ROBERT

K. MERTON

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SOCIOLOGIA
TEORIA E ESTRUTURA

Tradução de
MIGUEL MAILLET

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EDITôRA MESTRE
SÃO PAULO

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ESTRUTURA SOCIAL

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TÉ HÁ POUCO TEMPO - e outrora muito mais -, podia-se falar de uzfta acentuada tendência nas teorias psicológicas e sociológicas, de atri-iC) '1 ;l;)\.\ buir o funcionamento defeituoso das estruturas sociais às falhas do con-L \ , trôle social sôbre os imperiosos impulsos biológicos do homem. A íma.,'.' iv,:,; gem das relações entre o homem e a sociedade insinuada por esta dou- =c/é trina é bastante clara mas é muito questionável. No comêço, existem os . impulsos biológicos do homem, os quais procuram expressão total. Surge depois a ordem social, essencialmente um aparelhamento para o manejo dos impulsos, para o processamento social das tensões para a "renúncia às satisfações dos instintos", nas palavras de Freu.d.. .!D.º-Q.g!Ql:omísmocom as exigências de uma ..~:strutura social é assim·admitido._QQillQ '" ests,º-º,º--,-3,Ea.!g-ª.clQ:Qª J.1ªt~r~:z-ªº!,.iEi!:lªI. 1 São os impulsos biologicamente enraizados que de vez em quando irrompem através do contrôle social. E implicitamente, a conformidade é o resultado de um cálculo utilitário, ou de um condicionamento não racional. Com o recente avanço da ciência social, êste conjunto de concepções sofreu modificação básica. Um dos fatôres observados é que j!i, não oRa}':o~Q~tã_o.._ólJ'yi-º.qtl~ohomem seja colocado contra. a _ªº~*dade,r.tuma.gt,leJ,'ra incessante entre o impulso. biológico e as restrições sociais. A imagem do homem como um indomado feixe de impulsos li: parecer mais uma caricatura do que um retrato. Por outro lado, as perspectivas sociológicas têm contribuído cada vez mais à análise do comportamento que se desvia das normas prescritas, pois qualquer que seja o papel dos impulsos biológicos, ainda permanece de pé a questão de se saber por que

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Ver, por exemplo, S. Freud, Civilizalion and Its Discontents (passim e esp. pág. 63); Ernest Jones, Social Aspects of Psychoanalysis (Londres, 1924), 28. Se a noção freudiana é uma variedade da doutrina do "pecado original", então a Interpretação oferecida neste estudo é uma doutrina do "pecado socialmente derivado".

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Robert K. M erton. SOCiologia Teoria e Estrutura

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2 freqüência do comportamento desviado varia dentro de estruturas sociais diferentes, e por que sucede que os desvios têm diferentes formas e moldes em estruturas diferentes. Hoje, como outrora, temos muito que aprender sôbre os processos pelos quais as estruturas sociais geram as circunstâncias em que a infração dos códigos sociais constitui uma reação "normal" (isto é, qus pode ser esperaríaj.a Êste capítulo constitui uma tentativa de esclarecimento do problema.

l: truturas

A estrutura erigida neste ensaio pretende proporcionar um enfoque sistemático da análise das fontes sociais e culturais de comportamento transviado. Nosso objetivo principal é descobrir como é que algumas essociais exercem uma pressão definida sôbre certas pessoas da o para que sigam conduta conformista. não conformista, ao invés de trilharem

' I sociedsuie,
[caminho

Se pudermos localizar grupos peCUliarmente sujei. tos- a tais pressões, deveremos esperar encontrar proporções moderada. mente elevadas de comportamento desviado em tais grupos, não porque os seres humanos, nêles compreendidos, sejam compostos de tendências biológicas diferentes, mas porque êles estão reagindo normalmente à si. tuação social na qual se encontram. liQ.s.sªQ~rspectiva. é socio16gÍ9a. Olhamos as variações nas proporções do comportamento desviado, e não i à sua incidência. 3 Se nossa indagação fôr bem sucedida, algumas formas ! de comportamento desviado serão encontradas como sendo psicológica[mente normais, e a equação do desvio e da anormalidade psicológica [serã posta em dúvida.

PADRóES DE METAS CULTURAIS E NORMAS INSTITUCIONAIS
Entre os diversos elemento" das estruturas sociais e culturais, dois são de imediata importância. São analiticamente separáveis embora se
'~. "Normal" no sentido da reação a determinadas condições sociais, psicologicamente esperadz, se não cuIturalmen te s,provada. Esta afirmação, evidentemente, não nega o papel das diferenças biológicas e de personalidade, na fixação da incidência do comportamento desviado. Simplesmente, êste não é o problema aqui considerado. E, no mesmo sentido, assim o considero, que ~ª--rç.§ª.__ §, J~J.ªI.1t ü/2. da "reação normal de pessoas normais a condições anormais". Ver sua PersonaÜty and the Cultural Pattern (Nova Iorque, 1937)~ 248. 3. A posição aqui tomada tem sido lucidamente descrita por Edward Sapir. " ... os proble. mas da ciência social diferem dos problemas do comportamento individu::;J em grau de especificidade, e não de classe. Cada afirmação a respeto de comportamento que dirija n ênfase, explíclts, ou implicitamente, sôbre as experiências atuais e integrais de pessoas definidas ou tipos de perso.nalidades, constitui um dado de psicologia ou de psiquíatrta, não de ciência sociaã. Cada afirmação a respeito de comportamento que pretende não estudar o indivíduo ou indivíduos em si mesmos, ou tratar do comportamento esperado de um tipo de indivíduo física e psicolõgicamente definido, mas que prescinde de tal ',comportamento a fim de pôr em claro relêvo certas expectativas em relação aos aspectos de comportamento individual que vátias pessoas compartilham como norma interpessoal ou 'social', constitui um dado, embora cruamente expresso, de ciência social", Nesta obra escolhi a segunda perspectiva; embora eu venha a ter ocasão de falar de .&tt! tudes, valôres e funções, será do ponto de vista de como a estrutura social estimul •• ou inibe sua aparição, em tipos especírícos de situações. Ver Saplr, "Why cultural anthropology needs the psychiatnst", Psychíatry, 1938, I, 7.12.

misturem em situações concretas. 10 primeiro consiste em QbJetivos C11.1tMr[tlm~nt!Lg.efinldºli, de propósitos e ínterêsses, mantidoscQmoobJeti, YºS... J~gíUWºSP.ªIª ..tºdo§, ou para membros diversamente localizados da sociedade. Os objetivos são mais ou menos integrados - o grau de integração é uma questão de fato empírico - e aproximadamente ordenados em alguma hierarquia de valôres. Envolvendo vários graus de sentímento e de significação, os objetivos predominantes compreendem uma arma/;,ão de referência aspiracional , São coisas "que valem o esfôrço". São um componente básico, embora não exclusivo, do que .J:4!l:t!211- denominou "desígnios para a vida "do grupo". E embora alguns, não todos, de tais objetivos culturais sejam diretamente relacionados aos impulsos bíológícos do homem, não são por êles determinados. ]I Um segundo elemento .da,. estrutura cUlt11ralciefine,. reg11Ia e controla as rnoqosaceitáveis de alcançar êsses objetivos. Cada grupo social, ínvariàvelmente, liga seus objetivos culturais a regulamentos, enraizados nos costumes ou nas instituições, de procedimentos permissíveis para a procura de tais objetivos. EstasI1ormasr~g1l1[tdoras não são necessàríamente idênticas às normas técnicas ou de eficiência. Muitos procedimentos que do ponto de vista de indivíduos isolados seriam os mais eficientes na obtenção dos valôres desejados - o exercício da fôrça, da fraude, do poder - estão excluídos da área institucional da conduta permitida. Por vêzes, os procedimentos desabonados incluem algo que seria eficiente para o grupo em si mesmo, por exemplo, os tabus históricos contra .a vivissecção, ou a respeito das experiências médicas, ou a análise sociológica das normas "sagradas" - desde que o critério de aceítabilidado não é a efi· ciência técnica, mas sim os sentimentos carregados de valôres (apóiados pela maior parte dos membros do grupo, ou por aquêles capazes de promover tais sentimentos através do uso simultâneo do poder e da propaganda). Em todos os casos,.fI, escoíha jíos exp~clieI1tes para se esforçar na obtenção dos objetivos. culturais é limitada pelas normas instituo _ciQU.aliz;aQa.s. Os sociólogos falam freqüentemente de tais contrôles como estando "nos costumes", ou operando através das instituições sociais. Tais afirmações elipticamente são bastante verdadeiras, porém obscurecem o fato de que as práticas culturalmente 'padronizadas não são tôdas de uma só peça. São sujeitas a uma larga gama de contrôles. Êstes podem representar padrões de comportamento prescritos em forma definida ou preferencial, ou permissiva, ou proibida. Na avaliação do funcionamento dos contrôles sociais, estas variações aproximadamente indicadas pelos têrmos prescrição, preferência, permissão e proibição devem ser naturalrnente levadas em conta. Outrossím, dizer que os objetivos culturais e normas ínstítucíonalízadas funcionam ao mesmo tempo para modelar práticas em vigor, não significa que elas exercem uma relação constante umas sôbre as outras. A ênfase cultural dada a certos objetivos varia independentemente do grau

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minha hipótese central é que'q comportamento aberrante pode .M.. surgirá o comportamento aberrante. a palavra "anomía" entrou ultimamente em uso freqüente. Pode-se desenvolver uma tensão muito pesada. Com tais ênfases diferenciais sóbre os objetivos e sôbre os procedimentos institucionais. ~. I: :."\ .~YÇl do titulo do bem . seriam permitidos todos e quaisquer procedimentos que permitissem atingir êsse objetivo tão importante. Neste contexto.. fique sujeito apenas a conside: : .:.. envolvendo em comparação pouca preocupação com os meios institucionalmente recomendados de esforçar-se para a consecução de tais objetivos. por vêzes virtualmente exclusiva. o exame simultâneo de ambos os processos..•.. "sagrada".i' .~ --~. _ •••.e não ínvaríàvelrnente.iJícios ucasionalmente . às quais faltem ulteriores objetivos. . . se a própria ordem deve ser sustentada Se a preocupação se transferir exclusivarnente para o resultado da competição. . em têrmos do resultado e em têrmos das atividades. Uma análise comple ta exigiria. .l!Dassllntod..lªJ. _ •. severamente limitada. ~~l I! [I 1 '1 6.e com as _normasinstitucionaís devem ser compensados . a sociedade torna-se instável e aparece o que .. Desde que a amplitude dos comportamentos alternativos.. de ênfase sôbre os meios institucíonalízados.-"''ê . para realizar essas aspirações. ser objeto de uma investigação."~. então aquêles que perenemente sofrem derrota podem.. A cultura pode ser tal que induza os indi+ víduos a centralizarem suas convicções emocionais sôbre o complexo de " ·f . Assim devem derivar satisfações contínuas. de modo bastante compreensível..:. Do contrário.. procedimentos íntitucíonais . três séculos depois de ter sido cunhada por J("!. Wh~teheª. :.4 A conformidade absoluta torna-se um valor central. a estabilidade social é assegurada às expensas da flexibilidade. Minha maior preocupação aqui é com as conseqüências sociais de uma pesada ênfase sôbre o sucesso monetário como objetivo.v Um segundo tipo limite é encontrado em grupos onde as atividades originalmente concebidas como instrumentais são transmudadas em práticas auto contidas.. A ressurreícão feita por Durkhc.T j 206 Robert K:" Merton Soeioloijio - Teoria e Estrutura 207 I". A distribuição de posições sociais através da competição deve ser organizada de modo que se proporcionem incentivos positivos para a adesão às obrigações da situação. Mayo lida com O processo através do qual a r iquez a. 6 ~ 5. Um equilíbrio efetivo entre essas duas fases da estrutura social é mantido enquanto as satisfações proporcionadas aos índívíduos se ajustam às duas pressões culturais... \. Por que essa ressonância na sociedade contemporãnea? Um magnifico modélo do tipo de pesquisa exigido por questões dessa ordem... Para evitar mal-entendidos. É estimado em têrmo do produto e em têrrnos do processo. verdade.: rações de conveniência técnica... I-Juman Preblems of an Industrial Civilization. tal .icas de modo que elas aparentemente retenham sua situação como meio. N.lizc estas prát. '.reud admitia -a. porém.. fms culturalmente aplaudidos. a pressão deminantc é no sentido de conformidade ri tualísttca estrita. Nenhuma sociedade carece de normas governantes da conduta. êste enunil'l. é o da. ~_ ••. À medida que se desenvolve êste processo de amaciamento das norI' mas.1. vem a ser o símbolo básico da realização social. Tal como ao frase "clima de opinião" trazida à popularidade acadêmica e politica por A. e é W f t isso. o comportamento de muitos indivíduos. "'-~. institucionalmente canalizados. quanto tais racionalizações não são nem sequer provocadas.' Êste ritualismo pode ser ussoctnoo com urna rnitologia que racíonz. o qual.• > . > •• ~. segund0I<'.\. torna-se tipicamente preferido à conduta institucionalmente prescríta. satisfações provenientes da realização dos objetivos e satisfação diretamente emergentes das formas de esfôrço para atíngí-los. e estas constituem as sociedades integradas e relativamente estáveis.1 .••. ser considerado sociológicamente como um sintoma de díssocíação entre: C":... . ciado deve ser bem explicado.im do termo "anomía". a única pergunta significativa é a seguinte: Qual dos processos disponíveis lê o mais eficiente a fim de apossar-se do valor culturalmente aprovado? 5 O processo mais eficiente do ponto de vista técnico.carri3tado§. como o verificaremos adiante. l .roduzida por .'. 153." '. . há pouca base para adaptá-Ia a novas condições..!?_~r~~i_l!!. pela _gQnformidag.-:. porém elas realmente se diferenciam na medida em que os usos e costumes populares e os contrôles institucíonais T II estão efetivamente integrados com os objetivos que se destacam na hierarquia dos valôres culturais. quer seja culturalmente legítimo ou não. bem poderia. marcada pela neofobia.. i . ):it. Entre êsses tipos extremos estão as sociedades que mantêm um equilíbrio aproximado entre ênfases sôbre objetivos culturais e práticas institucionalizadas..c!.. procurar alterar as regras do jôgo _O)LSaCJ. 4. independente da mitologia.. que "! . A éste respeito.pelas recompensas socializadas. Neste caso extremo e· hipotético. seph Glanvill. _'- . enc"~ / ~ ~.. por exemplo. desde que foi reíut._"-. por uni estudante interessado na ríliaçâo histórica das idéias. embora mutáveis. os últimos podem ser tão viciados pela tensão em alcançar os objetivos.• . as aspirações culturalmente prescritas e as vias sociallIlente estruturadas] "h.Durkheím denominava II "anemia" (ou ausência de norma). e encara isto como sendo proveniente de um estado de anomia. •. sôbre o valor de objetivos particulares.. aquisitividade de uma sociedade doente".~~ Dos tipos de sociedades que resultam da variação independente dos objetivos culturais e dos meios ínstítucionalízados. As Jinalidad~~ c:rig~!lªi~ são esqueei<:l?138 8 estreita aderência à conduta Instítucionajments recomendada tprna-se1. daremos prioridade ao estudo do primeiro: uma sociedade em que há ênfase excepcionalmente forte sôbre objetivos específicos.. sem uma correspondente ênfase sôbre os ':'/\' . conhecido livro de ~'I'awriey . UNa verdade o problema não ~ o da enfermidade de uma sociedade aquisitiva. .. Na. numa SOA ciedade que nã-o adaptou sua estrutura às correlações desta ênfase. permitidos pela cultura. j O caso limite dêsse tipo é alcançado quando a amplitude de procedimentos alternativos é governada apenas pelas normas técnicas em vez das normas ínstítucíonaís. da preocupação se transferir exclusivamente para o resultado da competieclipsar os competidores. tanto quanto é de meu ccnhecímento . O ritualismo é cssím tanto mais completo.e. aparece em primeiro lugar no mesmo sentido no fim do século XVI. Isto constitui um tipo de' cultura mal integrada. . ')t. Por algum tempo. percebe-se a relevância da paráfrase deEltlU1. para cada posição dentro da ordem distributiva. com muito menos apoio emocional sõbre os métodos prescritos para alcançarem essas finalidades. Desenvolve-se então uma sociedade limitada pela tradição.1.

Em grande parte. depois de assimiladas._Vªl!ll"E!s _JLQbjetiyos dos grupos dos quais fazem parte. podem ser purifica das pelo decurso do tempo . contra-se em Leo Spitzer._. Q . quando conhecidas. Conforme Simmel salientou. o dever de alcançar o objetivo..<l€l" tral!ll!l1ill. mesmo em face a repetidas frustrações. 1942. A anonímía da sociedade urbana. A débil pontada de mal-estar no último exemplo e a natureza sub-reptícía dos delitos em público indicam claramente que _. assim como seria irreal negar que os norte-americanos lhe atribuem um lugar saliente em sua escala de valôres. padrões em mudança. Neste fluxo de.. ~ _____ .~~-". A cultura norte-americana contemporânea parece aproximar-se do tipo polar em que ocorre grande ênfase sôbre objetivos de êxito sem a ênfase equivalente sôbre os meios institucionais. o dínheirõ'é' aítam~~te 'abstrato e.i 'servador de uma comunidade na qual não são inconiuns os salários anuais i l'epresentados por seis algarismos (isto é. o resultado é normalmente um tipo de ritualismo. 1. .000 dólares para cima) relata as palavras angustiadas ue uma vítíma do Sonho Americano: "Nesta cidade. "Milieu and Ambiance: an essay ín historical semantícs".!§. ocorre em muitos 8 grupos.. .llªº __ Pª. Qualquer resíduo que persista. pre uns 25% a mais (é claro que' esta' idéia. constituem expressões mais sutis dessas tensões.. permite que a riqueza. Hollywood (Nova Iorque. Gta"r. Qª_Im.LI!!~Sm9. Através do mesmo processo." 9 Dizer que o objetivo do sucesso monetário está entrincheirado na cultura norte-americana é apenas repetir que os americanos são bombardeados de todos os lados por preceitos que afirmam o direito e. o lutador é incapacitado por seu oponente.7 "'\ I I I I í Êste processo evidentemente não se restringe às competições esportivas. a tensão gerada pelo desejo de ganhar numa partida de pôquer é afrouxada pela distribuição de quatro ases a si próprio ou. com alguma medida de ambivalência._a __ tornar-se um símbolo de prestígio. as quaís simplesmente nos fornecem imagens mícrocósmícas do macrocosmo social. Nos grupos em que ae·ufzlSe principal recai sôbre os meios instituc1onais. Ainda mais.QIl. ~ . em outras palavras.principais organismos que modelam a estrutura da personalídad. que somente um resultado bem sucedido fornece a satísracão. pelo sagaz embaralhamento de cartas numa partida de paciência. Não importando como é adquirido. fora do seu alcance e que obrigue a motivar seu comportamento pela promessa de uma recompensa que não se cumpre.uma literal de$1!!-oralização. Rosten. pela razão antes mencionada._dQ Jim gera .dinheíro teIDsidoçºJ:l§ªgrl1dº~ corno um. sou socialmente menosprezado. 'v-. quando o culto do sucesso chegou ao extremo. a escola e o local de trabalho . porém têcnicamente eficientes. afirmando implicitamente. através de técnicas engenhosas. sobretudo os da sua classe social ou da classe com que se identificam. E as escolas são evidentemente organismos oficiais para a transmissão dos valôres predominantes. isto é. A medida de "sucesso monetário" é conveníentements indefinida e relativa. "..ngústia d2 consciência. O processo pelo qual _a exaltaçãQ.'_ . ou mesmo de modo explícito. Em cada nível de . ou as racionalizações da rejeição de tais valôres. 8.. retenção latente de seus correlativos emocionais. .cº-w~iª _. estabelece-se implicitamente um prêmio ao uso de melos ilegitimos._bflmarnmtado. no Sonho Norte-americano não há ponto de parada final.~~.unem-se a fim de impor a intensiva disciplina necessária para que um indivíduo consere intacta uma meta que está.'--. ou.J-'- o funcionamento dêste processo que eventualmente resulta em anomia pode ser fàcilmente percebida numa série de episódios familiares e ~ instrutivos. em conjunção com essas peculíarídades do dinheiro. nos quais os dois competentes da estrutura social não estejam altamente integrados. estará provávelmente ligada a algurns. renda. de "um pouco mais" volta a' funcionar logo depois que o alvo anterior foi atingido).além e acima de seu gasto a trôco de artigos de consumo ou de seu uso para o aumento do poder. yaIQ:l". desinstítucíonalízacâo dos meios. ~ \ t I . porém ilícitas. os norte-americanos querem sem-. 208 Robert K. M ~'-1!- erton Sociologia - Teoria e Estrutura 2X>9 .§.ªs__ re""'"1. quando o alvo da vitória é despojado de suas roupagens ínstítucíonaís e o sucesso torna-se subentendido em "ganhar a partida" em vez de "ganhar segundo as regras do jôgo". os alunos da universidade encobertamente dão "colas" aos "estudantes" cujos talentos são limitados ao campo do atletismo. porque ganho apenas mil dólares por semana. embora talvez triviais. de 100. Pa-rece improvável que as normas culturais. sentimento de pecado. A aderência simbólica aos valõres nominalmente repudíados. pode ser usado para adquirir os mesmos bens e serviços. ~"_~ __".Il~:[Y~m _ge_._.t i 9. o exagêro cultural (ou idíossíncrátíco ) que conduz o homem a obter sucesso de qualquer maneira.impessoal. Philosophy and Phenomenologteal Research. Tal como veremos. conforme verificou H ·_E. Uma rejeição ostensiva das normas instatucionais já incorporadas. . Em "muitos".:i!:. 3. Leo C. induzirá tensões de personalidade e conflitos. é o ponto que se mantém sempre "um pouco adiante".sirva como símbolo de elevado status. O "craque" do time de futebol concorrente é sub-reptícíamente golpeado. Sensação de culpa. Porém.m. na competição de atletismo. não há ponto de descanso estável. Evidentemente seria irreal asseverar que a riqueza acumulada permanece sózínha como um símbolo do sucesso. freqüente. fraudulenta ou dentro das instituições. são têrmos diversos apltczdos a esta tensão não aliviada. . mente._. leva-o a desprezar o apoio emocional das . Prestigiosos representantes da sociedade reforçam essa ênfase cultural. 169·218. a. Assim. O ob.regras. cada vez mais. O "dínheíro" ~ peçuHarro~llt~. (.• ~. em vez de anomía. A família. com uma grande proporção de livros usados nas escolas da cidade.~!!1. 1940). _ cujas origens podem ser desconhecidas da comunidade em que vive o plutocrata ou. Isto dói.42. A ênfase concedida ao resultado de tal maneira atenuou as satisfações derivadas da simples participação na atividade competitiva.. "que a educação conduz à inteligência e conseqüentement« ao sucesso no emprêgo e ao êxí- I ~~ ! 7.-'-" gras institucionais do jôgo são conhecidas por aquêles que as desprezam. ~ ... mas não em todos os grupos não integrados. e a formação dos objetivos dos norte-americanos . 40. possam ser totalmente eliminadas.

"não existe a palavra 'fracasso'''. roça.. a qual rejeita o' valor de alcançar um objetivo aparentemente irreaUzável e~ mais ainda. Protótipo de sucesso I: Todos podem ter as mesmas corretas ambições elevadas. Implicações Sociológicas "Você tem que ter nascido para êsse trabalho. que proferiu a famosa Mensagem a Garcui nos clubes de Chautauqua. o futuro é grande em suas promessas. n. MacLean. já que estão à disposição de todos .is! A reação provocada pelo fracasso deveria. O manifesto cultural é claro: não se_po<l~gesistir.:=:eterceíro. presidente do IIlinois Central Railroad. Uma clara afirmação da função a ser servida pela seguinte lista de "sucessos". Nation's Business. com O cavalo do irmão iniciou um pequeno negócio que o maior de sua espécie.pode tornar-se um rei.. Antes de dar ouvidos a esta sedução. não obstante êsses testemunhos democráttcos. Lembremos apenas os seguintes: O Rev.. de não perder a "ambição". pois . todos devem esforçar-se para atingir os mesmos elevados objetivos.::segundo. Carlson.Cowell. tal como no léxico da sua juventude. L. mas o alvo baixo é crime". o contra-ataque. elevando-se à situação de. veio a ser que VÜ:'1joll numa carGeorge. M erton Sociologia Teoria e Estrutura 211 Protótipo de sucesso lIr: Se as tendências seculares de nossa economia parecem: dar pouco incentivo aos pequenos negó . 1933).ente. 10 Os protótipos do sucesso. POi5 não importa que o ponto de partida seja muito bzdxo : o talento verdadeiro pode alcançar as maiores alturas.? ano para pegar seu primeiro emprêgo. que aos doze anos era mensageiro no escritório de frete de Nova Orleans. então as pessoas podem subir dentro das gigantescas burocracias das emprêsas p:. Vol. publicou em primeiro lugar The secret o] Achievement. comum -ªj.~g~mento dêsses_objetivºsdá testemunho das de fi_~~i. Jones. que começou a vida como rapaz pobre e deixou a escola no 5. pois "não o fracasso.o 8. Indiana.~t~. põe em dúvida. Êstes homens são testemunhos vivos de que a estrutura social (:. O simbolismo do homem comum. meu amigo.0 rracasso . realeza econômica. são peças centrais dêsse processo de disciplinar o povo. 1948). Se alguém já não pode ser rei no âmbito de sua própria criação. de Buffalo até Muncie.. ou Fresh Opportunities: A Book for Young Men. ou então ter um bom pistolão".P~§êºa. As recompensas podem parecer ad 'adas para sempre.I 1 21G Robert K.~QÇ. _ráo_. · cios. t~l que permite que essas aspirações sejam alcançadas se a pessoa fôr corajosa e persistente.nçl.. o fracasso genuíno consiste apenas na diminuição ou retirada da ambição. Ball. o Documento Business.do sucesso final . há uma ênfase correlativa sôbre o castigo daqueles que refreiam suas ambições. contra as próprias pessoas e não contra ums. um intactas. Scholars. Considere-se a éste respeito os seguintes trechos do jornal de negócios.l1 i Unida a esta ênfase positiva sôbre a obrigação de manter alvos elevados.}~"l:º._. 27. a legitimidade de uma estrutura social que oferece diferenças no acesso a esse meta. Seja qual tõr a situação atua' de um individuo. Elbert Hubbard. 11.. está profundamente entrelaçado à cultura norte-ernerí-: cana. W. afirmando explicitamente o valor cultural de reter as aspirações de cads. Cf. . o aparente fracasso mo" mentâneo é apenas uma estação no caminho . a fim de mantê-to prêso às suas ilusões insatisfeitas. estabelecendo os valôres de cultura predominantes. Aqui está uma opinião herética possivelmente nascida de uma frustração conttnuoda. môço de recados' ou escriturário. ser dirigida para dentro e não para fora. cujo sermão Acres ot Diamonds foi ouvido e lido por centenas de milhares de pessoas. Isto é um velho sedativo para a ambição. Orison Swett Marden que. numa torrente de livros. Frank C. Andrew Carnegie: "Seja um rei: em seus sonhos. Bevan. As aspirações devem ser conservadas intactas. O. elogiado por reitores de universidades. Diga a si mesmo "Meu lugar é no alto".. não se devernoderar os esforços. a seguir ensinou como "Ir para a frente" em seu livro Pushinq to lhe Front. estrutura social que proporciona acesso livre e igual à oportunidade. . E correlativamente. pelo menos pode ser um presidente em uma das democracias econômicas. R.rticulares. 10. mas finalmente elas serão concretizadas quando fi emprêsa de alguém se tornar "a maior de sua espécie". recomendado pelo Presíd. and Gentlemen (Harvard University Press. encontrando talvez a sua definitiva expressão nas palavras de alguém que sabia do que estava falando. presidente da WeIls-Fargo Co.McKinley e finalmente. Assim a cultura impõe a aceitação de três axiomas culturais. e podemos escolher somente correndo o risco de parecermos injustos. Malcolm S. "Personality Schools": A Sociological Analysis (Columbia trníversíty Masters Essay. Griswold.. cartografou os caminhos para fazer de todo homem um rei (Every Man a King).s<J_ pode diminuir os objetivos.illJ:i -. o pedreiro que o rei das frutas em conserva. os documentos vivos que teso temunham que o Sonho Norte-americano pode ser realizado contanto que a pessoa tenha as habilidades exigidas.9 homem . no mundo dos negócios: (Nation's J. 1938). portanto. Suas 7). to monetário". Workers . The American Cult of Suecess (Yale University doctoral dísscrtatíon. A. o seu olhar deve estar sempre fixado para o alto.. por tôda a extensão do país. Russel H . Os norte-americanos são admoestados a "não ser um dos que desistem" pois no dicionário da cultura daquele povo. gunte a êstes homens: por Elmer R. pág.. extraídos de uma grande quantidade de matéria análoga encontrada em comunicações de massa. PrÍmeíro. sendo seguido por The New Day.ª . A literatura de exortação é imensa. Protótipo de sucesso 11: Quaisquer que sejam os atuaís resultados dos esforços de ::rJguém. ali se tornou 1- De diversas fontes jorra uma pressão contínua a fim de manter altas ambições. 29.

Embora nosso enfoque seja ainda. menos sistemàticamente. estrita típología rreT~diant:1 a perspecttva é de tipos individuais. examinaremos agora os tipos tIe adaptação dos indivíduos.. Essas categorias se referem ao papel de comportamento em tipos específicos de situações. . que não têm total e igual acesso à oportunidade. vamos nos ocupar primordialmente com !J. f -) significa "rejeíçâo". à medida que elas se lançam em diferentes esferas de atividades sociais. I 12.I)QUarg. TIPOLOGIA DE MODOS DE ADAPTAÇÃO . não à personalidade.. o trabalhador e o homem de negócios. Kardiner e Lasswell.-E. sem uma ênfase correspondente sôbre as legítimas vias nas quais se deve marchar em direção a êste objetivo.j. sõbre os indivíduos das classes baixa. inteiramente separada do lugar do indivíduo dentro da estrutura social. 1937). onde (+) significa "aceitação". Conformidade Inovação Bítualísmo Retraimento Rebelião 13 Metas CuDturais INDIVIDUAL U Meios I nstitucionalizados ± + + + + ± 'I. ver a nota 3 dêste capitulo. \ o exame do modo pelo qual a estrutura social opera a fim de exercer pressões sôbre os indivíduos. II.weig. Mas particularmente na. em ª. Representa uma reação de transição que procura institncionalizar novos objetivos e novos procedi. na qual a ênfase sôbre os objetivos do sucesso dominante afastou-se' cada vez mais de uma ênfase equivalente sôbre os processos tnstltucíonalízados para a obtenção dêsses objetivos? <. Abram." . um refôrço secundário simbólico do incentivo. Do ponto de vista geral.Iurn freio à ameaça de extinção da reação mediante um esidmulo associado . média e z.3. Por esta razão. êstes axiomas representam primeiro'. mas com aquêles que estão no alto (a quem êles finalmente se juntarão). em relação às condições de frustração .Kª. num ou outro dêsses modos alternativos de comportamento. Fromm. distribuição e consumo dos bens e serviços" em nossa sociedade competitiva. serão encontradas em .''. IV. atividade econômica." demais.)'.primeiro lugar. para aquêles que não se acomodam aos referidos ditames. É nestes têrmos e através de tais processos que a cultura norte-amerícana contemporânea continua a ser caracterizada por uma pesada ênfase sôbre a riqueza como símbolo básico do sucesso. . Harold Lasswell._ "The experim"ental measurement of types or reaction to frustration". Considerar êsses tipos de adaptação em diversas esferas de conduta introduziria uma complexidade que não poderia ser dominada na extensão dêste capítulo. sôbre os membros de vários grupos étnicos e raciais etc. ' . colocado entre aquêles situados de tal forma na sociedade. lII.e.\fodos de' Adaptação I.rgn .!911I!. êsses axiomas representam em .ra preservação de uma estrutura do pouer social.212 Roõert K. tal como estão esquematicamente dispostos na tabela seguinte. Na paráfrase sociológica. dentro da sociedade portadora da cultura. pela identificação dos indivíduos dos estratos sociais inferiores.0 aumento da fôrça impulsora para .o desvio da crítica da estrutura social para a critica do próprio indivíduo. a gênese cultural e social das proporções variáveis e tipos de comportamento divergente. V. por exemplo.. mediante a ameaça.aroey. Horney não explora as diferenças no impacto dessa cultura sôbre o fazendeiro.. Kar. sem considerar as diferenças ídíossíncrátícas nas suas hístórías do vida. Uma suposição primordial da nossa tipología que essas reações ocorrem com freqüência diferente dentro de vários subgrupos de nossa sociedade.· freqüentemente diferentes em detalhes básicos. em segundo Iugar...diner. Merton SOCiOlogia - Teoria e Estrutura 213 ".) fornece um. e (±) significa "rejeição de valôres predominantes e sua substítuíção por novos valôres". Esta orientação sociológica será encontrada. Neuroii~ Personality of Our Time (Nova Iorque. apesar da continuada ausência de recompensa. precisamente porque os membros de tais grupos ou estratos são diferencialmente sujeitos ao estímulo cultural c às restrições sociais. Consideramos aqui cinco tipos de adaptação. de--reaçóes TIPOS DE ADAPTAÇÃO INDIVIDUAL Deixando êstes padrões de cultura. não tipos de organização de personalidade. !h. o papel das "inconsistências da cultura" não é localizado em seu impacto diferencial sõbre grupos diversamente situados. Como reagem os indivíduos que vivem nesse contexto cultural? E como as nossas observações se refletem na doutrina de que o comportamento transviado deriva tipicamente dos impulsos biológicos que irrompem através das restrições impostas pela cultura? Em poucas palavras quaís são as conseqüências do comportamento das pessoas situadas em várias posições na estrutura social de uma cultura. troca. nos escrítos de Dollard.lta. deve ser precedido pela observação de que as pessoas podem mudar de uma alternativa.Ta atuação de pressões favoráveis à confcrmidade com os ditames culturais de ambição irreprimível. e terceíro.. Explorations in Personality (Nova Iorque._. Refere-se assím a esforços para mudar a estrutura cultural e socísd existente. se +ransferírá do plano dos moldes dos valôres culturais para o plano dos tipos de aaaptação a êstes valôres entre as pessoas que ocupam diferentes posições na estrutura socia1. 30 e segs.• Ereud. :~~) Esta quinta alternativa está num plano claramente diferente d". São tipos de reação mais ou menos duradoura. Numa paráfrase psicológica aproximativa. . ~l_ i .responder ronstantemente ao estímulo. no sentido amplo "da produção. . Não faltam tipologias de diferentes modos de reação. segundo. em sua CiviJization and Jts Díscontents (pág. de não serem considerados plenamente pertencentes à sociedade._IL~Mtiril!Y. 'e outros. Apesar de sua constante preocupação com a "cultura". não com seus pares.~oselll'. onde a. Como resultado. A cultura torna-se uma espécie de lençol que cobre Iguarnente todos os membros da sociedade.H. tipologiaSderivativas. é I I i + I _~~~ __. riqueza assumiu um papel altamente simbólico. r\. 585·599. para outra. ~ :t. e. e nos trabalhes de . nos trabalhos de Fromnl. ao invés de acomodar esforços dentro dessa estrutura.rich .r mentos a serem compartilhados por outros membros da sociedade. em terceíro lugar. nossa perspectiva. 1938).

.expressa em particular. lI. e não obstante todos os crimes de que êle se tornou culpado. quebrando as imagens das figuras públicas com prazer não oculto. usando como "uma arma de ataque tudo o que é grande.~.sitÓr. ou como um objetivo imaginado.~ manobras "espertas" além dos costumes._'I'io. é um produto da estrutura cultural em que a meta sacrossanta virtualmente consagra os meios... "Éle tem sido chutado e algemado.. e não raramente em público. Se assim não fôsse.l1Qs .ª!QI§_COlll-ºªIltlll. conformidade com os padrões culturais estabelecidos. mas são apreciados pela sua "esperteza" .dizer se é um caso de elogiável habilidade de vendedor. Conforme VeblelL. . é por --Vêzesímpossível. Mantive o seguinte diálogo uma centena de vêzes: "Não é uma circunstância muito degradante que fulano esteja -adquirindo uma grande propriedade pelos meios os mais ínrames e odiosos. tornaram explícito o que muitos não podiam admitir livremente.>. "Faze a outrem o que queres que te façam". ! • I I ~ Nesta caricatura dos valôres culturais conflitantes.._"_. não é"? "Sim.J. . e prêso"? "Sim. em relação a êste tipo de adaptação. .inHlJem .L11ºi.yíd}J.é a mais comum e a mais difundida extensamente. A relutante admiração freqüentemente .de.io.. "Bantc -1. Do ponto de vista da sociologia. "É um indivíduo inteiramente desonrado.ickJ\Il~.:61~[ç!L numa forma que tornou evidente que o espírito não se havia de'stacado de suas origens etimológicas e ainda sígnífí- í _. j' i i ...~_~d . tal como foi mais tarde analisado porFJ~ud) em sua monografia acêrca de Wit and Its Relation to the Unconscious. <.rd. pode-se esperar que um grande interêsse emocional por determinado alvo em vista. que encobre muitas fraudes e grosseiras quebras de corifiança: muítos desfalques. e permite que muitos canalhas merecedores da rõrca ~(! t-. INOVAÇÃO I ..:º-l}§ fôsse um observador inteiramente cuidadoso da cena norte-americana. seria possível nos referirmos à extinta "Liga das Nações" principalmente como uma figura de linguagem.ltural sóbre a meta de êxito estimula êste modo ele adaptação através de meios institucionalmente proibidos.ilLArn e Petroleurn volcano [mais tarde Vesúvio] Nasby. não são medidos por suas relações com a regra áurea.humano como constituinte de trrna sooíedade..e <. ._.:ocam~pj.mus __ :W1!. existem relações soc~is (se é que assim possam ser chamadas as interações desordenadas).:r9.a. não se poderia manter a estabilidade e conttnuidade sociais.. a distinção entre os esforços normalmente usados no mundo dos negócios.Sociologia - Teoria 214 Robert K.rísccs. y. em meados dêste século XX. representando a. Do ponto de vista da psicologia. Os méritos de uma especulação irregular ou uma falência LI ou de um tratante bem sucedido. produzindo assim maiores freqüências de comportamento divergente em uma camada social do que em outra? Nos níveis econômicos mais elevados a pressão rumo à inovação apaga.. ' igualem com pessoas honestas... glJ. __ s9. 1l. Os humoristas norte-americanos continuaram no ponto em que os estrangeiros pararam. senhor. deva ser tolerado e estimulado pelos vossos concídedãos? Ele é uma praga pública.PipJ. ou uma ofensa punível". . tal como é atestado por muitos elogios aos "Barões Ladrões". "Um mentiroso confesso"? "Sim. . De fato é somente porque o comportamento é tipicamente orientado em direção aos valôres básicos da sociedade.. no lado "legal" dos costumes e as Ii I . com não pouca freqüência... públicos e privados. puseram a sátira a serviço da íconoolastía. J:..B. mas rreqüentemente eficientes.illL. dignificado e poderoso. . riqueza e o poder.".. citemos suas agudas observações sôbre o "amor dos norte-americanos" às transações "espertas". qual é então o seu mérito"? "Bem..j'LY.aceítar . embora êstes estejam talvez variando desde muitos séculos. reclP.. pouco mais necessita ser dito neste ponto.ie com pleno conhecimento de que êle era tudo.·e . senhor". mas não como uma realidade sociológica.. senhor". ou seja.observou. .ªg9JLPQL. Merton e Estrutura 215 L CONFORMIDADE Na medida em que uma sociedade é estável. quando êles observavam que a satisfação é relativa..na verdade. . hábeis e bem sucedidos".l:Uol. produza a ~Qsiçªpde . mas_ºª"Q.. "não é fácil em qualquer caso dado .Billjngs e seu alter ego. Êste fenômeno não é nôvo. surge então esta pergunta: quaís as características de nossa estrutura social que predispõem em direção a êsse tipo de adaptáção.Esek.wrepO. Já que o nosso interêsse primordial se concentra sôbre as fontes de comportamento desviado e já que temos examinado resumidamente os mecanismos que transformam a conformidade como a reação modal da sociedade norte-americana. Esta reação ocorre quando o indivíduo assimilou a ênfase cultural sôbre o alvo a alcançar sem ao mesmo tempo absorve!' igualmente as normas institucionaís que governam os meios e processos para o seu atingimento.e. era evidentemente apenas mais um dêsses espíritos agudos que demonstraram sem piedade as conseqüências da importância dada ao sucesso financeiro..ciedª-Q.. e esta atitude pode ser adotada por pessoas de tôdas as camadas da sociedade. 1\. menos imparcial. A.e.glJ~ . Os "filósofos de praça pública".:-:· I l .-ID!:!.. degradado e 'devasso"? "Sim. feita por _AmbrQ. de atingir pelo menos o simulacro do sucesso . Sem admitir que Charles . A engrenagem de expectativas que constitui cada ordem social é sustentada pelo comportamento modal de seus membros. satirizou os lugares comuns da vida americana.. C. talvez mais apropriada tenha sido a exibição de espírito..l. até que os tribunais hajam se manítestado a respeito .g)'"ªlJc1eêpfase.. já que "a maior parte da felicidade neste mundo consiste em possuir o que os outros não podem conseguir".clJ. senhor". ~ ~ Deus. contra aquilo que está protegido por obstáculos internos ou circunstâncias externas contra a detração direta" . seio + nhor". êle é um homem esperto". A história das grandes fortunas norte-americanas é um exemplo de tensões rumo a inovações ínstítucíonalmente duvidosas. Porém. até que parecessem estranhamente incongruentes. É assim que.sJL.§ll. que podemos falar de um agregado . o tipo I de adaptação conformidade tanto com os objetivos culturais como com os meios ínstitucionalízados . a êsses homens "astutos.Art~. "Todos se dedicaram a demonstrar as funções sociais do humorismo tendencioso.

Um caso frisante foi expresso por um eclesiástico.: enquanto fôr tolerante em relação aos canalhas bem sucedidos. é na verdade Um fenômeno muito comumv.. parece ter sido inventado por um humorista.i~da~. '.•••.:1•.. 1925).§.s. excede de muito longe aquêle dos ofi-. O número médio de infrações em idade adulta . Em seu ensaio caracteristicamente irônico e profundo acêrca do "crime e seus corretivos". Todos nós "denunciamos" os ladrões em voz alta. ou.LelLfi~_m~~ç19".•. Olher People's IUoney: A Sludy in the Social Psychology ot Embezz1emcnt (G1encoe: The Free Press. embora não seja de caráter sociológico.ra ser passível de pena máxima de pelo menos um ano de prisão.:.ã.C víduos. 1912).tºs que legalmente constituem crimes. sacudimos suas mãos) bebemos com êles.~lz~§~e~ vlría abrtgar urna "eí __ mais alta ~ mais salutar: "Haverás ~Ç2~E~..rtida: Crackcrbox Philosophcrs: Amcrioan Humor and Sat. são suficientes para privar a pessoa de todos os seus direitos de cidadão.! __ 9_Ql!e_~jY~. ~4 '1 Vivendo na era em que os barões ladrões floresceram. Em poucas palavras. Inc..eviy~:1(l. apresenta um ponto de pa. se foram. já. O povo norte-americano será saqueado enquanto o seu caráter fôr o que p.QQ". Dorra. da arrál ise psicolõgica de Preud . A dissertação doutoral de . na edição publícada em Boston: Books. en.. ~<'. a tendência contrária ao castigo. abril.. Via de regra. menos sorrisos. os que concordam com isso parecem sofrer dessa mesma moléstia".. "Crime and business". Sua única exigência é de que êle deva conhecer pessoalmente os tratantes. Clinard. t~ºJ9. enquanto a íngenuidade norte-amerrcssna traçar uma distinção imaginária entre O caráter público de U1U homem e o seu caráter parttcular. çleeolRl'illl1o brilP.. so.• . convidamo-tos às nossas essas e consideramos uma honra freqüentar as suas.lega~iya..:.is I I I } ~'f~. 216 Robert K. revelou que as Ülfra. Annals. Uma análise sociológica das funções do humor tendencioso e dos hurnoristas tendenciosos. Podemos saber que êles são delinqüentes.. embora Jnevlt àvelmente menor. enquanto merecer ser roubado. •._. além disso. apenas esconderiam com mais cuidado seus rastos ao longo do caminho da iniqüidade.J. bem. "Our Iaw-abíding law-breakers". isto é. Bem entendido. consideram desleal censurá-Ias.':" . 112·118. ou tendo proclamado que é. sendo cada uma de tais infrações Suficientemente séria Pª' . gritar quando se é roubado por êles equivaleria a testemunhar contra um cúmplice. Qualquer que seja o seu valor.. . __ PQ_~~_~~~.Jouba._{Jll!@. direrente. pois há mais velhacos de pouca importância do que canalhas ricos e distintos. 1952)..li!1:q4~tes.).ire (Nova Iorque: Columbia University Press. \\:z:Jlerstein and Clemcnt J. Nenhuma lei humana pode ne!I!. está tardando w aparecer.S_uth~rlª). êles seriam em número consideràvelmente menor.9_ .ndy. 15.. Bíerce não podería fàcilmente deixar de observar o que mais tarde se tornou conhecido como "d. mas sabendo que é. ao se referir às falsas declarações prestadas por êle a respeito de urna mercadoria que vendera: "Procurei primeiramente dizer a verdade. "Is 'white collar crime' crime"? American SociologicaI Review 1945. Temos velhacos ricos porque temos pessoas "respeitáveis" que não se envergonham de tomá-Ios pela mão. um dos últimos receba._ apêrto de_ro~º .Y9 dos E§~ados . aprende.c. vol.'f .t~m_~. Sutherla. Cressey. ·ti . "respeitáveis" da ."" . Parece ser menos uma opinião do que a expressão de um preconceito que.e o. vida honrada. ProbatioD.:. 218. cialmente denunciados. XI.era de 18 para os homens e de 11 para as mulheres. .. e o ressentimento público relativamente não organizado contra os criminosos de colarinho branco". Noventa e nove por cento das pessoas pesquisadas contes. . devo discordar do rude e injustificado jul· gamento de Cargill a respeito de Bierce."". Oscar Cargill tece algumas sólidas observações sôbre o papel dos mestres da sátira norte-americana do século XIX. sorrir para êle é ser hipócrita. segundo as leis de Nova Iorque. que muitos de tais crimes não foram levados ao tribunal porque não foram descobertos. American Academy of Political and Social Scicncc. s.. \ 14. pode ser enconrrsoo em "The Collecled Works of Ambrose Bierce (Nova Iorque e Washington: The Neale Publishing Company. de acôrdo com a posição na vida em que esteja o canalha que recebe nossos sorrisos.nd. . de dizer que os conhecem. se não temos a honra de conhecê-Ios. No Capítulo V de In!ellcctual America (Nova Iorque: MacmilIan. O comportamento ilegal. analisando as discrepâncias entre os valôres culturais e as relações sociais. a menos que êles recendam à favela ou à prisão. "White collar criminality".d R. ou pensa. 15 Um estudo de aproximadamente 1.".l : Se fôsse negado o reconhecimento social aos velhacos. E. "~~: . seria apenas "urna opinião vadia sem qualquer meio visível de apoio".700 índi. êle sabia que nem todos êsses grandes é dramáticos afastamentos das normas institucionais nos estratos superiores da economia são conhecidos. e se acontece que sejam ricos.a. [E acrescentr. " saram ter cometido uma ou mais das 49 infrações à lei penal do Estado de: / Nova lorque..c'.!usteridade por uma amigável tolerância para com os velhacos. cit.~àemor~dcJ mas inevitável de um olhar de desprêzo. O ensaio de Bierce.".o: . isto provàvelmente teria feito sua fortuna. 187-198. do ponto de vista social ou psicológico.çQgf.do."'1 i -. mas quando os encontramos.a. H. Alguns.d~ um.gQJp~. 217. Há mais hipócritas simples do que hípócribas aduladores. o.' devido ao "status social do homem de negócios. mas êle suaviza sua &. Wyle. apropriadamente intitulado "The Iritcltigantsta. 1940). 1941. 132-139. Êle nota.excluídas tôdas as ínrrações cometidas antes dos dezesseís anos . 1953). 1941). As observações de Dickens são de SU2. Uma pessoa iJ?di~ª_~ª-çJ_ª-_. P'?. "não aprovamos os seus métodos" e isto já constitui uma punição suficiente. os autores concluíram modestamente que "oII1ÍIl1ero de. Após tal prelúdio. Jarnes S. na própria idéia que Bierce failia do "preconceito".~~:ve _. ~oPJ9. ou importantes sob algum outro aspecto. 10. longe de ser uma manifestação anormal. descreve os modos pelos quais o malandro bem sucedi• do alcança a legitimação social e prossegue. Se tivermos essa honra. Não obstante. Pode-se sorrir para um canalha (a maior ps-rte de nós faz isso muitas vêzes por dia) se a gente não sabe que êle é um safado e não disse que êle é. 1947. o bom norte-arnertcano é bastante contrário à velhacaria.~n. porém.~ . que seria a contrapartida formal.. embora' cada. de serem vistas com êles.d _tem repetidamente documentado a predominância da "criminãiidacte' de colarinho branco" entre os homens de negócios. Mais de 64% dos homens ede 29% das mulheres reconheciam sua culpa em um ou mais casos de crimes graves o que. predominantemente da classe média.rcannette 'I'a. e que possivelmente vêm à luz número menor de desvios entre as classes médias inferior€s. isto naturalmente tem apenas um pequeno lugar em seu grande livro sôbre Ha marcha das idéias norte-americanas".: regístradas" eram comuns entre membros inteiramente. 16.. No palco de vaudevilIe de Marte. apenas um simples hipócrita ou um hipócrita adulador. mas outros contrariariam bastante os seus instintos pcra renunciar às desvantagens da velhacaria em troca das de uma. A idéia de que um patife dá qualquer importância ao que dêle se pensa. Marshall B..S American No!es (por exemplo.eQ.~. Bierce começa observando que "os sociólogos têm longamente debatido a teoria de que o impulso para cometer o crime é uma moléstia.-1 do qual tirei tão extensa citação. comercial ou pessoal. Thc Bl ack !\1arkct: A Study of White CoIlar Crime (Nova Iorque: Rinehart & CO. Mertori Sociologia - Teoria e Estrutura . mas nem sempre ela dá bom resultado"· Com base em tais resultados. _------- 217 I f cava o poder pelo qual a gente sabe.

apresenta uma série de importantes dados empírícos..x:e .J.t. c resultado tem sido uma tendência acentuada em direção ao comportamento desviado..~"'~~. mas se tem "ajustado rellilisticamente" ao "fato" de que a ascensão social P atualmente confinada quase inteiramente ao movimento dentro daquela casta. _- ".9. 21..Q]j&a. além da extrema ênfase sôbre o sucesso pecuníárío.. 880-'898 e William F. 18 Para as finalidades dêste trabalho.!JIj. devem ser considerados. Ver Joseph D. J. por exemplo. 581.218 Robert K.p-ºIGept_ªgfill_º. 21 National Opinion Research Center..eI'. porém mais ou menos eficientes. as maiores. mas onde há pouco acesso aos meios convencionais e legítimos para que uma pessoa seja bem sucedida na vida. W.a:'? .meiOS cultuxa!lJlª-ut-ª---ª-c:ei tOilJ_. numa amostragem nacional.~gª. New Haven Negroes (Ne\V Haverr.. para os índíyíduos sltY. JL~JL~ilJJ. De grande significação ~ a constatação de que. Am-erican l\1inoriiy Peoples.ÍIlferiores . Robert A. (273-274) .para. I_o j ambiente cultural e as possibilidades oferecidas pela cultura social qUQ produz intensa pressão para o desvio de comportamento.faJtade oportunidade ou .. 1943)."Que cada homem seja um rei". :5.ço.ug.teI1c1~I1ciª_ crescen. .....f.. Dentro dêsse contexto. '. L.".. Ver também a subseqüente discussão neste capítulo. Merto1~ SOCiologia - Teoria e Estrutura 219 Porém.. 1937.s.metª.17 e a ausência de oportunidades realísticas para ultrapassar aquêle nível.~~ ~_. abril.p-ºIlyui. Diversas pesquisas têm mostrado que as áreas especializadas de vícios e crimes constituem uma reação "normal" contra uma situação em que a Ênfase cultural sôbre o sucesso pecuniário tem sido assimilada. Primeiro. (Ver o estudo comparativo do prestígio concedido às principais ocupações em seis países industrializados: Alex Inkeles e Peter H.a.-.l?. ~ Esta última qualiiicação é ele importância essencial. Warner. 329·339). 19 Apesar de nossa .:. A conseqüência desta inconsistência estrutural é uma grande porcentagem de comportamento transviado. de sucesso pecuniário e de progresso social. ~f.ª!!:IE?p!Q.() exerci d~il. 1940).~_ .20 o caminho para o êxito é relativamente fechado e notavelmente difícil para os Que têm pouca instrução formal e parcos recursos.~.ª:Il.ao __ trabalho .. O papel do negro com relação a éste assunto faz surgir questões tão teóricas como práticas.".a estmtura.b. 2..:!H..º_sJiIl15 e . as vias disponíveis para o acesso a êste objetivo. Dada a. street Comer Society (Chicago. Carnegie c Long .:. pedem limitar as oportunidades.AL"CaPQne_ representa o triunfo da inteligência amoral sôbre o "fracasso" que a moral prescreve quando os canais da mobilidade vertical são fechados ou estreitados numa sociedade que atribui alto prêmio sôbre a afluência econômica e ascensão social para todos os seus membros. .a..mericana. O recurso a ""'uais legítimos pará. Jâ foi dito que grandes segmentos da população negra têm assimilado os vaIôres da casta dominante._. uma ordem ele castas. 1944). ~ .â. . há uma subsran~_~ concordância na avaliação dos empregos ou ocupações em todos os ambientes do trabalho. e ao crescente uso dos expedientes ilegítimos. Havighurst e M.~._Il. resulta da nossa análise que.s_iJ:. De um lado.Dtª jnst.1igJ.!ste1lte-idaol.- ". National Opinion on Occupatíons.. Who Shall Be Educated? (Nova Iorque.ª99?!la. mesmo o seu primeiro degrau .s()ciais._~~l!:l1_s_. Caste and Class in a Seuthern Town. muito além do ponto que hoje se observa na sociedade norte-americana .ºJ!.lÍesjguais. . Rossí.. a êles se negam..~_~e1'.ª!!. essas situações exibem duas características salientes. O papel histórico cambiante desta ideologia é um assunto que merece ser estudado..por.I). . exagerada ênfase pecuniária. por Vannevar Bush em seu relatório ao govêrno ..§. Para a maioria dos habitantes de Cornerville essas recompensas só poderão ser alcançadas pela influência das quadrllhas ("rackets") e da proteção pol itíca". 18. Whyte.9_ .. os incentivos para o êxito são inculcados pelas normas estabelecidas da cultura eZ. A pressão dominante conduz à atenuação da utilização das vias legais.. asc:j. diziam Marden... págs. apesar de uma leve tendência das pessoas a valorizarem sua própria ocupação e as correlctas mais alto do que as de outros grupos.. tºq. te __ ª-.._ . Altª .-i~s!()_. \ r I I .~""_~~""""~~iii~.9ê. Donald Young.9.".t:rg.clª_s_ .ia__ de ho. Uma estrutura de classes comparar tivamente rígida.?_ç. Loeb. e que elas não são dignas de confiança. a êles se pede que orientem sua conduta em direção à expectativa da grande riqueza: .Üil. Ela implica em que outros aspectos da estrutura social. B.QQl'j. são tão limitadas pela estrutura de classe.l!ªl<m~Lmej.:. 17. .t-ºXI}?'-SELaltªlIl5!... American Journal of 80ciology.t: . Veja-se ainda.t~_d:a.~ . .manual.PJlIs. Casos que podemos apontar nos permitem descobrir os mecanismos sociológicos responsáveis por essas pressões. il1... 66e segs. em todos os níveis...... Warner.!!!:I!:_~~l!.~amad.~ ipferioj. American Sociological Revíew.lzJKã-º __ Jl. 61.!p:. da chantagem e do crime. Science: The Endlcss Frontier.. se quisermos entender as fontes sociais do comportamento desviado.tJ.a~"..mn\lt!yej. com as oportunidades de poder e de alto rendimento oferecidos pelos sindicatos do vício.:. As oportunidades ocupacionais das pessoas destas áreas são grandernente confinadas ao trabalho manual e aos pequenos empregos de colarinho branco..:'?_ºe_I1rest~iQ. Numerosos estudos têm concluído que a pirâmide educacional funciona P(ü3 impedir que uma grande proporção de jovens inquestionàvelmente hábeis mas econôrnicamente desvzmtajados obtenham uma instrução formal mais alta.e do outro lado. A situação social do trabalhador manual (não especializado) e o conseqüente baixo rendimento não o habilitam a competir dentro dos padrões consagrados de honestidade..~. Ver Dollard.P!e15sães para .ªy~L geyJgQ.s9C. R. ~le é um italiano. Esta pesquisa sôbre a classificação e avaliação de noventa ocupações. 234. a qual se ve~yic.eJal'u:)~!gªnçilts_. Êste fato acêrca de nossa estrutura de classes tem sido observado com desalento. que não resta outra saída senão apelar para os desvios de comportamento.ǺJ:D."eso.gto__ en.-. quaisquer que sejam as proporções diferenciais do comportamento desviado nos diversos estratos sociais. a homens de boa capacidade.Çl1ltur:ª_çlºm!. as oportunínades efetivas de assim fazer dentro das instituições vigentes.-. mas ínefícientes.tQdesviado não é gerada8inm1E:)smente peJª.GO!IlPortam~l1. .~C!stl1:rI:~~Y7Ly?rrne_I!'f!!. 20. "Natíonal comparrsons of occupational prestige".em segundo lugar. É a jalta de entrosamento entre os alvos propostos pelo . "entrar no dinheiro" é limitado por uma estruü·· ra de classe a qual não é inteiramente acessível..-ª1ingir._l}Q.g. 1947. e sabemos por muitas rontes que as estatísticas oficiais a respeito dos crimes mostram uniformemente proporções maiores nos estratos inferiores. Lohman "The participant observer in community studies".. 1956. e os italianos são considerados pelas pessoas das classes superiores como os menos desejáveis dos povos imigrantes .. . Mais pesquisas desta espécie são necessárias a fim de cúrtografar a topografia cultural das sociedades contemporâneas. Notem-se as conclusões de Whyte: "É difícil para o homem de Cornerville alcançar a escada (do sucesso). em larga medida. a sociedade promete recompensas atraentes em têrmos de dinheiro e posses matertaís ao homem 'bem sucedido'.e.__ --' .

•.. rígida..•.. sugerem que a pobreza é menos altamente correlacionada com a delinqüência no sudoeste da Europa do que nos Estados Unidos.. as altas proporções de comportamento criminoso são o resultado normal. As oportunidades de vida econômica dos pobres. VoJ.•.•._A. podem atribuir suas dificuldades a fontes maís místicas e menos sociológicas.. sente-se r! -: -t • 23.>~ªQrjª. necessàriamente.D-ªº. (numa socieda-. identificávcis e interdependentes. Porém. . nem por isso tira algo do bôlso dos outros".•• " ..•.. que os pobres mostram maior proporção de crimes. que não encontram trabalho. 164·165. -.~. A mclhoría econôrnícs. em cornpstição com os valôres aprovados para todos os membros da sociedade estão articul2. 23 E em tal sociedade as pessoas tendem a aliviar a tensão através do misticismo: os efeitos da Fortuna. 24 E um importante jornal de negócios num editorial explícatívo dos benefícios sociais da grande riqueza individual.~ar _entr~ o crime e a pobreza. declarou que 95% das grandes fortunas eram "devidas à sorte". Pois.. .?J:~__ correlação l~. para uma parte considerável da mesma população. ... Se êle trabalha.pelas._~ •.-. pela boa sorte em muitos casos ..t . o mesmo corpo de símbolos de sucesso é dado como se aplicando a . que "não é em tôda a parte. __". em estruturas sociais e culturais diferentes. Merton Sociologia - Teoria e Estrutura 221 \': É somente quando um sistema de valôres culturais exalta. conforme reconhecemos.. a "ambição".. 1!:le observa. Assim.. vos._. 1937). elas são freqüentemente conscientes de uma discrepância entre o valor pessoal e as recompensas sociais.' . c trabalhador freqüentemente explica a situação econômica em têrmos de acaso. Assim.M1Jr. nem sempre. Ao invés. dizia que aQ:.. Porém. Gilbert Murray. \ . por exemplo. 27. Porém outros.aparece alguma base para explicar a mais alta correlação entre a pobreza e o crime em 22. 1925). o "comportamento desviado"..~ __ . necessàriamente. 22 A "pobreza" não é uma variável isolada que opere precísaments da mesma forma.§_ª9. de modo que nem a pobreza nem sua associação com oportunidades limitadas é suficiente para justificar as diferenças de correlações.Gilber. conforme o distinto classícísta e sociólogo "apesar de ~i mesmo". exerce um papel dinâmico diferente. Em outras palavras. quando consideramos a configuração total .... oportunidar.~~. em nossa sociedade. o ponto erucíal é de que a baixa situação econômica. do qual tirei êste parágrafo. nislory of the Grcat Aro. N.das com uma ênfase cultural do êxito pecuniário como objetivo domina. e isto aparentemente inclui a grande maioria. -. .. Ver '" citação de uma entrevista em rícan Fortunes (Nova Iorque. podem tornar-se alienados em relação a essa estrutura e tornar-se candidatos prontos para a Adaptação V (rebelião).Qmplemen. . "O trabalhador vê em seu derredor homens experimentados e especíalízados. do que em outras onde a estrutura de classes. "O melhor terreno pari··-a'superstição é uma sociedade em que as fortunas dos homens parecem não comportar pràtícamente nenhuma relação entre seus méritos e seus esforços. elas não percebem. mas a organização social de hoje é tal que existem diferenças de classe na acessibilidade a essas metas. 25 De modo parecido. tem observado em sua explicação geral.eramos f~~()~es r:~:?ponsáveis.t].• .. .. da segunda metade do século XIX e do com. Uma sociedade estável e bem governada tende: mais ou menos a assegurar que o Aprendiz Virtuoso e Industrioso seja .grandes fortunas: "Quando um homem através de prudentes investimentos . .nte.~I1J1ªld. &-9. Aquêles Que encontram a fonte de tal fenômeno na estrutura social. Naiion's Busíness.*in.auxiliado. Esta análise teórica pode auxiliar a explicar as correlações variáveis entre o crime e a pobreza.bem sucedido na vida. crimes.-. muitos países mais pobres têm tido menos crime que países mais ricos. C as correntes de causação.acumula uns poucos milhões. nossa ideologia igualitária nega implicitamente a existência de indivíduos e grupos não competidores.•. A pobreza em si e a cqnseqüente limitação de oportunidades não bastam para produzir uma proporção alta e conspícua de comportamento criminoso.odos aprovados de alcançar êstes objeti. Rcli!(ion (Nova Iorque. -_ .. 1928). Portanto. como é que isto ocorre. é associada a símbolos âe sucesso diferentes para as diversas classes._~'.a_da pela sor~e. as virtudes comuns da diligência. todos. uma virtude cardeal norte-americana. nossa.G. razoáveis ou visíveis.~ex~ . rudimentares (e não necessàríaments dignas de confiança).. 25. l!lJi!J.H!Y. estimula um vício cardeal também norte-americano. enquanto o Aprendiz Malvado e Preguiçoso virá f. as estatísticas de. O capitulo Failure of Nerve". sociedade.--- . .êço do XX. Porém. 24.-.. quando a pobreza e as desvantagens a ela associadas. da Sorte. a êste resultado.y Êste esquema tmalítico pode servir para resolver algumas das inconsistências aparentes na relação entre o crime e o status econômico. Certamente. De fato. Contudo..es limitadas e Inculcaçâo de alvos culturais . As vitimas dessa contradíçâo entre a ênfase cultural da ambição pecuniária e os obstáculos sociais à oportunidade completa não são sempre conscientes das fontes estruturais de suas aspirações frustradas. ~..~. certos objetivos de sucesso comuns à população em geral. Afirma-se que as metas transcendem as linhas de classe. naquelas áreas européias. Mesmo a notória "pobreza no meio da opulência" não conduzirá.. mencionados por I'~. enquanto a estrutura social restringe rigorosamente ou fecha eomp:etamente o acesso aos rr.220 Roberi K. Ver seu Contemporary Sociological Tbcorics (Nova Iorque.:». Neste contexto. na perseguição do sucesso pecuniário.'. JIh. c. Fivc Stages of Grcek do ProL Murray & respeito de "The deve certamente ser classificado entre ciológicas de 110SS0 tempo. não sendo limitadas por elas. tanto o indivíduo "bem sucedido" como o eminentemente "fracassado"._8c9c..!..:' de sofrendo de anomia). 706..pobreza. pága. que o comportamento desviado se apresenta em grande escala. não foi acompanhada pelo decréscimo da delinqüência"." 9. honestidade e bondade parecem ser de pouca utilidade". o próspero homem de negócios. pareceriam ser ainda menos promissoras do que neste país. freqüentemente atribui o resultado à "sorte". ~p'~!a! .---- •. . 560-561. do Acaso. E em tal sociedade as pessoas tendem a pôr em evidência: . as msds civilizadas e penetrantes análises soGustavus Meyers. ' a fracassar. virtualmente acima de tudo o mais. tal como é estabelecido no texto. é apenas uma dentro de um complexo de variáveis sociais e culturais.• __ . -----~--- ••. onde quer que seja encontrada.t.Contudo.

mas quem você conhece". se êle sopra onde quiser. o trabalhador está sujeito a inseguranças e ansiedades no seu trabalho: outra "semente" para a crença no destino. . Quer isto seja ou não descrito como um comportamento desviado.ntf'l_ .. ou por aquêles que não atingiram as metas valorizadas pelo ambiente cultural.x.. considera-se a vitima de má sorte. se êíe existe simplesmente na cega natureza das coisas. pode ajudar a explicar o acentuado ínterêsse pelos jogos de azar em certos estados da sociedade.. que. . Esta. Gosnell. III..Jl·9 . l:?ºGial que permite que tal discrepância se torne freqüente. Estabelece ête pouca relação entre o valor e as conseqüências"._ ••• "'_.''''''-~.~. Em têrmos socíoI" '1 ./ ••••• .-.222 com sorte. embora se tracem os próprios horizontes.pltçacªfregjj~.. isso constitui em têrmos psicológicos. um tanto semelhante ao "jôgo do bicho" brasileiro)..cºmo_ representativo de um m:oP. Bakke faz insinuação em relação às fontes estruturais que sugerem uma crença na sorte entre os trabalhadores. (N. The Unemployed Man (Nova Iorque. pág. melhor exemplíficada no clichê cultural de que "o que importa não é o que você conhece. . 123~125. então certamente êle será incontrolável e ocorrera na mesma medida qualquer que seja a esiru. "'.mesmo tempn .ustradas.. Seria Interessante saber se tais crenças diminuem quando os sindicatos operários reduzem a probabilidade de que seu destino ocupacional esteja fora de suas próprias mãos. Com efeito. é mais provável que uma situação comparável conduza a uma reação alternativa.k~. com efeito..:reÇ9m. op . na hierarquia social.. R.. 28.çr_e. 29.. face ao fracasso._.. jogos êstes proibidos peja lei ou apenas tolerados.t. Para os bem sucedidos. Portanto. A.b. quase compulsivamente continuam a ser seguidas as normas institucionais.o. quer aparência de presunção dizer que alguém teve sorte.~28. i· zer que mereceu inteiramente sua própria boa fortuna.--- •••• - •••• -- •• -- ••• - •••• --. oríentação em direção à sorte e aos riscos.: lógicos..'. que encontram pouca recompensa de seus méritos e seu esfôrço. está longe de qual. ve à dupla função de .!Lg~· I-ªlI!~~l1tJ!_e. . Na medida em que êle é forçado a se acornodar a decisões da gerência ocasionalmente imprevisíveis.mérito 'e a . "-"- •• ".. Robert K.8a. proporcionando maior justiça nas oportunidades e nas recompensas. .. Porém. . do trad.. conforme elas sejam feitas por aquêles que as atingiram.-- •• --- •• _ •• _. a doutrina pode refletir falta de compreensão do funcionamentõ 'do sistema econômlco social. porém.\ _.:' Para os qus não são bem sucedidos. fato. estas referências à atuação do acaso e da sorte servem a funi .27 Sociolàgicamente. na qual o alvo é abandonado. é uma decisão interna. Entre aquêles que não aplicam a doutrina da sorte à separação entre [ o mérito.Negro Politicians (Ohica- 27. Em sociedades como a nossa. 1935). de que nos ocuparemos adísmte. pode estimular a resignação e a atividade rotineira (Adaptação nD ou a passividade fatalista (Adaptação IV). sendo preferível que o façam através dos procedimentos institucionalizados. Implica no abandono ou na redução dos elevados alvos culturais do grande sucesso pecuniário e da rápida mobilidade social. em vez de diI. 14. go. e pode ser disfuncional na medida em que elimina a explicação racional de trabalhar a favor das mudanças estruturais. do que os homens de negócio ou das profissões liberais. enquanto retêm a aspiração ao êxito. para caminharem para á frente e para cima.. pode-se desenvolver uma atitude indívidualística e cínica para cem a estrutura social. I'Há certa dose de desârrirno na situação em que um homem sabe que a maior parte de sua boa ou má fortuna está fora de seu contrõte e depende do fator sorte". W. :'.a social. (Os grifos são meus). Por outro lado. tal como é exposta pelos bem sucedidos. Porém. como é ensinado por_~ª. o tipo ritualista de adaptação pode ser prontamente identificado. New IIaven Negroes e Harold F. . acaso. tura social. em contraste com as normas institucionais. e não se pode prever de onde vem e para onde vai.. Pois se o sucesso fôr primàriamente matéria de sorte.~.1em. entre aquêles que têm assimilado completamente os valôres ínstítucíonaüzados. e particularmente para aquêles entre êstes. claramente representa um arast.. acentuada pela tensão de aspirações fr. Ver Bakke. os esforços e as recompensas. persistindo. e podem. E._~ __ • .26 Porém.. 14. . ções distintas. esta forma de adaptação presupõe que os indivíduos tenham sido imperfeitamente socializados..amento do modêlo cultural no qual os homens são obrigados a se esforçarem ativamente. até o ponto em que: possam ser satisfeitas as aspirações de cada um. de modo que abandonam os meios ínstítncíonais. \. e desde que o comportamento claro é instítucionalmente permitido.PE2I1.: "Number/s game " é uma loteria clandestina.b~. o recurso prático aos meios aprovados. a conformidade aos costumes. nãCL. a grande ênfase cultural sôbre o sucesso pecuniárío para todos." •••••• _ ••• ~"':. onde êle sugere que o "trabalhador sabe menos acêrca dos processas que lhe permitam ser bem sucedido ou não ter nenhuma probabilidade de êxito. Warner.pápctaentre.i.i". os quaís comentam o grande ínterésse pelo "jõgo de números. Seria um jôgo de palavras terminológico perguntar se isto constitui um comportamento divergente. 1934)..~--""""" ••• . Também pode implicar a disfunção qUe consiste em reprimir a motivação para um esfôrço persistente. a doutrina da sorte. Desde que a adaptação.-i!'!..dÜ:. RITUALISMO Em seu ponto extremo. Cl.ºD. cit. a doutrina da sorte serve à função psicológica de as habilitar a preservar sua auto-estima. . M erton Sociologia - Teoria e Estrutura 223 Se êle está sem trabalho.ir.''''":~~'": •• '4:. As pessoas íntimas dos indivíduos que estejam fazendo esta espécie de adaptação podem dar opinião em têrmos da ênfase cultural predominante. estabelecem para muitos uma tensão rumo as práticas inovativas. Bakke. mas não reconhecidos ou estimuladosas 26. no caso individual..uma desarmante expressão de modéstia. . embora não seja culturalmente preferido. há mais C:ioSOS em que os acontecimentos parecem ser influenciados pela boa ou má sorte". ser/. embora se rejeite a obrigação cultural de tentar "progredir na vida". e podem "ter pena dêles"..~. e uma estrutura social que indevidamente limita. sentir que "o velho Jonesy está certamente em decadência". (O grifo é meu)._- •••••••• - •• - __ o •• ----. conserva imune da critica uma estrtlt.entre os negros norte-amertcanos de baixa situação econômica. Ésse tipo de reação requer exame ulterior mais definido.url!.§!g~rado.

agarrando-se o quanto mais estreitamente às rotinas seguras e às normas ínstitucionaís .lmente planejadas..:1·' lj '. ou se a observação bem disciplinada das rotinas do comportamento na vida real. 37. Carlyle observa que a Hfelic!dade" (satisfação) pode ser representada por uma fração em Que o numerador representa as reaüz a. . de casa. Gilbert Murray (op.a competição pela obtenção dos objetivos principais. Ver os três capitulas seguintes. ver ainda M..às frustações cuja aderência resulta da ênfase predominante das grandes metas culturais e do fato das :pequenas oportunidades sociais. 1946. Journal of Abnormal Psycb olo g-y.35 Devemos.presentado por Lewin e outros "Levei ot Aspiration".. O forte disciplinamento a favor da conformidade com os costumes reduz a probabilidade da Adaptação II e Ver. evidentemente. parece ser aplicável. Festinger. O mêdo produz a inação. O conceito de "êxito" como proporção entre a aspiração e a realização perseguida sístemàticamente nas experiências de nível de aspiração.. Hunt . 1940. todavia. um obstáculo principal.. Ver. ou mais exatamente. por exemplo.8 excita a desconfíançaÉ a atitude implícita entre trabalhadores que regulam cuidadosamente sua produção a uma. "Wish. 32. 31. gtreção.9_E!nd~9me . S.. o qual trata de perto <> tipo de adaptação aqui examinado. Dickson.:"'.ia estrutura de.'''''. Psychiatry. "Modem conceptions of psychiatry". _.. 310).r como instrutivo.'d ... 1937) 111.. Social and Cultural Dynamics (Nova Iorquc.. Journal or Social Psyoh oIOgJ'. e na qual a escalada social para cima apresenta menos possibilidade de encontrar sucesso do que entre a classe média superior.200. é o modo de adaptação para procurar individualmente uma fuga particular dos perigos e frustrações que parecem a êles inerentes r. C.I=~·.que as aspirações mais baixas produzem satisfação e segurança. Wells. estimula a probabilidade da Adaptação IJI. Pois. :j impulsos". embora trate dos moldes de socíaliza. A. JournaI of Abnormal and Social Psyohofcgy.rnaisIJre. op. tomadas de posição. Sorokin. quota constante. ~'.. Seria de esperar que êsse tipo de adaptação fôsse bastante freqüente numa sociedade que faz a posição social de cada um. Amerrcan Jonrnal Df SecioIogv. conscienciosa. embora limitada. por conseguinte. Se esperássemos que os norte-americanos das classes mais baixas exibissem a Adaptação H . veja-se especialmente R. uma. com êste assunto. "Social class and color dlf'Ierences in chüd-rearíng". O tema que se entremeia nessas atitudes é que as altas ambições convidam à frustração e ao perigo. as quaís exploram as determinantes de formação das metas e de modificações nas a. que sejam aplicáveis à forte -ínversão afetiva nas metas de êxito. com suas formações de grupos ad hoc. Allison Davis e John Dollard. problemas aritméticos etc.~':.. "estou satisfeito com o que já consegui".fl.to!"s influencing levei of aspiration". 53. cit. i i~ t ':J i li ~l.aJ~r?Jl!. 1942). 32 É a perspectiva do empregado assustado. And Keep Your Powder Dry. Capo 12 ("Child Training and Class") o quaJ. L. Allison Da-vis e R. cil. 33. tal como no princípio dêste capítulo.: e sôbre o tema mais geral. "não aspire alto e você não ficará desapontado". Há. numa organização na qual tem ocasião de temer que "serão observados" pelo pessoal da gerência e "alguma coisa acontecerá" se sua produção subir e descer. tgalil'. largamente dependente das próprias realizações... da classe média inferior estimulam as:~I!!. GOlild. 1902).. a ação rotínízada. ~. Personality and lhe Behavinr Disorders (Nova Iorque.o(!. "rítualísrno".~rlÍtt)~. 31 . pelo abandono de tais objetivos. 16. é apresentado por William James (The Principies of Psychology [Nova torque. . ·879.. as anotações tipIcamente perspicazes de Grlber t Murray. I..!!. Os moldes de socialização. ficado básico da classe social para os estudantes do desenvolvimento humano é que ele define e sistematiza diferentes ambientes de aprendtaadc para. 138·139) salienta a predomináncia desta concepção entre oS pensadores da Grécia do século IV. Um resumo das pesquisas é 2.U. McV. E em Sartor Resartus. 34 e é nesse estado. J.·~'!.tt!ªlista soeíal tanto é famili9. responsável e calma. (Nova Iorque.!Q.c. Margaret Mead.lizando a partir da evídêncía apresentada pelas tabelas. parz.0 signi . 30.. É uma reação a uma situação que aparece como ameaçadora . Pois é na classe média inferior que os pais tipicamente exercem pressão sôbre as crianças a fim de se pautarem pelos mandatos morais da sociedade.''""''~·'''' •• ". A questão crítica é saber se esta mtrospecão familiar pode ser sujeita a rigorosa cxpertmentacâo na qual a situação preparada [10 laboratório reproduza. 190·192.''f. ir ~:. Erickson. salientar novamente. Um dos recursos para suavizar estas ansiedades é baixar o próprio nível de aspiração permanente. H. J. 1944). "Some sociological determinants of goaI strtvmgs".n - J'eO'-. em J. 1946. ed. adequadamente os aspectos satíentes da situação de vida real. ~ ~ . que ocorre com mais freqüência o molde adaptativo lH. e E!>trutura 225 · . c P. é que você não tem nenhuma ambição. __ •• ~ ••• .~. e o extraordinário estudo de F.. Sua filosofia implícita de vida encontra expressão numa série de clichês culturais: "Não estou pondo o meu pescoço para fora". nzs rotinas da vida diária. "The fear of action". 698·710: ". classe média provàvelmente sofrem mais frustrações em seus ~. O severo treinamento faz com que muitos indivíduos carreguem mais tarde pesada carga de ansiedade.zes de reproduzir as profundas pressões sociais que dominam ria vida diária. 138·139.• " ~ . 11.. Janet. f'Child-rearing and social status". Cbildren of Bondage (Washington. do burocrata zelosamente conformista. expectation and group standards as f"".<1i'!IJOstO. qUE' estamos examinando aqui modos de·-'adaptação a contradi34. com poucas modificações. . .côes. OJl. . têm sido capa. 3-111·112. lG1·164. J. Capo VII. com seu relativamente leve auto-envolvímento nos labirintos fortuitos das taretas de lápis e papel. por exemplo. 184.:. (i '( 11 ~[ {I . ainda não sobrepujado. cit.8111 . as crianças d~.rrs.:. 35. por exemplo. deduzir inferéncias da situação de laboratório. Capo 10. I. a aspiração. ao passo."""_'''''"'. "Social maladjustments: s-dapt.íve regression". porém."inovação" . ed .ção entre os negros da. op. P. American Sociological Review. cít. 13. dernonstrarão ser o método de inquirição mais produtivo. história.30 esta incessante luta competitiva produz agudo estado de ansiedade. 59-60. No decurso da sua educação. F. "vou jogando na certa".cl9. 1942. Nem tais experiências. i A . Sullivan. Fiske e Curtis. Esta hipótese ainda aguarda comprovação ernpírtca.. L. classe inferior e média inferior no Extremo Sul dos Est~dos Unidos. L .224 Robert IL M erton Socio/. ·Estudos iniciais nesta direção têm sido feitos com as experiências de "nível de aspiração". crianças de classes dtterentes". A respeito. 33 Em poucas ipalavras. 1941. Algo muito parecido. longa. deveríamos esperar que os americanos da classe média inferior estivessem pesadamente representados entre os que se incluem na Adaptação lU. "Genera. na gaiola da caixa da ernprêsa bancária particular ou no escritório da emprêsa de utilidade pública. Capo 18 e pá g .ao ri. Wells. 1940). 461·473. 1921.tividades especificas e experimenta.'~'_'". Ver também F. Roethlisberger e W.~y lil-t :1 'J _ ~ ~. um homem de verdade sa. 150·160. (Qual experiência de laboratório. 531 e segs.C>.I: . e faria coisas"?) Entre os es· tudos com relação definida. Merton . L. l\Ianagemenl and the Worker. Havighurst.I . poderia reproduzir o Iarnentoso resmungo de uma moderna Xantipa: "O ruim com você. diríamos que as crianças da classe média (os autores não distinguem entre os estratos de média baixa e média alta) são sujeitos mais cedo e mais insistentemente às influências que fazem uma criança ser ordeira. conforme tem sido observado com muita freqüência. l\rJass Persuasion. e o denominador. à população branca. tem.

. a Adaptação IV pode ser identificada fàcilmente. Sociolàgicamente. uma vez que a Iíberdada é a condição fundamental para qualquer crescimento". O conflito é resolvído._ fu. êsse tipo de desviado representa uma responsabilidaoe improdutiva.gll. 93-98. a faculdade de pensamento criador e critico . temos uma chave para entender porque dado o modo de vida da classe média inferior. êste modo de adaptação ocorre com maior probabilidade quando os alvos culturais e as práticas institucionais foram ambos inteiramente assimilados pelo indivíduo e embebidos de afeto e de altos valôres. como típico da classe média inferior européia é causado por certas prímeiras experiências ligadas com a defecação.res. esta afirmação é elíptica. Tlle Bitter Box (Nova Iorque. aqui julgado como dúbio: " .ti!?Lçprovàye!IIl~!1te. artistas. pode ser citada. a desenvolver e realizar potencialtdades que o homem tem adquirido no curso da História . !1 Adaptação IV (rejeição dos objetivos culturais e meios ínstituc.IIlenos comum. em contraste com o inovador que. ainda é necessáría muita pesquisa sociológica para explicar porque êsses moldes são presumivelmente mais freqüentes em certos estratos e grupos sociais do que em outros. por exemplo. Em sua novela. Pertencem a esta categoria algumas das atividades adaptativas dos _ psicóticos. Exemplo de formulação derivada de uma espécie de anarquísmo benevolente de última hora. 1!:stes indivíduos podem reter alguma. é excluído do sistema.a. ___ ~ __ ~=_. estão de tal modo embebidos nos regulamentos que se tornam "virtuoses" da burocracia e que se submetem de modo tão extremo porque estão sujeitos à ação do sentimento de culpa engendrada por anterior inconformidade com as regras (isto é. Obviamente. Ver The Bobo (Chicago.a qual é o equivalente psicológico da tendência biológica íd. ou ocasíonaJ. t~i::j_p~1'ts_oas .~ ver:ciadf!r:()1!_E)str~mhos.ente . ser prontamente refundido em têrmos de nosso esquema ••.0 Ievam a "fugir".Não compartilhando da escala co16. Na vida pública e formal. párias. por exemplo. A discussão feita por Erich F'romrn. Escape from Freedom (Nova Iorque.".. enraizada na estrutura.t~_~()s __ ()!!l__ l?:ec. RETRAIMENTO Assim como a Adaptação 1 (confonnidade) permanece como mais freqüente. A fuga é completa.. êle presta. Do ponto de vista das suas fontes na estrutura social. e tal relato pode. M erton SOCiologia - Teoria e Estrutura 227 de caráter ou de personalidade. Assim. abandonando-se ambos os elementos conflitantes: os fins e os meios. 1923). dos valôres da própria sociedade convencional.mttca resulta em tendências esnecíficas.. o conflito é eliminado e o indivíduo é assocializado. (287-288). Nels Anderson relata o comportamento e as atitudes do vagabundo. et passim.gtlietis~ng e a . Daí resulta um duplo conflito: a obrigação moral assimilada. em contraste com o ritualista que se conforma pelo menos com os costumes. 185·206. e este processo ocorre quando ainda não se deu a renúncia à concepção do valor supremo atribuído ao atingimento do êxito. Os índivíduos apanhados nestas contrações entre a estrutura cultural e a social: não estamos tocalízandc tipos dições podem mover-se de um tipo de adaptação para outro.9-()srequisitos da sociedade. para se falar estritamente na sociedade. E a passagem ocasional da adaptação ritualístíca para espécies impressionantes de adaptação ilícita é bem documentada em histórias de casos clínicos e freqüentemente estabelecem temas de ficção cheios de introspecção .como. se entendemos isto como uma forma de relacionamento com outros. ~ Êles renunciaram aos objetivos culturalmente prescritos e o seu comportamento não se ajusta às normas ínstítucíonais.i{)l!:. sem que os caminhos ínstitucicnais acessívos conduzam ao êxito.36 Porém.. _ A mais importante parece ser a tendência a crescer. pelo menos é "sabido" e se esforça ativamente.. Não é raro que a períodos de extrema submissão se sigam: explosões de rebeldia.\::J. É assim um expediente que resulta do fracasso continuado em aproximar-se da meta por meíos legítimos. mal temos dados que nos levem a entender porque urna classe específica devesse ter um caráter anal. nalítíco. sem implicar aceitação de seu conceito de "espontaneidade" e lide tendência inerente do homem em direção ao autodesenvolvi· mento". conflita com as pressões para recorrer a meios ilícitos (os quais podem atingir o alvo) e o indivíduo não pode utilizar meios que sejam ao mesmo tempo legítimos e eficientes. o.~=. mas o indivíduo frustrado e que encontra empecilhos que não pode sobrepujar. (293294). Nossa própria discussão não fêz mais que erigir uma armação analítica para a pesquisa sociológica focalizada sôbre êste problema. Também parece que esta tendência geral para crescer . O sistema competitivo é mantido. _º ~.. Em contraste com o conformista que mantém funcionando as rodas da sociedade. As pessoas que se adaptam (ou mal se adaptam) desta maneira estão.226 Robert K. Isto não quer dizer que em alguns casos a fonte de seu modo de adaptação não seja a própria estrutura social que êles efetivamente repudiaram.. Um exemplo de sólida formulação sociológica: "Enquanto admitimos. Em outras .s9E)._ . se pode conjeturar que alguns rttualistas. errantes. foworeceu o desenvolvimento desta espécie de estrutura de caráter". ( mum de valôres.~gnação_são maníf~s. podem ser incluídos como membros da socieâaâe (distinguindo-se da população) sõmente num sentido fictício. conformando-se meticulosamente com as regras ínstítucíonaís.~. orientação dos valôres de seus próprios agrupamentos dentro da socíedade maior.. Porém. J . mendigos. bêbados crôní. de caráter e resultando de experiências com o mundo externo. êsse tipo de comportamento desviado é mais vigorosamente condenado pelos representantes convencionais da sociedade. como o desejo de liberdade e o ódio contra a opressão.nismo.p()steri_()I'll!. 1941). êste não dá valor objetivo de sucesso na vida que a cultura conceítua tão altamente. nem que sua própria existência dentro de uma área não constitua um problema para os membros da sociedade. proscritos.mente. e efetivamente o fazem. constitu_emº.. _d~rrotismo. êles podem mudar para outros modos de adaptação. Adaptação Ll ).palavras. eos e viciados em drogas. escassa atenção às práticas institucionais. sua estreiteza" ísolamento e hostilidade. de adotar os meios institucionais. existem também certas qualidades psicológicas inerentes ao homem que necessítam ser satisfeitas _. 1946) Eleanor Clark retratou êste procerso com grande sensibilidade. mas não são da sociedade. Contudo. que o caráter anal. embora os mecanismos psíccdínâmícos dêsse tipo de adaptação tenham sido bastante bem identificados e articulados com moldes de disciplina e socialização na família. e da mcapacídadc em usar a rota' ilegítima devido às proibições assimiladas.que .. ~ if IV.

Homens aos milhares passam por aqui diàriamente. :Il:ste quarto modo de adaptação é.modo d~. Max scheíer.ndo em roda das barracas.. no rnme Em Busca do Ouro) ou de sucumbir fugindo das mesmas numa.qu_El_~Q!~J~~g. dade. 'i Primeiro. Nenhuma palavra inglêsa reproduz o complexo de elementos contidos na palavra ressentiment. Em vez disso êles deviam ser mais audazes e ousados".. flle está livre dos conflitos porque abandonou a busca da segurança e do prestíglo. É êle o joâo-nirrguém e está muito consciente de sua própria insignificância. 273·291. Embora as pessoas que exíbem êste comportamento desviado possam gravitar em direção a centros onde entrem em contato com outros vagabundos e embora possam partilhar da subcultura dêsses grupos divergentes. Zorbaugh. os movimentos organizados para a rebelião. (OS de Ia sociedad (México: F. os pela socie- Slum (Chicago. ramente em 1912. antes que a velhice venha deftnhá-los e atírá-los ao monte de refugos dos naufrágios humanos. suas -crtentações antídemocrátícas e sobretudo suas íntuíçõea ocas'onalmenta brilhantes.. Êsse tipo de adaptação coletiva ainda está para ser estudado.. Ali êle encontra maldade e agressão contra os fracos e incapazes.204. da fantasia. e dos padrões vigentes. Um dêles diz: " . 2. 55·56. cit.cte. J. 1945). aparecendo depois em Vom Umsturz der Werte (\919). a "rebelião" como um modo de adaptação devemos dtstínguí-Ia de um tipo superficialmente similar. . e contra isso não pode reagir. op. apesar de si mesmo. e estã reslgnado à falta de qualquer pretensão de virtude ou de distinção.. "Scheler's theory of sympathy and love". Nunca estão mais que dois passos à frente do cobrador de aluguel. of Soclety (Nova Iorque.. ~sses cartazes anunciam livros que atraem a ~tenção dos desprovidos de recursos. foi incluído na obra de scbeer. E o arbitrário é precisamente aquilo que nem pode exigir sujeição.!!!"~i~~!~r. o protótipo é. A "Livraria da Costa do Ouro" fica no porão de uma velha residência. "SU<laproximação maior em fulemão seria GroIl. os aspectos em que êle prerígurou os conceitos nazistas. 108. O espaço da frente é cheio de barracas. Antes de examinar. Êle sempre permanece humilde.. E. Teve considerável influência em varados c.. Em nossa sociedade. almejam introduzir uma. sucesso custa caro mesmo a trinta e cinco centavos. ._ad. a consciência contínua desta hostílidade ímpotente. pobre e ísolado. se não têm nenhuma das recompensas proporcionadas 38. porém. Assim. Sempre há homens rtans. vida. Merton Sociologia - Teoria e Estrutura 229 Nem sequer a sociedade aceita indiferentemente êsses repúdios de seus valôres. -rn Philosophy and Phenomenologlcal Research. 1942.~ais p. que indica algumas de suas inclinações e preconceitos. que está perplexo ante o dilema de ou ser esmagado na luta a fim de alcançar as metas do sucesso e do poder (êle o alcança apenas uma vez. mas desdenhoso do incompreensível mundo e de seus valõres. W.sempre o alvo de zombaria de um mundo louco e desconcertante. Abhandlungen nnd Aufsatze. porém a maioria dêles não é bem sucedida. 38 c.enia_um . The Psychological Frontiers grifos são nossos>. e o colocará no caminho do sucesso. Aquêles que abandonaram a busca do sucesso são implacàvelmente per. rmancetrsanente. si e proporciona a cada homem fi satisfação de sentir que a derradeira fuga dos objetivos sociais. Sempre se envolve no mundo por acidente. o esfôrço e a recompensa. cartazes berrantes e placares. aparentemente. é um ato de escolha e não um sintoma de SUEI derrota. aparece em Svend RE'l1ulf.. pois exulta em sua habilidade de ser mais esperto que as fôrças perniciosas alinhadas contra. Se você quer escapar dês te mau destino . o "vagabundo" de Charlie Chaplin ("Carlitos").do para a tradução francesa. Kardiner observou que tais figuras do folclore contemporâneo e da cultura popular erguem "a moral e a auto-estima pelo espetáculo do homem que rejeita as idéias correntes e expressa seu desdém por elas". (Retrato precíso do caráter da Adaptação IV). toma-se o campeão dos injustiçados e dos oprimidos. e agora apertada entre duas quadras de prédios de escritórios.Ilr. No entanto. real. um senso de impotência para expressar tais sentimentos. 41. Assím agindo admitiria dúvidas quanto a tais valôres.na. Ver V. 369·370..u O ponto essencial cue distingue o ressentimento da rebelião é que o primeiro não envolve uma genuína mudança de valôres. sem data). ínveja e hostilidade. rumo à solidão. evidentemente._s>ltisfliÇão . desviado é condenado na vida. pocle . 199.seguidos até seus esconderijos por uma sociedade que insiste em ter todos os seus membros orientados em direção aos esforços em adquirir o sucesso. êle representa o personagem do nosso tempo. Esta adaptação conduz os homens que estão fora da estrutura social circundante a encarar e procurar trazer à luz uma estrutura social nova. pois poderia muito bem ser de outra maneira. ativamente. últ mo texto rol use. isto é. entre e compre um exemplar do The Law of Financial Sucesso Êle meterá aígumas idéias novas em sua cabeça. REBELIÃO Mas. mas por fôrça da simples e tõsca esperteza pela qual êle procura a fraqueza do ofensor. te. construída em recuo em relação à rua. . Outro rel sto critico que analisa corretamente a visão de Scheler de que a estrutura social desempenha apenas um papel secundário no ressentimento. Mickey Mouse é uma continuação da saga de Chaplin. O vagabundo de Carlitos representa um grande alívio. Para uma excelente e bem equilibrada discussão "o ensa'o de Scheler. no qual êle não tem lugar e do qual constantemente roge para dentro de uma atitude satisfeita de vagabundagem. 35 centavos. ~'lJ()t~lioch!'!+. não pela virrude de sue grande habilidade de organização. nem possui legitimidade. se êste. H. pois.. no coração dos quarteirões de Chicago. Ela pressupõe o afastamento dos objetivos dominantes. "Indo à frente do jôgo". também têm poucas das frustrações que esperam aquêles que continuam a buscar essas recompensas. Para o vagabundo. o dos deserdados quaís.transformar-se em_!Q!J. suas adaptações são grandemente particulares e isoladas em vez de serem unirícadas sob a égide de um nôvo código cultural. Êle É'. o ressentimento. contra a pessoa ou estrato social que os evoque.: segundo. resignação sem esperança. Moral Inãígnatron a nd l\liddle·Class Psycbology: A Soeiological Stndy (Copenhague. Portanto. du resentimcnt (Paris. em que se reúnem os vagabundos. Éste ensaio apareceu primei. 1929).Jiçh!ller. . No cinema. revisto e aumentado. mas essencialmente diferente. Las fronteras psicológicas sociais. 39. profundamente modificada. McGill. L'hommt. o terceiro. Introduzido num sentido técnico especial. V. estão as prateleiras das livrarias recheadas com as mercadorias destinadas a revi talizar aspirações mortas._.o destino da vasta maíorla dos homens. The Gold Coast and the Abram Kardiner. 1955).. 40 Êsse sentimento complexo tem três elementos entrelaçados.. o conceito de ressentimento foi adotado e desenvolvído sociolàgicamente por Max.~~o. de C.rculos intelectuais. scneer. Assim. Mas raramente compram. o. sentimentos difusos de ódio. Além disso.::l:pJ.Je. 1938).es. os quais vêm a ser considerados como puramente arbitrários. POr. estrutura social na qual os padrões culturais de êxito seriam radicalmente modificados e na qual se adotariam medidas para uma correspondência mais estreita entre o mérito. O ressentimento implica 40. sempre. 39 f' .228 Robert K.

eg. a escolha dos meios permanecerá principalmente dentro do âmbito do contrôle ínstítucíonal. SLb()rrJ. talvez.afinal. da maior hos- . na rebelião a gente condena a própria ambição. Os desvios potenciais ainda podem seguir :1 linha geral dêsses conjuntos auxiliares de valôres . são tipicamente membros de uma classe em ascensão em vez de provirem dos estratos mais deprimidos . A estrutura social que temos examinado produz uma tendência à anomia e ao comportamento divergente.. pois êle não só lança dúvidas sôbre os valôres.ãiastem-·dela . como também deverá ser transferida a novos grupos possuídos por um nôvo mito.. para estas é que o esquema analítico aqui estabelecido chama a atenção.408. Ou. na verdade não encarnam 0& valôres apreciados: . Ver particularmente seu relato de "monopólio da imaginação". Para se passar à ação política organizada.ii. em que a experiência direta ou vicátia-·(la-frustraçã~-con-duz --àtõtai--deniinéi·a: -dos . 42 A função dual do mito é localizar a fonte de frustrações em larga escala.. quando a ênfase cultural muda da satisfação provinda da própria competição para a preocupação exclusiva com o resultado final. snnpiesmente tílidade entre aquêles do seu grupo original. ou ü. e H. embora as duas coisas sejam distintas. diz apenas que precisamente aquelas uvas não estão maduras._--. É um mapa para a ação.1}Ial.. já não provocará a frustração dos indivíduos merecedores. e para estabelecer alguns dos mecanismos que funcionam para produzir tais pressões.I!:Q t()i tº. como também êle sígrafica que o grupo conservador tem sua unidade quebrada. Por exemplo. Quando o sistema ínstítucíonal é considerado como a barreira à satisfação de objetivos legítimízados.44 No entanto. evidentemente. numa série de clichés culturais que exempllficam o mito conservador. Merton Sociologia - Teoria e Estrutura 231 uma atitude "uvas verdes" que simplesmente afirma que os objetivos desejados.firti. o sistema permanece mais ou menos estabilizado.. se não se adota a teoria da inevitabilidade. presumlvelrr.':-re:. TENDÊNCIA À ANOMIA i .~ __ . e as depressões dos negócios. a tensão resultante favorece a ruptura da estrutura reguladora. relativo ao papel desempenhado pela família nos tipos de conduta divergente. Pettee.~~liJ_r_c:. uvas. periódico. é como uma pessoa que se sente bem hoje.ente.oprincipal objetivo cul..-. 44.~anteI:i~!~~~i~~-~preciados'-· A rapôsa-rebelde·· -renuncíaría ao gôsto geral pelas uvas maduras..tais que encaminhem o frustrado em direção.=--c. A pressão de tal ordem social visa a que o indivíduo "faça melhor" que os competidores."-dª'iI.m~c:locºrno. Mas. Mas persistem as tendências centrais em direção à anomia.~nopÓli-. Neste contexto.cia aos valôres vigentes. Contudo. e~bora bem colocado n~id. mas não atingíveis. ela não será encontrada na estrutura básica da sociedade.ll. Esta tensão rumo à anomia não opera uniformemente em todos os setores da sociedade.brevemente esboçada numa seção anterior deste capítulo .r· a situação em -tê~m~~. à AdaptMii9_V.t...fiI1allCf. e não estão confinados ao resultado final do "êxito". como tem sido observado com bastante freqüência. . então se apega à doutrina do ajustamento gradual e superficial.-. Na medida em que a estrutura cultural concede prestígio a estas profissões e a estrutura social permite acesso a elas. 276-277. ":""""".illtgiii~ç~o~.-i--~-~iii:i·. l\Iiddletown rn Transition (Nova Iorque. e mal no dia seguinte". apregoa a doutrina que transfere a culpa da estrutura social para o indivíduo que "fracassa".d~·· que. à medida que se tornam agudas as deslocações institucionais.~piºçlt!. The Process of RevoJution (Nova Iorque. Ver as perspicazes observações de Georg Simmel. 1938). objetivos outros no reposítõrío dos valôres comuns. está preparado o palco para a rebelião como reação adaptativa..._ ~. na estrutura social. todo indivíduo consegue atingir o grau de prosperidade que almeja".~~.tornam-se ainda mais claras: qualquer que seja a fonte da frustração da massa.\·-dettid. Pelo contrário a rebelião envolve uma genuina transvaloração. a rapôsa da fábula não diz que renuncia ao gôsto pelas . Os mitos da rebelião e do conservadorismo ._~ _ . neste país. M. Com esta atenuação' dos contrôles institucíonais ocorre uma aproximação à situação que os filósofos utilitários consideram errôneamente típica da sociedade. S.. "Umas poucas mudanças aqui e ali. 1!l(8)._-. Com o propósito de simplificar o problema. R. Soainlogie (Leipzig. não podem ser eliminados por atos de legislação..-~re. situação esta em que os cálculos de vantagem pessoal e temor ao castigo são os únicos elementos reguladores. não somente deverá ser repudiada a lealdade à estrutura social predominante. O mito conservador pode assim assegurar que essas frustrações estão na natureza das coisas e ocorreriam em qualquer sistema social: "O desemprêgo em massa. Deve-se dizer uma palavra final agrupando as implicações espalhadas por tôda a extensão do discurso precedente. No ressentimento. 42.230 Robert K. e de descontentes. que se torna o alvo.. 1937). a rebelião organizada pode movimentar um vasto reservatório dos que acumulam ressentimento. e delinear uma estrutura que.n~9de. como o faz o grupo rebelde. Algum esfôrço tem sido feito na presente análise para sugerir quais os estratos mais vulneráveis às pressões que favorecem o comportamento transviado. as funções do contra-mito dos conservadores . 43.l{tt(). 8-24. os campos da realízação intelectual e artística proporcionam tipos de carreira que podem não trazer grandes resultados pecuníáríos. Lynd. Enquanto os sentimentos que apóiam êste sistema competitivo estão distribuídos por tôda a extensão das atividades. a gente condena o que secretamente ambiciona. embora haja. os organizadores dos ressentidos e dos rebeldes em grupos revolucionários.. o PAPEL DA FAMÍLIA George S.ambos trabalham na direção -de·-üm.43 Ou. já que "realmente. e teremos as coisas iun·· cionando tão suavemente quanto possível".

QgL1J.tn~tªnqo. tentativamente. Quaisquer que sejam os sentimentos do leitor referentes à conveniência moral de coordenar as fases dos alvos e dos meios da estrutura social. 1924).nǺe!L. ínadvertiQa. e. a criança usará espontãneamente palavras tais como "mouses" ou "morieys". o plural correto de "mouse" é "rnice". mesmo quando o mesmo entre em conflito com seus conselhos e exortações explícitos .são os que exercem maior pressão sôllre os filhos para que êstes alcancem êxitos importantes. a de f9. um mecanismo para. jetivos culturais e dos costumes característicos dessa estreita variedade de grupos. geração sei. são muito instrutivos. em vez das formas irregulares que. 307.. Jahoda.cJ:ianças..>I. con.232 Robert K. mesmo que 'jamais tenha ouvido tais têrmos ou não lhe tenha sido ensinada a "reçra ":\._J_ .p.!ilJJiç.. organização socIal das comunidades planejadas.. .c-. Extraído de um estudo d:.·. "singed".j·.'.Ji-ª!Lt!l.xe Pode-se. O que o autor quis demonstrar é que as crianças tendem a adotar as formas regulares. Conforme bem se sabe muitos pais confrontados com o "fracasso" pessoal ou um "sucesso" limitado.cé que. uma proporção substancial com aspirações de que seus filhos sigam uma profissão liberal. terá grande significação para o caso que nos ocupa pois se a projeção compensatória da ambição dos pais sôbre as crianças fôr muito acentuada.<i. tação (~) N.a. mais "<r muns.JlQgtº_. Assim. tanto entre negros como entre brancos.ª-. [que seria o pretérito perfeito regular mas incorreto]. haja necessidade de tipos suplementares de observação direta da difusão da cultura na família. Psychology of Early Childbood (Nova Iorque. dos níveis ocupacionais inferiores.fanÜ1. E êste síndrome de elevadas aspirações e limitadas oportunidades reais. 'de formação Ou ela criará palavras. em relação à.d. "sarig" e "hit". nosso . do trad. temunno. Merton Sociologia - . em têrmos dos ob. a orienexplica- NOTAS FINAIS /(..LQtL~çª.l!§_ªº_d. implícitas e não foram reduzidas a.sTI por R.ª~cia_J-.<:f!vez:gente. o que tem passado desapercebido até há pouco tempo. ~" portanto. Nem é a socialização limitada ao treinamento e à disciplinação diretos. pelos mais velhos ou contemporâneos e que não são formuladas pelas próprias crianças. Patterns of Social Life.. ções e exortações a ela dirígídas pelos pais. de que as críanças. __ .l)_p_aJ1.rº.ad~. ._gi!. Inteiramente à parte de repreensões diretas. tm- . portanto. tentando alcançá-lo "por procuração". 47 Se tal descoberta fôr confirmada por pesquisas posteriores.tªJnº~§WltQ... pelo menos parcialmente.<. Pode muito bem acontecer que a criança retenha o paradígma implícito dos valôres culturais. e de formação das metas dignas de estima. W.a. as "regras" da conjugação. "hí tted". $tI'tltlll'ª social é. Parece que. em inglês. para a conjugação dos verbos e a fl. ~:i:. Em vez de "fal led". ________ • • • '~. além das L'Ilportantes pesquisas das psicologias profundas no processo de socializacão. .J. "runried".~. como o nome indica. prontamente observável como se fôsse numa clínica... cultural explícita. qe queestamos .~Lg1J~. É. "runned".desemp. "rnoriey" é invariável.. Deve ficar claro que a discussão anterior não é afinada a um plano moralístíco. Porém. poderá descrevê-lo como o "gnodest" de todos. isto é. ~"a Jeg!lJar~qa<ie do. Ou dirá que um manjar predileto é "gooder" como o que outro menos apreciado.. que a criança está também laboriosamente ocupada em descobrir e agir conforme os paradigmas implícitos de avaliação cultural. se quisermos entender.~.ª. Talvez convenha lembrar que. como "falled".guinte.!\_!!> __ gel'§~!> . isto significará que precisamente os pais menos capazes de proporcionar a seus filhos fácil acesso às oportunidades ._t~m.. no processo de socialização. comporta46. descobrem uniformidades que não foram explicitamente formuladas para elas.l!t1. West e M.Il. disçiplínar as .. p!. eS!L~ID.t_ª!llb~m. Merton. 46 Numa recente pesquisa da organízaçâo sacia! de conjuntos de residências construí das pelo govêmo. Os padrões' de linguagem fornecem a mais impressionante evidência.. .H_. Não raro as crianças descobrem e incorporam uniformidades culiurtüs.g~ y~stª_ªº .Q l?a. a criança é exposta a protótipos sociais no comportamento diàriamente testemunhado e nas conversações casuais cios pais.Teoria e Estrutura 233 ! ' É evidentemente a família que funciona como importante correia de . podem silenciar sua ênfase sôbre objetivos de sucesso e podem adiar ulteriores esforços para o atíngimento de tais objetivos..el)e1. H.wbiç. . ._. porém não tira as ínterências rel atdvas à descoberta 'dos paradigmas implícitos. "hitted" embora não lhe tenham ensinado aos três anos de idade.a. 47. . é claro que a imperfeita coordenação das duas conduz à anomia. J!Q. mesmo quando elas permanecem . Se _uma-. A. Murray e outros.~"..-_ •.cluta. de categorização das pess-oas e das coisas #' . A projecão das .d?:. menciona a incidência de tais erros (p. 45.e.ª-. descoberto no comportamento diário de seus pais.~<~~.n. "singed". Stern.~evi~i1:>i~i. "rari".Pº-rj.~ "\:'estrato social e aos grupos em que os próprios pais se encontram.ªt~!nª_L~J.J.os "fracassados" e os "frustrados" . mas correto ]'). Freqüentemente dá-se o caso de um pai que alimenta a esperança de que seu filho atinja alturas que êle ou a espôsa deixaram de atingir". é precisamente o padrão que provoca o comportamento desviado. fogem das regras regulares. em vez de "drank" (pretérito perfeito irregular..-ª . recompensas e castigos.exão dos adjetivos. . Isto aponta claramente para a necessidade de serem realizadas investigações focalizadas sôbre a formação das metas ocupacionais nos diversos estratos.mt!\_m. 166.:. através de seus filhos.. regras.!!ansmi_~s~o__ ~.mente naorig~m. temos encontrado. O aumentatívo de "good" não ~ "gooder" mas "better" e o absoluto não é "goodest" mas "best". como temos visto. "A influência pode vir através da mãe ou do pai. "drinked". Explorations in Personality.giscipltnÇl.D!~~r uma ba~:Rl!DLll . ..nl. ex.iar_.!rai$. K.a família transmite especialmente a porção de cultura acessível ao ':'.oJ . concluir. . A própria natureza de seu êrro e a má aplicação do paradigma dão disso tesdos plurais". ou talvez através de uma extensão lógica. Patricia S.. O processo é fortuito.EL.* Obviamente. a criança descobriu os paradigrnas implícitos para a expressão do plural.. baseada assim como assimilando na infinita corrente de ordens. Erros de Iinguagem entre as crianças. o pretérito perfeito correto é "f'el!".m.

mediante o uso dêsse esquema. apenas considerou resumidamente as funções sociais preenchidas pelo comportamento desviado. M erton VII 1 _!!!~~() so_<:~1_ e_~s. C·. e outros que lhes são relacionados. em vez de se referir ao ambiente. estrutura social se tornam díssocíados. a-pre~isibiJidade --é -tliniirmÚla e sobrevém o que se pode chamar corretamente de anomia ou caos cultural. êle foi se ampliando até referir-se a uma condição de indívíCiUOS. Não obstante. Na verdade.Q. $ OS úLTIMOS ANOS tem aparecido uma literatura SOCIOlógicade considerável expressão a qual trata de um outro aspecto da anomía Isto proporciona uma base mais extensa para clarificar e ampliar as rormulações estabelecidas no trabalho anterior. porém mais instrutivos. à medida que se difunde em círculos sociais cada vez mais amplos. CONTINUIDADES NA TEO~IA DA ESTRUTURA SOCIAL E DA ANOMIA .l Menos sibilantes. 1. mediante a eleterminação das variações dos grupos no comportamento desviado e no conformista. à medida que êsses elementos da.: :. Noi.r. e prontamente considera: o relato como "atração para o leitor". 55. podem ser analisados com vantagens. o conceito de anomia se referia a uma Q. acêrca das conseqüências sociais da anomia.·. abertas aos indivíduos que vivem numa estrutura mal equilibrada. . começando nestes têrmos coloquiais e gritantes: "Menino. o interêsse a r.oIlçljçã9 de relativa normalidade numa sociedade ou grupo.af. respeito da anomia cresceu.e_cj{~. ràpídamente. desprezou em grande parte. enquanto se tornava evidente a utilidade do conceito para entender diversas formas de comportamento desviado. exclamou com um assobio~le.(. Pathfinrlcr. substantivos e pertinentes.. isso é o que eu chamo de anemia aguda". não submeteu o poder explanatório do esquema analítico a um teste empírico completo.. Não inclui um estudo detalhado dos elementos estruturais que predispõem em direção a uma ou a outra das reações alternativas.!}~illl. N . a relevância dos processos sociopsicológicos que cieterminam a incidência específica dessas reações. ~':ll"~0~m deixou claro que êste conceito se referia a uma propriedade da estrutura social e cultural. são os estudos teóricos da anomía. um dos 225 estudantes da "Oglethorpe University". efetuada por . o bastante para tornar-se (quase ~.~:r.Jontoextrelno. 17 de maio de 1950. e não a uma propriedade dos indivíduos que confrontavam tal estrutura. que agora serão examinados. Como exemplo de vulgarização.Totten. observemos o caso do semanário que publica uma investigação sóbria e cuidadosa.. abordou só de leve o comportamento rebelde que procura rerormular a armação social. Êste ensaio acêrca das fontes estruturais do comportamento desviado constitui apenas um prelúdio. sem todavia negá-Ia.l!~Ç~()_ t~~~=-S~_<:'~~~~~l!~_~Irl_eI1_!e -'!mi!~~~ em efrciência. Sugerimos que êstes problemas.bar~l~lJlEJ~.) inevitàvelmente) vulgarizado. o COI\CEITO AMPLIADO DE ANOMIA Conforme foi elaborado por _pm:l<.234 Robert K.

Êle ri dos valôres de outros homens. que está sujeito a conflito entre esquemas de valor.t ... em COlaboração com Reuel Denney e Nathan Olazer.h Sociologia - Teoria e Estrutura 237 Êste conceito psicológico da anemia foi simultâneamente formulado por J. trabalham em uma ou mais direções identificáveis. Todavia.conjt:nto de valôres normativos que governam li conduta comum dos membros de uma determinada so~i~.lm..al Scienee.:paxson. 1951. Tile Lonely Growd (New Haven: Yale University Press. o. nota publlcada em Individual Psychololy News Letter: Organ of the Jnternational Association of Individual Psycilology..I.:. efalvez em espécie. "o enfoque (e ~ª!:J:yer:. é assim psícológico Cisto é. 2 ~ ( j.~~~::m. 256.o qual adota a grafia da palavra tal como era usada no século XVI (Uanomy".. antes que sejam novamente reunidos.. R. e não um substituto para êle. escolhidas entre um número limitado. • mas 4. O homem anônimo tornou-se espiritualmente estéril. M. nem as tendências ao equilíbrio de um sistema de interação social podem desenvolver-se no acaso.3 Que o conceito psicológico de anomia tenha uma referência derínída.' "Anemia"... Conforme tem sido observado. são também.Jguém que foi arrancado de suas raizes morais. 5_ Parsons. não se conclui que êste seja o único processo que favoreça a condição social da anomia .. agirem de acôrdo com os ditos valôres e impossível para os outros indivíduos. . 321-325. Quando a estrutura social e cultural estão mal integradas.significa o estado de espirito de r. tal como sucede com outras condições da sociedadeva a_nomiª. 1950) 84. cepção.j. Evidentemente. Tendo identificado alguns dos processos que conduzem à anomia. Ta~çºtt .. os valôres culturais podem ajudar a produzir um comportamento que esteja em oposição aos mandatos dos próprios valôres. é fora de dúvida.varia er. Sebastian De Orazi ••.267. 1950). mas. diferentemente sujeitos.embora o estado de espírito possa refletir tensões sociais).~ito psicológico é uma contrapartida do conceito _ socíológico da ano mia.dade ou grupo. há uma tensão rumo ao rompimento das normas ou ao seu completo dasprêzo. pressupõe que o ambiente mais destacado dos indivíduos possa ser concebido de maneira útil. E por estrutura social se entende o conjunto organizado de relações sociais no qual os membros d~ sociedade ou grupo são implicados de várias maneiras. " -. de um lado. . Ansbacher procure relacionar a anornía com a noção adleriana de f<falta de ínterêsse social" num". Brookes. quanto às motivações. Sua única fé é a filosofia da negação. A anomia é então concebida como uma:rupturfl..ngnl. H.RªrtJ<:::ur~l"!llentEl. como envolvendo a estrutura cultuJlIl. (os grifas são nossos). . Robert F. H. Isto quer dizer que Jl.está quebrado ou fatalmente enfra~quecído ". que já não segue quaisquer padrões DIas : somente necessidades avulsas. 1953) 67·78. Londres. Maclver. conforme foi explicado nas páginas anteriores. a um ou outro tipo de reação a ela. Sob êste ponto de vista. a estrutura social pressiona os valóres culturais. 46.julho de 1956.236 Robert K.. de outro.PJ:C>pri::1. diz Maclver.eít. Tal conceito pressupõe que. reage somente diante de si mesmo. dos "anômícos". "The anatomy of anorníe". o capítulo anterior formula uma típología de reações adaptativas a esta condição e descreve as pressões estruturais que proporcionam maior ou menor freqüência de cada uma dessas reações entre os diversos estratos da estrutura de classe. . 1952.um artigo em revista que examina cs recentes extensões conceptuais da anemia. não é responsável para com ninguém. a 'primeira exigindo um comportamento que a outra dificulta. estIª. L.emente concebida mas equivalente. !. tal como o atestam as estantes repletas dos psiquiatras. pelo contrário. 3.nç~~.' . Politic. de grupo e de obrigação. 38·49 . 2.kh~!m". por David Riesman..: . op. Brookes. Conforme esta con...con(.. que já não tem qualquer senso de continuidade. Isto tem o mérito de assinalar terminológicamente o fato algumas vêzes anunciado. .sadotou esta tipologia e a derivou. M. as teorias e pesquisas posteriores estão orientadas à procura de outras fontes padronizadas.er e por David !y. ~ ~-. '12-74.L:qbro'::. Bales e Edward A. A estrutura social age co_mo barreira ou como porta aberta para o desempenho dos mandatos culi turais.~o l1~~a disJ\l. Cluan. descrição independent.. o que se diz de uma pode-se dizer de ambas. mas treqüentemente esquecido de que.falta de finalidade) que formam o aspecto subjetivo do conceito de. o Que resulta em proíundas angústias. Talcott Parsons.: ~\. mesmo sendo tais conceitos intimamente ligados.ç. DU. que se refira a "estados de espírito" identificáveis de indivíduos particulares. f ocorrendo. E acrescenta: "A anomía é um estado de espírito no qual o _senso de coesão social mola principal da moral . Shil. geradoras de um alto grau de anemia. junho. devem ser conservados separados para finalidades de análise.~MJ!. 3./-jJ: mia simples se refere a um estado de confusão num grupo ou sociedade.. 85 e todo o Capítulo X. do seu esquema conceptual de ínteraçâo social. e seus tipos psicológicos (de anomia) correspondem aos elementos r ansiedade . ~:.ly._d9_gr]'!P.Q~. Vive sôbre a débil linha da sensação entre nenhum futuro e nenhum passado".U.s Esta análise parte da suposição de que nem as tendências a um comportamento desviado.c()nduta divergente tem suas n0J:lIl~s.aguda entre as nore metas culturais e as capacidades sOGia. enquanto outros adotam "anomie") . Tile Political Commnnity (trníversíw of Chicago Press. a anomia-:: aguda é a deterioração e. M ertott \ . O conceito sociológico da ano mia. - i. e a estrutura social.enteestruturacas dosmem!J . The Rarnpar-ts We Guard (Nova Iorque : The MacrnilIan Co. Tile Social System.tos de classe não são apenas diferentemente sujeitos à anomia. resultando em algum grau de mal-estar e num senso de separação do grupo. passím: cf. no caso extremo. Neste contexto a estrutura cultural pode ser definida como o .!!Lagir de acõrdo com as primeiras.na estrutura cultural': R. 287 e segs. Esforços têm sido feitos para captar os conceitos psicológicos e socíológicos que distinguem a anomia "simples" da anomía "aguda". a anomia para êle é um estado de espirito. Workíng Papera ia the Tileory of Action (Glencoe: The l"ree Press. não um estado de sociedade . Compare-se 2. 1948). 44·51. 4. tornando possível e fácil aos indivíduos que ocupam determinadas situações sociais dentro da sociedade. . Uma vez que suas formulaçóes são substancialmente semelhantes. A premissa aqui subjacente é a de que os..isolamento . a desintegração dos sistemas de valor.4 A ano. .

fazendo mais para tentar controlá-Ia. e as de3atuação compulsiva e de!aceitação compulsiva.Juvcnile Dcliuquency (Nova Iorque: Columbia trntvcrsity Press. caso se deseje utilizar o conceito da anomia na pesquisa empírica. segundo fôsse o modo de ação orientado ativa GU passivamente. Ibid . do que as expectativas [institucionalizadasJ" exigem ou. 9. MCTton Sociologia - Teoria e Estrutura 239 I. é essencialmente o mesmo que o anteriormente estabelecido por _~erig:n. A transcrição específica dU. apenas medído com aproximação por êste particular feixe de variáveis. bem como tais tipos intermediàriamente conceptuais de reações. passivamente. 10 Através da análise de fatõresem oito itens característicos de formulários de recenseamento. t' Um passo nesta direção foi dado por _~fl()SJole. feitos muna cidade norte-americana. como a inovação. 147-157. o crime e o suicídio. 'I'owards an Lnderst andíng of . Esta escala pode ser tomada corno medida de ano mia. and prejudice: a replication". numa versão ampliada. 7. ou nas formas culturais para com as quais a conformidade é esperada.iá que foi formulada tão recentemente. o fator anômico é. 63-67. fundamentalmente. intitulada "Social integration and certain corollanes". a convicção de que não se pode contar com associados pessoais para apoio social e psicológico. por Ernest Greenwood. e ainda. VPT também o instrutivo t. inspeção. No entanto. lVorking Papers. 9 Conforme . _~1Jl'kheim não proporcionou direção explícita e metódica em relação aos vários sinais de anomia. Parsons e outros.s Em parte. e (5). um dos quais êle designa como "um fator anômico". quatro -direções. 8r01e duvida que seu estudo haja sido efetivamente replicado. intitulado "Secial dysrunction .»4). a percepção de que as metas da vida se afastam em vez de se realizarem. and social distance attitudes". significando. à. qus o comportamento desviado pode. é evidente que se necessita de outra meaida da ano mia.tes itens é relatada em Alan H.• 1956. grande quantidacie de residentes não-brancos na área e uma pequena porcentagem de moradias ocupadas pelos proprietários . 68. êle identificou dois feixes de variáveis. é claro que se devam desenvolver índices. na nota 14. Num trabalho lido perante a Sociedade Sociológica Amerícans. "Anornic. para a análise das estruturas social e de anomía". 7 Tais manifestações concretas de reação a tensões anômicas. o ritualismo.indica com alguns detalhes. Êsse tipo de classificação mais complexa dos tipos de comportamento desviado ainda tem que ser utilizado de maneira extensa nas investigações empíricas. (4) um senso de futilidade. seja ativamente "'tomar a situação nas mãos'. porém.Bernard Lander . os cinco itens compreendidos nessa escala preliminar se referem a: (1) a percepção de que os líderes das comunidades são indiferentes às necessidades dos indivíduos.e Esta primeira ampliação da tipologia da reação. Sua limitação decisiva deriva de uma circunstância com que regularmente se defrontam os sociólogos que procuram estabelecer medidas de conceitos teóricos. conforme se observará. como condição objetiva dz vida do grupo. a escala incorpora itens que se referem à percepção do indivíduo em relação a seu ambiente social. Continua. Demonstrou se ainda que êste paradigma. 74. Robcrts c Milton Rokeach. do lado da alienação."o molde norrnatdvo" .inclusive o repúdio à mudança como objetivo em si . alcançado de modo independente. 62. no melhor dos casos. persoriaãíty. Com isto êle significa que êste feixe de variáveis . conforme fôsse a necessidade de expressar a alienação do molde normativo . 1956. a caracterizar os tipos de reação em têrmos de serem êles ativos ou passivos. Um progresso sintomático em direção a êste último tipo de medida foi feito por . elaborando os dados sociais que por (Yí INDICADORES DA ANOMIA S. (2) a percepção de que pouco pode ser realizado numa sociedade.as conexões moldadas a outras pessoas. authoritarianism. às de ausência de norma observáveis e às relações sociais deterioradas. mais ainda.238 Robert K. assim. Os tipos de comportamento desviado podem ainda ser subdivididos pela distinção entre casos nos quais as tensõas surgem principalmente nas relações sociais com outros. "New dircctions in delinqucncy research". tal como é subjetuuimente experimentada. Isto dava quatro tipos de rumo: os de!agressividade e deCretraimento. ou o afastamento em relação a elas. r. 355-358. 6.' Mais especificamente.como à estrutura social .possuindo os vaíõres de alta porcentagem de delinqüência. à percepção do seu próprio lugar dentro daquele ambiente.parece. Num comentarto publicado a respeito deste trabalho. 30. "ficou demonstrado que o desvio tomava. . especialmente os Capítulos V-VI. êste esfôrço para desenvolver uma escala de anornía tem várias limitações e algumas inadequações.rabalho em artigO de revista baseado sôbre ôste livro. porém ainda não publicada. porém fornece um ponto de partida em direção a uma medida padronizada oe anomía. do lado da conformidade compulsória. Thc Social Scrvícc Review. (3). Como ~allQer é o primeiro a reconhecer.ou de manter a conformidade compulsiva com o tipo normativo e com a adesão à mudança e. 19. Ibid. 1956.' Nas palavras de _Parsons e 13aJes. como a delinqüência. em 1951. tal como é percebida e experimentada por indivíduos num grupo ou numa comunidade. Tal como muitos de nós que temos de seguir suas grandes pegadas e conseqüentemente vacilamos um tanto nestas áreas excessivamente espaçosas. em parte. 61. . tornam-se assim classificáveis como resultantes de certas propriedades abstratas de -sistemas de interação identificados por iParsons. que seja considerada como bàsicamente ímprevísível e onde falte ordem.sI:g~. Americau Journal of Secíologv.aracterizar áreas de relativa ausência de normalidade e de instabilidade social. ao desenvolver uma "escala de anemia" prelíminar. "demonstrando insuficiência em afirmar o grau de contrôIe ativo" exigiuo por essas expectativas. o retraimento e a rebelião. 10. continua a referir-se tanto à estrutura cultural .

t L~ \. Irvin Gordon Wyllie.)\'. da maior quantidade possível de dinheiro. o que é bastante evidente. com invejável clareza..a saber.. embora o "sucesso" tenha evidentemente sido definido por diversos modos na cultura norte-americana. porém.S_ . adotado . 286-288 dêste volume e Paul F. Ainda é muito oportuna a observação anaI (J~. Outras contribuições substantivas têm surgido recentemente... as conquistas de um Dom Juan . por um pequeno vôo da imaginação. isto não que. pela admissão de que êle se enraizou firmemente na. assim como o comportamento dos indivíduos do mesmo tipo poderia ser examinado em grupos. Pode-se dizer que tem sido comum a tôdas as espécies e oondíções de homens. nobres.·· A utilização de <:!~o? oficiais disponíveis da contabilidade social é apenas um substituto .do êxito monetário.41 no traba- parte na série estatística organizada pelas entidades oficiais .lI n . com a cultura especifi~ i camente norte-americana). li. 1 i l t ~.alrneIJ.!l. W. artistas.r_a.de . o TEMA DE SUCESSO NA CULTURA AMERICANA Devemos recordar que temos considerado a ênfase sôbre o bom êxito monetário como um tema dominante na cultura americana. soldados.ório. c~ rf litica feita de longa data por Max ~~~%. assim.. a circunstância de que tais dados da contabilidade social que acontecem estar à mão não são necessàríamente os dados que melhor correspondem à medição do conceito.12 O _QpjetJyo. no caso presente.possibilidade . l Watts & Co. i n. J.grnàticame!l. cocheiros. 113. 13 c : Êste pesado acento sôbre c sucesso financeiro.ç \: i das em várias posições na estrutura social. Mudanças de residência podem ser uma medida indireta da proporção do rompimento nas relações sociais estabelecidas.JJ. recentemente emprestou maior apoio àquela opinião muito generalizada.m-." se apenas desta extrema ênfase nos objetivos.!L Uma lista de estudos de história e de sociologia histórica ~. Essa espécie de pesquisa constitui evidentemente o próximo passo à frente no estudo da anomia. como sejam a situação ocupacíonal.240 acaso estão regístrados Robert K.. indiretas e altamente provisórias medidas da anemia. Ortginando-ss do conceito dos componentes subjetivos e objetivos da anemia.:\'·.qualquer que seja o caráter do objetivo . M erton sociologia -Teoria e Estrutura funcional e estrutural da anomia estabelecida 2. Considerações pragmáticas desta espécie não são evidentemente uma alternativa adequada aos índices do conceito. a composição racial e a propriedade das casas conduziu Lander a usá-Ias como medida da anomia. The Language of Social Researeh (Glencoe: The Free Press.t_~. Pois assim como Dl:u:kbeim teve que se basear apenas em estatísticas oficiais. também devem ser as escalas de seus aspectos subjetivos.te!egí~i!ll(Js derivas\\'. ver a seção acêrca de "índices estatlsticos da estrutura social". 1954>.i.: t\:)(j\ "r'l 0.realização Irvin GOrãon Wy1lie tem demonstrado que. Larider. com vários graus de anomía .PX9vi. nas conterências de Josinh Mason .~=""'"~ . Lazarsfeld e Morris Rosenberg. . 11 As recentes contribuições teóricas e de processo clarificaram assim o conceito da anomía e começaram a modelar as ferramentas necessárias a seu estudo sistemático. Isto não é um simples conselho de perfeição inatingível. de acumulação de riqueza pessoal ou. concebidos tanto como normatívos e como relativos ao rompimento. The versity trní- Press.que a disjunção entre as metas . médicos.~rlçª.o impulso para auto. .:\-::"I'\') "U 7. e indicado as tensões que o mesmo impõe diferencialmente sôbre as pessoas situa:' .---_ .: 1. nenhuma outra definição "goza de tal prestígio universal nos Estados Unidos. Em sua detalhada monografia sôbre o evangelho norte-americano do suo cesso mediante a ajuda a si mesmo. jogadores e mendigos. Seienee and Social Action (Londres: Self-Made Man in a extensão Ameriea (New Brunswiek: Rutgers 11. . está o requisito também evidente de que a pesquisa sôbre as rentes e as conseqüências da anornía devem tratar simuttãnearnente da !ntegração dos dois tipos de componentes. Apenas afirma.i~!5ti~tlcioIJ. indireta e altamente provisória. aproximada. . A teoria mantém que qualquer ênfase extrema sôbre as realizações quer sejam de produtividade científica. poderia ser sistemàticamente comparado..: "O impulso de aquisição. )~ ria significar.. O.usarosmeiosinstitucio~ o nais .• ------------ + ~. 1954). Evidentemente. 13.:'\('~\:" 12. a busV ca do ganho. nada tem a ver em si com o capitalismo (e. especialmente entre os indivíduos ) que estão em desvantagem social na corrida competitiva. do que "i\ '~' aquêle que identifica o sucesso com a capacidade de ganhar dinheiro". com os cutros componentes objetivos da anomía. sôbre as relações sociais rompidas. Sprott tem expressado isto.. . e_.çulttlIªis e os _~~i9. . cruzados. proferidas na Universidade de Birmingham. a situação conjugal e a desintegração da família (divórcio). (e por diversos modos entre os vários estratos sociais)..:.que produz uma tenQ G· são em direção à anon:lÍa. 3·~ e em tõda do livro .. H. isto Significa que o comportamento dos indivíduos "anômícos" e "eunômí cos".. cultura . foi escolhido para a análise üustratíva. -. Concreta e Ilustratívamente. \) . obrigando-o a empregar essas aproximadas. dentro dos grupos que tenham um grau determinado de anomía objetiva. 1955). como "sintomático" ao invés de considerás -lo como um progresso decisivo. em todos os tem. funcionários desonestos.. evidentemente nâo é ~ peculíar aos norte-americanos. as quaís têm influência direta sôbre uma outra da análise lho anterior. prostitutas.conüíto entre os objetivos culturais e <l. _ conforme repetidamente salientamos . l 14 '--' . teàricamente derivados. que assim como as escalas dos aspectos subjetivos da anomía devem ser ainda melhoradas.É. é evidente que a medição seria substancialmente melhorada se se pudesse obter dados diretamente colhidos. Êste impulso existe e tem existido entre gar~ çons.atenuará a conformidade com as normas que governam o comportamento destinado :1 alcançar a forma especial de "sucesso". Quanto à lógica geral desta espécie de análise. É por isso que descrevi o engenhoso estôrço de.norteIt> :ª. assim o fato fortuito de Que os dados do recenseamento de Baltimore incluíam itens sôbre a delinqüência.

nwlôgrore"mltamint". tal como a estrada pública de pedágio. êsses repositórios de sentimento moral.YIl. o fracasso representa uma dupla derrota: i a derrota manifesta de permanecer muito par. publicados após a morte de Stephen Girard. Win Who Will (Filadélfia. O mandato moral de alcançar o êxito exerce assim pressão sôbre o indivíduo. assim como sôbre a possibilidade efetiva. colégios comerciais. no decurso da educação formal e da socialização informal.~nt~d~s--indivíduos que por acaso tenham impulsos aquisitivos. A. de êxito e consideram apropriado que todos se esforcem para atingi-Ia.9g!l~~c1. The Dream of Sucess (Baston: Líttle Brawn. é que esta é "uma sociedade que atribui alto prêmio sôbre a afluência econômica e a ascensão social para todos os seus membros" . Jack London. nas palavras de Henry Ward Beecher. pois.~ e segundo. Conforme _Wy~li(3demonstra. Sígmund Díamond analisa uma grande lista de necrológios. numa significativa proporção de casos. 1930). op. das cartilhas reírn. Ü' sucesso será(p. J:~~rm~lh_~_:I:. (Págs. mesmo os manuais de sucesso "instam os homens" a "irem para adiante e ganhar" fazendo Dreíser. Max Weber. 22-23. Norris e Robert A durável presença do mesmo tema na série aparentemente inexaurível de leitores das obras de McGuffey é demonstrada por Richard D. esta expectação padronizada~_. . cit. ocasionalmente. 15 A característica dessa doutrina. mas que prometem "sucesso". Frank. 137 e segs. usadas nas escolas primárias por tôda a extensão do país.: Publ ic Affairs Press. está aberta igualmente aos filhos do mendigo.erlJ.18 Isto conduz naturalmente ao tema subsidiário de que o êxiW_oJJ_ . David Graham Phillips. pode tornar-se definida diferentemente entre os diversos estratos sociais. citado por Wyllie. mas sim uma _ exp~cJ. e no entanto todos têm direitos. Morgan.i trás na corrida para o sucessoje a derrota implícita de não ter a capacidade e a energia moral necessárias para se obter o êxito. que lhes diz: 'Trabalhem!' e mediante o trabalho faz dêles homens". Fishwick. Richard D. American Heroes: Myth and Reality (Washington. (Como veremos adiante. I Êsse tema cultural não só assevera que o sucesso monetário é possível para todos. pressas sem cessar.C. de lutar pelo êxito monetário e de conseguí-lo .<7 seu em qualquer tempo. não se trata do fato de que os padrões idênticos de realização sejam concretamente exigidos de cada C0'l11ponente da sociedade. Contudo. to de que. não importando a posição inicial. fora da lei ou dos costumes. 15.. se fôr possível. ou mediante o emprêgo de meios fraudulentos. a ameaça da derrota impulsiona os homens ao uso daquelas táticas. Qualquer que seja a verdade objetiva ou a falsidade da doutrina. º 16. mas que. Isto é ainda amplamente documentado pelo resultado de uma série de análises do conteúdo dos romances mais lidos.llYlellte . apropriada parª. associações meroanüs de livreiros. mas bondoso seio da pobreza. às vêzes. 1947)_ Ver tainbém Marshall W. e pelos valores reafirmados nos necrológios de alguns dos mais famosos homens de negócios. e unicamente a nós compete utíli'zar êsses direitos". e ao descendente de reis. Há taxas a serem pagas por todos. propagam insistentemente êsse tema. mas as orientações culturais predominantes dão grande ênfase a esta forma. mesmo quando o comportamento seja divergente da norma.17. a natureza e extensão dêsse movimento para cio ma. enraizados na natureza humana.cl[l CClUlO. P. As normas morais evidentemente continuam a reiterar as regras do jôgo e a pedir que seja feito o "jôgo limpo". John Jacób Astor.. em todos os países da terra. na escada econômica. Merton.defillida. em qualquer exemplo t. sob quaisquer circunstân-j cías". John D. 'Ehe Pro testant Ethic and the Spirit of Capitalism (Nova lorque: Charles Scríbner's Sons. Mosíer . onde quer que tenha existido a sua possíbílidade objetiva". 22.14 Mas o que distingue relativamente a cultura norte-americana sob éste aspecto e foi tomado como ponto central para a análise dêste caso no capitulo anterior. 1955.. Rockefeller e Henry Ford. e assinala a freqüência constante do conceí-. lIfaking the American Mind (Nova larque: King's Crown Press. Mosíer.242 Robert K.'lo esfôrço à busca do sucesso não é-~m -..).cassa deve queixar-se apenas de si. nos variados meios de comunicação públicos e particulares que atraem a atenção dos norte-americanos há uma ênfasé relativamente acentuada sôbre a obrigação moral.. esta proposição é bastante diferente da proposição empíríca de que as mesmas proporções de pessoas de tôdas as classes sociais aceitam de fato esta ênfase cultural e assimilam-na em sua estrutura pessoal de valôres) . 18. Cornelíus Vanderbilt. McCurdy.. É neste terreno cultural que. poia o corolário do conceito do homem ..Gultural é dupla: 'primeiro.ntedas qualidades pessoaís : de que quem fra. É apenas o fato de que no púlpito e na imprensa. a definição predominante arranca um tributo psíquico daqueles que malograram. quando um homem "tem as qualidades exígídas. J.-_oguevencena vida por esfôrço próprio (self-unmademg'flc)éodo homemque se desfez a sjmesmo . Herrick. D. na ficção e nos filmes cinematográficos. 1872).[lçl1:~. _cada compoll~~tQ_ga_sociedade não levando em consideração sua situação inicial ou _posição na vida. 16 E na obra The Reputation ot the American Busineesmanu.~. Na medida em que esta definição cultural é assímílada por aqueles que não acertaram em seu alvo.19.iram". se fôr necessário. C. Lynn. 1955). Sociologia - Teoria e Estrutura 243 pos. para ser bem sucedido usando dos meios normais. palestras inspiradoras nas escolas. como também que o esfôrço para conseguir o sucesso incumbe a todos. 1954>17 Cambridge: Harvard University Press.. e uma grande biblioteca de manuais de sucesso. Citado por Wyllie. é "o duro. Tal como uma cartílha de sucesso do fim do século XIX retra:tou admiràvelmente essa crença cultural: "A estrada para a fortuna.s()c:ifl.n pesquisa o penetrante tema da subida "dos andrajos para a riqueza" nos romances de Theodore 14. e é importante que isto não possa ser descoberto com facilidade. as aparentes desvantagens da pobreza são na verdade vantagens. Evidentemente.omadoem particular. Kenneth S. em qualquer lugar.

Gordon. ver Wyllic. também são K!pTcsentadas por Gcrhart saeninfluencc of discrinünation on minority group mernbers cornbat díscrimínatlon".do mão de tôda espécie de truques para alcançar a porção de votos nccessários. cultural sôbre . em parte talvez como reação ao conheCImento cada vez maior da estrutura real de oportunidades e.oJ1Jvb_CllItur~lm~n. Mas se as mensagens dirigi das a gerações de americanos continuam a reiterar o evangelho do sucesso. a "ausência de norma". admitir que os dois estejam inteiramente separados.. simplesmente porque não são idênticos. 19. Ori~onSwett Marderi. "correr em redor" e não apenas S8'gundo a forma praticada pelos pequenos políticos da Roma antiga. Seus achados não eram inteiramente novos. Numa considerável extensão. É matéria para pesquisa. fim de examinar suas práticas. os populístas.LB_. O que descobriram dificilmente se enquadrava no tema de riqueza através da virtude. Seria igualmente errado. contudo. Class. examinando a pesquisa que sôbre êle tem sido focalizada.~ uso de todos os meios disponíveis para chegar à frentc dos competidores".. encontrem expressão teórica e forneçam uma explicação para subida vagarosa e limitada na hierarquia econômica.!p~.!esJ)eit~ª'(). ambiciosos e capazes que esperam alcançá-Ias.meta. resultando daí o componente da anomia. Provas adequadas acêrca das aspirações e reae raciais. como no tratado compreensivelmente anônimo de 1878. regiões e estratos de classes tenham assimilado uniformemente êsse conjunto de valôres. pois os céticos já de há muito suspeitavam flue OULra coisa além d2. não se deve concluir que os america-: DOS de todos os grupos. Aquêle popular missionário do evangelho do suces'80. numa mult.prova concreta de que os maiores barões eram barões ladrões. como reação às conseqüências desmoralízadoras. DIFERENCIAIS NA ASSIMILAÇÃO DOS VALÔRES DO hXITO Num trabalho recente. O número de tais posições e as oportunidades para tal acumulação de dinheiro nunca corresponderam. lIyman. . ou alcançar conspícuas posições. colecionando e reanalisando dados disponíveis em pesquisas de opinião pública.::. Hou: to Become Ricti . Sób condições ainda a serem idennrícadas. pulicario no comêço do século. contudo. "f"' . " (123) Êste problema pode ser esclarecido mais adiante. 146. o tema de êxito ainda domina as manifestações públicas da cultura americana. Journal of Social Psychologl~. Éste processo que conduz à anomia. advertiu seus leitores: "'O fato é que a maior parte de nós nunca pode esperar ficar rico' ". _Wyllie e outros recentes estuuantes do assunto acham que tais conceitos são ainda somente secundárrcs na cultura da época. É por isso que. "Thc valuc tõres. Não há nenhuma passagem rápida e íninterrupta dos valôres expressos na cultura popular para os valôres pelos quais os homens vivem presentemente.: que uma extrema ênfase. 19~0. 20 Embora estas doutrinas.elecido tende a ~fHüificaT todos os meios que perrnitarn ao indivíduo alcançá-lo . no qual as normas são despojadas de seu poder de regular a conduta. "The in its relatíon to attempts to comparáveis.tQd()sinstítucíonalmente recomendadoapara camí_~h~_f. systems of dl Hercrit classes" em Bendix e Lipsct. 95·120. sóbre o processo de "desmoralização". Herbcrt H.dâo selecionada.. 144 e scgs. Isto é o que S3 pretendia dizer-no ensaio anterior. a julgar pejo que diz a história.'m bUscfL. os jornalistas ínvestígadores de casos. que . organizando monopólios e esmagando os competidores".a. lizações das minorias religiosas ger e Norma S. manda. e não para suposição. Isto equivale a dizer que. ela é de vez em quando contida dentro de limites que aconselham a mo-{~erar as aspirações..teestab. 31. na introdução da Parte Ir dêste livro.!a__ º". Status and Power-. tal pode ter ocorrido na sociedade norte-americana. como um general que a. foi dito que "entre os problemas que exigem ulterior pesquisa (está) o seguinte: a extensão em que os norte-americanos de diferentes estratos sociais assimilaram efetivamente os mesmos objetivos e valôres culturalmente induzidos . 21 Conforme êle colocou pela primeira vez o ponto em discussão: "É claro que a aná2D.es recentes estudos confirmam o que fóra antes observado com !reqüênci. Para essas e outras observações 21. E "no período de 1880 a 1914. M erton Sociologia - Teoria e Estrutum 245 . e jamais corresponderão ao número de homens enêrgícos. de corrupção I. edí426-442. homens que abriam seu caminho corrompendo as câmaras legtslativas. _H:e11:>~r. A "ambição" vem a aproximar-se do sígní. "muckrakers") e os socialistas.solrcítavam os votos de um e de todos em suas "zonas eleitorais" Iançan.s.Qe. da adesão irrestrita a 1-'ssa teoria. olharam por trás da fachada moral dos negócios. acomodando-se acs fatos visíveis do caso. isto é o sucesso em si mesmo". Em certo grau. os partidários de uma só taxa. virtude poderia estar envolvida no fato de se "fazer dinheiro". oferece uma filosofia de consolação que redefina o sucesso: "Tanto vale ser um soldado raso. em parte. 84-85.244 Robert K. licado de suas origens etimológicas. apropriando-se de recursos oficiais. É desta forma que . A literatura pubíícada a respeito dos homens "que venceram na vida' finge ignorar essa desagradável verdade".. podem-se produzir tendências compensadoras._JIYJl1_an abordou o problema. A ênfase cultural sôbre o êxito ao alcance de todos ficou contida dentro de certos limites. 19 Éft.. embora persista a teoria original. WyJlie. Um manual de sucesso.a meta do sucesso ªt~n.1? . O que constituiu novidade foi a documentação . Até um jornal como o American Banker diz ser possível afirmar que "apenas uns poucos de nós que repartem o destino comum são destinados a acumular grande riqueza. e tem boa reputação. os quaís tratam direta ou indiretamente da distribuição dos valôres dados ao êxito entre os estratos econômicos e sociais.s. verificar em que extensão foram assimilados os valores sob exame. Nem todos podemos ser generais. Se você é um bom soldado.especialmente 113 c segs.t. não tem que se desenrolar necessariamente sem obstáculos. l1.

_Jj:yman inicia seu trabalho observando que "o que é obviamente exigido é a evidência empírica sôbre o grau em que os indivíduos de estratos diferentes valorizam a meta do êxito culturalmente recomendada. É verdade que a análise reclama evidência empírica a respeito do "grau em que os indivíduos dos diferentes estratos" dão valor ao alvo do sucesso. Outro estudo diz que "o mito de Horatio Atgcr é um mito da classe média que se infíltra em a'gurnaf. citados por ~LIl!ll:.l. 1953. não publicado. W. Mack. a lista das evidências.. possuir sua própria casa. 21. 5-16. 23.oos. Amer-Ican Socioto eical Review. K.23 Outra pesquisa nacional encontra 63% dos profissionais liberais e empregados de escritório de categoria (gerentes e "executíve") expressando sua crença de que os anos vindouros ofereciam boa possibilidade de progresso. Fortu ne. Portanto. Na realidade. Pois. 1947. Ibid. afinal. médio e superior que são positivamente orientados em direção ao êxito proríssíonal e em direção aos meios estabelecidos para ajudar a consecução de tal êxito. de maneira preliminar. os dados de pesauisa de que B:YI1151n. Por exemplo. os mcrnbros da classe do homem comum" JoseDh A. (não todos ou a maior parte). em têrmos de uma Imagem das oportunidades.\bsoiutas para :. é assim complementar à análise teórica de -M. 1956. significativamente comprometidos ao tema.. em diferentes níveis dentro dos setores mais baixos da hierarquia ocupacío23. mas somente que maior número dêíes são sujeitos a essa pressão. dos que estão nos estratos sociais inferiores haja assimilado o mandato cultural do sucesso monetário. pois é tàcilmente acessível. além de sua presente situação.própría geração de quem as faz. A crençanas probabilidades realísticas da oportunidade de progresso no emprêgo parece ests. Kahf. capaz e ambicioso tenha oportunidade de subir no mundo. R. norte-arnericana do sucesso pode ser bastante mrütrante nara superar as di Ierencas na l:nf3sr: cu't ural encontrada entre .. mostra uniformemente os diferenciais nas proporções de adultos e de jovens dos estratos sociais inferior. Roper relata que numa pesquisa ele trabalhadores. outrossim. comparados com 48% dos operários fabris. assim como da extensão em que tais valôres são mantidos em ai versos grupos. verifica-se que a pesquisa subseqüente poderia ser dirigida com proveito em direção ao estudo da inten- sidade. P.. o enunciado precisa ser delimitado. que não é revista aqui em detalhe completo.246 Robert li.· S. acrecdtam que a oportunidade é disponível para êles.( 427) Em vista dos dados que são apresentados a seguir. o comportamento desviado ainda é o molde subsidiário e a conformidade o padrão modal.eriün:'. mas indicam somente a freqüência com que os índívíduos da amostra tirada dos diversos estratos sociais expressam algum grau desconhecido de aceitação do objetivo de sucesso e dos valôres relacionados. de aluguéis baixos. Capi tulo 3. qUI? a étrce. e mantêm outros valõres que os ajudariam ou prejudicariam em suas tentativas de se moverem em direção aos seus objetivos. Desde o comêço. como resultado de suas oportunidades relativamente menores. que a hipótese do capítulo anterior requer que uma apreciável minoria.protestantes e catól. 35. "The Protestant ethic. estratos sociais e comunidades. a análise não mantém que todos ou a maior parte dos membros dos estratos inferiores são sujeitos a pressão em direção ao. comportamento não conformista das várias espécies estabeiecidas na típologia da adaptação. se os dados disponíveis foram ligados apropriadamente à hipótese. Investigações empíricas a respeito da freqüência comparativa do motivo de sucesso em diferentes grupos sociais já foram iniciadas. 185-203. aquiescência verbal com o dito objetivo. '~ . a titulo de motivação.:. Por exemplo. é suficiente que uma minoria de tamanho considerável dos estratos inferiores assimile a meta para que os seus componentes sejam diferencialmente sujeitos a esta pressão.. nrssoas . mas não em todos. Ver Elmo. no<lamente. Merton.1947". de alcançar o sucesso monetário. "Educational and occupational aspirattons oI 'common rnan ' bovs". Harvurd Educationat Jtevtew. 24 Êstes 500 moradores. M erion Sociologia - Teoria e Estrutura 247 Iise de Merton admite que o objetivo cultural é realmente assimilado pelos indivíduos das classes mais baixas". 21. pelo menos até nos últimos anos da década de 1940. Yellin. Estas duas qualificações fornecem um contexto para localizar as correlações teóricas da evidência empíríca reunida no trabalho pertinente e compacto de. então. do que os situados nos estratos mais altos.düs ocupacionais. Na hipótese em foco. 427·428 [os grifos são nossos). West e M. a menos que êles sejarr. uma pesquisa nacional de opinião no fim da década de 1930 encontrou diferenciais de classe na crença da oportunidade ocupacional. Ibid. De modo geral. J. envolvendo comparações entre gcracões consecutivas. Éste estudo ínsínuu. 22. 58% do primeiro grupo (empregados de mais alta categoria) diziam que o trabalho mais l:nérgico lhes proporcionaria uma promoção. e que isto pressuponha a assimilação afetivamente significativa de tal valor. 70 por cento dizia que suas probabilidades de progredir eram melhores que as que seus pais tinham tido e 62 por cento acreditava que as oportunidades para seus filhos serram ainda meniorcs que as suas próprias. R.!. enquanto que só 40% de segundo grupo de trabalhadores manuais concordavam com esta opinião otimista A ésses dados. tal como se registra pelas respostas à pergunta: "Você pensa que hoje qualquer jovem que seja econômico. embora não com intr:~nção ele demonstrá-Io. Jahoda. podem acrescentar-se outros extraídos de um estudo soclotógico dos moradores brancos e negros de um bairro residencial nôvo. "A self portrait ot thc Amcrtoan people . é evidente que a meta do sucesso proporcionará pouco. Murphy e S. Um de tais estudos é de R. Êste trabalho. nos Estados Unidos. 437. pode ser mais pertinente. então. se valeu não discriminam entre os graus de com prornísso com o objetivo.valiações .1:IY1!lfl. Devemos notar. 53% confirmaram essa crença comparados com o que Hyman descreve como "apenas" 31% entre "os pobres". do que as n. e não a mera. Esta avaliação relativa das npnrf un id a.D. Pa tter ns of Social Life. levet of aspiration and social mobítítv : an empirical test'' . 22 Aqui.r razoàvelmente espathada entre os trabalhadores. Roper. torna-se essencial enunciar esta suposição mais claramente mediante sua qualificação: a análise admite que alguns indivíduos dos estratos inferiores econômicos e sociais realmente adotam a meta do êxito. 295<mO. e ganhar cinco mil dólares por ano"? Entre "os prósperos".

em suas ocupações em geral e em seu próprio local de trabalho em particular. comparadas com 42% dos· de "classe inferior". e finalmente. expressam a crença de que "alguma educação universitária" é necessária "para progredir na vida". 91% dos indivíduos "prósperos". embora ainda escassa. têm um sistema de valor que reduz a probabilidade de progresso individual. 14% dos jovens de ginásio. As perguntas que provocaram as estimativas eram estas: "Quais são as oportunidades de progresso para uma pessoa do seu nível técnico.. onde você agora trabalha. guantoITlais _lllto . cit. Hyman claramente observa a distinção entre ss proporções comparativas e as proporções absolutas (e os números absolutos). e dão grande valor a melhor educação como meio de progresso ocupacíonal . apoiasse a convicção de que é possível a subida na escala. 441.. também tomam como verdadeiro em seus ambientes imediatos. Sua observação é a seguinte: "Embora a evidência até agora apresentada proporcione prova consistente e forte. estimativas das opor. como grupos. . op.assunto que efetivamente desperta interêsse por seu próprio méos seus números 26. Na verdade. as porcentagens que registravam seuotimismo eram respectivamente 43. e 31% em empregos sem especialização (trabalhadores manuais) ou '. de escritório) 63% acreditavam que as oportunidades de progresso em suas ocupações eram boas ou razoáveis.I Primeiro. o qU. 47 e 44. nesta escolha dos numerosos dados resumidos por ~.1 248 Robert K. não é dizer que o faça um número maior de indivíduos da classe superior comparados com as pessoas da classe inferior. 25.ant~s em ... e não extrai as conseqüências básicas da. é que do ponto de vista da hípótese oferecida no trabalho anterior. Entre os trabalhadores negros. Da mesma forma. 58. terceiro tipo na avaliação das oportuniciades. Porém o que ~ymaD. particularmente entre os que detêm empregos um tanto mais ele. [Com relação a alguns itens. como um grupo. Em segundo lugar. vados. tudo isso muda. Embora não fôsse tão pronunciado o mesmo padrão prevalecia entre os brancos. do (ue pessoas de classe superior.26 A evidência. tendem a ser decididamente mais pessimistas na avaliação das oportunidades nos locais onde trabalham. ocorre nas. também é claro nos dado. 32 e 27. Numa passagem quase ao final de seu estudo. desde que o número de pessoas no estrato superior identificado nestes estudos é substancialmente menor que o número do estrato mais baixo. embora sujeitos a riscos. apresentados de que há uma considerável proporção do grupo inferior.tanto maior ~ proporção dos que acreditavam que as oportunidades de progresso em seus locais de trabalho eram boas ou razoáveis. Os trabalhadores brancos tendem a ver po_uca_diferença entre as probabilidades das ocupações em geral e em seus próprios locais de _ t:ra. acontece às vêzes que mais pessoas das classes mais baixas adotam êste objetivo. em sua coleta de provas. se ela realmente resolve empregar tõda a sua fôrça de vontade?" "A respeito do IUgE". Por exemplo. hipótese que tem em mão. Centralizando-se quase que exclusivamente27 nas promoções comparativas dos diversos estratos sociais que tenham um ou outro valor de orientação . expressou o desejo de que seus filhos freqüentassem 'urna universidade em vez de conseguir um emprêgo imediatamente depois de sua diplomação colegial. frente" nas ocupações em geral em cada nível sucessivamente mais alto desta modesta hierarquia de empregos. A estas provas sôbre as diferenças de classe e de raça acêrca da crença nas oportunidades ocupacíonaís.E!. de que os indivíduos da classe inferior. entre os brancos. Entre os negros. contudo. Ibid. que aspiram a empregos de alto salário. Mas €Ie assim o faz em conexão com um problema especial de teoria do grupo de rererêncía. comparados com 44% daqueles qUe tinham empregos semi-especializados. entrevistados em uma pesquisa nacional. um tipo de crescente otimismo acêrca das oportunidades de "ir pax:aa. derivados de famílias "pobres".a serviços domésticos..seuprópriQ local de trabalho. embora com uma amplitude significativamente mais estreita de variação. proporções substancialmente maiores dos I 1. culturalmente moldada nas oportunidades de sucesso ocupacíonal. como seqüência da dípíomação num colégio. sôbre diferenças de classe acêrca do valor atribuído à ~ducação form-al como meio de aumentar a possibilidade de sucesso ocupacional. Qualquer que sejam suas estimativas de oportunidades em sua ocupação em geral. Hyman.interessa não são as proporções reiatioas to mas das diversas classes 50ciais absolutos.balhQ: o que êles tomam como verdade em geral. O que essas estatísticas de expectativa ocupacíonal parecem demonstrar é que a freqüente convicção entre os trabalhadores negros em cada nível de ocupação é que êles são barrados no acesso equítativo à melhoria. M erton Sociologia - Teoria e Estrutura 249 nal. Hyman relatou que esta 'consíderãvei proporção' representa uma maioria substanciaJ]. quaís são as oportunidades para melhorar de vida?" . 430·434. ou de colarinho branco (empregados de comércio. pois o entrevistado está num estrato relativamente mais alto. li Jf estratos sociais mais altos do que dos mais baixos. além disso. deixa de anotar. 27.m·a Dizer que uma porcentagem maior dos estratos superiores sociais e econômicos adota firmemente o objetivo cultural do êxito. hã indivíduos nas classes superiores que não demonstram a tendência modal de seu grupo". o mesmo tipo. aliás instrutiva e útil. 74% de ·uma amostra de rapazes do grupo entre 13 e 19 anos de iamílias "ricas e prósperas". distingue definitivamente a perspectiva dos trabalhadores brancos e dos negros. expuseram suas avaliações de oportunidade de melhoria. Entre os negros com empregos um tanto especializa dos. apresenta constantemente diferenças nas proporções dos diversos estratos sociais te talvez dos negros 6 brancos) que afirmam a crença. que não incorpora êsse sistema de valôres . davam preferência por um emprêgo que proporcionasse alto salário mas grande risco comparado com 31% daqueles provenientes de familias de gerentes de negócios (". É como se a mera existência de outros indivíduos em estratos ocupacíonaís mais baixos que o próprio. qu1'··adotam o alvo cultural do êxi- . comparados com 68% dos indivíduos "pobres". pode-se acrescentar outra evidência. tunidades predornin. mais uma vez.0 nível de emprêgo. citada por _Hy!Uan. preferiam ingressar nas universidades.executives") e de profissionais liberais. 35 Surgiram três significativos tipos de apreciação.

. ra da sociedade americana que acarretam a maior dificuldade para que'h.> '>'. Desta maneira. "exerce pressão" favorável ao comportamento desviado. Assim como é oportuno identificar as fontes de diferentes graus de anomia em diferentes setores da sociedade. induzidas e os obstáculos socialmente estrutura dos em relação à realizaição dessas aspirações. Tal inquérito viria contrariar qualquer tendência impensada em pressu. embora ainda fa.C ~_. que adotam a meta. na estrutura de oportunidades.~}?:. tornar-se-à possível descobrir a topografía social da anomía .am (f3tes itens em diferentes estratos e grupos. e as fôrças que favorecem um ou outro dêstes tipos de adaptação.:t~) "{ Sociologia - Tecrui e Estrutura 251 ocasiões que se apresentam o objetivo na . as proporções retuttvas dos que se situam em vários estratos sociais e grupos que ex. que tem interésse teórico. descobrem-se medidas aperfeiçoadas para [. onde esteja no ponto máximo.~~~. 4. riqueza ou qualquer molde de comportamento.. a hipótese não exige que maiores proporções. com o comportamento desviado.. grupos e comunidades. . Talvez se possa supor que estas medidas continuarão a ser melhoradas.~". e as possibilidades padronizadas de viver conforme êsses valôres.. Há um crescente intercâmbio entre a teoria.1' . i:. pOr exemplo..'-[J~>~~ '~: . que elabora as ferramentas e os procedimentos para medir as variáveis. mas somente que um número substancial seja assim i orientado. . . ou mesmo maiores númelOS de pessoas dos estratos sociais inferiores sejam orientados em direção à meta de êxito. Por importantes que sejam em si mesmas.~-_:-Jf. Porém.. uma vez identificadas teoricamente as variáveis estratégicas.. ~. É claro que não é fácil reunir dados adequados a todos êsses itens úistintos embora relacionados. 'por que a sociedade norte-americana esteja uniformemente afetada pela anornía.nálise da vida social. Pois é a disjunção entre as altas aspirações culturalmente . tanto subjetivos como objetivos. ultimamente. exposição à meta cultural e às normas que regulam o comportamento orientado em direção àquele objetivo.. . 5..Hyman deixa de considerar os fatos que são mais pertinentes !t hipótese que está em foco. os sociólogos têm tido que trabalhar com medidas conressansmente aproximadas e írnperíeitas de quase tódas essas variáveis . '~l ~. o requisito analítico fundamental é distinguir sistemàticamente entre os achados sôbre as proporções relativas e sôbre os números absolutos 23 nas diversas classes sociais que aceitam () objetivo cultural.freqüência substancialmente diferente em vários estratos sociais.#:t~E~f~_.':·-.Ff-~~'·~~t''':'f~~~~~1?~c~t. 'C~ . se entende. e se.üga influencia na a. 6.:~" rito . Do ponto de vista dos efeitos sóbre a. e aceito e sua acessi- bilidade. mas importante daquilo que _\Y-~J~É'r denominou "ocasiões que se apresentam na vida". Vimos que.. de sucesso. '..: . o grau de educação formal.:(··~_~\. 0 rreqüentementc os núrneros absolutos e não proporções relativas que irnportam . como freqüentem ente o fazem em estudos sociotó~icos. do que entre os estratos da classe superior mais favorecida. jetívos. Em qualquer eventualidade. pode incluir uma proporção suficiente menor dos que são sériamente impedidos em seus esforços para avançar em direção â dita meta.. Por "número substancial". especialmente me(lidas aperfeiçoadas para o conceito ainda utilizado frouxamente. um número suficientemente grande para resultar em uma. Até agora.\(. a extensão da discrepãncui entre o grau de anomia. desviado de várias espécies estabelecidas na típología dos modos de adaptação.-~. que enuncia a significação de certas variáveis: a metodologia. 'I'ornar-se-á possível localizar os lugares estruturais na sociedade norte-americana. na estrutura das oportuuidades . sociedade. pois isto é que se Quer dizer quando se afirma que a disjunção entre as normas aceitas e as oportuni. iniciativas definidas têm -sido tomadas para se achar as medidas dos componentes da anemia.'. determinaria pela pesquisa os status na estrutu-. nota 16.2~:'. as proporções de comportamento I . conforme tem sido dito repetidamente.. a disjunção entre os valôros culturais que determinaram ao povo manter certos ob--:. que a necessidade de razer esta distinção tem l:õ:. é cada vez mais freqüente em sociologia que.ltem dados empíricos adequados sôbre isto.. 3. por exemplo. pelo menos de passagem. e que medidas adequadas para outras variáveis serão elaboradas.( nades para uma conformidade com essas normas socialmente recompensada. não deve ser permitido que obscureçam. talentos.:.~~~:~ -. que' se sustenta como exercendo clara pressão a favor do comportamento divergente.).. Um certo número de estudos recentes influi neste problema geral.' os indivíduos sigam os requisitos normativos. 28.. também é oportuno examinar as variáveis adaptações.\'. 33 .-~w· .\. nos estratos da classe inferior.) . que formula a lógica da pesquisa empírica envolvida nessas variáveis e a técnica. Deve-se notar. As pesquisas adicionais terão que resolver o difícil problema de obter dados sistemáticos tanto sôbre as metas como sôbre o acesso padronizado às oportunidades e de analisá-Ios juntamente a fim ele ver se ~ combinação de elevadas aspirações e pequenas oportunidades ocorre com .• .. pois. Pois.. desde que o número evidentemente maior dos norte-americanos da classe média. pode ser que esta dísjunção seja mais freqüente nos estratos inferiores de que nos estratos médios.usando. aceitação do objetivo e das normas como mandatos morais e valóres assimiiados. Ao contrário... e produz a anomia. como sendo um indicador de acesso à oportunidade.250 Robert IC M erton ~K. ver o Capítulo XII dêstc livro. Esquemàticarnente. 2.~. o" s!. bem atitudes particulares.8 mesmas. isto exigiria dados acêrca das diferenciais socialmente padronizadas em 1. disjunção mais freqüente entre os objetivos e a oportunidade. por sua vez estas diferenciais são relacionadas em diferentes proporções.(::::~y:. E mesmo. relativa acessibilidade ao objetivo: vida. e reconhecer qu~t é a freqüência da disjunção entre o al\'0 e o acesso socialmente estrutu~ado em relação a êle..:1.'.. Pare 0UtrOS exemplos desta mesma consideração. o fato igualmente importante dos números absolutos que manifest.

entre os itens de comportamento abrangidos na dita classe. também. op. Children 's Bureau. The Social Background of Delinquency (Unlversity of Nottingham.<. Delinquent Boys (Glencoe: The Free Press. ao que parece. Além do mais. 1954. à pág. . H. por exemplo. 1955). observa que "a defi. aquela que se inclui vagamente nos conceitos gerais de "crime" e "delínqüência".continua êle não explica a qualidade não utilitária da subcultura . desenvolve-se uma tendência de atender primeiramente às semelhanças . com a retenção dos objetivos culturais. outras formas de comportamento que do ponto de vista sociológico.nição legal de crime. Assim como classificar condições e processos profundamente diversos sob o único título de doença. Êsse tipo pode também diferir muito em sua natureza.:-.. 58. Uma vez que a lei proporciona critérios formais para êsses tipos de desvio. Daniel Glaser. Isto poderia na aparência caracterizar uma parte substancial do comportamento transviado que tem recebido a maior porção de atenção da pesquisa. Merton. l'l. Merton Sociologia - Teoria e Estrutura t 253 i A ANOMIA E AS FORMAS DE COMPORTAMENTO DIVERGENTE Inovação A primeira forma de comportamento divergente identificada na tipo. No entanto. 147-152. torna-se evidente que a teoria em discussão não pode dar. 433·443. "The conflict of values in delínquency areas". Glaser. levou alguns zelosos e sistemáticos médicos a crer que era sua tarefa fazer evoluir uma teoria geral da doença. Além do mais.o quep~Çl~fligr1Íficar rE. _ . 208-214.. 1955. New Perspeelives for Research on Juvenile Delinquency (Washington. tanto coloquial como científico. da ponto de vístauocíotõgícç.. Barron. American Joum"! of Sociology. Albert K. é questionável que 0 comportamento do jovem que haja desviado algumas peças de "baseball" dos seus companheiros tenha um sig29.. aquela que denominamos de "retraimento" _ são menos visíveis e recebem menor atenção. 1952. "Juvenile delinquency and American values".!fE!.H. sejam de espécie teõricamente semelhante.. sugere que esta teoria é "altamente plausível como uma explicação do crime profissional dos adultos e dos delitos contra a propriedade cometidos por alguns ladrões juvenís mais idosos e serniprofíssíonaís.QillPm1amentQ_. AmericanJournal of Sociology. cito .. Em seu li'. American Sociological Review.". 301-308. Terdadeiroem relação ao crime de 'colarinho branco'. êles vêm a ser relativamente observáveis e logo se tornam focos de estudo . 1951.. "White-collar crime and social structure". .. leva alguns a crer que deve haver uma teoria básica de "sua" causação. ~ Jõ2 lt Robert K. R.: U. 16. podem servir para obscurecer ao invés •.. W. _Tal..b~rt. 653·662. Uma vez que alguns dos principais ternas teóricos estão sendo examinados em relação com o livro de Cohen. JntE)iramente va. "Criminality theories and behavioral image.conseqüentes ou não . 24-50.ao cri~ me OU à dE)linqüência juvenil.. Ralph H. que tudo abrangesse. 7. de que deve haver uma teoria da doença. Hermann Mannheim "Juvenile delinquency". como um conceito que tud0!tl:Ju!:. estabe!ecida no capítulo anterior foi descrita como inovação...'. por exemplo comportamento de jovens.. também. de 13e referir à "delinqüência juvenil" como se tôsse uma só entidade. Department of Health Education and Welfare. do síndrome de Meniêre e da sífilis.'TO sensível às teorias. E o mesmo parece ser .. que se sabe que _Lc. British Journal of Sociology.r. 9. em The Howard Jnurnal. 38. Aubert. 163-165. Solomon Kobrin. a uma classe de comportamento.. o modismo consagrado. a versatilidade. 1954>. à pág.: . Witmer e Ruth Kotinsky.lberLK . por exemplo. Sprott.. 16. se consideram desvios das normas aceitas. "Infelizmente . ao invés de diferentes teorias de doenças: da tuberculose e da artrite. lLu. editõres. S.S!BJ:llp. Isto acarreta com freqüência a suposição de que a extensa. suger:!r . conta de tôdas as formas de comportamento desviado.. diversidade de comportamento dos indivíduos ~ue se lançam a uma ou outra rorrna de tal conduta. 1956. Sociology and Social Research. 30 A primeira e mais saliente afirmação feita por Cohen. Formas de comportamento sociológica e inteiramente distintas. embora não do legal. são apenas citadas as seguintes discussões que se referem ao paradigma da estrutura social e da anemia. Em contraste.cliiJ. 1951. 36.ca e que pode perturbar as formulações teóricas do problema. inclusive discussões per membros ds. "delinqüência juvenil". _. Turner. conferir.Jficiepte para...ria.. Jogía Diversos estudos indicaram ultimamente que os conceitos convencío.. e pode exigir explicações causais inteiramente diferentes".'. J. mostraria mais respeito pelos bens que assim adquiriu. provavelmente [representa] pouco em comum en. "nais de "crime" e "delinqüência". a decisão de abranger uma extensa lista de comportamentos sob a rubrica de crime ou delinqüência. ·se recordar que isto se refere à rejeição de práticas institucionais. 1956. convida ao consenso e merece rsíteraçãoj A teoria da anemia anteriormente exposta riesde I L 30. 270. "Value conflict in social disorganization". contorme resenha de John C.:. o 'gostinho: especial em praticar ação proibida e o total negativismo qUe caracterizam :1 subcultura delinqüente estão além do alcance desta teoria".C.do_€'díspar. op. American Suciological Review. conferência.por exemplo. vêm a ser designadas pelo têrmo genérico. como base para analisar o comportamento criminoso e delinqüente: Milton L. Spencer. a destrutividade. 263·271.29 No processo de aplicação de um têrmo. 1956).de esclarecer o entendimento da numerosa variedade de comportamento desviado à qual se referem . vez isto seja s1.. 61. 434. tal como o de crime' ou delinqüência.. Vilhelm Aubert. K. cit. isto não é muito distanciado da suposição de um Benjamin Rush ou de John Brown.ir·se . "The sccial-cuf tural envlronment and anomie". No pensamento lógico. Pode.tre todos os fenômenos cobertos pelo conceito. Se o participante da subcultura delinqüente estivesse empregando simplesmente meios ilícitos para a finalidade de adquirir valôres econômicos. em Helen L.~ nificado semelhante à ação do jovem que periõdicamente assalta membros de outro grupo..Q!:. tende a fazer supor que uma só teoria explicará todo o campo de conduta \olocado em tal categoria. Cohen . D.àriameDte __ 4escrito_c_Q· mo crímínoso ou delinqüente é.

todos os outros vícios tais como a insinceridade nas relações humanas. Da mesma forma.Jiga. é preciso atentar para as freqüências vat íáveis com que tais dificuldades se apresentam. comz. a infidelidp. 2>.si A "destrutívídade" tem sido amiúde psicológícamente identificada como urna forma de reação à rrustração continuada.as reaçÓés -á'gregu-das e alo gumas véze~ socialmente organizadas. babitualmente descrito como criminoso ou delinqüente.a. lL. ed.CI3. ]942). .o. centraliza-ss sôbre as pressões agudas criadas pela discrepância entre os objetivos culturalmente induzidos e as oportunidades socialmente estruturadas . 149.?se. 1936).líse sociológica. edição. ('\ ~. Esta._:escreve de seus pacientes oriundos "de norte-americanos da segunda geraçao.\ . Cgn. deve-se presumivelmente observar a interaçáo social entre êstes indivíduos transviados de mentalidade semelhante. Mas ao explorar êste assunto mais profundamente. parece que a "versattlidadeve o "gostinho" com que alguns rapazes praticam seus desvios apoiados pel. que_Ç. e então surge o formidável fenômeno do ímpíedoso carreírlsta . e. Por exemplo. a õesccnsideraçãc para com os outros.ªL_i.rcUl.. sobrepuja. Henry A_ Murray e David M.l ízar essa finalidade. antes de prosseguir na análise dos tipos de =soluções'' para as dificuldades que os "rapazes delinqüentes" encontram em seu meio social imediato. é necessário que vejamos a gênese e o crescimento da anemia como resultante de um processo social em movimento e não simplesmente como uma condição que ocasionalmente surge.lIl.C. como um repúdio persistente às autoridades que personificam a contradição entre as aspirações culturais Iegítimízadas e as oportunidades socialmente restríngídas. Contudo.. destruidores das normas deve.v. Sua análise cabalmente sociológica faz progredir consideràvelmente nosso conhecimento de certas formas de comportamento transviado.ll:a. sem alargar a teoria a fim de incorporar variáveis novas e ad hoc.n-ºr. Mckay.en efetivamente examina as fontes sociais e culturais dessas pressões. De maneira muito semelhante.j O segundo ponto será importante.(!:)sgsqciqL q1te. A.Y>'~.ndo tudo o mas.v e Henry D. Ver Merton. progresso total de comportamento desviado.._Tl}j::ª@g. análise essencialmente psicológica da formação dos objetivos de sucesso ilI mitado e. terá o mérito de focalizar futuras pesquisas sôbre suas correlações.1~n aplica especialmente sua instrutiva análise.rio" de.. ao qual êle própria se dirige. Society and Cn\turc (Nova torque : A. reimpresso por Clyde Kluckhohn.pJleJ:j" está evidentemente numa linha direta de contínuiuade com os estudos anteriores de_S. As reações a essas pressões. Knopf. se se revelar verdadeiro. sôbre a própria estrutura norma- tiua . Há sómente um meio de rea. contudo. .: serviu para explicar algumas. apoiado pela "gang" ou tUYma.!l grupoJ não.fim de colocar êste problema em seu contexto teórico apro- priado. e não tôdas as formas de compor~mento desviado.:. e C rracasso torna-se equivalente ao pecado. boa parte do cor. e especialmente. usurpando o lugar do pai no areto da mãe."n.~~nto des. _Fn::. o sucesso torna-se supremo. êle prossegue observando que "êstes estudos diziam respeito principalmente ao problema de como se transmite aos jovens a subcuttura da delinqüência e que o problema correlativo.!. "um resu.ºh~Jla1/l.Sociologia - Teoria e Estrutura 255 254 Robert K. tal como foi proposto por _IS.tlJl·cn. 33. caricatura do homem que se fêz por si mesmo.IJUitá. assim como as diIerentes configurações de personalidade. Entre as muitas publicações bem conhecidas por êste grupo de sociólogos. op. obcecado pela única idéia da autopromoção. é "'3 31.tQQJJe ocorre I!ºlLgrl. parece que o "negatívísmo total" pode ser interpretado.:'H:t:m.ia§:o.J:!º:r!l._. págs.: esforços para o êxito possam se desenvolver de nõvo e mais ou menos índependerrtes em cada uma. cito 34.. das familias que estão sendo descrttas.ort. Nesta parte de sua análise. comurnente encontradas em grupos de delinqüência. .). "Educative influence ot personality factor<: in the environment". Éle deve ter bom êxito.ao VTOÇ. 421-435. é possível distinguir entre uma teoria que trata apenas das reações dos indivíduos às tensões culturalmente induzidas. D8' vido à sua posição objetivamente desvantajosa no grupo. em qualquer caso.º~}ipqijêneia. o processo pode ser provisàriamente retratado do seguinte modo.nportgmeIJ. portanto. Conseqüentemente.pJ. como indica mais adiante em seu livro (54). que a teoria "pode ser muito bem capaz de expftcaa.··rllembros de famílias de lrntgr z-ntes.nz. que esta teoria não afirma que o resultante comportamento desviado seja racionalmente calculado e utilitário. 2. para fins de clareza teórica.muito mais do que símp.anomia.~'yy por exemplo. e comportamentos divergentes que.r. edltôrcs. "The social and cultural environment and anornie". Thrasher. EIn seu comentário precisamente sôbre êste ponto. assim como em muitos aspectos materiais desenvolve tremenda ambição. Quer justificar tôdas ao5 esperanças e sacrifícios da mãe e assim acalmar sua consctêncta em relação ao pad. lS53. os quais mutuamente reforçam suas atitudes . Sha'. resultam da situação mais ou menos comum em que êles mesmos se encontram.33 Dentro dêsse contexto. são diretameQte expliçados pela t~oria da estrutura social e da anomia. custe o que custarNa. Franz A'exander .McKªy. Quanto às fontes dessas particularidades do comportamento desviado. É a esta fase do \. Porém.ªº ). Frederic M.e_gE:!. He rman Mnn nhcim indicr. ser ligada a uma aná. Juvenile DeUnquency and Urban Arcas (University Df Chicago Press.esrncnte a for-ma utilitária de expressar aspirações frustradas". A. o comportamento t rsmsvladu oco r 1. ameaça a civilização ocidental cujos prmcípios êle reduz a um absurdo".tado habitual é que o rítho. . relativamente. Pcrsonality In Nature. deve-se recordar. de um grupo de minoria racial" que o papel do pai muito importante no sentido de incutir no filho uma preocupação domíriante em relação ao êxito monetário.de.. Tal como o expltca. OIto cit. a deslealdade na eoncorrênci a-.. parecem não ter a menor importànciz. em têrmos sensivelmente iguais aos que temos considerado. Schneider.Q1.. podem envolver um considerável grau de frustração e de comportamento não racional ou írractonai. ~~xa. eo. Ao estudar a subcultura da delinqüência. 34 alguns indivíduos são sujeitos 32. diz respeito à origem de tais moldes culturais.tç __os fatos. 32 Contudo.a. em teoria.f_Q!!§19~r. 4:n·4:n. . com as conseqüentes tensões sôbre os indivíduos a elas sujeitos. se desej a r mos . e uma teoria que trata também dos efeitos d. e assim faz arnpliando o tipo de teoria estrutural '! funcional que estamos examinando. ver ClifIord R. Ao invés. É consistente com a teoria em exame reconhecer que constelações ramíüares caractrrlstícas podem promover a vulnerabilidade a pressões anômícas . Pois. hierarquia de valóres.. Mertrm. Êste é o ponto em que a teo!i[1_ct!_('!§'!!'_1:I_~!:l_ra_ spcial e da anomía não explica o _car:M~r.h. mesmo que êste. The Gang (University of Chicago Pres:.

com conseqüências cumulativamente destruidoras da estrutura normativa. êle.~ _realização .8 inc4:v. Uma freqüência crescente de comportamento desviado.casos êsses que. Simplesmente identificar alguns tipos de desvio. cria uma situação mais agudamente anômica. e que os elementos da motivação do desvio. Uma análise relativa. e todo o Capitulo X.(}x:eJ!ªº.(157) Em têrmos da concepção: 0.illID:? _. 57.r. às tensõ~llju?!!rg~!lJ.Tournal of Sociology. _ embora existam. American . O processo aumenta assim a extensão da anemia dentro do sistema.. (.:.êle:?são ínter. Antes de estudar as provas relatívas a outros tipos principais de reação .s cl~__ ce. para outros indivíduos do sistema social. qualquer que seja a situação inicial de cada indivíduo. o comportamento divergente elos indívíduos fora da família tende a apoiar-se mutuamente. 476-477. identificar os mecanismos de contrôle que "diminuem as tensões resultantes de contradições aparentes [ou reais] entre os objetivos culturais e o acesso socialmente restrito" a êles. Uma das prmcípaís conclusões dêste estudo empíríco é que fia televisão está bem definida como um ínstrumento pelo qual as pessoas podem fugir a conflitos e tensões que têm sua etíología no sistema social". o uso de meios institucionalmente proibidos para atingir um objetivo culturalmente válido. tem sido socíolõgícamente considerado como divergente.~. o comportamento que se pode descrever com') "superconformidade" ou "supersubmíssâo" às normas ínstitucíonais. Flowerman. que de início seriam menos vulneráveis.gl~êfl:umtros_.ritualismo.tJ.Qªr-ª_§:U. 80·91. abrangidas no conceito afetivo e eticamente._<1!. mesmo que à primeira vista possa parecer corno representativo da conformidade decla. ffiª. minar a legitimidade das normas tnstítucíonats para os demais componentes do sístema.r:tQIllQ. Thc Social and Psychologieal Setting of Communications Behavior. tende a diminuir e. naturalmente. S5 a um caso de desvio da ortodoxia religiosa 36 e 2. 177·181. também dependentes da estrutura de contrôIe do grupo. Desta forma.\. como possibilidade extrema. Conseqüent. __ gafli. servirão! yí-\·'J\Q. 3. é em si mesmo um problema difícil de teoria social. '}. foi efetuado visível progresso teórico pela concepção de J?-ª.i. vos nos repositório de valôres comuns". em Witmer e Kotins ky. 1957). A anom!a se transforma em fenômeno social. 38 Como outro exemplo. pelo menos à primeira vista. até mesmo. --j . 37.tj~ nas insignificantemente qualificadas na cultura de um grupo.). de modo que outros indivíduos que não reagiam sob forma de comportamento desviado à leve anomia que a princípio prevalecia. Stopnicka Rosenthal. Warren G. Do ponto de vista da sociologia. como temos dito.Y!clUº_SǺm qll~m. 1952. 1951. 339-346. muito além dos limites de um grupo de fam11!as separadas e distintas. a elij-' . 60.devemos salientar outra vez que a teoria geral da estrutura social e da anomia não é confinada ao objetivo específico do êxito monetário e às restrições socíaís para o scesso ao mesmo. Tbe Culture of a !llilitary Prison: A Case Study of Anomie (Glencoe: The Free Presa. American . 16. i I I ? I . Em conseqüência.~ geral. Como foi dito na exposição inicial da teoria. é "definida como uma form:t de comportamento desviado. que está sendo progressivamente esclarecido. Tbe Social System. Desta maneira.. êsses afastamentos das normas institucionais são socialmente recompensados pelo bom "êxito" em alcançar as metas. que são expressos no papel do doente. American Sociological Review.. Richard cíoward. mais do que outros. Leonard 1. Porém. quaisquer objetivos culturais que recebam ênfase extrema e ape-I/::. re num sistema social que articula de várias maneiras êsses tipos de comportamento diversamente iniciados.-r. Pearlin constata fortes tendõncias em usar a televisão como "fuga" entre aquêles que estejam altamente motivados a alcançar mobilidade social e ao mesmo tempo colocados numa ocupação que não permita. pareceriam ter pouco ou nada em comum com a meta do êxito monetário. "Ideologícal momentum and social equilibrium". quando aanomia se espalha e é intensificada. 35.s.relacíonadosno sistema. para a anemia . retraimento e rebelião . são conexos com aquêles expressos numa variedade de outros canais. Matilda White Riley e Samuel H.. "Some barriers to teamwork ín social research". op.. êles são mais vulneráveis ao comportamento desviado.c!o.tlYQ:? _.\. {123i Conjeturas Ulteriores da Teoria Uma seção anterior dêste capítulo examina as provas relativas às formas de reação à anomía. 1954. a êstes dados encontra-se em Ralph Píería. Social Problems. Em cada caso específico em foco. Isto. Bennis. a rápida satisfação de tal objetivo.j para atenuar a ênfase sõbre as práticas ínstítucionalízadas e contribuirão: nb. Parsons.!#.íquos q\leprimeirameIlte§~lançam. um caso de conformidade com as normas sociais e de desvio das mesmas DUma prisão militar 37 .afeta La.Tournal of Sociology. é essencial. outros objeti. 223-235. tornando-se destrutivo das normas estabelecídas. Celi". é necessário reiterar que a tipologia do compor-r tamento desviado está longe de ser confinada ao comportamento ordínàriam ente descrito como criminoso ou delinqüente.emente.~ª_~tre os Qbjet. a casos de comportamento em comunicações de massas. 36. cit. "o sucesso monetário foi tomado como o principal objetivo cultural" somente "para os fins de simplificação do problema . chegam assim a proceder. num precesso de dinâmica social e cultural. Em alguma proporção de casos. tese inédita de doutoramento em sociologia. "Deviation and social change in the Jewish communlty or a small Polish town". Merton Sociologia - Teoria e Estrutura ~'1 2. a anemia e as proporções crescentes de comportamento desviado podem ser concebidas como ínteratuantes. ainda inédito). por exemplo. neutro de "inovação" ou seja. por sua vez. outras formas de atastarnento das normas reguladoras podem ter pouco ou nada a ver com a violação das leis do país. Da mesma maneira. que a teoria era aplicável a um caso de pesquisa científica em que colaboraram várias disciplinas. 174·180.ivQLGID turais __ !Lº-ª-Jn~!9~. 1956. pd. 38.:. e o resumo parcial de Cloward. (Columbia University.. Verificou-se. mas "bem sucedido". "Group relations as a varrable in communications research". o comportamento desviado afeta não somente 0.256 Robert K. inclusive tipos de conformidade compulsiva que não são socialmente definidos como de desvio". de que li doença num de seus principais aspectos. Por exemplo.')!w.i \. a menos que entrem em jôgo mecanismos de contrôle e de retenção. êstes modos desviados de alcançar os objetivos ocorrem dentro de sistemas sociais. ~l·.liiPJ1s. Pearlín.

e não transgride ou viola os dos demais. 40s.~' ~- I 1 Tudo isto não necessitaria ser repetido se não fôsse a suposição for" tuíta e ao que parece. para favorecer a realização dos objetivos primordiais. e não para o desviado. e a disfunção social. à adaptação ao grupo. nem todos êsses desvios das normas dominantes do grupo são necessàriamente disfuncionais em relação aos valôres básicos f. seja também êticamente deficiente. de Ruth B.. 75..•• n paráfrase de Gílbert Murray... Mertoni Sociologia - Teoria e Estrutura 259 '. Na medida em que a estrutura cultural conceda prestígio e essas alternativas.•. _-~~_._--_.. "Biographles of popular Negro 'heroes"'. além disso. Um certo grau. 2 /)..as mais antigas leis tribais já íncluícm isto .ij -'-~"'-~'--y ~~-.. Entr':! ósmecanismos compensadores. Ver a discussão a respeito. cada classe ou indivíduo tem seu serviço social a realizar e gozz. pois isto é esquecido com tanta facilidade. No entanto.. A alusão é ao segundo livro da República de Platão: se a formulação original de Pistão justif •. particularmente expostos a tais tensões. por exemplo. C.!esUlta~() dos mecanismos sociais contrários. um julgamento ético dissimulado admitir que mesmo o comportamento desviado disfuncional em relação aos valôres correntes do grupo.40 de tudo é melhor para é-e sofrer assim \'-_0. _~--_. Como bem sabeô--~~beúi~:-o"~e. ou o· renegado da véspera é. Mas.. v' t .. dos . mas uma Themis vasta-mente ampliada pela íms. 39..:. o heróico.~ . O mais interessante é a sua conclusão provisória de que o acesso a diferentes metas de ·"tto proporciona amplo espaço para o comportamento conformista._ .:\.. precisamente porque tiveram a coragem e a visão de .39 Como a tipologia das reações à anoznía pretende deixar claro.conforme foi "sugertclo--nü capítulo precedente."0: . deve-se notar mais uma vez que. a desafiar tôda a lei convencional da vossa sociedade por amor à verdadeira lei que tenha sido desamparada ou esquecida. c0l!lQ. não uma generalização empírica com a finalidade de provar que todos os que estão sujeitos a essas pressões reagem mediante o desvio. Os transgressores potenciais ainda podem se conformar com êsses conjuntos auxilares de valôres". "'---~.~ .... o . é sutil questão de opinião. Também se deve dizer._-. Granick. resposta à anomia. A teoria apenas assevera que os que se acham localizados em lugares na estrutura social. embora os status de valor aparente pareçam bastante idênticos para êstes dois subgrupos.. e as coisas vão bem se cada classe e cada indivíduo preenche sua Moira e cumpre seu Ergon. Constituiria uma visão míope e. Isto tem sido definido com característíca intuição e eloqüência por um dos homens verdadeiramente grandes de nossa época: Na tribo primitiva cada classe tem sua :Thloira ou quota designada e seu Ergon Ou função.•. P..--_ •. presumivelmente. .. a aderência estrita e não questionada a tôdas as normas dominantes seria funcional somente num grupo que jamais existiu: um grupo que seria completamente estático e invariável.)l-~.. de "inovação". em contraste com a sua manifesta aparência de conformidade com as expectações Instítucíonaíízadas. :(- rada..t6na de cadª sociedade.~ .ólucÚ. o individualista. e as coisas que "são feitas"].1. Finalmente. e tornada mais positiva. mesmo estas posições carregadas de tensão não induzem tipicamente ao desvio: a conformidade tende a permanecer como reação modal._-. . Ver o trabalho a ser publicado brevemente.-~--""'"'"'-' . Esta é uma análise de proporções e tipos variáveis de comportamentos desviados.. esses são tipos distintos de comportamento que. de que o comportamento desviado necessàríamente equivale à disfunção social. muitas vêzes.mas a morrer pela verdade.. _--_. 1946). pode ser que os defeitos estejam nas normas do grupo e não no inovador que as rejeita. 'sempre mais freqüente.•.••_---_.11Elróis ..(157) Já se iniciou a pesquisa do funcionamento de tais alternativas como freios da conduta divergente. E a velha Themis [lei ou justiça personificada.' •_.. 40. num ambiente social e cultural estático e invariável. e a estrutura social permita acesso a elas. . por sua vez. _~.de sua cultura foram considerados heróicos.. têm maiores probabilidades que outros a apresentar desvio de conduta. pois. do ponto de vista da sociologia. Greek Studies (Oxrord : Clarendon Press. VI .. conforme vem explicado Duma passagem maravilhosa do segundo livro. ou.---.. do ponto de vista de outro conjunto de padrões éticos.nãriõ. como temos tido freqüente ocasião de observar neste livro. dentro do contexto proporcionado pela teoria do comportamento transviado que está sendo estudada. O estudo bem conhecido de Lowenthal encontra-se em "Biographies ín popular magazines'. A autor •• encontra diferentes roteiros para alcançar êxito no mundo das diversões) para negros e brancos. .--ç. Correlativamente. 40 a -mos: - I '~ 11. o não-contormísta.._~~-. _. Granick analisou a composição soc'al dos "heróis negros" em duas revistas populares Ilustradas.Yí. o sistema torna-se. à violação de um código de ética. não significa concluir que tal comportamento seja a reação característica.••. Um ·determina. _NILbis. destinadas príncpatrnente a leitores negros. estabilizado. pode resultar na formação de novos padrões institucionalizados de comportamento que sejam mais adaptativos que os antigos. . do padrão de comportamento que se afaste das normas dominantes do grupo pode ser dísfuncíonal quando diminui a estabilidade do grupo ou quando reduz suas probabilidades de alcançar as metas que o mesmo valoriza."afastar-se de normas que então prevaleciam no grupo. seus direitos conseqüentes. a título de preâmbulo a esta revisão de outros tipos de comportamento desviado. pode ser apresentado na análise sociológica como representativo de afastamento dessas mesmas expectativas..258 Robert K. de certo modo. porque êle é justo mas parece o contrário. Seguindo os processos estaoelectdos por Leo Lowenthal em seu estudo das biografias populares.. alguns. . na seção seguinte devotada ao padrão de retraimento em Gilbert Murray..". e muito menos exclusiva às pressões que temos examinado.•. Na linguagem moderna. F . que centralizar esta teoria sôbre as fontes culturais e estruturais do comportamento desviado. o herói de hoje. Uma Themis em que podeis ser chamado não só para morrer por vosso pais . Ninguém que a tenha lido pode esquecer fàcilmente o relato do homem justo na sociedade má ou equivocada. _.. está o acesso a "outros objetivos no repositório dos valôres comuns ._ . Algum (desconhecido) grau de desvio das normas correntes é provàvelmente funcional para os objetivos básicos de todos os grupos. -. como êle é açoitado e cegado e por fim empalado ou crucificado pela sociedade que o entende mal.conceíto de disfunção social não é um substituto terminológico de últí[ma hora para a "moralidade" ou as "práticas antíétícas".gínação. e como depois do que seguir a multidão na prática do ma1.

_Q.L". de preferência através dos processos ínstitueíonalizados. 1944\. ver Mz. M_ Blau.. 18. 124-131 e um trabalho correlotrvo por Lloyd A. 4~_ P. Tal como está situado na tipología. Convém lembrar que a situação que envolve o rituaEsmo. (O leitor certamente resistirá à tentação de pensar que não se poderiam ter encontrado animais mais simbolicamente apropriados).193. o rítuausmo é um tipo de reação em que as aspirações culturalmente definidas são abandonadas. com efeito. .ssão decrescente dos estilos e das modas no sistema de estratirícação . Paths 01 Loneliness (Nova Iorquc : Columbia Univcrsity Press. como da falta de segurança em importantes relações sociais dentro da organização". ou a constante verifica. Stanton (edítôres). ver também a discussão das "fontes estruturais de superconformidades" no Cap ítujo VIII e do "reriegado= e do "convertido" nos Capitulas X e XI dêste livro. -t Pág . tal supersubmissâo pode ser encontrada entre os "virtuosos burocráticos". durante dez segundos seguidos de um choque aplicado à sua perna dianteira. 1942-1843 (Nova Iorque : Duel l. 1949). numa so~iedade que dá grande importância ao tema do sucesso na vida. postas em relêvo pela cultura e não sórnente da meta do êxito monetáric. 88·100. worntug Papcrs . Wood. embora não seja culturalmente preferido.. evidentemente. 41 Sôbre esta hipótese em esper-ia. 44. Por exemplo. envolve II repetida frustração dos objetívos fortemente desejados. que podem estar muito afastadas das que representam violações das leis. Cap.260 Robert K.' ~. O psicobiologista Howard S. enquanto "a gente continua a acatar quase compulsívornente as normas institucionais".1.êste comportamento corno desviado ou não êle represgn. dissemos que "seria um jôgo de palavras terrnlnológíco perguntar S8 isto constítuí um 'comportamento diver gente'. e podem 'ter pena dêles'. Depois de vinte combinações díártas de choques e sinais. Lidg. 226. N. f Ritualismo mar-se precisamente porque estão sujeitos à culpa engendrada pela anterior não-conformidade com as regras". Radio Rcsearch . quando a estrutura da situação não suaviza a ansiedade de status e a ansiedade sôbre a capacidade de satisfazer as expectativas institucionalizadas. De interêsse mais direto é o estudo feito por _r~t§. 42 Mesmo estas provas escassas.I.te. 'Fashion' in womcns clothes and the Amerícan social system". 5!>-75. não é geralmente considerado como representatívo de 'um problema social'.. 75 42_ Otto Sperlf ng.!3Jan 43 sôbre o comportamento dos burocratas. "Psvchoanntyue aspects or bureaucracy". que tem de se haver.J\. Em poucas palavras. contudo. sugeriu-se que a aguda ansiedade de status. que já foi estudado a título de ilustra.ral!lep. na hierarquia social" (224) . XII. e submetido a uma prova simples: cr. 1952. num caso individual. o bode é devolvido a seu pasto. Desde que a adaptação.ptatton an the threshold QI ínte ligcncc". eonformidade. Quanto às observações pertinentes acêrca de símbolos diferenciais de realização que servem para mí tígar um senso de íracasso pessoal. reproduziu ambas essas condições em sua série de experiências. ainda há poucas provas sistemáticas. 1953). a fim de caminharem para a frente e para cima.llI!l afastamento do modêlo cultural.t. é trazido ao laboratório cada dia. 212 e segs. Conven'cntemente resumid?.. não com tipos de personalidade. Parsons e outros. a estabilização dos sistemas sociais e culturais. além de um estudo psicanalítico de vinte "burocratas" que julgavam apresentar tendências à "neurose compulsiva". Ao expor êste conceito.314-321. pode induzir o comportamento desviado descrito como "superconformidade" e "supersubmissâo". Desta maneira. entre carneiros e bodes. a observação de Pnrsons e Bales de que "a pnmeira ínt. (Itha. torna-se evidente que (1) a teoria em exame trata de metas de diversas espécies. Public Ol)iníon Quartcrl~'_ Hl~4. a transm. Logo êle adquire um satisfatório nível \. 31. Social Forces. entre muitos: Um bode". alguns dos quais podem "superconfor-' Lazarsfetd e F.s em Howard S_ Liddell. 1950119..r.ão de que a recompensa não é proporcionada à. embora isto seja importante para outros propósítos. Ver Bcr-na rd Barber e Lyle S. Adaptation. de modo apenas hornólogo. 11 41.rospecção importante nesta conexão" [de relacionar suas teorias independentemente desenvotvídas ] era que a "superconf'orm idade' devia ser rtertntcta como desvio". Sloan e Pearce. no qual os homens são obrigados a se esforçar ativamente. por exemplo.!?r se__ descreva . Merion Sociologia - Teoria e Estrutura 261 \'. (3) que o comportamento desviado não é necessôruimente dísfuncíonal para a operação eficiente e o desenvolvimento do grupo.~_cJa. ção. As situações modeladas pela estrutura social que convidam à reação ritualista ela superconformidade às expectações normativas têm sido rej.da dois minutos um aparelho de telegrafia bate uma vez por segundo. "A note on the 'trickle elfect' ". Tem-se considerado também que os moldes de comportamento de consumo. "Adz. l"sychoanalytic Quartcrly. Fallers.!ill. (2) ela distingue formas ÔC" comportamento desviado. os indivíduos destas organizações reagem pela excessiva submissão. (4) que os conceitos de desvio social e de disfunção social não agasalham premissas éticas ocultas.ca: Cornell University Press.roduzidas experimentalmente e.serve à função latente de tornar O sistema agradável mesmo para E.. The Dynnrntcs of Bureaucracy. editado por John Romano. . especialmente 184. Êle sugere que os casos observados de superconformidade "não são devidos ao fato de que a aderência rítuaiística aos procedimentos operacionais existentes se tenha tornado um hábito inescapável" e que "o ritualismo resulta não tanto da superidentificação com as regras e a profunda habítualidads com as práticas estabelecídas. Lobcl. As pessoas íntimas dos indivíduos que estejam fazendo esta adaptação podem dar opinião em têrrnos da ênfase cultural predominante. Resummdo. com efeito. e (5) que metas culturais alternativas proporcionam uma base para.rgaret M. é lima decisão interna e desde que o comportamento branco é ínstítucíonalmente permitido.TLlêles que não prog-ridem apreciàvelmentc dentro dêle. 44 Citamos um exemplo. podem sentir que 'o velho Jonesy está certamente em decadência'. não se rela-cionam diretamente com a presente teoria. mas com tipos de desempenho do papel em resposta a situações socialmente estruturadas.

Como foi dito num rápido e i:ecente balanço. Else Frenkel-Brunswik. Por meio de automoderação voluntária. O indivíduo em tal estágio. edítóres.li ty". Reage escapando profí làttcamente da situação que se aproxima. ser considerado pelo segundo conjunto de padrões. Descobrhnos que no laboratôrio de Favlov era usada a expressão "comportamento formal". 247. não precisam ser confinadas às normas estatísticas observadas em um agregado de personalidades sob observação. cit.18. Cabe à teoria sociológica identificar os processos estruturais e culturais que produzem altas proporções de tais condições de ameaça em certos setores da sociedade. alcançada através da globalidade difusa ou pela superênfase nos detalhes concretos. como das práticas instítucíona.certa deliberação afetada.. de. 4'1. Contudo.. tendência a soluções do tipo 'ou branco ou prêto'. proceditnento de Imha-de-montaP. o paciente pz.ou seja. 46 ~. o padrão de retraimento consiste no abandono substancial tanto das metas culturais anteriormente estimadas. "não qualificada".. às vêzes. ao entrar. Ca:. Introspectivarncnte. ou a normas de "ade-: quação funcional" estabelecida considerando indivíduos em série e abstraindo-os de seus ambientes sociais. contra proporções negügíveís em outros. prudente e sem pretensões. Adorno e outros. aquêles que não vivem de acõrdo com as expectatí4" Else Frenkel-Brunswí k.hod of "Th e Authoritarian Pe rs o. os detalhes são encontrados em numerosas publicações. é largamente com45. 46. Desta maneira produz-se uma consolidação de interpretações "psicológica" e "sociológica" dos padrões de comportamento observados.262 Robert K. Porém. Psychia. pelos 'propósitos definidos e pela regularidade. on. 1950). Merton Sociologia - Teoria e Estrutura 263 de habJlidade motora e aparentemente adapta-se bem a êste. e semelhantes). é que o conceito da intolerância da ambigüidade se refere a "um excesso" de classes determinadas de percepção. Nos estudos centralizados sôbre "a intolerância da ambigüidade" 47 encontram-se outros dados e idéias oportunas. ilustra os elementos essenciais de uma espécie de reação ritualísta às situações ameaçadoras. 19411. entre o que tem sido descrito como "tamíjías eml rroblemas" . mas.try in \Var (Nova Iorque: Acaderny of Medícine. na verdade. "superêntass". i. em Christic e -Iahnda.1\1ir. (Glencoe: 'I'hc Free Press. pela inacessibilidade à experiência. Isto equivale apenas a dizer que embora haja provàvelmsnts uma articulação entre o conceito de personalidades demasiado rígidas. Parece estar procurando "fazer a coisa certa". acerca dos seis estágios do mêdo humano [o primeiro vem descrito a seguir]: Prudência e a automoderação: Observado exteriorrriente.. . focalizados sôbre a perscnalídade. às págs. As normas também podem ser derivadas das expectativas normativas padronizadas que prevalecem em certos grupos." 45 E. também T. Dentro de ses ou sete semanas.. vai ser encontrado na descrição de . ou mediante uma segmentação ao acaso. Ao contrário. compartimentalização.citado por Liddctl . incerteza mediante a redução nos significados. ..:le vem de boa vontade ao Iaborutórío. para caracterizar tal conduta no cão. limitação do estímulo. os dois estão longe de serem idênticos. o paciente ainda não se acha consciente de estar com mêdo. o observador nota que se desenvolveu insidiosamente uma atteração no comportamento do animal. êle limita seus objetivos e ambições. conclusão prematura. tendência para a forma excessivamente 'boa' (isto é. o que é evidente. cp. exibe uma . :M@Z. O que falta a tais estudos na sistemática incorporação das variáveis e da dinâmica da estrutura social. Studies tu the Scope and Met. 1954). Recentemente têm sido identificadas aproximações a êste tipo. perseverança e estereotipia. excessiva Prdgnanz da organização de Gestalt). soluções do tipo 'um ou outro' sem limites nem distinções. e renuncia aos prazeres que acarretam risco OU exíbíção.na. 70. 19-13).rece ser mortesto.~ . 108·143. mesmo observando-se a lista ~presentada. W. e o conceito de comportamento ritualístico socialmente induzido. atitudes e comportamento (corno é indicado por têrrnos tais como "indevida preferência".itulo VI dêste livro. ao invés de o serem sôbre o desempenho de papel em tipos designados de situações. 48 A significação substantiva de cada um de tais Componentes não pode ser observada nesta lista compacta. nosso grupo começou a chamar tais animais de "perfeccionistas" . contudo. "Intnlerance of ambiguity as an ernotional and perccptual nersonality vanablc" • . sob circunstâncias ameaçadoras.rahoda."'J:1. dicotomização simplificada.. e uma absolutização daqueles aspectos da realidade que foram conservados". lizadas dírigídas a tais metas. os componentes de intolerância da ambigüidade incluem: "indevida preferência pela simetria e familiaridade. Hichard Christie e Ma r ie . de modo que pelo primeiro conjunto de padrões o comportamento que possa ser considerado como "super-rigidez psicológica" pode. Th.Iournal of Pcrsonality.y. tendência a evitar 8. Authoril<lrian l'crsonalôty (Nova Iorque : Harper & Brothers. Há alguns anos. e suas reações condicionais são muitíssimo precisas. sendo o tipo de problema que se dirige à teoria da estrutura social da anomia. os Retraimento . "Simplificação excessiva". já está sob a influência inibitória do médo. está até um tanto auto-satisfeito e orgulhoso porque se considera dota-do de maior previsão que outros seres humanos. como conformidade Social adaptatíva. ~dell prossegue para relatar que "aquilo que poeternos deduzir como sendo o comportamento similar no homem. Emilio Mira y López.. como aquêles representados pelo ritualismo. 224-225. " i Êste retrato caracterológico do conformista compulsivo· que agradece a Deus porque êle não é como os outros homens. as normas em cujos têrmos elas são Julgadas como "excessivas". Isto parece apresentar mais do que uma semelhança passageira ao que temos descrito como "o síndrome do ritualista social" que "reage a uma situação na aparência ameaçadora e que excita a desconfiança agarranno-se tanto mais estreitamente às rotinas seguras e às normas ínstítucíonais. pela mecânica repetição das séries. •• pensado pela sua caracterização detalhada dos componentes que presumivelmeme entram nas reações ritualísticas a situações padronizadas e não sómente na estrutura da personalidade rígida.

Columbia University. e esta. Inúmeros psiquiatras lidaram com a acídia na forma de apatia.!!. !'." > v vorecern o retraimento. desempenho) que os amarravam a uma escrivaninha.de nt.. pois a passagem repentina e total à ociosidade pode SEr perigosa".Z. e Chaucer. nar. Um estado anômi~o muito parecido surge com freqüência naquelas situações bem definidas que "isentam" o indivíduo e uma longa lista de obrigações inerentes ao seu papel como. em farrrílí a-problema aproximavam-se de uma situação de retraimento . é mais suportável com eqüanimidade pela maior parte das pessoas. acêrca de The Superannuated Man.lJ'Jª. é que Du rkheim continuou a incorporar sua introspecção num conjunto ordenado de idéias teóricas.ª<!()_g!clr§!Ilteséculos. Lunt.Durkheím observou com característica penetração.epcn t. por retraimento.tualísta. o retraimento parece ser mais freqüente entre aquêles que estão no estrato social extremamente inferior. as quais êIe seguiu em suas conclusões. O ensaio clássico de Charles Larnb./l. "Levels or aspiratíon and social class".rton. '. .I _4 W. com certas qualificações. Qtu:-:. durante tôda a vida dos indivíduos.. e sob orótulo de acídia (ou sua variação.\~. para que não abandonem levianamente seu emprêgo. li!erton Sociologia - Teoria e Estrutura 265 ii : vas norrnatívas predominantes em seu ambiente social.S. : a conformidade com os valóres estahetecidos é virtualmente desprezada.. "The problem family: a sociological approach". Piers Plowman.n . Butler e Larnb consideram como a essência do assuuto: a mudança . tem havido a tendência de ser negligenciado como assunto de estudos pelos sociólogos. queestavam .s1. Ev. e êle prosseguiu. a evidência das crenças e orientações desviadas como uma determinante separada ainda é suficiente para merecer uma pesquisa mais elahoraoa na natureza e importância ctêste fator.<!.. Os grifos são nossos e foram colocados para chame-r a atenção stJbrc O que Durkheim. mais tarde. no qual "os poços do espírito secam". a resenha do livro de Paul Meadows. papel principal e. ou anedonía. se o homem é levado a ela gradualmente. Samuel Butler nota: "A adversidade. ao contrário.h to.te!f1§i~o. daí resultan-. 20. 1955. 1953.es Mas é singular que os so- <4 52. não person z.r€'. Tlle Social Life of a l\'Iodern Community (New Haven: Yale University Press.costumados e não apenas na . que a situação se pro[longará indefinidamente. à. E êle prossegue. o esfôrço de conformidade.. sua sociedade.. Amerícan Sociological Review. com 2...~ .. 1956.Jcançam idade avançada nos negócios ativos.o e no caso de viuvez. até. do que tendem a continuar em sua condição apática. dissertação inédita de doutoramento em sociologia. 50.~tª. por sua vez. como sendo um dos diversos tipos de reação.tus e de funçã-o. sem avaliar previamente suas próprias possibilidades em manter uma vida ativa. Assim pareceu que. ao contrário. 318·327. Zena Smith Bl au. evidentemente.i na de st s. "antecipada". 51. Conforme acontece com a motor parte das introspecções acêrca do comportamento h-imano. quando não pelos psiquíatras.jprpsperidade". "" ·.1. por exemplo. quando a Jortuna franze os sobrolhos e parece'. O retraimento se manifesta em nostalgia do passado e apatia no presente: Os retraídos são ainda mais relutantes em entrar em novas relações sociais com outros. de alguma forma.lit(). há espaço para uma investigação sistemática a respeito dos ~)aw drões de seqüência do papel que se desenvolvem sob determinadas condições. Por exemplo. novamente. A autora acha que o retraimento tende a ocorrer mais amiúde entre viúvas e ViÚVOSisolados e prossegue relatando sua freqüência ainda maior entre mulheres viúvas do que entre os homens viúvos. 1941). Burton . ao contrário do que aconteceu com outros desvios de comportamento tais como o crime e a delinqüência. Blau examina em pormenores as circunstâncias que fa.S~. . não se deve concluir que a adaptação permaneça fixa. Lloyd W&.. que imprimiam ordem à sua existência diária.retr.u!p_a __ p. e porque não têm o mesmo efeito dramático e altamente visível sôbre o funcionamento de grupos como as violações da lei. ver Leonard Reíssmz. em seus detalhes e correlações. pode ser seguido por uma adaptação r. descreve o sindrome de desorientação experírnent.rner e Paul S.. experimentam um senso de isolamen.5 numerosas outras int. do que os que são descritos como "alienados".. Em Thc '.<Í'··.n.a . pregos.~y. mas inteiramente confortáveis. Conforme observamos na primeira apresentação dos tipos de adaptação. "Parsons T'ale".a. por exemplo. pelo menos desde o tempo de . American Suciological Revícw.:&-64 Robert K.?~iÇ~r)__ I]?. Ely Chinoy.ei tais rupturas podem -~~. . L. Conforme . especialmente com relação aos padrões de comportarnerito". o ensaio de Aldous Huxley em ()nthe iHarginj Rebecca West. esta havia sido evidentemente. Wells. acídía [preguiça]) foi considerado pela Igreja Católica Romana como um dos pecados mortais.l'pe_riºr.mento de desempenho.do por aquêles que são afastados da obrigação (função. "recomendando muito cuidado às pessoas que s. The TJtinking Reed. familiar e das relações sociais estabelecidas. Ver também F.nto a alguns entre muitos relatos de acídía : Langland. Possivelmente porque o retraimento representa uma forma de comportamento desviado não publicamente registrado nas estatísticas de contabilidade social.Chaucer. a acídía tem interessado os teólogos desde a Idade Média.rospecções sem conexão ao homem e à.I:s~. tanto a viúva como os "aposentados" perderam um .!: "anomia_Q. uSocial msaad- . Tal como a indolência e o torpor. Conforme tôdas as índlcaçôes.ai!D:eIlt() ..e. com tôdas as rotinas ínslpidas. ver sôbre êste ponto. •• 53. melancolía.. Aqui. êstes se reterem "ao comporta. do que qualquer grande prosperidade alcançada numa vida inteira". e ocupado a atenção de literatos de ambos os sexos. Os autores concluem dizendo que "embora 0' traços individuais de estrutura da perscnaltdzde pareçam ter um efeito mais poderosa. Quanto a um interessante estudo que começa a tratar com as seqüências de adaptação de papel. 50 Contudo. passando por . 1955.Rre.-"encontradas na "aJ:)QIl1ia da i. 6.. do papel também P0dem ser identificados. 1955). envolvendo uma quebra abrupta da estrutura normativa aceita P. 52 Num estudo das pessoas viúvas e das que se aposentam de seus em-. êste não era o "mé tíer" (oficio) de Butler.. o retraimento parece ocorrer como reação à ano mia aguda. British Journal of Sociology. Automobile Workers and the American Drearn (Nova Iorque: Doubleday & Co. outros tipos de seqüência._-ºm::!Lª-em.!. do que era esperado.~º!g~c.a_<lepr. aos indivíduos sujeitos a ela.quando a fortuna sorri e muitos indivíduos ascendem a... (Capítulo V) A d iferença.. tal como foi descrito por W. o escritor percebe antecipadamente o que o cientista social irá exami.. Baldarnus e Noel Timms. 54.emern e. 53 Conforme ela aponta. h.• .o síndrome de.l.Langland e. No entanto. 49 no caso da "aposentadoria" imposta a pessoas sem o seu consentiment."'ay of Ali Plesh . 01d Age: A Study of Changc in Status. 624. Anatomy Or" Mclancholy.~ªo':. Aldous Huxley el}ebecca West . particularmente quando Ines parece. 49 Provas adicionais dêste modo de reação são encontradas entre trabalhadores que desenvolvem um estado de passividade psíquico em reação a alguma dís-' cernível manifestação de anomia. os casos mais extremos de desorganízeção e ineficiência.L.lldade". 233-242. de maneira geral.

German Youth: Bond or Free (Londres: Routledge & Kegan Paul. "The psychological consequences or uriemployrnerrtv. O indivíduo renuncia à autonomia moral e sujeita-se a uma dtsctplma externa. nos Estados Unidos. Sociologia - Teoria e Estrutura 267 ciõlogos tenham dispensado pouca atenção a tal síndrome . 57. na tipologia da adaptação.ee Esta possibilidade tem sido enunciada nos seguinte" têrmos: . Handbook of Social Psycbc"Anhedonra".feto. e/ou de rápidas mudanças.em relação aos objetivos e padrões que proporcionavam base ideológica e segurança àquele regime. 38. mas que não iguala o conflito de valôres com a anomía 57 Muito ao contrário: os conflitos entre as normas mantidas justments: adaptative regresston". The Reputation of the American Businessman.. Para êstes críticos. 55. por têrmos como indiferença. As lealdades em perigo necessitavam de reafirmação. seus criticas sustentavam então que aquela.ss /' . cinismo.poder-se-ia alcançar uma nova e melhor organização social. sem direção focal ou propósito. Esta ampliação está sucintamente expressa nos seguintes têrmos :5~ Rebelião Deve ter ficado claro que a teoria em exame considera o conflito entre os objetivos culturalmente definidos e as normas ínsütucíonaís como uma fonte de anomia.. e com a lealdade rompida.. ed. êsse desacôrdo era talvez menos importante que a prova da desconfiança para com o regime de livre emprêsa e da alienação . prova de que elas estavam em perigo. LazarsfeJd.com uma . Ch rfstaarr Bay. a ser instável. N. assim como suas conseqüências sociais manifestas. e podemos aguardar maiores inquirições sociológicas sôbre a mesma. Resta verificar se os tipos de apatia política e organizacional que agora estão sendo investigados pelos cientistas sociais se relacionam às fôrças sociais que.r ! i 266 Robert K. Harvard University. com respeít-. 1956) especialmente O Capitulo VI. From Generation to Generation: Age Groups and Social Structnre (Glencoe: The Free Press. 116-117. seus defensores na imprensa tinham que enfrentar o desafio. e cada nova.. Contudo. esta conclusão parece estar indicada pelo fato de que dois _penetrantes estudos sugeriram que um conflito entre as normas foi equiparado com a ausência de norma (aspecto cultural da anornía). a menos que os novos grupos e normas sejam suficientemente isolados do resto da sociedade que os rejeita.. Knopf. Quando a rebelião se torna endêmica numa parte substancial da sociedade. Ou.. tese inédita de doutoramento em sociologia. desencanto. ainda não compreendidas.tía parece emergir. oue se agrupam em turmas ou se integram num movimento de juventude . S. Amerícan Society (Nova Iorque: A . 301. 56. The Bourgeoisie in 18!h Century France (Prínceton : Princeton University Press. Murchison.. a atual concepção da anomia. e o trabalho citado de A. A. que exerce pressão para os desvios de comportamento e o rompimento do sistema normatívo .lta de preocupação pela manutenção de uma comunidade moral. aos padrões de conduta.ção do 'New Deal' em Washington imprimiam urgência à tarefa" _ Sigmund Diamond. logy.ou poderia tornar-se mais do que uma simples discussão. não mais podiam servir para exigir lealdade.. Sob certas condições. diferença de opinião e a falta de satisfação. mas do ponto de vista dos defensores de RockefeIler e da 'livre ernprêsa". American Jonrna] ~. proporciona um potencial para a revolução. a perda de tôda conduta atinente a princfpíos. Se as atividades de um' empresário como Roclcefeller' eram funções de uma organização social que era em si mesma causa do descontentamento . Isto era . . The Freedom of Expressíon. da espécie representada pelo recente estudo de Zena Blau. padrões não possuíam rnads legitimidade. 58. manuscrito inédito. oportunismo. B. 'Mass Apathy' and Volunlary Social Participa!ion in lhe Uniled States. "Value confllct ín social disorganization". 1954. 58 Esta reação à anomia tende. Jonr. 534-535. 1955). É neste sentido que um recente estudo do papel mutável da burguesia da França no século XVIII amplia.particularmente nas camadas inferiores da ordem social . Cf. a rejeição de normas e metas inclui o fenômeno da apatia cultural. Quando a rebelião se limita a elementos relativamente pequenos e impotentes numa comunidade. contudo. sôbre êste ponto. fadiga moral. 1949. das condições básicas das quais emergem ~guns tipos de totalitarismo político. Eisenstadt. Tal como foi formulada de inicio. 1946). o resultado é uma espécie de "demissão de responsabilidade". Meyerson. Barber. por subgrupos distintos numa sociedade.59.própría subcultura distintiva. Ver o estudo altamente instrutivo de Howard Becker. . 97-103. a teoria é evidentemente mais obscura que de costume. condícionam o comportamento de retraímento. fornece um potencial para a formação de subgrupos. Observou 61e: "É evidente que o. segundo esta teoria. tra espécie crucial de aps. porém. M erton. freqüentemente resultam num aumento de adesão às normas predominantes em cada subgrupo . É o conflito entre os valôres culturalmente aceitos e as dificuldades socialmente estruturadas em viver de acôrdo com êsses valôres. Elinor G. significativamente. Êste padrão é exemplificado pelos adolescentes afastados da sociedade. Aspectos qualitativamente diferentes deste último estado são designados em várias formas. tais objetivos P. como então poderiam os empresários: de negócios esperar confiantemente que fôsse mantida a rotina de ações c reações que caracterizava a disciplina industrial? Porém o que estava emboscado nas diatribes dos criticos era algo além d. Zawadski e Paul F. 869 e segs. alienados do resto da comunidade porém unificados entre si . Ralph H. a qual reformula tanto a estrutura normativa quanto a social. a f". 1935. 6. em Carl A. . 1950. incapazes de garantir um propósito firme em r-elação a um conjunto de normas que êles possam sentir como autoconsistente. Jr. até ficarem literalmente desorlentzdos e desmoralizados. falta de •. o resultado da anomia pode ser apenas um prelúdio para a formulação de novas normas.308. organização social já não merecia ser apoiada e que os •jovens' já não mais entrariam nas fileiras dos que seguiram êsses padrões entre si mesmos . esta forma de comportamento desviado tem aparentemente seus antecedentes sociais. of Psychiatry. 56. Roekefeljer-. de condições de grande complexidade normativa. Tumer. Um sinal destacado de apatia é a perda de interêsse por um alvo cultural anteriormente visado tal como ocorre quando um esrôrço contínua. No entanto. dissidentes não encaravam ~ pelo mesmo prísms. Capitulo !IL Um sociólogo da história identificou os contornos de um processo de desencantamento com os objetivos culturais e os meios institucionais nos últimos anos da decada de 1930. No mínimo. as medidas a serem tomadas para reforma da sociedade.de pobreza e desemprêgo. 1922. Sociology and Social Research. Robin M. Parece que esta perda é uma. e é esta reação que temos descrito como "rebelião". ao registrar os comentários da imprensa sôbre a morte de John D. quando os indivíduos são empurrados numa evnoutra direção mediante normas e objetivos numerosos e conflitantes. até a legisla. E como a ação tenderia a restringir a escopo e a liberdade de ação da iniciativa privada. Williams. era um planejamento para ação. Bemard Barber. nal of Social Psychology. do resulta em frustração persistente e na aparência inevitáveL A perda das metas tundamentais da vida deixa o indivíduo num vácuo social. 2. desde as greves de braços cruzados em Flint.

Isto é bem ilustrado pela carreira de Costello e seu aparecimento como poder político em Nova Iorque. 60.. eram imigrantes ou filhos de imigrantes e que o crime. Thc Antiocb RevielV. 62 .. se viu confrontada numa extensão crescente. \ Temos tido freqüentes ocasiões de notar que as organizações criminosas ("rackets") e as camarilhas políticas que lhe são às vêzes associa-o das. dentI:~ . apenas enquanto permanecer inalterada a estrutura da oportunidade e os objetivos culturais. Da. Nas estatisticas dos tribunais de menores da década de 1l.. Quando lhe negaram o direito de melhorar sua posição social. 131-154.p()l). . da França. para chegar dos farrapos à riqueza.mte estrutura. em têrmos de teoria sociológica. seria de esperar que.J3~!L observa que "os quadrilheiros.s . Uma dessas fontes substitutivas para o financiamento das organizações polítícas estava pronta e à mão. medida que ocorrerem mudanças significativas na estrutura dos objetivos. quando os ita" líanos tinham a experiência de uma ou duas gerações de vida norte·americana. é claro que as pressões diferenciais do comportamento desviado continuarão a ser exerci das sôbre certos grupos e estratos.Bocioloqia ::068 Robert K.liano . A mesma desmo rallzação também surgirá muito provàvelmente quando houver mobilidade de fato. na medida que C' padrão demonstrou. à medida que o século transcorria. numa sociedade.!. A fase de . Êstes fatos familiares parecem formar um todo. no Capitulo VI. cada vez mais familiar para os norte-americanos. cl~. 60 ~ I t. foi com drscrepãncía de ambos os tipos que a burguesia." também produz graves tensões no sistema.30. refletindo o enfraquecimento das normas morais. cada nõvo grupo de imigrantes passava a ocupar o estrato social mais baixo. de classe. alguns se voltaram para os meios ilicito3. (146) ESTRUTURA SOCIAL EM TRANSIÇÃO DE COMPORTAMENTO E DESVIOS Em têrrnos da teoria que estamos estudando. isto resultasse em mudanças substanciais na distribuição social do comportamento desviado É precisamente a tese desenvolvida por=-l}anieLBf!!I.sas substantivos encontrados pela Dra.ecém-abandonado por um . isto"pode ser identificado como o tipo familiar. Barber. Ibid. desacompanhada de aprovação moral.o.. deveremos esperar mudanças correspondentes nos setores da população mais diretamente expostas a essas pressões.. isto chama a atenção teórica para a concepção geral de que . 3 qual constitui a clientela confessada e inconfessada de ambos . como uma ambivalência dela resultante em direção à classe de fato e à mobilidade de casta daqueles apontados por muitos como membros de uma casta inferior. Inteiramente à parte do caso histórico particular que apontamos. Aqui o motivo dominante foi a busca de uma entrada _ para si mesmo e para seu grupo étnico .es na grande cidade. segundo a qual u10i o enrijamento de sistema de classe que precipitou a alienação dêste segmento (médio) da burguesia. e freqüentemente ganha ilegalmente. uma discrepância muito grande entre a expectativa da mo-o bilidade e o atingimento real redundam num estado de anemia. r.c!e" ~l)cT~p'âll~i3:~I!. procurando respeitabilidade.1~?-. à.:'. não resumo os materí.nos círculos que governavam a 61. já estavam ocupados" pelos judeus e Irlan. nem nos livros do período índícsdo se podem encontrar referências a líderes políticos de nome ita. em que prevalecem ao mesmo tempo normas de casta e normas de classe aberta. íítíca para os descendentes de italianos na estrutura de fôrças das máquinas políticas urbanas"..:. em lugar dos achados empíricos específicos. Barber colocou neste marco teórico. 62..anomíacncde . de modo que passou •• rejeitar íntelramente a desaprovação da mobilidade social". era um caminho de acesso para uma posição social na vida norte-americana".. com os fatos referentes à burguesia do ancien réçime que a Dra. no século XVIII.. E conforme continua ~Il. deses. o m ••ior grupo de del inquentes era de origem italiana. pois os substanciais fundos que anteriormente vinham das grandes emprêsas estavam sendo desviados das organizações políticas municipais para as nacionais. citada no Capitulo III dêste livro (145) bem como a discussão ulterior do delito como meio de mobilldade social. _. descobriam que "os caminhos mais evident. Até agora.t!~.'. à qual se mantivera leal até a Revo.a. verão de 1953. t'Crime as an American way of Iífe".3-ªrº~l. o burguês achou intolerável a tensão das moralidades conflitantes.b.grupo imigratório que chegara anteriormente. .!"~§!!I. como observa a )!Iª. Uma.. o que vem a ser uma desintegração social parcial. à medida em 'que se desenvolvem alternativas estruturais legítimas para desempenhar estas funções.. ..-. A díscrepâncía correlativa.g~ .. ..1.1 <r < c.1J.jetivª~~)!19: )~m<ia<iesociale as defíníções culturais do direito moral (e da obrigação) de ascenª~.c!. vez que o interêsse imediato é a contribuição teórica.i5e. persistem por fôrça das funções sociais que realizam para várias partes da população sUbjacente.num trabalho analiticamente penetrante. diz ~~11_ que "proporcionou um dos maiores apoios ao impulso de conquistar uma voz po .niel Bell. atastando-o da exíst. Estão resumidos em sua tentativa de conclusão." i' Foi O f:'x-camorrista. (142) E conforme foi observado freqüentemente por estudiosos sociológicos do assunto.{e 1 encontrando êles poucas vias abertas à riqueza.()i§. M erton Teoria e Estrutura 25!l Tem sido sugerido que. 144. podendo acontecer que isto seja histõricamente o tipo de exemplo mais freqüente.p'r()l?_ors. Ver a observação de Wllliam F.llg(!~aLhierªrgtlicº.r!_-ªIl~~I!!ª-. Excluidos da escada política _ nos primeiros anos da década de 1930 não havilà quase nenhum nome italiano entre os altos funcionários da municipal1da-de.61 portanto. riqueza italiana. de 'gangster mobsters' de modo geral. Em têrmos gerais.~::. Por exemplo. E uma decisiva mudança nas origens dos rundos para as máquinas políticas urbanas proporcionou o contexto que tacilitava esta aliança entre os malfeitores ("racketeers") e organização política.ução . Correlativamente. temos examinado somente o tipo de discrepância em que a ascensão culturalmente valorizada é objetivamente restrita.tl}.. porém..desmoralização que resulta de uma situação estrutural desta espécie é exemplificada não somente nas relações entre as raças nas várias partes dos Estados Unidos como num grande número de sociedades que foram colonizadas pelo Ocidente. na "nova. J. Whyte.

como temos conhecido. baseava-se em motivos acima dêstes móveis universais. mais que o assalto direto dos reformadores. "um crescente número de italianos nas profissões liberais e no comércio legítimo . ao mesmo tempo estimula e perrrite ao grupo italiano de exercer influência política crescente. em vista da estreita ligação de Roosevelt com I>S grandes máquinas políticas urbanas. em têrrnos de análise essencialmente estrutural e funcional. e antes ~. Embora 'I·J"'1>8 provas estejam ainda longe de ser adequadas. para esta revista das con .. '1'\"\. evidentemente.. modelos que mal existiam há vinte anos atrás". êstes são os têrmos em que BeJl traça "uma seqüên\. os indivíduos de origem irlandesa estiveram em evidência".. a ascensão de grupos mmorítáríos a certas posições sociais e c rompimento dos sistemas do chefe político urbano. está no fim. o desaparecimento de uma geração mais velha que havia estabelecido urr. que reduziu profundamente o poder da máquina política. o tipo de delito que vimos estudando está igualmente se desfazendo.. são os membros das profissões liberais e os homens de negcc. foi a mudança estrutural básica na forma de prover benerícíos. iCL.. tal como o conhecemos nos últimos setenta e cinco anos. (154) )~ r Não precisamos procurar outro fecho mais adequado.. As mudanças nessas áreas sígnificam que também o crime organizado.> Em resumo. conforme Bell o faz.(l50-151) Porém. permanecerá enquanto perrnanecerem a paixão e o desejo de lucro. Baseava-se nas característícas da economia dos grupos étnicos e da po litica norte-senerícanos.~.270 Robert K.$. através dos procedimentos racionalizados do que alguns chamam "o estado do bem-estar social". o grande delito organizado das cidades. J: . Merton C\.o que proporcionam modelos para a juventude de origem italiana de hoje.. cia étnica distinta acêrca dos modos de obter riqueza ilícita". e.. assim como há vinte anos os filhos dos judeus do Leste europeu eram figuras proeminentes no crime organizado. Seria metafórico mas essencialmente verdadeiro. cada VEOZ mais.a hegemonia sôbre o crime. grande cidade"· (147) No devido tempo e pela primeira vez. há alguma base para \'h concluir. Tal como Bell concluiu. que em grande parte iniciou o declínio da máquina política. porém. tinuidades da análise da relação entre a estrutura social e a anomia. de que "os homens de origem italiana apareceram na maior parte dos papéis principais no alto drama do jôgo e dos sindicatos do crime. ~'I I '~': ~ Com a racionalização e a absorção de algumas atividades üícítas dentro da estrutura da economia. com as mudanças na estrutura da oportunidade. dizer que foi o sistema da "previdência social" e a criação de bôlsas de estudo distribuídas mais ou menos burocráticamente.~ ·. O crime.dêstes. os descendentes de italianos chegaram a alcançar um grau substancial de influênda na política municipal de Nova Iorque .( 152-153) Por fim e irônicamente.

Primeira Décima edição primeira em inglês ão . 99 São Paulo L_ . Corporation 1949 by The Free Press Direitos reservados para os países de língua portuguêsa pela EDITORA MESTRE JOU Rua Martíns Fontes. A. . português Título original "SOCIAL THEORY AND SOCIAL STRUCTURE" Capa Wilson Tadei © 1968 by Robert K. . 1949 1967 1968 1964 1965 1970 re impress Primeira edição Primeira Segunda Primeira edição edição edição ampliada em inglês em espanhol em espanhol em . em inglês . . Merton 1957 by The Free Press.

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