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Uma Jornada de Fe - Antonio Gilberto

Uma Jornada de Fe - Antonio Gilberto

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  • Um Libertador para Israel
  • As Pragas e as Propostas Ardilosas de Faraó
  • A Celebração da Primeira Páscoa
  • A Partida do Egito e a TRAVESSIA DO MAR VERMELHO
  • A Peregrinação de Israel no Deserto até o Sinai
  • Os Dez Mandamentos
  • Um Lugar de Adoração no Deserto
  • A Escolha de Arão e seus Filhos para o Sacerdócio
  • A Consagração para o Sacerdócio Levítico
  • O Legado de Moisés

0

CPAD

Um a Jo rn a d a de FÉ
a w Moisés , o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida

Um a Jornada de FÉ
M o isés , o Êxodo e o C am inho à Terra Prometida
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Ia edição

C B© Rio de Janeiro
2013

Todos os direitos reservados. Copyright © 2013 para a língua portu­ guesa da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina. Preparação dos originais: Daniele Pereira Capa: Flamir Ambrósio Projeto gráfico e editoração: Elisangela Santos C D D : 22 2.12 - Êxodo ISBN : 9 7 8 -8 5 -2 6 3 -1 0 9 2 -6 As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Cor­ rigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação em contrário. Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últimos lançamentos da CPAD, visite nosso site: http://www.cpad.com.br SAC — Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-021-7373 Casa Publicadora das Assembleias de Deus Av. Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro - RJ CEP 21.852-002 I a edição: Outubro/ 2013 Tiragem: 30.000

.. O Nascimento e a Chamada de um Libertador.......... A Consagração para o Sacerdócio Levítico......................................... 58 7.......................45 6. 16 3................. A Escolha de Arão e seus Filhos para o Sacerdócio... A Peregrinação de Israel no Deserto até o Sinai............................. A Liderança de Moisés e seus Auxiliares....... 128 12.............. 102 11................................... As Pragas e as Propostas Ardilosas de Faraó........... Um Lugar de Adoração no D eserto .. 138 13.1.................159 .................................. 67 8........................... Um Libertador para Israel.......... As Revolucionárias Leis Entregues por Moisés aos Israelitas..........35 5................................................................. Os Dez M andam entos... O Legado de M oisés... A Celebração da Primeira Páscoa.........................................5 2................................ 78 9...............................................146 Bibliografia............................ A Partida do Egito e a Travessia do M ar Verm elho........................ 88 10...................... 24 4..

Este capítulo trata da origem de Moisés.. foi atribuído pelos ju­ deus à máo de Moisés. e. mais precisamente. e por isso podemos estudar os exemplos de homens e mulhe­ res usados por Deus para grandes feitos ao longo da Bíblia Sagrada. De acordo com o D icionário Wycliffe. A história do êxodo de Israel tem figurado por séculos na his­ tória dos hebreus e é acompanhada ao longo da história da Igreja como um referencial de interpretação da história da O Livro de Êxodo Autoria A autoria do livro de Êxodo é atribuída a Moisés. pois não se pode imaginar um estu­ do sério da Palavra de Deus sem que se examine o Pentateuco. desde o tempo de Josué (Js 8. o homem que Deus escolheu para trazer a liberdade para o povo de Israel.1 O N a sc im e n t o e a de um C h a m a d a Lib e r t a Alexandre Coelho dor salvação. [. a forma como Deus libertou o seu povo da escravidão e o levou à Terra Prometida.] O .. O livro do Êxodo. E isso não é sem motivo.31-35). como parte do Pentateuco. Levemos em conta que Deus costuma se utilizar de instrumentos humanos para que a sua glória seja manifesta. homem de Deus.

pois pode ser ampliado de acordo com o estudo de outros acontecimentos dentro do próprio livro.U m a J o r n a d a de fé Senhor Jesus Cristo fez citações do livro do Êxodo (3. O texto indica que seu autor participou dos eventos descritos. por mostrar o início da escravidão dos hebreus pelos egíp­ cios. e a pessoa realmente mais indicada e mais aceita no tocante à autoria do texto tem sido Moisés. Êxodo.6) e chamou-o especificamente de “livro de Moisés” (Mc 12. O propósito do livro de Êxodo A palavra “êxodo” traz a ideia de “saída”.26. As Dez Pragas mandadas contra o Egi to (Êx 5— 11) A Páscoa (Êx 12— 13) A saída dos israelitas do Egito (Êx 14— 19) A entrega da Lei de Deus (Êx 2 0 — 24) A construção do Tabernáculo (Êx 2 5 — 40) Esse esboço é apenas exemplificativo. cf Lc 20.37). Conforme o Dicionário Wyclijfe. Foi a po­ derosa libertação realizada pelo Senhor. O livro recebe esse nome. O êxodo é o acontecimento crucial na história de Israel. o livro de Êxodo pode assim ser dividido para fins didáticos: c® " O povo de Deus é escravizado (Êx 1) Moisés é chamado para libertar o povo (Êx 2— 4) Moisés fala com Faraó. Esboço do livro de Êxodo De forma sintética. “partida”. a escolha de Moisés como libertador e a forma como Deus retirou os hebreus do jugo egípcio. para trazer todo o povo de 6 .

Howard F.. John. O livro de Números aborda a peregrinação dos israelitas no deserto. José traz seus irmãos e seu pai para o Egito. o Êxodo faz uma ligação para que a história dos hebreus seja encadeada de forma que haja continuidade na narrativa mosaica. D icionário Wycliffe. o livro de Êxodo mostra a escravidão dos hebreus no Egito e a libertação divina por intermédio de Moisés. e resultou no estabelecimento dos israelitas como uma nação em aliança com Deus. Essa expressão traz para nós a ideia de uma pessoa que está sob controle absoluto de outra por meio da força. que vai para o Egito como escravo e se torna governador. e o livro de Deuteronômio mostra os discursos de Moisés ao povo antes de entrarem na Terra Prometida. e para essa pessoa trabalha sem qualquer direito. 7 .1 Dentro do Pentateuco.O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e u m L ib e r t a d o r Israel da escravidão no Egito e levá-lo à Terra Prometida. a humanidade. Esta sa­ ída do Egito e a consequente migração em direção a Canaã. falar em trabalho escravo em nossos dias é uma coisa absurda. nem se pode imaginar pessoas trabalhando sem hora de descanso e ainda sendo 1 PFEIFFER. A escravidão O livro de êxodo fala de escravidão. filho de Jacó. Charles F. sob a liderança de Moisés. Isaque e Jacó a um relacionamento com Ele. Um olhar panorâmico no Pentateuco nos mostra que em Gêne­ sis Deus cria o mundo. pois Deus os visitaria e os tiraria de lá. Não se pode pensar em um trabalho que não seja remunerado (exceto o voluntário). O fim do livro de Gênesis fala sobre José. para que tenham um lugar mais tranquilo para viver. apesar de ele existir em muitos lugares no mundo. que era seu próprio governador teocrático. 735. foi marcada por muitos milagres. a lei sacrificial e o trabalho no Tabernáculo. VO S. REA. e o livro é encerrado com o pedido de José para que os israelitas tirassem os seus ossos daquelas terras. Rio de Janeiro: CPAD. promete um Salvador e conduz Abraão. um personagem que vai figurar nos demais livros do Pentateuco. O livro de Levítico se encarrega de ensinar ao povo o valor da comunhão com Deus. com uma administração pautada no temor a Deus e no bom senso. Tendo em vista os avanços na esfera social que o homem moderno obteve por meios demo­ cráticos. 2006. p. A seguir.

descartáveis. filho de Jacó. o Egito provavelmente não subsistiria. O certo é que era uma situação constrangedora e humilhante para homens e mu­ lheres que se viam envolvidos por ela. tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para jogar o bebê. Deus fora misericor­ / "Qualquer egípcio ou egípcia po pará-los nas ruas ou em qualquer lugar onde estivessem. E muito tempo depois. dando-lhes um ad­ ministrador como José. 8 . A expressão “poder” mostra o grau de opressão com que os egípcios tratavam os hebreus. mas de forma geral essa é a tendência huma­ na: esquecemo-nos das bondades de Deus e nos âeria entrar nas casas dos israelitas. considerando-os como se fossem nada. conferir-lhe o sexo e.8. Ele não conhe­ ceu a José. ou mesmo se não pudesse pagar dívidas. Um rei se levantou no Egito. e que se não fosse pela instrumentalidade de José. a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por \ crocodilos. se fosse um menino. e esse monarca não tinha prazer em recordar a história daquela nação. pegar a \ dioso para com os egíp­ cios. quando os alimentos se tornaram escassos. criança recém-nascida. Essa foi uma forma muito ruim de demonstrar gra­ tidão. e essa expressão pode indicar que esse novo rei não soube que o Egito anteriormente passara por um período de extrema prova­ ção. a escravidão era uma prática bem difundida. O livro de Êxodo narra o princípio da escravidão do povo hebreu pelas mãos dos egípcios. A opressão dos egípcios contra os israelitas era tão grande que Deus disse: “Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios” (Êx 3. N T L H ). Uma pessoa poderia cair nessa situação caso fosse vendida por familiares ou se fosse uma presa de guerra. Mas no mundo antigo. o Egito decide retribuir o livramento dado por José usando os hebreus como mão de obra escrava.U m a J o r n a d a de fé tolhidas de direitos como o descanso e alimentação adequada." tornamos senhores das bênçãos que Ele nos tem dado graciosamente.

depois de muitos destes dias. tendo em vista que as re­ lações sociais entre os hebreus são descritas como propícias à expansão demográfica. Os israelitas podiam se casar. Esse cenário nos parece bastante favorável à existência de um povo. e o mesmo ocorre para com aqueles que estão sendo submetidos à escravidão. com Isaque e com Jacó. O Nascimento de Moisés Os israelitas no Egito Moisés nasceu em um momento desfavorável aos filhos de Abraão no Egito.7). Ele apenas estava esperando o momento certo para agir. Deus usaria Moisés como o instrumento não apenas de libertação. 9 . Aqui cabe uma observação: apesar de o povo de Deus passar por aquela tribulação. Para isso. O livro de Êxodo começa indicando que “os filhos de Israel frutificaram. Quem está preso deseja ser livre. E ouviu Deus o seu gemido e lembrou-se Deus do seu concerto com Abraão. mas também como um legislador. Deus não perdeu o controle da história. mas seu sucessor manteria aquele sistema até que Deus visitasse o seu povo e o libertasse daquela situação. Não foi à toa que Moisés escreveu: E aconteceu. e estes cresciam. e aumentaram muito” (Êx 1. e atentou Deus para os filhos de Israel e conhe­ ceu-os Deus. Reter os israelitas no Egito como escravos se mostrou caríssi­ mo para Faraó e a nação egípcia. morrendo o rei do Egito. a Bíblia nos diz que Deus manteve o seu plano de levar seu povo a uma terra onde poderiam viver como uma nação. e assim sucessivamente. a fim de que o povo pudesse seguir regras adequadas para sua existência na nova terra.23-25) O rei que decretou a escravidão falecera.O N a s c i m e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r Clamor por libertação A busca pela liberdade também é um dos temas descritos no livro de Êxodo. (Êx 2. ter filhos e criá-los. e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão. que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão e clamaram. tinham seus filhos e os criavam.

“Depois. não há indicação de que eles eram vistos como uma massa de trabalho escravo pronta para satisfazer os desejos de reformas e construção de novas estruturas no Egito. mais se multiplicavam. Mas não foi isso que o novo rei do Egito viu. para que matassem os meninos recém-nascidos. disseram ao rei que as mulheres hebreias eram “vivas”. estava crescendo bastante. Quanto mais os israelitas eram afli­ gidos. e vai convencer a si mesmo e aos que o cercam. que náo conhecera a José”. os israelitas se associariam com os inimigos dos egípcios. como um grande grupo de pessoas. Este verso mostra o que eu chamo de “princípio das dores” para os hebreus que mora­ vam no Egito.U m a J o rn a d a de fé Mas no versículo 8. Quando chamadas para prestar contas. sendo posteriormente recom­ pensadas por Deus. Moisés não veio ao mundo em um período propício ao nascimento de um menino hebreu. não influenciavam negativamente em qualquer fato social dos egípcios. c) ele também entendeu que no caso de uma guerra. o que traria uma grande frustração aos planos de expansão e de reformas estruturais de construção civil nacional. Conforme Êxodo 1. a) os israelitas. os israelitas sairiam do Egito (“suba da terra”). não há registros de que Israel tivesse intenções de se associar a outras nações em uma guerra futura contra os egípcios. A Versão Atualizada da Bíblia usa a 10 . Além disso. mas estas temeram a Deus e não obedeceram ao rei. Os hebreus tinham seus afazeres. levantou-se um novo rei no Egito.11. Sifrá e Puá. Até esse momento. Ele assumiu o poder e entendeu que três situações poderiam ocorrer. a ponto de o rei dar ordens às parteiras das hebreias. Um bebê é salvo da morte Como foi dito. Faraó não percebeu que se o povo de Israel estava crescendo. a história nos mostra uma mudança no cenário político do Egito que traria muito sofrimento aos filhos de Israel. e ao que tudo indica. b) ele imaginou que em um caso de guerra futura. Mas a Bíblia declara que os pensamentos de Faraó esta­ vam relacionados a trazer prejuízo aos israelitas. Podemos extrair dessas observações que o homem sem Deus vai buscar razões malignas para justificar seus feitos. era um sinal claro da bênção de Deus. Faraó acreditou que poderia contar com a obediência dessas mulheres.

Mas se Satanás tinha um plano de opressão. Precisamos concordar que esse foi realmente um grande II . e tentou escondê-lo por três meses. libertação e de vida para os seus filhos. se fosse um menino. entre as plantas. tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para jogar o bebê. Aquele cesto simples foi colocado na borda do rio. Independentemente das versões utilizadas. A mãe de M oisés A Bíblia apresenta a mãe de Moisés como uma mulher que descendia de Levi. Se as parteiras hebreias não cumpriam as ordens dadas. e vendo o cesto. usando a filha de Faraó para tal livramento. Os planos de Satanás eram cruéis. Mas os planos de Faraó não pararam. não podendo mais escondê-lo. Ela teve um menino. colocou-o em um cesto de juácos. Deus também tinha um plano. e deixavam um sinal claro do que ainda estava por vir para os filhos de Abraão. decidiu criá-lo e dessa forma Deus preservou a vida do menino Moisés. e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz que as mulheres hebreias “dão à luz com facilidade”. a ordem agora passou para o povo egípcio: “Então. E exatamente naquele lu­ gar a filha de Faraó foi se banhar. uma construção bem frágil para proteger uma criança. ordenou que uma de suas criadas o fosse pegar. conferir-lhe o sexo e. mas de livramento. os textos mostram que as parteiras foram inquiridas por Faraó e deram a ele uma resposta que as isentou de sujarem as máos com sangue inocente. dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio.O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r expressão “vigorosas”. A Bíblia diz que um casal da tribo de Levi teve um menino. a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por crocodilos. um dos irmãos de José. A nossa fé em Deus deve sempre nos motivar a fazer o que é certo e justo. a não compactuar com o que está errado. A filha de Faraó se compadeceu do menino. pará-los nas ruas ou em qualquer lugar onde estivessem. e acima de tudo. e. Outra coisa a se observar é o fato de que a maldade humana cria métodos malignos para conseguir seus feitos. mas a todas as filhas guardareis com vida” (Ex 1. ordenou Faraó a todo o seu povo. pegar a criança recém-nascida.22). escravidão e morte contra os hebreus. Isso significa que qualquer egípcio ou egípcia poderia entrar nas casas dos israelitas.

comentarista do livro de Êxodo no Comentário Beacon." • ria a filha do Faraó para preservar em vida o me­ nino que seria. Parece que o édito do rei entrou em vigor depois do nasci­ mento de Arão. p. Moodij comentou sabiamente que ‘A íoisés passou seus primeiros quarenta anos pensan­ do que era alguém. 1. essa mulher arriscou-se muito para preservar em vida o fruto do seu ventre. e pela fé viu a vida de seu filho ser preservada por Deus. A filha de Faraó A filha de Faraó entra em cena na história do povo hebreu. Observe que a Palavra de Deus não cita o nome dos pais de Moisés nesse momento. Deus graciosamente usa­ “ Dwight L. O Se­ nhor não apenas guardou a vida do menino. passou aprendendo que era um ninguém! Os últimos quarenta anos ele os passou desco­ brindo o que Deus pode fazer com ^ um ninguém'. George Herbert et all.2 O certo é que essa mulher colocou seu filho em um cesto de juncos pela fé. mas cita o de Miriã. Os segundos quarenta anos. Além disso. era três anos mais velho que ele (6. 12 . Rio de Janeiro: CPAD. Léo G. Comentário Bíblico Beacon. Cox. sugere que Moisés não era o primeiro filho do casal. mas fez com que a mãe de Moisés fosse remunerada para cuidar do próprio filho. Nm 26.20. pois a irmã Miriã tinha idade suficiente para cuidar do irmão (4. Foi um ato de fé. Nm 26. Arão.59). Quase nada é fa­ lado acerca dessa mulher. o irmão de Moisés. sendo Moisés o primeiro filho deste casal cuja vida estava em perigo por causa da proclamação do rei.59).U ma J o r n a d a de fé feito. anos mais tarde. mas o que temos aqui é suficiente para entender que a providência divina 2 LIVINGSTON. v. o libertador dos is­ raelitas. 2005. pois em uma época em que os egípcios caçavam bebês meninos dos hebreus. Deus tem um senso de humor interessante: Se o rei do Egito ordenara a mor­ te dos meninos hebreus. 144.

A Chamada e o Preparo de Moisés Deus chama o seu escolhido De forma mui peculiar. de sua origem e de sua educação no Egito. Zípora deu-lhe dois filhos: Gérson. Deus prepara o seu escolhido Deus escolhe pessoas capacitadas para fazer a sua obra? Com certeza. E Moisés estava “muito bem. e Eliézer.2-4). que significa “o Deus de meu pai foi minha ajuda e me livrou da espada de Faraó” (Ex 18. Depois de matar um egípcio. quando se encontrou com o Senhor na estrada para Damasco. Moisés habitava com os midianitas.300 metros. para trazê -las presas. uma elevação de aproximadamente 2. Moisés fugiu para essa região. a filha de Faraó decidiu não obedecer.O N a s c i m e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r pode utilizar pessoas que desconhecemos. pastoreando as ovelhas de seu sogro próximo ao Horebe. nesse período de sua vida. obrigado”. A filha de Faraó não apenas se sentiu comovida com a situação da­ quele menino colocado no cesto de juncos. Deus chama seus escolhidos nas mais diversas funções. até o seu encontro com Deus no deserto. o monte de Deus. onde encontrou abrigo e formou uma família. Ela guardou o menino em vida. e apesar de haver uma ordem para que os egípcios jogassem os bebês do sexo masculino do rio. cujo nome significa “amigo de Deus”. para nos ajudar e fazer prosperar os planos divinos. que significa “peregrino fui em terra estranha”. Mateus era um fiscal da receita em Israel. Saulo estava a cargo de procurar pessoas que falavam em nome de Jesus. Foi um período em que a própria Bíblia nada fala sobre Moisés. Ela soube imediatamente que aquele bebê era dos hebreus. mas também era conhecido como Jetro. Nessa época. nos dias de Jesus. Não há referências na Palavra de Deus que indiquem que Ele despreza talentos pessoais ou a experiência adquirida por seus servos. Aparentemente. descen­ dentes de Abraão com Quetura. Saulo era 13 . e que nem mesmo têm o mesmo temor a Deus que nós. casando-se com a filha de Reuel. Moisés desvencilhou-se de quem era.

para servi-lo. terra natal de Jezabel. sendo mantido por corvos. o Egito provavelmente não subsistiria. ressuscitou um menino morto. filho de Jacó. e utilizou seus conhecimentos para escrever seu Evangelho. ainda que limitadamente. Ninguém pode dizer que está totalmente pronto para dar passos definitivos na caminhada com Deus. Deus utiliza nossos dons. O mesmo se deu com Moisés: sua formação no Egito e o tempo no deserto. ao menos em minha ótica. e depois que o ribeiro secou. estudos e demais recursos que adquirimos ao longo da vida para 14 . mas também era um poeta que compôs diversos cânticos de ado­ ração ao Senhor. Deus capacita pessoas para a sua obra? Com certeza. pastoreando as ovelhas de seu sogro. Há uma frase que cir­ cula em adesivos de carros que diz: “Deus não cha­ ma os capacitados. e as utilizou para falar de Jesus em suas viagens missionárias. mas ao longo do texto bíblico Ele chama pessoas capacitadas. Elias. entenda que Deus utiliza nossos recursos em prol do seu Reino. foi direcionado por Deus para ficar uma temporada sendo mantido por uma viúva pobre em Sarepta. quando os alimentos se tornaram escassos. Mateus era um cobrador de impostos. mas também era um estadista. É uma frase estranha. Davi era um comba­ tente.________ -A/ "Ele não conheceu a José." nada em nossa existência prestasse. mas para isso teve de passar uma temporada no anonimato em Querite. Daniel era um profeta. como se expressão pode indicar que esse novo rei não soube que o Egito an­ teriormente passara por um período < de extrema provação. fizeram dele o homem escolhido por Deus para uma obra sem igual. Portanto. o tisbita. Deus pode usar qualquer pessoa em sua obra. Ele foi capacitado por Deus para os desafios que enfrentaria. e essa V clui buscar uma formação sólida e coerente. uma localidade de Sidom. e isso in­ . pois Deus não costuma desprezar a nossa expe­ riência de vida. e que se não fosse pela instrumentalidade de José. somos desafiados a usar nossos talentos pessoais em prol do Reino de Deus. mas capacita os escolhidos”. Como cristãos.U m a J o r n a d a de fé versado em três línguas diferentes. Na prática.

A sabedoria dos egípcios ele já possuía. p. como aconteceu com Moisés. e não que acumulemos a bagagem de conhe­ cimento e experiência antes para depois decidir que vamos obedecer. os tipos de animais existentes na região e questões relacionadas ao clima. São Paulo: Mundo Cristão. E é nossa função estar capacitados dentro de nossas forças para prestar o melhor ao Senhor. quanto mais recursos obtemos ao longo da vida. Os segundos qua­ renta anos. 2008. mas foi dessa forma que Deus preparou Moisés. M oisés. tendo recebido uma educação própria de sua classe social. Após ter passado quarenta anos no Egito como membro da corte de Faraó. Ele complementará o que nos falta. Quando foi chamado por Deus. Ainda assim. em sua paciência. Eram questões simples para quem tivera uma educação de ponta no Egito. Moody comentou sabiamente que “Moisés passou seus primeiros quarenta anos pensando que era alguém. a forma como so­ breviver nele. Portanto. Em sua sabedoria. Ele precisava agora aprender como viver fora da corte egípcia e a depender de Deus em uma jornada que duraria anos. Dwight L. 0 preparo de M oisés Deus sempre tem um objetivo quando chama um de seus servos para que exerça alguma função ou ministério e tem sua forma própria de preparar seus escolhidos. Charles. nunca estaremos sempre prontos para atender à voz de Deus. 3 SW IN DO LL. passou aprendendo que era um ninguém! Os últimos qua­ renta anos ele os passou descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém” (citado por Charles Swindoll). Sempre faltará alguma atitude da qual só teremos ciência quando estivermos no meio da jornada. mais eles poderão ser usados no serviço do Mestre. Moisés estava apascentando as ovelhas de seu sogro. Na prática. Deus nos pede que andemos confiando nEle. onde aprendeu os caminhos do deserto. Moisés foge do Egito por ter matado um egípcio.3 Guarde isso em seu coração. Série Heróis da Fé.O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e um L ib e r t a d o r serem utilizados em prol do seu Reino. 15 . 31. Ele passou a próxima tem­ porada de quarenta anos auxiliando seu sogro a cuidar de ovelhas em uma região desértica.

Deus chama o seu escolhido Moisés foi chamado por Deus quando estava vivendo em Midiã. Neste capítulo veremos de que forma Deus tratou com Moisés pessoalmente. Vejamos como Deus vocacionou Moisés para a tarefa que lhe foi confiada. poderia se aposentar e aproveitar os poucos anos que lhe restariam sem se aborrecer. Moisés — Sua Chamada e seu Preparo Um líder não surge no cenário bíblico sem que tenha uma história por trás de sua vida. e iria usar um ho­ mem chamado Moisés para tal feito. com seu sogro Jetro. chamando-o para que fosse uma das grandes figuras do Antigo Testamento. aos olhos humanos. fugido do Egito. Ele chegara a Midiã aos 40 anos. tem um encontro com Deus.Um Lib e r t a dor pa ra Is r a e l Alexandre Coelho D eus tinha um plano de libertação para Israel. Moisés foi chamado por Deus em uma fase da vida em que. Mas aqui reside um principio divino: Deus não depende de nossa faixa etária para nos convocar a ser úteis . quando cuidava das ovelhas do sogro. e agora. aos 80 anos.

Lá ele foi instruído sobre seu povo e sua cultura. Não há indícios de que Moisés tenha se casado no Egito. Ele passou por pelo menos três grandes ambientes em sua vida.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l para Ele. O terceiro foi o deserto. legislador e líder de um grupo de pessoas que deixaria uma vida de escravidão para entrar em uma terra própria e se tornarem uma nação. As Desculpas de Moisés e a sua Volta para o Egito 0 receio de M oisés e suas desculpas Moisés foi chamado por Deus. e certamente aprendeu algo acerca de Deus. onde fora colocado por Deus para exercer seu ministério futuro como libertador. e mesmo que ele não o soubesse. De que adianta ser escolhido por Deus e não ser informa­ do dessa chamada? Como Deus faz tudo de forma perfeita. Deus não apenas escolhe as pessoas para determinadas obras. mas Deus escolheu Moisés para aquela missáo. O primeiro grande ambiente pelo qual Moisés passou foi. Portanto. 0 preparo de M oisés Deus se utiliza de diversos recursos para treinar aqueles a quem escolheu. A esse lugar Moisés se dirigiu quando matou um egípcio e foi perseguido. Em Midiã. Ele mesmo se encarregou de falar com Moisés de modo sobrenatural e convincente. Moisés constituiu uma família com Zípora. construindo uma vida acadêmica e preparando-se para um futuro brilhante na liderança egípcia. mas não atendeu à voz divina ime­ diatamente. mas tam­ bém as convoca. o lar em que foi criado por seus pais. Com certeza havia pessoas mais jovens e mais dispostas a fa­ zer o que Moisés faria. Nesse local ele foi ensinado no que o Egito tinha de melhor em tecnologia e conhecimen­ to. Deus o estava preparando como instrumento para uma grande missão. filha de Jetro. Analisemos os textos que se seguem. O segundo grande ambiente foi a corte do Egito. Com Moisés não foi diferente. o preparo de Moisés durou muitos anos. sem dú­ vida. 17 .

de Isaque e Jacó. tirando-os da escravidão e levando-os a uma terra nova e frutífera. no crime que havia cometido. precisamos aprender que Deus pode fazer grandes coisas sem utilizar ninguém. poderemos observar: “Então. É curioso que Deus diz a Moisés que vai tirar seu povo do Egito. Moisés não tinha tal capacidade. Mas nem sempre pessoas que serão grandemente utilizadas por Deus estarão de imediato prontas para obedecer à sua voz quando cha­ madas.7.12). para cumprir seus propósitos. Analisando de forma mais acurada o texto que narra a conversa de Deus com seu servo. do Egito” (Êx 3. servireis a Deus neste monte” (Êx 3. e de imediato se identifica como sendo o Deus de Abraão. Moisés disse a Deus: Quem sou eu. e isto te será por sinal de que eu te enviei: quando houveres tirado este povo do Egito. Deus deixa claro que viu a aflição do seu povo e que ia livrá-lo. Moisés trouxe seu primeiro questionamento ao Senhor: “Quem sou eu para falar com Faraó e tirar o povo do Egito?” Aos próprios olhos.10). e já ouvira Deus convocando-o para a missão que ocuparia uma parte importante de sua vida. Após se identificar (Êx 3. no prejuízo que teria se retornasse ao Egito e alguém se lembrasse do que ele fizera. para que tires o meu povo.11. uma clara referência de que Ele era reverenciado pelos antepassados de Moisés. 18 . Por que Ele mesmo não aparecia a Faraó e ordenava que o povo fosse solto? Ele tinha de usar alguém para tal função? Sim. mas em diversas situações Ele se utiliza de pessoas como eu e você. para depois dizer a Moisés que ele havia sido escolhido para ir diante de Faraó e convencer o rei a libertar o povo.6). Como Moisés. limitadas. “Vem agora. Deus tinha de usar Moisés para tal feito. o certo é que Moisés não estava disposto a obedecer à voz de Deus. e deixou claro que não era qualificado para falar com Faraó. pois. e eu te enviarei a Faraó.8). que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? E Deus disse: Certamente eu serei contigo. Deus fala com o pastor M oi­ sés para que tenha temor ao se aproximar. Moisés já tinha visto a sarça ardendo no deserto. Mesmo se essa possibilidade fosse remota.U m a J o r n a d a de fé Em um primeiro momento (Êx 3 . É provável que ele estivesse pensando em seu passado. os filhos de Israel.5.

Deus deveria ser identificado como o Deus dos antepassados dos israelitas. dependemos de muitos fatores para nos sentirmos seguros para fazer a obra de Deus. Deus sabia das limitações daquele homem. e este é meu memorial de geração em geração. Isaque e Jacó”. Então. mas garantiu-lhe que o acompanharia. disse Moisés a Deus: Eis que quando vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós. me enviou a vós. Sem ela. Deus ordena que Moisés procure os anciãos e diga que o Deus dos pais deles tinha aparecido e ordenado a ele que fosse falar com Faraó. serão insuficientes. Ele deveria falar com Faraó que Deus estava ordenando que o rei deixasse o seu povo ir.13-15) Moisés fez um segundo questionamento ao Senhor: Qual era o nome daquele que o estava comissionando? Deuses deveriam ter no­ mes. (Êx 3. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR. por mais que se mostrem abundantes. E do que realmente precisamos? Da companhia de Deus. e o nome das divindades geralmente espelhava alguma característica relacionada a um poder ou a um hábito dentro da teologia daquele povo. o Deus de Abraão. os recursos.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l Observe que Deus disse a Moisés que seria com ele. Se Deus tem um nome. pessoal e tempo. mas havia 19 . de Isaque e Jacó deveria ter um nome também. este é meu nome eternamente. Essa é uma promessa que nos deve fazer refletir. Com a presença de Deus. nossos recursos. o Deus de vossos pais. tornam-se instrumentos de abundância e de milagres diariamente. A expressão “o Deus de vossos pais” é muito impessoal. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. pois não raro. e eles me dis­ serem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Os do Egito tinham suas nomenclaturas. Lembre-os de que sou o Deus de Abraão. por mais escassos. o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Observe que Deus não apenas trata de falar com Moisés. como recursos. porque Moisés não poderia sabe-lo? A resposta divina foi: “Diga aos filhos de Israel que o EU SO U está mandando você para libertá-los. mas de dar a ele ordens bem direcionadas e específicas. O Deus de Abraão.

e ainda diriam que Deus não havia aparecido a Moisés. Deus já conversara com Moisés. que Ele os tiraria do Egito e que eles prestariam culto ao Senhor (Ex 13. transformando a água do rio em sangue. Deus feriria o Egito e no fim os israelitas seriam libertos e ainda pediriam aos seus vizinhos egípcios bens em roupas e metais preciosos (Ex 3. A mensagem foi dada. e eis que se tornara como a sua outra carne. Por isso. se eles te não crerem. E tornou a meter a mão no peito. tirando-a. Deus diz a Moisés que Faraó não era uma pessoa de fácil relacionamento. E acontecerá que. Mas se este sinal foi pouco. disse que confirmaria um terceiro si­ nal. por meio de sinais. Deus tinha outra forma de mostrar seu poder a Moisés: E disse-lhe mais o Senhor: Mete agora a mão no peito. branca como a neve. O que Moisés queria mais? Ele já tinha visto dois sinais. Moisés lançou no chão a vara com que liderava as ovelhas de seu sogro. eis que sua mão estava leprosa. um terceiro sinal Deus faria. e ela se transformou em uma serpente. e se isso fosse pouco.U ma J o r n a d a de fé a orientação para que Moisés procurasse os anciãos do povo e comuni­ casse que Deus tinha visto o que os egípcios fizeram com os israelitas. E. 20 . Quando Moisés pegou a serpente pela cauda. se acontecer que ainda não creiam a estes dois si­ nais. e lhe mostrou sinais de seu poder. E disse: Torna a meter a mão no peito.6-9).16-18). Se Moisés não se convenceu imedia­ tamente de sua chamada. e. tomarás das águas do rio e as derramarás na terra seca. nem ouvirem a voz do primeiro sinal. depois. Moisés apresentou outra desculpa para não obedecer àquilo que Deus estava mandando: os israelitas não acreditariam nele. e as águas que tomarás do rio tornar-se-ão em sangue sobre a terra seca (Ex 4. tirou-a do peito. nem ouçam a tua voz. Depois de tantas demonstrações. como convenceria os israelitas de que ele era um enviado de Deus? A resposta de Deus foi imediata. Mas Moisés permaneceu na defensiva: desta vez ele alegou que não era uma pessoa hábil para realizar discursos que con­ vencessem as pessoas. crerão a voz do derradeiro sinal.19-22). e que não deixaria o povo sair. ela se transformou em uma vara novamente. mas isto não indicava que as coisas seriam fáceis para Moisés.

ARA). pegar a água do rio e lançá-la na terra. provavelmente não estava disposto a obedecer. Moisés.13. mas o que disse 21 . ele sugeriu: “ Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar. Moisés já chegara ao seu limite. tinha não apenas os sinais para contar aos hebreus. Moisés apenas deveria aprender a confiar no Senhor. mas ainda precisava ter sua própria experiência com o Senhor.1 0 -1 2 ). E evidente que Moisés não saiu de Midiã sem a anuência de seu sogro. e deu-lhe sua filha em casamento. Os sinais que Moisés presenciou eram um prenúncio do que Deus haveria de fazer no Egito. e que Arão falaria ao povo por Moisés. E ele o fez. menos a mim” (Êx 4. e antes de ir ao Egito. deveria dizer ao sogro para onde iria e o que faria. Deus disse-lhe que Arão seria um companheiro ade­ quado para aquela missão. Para não ficar tão mal aos olhos de Deus. Ele pode ter sido criado por uma família piedosa. Deus concede poderes a M oisés Deus não apenas convocou Moisés para aquela empreitada. ao que parece. por recomendação divina. mas deulhe poderes específicos para que o representasse. É evidente que Moisés não disse tudo. e não poderia mais protelar sua obe­ diência ao Senhor. E por não ter ainda essa experiência. Ele deveria contar aos hebreus o que presenciara e. para que se tornasse em sangue. Desta vez. Faltava agora obedecer. Essas desculpas podem parecer irreais a nós hoje. mais que isso. mas tinha também outro para fazer na frente deles. Jetro recebeu Moisés de bom grado. mas nos lembremos de que Moisés até aquele momento. 0 retorno de M oisés Moisés recebe a ordem para retornar ao Egito e falar com Faraó com uma certeza: Deus estaria com ele.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l O tom de voz de Deus começou a mudar naquela conversa. portanto. ele não teria mais alternativas a não ser obedecer (Êx 4. não tivera ainda um contato com Deus. deveria.13-17). Ele já tinha a chamada. Deus disse que Moisés fosse fazer seu trabalho que Ele o ensinaria como de­ veria falar (Êx 4 . caso não acreditassem na sua palavra. Moisés tinha laços afetivos com a família de Jetro. e também os sinais.

quando pertencia à corte egípcia e matou um egípcio quando este açoitava um hebreu. Ele estava no Egito obedecendo à voz de Deus. falando com Faraó para que o povo fosse liberto. e que apenas pela forte mão de Deus os hebreus sairiam daquela nação. e certamente seu coração não estava esquecido desse detalhe. e como consequência o rei ordena que os hebreus trabalhem 22 . Deus já avisara a Moisés que os diálogos com Faraó mostrariam o quanto o coração do rei era duro. nem tampouco deixarei ir Israel” (Êx 5. A lógica de Faraó era a seguinte: Há vários deuses no Egito. para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor. Moisés poderia levar a cabo sua missão sem se preocu­ par com aquela mácula. o encontro de Moisés com Faraó não foi nada promissor. disse a Moisés: “Vai. Esta deve ter sido uma prova dura para Moisés. Moisés se Apresenta a Faraó M oisés diante de Faraó Como era de se esperar. e que acha que pode me ordenar a libertar minha mão de obra escrava? Esse Deus do deserto não tem uma forma definida. e que ele não tinha o desejo de fazer com que o sofrimento dos seus irmãos fosse aumentado. Na verdade. Por que obedecer a um que não conheço. porque todos os que buscavam a tua alma morre­ ram” (Ex 4. Porém Moisés ainda tinha uma pendência a resolver. A queixa dos israelitas O povo de Israel sentiu-se prejudicado pela intervenção de M oi­ sés junto a Faraó. Por esse crime. Moisés teve de fugir. eles não sabiam que Moisés estava ali obedecendo a Deus. volta para o Egito. Ele tinha um crime em sua “ficha”.2).U m a J o r n a d a de fé foi suficiente para obter a permissão para se ausentar daquela região e dar prosseguimento ao plano de Deus. Como Deus não faz nada de forma incompleta.. e ainda me manda um representante pastor.. Isso vemos da resposta que o rei deu a Moisés: “Quem é o Senhor. cuja voz eu ouvirei.19).

Deus cumpre suas promessas e honra a fé daqueles que confiaram nEle. mas não veem de imediato um fruto positivo de sua obediência.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l mais. Entretanto. Moisés. O que devemos saber é que obedecer a Deus não é uma garantia de que as coisas que se seguirão não serão alvo de investidas de Satanás. os deixará ir. Lembremo-nos de que a chamada que Deus tem para cada um deve ser obedecida. Uma palavra de Deus em meio às adversidades e correntes contrárias é suficiente para que tenhamos a certeza de que Ele está co­ nosco. por mão poderosa. os lançará de sua terra” (Ex 6. diante de seus inimigos e diante do seu próprio povo. Deus promete livrar seu povo A promessa divina para com Israel não foi esquecida por Deus. Além disso. sim. os líderes devem entender que nem sempre o povo vai entender determinadas atitudes. e que no devido tempo. por mão poderosa. porque. e no devido tempo trouxe a libertação tão esperada àquela nação e honrou seu servo. Não é incomum que líderes se vejam nessa mesma situação: obe­ decem a Deus. e o quanto Ele deu oportunidade para que Faraó voltasse atrás e libertasse o povo de Israel sem que a nação egípcia sofresse tan­ tos danos e mortes. Deus cumpriu o que prometeu. E evidente que levou um tempo até que o que Deus falou se cum­ prisse. mas que se estamos agindo de forma correta e dentro da vontade de Deus.1). 23 . no devido tempo ele cumprirá o que prometeu. Deus diz a Moisés: “ Agora verás o que hei de fazer a Faraó. D e­ pois do encontro com Faraó e das reclamações dos hebreus. Ele vai se responsabilizar por nos honrar no devido tempo. e que se aguardarmos nEle. As dez pragas enviadas contra o Egito mostraram o quanto Deus é poderoso.

Ele pode usar quem quiser para fazer a sua vontade. Isso nos deve fazer lembrar de que Deus tem todo o poder. Faraó fora advertido de que deveria libertar os . Na verdade. mas ainda assim. somos tentados a imaginar que Deus realmente precisa muito de nós para a sua obra. em mui­ tas situações. Deus havia dito a Faraó. Que isso nos sirva de lição. e que sem nós Ele não faria nada. prefere se valer de instrumentos humanos para executar sua vontade. e pode fazer o que desejar. que deixasse seu povo ir embora daquela terra. Deus poderia simplesmente retirar Ele mesmo o povo da escravidão. e não apenas por nossa causa. e opera apesar de nós.3 As P r a g a s A e as P ropostas r d il o sa s de Fa r a ó Alexandre Coelho este capítulo examinaremos duas situações que ocorreram por ocasião da presença dos israelitas no Egito: as pragas enviadas por Deus e as propostas de Faraó no sentido de manter os is­ raelitas cativos. mas preferiu usar Moisés como ins­ trumento para aquela obra. O Encontro de Faraó e Moisés E curioso observar a capacidade que certas pessoas possuem de ten­ tar negociar com Deus. não raro. por meio de Moisés e Arão. tendo em vista que.

1. e que o próprio Faraó era tido como uma divindade. Mas Faraó disse: Quem é o Senhor. Quem é o Senhor? Não o conheço. Mas à medida que o texto se desenrola. E. e como não o conheço. não deixarei os hebreus saírem livres.2) Essa foi a resposta de Faraó. essa tem sido uma resposta comum da própria humanidade: Porque devo obedecer a Deus se nem sei quem é Ele? Parece uma lógica correta levando em con­ sideração que o Egito tinha vários deuses. Se analisarmos a forma com que Deus se utilizou para falar àquele monarca. Como seria possível reconhecer como Deus um Ser que envia um pastor do deserto para falar com o rei da maior potência da época? Esse Deus poderia ter embaixadores melhores para representá-lo. e que não se permite ser ridicularizado por ninguém. Deus enviaria pragas por toda a terra do Egito. Deus utiliza pragas para convencer Faraó A palavra de Moisés e os sinais que ele fez por orientação divina não foram suficientes para tirar de Faraó sua dureza de coração. o octagenário pas­ tor do deserto. para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor. nem tampouco deixarei ir Israel. Não raro. foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Se­ nhor. o rei não acreditou nas palavras do libertador. cuja voz eu ouvirei. Deus de Israel: Deixa ir o meu povo. veremos que foi dada a ele oportunidade de reconhecer o poder de Deus antes que ma­ les terríveis assolassem o Egito. 25 . Como já nos é sabido. depois. para mostrar com mão forte que a permanência de Israel naquelas terras seria extremamente custosa aos súditos de Faraó.A s P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó israelitas. Primeiro o Senhor falou através de A io isés Deus prioriza advertir Faraó por meio de Moisés. Faraó percebe que está lidando com um Deus que escolhe bem seus enviados. para que me celebre uma festa no deserto. mas preferiu resistir à voz de Deus. (Ex 5.

sem dúvida ele era uma bênção para as colheitas e para a vida como um todo. nosso Deus. de sorte que somente fiquem no rio? E ele disse: Amanhã. Após essa praga. Mas o Rio Nilo não era um deus. Por que não agora?” Mas Faraó não estava realmente interessado em receber uma oração... Moisés então é chamado por Faraó para que termine com ela: E Moisés disse a Faraó: Tu tenhas glórias sobre mim. Outra coisa é ver centenas desses animais na sua casa. Uma coisa é reverenciar um animal na beira do rio.. Faraó disse “amanhã”. na sua cama e em todos os cômodos da casa." ----.. Deus estava julgando outra “divindade” egípcia. aconteceu à à geração que saiu do Egito eeque que ficou ficou enterrada enterrada no no Egito v. mas preferiu esperar até o dia seguinte. "Há um preço alto a ser pago quando desobedecemos a pago quando desobedecemos a Deus. í como desculpas deserto... para tirar as rãs de ti e das suas casas... O rei tinha a oportunidade de se livrar da praga das rãs naquele mesmo dia. E foi isso que Deus mostrou aos egípcios. Quando quer que ore por você e por seu povo? Pode ser hoje.9. Moisés deu a oportunidade ao rei. Na dúvida.10) Quando questionado por Moisés acerca de quando iria orar por ele. de que não conhecia a Deus e não deixaria o povo de Israel sair do Egito.— J natalidade. E Moisés disse: Seja conforme a tua palavra.. Deus trouxe a primeira praga àquela nação: o Nilo se transformou em sangue. para que saibas que ninguém há como o Senhor. (Ex 8. Ele queria mesmo é que 26 . Veio a segunda praga: as rãs encheram o Egito. deserto.U m a J o r n a d a de fé Depois dessa resposta direta de Faraó.. pois em uma região dependente do rio.. e este preferiu protelar o livramento do seu próprio povo! É como se Moisés estivesse dizendo a Faraó: “ A prioridade de acertar as coisas é sua. e pelos teus servos. segundo o Comentário D evocional da Bíblia. Heqt. O Nilo era considera­ do uma divindade para os egípcios. Quando orarei por ti.. Não dê Não comode desculpas seus filhos seus filhos para quepara você que não você não sirva siiva a Deus" Deus. e por teu povo. ~ ~ — .. espalhados na cozinha. a responsável pela y "r "” "" . veja o que J y s ...

a abominação dos egípcios. eis que.A s P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó a praga das rás sumisse e que Moisés desistisse de pedir que seus irmáos fossem libertos da escravidão. ou tomar uma decisão da qual já fomos orienta­ dos por Ele. nosso Deus. e apenas precisamos dizer que a queremos nesse momento. A Segunda Proposta de Faraó E Moisés disse: Não convém que façamos assim. não a Deus. O sacrifício poderia ser feito.25). A força de trabalho escravo não iria muito longe. se 27 . Mas esse não era o plano de Deus. De certa forma. sem problemas. e fez uma concessão aos israelitas. isso era cômodo para o rei. A vida dos egípcios se tornou um inferno. Quantas vezes deixamos para amanhã aquilo que Deus está de bra­ ços abertos para nos oferecer hoje? Isso pode significar deixar para ama­ nhã o serviço a Deus. Muitos bebês meninos foram lançados ao Nilo para morrerem afogados ou comidos por crocodilos. restos de pele ou secreções expelidas pelo corpo. Multiplicam-se com facilidade. Faraó chama Moisés e Arão e lhes diz: “Ide e sacrificai ao vosso Deus nesta terra” (Êx 8. desde que fosse feito no Egito. Naquelas terras muitos israelitas morreram em sofri­ mento. mas a escolha do local do sacrifício pertencia a Faraó. Ao que parece. Faraó foi convencido pelos piolhos e moscas enviados por Deus. Com essas pragas. A Primeira Proposta de Faraó Deus enviou mais duas pragas ao Egito: a dos piolhos e das mos­ cas. porque sacrificarí­ amos ao Senhor. Deus pretendia receber culto e dar de presente aos filhos de Abraão uma nova terra para viverem. e dificilmente saem de seus hospedeiros. As moscas são tão inconvenientes que costumam nos dar nojo quando se aproximam de nós ou pousam em algum objeto que nos está próximo. Piolhos são parasitas que se alimentam de sangue. O Egito estava realmente em maus lençóis. A adoração pretendida por Deus não foi planejada para ser feita em terras egípcias. Naquelas terras os filhos de Deus haviam perdido sua liberdade. Há momentos em que a resposta de Deus está diante de nós. Quem quisesse sacrificar poderia fazê-lo.

Eles certa­ mente apedrejariam os israelitas quando estes fossem oferecer seu culto.. por que oferecer sacrifícios em um lugar onde eles eram motivo de deboche? Os egípcios detestavam pastores de ovelhas e qualquer pessoa que cuidasse de gado. Por que 28 “ A questão não se refere ao fato de Deus precisar ou não de nossos bens para ser adorado. Esse era o pla­ no divino. não vades longe. e um coração não jixado nas riquezas deste mundo. ■ — ii— i filhos longe da sombra do trabalho escravo e dos acoi­ tes com que estavam sendo submetidos. não deixando ir a este povo para sacrificar ao Senhor. para que sacrifiquemos ao Senhor. Não bastava serem escravos: eles teriam de passar pela humilhação de ver pedras voando por suas cabeças no momento do culto ao Senhor? Deus não tinha esse plano para seus filhos. não nos apedrejariam eles? Deixa-nos ir caminho de três dias ao deserto. como ele nos dirá.26-29) Pensemos agora no diálogo entre Moisés e Faraó: O libertador não concorda com o rei quando ele propõe que o culto seja em um lugar inadequado à presença de Deus. (Ex 8. dos seus servos e do seu povo. nosso Deus.U m a J o r n a d a de fé sacrificássemos a abominação dos egípcios perante os seus olhos. para que sacrifiqueis ao Senhor. somente que Faraó não mais me engane. e diz a Moisés que não vá muito longe. somente que indo.9). Creio que o honramos com as nossas fazendas e as primícias x de nossa renda (Pv 3. que estes enxames de moscas se retirem amanhã de Faraó. Trabalhariam para se manter e prosperar em uma nova terra. vosso Deus. Além disso. Criariam seus .. Porém. no deserto. mais que bens.” . Moisés indica que o local adequado à adoração se­ ria a três dias de distância do Egito. Tão importante quanto o culto que eles prestariam era a liberdade que receberiam. orai tam­ bém por mim. Ele deseja nossa inteireza de coração. Eis aqui a diferença. disse Faraó: Deixar-vos-ei ir. Então. Mas Faraó não está certo de que essa distância é segura para manter o povo escravo.. Eles sairiam da escravidão. Seriam protegidos por Deus e seriam uma nação.E Moisés disse: Eis que saio de ti e orarei ao Senhor.

e eles comerão o resto do que escapou. se ainda recusares deixar ir o meu povo. o Deus dos hebreus: Até quando recusas humilhar-te diante de mim? Deixa ir o meu povo. e as casas de todos os egípcios. Faraó chega a pedir que Moisés ore por ele também. Faraó aparentemen­ te não aprendeu a lição dos sinais de Deus. “E os servos de Faraó disseram-lhe: Até quando este nos dá de ser por laço? Deixa ir os homens. Os prejuízos materiais no Egito estavam se avolumando. o que ficou da saraiva. des­ de o dia em que eles foram sobre a terra até o dia de hoje. e encherão as tuas casas. para que sirvam ao Senhor. Charles Swindoll disse que os sinais que Deus mandou ao Egito eram “pragas que pregam”.3-6) Deus enviou outra praga ao Egito: os gafanhotos. que estava dando ao rei oportunidades para que voltasse atrás em seus pensamentos e libertasse Israel. sem precedentes na história do Egito.A s P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó essa preocupação do rei com um grupo de escravos? Para mantê-los no Egito e impedir-lhes a liberdade. A última praga enviada por Deus neste momento foi uma chuva de pedras em toda a nação. tornando insuportável a permanência dos israelitas em solo egípcio. e as casas de todos os teus servos. foram Moisés e Aráo a Faraó e disseram-lhe: Assim diz o Senhor. e sim a finalização de um discurso que não tem por objetivo ser realizado. eis que trarei amanhã gafanhotos aos teus termos. seu Deus. (Êx 10. mas não parece um daqueles pedidos sinceros de oração. que a terra não se poderá ver. Depois mandou piolhos e moscas. E virou-se e saiu da presença de Faraó. Porque. 29 . Faraó não pareceu entender que estava lidando com um poder pes­ soal sobrenatural. Deus transformou o Nilo em sangue e depois mandou uma infestação de rãs àquela nação. como nunca viram teus pais. Ele estava lidan­ do com o próprio Deus. e cobrirão a face da terra. A Terceira Proposta de Faraó Assim. nem os pais de teus pais. Depois os animais fo­ ram atacados e tumores cobriram os egípcios. também comerão toda árvore que vos cresce no campo. para que me sirva.

somente os homens. vosso Deus. Se fosse pela opinião dos egípcios. Quais são os que hão de ir? E Moisés disse: Havemos de ir com nossos meninos e com os nossos velhos. e ele disselhes: Ide. Então. Depois de concordar com a ida das crianças.7) Os servos de Faraó decidiram envolver-se na questão. O coração de Faraó ainda não estava amadurecido para entender que não se poderia brincar com o poder de Deus. Eles perceberam que enquanto o Deus de Moisés não recebesse seu culto. e com as nossas filhas.]. servi ao Senhor. ele volta atrás em sua decisão: “[. varões. Ele deseja ser adorado por toda a família. O rei manda lançar fora de sua presença Moisés e Arão. e com as nossas ovelhas.8-10) Deus não nos chama para que o sirvamos sem que nossas famílias estejam incluídas tanto na adoração quando na recepção de bênçãos. pois obrigaria os israelitas a separarem-se de seus filhos para que Deus fosse adorado. porque festa do Senhor temos. a proposta dos egípcios era uma proposta cruel. Moisés e Arão foram levados outra vez a Faraó... e Deus ouve essas orações. Sabemos que há filhos que aceitaram a Jesus e estão orando por seus pais. os egípcios sofreriam terri­ velmente as consequências. andai agora vós. com os nossos filhos.11). Mesmo assim. Sabemos que há cônjuges que intercedem por seus consortes. (Êx 10..10.] olhai que há mal diante da vossa face. pois isso é o que pedistes. e servi ao Senhor.. pois há pais cujos filhos estão longe do Senhor. Isso garantiria a próxi­ ma geração de escravos no Egito. Sabemos que em nossas igrejas nem todas as famílias estão completas. Não será assim. a herança do Senhor não participaria do culto com seus pais. Então. E os lançaram da face de Faraó” (Êx 10. O plano divino para a salvação inclui toda a família. e com os nossos bois havemos de ir.U m a J o r n a d a de fé ainda não sabes que o Egito está destruído?” (Êx 10. da mesma forma que preten­ de abençoar toda a família. e não apenas parte dela. ele lhes disse: Seja o Senhor assim convosco. e deixa claro que as crianças não iriam. como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos [. 30 .

falou o Senhor a Moisés e a Arão. O deserto pode não ser o melhor lugar do mundo para onde viajar e passar férias com crianças. não entrareis na terra. tudo muda. o vosso cadáver cairá neste deser­ to. que murmura contra mim? Tenho ouvi­ do as murmurações dos filhos de Israel. quanto a vós. Não façamos como os israelitas fize­ ram antes de entrar na Terra Prometida. descansarem de uma longa jornada e não tem nada para se fazer lá. Muitas vezes achamos que nossos filhos não conseguirão a matu­ ridade necessária para viverem uma vida com Deus. salvo Calebe. E vossos filhos pastorearão neste deserto quarenta anos e levarão sobre si as vossas infidelidades. que. mas se Deus está lá. filho de Num. e eles saberão da terra que vós desprezastes. Confiemos a Deus nossos filhos. Porém. e essa experiência pode ser apresentada aos nossos filhos e crianças com o nosso exemplo. meterei nela. diz o SENHOR. Dize-lhes: Assim como eu vivo. assim farei a vós outros.As P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó Deus se importa com nossos filhos? Sim. sem lugar para se acomodarem. dizendo: Até quando so­ frerei esta má congregação. com que murmuram contra mim. e Josué. até que o vosso cadáver se consuma 31 . Por que levá-los à igreja? Por que ler a Bíblia em casa com eles? Por que passar um tempo investindo no culto domés­ tico? Por que passar tempo com nossos filhos mostrando-lhes o exemplo de adoração que Deus espera que tenhamos? Cada geração precisa ter sua própria experiência com Deus. os que dentre vós contra mim murmurastes. como também todos os que de vós foram con­ tados segundo toda a vossa conta. filho de Jefoné. Mas os vossos filhos. Neste deserto cairá o vosso cadáver. pela qual levantei a minha mão que vos faria habitar nela. de vinte anos para cima. como falastes aos meus ouvidos. Mas foi isso que Deus disse? Não. Mas pensemos nessa passa­ gem: O interesse de Faraó pelas crianças corresponde ao mesmo interesse de Satanás por nossos filhos. de que dizeis: Por presa serão. O culto a Deus foi a base da resposta de Faraó: Para que levar as crianças ao deserto e lá oferecerem um culto a Deus? O lugar é péssimo. ficaram com medo das batalhas que travariam e alegaram que seus filhos seriam presa de guerra: Depois. beberem água.

Não dê como desculpas seus filhos para que você não sirva a Deus. Por três dias os egípcios convi­ veram com a escuridão. foram incrédulos. Segundo o número dos dias em que espiastes esta ter­ ra. que tiveram medo de obedecer ao Senhor. veja o que aconteceu à geração que saiu do Egito e que ficou enterrada no deserto. levareis sobre vós as vossas iniquidades quarenta anos e conhecereis o meu afastamen­ to. Na dúvida. quarenta dias.26-35) Há um preço alto a ser pago quando desobedecemos a Deus. eles não queriam confiar no Senhor. se consumirão e aí falecerão. neste deserto. Como o Egito ficou sem luz? O certo é que se no último encontro Moisés e Arão foram lançados da presença de Faraó. e ninguém se levantou do seu lugar por três dias. cada dia representando um ano. e houve trevas espessas em toda a terra do Egito por três dias. E Moisés estendeu a sua mão para o céu. trevas de noite eram aceitáveis. e. mas em uma época em que não havia luz elétrica e as pessoas dependiam de ou­ tros recursos para poderem iluminar seus caminhos. A Última Proposta de Faraó Então. mas de dia não. elas entrarão na Terra Prometida.U m a J o r n a d a de fé neste deserto. Não viu um ao outro. disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu. desta vez foram chamados com a seguinte resposta: 32 . trevas que se apalpem. E assim farei a toda esta má congregação.21-23) As pragas anteriores não ensinaram o Egito e seu monarca. e por isso Deus mandou outra praga: a escuridão. o Senhor. mas não os seus pais. (Êx 10. Na prática. o Mar Vermelho se abrindo. Eu. Isso pode nos soar como que primitivo. e virão trevas sobre a terra do Egito. falei. Aqueles israelitas alegaram que seus filhos seriam pre­ sas de guerra. Tinham visto as pragas no Egito. mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações. E Deus resolveu atender à sua reivindicação: já que as crianças são o “temor” dos pais e a desculpa para não cumprirem o que Deus mandou. (Nm 14. que se levantou contra mim. ainda assim.

vão também convosco as vossas crianças. Como se não bastassem os anos de escravidão. (Êx 10. e isso incluía os animais para o sacrifício. rejeitar aquilo que o mundo tenta 33 . Que isso nos sirva de lição. as crianças poderiam ir também.A s P r a g a s e a s P r o p o s t a s A r d ilo s a s de F a r a ó Então. Elas são presentes que Deus nos dá. e não do Senhor. Ele deseja nossa inteireza de coração.25) Um grande avanço nas negociações estava acontecendo.24. Deus seria adorado com tudo o que o povo de Israel possuía.9). Os bens a serem oferecidos não fariam parte do acordo. Creio que o honramos com as nossas fazendas e as primícias de nossa renda (Pv 3. pois já receberia todas as pessoas. Eis aqui a diferença. Cada proposta de Faraó foi rejeitada. Os bens que temos em mãos são do Senhor. Que tenhamos o discernimen­ to adequado para. desta vez. Para quê gado no deserto? Deus não ia se preocupar com animais sendo oferecidos. que ofereçamos ao Senhor. mas desejavam-lhes os bens. da mesma forma. Somos desa­ fiados diariamente a oferecer nossos bens ao Senhor. Israel pode­ ria ir aonde quisesse para oferecer seus sacrifícios. O curioso é que os egípcios despreza­ vam a atividade pastoril dos israelitas. porém. disse: Tu também darás em nos­ sas mãos sacrifícios e holocaustos. Faraó chamou a Moisés e disse: Ide. Mas o gado não. A questão não se refere ao fato de Deus precisar ou não de nossos bens para ser adorado. Poderia ir com todos os adultos. e um coração não fixado nas riquezas deste mundo. Estou me referindo ao fato de o Diabo tenta nos fazer crer que os bens que temos em nosso poder são nossos. mais que bens. nosso Deus. so­ mente fiquem vossas ovelhas e vossas vacas. Ah. não nos prendemos a eles. Quando digo isso não estou me referindo a todos os dias dar uma oferta no santuário ou colaborar com a ajuda a pessoas necessitadas. quer muito — é do Senhor. Porém. Não podemos ser reféns das bênçãos de Deus. Moisés. Essa proposta de Faraó não está longe de nossos dias. servi ao Senhor. mas não para que nos fixemos nelas. Faraó queria impedir que aquilo que eles tinham conseguido com trabalho fosse negado a Deus. e a Ele devem ser oferecidos. Quando entendemos que tudo o que te­ mos — quer pouco.

U ma J o r n a d a de fé nos impor como correto. e que o próprio Faraó era tido como uma divindade. e Moisés as rejeitou. Façamos o mesmo. "Por que devo obedecer a Deus se nem sei quem é Ele? Parece uma lógica correta levando em considera­ ção que o Egito tinha vários deuses. Faraó fez suas propostas. Como seria possível reconhecer como Deus um Ser que envia um pastor do deserto para falar com o rei da maior potência da época?" 34 .

mas a seguir ocorreu a libertação prometida por Deus para os seus filhos. A Páscoa e seus Significados Para os egípcios Para que possamos entender o significado da Páscoa para os egíp­ cios. mas o rei não cedeu. um julgamento tal que aquela nação en­ traria em prantos: a morte dos primeiros filhos de cada família egípcia. houve lamento no Egito. Não podemos . é preciso que recordemos o que ocorreu nos últimos dias antes de ela acontecer. Entretanto. Deus ainda tinha mais um julgamento contra o Egito.A C elebração d a P r im e ir a Pá sco a Alexandre Coelho K — este capítulo veremos de que forma os acontecimentos de uma noite mudaram a história dos egípcios e do povo de Israel. A Páscoa foi um duro julgamento de Deus para com as atrocida­ des cometidas pelos egípcios contra os meninos hebreus. mesmo com o envio de pragas assustadoras que atacaram profundamente a vida dos egípcios. Moisés já havia falado com Faraó sobre ele libertar Israel. A celebração da Páscoa teve significados distintos para hebreus e egípcios. pois na noite em que foi instituída.

no dia em que vires o meu rosto. porque. Naquela noite. Sem dúvida essa história poderia terminar de outra forma se Faraó deixasse ir o povo embora. para os hebreus a noite era de expectativa em relação ao que Deus dissera por intermédio de Moisés. antes da Páscoa. e isso lhe custaria a vida do próprio filho. Havia uma ordem para que os judeus matassem um cordeiro. poderia pegar o bebê e levá-lo para ser jo ­ gado no Rio Nilo. morrerás” (Êx 10.U m a J o r n a d a de fé nos esquecer de que. Faraó ordenou que as parteiras Sifrá e Puá matassem os meninos recém-nascidos. foi: “Vai-te de mim e guarda-te que não mais vejas o meu rosto. afogaria ou seria alimento para os crocodilos. . entendemos que Faraó deu por encerrado o diálogo com Moisés e com Deus. caso o encontrasse. pois o anjo da morte entraria em cada residência e executaria o manda­ do de Deus. Lembremo-nos de que Moisés tinha advertido a Faraó antes. dei­ xando claro que o povo sairia com as crianças e o gado (Faraó não queria que isso acontecesse). Por essa resposta. no início do livro de Êxodo. ver se ali havia algum menino e. obedecer a Deus fez toda a diferença para os israelitas. a ordem "Deus tem dado muitas foi dada a qualquer egíp­ cio.28). Como r r elas não o fizeram. seus súditos pagaram um alto preço. na Pás­ coa as casas dos egípcios não poderiam proteger os seus primogênitos. Para os israelitas Se para os egípcios a noite da Páscoa foi uma noite de desgraça. comessem-no com ervas amargas e pão sem fermento. Isso significa que qual­ quer egípcio poderia entrar numa casa hebreia. e assinou a ordem divina para a morte dos primogênitos. e não se esquecessem de colocar o sangue daquele animal nas ombreiras 36 . Ele não quis obedecer às ordens de Deus. Se nessa época as casas dos hebreus poderiam ser invadidas." \ _______ . onde se ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. e a última resposta do rei para Moisés. Mas por causa da dureza de coração do rei.

desejo relembrar-lhe o caso de Saul. passarei por cima de vós” (Êx 12. porém. obedecer ao mandamento de Deus foi um ato de fé. Deus tem dado muitas ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. Essa é a resposta. o Senhor passará aquela porta e não deixará ao destruidor entrar em vossas casas para vos ferir” (Êx 12. Char­ les Swindoll comenta acerca das ordens de Deus em relação a passar o sangue do cordeiro nos umbrais da porta: Pare e pense um momento sobre essas instruções. essa era a única razão de que precisavam. Deus lhe disse que se lembrava do que os amalequitas tinham feito contra os israelitas quando estavam 37 . Não havia poder no sangue seco de um cordeiro morto. Sabemos também que Deus espera que não apenas saibamos como proceder em nossa vida. quando vir o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras. Não raro.13).A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a e na verga da porta. Deus preparou um plano que só exigia uma coisa — obediência. Essa palavra muitas vezes tem colocado nossos pensamentos con­ frontando nossas atitudes. o primeiro rei de Israel. Nesse ponto. O que Deus espera hoje de nós que esperava dos israelitas no Egito? Obediência. resolvia fazer do seu próprio jeito. Que razão lógica havia para fazer essas coisas com o sangue do cordeiro? Você diz: “Deus mandou fazer isso”. Saul foi escolhido por Deus para ser o primeiro governante da nação. Para eles. obedecer a Deus fez toda a diferença para os israelitas. Naquela noite. em sua sabedoria insondável. sabemos como obedecer a Deus. Todavia.23). E verdade. o que acarretava em desobediência completa ao que Deus lhe havia dito. Em uma dessas ordens dadas a Saul. mas a cada ordem recebida de Deus. Moisés repassou essa informação ao povo: “Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios. E essa ordem era seguida de uma promessa: “ven­ do eu sangue. mas espera que saibamos obedecer a Ele inte­ gralmente. Se você acha que obedecer a Deus não faz muita diferença.

e isso para Deus foi uma desobediência completa. Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar. disse Samuel: Que balido. não foi o que aconteceu: “Então. (1 Sm 15. O nome dele entraria para a história como o grande rei 38 . Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor. o resto. temos destruído totalmente. mas Saul poupou o rei daquela nação e o seu gado. executei a palavra do Senhor. pois. e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.10. Todavia. dizendo: Arrependo-me de haver posto a Saul como rei. e o porfiar é como iniquidade e idolatria. seu reino foi rejeitado porque ele não estava mais seguindo ao Senhor. pois. porém. No caso de Saul. A ordem foi dada. veja o que aconteceu: Veio. veio a palavra do Senhor a Samuel. 11).U m a J o r n a d a de fé no deserto. para que não sejas rei. Samuel chamou Saul e lhe perguntou se o Senhor tinha mais prazer em ofertas do que tinha prazer na obedi­ ência de seus servos. e Saul lhe disse: Bendito sejas tu do Senhor.22. ele também te rejeitou a ti. e o mugido de vacas que ouço? E disse Saul: De Amaleque as trouxeram. para as oferecer ao Senhor. 23) A obediência tem um preço. Então. porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras” (1 Sm 15. teu Deus. que seriam destruídos por Saul. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria. Samuel a Saul. de ovelhas é este nos meus ouvidos. (1 Sm 15. A ordem dada não fora cumprida integralmente. E Saul aprendeu da pior forma a diferença entre obedecer e desobedecer a Deus: se ele fosse obediente.13-15) Deus havia pedido que Saul trouxesse animais para holocaustos? Não. porque o povo perdoou ao melhor das ovelhas e das vacas. e a desobediência também. Como Deus disse que Saul não executou as ordens dadas? Ele não estava sendo exagerado nesse quesito? Não! Depois de poupar o rei e o gado. Chegara a hora da retribuição divina às atitudes dos amalequitas. e ainda acreditou que estava obedecendo ao que Deus disse acerca dessa situação. seu reino seria confirmado para sempre.

Já pensou se sua obediência a Deus preservasse seu filho. É o mesmo que dizer: “Não preciso obedecer a Deus completamente. 2008. tem um grande significa­ do para nós.A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a que Deus escolheu para ser coluna em Israel. Para os israelitas.1 Que atitudes dos pais israelitas fez com que seus primogênitos fos­ sem salvos? A fé no que Deus disse e a obediência ao que Ele disse. Ele simplesmente lhes disse o que fazer e quando. Deus não pode ser comprado por objetos ou oferendas. Basta oferecer a Ele alguma coisa e sua ira vai ser deixada de lado”. Moisés. p. obedecer parcialmente ao que Deus mandara lhe custou o reino. Ele pode receber nossa obediência por um ato de fé. disse a eles o que aconteceria como resultado de sua estrita obediência às suas ordens. Obedecer faz diferença. 226. Para os israelitas no Egito. pois isso seria ilógico. A seguir. 39 . Série Heróis da Fé. como assim é chamada. ninguém disse a Saul que Deus preferia receber sacri­ fícios a obediência. Nunca pediu que con­ versassem sobre a ordem. a obediência pre­ servou a vida do filho mais velho de cada família israelita. Sáo Paulo: Mundo Cristão. Para nós A Páscoa do Senhor. Ele seria lembrado como 0 homem que obedeceu a Deus e que jamais teria sua memória apagada de Israel. Nunca pediu que considerassem a ideia e decidissem se concordavam com ela. se você é pai ou mãe. Fé e obediência precisam caminhar juntas. 1 SWINDOLL. Ela deve nos fazer recordar de Jesus. Para Saul. obedecer integralmente ao que Deus mandara preservaria a vida de todos os seus primogênitos. Ele entregou-se a si mesmo para que eu e você tivéssemos a vida eterna e o aces­ so a Deus. A nossa vida foi preservada porque Ele nos amou até a morte. nosso Cordeiro Pascal. e a sua desobediência lhe custasse seu primogênito? Charles Swindoll continua seu pensamento: Ele nunca pediu que refletissem sobre isso. Além disso. Obedecer faz a dife­ rença tanto quanto desobedecer. Charles.

Para nós. a Páscoa foi chamada de “páscoa do Senhor” (Ex 12. Não é um momento que deveria ser lembrado pelos israelitas posterior­ mente sem que tivessem em mente que era uma lembrança sobre Deus e sobre o que Ele havia feito. mas não sem se alimentarem. dão a entender que eram uma representação da amargura com que os israelitas foram tratados 40 . que deve­ ria ser passada de geração a geração. o pão deveria ser sem fermen­ to. mas também para que se alimentassem de pão sem fermento. A ideia era mostrar que os israelitas teriam pouco tempo para preparar sua última refeição como escravos. conforme se entende. Cada um deles tinha uma representação para os hebreus. com pães asmos e ervas amargas. cristãos. e que serviriam por todas as gerações de israelitas como uma lembrança da libertação do Egito. para que se lembrassem do quanto Deus operou grandemente em prol dos filhos de Israel. ou seja. ervas amargas e do próprio cordeiro. A massa não deveria passar pelo processo de fermentação. A ordem divina aos hebreus não foi apenas para que sacrificassem um cordeiro e colocassem o sangue dele na entrada da casa. Os Elem entos da Páscoa Na noite em que seria a última dos hebreus no Egito. sem ter de esperar para crescer.11). mas a orientação divina indicava a pressa com que os judeus iriam comer para saírem logo do Egito. esses elementos fazem parte da cultura judaica. Além disso. pois logo sairiam para uma grande jornada. pois ela deveria ser comemorada em homenagem ao Deus de Israel. seria levada ao fogo tão logo estivesse pronta. E evidente que o uso do fermento poderia fazer com que a massa dobrasse seu tamanho e alimentasse mais pessoas. 0 pão De acordo com a descrição bíblica. As ervas amargas As ervas amargas. Deus os pre­ parou para uma saída repentina.U m a J o r n a d a de fé É evidente que não temos de celebrar a Páscoa com um cordeiro as­ sado.

A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a no Egito. mas sua utilização naquela refeição mostrava aos israelitas o sofrimento pelo qual haviam passado. e não haverá entre vós praga de mortandade. se dependesse dos planos de Deus. ao se esquecer desse pequeno detalhe. os israelitas levaram a sério essa ordem divina. Observe que obedecer à ordem de Deus integralmente fez a diferença na Páscoa. nossa Páscoa Jesus.13). Essa ordem era de pouca valia? Pense você mesmo: Se fosse pai ou mãe judeu com vários filhos e. Não era o tipo de iguaria que provavelmente trazia alegria em uma mesa. jamais se repetiria. Pode ser mais leve ou mais pesado. vendo eu sangue. esses detalhes devem ser seguidos com rigor. prepara­ rem-no como uma refeição que deveria ser comida nos moldes designa­ dos e simplesmente se esquecerem de que o sangue vertido do cordeiro deveria ser colocado na porta da casa. Ele impediria a morte no lar da família que temia ao Senhor. mas a colocação do sangue nos umbrais da porta é que foi eficaz para que o anjo da morte não passasse nas casas dos israelitas: “E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes. É para isso que eles são feitos. passarei por cima de vós. Esses eram requisitos para a celebração da Páscoa. Pode ser barato ou caro. Mas sua função mais importante é saciar a fome. Pode ser feito com diversos ingredientes. o pão da vida Um pão pode ter mais de um sabor. sem manchas no corpo e sem defeitos físicos. De nada adiantaria separarem o cordeiro perfeito. sob pena de perdermos algo muito custoso para nós mesmos. Por que Cristo é considerado o pão da vida? 41 . coisa que. O sangue do cordeiro deveria estar na porta das casas. de um ano. Pode ter mais de uma forma. perdesse seu primeiro filho? Portanto. 0 cordeiro Deveria ser um animal macho. quando eu ferir a terra do Egito” (Êx 12. Cristo. Aprenda que quando Deus dá detalhes para que sigamos em uma empreitada.

(Jo 10. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. mas a todos que aceitarem pela fé o sacrifício de Cristo. forma. o Pai me ama. 0 sangue de Cristo Há uma semelhança clara. Esse mandamento recebi de meu Pai. ao perdão dos pecados e à vida eterna. Assim como o Pai me conhece a mim. mas eu de mim mesmo a dou.35). M as sua função mais importante c saciar a fome." fom e” 1 J é saciada em Cristo Jesus. 42 . entre o cordeiro oferecido no Egito e o Senhor Jesus Cristo.14-18) O sacrifício de Cristo nos trouxe vida.U m a J o r n a d a de fé Porque Ele mesmo disse isso: “Eu sou o pão da vida. e das minhas sou conhecido. dientes. Pode ser barato ou caro. nosso Cordeiro Pascal. Ninguém ma tira de mim. e elas ouvirão a minha voz. Da mesma forma que o cordeiro pascal foi sacrificado. aquele que vem a mim não terá fome” (Jo 6.< ne às questões da vida e à relação com Deus. A diferença é que o sacrifício de Cristo oferece vida não apenas aos filhos mais velhos de cada família. sabor Pode ser feito com diversos ingrePode ser feito com diversos ingre­ dientes. e conheço as minhas ovelhas. o Senhor Je­ sus Cristo também o foi. Jesus Cristo se ofereceu para esse sacrifício: Eu sou o bom Pastor. A diferença reside no fato de que o cordeiro de Êxodo não foi voluntário para verter seu próprio sangue. tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. da mesma forma que o sacri­ fício do cordeiro no Egito preservou a existência dos primogênitos israe­ litas. se arrependerem de seus pecados e nascerem de novo. no estudo da Páscoa. Pode ser mais leve ou mais pesado. também eu conheço o Pai e dou a minha vida pelas ovelhas. Por isso. também me convém agregar es­ tas. A fome que temos de Deus y y ___________ / (' ^ \ "jjm pão pão pode pode ter ler mais mais de de um um "Um sabor. Ele promete saciar a necessidade humana no que concer. Pode ser barato ou caro. e haverá um rebanho e um Pastor. porque dou a minha vida para tomar a tomá -la. Pode Pode ler ter mais mais de de uma uma forma.

menos recursos. Foi um momento reservado aos que eram próximos do Senhor. antes que padeça” (Lc 22. mas mostrou também a im­ portância que o Senhor deu em falar que o Reino de Deus não termina­ ria com sua morte. e o mesmo o faziam os que tinham levado pouca comida. Se em Lucas nos é mostrado o momento do Senhor com seus dis­ cípulos antes de sua morte. mas esse sentimento era desconhecido naquela igreja. “Desejei muito co­ mer convosco esta Páscoa. mas fez questão de ter um momento de comunhão com aqueles que iriam dar prosseguimento à sua obra na terra. Ela é citada em pelo menos dois textos centrais: no Evangelho de Lucas e na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios.21). foi necessário que Paulo corrigisse os desvios na Ceia do Senhor. Eles não sabiam dividir seus recursos para que to­ dos comessem juntos e na mesma medida. em que somos motivados a lembrar da morte do Senhor até 43 . Lucas 22 mostra Jesus ceando com seus discípulos antes de ser en­ tregue nas mãos daqueles que o haviam de matar. e a Ceia do Senhor era um desses motivos.15). Há indícios de que os crentes que tinham mais posse levaram evidentemente mais recursos para a ceia. e o outro embriaga-se” (1 Co 11. em Coríntios Paulo descreve sua tristeza para com os crentes daquela igreja sobre vários aspectos. em comunhão. Paulo diz que “assim um tem fome. or­ denando que esperassem uns pelos outros. e os mais pobres. Esses alimentos deveriam ser reu­ nidos para que todos pudessem ter uma refeição em conjunto. O versículo 22 dá a entender que essa atitude partia dos crentes mais abastados: “Não tendes. Ele sabia que em pouco tempo seria morto. Os que tinham levado mais comida pegavam antecipadamente o que ti­ nham levado e o comiam. Aquela refeição mostrou o traidor. casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm?” De qualquer forma. porventura. Os coríntios deveriam aprender que a Ceia do Senhor é um momen­ to sublime.A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a A Santa Ceia Recordemos um pouco sobre a Santa Ceia.

Não é um momento de manifestação de egoísmo. como obediência. e nin­ guém pode participar dela J -------------------. A Páscoa nos traz di­ versas lições espirituais. é um momento de anún­ cio do sacrifício de Cristo até que Ele retorne. Que possamos atentar para essas lições e ter em mente que Deus preza por todos eles hoje.— -------------- 44 .A ------------------de forma indevida. para que tivés­ semos vida." -----------.U m a J o r n a d a de fé o seu retorno. Fé e obediência precisam caminhar juntas. sem ter em mente que o sangue de um inocente foi dado em nosso lugar. sacrifício e comunhão. Mais que isso. "Que atitudes dos pais isra­ elitas fez com que seus primo­ gênitos fossem salvos? A fé no que Deus disse e a obediência ao que Deus disse.

O Cuidado de Deus com o Ânimo do Povo No começo do percurso de saída do Egito. etc.1 3 -1 5 . quando Faraó . esses episódios extraordinários da vida do povo judeu são relembrados constantemente pelos profetas e salmistas do Antigo Testamento para enfatizar o cuidado divino para com Israel (Js 2 4 .9 -1 2 . o Senhor Deus. Uma vez confirmada a saída. prova­ velmente 2 milhões de pessoas. SI 1 06. E desde o início dessa caminhada se vê esse cuidado. na maior parte desse tempo. depois de 43 0 anos nos quais. sem dúvida alguma. como constataremos a seguir. O u seja.A Pa r t id a d o Eg it o e a TR A V ESSIA D O M A R VERM ELH O Silas Daniel U "m dos textos bíblicos que mais denotam o cuidado de Deus para com o seu povo é. Não por acaso. que já havia libertado o povo com braço forte enviando as Dez Pragas. já podemos notar o cui­ dado de Deus para com o seu povo: “E aconteceu que. sem contar mulheres e crianças (Êx 12.7-9. os judeus viveram como escravos dos egípcios. A Bíblia diz que. saíram do Egito cerca de 600 mil ho­ mens a pé. ao todo. SI 1 3 6 . Foi um momento de grande celebração. o relato da saída dos hebreus do Egito e da travessia miraculosa do Mar Verme­ lho.37). Imagine a celebração na saída.5 -7 . se dedicaria agora a cuidar dele também durante todo o trajeto rumo à Terra Prometida.). Ne 9 .

o ânimo e o clima de festa que deveria marcar a saída. Os egípcios guardavam fortemente suas fronteiras e. inicialmente. e através de circunstâncias e experiências que Ele nos proporciona. e tornem ao Egito ” (Ex 13. a caçada e a matança que poderia sofrer — e. Logo. porventura. geralmente na parte introdutória das 46 . por isso o cuidado divino para que. seres humanos. Mas. assim. porque Deus disse: Para que. sa­ bendo que se o povo passasse por ali. dali em diante. Eis o cuidado divino quanto aos detalhes! A saída do Egito era um momento de festa.U m a J o r n a d a de fé deixou ir o povo. em especial. Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus. a qual." \_____________ __ ~ v ---------- mos. que evitaria essa visão de perigo. o povo não passasse por um caminho que evocasse em sua mente a possibilidade de perigo naquela empreitada. Às vezes. que era este.42).1). pela instrumentalidade de irmãos em Cristo que se permitem ser usados por Ele. esfriando. Deus o faz sair não pelo caminho mais perto. O “caminho da terra dos filisteus” era uma estrada internacional bem fortificada pelo exército egípcio. razão por que constantemente está a nos animar pela sua Palavra. deveria ser rememorada e comemorada todos os anos (Ex 12. assim. Deus se preocupa com o ânimo do seu povo. so­ JT < veria passar por um caminho que evocasse em sua mente a possibilidade de perigo naquela empreitada. Ou seja. mas sem deixar de nos animar em todo esse assustador percurso por meio da certeza latente em nosso coração de que Ele está conosco (SI 23. e Deus sabe muito bem disso. veria o grande exército egípcio e já imaginaria o pior — a guerra. Nós. em outros momentos. onde havia um grande exército de prontidão. o ânimo e o clima de festa que deveria marcar a saída. Deus permite que andemos pelo “vale da sombra da mor­ te”. esse trecho mais concorrido de entrada e saída de suas terras. mas pelo caminho mais lon­ go. que estava mais perto. infelizmente. o povo não de­ voltaria para o Egito. o povo não se arrependa. muito tendentes ao desânimo.17 —grifo meu). vendo a guerra. assim. arrepender-se-ia e "Inicialmente. esfriando. a imaginarmos o pior diante do mínimo sinal de dificuldade.

Chipre e Síria no final do século X IV e iní­ cio do século X III. Ecrom. 1. v. 2 LIV IN G STO N . George Herbert. As duas maiores batalhas contra os egípcios aconteceram por volta de 1230 a. 3 LIVIN GSTON . Bem.C. p. 169. fundando as cidades de Asdod. George Herbert.C. C om entário Bíblico Beacon. mais estressantes.A P a r t id a d o E g it o e a T r a v e s s ia d o M a r V e r m e l h o estradas que trilhamos com Ele por sua graça.17 envolve a questão da data exata da saída do povo judeu do Egito. George Herbert. C o m en tário B íblico Beacon. Rio de 47 .. as expressões “o caminho da terra dos filisteus” e “vendo a guerra” signifi­ cam. para só depois nos conduzir em vitória por situações mais nevrálgicas. e 1190 a.17 tem a ver com essa questão? É que se considerarmos como data do êxodo cerca de 1300 a. Rio de Janeiro: CPAD. como afirma o Comentário Bíblico Beacon. v.3 1LIVIN G STO N .C. 1. p. Rio de Janei­ ro: CPAD. eles poderiam se arrepender quando vissem a guerra [isto é. 2005. empreendendo várias batalhas contras essas nações. que Deus levou o povo “por um percurso mais longo a fim de evitar o encontro com os filisteus bélicos”. Gaza e Gate. os 2filisteus e os demais “Povos do Mar” chegaram à região do Egito. 169. Uma vez que “os filhos de Israel não eram treinados para a batalha e a fé em Deus ainda era fraca.1 Ora. ou cerca de 1300 a.. Deus prefere nos dirigir por caminhos menos desanimadores. quando encontrassem os beligerantes filisteus no trajeto] e voltar para o Egito”. v. 1. Palestina. que calejarão a nossa alma e nos ensinarão a confiar totalmente nEle. quando finalmente foram derrotados por Ramsés III e se estabeleceram no sudoeste de Canaã. Há duas datas em disputa: 1441 a. Político e Cultural (CPAD). mas em que sentido o texto de Êxodo 13.C. 2005. Sobre "o Caminho da Terra dos Filisteus" Uma curiosidade sobre essa passagem de Êxodo 13. e um bom resumo de toda essa discussão pode ser encontrado nas páginas 121 a 127 da obra Tempos do Antigo Testamento — Um Contexto Social. As duas são defendidas com argumentos plausíveis. C o m en tário B íblico Beacon.C.

Tal alteração não fere as Sagradas Escrituras. Janeiro: CPAD.U m a J o r n a d a de fé Entretanto. mais precisamente algumas décadas depois da saída dos judeus do Egito.32. ainda não haviam chegado àquela região do mundo. 48 . 12.. seja por acréscimo ou por diminuição do conteúdo da mensagem (Dt 4. e não uma atualização de linguagem ou paráfrases fieis ao sentido original. quando os filisteus. Ap 22. Pv 30. chamá-la pelo nome que era mais conhecida em seus dias: “o caminho da terra dos filisteus”.14 é que a distância de anos não era de quase mil. provenientes de Creta. mas afirmar que ele nasceu na França não é errado. para que as pessoas de seu tempo entendessem melhor a que estrada Moisés estava se referindo. ainda se referir àquela região como a “Filístia” em seu cântico (Êx 15. porque a Gália Transalpina ficava onde hoje é o território da França.6.) nasceu na Gália Transalpina. A única diferença desse exemplo para o caso bíblico de Êxodo 13.18.5. sob a inspiração divina. em vez de você dizer que o guerreiro Vercingetórix (72 a. uma vez que quando os autores bíblicos asseveram. pois o que está se querendo dizer com isso é simplesmente que ele nasceu no território onde hoje é a França. para ser mais bem entendido. a 46 a. estamos fa­ lando do século XV.17 e 15. e não uma atualização de linguagem. preferiram. se considerarmos a data do Êxodo 1441 a. o que está em foco. considerando essa segunda hipótese. mas de décadas.C. Então. A nação França pode ter surgi­ do quase mil anos depois de Vercingetórix. O que a Bíblia condena é a distorção do sentido do texto. Bem.2. é como se hoje. p. Eles chegariam pouco tempo depois. 169. se a segunda data hipotética da saída do povo do Egito for a correta (e ainda não sabemos se é ou não). ao fazerem cópias das Sagradas Escrituras.C.14). clara­ mente. preferir. é a fidelidade à mensagem bíblica. seria um anacronismo Moisés escrever “pelo caminho da terra dos filisteus” e.C. a fidelidade ao sentido do que está sendo dito. afirmar que ele nasceu na França. depois. mesmo assim haveria uma explicação lógica para o uso dessas expressões nessas passagens do li­ vro de Êxodo: os escribas posteriores. que as Escrituras não podem ser alteradas.19). 2005. Grosso modo. já que a mensagem não fora alterada — apenas a linguagem usada fora atualizada. Essa possível atualização dos escribas posteriores a Moisés não fere o texto bíblico.

17. por exemplo. A mesma coisa acontece com o sânscrito no hinduísmo. e que era. conta que a geração de judeus que retornou do cativeiro babilónico precisava de explicações orais para entender o texto bíblico que lhes era lido (Ne 8. porque o texto lido estava em hebraico. e que há de vir”.8. Pois bem. essas traduções -explicações em aramaico foram escritas. 4. Os muçulmanos é que têm esse conceito distorcido de inspiração. estilos e construções gramaticais são válidas.8). que contém o Pentateuco. uma vez que Moisés não poderia escrever sobre a sua própria morte depois da sua morte. O primeiro Targum é o de Ônquelos. não tiram a sua inspiração.A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o Paráfrases. só o texto em hebraico do Antigo Testamen­ to ou o grego neotestamentário. que era a língua oficial do Império Babiló­ nico. em Êxodo 3. Isso mostra que as várias formas. Outro detalhe é que o próprio texto bíblico mostra que o trabalho dos escribas judeus no período em que o Cânon Sagrado do Antigo Testamento ainda não estava fechado era muito sério e aceito por todos. o Targum de Ônquelos parafraseou a expressão “Eu Sou” da seguinte maneira: “ Aquele que é. não ensina isso. que contém os Profetas. que nada mais são do que traduções parafraseadas do Antigo Testamento hebraico para o aramaico. nenhuma tradu­ ção da Bíblia seria inspirada. O capítulo 34 foi acrescido logo após a sua morte. e o segundo é o Targum de Jônatas. 16.5). Se não fosse assim.4.14 e em Deuteronômio 32. Esse acréscimo foi feito por algum escriba do período em 49 isto é. A Bíblia. justa­ mente por isso.8. Eles creem que a inspiração só se encontra na língua original em que o Alcorão foi escrito — o árabe — e que. . quando totalmente fieis ao que está consignado no texto bíblico. Com o passar dos anos. Ora.29. essa mesma paráfrase aparece nada menos que cinco vezes em Apocalipse (Ap 1. criando os “Targumim”. 11. por isso não entendiam a Lei e os Profetas quando lidos. a não ser o texto na língua original. razão por que ensinam que o muçulmano deve aprender o árabe para ler o Alcorão em árabe. porém. mas só até o versículo 29 do capítulo 33. É que esses judeus vindos do cativeiro falavam aramaico. Neemias. nenhuma tradução do Alcorão é inspirada. contanto que o conteúdo do texto — seu sentido original — não seja de forma alguma corrompido. Por exemplo: Moisés escreveu Deuteronômio.

até o versículo 64 do capítulo 51 do seu li­ vro. quase exatamente igual. ainda no exílio ou logo após o exílio.4 Também no primeiro século d. Rio de Janeiro: CPAD. e pelos quais temos tal respeito. em seus três primeiros versículos.. portanto.. a 2 Reis 24. Quem escreveu esse capítulo ou foi Baruque.18-20. Aliás. Um dos símbolos desse 4 JOSEFO.30. Suas profecias foram registradas. inclusive. p. não foi escrito por Jeremias — e nem poderia. que é autor do livro que leva o seu nome no Cânon do Antigo Testamento — foi valioso e totalmente inspirado. ou mesmo modificar-lhes a mínima coisa. 50 .44.. acrescentou esse capítulo para mostrar o cumprimento das profecias de Jeremias. E logo quando o Cânon Sa­ grado foi encerrado. vemos que o cuidado de Deus manifestado desde o início da caminhada dos hebreus para fora do Egi­ to marcou também todo o restante do percurso. Nós os consideramos como divinos”. e o restante do capítulo repete a história dos reis de Judá até 2 Reis 25.U ma J o r n a d a de fé que o Cânon Sagrado do Antigo Testamento ainda não havia sido fecha­ do — seja um escriba da época de Josué. ou algum outro escriba que. Todo o capítulo 52. Outro exemplo: Jeremias morreu sem ver o cumprimento de todas as suas profecias. foi o sacerdote Esdras quem organizou o Cânon do Antigo Testamento. falou da seguinte maneira sobre o Cânon do Antigo Testamento em seus dias: “. A Presença de Deus durante todo o Percurso Voltando à saída do povo do Egito.39). que ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescen­ tar. já idoso. Esse capítulo é. com a ajuda de seu secretário. historiador judeu e contemporâneo do apóstolo Paulo. encontramos o próprio Jesus considerando a organização do Cânon do Antigo Testamento pelos escri­ bas pós-exílio como sendo a Palavra de Deus (Lc 24.C. um escriba escreveu: “ Até aqui as palavras de Jeremias”. o escriba Baruque. Jo 5. Ao final desse versículo. não houve mais alterações. História dos Hebreus. 2003. porque ele traz alguns cumprimentos de profecias de Jere­ mias que ele não viveu o suficiente para ver cumpridas. Flávio Josefo. Flávio. O trabalho desses escribas — dentre eles o próprio sacerdote Esdras. seja de uma época posterior. 741.

e de noite numa coluna de fogo.22).3 6 -3 8 ). durante todo o percurso. o próprio Moisés.19. levai convosco os meus ossos” (Gn 50. de retroceder ou de avançar. retrocedendo ou avançando quando a Palavra de Deus diz que é hora de parar. como também registrou. para refrescá-los no sol causticante do deserto. Por meio dela. e não só para Moisés. Nunca tirou de diante da face do povo a coluna de nu­ vem. de noite” (Êx 13.25. de dia numa coluna de nuvem. por meio da coluna de nuvem e fogo. A coluna de nuvem e fogo representava a presença e o cuidado di­ vinos. Êx 13. instrumento de Deus para levar os hebreus ao cumprimento da promessa divina de uma Terra Prometida. Foi ele quem a registrou para a posteridade no livro de Gênesis. e não poderia. A presença real e visível de Deus estava ali. mas também a sua orientação. ao juramento. nem a coluna de fogo. Os ossos de José eram uma lembrança. como nuvem. pois. de dia.19). como fogo para aquecê-los no frio desse mesmo deserto”. Mas aquele gesto também tinha um significado para todo o povo. ARA). daqui. Era Deus quem determinava o momento de parar e de prosseguir. uma vez que a Bíblia diz que o povo parava quando a coluna parava e prosseguia quando a coluna se levantava (Êx 40. encarregou-se de cumprir. E ele sabia. do pedido de José havia feito aos filhos de Israel para que jurassem so­ lenemente: “Certamente Deus vos visitará.A Pa r t id a d o Ec it o e a T r a v e s s ia d o M a r V e r m el h o cuidado constante é a coluna de nuvem e fogo: “E o Senhor ia adiante deles. parando. em respeito ao pedido. O Exemplo de Fé de José Um dado tocante do relato da saída do povo do Egito é o registro de que “Moisés levou consigo os ossos de José” (Êx 13.21. para que caminhassem de dia e de noite. A promessa feita pelos filhos de Israel na época em que o patriarca ainda era vivo. e à noite. aban­ donar os seus ossos. à fé e à vida do patriarca. Moisés conhecia a história e o exemplo de fé de José. Felizes são aquele e aquela que se deixam condu­ zir pela vontade de Deus. para os alumiar. para o povo 51 . Deus estava dizen­ do: “Eu estou com vocês durante todo o caminho! Durante o dia. para os guiar pelo caminho. Moisés conhecia muito bem a história de José.

52 . Nem muito menos o fato de termos saído recentemente de uma grande vitória que Deus nos concedeu significa que outros desafios não surgirão logo. orientados por Deus.37). ana­ lisando a situação pelos olhos naturais. guiando-os em todo esse processo e percurso. diante de Baal-Zefom. Inclusive. a Bíblia diz que Deus criou as condições para que Faraó revelasse mais uma vez a insinceridade e maldade do seu coração perseguindo o povo. onde não havia fortificação nenhuma dos egípcios por uma razão lógica: quem fugisse do Egito por aquele caminho ainda teria de passar pelo Mar Vermelho. a não ser que tivessem muitas embarcações para atravessar o Mar Vermelho. em vez de seguir adiante. em vez de seguirem em frente. e Deus estava com eles. de que seu lugar não era ali. Deus os orientou a subirem “o caminho do deserto” em direção ao M ar Vermelho (Ex 13. porque Deus disse a Moisés que o povo. porque. assim como o patriarca José confiou e tinha agora os seus ossos levados por Moisés.. os hebreus só poderiam prosseguir a viagem se saíssem do estreito onde se meteram. De lá.5.2).18). e Deus o permitiu para a própria desgraça do tirano egípcio. vejamos. Isso significa que os hebreus estavam acampados em um estreito desfi­ ladeiro. a sua saída do Egito.6). que havia uma Terra Prometida e que eles poderiam confiar no cumprimento das promessas de Deus. uma vez que Deus colocou o povo hebreu em uma situação que dava a Faraó a oportunidade de atacar com êxito os judeus. f.. A Perseguição de Faraó O fato de estarmos sob a direção de Deus não significa que não enfrentaremos perseguições. cercados de montanhas pelos lados e tendo o mar à sua frente.17. como um testemunho público do início do cumprimento da promessa divina.] junto ao mar” (Êx 14. con­ tornando à distância o Mar Vermelho.U m a J o r n a d a de fé de Israel. não havia razão alguma para o povo ir por ali. O povo hebreu havia conquis­ tado. pela ação divina. Aliás. Faraó se levantou para caçar o povo (Ex 14. retrocedesse e acampasse “entre Migdol e o mar. porém. saíram de Ramsés para Sucote (Ex 12. literalmente um estreito. Os hebreus. Sim. Se não. quando tudo pa­ recia em paz. onde provavelmente passaram a primeira noite.

Porém. e desta vez também sobre todo o seu exército com seus carros e cavaleiros (Ex 14. a situação era tão . as montanhas ou o exército de Faraó.3. mesmo quando não a entendemos à primeira vista./ ^ . estava completamente _f _____________ y _____________ "Se í é Deus quem nos guia a uma determinada situação situaçao e somos . L ■ v -------------------.17. O homem propõe. Havia dois caminhos do Egito até Canaã. partisse ao encalço dos judeus. Um era um atalho do norte do Egito até o sul de Canaã. Essa passagem nos ensina que devemos confiar na orientação divina. dência em nosso favor quando a T / dencia cômica que Faraó. era morte na certa para todos. confiemos em sua provi­ provinos.9). foi logo tentado a voltar atrás em sua decisão e atacar os hebreus. Ou seja. seja qual fosse o caminho tomado. seria Ele quem daria o esca­ pe. apesar de tudo. não sabem nem para onde estão indo. fieis fieis à a sua orientação orientaçao em todo o Aos olhos huma. preparando-nos para seguir a providência. “Estão malucos.18). quebran­ do a sua promessa (Ex 14. através do deserto. Como diz Matthew Henry. dificuldade chegar. e à sua disposição devemos obedecer. 1 < percurso. tentado pela maldade do seu próprio coração. como fora Deus que o orientara a ficar ali. Diante de si. Era tudo um plano de Deus. . comentando esse episódio. porém Deus dispõe. o povo hebreu só tinha três alternativas: o mar. e este foi o caminho 53 . ARA) — isto é. o deserto os encerrou” (Ex 14. O outro era muito mais longo. ficaram encurralados sozinhos” — e." jeto tomado pelo povo. O homem não é dono do seu próprio caminho (Jr 10. aos olhos humanos. é Deus quem lhe dirige os passos (Pv 16.^ estó fazm d (l" está fazendo. uma viagem de cerca de quatro ou cinco dias.5-7) e fazendo com que Deus exaltasse o seu nome mais uma vez sobre o arrogante Faraó. Deus sabe sahe o que quando soube do tra.23).-----------— J encurralado. Ele pode deli­ near o seu caminho e projetá-lo. > A Bíblia diz que Deus deu essa orientação “absurda” para o povo exa­ tamente para que Faraó dissesse: “Estão desorientados na terra. .A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o Esse era o cenário ideal para um ataque: o povo . porém.

15). Matthew. Deus diz a Moisés: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem” (Êx 14. O servo de Deus responde dizendo.18).10). A resposta de Moisés é uma das mais belas da Bíblia (Êx 14. deve 5 HENRY. Rio de Janeiro: CPAD. E em seguida a essa resposta. não o sabes tu. Foi a primeira das muitas murmurações do povo em sua peregrinação rumo a Canaã. Houve muitas razões pelas quais Deus os conduziu pelo caminho do deserto do mar Vermelho. Deus sabe o que está fazendo. por não haver sepulcros no Egito. que nos tiraste de lá. 2010. Os israelitas deveriam ser humilhados e tentados no deserto (D t 8 . mas tu o saberás depois” (Jo 13. Só que. O Livramento Divino A Bíblia nos diz que logo quando o povo viu o exército de Faraó. fazendo-nos sair do Egitol Não é isso o que te dissemos no Egito: Deixa-nos. não basta ter uma fé meramente teórica. 267. foram centenas de anos vivendo como es­ cravos no Egito. Os egípcios deveriam ser afogados no mar Vermelho.U m a J o r n a d a de fé pelo qual Deus decidiu conduzir o seu povo Israel (Êx 13. já empalideceu de medo e clamou ao Senhor (Êx 14. que quem atende ao chamado de Deus deve confiar nEle. Ou seja. grifo meu).7).14). e todas revelando a mesma coisa: os he­ breus haviam saído da escravidão. mas a mentalidade de escravos ainda estava dentro deles. Como disse Jesus a Pedro: “O que eu faço.13. A verdadeira fé deve ser seguida de ação. p. em outras palavras. o povo não ficou só no clamor: começou a murmurar também (Êx 14. agora. Afinal.11 —ARA. confiemos em sua providência em nosso favor quando a dificuldade chegar. Essa mentalidade já estava enraizada em seus corações. infeliz­ mente. C o m en tário Bíblico do A ntigo T estam ento — Deuteronômio. 54 Gênesis a . p a ra que sirvamos os egípcios? Pois melhor nos fo r a servir aos egípcios do que morrermos no deserto ” (Êx 14.11).5 Se é Deus quem nos guia a uma determinada situação e somos fiéis à sua orientação em todo o percurso. Note o que dizem os hebreus amedrontados a Moisés: “Será.2). porque o Senhor cuida dos seus filhos. para que morramos neste deserto? Por que nos trataste assim.

22. com dois muros de água de ambos os lados do imenso corredor seco (Êx 14. a Bíblia diz que Deus enviou um vento oriental “que soprou toda aquela noite” (Êx 14. que saiu da frente do povo para a retaguarda. perecendo todo o exército naquele dia. ARA).30). “Marchem!” O que Deus fez foi extraordinário do começo ao fim. Primeiro. Ele enviou seu Anjo.25) até que estivessem lentos.21) formando milagrosamente um largo caminho seco no meio do Mar Vermelho. e quando anoiteceu. Ela afirma que Deus “dividiu as águas”. Não é isso que a Bíblia diz.20).29). que produziu uma escuridão que desnorteou os egípcios. ainda permaneceu claro onde estavam os hebreus (Êx 14. sem ação. Trata-se de um hino de gratidão a Deus pelo livramento milagroso que Ele proporcionou. sem atos. enquanto onde o povo de Israel estava perma­ necia a luz. emperrou-lhes as rodas dos carros para que andassem dificultosamente (Ex 14. seu servo” (Êx 14. formando “muros” de água. Todo o povo poderia atravessar o Mar Vermelho sem embarcações: a pés enxutos. E para que o povo não tivesse dú­ vidas.A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o nos levar a uma atitude concreta. sem atitude correspondente ao que se crê. Quando Deus permitiu que finalmente os egípcios vissem os hebreus e saíssem ao seu encalço. 55 .19.29). quase que estagnados. todo o povo “temeu ao Senhor e confiou no Senhor e em Moisés. Foi quando Deus falou a Moisés para tocar o mar novamente com sua vara e o mar se fechou sobre os egípcios. milagrosamente. é morta (Tg 2. de ambos os lados desse imenso corredor pelo qual atra­ vessaram milhões de pessoas — considerando homens. Na sequência. no meio do mar. Assim.31. Deus permitiu que os hebreus vissem os corpos dos egípcios mortos boiando nas margens do Mar Vermelho (Êx 14.17). O Cântico de Moisés O cântico de Moisés é o cântico mais antigo da Bíblia. mulheres e crianças (Ex 14.21. Note: não foi um milagre de secamento do mar. sendo acompanhado pela coluna de nuvem.22. A fé sem obras. Esta é uma das principais funções de um milagre: produzir acréscimo de fé.

Deus deseja que sejamos gratos a Ele e que o reconheçamos como Senhor da nossa vida. temos a antífona de M iriã e das mulheres.1-3). fisicamente falando. não está se referindo a nenhum m ovimento corporal escandaloso. A razão de ser de todo o cântico.4-12) e o Rei de Israel (15. ela é a primeira profetisa mencionada na Bíblia. “Deus de meu pai”. quando o texto bíblico diz que M iriã “respon­ dia” (Ex 1 5 . era profetisa. O cântico de Moisés nada mais é do que um reconhecimento da graça e do amor de Deus diante de uma intervenção espetacular de sua parte. Devemos agradecer a Deus pelas suas intervenções visíveis e invisíveis sobre as nossas vidas. o Senhor supremo sobre todos (15. Não é todo dia que vemos uma intervenção desse porte. e cantando e dançando com as mulheres. livrando-nos do mal. Aliás.18). além de incomparável e único Deus e aquEle que reinará para sempre (Ex 15. como a razão do nosso viver. o seu resumo. apesar de também irmã de Moisés. mas a atos e gestos alegres e solenes de louvor e adoração. quando o texto bíblico diz que elas dançavam. um pandeiro. quer não. M iriã.U m a J o r n a d a de fé É uma celebração da intervenção divina em favor do seu povo. motivo do seu louvor). Deus é chamado por Moisés nesse cântico de “minha força”. irmã de Arão e Moisés.2 1 ). O bviam ente. A Antífona de Miriã Em seguida ao cântico de Moisés. uma manifestação sincera de gratidão ao Senhor pelo seu cuidado para com o seu povo. ou seja. está no versículo 19. ela aparece to­ cando um tam boril. “salvação”.2.13-19). “meu cântico” (isto é. aparece na Bíblia mais associada a Arão do que a Moisés.11. “homem de guerra” e “Senhor”. libertando -o e derrotando aqueles que oprimiam e perseguiam o povo de Deus. está querendo dizer que ela cantava as palavras 56 . Esse cântico pode ser dividido em três partes. M iriã. num m omento de grande alegria pelo que Deus fizera.3. mas todos os dias Deus está agindo em nosso favor. onde vemos Deus como o Herói do seu povo (Ex 15. Nessa passagem. Provavelmente. quer per­ cebamos.

Lembre-se: “To­ das as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. vai dar tudo certo. ARA). na melhor das hipóteses. p. Deus. 174. George Herbert. v.. Comentário Bíblico Beacon. só poderia ser percorrido em pouco mais de uma semana. no final.6 O utro detalhe aqui é que vemos a profecia relacionada com a adoração.A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o do seu refrão “como resposta a cada uma das partes do Cântico de Moisés”. Não pelo caminho mais curto. até. que 1](w atendem os. nos leva1 fl 'caminJws mais longos'. Rio de Janeiro: CPAD.. E EleE o Ele jaz o pornão entendemos. faz por| que quer nos quer levar nos a experiências I 1 que levar a experiências jI extraordinárias extraordináriascom comEle. muitas vezes. 57 . se é Ele mesmo quem está conduzindo você. que não entendemos.. Porém. muitas vezes. Seja qual for o caminho pelo qual Deus o está í I r " " " li— 1 — — i 1— ------ 1 -------—. sobre o qual já falamos (do norte do Egito ao sul de Canaã). nos leva "Deus. então con­ fie. 2005. creia e espere.1 . 1. daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8. o que é com um também em outras partes do A nti­ go Testamento. com muitas mulheres e crianças entre elas." v ^ J V _____________ _ _ ______ ~~V' * levando hoje. nos leva a “caminhos mais longos . no máximo. Na Direção de Deus Após essa experiência extraordinária. E Ele o faz porque quer nos levar a experiências extraordinárias com Ele. . em duas semanas. como aponta Matthew Henry.28. —^ J J V eus. tinha aproximadamente 320 quilômetros de extensão — um percurso que poderia ser percorrido. que a 'caminhos mais longos'. o povo prosseguiu sua peregri­ nação rumo à Terra Prometida. de quatro a cinco dias por uma única pessoa. O caminho mais curto.” Ele. com o nos Salmos e no registro de 1 Crônicas 2 5 . 6 LIVINGSTON. como se tratava de uma multidão de cerca de 2 milhões de pessoas. muitas vezes.. porque. e sim pelo mais longo.

Rio de Janeiro: CPAD. Desta feita. Apesar do grande milagre que experimentaram três dias antes. “crucificarmos 0 eu e entronizarmos Cristo somente (E f 4 . onde.3 1 . v. e após esses três dias de peregrinação. O u.' Às vezes. 2 LIV IN G STO N . águas impróprias e impotáveis. então. teve início (Ex 15. que não podiam ser bebidas (Êx 15. encontram apenas águas amargas em Mara. 175.3 2 )”. passaram primeiro pelo Deserto de Sur. os israelitas estavam sedentos e exauridos pelo intenso calor do deserto.22). sua fé era provada mais uma vez. 1. George Herbert. 1. não encontraram água para beber (Ex 15. Nesse percurso. Estimulados por milagres ou não. George Herbert. após três dias de caminhada.24). A murmuração.25). milagres não são su­ ficientes. Isso nos mostra que “grandes experiências com Deus não curam ne­ cessariamente o coração duro e queixoso”. p. 2005. C om entário Bíblico Beacon. C om entário Bíblico Beacon. v. são necessários um arrepen­ dimento e um quebrantamento sinceros> seguidos de uma submissão total a Deus. como afirma o N ovo Testam ento. ao longo do chamado Gol­ fo de Suez. Rio de Janeiro: CPAD.6 A Per D e g r in a ç ã o de eserto até o Silas Daniel Is r a e l Sin a i n o A primeira jornada dos israelitas após a abertura do Mar Ver­ melho levou-os em direção ao sul. 175- . p.2 1 LIVENGSTON. 2005.

e como “O Senhor que te sara”. teu Deus. e ali os provou.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t f . 59 .25a). Deus nos ensina no deserto a obediência.. que pus sobre o Egito. Ou seja. O lenho nas águas.. porque Eu sou o Senhor.25b. Ele quer sarar as nossas enfermidades! Ele cura física e espiritualmente. Portanto. a amargura e a descrença pelas quais eventualmente seremos tentados em nossa peregrinação nos desertos desta vida. 5. e é ali também que Ele promete e manifesta a sua bênção sobre a nossa vida. se formos fiéis a Ele em meio às provações. Águas amargas levaram o povo à amargura. 3. Deus quer se revelar de forma nova e poderosa. ne­ nhuma das enfermidades porei sobre ti. pelo menos. e guardares todos os seus estatutos. A experiência foi sucedida por uma admoestação e promessa: “. 2. o S in a i Lições do Milagre de Mara Diante da murmuração do povo. as águas de Mara simbolizam a murmuração. o que ocorre imediatamente (Êx 15. purificando-as. e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos. a cruz de Jesus. simboliza o madeiro. que nos resgata das águas amargas para águas purificadas. No deserto.26). Logo. que te sara” (Êx 15. E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor. sete: 1. grandes experiências com Deus podem ser imediatamente sucedidas por novas provas de fé. Esse episódio ocorreu havia apenas três dias da grandiosa experiência da abertura do Mar Vermelho. Aleluia! Nas nossas provações. 4. As lições desse episódio são. o Senhor se revela mais uma vez. e fizeres o que é reto diante de seus olhos. Moisés clama a Deus e Ele lhe mostra uma árvore cujo lenho deveria ser jogado nas águas para a sua purificação. ali lhes deu estatutos e uma ordenação.

Isto é. Rio de Janeiro: CPA D. Harrison. que estava logo adiante. Esse espaço estéril proveu o lugar perfeito para Deus testar e for­ mar o caráter do seu povo”. no qual só havia areia e pedra. R. fala de provisão plena de Deus. inclinado ao erro. v. 2 0 1 0 . 106. esse deserto ficava entre Elim e o Sinai. Comentário Bíblico Beacon. descrença e murmuração. e foi onde os israelitas vivenciaram pela primeira vez o milagre do maná e onde se maravilharam com o milagre das codornizes (Êx 16. Se não. uma região arenosa que se estende abaixo de Jebel etTih na região sudoeste da Península do Sinai. 2 0 0 5 . 2 0 0 3 . logo estaria festejando em Elim. “este local é hoje identificado como Debbet er-Ramleh. Ou seja. Rio de Janeiro: CPAD. George Herbert. p. Rio de Janeiro: CPAD. Político e Cultural. vejamos: eram doze fontes para doze tribos. K. 4 H A R R ISO N . situado aos pés do planalto do Sinai.3 7. 3 L IV IN G ST O N . as águas de Elim simbolizam a provisão plena de Deus para o seu povo. uma para cada tribo de Israel. havia sombra e água fresca. p.1).27). logo à frente. como mencionamos de passagem no tópico anterior.1-21). A pouca paciência de muitos crentes embota o fio aguçado da vitória alegre quando esta ocorre» . Enquanto as águas de Mara sim­ bolizam amargura. Elim. K. A analogia aqui é clara: as águas de Mara se con­ trapõem às fontes de Elim. “o Deserto de Sim era um ambiente vasto e hostil.5 que era muito instável. 131. 60 . 175. p. e ali se acamparam junto às águas” (Ex 15. ou seja. A grande lição aqui é que “tivesse Israel suportado a amargura das águas de Mara. embora tenha sido sugerida uma outra localização situada na planície costeira de El-Markhah”.U m a J o r n a d a de i í 6. Tempos do Antigo Testamento — Um Contexto Social. Ao seguirem para Elim. encontraram “doze fontes de água e setenta palmeiras. 5Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.4 Como destacam as notas da B íblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1. pelo Deserto de Sim (Ex 16. 132. o povo seguiu ainda mais ao sul. Segundo R. Mais Provisão no Deserto Após Elim.

teu Deus.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t é o S in a i J "Enquanto houver deserto. se mostrando obstinados em seus erros. Lembremo-nos de que o povo se dirigiu por esse caminho porque Deus. Isaque e Jacó. enfrentamos provações. Deus diz ao povo: Quando. Isaque e Jacó. não fales no teu coração. mas para o nosso próprio bem.4. os lançar fora [os cananeus]. o povo de Israel não era fácil. E era também porque Ele prometera aquela terra a Abraão. acabou durando muito tempo: quarenta anos. por causa da dureza do coração do povo. Enfim. não poucas vezes. burilá-los. desde a saída do povo do Egito. que ficava ao norte (Ex 13. di­ zendo: Por causa da minha justiça é que o Senhor me trouxe a esta terra para a possuir. a Isaque e a Jacó visando ao seu plano salvífico para a humanidade por meio de Cristo. mas. de diante de ti. é que o Senhor as lança fora. prová-los. de diante de ti. mas porque os moradores dessa terra eram muito ím­ pios. 0 m aná só pára quando adentrarmos a Terra Prometida. jurou a teus pais. Abraão. Esse processo. porque “todas as coisas contribuem juntamente para o 61 . Não é por causa da tua justiça. de diante de ti. e Deus queria usar Israel para julgá-los. e queria tratá-los. teu Deus. Em Deuteronômio 9. não é porque os israelitas eram justos que iriam entrar na terra de Canaã.17). o Senhor. não vai faltar < I maná. O u seja. aperfeiçoá-los por meio das provações no deserto para que pudessem ter forjado o caráter que Deus desejava para ele como seu povo." V com mentalidade ainda do tempo de escravos do Egito e. Isso significa que mesmo quando seguimos o caminho que Deus estabelece para a nossa vida. mas Deus amava os descen­ dentes de Abraão. expressamente determinou que não seguissem “o caminho dos filisteus”. porque. o Senhor. as lança fora.5. pois. e pra confirmar a palavra que o Senhor. nem pela reti­ dão do teu coração que entras a possuir a sua terra. Foi Deus quem os guiou ao deserto. teu Deus. pela impiedade destas nações. pela impiedade destas nações [os cananeus].

protegendo-nos e en­ viando-nos o maná diário. com seus dois netos para o genro. chegando ao pé do monte Sinai (Êx 19. no dia seguinte. 62 . O maná representava Cristo.28).20). Além disso. após três meses da saída do povo do Egito. deu conselhos importantes a Moisés (Êx 18.31). isto é. porque. o maná estocado apodrecia (Ex 16. os israelitas vivenciaram o milagre da água que saiu da rocha e batalharam contra os amalequitas (Ex 17. daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8. Diz o texto bíblico que “comeram os filhos de Israel maná quarenta anos.2).116). O Povo Chega ao M onte Sinai Finalmente.51).1. Ele era “branco”. E preciso buscar a Deus todos os dias da semana para podermos enfrentar as tentações e adversidades diárias que nos sobrevenham durante toda a semana. por outro lado. onde o povo ficaria por cerca de um ano. e congratulou-se com ele pelo que o Senhor tinha feito. esposa de Moisés. Isso nos fala da necessidade que temos de todos os dias nos abastecer­ mos na presença de Deus. Ainda mais ao sul.19.4).U m a J o r n a d a de fé bem daqueles que amam a Deus. até que entraram em terra habitada.1-12).35). suprindo cotidianamente as nossas necessidades.13-27). Ou seja. Chovia “pão dos céus” todos os dias para alimentar o povo (Ex 16. comeram maná até que chegaram aos termos da terra de Canaã” (Êx 16. tirando o povo de Israel do Egito (Êx 18. já em Refidim. “como semente de coentro” e “o seu sabor era como bolos de mel” (Ex 16. Jetro. também significa que Deus estará conosco em todos os momentos difíceis. o acampa­ mento israelita se moveu mais uma vez. Um detalhe interessante é que não adiantava fazer esto­ que de maná. não vai faltar maná! O maná só pára quando adentrarmos a Terra Prometida. que é o “pão vivo que desceu do céu” (Jo 6. Era preciso todo dia sair ao arraial para pegar maná fresco. trouxe final­ mente a sua filha. enquanto houver deserto. sob a inspiração divina. Foi após essa batalha que o sogro de Moisés. Não basta buscar a Deus um único dia para valer por uma semana. Jetro. mas. O maná era como pequenos flocos que amanheciam todas as ma­ nhãs caídos ao chão do arraial dos hebreus.

7) como um dos maiores exem­ plos de apostasia da história. Ora.1). Moisés estava materializando as consequências práticas do pecado do povo: estavam agindo como indignos do Concerto que Deus estava fazendo com eles. só então.20-22). enquanto Deus estava dando os Dez Mandamentos para o povo de Israel no alto do monte Sinai. pressionar Arão di­ zendo: “Faze-nos deuses!” (Êx 32. a ponto de alguns dias longe do seu líder Moisés serem o suficiente para que voltassem ao velho hábito. E por falar em rebeldia.Sin a i O Sinai é um lugar especial. fazendo com que Deus os tratasse com mão firme no deserto. O hábito da idolatria que haviam aprendido no Egito ainda era muito forte entre os israelitas. É impressionante ouvir o povo. porque foi ali que Deus se revelou a Moisés tremendamente. é o que envolve a criação do bezerro de ouro. o episódio mais marcante e emblemático da transgressão israelita em sua peregrinação no deserto. ao pé do monte. 63 . A Bíblia diz que Deus esperou que toda aquela geração rebelde passasse para.19) a ponto de ele quebrar as Tábuas da Lei. como a porca lavada que volta para o lamaçal (2 Pe 2. ao quebrar as Tábuas. estava. dando os Dez Mandamentos e todas as leis que haveriam de guiar o povo de Israel dali para frente. esse mes­ mo povo. e que seria lem­ brado no Novo Testamento (1 Co 10. sua ira se acendeu (Ex 32. na prática. quebrando todos os man­ damentos do Decálogo.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t é o .14). Portanto. podemos dizer dos israelitas aqui: eles estavam agindo como cães que voltavam para o seu próprio vômito. O Bezerro de Ouro Quando Moisés chegou ao arraial e constatou pessoalmente o pe­ cado do povo de Israel. Israel pudesse entrar na terra de Canaã (D t 2. depois de tudo que viram Deus fazer pela instrumentalidade de seu servo Moisés. A distância do Sinai para a terra de Canaã era de 500 quilômetros e poderia ter sido percorrida por um período curto de tempo. porém acabou durando 38 anos. justamente porque o povo se portou de forma rebelde. E é sobre ele que falaremos a seguir. Como Pedro diria daqueles que abandonam Cristo para voltarem aos velhos pecados.

a continuidade da promessa dada a Abraão.11-14. isso acontece: muita gente que pensa estar se aproximando de Deus está. o “bezerro de ouro” do evangelho da autoajuda. do liberalismo. mas com uma caricatura do divino.30-35. vldaS/ enfrentaremos enfrentaremos nossas provações. apesar de serem tratados como se fossem representações fidedignas do verdadeiro Deus. do teísmo aberto. por exemplo. Que Deus nos livre dessas versões deturpadas dEle! Conheçamos e prossigamos em conhecer o Deus da Bíblia (Os 6. uma fantasia cons­ truída pela sua própria imaginação. Sua relação não é com o Deus vivo e verdadeiro. construídos por aí e que nada têm a ver com o Deus da Bíblia. "Mesmo 'Mesmo quando quando stgu[mos seguimos 0 o cammho caminho que que /)eus tsia jjc[ece j)ara as I)eus estabelece para as n0SSflS vidas. Entretanto.4). 33-1-5. uma concepção equivocada de quem é Deus. quebrantamento. pois somente assim poderemos ter um relacionamento saudável e realmente edificante com o Senhor. do ecumenismo. Há muitos “bezerros de ouro”.25). uma vez que 64 . < humildade e conclamava à santidade. mas estavam atribuindo-o a esse deus criado por sua imaginação e representado por aquele bezerro de ouro (Êx 32." j povo e estabelecer. etc. a partir de Moisés. Deus propôs destruir todo o ^ 'v" ç ____________yy_.1217). uma mera su­ gestão mental. Ainda hoje. mas para o nosso próprio b em " próprio bem. há muita falsa teologia popularizada por aí. o juízo de Deus não deixou de ser exercido. no capítulo 9. Isaque e Jacó (Êx 32..3). se relacionando com uma imagem que criou dEle. mas despido de respaldo bíblico (o que acontece na maioria dos casos). enquanto o verdadeiro culto a Deus instituído por Moisés evocava arrependimento. Perceba que.6.10). atra­ ente. como destacaremos mais à frente. Essa concepção pode ter advindo absolutamente de sua própria cabeça (“achismo”) ou ter sido importada de algum discurso bonito. da teolo­ gia da prosperidade. da teologia da libertação.U m a J o r n a d a de té Perceba que o povo não estava negando os milagres que haviam acon­ tecido. na verdade. em vez do Deus da Bíblia. por assim dizer. mas o líder israelita intercedeu pelo povo para que Deus não tomasse essa medida (Êx 32. Há. Afinal de contas. o culto apóstata levava o povo à licenciosidade (Êx 32.

Qual foi a última vez que você gastou tempo com Deus em oração? Qual foi a última vez que abriu a Bíblia para estudá-la ou para lê-la devocionalmente para a sua edificação espiritual? Qual foi a última vez que 65 . mas está se tornando cada vez mais comum evangélicos que desenvolvem verdadeiros comportamentos idolátricos em relação a pessoas e coisas que.3). o primeiro mandamento de Deus no Sinai. não devem receber a nossa adoração. porque consiste em dar glória e veneração a algo ou alguém que não seja o pró­ prio Deus. segue o alerta: cuidado para que o mero gostar e admirar não dê lugar à adoração por pessoas e coisas. Idolatria não é só se prostrar diante de um ídolo de pedra. O Pecado da Idolatria Curiosamente. entrando na Terra Prometida apenas os filhos dela e. Coisas ou pessoas também podem se tornar ídolos em nossa vida. Logo. apenas Josué e Calebe. em 1 João 5. Amém!”.28) e toda aquela geração acabou morrendo no deserto. Uma coisa é gostar. obviamente. todo louvor e toda adoração. A idolatria a coisas também. Entretanto.21.18-21). idolatrar. este é um dos pecados mais praticados e mais ignorados em nossos dias no meio evangélico. E triste dizer. Deus conhecia o coração do povo e sabia o quanto era propen­ so à idolatria. citando como exemplo negativo justamente o pecado do povo de Israel no deserto (1 Co 10. guardai-vos dos ídolos. barro ou metal. que se mantiveram fiéis a Deus. Não só a idolatria a pessoas tem feito muitos males na vida de muitos crentes. apesar de tão claro. contra o pecado da idolatria: “Filhinhos. E o apóstolo Pau­ lo adverte o mesmo à igreja em Corinto. toda glória. admirar e respeitar. foi: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20. depois de anos vivendo no idólatra Egito.Sin a i três mil rebeldes idólatras foram punidos imediatamente com a morte (Êx 32. quando começam a ganhar em nosso coração um lugar que não deveriam ter.14. da antiga geração. As Sagradas Escrituras nos advertem. A idolatria é um dos pecados mais terríveis listados na Bíblia. outra bastante diferente é “endeusar”. o único que é digno de toda honra.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t é o . a primeira ordenança do Decálogo.

”. es­ pírito de competição dentro da igreja. Ora. Apenas Deus deve ser o Senhor soberano de sua vida.. arrogância. O profeta Samuel falou também sobre outro tipo de idolatria su­ til no meio dos crentes. Ele também te rejeitou a ti. segundo o Dicio­ nário Aurélio da Língua Portuguesa. Avareza é apego às coisas materiais.. Disse ele. mas acaba. Apenas Deus deve ser o Senhor soberano vida. tem o seu coração cheio de altares. Não se engane: há muita gente que começa bem.. 66 f í I < " " ^ ...23: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria.. Paulo se refere ao “apetite desordenado”. afirma Samuel é pecado de idolatria. mas possui um coração idólatra. e chama a “avareza” ciaramente de “idolatria”. que é idolatria”. a vil concu­ piscência e a avareza.. infelizmente...” de sua vida. O cristão não deve ser dominado ou escravizado por nada. contenda. disputa entre irmãos.a m rr ■’.. no templo de Deus. os vossos membros que estáo sobre a terra: a prostituição. ao apetite desordenado. repleto de “deuses”. É gente que afirma que serve a um único Deus. esta­ mos de cabeça para baixo espiritualmente.. Você já parou para pensar nisso? Paulo afirma que uma das características do Anticristo." . a impureza. teimosia.. querendo parecer Deus” (2 Ts 2. J 1 . pois. Estamos longe de Deus. quando também não adora a si mesmo. perdendo a visão espi­ ritual e. “insistir”. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Se­ nhor. e que é pró­ pria do espírito do Anticristo..4). o que significa a palavra “porfiar”? Ela quer dizer. ou “afeição desordenada”.. . conforme registrado em 1 Samuel 15. e o porfiar é como iniquidade e idolatria.5: “Mortificai. Quando valorizamos mais os bens materiais do que o espiritual.v . “competir” e “disputar”. tudo isso. insubordinação. “discutir com calor”.' " I I j ——. por isso. “teimar”.\ “0 "0 cristão cristão não não deve deve ser ser | I > dominado dominadoou ouescravizado escravizado por nada. Ou seja. é se levantar “contra tudo o que se chama Deus ou se adora” e querer “se [assentar] como Deus.U m a J o r n a d a de fé você evangelizou alguém? Qual foi a última vez que dedicou tempo para ajudar as pessoas? Será que a maior parte do seu dia é dedicada a coisas que realmente valem a pena ou só a futilidades? O apóstolo Paulo afirma em Colossenses 3.

trabalhar. comemorar datas festivas e. Os Propósitos da Lei Quando Deus libertou Israel do Egito. Eles receberiam essa terra por uma obra da graça de Deus. e. como são co­ nhecidos. Eles não seriam pessoas sem regras. a fim de que os israelitas pautassem sua existência pelo que Deus queria. eles deveriam ter uma lei que organizasse a vida. Essa lei foi dada por Deus. foram dados ao povo de Israel pelo Senhor. Neste capítulo analisaremos a importância do Decálogo para o povo de Israel e os princípios que Deus espera que sigamos em sua lei. acima de tudo. sem rumo. Mas antes de chegar nessa nova terra. Deus os enviou para uma terra abençoada.7 Os D e z M a n d a m e n to s Alexandre Coelho U m dos temas mais conhecidos do mundo é sem dúvida a lei de Moisés. os Dez Mandamentos. teriam seu espaço para viver. eles precisavam entender que deveriam ter regras específicas de convivência com Deus. que daria seus frutos nas estações certas e tornaria a vida dos israelitas muito agradável. com seu pró­ ximo e consigo mesmos. mais especificamente. . Por isso. Os Dez Mandamentos. não os deixou vagando inde­ finidamente. adorar a Deus. Nela eles seriam uma nação regida pelo próprio Deus. que pode­ riam fazer o que quisessem sem prestar contas de suas atitudes.

ou seja. A lei mostra ainda a santidade de Deus. e eles são expostos na regra “não furtarás”. “Pela lei vem o conheci­ mento do pecado” (Rm 3. é preciso fazer aqui uma observação: princí­ pios e regras devem ser analisados em nosso estudo. Esses princípios são expostos em regras. Portanto. Deus é santo. A lei mostra que o padrão de Deus para uma vida justa deve ser buscado pelo homem. porém. Ela não os cria. Ela não faz do homem um pecador. quan­ do Deus desejou proteger o fruto do trabalho dos israelitas. Os princípios desse mandamento são a proteção da propriedade e a valorização do trabalho. Ou seja. Com o passar do tempo. fosse devidamente conhecida. ou seja. mas mostra o quanto ele é inclinado a deso­ bedecer às regras e princípios que Deus determinou. o conhecimento pleno dele. a lei para que a ofensa abun­ dasse”.20: “Veio. Princípios são ordenações gerais que têm por objetivo regular determinadas situações. inicialmente: Providenciar um padrão de justiça que pudesse ser alcança­ do.U ma J o r n a d a de fé Objetivos Divinos Os objetivos de Deus com a Lei foram. “Mas eu não conheci o pecado senão pela lei” (Rm 7. Paulo comenta isso em Romanos 5. mas os denuncia. Quando pensamos que Deus deu sua lei ao povo de Israel.12). isto é. Rm 7. Entretanto. a quem Deus enviou ao mundo.7). percebeu-se que essa busca pela justiça não poderia ser alcançada sem a ajuda de um Salvador. na base.8. mas os princípios não (D t 4. podemos pensar que a abrangência dessa lei refere-se apenas aos judeus. Apenas por Ele podemos nos . or­ denou que não se furtasse.20). Regras podem variar com o passar do tempo. e as regras. e não pode tolerar o pecado. com o local e o povo. os princípios estão no topo. seu Filho Jesus Cristo. A lei de Deus também mostra o pecado do homem. Paulo deixa claro que a lei traz o conhecimento de nossos pecados.

pas­ semos a ver os mandamentos dados por Deus. e caso um deles tivesse abri­ gado algum desses tipos de culto em seu coração.3) Deus começa o Decálogo deixando claro aos israelitas que Ele é o Se­ nhor que os tirou da terra do Egito. Sua exclusividade se baseava também no fato de que Ele demonstrou misericórdia para com os descendentes de Abraão. inclusive no quesito adoração. 0 primeiro mandamento Não terás outros deuses diante de mim. Os Dez M andam entos Tendo iniciado mostrando a diferença entre princípios e regras. mas deixa explícito que os israelitas. começando por tê-lo como seu único Deus. pois os israelitas deveriam ter um coração agradecido a Deus pelo que Ele lhes fizera. e prometendo-lhes também uma terra para que pudessem viver em segurança e sem serem molestados por seus inimigos. livres. Nenhum outro “deus” deveria ser aceito pelos israelitas. Nem anjos nem 69 . isso poderia contami­ nar a adoração a Deus e a relação com Ele. Nenhum dos deuses do Egito pôde livrar aquela nação dos juízos divinos que Deus enviara.O s D ez M a n d a m e n to s aproximar da santidade de Deus e buscá-la para um viver santo neste mundo decaído. A lei que Ele lhes dava orientaria os passos de todo o povo em todos os aspectos. Essa ordem era mais que justa. A exclusividade de Jeová como Deus em Israel baseava-se primeira­ mente em sua superioridade como Deus poderoso. não poderiam ter outros deuses. Os israelitas certamente tiveram contato com cultos às divindades egípcias no período em que foram escravos. mas apenas o Senhor foi responsável por tirar seus filhos da escravidão. Isso deveria fazer com que os israelitas se lembrassem de que tinham sido escravos no Egito. Por isso. e que nenhuma das chamadas “divindades” do Egito ou das terras vizinhas se compadeceu de­ les. (Êx 20. Deus não apenas diz que a iniciativa de libertá-los do Egito fora dEle. tirando-os da escra­ vidão.

nem nas águas debaixo da terra. e nenhuma dessas formas poderia jamais representar Deus. 0 segundo mandamento Não farás para ti imagem de escultura. com isso. Há formas de cria­ turas nos céus (anjos). seres humanos) e nas águas (peixes e baleias). se aquenta e coze o pão. pode parecer estranho uma pessoa se curvar diante de uma imagem de es­ cultura como se elas fossem realmente um deus. fabrica uma imagem de escultura e ajoelha diante dela. Metade queima. O profeta Isaías. com a outra metade come carne. descreve o que seus contemporâ­ neos faziam no tocante à criação de imagens de escultura: Então. Não te encurvarás a elas nem as servirás. Isso foi necessário porque Deus não tinha o objetivo de ser representado por qualquer forma conhecida pelos israelitas. (Ex 20. pois reduz a sua glória eterna àquilo que é mortal. na terra (animais. pois são igualmente seres criados. nem em baixo na terra.5) Esse mandamento traz outra informação importante: os israelitas não poderiam fazer imagens de esculturas nem se curvar diante delas. porque eu. muito menos servi-las. teu Deus. sou Deus zeloso. Tentar reduzir Deus a uma figura conhecida era o mesmo que reduzir sua glória. mas foi isso que os israelitas fizeram quando chegaram à Terra Prometida. nem alguma semelhança do que há em cima nos céus. também faz um deus e se prostra diante dele. usado por Deus. O Deus Criador não pode ser confundido com sua criação. Para os que conhecem a Palavra de Deus. (Ex 20. e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos. que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem. Atribuir uma forma de qualquer ser a Deus foi considerado uma quebra de mandamento. servirão ao hom em para queimar. o Senhor.U m a J o r n a d a de fé homens deveriam receber a adoração que estava reservada apenas para Deus.4) Deus apresenta o segundo mandamento: não fazer imagens de es­ cultura. assa-a 70 .

12). (Is 4 4 . já vi o fogo. e a sua vara lhe responde. é o nome que cada um tem. em vão. 0 terceiro mandamento Não tomarás o nome do Senhor. nem entendem. como se não representasse o Deus que os tirou da escravidão. e eles se corrom­ pem. para que não vejam. Deus adverte neste mandamento que julga a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração. Seu nome não poderia ser utilizado de forma indevi­ da. porquanto tu és o meu deus. Nossos documentos co­ meçam identificando o nosso nome. Então. guar­ dai-vos dos ídolos” (1 Jo 5. aos que amam ao Senhor e guardam seus manda­ mentos veem sua misericórdia de forma infinita. também se aquenta e diz: Ora. de forma individual. e o coração. porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. Entretanto.1 5 -1 8 ) Oseias. também tratou desse assunto quando mostrou o que o seu povo fazia: “O meu povo consulta a sua madeira. Em dias como os nossos. em que a humanidade faz seus próprios deuses. Deus conde­ na os ídolos porque eles desejam ocupar o espaço dEle em nosso cora­ ção. o segundo mandamento é atual e necessário para que possamos conduzir pessoas a Deus e manter-nos focados no serviço ao próprio Senhor. e lhe dirige a sua oração. Deus não deixou de observar que o nome dEle deveria ser reveren­ ciado e honrado. (Êx 20. para que não entendam. e se inclina. uma imagem de escultura. do resto faz um deus. o profeta. Lembremo-nos do que disse o apóstolo João: “Filhinhos.7) O que identifica cada pessoa. porque se lhe untaram os olhos. Nada sabem. Essa informação pode significar que Deus pode julgar a idolatria de algumas pessoas nos seus descen­ dentes. teu Deus. e diz: Livra-me.21). apartando-se da sujeição do seu Deus” (Os 4. A idolatria é um problema muito sério para o homem. mas a nossa distinção começa pelo nome que recebemos. 71 . não deveria ser usado de forma leviana. Podemos ser parecidos com outras pessoas. ajoelha-se diante dela. já me aquentei. e este traz muito de nosso caráter e reputação. porque o espírito de luxúria os engana.O s D ez M a n d a m e n t o s e farta-se.

abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou. deveria ser um dia santo. mas o sétimo dia é o sábado do Senhor. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. pois profanaríeis o nome do vosso Deus. O sábado. nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. nem a tua serva. que em hebraico significa “cessar. (Ex 20. trabalhando sem 72 . o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou. Ele seguiu com o “santificado seja o teu nome”. nem o teu filho. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra.12) O preceito aqui é que Deus deseja que seu nome seja respeitado. desta vez referente ao tra­ balho. O nome do Senhor é desonrado quando o utilizamos para con­ cretizar negócios que não temos a pretensão de honrar. após pronunciar a frase “Pai nosso que estás no céu”. interromper”. mas no sétimo dia. deveriam descansar. nem o teu servo. nem a tua filha. ou juramos falsamente. não sendo alvo de blasfêmias nem do nosso mau comportamento. para os judeus. Quando se referia ao pai. A ordem era para o chefe de família. 0 quarto mandamento Lembra-te do dia do sábado.8 -1 0 ) O dia do sábado é apresentado na Bíblia como um dia reservado à adoração a Deus e ao descanso. (Lv 19. fazia-o com respeito e temor. mas extensiva a todos que estivessem na casa. nem o teu animal. para o santificar. portanto. O homem não pode ser escravo do trabalho. Deus mostra nesse mandamento que os israelitas poderiam trabalhar o quanto quisessem nos seis primeiros dias da semana. não farás nenhuma obra. nem tu. O nome do Senhor é desonrado quando o utilizamos em brincadeiras e piadas. como se Ele fosse responsável por nossos atos. inclusive o estrangeiro. Jesus mesmo santificou o nome do Pai. Esse mandamento nos traz outra lição. O termo sábado vem de shabbath. O nome do Senhor é desonrado quando nossas vidas não correspondem com a fé que alegamos ter.U m a J o r n a d a de fé O nome de Deus é tão santo que quando Jesus ensinou seus discípulos a orar. não o tomando de forma irresponsável nem desrespeitosa. teu Deus. nem jurareis falso pelo meu nome. Eu sou o Senhor.

O s D ez M a n d a m e n to s descansar ou sem reservar um espaço de sua vida produtiva a servir a Deus. O Senhor honra o trabalho. havia outros seis dias para que Deus curasse as pessoas. No sábado Jesus ensinava. 73 . para honrar o dia da ressur­ reição do Senhor. A guarda do sábado. permitia que seus discípulos pegassem espigas nos campos para comerem. Aqui. todos os seus adversários fica­ ram envergonhados. Nesse momento. tornou-se um dos man­ damentos mais citados nos Evangelhos. a qual há dezoito anos Satanás mantinha presa? E. no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a beber água? E não convinha soltar desta prisão. porém. curava pessoas enfermas. esta filha de Abraão. Aquele homem deveria estar grato por presenciar uma cura diante de seus olhos. Jesus não esperou para dar ao homem e a nós uma grande lição: Respondeu-lhe. que por sinal. o Senhor e disse: Hipócrita. no dia de sábado. que andava encurvada. dia em que lá havia uma mulher com um espírito de enfermidade há 18 anos. dizendo ele isso. guardamos o dia do domingo. E aqui cabe uma palavra. como a Igreja Primitiva o fazia. Jesus a chamou. pelo fato de que os judeus mais radicais acusavam Jesus de não cumpri-lo. Como cristãos. (Lc 13. o princípio do descanso também é respeitado. temos por hábito nos reunirmos em nossas igrejas para adorar ao Senhor e passar um tempo a mais com nossos familiares. é um mandamento dEle também. restaurou-lhe a posição correta e a mulher começou a glorificar a Deus.15-17) Lembre-se de que o dia é santificado quando eu o guardo para o Senhor. e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele.10-17 traz o relato de Jesus ensi­ nando numa sinagoga no sábado. o chefe da sinagoga reclamou com os presentes que não trouxessem pessoas para serem curadas no sábado. mas honra também o descanso. curou-a. pois além de não trabalharmos. Na mente daquele líder. mas preferiu lembrar aos que o ouviam que havia outros dias para trazerem enfermos ao local do culto. Lucas 13. no Novo Testamento.

ajudam a tomar conta deles na terceira idade e quando ouvem seus pais para a tomada de decisões para a vida. vestimentas e um nome. Em nossas leis.U m a J o r n a d a de fé O quinto mandamento Honra a teu pai e a tua mãe. Como cristãos. deram educaçáo. e Ele ordenou que os filhos honrassem seus pais. como a legítima defesa e a morte acidental. O sexto mandamento Não matarás. observando-se os casos em que eram aplicados na cultura judaica.13) Este mandamento refere-se ao respeito pela vida. (Êx 20. mas cada caso deve ser analisado realmente como exceção. há filhos que náo seguem esse mandamento. Esta é dom de Deus. e não pode ser retirada por outros homens. (Êx 20. (Êx 20. quer por motivos fúteis. a his­ tória da humanidade apresenta um número imenso de pessoas que as­ sassinaram outras. matar uma pessoa é crime tanto quanto o era no Antigo Testamento. Tais pessoas prestarão contas a Deus por seus atos. Infelizmente.12) As relações familiares náo foram esquecidas por Deus. alimento. não podemos deixar de defender a vida humana em todos os seus aspectos. A cultura judaica previa exceções apresentadas na Bíblia Sagrada. teu Deus. Lembremo-nos de que esse é o primeiro man­ damento com promessa. quando honramos nossos pais. Isso pode ser feito quando os filhos obedecem a seus pais. que mostra a extensão de vida dos que honram seus genitores. Estáo desrespeitando o quinto mandamento e não terão uma vida abençoada por Deus. desobede­ cendo àqueles que os criaram. Deus deixa claro que aprendemos a usar a honra dentro de nossa própria casa. quer por motivos políticos.14) 74 . e não como uma regra. e cremos que são atos de covardia e assassinato o aborto e a eutanásia. te dá. para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor. O sétimo mandamento Não adulterarás. Infelizmente.

Por isso. pois isso é também é uma forma de furto. o sétimo mandamento traz um princípio que reflete a proteção à família e à fidelidade entre os côn­ juges. e isso se aplica a todos os demais pecados na esfera sexual. e o roubo. (Ex 20. Há perdão para os adúlteros? Sim. principal­ mente os pecaminosos. Deus ordenou que tivéssemos duas atitudes: não mentir nem falar falsamente das pessoas que nos estão 75 . é preciso ter uma vida sexual saudável com nossos cônjuges. como o fim do casamento e a ruptura dos laços familiares. O furto é a retirada furtiva dos bens de uma pessoa. Ele está deixando claro que somos responsáveis por controlar nossos desejos. Em ambos os casos. O nono mandamento Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. mas desejar sexual­ mente uma pessoa que não o cônjuge é o começo do adultério. e não no ato da conjunção carnal apenas. Para que estejamos livres desse pecado. Quando Deus diz que não se pode adulterar. tem o emprego da intimidação ou da violência. Ele espera que a propriedade seja preservada de ataques. Não podemos tirar vantagens de outras pessoas. geralmente. permitida por Deus e debaixo da sua bênção. mas lem­ bremo-nos de que o adultério traz consequências que podem perdurar pelo tempo.15) Deus abençoa uma vida produtiva de trabalho. buscando a pureza sexual dentro do casamento. Jesus deixou claro que o adultério começa no coração da pessoa. tanto quanto há perdão para os demais pecados (exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo). Deus condena os bens adquiridos por meios ilícitos. O desejo sexual dentro do casamento é licito.O s D ez M a n d a m e n to s Muito conhecido em todas as épocas. Se desejamos ter bens. que sejam adquiridos de forma lícita. 0 oitavo mandamento Não furtarás. e abençoa os bens trazidos para casa de forma justa.16) Por meio deste mandamento. (Êx 20. e para isso proíbe o furto e o roubo.

U m a J o r n a d a de fé

próximas. Esse mandamento afeta diretamente os hábitos de pessoas que não controlam o que falam, que falam sem pensar e, pior, pessoas que sempre caluniam seu próximo. Caluniar é atribuir falsamente a outra pessoa a prática de um ato que a lei considera crime. Se Roberto diz que Mário roubou um carro, sem que Mário o tenha feito, Roberto está caluniando Mário. Injuriar é atribuir a outra pessoa fato que pode ofender sua reputação. Se Ricardo diz que Jorge foi à igreja bêbado, sem que isso tenha ocorrido, está ofendendo sua moral e sua dignidade. Difamar é falar mal de outra pessoa a uma terceira ou mais pessoas, dando-lhes uma notícia que fira a moral ou a honra de quem se fala. Todas essas formas de falso testemunho são passíveis de condenação penal e são igualmente condenadas por Deus.

0 décimo mandamento
Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu pró­ ximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. (Ex 20 .1 7 )

A cobiça é uma das formas mais tristes de tratarmos aquilo que os outros têm. O cobiçoso sempre vai desejar aquilo que não possui e será consumido por esse tipo de sentimento, pois vai se achar sempre infe­ rior aos outros. Nunca estará contente com o que já possui. Este mandamento geralmente é citado em nossos dias como “não cobiçarás a mulher do teu próximo”, mas Deus também condena: Cobiçar a casa —a habitação da pessoa que me é próxima. \ cS" Cobiçar o servo e a serva —pessoas que trabalham para o meu próximo. Cobiçar o boi e o jumento —instrumentos de trabalho ou posse do meu próximo. Cobiçar coisa alguma —qualquer outra coisa que meu próximo possua.
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Os D e z

M a n d a m e n to s

O que Deus ordena abrange todas as coisas que o próximo possui. Não é meu dever cobiçar o que meu próximo tem, pois isso nos induz a querer retirar dele o que ele tem. A cobiça é o princípio de uma vida insatisfeita, que esquece o que já recebeu de Deus e fixa seu olhar na­ quilo que ainda não se tem. Esses mandamentos foram dados para serem seguidos. Ressalvandose as particularidades da cultura judaica, os princípios dos Dez Man­ damentos não foram revogados. Portanto, tenhamos cuidado em dar testemunho nesses quesitos.

77

8
A Lid
e r a n ç a de

M

o isé s e

seus

A

u x il ia r e s

Alexandre Coelho

K

’este capítulo abordaremos de forma breve o estilo de liderança de Moisés. Ele não foi apenas um homem usado por Deus para fazer com que o povo de Israel saísse do Egito. Foi também um

grande líder, que demonstrou ouvir sábios conselhos e colocá-los em

prática para o bem da obra do Senhor e pelo bem do povo.

O Trabalho do Senhor e os seus Obreiros
Despenseiro, e não dono
Uma das características essenciais à liderança na obra de Deus é sa­ ber que o líder é despenseiro ou administrador dos recursos e das pesso­ as, e não dono de todas essas coisas. Nenhum ministro é ordenado para pensar que a igreja que Deus depositou em suas mãos é dele. Quando escreveu sua carta à igreja em Éfeso, Paulo disse que ... ele mesmo [o Senhor] concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo. (E f4.11,12, ARA) Essa passagem fala que Deus escolheu algumas pessoas para deter­ minadas vocações no corpo de Cristo, com o objetivo de fazer com

Vendo certo dia que Moisés ia atender ao povo. tentando acalmar ânimos e motivar pessoas ao serviço cristão. e não igrejas a pastores. e que Ele vai cobrar a administração de seus ministros.A L i d e r a n ç a d e M o is é s e se u s A u x il ia r e s que os santos sejam aperfeiçoados no serviço cristão e para que o corpo de Cristo seja edificado. No estudo em questão. deve ser respeitado e ouvido. Moisés já havia saído do Egito com o povo de Israel quando recebeu a visita de seu sogro. e não o contrário. e isso faz parte da tarefa que lhes foi confiada. Ele tinha sabedoria? Certamente que sim. Eles precisam avaliar situações e tomar decisões. Deus deposita em nossas mãos o cuidado para com a sua Igreja. Este era um homem aparentemente mais velho e experiente em questões de liderança e administração do tempo. Ele era ungido do Senhor? Com certeza. veremos que o servo de Deus. Moisés. Como líder. percebeu que alguns procedimentos do libertador não eram os mais adequados àquela situação. precisou de ajuda em sua liderança para poder desempe­ nhar melhor o seu papel de líder e condutor do povo de Deus. tendem até mesmo a nos afastar da comunhão com Deus. a quem prestará contas por suas atitudes. podemos entendem que Deus deu pastores às igrejas. Ele estava atendendo todas as pessoas que lhe traziam questões. Falta de percepção do líder Um dos maiores perigos com que o líder se depara em seu dia a dia é o excesso de atividades. 79 . Há momentos em que a quantidade demasiada de afazeres nos impede de ver as coisas à nossa volta como elas são. consumindo o tempo delas e o seu próprio. Um dos desafios da liderança cristã é ter esse alvo em mente. E precisam ter também a habilidade de líder com pessoas de todos os tipos. não raro. além de provocar em Moisés o cansaço que o impediria de tomar decisões corretas. e. analisando o texto bíblico. que trazia demandas para que pudessem ser resolvidas. Os líderes têm diversas obrigações no dia a dia. Portanto. mas não deve se esquecer de que a obra é do Senhor. O pastor é um presente de Deus à congregação. Fazia suas atividades com boa vontade? Com certeza. e espera que nos lembremos de que a Igreja é dEle. Jetro. deve o ministro cuidar com zelo da obra do Senhor. Por isso.

Mas isso não ficou claro para Moisés no início da narrativa.19) O líder precisa de um tempo para se recompor. tu só não o podes fazer. O povo ficava em torno de Moisés e trazia a ele as questões relevantes sobre dificulda­ des que estavam enfrentando. Ele precisava delegar autoridade a outros homens para que. e não se esquecer de que precisa ter seus momentos com Deus e com sua própria família. um homem mais experiente e amadurecido nas questões relacionadas a gestão. Delegar autoridade para que outros nos ajudem a realizar o trabalho faz com que haja mais pessoas traba­ lhando para o mesmo Senhor. Muitos momentos em que o líder se sente desestimulado e cansado são originados na falta de descanso apropria­ do. Foi preciso que ele escutasse essas observações de seu sogro. implica tomada de decisões pre­ cipitadas e torna desgastantes as tarefas diárias. e Deus será contigo. e faz também com que tenhamos mais tempo para pensar em outras coisas importantes e treinar pessoas para o ministério. 80 . Essas atitudes fortalecem a pessoa do líder. Ele deve planejar seu dia. Isso não retiraria de Moisés sua autoridade. e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde” (Ex 18. da mesma forma que ele. atendessem ao povo e resolvessem conflitos comuns. mas o próprio povo se sentia cansado de esperar por uma solução da parte de Moisés. mas em tentar resolver as questões sem a ajuda de outras pessoas. Ouve agora a minha voz.13). e Moisés ficava resolvendo essas questões sozinho. Moisés assentou-se para julgar o povo.U ma J o r n a d a de fé Mas o que aconteceu que inspirou seu sogro. Esse versículo mostra o que acontecia. O problema não residia em Moisés atender ao povo. (Ex 18. Totalmente desfalecerás. porque este negócio é mui difícil para ti. pedindo a orientação do espírito de Deus para cada etapa. Sê tu pelo povo diante de Deus e leva tu as coisas a Deus. ao outro dia.18. Jetro. pois não apenas Moisés se cansava atendendo o povo. Isso traz a perda de concentração. assim tu como este povo que está contigo. eu te aconselharei. a intervir na forma como Moisés liderava o povo? “E aconteceu que. descansar e pensar em suas atividades. Jetro viu que o modelo de administração seguido por Moisés era cansativo tanto para ele quanto para o povo.

o legislador es­ tava sobrecarregado resolvendo questões do povo. pôde exercer melhor seu ministério e partilhar sua autoridade com ho­ mens dignos de confiança e que honrariam o nome do Senhor. essa era a função que Deus pretendia para Moisés. sem a ajuda de auxi­ liares idôneos. Jetro disse a Moisés: E tu.21-23) A recomendação de Jetro sobre os auxiliares de Moisés não pode ser esquecida em nosso estudo. mas boa parte dos trabalhos precisa ser executada por um grupo de pessoas. e eles a levarão contigo. e põe-nos sobre eles por maiorais de mil. Caso Moisés não seguisse o conselho de Jetro. para que julguem este povo em todo o tempo. procura homens capazes.A L i d e r a n ç a d e M o is é s e s e u s A u x il ia r e s Jetro recomendou que Moisés fosse um intercessor pelo povo. então. acabaria desfalecendo por causa de seu excesso de atividades. Há tra­ balhos que dependem de apenas uma pessoa. poderás. Ninguém que trabalha em posi­ ção de liderança consegue fazer todas as suas atividades sem ajuda. vários líderes são necessários na empreitada. tementes a Deus. dentre todo o povo. maiorais de cinquenta e maiorais de dez. (Êx 18. que aborreçam a avareza. O líder deve treinar seus auxiliares e aprender a confiar neles. Deve orientá-los no sentido de seguirem os parâmetros estabelecidos e cuida­ rem daquilo que foi proposto. e que levasse as questões do povo a Deus. subsistir. Se isto fizeres. Essa foi a lição que Moisés aprendeu: Não se pode fazer tudo sozinho. e dependendo da complexidade do trabalho. Na verdade. assim também todo este povo em paz virá ao seu lugar. Mas por seguir o conselho de seu sogro. mas todo negócio pequeno eles o julguem. assim. homens de verdade. além de não ter tempo para interceder pelo povo a Deus. maiorais de cem. Ele recomendou que Moisés selecionasse 81 . e Deus to mandar. mas até aquele momento. e seja que todo negócio grave tragam a ti. a ti mesmo te aliviarás da carga. Todo trabalho que exige coletividade exige liderança. 0 líder precisa de ajudantes Uma das lições que Jetro ensinou a Moisés é que ele precisava de outras pessoas para partilhar responsabilidades.

ouvir e resolver problemas). homens de verdade (homens sobre os quais não poderia recair suspeitas. Portanto. não para comandar ou dar um golpe no seu próprio líder. Ninguém exerce a liderança sem ter em mente princípios norteadores pelos quais agir. Quando uma pessoa é escolhida para ajudar em um ministério. o conselho de Jetro é válido para os nossos dias. Eles deveriam ser ensinados nos estatutos e nas leis para que pudes­ sem julgar o povo de Deus de forma correta. Conhecer princípios de liderança e como aplicá-los faz a diferença entre um bom e um mau líder. ou para decidir entre pessoas. i f. com certeza seu parecer será tendencioso). que terão o próprio ministério.U m a J o r n a d a df. conforme suas capacidades. pois estariam julgando o povo de acordo com a vontade de Deus). Se um líder não conhece as regras pelas quais deve se pautar para tomar decisões. Líderes precisam conhecer a lei de Deus e os princípios pelos quais tomarão suas decisões. Eles levariam o peso do traba­ lho de Moisés com ele. e não tomariam o lugar dele. e os mais complexos deveriam ser levados a Moisés. mas para ajudá-lo a exercer de forma efetiva sua liderança. sobre grupos de pessoas. Há pessoas que nesse sentido logo se rebelam contra seus líderes e fazem o que podem para dividir o rebanho do Senhor. tementes a Deus (um requisito bá­ sico para se lidar com o povo de Deus. que aborrecessem a avareza (essa característica não poderia passar em branco. Eles seriam colo­ cados. ela está sendo chamada para auxiliar. Aqui cabe uma observação aos que estão sendo chamados a ajudar líderes. e cujas ações demonstrassem sua res­ peitabilidade). Começam a pensar que logo estarão no topo do comando. para cooperar. homens capazes (pessoas que tinham habilidade de lidar com outras pessoas. Há pessoas em nossas igrejas que se deixam enganar quando escolhi­ das para ajudar em uma determinada função. que agirão de acordo com sua própria vontade e que não prestarão contas a ninguém. 82 . e deveriam resolver os pro­ blemas mais simples. não poderá liderar. maiores ou menores conforme a quantidade designada. visto que se uma pessoa for trazer pareceres vinculados ao dinheiro. Lembremo-nos de que aqueles homens não foram chamados para tomar o lugar de Moisés na liderança do povo.

recomendou que ele ensinasse os esta­ tutos e as leis ao povo. maiorais de cinquenta e maiorais de dez. inclusive liderando outros até no rebanho do Senhor. e escolheu Moisés homens capazes. E Moisés deu ouvidos à voz de seu sogro e fez tudo quanto tinha dito. E Deus levantou ajudantes para Moisés. (Êx 18. de todo o Israel. como líder. em outras esferas. o negócio árduo traziam a Moisés. Um líder não pode cobrar de seus liderados atitudes que não lhes foram ensinadas. ao qual devem prestar obediência. é preciso lembrar que foi responsabili­ dade de Moisés ensinar-lhes a Lei de Deus e seus estatutos. antes de escolher as pessoas que iriam ajudá-lo. mas também ensiná-los a exercerem suas funções. e todo negócio pequeno julgavam eles. não ordenou aos seus discípulos que fosse atrás de obreiros. Conhecer os procedimentos normais de nossas atividades na obra do Senhor faz parte de nossas obrigações diante dEle.24-26) 83 . Ou seja. E com essa obediência poderão ser escolhidos por Deus para desafios maiores. os auxiliares do legislador deveriam ser instruídos para serem úteis ao trabalho que lhes seria confiado. e os pôs por cabeças sobre o povo: maiorais de mil e maiorais de cem. Por­ tanto. Se por um lado aqueles líderes deveriam conhecer a lei de Deus para poderem exercer seus julgamentos. Quando Jesus disse que a seara era grande e que havia poucos ceifeiros para trabalharem nela. mas que oras­ sem a fim de que o Senhor da seara enviasse ceifeiros para a sua seara.A L id e r a n ç a d e M o is é s e s e i is A u x il ia r e s Aqui reside grandeza dos líderes auxiliares: eles sabem que estão servindo a Deus sob a liderança de outro líder escolhido por Deus. E eles julgaram o povo em todo tempo. Moisés não apenas deveria partilhar com homens esco­ lhidos sua autoridade. Futuros líderes podem ser ensinados Quando Jetro falou com Moisés. O líder precisa estar sempre pronto a aprender. Os Auxiliares no Ministério Deus levanta auxiliares Os recursos humanos dos céus sempre estão cheios de pessoas para que venham trabalhar na obra do Senhor.

Não podemos imaginar que não houvesse diáconos cujos feitos fo­ ram registrados de forma marcante. e Felipe foi poderosamente usado para falar de Jesus ao mordomo de Candace. a recomendação dos apóstolos foi: “Escolhei. dentre vós. Eles se responsabilizaram por tratar com o povo acerca das coisas de menor complexidade. esses homens iriam ajudar a assistência social da igreja. 84 . Moisés pôde exercer sua liderança com a ajuda de pessoas escolhidas por Deus. S er ch eio s d o E sp írito S an to. esses homens tinham a nobre função de auxiliar os apóstolos na esfera social da igreja. atendendo as viúvas no tocante a ajudas ofe­ recidas pelo grupo. vemos que Deus levanta auxiliares e cooperadores nas atividades em sua obra. aos quais constituamos sobre este importante ne­ gócio” (At 6. Entretanto. mas por um bom testemunho na igreja. Quando a igreja em Jerusalém preci­ sou de pessoas para ajudarem os apóstolos em afazeres especificamente voltados à questão social. sendo apedrejado por seus compatriotas. Ser cheio do Espírito de Deus é um requisito para quem cuida de questões simples na igreja hoje. O bom tes­ temunho faria a diferença no ministério diaconal. irmãos. pois. rainha dos etíopes. Estêvão foi o primeiro mártir. Foram selecionados homens de todo o Israel. divididos de acordo com a quantidade de pessoas que deveriam ajudar a cuidar. Dessa forma. e traziam a Moisés as causas de maior complexidade. Eles deveriam ter como características: B o a rep u tação. Uma pessoa que vai lidar com questões materiais na igreja não pode perder de vista que seu serviço é dedicado ao Senhor. que foram tidos por capazes. Enquanto os discípulos se dedica­ riam à oração e à Palavra. e realmente ajudaram Moisés em seu trabalho. O s diáconos não deveriam ser conhecidos por más atitudes.3). sete varões de boa reputação. Aqui está a origem dos diáconos.U m a J o r n a d a de fé Deus deu a orientação para que Moisés escolhesse homens para ajudá -lo. cheios do Espírito Santo e de sabedoria. No Novo Testamento. representantes de cada tribo. ou seja.

Irmão de Moisés. 85 . foram pesso­ as que muito auxiliaram Moisés em sua liderança na condução do povo à Terra Prometida. permitindo que no período em que esteve em Midiã aprendesse a pastorear ovelhas e conhecesse os caminhos do deserto. que as pessoas de mais idade estejam aptas a ser bons conselheiros aos líderes mais novos. Arão. Ele muito ajudou Moisés em seu ministério. mostrou ser uma pessoa sábia e experiente. pois tinham o aval dos apóstolos para aquelas atividades. Os anciãos. por esse exemplo. Pelas palavras que disse a Moisés. Espera-se. Pessoas néscias não teriam oportunidade naquela função.A L i d e r a n ç a d e M o is és e seus A u x i l i a r e s C h eios d e s a b e d o r ia . acompanhou sua história desde o Egito e foi escolhido por Deus para ser sacerdote em Israel. Jetro era um midianita. Foi uma coluna na história de Moisés. con­ cedeu abrigo a Moisés e lhe deu uma de suas filhas como esposa quando Moisés fugiu do Egito. podemos destacar: Miriã. a nação já possuía homens que poderiam ser escolhidos para ajudá-lo. era profetisa e entoava louvores ao Se­ nhor. Irmã de Moisés. Pessoas de mais idade entre o povo. Ter sabedoria era um diferencial para ser escolhido para aquele ministério. Era preciso que fossem apresentados publicamente para prestarem seus serviços. Mesmo não sendo israelita. Jetro. mas só foram escolhidos após a orientação de Jetro e fizeram a diferença no ministério de Moisés. A igreja deveria saber quem eram e respeitá-los. no caso de Moisés. Os auxiliares de M oisés Dentre os diversos auxiliares de Moisés. Lembremo-nos de que. S er con stitu íd os p a r a a q u e la ju n ç ã o .

mas depois obedeceu à ordem divina. logo é visto como uma pessoa indigna de crédito por divorciar suas palavras de sua vida prática. Josué. Como homem. e foi usado por Deus para abrir o caminho das conquistas ordenadas por Deus. É claro que Moisés ponderou o que foi falado. Bons líderes servem como bons exemplos. Moisés tinha suas limitações. “E era o varão Moisés mui manso. até receber a orientação de seu sogro. Neste capítulo. pois há famílias em que a har­ monia do lar é quebrada com comentários críticos e desprovidos de sabedoria. destacamos: Mansidão A Palavra de Deus apresenta Moisés como uma pessoa de co­ ração manso. mais do que 86 .U m a J o r n a d a de fé As palavras de Jetro para com Moisés e a atenção que Moisés deu ao sogro mostram o quanto havia respeito entre eles. Josué era um combatente. Quando Jetro viu o que acontecia com Moisés. Este foi um servo de Moisés que é apresentado na Bíblia como aquele que seria o seu substituto na condução do povo à Terra Prometida. e Moisés atendeu à voz de seu sogro. que poderiam ser resolvidos por outras pessoas. Entre elas. como todos nós. ini­ cialmente resistiu à voz de Deus quando foi chamado para libertar Is­ rael. vimos que ele dedicava-se mais ao trabalho que à sua vida familiar. e entendeu que era prudente seguir tal conselho. Esse deve ser um marco em nossas vidas. sendo posteriormente abençoado por Deus. acabava sendo cercado de problemas de todos os tipos. Qualidades de Moisés com o Líder Não é incomum as pessoas buscarem qualidades em seus líderes. Por não perceber que estava sozinho na lide­ rança do povo. falou-lhe com brandura. Mas Moisés tinha também suas qualidades. um homem de ar­ mas. e o mesmo ocorre quando um líder deixa a desejar com seu comportamento.

18). Ele não perdeu a calma naquela situação e deixou que Deus resolvesse o problema de rebeldia que seus próprios irmãos trouxeram. Ele não temeu partilhar sua autoridade com seus auxiliares a fim de que o povo pudesse ser mais bem atendido em suas demandas. Mansidão é a capacidade de enfrentar problemas sem que se perca a calma. que o auxiliariam na condução do povo. Essa foi a atitude de Moisés quando atacado por Miriã e Arão. no deserto. pessoas que podem ser ensinadas nos estatutos e leis do Senhor. Jetro sabia que Moisés era o líder escolhido por Deus e que era im­ portante que estivesse bem. e que poderão ampliar o campo de atuação de Deus em nossos dias.3). “A soberba precede a ruína. 87 . Ele não aconselhou Moisés a empurrar os problemas para que outros resolvessem. seus irmãos. Ser piedoso é o contrário de ser uma pessoa ímpia. com procedimentos administrativos ade­ quados para a condução do povo e preservando a si mesmo de uma vida estafante e de pouca praticidade. que despreza a Deus e não trata sua Palavra de forma respeitosa. Podemos confiar em Deus para rece­ bermos ajuda de pessoas comprometidas com o seu Reino. Piedade Moisés era um homem temente a Deus. Piedade não se refere a fazer boas obras e caridade. Hum ildade Moisés não era um líder soberbo. Ele aceitou com humil­ dade o conselho de Jetro. e a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16.A L i d e r a n ç a d e M o is é s e seu s A u x il ia r e s todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12. Que isso nos sirva de lição. e viu como acatar aquele conselho permitiu que ele focasse sua liderança onde ela era mais impor­ tante: conduzir o povo de acordo com os planos de Deus. estava recomendando ao legislador que ensinasse a Lei de Deus com a ajuda de outros homens. mas a ter o respeito por Deus e por sua obra.

v. quando os israelitas tiveram que ser fortemente confrontados e ocorre a quebra do concerto de Deus com seu povo. em meio a essa série de orientações sobre a montagem do santuário e a liturgia a ser adotada. . o qual só foi res­ taurado após o arrependimento dos israelitas e a intercessão de Moisés em favor deles (Êx 32. Moisés também narra a apostasia do povo no deserto. o que chama muito a atenção nesses capítulos é que.1-8).1— 34. Como afirma o Comentário Bíblico Beacon. “esta seção final do Livro do Êxodo revela a paciência de Deus em lidar com seu povo rebelde e mostra os detalhes minuciosos que são requisitos para o povo adorá-lo”. 1.1 Ou seja. a adoração equivocada. Rio de janeiro: D o capítulo 25 ao capítulo 40 do livro de Êxodo. Comentário Bíblico Beacon. encontramos a instituição dos métodos de adoração a Deus entre o povo de Israel. a misericórdia de Deus e a 1 LIVINGSTON. uma adoração equivocada (Êx 32. mas também de orientações voltadas para a liturgia do culto a Deus.9 Um Lu g a r de A d o ra çã o n o D eserto Silas Daniel que as repassa ao povo. As instruções divinas para o culto são dadas a Moisés. Notemos que essa apostasia envolvia. e elas consistem não só de orientação quanto à confecção de objetos a serem usados na organização dessa adoração. George Herbert.35). principalmente. Entretanto.

A seguir. Afinal. 2005. adoração correta são os assuntos que. Esses capítulos mostram o contraste entre a verdadeira e a falsa adoração.6. não por acaso es­ ses assuntos se encontram aqui. e notemos como elas refletem verdades neotestamentárias sobre a verdadeira adoração. quebrantamento. E a suma desse contraste é: enquanto o verdadeiro culto a Deus. do fato de contarmos hoje com um acesso maior a Deus por meio do sacrifício perfeito e CPAD. que habita em nós desde o dia em que entreqamos nossa vida a Cristo" X ~ ~ v o Tabernáculo e a aposta­ sia do povo de Israel no deserto são episódios que estão entrelaçados não apenas cronologicamente.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o c— — —■ — . a ado­ ração a Deus no Antigo Testamento pode se diferenciar externamente da adoração no Novo Testamento — além. não por aca­ so. porque. os judeus estavam envolvidos em um projeto pessoal de religião. 206. Eis a grande lição desses últimos capítulos do livro de Exodo.25). o culto apóstata leva o povo à licenciosidade (Ex 32. eles só poderiam estar aqui. perpassam os capítulos que compreendem a últi­ ma seção do livro de Êxo­ do. criando seus próprios símbolos de adoração. mas também tematicamente. humildade e conclamava à santidade. evoca arre­ pendimento. vejamos e analisemos as orientações divinas dadas a M oi­ sés para uma verdadeira adoração a Ele. p. É chocante ver que enquanto Deus estava manifestando a Moisés o desejo de habitar no meio dos israelitas e dava-lhe as instruções para que houvesse um maior relacionamento dEle com o povo por meio da instituição de um santuário. claro. 89 . através do ritual dos sacrifícios e do significado dos símbolos que ele carregava. porque evidenciam o tremendo contraste entre a verdadeira e a falsa adoração. Sim. seu próprio culto e se chafurdando no pecado. entre os frutos e o espírito do verdadeiro culto a Deus e os do falso culto. As instruções para "Deus queria que o povo tivesse um relacionamento mais íntimo com Ele. na verdade. e hoje não é diferente: Ele \ deseja o mesmo conosco através do Seu Santo Espírito.

.U m a J o r n a d a de fé definitivo de Cristo — . como bem resume a B íblia de Estudo Aplicação Pessoal ao comentar essa passagem de Hebreus.” Até aquele momento. Enfim. como asseverou Jesus.. as primeiras instruções de Deus a Moisés para a construção do Ta­ bernáculo. impactado pela visão dos raios projetados lá de cima. representada por e habitando um santuário erguido sob sua orientação. Deus já havia se manifestado várias vezes em favor de Israel. o povo as­ sistia a distância. Deus está dizendo que a sua presença. 2003.8). “o padrão para o Tabernáculo construído por Moisés foi dado por Deus.] O Tabernáculo terrestre era uma expressão dos princípios eternos e teológicos”. tudo que envolvia o ritual de adoração a Deus no Antigo Testamento era “sombra” das verdades celestiais evidenciadas no Novo Testamento por meio de Cris­ to (Hb 8. um pouco mais sobre a verdadeira adora­ ção com os princípios eternos subjacentes nas instruções divinas para a construção do Tabernáculo. 1740. mas não fora visto ainda “no meio deles”.. antecipava a realidade futura. mas os princípios que subjazem na adoração a Deus no Antigo Testamento são os mesmos no Novo Testamento. O homem de Deus estava já há algum tempo na presença divina no alto do monte. "E Habitarei no Meio Deles" Depois da entrega da Lei. [. Ou. Agora.. Deus queria que o povo tivesse um relacionamento mais íntimo com Ele. estaria permanentemente no meio do arraial. Rio de Janeiro: CPAD. encontramos. e habitarei no meio deles” (Ex 25. porém. portanto.2 Aprendamos. quando o Senhor começa a transmitir-lhe o projeto de um santuário a ser erguido entre o povo e o propósito de sua construção: “. bem no início do capítulo 25. p. deste modo. Quando Deus falava a Moisés no monte. Como afirma o escritor da Epístola aos Hebreus. 90 . e hoje não é diferente: Ele deseja o mesmo conosco por meio do seu Santo Espírito. “Habitarei no meio deles. Era um padrão da realidade espiritual do sacrifício de Cristo e. que os assistira até ali. habita em nós desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo: “E eu rogarei 2 Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.5). que.

que o mundo não pode receber. Seus detalhes não foram entregues ao gosto de Moisés ou do povo. Não! O Tabernaculo deveria ser construído se­ guindo as minuciosas diretrizes divinas: “Conforme tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis. 2 Co 9. Essa mesma orientação é vista em outras passagens bíblicas relativas a ofertas alçadas (1 Cr 29. O modelo tanto do santuário como de seus utensílios foi dado pelo próprio Deus. nem o conhece. Não se pode construir um relacionamento com Deus sem esse item inicial.9). se não há. O segundo ponto é que o Tabernáculo também não poderia ser feito de qualquer jeito. Deus não habitaria no meio do povo em um Tabernáculo construído como o povo queria. 91 . ó Deus” (SI 51. onde Deus estaria habitando no meio do seu povo. Os Recursos e o M odelo para a Construção do Tabernáculo Os capítulos 25 a 31 apresentam as diretrizes para a construção do Tabernáculo. porque. o Espírito da verdade. Isso nos ensina que o princípio basilar para encetar qualquer relação mais íntima do homem com Deus é a disposição sincera do coração. ainda que tenhamos um tem­ plo belo e o sacrifício que levemos ao altar seja perfeito.17). porque habita convosco e estará em vós” (Jo 14. e os capítulos 35 a 40. mas vós o conheceis. Ele vem antes de qualquer “tijolo” a ser colocado e permanece durante todo o processo. não adianta nada: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado. e ele vos dará outro Consolador. como bem disse Davi. deveria ser construído com ofertas espontâneas (Êx 25-2). antes de tudo. porque não o vê.7). O primeiro deles é que esse santuário. esse coração aberto. E justamente por causa desse modelo preestabelecido. a execução dessas diretrizes. p a ra que fiq u e convosco para sempre. assim mesmo o fareis” (Êx 25. Alguns pontos chamam a atenção nessas instruções divinas. mas em um Tabernáculo construído como Ele queria.17 —grifo meu). a um coração quebrantado e contrito não desprezarás.16.Um L u g a r de A d o r a ç ã o n o D e se r t o ao Pai. As ofertas deveriam ser voluntárias.17. sensível e voltado para Deus.

3 -7 ). os quais nos são expressos pela sua Palavra. 92 . o nosso culto deve ser racional (Rm 12.23).1-3). O u seja. a verdadeira adoração se dá segundo os parâmetros estabelecidos pelo próprio Deus. Não pode­ mos apresentar ao altar de Deus qualquer coisa. Isso nos ensina que não podemos nos relacionar com Deus e chegar a Ele como nós queremos.31). mas não poderia ofertar qualquer coisa.40).6). 10. mas só aquilo que lhe agrada. etc.2). tudo deve ser feito “com decência e or­ dem” (1 Co 14. devemos viver uma vida de santi­ dade (Hb 12. O povo deveria ofertar espontaneamente.U m a J o r n a d a de fé as ofertas alçadas também teriam que se enquadrar dentro de uma lista predeterminada pelo Senhor (Ex 2 5 . Por exem­ plo: só podemos chegar a Deus por meio de Cristo (Jo 14. Ofertar espontaneamente não significa ofertar o que você quer. devemos envolver todo o nosso ser na adoração a Ele (SI 103.26). a ver­ dadeira adoração deve ser em espírito e em verdade (Jo 4. Rm 12.1-7).26). mas ofertar porque você quer” ___________ ____________ / estabelecidos por Ele para as nossas vidas. Mais à frente. nosso zelo diante de Deus deve ser com entendimento (Rm 10.14).1-3. mas não poderia ofertar qualquer coisa. devemos colocar em primeiro plano em nossas vidas o Reino de Deus e a sua justiça (M t 6 .1). devemos fazer tudo para glória de Deus (1 Co 10. Palavra e manifestação sadia de dons (1 Co 14. mas segundo os parâmetros "0 povo deveria ofertar espontaneamente. tudo que ocorrer no culto público deve ser “para edificação” (1 Co 14. Ofertar espontaneamente não significa ofertar o que você quer.1.33).1). em tudo o que fizermos deve haver uma intenção pura e genuína norteada pelo verdadeiro amor (1 Co 13. o culto público deve ter louvor. vemos Deus afirmando que não receberia sacrifícios com animais imperfeitos nem aceitaria fogo estranho no seu altar (Lv 1. mas ofertar porque você quer. devemos pedir a Deus somente o que está dentro da sua vontade (1 Jo 5-14). que está dentro de sua von­ tade.

O sangue das vítimas era colocado nas pontas do altar e o restante dele. Rio de Janeiro: CPAD. p.2. O pátio cercado por cor­ tinas simbolizava a separação que deve haver para a adoração a Deus. 2005. A primeira coisa que era vista pela pessoa que adentrava o pátio era o Altar dos Holocaustos. Rio de janeiro: CPAD.4)”. derramado na sua base (Lv 4.50.Gênesis a Deuteronômio. 162. fechada com o linho limpo. Matthew. Com entário Bíblico do A ntigo Testam ento ---.3 A porta única de entrada para o pátio representava Cristo.35 metro de altura (Ex 27. Como bem explica Matthew Henry. fe­ chada e separada do resto do mundo.18). o Altar dos Holocaustos e a Pia de Bronze Deus ordenara que o Tabernáculo deveria ter um pátio (Ex 27. 93 . 1.51 e 2.2).28. v.7). “o pátio era um tipo da igreja. Esse pátio tinha formato retangular e media cerca de 22 metros de largura por 45 metros de comprimento (Ex 27. 4 L1VIN GSTON .4 Donald Stamps acrescenta que simbolizavam. encerrada por colunas. 316. e onde o povo de Deus entrava com louvor e agradecimentos (SI 100.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o O Pátio do Tabernáculo. p. 2010. que é a úni­ ca Porta de acesso a Deus.25 metros de cada lado por 1. indicando a estabilidade da igreja. o único Caminho para o céu (Jo 10. George Herbert. Este eram os átrios pelos quais ansiava Davi e onde ele anelava residir (SI 84. 14. p. “o poder e a proteção através do sacrifício”.5 Matthew Henry lembra que tanto os animais sacrificados sobre o altar como a própria constituição do altar com madeira coberta de 3 HENRY.9). por­ tanto.2. Rio de Janeiro: CPAD. conforme o costume da época. que era feito de madeira de cetim (acácia) coberta de bronze e seu formato era de um quadrado com 2.6). Era ali que os animais eram imolados em sacrifício para expiação dos pecados.8). e Salmos 18.10). Ele era cercado por cortinas e havia uma única entrada para ele. 5 B íblia de Estudo Pentecostal. que está escrito que é a justiça dos santos (Ap 19. o que fazia deles. conforme pode ser visto nas passagens de 1 Reis 1. O Comentário Bíblico Beacon afirma que as pontas projetadas nos quatro cantos do altar “tinham provavelmente a forma de chifre de animal”. “símbolos de poder e proteção”. C om entário Bíblico Beacon.9.1. 213. 1996.

se não fosse sustentada pelo poder divino. Matthew. Rio de Janeiro: CPAD. Às pontas deste altar. se sobre ele levantares o teu buril. [. jul­ gamos que este altar semelhante a caixa era cheio de terra sempre que Israel assentava acampamento” e que “os animais sacrificiais eram co­ locados em cima da terra que enchia a armação de madeira e bronze”. e ali estão a salvo. p. p. Não subirás também por degraus ao meu altar. 6 HENRY. 2005. “considerando que Israel só devia fazer altares de terra ou com pedras naturais. E. que era móvel. 94 .. se me fizeres um altar de pedras. 2010. para que a tua nudez não seja descoberta diante deles.] [e] virei a ti e te abençoarei. [. assim como acontecia com toda a mobília do Tabernáculo. os pobres pecadores fogem em busca de refúgio. assim como o seu altar (Jo 17. quando a justiça os persegue.25). George Herbert. que nada mais é do que a liga de cobre e estanho) apontam para Cristo: Este altar de cobre era um tipo de Cristo.. sem uso de instrumentos de ferro (Ex 20. Cristo santificou-se pela sua Igreja..7).] A madeira teria sido consumida pelo fogo do céu. C om entário Bíblico do Antigo Testamento ---.7 As instruções de Êxodo 20 . se não tivesse sido protegida pelo co­ bre. Diz Deus: Um altar de terra me farás e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos.9). pois ali servem como sacer­ dotes espirituais. que também tem o direito de comer deste altar (Hb 13.10). 316. com toda a sua estrutura desmontável.U m a J o r n a d a de fé cobre (ou bronze. não o farás de pedras lavradas. E pela sua media­ ção Ele santifica os serviços diários do seu povo.2 4 -2 6 sobre a construção de altares é bastante interessante. C o m en tário Bíblico Beacon. 1.Gênesis a Deuteronômio.6 Varas colocadas em argolas na estrutura do altar tinham a finalida­ de de propiciar o seu transporte pelos levitas (Ex 27.. 213. em virtude do sacrifício ali oferecido.24. como frisa o Beacon . Rio de janeiro: CPAD.6. O altar era oco (Êx 27. 7 LIVIN GSTO N . E a natureza humana de Cristo não teria suportado a ira de Deus. profaná-lo-ás. v.8) e.

. é curioso ver o cuidado de Deus com os detalhes. Ninguém está dizendo aqui que as pessoas devem ir para a igreja agora com as vestes dos sacerdotes do Antigo Testamento ou somente com roupas extremamente formais. Rio de Janeiro: CPAD. a sua imponência. Tal atitude visava a impedir que iniciassem suas próprias religiões ou mudassem o modo como Deus desejava que as coisas fossem feitas. pois desejava controlar o modo de oferecer os sacrifícios. formal e — devido à importante função que exerciam -— tinha também. Também não permitiu que o povo construísse um altar em qualquer lugar. a B íblia de Estudo Aplicação Pessoal traz uma importante reflexão: [Deus] [. o cuidado para que alguém não se apresentasse diante dEle e do povo mostrando. mas Ele não admite que criemos a nossa própria religião. mesmo com roupas que revelam a sua nudez. 95 . não há como não pensar nos dias de hoje. 113.4-43). além dos simbolismos (Ex 28. p. Israel fizesse embelezamentos artísticos. provavelmente por causa 8 Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. claro.. 2003. quando muitos acham que podem cultuar a Deus em público (não estamos falando aqui do privado) de qualquer maneira. Para evitar que a idolatria pervertesse a adoração.. Quanto aos demais detalhes dessa instrução sobre os altares em Êxo­ do 20. “a sim­ plicidade do altar [de terra] fazia o hom em tirar a atenção de si mesmo e das coisas materiais para [voltar-se para] o Deus Exaltado. A questão aqui são a compostura e a decência na Casa de Deus.] concedeu-lhes instruções específicas sobre construção de altares.8 Como observa também o C om entário B íblico Beacon.] [E] o uso de pedras em sua forma natural impedia que. [.. nesta épo­ ca. Deus não é contra a criatividade. que mui­ tas vezes são esquecidas. Deus não per­ mitiu que as pedras do altar fossem de alguma forma cortadas ou modeladas. especificamente aqui.Um L u g a r de A d o r a ç ã o n o D e se r t o Sobre esse final. Aliás. mesmo que de modo involuntário. Diante desse cuidado divino. a sua nudez. que era extremamente composta. esse cuidado pode ser visto até na roupa dos sacerdo­ tes.

U ma J ornada de fé

do perigo de idolatria”.9 Ou seja, o princípio aqui é claro: Deus não é contra a criatividade, mas é preciso ter cuidado para que, em nome da nossa criatividade, não percamos a simplicidade ou mesmo subver­ tamos o modelo bíblico do culto a Deus. Quando Deus permitiu que Israel tivesse altares mais elaborados, que foram justamente o Altar dos Holocaustos e o Altar do Incenso, estes foram burilados conforme a determinação divina (Ex 27.1-8; 30.1-5). Mas, finalmente, havia ainda no Pátio do Tabernáculo a Pia de Bronze. Ela era utilizada para o sacrifício de purificação (Ex 30.17-21). Essa lavagem cerimonial era feita com água constantemente substitu­ ída, já que não havia sistema de torneiras ou bicas naquela época nem algo parecido com isso é mencionado no texto bíblico. Os sacerdotes deveriam se lavar sempre nele antes de ministrarem no interior do Ta­ bernáculo ou no Altar dos Holocaustos. Ora, a água fala de pureza e santificação, e é símbolo da ação pu­ rificadora da Palavra de Deus (Jo 15.3; 17.17; E f 5.26,27) e do Espí­ rito Santo (T t 3.4-6; 1 Co 6.11) em nossos corações (Hb 10.22; 1 Pe 1.22,23). Pode simbolizar também a purificação pelo sangue de Jesus (1 Jo 1.7), uma vez que o sacrifício de Cristo nos purifica de todo peca­ do e nos dá acesso à constante ação purificadora do Espírito Santo e da Palavra de Deus em nossas vidas.

O Lugar da Habitação de Deus
Dentro do chamado “Lugar da Habitação de Deus”, que era a parte interior da tenda do Tabernáculo, havia dois ambientes: o primeiro é o Lugar Santo, onde ficavam o castiçal de ouro, a mesa dos pães da propo­ sição e o altar do incenso; e o segundo é o Santo dos Santos, onde estava a Arca da Aliança, única peça desse ambiente. Estima-se que o Lugar Santo media 9 metros de extensão, e o Santo dos Santos, 4,5 metros.1 0 O castiçal de ouro (Ex 25.31-40) era o que iluminava o interior da tenda, já que não havia janelas ali. Ele era feito com puro ouro batido e
5 LIVIN G STO N , George Herbert. C om entário Bíblico Beacon. v. 1. Rio de janeiro: CPAD, 2005, p. 193.

1 0 LIVINGSTON, George Herbert. Comentário Bíblico Beacon. v. 1. Rio de janeiro: CPAD, 2005, p. 211.
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Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o

seu fogo, mantido aceso com azeite. Essa peça nos fala, prioritariamen­ te, de Cristo, que é a Luz do Mundo (Jo 8.12), e, por extensão, da Igreja, que também é simbolizada pelo castiçal de ouro (Ap 1.12,13,20). Aliás, o próprio Jesus, antes da visão de João no Apocalipse, já havia com­ parado a Igreja a uma lâmpada
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"Não podemos nos relacionar com Deus e chegar a Ele como nós queremos, mas segundo os parâmetros estabelecidos por Ele para as nossas vidas"

acesa e também a chamado de “luz do mundo” (M t 5.14-16). O apóstolo Paulo reforça essa ideia em Filipenses 2.15. O azeite, por sua vez, é sím­ bolo do Espírito Santo. Para que o castiçal permanecesse aceso, era preciso que seu azeite fosse reno­

vado todos os dias. Da mesma maneira, só podemos projetar a luz de Deus sobre o mundo se formos cheios do Espírito Santo; e, por consequência, só podemos projetá-la continuamente se procurarmos estar sempre cheios do Espírito. Não à toa, o imperativo “enchei-vos do Espírito”, no original grego de Efésios 5.18, subtende a necessidade de estarmos continuamente cheios do Espírito Santo, e não apenas de vez em quando. A mesa dos pães da proposição tinha 90 centímetros de compri­ mento, 75 centímetros de altura e 45 centímetros de largura (Êx 25.2330), e falava de Cristo como o Pão da Vida, o Pão vivo que desceu do céu (Jo 6.35). Eram sempre doze pães, um para cada tribo de Israel, e eles eram sempre trocados aos sábados e protegidos ao redor da mesa por uma beira de ouro, para que não escorregassem até o chão pela borda da mesa. Doze pães, um para cada tribo, trocados semanalmente e cercados por uma beira dourada falam da suficiência, permanência e garantia de Cristo para todo o seu povo como o Pão da Vida. O altar do incenso (Êx 30.1-10) era um lugar destinado à adoração e à oração. Ele tinha o mesmo formato do altar dos holocaustos, só que era menor, medindo 45 centímetros quadrados por 90 centímetros de altura. Também era de madeira de cetim (acácia), só que revestida com puro ouro em vez de bronze. Seu transporte também era feito com varas encaixadas em argolas de ouro nas laterais do altar (Êx 30.4,5).

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U m a J o r n a d a de fé

O altar menor, como também era chamado, era a peça que ficava mais próxima da entrada do Santo dos Santos, separando-se da Arca da Aliança apenas pelo véu de entrada para esse último ambiente. O incenso deveria ser queimado diariamente (Ex 30.7). Deus costumava se manifestar àqueles que lhe ofereciam incenso nesse altar de ouro, como aconteceu com Zacarias, pai de João Batista, que recebeu do anjo Gabriel, mensageiro de Deus manifestado diante desse altar, o anúncio divino da concepção do seu filho João no ventre de Isabel, sua esposa, e da importantíssima missão que seu filho teria (Lc 1.8-17). O incenso simboliza a adoração, o louvor e a oração, como podemos ver clara­ mente em Salmos 141.2 e Apocalipse 5.8 e 8.3,4. Finalmente, no Santo dos Santos, chamado também de Lugar San­ tíssimo, estava a Arca da Aliança (Ex 25.10-22), a peça mais importan­ te de todo o Tabernáculo. No Santos dos Santos, só o sumo sacerdote poderia entrar, e apenas uma vez ao ano (Hb 9.7), para aspergir sobre o propiciatório — isto é, a tampa da Arca — o sangue que havia sido derramado do sacrifício anual feito para expiação dos pecados de todo o povo (Lv 16.14,15; 17.11). Hoje, tal expiação não é mais necessária, porque Jesus, o nosso Sumo Sacerdote por excelência, já entrou na pre­ sença do Pai oferecendo o seu próprio sangue como propiciação defini­ tiva pelos nossos pecados (Rm 3.24,25; Hb 9.11-15; 10.10,12), de ma­ neira que todos quantos o recebem como único e suficiente Salvador e Senhor, aceitando seu sacrifício em nosso favor e entregando suas vidas totalmente a Ele, têm livre acesso à presença de Deus (Hb 10.19-23). A Arca da Aliança representava a própria presença de Deus entre o povo, de maneira que os israelitas, em determinado momento de sua história, chegaram até mesmo a usá-la como se fosse um amuleto, no episódio em que ela foi levada pelos filisteus após uma batalha em que Israel, por causa dos seus pecados, teve que fugir de diante de seus inimigos (1 Sm 4 .1-22). A Arca era chamada de “ Arca do Testemunho” (Ex 25.22), “ Arca do Concerto do Senhor” (D t 10.8), “ Arca de Deus” (1 Sm 3.3) e “ Arca do Senhor” (1 Sm 4.6). Sua designação “ Arca do Testemunho” se devia ao fato de que carregava “O Testemunho” (Ex 25.16), que era o nome
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Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o dado às duas tábuas de pedra contendo o Decálogo. O texto bíblico é bem claro em afirmar que as inscrições nas tábuas eram uma obra direta do próprio Deus — tanto nas primeiras tábuas (Êx 32. 2005. onde estava simbolizada a misericórdia”. a Arca abrigou um pote de ouro contendo uma amostra de 3. 99 .32. as suas Palavras.33.7-11. 2 Sm 6. confirmação e autoridade. de qualquer forma.4). nesse caso. Rio de janeiro: CPAD. assim como faziam com todas as peças do santuário (Nm 7. Deus mencionou essas tábuas a Moisés logo quando ordenou a ele para que subisse ao monte (Êx 24. O propiciatório recebia esse nome porque “era o lugar da expiação.20. os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Deus (Êx 31. mas. Posteriormente.1-15). como havia sido ordenado.17) e suas dimensões em extensão eram as mesmas da Arca.4). entende­ mos que ela não significa necessariamente que Deus se manifestou em forma de uma mão de homem. há provisão.1517. que uma ação sobrenatural de Deus fez gravar dire­ tamente nas pedras. p. que fala de autoridade. foi uma ação sobrenatural de Deus.5).1 1 1 1 LIVINGSTON. À luz do uso que Jesus faz da expressão “dedo de Deus” em Lucas 11. Ou seja. Moisés quebrou essas tábuas em sua ira diante da apostasia do povo (Êx 32.4). 207. A tampa da Arca — o propiciató­ rio — era feita de ouro puro (Êx 25. Hb 9. isto é. 1.4). A mensagem é clara: na presença de Deus. sim. v. George Herbert. Hb 9.20).19). para escrever.18). que a carregavam nos ombros.12) e avisou em seguida que seu lugar seria dentro da Arca (Êx 25. chamada e confirmação — a Bíblia diz que Deus fez com que essa vara miraculosamente florescesse para confirmar diante do povo a chamada de Arão para ser o sumo sacerdote (Nm 17. chamado.9). C o m en tário Bíblico Beacon.6 litros (“um ômer”) do maná que Deus enviara ao seu povo no deserto diariamente. aos olhos de Moisés.1.1. A Arca da Aliança só podia ser carregada pelos sacerdotes (Nm 9.16). e que fala da provisão divina (Êx 16. além das Tábuas da Lei. como ocorreu na Babilônia nos dias de Daniel (Dn 5. e também a vara de Arão. mas Deus fez outras tábuas (Êx 34. fisicamente nas tábuas de pedra. que foram colocadas devidamente na Arca (Êx 40.16) quanto nas segundas (Êx 34.

onde Ele se manifestaria em cima do propiciatório. os querubins e as argolas para ajudar a levá-la eram de ouro maciço. não percamos a simplicidade ou mesmo subvertamos o modelo bíblico do culto a Deus" ao trono de Deus no céu (Hb 8.3) e a sua presença possa se manifestar diariamente (2 Co 4. o seu substituto. durante um período de cerca de quarenta anos. Rio de Janeiro: CPAD. em nome da nossa criatividade.16). Como lembra Stamps. 2 Rs 19.U ma J ornada d e fé Como já dissemos.11.6. 2 Sm 6. 1 2 Bíblia de Estudo Pentecostal.5. existem mais. Ap 4 .18). inclu­ sive as varas para carregá-la. Ao contrário do sumo sacerdote. Dois querubins de ouro ficavam em ambas as extremidades do pro­ piciatório (Ex 25.11-13).15)”. 2 Co 3. para simbolizar a pureza ea preciosidade da presença deDeus. somente o sumo sacerdote podia entrar no San­ to dos Santos e uma vez por ano. estejam gravados os seus mandamentos (SI 119. logo que o Ta­ bernáculo estivesse pronto. Ela era coberta de ouro por dentro e por fora. “eles representavam serei celestiais que assistem junto "Deus não í contra a criatividade. o propi­ ciatório. Simbolizavam presença de Deus e a sua so­ berania entre o seu povo na Terra (1 Sm 4. 100 . desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo. Nem o Tabernáculo nem o Templo. Moisés entrava no Lugar Santíssimo constantemente. nas tábuas do âmago do nosso coração.2. uma exceção: Moisés. encontramos Deus dizendo-lhe que. contendo os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Deus.2 2 . da mesma maneira o Senhor deseja que no fundo do nosso ser. O restante da Arca. 157. passamos a ser templos do Espírito Santo — tabernáculos. mas é preciso ter cuidado para que. era coberto de ouro (Êx 2 5. passaria a conversar com Moisés dentro do Santo dos Santos.8). mas houve. a beira de ouro ao redor da Arca. já que. estavam colocadas as Tábuas da Lei. porém a Bíblia diz que. p. em Êxodo 25. 1996. no recôndito da nossa alma. Outro detalhe é que assim como na parte mais importante do Ta­ bernáculo — a Arca da Aliança — .4.12 Não por acaso.

carreguemos e manifestemos a glória de Deus em nossa vida. Portanto. que os seus mandamentos estejam sempre gravados no fundo do nosso ser.17). peregrinando no deserto desta vida aguardando o dia em que seremos transportados para a Pátria Celestial. e para que isso se torne uma realidade.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o por assim dizer. que onde estejamos. O véu do Templo foi rasgado de alto a baixo (M t 27. pela açáo inconfundível do Espírito Santo em nossa vida (Jo 14. que passou a habitar o nosso ser.19. Amém. desde o dia em que aceitamos a Cristo. ambulantes do Senhor sobre a Terra (1 Co 6.20). .51) e hoje temos livre acesso à presença de Deus.

3 3 . é preciso frisar o seu aspecto revolucionário diante do contexto social e jurídico do mundo antigo. de ins­ piração para muitos dos conceitos. Neste capítulo. mas acrescentam outras — também serão aqui men­ cionadas. principalmente. normas e avanços legais que temos hoje registrados em nossas legislações. que repetem muitas coisas. Nossa referência estará. trabalhistas e de mudança da relação senhor-servo que Deus transmitiu a ele para entregar ao povo de Israel e que serviriam. séculos depois. Entretanto. no Decálogo (Êx 2 0. Entretanto. outras orde­ nanças de caráter civil. que são as leis estabelecidas por Deus para reger a sociedade israelita e seu culto a Deus. em que essas leis se situam historicamente. e que estão registradas em Êxodo 2 0 . apresentaremos resumidamente alguns aspectos mais marcantes dessas leis.10 As R e v o l u c i o n á r i a s Isra e lita s Silas Daniel L eis E n t r e g u e s p o r M o isé s a o s U m dos maiores legados do ministério de Moisés para a hu­ manidade é o conjunto de leis civis.2 2 — 2 3 . antes de analisarmos essas leis de modo específico.117) e no chamado “Livro do Concerto”. . penal e afins registradas em outras partes da lei mosaica — sobretudo em Levítico e Deuteronômio. penais.

um maior uso de penas proporcionais aos cri­ mes cometidos. a não distinção de aplicação de pena por classe social do criminoso ou da vítima. aos contextos social e cultural e à mentalidade diferentes do que temos hoje.). quanto o Código de Ur-Nammu (2100 a. a distinção entre homicídio acidental. constata-se. nos dias de hoje.)." mais detidamente so­ bre as razões pelas quais nos advém esse estra­ nhamento em relação a algumas normas da lei mosaica e por que algu­ mas delas tinham penas que. pela primeira vez.C.C.). antecipando muitas das saudáveis inovações legais que se veriam sécu­ los depois no Ocidente. a dis­ tinção entre homicídio acidental. à primeira vista.A s R e v o l u c i o n á r i a s L eis E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s I s r a e l i t a s O Contraste entre as Leis Hebraicas e as que lhes Antecederam Mesmo que. achemos estranhas algumas dessas de­ terminações mosaicas devido aos costumes. desculpável e justificável. se­ riam consideradas muito pesadas. bem como o Código de Eshnunna (1930 a. pela primeira vez.C. usados na região da Mesopotâmia. (Mais à frente falaremos “ Na lei mosaica constata-se. muito raramente apresentavam alguma equidade na aplicação 103 / .) e o Código de Lipit-Ishtar (1870 a.C. um maior uso de penas proporcionais aos crimes cometidos. do qual só se conhece hoje trechos que são citados em outros textos antigos. Tanto o Código de Urukagina (2350 a. a figura do dano moral. é inegável e contundente o fato de que essas leis foram um avanço extraordinário para aquela época. e muitas outras medidas legais pioneiras.) Nas leis dadas por Deus a Moisés. e muitas outras medidas legais pioneiras que estabeleciam um abismo de qualidade entre a lei mosaica e as demais legislações que a antecederam. usado pelos sumérios e encontrado em 1952 em uma placa de argila. desculpável e justificável. a não distinção de aplicação de pena por classe social do criminoso ou da vítima. a figura do dano moral.

br/artigos/24834.com. Mesmo no Código de Hammurabi havia casos de desproporção.br/artigos/24834. Principalmente quando havia diferença de classe social entre a vítima e o agressor. Na lei mosaica. Rosângela.2 9 de junho de 2013. deveria ser morto. Disponível em http://jus. Rosângela.2 enquanto a Lei de Moisés enfatizava a propriedade privada. Jus Navigandi. o que não se vê na lei mosaica. n. 24. por exemplo. 29 de junho de 2013. 3 6 5 0 . O Código de Urukagina. Influência da ética judaico-cristã nos ordenamentos jurídicos da atualidade. essa ausência de equidade se tornava ainda mais comum. a sanção quanto ao crime come­ tido era a mesma para pobres ou ricos.C. Disponível em http://jus. quintuplicava-se o valor a ser restituído (Êx 22. Jus Navigandi.1). ano 18. não importa 0 que fosse. A terra era considerada “uma propriedade dos deuses”. dente por dente”). que consistia em dobrar o valor a ser restituído (Ex 22. Acesso em 8 de setembro de 2013.U ma J ornada d e fé da pena ao crime.1 O Código de Hammurabi (1700 a. como a pena de morte para quem fizesse um buraco na casa de outra pessoa (artigo 22) ou para qualquer mero furto (artigo 23). Teresina. No artigo 60 do Código de Esnhunna. simplesmente o vigia deveria ser morto. A sanção neles “era quase sempre desproporcional ao delito ou infração normativa”. cuja pena a ser aplicada independia da classe social tanto do criminoso quanto da vítima. israelitas ou estrangeiros (Lv 19. como veremos mais adiante. ano 18. Na Lei de Moisés. por sua vez. 104 . n.) é onde mais encontramos alguma proporcionalidade entre deli­ to e pena. Acesso em 8 de setembro de 2013. Já o artigo 2 do Código de Ur-Nammu estabelecia que o homem que roubasse. 3 6 5 0 . mas mesmo assim em uma quantidade de casos ainda muito aquém do que se vê na lei mosaica.22). O Código de Hammurabi e a maioria 1 Z IZ L E R .15. se o vigia fosse negligente na guarda de uma casa e esta fosse arrombada por um la­ drão. Teresina. e no caso de a coisa roubada já ter sido desfeita ou passada adiante. Influência da ética judaico-cristã nos ordenamentos jurídicos da atualidade.com. tinha também o defeito de ser eivado de supersticiosidade e não defender a propriedade privada. através da aplicação do que ficou conhecido como “Lei de Talião” (“olho por olho.4). 2 ZIZLER. um ladrão simplesmente teria de devolver o seu roubo e pagar uma multa.

Deveriam seguir “apenas a justiça”. E. 180. p. a começar do seu Decálogo — os Dez Mandamentos (Ex 2 0 . deliberado.24).30). 2002. U N G ER. que significa “matar com premeditação”. e nelas você poderá notar algumas antecipações pioneiras em relação a avan­ ços legais que só viriam a acontecer muito tempo depois. no original hebraico. D icionário Vine.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s I s r a e l i t a s dos que o antecederam tinham o conceito de propriedade privada suben­ tendido em alguns de seus artigos. O texto traduzido por “Não matarás” no Decálogo é. W. Nas cidades de refugio.. 105 . As Principais Leis Penais e Civis Mosaicas 1.. que não aceitaria decidir o caso com base no depoimento de uma única testemunha (Nm 35. A seguir. a melhor tradução ali é “Não assassinarás”.13). isto é. pois se trata de homicídio intencional. W H IT E JR . Deveria haver juizes instituídos em todas as cidades e aldeias das tribos de Israel para julgarem as causas do povo segundo a lei mosaica. cidades de refugio para aqueles que mataram sem querer.3 Ou seja. 2.1 7 ). veremos as principais normas civis e penais da lei mosaica. Rio de Janeiro: CPAD. Merril F. deveriam ser corretos em seus julgamentos.13 reforça a ideia. honestos ao julgar cada causa (Dt 16. Eles eram proibidos de aceitar subornos e de fazer acepção de pessoas. isto é. rãsah. A lei mosaica previa o crime de assassinato. a lei mosaica prevê. a pessoa 3 VIN E.18-20). mas o primeiro código legal a ser mais enfático quanto ao princípio da propriedade privada foi a lei mosaica.1 5 . William. os acusados ficariam esperando que sua questão fosse julgada e a verdade determinada por um tribunal apropriado (Nm 35. referindo-se claramente ao homicídio premeditado como o único tipo de homicídio passível de pena de morte — no versícu­ lo 13.12. inclusive. Caso fosse considerada desculpável. de matar com intenção de matar (Ex 20. Êxodo 21.

tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Gn 9. Não estamos dizendo aqui que os crentes que pedem penas alternativas (que sejam também pesadas) para o crime de ho­ micídio estejam pecando. por exemplo. intencionalmente. A Bíblia afirma que quando aquele que ceifa deliberadamente uma vida paga pelo seu crime com a própria vida. não é tão sério assim. como pode ser visto. intencionalmente.6.28). Quando alguém deliberadamente.2).33).6). somente a pena de morte poderia ser consi­ derada uma punição ideal para tal crime (Gn 9. porque Ele fizera “o homem conforme a sua imagem”. perfeita — para que a terra não seja “profanada” diante de 106 . Entretanto. posto que era inocente (Nm 35. nesse tipo de crime. há perfeita equidade no juízo (Nm 35. premeditadamente. mata outra pessoa e recebe por isso uma retribuição menor que o crime que cometeu. melhor.23).U m a J o r n a d a de fé permaneceria na cidade de refúgio até a morte do sumo sa­ cerdote. “vida por vida” (Êx 21.4). Havia ainda a previsáo do homicídio justificável. mas apenas salientando que a Bí­ blia. ela deve ser.27). e que. Deus disse a Noé que assassinar um homem é mui­ to grave. quando então poderia sair da cidade sem que nin­ guém pudesse castigá-la pelo ocorrido. A pena de morte é bíblica e o argumento divino usado para justificá-la é que a sanção nunca deve ser menor que o crime cometido. Rm 13. que matar uma vida deli­ beradamente. se saísse da cidade de refúgio antes da morte do sumo sacerdote. no caso em que alguém matas­ se o ladrão quando este tentasse invadir a sua casa à noite (Êx 2 2. apoia claramente a pena de morte como medida ideal — isto é. no mínimo. do mesmo tamanho do agravo — no caso. premeditadamente. mais correta. a mensagem que se passa à sociedade é que esse crime não foi tão bárbaro assim. portanto. o vingador de sangue poderia matá-lo sem ser-lhe imputada alguma culpa por isso (Nm 35.26.

A lei mosaica previa o crime de agredir fisicamente os pais. A lei mosaica previa o crime de falso testemunho (Êx 20. “ A pena de morte é bíblica e o argu­ mento divino usado para justificá-la é que J ^ I a sanção nunca deve ser menor que o crime cometido. Mas não só agredir os pais dava pena de morte. que era passível de pena de morte (Êx 21. Matthew. Deus o fará”.33. 107 Gênesis a . 'vida por vida' (Êx 21. para que a terra náo seja amaldiçoada em con­ sequência da não compensação dessa gravíssima injustiça co­ metida (Nm 35.15). p. 299. que mesmo depois de vários casti­ gos continuasse em sua rebeldia. do mes­ mo tamanho do agravo — no caso. de maneira que “se os homens não o punirem.As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s .34). “o comportamento desrespeitoso dos filhos em relação aos seus pais é uma provocação muito grande a Deus. Rio de Janeiro: CPAD.1). ela deve ser. tornando-se incontrolável. Com entário Bíblico do Antigo Testamento — Deuteronômio.17).) Outro deta­ lhe é que a Lei de Moisés previa que se os pais tivessem um filho rebelde e contumaz. nosso Pai comum”. ou seja.23).4 (Lembremo-nos que se Êxodo 2 0 . Como frisa Matthew Henry. A lei mosaica previa o crime de sequestro. 23. amaldiçoá-los em público também (Êx 21. 5.1 2 diz que honrar os pais faz com que “se prolonguem teus dias na ter­ ra”. 3. no mínimo.16.31. 4 HENRY." Deus.16). o oposto resulta em Deus abreviar a vida. 4. 2010. que era também passível de pena de morte (Êx 21.

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eles poderiam denunciá-lo aos juizes que, avaliando o caso e confirmando o que os pais diziam, condenariam o filho rebelde à morte (D t 21.18-21). 6. A Lei de Moisés previa, em caso de agressão que levasse a vítima a passar algum tempo sem trabalhar, que o agressor pagasse uma indenização correspondente a todos os dias de trabalho em que o agredido ficasse inativo e o custeio de todo o tratamento da vítima até esta ser completamente res­ tabelecida (Êx 21.19). 7. A lei mosaica estabelecia o respeito à criança no ventre e o cui­ dado com a mulher grávida. Em Êxodo 21.22,23, vemos que havia obrigação de indenização para alguém que, em meio a uma briga, mesmo que involuntariamente, ferisse uma mu­ lher grávida provocando-lhe aborto, e o valor da indenização não era definido pelo juiz, mas pelos pais (Êx 2 1 .22b); e havia a pena de morte para quem, além de provocar o aborto em uma mulher, levasse-a à morte nesse processo. Esse é o único caso em que a lei mosaica estabelece pena de morte para um homicídio acidental, uma vez que os homens deveriam ser mais prudentes e cuidadosos com a mulher grávida e a vida que ela carrega dentro de si. 8. As sanções eram rigidamente proporcionais às penas nas chamadas “Leis da Vingança” do código mosaico: “... vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Êx 2 1.23-25). Nas leis pagãs anteriores e da mesma época de Moisés, a desproporcionalidade entre sanção e pena era imensa. Lembrando ainda que, na lei mo­ saica, ninguém poderia, de si mesmo, vingar a lesão sofrida, porque poderia muito bem ir além da conta. O magistrado é que julgava a causa e acompanhava a aplicação correta da
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A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s

sançáo. Outro detalhe é que “por ser difícil administrar a exigência de o ofensor sofrer dano equivalente ao causado, mais tarde a lei [da vingança] foi comutada por multa em dinheiro [isto é, indenização], exceto para assassinato”,5 quando ainda prevalecia o “vida por vida” (Êx 21.23). Jesus não condenou a “Lei de Talião” mosaica, mas indicou um caminho muito mais nobre: o da prevalência do perdão e do amor (M t 5.38-48). Aliás, na própria Lei de Moisés, Deus, ao condenar a vingança com as próprias mãos — isto é, sem julgamento — , também recomenda à vítima que ela prefira o caminho mais nobre do perdão e do amor em vez de re­ correr aos juizes para a aplicação da “Lei de Talião” mosaica (Lv 19.18). 9. A Lei de Moisés previa a obrigatoriedade de indenização a ser paga pelo dono de um animal que por meio dele tivesse pro­ vocado algum dano e também o crime de deliberadamente deixar solto um animal feroz para colocar em risco a vida das pessoas — se houvesse morte de alguém em um caso com­ provado de negligência deliberada do dono, tanto o animal quanto o dono eram mortos (Ex 21.28-32). 10. A Lei de Moisés previa indenização no caso de danos causa­ dos pela morte de animais que caíam em covas não tampa­ das, que naquela época eram abertas para armazenar água ou cereais (Êx 2 1.33-36). 11. A Lei previa restituições e multas por roubo ou danos causa­ dos direta e indiretamente, bem como o conceito de respon­ sabilidade civil (Êx 22.1-15).
5 LIVIN GSTO N , George Herbert. Com entário Bíblico Beacon, v. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 195; e CONNELL, J. Clement. Exodus — The New Bible Com m entary. Editado por R. Davidson. Grand Rapids: W illiam B. Eerdmans Publishing Company, 1954, p. 121.
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12. Ela previa o crime de propina e corrupção (Êx 23.1-3,6-8). 13- Previa o crime de negligência (Êx 23.4,5). 14. Previa o crime de desacato à autoridade pública (Êx 22.28). 15. A lei mosaica condenava a discriminação xenófoba (Êx 22.2 3 ; 2 3.9); o estrangeiro deveria ser recebido e tratado como qualquer cidadão hebreu (Lv 19.18,33,34). 16. Ela exigia proteção aos menos favorecidos (Êx 22.22). 17. Ela proibia emprestar dinheiro a juros para o pobre e tomar como penhor um bem essencial à sobrevivência da pessoa (Êx 22.25-27). 18. Nenhuma pena poderia ultrapassar o criminoso: os pais não pagam pelos crimes dos filhos e vice-versa (Dt 24.16). 19. A Lei previa a condenação de fraude em negócios (Lv 19.11). 20. A Lei estabelecia que o julgamento não deveria privilegiar nem os ricos e nem os pobres (Lv 19.15). 21. Previa o crime de levar a própria filha para a prostituição (Lv 19.29). 22. Proibia transações desonestas (Lv 19.35,36). 23. Estabelecia pena de morte para o infanticídio (Lv 20.2). 24. Ordenava o respeito, a honra e a preferência aos idosos (Lv 19.32). 25. Proibia a improbidade administrativa (D t 17.16-20). 26. Exigia pelo menos três testemunhas para qualquer julga­ mento ou negócio a ser celebrado (D t 19.15-21).

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32.1).10). 31.1-11) — inclusive. ensinando equivocadamente que o homem poderia divorciar-se “por qualquer motivo”.1-4). Como disse Jesus. E como se não bastasse isso.2 2 .25-27).3). seria obrigado a pagar um dote aos pais dela e a se casar com a moça (Êx 22.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 27.15-17). 29. ainda havia uma corrente judaica que flexibilizava o sentido da expressão “coisa feia”. Ele deveria ser enterrado no mesmo dia (Dt 21. a permissão mosaica nesse caso já era uma condes­ cendência “por causa da dureza do coração” do povo (Mt 19. que era a principal. imoral e vergonhosa da mulher — que seria o significado da expressão “coisa feia” (Dt 24. O direito de herança para o filho rejeitado ou preterido era pre­ servado: se o filho mais velho fosse o filho da aborrecida. Nenhum condenado à morte deveria ter o seu corpo vá­ rios dias sem ser enterrado. iria para o filho da aborrecida (Êx 21. como faziam muitos povos na­ quela época. na época de Cristo. a herança da primogenitura. Além da possibilidade de novo casamento em caso de adultério. o divórcio só é permiti­ do em caso de adultério (Mt 19.8). A lei mosaica tolerava o divórcio. uma vez que os adúlteros eram punidos com a morte (Lv 20.16). No Novo Testamento.2 3 ). A Lei exortava contra a omissão (D t 22. discussão que foi levada até Jesus (M t 19. mas lemos também no Anti­ go Testamento que Deus odiava o divórcio (Ml 2.8).14-16). 30. e não da amada. Jesus fala da possibilidade de divórcio em caso de adultério justamente . Previa a pena de morte para estupro (D t 2 2. que na época da graça não mais é punido com a morte (Jo 8. a Lei concedia o divórcio em caso de incontinência pré-nupcial ou conduta indecente. Se um homem seduzisse uma moça levando-a para cama. 28.

O direito ao salário devido (D t 24. O israelita recém-casado que exercia serviço público tinha di­ reito a um ano de lua de mel sem trabalhar (Dt 24.14). 2. na lei mosaica. no caso de não haver descendente homem. 6. o buraco deveria ser imediatamente fechado (Dt 23. Ninguém podia invadir ou mudar os marcos da propriedade do próximo (D t 27.l4. Sanitárias e de Guerra 1. que eram muito usados pelos mo­ radores naquela época. Principalmente quando em acampamentos de guerra. 3. rança iria para as mulheres (Nm 36. Arquitetônicas. deveriam ter parapeitos para evitar quedas (D t 2 2 .1-9).13).8 ).15).D t27. 3 5. 5. Feita a necessidade.5). 112 . a he­ As Leis Trabalhistas.12.U m a J o r n a d a de fé por não aceitar mais pena de morte nesses casos — . Ninguém podia tratar mal o deficiente físico (Lv 19. A proibição de o empregador oprimir o empregado (D t 24.19). Enquanto no resto do mundo antigo dos dias deMoisés a herança era garantida exclusivamente aos homens. Ecológicas. e também em caso de abandono do cônjuge (1 Co 7.15). Cada um deveria sair do arraial com uma pá para cavar um buraco onde depositaria seus dejetos. As construções deveriam observar critérios de segurança. 33.15). 34. 4. os israeli­ tas não faziam suas necessidades fisiológicas no arraial. O salário não poderia ser atrasado (D t 24. Os telhados das casas.18).

Se Israel tives­ se que sair à guerra. Se o inimigo de­ sistisse da peleja. preferindo a paz. comenta Matthew Henry: “Essa lei nos proíbe de sermos cruéis com os animais ou de ter prazer em ex­ terminá-los. Embora Deus nos tenha feito mais sábios do que as aves do céu. estava em foco aqui “a bondade” para com os animais.5). uma vez que “os pássaros na Palestina são importantes para o controle de pestes”.10). v. Como frisa o C om entário B íblico B ea co n .20). Israel não poderia derrubar árvores frutíferas (D t 20. e os que se confessassem covardes (Dt 20. C om entário Bíblico Beacon. e LIV IN G STO N .6. Sobre a bondade para com os animais. Israel sitiaria a cidade (D t 20. ainda assim não devemos maltratá-las”. mas apenas sementes de um mesmo tipo de planta em cada área (D t 22. dentre os alistados para a batalha. 627. os que tivessem plantado. Se Israel tivesse que sair à guerra contra um inimigo. mas não tivessem ainda usufruído dela. C om entário Bíblico do Antigo Testam ento — Gênesis a Deuteronômio. 10. 1. mas apenas os filhotes (Dt 22. não poderia tomar a mãe com toda a ninhada para si. Quando um israelita encontrava um ninho.As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 7. 2010. mas também “o equilíbrio da natureza”. Matthew. 6 HENRY. Nas plantações. p.9). 461. 11. passaria a ser tributário de Israel (D t 20. 113 .12).11). 2005.6 9. e nos concedido domínio sobre elas. Rio de Janeiro: CPAD. os que estivessem noivos ou em lua de mel. deveria antes negociar a paz com ele (D t 20. não se poderia misturar vários tipos de se­ mentes em uma mesma área. Somente em caso de não aceitar a paz. mas ainda não colhido a nova safra. 8.19. p. Rio de Janeiro: CPAD.7). George Herbert.5-8). A lua de mel do soldado durava um ano (D t 24. eram liberados para não ir à peleja os soldados que tivessem edifica­ do uma casa. O serviço militar em Israel não era obrigatório.

as coisas não eram bem assim no início. humilhação. A única exceção era para os cananeus. a escravidão era algo “maravilhoso”. as relações entre senhores e servos não eram abusivas. D t 20. tudo aquilo que nos vem à mente hoje quando ouvimos alguém pronunciar a palavra “escravidão”. Os cananeus eram feiticeiros.U m a J o r n a d a df.1 4 ). crianças e animais (D t 20. D t 12. praticavam a sodomia e todos os tipos de imoralidades sexuais. Ao ouvirmos a expressão “escravidão”. não estou querendo dizer que.31. fé 12.50-53. Por essas razões.17). Leis Concernentes à Escravidão É muito difícil para nós hoje imaginarmos como era possível que no passado as pessoas achassem normal a escravidão. exaltavam a prostituição e se entregavam a ela em seus cultos. a ideia de escravidão não tinha toda a carga negativa que tem hoje. Claro que nunca foi. Só que ela também não era. não poupassem ninguém (Nm 33. A expressão “escravidão” tem um peso negativo tão grande que mes­ mo o seu sinônimo “servidão” não tem metade da carga emocional nega­ tiva que ela carrega. o que vem à nossa mente imediatamente são as ideias de prisão. Só que. Claro que também havia casos de excessos. que Deus ordenou que deveriam ser todos exterminados pela sua impiedade (D t 2 0. em seu formato original.1-23. surras. privação de direitos. ameaçando destruí-lo (Lv 20. mas. na An­ tiguidade. chibatadas. sacrificavam crianças e praticavam bestialismo. tudo aquilo que lemos e ouvimos acerca. faziam maldades contra outros povos e não aceitavam a presença do povo judeu na região. principalmente entre 114 . no geral. 18. Entretanto.9-14). abusos e injustiças no trato de servos na Antiguidade.15-18). no pas­ sado. exploração. da escravidão negreira durante a Era Moderna. apenas no caso dos cananeus. Israel não poderia matar em uma guerra mulheres. E ao constatar isso. seres humanos tratados como animais ou abaixo de bichos — enfim. ser forçado a ser e a fazer o que não se quer. depois de séculos de tantos abusos ocorridos durante a sua prática. sobretudo.16. Deus disse ao povo de Israel que.

As vezes. o trabalhador está obrigado a realizar o trabalho como con­ tratado. é uma necessidade inerente à instituição. O filósofo R. O Estado tem propriedade pelo trabalho dos cidadãos.1. J. Em nossos dias. Politics o f G uilt an d Pity. como lembra Rush­ doony. 1 Pe 2. Califórnia: Ross House Books. é uma prática que consideramos ainda hoje “apropriada e legíti­ ma”. não é por contrato. E não podemos ser ingênuos de pensar que podemos abstrair o nosso trabalho das nossas pessoas. 22.22-4. a prestar serviço e tempo integral ao Estado sob condições muito mais rigorosas. quando sob um contrato de trabalho firmado entre as partes e com uma legislação trabalhista que garanta determinados direitos. defini­ mos escravidão como “a propriedade do homem sobre outro homem”. a ideia original era de “propriedade do ho­ mem sobre o trabalho de outro homem”. Nesse caso. propriedade sobre o nosso trabalho por parte de outros é [ainda hoje] um fato da nossa estrutura social. 1970. citado por Rushdoony: A propriedade de alguns homens sobre o trabalho de outros e a pro­ priedade de instituições sobre o trabalho daqueles que estão associa­ dos a elas é algo do qual [ainda hoje] não podemos nos livrar. durante muito tempo. Rushdoony lembra que o conceito de escravidão no passado era bem diferente do que temos hoje. só que “sob certas condições”7 — isto é.2. O empregador tem propriedade sobre o trabalho dos seus empregados. E sabemos muito bem que isso não significa violação do 7RU SHDOON Y.1. Cl 3. 115 .5-9. há um ponto em que — ou um aspecto no qual — isso deve ser considerado como propriedade sobre nossas pessoas. no mundo antigo.18-25 e Fm 8-21). Como explica John Murray. J. Uma vez que o contrato é celebrado. um grande número de cidadãos são compelidos. só que. a presença de contrato não elimina esse fato.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 0 povo hebreu e os primeiros cristãos (Ef 6. Se ou­ tro tem propriedade sobre o nosso trabalho. R. Não é necessário multiplicar os exemplos. e envolvendo muito mais riscos à vida e à pro­ priedade que as condições em que os escravos podiam ser chamados a servir aos seus senhores. 1 Tm 6. o que. Portanto. p.

infelizmente.8).. Pois bem. Segundo ele. Grand Rapids. estaria na natureza delas.. j ^ melhor V é preciso vermos o que levou as pessoas no passado a. inclusive. 'A mas km kmos os também também no noAntigo AntigoTes Tes­ mas tamento que Deus odiava o divórcio (Ml2." . É uma necessidade da nos­ sa natureza e da organização social da raça humana. divórcio. 116 . a escravidão na Antigui­ dade teve início em virtude de três fatores. p. era co­ mum pessoas que eram muito pobres. Infelizmente. preferindo partir logo para uma vida à custa e ao serviço de pessoas mais abastadas. . O número de pobres sempre foi muito grande na Antiguidade. e somos capazes de ver o limite que o Novo Testamento dá. pudessem sobreviver. que não tinham como se susten­ tar de jeito algum. Havia até casos de pobres que nem tentavam se esforçar para conseguir a sua independên­ cia. Aliás. e as pessoas da Antiguidade acha­ vam esta última atitude uma medida legítima. aa (Ml permissão permissãomosaica mosaicanesse nessecaso casoera erauma uma condescendência condescendência 'por 'porcausa causa da da dureza dureza do do coração' do povo (Ml 19. Náo há necessidade de pensar que a propriedade de outro sobre o nosso trabalho ou. a pobreza. nesse ponto. essa era a razão de o filósofo grego Aristóteles. mas havia outros que se ofereciam à servidão. Michigan: Eerdmans. se darem como escravas. razão por que. assim. f S J Para mos entenderisso. John. 8 MURRAY.U m a J o r n a d a de fé nosso ser.. Jesus. 2. personalidade. Em primeiro lugar. sobre a pessoa envolvida nessa relação de serviço seja uma violação do que é intrínseco à personalidade. Ela foi o primeiro — e também o principal — fator gerador da escravidão.. 1957.. Como Como disse disseJesus. ditada pelos princípios dos quais as Escrituras são o guia” 8 f* I I “ A lei lei mosaica mosaica tolerava tolerava oo divórcio. no Livro I de sua obra Política. Havia pobres que preferiam a mendicância à servidão. afirmar que algumas pessoas já nasciam para serem escravas. Principies o f C onduct.14-16). 97-99.. se oferecerem como escravas de outras pessoas bem aquinhoadas para que. isso acontecia.14-16). direito ou privilégio. Aspects o f Biblical Ethics.

Ninguém considerava im­ próprio o credor ter propriedade sobre o trabalho do devedor até que a dívida daquele fosse paga. de maneira que esse comércio ganhou proporções internacionais enormes naqueles dias. às vezes a pessoa não era pobre. que nasceu o famoso comércio de escravos. Muitos morriam na viagem. por causa das dívidas dos pais. após o falecimento destes. Foi daí. se o grande número de pobres já favorecia a prática da servidão. mas pela força. inclusive manifestavam-lhes forte preconceito racial. mas ficava de­ vendo tanto a outra pessoa que. Aliás. em terceiro lugar. E por fim. Inclusive. Todos consideravam mais do que justo. como seres humanos que eram. não tendo como pagá-la. Povos conquistados tinham geralmente parte de sua população poupada para servir como escrava à gente da nação vencedora. com grande volume de escravos levados em longas viagens em navios da pior qualidade e com um tratamento dentro deles da pior espécie possível. Ademais. se oferecia para servi-la até conseguir pagar a dívida. o grande número de guerras acabou inflando ainda mais essa situação. milhares de anos depois. Devido à grande demanda de mão de obra nas nações da Europa e da América. Foi esse tipo de escravidão que Aristóteles condenou. dimensões internacionais. uma das páginas mais terríveis da história. por exemplo. Sem dúvida.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s Em segundo lugar.7. muitos dos futuros senhores dos sobreviventes dessas viagens não tratavam esses escravos de guerra estrangeiros com a dignida­ de devida. que estavam em franco crescimento econômico naquele período. Lembremo-nos. as tribos e os reinos africanos viram na venda de seus escravos de guerra uma gran­ de oportunidade de enriquecer. vemos que os ne­ gros que eram vendidos aos europeus e americanos (do norte. que ganharia. 117 . porque considerava uma escravidão não por nature­ za. os filhos.1. centro e sul) nada mais eram do que prisioneiros de guerra de tribos de negros da África que eram vendidos pelos seus conquistadores aos brancos. desse último caso. do caso registrado em 1 Reis 4. trabalhavam também como servos do credor até que o restante da dívida paterna fosse paga. havia aqueles escravos que eram frutos de guerra. As crueldades dessa época se tornaram famosas. já na Era Moderna. Ou seja. com o passar dos anos.

havia tanto senhores bons. que era a principal potência mundial na época. Abraham Lincoln. promoveram um movi­ mento no século X V III que culminou no fim do tráfico de escravos e na abolição da escravatura na Inglaterra no início do século X IX . fazendo parte da família e se tornando grandes amigos de seus senhores. No contexto do mundo antigo. Lembrando que essa mudança na Inglaterra. forçou todos os demais países do Ocidente que praticavam a escravidão a fazer o mes­ mo nas décadas seguintes. Essa história é narrada nas páginas 243 a 250 do meu livro A Sedução das Novas Teologias (CPAD). no Segundo Grande Despertamento Evangélico (1820-1860). William Wilberforce e o célebre “Grupo de Clapham”. O historiador William J. a maioria dos pregadores pregava contra o pecado da escravidão na América e pelo fim da escravatura. No nosso país. John Newton. tendo como principais nomes desse movimento John Wesley. e o cristianismo foi o responsável por isso. com o passar dos séculos. esse costume foi abo­ lido. os quakers e muitos anglicanos. não só maçons. era um fator cultural. teve sua mente mudada sobre o assunto e se tornou um abolicionista. seguidos por congregacionais e presbiterianos. como havia senhores extremamente maus. mas evangélicos também participaram do movimento abolicionista. após abandonar o deísmo que havia abra­ çado no início da sua fase adulta e se voltado para Cristo pouco antes de assumir a presidência do seu país. que no início era a favor da escravidão. Por exemplo: a Bíblia diz que Abraão e Jó eram senhores que cuidavam bem e com dignidade de seus 118 . A escravidão. os metodistas. que abusavam de seus servos. E nos Estados Unidos. mas não tinha a mesma dimensão da já mencionada escravidão negreira que marcou a Era Moderna. Mas voltemos ao mundo antigo.U m a J o r n a d a de fé Pela graça de Deus. W olf conta detalhes dessa história em seu livro The Religion o f Abraham Lincoln. conhecido como “Os Santos”. que antecedeu a Guerra de Se­ cessão (1861-1865). cujos servos eram tratados com muita dignidade. inclusive o Brasil. E só lembrar que en­ quanto grandes nomes do Iluminismo sequer moveram uma palha para acabar com a escravidão. tornando-se o carro-chefe do movimento abolicionista norte-americano. na Antiguidade. oprimiam-nos e cometiam várias injustiças contra eles.

honra e amizade. Só \ que.14).39). Eis as normas para os servos israelitas: 1. que muitas vezes eram tentados a se aproveitar do direito que tinham sobre o tra­ balho de seus servos. Se não. Deus instituiu algumas regras salutares para dar o mínimo de dignidade e oportunidades de independência para o servo. 14. no caso de alguns. depois veremos para os servos estrangeiros. e seguia a mesma fé de seu senhor (Gn 24. Lembrando que era proibido emprestar com usura aos necessitados e eram 119 .7-9. O igualmente muito rico Jó afirma que. na Antiguidade. / ■ seria que não existisse "É muito difícil para nós hoje imaginarmos como era possí­ vel que no passado as pessoas achassem normal a escravidão. que era tratado com respeito. já que essa situação era uma realidade por causa dos problemas sociais pre­ valecentes em todo o mundo antigo.14-16). vejamos. Porém. A Bíblia também diz que as centenas de servos de Abraão lutavam em guerras com o seu senhor e disputavam em favor dos negócios dele (Gn 13. Deus regulou essa prática para que não houvesse abusos por parte dos senhores.3).A s R e v o l u c i o n á r i a s L eis E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s muitos servos. quando não tinha condições de pagar dívi­ das ou ainda. A pessoa só se tornava serva de outra quando era tão pobre que não tinha condições de manter-se como cidadã indepen­ dente (Lv 25. Primeiro." . na verdade. Abraão colocava a administração sobre tudo o que pos­ suía nas mãos de um de seus servos. a ideia de escravidão não tinha toda a carga negativa que tem hoje. O ideal.13.12).2. veremos as normas válidas para os servos israelitas. servidão. quando não tinha condições de pagar indenizações por roubo (Êx 22. Para isso. nunca desprezara o direito de um servo ou serva quando lhe cobravam alguma coisa (Jó 3 1. depois de séculos de tantos abusos oconidos durante a sua prática. em toda a sua vida.

ainda não havia sido paga. devendo receber um salário como qualquer empregado (Lv 25. para que não fossem tentados a apelar à servidão (D t 24.18). ele teria que escolher se queria a liberdade ou se ficaria com ela e os eventuais filhos frutos dessa união (Ex 21.14.13. e mesmo se ele fosse escravo não por ter se vendido em sua pobreza. Mesmo sen­ do escravo. mas por causa de uma dívida específica que.3. Quando a pessoa recebia sua liberdade após os seis anos. sem precisar pagar nada (Ex 21. 2.19-22).2). O tempo de serviço de um escravo só poderia durar até seis anos. 3. 4. Ao final dos seis anos de trabalho.4).4 0 ). após aqueles seis anos. Nesse caso.13-15. O servo hebreu não poderia receber dos seus senhores ape­ nas roupas. 120 .54). diaristas. os empregados recebiam seu pagamento por dia trabalhado. isto é. A pessoa não era forçada a viver como serva de outra pelo resto da vida por causa de uma dívida ou do que quer que fosse. por isso eram chamados de “jornaleiros”. seria liber­ to mesmo assim. Naquela época. a não ser que ela fosse uma serva do seu senhor com quem ele tinha se casado durante o período de seis anos de servidão.3 9 . sua mulher e seus filhos também sairiam da servidão juntamente com ele (Ex 21. como acontecia com a maioria dos escravos das outras nações.U m a J o r n a d a de fé incentivadas algumas medidas para a sobrevivência e o man­ timento do pobre. ele deveria ser tratado como um funcionário. o seu senhor era obrigado a lhe dar uma compensação que o auxiliasse a começar sua liberdade com alguma posse e sus­ tento (D t 15. Os seis anos eram suficientes. comida e local para dormir. 5. Lv 25.

5 . Ou seja. a qual já nos referimos. Como acrescenta o Comentário Bíblico Beacon.9 8. Esse era o sinal de que ele ser-lhe-ia escravo para sempre. conforme a chamada “Lei da Vingança” (“vida por vida”.6 ). 2005. ao castigar seu servo por algum mal que este lhe cometera. E se ele não cumprisse isso. George Herbert. desagradasse dela e resolvesse não a desposar. Rio de Janeiro: CPAD. ela poderia se descasar dele sem devolver ou pagar nada (Ex 21. o servo seria “vingado” (Ex 21. maltratando a moça”. E mesmo se seu mari­ do depois se casasse com outra. “essas nor­ mas impediam que o senhor se aproveitasse da família po­ bre. Quando um senhor. A prova pública e definitiva dessa decisão livre do servo era dada quando o seu senhor furava a orelha dele.17). Ela nunca poderia ser oferecida a um estrangeiro. após pagar o dote. Ex 21. A mulher solteira em situação de escravidão poderia sair livre como qualquer escravo ao final de seis anos (D t 15. confirmando a situação. E se ela se casasse com o filho do seu senhor.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 6. v. seu se­ nhor deveria ir aos juizes. teria que ter os mesmos direitos de uma filha do seu senhor. levasse-o à morte. então seria casti­ gado —. Comentário Bíblico Beacon. o que seria uma referência à aplicação da pena de morte ao senhor. Se o senhor. 1. que. havia liberdade de escolha. 194. 7. nem a obrigação marital que tinha para com ela.no original hebraico.7-11).12. p. No caso 9 LIVINGSTON. ele não poderia diminuir o mantimento. Se o servo amasse tanto a família que ele constituíra na casa de seu senhor ou gostasse tanto do seu senhor que quisesse continuar sendo servo dele por toda a vida. e se seu senhor quisesse se casar com ela. teria que pagar ao pai dela pelo casamento e este era livre para aceitar ou não a proposta. nem a veste. 121 .20). ela seria comprada de volta. ra­ tificariam o desejo desse servo (Ex 2 1 .23).

porque este já sofreria com a perda econômica de não ter mais o trabalho do servo e com a extinção da dívida financeira deste para com seu senhor ao morrer (Êx 21. encontramos na lei mosaica que: 10 LIVINGSTON.43). A sanção para quem quebrasse essa norma era a pena de morte (D t 24. Inclusive. pagar pela sua libertação — tinha a obrigação de fazê-lo (Lv 2 5 . se este quisesse fugir por se sentir oprimido por seu senhor.16).21). seja afetando-lhe o que era considerado o bem mais precioso de um homem — o seu olho — . George Herbert. Como explica o C om en tário B íb lic o B ea c o n . Em relação aos servos estrangeiros. não poderia ser devolvido a seu senhor. 195. 1. Comentário Bíblico Beacon. não seria aplicada pena nenhuma ao senhor. mas apenas se excedera no castigo para corrigi-lo.27). O senhor não poderia tratar mal a seu servo (Lv 25.26. seja arrancando o que era considerado o bem mais simples de um ser humano — um dente — . A casa onde ele fosse procurar esconderijo era obrigada a recebê-lo e o servo ficaria livre (D t 2 3. v. Se um senhor ferisse o seu servo.U ma J o r n a d a de fé de o servo sobreviver dias.1 0 9. 2005. Rio de Janeiro: CPAD. Nenhuma pessoa que já não fosse escrava poderia ser vendi­ da como escrava. 122 . Um parente do escravo que tivesse condições financeiras de resgatá-lo — isto é.7).15. 10. 12. p. a so­ brevivência por alguns dias comprovava que o senhor não desejara matar o escravo. seu servo receberia automaticamente a liberdade sem dever mais nada a seu senhor (Êx 21. 11.4 7 -5 5 ).

a estrangeira deveria romper com o pa­ ganismo. Deus autorizou que fossem comprados (Lv 25. Califórnia: Ross House Books. Lv 2 5 . 6.44) para que os israelitas evi­ tassem o máximo possível ter servos entre seus irmãos..As R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s I s r a e l i t a s 1. William. porquanto ago­ ra era a sua esposa (D t 2 1. J. 190-193.10).2 2 .1 7 .1 1 "R U SH D O O N Y . Politics o f G uilt an d Pity.44. 2 7 . apregoareis liberdade na terra a to­ dos os seus moradores " . 25. Fairbain’s Im perial Standard Bible Encyclopedia v. R. 3.45). ou de tê-los como servos por toda a vida (Lv 2 5 . “Slave. Por todos esses fatores.1 0 . Também não deveria vestir mais roupas de escrava e não poderia nunca ser vendida. Patrick (editor).. R. estrangeiros pobres que se ofereciam como servos ou então servos estrangeiros comprados de outros povos (Lv 25. Michigan: Zondervan. todos os demais direitos que um servo israelita tinha um servo estrangeiro também tinha (Lv 2 4 .4 4 -4 6 ). Excetuando essa não obrigatoriedade de libertação dos escravos estrangei­ ros após seis anos de trabalho. D t 2 4 .14). que é o que significa “rapar a cabeça” e “cortar as unhas” (D t 21. E uma vez que depois disso ela passaria a ser a sua mulher. como foram os hebreus quando escravos no Egito (Êx 22. Rushdoony e William Lindsay afirmam que seria mais conveniente chamar a escravidão sob a lei mosaica “de serviço obrigatório. 1970.13.1 9 ). Slavery”. Seus senhores tinham a opção de ou libertá-los após seis anos de serviço (“. o que al­ guns faziam.12). que era a opção da maioria. e LINDSAY. primeiro deveria dar-lhe um mês para chorar o seu luto (D t 21. Eles eram presos de guerra (D t 21. 123 . In: FAIRBAIN.13). e não de escravidão”. 1957. p.grifo meu). 2. J. Se um israelita quisesse se casar com uma das prisioneiras de guerra.21). Um servo estrangeiro não poderia ser oprimido. Grand Rapids. p.

essa era a razão. que a revelação da vontade e do plano de Deus ao homem após a Queda não pôde ser feita de uma vez só. e que lhes serviriam de pedagogo provisório. O povo não poderia receber algo melhor do que aquilo e. mas não há como ignorar a importância do princípio moral embutido naquela proibição ou condenação. o ser humano não é muito melhor do que naqueles dias. obedecendo a um roteiro 124 . \ Hoje. não concorde com o tipo cie pena aplicada nos dias de Moisés / para determinado delito. Ele continua sendo o mes­ mo pecador que sempre foi.22). como já afirmamos no capítulo 9. Em primeiro lugar. em pleno século XXI. mesmo assim.- divórcio na lei mosaica. as quais precisou aprender a duras penas com o passar dos séculos.8). devemos nos lembrar de que Deus. três coisas devem ser ditas. Todos sabemos. e o próprio Jesus. Aliás. e que é válido ainda hoje. como figuras e sombras dessas verda­ des eternas que seriam totalmente descortinadas após a primeira vinda de Cristo (Cl 1. concedeu leis dentro do que o povo de Israel poderia receber naquela época.----------- -------------------. Ela precisou acontecer de forma progressiva.U m a J o r n a d a de eé Sobre os Aparentes Exageros da Lei Mosaica na Aplicação de algumas Penas Sobre os aparentes exageros que a lei mosaica aparentava na aplica­ ção de algumas penas. em sua sabedo­ ria. A diferença é que." ------------------ ainda não estava preparado para absorver a plenitude de algumas verda­ des. de muitas verdades espirituais que são evidenciadas no Novo Testamento serem apresentadas apenas de forma alegorizada no Antigo Testamento. explica que ela se deveu à “dureza do coração” do povo (Mt 19. Lembremo-nos de que a Bíblia classifica os israelitas daquele período de povo “obstinado” e “inclinado ao mal” (Êx 32. Israel 'Talvez você.26). ao referir-se à condes­ cendência em relação ao -------. inclusive. pèlas próprias Escrituras. o que receberam já era extraordinário e revolucionário para os padrões da época.9. naquela época.

Aquele era o mo­ mento exato. os homens. conseguiu vislumbrar verdades que vão além das sombras da tipologia veterotestamentária (SI 5 1 . E ainda hoje isso acontece: muita gente em nossos dias. Em segundo lugar. muitos cristãos ainda tiveram. em pleno século X X I. Isso fica ainda mais claro.As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s e a um período de preparo estabelecidos pelo próprio Deus. pelo menos no que é essencial para as nossas vidas. mesmo estando no Antigo Testamento. por questões pessoais e culturais. desrespeitando os princípios básicos de interpretação da Bíblia. a dificuldade de se adequar às verdades do evangelho expostas na Palavra de Deus.1 7 ). Jesus não po­ deria ter vindo nem antes nem depois da época em que Ele veio. transcender o espírito do nosso tempo e entender as verdades de Deus. pela graça divi­ na. Davi. estaria muito atrasado. durante esses 20 séculos. interpretar equivocadamente ou até mesmo distorcer de forma deliberada verdades do evangelho por causa da sua visão cultural. e o mesmo se deu. Antes. razão por que.4). com Habacuque (Hc 2.1 6 . Ou seja. às vezes. por exemplo. A Bíblia é divi­ namente inspirada. nos séculos passados. depois. no que concerne às leis civis mosaicas. questões culturais chegaram a levar muitos cristãos a igno­ rar.1-4). ainda é preciso fazer uma observação: mesmo as penas que hoje soam mais estranhas trazem princípios morais subjacentes que são válidos até hoje. Mesmo depois de a revelação divina acerca de tudo quanto pre­ cisamos para a nossa salvação e a nossa vida aqui na Terra ter sido encerrada há cerca de dois mil anos. seria prematuro demais. como prova de que é possível. mas humanamente lida. quando Paulo afirma que Jesus só pôde encarnar quando chegou “a plenitude dos tempos” (G14. Não poucas vezes. sempre houve muitos cristãos que conseguiram transcender essas influências e absorver as verdades do evangelho como se apresentam — e se nem sempre em sua inteireza. não concorde com o tipo de pena 125 . Por outro lado. tanto no passado como hoje. tenta reinterpretar e reinventar o evangelho à luz dos princípios da pós-modernidade. Po­ rém. por exemplo. Talvez você. complicam a honesta interpretação dela. aquela era a hora certa no tempo perfeito de Deus.

para deixar isso bem claro a vocês. Logo. de sobrevivência em Canaã. incesto. náo é à toa que todos os crimes relaciona­ dos às abomináveis práticas cananeias recebem a pena máxima. Na lei mosaica. reiteradamente. mas não há como ignorar a importância do princípio moral embutido naquela proibição ou condenação.1 8 -2 1 .1 0 -1 6 . para deixar isso bem claro a vocês. para que vos não vomite a terra. 22.1 5 .U m a Jo r n a d a df ff aplicada nos dias de Moisés para determinado delito. sodomia e rebeldia contumaz deveriam ser punidos não com açoites. todos os meus estatutos e todos os meus juízos e cumpri-os. D t 2 1 . alerta o povo de Israel con­ tra as práticas dos cananeus. e que é válido ainda hoje. mesmo não sendo crimes contra a santidade da vida. pois. devemos nos lembrar que as penas que se mostram mais rígidas na lei mosaica — aquelas que. adultério. Ao final de muitas dessas penas. E ao listar praticamente todas elas em Levítico 20. as que diziam respeito a abominações praticadas pelos cananeus. 22.5). tinham como sanção a morte — eram. E náo andeis nos estatutos da gente que eu lanço 126 . contra a imitação dos pecados dos ca­ naneus e contra o relacionarem-se com os cananeus.1 7 . em terceiro lugar. ) Deus está sendo enfático: 'Eu odeio veementemente essas coisas e.1 -2 1 . Ele conclui dizen­ do: “Guardai. determino pena máxima para quem praticá -las em Israel'.1820. Lv 2 0 . E finalmente. Deus está sendo enfático: “Eu odeio vee­ mentemente essas coisas e. 2 4 . bestialismo. para a qual eu vos levo para habitar nela. Deus ainda enfatiza: “ Abominação é” ou “Imundície é”. mas com a morte (Êx 2 1 . e ainda os exorta a não pouparem os ímpios ^00 cananeus em sua batalha "Não é à toa que todos os crimes relacionados às abo­ mináveis práticas cananeias recebem a pena máxima. Deus. feitiçaria.” ---------------- Dessa forma. não por acaso. determino pena má­ xima para quem praticá-las em Israel”. multas ou qualquer outro tipo de pena.

15).21).. Gomorra e os cananeus. Ainda hoje.2 2 .8.6 — 16. Deus não muda (Ml 3. Portanto. [. O mundo de hoje já não deve nada em impiedade a Sodoma. não se engane: tudo isso ainda é tremendamente abominável ao Santo Deus.] E não andeis nos estatutos dessa gente”. a Bíblia diz que a visão de Deus em relação a essas coisas não mudou: tudo isso ainda é abominação ao Senhor (1 Co 6. pois. G1 5. portanto.9-11. Amém! 127 .1 4 . A ordem de Deus ainda é a mesma para nós hoje: “Guardai.. fui enfadado deles” (Lv 2 0 . no Novo Testamento. isso só mostra em que nível de degrada­ ção a sociedade em nossos dias chegou. Deus não mais exige a pena de morte para tais abominações.6). mas.10.2 3 ). 1 Tm 1.8 . não devemos estranhar o grande juízo que virá sobre esse mundo (Ap 6. porque fizeram todas estas coisas. Se muitas dessas coisas hoje são consideradas normais e até incen­ tivadas em nossa sociedade. 22.9 . Ap 21.19-21. todos os meus estatutos e todos os meus juízos e cumpri-os.As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s fora de diante da vossa face. A diferença é que.

O Sacerdócio Levítico: O Sumo Sacerdote. Todos os que . Ele também le­ vantou homens que se dedicariam diária e exclusivamente à obra do Tabernáculo e teriam a responsabilidade de ensinar ao povo o caminho da verdadeira adoração. quem tinha essa função exclusiva era Moisés.6). ao lado de Arão. é contado. inclusive. que incluía o ensino do povo no Livro da Lei. Até antes de Deus fazer isso.11 A E s c o lh a de A rão e seus F ilh o s p a r a o S a c e r d ó c io Silas Daniel N o capítulo 9. como sacerdote do Senhor perante Israel (SI 99. que. O capítulo 28 do livro de Êxodo trata exatamente desse chamado divi­ no para a formação de um corpo sacerdotal. vimos como Deus estabeleceu as normas relati­ vas à adoração. Mas o Senhor foi mais além. vemos Deus escolhendo e separando para si os homens da tribo de Levi para o serviço no Tabernáculo e para o sacerdócio. Ali. vemos Deus ordenando a Moisés que separasse a Arão e seus filhos para o serviço sacerdotal. os Sacerdotes e os Levitas No início do capítulo 28 de Êxodo. veremos alguns detalhes e características desse importante ministério e que lições ele nos traz para os dias de hoje. Mais detalhes sobre esse ministério são dados também no livro de Levítico. quando das suas instruções para a construção do Tabernáculo. A seguir.

De certa forma.5-31). com os que exercem o ministério diaconal na igreja.11) e julgavam as causas civis entre a população (Nm 5.1-3). seriam comparados. No ministério do Tabernáculo. guardas dos tesouros e zeladores do Templo (1 Cr 26. Como já vimos no capítulo 9. cuidavam da mesa dos pães da proposição. mas os sacerdotes responsáveis pela liturgia diária deveriam pertencer exclusivamente à descendência de Arão. o principal tribunal de Israel. lograram conhecê-las de tal modo que passaram a interpretá-las. por sua vez.20-28). ele era responsável por fazer a ex­ piação anual em favor de todo o povo e também pelos sacrifícios nos dias de descanso estabelecidos por Deus. os sacerdotes e os levitas.6-10). a qual pertenciam Moisés e sua família. para ordenar melhor o serviço de cada um no Santuário (1 Cr 24). aben­ çoavam o povo. surgiria entre os levitas ainda a figura dos escribas. “com o transcorrer do tempo. Era ainda o supervisor geral de todo o Tabernáculo e do trabalho exercido pelos sacerdotes." O sumo sacerdote era a mais alta função da religião judaica. notadamente 129 . oficiais e juizes (1 Cr 26. e os levitas passaram a exercer trabalhos ainda mais especializados. Na época de Davi. nos dias de hoje. Já os levitas serviam de auxiliares dos sacerdotes e eram responsáveis por trabalhos menores dentro do Tabernáculo. ensinavam a Lei de Deus (Lv 10.A E s c o lh a de A rão e seu s F i l h o s p a r a o S a c e r d ó c io trabalhariam no Tabernáculo deveriam pertencer à tribo de Levi (Dt 18. que inicialmente eram “escreventes. havia três classes de obreiros: o sumo sacerdote. seu irmáo. mas que. os sacerdotes foram divididos em 24 turmas. ofereciam incenso ao Senhor. O sumo sacerdote era também o presidente do Sinédrio.29-32).18). havia três classes de obreiros: o sumo sacerdote. Os sacerdotes. os sacerdotes e os levi­ tas (Nm 3.1-19).10. "No ministério do Taber­ náculo. porteiros (1 Cr 26. que seria o primeiro sumo sacerdote da história de Israel (Êx 28. cuja principal função era copiar as Escrituras”. faziam os sacrifícios diários. como os de cantores e músicos (1 Cr 25). Com o passar dos séculos.

1 Tm 2. Lv 2 1. o único mediador entre Deus e os homens e que intercede diante do Pai por nós (Jo 14. porque o nosso único e definitivo Sumo Sacerdote é Cristo.U m a J o r n a d a de fé a Lei de Moisés”.6. 529. eles eram chamados de “mestres da Lei” (Lc 5.4 5 . essencialmente. o sacerdote deveria ministrar no Santuário perante Deus e ensinar ao povo a guardar a Lei de Deus. Hb 7. p. Rio de Janeiro: CPAD.1 -2 9 . Era responsabilidade do sacerdote também ensinar a Lei de Deus para a população (Êx 28 .1-31).1 Na época de Jesus. Rio de Janeiro: CPAD. eventualmente. É importante lembrar que o ministério sacerdotal não começou com Arão. um ministério de inter­ cessão. não há mais linhagens de sumo sacerdotes.17). Rio de Janeiro: CPAD. como “sacerdote do Senhor” (Gn 14. 1995. 1 Cr 24. que através do seu sacrifício acabou com a necessidade de novas ofertas e sacrifícios 1 B íblia de E studo Pentecostal. a qual fixou o cânon das Escrituras do Antigo Testamento”.5). instituiu a liturgia do culto na sinagoga e fundou a Grande Sinagoga em Jerusalém. 708. ele também tomava conhecimento da vontade divina em situações muito difíceis por meio da consulta ao Urim e Tumim.3 O ministério sacerdotal era. E. Segun­ do a tradição judaica.1-23. No Novo Testamento. Melquisedeque. 130 . 529. Esdras. que era sacerdote e autor do livro bíblico que leva o seu nome. Em síntese. p. uma vez que a Bíblia menciona o rei de Salém. que seria hoje “o equivalente a eruditos bíblicos”. Para que Apontava o Ministério Sacerdotal Levítico? O sacerdócio de Arão apontava para Cristo.1-3). 1995. 2 Bíblia de E studo Pentecostal. de orar em favor do povo. 1995.2 O mais notório escriba da história de Israel foi. sobre o qual falaremos mais adiante. p. foi ele quem “coligiu todos os livros do Antigo Testamento e os reuniu numa só obra. sem dúvida alguma. e não apenas no que diz respeito ao oferecimento de sacrifícios para expiação das culpas do povo. justamente por causa desse co­ nhecimento profundo da Lei. 3B íblia de E studo Pentecostal.18. mas também no sentido mais comum. O sacerdote era o mediador entre o povo e Deus.

entretanto. Não há dúvida de que o ministro do Senhor nos dias de hoje também deve observar o chamado divino para sua vida." são: chamado divino (Hb 5. e vos chamarão ministros de nosso Deus”. 2 9 .5.40).6 .8). princípios vá­ lidos para todo ministro do Senhor em nossos dias. Ela nos ensina que.19-23.9.12). porém há. e ela deveria ser ou virgem ou viúva de outro sacerdote (Lv 21).9 ).9. 40. surgiria entre os levitas ainda a figura dos escribas. o princípio da submissão no seu 131 . todos pertencentes ao povo de Deus podem se apresentar dire­ tamente a Deus para oferecer-lhe sua adoração (Hb 10.24-27) e vestes santas para glória e ornamento (Êx 28. que < inicialmente eram escreven­ tes. unção e santifi­ cação (Lv 8. a santificação e a unção de Deus para exercer o seu ministério.15). a função do sacerdote -A - levítico com a do ministro do evangelho dos dias de hoje.4 ). em Cristo. As características gerais do ministério sacerdotal “Com o passar dos séculos. Ele escolheu a família de Arão como linhagem sacerdotal (Êx 28.13).12-15.1.10) — esta é uma das doutrinas bíbli­ cas que os primeiros protestantes ressaltaram na época da Reforma e que se chama Sacerdócio Universal dos Santos. Não se pode comparar. como um todo.1-8. E mais: todos os cristãos hoje são sacerdotes diante de Deus (1 Pe 2. a Bíblia diz que originalmente Deus desejava tornar a nação de Israel.6). devido ao comportamento da nação.4). Ap 1. sob vários aspectos. O sacerdócio universal dos santos envolvendo todo o povo de Israel terá o seu cumprimento no milênio. Nm 6. de forma geral. pois estava sujeito às leis divinas especiais para ministrar (Lv 10. 5. certas características do ministério sacerdotal que são.6: “Vós sereis chamados sacerdotes do Senhor. o sacerdote só poderia tomar mulher de sua própria nação. purificação (Êx 2 9 .5. Aliás. 13. sem dúvida algu­ ma. submissão (Lv 8. Ademais. conforme Isaías 61. Outra característica importante: o sacerdote não podia ministrar como ele queria. cuja principal função era copiar as Escrituras.2.5.6.A E s c o l h a d e A r ã o e seus F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o (Hb 7. em um reino sacerdotal (Êx 19.

12. Deus. p. Certas produções que o mundo chama arte não passam de imoralidade. George Herbert. 28.5 Como observa Matthew Henry. O u seja.7-9. isto é. T t 1. mas a verdadeira arte é de Deus”. honrar os sumos sacerdotes. 214. destacar.1 . beleza e glória diante do povo. Rio de Janeiro: CPAD. Com entário Bíblico Beacon. v. “o Autor de tudo o que é bom e bonito.U m a J o r n a d a de fé dia a dia e a necessidade de exercer o seu ministério conforme a vontade de Deus (1 Tm 3.5. O texto bíblico afirma que foram homens “sábios de coração”. 1 Pe 5. enfatizar o signi­ ficado e a importância do seu ofício perante todos. C om entário Bíblico Beacon.3).4 Em segundo lugar.6). 5 LIVIN GSTO N . Suas vestes foram pensadas para refletir a dignidade do seu ofício. 132 . 6. distinguir.1-7.11. 2005. v. “Deus.3 2 . dá ao homem a apreciação divina pela beleza e a aptidão di­ vina para criá-la. Os materiais para fazer as vestes sacerdotais eram os mesmos das cortinas e do véu do Tabernáculo (Ex 2 6 . deseja que seu povo seja formoso e que haja beleza nos procedimentos de adoração”. 1. enfim. que criou a beleza. Como frisa o Comentário Bíblico Beacon. (2) para que o povo pudesse ser imbuído de uma santa reverência com relação ao Deus cujos ministros se apresentavam com tal grandeza. o sacerdote não poderia ministrar “com roupas simples e sem brilho” em um Tabernáculo que era “graciosamente colorido”. Rio de Janeiro: CPAD. A Indumentária do Sacerdote Duas coisas chamam a atenção de início no texto bíblico que fala das ves­ tes dos sacerdotes. (3) para que os 4 LIVIN G STO N . 2005. quem confeccionou essas vestimentas não foram quaisquer alfaiates em Israel. 214. p. 1. Em primeiro lugar. dar-lhes ornamentação.1-4). a quem Deus havia “enchido do Espírito de Sabedoria” (Ex 28. Estas gloriosas vestes foram indicadas: (1) para que os próprios sacerdotes pudessem ser lembrados da dignidade da sua função e pudessem comportar-se com o devido decoro.3 1 . George Herbert. o propósito da indumentária sacerdotal era “san­ tificar”.

A E s c o l h a d e A r ã o e seus F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o

sacerdotes pudessem ser um exemplo de Cristo, que se ofereceu imaculado a Deus, e de todos os cristãos, que têm a beleza da santi­ dade conferida a si, na qual são consagrados a Deus.6 Henry lembra ainda que “o nosso adorno agora, sob o evangelho, tanto o dos ministros quanto o de todos os cristãos, não deve ser de ouro ou pérolas, nem custoso, mas deve ser composto das vestes da salvação e do manto da justiça (Is 61.10; SI 132.9,16)”.7 Assim como as vestes sujas do sumo sacerdote Josué, na visão do profeta Zacarias, representavam a sua iniquidade (Zc 3.3,4), as vestes santas dos su­ mos sacerdotes representavam a pureza e a perfeição de Cristo como o nosso Sumo Sacerdote definitivo e por excelência (Hb 7.26). Havia quatro vestes que eram comuns aos sacerdotes e ao sumo sacerdote: Os calções de linho, que serviam para cobrir as partes íntimas e as coxas do sacerdote (Êx 28.42); O manto ou túnica de linho (Êx 28.39,40); rír O cinturão de linho, com bordados e usado para prender as roupas (Êx 28.39,40); As tiras para a cabeça, isto é, para o turbante (Êx 28.37,40). O linho fino utilizado na confecção dessas peças era um símbolo de pureza. Mas, além dessas quatro peças básicas, havia outras quatro que eram usadas apenas pelo sumo sacerdote: 1. O éfode com um cinturão diferenciado (Êx 28.6-14). Ele con­ sistia em um colete com as partes da frente e de trás unidas por

6 HENRY, Matthew. C om entário Bíblico do Antigo T estam ento -----Gênesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 317. 7 HENRY, Matthew. C om entário Bíblico do Antigo T estam ento -----Gênesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 317.

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U m a J o r n a d a de fé

tiras sobre cada ombro e por um cinturão à altura da cintura. Esse cinturão era colorido e habilmente tecido (“De obra esmerada”, Êx 28.6) conforme a criatividade que Deus dera aos sábios que confeccionariam as vestes (Êx 28.3). Nas tiras sobre os ombros, havia duas pedras sardónicas, uma de cada lado, trazendo o nome das doze tribos de Israel — seis nomes em uma pedra e os outros seis nomes na outra (Êx 28.9,10). O texto bíblico diz que a or­ dem dos nomes era “segundo as suas gerações” (Êx 28.10), o que significa dizer que a disposição dos nomes nas pedras obedecia à ordem de nascimento dos doze filhos de Israel que davam nome às tribos. Esses nomes deveriam ser engastados — isto é, encra­ vados — em ouro nas pedras e esses filigranas de ouro deveriam ser colocados, mais precisamente, ao redor das pedras, em seu entorno (Êx 28.11). Finalmente, havia ainda os engastes de ouro (fechos ou prendedores) e as correntes de ouro, que provavelmen­ te serviam para firmar o peitoral ao éfode (Êx 2 8.13,14,22-26). O fato de o sumo sacerdote levar o nome das doze tribos nos ombros tinha um significado claro: o sumo sacerdote, como in­ tercessor entre o povo e Deus, levava em seus ombros o povo. Essa grande responsabilidade, que era a essência do seu ofício, ele não deveria nunca esquecer (Êx 28.12). O propósito divino era que, cada vez que o sumo sacerdote vestisse o éfode, se lem­ brasse disso. 2. O peitoral do juízo (Êx 28.15-30), que era feito do mesmo material do éfode. Também era “obra esmerada” (Êx 28.15). A designação “do juízo” dada ao peitoral era uma referência, sem dúvida, ao “Urim e Tumim”, uma peça muito importante dessa indumentária. Essas palavras significam “luz e perfeição” e, pro­ vavelmente, era o nome dado a dois objetos, talvez duas pedras, que eram trazidas pelo sumo sacerdote no peitoral de sua roupa cerimonial (Êx 28.30). Através da consulta ao “Urim e Tumim”, o sumo sacerdote tomava conhecimento da vontade divina em situações muito difíceis (Êx 29.10; Nm 16.40; 27.21; Ed 2.63).

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A

Es c o l h a de

A rã o

e seus

F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o

Havia ainda no peitoral quatro fileiras de pedras preciosas con­ tendo três pedras cada uma (doze pedras ao todo). O nome das doze tribos de Israel também era gravado nessas pedras, sendo uma pedra para cada nome (Êx 28.21). O significado aqui tam­ bém é claro: o intercessor deveria ter em seu coração o povo por quem intercedia (Ex 28.29). Isso fala de compaixão e amor do intercessor pelos intercedidos. Cristo, o nosso Sumo Sacerdote e perfeito intercessor entre Deus e os homens, nos amou até o fim (1 Tm 2.5; Jo 13.1; 17.9,20-26). O peitoral era unido ao éfode por peças de ouro (engastes e anéis) na parte de cima, conectadas às tiras dos ombros do éfo­ de, e na parte de baixo, conectadas ao cinturão do éfode (Ex 28.13,1 4 ,2 2 -2 8 ). 3. O manto do éfode, com suas campainhas e com romãs nas bordas (Ex 28.31-35). Esse manto, diferente do manto de linho, ia até os joelhos e tinha nas bordas um material que se supõe ser uma espécie de “cota de malha” para não se romper (Ex 28.32). Ele era uma peça única, sem emendas e com abertura para a cabeça. Não tinha mangas, era de cor azul (Ex 28.31) e usado debaixo do éfode e do peitoral. Nas bordas, alternavam-se romãs bordadas e com cores di­ ferentes cada uma e campainhas de ouro — uma romã, depois uma campainha; outra romã, depois outra campainha, e assim sucessiva­ mente (Êx 28.33,34). As romãs significavam alimento, fertilidade e alegria, provavel­ mente alegria no serviço a Deus. Já os sinos eram para que se ou­ visse o sonido do sumo sacerdote quando andava. Elas chamavam a atenção das pessoas para a atividade do sumo sacerdote lá den­ tro, que deveria sempre estar movimentando as campainhas. O texto bíblico afirma que se o sumo sacerdote não movimentasse as campainhas enquanto estivesse lá dentro, perante o Senhor, ele morreria (Êx 28.35). Ou seja, quando o som parava, era porque o sumo sacerdote, achado em falta diante do Senhor, havia mor­ rido lá dentro. O sonido constante dessas campainhas, chamando

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no Santuário. que é pelo sacrifício de Cristo.1. enfatizar o significado e a importân­ cia do seu ofício perante todos. Hb 10. 103. \ nhor” (Êx 28. Ora. Jo 4. distinguir.24. isto é.9. A lâmina de ouro à sua testa (Êx 2 8 . Sede santos “em toda a vossa maneira de viver” (1 Pe 1. executar a expiação pela culpa do povo (Êx 28. “desligados” do culto.37). Suas vesles foram pensadas para refletir a dignidade do seu ofício. Quando entrarmos na presença de Deus.” das as vezes que o sacerdote adentrava o Santuário para levar “a iniquidade das coisas santas”. do turbante (Êx 2 8. dar-lhes ornamentação. 51. Os israelitas deveriam estar atentos e voltados para tudo que estava acontecendo ali.16. o nosso Sumo Sacerdote. que podemos entrar com confiança na presença do Senhor.36-38) era usada na frente da mitra sacerdotal.44). enfim.36). Lv 11. ainda hoje Deus deseja o nosso envolvimento total no culto de adoração a Ele (SI 29.17. O significado da esses lâmina com dizeres é explicita­ do no texto bíblico: Deus queria que o povo se lembrasse dos seus pecados e da necessidade de serem santos. Não poderiam es­ tar.U m a J o r n a d a de fé a atenção do povo para o que estava acontecendo. Nessa lâmi­ na. 13. destacar. isto é. como dizemos hoje.19-23. falam que a verdadeira adoração não deveria se tornar uma mera formalidade para o povo.15).1. mas “sintonizados” e envolvidos com tudo o que está acontecendo. 4. o que era evidenciado to­ beleza e glória diante do povo.38). isto é. 136 .15. Rm 12. devemos nos lem­ brar que somos pecadores e Ele é Santo. estava gravado: “Santidade ao Se­ “0 propósito da indumentária sacerdotal era 'santificar'. honrar os sumos sacerdotes. e que devemos viver uma vida santa.

uma atitude de temor e amor.24). duraria enquanto o Santuário existisse — e que a não observância dessa ordem faria com que Deus matasse o desobediente (Ex 2 8 . Jo 4.4 3 ). envolvimento por inteiro. quando entrares na Casa de Deus” (Ec 5. mas de adoração sincera. desa­ tenção ou mero formalismo. A presença de Deus não é lugar de irreverência. Entre­ mos pelas suas portas com verdadeira adoração (SI 100. que essa ordenan­ ça seria “estatuto perpétuo” — isto é.1. “guarda o teu pé. fervor. 137 . Portanto. atenção. Isso nos mostra como Deus leva a sério a reverência e a adoração em sua presença.A E s c o l h a d e A r ã o e se u s F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o Temor e Amor A Bíblia diz que essas vestimentas sacerdotais deveriam ser usadas tanto no pátio quanto na tenda do Tabernáculo.1). desrespeito.

O Senhor é assim: Ele não apenas nos cobra responsabilida­ des. Deus estabeleceu o sacerdócio como “estatuto perpétuo” (Êx 29. Essa cerimônia tinha tanta relevância. Ele também promete estar conosco e nos abençoar em tudo o que precisamos fazer para a sua glória e a bênção do seu povo. Vejamos a seguir alguns aspectos dessa cerimônia e como ela aponta para princípios que todo obreiro do Senhor não deve olvidar.1-46 e incluíam uma cerimô­ nia de santificação do altar para o sacrifício. Deus promete abençoar todas as obras do seu ofício. Eles estão registrados em Êxodo 29.12 A C Sa o n sa g r a ç ã o pa ra o c e r d ó c io L e v ít ic o Silas Daniel A cerimônia de consagração para o sacerdócio levítico evidenciava a grande responsabilidade e a importância desse ministério tanto para quem haveria de exercê-lo quanto para o seu beneficiado direto — o povo.9). o que significa que ele era imutável e deveria ocorrer enquanto o San­ tuário existisse. que Deus deu a Moisés todos os detalhes de como ela deveria ocorrer. Para aqueles que iriam exercer esse ministério. . A expressão hebraica traduzida por “perpétuo” nessa passagem traz a ideia de “imutável”. ao final das orienta­ ções referentes à cerimônia. objeti­ vando o seu amadurecimento espiritual no serviço do Mestre. que assistia a essa solenidade.

" / meio dessa cerimônia.A C o n s a g r a ç ã o p a r a o S a c e r d ó c io L e v ít ic o As Mensagens Expressas na Consagração de Arão e seus Filhos Em Êxodo 29.5). Como ressaltamos na abertura deste capítulo. o trabalho de Deus o consome. essa consagração ser­ via para colocar em relevo a responsabilidade e a importância do minisj\^ tério sacerdotal levítico.4. afetada e envolvida pelo seu chamado. senão o que é chamado por Deus. depois que fossem santificados. toda a sua vida í preenchida. Assim.1. já nos é apresentada na introdução a razão por que esse cerimonial precisava ser feito: “para os santificar”. Esse era o significado primordial da consagração. Esse propósito é asseverado não só na introdução das orientações para a cerimônia. eleitas pelo próprio Deus para aquela tarefa. que também ressalta a ligação do sacerdócio levítico com o ministério de Cristo: “E ninguém toma para si essa honra. como Arão. um rumo estabelecido. hoje te gerei” (Hb 5. mas glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho. também Cristo não se glorificou a sim mesmo. como afirma o escritor da Epístola aos He­ breus. um norte determi­ nado. escolhidas. 139 / . e essa santificação ocorreria jus­ tamente através dessa cerimônia. Estavam ali porque Deus as chamara. A sua vida ganha uma direção específica. A grande mensagem inicial desse cerimonial era sublinhar o fato de que as pessoas que estavam ali para serem apresentadas para aquele ser­ viço especial eram chamadas. o povo era cientificado e rememorado de que aquelas pessoas que es­ tavam ali eram chamadas por Deus.44). Elas não eram pessoas que estavam ali simplesmente porque queriam ou porque se achavam competentes para tal. mas também no seu final (Êx 29. como diz o texto. para se fazer sumo sacerdote. Arão e seus filhos só poderiam começar a “administrar o sacerdócio”. Por A "Quem é consagrado para Deus é uma pessoa que passa a ter as suas mãos ocupadas.

1 Esse significado “mãos cheias” fala-nos de mãos ocupadas. Sim. fracos. um rumo estabelecido. A partir daquele momento. Matthew. Da mesma maneira. “o carneiro das consa­ grações” (Êx 29. àquele serviço para o qual estavam sendo apresentados.28). Em vez de “sagrarás a Arão e seus filhos”. a consagração de Arão e seus filhos falava tam­ bém de aperfeiçoamento.. Era hora de arregaçar as mangas e trabalhar.26) significa também “o carneiro posto nas mãos” de Arão e seus filhos. Por meio de vocês. através daquela consagração.. o trabalho de Deus o conso­ me. E finalmente.22. Eles estavam preparados. que é uma tradução correta para o final desse versículo. a consagração fala de capacitação di­ vina para o serviço. O trabalho da sua vida é definido pelo seu chamado. eram. Eu abençoarei o povo de Deus”. quem é consagrado para Deus é uma pessoa que passa a ter as suas mãos ocupadas. a expressão em he­ braico para “consagrar” em Êxodo 29-9 é “encher as mãos”. Rio de Janeiro: CPAD. podemos colocar também “tudo porás nas mãos de Arão e nas mãos de seus filhos”.U m a li ir n a d a df. afetada e envolvida pelo seu chamado. pois já estavam preparados para o serviço. Meu Espírito estará sobre a sua vida em todas as obras deste importante trabalho para mim e em favor deste povo. portanto. Essa é a mensagem que Deus transmite ao final das orientações para essa 1 HENRY. A sua vida ganha uma direção específica. Homens! E como homens. O seu preparo estava concluído e a consagração era o sinal verde de Deus para que começassem. exclusiva­ mente. Em quarto lugar. como lembra Matthew Henry. Esses homens eram. p. Ele é consagrado. essa cerimônia dizia a todos que aqueles homens não se dedicariam a outra coisa: eles se dedicariam tão somente. como ressalta o escritor da Epístola aos Hebreus (Hb 7. 140 . Era só a partir da consagração que eles es­ tavam finalmente autorizados a iniciar seu ofício conforme lhes havia sido ensinado. 2010. e quem é consagrado é alguém ocupado. i í Em segundo lugar. C om entário Bíblico do Antigo Testam ento — Gênesis a Deuteronômio. em quinto lugar. eles poderiam começar o seu trabalho. toda a sua vida é preenchida. 320. Deus estava dizendo: “Eu estarei com vocês! Eu estou capacitando-os. Em terceiro lugar. Mas. um norte determinado.

Após a lavagem. 17. A Cerimônia de Consagração Eis alguns aspectos importantes dessa cerimônia de consagração: A lavagem com água (Êx 29. A mensagem aqui é que “não era suficiente que removessem a corrupção do pecado [pela lavagem da água]”.17). em seguida. seu Deus” (Êx 29. como homens que considera­ vam o seu trabalho e as suas funções uma verdadeira honra”.7.A C o n s a g r a ç ã o p a r a o S a c e r d ó c io L e v ít ic o cerimônia. p. das vestes especiais para o ofício (Êx 29. “E habitarei no meio dos filhos de Israel e lhes serei por Deus. perfeição. o Senhor.17-21). e saberão que Eu sou o Senhor. para que me administrem o sacerdócio”.5. 2010. “Por minha glória serão santificados”.3. 141 . “ninguém verá o Senhor” (Hb 12. Colocação. e que está expressa nos dizeres “Vos encontrarei para falar”.6. pureza. Rio de Janeiro: CPAD. E deveriam ser vestidos e coroados.4). Eles deveriam ser cingidos.14). Sobre o significado dessa indumentária. seu Deus. que os tenho tirado da terra do Egito. sem procurar viver uma vida de santidade. como homens preparados e fortalecidos para o seu trabalho. já falamos bastante no capítulo anterior. vestirem-se de justiça (SI 132.9). C om entário Bíblico do A ntigo Testam ento ----.Gênesis a Deuteronômio. enfim. para habitar no meio deles.2 2 HENRY. Essa lavagem com água simboliza a purifica­ ção pelo sangue de Jesus e a Palavra de Deus (1 Jo 1.9). O escritor da Epístola aos Hebreus nos lembra que sem santificação. eu. “Santificarei a Arão e seus filhos. 320. é que ninguém pode se apresentar ao serviço do Senhor sem santificação. mas também “deveriam vestir as graças do Espírito. Matthew. próprias e específicas para o trabalho que exerceriam.8. Jo 15. utilizando a água da pia de bronze (Êx 3 0. eles estavam prontos para colocar suas novas vestimentas. santi­ ficação. A mensa­ gem aqui.42-46). Ela nos fala de purificação.

7.7). Entretanto. Cada crente em Cristo.18. 30.10). além de buscarmos ser sempre cheios do Espírito Santo (Ef 5. Cristo é a expiação pelos nossos pecados (Jo 3. recebeu o Espírito Santo como penhor da nossa salvação (2 Co 1.30).8. 1 Jo 1. Não há concórdia entre a luz e as trevas (1 Co 6. bem como os seus discípulos (Lc 24. foi ungido pelo Espírito Santo (Lc 4. da sua vida espiritual. isto é. 2.49.38). não podendo ser usada para outro fim nem aplicada em es­ tranhos. Quem serve na obra de Deus deve se lembrar de que é um pecador e se apoiar totalmente nos méri­ tos de Cristo para sua salvação.1-6). é preciso que busque­ mos o batismo no Espírito Santo para dinamizar mais ainda o nosso serviço a Deus (At 1. da sua pró­ pria salvação. At 1.16. Também Jesus. 1 Co 15. Tanto o sumo sacerdote como os demais sacerdotes eram ungi­ dos (Êx 2 9 . A unção simboliza a presença e o poder do Espírito Santo.2 2 -2 5 ).5. como confissão de que eram pecadores e pelos seus pecados de­ veriam morrer.U m a J o r n a d a de fé ®’ A unção com azeite (Êx 29. desde o dia em que aceitou Jesus como Se­ nhor e Salvador de sua vida.22).22-33).18). O azeite tinha que ser especial (Êx 30. para depois levar a salvação 142 .7 . Eles deveriam colocar a mão na cabeça do animal a ser sacrificado (Êx 29.19.1-4).10-18).10-14). não poderia ser mistura­ do. Ora. O sacrifício (Êx 29. era feita uma oferta pelos pecados dos próprios sacerdotes (Êx 29.21. Como Paulo disse a Timóteo. At 10. do poder do Espírito Santo sobre suas vidas para realizarem com excelência a obra que o Senhor confiou em suas mãos para fazer. O azeite da unção deve­ ria ser derramado sobre a cabeça de Arão e de seus filhos. 30.31-33). Todos aqueles que são chamados para o serviço de Deus precisam da unção de Deus. o nosso Sumo Sacerdote. o obreiro de Deus deve cuidar primeiro de si mesmo.3. mas só para o serviço na obra de Deus (Êx 30.14-18). Primeiro. Deus não aceita mistura. 19. nem com composição diferente. Sua unção não poderá ser misturada com fórmulas mundanas.8. Sua fórmula era exclusiva.

o dedo polegar da mão direita e o dedo do pé direito de todos eles. 321. e o sangue e o azeite juntos falam do sangue de Cristo e do Espírito Santo. nenhum ser­ viço aceitável pode ser realizado”. Matthew. Isso tudo era para santificação de todos eles (Êx 29. Aliás. e a ofer­ ta sobre ele deveria ser totalmente queimada..Gênesis a Deuteronômio. O azeite também era espargido sobre eles e suas vestes.1 5 -1 8 ). mas especificamente em honra a Deus. Como alguém poderá ajudar perfeitamente aqueles que se encontram doentes enquanto ele mesmo ainda se encontra doente? Em seguida. da justificação e da santificação.21). o sangue da vítima inocente deveria ser aspergido tanto sobre o altar quanto sobre as vestes e o corpo dos sacerdotes — no caso. Todos esses sacrifícios apontavam para o Calvário. simbolizando a dedicação total daqueles homens ao serviço do Senhor (Ex 2 9 . 3 HENRY. o Espírito Santo é quem aplica a obra de Cristo em nossa vida.A C o n s a g r a ç ã o p a r a o S a c e r d ó c io L e v ít ic o e a bênção e Deus aos outros: “Tem cuidado de ti mesmo [. operando a santificação. C om entário Bíblico do A ntigo Testam ento ----. Nesse sacrifício em especial.. do perdão e do poder purificadores. sobre a ponta da orelha direita. E o fato de essa oferta só poder ser apresen­ tada após a oferta pela expiação dos pecados desses sacerdotes significa que “até que a iniquidade seja retirada. Rio de Janeiro: CPAD.3 o que nos lembra da purifi­ cação de Isaías para poder servir no ministério profético como Deus queria (Is 6. tanto a ti mesmo como aos que te ou­ vem” (1 Tm 4. Significava santificação de sua atenção (orelha direita). A oferta pacífica vinha depois.16). do seu trabalho (mão direita) e de seu andar. 143 . 2010.19-37) ou “sacrifício da posse”. te salvarás. para a obra de Cristo na cruz. o chamado “carneiro das con­ sagrações” (Êx 29.20.7). seu proceder (pé direito).] fazendo isto. deveria haver ainda um holocausto não de expia­ ção de culpas. O fogo consumindo toda a oferta fala de entrega total ao serviço. p.

Por um movimento horizontal em direção ao altar. junto com porções do pão. purificadores. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD. os sacerdotes tinham de apresentá-los como oferta ritualmente removida. L .24). TT . representavam o corpo de n ■ ■ . é muito bem sintetizado pelo Comentário Bíblico Beacon: Moisés poria nas mãos dos sacerdotes partes deste carneiro das con­ sagrações. 1. George Herbert.2 3 . cuja carne era simbolizada t. j C. do do perdão perdão eedo do poder poder cação. Arão e seus filhos cozinhavam e comiam juntamente com o que sobrava do cesto do pão e as porções de carne não queimadas do altar ou que haviam sido dadas a Moisés.29 .nsto. Depois. 1 Co 11. / r da justificação e da santifi­ \ cação.26). bolos e coscorões que estavam na cesta (Ex 2 9 .25) por cheiro agra­ dável ao Senhor. 218. que era o tempo que durava a cerimônia de posse do novo sacerdote.. O novo sumo sacerdote deveria passar pelo 4 LIVINGSTON. u ■ .24). simbolizando entrega a Deus (v. O mesmo também ocorria no caso da oferta pacífica.27). a parte que normalmente ia para o sacerdote que oficiava a oferta do peito do movimento. Um detalhe interessante e que as .30 ). O peito e o ombro dos sacrifícios pacíficos — como pode ser chamado este tipo de oferta (v.2 2 . T ~ no Novo 1estamento pelo pao da Santa Ceia (M t 2 6 .. v. p. O peito era movido em movimento horizontal e o ombro era alçado (ou erguido) em movimento vertical em atos simbólicos de dá-los a Deus. ver v.------------------------- A "0 sangue e eo o azeite azeite ^ sangue juntos falam do sanque sangue de ’ 1 Cristo e do Espírito Santo. Moisés queimava a porção de Deus no altar (v. vestes do sumo sacerdote eram passadas para o seu filho por ocasião da consagração deste como novo sumo sacerdote (Ex 29. e que os santificavam. 219. 2005. Retinha o peito do carneiro das consagrações para si (v. Esse pão e essa carne dos quais os sacerdotes participavam. conforme descrito no texto sagrado. 144 J" -----. Santo.U m a J o r n a d a de fé O restante do ritual.4 As ofertas diárias se seguiam durante sete dias.2 6 .2)." \ f ^*------_ _— _ _ ^_ - ^ . .28) — eram porções habituais para o sacerdote (v.

. Ele era perfeito. O novo ministro tem que ter a sua própria experiência de confirmação e capacitação para o ofício dadas por Deus. Isso fala que as responsabilidades.. Louvemos a Cristo.._____________ "Louvemos a Cristo.. não.. se transferem. pois se assenta na sua eterni­ dade.25b). no qual Ele está “sempre vivendo para interceder por todos” nós (Hb 7. imutável. isto é. Cristo. mas a consagração e a unção. além da perfeição e do ca­ .10....A C o n s a g r a ç ã o p a r a o .-A . 7. representadas aqui pela indumentária. A perpetuidade do sacerdócio levítico era garantida por meio da con­ tinuação da linhagem levítica. por isso seu sacrifício e serviço foram perfeitos (Hb 7. e a Bíblia nos apresenta Jesus como aquEle que tem um “sacerdócio perpétuo” (Hb 7.. mas a experiência seria nova para o novo sumo sacerdote. pelo “grande número” de seus sacerdotes que se sucediam com o Só que o “sacerdócio perpétuo” de Jesus é muito mais podero­ so. um ministério perpétuo em nosso favor" ráter definitivo de seu sacrifício (Hb 7.1-28). A indumentária não seria nova — seria a mesma usada por seu pai — .6.24)... que nos deu livre acesso à presen­ ça de Deus por meio do seu ministério peifeito e definitivo.Sa c e r d ó c i o L e v í t i c o mesmo cerimonial de consagração de seu pai. um ministério perpétuo em nosso favor.. . mas a de Melquisedeque (Hb 5. pela primeira vez..26-28).24-27)..... que nos deu livre acesso à presença de Deus por meio do seu ministério perfeito e definitivo. com o azeite sendo der­ ramado sobre aquelas vestes mais uma vez — e sobre ele.. Aleluia! 145 .. nosso Sum o Sacerdote Perfeito e Eterno A ordem sacerdotal de Cristo não era a de Levi..

4. O Legado de Moisés para o Povo Judeu A form ação de uma nação Moisés foi o instrumento que Deus usou para que Israel se tornas­ se.2 4 .4 . 35. Isaqueejacó (Gn 15. por fim.5-8. 28. e. de sua importância para a humanidade como um todo. Neste capítulo. para a humanidade como um todo e para a Igreja até os dias de hoje é enorme. em segui­ da.3 . analisaremos os exemplos instigantes de sua vida e ministério para a vida do crente. Primeiro. O seu lega­ do para o povo de Israel.9- . e mais atentamente. queremos apresentar alguns pontos importantíssimos desse legado. conforme Ele havia prometido aos patriarcas Abraão. falaremos do legado de Moisés para o povo judeu.7.5. uma das maiores personalidades e um dos maiores heróis da fé de todos os tempos. 17.13-15. dentro do que nossa proposta sintética permite. enfim. uma nação. relembrando aspectos especiais e inspira­ dores da vida e da obra desse homem de Deus. destacando os efeitos de seu ministério até os nossos dias e a importância do exemplo de Moisés para os crentes em Cristo de todos os tempos. sem dúvida alguma. 2 6 .13 O Legado de M o is é s Silas Daniel M oisés foi.

Jesus (Rm 9. Porém. porém a fé e o culto hebreus ainda careciam de uma normatização e organização. e Moisés foi usado por Deus para dar tudo isso a Israel. que. . podiam se perceber e ser reconhecidos como uma nação. . um novo povo.v ---------- 1 Uma fé e uma religião estruturadas O Deus de Israel era o Deus de Abraão. os quais terminam 147 . j _f ----------------^ --------------"Moisés foi o o instmmeninstrumen­ M oisés foi to que to que 4“ Deus D als usou usou para Pam V lc Israelsc se tornasse. a identidade religiosa e os valores que deveriam pautar e guiar o povo foram definidos em detalhes. uma cul­ tura nova foi formada." "^ 1 \ „„ . Mesmo quando sofreu o exílio e a diáspora. por intermédio de Moisés.. conforme Ele uma naíão' coní ormí Ele havia prometido aos patriar­ patriarr r Jacó” cas Abraão.5.. por meio deles.5). fazendo dele o povo eleito. de leis pelas quais serão regidos. Toda nação precisa de uma identidade. o apóstolo Paulo lembra que Deus deu a Israel sete coisas: tornou os isra­ elitas seus filhos por adoção. Por meio de seu ministério. de uma cultura própria. . Isaque e Jacó.Sa c e r d ó c i o 13). Tudo isso é o que distinguia Israel das outras nações. . consequentemente. . como vimos detidamente nos capítulos 9. como sabemos. finalmente. e uma legislação revolucionária e um completo sistema de organização social foram concedidos aos israelitas. sem a sua presença maciça ou o seu governo.. conquanto seu territorio . agora. Em Romanos 9. de valores.. enfim. e ainda.. fez-lhes uma aliança e deu-lhes os patriarcas (Abraão. durante séculos. . diferente em muitos aspectos da cultura das nações vizinhas. a rejeição divina a Israel. repartiu com eles um pouco da sua glória.4. que são os temas dos capítulos 9 a 11 de Romanos. 11 e 12 deste livro. enfim.A E s c o l h a d e A r ã o e se u s F il h o s p a r a o .. o Messias. tornasse. tenha passado. até que Deus os estruturou. naçao. o culto e as promessas. Isaque e Jacó. Israel continuou J a ser reconhecido como uma _ •/. de uma língua. Israel uma nação. a língua hebraica ganhou o seu primeiro grande texto — a Torá (o Pentateuco) — que lhe daria perpetuidade e ser-lhe-ia referência na história dos povos. . houve a rejeição de Israel à vontade de Deus e.. a legislação. Isaque e Jacó).

As Escrituras Sagradas do Pentateuco. Tempos do Antigo Testamento — Um Contexto Social. espiritual e literária dessas obras para o mundo revelam a grandeza do ministério desse grande homem de Deus para o seu povo e para toda a humanidade. no capítulo 10. o mais antigo salmo de Israel) e provavelmente também o be­ líssimo Livro de Jó. o Livro de Jó O grande legado de Moisés está expresso em suas obras que atraves­ saram séculos. tempos depois. p. K. serviria de inspiração para muitos avanços legais saudáveis com os quais já estamos muito habituados em nossos dias. Político e Cultural. R. 148 . a demonstrar alguns dos mui­ tos aspectos revolucionários da legislação hebraica para a história do Direito no mundo. a legislação hebraica.1 Mais detalhes no já referido capítulo 10. Êxodo. A riqueza e a importância histórica. exigia um grande respeito para com a honra da mulher e conferia mais dignidade à posição do escravo do que poderíamos encontrar em qualquer um dos códigos legais das outras nações do Oriente Próximo”. por exemplo. Os valores judaicos Não à toa.25-28). Levítico. Ela foi revolucionária para a sua época e. o Salmo 90 (que é. “atribuía um grande valor à vida humana. Rio de Janeiro: CPAD. 2 0 1 0 . portanto. provavelmente. 149. O Legado de Moisés para a Humanidade A legislação hebraica Já nos dedicamos. chegando até os nossos dias e formando parte significati­ va e basilar do cânone veterotestamentário. social. Números e Deuteronômio). Dentre seus muitos aspectos revolucionários. um salm o e. mas que. na épo­ ca de Moisés.U m a J o r n a d a de fé revelando que a rejeição de Israel não é final e que Deus haverá de res­ taurar Israel no fim dos tempos (Rm 11. costuma-se chamar os valores tradicionais do Ocidente. São de Moisés o Pentateuco (Gênesis. se constituíam uma grande inovação. que foram responsáveis pela sua formação e se constituem a base de 1 H A R R ISO N .

de valores judaico-cristãos. por exemplo. Moisés.1-17). porque ele via “o invisível”. O Legado de Moisés para a Igreja Seu exemplo de fé Ao elaborar uma “Galeria de Heróis da Fé” do Antigo Testamento. recusou ser chamado filho da filha de Faraó. não temendo a ira do rei. pre­ ferindo sofrer fazendo a obra do Senhor. como náo poderia deixar de ser. porque está “vendo o invisível”. tendo. ser maltratado com o povo de Deus do que. o escritor da Epístola aos Hebreus coloca entre os seus destaques.23-29). Os princípios do Decálogo (Ex 20. Moisés não tomava as suas decisões baseado simplesmente no que a lógica humana e os seus cinco sentidos lhe diziam. não esmorece diante dos poderosos e das circunstâncias prementes que o pressionam a abandonar a vontade divina. sendo já grande. principalmente o que lemos nos versículos 24 a 27: Pela fé. Ele via além do que poderia perceber a m aioria das pessoas do seu tempo. Som ente um homem que ama e serve a Deus com uma fé ro­ busta rejeita com pletamente as riquezas e a glória do mundo. na descrição que ele faz do grande líder hebreu. antes. Moisés (Hb 11. 149 . Pela fé. a oposição dos grandes e podero­ sos deste mundo. porque ficou firme. deixou o Egito. porque tinha em vista a recompensa. ajudaram a moldar todos os va­ lores do Ocidente. mas tinha em vista a importância histórica e espiritual do que estava fazendo e “a recompensa” que receberia do seu Senhor pela sua fidelidade ao seu chamado. Ademais.O L e g a d o d e M o is é s todas as suas conquistas. por um pouco de tempo. Chama a atenção. somente um homem que ama e serve a Deus com uma fé robusta não empalidece diante das adversidades mais intensas. como vendo o invisível. e “ficou firme”. ter o gozo do pecado. A Bíblia diz que Moisés des­ prezou completamente “a ira do rei”. por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito. juntamente com o cristianismo. escolhendo.

O termo hebraico traduzido por “manso” em Números 12. organizou aqueles ex-escravos como uma sociedade.11-13). soube ouvir os con­ selhos de seu sogro. Ele guiou brilhantemente milhões de pessoas pelo deserto. “pobre”. que aguentou o que pouquíssimos — ou nin­ guém — em sua época aguentaria. Merril F. “a condição objetiva e também a postura subjetiva de Moisés” como um homem “completa­ mente dependente de Deus” e que “via o que era”. levou o povo ao arrependimento várias vezes. (Ex 18. p. Seu exemplo de paciência Números 12. E.. No sentido em que ele é usado aqui. deu a eles uma identidade como nação. E era preciso ser mui­ to temperante mesmo para suportar todas as adversidades e pressões que ele enfrentou. que antes fora precipitado e assassino (Êx 2. segundo o D icionário Vine.' rança Moisés foi um líder no­ tável.13-27) e preparou muito bem o seu sucessor — Josué. mesmo tendo tanto autocontrole que Deus lhe dava. W H IT E JR . “simples”. Aliás. desânimo e revolta. a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11. 150 . isso mostra quão poderosa foi a transformação que Deus fez em Moisés. tensão.3 nos lembra que “era o varão Moisés mui manso.U m a J o r n a d a de fé “Ora. que significa “humilde”. descreve.2 O fato de Moisés. 234. Rio de Janeiro: CPAD.1). Jetro.." ^ — m — m •* > Seu exemplo de lide. yy "O grande legado de Moisés está expresso em suas obras que atravessaram séculos. resistiu à oposiçáo com firmeza.3 é anãw. W. Dicionário Vine. 2002. William. mais do que todos os homens que havia sobre a terra”. não ter entrado na Terra Prometida com o povo justamente porque pecou ao perder 2VIN E. soube superar os momentos de crise. chegando até os nossos dias e formando parte significativa e basilar do cânone veterotestamentário. U NGER.

e primeiro que ele (SI 99. a temperança é apresentada na Bíblia como um dos gomos do fruto do Espírito. durante seus quarenta anos de ministério. sejam quais forem as circunstâncias. ele permaneceu firme. mas por humildade” (Fp 1. Não por acaso. Nm 14. tanto para desenvolvermos a temperança quanto para mantermo-nos no centro da vontade de Deus.7-13).3) e zelo ardente pela obra de Deus. 33. Seu exemplo como intercessor Moisés foi grande sacerdote do povo juntamente com Arão. preferiu sofrer com o povo de Israel a gozar a glória e os prazeres do Egito. humildes e temperantes. sendo fiel ao seu chamado (Hb 11. isto é. Mesmo um homem impetuoso e assassino como o jovem Moisés pode se tornar. Seu exemplo de integridade Moisés teve muitas oportunidades de corromper a sua integridade. quarenta anos depois.24-26). e mesmo o homem mais humilde e manso da Terra pela graça de Deus pode ter momentos de fraqueza e perder seu autocontrole se não tiver cuidado. Súmula da história: somos dependentes da graça divina. que. quando nos entregamos à ação dEle em nossa vida (G1 5. Ele. nada fez “por contenda ou por vanglória. Ele intercedeu decisivamente pelo povo de Israel em mo­ mentos de enorme crise (Êx 15.23). por exemplo.25.13-25).22.O L e g a d o d e M o is é s o controle. Que Deus nos dê graça para seguirmos o bom exemplo desse homem de Deus.6). um homem extremamente manso e hu­ milde.7-12). porque estava “vendo o invisível” 151 . fazendo algo diferente do que Deus lhe determinara (Nm 20.1-17. mas escolheu manter-se íntegro. tirando o episódio das águas de Meribá (Nm 20. do poder do Espírito Santo. que se chama fruto do Espírito exatamente porque é produzido em nós pela ação do Espírito Santo de Deus. em virtude da graça transformadora de Deus. só evidencia o quanto somos dependentes da graça de Deus. Seu exemplo de persistência Apesar de tantos momentos difíceis que Moisés vivenciou em sua tra­ jetória espiritual. como aconteceu com Moisés.

a quem ama”.U m a J o r n a d a de fé (Hb 11. p. 128. 2 0 1 0 . mas como qualquer fala com o seu amigo. p. por extensão. 1745.11). ela não é inalcançável para nós. como qualquer fala com o seu amigo” (Ex 33. A amizade com Deus era um verdadeiro privilégio para Moisés. Sua persistência era derivada diretamente de sua fé em Deus. mas também com expressões particulares e ainda maiores de bondade e graça. para que possamos enxergar os valores eternos do Reino de Deus”.3 Seu exemplo de comunhão com Deus A Bíblia nos mostra que Moisés cultivava uma vida de oração. 4HENRY. 2 0 0 3 . A fé nos ajuda a olhar além do sistema de valores do mundo. Ele fala não como um príncipe a um súdito. todos os seus seguidores — de amigos (Jo 15. e ficar cego em relação aos benefícios de longo prazo do Reino de Deus. Rio de Janeiro: CPAD.4 Deus também quer ter hoje um relacionamento íntimo conosco! Como destaca a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.27). Moisés confiou inteiramente na sabedoria e direção de Deus. 339. e estava [nesse nível] fora do alcance dos hebreus. da popularidade. C om entário Bíblico do Antigo Testamento — Gênesis a Deuteronômio. Matthew.15). Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Mas.5 0 Cântico de M oisés A Bíblia afirma que quando o povo estava para entrar em Canaã. da posição social e da conquista. Como sublinha a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Deus deu ordem a Moisés para que compusesse um cântico contendo ’ Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Jesus chamou seus discípulos — e. p. Por sua vez. manten­ do um relacionamento muito íntimo com Deus: “Falava o Senhor a Moi­ sés face a face. Você confiaria nEle como fez Moisés?”. 2 0 0 3 . não só com clareza e evidências maiores da luz divina do que a qualquer outro dos profetas. hoje. genial ou poderoso. Rio de Janeiro: CPAD. Como frisa Matthew Henry. 152 . Ele o chamou para ser seu amigo. “Moisés desfru­ tou tal favor de Deus não porque era perfeito. mas porque Deus o escolheu. Rio de Janeiro: CPA D. “é fácil ser enganado pelos benefícios temporários da riqueza. “isto sugere que Deus se revelou a Moisés.

e g a d o d e M o is é s um resumo de sua exortação ao povo e o ensinasse aos filhos de Israel (Dt 31. grifo meu).. Moisés profetizou sobre Jesus. aquecer corações arrefecidos e liquefazer almas empedernidas.19).21 e 7. quando os judeus se perguntavam se João Batista ou Jesus seriam esse “O Profeta”. quando uma canção é eivada de conteúdo maligno. Ainda hoje. para que tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei. a vida condensada em um hino. O texto de Deuteronômio 18. em alusão a uma sucessão de profetas que Deus levantaria para tratar com Israel. por assim di­ zer. antes.15-22 fala implicitamente de mais de um profeta — ou seja.1-43. As Profecias de Moisés Profecia sobre Jesus Em Deuteronômio 18. de maneira que..4 7 . O apóstolo Pedro. tendo o poder de renovar corações mortificados. são. referindo-se a Ele como “um profeta do meio de ti. hinos. o termo “profeta” ali aparece. para que as reco­ mendeis a vossos filhos. como destacam textos como João 1. estaria “na boca do povo” (“ensinai-o [. é a vossa vida (D t 3 2. como eu. durante séculos. Porque esta palavra não vos é vã. de teus irmãos. e o diácono Estêvão. sendo cantada. os judeus estiveram a procurar esse “O Profeta” pós-Moisés. Porém. pequenas cápsulas de vida condensada. Assim como. em sua pregação no Dia de Pentecostes. em alguns momen­ tos.O I . primeiro mártir da Igreja. Esse cântico está registrado em Deuteronômio 32.] ponde-o na sua boca”). pois. “É a vossa vida!” Verdades vitais condensadas em um hino. Deus sabia que a sua exortação seria mais eficientemente ensinada e lembrada dessa forma.4 6 .40. em seu discurso diante 15 3 . quando inspirados por Deus. é uma cápsula de veneno e morte condensados. a ele ouvi­ reis”. Depois de apresentá-lo a Israel. por isso os viu como um meio perfeito para que a sua exortação fosse gravada na mente do seu povo. Moisés disse: “ Aplicai o vosso co­ ração a todas as palavras que hoje testifico entre vós. o versículo 15 parece se referir a um profeta especial.15. Deus sabia que os cânticos podem ser aprendidos e transmi­ tidos com facilidade.

é a vez das tribos correspondentes aos filhos de Israel com suas servas Bila e Zilpa. com frequência. Não obstante. Outro detalhe é que a tribo de Gade recebeu a melhor parte da terra (D t 33. Como ressalta a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Todos esses talentos são necessários para que seu plano seja realizado”. “os seus olhos nunca se escureceram.UM A Jt )R N A I >A DF: FÉ de seus algozes em Jerusalém. ele estava com 120 anos.6 A Morte de M oisés A Bíblia diz que quando Moisés faleceu. sob a orientação do Espírito Santo. 154 .1-29). R io de Janeiro: C P A D . o que chama mais a atenção nessas bênçãos de Moisés sobre as doze tribos é “a dife­ rença entre as bênçãos que Deus deu a cada tribo: para uma. Profecias sobre o destino de cada uma das doze tribos de Israel Como Isaque e Jacó abençoaram seus respectivos filhos antes de mor­ rer. mencionaram essa profecia como tendo o seu cumprimento em Jesus (At 7. ao ver alguém com uma bênção es­ pecífica. mas a verdade é que “Deus distribui talentos únicos às pessoas. Ele deu a melhor terra. p. 6B íb lia de E stu d o A p licação Pessoal. conforme depoimento do próprio Moisés (SI 90. seus dois filhos (Dt 33. que era uma idade já bem longeva para os padrões da época. As primeiras tribos a serem abençoadas são as correspondentes aos filhos de Jacó com suas esposas Leia e Raquel. pensa que “Deus deve amar aquela pessoa mais do que outra”.2-9).21). “não tenha inveja dos dons ou presentes que as pessoas recebem de Deus. Moisés. 2 0 0 3 . em seguida. e para outra. abençoou os filhos de Is­ rael antes de falecer (D t 33. nem perdeu ele o seu vigor” (D t 34. Olhe para o que Deus tem dado a você e cumpra as tarefas que Ele o qualificou de maneira única para realizar”. que seria absorvida pela tribo de Judá (Js 19.37). 2 7 2 . força ou segurança”.10). Isso nos faz lembrar que muita gente. Moisés omite Simeão.20. Portan­ to. ao invocar as bênçãos conforme as tribos de Israel.7). O detalhe é que.17). mas isso tem uma razão de ser: Gade “obedeceu a Deus punindo os malignos inimigos de Israel”. mas o número 12 é preservado contan­ do-se José como sendo dois — Efraim e Manassés.

ho­ mens e mulheres. lamentavam sua infelicidade por tão grande perda. umas deploravam a gravidade de sua perda para o futuro e outras queixavam-se de não terem compreendido bastante que felicidade era para ele ter um tal chefe e guia e serem privados dele quando o começavam a conhecer. Toda essa enorme multidão não pôde por mais tempo reter as lágrimas. não houve nem mesmo criança que não derramasse lágrimas. pode haver um ou outro exagero aqui e acolá nesse relato. Pois ainda que ele estivesse persuadido de que não era necessário chorar à hora da morte. registra que. que é o único capítulo do Pentateuco que não foi escrito por Moisés. faz das reações do povo de Israel e do próprio Moisés por ocasião de sua despedida. As pessoas sensatas. Vale a pena lê-la: Depois que Moisés assim lhes falou. Nada. é extremamente tocante. para obedecer. demonstraram igualmente sua pena por perder um chefe tão ilustre. após a morte do legislador de Israel. no entanto. grandes e pequenos. eles pararam e todos. Claro que. juntamente. sua eminente virtude não po­ dia ser ignorada nem mesmo pelos dessa idade. porém. O relato que Flávio Josefo.C. que repro­ duzimos a seguir e que atravessou gerações.O L e g a d o d e M o is é s O último capítulo de Deuteronômio. eventualmente.8). mas não se pode duvidar que muito dessa narrativa.. o reconhecimento e o amor do povo era tão grande por ele que “os filhos de Israel prantearam a Moisés trinta dias. é carregado de verdade. ficou tão comovido pelas lágrimas de todo o povo que ele mesmo não pôde deixar de chorar. nas campinas de Moabe” (D t 34. demonstrou até que ponto chegava sua aflição como o que aconteceu a esse grande legislador. 155 . Caminhou depois para onde deveria terminar a vida e todos seguiram-no gemendo. historiador judeu do primeiro século d. conforme a tradição que havia sido passada aos ju ­ deus até os dias do célebre historiador. predisse a cada uma das tribos o que lhes deveria acontecer e desejou-lhes mil bênçãos. pois ela vem por vontade de Deus e por uma lei indispensável da natureza. Assim. ele. Ele fez sinal com a mão aos que estavam mais afastados para que parassem e rogou aos que es­ tavam mais próximos que não o afligissem mais ainda seguindo-o com tantas demonstrações de afeto.

Falta­ va somente um mês para que. capítulo 8. porque a santidade que nelas se nota não pode permitir dúvidas sobre a eminente virtude do legislador. 156 . jamais algum outro se lhe pôde comparar na maneira de tratar com um povo. por causa da sua eminente santidade.7 Não sabemos onde a sepultura de Moisés se encontra — aliás. o grão-sacrificador [sumo sacerdo­ te]. que está em frente a Jericó. Eleazar. desde aquela época (D t 34. Ou: JOSEFO. o comandante do exército. 126. suas palavras eram outros tantos oráculos. Quando ele chegou ao monte Nebo. Os livros santos que ele nos deixou dizem que morreu porque temia que não se acreditasse que ele ainda estaria vivo. 127. O povo chorou-o durante trinta dias e nenhuma outra perda lhe foi jamais tão sensível. A única informação é que Deus mesmo 7 JOSEFO.UMA JORNAI lADEFÉ O s senadores [anciãos]. Rio de Janeiro: CPAD.6b) até hoje. e Josué. ele passasse quarenta no governo de todo esse grande povo. Adar. Antiguidades Ju d aicas. livro IV. jamais alguém soube. dos cento e vinte anos que viveu. mas também por aqueles que conhe­ ceram as leis admiráveis que ele nos deixou. Sua ciência na guerra pôde dar-lhe um lugar entre os maiores generais e nenhum outro teve o dom de profecia em tão alto grau. abraçou a Eleazar e Josué. pela força de suas palavras. Ainda ele falava quando uma nuvem o rodeou e ele foi levado a um vale. História dos Hebreus. tomar sempre as melhores resolu­ ções e tão bem pô-las em prática. ninguém sabe. que os macedônios chamam Dystros e os hebreus. Sempre foi tão senhor de suas paixões que parecia até que delas havia sido isento e que as conhecia apenas pelos efeitos que via nos outros. governá-lo e persu­ adido. foram os únicos que o acom­ panharam. Jamais homem algum igualou em sabedoria a este ilustre legislador. Flávio. volume I. arrebatado ao céu. Mas ele não foi chorado somente por aqueles que tive­ ram a felicidade de o conhecer. § 179. Flávio. e deu-lhes seu último adeus. despediu-se dos senadores [anciãos]. tão alto que de lá se vê todo o país de Canaã. cuja direção Deus lhe havia confiado. e parecia que o próprio Deus falava por sua boca. como ele. p. 2003. Ele morreu no primeiro dia do último mês do ano.

que guardava o corpo de Moisés. Amém! 157 . Com o escreveu o autor da Epístola aos Hebreus. Deus fez com que sua sepultura nunca fosse encontrada para que. a carreira que nos está proposta.12). com paciência. Não sabemos o porquê do interesse de Satanás pelo corpo de Moisés. O exemplo de Moisés “ 'Moisés será sempre um exemplo de fé. fidelidade ao chamado divino e vida dedicada totalmente ao Senhor" como líder e homem de Deus nunca será esquecido. “nós também. Miguel. apenas lhe respon­ deu: “O Senhor te repreenda”. seriedade. ainda mais feito pelo próprio Deus. vida de santidade. sabedoria. paciência. defronte de Bete-Peor” (D t 34.2 3 -2 9 ). provavel­ mente. não se criasse uma idolatria e romaria em torno do túmulo de seu servo. fidelidade ao chamado divino e vida dedicada totalmente ao Senhor. seriedade. ele sempre será lembrado como um exemplo de fé. por ter sido um homicida em sua juventude (Ex 2. pois.11. deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos. que esta­ mos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas [os heróis da fé do Antigo Testamento]. O apóstolo Judas nos fala da altercação do arcanjo Miguel com Satanás sobre o corpo de Moisés (Jd 9).6a).2). mas a tradição judaica afirma que tal altercação se deu porque Satanás sustentava que Moisés não era digno de um sepultamento decente.O L e g a d o d e M o is é s o sepultou “num vale. olhan­ do para Jesus. liderança. referindo-se à nossa res­ ponsabilidade hoje diante do que fizeram os grandes heróis da fé do Antigo Testamento. vida de santidade.1. autor e consumador da fé” (Hb 12. sabedoria. liderança. na terra de Moabe. Sobre­ tudo pelos últimos quarenta anos de sua vida. dentre eles Moisés (H b 1 1 . paciência.

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chefe de Jornalismo da CPAD e es­ critor. Autor dos livros R eflexão sobre a alm a e o tem po. H istória da C onvenção G eral das A ssem bleias de D eus no Brasil. E nele. A História dos Hinos que A m am os e A Sedução das N ovas Teologias. Silas D aniel É pastor. até pontos importantíssimos de seu legado. A lexandre Coelho É ministro do evangelho. e co-autor dos livros Davi . É gerente de Publicações da CPAD. lançados pela CPAD. licenciado em Letras e Teologia e bacharel em Direito. Nesta obra. Relem­ brando aspectos especiais e inspiradores da vida e da obra desse grande homem de Deus. a escolha de Moisés como libertador e a forma miraculosa como Deus retirou os hebreus do jugo egípcio. o homem que Deus escolheu para trazer a liberdade para o povo de Israel. a figura de Moisés ocupa um lugar central. ''H • W Lã I : I . tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008. H abacu que a vitória d a f é em m eio a o caos.O livro do Êxodo é universalmente famoso por m ostrar a escravidão do povo hebreu no Egito. Professor universitário. jornalista.as vitórias e derrotas d e um hom em de Deus. Os Profetas M enores e Vencendo as Aflições da Vida. acompanharemos a história de Moisés no Êxodo. C om o Vencer a Frustração espiritual. destacam os efeitos de seu ministério até os nossos dias e a im portância do exemplo de M oisés para os crentes em Cristo de todos os tempos. Novo Testamento e Exegese na FAECAD. ministra aula de Grego. todos títulos da CPAD.

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