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Síntese de parte do artigo:

Triviños, Augusto Silva. Dialética e Pesquisa em Ciências Sociais. (In:


Neto, V. M.; Triviños, A. N. S. A pesquisa Qualitativa na Educação Física)

Conceito refere-se às propriedades essenciais que caracterizam um grupo


determinado de fenômenos.
Num nível de pensamento anterior ao conceito, a percepção nos permitiu
distinguir fenômenos individuais. Mais tarde, a ciência (ao descobrir a essência
dos fenômenos), estabeleceu agrupamentos, os quais permitiram formular
conceitos. Exemplo: baleia e morcego formam um grupo de mamíferos (e não
um peixe e uma ave).
Conceito, então, é uma forma superior do pensamento; uma forma abstrata e
geral das características dos fenômenos da realidade; uma elaboração da
consciência.
Por sua vez, as categorias são formas de conceito porque também refletem as
propriedades essenciais dos objetos, fenômenos, coisas. Mas não é a mesma
coisa. Enquanto o conceito se refere a um fenômeno ou a um grupo maior ou
menor de fenômenos, a categoria é universal, está em todos e em cada um dos
objetos que abrange, não se limitando a um fenômeno ou a um grupo destes.

Categorias filosóficas, portanto, refletem as propriedades essenciais,


universais e comuns a todos os objetos, fenômenos, coisas. Assim, por
exemplo, todos os objetos possuem “espaço”, “contradição”, “tempo”,
“essência”, “realidade”, etc., que são categorias filosóficas.
A passagem do pensamento do nível de conceito para o de categoria filosófica
foi demorada, representando um desenvolvimento, uma evolução do
pensamento intelectual do ser humano.

Existem categorias filosóficas e categorias científicas, que são categorias


próprias de cada ciência que configuram um tipo de conhecimento científico
(ex. de categorias científicas nas Ciências Econômicas: lucro, salários, teoria
do valor...).
O pesquisador pode/deve atuar com níveis de categorias, tais quais:
a) categorias científicas próprias da ciência em que atua;
b) categorias filosóficas do materialismo dialético;
c) categorias filosóficas do materialismo histórico;
d) categorias próprias do pesquisador para sistematizar/organizar/classificar os
dados do seu estudo.

O indivíduo chegou ao conhecimento que chamamos de categoria observando


a realidade, através da prática desenvolvida no cotidiano durante séculos.
Assim, é preciso entendê-la como sendo produto de uma época, síntese de um
período histórico. O sistema de categorias deve ser um instrumento de
compreensão da realidade, e não um entrave para o conhecimento da
realidade. As categorias são buscadas na realidade e formuladas a partir da
realidade.
Assim, entende-se o conhecimento como um processo de penetração infinita
na essência dos fenômenos, que tem uma perspectiva ou um movimento do
inferior para o superior. Este desenvolvimento se dá de duas formas:1
1) Sensorial:
- Sensações ou Sentidos: é uma imagem subjetiva do real;
- Percepção: descobre os fenômenos materiais, sem chegar à essência;
- Representação: operação mental em que o objeto é representado, sem
estar presente;
2) Abstrato:
- Juízo: contêm uma afirmação ou uma negação;
- Raciocínio: faz-se uma formulação a partir do juízo;
- Conceito: refere-se às características de um grupo de fenômenos. O
conceito pode ter forma de Categorias (é um conceito, mas é mais
abrangente do que este), Leis, Princípios.
As Categorias, por sua vez, podem ser empíricas, científicas, filosóficas.
É necessário ter presente que estes processos do conhecimento se dão
dialeticamente.

Leis da dialética são formas de juízo, ou seja, constituem uma relação entre
duas idéias. Exemplo: “todos os homens são mortais”, juízo que relaciona as
idéias de “homem” e de “mortalidade”.
As leis são constituídas por categorias da dialética (contradição, quantidade,
qualidade, etc.), mas ambas são diferentes. Isto porque as leis referem-se aos
aspectos necessários do fenômeno (isto é, o que é estável, essencial,
obrigatório no fenômeno), e as categorias abrangem os aspectos necessários e
os não necessários do fenômeno. Por isso, categoria é mais ampla do que lei.
As leis, além de se constituírem a partir das relações necessárias, também se
constituem pelo geral (isto é, o que se repete em vários fenômenos).
Tanto as leis como as categorias são universais (isto é, estão presentes em
todos os fenômenos).
É preciso estar atento que o fenômeno concreto não é explicado apenas pelas
leis da dialética; é preciso fazer articulação destas com as leis específicas do
fenômeno. Dizia Engels: “Eu não digo absolutamente nada do processo de
desenvolvimento particular seguido pelo grão de cevada (...), quando digo que
ele é a negação da negação (...)”.
Assim, atentar que o fenômeno deve ser abordado em relação aos aspectos
universais (o que está presente em todos os fenômenos da realidade) e em
relação aos traços particulares do campo ao qual pertence (que explicam sua
origem, desenvolvimento, características fundamentais, etc.).

1
Este item foi inserido na síntese ora apresentada, com base em anotação de aula do Prof. Tiviños
(2005/UFRGS) segundo minhas anotações e estando incompleta na conceituação.