ÍNDICE

1 - DELINEAMENTOS UNI-FACTORIAIS ................................................................2 1.1 - DELINEAMENTO COMPLETAMENTE ALEATÓRIO.........................2 1.2 - DELINEAMENTO EM BLOCOS COMPLETOS ALEATÓRIOS ..........4 1.3 - DELINEAMENTO EM QUADRADO LATINO ......................................7 2 - DELINEAMENTOS MULTI-FACTORIAIS...........................................................10 2.1 - DELINEAMENTO BI-FACTORIAL EM BLOCOS COMPLETOS ALEATÓRIOS ...........................................................................10 2.2 - DELINEAMENTO EM BLOCOS SUB-DIVIDIDOS (SPLIT-PLOT).....11 BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................14

isto é. este delineamento deverá utilizar-se em situações em que as diversas unidades experimentais são homogéneas. A distribuição das repetições dos vários tratamentos pelas diversas unidades experimentais é feita totalmente ao acaso. isto é. Nos ensaios de campo. etc). Além disso. podendo eventualmente ser diferentes de tratamento para tratamento (muito embora. fertilidade do solo. a parcela do erro experimental ou residual engloba variação que não é apenas a variação casual admitida dentro de uma mesma amostra. exposição. mas devida também ao conjunto de todos os factores ambientais (tipo de solo. mas que na realidade podem ocasionar variabilidade. pois toda a variação é atribuída aos tratamentos ou ao erro experimental. para o mesmo número de tratamentos em ensaio.DELINEAMENTO COMPLETAMENTE ALEATÓRIO O delineamento completamente aleatório utiliza-se quando se pretende distribuir de um modo completamente casual ou aleatório os tratamentos pelas diversas unidades experimentais. isto é. deverá recorrer-se a um processo de aleatorização. Quaisquer diferenças ocorridas entre as diversas repetições do mesmo tratamento são consideradas como devidas ao acaso. e na facilidade de interpretação dos resultados (assumindo que sejam correctos). animais. este delineamento não é muito usual em situações de ensaios de campo ou onde é pressuposto que as unidades experimentais não são rigorosamente homogéneas. drenagem. e que cada tratamento tenha qualquer número de repetições. tende a aumentar a estatística F (razão entre a variância atribuída ao efeito tratamento e a variância residual ou erro experimental). Assim. Outra vantagem inerente ao delineamento completamente aleatório é que. existe sempre alguma variabilidade ambiental impossível de controlar. podendo detectar mais facilmente a existência de diferenças significativas entre os tratamentos. pois a existência de diferentes números de repetições entre os tratamentos pode ser uma causa de variabilidade dos resultados). sempre que possível. etc) que não se incluiram no delineamento experimental. constituindo na sua totalidade a parcela designada por erro experimental ou variação residual. tais como ensaios laboratoriais em as condições ambientais são facilmente controláveis. A maior vantagem deste delineamento reside na sua implantação nas unidades experimentais (talhões de terreno. Por isso. e que vai de algum modo afectar os resultados do ensaio. ou assumidas como tal. todos os tratamentos devam ter o mesmo número de repetições. Para garantir a aleatoridade da distribuição das unidades experimentais. permite que o ensaio contenha qualquer número de tratamentos (ou modalidades do mesmo factor). maximiza o número de graus de liberdade atribuídos à estimativa do erro experimental. que deverão ser totalmente homogéneas. 2 .1- DELINEAMENTOS UNI-FACTORIAIS 1. Assim.1 . este delineamento é caracterizado pela sua grande flexibilidade. por muito idênticas que sejam as diversas unidades experimentais.

de modo que hajam R (no caso. sem a intervenção da vontade do experimentador. o delineamento completamente aleatório é o mais eficaz. o experimentador deverá abster-se completamente de. é pressuposto que estas unidades experimentais (no caso. tal como o resultado de lançamento de dados. a carta retirada de um baralho. Noutros tipos de delineamento. há que recorrer a metodologias estatísticas a fim de ultrapassar essas falhas (missing data). .. não querendo fixar estes métodos como sendo os únicos válidos. De seguida há que atribuir a cada uma das unidades experimentais um determinado tratamento. 20. Isto é. 3. Esta atribuição deve ser feita de modo completamente aleatório. que exigem o mesmo número de repetições por tratamento. e corresponde ao número de talhões de terreno ou de animais necessários para proceder ao ensaio em causa. O número total de unidades experimentais é N = T x R. a) Método dos cartões 3 . conscientemente.uma regra que atribua um determinado tratamento a uma determinada unidade experimental de um modo completamente ao acaso ou aleatório. Par tal. de modo que possam ser consideradas todas iguais. O que se pretende reafirmar é que a atribuição dos tratamentos às unidades experimentais deve ser feito de um modo completamente aleatório. O exemplo é sufiicentemente genérico para se poder traduzir num ensaio prático de cariz agrícola (implantação no terreno de um ensaio de experimentação de 4 níveis de adubação azotada) ou de caríz pecuário (distribuição dos animais num ensaio de experimentação de 4 tipos de suplementação proteica na alimentação animal). um número retirado ao acaso de tabela de números aleatórios. em situações de falhas de algumas unidades experimentais. Em situações em que as características do ensaio façam prever a existência de muitas falhas nas repetições dos tratamentos. R=5) repetições para cada tratamento. Identifiquem-se como sendo as unidades 1. poder estar a atribuir determinado tratamento às unidades experimentais. Cada uma destas unidades experimentais deve ser numerada para identificação.. N=20) devem ser suficientemente homogéneas. já que se assume que as unidades experimentais não são rigorosamente homogéneas. T4). pois a não exigência a priori do mesmo número de repetições por tratamento. este aspecto está desde já assegurado no delineamento completamente aleatório Exemplo da implantação do ensaio De seguida exemplifica-se como se pode dispor um ensaio em que se pretendem comparar T = 4 tratamentos (designemo-los genericamente como T1. em ensaios de germinação ou de enraizamento. permite ultrapassar as falhas (ou inexistência de resultados) para algumas repetições.. em que é frequente haver alguns tratamentos que conduzem a taxas nulas de germinação ou enraízamento). T2. ou mesmo a supressão completa de alguns tratamentos (por exemplo. ilustraremos com dois métodos aleatórios que podem ser usados numa situação deste género. cada um com R = 5 repetições. T3. Como previamente foi dito. 2. 19.

recolhem-se os dados e procede-se à análise de variância a fim de decidir se existem ou não diferenças significativas entre as médias dos diferentes tratamentos ou modalidades do ensaio. etc. Repete-se sucessivamente o passo iv) até atribuir um tratamento a cada uma das N unidades experimentais. misturando bem. suponhase que saiu o número 7. sendo R (no caso. Assim. e de um modo completamente aleatório e alheio à vontade do experimentador. misturando-se bem. Este delineamento em blocos completos aleatórios ou casualizados é especialmente apropriado para ensaios de campo em que o número de tratamentos não é grande. De um baralho de cartas. procede-se a um teste de comparações múltiplas a fim de decidir entre quais tratamentos existem as diferenças significativas. Numeram-se 5 cartões com o tratamento T1. N=20) unidades experimentais. fazem-se tantos cartões quantas as repetições. b) i) ii) iiii) iv) v) Após a conclusão da parte experimental do ensaio. A carta não é recolocada. sendo as restantes baralhadas. Retira-se uma destas cartas. e metem-se numa caixa. Retira-se um cartão de identificação dos tratamentos. T1=ouros. segundo vários autores. Repete-se o passo iii) até esgotar todos os cartões. e são metidos numa caixa.2 . 4 . T3=paus. Isto é. a cada uma das N unidades experimentais foi atribuido um tratamento. e as unidades experimentais estão sujeitas a uma evidente variabilidade de produtividade ou de outros factores alheios ao delineamento em causa. 1. Retira-se ao acaso um cartão de identificação da unidade experimental. Estas N cartas são baralhadas. Caso a anova indique a existência de diferenças significativas. para cada tratamento. Os cartões são dobrados de modo a impossibilitar a identificação. 1984). quando o ensaio envolve apenas um factor (GOMEZ & GOMEZ. Fixa-se uma correspondência entre os naipes e os tratamentos. Por exemplo. Assim. O tratamento que identificar será atribuído à unidade experimental 1. T2=copas. Método das cartas Identificam-se as N (no caso.DELINEAMENTO EM BLOCOS COMPLETOS ALEATÓRIOS Este delinaemento é. R=5) de cada naipe. Estes cartões são dobrados de modo a impossibilitar a sua identificação. N=20) cartas. T4=Espadas. tiram-se N (no caso. à unidade experimental identificada com o número 7 vai ser atribuido o tratamento T1. um dos mais frequentemente utilizados em investigação agrária.i) ii) iii) iv) Numeram-se N (no caso. N=20) cartões com as identificações das unidades experimentais. Imagine-se que saiu um cartão com a identificação T1. 5 cartões com o tratamento T2.

em que estas não são todas da mesma idade. esta parcela deverá ser dividida em blocos ao longo dessa dimensão. Isto é conseguido agrupando as unidades experimentais em blocos tal que a variação entre as diversas unidades incluídas no mesmo bloco é minimizada. é mais fácil decidir qual a disposição e tamanho dos blocos. cada um dos diferentes locais (explorações) ou dos diferentes anos. O objectivo principal do agrupamento das unidades experimentais em blocos é reduzir o erro experimental pela eliminação de causas conhecidas de variação (se estas se distribuem segundo um gradiente ou padrão conhecido). há que decidir previamente: 5 . Assim. Este delineamento permite estimar a variabilidade dentro dos blocos e eliminá-la da parcela da variabilidade designada por erro experimental. É também o caso de um ensaio agrícola em que. ou devido a condicionantes diversas. ou em anos distintos. e que constituem um gradiente ou evolução tendencial numa determinada direcção). São constituídos tantos blocos quantas as repetições que se pretendem efectuar para cada tratamento. o ensaio é para ser executado em mais do que um local (por exemplo. as unidades experimentais são agrupadas em blocos. cada um destes blocos será posteriormente subdividido em tantos talhões quantos os tratamentos. Isto é. Em cada um destes blocos existirá uma repetição de cada um dos tratamentos em ensaio. No delineamento em blocos completos aleatórios ou casualizados. resulta que cada um destes blocos conterá todos os tratamentos. pelas características da cultura em ensaio. devem agrupar-se as ovelhas em blocos ou grupos. ou com o mesmo progenitor macho. o delinemaneto por blocos é mais efectiva quando existe um padrão ou gradiente conhecido de variabilidade. em cada um dos blocos existirá uma repetição de cada um dos tratamentos. constituirá um bloco. onde existirão todos os tratamentos. em várias explorações). num ensaio envolvendo ovelhas (que são as unidades experimentais). já que na análise de variância a estatística F é a razão entre a variância devida aos tratamentos e a variância residual ou erro experimental.Por exemplo. de modo a que no interior de cada bloco as unidades experimentais sejam tão homogéneas quanto possível. Já que o erro experimental ou variação residual é constituída pela variabilidade dentro de cada um dos blocos. aumentando assim o rigor da decisão estatística. No delineamento em blocos completos aleatórios ou casualizados. Deste modo. No caso de um ensaio envolvendo uma determinada cultura agrícola a experimentar em diversas modalidades ou tratamentos num terreno cujas características produtivas têm uma distribuição de evolução segundo uma das dimensões (por exemplo o comprimento) da parcela onde se irá implantar o ensaio. e a variabilidade entre as unidades experimentais incluídas em blocos distintos é maximizada. Conhecendo este padrão ou gradiente. em que cada um destes blocos inclui todas as ovelhas da mesma idade. estima-se a variabilidade ocasionada por uma causa externa ao ensaio e elimina-se do erro experimental. ou se têm diferentes progenitores machos (poderiam citar-se muitas outras características não uniformes nas ovelhas em ensaio. utilizando a metodologia do delineamento em blocos completos aleatórios.

direcções predominantes do vento ou da incidência de ataques de pragas. Cada um dos blocos é dividido transversalmente em talhões. ou preferencialmente fazer o delineamento segundo o quadrado latino. progenitores diferentes. drenagem. se o gradiente de variação é o declive do solo. então o critério de constituição dos blocos será a homogneidade de idades. a textura. mas mais forte segundo uma das direcções. e proceder como na situação anterior. exposição ao sol. e presumivelmente aceite como uma causa alheia ao ensaio mas que pode influenciar os resultados. ensaios envolvendo animais de idades diferentes. ou em explorações distintas. os blocos serão constituídos segundo as curvas de nível. ou com progenitores distintos. Os blocos constituem assim as diversas repetições. cada um dos blocos conterá uma repetição de cada um dos tratamentos. no delineamento em blocos completos aleatórios ou casualizados. ou os animais da mesma exploração. se o gradiente é segundo duas direcções. devem constituir-se blocos compridos e estreitos. em características tais como o declive. e que terão de ser suplantadas por metodologias estatísticas 6 . a disposição e tamanho dos blocos devem ser decididos de modo a maximizar a variabilidade entre os blocos e a minimizar a variabilidade no interior de cada bloco. São exemplos destas causas: • • • • heterogeneidade do solo. explorações diferentes. em que o maior comprimento do bloco é perpendicular à direcção do gradiente. Cada um destes blocos será dividido transversalmente em tantos talhões quantos os tratamentos do ensaio. existe um padrão nítido de variação de uma determinada causa em determinada direcção do terreno). ii) Qual a a disposição e o tamanho dos blocos. fertilidade. se o gradiente de variabilidade são situações tais como a existência de animais com idades diferentes. e igualmente forte segundo cada uma das direcções. deve ignorar-se simplesmente o gradiente menos intenso. Como já atrás de referiu. a necessidade de efectuar o ensaio em diversos locais da mesma exploração. etc. todos os tratamentos têm o mesmo número de repetições (aparte de eventuiais falhas de algumas das unidades experimentais. Por exemplo. os mesmos progenitores. então deverão usar-se blocos com a forma quadrada. Após identificada a causa específica de variabilidade a ser usada como base na constituição dos blocos.i) Qual a causa de variabilidade que está sujeita a um padrão ou gradiente conhecido. factores estes que existem no solo. A causa de variabilidade usada como base na definição dos blocos é por vezes facilmente identificável. proximidade de lençóis freáticos. isto que dizer que cada um dos blocos terá tantas unidades experimentais quantos os tratamentos em análise. De seguida apresentam-se algumas idéias base que podem servir de pistas a esta distribuição das unidades experimentais pelos blocos: • • • • em situações de ensaios de campo em que o gradiente de variabilidade é unidireccional (isto é. e que não estão a ser contemplados como o factor de produção em análise. Assim. se o gradiente é segundo duas direcções bem conhecidas.

e outro agrupamento em blocos segundo o outro dos gradientes (blocos-coluna).3 . ensaios laboratoriais repetidos ao longo do tempo. De seguida apresentam-se algumas situações de utilização do delineamento em quadrado latino: • • • • ensaios de campo em que na área de terreno onde se irá implantar o ensaio existem dois gradientes evidentes de variabilidade das características do solo. Para tal. em cada um dos blocos deverá proceder-se a um método aleatório de atribuição de tratamentos à unidades experimentais. os descritos para o delineamento completamente aleatório) que garanta a isenção do experimentador. genericamente designados pelos blocos-linha e blocos-coluna. mas em que existem tantas repetições quantos os tratamentos. Este delineamento permite estimar a variabilidade ao dentro dos blocos-linha e a variabilidade dentro dos blocos-coluna. Pode usar-se qualquer método estatístico (por exemplo. de causas estranhas ao ensaio. em que as diferenças entre as unidades experimentais utilizadas num mesmo instante e as diferenças entre as unidades experimentais utilizadas em instantes diferentes são as duas causas externas de variabilidade. Para tal faz-se um agrupamento em blocos seguindo um dos padrões ou gradientes (designados por blocos-linha).cuja abordagem não cabe no âmbito deste curso). ensaios em que se utilizam animais de diferentes idades (um dos gradientes) e de diferentes progenitores (outro dos gradientes). cuja variabilidade se pretende eliminar do erro experimental. aumentando assim o rigor da decisão estatística.missing data . e eliminá-la da parcela da variabilidade designada por erro experimental.referentes a situações de falta de dados . assim. em cada linha e em cada coluna existem todos os tratamentos. 1. O quadrado latino é o delineamento típico numa situação em que existem dois gradientes ou padrões simultâneos e da mesma intensidade. a casualização (isto é. Isto é.DELINEAMENTO EM QUADRADO LATINO O delineamento em quadrado latino é uma extensão do delineamento em blocos completos aleatórios ou casualizados. já que na análise de variância a estatística F é a razão entre a variância devida aos tratamentos e a variância residual ou erro experimental. a distribuição ao acaso dos tratamentos pelas unidades experimentais) terá de fazer-se dentro de cada um dos blocos. resulta que o número de blocos-linha é igual ao número de blocos-coluna. 7 . resultando de dois critérios simultâneos de agrupamento em blocos. Como cada um dos blocos recebe todos os tratamentos. Como em cada um dos blocos devem existir todos os tratamentos. de onde resulta que o número de repetições é igual ao número de tratamentos. ensaios repetidos ao longo de vários anos ou ao longo de vários períodos de tempo (tantos quantos os tratamentos). utilizando a metodologia do quadrado latino conseguem-se estimar as variabilidades ocasionadas por duas causas externas ao ensaio e eliminá-las do erro experimental.

necessitam-se para cada tratamento de 8 repetições. no facto de o delineamento pressupor tantas repetições quantos os tratamentos. o experimentador deverá. desde que a identificação das unidades experimentais seja feita aleatoriamente. B. coluna a coluna (ou linha a linha). Em anexo apresentam-se alguns dos possíveis esquemas de implantação de delineamentos experimentais em quadrado latino. A aleatorização da distribuição dos tratamentos pelas unidades experimentais está a priori garantida.O maior óbice à utilização do delineamento em quadrado latino reside precisamente no mesmo aspecto em que se baseia a sua maior vantagem. por exemplo. o experimentador pode "baralhar" ainda mais o esquema anterior. impossibilitando a análise estatística. Repare-se que. resultariam apenas dois graus de liberdade para o erro experimental. E) existem em todas as linhas e em todas as colunas. o que obriga a dispor de 64 unidades experimentais. eliminando as faces 8 . Pretendendo aleatorizar ainda mais tal distribuição. usando. o delinamento em quadrado latino só se utiliza quando o número de tratamentos é igual ou superior a quatro e igual ou inferior a oito. sabendo o número de tratamentos. isto é. D. a tabela de implantação em anexo é a seguinte: A B C D E B A E C D C D A E B D E B A C E C D B A Repare-se que todos tratamentos (genericamente identificados como A. Poderia utilizar-se este esquema a fim de atribuir. necessitar-se-iam de 81 unidades experimentais) cujo acompanhamento e recolha de informação não é de modo algum fácil. pode aleatorizar a posição de cada uma das linhas. ter-se-iam apenas duas repetições. Por exemplo. de onde resultariam 0 (zero) graus de liberdade para o erro experimental. sabendo que todos os tratamentos se repetem quer nos blocos-linha quer nos blocos-coluna. Assim. reproduzidos de COCHRAN & COX (1957) e de GOMEZ & GOMES (1984). pode ainda aleatoriza-se a distribuição das linhas ou das colunas do modelo seleccionado. o que ocasionaria uma fraca fiabilidade na estimativa da variância do erro experimental. na prática. seleccionar um dos esquemas de implantação. se o ensaio tivesse apenas dois tratamentos. (com 9 tratamentos. os tratamentos a cada uma das 25 unidades experimentais. Por outro lado. Num ensaio em que se testam 8 diferentes modalidades ou tratamentos. o lançamento de um dado. cada um com 5 repetições). para um ensaio em quadrado latino de 5 x 5 (5 tratamentos. Com três tratamentos e três repetições por tratamento. A fim de implantar um ensaio em delineamento em quadrado latino. Por exemplo. é fácil construir tabelas para todos os possíveis esquemas de implantação. C. A fim de garantir a total isenção do experimentador.

Esta constatação é a maior crítica aos delineamentos uni-factorias. E) às unidades experimentais (identificadas por 1. utilizando esta ordem para aleatorizar as linhas do esquema. B.repetidas. a 2ª linha será a 2ª linha anterior. 2. ainda se pode aleatorizar a ordem das colunas por um processo semelhante. Por exemplo. . a 1ª linha do esquema será constituída pela 5ª linha do esquema anterior. em que se estuda apenas o efeito de um determinado factor considerado a actuar isoladamente. admita-se que o lançamento de um dado... obtém-se a seguinte distribuição (isto é. D. podendo a resposta do organismo a um determinado factor ser influenciada por outros factores. 3. 2- DELINEAMENTOS MULTI-FACTORIAIS Os organismos biológicos estão expostos simultaneamente a muitos factores de crescimento. a 3ª linha será a 1º linha anterior. 25) seria: 1D 6E 11 C 16 A 21 B 2A 7D 12 E 17 B 22 C 3B 8C 13 D 18 E 23 A 4C 9A 14 B 19 D 24 E 5E 10 B 15 A 20 C 25 D Repare-se que cada um dos tratamentos continua a existir em cada uma das linhas e em cada uma das colunas. Mas este estudo pressupõe que todos os outos factores sejam mantidos 9 . garantindo a isenção do experimentador. eliminando as faces repetidas e a face 6 (já que existem apenas 5 tratamentos) dá a seguinte ordem de saída: Ordem Face 1 5 2 2 3 1 4 3 5 4 Então. 24. Admita-se que se obtém o seguinte esquema: D E C A B A D E B C B C D E A C A B D E E B A C D Assim.. etc) : E B A C D C A B D E D E C A B B C D E A A D E B C Querendo. C. e o processo foi totalmente casualizado. a atribuição dos tratamentos (identificados por A.

tantos quantas as repetições a efectuar por cada um dos tratamentos. 2. podendo alterar ou inclusivamente contrariar os resultados presumíveis quando em presença de um só factor. Claro que a existência de vários factores vai ocasionar que se percam de vista alguns objectivos particulares de um único factor. A cada uma destas unidades experimentais será atribuido aleatoriamente (por um processo aleatório semelhante aos descritos previamente) um tratamento (ou nível) do factor A e um tratamento (ou nível) do factor B. 10 . os resultados obtidos numa determinada cultura quando sujeita (admitindo uniformidade de todos os outros factores de crescimento) a diversos níveis de adubação azotada. Por exemplo. interessa muitas vezes não estudar apenas os efeitos de vários níveis de um só factor. podem ser diferentes dos resultados dessa mesma cultura sujeita a diversos níveis de adubação azotada e em simultâneo a diversos níveis de adubação fosfatada.rigorosamente uniformes em todas as unidades experimentais. Assim. um nível de um factor pode aumentar as performances conseguidas por um nível de outro factor. É do conhecimento geral que as vantagens de um determinado factor de produção podem ser inibidas ou mesmo contrariadas pelo facto de outros factores de produção passarem a ser limitativos. Quando diversos factores de produção afectam simultâneamente os resultados de um determinado organismo biológico. Em cada um dos blocos existem Ta x Tb unidades experimentais. além dos efeitos de cada um níveis (ou tratamentos) de cada um dos factores. e vai ocasionar a existência de um muito maior número de unidades experimentais em estudo. mas estudar simultaneamente diversos factores a interagirem em simultâneo. pode acontecer que haja interacção dos factores entre si. ou pode diminuí-la). De seguida apresentar-se-ão dois dos mais usuais delineamentos experimentais que permitem o estudo conjunto de dois factores de produção em simultâneo (ditos delineamentos bi-factoriais).1 .DELINEAMENTO BI-FACTORIAL COMPLETOS ALEATÓRIOS EM BLOCOS Seja Ta o número de tratamentos do factor A e Tb o número de tratamentos do factor B. isto é. considerado a actuar só por si e a definir os resultados. o que não é fácil de conseguir. há que ter em conta a interacção dos níveis de um dos factores com os níveis dos outros factores (interacção essa que pode ser positiva ou negativa. Numa situação deste género. em que existem vários blocos. O delineamento bi-factorial Ta x Tb em blocos completos aleatórios consiste num delineamento semelhante ao delineamento uni-factorial em blocos completos aleatórios.

Cada um dos blocos consiste numa repetição de cada um dos tratamentos de ambos os factores. necessitar-se-ão de N = Ta x Tb x R unidades experimentais. tornando difícil a completa aleatorização de todas as possíveis combinações de todos os tratamentos de ambos os factores. De seguida apresenta-se um exemplo teórico de um delineamento bi-factorial (3 x 5). V3. Dentro de cada bloco a atribuição das unidades estatísticas aos tratamentos foi feita aleatoriamente. Os 3 tratamnentos do factor V designam-se por V1. N1. N4. com 4 repetições. Cada bloco consiste numa repetição. usado quando o número de tratamentos dos dois factores é demasiado grande. Consiste num delineamento em que se constituem tantos blocos quantas as repetições que se pretendem efectuar (tal como no modelo anterior). Cada um destes sub-lotes é por sua vez sub-dividido em tantos talhões (designados por lotes secundários) quantos os tratamentos do factor secundário. Planeando efectuar R repetições. 11 . Um dos factores (geralmente o que tem maior número de tratamentos) é designado por factor principal e o outro por factor secundário. em blocos completos aleatórios. N2. V3N2 V3N0 V2N4 V2N3 V1N3 V1N0 V1N1 V2N2 V2N0 V1N2 V1N3 V3N0 V2N1 V1N3 V3N1 V3N3 V3N2 V3N4 V3N0 V1N2 V3N2 V2N2 V3N1 V2N1 V1N4 V3N4 V2N0 V1N1 V1N2 V2N2 V1N0 V1N3 V2N1 V2N4 V1N4 V3N2 V1N1 V1N2 V1N0 V2N0 V1N4 V3N1 V3N1 V2N4 V2N3 V1N0 V1N1 V3N3 V2N3 V3N3 V2N2 V2N1 V2N4 V3N0 V1N4 V3N4 V3N3 V2N0 V2N3 V3N4 Repetição 1 Repetição 2 Repetição 3 Repetição 4 2. os 5 tratamentos do factor N designam-se por N0. N3. Cada um dos lotes ou repetições é dividido em tantos sub-lotes quantos os tratamentos do factor principal (designados por lotes principais). V2.DELINEAMENTO EM BLOCOS SUB-DIVIDIDOS (SPLIT-PLOT) O delineamento em blocos sub-divididos (split-plot) é uma variação do delineamento bi-factorial em blocos completos.2 .

...... ... .... Talhão 2 .... V2. Talhão Tb . . N2..... Veja-se o esquema em que se apresentam as repetições (blocos) divididos em lotes ou blocos principais (tantos quantos os tratamentos do factor principal.. Bloco principal Ta Repetição 1 .... . Talhão 2 Talhão 2 Talhão 2 . N5) e 4 tratamentos do factor secundário (designados por V1. . . ..... .. . ... Talhão 1 Talhão 2 Talhão 2 Talhão 2 .. Talhão Tb Talhão Tb Talhão Tb ... Talhão 1 Talhão 1 Talhão 1 . Bloco principal Ta .... V4)....... Repetição R Cada um dos lotes ou blocos principais em cada um dos tratamentos é sub-dividido em tantos talhões (ou blocos secundários) quantos os tratamentos do factor secundário (genericamente designados por Tb): Talhão 1 Talhão 1 Talhão 1 . . . .. .. Bloco principal 1 Bloco principal 2 Bloco principal 3 .... .. Talhão 1 . .. . .... com três repetições: N4V4 N3V3 N1V3 N0V4 N5V1 N2V4 N4V3 N3V2 N1V4 N0V1 N5V2 N2V1 N4V1 N3V4 N1V2 N0V3 N5V3 N2V2 N4V2 N3V1 N1V1 N0V2 N5V4 N2V3 Repetição 1 12 ... Talhão 2 . é feita uma distribuição aleatória de cada um dos tratamentos do factor principal por cada um dos lotes ou blocos principais... ... . V3. Talhão Tb Repetição 1 . genericamente desgnados por Ta): Bloco principal 1 Bloco principal 2 Bloco principal 3 . . .... ..... N1. ......Em cada um dos blocos ou repetições.. . Repetição R De seguida apresenta-se um delineamento em split-plot de um ensaio bi-factorial com 6 tratamentos do factor principal (designados por N0..... é feita uma distribuição aleatória de cada um dos tratamentos do factor secundário por cada um dos blocos secundários.. . dentro de cada lote principal... Talhão Tb Talhão Tb Talhão Tb .... N3.. .. N4.... ...

em cada repetição. Isto é. cada lote do factor principal é sub-dividido (em inglês. 13 . "split") em tantos talhões (lotes secundários) quantos os tratamentos do factor secundário.Repetição 2 N1V4 N0V3 N5V2 N2V3 N4V3 N3V1 N0V3 N1V2 N4V1 N5V4 N3V1 N2V3 N1V2 N0V2 N5V1 N2V4 N4V2 N3V4 N0V1 N1V1 N4V4 N5V2 N3V4 N2V2 N1V3 N0V1 N5V4 N2V2 N4V4 N3V2 N0V2 N1V4 N4V2 N5V3 N3V3 N2V4 N1V1 N0V4 N5V3 N2V1 N4V1 N3V3 N0V4 N1V3 N4V3 N5V1 N3V2 N2V1 Repetição 3 Repare-se que o que distingue este delineamento do delineamento bi-factorial em blocos completos aleatórios é que no split-plot em cada "linha" de cada uma das repetições mantém-se constante o tratamento do factor principal.

COCHRAN. (1994). (1957). Colecção Nova Agricultura. Ed. New York. & McLEAN. & COX. Statistics and Experimental Design. New York. INC. Design of Experiments. CLARKE. A Estatística Aplicada à Experimentação Agrícola. CARVALHO. INC. ROBERT A.BIBLIOGRAFIA ANDERSON. INC. G. R. ARTURO A. (1988). VIRGIL L. (1984). W. JOHN WILEY & SONS. A Realistic Approach. MRCEL DEKKER. 14 . Experimental Designs. INC. JOHN WILEY & SONS. AFRONTAMENTO. & GOMEZ. Statistical Procedures for Agricultural Research. GOMEZ. (1974). KWANCHAI A. G. New York. M. GEOFFREY M. JOHN WILEY & SONS. New York. An Introduction for Biologists & Biochemists. Porto. MÁRIO J.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful