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Ludwig van Beethoven

Ludwig van Beethoven (Bonn, batizado em 17 de dezembro de 1770 — Viena, 26 de


março de 1827) foi um compositor erudito alemão, do período de transição entre o
Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). É considerado um dos
pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem,
como do conteúdo musical demonstrado nas suas obras, permanecendo como um dos
compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos. “O resumo de
sua obra é a liberdade,” observou o crítico alemão Paul Bekker (1882-1937), “a
liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de
credo e a liberdade individual em todos os aspectos da vida.”

Família

Beethoven foi batizado em 17 de Dezembro de 1770, tendo nascido presumivelmente


no dia anterior, na Renânia do Norte (Alemanha). Sua família era de origem
flamenga, cujo sobrenome significava horta de beterrabas e no qual a partícula van
não indicava nobreza alguma[1]. Seu avô, Lodewijk van Beethoven - também
chamado Luís na tradução -, de quem herdou o nome, nasceu na Antuérpia, em 1712,
e emigrou para Bonn, onde foi maestro de capela do príncipe eleitor. Descendia de
artistas, pintores e escultores, era músico e foi nomeado regente da Capela
Arquiepiscopal na corte da cidade de Colónia. Na mesma capela, seu filho, o pai de
Ludwig, era tenor e também leccionava. Foi dele que Beethoven recebeu as suas
primeiras lições de música, o qual o pretendeu afirmar como menino prodígio ao
piano, tal seria a facilidade demonstrada desde muito cedo para tal. Por isso o
obrigava a estudar música todos os dias, durante muitas horas, desde os cinco anos de
idade. No entanto, seu pai terminou consumido pelo álcool, pelo que a sua infância se
manifestou como infeliz, por isso.

Sua mãe, Maria Magdalena Kewerich (1746-1787), era filha do chefe de cozinha do
príncipe da Renânia, Johann Heinrich Keverich. Casou-se duas vezes. O primeiro
marido foi Johann Leym (1733-1765). Tiveram apenas um filho, Johann Peter Anton,
que nasceu e morreu em 1764. Depois da morte do marido, Magdalena, viúva, casou-
se com Johann van Beethoven (1740-1792). Tiveram sete filhos: o primeiro, Ludwig
Maria, que nasceu e morreu no ano de 1769; o segundo Ludwig van Beethoven
(1770-1827), o compositor, que morreu com 56 anos; o terceiro, Kaspar Anton Carl
van Beethoven (1774-1815) que também tinha dotes para a música e que morreu com
41 anos; o quarto, Nicolaus Johann van Beethoven (1776-1848), que se tornou muito
rico, graças à indústria farmacêutica, e que morreu com 72 anos; a quinta, Anna
Maria, que nasceu e morreu em 1779; o sexto, Franz Georg (1781-1783), que morreu
com dois anos de idade e a sétima, Maria Magdalena (1786-1787), que morreu com
apenas um ano de idade. Portanto, Beethoven – que foi o terceiro filho da sua mãe e o
segundo do seu pai – teve sete irmãos, cinco dos quais morreram na infância. Quanto
aos irmãos vivos, Beethoven foi o primeiro, Kaspar foi o segundo e Nicolaus o
terceiro.

Início de Carreira
Conde Waldstein

Ludwig nunca teve estudos muito aprofundados, mas sempre revelou um talento
excepcional para a música. Com apenas oito anos de idade, foi confiado a Christian
Gottlob Neefe (1748-1798), o melhor mestre de cravo da cidade[2], que lhe deu uma
formação musical sistemática, e lhe deu a conhecer os grandes mestres alemães da
música. Numa carta publicada em 1780, pela mão de seu mestre, afirmava que seu
discípulo, de dez anos, dominava todo o repertório de Johann Sebastian Bach, e que o
apresentava como um segundo Mozart. Compôs as suas primeiras peças aos onze
anos de idade, iniciando a sua carreira de compositor, de onde se destacam alguns
Lieder. Os seus progressos foram de tal forma notáveis que, em 1784, já era organista-
assistente da Capela Eleitoral, e pouco tempo depois, foi violoncelista na orquestra da
corte e professor, assumindo já a chefia da família, devido à doença do pai -
alcoolismo. Foi neste ano que conheceu um jovem Conde de Waldstein, a quem mais
tarde dedicou algumas das suas obras, pela sua amizade. Este, percebendo o seu
grande talento, enviou-o, em 1787, para Viena, a fim de ir estudar com Joseph Haydn.
O Arquiduque de Áustria, Maximiliano, subsidiou então os seus estudos. No entanto,
teve que regressar pouco tempo depois, assistindo à morte de sua mãe. A partir daí,
Ludwig, com apenas dezessete anos de idade, teve que lutar contra dificuldades
financeiras, já que seu pai tinha perdido o emprego, devido ao seu já elevado grau de
alcoolismo.
Maximiliano, Arquiduque de Áustria

Foi o regresso de Viena que o motivou a um curso de literatura. Foi aí que teve o seu
primeiro contacto com Ideais da Revolução Francesa, com o Iluminismo e com um
movimento literário romântico: Sturm und Drang - Tempestade e Ímpeto/Paixão[3];
dos quais, um dos seus melhores amigos, Friedrich Schiller, foi, juntamente com
Johann Wolfgang von Goethe, dos líderes mais proeminentes deste movimento, que
teria uma enorme influência em todos os sectores culturais na Alemanha.
Em 1792, já com 21 anos de idade, muda-se para Viena onde, afora algumas viagens,
permanecerá para o resto da vida. Foi imediatamente aceito como aluno por Joseph
Haydn, o qual manteve o contacto à primeira estadia de Ludwig na cidade. Procura
então complementar mais os seus estudos, o que o leva a ter aulas com Antonio
Salieri, com Foerster e Albrechtsberger, que era maestro de capela na Catedral de
Santo Estêvão. Tornou-se então um pianista virtuoso, cultivando admiradores, os
quais muitos da aristocracia. Começou então a publicar as suas obras (1793-1795). O
seu Opus 1 é uma colecção de 3 Trios para Piano, Violino e Violoncelo. Afirmando
uma sólida reputação como pianista, compôs suas primeiras obras-primas: as Três
Sonatas para Piano Op.2 (1794-1795). Estas mostravam já a sua forte personalidade.
[editar] Surdez em Viena
Beethoven em 1803

Foi em Viena que lhe surgiram os primeiros sintomas da sua grande tragédia. Foi-lhe
diagnosticado, por volta de 1796, tinha Ludwig os seus 26 anos de idade, a congestão
dos centros auditivos internos, o que lhe transtornou bastante o espírito, levando-o a
isolar-se e a grandes depressões.

Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos


enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu
coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento
de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas acções; porém considerai
que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela
ignorância dos médicos.

— Ludwig van Beethoven, in Testamento de Heilingenstadt, a 6 de Outubro de 1802

Consultou vários médicos, inclusive o médico da corte de Viena. Fez curativos,


realizou balneoterapia, usou cornetas acústicas, mudou de ares; mas os seus ouvidos
permaneciam arrolhados. Desesperado, entrou em profunda crise depressiva e pensou
em suicidar-se.
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Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma


pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este
meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém
percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um
pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco
faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a
arte me amparou!
— Ludwig van Beethoven, in Testamento de Heilingenstadt, a 6 de Outubro
de 1802
Beethoven, por Joseph Mähler

Embora tenha feito muitas tentativas para se tratar, durante os anos seguintes, a
doença continuou a progredir e, aos 46 anos de idade (1816), estava praticamente
surdo. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Ludwig jamais perdeu a audição
por completo, muito embora nos seus últimos anos de vida a tivesse perdido,
condições que não o impediram de acompanhar uma apresentação musical ou de
perceber nuances timbrísticas.
[editar] O Gênio

No entanto, o seu verdadeiro génio só foi realmente revisado com a publicação das
suas Op. 7 e Op. 10, entre 1796 e 1798: a sua Quarta Sonata para Piano em Mib
Maior, e as suas Quinta em Dó Menor, Sexta em Fá Maior e Sétima em Ré Maior
Sonatas para Piano.
Testamento de Heilingenstadt

Em 2 de Abril de 1800, a sua Sinfonia nº1 em Dó maior, Op. 21 faz a sua estreia em
Viena. Porém, no ano seguinte, confessa aos amigos que não está satisfeito com o que
tinha composto até então, e que tinha decidido seguir um novo caminho. Em 1802,
escreve o seu testamento, mais tarde revisto como O Testamento de Heilingenstadt,
por ter sido escrito na localidade austríaca de Heilingenstadt, então subúrbio de Viena,
dirigido aos seus dois irmãos vivos: Kaspar Anton Carl van Beethoven (1774-1815) e
Nicolaus Johann van Beethoven (1776-1848).

Finalmente, entre 1802 e 1804, começa a trilhar aquele novo caminho que ambiciona,
com a apresentação de Sinfonia nº3 em Mi bemol Maior, Op.55, intitulada de Eróica.
Uma obra sem precedentes na história da música sinfônica, considerada o início do
período Romântico, na Música Erudita. Os anos seguintes à Eroica foram de
extraordinária fertilidade criativa, e viram surgir numerosas obras-primas: a Sonata
para Piano nº 21 em Dó maior, Op.53, intitulada de Waldstein, entre 1803 e 1804); a
Sonata para Piano nº 23 em Fá menor, Op.57, intitulada de Appassionata, entre 1804 e
1805; o Concerto para Piano nº 4 em Sol Maior, Op.58, em 1806; os Três Quartetos
de Cordas, Op.59, intitulados de Razumovsky, em 1806; a Sinfonia nº 4 em Si bemol
Maior, Op.60, também em 1806; o Concerto para Violino em Ré Maior, Op.61, entre
1806 e 1807; a Sinfonia nº 5 em Dó Menor, Op.67, entre 1807 e 1808; a Sinfonia nº 6
em Fá maior, Op.68, intitulada de Pastoral, também entre 1807 e 1808; a Ópera
Fidelio, Op.72, cuja versão definitiva data de 1814; e o Concerto para Piano nº 5 em
Mi bemol Maior, Op.73, intitulado de Imperador, em 1809.

Ludwig escreveu ainda uma Abertura, música destinada a ilustrar uma peça teatral,
uma tragédia em cinco actos de Goethe: Egmont. E muito se conta do encontro entre
Johann Wolfgang von Goethe e Ludwig van Beethoven.
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"Uma criatura completamente indomável."

Beethoven em 1815

Depois de 1812, a surdez progressiva aliada à perda das esperanças matrimoniais e


problemas com a custódia do sobrinho levaram-o a uma crise criativa, que faria com
que durante esses anos ele escrevesse poucas obras importantes.

Neste espaço de tempo, escreve a Sinfonia nº 7 em Lá Maior, Op.92, entre 1811 e


1812, a Sinfonia nº 8 em Fá Maior, Op.93, em 1812, e o Quarteto em Fá Menor,
Op.95, intitulado de Serioso, em 1810.
A partir de 1818, Ludwig, aparentemente recuperado, passou a compor mais
lentamente, mas com um vigor renovado. Surgem então algumas de suas maiores
obras: a Sonata nº 29 em Si bemol Maior, Op.106, intitulada de Hammerklavier, entre
1817 e 1818; a Sonata nº 30 em Mi Maior, Op.109 (1820); a Sonata nº 31 em Lá
bemol Maior, Op.110 (1820-1821); a Sonata nº 32 em Dó Menor, Op.111 (1820-
1822); as Variações Diabelli, Op.120 (1819.1823), a Missa Solemnis, Op.123 (1818-
1822).
[editar] Derradeiros Anos

A culminância destes anos foi a Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op.125 (1822-1824),


para muitos a sua maior obra-prima. Pela primeira vez é inserido um coral num
movimento de uma sinfonia. O texto é uma adaptação do poema de Friedrich Schiller,
"Ode à Alegria", feita pelo próprio Ludwig van Beethoven.
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Alegria bebem todos os seres


No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até à morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!

— parte do verso da Ode à Alegria, de Friedrich Schiller, utilizado por Ludwig van
Beethoven.

A obra de Beethoven refletiu em um avivamento cultural. Conforme o historiador


Paul Johnson, “Existia uma nova fé e Beethoven era o seu profeta. Não foi por
acidente que, aproximadamente na mesma época, as novas casas de espetáculo
recebiam fachadas parecidas com as dos templos, exaltando assim o status moral e
cultural da sinfonia e da música de câmara.”

Os anos finais de Ludwig foram dedicados quase exclusivamente à composição de


Quartetos para Cordas. Foi nesse meio que ele produziu algumas de suas mais
profundas e visionárias obras, como o Quarteto em Mi bemol Maior, Op.127 (1822-
1825); o Quarteto em Si bemol Maior, Op.130 (1825-1826); o Quarteto em Dó
sustenido Menor, Op.131 (1826); o Quarteto em Lá Menor, Op.132 (1825); a Grande
Fuga, Op.133 (1825), que na época criou bastante indignação, pela sua realidade
praticamente abstrata; e o Quarteto em Fá Maior, Op.135 (1826).

De 1816 até 1827, ano da sua morte, ainda conseguiu compor cerca de 44 obras
musicais. Sua influência na história da música foi imensa. Ao morrer, a 26 de Março
de 1827, estava a trabalhar numa nova sinfonia, assim como projectava escrever um
Requiem. Conta-se que cerca de dez mil pessoas compareceram no seu funeral, entre
elas Franz Schubert. Faleceu de cirrose hepática, após contrair pneumonia[5].

A sua vida artística poderá ser dividida - o que é tradicionalmente aceite desde o
estudo, publicado em 1854, de Wilhelm von Lenz - em três fases: a mudança para
Viena, em 1792, quando alcança a fama de brilhantíssimo improvisador ao piano; por
volta de 1794, se inicia a redução da sua acuidade auditiva, facto que o leva a pensar
em suicídio; os últimos dez anos de sua vida, quando fica praticamente surdo, e passa
a escrever obras de carácter mais abstracto.

Em 1801, Beethoven afirma não estar satisfeito com o que compôs até então,
decidindo tomar um "novo caminho". Dois anos depois, em 1803, surge o grande
fruto desse "novo caminho": a sinfonia nº3 em Mi bemol Maior, apelidada de
"Eroica", cuja dedicatória a Napoleão Bonaparte foi retirada com alguma polémica. A
sinfonia Eroica era duas vezes mais longa que qualquer sinfonia escrita até então.

Em 1808, surge a Sinfonia nº5 em Dó menor (sua tonalidade preferida), cujo famoso
tema da abertura foi considerado por muitos como uma evidência da sua loucura.

Em 1814, na segunda fase, Beethoven já era reconhecido como o maior compositor


do século.[carece de fontes?]

Em 1824, surge a Sinfonia nº9 em Ré Menor. Pela primeira vez na história da música,
é inserido um coral numa sinfonia, inserida a voz humana como exaltação dionisíaca
da fraternidade universal, com o apelo à aliança entre as artes irmãs: a poesia e a
música.

Beethoven começou a compor música como nunca antes se houvera ouvido. A partir
de Beethoven a música nunca mais foi a mesma[carece de fontes?]. As suas
composições eram criadas sem a preocupação em respeitar regras que, até então, eram
seguidas. Considerado um poeta-músico, foi o primeiro romântico apaixonado pelo
lirismo dramático e pela liberdade de expressão. Foi sempre condicionado pelo
equilíbrio, pelo amor à natureza e pelos grandes ideais humanitários[carece de
fontes?]. Inaugura, portanto, a tradição de compositor livre, que escreve música para
si, sem estar vinculado a um príncipe ou a um nobre. Hoje em dia muitos críticos o
consideram como o maior compositor do século XIX, a quem se deve a inauguração
do período Romântico, enquanto que outros o distinguem como um dos poucos
homens que merecem a adjectivação de "génio".