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FERNANDO COLLOR

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A História do Plano Collor 16/09/2003

Escrito por: Manoel Ruiz O presidente Fernando Collor de Mello chega ao poder depois de uma disputa no segundo turno com Luiz Inácio Lula da Silva, que surgiu dos movimentos de luta dos trabalhadores do ABC, tinha sido um importante líder sindical e era o grande nome do PT. Sua figura contrastava com a de Collor, que vinha da elite, porem não tinha de nenhum partido forte que o apoiava, mas soube usar com eficiência o marketing, e temas de moralização. Iria combater os altos salários do funcionalismo público, que denominava de marajás, com isso iludiu o povo e também teve apoio da mídia mais poderosa, e conseguiu se eleger. "Plano Collor" - A inflação em um ano de março de 1989 a março de 1990 chegou a 4.853%, e no governo anterior teve vários planos fracassados de conter a inflação. Depois de sua posse, Collor anuncia um pacote econômico no dia 15 de março de 1990, o Plano Brasil Novo. Esse plano tinha como objetivo por fim a crise, ajustar a economia e elevar o país do terceiro para o Primeiro Mundo. O cruzado novo é substituído pelo "cruzeiro", bloqueia por 18 meses os saldos das contas correntes, cadernetas de poupança e demais investimentos superiores a Cr$ 50.000,00. Os preços foram tabelados e depois liberados gradualmente. Os salários foram pré-fixados e depois negociados entre patrões e empregados. Os impostos e tarifas aumentaram e foram criados outros tributos, são suspensos os incentivos fiscais não garantidos pela Constituição. É Anunciado corte nos gastos públicos, também se reduz a máquina do Estado com a demissão de funcionários e privatização de empresas estatais. O plano também prevê a abertura do mercado interno, com a redução gradativa das alíquotas de importação. As empresas foram surpreendidas com o plano econômico e sem liquidez pressionam o governo. A ministra da economia Zélia Cardoso de Mello, faz a liberação gradativa do dinheiro retido, denominado de "operação torneirinha", para pagamento de taxas, impostos municipais e estaduais, folhas de pagamento e contribuições previdenciárias. O governo libera os investimentos dos grandes empresários, e deixa retido somente o dinheiro dos poupadores individuais. Recessão - No inicio do Plano Collor a inflação foi reduzida porque o plano era ousado e radical, tirava o dinheiro de circulação, porem com a redução da inflação iniciava-se a maior recessão da história no Brasil, houve aumento de desemprego, muitas empresas fecharam as portas e a produção diminui consideravelmente, tem uma queda de 26% em abril de 1990, em relação a abril de 1989. As empresas são obrigadas a reduzirem a produção, jornada de trabalho e salários, ou demitir funcionários. Só em São Paulo nos primeiros seis meses de 1990, 170 mil postos de trabalho deixaram de existir, foi o pior resultado, desde a crise do início da década de 80. O Produto Interno Bruto diminui de US$ 453 bilhões em 1989 para US$ 433 bilhões em 1990. Collor parecia alheio a sua política econômica desastrosa, procurava passar uma imagem de superhomem, sempre aparecendo na mídia se exibindo, pilotando uma aeronave, fazendo caminhadas, praticando esportes etc. Mostrava uma personalidade forte, vaidoso, arrojado, combativo e moderno. Quem não lembra da frase "Tenho aquilo roxo". Privatizações - Em 16 de agosto de 1990 o Programa Nacional de Desestatização que estava previsto no Plano Collor é regulamentado e a Usiminas é a primeira estatal a ser privatizada, através de um leilão em outubro de 1991. Depois mais 25 estatais foram privatizadas até o final de 1993, quando Itamar Franco já estava à frente do governo brasileiro, com grandes transferências patrimoniais do setor público para o setor privado. Sendo que o processo de privatização dos setores petroquímico e siderúrgico já está praticamente concluído. Então se inicia a negociação do setor de telecomunicações e elétrico, há uma tentativa de limitar as privatizações à construção de grandes obras e à abertura do capital das estatais, mantendo o controle acionário pelo Estado. Plano Collor II - A inflação entra em cena novamente com um índice mensal de 19,39% em dezembro de 1990 e o acumulado do ano chega a 1.198%, o governo se vê obrigado a tomar algumas medidas. É decretado o Plano Collor II em 31 de janeiro de 1991. Tinha como objetivo controlar a ciranda financeira, extingue as operações de overnight e cria o Fundo de Aplicações Financeiras (FAF) onde

centraliza todas as operações de curto prazo, acaba com o Bônus do Tesouro Nacional fiscal (BTNf), o qual era usado pelo mercado para indexar preços, passa a utilizar a Taxa Referencial Diária (TRD) com juros prefixados e aumenta o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Pratica uma política de juros altos, e faz um grande esforço para desindexar a economia e tenta mais um congelamento de preços e salários. Um deflator é adotado para os contratos com vencimento após 1º de fevereiro. O governo acreditava que aumentando a concorrência no setor industrial conseguiria segurar a inflação, então se cria um cronograma de redução das tarifas de importação, reduzindo a inflação de 1991 para 481%. A recuperação da economia iniciou-se no final de 1992, após um grande processo de reestruturação interna das industrias. Foi fundamental a abertura do mercado brasileiro para produtos importados, a qual obrigou a industria nacional a investir alto na modernização do processo produtivo, qualidade e lançamento de novos produtos no mercado. As empresas que queriam permanecer no mercado tiveram que rever seus métodos administrativos, bem como da organização, reduzindo os custos de gerenciamento, as atividades foram centralizadas, muitos setores terceirizados. As empresas são obrigadas a investir pesado na automação, reduz a hierarquia interna nas industrias, então cresce a produtividade. Toda essa modernidade era necessária para as empresas se tornarem mais competitiva, tanto no mercado interno quanto no mercado externo. O aumento de produtividade foi fundamental para a sobrevivência das empresas, porem para os trabalhadores, significava perdas de postos de trabalho, quer dizer com menos funcionários se produziam mais, então aumenta o desemprego dos brasileiros, que em 1993 só na Grande São Paulo chega a um milhão e duzentos mil trabalhadores desempregados. Impeachment de Collor - O Presidente da Republica foi substituído sem derramamento de sangue, golpe militar ou qualquer tipo de violência. Foi um processo pela via legal e demonstrou amadurecimento do povo e dos políticos brasileiros, o que foi excepcional para a América Latina. Collor pregava a moralidade, combate à corrupção, porem em seu governo foram constatados muitos casos de corrupção. Paulo César Faria o PC envolvido no esquema de corrupção dentro do próprio governo Collor, sendo que a CPI apurou que muito dinheiro foi para a conta corrente de Collor. Para se ter uma idéia da gravidade, custou aos cofres brasileiro, só para as despesas pessoais do presidente US$10 milhões e 600 mil. Ministros foram denunciados de corrupção, porem não houve condenações, Paulo César Farias chegou a ser preso, mas em pouco tempo ganhou a liberdade e foi curtir uma mansão na praia, onde foi encontrado morto crivado de balas. A policia não conseguiu provar nada, porem a opinião do povo era uma só, seria uma queima de arquivos.

ANÁLISE DO PLANO COLLOR
Da mesma maneira que o governo Sarney, o governo Collor precisou de um Plano para acalmar a economia nacional que estava em crise e precisava de uma estrutura econômica que desce condições dela soerguer e crescer de acordo com as condições das disponibilidades domésticas. O primeiro Plano que surgiu foi no governo Sarney com alguns trabalhos emergenciais de ajustamento de curto prazo, dada a situação em que a economia se encontrava naquele momento, com crises e mais crises atormentando o bom andamento da estrutura econômica nacional. O Plano Sarney teve alguns pecados que não deveriam ser seguidos pelo Plano Collor, já que se conheciam os erros, ou as inadequações que a economia não suportava que fossem naquele momento implantados tais ajustes com muita facilidade. O Plano Collor nada mais foi do que o Plano Cruzado; pode-se até mesmo dizer, mais ousado, porque sua pretensão era muito mais arrojada, muito mais imediatista, muito mais forte do que os objetivos do Plano Cruzado, que era mais brando, mais político e

porque não dizer, mais paliativo. A ambiciosidade do Plano Collor foi tal que a economia brasileira não suportou a ditadura do Presidente que queria crescer e desenvolver a todo custo e rapidamente, sem o aval dos industriais, dos banqueiros e latifundiários. O Plano era bom, no entanto, a índole do Presidente não deixava que os resultados econômicos surgissem com facilidades, já que a política do Plano vinha de encontro com os anseios de quem dominava econômica e politicamente toda a história, e sociologia nacionais. A aplicação desses Planos decorreu da falta de emprego, da queda da produção nacional, da falta de investimentos internos e externos, a busca incessante pela liquidez, o aumento da miséria e muitas outras dificuldades que a economia atravessava, e que precisava uma intervenção forte para uma volta à realidade. O Plano Collor surgiu sob a negação da classe empresarial, com boicote à oferta de mercadorias e a volta do ágio que foi muito comum no governo Sarney e que se esperaria não voltasse com tanta facilidade e às escondidas, não se pode deixar de conviver com esta triste realidade. No governo Collor, o Plano até que estava dando certo, mesmo que fosse contra tudo e contra todos que não esperavam o sucesso que veio na metade do governo Sarney e que em Collor ainda se tinha chegado com firmeza a uma consolidação de tais programas. Um ponto fundamental que deve ser considerado, que causou grande problema nacional foi o confisco da poupança da população que buscava suprir as dificuldades do dia a dia com alguns ganhos decorrentes de sua correção mensal pela inflação oficial. Isto gerou um descrédito dos consumidores à atuação governamental e por sua vez uma queda na demanda que culminou com desemprego e desinvestimentos na economia que necessitava de um aquecimento para produção e crescimento que o sistema econômico tanto precisava. Com o confisco da poupança, o Plano Collor instituiu a nova moeda que ficou denominada de Cruzeiro Real, com inflação zero, ou quase zero, denotando uma certa fortaleza, cujo sistema espera ajustes e reajustes no seu conjunto; do contrário vem com grandes crises insuportáveis. Com relação ao problema da reforma fiscal, buscava-se uma reforma tributária que fizesse justiça à capacidade de pagamento de cada contribuinte, assim como, fazer uma revisão quanto aos incentivos e isenções que são concedidos sem nenhum critério de seriedade quanto ao setor industrial. Sem dúvida de que o setor de beneficiamento e transformação necessitava de subsídios e incentivos que não devem ser deixados de lado; entretanto, essa técnica devia obedecer aos critérios de justiça, distribuição de renda, e produção para todos de maneira justa. A reforma fiscal, conjuntamente com a dívida interna seriam importantes, não de uma maneira ditatorial, impulsiva e instantânea; mas, com condições de que todos ficassem satisfeitos da ação política desenvolvida para o bem-estar de todos. O Plano Collor teve o afã de buscar a eficiência na máquina do Estado, fazendo um enxugamento de todas as repartições públicas, de modo que os bons funcionários ficassem e se aperfeiçoassem, e os maus funcionários fossem banidos de uma categoria que vem sendo desgastada ao longo do tempo. Nas palavras da Ministra Zélia A meta é recuperar a eficiência e a dignidade do serviço público, racionalizar e aumentar a produtividade e garantir um planejamento que execute as metas econômicas e sociais do governo.

Estas colocações da Ministra são verdades que não se realizariam desta forma como foram colocadas; no entanto, proporcionariam condições de que todos se especializassem, sentissem-se responsáveis e a administração pública seria estruturada de maneira lógica e competente para a sua eficácia. Com relação à dívida externa, a prática era que o governo federal assumisse os débitos externos contraídos por empresários e até mesmo isentando aqueles que contraíram alguns acordos com o governo para tomar para si os empréstimos internacionais feitos para a dinâmica do setor privado. No Plano Collor, o que se pretendia, era que o Banco Central negociasse com os credores estrangeiros a possibilidade de reduzir o montante da dívida contraída ao longo da história, quer seja do ponto de vista privado, quer do quanto do ponto de vista social (governo). Do mesmo modo, os empréstimos conseguidos por empresas particulares e bancos privados teriam em seu processo de negociação quem estivesse envolvido nesta dinâmica e nunca a participação do governo em tarefas que seriam totalmente privadas. Sem dúvida, a situação econômica do país, melhorou no curto prazo, ou até mesmo no médio prazo; porém, como sempre, os empresários pagaram para ver, e sentiram a sua força no contexto da economia nacional ao exigirem ágio, e ao boicotarem a oferta que sem muita pressão os preços começaram a explodir. A inflação é apenas um termômetro de como anda a economia, isto é, a produção industrial, a produção agrícola e os outros elementos participativos da oferta agregada que a economia precisa para satisfazer a uma demanda carente. Com a inflação explodindo, o governo deveria tomar decisões que revertessem os desajustes que o sistema econômico atravessava com a sua força incontrolável pela própria compressão que a estrutura governamental criou com a implantação ditatorial de um Plano. No que diz respeito à política salarial verifica-se que o povo estava ganhando mal e que precisava de uma política para uma melhora salarial, que desce condições de vida àquele que participa diretamente da produção, isto significa dizer os trabalhadores, únicos massacrados nesta história. O Plano propunha que os salários dos trabalhadores seriam melhorados; mas, dentro de um prisma de crescimento da produção global da economia, fazendo com que esse abnegado lutador seja qualificado, e todos tenham os seus empregos bons. Assim sendo, a justiça do trabalho seria estabelecida, dentro do princípio da livre negociação entre patrões e trabalhadores que precisam estar bem representados pelos seus líderes, dentro de uma economia sem inflação, e isto seria muito difícil. Uma questão importante, que não foi levada em consideração é quanto à taxa de juros que é referência aos retornos do capital e serve também de empecilho ao crescimento da demanda; pois, taxas de juros altas significam, as famílias não terem condições de comprar a prazo, como fazem os que não têm dinheiro vivo. Tanto o Plano Collor como o Plano Cruzado e os outros Planos de reajustes não mexeram na taxa de juros que estava num patamar alto por conta da inflação que estava explodindo de maneira absurda e insuportável. Com taxas de juros altas não se têm condições de uma entrada de investimentos maciços no país, e nem tão pouco um aumento na renda a nível nacional, porque são totalmente incoerentes taxas de juros altas com aumento no nível de investimentos, a não ser em casos totalmente excepcionais.

O Plano Collor está eivado de vontade em tornar a economia brasileira viável, como se tudo ocorresse por intermédio de um Plano; entretanto, ele é salutar, dentro de uma coordenação que faça os ajustes corretos e na hora certa, para que possa caminhar numa dinâmica de equilíbrio. O erro está muitas das vezes nos intervalos de reajustes que existem, que sempre obedecem a uma programação político-partidária que não consegue atingir os seus objetivos quer sejam eleitoreiros, ou simplesmente de interesses de grupos. Se o aparato técnico da estrutura governamental fosse desligado das facções políticas, talvez qualquer Plano que fosse posto em prática tivesse maior eficácia, e a economia nacional não estaria com tantas dificuldades como as que existem hoje em dia. Ao se fazer uma síntese geral, pode-se mostrar que um Plano deste, ou de qualquer um outro tipo, deve ter como objetivo, melhorar o nível de emprego, aumentar a produção global, crescer o nível de investimento e fluir melhor o nível de relacionamento com o exterior. Depois de implantado o Plano, se não conseguir esses intentos, não se pode dizer que ele foi inviável, tecnicamente pode até ser bom; mas, do ponto de vista de resultados reais, pode não conseguir tudo aquilo que a sociedade deseja para se conseguir um bemestar para a população. Portanto, o Plano Collor é o Plano Cruzado mais arrojado, menos político a princípio e mais imperial, como pressuposto de quem quer organizar uma economia acéfala, do ponto de vista social; cujo político não participa mais vez, e o importante é a dominação de um rei com forças ilimitadas da idade média.

http://www.terra.com.br/voltaire/capa.htm

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Impeachment

A abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) é o primeiro passo a ser adotado pelo Congresso (senadores + deputados) para apurar as denuncias feitas contra o Supremo Mandatário da nação. Ela é quem acolhe as questões de interesse público ou dinheiro público malversado. Ela tem um prazo para dar o seu parecer através de um relator. A partir do momento em que o relatório da CPI torna-se público, sendo ele acusatório qualquer cidadão pode solicitar junto à Mesa da Câmara a abertura de um processo de impeachment baseado nas provas apresentadas pela CPI. Cabe então a Mesa da Câmara colocar a questão na Ordem do Dia, isto é, se aprova ou não a abertura de um inquérito a partir das conclusões do relatório e da denuncia acolhidas. Se a decisão for aprovada por 2/3 do plenário ou simplesmente majoritário, o critério é o do presidente da Câmara, abre-se caminho para a criação de uma Comissão Especial para formar um libelo acusatório contra o presidente ou algum outro a quem se pretende julgar. A Comissão Especial A abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) é o primeiro passo a ser adotado pelo Congresso (senadores + deputados) para apurar as denuncias feitas contra o Supremo Mandatário da nação. Ela é quem acolhe as questões de interesse público ou dinheiro público malversado. Ela tem um prazo para dar o seu parecer através de um relator. A partir do momento em que o relatório da CPI torna-se público, sendo ele acusatório qualquer cidadão pode solicitar junto à Mesa da Câmara a abertura de um processo de impeachment baseado nas provas apresentadas pela CPI. Cabe então a Mesa da Câmara colocar a questão na Ordem do Dia, isto é, se aprova ou não a abertura de um inquérito a partir das conclusões do relatório e da denuncia acolhidas. Se a decisão for aprovada por 2/3 do plenário ou simplesmente majoritário, o critério é o do presidente da Câmara, abre-se caminho para a criação de uma Comissão Especial para formar um libelo acusatório contra o presidente ou algum outro a quem se pretende julgar. Indicada pela Câmara (somente por deputados) é composta proporcionalmente por todos os partidos políticos que têm assento no Poder Legislativo. Encarregam-na de apresentar um relatório confirmando ou não as denúncias num prazo de dez dias, sendo que é dado ao acusado o direito de defesa (ele pode se fazer representar por um advogado). Se houver confirmação das provas apresentadas nada mais resta à Comissão Especial do que levar de volta o problema para ser apresentando no plenário da Câmara. Se 2/3 dos parlamentares aprovarem a denuncia vinda da Comissão Especial, eles a remetem então para o Senado. Ocorrido isso, o Presidente ou qualquer outro acusado, é obrigado a afastar-se do poder por 180 dias, tempo em que se exige que o Senado, agora transformado em Tribunal do Júri, demora para chegar a conclusão final sobre o impeachment. Este Senado transformado em Tribunal do Júri é presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal que atua então como uma espécie de grande magistrado, enquanto que os senadores transformam-se num grande corpo de jurados. Se a sentença final é acusatória, o Presidente da República (então em licença) não retorna mais ao poder, sendo imediatamente substituído pelo Vice-Presidente. "O sentido do juízo político não é o castigo da pessoa delinqüente, senão a proteção dos interesses públicos contra o perigo ou ofensa pelo abuso do poder oficial, negligência no cumprimento do dever ou incompatível com a dignidade do cargo." Gonzales Calderón – Derecho Constitucional argentino, B.Aires, 1923, 3 v.

Impeachment

de

Collor,
em

o
28

"Caçador
de agosto

de
de

Marajás"
1992,

Processo foi aprovado pela Câmara dos Deputados

Em

1989, depois de 29 anos da eleição direta que levou Jânio Quadros à Presidência da República, o alagoano Fernando Collor de Mello (lançado pelo pequeno PRN) foi eleito por pequena margem de votos (42,75% a 37,86%) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em campanha que opôs dois modelos de atuação estatal: um pautado na redução do papel do Estado (Collor) e outro de forte presença do Estado na economia (Lula). A campanha foi marcada pelo tom emocional adotado pelos candidatos e pelas críticas ao governo de José Sarney. Collor se autodenominou "caçador de marajás", que combateria a inflação e a corrupção, e "defensor dos descamisados". Lula, por sua vez, apresentava-se à população como entendedor dos problemas dos trabalhadores, notadamente por sua história no movimento sindical. Nos primeiros 15 dias de mandato, Collor lançou um pacote econômico, que levou seu nome, e bloqueou o dinheiro depositado nos bancos (poupança e contas correntes) de pessoas físicas e jurídicas (confisco). Entre as primeiras medidas para a economia havia uma reforma administrativa que extinguiu órgãos e empresas estatais e promoveu as primeiras privatizações, abertura do mercado brasileiro às importações, congelamento de preços e pré-fixação dos salários. Embora inicialmente tenha reduzido a inflação, o plano trouxe a maior recessão da história brasileira, resultando no aumento do desemprego e nas quebras de empresas. Aliado ao plano, o presidente imprimia uma série de atitudes características de sua personalidade, que ficou conhecida como o "jeito Collor de governar". Era comum assistir a exibições de Collor fazendo cooper, praticando esportes, dirigindo jato supersônico, subindo a rampa do Palácio do Planalto, comportamentos que exaltavam suposta jovialidade, arrojo, combatividade e modernidade. Todos expressos em sua notória frase "Tenho aquilo roxo". Por trás do jeito Collor, montava-se um esquema de corrupção e tráfico de influência que veio à tona em seu terceiro ano de mandato. Em reportagem publicada pela revista Veja, edição de 13 de maio de 1992, Pedro Collor acusava o tesoureiro da campanha presidencial de seu irmão, o empresário Paulo César Farias, de articular um esquema de corrupção de tráfico de influência, loteamento de cargos

públicos

e

cobrança

de

propina

dentro

do

governo.

População foi às ruas do primeiro presidente eleito em 29 anos

pedir

o

impeachment

O chamado esquema PC teria como beneficiários integrantes do alto escalão do governo e o próprio presidente. No mês seguinte, o Congresso Nacional instalou uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso. Durante o processo investigatório, personagens como Ana Accioly, secretária de Collor, e Francisco Eriberto, seu ex-motorista, prestaram depoimento à CPI confirmando as acusações e dando detalhes do esquema. Um dos expedientes utilizados por PC era abrir contas "fantasmas" para realizar operações de transferência de dinheiro _arrecadado com o pagamento de propina e desviado dos cofres públicos_ para as contas de Ana Accioly. Além disso, gastos da residência oficial de Collor, a Casa da Dinda, eram pagos com dinheiro de empresas de PC Farias. Aprovado por 16 votos a 5, o relatório final da CPI constatou também que as contas de Collor e PC não foram incluídas no confisco de 1990. Foi pedido o impeachment do presidente. Em agosto, durante os trabalhos da CPI, a população brasileira começou a sair às ruas para pedir o impeachment. Com cada vez mais adeptos, os protestos tiveram como protagonista a juventude, que pintava no rosto "Fora Collor", com um ele verde e o outro amarelo, e "Impeachment Já" - foi o movimento dos "caras-pintadas". Em votação aberta, após tentativa de manobra do presidente para uma sessão secreta, os deputados votaram pela abertura de processo de impeachment de Collor. Foram 441 votos a favor (eram necessários 336), 38 contra, 23 ausências e uma abstenção. Collor renunciou ao cargo, mas com o processo já aberto, teve seus direitos políticos cassados por oito anos, até 2000. Reportagens da Revista Veja Caso Collor

O dossiê do irmão do presidente Pedro Collor só chama o empresário PC Farias de "Lepra Ambulante". Ao se referir a Pedro, PC também não é amistoso. "Aquele moleque tem uma inteligência desse tamaninho e toma doses de vodca desse tamanhão", diz. O que faz o conflito atravessar as fronteiras de Alagoas é um dossiê que Pedro tem em suas mãos sobre o Lepra Ambulante. "Se esse material se tornasse público, o impeachment poderia ocorrer em 72 horas", disse o irmão mais novo de Collor. (19 de fevereiro de 1992) 50 milhões lá fora VEJA teve acesso à seção "negócios internacionais" do Dossiê Pedro Collor. Os documentos mostram que PC Farias tem participação em pelo menos nove empresas no exterior. Segundo especialistas, tal articulação de empresas é feita quando se precisa movimentar um capital da ordem de 50 milhões de dólares. (13 de maio de 1992)

Os jardins da Dinda Os jardins babilônicos de Fernando Affonso Collor de Mello são a sétima maravilha da corrupção do governo. Para dar um toque final na megalomania vegetal, há cinco grandes cachoeiras de águas cristalinas. O sibarita só aciona o mecanismo eletrônico que faz as cascatas ciciarem quando estão presentes os sicofantas e sacripantas de sua intimidade. (9 de setembro de 1992) Presidente é afastado O presidente Fernando Collor de Mello foi afastado do cargo que ocupava desde 15 de março de 1990. O voto de 441 deputados a favor do seu julgamento no Senado, dado em alto e bom som na memorável sessão de terça-feira passada, apeou a cáfila de salteadores que ocupou a Presidência. (30 de setembro de 1992) Pedro Collor tem câncer Pedro Collor de Mello tem quatro tumores malignos no cérebro. A área afetada é tão grande que torna impossível um tratamento cirúrgico. (30 de novembro de 1994)
Fonte: Veja On-Line Folha de São Paulo

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