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Políticas públicas e energias renováveis:

propostas de ações de indução


à diversificação da matriz
energética na Bahia
Roberto Fortuna Carneiro,* Pauletti Karllien Rocha**

Resumo Abstract

Ao longo dos tempos, o modelo de desenvolvimento vigente Presently development is based, as it was throughout the
baseia-se na energia originária dos combustíveis fósseis e não ages, on energy derived from non-renewable fossil fuels,
renováveis, sendo o petróleo a principal fonte, seguida do car- being oil the main source, followed by coal and natural gas.
vão mineral e do gás natural, todas responsáveis por uma gran- These sources are greatly responsible for the
de parcela dos desequilíbrios ambientais enfrentados na atuali- environmental imbalance we face in the present days. The
dade. Com o possível esgotamento das reservas mundiais de possibility of a worldwide exhaustion of the oil reserves
petróleo, faz-se necessário uma diversificação da matriz ener- makes it necessary to diversify the energy matrix aiming
gética visando a sustentabilidade econômica, social e ambiental. economic, social and environmental sustainability.
Dessa forma, o novo paradigma energético para a sustentabili- Therefore, the new energy paradigm aiming sustainability
dade deverá ter como pilares as fontes de energia renováveis. must have renewable energy sources as pillars. Many
Muitos esforços têm sido feito em todo o mundo no sentido da efforts have been made worldwide to use this type of energy
utilização dessas energias. Para isso, faz-se necessário a con- and, for that, public policies must be consolidate to
solidação de políticas públicas que estruturem a oferta para structure the offer and attend this new demand efficiently.
atender eficazmente essa nova demanda. Nesse sentido, o pre- Therefore, this paper will deal with the importance of public
sente artigo tratará da importância das políticas públicas para o policies for the energy sector development and will highlight
desenvolvimento do setor energético e destacará as ações em the actions being carried out by the Federal and State
execução pelos governos federal e estadual no sentido de di- Government of Bahia towards the diversification of the local
versificação da matriz energética local. Ao final, serão propos- energy matrix. To finalize, intervention actions will be
tas algumas ações de intervenção no sentido de contribuir para suggested aiming to contribute with this debate in Bahia.
esse debate na Bahia.
Key words: renewable energies, public policies, bioenergy,
Palavras-chave: energias renováveis, políticas públicas, bioe- energy matrix diversification.
nergia, diversificação da matriz energética.

* Diretor de Fortalecimento Tecnológico Empresarial da Secretaria de Ciência,


Tecnologia e Inovação - SECTI e Coordenador do Probiodiesel Bahia. Profes- ** Engª Agrônoma e Coordenadora Técnica da Rede Baiana de Biocombus-
sor dos cursos de Administração do Centro Universitário da Bahia - FIB e da tíveis. Professora do curso de Administração com Habilitação em Agrone-
Faculdade Baiana de Ciências - FABAC. rcarneiro@secti.ba.gov.br. gócios da Fundação Visconde de Cairu. pauletti.rocha@uol.com.br.

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INTRODUÇÃO mulos necessários à melhor alocação dos recursos


disponíveis. Essa análise é, fundamentalmente, mi-
O objetivo deste artigo é analisar o papel das políti- croeconômica e baseada no comportamento de atores
cas públicas como elemento de indução e estrutura- individuais e nas condições de um equilíbrio estático.
ção de um setor estratégico para a atividade socioeco- Não considera a existência de crises econômicas,
nômica: o de energia. Para tanto, será realizada uma porém, afirma que em determinadas situações o mer-
rápida abordagem acerca da importância das políticas cado não propicia a minimização dos custos de opor-
públicas como elemento de promoção do desenvolvi- tunidade dos recursos ocorrendo as “falhas de merca-
mento de atividades sócio-produtivas e uma breve aná- do”. As principais falhas de mercado podem ser des-
lise do conceito de energias renováveis. Após essa critas como: externalidades, informação assimétrica
etapa de contextualização, verificaremos como o Es- ou imperfeita, bens públicos e poder de monopólio. Na
tado vem atuando para fomentar, estruturar e regular análise microeconômica da Teoria Neoclássica, o Es-
essa atividade em nível mundial, nacional e estadual. tado atua como obstáculo à otimização de recursos,
Ao final, serão propostas algumas ações no sentido coisa que as forças de mercado produziriam na ausên-
de contribuir para esse debate na Bahia. cia da interferência governamental.
A segunda corrente, a Estruturalista, principal-
mente a de base neo-schumpeteriana, aceita que os
CONTEXTUALIZAÇÃO fatores produtivos de uma nação podem ser criados,
a exemplo da força de trabalho qualificada, da conso-
Esta contextualização está dividida em três par- lidação de uma base científico-tecnológico (POR-
tes: a primeira vai analisar a importância do planeja- TER, 1990) e, principalmente, das transformações
mento governamental para promover o desenvolvi- causadas pelo progresso técnico na base produtiva
mento de um país ou de uma indústria; a segunda (SCHUMPETER, 1982).
abordará a importância da energia como condição Para essa corrente, o Estado, na realidade, exer-
sine qua non para esse desenvolvimento, principal- ce de forma significativa, principalmente nos países
mente as energias renováveis, pelo seu caráter estra- em desenvolvimento ou de desenvolvimento recente,
tégico em um mundo dependente de uma fonte finita forte intervenção na economia. Além dos exemplos
de energia; e, por último, uma síntese das partes an- citados acima podem também ser criadas políticas
teriores no sentido de tentar demonstrar que, em fun- governamentais para financiamento de exportações
ção das características do setor de energia, princi- de bens e serviços e importações de bens de capital,
palmente das renováveis, uma ação governamental apoio a indústrias selecionadas, concessão de sub-
planejada é de vital importância para garantir o perfei- sídios, entre outros. Essa intervenção se dá através
to desenvolvimento do setor de maneira sustentável. de um aparato político-institucional (DAHAB; TEIXEI-
RA, 1990) que é uma tentativa do Estado de superar
as falhas existentes no mercado, sobretudo em tec-
O Estado e as políticas públicas de caráter nologia e finanças, que impedem ora a combinação
estruturante adequada dos fatores de produção existentes, ora o
crescimento da dotação nacional de fatores. Seu ob-
Durante muito tempo, duas correntes teóricas tra- jetivo é criar, portanto, vantagens comparativas dinâ-
varam um embate acerca do papel do Estado como micas para as indústrias e empresas locais.
agente promotor do desenvolvimento de novos setores Outros autores, entre eles Hasenclever (1991), Ha-
da atividade econômica: a Neoclássica, da teoria eco- guenauer (1989) e Perez (1989), analisaram o processo
nômica tradicional, e a Estruturalista, basicamente de intervenção estatal através de políticas tais como:
schumpeteriana e neo-schumpeteriana. Para a primei- política de competição, para influenciar o mercado; polí-
ra não há necessidade de intervenção do governo so- ticas regionais, para localização de atividades econômi-
bre a liberdade decisorial dos agentes econômicos, já cas; políticas de inovação, para influenciar a tecnologia
que a competição perfeita do mercado fornece os estí- utilizada pelas empresas; e políticas comerciais. Uma

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das principais é a de apoio à inovação, através da cria- Esgotamento das reservas de petróleo. Dados da
ção de sistemas nacionais e locais de inovação. Revisão Estatística de Energia Mundial de 2004, da
A ação de intervenção governamental através das British Petroleum, e constantes do Plano Nacional de
políticas públicas é, portanto, um elemento de supor- Agroenergia 2005, estimam que existiam reservas de
te às atividades socioeconômicas que não pode ser 2,3 trilhões de barris de petróleo antes de sua explora-
minimizado na sua importância ção. As atuais reservas comprova-
para o desenvolvimento de seto- A energia sempre teve um das do mundo, segundo a mesma
res produtivos, regiões e países. papel fundamental no fonte, somam 1,137 trilhões de
desenvolvimento e barris. Essas reservas permitem
crescimento de um país. suprir a demanda mundial por um
Energia: recurso estratégico Cada vez mais se faz período de 40 a 50 anos, mantido
para o desenvolvimento de necessário o uso das fontes o atual nível de consumo.
uma nação energéticas, renováveis ou O fator geopolítico. O Oriente
não, para a produção de Médio e os países exportadores
A energia sempre teve um pa- alimentos, bens de consumo (OPEP) dominam 78% das re-
pel fundamental no desenvolvi- e de serviços, lazer e, servas mundiais de petróleo. A
mento e crescimento de um país. principalmente, para vitória do Hammas nas eleições
Cada vez mais se faz necessário promover o palestinas e a crise internacional
o uso das fontes energéticas, re- desenvolvimento provocada pela polêmica produ-
nováveis ou não, para a produção econômico, social e cultural ção de energia nuclear pelo Irã
de alimentos, bens de consumo só agravam o já complicado pal-
e de serviços, lazer e, principalmente, para promover co de disputas políticas e bélicas do Oriente Médio.
o desenvolvimento econômico, social e cultural. Todos esses fatores provocaram, nos últimos anos,
A energia pode ser classificada em dois tipos: não- fortes impactos sobre os preços, os fluxos de abas-
renovável ou fóssil e renovável. Como energia fóssil tecimento e o cumprimento de contratos de forneci-
destacam-se as originadas do petróleo, como gasoli- mento. Essa pressão fez com que nos últimos 30
na, diesel, querosene e gás natural. As renováveis po- anos a valorização real do petróleo fosse de 505%,
dem ser classificadas em energia solar (painel solar, sendo de 85% entre o final de 2004 e meados de
célula fotovoltaica), energia eólica (turbina eólica, cata- 2005 (BRASIL, 2005).
vento), energia hídrica (roda d’água, turbina aquática, Demanda crescente de energia. Estudos do Banco
PCHs – pequenas centrais hidrelétricas), biomassa Mundial (WORLD BANK, 2004) e da International
(matéria de origem vegetal, a exemplo da produção de Energy Agency (2004) demonstram que além do cres-
etanol e biodiesel, pellets, sistemas de gaseificação), cimento econômico natural que os países apresen-
energia obtida dos oceanos e a geotérmica. tam, a globalização cultural e de mercados e a assimi-
Apesar do largo domínio das energias provenien- lação de costumes de países ricos pelos emergentes
tes de fontes fósseis na matriz energética mundial,1 também provoca uma forte pressão de consumo ener-
existe um grande esforço internacional em desenvol- gético. Enquanto os países ricos aumentaram seu
ver tecnologias para produção e uso de energias lim- consumo em menos de 100%, nos últimos 20 anos,
pas. Esse esforço decorre de uma conjunção de fato- no mesmo período, a Coréia do Sul aumentou sua de-
res que favorecem a mudança para uma nova matriz manda em 306%, a Índia em 240%, a China em 192%
energética de base renovável, em que haja a substi- e o Brasil em 88%. Segundo Mussa (2003), a deman-
tuição gradual do petróleo como matéria-prima para a da projetada de energia no mundo aumentará 1,7% ao
produção de combustíveis ou insumo para a indústria ano, de 2000 a 2030, quando alcançará 15,3 bilhões
química. Os fatores são: de toneladas equivalentes de petróleo (TEP) por ano.
As mudanças climáticas globais registradas nos
1
Atualmente, 80% da matriz é de fontes de carbono fóssil, com 36% de últimos anos induzem a uma crescente pressão da
petróleo, 23% de carvão e 21% de gás natural (IEA, 2004). sociedade civil organizada para que os países ela-

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borem políticas globais de redução da poluição. A para a produção de alimentos. O Brasil, por sua
taxa de acumulação de gás carbônico (CO2) na at- vez, é um país estratégico para a produção de
mosfera da Terra, principal responsável pelo aqueci- energias renováveis em função de suas imensas
mento anormal do globo, aumentou mais de 2 ppm extensões territoriais, excelentes condições eda-
ao longo dos biênios 2001/2002 e 2002/2003. Nos foclimáticas, forte incidência de radiação solar e
anos anteriores, essa taxa de crescimento havia do potencial eólico das regiões costeiras. Isso per-
sido de 1,5 ppm. mitiu que o país detivesse uma das mais limpas
Em função desses fatores, a corrida internacional matrizes energéticas do mundo. Estimativas da
para o desenvolvimento de programas de pesquisa, IEA mostram que 35,9% da energia fornecida no
produção e uso de energias renováveis ganhou di- Brasil são de origem renovável. No mundo, esse
mensões estratégicas, quer seja pela busca da auto- valor é de 13,5%, enquanto nos Estados Unidos é
suficiência quer pela liderança tecnológica e comer- de apenas 4,3% (Tabela 1).
cial do setor.
Na área de produção e uso de bio- Tabela 1
combustíveis, por exemplo, os EUA que- Suprimento mundial de energia
rem superar a produção brasileira de ál-
cool já em 2007, com 17 bilhões de litros
por ano, utilizando o milho como matéria-
prima. O país já possui grandes usinas
de produção de biodiesel à base de soja
e o percentual de mistura ao diesel é de
20%. A energia eólica também é forte-
mente explorada, além das pesquisas
com células de hidrogênio.
Fonte: IEA - Renewables Information 2004, Table 1, p.8.
Na Europa, a Diretiva 2003/30/CE do
* Tonelada Equivalente de Petróleo
Parlamento Europeu, de 08 de maio de
2003, adotou uma estratégia em favor do
desenvolvimento sustentável que consiste numa série O PAPEL DAS POLÍTICAS PÚBLICAS COMO
de medidas, entre as quais o desenvolvimento dos bio- INDUTORAS DA ENERGIA RENOVÁVEL NA
combustíveis. Nesse objetivo, se preparam para a MATRIZ ENERGÉTICA
substituição de 20% dos combustíveis convencionais
por combustíveis alternativos no setor dos transportes Como afirmado anteriormente, o Brasil apresenta
rodoviários até 2020. A Segunda Cúpula Mundial de condições ideais para ser, num futuro relativamente
Fontes de Energia Renováveis, realizada na Alema- curto, o maior produtor mundial de energias renová-
nha, aprovou a criação de uma agência internacional veis. As condições locais são favoráveis tanto para a
para estimular o desenvolvimento das energias limpas energia solar e eólica quanto para a potência hídrica
no planeta, batizada de IRENA – International Renewa- e para os recursos de biomassa (com destaque para
ble Energy Agency (INTERNATIONAL ENERGY três grandes vertentes: o etanol, o biodiesel e os de-
AGENCY, 2004). rivados de madeira). Essas condições creditam o
A grande preocupação desses países com o de- país a ser um dos principais receptores de recursos
senvolvimento de energias renováveis se explica financeiros provenientes do mercado de carbono no
em função tanto dos quatro pontos abordados aci- segmento de produção e uso de bioenergia.
ma quanto pelo fato das grandes limitações edafo- Porém, a baixa difusão tecnológica, que nos dei-
climáticas que possuem. Além disso, à exceção xa à margem das normas de qualidade internacio-
dos EUA, não podem, devido a limitações geográfi- nalmente definidas, os relativamente elevados in-
cas, ampliar a área de agricultura energética sem vestimentos iniciais, a limitada capacidade de pes-
competir com outros usos da terra, principalmente quisa de muitas de nossas universidades e o desco-

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nhecimento do setor privado das vantagens de uma canismos de regulação, principalmente devido à sua
maior utilização da biomassa como fonte de ener- produção ser sazonal, o que leva à formação de esto-
gia, constituem, na prática, obstáculos para uma ques – demandando capital de giro a baixo custo –
maior valorização da bioenergia. como forma de minimizar os riscos de flutuação de
Ou seja, ainda existem fortes condicionantes ao preços e de desabastecimento do mercado no final
pleno aproveitamento da energia renovável, sejam da entressafra.
tecnológicos, políticos, culturais, econômicos, soci- Mais recentemente, o Governo Federal promulgou
ais, comerciais ou ambientais. A eliminação desses a Lei 10.336, de 19 de dezembro de 2001, que insti-
pontos críticos requer a construção de instalações tuiu a Contribuição de Intervenção no Domínio Econô-
em escala eficiente, uma pesquisa vigorosa de redu- mico – CIDE, incidente sobre a importação e a co-
ções de custo pela experiência, um controle rígido de mercialização de petróleo e derivados, gás natural e
custos e das despesas em gerais e a minimização derivados e álcool etílico combustível, e a Lei 10.453,
do custo em áreas como P&D, assistência técnica, de 13 de maio de 2002, que definiu o conjunto de ins-
distribuição, etc. A solução de muitas dessas ques- trumentos de política econômica por meio dos quais
tões são inerentes e internas à firma, porém, é possí- o Governo poderá intervir na produção e comercializa-
vel uma intervenção governamental através da elabo- ção do álcool combustível.
ração de um conjunto de políticas públicas de regula- Outras ações de destaque foram a fixação dos
ção, de investimento direto, subsídios, regulação de níveis de mistura do álcool anidro à gasolina e a fixa-
quantidades, etc. ção de alíquotas menores do Imposto sobre Produtos
Que ações vêm sendo realizadas, portanto, no âm- Industrializados – IPI para os veículos movidos a ál-
bito do Governo Federal, para modificar esse cenário? cool, exceto para aqueles de até 1.000 cilindradas.
Quais os principais programas implantados e que pos-
Programa Nacional de Produção de Óleos Vegetais
suam como objetivo principal tornar mais competitivo o
para Fins Energéticos – PROÓLEO
custo da energia obtida de fontes renováveis? Respon-
der essas perguntas é o objetivo do item a seguir. Instituído em 1975 pela Resolução nº 7 do Conse-
lho Nacional de Energia. O objetivo do programa foi o
de gerar um excedente de óleo vegetal capaz de tornar
Principais ações estruturantes na esfera federal seus custos de produção competitivos com os do pe-
tróleo. Previa-se uma substituição de 30% de óleo ve-
Os programas listados a seguir constituem o getal no óleo diesel, com perspectiva para a sua subs-
marco referencial nacional para o setor energético. tituição integral a longo prazo. A chamada “crise do
A relação não é exaustiva, porém, inclui os mais sig- petróleo” (1972) foi a mola propulsora das pesquisas
nificativos. realizadas na época. Porém, a viabilidade econômica
era questionável em valores: para 1980, a relação de
Programa Nacional do Álcool – PROÁLCOOL preços internacionais óleos vegetais/petróleo, em bar-
ris equivalentes, era de 3,30 para o dendê; 3,54 para o
Instituído pelo Decreto 76.593, de 14 de novembro
girassol; 3,85 para a soja; e 4,54 para o amendoim.
de 1975, o programa visa o atendimento das necessi-
Com a queda dos preços do petróleo a partir de 1985,
dades do mercado interno e externo e da política de
a viabilidade econômica ficou ainda mais prejudicada e
combustíveis automotivos. O Decreto criou também
o programa foi progressivamente esvaziado, embora
o Instituto do Açúcar e do Álcool para controlar a in-
oficialmente não tenha sido desativado.
dústria sucroalcooleira, ação julgada necessária de-
vido ao papel estratégico do açúcar na pauta de ex-
Programa de Desenvolvimento Energético de
portações e do álcool na matriz energética. O merca-
Estados e Municípios – PRODEEM
do de álcool combustível, apesar do ambiente de livre
mercado vigente, possui algumas características que Criado em 1994, este programa é coordenado
impõem ao Governo a necessidade de dispor de me- pelo Departamento de Desenvolvimento Energético

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(DNDE) do Ministério de Minas e Energia e tem o Programa Nacional de Incentivo às Fontes


objetivo de viabilizar o fornecimento de energia por Alternativas – PROINFRA
meio de fontes renováveis e sustentáveis às popula-
Criado em 26 de abril de 2002, pela Lei 10.438, e
ções não atendidas pela rede elétrica convencional.
revalidado pela Lei 10.762, de 11 de novembro de
O programa considera o vetor energia importante,
2003. O programa tem por objetivo a diversificação da
mas não exclusivo, para o desenvolvimento social
matriz energética a partir do aumento da participação
das comunidades. Dessa forma, a seleção das loca-
das fontes renováveis de energia. É conferido enfoque
lidades é articulada com outras iniciativas de desen- na co-geração a partir de resíduos de biomassa, nas
volvimento nas áreas da saúde, educação e agricultu- pequenas centrais hidrelétricas e na energia eólica
ra e com o Programa Comunidade Solidária. (BRASIL, 2006).
Na sua execução o programa avalia aspectos fun-
damentais relativos à sustentabilidade técnica, econô- Programa Nacional de Produção e Uso de
mica e comercial de geração de energia em áreas iso- Biodiesel – PNPB
ladas, utilizando fontes alternativas (solar, eólica, bio-
massa e micro centrais hidrelétricas). Dentre esses É apresentado pelo governo como um instrumen-
to de inclusão social e de desenvolvimento regional a
aspectos, destacam-se: constituição de agentes ins-
partir da produção e uso do biodiesel de forma sus-
taladores dos equipamentos, treinamento de técnicos
tentável. O principal instrumento é a Lei 11.097, de
e usuários, formas de recuperação de custos de ope-
janeiro de 2005, que estabelece como meta o per-
ração e manutenção, criação de rede local de distribui-
centual mínimo obrigatório de 5% de adição de biodi-
dores de equipamentos e o acompanhamento do de-
esel ao óleo diesel comercializado até o consumidor
sempenho dos equipamentos e de suas conseqüênci-
final, a ser alcançado no prazo de oito anos, sendo
as sobre as comunidades. Nos aspectos de treina-
de três anos o prazo para atingir o percentual mínimo
mento e acompanhamento, ressalta o papel dos cen-
obrigatório intermediário de 2%.
tros tecnológicos estaduais (universidades e escolas
técnicas) que, em conjunto com o Centro de Pesquisa
Plano Nacional de Agroenergia (2005)
de Energia Elétrica – Cepel, serão os responsáveis
pela consolidação de capacitação e de informação ne- Integra a concepção e ações estratégicas do Mi-
cessárias à difusão intensiva do PRODEEM. nistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em
relação ao aproveitamento de produtos agrícolas para
Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL a produção de energia renovável. Orienta-se pelas di-
retrizes gerais de Governo, particularmente no docu-
A Agência é uma autarquia em regime especial vin- mento de Diretrizes de Política de Agroenergia. O
culada ao Ministério de Minas e Energia – MME. Foi Plano contempla as principais cadeias produtivas
criada pela Lei 9.427, de 26 de dezembro de 1996 e (etanol, biodiesel, biomassa florestal, biogás e resí-
tem como atribuições: regular e fiscalizar a geração, a duos agropecuários e da agroindústria) e sistemas
transmissão, a distribuição e a comercialização da conexos, de forma integrada com os princípios do
energia elétrica; mediar os conflitos de interesses en- Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
tre os agentes do setor elétrico e deles com os consu- O objetivo geral do Plano é desenvolver e transferir
midores; conceder, permitir e autorizar instalações e conhecimento e tecnologias que contribuam para a
serviços de energia; garantir tarifas justas; zelar pela produção sustentável da agricultura de energia e o
qualidade do serviço; exigir investimentos; estimular a uso racional da energia renovável, visando a competi-
competição entre os operadores; e assegurar a univer- tividade do agronegócio brasileiro e o suporte às polí-
salização dos serviços. ticas públicas. Os objetivos específicos pretendem:
A missão da Agência é proporcionar condições conceder apoio à mudança da matriz energética,
favoráveis para que o mercado de energia elétrica se com vistas à sua sustentabilidade; aumentar a parti-
desenvolva com equilíbrio entre os agentes e em be- cipação de fontes de agroenergia na composição da
nefício da sociedade. matriz energética; e gerar condições para permitir a

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interiorização e regionalização do desenvolvimento. contra 13,5% no mundo e apenas 4,3% nos Estados
O fator ambiental também está presente, pois o pla- Unidos (IEA, 2004) – e da liderança mundial na tecno-
no objetiva contribuir para a redução das emissões logia e na produção de etanol de cana-de-açúcar. Por
de gases do efeito estufa. outro lado, existem também alguns pontos que ainda
merecem atenção, como a elevada concentração da
Diretrizes de Política de Agroenergia (2006-2011) produção nacional de cana-de-açúcar, com São Paulo
sendo responsável por mais de 60% da produção.
O documento tem como pano de fundo a análise
da realidade e das perspectivas da matriz energética
mundial. Estabelece um direcionamento nas políti-
Principais ações estruturantes para as energias
cas e ações públicas de Ministérios diretamente en-
renováveis na Bahia
volvidos no aproveitamento de oportunidades e do
potencial da agroenergia brasileira, sob parâmetros
Segundo o Balanço Energético (BRASIL, 2004), a
de competitividade, sustentabilidade e equidade so-
Oferta Interna de Energia (OIE) no país alcançou
cial e regional.
14.542.000 TEP em 2003, refletindo a participação
Além desses programas, o Ministério de Minas e
preponderante da energia não-renovável, sendo seus
Energia elaborou um Termo de Referência, de agosto
principais itens o petróleo e seus derivados, regis-
de 2005, para nortear o trabalho de consultoria técni-
trando 54,5%, e o gás natural, com 16,0%. Em rela-
ca especializada contratada para elaboração do Pla- ção à energia renovável, cabe destacar a participação
no Nacional de Energia 2030 (PNE 2030). Esse da lenha e do carvão vegetal, com 13,5%, seguida
será um instrumento fundamental para o planejamen- pela energia hidráulica e elétrica, com 10,7%.
to de longo prazo do setor energético do país, orien- As principais modificações na estrutura da matriz
tando tendências e balizando as alternativas de ex- energética estadual para os anos de 1980, 1994 e
pansão do sistema nas próximas décadas através da 2003 são apresentadas no Gráfico 1. A OIE eviden-
orientação estratégica da expansão. ciou um aumento na participação da energia não-re-
Outra importante ação está em discussão no novável de 54,6% para 73,8%, enquanto a parcela
Congresso Nacional: a proposta de criação da Agên- relativa à energia renovável teve redução de 45,4%
cia Nacional de Energias Renováveis – ANER. A para 26,2%, entre 1980 e 2003.
idéia foi apresentada em audiência pública, ocorrida
em 16 de junho de 2004, na Comissão da Amazônia,
Gráfico 1
Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional
Estrutura da matriz energética da Bahia para
da Câmara dos Deputados. Basicamente, o objetivo
os anos de 1980, 1994 e 2003.
da proposta é a criação de uma agência de desenvol-
vimento destinada a fomentar a produção e o uso ra-
cional de energias renováveis para abastecimento
dos mercados nacionais e internacionais.
Do que foi exposto, observa-se que as ações do
Governo Federal nos últimos anos tiveram um caráter
estruturalista e de base neo-schumpeteriana. O obje-
tivo explícito dessas políticas foi o de criar mecanis-
mos para a indução do investimento em P&D&I, di-
versificação da matriz energética, incentivo à amplia-
ção do consumo e surgimento de novos negócios. Fonte: Bahia: Balanço Energético, 2004

Uma avaliação dos resultados desse conjunto de


políticas públicas aponta, por um lado, para resultados O crescimento das fontes não-renováveis deve-se
muito positivos, a exemplo do peso que a energia re- do grande aumento da evolução do gás natural, regis-
novável possui na matriz energética nacional – 35,9%, trando um incremento de 183,2%, tendo sua partici-

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pação elevada de 8,0%, em 1980, para 16,0%, em Riquezas da Boa Terra – Possui três linhas de
2003, principalmente pelo aumento do consumo in- intervenção, sendo que a que possui aderência ao
dustrial (petroquímico), que substituiu o óleo com- tema energia é a de Uso Sustentável dos Recursos
bustível por essa fonte energética. Outra contribuição Naturais e Culturais, cujo programa De Olho na Na-
para esse crescimento foi do setor de petróleo e seus tureza: gestão dos recursos ambientais, fomento a
derivados, que, em 2003, teve um incremento 67,7% tecnologias limpas, normatização e procedimentos
superior ao de 1980. tem como objetivos o desenvolvimento de ações vol-
Quanto à energia não-renovável, as principais mo- tadas para a gestão ambiental e a geração e adoção
dificações ocorridas estão associadas ao declínio na de tecnologias compatíveis com o manejo sustentá-
participação da lenha e carvão vegetal de 38,7%, em vel do meio ambiente, permitindo que os processos
1980, para 13,5%, em 2003, o que representou redu- produtivos se tornem cada vez mais eficientes e am-
ção de 50,6% na quantidade ofertada (Gráfico 2) – bientalmente corretos. As ações desse programa
por conta dos programas de eletrificação rural a partir são: Implantação e Recuperação de Sistema de
da energia convencional e do esgotamento das fon- Energia Renovável e a Realização de Pesquisas
tes de matéria-prima. para o Levantamento do Potencial Agroflorestal e a
A participação da energia hidráulica e elétrica as- Implantação de Florestas Energéticas. As secretari-
sinalou crescimento de 5,7%, em 1980, para 10,7%, as envolvidas são: SEAGRI, SEC, SICM, SEPLAN,
em 2003, ampliando sua oferta em 166,5%. SESAB, SSP, SEINFRA, SEDUR E SEMARH.
Essa é a linha de intervenção mais re-
Gráfico 2 presentativa, com um orçamento previs-
Matriz Energética da Bahia (2003) to de R$ 478,5 milhões, o que corres-
ponde a 89,5% do total orçado para a
estratégia.
Caminhos da Bahia – Esta estratégia
possui duas linhas de intervenção, sendo
a de reestruturação da matriz energética a
que interessa a este artigo. Para essa es-
tratégia o Governo reservou recursos no
valor global de R$ 3,3 bilhões, dos quais
R$ 1,5 bilhão do seu orçamento; o restan-
te será resultado das parcerias firmadas
com o Governo Federal. Caminhos da
Bahia está fundamentada no Programa Di-
Fonte: Bahia: Balanço Energético, 2004 versificação e Articulação da Matriz Ener-
gética, que tem como objetivo promover
As políticas públicas desenvolvidas no Estado da estudos visando o aproveitamento dos recursos ener-
Bahia para o setor de energia são elaboradas com géticos do Estado, propiciando a diversificação das
base no conjunto de Leis, Decretos e Programas que fontes alternativas de energia e garantindo a oferta ne-
formam o marco regulatório federal para o setor. Elas cessária ao desenvolvimento estadual. Para esse pro-
estão contidas no Plano Plurianual de Investimentos grama foram destinados recursos no valor de R$ 908,5
– PPA, que é o instrumento norteador da política es- milhões, dos quais 58,2%, ou R$ 528,5 milhões, origi-
tadual de investimentos nas áreas consideradas prio- nários de recursos do orçamento estadual e 41,8%, ou
ritárias para um período de quatro anos. Essas priori- R$ 380 milhões, provenientes de fontes extra-orça-
dades são, por sua vez, ordenadas em Estratégias, mentárias.
Linhas de Intervenção, Programas, Projetos e Ações. Como se pode observar, as energias renováveis
No PPA 2004-2007, o setor energético é contem- estão plenamente contempladas no PPA nas suas di-
plado em duas estratégias, apresentadas a seguir. versas estratégias. Porém, ao se analisar os relatórios

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ROBERTO FORTUNA CARNEIRO, PAULETTI KARLLIEN ROCHA

anuais de governo verifica-se que o foco principal da A ação SECTI/FAPESB, juntamente com seus
ação governamental em renováveis é a energia elétrica parceiros (secretarias, universidades, empresas,
de fontes hidráulicas (11% da matriz). Como a Bahia é etc.), propiciou, na área de energia e ambiente, a
um estado de grandes dimensões territoriais, possui a construção da seguinte infra-estrutura sistêmica: 1)
maior população rural do país e 50% do seu território Competência local do ponto de vista da pesquisa em
no semi-árido, esse foco torna-se energia; 2) Construção de redes in-
compreensível, pois o objetivo mai- As políticas públicas terinstitucionais; e 3) Novos pro-
or da ação governamental passa a desenvolvidas no Estado gramas.
ser o de aumentar os investimentos da Bahia para o setor de
em sistemas de distribuição, para energia são elaboradas Competência local em CT&I
facilitar o acesso da população à com base no conjunto de
O Quadro a seguir reúne os
energia. Isso pode ser observado a Leis, Decretos e Programas
principais grupos, laboratórios e li-
partir dos dados do Balanço Ener- que formam o marco
nhas de pesquisa existentes no
gético 2004, que demonstram que regulatório federal para o
estado que recebem forte apoio da
houve uma redução da participação setor. Elas estão contidas
FAPESB.
de lenha e carvão vegetal de 38,7.% no Plano Plurianual de
Esses grupos de pesquisa
para 13,5% no período de 1980 a Investimentos – PPA, que possuem, na sua maioria, parceri-
2003. Os instrumentos principais é o instrumento norteador as com diversas empresas, ele-
dessa ação são as parcerias do da política estadual de mento vital do processo de gera-
governo estadual com os progra- investimentos nas áreas ção e difusão de inovações no te-
mas Luz no Campo e Luz para To- consideradas prioritárias cido produtivo. As principais são:
dos, de âmbito federal. para um período de ELETROGOES S/A – empresa
A segunda fonte de energia re- quatro anos geradora, transmissora e transfor-
novável contemplada nas ações do madora de energia elétrica do es-
Governo do Estado, embora não apareça no Gráfico tado de Rondônia; BAHIAGÁS – Companhia de Gás
2, é a energia solar. Através de parceria com o PRO- da Bahia; COELBA – Companhia de Eletricidade da
DEEM e Luz Para Todos, o governo estadual realizou Bahia; e CHESF – Companhia Hidrelétrica do São
investimentos próprios da ordem de R$ 3,8 milhões, Francisco; PETROBRAS; FORD; IGUATEMI ENER-
em 2005, para promover o acesso da população rural GIA; e BRASKEM.
à essa energia. Porém, a energia solar apresentou
muitos problemas, a exemplo de roubos dos painéis
em muitas propriedades do interior, dificuldades de CONSTRUÇÃO DE REDES
manutenção em função das grandes distâncias en- INTERINSTITUCIONAIS
volvidas, quebras constantes dos kits, etc.
Somadas a essas ações constantes do PPA 2004- Instituto de Energia e Ambiente – ENAM
2007, formuladas no início do governo, em 2003, novas
ações foram sendo construídas ao longo desse perío- O ENAM é, na verdade, uma rede de instituições
do que justificam a construção de uma política mais e de pesquisadores baseados no Estado da Bahia
agressiva do ponto de vista da estruturação e consoli- que atuam na área de Energia e Ambiente. É uma
dação das energias renováveis, nas suas diversas for- organização essencialmente virtual que vai desempe-
mas, no Estado da Bahia. Com a criação da Secreta- nhar um papel de integrador e ampliador das compe-
ria de Ciência, Tecnologia e Inovação – SECTI, em tências interinstitucionais, promovendo a intermedia-
2003, que incorporou a Fundação de Amparo à Pes- ção entre os clientes e os executores de projetos
quisa do Estado da Bahia – FAPESB, a política de (rede de organizações e pesquisadores).
CT&I do governo passou a se dar fortemente por ade- A Missão do ENAM, definida no seu planejamento
rência a temas estratégicos ao desenvolvimento eco- estratégico, é “Integrar e ampliar as competências de
nômico e social do Estado da Bahia. pesquisa em Energia e Ambiente (E&A), contribuindo

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Tabela 2
Capacidade instalada de pesquisa em energias renováveis na Bahia
POLÕTICAS P BLICAS E ENERGIAS RENOV¡VEIS: PROPOSTAS DE A«’ES DE INDU«√O...

Fonte:SECTI/ENAM
* Por motivo de espaço, nem todas as pesquisas e projetos estão contemplados nessa tabela. A SECTI possui um levantamento completo dessas linhas de pesquisa e da carteira de projetos dessas
instituições.

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para uma matriz energética mais limpa”. Para cum- dutiva de petróleo e gás natural; empresas “âncora”
prir sua missão, a organização pretende ofertar pro- demandantes de bens e serviços com qualidade e tec-
dutos e serviços tecnológicos e formar recursos hu- nologia aprimorada; centros de pesquisa universitários
manos na área de Energia e Ambiente (E&A). especializados em petróleo e gás; e entidades financi-
Uma das principais ações do ENAM vem sendo a adoras, entre outras.
elaboração de um Plano Energético para o Estado da
Bahia, intitulado Matriz Energética do Estado da
Bahia para o período 2006-2020. Rede Baiana de Biocombustíveis – RBB

A Rede é formada por diversas instituições que


Fórum de desenvolvimento de energia possuem aderência com o tema biodiesel e
que interagem entre si a fim de apoiar as ações do
Reúne os principais agentes do setor energético e Programa de Biodiesel da Bahia – PROBIODIESEL
tem por finalidade identificar e propor soluções para BAHIA. A Missão da RBB é liderar o processo de
os gargalos existentes nas áreas de campos madu- definição e implementação de ações para que a
ros de petróleo, gás natural, lubrificantes, refino e bi- Bahia se torne o estado mais competitivo no seg-
odiesel através de projetos cooperativos envolvendo mento de produção e comercialização de combustí-
governo-empresa-universidade. O Fórum é presidido veis alternativos.
pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação e Além de promover a interação entre os diversos
possui importante participação da PETROBRAS, Fe- atores, os principais objetivos da Rede são o fomento
deração das Indústrias, empresas de energia, univer- às pesquisas para o desenvolvimento de novas tec-
sidades, etc. nologias, capacitação, elaborar e submeter projetos
cooperativos – envolvendo governo/empresa/ universi-
dade – aos editais temáticos e fundos setoriais e di-
Comitê de petróleo e gás e rede PETRO vulgar informações relacionadas ao biodiesel.
A RBB possui quatro grupos de trabalho que es-
O objetivo básico deste Comitê é “Mobilizar e inte- tão vinculados a um objetivo ou necessidade especí-
grar a indústria baiana ao processo de expansão naci- fica do setor. Cada grupo possui um líder com a fun-
onal do setor de petróleo e gás, contribuindo para ma- ção de coordenar as ações propostas e se articular
ximizar a participação da indústria local nos projetos com a coordenação executiva. São eles: 1) Apoio a P
de P&G na Bahia e no Brasil. Sua principal estratégia & D e Rede Tecnológica e Laboratorial; 2) Sistemas
de atuação é “Formular e propor ações que otimizem o de Produção de Oleaginosas; 3) Fomento Empresari-
acesso às oportunidades do mercado de P&G junto al e Competitividade Econômica; e 4) Integração do
ao governo estadual, PETROBRAS e operadoras inde- Biodiesel à Pequena Produção Familiar.
pendentes, fornecedores de bens e serviços, agências
reguladoras, agentes financeiros, PROMINP, etc.
A Rede PETRO Bahia é a rede de apoio à compe- Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica
titividade das empresas fornecedoras de bens e servi- para o Agronegócio – RIPA
ços na cadeia produtiva de petróleo e gás natural do
estado. Trata-se de uma iniciativa conjunta do Governo A Missão da RIPA é articular os atores envolvidos
da Bahia, através da SECTI, da Federação das Indús- com o agronegócio no Estado da Bahia, agrupando-
trias da Bahia (FIEB) e do SEBRAE-BA. A missão da os em grandes plataformas tecnológicas pré-defini-
Rede PETRO Bahia é criar e viabilizar soluções para a das pela RIPA Nacional, de acordo com as afinida-
inserção e manutenção das empresas da Rede no des das instituições com os temas propostos, para
mercado de petróleo e gás e integrar os seguintes se criar um ambiente de fluidez informacional sobre
atores: micro, pequenas e médias empresas fornece- novas tecnologias e tendências. Foram criadas 19
doras de bens e serviços especializados à cadeia pro- grandes plataformas temáticas, sendo a GP 01 -

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POLÕTICAS P BLICAS E ENERGIAS RENOV¡VEIS: PROPOSTAS DE A«’ES DE INDU«√O...

Fontes Renováveis de Energia vinculada ao tema A estratégia proposta seria sustentada pela ela-
agro-energia e energias alternativas. Essa GP é for- boração de um conjunto de estudos que envolvem
mada pelas seguintes instituições: SECTI, SEIN- desenvolvimento de cenários, estudos prospectivos,
FRA, SICM, SEAGRI, SEMARH, SECOMP, UESC, formação e manutenção de bancos de dados, balan-
UEFS, FVC, CAR, EMBRAPA, UFBA, UFRB, UNI- ços energéticos dos ciclos de vida das cadeias pro-
FACS e BATTRA. dutivas do agronegócio, nichos de mercado e oportu-
O foco da GP de Renováveis são as Associações nidades para atração de investimentos, inversões em
de Pequenos Produtores Rurais. A justificativa deve- logística e avaliações ex-ante e ex-post.
se ao fato delas serem mais carentes de incorpora- A meta principal dessa política seria aumentar a
ção de inovações tecnológicas e, justamente por participação das energias renováveis na matriz ener-
isso, possuem baixa competitividade e geram um gética estadual dos 26% de 2003 para 35% até 2030
maior passivo ambiental. As Áreas Temáticas seleci- e diversificar as fontes utilizadas para além da hidráu-
onadas para a GP 10 são: Solar (principalmente para lica e da solar.
hotéis e pousadas); Eólica, para bombeamento de Para operacionalização dessa política, propõe-se
água de poços (sistemas híbridos); e Combustão de a implantação de dois “programas âncora”, denomi-
resíduos de biomassa. nados Programa de Energias Renováveis do Estado
da Bahia e Programa Baiano de Biocombustíveis.
Estes programas, por sua vez, seriam formados pe-
ESBOÇO DE UMA ESTRATÉGIA PARA AS los seguintes projetos:
ENERGIAS RENOVÁVEIS NA BAHIA
Programa de Energias Renováveis do
Tendo em vista esse conjunto de ações e em fun- Estado da Bahia
ção da maturidade alcançada pelo estado com rela-
ção ao tema energia, propõe-se um conjunto de • projeto de apoio tecnológico à co-geração
ações a seguir que obedecem à mesma seqüência de energia. Voltado para os setores produtivos
lógica verificada na ação federal. São elas: políticas estratégicos da economia baiana, a exemplo da
de fomento, de apoio à PD&I, de investimento e de indústria sucro-alcooleira (que é carente no de-
regulação. E a mesma sistemática de planejamento senvolvimento de alternativas de aproveitamento
adotada pelo governo estadual: Estratégia-Progra- integral da energia da cana-de-açúcar) e o setor
mas-Projetos. O objetivo é tornar a Bahia um dos de hotelaria com a energia solar.
estados líderes na pesquisa, produção e uso de fon- • projeto de formação de bosques energéticos.
tes de energias renováveis Para desenvolver tecnologias para aproveitamento
A estratégia fundamental que baliza a presente integral da biomassa florestal para fins energéti-
proposição possui dois componentes: cos e de tecnologias de alcance social para inser-
• Elaboração de uma política energética para o es- ção de comunidades de baixa renda na cadeia de
tado da Bahia 2007-2030, cujo foco central são as florestas energéticas.
energias renováveis, principalmente os biocom- • projeto biogás, com o objetivo de desenvolver es-
bustíveis; e tudos e desenvolver modelos de biodigestores;
• Criação de um aparato político-institucional (um Efetuar a modelagem em sistemas de produção de
Comitê Gestor da Política) formado pelas Secre- biogás; Desenvolver equipamentos para geração
tarias de Infra-estrutura, de Ciência, Tecnologia e de energia elétrica, movidos a biogás; Desenvolver
Inovação, de Agricultura, de Meio Ambiente e Re- sistemas de compressão e armazenamento e pro-
cursos Hídricos, além do apoio da FAPESB, atu- cessos de purificação de biogás, entre outros.
ando através de ações transversais que envolvem • projeto para aproveitamento de resíduos no
o apoio às atividades de CT&I, o fomento a inves- meio rural: Desenvolver tecnologias para o apro-
timentos em biomassa para agroenergia e ações veitamento energético de resíduos da produção
de regulação. agrícola, pecuária e florestal e da agroindústria e

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desenvolver tecnologias para a utilização de com- Bahia e perpassando várias Secretarias (exemplo
postos orgânicos resultantes da produção agro- do Cabra Forte), pois a área plantada está muito
pecuária na produção de agroenergia. abaixo do potencial agrícola do estado com apti-
• projeto energia solar: Apoiar novos estudos e dão para esta cultura.
projetos através de investimentos nos centros de • Criação de um Edital Temático no âmbito da
pesquisa, estimular a demanda do uso deste FAPESB específico para o Probiodiesel Bahia
tipo de energia e a nacionalização dos equipa- contemplando diversas áreas do conhecimento;
mentos, atração de empresas, financiamento de • Estruturação do território estadual em cinco (05)
projetos híbridos. macro regiões. O principal critério utilizado na de-
• projeto de energia eólica: Promover o desen- finição das mesmas é o estágio atual do grau de
volvimento da energia eólica através da implanta- integração dos diferentes elos da cadeia produtiva
ção de estudos e projetos, mapeamento do po- de biodiesel. A partir daí foram classificadas nas
tencial eólico da Bahia, financiamento de pesqui- seguintes categorias: Semi-estruturada; Deses-
sas, atração de empresas, desenvolvimento local truturada; Potencial e Especializada.
de equipamentos. Macro Região I - Oeste Baiano (Semi-estruturada
com forte vocação empresarial)
Programa Baiano de Biocombustíveis Macro Região II - Litoral Sul (Semi-estruturada
pro-etanol com presença empresarial articulada com a agricul-
tura familiar)
• Fomentar a atração e consolidação da indústria
Macro Região III - Região de Irecê, Piemonte
sucroalcooleira no estado da Bahia, principalmen-
da Diamantina e parte do Médio São (Semi-estru-
te para a produção de etanol, aproveitando as
turada)
grandes vantagens edafoclimáticas disponíveis no
Macro Região IV - Região Nordeste, Paraguaçu,
Baixio de Irecê, Juazeiro e Sul do Estado; Criação
Chapada Diamantina e Serra Geral (Potencial)
de programa de incentivo à formação de lavouras
Macro Região V - Região Metropolitana de Salva-
de cana-de-açúcar.
dor (Especializada)
probiodiesel Bahia
• Formalização no PPA do Probiodiesel Bahia CONCLUSÃO
como programa estratégico de Governo com re-
cursos próprios alocados no orçamento da SECTI Com base na análise realizada no presente texto,
e no orçamento de cada secretaria parceira do pôde-se observar a importância que o setor energéti-
programa (SEAGRI/SEINFRA/SECOMP/SECTI/ co tem para o desenvolvimento socioeconômico de
SEMARH/SICM); um país, estado ou região. As energias renováveis
• Criação do Comitê Gestor do Probiodiesel Bahia assumem um caráter estratégico, tendo em vista não
(Secretarias supracitadas e coordenação do Go- só o esgotamento futuro das energias de base fóssil,
vernador) através de Decreto Simples/Portaria mas, também, todas as implicações ambientais de-
pelo Governador com obrigação de elaboração de correntes do seu uso em escala industrial. Viu-se,
um plano de trabalho com definição de papéis, também, todas as ações implementadas no país e
recursos, metas; na Bahia na área energética.
• Implantação de uma política de fomento à atração Apesar dessas ações, verificou-se que ainda
de empresas com base no ICMS incidente sobre existem, tanto no âmbito federal quanto estadual,
o biodiesel que sai da usina para a refinaria ou dis- diversos pontos críticos para o pleno desenvolvi-
tribuidora de combustíveis (pode ser a partir de mento das energias renováveis. No caso da Bahia
uma revisão do DESENVOLVE); destacam-se:
• Criação do Programa de Arranjos Produtivos Lo- • Existência de um aparato institucional e de P&D
cais de Oleaginosas, no âmbito do Probiodiesel não amparado por uma política de fomento e regu-

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POLÕTICAS P BLICAS E ENERGIAS RENOV¡VEIS: PROPOSTAS DE A«’ES DE INDU«√O...

lação para as energias renováveis, especifica- DAHAB, Sônia S. TEIXEIRA, Francisco Lima C. Ciência, tecnolo-
gia e competitividade industrial: subsídios teóricos para análise
mente biocombustíveis.
da nova política industrial. 11p. mimeo.
• Ausência de um modelo de Governança consis-
tente para gerir as políticas de energia. DOSI, G. Technological paradigms and technological trajecto-
• Carência de Programas aderentes ao tema ener- ries: a suggested interpretation of the determinants and directi-
ons of technical change. Research Policy, London, 1982.
gias renováveis.
• Ausência de uma política de desenvolvimento re- HAGUENAUER, Lia. Competitividade: conceitos e medidas: uma
gional estruturada para setores específicos. resenha bibliográfica. Rio de Janeiro: UFRJ/IEI, 1989. 38 p. (Tex-
to para discussão).
A Bahia tem todos os requisitos necessários – ca-
pacidade agrícola, infra-estrutura e capacitação técni- ______. Estrutura industrial e mudança tecnológica: proble-
ca – para tornar-se uma grande força nacional na pro- mas teóricos. Rio de Janeiro: UFRJ/FEA, 1991. 39p. (Texto didá-
tico, n. 49).
dução e uso de energias renováveis, principalmente o
biodiesel. Além disso, o estado construiu um aparato HOOGWIJK, M, et al. A Review of Assessments on the Future of
sistêmico que a coloca como um dos principais atores Global Contribution of Biomass Energy. In: WORLD
CONFERENCE ON BIOMASS ENERGY AND INDUSTRY, 1, 2001,
da produção e inovação em bioenergia. Fundamenta-
Sevilla. James & James, London (in press).
do por uma política mais agressiva nesse setor, a
Bahia consolidará sua vocação natural. INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. World Energy Outlook. Pu-
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