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Artigo História da física no Brasil

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História da Física no Brasil: Contribuições, consolidação e O futuro da Física no País

Lázaro Genilson Leite Ramon Marcelo Henrique de Oliveira

1. Introdução
Ao longo da historia da física o Brasil teve seu papel de destaque com contribuições de cientistas estrangeiras e de atuações contempláveis de cientistas brasileiros, dos quais podemos citar César lattes, José leite Lopes e muitos outros que serão citados ao longo desse trabalho. Embora tenhamos avançado significativamente em várias área do conhecimento cientifico, desde as primeiras pesquisas realizadas por esses brasileiros no ramo da fisica, almejamos num futuro próximo alcançar a firmeza de um país competitivo em termos de ciência e tecnologia e não um fornecedor de matéria prima e mão de obra barata. Assim como afirma Lord Ruthenford “O país que não desenvolver a sua ciência e a sua tecnologia esta fadada a transforma-se em fornecedor de lenha, de latas de água e de seus recursos naturais para os povos civilizados”. Desde o aparecimento das primeiras universidades até os dias atuais temos uma incerteza quanto ao destino da física no Brasil. Hoje existem várias instituições responsáveis pela divulgação da fisica no país que se mostram muito eficientes na promoção de eventos como, por exemplo, a SBF (Sociedade Brasileira de Física) que é responsável pela OBF (Olimpíadas Brasileira de Física), e incentivo à pesquisa, dais quais temos: a FUNCAP, CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e alguns institutos sem vínculos com universidades, das quais podemos citar: Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e os Laboratórios Nacionais (LNs). O nosso objetivo nesse instrumento de divulgação cientifica é traçar mais um breve relato da historia da física no Brasil do ponto de vista das contribuições dadas por diversos cientistas, não só de brasileiros, e traçar um panorama da situação atual e as expectativas para o futuro de um país tão jovem como o Brasil e com um grande potencial.

2. Contribuições históricas Depois da primeira guerra mundial, o mundo vivenciou a criação de grupos ideológicos, dentre eles o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália, com isso ouve uma migração de cientistas da Europa para os Estados Unidos e também para o Brasil. As contribuições de cientistas brasileiros na física iniciaram-se após a criação da Universidade de São Paulo (1934), na sua Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, sob a liderança do professor Gleb Wataghin, de origem russa, professor na Universidade de Turim que veio para o Brasil com outros professores italianos para a recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, indicado por Enrico Fermi e Teodoro Augusto Ramos, professor da antiga Escola Politécnica, que era, na época, o cientista brasileiro de maior trânsito nas universidades européias. Wataghin foi o implantador da física moderna no Brasil e a ele se deve a criação da Escola de Física da USP, sem dúvida a maior da América Latina. No Rio de Janeiro, o desenvolvimento da física teve inicio mais ou menos na mesma época graças à presença de Bernhard Gross, um notável físico alemão, que iniciou a física do estado sólido no Brasil. Gross criou uma escola de especialistas na física dos dielétricos e a ele se deve a descoberta dos eletretos, confirmada pelo físico japonês Eguchi, que recebeu o Prêmio Nobel por seus trabalhos nesse campo. Um dos alunos de Gross, Sergio Mascarenhas de Oliveira, é o fundador da Escola de Física de São Carlos (USP), um dos maiores centros de investigação de física do estado sólido no País. Juntamente com Bernhard Gross Joaquim da Costa Ribeiro publicou um trabalho nos Anais da Academia Brasileira de Ciências relatando a descoberta, feita em 1943, do “efeito termodielétrico”, ou efeito Costa Ribeiro, como ficou conhecido. Ele estudava a formação de cargas espaciais perto do ponto de fusão quando notou que o sólido formado a partir do líquido ficava carregado mesmo sem a presença de um campo elétrico. A interpretação deste resultado exigiu vários estudos complementares. Ele trabalhava com um material muito brasileiro, a cera de carnaúba. As mais importantes contribuições de físicos brasileiros são devidas à escola de Wataghin na USP. Desde 1936 iniciaram-se as pesquisas sobre raios cósmicos, publicadas em várias revistas especializadas do Brasil e do exterior. Essas pesquisas culminaram com a descoberta do fenômeno conhecido por “chuveiros penetrantes de raios cósmicos” (cosmic ray penetrating showers) por G. Wataghin, M.D.S. Santos e P.A. Pompeia - um novo fenômeno que revelou a existência de partículas

penetrantes simultâneas na radiação cósmica (1940). Esse fenômeno de produção de partículas provenientes da explosão de um único núcleo atômico (mésons ou mésotrons) foi confirmado por vários trabalhos realizados por experiências posteriores em São Paulo (G. Wataghin e O. Sala) e no exterior, sendo a nossa primazia reconhecida internacionalmente. Ao lado dessas pesquisas, Wataghin formou um grupo de físicos teóricos dentre os quais estavam Mario Schemberg, José Leite Lopes e Jayme Tiomno, cujos trabalhos no país e no exterior tornaram São Paulo um centro conhecido internacionalmente em física teórica. Em fins de 1937 o antigo Departamento de Física da Faculdade de Filosofia foi enriquecido com a vinda do professor Giuseppe Occhialini, cujas pesquisas sobre raios cósmicos, na Inglaterra, culminaram com a descoberta de um método de registro fotográfico de fenômenos observados com a câmara de Wilson. Trabalhando com o professor P.M.S. Blackett na Universidade de Cambridge (Inglaterra), esses notáveis físicos identificaram o aparecimento de elétrons positivos (pósitrons) nos chuveiros devido ao componente mole (ou pouco penetrante) da radiação cósmica. Occhialini deu uma enorme contribuição ao desenvolvimento da física nuclear experimental no Brasil graças à sua formação no Cavendish Laboratory (Cambridge) sob a direção de Sir E. Rutherford - na época o maior centro de pesquisas de física do núcleo e das partículas. Entre os alunos de Wataghin e de Occhialini merece destaque especial à figura de Cesar Lattes, sem dúvida o maior físico brasileiro. Lattes desenvolveu com Occhialini a técnica de detecção de partículas mediante o emprego de emulsões fotográficas, com a qual descobriu o méson pi e a sua produção em aceleradores de alta energia, na Universidade da Califórnia, em colaboração com o E. Gardner. Por ocasião de sua volta dos Estados Unidos, foi um dos fundadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e, mais tarde, do Centro de Física de Altas Energias e Geocronologia na recém criada Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na Unicamp, Lattes formou uma equipe notável de pesquisadores que descobriram importantes fenômenos na radiação cósmica, como as “bolas de fogo”, utilizando a técnica de emulsões nucleares no alto do Chacaltaya (Bolívia). Em torno de Occhialini e de Lattes formou-se um grupo considerável de cientistas brasileiros Roberto A. Salmeron, atualmente professor da École Polytechnique em Paris, Andrea Wataghin (falecido), Georges Schwachheim, Hugo Camerini, Jean Meyer, hoje radicados no exterior, onde ocupam posições em universidades (e/ou centros de pesquisa) – que deram importantes contribuições à física dos raios cósmicos e partículas elementares.

Após a Segunda Guerra Mundial, parte do grupo pioneiro formado por Wataghin em raios cósmicos passou a trabalhar em física nuclear, em torno do Betatron e do acelerador Van der Graaff, ambos construídos em grande parte no Brasil por Marcello Damy e Oscar Sala, respectivamente. Esses dois grupos deram origem aos dois maiores centros de pesquisa nuclear do Brasil. O antigo laboratório do Betatron deu origem ao atual Laboratório do Acelerador Linear e o antigo Laboratório do Acelerador Van der Graaff ao atual Laboratório do Pelletron, nos quais foram formadas várias equipes de físicos que vêm realizando pesquisas de alto nível com grande repercussão no exterior. Em ambos os laboratórios existem uma ampla colaboração com centros de pesquisas de universidades da Argentina, dos Estados Unidos e da Europa; assim, pesquisadores brasileiros vêm realizando pesquisas do mais alto interesse no país e em universidades do exterior, contribuindo de maneira notável para o desenvolvimento dessa ciência em escala internacional. Com o início do funcionamento dos novos aceleradores desses dois grupos, cuja construção luta com dificuldades de origem financeira, deveremos esperar uma nova e intensa fase de produção científica, em decorrência do elevado nível científico, da capacidade de trabalho e da competência de vários componentes desses laboratórios, hoje conhecidos e respeitados no exterior. Um fato digno de menção é que o projeto e a tecnologia de construção de aceleradores lineares de energia média são amplamente dominados pelos físicos desses centros de pesquisa. Assim, o acelerador Microton do Laboratório do Acelerador Linear foi totalmente projetado e estava sendo construído em 1998 por físicos desse laboratório, sem que houvesse necessidade de importar know-how, técnicos e partes do acelerador do exterior. Não se pode desejar uma maior prova de competência, capacidade de realização e patriotismo. Dentre os físicos que se destacaram na história da física brasileira, Além dos já mencionados, devemos citar também: Jayme Tiomno, Roberto Salmeron, Samuel MacDowell, Moises Nussenzweig, Jorge André Swieca. Faremos um breve relado da participação efetiva na historia da física no país de alguns desses cientistas. Um fato da história da física no Brasil que merece atenção que ocorreu em 1923 foi à realização de um jovem engenheiro e matemático, de apenas 28 anos, realizou a primeira pesquisa sobre a Relatividade Geral e a Teoria Quântica no Brasil. Esse personagem, Theodoro Ramos, daria depois importantes contribuições para o desenvolvimento da Ciência no Brasil, tendo sido o primeiro diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP criada em 1934. José Leite Lopes nasceu no Recife, em 1918, numa família de comerciantes. Motivado pelas possibilidades de trabalhar em usinas de açúcar e na indústria, optou por fazer Química. Em 1939

terminou o curso de Química Industrial em Pernambuco, mas antes mesmo de se formar, por influência de Luiz Freire, seu professor de física durante a faculdade, resolveu se mudar para o Rio e fazer o curso de Física. Em 1942, após terminar o curso de Física, na Faculdade de Filosofia do Rio de Janeiro, atual UFRJ, foi fazer o doutorado em Princeton, nos Estados Unidos, com Wolfgang Pauli, prêmio Nobel em 1945 e um dos pais da Mecânica Quântica. Sua pesquisa foi principalmente dedicada à Física de Partículas. Leite Lopes participou da previsão, em 1958, da existência de uma partícula chamada bóson Z0, que só foi observada experimentalmente em 1980. Nos Estados Unidos, assistia a seminários de Einstein, trabalhou com Feynman e Robert Oppenheimer, entre outros grandes nomes da Física. Leite foi um dos fundadores da Escola Latino-americana de Física (1959), juntamente com o mexicano Marcos Moshinski e o argentino Juan José Giambiagi (1924-1996). Inspirado por essa idéia, o físico brasileiro propôs a criação do Centro Latino-americano de Física (CLAF), com sede no CBPF. Essas iniciativas ajudaram a desenvolver e a integrar a física em todo o continente. Em 1946 terminou o doutorado e, três anos depois, junto com mais alguns colegas, fundou, no Rio de Janeiro, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), do qual foi diretor por duas vezes (1960-64 e 1985-89). Sobre esta época ele conta: “No início havia muitas dificuldades. O João Alberto (Lins de Barros, ministro na ocasião) dava dinheiro do próprio bolso para sustentar a instituição”. José Leite Lopes também deu uma contribuição importante para o estabelecimento do modelo padrão de partículas elementares através das teorias de calibre. Que mais tarde em 1962 com a criação da Universidade de Brasília a UnB, criou o projeto do instituto de Física Pura e Aplicada. Em 1964, com o golpe militar, Leite Lopes pediu demissão da diretoria e saiu do país, mas não aceitou o convite para que fosse embaixador nos Estados Unidos simplesmente por não concordar com a política americana em relação ao Brasil. Acabou indo para a França. Em 1969, foi cassado e aposentado compulsoriamente pelo regime militar. Só voltou a morar no Brasil em 1985. Convidado a ser novamente diretor do CBPF, Leite Lopes se envolveu em diversas questões políticas para melhorar a situação da pesquisa e do ensino no país. Sua atuação foi fundamental para que fosse criado o regime de dedicação exclusiva nas universidades, o que permitiu a pesquisadores se dedicarem mais às suas atividades e ajudou na criação e manutenção de centros de pesquisas dentro delas. Além disso, ajudou a criar um programa que incentiva os cientistas a irem às escolas, aproximando a pesquisa acadêmica dos alunos do ensino médio. Foi, por diversas vezes, ele mesmo explicar fundamentos de Física para esses estudantes. Sua trajetória profissional acompanha a

história da Física no Brasil. Desde o tempo em que se fazia Física em pequenos laboratórios, aos modernos centros de pesquisa de hoje em dia, Leite Lopes sempre esteve atento e preocupado com o avanço da ciência no Brasil, como agente ou como incentivador dos alunos. “Os alunos não aprendem Física e Matemática porque os professores não ensinam direito. Se o professor desenvolver a capacidade didática, acaba atraindo o estudante naturalmente”. Leite Lopes morreu em 12 de junho de 2006, alem de todas essas contribuições publicou mais de vinte livros - técnicos, didáticos e de divulgação científica - e de um sem-número de artigos em jornais sobre política científica e as relações entre ciência e sociedade. A leitura destes escritos comprova o quanto é raro encontrar hoje pesquisadores com o perfil de José Leite Lopes.

3. Consolidação
No final dos anos 1940, a física brasileira viveu um de seus grandes momentos. Uma nova geração despontava, tomando para si a responsabilidade da construção da ciência no país. O esforço desses jovens pesquisadores resultaria na fundação de uma das principais instituições nacionais de pesquisa: o CBPF. A idéia da criação de um grupo para realizar trabalhos em física nuclear e física de partículas no Rio de Janeiro surgiu em 1943, quando César Lattes e José Leite Lopes, dois dos mais importantes físicos brasileiros daquela geração, se conheceram em São Paulo. No dia 15 de janeiro de 1949, Fundou-se, então, o CBPF, como uma sociedade civil, com a participação de cientistas, políticos, militares, empresários, amigos e familiares, perfazendo ao todo 116 sócios fundadores, entre eles César Lattes, José Leite Lopes e Jayme Tiomno. Já na década de 1950, o CBPF promovia cursos avançados, através da discussão de artigos e de seminários semanais – que nasceram principalmente pela iniciativa de Leite Lopes. Era um ambiente intelectualmente desafiador e convidativo, e foi através dele que o CBPF chegou à vanguarda do ensino universitário, ao criar a primeira pós-graduação em física do país. Vale destacar ainda que o Conselho Técnico-Científico da instituição funciona desde 1954. O programa de pós-graduação era coordenado por Lattes, Leite Lopes e Tiomno, que também ministravam cursos regulares. Vários físicos estrangeiros de renome internacional também deram aulas nesses cursos, entre eles, só para citar alguns exemplos, o austríaco Guido Beck (1903-1988), o norte-americano Richard Feynman (1918-1988) – em 1965, Nobel de física – e o italiano Emilio Segrè (1905-1989), descobridor do antipróton e Nobel de física de 1959. Nas décadas de 1950 e 1960, o CBPF deu contribuições

de alta relevância e impacto internacional tanto para a física teórica quanto experimental – nesta última, especialmente, na área de raios cósmicos. Em três momentos distintos, o CBPF desempenhou um papel fundamental no cenário científico nacional, ao contribuir para a criação de outras instituições de renome, como do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), em 1952, sediado no Rio de Janeiro (RJ); do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em 1980, transferido recentemente para Petrópolis (RJ); e do Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), em 1985, instalado em Campinas (SP). Juntamente com o Instituto de Física da Universidade de São Paulo, o CBPF desempenhou um papel seminal na formação das primeiras gerações de físicos brasileiros e latino-americanos, bem como no desenvolvimento da física no Brasil. Ao longo de sua existência, tem abrigado grupos de excelência em várias áreas da física e, além de um Conselho Técnico-Científico, conta com uma estrutura moderna de administração para dar suporte aos trabalhos de pesquisa. Incorporado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o CBPF buscará agora ampliar sua atuação nacional – compatível com a nova situação institucional –, bem como reforçar seu papel internacional. Hoje, muitos institutos e departamentos ligados às universidades têm programas de pósgraduação e pesquisa em física, alguns de excelente qualidade. Além disto o Ministério da Ciência e Tecnologia mantêm alguns institutos de pesquisa não ligados as universidades, como é o caso do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e do Laboratório Nacional de Luz Sincrotron. A Sociedade Brasileira de Física, criada em 1966, publica resultados de pesquisas no Brazilian Journal of Physics e resultados de pesquisas em ensino de física tem sido publicadas na Revista Brasileira de Física e na Revista Física na Escola. Nos últimos anos a SBF tem também promovido a Olimpíada Brasileira de Física que é uma competição escolar com o objetivo de incentivar o estudo da física.

4. O futuro da Física no Brasil
A ciência nacional teve um notável avanço nas últimas três décadas. Com relação à capacitação de recursos humanos, evoluímos da formação de algumas centenas de doutores por ano, na década de setenta, a cerca de dez mil por ano atualmente. Com relação à pesquisa em Física, o avanço tanto em número como em qualidade, tem sido expressivo. Os trabalhos gerados em instituições brasileiras estão entre os mais citados de toda

América Latina e a relevância dos resultados obtidos tem aumentado de forma considerável no cenário científico internacional. Por outro lado, ao se analisar o avanço da Física Brasileira, interessa menos diagnosticar seu sucesso, o importante é lançar um olhar mais crítico e reconhecer suas limitações visando sua superação. Ao fazer esta análise não podemos perder de vista a referência a países com dimensões e estágios de desenvolvimento análogos ao do Brasil, em particular a China e a Índia, e as ações executadas para lhes permitirem o crescimento acelerado e estável ao longo dos últimos anos. No Brasil, o desenvolvimento da Física está fortemente vinculado ao crescimento das atividades de pós-graduação e sua disseminação por todo o país. Este fato teve a virtude de tornar esse desenvolvimento auto-sustentável. No entanto, ele obteve mais sucesso na formação teórica, com menor expansão nas atividades experimentais. Muitos esforços foram feitos, alguns com sucesso, para que houvesse melhor equilíbrio entre as atividades teórica e experimental; porém ainda persiste certo desequilíbrio. Evidentemente, há um outro fator limitante nesta equação, associada ao baixo fator de interação entre o setor produtivo e a atividade científica acadêmica. Quando se observam os países avançados, uma fração significativa dos cientistas e, em particular, dos cientistas experimentais, após sua formação e algum período associado à academia, acaba migrando para o setor produtivo, freqüentemente em programas de inovação das empresas. Esse processo é ainda incipiente no Brasil e, certamente, a migração de cientistas para atividades fora da academia deve ser estimulado através de programas específicos, algum já existente. O desenvolvimento da Física foi alcançado com uma política de apoio à demanda espontânea de grupos de pesquisa, baseada na qualificação de seus líderes, avaliada por pares. Esse mecanismo é essencial para a conquista de novos territórios científicos, sinalizando as direções a serem seguidas. É fato plenamente conhecido que grandes avanços em Física partiram do trabalho realizado em pequenos grupos, gerado a partir da investigação científica não induzida externamente. No entanto, este avanço é complementado pela exploração sistemática e organizada de problemas importante, induzida por objetivos bem delineados. A Física Brasileira alcançou tal grau de maturidade que dispõe de condições objetivas e capacitação para dar um grande salto de qualidade. Esse salto significa colocá-la num patamar de destaque no cenário internacional que lhe permita compartilhar a liderança em alguns tópicos de grande relevância científica e tecnológica. Para alcançá-lo, será necessário que o País elabore uma política científica de Estado que garanta, por um lado, a participação efetiva de grupos brasileiros em grandes projetos internacionais, e, por outro, uma bem articulada colaboração entre instituições brasileiras em torno de

projetos nacionais que requerem planejamento integrado e recursos centralizados para serem viabilizados, em particular com relação ao desenvolvimento de instrumentação científica. Um segundo aspecto desse salto qualitativo é a socialização do progresso científico, ou seja, é absolutamente essencial que os avanços científicos obtidos no País colaborem efetivamente para nosso progresso tecnológico e melhoria da qualidade de vida de nossos cidadãos. Para tal, é necessário que a política científica, acima mencionada, seja bem articulada com a política industrial. O Brasil tem que fazer revolução em todos os campos das ciências. Tem que muito se discutir sobre a política industrial, a educação cientifica, o investimento a pesquisa, a regulamentação da profissão, a relação da física com as empresas e a sua contribuição no desenvolvimento de soluções para os problemas brasileiros. O Brasil precisa, também, aprender a explorar o uso de projetos científicos para estimular o desenvolvimento de indústrias baseadas em conhecimento, reconhecer que o lugar da inovação tecnológica é na empresa, esse é um dos principais desafios estruturais colocados frente ao sistema de ciência e tecnologia brasileiro, pois sem o envolvimento da empresa, o país não conseguirá desenvolver uma capacidade sistemática para transformar conhecimento em riqueza. Industrias baseada em conhecimento, que se alimentam e se desenvolvem pelo avanço constante da fronteira sem fim do conhecimento humano.

5. Considerações Finais
Na educação em relação à ciência o Brasil deve percorrer um longo caminho, em primeiro lugar deve procurar mudar a cultura que é muito arcaica, e se aperfeiçoar na cultura cientifica nas escolas de base, como do primeiro e segundo grau, dando prioridade em teorias e experimentos. Para que haja isso os governantes devem equipar os laboratórios com instrumentos modernos e realizar treinamento com os professores na busca de novos conhecimentos para aguçar a curiosidade dos alunos e fazer com que eles busquem conhecimentos próprios através de suas próprias concepções.

6. Bibliografia
Lope, Leite Lopes. A Evolução da história da Ciência. CBPF. 1998 Studart. Nelson. Theodoro Ramos e a Física Moderna no Brasil Física na Escola, v. 5, n. 2, 2004

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