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Aprendizagem Na Abordagem Cognitivista Jean Piaget

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Daniela da Silva Holtz

Aprendizagem na Abordagem Cognitivista JEAN PIAGET

Faculdade ALFA Praia Grande, 2009.

Introdução

Em a grande pergunta: “Como se passa de um conhecimento menos elaborado para um conhecimento mais elaborado?”. Piaget define conhecimento como sendo vínculado à aprendizagem, resultado este que se dá na interrelação entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido, e que a aprendizagem depende do nível de desenvolvimento alcançado pela criança, como o amadurecimento das funções cognitivas, adquirindo assim a aquisição de conhecimentos. Podemos compreender o processo de aprendizagem como o autor mesmo define em quatro períodos de desenvolvimento humano, que serão apresentados no decorrer do presente trabalho com a abordagem da teoria do desenvolvimento humano, suas características principais de desenvolvimento e suas fases.

A Teoria do desenvolvimento humano de Jean Piaget

Jean Piaget divide em quatro períodos o desenvolvimento humano que, por sua vez, interfere no desenvolvimento global.

1° período: Sensório-motor (0 a 2 anos) 2° período: Pré-operatório (2 a 7 anos) 3° período: Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos) 4° período: Operações formais (11 ou 12 anos em diante)

Características gerais dos principais períodos de desenvolvimento

Podemos conceituar o desenvolvimento como um processo de equilibração progressiva. O equilíbrio se refere à forma pela qual o indivíduo lida com a realidade na tentativa de compreendê-la, como organiza seus conhecimentos em sistemas integrados de ações ou crenças, com a finalidade de adaptação. Ao longo de sua vida Piaget observou que existem formas diferentes de interagir com o ambiente nas diversas faixas etárias. Denominando estas formas como estágios ou períodos. Observou que à medida que a criança amadurece física e psicologicamente estimulada pelo ambiente físico e social, constrói sua própria inteligência. Para Piaget o desenvolvimento irá seguir determinadas etapas caracterizadas pela aparição de estruturas originais e de uma

determinada forma de equilíbrio, que dependem das construções anteriores, mas dela se distinguem, permanecendo no decorrer dos estágios ulteriores, como estruturas sobre as quais se edificam as novas características. Cada estágio constitui uma forma particular de equilíbrio, efetuando-se a evolução mental no sentido de uma equilibração sempre mais completa e de uma interiorização progressiva. Podemos ver como é longo e complicado o processo de desenvolvimento mental, que se inicia com um organismo imaturo e que gradualmente vai construindo sua vida mental até chegar a ter capacidade para contribuir para o progresso social. É justamente em função da complexidade do processo que o estudo do desenvolvimento da inteligência é uma tarefa difícil. Mas, por outro lado, é extremamente gratificante à compreensão de que é o mecanismo mental que está determinando o comportamento da criança.

Período sensório-motor (0 a 24 meses)

Os quadros sensoriais só serão obtidos pela aquisição da noção de permanência dos objetos em torno dos nove meses de idade, onde a existência dos objetos é independente de sua percepção imediata, bem como sua inter-relação e percepção de si mesmo como um objeto espacialmente colocado e integrado, reconhece causas para os acontecimentos e a objetivação das séries temporais. Ao final do período, a criança permanece bastante egocêntrica. Terá conseguido atingir uma forma de equilíbrio, isto é, terá desenvolvido recursos pessoais para resolver uma série de situações através de uma inteligência explícita, ou sensório-motora.

Período pré-operacional (2 – 7 anos)

A criança ao se aproximar dos 24 meses estará desenvolvendo ativamente a linguagem, iniciando a capacidade de representar uma coisa por outra, de uma situação por outra ou ainda de um objeto, pessoa ou situação por uma palavra. O pensamento irá aumentar, de forma lenta, continuando bastante egocêntrica e presa às ações, pois devido a ausência de esquemas conceituais e de lógica, determinará uma distorção de realidade justamente em função destas limitações. O egocentrismo se caracteriza, basicamente, por uma visão da realidade que parte do próprio eu, a criança não concebe um mundo, uma situação da qual não faça parte, confunde-se com objetos e pessoas, no sentido de atribuir a eles seus próprios pensamentos, sentimentos, etc. Este egocentrismo é tão marcante que se manifestará em todas as áreas de atuação da criança, ou seja, intelectual, social, de linguagem. A criança estará, nesta fase, desenvolvendo os chamados pré-conceitos, isto é, noções a respeito de objetos que serão utilizados na fase seguinte para formar os esquemas conceituais, o seu julgamento será altamente dependente da percepção. O mesmo ocorrerá em relação à conservação de volume, massa e peso, a criança julgará pelo que vê. A criança pré-operacional não entenderá que há mudança na quantidade massa, volume e peso. Piaget realizou várias provas clássicas que demonstravam empiricamente a ausência do pensamento conceitual e de noções de conservação e invariância na criança em idade préescolar. Por isso o período foi denominado pré-operacional. A fase pré-operacional é

considerada também como de transição no aspecto de linguagem. A verbalização que acompanha a ação pode ser entendida como um treino dos esquemas verbais recém-adquiridos e como uma passagem gradual do pensamento explícito (motor) para o pensamento interiorizado.

Período das operações concretas (7 – 11, 12 anos).

Neste período observa-se um marcante declínio do egocentrismo intelectual e um crescente incremento do pensamento lógico. Isto é, em função da capacidade, agora adquirida, de formação de esquemas conceituais, de esquemas mentais verdadeiros, a realidade passará a ser estruturada pela razão e não mais pela assimilação egocêntrica. A criança irá sentir necessidade de explicar logicamente suas idéias e ações. As ações físicas, típicas da inteligência sensorial-motora e ainda necessárias na fase préoperacional, passam a ser internalizadas, passam a ocorrer mentalmente. Daí o nome à fase: operações concretas. No que se refere à linguagem, verificar-se-á um acentuado declínio da linguagem egocêntrica até seu completo desaparecimento, podemos dizer que a linguagem após os 7 anos passa a ser totalmente socializada. Quanto ao desenvolvimento social a criança diminuirá seu egocentrismo também por perceber que as outras pessoas tem sentimentos, e necessidades diferentes dos seus. E nos julgamentos morais, observaremos mais uma vez a tendência de interiorização, pois as intenções do sujeito

passam a ser levadas em consideração. Assim, vemos que a criança caminha lenta e que seu pensamento se adapta ao seu meio.

Período das operações formais (12 anos em diante)

Compreendemos este período como adolescência, onde o sujeito será então capaz de formar esquemas conceituais abstratos, como amor, fantasia, justiça, esquema, democracia, e realizar com eles operações mentais que seguem os princípios da lógica formal, o que lhe dará, sem dúvida, uma riqueza imensa em termos de conteúdo e de flexibilidade de pensamento. Estas e outras aquisições são responsáveis em grande parte pelas mudanças que ocorrem em todo o comportamento do adolescente, ajudando-o, no que se considera a problemática básica da adolescência, ou seja, a busca da identidade e da autonomia pessoal. Podemos dizer que ao adquirir estas capacidades, o indivíduo atingiu sua forma final de equilíbrio e é justamente por isso que a personalidade começa a se formar no final da infância, com a organização autônoma. Na idade adulta não surge nenhuma nova estrutura mental, o indivíduo apenas passa a caminhar para um aumento gradual do desenvolvimento cognitivo, em uma maior compreensão dos problemas que o atingem. Influenciando os conteúdos afetivo-emocionais e sua forma de estar no mundo.

Conclusão

Para Piaget os estágios e períodos do desenvolvimento caracterizam as diferentes maneiras do indivíduo interagir com a realidade, ou seja, de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação, constituindo-se na modificação progressiva dos esquemas de assimilação. Os estágios evoluem como uma espiral, de modo que cada estágio engloba o anterior e o amplia. Piaget não define idades rígidas para os estágios, mas sim que estes se apresentam em uma seqüência constante.

Anexos

Estruturas Cognitivas: são os chamados ESQUEMAS, ou seja, instrumentos de aprendizagem e troca do sujeito com o meio. É um padrão interno adquirido pela experiência; representação abstrata dos elementos essenciais da experiência. Composto de representações, que resultam da exposição a eventos, a partir da interação, surgindo unidades estruturais básicas de pensamento e ação. No início são contínuas, sendo construídas poucas -a-pouco, determinando a progressão dos conhecimentos numa complexidade crescente, possibilitando a organização cognitiva. Embora sejam construídas a partir das ações intelectuais, sua gênese encontra-se no funcionamento biológico, mais precisamente no sistema nervoso.

Referências bibliográficas:

FACULDADE ALFA. Psicologia da Educação. Apostila 6: Aprendizagem na Abordagem Cognitivista Jean Piaget.

Internet

http://www.google.com http://www.claudia.psc.br/arquivos/Piaget.pdf

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