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História - Estado Oligárquico Brasileiro

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Colégio e Curso Decisão

3º Ano História Porfº Afonso Anschau

O ESTADO OLIGARQUICO BRASILEIRO Oligarquias e Coronelismo – Conhecido também como: Primeira República, República Oligarquica, República do Coronéis, República da Espada, República do Café com Leite e República Velha O Coronelismo (poder local) no Brasil é símbolo de autoritarismo e impunidade. Suas práticas remontam do Caudilhismo (é o exercício do poder político caracterizado pelo agrupamento de uma comunidade em torno do caudilho. Em geral, caudilhos são lideranças políticas carismáticas ligadas a setores tradicionais da sociedade como militares e grandes fazendeiros e que baseiam seu poder no populismo) e do Caciquismo que provêm dos tempos da colonização do Brasil. Ganhou força na época do Primeiro Reinado, chegando ao final do século XIX tomando conta da cena política brasileira. Conjunto de ações políticas de latifundiários (chamados de coronéis) em caráter local, regional ou federal, onde se aplica o domínio econômico e social para a manipulação eleitoral em causa própria ou de particulares. Fenômeno social e político típico da República Velha, caracterizado pelo prestígio de um chefe político e por seu poder de mando. As raízes As raízes do Coronelismo provêm da tradição patriarcal brasileira e do arcaísmo da estrutura agropecuária no interior remoto do país. O coronelismo teve maior força a partir dos primeiros da república brasileira. Mas essa experiência faz parte de um processo de longa duração que envole aspectos culturais, econômicos, políticos e sociais do Brasil. "O conceito de Coronelismo surgiu com a obra modelo de Vitor Nunes Leal (1948), que deu origem a várias produções do gênero, consagrando o termo coronelismo no meio acadêmico. Para ele, o coronelismo apresenta-se como um aparelho político da Primeira República, que predomina em uma relação de ajustes entre os senhores donos de terras em declínio e o poder público cada vez mais forte. Onde os coronéis (chefes políticos) exerceram poder de modo distinto em seu domínio e que, depois da Revolução de 1930 suas práticas perduraram até os dias atuais, empregadas por grandes fazendeiros, comerciantes, religiosos, industriais e profissionais liberais, entre outros que dispunha de certa influência sobre as massas e apresentavam-se para estas uma autoridade indiscutível e parecendo, para este aparelho, em toda sua extensão como um dispositivo político fundamentado me um poder paralelo ao estado oficial e utilizado, por estes para seus fins e para se manterem frente aos seus cargos, através de um emaranhado de tramas de afinidades que começa do coronel até chegar ao presidente da República, por meio de compromissos recíprocos" (SILVA,2009). Quando foi criada a Guarda Nacional em 1831 pelo governo imperial, as milícias e ordenanças foram extintas e substituídas pela nova corporação. A Guarda

Nacional passou a defender a integridade do império e a Constituição. Como os quadros da corporação eram nomeados pelo governo central ou pelos presidentes de província, iniciou-se um longo processo de tráfico de influências e corrupção política. Como o Brasil se baseava estruturalmente em oligarquias, esses líderes, ou seja, os grandes latifundiários e oligarcas, começaram a financiar campanhas políticas de seus afilhados, e ao mesmo tempo ganhar o poder de comandar a Guarda Nacional. Devido a esta estrutura, a patente de coronel da Guarda Nacional, passou a ser equivalente a um título nobiliárquico, concedida de preferência aos grandes proprietários de terras. Desta forma conseguiram adquirir autoridade para impor a ordem sobre o povo e os escravos. acabou na base da impressa Apple A disseminação pelo Brasil e a falta de controle Devido ao seu território continental, portanto à falta de mecanismos de vigilância direta dos coronéis pelo poder central, e pela população pobre e ignorante, o Brasil passou a ser refém dos coronéis. Estes "personificaram a invasão particular da autoridade pública". O sistema criado pelo coronelismo passou a favorecer os grandes proprietários que iniciaram a invasão, a tomada de terras pela força e a expulsão do pequeno produtor rural, que passou a se transformar numa figura servil em nome dos novos senhores. Portanto, surgiu a figura do coronel sem cargo, qualificado pelo prestígio e pela capacidade de mobilização eleitoral. E este termo coronel vem da Guarda Nacional, para denominar os cargos mais importantes que pertenciam aos chefes locais mais destacados que ocupavam nela os postos superiores, no caso, de coronéis, acompanhados de majores e capitães. Esta foi abolida oficialmente logo após a proclamação da República, contudo persistiu a denominação de “coronel”, que deu origem ao vocábulo coronelismo que perpassou momentos distintos de todo século XX, sendo empregados a pessoas de posses como comerciantes, grandes proprietários rurais, chefes políticos locais entre outros que dispunham de influência sobre as massas e representava para estas autoridades incontestáveis. Nestas condições, serão analisados aqui alguns autores que tratam desta temática, verificando-se onde, período e como foi escrita cada obra que aqui será considerada, averiguando suas semelhanças e diferenças(Silva, Marcondes Alexandre 2009). O compadrio Começaram então a surgir as relações de compadrio, onde os elementos considerados inferiores e dependentes submetiam-se ao senhor da terra pela proteção e persuasão. Se por um acaso houvesse alguma resistência de alguma parcela dos apadrinhados, estes eram expulsos da fazenda, perseguidos e assassinados impunemente. Muitas vezes juntamente com toda a sua família para servir de exemplo aos outros afilhados. Primeira República Com a Proclamação da República do Brasil até o final da república velha, em 1930, o coronelismo se manteve em relativo equilíbrio.

Promulgada a primeira constituição republicana, adotouse um sistema eleitoral, onde o voto era aberto . Cada chefe político tinha, portanto, pleno controle sobre seus eleitores e, a rigor, a democracia era uma mera ficção. Após o governo Campos Sales houve uma coligação de poderes estaduais que favoreceu o pleno florescimento do coronelismo. O aumento da riqueza agrícola, e portanto do poder dos grandes latifundiários e oligarcas, propiciou sua chegada à esfera do poder central. Os chefes dos estados, passaram a ser os coronéis dos coronéis, os currais eleitorais se multiplicaram no país, a compra e troca de votos dos eleitores por favores e apadrinhamentos passou a ser prática comum nas grandes cidades agora, além da área rural A manutenção do poder, e a neutralização da oposição Qualquer coronel chefe de algum município que se opusesse a um coronel do estado, sofreria retaliações em forma de cortes de verbas para o município, que gerariam perda de votos e portanto, o líder caía em desgraça, isto é, opor-se ao governo do estado, implicava sérias privações para o chefe municipal e seus seguidores, principalmente no interior. Nos municípios mais ricos, com o aumento da cultura política da população, começou a haver uma certa oposição ao coronelismo. O problema porém, é que começaram a haver os coronéis de situação e os coronéis de oposição. Embora uma vitória eleitoral de um coronel de oposição, poderia ser considerada um fato raro, pois em caso de vitória deste, a máquina político-administrativa governamental trabalhava contra ele na política, no fisco, na justiça e na administração. O mecanismo era simples e eficiente, uma vez eleito, o opositor precisava de recursos, estes dificilmente viriam sem concessões. O coronelismo entre as décadas de 1930 a 1960 Entre a década de trinta e a década de sessenta, a população rural iniciou seu lento deslocamento para os centros urbanos. O acesso à educação e aos meios de comunicação fizeram a população aumentar seu nível cultural e portanto sua politização. O eleitor passou a ser mais crítico, e os poderosos então tiveram que mudar suas táticas de obtenção de votos. Começaram a surgir novos líderes, porém no interior o coronelismo continuava com sua força e os currais eleitorais ainda existiam. Ainda hoje, boa parcela da população interiorana é mantida ignorante e sem acesso à informação e à educação, principalmente nas grandes propriedades rurais mais distantes, no interior da Amazônia, onde aumentam as denúncias de escravidão. A influência dos meios de comunicação Com o surgimento de novos líderes e com o crescimento do uso dos meios de comunicação, estes começaram a se dirigir à população de forma cada vez mais concentrada nas grandes cidades que iniciavam seu longo inchaço em direção à favelização diminuindo o poder político dos coronéis. Na área rural porém através da pobreza e da dependência da população, surgiu um novo método de adquirir votos, o chamado voto de cabresto. Este propiciou o crescimento de um método de poder que já existia, porém no Brasil ganhou força juntamente com o coronelismo, era o caudilhismo.

O coronel-caudilho A diferença básica entre o coronel e o caudilho, é que o primeiro se impõe pela força e pelo medo, enquanto o segundo se impõe pelo carisma e pela liderança no sentido de salvador da pátria. Tanto um quanto outro se manifestaram no Brasil. Ambos eram fenômenos oriundos do meio rural, da ignorância e analfabetismo funcional do eleitor. Ambos eram sistemas onde a palavra de ordem eram ditadura e autoritarismo, muitas vezes através do terror. O início das liberdades democráticas Já no final da década de 80, o caudilhismo há muito deixou de ser um método de obtenção e manutenção do poder no Brasil pelos coronéis. Porém o coronelismo perdura nos municípios e regiões mais afastadas no interior, promovendo ainda assassinatos e terrorismo entre a população menos favorecida. Apesar disso, os mecanismos de proteção institucional começaram a se formar com a queda da ditadura militar que havia sido imposta ao País pelo golpe militar de 1964. Em 1988, com a promulgação da Constituição Cidadã, o brasileiro passou a ter reconhecida sua cidadania de forma mais plena. As denúncias de desmandos, corrupção, roubos e crimes de colarinho branco começaram a ser divulgadas pela mídia nacional e internacional. Os detentores do poder econômico, os grandes oligarcas ou coronéis tornaram-se figuras com uma nova roupagem - são os "caciques". Caciquismo O caciquismo também é oriundo da época do império, mas o método era utilizado por poucos líderes políticos até ser redescoberto no início da década de noventa. Uma vez que o fenômeno é bastante semelhante ao coronelismo e ao caudilhismo, o caciquismo difere na agressividade. O cacique político é o chefe político local de uma determinada comunidade, pode ser um deputado estadual, federal ou um senador. Seu domínio se espalha pelos currais eleitorais que estão a seu dispor. O traço principal do coronel-cacique é a chamada política clientelista, esta se dá através de concessão de favores e cargos públicos, chamados de cargos de confiança, ou cargos comissionados. O caciquismo, também se utiliza da chamada política de mão-no-ombro. Normalmente o cacique domina seu eleitorado da mesma forma que o caudilho, isto é pela emoção, mas detém o poder de controlar a quantidade de votos de determinada região da mesma forma que o coronelismo, só que desta vez o controle é por zona eleitoral, e não por área rural. Desta forma o cacique age cortando as verbas e trabalhos da máquina estatal para esta zona eleitoral, propiciando um enriquecimento, ou empobrecimento da região conforme sua necessidade de angariar poder. Igual ao coronel, o cacique age também sobre o processo eleitoral local, o que multiplica seu poder e o torna temido. A mudança de mentalidade Devido às novas variáveis que se impõe à realidade eleitoral brasileira, à mobilidade da população e à recomposição demográfica da sociedade, o coronelismo e seus sub-produtos, estão dia a dia diminuindo sua influência direta e arcaica.

Apesar do desaparecimento dos coronéis, podemos constatar que algumas de suas práticas se fazem presentes na cultura política do nosso país. A troca de favores entre chefes de partido e a compra de votos são dois claros exemplos de como o poder econômico e político ainda impedem a consolidação de princípios morais definidos nos processos eleitorais e na ação dos nossos representantes políticos.

Bases Econômicas: AGROEXPORTAÇÃO E INDÚSTRIA (1889-1930)
A Cafeicultura O problema da superprodução e a política de valorização do café A cafeicultura poderia estar em crise do Rio de Janeiro, mas em São Paulo a área plantada expandia-se, apesar do acordado no Convênio de Taubaté, que previa a taxação dos fazendeiros que ampliassem a área plantada. A primeira valorização do café, como sabemos, foi feita em 1906, durante o governo Afonso Pena (1906-1911) em função do Convênio de Taubaté. Com a retirada de Minas Gerais e Rio de Janeiro do acordo, São Paulo arca com a primeira valorização. A Primeira Guerra Mundial e a segunda valorização do café (1917) Na medida em que o conflito mundial desestruturou o mercado internacional, tornou-se difícil o escoamento do café. O esforço de guerra exigiu que os governos europeus emitissem moeda sem lastro ouro, o que pôs fim ao padrão-ouro, que estabelecia a paridade entre as moedas perante a libra. Tal fato dificulta o estabelecimento de preços internacionais. O mercado internacional sofre com isso grande retração, e o café acompanha a tendência. De modo a evitar mais perdas para os cafeicultores, procede-se à segunda valorização do café, em 1917, durante o governo Venceslau Brás (1914-1918). A crise de demanda em 1921 e a “valorização permanente” do café. Entre o período de 1921 a 1924, em função relativo retração do consumo de café em relação ao montante produzido, promove-se a terceira valorização do produto. Contudo, desta vez os cafeicultores pressionam o governo de Epitácio Pessoa (1919-1922) para que transforme a política de valorização em mecanismo permanente, e não meramente episódico ativado somente em caso de crise. Argumentando que o café “é o Brasil”, o governo paulista requer que o Governo Federal pague a conta das valorizações, agora permanentes. Mercado garantido para o café estimula expansão da produção Com rentabilidade garantida, dado o fato de o Governo Federal garantir a compra do café encalhado, os cafeicultores expandem a produção. Não estão preocupados com a situação do mercado mundial, na medida em que, em última instância, o governo garante a demanda. Contudo, a capacidade de estocagem era limitada, bem como o financiamento externo para mantê-la. Com a Crise de 1929 cessam os fluxos de capitais para o Brasil, bem como retrai-se além da habitual inelasticidade a demanda por café. Com isso, torna-se impossível a continuação da política de valorização, e o prejuízo recai sobre os cafeicultores.

Industrialização O complexo cafeeiro. Indústria ganha vulto entre 1886 e 1894, concentradas no Distrito Federal (RJ) e São Paulo. Nesta primeira etapa, a indústria faz parte do chamado “complexo cafeeiro”. Trata-se do conjunto de atividades econômicas agregadas à cafeicultura, e que a servem. Ferrovias, armazenagem, indústria de sacaria, indústria de ensacamento e torrefação, todas são atividades subsidiárias da cafeicultura. Assim, neste momento, se o café prospera no mercado internacional, também prospera a indústria, vista que é caudatária do desempenho cafeeiro. Além disso, apesar do governo federal indispor de uma política clara de apoio à indústria, as flutuações do câmbio e das tarifas de importação criavam em alguns momentos um contexto parcialmente protecionista, que auxiliava a indústria nacional. A Primeira Guerra Mundial e a indústria de bens de consumo Havia pressão de demanda por parte das massas de assalariados urbanos que emergem com a Abolição da Escravidão, e ao mesmo tempo, a estrutura industrial brasileira não está pronta para atender esta mesma demanda. Contudo, até o momento, esta pressão não era suficiente para desviar a massa de investimentos na indústria do complexo cafeeiro para os bens de consumo nãoduráveis. Assim, esta demanda por consumo era atendida por importações. Com a Primeira Guerra Mundial e a desestruturação do mercado internacional, tornou-se complicada a manutenção de transações comerciais internacionais. Além disso, a conversão da indústria civil européia para o esforço de guerra fez diminuir a oferta de bens manufaturados para o mercado brasileiro. Isto deixa espaço livre para que as indústrias nacionais ganhem terreno no mercado interno. Contudo, o surto industrial somente avança até 1917. Com a entrada dos Estados Unidos na guerra e a conversão de sua indústria para o esforço bélico, perdese um importante fornecedor de maquinas e equipamentos, importados justamente para expandir a indústria nacional. Sem a importação de maquinário, a indústria brasileira não pode mais se expandir, e o surto industrial cessa LUTAS SOCIAS NA 1ª REPÚBLICA: Movimentos Operários, Cangaço, Misticismo Messianismo (1889-1930) A partir da segunda metade do século XIX, quando se acentuou a contradição entre o escravismo que fenecia, e o modo de produção capitalista que nascia. Com o capitalismo, surgia também a classe operária, que dava então seus primeiros passos organizativos e contestatórios. O aparecimento do Partido Comunista do Brasil responde, em primeiro lugar, ao desenvolvimento e amadurecimento relativo da classe operária. Embora tivesse ainda uma consciência de classe embrionária e rudimentar, o proletariado brasileiro participou dos principais movimentos da época, e lutou pelo fim da escravidão e pela República. O fim da escravidão e o início da República criaram condições para o fortalecimento do capitalismo

industrial, moderno (e da burguesia industrial), embora sob o domínio da aliança entre a oligarquia latifundiária e mercantil e o capital estrangeiro, cuja presença se aprofundava no país. A classe operária cresceu nos grandes centros urbanos e, mesmo pequena, foi protagonista de confrontos notáveis contra o Estado oligárquico e contra a exploração capitalista. Em 1906, realizou o Congresso Operário Brasileiro que, sob influência anarco-sindicalista, criou a Confederação Operária Brasileira (COB). A greve daquele ano confirmou a influência libertária e, reprimida à bala pela polícia, assistiu às primeiras assembléias de massa em movimentos grevistas. O clímax da luta, naqueles anos, foi a grande greve de 1917, que marcou a estréia do operariado fabril na direção do proletariado e, pela primeira vez, teve um caráter claramente político; dirigida contra os patrões e também contra o Estado da oligarquia e da burguesia. Isso expôs o fracasso da orientação anarco-sindicalista frente às tarefas históricas que a nova etapa impunha: a organização política independente da classe operária; e o cumprimento de seu papel dirigente na luta revolucionária de todos os trabalhadores e forças progressistas da sociedade. O debate intenso entre a liderança proletária provocado por esse fracasso despertou a convicção da necessidade de superação daquele marco teórico (anarco-sindicalista) e organizativo, no momento em que o Partido Bolchevique e a Revolução Russa de 1917 indicavam, para muitos deles, o caminho a seguir. Esse foi outro fator decisivo – o aprendizado com a experiência internacional do proletariado. A Internacional Comunista foi criada em 1919 para inspirar em todo o mundo a organização de partidos comunistas. No Brasil, buscou contato com lideranças operárias de destaque e, em 1921, enviou um emissário – conhecido como “Cometa de Manchester” – que se encontrou com Astrojildo Pereira, a quem propôs a criação de um partido comunista no Brasil. Lutas sociais O início do século XX foi marcado, no Brasil pelo surgimento das lutas sociais do proletariado nascente. Liderado por trabalhadores urbanos, o Comitê de Defesa Proletária foi criado durante a greve geral de 1917. O Comitê reivindicava, entre outras coisas, a proibição do trabalho de menores de 14 anos e a abolição do trabalho noturno de mulheres e de menores de 18 anos. Em 1923, foi criado o Juizado de Menores, tendo Mello Mattos como o primeiro Juiz de Menores da América Latina. No ano de 1927, foi promulgado o primeiro documento legal para a população menor de 18 anos: o Código de Menores, que ficou popularmente conhecido como Código Mello Mattos. O Código de Menores era endereçado não a todas as crianças, mas apenas àquelas tidas como estando em "situação irregular" . O código definia, já em seu Artigo 1º, a quem a lei se aplicava: " O menor, de um ou outro sexo, abandonado ou delinqüente, que tiver menos de 18 anos de idade, será submetido pela autoridade competente ás medidas de

assistência e proteção contidas neste Código." (grafia original) Código de Menores - Decreto N. 17.943 A – de 12 de outubro de 1927 O Código de Menores visava estabelecer diretrizes claras para o trato da infância e juventude excluídas, regulamentando questões como trabalho infantil, tutela e pátrio poder, delinqüência e liberdade vigiada. O Código de Menores revestia a figura do juiz de grande poder, sendo que o destino de muitas crianças e adolescentes ficava a mercê do julgamento e da ética do juiz. Cangaço Movimento social do interior do Nordeste brasileiro, entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX. Caracteriza-se pela ação violenta de grupos armados de sertanejos – os cangaceiros – e pelos confrontos com o poder dos coronéis, da polícia, dos governos estadual e federal. Os cangaceiros percorrem os sertões do Nordeste, assaltam viajantes nas estradas, invadem propriedades, pilham os vilarejos e aterrorizam os povoados. Em grande parte derivam de antigos bandos de jagunços – tropas particulares de grandes proprietários – que passaram a atuar por conta própria. Desenvolvem táticas de ataque e despistamento, criam lideranças e até uma nova imagem, marcada pelo colorido vivo das roupas, pelos adereços de couro e por atos de coragem e bravura nos constantes embates com as volantes – pelotões da polícia enviados para sua perseguição. Cangaceiros – Consta que o primeiro cangaceiro teria sido o Cabeleira (José Gomes), líder sertanejo que atuou em Pernambuco no final do século XVIII. Mas é um século mais tarde que o cangaço ganha força e prestígio, principalmente com Antônio Silvino, Lampião e Corisco. Antônio Silvino (Manuel Batista de Morais) começa a atuar em Pernambuco em 1896, passando depois ao Rio Grande do Norte, onde é preso e condenado em 1918. Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), filho de um pequeno fazendeiro de Vila Bela, atual Serra Talhada, em Pernambuco, envolve-se em disputas de terras da família e, no início dos anos 20, embrenha-se no sertão à frente de um grupo de cangaceiros. Do Ceará até a Bahia, o bando de Lampião enfrenta os coronéis e as polícias estaduais; às vezes, também é chamado para combater os adversários do governo. Valente, de hábitos refinados e, desde 1930, acompanhado de Maria Bonita, Lampião – ou Capitão Virgulino – torna-se uma figura conhecida no país e até no exterior. Implacavelmente caçado, é encurralado e morto em seu refúgio de Angicos, uma fazenda na região do Raso da Catarina, na divisa entre Sergipe e Bahia, em 1938. Um de seus amigos mais íntimos, Corisco (Cristiano Gomes da Silva), o Diabo Louro, prossegue na luta contra as forças policiais da Bahia para vingar a morte do Rei do Cangaço, morrendo em tiroteio com uma volante em 1940. O cangaço chega ao fim.

Lenda popular – Apesar do banditismo espalhado pelo sertão afora e do temor levado às pessoas mais pobres dos vilarejos, o cangaço vira lenda no Nordeste e em todo o país. Nele, ao lado da atividade criminosa, manifesta-se forte reação social aos poderosos, coronéis e autoridades em geral, responsáveis pela pobreza e pelo abandono das comunidades sertanejas. Cangaço e misticismo são temas genuinamente ligados às coisas nordestinas, ao sertão. O homem sertanejo que viveu no final do século XIX e início do século XX conviveu sobremaneira com místicos e cangaceiros. Produtos da mesma cultura, vítimas de igual opressão. A fome e a miséria, que aumentavam com as secas, faziam com que se manifestassem dois tipos de reação: a formação de grupos de cangaceiros com armas nas mãos, assaltando fazendas, saqueando comboios, cidades e vilas; e seitas de místicos, geralmente em torno de um beato ou conselheiro, para implorar dádivas aos céus e pedir perdão pelos pecados. O fanático, em geral, era um homem que aprendeu a respeitar os santos, temer a Deus, praticar a virtude, ser justo, portanto não era um alienado, como alguns possam vir a pensar. Paulo Dantas em seu prefácio para a segunda edição do livro “Lampião” de Ranulfo Prata, diz com bastante propriedade: “Os beatos pertencem ao chamado folclore mágico, já os cangaceiros ao folclore heróico”. O sertanejo vê no cangaceiro o anseio de justiça contra o poder político e as ordens dos coronéis. O cangaço acaba sendo uma forma de vingança. Lampião mata, depreda, incendeia, mas depois de alguns momentos reza, tira terço, ajoelha-se ao raiar do dia e ao final da tarde. A religiosidade arcaica do sertanejo é proporcional a sua valentia. O místico anda ao lado com o cangaço. Não podemos falar em misticismo sem citar Padre Ibiapina, Antonio Conselheiro, beato José Lourenço e padre Cícero, (para citarmos os mais importantes), todos cearenses, exceto José Lourenço, nascido nas Alagoas. Porém o acontecimento místico que talvez esteja mais ligado a nós, principalmente pelo legado que nos deixou, seja o do venerável padre Cícero Romão Batista, ao qual daremos destaque. Cearense nascido no Crato ordenou-se no seminário da Prainha, em Fortaleza no Ceará. Voltando a seu torrão natal, instalou-se em um povoado chamado Juazeiro, até então distrito do Crato. Naquela ocasião Juazeiro era um pequeno arruado com algumas poucas choupanas e uma pequenina capela. No ano de 1889, na primeira sexta feira de março, a beata Maria de Araújo caiu em transe ao receber a hóstia das mãos do padre Cícero, fato repetido várias vezes. É dito também que as hóstias sangraram. A noticia se espalha, não só no Cariri, mas em todo sertão nordestino. Multidões acorrem a Juazeiro para presenciar o milagre. A Igreja interpreta a situação como uma ameaça a seu poder. Anos depois o padre é acusado de acoitar cangaceiros. Uma das maiores polêmicas envolvendo o famoso reverendo do Juazeiro se deu no ano de 1926. Em maio daquele ano, Lampião e seu bando adentraram ao Juazeiro. O convite havia partido do Dr. Floro

Bartolomeu da Costa, médico baiano radicado em Juazeiro e uma espécie de braço político do Padre Cícero. O motivo seria que Lampião e seu grupo dessem combate a Coluna Prestes. Para tal, Lampião receberia uma patente de Capitão do Batalhão Patriótico. O Dr. Floro Bartolomeu é acometido de doença grave e é levado ao Rio de Janeiro, vindo a falecer. O padre recebe o cangaceiro, e para outorgar as patentes prometidas, de forma até bizarra, convoca o Sr. Pedro Albuquerque Uchoa, único funcionário público federal do lugar, e manda redigir e assinar as patentes de capitão para Virgulino e de tenentes para Sabino Gomes, seu braço direito, e Antonio Ferreira, seu irmão. Pedro Albuquerque, depois chamado para se justificar no comando Militar do Recife, teria dito que naquela hora, com aquelas feras a seu lado assinaria até a deposição do presidente Arthur Bernardes, quanto mais uma patente de capitão para Lampião. O padre Cícero iria ainda viver muitos anos, aumentando seu prestígio perante a população carente do nordeste. Quando de sua morte em 1934, Juazeiro já havia crescido muito, continuando a crescer depois dela, sempre na sombra daquele reverendo tão amado pelo povo humilde do sertão. Pediu para que os romeiros não deixassem de vir ao Juazeiro, mesmo depois de sua morte, e a prova está aí, hoje Juazeiro do Norte é uma das cidades brasileiras mais procuradas, quando o assunto é romaria. Durante a perseguição que sofreu de alguns setores da Igreja, após os pretensos milagres, profetizou: “Chegará o tempo em que a própria Igreja vai me defender”, e esse tempo já chegou, como vimos a poucos dias uma comissão de clérigos, autoridades e políticos, dentre eles o governador do Ceará, foi ao vaticano reivindicar a reabilitação do padre Cícero. Cangaceiros e beatos são as duas faces da mesma moeda, habitantes de um sertão carente de tudo, principalmente de justiça. Com armas nas mãos, os cangaceiros. Com terços, os beatos. Cada um a sua maneira lutava contra as intempéries sofridas, contra secas periódicas que arrastavam consigo a miséria e a fome, além dos poderosos coronéis com suas leis impostas através da força e do trabuco. Como forma de resistência tinha duas opções: lutar, tornando-se um cangaceiro, ou ainda orar por dias melhores tornando-se um beato, conselheiro ou simples seguidor de um deles. O Messianismo Considera-se como movimento messiânico, aquele que é comandado por um líder espiritual, um "messias", que a partir de suas pregações religiosas passa a arregimentar um grande número de fiéis, numa nova forma de organização popular, que foge as regras tradicionais e por isso é vista como uma ameaça a ordem constituída. Esses movimentos tiveram importância em diversas regiões do país; no interior da Bahia, liderado pelo Conselheiro, em Juazeiro do Ceará, liderado pelo Padre Cícero, no interior de Santa Catarina e Paraná, liderado pelo beato João Maria e novamente no Ceará, sob comando do beato José Lourenço; somente foi possível devido a algumas condições objetivas como a

concentração fundiária, a miséria dos camponeses e a prática do coronelismo, e por condições subjetivas como a forte religiosidade popular e a ignorância. Os grandes grupos sociais que acreditaram nos messias e os seguiram, procuravam satisfazer suas necessidades espirituais e ao mesmo tempo materiais. Conflito no Ceará A Guerra que tomou conta do Ceará entre dezembro de 1913 e março do ano seguinte refletiu a situação da política interna do país, caracterizada pela disputa das oligarquias pelo poder. A vida política brasileira era marcada pelo predomínio de poucas famílias no comando dos estados; as oligarquias utilizavam-se da prática do coronelismo para manter o poder político e econômico. No início de 1912, a "Política de Salvações" do presidente Hermes da Fonseca atingiu o Ceará. A prática intervencionista acompanhada de um discurso moralizador serviu para derrubar a governador Nogueira Acciolly, representante das oligarquias tradicionais do estado, em especial da região do Cariri, no poder a quase 25 anos. Em abril do mesmo ano, foi eleito o coronel Franco Rabelo como novo governador do Ceará, representando os grupos intervencionistas e os interesses dos comerciantes. Rabelo procurou diminuir a interferência do governo federal no estado e demitiu o prefeito de Juazeiro do Norte, o Padre Cícero. O conflito envolveu, de um lado, o novo governador eleito, Franco Rabelo e as tropas legalistas, e de outro as tropas de jagunços comandadas por Floro Bartolomeu, apoiadas pelo padre Cícero e pelos coronéis da região do Cariri, contando ainda com o apoio do senador Pinheiro Machado (RS), desde a capital. O movimento armado iniciou-se em 9 de dezembro de 1913, quando os jagunços invadiram o quartel da força pública e tomaram as armas. Nos dias que se seguiram à população da cidade organizou-se e armou-se, construindo uma grande vala ao redor da cidade, como forma de evitar uma possível invasão. A reação do governo federal demorou alguns dias, com o deslocamento de tropas da capital, que se somariam aos soldados legalistas no Crato. Apesar de estarem em maior número e melhor armados, não conheciam a região e nem as posições dos jagunços e por isso a primeira investida em direção a Juazeiro foi um grande fracasso, responsável por abater os ânimos dos soldados. Os reforços demoraram a chega e as condições do tempo dificultaram as ações para um segundo ataque, realizado somente em 22 de janeiro e que não teve melhor sorte do que o anterior. Com novo fracasso, parte das tropas se retirou da região, possibilitando que os jagunços e remeiros invadissem e saqueassem as cidades da região, a começar pelo Crato, completamente desguarnecida. Os

saques tinham por objetivo obter armas e alimentos e foram caracterizados por grande violência. A última investida legalista ocorreu em fevereiro sob o comando de José da Penha, que acabou morto em combate. A partir de então, Floro Bartolomeu começa a organizar uma grande tropa de jagunços com o objetivo de ocupar a capital Fortaleza. Durante os primeiros dias de março, os jagunços ocuparam diversas cidades e as estradas do interior e se aproximavam da capital, forçando Franco Rabelo à renúncia no dia 14 de março. Dessa maneira terminava a Política das Salvações e a família Acciolly retomava o poder. Floro Bartolomeu foi eleito deputado estadual e posteriormente deputado federal. A influência política do Padre Cícero mantevese forte até o final da República Velha.

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