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Uma Jornada de Fe - Antonio Gilberto

Uma Jornada de Fe - Antonio Gilberto

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  • Um Libertador para Israel
  • As Pragas e as Propostas Ardilosas de Faraó
  • A Celebração da Primeira Páscoa
  • A Partida do Egito e a TRAVESSIA DO MAR VERMELHO
  • A Peregrinação de Israel no Deserto até o Sinai
  • Os Dez Mandamentos
  • Um Lugar de Adoração no Deserto
  • A Escolha de Arão e seus Filhos para o Sacerdócio
  • A Consagração para o Sacerdócio Levítico
  • O Legado de Moisés

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CPAD

Um a Jo rn a d a de FÉ
a w Moisés , o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida

Um a Jornada de FÉ
M o isés , o Êxodo e o C am inho à Terra Prometida
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Ia edição

C B© Rio de Janeiro
2013

Todos os direitos reservados. Copyright © 2013 para a língua portu­ guesa da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina. Preparação dos originais: Daniele Pereira Capa: Flamir Ambrósio Projeto gráfico e editoração: Elisangela Santos C D D : 22 2.12 - Êxodo ISBN : 9 7 8 -8 5 -2 6 3 -1 0 9 2 -6 As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Cor­ rigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação em contrário. Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últimos lançamentos da CPAD, visite nosso site: http://www.cpad.com.br SAC — Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-021-7373 Casa Publicadora das Assembleias de Deus Av. Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro - RJ CEP 21.852-002 I a edição: Outubro/ 2013 Tiragem: 30.000

......... A Liderança de Moisés e seus Auxiliares..................... Um Lugar de Adoração no D eserto ................................ 138 13.............................. A Celebração da Primeira Páscoa.. O Legado de M oisés.... As Revolucionárias Leis Entregues por Moisés aos Israelitas................................................................................1....... 24 4.................5 2............................................................ A Peregrinação de Israel no Deserto até o Sinai... A Partida do Egito e a Travessia do M ar Verm elho..........45 6.................. 78 9................................. A Consagração para o Sacerdócio Levítico..... 58 7....159 ........ 128 12................................. Os Dez M andam entos............................................. 67 8..........146 Bibliografia.. 16 3............ Um Libertador para Israel...... As Pragas e as Propostas Ardilosas de Faraó. 102 11................ A Escolha de Arão e seus Filhos para o Sacerdócio..............35 5............. 88 10.................................... O Nascimento e a Chamada de um Libertador..............................

mais precisamente. desde o tempo de Josué (Js 8. o homem que Deus escolheu para trazer a liberdade para o povo de Israel. homem de Deus. A história do êxodo de Israel tem figurado por séculos na his­ tória dos hebreus e é acompanhada ao longo da história da Igreja como um referencial de interpretação da história da O Livro de Êxodo Autoria A autoria do livro de Êxodo é atribuída a Moisés. foi atribuído pelos ju­ deus à máo de Moisés. e por isso podemos estudar os exemplos de homens e mulhe­ res usados por Deus para grandes feitos ao longo da Bíblia Sagrada. De acordo com o D icionário Wycliffe. pois não se pode imaginar um estu­ do sério da Palavra de Deus sem que se examine o Pentateuco.. E isso não é sem motivo.] O . como parte do Pentateuco. Este capítulo trata da origem de Moisés.31-35). Levemos em conta que Deus costuma se utilizar de instrumentos humanos para que a sua glória seja manifesta. a forma como Deus libertou o seu povo da escravidão e o levou à Terra Prometida.1 O N a sc im e n t o e a de um C h a m a d a Lib e r t a Alexandre Coelho dor salvação. [. e.. O livro do Êxodo.

O êxodo é o acontecimento crucial na história de Israel. o livro de Êxodo pode assim ser dividido para fins didáticos: c® " O povo de Deus é escravizado (Êx 1) Moisés é chamado para libertar o povo (Êx 2— 4) Moisés fala com Faraó. Êxodo. por mostrar o início da escravidão dos hebreus pelos egíp­ cios. e a pessoa realmente mais indicada e mais aceita no tocante à autoria do texto tem sido Moisés. cf Lc 20.U m a J o r n a d a de fé Senhor Jesus Cristo fez citações do livro do Êxodo (3. Esboço do livro de Êxodo De forma sintética. “partida”.37).26. O livro recebe esse nome. pois pode ser ampliado de acordo com o estudo de outros acontecimentos dentro do próprio livro. Foi a po­ derosa libertação realizada pelo Senhor.6) e chamou-o especificamente de “livro de Moisés” (Mc 12. As Dez Pragas mandadas contra o Egi to (Êx 5— 11) A Páscoa (Êx 12— 13) A saída dos israelitas do Egito (Êx 14— 19) A entrega da Lei de Deus (Êx 2 0 — 24) A construção do Tabernáculo (Êx 2 5 — 40) Esse esboço é apenas exemplificativo. Conforme o Dicionário Wyclijfe. a escolha de Moisés como libertador e a forma como Deus retirou os hebreus do jugo egípcio. O texto indica que seu autor participou dos eventos descritos. para trazer todo o povo de 6 . O propósito do livro de Êxodo A palavra “êxodo” traz a ideia de “saída”.

O fim do livro de Gênesis fala sobre José. filho de Jacó. Um olhar panorâmico no Pentateuco nos mostra que em Gêne­ sis Deus cria o mundo. Howard F. apesar de ele existir em muitos lugares no mundo. e para essa pessoa trabalha sem qualquer direito. 7 . José traz seus irmãos e seu pai para o Egito. o livro de Êxodo mostra a escravidão dos hebreus no Egito e a libertação divina por intermédio de Moisés. D icionário Wycliffe. 735. REA. foi marcada por muitos milagres. Esta sa­ ída do Egito e a consequente migração em direção a Canaã. Rio de Janeiro: CPAD. e o livro é encerrado com o pedido de José para que os israelitas tirassem os seus ossos daquelas terras. Tendo em vista os avanços na esfera social que o homem moderno obteve por meios demo­ cráticos. e o livro de Deuteronômio mostra os discursos de Moisés ao povo antes de entrarem na Terra Prometida. a lei sacrificial e o trabalho no Tabernáculo. Não se pode pensar em um trabalho que não seja remunerado (exceto o voluntário). 2006. pois Deus os visitaria e os tiraria de lá. o Êxodo faz uma ligação para que a história dos hebreus seja encadeada de forma que haja continuidade na narrativa mosaica. O livro de Levítico se encarrega de ensinar ao povo o valor da comunhão com Deus. que vai para o Egito como escravo e se torna governador. VO S. John. nem se pode imaginar pessoas trabalhando sem hora de descanso e ainda sendo 1 PFEIFFER. que era seu próprio governador teocrático. Charles F. um personagem que vai figurar nos demais livros do Pentateuco. falar em trabalho escravo em nossos dias é uma coisa absurda. Essa expressão traz para nós a ideia de uma pessoa que está sob controle absoluto de outra por meio da força.O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e u m L ib e r t a d o r Israel da escravidão no Egito e levá-lo à Terra Prometida. e resultou no estabelecimento dos israelitas como uma nação em aliança com Deus. promete um Salvador e conduz Abraão. com uma administração pautada no temor a Deus e no bom senso. A seguir.. O livro de Números aborda a peregrinação dos israelitas no deserto. A escravidão O livro de êxodo fala de escravidão. Isaque e Jacó a um relacionamento com Ele. sob a liderança de Moisés. para que tenham um lugar mais tranquilo para viver.1 Dentro do Pentateuco. p. a humanidade.

Um rei se levantou no Egito. quando os alimentos se tornaram escassos. a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por \ crocodilos. e esse monarca não tinha prazer em recordar a história daquela nação. a escravidão era uma prática bem difundida. o Egito provavelmente não subsistiria. Deus fora misericor­ / "Qualquer egípcio ou egípcia po pará-los nas ruas ou em qualquer lugar onde estivessem. A expressão “poder” mostra o grau de opressão com que os egípcios tratavam os hebreus. mas de forma geral essa é a tendência huma­ na: esquecemo-nos das bondades de Deus e nos âeria entrar nas casas dos israelitas. pegar a \ dioso para com os egíp­ cios. dando-lhes um ad­ ministrador como José. se fosse um menino. O livro de Êxodo narra o princípio da escravidão do povo hebreu pelas mãos dos egípcios. tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para jogar o bebê. ou mesmo se não pudesse pagar dívidas. E muito tempo depois.8. criança recém-nascida. e que se não fosse pela instrumentalidade de José. Ele não conhe­ ceu a José. Uma pessoa poderia cair nessa situação caso fosse vendida por familiares ou se fosse uma presa de guerra. N T L H ). o Egito decide retribuir o livramento dado por José usando os hebreus como mão de obra escrava. filho de Jacó. Mas no mundo antigo. A opressão dos egípcios contra os israelitas era tão grande que Deus disse: “Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios” (Êx 3. conferir-lhe o sexo e. O certo é que era uma situação constrangedora e humilhante para homens e mu­ lheres que se viam envolvidos por ela. considerando-os como se fossem nada. 8 ." tornamos senhores das bênçãos que Ele nos tem dado graciosamente. e essa expressão pode indicar que esse novo rei não soube que o Egito anteriormente passara por um período de extrema prova­ ção. descartáveis. Essa foi uma forma muito ruim de demonstrar gra­ tidão.U m a J o r n a d a de fé tolhidas de direitos como o descanso e alimentação adequada.

Ele apenas estava esperando o momento certo para agir. e estes cresciam. e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão. morrendo o rei do Egito. a Bíblia nos diz que Deus manteve o seu plano de levar seu povo a uma terra onde poderiam viver como uma nação. ter filhos e criá-los. O Nascimento de Moisés Os israelitas no Egito Moisés nasceu em um momento desfavorável aos filhos de Abraão no Egito. Deus não perdeu o controle da história. tinham seus filhos e os criavam. a fim de que o povo pudesse seguir regras adequadas para sua existência na nova terra. Para isso.23-25) O rei que decretou a escravidão falecera. Os israelitas podiam se casar. 9 . E ouviu Deus o seu gemido e lembrou-se Deus do seu concerto com Abraão.7). Deus usaria Moisés como o instrumento não apenas de libertação. (Êx 2. Esse cenário nos parece bastante favorável à existência de um povo. e atentou Deus para os filhos de Israel e conhe­ ceu-os Deus. e aumentaram muito” (Êx 1. mas seu sucessor manteria aquele sistema até que Deus visitasse o seu povo e o libertasse daquela situação. mas também como um legislador. depois de muitos destes dias. Não foi à toa que Moisés escreveu: E aconteceu. e assim sucessivamente.O N a s c i m e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r Clamor por libertação A busca pela liberdade também é um dos temas descritos no livro de Êxodo. Aqui cabe uma observação: apesar de o povo de Deus passar por aquela tribulação. Reter os israelitas no Egito como escravos se mostrou caríssi­ mo para Faraó e a nação egípcia. com Isaque e com Jacó. que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão e clamaram. Quem está preso deseja ser livre. e o mesmo ocorre para com aqueles que estão sendo submetidos à escravidão. tendo em vista que as re­ lações sociais entre os hebreus são descritas como propícias à expansão demográfica. O livro de Êxodo começa indicando que “os filhos de Israel frutificaram.

Mas a Bíblia declara que os pensamentos de Faraó esta­ vam relacionados a trazer prejuízo aos israelitas. os israelitas sairiam do Egito (“suba da terra”). estava crescendo bastante. Além disso. Ele assumiu o poder e entendeu que três situações poderiam ocorrer. e ao que tudo indica. “Depois. e vai convencer a si mesmo e aos que o cercam. Um bebê é salvo da morte Como foi dito. a história nos mostra uma mudança no cenário político do Egito que traria muito sofrimento aos filhos de Israel. o que traria uma grande frustração aos planos de expansão e de reformas estruturais de construção civil nacional. A Versão Atualizada da Bíblia usa a 10 . não há registros de que Israel tivesse intenções de se associar a outras nações em uma guerra futura contra os egípcios. sendo posteriormente recom­ pensadas por Deus. os israelitas se associariam com os inimigos dos egípcios. para que matassem os meninos recém-nascidos.U m a J o rn a d a de fé Mas no versículo 8. Os hebreus tinham seus afazeres. não influenciavam negativamente em qualquer fato social dos egípcios. Sifrá e Puá. Faraó acreditou que poderia contar com a obediência dessas mulheres. Mas não foi isso que o novo rei do Egito viu. Podemos extrair dessas observações que o homem sem Deus vai buscar razões malignas para justificar seus feitos. b) ele imaginou que em um caso de guerra futura. Até esse momento. não há indicação de que eles eram vistos como uma massa de trabalho escravo pronta para satisfazer os desejos de reformas e construção de novas estruturas no Egito. mais se multiplicavam. como um grande grupo de pessoas. Quanto mais os israelitas eram afli­ gidos. levantou-se um novo rei no Egito. disseram ao rei que as mulheres hebreias eram “vivas”. Moisés não veio ao mundo em um período propício ao nascimento de um menino hebreu. mas estas temeram a Deus e não obedeceram ao rei. a ponto de o rei dar ordens às parteiras das hebreias. que náo conhecera a José”. era um sinal claro da bênção de Deus. a) os israelitas. Faraó não percebeu que se o povo de Israel estava crescendo. Conforme Êxodo 1. Quando chamadas para prestar contas. c) ele também entendeu que no caso de uma guerra.11. Este verso mostra o que eu chamo de “princípio das dores” para os hebreus que mora­ vam no Egito.

entre as plantas. e. pará-los nas ruas ou em qualquer lugar onde estivessem. mas de livramento. Os planos de Satanás eram cruéis. mas a todas as filhas guardareis com vida” (Ex 1. A mãe de M oisés A Bíblia apresenta a mãe de Moisés como uma mulher que descendia de Levi. A filha de Faraó se compadeceu do menino. Ela teve um menino. Mas os planos de Faraó não pararam. colocou-o em um cesto de juácos. A nossa fé em Deus deve sempre nos motivar a fazer o que é certo e justo. ordenou Faraó a todo o seu povo. libertação e de vida para os seus filhos.O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r expressão “vigorosas”. os textos mostram que as parteiras foram inquiridas por Faraó e deram a ele uma resposta que as isentou de sujarem as máos com sangue inocente. uma construção bem frágil para proteger uma criança. Mas se Satanás tinha um plano de opressão. decidiu criá-lo e dessa forma Deus preservou a vida do menino Moisés. Se as parteiras hebreias não cumpriam as ordens dadas. não podendo mais escondê-lo. se fosse um menino. e vendo o cesto. conferir-lhe o sexo e. tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para jogar o bebê. e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz que as mulheres hebreias “dão à luz com facilidade”. usando a filha de Faraó para tal livramento. dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio. e acima de tudo. Independentemente das versões utilizadas. pegar a criança recém-nascida. e tentou escondê-lo por três meses. um dos irmãos de José. E exatamente naquele lu­ gar a filha de Faraó foi se banhar. a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por crocodilos. Deus também tinha um plano. Isso significa que qualquer egípcio ou egípcia poderia entrar nas casas dos israelitas. e deixavam um sinal claro do que ainda estava por vir para os filhos de Abraão. a ordem agora passou para o povo egípcio: “Então. Outra coisa a se observar é o fato de que a maldade humana cria métodos malignos para conseguir seus feitos. A Bíblia diz que um casal da tribo de Levi teve um menino.22). escravidão e morte contra os hebreus. Aquele cesto simples foi colocado na borda do rio. ordenou que uma de suas criadas o fosse pegar. Precisamos concordar que esse foi realmente um grande II . a não compactuar com o que está errado.

anos mais tarde. 12 . Léo G. Rio de Janeiro: CPAD.59). sugere que Moisés não era o primeiro filho do casal. Foi um ato de fé. Arão. v. O Se­ nhor não apenas guardou a vida do menino. Deus tem um senso de humor interessante: Se o rei do Egito ordenara a mor­ te dos meninos hebreus. Nm 26. Moodij comentou sabiamente que ‘A íoisés passou seus primeiros quarenta anos pensan­ do que era alguém. e pela fé viu a vida de seu filho ser preservada por Deus. Além disso. passou aprendendo que era um ninguém! Os últimos quarenta anos ele os passou desco­ brindo o que Deus pode fazer com ^ um ninguém'. o libertador dos is­ raelitas. 144. pois a irmã Miriã tinha idade suficiente para cuidar do irmão (4. 1. era três anos mais velho que ele (6. mas fez com que a mãe de Moisés fosse remunerada para cuidar do próprio filho. Quase nada é fa­ lado acerca dessa mulher. Observe que a Palavra de Deus não cita o nome dos pais de Moisés nesse momento. Parece que o édito do rei entrou em vigor depois do nasci­ mento de Arão.2 O certo é que essa mulher colocou seu filho em um cesto de juncos pela fé. pois em uma época em que os egípcios caçavam bebês meninos dos hebreus. o irmão de Moisés. comentarista do livro de Êxodo no Comentário Beacon. mas o que temos aqui é suficiente para entender que a providência divina 2 LIVINGSTON.20. Deus graciosamente usa­ “ Dwight L. Nm 26. essa mulher arriscou-se muito para preservar em vida o fruto do seu ventre. George Herbert et all.U ma J o r n a d a de fé feito. mas cita o de Miriã.59). Os segundos quarenta anos. Comentário Bíblico Beacon. 2005." • ria a filha do Faraó para preservar em vida o me­ nino que seria. Cox. sendo Moisés o primeiro filho deste casal cuja vida estava em perigo por causa da proclamação do rei. A filha de Faraó A filha de Faraó entra em cena na história do povo hebreu. p.

nesse período de sua vida. que significa “peregrino fui em terra estranha”. Depois de matar um egípcio. E Moisés estava “muito bem. Aparentemente. mas também era conhecido como Jetro. Foi um período em que a própria Bíblia nada fala sobre Moisés. e que nem mesmo têm o mesmo temor a Deus que nós. quando se encontrou com o Senhor na estrada para Damasco. Deus chama seus escolhidos nas mais diversas funções. para nos ajudar e fazer prosperar os planos divinos. e apesar de haver uma ordem para que os egípcios jogassem os bebês do sexo masculino do rio. o monte de Deus. Ela soube imediatamente que aquele bebê era dos hebreus. descen­ dentes de Abraão com Quetura. até o seu encontro com Deus no deserto. Ela guardou o menino em vida. Moisés fugiu para essa região. pastoreando as ovelhas de seu sogro próximo ao Horebe. casando-se com a filha de Reuel. cujo nome significa “amigo de Deus”. de sua origem e de sua educação no Egito.O N a s c i m e n t o e a C h a m a d a d e um L i b e r t a d o r pode utilizar pessoas que desconhecemos. onde encontrou abrigo e formou uma família.2-4). Não há referências na Palavra de Deus que indiquem que Ele despreza talentos pessoais ou a experiência adquirida por seus servos. Zípora deu-lhe dois filhos: Gérson. para trazê -las presas. Nessa época. Saulo estava a cargo de procurar pessoas que falavam em nome de Jesus. Saulo era 13 . Moisés desvencilhou-se de quem era.300 metros. Deus prepara o seu escolhido Deus escolhe pessoas capacitadas para fazer a sua obra? Com certeza. a filha de Faraó decidiu não obedecer. Mateus era um fiscal da receita em Israel. que significa “o Deus de meu pai foi minha ajuda e me livrou da espada de Faraó” (Ex 18. e Eliézer. Moisés habitava com os midianitas. A Chamada e o Preparo de Moisés Deus chama o seu escolhido De forma mui peculiar. A filha de Faraó não apenas se sentiu comovida com a situação da­ quele menino colocado no cesto de juncos. obrigado”. uma elevação de aproximadamente 2. nos dias de Jesus.

Há uma frase que cir­ cula em adesivos de carros que diz: “Deus não cha­ ma os capacitados. Daniel era um profeta. para servi-lo. ao menos em minha ótica. Mateus era um cobrador de impostos. estudos e demais recursos que adquirimos ao longo da vida para 14 . sendo mantido por corvos.U m a J o r n a d a de fé versado em três línguas diferentes. e as utilizou para falar de Jesus em suas viagens missionárias. e isso in­ . quando os alimentos se tornaram escassos. Deus capacita pessoas para a sua obra? Com certeza. mas também era um estadista. mas também era um poeta que compôs diversos cânticos de ado­ ração ao Senhor. Davi era um comba­ tente. Elias. o Egito provavelmente não subsistiria. Deus pode usar qualquer pessoa em sua obra. ressuscitou um menino morto. Ninguém pode dizer que está totalmente pronto para dar passos definitivos na caminhada com Deus. pois Deus não costuma desprezar a nossa expe­ riência de vida. entenda que Deus utiliza nossos recursos em prol do seu Reino. Como cristãos. pastoreando as ovelhas de seu sogro. mas capacita os escolhidos”. foi direcionado por Deus para ficar uma temporada sendo mantido por uma viúva pobre em Sarepta. terra natal de Jezabel. e depois que o ribeiro secou. É uma frase estranha. filho de Jacó. ainda que limitadamente. como se expressão pode indicar que esse novo rei não soube que o Egito an­ teriormente passara por um período < de extrema provação. Ele foi capacitado por Deus para os desafios que enfrentaria.________ -A/ "Ele não conheceu a José. mas ao longo do texto bíblico Ele chama pessoas capacitadas. Na prática. mas para isso teve de passar uma temporada no anonimato em Querite. fizeram dele o homem escolhido por Deus para uma obra sem igual. e utilizou seus conhecimentos para escrever seu Evangelho. uma localidade de Sidom. e essa V clui buscar uma formação sólida e coerente. o tisbita." nada em nossa existência prestasse. Portanto. Deus utiliza nossos dons. somos desafiados a usar nossos talentos pessoais em prol do Reino de Deus. e que se não fosse pela instrumentalidade de José. O mesmo se deu com Moisés: sua formação no Egito e o tempo no deserto.

Sempre faltará alguma atitude da qual só teremos ciência quando estivermos no meio da jornada.3 Guarde isso em seu coração. a forma como so­ breviver nele. passou aprendendo que era um ninguém! Os últimos qua­ renta anos ele os passou descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém” (citado por Charles Swindoll). Deus nos pede que andemos confiando nEle. Portanto. Moody comentou sabiamente que “Moisés passou seus primeiros quarenta anos pensando que era alguém. tendo recebido uma educação própria de sua classe social. os tipos de animais existentes na região e questões relacionadas ao clima. M oisés. Ainda assim. Ele passou a próxima tem­ porada de quarenta anos auxiliando seu sogro a cuidar de ovelhas em uma região desértica. 2008. Quando foi chamado por Deus. Charles. Os segundos qua­ renta anos. nunca estaremos sempre prontos para atender à voz de Deus. Moisés foge do Egito por ter matado um egípcio. E é nossa função estar capacitados dentro de nossas forças para prestar o melhor ao Senhor. Em sua sabedoria. Eram questões simples para quem tivera uma educação de ponta no Egito. em sua paciência. p. e não que acumulemos a bagagem de conhe­ cimento e experiência antes para depois decidir que vamos obedecer. Série Heróis da Fé. quanto mais recursos obtemos ao longo da vida. onde aprendeu os caminhos do deserto.O N a s c im e n t o e a C h a m a d a d e um L ib e r t a d o r serem utilizados em prol do seu Reino. 3 SW IN DO LL. mais eles poderão ser usados no serviço do Mestre. 15 . São Paulo: Mundo Cristão. A sabedoria dos egípcios ele já possuía. Ele precisava agora aprender como viver fora da corte egípcia e a depender de Deus em uma jornada que duraria anos. 31. Moisés estava apascentando as ovelhas de seu sogro. Dwight L. Após ter passado quarenta anos no Egito como membro da corte de Faraó. como aconteceu com Moisés. mas foi dessa forma que Deus preparou Moisés. 0 preparo de M oisés Deus sempre tem um objetivo quando chama um de seus servos para que exerça alguma função ou ministério e tem sua forma própria de preparar seus escolhidos. Na prática. Ele complementará o que nos falta.

Neste capítulo veremos de que forma Deus tratou com Moisés pessoalmente. chamando-o para que fosse uma das grandes figuras do Antigo Testamento. fugido do Egito. aos olhos humanos. Ele chegara a Midiã aos 40 anos. aos 80 anos. e iria usar um ho­ mem chamado Moisés para tal feito. Mas aqui reside um principio divino: Deus não depende de nossa faixa etária para nos convocar a ser úteis . poderia se aposentar e aproveitar os poucos anos que lhe restariam sem se aborrecer. com seu sogro Jetro. Deus chama o seu escolhido Moisés foi chamado por Deus quando estava vivendo em Midiã.Um Lib e r t a dor pa ra Is r a e l Alexandre Coelho D eus tinha um plano de libertação para Israel. tem um encontro com Deus. Moisés foi chamado por Deus em uma fase da vida em que. Moisés — Sua Chamada e seu Preparo Um líder não surge no cenário bíblico sem que tenha uma história por trás de sua vida. e agora. quando cuidava das ovelhas do sogro. Vejamos como Deus vocacionou Moisés para a tarefa que lhe foi confiada.

Ele mesmo se encarregou de falar com Moisés de modo sobrenatural e convincente. O primeiro grande ambiente pelo qual Moisés passou foi. Analisemos os textos que se seguem. mas tam­ bém as convoca. A esse lugar Moisés se dirigiu quando matou um egípcio e foi perseguido.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l para Ele. 0 preparo de M oisés Deus se utiliza de diversos recursos para treinar aqueles a quem escolheu. onde fora colocado por Deus para exercer seu ministério futuro como libertador. mas Deus escolheu Moisés para aquela missáo. Com Moisés não foi diferente. O terceiro foi o deserto. Portanto. 17 . filha de Jetro. O segundo grande ambiente foi a corte do Egito. legislador e líder de um grupo de pessoas que deixaria uma vida de escravidão para entrar em uma terra própria e se tornarem uma nação. e certamente aprendeu algo acerca de Deus. Moisés constituiu uma família com Zípora. mas não atendeu à voz divina ime­ diatamente. Em Midiã. Nesse local ele foi ensinado no que o Egito tinha de melhor em tecnologia e conhecimen­ to. construindo uma vida acadêmica e preparando-se para um futuro brilhante na liderança egípcia. Deus não apenas escolhe as pessoas para determinadas obras. Lá ele foi instruído sobre seu povo e sua cultura. o lar em que foi criado por seus pais. Deus o estava preparando como instrumento para uma grande missão. Não há indícios de que Moisés tenha se casado no Egito. e mesmo que ele não o soubesse. As Desculpas de Moisés e a sua Volta para o Egito 0 receio de M oisés e suas desculpas Moisés foi chamado por Deus. Com certeza havia pessoas mais jovens e mais dispostas a fa­ zer o que Moisés faria. De que adianta ser escolhido por Deus e não ser informa­ do dessa chamada? Como Deus faz tudo de forma perfeita. sem dú­ vida. o preparo de Moisés durou muitos anos. Ele passou por pelo menos três grandes ambientes em sua vida.

e eu te enviarei a Faraó. Deus fala com o pastor M oi­ sés para que tenha temor ao se aproximar. e de imediato se identifica como sendo o Deus de Abraão. mas em diversas situações Ele se utiliza de pessoas como eu e você. Analisando de forma mais acurada o texto que narra a conversa de Deus com seu servo. e já ouvira Deus convocando-o para a missão que ocuparia uma parte importante de sua vida. Deus tinha de usar Moisés para tal feito.8). É provável que ele estivesse pensando em seu passado. uma clara referência de que Ele era reverenciado pelos antepassados de Moisés. tirando-os da escravidão e levando-os a uma terra nova e frutífera. no crime que havia cometido.7. de Isaque e Jacó.6). “Vem agora. Moisés não tinha tal capacidade. Após se identificar (Êx 3. Mesmo se essa possibilidade fosse remota. Moisés já tinha visto a sarça ardendo no deserto. Moisés disse a Deus: Quem sou eu. Deus deixa claro que viu a aflição do seu povo e que ia livrá-lo. Como Moisés. Moisés trouxe seu primeiro questionamento ao Senhor: “Quem sou eu para falar com Faraó e tirar o povo do Egito?” Aos próprios olhos. que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? E Deus disse: Certamente eu serei contigo. limitadas. Mas nem sempre pessoas que serão grandemente utilizadas por Deus estarão de imediato prontas para obedecer à sua voz quando cha­ madas. para depois dizer a Moisés que ele havia sido escolhido para ir diante de Faraó e convencer o rei a libertar o povo. Por que Ele mesmo não aparecia a Faraó e ordenava que o povo fosse solto? Ele tinha de usar alguém para tal função? Sim. precisamos aprender que Deus pode fazer grandes coisas sem utilizar ninguém. para cumprir seus propósitos. 18 . os filhos de Israel. e deixou claro que não era qualificado para falar com Faraó. poderemos observar: “Então. e isto te será por sinal de que eu te enviei: quando houveres tirado este povo do Egito.10). pois. o certo é que Moisés não estava disposto a obedecer à voz de Deus.U m a J o r n a d a de fé Em um primeiro momento (Êx 3 . no prejuízo que teria se retornasse ao Egito e alguém se lembrasse do que ele fizera.12). servireis a Deus neste monte” (Êx 3.5. do Egito” (Êx 3.11. para que tires o meu povo. É curioso que Deus diz a Moisés que vai tirar seu povo do Egito.

(Êx 3. como recursos. os recursos. Deus sabia das limitações daquele homem. nossos recursos. e eles me dis­ serem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. este é meu nome eternamente. E do que realmente precisamos? Da companhia de Deus. Com a presença de Deus. e o nome das divindades geralmente espelhava alguma característica relacionada a um poder ou a um hábito dentro da teologia daquele povo. Sem ela. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR. Se Deus tem um nome. porque Moisés não poderia sabe-lo? A resposta divina foi: “Diga aos filhos de Israel que o EU SO U está mandando você para libertá-los. e este é meu memorial de geração em geração. mas garantiu-lhe que o acompanharia. serão insuficientes. Observe que Deus não apenas trata de falar com Moisés.13-15) Moisés fez um segundo questionamento ao Senhor: Qual era o nome daquele que o estava comissionando? Deuses deveriam ter no­ mes. o Deus de Abraão. por mais escassos.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l Observe que Deus disse a Moisés que seria com ele. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. o Deus de vossos pais. Essa é uma promessa que nos deve fazer refletir. de Isaque e Jacó deveria ter um nome também. pessoal e tempo. Então. Deus deveria ser identificado como o Deus dos antepassados dos israelitas. o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. mas de dar a ele ordens bem direcionadas e específicas. Ele deveria falar com Faraó que Deus estava ordenando que o rei deixasse o seu povo ir. Isaque e Jacó”. mas havia 19 . dependemos de muitos fatores para nos sentirmos seguros para fazer a obra de Deus. disse Moisés a Deus: Eis que quando vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós. O Deus de Abraão. Os do Egito tinham suas nomenclaturas. Lembre-os de que sou o Deus de Abraão. A expressão “o Deus de vossos pais” é muito impessoal. me enviou a vós. por mais que se mostrem abundantes. pois não raro. Deus ordena que Moisés procure os anciãos e diga que o Deus dos pais deles tinha aparecido e ordenado a ele que fosse falar com Faraó. tornam-se instrumentos de abundância e de milagres diariamente.

transformando a água do rio em sangue. 20 . A mensagem foi dada. crerão a voz do derradeiro sinal. O que Moisés queria mais? Ele já tinha visto dois sinais. Mas Moisés permaneceu na defensiva: desta vez ele alegou que não era uma pessoa hábil para realizar discursos que con­ vencessem as pessoas. mas isto não indicava que as coisas seriam fáceis para Moisés. e se isso fosse pouco.19-22). e ainda diriam que Deus não havia aparecido a Moisés. E tornou a meter a mão no peito. E acontecerá que. e. um terceiro sinal Deus faria. Se Moisés não se convenceu imedia­ tamente de sua chamada.6-9). e ela se transformou em uma serpente. Deus diz a Moisés que Faraó não era uma pessoa de fácil relacionamento. por meio de sinais. se eles te não crerem. tomarás das águas do rio e as derramarás na terra seca. Deus tinha outra forma de mostrar seu poder a Moisés: E disse-lhe mais o Senhor: Mete agora a mão no peito. se acontecer que ainda não creiam a estes dois si­ nais. nem ouçam a tua voz. disse que confirmaria um terceiro si­ nal. Moisés apresentou outra desculpa para não obedecer àquilo que Deus estava mandando: os israelitas não acreditariam nele. e eis que se tornara como a sua outra carne.16-18). depois.U ma J o r n a d a de fé a orientação para que Moisés procurasse os anciãos do povo e comuni­ casse que Deus tinha visto o que os egípcios fizeram com os israelitas. ela se transformou em uma vara novamente. tirando-a. Deus já conversara com Moisés. e as águas que tomarás do rio tornar-se-ão em sangue sobre a terra seca (Ex 4. Moisés lançou no chão a vara com que liderava as ovelhas de seu sogro. Por isso. Depois de tantas demonstrações. eis que sua mão estava leprosa. que Ele os tiraria do Egito e que eles prestariam culto ao Senhor (Ex 13. e que não deixaria o povo sair. Mas se este sinal foi pouco. E disse: Torna a meter a mão no peito. e lhe mostrou sinais de seu poder. tirou-a do peito. Quando Moisés pegou a serpente pela cauda. nem ouvirem a voz do primeiro sinal. Deus feriria o Egito e no fim os israelitas seriam libertos e ainda pediriam aos seus vizinhos egípcios bens em roupas e metais preciosos (Ex 3. branca como a neve. E. como convenceria os israelitas de que ele era um enviado de Deus? A resposta de Deus foi imediata.

Ele deveria contar aos hebreus o que presenciara e. ao que parece. Faltava agora obedecer. Deus concede poderes a M oisés Deus não apenas convocou Moisés para aquela empreitada. Para não ficar tão mal aos olhos de Deus.13. deveria dizer ao sogro para onde iria e o que faria. Ele pode ter sido criado por uma família piedosa.1 0 -1 2 ). Moisés apenas deveria aprender a confiar no Senhor. deveria. É evidente que Moisés não disse tudo. por recomendação divina. menos a mim” (Êx 4. mais que isso. ele sugeriu: “ Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar. provavelmente não estava disposto a obedecer. e deu-lhe sua filha em casamento. e também os sinais. mas deulhe poderes específicos para que o representasse. e que Arão falaria ao povo por Moisés. mas o que disse 21 . caso não acreditassem na sua palavra. e não poderia mais protelar sua obe­ diência ao Senhor. Deus disse que Moisés fosse fazer seu trabalho que Ele o ensinaria como de­ veria falar (Êx 4 . Ele já tinha a chamada. Essas desculpas podem parecer irreais a nós hoje. mas ainda precisava ter sua própria experiência com o Senhor. Desta vez. Deus disse-lhe que Arão seria um companheiro ade­ quado para aquela missão. e antes de ir ao Egito. Moisés tinha laços afetivos com a família de Jetro. tinha não apenas os sinais para contar aos hebreus. 0 retorno de M oisés Moisés recebe a ordem para retornar ao Egito e falar com Faraó com uma certeza: Deus estaria com ele. pegar a água do rio e lançá-la na terra. ARA). não tivera ainda um contato com Deus.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l O tom de voz de Deus começou a mudar naquela conversa. mas nos lembremos de que Moisés até aquele momento. E por não ter ainda essa experiência. E ele o fez. portanto. Moisés já chegara ao seu limite. Jetro recebeu Moisés de bom grado. E evidente que Moisés não saiu de Midiã sem a anuência de seu sogro. para que se tornasse em sangue.13-17). Moisés. ele não teria mais alternativas a não ser obedecer (Êx 4. mas tinha também outro para fazer na frente deles. Os sinais que Moisés presenciou eram um prenúncio do que Deus haveria de fazer no Egito.

Moisés poderia levar a cabo sua missão sem se preocu­ par com aquela mácula. Moisés se Apresenta a Faraó M oisés diante de Faraó Como era de se esperar. e que apenas pela forte mão de Deus os hebreus sairiam daquela nação. Porém Moisés ainda tinha uma pendência a resolver. e certamente seu coração não estava esquecido desse detalhe. Moisés teve de fugir. o encontro de Moisés com Faraó não foi nada promissor. A queixa dos israelitas O povo de Israel sentiu-se prejudicado pela intervenção de M oi­ sés junto a Faraó. eles não sabiam que Moisés estava ali obedecendo a Deus. e ainda me manda um representante pastor. disse a Moisés: “Vai. Por que obedecer a um que não conheço. e que ele não tinha o desejo de fazer com que o sofrimento dos seus irmãos fosse aumentado. Como Deus não faz nada de forma incompleta. Esta deve ter sido uma prova dura para Moisés. falando com Faraó para que o povo fosse liberto. quando pertencia à corte egípcia e matou um egípcio quando este açoitava um hebreu. Isso vemos da resposta que o rei deu a Moisés: “Quem é o Senhor.U m a J o r n a d a de fé foi suficiente para obter a permissão para se ausentar daquela região e dar prosseguimento ao plano de Deus. Deus já avisara a Moisés que os diálogos com Faraó mostrariam o quanto o coração do rei era duro.. para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor. Ele estava no Egito obedecendo à voz de Deus. volta para o Egito. nem tampouco deixarei ir Israel” (Êx 5. Na verdade. cuja voz eu ouvirei.19). Ele tinha um crime em sua “ficha”.2).. e que acha que pode me ordenar a libertar minha mão de obra escrava? Esse Deus do deserto não tem uma forma definida. porque todos os que buscavam a tua alma morre­ ram” (Ex 4. Por esse crime. A lógica de Faraó era a seguinte: Há vários deuses no Egito. e como consequência o rei ordena que os hebreus trabalhem 22 .

os lançará de sua terra” (Ex 6. e que se aguardarmos nEle. e que no devido tempo.1). E evidente que levou um tempo até que o que Deus falou se cum­ prisse. Não é incomum que líderes se vejam nessa mesma situação: obe­ decem a Deus. Entretanto. Deus promete livrar seu povo A promessa divina para com Israel não foi esquecida por Deus. Deus diz a Moisés: “ Agora verás o que hei de fazer a Faraó. 23 . sim. Moisés. Uma palavra de Deus em meio às adversidades e correntes contrárias é suficiente para que tenhamos a certeza de que Ele está co­ nosco. diante de seus inimigos e diante do seu próprio povo. mas não veem de imediato um fruto positivo de sua obediência. e no devido tempo trouxe a libertação tão esperada àquela nação e honrou seu servo. Ele vai se responsabilizar por nos honrar no devido tempo. por mão poderosa. porque. mas que se estamos agindo de forma correta e dentro da vontade de Deus. As dez pragas enviadas contra o Egito mostraram o quanto Deus é poderoso. e o quanto Ele deu oportunidade para que Faraó voltasse atrás e libertasse o povo de Israel sem que a nação egípcia sofresse tan­ tos danos e mortes. Deus cumpre suas promessas e honra a fé daqueles que confiaram nEle. Além disso.U m L i b e r t a d o r p a r a Is r a e l mais. por mão poderosa. O que devemos saber é que obedecer a Deus não é uma garantia de que as coisas que se seguirão não serão alvo de investidas de Satanás. os deixará ir. os líderes devem entender que nem sempre o povo vai entender determinadas atitudes. Lembremo-nos de que a chamada que Deus tem para cada um deve ser obedecida. no devido tempo ele cumprirá o que prometeu. D e­ pois do encontro com Faraó e das reclamações dos hebreus. Deus cumpriu o que prometeu.

3 As P r a g a s A e as P ropostas r d il o sa s de Fa r a ó Alexandre Coelho este capítulo examinaremos duas situações que ocorreram por ocasião da presença dos israelitas no Egito: as pragas enviadas por Deus e as propostas de Faraó no sentido de manter os is­ raelitas cativos. Ele pode usar quem quiser para fazer a sua vontade. Deus poderia simplesmente retirar Ele mesmo o povo da escravidão. Isso nos deve fazer lembrar de que Deus tem todo o poder. mas preferiu usar Moisés como ins­ trumento para aquela obra. somos tentados a imaginar que Deus realmente precisa muito de nós para a sua obra. e opera apesar de nós. Que isso nos sirva de lição. Deus havia dito a Faraó. e que sem nós Ele não faria nada. que deixasse seu povo ir embora daquela terra. prefere se valer de instrumentos humanos para executar sua vontade. tendo em vista que. e não apenas por nossa causa. por meio de Moisés e Arão. mas ainda assim. Na verdade. e pode fazer o que desejar. Faraó fora advertido de que deveria libertar os . não raro. O Encontro de Faraó e Moisés E curioso observar a capacidade que certas pessoas possuem de ten­ tar negociar com Deus. em mui­ tas situações.

E. e que não se permite ser ridicularizado por ninguém. para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor.1. para que me celebre uma festa no deserto. Mas à medida que o texto se desenrola. o rei não acreditou nas palavras do libertador. e que o próprio Faraó era tido como uma divindade. depois. nem tampouco deixarei ir Israel. Não raro. 25 . Como já nos é sabido.A s P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó israelitas. não deixarei os hebreus saírem livres. essa tem sido uma resposta comum da própria humanidade: Porque devo obedecer a Deus se nem sei quem é Ele? Parece uma lógica correta levando em con­ sideração que o Egito tinha vários deuses. Deus utiliza pragas para convencer Faraó A palavra de Moisés e os sinais que ele fez por orientação divina não foram suficientes para tirar de Faraó sua dureza de coração. cuja voz eu ouvirei. (Ex 5.2) Essa foi a resposta de Faraó. Faraó percebe que está lidando com um Deus que escolhe bem seus enviados. foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Se­ nhor. mas preferiu resistir à voz de Deus. Se analisarmos a forma com que Deus se utilizou para falar àquele monarca. Deus enviaria pragas por toda a terra do Egito. para mostrar com mão forte que a permanência de Israel naquelas terras seria extremamente custosa aos súditos de Faraó. Quem é o Senhor? Não o conheço. o octagenário pas­ tor do deserto. e como não o conheço. Como seria possível reconhecer como Deus um Ser que envia um pastor do deserto para falar com o rei da maior potência da época? Esse Deus poderia ter embaixadores melhores para representá-lo. Mas Faraó disse: Quem é o Senhor. veremos que foi dada a ele oportunidade de reconhecer o poder de Deus antes que ma­ les terríveis assolassem o Egito. Primeiro o Senhor falou através de A io isés Deus prioriza advertir Faraó por meio de Moisés. Deus de Israel: Deixa ir o meu povo.

E foi isso que Deus mostrou aos egípcios. Moisés então é chamado por Faraó para que termine com ela: E Moisés disse a Faraó: Tu tenhas glórias sobre mim. Outra coisa é ver centenas desses animais na sua casa.. Moisés deu a oportunidade ao rei. Deus estava julgando outra “divindade” egípcia." ----. e por teu povo. para que saibas que ninguém há como o Senhor... Mas o Rio Nilo não era um deus. Quando orarei por ti. e este preferiu protelar o livramento do seu próprio povo! É como se Moisés estivesse dizendo a Faraó: “ A prioridade de acertar as coisas é sua. O Nilo era considera­ do uma divindade para os egípcios. aconteceu à à geração que saiu do Egito eeque que ficou ficou enterrada enterrada no no Egito v.. Uma coisa é reverenciar um animal na beira do rio. na sua cama e em todos os cômodos da casa. Veio a segunda praga: as rãs encheram o Egito. Na dúvida. í como desculpas deserto.. espalhados na cozinha. Não dê Não comode desculpas seus filhos seus filhos para quepara você que não você não sirva siiva a Deus" Deus. a responsável pela y "r "” "" .9..— J natalidade... Deus trouxe a primeira praga àquela nação: o Nilo se transformou em sangue... mas preferiu esperar até o dia seguinte. ~ ~ — .10) Quando questionado por Moisés acerca de quando iria orar por ele. sem dúvida ele era uma bênção para as colheitas e para a vida como um todo. para tirar as rãs de ti e das suas casas. Quando quer que ore por você e por seu povo? Pode ser hoje. de sorte que somente fiquem no rio? E ele disse: Amanhã. veja o que J y s .U m a J o r n a d a de fé Depois dessa resposta direta de Faraó.. Por que não agora?” Mas Faraó não estava realmente interessado em receber uma oração. Faraó disse “amanhã”. pois em uma região dependente do rio. O rei tinha a oportunidade de se livrar da praga das rãs naquele mesmo dia. E Moisés disse: Seja conforme a tua palavra.. "Há um preço alto a ser pago quando desobedecemos a pago quando desobedecemos a Deus. Ele queria mesmo é que 26 .. (Ex 8. segundo o Comentário D evocional da Bíblia. Após essa praga. nosso Deus. Heqt... de que não conhecia a Deus e não deixaria o povo de Israel sair do Egito. e pelos teus servos. deserto.

Faraó foi convencido pelos piolhos e moscas enviados por Deus. Mas esse não era o plano de Deus. e fez uma concessão aos israelitas. Naquelas terras muitos israelitas morreram em sofri­ mento. porque sacrificarí­ amos ao Senhor.A s P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó a praga das rás sumisse e que Moisés desistisse de pedir que seus irmáos fossem libertos da escravidão. eis que. A vida dos egípcios se tornou um inferno. As moscas são tão inconvenientes que costumam nos dar nojo quando se aproximam de nós ou pousam em algum objeto que nos está próximo. Quem quisesse sacrificar poderia fazê-lo. Faraó chama Moisés e Arão e lhes diz: “Ide e sacrificai ao vosso Deus nesta terra” (Êx 8. A Primeira Proposta de Faraó Deus enviou mais duas pragas ao Egito: a dos piolhos e das mos­ cas. restos de pele ou secreções expelidas pelo corpo. Deus pretendia receber culto e dar de presente aos filhos de Abraão uma nova terra para viverem. se 27 . a abominação dos egípcios. isso era cômodo para o rei. De certa forma. A força de trabalho escravo não iria muito longe. sem problemas. Naquelas terras os filhos de Deus haviam perdido sua liberdade. desde que fosse feito no Egito. Há momentos em que a resposta de Deus está diante de nós. e apenas precisamos dizer que a queremos nesse momento. O sacrifício poderia ser feito. Quantas vezes deixamos para amanhã aquilo que Deus está de bra­ ços abertos para nos oferecer hoje? Isso pode significar deixar para ama­ nhã o serviço a Deus. Piolhos são parasitas que se alimentam de sangue. mas a escolha do local do sacrifício pertencia a Faraó. Com essas pragas. nosso Deus. ou tomar uma decisão da qual já fomos orienta­ dos por Ele. A Segunda Proposta de Faraó E Moisés disse: Não convém que façamos assim. e dificilmente saem de seus hospedeiros. Muitos bebês meninos foram lançados ao Nilo para morrerem afogados ou comidos por crocodilos.25). A adoração pretendida por Deus não foi planejada para ser feita em terras egípcias. Ao que parece. O Egito estava realmente em maus lençóis. não a Deus. Multiplicam-se com facilidade.

Esse era o pla­ no divino.U m a J o r n a d a de fé sacrificássemos a abominação dos egípcios perante os seus olhos. Mas Faraó não está certo de que essa distância é segura para manter o povo escravo. Por que 28 “ A questão não se refere ao fato de Deus precisar ou não de nossos bens para ser adorado. ■ — ii— i filhos longe da sombra do trabalho escravo e dos acoi­ tes com que estavam sendo submetidos. que estes enxames de moscas se retirem amanhã de Faraó. por que oferecer sacrifícios em um lugar onde eles eram motivo de deboche? Os egípcios detestavam pastores de ovelhas e qualquer pessoa que cuidasse de gado. nosso Deus.. Creio que o honramos com as nossas fazendas e as primícias x de nossa renda (Pv 3. Trabalhariam para se manter e prosperar em uma nova terra. vosso Deus. no deserto. Ele deseja nossa inteireza de coração. dos seus servos e do seu povo. para que sacrifiquemos ao Senhor.26-29) Pensemos agora no diálogo entre Moisés e Faraó: O libertador não concorda com o rei quando ele propõe que o culto seja em um lugar inadequado à presença de Deus. Então. disse Faraó: Deixar-vos-ei ir. Eles sairiam da escravidão. (Ex 8. não nos apedrejariam eles? Deixa-nos ir caminho de três dias ao deserto. Não bastava serem escravos: eles teriam de passar pela humilhação de ver pedras voando por suas cabeças no momento do culto ao Senhor? Deus não tinha esse plano para seus filhos. Seriam protegidos por Deus e seriam uma nação. não deixando ir a este povo para sacrificar ao Senhor. para que sacrifiqueis ao Senhor. Tão importante quanto o culto que eles prestariam era a liberdade que receberiam. e diz a Moisés que não vá muito longe.. mais que bens. somente que indo. Criariam seus .. e um coração não jixado nas riquezas deste mundo. somente que Faraó não mais me engane.9). Porém. orai tam­ bém por mim. como ele nos dirá. Moisés indica que o local adequado à adoração se­ ria a três dias de distância do Egito. Eis aqui a diferença. Eles certa­ mente apedrejariam os israelitas quando estes fossem oferecer seu culto. Além disso.” .E Moisés disse: Eis que saio de ti e orarei ao Senhor. não vades longe.

eis que trarei amanhã gafanhotos aos teus termos. Depois mandou piolhos e moscas. e encherão as tuas casas. seu Deus. se ainda recusares deixar ir o meu povo. Ele estava lidan­ do com o próprio Deus. sem precedentes na história do Egito. que estava dando ao rei oportunidades para que voltasse atrás em seus pensamentos e libertasse Israel. e cobrirão a face da terra. o que ficou da saraiva. nem os pais de teus pais. e eles comerão o resto do que escapou. também comerão toda árvore que vos cresce no campo. A última praga enviada por Deus neste momento foi uma chuva de pedras em toda a nação. “E os servos de Faraó disseram-lhe: Até quando este nos dá de ser por laço? Deixa ir os homens. Porque. para que me sirva. e as casas de todos os teus servos. 29 . Faraó não pareceu entender que estava lidando com um poder pes­ soal sobrenatural. que a terra não se poderá ver. Charles Swindoll disse que os sinais que Deus mandou ao Egito eram “pragas que pregam”. Faraó aparentemen­ te não aprendeu a lição dos sinais de Deus. foram Moisés e Aráo a Faraó e disseram-lhe: Assim diz o Senhor.A s P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó essa preocupação do rei com um grupo de escravos? Para mantê-los no Egito e impedir-lhes a liberdade. Faraó chega a pedir que Moisés ore por ele também. tornando insuportável a permanência dos israelitas em solo egípcio. Os prejuízos materiais no Egito estavam se avolumando. des­ de o dia em que eles foram sobre a terra até o dia de hoje. para que sirvam ao Senhor. Depois os animais fo­ ram atacados e tumores cobriram os egípcios. A Terceira Proposta de Faraó Assim. E virou-se e saiu da presença de Faraó.3-6) Deus enviou outra praga ao Egito: os gafanhotos. e as casas de todos os egípcios. Deus transformou o Nilo em sangue e depois mandou uma infestação de rãs àquela nação. (Êx 10. mas não parece um daqueles pedidos sinceros de oração. o Deus dos hebreus: Até quando recusas humilhar-te diante de mim? Deixa ir o meu povo. como nunca viram teus pais. e sim a finalização de um discurso que não tem por objetivo ser realizado.

O rei manda lançar fora de sua presença Moisés e Arão. como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos [. pois obrigaria os israelitas a separarem-se de seus filhos para que Deus fosse adorado. Mesmo assim.11). varões. Sabemos que há cônjuges que intercedem por seus consortes. os egípcios sofreriam terri­ velmente as consequências. com os nossos filhos. e deixa claro que as crianças não iriam.8-10) Deus não nos chama para que o sirvamos sem que nossas famílias estejam incluídas tanto na adoração quando na recepção de bênçãos. pois isso é o que pedistes. da mesma forma que preten­ de abençoar toda a família. andai agora vós. Moisés e Arão foram levados outra vez a Faraó. O plano divino para a salvação inclui toda a família. somente os homens. Eles perceberam que enquanto o Deus de Moisés não recebesse seu culto. Então. pois há pais cujos filhos estão longe do Senhor.. ele lhes disse: Seja o Senhor assim convosco. Isso garantiria a próxi­ ma geração de escravos no Egito.10. E os lançaram da face de Faraó” (Êx 10. O coração de Faraó ainda não estava amadurecido para entender que não se poderia brincar com o poder de Deus. e não apenas parte dela. (Êx 10. servi ao Senhor. Depois de concordar com a ida das crianças. e ele disselhes: Ide. e servi ao Senhor. e com as nossas filhas. a herança do Senhor não participaria do culto com seus pais. a proposta dos egípcios era uma proposta cruel. Ele deseja ser adorado por toda a família. 30 .U m a J o r n a d a de fé ainda não sabes que o Egito está destruído?” (Êx 10.. vosso Deus. Sabemos que em nossas igrejas nem todas as famílias estão completas. e com as nossas ovelhas. Não será assim. Então. Sabemos que há filhos que aceitaram a Jesus e estão orando por seus pais. porque festa do Senhor temos. e com os nossos bois havemos de ir..]. Se fosse pela opinião dos egípcios. ele volta atrás em sua decisão: “[.] olhai que há mal diante da vossa face. e Deus ouve essas orações..7) Os servos de Faraó decidiram envolver-se na questão. Quais são os que hão de ir? E Moisés disse: Havemos de ir com nossos meninos e com os nossos velhos.

que. dizendo: Até quando so­ frerei esta má congregação. Mas foi isso que Deus disse? Não. não entrareis na terra. salvo Calebe. diz o SENHOR. e essa experiência pode ser apresentada aos nossos filhos e crianças com o nosso exemplo. Não façamos como os israelitas fize­ ram antes de entrar na Terra Prometida. pela qual levantei a minha mão que vos faria habitar nela. os que dentre vós contra mim murmurastes. de que dizeis: Por presa serão. com que murmuram contra mim. Por que levá-los à igreja? Por que ler a Bíblia em casa com eles? Por que passar um tempo investindo no culto domés­ tico? Por que passar tempo com nossos filhos mostrando-lhes o exemplo de adoração que Deus espera que tenhamos? Cada geração precisa ter sua própria experiência com Deus. o vosso cadáver cairá neste deser­ to. até que o vosso cadáver se consuma 31 . de vinte anos para cima. assim farei a vós outros. quanto a vós. que murmura contra mim? Tenho ouvi­ do as murmurações dos filhos de Israel. Muitas vezes achamos que nossos filhos não conseguirão a matu­ ridade necessária para viverem uma vida com Deus. Mas os vossos filhos. O deserto pode não ser o melhor lugar do mundo para onde viajar e passar férias com crianças. ficaram com medo das batalhas que travariam e alegaram que seus filhos seriam presa de guerra: Depois. meterei nela. e eles saberão da terra que vós desprezastes. E vossos filhos pastorearão neste deserto quarenta anos e levarão sobre si as vossas infidelidades.As P r a g a s e a s P r o p o s ta s A r d ilo s a s de F a r a ó Deus se importa com nossos filhos? Sim. filho de Num. e Josué. tudo muda. Dize-lhes: Assim como eu vivo. Mas pensemos nessa passa­ gem: O interesse de Faraó pelas crianças corresponde ao mesmo interesse de Satanás por nossos filhos. Confiemos a Deus nossos filhos. beberem água. como também todos os que de vós foram con­ tados segundo toda a vossa conta. mas se Deus está lá. O culto a Deus foi a base da resposta de Faraó: Para que levar as crianças ao deserto e lá oferecerem um culto a Deus? O lugar é péssimo. falou o Senhor a Moisés e a Arão. descansarem de uma longa jornada e não tem nada para se fazer lá. Neste deserto cairá o vosso cadáver. filho de Jefoné. sem lugar para se acomodarem. como falastes aos meus ouvidos. Porém.

e virão trevas sobre a terra do Egito. Na dúvida. trevas que se apalpem. que tiveram medo de obedecer ao Senhor. veja o que aconteceu à geração que saiu do Egito e que ficou enterrada no deserto. o Mar Vermelho se abrindo. Como o Egito ficou sem luz? O certo é que se no último encontro Moisés e Arão foram lançados da presença de Faraó. Por três dias os egípcios convi­ veram com a escuridão.26-35) Há um preço alto a ser pago quando desobedecemos a Deus. E Moisés estendeu a sua mão para o céu. trevas de noite eram aceitáveis. o Senhor. Aqueles israelitas alegaram que seus filhos seriam pre­ sas de guerra. Eu. E Deus resolveu atender à sua reivindicação: já que as crianças são o “temor” dos pais e a desculpa para não cumprirem o que Deus mandou. Tinham visto as pragas no Egito. (Nm 14. e ninguém se levantou do seu lugar por três dias. se consumirão e aí falecerão. falei. mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações. e.21-23) As pragas anteriores não ensinaram o Egito e seu monarca. Na prática. levareis sobre vós as vossas iniquidades quarenta anos e conhecereis o meu afastamen­ to. e por isso Deus mandou outra praga: a escuridão. ainda assim. mas de dia não. mas em uma época em que não havia luz elétrica e as pessoas dependiam de ou­ tros recursos para poderem iluminar seus caminhos. desta vez foram chamados com a seguinte resposta: 32 . disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu.U m a J o r n a d a de fé neste deserto. elas entrarão na Terra Prometida. cada dia representando um ano. Não viu um ao outro. (Êx 10. E assim farei a toda esta má congregação. quarenta dias. eles não queriam confiar no Senhor. Isso pode nos soar como que primitivo. A Última Proposta de Faraó Então. mas não os seus pais. neste deserto. que se levantou contra mim. e houve trevas espessas em toda a terra do Egito por três dias. Segundo o número dos dias em que espiastes esta ter­ ra. foram incrédulos. Não dê como desculpas seus filhos para que você não sirva a Deus.

Essa proposta de Faraó não está longe de nossos dias. mas não para que nos fixemos nelas. Como se não bastassem os anos de escravidão. Elas são presentes que Deus nos dá. nosso Deus. Faraó chamou a Moisés e disse: Ide. Que tenhamos o discernimen­ to adequado para. e um coração não fixado nas riquezas deste mundo. Moisés. Creio que o honramos com as nossas fazendas e as primícias de nossa renda (Pv 3. A questão não se refere ao fato de Deus precisar ou não de nossos bens para ser adorado. Quando digo isso não estou me referindo a todos os dias dar uma oferta no santuário ou colaborar com a ajuda a pessoas necessitadas. e não do Senhor. Cada proposta de Faraó foi rejeitada. porém. as crianças poderiam ir também. e a Ele devem ser oferecidos. não nos prendemos a eles. Mas o gado não. (Êx 10. Os bens que temos em mãos são do Senhor. Estou me referindo ao fato de o Diabo tenta nos fazer crer que os bens que temos em nosso poder são nossos. e isso incluía os animais para o sacrifício. Porém. pois já receberia todas as pessoas. disse: Tu também darás em nos­ sas mãos sacrifícios e holocaustos. Ele deseja nossa inteireza de coração. que ofereçamos ao Senhor. Para quê gado no deserto? Deus não ia se preocupar com animais sendo oferecidos. Ah. mas desejavam-lhes os bens. so­ mente fiquem vossas ovelhas e vossas vacas.25) Um grande avanço nas negociações estava acontecendo.9). Faraó queria impedir que aquilo que eles tinham conseguido com trabalho fosse negado a Deus. Deus seria adorado com tudo o que o povo de Israel possuía. Eis aqui a diferença. mais que bens. Não podemos ser reféns das bênçãos de Deus. quer muito — é do Senhor. O curioso é que os egípcios despreza­ vam a atividade pastoril dos israelitas. Os bens a serem oferecidos não fariam parte do acordo.24. rejeitar aquilo que o mundo tenta 33 . desta vez. Israel pode­ ria ir aonde quisesse para oferecer seus sacrifícios.A s P r a g a s e a s P r o p o s t a s A r d ilo s a s de F a r a ó Então. Poderia ir com todos os adultos. Quando entendemos que tudo o que te­ mos — quer pouco. Somos desa­ fiados diariamente a oferecer nossos bens ao Senhor. Que isso nos sirva de lição. vão também convosco as vossas crianças. servi ao Senhor. da mesma forma.

U ma J o r n a d a de fé nos impor como correto. e que o próprio Faraó era tido como uma divindade. Faraó fez suas propostas. "Por que devo obedecer a Deus se nem sei quem é Ele? Parece uma lógica correta levando em considera­ ção que o Egito tinha vários deuses. Como seria possível reconhecer como Deus um Ser que envia um pastor do deserto para falar com o rei da maior potência da época?" 34 . Façamos o mesmo. e Moisés as rejeitou.

Entretanto. Não podemos . é preciso que recordemos o que ocorreu nos últimos dias antes de ela acontecer. mesmo com o envio de pragas assustadoras que atacaram profundamente a vida dos egípcios. A Páscoa foi um duro julgamento de Deus para com as atrocida­ des cometidas pelos egípcios contra os meninos hebreus. Deus ainda tinha mais um julgamento contra o Egito. um julgamento tal que aquela nação en­ traria em prantos: a morte dos primeiros filhos de cada família egípcia. A Páscoa e seus Significados Para os egípcios Para que possamos entender o significado da Páscoa para os egíp­ cios. Moisés já havia falado com Faraó sobre ele libertar Israel. pois na noite em que foi instituída. mas o rei não cedeu. A celebração da Páscoa teve significados distintos para hebreus e egípcios. mas a seguir ocorreu a libertação prometida por Deus para os seus filhos. houve lamento no Egito.A C elebração d a P r im e ir a Pá sco a Alexandre Coelho K — este capítulo veremos de que forma os acontecimentos de uma noite mudaram a história dos egípcios e do povo de Israel.

Havia uma ordem para que os judeus matassem um cordeiro. Sem dúvida essa história poderia terminar de outra forma se Faraó deixasse ir o povo embora. dei­ xando claro que o povo sairia com as crianças e o gado (Faraó não queria que isso acontecesse).28). Como r r elas não o fizeram. seus súditos pagaram um alto preço. afogaria ou seria alimento para os crocodilos. Para os israelitas Se para os egípcios a noite da Páscoa foi uma noite de desgraça. no início do livro de Êxodo. pois o anjo da morte entraria em cada residência e executaria o manda­ do de Deus. ver se ali havia algum menino e. Mas por causa da dureza de coração do rei.U m a J o r n a d a de fé nos esquecer de que. e isso lhe custaria a vida do próprio filho. entendemos que Faraó deu por encerrado o diálogo com Moisés e com Deus. caso o encontrasse. . obedecer a Deus fez toda a diferença para os israelitas. Se nessa época as casas dos hebreus poderiam ser invadidas. e assinou a ordem divina para a morte dos primogênitos. Faraó ordenou que as parteiras Sifrá e Puá matassem os meninos recém-nascidos." \ _______ . e não se esquecessem de colocar o sangue daquele animal nas ombreiras 36 . Ele não quis obedecer às ordens de Deus. poderia pegar o bebê e levá-lo para ser jo ­ gado no Rio Nilo. no dia em que vires o meu rosto. antes da Páscoa. onde se ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. Isso significa que qual­ quer egípcio poderia entrar numa casa hebreia. Naquela noite. a ordem "Deus tem dado muitas foi dada a qualquer egíp­ cio. na Pás­ coa as casas dos egípcios não poderiam proteger os seus primogênitos. para os hebreus a noite era de expectativa em relação ao que Deus dissera por intermédio de Moisés. Lembremo-nos de que Moisés tinha advertido a Faraó antes. porque. e a última resposta do rei para Moisés. Por essa resposta. foi: “Vai-te de mim e guarda-te que não mais vejas o meu rosto. morrerás” (Êx 10. comessem-no com ervas amargas e pão sem fermento.

Naquela noite. Em uma dessas ordens dadas a Saul.A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a e na verga da porta. o Senhor passará aquela porta e não deixará ao destruidor entrar em vossas casas para vos ferir” (Êx 12. Char­ les Swindoll comenta acerca das ordens de Deus em relação a passar o sangue do cordeiro nos umbrais da porta: Pare e pense um momento sobre essas instruções. obedecer ao mandamento de Deus foi um ato de fé. Deus lhe disse que se lembrava do que os amalequitas tinham feito contra os israelitas quando estavam 37 . Se você acha que obedecer a Deus não faz muita diferença. Que razão lógica havia para fazer essas coisas com o sangue do cordeiro? Você diz: “Deus mandou fazer isso”. quando vir o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras. Moisés repassou essa informação ao povo: “Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios. em sua sabedoria insondável. o que acarretava em desobediência completa ao que Deus lhe havia dito. Saul foi escolhido por Deus para ser o primeiro governante da nação. Deus preparou um plano que só exigia uma coisa — obediência. sabemos como obedecer a Deus. obedecer a Deus fez toda a diferença para os israelitas. Não havia poder no sangue seco de um cordeiro morto. E essa ordem era seguida de uma promessa: “ven­ do eu sangue. Todavia. resolvia fazer do seu próprio jeito. desejo relembrar-lhe o caso de Saul. Não raro. Sabemos também que Deus espera que não apenas saibamos como proceder em nossa vida. mas espera que saibamos obedecer a Ele inte­ gralmente.23). porém. passarei por cima de vós” (Êx 12. Essa é a resposta.13). mas a cada ordem recebida de Deus. Essa palavra muitas vezes tem colocado nossos pensamentos con­ frontando nossas atitudes. Para eles. o primeiro rei de Israel. O que Deus espera hoje de nós que esperava dos israelitas no Egito? Obediência. Nesse ponto. Deus tem dado muitas ordens em sua Palavra que são acompanhadas de promessas que Ele mesmo vai cumprir. essa era a única razão de que precisavam. E verdade.

executei a palavra do Senhor. 11). que seriam destruídos por Saul. Todavia.22. e o mugido de vacas que ouço? E disse Saul: De Amaleque as trouxeram. porque o povo perdoou ao melhor das ovelhas e das vacas. mas Saul poupou o rei daquela nação e o seu gado. temos destruído totalmente. Samuel chamou Saul e lhe perguntou se o Senhor tinha mais prazer em ofertas do que tinha prazer na obedi­ ência de seus servos. Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar.10. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor. veja o que aconteceu: Veio. veio a palavra do Senhor a Samuel. e isso para Deus foi uma desobediência completa. Samuel a Saul. dizendo: Arrependo-me de haver posto a Saul como rei. porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras” (1 Sm 15. No caso de Saul. pois. e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.U m a J o r n a d a de fé no deserto. pois. disse Samuel: Que balido. A ordem foi dada. e a desobediência também. e Saul lhe disse: Bendito sejas tu do Senhor. e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria. E Saul aprendeu da pior forma a diferença entre obedecer e desobedecer a Deus: se ele fosse obediente. para as oferecer ao Senhor. porém. não foi o que aconteceu: “Então. Chegara a hora da retribuição divina às atitudes dos amalequitas. (1 Sm 15. Então. e ainda acreditou que estava obedecendo ao que Deus disse acerca dessa situação. seu reino foi rejeitado porque ele não estava mais seguindo ao Senhor. A ordem dada não fora cumprida integralmente. seu reino seria confirmado para sempre. teu Deus. para que não sejas rei. O nome dele entraria para a história como o grande rei 38 . Como Deus disse que Saul não executou as ordens dadas? Ele não estava sendo exagerado nesse quesito? Não! Depois de poupar o rei e o gado. de ovelhas é este nos meus ouvidos. 23) A obediência tem um preço. o resto. ele também te rejeitou a ti. (1 Sm 15.13-15) Deus havia pedido que Saul trouxesse animais para holocaustos? Não.

obedecer integralmente ao que Deus mandara preservaria a vida de todos os seus primogênitos. 1 SWINDOLL. 2008. Para nós A Páscoa do Senhor. tem um grande significa­ do para nós. Nunca pediu que con­ versassem sobre a ordem. Charles. Nunca pediu que considerassem a ideia e decidissem se concordavam com ela.A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a que Deus escolheu para ser coluna em Israel. se você é pai ou mãe. 226. Sáo Paulo: Mundo Cristão. e a sua desobediência lhe custasse seu primogênito? Charles Swindoll continua seu pensamento: Ele nunca pediu que refletissem sobre isso. 39 . Obedecer faz diferença. Fé e obediência precisam caminhar juntas. Para os israelitas. Série Heróis da Fé. Já pensou se sua obediência a Deus preservasse seu filho. Ele pode receber nossa obediência por um ato de fé. Ele entregou-se a si mesmo para que eu e você tivéssemos a vida eterna e o aces­ so a Deus. Obedecer faz a dife­ rença tanto quanto desobedecer. Para os israelitas no Egito. p. como assim é chamada. Moisés. A seguir. É o mesmo que dizer: “Não preciso obedecer a Deus completamente. Ele simplesmente lhes disse o que fazer e quando. Basta oferecer a Ele alguma coisa e sua ira vai ser deixada de lado”. Deus não pode ser comprado por objetos ou oferendas. Além disso. Ela deve nos fazer recordar de Jesus.1 Que atitudes dos pais israelitas fez com que seus primogênitos fos­ sem salvos? A fé no que Deus disse e a obediência ao que Ele disse. Ele seria lembrado como 0 homem que obedeceu a Deus e que jamais teria sua memória apagada de Israel. Para Saul. nosso Cordeiro Pascal. ninguém disse a Saul que Deus preferia receber sacri­ fícios a obediência. a obediência pre­ servou a vida do filho mais velho de cada família israelita. disse a eles o que aconteceria como resultado de sua estrita obediência às suas ordens. A nossa vida foi preservada porque Ele nos amou até a morte. obedecer parcialmente ao que Deus mandara lhe custou o reino. pois isso seria ilógico.

Para nós. mas a orientação divina indicava a pressa com que os judeus iriam comer para saírem logo do Egito. sem ter de esperar para crescer. cristãos. Além disso. Cada um deles tinha uma representação para os hebreus. Deus os pre­ parou para uma saída repentina. o pão deveria ser sem fermen­ to. 0 pão De acordo com a descrição bíblica. pois ela deveria ser comemorada em homenagem ao Deus de Israel. com pães asmos e ervas amargas. ervas amargas e do próprio cordeiro. pois logo sairiam para uma grande jornada. seria levada ao fogo tão logo estivesse pronta. a Páscoa foi chamada de “páscoa do Senhor” (Ex 12. Os Elem entos da Páscoa Na noite em que seria a última dos hebreus no Egito. dão a entender que eram uma representação da amargura com que os israelitas foram tratados 40 . mas não sem se alimentarem. Não é um momento que deveria ser lembrado pelos israelitas posterior­ mente sem que tivessem em mente que era uma lembrança sobre Deus e sobre o que Ele havia feito. A massa não deveria passar pelo processo de fermentação. conforme se entende. e que serviriam por todas as gerações de israelitas como uma lembrança da libertação do Egito. para que se lembrassem do quanto Deus operou grandemente em prol dos filhos de Israel. ou seja. As ervas amargas As ervas amargas. esses elementos fazem parte da cultura judaica. E evidente que o uso do fermento poderia fazer com que a massa dobrasse seu tamanho e alimentasse mais pessoas.11). A ideia era mostrar que os israelitas teriam pouco tempo para preparar sua última refeição como escravos. mas também para que se alimentassem de pão sem fermento. que deve­ ria ser passada de geração a geração. A ordem divina aos hebreus não foi apenas para que sacrificassem um cordeiro e colocassem o sangue dele na entrada da casa.U m a J o r n a d a de fé É evidente que não temos de celebrar a Páscoa com um cordeiro as­ sado.

Ele impediria a morte no lar da família que temia ao Senhor. esses detalhes devem ser seguidos com rigor. De nada adiantaria separarem o cordeiro perfeito. Cristo. de um ano. se dependesse dos planos de Deus. jamais se repetiria. perdesse seu primeiro filho? Portanto. vendo eu sangue. Esses eram requisitos para a celebração da Páscoa. mas sua utilização naquela refeição mostrava aos israelitas o sofrimento pelo qual haviam passado. Aprenda que quando Deus dá detalhes para que sigamos em uma empreitada. Não era o tipo de iguaria que provavelmente trazia alegria em uma mesa. nossa Páscoa Jesus.13). Por que Cristo é considerado o pão da vida? 41 . Pode ser mais leve ou mais pesado. O sangue do cordeiro deveria estar na porta das casas.A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a no Egito. sob pena de perdermos algo muito custoso para nós mesmos. Essa ordem era de pouca valia? Pense você mesmo: Se fosse pai ou mãe judeu com vários filhos e. Observe que obedecer à ordem de Deus integralmente fez a diferença na Páscoa. coisa que. e não haverá entre vós praga de mortandade. prepara­ rem-no como uma refeição que deveria ser comida nos moldes designa­ dos e simplesmente se esquecerem de que o sangue vertido do cordeiro deveria ser colocado na porta da casa. os israelitas levaram a sério essa ordem divina. ao se esquecer desse pequeno detalhe. 0 cordeiro Deveria ser um animal macho. passarei por cima de vós. quando eu ferir a terra do Egito” (Êx 12. É para isso que eles são feitos. sem manchas no corpo e sem defeitos físicos. Pode ser barato ou caro. Mas sua função mais importante é saciar a fome. o pão da vida Um pão pode ter mais de um sabor. mas a colocação do sangue nos umbrais da porta é que foi eficaz para que o anjo da morte não passasse nas casas dos israelitas: “E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes. Pode ter mais de uma forma. Pode ser feito com diversos ingredientes.

o Pai me ama. forma. M as sua função mais importante c saciar a fome. Esse mandamento recebi de meu Pai. Pode Pode ler ter mais mais de de uma uma forma. ao perdão dos pecados e à vida eterna.< ne às questões da vida e à relação com Deus. Da mesma forma que o cordeiro pascal foi sacrificado.35). aquele que vem a mim não terá fome” (Jo 6. e elas ouvirão a minha voz. também me convém agregar es­ tas. A fome que temos de Deus y y ___________ / (' ^ \ "jjm pão pão pode pode ter ler mais mais de de um um "Um sabor. Assim como o Pai me conhece a mim. A diferença reside no fato de que o cordeiro de Êxodo não foi voluntário para verter seu próprio sangue. Pode ser barato ou caro. e conheço as minhas ovelhas. 42 . da mesma forma que o sacri­ fício do cordeiro no Egito preservou a existência dos primogênitos israe­ litas. 0 sangue de Cristo Há uma semelhança clara. Ninguém ma tira de mim. Pode ser mais leve ou mais pesado. porque dou a minha vida para tomar a tomá -la. entre o cordeiro oferecido no Egito e o Senhor Jesus Cristo. também eu conheço o Pai e dou a minha vida pelas ovelhas. se arrependerem de seus pecados e nascerem de novo.U m a J o r n a d a de fé Porque Ele mesmo disse isso: “Eu sou o pão da vida. Jesus Cristo se ofereceu para esse sacrifício: Eu sou o bom Pastor. tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. no estudo da Páscoa. e das minhas sou conhecido. nosso Cordeiro Pascal. Pode ser barato ou caro. Por isso. Ele promete saciar a necessidade humana no que concer. A diferença é que o sacrifício de Cristo oferece vida não apenas aos filhos mais velhos de cada família.14-18) O sacrifício de Cristo nos trouxe vida. mas a todos que aceitarem pela fé o sacrifício de Cristo. mas eu de mim mesmo a dou. sabor Pode ser feito com diversos ingrePode ser feito com diversos ingre­ dientes. e haverá um rebanho e um Pastor." fom e” 1 J é saciada em Cristo Jesus. (Jo 10. o Senhor Je­ sus Cristo também o foi. dientes. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco.

porventura. e a Ceia do Senhor era um desses motivos. Foi um momento reservado aos que eram próximos do Senhor. foi necessário que Paulo corrigisse os desvios na Ceia do Senhor. mas mostrou também a im­ portância que o Senhor deu em falar que o Reino de Deus não termina­ ria com sua morte. or­ denando que esperassem uns pelos outros. Aquela refeição mostrou o traidor. Lucas 22 mostra Jesus ceando com seus discípulos antes de ser en­ tregue nas mãos daqueles que o haviam de matar. Ele sabia que em pouco tempo seria morto. O versículo 22 dá a entender que essa atitude partia dos crentes mais abastados: “Não tendes. em comunhão. Os coríntios deveriam aprender que a Ceia do Senhor é um momen­ to sublime. e os mais pobres. Esses alimentos deveriam ser reu­ nidos para que todos pudessem ter uma refeição em conjunto. “Desejei muito co­ mer convosco esta Páscoa. mas fez questão de ter um momento de comunhão com aqueles que iriam dar prosseguimento à sua obra na terra. Os que tinham levado mais comida pegavam antecipadamente o que ti­ nham levado e o comiam. Se em Lucas nos é mostrado o momento do Senhor com seus dis­ cípulos antes de sua morte. Ela é citada em pelo menos dois textos centrais: no Evangelho de Lucas e na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. antes que padeça” (Lc 22.15). menos recursos. Há indícios de que os crentes que tinham mais posse levaram evidentemente mais recursos para a ceia. em que somos motivados a lembrar da morte do Senhor até 43 . em Coríntios Paulo descreve sua tristeza para com os crentes daquela igreja sobre vários aspectos. e o outro embriaga-se” (1 Co 11. mas esse sentimento era desconhecido naquela igreja.A C e l e b r a ç ã o d a P r im e ir a P á s c o a A Santa Ceia Recordemos um pouco sobre a Santa Ceia.21). casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm?” De qualquer forma. Paulo diz que “assim um tem fome. Eles não sabiam dividir seus recursos para que to­ dos comessem juntos e na mesma medida. e o mesmo o faziam os que tinham levado pouca comida.

A ------------------de forma indevida. Não é um momento de manifestação de egoísmo.U m a J o r n a d a de fé o seu retorno. é um momento de anún­ cio do sacrifício de Cristo até que Ele retorne. "Que atitudes dos pais isra­ elitas fez com que seus primo­ gênitos fossem salvos? A fé no que Deus disse e a obediência ao que Deus disse. Que possamos atentar para essas lições e ter em mente que Deus preza por todos eles hoje. Fé e obediência precisam caminhar juntas. A Páscoa nos traz di­ versas lições espirituais. como obediência. sem ter em mente que o sangue de um inocente foi dado em nosso lugar. e nin­ guém pode participar dela J -------------------. sacrifício e comunhão." -----------.— -------------- 44 . para que tivés­ semos vida. Mais que isso.

Foi um momento de grande celebração. os judeus viveram como escravos dos egípcios.5 -7 .1 3 -1 5 . ao todo.). sem dúvida alguma. A Bíblia diz que. Imagine a celebração na saída. o Senhor Deus. O u seja. sem contar mulheres e crianças (Êx 12. saíram do Egito cerca de 600 mil ho­ mens a pé.7-9. na maior parte desse tempo.A Pa r t id a d o Eg it o e a TR A V ESSIA D O M A R VERM ELH O Silas Daniel U "m dos textos bíblicos que mais denotam o cuidado de Deus para com o seu povo é. quando Faraó . esses episódios extraordinários da vida do povo judeu são relembrados constantemente pelos profetas e salmistas do Antigo Testamento para enfatizar o cuidado divino para com Israel (Js 2 4 . que já havia libertado o povo com braço forte enviando as Dez Pragas.37). SI 1 06. depois de 43 0 anos nos quais. SI 1 3 6 . etc. O Cuidado de Deus com o Ânimo do Povo No começo do percurso de saída do Egito. Não por acaso. já podemos notar o cui­ dado de Deus para com o seu povo: “E aconteceu que. o relato da saída dos hebreus do Egito e da travessia miraculosa do Mar Verme­ lho. Uma vez confirmada a saída. como constataremos a seguir. prova­ velmente 2 milhões de pessoas. se dedicaria agora a cuidar dele também durante todo o trajeto rumo à Terra Prometida.9 -1 2 . E desde o início dessa caminhada se vê esse cuidado. Ne 9 .

porque Deus disse: Para que. que estava mais perto. Deus permite que andemos pelo “vale da sombra da mor­ te”. o povo não de­ voltaria para o Egito. deveria ser rememorada e comemorada todos os anos (Ex 12. o ânimo e o clima de festa que deveria marcar a saída. inicialmente.42). o povo não se arrependa. esse trecho mais concorrido de entrada e saída de suas terras. Nós. veria o grande exército egípcio e já imaginaria o pior — a guerra. Mas. e através de circunstâncias e experiências que Ele nos proporciona. o povo não passasse por um caminho que evocasse em sua mente a possibilidade de perigo naquela empreitada. Logo. Às vezes. geralmente na parte introdutória das 46 . por isso o cuidado divino para que. a qual. porventura. mas pelo caminho mais lon­ go.17 —grifo meu). seres humanos. assim. em outros momentos. O “caminho da terra dos filisteus” era uma estrada internacional bem fortificada pelo exército egípcio. so­ JT < veria passar por um caminho que evocasse em sua mente a possibilidade de perigo naquela empreitada. pela instrumentalidade de irmãos em Cristo que se permitem ser usados por Ele. sa­ bendo que se o povo passasse por ali. esfriando. onde havia um grande exército de prontidão. Eis o cuidado divino quanto aos detalhes! A saída do Egito era um momento de festa. Ou seja. a imaginarmos o pior diante do mínimo sinal de dificuldade.U m a J o r n a d a de fé deixou ir o povo. assim. muito tendentes ao desânimo. infelizmente. que evitaria essa visão de perigo. Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus. vendo a guerra. Deus se preocupa com o ânimo do seu povo.1). mas sem deixar de nos animar em todo esse assustador percurso por meio da certeza latente em nosso coração de que Ele está conosco (SI 23. Deus o faz sair não pelo caminho mais perto. razão por que constantemente está a nos animar pela sua Palavra. que era este. Os egípcios guardavam fortemente suas fronteiras e. o ânimo e o clima de festa que deveria marcar a saída. a caçada e a matança que poderia sofrer — e. e tornem ao Egito ” (Ex 13. dali em diante. arrepender-se-ia e "Inicialmente. esfriando." \_____________ __ ~ v ---------- mos. em especial. assim. e Deus sabe muito bem disso.

1.. os 2filisteus e os demais “Povos do Mar” chegaram à região do Egito. p. Político e Cultural (CPAD). fundando as cidades de Asdod. quando encontrassem os beligerantes filisteus no trajeto] e voltar para o Egito”.17 tem a ver com essa questão? É que se considerarmos como data do êxodo cerca de 1300 a. 2005. e um bom resumo de toda essa discussão pode ser encontrado nas páginas 121 a 127 da obra Tempos do Antigo Testamento — Um Contexto Social. mas em que sentido o texto de Êxodo 13. Rio de Janei­ ro: CPAD. George Herbert. 2005. Uma vez que “os filhos de Israel não eram treinados para a batalha e a fé em Deus ainda era fraca. C o m en tário B íblico Beacon. 169. George Herbert. 2 LIV IN G STO N .C. que Deus levou o povo “por um percurso mais longo a fim de evitar o encontro com os filisteus bélicos”. 1.C. C o m en tário B íblico Beacon. George Herbert. como afirma o Comentário Bíblico Beacon. 169. as expressões “o caminho da terra dos filisteus” e “vendo a guerra” signifi­ cam.17 envolve a questão da data exata da saída do povo judeu do Egito. v. Chipre e Síria no final do século X IV e iní­ cio do século X III.3 1LIVIN G STO N . 3 LIVIN GSTON . Ecrom. mais estressantes. eles poderiam se arrepender quando vissem a guerra [isto é. C om entário Bíblico Beacon. Rio de 47 . para só depois nos conduzir em vitória por situações mais nevrálgicas.C. e 1190 a. quando finalmente foram derrotados por Ramsés III e se estabeleceram no sudoeste de Canaã..1 Ora. Gaza e Gate. v. que calejarão a nossa alma e nos ensinarão a confiar totalmente nEle. v. Rio de Janeiro: CPAD.C. Há duas datas em disputa: 1441 a. Palestina. empreendendo várias batalhas contras essas nações. Deus prefere nos dirigir por caminhos menos desanimadores. ou cerca de 1300 a.C. Bem. As duas são defendidas com argumentos plausíveis.A P a r t id a d o E g it o e a T r a v e s s ia d o M a r V e r m e l h o estradas que trilhamos com Ele por sua graça. p. 1. As duas maiores batalhas contra os egípcios aconteceram por volta de 1230 a. Sobre "o Caminho da Terra dos Filisteus" Uma curiosidade sobre essa passagem de Êxodo 13.

32. pois o que está se querendo dizer com isso é simplesmente que ele nasceu no território onde hoje é a França.) nasceu na Gália Transalpina. Então.2. p. mas afirmar que ele nasceu na França não é errado. ainda se referir àquela região como a “Filístia” em seu cântico (Êx 15. mesmo assim haveria uma explicação lógica para o uso dessas expressões nessas passagens do li­ vro de Êxodo: os escribas posteriores. preferiram. que as Escrituras não podem ser alteradas. Grosso modo. 12. para que as pessoas de seu tempo entendessem melhor a que estrada Moisés estava se referindo. sob a inspiração divina. 169. 2005. é a fidelidade à mensagem bíblica. Bem. Eles chegariam pouco tempo depois. o que está em foco. estamos fa­ lando do século XV.18. se considerarmos a data do Êxodo 1441 a.. a fidelidade ao sentido do que está sendo dito.6.C. provenientes de Creta.17 e 15. seja por acréscimo ou por diminuição do conteúdo da mensagem (Dt 4. Ap 22. já que a mensagem não fora alterada — apenas a linguagem usada fora atualizada. Essa possível atualização dos escribas posteriores a Moisés não fere o texto bíblico. uma vez que quando os autores bíblicos asseveram. considerando essa segunda hipótese.14 é que a distância de anos não era de quase mil.C. e não uma atualização de linguagem ou paráfrases fieis ao sentido original. e não uma atualização de linguagem. é como se hoje. A nação França pode ter surgi­ do quase mil anos depois de Vercingetórix. a 46 a.C. seria um anacronismo Moisés escrever “pelo caminho da terra dos filisteus” e. preferir. depois.5. porque a Gália Transalpina ficava onde hoje é o território da França. mas de décadas. chamá-la pelo nome que era mais conhecida em seus dias: “o caminho da terra dos filisteus”.U m a J o r n a d a de fé Entretanto. em vez de você dizer que o guerreiro Vercingetórix (72 a. 48 . ainda não haviam chegado àquela região do mundo. Janeiro: CPAD. para ser mais bem entendido.14). se a segunda data hipotética da saída do povo do Egito for a correta (e ainda não sabemos se é ou não). O que a Bíblia condena é a distorção do sentido do texto. mais precisamente algumas décadas depois da saída dos judeus do Egito. ao fazerem cópias das Sagradas Escrituras. Tal alteração não fere as Sagradas Escrituras. Pv 30.19). quando os filisteus. A única diferença desse exemplo para o caso bíblico de Êxodo 13. afirmar que ele nasceu na França. clara­ mente.

porque o texto lido estava em hebraico. Ora. essas traduções -explicações em aramaico foram escritas. Outro detalhe é que o próprio texto bíblico mostra que o trabalho dos escribas judeus no período em que o Cânon Sagrado do Antigo Testamento ainda não estava fechado era muito sério e aceito por todos. Pois bem. por exemplo. A Bíblia.8). Os muçulmanos é que têm esse conceito distorcido de inspiração. conta que a geração de judeus que retornou do cativeiro babilónico precisava de explicações orais para entender o texto bíblico que lhes era lido (Ne 8. não ensina isso.4. Eles creem que a inspiração só se encontra na língua original em que o Alcorão foi escrito — o árabe — e que. a não ser o texto na língua original. É que esses judeus vindos do cativeiro falavam aramaico. uma vez que Moisés não poderia escrever sobre a sua própria morte depois da sua morte. quando totalmente fieis ao que está consignado no texto bíblico. não tiram a sua inspiração. Esse acréscimo foi feito por algum escriba do período em 49 isto é. nenhuma tradu­ ção da Bíblia seria inspirada.29. essa mesma paráfrase aparece nada menos que cinco vezes em Apocalipse (Ap 1. por isso não entendiam a Lei e os Profetas quando lidos. A mesma coisa acontece com o sânscrito no hinduísmo.A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o Paráfrases. porém. nenhuma tradução do Alcorão é inspirada. o Targum de Ônquelos parafraseou a expressão “Eu Sou” da seguinte maneira: “ Aquele que é. estilos e construções gramaticais são válidas. Por exemplo: Moisés escreveu Deuteronômio. em Êxodo 3.14 e em Deuteronômio 32. e que era. 4.8. Isso mostra que as várias formas. mas só até o versículo 29 do capítulo 33. que contém os Profetas. 16. justa­ mente por isso.8. que nada mais são do que traduções parafraseadas do Antigo Testamento hebraico para o aramaico. O primeiro Targum é o de Ônquelos. só o texto em hebraico do Antigo Testamen­ to ou o grego neotestamentário.17. 11. criando os “Targumim”. que era a língua oficial do Império Babiló­ nico. e que há de vir”. Com o passar dos anos. Neemias.5). O capítulo 34 foi acrescido logo após a sua morte. Se não fosse assim. e o segundo é o Targum de Jônatas. . que contém o Pentateuco. razão por que ensinam que o muçulmano deve aprender o árabe para ler o Alcorão em árabe. contanto que o conteúdo do texto — seu sentido original — não seja de forma alguma corrompido.

vemos que o cuidado de Deus manifestado desde o início da caminhada dos hebreus para fora do Egi­ to marcou também todo o restante do percurso. historiador judeu e contemporâneo do apóstolo Paulo. Esse capítulo é. Rio de Janeiro: CPAD. Jo 5. até o versículo 64 do capítulo 51 do seu li­ vro. ou algum outro escriba que.C. Todo o capítulo 52.. ainda no exílio ou logo após o exílio. em seus três primeiros versículos. a 2 Reis 24. porque ele traz alguns cumprimentos de profecias de Jere­ mias que ele não viveu o suficiente para ver cumpridas. Aliás. E logo quando o Cânon Sa­ grado foi encerrado.. O trabalho desses escribas — dentre eles o próprio sacerdote Esdras. o escriba Baruque. foi o sacerdote Esdras quem organizou o Cânon do Antigo Testamento. p. História dos Hebreus.. não foi escrito por Jeremias — e nem poderia.39). acrescentou esse capítulo para mostrar o cumprimento das profecias de Jeremias. 50 . inclusive. Quem escreveu esse capítulo ou foi Baruque. ou mesmo modificar-lhes a mínima coisa. encontramos o próprio Jesus considerando a organização do Cânon do Antigo Testamento pelos escri­ bas pós-exílio como sendo a Palavra de Deus (Lc 24. A Presença de Deus durante todo o Percurso Voltando à saída do povo do Egito. Flávio Josefo. já idoso.U ma J o r n a d a de fé que o Cânon Sagrado do Antigo Testamento ainda não havia sido fecha­ do — seja um escriba da época de Josué. Suas profecias foram registradas. 741. Outro exemplo: Jeremias morreu sem ver o cumprimento de todas as suas profecias. Um dos símbolos desse 4 JOSEFO. 2003. e pelos quais temos tal respeito. falou da seguinte maneira sobre o Cânon do Antigo Testamento em seus dias: “. um escriba escreveu: “ Até aqui as palavras de Jeremias”. Nós os consideramos como divinos”. não houve mais alterações. e o restante do capítulo repete a história dos reis de Judá até 2 Reis 25.18-20. seja de uma época posterior.30. com a ajuda de seu secretário. Ao final desse versículo. quase exatamente igual. que é autor do livro que leva o seu nome no Cânon do Antigo Testamento — foi valioso e totalmente inspirado.4 Também no primeiro século d. que ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescen­ tar. portanto. Flávio.44.

aban­ donar os seus ossos. Moisés conhecia a história e o exemplo de fé de José. para refrescá-los no sol causticante do deserto. daqui. A presença real e visível de Deus estava ali. Por meio dela. como fogo para aquecê-los no frio desse mesmo deserto”. levai convosco os meus ossos” (Gn 50. O Exemplo de Fé de José Um dado tocante do relato da saída do povo do Egito é o registro de que “Moisés levou consigo os ossos de José” (Êx 13. para que caminhassem de dia e de noite. Êx 13.19). pois.21.19. para os guiar pelo caminho. de dia numa coluna de nuvem. retrocedendo ou avançando quando a Palavra de Deus diz que é hora de parar.3 6 -3 8 ). Foi ele quem a registrou para a posteridade no livro de Gênesis.22). Era Deus quem determinava o momento de parar e de prosseguir. em respeito ao pedido.25. parando. do pedido de José havia feito aos filhos de Israel para que jurassem so­ lenemente: “Certamente Deus vos visitará.A Pa r t id a d o Ec it o e a T r a v e s s ia d o M a r V e r m el h o cuidado constante é a coluna de nuvem e fogo: “E o Senhor ia adiante deles. durante todo o percurso. como nuvem. à fé e à vida do patriarca. Moisés conhecia muito bem a história de José. por meio da coluna de nuvem e fogo. e à noite. o próprio Moisés. Mas aquele gesto também tinha um significado para todo o povo. mas também a sua orientação. E ele sabia. Nunca tirou de diante da face do povo a coluna de nu­ vem. instrumento de Deus para levar os hebreus ao cumprimento da promessa divina de uma Terra Prometida. uma vez que a Bíblia diz que o povo parava quando a coluna parava e prosseguia quando a coluna se levantava (Êx 40. A promessa feita pelos filhos de Israel na época em que o patriarca ainda era vivo. de noite” (Êx 13. ARA). ao juramento. Deus estava dizen­ do: “Eu estou com vocês durante todo o caminho! Durante o dia. como também registrou. Felizes são aquele e aquela que se deixam condu­ zir pela vontade de Deus. encarregou-se de cumprir. nem a coluna de fogo. e não poderia. e de noite numa coluna de fogo. de dia. Os ossos de José eram uma lembrança. e não só para Moisés. A coluna de nuvem e fogo representava a presença e o cuidado di­ vinos. para os alumiar. de retroceder ou de avançar. para o povo 51 .

U m a J o r n a d a de fé de Israel. a Bíblia diz que Deus criou as condições para que Faraó revelasse mais uma vez a insinceridade e maldade do seu coração perseguindo o povo. onde provavelmente passaram a primeira noite. e Deus o permitiu para a própria desgraça do tirano egípcio.2). Deus os orientou a subirem “o caminho do deserto” em direção ao M ar Vermelho (Ex 13. Os hebreus. em vez de seguir adiante.. Nem muito menos o fato de termos saído recentemente de uma grande vitória que Deus nos concedeu significa que outros desafios não surgirão logo. ana­ lisando a situação pelos olhos naturais. uma vez que Deus colocou o povo hebreu em uma situação que dava a Faraó a oportunidade de atacar com êxito os judeus. como um testemunho público do início do cumprimento da promessa divina.18). os hebreus só poderiam prosseguir a viagem se saíssem do estreito onde se meteram. porém. não havia razão alguma para o povo ir por ali. pela ação divina. Isso significa que os hebreus estavam acampados em um estreito desfi­ ladeiro. f. Faraó se levantou para caçar o povo (Ex 14.. Sim. A Perseguição de Faraó O fato de estarmos sob a direção de Deus não significa que não enfrentaremos perseguições. diante de Baal-Zefom.5. Inclusive. porque Deus disse a Moisés que o povo. guiando-os em todo esse processo e percurso. porque. a não ser que tivessem muitas embarcações para atravessar o Mar Vermelho.] junto ao mar” (Êx 14. assim como o patriarca José confiou e tinha agora os seus ossos levados por Moisés. retrocedesse e acampasse “entre Migdol e o mar.17. saíram de Ramsés para Sucote (Ex 12. De lá. cercados de montanhas pelos lados e tendo o mar à sua frente.6). de que seu lugar não era ali. quando tudo pa­ recia em paz. e Deus estava com eles.37). em vez de seguirem em frente. vejamos. a sua saída do Egito. O povo hebreu havia conquis­ tado. orientados por Deus. Aliás. onde não havia fortificação nenhuma dos egípcios por uma razão lógica: quem fugisse do Egito por aquele caminho ainda teria de passar pelo Mar Vermelho. Se não. que havia uma Terra Prometida e que eles poderiam confiar no cumprimento das promessas de Deus. con­ tornando à distância o Mar Vermelho. literalmente um estreito. 52 .

Diante de si. as montanhas ou o exército de Faraó. através do deserto. Como diz Matthew Henry. ficaram encurralados sozinhos” — e. e à sua disposição devemos obedecer. preparando-nos para seguir a providência. estava completamente _f _____________ y _____________ "Se í é Deus quem nos guia a uma determinada situação situaçao e somos . confiemos em sua provi­ provinos. . seja qual fosse o caminho tomado. Ou seja.3. foi logo tentado a voltar atrás em sua decisão e atacar os hebreus. 1 < percurso. era morte na certa para todos. e este foi o caminho 53 . e desta vez também sobre todo o seu exército com seus carros e cavaleiros (Ex 14./ ^ . dificuldade chegar. mesmo quando não a entendemos à primeira vista. seria Ele quem daria o esca­ pe. aos olhos humanos. dência em nosso favor quando a T / dencia cômica que Faraó. Um era um atalho do norte do Egito até o sul de Canaã. fieis fieis à a sua orientação orientaçao em todo o Aos olhos huma. > A Bíblia diz que Deus deu essa orientação “absurda” para o povo exa­ tamente para que Faraó dissesse: “Estão desorientados na terra.9).-----------— J encurralado. porém. O homem não é dono do seu próprio caminho (Jr 10." jeto tomado pelo povo. L ■ v -------------------. apesar de tudo. ARA) — isto é. o povo hebreu só tinha três alternativas: o mar. partisse ao encalço dos judeus. uma viagem de cerca de quatro ou cinco dias. tentado pela maldade do seu próprio coração. Essa passagem nos ensina que devemos confiar na orientação divina. a situação era tão .A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o Esse era o cenário ideal para um ataque: o povo . “Estão malucos. Era tudo um plano de Deus. Havia dois caminhos do Egito até Canaã. não sabem nem para onde estão indo. O homem propõe.18). o deserto os encerrou” (Ex 14. como fora Deus que o orientara a ficar ali. comentando esse episódio. O outro era muito mais longo. Deus sabe sahe o que quando soube do tra.23).^ estó fazm d (l" está fazendo. Ele pode deli­ near o seu caminho e projetá-lo.17. Porém.5-7) e fazendo com que Deus exaltasse o seu nome mais uma vez sobre o arrogante Faraó. é Deus quem lhe dirige os passos (Pv 16. . quebran­ do a sua promessa (Ex 14. porém Deus dispõe.

e todas revelando a mesma coisa: os he­ breus haviam saído da escravidão. por não haver sepulcros no Egito. Essa mentalidade já estava enraizada em seus corações. Matthew.7). mas a mentalidade de escravos ainda estava dentro deles. foram centenas de anos vivendo como es­ cravos no Egito. 54 Gênesis a . deve 5 HENRY.2). O servo de Deus responde dizendo. Ou seja. 2010. A resposta de Moisés é uma das mais belas da Bíblia (Êx 14. grifo meu).13. A verdadeira fé deve ser seguida de ação. que nos tiraste de lá.5 Se é Deus quem nos guia a uma determinada situação e somos fiéis à sua orientação em todo o percurso. Como disse Jesus a Pedro: “O que eu faço. O Livramento Divino A Bíblia nos diz que logo quando o povo viu o exército de Faraó.10). Houve muitas razões pelas quais Deus os conduziu pelo caminho do deserto do mar Vermelho. em outras palavras. Rio de Janeiro: CPAD.11).U m a J o r n a d a de fé pelo qual Deus decidiu conduzir o seu povo Israel (Êx 13. para que morramos neste deserto? Por que nos trataste assim.11 —ARA. infeliz­ mente. não basta ter uma fé meramente teórica.15). fazendo-nos sair do Egitol Não é isso o que te dissemos no Egito: Deixa-nos.14). Afinal. Só que. que quem atende ao chamado de Deus deve confiar nEle. porque o Senhor cuida dos seus filhos. p a ra que sirvamos os egípcios? Pois melhor nos fo r a servir aos egípcios do que morrermos no deserto ” (Êx 14. já empalideceu de medo e clamou ao Senhor (Êx 14. 267. p. mas tu o saberás depois” (Jo 13. Os israelitas deveriam ser humilhados e tentados no deserto (D t 8 . não o sabes tu. o povo não ficou só no clamor: começou a murmurar também (Êx 14. agora. confiemos em sua providência em nosso favor quando a dificuldade chegar. E em seguida a essa resposta. C o m en tário Bíblico do A ntigo T estam ento — Deuteronômio. Foi a primeira das muitas murmurações do povo em sua peregrinação rumo a Canaã. Note o que dizem os hebreus amedrontados a Moisés: “Será.18). Os egípcios deveriam ser afogados no mar Vermelho. Deus diz a Moisés: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem” (Êx 14. Deus sabe o que está fazendo.

Primeiro. ainda permaneceu claro onde estavam os hebreus (Êx 14. sendo acompanhado pela coluna de nuvem. Não é isso que a Bíblia diz. ARA). mulheres e crianças (Ex 14. sem ação.20).29). sem atitude correspondente ao que se crê.22. seu servo” (Êx 14.29). Trata-se de um hino de gratidão a Deus pelo livramento milagroso que Ele proporcionou. que saiu da frente do povo para a retaguarda. com dois muros de água de ambos os lados do imenso corredor seco (Êx 14. perecendo todo o exército naquele dia. Deus permitiu que os hebreus vissem os corpos dos egípcios mortos boiando nas margens do Mar Vermelho (Êx 14. de ambos os lados desse imenso corredor pelo qual atra­ vessaram milhões de pessoas — considerando homens. Todo o povo poderia atravessar o Mar Vermelho sem embarcações: a pés enxutos. “Marchem!” O que Deus fez foi extraordinário do começo ao fim. Ele enviou seu Anjo. quase que estagnados. formando “muros” de água. enquanto onde o povo de Israel estava perma­ necia a luz.30). Quando Deus permitiu que finalmente os egípcios vissem os hebreus e saíssem ao seu encalço. Assim.31. A fé sem obras. milagrosamente. Foi quando Deus falou a Moisés para tocar o mar novamente com sua vara e o mar se fechou sobre os egípcios.22. Na sequência. 55 . e quando anoiteceu. que produziu uma escuridão que desnorteou os egípcios. Note: não foi um milagre de secamento do mar. emperrou-lhes as rodas dos carros para que andassem dificultosamente (Ex 14. Esta é uma das principais funções de um milagre: produzir acréscimo de fé.A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o nos levar a uma atitude concreta. a Bíblia diz que Deus enviou um vento oriental “que soprou toda aquela noite” (Êx 14. O Cântico de Moisés O cântico de Moisés é o cântico mais antigo da Bíblia. no meio do mar.19. sem atos.21. Ela afirma que Deus “dividiu as águas”. todo o povo “temeu ao Senhor e confiou no Senhor e em Moisés. é morta (Tg 2. E para que o povo não tivesse dú­ vidas.25) até que estivessem lentos.21) formando milagrosamente um largo caminho seco no meio do Mar Vermelho.17).

como a razão do nosso viver.U m a J o r n a d a de fé É uma celebração da intervenção divina em favor do seu povo. não está se referindo a nenhum m ovimento corporal escandaloso. M iriã. Devemos agradecer a Deus pelas suas intervenções visíveis e invisíveis sobre as nossas vidas. motivo do seu louvor). “homem de guerra” e “Senhor”. irmã de Arão e Moisés. e cantando e dançando com as mulheres. onde vemos Deus como o Herói do seu povo (Ex 15. era profetisa.13-19). quer per­ cebamos.3. além de incomparável e único Deus e aquEle que reinará para sempre (Ex 15. Esse cântico pode ser dividido em três partes.11. O bviam ente. Provavelmente. Nessa passagem. aparece na Bíblia mais associada a Arão do que a Moisés. Deus deseja que sejamos gratos a Ele e que o reconheçamos como Senhor da nossa vida. temos a antífona de M iriã e das mulheres. livrando-nos do mal.2. A razão de ser de todo o cântico.1-3). fisicamente falando. Aliás. “salvação”. um pandeiro. o seu resumo. M iriã. está no versículo 19. quando o texto bíblico diz que elas dançavam. mas todos os dias Deus está agindo em nosso favor. num m omento de grande alegria pelo que Deus fizera.18). o Senhor supremo sobre todos (15. quando o texto bíblico diz que M iriã “respon­ dia” (Ex 1 5 .2 1 ). Não é todo dia que vemos uma intervenção desse porte. A Antífona de Miriã Em seguida ao cântico de Moisés. apesar de também irmã de Moisés. Deus é chamado por Moisés nesse cântico de “minha força”. quer não. O cântico de Moisés nada mais é do que um reconhecimento da graça e do amor de Deus diante de uma intervenção espetacular de sua parte. uma manifestação sincera de gratidão ao Senhor pelo seu cuidado para com o seu povo. ou seja. está querendo dizer que ela cantava as palavras 56 . mas a atos e gestos alegres e solenes de louvor e adoração. ela aparece to­ cando um tam boril. “Deus de meu pai”. “meu cântico” (isto é.4-12) e o Rei de Israel (15. libertando -o e derrotando aqueles que oprimiam e perseguiam o povo de Deus. ela é a primeira profetisa mencionada na Bíblia.

creia e espere. Na Direção de Deus Após essa experiência extraordinária. nos leva a “caminhos mais longos . muitas vezes. faz por| que quer nos quer levar nos a experiências I 1 que levar a experiências jI extraordinárias extraordináriascom comEle.. 6 LIVINGSTON. muitas vezes.6 O utro detalhe aqui é que vemos a profecia relacionada com a adoração.. só poderia ser percorrido em pouco mais de uma semana. porque. em duas semanas. Deus. e sim pelo mais longo. E Ele o faz porque quer nos levar a experiências extraordinárias com Ele. até. com muitas mulheres e crianças entre elas. E EleE o Ele jaz o pornão entendemos. com o nos Salmos e no registro de 1 Crônicas 2 5 . O caminho mais curto. —^ J J V eus." v ^ J V _____________ _ _ ______ ~~V' * levando hoje. o povo prosseguiu sua peregri­ nação rumo à Terra Prometida. Rio de Janeiro: CPAD. se é Ele mesmo quem está conduzindo você.28. como aponta Matthew Henry. que 1](w atendem os. daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8. . o que é com um também em outras partes do A nti­ go Testamento. George Herbert. Comentário Bíblico Beacon. como se tratava de uma multidão de cerca de 2 milhões de pessoas. então con­ fie. de quatro a cinco dias por uma única pessoa. Seja qual for o caminho pelo qual Deus o está í I r " " " li— 1 — — i 1— ------ 1 -------—. no final. 1. v.. 57 . Lembre-se: “To­ das as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. no máximo. nos leva "Deus.. muitas vezes. que não entendemos. 174.A P a r t i d a d o E g it o e a T r a v e s s i a d o M a r V e r m e l h o do seu refrão “como resposta a cada uma das partes do Cântico de Moisés”.1 . Porém. 2005. tinha aproximadamente 320 quilômetros de extensão — um percurso que poderia ser percorrido. ARA). vai dar tudo certo. sobre o qual já falamos (do norte do Egito ao sul de Canaã). p. que a 'caminhos mais longos'. na melhor das hipóteses. Não pelo caminho mais curto.” Ele. nos leva1 fl 'caminJws mais longos'.

como afirma o N ovo Testam ento.6 A Per D e g r in a ç ã o de eserto até o Silas Daniel Is r a e l Sin a i n o A primeira jornada dos israelitas após a abertura do Mar Ver­ melho levou-os em direção ao sul. passaram primeiro pelo Deserto de Sur. Desta feita. Nesse percurso. são necessários um arrepen­ dimento e um quebrantamento sinceros> seguidos de uma submissão total a Deus.2 1 LIVENGSTON.25). C om entário Bíblico Beacon. então. A murmuração. após três dias de caminhada. que não podiam ser bebidas (Êx 15. não encontraram água para beber (Ex 15.3 2 )”. p. Estimulados por milagres ou não. 1. 2 LIV IN G STO N . “crucificarmos 0 eu e entronizarmos Cristo somente (E f 4 . e após esses três dias de peregrinação. ao longo do chamado Gol­ fo de Suez. Apesar do grande milagre que experimentaram três dias antes. teve início (Ex 15. 175. George Herbert. os israelitas estavam sedentos e exauridos pelo intenso calor do deserto. 2005. sua fé era provada mais uma vez. águas impróprias e impotáveis. milagres não são su­ ficientes.24). Isso nos mostra que “grandes experiências com Deus não curam ne­ cessariamente o coração duro e queixoso”. 1. 175- .' Às vezes. George Herbert. C om entário Bíblico Beacon. 2005. v.3 1 . Rio de Janeiro: CPAD. encontram apenas águas amargas em Mara. O u. v. Rio de Janeiro: CPAD. onde.22). p.

. se formos fiéis a Ele em meio às provações. ali lhes deu estatutos e uma ordenação. e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos. simboliza o madeiro. a amargura e a descrença pelas quais eventualmente seremos tentados em nossa peregrinação nos desertos desta vida. Deus nos ensina no deserto a obediência.26). O lenho nas águas. Esse episódio ocorreu havia apenas três dias da grandiosa experiência da abertura do Mar Vermelho. Ele quer sarar as nossas enfermidades! Ele cura física e espiritualmente. Portanto. Moisés clama a Deus e Ele lhe mostra uma árvore cujo lenho deveria ser jogado nas águas para a sua purificação. o S in a i Lições do Milagre de Mara Diante da murmuração do povo. teu Deus. 4. Ou seja. e é ali também que Ele promete e manifesta a sua bênção sobre a nossa vida. ne­ nhuma das enfermidades porei sobre ti. No deserto.25b. o Senhor se revela mais uma vez. o que ocorre imediatamente (Êx 15. purificando-as.25a). Águas amargas levaram o povo à amargura. sete: 1. pelo menos.. Aleluia! Nas nossas provações. As lições desse episódio são. 3. 2. e como “O Senhor que te sara”. Deus quer se revelar de forma nova e poderosa. 5. e fizeres o que é reto diante de seus olhos. A experiência foi sucedida por uma admoestação e promessa: “. porque Eu sou o Senhor. e guardares todos os seus estatutos.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t f . E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor. a cruz de Jesus. 59 . grandes experiências com Deus podem ser imediatamente sucedidas por novas provas de fé. que te sara” (Êx 15. e ali os provou. as águas de Mara simbolizam a murmuração. que pus sobre o Egito. que nos resgata das águas amargas para águas purificadas. Logo.

inclinado ao erro. esse deserto ficava entre Elim e o Sinai. encontraram “doze fontes de água e setenta palmeiras.5 que era muito instável. Rio de Janeiro: CPAD. Ou seja. Se não. no qual só havia areia e pedra. 175. havia sombra e água fresca. Mais Provisão no Deserto Após Elim.U m a J o r n a d a de i í 6. “o Deserto de Sim era um ambiente vasto e hostil. 4 H A R R ISO N . p. K. o povo seguiu ainda mais ao sul. 1. Tempos do Antigo Testamento — Um Contexto Social. v. situado aos pés do planalto do Sinai. logo estaria festejando em Elim. vejamos: eram doze fontes para doze tribos. logo à frente. A analogia aqui é clara: as águas de Mara se con­ trapõem às fontes de Elim.3 7. “este local é hoje identificado como Debbet er-Ramleh. e ali se acamparam junto às águas” (Ex 15. uma para cada tribo de Israel. 2 0 0 3 . 132. descrença e murmuração. Esse espaço estéril proveu o lugar perfeito para Deus testar e for­ mar o caráter do seu povo”.27). p. A pouca paciência de muitos crentes embota o fio aguçado da vitória alegre quando esta ocorre» . uma região arenosa que se estende abaixo de Jebel etTih na região sudoeste da Península do Sinai. Comentário Bíblico Beacon. p. Enquanto as águas de Mara sim­ bolizam amargura. 2 0 0 5 . Rio de Janeiro: CPA D. Político e Cultural. que estava logo adiante. George Herbert. embora tenha sido sugerida uma outra localização situada na planície costeira de El-Markhah”.1). ou seja. K. Isto é. 106. 5Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. pelo Deserto de Sim (Ex 16.4 Como destacam as notas da B íblia de Estudo Aplicação Pessoal. as águas de Elim simbolizam a provisão plena de Deus para o seu povo. 131. 60 . Elim.1-21). R. Harrison. Segundo R. fala de provisão plena de Deus. 2 0 1 0 . Rio de Janeiro: CPAD. Ao seguirem para Elim. e foi onde os israelitas vivenciaram pela primeira vez o milagre do maná e onde se maravilharam com o milagre das codornizes (Êx 16. 3 L IV IN G ST O N . A grande lição aqui é que “tivesse Israel suportado a amargura das águas de Mara. como mencionamos de passagem no tópico anterior.

di­ zendo: Por causa da minha justiça é que o Senhor me trouxe a esta terra para a possuir. de diante de ti. pela impiedade destas nações [os cananeus]. não fales no teu coração. e queria tratá-los. Isaque e Jacó. e Deus queria usar Israel para julgá-los. Foi Deus quem os guiou ao deserto. nem pela reti­ dão do teu coração que entras a possuir a sua terra. acabou durando muito tempo: quarenta anos. desde a saída do povo do Egito. O u seja. não poucas vezes. os lançar fora [os cananeus].17).4. Lembremo-nos de que o povo se dirigiu por esse caminho porque Deus. porque. Isso significa que mesmo quando seguimos o caminho que Deus estabelece para a nossa vida. Abraão. teu Deus. E era também porque Ele prometera aquela terra a Abraão. de diante de ti. o Senhor. aperfeiçoá-los por meio das provações no deserto para que pudessem ter forjado o caráter que Deus desejava para ele como seu povo. se mostrando obstinados em seus erros. mas para o nosso próprio bem. porque “todas as coisas contribuem juntamente para o 61 . 0 m aná só pára quando adentrarmos a Terra Prometida. Isaque e Jacó. jurou a teus pais. pela impiedade destas nações. que ficava ao norte (Ex 13. mas porque os moradores dessa terra eram muito ím­ pios. enfrentamos provações." V com mentalidade ainda do tempo de escravos do Egito e. teu Deus. as lança fora. teu Deus. o povo de Israel não era fácil. Enfim. pois. não é porque os israelitas eram justos que iriam entrar na terra de Canaã. não vai faltar < I maná. de diante de ti.5. e pra confirmar a palavra que o Senhor. Esse processo. a Isaque e a Jacó visando ao seu plano salvífico para a humanidade por meio de Cristo.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t é o S in a i J "Enquanto houver deserto. Deus diz ao povo: Quando. burilá-los. mas. é que o Senhor as lança fora. Em Deuteronômio 9. mas Deus amava os descen­ dentes de Abraão. o Senhor. Não é por causa da tua justiça. expressamente determinou que não seguissem “o caminho dos filisteus”. por causa da dureza do coração do povo. prová-los.

porque.35). trouxe final­ mente a sua filha. os israelitas vivenciaram o milagre da água que saiu da rocha e batalharam contra os amalequitas (Ex 17.116). Jetro.13-27). deu conselhos importantes a Moisés (Êx 18. Chovia “pão dos céus” todos os dias para alimentar o povo (Ex 16. onde o povo ficaria por cerca de um ano. comeram maná até que chegaram aos termos da terra de Canaã” (Êx 16. que é o “pão vivo que desceu do céu” (Jo 6. isto é. esposa de Moisés.1. com seus dois netos para o genro. E preciso buscar a Deus todos os dias da semana para podermos enfrentar as tentações e adversidades diárias que nos sobrevenham durante toda a semana. Ainda mais ao sul. após três meses da saída do povo do Egito. O Povo Chega ao M onte Sinai Finalmente.20). no dia seguinte. Ele era “branco”. mas. O maná era como pequenos flocos que amanheciam todas as ma­ nhãs caídos ao chão do arraial dos hebreus. e congratulou-se com ele pelo que o Senhor tinha feito. o maná estocado apodrecia (Ex 16. tirando o povo de Israel do Egito (Êx 18. Era preciso todo dia sair ao arraial para pegar maná fresco.28). Diz o texto bíblico que “comeram os filhos de Israel maná quarenta anos.51). enquanto houver deserto. até que entraram em terra habitada. suprindo cotidianamente as nossas necessidades.4). por outro lado. Isso nos fala da necessidade que temos de todos os dias nos abastecer­ mos na presença de Deus. Jetro.2). O maná representava Cristo. “como semente de coentro” e “o seu sabor era como bolos de mel” (Ex 16. Ou seja. Um detalhe interessante é que não adiantava fazer esto­ que de maná. o acampa­ mento israelita se moveu mais uma vez.31). Não basta buscar a Deus um único dia para valer por uma semana. 62 . sob a inspiração divina. chegando ao pé do monte Sinai (Êx 19.1-12). protegendo-nos e en­ viando-nos o maná diário. Foi após essa batalha que o sogro de Moisés. não vai faltar maná! O maná só pára quando adentrarmos a Terra Prometida. já em Refidim. Além disso.19.U m a J o r n a d a de fé bem daqueles que amam a Deus. também significa que Deus estará conosco em todos os momentos difíceis. daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8.

Como Pedro diria daqueles que abandonam Cristo para voltarem aos velhos pecados. como a porca lavada que volta para o lamaçal (2 Pe 2. A distância do Sinai para a terra de Canaã era de 500 quilômetros e poderia ter sido percorrida por um período curto de tempo. estava. esse mes­ mo povo. E por falar em rebeldia. O Bezerro de Ouro Quando Moisés chegou ao arraial e constatou pessoalmente o pe­ cado do povo de Israel. sua ira se acendeu (Ex 32. porém acabou durando 38 anos. o episódio mais marcante e emblemático da transgressão israelita em sua peregrinação no deserto. justamente porque o povo se portou de forma rebelde. na prática. fazendo com que Deus os tratasse com mão firme no deserto. Portanto.Sin a i O Sinai é um lugar especial. porque foi ali que Deus se revelou a Moisés tremendamente. é o que envolve a criação do bezerro de ouro.19) a ponto de ele quebrar as Tábuas da Lei. A Bíblia diz que Deus esperou que toda aquela geração rebelde passasse para.7) como um dos maiores exem­ plos de apostasia da história. Moisés estava materializando as consequências práticas do pecado do povo: estavam agindo como indignos do Concerto que Deus estava fazendo com eles. Israel pudesse entrar na terra de Canaã (D t 2. Ora. pressionar Arão di­ zendo: “Faze-nos deuses!” (Êx 32. O hábito da idolatria que haviam aprendido no Egito ainda era muito forte entre os israelitas. 63 . depois de tudo que viram Deus fazer pela instrumentalidade de seu servo Moisés. só então.14).20-22). a ponto de alguns dias longe do seu líder Moisés serem o suficiente para que voltassem ao velho hábito. enquanto Deus estava dando os Dez Mandamentos para o povo de Israel no alto do monte Sinai. podemos dizer dos israelitas aqui: eles estavam agindo como cães que voltavam para o seu próprio vômito. É impressionante ouvir o povo. e que seria lem­ brado no Novo Testamento (1 Co 10.1). E é sobre ele que falaremos a seguir. quebrando todos os man­ damentos do Decálogo. ao pé do monte. dando os Dez Mandamentos e todas as leis que haveriam de guiar o povo de Israel dali para frente. ao quebrar as Tábuas.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t é o .

10). Isaque e Jacó (Êx 32. Ainda hoje. se relacionando com uma imagem que criou dEle. do liberalismo. quebrantamento.U m a J o r n a d a de té Perceba que o povo não estava negando os milagres que haviam acon­ tecido. mas para o nosso próprio b em " próprio bem. enquanto o verdadeiro culto a Deus instituído por Moisés evocava arrependimento. a partir de Moisés. há muita falsa teologia popularizada por aí.4). por assim dizer. como destacaremos mais à frente. Há. Entretanto.. da teolo­ gia da prosperidade.6. Deus propôs destruir todo o ^ 'v" ç ____________yy_. o juízo de Deus não deixou de ser exercido.3). uma fantasia cons­ truída pela sua própria imaginação. mas o líder israelita intercedeu pelo povo para que Deus não tomasse essa medida (Êx 32. atra­ ente. Afinal de contas. mas estavam atribuindo-o a esse deus criado por sua imaginação e representado por aquele bezerro de ouro (Êx 32. a continuidade da promessa dada a Abraão. por exemplo. isso acontece: muita gente que pensa estar se aproximando de Deus está. do teísmo aberto. Essa concepção pode ter advindo absolutamente de sua própria cabeça (“achismo”) ou ter sido importada de algum discurso bonito. Há muitos “bezerros de ouro”. da teologia da libertação. < humildade e conclamava à santidade.25). Sua relação não é com o Deus vivo e verdadeiro. no capítulo 9.1217). Perceba que. mas com uma caricatura do divino. na verdade. uma vez que 64 . "Mesmo 'Mesmo quando quando stgu[mos seguimos 0 o cammho caminho que que /)eus tsia jjc[ece j)ara as I)eus estabelece para as n0SSflS vidas. uma concepção equivocada de quem é Deus. do ecumenismo. o culto apóstata levava o povo à licenciosidade (Êx 32. construídos por aí e que nada têm a ver com o Deus da Bíblia. pois somente assim poderemos ter um relacionamento saudável e realmente edificante com o Senhor. uma mera su­ gestão mental." j povo e estabelecer. o “bezerro de ouro” do evangelho da autoajuda. etc. vldaS/ enfrentaremos enfrentaremos nossas provações. 33-1-5. mas despido de respaldo bíblico (o que acontece na maioria dos casos).30-35. Que Deus nos livre dessas versões deturpadas dEle! Conheçamos e prossigamos em conhecer o Deus da Bíblia (Os 6. apesar de serem tratados como se fossem representações fidedignas do verdadeiro Deus.11-14. em vez do Deus da Bíblia.

admirar e respeitar. E o apóstolo Pau­ lo adverte o mesmo à igreja em Corinto. outra bastante diferente é “endeusar”. Logo.14. apesar de tão claro. em 1 João 5.18-21). idolatrar. Coisas ou pessoas também podem se tornar ídolos em nossa vida. que se mantiveram fiéis a Deus. Idolatria não é só se prostrar diante de um ídolo de pedra. barro ou metal. A idolatria é um dos pecados mais terríveis listados na Bíblia.28) e toda aquela geração acabou morrendo no deserto. Não só a idolatria a pessoas tem feito muitos males na vida de muitos crentes. Qual foi a última vez que você gastou tempo com Deus em oração? Qual foi a última vez que abriu a Bíblia para estudá-la ou para lê-la devocionalmente para a sua edificação espiritual? Qual foi a última vez que 65 . Amém!”. toda glória. E triste dizer. foi: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20. Entretanto. depois de anos vivendo no idólatra Egito. contra o pecado da idolatria: “Filhinhos. Deus conhecia o coração do povo e sabia o quanto era propen­ so à idolatria.Sin a i três mil rebeldes idólatras foram punidos imediatamente com a morte (Êx 32. da antiga geração. o primeiro mandamento de Deus no Sinai.A P e r e g r i n a ç ã o d e Is r a e l n o D e s e r t o a t é o . entrando na Terra Prometida apenas os filhos dela e. a primeira ordenança do Decálogo. segue o alerta: cuidado para que o mero gostar e admirar não dê lugar à adoração por pessoas e coisas. guardai-vos dos ídolos. porque consiste em dar glória e veneração a algo ou alguém que não seja o pró­ prio Deus. obviamente. não devem receber a nossa adoração. A idolatria a coisas também.3). apenas Josué e Calebe. todo louvor e toda adoração.21. As Sagradas Escrituras nos advertem. Uma coisa é gostar. citando como exemplo negativo justamente o pecado do povo de Israel no deserto (1 Co 10. o único que é digno de toda honra. este é um dos pecados mais praticados e mais ignorados em nossos dias no meio evangélico. mas está se tornando cada vez mais comum evangélicos que desenvolvem verdadeiros comportamentos idolátricos em relação a pessoas e coisas que. quando começam a ganhar em nosso coração um lugar que não deveriam ter. O Pecado da Idolatria Curiosamente.

O profeta Samuel falou também sobre outro tipo de idolatria su­ til no meio dos crentes.23: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria. insubordinação. Estamos longe de Deus.”. “competir” e “disputar”. Ele também te rejeitou a ti. Disse ele. É gente que afirma que serve a um único Deus.. afirma Samuel é pecado de idolatria. conforme registrado em 1 Samuel 15." .. pois.. a vil concu­ piscência e a avareza. teimosia. infelizmente.a m rr ■’. o que significa a palavra “porfiar”? Ela quer dizer. mas acaba..v .5: “Mortificai.' " I I j ——. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Se­ nhor. Você já parou para pensar nisso? Paulo afirma que uma das características do Anticristo.. e que é pró­ pria do espírito do Anticristo. que é idolatria”.. ou “afeição desordenada”. a impureza. mas possui um coração idólatra. Paulo se refere ao “apetite desordenado”. “insistir”. Ora.... contenda. arrogância.\ “0 "0 cristão cristão não não deve deve ser ser | I > dominado dominadoou ouescravizado escravizado por nada. J 1 . esta­ mos de cabeça para baixo espiritualmente. O cristão não deve ser dominado ou escravizado por nada. Quando valorizamos mais os bens materiais do que o espiritual. Apenas Deus deve ser o Senhor soberano vida. os vossos membros que estáo sobre a terra: a prostituição.. “discutir com calor”. es­ pírito de competição dentro da igreja. perdendo a visão espi­ ritual e. 66 f í I < " " ^ .. é se levantar “contra tudo o que se chama Deus ou se adora” e querer “se [assentar] como Deus. repleto de “deuses”. e chama a “avareza” ciaramente de “idolatria”. no templo de Deus. tudo isso. segundo o Dicio­ nário Aurélio da Língua Portuguesa. disputa entre irmãos.4). Ou seja. e o porfiar é como iniquidade e idolatria. quando também não adora a si mesmo. .” de sua vida. Apenas Deus deve ser o Senhor soberano de sua vida. Não se engane: há muita gente que começa bem.. ao apetite desordenado.. Avareza é apego às coisas materiais. por isso. tem o seu coração cheio de altares. querendo parecer Deus” (2 Ts 2.U m a J o r n a d a de fé você evangelizou alguém? Qual foi a última vez que dedicou tempo para ajudar as pessoas? Será que a maior parte do seu dia é dedicada a coisas que realmente valem a pena ou só a futilidades? O apóstolo Paulo afirma em Colossenses 3. “teimar”..

Eles receberiam essa terra por uma obra da graça de Deus. os Dez Mandamentos. e. adorar a Deus. Os Dez Mandamentos. trabalhar. comemorar datas festivas e. eles precisavam entender que deveriam ter regras específicas de convivência com Deus. com seu pró­ ximo e consigo mesmos. não os deixou vagando inde­ finidamente. . que daria seus frutos nas estações certas e tornaria a vida dos israelitas muito agradável. acima de tudo. Eles não seriam pessoas sem regras. Essa lei foi dada por Deus. que pode­ riam fazer o que quisessem sem prestar contas de suas atitudes. Nela eles seriam uma nação regida pelo próprio Deus. como são co­ nhecidos. teriam seu espaço para viver. Neste capítulo analisaremos a importância do Decálogo para o povo de Israel e os princípios que Deus espera que sigamos em sua lei.7 Os D e z M a n d a m e n to s Alexandre Coelho U m dos temas mais conhecidos do mundo é sem dúvida a lei de Moisés. foram dados ao povo de Israel pelo Senhor. Mas antes de chegar nessa nova terra. Por isso. sem rumo. Deus os enviou para uma terra abençoada. mais especificamente. eles deveriam ter uma lei que organizasse a vida. Os Propósitos da Lei Quando Deus libertou Israel do Egito. a fim de que os israelitas pautassem sua existência pelo que Deus queria.

na base. ou seja. Entretanto. ou seja. com o local e o povo. a lei para que a ofensa abun­ dasse”. inicialmente: Providenciar um padrão de justiça que pudesse ser alcança­ do. quan­ do Deus desejou proteger o fruto do trabalho dos israelitas.U ma J o r n a d a de fé Objetivos Divinos Os objetivos de Deus com a Lei foram. Paulo deixa claro que a lei traz o conhecimento de nossos pecados.20: “Veio. A lei mostra ainda a santidade de Deus. A lei de Deus também mostra o pecado do homem.8. Portanto. e as regras. “Pela lei vem o conheci­ mento do pecado” (Rm 3. or­ denou que não se furtasse. Ela não faz do homem um pecador. e não pode tolerar o pecado. Os princípios desse mandamento são a proteção da propriedade e a valorização do trabalho. Com o passar do tempo. “Mas eu não conheci o pecado senão pela lei” (Rm 7.20). e eles são expostos na regra “não furtarás”. Quando pensamos que Deus deu sua lei ao povo de Israel. Regras podem variar com o passar do tempo. podemos pensar que a abrangência dessa lei refere-se apenas aos judeus. isto é. Paulo comenta isso em Romanos 5. o conhecimento pleno dele. Ou seja. Ela não os cria. Rm 7. Princípios são ordenações gerais que têm por objetivo regular determinadas situações. mas mostra o quanto ele é inclinado a deso­ bedecer às regras e princípios que Deus determinou. porém. percebeu-se que essa busca pela justiça não poderia ser alcançada sem a ajuda de um Salvador. seu Filho Jesus Cristo. Esses princípios são expostos em regras. é preciso fazer aqui uma observação: princí­ pios e regras devem ser analisados em nosso estudo. fosse devidamente conhecida. Deus é santo. Apenas por Ele podemos nos .12). a quem Deus enviou ao mundo.7). mas os denuncia. mas os princípios não (D t 4. A lei mostra que o padrão de Deus para uma vida justa deve ser buscado pelo homem. os princípios estão no topo.

Sua exclusividade se baseava também no fato de que Ele demonstrou misericórdia para com os descendentes de Abraão. Essa ordem era mais que justa. e prometendo-lhes também uma terra para que pudessem viver em segurança e sem serem molestados por seus inimigos. e que nenhuma das chamadas “divindades” do Egito ou das terras vizinhas se compadeceu de­ les. isso poderia contami­ nar a adoração a Deus e a relação com Ele. Os Dez M andam entos Tendo iniciado mostrando a diferença entre princípios e regras. mas deixa explícito que os israelitas. Os israelitas certamente tiveram contato com cultos às divindades egípcias no período em que foram escravos. Deus não apenas diz que a iniciativa de libertá-los do Egito fora dEle. pois os israelitas deveriam ter um coração agradecido a Deus pelo que Ele lhes fizera. inclusive no quesito adoração. Nenhum dos deuses do Egito pôde livrar aquela nação dos juízos divinos que Deus enviara. Isso deveria fazer com que os israelitas se lembrassem de que tinham sido escravos no Egito. Nem anjos nem 69 . e caso um deles tivesse abri­ gado algum desses tipos de culto em seu coração. A exclusividade de Jeová como Deus em Israel baseava-se primeira­ mente em sua superioridade como Deus poderoso. (Êx 20. Nenhum outro “deus” deveria ser aceito pelos israelitas. 0 primeiro mandamento Não terás outros deuses diante de mim. começando por tê-lo como seu único Deus. A lei que Ele lhes dava orientaria os passos de todo o povo em todos os aspectos. livres. pas­ semos a ver os mandamentos dados por Deus. mas apenas o Senhor foi responsável por tirar seus filhos da escravidão. Por isso. tirando-os da escra­ vidão. não poderiam ter outros deuses.O s D ez M a n d a m e n to s aproximar da santidade de Deus e buscá-la para um viver santo neste mundo decaído.3) Deus começa o Decálogo deixando claro aos israelitas que Ele é o Se­ nhor que os tirou da terra do Egito.

também faz um deus e se prostra diante dele. nem nas águas debaixo da terra. pois reduz a sua glória eterna àquilo que é mortal. nem em baixo na terra.U m a J o r n a d a de fé homens deveriam receber a adoração que estava reservada apenas para Deus. sou Deus zeloso. seres humanos) e nas águas (peixes e baleias). fabrica uma imagem de escultura e ajoelha diante dela. porque eu. mas foi isso que os israelitas fizeram quando chegaram à Terra Prometida. com a outra metade come carne. muito menos servi-las.4) Deus apresenta o segundo mandamento: não fazer imagens de es­ cultura. (Ex 20. O profeta Isaías. Isso foi necessário porque Deus não tinha o objetivo de ser representado por qualquer forma conhecida pelos israelitas. o Senhor. teu Deus. que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem. assa-a 70 . Metade queima. O Deus Criador não pode ser confundido com sua criação. com isso. Atribuir uma forma de qualquer ser a Deus foi considerado uma quebra de mandamento. Para os que conhecem a Palavra de Deus. nem alguma semelhança do que há em cima nos céus. pode parecer estranho uma pessoa se curvar diante de uma imagem de es­ cultura como se elas fossem realmente um deus. descreve o que seus contemporâ­ neos faziam no tocante à criação de imagens de escultura: Então. servirão ao hom em para queimar. e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos. (Ex 20. Tentar reduzir Deus a uma figura conhecida era o mesmo que reduzir sua glória. Não te encurvarás a elas nem as servirás. pois são igualmente seres criados. se aquenta e coze o pão. Há formas de cria­ turas nos céus (anjos).5) Esse mandamento traz outra informação importante: os israelitas não poderiam fazer imagens de esculturas nem se curvar diante delas. e nenhuma dessas formas poderia jamais representar Deus. na terra (animais. 0 segundo mandamento Não farás para ti imagem de escultura. usado por Deus.

apartando-se da sujeição do seu Deus” (Os 4. (Is 4 4 .O s D ez M a n d a m e n t o s e farta-se. Deus adverte neste mandamento que julga a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração. Deus conde­ na os ídolos porque eles desejam ocupar o espaço dEle em nosso cora­ ção. teu Deus. também tratou desse assunto quando mostrou o que o seu povo fazia: “O meu povo consulta a sua madeira. guar­ dai-vos dos ídolos” (1 Jo 5. já me aquentei. mas a nossa distinção começa pelo nome que recebemos. Nossos documentos co­ meçam identificando o nosso nome. A idolatria é um problema muito sério para o homem. de forma individual. e diz: Livra-me. e a sua vara lhe responde. e se inclina. Nada sabem. e eles se corrom­ pem. porquanto tu és o meu deus. é o nome que cada um tem. Então.21). nem entendem.12). em vão. e o coração. Podemos ser parecidos com outras pessoas. já vi o fogo. Em dias como os nossos. também se aquenta e diz: Ora. porque se lhe untaram os olhos. e este traz muito de nosso caráter e reputação. o segundo mandamento é atual e necessário para que possamos conduzir pessoas a Deus e manter-nos focados no serviço ao próprio Senhor. porque o espírito de luxúria os engana.7) O que identifica cada pessoa. Deus não deixou de observar que o nome dEle deveria ser reveren­ ciado e honrado. para que não entendam. não deveria ser usado de forma leviana. como se não representasse o Deus que os tirou da escravidão. Seu nome não poderia ser utilizado de forma indevi­ da. 0 terceiro mandamento Não tomarás o nome do Senhor. ajoelha-se diante dela. o profeta. em que a humanidade faz seus próprios deuses. do resto faz um deus. 71 . uma imagem de escultura. Essa informação pode significar que Deus pode julgar a idolatria de algumas pessoas nos seus descen­ dentes. Entretanto. e lhe dirige a sua oração. Lembremo-nos do que disse o apóstolo João: “Filhinhos. (Êx 20. para que não vejam.1 5 -1 8 ) Oseias. porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. aos que amam ao Senhor e guardam seus manda­ mentos veem sua misericórdia de forma infinita.

Esse mandamento nos traz outra lição. Jesus mesmo santificou o nome do Pai. nem o teu servo. (Lv 19. nem tu. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. não farás nenhuma obra. mas extensiva a todos que estivessem na casa. após pronunciar a frase “Pai nosso que estás no céu”. O sábado. nem o teu filho. deveriam descansar. nem o teu animal. 0 quarto mandamento Lembra-te do dia do sábado. trabalhando sem 72 . Quando se referia ao pai. não o tomando de forma irresponsável nem desrespeitosa. inclusive o estrangeiro. O termo sábado vem de shabbath. Deus mostra nesse mandamento que os israelitas poderiam trabalhar o quanto quisessem nos seis primeiros dias da semana.12) O preceito aqui é que Deus deseja que seu nome seja respeitado. O nome do Senhor é desonrado quando o utilizamos para con­ cretizar negócios que não temos a pretensão de honrar. pois profanaríeis o nome do vosso Deus.8 -1 0 ) O dia do sábado é apresentado na Bíblia como um dia reservado à adoração a Deus e ao descanso. para os judeus. que em hebraico significa “cessar. teu Deus. ou juramos falsamente. nem a tua serva. deveria ser um dia santo. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra. Eu sou o Senhor.U m a J o r n a d a de fé O nome de Deus é tão santo que quando Jesus ensinou seus discípulos a orar. desta vez referente ao tra­ balho. fazia-o com respeito e temor. não sendo alvo de blasfêmias nem do nosso mau comportamento. mas no sétimo dia. mas o sétimo dia é o sábado do Senhor. interromper”. nem jurareis falso pelo meu nome. (Ex 20. nem a tua filha. para o santificar. nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. A ordem era para o chefe de família. Ele seguiu com o “santificado seja o teu nome”. O nome do Senhor é desonrado quando nossas vidas não correspondem com a fé que alegamos ter. O homem não pode ser escravo do trabalho. O nome do Senhor é desonrado quando o utilizamos em brincadeiras e piadas. portanto. abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou. como se Ele fosse responsável por nossos atos. o mar e tudo que neles há e ao sétimo dia descansou.

o princípio do descanso também é respeitado. permitia que seus discípulos pegassem espigas nos campos para comerem. restaurou-lhe a posição correta e a mulher começou a glorificar a Deus. curava pessoas enfermas. No sábado Jesus ensinava. mas honra também o descanso.O s D ez M a n d a m e n to s descansar ou sem reservar um espaço de sua vida produtiva a servir a Deus. curou-a. que andava encurvada. Aqui. a qual há dezoito anos Satanás mantinha presa? E. no dia de sábado. A guarda do sábado. Nesse momento. pois além de não trabalharmos. Aquele homem deveria estar grato por presenciar uma cura diante de seus olhos. temos por hábito nos reunirmos em nossas igrejas para adorar ao Senhor e passar um tempo a mais com nossos familiares.10-17 traz o relato de Jesus ensi­ nando numa sinagoga no sábado. pelo fato de que os judeus mais radicais acusavam Jesus de não cumpri-lo. esta filha de Abraão. 73 . todos os seus adversários fica­ ram envergonhados. Na mente daquele líder. dia em que lá havia uma mulher com um espírito de enfermidade há 18 anos. como a Igreja Primitiva o fazia. para honrar o dia da ressur­ reição do Senhor. é um mandamento dEle também. dizendo ele isso. Lucas 13. havia outros seis dias para que Deus curasse as pessoas. o chefe da sinagoga reclamou com os presentes que não trouxessem pessoas para serem curadas no sábado. Como cristãos. (Lc 13. Jesus não esperou para dar ao homem e a nós uma grande lição: Respondeu-lhe. o Senhor e disse: Hipócrita. que por sinal. mas preferiu lembrar aos que o ouviam que havia outros dias para trazerem enfermos ao local do culto. e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele. tornou-se um dos man­ damentos mais citados nos Evangelhos. Jesus a chamou. O Senhor honra o trabalho. E aqui cabe uma palavra. no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a beber água? E não convinha soltar desta prisão. no Novo Testamento. porém.15-17) Lembre-se de que o dia é santificado quando eu o guardo para o Senhor. guardamos o dia do domingo.

Em nossas leis. Lembremo-nos de que esse é o primeiro man­ damento com promessa. Deus deixa claro que aprendemos a usar a honra dentro de nossa própria casa. Como cristãos. teu Deus. e não pode ser retirada por outros homens.U m a J o r n a d a de fé O quinto mandamento Honra a teu pai e a tua mãe. deram educaçáo. quer por motivos políticos. (Êx 20. Infelizmente. desobede­ cendo àqueles que os criaram. e Ele ordenou que os filhos honrassem seus pais.12) As relações familiares náo foram esquecidas por Deus. Isso pode ser feito quando os filhos obedecem a seus pais. para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor. não podemos deixar de defender a vida humana em todos os seus aspectos. O sétimo mandamento Não adulterarás. A cultura judaica previa exceções apresentadas na Bíblia Sagrada. alimento. mas cada caso deve ser analisado realmente como exceção. e não como uma regra. e cremos que são atos de covardia e assassinato o aborto e a eutanásia. quando honramos nossos pais. Esta é dom de Deus. como a legítima defesa e a morte acidental. matar uma pessoa é crime tanto quanto o era no Antigo Testamento. O sexto mandamento Não matarás. quer por motivos fúteis.13) Este mandamento refere-se ao respeito pela vida. que mostra a extensão de vida dos que honram seus genitores. Tais pessoas prestarão contas a Deus por seus atos.14) 74 . vestimentas e um nome. te dá. há filhos que náo seguem esse mandamento. Estáo desrespeitando o quinto mandamento e não terão uma vida abençoada por Deus. (Êx 20. a his­ tória da humanidade apresenta um número imenso de pessoas que as­ sassinaram outras. observando-se os casos em que eram aplicados na cultura judaica. Infelizmente. (Êx 20. ajudam a tomar conta deles na terceira idade e quando ouvem seus pais para a tomada de decisões para a vida.

Não podemos tirar vantagens de outras pessoas. e isso se aplica a todos os demais pecados na esfera sexual. Deus condena os bens adquiridos por meios ilícitos. Ele espera que a propriedade seja preservada de ataques. que sejam adquiridos de forma lícita. O nono mandamento Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. é preciso ter uma vida sexual saudável com nossos cônjuges. Ele está deixando claro que somos responsáveis por controlar nossos desejos. Por isso. Deus ordenou que tivéssemos duas atitudes: não mentir nem falar falsamente das pessoas que nos estão 75 . Se desejamos ter bens. Jesus deixou claro que o adultério começa no coração da pessoa. geralmente.15) Deus abençoa uma vida produtiva de trabalho. permitida por Deus e debaixo da sua bênção. o sétimo mandamento traz um princípio que reflete a proteção à família e à fidelidade entre os côn­ juges. mas lem­ bremo-nos de que o adultério traz consequências que podem perdurar pelo tempo. como o fim do casamento e a ruptura dos laços familiares. 0 oitavo mandamento Não furtarás. mas desejar sexual­ mente uma pessoa que não o cônjuge é o começo do adultério. Em ambos os casos. e abençoa os bens trazidos para casa de forma justa. (Êx 20. e o roubo. e para isso proíbe o furto e o roubo. Há perdão para os adúlteros? Sim.O s D ez M a n d a m e n to s Muito conhecido em todas as épocas. principal­ mente os pecaminosos. tem o emprego da intimidação ou da violência. e não no ato da conjunção carnal apenas.16) Por meio deste mandamento. (Ex 20. O desejo sexual dentro do casamento é licito. Para que estejamos livres desse pecado. pois isso é também é uma forma de furto. Quando Deus diz que não se pode adulterar. tanto quanto há perdão para os demais pecados (exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo). O furto é a retirada furtiva dos bens de uma pessoa. buscando a pureza sexual dentro do casamento.

U m a J o r n a d a de fé

próximas. Esse mandamento afeta diretamente os hábitos de pessoas que não controlam o que falam, que falam sem pensar e, pior, pessoas que sempre caluniam seu próximo. Caluniar é atribuir falsamente a outra pessoa a prática de um ato que a lei considera crime. Se Roberto diz que Mário roubou um carro, sem que Mário o tenha feito, Roberto está caluniando Mário. Injuriar é atribuir a outra pessoa fato que pode ofender sua reputação. Se Ricardo diz que Jorge foi à igreja bêbado, sem que isso tenha ocorrido, está ofendendo sua moral e sua dignidade. Difamar é falar mal de outra pessoa a uma terceira ou mais pessoas, dando-lhes uma notícia que fira a moral ou a honra de quem se fala. Todas essas formas de falso testemunho são passíveis de condenação penal e são igualmente condenadas por Deus.

0 décimo mandamento
Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu pró­ ximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. (Ex 20 .1 7 )

A cobiça é uma das formas mais tristes de tratarmos aquilo que os outros têm. O cobiçoso sempre vai desejar aquilo que não possui e será consumido por esse tipo de sentimento, pois vai se achar sempre infe­ rior aos outros. Nunca estará contente com o que já possui. Este mandamento geralmente é citado em nossos dias como “não cobiçarás a mulher do teu próximo”, mas Deus também condena: Cobiçar a casa —a habitação da pessoa que me é próxima. \ cS" Cobiçar o servo e a serva —pessoas que trabalham para o meu próximo. Cobiçar o boi e o jumento —instrumentos de trabalho ou posse do meu próximo. Cobiçar coisa alguma —qualquer outra coisa que meu próximo possua.
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Os D e z

M a n d a m e n to s

O que Deus ordena abrange todas as coisas que o próximo possui. Não é meu dever cobiçar o que meu próximo tem, pois isso nos induz a querer retirar dele o que ele tem. A cobiça é o princípio de uma vida insatisfeita, que esquece o que já recebeu de Deus e fixa seu olhar na­ quilo que ainda não se tem. Esses mandamentos foram dados para serem seguidos. Ressalvandose as particularidades da cultura judaica, os princípios dos Dez Man­ damentos não foram revogados. Portanto, tenhamos cuidado em dar testemunho nesses quesitos.

77

8
A Lid
e r a n ç a de

M

o isé s e

seus

A

u x il ia r e s

Alexandre Coelho

K

’este capítulo abordaremos de forma breve o estilo de liderança de Moisés. Ele não foi apenas um homem usado por Deus para fazer com que o povo de Israel saísse do Egito. Foi também um

grande líder, que demonstrou ouvir sábios conselhos e colocá-los em

prática para o bem da obra do Senhor e pelo bem do povo.

O Trabalho do Senhor e os seus Obreiros
Despenseiro, e não dono
Uma das características essenciais à liderança na obra de Deus é sa­ ber que o líder é despenseiro ou administrador dos recursos e das pesso­ as, e não dono de todas essas coisas. Nenhum ministro é ordenado para pensar que a igreja que Deus depositou em suas mãos é dele. Quando escreveu sua carta à igreja em Éfeso, Paulo disse que ... ele mesmo [o Senhor] concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo. (E f4.11,12, ARA) Essa passagem fala que Deus escolheu algumas pessoas para deter­ minadas vocações no corpo de Cristo, com o objetivo de fazer com

Fazia suas atividades com boa vontade? Com certeza. O pastor é um presente de Deus à congregação. Um dos desafios da liderança cristã é ter esse alvo em mente. a quem prestará contas por suas atitudes. Como líder. Por isso. analisando o texto bíblico. Deus deposita em nossas mãos o cuidado para com a sua Igreja. deve o ministro cuidar com zelo da obra do Senhor. Este era um homem aparentemente mais velho e experiente em questões de liderança e administração do tempo. podemos entendem que Deus deu pastores às igrejas. que trazia demandas para que pudessem ser resolvidas. E precisam ter também a habilidade de líder com pessoas de todos os tipos.A L i d e r a n ç a d e M o is é s e se u s A u x il ia r e s que os santos sejam aperfeiçoados no serviço cristão e para que o corpo de Cristo seja edificado. consumindo o tempo delas e o seu próprio. precisou de ajuda em sua liderança para poder desempe­ nhar melhor o seu papel de líder e condutor do povo de Deus. além de provocar em Moisés o cansaço que o impediria de tomar decisões corretas. não raro. mas não deve se esquecer de que a obra é do Senhor. e não igrejas a pastores. Portanto. e espera que nos lembremos de que a Igreja é dEle. Moisés já havia saído do Egito com o povo de Israel quando recebeu a visita de seu sogro. e que Ele vai cobrar a administração de seus ministros. Jetro. Os líderes têm diversas obrigações no dia a dia. Ele era ungido do Senhor? Com certeza. tentando acalmar ânimos e motivar pessoas ao serviço cristão. veremos que o servo de Deus. e não o contrário. Falta de percepção do líder Um dos maiores perigos com que o líder se depara em seu dia a dia é o excesso de atividades. Eles precisam avaliar situações e tomar decisões. deve ser respeitado e ouvido. e. e isso faz parte da tarefa que lhes foi confiada. tendem até mesmo a nos afastar da comunhão com Deus. Moisés. 79 . Vendo certo dia que Moisés ia atender ao povo. Ele tinha sabedoria? Certamente que sim. No estudo em questão. percebeu que alguns procedimentos do libertador não eram os mais adequados àquela situação. Ele estava atendendo todas as pessoas que lhe traziam questões. Há momentos em que a quantidade demasiada de afazeres nos impede de ver as coisas à nossa volta como elas são.

O povo ficava em torno de Moisés e trazia a ele as questões relevantes sobre dificulda­ des que estavam enfrentando. Esse versículo mostra o que acontecia. atendessem ao povo e resolvessem conflitos comuns. Ele precisava delegar autoridade a outros homens para que. e faz também com que tenhamos mais tempo para pensar em outras coisas importantes e treinar pessoas para o ministério. Isso não retiraria de Moisés sua autoridade. mas o próprio povo se sentia cansado de esperar por uma solução da parte de Moisés. pois não apenas Moisés se cansava atendendo o povo. Foi preciso que ele escutasse essas observações de seu sogro. Ouve agora a minha voz. um homem mais experiente e amadurecido nas questões relacionadas a gestão. Mas isso não ficou claro para Moisés no início da narrativa. (Ex 18. Sê tu pelo povo diante de Deus e leva tu as coisas a Deus. Ele deve planejar seu dia. 80 . Delegar autoridade para que outros nos ajudem a realizar o trabalho faz com que haja mais pessoas traba­ lhando para o mesmo Senhor. e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde” (Ex 18. Moisés assentou-se para julgar o povo. da mesma forma que ele. O problema não residia em Moisés atender ao povo. Totalmente desfalecerás. ao outro dia. implica tomada de decisões pre­ cipitadas e torna desgastantes as tarefas diárias. e Deus será contigo. eu te aconselharei. e não se esquecer de que precisa ter seus momentos com Deus e com sua própria família. Isso traz a perda de concentração. Jetro. descansar e pensar em suas atividades. tu só não o podes fazer.19) O líder precisa de um tempo para se recompor. Muitos momentos em que o líder se sente desestimulado e cansado são originados na falta de descanso apropria­ do. e Moisés ficava resolvendo essas questões sozinho.U ma J o r n a d a de fé Mas o que aconteceu que inspirou seu sogro.13). porque este negócio é mui difícil para ti. pedindo a orientação do espírito de Deus para cada etapa. Essas atitudes fortalecem a pessoa do líder. a intervir na forma como Moisés liderava o povo? “E aconteceu que. Jetro viu que o modelo de administração seguido por Moisés era cansativo tanto para ele quanto para o povo. assim tu como este povo que está contigo. mas em tentar resolver as questões sem a ajuda de outras pessoas.18.

Jetro disse a Moisés: E tu. acabaria desfalecendo por causa de seu excesso de atividades.A L i d e r a n ç a d e M o is é s e s e u s A u x il ia r e s Jetro recomendou que Moisés fosse um intercessor pelo povo. Ele recomendou que Moisés selecionasse 81 . maiorais de cinquenta e maiorais de dez. assim. Deve orientá-los no sentido de seguirem os parâmetros estabelecidos e cuida­ rem daquilo que foi proposto. e seja que todo negócio grave tragam a ti. O líder deve treinar seus auxiliares e aprender a confiar neles. mas todo negócio pequeno eles o julguem. então. tementes a Deus. mas boa parte dos trabalhos precisa ser executada por um grupo de pessoas. sem a ajuda de auxi­ liares idôneos.21-23) A recomendação de Jetro sobre os auxiliares de Moisés não pode ser esquecida em nosso estudo. poderás. 0 líder precisa de ajudantes Uma das lições que Jetro ensinou a Moisés é que ele precisava de outras pessoas para partilhar responsabilidades. essa era a função que Deus pretendia para Moisés. Mas por seguir o conselho de seu sogro. Ninguém que trabalha em posi­ ção de liderança consegue fazer todas as suas atividades sem ajuda. e dependendo da complexidade do trabalho. Essa foi a lição que Moisés aprendeu: Não se pode fazer tudo sozinho. mas até aquele momento. vários líderes são necessários na empreitada. procura homens capazes. para que julguem este povo em todo o tempo. que aborreçam a avareza. Todo trabalho que exige coletividade exige liderança. além de não ter tempo para interceder pelo povo a Deus. e Deus to mandar. o legislador es­ tava sobrecarregado resolvendo questões do povo. Há tra­ balhos que dependem de apenas uma pessoa. dentre todo o povo. assim também todo este povo em paz virá ao seu lugar. Na verdade. Caso Moisés não seguisse o conselho de Jetro. e que levasse as questões do povo a Deus. (Êx 18. pôde exercer melhor seu ministério e partilhar sua autoridade com ho­ mens dignos de confiança e que honrariam o nome do Senhor. maiorais de cem. e eles a levarão contigo. Se isto fizeres. subsistir. e põe-nos sobre eles por maiorais de mil. homens de verdade. a ti mesmo te aliviarás da carga.

e não tomariam o lugar dele. Há pessoas que nesse sentido logo se rebelam contra seus líderes e fazem o que podem para dividir o rebanho do Senhor. ela está sendo chamada para auxiliar. Líderes precisam conhecer a lei de Deus e os princípios pelos quais tomarão suas decisões. e os mais complexos deveriam ser levados a Moisés. Eles levariam o peso do traba­ lho de Moisés com ele. Começam a pensar que logo estarão no topo do comando. Há pessoas em nossas igrejas que se deixam enganar quando escolhi­ das para ajudar em uma determinada função. i f. pois estariam julgando o povo de acordo com a vontade de Deus). conforme suas capacidades. Portanto. sobre grupos de pessoas. homens de verdade (homens sobre os quais não poderia recair suspeitas. Eles deveriam ser ensinados nos estatutos e nas leis para que pudes­ sem julgar o povo de Deus de forma correta. o conselho de Jetro é válido para os nossos dias. que aborrecessem a avareza (essa característica não poderia passar em branco. não poderá liderar. Quando uma pessoa é escolhida para ajudar em um ministério. Se um líder não conhece as regras pelas quais deve se pautar para tomar decisões. 82 . não para comandar ou dar um golpe no seu próprio líder. para cooperar. Lembremo-nos de que aqueles homens não foram chamados para tomar o lugar de Moisés na liderança do povo.U m a J o r n a d a df. ou para decidir entre pessoas. que terão o próprio ministério. Ninguém exerce a liderança sem ter em mente princípios norteadores pelos quais agir. e cujas ações demonstrassem sua res­ peitabilidade). com certeza seu parecer será tendencioso). e deveriam resolver os pro­ blemas mais simples. Aqui cabe uma observação aos que estão sendo chamados a ajudar líderes. maiores ou menores conforme a quantidade designada. mas para ajudá-lo a exercer de forma efetiva sua liderança. que agirão de acordo com sua própria vontade e que não prestarão contas a ninguém. homens capazes (pessoas que tinham habilidade de lidar com outras pessoas. tementes a Deus (um requisito bá­ sico para se lidar com o povo de Deus. visto que se uma pessoa for trazer pareceres vinculados ao dinheiro. Eles seriam colo­ cados. Conhecer princípios de liderança e como aplicá-los faz a diferença entre um bom e um mau líder. ouvir e resolver problemas).

em outras esferas. ao qual devem prestar obediência. (Êx 18. o negócio árduo traziam a Moisés. E com essa obediência poderão ser escolhidos por Deus para desafios maiores. Quando Jesus disse que a seara era grande e que havia poucos ceifeiros para trabalharem nela. é preciso lembrar que foi responsabili­ dade de Moisés ensinar-lhes a Lei de Deus e seus estatutos. O líder precisa estar sempre pronto a aprender. antes de escolher as pessoas que iriam ajudá-lo. mas também ensiná-los a exercerem suas funções. Moisés não apenas deveria partilhar com homens esco­ lhidos sua autoridade. E Moisés deu ouvidos à voz de seu sogro e fez tudo quanto tinha dito. Se por um lado aqueles líderes deveriam conhecer a lei de Deus para poderem exercer seus julgamentos. mas que oras­ sem a fim de que o Senhor da seara enviasse ceifeiros para a sua seara. como líder. os auxiliares do legislador deveriam ser instruídos para serem úteis ao trabalho que lhes seria confiado. de todo o Israel. E eles julgaram o povo em todo tempo. e todo negócio pequeno julgavam eles. Futuros líderes podem ser ensinados Quando Jetro falou com Moisés.A L id e r a n ç a d e M o is é s e s e i is A u x il ia r e s Aqui reside grandeza dos líderes auxiliares: eles sabem que estão servindo a Deus sob a liderança de outro líder escolhido por Deus. maiorais de cinquenta e maiorais de dez. Um líder não pode cobrar de seus liderados atitudes que não lhes foram ensinadas. não ordenou aos seus discípulos que fosse atrás de obreiros. Conhecer os procedimentos normais de nossas atividades na obra do Senhor faz parte de nossas obrigações diante dEle. E Deus levantou ajudantes para Moisés. Por­ tanto. recomendou que ele ensinasse os esta­ tutos e as leis ao povo. e os pôs por cabeças sobre o povo: maiorais de mil e maiorais de cem. inclusive liderando outros até no rebanho do Senhor. e escolheu Moisés homens capazes. Ou seja. Os Auxiliares no Ministério Deus levanta auxiliares Os recursos humanos dos céus sempre estão cheios de pessoas para que venham trabalhar na obra do Senhor.24-26) 83 .

No Novo Testamento. mas por um bom testemunho na igreja. cheios do Espírito Santo e de sabedoria. esses homens iriam ajudar a assistência social da igreja. irmãos. Foram selecionados homens de todo o Israel. Eles deveriam ter como características: B o a rep u tação.U m a J o r n a d a de fé Deus deu a orientação para que Moisés escolhesse homens para ajudá -lo. representantes de cada tribo. Ser cheio do Espírito de Deus é um requisito para quem cuida de questões simples na igreja hoje. Não podemos imaginar que não houvesse diáconos cujos feitos fo­ ram registrados de forma marcante. Aqui está a origem dos diáconos. ou seja. pois. e traziam a Moisés as causas de maior complexidade. a recomendação dos apóstolos foi: “Escolhei. dentre vós. rainha dos etíopes. e Felipe foi poderosamente usado para falar de Jesus ao mordomo de Candace. Dessa forma. aos quais constituamos sobre este importante ne­ gócio” (At 6. sendo apedrejado por seus compatriotas. O bom tes­ temunho faria a diferença no ministério diaconal. S er ch eio s d o E sp írito S an to. sete varões de boa reputação. Moisés pôde exercer sua liderança com a ajuda de pessoas escolhidas por Deus. O s diáconos não deveriam ser conhecidos por más atitudes.3). Quando a igreja em Jerusalém preci­ sou de pessoas para ajudarem os apóstolos em afazeres especificamente voltados à questão social. Enquanto os discípulos se dedica­ riam à oração e à Palavra. esses homens tinham a nobre função de auxiliar os apóstolos na esfera social da igreja. divididos de acordo com a quantidade de pessoas que deveriam ajudar a cuidar. 84 . atendendo as viúvas no tocante a ajudas ofe­ recidas pelo grupo. vemos que Deus levanta auxiliares e cooperadores nas atividades em sua obra. Uma pessoa que vai lidar com questões materiais na igreja não pode perder de vista que seu serviço é dedicado ao Senhor. e realmente ajudaram Moisés em seu trabalho. Entretanto. que foram tidos por capazes. Eles se responsabilizaram por tratar com o povo acerca das coisas de menor complexidade. Estêvão foi o primeiro mártir.

era profetisa e entoava louvores ao Se­ nhor.A L i d e r a n ç a d e M o is és e seus A u x i l i a r e s C h eios d e s a b e d o r ia . Jetro. mostrou ser uma pessoa sábia e experiente. Lembremo-nos de que. Espera-se. Jetro era um midianita. con­ cedeu abrigo a Moisés e lhe deu uma de suas filhas como esposa quando Moisés fugiu do Egito. S er con stitu íd os p a r a a q u e la ju n ç ã o . Foi uma coluna na história de Moisés. Pelas palavras que disse a Moisés. que as pessoas de mais idade estejam aptas a ser bons conselheiros aos líderes mais novos. Pessoas de mais idade entre o povo. permitindo que no período em que esteve em Midiã aprendesse a pastorear ovelhas e conhecesse os caminhos do deserto. por esse exemplo. Pessoas néscias não teriam oportunidade naquela função. podemos destacar: Miriã. Mesmo não sendo israelita. 85 . mas só foram escolhidos após a orientação de Jetro e fizeram a diferença no ministério de Moisés. a nação já possuía homens que poderiam ser escolhidos para ajudá-lo. foram pesso­ as que muito auxiliaram Moisés em sua liderança na condução do povo à Terra Prometida. A igreja deveria saber quem eram e respeitá-los. Era preciso que fossem apresentados publicamente para prestarem seus serviços. Irmã de Moisés. no caso de Moisés. Os anciãos. Arão. Ele muito ajudou Moisés em seu ministério. pois tinham o aval dos apóstolos para aquelas atividades. Irmão de Moisés. Ter sabedoria era um diferencial para ser escolhido para aquele ministério. acompanhou sua história desde o Egito e foi escolhido por Deus para ser sacerdote em Israel. Os auxiliares de M oisés Dentre os diversos auxiliares de Moisés.

mais do que 86 . mas depois obedeceu à ordem divina. Neste capítulo. Quando Jetro viu o que acontecia com Moisés. e Moisés atendeu à voz de seu sogro. acabava sendo cercado de problemas de todos os tipos. falou-lhe com brandura.U m a J o r n a d a de fé As palavras de Jetro para com Moisés e a atenção que Moisés deu ao sogro mostram o quanto havia respeito entre eles. Moisés tinha suas limitações. pois há famílias em que a har­ monia do lar é quebrada com comentários críticos e desprovidos de sabedoria. logo é visto como uma pessoa indigna de crédito por divorciar suas palavras de sua vida prática. destacamos: Mansidão A Palavra de Deus apresenta Moisés como uma pessoa de co­ ração manso. e entendeu que era prudente seguir tal conselho. Qualidades de Moisés com o Líder Não é incomum as pessoas buscarem qualidades em seus líderes. Bons líderes servem como bons exemplos. e foi usado por Deus para abrir o caminho das conquistas ordenadas por Deus. Mas Moisés tinha também suas qualidades. até receber a orientação de seu sogro. e o mesmo ocorre quando um líder deixa a desejar com seu comportamento. Entre elas. Este foi um servo de Moisés que é apresentado na Bíblia como aquele que seria o seu substituto na condução do povo à Terra Prometida. “E era o varão Moisés mui manso. vimos que ele dedicava-se mais ao trabalho que à sua vida familiar. sendo posteriormente abençoado por Deus. como todos nós. que poderiam ser resolvidos por outras pessoas. Como homem. Esse deve ser um marco em nossas vidas. um homem de ar­ mas. Por não perceber que estava sozinho na lide­ rança do povo. É claro que Moisés ponderou o que foi falado. ini­ cialmente resistiu à voz de Deus quando foi chamado para libertar Is­ rael. Josué. Josué era um combatente.

seus irmãos. Ele não temeu partilhar sua autoridade com seus auxiliares a fim de que o povo pudesse ser mais bem atendido em suas demandas. Ele não perdeu a calma naquela situação e deixou que Deus resolvesse o problema de rebeldia que seus próprios irmãos trouxeram. Hum ildade Moisés não era um líder soberbo. que o auxiliariam na condução do povo. Ser piedoso é o contrário de ser uma pessoa ímpia.18). “A soberba precede a ruína. e a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16. Ele não aconselhou Moisés a empurrar os problemas para que outros resolvessem. estava recomendando ao legislador que ensinasse a Lei de Deus com a ajuda de outros homens. Ele aceitou com humil­ dade o conselho de Jetro. Que isso nos sirva de lição. e que poderão ampliar o campo de atuação de Deus em nossos dias. Jetro sabia que Moisés era o líder escolhido por Deus e que era im­ portante que estivesse bem.3). Essa foi a atitude de Moisés quando atacado por Miriã e Arão.A L i d e r a n ç a d e M o is é s e seu s A u x il ia r e s todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12. e viu como acatar aquele conselho permitiu que ele focasse sua liderança onde ela era mais impor­ tante: conduzir o povo de acordo com os planos de Deus. 87 . Piedade Moisés era um homem temente a Deus. no deserto. mas a ter o respeito por Deus e por sua obra. Mansidão é a capacidade de enfrentar problemas sem que se perca a calma. que despreza a Deus e não trata sua Palavra de forma respeitosa. com procedimentos administrativos ade­ quados para a condução do povo e preservando a si mesmo de uma vida estafante e de pouca praticidade. Podemos confiar em Deus para rece­ bermos ajuda de pessoas comprometidas com o seu Reino. pessoas que podem ser ensinadas nos estatutos e leis do Senhor. Piedade não se refere a fazer boas obras e caridade.

Notemos que essa apostasia envolvia. Comentário Bíblico Beacon. principalmente. e elas consistem não só de orientação quanto à confecção de objetos a serem usados na organização dessa adoração. “esta seção final do Livro do Êxodo revela a paciência de Deus em lidar com seu povo rebelde e mostra os detalhes minuciosos que são requisitos para o povo adorá-lo”. Entretanto. 1. . em meio a essa série de orientações sobre a montagem do santuário e a liturgia a ser adotada. a misericórdia de Deus e a 1 LIVINGSTON.1— 34. v.1 Ou seja. Moisés também narra a apostasia do povo no deserto.9 Um Lu g a r de A d o ra çã o n o D eserto Silas Daniel que as repassa ao povo.35). quando os israelitas tiveram que ser fortemente confrontados e ocorre a quebra do concerto de Deus com seu povo. o que chama muito a atenção nesses capítulos é que. Rio de janeiro: D o capítulo 25 ao capítulo 40 do livro de Êxodo. George Herbert. mas também de orientações voltadas para a liturgia do culto a Deus. encontramos a instituição dos métodos de adoração a Deus entre o povo de Israel. o qual só foi res­ taurado após o arrependimento dos israelitas e a intercessão de Moisés em favor deles (Êx 32. Como afirma o Comentário Bíblico Beacon.1-8). uma adoração equivocada (Êx 32. a adoração equivocada. As instruções divinas para o culto são dadas a Moisés.

eles só poderiam estar aqui. mas também tematicamente. E a suma desse contraste é: enquanto o verdadeiro culto a Deus. que habita em nós desde o dia em que entreqamos nossa vida a Cristo" X ~ ~ v o Tabernáculo e a aposta­ sia do povo de Israel no deserto são episódios que estão entrelaçados não apenas cronologicamente. do fato de contarmos hoje com um acesso maior a Deus por meio do sacrifício perfeito e CPAD. É chocante ver que enquanto Deus estava manifestando a Moisés o desejo de habitar no meio dos israelitas e dava-lhe as instruções para que houvesse um maior relacionamento dEle com o povo por meio da instituição de um santuário. e notemos como elas refletem verdades neotestamentárias sobre a verdadeira adoração. Afinal. 89 . não por aca­ so.25).6. na verdade. perpassam os capítulos que compreendem a últi­ ma seção do livro de Êxo­ do. os judeus estavam envolvidos em um projeto pessoal de religião.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o c— — —■ — . criando seus próprios símbolos de adoração. 206. seu próprio culto e se chafurdando no pecado. quebrantamento. adoração correta são os assuntos que. As instruções para "Deus queria que o povo tivesse um relacionamento mais íntimo com Ele. vejamos e analisemos as orientações divinas dadas a M oi­ sés para uma verdadeira adoração a Ele. entre os frutos e o espírito do verdadeiro culto a Deus e os do falso culto. 2005. a ado­ ração a Deus no Antigo Testamento pode se diferenciar externamente da adoração no Novo Testamento — além. humildade e conclamava à santidade. claro. Sim. através do ritual dos sacrifícios e do significado dos símbolos que ele carregava. A seguir. o culto apóstata leva o povo à licenciosidade (Ex 32. porque evidenciam o tremendo contraste entre a verdadeira e a falsa adoração. Esses capítulos mostram o contraste entre a verdadeira e a falsa adoração. não por acaso es­ ses assuntos se encontram aqui. porque. p. evoca arre­ pendimento. Eis a grande lição desses últimos capítulos do livro de Exodo. e hoje não é diferente: Ele \ deseja o mesmo conosco através do Seu Santo Espírito.

O homem de Deus estava já há algum tempo na presença divina no alto do monte. portanto.U m a J o r n a d a de fé definitivo de Cristo — . como bem resume a B íblia de Estudo Aplicação Pessoal ao comentar essa passagem de Hebreus. Deus queria que o povo tivesse um relacionamento mais íntimo com Ele. 1740. e habitarei no meio deles” (Ex 25. p. 90 . antecipava a realidade futura. o povo as­ sistia a distância. Era um padrão da realidade espiritual do sacrifício de Cristo e. Como afirma o escritor da Epístola aos Hebreus.2 Aprendamos. “Habitarei no meio deles. que os assistira até ali. “o padrão para o Tabernáculo construído por Moisés foi dado por Deus. mas não fora visto ainda “no meio deles”. encontramos. tudo que envolvia o ritual de adoração a Deus no Antigo Testamento era “sombra” das verdades celestiais evidenciadas no Novo Testamento por meio de Cris­ to (Hb 8. quando o Senhor começa a transmitir-lhe o projeto de um santuário a ser erguido entre o povo e o propósito de sua construção: “.. Quando Deus falava a Moisés no monte. habita em nós desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo: “E eu rogarei 2 Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Deus está dizendo que a sua presença. porém. um pouco mais sobre a verdadeira adora­ ção com os princípios eternos subjacentes nas instruções divinas para a construção do Tabernáculo. e hoje não é diferente: Ele deseja o mesmo conosco por meio do seu Santo Espírito. Ou. Deus já havia se manifestado várias vezes em favor de Israel.” Até aquele momento.5).. representada por e habitando um santuário erguido sob sua orientação. Agora. as primeiras instruções de Deus a Moisés para a construção do Ta­ bernáculo.8). como asseverou Jesus. Enfim. 2003. Rio de Janeiro: CPAD. estaria permanentemente no meio do arraial. que.. "E Habitarei no Meio Deles" Depois da entrega da Lei. mas os princípios que subjazem na adoração a Deus no Antigo Testamento são os mesmos no Novo Testamento.. [. impactado pela visão dos raios projetados lá de cima.] O Tabernáculo terrestre era uma expressão dos princípios eternos e teológicos”. deste modo. bem no início do capítulo 25.

O primeiro deles é que esse santuário. esse coração aberto. não adianta nada: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado. onde Deus estaria habitando no meio do seu povo.9). deveria ser construído com ofertas espontâneas (Êx 25-2). como bem disse Davi. sensível e voltado para Deus. ó Deus” (SI 51. Seus detalhes não foram entregues ao gosto de Moisés ou do povo. Deus não habitaria no meio do povo em um Tabernáculo construído como o povo queria. 2 Co 9.17. que o mundo não pode receber. e ele vos dará outro Consolador. Alguns pontos chamam a atenção nessas instruções divinas.17 —grifo meu). mas em um Tabernáculo construído como Ele queria.7). O segundo ponto é que o Tabernáculo também não poderia ser feito de qualquer jeito. As ofertas deveriam ser voluntárias. Não! O Tabernaculo deveria ser construído se­ guindo as minuciosas diretrizes divinas: “Conforme tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis.16. E justamente por causa desse modelo preestabelecido. p a ra que fiq u e convosco para sempre. o Espírito da verdade. Não se pode construir um relacionamento com Deus sem esse item inicial.17). porque. nem o conhece. Ele vem antes de qualquer “tijolo” a ser colocado e permanece durante todo o processo. e os capítulos 35 a 40. Isso nos ensina que o princípio basilar para encetar qualquer relação mais íntima do homem com Deus é a disposição sincera do coração.Um L u g a r de A d o r a ç ã o n o D e se r t o ao Pai. assim mesmo o fareis” (Êx 25. O modelo tanto do santuário como de seus utensílios foi dado pelo próprio Deus. antes de tudo. Os Recursos e o M odelo para a Construção do Tabernáculo Os capítulos 25 a 31 apresentam as diretrizes para a construção do Tabernáculo. Essa mesma orientação é vista em outras passagens bíblicas relativas a ofertas alçadas (1 Cr 29. porque não o vê. a execução dessas diretrizes. se não há. mas vós o conheceis. a um coração quebrantado e contrito não desprezarás. porque habita convosco e estará em vós” (Jo 14. 91 . ainda que tenhamos um tem­ plo belo e o sacrifício que levemos ao altar seja perfeito.

vemos Deus afirmando que não receberia sacrifícios com animais imperfeitos nem aceitaria fogo estranho no seu altar (Lv 1. devemos fazer tudo para glória de Deus (1 Co 10. mas não poderia ofertar qualquer coisa. que está dentro de sua von­ tade.31). mas só aquilo que lhe agrada. devemos envolver todo o nosso ser na adoração a Ele (SI 103. Ofertar espontaneamente não significa ofertar o que você quer. mas não poderia ofertar qualquer coisa. etc. Mais à frente.14). 92 .33). mas segundo os parâmetros "0 povo deveria ofertar espontaneamente. devemos pedir a Deus somente o que está dentro da sua vontade (1 Jo 5-14). Rm 12.3 -7 ). a ver­ dadeira adoração deve ser em espírito e em verdade (Jo 4. Por exem­ plo: só podemos chegar a Deus por meio de Cristo (Jo 14. Não pode­ mos apresentar ao altar de Deus qualquer coisa.1. em tudo o que fizermos deve haver uma intenção pura e genuína norteada pelo verdadeiro amor (1 Co 13. os quais nos são expressos pela sua Palavra. tudo deve ser feito “com decência e or­ dem” (1 Co 14. nosso zelo diante de Deus deve ser com entendimento (Rm 10.40). Isso nos ensina que não podemos nos relacionar com Deus e chegar a Ele como nós queremos.2).1). tudo que ocorrer no culto público deve ser “para edificação” (1 Co 14. O povo deveria ofertar espontaneamente. o culto público deve ter louvor. Palavra e manifestação sadia de dons (1 Co 14. mas ofertar porque você quer” ___________ ____________ / estabelecidos por Ele para as nossas vidas. Ofertar espontaneamente não significa ofertar o que você quer. devemos viver uma vida de santi­ dade (Hb 12.1-7). O u seja.23).26).1-3).1-3.1).6). o nosso culto deve ser racional (Rm 12.U m a J o r n a d a de fé as ofertas alçadas também teriam que se enquadrar dentro de uma lista predeterminada pelo Senhor (Ex 2 5 . 10. a verdadeira adoração se dá segundo os parâmetros estabelecidos pelo próprio Deus. devemos colocar em primeiro plano em nossas vidas o Reino de Deus e a sua justiça (M t 6 . mas ofertar porque você quer.26).

4 L1VIN GSTON . Esse pátio tinha formato retangular e media cerca de 22 metros de largura por 45 metros de comprimento (Ex 27. o Altar dos Holocaustos e a Pia de Bronze Deus ordenara que o Tabernáculo deveria ter um pátio (Ex 27. 5 B íblia de Estudo Pentecostal. O pátio cercado por cor­ tinas simbolizava a separação que deve haver para a adoração a Deus.2). Com entário Bíblico do A ntigo Testam ento ---.25 metros de cada lado por 1. encerrada por colunas. conforme pode ser visto nas passagens de 1 Reis 1.28.4 Donald Stamps acrescenta que simbolizavam. p.50. 2010. fe­ chada e separada do resto do mundo. o único Caminho para o céu (Jo 10. p. Rio de Janeiro: CPAD. v.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o O Pátio do Tabernáculo. C om entário Bíblico Beacon. p. O sangue das vítimas era colocado nas pontas do altar e o restante dele. que está escrito que é a justiça dos santos (Ap 19.Gênesis a Deuteronômio. 213. derramado na sua base (Lv 4. 14.2.5 Matthew Henry lembra que tanto os animais sacrificados sobre o altar como a própria constituição do altar com madeira coberta de 3 HENRY. 93 . Era ali que os animais eram imolados em sacrifício para expiação dos pecados.51 e 2. que é a úni­ ca Porta de acesso a Deus.18).9.35 metro de altura (Ex 27. e Salmos 18. fechada com o linho limpo.1. 1. “o poder e a proteção através do sacrifício”. Ele era cercado por cortinas e havia uma única entrada para ele. que era feito de madeira de cetim (acácia) coberta de bronze e seu formato era de um quadrado com 2.7). 1996. Rio de Janeiro: CPAD. por­ tanto. indicando a estabilidade da igreja. “o pátio era um tipo da igreja.10). “símbolos de poder e proteção”. George Herbert. 316.3 A porta única de entrada para o pátio representava Cristo. 2005.4)”. conforme o costume da época. Rio de janeiro: CPAD.2. O Comentário Bíblico Beacon afirma que as pontas projetadas nos quatro cantos do altar “tinham provavelmente a forma de chifre de animal”. 162. e onde o povo de Deus entrava com louvor e agradecimentos (SI 100. Matthew. A primeira coisa que era vista pela pessoa que adentrava o pátio era o Altar dos Holocaustos.9).6). Este eram os átrios pelos quais ansiava Davi e onde ele anelava residir (SI 84. Como bem explica Matthew Henry. o que fazia deles.8).

2005. C om entário Bíblico do Antigo Testamento ---. se me fizeres um altar de pedras. 2010.6 Varas colocadas em argolas na estrutura do altar tinham a finalida­ de de propiciar o seu transporte pelos levitas (Ex 27. com toda a sua estrutura desmontável. em virtude do sacrifício ali oferecido. 1. os pobres pecadores fogem em busca de refúgio. para que a tua nudez não seja descoberta diante deles. Cristo santificou-se pela sua Igreja.7 As instruções de Êxodo 20 .7)..6. E a natureza humana de Cristo não teria suportado a ira de Deus.2 4 -2 6 sobre a construção de altares é bastante interessante.25). Rio de Janeiro: CPAD. “considerando que Israel só devia fazer altares de terra ou com pedras naturais. O altar era oco (Êx 27. E pela sua media­ ção Ele santifica os serviços diários do seu povo. 7 LIVIN GSTO N . Diz Deus: Um altar de terra me farás e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos. Rio de janeiro: CPAD. se não fosse sustentada pelo poder divino. 213. pois ali servem como sacer­ dotes espirituais. C o m en tário Bíblico Beacon. e ali estão a salvo.Gênesis a Deuteronômio. assim como acontecia com toda a mobília do Tabernáculo..] A madeira teria sido consumida pelo fogo do céu. quando a justiça os persegue. se não tivesse sido protegida pelo co­ bre. 6 HENRY. assim como o seu altar (Jo 17. como frisa o Beacon . que nada mais é do que a liga de cobre e estanho) apontam para Cristo: Este altar de cobre era um tipo de Cristo. [. profaná-lo-ás. jul­ gamos que este altar semelhante a caixa era cheio de terra sempre que Israel assentava acampamento” e que “os animais sacrificiais eram co­ locados em cima da terra que enchia a armação de madeira e bronze”. não o farás de pedras lavradas. George Herbert. [. 316. Matthew. v.9).] [e] virei a ti e te abençoarei..8) e. que também tem o direito de comer deste altar (Hb 13. 94 . Às pontas deste altar.24. se sobre ele levantares o teu buril. p.U m a J o r n a d a de fé cobre (ou bronze.. p. E. que era móvel. sem uso de instrumentos de ferro (Ex 20.10). Não subirás também por degraus ao meu altar.

Diante desse cuidado divino. p. 2003. não há como não pensar nos dias de hoje. mesmo com roupas que revelam a sua nudez. Deus não é contra a criatividade. [. formal e — devido à importante função que exerciam -— tinha também.] concedeu-lhes instruções específicas sobre construção de altares.] [E] o uso de pedras em sua forma natural impedia que.. além dos simbolismos (Ex 28. esse cuidado pode ser visto até na roupa dos sacerdo­ tes.Um L u g a r de A d o r a ç ã o n o D e se r t o Sobre esse final. Rio de Janeiro: CPAD. claro. Ninguém está dizendo aqui que as pessoas devem ir para a igreja agora com as vestes dos sacerdotes do Antigo Testamento ou somente com roupas extremamente formais. “a sim­ plicidade do altar [de terra] fazia o hom em tirar a atenção de si mesmo e das coisas materiais para [voltar-se para] o Deus Exaltado. a sua nudez. Aliás. Também não permitiu que o povo construísse um altar em qualquer lugar. 113.8 Como observa também o C om entário B íblico Beacon. que mui­ tas vezes são esquecidas. nesta épo­ ca. é curioso ver o cuidado de Deus com os detalhes.. pois desejava controlar o modo de oferecer os sacrifícios.. Quanto aos demais detalhes dessa instrução sobre os altares em Êxo­ do 20. Deus não per­ mitiu que as pedras do altar fossem de alguma forma cortadas ou modeladas. que era extremamente composta. Israel fizesse embelezamentos artísticos. a B íblia de Estudo Aplicação Pessoal traz uma importante reflexão: [Deus] [. especificamente aqui. Tal atitude visava a impedir que iniciassem suas próprias religiões ou mudassem o modo como Deus desejava que as coisas fossem feitas. o cuidado para que alguém não se apresentasse diante dEle e do povo mostrando. mesmo que de modo involuntário. a sua imponência. provavelmente por causa 8 Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.. quando muitos acham que podem cultuar a Deus em público (não estamos falando aqui do privado) de qualquer maneira. mas Ele não admite que criemos a nossa própria religião. 95 . Para evitar que a idolatria pervertesse a adoração.4-43). A questão aqui são a compostura e a decência na Casa de Deus.

U ma J ornada de fé

do perigo de idolatria”.9 Ou seja, o princípio aqui é claro: Deus não é contra a criatividade, mas é preciso ter cuidado para que, em nome da nossa criatividade, não percamos a simplicidade ou mesmo subver­ tamos o modelo bíblico do culto a Deus. Quando Deus permitiu que Israel tivesse altares mais elaborados, que foram justamente o Altar dos Holocaustos e o Altar do Incenso, estes foram burilados conforme a determinação divina (Ex 27.1-8; 30.1-5). Mas, finalmente, havia ainda no Pátio do Tabernáculo a Pia de Bronze. Ela era utilizada para o sacrifício de purificação (Ex 30.17-21). Essa lavagem cerimonial era feita com água constantemente substitu­ ída, já que não havia sistema de torneiras ou bicas naquela época nem algo parecido com isso é mencionado no texto bíblico. Os sacerdotes deveriam se lavar sempre nele antes de ministrarem no interior do Ta­ bernáculo ou no Altar dos Holocaustos. Ora, a água fala de pureza e santificação, e é símbolo da ação pu­ rificadora da Palavra de Deus (Jo 15.3; 17.17; E f 5.26,27) e do Espí­ rito Santo (T t 3.4-6; 1 Co 6.11) em nossos corações (Hb 10.22; 1 Pe 1.22,23). Pode simbolizar também a purificação pelo sangue de Jesus (1 Jo 1.7), uma vez que o sacrifício de Cristo nos purifica de todo peca­ do e nos dá acesso à constante ação purificadora do Espírito Santo e da Palavra de Deus em nossas vidas.

O Lugar da Habitação de Deus
Dentro do chamado “Lugar da Habitação de Deus”, que era a parte interior da tenda do Tabernáculo, havia dois ambientes: o primeiro é o Lugar Santo, onde ficavam o castiçal de ouro, a mesa dos pães da propo­ sição e o altar do incenso; e o segundo é o Santo dos Santos, onde estava a Arca da Aliança, única peça desse ambiente. Estima-se que o Lugar Santo media 9 metros de extensão, e o Santo dos Santos, 4,5 metros.1 0 O castiçal de ouro (Ex 25.31-40) era o que iluminava o interior da tenda, já que não havia janelas ali. Ele era feito com puro ouro batido e
5 LIVIN G STO N , George Herbert. C om entário Bíblico Beacon. v. 1. Rio de janeiro: CPAD, 2005, p. 193.

1 0 LIVINGSTON, George Herbert. Comentário Bíblico Beacon. v. 1. Rio de janeiro: CPAD, 2005, p. 211.
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Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o

seu fogo, mantido aceso com azeite. Essa peça nos fala, prioritariamen­ te, de Cristo, que é a Luz do Mundo (Jo 8.12), e, por extensão, da Igreja, que também é simbolizada pelo castiçal de ouro (Ap 1.12,13,20). Aliás, o próprio Jesus, antes da visão de João no Apocalipse, já havia com­ parado a Igreja a uma lâmpada
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"Não podemos nos relacionar com Deus e chegar a Ele como nós queremos, mas segundo os parâmetros estabelecidos por Ele para as nossas vidas"

acesa e também a chamado de “luz do mundo” (M t 5.14-16). O apóstolo Paulo reforça essa ideia em Filipenses 2.15. O azeite, por sua vez, é sím­ bolo do Espírito Santo. Para que o castiçal permanecesse aceso, era preciso que seu azeite fosse reno­

vado todos os dias. Da mesma maneira, só podemos projetar a luz de Deus sobre o mundo se formos cheios do Espírito Santo; e, por consequência, só podemos projetá-la continuamente se procurarmos estar sempre cheios do Espírito. Não à toa, o imperativo “enchei-vos do Espírito”, no original grego de Efésios 5.18, subtende a necessidade de estarmos continuamente cheios do Espírito Santo, e não apenas de vez em quando. A mesa dos pães da proposição tinha 90 centímetros de compri­ mento, 75 centímetros de altura e 45 centímetros de largura (Êx 25.2330), e falava de Cristo como o Pão da Vida, o Pão vivo que desceu do céu (Jo 6.35). Eram sempre doze pães, um para cada tribo de Israel, e eles eram sempre trocados aos sábados e protegidos ao redor da mesa por uma beira de ouro, para que não escorregassem até o chão pela borda da mesa. Doze pães, um para cada tribo, trocados semanalmente e cercados por uma beira dourada falam da suficiência, permanência e garantia de Cristo para todo o seu povo como o Pão da Vida. O altar do incenso (Êx 30.1-10) era um lugar destinado à adoração e à oração. Ele tinha o mesmo formato do altar dos holocaustos, só que era menor, medindo 45 centímetros quadrados por 90 centímetros de altura. Também era de madeira de cetim (acácia), só que revestida com puro ouro em vez de bronze. Seu transporte também era feito com varas encaixadas em argolas de ouro nas laterais do altar (Êx 30.4,5).

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U m a J o r n a d a de fé

O altar menor, como também era chamado, era a peça que ficava mais próxima da entrada do Santo dos Santos, separando-se da Arca da Aliança apenas pelo véu de entrada para esse último ambiente. O incenso deveria ser queimado diariamente (Ex 30.7). Deus costumava se manifestar àqueles que lhe ofereciam incenso nesse altar de ouro, como aconteceu com Zacarias, pai de João Batista, que recebeu do anjo Gabriel, mensageiro de Deus manifestado diante desse altar, o anúncio divino da concepção do seu filho João no ventre de Isabel, sua esposa, e da importantíssima missão que seu filho teria (Lc 1.8-17). O incenso simboliza a adoração, o louvor e a oração, como podemos ver clara­ mente em Salmos 141.2 e Apocalipse 5.8 e 8.3,4. Finalmente, no Santo dos Santos, chamado também de Lugar San­ tíssimo, estava a Arca da Aliança (Ex 25.10-22), a peça mais importan­ te de todo o Tabernáculo. No Santos dos Santos, só o sumo sacerdote poderia entrar, e apenas uma vez ao ano (Hb 9.7), para aspergir sobre o propiciatório — isto é, a tampa da Arca — o sangue que havia sido derramado do sacrifício anual feito para expiação dos pecados de todo o povo (Lv 16.14,15; 17.11). Hoje, tal expiação não é mais necessária, porque Jesus, o nosso Sumo Sacerdote por excelência, já entrou na pre­ sença do Pai oferecendo o seu próprio sangue como propiciação defini­ tiva pelos nossos pecados (Rm 3.24,25; Hb 9.11-15; 10.10,12), de ma­ neira que todos quantos o recebem como único e suficiente Salvador e Senhor, aceitando seu sacrifício em nosso favor e entregando suas vidas totalmente a Ele, têm livre acesso à presença de Deus (Hb 10.19-23). A Arca da Aliança representava a própria presença de Deus entre o povo, de maneira que os israelitas, em determinado momento de sua história, chegaram até mesmo a usá-la como se fosse um amuleto, no episódio em que ela foi levada pelos filisteus após uma batalha em que Israel, por causa dos seus pecados, teve que fugir de diante de seus inimigos (1 Sm 4 .1-22). A Arca era chamada de “ Arca do Testemunho” (Ex 25.22), “ Arca do Concerto do Senhor” (D t 10.8), “ Arca de Deus” (1 Sm 3.3) e “ Arca do Senhor” (1 Sm 4.6). Sua designação “ Arca do Testemunho” se devia ao fato de que carregava “O Testemunho” (Ex 25.16), que era o nome
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20. p. fisicamente nas tábuas de pedra. O texto bíblico é bem claro em afirmar que as inscrições nas tábuas eram uma obra direta do próprio Deus — tanto nas primeiras tábuas (Êx 32.4). como havia sido ordenado. e também a vara de Arão.4). a Arca abrigou um pote de ouro contendo uma amostra de 3.4). v.18).1-15). assim como faziam com todas as peças do santuário (Nm 7. A Arca da Aliança só podia ser carregada pelos sacerdotes (Nm 9. nesse caso.16) quanto nas segundas (Êx 34. para escrever.33.7-11. como ocorreu na Babilônia nos dias de Daniel (Dn 5.20). confirmação e autoridade.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o dado às duas tábuas de pedra contendo o Decálogo. entende­ mos que ela não significa necessariamente que Deus se manifestou em forma de uma mão de homem. os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Deus (Êx 31.1.9). onde estava simbolizada a misericórdia”. que fala de autoridade. que foram colocadas devidamente na Arca (Êx 40. além das Tábuas da Lei. 2 Sm 6. foi uma ação sobrenatural de Deus. chamada e confirmação — a Bíblia diz que Deus fez com que essa vara miraculosamente florescesse para confirmar diante do povo a chamada de Arão para ser o sumo sacerdote (Nm 17. Deus mencionou essas tábuas a Moisés logo quando ordenou a ele para que subisse ao monte (Êx 24. 207. que uma ação sobrenatural de Deus fez gravar dire­ tamente nas pedras. Posteriormente. George Herbert.16). que a carregavam nos ombros. Hb 9.1517.6 litros (“um ômer”) do maná que Deus enviara ao seu povo no deserto diariamente. Ou seja. C o m en tário Bíblico Beacon.1. mas Deus fez outras tábuas (Êx 34. À luz do uso que Jesus faz da expressão “dedo de Deus” em Lucas 11. A mensagem é clara: na presença de Deus. Hb 9. mas.17) e suas dimensões em extensão eram as mesmas da Arca.1 1 1 1 LIVINGSTON. há provisão. 1.32. isto é.5). e que fala da provisão divina (Êx 16. Rio de janeiro: CPAD.12) e avisou em seguida que seu lugar seria dentro da Arca (Êx 25. A tampa da Arca — o propiciató­ rio — era feita de ouro puro (Êx 25. 2005.4).19). Moisés quebrou essas tábuas em sua ira diante da apostasia do povo (Êx 32. aos olhos de Moisés. de qualquer forma. chamado. 99 . sim. O propiciatório recebia esse nome porque “era o lugar da expiação. as suas Palavras.

Simbolizavam presença de Deus e a sua so­ berania entre o seu povo na Terra (1 Sm 4.U ma J ornada d e fé Como já dissemos. 157.15)”. mas houve. passaria a conversar com Moisés dentro do Santo dos Santos. 100 .2.8). 1996.4. Ela era coberta de ouro por dentro e por fora.6. em Êxodo 25. da mesma maneira o Senhor deseja que no fundo do nosso ser. “eles representavam serei celestiais que assistem junto "Deus não í contra a criatividade. Nem o Tabernáculo nem o Templo.11. estejam gravados os seus mandamentos (SI 119. contendo os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Deus. para simbolizar a pureza ea preciosidade da presença deDeus. onde Ele se manifestaria em cima do propiciatório. porém a Bíblia diz que. mas é preciso ter cuidado para que.2 2 . somente o sumo sacerdote podia entrar no San­ to dos Santos e uma vez por ano. passamos a ser templos do Espírito Santo — tabernáculos. 2 Sm 6. Rio de Janeiro: CPAD. Ao contrário do sumo sacerdote. desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo. inclu­ sive as varas para carregá-la. 1 2 Bíblia de Estudo Pentecostal.5. não percamos a simplicidade ou mesmo subvertamos o modelo bíblico do culto a Deus" ao trono de Deus no céu (Hb 8.3) e a sua presença possa se manifestar diariamente (2 Co 4. o propi­ ciatório. Como lembra Stamps.18).12 Não por acaso. era coberto de ouro (Êx 2 5. o seu substituto. Outro detalhe é que assim como na parte mais importante do Ta­ bernáculo — a Arca da Aliança — . durante um período de cerca de quarenta anos. a beira de ouro ao redor da Arca. Ap 4 .16). existem mais. Moisés entrava no Lugar Santíssimo constantemente. O restante da Arca. 2 Co 3. 2 Rs 19. no recôndito da nossa alma. Dois querubins de ouro ficavam em ambas as extremidades do pro­ piciatório (Ex 25. estavam colocadas as Tábuas da Lei. logo que o Ta­ bernáculo estivesse pronto. nas tábuas do âmago do nosso coração. em nome da nossa criatividade.11-13). uma exceção: Moisés. os querubins e as argolas para ajudar a levá-la eram de ouro maciço. p. encontramos Deus dizendo-lhe que. já que.

que os seus mandamentos estejam sempre gravados no fundo do nosso ser. que onde estejamos. Portanto.20). peregrinando no deserto desta vida aguardando o dia em que seremos transportados para a Pátria Celestial.Um L u g a r d e A d o r a ç ã o n o D e s e r t o por assim dizer. O véu do Templo foi rasgado de alto a baixo (M t 27.17). e para que isso se torne uma realidade. carreguemos e manifestemos a glória de Deus em nossa vida.19. que passou a habitar o nosso ser. Amém. ambulantes do Senhor sobre a Terra (1 Co 6. desde o dia em que aceitamos a Cristo. pela açáo inconfundível do Espírito Santo em nossa vida (Jo 14.51) e hoje temos livre acesso à presença de Deus. .

principalmente. normas e avanços legais que temos hoje registrados em nossas legislações. outras orde­ nanças de caráter civil. apresentaremos resumidamente alguns aspectos mais marcantes dessas leis. Nossa referência estará. penal e afins registradas em outras partes da lei mosaica — sobretudo em Levítico e Deuteronômio. antes de analisarmos essas leis de modo específico. Entretanto.2 2 — 2 3 . séculos depois.117) e no chamado “Livro do Concerto”. e que estão registradas em Êxodo 2 0 . que são as leis estabelecidas por Deus para reger a sociedade israelita e seu culto a Deus. penais.3 3 . trabalhistas e de mudança da relação senhor-servo que Deus transmitiu a ele para entregar ao povo de Israel e que serviriam. é preciso frisar o seu aspecto revolucionário diante do contexto social e jurídico do mundo antigo. Entretanto. . de ins­ piração para muitos dos conceitos. mas acrescentam outras — também serão aqui men­ cionadas. Neste capítulo.10 As R e v o l u c i o n á r i a s Isra e lita s Silas Daniel L eis E n t r e g u e s p o r M o isé s a o s U m dos maiores legados do ministério de Moisés para a hu­ manidade é o conjunto de leis civis. no Decálogo (Êx 2 0. em que essas leis se situam historicamente. que repetem muitas coisas.

constata-se. a distinção entre homicídio acidental. é inegável e contundente o fato de que essas leis foram um avanço extraordinário para aquela época. usados na região da Mesopotâmia.).).C. um maior uso de penas proporcionais aos cri­ mes cometidos. quanto o Código de Ur-Nammu (2100 a. à primeira vista. a figura do dano moral.C. se­ riam consideradas muito pesadas. desculpável e justificável.C. nos dias de hoje. a dis­ tinção entre homicídio acidental. e muitas outras medidas legais pioneiras que estabeleciam um abismo de qualidade entre a lei mosaica e as demais legislações que a antecederam. usado pelos sumérios e encontrado em 1952 em uma placa de argila. pela primeira vez.C. bem como o Código de Eshnunna (1930 a." mais detidamente so­ bre as razões pelas quais nos advém esse estra­ nhamento em relação a algumas normas da lei mosaica e por que algu­ mas delas tinham penas que. achemos estranhas algumas dessas de­ terminações mosaicas devido aos costumes.A s R e v o l u c i o n á r i a s L eis E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s I s r a e l i t a s O Contraste entre as Leis Hebraicas e as que lhes Antecederam Mesmo que.) Nas leis dadas por Deus a Moisés. antecipando muitas das saudáveis inovações legais que se veriam sécu­ los depois no Ocidente. um maior uso de penas proporcionais aos crimes cometidos. (Mais à frente falaremos “ Na lei mosaica constata-se. a não distinção de aplicação de pena por classe social do criminoso ou da vítima. do qual só se conhece hoje trechos que são citados em outros textos antigos. a figura do dano moral. e muitas outras medidas legais pioneiras. muito raramente apresentavam alguma equidade na aplicação 103 / .). aos contextos social e cultural e à mentalidade diferentes do que temos hoje. Tanto o Código de Urukagina (2350 a. pela primeira vez. desculpável e justificável. a não distinção de aplicação de pena por classe social do criminoso ou da vítima.) e o Código de Lipit-Ishtar (1870 a.

Já o artigo 2 do Código de Ur-Nammu estabelecia que o homem que roubasse. deveria ser morto. o que não se vê na lei mosaica. e no caso de a coisa roubada já ter sido desfeita ou passada adiante. Rosângela. 24. Mesmo no Código de Hammurabi havia casos de desproporção. Teresina. Influência da ética judaico-cristã nos ordenamentos jurídicos da atualidade. ano 18.2 enquanto a Lei de Moisés enfatizava a propriedade privada. O Código de Hammurabi e a maioria 1 Z IZ L E R .U ma J ornada d e fé da pena ao crime. a sanção quanto ao crime come­ tido era a mesma para pobres ou ricos. por sua vez.1). 104 .com. através da aplicação do que ficou conhecido como “Lei de Talião” (“olho por olho. No artigo 60 do Código de Esnhunna.) é onde mais encontramos alguma proporcionalidade entre deli­ to e pena. Na lei mosaica. tinha também o defeito de ser eivado de supersticiosidade e não defender a propriedade privada.com. O Código de Urukagina. como a pena de morte para quem fizesse um buraco na casa de outra pessoa (artigo 22) ou para qualquer mero furto (artigo 23).br/artigos/24834. um ladrão simplesmente teria de devolver o seu roubo e pagar uma multa.22).2 9 de junho de 2013. Jus Navigandi. 2 ZIZLER. 3 6 5 0 . quintuplicava-se o valor a ser restituído (Êx 22. Acesso em 8 de setembro de 2013. Disponível em http://jus. Rosângela. Jus Navigandi.4). A terra era considerada “uma propriedade dos deuses”. Principalmente quando havia diferença de classe social entre a vítima e o agressor. como veremos mais adiante. ano 18.C. 3 6 5 0 . que consistia em dobrar o valor a ser restituído (Ex 22. Teresina. por exemplo. não importa 0 que fosse. Disponível em http://jus. essa ausência de equidade se tornava ainda mais comum. A sanção neles “era quase sempre desproporcional ao delito ou infração normativa”. Na Lei de Moisés. n. n. 29 de junho de 2013. cuja pena a ser aplicada independia da classe social tanto do criminoso quanto da vítima. Influência da ética judaico-cristã nos ordenamentos jurídicos da atualidade.1 O Código de Hammurabi (1700 a. se o vigia fosse negligente na guarda de uma casa e esta fosse arrombada por um la­ drão.15. Acesso em 8 de setembro de 2013.br/artigos/24834. israelitas ou estrangeiros (Lv 19. simplesmente o vigia deveria ser morto. dente por dente”). mas mesmo assim em uma quantidade de casos ainda muito aquém do que se vê na lei mosaica.

Nas cidades de refugio. Êxodo 21. deliberado. W H IT E JR . cidades de refugio para aqueles que mataram sem querer. e nelas você poderá notar algumas antecipações pioneiras em relação a avan­ ços legais que só viriam a acontecer muito tempo depois. a melhor tradução ali é “Não assassinarás”. p.18-20). Deveriam seguir “apenas a justiça”. a lei mosaica prevê. mas o primeiro código legal a ser mais enfático quanto ao princípio da propriedade privada foi a lei mosaica.30). referindo-se claramente ao homicídio premeditado como o único tipo de homicídio passível de pena de morte — no versícu­ lo 13. A seguir. Eles eram proibidos de aceitar subornos e de fazer acepção de pessoas. E. Rio de Janeiro: CPAD. U N G ER. As Principais Leis Penais e Civis Mosaicas 1. de matar com intenção de matar (Ex 20. Deveria haver juizes instituídos em todas as cidades e aldeias das tribos de Israel para julgarem as causas do povo segundo a lei mosaica.24). isto é. Caso fosse considerada desculpável.. inclusive.. os acusados ficariam esperando que sua questão fosse julgada e a verdade determinada por um tribunal apropriado (Nm 35. isto é. William. D icionário Vine.3 Ou seja. veremos as principais normas civis e penais da lei mosaica. W. 105 . que não aceitaria decidir o caso com base no depoimento de uma única testemunha (Nm 35. que significa “matar com premeditação”.12. pois se trata de homicídio intencional. no original hebraico.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s I s r a e l i t a s dos que o antecederam tinham o conceito de propriedade privada suben­ tendido em alguns de seus artigos.13 reforça a ideia. a começar do seu Decálogo — os Dez Mandamentos (Ex 2 0 . 2. Merril F. A lei mosaica previa o crime de assassinato. O texto traduzido por “Não matarás” no Decálogo é.13). rãsah. deveriam ser corretos em seus julgamentos. honestos ao julgar cada causa (Dt 16.1 7 ).1 5 . 2002. a pessoa 3 VIN E. 180.

A Bíblia afirma que quando aquele que ceifa deliberadamente uma vida paga pelo seu crime com a própria vida. Deus disse a Noé que assassinar um homem é mui­ to grave.U m a J o r n a d a de fé permaneceria na cidade de refúgio até a morte do sumo sa­ cerdote. Não estamos dizendo aqui que os crentes que pedem penas alternativas (que sejam também pesadas) para o crime de ho­ micídio estejam pecando.28). o vingador de sangue poderia matá-lo sem ser-lhe imputada alguma culpa por isso (Nm 35. não é tão sério assim. intencionalmente. se saísse da cidade de refúgio antes da morte do sumo sacerdote. premeditadamente. quando então poderia sair da cidade sem que nin­ guém pudesse castigá-la pelo ocorrido. posto que era inocente (Nm 35. como pode ser visto. por exemplo. no mínimo.4). “vida por vida” (Êx 21. portanto. a mensagem que se passa à sociedade é que esse crime não foi tão bárbaro assim. tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Gn 9. somente a pena de morte poderia ser consi­ derada uma punição ideal para tal crime (Gn 9.6. que matar uma vida deli­ beradamente.26. intencionalmente. melhor.27). mas apenas salientando que a Bí­ blia. premeditadamente.33). mata outra pessoa e recebe por isso uma retribuição menor que o crime que cometeu. ela deve ser. há perfeita equidade no juízo (Nm 35. Quando alguém deliberadamente. no caso em que alguém matas­ se o ladrão quando este tentasse invadir a sua casa à noite (Êx 2 2.2). e que. perfeita — para que a terra não seja “profanada” diante de 106 . A pena de morte é bíblica e o argumento divino usado para justificá-la é que a sanção nunca deve ser menor que o crime cometido. do mesmo tamanho do agravo — no caso. nesse tipo de crime. apoia claramente a pena de morte como medida ideal — isto é.6). porque Ele fizera “o homem conforme a sua imagem”. mais correta. Entretanto.23). Havia ainda a previsáo do homicídio justificável. Rm 13.

que mesmo depois de vários casti­ gos continuasse em sua rebeldia.31.15).23).16.34).1). tornando-se incontrolável. “ A pena de morte é bíblica e o argu­ mento divino usado para justificá-la é que J ^ I a sanção nunca deve ser menor que o crime cometido. 3. 23.) Outro deta­ lhe é que a Lei de Moisés previa que se os pais tivessem um filho rebelde e contumaz." Deus.16). Com entário Bíblico do Antigo Testamento — Deuteronômio. ou seja. nosso Pai comum”. A lei mosaica previa o crime de falso testemunho (Êx 20. 4 HENRY. 107 Gênesis a . 2010. 4. Mas não só agredir os pais dava pena de morte. no mínimo. amaldiçoá-los em público também (Êx 21. 'vida por vida' (Êx 21. para que a terra náo seja amaldiçoada em con­ sequência da não compensação dessa gravíssima injustiça co­ metida (Nm 35. o oposto resulta em Deus abreviar a vida. Matthew. Rio de Janeiro: CPAD. de maneira que “se os homens não o punirem. do mes­ mo tamanho do agravo — no caso. que era também passível de pena de morte (Êx 21. “o comportamento desrespeitoso dos filhos em relação aos seus pais é uma provocação muito grande a Deus. 5. 299. Deus o fará”. p.As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s .4 (Lembremo-nos que se Êxodo 2 0 .17). Como frisa Matthew Henry. que era passível de pena de morte (Êx 21.1 2 diz que honrar os pais faz com que “se prolonguem teus dias na ter­ ra”. A lei mosaica previa o crime de sequestro. ela deve ser. A lei mosaica previa o crime de agredir fisicamente os pais.33.

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eles poderiam denunciá-lo aos juizes que, avaliando o caso e confirmando o que os pais diziam, condenariam o filho rebelde à morte (D t 21.18-21). 6. A Lei de Moisés previa, em caso de agressão que levasse a vítima a passar algum tempo sem trabalhar, que o agressor pagasse uma indenização correspondente a todos os dias de trabalho em que o agredido ficasse inativo e o custeio de todo o tratamento da vítima até esta ser completamente res­ tabelecida (Êx 21.19). 7. A lei mosaica estabelecia o respeito à criança no ventre e o cui­ dado com a mulher grávida. Em Êxodo 21.22,23, vemos que havia obrigação de indenização para alguém que, em meio a uma briga, mesmo que involuntariamente, ferisse uma mu­ lher grávida provocando-lhe aborto, e o valor da indenização não era definido pelo juiz, mas pelos pais (Êx 2 1 .22b); e havia a pena de morte para quem, além de provocar o aborto em uma mulher, levasse-a à morte nesse processo. Esse é o único caso em que a lei mosaica estabelece pena de morte para um homicídio acidental, uma vez que os homens deveriam ser mais prudentes e cuidadosos com a mulher grávida e a vida que ela carrega dentro de si. 8. As sanções eram rigidamente proporcionais às penas nas chamadas “Leis da Vingança” do código mosaico: “... vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Êx 2 1.23-25). Nas leis pagãs anteriores e da mesma época de Moisés, a desproporcionalidade entre sanção e pena era imensa. Lembrando ainda que, na lei mo­ saica, ninguém poderia, de si mesmo, vingar a lesão sofrida, porque poderia muito bem ir além da conta. O magistrado é que julgava a causa e acompanhava a aplicação correta da
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A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s

sançáo. Outro detalhe é que “por ser difícil administrar a exigência de o ofensor sofrer dano equivalente ao causado, mais tarde a lei [da vingança] foi comutada por multa em dinheiro [isto é, indenização], exceto para assassinato”,5 quando ainda prevalecia o “vida por vida” (Êx 21.23). Jesus não condenou a “Lei de Talião” mosaica, mas indicou um caminho muito mais nobre: o da prevalência do perdão e do amor (M t 5.38-48). Aliás, na própria Lei de Moisés, Deus, ao condenar a vingança com as próprias mãos — isto é, sem julgamento — , também recomenda à vítima que ela prefira o caminho mais nobre do perdão e do amor em vez de re­ correr aos juizes para a aplicação da “Lei de Talião” mosaica (Lv 19.18). 9. A Lei de Moisés previa a obrigatoriedade de indenização a ser paga pelo dono de um animal que por meio dele tivesse pro­ vocado algum dano e também o crime de deliberadamente deixar solto um animal feroz para colocar em risco a vida das pessoas — se houvesse morte de alguém em um caso com­ provado de negligência deliberada do dono, tanto o animal quanto o dono eram mortos (Ex 21.28-32). 10. A Lei de Moisés previa indenização no caso de danos causa­ dos pela morte de animais que caíam em covas não tampa­ das, que naquela época eram abertas para armazenar água ou cereais (Êx 2 1.33-36). 11. A Lei previa restituições e multas por roubo ou danos causa­ dos direta e indiretamente, bem como o conceito de respon­ sabilidade civil (Êx 22.1-15).
5 LIVIN GSTO N , George Herbert. Com entário Bíblico Beacon, v. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 195; e CONNELL, J. Clement. Exodus — The New Bible Com m entary. Editado por R. Davidson. Grand Rapids: W illiam B. Eerdmans Publishing Company, 1954, p. 121.
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12. Ela previa o crime de propina e corrupção (Êx 23.1-3,6-8). 13- Previa o crime de negligência (Êx 23.4,5). 14. Previa o crime de desacato à autoridade pública (Êx 22.28). 15. A lei mosaica condenava a discriminação xenófoba (Êx 22.2 3 ; 2 3.9); o estrangeiro deveria ser recebido e tratado como qualquer cidadão hebreu (Lv 19.18,33,34). 16. Ela exigia proteção aos menos favorecidos (Êx 22.22). 17. Ela proibia emprestar dinheiro a juros para o pobre e tomar como penhor um bem essencial à sobrevivência da pessoa (Êx 22.25-27). 18. Nenhuma pena poderia ultrapassar o criminoso: os pais não pagam pelos crimes dos filhos e vice-versa (Dt 24.16). 19. A Lei previa a condenação de fraude em negócios (Lv 19.11). 20. A Lei estabelecia que o julgamento não deveria privilegiar nem os ricos e nem os pobres (Lv 19.15). 21. Previa o crime de levar a própria filha para a prostituição (Lv 19.29). 22. Proibia transações desonestas (Lv 19.35,36). 23. Estabelecia pena de morte para o infanticídio (Lv 20.2). 24. Ordenava o respeito, a honra e a preferência aos idosos (Lv 19.32). 25. Proibia a improbidade administrativa (D t 17.16-20). 26. Exigia pelo menos três testemunhas para qualquer julga­ mento ou negócio a ser celebrado (D t 19.15-21).

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na época de Cristo. mas lemos também no Anti­ go Testamento que Deus odiava o divórcio (Ml 2. uma vez que os adúlteros eram punidos com a morte (Lv 20.3).A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 27. a permissão mosaica nesse caso já era uma condes­ cendência “por causa da dureza do coração” do povo (Mt 19.25-27). iria para o filho da aborrecida (Êx 21.8).10). discussão que foi levada até Jesus (M t 19. 29. como faziam muitos povos na­ quela época. Além da possibilidade de novo casamento em caso de adultério. Ele deveria ser enterrado no mesmo dia (Dt 21.8). 28.1-4).16).15-17). O direito de herança para o filho rejeitado ou preterido era pre­ servado: se o filho mais velho fosse o filho da aborrecida. A lei mosaica tolerava o divórcio. A Lei exortava contra a omissão (D t 22. o divórcio só é permiti­ do em caso de adultério (Mt 19. a herança da primogenitura. Se um homem seduzisse uma moça levando-a para cama.2 3 ). 31. Nenhum condenado à morte deveria ter o seu corpo vá­ rios dias sem ser enterrado. ensinando equivocadamente que o homem poderia divorciar-se “por qualquer motivo”. Previa a pena de morte para estupro (D t 2 2. a Lei concedia o divórcio em caso de incontinência pré-nupcial ou conduta indecente. seria obrigado a pagar um dote aos pais dela e a se casar com a moça (Êx 22.2 2 . que na época da graça não mais é punido com a morte (Jo 8. e não da amada. No Novo Testamento.1). Jesus fala da possibilidade de divórcio em caso de adultério justamente . imoral e vergonhosa da mulher — que seria o significado da expressão “coisa feia” (Dt 24.1-11) — inclusive. 32. que era a principal. E como se não bastasse isso. ainda havia uma corrente judaica que flexibilizava o sentido da expressão “coisa feia”.14-16). 30. Como disse Jesus.

4.14). Ninguém podia invadir ou mudar os marcos da propriedade do próximo (D t 27.13). O israelita recém-casado que exercia serviço público tinha di­ reito a um ano de lua de mel sem trabalhar (Dt 24. Arquitetônicas.18).D t27. 3. os israeli­ tas não faziam suas necessidades fisiológicas no arraial. Cada um deveria sair do arraial com uma pá para cavar um buraco onde depositaria seus dejetos. 34. Principalmente quando em acampamentos de guerra. o buraco deveria ser imediatamente fechado (Dt 23. deveriam ter parapeitos para evitar quedas (D t 2 2 . A proibição de o empregador oprimir o empregado (D t 24. Feita a necessidade. 2. 6. O salário não poderia ser atrasado (D t 24. rança iria para as mulheres (Nm 36. que eram muito usados pelos mo­ radores naquela época.1-9). na lei mosaica.l4. Ecológicas. 3 5.15). Enquanto no resto do mundo antigo dos dias deMoisés a herança era garantida exclusivamente aos homens.15). Sanitárias e de Guerra 1.8 ).19). As construções deveriam observar critérios de segurança. Os telhados das casas.5). 33. 5. O direito ao salário devido (D t 24. Ninguém podia tratar mal o deficiente físico (Lv 19. e também em caso de abandono do cônjuge (1 Co 7. 112 .15).U m a J o r n a d a de fé por não aceitar mais pena de morte nesses casos — . no caso de não haver descendente homem. a he­ As Leis Trabalhistas.12.

mas também “o equilíbrio da natureza”. passaria a ser tributário de Israel (D t 20. não se poderia misturar vários tipos de se­ mentes em uma mesma área. estava em foco aqui “a bondade” para com os animais. Israel não poderia derrubar árvores frutíferas (D t 20. os que tivessem plantado. uma vez que “os pássaros na Palestina são importantes para o controle de pestes”. eram liberados para não ir à peleja os soldados que tivessem edifica­ do uma casa. mas não tivessem ainda usufruído dela. C om entário Bíblico do Antigo Testam ento — Gênesis a Deuteronômio. mas ainda não colhido a nova safra. e nos concedido domínio sobre elas. O serviço militar em Israel não era obrigatório.20).11). v. e os que se confessassem covardes (Dt 20. 2005. Quando um israelita encontrava um ninho. Rio de Janeiro: CPAD. Sobre a bondade para com os animais. Israel sitiaria a cidade (D t 20. Se Israel tives­ se que sair à guerra. Nas plantações. não poderia tomar a mãe com toda a ninhada para si. comenta Matthew Henry: “Essa lei nos proíbe de sermos cruéis com os animais ou de ter prazer em ex­ terminá-los.19. 8. 11. A lua de mel do soldado durava um ano (D t 24. ainda assim não devemos maltratá-las”. Rio de Janeiro: CPAD. Embora Deus nos tenha feito mais sábios do que as aves do céu. George Herbert. 6 HENRY. p.6. os que estivessem noivos ou em lua de mel.12).As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 7. e LIV IN G STO N . p. preferindo a paz.5). Se Israel tivesse que sair à guerra contra um inimigo.6 9. deveria antes negociar a paz com ele (D t 20.10). mas apenas os filhotes (Dt 22.7). Como frisa o C om entário B íblico B ea co n . C om entário Bíblico Beacon. dentre os alistados para a batalha. 2010.9). Somente em caso de não aceitar a paz. Matthew. 10. 461. 1. 113 . 627.5-8). Se o inimigo de­ sistisse da peleja. mas apenas sementes de um mesmo tipo de planta em cada área (D t 22.

16. tudo aquilo que lemos e ouvimos acerca. surras. não poupassem ninguém (Nm 33. no geral.9-14). fé 12. principalmente entre 114 . em seu formato original. ameaçando destruí-lo (Lv 20. não estou querendo dizer que. Por essas razões. exploração. tudo aquilo que nos vem à mente hoje quando ouvimos alguém pronunciar a palavra “escravidão”. faziam maldades contra outros povos e não aceitavam a presença do povo judeu na região. Claro que nunca foi.50-53. D t 20. na An­ tiguidade. as coisas não eram bem assim no início.15-18). a ideia de escravidão não tinha toda a carga negativa que tem hoje. crianças e animais (D t 20. exaltavam a prostituição e se entregavam a ela em seus cultos. Israel não poderia matar em uma guerra mulheres.1-23. ser forçado a ser e a fazer o que não se quer. humilhação. A expressão “escravidão” tem um peso negativo tão grande que mes­ mo o seu sinônimo “servidão” não tem metade da carga emocional nega­ tiva que ela carrega. 18. a escravidão era algo “maravilhoso”. Ao ouvirmos a expressão “escravidão”. Entretanto. Deus disse ao povo de Israel que. as relações entre senhores e servos não eram abusivas. Só que. Os cananeus eram feiticeiros. que Deus ordenou que deveriam ser todos exterminados pela sua impiedade (D t 2 0. privação de direitos. depois de séculos de tantos abusos ocorridos durante a sua prática. D t 12.17). da escravidão negreira durante a Era Moderna. seres humanos tratados como animais ou abaixo de bichos — enfim. A única exceção era para os cananeus. no pas­ sado.U m a J o r n a d a df.31. abusos e injustiças no trato de servos na Antiguidade. chibatadas. apenas no caso dos cananeus. Leis Concernentes à Escravidão É muito difícil para nós hoje imaginarmos como era possível que no passado as pessoas achassem normal a escravidão. mas. Só que ela também não era. o que vem à nossa mente imediatamente são as ideias de prisão.1 4 ). E ao constatar isso. sacrificavam crianças e praticavam bestialismo. sobretudo. Claro que também havia casos de excessos. praticavam a sodomia e todos os tipos de imoralidades sexuais.

como lembra Rush­ doony. R. a ideia original era de “propriedade do ho­ mem sobre o trabalho de outro homem”. 1 Pe 2. O empregador tem propriedade sobre o trabalho dos seus empregados. há um ponto em que — ou um aspecto no qual — isso deve ser considerado como propriedade sobre nossas pessoas.22-4. Em nossos dias. J. 1 Tm 6. 115 . O Estado tem propriedade pelo trabalho dos cidadãos. E não podemos ser ingênuos de pensar que podemos abstrair o nosso trabalho das nossas pessoas. defini­ mos escravidão como “a propriedade do homem sobre outro homem”.5-9. Califórnia: Ross House Books. As vezes.2. propriedade sobre o nosso trabalho por parte de outros é [ainda hoje] um fato da nossa estrutura social. Se ou­ tro tem propriedade sobre o nosso trabalho. Como explica John Murray. O filósofo R. é uma necessidade inerente à instituição. Rushdoony lembra que o conceito de escravidão no passado era bem diferente do que temos hoje. um grande número de cidadãos são compelidos. Portanto. durante muito tempo. 22. Uma vez que o contrato é celebrado.1. a prestar serviço e tempo integral ao Estado sob condições muito mais rigorosas. quando sob um contrato de trabalho firmado entre as partes e com uma legislação trabalhista que garanta determinados direitos. p. Não é necessário multiplicar os exemplos. Nesse caso. citado por Rushdoony: A propriedade de alguns homens sobre o trabalho de outros e a pro­ priedade de instituições sobre o trabalho daqueles que estão associa­ dos a elas é algo do qual [ainda hoje] não podemos nos livrar. só que. não é por contrato. J. Cl 3.18-25 e Fm 8-21).1. o que. e envolvendo muito mais riscos à vida e à pro­ priedade que as condições em que os escravos podiam ser chamados a servir aos seus senhores. é uma prática que consideramos ainda hoje “apropriada e legíti­ ma”. o trabalhador está obrigado a realizar o trabalho como con­ tratado. Politics o f G uilt an d Pity. a presença de contrato não elimina esse fato. 1970. só que “sob certas condições”7 — isto é. no mundo antigo.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 0 povo hebreu e os primeiros cristãos (Ef 6. E sabemos muito bem que isso não significa violação do 7RU SHDOON Y.

Havia até casos de pobres que nem tentavam se esforçar para conseguir a sua independên­ cia. se darem como escravas.14-16). sobre a pessoa envolvida nessa relação de serviço seja uma violação do que é intrínseco à personalidade. e somos capazes de ver o limite que o Novo Testamento dá. 116 . 97-99. Em primeiro lugar. Aliás. Segundo ele. estaria na natureza delas. pudessem sobreviver. razão por que. 1957. 2. que não tinham como se susten­ tar de jeito algum. afirmar que algumas pessoas já nasciam para serem escravas. Infelizmente. 'A mas km kmos os também também no noAntigo AntigoTes Tes­ mas tamento que Deus odiava o divórcio (Ml2. John.." . O número de pobres sempre foi muito grande na Antiguidade. nesse ponto. Havia pobres que preferiam a mendicância à servidão.14-16). Náo há necessidade de pensar que a propriedade de outro sobre o nosso trabalho ou. no Livro I de sua obra Política. a escravidão na Antigui­ dade teve início em virtude de três fatores. era co­ mum pessoas que eram muito pobres... preferindo partir logo para uma vida à custa e ao serviço de pessoas mais abastadas. direito ou privilégio.U m a J o r n a d a de fé nosso ser. mas havia outros que se ofereciam à servidão. j ^ melhor V é preciso vermos o que levou as pessoas no passado a... . Principies o f C onduct. ditada pelos princípios dos quais as Escrituras são o guia” 8 f* I I “ A lei lei mosaica mosaica tolerava tolerava oo divórcio. essa era a razão de o filósofo grego Aristóteles.. Aspects o f Biblical Ethics. inclusive. É uma necessidade da nos­ sa natureza e da organização social da raça humana. p. e as pessoas da Antiguidade acha­ vam esta última atitude uma medida legítima. Grand Rapids. Ela foi o primeiro — e também o principal — fator gerador da escravidão. se oferecerem como escravas de outras pessoas bem aquinhoadas para que.8). a pobreza. personalidade. assim. aa (Ml permissão permissãomosaica mosaicanesse nessecaso casoera erauma uma condescendência condescendência 'por 'porcausa causa da da dureza dureza do do coração' do povo (Ml 19. Pois bem. 8 MURRAY. divórcio. Como Como disse disseJesus. Michigan: Eerdmans. f S J Para mos entenderisso. Jesus. isso acontecia. infelizmente.

Muitos morriam na viagem. o grande número de guerras acabou inflando ainda mais essa situação. que ganharia. Sem dúvida. E por fim. uma das páginas mais terríveis da história. centro e sul) nada mais eram do que prisioneiros de guerra de tribos de negros da África que eram vendidos pelos seus conquistadores aos brancos.1. por causa das dívidas dos pais. mas ficava de­ vendo tanto a outra pessoa que. As crueldades dessa época se tornaram famosas. desse último caso. Foi esse tipo de escravidão que Aristóteles condenou. como seres humanos que eram. Ademais. em terceiro lugar. milhares de anos depois. 117 . Aliás. Todos consideravam mais do que justo. por exemplo. os filhos. já na Era Moderna. com grande volume de escravos levados em longas viagens em navios da pior qualidade e com um tratamento dentro deles da pior espécie possível.7. inclusive manifestavam-lhes forte preconceito racial. Lembremo-nos. Povos conquistados tinham geralmente parte de sua população poupada para servir como escrava à gente da nação vencedora. após o falecimento destes. porque considerava uma escravidão não por nature­ za. se oferecia para servi-la até conseguir pagar a dívida. que nasceu o famoso comércio de escravos. vemos que os ne­ gros que eram vendidos aos europeus e americanos (do norte. Foi daí. Inclusive. Ninguém considerava im­ próprio o credor ter propriedade sobre o trabalho do devedor até que a dívida daquele fosse paga. do caso registrado em 1 Reis 4. Devido à grande demanda de mão de obra nas nações da Europa e da América. com o passar dos anos.A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s Em segundo lugar. às vezes a pessoa não era pobre. havia aqueles escravos que eram frutos de guerra. de maneira que esse comércio ganhou proporções internacionais enormes naqueles dias. não tendo como pagá-la. as tribos e os reinos africanos viram na venda de seus escravos de guerra uma gran­ de oportunidade de enriquecer. mas pela força. trabalhavam também como servos do credor até que o restante da dívida paterna fosse paga. se o grande número de pobres já favorecia a prática da servidão. Ou seja. muitos dos futuros senhores dos sobreviventes dessas viagens não tratavam esses escravos de guerra estrangeiros com a dignida­ de devida. dimensões internacionais. que estavam em franco crescimento econômico naquele período.

não só maçons. a maioria dos pregadores pregava contra o pecado da escravidão na América e pelo fim da escravatura. no Segundo Grande Despertamento Evangélico (1820-1860). que abusavam de seus servos. esse costume foi abo­ lido. após abandonar o deísmo que havia abra­ çado no início da sua fase adulta e se voltado para Cristo pouco antes de assumir a presidência do seu país. No nosso país.U m a J o r n a d a de fé Pela graça de Deus. os quakers e muitos anglicanos. cujos servos eram tratados com muita dignidade. W olf conta detalhes dessa história em seu livro The Religion o f Abraham Lincoln. que no início era a favor da escravidão. inclusive o Brasil. John Newton. oprimiam-nos e cometiam várias injustiças contra eles. mas evangélicos também participaram do movimento abolicionista. que antecedeu a Guerra de Se­ cessão (1861-1865). conhecido como “Os Santos”. E só lembrar que en­ quanto grandes nomes do Iluminismo sequer moveram uma palha para acabar com a escravidão. era um fator cultural. forçou todos os demais países do Ocidente que praticavam a escravidão a fazer o mes­ mo nas décadas seguintes. tendo como principais nomes desse movimento John Wesley. os metodistas. Essa história é narrada nas páginas 243 a 250 do meu livro A Sedução das Novas Teologias (CPAD). O historiador William J. com o passar dos séculos. tornando-se o carro-chefe do movimento abolicionista norte-americano. fazendo parte da família e se tornando grandes amigos de seus senhores. mas não tinha a mesma dimensão da já mencionada escravidão negreira que marcou a Era Moderna. na Antiguidade. teve sua mente mudada sobre o assunto e se tornou um abolicionista. Mas voltemos ao mundo antigo. que era a principal potência mundial na época. Abraham Lincoln. Por exemplo: a Bíblia diz que Abraão e Jó eram senhores que cuidavam bem e com dignidade de seus 118 . No contexto do mundo antigo. e o cristianismo foi o responsável por isso. William Wilberforce e o célebre “Grupo de Clapham”. promoveram um movi­ mento no século X V III que culminou no fim do tráfico de escravos e na abolição da escravatura na Inglaterra no início do século X IX . E nos Estados Unidos. Lembrando que essa mudança na Inglaterra. havia tanto senhores bons. A escravidão. como havia senhores extremamente maus. seguidos por congregacionais e presbiterianos.

A s R e v o l u c i o n á r i a s L eis E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s muitos servos. depois veremos para os servos estrangeiros. no caso de alguns. Para isso. quando não tinha condições de pagar dívi­ das ou ainda. Abraão colocava a administração sobre tudo o que pos­ suía nas mãos de um de seus servos. O ideal. vejamos. / ■ seria que não existisse "É muito difícil para nós hoje imaginarmos como era possí­ vel que no passado as pessoas achassem normal a escravidão.3)." .12). Eis as normas para os servos israelitas: 1. A pessoa só se tornava serva de outra quando era tão pobre que não tinha condições de manter-se como cidadã indepen­ dente (Lv 25. Se não. e seguia a mesma fé de seu senhor (Gn 24.7-9. que muitas vezes eram tentados a se aproveitar do direito que tinham sobre o tra­ balho de seus servos. servidão. a ideia de escravidão não tinha toda a carga negativa que tem hoje. Primeiro.14-16). Porém. quando não tinha condições de pagar indenizações por roubo (Êx 22. veremos as normas válidas para os servos israelitas. 14. na verdade. já que essa situação era uma realidade por causa dos problemas sociais pre­ valecentes em todo o mundo antigo. Deus instituiu algumas regras salutares para dar o mínimo de dignidade e oportunidades de independência para o servo. O igualmente muito rico Jó afirma que. honra e amizade.39). na Antiguidade.13. depois de séculos de tantos abusos oconidos durante a sua prática. nunca desprezara o direito de um servo ou serva quando lhe cobravam alguma coisa (Jó 3 1. A Bíblia também diz que as centenas de servos de Abraão lutavam em guerras com o seu senhor e disputavam em favor dos negócios dele (Gn 13. em toda a sua vida. Lembrando que era proibido emprestar com usura aos necessitados e eram 119 .2. que era tratado com respeito.14). Só \ que. Deus regulou essa prática para que não houvesse abusos por parte dos senhores.

4. os empregados recebiam seu pagamento por dia trabalhado.13.2). diaristas. após aqueles seis anos. sem precisar pagar nada (Ex 21.14. 120 .3. Quando a pessoa recebia sua liberdade após os seis anos. 3. comida e local para dormir. Ao final dos seis anos de trabalho. por isso eram chamados de “jornaleiros”. ele deveria ser tratado como um funcionário. 5. seria liber­ to mesmo assim.U m a J o r n a d a de fé incentivadas algumas medidas para a sobrevivência e o man­ timento do pobre.3 9 . e mesmo se ele fosse escravo não por ter se vendido em sua pobreza. O servo hebreu não poderia receber dos seus senhores ape­ nas roupas. ele teria que escolher se queria a liberdade ou se ficaria com ela e os eventuais filhos frutos dessa união (Ex 21.18). para que não fossem tentados a apelar à servidão (D t 24. o seu senhor era obrigado a lhe dar uma compensação que o auxiliasse a começar sua liberdade com alguma posse e sus­ tento (D t 15. Nesse caso. isto é. mas por causa de uma dívida específica que.4).4 0 ). Lv 25. como acontecia com a maioria dos escravos das outras nações.54). 2. Mesmo sen­ do escravo. Os seis anos eram suficientes. ainda não havia sido paga.19-22). a não ser que ela fosse uma serva do seu senhor com quem ele tinha se casado durante o período de seis anos de servidão.13-15. Naquela época. devendo receber um salário como qualquer empregado (Lv 25. A pessoa não era forçada a viver como serva de outra pelo resto da vida por causa de uma dívida ou do que quer que fosse. O tempo de serviço de um escravo só poderia durar até seis anos. sua mulher e seus filhos também sairiam da servidão juntamente com ele (Ex 21.

confirmando a situação. A mulher solteira em situação de escravidão poderia sair livre como qualquer escravo ao final de seis anos (D t 15. 194. Esse era o sinal de que ele ser-lhe-ia escravo para sempre. seu se­ nhor deveria ir aos juizes. o servo seria “vingado” (Ex 21. Quando um senhor. desagradasse dela e resolvesse não a desposar. conforme a chamada “Lei da Vingança” (“vida por vida”. então seria casti­ gado —. havia liberdade de escolha. e se seu senhor quisesse se casar com ela. No caso 9 LIVINGSTON. 2005. v. 1. ele não poderia diminuir o mantimento. levasse-o à morte. Ex 21. 121 .A s R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s 6. o que seria uma referência à aplicação da pena de morte ao senhor. “essas nor­ mas impediam que o senhor se aproveitasse da família po­ bre.7-11).5 . E se ela se casasse com o filho do seu senhor. Ela nunca poderia ser oferecida a um estrangeiro. 7. ela poderia se descasar dele sem devolver ou pagar nada (Ex 21. Se o senhor. a qual já nos referimos.17).12. E mesmo se seu mari­ do depois se casasse com outra. George Herbert. E se ele não cumprisse isso.23).9 8. A prova pública e definitiva dessa decisão livre do servo era dada quando o seu senhor furava a orelha dele. Comentário Bíblico Beacon. nem a obrigação marital que tinha para com ela. ra­ tificariam o desejo desse servo (Ex 2 1 .20). que. teria que ter os mesmos direitos de uma filha do seu senhor. Como acrescenta o Comentário Bíblico Beacon. ao castigar seu servo por algum mal que este lhe cometera. Se o servo amasse tanto a família que ele constituíra na casa de seu senhor ou gostasse tanto do seu senhor que quisesse continuar sendo servo dele por toda a vida. Rio de Janeiro: CPAD. Ou seja. ela seria comprada de volta. após pagar o dote.no original hebraico.6 ). teria que pagar ao pai dela pelo casamento e este era livre para aceitar ou não a proposta. nem a veste. maltratando a moça”. p.

Em relação aos servos estrangeiros.26. Inclusive. encontramos na lei mosaica que: 10 LIVINGSTON.21). não poderia ser devolvido a seu senhor. 122 . 195. p. seja afetando-lhe o que era considerado o bem mais precioso de um homem — o seu olho — .27). a so­ brevivência por alguns dias comprovava que o senhor não desejara matar o escravo. Se um senhor ferisse o seu servo.16). porque este já sofreria com a perda econômica de não ter mais o trabalho do servo e com a extinção da dívida financeira deste para com seu senhor ao morrer (Êx 21.1 0 9. O senhor não poderia tratar mal a seu servo (Lv 25. 12. Como explica o C om en tário B íb lic o B ea c o n .7).15.U ma J o r n a d a de fé de o servo sobreviver dias. não seria aplicada pena nenhuma ao senhor. Comentário Bíblico Beacon. pagar pela sua libertação — tinha a obrigação de fazê-lo (Lv 2 5 . seu servo receberia automaticamente a liberdade sem dever mais nada a seu senhor (Êx 21. mas apenas se excedera no castigo para corrigi-lo. George Herbert. 11. se este quisesse fugir por se sentir oprimido por seu senhor. 2005. A casa onde ele fosse procurar esconderijo era obrigada a recebê-lo e o servo ficaria livre (D t 2 3. 1.43). Rio de Janeiro: CPAD. Nenhuma pessoa que já não fosse escrava poderia ser vendi­ da como escrava. seja arrancando o que era considerado o bem mais simples de um ser humano — um dente — . v.4 7 -5 5 ). Um parente do escravo que tivesse condições financeiras de resgatá-lo — isto é. A sanção para quem quebrasse essa norma era a pena de morte (D t 24. 10.

44) para que os israelitas evi­ tassem o máximo possível ter servos entre seus irmãos. J. Deus autorizou que fossem comprados (Lv 25. Um servo estrangeiro não poderia ser oprimido.grifo meu).. porquanto ago­ ra era a sua esposa (D t 2 1. “Slave. que era a opção da maioria. Excetuando essa não obrigatoriedade de libertação dos escravos estrangei­ ros após seis anos de trabalho. e LINDSAY. Também não deveria vestir mais roupas de escrava e não poderia nunca ser vendida. ou de tê-los como servos por toda a vida (Lv 2 5 .12). Michigan: Zondervan. 3. Patrick (editor).2 2 . 25.1 1 "R U SH D O O N Y . R.14). In: FAIRBAIN. D t 2 4 . Se um israelita quisesse se casar com uma das prisioneiras de guerra.1 0 . apregoareis liberdade na terra a to­ dos os seus moradores " . 190-193. Califórnia: Ross House Books.45). Lv 2 5 . a estrangeira deveria romper com o pa­ ganismo.As R e v o l u c i o n á r i a s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s I s r a e l i t a s 1. e não de escravidão”. p. 1970. Seus senhores tinham a opção de ou libertá-los após seis anos de serviço (“.13). o que al­ guns faziam. estrangeiros pobres que se ofereciam como servos ou então servos estrangeiros comprados de outros povos (Lv 25. que é o que significa “rapar a cabeça” e “cortar as unhas” (D t 21. todos os demais direitos que um servo israelita tinha um servo estrangeiro também tinha (Lv 2 4 . 1957. J. Slavery”. Politics o f G uilt an d Pity.1 7 .21). E uma vez que depois disso ela passaria a ser a sua mulher. primeiro deveria dar-lhe um mês para chorar o seu luto (D t 21.44. Fairbain’s Im perial Standard Bible Encyclopedia v. p. Eles eram presos de guerra (D t 21. William.4 4 -4 6 ). 2.10). R. Grand Rapids.. 123 . Rushdoony e William Lindsay afirmam que seria mais conveniente chamar a escravidão sob a lei mosaica “de serviço obrigatório. Por todos esses fatores. 6.13.1 9 ). 2 7 . como foram os hebreus quando escravos no Egito (Êx 22.

ao referir-se à condes­ cendência em relação ao -------.26). que a revelação da vontade e do plano de Deus ao homem após a Queda não pôde ser feita de uma vez só. em pleno século XXI.----------- -------------------. mesmo assim. pèlas próprias Escrituras. Aliás. e que lhes serviriam de pedagogo provisório.8). \ Hoje. obedecendo a um roteiro 124 . como já afirmamos no capítulo 9. o que receberam já era extraordinário e revolucionário para os padrões da época. inclusive. A diferença é que. Todos sabemos. Em primeiro lugar. explica que ela se deveu à “dureza do coração” do povo (Mt 19. Ela precisou acontecer de forma progressiva. e o próprio Jesus. mas não há como ignorar a importância do princípio moral embutido naquela proibição ou condenação. e que é válido ainda hoje. Lembremo-nos de que a Bíblia classifica os israelitas daquele período de povo “obstinado” e “inclinado ao mal” (Êx 32.U m a J o r n a d a de eé Sobre os Aparentes Exageros da Lei Mosaica na Aplicação de algumas Penas Sobre os aparentes exageros que a lei mosaica aparentava na aplica­ ção de algumas penas." ------------------ ainda não estava preparado para absorver a plenitude de algumas verda­ des.22). não concorde com o tipo cie pena aplicada nos dias de Moisés / para determinado delito. três coisas devem ser ditas.9. Israel 'Talvez você. concedeu leis dentro do que o povo de Israel poderia receber naquela época. as quais precisou aprender a duras penas com o passar dos séculos. como figuras e sombras dessas verda­ des eternas que seriam totalmente descortinadas após a primeira vinda de Cristo (Cl 1. O povo não poderia receber algo melhor do que aquilo e. Ele continua sendo o mes­ mo pecador que sempre foi.- divórcio na lei mosaica. naquela época. essa era a razão. devemos nos lembrar de que Deus. o ser humano não é muito melhor do que naqueles dias. em sua sabedo­ ria. de muitas verdades espirituais que são evidenciadas no Novo Testamento serem apresentadas apenas de forma alegorizada no Antigo Testamento.

interpretar equivocadamente ou até mesmo distorcer de forma deliberada verdades do evangelho por causa da sua visão cultural. desrespeitando os princípios básicos de interpretação da Bíblia. Antes. E ainda hoje isso acontece: muita gente em nossos dias. os homens. estaria muito atrasado. como prova de que é possível. mas humanamente lida. muitos cristãos ainda tiveram. ainda é preciso fazer uma observação: mesmo as penas que hoje soam mais estranhas trazem princípios morais subjacentes que são válidos até hoje.As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s e a um período de preparo estabelecidos pelo próprio Deus. Isso fica ainda mais claro. conseguiu vislumbrar verdades que vão além das sombras da tipologia veterotestamentária (SI 5 1 . com Habacuque (Hc 2. durante esses 20 séculos. no que concerne às leis civis mosaicas. transcender o espírito do nosso tempo e entender as verdades de Deus. Não poucas vezes.1 6 . a dificuldade de se adequar às verdades do evangelho expostas na Palavra de Deus. em pleno século X X I. depois. tenta reinterpretar e reinventar o evangelho à luz dos princípios da pós-modernidade. por exemplo. Jesus não po­ deria ter vindo nem antes nem depois da época em que Ele veio. seria prematuro demais. e o mesmo se deu. por questões pessoais e culturais. pelo menos no que é essencial para as nossas vidas. quando Paulo afirma que Jesus só pôde encarnar quando chegou “a plenitude dos tempos” (G14. às vezes.4). sempre houve muitos cristãos que conseguiram transcender essas influências e absorver as verdades do evangelho como se apresentam — e se nem sempre em sua inteireza. tanto no passado como hoje. Po­ rém. Talvez você. nos séculos passados. questões culturais chegaram a levar muitos cristãos a igno­ rar. Ou seja. por exemplo. razão por que.1-4). mesmo estando no Antigo Testamento. Mesmo depois de a revelação divina acerca de tudo quanto pre­ cisamos para a nossa salvação e a nossa vida aqui na Terra ter sido encerrada há cerca de dois mil anos. não concorde com o tipo de pena 125 . A Bíblia é divi­ namente inspirada.1 7 ). Aquele era o mo­ mento exato. Em segundo lugar. Por outro lado. aquela era a hora certa no tempo perfeito de Deus. complicam a honesta interpretação dela. Davi. pela graça divi­ na.

” ---------------- Dessa forma. mas não há como ignorar a importância do princípio moral embutido naquela proibição ou condenação. náo é à toa que todos os crimes relaciona­ dos às abomináveis práticas cananeias recebem a pena máxima. em terceiro lugar. bestialismo. Ele conclui dizen­ do: “Guardai. E náo andeis nos estatutos da gente que eu lanço 126 . reiteradamente. adultério. multas ou qualquer outro tipo de pena. incesto. feitiçaria. as que diziam respeito a abominações praticadas pelos cananeus. sodomia e rebeldia contumaz deveriam ser punidos não com açoites. ) Deus está sendo enfático: 'Eu odeio veementemente essas coisas e. 22.1 -2 1 . devemos nos lembrar que as penas que se mostram mais rígidas na lei mosaica — aquelas que.1820.1 5 . para a qual eu vos levo para habitar nela. todos os meus estatutos e todos os meus juízos e cumpri-os. contra a imitação dos pecados dos ca­ naneus e contra o relacionarem-se com os cananeus.1 7 .1 0 -1 6 . 22. e que é válido ainda hoje. mesmo não sendo crimes contra a santidade da vida. tinham como sanção a morte — eram. 2 4 . pois. E finalmente. Logo. D t 2 1 . não por acaso. de sobrevivência em Canaã. para deixar isso bem claro a vocês. mas com a morte (Êx 2 1 . Lv 2 0 . e ainda os exorta a não pouparem os ímpios ^00 cananeus em sua batalha "Não é à toa que todos os crimes relacionados às abo­ mináveis práticas cananeias recebem a pena máxima. Deus ainda enfatiza: “ Abominação é” ou “Imundície é”.1 8 -2 1 . Ao final de muitas dessas penas. Na lei mosaica. E ao listar praticamente todas elas em Levítico 20. Deus. para que vos não vomite a terra.5). para deixar isso bem claro a vocês. alerta o povo de Israel con­ tra as práticas dos cananeus.U m a Jo r n a d a df ff aplicada nos dias de Moisés para determinado delito. determino pena má­ xima para quem praticá-las em Israel”. Deus está sendo enfático: “Eu odeio vee­ mentemente essas coisas e. determino pena máxima para quem praticá -las em Israel'.

As R e v o l u c io n á r ia s L e is E n t r e g u e s p o r M o is é s a o s Is r a e l i t a s fora de diante da vossa face. Se muitas dessas coisas hoje são consideradas normais e até incen­ tivadas em nossa sociedade. não se engane: tudo isso ainda é tremendamente abominável ao Santo Deus. fui enfadado deles” (Lv 2 0 .2 3 ). Deus não muda (Ml 3. isso só mostra em que nível de degrada­ ção a sociedade em nossos dias chegou. O mundo de hoje já não deve nada em impiedade a Sodoma..10. Gomorra e os cananeus.19-21.8 . G1 5. Deus não mais exige a pena de morte para tais abominações.] E não andeis nos estatutos dessa gente”. não devemos estranhar o grande juízo que virá sobre esse mundo (Ap 6. A ordem de Deus ainda é a mesma para nós hoje: “Guardai. todos os meus estatutos e todos os meus juízos e cumpri-os.6).2 2 . no Novo Testamento. 22.15).. portanto. Ap 21.9 . Portanto. pois.9-11. porque fizeram todas estas coisas.21). [.8. 1 Tm 1. A diferença é que. a Bíblia diz que a visão de Deus em relação a essas coisas não mudou: tudo isso ainda é abominação ao Senhor (1 Co 6.6 — 16. Ainda hoje. mas.1 4 . Amém! 127 .

ao lado de Arão. Mais detalhes sobre esse ministério são dados também no livro de Levítico. veremos alguns detalhes e características desse importante ministério e que lições ele nos traz para os dias de hoje. que incluía o ensino do povo no Livro da Lei. A seguir. O Sacerdócio Levítico: O Sumo Sacerdote.11 A E s c o lh a de A rão e seus F ilh o s p a r a o S a c e r d ó c io Silas Daniel N o capítulo 9. Todos os que .6). vemos Deus escolhendo e separando para si os homens da tribo de Levi para o serviço no Tabernáculo e para o sacerdócio. vemos Deus ordenando a Moisés que separasse a Arão e seus filhos para o serviço sacerdotal. como sacerdote do Senhor perante Israel (SI 99. é contado. inclusive. Ali. Ele também le­ vantou homens que se dedicariam diária e exclusivamente à obra do Tabernáculo e teriam a responsabilidade de ensinar ao povo o caminho da verdadeira adoração. que. O capítulo 28 do livro de Êxodo trata exatamente desse chamado divi­ no para a formação de um corpo sacerdotal. quem tinha essa função exclusiva era Moisés. os Sacerdotes e os Levitas No início do capítulo 28 de Êxodo. Mas o Senhor foi mais além. Até antes de Deus fazer isso. quando das suas instruções para a construção do Tabernáculo. vimos como Deus estabeleceu as normas relati­ vas à adoração.

surgiria entre os levitas ainda a figura dos escribas. a qual pertenciam Moisés e sua família. havia três classes de obreiros: o sumo sacerdote. ele era responsável por fazer a ex­ piação anual em favor de todo o povo e também pelos sacrifícios nos dias de descanso estabelecidos por Deus. lograram conhecê-las de tal modo que passaram a interpretá-las. O sumo sacerdote era também o presidente do Sinédrio. Já os levitas serviam de auxiliares dos sacerdotes e eram responsáveis por trabalhos menores dentro do Tabernáculo. No ministério do Tabernáculo. por sua vez. Os sacerdotes. seu irmáo. ofereciam incenso ao Senhor.29-32). nos dias de hoje.11) e julgavam as causas civis entre a população (Nm 5. faziam os sacrifícios diários. cuidavam da mesa dos pães da proposição. o principal tribunal de Israel. havia três classes de obreiros: o sumo sacerdote.6-10).1-19). Na época de Davi. guardas dos tesouros e zeladores do Templo (1 Cr 26. aben­ çoavam o povo. com os que exercem o ministério diaconal na igreja. Como já vimos no capítulo 9. mas os sacerdotes responsáveis pela liturgia diária deveriam pertencer exclusivamente à descendência de Arão. mas que. como os de cantores e músicos (1 Cr 25). para ordenar melhor o serviço de cada um no Santuário (1 Cr 24). Com o passar dos séculos. os sacerdotes e os levi­ tas (Nm 3. Era ainda o supervisor geral de todo o Tabernáculo e do trabalho exercido pelos sacerdotes.10.18). e os levitas passaram a exercer trabalhos ainda mais especializados. notadamente 129 . “com o transcorrer do tempo.A E s c o lh a de A rão e seu s F i l h o s p a r a o S a c e r d ó c io trabalhariam no Tabernáculo deveriam pertencer à tribo de Levi (Dt 18.1-3).20-28). seriam comparados. De certa forma. os sacerdotes e os levitas." O sumo sacerdote era a mais alta função da religião judaica.5-31). os sacerdotes foram divididos em 24 turmas. que seria o primeiro sumo sacerdote da história de Israel (Êx 28. oficiais e juizes (1 Cr 26. porteiros (1 Cr 26. ensinavam a Lei de Deus (Lv 10. "No ministério do Taber­ náculo. cuja principal função era copiar as Escrituras”. que inicialmente eram “escreventes.

1 Na época de Jesus. 1995. Era responsabilidade do sacerdote também ensinar a Lei de Deus para a população (Êx 28 . instituiu a liturgia do culto na sinagoga e fundou a Grande Sinagoga em Jerusalém. mas também no sentido mais comum. que era sacerdote e autor do livro bíblico que leva o seu nome. Segun­ do a tradição judaica.1-23.4 5 . 130 . Rio de Janeiro: CPAD. É importante lembrar que o ministério sacerdotal não começou com Arão.3 O ministério sacerdotal era.18. 3B íblia de E studo Pentecostal. eventualmente. justamente por causa desse co­ nhecimento profundo da Lei.17). como “sacerdote do Senhor” (Gn 14. Para que Apontava o Ministério Sacerdotal Levítico? O sacerdócio de Arão apontava para Cristo.5). a qual fixou o cânon das Escrituras do Antigo Testamento”. e não apenas no que diz respeito ao oferecimento de sacrifícios para expiação das culpas do povo. foi ele quem “coligiu todos os livros do Antigo Testamento e os reuniu numa só obra. p. Esdras. 1 Tm 2. eles eram chamados de “mestres da Lei” (Lc 5. ele também tomava conhecimento da vontade divina em situações muito difíceis por meio da consulta ao Urim e Tumim. 1995. Em síntese. não há mais linhagens de sumo sacerdotes. sobre o qual falaremos mais adiante. uma vez que a Bíblia menciona o rei de Salém. E.1-3). que através do seu sacrifício acabou com a necessidade de novas ofertas e sacrifícios 1 B íblia de E studo Pentecostal. de orar em favor do povo. 1 Cr 24. o único mediador entre Deus e os homens e que intercede diante do Pai por nós (Jo 14. Lv 2 1. porque o nosso único e definitivo Sumo Sacerdote é Cristo. p. que seria hoje “o equivalente a eruditos bíblicos”. O sacerdote era o mediador entre o povo e Deus.1-31). No Novo Testamento. essencialmente. Rio de Janeiro: CPAD.6. Rio de Janeiro: CPAD.U m a J o r n a d a de fé a Lei de Moisés”. 708.1 -2 9 . o sacerdote deveria ministrar no Santuário perante Deus e ensinar ao povo a guardar a Lei de Deus.2 O mais notório escriba da história de Israel foi. um ministério de inter­ cessão. p. Hb 7. 529. Melquisedeque. 529. 1995. 2 Bíblia de E studo Pentecostal. sem dúvida alguma.

e ela deveria ser ou virgem ou viúva de outro sacerdote (Lv 21).6 . pois estava sujeito às leis divinas especiais para ministrar (Lv 10.15). 40.5. Ela nos ensina que.6).12-15. entretanto.19-23. o princípio da submissão no seu 131 .10) — esta é uma das doutrinas bíbli­ cas que os primeiros protestantes ressaltaram na época da Reforma e que se chama Sacerdócio Universal dos Santos. E mais: todos os cristãos hoje são sacerdotes diante de Deus (1 Pe 2.2. princípios vá­ lidos para todo ministro do Senhor em nossos dias. sob vários aspectos. submissão (Lv 8. a Bíblia diz que originalmente Deus desejava tornar a nação de Israel. 2 9 . Não há dúvida de que o ministro do Senhor nos dias de hoje também deve observar o chamado divino para sua vida.5. em um reino sacerdotal (Êx 19.1.6. sem dúvida algu­ ma. porém há. em Cristo. que < inicialmente eram escreven­ tes.1-8.40). Ap 1. 5. unção e santifi­ cação (Lv 8. Nm 6.9. surgiria entre os levitas ainda a figura dos escribas. a função do sacerdote -A - levítico com a do ministro do evangelho dos dias de hoje." são: chamado divino (Hb 5.5. 13. como um todo.4). purificação (Êx 2 9 . de forma geral.13). o sacerdote só poderia tomar mulher de sua própria nação. todos pertencentes ao povo de Deus podem se apresentar dire­ tamente a Deus para oferecer-lhe sua adoração (Hb 10.4 ). O sacerdócio universal dos santos envolvendo todo o povo de Israel terá o seu cumprimento no milênio. Ele escolheu a família de Arão como linhagem sacerdotal (Êx 28. a santificação e a unção de Deus para exercer o seu ministério. e vos chamarão ministros de nosso Deus”. devido ao comportamento da nação. conforme Isaías 61.12).9.24-27) e vestes santas para glória e ornamento (Êx 28.9 ). Não se pode comparar. As características gerais do ministério sacerdotal “Com o passar dos séculos. Aliás. Outra característica importante: o sacerdote não podia ministrar como ele queria.A E s c o l h a d e A r ã o e seus F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o (Hb 7. certas características do ministério sacerdotal que são.8). Ademais.6: “Vós sereis chamados sacerdotes do Senhor. cuja principal função era copiar as Escrituras.

6).U m a J o r n a d a de fé dia a dia e a necessidade de exercer o seu ministério conforme a vontade de Deus (1 Tm 3. enfim. 2005. 1. v. mas a verdadeira arte é de Deus”. O u seja. quem confeccionou essas vestimentas não foram quaisquer alfaiates em Israel. (3) para que os 4 LIVIN G STO N . “o Autor de tudo o que é bom e bonito. honrar os sumos sacerdotes.11. 132 . Suas vestes foram pensadas para refletir a dignidade do seu ofício. C om entário Bíblico Beacon. (2) para que o povo pudesse ser imbuído de uma santa reverência com relação ao Deus cujos ministros se apresentavam com tal grandeza.1 . dar-lhes ornamentação. Rio de Janeiro: CPAD. destacar. Estas gloriosas vestes foram indicadas: (1) para que os próprios sacerdotes pudessem ser lembrados da dignidade da sua função e pudessem comportar-se com o devido decoro.5 Como observa Matthew Henry. distinguir. Como frisa o Comentário Bíblico Beacon. beleza e glória diante do povo. v. isto é. 214. enfatizar o signi­ ficado e a importância do seu ofício perante todos. que criou a beleza.12. 214. o sacerdote não poderia ministrar “com roupas simples e sem brilho” em um Tabernáculo que era “graciosamente colorido”. George Herbert. 6. Deus. Com entário Bíblico Beacon. a quem Deus havia “enchido do Espírito de Sabedoria” (Ex 28.1-7.3 1 . Os materiais para fazer as vestes sacerdotais eram os mesmos das cortinas e do véu do Tabernáculo (Ex 2 6 . 5 LIVIN GSTO N . George Herbert. Certas produções que o mundo chama arte não passam de imoralidade. Rio de Janeiro: CPAD.4 Em segundo lugar. 1 Pe 5. dá ao homem a apreciação divina pela beleza e a aptidão di­ vina para criá-la. 1. O texto bíblico afirma que foram homens “sábios de coração”. o propósito da indumentária sacerdotal era “san­ tificar”. p.5. Em primeiro lugar.3). p. “Deus. T t 1.1-4). 28. deseja que seu povo seja formoso e que haja beleza nos procedimentos de adoração”.7-9.3 2 . A Indumentária do Sacerdote Duas coisas chamam a atenção de início no texto bíblico que fala das ves­ tes dos sacerdotes. 2005.

A E s c o l h a d e A r ã o e seus F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o

sacerdotes pudessem ser um exemplo de Cristo, que se ofereceu imaculado a Deus, e de todos os cristãos, que têm a beleza da santi­ dade conferida a si, na qual são consagrados a Deus.6 Henry lembra ainda que “o nosso adorno agora, sob o evangelho, tanto o dos ministros quanto o de todos os cristãos, não deve ser de ouro ou pérolas, nem custoso, mas deve ser composto das vestes da salvação e do manto da justiça (Is 61.10; SI 132.9,16)”.7 Assim como as vestes sujas do sumo sacerdote Josué, na visão do profeta Zacarias, representavam a sua iniquidade (Zc 3.3,4), as vestes santas dos su­ mos sacerdotes representavam a pureza e a perfeição de Cristo como o nosso Sumo Sacerdote definitivo e por excelência (Hb 7.26). Havia quatro vestes que eram comuns aos sacerdotes e ao sumo sacerdote: Os calções de linho, que serviam para cobrir as partes íntimas e as coxas do sacerdote (Êx 28.42); O manto ou túnica de linho (Êx 28.39,40); rír O cinturão de linho, com bordados e usado para prender as roupas (Êx 28.39,40); As tiras para a cabeça, isto é, para o turbante (Êx 28.37,40). O linho fino utilizado na confecção dessas peças era um símbolo de pureza. Mas, além dessas quatro peças básicas, havia outras quatro que eram usadas apenas pelo sumo sacerdote: 1. O éfode com um cinturão diferenciado (Êx 28.6-14). Ele con­ sistia em um colete com as partes da frente e de trás unidas por

6 HENRY, Matthew. C om entário Bíblico do Antigo T estam ento -----Gênesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 317. 7 HENRY, Matthew. C om entário Bíblico do Antigo T estam ento -----Gênesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 317.

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U m a J o r n a d a de fé

tiras sobre cada ombro e por um cinturão à altura da cintura. Esse cinturão era colorido e habilmente tecido (“De obra esmerada”, Êx 28.6) conforme a criatividade que Deus dera aos sábios que confeccionariam as vestes (Êx 28.3). Nas tiras sobre os ombros, havia duas pedras sardónicas, uma de cada lado, trazendo o nome das doze tribos de Israel — seis nomes em uma pedra e os outros seis nomes na outra (Êx 28.9,10). O texto bíblico diz que a or­ dem dos nomes era “segundo as suas gerações” (Êx 28.10), o que significa dizer que a disposição dos nomes nas pedras obedecia à ordem de nascimento dos doze filhos de Israel que davam nome às tribos. Esses nomes deveriam ser engastados — isto é, encra­ vados — em ouro nas pedras e esses filigranas de ouro deveriam ser colocados, mais precisamente, ao redor das pedras, em seu entorno (Êx 28.11). Finalmente, havia ainda os engastes de ouro (fechos ou prendedores) e as correntes de ouro, que provavelmen­ te serviam para firmar o peitoral ao éfode (Êx 2 8.13,14,22-26). O fato de o sumo sacerdote levar o nome das doze tribos nos ombros tinha um significado claro: o sumo sacerdote, como in­ tercessor entre o povo e Deus, levava em seus ombros o povo. Essa grande responsabilidade, que era a essência do seu ofício, ele não deveria nunca esquecer (Êx 28.12). O propósito divino era que, cada vez que o sumo sacerdote vestisse o éfode, se lem­ brasse disso. 2. O peitoral do juízo (Êx 28.15-30), que era feito do mesmo material do éfode. Também era “obra esmerada” (Êx 28.15). A designação “do juízo” dada ao peitoral era uma referência, sem dúvida, ao “Urim e Tumim”, uma peça muito importante dessa indumentária. Essas palavras significam “luz e perfeição” e, pro­ vavelmente, era o nome dado a dois objetos, talvez duas pedras, que eram trazidas pelo sumo sacerdote no peitoral de sua roupa cerimonial (Êx 28.30). Através da consulta ao “Urim e Tumim”, o sumo sacerdote tomava conhecimento da vontade divina em situações muito difíceis (Êx 29.10; Nm 16.40; 27.21; Ed 2.63).

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A

Es c o l h a de

A rã o

e seus

F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o

Havia ainda no peitoral quatro fileiras de pedras preciosas con­ tendo três pedras cada uma (doze pedras ao todo). O nome das doze tribos de Israel também era gravado nessas pedras, sendo uma pedra para cada nome (Êx 28.21). O significado aqui tam­ bém é claro: o intercessor deveria ter em seu coração o povo por quem intercedia (Ex 28.29). Isso fala de compaixão e amor do intercessor pelos intercedidos. Cristo, o nosso Sumo Sacerdote e perfeito intercessor entre Deus e os homens, nos amou até o fim (1 Tm 2.5; Jo 13.1; 17.9,20-26). O peitoral era unido ao éfode por peças de ouro (engastes e anéis) na parte de cima, conectadas às tiras dos ombros do éfo­ de, e na parte de baixo, conectadas ao cinturão do éfode (Ex 28.13,1 4 ,2 2 -2 8 ). 3. O manto do éfode, com suas campainhas e com romãs nas bordas (Ex 28.31-35). Esse manto, diferente do manto de linho, ia até os joelhos e tinha nas bordas um material que se supõe ser uma espécie de “cota de malha” para não se romper (Ex 28.32). Ele era uma peça única, sem emendas e com abertura para a cabeça. Não tinha mangas, era de cor azul (Ex 28.31) e usado debaixo do éfode e do peitoral. Nas bordas, alternavam-se romãs bordadas e com cores di­ ferentes cada uma e campainhas de ouro — uma romã, depois uma campainha; outra romã, depois outra campainha, e assim sucessiva­ mente (Êx 28.33,34). As romãs significavam alimento, fertilidade e alegria, provavel­ mente alegria no serviço a Deus. Já os sinos eram para que se ou­ visse o sonido do sumo sacerdote quando andava. Elas chamavam a atenção das pessoas para a atividade do sumo sacerdote lá den­ tro, que deveria sempre estar movimentando as campainhas. O texto bíblico afirma que se o sumo sacerdote não movimentasse as campainhas enquanto estivesse lá dentro, perante o Senhor, ele morreria (Êx 28.35). Ou seja, quando o som parava, era porque o sumo sacerdote, achado em falta diante do Senhor, havia mor­ rido lá dentro. O sonido constante dessas campainhas, chamando

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como dizemos hoje. distinguir.19-23. Não poderiam es­ tar. isto é. que podemos entrar com confiança na presença do Senhor.U m a J o r n a d a de fé a atenção do povo para o que estava acontecendo. Os israelitas deveriam estar atentos e voltados para tudo que estava acontecendo ali.15). Rm 12. dar-lhes ornamentação. isto é.15.38). Nessa lâmi­ na.9. Lv 11. executar a expiação pela culpa do povo (Êx 28. Ora. Sede santos “em toda a vossa maneira de viver” (1 Pe 1. isto é. enfim. 4.1. Suas vesles foram pensadas para refletir a dignidade do seu ofício. o que era evidenciado to­ beleza e glória diante do povo. 103. estava gravado: “Santidade ao Se­ “0 propósito da indumentária sacerdotal era 'santificar'.17. A lâmina de ouro à sua testa (Êx 2 8 .36-38) era usada na frente da mitra sacerdotal. do turbante (Êx 2 8. \ nhor” (Êx 28. falam que a verdadeira adoração não deveria se tornar uma mera formalidade para o povo. enfatizar o significado e a importân­ cia do seu ofício perante todos. honrar os sumos sacerdotes. Jo 4. 136 . o nosso Sumo Sacerdote.44). mas “sintonizados” e envolvidos com tudo o que está acontecendo. 51. “desligados” do culto. no Santuário. 13.1.37). Quando entrarmos na presença de Deus.36). O significado da esses lâmina com dizeres é explicita­ do no texto bíblico: Deus queria que o povo se lembrasse dos seus pecados e da necessidade de serem santos. ainda hoje Deus deseja o nosso envolvimento total no culto de adoração a Ele (SI 29. e que devemos viver uma vida santa.16. que é pelo sacrifício de Cristo. Hb 10. devemos nos lem­ brar que somos pecadores e Ele é Santo. destacar.” das as vezes que o sacerdote adentrava o Santuário para levar “a iniquidade das coisas santas”.24.

Isso nos mostra como Deus leva a sério a reverência e a adoração em sua presença. desa­ tenção ou mero formalismo.1. Jo 4. Entre­ mos pelas suas portas com verdadeira adoração (SI 100. que essa ordenan­ ça seria “estatuto perpétuo” — isto é. envolvimento por inteiro. 137 . “guarda o teu pé. duraria enquanto o Santuário existisse — e que a não observância dessa ordem faria com que Deus matasse o desobediente (Ex 2 8 .24). fervor. mas de adoração sincera. A presença de Deus não é lugar de irreverência. uma atitude de temor e amor. atenção. desrespeito.A E s c o l h a d e A r ã o e se u s F il h o s p a r a o S a c e r d ó c i o Temor e Amor A Bíblia diz que essas vestimentas sacerdotais deveriam ser usadas tanto no pátio quanto na tenda do Tabernáculo.1). Portanto.4 3 ). quando entrares na Casa de Deus” (Ec 5.

Ele também promete estar conosco e nos abençoar em tudo o que precisamos fazer para a sua glória e a bênção do seu povo. Deus estabeleceu o sacerdócio como “estatuto perpétuo” (Êx 29. A expressão hebraica traduzida por “perpétuo” nessa passagem traz a ideia de “imutável”. objeti­ vando o seu amadurecimento espiritual no serviço do Mestre. Para aqueles que iriam exercer esse ministério. que assistia a essa solenidade. Eles estão registrados em Êxodo 29. Deus promete abençoar todas as obras do seu ofício. O Senhor é assim: Ele não apenas nos cobra responsabilida­ des. que Deus deu a Moisés todos os detalhes de como ela deveria ocorrer. Vejamos a seguir alguns aspectos dessa cerimônia e como ela aponta para princípios que todo obreiro do Senhor não deve olvidar. o que significa que ele era imutável e deveria ocorrer enquanto o San­ tuário existisse. ao final das orienta­ ções referentes à cerimônia. . Essa cerimônia tinha tanta relevância.12 A C Sa o n sa g r a ç ã o pa ra o c e r d ó c io L e v ít ic o Silas Daniel A cerimônia de consagração para o sacerdócio levítico evidenciava a grande responsabilidade e a importância desse ministério tanto para quem haveria de exercê-lo quanto para o seu beneficiado direto — o povo.9).1-46 e incluíam uma cerimô­ nia de santificação do altar para o sacrifício.

como Arão. Como ressaltamos na abertura deste capítulo. como diz o texto. hoje te gerei” (Hb 5. também Cristo não se glorificou a sim mesmo. afetada e envolvida pelo seu chamado. um norte determi­ nado. o povo era cientificado e rememorado de que aquelas pessoas que es­ tavam ali eram chamadas por Deus. como afirma o escritor da Epístola aos He­ breus. Por A "Quem é consagrado para Deus é uma pessoa que passa a ter as suas mãos ocupadas. já nos é apresentada na introdução a razão por que esse cerimonial precisava ser feito: “para os santificar”.A C o n s a g r a ç ã o p a r a o S a c e r d ó c io L e v ít ic o As Mensagens Expressas na Consagração de Arão e seus Filhos Em Êxodo 29." / meio dessa cerimônia. um rumo estabelecido.5). o trabalho de Deus o consome. depois que fossem santificados.44). Estavam ali porque Deus as chamara. Esse propósito é asseverado não só na introdução das orientações para a cerimônia. escolhidas. 139 / . mas glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho.4. Elas não eram pessoas que estavam ali simplesmente porque queriam ou porque se achavam competentes para tal. senão o que é chamado por Deus. para se fazer sumo sacerdote. essa consagração ser­ via para colocar em relevo a responsabilidade e a importância do minisj\^ tério sacerdotal levítico. que também ressalta a ligação do sacerdócio levítico com o ministério de Cristo: “E ninguém toma para si essa honra. Esse era o significado primordial da consagração. Assim. toda a sua vida í preenchida.1. e essa santificação ocorreria jus­ tamente através dessa cerimônia. mas também no seu final (Êx 29. A sua vida ganha uma direção específica. A grande mensagem inicial desse cerimonial era sublinhar o fato de que as pessoas que estavam ali para serem apresentadas para aquele ser­ viço especial eram chamadas. eleitas pelo próprio Deus para aquela tarefa. Arão e seus filhos só poderiam começar a “administrar o sacerdócio”.

exclusiva­ mente. C om entário Bíblico do Antigo Testam ento — Gênesis a Deuteronômio. Esses homens eram. 140 . como ressalta o escritor da Epístola aos Hebreus (Hb 7. o trabalho de Deus o conso­ me. fracos. Eu abençoarei o povo de Deus”.26) significa também “o carneiro posto nas mãos” de Arão e seus filhos. a consagração fala de capacitação di­ vina para o serviço. eram.22.28). p. podemos colocar também “tudo porás nas mãos de Arão e nas mãos de seus filhos”. “o carneiro das consa­ grações” (Êx 29. Deus estava dizendo: “Eu estarei com vocês! Eu estou capacitando-os.. O trabalho da sua vida é definido pelo seu chamado. A sua vida ganha uma direção específica. O seu preparo estava concluído e a consagração era o sinal verde de Deus para que começassem. Por meio de vocês. Em quarto lugar. eles poderiam começar o seu trabalho. Eles estavam preparados. Homens! E como homens. em quinto lugar. i í Em segundo lugar. Em terceiro lugar.U m a li ir n a d a df. Mas. Matthew. como lembra Matthew Henry. 320. àquele serviço para o qual estavam sendo apresentados. Ele é consagrado. Essa é a mensagem que Deus transmite ao final das orientações para essa 1 HENRY. Era só a partir da consagração que eles es­ tavam finalmente autorizados a iniciar seu ofício conforme lhes havia sido ensinado..1 Esse significado “mãos cheias” fala-nos de mãos ocupadas. toda a sua vida é preenchida. Da mesma maneira. através daquela consagração. 2010. E finalmente. Sim. Era hora de arregaçar as mangas e trabalhar. Em vez de “sagrarás a Arão e seus filhos”. portanto. Rio de Janeiro: CPAD. A partir daquele momento. afetada e envolvida pelo seu chamado. e quem é consagrado é alguém ocupado. pois já estavam preparados para o serviço. Meu Espírito estará sobre a sua vida em todas as obras deste importante trabalho para mim e em favor deste povo. que é uma tradução correta para o final desse versículo. a consagração de Arão e seus filhos falava tam­ bém de aperfeiçoamento. essa cerimônia dizia a todos que aqueles homens não se dedicariam a outra coisa: eles se dedicariam tão somente. quem é consagrado para Deus é uma pessoa que passa a ter as suas mãos ocupadas. a expressão em he­ braico para “consagrar” em Êxodo 29-9 é “encher as mãos”. um norte determinado. um rumo estabelecido.

A mensa­ gem aqui. em seguida. A Cerimônia de Consagração Eis alguns aspectos importantes dessa cerimônia de consagração: A lavagem com água (Êx 29. para habitar no meio deles. eu. das vestes especiais para o ofício (Êx 29. que os tenho tirado da terra do Egito.3. enfim. “Santificarei a Arão e seus filhos. p.6. pureza. como homens que considera­ vam o seu trabalho e as suas funções uma verdadeira honra”. Ela nos fala de purificação. e saberão que Eu sou o Senhor. “Por minha glória serão santificados”. O escritor da Epístola aos Hebreus nos lembra que sem santificação.4). E deveriam ser vestidos e coroados. para que me administrem o sacerdócio”. C om entário Bíblico do A ntigo Testam ento ----. seu Deus. perfeição. mas também “deveriam vestir as graças do Espírito. o Senhor.8. “E habitarei no meio dos filhos de Israel e lhes serei por Deus.9). Jo 15. seu Deus” (Êx 29.14). 17. 2010. santi­ ficação. vestirem-se de justiça (SI 132. 141 . 320. Essa lavagem com água simboliza a purifica­ ção pelo sangue de Jesus e a Palavra de Deus (1 Jo 1. Após a lavagem.9). é que ninguém pode se apresentar ao serviço do Senhor sem santificação. A mensagem aqui é que “não era suficiente que removessem a corrupção do pecado [pela lavagem da água]”. Colocação. já falamos bastante no capítulo anterior. como homens preparados e fortalecidos para o seu trabalho. eles estavam prontos para colocar suas novas vestimentas.2 2 HENRY. Matthew.7. Rio de Janeiro: CPAD. próprias e específicas para o trabalho que exerceriam. e que está expressa nos dizeres “Vos encontrarei para falar”. sem procurar viver uma vida de santidade.Gênesis a Deuteronômio. “ninguém verá o Senhor” (Hb 12.5.17).42-46). Sobre o significado dessa indumentária. Eles deveriam ser cingidos.A C o n s a g r a ç ã o p a r a o S a c e r d ó c io L e v ít ic o cerimônia.17-21). utilizando a água da pia de bronze (Êx 3 0.

22).49.7.7).30).18. At 1. At 10.10-14). era feita uma oferta pelos pecados dos próprios sacerdotes (Êx 29.14-18).3. A unção simboliza a presença e o poder do Espírito Santo. Ora. mas só para o serviço na obra de Deus (Êx 30. 30. 19. Tanto o sumo sacerdote como os demais sacerdotes eram ungi­ dos (Êx 2 9 .1-6).2 2 -2 5 ).5. Quem serve na obra de Deus deve se lembrar de que é um pecador e se apoiar totalmente nos méri­ tos de Cristo para sua salvação. 1 Co 15.1-4).8.8. Não há concórdia entre a luz e as trevas (1 Co 6. O sacrifício (Êx 29.7 .21. Também Jesus. recebeu o Espírito Santo como penhor da nossa salvação (2 Co 1. da sua pró­ pria salvação. O azeite tinha que ser especial (Êx 30. Cristo é a expiação pelos nossos pecados (Jo 3. 30.10-18). não podendo ser usada para outro fim nem aplicada em es­ tranhos. Deus não aceita mistura. Todos aqueles que são chamados para o serviço de Deus precisam da unção de Deus. foi ungido pelo Espírito Santo (Lc 4. bem como os seus discípulos (Lc 24. além de buscarmos ser sempre cheios do Espírito Santo (Ef 5. 1 Jo 1. o nosso Sumo Sacerdote. é preciso que busque­ mos o batismo no Espírito Santo para dinamizar mais ainda o nosso serviço a Deus (At 1. Eles deveriam colocar a mão na cabeça do animal a ser sacrificado (Êx 29. para depois levar a salvação 142 . como confissão de que eram pecadores e pelos seus pecados de­ veriam morrer. 2.U m a J o r n a d a de fé ®’ A unção com azeite (Êx 29. Sua fórmula era exclusiva.31-33). Cada crente em Cristo. não poderia ser mistura­ do.38). Entretanto.16.18). Primeiro. o obreiro de Deus deve cuidar primeiro de si mesmo.19.10). Sua unção não poderá ser misturada com fórmulas mundanas. nem com composição diferente. O azeite da unção deve­ ria ser derramado sobre a cabeça de Arão e de seus filhos. da sua vida espiritual. do poder do Espírito Santo sobre suas vidas para realizarem com excelência a obra que o Senhor confiou em suas mãos para fazer. isto é. Como Paulo disse a Timóteo. desde o dia em que aceitou Jesus como Se­ nhor e Salvador de sua vida.22-33).

te salvarás. Como alguém poderá ajudar perfeitamente aqueles que se encontram doentes enquanto ele mesmo ainda se encontra doente? Em seguida.7).Gênesis a Deuteronômio.1 5 -1 8 ). o Espírito Santo é quem aplica a obra de Cristo em nossa vida. Todos esses sacrifícios apontavam para o Calvário. O azeite também era espargido sobre eles e suas vestes. A oferta pacífica vinha depois.. tanto a ti mesmo como aos que te ou­ vem” (1 Tm 4.21). C om entário Bíblico do A ntigo Testam ento ----. Rio de Janeiro: CPAD. o dedo polegar da mão direita e o dedo do pé direito de todos eles. e o sangue e o azeite juntos falam do sangue de Cristo e do Espírito Santo. operando a santificação. para a obra de Cristo na cruz. o sangue da vítima inocente deveria ser aspergido tanto sobre o altar quanto sobre as vestes e o corpo dos sacerdotes — no caso.16). 2010. mas especificamente em honra a Deus. Significava santificação de sua atenção (orelha direita). o chamado “carneiro das con­ sagrações” (Êx 29. Nesse sacrifício em especial. Aliás. e a ofer­ ta sobre ele deveria ser totalmente queimada.. simbolizando a dedicação total daqueles homens ao serviço do Senhor (Ex 2 9 .20. sobre a ponta da orelha direita. da justificação e da santificação. 143 . do perdão e do poder purificadores. p. O fogo consumindo toda a oferta fala de entrega total ao serviço. Isso tudo era para santificação de todos eles (Êx 29.A C o n s a g r a ç ã o p a r a o S a c e r d ó c io L e v ít ic o e a bênção e Deus aos outros: “Tem cuidado de ti mesmo [.] fazendo isto.3 o que nos lembra da purifi­ cação de Isaías para poder servir no ministério profético como Deus queria (Is 6. deveria haver ainda um holocausto não de expia­ ção de culpas. nenhum ser­ viço aceitável pode ser realizado”. E o fato de essa oferta só poder ser apresen­ tada após a oferta pela expiação dos pecados desses sacerdotes significa que “até que a iniquidade seja retirada. Matthew. seu proceder (pé direito). 321. 3 HENRY. do seu trabalho (mão direita) e de seu andar.19-37) ou “sacrifício da posse”.

Arão e seus filhos cozinhavam e comiam juntamente com o que sobrava do cesto do pão e as porções de carne não queimadas do altar ou que haviam sido dadas a Moisés. que era o tempo que durava a cerimônia de posse do novo sacerdote. Esse pão e essa carne dos quais os sacerdotes participavam.24). L . 2005. 1.24). cuja carne era simbolizada t. ver v.2 6 . vestes do sumo sacerdote eram passadas para o seu filho por ocasião da consagração deste como novo sumo sacerdote (Ex 29. simbolizando entrega a Deus (v. / r da justificação e da santifi­ \ cação.U m a J o r n a d a de fé O restante do ritual.27).. Por um movimento horizontal em direção ao altar. TT . Comentário Bíblico Beacon.28) — eram porções habituais para o sacerdote (v. Um detalhe interessante e que as . 144 J" -----. os sacerdotes tinham de apresentá-los como oferta ritualmente removida. T ~ no Novo 1estamento pelo pao da Santa Ceia (M t 2 6 . u ■ . representavam o corpo de n ■ ■ ..nsto.26). v. . conforme descrito no texto sagrado. O peito e o ombro dos sacrifícios pacíficos — como pode ser chamado este tipo de oferta (v." \ f ^*------_ _— _ _ ^_ - ^ . Rio de Janeiro: CPAD. p. 1 Co 11.4 As ofertas diárias se seguiam durante sete dias. bolos e coscorões que estavam na cesta (Ex 2 9 .2).30 ). O novo sumo sacerdote deveria passar pelo 4 LIVINGSTON. O peito era movido em movimento horizontal e o ombro era alçado (ou erguido) em movimento vertical em atos simbólicos de dá-los a Deus. a parte que normalmente ia para o sacerdote que oficiava a oferta do peito do movimento. purificadores. Depois.------------------------- A "0 sangue e eo o azeite azeite ^ sangue juntos falam do sanque sangue de ’ 1 Cristo e do Espírito Santo. Moisés queimava a porção de Deus no altar (v. j C.29 . George Herbert. Santo. do do perdão perdão eedo do poder poder cação.2 2 . é muito bem sintetizado pelo Comentário Bíblico Beacon: Moisés poria nas mãos dos sacerdotes partes deste carneiro das con­ sagrações. junto com porções do pão. 218. O mesmo também ocorria no caso da oferta pacífica.2 3 . 219. Retinha o peito do carneiro das consagrações para si (v.25) por cheiro agra­ dável ao Senhor. e que os santificavam.

Ele era perfeito.. que nos deu livre acesso à presen­ ça de Deus por meio do seu ministério peifeito e definitivo.. no qual Ele está “sempre vivendo para interceder por todos” nós (Hb 7. um ministério perpétuo em nosso favor. A indumentária não seria nova — seria a mesma usada por seu pai — . Louvemos a Cristo.. por isso seu sacrifício e serviço foram perfeitos (Hb 7.. com o azeite sendo der­ ramado sobre aquelas vestes mais uma vez — e sobre ele.6. Cristo. nosso Sum o Sacerdote Perfeito e Eterno A ordem sacerdotal de Cristo não era a de Levi. representadas aqui pela indumentária.. pelo “grande número” de seus sacerdotes que se sucediam com o Só que o “sacerdócio perpétuo” de Jesus é muito mais podero­ so.1-28)...10. imutável..Sa c e r d ó c i o L e v í t i c o mesmo cerimonial de consagração de seu pai.A C o n s a g r a ç ã o p a r a o ... além da perfeição e do ca­ .... não. se transferem. O novo ministro tem que ter a sua própria experiência de confirmação e capacitação para o ofício dadas por Deus.-A .26-28). que nos deu livre acesso à presença de Deus por meio do seu ministério perfeito e definitivo.. e a Bíblia nos apresenta Jesus como aquEle que tem um “sacerdócio perpétuo” (Hb 7. isto é. 7. mas a de Melquisedeque (Hb 5. mas a consagração e a unção. Aleluia! 145 .25b). Isso fala que as responsabilidades. pela primeira vez. ._____________ "Louvemos a Cristo..24-27)..24). mas a experiência seria nova para o novo sumo sacerdote. um ministério perpétuo em nosso favor" ráter definitivo de seu sacrifício (Hb 7. A perpetuidade do sacerdócio levítico era garantida por meio da con­ tinuação da linhagem levítica..... pois se assenta na sua eterni­ dade.

por fim. O seu lega­ do para o povo de Israel. Neste capítulo. Isaqueejacó (Gn 15. queremos apresentar alguns pontos importantíssimos desse legado. enfim. e mais atentamente. 28.13 O Legado de M o is é s Silas Daniel M oisés foi. uma nação. relembrando aspectos especiais e inspira­ dores da vida e da obra desse homem de Deus.9- . de sua importância para a humanidade como um todo. em segui­ da. analisaremos os exemplos instigantes de sua vida e ministério para a vida do crente. dentro do que nossa proposta sintética permite.4. e. sem dúvida alguma. uma das maiores personalidades e um dos maiores heróis da fé de todos os tempos.5-8. para a humanidade como um todo e para a Igreja até os dias de hoje é enorme. conforme Ele havia prometido aos patriarcas Abraão. destacando os efeitos de seu ministério até os nossos dias e a importância do exemplo de Moisés para os crentes em Cristo de todos os tempos.7. 2 6 .13-15. O Legado de Moisés para o Povo Judeu A form ação de uma nação Moisés foi o instrumento que Deus usou para que Israel se tornas­ se. Primeiro.5. 17. 35.4 .3 . falaremos do legado de Moisés para o povo judeu.2 4 .

como sabemos.5. enfim. Toda nação precisa de uma identidade. 11 e 12 deste livro. .. consequentemente. j _f ----------------^ --------------"Moisés foi o o instmmeninstrumen­ M oisés foi to que to que 4“ Deus D als usou usou para Pam V lc Israelsc se tornasse. Em Romanos 9. a rejeição divina a Israel. Isaque e Jacó. durante séculos. fazendo dele o povo eleito. que são os temas dos capítulos 9 a 11 de Romanos. um novo povo. Jesus (Rm 9. de uma língua. agora. tornasse. como vimos detidamente nos capítulos 9.. Israel continuou J a ser reconhecido como uma _ •/. tenha passado. e uma legislação revolucionária e um completo sistema de organização social foram concedidos aos israelitas. naçao. a língua hebraica ganhou o seu primeiro grande texto — a Torá (o Pentateuco) — que lhe daria perpetuidade e ser-lhe-ia referência na história dos povos. finalmente. . uma cul­ tura nova foi formada. por intermédio de Moisés. Isaque e Jacó). de uma cultura própria. de leis pelas quais serão regidos.. o culto e as promessas. a legislação. até que Deus os estruturou." "^ 1 \ „„ . . houve a rejeição de Israel à vontade de Deus e.v ---------- 1 Uma fé e uma religião estruturadas O Deus de Israel era o Deus de Abraão.. podiam se perceber e ser reconhecidos como uma nação. a identidade religiosa e os valores que deveriam pautar e guiar o povo foram definidos em detalhes. enfim.Sa c e r d ó c i o 13). conforme Ele uma naíão' coní ormí Ele havia prometido aos patriar­ patriarr r Jacó” cas Abraão. por meio deles.. fez-lhes uma aliança e deu-lhes os patriarcas (Abraão. Tudo isso é o que distinguia Israel das outras nações. de valores. . porém a fé e o culto hebreus ainda careciam de uma normatização e organização.5).A E s c o l h a d e A r ã o e se u s F il h o s p a r a o . Mesmo quando sofreu o exílio e a diáspora. . o apóstolo Paulo lembra que Deus deu a Israel sete coisas: tornou os isra­ elitas seus filhos por adoção. Por meio de seu ministério. . sem a sua presença maciça ou o seu governo. Isaque e Jacó. os quais terminam 147 . e ainda.. repartiu com eles um pouco da sua glória. que. Israel uma nação. .. conquanto seu territorio . e Moisés foi usado por Deus para dar tudo isso a Israel. o Messias.4. diferente em muitos aspectos da cultura das nações vizinhas. Porém.

portanto. na épo­ ca de Moisés. Levítico.U m a J o r n a d a de fé revelando que a rejeição de Israel não é final e que Deus haverá de res­ taurar Israel no fim dos tempos (Rm 11. a legislação hebraica. p.25-28). 2 0 1 0 . As Escrituras Sagradas do Pentateuco. mas que. 148 . Êxodo. costuma-se chamar os valores tradicionais do Ocidente. tempos depois. serviria de inspiração para muitos avanços legais saudáveis com os quais já estamos muito habituados em nossos dias. um salm o e. R.1 Mais detalhes no já referido capítulo 10. “atribuía um grande valor à vida humana. São de Moisés o Pentateuco (Gênesis. o Salmo 90 (que é. exigia um grande respeito para com a honra da mulher e conferia mais dignidade à posição do escravo do que poderíamos encontrar em qualquer um dos códigos legais das outras nações do Oriente Próximo”. Os valores judaicos Não à toa. K. A riqueza e a importância histórica. Tempos do Antigo Testamento — Um Contexto Social. no capítulo 10. provavelmente. Dentre seus muitos aspectos revolucionários. Político e Cultural. O Legado de Moisés para a Humanidade A legislação hebraica Já nos dedicamos. chegando até os nossos dias e formando parte significati­ va e basilar do cânone veterotestamentário. se constituíam uma grande inovação. espiritual e literária dessas obras para o mundo revelam a grandeza do ministério desse grande homem de Deus para o seu povo e para toda a humanidade. que foram responsáveis pela sua formação e se constituem a base de 1 H A R R ISO N . Ela foi revolucionária para a sua época e. o Livro de Jó O grande legado de Moisés está expresso em suas obras que atraves­ saram séculos. o mais antigo salmo de Israel) e provavelmente também o be­ líssimo Livro de Jó. por exemplo. Rio de Janeiro: CPAD. social. Números e Deuteronômio). a demonstrar alguns dos mui­ tos aspectos revolucionários da legislação hebraica para a história do Direito no mundo. 149.

deixou o Egito. por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito. não temendo a ira do rei. Ademais. juntamente com o cristianismo. A Bíblia diz que Moisés des­ prezou completamente “a ira do rei”. mas tinha em vista a importância histórica e espiritual do que estava fazendo e “a recompensa” que receberia do seu Senhor pela sua fidelidade ao seu chamado. Pela fé.23-29). porque tinha em vista a recompensa. como náo poderia deixar de ser. 149 . ter o gozo do pecado. por exemplo. a oposição dos grandes e podero­ sos deste mundo. Ele via além do que poderia perceber a m aioria das pessoas do seu tempo. o escritor da Epístola aos Hebreus coloca entre os seus destaques. escolhendo. de valores judaico-cristãos. por um pouco de tempo.1-17). na descrição que ele faz do grande líder hebreu. principalmente o que lemos nos versículos 24 a 27: Pela fé. Moisés (Hb 11. porque ficou firme. ajudaram a moldar todos os va­ lores do Ocidente. somente um homem que ama e serve a Deus com uma fé robusta não empalidece diante das adversidades mais intensas. pre­ ferindo sofrer fazendo a obra do Senhor. sendo já grande. não esmorece diante dos poderosos e das circunstâncias prementes que o pressionam a abandonar a vontade divina. porque ele via “o invisível”. Os princípios do Decálogo (Ex 20. Chama a atenção. Som ente um homem que ama e serve a Deus com uma fé ro­ busta rejeita com pletamente as riquezas e a glória do mundo. tendo. O Legado de Moisés para a Igreja Seu exemplo de fé Ao elaborar uma “Galeria de Heróis da Fé” do Antigo Testamento.O L e g a d o d e M o is é s todas as suas conquistas. como vendo o invisível. recusou ser chamado filho da filha de Faraó. ser maltratado com o povo de Deus do que. porque está “vendo o invisível”. Moisés não tomava as suas decisões baseado simplesmente no que a lógica humana e os seus cinco sentidos lhe diziam. Moisés. antes. e “ficou firme”.

mesmo tendo tanto autocontrole que Deus lhe dava. No sentido em que ele é usado aqui. tensão. organizou aqueles ex-escravos como uma sociedade.13-27) e preparou muito bem o seu sucessor — Josué. William. Rio de Janeiro: CPAD.. “simples”. desânimo e revolta.11-13). Dicionário Vine. p. Ele guiou brilhantemente milhões de pessoas pelo deserto. Merril F. Seu exemplo de paciência Números 12. deu a eles uma identidade como nação. resistiu à oposiçáo com firmeza. a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11. mais do que todos os homens que havia sobre a terra”.2 O fato de Moisés. não ter entrado na Terra Prometida com o povo justamente porque pecou ao perder 2VIN E. W. “a condição objetiva e também a postura subjetiva de Moisés” como um homem “completa­ mente dependente de Deus” e que “via o que era”.3 é anãw. soube superar os momentos de crise. Aliás. 2002. W H IT E JR .3 nos lembra que “era o varão Moisés mui manso. que aguentou o que pouquíssimos — ou nin­ guém — em sua época aguentaria. que antes fora precipitado e assassino (Êx 2. Jetro. (Ex 18. O termo hebraico traduzido por “manso” em Números 12.1).. E era preciso ser mui­ to temperante mesmo para suportar todas as adversidades e pressões que ele enfrentou. descreve. yy "O grande legado de Moisés está expresso em suas obras que atravessaram séculos. segundo o D icionário Vine.U m a J o r n a d a de fé “Ora. chegando até os nossos dias e formando parte significativa e basilar do cânone veterotestamentário." ^ — m — m •* > Seu exemplo de lide. isso mostra quão poderosa foi a transformação que Deus fez em Moisés. que significa “humilde”. levou o povo ao arrependimento várias vezes. soube ouvir os con­ selhos de seu sogro. “pobre”. U NGER. 150 . E.' rança Moisés foi um líder no­ tável. 234.

a temperança é apresentada na Bíblia como um dos gomos do fruto do Espírito. que se chama fruto do Espírito exatamente porque é produzido em nós pela ação do Espírito Santo de Deus. sejam quais forem as circunstâncias. um homem extremamente manso e hu­ milde. por exemplo.O L e g a d o d e M o is é s o controle. Que Deus nos dê graça para seguirmos o bom exemplo desse homem de Deus. do poder do Espírito Santo. tanto para desenvolvermos a temperança quanto para mantermo-nos no centro da vontade de Deus.7-12). e primeiro que ele (SI 99. porque estava “vendo o invisível” 151 .1-17. mas por humildade” (Fp 1. mas escolheu manter-se íntegro. Seu exemplo de persistência Apesar de tantos momentos difíceis que Moisés vivenciou em sua tra­ jetória espiritual. durante seus quarenta anos de ministério. nada fez “por contenda ou por vanglória. quarenta anos depois. só evidencia o quanto somos dependentes da graça de Deus. humildes e temperantes. Mesmo um homem impetuoso e assassino como o jovem Moisés pode se tornar. tirando o episódio das águas de Meribá (Nm 20. isto é. Ele intercedeu decisivamente pelo povo de Israel em mo­ mentos de enorme crise (Êx 15. Súmula da história: somos dependentes da graça divina. que. sendo fiel ao seu chamado (Hb 11. Ele. Nm 14.22.13-25). e mesmo o homem mais humilde e manso da Terra pela graça de Deus pode ter momentos de fraqueza e perder seu autocontrole se não tiver cuidado.3) e zelo ardente pela obra de Deus. fazendo algo diferente do que Deus lhe determinara (Nm 20. quando nos entregamos à ação dEle em nossa vida (G1 5. Não por acaso.6). preferiu sofrer com o povo de Israel a gozar a glória e os prazeres do Egito.25.24-26). ele permaneceu firme.23).7-13). como aconteceu com Moisés. Seu exemplo como intercessor Moisés foi grande sacerdote do povo juntamente com Arão. em virtude da graça transformadora de Deus. Seu exemplo de integridade Moisés teve muitas oportunidades de corromper a sua integridade. 33.

Como sublinha a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. p. Como frisa Matthew Henry. 152 . para que possamos enxergar os valores eternos do Reino de Deus”.15). Deus deu ordem a Moisés para que compusesse um cântico contendo ’ Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.U m a J o r n a d a de fé (Hb 11. p. 4HENRY. “é fácil ser enganado pelos benefícios temporários da riqueza. Rio de Janeiro: CPAD. mas porque Deus o escolheu. 2 0 0 3 . Por sua vez. A amizade com Deus era um verdadeiro privilégio para Moisés. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. p. Rio de Janeiro: CPA D. e estava [nesse nível] fora do alcance dos hebreus. Sua persistência era derivada diretamente de sua fé em Deus. manten­ do um relacionamento muito íntimo com Deus: “Falava o Senhor a Moi­ sés face a face. A fé nos ajuda a olhar além do sistema de valores do mundo. Moisés confiou inteiramente na sabedoria e direção de Deus. Mas. da popularidade. mas como qualquer fala com o seu amigo. hoje. por extensão.11). Jesus chamou seus discípulos — e. como qualquer fala com o seu amigo” (Ex 33. 2 0 1 0 . todos os seus seguidores — de amigos (Jo 15. Você confiaria nEle como fez Moisés?”. 2 0 0 3 . e ficar cego em relação aos benefícios de longo prazo do Reino de Deus. genial ou poderoso.4 Deus também quer ter hoje um relacionamento íntimo conosco! Como destaca a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. ela não é inalcançável para nós. mas também com expressões particulares e ainda maiores de bondade e graça. 1745.5 0 Cântico de M oisés A Bíblia afirma que quando o povo estava para entrar em Canaã. da posição social e da conquista. 128. “Moisés desfru­ tou tal favor de Deus não porque era perfeito. Matthew.3 Seu exemplo de comunhão com Deus A Bíblia nos mostra que Moisés cultivava uma vida de oração. C om entário Bíblico do Antigo Testamento — Gênesis a Deuteronômio. Ele fala não como um príncipe a um súdito. Rio de Janeiro: CPAD. a quem ama”. “isto sugere que Deus se revelou a Moisés.27). Ele o chamou para ser seu amigo. 339. não só com clareza e evidências maiores da luz divina do que a qualquer outro dos profetas.

Porque esta palavra não vos é vã. para que tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei. “É a vossa vida!” Verdades vitais condensadas em um hino. estaria “na boca do povo” (“ensinai-o [. em seu discurso diante 15 3 . Moisés disse: “ Aplicai o vosso co­ ração a todas as palavras que hoje testifico entre vós. o versículo 15 parece se referir a um profeta especial. pequenas cápsulas de vida condensada.21 e 7. a ele ouvi­ reis”. para que as reco­ mendeis a vossos filhos. de maneira que. como destacam textos como João 1. é a vossa vida (D t 3 2. O apóstolo Pedro. referindo-se a Ele como “um profeta do meio de ti. grifo meu).O I . Deus sabia que os cânticos podem ser aprendidos e transmi­ tidos com facilidade. é uma cápsula de veneno e morte condensados.] ponde-o na sua boca”).15.4 7 . em sua pregação no Dia de Pentecostes... quando uma canção é eivada de conteúdo maligno.e g a d o d e M o is é s um resumo de sua exortação ao povo e o ensinasse aos filhos de Israel (Dt 31. em alguns momen­ tos. e o diácono Estêvão. tendo o poder de renovar corações mortificados. Esse cântico está registrado em Deuteronômio 32. hinos. quando inspirados por Deus. Depois de apresentá-lo a Israel. Assim como.40. são. sendo cantada. aquecer corações arrefecidos e liquefazer almas empedernidas.15-22 fala implicitamente de mais de um profeta — ou seja. O texto de Deuteronômio 18. Ainda hoje. por assim di­ zer. como eu. Moisés profetizou sobre Jesus. a vida condensada em um hino. os judeus estiveram a procurar esse “O Profeta” pós-Moisés. pois. quando os judeus se perguntavam se João Batista ou Jesus seriam esse “O Profeta”. o termo “profeta” ali aparece. primeiro mártir da Igreja.19). As Profecias de Moisés Profecia sobre Jesus Em Deuteronômio 18.1-43. durante séculos. por isso os viu como um meio perfeito para que a sua exortação fosse gravada na mente do seu povo. em alusão a uma sucessão de profetas que Deus levantaria para tratar com Israel. Porém. antes. Deus sabia que a sua exortação seria mais eficientemente ensinada e lembrada dessa forma. de teus irmãos.4 6 .

21). que seria absorvida pela tribo de Judá (Js 19. R io de Janeiro: C P A D . conforme depoimento do próprio Moisés (SI 90. p.37). Moisés omite Simeão. ele estava com 120 anos. mencionaram essa profecia como tendo o seu cumprimento em Jesus (At 7.1-29). força ou segurança”. Outro detalhe é que a tribo de Gade recebeu a melhor parte da terra (D t 33. e para outra. mas o número 12 é preservado contan­ do-se José como sendo dois — Efraim e Manassés. sob a orientação do Espírito Santo. 2 0 0 3 . Não obstante. mas a verdade é que “Deus distribui talentos únicos às pessoas.7). com frequência.20. é a vez das tribos correspondentes aos filhos de Israel com suas servas Bila e Zilpa.6 A Morte de M oisés A Bíblia diz que quando Moisés faleceu. Olhe para o que Deus tem dado a você e cumpra as tarefas que Ele o qualificou de maneira única para realizar”. O detalhe é que. nem perdeu ele o seu vigor” (D t 34. “não tenha inveja dos dons ou presentes que as pessoas recebem de Deus. abençoou os filhos de Is­ rael antes de falecer (D t 33. Moisés. Todos esses talentos são necessários para que seu plano seja realizado”. Profecias sobre o destino de cada uma das doze tribos de Israel Como Isaque e Jacó abençoaram seus respectivos filhos antes de mor­ rer. ao ver alguém com uma bênção es­ pecífica.UM A Jt )R N A I >A DF: FÉ de seus algozes em Jerusalém.17). em seguida. As primeiras tribos a serem abençoadas são as correspondentes aos filhos de Jacó com suas esposas Leia e Raquel. que era uma idade já bem longeva para os padrões da época. Isso nos faz lembrar que muita gente. o que chama mais a atenção nessas bênçãos de Moisés sobre as doze tribos é “a dife­ rença entre as bênçãos que Deus deu a cada tribo: para uma. 6B íb lia de E stu d o A p licação Pessoal. 2 7 2 . 154 . Ele deu a melhor terra. seus dois filhos (Dt 33.10). Como ressalta a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. ao invocar as bênçãos conforme as tribos de Israel. “os seus olhos nunca se escureceram. pensa que “Deus deve amar aquela pessoa mais do que outra”. mas isso tem uma razão de ser: Gade “obedeceu a Deus punindo os malignos inimigos de Israel”.2-9). Portan­ to.

Claro que. Caminhou depois para onde deveria terminar a vida e todos seguiram-no gemendo.O L e g a d o d e M o is é s O último capítulo de Deuteronômio. mas não se pode duvidar que muito dessa narrativa. demonstraram igualmente sua pena por perder um chefe tão ilustre. Nada. registra que. ele. As pessoas sensatas. pois ela vem por vontade de Deus e por uma lei indispensável da natureza. juntamente. conforme a tradição que havia sido passada aos ju ­ deus até os dias do célebre historiador. Toda essa enorme multidão não pôde por mais tempo reter as lágrimas. demonstrou até que ponto chegava sua aflição como o que aconteceu a esse grande legislador. predisse a cada uma das tribos o que lhes deveria acontecer e desejou-lhes mil bênçãos. nas campinas de Moabe” (D t 34. Ele fez sinal com a mão aos que estavam mais afastados para que parassem e rogou aos que es­ tavam mais próximos que não o afligissem mais ainda seguindo-o com tantas demonstrações de afeto. o reconhecimento e o amor do povo era tão grande por ele que “os filhos de Israel prantearam a Moisés trinta dias. Pois ainda que ele estivesse persuadido de que não era necessário chorar à hora da morte. não houve nem mesmo criança que não derramasse lágrimas. Assim. 155 . grandes e pequenos. para obedecer. é carregado de verdade. eventualmente. que repro­ duzimos a seguir e que atravessou gerações. O relato que Flávio Josefo. é extremamente tocante. ficou tão comovido pelas lágrimas de todo o povo que ele mesmo não pôde deixar de chorar.8). no entanto. historiador judeu do primeiro século d. umas deploravam a gravidade de sua perda para o futuro e outras queixavam-se de não terem compreendido bastante que felicidade era para ele ter um tal chefe e guia e serem privados dele quando o começavam a conhecer. eles pararam e todos. Vale a pena lê-la: Depois que Moisés assim lhes falou. pode haver um ou outro exagero aqui e acolá nesse relato. ho­ mens e mulheres. lamentavam sua infelicidade por tão grande perda.C. porém. que é o único capítulo do Pentateuco que não foi escrito por Moisés.. sua eminente virtude não po­ dia ser ignorada nem mesmo pelos dessa idade. faz das reações do povo de Israel e do próprio Moisés por ocasião de sua despedida. após a morte do legislador de Israel.

pela força de suas palavras. foram os únicos que o acom­ panharam. ninguém sabe. Rio de Janeiro: CPAD. 2003.6b) até hoje. dos cento e vinte anos que viveu. capítulo 8. mas também por aqueles que conhe­ ceram as leis admiráveis que ele nos deixou. 156 . e Josué. jamais alguém soube. arrebatado ao céu. Flávio. tomar sempre as melhores resolu­ ções e tão bem pô-las em prática. como ele. Ainda ele falava quando uma nuvem o rodeou e ele foi levado a um vale. ele passasse quarenta no governo de todo esse grande povo. Flávio. abraçou a Eleazar e Josué. despediu-se dos senadores [anciãos]. livro IV. que os macedônios chamam Dystros e os hebreus. desde aquela época (D t 34. que está em frente a Jericó. volume I. Ou: JOSEFO. e deu-lhes seu último adeus. 126. Sua ciência na guerra pôde dar-lhe um lugar entre os maiores generais e nenhum outro teve o dom de profecia em tão alto grau. Ele morreu no primeiro dia do último mês do ano.7 Não sabemos onde a sepultura de Moisés se encontra — aliás. e parecia que o próprio Deus falava por sua boca. § 179. Mas ele não foi chorado somente por aqueles que tive­ ram a felicidade de o conhecer. O povo chorou-o durante trinta dias e nenhuma outra perda lhe foi jamais tão sensível. tão alto que de lá se vê todo o país de Canaã. suas palavras eram outros tantos oráculos. o comandante do exército. Jamais homem algum igualou em sabedoria a este ilustre legislador. cuja direção Deus lhe havia confiado. governá-lo e persu­ adido. História dos Hebreus. Sempre foi tão senhor de suas paixões que parecia até que delas havia sido isento e que as conhecia apenas pelos efeitos que via nos outros. Falta­ va somente um mês para que.UMA JORNAI lADEFÉ O s senadores [anciãos]. Quando ele chegou ao monte Nebo. p. A única informação é que Deus mesmo 7 JOSEFO. Adar. por causa da sua eminente santidade. Antiguidades Ju d aicas. Os livros santos que ele nos deixou dizem que morreu porque temia que não se acreditasse que ele ainda estaria vivo. porque a santidade que nelas se nota não pode permitir dúvidas sobre a eminente virtude do legislador. Eleazar. o grão-sacrificador [sumo sacerdo­ te]. jamais algum outro se lhe pôde comparar na maneira de tratar com um povo. 127.

O exemplo de Moisés “ 'Moisés será sempre um exemplo de fé. autor e consumador da fé” (Hb 12. seriedade. ainda mais feito pelo próprio Deus. apenas lhe respon­ deu: “O Senhor te repreenda”. deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos. dentre eles Moisés (H b 1 1 .11. Não sabemos o porquê do interesse de Satanás pelo corpo de Moisés. fidelidade ao chamado divino e vida dedicada totalmente ao Senhor. por ter sido um homicida em sua juventude (Ex 2. defronte de Bete-Peor” (D t 34.6a).12). paciência. liderança. paciência.2). referindo-se à nossa res­ ponsabilidade hoje diante do que fizeram os grandes heróis da fé do Antigo Testamento. ele sempre será lembrado como um exemplo de fé. com paciência. Com o escreveu o autor da Epístola aos Hebreus.1. vida de santidade. não se criasse uma idolatria e romaria em torno do túmulo de seu servo. “nós também. provavel­ mente. seriedade. O apóstolo Judas nos fala da altercação do arcanjo Miguel com Satanás sobre o corpo de Moisés (Jd 9). na terra de Moabe. Miguel. mas a tradição judaica afirma que tal altercação se deu porque Satanás sustentava que Moisés não era digno de um sepultamento decente. sabedoria. Deus fez com que sua sepultura nunca fosse encontrada para que. liderança. que guardava o corpo de Moisés. Sobre­ tudo pelos últimos quarenta anos de sua vida. Amém! 157 . olhan­ do para Jesus. a carreira que nos está proposta. vida de santidade. sabedoria. que esta­ mos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas [os heróis da fé do Antigo Testamento]. fidelidade ao chamado divino e vida dedicada totalmente ao Senhor" como líder e homem de Deus nunca será esquecido.2 3 -2 9 ). pois.O L e g a d o d e M o is é s o sepultou “num vale.

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O livro do Êxodo é universalmente famoso por m ostrar a escravidão do povo hebreu no Egito. H istória da C onvenção G eral das A ssem bleias de D eus no Brasil. Relem­ brando aspectos especiais e inspiradores da vida e da obra desse grande homem de Deus. A História dos Hinos que A m am os e A Sedução das N ovas Teologias. a escolha de Moisés como libertador e a forma miraculosa como Deus retirou os hebreus do jugo egípcio. tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008. A lexandre Coelho É ministro do evangelho.as vitórias e derrotas d e um hom em de Deus. É gerente de Publicações da CPAD. chefe de Jornalismo da CPAD e es­ critor. C om o Vencer a Frustração espiritual. acompanharemos a história de Moisés no Êxodo. E nele. ministra aula de Grego. a figura de Moisés ocupa um lugar central. jornalista. destacam os efeitos de seu ministério até os nossos dias e a im portância do exemplo de M oisés para os crentes em Cristo de todos os tempos. ''H • W Lã I : I . e co-autor dos livros Davi . o homem que Deus escolheu para trazer a liberdade para o povo de Israel. Novo Testamento e Exegese na FAECAD. Os Profetas M enores e Vencendo as Aflições da Vida. lançados pela CPAD. até pontos importantíssimos de seu legado. Autor dos livros R eflexão sobre a alm a e o tem po. Nesta obra. H abacu que a vitória d a f é em m eio a o caos. todos títulos da CPAD. licenciado em Letras e Teologia e bacharel em Direito. Professor universitário. Silas D aniel É pastor.

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