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CARLOS

TOLEDO

RIZZINI'

L. ----

CARLOS TOLEDO RIZZINI' L. ---- I PARA BOTÂNI,COS "- 11 : \ .. " ~ Ii.
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CARLOS TOLEDO RIZZINI' L. ---- I PARA BOTÂNI,COS "- 11 : \ .. " ~ Ii.

PARA

BOTÂNI,COS

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Ii.

FUNDAÇÃO

B A H

I A

GONÇAOO. MONIZ

1955.

B R AS 1; L

LATIM

PARA

BOTÂNICOS

 

CARLOS

TOLEDO

RIZZINI

 
 

ENSAIO

SOBRE

O

USO

DO

LATIM

NA

BOTÂNICA

LATIM PARA BOTÂNICOS

FUNDAÇÃO

GONÇALO

MONIZ

-

BAHIA

-

BRASIL -

1955

8on.tultt

aman.Hsstmae

ae

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Parecer da Comissão Julgadora do Prêmio José Ve- rissimo (Ensáio e Erudição) da Academia Brasileira de Letras para "1951:

«O Sr. Carlos Toledo Rizzini, homem igual-

mente

de

ciência e

de

letras,

apresentou com

seu

Ensaio sôbre o uso do latim na Botânica,

um trabalho de fôlego que exige erudição e

cultura. Dividido em cinco partes, destacamos especialmente a última de tôdas: O dicionário

latino-português aplicado à BotãniCfL.

Trata-

se, pois, de uma

obra útil, necessária, de real

significação, digna de aplausos e que vem con- solidar o prestigio intelectual de seu autor ».

Ass.) Mucio Leão Elmano Cardim José Carlos de Macedo Soares, relator.

PREFÁCIO

Lançando a obra do naturalista Carlos Toledo Rtzzini - "Latim para bot4nicos" - a Fundação Gonçalo Moniz tem em vtsta preencher grav6 lacuna Ite nossa literatura bot4nica. Como é sabido, a Sistemática Bot4nica conservou a traltição das ltescriç6es latinas, o que, se representa uma grande facilidade bibliogrdfica, enge, por outro lado, o maneio do latim cientifico como instrumento básico de trabalho. E o perigo do conhecimento inseguro déste meio de express40 dos caracteres tazinÓ1nicos é evidente. Dai a neces- siãcule de se sair definitivamente do autodidattnno forçado em que estáva- mos, neste assunto, no Brasil. Porque nada havia que orientasse o estudioso nesta matéria, a não ser gramáticas e cursos com o olrleti1JO do ensino da íingua latina em geral, o que exige uma aprmuUzagem mala longa, desani- mando o lavem si8temata diante de um programa vasto, de que ~18 sabe s6 poder utilizar uma parçela pequena. Néste trabalho, ao contrário, limitam- se as noções gramaticais ao indisPensável, fornecem-se modelos de descrições, para moldar a sintaxe pela dos bons muares. Além dis80 h4, no fim, um diciondrio especializado, que representa grande massa de trabalh.o acumulado, o primeiro no género entre nós, e cula utilidade logo h4 I%e se fazer sentir.

O autor ingressou, por concurso, no quadro dos naturalistas do Jardim Bot4nico do Rio de Janeiro em 1945 e, em 1947, gradUOU-se em .Medicina. Seus trQ.balhos situam-se principalmente no dominio da Sistemdtica, versan- do sôbre ACANTHACEAE, COMPOSITAE, RUBIACEAE, LORÁNTHACEAE, BIGNONIACEAE. OLACACEAE, DICHAPETALACEAE, bem como s6bre líquens do género USNEA (de grande interesse médico em virtude dos anti- bióticos que contlm).

Quando naturalista do Parque Nacional da Serra dos órgãos organizou o herbário regional e diversos estudos florútieos locais. Em colaboração com o naturalista Paulo Occhioni descreveu, recentemente, a nova família DIALYPETALANTHACEAE, aceita par Lam, Breme1camp e outros. Reali- zou estudos anatómicos sôbre os haustóri08 das LORANTHACEAE, tendo publicado também diversos trabalhos de divulgação, ac~ca dos métodos de preparo do palen (com vistas para os alergtstas) , da morfologia do 1JOlen e do novo sistema filogenético de Lam para as Cromófitas.

LUIZ FERNANDO aOUVi:A LABOURIAU.

INDICE

INTRODUÇAO 11 o • • • • • • • • • • • • •
INTRODUÇAO
11
o •
I
-
NoçÕES
INDISPENSÁVEIS
DE
GRAMÁTICf.
Lf.TINf
.................
15
1
-
Alfabeto
15
2
-
Número
16
3
-
Gênero
.
.
.
..
..
..
..
16
4
-
Partes do
discurso
17
5
-
Tema e
6 -
Desinência
17. ".
7
-
Decllnação
17
'0
••• '
8
-
Número e
reconhecimento
das
declinações
..........
18
9
-
Casos
'
........
19
10
-
Nomes gregos
........................................
19
11
-
Decl1nação
dos
substantivos
.........................
20
a
-
Primeira decl1nação
.............................
20
b -
Segunda
decl1nação
.............................
21
c -
Terceira
declinação
.............................
21
d -
Quarta
decl1nação ,
'
..
..
24
e -
Quinta
decllnação
...............................
25
12
-
Nomes compostos
:
......................
26
13
-
Gênero português dos epítetos latinos
...............
26
14
-
Decllnação dos adjetivos qualificativos
.
27
1
-
Adjetivos de 1.- classe
..........................
27
2
-
Adjetivos de 2.- classe
..........................
29
15
-
Participios
presentes
adjetivados
....................
31
16
-
outras classes de adjetivos
32
17
-
Adjetivos numerais
...................................
33
18
-
Medidas de comprimento
.............................
35
19
-
Gráus
dos
adjetivos
qualificativos
..................
36
1
-
Comparativo de superioridade
..................
.36
2
-
Comparativo de inferioridade
..................
37
3
-
Comparativo de igualdade
......................
37
4
-
Gráu superlativo
................................
37
5
-
Comparação
irregular
39
o ..
• ..
..
• ..
 

20

-

Declinação dos pronomes -

A

Pronomes demonstrativos o o •••••••• o ••• "

 

o

o

o

o

40

40

 

o

o

o

o

o

o

 

B

-

Pronomes

indefinidos. o •••

 

o

o

••

o

o .....

o

••••

o

o

o

42

 

21

-

Advérbios

o

o

o

o

o

•••

o

o

o

o

o

o

o

o

o

••

o

o

o

o

o

••

 

o

••••

o

o

o

o

44

22

-

Preposições

..

o

........

o

 

48

..

o'

o

......

_

..

..

..

..

 

..

23

-

Conjunções

o

o

o

••

o

o

•••

o

 

50

o

o

o

o

o

o

o

o

o

••

 

o

o

o

o

••

_

o

••

o

o

o

o

24

-

Verbos

o

o

o

o

o

o

o.

o

o.

o

o

•••

o.

o

o

o

o

o

••••

 

o

o

o.

o.

 

o.

o

o

o

o

o

o

o

o

o.

o'

53

25

-

Algumas

formas

verbais

 

importantes

 

o o ••

o

••

o

66

26

-

Palavras

e

locuções especialmente

 

importantes

..

o

••

o

59

27

-

Prefixos

de

muito

valor

 

o •

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

65

28

-:- Da sintaxe

empregada nas

 

diagnoses

 

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

69

29

-

O

alfabeto grego o o"

o

••••

o

o

o

o.

 

o'

 

o

o

o.

o

o.

 

o

o

o"

o

o

o

o

o'

o

o

o

70

30

-

Transferência

de

palavráà do

 

grego

 

para

 

o

latim

e

 

português

. o'

••

'o

•••

o

o

•••••

'o

o

o

o

•••

'.

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

71

II

-

R!:DAÇÁO

DE

DIAGNOSElI

,"

..

o

..

o

..

 

o

..

o"

 

o

..

..

..

..

..

73

 

1

-

Definição o" o

o

;

 

..

'..

o

'..

o

..

o

o

o

......

o

73

2

-

Conceito

o;

o

o

o

••

o

o

..

o

••

;

••

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

•••••••

o

73

3

-' 'Partes de -uma

diagnose

o.

o'

o

00 '....

"0

o

00

.........

o

o

74

4

-

IntrodUção

às

diagnoses

 

latinas 0.0

o

o

o

o

o

o

•••••

o

o

o

o

o

74

5

-

Descrição de plantas o

 

o

o

o

o

85

6

-

Observações que 8eseguem

 

às

 

diagnoses. o • o o • _ o ••

o

o

90

7

-

Parte acessória das diagnoses. o

 

o

o

..

..

..

..

92

8

-

Descrição de variedades

 

o ..

o

o

o

..

..

 

..

95

9

-

Preparação de

chaves

o

••••••••••

 

o

o

••

o

o'

 

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

96

DI

-

RAIzES

GREGAS

E

LATINAS

lllAIS

IMPORTANTES

 

NA

COMPOSIÇÃO

 
 

DOS

NOIIES

SISTEHÁTICOS

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

••

o

o

o

••

o

o

••

o

••••

o

o

o

99

 

1

-

Dificuldades

 

o

o

o

o

99

2

-

Categoria

gramatical

das

mesmas

 

o • o ••

o

o

o

•••

o

o

o

o

o

100

3

-

Das

raizes

latinas

o"

o

:

o. o"

o"

100

4

-

Pronúncia

dos

nomes

em" -IA

 

o

o

o

o

o

•••

o

o

o

o

o

••

o

o

o

101

5

-

Relação

das

mais

importantes

......

 

..

101

IV

-

TRECHOS

SBLECIONADOS

109

 

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

o

_

o

o

o

o

o

o

o

o

••

o

o

o

o

o

V

-

DICIONWO

LATINO-POItT1J'GU'ts

APLICADO

A BormCA

••

o

o

o

o

115

...

INTRODUÇÃO

• Indodi dl.cant et ament

mlminl..

e perltl;.

Não é inoportuno êste despretenctoso ens4io. ~ que o latim empregado

em larga escala até o século ~sado - e aind4 hofe, embora em

mais

modestas proporções, por fôrça das convenções mantidas por todos os con- gressos bot4nicos (o último em 1950) - não fôra, até então, analtiado sob o ponto de vista aqui adotado - pelo menos, tanto quanto pudemos apurar; em nosso magnifico Idioma. (*) E ver-se-4 que não poucas peculiaridades êle demonstra, quase completamente concordGntes com o latim clássico lite- nirlo, mas com car4ter de exceção; não raras vezes ·certos vocábulos Um sentido todo próprio em Bot4nica, longinquamente abonado pelos clásSiCOs. Procuramos ressaltar tais diferenças para que seu uso sefa compreendido e ,,'Ontinuado, f4 que são verdadeiros padrões de lin(l1Ul.gem por todos ente7l- didos; sirvam-nos de exemplos: os verbos GAUDERE e LUDERE, a decU- naçao dos gregos neutros em -- MA, a declinação dos gregos femininos em -IS, o emprego de raizes gregas latinizadas, a declinação dos nomes com- posto. latinos, o uso da letra J, a declinação de SP'ECIES, EI, etc.

Essas particularidades, associadGs ao modo peculiar de descrever, justi- ficam o presente ens4lo; além disso, lhe s40 inerentes proprled6des didátictU, que constituem sua aspiração última. Assim, julgamos ter assinalado e escla- recido umas tantas singularld4des seculares e, ao mesmo tempo, fGCllitado o estudo dos interessados em SlstemlitfccJ f16I1etd1.

Posto isto, a nomenclatura bot4nica e as descrl§f'tes de novas entidades ta3:ionômicas devem, obrigatoriamente, ututzar o latim e vozes gregas latini- zadas (raramente em estado puro); isto se tomou pràttcamente exequfvel desde 1753, quando o genial Carlos de Llneu Introduziu a nomenclatura bm4ria por meto de sua famosfsslma obra "Species Plantarum". Em 1867 l} Congresso Internacional de Bot4ntca - reunfdoem Paris - ratiffcou, o

(*) Recentemente encontramOll na revlISta "Svenslt BotanllSk TldR", 45 (3):534 - 537, 1951, uma análise em sueco de um livro tamb~m escrito nesaa Inacetllllvel l1ngua denominado "Latln for botanlster och zoologer" de B. Wlkén (Gleerups, Lund 1951, 497 pags.). Tendo podido compreender o titulo, notamos ser um trabalho de maior amplitude que o nouo, para botAnlcOll.

-12-

empr~go do latim, mantido reforçado em 1950. Dêste modo a matéria é perfeitamente atual. Em épocas pre-lineanas havia centenas de obras sôbre ao, ciéncias naturais redigidas naquele idioma, apenas sem a necessária uniformidade e clareza, introduzidas pelo eminente sábio sueco. Com a utilização tão extensa dessa lingua naquela ciência, constituiu-se como que uma espécie de ramo aparte - originário do chamado latim cien- tifico da IdadeMédia - agora denominado "latim dos bot4nicos", como faz Candidod e Figueiredo (8); êste conhecido autor, contudo, se engana ao dizer

"porque os bot4nicos criaram um latim para seu uso - o LATIM BOTA-

NICO

...".

1á que não foi êle criado pelos bot4nicos e, Sim, adotado da Idade

Média, como mencionamos há momentos. ~le concorda, igualmente há pouco o adiantamos, em sua maior parte com o latim clássico quanto à ortografia e, tanto quanto possivel, no que concerne à gramática prOpriamente dita.

Empregando a bela Zfnçua de Cícero, que continua a ser aquilo que se.mpre foi para os naturalistas, temos obrigação de o fazer o mais correta- m~te possivel. As gramáticas latinas usuais escasso auxfZio prestam quando alguem pouco afeito ao seu. maneio deseja descrever uma nova espécie ou criar um novo nome genérico; menos ainda os dicionários por não suprirem

o leitor com" a terminologia

bot4nica,

inexistente ao tempo

dos

clásSicos.

O vocabulário de Steinmetz (28) apenas regista os termos no nominativo, não indicando nem o gênero nem a declinação (desinência do genitivo sin- gUlar); mesmo que fosse completo, pouco auxílio propiciaria ao inexperto. Càbrera (3) tentou remediar isto dando noções do idioma em questão; o pequeno volume de informações aliado às incorreções tipográficas torna seu trabalho inoperante - mais ainda por 1ulgar êle que as descrições latinas devam ser simplesmente um resumo dos caracteres mais importantes, segui- d4S de outras correspondentes e na língua do autor ou ainda" em latim; ba3eado no primeiro pressuposto, deu parcimonioso desenvolvimento, conso- ante assinalamos, ao seu artigo. Dai concluirmos que, tanto C4brer4 como Steinmetz, obrigam o leitor a possuir prévio conhecimento bastante apreciá- vel, suficiente para dispensar o primeiro artigo citado.

Sempre usamos, oomo muitissimos' outros, completas descrições latinas e assim há de ser porque nosso lindo idioma, infelizmente, é desconhecido nos grandes centros cientificos; uma bôa diagnose latina é perfeitamente clara para suecos, 1aponeses e indús, pois tstes usam a mesma lfngua em se tratando de Bot4nica. Quando enviamos ao conhecido prof. H. J. Lam, de "Leiden, nosso trabalho (coI. com P. Occhioni) "Dialllpetalanthaceat' acompanhado do material herborizado correspondente, êle não esqueceu, em sua resposta, de fazer ref81'éncia a "very complete description of this r6m4rkable plant .• . ", tódaem latim e, por isso mesmo, clartssima para êle, eminente Sistemata.

-13-

Concluimos pela enorme vantagem de não limitar as diagnoses às curtas descrições em latim, seguidas de mais completas em portugu~s (ou outra lfngua em que escreve o autor).

o presente trabalho baseia-se no que podemos chamar, sem exagero. os "clássicos da Bot4nica", citados em parte na bibliografia apresentada no final. Lineu, Eichler, Urbano Willedenow, Meissner e muitos outros menos conhecidos mas latinistas tão bons quanto os nominalmente citados. Dividimo-lo em cinco partes bem distintas, a saber:

1

-

Noções indispensáveis de gramática latina, onde são estudados não só os fundamentos do latim clássico como também as particularieta- des do latim dos bot4nicos.

11 -

Redação de diagnoses, em que é feito um estudo acurado de como os sistematas usam descrever mas plantas.

111 -

Raizes gregas e latinas mais importantes na composiçção de nomes sistemáticos.

IV -

Trechos selecionados para leitura e tradução, os mais simples e belos; acompanha pequeno vocabulário para palavras ou expressões ausentes nos dicionários.

V

-

Dicionário latino-portugu~saplicado à Bot4nica.

Nessas cinco partes os exemplos são exclusivamente referentes à ciência das plantas, o que aumenta sensivelmente as possibilidades de empr~go direto por parte dos interessados.

Esta obra não pode ser considerada completa, embora pouco falte para tanto, talv~s; com a continuação, anos afóra, sem dúvida o conseguiremos, ainda que isso não tenha efeitos práticos sensfveis; aquf se encontra mais do que seria necessário ao interessado.

NOÇOES

INDISPENSAVEIS

DE

GRAMÁTICA

LATINA

1 - 'Alfabeto --

_

Compõe-se de 23 ou 24 letras, segundo se considere ou não como tal o J:

A,'a

 

G,

g

O,

o

U,u

B,

b

H,

h

P,p

V,

v

C,

c

I,

i

Q,

q

X,

x

D,

d

L,

I

R,

r

Y,

y

'E,. e

 

M,m

S,

s

Z,

z

F,

f

N,

n

T,

t

OBS. -

As letras

K, X, Ye Z aparecem em vocábulos gregos; os nomes

oriundos desta língua trocaram o K por C, embora aquela tenha sido letra

integrante do latim em seus primórdios, depois substituida pela outra. Os

cem Z assim permaneceram, não aparecem.

mas são poucos;

os

com X

e

Y praticamente

Importa-nos, porém, discutir com mais minúcia o I. Os romanos não empregavam na escrita a letra J e, sim o I; contudo, na pronÚDcia se diferen-

ciavam tão bem como hoje. Salvo poucas exceç6es, o I é consoante (isto é J) quando precedendo uma vogal, no iIúcio ou meio da palavra: iam (iam, já, agora' mesmo), coniuges (coniuges, esposos); nos demais casos é vogal, isto

é. tem som de I português: Ilex (gênero de plantas), etc

Como exceções

.. podemos apontar, ex. gr., algumas vozes gregas, sem importância para nós, e certos comparativos latinos: tenuior (mais ténue), a8siduior (mais assíduo) . Não temos interesse em entrar a analisar minudências a respeito porque carecem de valor, dado seu caráter excepcional.

Se a diferenciação fonética entre os dois sempre foi caracteristica do latim, inclusive da decadência, a distinção ortográfica remota a época porte-

rior

à

Idade Média.

O

nosso latim -

oriundo, como é, do

chamado latim

-ltS -

ciE'ntifico daquela fase da história - utiliza demasiado frequentemente o J. Não falamos latim, escrevemo-lo simplesmente; serã, pois, duplamente prã- tico abandonar tal letra, como fazem muitos cultores do magnifico idioma.

Em primeiro lugar, não teremos necessidade de cogitar da mencionada distinção. Em segundo, estaremos com todos os c1ãssicos literãr1os. Posto Isto, podemos empregar apenas em nossos escritos a vogal e consoante I (1). Nos textos botânicos, antigos e modernos, vamos quase sempre encontrar o J, o que não tem, conforme explanamos, a minima importa,nc1a. Finalmente, não cometerã nenhum absurdo quem porêstes se reger.

Nota

-

Somos forçados

a

abrir exceção para os

nomes genéricos e

especificos, aos quais as regras de nomenclatura proibem quaisquer modifi-

cações, mesmo quanào erradamente grajaàos por seus rupectíVOB crtaàores.

Assim, Jasminum e derivados

(jasminoides,

1asminijlora,

etc.)

terio

os

J

respeitados. Tais vozes serão consideradas neologismos e, por Isso, não entram enl discordância com o acima exarado. Aliás, os neologlsmos ocupam lugar preponderante desde o latim medieval e, mesmo, em plena Roma dos clássicos (veja a êste respeito o distico escolhido sob o titulo do dicionário).

-

2

Número

Singular e plural, havendo, contudo, palavras Q.ue só existem no plural (pluralia tàntum) e outras com significado diverso conforme o número, v. gr., scopa, ce: sing. (raminho, graveto), scopre, aTUm: plural (vassoura). Como exemplo de pluraUa tantum temos: ramalia, aUum (a ramagem).

  • - 3 ~ Gênero -----------------

Masculino, feminino e neutro. O gênero é dado ou pela significação do vocibulo (gênero natural) ou pela desinência (gênero gramatical). Assim, Prunus e Cupressus seriam masculinos pela terminação ou desinência, mas, n:>. realidade, femininos por representarem cousas aceitas como tais (plantas)

  • - eis a diferença entre gênero gramatical (pelo qual ambos seriam masculi-

nos) e gênero natural (o que prevaleceu no caso). l!: curioso que crystallus

(o cristal)

seja feminino, tanto mais

que se di larga preferência

à

forma

neutra CTYstallum. Os dicionirios indicam o gênero dêste modo: f. - femi- nino; m. - masculino e n. - neutro, não havendo maior dificuldade; assim também o nosso dicionário o indicari, ji que poucas vezes se o pode

descobrir ao simples exame da palavra isolada •

-17-

  • -- 4 Parte Jo Discurso -------------

Temos só precisão absoluta de: substantivos, adjetivos, advérbios e pre- posições, os dois primeiros declináveis e os dois últimos invariãveis. Secundà- rIamente poderemos utilizar pronomes e verbos, os primeiros sujeitos às declinações e os últmos muitas vezes no participio passado.

-

5

.

Tema

e

6

.

Desinência ----------

Noções de extrema importância. Tema é a parte imutável das palavras e desinência ou terminação a parte final variâvel. Obtem-se o tema àe qual-

quer termo pela eliminação da desinência do genitivo singular: qual o tema

da palavra corolla? Sendo o genitivo singular corollal, retiramos a sua termi- nação al e teremos o tema coroll. Mas, para isto precisamos saber sempre o genitivo singular de todos os vocâbulos. Quem no-lo darã? Os dicionários, onde todos os substantivos se acham nesta ordem: nominativo singular (ou nom. plural nos raros casos em que não hã singular: v. n. 2>, desinência do genitivo singular (ou plural nos casos acima> e, por fim, o gênero a.breviada- mente como indicamos em. n. 3. Exemplos: procuremos o vocâbulo lolium,

a folha; como o encontrar~mos cItado? sing. (/olm e n. expressando o gênero

Follum,

neutro.

I, n. -

nom. sing., I

do gen.

Agora vejamos Ilos, flor. Fios, lloris m. - nom. sing., 110m o gen. sing. por extenso porque a forma- çIo dele é um tanto irregular e m. demonstrando ser masculina a palavra.

Seus temas são, li. vista da Indicação do dicIonárIo:

Follum, lolif -

tema loli.

Fios, 110m - tema llor.

No caso de lolium, I, o genitivo é, consequentemente, obtido pela substi- tuIção de um por i e no de llos dado d1retamente pelo dicionário. E assim em todos os demais casos.

  • - 7 . Dechnaçio

A grande importância do conhecImento do. tema e das desinências reside nas declinações. Declinar é adicionar ao tema de cada palavra a àelIi· nlncia adequada ao que se quer expressar, isto é, a terminação earacteristica de cada caso. Qual a finaUdade das decl1n.açõeB? Exprim1r as diferentes

18 -

relações lógicas das palavras entre sI, o que em portuguêll , feIto-·peJQa artigos, preposições e colocação dos nomes. Em latim nAo art1g08, 8WUI preposições são algo diversas quanto à forma e uso; igualmente, a.éOJOcaçAo dos vocábulos (pronomes!) pouca importância tem, de um modo ~

Posto isto, com a mudança da terminação dos substantivos,adJetlvOà e

pronomes (as três categorias de vozes declináveis)

e pelo contexto podemos,

sem grandes dificuldades, entender o latim dos bot4nicos.

  • -- 8 • Número e Reconhecimento Jas Decl;naç~es---

São cinco

e fàcilmente reconhec1veis pela

terminação do genitivo Iiln-

gular, obtido -

como já

vimos -

nos dicionários:

 

Gen. sing.

Declinação

-AE

La

-I

2.1'

3.1'

 

-'-US

4.1'

-EX

5.1'

 

.

.

Vejamos alguns exemplos abrindo o dicionário (al~ desSaSpil.la,n-l1s não ocorrem em todos êles):

Planta, ae,

f.

-

-

a

planta

Ramus, i, m.

o ramo

Prunus, i,

f.

-

a ameixeira

lndusium, i, n. -

o indúsio

Ramalia, alium, n. - 8emen, 18, n.

-

a ramagem

a semente

Arbor,

is,

f.

-

a

árvore

Frutex, frutlcis, m. -

o arbusto

. Fruetus,

us,

m

'--

..

o fruto

Tribus,

us, f.

-

 

a

tribo .

Spedu,

eI,

f.

-

a

eapécle

La decI.,

 

2.1' decl., masculino; 2.1' deCI., feminino' 2.1' decI., neutro.

3.1' decI., neutro.

.3,1' liecl., fen:üIllno:

3.1' decI., masculino.

4.1' decI.,

 

.'

 

-

.

4~ad~cI~,_ feminino.

5.1' decl" feminino .

feminino ...

3.1' decI., neutro (pluralia tantum:

.

v.

n.

:f).

-19-

-9. Casos

Cada declinação se compõe de seis casos: nominativo, genitivo, dativo, acusativo, vocativo e ablativo, dos quais o vocativo será eliminádo de nossas cogitações por seu nenhum interesse (para nós, entendido). Sliasdesinências podem variar de acôrdo com o gênero e o número, estando ainda sujeitas a muitas exceções e particularidades. Por isso, não é matéria para ser decorada e, sim, consultada; contudo, a prática a vai fixando na memória.

Funções dos casos - O nom. indica sempre o sujeito, aquele que executa a ação expressa pelo verbo. O gen. exprime uma relação de posse' ~u proprie- dade (complemento restritivo): a folha da árvore (jolium arboris, o 1.0 nom. e o 2.~ gen.). O dativo é o caso do objetoind1reto OU complemento termi- nativo: com o perfume semelhante ao de Ja.srn1m '(odore Jasmino simili, o 2" dativo) . O acuso refere o obJeto direto, aquele que recebe a ação expressa

pelo verbo:

as plantas têm folhas (plantae jolia habent, o

1.0 nom.

e

()

2.0

plural). O abl. designa as múltiplas circunstâncias em que pode se . dar a -ação: tempo, lugã.r, causa, modo, instrumento, etc ..

acuso

Depois de dadas as declinações isto se tornará mail! claro.

O ablativo é um dos casos mais importantes em Botânica porque não deixa de dar idéia de posse, desde que se não trate de complemento restritivo; de. um modo apenas empírico podemos diferenciá-los por meio das partículas usadas em português: da: gen., com: abl.: as folhas da planta são grandes

e verdes (jolia plantae magna et viridia, gen. emplantae). Planta com folhas grandes e verdes (planta joliis magniset viridibus, abl. em joliis). :l!:ste tipo

de construção é usado na grande maioria das descrições mais simples de plantas. Atente-se para os adjetivos magna e viriãia, cujas desinências acom- panham seus substantivos nas modificações apresentadas, o que é próprio deles.

-

10

Nomes

Gregos

Seguem quase sempre as declinações latinas: 1.", 2." e 3.". Mesmo stoma (estômato, pequeno poro ou abertura), que. deveria fazer o abl. plural em -IS (stomatis), acompanha essa norma segundo o uso consagrado dos botânicos.

Contudo, Bot4nica se declina em grego e, naturalmente, não poderíamos esquec~r semelhante vocábulo. Aproveitamos, então, a oportunidade pa'!"8 nos livrar dessa única declinação grega que nos interessa:

-

20

-

Nom.

Botan1ce

Gen.

Botanices

Dat.

-

Botan1cae

Acus.

-

Botanicem

Abl.

-

Botanice

- são poucos. Isto se refere às palavras gregas

N. B.

Há quem decline Botanica, ae, f., na primeira decUD"o'o.m.s

em -E,

-AS

e -ES.

A ~

grega acima diz respeito ao singular: os mesm.qs termos ~ueIIl O -WJJl latino na primeira declinação.

c

__

11 •

Declinação

elos Substantlvo

..

",

_.

,

Primeira decltnação:

Encerra substantivos fem1n1n08 e poucos rnaseu11nos.

C

A sos

SIJI'G'l1LAIl

, SI_OJl'I'I~A.O

 

Nom.

planta

(a planta>

a

ou umà plaDtll

Gen.

Plant--re

da

ou

de

plçta -

Dat.

Plant--re

ii.

ou

a uma planta

 

Acus.

plant"--am

a

ou uma plantá

da,

Abl.

plant"--a

com ou pela planta

C

A sos

PLURAL

SIGNIFICADO

 

Nom.

Plant--re

as plantas

 

Gen.

Plant"--arum

das plantas

Dat.

Plant"--is

às plantas

 

Acus.

Plant"--as

as plantas

 

Abl.

Plant"--is

das,

com

 

as

ou

pellÍ.S

 

plantas

As desinências foram e serão destacadas somente quando caracterlsticas dos casos. Em muitos nominativos elas são variáveis e por isso aparecem unidas aos temas.

-lU

-

Qualquer outra palavra que os dicionários nos revelarem pertencer a esta declinação será declinada pela adição das terminações separadas pelo hifen ao tema. E assim para tOdas as outras.

Segunda decltnação:

 

Encerra

nomes

masculinos

(nom.

em -US,

-ER

e

-IR)

e

neutros

(nom.

em -UM);

muito p~ucos, por

exceção,

são femininos,

alguns dOI

quais já citamos. Não repetiremos daqui por diante

o significado, sempre

igual.

   
 

Substantivos masculinos;

 

C

A SOS

SINGtrLAR

PLtrRAL

Nom.

Pil-us

(o pêlo)

PU-i

Gen.

PU-i

Pil--()rum

Dat.

Pil--()

Pil-is

Acus.

Pil-um

Pil--()s

Abl.

Pil--()

Pil-is

Substantivos neutros:

Vimos que

fazem

o

nom. sing.

em -UM. Todo

o singular

é

igual

ao

anterior, mas não o plural,

 

C

A sos

SINGtrLAR

PLtrRAL

Nom.

foli-um

(a folha)

foü-a

Gen.

foli-i

foü--()rum

Dat.

foli--()

foü-is

Acus.

foli-um

foli-a.

Abl.

foli--()

foli-is

Os neutros em ~US (como virus, o veneno) são excepcionais. Relembra- mos que isso não tem importância porque os dicionários indicam sempre o gênero bem como o que apresentaremos na parte final.

Terceira declinação:

ll: a mais complexa por apresentar numerosas particularidades e exceções.

Inicialmente convêm notar que o nom. slDg. é extremamente variável em sua desinência, o que carece de maior importância: rex, genus, julgur, calcar.

mare. acumen. jÍDs. call1x, crassitudo, orbts, j411Cf8, etc

..

o ien. sq. característico -IS.

Nunca, porém, varia

-=22~-··

,Vamos

distribuir,

sob um

ponto de vista. exclusivamente prátIco, as

palavras de interêsse botânico em grupos, uniformes quanto às declinações; quando se tratar de declinar um .dado. termo, ptocur~_-se Q ,g~pO prêviamen~ em que êle se enquadra. Os três gêneros estão mais ou menos igualmente

. representados.

1.0 grupo -

Vocábulos com o mesmo número de silabas no nom.

e

gen.

singulares (parissllabos) e palavras com o gen. sing. possuindo mais sílabas do que o nom. sing.' (impanssilabos>, cujo tema finaliza' por mais de uma

consoante.

São, na realidade, dois grupamentos de yozes com igual sistema de declinação. Exemplos: caulis, caulis, parissUabo (o caule; nom. egen. sing. com o mesmo número de sflabas); nox, ·noctis, tema: noct, imparissflabo com tema terminado por duas consoantes. Tôdas as palavras de nosso' inte- resse se filiam a caulis, is nêste grupo primeiro.

C

A sos

SINGULAR

 

PLURAL

Nom.

Caul1s

(o caule)

Caul-es

Gen.

Caul-is

Caul-ium

Dat.

Caul-i

Caul-ibus

Acus.

Caul-em

'Caul-es'

Abl.

Caul-e

C"ul-ibus

2.° grupo

-

Formado pelos imparissllabos (gen. sing. com mais sflabas

do que

o

nom.

sing.)

cujo tema termina por uma só consoante;. exemplo:

TCICUX, Taclicis -

tema Taclic

(ge?

sing. sem

a

desinência -IS).

:B:ste

é

o

maior e mais

importante grupo da' 3. a decllnação.

 

Masculinos e femininos:

CASOS

SINGULAR

PLURAL

Nom.

calyx

(o cálice)

calye-es

Gen.

calyc-is

calyc-um

Dat.

calyc-i

caJ.yo--ibus

Acus.

calyc-em

calye-es

Abl.

caly-e

calyo--ibus

Neutros:

CABOS'

SINGULA:R

PLURAL

Nom.

genus

(o gênero)'

gener-:-a

GE'n.

gE'ner-ia

gener-um

-' 23-.; ....

Dat.

gener-i

gener-ibus

Acus.

genus

gener-a

AbI.

gener-e

gener-ibus

Pelo exposto, os grupos primeiro e segundo assim se diferenciam:

 

Grupo 1.°

Grupo 2.°

Gen. plural

-mM

-UM

Nem. pI. neutro

-A

OBS.

-

1. A importantíssima v6z grega epidermis, epidermidis (a epi-

derme) segue exatamente, nêste grupo, o modelo c4Iy:c, eis por ser ·feminina.

2. O igualmente útü vas, vasis

(o vaso), neutro, por exceção faz o geni-

tivo plural da 2. a declinação (vasorum) , porém, em todos os demais casos

acompanha o paradigma genus, generi$.

3.° grupo -

Constituido por nomes neutros fl.nal1zando por: -E, -AL e

-AR, como exemplar, aris.Para nós apresenta menos interesse. Tomemos como paradigma calcar, is (a espora; em Morfologia vegetal: calcar ou espora, um apêndice do cálice ou corola presente em várias famillas).

CASOS

SINGULAIt.

PLURAL

 

Nem.

calcar

(a espora)

calcar-ia

Gen.

calcar-is

 

calcar-ium

 

Dat.

calcar-i

calcar---:ibus

Acus.

calcar

calcar-ia

 

Abl.

calcar-i

calcar-ibus

 

Todos os demais nomes

neutros

(finalizando

em:

-L, -US, -MEN,

etc.) pertencem

ao

2.° grupo, precisamente

o

mais importante:

acumen,

acuminis;

semen,

seminis;

putamen, . putaminis;

genus,

generis;

corpus,

-corporis,

etc.

4.° grupo

-

Vocábulos

neutros em -MA de origem grega, que, õbvia-

mente, eé.o para nós devéraa importantes: 8tigmai 8ttgmatiB; stoma,8tomatis;

parenchyma, parenchymatis; :t:1Ilema, :t:JIlemat~; phloema,-tis;' PJ'0881tChJlma, tis; rhizoma, tis; meristema, tis;-8c~enchJlf174. &; collenchJlma, tis;

sfroma, tis; ascoma, tis; plectenparenchvTna~ tia.'

_.

-. -

-

CASOS

Nom.

SINGULAR

St1gma

(o estigma)

PLURAL

Stigmat--a

-24--

Dat.

Stigmat-l

Stigmat-lbuI

:.~'.:;

 

Acus.

Stigma

stigmat--:&

'

Abl.

Stigmat-e

Stigmat-lbus'

Assim preferem os botânicos e nem polisso

incorrem

em en'Ot ,~

 

que os clássicos gostem mais de fazer com que

sigam, no plural,

a.a decli-

nação: stigmata, stigmatorum, stigmatis, stigmata, stigmatiB.

5.° grupo -

Palavras com acusativo singular em -1M ou -lN 1Ddlf~­

temente, e ablativo singular sempre em -I. São nomes gregos, quee6 dta-

mos pela importância de cinco voCábulos em Botânica: baBts, fi (&,b8se);

anthesis, is

(a ântese,

época de

abertura das fiores);

rac1Ua. "Ja"~~ue,

eixo da inflorescência); diagnosis, is (diagnose, descrição)

e~.

fi

(a

sinópse). São todos femininos.

CASOS

SINGULAR

PLURAL

Nom.

basla

 

Gen.

bas--Ia

bas-lum

Dat.

bas-i

bBf-lbua .

Acus.

bas-im ou -in

 

Abl.

bas-l

bas-lbu8

Do mesmo modo, os restantes. Dá-se preferência ao acuso B1ng. em -lN, nos textos taxin6mícoa.

N. B. - Excelentes latinistas botânicos, como Eichler e L1Deu, empre- gam no gen. sing.a forma grega -EOS: baseos, antheseos ("lobla baSeos", "antheseos tempore", "racheos foveas"). lt emprégo autorizado em Botânica, portanto, mas será preferível adotar a forma latina para unitorm1zar.

Parece-nos

dêste modo

ter

surpreendido tOdas as

eventualidades

(de

nosso particular interêsse) . capazes de surgir nesta d1ficll declinação.

Tenhamos, como facilidade, em mente o seguinte:

,

1

-

O gênero neutro tem os nominativos sing. e plural. sempre iguais aos acusativos do mesmo número.

2

-

O dativo sing; é sempre em -I.

3

-

O dato

e

abl.

plurala terminam constantemente em -mus.

Quarta declinação:

Só temos interesse nos masculinos e (por exceção) femíninos (nom. sing.

 

-

SlS-

em -US):

fructus, us

(o fruto);

tribus,

us

(a tribo);

Ficus, us

(o Ficus,

gênero de plantas ou o

figo

e figueira)

e poucos mais.

CASOS

SINGULAR

PLURAL

 

Nom.

Fie-us

Fic-us

Gen.

Fic-us

Fic-uum

Dat.

Fle-ui

Fic-ibua

Acus.

Fie-um

Fie-us

Abl.

Fic-u

Fic-lbw.

Esta palavra também pode ser atribuida à 2.- decl.: Ficus, i, f.; contudo,

representando um gênero da família Moraceae s6 se emprega na

4.- decli-

nação. Os substantives neutros aqui não têm o mínimo interêsse para a ciência das plantas.

Nota -

Sinus, us (veja dicionário)

faz o ablativo

e dativo

plurais em

-UBUS:

sinubus.

Quinta declfnaçtfo:

 

Nomes

femininos,

dos

quais praticamente

nos

importa

species,

ei

-(a espécie).

CASOS

SINGULAR

PLURAL

 

Nom.

speci-es

speci-es

Gen.

specl-el

speci-erum

 

Dat.

speci-ei

speci-ebus

Acus.

speci-em

speci-es

Abl.

speci-e

specl-ebus

Muito

de

propósito

escolhemos

eSSa

importantissima

palavra

como

 

modelo:

é que ela clássicamente não apresenta,

no

plural, mais do

que

nom., acuso e vocativo. Nos textos botânicos mais respeitáveis, porém, é declinada em todos os casos, como o fizemos. E isto porque seu significado tendo sido ampliado (passando a expressar a unidade sistemática funda- mental) houve necessidade, paralelamente, de aumentar as possibilidades de emprêgo. Assim, com grande frequência encontramos e usamos:

"conspectus specierum", "conspectus specierum Brasllienslum", "in aWs speclebus", etc ..

 

..

-

28-

 

"

- --"""""

'

 

_.

  • - 12 • Nomes Compostos

'-~_',,"-••• í'

" ,~~ tl,B~'jli

Em Fitotaxinomia podemos dizer

que

compostos o são

por dois

ou, raramente,

a grande ~ mais substantiV08:taI

..

::~i;f-'

..

__

,.'

compostos são passiveis apenas de declinação em seu ~ pois segundo a regra o primeiro (genitivo de especificação) f1

'0.':,.:%1

..

1 íi

1I;.iifft(S.;

,., assim, pipericaulis (com caule semelhante ao de Piper) só. ~-in'

..

seu segundo elemento, sendo o primeiro um genitivo que Il~t",~~

tante.

O

mesmo se diga para os' compostos

de substantiVQa •

.c~

de natureza invariável: Orthotactus, i; intrapetiolariB, e; epiph~~,'!~

O genitivo da especificação deve pertencer à decl1naçio do ~ questão: uma planta com folhas de Begonia seré. begonfalfoUa ~~ pertence à 1." declinação. Uma dada espécie com fiores multo .~~~

ez;o.

à.~ de Cestrum seré. cestriflora porquanto Cestrum é

da 2." ~.~"""6

classicamente, mas não em Botânica moderna.

Agora atri~ ,,~ o

genitivo de especificação à 2." decl.: apezar do que dissemoS Mtrit~· cfêerto

é begoniifolia

(como se Begonia fosse

P:per ser da 3." decl.

da

2."

decI.);

pt~.

'

,'-_

~

•.

'

de

Muitos nomes compostos -

especialmente especiticos "::':;'&;"\io~.titiliàos

por um adJetivo qualificativo unido

grandiflorus, a, um;

a

um substantivo:.~.o. v,m;

calliacanthus, a, um; etc. Manda ã'graDjitica 1âtbía

que se declinem, nestes, ambos os componentes. IDJII' 01 botAnlcoe o, f

..

,m

apenas

no segundo membro

(substantivo), tratando o

primeiro

como

se

, fOra também substantivo tomando-o sob a forma genitiva.

  • - 13 • Gênero Português Jos Epítetos Latinos

A questão é

bem mais importante do

que parece, pois temos visto ser

tratada de modo inteiramente arbitrário. Devemos escrever (dizer): o' ou a

Desmoncus

polyacanthus,

o

ou

a

Ruellia

amoena,

a

ou

o

Peltophorum

Vogellianum?

Podemos agir de duas maneiras: 1. Atribuir a todos os nomesespeci- ficos o gênero feminino baseados na concordância latente, referindo-se ê. palavra planta: a Desmoncus polyacanthus (subentendemos: a planta chama- da D. polllacanthus), a Ruellia amoena (não dúvida porque o binOm1o é feminino). a Peltophorum Vogellianum (isto é, a planta denominada P. Vogellianum). Se a concordância latente fosse referida ao vocábulo vegetal, tudo seria masculino; contudo, isto não se usa porque repúgna dizer: o oR. amoena, ainda se subentendendo: o vegetal oR. amoena, acrescendo a dr- cunstância de ser vegetal muitíssimo menos empregado do ,que planta. 2.

--27 -

Outra modalidade seria atribuir a cada binOmio o gênero latino: o D. polyn.-

ccmthus, a R.

amoena, o P. Vogellianum (neutro, em português masculino),

A concordância latente com o nome vulgar, segundo Candido de Figuei- redo (9), é desprezível por inexequível; realmente, só plantas muito conheci-

das - ou por alguma

propriedade especial ou por sua abundâIicia - é que

recebem nomes populares, havendo, consequentemente, muitos mlIhares delas (n grande maioria) conhecidas somente pelos epítetos cientificos: o Quercus alba (binómio feminino, mu. o artigo se refere ao carvalho, nome vulgar da mesma), Pelo dito, a quasi totalidade do reino vegetal (incluidos os inferio-

res, microscópicos, etc.) estaria a salvo de semelhante prática, Sejamos justo já que êle reconhece não ser erro admitir o gênero feminIno, apenas não entra em minudências, deixando a matéria obscura,

Será sempre faclI empregar o segundo modo de dizer para quem conheça

0<1 adjetivos de

1.&

e

2.& classes;

eis aí uma razão prática para adotarmos

R. primeira, que nem isso exige, além de uniformizar.

-

14

.

Declinação Jos AJjetivos Qualificativos ----

Como é natural, são tão importantes quanto os substantivos que quali-

ficam e com os quais concordam em gênero, número -e caso:

arbor elata

(árvore "muito alta) - tivo feIO, -nom., sing."

arbor, substantivo feminino, sign., nom.;

elata, adje-

Os qualificativos latinos são divididos em duas classes quanto às decli- nações:

i-Adietitlos de i.I> classe -

Declinam-se- nas 1.& e 2.& decl.

de acordo com

o gênero da palavra: os femininos na La e oS masculinos na 2.&.

:l!:stes adjetivos de 2~& cIassesAo triformes, isto é, têm três desinênCil\S segundo o gênero:

Gênero

Desinência

Exemplos

Masc.

-US e ER

acutus, glaber, parvus, asper

Femin, "

-A, -RA e -ERA

acuta, glabra, parva, aspera

Neutro

-UM, -RUM e -ERUM

acutum,

glabrum,

parvum,

 

asperum.

As quais, na grande maioria dos casos, reduzem-se a -US, -A e -UM, respecttvamente.

-

28-

Pesquisa nos cUclonãrios - diferem à primeira vista.

I:stes os indicam de duas maneJras

que

  • 1 Elatus 3

-

ou

elatus, a,

um.

  • 2 Glaber

-

glabra

glabrum.

Isto quer dizer que são t11formes (Indlca<Jo por melo do algansmo 3 ou pelas três terminações) e da 1.& classe (evidente pelas desinências do nom.

das 1.- e 2.- decl.);

o gênero no

caso concreto será o mesmo do substantivo

ao qual deva ser referido o adjetivo.

Ad:jetivos qualificativos em -US, -A, -UM

1: o caso mais frequente. Tomemos um): largo, amplo.

como paradigma latus

3 <latus,

a,

 

SINGULAR

PLURAL

Casos

Masc.

Femin.

Neutro

Masc.

Femin.

Neutro

Nom.

lat-us

lat-a

lat-um

lat-i

lat-ae

lat-a

Gen.

lat-i

lat-ae

lat-l

lat-orum