 1989, após 10 anos de guerra, que causou pelo menos 15 mil mortes entre os soviéticos e 1 milhão entre os afegãos. Na Estônia, um movimento ecológico é o estopim para a organização nacionalista Frente Popular, que estimularia movimentos semelhantes na Letônia e na Lituânia, espalhando-se, em seguida, ao Cáucaso (Armênia, Geórgia e Azerbaijão) e depois s demais repúblicas. A Igreja Ortodoxa tem permissão para comemorar o milésimo aniversário de sua fundação na Rússia, com festas e comemorações em Moscou e no interior do país. Os costumes começam a ser radicalmente modificados, com a permissão de grandes shows de rock, concursos de beleza e transparência informativa. Temas como prostituição e droga, antes considerados tabu, são livremente debatidos na imprensa e na tevê. Na Polônia, o Solidariedade conquista a legalidade, colocando um fim lei marcial decretada em dezembro de 1981.

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1989 - Realizam-se, em 26 de março, as eleições ao Congresso dos Deputados do Povo (CDP). Participam e são eleitos antigos dissidentes, como Andrei Sakharov e Roy Medevedev. Iéltsin obtém 90% dos votos em Moscou. A primeira sessão do CDP, em 25 de maio, atrai as atenções do país. Um deputado pede o desmantelamento da KGB diante das câmeras de televisão. Gorbatchov é eleito presidente, e Iéltsin forma um bloco parlamentar de oposição. Desenvolve-se um processo irreversível de liberdade política. Gorbatchov viaja à China em 14 de maio para reatar relações rompidas desde 1960. Em Pequim, apoia discretamente a luta dos estudantes chineses pela democracia. Em 4 de junho, o governo chinês ordena o massacre de 2 mil estudantes que lutavam pela democracia, acampados na Praça da Paz Celestial (MASSACRE DA PAZ CELESTIAL). Em setembro, o Vietnã retira-se do Cambodja, conforme acordo estabelecido entre Gorbatchov e Deng Xiaoping. A União Soviética reduz drasticamente o número de seus soldados estacionados na fronteira de 7.500 quilômetros com a China. Em outubro, uma visita de Gorbatchov a Berlim Oriental estimula, (como já havia acontecido antes em Pequim), grandes manifestações de protesto contra o regime de Erich Honecker, dirigente comunista da Alemanha Oriental. Em 9 de novembro, as manifestações assumiram caráter irreversível, levando à queda do Muro de Berlim. Com a anuência de Moscou, todos os regimes burocráticos do Leste europeu são derrubados. Na Romênia, Nicolai Ceaucescu é fuzilado, em 25 de dezembro, como resultado de uma revolução sangrenta que liquidou seu regime. Em dezembro, Gorbatchov reúne-se, sucessivamente, com o papa João Paulo II (dia 1º, no Vaticano), com o presidente norte-americano George Bush (dias 2 e 3, em Malta, uma ilha no Mediterrâneo) e com o presidente francês François Mitterrand (dia 6, em Kiev, na Ucrânia). Começa a nascer a nova ordem mundial. 1990 - É dissolvido o Comecon. Piora a situação social, política e econômica da União Soviética. Os movimentos pela independência nacional envolvem todas as repúblicas do
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Báltico, e também a Ucrânia, a Bielorússia (atual Bielarus), a Moldávia (atual Moldova) e a Geórgia. Na ÁFRICA DO SUL é libertado o líder negro NELSON MANDELA. Em março, o CDP REVOGA o artigo 6º da Constituição, que garantia a DITADURA DO PARTIDO único na União Soviética. Os burocratas e generais "linha dura" ampliam seus ataques a Gorbatchov que, no XXVIII Congresso do PCUS, em julho, é acusado de ter "capitulado sem combate" diante do imperialismo, ao ter "abandonado" o Leste Europeu. Gorbatchov faz, durante o congresso, um acordo com os "centristas", isolando os extremistas de "esquerda" (isto é, os reformistas chefiados por Iéltsin) e de "direita" (os burocratas liderados por Ligatchov). Iéltsin, recém-eleito à Presidência da Rússia pelo Parlamento daquela república, rompe com o PCUS, atitude que seria adotada por vários reformistas importantes. Ligatchov abandona a política e diz que vai escrever suas memórias na Sibéria. Saddam Hussein (IRAQUE) invade o KUWAIT. Gorbatchov assina, em setembro, um acordo que permite a reunificação da Alemanha. 3 de outubro: Finalmente acontece a reunificação da Alemanha. Reúne-se em novembro, em Paris, a Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa (CSCE), que discute os contornos de uma Casa Comum Européia (isto é, uma "Europa unida do Atlântico ao Pacífico", nas palavras de Gorbatchov). Gorbatchov adverte para o perigo de uma "libanização da Europa", isto é, a fragmentação de Estados sob o impacto de problemas nacionais, como os vividos pela União Soviética. Em 20 de dezembro, o chanceler soviético Eduard Shevardnadze renuncia ao cargo e denuncia a "marcha da ditadura que se aproxima" na União Soviética. Começam a ganhar força movimentos separatistas na Croácia, na Eslovênia (duas das seis repúblicas da Iugoslávia) e na Tcheco-Eslováquia. 1991 - Em janeiro, no ORIENTE MÉDIO, ocorre a Guerra do Golfo (IRAQUE x KUWAIT/EUA). Em abril é dissolvido o Pacto de Varsóvia.
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Em maio, Bóris Iéltsin é eleito presidente da Rússia em eleições livres, diretas e secretas. Gorbatchov afasta-se dos comunistas ortodoxos e se dispõe a assinar o TRATADO DA UNIÃO, que concedia ampla autonomia a todas as repúblicas da União Soviética. Em junho, o presidente dos EUA, GEORGE BUSH, anuncia a "INICIATIVA PARA AS AMÉRICAS". Em julho, Gorbatchov participa como convidado, em Londres, de uma reunião com os países-membros do G-7 (os sete capitalistas, mais ricos). Voltando a Moscou, durante uma sessão plenária do Comitê Central, ele afirma que o marxismo é apenas "uma das contribuições" utilizadas pelo PCUS na formulação de seu programa. Em 19 de agosto, um dia antes da assinatura do Tratado da União, os burocratas soviéticos dão um golpe e afastam Gorbatchov, que estava em férias na Criméia. Iéltsin, apoiado por milhares de pessoas nas ruas de Moscou, resiste. O golpe fracassa. A cúpula golpista se desmoraliza, e os manifestantes destroem os símbolos do comunismo. Gorbatchov dissolve o pcus e o estado requisita as suas propriedades desse partido. O Parlamento soviético declara o Partido suspenso por tempo indeterminado. Em setembro, a União Soviética é desintegrada, todas as suas repúblicas já declararam independência. Gorbatchov quer que a URSS se transforme numa União de Estados Soberanos, mas é vencido por Iéltsin, que propõe a criação da Comunidade de Estados Independentes (CEI - Acordo de Minsk), partindo de uma iniciativa do "núcleo eslavo’ (Rússia, Ucrânia e Bielorrússia/atual Belarus). A CEI será integrada por todas as repúblicas que compunham a URSS, com exceção das repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia), já independentes e da Geórgia. O parlamento soviético é extinto (16 de dezembro). Gorbatchóv renuncia à presidência (25 de dezembro). A União Soviética deixa oficialmente de existir (25 de dezembro, meia-noite). A Croácia e a Eslovênia proclamam sua independência da Iugoslávia, dando início à guerra civil que irá se intensificar mais na Bósnia-Herzegovina.

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1992 - É criada a União Européia, uma zona de livre comércio entre os países da Europa Ocidental. Os EUA invadem a SOMÁLIA (no Chifre da África). 1993 - A GEÓRGIA TAMBÉM INGRESSA NA CEI. Em Whashington, o 1º ministro israelense YITZHAK RABIN e o líder da OLP, IASSER ARAFAT, assinam um ACORDO DE PAZ. 1994 - A Chechênia proclama sua independência e é invadida pelas tropas russas. Na América do Norte é criado o NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte). 1995 = Na América do Sul entra em vigor o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul). 1996 = Em 3 de julho, Iéltsin é reeleito presidente da Federação Russa (ou, Rússia).

O Desabamento da URSS As reformas de Gorbachev expuseram uma realidade. O regime comunista era irreformável. O imenso aparelho burocrático-militar ossificara-se a tal ponto que não mostrou nenhuma flexibilidade que lhe permitisse conviver com alterações e modificações substanciais. Quando buliram nele ele ruiu. A glasnost e a perestroika monstraram sua imensa fragilidade atrás da sua aparência maciça. Em 19 de agosto de 1991 as velhas forças políticas concentradas em altos escalões do Partido Comunista e da Policia Secreta (KGB) ensaiaram um golpe de estado para depor Gorbachev. Os tanques dirigiram-se para o Parlamento russo em Moscou e para ocupar demais pontos estratégicos. O povo saiu as ruas para resistir enquanto o segundo homem do regime Boris Yeltsin, então presidente do Parlamento, assumiu a liderança anti-golpista. Fracassado o levante, a URSS desmantelou-se. Foi como se tivessem aberto a Caixa de Pandora que guardava, por mais de 70 anos, todas as tensões e frustrações das mais de cem etnias e nacionalidades que a compunham. Em apenas dois anos, entre 1991-2, além da Federação Russa, formaram-se outros 14 países. Surgiram: as repúblicas bálticas da Estônia, da Letônia e da Lituânia; as republicas da Bielorussia, da Ucrânia e
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da Moldávia; as republicas do Cáucaso, como a Georgia, a Armênia e o Azerbaijão, e as da Ásia Central, como o Turquemenistão, o Uzbequistão, o Casaquistão, o Tajiquistão e o Kirquizistão. No lugar da antiga URSS brotou uma ficção política, a débil Comunidade dos Estados Independentes, formada pela federação russa e pelos novos países. Muitos deles viramse imediatamente envoltos em guerras civis ou em conflitos éticos e de separatismo interno. Abalado pelo fracasso da reforma e pelo golpe que se seguiu, Gorbachev viu-se obrigado a renunciar, substituindo-o Boris Yeltsin que, em 1991, tornou-se o primeiro presidente eleito na Rússia pelo voto direto (sendo reeleito em 1996). A Crise Econômica Um dos mais graves problemas que acometem a Rússia atual diz respeito a questão das propriedades. Não tendo uma burguesia autocne e um empresariado preparado, as grandes empresas estatais de petróleo, gás, carvão, ouro, etc...caíram em mãos de seus antigos administradores, de seus ex-gerentes. Eles usurparam aquelas propriedades que eram patrimônio público. A transição da propriedade coletiva para a privada foi desastrosa entre outras razões porque não resultou de um consenso. Um pequeno grupo de homens poderosos, uma oligarquia de arrivistas e oportunistas, tornou-se a nova classe dirigente da Rússia. Chamaram-nos de os "Sete Boiardos"(*) e se equiparam aos "barões ladrões" surgidos na metade do século 19 nos E.U.A. Ao concentrarem quase toda a riqueza produtiva do pais, exercem enorme influencia junto a Boris Yeltsin e tem rejeitado aceitar as políticas tributárias dele. Em quanto isto os negócios médios e pequenos têm sido controlados por "máfias", grupos privados que se adonaram de parcelas do mercado e rivalizam-se com os demais. Isto tornou Moscou uma das cidades mais violentas do leste europeu. As industrias deficitárias, por sua vez, com tecnologia obsoleta, ficaram ainda no controle do estado aumentando-lhe ainda mais o déficit público. Para criar a sensação de que a Rússia partilhava do mundo do consumo, a administração Yeltsin abriu seu mercado interno aos produtos estrangeiros (grande parte deles de luxo), os quais, até pouco tempo, pagava com a exportação de grãos, petróleo e minerais.
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Paralisia econômica e desastre social Graças ao volumoso auxilio que recebia do Ocidente (tanto do FMI como dos E.U.A. e Alemanha) o governo russo conseguiu sobreviver as crises internas (a mais retumbante foi a guerra, entre 1994-96, contra a Chechênia, uma pequena república separatista do norte do Cáucaso) e à oposição que a maioria da Duma lhe faz (o parlamento russo é majoritariamente composto por deputados comunistas e nacionalistas, ambos hostis à política liberal e pró-ocidental de Yeltsin). Porém, sem conseguir modernizar seu aparato industrial e produtivo, nem legitimar o sistema de propriedades, e menos ainda regularizar o seu sistema tributário, (a sonegação fiscal banalizou-se), o governo esvasiou-se, ficou sem recursos. Os serviços públicos (educação, saúde, transportes e segurança) entraram em colapso e os salários, além de muito baixos, são recebidos com enorme atraso. Afetada pela crise asiática que, em rápidos passos, desloca-se em direção ao Ocidente, e pela volúpia especulativa, a Rússia não resistiu à fuga dos capitais. O governo, tremendamente endividado, apelou para a moratória (suspensão de pagamentos). As desigualdades sociais tornaram-se gritantes. As ruas e praças das principais cidades russas acolhem um número impressionante de aposentados e pessoas pobres que procuram vender seus escassos bens. A desvalorização do rublo provocou uma alta do dólar, e os bancos, para evitarem a quebra geral, congelaram as contas correntes dos seus depositantes. Neste cenário sombrio não se vislumbrou, até o momento, alternativas que acenem para uma solução não traumatizante. O governo está paralisado, o presidente Boris Yeltsin enfraquecido politicamente e doente, se esvai a cada dia que passa. A oposição por sua vez propõe algum tipo de reestatização, retomando as antigas bandeiras do regime coletivista desaparecido em 1991. Evidentemente que um governo de coalisão - de salvação nacional - entre os reformistas, os comunistas e os nacionalistas poderia fazer com que pelo menos o pais voltasse a estabilidade. O problema são suas desavenças ideologicas e administrativas.

RÚSSIA ATUAL

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É grave a situação do povo russo. Em linhas gerais, o regime burguês que vigora por lá funciona da mesma forma de sempre. Mas, com as peculiaridades acrescentadas pelos gângsters comandados por Vladimir Putin e Dimitri Medvedev, a oligarquia russa está levando as classes populares do país à ruína, em todos os sentidos e a uma velocidade poucas vezes observada na história negra do capitalismo.

O conjunto habitacional representa bem o abandono No intervalo de duas décadas, uma dúzia de bandidos pés-de-chinelo foram promovidos do dia para a noite à condição de empresários de sucesso, tudo a custa da dilapidação do patrimônio industrial e natural daquela terra. Milhões de pessoas estão definhando na miséria e pagando com a própria vida pelo fato de o grandioso país ter sido transformado em uma imensa vitrine às avessas dos horrores e castigos que as engrenagens do moderno capitalismo monopolista são capazes de produzir, a fim de multiplicar dinheiro e penalizar as massas. A Rússia atual foi transformada por uma oligarquia oportunista, corrupta e sanguinária em um lugar aonde as políticas fascistas vêm sendo esticadas ao limite, com intensidade multiplicada se comparadas com as ofensivas anti-povo empreendidas em outras partes do mundo, em especial naqueles países que os papagaios da pirataria financeira costumam chamar de "emergentes". Ali mesmo, onde um dia bateu o coração da União Soviética revolucionária.
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Para nós, tomar conhecimento da realidade dos trabalhadores russos é sim uma questão de solidariedade, mas também de saber bem até onde podem chegar os esforços de aniquilação movidos pelos inimigos do povo. Ainda mais agora, que os demagogos do lado de cá do mundo, como Chávez e Lula, estão convidando gente como Dimitri Medvedev e toda a máfia russa para fazer negócios na América do Sul. EXPECTATIVA DE APENAS 60 ANOS Na Rússia, quando se fala em aniquilação do povo, trata-se de aniquilação mesmo, literalmente. À parte o conflito em que se enfiou na Geórgia, há tempos o exército da Rússia não enfrenta as armas de qualquer outra nação, mas, ainda assim, os números de sua demografia são os de um país em guerra. Sua população, que atualmente é de 142 milhões de habitantes, está diminuindo a um ritmo de 700 mil pessoas por ano. Isso significa que daqui a 50 anos os russos podem ser reduzidos a dois terços do que são hoje. A expectativa de vida dos homens na Rússia é de apenas 60 anos, uma das menores do mundo e a mesma do final do século XIX. Este dado também remete a carnificinas nos campos de batalha, mas são explicados pela desertificação econômica. Desertificação literalmente. A grande burguesia mafiosa, com seus bilionários monopólios dos setores de petróleo, gás e mineração, produziram o que o povo russo costuma chamar de "buracos negros" no vasto território de mais de 17 milhões de quilômetros quadrados. Tratam-se de extensões de mais ou menos 100 quilômetros quase sem habitantes e nenhuma atividade econômica. São longos trechos que se estendem entre as regiões que circundam as 168 cidades russas que têm mais de 100 mil habitantes. Os geógrafos falam em "seleção social negativa": os jovens migram para as poucas grandes cidades, os mais velhos e os incapacitados para o trabalho pesado ficam para trás, rodeados pelo nada, definhando, sucumbindo à pobreza, à desilusão e à bebida. Trinta por cento das mortes de homens na Rússia estão direta ou indiretamente ligadas ao consumo em excesso de bebidas alcoólicas. Entre as mulheres, o índice é de 17%. Acontecem mais de 400 mil mortes evitáveis por ano, em razão de doenças e outros
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fatores relacionados ao álcool. São desde problemas cardíacos fatais até acidentes, suicídios e assassinatos. Nas grandes cidades, a precariedade da vida e o medo de perder o emprego praticamente mantêm grande parte das pessoas bêbadas, esforçando-se para manter a sobriedade apenas quando estão no local de trabalho. A vodka é um dos poucos produtos na Rússia que estão relativamente imunes à inflação. Entre os anos de 1990 e 2005, por exemplo, o índice dos preços de produtos alimentares aumentou quase quatro vezes mais rápido do que o índice dos preços do álcool. DITADURA DA CHANTAGEM Em outros pontos, países como o Brasil já foram colocados por suas classes dirigentes em situação semelhante à da Rússia atual. Lá como cá, o sistema público de saúde é uma ofensa ao povo, a educação é precária, a polícia é corrupta e utilizada como instrumento de repressão ao primeiro sinal de descontentamento popular. A pequena propina é a moeda que corre no dia-a-dia, paralelamente ao rublo. Paga-se por fora para conseguir até mesmo produtos e serviços básicos, o que significa que o Estado encabeçado por Putin e Medvedev, impôs pela realidade objetiva que grande parte da gente russa se transformasse em corruptores ativos e passivos. Ou isso, ou viver em condições ainda mais aviltantes. Mais ou menos o que sucessivas administrações anti-povo vêm fazendo em território brasileiro.

Prédios abandonados

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O sistema de governo imposto aos russos por Putin é a ditadura da chantagem. O monstrengo se baseia no aumento da renda média dos trabalhadores, mas a partir de um patamar baixíssimo e a um ritmo de crescimento irrisório, principalmente levando em conta a inflação, que fechou 2008 em torno dos 13%. Não obstante esta relação — que é metade feudal e metade exploração capitalista no estado mais bruto — a miséria que castiga as classes populares do país as deixam ainda mais vulneráveis a sucumbirem ao verdadeiro objetivo de Putin e Medvedev: a passividade do povo comprada com alguns rublos a mais no fim do mês. Na Rússia, a oligarquia que se apoderou do país exacerba a lógica do capital de tentar minar a força da gente simples com as próprias urgências da vida comum. "ESTABILIDADE", SEMPRE ELA... Pouco antes da farsa eleitoral do dia 2 de março do ano passado, que marcou a transferência do cargo de "presidente" da Rússia, o então mandatário Putin tornou pública a chantagem, declarando a um jornalista estrangeiro: "Os salários estão aumentando 16% ao ano na Rússia. As pessoas querem que isto continue, e elas vêem em Medvedev um garantidor desta tendência". Dito e feito: o candidato oficial, Medvedev, venceu o pleito fraudulento com 70% dos votos. Por outro lado, pesquisas dão conta de que dois terços da população russa considera que não têm qualquer influência sobre a vida política e econômica do seu próprio país. Enquanto uma burguesia criminosa vai tomando conta da economia e dos recursos naturais, seus representantes na administração nacional tratam de erradicar qualquer possibilidade de cidadania e qualquer traço de uma democracia verdadeira, substituindo ambos por uma retórica econômica vazia, cuja finalidade é a mais reles embromação.

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A desertificação em diversas cidades Qualquer semelhança não é mera coincidência. A palavra de ordem da gerência PutinMedvedev é "estabilidade", que é a palavra de ordem dos atuais Estados burgueses, a mesma com a qual há décadas os paus-mandados instalados nas administrações nacionais latino-americanas, africanas e asiáticas vêm enchendo a boca para falar das maravilhas que vêm fazendo pelas classes dominantes locais e pelo capital financeiro sem fronteiras —isto enquanto alegam que na verdade realizam prodígios em nome dos trabalhadores dos quatro cantos do mundo. "Estabilidade" é a palavra mágica com a qual se leva a cabo toda sorte de ofensivas a favor dos capitalistas e contra o proletariado, sob a mentira recorrente do "governo para todos". Na Rússia, este e outros estratagemas do capital vêm sendo empregados em seu extremo. Guardadas as especificidades de cada lugar, isto significa que os mecanismos de empulhação e exploração que afinal constituem as próprias engrenagens do capitalismo são basicamente os mesmos no USA, na Rússia, no Brasil e nas demais nações. CRISE E CASTIGO As diferenças de incisividade e método dos inimigos do povo ficam por conta do papel de cada país na divisão internacional do trabalho, que define como se desenvolverão as ofensivas da burguesia contra os trabalhadores dos diferentes países. Na Rússia, onde os monopólios foram levados ao limite, a exploração e o aniquilamento do povo está chegando ao limite também.

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Agora, com a crise econômica corroendo as bases do sistema capitalista global, as perspectivas são de agravamento da situação do povo russo. Mesmo as grandes cidades, onde a realidade dos trabalhadores é relativamente melhor, tendem a ser devastadas pelo desemprego e pela degradação das condições gerais de vida. O patronato nacional, mancomunado com Putin e Medvedev, e as empresas estrangeiras que os dois czares capitalistas deixaram entrar na Rússia estão começando a botar o proletariado na rua, a meter a faca nos salários e a avançar sobre os direitos já muito dilapidados. O Kremlin aparelhado pelos mafiosos vem tentando, em vão, acalmar os ânimos das massas, que estão prestes a dizer "chega!" a tanta precariedade. A oligarquia já mandou um recado aos meios de comunicação: a palavra crise não pode aparecer no mesmo texto com a palavra Rússia. E isto vale tanto para os veículos estatais quanto para o oligopólio internacional da imprensa que opera no país. É bastante provável que, em um futuro próximo, a mão pesada do Estado russo burguês e repressor intensifique os castigos ao povo, recorrendo à farsa nacionalista típica da era Putin como desculpa para evocar questões de segurança e, assim, tratar as massas na rédea curta. Tudo para proteger a ditadura da chantagem e dos oligopólios. A bem da verdade, é um processo que já vem se desenhando nos últimos oito anos, desde que Putin se tornou a principal figura da gangue que comanda o país. O fascismo, que está por toda parte, tende a se intensificar ainda mais, e logo onde já mostra sua cara de forma mais escancarada.

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CONCLUSÕES

A ECONOMIA PÓS-SOVIÉTICA Nem tudo foi bom após a queda da URSS. Apesar de maior democracia, a Rússia entra em profunda crise. Os analistas afirmaram que Iéltsin agiu precipitadamente ao decidir privatizar tudo e a baixo custo. Isto provocou uma desvalorização accentuada da moeda - o rublo. As dívidas ao Mundo, a falta de serviços e bens, o atraso industrial, fez com que a Rússia importasse muito e exportasse pouco. Em 1997, a Rússia entra numa recessão e em 1998, a economia estagna. Isto criou um sentimento de revolta na população: o desemprego, a falta de serviços, os altos preços e casos de pobreza extrema nas zonas provincianas. A partir de 1999, com Putin no governo, a economia russa teve início a um crescimento económico muito grande e sem precedentes e que continua neste ritmo nos dias de hoje. Entre 1999 e 2005, o Produto Interno Bruto cresceu em média, anualmente, cerca de 6.7%. As causas foram simples: muito petróleo + moeda fraca = exportação em grande quantidade de petróleo a baixo preço em relação aos outros mercados internacionais. Alexei Kudrin - ministro das finanças desde 1997 até agora - cria várias de leis de criação de barreiras aduaneiras para fechar o fluxo importador. As pequenas e médias empresas praticamente não podiam entrar na Rússia.

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A Rússia exporta essencialmente petróleo, gás natural através de oleodutos e madeira, além de outros produtos mais radioactivos. Estes produtos constituem 80% das exportações. A indústria militar também contribuiu para o aumento das exportações. Recentemente, as leias aduaneiras foram levantadas embora com certas restrições. Evolução do PIB: 2004 - +7.2% A ECONOMIA ACTUAL Em 2002, o PIB foi de US$ 1,5 trilhões, atrás da Alemanha. Em 2005, houve um superávit de US$ 765 bilhões, fazendo o PIB deste ano de 1,6 trilhão de dólares. A inflação foi de 10,9% segundo o Centro de Estatística Federal da Rússia. Com estes números, a Rússia é a 15.º economia mundial e em constante crescimento.[13] As exportações valeram 241,3 bilhões de dólares e as importações foram de "apenas" de 98,5 milhões de dólares. Entre 2004 e 2005, a Rússia obteve mais 33% de lucros com as exportações. Pensa-se que em 2006 o investimento estrangeiro foi de 23 bilhões de dólares. Ainda segundo as estatísticas russas, o salário nominal mensal de 2006 era de 10 975 rublos (aproximadamente 370 euros), mais 25% do que em 2005. Para 2007, o governo federal prevê que o PIB será de 1,2 trilhão de dólares, ou seja, 31,2 trilhões de rublos. DESAFIOS Um dos principais desafios actuais da enconomia da Rússia é erradicar a corrupção. Apesar dos grandes valores e resultados obtidos nos anos anterores, ainda persiste muita corrupção na Rússia afastando muitos investidores estrangeiros do mercado nacional. Muitos dos bancos russos são possuídos por grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desproporcionado entre as regiões russas. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de
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2005 - +6.4%

2006 - +7%

quinze milhões de habitantes, é uma metrópole moderna que vive com tecnologia de ponta e um rendimento per capita que se vai aproximando rapidamente do das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as suas comunidades indígenas e rurais na Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. Mesmo assim, a integração no mercado está também a fazer-se sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrado e Ecaterinburgo. Encorajar o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. Uma redistribuição justa dos capitais ganhos pelas indústrias de recursos naturais pelos outros sectores também é um problema. A educação dos consumidores e o encorajamento ao consumo é uma tarefa relativamente dura em muitas áreas de província, onde a procura é primitiva, muito embora alguns programas interessantes tenham sido postos em prática em cidades maiores, especialmente relacionados com as indústrias de vestuário, alimentação e entretenimento. A recente detenção do mais rico empresário russo Mikhail Khodorkovski (Yukos), acusado de fraude e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no período de liderança de Boris Iéltsin, levou muitos investidores estrangeiros a se preocuparem sobre a estabilidade da economia russa. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ser o resultado ou da aquisição de propriedade estatal a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais. Apesar de tudo, algumas grandes firmas internacionais têm grandes investimentos na Rússia. Um exemplo é a Scottish and Newcastle, uma produtora de cerveja que descobriu que o mercado da cerveja crescia muito mais rapidamente na Rússia do que noutras áreas da Europa.

Pode-se interpretar a atual crise geral da Rússia como resultante de uma combinação de calamidades, rara em qualquer tempo da história, um momento em que confluiram o fim de um império, a pulverização ideologica que lhe dava sustentação e o colapso de um

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partido-estado que completara mais de 70 anos no poder. Especificadamente pode-se arrolar as seguintes causas: 1) a decomposição do antigo Império Russo, que existia fazia 5 séculos, herdado pela URSS, provocando um brusco rompimento nas relações de controle e dependência que ligavam a Rússia com as demais regiões e províncias, fazendo com que muitos recursos, alimentos e matérias primas, não estivessem mais acessível, pelo menos nos preços anteriores, à indústria e ao mercado russo; 2) o desaparecimento do Marxismo-leninismo como ideologia oficial do regime, cujo esfumaçamento deixou o estado e grande parte do povo sem uma motivação coletiva clara, não tendo conseguido um outro norte para dar um rumo aos propósitos nacionais. O Estado Russo Czarista considerava-se a concretização do Cristianismo Ortodoxo e mentor do Pan-eslavismo; o Estado Russo Soviético, por sua vez, apoiava-se no Marxismo-leninismo, sendo o centro do Internacionalismo socialista; o novo Estado da Federação Russa de hoje nada têm, nada representa de significativo, de transcendental. Vive num vácuo, carente de valores éticos e morais; 3) tanto a integridade territorial da URSS como a sua coesão administrativa dependiam dos quadros do Partido Comunista, havendo uma completa fusão entre partido e estado (não era possível ser funcionário de destaque e de confiança sem ser membro do partido). Com a abolição desta relação, com o apartamento definitivo do partido com o estado, ocorrida em dezembro de 1991, este ficou sem o cimento que lhe dava solidez. A dissolução combinada, quase que automática, destes elementos (o império, a ideologia e o partido), que sustentavam a enorme engrenagem imperial-administrativa, parece-nos ser a responsável impessoal, oculta, que paira por detrás da gravíssima crise do país. Por último, mas não menos importante, inexiste na Rússia atual um partido politico hegemônico que possa dar estabilidade à administração e às instituições. Acresce-se a isto a vocação autoritária da maioria dos administradores e demais autoridades que não educaram-se numa cultura democrática, cultura aliás completamente ausente da historia russa. As principais medidas governamentais terminam sendo decididas pelo mandonismo do governante e não obtidas por meio de consultas ou consenso.

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A gigantesca responsabilidade de gerenciar um país de dimensões continentais (17 milhões de km2), e ainda uma potência nuclear, concentra-se num núcleo de poder instável que é a presidencia de Boris Yeltsin. A fraqueza, a indecisão e a debilidade dele, alastra-se pelo restante das regiões, generalizando a crise. (*) Os boiardos eram os antigos membros de uma oligarquia de nobres que governava a Rússia no século 16 e que foram exterminados pelo czar Ivan o Terrível na luta pelo poder. Os "sete boiardos" de hoje são: Boris Berozovski (Logovaz: automóveis, televisão e óleo); Mikhail Friedman (Alfa Group; óleo, chá, açúcar e cimento); Mikhail Khodorkovski (Ros-Prom: banco e óleo); Vladimir Gisinsky (Media-Most Group: televisão, jornais e bancos); Mikhail Smolesnki (SBS-Agro: banco); Vladimir Potanin (Unemix bank: banco, óleo, gás, mídia, metais ferrosos); Vladimir Vinorgadov (Inkombank: banco, metais e óleo); Victor Chernomyrdin (Gazprom: conglomerado de gás) e homem de confiança de Yeltsin. FONTE(s): www.news-of-russia.info pt.wikipedia.org www.rumbo.com.br www.brazil.mid.ru www.rainhadapaz.g12.br www.ayasofya.com.br educaterra.terra.com.br www.news-of-russia.info http://partidocomunista.blogs.sapo.pt/1959.html http://www.geocities.com/lbi_br/rmr0208.html http://www.vermelho.org.br/diario/2005/1102/1102_capitalrusso.asp http://www.faplan.edu.br/files/artigo4.pdf http://ocastendo.blogs.sapo.pt/27002.html
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