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fundamentos da educação

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Fundamentos da Educação Brasileira

Brasília-DF, 2010.

Direito reservado ao POSEAD.

Pós-Graduação a Distância
1

Organização:

Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo
Colaboração:

Andréa Studart Corrêa Galvão Elias Alexandre Maysa Barreto Ornelas
Produção:

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração

Fundamentos da Educação Brasileira
2

......................... Capítulo 1 – Fundamentos da Educação ................................................................................................................... Capítulo 15 – Práxis Pedagógica – Ação-Reflexão-Ação .................................... Capítulo 11 – A Inclusão: Valorização das Diferenças ......................... Capítulo 6 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: a LDB em Foco ................................................................. Capítulo 5 – A Constituição Federal ....................................................................................................................................... Referências ........ 04 05 06 08 11 11 14 21 23 31 33 35 38 39 43 47 47 52 56 59 65 65 70 73 76 79 Pós-Graduação a Distância 3 ..................... Introdução ................................................................ Unidade II – Fundamentos Legais da Educação Brasileira ..................................................................................................................... Unidade IV – A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas ..................... Capítulo 4 – A Função Social da Escola e dos demais Espaços Educativos no Mundo Contemporâneo ............................................................................................................................................................................................................................. Capítulo 12 – Autonomia dos Espaços Educativos ........................................................................................... Capítulo 16 – Formação Continuada do Profissional de Educação ..............................................................................................................................Sumário Apresentação............................................................................ Organização da Disciplina .......................................... Capítulo 7 – O Plano Nacional de Educação – PNE .............. Capítulo 2 – Os Saberes Necessários à Educação para o Século XXI .................................. Unidade III – Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico .................................................... Capítulo 10 – A Construção da Educação de Qualidade ................................................................................. Capítulo 14 – Ética nas Relações ...................................... Para (não) Finalizar .... Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa ........... Unidade I – Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo ............. Capítulo 8 – Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares Nacionais .............................................................................................................................................................................................................................................. Capítulo 3 – Educação x Instrução ...................................................................................................................... Capítulo 9 – O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE ........................................................................................................................................................................................................................ Capítulo 13 – Tecnologias na Educação: Inclusão Digital ....

Este é o nosso Caderno de Estudos. Os conteúdos foram organizados em unidades de estudo. serão indicadas também fontes de consulta para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. com questões para reflexão.Apresentação Caro aluno. apesar de distantes. que farão parte das atividades avaliativas do curso. que contém as respectivas pontuações e prazos determinados. Eles serão abordados por meio de textos básicos. cabendo a você administrar seu tempo conforme a sua disponibilidade. A Coordenação do PosEAD Fundamentos da Educação Brasileira 4 . conheça os objetivos da disciplina. a organização dos temas e o número aproximado de horas de estudo que devem ser dedicadas a cada unidade. lembre-se. material elaborado com o objetivo de contribuir para a realização e o desenvolvimento de seus estudos. há uma data limite para a conclusão do curso. A carga horária desta disciplina é de 60 (sessenta) horas. Desejamos a você um trabalho proveitoso sobre os temas abordados nesta disciplina! Lembre-se de que. subdivididas em capítulos de forma didática. objetiva e coerente. implicando a apresentação ao seu tutor das atividades avaliativas indicadas na folha anexa. podemos estar muito próximos. Para que você se informe sobre o conteúdo a ser estudado nas próximas semanas. assim como para a ampliação de seus conhecimentos no tocante ao ensino de Fundamentos da Educação Brasileira. Mas. Bem-vindo à disciplina Fundamentos da Educação Brasileira.

com o objetivo pedagógico de fortalecer o processo de aprendizagem. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho. Introdução: Contextualização do estudo a ser desenvolvido por você na disciplina. . no decorrer das leituras. Organização da Disciplina: Apresentação dos objetivos e da carga horária das unidades. Pós-Graduação a Distância 5 Praticando: Atividades sugeridas. para estimulá-lo a pensar a respeito do assunto proposto. Sintetizando e enriquecendo nossas informações: Espaço para você fazer uma síntese dos textos e enriquecê-los com sua contribuição pessoal. Sugestão de leituras. filmes. O importante é verificar seus conhecimentos. Referências: Bibliografia citada na elaboração do curso. trechos de textos referenciais. É fundamental que você reflita sobre as questões propostas. sites e pesquisas: Aprofundamento das discussões.Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Apresentação: Mensagem da Coordenação do PosEAD. Para (não) finalizar: Texto. com a intenção de instigá-lo a prosseguir com a reflexão. conceitos de dicionários. ao final do Caderno. suas experiências e seus sentimentos. Registre sua visão. para lhe apresentar novas visões sobre o tema abordado no texto básico. Ícones utilizados no material didático Provocação: Pensamentos inseridos no material didático para provocar a reflexão sobre sua prática e seus sentimentos ao desenvolver os estudos em cada disciplina. exemplos e sugestões. indicando a importância desta para sua formação acadêmica. sem se preocupar com o conteúdo do texto. Textos para leitura complementar: Novos textos. Para refletir: Questões inseridas durante o estudo da disciplina.

• Refletir sobre os fundamentos legais que regem a educação brasileira na atualidade. Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico e suas Implicações na Ação Educativa. novas tecnologias de comunicação e competências na formação do profissional de educação. metodológicos e éticos que regem a educação brasileira e a sua aplicabilidade na ação educativa. Fundamentos Legais da Educação Brasileira. • Estimular a reflexão crítica sobre aspectos relacionados aos fundamentos teóricos. • Aprofundar conhecimentos teóricos sobre as tendências atuais do pensamento pedagógico com enfoque na construção da educação de qualidade.Organização da Disciplina Ementa: Concepções de Educação no Mundo Contemporâneo. Objetivos: • Ampliar conhecimentos teóricos acerca das concepções de educação no mundo contemporâneo. Unidade I – Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Carga horária: 10 horas Conteúdo Fundamentos da Educação Os Saberes Necessários à Educação para o Século XXI Educação x Instrução A Função Social da Escola e dos demais Espaços Educativos no Mundo Contemporâneo Capítulo 1 2 3 4 Unidade II – Fundamentos Legais da Educação Brasileira Carga horária: 20 horas Conteúdo A Constituição Federal A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: a LDB em foco O Plano Nacional de Educação – PNE Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares Nacionais O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE Capítulo 5 6 7 8 9 Fundamentos da Educação Brasileira Unidade III – Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Carga horária: 20 horas Conteúdo A Construção da Educação de Qualidade A Inclusão: Valorização das Diferenças Autonomia dos Espaços Educativos Tecnologias na Educação: Inclusão Digital Capítulo 10 11 12 13 6 . • Refletir sobre as questões pertinentes à ação docente e às tendências pedagógicas desenvolvidas no espaço escolar. inclusão.

Organização da Disciplina Unidade IV – A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Carga horária: 10 horas Conteúdo Ética nas Relações Práxis Pedagógica – Ação-Reflexão-Ação Formação Continuada do Profissional de Educação Capítulo 14 15 16 Pós-Graduação a Distância 7 .

A primeira unidade enfoca estudos que indicam novos parâmetros para a prática pedagógica oriundos de saberes necessários à educação para o século XXI e. Na segunda unidade. ao término desta disciplina. ainda. discorremos sobre assuntos que favorecem o aprofundamento de conhecimentos direcionados às reflexões acerca das concepções de educação do Mundo Contemporâneo. As instâncias hierarquicamente definidas garantem o cumprimento de normas educativas de modo a favorecer uma atuação profissional de qualidade no espaço escolar. você tenha ampliado seus conhecimentos sobre os fundamentos da educação brasileira e refletido sobre a sua função de educador. aos fundamentos legais da educação brasileira. a ação docente e as tendências pedagógicas finalizam as discussões deste Caderno. discute ações docentes instrutivas transformadas em educativas. discorrer sobre as práxis pedagógicas. ainda. Antes de virar esta página. Relembra as diretrizes e os Parâmetros Curriculares como referencial para as atividades do educador em exercício. embasadas na ação-reflexão-ação. com enfoque na inclusão digital. enfocam a construção da educação de qualidade com a proposta de participação ativa da comunidade nas decisões que garantam a autonomia e a gestão democrática. reflexões sobre olhares e práticas educacionais que reverberam na função social da escola e dos demais espaços educativos. os fundamentos legais da educação brasileira foram abordados considerando a importância de preservar aspectos definidos por lei e o seu reflexo na prática docente. na terceira unidade. leia a mensagem a seguir: “A vida também requer reflexões. amizade e aceitação. da tecnologia na educação. da inclusão como maneira de minimizar as diferenças. e das competências do profissional de educação.Introdução O Caderno de Estudos da disciplina Fundamentos da Educação Brasileira tem como foco os estudos da concepção pós-crítica e seus reflexos na prática docente. aqui. Na quarta unidade. Tratam. ao promover reflexões acerca da ética nas relações. Em cada unidade. Iniciamos. As tendências atuais do pensamento pedagógico. redirecionamentos. paciência. e repensar a formação continuada do profissional de educação como fonte de interação em um mundo em constantes mudanças. nosso primeiro contato. Possibilita.” Denise Raposo Fundamentos da Educação Brasileira 8 . Esperamos que. às tendências atuais do pensamento pedagógico e à ação docente e tendências pedagógicas.

ressaltando nossos pontos valiosos.). pois ela era muito áspera no tratamento com os demais. 2008.. mas por sua vez pediu que não indicasse a lixa para a presidência. mas pediu que não fosse nomeado o parafuso. capaz de produzir com qualidade todos os móveis. aceitação e acolhimento das diferenças são elementos indispensáveis para o trabalho em equipe (. que sempre media os outros segundo a sua medida.Introdução Unidade na Diversidade Com o propósito de acertar suas diferenças. Pós-Graduação a Distância 9 • o metro era preciso e exato.. mas os companheiros exigiram que ele renunciasse. e perceberam que respeito. uma reunião para ouvir as observações de seus companheiros de trabalho. a lixa o metro. além do mais. devemos nos concentrar em nossos pontos fortes. passava todo tempo golpeando os objetos. Fonte: (Extraído do texto de RAMOS. Paulo. Educação Inclusiva: histórias que (des)encantam a educação. Foi. Então a assembléia entendeu que: • o martelo era forte. como se fosse o único perfeito. Sentiram-se como uma equipe. O martelo estava exercendo a presidência. A lixa acatou. mas o marceneiro trabalhou com nossas qualidades. Utilizou o martelo. Neste momento. 57-580) .. Blumenau-SC: Odorizzi. Portanto. E a rústica madeira se converteu em belos móveis. com a condição de que não se nomeasse o metro. o parafuso concordou.. Os argumentos foram: fazia demasiado barulho e. Quando o marceneiro foi embora. entrou o marceneiro.. o parafuso.. em vez de pensarmos em nossas fraquezas. as ferramentas voltaram à discussão. ficou demonstrado que temos defeitos. • o parafuso unia e dava força. O martelo aceitou sua culpa. • a lixa era especial para limpar e afinar asperezas. as ferramentas de uma marcenaria fizeram uma assembléia. Mas o serrote adiantou-se e disse: — Prezados companheiros. Diante da colocação do martelo. alegando que ele fazia muitas voltas para atingir seus objetivos. juntou todas as ferramentas e iniciou o seu trabalho. gerando muitos atritos. basicamente.

Fundamentos da Educação Brasileira Introdução 10 .

é conhecer e compreender os alicerces do processo educativo. Vamos. Para tanto.) Você concorda com essa ideia? Justifique seu pensamento. Dessa forma. teóricas e pedagógicas da Educação. então. é necessário refletir sobre questões filosóficas. pela estrutura da sociedade (.. a educação tem como finalidade formar o ser humano desejável para um determinado tipo de sociedade. ela visa promover mudanças relativamente permanentes nos indivíduos. 1931). a filosofia predominante determinada a seu turno. começar nossa reflexão respondendo às seguintes questões: • Educar para quê? • Educar quem? • Educar para que tipo de sociedade? • Educar a partir de quais princípios e valores? Conseguiu responder às questões? A que conclusões você chegou? Pós-Graduação a Distância 11 Educação e sociedade De acordo com Silva (2001). Tratar dos Fundamentos da Educação é tratar de concepções de vida e de sociedade.. 1931. históricas. (Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. de modo a favorecer . sociológicas.). em cada época.” (Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. refletindo.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Unidade I Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Capítulo 1 – Fundamentos da Educação Andréa Studart Corrêa Galvão “Toda educação varia sempre em função de uma concepção de vida. com vistas à atuação objetiva na realidade educacional. econômicas.

tendo em vista os ideais da formação do homem para a sociedade de cada época. 86) Assim. alteridade. é fundamental que a educação atinja a vida das pessoas e da coletividade em todos os âmbitos. multiculturalismo. Portanto. A concepção pós-crítica foca temas relacionados a identidade. ela pode favorecer o desenvolvimento de uma visão mais participativa. Além disso. A concepção tradicional enfatiza o ensino e a aprendizagem de conteúdos a partir de uma metodologia rigorosamente planejada. Fundamentos da Educação Brasileira Figura 1 Disponível em: <http://bp3.bmp> 12 .. subjetividade. ao capitalismo. a crítica e a pós-crítica. diferenças.blogger. visando respeito. etnia. a relações e classes sociais. cultura. de forma a conscientizar o educando acerca das desigualdades e injustiças sociais. Na história da educação brasileira. visando à expansão dos horizontes pessoais e. saber e poder. pois “sob a aparente diferença há uma mesma humanidade” (SILVA. adotando determinada tendência pedagógica. Silva (ibidem) afirma que as principais correntes pedagógicas identificadas no Brasil são: a tradicional. 2001. se essa for a sua finalidade. podem-se identificar várias concepções. transmitir e produzir conhecimentos busca-se a construção de uma sociedade. consequentemente. questões econômicas. com foco na eficiência. cada época irá enunciar as suas finalidades. colocando em pauta temas relacionados ao poder. A ideia central é a de que por meio da educação o indivíduo acolha e respeite as diferenças. A partir do desenvolvimento da consciência crítica e participativa. teóricas e pedagógicas que estão na base do processo educativo. raça. gênero. libertar-se das opressões sociais e culturais e atuar no desenvolvimento de uma sociedade justa e igualitária.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I o desenvolvimento integral do homem na sociedade. A concepção crítica aborda questões ideológicas. o educando será capaz de emancipar-se. Isso envolve questões filosóficas como valores. por meio de um conjunto de relações estabelecidas nas diferentes formas de se adquirir. sociais. questões histórico-sociais.com/_mmP80g0QO-U/R1KAnPYXk7I/AAAAAAAACA0/O6H-g_p6mmI/s400/MAFA. A concepção de educação está diretamente relacionada à concepção de sociedade. p. Assim. à participação etc. de forma a acolher a diversidade do mundo contemporâneo. tolerância e convivência pacífica entre as diferentes culturas. crítica e reflexiva dos grupos nas decisões dos assuntos que lhes dizem respeito.

Pós-Graduação a Distância 13 No próximo capítulo.br/scielo. portanto. As concepções atuais da educação apontam para o desenvolvimento do ser humano como um todo. dentro da concepção pós-crítica. será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. direito de todos e dever do Estado e da família. reafirmando seu papel nas transformações pelas quais vêm passando as sociedades contemporâneas e assumindo um compromisso cada vez maior com a formação para a cidadania. Moacir. Uma educação que carrega. qualquer que seja o ângulo pelo qual observamos a educação. Disponível em: http://www. no Brasil. ao tratar de seus fundamentos essenciais. Em seus primeiros artigos há a seguinte notação: “a educação. faça a seguinte reflexão: Identificamos alguns elementos que envolvem as concepções da educação de modo geral. Torna-se imprescindível. Agora responda à seguinte questão: Quais são as concepções da Educação Básica? Será que os seus elementos se diferem dos da educação de modo geral? Há questões específicas? Quais? Vejamos como exemplo o Inciso III do art. de seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (Lei nº 9. Reflita sobre as concepções que foram descritas e procure relativizar à sua formação acadêmica. pensando no desenvolvimento que educa e em educação que desenvolve. Como vimos. 1º da Constituição Federal de 1988 que. 2.php?script=sci_arttext&pid=S010288392000000200002&lng=pt&nrm=iso>. mais conhecida como LDB. apontando-a como uma das alternativas para a formação da dignidade da pessoa humana. . abordaremos os quatro pilares da educação. visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. de acordo com a concepção de vida e com a estrutura da sociedade. São Paulo. v. 2000. de acordo com as mudanças propostas para o século XXI. GADOTTI. 14.394/96). que trata das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. a fim de vislumbrarmos uma sociedade mais democrática e justa. é a Lei nº 9. São Paulo Perspectivas. encontrar-se-ão fundamentos para o desenvolvimento do ser humano.394. em seu bojo. a utopia de construir essa sociedade como forma de vida tem como tema constitutivo o desenvolvimento integral do ser humano. n. privilegia a educação. Outro texto jurídico que analisa as finalidades da educação. de 20 de dezembro de 1996.scielo. que façamos uma conexão entre educação e desenvolvimento.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Antes de continuar. Perspectivas atuais da educação.

sobre saberes e saber-fazer dentro da concepção pós-crítica. na Tailândia. idem). o conceito de competência foi sendo vinculado.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Capítulo 2 – Os Saberes Necessários à Educação para o Século XXI Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Você. de modo a aproveitar e explorar. bem como a trajetória histórica das concepções de mundo.). modificar e combinar vários esquemas (lógicos. sensoriais. in: ARAÚJO. coordenada por Jacques Delors (2001) e entregue à Unesco – Organização das Nações Unidas. mais especificamente. a uma capacidade reconhecida de ação ou de expressão sobre determinados assuntos. decidir a melhor maneira de intervir para obter bons resultados com eficácia e economia de meios. reconhecer uma pessoa com competência é atribuir-lhe um domínio suficiente em uma determinada área. comportamentais etc. ao longo da vida. para a Educação. ocorrida em Jomtien. 2001). em que foram discutidos e definidos os quatro pilares da educação. em 1990. 1997. Ao longo dos anos. de forma mais geral. 2003). utilizar técnicas e métodos definidos. Ainda hoje. fundamentados em estudos disponibilizados nas diferenciadas redes de informações. certamente. as oportunidades de atualização. ajustandoos em função do uso requerido a cada situação (ISAMBERT-JAMATI. Como você tem experienciado essas mudanças em sua prática profissional? Essa massificação de informações – ao disponibilizar saberes e saber-fazer. aprofundamento. A diversificação desses assuntos contribui para a transformação da visão das pessoas que se interessam em compreender a realidade. a origem e o significado da noção de competências. considerando o uso popular do conceito. é importante recorrer ao Relatório de Delors1. tem percebido as mudanças que têm proporcionado à sociedade experienciar novas maneiras de acesso a conhecimentos. compreenda. a Ciência e a Cultura. 2-3): a competência já era utilizada na Idade Média pela linguagem jurídica: os juristas designavam tribunais “competentes” para um determinado tipo de julgamento a pessoas ou instituições “com competência” para realizar certos atos juridicamente válidos (ISAMBERT-JAMATI. enriquecimento de conhecimentos e de adaptação ao mundo em constantes mudanças (DELORS. Segundo Araújo (2003. p. 14 . 1 Relatório elaborado na Conferência Mundial de Educação para o Século XXI. reflita sobre a seguinte questão: Em quais ações você se considera mais competente no campo profissional? Continuando as nossas reflexões acerca das mudanças na atualidade. de tal forma que essa pessoa saiba: identificar aspectos pertinentes ou disfunções ligadas a diversas situações próprias dessa área de domínio. dentro da concepção pós-crítica adequada à civilização cognitiva – fundamenta as bases das competências do futuro. Fundamentos da Educação Brasileira Agora que já conhecemos a origem e o significado da noção de competência. Antes de continuarmos as nossas reflexões sobre as concepções de educação contemporânea.

de modo a exercitar a atenção. a capacidade de aprender a aprender. mais especificamente. a vontade de aprender. op. possibilita-se o desenvolvimento da capacidade de discernir decorrente da autonomia para visualizar ambientes sob diferenciados pontos de vista. Ao iniciarmos o estudo do segundo pilar da educação. pode-se desenvolver.com/_mmP80g0QO-U/R1KAnPYXk7I/AAAAAAAACA0/O6H-g_p6mmI/s400/MAFA. os ritmos e os estilos de aprendizagem de cada educando e. às dificuldades e à diversidade dos aprendizes. Desse modo. Com isso. A aprendizagem direcionada para esse foco está relacionada aos processos cognitivos por excelência.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I A proposta dos membros dos países signatários (países que assinaram o relatório) que participaram da Comissão Mundial sobre Educação foi a de enfrentar os desafios para o século XXI e indicar novos objetivos direcionados à educação. os educadores deverão ser competentes e sensíveis às necessidades. primeiro pilar proposto. cabe uma reflexão: O “aprender a conhecer” pode estar dissociado do “aprender a fazer”? Figura 2 Disponível em: < http://bp3. p. aprender a conhecer pode significar aprender a aprender. Para tanto. de modo a querer sempre saber mais e melhor. disponibilizar uma nova concepção de maneira ampliada sobre a educação. A Comissão propôs.bmp> Pós-Graduação a Distância 15 . denominadas os quatro pilares da educação: aprender a conhecer – adquirir os instrumentos da compreensão. multifacetada e inacabada. na maior parte das vezes. Ao despertar no aprendiz esse processo. Um outro aspecto importante proposto pela Comissão para aprender a conhecer se refere ao desenvolvimento da pesquisa científica como fonte de conhecimento. ainda. bem como o despertar da curiosidade intelectual. visto que pode ser enriquecida à medida que interagimos com o mundo que nos cerca.90). Considerando a concepção de aprender a conhecer. cit. apresentando metodologias que proporcionem o desejo de conhecer. respeitando as estratégias. também. A combinação dos dois métodos científicos antagônicos – dedutivo e indutivo – aplicados aos processos relacionados à aprendizagem ao longo da vida pode ser pertinente ao conhecimento na medida em que se observa. a aprendizagem do conhecimento é contínua.. a visão de educação ultrapassaria o sentido puramente instrumental e chegaria à sua plenitude ao desenvolver a realização pessoal do indivíduo. o aprender a fazer. aprender a viver junto – participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas. reanimar e fortalecer o seu potencial criativo – revelar o tesouro escondido em cada um de nós” (DELORS. Em sentido mais amplo. a memória e o pensamento. “devia fazer com que todos pudessem descobrir. A Comissão defende a concepção de que esse mundo é compreendido a partir do aumento de saberes que ampliam o nosso campo de conhecimento. a Comissão compreendeu que a educação deve estar organizada em quatro aprendizagens fundamentais. entre outros aspectos que permitam ao indivíduo compreender o real. Ao compilarem os resultados das propostas de novos objetivos para a educação.blogger. aprender a fazer – agir sobre o meio envolvente. que ambos são necessários à organização do pensamento. aprender a ser – integrar as três precedentes. de construir as suas próprias opiniões e seu pensamento crítico.

Pense em um profissional de educação que irá mediar saberes sobre determinado assunto e que não tenha conhecimento teórico que fundamente a sua ação docente. na aptidão para o trabalho em equipe. Agora que você concluiu suas reflexões sobre o segundo pilar da educação. Para atender a essas exigências. em todos os níveis. o trabalho independente ou informal” (Ibid. no gosto pelo risco” (Ibid.93).blogger.bmp> 16 . “o caso das economias industriais onde domina o trabalho assalariado do das outras economias onde domina. p. aprender a fazer não pode ser mais direcionado para práticas rotineiras que impossibilitem as pessoas de refletir sobre a sua ação. A Revolução Industrial do século XX substituiu o trabalho humano por máquinas e provocou a necessidade de se desenvolver tarefas repetitivas para atuar nas fábricas. 2001. vamos retornar ao relatório elaborado pela Comissão Mundial de Educação e identificar qual foi a linha de pensamento que fundamentou tal pilar. As mudanças no campo profissional decorrentes de progresso técnico e tecnológico modificam as exigências de qualificação. o aprender a fazer. pense um pouco sobre a seguinte questão: Como contribuir para “aprender a viver junto” com as outras pessoas? Fundamentos da Educação Brasileira Figura 3 Disponível em: <http://bp3. em sentido estrito. no comportamento social. Imagine como seria essa aprendizagem. 2001. na capacidade de iniciativa. Partindo do pressuposto de que o aprender a fazer está intimamente ligado ao aprender a conhecer. esse profissional deve ter competências “que se apresentam como uma espécie de coquetel individual.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I É importante refletir sobre a questão apresentada e elaborar uma síntese pessoal a esse respeito. combinando a qualificação. adquirida na formação técnica e profissional.com/_mmP80g0QO-U/R1KAnPYXk7I/AAAAAAAACA0/O6H-g_p6mmI/s400/MAFA. p. Entretanto. A referida Comissão menciona. pela busca do compromisso pessoal do trabalhador. 94). no relatório. ainda em grande escala.

As tentativas de ensinar a não violência nos espaços educativos foram consideradas uma maneira positiva de se lutar contra preconceitos que geram conflitos. pois. o sucesso individual.bmp> Ao iniciar as discussões na Conferência Mundial de Educação. mais fortalecidos na atualidade. Nessa perspectiva. perpassando pela escola. de modo que crianças. adolescentes. Num primeiro nível. espiritualidade” (Ibid 2001.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Ao refletir sobre a questão posta.blogger. o trabalho em conjunto ameniza as diferenças. Num segundo nível. consequentemente. em virtude do potencial de destruição evidenciado nos séculos XX e XXI. sentido estético. O que fazer para melhorar a situação? (Ibidem. a participação em projetos comuns que para ser um método eficaz deve evitar ou resolver conflitos latentes. torna-se fundamental pensar em como o ensino e a aprendizagem influenciam no terceiro pilar. bem como as desigualdades sociais. sensibilidade. Portanto. para nenhuma “comportamentos sociais ao longo de toda a vida” (DELORS. a educação deve aproveitar todas as possibilidades para que a aprendizagem ocorra a partir das descobertas de si com e para com o outro. as quais “divide nações do mundo e exarceba as rivalidades históricas”. quando tende a atingir objetivos comuns. p. 97): Parece. que a educação deve utilizar duas vias complementares. do ponto de vista macro. aprender a viver juntos ou a conviver. podendo até desaparecer em alguns casos. especialmente entre as pessoas com as quais convive. reforçam a competição e. a Comissão de países signatários foi contundente no sentido de reafirmar que a “educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa – espírito e corpo. pela comunidade e em espaços educativos. responsabilidade pessoal. p. O terceiro pilar reforça o propósito de aprender a conviver como forma de minimizar conflitos no processo de aprendizagem e na convivência com os outros. 2001. levantamos o seguinte questionamento: Antes de aprender a conviver não temos de aprender a ser? Figura 4 Disponível em: <http://bp3. a descoberta progressiva do outro. caracterizadas pelo clima de concorrência. e ao longo de toda a vida. as atividades econômicas desenvolvidas no interior de cada país. 99). sobremaneira. Entretanto. A Comissão Mundial de Educação destacou que na história da humanidade sempre houve conflitos violentos. 98). Pós-Graduação a Distância 17 . 2001. Ao refletir sobre a afirmativa anterior. adultos e pessoas da terceira idade desenvolvam atitudes de empatia. p. iniciando pela família. o que contribuirá. inteligência.com/_mmP80g0QO-U/R1KAnPYXk7I/AAAAAAAACA0/O6H-g_p6mmI/s400/MAFA.

desde a juventude. 101-102). combinando uma cultura geral. no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalhos que se oferecem às pessoas. para a formulação de juízos de valor e. aprender a fazer. O que também significa: aprender a aprender. Pistas e recomendações: • A Educação ao longo de toda a vida baseia-se em quatro pilares: aprender a conhecer. Desse modo. inventor de técnicas e criador de sonhos (Ibid. nenhuma das potencialidades de cada indivíduo: memória. • Aprender a viver juntos desenvolve a compreensão do outro e a percepção das interdependências – realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos – no respeito pelos valores do pluralismo. em toda a sua riqueza e na complexidade das suas expressões e dos seus compromissos: indivíduo. Mas. • Numa altura em que os sistemas educativos formais tendem a privilegiar o acesso ao conhecimento. capacidades físicas. quer formalmente. inspirar e orientar as reformas educativas. para melhor desenvolver a sua personalidade. de maneira multifuncional. Para isso. fruto do contexto local ou nacional. sentimento e imaginação de que necessitam para desenvolver os seus talentos e permanecerem. aptidão para comunicar-se. competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe. raciocínio. a Comissão postula: O desenvolvimento tem por objeto a realização completa do homem. o desenvolvimento se dá em todo momento e em todos os lugares. de uma maneira mais ampla. importa conceber a educação como um todo. p. • Aprender a fazer. ainda. Mencionaram como preocupação para este século. Portanto. membro de uma família e de uma coletividade. a completude do ser humano ao longo do ciclo de vida se apóia em um processo dialético que parte do conhecimento de si e. discernimento. E. que o ser deve ter “liberdade de pensamento. a fim de adquirir. 2001.101). tomar decisões nas diferenciadas situações do cotidiano. Essa perspectiva deve. • Aprender a conhecer. Na perspectiva dos quatro pilares da educação. aprender a ser. atinge a relação com o outro a partir de uma construção social interativa. produto. quer espontaneamente. não somente uma qualificação profissional mas. não negligenciar. é estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia. assim. a necessidade de fornecer às pessoas forças e referências intelectuais de modo a compreenderem e comportarem-se no mundo que os cerca como atores responsáveis e justos. discernimento e responsabilidade pessoal. 100). aprender a viver juntos. desse modo. para o desenvolvimento de pensamentos autônomos e críticos. com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias. tanto quanto possível. graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho. Fundamentos da Educação Brasileira 18 . na educação. no futuro.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Os membros participantes da Conferência consideram que todo o ser humano deve ser preparado. suficientemente vasta. também. para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida. em detrimento de outras formas de aprendizagem. tanto em nível da elaboração de programas quanto na definição de novas políticas pedagógicas. p. donos do seu próprio destino” (Ibid. da compreensão mútua e da paz. cidadão. complementar e multifacetada. p. aprender a fazer. • Aprender a ser. Fonte: Delors (2001. 2001. sentido estético.

em um mesmo espaço. massas de estudantes coordenadas por professores. de modo que todos os estudantes aprendessem as mesmas coisas. faça. . no contexto histórico da Revolução Industrial. é importante retornar à história da educação para compreender o ambiente no qual a escola está inserida. Ao longo deste capítulo. desconsiderando a individualidade e as diferenças dos aprendentes no que se refere aos ritmos.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Como vimos. dentro da complexidade de um mundo voltado para o trabalho repetitivo. Essa padronização de conteúdos e metodologias de ensino. os membros da Comissão pensaram em uma educação que proporcione ao ser humano o desenvolvimento na sua integralidade. às estratégias e aos estilos de aprendizagem. foi criado um sistema educacional que reuniu. reflita sobre a seguinte questão: Como podemos vivenciar as mudanças na concepção de educação no ambiente escolar? Para entender as mudanças propostas no relatório da Unesco. elabore uma proposta de trabalho indicando como você poderia direcionar suas ações nas quais atua. as mudanças na educação ainda são incipientes considerando que replicamos aquilo que nos parece familiar e o que comumente não nos exige o confronto com novas situações cotidianas. ao mesmo tempo. Para reforçar seus conhecimentos. Assim. A partir da síntese desse exercício. Será que estamos falando sobre a realidade educacional vivenciada no século XVIII ou no século XXI? Pós-Graduação a Distância 19 Como podemos observar. você refletiu sobre as questões abordadas nos Quatro Pilares da Educação. atividade a seguir: Embasado nos quatro pilares da educação. com carteiras enfileiradas em lugares predeterminados. na Inglaterra. o aprendizado foi hierarquizado em séries. A escola surgiu no século XVIII. Para minimizar o tempo e aumentar os lucros. ocorria em horários rígidos de início e fim dos momentos de estudo.

Entretanto. Nesse contexto. Algumas ações dos educadores ainda persistem com o tempo. atualmente.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Antes de continuarmos. Brasília. qual seria objetivo do trabalho docente: a educação ou a instrução? Figura 5 Fonte: <http://images. 2001. Lembre-se de que a proposta dos quatro pilares da educação é decorrente de discussões que buscam ampliar as possibilidades de transformação de um ensino instrucional para uma educação que busque o desenvolvimento integral de seus educandos.mozilla%3Apt-BR%3Aofficial&q= %22desenho+animado%22+%22escola+ao+ar+livre%22&btnG=Pesquisar+imagens>. sugerimos a leitura da obra: Fundamentos da Educação Brasileira DELORS. São Paulo: Cortez. ed.google.faça uma breve reflexão: As concepções de educação se diversificaram ao longo da história da humanidade. Educação: um tesouro a descobrir.com. 6. DF: UNESCO. Jacques (org). vivenciamos a concepção pós-crítica. No próximo capítulo.br/images?as_st=y&gbv=2&um=1&hl=pt-BR&client=firefox-a&channel=s&rls=org. abordaremos a relação educação x instrução com o intuito de refletirmos sobre o trabalho docente e as possibilidades de mudanças no ambiente educativo. 20 . Para saber mais sobre os Quatro Pilares da Educação.

conforme estudamos nos capítulos 1 e 2. o aluno é considerado “treinado”. passou ser sinônimo de educação.. do comércio e da indústria. Contudo. “instruir” e “treinar”? Quais? Justifique. Pós-Graduação a Distância 21 . aprofundar e enriquecer esses primeiros conhecimentos. é fundamental compreender que há diversos conceitos de educação. tornou-se necessário preparar indivíduos que sustentassem o sistema econômico com mão de obra qualificada. Delors (2001) menciona que a educação não pode ser reduzida ao acúmulo de conhecimentos para o desenvolvimento de projetos individuais e coletivos. visto que utiliza o reflexo condicionado. são destinados às avaliações escolares e direcionados à identificação de indicadores de desempenho dos alunos. Gómez (1998) nos ajuda a reforçar a distinção entre instrução e educação quando afirma que a segunda trata de um processo para além da transmissão e da troca de conhecimentos. evidenciadas nas interações que ocorrem no ambiente escolar. Demo (1994) ressalta que a habilidade obtida em processos direcionados apenas ao ensino e à aprendizagem mecânica pode ser configurada como uma cópia ou imitação. todas as ocasiões de atualizar.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Capítulo 3 – Educação X Instrução Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Ao iniciarmos os estudos sobre a relação entre educação e instrução. necessário estar à altura de aproveitar e explorar.. Afirma que conteúdos abordados oficialmente nos currículos. A instrução. e consequentemente. e que não previa educação escolar para os filhos de trabalhadores. Embora determinada socialmente. dos valores de interação social etc. Afirma que “. Nesse sentido. Isso nos conduz a refletir sobre esse fenômeno de maneira mais abrangente. Acrescenta que os mestres desempenham o papel de executores de planos e projetos elaborados por outrem e. Entretanto. naquele contexto. do começo ao fim da vida.” Você concorda com a afirmativa de Delors? Por quê? Voltemos ao contexto histórico em que foram submetidos os estudos direcionados à produção para atender ao mundo capitalista. antes. da solidariedade.. e que esses conteúdos podem ser rapidamente esquecidos. os quais ultrapassam os muros da escola e são vivenciados ao longo da vida. do respeito à diferença. com a expansão do capitalismo. e de se adaptar a um mundo em mudança. comumente. a escola pode contribuir para que o aluno construa sua autonomia como aprendiz e aprenda o sentido da participação. deste caderno. das normas. as mudanças que ocorreram na sociedade nos últimos séculos trouxeram uma nova concepção de educação. Trata-se do período pré-industrial em que o clero era responsável pela educação de pessoas. ou seja. nesse contexto. Figura 6 – Reflexo condicionado Existe diferença entre os termos “educar”. “ensinar”. trabalhador capaz de realizar tarefas repetitivas com perfeição. é.

tais como: Gestão Escolar. Educação para a Terceira Idade e a Educação Comunitária.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Para fundamentar a distinção entre educar. Int.394. consideramos que há entre elas aproximações (quanto aos seus fins) e especificidades (quanto aos seus sentidos). adestrar. 185). como você descreveria a distinção entre instrução e educação? Dentro desse contexto de constantes mudanças nas práticas pedagógicas. V. lecionar. Lei nº 9.t.t. Educação Profissional e Tecnológica. LIBÂNEO. ou sua própria educação. Transmitir conhecimento a. Ao observar a semântica dessas quatro palavras. 2003.t. habilitar. 1. (p. Lecionar (2) (p. também integra a LDB. Esclarecer. [Var. Educação de Jovens e Adultos. É nessa perspectiva que surgiu a Lei de Diretrizes e Bases – LDB. Orientação Educacional. Castigar. instruir (se). Educação Corporativa. Transmitir conhecimento a. Adquirir conhecimento (p. qual é a função social da escola na educação contemporânea? . Fundamentos da Educação Brasileira 22 Após os estudos deste capítulo. Planejamento Educacional. 2. 5. Em uma concepção de formação “do professor como intelectual crítico.t. 1. 508). Em um sentido mais amplo. Goiânia: Alternativa. focando na adequação de práticas pedagógicas voltadas para a construção de competências e habilidades. entendemos o papel fundamental da formação continuada desse profissional. b) Ensinar v. 2. c) Instruir v. d) Treinar v. treinar. participante qualificado na organização e gestão da escola” (LIBÂNEO. Adestrar. 290). José Carlos. Ministrar o ensino de. ensinar. informar. 4.: trenar] treinamento sm. p. 3. e p. Organização e gestão da escola. pesquisador e elaborador de conhecimentos. 4. profissional reflexivo. a formação continuada de profissionais de educação que atuam em diferenciadas áreas do conhecimento. Pedagogia Hospitalar. Promover a educação de (alguém). ensinar. com vistas a subsidiar a reflexão sobre sua prática docente. 2003. (p. instruir. Int. Tornar apto para determinada tarefa ou atividade. instruir e treinar recorremos ao dicionário FERREIRA (1989) e encontramos as seguintes definições: a) Educar v. 1. Exercitar-se para jogos desportivos ou para outros fins. de 20 de dezembro de 1996. 199). educador (o) adj. 66). 2. 3. como forma de superar a ruptura entre a formação do professor e a do aluno. e sm. de modo que suas práticas pedagógicas estejam em consonância com a construção de competências e habilidades.

que é produzido pelo homem em sua transcendência de natureza e que o constitui como ser histórico” (PARO. A professora dá a aula dela lá no quadro ou na carteira dela. p. nem seu Antônio lá do armazém. nem craque nem lanterninha. diz que com ela é assim. 14 de novembro de 1995. senta na cadeira e fica corrigindo as provas das outras salas e a gente não entende nada. Partindo da concepção da função social da escola descrita por Paro (2007). porque ela viu a senhora falando com as Diretoras sobre os alunos que tomam pau na escola. esse ambiente não deve ser reduzido a um espaço de provimento de informações. Sra. a educação é um processo de apropriação de cultura “. Por isso a professora disse pra eu escrever para senhora. não tem jeito de passar com essa “pro”. ciência. valores. passa o exercício no quadro para a gente copiar. Mas de uns tempos pra cá estou com vontade de largar a escola. Rio de Janeiro. 2007. Pós-Graduação a Distância 23 . Nessa perspectiva. enfim. Entrego o dinheiro à minha mãe e sempre está tudo certo. A turma toda está do mesmo jeito e todo mundo vai levar pau. porque não vou passar de ano outra vez. entendida esta como o conjunto de conhecimentos. E por que eu aprendo a me virar na rua? Não sei se a senhora vai ajudar.16). Se eu perder de novo. Ela grita. os professores ajudam a gente. Diretora Estudo na 5ª série e sou um aluno médio. só tiro 1 ou 2. Fonte: Neubauer (2005. A “pro” diz que ela só passa quem sabe. Não tenho quem me leve e também não sei se é certo falar com a autoridade. Sendo um dos indicadores da qualidade da escola.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Capítulo 4 – A Função Social da Escola e dos demais Espaços Educativos no Mundo Contemporâneo Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo A reflexão sobre a função social da escola pode ser iniciada pelo ambiente escolar.. p. eu vou pra escola de manhã e de tarde vou vender cafezinho na Lapa. Diretora. Vou me virar na rua. Quando vendo o café. solicitando aos dirigentes ajuda para lhe explicar a dicotomia por ele observada entre o aprendizado construído fora do ambiente escolar e os conteúdos abordados em sala de aula. Será que a Secretaria não pode mandar umas aulas a mais para ver se a gente aprende? Ou então será que não podia a gente passar e no outro ano a gente dava conta da Matemática com a ajuda da secretaria? Diretora. que é a Diretora de Ensino. crenças. faço o raciocínio de cabeça e não erro. Conversei com a professora de religião e ela me disse para falar o problema na Secretaria. Os problemas de Matemática não sei entender e nem sei para que servem aquelas expressões tão grandes. tem merenda e às vezes livro e caderno. os burros que estudem mais para aprender. tudo.. mas configurado como agência educativa e cultural. arte. filosofia. Eu não sou inteligente para o ensino dela. que ensina mais que a escola. João. mas que “tá” ruim “tá”. De noite faço a lição quando tem o livro ou dever no caderno. mas na escola não sei nada. não quero mais saber de escola. estudante da 5ª série. 33). apresentamos uma carta escrita pelo aluno João dos Santos. Sempre gostei da escola porque conheço muitas pessoas. mas eu não entendo nada e só tiro nota baixa. Na vida da rua nunca precisei dessa coisa e também nunca vi ninguém fazendo aquilo.

mas em alguns não [. (. destacamos dois trechos das entrevistas realizadas. no trabalho.) necessidade de convivência livre (entendida a liberdade como construção histórica) entre os sujeitos individuais e coletivos”. porque o professor desacredita que ele chegue lá.. a dissociação desses saberes desfavorece o entendimento da história de vida do ser humano. Pontue com clareza o contexto em que foi desenvolvida a atividade. aproximadamente.. não acreditam em suas potencialidades.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Após a leitura da carta de João dos Santos.. no mundo do trabalho. para além de um ensino conteudista.36) em uma determinada escola. aqui. respectivamente. uma fragmentação entre o saber e o saber-fazer. ou que você conheça que tenha proporcionado mudanças do ponto de vista da função de um espaço educativo. na medida em que não há.. uma experiência pedagógica pessoal.) Acho que o que seria dado como preparo seria a postura mesmo. nem tem mais essa preocupação. 20 linhas. muito bem. com uma professora e uma coordenadora pedagógica: a) Professora: Eu acho que em alguns momentos ela tá preparando muito. em. reflita: A escola prepara a pessoa para a vida? A vida prepara a pessoa para a escola? Sobre a primeira questão. nas relações. Paro (2007. é impressionante.]. e sim uma complementaridade. vestibular. em qualquer circunstância. É importante ressaltar que não se trata de desconsiderar os conteúdos das disciplinas oferecidas nas matrizes curriculares.. no mundo. retomamos a questão proposta: A escola prepara para a vida? Como? Para tentar respondê-la. 34) argumenta que em uma sociedade democrática a função social da escola pode ser sintetizada na formação do cidadão. e sim de superá-los de maneira a alcançar as metas de uma educação integral e integrada. mas não se tem mais nem essa perspectiva.. A primeira consiste na ação de protagonista de sua própria história e a segunda compreende a “(. Partindo desse pressuposto. por um lado. se defender. Então. p. . Por outro lado. Ao considerar os conhecimentos construídos ao longo da vida. Fundamentos da Educação Brasileira 24 E você? Como pode contribuir para que essa cultura seja transformada na escola? Descreva. conceitos e conhecimentos pra que ele possa. a educação realmente possibilitará ao aluno ser sujeito de sua aprendizagem. as ações planejadas e o que realmente foi realizado. Quanto a formar para o vestibular. considerando as dimensões: individual e social. citamos uma pesquisa efetuada por Paro (2007. A partir dos trechos destacados. entendemos que essas duas dimensões justificam os questionamentos de João. constatamos que duas docentes de Educação Básica – uma professora e uma representante da coordenação escolar – que trabalham diretamente com alunos. Eu acho que a escola tem o papel fundamental de formação desse sujeito. como a pessoa saber se comportar em determinados locais. p. Entre os resultados oriundos dos participantes da investigação. Encaminhe para o e-mail do tutor da disciplina. sozinho. bem como os resultados e as suas considerações a respeito. b) Coordenadora Pedagógica: Eu acho que é desenvolver habilidades. que às vezes ela não sabe se comportar. Nesse ponto.

observamos que a vida tem lhe proporcionado aprendizagens desconsideradas ou mal-articuladas no currículo escolar. usada para substituir. proposto pelo Ministério de Educação – MEC. essa realidade tem sido alvo de diversas avaliações visando compreender o porquê do elevado desempenho de algumas escolas em provas institucionais. em virtude das repetências e do ingresso fora da idade adequada. repetência. dotada de significado social substantivo. necessariamente.. apesar de a legislação educacional e de as orientações curriculares preconizarem o contrário? A LDB de 1996.br/Files/Site/Download/Nota_Tecnica_IDEB.. 15) “.inep. Fonte: http://ideb. em geral quantitativa.. Apesar de o acesso à escola não ser considerado. Outro fator que chama a atenção nesses estudos se refere às pontuações insuficientes dos alunos em exames padronizados. Esses estudos contribuíram para a formação do Índice de Desenvolvimento de Educação Básica – IDEB. a melhoria desses resultados implica.” Pós-Graduação a Distância 25 . a distorção idade-série também é considerada relevante. O IDEB é um indicador de qualidade educacional que combina informações de desempenho em exames padronizados (Prova Brasil ou Saeb) – obtido pelos estudantes ao final das etapas de ensino (4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e 3ª do Ensino Médio) – com informações sobre rendimento escolar (aprovação). 1997). a escola. Segundo Januzzi (2004. em seu art.. Por que isso ainda ocorre. vamos à segunda questão anteriormente proposta: A vida prepara a pessoa para a escola? De acordo com a carta de João dos Santos. as taxas de repetência. Assim. em acesso e permanência de crianças e adolescentes no ambiente escolar sem desperdício de tempo. o trabalho e as práticas sociais (BRZEZINSKI. Nesse contexto. quantificar ou operacionalizar um conceito social abstrato.pdf Estudos e pesquisas que definiram o IDEB indicam que estudantes reprovados na Educação Básica contribuem para o abandono da escola antes da completude das séries regulares. o que é um indicador? Vamos dar uma pausa para compreender o que significa Indicador. Mas. abandono e a baixa proficiência dos alunos ainda continuam elevadas. respalda João dos Santos quando prevê em seus incisos X – valorização da experiência extra-escolar. um Indicador Social é uma medida. e XI – vinculação entre a educação. hoje. por exemplo. abandono e com qualidade. Como você já deve ter ouvido falar. 3º. foi desenvolvido o IDEB. indicador que sistematiza informações relacionadas ao desempenho de exames padronizados que disponibilizam o rendimento escolar (taxa média de aprovação dos estudantes na etapa de ensino). Como podemos mudar essa realidade? Até o momento refletimos sobre questionamentos e possibilidades para mudar o rumo da realidade das escolas brasileiras.gov. como a Prova Brasil e o Enem (Inep/MEC).Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Agora que já socializamos experiências sobre a função social da escola. um problema. Além desses dois fatores. tais como a Prova Brasil e o Enem. p. de interesse teórico (para pesquisa acadêmica) ou programático (para formulação de políticas).

consequentemente. comparando-os com a sua experiência na referida escola.” . não apenas na dotação de informações. seus estudantes e. Os indicadores.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Agora que você já conhece o IDEB. Índice de Desenvolvimento da Infância (IDI) e taxa de analfabetismo. por um lado. o número de escolas e matrículas em cada nível de ensino da Educação Básica oferecida no município. reprovação e abandono por série. sistematicamente. cuja fonte dos dados não é indicada nas tabelas. Por outro lado. média de alunos por turma. distorção idade-série e distorção idade-conclusão. as taxas de aprovação. constatar a existência de um sistema educacional que reprova. número de matrículas em Programas de Correção de Fluxo. foram gerados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP. Procure no site www. p. Do ponto de vista das escolas públicas republicanas da França. Entretanto. média diária de horas/aula e a relação matrícula/função docente. O conjunto de tabelas que constituem o IDEB traz informações sobre população. provoca o abandono dos estudos pelos alunos ao longo dos anos. assentamentos. áreas remanescentes de quilombos e comunidades indígenas. além do número de instituições de Ensino Superior existentes no local.gov.mec. “As chamadas ‘novas’ funções da escola são necessárias e importantes. não apenas porque os tempos mudaram. Nesse sentido.73). observa-se que a escola tem sido pensada como “um lugar capaz de solucionar alguns problemas da sociedade” (OLIVEIRA.gov. Produto Interno Bruto (PIB).br os resultados do Ideb da escola relatada. p. mas porque se supõe que a educação é formação do cidadão em sua integralidade. Analise os resultados encontrados. Constam ali também. Fonte: <http://portal. da Europa e dos Estados Unidos – todas muito semelhantes. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).mec. é bastante preocupante. Há. Segundo Paro (2007.php?option=com_content&task=view&id=88 66&Itemid=&sistemas=1>.39). ainda. vamos retornar ao seu relato de experiência causadora de mudanças na escola em que você participa. Especificamente sobre as redes de ensino. resultados da Prova Brasil e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Você já parou para pensar sobre as reprovações existentes nas escolas? Pensando bem. 2003.br/index. vinculadas ao pensamento liberal – cabia-lhes o poder de resolver os problemas da sociedade e de fazer circular as informações. como fazer para que todos tenham acesso e possam permanecer na escola com oferta de um ensino de qualidade? Fundamentos da Educação Brasileira 26 Ao longo da história da educação. É possível ainda saber se na rede municipal ou estadual há escolas localizadas em áreas rurais. também não é desejável que um aluno conclua seus estudos e não atinja um índice de proficiência satisfatório. são apresentadas as taxas de escolarização nos Ensino Fundamental e Médio. a função educativa da instituição escolar não pode ser reduzida ao provimento de informações aos alunos com o intuito de prepará-los para o próximo período escolar ou mesmo para o mercado de trabalho.

supervisão e orientação educacional para a Educação Básica. Função social da escola e organização do trabalho pedagógico.063 de 5ª a 8ª e 8. 2006). Para saber mais sobre a função social da escola.br/censo/basica/dataescolabrasil/ Leia o trecho. no único espaço social de convivência de crianças desde os seis/sete anos de idade (BUENO.663 nas séries iniciais do Ensino Fundamental. foram matriculados 55. enquanto isso. tais como Gestor Escolar.942. sendo 33. nas regiões metropolitanas densamente povoadas. ou seja. 101-110. que integra diversificadas funções. Psicopedagogo.820 no Ensino Médio? E que a escola relatada por você integra um total aproximado de 235. sugerimos a leitura do seguinte livro: Agora que refletimos sobre a função social da escola. Coordenador Pedagógico. 105). Educar em Revista. mas não com a mesma intensidade. de informação dos sujeitos. acerca da função da escola na atualidade. o que a transformou em espaço social privilegiado de convivência e em ponto de referência fundamental para a constituição de identidades. Assim.906.564 municípios do Brasil. Orientador Educacional. garantida em seu Art. . 14. p.282. a seguir.394/96. 64: “A formação de profissionais de educação para administração. a escola se constituiu no locus privilegiado de acesso aos bens culturais produzidos pela humanidade. Professor. p. a função de formação integral dos sujeitos. José Geraldo Silveira. 17. hoje.944. inspeção.gov. embasada na proposta da LDBEN – 9. os processos de urbanização parecem ter outorgado à escola. reflita sobre a função do educador em diferenciados espaços. 2001. 2001. a escola se constitui. outros espaços sociais e comunitários (como a ‘família ou a vizinhança’) detinham o papel de formação desses mesmos sujeitos. planejamento.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Você sabia que nos 5. Curitiba. Pode-se dizer que. Ao longo da história.000 unidades de ensino do país? Fonte: http://www. Isso ocorria no passado? Claro que sim. a escola foi se constituindo em local privilegiado de convivência de crianças e jovens em razão da transformação/ restrição do espaço urbano. a despeito do nível de consciência dos dirigentes e professores das escolas. no ano de 2006 (Inep. no mundo contemporâneo. será feita em cursos de graduação em Pedagogia ou em Pós-Graduação a Distância 27 BUENO.inep. cada vez mais. Atualmente. n. Supervisor Escolar.047 alunos na Educação Básica.

são consideradas adequadas em virtude de as possibilidades suprirem as necessidades do educando. para o imprevisível. cumprindo a sua missão de promotores das mudanças que se fazem necessárias e buscando a sua autorrealização. preparados para assumir o importante papel que lhes cabe. podemos mencionar o campo de atuação de profissionais que trabalham com educação comunitária. para atender aos obstáculos que pessoas adultas experienciam por não terem acesso a um sistema de educação que os acolha. é capaz de reorganizar o ambiente hospitalar e propiciar assistência pedagógica à pessoa internada. o poder. a Educação Corporativa. os interesses locais. As ações educativas propostas por meio de processos intencionais estruturados e sistematizados. é fundamental que os profissionais dessa área estejam. Além dos educadores comunitários e pedagogos hospitalares. também está relacionada ao contexto de inclusão educacional? No que se refere à educação profissional. e portanto sejam. que atendem a esses grupos tradicionalmente excluídos de seus direitos. Nesse contexto. também. em uma perspectiva mais abrangente. orientado por outros paradigmas. a Educação para a Terceira Idade e que elabora Planejamentos Educacionais. Como o Pedagogo poderá transformar outros ambientes que não o da escola. podemos pensar na função do Educador Comunitário. a base comum nacional”.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I nível de pós-graduação. . É nesse contexto que esses profissionais. a critério da instituição de ensino. Diante da possibilidade de uma educação que vai além dos muros da escola. em ambientes que se tornem espaços de aprendizagem e que atendam aos preceitos legais. a Educação Profissional e Tecnológica. a substituição da concepção de educação referenciada como produto acabado e finito por um processo contínuo. Fundamentos da Educação Brasileira 28 Mas. Nesse contexto. portanto. e a educação profissional. em espaços educativos? A LDB propõe que crianças e jovens disponham de oportunidades possíveis para que os processos de desenvolvimento e aprendizagem não sejam suspensos. que trabalha com a Educação de Jovens e Adultos. protagonismos de todos os envolvidos. competente e habilitado para reconhecer as especificidades. as minorias. a educação profissional não precisa se colocar contra a abertura mundial da produção e dos intercâmbios. do Pedagogo Hospitalar. em proveito apenas de quem já detém a riqueza. no reconhecimento do valor de cada um e na capacidade que cada um tem de ajudar no processo de crescimento e desenvolvimento dos membros da comunidade. os quais se envolvem na troca de saberes entre a escola e a comunidade. garantida. a inclusão educacional acontece a partir do entendimento de que o ato educativo torna-se responsabilidade do Estado e das pessoas especializadas para realizar ações. do profissional. mas deve contribuir para a existência de uma nova forma de mundialização que não esmague o trabalhador. o profissional especializado em Pedagogia Hospitalar. favorecem a superação dessa realidade. bem como fortalecer a política de inclusão de alunos e enfatizar a visão humanística nessa modalidade de ensino. Implicam. a influência. Nesse sentido. o meio ambiente. Nessa perspectiva. complexidades e singularidades dessa realidade. por meio de uma relação dialógica e comprometida com o desenvolvimento integral do ser humano. o profissional especializado na Educação de Jovens e Adultos também atua em diferentes espaços educativos. de forma a inseri-los dignamente na sociedade em que vivem. de acordo com o local no qual o indivíduo está inserido. Atendendo ainda a LDB. nesta formação. Pressupõe. esse processo é ainda mais complexo porque exige que se passe de uma realidade dada como conhecida e certa para o desconhecido.

saber aprender de forma não convencional. Esse cenário organizacional.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Esse novo contexto tecnológico redefine também as características do trabalho. agir e se adaptar rapidamente às mudanças na sociedade. Na era do conhecimento. não restritos à escola”. de modo que ampliem sua visão acerca do contexto atual da educação brasileira e possam atuar no âmbito de suas localidades de origem. aprofundar os estudos sobre essas leis? . o trabalhador deve ser um indivíduo criativo. focados nas áreas de negócios das empresas e alinhados aos seus objetivos e estratégias. sociedade e família. municipal e privada. Pós-Graduação a Distância 29 Lembre-se: todas as escolas brasileiras estão respaldadas pela legislação educacional vigente. No âmbito de planejamentos de políticas públicas. Para cada nível e modalidade de ensino há leis que garantem o acesso. então. Concluímos a primeira Unidade recorrendo aos estudos de Libâneo (2006. que se coloca como um dos grandes desafios que as sociedades mais industrializadas. com ênfase no desenvolvimento de qualificações isoladas e restritas às salas de aulas. vem sendo complementado ou substituído pelo desenvolvimento e aplicação de programas de educação continuada. estar preparado para tomar decisões. evidenciar capacidade para transmitir seus conhecimentos e trabalhar cooperativamente para gerar soluções inovadoras. a legislação que ampara essa população e as relações entre velhice. de modo a elaborar projetos e práticas pedagógicas direcionadas para a terceira idade. Libâneo afirma que a formação de educadores extrapola a dimensão da educação formal e “pode desdobrar-se em múltiplas especializações profissionais. p. É essencial que você envie suas atividades para o e-mail do tutor. necessitam ser conhecidas e compreendidas de modo a atender à demanda emergente de profissionais que atuam na área do desenvolvimento da idade adulta e do envelhecimento. nas esferas públicas federal. partindo da relação e inter-relação de estado. a qualidade e o controle do desempenho desses ambientes educativos para a população. sociedade e educação. com olhar na legislação educacional e organização de ensino. portanto. nos fundamentos e níveis de planejamentos educacionais. Esse autor argumenta. Outro campo de atuação do educador está relacionado ao atendimento da população idosa no Brasil. de modo que construam conhecimentos acerca de políticas públicas em educação. Vamos. bem como na avaliação de políticas públicas. emerge a necessidade de profissionais da educação. As tendências demográficas da população idosa brasileira. que desenvolve métodos de treinamento e aperfeiçoamento de pessoas em empresas. que são reconhecidas variedades de práticas sociais e educativas e. que discute a questão da formação do pedagogo ao mencionar a abrangência existente no campo conceitual e prático de sua atuação. a permanência. sendo a docência uma entre elas”. Nesse contexto de discussão de atuação do pedagogo. que propiciem uma organização que atenda a diversificação do contexto educativo. estadual. 850-851). Entre a dinâmica demográfica e as políticas sociais decorrem transformações no interior das estruturas familiares. administradores e engajados nessa proposta de mudança. com profissionais especializados em Pedagogia Coorporativa. “é pedagoga toda pessoa que lida com algum tipo de prática educativa relacionada com o mundo dos saberes e modos de ação. com a finalidade de prover as organizações dos recursos humanos capacitados para acompanharem o ritmo das mudanças que ocorrem no ambiente da organização.

Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Fundamentos da Educação Brasileira 30 .

a educação formal. por ser direito de todos e dever do Estado. o exercício desses elementos se dá na relação estabelecida pelo tipo de poder ao qual o povo esteja subordinado. Como sabemos. que os governantes invistam na educação. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos desta constituição”. Isso significa que os direitos. bem como determina quem são os responsáveis por esse trabalho. Hoje temos uma gama considerável de leis relacionadas à educação e que impactam diretamente o dia a dia de nossas escolas. com percentuais predefinidos quanto aos recursos financeiros (oriundos de receitas públicas das três esferas: União. os deveres e a forma do exercício da cidadania são determinados pelo próprio povo e materializados por meio de leis. além de estabelecer um padrão mínimo de qualidade para o sistema educacional brasileiro. contemplamos nos capítulos desta Unidade o estudo da seguinte legislação: a Constituição de 1988.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Unidade II Fundamentos Legais da Educação Brasileira lias Alexandre Quais são as leis que podem me ajudar a fazer um trabalho pedagógico de melhor qualidade? Iniciaremos os estudos relacionados às leis que regem a educação brasileira de modo a compreender a importância de cada uma para a prática profissional. Foi no início do século passado. Garantem. um Estado Democrático de Direito. Pós-Graduação a Distância 31 Mas. nem sempre a educação mereceu esse cuidado no arcabouço jurídico nacional. o Plano Nacional de Educação – PNE. que a educação ganhou importância nas leis brasileiras. segundo o parágrafo único do art. a legislação educacional estabelece os princípios e os objetivos que a nação deseja alcançar com a educação desenvolvida no país. os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs e o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 9. é de fundamental importância que o educador – comprometido com uma escola cidadã. com o surgimento de pensadores e educadores preocupados com o progresso do país. Entretanto. 1º da Constituição de 1988. Embora o processo educativo ocorra de muitas formas e em diversos espaços. a fim de exercer de maneira consciente seu trabalho pedagógico. As normas e os preceitos legais relativos à educação visam garantir a oferta de ensino público à população. tendo como característica principal. Portanto. precisa ser regulada legalmente. como são elaboradas as leis? . evitando a descontinuidade das ações educativas. O Brasil é uma República Federativa. Nesse contexto. e do país. Estados e Municípios). em particular. Para tanto. democrática e capaz de cooperar com o desenvolvimento das pessoas. o fato de que “Todo poder emana do povo.394/96. em geral – conheça a legislação educacional. ainda.

gov. apresenta um projeto de lei à casa legislativa. Você sabia que um projeto de lei surge para atender a uma necessidade social além de atender aos princípios estabelecidos no texto constitucional? Por exemplo: as cotas para deficientes físicos em concursos públicos atendem ao interesse específico dos deficientes físicos. suas leis também estarão subordinadas à legislação estadual. onde se dá o rito do processo legislativo determinado em lei. podem ser criadas por iniciativa da população. cabe lembrar que cada um dos entes federativos (União. ou por demanda de grupos sociais. outras. consulte os sites indicados a seguir: Fundamentos da Educação Brasileira www. faz-se necessário lembrar que existem diversos tipos de leis. que deve seguir a mesma ordem (à exceção da medida provisória. Desse modo. Assim.senado. também. as quais são estabelecidas por meio de uma ordem hierárquica e de importância. ainda. pela iniciativa exclusiva de representante do poder executivo. quando assume força jurídica. Estados. No caso dos municípios. Para saber mais sobre o tema. o Distrito Federal e os municípios também possuem legislação própria. cada estado. outras. já a LDB afeta a toda a sociedade brasileira e tem determinação constitucional. ou um governador ou um prefeito – quando a iniciativa for de sua competência – também pode elaborar um projeto de lei e encaminhar à casa legislativa correspondente. O presidente.br www. O processo culmina com a publicação da lei no Diário Oficial. Distrito Federal e Municípios) tem competências legislativas específicas. por ser privativa do Presidente da República) e sempre estará subordinada à lei máxima do País.gov. ouvindo especialistas no assunto. No entanto. outorgadas pela Constituição. certos tipos de leis que só podem ser criadas por solicitação do poder legislativo.interlegis. a Constituição Federal. Observe abaixo a hierarquia das leis: CONSTITUIÇÃO FEDERAL EMENDAS CONSTITUCIONAIS LEIS COMPLEMENTARES LEIS ORDINÁRIAS LEIS DELEGADAS MEDIDAS PROVISÓRIAS DECRETOS LEGISLATIVOS RESOLUÇÕES Essa relação hierárquica é relativa ao ordenamento jurídico federal. uma norma hierarquicamente inferior não deve entrar em conflito com a que lhe é superior. com objetivos e formas de produção diferenciadas.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Inicialmente. Existem. Além disso. um parlamentar.br 32 .

Mas.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Capítulo 5 – A Constituição Federal Elias Alexandre Como vimos. Isso é um fato importante. O objetivo foi adequar a norma básica legal do país às mudanças ocorridas na sociedade. normalizando áreas até então esquecidas e sem respaldo legal suficiente para garantir uma educação de qualidade. Teve seu texto composto de 07 incisos e 03 parágrafos expandido e explicitado pela LDB. . Assunto Conceituação. além do amadurecimento das relações políticas. Trata dos princípios para ministrar o ensino. Desde a promulgação. a Carta atual avançou bastante na garantia de direitos educacionais. o texto constitucional já sofreu várias modificações por meio de emendas constitucionais. um resumo do texto constitucional: 206 207 208 Pós-Graduação a Distância 33 Artigo 205 Especificidade Mantém o texto integral e é sempre mencionado nas leis infraconstitucionais. função e características das universidades. O texto original foi educação escolar. O texto constitucional foi resultado de intensos debates. muitos com interesses conflitantes. Trata da natureza. pesquisas e negociações políticas entre diversos grupos sociais. a Constituição Federal. e as Constituições elaboradas ao longo da história do Brasil? Em relação às constituições anteriores. trazendo maior clareza para determinados assuntos. trouxe esperança e expectativa para os diversos movimentos sociais. deflagrado com a abertura política e o fim do período do regime militar. os de escolas laicas e os de ensino de caráter confessional e/ou religioso. pois mostra ser possível modificar a norma legal quando esta não for mais condizente com a realidade. deixando por conta da legislação infraconstitucional a resolução dos conflitos pós-constituinte. parágrafos. como os defensores da escola pública e os do ensino privado. O resultado foi um texto conciso e preciso em determinados temas e vago e impreciso em outros. repetido e expandido pela LDB. É Sofreu alteração pela EC 14/1996. Como parte do capítulo III do Título VIII. foi o marco do retorno da democracia política no País. os artigos 205 ao 214 são dedicados exclusivamente à educação. Exemplo disso foi a definição clara da vinculação percentual mínima na receita de impostos dos entes federativos destinados à manutenção e ao desenvolvimento da educação.. entendida como Sofreu alteração pela EC 19/1998. Especifica os deveres do Estado para com a educação. referente à Ordem Social no Brasil.. Fruto de um intenso trabalho político. Composto de 07 incisos. princípios e objetivos da educação nacional. A seguir. Foi alterado pela EC 11/1996. promulgada em 1988. entre eles. que acrescentou os dois Possui dois parágrafos. os de luta pela democratização da educação e por uma escola de qualidade.

212 da Constituição.br www. ampliando o atendimento a toda a educação básica.br/seb www. Teve seu texto expandido e explicitado pela LDB. Trata do financiamento público para o ensino privado. Define as competências e institui o regime de colaboração federativa dos sistemas de ensino. entretanto. Possui 02 incisos. Trata dos fundamentos e mecanismos de financiamento para a manutenção e desenvolvimento do ensino.gov. O texto detalhava alguns aspectos do art. Para atender a Educação Básica do País. A referida emenda criou o Fundo Nacional para a Manutenção e o Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério – Fundef. Mantém o texto integral e é sempre mencionado nas leis infraconstitucionais. 60 do Ato das Disposições Transitórias. cabe ressaltar a inserção no texto constitucional.fnde.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Artigo 209 210 211 212 213 214 Assunto Trata da participação da iniciativa privada na oferta do ensino.gov. Possui 02 parágrafos. Fundamentos da Educação Brasileira Para saber mais sobre o FUNDEB.gov. estaduais e municipais para serem aplicados. Vários de seus parágrafos foram objetos de leis ordinárias. Esse fundo trouxe uma considerável mudança na qualidade do ensino e melhorias nos salários de professores de vários municípios de pequeno porte. com duração até 2006.424/1996. Possui 05 parágrafos. Foi cumprido com a promulgação da Lei nº 10.br 34 . consulte os sites indicados abaixo: www.mec. instituído pela Lei nº 9. com expectativas de forte impacto na qualidade dessa etapa educacional do País. por meio da Emenda Constitucional nº14/1996. que contém orientações para a criação de um fundo especial de manutenção e desenvolvimento do ensino e valorização do magistério. Previa uma cesta de recursos oriundos de impostos federais. Sofreu alteração pela EC 14/1996. Especificidade Mantém o texto integral e é sempre mencionado nas leis infraconstitucionais. na manutenção e no desenvolvimento do Ensino Fundamental e na valorização do magistério. a Emenda Constitucional nº 53. Possui 02 incisos e 02 parágrafos. Possui 04 parágrafos. do art.gov. Estabelece os princípios para a organização curricular do Ensino Fundamental. Teve seu texto expandido e explicitado pela LDB.172/2001.senado. Sofreu alteração pela EC 14/1996.br www. não contemplou a Educação Infantil e o Ensino Médio. exclusivamente. Por fim.interlegis. Mantém o texto integral e é sempre mencionado nas leis infraconstitucionais. de 2006. Mantém o texto integral. Estabelece o Plano Nacional de Educação. que criou o Fundo Nacional para a Manutenção e o Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização do Magistério – Fundeb.

394/1996 estão identificados. 9) explica que essa Lei foi alicerçada em quatro grandes eixos a fim de conferir à educação brasileira as condições necessárias às mudanças consideradas imprescindíveis: i) descentralização da gestão educacional. que deu especial importância à educação e trouxe relevantes mudanças ao cenário educacional. Pós-Graduação a Distância 35 • os profissionais de educação. dos Municípios.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Capítulo 6 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: a LDB em Foco Maysa Barreto Ornelas A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB. (vii) configuração dos sistemas federal. a LDB deve conter princípios (base da educação) e diretrizes. (iv) desenvolvimento de um sistema de avaliação. de 20 de dezembro de 1996. • os mecanismos de ensino. Traduzem-se em modalidades de organização. (ii) democratização e flexibilização do sistema nacional de educação. (iii) padrões mínimos de qualidade do ensino. • os direitos. a sua organização. de fato. por outro lado. (vi) definição das responsabilidades da União. • as formas de gestão. (viii) mapa conceitual da educação escolar e da educação básica. detêm um conteúdo de formulação operativa. As bases explicitam: • os fins da educação. o direito à educação e o dever de educar. A LDB surgiu oito anos após a promulgação da Constituição de 1988. (iii) garantia de insumos básicos a fim de se oferecer. por sua vez. dos Estados. (iv) pluralidade de formas de acesso aos diversos níveis de ensino. articulação entre os sistemas de ensino etc. ordenamento da oferta. regulamenta a educação brasileira em todos os níveis e em todas as modalidades de educação e ensino. As diretrizes. As diretrizes. Em outras palavras. Carneiro esclarece. entre outras definições. Por definição. (ii) vinculação da educação com o mundo do trabalho e com as diferentes práticas sociais. que os grandes eixos da Lei nº 9. Detêm um conteúdo de concepção política. p. Carneiro (2000. estaduais e municipais do ensino. capaz de conferir o adequado acompanhamento dos processos educacionais. ainda. • os recursos para o ensino. os profissionais e os recursos financeiros para a educação. (v) avaliação da qualidade do ensino pelo Poder Público. . uma educação de qualidade. invocam dimensões adjetivas da educação organizada. • o dever e a liberdade de educar. de nº 9394/96. Bases são os fundamentos da educação. especificam: • a organização e o funcionamento dos níveis e modalidades de ensino. Nela estão explicitados os princípios e fins da educação. (ix) reconfiguração de toda a base curricular da educação básica. sua função substantiva. das escolas e dos docentes. pelas seguintes: (i) conceito abrangente de educação.

15): Seria ingenuidade atribuir a esta lei força ou mesmo potencialidade para provocar uma revolução da educação do país. Entretanto. das estratégias e dos mecanismos de controle social desenvolvidos pelos diferentes protagonistas e das dinâmicas sociais que darão forma aos diversos níveis de relações sociais. torna-se imperativo aos educadores uma leitura detalhada dessa Lei. pois isso influi de forma decisiva no modo como se percebe a gestão da qualidade na educação. De acordo com o disposto no art. perpassando pela avaliação institucional até a avaliação do desempenho dos docentes. compreendida como o reconhecimento – por parte dos sistemas de ensino – de práticas educativas desenvolvidas fora do sistema formal. O texto legal também inclui a delegação de competências para escolas e docentes participarem mais ativamente na organização e na condução das ações pedagógicas. conheça a Magna Lei Educacional Brasileira e suas interferências na prática escolar. Nesse sentido. a construção da proposta pedagógica da escola. dos partidos políticos. pode-se dizer que a LDB está fundada em dois eixos principais: flexibilidade e avaliação. • Incentivo ao desenvolvimento e à veiculação de programas de ensino a distância e de educação continuada. 11 e 18. depende de vários fatores. No que se refere ao eixo da flexibilidade. expressa na combinação dos artigos: 9º e 16. entre eles as concepções que os atores sociais envolvidos – oriundos do Estado. do campo educacional e de outros grupos da sociedade – têm da sociedade. p. com impacto direto na organização curricular. cabe aos referidos sistemas criar mecanismos de validação dos conhecimentos ali gerados. Sobre esse aspecto é significativo recorrer ao trecho do texto de Ivany Pino (1997. a ocorrência desses processos. • Gestão democrática do ensino público. Isso pode ser realizado a partir Fundamentos da Educação Brasileira 36 . a LDB regula todos os ângulos da avaliação. de reforma e de inovação educacionais como parte do processo de “regulação social”. 24.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Pode-se dizer que as principais contribuições da LDB são: • Inserção da Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica. Estado e educação e das suas relações. o registro de diplomas. concomitantemente ou com prevalências. Dessa forma. • Instituição da Década da Educação. • Oferta de ensino noturno regular. Diante do exposto e considerando a importância da LDB para o cotidiano pedagógico. dos interesses. 10º e 17. o reordenamento dos sistemas educativos. a LDB cria um forte sistema de regulação a cargo dos órgãos normativos e das instâncias competentes pela interpretação dos artigos. encontramos a descentralização das competências. como profissional de educação. Soma-se a isso a autonomia das instituições. Outro ganho advindo com a LDB. • Garantia do padrão de qualidade. Esquematicamente. entre outros aspectos. o fim de currículos mínimos. em seu art. • Valorização da educação profissional e do Ensino Superior. é fundamental que você. segundo Cury (2002). bem como a busca do entendimento de suas entrelinhas. inscritos em uma LDB. a LDB contribuiu para o fortalecimento do fenômeno da “desescolarização”. Além disso. 43 foi a possibilidade de abrir espaço de formação esporádica e pontual para a sociedade em geral. Embora se mostre flexível. desde a avaliação do rendimento escolar. É importante ressaltar que essas aparentes “novidades” da LDB de 1996 fazem parte de um percurso histórico formado pelas leis educacionais que a antecederam. Prevê campos e setores de regulação mínima indispensável abaixo da qual não se pode falar nem em lei e muito menos em lei nacional. poderá criar contextos de relações estruturais de transformação.

I. CURY. - Pós-Graduação a Distância 37 . LDB interpretada : diversos olhares se entrecruzam.gov. Rio de Janeiro: DP&A. R. ed. C. J.htm Você concorda com a importância dada a essas leis na organização da educação brasileira? Justifique. (apresentação). São Paulo: Cortes Editora. LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei 9. contribuindo com especificidades e potencialidades da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 5.planalto. nesses últimos dez anos. 1997. Consulte também: www. BRZEZINSKI. 2002.br/ccivil_03/Leis/L9394.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II do auxílio de diversos pensadores que vêm.394/96.

ele deve representar para aqueles que pisam a sala de aula. O Plano Nacional de Educação 2001-2010 entra na história da educação brasileira com seis qualificações que o distinguem de todos os outros já elaborados: é o primeiro plano submetido à aprovação do Congresso Nacional. da gestão e financiamento e da avaliação. cumpre um mandato constitucional (artigo 214 da constituição Federal de 1988) e uma determinação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB. Estaduais e Municipais nos próximos dez anos. define objetivos. www. fixa diretrizes.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Capítulo 7 – O Plano Nacional de Educação – PNE Elias Alexandre Para atender as determinações do artigo 214 da Constituição Federal. Assim. o Plano Nacional de Educação – PNE foi aprovado pela Lei nº 10. chama a sociedade para acompanhar e controlar a sua execução. de 09 de janeiro de 2001. O PNE representa para os educadores um caminho. tem força de lei. art. diretrizes e metas a serem cumpridos pelos governos Federal. O PNE – com o amparo legal da Constituição e da LDB – busca materializar os direitos e os deveres educacionais outorgados à sociedade brasileira por esses dois instrumentos legais. envolve o Poder Legislativo no acompanhamento de sua execução. §1º).172.htm Fundamentos da Educação Brasileira 38 . objetivos e metas para um período de dez anos. o que garante continuidade da política educacional e coerência nas prioridades durante uma década. A referida lei complementar visa à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do poder público. Mais do que uma carta de intenções.planalto. 87. um vislumbre da educação que se deseja e os caminhos a serem trilhados para alcançá-la.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10172. uma possibilidade de nortear suas ações e cobrar das instâncias competentes o efetivo cuidado para com a educação brasileira. objetivando a melhoria da qualidade da educação nacional. a cada dia. portanto.gov. contempla todos os níveis e modalidades de educação e os âmbitos da produção de aprendizagens.

são normas juridicamente inferiores à LDB.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Capítulo 8 – Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares Nacionais Elias Alexandre Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares Nacionais. Você tem consultado os Parâmetros Curriculares para desenvolver sua prática docente? As Diretrizes Curriculares Nacionais constituem-se em instrumentos normativos elaborados pelo Conselho Nacional de Educação com base nos princípios emanados pela Constituição e pela LDB. Outra função reside no fato de servirem de parâmetro à realização das diversas modalidades de avaliações institucionais promovidas pelo Ministério da Educação. conteúdos. articulando concepções. Sua principal função é cumprir a determinação constitucional presente no artigo 210. o Enem. embora diferentes e construídos por processos distintos. foram elaborados pelo Ministério da Educação. o Enade etc. Construído a partir de estudos e pesquisas de uma equipe de consultores do Ministério da Educação. São dois instrumentos legais de grande impacto no cotidiano da ação pedagógica das salas de aula brasileiras. compreendeu-se a impossibilidade de dissociar o que se ensina de como se ensina (SANCHEZ. bem como no acompanhamento e na avaliação de sua implementação (BRASIL. indicam diretrizes curriculares para: Educação Infantil. este último com diretrizes específicas de formação por tipo de curso e área de saber. de modo a subsidiar as reflexões e as discussões da comunidade escolar com vistas à construção do seu Pós-Graduação a Distância 39 . O objetivo principal das Diretrizes Curriculares é estabelecer diretrizes e princípios para a organização curricular e para a prática pedagógica de cada nível/modalidade de ensino. com nítida diferença das Diretrizes. Organizadas de acordo com os níveis e as modalidades de ensino. A ideia foi organizar os PCNs com propostas abertas. critérios de avaliação. 374): Quem conhece os PCNs pode perceber claramente a distância existente entre o que poderia ser um conjunto de conteúdos mínimos e obrigatórios para o Ensino Fundamental. 1998). ou uma proposta de diretrizes curriculares. que contém diretrizes axiológicas. conforme apontado por Bonamino e Martinez (2001. avaliações e orientações. nacionais e regionais. como a Prova Brasil. orientações metodológicas. que determina a fixação de conteúdos mínimos para o Ensino Fundamental. o Enac. p. Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs. nacionais e regionais. Ensino Fundamental. Educação de Jovens e Adultos. e uma complexa proposta curricular. de maneira a assegurar aos estudantes uma formação básica comum e o respeito aos valores culturais e artísticos. por sua vez. Ensino Indígena. de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos. as Secretarias de Educação e as Instituições de Ensino Superior organizam seus currículos e orientam suas práticas pedagógicas. Ensino Médio. Educação a Distância e Ensino Superior. o Saeb. com educadores selecionados de diversas partes do Brasil. Ensino Especial. 1997). A versão final dos PCNs está fundamentada na avaliação das análises críticas e nas sugestões dos especialistas pareceristas. Com base nessas diretrizes. Referem-se a princípios e orientações para a prática pedagógica. conteúdos específicos de todas as áreas de ensino e conteúdos a serem trabalhados de modo transversal na escola. o Eneja. objetivos.

Trata-se. Para tanto. na prática social e no mundo do trabalho. A base nacional comum determinada na LDB para a organização curricular do Ensino Fundamental e do Ensino Médio deve assegurar que as finalidades da referida lei sejam alcançadas. sugerindo competências e habilidades: a) Linguagens. No processo de ensino-aprendizagem. compostas por disciplinas potenciais. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I – domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. Saúde. a contribuição da Educação Básica para o desenvolvimento de competências e habilidades básicas no educando. revigorando a integração dos conhecimentos de maneira contínua. portanto. a utilização dos Parâmetros Curriculares requer do professor uma postura crítica constante. de acordo com os seguintes critérios: Fundamentos da Educação Brasileira 40 . a língua portuguesa como insrumento de comunicação. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. que são fundamentais as especificidades da realidade social e que nesses processos se desenvolvem as práticas educativas. II – conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. É nesse contexto que as Diretrizes Curriculares do Ensino Médio. da economia e da clientela (art.. É importante ressaltar que. a compreensão do significado da ciência. 36 da LDB refere-se ao currículo do Ensino Médio ao mencionar que: [. No caso da Educação de Jovens e Adultos – EJA. São eles: Ética. garantindo. de 5 de julho de 2000. de eixos norteadores que favorecem a organização e a autonomia do trabalho pedagógico dos professores.. das letras e das artes.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II projeto educativo. a Resolução CNE/CEB nº 1. assim. Pluralidade Cultura e Orientação Sexual. da cultura. a partir das quais o educador constrói a sua prática com vistas à melhoria da qualidade do seu trabalho pedagógico. O art.] destacará a educação tecnológica básica. de modo que os conhecimentos sejam aprimorados ao longo da vida. a metodologia e a avaliação devem favorecer o desenvolvimento integral do aluno. III – domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania. c) Ciências Humanas e suas Tecnologias.] § 1º Os conteúdos. por meio da inter e transdisciplinaridade. Nos PCNs estão inclusos também alguns temas – os chamados temas transversais – que são considerados fundamentais para a sociedade brasileira. A parte diversificada do currículo atende a características regionais e locais da sociedade. os conteúdos. Códigos e suas Tecnologias. Matemática e suas Tecnologias e. a organização curricular. b) Ciências da Natureza. apontam para uma organização das disciplinas além da fragmentação dos saberes. em consonância com a comunidade escolar. Meio Ambiente. [. os PCNs foram organizados em áreas.. É fundamental que um profissional da Educação tenha conhecimentos sobre a legislação que respalda a oferta de EJA. É preciso entender que não existem receitas prontas para o desenvolvimento de processos educativos de qualidade. estabelece Diretrizes Curriculares Nacionais. 26 da LDB). Eles expressam conceitos e valores importantes à democracia e à cidadania e são bem amplos de modo a suscitar o debate na sociedade. embora seja muito útil e importante para o fortalecimento das práticas pedagógicas. Os parâmetros devem representar indicações. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura..

§ 2º Os cursos e programas do PROEJA deverão considerar as características dos jovens e adultos atendidos. nos termos do art. nos pareceres CNE/CEB 4/98. sem prejuízo do disposto no § 4º deste artigo. e II – ao ensino médio.154. e 87 e. No que tange à integração entre a Educação Básica na modalidade de Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional e Tecnológica. em especial dos seus artigos 4º. 37. § 3º O PROEJA poderá ser adotado pelas instituições públicas dos sistemas de ensino estaduais e municipais e pelas entidades privadas nacionais de serviço social. § 2º Estas Diretrizes se estendem à oferta dos exames supletivos para efeito de certificados de conclusão das etapas do ensino fundamental e do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos. objetivando a elevação do nível de escolaridade do trabalhador. aprendizagem e formação profissional vinculadas ao sistema sindical (“Sistema S”). 4º As Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio estabelecidas e vigentes na resolução CNE/CEB 3/98. do Decreto nº 5. 3º. 2º A presente Resolução abrange os processos formativos da Educação de Jovens e Adultos como modalidade da Educação Básica nas etapas dos ensinos fundamental e médio. à luz do caráter próprio desta modalidade de educação. predominantemente. e poderão ser articulados: I – ao ensino fundamental ou ao ensino médio.154. de forma integrada ou concomitante. 3º As Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental estabelecidas e vigentes na Resolução CNE/ CEB 2/98 se estendem para a modalidade da Educação de Jovens e adultos no ensino fundamental. matrículas. entre outras. Art. § 1º O PROEJA abrangerá os seguintes cursos e programas de educação profissional: I – formação inicial e continuada de trabalhadores. de 2004. 4º. nos termos do art. no caso da formação inicial e continuada de trabalhadores.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Art. referências das Diretrizes Curriculares Nacionais. 1º Fica instituído. de 23 de julho de 2004. se estendem para a modalidade de Educação de Jovens e Adultos no ensino médio. Art. aos objetivos e às diretrizes curriculares tais como formulados no Parecer CNE/CEB 11/2000. § 1º Estas Diretrizes servem como referência opcional para as iniciativas autônomas que se desenvolvem sob a forma de processos formativos extraescolares na sociedade civil. e II – educação profissional técnica de nível médio. por meio do ensino.840. Pós-Graduação a Distância 41 . CNE/CEB 15/98 e CNE/CEB 16/99. do Decreto nº 5. direitos dos inscritos nessa modalidade de ensino. competências para a validação dos cursos. para a Educação de Jovens e Adultos. Art. da Educação Profissional. o Decreto nº 5. 5º. 5º Os componentes curriculares conseqüentes ao modelo pedagógico próprio da educação de jovens e adultos e expressos nas propostas pedagógicas das unidades educacionais obedecerão aos princípios. nos termos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Art. que acompanha a presente Resolução. 1º Esta Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos a serem obrigatoriamente observadas na oferta e na estrutura dos componentes curriculares de Ensino Fundamental e médio dos cursos que se desenvolvem. no que couber. estabelece as seguintes diretrizes: Art. suas respectivas resoluções e as orientações próprias dos sistemas de ensino. avaliação. em instituições próprias e integrantes da organização da educação nacional nos diversos sistemas de ensino. Além desses artigos. no âmbito federal. o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA. 38. de 13 de julho de 2006. incisos I e II. essa resolução estabelece diretrizes para duração dos cursos. § 2º. § 1º. conforme as diretrizes estabelecidas neste Decreto.

gov.mec.mec. Para acessar os PCNs.scielo.php?option=com_content&task=view&id=819&Itemid=929>.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II § 4º Os cursos e programas do PROEJA deverão ser oferecidos. em qualquer caso. A RESOLUÇÃO CNE/CEB N.php?option=content&task=vie w&id=78&Itemid=221 http://portal. 2º Para os fins desta Resolução.br/index.br/seb/index.scielo.pdf http://www.br/seb/index.gov.mec.php?option=com_content& task=view&id=264&Itemid=254 Para maiores informações consulte: http://portal. entre no seguinte endereço eletrônico: http://portal. definição de competências profissionais gerais do técnico por área profissional e procedimentos a serem observados pelos sistemas de ensino e pelas escolas na organização e no planejamento dos cursos de nível técnico.pdf 42 . Disponível em: <http://portal.mec. à ciência e à tecnologia.br/setec/index.br/pdf/es/v23n80/12926. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico. critérios.pdf http://portal.br/pdf/es/v23n80/12926.br/setec/index.gov. Parágrafo único.gov. A educação profissional. ao trabalho.php?option=com_ content&task=view&id=132 www. Art.mec. objetiva garantir ao cidadão o direito ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva e social.scielo.gov. a partir da construção prévia de projeto pedagógico integrado único. integrada às diferentes formas de educação.mec.br/pdf/es/v23n80/12937.gov.gov. inclusive quando envolver articulações interinstitucionais ou intergovernamentais.mec.php?option=com_content&task=view&id=819&Itemid=929>. entende-se por diretriz o conjunto articulado de princípios.º 04/99 estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico: Art.br/secad/ Fundamentos da Educação Brasileira http://www. Disponível em: >http://portal.br/setec/ http://portal.

a principal iniciativa do PDE é a criação dos institutos federais de educação profissional. científica e tecnológica. pais. há poucos livros produzidos em benefício do público adulto que está aprendendo a ler e a fazer cálculos. Química e Biologia. não se conseguirá atingir a qualidade que se deseja à educação brasileira. desse modo. mais de 50% desses profissionais ganham menos de R$ 800.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Capítulo 9 – O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE é uma prioridade do Ministério da Educação e tem o objetivo de ampliar qualitativamente a Educação Básica em nosso País. O Programa Brasil Alfabetizado. realizando uma grande prestação de contas.00 por 40 horas de trabalho). ampliação do acesso dos educadores à universidade. Significa também envolver todos. para que contribuam com o desenvolvimento das comunidades próximas e ajudem a resolver a falta de professores em disciplinas como Física. O objetivo é verificar a qualidade do processo de alfabetização dos alunos no momento em que ainda é possível corrigir distorções e salvar o futuro escolar da criança. Além dele. melhorias no transporte escolar para os alunos residentes em áreas rurais e qualificação da saúde do estudante são outras ações desenvolvidas dentro do PDE. professores e gestores. Pós-Graduação a Distância 43 . realização de uma Olimpíada de Língua Portuguesa. A intenção é que essas instituições funcionem como centros de excelência na formação de profissionais para as mais diversas áreas da economia e de professores para a escola pública. Com o PDE. possibilitar o acesso e a permanência do aluno na escola. instalação de laboratórios de informática em escolas rurais. A criação de um piso salarial nacional dos professores (atualmente. garantia de acesso à energia elétrica para todas as escolas públicas. estão a ampliação de turmas nas regiões do interior do país. está recebendo alterações para melhorar seus resultados. Isso significa envolver todas as pessoas que têm o propósito de que seja oferecida uma Educação de Qualidade e. Se as iniciativas do MEC não chegarem à sala de aula e beneficiarem a criança. como a já existente Olimpíada de Matemática. Investir na Educação Básica significa investir na Educação Profissional e na Educação Superior. pois propicia à sociedade informações acerca do que ocorre dentro e fora das escolas. Por isso. A alfabetização de jovens e adultos também receberá atenção especial. direta ou indiretamente. é importante a participação de toda a sociedade no processo. porque elas estão ligadas. outra medida adotada pelo governo federal é a criação de uma avaliação para crianças dos seis aos oito anos de idade. Hoje. A proposta é ampla e democrática. e a produção de material didático específico para esse público. sobre as ações que estão sendo desenvolvidas para o alcance dos objetivos propostos. O Que é o Plano de Desenvolvimento da Educação? Uma Educação Básica de qualidade é a prioridade do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). O Compromisso Todos pela Educação deu o impulso a essa ampla mobilização social. Na educação profissional. em iniciativas que busquem o sucesso e a permanência do aluno na escola. o Ministério da Educação pretende mostrar à sociedade tudo o que se passa dentro e fora da escola. alunos. Os institutos serão instalados em cidades de referência regional. Entre as mudanças. criado pelo MEC para atender os brasileiros com dificuldades de escrita e leitura ou que nunca frequentaram uma escola. onde reside a maior parte das pessoas sem escolaridade.

A responsabilidade pela implementação de uma lei exige tudo isso e. o nosso cotidiano e boa parte das nossas relações sociais são determinados por leis. professores e pesquisadores de diferentes áreas do ensino foram convidados a contribuir para a construção do plano. ignorar que tal formação não pode ser aligeirada só poderá conduzir a uma nova modalidade de insucesso. a cura deve ser vista como remédio do que veio antes e prevenção para o presente que ora se inicia. Isso porque o regime federativo brasileiro delegou determinadas competências aos Estados.html Depois dessa visão geral.gov. é necessária a participação da sociedade. Logo.) http://portal. No caso da nova lei. Também cria uma base sobre a qual as famílias podem se apoiar para exigir uma educação de maior qualidade. Cuidado provém de cogitare (pensar). ainda. Ignorar o passado omisso a este respeito. Mas lembre-se de que não existem apenas leis federais. Assim.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II O PDE inclui metas de qualidade para a Educação Básica.mec. Tem de ser um projeto de todos os brasileiros. como dito no começo desta unidade. Estudamos neste capítulo as principais leis e normas educacionais de nosso País. Curar do peso que ficou nas costas dos docentes de leis que os obrigam a um fardo que eles não ajudaram a montar. vamos tratar de cada um desses documentos legais.br/index. mas que foram obrigados a transportar. desse ponto de vista. O plano prevê. é preciso cuidado também com outro sentido de pensar como curar. Para alguns. mas. encontraremos constituições estaduais e leis orgânicas municipais. Qual é a importância dessas legislações para a sua prática pedagógica? Registre suas reflexões no fórum.mec. 22) sobre as leis: Diálogo exige cuidado. acompanhamento e assessoria aos municípios com baixos indicadores de ensino. 44 . Dentro desse desafio há que apontar a formação de docentes. Dessa forma. não recomenda. Para que todos esses objetivos sejam alcançados. E que essa formação dê conta efetiva das exigências que a nova LDB põe para a educação nacional. Para se resolver a enorme dívida que o Brasil tem com a educação. É preciso haver e acontecer formação. conhecer a legislação educacional é questão fundamental para melhorar a qualidade do seu trabalho pedagógico. O passado de reformas educacionais. p. ao Distrito Federal e aos Municípios. Isso contribui para que as Escolas e Secretarias de Educação se organizem no atendimento aos alunos. em uma expressão pode ser resumida em co-responsabilidade civil e responsabilização estatal. pode não ser um assunto muito atrativo.br/arquivos/pde/livro/index. que é pensar com zelo ante uma situação que exige cautela. Fundamentos da Educação Brasileira Finalizamos com as considerações de Cury (2002. bem como uma série de leis locais referentes à educação. para um educador. Cada estado e cada município também tem sua legislação.gov. o PDE não pode ser apenas um projeto do governo federal. (Fonte: <http://portal.php?option=c ontent&task=view&id=593&Itemid=910&sistemas=1>. Tanto é que ex-ministros da Educação.

Fundamentos Legais da Educação Brasileira

Unidade II

Legislação da Educação Brasileira: saberes necessários
Maysa Barreto Ornelas

A educação brasileira - tal como a conhecemos hoje – é sistematizada por meio de leis específicas que a organizam de acordo com as demandas sociais e econômicas do nosso país. Um dos aspectos que contribuem para a construção de uma educação de qualidade é a legislação que organiza suas diretrizes e bases, bem como as orientações pedagógicas nacionais que buscam retratar a realidade educacional brasileira atual. Este é o primeiro passo para uma gestão de qualidade na escola: conhecer os fundamentos legais da educação brasileira. Para organizar e orientar o nosso sistema educacional, contamos atualmente com uma vasta legislação, a qual é necessário conhecer e colocar em prática nos diversos âmbitos. Neste momento tomamos contato com três relevantes documentos norteadores das políticas educacionais vigentes: Lei nº 9394/96, Plano Nacional de Educação e os Parâmetros Curriculares Nacionais.

Parabéns! Você chegou ao final de mais uma unidade! Lembre-se de postar as suas reflexões no fórum para que possa interagir com seus colegas de turma! Na próxima Unidade, abordaremos a materialização das legislações educacionais vigentes no Brasil, à medida que estudarmos as Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico, organizado em cinco capítulos: A construção da educação de qualidade; A inclusão: valorização das diferenças; Autonomia dos espaços educativos; Tecnologias na educação: inclusão digital.

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Fundamentos Legais da Educação Brasileira

Unidade II

Fundamentos da Educação Brasileira
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Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico

Unidade III
Unidade III

Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico
Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo

Como você pensa a educação de qualidade? Você concorda com a inclusão educacional? Você tem contribuído para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que atendam às necessidades da sociedade?

Esperamos que as reflexões contidas nos próximos textos o auxiliem em sua prática pedagógica, bem como contribuam para que você se posicione com mais propriedade frente ao desafio de transformar a educação brasileira.

Capítulo 10 – A Construção da Educação de Qualidade

A palavra de ordem no mercado consumidor atual é qualidade. Praticamente tudo na atualidade, seja nas relações de consumo, comerciais, sociais ou pessoais está pautado por questões qualitativas. O consumidor exige qualidade nos produtos que compra ou nos serviços que utiliza, os amigos julgam uma relação afetiva pela qualidade dos sentimentos que perpassam o cotidiano da relação, o indivíduo se torna cidadão à medida que se vê sujeito de direitos e garantias a serem efetivadas com qualidade pelo Estado. Dentro dessa ótica da qualidade, as ações educativas são impelidas a demonstrar resultados, a atender às expectativas da sociedade e dos sistemas educacionais. Cada resultado de um processo de avaliação como a Prova Brasil e o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio –, põe em prova a capacidade do estabelecimento de ensino em cumprir sua função social e de oferecer educação de qualidade. Certamente, muitos dirão que o fundamental para a qualidade do ensino de uma escola está em um corpo docente bem preparado e num excelente currículo. Outros dirão na necessidade de bons equipamentos, de material didático adequado e de uma gestão de qualidade. É nesse emaranhado de impressões e ideias que a questão da qualidade da educação está sempre presente.

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Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico

Unidade III

Mas o que vem a ser qualidade?

Segundo o dicionário Ferreira (1988, p.418), qualidade é: 1. Propriedade, atributo ou condição das coisas ou das pessoas que as distingue das outras e lhes determina a natureza; 2. Dote, virtude. Vejamos com mais atenção a primeira definição. Você percebe que essa definição não determina se qualidade é um algo “bom” ou “ruim”? Tudo depende do referencial estabelecido pelo sistema e dos valores atribuídos à noção de qualidade utilizada. Portanto, sugerimos uma profunda reflexão acerca do conceito de qualidade na educação escolar. Segundo Paro (2007, p.20), em virtude de os conceitos de qualidade do ensino estarem “fundamentados em revisões críticas das concepções existentes, em especial, o paradigma neoliberal que associa o papel da escola ao atendimento das leis de mercado”, é importante que contribuamos para a elaboração de um conceito de qualidade que atenda às proposições de políticas públicas consistentes e realistas para a educação. Nesse contexto, a qualidade é considerada passível de ser medida pela quantidade de informações exibidas pelos sujeitos presumivelmente educados. Ao afirmar que a educação escolar não se restringe apenas a informações, Paro (2007, p.21) afirma que “se a educação é atualização histórico-cultural, supõe-se que os componentes de formação que ela propicia ao ser humano são algo muito mais rico e mais complexo do que simples transmissão de informações”. Acrescenta, ainda, que “como mediação para a apropriação histórica da herança cultural a que supostamente têm direito os cidadãos, o fim último da educação é favorecer uma vida com maior satisfação individual e melhor convivência social” (idem). Paro (2007, p.22) menciona em suas colocações
Tudo isso não se dá como simples aquisição de informação, mas como parte da vida de cada um, nunca esquecendo que “cada um” não vive sozinho, sendo então preciso pensar o viver de forma social, em companhia e em relação com pessoas, grupos e instituições. Assim, a educação se faz, também, com a assimilação de valores, gostos e preferências.

Partindo desse pressuposto, uma educação de qualidade está para além dos muros da escola. Acontece em todos os lugares, de acordo com as possibilidades e as necessidades do aprendiz e das pessoas que estão prontas para o trabalho pedagógico. Segundo Corrêa (2007, p.54) na percepção de Capistrano (2005), o conceito de qualidade requer ser compreendido para além do estabelecimento e da aplicação de técnicas, parâmetros ou padrões. Para essa autora, no âmbito educativo, a qualidade necessita ser abordada na dimensão humana:
A busca da sensibilidade humana, que ainda se faz pouco presente em nossas pesquisas ou estudos sistematizados, a qualidade em vir a ser a escola um espaço de ludicidade, prazer, cooperação, conflitos e busca. Algo que possa ultrapassar os muros da escola e contaminar a sociedade na procura de novas formas de viver e ser feliz. A qualidade da educação baseada na qualidade de vida, na relação com o outro, nas alegrias, na busca do conhecimento, nas brincadeiras e conflitos que o cotidiano pode nos proporcionar.

Fundamentos da Educação Brasileira
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Para ilustrar nossos argumentos, convido-o a refletir sobre um profissional que tem muito conhecimento sobre reciclagem de lixos, mas não tem formação específica na área. Vamos compreender um pouco mais sobre esse assunto revendo os paradigmas em educação.

valores. técnicas etc. Entretanto. as necessidades individuais subordinavam-se às da comunidade e as questões divinas sobrepunham-se às humanas e éticas. Dessa forma. geradoras de mudanças em todas as áreas de atuação do homem. necessariamente. pode-se dizer que. a busca da qualidade da educação inicia-se pela revisão do paradigma que lhe dá sustentação. Esse paradigma dominou a civilização ocidental da Idade Média ao início da Era Moderna. um homem consciente da sua historicidade. implicaria a negação dos outros conjuntos. com o sistema e com o ser humano integral sobrepondo-se à visão das partes. de um grupo ou até mesmo de um indivíduo. pela presença de um espírito científico de investigação aberta e pela validação pública do conhecimento. pela crença no progresso imaterial ilimitado. as teorias. b) Paradigma mecanicista: marcado pelo antropocentrismo. Vamos ver mais detalhadamente cada um deles: a) Paradigma orgânico: caracterizado pelo teocentrismo e pelo autoritarismo na organização social. ou seja. na Sociedade Ocidental. como um conjunto de crenças. mecanicista e holístico. que influenciam o pensamento e a ação de uma comunidade. o pensamento científico concebia os grandes sistemas paradigmáticos como excludentes. não se ajustam ao novo paradigma. as mudanças de paradigmas. c) Paradigma holístico: caracterizado pelo holocentrismo e por uma visão mais ampla. pela visão dualista do homem e da realidade. na qual os fenômenos materiais e espirituais eram atribuídos a Deus. é preciso reconhecer que o paradigma mecanicista foi essencial para o desenvolvimento das ciências e da tecnologia. Observa-se que a preocupação com a qualidade da educação é crescente. O paradigma pode ser entendido. Dessa forma. os conceitos. Observa-se nelas a preocupação com o todo. evidenciados pela democratização do conhecimento. pela insensibilidade aos valores. isto é. Esses princípios traduzem-se nas diversas áreas de atuação humana. do seu compromisso social. Por isso. o processo de mudança não ocorre de forma linear. pela valorização do racionalismo e da experimentação científica para explicar a realidade. pelo surgimento de técnicas extremamente eficazes para a construção de novas experiências. Pós-Graduação a Distância 49 . o cenário mundial exige um novo homem e uma nova base de valores para a sua atuação. sistêmica e integradora da realidade. Discutir as mudanças de paradigmas já se tornou lugar comum nas diversas áreas. a escolha de um determinado conjunto de crenças. de sua transitoriedade do conhecimento e de sua necessidade de aprender sempre. Recorria-se a Ele para explicar a natureza. com o Renascimento. predominaram os seguintes paradigmas: orgânico.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Paradigmas em Educação Elias Alexandre – Ter conhecimento dos princípios e das metodologias experienciados ao longo da História da Educação é suficiente para o exercício de uma prática pedagógica de qualidade? – Os paradigmas que regem a Educação na atualidade são os mesmos do início do Século XX? O momento atual caracteriza-se por grandes conquistas tecnológicas. as experiências e os fenômenos soberanos convivem com seus opostos. Historicamente. A par dessas questões e até por causa delas. de maneira ampla. Num passado recente. Ele ocasionou grandes saltos evolutivos na história das civilizações.

Essa prática considera o processo e as ações mais importantes que o produto ou as estruturas dele resultantes. transmitir.pr. ênfase nas funções intelectuais e sensoriais. • Prática educacional transcendente – indica que a prática educativa transcende às limitações das relações humanas. Caracterizado como uma prática pedagógica aliada à pesquisa e à abordagem progressista. democracia e qualidade do ensino. • Prática educacional histórico-social – implica entendimento da prática educativa contextualizada. ênfase na retenção de informações. obra eternamente inacabada. redução da educação ao ensino.org.br/batebyte/edicoes/1995/bb44/significado. é vista como um direito da sociedade. Vitor Henrique. São Paulo: Ática. assume. sentimento. ao qual nos referiremos como Paradigma Educacional Emergente. como afirma Boff (1998) a transcendência é. Fonte: COSTA NETO (2002). Cada indivíduo cria suas experiências. 2007. valores. por sua vez. a visão holística vem consolidando um novo paradigma educacional. é imprescindível para uma ação educativa direcionada e comprometida com a transformação social. uma unidade biológica indissociável.gov. histórico-social e transcendente. não tem deveres para com ela. Educadores e educandos posicionam-se como investigadores nessa prática. considerando as contradições e os conflitos como mecanismos para o favorecimento da compreensão do mundo. desvinculação entre conhecimento e realidade. e um implica o outro. valorização de todas as dimensões do homem – razão. A existência humana se constrói na medida em que o homem reage. Gestão escolar. rejeita e modela a realidade. possivelmente. buscando de forma prazerosa sistematizar. que possui uma capacidade de renovação. intuição. situações vividas como oportunidades de aprendizagem.org/Moacir_Gadotti/Artigos/Portugues/ Curriculo/Indicadores_de_qualidade_da_educ_escolar. • Prática educacional interacionista – pressupõe a não preexistência do conhecimento à atuação do sujeito. considerada “dever do Estado”.paulofreire. ao construir o próprio conhecimento.acaoeducativa. a qual. assim caracterizadas: • Prática educacional construtivista – pressupõe o indivíduo como centro decisório do processo de aprendizagem. tais como: compartimentalização dos conhecimentos. e na educação em particular.br/indicadores/ http://www. construir e reconstruir o saber acumulado. constrói o mundo. Observe os princípios holísticos na prática educacional. http://www.htm 50 . Fundamentos da Educação Brasileira Sugerimos um aprofundamento teórico sobre o assunto a partir da leitura da sua obra completa: PARO. que se expressam por meio de: desenvolvimento integral do homem. sujeito ativo.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III É preciso estar atento ao fato de que encontraremos na Educação diversas manifestações dos princípios mecanicistas.pdf http://www. sua realidade experimental e. Nesse sentido. de reconstrução. interacionista. cultura etc. e evidenciado por meio de pressupostos pedagógicos inovadores como: prática pedagógica construtivista. o desafio mais secreto e escondido do ser humano. atuante sobre o mundo. O entendimento da dinâmica das mudanças ocorridas na sociedade como um todo. A educação. sensação. construção de aprendizagens significativas. pois o organismo e o meio em interação constituem um único sistema. ênfase na aprendizagem.

além de funções desenvolvidas dentro do ambiente escolar.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Você já pensou se todos os educadores tivessem consciência sobre o que significa Qualidade de Ensino? É comum ouvirmos falar sobre o entendimento de profissionais da educação do que vem a ser Qualidade de Ensino. Convido-o a contribuir com suas reflexões acerca das diferenças que ocorrem em ambientes educativos como forma de valorizar a diversidade e a inclusão. Lembre-se de que um educador. Um dos pontos fundamentais para que a educação seja de qualidade se refere à aceitação das diferenças. também atua em diferenciados campos do saber. Corporativa. Escola de Qualidade. Profissional e Tecnológica. tais como: Educação Comunitária. especialmente. Jovens e Adultos. as mudanças dos referenciais construídos ao longo da história da educação brasileira devem ser conquistadas no âmbito do sistema educacional e. considerando que todos os conceitos podem ser compreendidos e operacionalizados de diferenciadas maneiras. Qualidade da Educação. Hospitalar. Você se recorda da história de João dos Santos descrita no início dos estudos deste Caderno? Como podemos considerar uma educação de qualidade se alguns alunos aprendem e outros não? A transição de modelos que perpetuam as diferenças deve ser mudada? Qual é a sua concepção de educação de qualidade? Pós-Graduação a Distância 51 . Entretanto. no ambiente escolar. para a Terceira Idade. É sobre esse tema que iremos tratar no próximo capítulo.

um conjunto de normas. visto que na atualidade os paradigmas são construídos. Segundo Mantoan (2003. . surgem novas alternativas de conhecimentos em torno daqueles que antes norteavam os fenômenos da realidade. Independente da maneira com que ocorrem as mudanças. A ruptura organizacional da escola e as novas maneiras de gestão contribuíram para mudanças substanciais de paradigmas. As mudanças de paradigmas que fundamentam as revoluções científicas são as mais difíceis. desconstruídos e reconstruídos continuamente. princípios partilhados por um grupo de pessoas. Nessa lacuna – em busca do entendimento de como aprendemos e compreendemos a nós e ao mundo que nos cerca – é que aparecem as diferenças de si e do outro. de modo que os grupos se unifiquem e adotem um novo paradigma que os norteará ao longo de determinado tempo. Essas novas ideias são discutidas. as incertezas e as inseguranças certamente ocorrem. 16) “as diferenças culturais. com conteúdos legalmente predeterminados e uma estrutura organizacional que atribuía à direção da escola todos os poderes sobre os demais segmentos da comunidade escolar. Quando compreendemos que o outro é diferente e que nós também o somos. de gênero. regras. a escola tem sido espaço de muitas mutações desde a sua criação. religiosas. em determinado momento da história. e assim sucessivamente. étnicas. Fundamentos da Educação Brasileira 52 A velocidade com que as informações estão adentrando os espaços da sociedade na atualidade modifica as redes de relações humanas dentro e fora do espaço escolar. a diversidade humana está sendo cada vez mais desvelada e destacada e é condição imprescindível para se entender como aprendemos e como compreendemos o mundo e a nós mesmos”. p. com disciplinas bem delimitadas e fechadas. valores. mas. sustentavam uma estrutura burocrática e elitista. ainda. que se materializam no mundo e servem de referencial para as pessoas. As antigas grades curriculares. É nesse contexto de mudanças educativas que surge a inclusão. Como mudar paradigmas plasmados ao longo da história da humanidade? O momento de questionamentos acerca dos paradigmas atuais é conhecido como crise de concepção e. enfim. em virtude de desconstruir estudos comprovados cientificamente e levantar dúvidas acerca da veracidade dos dados. São.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Capítulo 11 – A Inclusão: Valorização das Diferenças Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Conforme estudamos no capítulo anterior. defendidas e confirmadas como mais adequadas e/ou atuais que as anteriores. os paradigmas podem ser configurados como modelos e ideias em torno de determinado assunto. e sim a valorização da diferença. Dentro dessa perspectiva de mudanças de paradigmas. quando as rupturas são abruptas denominam-se revoluções científicas. crenças. de certa forma. não há distinção. contribuindo para mudanças de comportamentos até que ocorram outras ideias. sociais.

o que vem a ser integração e inclusão? Considerando a inclusão. plena.. é o de não deixar ninguém no exterior do ensino regular. atividades. São pontos de vista que nos fazem refletir sobre o que vem a ser diferença e inclusão. para se reformar a instituição. Somos diferentes de algo.. Nessa perspectiva. como fica a atuação docente nessa perspectiva? Em um contexto inclusivo. desde o começo da vida escolar” (MANTOAN. a prática docente transforma as ações comumente desenvolvidas em espaços educativos que não tenham o foco na inclusão e abre um leque de possibilidades no sentido de promover situações de aprendizagem em que todas as pessoas envolvidas possam interpretar e compreender as diversidades por meio da cooperação. ibidem . Chegamos a um impasse pois. 2003.. ou mesmo apresenta algum tipo de deficiência. os ambientes educativos devem atender os educandos sem discriminar. pais. será que podemos dizer que uma pessoa seja melhor que outra? Ao refletirmos um pouco mais.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Pense um pouco sobre a sua diferença física em relação ao outro. Nesse caso.25). mas por que temos que defender a inclusão se já sabemos que somos diferentes e que temos as mesmas funções biológicas e os mesmos direitos e deveres? É nesse contexto de inclusão e exclusão que iniciaremos um estudo sobre a diversidade. p. ou um grupo de alunos. filhos dos amigos. por sua vez. “(. ressaltamos a inserção Pós-Graduação a Distância 53 A integração é entendida como a inserção de pessoas com deficiência em ambientes educativos ou mesmo em Escolas de Educação Especial. Seu objetivo é “inserir um aluno. que já foi anteriormente excluído.. O mote da inclusão. ao contrário. Mas quem definiu esse modelo? Será que as pessoas que defendem determinados modelos sustentariam outros? O que pode ser considerado melhor ou pior dentro de um ambiente educativo se está nos referindo aos nossos irmãos. aprender. em classes especiais. amigos. a maneira com que nos consideramos diferentes vem sempre de um modelo paradigmático preestabelecido na sociedade. livre de preconceitos e que reconhece e valoriza as diferenças”. é urgente que seus planos se redefinam para uma educação voltada para a cidadania global. p. . um referencial que nos rotula como diferente. Mantoan (2003. netos. avaliar (currículos. Talvez esteticamente você aparente uma visão mais interessante do seu ponto de vista.24).19-20) acrescenta que: “Se o que pretendemos é que a escola seja inclusiva. filhos. ou seja. sobrinhos. não se distingue a modalidade de ensino (especial e regular). temos de reformar as mentes. sem estabelecer regras específicas para se planejar. Que somos diferentes todos nós sabemos. avaliação da aprendizagem para educandos com deficiência e com necessidades educacionais especiais) (Idem. mas não se pode reformar as mentes sem uma prévia reforma das instituições (MORIN. p. 2001). mas o outro pode ter uma facilidade no aprendizado de algo que você não domina. Na inclusão.) sem trabalhar à parte com algumas pessoas. Nesse contexto.

educared. Fundamentos da Educação Brasileira 54 . <http://portales.jpg>. d) do ensino profissionalizante e tecnológico.educared.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III a) da comunidade em diferenciados espaços públicos e privados.net/aulashospitalarias/upload/noticias/afiche. b) do enfermo interno em hospital.jpg> c) de profissionais em serviço. <http://portales.net/aulashospitalarias/upload/noticias/afiche.

essa garantia está prevista na Constituição Federal de 1988. 3º. III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. da pesquisa e da criação artística. inciso IV. a inserção de idosos em ambientes de apoio que promovam opções saudáveis de vivência. Além do direito à igualdade.]. [. Como podemos constatar. V – coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. 3º da Lei nº 9.br/artigo. que menciona como objetivos fundamentais da Educação a promoção do bem de todos. em âmbito federal. descrita no art. 206. a garantia de direitos de acesso e permanência educativa. sem preconceitos de origem. o educador tem o papel de possibilitar a liberdade e a diversidade de opiniões dos educandos. idade e quaisquer outras formas de discriminação.amaja.php?en=amaja&id=162> Nesse sentido. ensinar. inciso V..Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Salientamos. a legislação assegura. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB. elege como um dos princípios “a igualdade de condições de acesso e permanência na escola”. ainda. VI – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. Em sentido mais amplo. inciso I. No art.” O art. segundo a capacidade de cada um. preceitua que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de “acesso aos níveis mais elevados do ensino. II – liberdade de aprender. IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância.394/96. cor. o pensamento. a primeira tarefa do educador é a de construir uma proposta pedagógica que atenda a todos e ofereça uma educação de qualidade seja qual for o ambiente educativo. <http://www. raça. a arte e o saber. estabelece que o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. pesquisar e divulgar a cultura. art. 208. Para Montoam (2005). Pós-Graduação a Distância 55 Mas como viabilizar o acesso e a permanência de todos a espaços educativos? .org.. sexo.

pdf Como vimos em nossos estudos sobre a inclusão.br/pdf/epsic/v9n1/22386. Para tanto.com/Arquivo/projeto/pdf/A%20escola%20 e%20familia. o qual deve ser direcionado ao atendimento das diferenças em qualquer ambiente educativo.com/Arquivo/projeto/pdf/Expectativas%20 sociais. a prática pedagógica também necessita ser redirecionada no sentido de transpor as barreiras da fragmentação do saber.pdf http://www. que vivenciamos ao longo da história da educação brasileira. uma maneira de superação das desigualdades está no trabalho docente. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna. sugerimos a leitura dos seguintes textos: MANTOAN.amemdf.amemdf.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Para complementar os estudos referentes à Inclusão. 2003. É nesse sentido que discutiremos no próximo capítulo possibilidades de mudanças no trabalho pedagógico.pdf http://www.pro-inclusao.org.br/textos. Maria Teresa Eglér. http://www. Fundamentos da Educação Brasileira 56 .html http://www.scielo.

a da escola no desenvolvimento de seu trabalho. Dessa forma. • Autonomia é construção: a autonomia é um processo que se constrói no dia a dia. bem como os atores educativos. está associada a uma série de características.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Capítulo 12 – Autonomia dos Espaços Educativos Elias Alexandre Ao refletirmos sobre a gestão democrática. Para iniciarmos os nossos estudos. A autonomia tem estado em voga no pensamento pedagógico dos dias atuais e perpassa praticamente todos os níveis e instâncias. sendo normas e regulamentos inócuos e até mesmo contraproducentes. associa-se imediatamente à imagem de uma empresa e evoca a figura do diretor. necessariamente.. como gestor do funcionamento da escola. Pós-Graduação a Distância 57 Mas será que a autonomia é alcançada pelo simples processo de decisão legal ou política? Certamente que não. entendida como sinônimo de administração de uma organização que persegue determinados fins. Krawczyk (1999) afirma que: (. – Qual é a diferença fundamental entre autonomia e independência? – Como conciliar a autonomia da escola com as imposições dos órgãos gestores de políticas educacionais? – Trabalhar com autonomia exige alguma responsabilidade por parte de quem a exerce? Como mencionamos.) a gestão autônoma é aquela que está isenta da intervenção e do controle do poder político. procure responder aos questionamentos a seguir. Nesse sentido. principalmente. pensar no significado do princípio da autonomia dos diversos atores envolvidos na ação educativa da organização escolar. torna-se fundamental o entendimento da autonomia e das suas implicações na organização escolar. uma vez que limitam a participação e a criatividade necessárias para a construção social. sendo dirigida pela consciência individual ou da instituição. a dos docentes na condução de seu trabalho pedagógico. Discute-se a autonomia do educando frente ao seu processo de aprendizagem. a efetivação da autonomia. Entre essas características ressaltam-se as seguintes: . mediante ação coletiva competente e responsável.. realizada por meio da superação de naturais ambiguidades. entre outras discussões sobre o assunto. A gestão escolar. pensar os limites e as possibilidades de autonomia dessa organização para a realização de sua função social. também. contradições e estratégias. consideramos de fundamental importância compreender os desafios e as possibilidades na construção da autonomia de espaços educativos. uma ocorrendo como desdobramento de outras. Por isso é que estamos nos referindo aos desafios e às possibilidades na construção da autonomia da instituição e de espaços educativos. Implica. a das secretarias de educação na condução de suas políticas. Ora. Trata-se de uma construção processual. sem planta pré-traçada. segundo Lück (2000). pensar em gestão democrática implica. tal como num mosaico que só faz sentido visto pelo conjunto.

processo por si só pedagógico. amplia-se. temos em relação a ele. a sua prática envolve monitoramento. Quando a escola se propõe a promover a cidadania crítica e competente em seus alunos ela emerge como condição natural de sua autonomia. e à medida que se constrói a autonomia da escola. por levar em consideração múltiplos aspectos que constituem o tecido social. em conjunto. vão agir para realizá-la. é natural que seja um processo acompanhado de manifestações contraditórias. com sua competência. É preciso dar conta dela e prestar contas para a sociedade do que é feito em seu nome. avaliação e comunicação de ações e seus resultados. na expansão dele. e por articular diversos grupos de interesse não consiste na divisão limitada de poder e. que se processa mediante o envolvimento de grupos que expressam diferentes interesses. em cuja medida se articulam direitos e deveres. tal como ocorre nas células. a intensidade da autonomia está diretamente relacionada com a intensidade dessa responsabilização. • Autonomia é um processo de mão dupla e de interdependência: não se constrói a autonomia da escola senão mediante um entendimento recíproco entre dirigentes do sistema e dirigentes escolares. isto é. Em vista disso. Fundamentos da Educação Brasileira • Autonomia é transparência: não basta assumir uma responsabilidade. • Autonomia pressupõe um processo de mediação: dados os conflitos. os alunos aprendem. Consequentemente. Por conseguinte. Esse processo de decisão torna-se. mais amplo e complexo.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III • Autonomia é ampliação das bases do processo decisório: ao se construir a autonomia da escola. • Autonomia implica responsabilização: não ocorre autonomia quando não existe a capacidade de assumir responsabilidades. ampliando-as e compartilhando-as. quanto privada. autonomia e transparência implicam abrir a “caixa preta” da escola para a comunidade e a do sistema de ensino para a sociedade. sempre estará legitimamente presente na gestão da escola. o espírito da cidadania. daí por que é uma expressão da cidadania. • Autonomia é expressão da cidadania: a consciência de que. até mesmo para fora do estabelecimento de ensino. a heteronomia. que exige uma atitude crítica e reflexiva sobre os processos e resultados de cada escola. Isso porque a autonomia é o resultado do equilíbrio de forças numa determinada escola. assim como contribuem. tanto pública. portanto. desse modo. Quando. Não se trata. de prestar contas de seus atos. as contradições e as tensões decorrentes do próprio processo de aprender a trabalhar de forma compartilhada. sim. mas de desdobrá-las. de modo a enfrentar reveses e dificuldades. direitos que justificam pelos deveres assumidos. A interdependência é regra geral que rege todas as organizações sociais. • Autonomia e heteronomia se complementam: autonomia da escola não significa total e absoluta capacidade de direito de condução de seus próprios destinos. vivendo nesse ambiente. Tal situação seria irreal na dimensão social. de responder por suas ações. 58 . isto é. sem desconsiderá-los. um equilíbrio dinâmico nos sistemas de ensino e suas escolas. vivendo em um contexto. entre os diversos detentores de influência (externa e interna). o poder de decisão sobre o seu trabalho. o exercício da prática de autonomia implica a necessidade da prática de mediação que envolve saber equilibrar interesses diversos. em que todos os seguimentos envolvidos têm suas necessidades mais importantes reconhecidas e atendidas. Em última instância. de realizar seus compromissos e de estar comprometido com eles. a determinação externa dos seus destinos. • Autonomia é um processo contraditório: como a liberdade e a flexibilidade são componentes imprescindíveis para a construção da autonomia. de um processo de repartir responsabilidades. em desconsideração ao contexto de que a escola faz parte. entre estes e a comunidade escolar (incluindo os pais) a respeito de que tipo de educação a escola deve promover e de como todos. estabelecendo. para a efetivação da educação. A mediação implica um processo de ganha-ganha. é pré-condição para a efetivação da autonomia. Estas fazem parte do processo e saber utilizar a sua energia e reconhecer as suas tendências é condição para o bom encaminhamento do processo. com a autonomia.

gestão compartilhada e participativa. com foco na inclusão digital. Gestão democrática implica a participação de todos os segmentos da unidade escolar. isto é. O conjunto de avanços tecnológicos que transformam as relações de trabalho e as educacionais será discutido no próximo capítulo ao abordarmos as tecnologias na educação. mas de ser autônoma para todos.anped. de a escola ser autônoma para alguém. a elaboração e execução do plano de desenvolvimento da escola de forma articulada para realizar uma proposta educacional compatível com as amplas necessidades sociais.br www.org.com. Não se trata. na efetivação desse processo. (2000) Para você se aprofundar acerca da autonomia de espaços educativos sugerimos a consulta ao seguinte endereço eletrônico: http://www.educabrasil.org.br/pdf/spp/v14n2/9782.br/eb/dic/dicionario.anpae. Fonte: Lück. desse modo caracterizando-se como gestão democrática.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III • Autonomia implica gestão democrática : autonomia é um processo coletivo e participativo de compartilhamento de responsabilidades emergentes do estabelecimento conjunto de decisões. Pós-Graduação a Distância 59 . em nome da sociedade.br Ao longo deste Caderno de Estudos da Disciplina Fundamentos da Educação Brasileira discutimos as mudanças que estão ocorrendo na sociedade em busca da qualidade na educação.scielo.asp?id=266 http://www. para algum grupo. como forma de estabelecer uma relação mais estreita entre a aprendizagem e as novas tecnologias aplicadas à educação.pdf www.

19). observaremos.) (Adaptado por Maysa Barreto Ornelas) O que é uma tecnologia? Fundamentos da Educação Brasileira 60 Olhe ao seu redor. Em segundo lugar. em parceria com a Universidade de Brasília. de forma que educadores. buscando dialogar com os educandos que estão em contato permanente com diversas fontes de informação. que a emergência dos conglomerados internacionais de multimídia é a chave para a difusão da informação. . oriundas do mundo globalizado.unb. Que tecnologias você reconhece na sua casa e em outros ambientes? Você nota diferenças na forma como usa a televisão em casa e na escola? Você já ouviu a expressão “sociedade tecnológica”? O que entende por ela? “As tecnologias invadem nosso cotidiano”. da microeletrônica à digitalização.br/04-atualizese/modulo1p1. têm um impacto social de efeitos quase impossíveis de prognosticar em toda a sua magnitude (MORAES. a vida fora da escola pode se tornar mais interessante do que a própria escola no que se refere aos novos conhecimentos. Pensadores contemporâneos e a mídia em geral falam que estamos em plena “sociedade tecnológica”. <www. em primeiro lugar. Ademais. As tecnologias da informação favorecem ou desfavorecem a prática docente? Por quê? Tecnologias no cotidiano: desafios para o educador (Texto extraído do curso “TV na Escola e os Desafios de Hoje” (MEC. A globalização significa que as atividades industriais e econômicas se desenvolvem em escala global e não regional. considera-se de fundamental importância mencionar as facilidades de acesso a informações em tempo real. 1997. De acordo com as reflexões de Moraes (1997). p. Essa é uma das frases mais utilizadas hoje em dia para se referir aos equipamentos com os quais lidamos em nossas atividades rotineiras. neste capítulo. as novas tecnologias da informação.pdf>. desde os satélites a cabo.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Capítulo 13 – Tecnologias na Educação: Inclusão Digital Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Ao iniciarmos os estudos sobre Tecnologias na Educação. É nesse contexto de mudanças no cotidiano das pessoas que o profissional em educação procura se manter atualizado. se atentarmos para as características da globalização em relação à informação e à comunicação. É nessa perspectiva que procuraremos. alunos e comunidade possam estar conectados às informações que são rapidamente processadas no mundo virtual. compreender as possibilidades das tecnologias em ambientes educativos.educamidia. 2005).

Importante: as Novas1 Tecnologias da Informação e da Comunicação – NTIC articulam várias formas eletrônicas de armazenamento. procuravam superar suas fragilidades físicas em relação às demais espécies. ou seja. Com esses materiais. computador – são formas diferenciadas de ferramentas. papel canetas. como algumas de suas características. agir. em diferentes épocas. formas e técnicas de fazer as coisas. a possibilidade de interação comunicacional e a linguagem digital. em cada época. a divisão social do trabalho. A evolução tecnológica impõe-se e transforma o comportamento individual e social. O homem primitivo contava também com o seu caráter natural de agregação social para superar as dificuldades e os desafios climáticos. Não podia garantir sua sobrevivência e superioridade apenas pela conjugação das possibilidades do seu raciocínio com a sua habilidade natural. ou seja. dotados de um alto grau de inteligência. livros. Mudam também suas formas de se comunicar e de adquirir conhecimentos. sabonetes. a momentos em que esses recursos foram transformados e utilizados como tecnologias pelos homens. talheres. em que predominam as tecnologias eletrônicas de comunicação e informação e a utilização da informação como matéria-prima que o homem transita culturalmente por intermédio das tecnologias. correspondem. Pós-Graduação a Distância 61 . refletem os usos que os homens fazem das tecnologias que estão na base do sistema produtivo. Frágil em relação aos outros animais. a partir do momento em que utilizou os recursos existentes na natureza em benefício próprio. O avanço científico da humanidade amplia o conhecimento sobre esses recursos e cria tecnologias cada vez mais sofisticadas. Se olharmos à nossa volta. Importante: criaram culturas. Desde o período inicial da Revolução Industrial – baseada na mecanização da indústria têxtil e no uso industrial da máquina a vapor –. referimo-nos à técnica. As primeiras ferramentas A utilização dos recursos naturais para atingir fins específicos ligados à sobrevivência da espécie foi a maneira inteligente que o homem encontrou para não desaparecer. lápis. Importante: quando falamos da maneira como utilizamos cada ferramenta para realizar determinada ação. Geram produtos informacionais que têm. a política. televisor. o frio. a diferenciação de seus comportamentos em relação aos dos demais animais. A economia. transmitidas de geração em geração. pessoal e profissional – utensílios. forma concreta com que a tecnologia é reconhecida. sistemas de comunicação e crenças. telefone. do bronze. filósofo francês. Essa relação apresenta-se até na forma como as diferentes épocas da história da humanidade são reconhecidas pelo avanço tecnológico correspondente. galhos e troncos de árvores foram transformados em ferramentas pelos nossos ancestrais pré-históricos. 1 Observação nossa: o termo “novas tecnologias” não mais se aplicam nos dias de hoje. Pedras. A evolução tecnológica e a transformação do comportamento A própria evolução social do homem confunde-se com as tecnologias desenvolvidas e empregadas em cada época. o homem precisava de equipamentos que ampliassem as suas competências. a neve –. o homem iniciou seu processo de humanização. Com o passar do tempo. Na perspectiva de Gilbert de Simodon. sem condições para suportar os fenômenos da natureza – a chuva. do ferro. conjunto de conhecimentos. boa parte daquilo que utilizamos em nossa vida diária. tratamento e difusão da informação.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Essas referências encaminham-nos para um pensamento de oposição entre a nossa natureza humana e a “máquina”. tendo em vista a rapidez das inovações tecnológicas. Contava o homem primitivo com duas grandes ferramentas naturais e distintas das demais espécies: o cérebro e a mão criadora. ossos. na verdade. giz e apagador. Elas transformam suas maneiras de pensar. de alimentação e de ataque de outros animais. esses grupos foram evoluindo socialmente e aperfeiçoando suas ferramentas e utensílios. Idades da pedra. DVD. máquina fotográfica. escovas de dente. muito superior à do “homem comum”. Tornam-se mediáticas após a união da informática com as telecomunicações e os audiovisuais. até o momento atual. sentir. A tecnologia é o conjunto de tudo isso: a ferramenta e os usos que destinamos a ela. costumes e hábitos sociais. Os romances e os filmes de ficção científica exploram esse antagonismo e assustam-nos com ameaças de domínio do homem e da Terra por robôs e outros equipamentos sofisticados.

competências e sensibilidades. a imagem formada não precisa necessariamente fazer sentido para nós. da esquerda para a direita). Nossa primeira forma de compreender é emocional. computador multimídia.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III As tecnologias da comunicação evoluem sem cessar e com muita rapidez. Recordações e posicionamentos pessoais dão um sentido peculiar à informação. no papel atribuído ao conhecimento científico. A compreensão da televisão como um dos principais meios de aquisição de informações orienta a nossa observação para a forma especial como essa aquisição acontece. privilegiados pelas formas regulares de ensino. A televisão – como tecnologia – é um desses fatores de mudança que há muito tempo abandonou suas características de mero suporte e criou sua própria lógica. As tecnologias da informação e da comunicação são intermediárias entre quem aprende e os conteúdos por elas veiculados. caracteriza-se por uma articulação global do mercado econômico mundial e por mudanças significativas na natureza do trabalho e sua organização. As crianças. televisão interativa. Primeiro assustamo-nos e só depois analisamos o que vemos na mídia. realidade virtual. na produção e no consumo de bens. Internet. mesmo sem a compreendermos totalmente. diariamente. baseada nas possibilidades de informação e comunicação da mídia. bastante acostumadas com a percepção das imagens televisivas. Geram produtos diferenciados e sofisticados – telefones celulares. O que se forma é a imagem. As imagens são construídas em nossa mente a partir dos estímulos visuais oferecidos na tela. Quando estamos envolvidos com o enredo de um filme de terror. Ver televisão é interagir permanentemente com as imagens apresentadas na tela. Não dá certo. Ao contrário da leitura de livros. baseada na produção e no consumo de produtos iguais. Os acervos de lembranças e . que irá ficar gravada em nossa lembrança. oferecem formas novas de aprendizagem: novas lógicas. Desafios para o educador Fundamentos da Educação Brasileira 62 As tecnologias de comunicação e informação que utilizamos. como a televisão. aparentemente. em massa – caracteriza-se pela velocidade das alterações no universo informacional e na necessidade de permanente atualização do homem para acompanhar essas mudanças. utilizando nosso raciocínio. Esse desafio pode ser encarado como um obstáculo intransponível. a ‘leitura’ televisiva ocorre por meio de ‘olhadelas rápidas’. não precisamos de instruções ou treinamento. orientada no sentido do alfabeto (horizontalmente. em um processo dinâmico e veloz. integrando as práticas e os saberes escolares às possibilidades de aprendizagem oferecidas pela televisão. sobretudo. Como afirma Kerckhove. Tecnologias não se limitam a suportes Essa nova sociedade – essencialmente diferente da sociedade industrial que a antecedeu. videogame – que nem sempre são acessíveis a todas as pessoas. a pessoa pode passar a ignorá-lo ou pode vê-lo como oportunidade para a realização de parcerias. emocionais. Mas é. vídeos. aquisição e utilização dessas informações que é possível observar os novos fatores de mudança e de dinamismo econômico e social. pelos seus altos preços e pela necessidade de conhecimentos específicos para sua utilização. softwares. às NTIC e nas formas de acesso. tentam utilizar o mesmo processo para a leitura dos textos impressos. sistemático e previsível das aprendizagens em que predominam os aspectos supostamente racionais. Diante dele. sua linguagem e maneiras particulares de comunicar-se com o homem por meio de suas capacidades perceptivas. A imagem é percebida pelo telespectador por meio da junção de pontos dispersos na tela. “o elemento comum subjacente aos diversos aspectos de funcionamento das sociedades emergentes é o tecnológico”. cognitivas e comunicativas. diz-nos Kerckhove. custamos a nos lembrar que é apenas um filme. Neste novo momento social. Esses comportamentos são bem diferentes do processo linear. Sociedade tecnológica e do conhecimento A sociedade tecnológica. A distância existente entre as especificidades das aprendizagens realizadas a partir das mediações televisivas e as metodologias de ensino tradicionais de sala de aula constitui um grande desafio para o educador. Para ver televisão. fax. A leitura requer prática repetitiva e capacidade interpretativa. por exemplo.

Nessas respostas emocionais há também um lado coletivo. Assim. Querem se adaptar ao ritmo e às exigências educacionais dos novos tempos. a um estilo de vida. a decodificar e a interpretar as imagens. de tal sorte que a educação mobilize a sociedade. a escola pode contribuir para formar cidadãos autônomos e conscientes. o papel do professor também se altera. Na sociedade tecnológica. trazem à consciência as emoções e as circunstâncias do momento em que ocorreram. adequado às novas exigências sociais e profissionais. As tecnologias para a formação da cidadania O papel do professor no atual estágio da sociedade tecnológica. São respostas afetivas individualizadas às provocações comunicacionais proporcionadas pela mídia de maneira geral. a condutas indesejáveis. buscando compreender a forma com que são construídas e as maneiras com que interferem em nossas vidas. Diante dessa realidade.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III de conhecimentos vivenciados. baseada nas tecnologias da informação e da comunicação. é preciso um grande esforço educacional. a dos portadores de necessidades especiais. a ponto de podermos chamar nossa sociedade de “sociedade de aprendizagem”. para outros. Entendemos que a inclusão social pressupõe formação para a cidadania. As tecnologias da informação e da comunicação devem ser utilizadas para integrar a escola e a comunidade. para fomentar a transparência de políticas e ações de governo e para incentivar a mobilização dos cidadãos e sua participação ativa nas instâncias cabíveis. a padrões de relacionamento menos adequados a valores democráticos. e que. sem se deixar levar pelo poder econômico ou político. entendido como “barulho” e. Por meio da leitura crítica de imagens. com a expectativa de que por meio da interação estabelecida na “comunicação didática” com os alunos a aprendizagem aconteça. mesmo que essa história seja pura ficção. Isso exige acesso à informação e a capacidade de processá-la judiciosamente. Podemos debater sobre aquelas que nos induzem a uma visão de mundo. Colocam-se profissionalmente como mestres e aprendizes. podemos entender como nossas experiências e nossa identidade são socialmente construídas. volta-se para a construção de uma sociedade que tenha a inclusão social como prioridade absoluta. A emoção pode provocar uma aproximação maior entre a informação e a pessoa. ao serem recuperados. Como as tecnologias estão permanentemente em mudança. nesse sentido. como “música”. a aprendizagem contínua é consequência natural do momento social e tecnológico que em vivemos. Esse clima de identidade e empatia vivenciado com as imagens televisivas pode facilitar a adoção de “modelos de comportamentos”. a dos professores leigos. Pós-Graduação a Distância 63 . apto a tomar decisões e a fazer escolhas bem-informadas acerca de todos os aspectos da vida em sociedade que o afetam. transferidos da narrativa do vídeo para a vida real. organizando experiências nas quais os alunos possam trabalhar sua postura crítica diante da massa de informações e mensagens que os bombardeiam sem cessar todo dia. Podemos também aprender a apreciar. como a dos analfabetos. Anseiam por oferecer um ensino de qualidade. por outro lado. O papel da educação. que são compatíveis com o modo capitalista de consumo. Modelos que precisam ser vistos com cuidado para não se afastar demais da realidade próxima das pessoas a quem o programa se dirige. o que significa que as tecnologias da informação e da comunicação devem ser utilizadas também para a democratização dos processos sociais. Diante de uma mesma história algumas pessoas sorriem e outras choram. podem nos induzir ao vício. Para que todos possam ter informações e utilizar de modo confortável as novas tecnologias. para ambos. um mesmo som pode ser. Democratização do acesso A democratização do acesso a esses produtos tecnológicos é um grande desafio para a sociedade atual e demanda esforços e mudanças nas esferas econômica e educacional. para uns. tornando a mensagem original e individualizada. é o de formar o cidadão. Um clima de identidade em que a pessoa funde suas próprias experiências e anseios na história contada e vivida por outrem. Muitos professores já sentiram que precisam mudar a sua maneira de ensinar.

com. Marilda. Wilson. assista e acesse: http://www. Disponível em: <www. Disponível em: <www.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Ao ter acesso à trajetória sobre a evolução histórica das tecnologias e vivenciar o reflexo dessas mudanças no cotidiano. abordaremos a Ética nas Relações.html>. MASETTO.br/educacional/artigos/entruvb. .educabrasil. José Manuel. MORAN. Maria Luisa. Na última Unidade da Disciplina Fundamentos da Educação Brasileira. 2003.br/eb/dic/dicionario. Campinas: Autores Associados.asp?id=266 BELLONI. São Paulo: Papirus. Fundamentos da Educação Brasileira 64 Preparado? Então vamos iniciar a nossa última Unidade.com.com. BEHRENS. AZEVÊDO. a práxis pedagógica na perspectiva da ação-reflexão-ação e a formação continuada do profissional de educação. Marcos. Você concluiu seus estudos desta terceira Unidade. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 7. Lembre-se de que em um mundo globalizado a ética. lançamos a seguinte questão: Como abordar com os alunos a importância da conduta ética para o desenvolvimento humano? Leia. Educação a distância.html> _____.br/educacional/artigos/vanguarda. ed. aquifolium. a práxis e a formação são essenciais para a prática docente. Comunidades virtuais precisam de animadores da inteligência coletiva: entrevista concedida ao portal da UVB (Universidade Virtual Brasileira). 1999. aquifolium. É essencial que você envie suas atividades para o e-mail do tutor. A vanguarda (tecnológica) do atraso (pedagógico): impressões de um educador online a partir do uso de ferramentas de courseware.

considerado o pai da ética. O filósofo Sócrates. afirmava que a partir da compreensão racional o ser humano poderia agir de forma correta. As questões éticas estão relacionadas ao bem e ao mal? Pós-Graduação a Distância 65 . condutas e valores que estão velados na sociedade? Iniciamos os estudos deste capítulo com questionamentos que nos conduzem a pensar se pequenas atitudes podem nos ajudar a ter uma conduta ética na vida.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV Unidade IV A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Capítulo 14 – Ética nas Relações Conhece-te a ti mesmo! Sócrates – Você concorda com essa afirmativa oriunda dos ensinamentos de Sócrates? – Qual é a relação dessa afirmativa com a ética? – Como avaliar as situações que se referem aos procedimentos.

tais como: ética dos valores. seja fenômeno da essência do homem. nos levam a dissentir de um modelo humano possível e aceitável para a realidade que vivemos?` Todos sentem as consequências dessas transformações e sua influência em nossos conceitos e relações. principalmente. como algo universal. o “puro bem”. as transformações aceleradas no campo da tecnologia e da informação demonstram claramente uma mutação no conhecimento humano e. encontram-se rasgos apriorísticos: o “sentido do verdadeiro”. mas a questão maior é “como viverão nossos filhos?” Há questões éticas que precisam ser definidas e respondidas em frente às condutas a serem assumidas em todas as instâncias de relacionamentos. nas formas de utilização desse conhecimento. As éticas teológicas. a “essência da natureza humana”. Estamos em um momento de mudança de paradigma: antigos valores estão sendo questionados. em Platão. ou um dado da experiência. seja impositivo universal. Trata-se de saber se a moral é um dado a priori. novos valores se impõem. Já não podemos mais viver “como nossos pais”.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV Figura 8 <http://images.google. absolutamente empírico. Quais valores já não servem mais? Quais outros precisam ser acatados? Quais os valores perenes e universais que. ética e o dever. ética e moral. o problema é o da genealogia da moral. não há problema da origem da ética. causaram transformações culturais que repercutem nas relações sociais de maneira extensa e profunda. que é uma teoria. Nas éticas antigas. a expansão do ciberespaço. e esta relacionada a outros aspectos.com. a criação da Web. forma de arquétipo. é preciso considerar o que permanece e o que precisa ser transformado. resultando numa cibercultura. de Sócrates. Em tempos como os nossos.mozilla:pt-BR:official&client=firefoxa&um=1&sa=N&tab=wi&ei=8KqoSNz_AqbcesW1vZYB&gbv=2> Ao nosso redor.br/images?q=etica&ie=UTF-8&oe=utf-8&rls=org. Entretanto. de Aristóteles. é importante compreender a origem da ética descrita pelo referido autor: Origem da ética – Rigorosamente. quer a 66 . se desconsiderados. O surgimento e o desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação. O que você entende por ética? Fundamentos da Educação Brasileira Para compreender o significado de ética recorremos ao dicionário de SOARES (1968) o qual apresenta 33 definições para a palavra ética.

são meios indispensáveis. processando estudos e descobertas. “Como concepção histórica da origem de uma obrigação moral. Schopenhauer e outros pertencem a esse círculo ético..) A ética tem por objeto. tendo em vista os maiores interessados: os sujeitos concretos que agem no mundo”? (Ibidem. encontrando a origem da moral num dado experimental: ética intelectualista (a que se caracteriza pela reflexão. Por exemplo. na situação de brinquedo manipulável por quem se julga superior a ele”. A origem da ética descrita por Soares (1968. diferenciadas culturas e processos com os quais se relacionam é essencial para que as relações humanas ocorram de maneira harmoniosa e com autonomia moral. Spinoza. Em que situações você considera que os sujeitos não tenham agido com postura ética? Conhecer pessoas. mas proclama o predomínio da reflexão).45) ressaltam: “O que está em jogo em episódios dessa natureza é toda uma visão de mundo construída sobre hábitos. Pós-Graduação a Distância 67 Ao refletir sobre essas atitudes. Fichte.. sua origem. funções e fins. quer a medieval. o diferente. políticas ou religiosas a causaram parece mui aceitável.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV pitagórica. as quais. grupos. evolucionista (os instintos morais são variações fortuitas conservadas e aprofundadas pela seleção natural) etc. em Brasília. costumes. mas os princípios que constituem a razão de ser da moral.94) possibilita uma visão das correntes de pensamento de filósofos de todas as épocas. Mas será que todas as pessoas reconhecem essa diversidade e a importância da cultura. a suposição de que originariamente determinações sociais. A maioria das éticas atuais é empírica. Também da posição de uma concepção pedagógica se pode admitir que influências heterônomas. para desenvolver disposições e orientações volitivas morais”. das crenças e dos valores para determinados grupos e para o grupo no qual está inserido? Em face do que foi abordado “acerca das caracterizações de ética e de moral. científica (ética de função. cujo objetivo moral consistia em considerar o trabalho um bem e ver no bem todo significado da virtude. Kant. A atitude desses adolescentes pode ser considerada como a de sujeitos que deixaram de se comportar com ética ou negaram a condição de sujeitos morais? A esse respeito Nascimento e Olbrzymek (2007. ensino e exemplos de outros. pela compreensão e deliberações racionais. às vezes. p. Dá-se o mesmo com as éticas de Descartes. p. não podemos esquecer de situações do nosso cotidiano. É uma ciência”. Entretanto. que impõe deveres adstritos à função do cientista de trabalhar pelo conhecimento. p. como a dos cínicos. é o moderno defensor da ética apriorística. 94). Fonte: Soares (1968. não um ato de procedimento. p. Introd. para quem todas as leis morais são imperativos categóricos. cabe perguntar até que ponto a distinção entre elas adquire importância social.45). são apriorísticas. 314. Leibniz. o que significa ética? “(. Külpe. Não nega o sentimento. A adiaforia cínica é uma “conseqüente”. Também na Antigüidade assinalam-se éticas empíricas.. não compreendemos facilmente. crenças e valores que permitem colocar o outro. . independente de considerações morais). o caso dos jovens rapazes que atearam fogo em um índio da tribo Pataxó que descansava em um ponto de ônibus.

utilitários. calculados mais como um meio para se atingir um fim. O engajamento ético difere da obediência às regras. consulte a LDB nº 9394/96. ele situa-se em uma vertente que não é a mesma das prescrições. formais. costumes. há urgência em conhecer desde as definições gerais da Filosofia da Educação até as condutas do dia a dia: atitudes. O processo de educação é profundamente afetado por todas essas mudanças e. a moral refere-se à aquisição de bons hábitos e de um conjunto de regras prescritas. entretanto. iniciando-se principalmente com a educação formal. ações. Intensifica-se o uso da modalidade denominada Educação a Distância – EaD2. 16). Moral é o conjunto de normas e condutas reconhecidas como adequadas ao comportamento humano por uma dada comunidade humana. conduta. por sua vez. de forma a discernir sobre valores e regras sociais que não coadunam com o princípio da vida e da dignidade humana. em que as pessoas envolvidas compartilhavam suas experimentações.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV As autoras contribuem destacando a distinção entre ética e moral: Embora os termos ética e moral por vezes sejam usados como sinônimos há uma distinção entre eles. pois a ética não pode ser delegada ao outro como responsável por suas atitudes ou interferências em si. pautado pelos contatos primários. impessoais. Ética é uma construção pessoal. não pode ser aprendida de fora para dentro. A palavra ética provém do grego ethos.80. 2 68 . a ponto de não ter receio de transgredir tais prescrições e práticas. suas funções nesses novos tempos. 1 Imbert (2001) concebe Lei-simbólica como constituinte do desejo e da palavra e seu desafio é a ex-sistência do sujeito e o reconhecimento da sua liberdade e singularidade. O homem é um ser moral. Diz Imbert (Ibidem. consideradas válidas para uma determinada realidade. ela a precede na ordem do fundamento” (Ibidem. regida por regras sociais. formas de relacionamento. elaborar um modelo ético de relação educativa. definir o papel da escola. forjada de forma refletida e consciente. é incorporada pelo indivíduo por meio da educação. um ser que avalia sua ação a partir de valores. pessoais. exortações e práticas morais. Nesse âmbito. consequentemente. podendo opor-se a regras e aos seus efeitos. que significa hábitos. a segunda. para. A ética. Fundamentos da Educação Brasileira É imprescindível avaliar as alterações nos contatos sociais e identificar os seus efeitos. Essa alteração nos tipos de contatos sociais muda os atributos necessários para preservar a Ética nas relações educativas. a construção da ética está mais na dimensão humana do que na dimensão social ou política. principalmente as iniciais. Ao fazer referência à lei simbólica – que rege o princípio da ética – o autor reconhece a capacidade do indivíduo de ter percepção crítica do mundo. A ética é uma das áreas da filosofia que investiga sobre o agir humano na convivência com os outros e a moral que surge. A Ética. A anterioridade da ética em relação à moral refere-se ao fato de que a primeira é própria da condição humana – regida por “leis simbólicas”1 –. uma síntese elaborada pelo próprio indivíduo. por isso. procedimentos. o indivíduo é livre para fazer suas escolhas e responsável por elas. A palavra moral provém do latim moralis e significa costume. ou seja. A moral estabelece princípios de vida capazes de orientar o homem para uma ação moralmente correta. A partir da Revolução Tecnológica passaram a prevalecer os contatos secundários. Sobre esse assunto. e se refere à moradia de um povo ou sociedade. diz respeito às proposições fundadoras das condutas humanas. É nessa perspectiva que a afirmativa de Sócrates “Conhece-te a ti mesmo” é compreendida. com base emocional. O autor afirma que a ética “situa-se antes de qualquer conformidade moral. tradicionalmente. Nessa perspectiva. diretos. Imbert (2001) faz uma clara distinção entre ética e moral. a partir de sua experiência de vida. entendendo-se a ética como uma construção resultante da dialética entre o ideário e a vivência. 14): A questão da ética leva-nos a nos interrogarmos sobre os princípios que são de natureza diferente das “necessidades” ou ‘pseudonecessidades’ enfatizadas pela moral. art. p. p. precisa ser questionado. O processo educativo foi. Para o autor. É fundamental estabelecer com clareza o que se espera da educação formal.

entretanto. de maneira incessante. Um professor pode marcar a história de um aluno. quanto ao professor compete a assunção da Ética.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV No contexto escolar. aptos. Essas impressões podem ter efeitos agradáveis ou desagradáveis. neste capítulo. para que essa construção se enraíze e proporcione ao educando uma referência ética e moral. como educador tem a responsabilidade sobre o modelo de ser humano que apresenta ao aluno.htm Pós-Graduação a Distância 69 Como vimos. discussões dos valores. favoráveis ao Planeta em que vivemos. o aluno aprenda.scielo. Aprende-se a moral. no próximo capítulo. Quanto mais suas relações estão fundadas no campo afetivo.br/hp/revista/download. buscando sempre refletir sobre as questões éticas que embasam o trabalho docente. mas pautam a conduta da individualidade que se forma.icpg. . não se conduzem eticamente.php?pid=S0101-73302001000 300016&script=sci_arttext http://www. Todos os questionamentos evidenciados. discutiremos. É preciso reconhecer o essencial. Como a prática pedagógica pode contribuir para a formação de cidadãos que saibam se conduzir diante de situações que envolvem questões éticas? Para saber mais sobre ética sugerimos a leitura dos artigos disponíveis em: www. Essa busca incessante tem se agravado a partir das situações conflituosas de pessoas que representam as sociedades nas quais vivem e que. técnicas e habilidades para desenvolver o potencial de cada aluno. a qualidade do que faz com que a educação eduque.exec. assume-se a Ética.hottopos. têm sido focos de discussões de interessados sobre o assunto. cabe exercitar a ética. há princípios dos quais não podemos prescindir porque são inerentes à própria essência daquilo a que se referem. Metas e finalidades podem ser ajustadas.br/scielo. não para ser apreendido em sua personalidade. a preparação de profissionais educadores deve estar pautada em referenciais éticos construídos a partir de reflexões acerca de situações do cotidiano. pode ser um referencial para o resto da vida. como aprendiz. o professor ensine. as práticas pedagógicas. Que se formem seres humanos pertinentes. Pode-se dizer que ao aluno. Meios e métodos podem ser alterados por condições circunstanciais. serem determinadas por fixação ou por rejeição. independente do lugar que ocupa na sociedade. apesar disso. no sentido de encontrar caminhos éticos que sejam percorridos ao longo da vida. Nesse contexto. O professor possui uma dupla função: como instrutor tem de mediar a construção de conteúdos. Ele se oferece como paradigma.com/vdletras7/monica. maior a impressão que causa na vivência do educando. mas para ser um referencial e servir como modelo vivo de maturidade e autorrealização. Há uma evolução.com. que se inicia com o aprendizado da moral e tem continuidade com a formação da Ética. atitudes que desencadearam tal fenômeno.php?rpa_chave= d9ce46773524d0ac4408 http://www. crenças. um processo de transformação qualitativa em direção à excelência humana. A Ética está ligada ao que é imprescindível. A indiferença não constrói nada. a ética perpassa todas as ações do ser humano. terem um grau maior ou menor de consciência.

que devemos lutar.”2 Esse conhecido provérbio parece representar bem o princípio do empirismo (ou behaviorismo). como um programa de capacidades determinadas. “Água mole em pedra dura. no que se refere ao sentido necessário da eticidade na prática educativa. “Pau que nasce torto. É nesse contexto que dialogaremos a concepção da práxis pedagógica na formação docente e na prática educativo-crítica. meditando sobre a sua prática docente. nessa concepção.” Esse segundo provérbio traduz a concepção denominada inatismo (ou apriorismo. Os empiristas acreditam que o conhecimento se dá porque nós vemos. jovens ou com adultos. ouvimos etc. os inatistas consideram que o conhecimento está no sujeito. Assim.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV Capítulo 15 – Práxis Pedagógica – Ação-Reflexão-Ação “A verdadeira amizade chega quando o silêncio entre duas pessoas é agradável” Paulo Freire Ao refletirmos sobre a ética no exercício de nossa tarefa docente.” No capítulo anterior. Enquanto a primeira anuncia a supremacia do objeto sobre o sujeito (o indivíduo conhece a partir da realidade existente). mas. pelo que os sentidos podem captar. ou seja. inatismo e construtivismo. é considerado como “cera virgem”. Freire (1996. Articular a ética às práticas pedagógicas requer do professor reflexão crítica sobre a ação de modo que favoreça a manutenção ou o redirecionamento das ações posteriores à reflexão. tateamos. bastando apenas ser “despertado”. Do Conhecimento à Sala de Aula: Concepções do Professor1 Maysa Barreto Ornelas Como conhecemos? À primeira vista.16) afirma que “É por esta ética inseparável da prática educativa. em que os conhecimentos podem ser inscritos. P. p. Maysa Barreto. e não porque agimos. ou racionalismo). refletimos sobre a ética na relação com o outro e consigo. Do Conhecimento à Sala de Aula: Concepções do Professor. Fundamentos da Educação Brasileira 70 . morre torto. sim. a segunda preconiza o contrário: o sujeito é quem possui supremacia sobre o objeto (o indivíduo apresenta capacidades inatas e 1 2 ORNELAS. Esses modos de conhecer estão histórica e ideologicamente abrigados em três grandes correntes ou teorias. não importa se trabalhamos com crianças. dependendo apenas da maturação para “aflorar espontaneamente”. O indivíduo.. ao primeiro enfrentamento analítico percebe-se que não há uma resposta que dê conta de todas as suas dimensões e. Neste capítulo. pelo qual se entende que o conhecimento está na realidade externa e é transmitido ao sujeito por meio de informações captadas pelos sentidos. As relações estabelecidas entre esse provérbio (bem como os seguintes) e as concepções epistemológicas são de autoria da pesquisadora Mª Isabel F. várias tentativas para explicar a origem e a essência do processo cognoscente. influenciando de forma direta os fazeres da sala de aula: empirismo. mimeo. Brasília: 2001. especialmente. você está convidado a ler o texto a seguir. recorremos sempre aos estudos de Paulo Freire. essa é uma questão fácil de ser respondida. cujo conhecimento acontece porque o sujeito já o tem de forma inata ou hereditária. UNICAMP / SP. tanto bate até que fura. Leite. “folha de papel em branco”. A abordagem empirista opõe-se visivelmente à inatista quanto à relação estabelecida entre sujeito e objeto. “tábula rasa”.

e melhor o faremos. podemos identificar. Não há supremacia do sujeito ou do objeto. conceber uma visão transformista do universo.. Larrosa (2001. Exercita-te no escutar. o dinamismo da nossa história e a incerteza das nossas verdades. recorda que a verdade costuma ser uma arma dos poderosos e pensa que a certeza impede a transformação. ousamos afirmar que o construtivismo é. no sentido de que a aprendizagem ocorra. conhecemos à medida que construímos relações significativas. para o qual as condições de ocorrência estão previamente determinadas. do outro e de si mesmo. no momento histórico em que vivemos. o conhecimento é o resultado de uma construção a partir das interações contínuas que se estabelecem entre o sujeito e o mundo que o cerca. Aprende a ler e a escrever de novo. segundo o construtivismo. Recorda-te de teu futuro e caminha até a tua infância. no limiar de um novo século. 41) nos faz refletir sobre a transitoriedade do conhecimento. Assim. nem mesmo a essa parte de ti mesmo que sabe a resposta. Frente à autoconsciência como repouso. da vida. com maior adequação. o desconhecido que volta a começar. propõem uma visão passiva do conhecimento. como arte por terminar. Pós-Graduação a Distância 71 . Conta-te a ti mesmo a tua própria história.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV conhece por meio da razão). como instalação definitiva na certeza de si. tende a direcionar o seu fazer pedagógico. e principalmente. porém. Ambas. O que essas relações têm a ver com a prática pedagógica? A concepção de conhecimento que o educador adota para si. sua prática pedagógica. Aprender a ser um educador construtivista significa. seu aluno) conhece.’’ Esse provérbio revela o entendimento de como se conhece. Sê tu mesmo a pergunta. “O mesmo risco que corre a lenha de ser cortada. por meio da qual o conhecimento se constrói. a forma como ele entende que o indivíduo (no caso. mas indica amplos caminhos para que se possa forjar as próprias trilhas. Nessa perspectiva. como verdade. mas uma relação de interação entre eles. em busca do conhecimento em todos os espaços educativos. a concepção epistemológica que. determina em grande parte. do conhecimento sobre as coisas.. O homem se faz ao se desfazer: não há mais risco. Perde-te na biblioteca. de forma a estabelecer relações contínuas e dialógicas entre esses elementos. independente da atividade do indivíduo. para que a página continue em branco. à medida que nos reconheçamos incompletos. Nessa concepção. A partir daí. por meio das falas e das práticas em ambientes educativos. os pressupostos que embasam a ação docente. faz-se necessário retornar às clássicas perguntas: Que indivíduo queremos formar? Em que escola? Para que sociedade? Apoiados nessas reflexões. porque a resposta poderia matar a intensidade da pergunta e o que se agita nessa intensidade. O homem se diz ao se desdizer: no gesto de apagar o que acaba de ser dito. Não sejas nunca de tal forma que não possas ser também de outra maneira. ou seja. entre eles. posto que não as responde. na tão cantada sala de aula. E não perguntes quem és àquele que sabe a resposta. mesmo que de forma inconsciente. p. atende a essas e a outras questões. pois. prende a atenção ao que inquieta. E queima-a logo que a tenhas escrito. corre o machado de perder o fio. a todo tempo.

e que tenha a oportunidade de refletir sobre o que media na relação com o aluno. Fundamentos da Educação Brasileira 72 . Para esquentar. ao ser aprendente. conteúdos. abordaremos a formação continuada do profissional de educação. Freire (1996. p. na qual foram suscitados elementos que apontam para uma nova concepção. São Paulo: Paz e Terra. estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado”. o educador tem a possibilidade de ressignificar sua prática educativa de modo que aprenda a partir da reflexão com o outro. de acordo com as mudanças propostas para o século XXI. dentro da concepção pós-crítica. E. o aluno. reflita sobre a importância da atualização permanente em sua prática docente. você estudou a relação entre Educação e Instrução. nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma. 1996. Pedagogia da Autonomia.23) menciona que formar não é “transferir conhecimentos. no capítulo 3. Lembre-se de que a atualização do docente é essencial para atender às exigências de um mundo em constante mutação. podemos entender como práxis pedagógica a ação-reflexão-ação do educador. Nesse sentido. sugerimos a leitura da seguinte obra: FREIRE. No próximo capítulo. a aprendizagem ocorre tanto no discente quanto no docente. Nesse ponto de vista.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV Na primeira Unidade. Paulo. a formação. Para saber mais sobre a práxis pedagógica.

a qual “refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos e práticos destinados à formação profissional. Entretanto. Fundamentado em sua visão de formação continuada. a reflexão sobre a legislação vigente no Brasil relacionada a educação. A cada capítulo estudado. a importância da formação inicial. tendências pedagógicas. Além. ainda. compreender o seu contexto. Com isso. para além do exercício profissional. entre outros assuntos – quando discutidos por pessoas com experiências similares – é bastante válida pela possibilidade de troca de experiências e busca de soluções embasadas em conhecimentos teóricos. entendida como prolongamento da formação inicial visando ao aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho. com embasamento teórico no contexto do trabalho pedagógico. e ao desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla. criar e recriar procedimentos e estratégias de trabalho. Libâneo reforça. articula teoria e prática durante todo o processo de mediação de conhecimentos com os alunos. disso. torna-se imediatamente possível a prática reflexiva (práxis) em seus ambientes de trabalho. em diversos lugares e pessoas. acesso a novas tecnologias e impactos dessas informações em ambientes educativos. metodologias de ensino. a prática se articula à teoria como complementaridade. É nesse contexto que a formação continuada torna-se fundamental. especificamente. Você concorda com essa afirmativa? . cultural e profissional”. procuramos destacar a importância do docente. ao compartilhar com profissionais que vivenciam situações semelhantes. de modo a promover mudanças que favoreçam a melhoria da qualidade da educação. freqüentemente completados por estágios”.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV Capítulo 16 – Formação Continuada do Profissional de Educação Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Chegamos ao último Capítulo do Caderno de Estudos da disciplina Fundamentos da Educação Brasileira com a tarefa de refletirmos sobre a formação continuada do profissional de educação.189) contribuem para o entendimento de que a formação continuada “é a condição para a aprendizagem permanente e o desenvolvimento pessoal. Acrescenta que é no contexto de trabalho que as pessoas envolvidas com o processo educativo têm a possibilidade de promover mudanças pessoais e profissionais. resolver problemas. Você considera importante a formação continuada para a sua prática pedagógica? Os estudos de Libâneo (2003. Pós-Graduação a Distância 73 Libâneo (2003) afirma que o educador é um profissional que tem como prática a sua atividade para o ensino. Partindo desse pressuposto. visto que trata da reflexão sobre a prática. também se torna essencial de modo a acompanhar as mudanças que ocorrem a todo o momento. O educador. p. a formação continuada.

Fundamentos da Educação Brasileira 74 . complementaridade entre as noções apresentadas. portanto. a discussão e a confrontação das experiências oriundas da prática profissional e articulá-las às teorias que existem no tema em foco. Ela visa ao desenvolvimento pessoal e profissional mediante práticas de envolvimento dos professores na organização da escola. nos conselhos de classe etc.63). cursos). A profissionalização trata das condições ideais que venham a garantir o exercício profissional de qualidade e.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV O autor menciona que a profissionalidade significa um conjunto de requisitos profissionais que o tornam educador. no contexto do seu ambiente de trabalho. o próprio docente deve ser responsável por buscar aprimorar sua formação. Para subsidiar nossas reflexões. p. em que analisou. ao mencionar os estudos de Abdalla (1999). nas atividades de assistência pedagógico-didática junto com a coordenação pedagógica. visto que ambas se complementam para dar sentido à prática profissional. é na formação continuada que ocorre a consolidação dessa identidade. O professor deixa de estar apenas cumprindo a rotina e executando tarefas. 2003. Antes de tudo. na organização e articulação do currículo. atitudes e convicções que fazem parte da identidade profissional do sujeito. Para esse autor (Ibidem. a formação inicial favorece a construção de conhecimentos. em sua tese de doutorado. entretanto. ressalta-se que a formação continuada refere-se às ações de formação que ocorrem dentro da jornada de trabalho (no ambiente escolar) e fora (congressos. na medida em que integra o desenvolvimento pessoal e profissional no ambiente de trabalho. nas reuniões pedagógicas. Constata-se. Além de ser papel da instituição proporcionar ao professor eventos de formação profissional. o papel da escola como contexto de ação e de formação continuada de educadores. sem tempo de refletir e avaliar o que faz. observe um trecho do artigo publicado por Libâneo (2003). o qual supõe a profissionalização e o profissionalismo. o profissionalismo. 2003. relaciona-se ao “desempenho competente e compromissado dos deveres e responsabilidades que constituem a especificidade de ser professor e ao comportamento ético e político expresso nas atitudes relacionadas à prática profissional” Ibidem. Nessa perspectiva. A profissionalidade é de fundamental importância para a educação ou formação continuada. p. Um ponto em comum entre essas ações consiste em possibilitar ao docente a reflexão.66): A formação continuada é uma maneira diferente de ver a capacitação profissional de professores.

ou seja. nas escolas. Fonte: Libâneo (2003. 2. um espaço de mudança e inovação. modos de pensar que vão se formando na vivência da cultura dos grupos dos quais fazem parte e se expressam em comportamentos e modos de agir. 3. experiências subjetivas etc. Ficaremos aguardando as suas contribuições! Pós-Graduação a Distância 75 . dessa reflexão sobre ação. Essa cultura interna influi no desenvolvimento pessoal e profissional do professor (positivamente ou negativamente). aí. Procure relatar os aspectos positivos e negativos que você considera importante para a sua prática profissional. nesse espaço é possível a criação e desenvolvimento de novos comportamentos.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV 1. as experiências subjetivas e as perspectivas dos professores afetam seu desempenho profissional. que é o conjunto das relações sociais. obviamente articuladas com a cultura da comunidade e da sociedade como um todo. As necessidades. há uma estrutura administrativa e pedagógica que é visível e outra estrutura não formalizada. Poste no fórum reflexões acerca dos estudos realizados no Caderno de Fundamentos da Educação Brasileira. Isso significa que as próprias formas de organização da escola não só têm a ver com esses comportamentos (ou habitus) como a própria escola vai formando uma cultura própria a partir desses comportamentos. Reaparece. podem nascer mudanças na estrutura de relações vigente na escola visando criar uma nova cultura organizacional. 194-195). O sistema de organização e gestão. novos habitus. mas os professores também podem produzir esse espaço cultural da escola. valores. mas. não visível. pois. em que os professores podem desenvolver novas necessidades. Isso quer dizer que. novas perspectivas. Isto acontece desse jeito porque em todas as instituições há sempre um campo de relações. maneiras de pensar e agir. a necessidade de as escolas cultivarem momentos de prática reflexiva. p. que faz parte da cultura da escola. constitui-se de um espaço não apenas de relações de poder. interesses. Essas características provêem das crenças. de todas as relações que derivam das características do grupo social que atua nela. significados. seu envolvimento com o trabalho. também.

foram ditas coisas demais. para aprendizados de cunho moral. derivada de uma condição interior do indivíduo. ou quem sabe. as possibilidades de novos fazeres pedagógicos fundamentados e alinhados em direção ao crescimento e ao desenvolvimento do ser humano passam de um processo de acúmulo de conhecimentos. que possam contribuir para uma construção ética na conduta ao longo da vida... Dentro desse contexto. de modo a definir qual a função social do local que almejam. especialmente ao desenvolver trabalhos docentes pautados na ação-reflexão-ação. Lembramos que não tivemos a intenção de esgotar os assuntos abordados. que influenciam no processo de desenvolvimento integral do ser humano. Desse modo. direcionamos o foco para a concepção atual de educação. e pelo espaço e tempo de que dispomos. Estudamos que as tecnologias da informação estão disseminadas por toda parte. Pensando nisso. Com a participação da comunidade escolar nas discussões e decisões há maior possibilidade de oferecer um ambiente educativo de qualidade. até mesmo porque isso seria impossível pela amplitude e complexidade de cada um deles. a pós-crítica. ao lidar com conhecimentos extraídos de fontes de informações digitalizadas. compromete o docente à manutenção de atitudes sensatas em todas as situações de interação com o aprendiz. bem como as responsabilidades. pensamos com carinho sobre os conteúdos a serem abordados de modo a aprofundar conhecimentos que possibilitassem a construção de novos referenciais e contribuíssem para mudanças significativas em sua prática profissional. Relembramos que as mudanças de concepções estão fundamentadas em leis que regem a educação brasileira e buscam atender às demandas da sociedade. jovens e adultos. Vimos. as competências e o compromisso dos envolvidos com as necessidades. Dessa forma. Partimos do pressuposto de que espaços educativos são locais privilegiados de convivência de crianças. com continuidade na formação ética. fortalecendo o mundo globalizado. que a Ética. o educador deve sempre instigar reflexões acerca do que leu e replicou aos colegas dentro e fora do ambiente escolar. ainda.. cabe a você aprofundar as discussões de acordo com o seu interesse e ação pedagógica.. recorremos a Drummond. .Para (não) Finalizar Parabéns! Você chegou ao final do Caderno de Estudos da Disciplina Fundamentos da Educação Brasileira. A cada capítulo. com o intuito de fortalecer as instituições escolares. delegando poderes de decisão para a sua autonomia e democratização. Ao longo dos estudos desta disciplina. Fundamentos da Educação Brasileira 76 Parece que ficaram coisas sem serem ditas. Vimos que a construção de um ambiente educativo de qualidade perpassa por diferenciadas possibilidades de tornar-se um espaço de realização de atividades na qual a comunidade participa e discute as responsabilidades com os diferentes agentes educativos. os projetos e a cultura da comunidade.

a pensarem e a se expressarem com clareza.. como também a aceitar. a raciocinar. Raquel. E que dessas coisas lhes ensinasse não só o conhecer. a amar e preservar. Eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a nossa história e a nossa terra de uma maneira viva e atraente.Para (não) Finalizar Para Sara. o ar.. Eu queria uma escola que lhes ensinasse a usarem bem a nossa língua. Deus.. pela descoberta... as operações.. Carlos Drummond de Andrade Eu queria uma escola que cultivasse a curiosidade de aprender que é em vocês natural. Normal Eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a natureza. pela experimentação. pedrinhas. Eu queria uma escola que lhes ensinassem a pensar. Eu queria uma escola que desde cedo usasse materiais concretos para que vocês pudessem ir formando corretamente os conceitos matemáticos.. Pós-Graduação a Distância 77 . Lia e para todas as crianças. os conceitos de números. só porcarinhas!. seu próprio corpo. fazendo vocês aprenderem brincando. os animais. a procurar soluções. as plantas. Oh! meu Deus! Deus que livre vocês de uma escola em que tenham que copiar pontos.. a matéria. Mas que ensinasse primeiro pela observação... Eu queria uma escola que educasse seu corpo e seus movimentos: que possibilitasse seu crescimento físico e sadio.

. Que lhes desse múltiplos meios de vocês expressarem cada sentimento. fatos. a coooperar. Deus que livre vocês de ficarem passivos. Eu também queria uma escola que ensinasse a conviver.. cada drama.. a respeitar. nomes. datas. Que vocês aprendessem a transformar e criar. Deus que livre vocês de aceitarem conhecimentos “prontos”. repetindo.Para (não) Finalizar Deus que livre vocês de decorar sem entender.. a esperar. cada emoção. mediocremente embalados nos livros didáticos descartáveis. a saber viver em comunidade. ouvindo e repetindo. Ah! E antes que eu me esqueça: Deus que livre vocês de um professor incompetente. em união. repetindo. Fundamentos da Educação Brasileira 78 .

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