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Sumário

1. Introdução..........................................................................................2

2. Desenvolvimento
2.1 As principais causas da reforma.......................................................3
2.2 A reforma na Alemanha...................................................................5
2.3 A reforma na Suíça...........................................................................6
2.4 A reforma na Inglaterra....................................................................7
2.5 A contra-reforma e a reforma católica..............................................8

3. Conclusão...........................................................................................10

4. Bibliografia........................................................................................11

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1.Introdução
O século XVI foi marcado pelo surgimento de novas religiões cristas, que acabaram
com a hegemonia política e espiritual da Igreja católica e abalaram a autoridade do papa.
Esse processo de divisão do cristianismo denominou-se Reformas e às novas Igrejas,
protestantes. A reação da Igreja católica a essa nova religião cristas chamou-se Contra-
Reforma.
A Reforma protestante foi um movimento religioso de adequação aos novos tempos,
ao desenvolvimento capitalista; representou no campo espiritual o que foi o Renascimento
no plano cultural: um ajustamento de idéias e valores às transformações socioeconômicas
da Europa.

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2.Desenvolvimento
2.1As Principais Causas da Reforma
O desenvolvimento dos Estados nacionais agravou sobremaneira as relações entre os
reis, que tiveram seu poder político aumentado, e a Igreja, que detivera ate então grande
parcela do poder temporal.
Durante o feudalismo, a Igreja fora a maiôs detentora de propriedades em vários
paises da Europa, que eram obrigados a remeter vultosos tributos para Roma. No processo
de formação das monarquias nacionais, a Igreja passou, então, a ser considerada em cada
Estado um empecilho ao desenvolvimento econômico, alem de personificar a própria
estrutura feudal decadente. Dessa forma, o desenvolvimento dos Estados nacionais e a
conseqüência formação de uma consciência nacional colocavam em antagonismo o poder
político dos reis e o poder da Igreja.

Do ponto de vista socioeconômico, o progresso do capitalismo comercial era


prejudicado pelo tomismo – doutrina de São Tomás de Aquino que preconizava o “justo
preço” e condenava a usura inibindo o progresso burguês e mercantil. Ao se exigir que a
mercadoria fosse vendida a “justo preço”, ou seja, pelo valor da matéria-prima utilizada
acréscimo do valor da mão-de-obra, desarmava-se a mola mestra do sistema comercial: o
lucro. E ao se condenar a usura – acumulação de capital com a cobrança de juros –
ameaçava-se a atividade bancaria, que se expandia e ganhava solidez. Assim, os ideais dos
novos grupos que surgiam e se dedicavam às atividades produtivas capitalistas se chocavam
às atividades produtivas capitalistas se chocavam com as teorias religiosas católicas,
abrindo espaço para o surgimento de uma religião adequada aos novos tempos.
No campo religioso-espiritual, era constante o confronto de dois sistemas
teológicos: o tomismo e a teologia agostiniana. A Igreja católica baseava-se no tomismo,
teologia do fim da Idade Media alicerçada no livre-arbítrio e nas boas obras. A teologia
agostiniana, por sua vez, por prezar a predestinação e a fé, serviu de base para os
reformistas protestantes contrários à hegemonia cristã romana.
O conflito social entre o novo grupo emergente (burguesia) e a religião tradicional,
aliada ao conflito político entre reis e papa, desencadeou uma crise estrutural dentro da
Igreja. O aparecimento do protestantismo foi, na verdade, um processo com raízes distantes
nas heresias dos séculos XI e XII, no Cisma do Ocidente ( 1378-1417) e na desmoralização

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da autoridade papal. No século XVI, entretanto, os abusos eclesiásticos ultrapassaram os
limites do admissível pelos cristãos, e a crise política por que passava a Igreja precipitou o
movimento reformista protestante.
A causa imediata da reforma protestante foi a crise moral da Igreja, cujo poder e
abusos contrastavam com suas pregações. Até seus supremos mandatários, os papas,
envolveram-se em desmandos: Sisto IV entregou diversos cargos e benefícios eclesiásticos
a seus familiares; Alexandre VI teve amantes e filhos; Julho II foi mais ativo nas conquistas
militares da Igreja do que em sua atividade espiritual; e Leão X não mediu meios para a
obtenção de recursos para a construção da Basílica de São Pedro.
Em suma, a vida desregrada, a opulência e o luxo do alto Clero a venda de cargos
eclesiásticos, os conflitos em Roma, a venda de “Relíquias Sagradas” (lascas da Cruz de
Cristo as toneladas, dezenas de tíbias do jumento de São Jose, etc.) e de indulgências
(absolvição papal a pecados cometidos) transformar a Igreja em alvo de contundentes
contestações.

O descontentamento dos humanistas com relação a Igreja levou-os a criticá-la.


Assim fizeram Erasmo de Rotterdam e Thomas Morus, que propuseram a depuração das
praticas ecléticas e uma reforma interna, feita pelos próprias membros da Igreja. Mesmo
antes disso, entretanto, no final do século XIV e inicio do XV, as censuras a Igreja
ganharam vulto, com John Wyclif, professor da universidade de Oxford, e John Huss, da
universidade de Praga. O primeiro atacou severamente o sistema eclético, a opulência do
clero e a venda de indulgências, insistindo em que as Sagradas Escrituras eram a verdadeira
fonte da fé. Wyclif pregava ainda o confisco dos bens da Igreja na Inglaterra e a adoção pelo
clero dos votos de pobreza material do cristianismo primitivo. John Huss corroborou as
afirmações de Wyclif, associando o reformismo religioso ao anseio de independência
nacional da Boemia diante do domínio germânio do Sacro Império. Depois de Hussitas
ganharem muitos seguidores e servirem de estimulo a chama nacionalista que produziria
sucessivas lutas regionais, John Huss acabou sendo preso, condenado e supliciado na
fogueira por decisão do Concilio de Constança (1415), transformando-se no herói nacional
Tcheco, símbolo da liberdade política e religiosa.
2.2 A REFORMA NA ALEMANHA

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A Reforma protestante iniciou-se na Alemanha – parte do Sacro Império Romano-
Germanico -, região essencialmente feudal, com incipiente comercial no litoral norte. O
fato de a Igreja possuir mais de um terço do território alemão despertou a ambição dos
nobres, que passaram a cobiçar as terras eclesiásticas. Esse fato, aliado a patente
imoralidade da Igreja, despertou o desejo pela autonomia em relação a Roma, iniciando-se
assim os movimentos que levariam à Reforma.
A liberação do movimento na Alemanha coube ao frade Agostiniano Martinho
Lutero (1483 – 1546), que defendia a teoria da predestinação, da fatalidade da salvação,
negando os jejuns apregoados pela Igreja, as indulgências e outras praticas religiosas então
em uso.
Lutero iniciou suas pregações na Universidade de Wittenberg, na Saxônia,
defendendo a doutrina da salvação pela fé. Em 1517, revoltado com a venda de indulgências
pelo dominicano João Tetzel, fixou na porta de sua igreja as 95 teses, rol de itens onde
criticava o sistema clerical dominante e apresentava sua nova doutrina. Essas teses foram
distribuídas por todo o pais, recebendo apoio da população, já que exprimiam os anseios
gerais de purificação crista.
Em 1520, o papa Leão X, por meio de uma bula, condenou Lutero e intimou-o a se
retratar, sob pena de ser considerado herege. Lutero, em resposta, queimou a bula papal em
praça publica, sendo excomungado e devendo se submeter a um tribunal secular. Contudo,
o imperador católico Carlos V, recém-eleito pelos nobres, não teve condições de punir
Lutero, dada sua popularidade e o apoio dos próprios príncipes.
Carlos V convocou então uma assembléia, a Dieta de Worms, à qual compareceram
todos os governantes do Sacro Império, para julgar Lutero. Negando-se a se retratar, foi
considerado herege, mas, por contar com o apoio da nobreza, não foi punido. Refugiado no
castelo de Wartburg, sob a proteção do príncipe da Saxônia, Lutero traduziu a Bíblia latina
para o alemão, tornando-a o primeiro documento escrito em língua alemã moderna.

As idéias luteranas influenciaram as revoltas camponesas dos anabatistas, que,


comandados por Thomas Munzer, tentaram confiscar terras senhorias e da Igreja. Munzer
acreditava ter sido o escolhido por Deus para estabelecer o reino dos Mil Anos, uma
comunidade de bens e de fé, tendo como centro a cidade de Muhlhausen, na Turingia, a
qual governava de forma ditatorial.

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Lutero condenou violentamente esses camponeses, movendo contra eles uma guerra
sem trégua, o que demonstrava seu comprometimento com a nobreza alemã. Para ele, os
anabatistas foram considerados “saqueadores e assassinos”, e estavam infringindo as leis de
Deus, devendo ser tratados como “cães raivosos”. A violenta repressão dos príncipes
alemães contra os camponeses resultou na morte de mais de 100 mil pessoas e na execução
de seus lideres, impondo a liderança religiosa de Lutero na Reforma Alemã.
O luteranismo considerava o dinheiro uma obra do demônio e condenava o
capitalismo, já que sustentava na nobreza alemã, ainda caracterizada fortemente pelos
traços feudais.
Para enfrentar o imperador Carlo V, os luteranos organizaram a Liga de Smalkade,
cujos objetivos só conseguiram se concretizar em 1555, com a Paz de augsburgo, acordo
segundo o qual cada príncipe tinha o direito de escolher a sua religião, bem como a de seus
súditos.
2.3 A REFORMA NA SUÍÇA
A Suíça iniciou a reforma protestante com Ulrich Zwinglio (1489-1531), seguidor
de Lutero e Erasmo de Rotterdam. As pregações de Zwinglio resultaram numa violenta
guerra civil (1529-1531) entre reformadores e católicos, durante a qual o líder morreu. A
guerra foi encerada com a Paz de Kappel, que dava autonomia religiosa a cada região
administrativa (cantão) do país.
Pouco depois chegou a Suíça o francês João Calvino (1509-1564), que publicou em
1536, a obra Instituição da Religião Crista.

A doutrina calvinista admitia o mundo dependente da vontade absoluta de Deus,


estando os homens sujeitos a predestinação: como pecadores por natureza, somente alguns
estariam predestinados à salvação eterna.
Admitia apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia e condenava a adoração
de imagens.
O culto nas igrejas calvinistas resumia-se simplesmente ao comentário sobre a
Bíblia, eliminando as cerimônias pomposas e a grandiosidade dos templos católicos.
Muito mais que o luteranismo, o calvinismo expandiu-se por vários paises,
especialmente por aqueles em franco progresso comercial. Na Escócia, foi introduzida por

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John Knox e seus seguidores foram chamados presbiterianos, porque a Igreja calvinista
escocesa foi organizada a partir de conselhos de presbíteros (padres). Na Inglaterra foram
denominados puritanos; na França huguenotes. Vários outros países assumiram o
calvinismo como religião predominante, como a Holanda e a Dinamarca.

2.4 A REFORMA NA INGLATERRA


O líder na revolução na Inglaterra foi o próprio Henrique VIII (1509-1547),
assumindo por isso o movimento uma característica eminentemente política. Henrique
rompeu com o papado usando problemas pessoais: pretendia desfazer seu casamento com
Ana Bolena, alegando querer um herdeiro para o trono da Inglaterra.

A obra reformista protestante de Henrique só foi completada no reinado de Elizabeth


I, sua filha com Ana Bolena. Mesclando-se com os fundamentos calvinistas, a Igreja
anglicana empenhou-se no caminho da conciliação, definindo de forma vaga diversas regras
religiosas. De um lado, garantiu a independência diante de Roma, com o monarca como
chefe supremo da nova Igreja; de outro, manteve preceitos tipicamente católicos, como a
hierarquia eclesiástica, buscando conciliar as diversas facções de crentes ingleses, desde
católicos tradicionais aos diversos defensores do reformismo.

2.5 A CONTRA-REFORMA E A REFORMA


CATÓLICA

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A expansão do protestantismo pela Europa colocava a igreja católica em crise,
fazendo surgir a necessidade de conter a expansão reformista. Esse movimento recebeu o
nome de Contra-reforma, que incluiu a reforma católica.
Embora já se tentasse há muito moralizar o clero e a igreja, o impulso para isso só
foi dado com a expansão protestantismo foi violenta, inclusive nos métodos.
Em 1534, fundou-se a Companhia de Jesus, idealizada por Ignácio de Loyola, cuja
organização se assemelhava à de um exercito. Os “soldados de Cristo” , como eram
denominados os jesuítas, deviam cega obediência a suas ações encentravam-se num livro de
Loyola, chamado exercito espirituais.
Com a companhia de Jesus, a Igreja católica ressurgiu fortalecida, disciplinada e
moralizada. Os inacianos foram primorosos educadores, chegando a monopolizar o ensino
em varias regiões, o que lhes garantiu a difusão do catolicismo. Chegaram a possuir tanto
poder que o superior da ordem, que também comandava a Inquisição, era chamado de Papa
Negro, devido à cor de sua batina.
Em 1545, o papa Paulo III convocou o Concilio de Trento para estudar os problemas
da fé não só entre os católicos. Embora teólogos protestantes também tenham participado
do encontro, nenhum acordo foi feito, e o concilio somente reafirmou os dogmas da fé
católica, condenando as teologias protestantes. Confirmou o principio da salvação pela fé e
boas obras, o culto à Virgem Maria e aos santos, a existência do purgatório, a infalibilidade
do papa, o celibato do clero, a manutenção da hierarquia eclesiástica e a indissolubilidade
do casamento.
Proibiu, por outro lado, a venda de indulgências e determinou a criação de
seminários para a formação dos eclesiásticos, impedindo a venda desses cargos, principal
ponto da formação católica.
Pelo Concílio de Trento, a inquisição, instituição criada na Idade Média e também
chamada de Tribunal do Santo Oficio, foi reativada. Em nome de Cristo e sob o protesto de
combater os hereges, a inquisição condenou à tortura milhares de pessoas. Nessa época foi
criado também o Index, lista de livros proibidos pela Santa Igreja, que dificultou o
progresso cultural e cientifico no mundo moderno.
O Index teve em sua relação, alem de livros religiosos, como os luteranos e
calvinistas, obras cientificas e culturais, de Maquiavel, Copérnico, Galileu, Newton e
muitos outros. A lista era constantemente atualizada com novos títulos proibidos.
O processo da Contra-Reforma não eliminou o protestantismo, mas conseguiu
conte-lo anulando as principais causas do movimento reformista. Alem disso, os paises em
que a Contra-Reforma foi mais atuante foram também às nações que deram inicio à
expansão marítima e ao colonialismo. Dessa maneira, a fé católica foi levada as novas
terras, principalmente às americanas, ampliando a penetração da Igreja de Roma. O
protestantismo no mundo ficou restrito à América do Norte, para onde foi levada pelos
ingleses no século XVII.

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3.Conclusão
A Reforma Protestante e a Reforma Católica são um conjunto de acontecimentos
que marcaram a transição do feudalismo para uma sociedade aos moldes burgueses na
Europa ocidental. Com apoio de segmentos sociais interessados na diminuição do poder do
papa, ela contribuiu para modificar as instituições políticas, sociais e econômicas européias.
O termo protestantismo não designa uma igreja ou seita especifica, mas o movimento de
reforma religiosa iniciado na Alemanha por Martinho Lutero, que deu origem a diversos
agrupamentos evangélicos. Reforma Católica ou Contra-Reforma, rederem-se ao
movimento que pretendeu reformular o catolicismo, abalado pelas criticas e iniciativas dos
reformadores protestantes. Entretanto, no Concilio de Trento o papa e os cardeais
concluíram que a doutrina católica não precisaria ser modificada.

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4.Bibliografia
Historia Geral - Cláudio Vicentino – Editora Scipione.

Historia das cavernas ao Terceiro Milênio – Myriam Becho, Patrícia Ramos – Editora
Moderna.

Historia das Sociedades – Das sociedades Modernas às Sociedades Atuais – Editora Ao


Livro Técnico.

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