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Temas de Filosofia - Maria Lucia de Arruda Aranha

Temas de Filosofia - Maria Lucia de Arruda Aranha

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MARIA LÚCIA DE ARRUDA ARANHA MARIA HELENA PIRES MARTINS

TEMAS DE

FILOSOFIA
MARIA LÚCIA DE ARRUDA ARANHA
Professora de Filosofia na rede particular do ensino de São Paulo

MARIA HELENA PIRES MAR INS
Professora da Escola de Co!unica"ão e Artes da USP Autoras de Filosofando# Editora Moderna

http://groups.google.com/group/digitalsource

TEMAS DE

FILOSOFIA
$%& edi"ão
Coordenação editorial: José Gabriel Arrolo Preparação de originais -Luiz Vicente Vieira Filho (coordenador), Valter . !odrigues (preparador) Pesquisa iconográfica.-Thais .!alcão "otelho Coordenação de re#isão: Lisa"eth #ansi $iatti Coordenação de artes: %idnei &oura $iagra%ação: &'rio &. (oshida Artes: demir F. #aptista, nt)nio *. +ecarli, F'"io ,duardo #. #ueno, -.an !i"eiro #ordin, /os0 l1redo !0 %oriano, &'rio &. (oshida, %olange &uramaisu Ca&a: -.an !i"eiro #ordin, Paulo &anzi Contraca&a: Victory Boogie-Woogie, leia de Piet &ondrian, e2ecutada com tinta a 3leo e papel colorido Co%&osição: -mpressão 1inal
IMPRESS'( E ACA)AMEN ( Lis Gráfica e Editora Ltda.

Outras obras das autoras &aria L4cia de rruda ranha: ist'ria da educação( !ilosofia da educação e )aquia#el. a l'gica da força (todas da ,ditora &oderna). &aria 5elena Pires &artins: Giunfrancesco Gua%ier* e +elson ,odrigues -Abril *ultura67 *oleção Literatura *omentada).

Dados Internacionais de Catalo*a"ão na Pu+lica"ão ,CIP,C.!ara )rasileira do Li/ro# SP# )rasilranha, &aria L4cia de rruda. 8emas de 1iloso1ia / &aria L4cia de rruda ranha, &aria 5elena Pires &artins 9 %ão Paulo : &oderna, :;;<. #i"liogra1ia. :. Filoso1ia (<= grau) -. &artins, &aria 5elena Pires. --. 8>tulo. ;<-:?@A *++-:AA 0ndices para cat1lo*o siste!1tico2
1. Filosofia 100

IS)N 345$657768754

Todas os direitos reser#ados EDITORA MODERNA LTDA. !ua Padre delino, B?C - #elenzinho %ão Paulo - %P - #rasil - *,P A@@A@-;AD Vendas e tendimento7 8el. (.A::) <;:-DEBB Fa2 (All) EAC-@A?? FFF.moderna.com."r

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.%&resso no "rasil

APRESENTAÇÃO
,ste li.ro 1oi conce"ido a partir da e2periGncia pedag3gica de duas pro1essoras em contato com os pro"lemas cotidianos da sala de aula e a partir da re1le2ão so"re o lugar, os o"Heti.os e a necessidade do ensino da 1iloso1ia. I ensino da 1iloso1ia tem por o"Heti.o possi"ilitar a re1le2ão cr>tica so"re a realidade Jue nos cerca, em particular a do #rasil. Para Jue essa re1le2ão seHa e1etuada, 0 necess'rio interpretarmos / mundo não-.er"al e .er"al em Jue .i.emos e emitirmos Hu>zos dentro desse mundo. ssim, o Pr3logo, Is instrumentos do 1iloso1ar, .isa a superação de determinadas di1iculdades encontradas pelos alunos 9 Jue se traduzem na Juei2a comum: Knão sei estudarK 9 por meio da orientação dos processos de leitura, 1ichamento de te2tos, organização de semin'rios e dissertaçLes. Pensado como instrumento de tra"alho, cada item do Pr3logo de.er' ser estudado somente no momento em Jue se 1izer necess'rio. Pode-se, por e2emplo, começar o ano com o item prendendo a ler, uma .ez Jue os procedimentos a> propostos irão nortear o uso do pr3prio li.ro. Is demais itens de.erão ser estudados apenas Juando 1or pedido um 1ichamento, una semin'rio ou uma dissertação pois, como JualJuer instrumento, sua 1unção 0 a de 1acilitar o cumprimento de tare1as. Para Jue as t0cnicas dadas seHam realmente assimiladas, de.ese 1azer cada uma dessas ati.idades de acordo com os passos e2plicados no te2to do Pr3logo. Estrutura do livro I li.ro est' di.idido em temas conte2tualizados no mundo atual, por Hulgarmos Jue estes moti.am mais o adolescente. 1inal, o lugar da 1iloso1ia 0 o mundo e ela 0 condição essencial para Jue passemos do .i.ido para o re1letido. Por essa mesma razão, optamos por colocar algumas ilustraçLes tiradas de hist3rias em Juadrinhos e de cartuns, Jue 1azem parte do mundo do adolescente, e Jue, por serem cr>ticos, acrescentam signi1icados aos te2tos e ser.em de material para re1le2ão. Is temas a"ordados são: o homem, o conhecimento, a moral, a pol>tica e a est0tica, em um total de .inte cap>tulos. Mo 1inal de cada cap>tulo h' te2tos de leitura complementar, Jue 1oram criteriosamente selecionados tendo em .ista colocar o aluno em contato direto com te2tos de grandes autores. posterior re1le2ão 1ilos31ica. Foram preparados e2erc>cios Jue se re1erem aos assuntos tratados no cap>tulo e aos te2tos de leitura complementar. -nclu>mos algumas JuestLes de .esti"ular, com o prop3sito de lem"rar Jue a re1le2ão 1ilos31ica pode enriJuecer o conte4do de JualJuer dissertação. di.ersidade dos temas permite seu uso em outras disciplinas como: sociologia, pois trata de t3picos como alienação, ideologia e comunicação de massa7 direitos humanos, uma .ez Jue discute não s3 a Juestão da li"erdade, da democracia, do direito N cidadania, mas, tam"0m, as .'rias 1ormas de .iolGncia contra a pessoa humana. Juestão dos direitos humanos, na .erdade, perpassa todo o te2to. maioria desses te2tos são de 1il3so1os e, em"ora alguns deles seHam de autores de outras 'reas, a intenção 0 sempre a de desencadear a

unidade so"re est0tica atende N necessidade de re1letir so"re a arte e de 1undamentar teoricamente o 1azer art>stico, o Jue não pode 1altar Ns disciplinas de educação art>stica. Ma e2pectati.a de Jue o li.ro possa atingir os o"Heti.os propostos, agradecemos antecipadamente as o"ser.açLes daJueles Jue o utilizarem, a 1im de Jue possamos aper1eiço'-lo.

SUMARIO
P!OLI$I 9 Os instrumentos do iloso ar prendendo a ler prendendo a 1azer 1ichamento e resumo de te2tos prendendo a 1azer um semin'rio prendendo a 1azer uma dissertação PM-+ +, - 9 O !omem * PQ8PLI : 9 Matureza e cultura 8ornar-se homem *oncepçLes de homem ,2iste uma natureza humana uni.ersalR * PQ8PLI < 9 t0cnica o%o sa&iens( ho%o faber s trans1ormaçLes da t0cnica 80cnica e ciGncia 80cnica e sociedade 80cnica e alienação tecnocracia !azão louca e razão s'"ia PM-+ +, -- - O "on!e"imento * PQ8PLI @ 9 I Jue 0 o conhecimento I conhecimento &odos de conhecer o mundo *onhecimento, pensamento e linguagem condição humana

*onhecimento, pensamento e l3gica * PQ8PLI D 9 I senso comum I sa"er de todos n3s ideologia contra-ideologia * PQ8PLI ? 9 I pensamento m>tico I Jue 0 o mito FunçLes do mito *aracter>sticas do mito I mito hoHe * PQ8PLI E 9 I conhecimento 1ilos31ico Pri%eira &arte 0 I Jue 0 1iloso1ia tare1a da 1iloso1ia I pensamento 1ilos31ico *eticismo e dogmatismo em 1iloso1ia 1egunda &arte 0 I nascimento da 1iloso1ia Terceira &arte 9 crise da razão * PQ8PLI B 9 I m0todo cient>1ico SuestLes so"re o m0todo 1egunda &arte 9 5ist3rico da ciGncia ciGncia grega ciGncia medie.al !e.olução *ient>1ica e2pansão da ciGncia s ciGncias humanas Terceira &arte 0 *iGncia e 1iloso1ia Is mitos da ciGncia 1unção da 1iloso1ia PM-+ +, --- T Moral * PQ8PLI C 9 I mundo dos .alores I Jue 0 .alor +e onde .Gm os .aloresR ciGncia Pri%eira &arte 0 I Jue 0 ciGncia teoria do conhecimento teoria do conhecimento na -dade &oderna

%ocial e pessoal I suHeito moral I homem .irtuoso I"rigação e li"erdade Progresso moral * PQ8PLI ; li"erdade I homem 0 determinadoR s condiçLes da li"erdade Li"erdades * PQ8PLI :A 9 *oncepçLes 0ticas gir de acordo com o "em moral iluminista ,m "usca do homem concreto Juestão moral hoHe * PQ8PLI :: 9 8emas a1ins: a a1eti.idade Pri%eira &arte 0 Mada se 1az sem pai2ão 5omem: ser de deseHo Pai2ão de .ida e pai2ão de morte 1egunda &arte 0 amizade *aracter>sticas da amizade Terceira &arte 9 I amor e a pai2ão pai2ão I amor PM-+ +, -V- Pol#ti"a * PQ8PLI :< - I Jue 0 pol>tica Força e poder I Jue 0 pol>tica Pol>tica: teoria e pr'tica * PQ8PLI :@ 9 democracia +emocracia: 1ormal e su"stancial +emocracia: direta ou representati.aR +emocracia e cidadania * PQ8PLI :D 9 *oncepçLes de pol>tica Pri%eira &arte 0 Pol>tica antiga e medie.al *oncepção grega de pol>tica pol>tica medie.al

1egunda &arte 0 Li"eralismo: antecedentes e desen.ol.imento autonomia da pol>tica: &aJuia.el I 1ortalecimento do ,stado s teorias contratualistas I li"eralismo *r>ticas ao modelo li"eral Terceira &arte 0 I socialismo utopia da igualdade I mar2ismo I anarJuismo social-democracia I socialismo real * PQ8PLI :? 9 8emas a1ins: a .iolGncia Pri%eira &arte 9 I Jue 0 .iolGncia 8ipos de .iolGncia .iolGncia pode ser HustaR K.iolGncia leg>timaK do ,stado ViolGncia e pol>tica $uerra e paz 1egunda &arte 0 Formas de discriminação Preconceito e discriminação I racismo I machismo !acismo, patriarcado, capitalismo PM-+ +, V 9 Est$ti"a * PQ8PLI :E 9 I Jue 0 arteR.. rte 0 interpretação do mundo n'lise de uma o"ra de arte * PQ8PLI :B 9 FunçLes da arte Função pragm'tica ou utilit'ria Função naturalista Função 1ormalista * PQ8PLI :C 9 Feio ou "onitoR +epende do gostoR I "elo I 1eio .iolGncia

I gosto * PQ8PLI :; 9 rte de elite, arte popular, arte de massa rte de elite: caracter>sticas rte popular ou 1olclore rte de massa * PQ8PLI <A 9 Linguagem da 8V 8V e p4"lico teleno.ela I!-,M8 UVI #-#L-I$!WF-* QM+-*, IMI&W%8-*I LEITURA %OMPLEMENTAR XIs homens e os animaisY, !en0 +escartes X+e repente, aparece a genteY, Irtega Z $asset X e2istGncia precede a essGnciaY, /ean-Paul %artre XProduzir 0 serY, [arl &ar2 X pedagogia pereneY, Planchard X8ecnologia e tecnocraciaY, $il"erto &. [uHaFs\i X%ituação cogniti.aY, /acJues %chlanger X rgumentaçãoY, /ohn Loc\e XFiloso1ia e "om sensoY, nt)nio $ramsci Pro.0r"io re.isto, MeFton de Lucca X&ito e religiãoY, ,rnst *assirer I mito do %uperman, Pm"erto ,co XI Jue 0 1iloso1iaY, [arl /aspers XIs 1il3so1os e a 1iloso1iaY, ,rmano #enci.enga XFragmentos de pr0-socr'ticosY den4ncia de &eleto, Platão XI m0todoY, !en0 +escartes X-d0ias inatasY, !en0 +escartes +a origem das id0ias, +a.id 5ume +a distinção entre conhecimento puro e emp>rico, -mmanuel [ant +o espaço/+o tempo, -mmanuel [ant tele.isão 8V como meio de comunicação de massa

XI no.o lluminismoY, %0rgio Paulo !ouanet XPor Jue o homem Juer conhecerRY, Wl.aro Vieira Pinto +o mundo 1echado ao uni.erso in1inito, le2andre [oZr0 I mito da ciGncia, 5ilton /apiassu Valores morais e não-morais, dol1o %'nchez V'sJuez XI homem 0 li"erdadeY, /ean-Paul %artre X li"erdade do cidadãoY, [arl &ar2 X 1elicidadeY, rist3teles XFragmentosY, ,picuro *omo se portar na in1elicidade, %Gneca XFragmentoY, Friedrich Mietzsche. XFragmentosY, #aruch %pinoza lmas agradecidas, &achado de ssis X mizade e enamoramentoY, Francesco l"eroni Is 3culos escuros, !oland #arthes I cidadão não-educado, Mor"erto #o""io (I poder democr'ticoY, Francisco *. ]e11ort ]alden --, #urrhus F. %\inner pelo aos .alores, Mor"erto #o""io +os deputados ou representantes, /ean-/acJues !ousseau /bs.: Is t>tulos entre colchetes não são originais7 1oram criados pelas utoras do li.ro. X+emocracia e literaturaY, nt)nio *^ndido XFragmentosY, /ohn Loc\e XIs trGs poderesY, &ontesJuieu $o.erno representati.o, /ohn %tuart &ill &aterialismo dial0tico, Friedrich ,ngels %onho imposs>.el, *hico #uarJue X*rime e criminalidadeY. 50lio Pellegrino XPoder, .iolGncia, terrorY, 5annah rendt Preconceito, &a2 5or\heimer e 8heodor ]. dorno X ção culturalY, Lu>s &ilanesi ,is dois cachim"os, &ichel Foucault I hero>smo da .isão, %usan %ontag 5' algo de po"re no gosto de cada um, &arcelo *oelho -nd4stria cultural, meios de comunicação de massa, cultura de massa, /. 8.*oelho Metto ind4stria cultural, 8heodor ]. dorno %olidão em cadeia, &aria !ita [ehl

Vigil^ncia e participação, Pm"erto ,co

PR&LO'O
/s instru%entos do filosofar o2e é o &ri%eiro dia e% que %e sinto real%ente e% férias. 3 2á é 2aneiro. Passou a correria da entrega de notas( reuni4es de conselhos de classe( recu&eração( fecha%ento dos diários de classe( seguida da outra correria( a &re&aração das festas de fi% de ano. As co%&ras( as #isitas( a co%ida( o tr5nsito( o calor( a ár#ore a ser arru%ada... )as( ho2e( final%ente e% férias( &osso co%eçar a escre#er outra #e6. %%%( estou sentindo u% cheiro estranho. / que &oderá ser7 +ossa8 3squeci o fei2ão no fogo8 9uei%ou. :á se foi o %eu al%oço. Tudo be%( faço u% sandu*che( %as co%eço a escre#er este no#o li#ro. ; ilusão8 Agora ouço u% barulho. 1erá a ca%&ainha7 1e%&re &osso fingir que não há ningué% e% casa. )as não é a ca%&ainha. / barulho continua( se%&re igual e nos %es%os inter#alos de te%&o. Ah8 é o telefone( 2á tocou u%as de6 #e6es. Tal#e6 se2a algo i%&ortante. 1erá que aconteceu algu%a coisa co% as crianças e estão querendo %e a#isar7 < %elhor atender logo. 0 Al=8 "o% dia( %ãe... / qu>7 Tenho de ir a* &ara #er o que está acontecendo7 -1us&iro.? Tá bo%( %ãe. Já estou indo... Pois é( acho que #ou dei@ar &ara escre#er a%anhã.

A(rendendo a ler A&rendendo a ler o %undo
Pensando um pouco so"re o dia de ontem, perce"o Jue 1ui o"rigada a inter&retar( ou seHa, a dar significado a uma s0rie de acontecimentos Jue in.adiram o meu dia e me le.aram a a"andonar, temporariamente, o proHeto de escre.er. Vamos destacar alguns. Primeiro, 1oi o cheiro ao Jual atri"u> o signi1icado K1eiHão JueimadoK. ,m seguida, ao 1ato de o 1eiHão ter Jueimado dei outro signi1icado: a perda do almoço. %egundo, 1oi o caso do som: associei-o inicialmente N campainha da porta. Perce"endo Jue o som se repetia, sempre igual, e a inter.alos regulares, ti.e a pista para chegar ao seu signi1icado e2ato: era o tele1one Jue esta.a tocando. , assim 1azemos o dia todo, a .ida toda. A essa ati#idade de atribuir significados &ode%os dar o no%e de leitura. leitura, nesse sentido, passa a ser uma ati.idade "astante ampla: 0 e1etuada toda .ez tudo isso podemos chamar de leitura do Jue KlemosK um signi1icado em algum acontecimento, alguma atitude, algum te2to escrito, comportamento, Juadro, mapa e at0, por e2emplo, nas gracinhas de um cachorro.

%undo. ,, para Jue possamos 1azer uma leitura adeJuada do mundo N nossa .olta, 0 preciso sa"er o"ser.'-lo, recolhendo in1ormaçLes dos mais .ariados tipos. &as .oltemos N hist3ria inicial. in1ormação ol1ati.a. o sentir o cheiro, ti.e uma o .er o 1eiHão Jueimado grudado na panela, ti.e uma in1ormação .isual. *om relação ao

tele1one, ti.e uma in1ormação auditi.a. o ligar cada in1ormação Ns minhas e2periGncias anteriores, cheguei ao signi1icado dos acontecimentos. Por e2emplo, como H' ha.ia sentido antes o cheiro de 1eiHão Jueimado, identi1iJuei-o mesmo antes de olhar a panela. ssim, precisamos estar atentos a tudo o Jue acontece N nossa .olta e sa"er Jue todos os nossos sentidos (ol1ato, .isão, paladar, audição, tato e a cinestesia, isto 0, a capacidade de sentir o espaço atra.0s dos nossos mo.imentos) estão constantemente nos 1ornecendo in4meras in1ormaçLes a respeito do mundo. #asta Jue prestemos atenção a elas. Meste ponto, podemos ampliar, tam"0m, o conceito de te2to: em lati%( te2to signi1ica KtecidoK e pode ser entendido como JualJuer signi1icado tecido ou articulado atra.0s de uma linguagem determinada. ssim, por e2emplo, um Juadro pode ser um te@to( pois te% um signi1icado articulado atra#és da linguagem da pintura (linguagem pict3rica). Pm 1ilme, al0m do te2to .er"al dos di'logos, apresenta um te2to .isual, constitu>do pelas imagens Jue se sucedem na tela. I mesmo acontece na tele.isão. Suantas .ezes KlemosK, isto 0, damos um signi1icado Ns imagens Jue .emos na KtelinhaK mesmo Jue não esteHamos ou.indo o somR Mo entanto, precisamos lem"rar Jue essa tare1a de leitura, de atri"uição de signi1icados depende da .i.Gncia de cada leitor, porJue 0 essa .i.Gncia Jue 1az cada um de n3s o"ser.ar o mundo de 1orma di1erente dos outros. 8oda leitura depende de nossas e2periGncias, idade, se2o, pa>s e 0poca em Jue .i.emos, classe social a Jue pertencemos, en1im, de nossa hist3ria de .ida. Vamos considerar, por e2emplo, apenas os o"Hetos presentes em nossa .ida di'ria, para poder entender melhor como o signi1icado se modi1ica de acordo com a situação indi.idual de cada leitor. ,2aminemos o caso do leite. Para as crianças Jue moram na cidade, o leite chega em em"alagem de pl'stico, pasteurizado, pronto para o consumo imediato. Para as crianças da 'rea rural, no entanto, o leite 0 associado N .aca Jue o produz, ao "ezerro Jue dele se aumenta, ao tra"alho de Juem o tira, N presença de grande Juantidade de nata, N necessidade de ser 1er.ido para não estragar, e assim por diante. ,sses di1erentes signi1icados atri"u>dos ao mesmo o"Heto 9 o leite 9 são 1ruto de e2periGncias de .ida di.ersas entre si. *oncluindo, todos n3s, al1a"etizados ou não, precisamos aprender a o"ser.ar o mundo ao nosso redor, aprender a estar constantemente indagando: o Jue isto signi1icaR o Jue Juer dizerR, pois 0 nesse momento Jue estamos aprendendo a ler.

A&rendendo a ler u% te@to escrito
8rataremos, agora, apenas da leitura de te2tos .er"ais, Jue são os mais 1reJ_entes na .ida escolar. &ais adiante, no cap>tulo so"re arte, discutiremos a leitura de te2tos não-.er"ais, Jue, pela .ariedade de linguagens utilizadas, precisarão ser e2aminados caso a caso. Is te2tos .er"ais, isto 0, os te2tos Jue utilizam a pala.ra, incluem desde os li.ros e as apostilas usados em sala de aula, os artigos de Hornal e de re.ista, os romances, os contos, as poesias, os artigos cient>1icos, as letras de m4sica, at0 a parte 1alada de um 1ilme, de uma propaganda, de um programa de tele.isão. Portanto,

a"rangem tanto os te2tos de 1icção Juanto os de não-1icção.

estes 4ltimos damos o nome de te@tos

referenciais( pois 1azem re1erGncia ao conte2to ou ao mundo Jue nos cerca e englo"am, por e2emplo, as descriçLes de lugares, de comportamentos e de aparelhos (um te2to so"re o aparelho digesti.o, so"re a .egetação tropical, so"re o 1uncionamento de um computador, e assim por diante). +a mesma 1orma Jue e2istem di1erentes tipos de te2to, e2istem di1erentes tipos de leitura desses te2tos. *ada tipo de leitura .ai atender a um o"Heti.o di1erente. `s .ezes lemos para nos di.ertir, Ns .ezes, para estudar. VeHamos, então, a seguir os dois tipos de leitura Jue podemos 1azer de um te2to .er"al escrito: o e%ocional e o racional.

:eitura e%ocional
a a leitura su"Heti.a, Jue nos empolga, li"erando emoçLes e dando asas N nossa 1antasia. ,ntregamo-nos de corpo e alma ao uni.erso criado pelo autor, seHa ele imagin'rio ou real, .iaHando no tempo e no espaço, e2perimentando prazer ou ang4stia. M3s nos colocamos no lugar do narrador ou de alguma personagem, na situação em Jue esta se encontra, e nos solidarizamos com seus sentimentos e atitudes. +urante esse processo de identi1icação, participamos da .ida a1eti.a alheia e li"eramos emoçLes Jue, muitas .ezes, não nos permitimos ter na .ida real. a o Jue acontece Juando lemos um romance interessante ou assistimos a uma no.ela na 8V. Messe tipo de leitura, o 4nico crit0rio de a.aliação usado 0 o do gosto: gostamos ou não de um te2to, dependendo de moti.os pessoais ou de caracter>sticas do te2to Jue não são de1inidas. +urante o processo da leitura emocional, algo acontece ao leitor, Jue so1re, se angustia e se alegra com as situaçLes apresentadas no te2to. 8udo isso 1az com Jue o leitor possa se distrair. &as distrair-se, escapar da realidade imediata, não signi1ica, necessariamente, 1ugir, alienar-se, ou seHa, negar-se a .i.er os pro"lemas do dia-a-dia e a solucion'-los. &esmo o te2to no Jual nos Hogamos emocionalmente pode, nos inter.alos da leitura ou ao seu 1inal, 1acilitar o esta"elecimento de relaçLes entre a nossa .i.Gncia, o nosso mundo e aJuele mostrado no te2to. o 1azer isso, estaremos não s3 atri"uindo signi1icados ao te2to lido, mas, tam"0m, N nossa .ida e N nossa realidade. ,staremos, então, 1azendo uma dupla leitura: a do te2to e a da nossa pr3pria realidade.

:eitura racionai
,sse tipo de leitura e2ige uma compreensão mais a"rangente do te2to e mo"iliza, al0m do sentimento, as capacidades racionais do leitor, como, por e2emplo, a capacidade de analisar o te2to, separar suas partes, esta"elecer relaçLes entre elas e outros te2tos, sintetizar as id0ias do autor etc. Messe n>.el, esta"elecemos um di'logo com o te2to, 1azendo perguntas Jue nos le.em a compreender sua 1orma de construção e seus signi1icados mais pro1undos. Is te2tos, em geral, não são construçLes transparentes, não nos entregam totalmente os seus signi1icados logo numa primeira leitura. 8emos, na .erdade, de conJuistar o te2to, respeitando suas caracter>sticas pr3prias Jue o 1azem di1erente dos demais. Voltemos, agora, N hist3ria com Jue iniciamos este li.ro. Façamos algumas perguntas so"re sua 1orma de construção. ,m Jue tempo de .er"o est' escritaR ,m Jue pessoaR 5' um narradorR a uma descrição, uma narração, um di'logo dram'ticoR a prosa ou poesiaR

Vemos Jue 0 um te2to em prosa, escrito na primeira pessoa do singular, no presente e no Jual um narrador conta .'rias coisas. , Jue coisas são essasR .ontade de escre.er um li.ro e as di1iculdades Jue encontra, entre a1azeres pro1issionais e dom0sticos, para sentar e concretizar seu deseHo. Podemos nos dar por satis1eitos com essa leitura. &as ser' Jue o te2to não nos conta mais nadaR Suem 0 o narradorR a uma pro1essora, pois tem de dar conta de notas, reuniLes, recuperação, al0m da preparação das 1estas de Matal. , Jue situação o narrador est' .i.endo no momentoR ,st' em 10rias, sem ter mais nenhuma daJuelas o"rigaçLes pro1issionais. ,, em 10rias, est' escre.endo. Mão 0 estranho Jue as 10rias signi1iJuem um outro momento de tra"alhoR ,scre.er tam"0m 0 um tra"alho, prazeroso, realizador, mas, mesmo assim, um tra"alho. %3 Jue, ao lado deste, aparecem outros tra"alhos, indispens'.eis: 1azer a comida, tomar conta dos 1ilhos. ssim, começamos a perce"er as di1iculdades da mulher Jue tra"alha 1ora de casa: na .erdade, ela tem dupla Hornada de tra"alho, uma em casa, outra no emprego. *omeçamos a perce"er as di1iculdades das pro1essoras: al0m de pro1issionais, são tam"0m mulheres, esposas, mães, donas de casa, 1ilhas. I nosso olhar se modi1ica, pois passamos a encar'-las não mais solidi1icadas em um papel, mas como pessoas humanas, com .'rias dimensLes, .'rias di1iculdades e .'rias 1ormas de realização. Vemos, portanto, Jue essa historinha, aparentemente tão simples, tem outros signi1icados mais escondidos. Podemos, então, dizer Jue a leitura racional de um te2to 0 uma 1orma de re-criar esse te2to, .isando a sua compreensão mais pro1unda. re-criação é 1eita a partir das perguntas Jue 1azemos ao te2to. ,, como as perguntas são nossas, estamos, n3s, leitores, tendo um papel ati.o nessa recriação, nessa leitura, nessa atri"uição de signi1icados Jue estão latentes no te2to mas não totalmente N mostra. leitura racional comporta, assim, uma su"di.isão em n*#eis( Jue constituem etapas de apro1undamento da interpretação: denotação, interpretação, cr>tica e pro"lematização. b como se entr'ssemos num rodamoinho e 1)ssemos dando .oltas, cada .ez mais pro1undas.

A denotação
a o primeiro n>.el de leitura racional de um te2to. Visa a compreensão do sentido mais literal, direto e super1icial do te2to e en.ol.e as seguintes etapas: :c) Le.antamento de aspectos di.ersos, como: a) .oca"ul'rio: gri1ar e procurar no dicion'rio as pala.ras desconhecidas ou cuHo sentido não tenha 1icado claro7 ") dados so"re o autor, situação hist3rica e 1inalidade para a Jual 1oi escrito o te2to (para uma aulaR uma con1erGnciaR artigo de HornalR cap>tulo de um li.roR cartaR resposta a algu0mR)7 c) autores, teorias, o"ras, e.entos, comentados no te2to e Jue nos são desconhecidos. <c) Procura da id0ia central do te2to, respondendo-se Ns perguntas: do Jue trata o te2toR Jual 0 o assunto discutidoR @c) n'lise do desen.ol.imento do racioc>nio do autor: como o autor trata essa id0ia centralR se 0 um ensaio so"re determinado assunto, de onde ele começa e Juais as id0ias, argumentos e 1atos Jue usa para sustentar seu racioc>nioR a Jue conclusão chegaR

Mo momento em Jue conseguimos perce"er como o autor montou seu te2to, n3s entramos na posse de sua estrutura l3gica, re.elada pelo encadeamento das id0ias Jue de.em desem"ocar na conclusão. ,m"ora a compreensão de um te2to liter'rio (1iccional), por e2emplo um conto ou um romance, seHa di1erente da compreensão de um ensaio 9 de um te2to te3rico (não-1iccional) 9, 0 poss>.el o"ser.ar essas mesmas etapas. I te2to liter'rio tam"0m apresenta uma id0ia central e um encadeamento l3gico detectado atra.0s das situaçLes apresentadas Jue le.am a um 1inal (não necessariamente a uma conclusão). s perguntas Jue nos orientam permanecem as mesmas: como 1oi montada a hist3riaR Juais os aspectos importantes Jue 1oram mostradosR !espondendo a essas JuestLes, encontramos o enredo( Jue corresponde ao n>.el denotati.o do te2to ensa>stico. I mesmo se aplica a um 1ilme ou a uma no.ela de tele.isão.

A inter&retação
a o segundo n>.el de leitura racional. Procura os signi1icados não e2pl>citos, escondidos, ou seHa, os signi1icados conotati.os ou 1igurados. Perguntamos: o Jue o autor Juer mostrar ou demonstrar com este te2toR Juais os .alores Jue aparecemR como as id0ias apresentadas, o ponto de .ista assumido, se ligam N 0poca de produção do te2toR Jual a relação do te2to com o atual conte2to hist3rico e socialR ,n1im, 0 nesse n>.el Jue .amos analisar mais a 1undo os di.ersos elementos Jue compLem o te2to, e2aminando as relaçLes Jue eles mantGm entre si e como cada um in1luencia o outro. a nesse n>.el, tam"0m, Jue cruzamos id0ias e .alores presentes no te2to com a situação hist3rica e social da 0poca em Jue 1oi escrito e, Ns .ezes, at0 com a "iogra1ia do autor. o 1azer isso, podemos, inclusi.e, a.aliar o signi1icado das id0ias apresentadas no te2to na 0poca de sua criação. .aliamos o grau de no.idade Jue ele apresentou então.

A cr*tica
I terceiro n>.el de leitura racional 0 o momento da cr>tica. Mão a cr>tica gratuita, "aseada no gosto e na opinião indi.idual, su"Heti.a, mas aJuela Jue surge do nosso entendimento da proposta do pr3prio te2to. Podemos .eri1icar se o autor atinge ou não os o"Heti.os a Jue se propLe7 se 0 claro, coerente7 se sua a"ordagem 0 original e se traz alguma contri"uição para o assunto tratado. 8rata-se da cr>tica o"Heti.a, Jue não depende do nosso gosto (.er *ap. :C, Feio ou "onitoR +epende do gostoR) e Jue est' 1undamentada em aspectos do pr3prio te2to. Mão 0 necessariamente uma cr>tica negati.a, pois permite apontar, tam"0m, os pontos positi.os do te2to. o chegar a esse ponto da leitura, teremos completado a an'lise do te2to. %a"eremos dizer do Jue ele trata, Juais os pontos en1ocados, com Jue ponto de .ista o assunto 1oi tratado, se o autor 1oi coerente ao e2por suas id0ias e Jual a sua contri"uição dentro da 'rea. partir desse momento, podemos dizer se o te2to 0 "om, ruim ou m0dio, independente de termos gostado dele ou não. a importante 1risar Jue as cr>ticas 1eitas por pessoas di1erentes podem ser di.ergentes. ,sse 1ato 0 positi.o, pois a di.ersidade aguça a nossa curiosidade e nos permite perce"er aspectos do te2to Jue não tinham sido notados.

A &roble%ati6ação
a o Juarto e 4ltimo n>.el de leitura racional. Messe n>.el nos distanciamos do te2to e pensamos em assuntos ou pro"lemas Jue, em"ora le.antados a partir de sua leitura cuidadosa, .ão al0m dele. a Juando nos

perguntamos: naJuela 0poca, ou sociedade, era assim7 e hoHe, como 0R tal coisa 0 .'lida para @A e para B( como 0R o pro"lematizar, estamos indagando so"re outras possi"ilidades e e2ercitamos a imaginação, a coerGncia, o racioc>nio. "rimos nossos olhos para no.os signi1icados, para no.as leituras do mundo. *oncluindo, a necessidade de aprender a ler 0 muito mais ampla e pro1unda do Jue normalmente se coloca, pois en.ol.e a pr'tica de dar signi1icados ao mundo Jue nos cerca e N nossa pr3pria .ida. a tare1a Jue pode ser conseguida atra.0s dos sentimentos e tam"0m da razão. A leitura racional, como .imos, apresenta uma s0rie de etapas Jue correspondem ao apro1undamento gradual dos signi1icados presentes no te2to, apro1undamento este Jue pode nos le.ar, para al0m do pr3prio te2to, at0 os .alores impl>citos, escondidos, Jue presidiram a sua criação. ,ste 0 o caminho cr>tico Jue nos permite chegar N pro"lematização da nossa realidade e Jue nos le.a, portanto, ao 1iloso1ar.

A&rendendo a fa6er ficha%ento e resu%o de te@tos
Suando estamos estudando, seHa para a escola, seHa em .irtude de interesse pessoal por determinado assunto, o complemento natural da leitura racional e anal>tica, Jue .imos no item anterior, é a ficha de leitura. ,ssa 1icha pode conter a estrutura do te2to e o encadeamento l3gico das id0ias nele contidas de 1orma resumida, ou pode conter citaçLes importantes so"re um determinado t3pico. I 1ichamento pode ser, portanto, de dois tipos: ficha%ento de u% te@to e ficha%ento de t'&icos deter%inados( Jue serão apro.eitados, mais tarde, para um tra"alho de s>ntese. 8rataremos de um tipo de cada .ez.

!icha%ento de te@tos !icha%ento de te@to ensa*stico
I ensaio é um te2to liter'rio não-1iccional, razoa.elmente curto, Jue trata de um 4nico assunto, a partir do ponto de .ista escolhido pelo autor. Vamos estudar, agora, o 1ichamento passo a passo. :d passo Para 1acilitar o tra"alho de 1ichamento de um te2to ensa>stico, de.emos 1azer, em primeiro lugar, uma leitura corrente e@&lorat'ria( sem nos determos nas di1iculdades. &uitas delas se resol.erão na segunda leitura, Juando H' ti.ermos uma id0ia do te2to todo, do conHunto de argumentos Jue 1oram desen.ol.idos. +e.emos apro.eitar essa primeira leitura para numerar os par'gra1os, o Jue nos au2iliar' muito no passo seguinte. <R passo *onsiste na identificação das &artes &rinci&ais do te@to. 8odo te2to ensa>stico completo (isso não se aplica, 0 claro, a trechos retirados de um todo maior) apresenta de 1orma mais ou menos clara trGs partes distintas: a) .ntrodução 9 nela o autor coloca o pro"lema ou a indagação Jue o le.ou a escre.er o te2to. introdução nos d', então, uma id0ia do assunto tratado. l0m disso, nela o autor coloca tam"0m o ponto de .ista ou o ^ngulo so" o Jual ele .ai a"ordar o assunto e, Ns .ezes, o m0todo, ou seHa, o caminho Jue .ai seguir (se .ai apresentar casos para chegar a uma generalização, ou se .ai partir de um princ>pio geral e deduzir suas conseJ_Gncias).

") $esen#ol#i%ento 9 0 o corpo do te2to, Jue apresenta os dados, as id0ias, os argumentos e as a1irmaçLes com Jue o autor constr3i um edi1>cio de relaçLes entre as partes, e Jue constitui o seu pensamento original. partir da indagação/pro"lema colocada na introdução, o desen.ol.imento re.ela como o autor conduziu a procura de soluçLes/e2plicaçLes e Juais os caminhos Jue escolheu em detrimento de outros. c) Conclusão 9 toda a construção desem"oca em algumas a1irmaçLes ou em no.as indagaçLes decorrentes da organização e do desen.ol.imento do te2to. @d passo Ma terceira etapa, .amos le.antar a estrutura, isto 0, o plano l3gico a partir do Jual o te2to 1oi escrito. Para isso, resumimos em poucas pala.ras as id0ias principais de cada par'gra1o para poder, a seguir, agrup'-las so" t3picos gerais. Perguntamos: a Jue diz respeito a id0ia principal do par'gra1oR h' uma pala.ra ou um t>tulo Jue condense o assunto Jue est' sendo tratadoR Voltando N introdução deste te2to, le.antamos a sua estrutura da seguinte 1orma: !esumo :. 1icha de leitura como mento da leitura anal>tica pode a estrutura l3gica do te2to ou importantes. <. ,2istem dois tipos de de te2to e de t3picos. 83pico F>chamento como complemento leitura 8ipos de 1>chamento

*olocando-se isso em 1orma de plano, temos7 A. -ntrodução A.: Fichamento como complemento da leitura A.< 8ipos de 1ichamento gora, estamos prontos para a Juarta etapa, ou seHa, para e2aminar a relação Jue as id0ias mantGm entre si e ela"orar o plano do te2to: Juais as id0ias, 1atos ou argumentos apresentados Jue estão no mesmo n>.el, isto 0, Jue não dependem uns dos outros, mas Jue se somam no desen.ol.imento do te2toR Juais as id0ias Jue dependem ou são su"di.isLes de outrasR 8omando como e2emplo o >ndice deste li.ro, .emos Jue os cap>tulos estão no mesmo n>.el de import^ncia (mesmo tamanho e mesmo tipo de letra), sendo, portanto, id0ias coordenadas. s su"di.isLes de cada cap>tulo, uma .ez Jue dependem do assunto principal, são id0ias su"ordinadas. Podemos perce"er a estrutura de cada cap>tulo pelo tamanho da letra usada para compor os t>tulos de cada t3pico (tipo maior) e su"t3pico (tipo menor). Finalizando nosso tra"alho, organizamos esses t3picos so" a 1orma de plano, numerando cuidadosamente cada id0ia principal e indicando Juais as id0ias su"ordinadas Jue a ela estão ligadas.

!icha%ento de te@to literário
construção do te2to liter'rio não o"edece ao mesmo tipo de organização Jue o te2to ensa>stico. pesar de o escritor tam"0m mostrar uma parte da realidade e de1ender id0ias, isso se d' de 1orma enco"erta,

menos direta, mais 1igurada.

hist3ria contada .ai re.elar, atra.0s da sua trama, as id0ias e os .alores Jue o

autor de1ende e Jue nos ca"e "uscar no te2to. Para tanto, de.emos proceder da 1orma e2plicada a seguir. *omo primeiro passo, 1azemos a leitura emocional, como 1oi e2plicada no item anterior, entregando-nos ao prazer de ler e nos en.ol.endo com o assunto. I segundo passo 0 1azer o le.antamento do n>.el denotati.o, isto 0, o signi1icado imediato, literal do te2to. Para isso, 1azemos e 1ichamos um resumo do enredo ou trama do te2to. , o Jue 0 1azer um resumoR a contar, em poucas pala.ras, a hist3ria apresentada no te2to, mantendo apenas os detalhes importantes para Jue se compreenda a situação e a atuação dos personagens. ,m terceiro lugar, procedemos ao le.antamento do n>.el conotati.o, ou 1igurado, do te2to: Jue tema o autor est' discutindoR Jue id0ias, .alores a hist3ria sim"olizaR Vamos .er dois e2emplos. peça A #ida de Galileu( de #ertolt #recht, conta a hist3ria de $alileu (s0c. eV--), suas desco"ertas, sua de1esa do heliocentrismo, suas "rigas com os cardeais e com o papa (Jue de1endiam o geocentris%o?( seu 2ulga%ento e o fato de ele ter negado a teoria Jue de1endera, para não ser condenado N morte. ,sse é o resumo do enredo da peça, isto 0, o n>.el denotati.o do te2to. I tema dessa peça, por sua .ez, 0 a luta entre a 10, Jue representa o conser.adorismo da elite no poder, e a razão (ciGncia), Jue representa a possi"ilidade de JualJuer indi.>duo chegar ao conhecimento, ha.endo, assim, a democratização do sa"er e o Juestionamento das açLes daJueles Jue detGm o poder. Ma hist3ria da "ranca de +e#e e os sete an4es( cuHo enredo conhecemos desde peJuenos, o tema 0 o despertar da se2ualidade. Is primeiros sinais são os ci4mes Jue a madrasta tem da menina Jue se torna mulher. +epois, durante o tempo de .ida com os anLezinhos, Jue não representam homens normais, com deseHos, mas são apenas protetores. #ranca de Me.e adormece por o"ra da madrasta e s3 0 despertada ao ser "eiHada pelo Pr>ncipe ,ncantado. I car'ter se2ual desse despertar 0 indicado pelo meio utilizado: o "eiHo. ssim, o enredo, ou trama, da hist3ria ser.e para re.elar signi1icados mais pro1undos, de car'-, ter 1igurati.o (conotati.o). +o 1ichamento de.em constar, ainda, as passagens Jue nos permitem chegar a determinadas conotaçLes, com a indicação da p'gina e par'gra1o.

!icha%ento de t'&icos
Pma .ez escolhido um tema para pesJuisa, passamos a 1ichar t3picos relati.os a esse tema. ,sse 1ichamento utiliza procedimentos "astante di1erentes dos usados no 1ichamento de te2to. I o"Heti.o principal desse tipo de 1ichamento 0 o le.antamento mais completo poss>.el de in1ormaçLes so"re determinado assunto. Messe caso, retirar de um te2to somente as partes Jue ti.erem alguma relação com o assunto em Juestão. *omo, em geral, todo assunto comporta uma s0rie de su"di.isLes, de.emos 1azer uma 1icha em separado para cada id0ia, indicando, no canto superior direito, o t3pico e o su"t3pico ao Jual se re1ere. ,2emplo: t'&ico -f L,-8P! subt'&ico -g 8ipos 5', pelo menos, dois tipos de leitura7

h leitura e%ocional( durante a Jual o leitor se entrega emocionalmente e .i.e as situaçLes apresentadas no te2to7 h leitura racional( Jue mo"iliza as capacidades racionais de analisar o te2to, esta"elecer relaçLes entre suas partes e sintetizar as id0ias do autor. & !8-M%, &aria 5elena. I que é leitura( *ol. Primeiros Passos. %ão Paulo, #rasiliense, :;C<. p. @Bt'&ico -f L,-8P! subt'&ico -f +e1inição Leitura 0 Kum processo de compreensão de e2pressLes 1ormais e sim"3licas, não importando por meio de Jue linguagemK. & !8-M%, &aria 5elena. / que é leitura( *ol. Primeiros Passos. %ão Paulo, #rasiliense, :;C<. p. @A. ssim, so"re o 4nico t3pico L,-8P! , teremos in4meras 1ichas, cada uma tratando ou de um assunto ou de um en1oJue di1erente. Poderemos ter tantas 1ichas de de1iniçLes Juanto o n4mero de de1iniçLes Jue encontrarmos em autores di1erentes, sendo Jue cada uma de.e trazer a indicação completa da 1onte onde 1oi encontrada, isto é( nome do autor, nome do li.ro, lugar de edição, editora, data da pu"licação e p'gina onde se encontra a in1ormação. +e.emos ter o cuidado de sempre colocar entre aspas JualJuer in1ormação Jue seHa uma citação, isto 0, uma c3pia direta de JualJuer trecho escrito por outra pessoa. ,ntretanto, se a anotação na 1icha 1or redigida com nossas pala.ras, não usaremos as aspas e indicaremos entre parGnteses Jue é uma s>ntese pr3pria, indicando tam"0m o autor, a o"ra e as p'ginas Jue resumimos. &uitas .ezes, durante a preparação das 1ichas ou durante a leitura dos te2tos, ocorrem-nos id0ias, JuestLes e d4.idas, Jue de.emos ter o cuidado de anotar, pois, em geral, serão esJuecidas ao longo do tra"alho. ,ssas id0ias, JuestLes e d4.idas de.em ser 1ichadas de igual maneira, uma em cada 1icha, com indicação de t3pico e su"t3pico e, se poss>.el, o Jue nos le.ou a le.ant'-las. principal .antagem do sistema de 1ichamento de t3picos 0 Jue as 1ichas (e, portanto, os assuntos e suas su"di.isLes) poderão ser arranHadas e rearranHadas de acordo com o plano do tra"alho, Jue, geralmente, 0 1eito depois de completadas as leituras. l0m disso, as 1ichas poderão ser.ir a outros tra"alhos sem Jue, na hora de os ela"orar, precisemos 1azer uma caça arJueol3gica em nossas anotaçLes para desco"rir onde est' aJuela coisa linda Jue lemos não sa"emos mais em Jue li.ro.

Conclusão
+epois de lermos tudo isso, a primeira pergunta Jue ocorre 0: mas para Jue toda essa tra"alheiraR 8anto a leitura "em-1eita Juanto o 1ichamento cuidadoso en.ol.em um tempo de tra"alho "astante longo. , não h' razão alguma para acharmos Jue o tra"alho intelectual não e2iHa es1orço e dispGndio de energia. $eralmente, Juando nos pedem para 1ichar um te2to, .amos gri1ando tudo o Jue nos parece importante H' na primeira leitura e, depois, limitamo-nos a copiar essas partes na 1icha, como se 1ossem pedaços de uma colcha de retalhos. !esultado: passado algum tempo, re.emos aJuelas anotaçLes e não conseguimos sa"er por Jue eram importantes. -sso ocorre porJue as nossas 1ichas não nos dão a organização l3gica do te2to e não podemos acompanhar o pensamento do autor. Is procedimentos aJui discutidos proporcionam e2atamente isso: ao entender e anotar a organização do pensamento do autor, estamos tomando posse desse racioc>nio. s id0ias

se tornam mais claras e passamos a sa"er como umas se relacionam com as outras. I 1ichamento nos permite conhecer o percurso do pensamento do autor e guard'-lo, para Jue possamos .oltar a ele a JualJuer momento. Fichar 0 tra"alhoso, mas 0 tra"alho Jue 1ica 1eito e ao Jual temos acesso sempre Jue necess'rio.

A&rendendo a fa6er u% se%inário
*ada .ez Jue um pro1essor pede a seus alunos Jue 1açam um semin'rio, a reação 0 sempre a mesma. Is alunos aceitam, escolhem o tema e, Juando começam a pensar no tra"alho, desco"rem Jue não tGm nenhuma id0ia de como 1azG-lo. ,m geral, o resultado 0 mais ou menos catastr31ico, e tanto o aluno Juanto o pro1essor se sentem 1rustrados. VeHamos, então, o Jue pode ser um semin'rio e como 1azG-lo. I semin'rio, como n3s o conhecemos nas escolas "rasileiras, a"range dois tipos di1erentes de tra"alho. I tipo mais simples de semin'rio 0 o Jue se limita N a&resentação oral das idéias &rinci&ais de u% te@to. / pro1essor, na impossi"ilidade de pedir Jue todos os alunos leiam um certo n4mero de te2tos para o seu curso, di.ide esses te2tos entre .'rios grupos de alunos ou .'rios alunos, cada um se responsa"ilizando pela apresentação para a classe do te2to Jue lhe cou"e. I o"Heti.o desse tipo de semin'rio 0 Jue todos os alunos tenham contato com as id0ias apresentadas em te2tos di1erentes ou em .'rios cap>tulos de um mesmo li.ro. Para 1azer essa ati.idade, "asta seguir as indicaçLes dadas anteriormente so"re leitura, an'lise de te2tos e 1ichamento. *onhecida a estrutura l3gica do te2to, ser' 1'cil para o aluno apresentar, com suas pr3prias pala.ras, o encadeamento do pensamento do autor. I segundo tipo de semin'rio consiste no a&rofunda%ento de u% assunto atra#és da s*ntese &essoal de u%a bibliografia #ariada. Messe caso, dado um tema, o aluno precisar' ler o Jue di1erentes autores escre.eram a respeito do assunto em Juestão para chegar a uma opinião pessoal. ,sse tipo de semin'rio, mais complicado Jue o primeiro, en.ol.e .'rias etapas. *omo primeiro passo, precisamos 1azer um le.antamento "i"liogr'1ico so"re o assunto, isto 0, sa"er Juais os artigos e li.ros Jue tratam desse assunto. Para isso, de.emos procurar uma "oa "i"lioteca e consultar o seu 1ich'rio, no Jual as o"ras se encontram catalogadas por autor e por assunto. %e não ti.ermos conhecimento de nenhum autor Jue tenha escrito so"re o assunto Jue nos interessa no momento, de.emos consultar, antes, o cat'logo de assuntos. Le.antados os primeiros te2tos, consultamos a "i"liogra1ia espec>1ica usada por seus autores, Jue, certamente, nos 1ar' encontrar muitos outros te2tos importantes. +epois de le.antada a "i"liogra1ia, de.emos procurar esses te2tos nas estantes e e2amin'-los para sa"er Juais os Jue realmente interessam ao nosso tra"alho. Podemos desco"rir isso lendo o >ndice, o pre1'cio, as orelhas ou o resumo Jue aparece no 1inal ou no in>cio da o"ra. Messa etapa do tra"alho, 0 tam"0m de grande aHuda a leitura diagonal, ou seHa, a leitura r'pida e super1icial em Jue se dei2a os olhos correrem pelo te2to. ,ssa leitura diagonal reJuer um certo treino e s3 ser.e como primeira apro2imação, Jue nos permite sa"er em linhas gerais do Jue o te2to trata e se o ponto de .ista utilizado interessa para o tra"alho a ser 1eito. %elecionados os te2tos Jue iremos usar, de.emos ela"orar um &lano &ro#is'rio Jue a"ranHa os .'rios aspectos do assunto e Jue ir' nortear o tra"alho Jue se seguir': a leitura e o 1ichamento de t3picos.

Pma .ez 1eita a leitura e o 1ichamento, teremos o material necess'rio para 1azer o &lano definiti#o do tra"alho, organizando as id0ias de modo a desen.ol.er a argumentação de 1orma l3gica e coerente. Finalmente, apresentamos oralmente as conclusLes a Jue chegamos a partir dessa pesJuisa. ,ssas conclusLes podem ser um "alanço dos resultados o"tidos ou o ponto de .ista pessoal, enJuanto autores, so"re esses resultados, ou seHa, so"re sua .alidade, alcance e import^ncia. %intetizando, apresentamos, como e2emplo, o plano Jue orientou a escrita deste item: :. 5' di1iculdades para se sa"er o Jue 1azer e% u% se%inário C. +i1erentes tipos de semin'rio e2igem procedimentos di1erentes <.: %imples apresentação das id0ias principais de um te2to (procedimento de leitura e 1ichamento) <.< pro1undamento de um assunto atra.0s da s>ntese pessoal de uma "i"liogra1ia .ariada: <.<.: Le.antamento "i"liogr'1ico <.<.< Plano pro.is3rio <.<.@ Leitura e 1ichamento de t3picos <.<.D Irganização do plano l3gico de1initi.o <.<.? *onclusLes 5', portanto, um grau de comple2idade crescente nos di.ersos tipos de semin'rio, Jue correspondem a o"Heti.os di.ersos a serem alcançados.

A&rendendo a fa6er u%a dissertação
t0 aJui .imos algumas etapas igualmente importantes para o estudo. prendemos a o"ser.ar o mundo gora, resta discutir Jue nos cerca para interpretar o seu signi1icado7 a ler e a analisar um te2to7 a 1ichar te2tos e t3picos, como complemento da leitura e como preparação de tra"alhos posteriores7 a 1azer um semin'rio. analisando-as e de1endendo um ponto de .ista atra.0s da argumentação. ,m geral, esta 0 a etapa Jue mais nos d' medo. ,2por nossas id0ias por escrito, em .ez de oralmente como em um semin'rio, parece ser uma tare1a mais comprometedora. l0m disso, temos muito mais pr'tica em 1alar e discutir do Jue em escre.er. Ma .erdade, temos de encarar a escrita apenas como uma anotação da nossa 1ala, Jue, como esta, pode ser criticada, respondida, modi1icada. I te2to escrito, apesar de mais ordenado do Jue a 1ala, simplesmente traduz nossa maneira de pensar em um momento determinado e pode mudar em .irtude da e.olução do nosso pensamento. escrita apresenta, ainda, uma .antagem so"re a 1ala: o 1ato de 1i2ar nosso pensamento, de guard'-lo, d'-nos a oportunidade de .oltar a ele passados alguns dias e de consider'-lo mais criticamente, com maior o"Heti.idade, 1azendo as mudanças Jue 1orem necess'rias. +ito isso, passaremos a discutir os passos necess'rios para a ela"oração de uma dissertação 1eita com seriedade, o"edecendo a padrLes cient>1icos. ,scre.er uma dissertação en.ol.e etapas Jue podem ser resumidas assim: :. ,scolha do tema <. Le.antamento "i"liogr'1ico a redação de trabalhos dissertati#os( isto 0, aJueles em Jue apresentamos uma s0rie de in1ormaçLes,

@. Leitura, seleção e 1ichamento da "i"liogra1ia D. *onstrução do plano l3gico do tra"alho ?. !edação

A escolha do te%a
,m primeiro lugar, o tema precisa ser interessante para Juem .ai 1azer o tra"alho. I tema precisa, tam"0m, ser claramente delimitado. %e tra"alhamos com temas muito amplos, aca"amos nos perdendo em generalidades Jue não nos le.am a lugar nenhum. o contr'rio, se sou"ermos delimitar claramente a 'rea de nossa pesJuisa, poderemos tra"alhar em maior pro1undidade e aca"ar encontrando dados interessantes. I tema liberdade( por e2emplo, 0 amplo demais. +e.emos escolher um de seus aspectos Jue mais nos interessa: liberdade &ol*tica( liberdade de e@&ressão( liberdade de i%&rensa( liberdade na adolesc>ncia( liberdade e educação etc. Podemos delimitar ainda mais o tema ao determinar uma 0poca e um lugar: liberdade de i%&rensa no "rasil na década de DE( assunto importante no per>odo da ditadura no #rasil. Ficar' ainda mais delimitado se incluirmos o ponto de .ista so" o Jual e2aminaremos o tema: do Hornalista, do leitor, do dono do Hornal ou do go.erno. I assunto 1ica, assim, a"solutamente claro para n3s, 1acilitando as etapas posteriores de procura de material "i"liogr'1ico e organização desse material. Pma .ez determinado claramente o tema, ela"oramos uma ou mais JuestLes relati.as a ele Jue irão dirigir a pesJuisa. a e.idente Jue s3 iremos tentar encontrar uma solução se ti.ermos d4.idas ou não sou"ermos a resposta Ns JuestLes. Precisamos, portanto, pro"lematizar o nosso tema. Mo e2emplo dado, podemos perguntar: por Jue e como a li"erdade de imprensa 1oi limitada no #rasil na d0cada de BAR a Jue interesses ser.ia essa limitaçãoR Messe caso, essas são as perguntas 1undamentais Jue de.erão ser respondidas ao longo do tra"alho e em torno das Juais se desen.ol.er' todo o nosso le.antamento de dados e argumentação.

I le#anta%ento bibliográfico
pesar de H' termos discutido esse t3pico em item precedente, .amos retom'-lo aJui, para maior clareza did'tica. I le.antamento "i"liogr'1ico en.ol.e a procura de artigos, li.ros, depoimentos, documentos (te2tos de lei, registros de cart3rio, cartas etc.) so"re o assunto escolhido. Para isso, de.emos procurar uma "oa "i"lioteca e consultar o seu 1ich'rio, no Jual as o"ras se encontram catalogadas tanto por autor Juanto por assunto. Le.antados esses primeiros te2tos, de.emos consultar a "i"liogra1ia espec>1ica usada por seus autores, Jue certamente nos remeter' a outros te2tos importantes. Le.antada a "i"liogra1ia, e2aminaremos os te2tos, lendo o >ndice, o pre1'cio, as orelhas ou o seu resumo para sa"er Juais realmente interessam para nosso tra"alho. "i"liogra1ia consultada de.er' constar no 1inal do tra"alho, por ordem al1a"0tica de acordo com o so"renome do autor. I modelo geralmente usado 0: %I#!,MI&,, nome do autor. T*tulo do li#ro. Lugar de edição, editora, data. ,2emplo: %,V,!-MI, nt)nio /oaJuim. )etodologia do trabalho cient*fico. %ão Paulo, *ortez e &oraes, :;B?.

%e 1or artigo de re.ista ou Hornal, ou cap>tulo de um li.ro, procede-se da seguinte 1orma: %I#!,MI&,, nome do autor. K8>tulo do artigoK. +o%e da re#istaFli#ro. Lugar de edição, editora, .olume, data. p'ginas. ,2emplo: %IM8`$, %usan. KI hero>smo da .isãoK. 3nsaios sobre fotografia. Lis"oa, +on Sui2ote, :;CE. p. C:-;<.

!ichas de docu%entação
,sse t3pico 1oi "astante desen.ol.ido no item so"re 1ichamento. Jui, "asta relem"rar Jue, para uma dissertação, usaremos o 1ichamento de t3picos: uma 1icha para cada id0ia, mesmo Jue pertença ao mesmo t3pico, não esJuecendo de identi1icar o assunto (t3pico e su"t3pico) no canto direito da 1icha. Lem"rar, tam"0m, Jue a 1onte (autor, t>tulo do te2to, li.ro, editora e p'ginas) de.e estar sempre indicada na 1icha, mesmo Jue não tenha sido copiado o te2to. VeHa o e2emplo a seguir. t'&ico -G *,M%P! M -&P!,M% subt'&ico -G 5ist3rico <:/A:/BA 1oi instaurada a censura pr0.ia a li.ros, Hornais, peças teatrais, m4sica, 1ilmes, en1im a toda e JualJuer mani1estação cultural, pois o Kemprego desses meios de comunicação o"edece a um plano su".ersi.o Jue pLe em risco a segurança nacionalK. P *5,*I, 8^nia. Anos DE. Teatro. !io de /aneiro, ,d. ,uropa, :;B;. p. ;:.

Construção l'gica do trabalho
a a elaboração do &lano que norteará a redação da dissertação. 8odas as etapas Jue &recede% essa eta&a constituem ati#idades preparat3rias. ,m"ora nenhuma das etapas anteriores e2clua a re1le2ão e a cr>tica, o momento da construção l3gica do tra"alho 0, por e2celGncia, o momento re1le2i.o. *omo desen.ol.er o racioc>nio, co%o selecionar e organizar a in1ormação Jue temos, a 1im de solucionar o pro"lema Jue deu in>cio ao nosso tra"alho de pesJuisaR *omo apresentar tudo o Jue le.antamos de 1orma l3gica, coerente e ordenada, para Jue o leitor entendaR !ecapitulemos, então, o Jue H' dissemos, no item so"re leitura, a respeito da estrutura 1ormal de um te2to ensa>stico. 8odo tra"alho ensa>stico apresenta trGs partes 1undamentais: a introdução, o desen.ol.imento e a conclusão. Ma introdução colocamos claramente o tema do tra"alho e os o"Heti.os, isto 0, o Jue esperamos alcançar com esse estudo. ,ssa KapresentaçãoK do tra"alho, em"ora resumida, de.e esclarecer o leitor so"re o ponto de .ista so" o Jual o tema .ai ser tratado e a natureza do racioc>nio. Mo desen#ol#i%ento( Jue 0 a parte mais longa do tra"alho, as id0ias são apresentadas em 1unção de uma e2igGncia l3gica. ,ssa 1undamentação l3gica do tema pode ser 1eita atra.0s de e2plicaçLes, discussLes e demonstraçLes.

3@&licar é esclarecer uma id0ia Jue não est' clara ou Jue 0 muito complicada. $iscutir é comparar idéias que parecem antag)nicas, di1erentes ou con1litantes. $e%onstrar é partir de .erdades conhecidas e aceitas para construir outras7 0 mostrar, atra.0s de argumentos, Jue uma coisa 0 de determinado Heito. conclusão se apresenta como uma s>ntese, como o desem"ocar de toda essa construção l3gica em algumas a1irmaçLes ou em no.as indagaçLes decorrentes da organização do desen.ol.imento. Ma conclusão não se pode apresentar dados no.os, Jue não apareceram no desen.ol.imento. ,m outras pala.ras, não se pode tirar mais coelho da cartola. e ao alcance desses resultados. conclusão de.e ser "re.e, clara e não ultrapassar os limites dos dados apresentados no desen.ol.imento. Pode-se, no entanto, incluir algumas perguntas ou pro"lematizar algum aspecto do tra"alho Jue le.e a outra pesJuisa. o longo do tra"alho, percorremos um determinado caminho Jue nos le.a a um ponto. ,sse ponto 0 a conclusão, em Jue o autor mani1esta seu ponto de .ista em relação aos resultados o"tidos

A redação
*hegamos, en1im, N redação final do trabalho. o aca"armos de ela"orar o plano l3gico, a redação se torna muito mais 1'cil, pois H' 1izemos o racioc>nio, H' sa"emos o Jue .amos dizer, por onde começar e como terminar. %3 1alta encontrar a 1orma liter'ria Jue e2presse o mais claramente poss>.el todo o racioc>nio desen.ol.ido at0 então. a nessa 1ase Jue as 1ichas de t3picos .ão ser de grande .alia. +e.emos, primeiro, organiz'-las de acordo com a seJ_Gncia l3gica do plano de tra"alho. +epois, ler todo esse material e, em seguida, começar a redação, de modo a incluir essas in1ormaçLes. +e.emos lem"rar Jue não 0 nenhuma .ergonha usar peJuenos trechos de te2tos de outros autores. %e algu0m H' disse o Jue temos a dizer, certamente podemos cit'-lo. I Jue não podemos esJuecer, entretanto, 0 de indicar Jue 0 uma citação e Jual a 1onte. %empre Jue utilizarmos, no nosso tra"alho, te2tos de outros autores, de.emos copi'-los entre aspas e colocar um peJueno n4mero ele.ado logo ap3s 1echar as aspas. nota re1erente a esse n4mero .ir' no p0 da p'gina (rodap0) ou no 1inal do tra"alho. Messa nota, antecedida do n4mero Jue a identi1ica, indicaremos o nome do autor, nome do li.ro ou artigo do Jual tiramos a citação e a p'gina onde se encontra7 as demais re1erGncias so"re a o"ra aparecerão na "i"liogra1ia. nota de rodap0 tam"0m ser.e a outros o"Heti.os: esclarecimento de um ponto7 colocaçLes di1erentes a respeito do assunto7 coment'rios do autor Jue não cai"am no corpo do tra"alho. ,ntretanto, JualJuer Jue seHa o o"Heti.o, todas seguem o mesmo &adrão: o n4mero ele.ado ap3s o ponto a ser esclarecido e comentado, e a nota, propriamente dita, no rodap0 da p'gina em Jue o n4mero aparece ou no 1inal do tra"alho. *onclu>da essa primeira redação do tra"alho, ou rascunho, de.emos dei2'-la KesJuecidaK por uns dois ou trGs dias, Ns .ezes at0 uma semana. ,sse tempo nos permite um distanciamento de tudo o Jue desco"rimos durante o processo de ela"oração do tra"alho. %3 então poderemos .oltar ao te2to redigido e consider'-lo com maior o"Heti.idade para sa"er se realmente conseguimos e2pressar todas as nossas id0ias de 1orma clara para o leitor. ,sse 0 o momento de e1etuar a re.isão do conte4do, "uscando 1alhas l3gicas e de 1orma, e procurando erros de redação.

gora, s3 1alta a redação da "i"liogra1ia.

partir do le.antamento "i"liogr'1ico 1eito na segunda etapa

do tra"alho, iremos separar os li.ros, artigos e docu%entos que 1oram consultados e utili6ados na elaboração do nosso tra"alho. ,les serão organizados por ordem al1a"0tica do so"renome do autor. Is outros dados Jue de.em constar da re1erGncia "i"liogr'1ica são o t>tulo da o"ra, o lugar de edição, a editora e a data. *omo e2emplo, citaremos a "i"liogra1ia deste item: %8- V,! , rmando. )etodologia da in#estigação cient*fica. Porto legre, $lo"o, :;B@. %,LL8-i, / 5I+ , +,P8%*5, *II[. )étodos de &esquisa nas relaç4es sociais. %ão Paulo, ,dusp, :;B<. %,V,!-MI, nt)nio /oaJuim. )etodologia do trabalho cient*fico. %ão Paulo, *ortez e &oraes, :;B?.

Conclusão
I cumprimento de cada uma das etapas da pesJuisa, documentação e planeHamento l3gico 1acilita incri.elmente a redação do tra"alho. l0m disso, o uso correto das citaçLes, notas e "i"liogra1ia, al0m de ser pro.a da honestidade intelectual do autor do tra"alho, Jue d' os de.idos cr0ditos Ns suas 1ontes, possi"ilita Jue o leitor possa ir direto Ns 1ontes indicadas para apro1undar alguns aspectos de seu interesse. +e JualJuer 1orma, o caminho aJui apontado permite Jue a escrita de uma dissertação ou ensaio dei2e de ser um "icho-de-sete-ca"eças para ser um tra"alho realiz'.el por JualJuer aluno. +e.emos ainda lem"rar Jue, em algumas situaçLes, como a de pro.a, por e2emplo, não poderemos, por razLes 3".ias, realizar todas as etapas aJui indicadas, como a leitura e o 1ichamento. ,ntretanto, mesmo nessas ocasiLes, os estudantes Jue H' ti.erem 1eito esse tipo de tra"alho terão maior 1acilidade em desen.ol.er uma redação mais rica de conte4do.

DROPES
,m toda cidade e2iste, pelo menos, a "i"lioteca p4"lica municipal. ,m cidades maiores, podemos encontrar "i"liotecas em uni.ersidades, em escolas de maior porte, em museus e em centros culturais. lgumas delas H' contam com hemerotecas (de Hornais), 1onotecas (de discos e 1itas cassete) e .ideotecas, constituindo o Jue toda "i"lioteca de.e almeHar ser: um centro de in1ormaçLes. ,m #ras>lia e2iste, tam"0m, a #i"lioteca do *ongresso Macional, Jue a"riga, al0m de li.ros, documentos so"re a .ida pol>tica "rasileira.

Pnidade O homem

8ela do pintor me2icano /os0 +a.id l1aro %iJueiros, Jue re.ela o homem ainda em processo de humanização. ,m primeiro plano, .Gemse as mãos .azias, com as Juais, por meio do tra"alho, o ser humano encontrar' sua identidade.

CAPÍTULO 1 A condição humana
9uando eu era &equena e %eu &ai queria reforçar algu% co%&orta%ento de corage% e enfrenta%ento de situaç4es dif*ceis( costu%a#a di6er: H1e2a ho%e%( %inha filha8H 3#idente%ente( isso era dito e% to% de brincadeira( acentuando a contradição entre o %asculino e o fe%inino. )as( na #erdade( ele queria di6er que o ho%e% -enquanto ser hu%ano e% geral? de#e ser ca&a6 de enfrentar as dificuldades a&esar do %edoA ou( ainda( que( e%bora na sociedade %achista o &a&el da corage% se2a reser#ado aos ho%ens -se@o %asculino?( eu ta%bé% de#eria ser forte( %es%o sendo %ulher. Assi%( ao %es%o te%&o que %eu &ai se referia a u% atributo lou#á#el do ser hu%ano( critica#a as conce&ç4es de fe%inilidade que de certa for%a descul&a% e reforça% a Hfraque6aH da %ulher. %e o"ser.arem com atenção, irão constatar Jue .'rias .ezes por dia colocamos JuestLes como essas Jue, no 1undo, no 1undo, partem da pergunta 1undamental: o que é o ho%e%7 ,m"ora não seHa 1ormulada de maneira tão e2pl>cita, essa Juestão se encontra su"Hacente na con.ersa di'ria. VeHamos alguns e2emplos: h K Juele l'R Mão 0 gente, mais parece um "icho6K (-sso supLe Jue eu sai"a Jual 0 a di1erença entre homem e animal.) h K,ssas coisas acontecem desde Jue o homem 0 homem6K ( natureza humana 0 imut'.el.) h KI Jue seria de mim sem a graça de +eusRK (I ser do homem 0 e2plicado pelo di.ino, e o homem não 0 nada sem a 10.) h K,u uso a ca"eça e não me dei2o arrastar pelas pai2Les.K (I homem 0 um ser racional, e as pai2Les são 1raJuezas.) h K+e Jue adianta o tra"alho se não hou.er 1ute"ol e carna.alRK (I homem 0 um ser de deseHo, e o prazer 0 1undamental no mundo humano.) h KMão adianta lutar contra o destino. I Jue tem de ser, ser'.K (I homem não 0 li.re, mas predestinado.) h K ocasião 1az o ladrão.K ( natureza humana 0 m'.) lista poderia não ter 1im, pois h' di.ersas situaçLes de .ida Jue e2igem re1le2ão e retomada de .alores. Por e2emplo, a perda de emprego, o rompimento de laços de amizade ou de amor, o en1rentamento de risco de .ida ou a morte de um conhecido, a comemoração de uma data especial (:C anos de .ida, ou DA anos...). ,m todos esses momentos 0 1eito um "alanço do H' .i.ido Jue le.a N rea1irmação de alguns .alores, ou, dependendo do caso, a uma mudança radical na 1orma de pensar e agir. +ature6a e cultura Is animais .i.em em harmonia com sua pr3pria natureza. -sso signi1ica Jue todo animal age de acordo com as caracter>sticas da sua esp0cie Juando, por e2emplo, se acasala, protege a cria, caça e se de1ende. Is instintos animais são regidos por leis "iol3gicas, de modo Jue podemos pre.er as reaçLes t>picas de cada esp0cie. etologia se ocupa do estudo comparado do comportamento dos animais, indicando a regularidade desse comportamento.

a e.idente Jue e2istem grandes di1erenças entre os animais con1orme seu lugar na escala zool3gica: enJuanto um inseto como a a"elha constr3i a colm0ia e prepara o mel segundo padrLes r>gidos t>picos das açLes instinti.as, um mam>1ero, Jue 0 um animal superior, age tam"0m por instinto mas desen.ol.e outros comportamentos mais 1le2>.eis, e portanto menos pre.is>.eis. +iante de situaçLes pro"lem'ticas, os animais superiores são capazes de encontrar soluçLes criati.as porJue 1azem uso da intelig>ncia. %e um macaco est' mo"ilizado pelo instinto da 1ome, ao encontrar a 1r uta 1ora do alcance en1renta uma situação pro"lem'tica, Jue s3 pode ser resol.ida com a capacidade de se adaptar Ns no.idades mediante recursos de impro.isação. 8am"0m o cachorro 1az uso da inteligGncia Juando aprende a o"edecer ordens do seu dono e en1renta desa1ios para realizar certas tare1as, como, por e2emplo, "uscar a presa em uma caçada. Mo entanto, a inteligGncia animal 0 concreta( porJue, de certa maneira, acha-se presa N e2periGncia .i.ida. Por e2emplo, se o macaco utilizar um "am"u para alcançar a 1ruta, mesmo assim não e2istir' es1orço de aper1eiçoamento Jue se assemelhe ao processo cultural humano. !ecentemente, pesJuisas realizadas no campo da etologia tGm mostrado Jue alguns tipos de chimpanz0s conseguem 1azer utens>lios, e criam comple2as organizaçLes sociais "aseadas em 1ormas ela"oradas de comunicação. s conclusLes dessas pesJuisas tendem a atenuar a e2cessi.a rigidez das antigas concepçLes so"re a distinção entre instinto e inteligGncia e entre inteligGncia animal e humana. &as essas ha"ilidades não le.am os animais superiores a ultrapassar o mundo natural, caminho esse e2clusi.o da a.entura humana. %3 o homem 0 transfor%ador da nature6a( e o resultado dessa trans1ormação se chama cultura. ,is a> a di1erença 1undamental entre o homem e os animais. &as, para produzir cultura, o homem precisa da linguage% si%b'lica. Is s>m"olos são in.ençLes humanas por meio das Juais o homem pode lidar a"stratamente com o mundo Jue o cerca. +epois de criados, entretanto, eles de.em ser aceitos por todo o grupo e se tomam a con.enção Jue permite o di'logo e o entendimento do discurso do outro. Is s>m"olos permitem o distanciamento do mundo concreto e a ela"oração de id0ias a"stratas: com o signo KcasaK, por e2emplo, designamos não s3 deter%inada casa, mas qualquer casa. homem torna presente aJuilo Jue est' ausente. l0m disso, com a linguagem sim"3lica o homem não est' apenas &resente no mundo, mas 0 ca&a6 de re&resentá-lo: isto é( o linguagem introduz o homem no te%&o( porJue permite Jue o 1azer uso da linguagem sim"3lica, o homem ele relem"re o passado e antecipe o 1uturo pelo pensamento. de inter.enção na natureza.

torna poss>.el o desen.ol.imento da técnica e, portanto, do trabalho hu%ano( enJuanto 1orma sempre reno.ada o reproduzir as t0cnicas H' utilizadas pelos ancestrais e ao in.entar outras no.as 9 lem"rando o passado e proHetando o 1uturo -o homem tra"alha. *hamamos trabalho hu%ano a ação dirigida por 1inalidades conscientes e pela Jual o homem se torna capaz de trans1ormar a realidade em Jue .i.e. Tornar-se ho%e% / homem não nasce homem, pois precisa da educação para se humanizar. &uitos são os e2emplos dados por antrop3logos e psic3logos a respeito de crianças Jue, ao crescerem longe do contato com seus semelhantes, permaneceram como se 1ossem animais.

Ma lemanha, no s0culo passado, 1oi encontrado um rapaz Jue crescera a"solutamente isolado de todos. [aspar 5auser, como 1icou conhecido, permaneceu escondido por razLes não esclarecidas. *omo ningu0m o ensinara a 1alar, s3 se tornou propriamente humano Juando sua educação te.e in>cio. Messa ocasião 1icou constatado Jue possu>a inteligGncia e2cepcional, at0 então o"scurecida pelo a"andono a Jue 1ora relegado. I caso da americana 5elen [eller 0 similar, em"ora as circunst^ncias seHam di1erentes. Mascida cega, surda e muda, mesmo .i.endo entre seus 1amiliares a menina permaneceu a1astada do mundo humano at0 os sete anos de idade, Juando a pro1essora nne %ulli.an lhe tornou poss>.el a compreensão dos s>m"olos, introduzindo-a no %undo &ro&ria%ente hu%ano. ,sses casos e2tremos ser.em para ilustrar o processo comum pelo Jual cada criança rece"e a tradição cultural, sempre %ediada pelos outros homens, com os Juais aprende os s>m"olos e torna-se capaz de agir e compreender a pr3pria e2periGncia. linguagem sim"3lica e o tra"alho constituem, assim, os par^metros mais importantes para distinguir o homem dos animais. Vamos, então, re1orçar algumas caracter>sticas desse Kestar no mundoK tão t>pico do ser humano. Mão se pode dizer Jue o homem tem instintos como os dos animais, pois a consciGncia Jue tem de si pr3prio o orienta, por e2emplo, para o controle da se2ualidade e da agressi.idade, su"metidas de in>cio a normas e sançLes da coleti.idade e posteriormente assumidas pelo pr3prio indi.>duo. I homem 1oi Ke2pulso do para>soK a partir do momento em Jue dei2ou de se instalar na natureza da mesma 1orma Jue os animais ou as coisas. ssim, o comportamento humano passa a ser a.aliado pela 0tica, pela est0tica, pela religião ou pelo mito. -sso signi1ica Jue os atos re1erentes N .ida humana são a.aliados como "ons ou maus, "elos ou não, pecaminosos ou a"ençoados por +eus, e assim por diante. ,ssa an'lise 0 .'lida para JualJuer outra ação humana: andar, dormir, alimentar-se não são ati.idades puramente naturais, pois estão marcadas pelas soluçLes dadas pela cultura e, posteriormente, pela cr>tica Jue o homem 1az N cultura. o de1inir o tra"alho humano, assinalamos um "in)mio insepar'.el: o &ensar e o agir. 8oda ação humana procede do pensamento, e todo pensamento 0 constru>do a partir da ação. am"ig_idade e insta"ilidade. condição humana 0 de am"ig_idade porJue o ser do homem não pode ser reduzido a uma compreensão simples, como aJuela Jue temos dos animais, sempre acomodados ao mundo natural e, portanto, idGnticos a si mesmos. I homem 0 o Jue a tradição cultural Juer Jue ele seHa e tam"0m a constante tentati.a de ruptura da tradição. ssim, a sociedade humana surge porJue o homem 0 um ser capaz de criar interdiç4es( isto 0, proi"içLes, normas Jue de1inem o Jue pode e o Jue não pode ser 1eito. Mo entanto, o homem 0 tam"0m um ser capaz de transgressão. 8ransgredir 0 deso"edecer. Mão nos re1erimos apenas N deso"ediGncia comum, mas NJuela Jue reHeita as 13rmulas antigas e ultrapassadas para instalar no.as normas, mais adeJuadas Ns necessidades humanas diante dos pro"lemas colocados pelo e2istir. capacidade in.enti.a do homem tende a capacidade de alterar a natureza por meio da ação consciente torna a situação humana muito espec>1ica, por estar marcada pela

desaloH'-lo do KH' 1eitoK, em "usca daJuilo Jue Kainda não éH. Portanto, o homem 0 um ser da a%bigIidade em constante "usca de si mesmo. , 0 por isso Jue o homem 0 tam"0m um ser hist'rico( capaz de compreender o passado e proHetar o 1uturo. %a"er aliar tradição e mudança, continuidade e ruptura, interdição e transgressão 0 um desa1io constante na construção de uma sociedade sadia. Conce&ç4es de ho%e% Juestão antropol3gica 9 o que é o ho%e%7 9 0 a primeira Jue se coloca em JualJuer situação .i.ida pelo homem. Suando dizemos Jue se trata de uma questão &ri%eira( não nos re1erimos N prioridade hist3rica, pois nem sempre esse Juestionamento ocorre de 1ato. Por e2emplo, nas sociedades tradicionalistas, como a *hina e o ,gito da ntig_idade, ou ainda nas tri"os primiti.as, a indagação so"re o que é o ho%e% não chega a ser pro"lem'tica, H' Jue a tradição de1ine os modelos de id0ias e condutas Jue serão transmitidos pelos deposit'rios do sa"er, tais como o sacerdote, o escri"a e o mandarim. *onsideramos a prioridade da Juestão antropol3gica no sentido 1ilos31ico de &rinc*&io( funda%ento( ou seHa, ao e2aminar a 1undo JualJuer teoria ou ati.idade humana, sempre podemos desco"rir a idéia de ho%e% a ela su"Hacente. ssim, na longa caminhada da humanidade, o homem 1ez de si pr3prio as mais di.ersas representaçLes, dependendo das situaçLes e di1iculdades en1rentadas na luta pela so"re.i.Gncia e na tentati.a de e2plicar o mundo Jue o cerca. &esmo Jue não esteHa claramente e2pl>cito, h' um conceito de homem su"Hacente em cada comportamento. *ertamente, o conceito do Jue 0 ser ho%e% .aria em cada cultura, con1orme seHa considerado o cidadão da &'lis grega, ou o no"re medie.al, ou o >ndio, ou o indi.>duo das megal3poles modernas. ntropologia (gr. anthro&os: homem, e logos: teoria, ciGncia): a) antropologia cient>1ica: ciGncia humana Jue estuda as di1erentes culturas Juanto aos mais di.ersos aspectos (relaçLes 1amiliares, estruturas de poder, costumes, tradiçLes, linguagem etc.)7 englo"a a etnogra1ia e a etnologia, ") de si pr3prio. &as, Juando a cultura so1re crises, como a ruptura de antigas certezas, surge o Juestionamento, e o homem "usca no.as representaçLes de si mesmo. Foi o Jue aconteceu, por e2emplo, na $r0cia, onde o desen.ol.imento da re1le2ão 1ilos31ica se deu ap3s uma s0rie de trans1ormaçLes as mais di.ersas, tais como a 1ormação das cidades e o desen.ol.imento do com0rcio. "usca, resultante da incerteza, se e2pressa "em nas m'2imas de %3crates K%3 sei Jue nada seiK e K*onhece-te a ti mesmoK, Jue, em 4ltima an'lise, representam o proHeto da razão nascente de esta"elecer crit0rios não-religiosos para a compreensão do homem. s trans1ormaçLes das t0cnicas e das ciGncias tam"0m contri"uem para modi1icar as representaçLes Jue o homem 1az de si mesmo. #asta citar o Jue signi1icou o ad.ento da escrita, da imprensa ou, no nosso s0culo, o desen.ol.imento dos meios de comunicação de massa. Mão constitui e2agero, por e2emplo, re1letir so"re o impacto causado pela teoria heliocGntrica de *op0rnico, Jue, no s0culo eV-, rompeu com a crença de Jue a 8erra ocupa.a o lugar pri.ilegiado de centro do Pni.erso. ntropologia 1ilos31ica: Juestionamento 1ilos31ico a respeito do Jue 0 o homem7 in.estigação a prop3sito do conceito Jue o homem 1az

ssim como podemos compreender as di.ersas concepçLes de homem a partir das mudanças ocorridas nas 1ormas do e2istir humano, tam"0m 0 importante entender como, por sua .ez, as concepçLes de homem in1luenciam outras teorias. ação pol>tica, a ação pedag3gica, a ação moral, entre outras, assumem caracter>sticas di1erentes con1orme tenham por pressuposto uma ou outra concepção de homem. Por e2emplo, se partirmos da concepção de Jue as pai2Les são dist4r"ios, pertur"açLes da alma, e2igiremos normas de comportamento di1erentes daJuelas esta"elecidas a partir de teorias Jue conce"em as pai2Les como 1orças .itais a ser.iço da humanização. Por isso são tão opostas as concepçLes est3ico-cristãs de 0tica 9 Jue se identi1icam com o primeiro e2emplo 9 e a 1iloso1ia de Mietzsche, Jue Hustamente critica es sa 1orma de pensar e a pr'tica dela decorrente. ,2iste uma natureza humana uni.ersalR a poss>.el admitir Jue e2iste uma natureza humana uni.ersal, id>ntica na sua essGncia em todos os tempos e lugares, e2plicando-se as di1erenças como simples acidentes ou des.ios a serem corrigidosR %e respondemos pela a1irmati.a 9 e 0 isso o Jue ocorre em grande parte d as teorias 1ilos31icas desde a ntig_idade at0 nossos dias 9 estamos diante da conce&ção %etaf*sica da nature6a hu%ana. A tradição ocidental Para Platão, a .erdadeira realidade se encontra no mundo das -d0ias, lugar da essGncia imut'.el de todas as coisas, dos .erdadeiros modelos ou arJu0tipos. 8odos os seres, inclusi.e o homem, são apenas c'&ias i%&erfeitas de tais realidades eternas e se aper1eiçoam N medida Jue se apro2imam do modelo ideal. Para rist3teles, o ser 0 constitu>do de mat0ria e 1orma, e as trans1ormaçLes são e2plicadas pelo argumento de Jue todo ser tende a tornar atual a 1orma Jue tem e% &ot>ncia. Por e2emplo, a semente Juando enterrada tende a se trans1ormar no car.alho Jue era em potGncia. 8ransposta essa id0ia para o homem, concluise Jue tam"0m os seres humanos tGm 1ormas em potGncia a serem atualizadas, ou seHa, tGm uma natureza essencial Jue se realiza aos poucos, em direção ao pleno desen.ol.imento. ,, tanto para Platão como para rist3teles, a plenitude humana coincide com o aper1eiçoamento da razão. t0 hoHe seguem essa tendGncia os Jue de1inem a educação como sendo o desen.ol.imento das Kpotencialidades do indi.>duoK, o Jue supLe a aceitação da e2istGncia de um modelo a"strato de homem a ser alcançado. *hamamos essencialista ao tipo de pedagogia Jue coloca como 1unção da educação realizar o Jue o homem de#e #ir-a-ser. Critica Js conce&ç4es essencialistas concepção essencialista da natureza humana percorre toda a tradição 1ilos31ica do mundo ocidental, com algumas tentati.as esparsas de cr>tica N concepção a"strata de modelo. Mo s0culo e-e, &ar2 reHeita e2plicitamente a concepção de uma natureza humana uni.ersal. Para ele, os homens são seres pr'ticos e se de1inem pela produção e pelo tra"alho coleti.o, o Jue signi1ica Jue não h', de um lado, a essGncia e, de outro, a e2istGncia humana, nem homens isolados e dotados de uma essGncia comum a todos os outros. Is homens, reunidos na es1era das relaç4es sociais( criam .alores e de1inem o"Heti.os de .ida a &artir dos desa1ios encontrados na ati.idade produtora da sua e2istGncia. Portanto, são as condiçLes econ)micas Jue de1inem os modelos sociais em determinadas circunst^ncias. a nesse sentido Jue &ar2 critica

o car'ter a-hist3rico e a"strato das concepçLes meta1>sicas, recusando-se a de1inir o Jue o homem 0 Kem siK a"stratamente, a 1im de compreendG-lo como ho%e% real em determinado conte2to hist3rico-social. &ais .ozes, ainda no s0culo e-e, se ergueram contra a concepção tradicional. [ier\egaard, %tirner, Mietzsche propLem re1le2Les so"re a concretude da .ida humana na realidade cotidiana. 8em igual prop3sito a 1enomenologia, corrente 1ilos31ica 1undada por 5usserl e cuHos principais seguidores, no s0culo ee, são &a2 %cheler, 5eidegger, %artre, &erleau-PontZ, entre outros. Para %artre, principal representante do e2istencialismo 1rancGs, s3 as coisas e os animais são Kem siK. I homem, sendo consciente, 0 um Kser-para-siK, a"erto N possi"ilidade de construir ele pr3prio sua e2istGncia. Por isso, 0 poss>.el 1alar da essGncia de uma mesa (aJuilo Jue 1az com Jue uma mesa seHa mesa) ou da essGncia do animal (a1inal, todos os leLes tGm as caracter>sticas pr3prias de sua esp0cie), mas não se pode 1alar de uma natureza humana encontrada igualmente em todos os homens, pois Ho homem não 0 mais Jue o Jue ele 1azK. Is te2tos de leitura complementar ilustram alguns aspectos a"ordados no cap>tulo. %ugerimos consult'los.

DROPES I Jue 0 o homemR a esta a primeira e principal pergunta da 1iloso1ia. (...) %e pensamos nisso, a pr3pria pergunta não 0 uma pergunta a"strata ou Ko"Heti.aK. Masceu daJuilo Jue re1letimos so"re n3s mesmos e so"re os outros e Jueremos sa"er, em relação ao Jue re1letimos e .imos, o Jue somos e em Jue coisa nos podemos tomar, se realmente e dentro de Jue limites somos Kart>1ices de n3s pr3priosK, da nossa .ida, do nosso destino. , isto Jueremos sa"G-lo KhoHeK, nas condiçLes dadas hoHe, pela .ida KhodiernaK e não por uma .ida JualJuer e de JualJuer homem. ( nt)nio $ramsci.) E)ER%*%IOS :. Faça o 1ichamento do cap>tulo e le.ante as d4.idas. <. 8endo em .ista os conceitos de instinto, inteligGncia concreta e a"strata, caracterize os seguintes tipos de linguagem: a) s a"elhas, a 1im de indicar o local onde h' 1lores, e2ecutam uma KdançaK. ") I cachorro, assim Jue .iu seu dono, a"anou o ra"o. c) o se encontrar com o amigo, deu-lhe um a"raço e e2clamou: Sue saudades6 (I"ser.e Jue aJui h' dois e2emplos de linguagem.) @. 8endo em .ista os mesmos conceitos re1eridos no enunciado da Juestão anterior, caracterize as seguintes açLes: a) aranha tecendo a teia. ") I macaco pegando a "anana com a aHuda de um "am"u.

c) I >ndio esca.ando o tronco para 1azer o "arco. D. +G um e2emplo de sua .ida cotidiana Jue destaJue a relação rec>proca entre agir e pensar. (-sto 0, relate o planeHamento e a e2ecução de alguma ati.idade.) ?. PesJuise como uma determinada esp0cie animal (onça, lo"o, ou outra JualJuer) constitui K1am>liaK e KeducaK sua cria. *ompare em seguida com a 1am>lia humana, indicando as di1erenças 1undamentais. E. Faça uma dissertação usando os conceitos aprendidos neste cap>tulo, a partir do tema enunciado a seguir: (P.F.# ) K&ire .eHa: o mais importante e "onito, do mundo, 0 isto: Jue as pessoas não estão sempre iguais, ainda não 1oram terminadas 9 mas Jue elas .ão sempre mudandoK. ($uimarães !osa.) B. (PP** &P) Leia as duas consideraçLes apresentadas a"ai2o e re1lita so"re as id0ias nelas contidas. 8ome uma posição em relação N pro"lem'tica lançada, redigindo uma dissertação. K Te@to :: K%3 e2iste realização pro1issional Juando atendida a .ocação >ntima do indi.>duoK. h Te@to <: K%3 e2iste sucesso pro1issional Juando se atende a uma necessidade do mercado de tra"alhoK. C. H/ dom>nio da 1iloso1ia, no sentido cosmopol>tico, se orienta para as seguintes JuestLes: a) Sue posso sa"erR ") Sue de.o 1azerR c) Sue posso esperarR d) I Jue 0 o homemR ` primeira Juestão responde a %etaf*sica( N segunda a %oral( N terceira a religião( N Juarta a antro&ologia. &as, no 1undo, podemos reduzir todas elas N antropologia, pois Jue as trGs primeiras JuestLes se re1erem N 4ltima.K ([ant.) partir dessa citação de [ant, e2pliJue Jual 0 a import^ncia da antropologia. ;. *onsiderando o te2to de leitura complementar de +escartes (te2to :), resol.a as seguintes JuestLes: a) Is papagaios podem 1alar &ala#ras( mas não as compLem em discurso( como o homem. ,2pliJue. ") +G as caracter>sticas da linguagem sim"3lica. :A. ") partir do te2to de leitura complementar de Irtega Z $asset (te2to <), responda: partir da e2pressão K8odos, ningu0m determinadoK, o Jue perde o homem dominado pelo KseKR a) I Jue o autor Juer dizer Juando se re1ere a Ka genteK ou KseKR ::. Leia o te2to de leitura complementar de %artre (te2to @) e e2pliJue: a) Por Jue %artre considera Jue o pressuposto da e2istGncia de +eus le.a N concepção essencialista de homemR ") I Jue signi1ica Ka e2istGncia precede a essGnciaKR c) *omo %artre contorna a di1iculdade de reduzir o homem a um ser isolado, mergulhado na pr3pria su"Heti.idadeR :<. 8endo por "ase o te2to de leitura complementar de &ar2 (te2to D) e o dropes deste cap>tulo, responda: a) Sue relação &ar2 esta"elece entre a 1orma de ati.idade dos indi.>duos e o ser do homemR ") Sue semelhança e2iste entre o te2to de &ar2 e o de $ramsciR :@. *omparando o te2to de leitura complementar de &ar2 (te2to D) com o te2to de Plan-chard (te2to ?), e2pliJue como, a partir de di1erentes concepçLes da natureza humana, pode-se chegar tam"0m a concepçLes di1erentes de educação. LEITURA %OMPLEMENTAR XIs ho%ens e os ani%aisL

(...)a uma coisa "astante not'.el Jue não haHa homens tão em"rutecidos e tão est4pidos, sem e2cluir mesmo os insanos, Jue não seHam capazes de arranHar conHuntamente di.ersas pala.ras, e de comp)-las num discurso pelo Jual 1açam entender seus pensamentos7 e Jue, ao contr'rio, não e2ista outro animal, por mais per1eito e "em conce"ido Jue possa ser, Jue 1aça o mesmo. , isso não se d' porJue lhes 1altem 3rgãos, pois .eri1icamos Jue as pegasj e os papagaios podem pro1erir pala.ras assim como n3s, e, toda.ia, não podem 1alar como n3s, isto 0, testemunhando Jue pensam o Jue dizem. Por outro lado, os homens Jue, tendo nascido surdos e mudos, são despro.idos dos 3rgãos Jue ser.em aos demais para 1alar, tanto ou mais Jue os animais, costumam in.entar eles pr3prios alguns s>m"olos pelos Juais se 1azem entender por Juem, estando comumente com eles, disponha de tempo para aprender a sua l>ngua. , isso não demonstra apenas Jue os animais possuem menos razão do Jue os homens, mas Jue não a possuem a"solutamente. Vemos Jue 0 preciso muito pouco para sa"er 1alar7 e H' Jue se nota desigualdade entre os animais de uma mesma esp0cie, assim como entre os homens, e Jue uns são mais 1'ceis de serem adestrados do Jue outros, não 0 cr>.el Jue um macaco ou um papagaio, por mais per1eitos Jue 1ossem, em sua esp0cie, não igualassem uma criança das mais est4pidas ou pelo menos Jue ti.esse c0re"ro pertur"ado, se a sua alma não 1osse de uma natureza inteiramente di1erente da nossa. +,%* !8,%, !en0. $iscurso do %étodo. #ras>lia, ,ditora uni.ersidade de #ras>lia7 %ão Paulo, Wtica, :;C;, p. BE. $e re&ente( a&arece a gente (...) %e algu0m ti.esse tido esta tarde o "om humor de sair pelas ruas da cidade .estido com elmo, lança e cota de malha, o mais pro.'.el 0 Jue dormisse esta noite num manic)mio ou numa delegacia de pol>cia. PorJue não 0 uso, não 0 costume. ,m compensação, se esse algu0m 1az o mesmo num dia de carna.al, 0 poss>.el Jue lhe concedam o primeiro prGmio de mascarado. Por JuGR PorJue 0 uso, porJue 0 costume mascarar-se nessas 1estas. +e modo Jue uma ação tão humana, como 0 a de se .estir, não a realizamos por pr3pria inspiração, mas nos .estimos de uma maneira e não de outra, simplesmente porJue se usa. Ira, o usual, o costumeiro, 1azemo-lo porJue se 1az. &as, Juem 1az o Jue se 1azR Ira6... gente. &uito "em6 , Juem 0 a genteR Ira... 8odos, ningu0m determinado. -sso nos le.a a reparar Jue uma enorme porção de nossas .idas se compLe de coisas Jue 1azemos, não por gosto, nem inspiração, nem conta pr3pria, mas simplesmente porJue a gente as 1az e, como o ,stado, antes, a gente, agora, nos 1orça a açLes humanas Jue pro.Gm dela e não de n3s. Pega: uma esp0cie de a.e. , mais ainda: comportamo-nos em nossa .ida orientando-nos, nos pensamentos Jue temos, so"re o Jue as coisas são7 mas se dermos um "alanço dessas id0ias ou opiniLes, com as Juais e das Juais .i.emos, acharemos com surpresa Jue muitas delas 9 tal.ez a maioria 9 não as pensamos nunca por nossa conta, com plena e respons'.el e.idGncia de sua .erdade7 ao contr'rio, pensamo-las porJue as ou.imos e dizemo-las porJue se dizem. ,is aJui este estranho impessoal, o se, Jue agora aparece instalado dentro de n3s, 1ormando parte de n3s, pensando ele id0ias Jue n3s simplesmente pronunciamos. &uito "em. , então7 Juem diz o Jue se di67 %em d4.ida, cada um de n'sA mas dizemos Ko Jue dizemosK como o guarda nos impede o passo7 dizemo-lo, não por conta pr3pria, mas por conta desse suHeito imposs>.el de

capturar, indeterminado e irrespons'.el Jue 0 a gente( a sociedade( a coleti#idade. Ma medida em Jue penso e 1alo 9 não por pr3pria e indi.idual e.idGncia, mas repetindo isso Jue se diz e Jue se opina 9 minha .ida dei2a de ser minha, dei2o de ser o personagem indi.idual>ssimo Jue sou, e atuo por conta da sociedade: sou um aut)mato social, estou socializado. I!8,$ ( $ %%,8. / ho%e% e a gente. !io de /aneiro, Li.ro -"ero- mericano, :;EA. p. <AE-<AB. MA e@ist>ncia &recede a ess>nciaL Suando conce"emos um +eus criador, esse +eus identi1icamo-lo Juase sempre com um art>1ice superior7 e JualJuer Jue seHa a doutrina Jue consideremos, trate-se duma doutrina como a de +escartes ou a de Lei"niz, admitimos sempre Jue a .ontade segue mais ou menos a inteligGncia ou pelo menos a acompa nha, e Jue +eus, Juando cria, sa"e per1eitamente o Jue cria. ssim o conceito do homem, no esp>rito de +eus, 0 assimil'.el ao conceito de um corta-papel no esp>rito do industrial7 e +eus produz o homem segundo t0cnicas e uma concepção, e2atamente como o art>1ice 1a"rica um corta-papel segundo uma de1inição e uma t0cnica. ssim o homem indi.idual realiza um certo conceito Jue est' na inteligGncia di.ina. Mo s0culo eV---, para o ate>smo dos 1il3so1os, suprime-se a noção de +eus, mas não a id0ia de Jue a essGncia precede a e2istGncia. 8al id0ia encontramo-la n3s um pouco em todo o lado: encontramo-la em +iderot, em Voltaire e at0 mesmo num [ant. I homem possui uma natureza humana7 esta natureza, Jue 0 o conceito humano, encontra-se em todos os homens, o Jue signi1ica Jue cada homem 0 um e2emplo particular de um conceito uni.ersal 9 o homem7 para [ant resulta de tal uni.ersalidade Jue o homem da sel.a, o homem primiti.o, como o "urguGs, estão adstritos N mesma de1inição e possuem as mesmas Jualidades de "ase. ssim, pois, ainda a>, a essGncia do homem precede essa e2istGncia hist3rica Jue encontramos na natureza. (...) I e2istencialismo ateu, Jue eu represento, 0 mais coerente. +eclara ele Jue, se +eus não e2iste, h' pelo menos um ser no Jual a e2istGncia precede a essGncia, um ser Jue e2iste antes de poder ser de1inido por JualJuer conceito, e Jue este ser 0 o homem ou, como diz 5eidegger, a realidade humana. Sue signi1icar' aJui o dizer-se Jue a e2istGncia precede a essGnciaR %igni1ica Jue o homem primeiramente e2iste, se desco"re, surge no mundo7 e Jue s3 depois se de1ine. I homem, tal como o conce"e o e2istencialista, se não 0 de1in>.el, 0 porJue primeiramente não 0 nada. %3 depois ser' alguma coisa e tal como a si pr3prio se 1izer. ssim, não h' natureza humana, .isto Jue não h' +eus para a conce"er. I homem 0, não apenas como ele se conce"e, mas como ele Juer Jue seHa. como ele se conce"e depois da e2istGncia, como ele se deseHa ap3s este impulso para a e2istGncia7 o homem não 0 mais Jue o Jue ele 1az. 8al 0 o primeiro princ>pio do e2istencialismo. a tam"0m a isso Jue se chama a su"Heti.idade, e o Jue nos censuram so" este mesmo nome. &as Jue Jueremos dizer n3s com isso, senão Jue o homem tem uma dignidade maior do Jue uma pedra ou uma mesaR PorJue o Jue n3s Jueremos dizer 0 Jue o homem primeiro e2iste, ou seHa, Jue o homem, antes de mais nada, 0 o Jue se lança para um 1uturo, e o Jue 0 consciente de se proHetar no 1uturo. (...) &as se .erdadeiramente a e2istGncia precede a essGncia, o homem 0 respons'.el por aJuilo Jue 0. ssim, o primeiro es1orço do e2istencialismo 0 o de p)r todo homem no dom>nio do Jue ele 0 e de lhe atri"uir a total responsa"ilidade da sua e2istGncia. ,, Juando dizemos Jue o homem 0 respons'.el por si pr3prio, não

Jueremos dizer Jue o homem 0 respons'.el pela sua restrita indi.idualidade, mas Jue 0 respons'.el por todos os homens. % !8!,, /ean-Paul. / e@istencialis%o é u% hu%anis%o( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, "ril *ultural, :;B@. p. ::-:<. MProdu6ir e serL Pode-se distinguir os homens dos animais pela consciGncia, pela religião ou por tudo Jue se Jueira. &as eles pr3prios começam a se di1erenciar dos animais tão logo começam a &rodu6ir seus meios de .ida, passo este Jue 0 condicionado por sua organização corporal. Produzindo seus meios de .ida, os homens produzem, indiretamente, sua pr3pria .ida material. I modo pelo Jual os homens produzem seus meios de .ida depende, antes de tudo, da natureza dos meios de .ida H' encontrados e Jue tGm de reproduzir. Mão se de.e considerar tal modo de produção de um 4nico ponto de .ista, a sa"er: a reprodução da e2istGncia 1>sica dos indi.>duos. 8rata-se, muito mais, de uma determinada 1orma de ati.idade dos indi.>duos, determinada 1orma de mani1estar sua .ida, determinado %odo de #ida dos mesmos. 8al como os indi.>duos mani1estam sua .ida, assim são eles. I Jue eles são coincide, portanto, com sua produção, tanto com o que produzem como com o modo co%o produzem. I Jue os indi.>duos são, portanto, depende das condiçLes materiais de sua produção. & !e, [arl. .deologia ale%ã. %ão Paulo, 5ucitec, :;CD. p. <B-<C. MA &edagogia &ereneL -...? a pedagogia 1unda-se, ao %es%o te%&o( na 1iloso1ia e e% fatos positi.os. menos Jue se considerem as concepçLes 1ilos31icas como mo.ediças, ligadas Ns circunst^ncias .ari'.eis do meio e aos aspectos concretos das coisas, a pedagogia dos 1ins educati.os permanece est'.el. Mossa concepção da natureza pro1unda do homem não 0 ou não de.e ser ditada pela e2periGncia imediata. ,la 0 transcendente. Pm ideal educati.o não muda com o tempo porJue o pr3prio homem, no Jue ele tem de essencial, não muda. I Jue se pode modi1icar são os meios postos em ação para se apro2imar desse ideal, meios Jue dependem das circunst^ncias de tempo, de lugar, de suHeito. marcha da humanidade não modi1ica a natureza dos homens7 trans1orma simplesmente o mundo onde eles .i.em e os o"riga a adaptar seu comportamento a essas mudanças, a Kser do seu tempoK. +istinguiremos, portanto, u%a &aedagogia &erennis e uma pae-dagogia te%&oralis. primeira pertence ao mundo das id0ias, a segunda ao dom>nio das realidades concretas. ,sta 4ltima 0 a pedagogia t0cnica. ,ssa pedagogia t0cnica mudou incontesta.elmente, como todas as t0cnicas humanas. PL &*5 !+. -n *5 !LI8. #ernard. misti1icação pedag'gica. !io de /aneiro, iahar, :;C@. p. CC.

CAP TULO ! A técnica

A #elha lenda do Ha&rendi6 de feiticeiroH foi reto%ada &or Nalt $isneB no fil%e Fantasia, clássico do desenho ani%ado. 3% u% dos seg%entos( o &ersonage% &rinci&al( re&resentado &or )icOeB( é incu%bido de la#ar as de&end>ncias do castelo e( &ara facilitar o ser#iço( resol#e a&licar as %ágicas a&rendidas co% seu %estre feiticeiro. 3 be% sucedido ao ordenar que u%a #assoura carregue #ários baldes cheios dPágua( o que lhe &ou&a enor%e esforço. )as( e% seguida( constata que a&enas sabia desencadear a %ágica se% contudo conseguir interro%&>-la no %o%ento adequado. +a es&erança de solucionar o i%&asse( corta a #assoura( %as na #erdade au%enta o nQ%ero delas e% ação( logo transfor%adas e% u% batalhão de Hser#içaisH incansá#eis. A inundação do castelo é e#itada co% o reto%o &ro#idencial do %estre feiticeiro( cu2as &ala#ras %ágicas interro%&e% o louco &rocesso desencadeado. ,ssa 1'"ula mostra Jue o mundo mara.ilhoso da t0cnica tem duas 1aces. %e por um lado 0 condição de humanização, por outro pode desen.ol.er 1ormas per.ersas de adaptação humana. a o Jue .eremos mais adiante. o%o sa&iens( ho%o faber Suando nos re1erimos ao ho%o sa&iens( en1atizamos a caracter>stica humana de conhecer a realidade, de ter consciGncia do mundo e de si mesmo. denominação ho%o faber 0 usada Juando nos re1erimos N capacidade de 1a"ricar utens>lios, com os Juais o homem s3 torna capaz de trans1ormar a natureza. o%o sa&iens e ho%o faber são dois aspectos da mesma realidade humana. Pensar e agir são insepar'.eis, isto é( o homem 0 um ser t0cnico &orque tem consciGncia, e tem consciGncia &orque é capaz de agir e trans1ormar a realidade. ,m decorrGncia, a maneira como os homens agem para adeJuar a natureza aos seus interesses de so"re.i.Gncia in1lui de modo decisi.o na construção das representaçLes mentais por meio das Juais e2plicam essa realidade. +a mesma 1orma, tais construçLes mentais tornam poss>.eis as alteraçLes necess'rias para adaptar as t0cnicas N solução dos pro"lemas Jue desa1iam a inteligGncia humana. Por e2emplo, Juando $uten"erg in.enta os tipos m3.eis no s0culo eV-, a imprensa passa a desempenhar papel decisi.o na di1usão das id0ias e na ampliação da consciGncia cr>tica, o Jue altera o conhecimento Jue o homem te% do mundo e de si mesmo. Mo s0culo ee, o aper1eiçoamento t0cnico do tele1one, tel0gra1o, 1otogra1ia, cinema, r'dio, tele.isão, comunicação .ia sat0lite, certamente .em mudando a estrutura do pensamento, agora marcado pela cultura da imagem e do som e pela KplanetarizaçãoK da consciGncia. As transfor%aç4es da técnica Ptens>lio, m'Juina e aut)mato. $rosso %odo( eis as trGs etapas 1undamentais do desen.ol.imento da t0cnica. Mo est'dio inicial, o utens>lio 0 um prolongamento do corpo humano: o martelo aumenta a potGncia do "raço e o arado 1unciona como a mão esca.ando o solo. Suando dei2a de usar apenas a energia humana, a t0cnica passa ao est'dio das m'Juinas pela utilização da energia mec^nica, hidr'ulica, el0trica ou at)mica. Por e2emplo, o car.ão Jueimando 1az mo.er o tear, o .apor de 'gua 1az 1uncionar a locomoti.a, a e2plosão da gasolina .ia"iliza o autom3.el e a eletricidade pLe em mo.imento a "atedeira de "olo.

m'Juina 0 o instrumento Jue atua por si mesmo e por si mesmo produz o o"Heto. (...) Mo artesanato o utens>lio ou 1erramenta 0 somente suplemento do homem. Meste, portanto, o homem com seus atos KnaturaisK continua sendo o ator principal. Ma m'Juina, ao contr'rio, passa o instrumento para o primeiro piano e não 0 ele Juem aHuda ao homem, mas o contr'rio: o homem 0 Juem simplesmente aHuda e suplementa a m'Juina. (...) I Jue um homem com suas ati.idades 1i2as de animal pode 1azer, sa"emo-lo de antemão: seu horizonte 0 limitado. &as o Jue podem 1azer as m'Juinas Jue o homem 0 capaz de in.entar 0, em princ>pio, ilimitado. (Irtega Z $asset.) ,m est'dio mais a.ançado, o aut)mato imita a iniciati.a humana, porJue não repete KmecanicamenteK as 1unçLes preesta"elecidas, uma .ez Jue 0 capaz de auto-regulação. partir de certos programas, 0 poss>.el grande 1le2i"ilidade nas Ktomadas de decisLesK, o Jue apro2ima as Km'Juinas pensantesK do tra"alho intelectual humano, H' Jue são capazes de pro.ocar, regular e controlar os pr3prios mo.imentos. I radar corrige a rota do a.ião de acordo com as alteraçLes do percurso, a c0lula 1otoel0trica instalada na porta do ele.ador impede Jue ela se 1eche so"re o usu'rio: em am"os os casos os comandos são alterados automaticamente con1orme Kin1ormaçLesK e2ternas. *i"ern0tica (do grego OBbernetiOé( isto 0, téchne OBbernetiOé( Ha arte do pilotoK)7 ciGncia Jue estuda as comunicaçLes e o sistema de controle não s3 nos organismos .i.os, mas tam"0m nas m'Juinas. -+o#o dicionário da l*ngua &ortuguesa( ur0lio #uarJue de 5olanda Pereira.) Técnica e ci>ncia Pm es1orço imenso 0 despendido pelo homem no dom>nio da natureza. Ma medida do poss>.el, alguns reser.am para si as 1unçLes le.es e encarregam outros do tra"alho mais penoso. predomin^ncia de escra.os e ser.os no e2erc>cio das ati.idades manuais sempre le.ou N des.alorização desse tipo de tra"alho, enJuanto apenas as ati.idades intelectuais eram consideradas .erdadeiramente dignas do homem. Is romanos, retomando a tradição da $r0cia, chama.am de 'cio -otiu%? não propriamente a ausGncia de ação, mas o ocupar-se com as ciGncias, as artes, o trato social, o go.erno, o lazer produti.o. o 3cio opunham o neg'cio (o nec otiu%( ou seHa, a negação do otiu%?( enJuanto ati.idade Jue tem por 1unção satis1azer as necessidades elementares. ,.identemente 0 o 3cio Jue constitui &ara eles o ser pr3prio do homem, e alcanç'-lo era pri.il0gio reser.ado a poucos. 8al maneira de pensar supLe a e2istGncia da di.isão social com a manutenção do sistema escra.ista ou da ser.idão. &esmo rist3teles sa"ia disso, e diz, em sua Pol*tica( Jue ha.eria escra.idão enJuanto as ntes lançadeiras não tra"alhassem sozinhas. partir do 1inal da -dade &0dia surge uma no.a concepção a respeito da import^ncia da t0cnica. naturezaK. .eriguando as circunst^ncias sociais e econ)micas Jue possi"ilitaram uma mudança tão decisi.a para a hist3ria da humanidade, encontramos no surgimento da "urguesia os elementos Jue tomaram necess'ria a no.a maneira de pensar e agir. Is "urgueses, ligados ao artesanato e com0rcio, .aloriza.am o tra"alho e tinham esp>rito empreendedor. Ira, o sucesso e enriJuecimento desse no.o segmento social passam a e2igir cada .ez des.alorizada, ela torna-se o instrumento adeJuado para trans1ormar o homem em Kmestre e senhor da

mais o concurso da t0cnica para a ampliação dos neg3cios: construção de na.ios mais 'geis, utilização da "4ssola para a orientação nos mares em "usca de no.os portos, aper1eiçoamento dos rel3gios (tempo 0 dinheiro6). Pm "om e2emplo do e1eito trans1ormador da t0cnica 0 a p3l.ora. *onhecida h' muito nas ci.ilizaçLes orientais, como a *hina, onde era utilizada na con1ecção de 1ogos de arti1>cio, ao ser le.ada para a ,uropa, ir' redimensionar as artes "0licas, ao ser usada em canhLes para o ataJue aos at0 então Juase inacess>.eis castelos da no"reza. .alorização da t0cnica altera a concepção de ciGncia. %e antes o sa"er era contemplati.o, ou seHa, .oltado para a compreensão desinteressada da realidade, o no.o homem "usca o saber ati#o( o conhecimento capaz de atuar so"re o mundo, trans1ormando-o. ,ssa no.a mentalidade permite o ad.ento da ciGncia moderna. $alileu, ao tornar poss>.el a !e.olução *ient>1ica no s0culo eV-- (.er *ap. B), esta"elece 1ecunda aliança entre o la"or da mente e o tra"alho das mãos, o Jue ir' marcar a relação entre ciGncia e t0cnica: h h t0cnica torna a ciGncia cada .ez mais precisa e o"Heti.a. Por e2emplo, o term)metro mede a ciGncia 0 um conhecimento rigoroso capaz de pro.ocar a e.olução das t0cnicas7 a tecnologia temperatura melhor do Jue o 1az a nossa pele. moderna nada mais 0 do Jue ci>ncia a&licada. Por e2emplo, os estudos de termologia dão condiçLes para a construção de term)metros mais precisos. %ão pro1undas as alteraçLes pro.ocadas pelo ad.ento da tecnologia em todos os setores da .ida humana. Pode-se dizer Jue, em nenhum lugar e em tempo algum da hist3ria da humanidade, ocorreram trans1ormaçLes tão 1undamentais e com tal rapidez. Por maiores Jue seHam as di1erenças entre as culturas do ntigo Iriente do terceiro milGnio a.* e a da ,uropa do s0culo eV, nada se compara N trans1ormação radical no modo de .ida Jue se opera do s0culo eV--- ao 1inal do s0culo ee: em apenas trezentos anos, a ciGncia e a tecnologia alteraram 1undamentalmente a maneira de .i.er e de pensar do homem contempor^neo. Técnica e sociedade s trans1ormaçLes das t0cnicas alteram as relaçLes sociais. ,nJuanto o mundo agr>cola e artesanal 0 marcado pela tradição, e 1i2a o homem ao campo, o ad.ento das 1'"ricas no s0culo eV-- estimula o aper1eiçoamento das m'Juinas e acelera o crescimento das cidades. ,sta"elecem-se no.as relaçLes de produção com o aparecimento da classe prolet'ria assalariada e dos capitalistas detentores dos meios de produção. I auge do desen.ol.imento do sistema 1a"ril se d' no s0culo e-e, so"retudo na -nglaterra. I setor secund'rio (ind4stria) se so"repLe em import^ncia ao setor prim'rio (agricultura), de1inindo as caracter>sticas dos pa>ses industrializados e, portanto, modernos: ur"anização, utilização de .'rias 1ormas de energia, organização hierarJuizada da empresa, t0cnico especializado #ersus oper'rio semiJuali1icado. partir de meados do s0culo ee constata-se uma trans1ormação tal.ez tão radical como aJuela ocorrida no in>cio da era moderna. Ma atual sociedade &'s-industrial( a produção de "ens materiais passa a e2igir a ampliação dos ser#iços (setor terci'rio). Messas circunst^ncias, a tecnologia Jue conta 0 em 4ltima an'lise a infor%açãoA "asta .er como o cotidiano de todos se acha %arcado &elo consu%o de ser.iços de sa4de, educação, recreação, comunicação,

pu"licidade, empresas de com0rcio e 1inanças. -sso não signi1ica Jue o setor secund'rio (industrial) perdeu import^ncia, mas Jue tam"0m ele so1re alteraçLes decorrentes da in1ormatização. Técnica e alienação !etomemos a hist3ria do aprendiz de 1eiticeiro, re1erida na a"ertura do cap>tulo. Pelo menos duas interpretaçLes podem ser 1eitas dessa lenda. t0cnica 0 um poder cuHas conseJ_Gncias nem sempre aparecem muito claramente no in>cio do processo, por isso con.0m não desprezar a sa"edoria daJueles Jue deseHam discutir so"re os fins a que ela se destina( -sso signi1ica Jue o t0cnico não pode ser a&enas técnico( %as de.e ser capaz de re1letir a respeito dos .alores Jue en.ol.em a aplicação da t0cnica. Por e2emplo, a industrialização não-planeHada trans1orma o mito do progresso no pesadelo da poluição e do deseJuil>"rio ecol3gico. Iutra interpretação poss>.el da .elha lenda 0 Jue o primeiro sonho do maJuinismo 1oi a li"ertação do homem das tare1as mais 'rduas e repetiti.as. Mo entanto, o Jue temos o"ser.ado 0 a ampliação do K"atalhão de oper'riosK e2ecutando ordens mecanicamente sem Jue tenha ha.ido signi1icati.a redução do tempo de tra"alho ou melhoria da Jualidade de .ida. /' em pleno %0culo das Luzes (s0c. eV---), !ousseau contraria.a as e2pectati.as otimistas Jue a maioria deposita.a nas .antagens do desen.ol.imento da t0cnica, denunciando o a.anço da desigualdade entre os homens. 1inal, o Jue ainda hoHe constatamos 0 Jue os 1rutos da tecnologia não tGm sido distri"u>dos de 1orma igual entre os homens. Ma segunda metade do s0culo eV---, oper'rios da região de Lancashire, na -nglaterra, 1izeram di.ersos mo.imentos durante os Juais era destru>do o maJuin'rio das instalaçLes 1a"ris. Is KJue"radores de m'JuinasK, na .erdade, H' perce"iam, com a1lição, as pro1undas modi1icaçLes decorrentes da passagem da produção artesanal e dom0stica para a 1a"ril. a t>pico do tra"alho artesanal o conhecimento de todas as 1ases da produção, mas a mecanização desen.ol.eu a tendGncia N di#isão do trabalho. ,ssa 1ragmentação culmina no s0culo ee com a produção em linha de %ontage%( Juando o oper'rio perde a .isão glo"al do Jue est' sendo produzido. *om essa no.a organização do tra"alho, o oper'rio perde o saber técnico( ca"endo a ele apenas e2ecutar o Jue 1oi conce"ido e planeHado em outro setor, acentuando-se assim a separação entre concepção e e2ecução do tra"alho. ,m decorrGncia disso surge a 1igura do técnico es&ecialista( de sa"er Juali1icado, como engenheiros, administradores etc. Mo desen.ol.imento do sistema capitalista, o oper'rio con1inado N 1'"rica perde os instrumentos de tra"alho, a posse do produto e, em conseJ_Gncia, perde a autonomia. +ei2a de ser o centro de si mesmo: não escolhe o sal'rio, nem o hor'rio, nem o ritmo de tra"alho. *om isso se d' uma grande in.ersão, em Jue o produto passa a .aler mais Jue o pr3prio oper'rio, uma .ez Jue aJuele determina as condiçLes de tra"alho deste e at0 as demissLes e contrataçLes. 8rata-se de uma in.ersão porJue aJuilo Jue 0 inerte (a coisa, o produto) passa a Kter .idaK e o Jue tem .ida (o homem) se trans1orma em KcoisaK. trabalho alienado. ssim se con1igura o Jue chama mos

,timologicamente, a pala.ra alienação .em do latim alienare( alienus( Jue signi1ica KJue pertence a um outroK. lienar, portanto, 0 to%ar alheio( é transferir &ara outre% o que é seu. Ira, se admitirmos Jue, pelo tra"alho, ao mesmo tempo Jue o homem 1az u%a coisa tam"0m se fa6 a si %es%o( o tra"alho alienado 0 condição de desumanização, pois os tra"alhadores perdem o controle do produto e conseJ_entemente de si mesmos, tornando-se incapazes de atuar no mundo de 1orma cr>tica. A tecnocracia I desen.ol.imento acelerado da t0cnica cria o %ito do &rogresso. %egundo essa crença, tudo tende para o aper1eiçoamento, mediante a atualização de potencialidades Jue se encontram em estado latente, em"rion'rio. ,, se tudo e.olui para melhor, o desen.ol.imento da ciGncia e da tecnologia 1aria s3 acelerar esse processo. partir de tal concepção, compreende-se como natural a necessidade do aumento crescente da produção (ideal de &roduti#idade?A para tanto 0 estimulada a co%&etiti#idade (a 1im de Jue cada empresa seHa melhor naJuilo Jue produz), "em como a es&eciali6ação (segundo a Jual cada .ez mais as grandes decisLes são dei2adas a cargo de especialistas na 'rea). *om o passar do tempo, as 1ormas de controle de produção e di.isão do tra"alho se tornam mais rigorosas, desen.ol.endo-se para tanto m0todos cient>1icos de KracionalizaçãoK do tra"alho, Jue tGm em .ista os o"Heti.os H' re1eridos de produti.idade, competiti.idade e especialização. I mundo da produção assim con1igurado le.a 1atalmente N tecnocracia( Jue signi1ica o dom>nio dos t0cnicos e da t0cnica. Iu seHa, na ci.ilização tecnicista e cienti1icista, a 4ltima pala.ra 0 sempre dada ao especialista, ao t0cnico competente. Mo entanto, .i.emos hoHe a crise desses .alores. I ideal do progresso ine2or'.el 0 desmisti1icado Juando constatamos Jue o desen.ol.imento da ciGncia e da t0cnica nem sempre .em acompanhado pelo progresso moral. a o Jue .eremos a seguir. ,a6ão louca e ra6ão sábia Is tempos modernos surgiram marcados pelo ideal da racionalidade Jue culminou no -luminismo do s0culo eV---. %uperando a concepção medie.al, centrada na tradição e na .isão religiosa do mundo, a modernidade se toma laica (não-religiosa) e "usca na razão a possi"ilidade da autono%ia do homem. I desen.ol.imento t0cnico e cient>1ico 0 a e2pressão do racionalismo dos tempos modernos. &as, Juando nos re1erimos N racionalidade da sociedade contempor^nea, 0 "om indagar a respeito de Jue razão estamos 1alando. Jue .i.e. Ira, se nunca o homem te.e tanto sa"er nem tanto poder em suas mãos, tam"0m 0 .erdade Jue o acr0scimo de sa"er e de poder não tem sido acompanhado de sa"edoria. I homem contempor^neo sa"e o que fa6er e co%o fa6er( mas perdeu de .ista o &ara que fa6er. I Kespecialista competenteK pode ser o Kaprendiz de 1eiticeiroK Jue não re1lete su1icientemente "em a respeito dos 1ins de sua ação. Fazemos essa triste constatação Juando nos de1rontamos com o deseJuil>"rio entre riJueza e mis0ria, a .iolGncia das guerras com seus armamentos so1isticados, os n>.eis insuport'.eis de razão Jue ser.e para o desen.ol.imento da t0cnica 0 a ra6ão instru%ental( "em di1erente da razão #ital( por meio da Jual o homem se torna capaz de compreender criticamente a situação em

competição, o consumo desen1reado criando necessidades arti1iciais, as desordens morais da sociedade centrada nos .alores de posse. l0m disso, uma das in4meras contradiçLes da sociedade p3s-industrial 0 Jue o homem se acha saturado de in1ormaçLes in4meras e comple2as, mas tão r'pidas e 1ragmentadas (como um .ideoclipe6), Jue nem sempre 0 capaz de reorganiz'-las de 1orma cr>tica. grande Kmaioria silenciosaK 0 despolitizada e mais preocupada com os pro"lemas do seu cotidiano indi.idual, com os pro"lemas pr'ticos de alcance imediato. Presenciamos no s0culo ee um per>odo de crise: a razão, Jue de.eria ser.ir para .incular o homem ao real a 1im de compreendG-lo, para escolher o Jue 0 melhor para sua .ida, essa razão se acha KenlouJuecidaK. I tra"alho da 1iloso1ia consiste em recuperar a razão s'"ia, a razão .ital, como instrumento para resgatar o sentido humano do mundo. DROPES Mas sociedades programadas a tecnociGncia atra.essa de ponta a ponta a .ida cotidiana. I am"iente p3smoderno 0 po.oado pela ci"ern0tica, a ro"3tica industrial (no /apão h' :?A mil ro")s nas ind4strias), a "iologia molecular, a medicina nuclear, a tecnologia de alimentos, as terapias psicol3gicas, a climatização, as t0cnicas de em"elezamento, o tr^nsito computadorizado, Hunto com o RalO%an( o #ideoga%e( o .ideocassete, o .ideodata (8V-computador-tele1one), a 8V por ca"o e os computadores dom0sticos. ,ssa re.olução se de.e ao chi&. *om milhares de micro circuitos em :/< cmk, ele reduziu a computação N escala indi.idual. (/air Ferreira dos %antos.) A partir do dia de tra"alho, a alienação e a arregimentação se alastram para o tempo li.re. (.--) I controle "'sico do tempo de 3cio 0 realizado pela pr3pria duração do tempo de tra"alho, pela rotina 1atigante e mec^nica do tra"alho alienado, o Jue reJuer Jue o lazer seHa um rela2amento passi.o e uma recuperação de energias para o tra"alho. %3 Juando se atingiu o mais recente est'gio da ci.ilização industrial, (...) a t0cnica de manipulação das massas criou então uma ind4stria de entretenimentos, a Jual controla diretamente o tempo de lazer, ou o ,stado chamou a si diretamente a e2ecução de tal controle. Mão se pode dei2ar o indi.>duo sozinho, entregue a si pr3prio. (5er"ert &arcuse.) ViaHar era o meio de estar al0m ou de não estar em parte alguma. 5oHe 0 o 4nico meio de e2perimentar a sensação de estar em algum lugar. ,m casa, cercado de todas as in1ormaçLes, de todas as telas, H' não estou em parte nenhuma, estou na "analidade uni.ersal. ,ssa 0 a mesma em todos os pa>ses. olhar. Li"erto das imagens, ele reencontra a imaginação. (#audrillard.) terrar numa no.a cidade, numa l>ngua estrangeira, 0 encontrar-me de repente aJui e em nenhum outro lugar. I corpo reencontra seu

,e,!*Q*-I%

:. Faça o 1ichamento do cap>tulo e le.ante as principais d4.idas. <. *onsiderando Jue as trans1ormaçLes das t0cnicas podem pro.ocar no.as 1ormas de pensamento, Juais são as poss>.eis alteraçLes da moral se2ual a partir do desen.ol.imento das t0cnicas de contracepção (por e2emplo, a p>lula anticoncepcional)R

@. Faça uma dissertação com o seguinte tema: (-&,%-%P) K%e me pedissem para mencionar a data mais importante da 5ist3ria e da Pr0-hist3ria da raça humana, eu responderia sem a m>nima hesitação: o dia E de agosto de :;D?. morte como indi.>duo. ( rthur [oestler.) D. Leia a citação de &arcuse (dropes <) e resol.a estas JuestLes: a) Por Jue a alienação no tra"alho tende a se alastrar para o tempo de lazerR ") &arcuse critica a sociedade alienada Jue reconhece ser um KriscoK dei2ar o indi.>duo Kentregue a si pr3prioK. /usti1iJue essa a1irmação. c) Faça um le.antamento de 1ormas de lazer e as classi1iJue a partir dos seguintes crit0rios: h as Jue e2igem imaginação, in.enção, participação7 h as Jue le.am N acomodação e passi.idade. ?. *onsiderando a citação de #audrillard (dropes @), resol.a estas JuestLes: a) I Jue o autor Juer dizer com: Kem casa não estou em parte nenhumaKR ") Por Jue Juando .iaHamos Ko corpo reencontra seu olharKR c) ,2pliJue como a situação descrita pelo autor se re1ere a um 1en)meno t>pico do p3s-modernismo. E. *onsiderando o te2to de leitura complementar, de [uHaFs\i, responda: a) *omo o autor distingue tecnologia e tecnocraciaR ") I Jue signi1ica a Kl3gica dos meiosKR c) Por Jue a 1iloso1ia 0 importante para se re1letir so"re a Kl3gica dos 1insKR LEITURA %OMPLEMENTAR MTecnologia e tecnocraciaL tecnologia, uma .ez constitu>da glo"almente, não se dei2a programar li.remente pelo homem7 ela 0 Jue o programa compulsi.amente, ameaçando estender o seu dom>nio ao pr3prio curso da hist3ria. tecnologia se trans1orma em tecnocracia, Jue não consiste no poder pessoal dos t0cnicos e sim no poder impessoal da t0cnica, amoldando totalmente o uni.erso em Jue .i.emos. disseminação da tecnologia nuclear, independente da .ontade das grandes potGncias, dos tratados de não-proli1eração at)mica, 0 "em um e2emplo do Juanto pode o impulso aut)nomo Jue dirige a e2pansão mundial da t0cnica. ntes Jue se a.alie se 0 "om ou mau, econ)mico ou antiecon)mico, moral ou imoral, oportuno ou inoportuno adJuirir o controle da tecnologia nuclear, eis Jue, um depois do outro, os pa>ses desen.ol.idos ou em desen.ol.imento conJuistam o dom>nio do ciclo de enriJuecimento do ur^nio, sem Jue nada possa ser 1eito concretamente para impedi-lo. (...) l3gica dos meios, alimentando-se endogenamente, sem consulta a JualJuer 1im e2terno, 0 l3gica per.ersa Jue aprisiona o homem num circuito sem sa>da, dentro do Jual ele 0 compelido a seguir, cegamente, a direção imposta por um sistema 1echado em si mesmo. l3gica tecnocr'tica dos meios contrapLe-se N l3gica da razão 0 simples. +esde o al.orecer da consciGncia at0 o dia E de agosto de :;D?, o homem precisou con.i.er com a perspecti.a de sua partir do dia em Jue a primeira "om"a at)mica so"repuHou o "rilho do %ol em 5iroshima, a humanidade, como um todo, de.e con.i.er com a perspecti.a de sua e2tinção como esp0cie.K

hist3ria e da li"erdade, Jue responde essencialmente aos 1ins 4ltimos do homem, N sua .ida, N sua morte, N sua m4ltipla .ocação criadora. %uprimir os 1ins do homem 0 o mesmo Jue ini"ir sua li"erdade e paralisar a hist3ria. l3gica dos meios decreta o 1im da hist3ria, imo"ilizada e aprisionada nos limites de um circuito insuscet>.el de reno.ação. [l/ ]%[-, $il"erto &. A crise do século SS. %ão Paulo, Wtica, :;CC. p. :DD.

Unidade II
O conhecimento

C=nca#o e con#e@o. de &aurits *ornel>s ,scher. +esenho ilusionista Jue "rinca com a perspecti.a, criando .'rias imagens poss>.eis e 1azendo-nos du.idar dos dados do conhecimento sens>.el.

/ que é o conheci%ento /nte% J noite( 2á e% %inha ca%a( de lu6 a&agada( sentindo aquele agradá#el rela@a%ento que antecede o sono( entregue a de#aneios( quase sonhos( fui #iolenta%ente tra6ida de #olta J realidade &or estranho ru*do. 1eria u%a &orta batendo7 Algué% teria entrado e% %inha casa7 Algo que ca*ra lá fora7 / salto de u% gato descuidado7 /u será que %inha i%aginação teria &regado u%a &eça e% %eus sentidos quase ador%ecidos7 / ru*do teria sido real ou i%aginado7 K*omo sa"erRK ou Kcomo conhecerRK 0 uma das perguntas 1undamentais Jue .Gm perseguindo o ser humano desde Jue o homem 0 homem. s respostas tGm sido as mais .ariadas, dependendo da cultura, do per>odo hist3rico, do pr3prio sa"er acumulado, do aparato tecnol3gico etc. 5oHe conhecemos o aspecto das crateras lunares porJue temos acesso a .'rias in1ormaçLes, inclusi.e Ns imagens transmitidas pelos sat0lites. Ma $r0cia antiga, algumas pessoas consulta.am o Ir'culo de +el1os

Juando tinham algum pro"lema gra.e. Is eg>pcios liam seu destino nas entranhas de p'ssaros e outros animais. Mo mundo contempor^neo, h' os Jue Hogam "4zios, recorrem Ns cartomantes ou ao 8ar). 5' os Jue lGem li.ros e 1azem pesJuisas. *omo sa"er Jual desses conhecimentos 0 .erdadeiroR %empre Jue nos indagamos a respeito do conhecimento estamos, automaticamente, tratando do pro"lema da .erdade. conhecimento 0 a pr3pria hist3ria da "usca da .erdade. / conheci%ento +'-se o nome de conheci%ento N relação Jue se esta"elece entre um suHeito cognoscente (ou uma consciGncia) e um o"Heto. ssim, todo conhecimento pressupLe dois elementos: o suHeito Jue Juer conhecer e o o"Heto a ser conhecido, Jue se apresentam 1rente a 1rente, dentro de uma relação. -sso eJui.ale a dizer Jue o conhecimento 0 o ato, o processo pelo Jual o suHeito se coloca no mundo e, com ele, esta"elece uma ligação. Por outro lado, o mundo 0 o Jue torna poss>.el o conhecimento ao se o1erecer a um suHeito apto a conhecG-lo. %3 h' sa"er para o suHeito cognoscente se hou.er um mundo a conhecer, mundo este do Jual ele 0 parte, uma .ez Jue o pr3prio suHeito pode ser o"Heto de conhecimento. Por e2tensão, d'-se tam"0m o nome de conhecimento ao sa"er acumulado pelo homem atra.0s das geraçLes. Messa acepção, estamos tratando o conhecimento como produto da relação suHeito-o"Heto, produto Jue pode ser empregado e transmitido. I conhecimento pode ser concreto( Juando o suHeito esta"elece uma relação com um o"Heto indi.idual. Por e2emplo, o conhecimento Jue temos de um amigo determinado, com todas as suas caracter>sticas indi.iduais. , pode ser abstrato( Juando esta"elece uma relação com um o"Heto geral, uni.ersal. Por e2emplo, o conhecimento Jue temos de homem, como gGnero. Mo processo de a"stração, o conceito torna-se mais e2tenso N medida Jue o conte4do intu>.el (imediato) se torna mais po"re. I conceito de homem, por e2emplo, 0 muito mais e2tenso Jue o conceito de amigo, porJue o primeiro reco"re todo o gGnero humano, incluindo homens e mulheres, Ho.ens e .elhos, amigos ou não. l0m disso, o conte4do pass>.el de ser apreendido pela intuição sens>.el (conhecimento direto pelos sentidos) es.azia-se, uma .ez Jue o conceito de homem Knão tem cara, nem se2o, nem idade, nem cor, nem caracter>sticas de personalidadeK de1inidas. ssim, se de um lado o conhecimento a"strato nos aHuda a organizar e compreender um n4mero imenso de acontecimentos, por outro ele nos a1asta da realidade concreta. I .erdadeiro conhecimento se d' dentro do processo dial0tico de ida e .inda do concreto para o a"strato, processo esse Jue Hamais tem 1im e Jue .ai re.elando o mundo humano na sua riJueza e di.ersidade. +e.emos, ainda, ressaltar Jue a relação de conhecimento implica uma transfor%ação tanto do suHeito Juanto do o"Heto. I suHeito se trans1orma mediante o no.o sa"er, e o o"Heto tam"0m se trans1orma, pois o conhecimento lhe d' sentido. )odos de conhecer o %undo 5' muitos modos de se conhecer o mundo, Jue dependem da postura do suHeito 1rente ao o"Heto de conhecimento: o mito, o senso comum, a ciGncia, a 1iloso1ia e a arte. hist3ria da "usca do

8odos eles são 1ormas de conhecimento, pois cada um, a seu modo, des.enda os segredos do mundo, atri"uindo-lhe um sentido. I mito proporciona um conhecimento Jue 0 m'gico porJue ainda .em permeado pelo deseHo de atrair o "em e a1astar o mal, dando segurança e con1orto ao homem. I senso comum ou conhecimento espont^neo 0 a primeira compreensão do mundo resultante da herança do grupo a Jue pertencemos e das e2periGncias atuais Jue continuam sendo e1etuadas. ciGncia, procurando desco"rir o 1uncionamento da natureza atra.0s, principalmente, das relaçLes de causa e e1eito, "usca o conhecimento o"Heti.o (isto 0, 1undado so"re as caracter>sticas do o"Heto, com inter1erGncia m>nima do suHeito), l3gico, atra.0s de m0todos desen.ol.idos para manter a coerGncia interna de suas a1irmaçLes. aplicação da ciGncia resulta no conhecimento tecnol3gico. 1iloso1ia, por sua .ez, propLe-se o1erecer um tipo de conhecimento Jue "usca, com todo o rigor, a origem dos pro"lemas, relacionando-os a outros aspectos da .ida humana, numa a"ordagem glo"alizante. /' o conhecimento proporcionado pela arte nos d' não o conhecimento de um o"Heto, mas de um mundo, interpretado pela sensi"ilidade do artista e traduzido numa o"ra indi.idual Jue, pelas suas Jualidades est0ticas, recupera o .i.ido e nos reapro2ima do concreto. ,stes modos de conhecimento serão tratados indi.idualmente nos cap>tulos Jue compLem esta Pnidade e na Pnidade V, ,st0tica. Conheci%ento( &ensa%ento e linguage% *omo essa relação entre suHeito e o"Heto, chamada conhecimento, se mani1estaR 8odo conhecimento mani1esta-se por meio do &ensa%ento. Pensar 0 articular signos, ou seHa, 0 ligar ou unir as representaçLes em cadeias. I pensamento 0 concreto Juando se utiliza de imagens .isuais, sonoras, ol1ati.as, t'teis, cinest0sicas ou de paladar. Suando escolhemos as imagens Jue 1arão parte de um 1ilme e as montamos numa determinada seJ_Gncia, Juando articulamos as cores so"re uma tela, ou, ainda, Juando cantarolamos, procurando os sons adeJuados para uma composição musical, certamente estamos pensando a partir de uma determinada linguagem e mostrando um conhecimento de mundo. ,ste tipo de pensamento, chamado não-.er"al, est' preso ao mundo sens>.el. Podemos, tam"0m, pensar de 1orma a"strata, atra.0s de id0ias e conceitos mais gerais. Meste caso, utilizamo-nos de linguagens como as da matem'tica, da Ju>mica, da linguagem .er"al, isto 0, da pr3pria pala.ra, Jue permitem um maior grau de a"stração. Por muito tempo, considerou-se Jue o pensamento s' poderia se efeti#ar atra.0s da linguagem .er"al. [ant, 1il3so1o alemão do s0culo eV---, na Cr*tica da ra6ão &ura( diz: KPensar 0 conhecer atra.0s de conceitosK. Mos Proleg=%enos a qualquer %etaf*sica futura que &ossa #ir a ser considerada co%o ci>ncia( ele .ai mais longe: KPensar 0 unir as representaçLes na consciGncia. m.--) o Hu>zo. Pensar, portanto, 0 HulgarK. o identi1icar &ensa%ento co% for%ação de conceitos e 2u*6os( [ant liga imediatamente pensamento e linguagem .er"al. VeHamos por JuG. união das representaçLes em uma consciGncia 0

linguagem .er"al 0 um sistema sim"3lico, isto 0, um sistema de signos ar"itr'rios com relação ao o"Heto Jue representam e, por isso mesmo, con.encionais e dependentes da aceitação social. 8omando como e2emplo a pala.ra Kli.roK, perce"emos Jue não h' nada no o"Heto entendido como li.ro Jue me le.e a pronunciar essa pala.ra. ssim, nosso ato de designar um determinado o"Heto por um nome (li.ro) 0 ar"itr'rio e, para sermos compreendidos, de.emos estar amparados por uma con.enção, aceita pela comunidade dos 1alantes de l>ngua portuguesa, Jue garanta a ligação entre o som Kli.roK (ou sua 1orma escrita) e o o"Heto representado. I nome, ou a pala.ra, 0 o s>m"olo dos o"Hetos Jue e2istem no mundo natural e das entidades a"stratas Jue s3 e2istem no nosso pensamento e imaginação. Fi2a na nossa mem3ria, enJuanto id0ia, aJuilo Jue H' não est' ao alcance dos nossos sentidos, criando um mundo est'.el de representaçLes Jue nos permitem 1alar do passado e 1azer proHetos para o 1uturo. pala.ra, portanto, transcende, .ai al0m da situação concreta, do .i.ido. com ela ela"oramos conceitos e emitimos Hulgamentos. a "om 1risar, no entanto, Jue as linguagens não-.er"ais tam"0m nos permitem pensar, pois são articul'.eis em signos. I tipo de pensamento, por0m, 0 di1erente, uma .ez Jue essas linguagens não operam por conceitos nem emitem Hu>zos. Conheci%ento( &ensa%ento e l'gica /' Jue o pensamento 0 a mani1estação do conhecimento, e Jue o conhecimento "usca a .erdade, 0 preciso esta"elecer algumas regras para Jue essa meta possa ser atingida. ssim, a l3gica 0 o ramo da 1iloso1ia Jue cuida das regras do "em pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instru%ento do &ensar. A aprendizagem da l3gica não constitui um 1im em si. ,la s3 tem sentido enJuanto meio de garantir Jue nosso pensamento proceda corretamente a 1im de chegar a conhecimentos .erdadeiros. Podemos, então, dizer Jue a l3gica trata dos argumentos, isto 0, das conclusLes a Jue chegamos atra.0s da apresentação de e.idGncias Jue a sustentam. I principal organizador da l3gica cl'ssica 1oi rist3teles, com sua o"ra chamada ;rganon. ,le di.ide a l3gica em: for%al e %aterial. ,2emplo: I co"re 0 condutor de eletricidade, e a prata, e o ouro, e o 1erro, e o zinco... Logo, todo metal 0 condutor de eletricidade. a importante Jue a enumeração de dados (Jue correspondem a tantas e2periGncias 1eitas) seHa su1iciente para permitir a passagem do particular para o geral. ,ntretanto, a indução sempre supLe a &robabilidade( isto é( H' Jue tantos se comportam de tal 1orma, 0 muito pro.'.el Jue todos se comportem assim. ,m 1unção desse KsaltoK, h' maior possi"ilidade de erro nos racioc>nios induti.os, uma .ez Jue "asta encontrarmos uma e@ceção para in.alidar a regra geral. Por outro lado, 0 esse mesmo KsaltoK em direção ao pro.'.el Jue torna poss>.el a desco"erta, a proposta de no.os modos de compreender o mundo. Por isso, a indução 0 o tipo de racioc>nio mais usado em ciGncias e2perimentais. pala.ra H' 0 uma a"stração e

Iutro tipo de racioc>nio induti.o "astante utilizado 0 aJuele Jue se desen.ol.e a partir do argumento de autoridade, uma .ez Jue utilizar o testemunho de uma pessoa, instituição ou o"ra para sustentar uma conclusão 0 um modo .'lido de apresentar e.idGncia. Messe caso, a indução 0 2ustificada da seguinte 1orma: esta pessoa H' emitiu .'rios Hu>zos .'lidos a respeito do assunto em pauta, e podemos concluir Jue todos os seus Hu>zos so"re o assunto são igualmente .'lidos. Suando usamos li.ros, autores, enciclop0dias ou especialistas para 1undamentar nosso racioc>nio, estamos in.ocando sua autoridade no assunto e, por isso, é muito importante citar nossas 1ontes, para Jue o leitor possa con1erir se a id0ia citada não 1oi deturpada. autoridade in.ocada precisa ser honesta, estar in1ormada so"re o assunto considerado, e seu pronunciamento de.e estar "aseado em e.idGncias o"Heti.as Jue possam ser compro.adas por outras pessoas competentes. Messe caso, a autoridade 0 digna de con1iança e seu testemunho 0 e.idGncia para a conclusão. I argumento ser' induti.amente correto. 5', entretanto, muitos empregos incorretos desse tipo de argumento, dando lugar a falácias l'gicas (contra a l3gica 1ormal) ou a falácias de falsa &re%issa (contra a l3gica material). h autoridade pode ser erroneamente citada ou interpretada. Por e2emplo, Juando a a1irmação 0 retirada de seu conte2to original e aplicada em outro. Iu Juando 0 1eita uma generalização inde.ida, isto é( algo Jue 0 correto para um grupo restrito de elementos 0 generalizado para toda a esp0cie. Meste caso, temos a falácia de falsa &re%issa. T A autoridade 0 popular mas não tem competGncia para opinar so"re o assunto. Meste caso, o apelo utilizado 0 meramente emocional, uma .ez Jue nenhuma e.idGncia l3gica 0 o1erecida. 8rans1ere-se o prest>gio da autoridade para a conclusão. a um tipo de argumento incorreto 1reJ_entemente usado em propaganda. h autoridade, reconhecida por sua contri"uição em um determinado campo, opina so"re assuntos Jue não estão dentro de sua 'rea de competGncia e, portanto, seu testemunho não 0 con1i'.el. 8anto o anterior Juanto este são e2emplos de falácia l'gica. ssim, 0 preciso Jue tomemos grande cuidado ao sustentar nossas conclusLes so"re o argumento de autoridade, pois a con1ia"ilidade de nossa indução depender', em grande parte, da con1ia"ilidade da autoridade utilizada. ,acioc*nio anal'gico analogia 0 o racioc>nio Jue se desen.ol.e a partir da semelhança entre casos particulares. tra.0s dele não se chega a uma conclusão geral, mas s3 a outra proposição particular. Ma nossa .ida pr'tica, agimos muitas .ezes por analogia: minissaia 1ica "em na eu2a, logo 1ica "em em mim7 tal rem0dio 1ez "em para meu amigo, portanto 1ar' "em para mim7 1ulana emagreceu com o regime da lua, logo eu tam"0m emagrecerei7 e assim por diante. Fazemos muitas coisas Jue os outros 1azem, com a esperança de o"ter os mesmos resultados. s analogias podem ser 1ortes ou 1racas, dependendo das semelhanças entre os dois tipos de o"Hetos comparados. Suando a semelhança entre os o"Hetos se mani1esta em 'reas rele.antes para o argumento, a analogia tem mais 1orça do Jue Juando os o"Hetos apresentam semelhanças não-rele.antes para a conclusão.

Por e2emplo, o 1ato de ter olhos azuis (semelhança com a eu2a) não Husti1ica Jue a minissaia 1iJue "em em algu0m Jue não tenha semelhança de idade ou de 1>sico. ssim, o racioc>nio anal3gico não o1erece certeza, mas, tão-somente, uma certa dose de pro"a"ilidade. Por outro lado, porJue e2ige um salto muito grande, 0 onde se a"re o espaço para a in.enção, tanto art>stica Juanto cient>1ica. $uten"erg in.enta a imprensa a partir da impressão de pegadas dei2adas no chão por p0s suHos de suco de u.a. Fleming in.enta a penicilina ao .er Jue "act0rias culti.adas em la"orat3rio morriam em contato com o "olor Jue se 1ormara por acaso. !aciocinando analogicamente, supLe Jue "act0rias Jue causa.am doenças ao corpo humano tam"0m pudessem ser destru>das por "olor. ssim, procurando sa"er como podemos conhecer e o Jue garante a .erdade do conhecimento, perce"emos Jue o homem constr3i o seu conhecimento de .'rios modos, Jue cada um depende de um tipo de racioc>nio di1erente e chega a um tipo espec>1ico de .erdade, ou seHa, a .erdade m>tica, cient>1ica, 1ilos31ica e art>stica são "astante di1erentes umas das outras. E)ER%*%IOS +. partir do Jue .ocG aca"ou de estudar, comente a 1rase: K$enuinamente, a"strair 0 captar o essencial e descurar o incidental, .er o Jue 0 signi1icati.o e p)r de lado o irrele.ante, reconhecer o importante como importante e o negligenci'.el como negligenci'.elK. (Lonergan.) <. partir do te2to de leitura complementar de %chlanger (te2to :), responda: a) I Jue 0 uma situação cogniti.aR ") Sue p3los e2istem em tal situaçãoR c) Por Jue a situação cogniti.a 0 especi1icamente humanaR @. Le.ante as id0ias principais do te2to de leitura complementar de Loc\e (te2to <). +epois, compare-as com o Jue 1oi e2plicado no item K*onhecimento, pensamento e l3gicaK. D. rme a argumentação, e2plicitando todas as premissas l3gicas, e identi1iJue o tipo de racioc>nio usado (dedução, indução, analogia): a) Pneu *inturato Pirelli. %eguro como a mão do papai. Pirelli 0 mais pneu. Pirelli 0 mais segurança. ") Pma .ez Jue todos os mem"ros do corpo de Hurados eram eleitores, /oão de.ia sG-lo tam"0m, H' Jue era um dos Hurados. c) +epois de misturar os grãos de ca10 dentro de um "arril, retira-se uma amostra 1ormada por grãos de di1erentes partes do .olume considerado. Pm e2ame da amostra atesta Jue todos os seus grãos são do tipo *onclui-se, então, Jue todos os grãos do "arril são do tipo . d) poiados na teoria da relati.idade de ,instein, podemos a1irmar Jue o "em e o mal não e2istem, a não ser Juando considerados no conte2to de uma cultura dada. e) +r. %mith, ap3s realizar e2perimentos com ratos, concluiu Jue a su"st^ncia @ não poder' ser empregada em seres humanos, pois acarretar' os mesmos e1eitos secund'rios indeseH'.eis Jue pro.ocou nos ratos. 1) /oão 0 comunista, pois 0 a 1a.or da dissolução da comissão de ati.idades antiamericanas. .

g) Pedro recusa-se a comprar um autom3.el marca Kcalham"eJueK, pois o Jue seu amigo comprou apresentou muitos de1eitos. h) %e +eus 0 per1eito, então ele e2iste. LEITURA %OMPLEMENTAR "#ituação cogniti$a% lgu0m sa"e alguma coisa: 0 so" esta 1orma condensada Jue se apresenta toda a situação cogniti.a. ntes de nos do"rarmos so"re as modalidades desta relação e so"re as suas di.ersas e2pressLes, .amos es1orçar-nos por e2plicitar o Jue se entende e su"entende por esta a1irmação. Para Jue haHa situação cogniti.a, 0 preciso Jue a relação seHa completa, isto 0, Jue haHa algu0m Jue sai"a alguma coisa. Por outras pala.ras, toda a situação cogniti.a implica a e2istGncia de um suHeito cognoscente e de um o"Heto conhecido, unidos por uma relação cogniti.a Jue se e2prime so" a 1orma de um sa"er. 8odo o sa"er implica a e2istGncia de um suHeito cognoscente e de um o"Heto conhecido em .irtude de Jue, para l' das pala.ras 9 ou outros elementos cogniti.os 9 Jue compLem esse sa"er, h' um suHeito Jue conhece, isto 0, Jue domina as pala.ras, e um o"Heto conhecido, a Jue as pala.ras se aplicam. %omos assim le.ados a a1irmar Jue não pode ha.er sa"er 1ora da situação cogniti.a, não pode ha.er sa"er em si. 1irmar Jue não h' sa"er sem suHeito cognoscente signi1ica Jue todo o sa"er 0 um ato, uma ati.idade, e não uma essGncia. I sa"er não su"siste a t>tulo de entidade independente, s3 por contaminação 0 Jue se 1ala do sa"er contido nos li.ros. ,ssencialmente, o sa"er 0 uma certa relação do homem ao seu mundo, uma certa aptidão e atitude do homem relati.amente ao Jue e2iste: do ponto de .ista do homem, suHeito cognoscente, o sa"er consiste essencialmente na ati.idade cogniti.a. a so"re o homem considerado como suHeito cognoscente Jue aJui se pLe toda a insistGncia, na medida em Jue se considera Jue a situação cogniti.a, com o Jue ela implica de .er"alidade, de possi"ilidade aut)noma de progresso, de espontaneidade, de troca, 0 uma situação especi1icamente humana, pelo menos no estado atual do sa"er. Iutras situaçLes, como o sa"er dos animais, ou o dos ordenadores, s3 se dizem cogniti.as por analogia. (...) %*5L &$,!, /acJues. in & +I, /oão, $ & , /oão e &I!VI, rtur. / &ra6er de &ensar. ::d ano de 1iloso1ia. Lis"oa, ,diçLes BA, :;C;. p. @D-@?. MArgu%entaçãoL ,. De(ende de (rovas. ,stas id0ias inter.enientes, Jue ser.em para mostrar o acordo de JuaisJuer outras duas, são denominadas pro.as7 e, onde o acordo ou desacordo 0 por este meio e.idente e claramente perce"ido, isto 0 denominado de%onstração( sendo %ostrado pelo entendimento (...) -. Mas n.o t.o /"il. ,ste conhecimento por pro.as inter.enientes, em"ora seHa certo, a e.idGncia disto não 0 totalmente tão clara e "rilhante, nem o assentimento tão pronto, como no conhecimento intuiti.o. ,m"ora na demonstração a mente 1inalmente perce"a o acordo ou desacordo das id0ias Jue ela considera, isto não 0 1eito sem es1orço e atenção, de.endo ha.er mais do Jue uma .isão transit3ria para desco"ri-lo.

0. Nem sem d1vida (re"edente. Iutra di1erença entre o conhecimento intuiti.o e demonstrati.o 0 Jue, em"ora no 4ltimo todas as d4.idas esteHam remo.idas, Juando, pela inter.enção das id0ias intermedi'rias, o acordo ou desacordo 0 perce"ido não o"stante, antes da demonstração ha.ia uma d4.ida, o Jue não pode suceder com o conhecimento intuiti.o Juando se trata da mente com sua 1aculdade de percepção em grau capaz de id0ias distintas, do mesmo modo Jue não se pode du.idar do olho (Jue pode .er distintamente "ranco e preto), seHa esta tinta e este papel, seHa tudo de uma cor. 2. Nem t.o "lara. *ertamente a percepção produzida pela demonstração 0 tam"0m muito clara7 não o"stante, 1reJ_entemente mostra-se com uma diminuição do "rilho e.idente e da segurança completa Jue sempre acompanha o Jue denomino intuiti.o. +o mesmo modo, uma 1ace re1letida mutuamente por .'rios espelhos ret0m a similitude e concord^ncia com o o"Heto. o mesmo tempo Jue produz um conhecimento Jue .ai sendo constantemente, em cada sucessi.a re1le2ão, diminu>do da per1eita clareza e distinção com Jue aparecia no princ>pio, chegando, 1inalmente, depois de muitos a1astamentos a mostrar-se mesclado pela o"scuridade, não sendo N primeira .ista reconhec>.el especialmente aos dotados de olhos 1racos. , o Jue ocorre com um conhecimento dependente de uma longa s0rie de pro.as. LI*[,, /ohn. 3nsaio acerca do entendi%ento hu%ano. *ol. Is pensadores. %ão Paulo, p. <B<. "ril *ultural, :;BC.

CAPÍTULO & / senso co%u%
Uoc>s 2á re&arara% que s' &er%anece%os tranqIilos quando habituados J rotina do 2á conhecido7 Por isso( é co% certa a&reensão que inicia%os u% trabalho e% outro local e co% &essoas diferentes ou quando entra%os &ela &ri%eira #e6 e% u% &a*s estrangeiro. Até %es%o a alegria da no#a a%i6ade ou do no#o a%or não esconde total%ente o desconforto das indagaç4es que nos assalta%. Pode%os ta%bé% i%aginar as dificuldades do adolescente cu2as refer>ncias infantis dei@a% de ser#ir &ara co%&reender a realidade a ser enfrentada da* e% diante. A hu%anidade &assa &or crises de conheci%ento de si &r'&ria toda #e6 e% que há alteração da i%age% feita do %undo. Ue2a-se o e@e%&lo do ,enasci%ento( quando os ho%ens busca% no#os #alores &ara contra&or J conce&ção %edie#al. *om e2emplos aparentemente tão disparatados, Jueremos dizer Jue a compreensão do mundo se 1az N medida Jue lhe damos sentido e agimos so"re ele. Precisamos de interpretaçLes, de teorias, por mais simples Jue seHam, a 1im de Korganizar o caosK. 8oda .ez Jue os KesJuemas de pensamentoK nos 1altam, sentimos Jue o chão nos 1oge dos p0s...

/ saber de todos n's

o considerar o conhecimento no sentido mais amplo poss>.el, perce"emos Jue ele se 1az no en1rentamento cont>nuo das di1iculdades Jue desa1iam o 5omem. ,, como tal, não 0 1ruto e2clusi.o da razão, mas tam"0m dos sentidos, da mem3ria, do h'"ito, da imaginação, das crenças e deseHos. *hamamos senso co%u% (ou conhecimento espont^neo, ou conhecimento .ulgar) a essa primeira compreensão do mundo resultante da herança 1ecunda de um grupo social e das e2periGncias atuais Jue continuam sendo e1etuadas. Pelo senso comum, 1azemos Hulgamentos, esta"elecemos proHetos de .ida, adJuirimos con.icçLes e con1iança para agir. I senso comum, sendo a interpretação do mundo em Jue .i.emos, d'-nos condiçLes de operar so"re ele, ao mesmo tempo Jue nos orienta na "usca do sentido da e2istGncia. Mo entanto, o senso comum não 0 re1letido7 impLe-se sem cr>ticas ao grupo social. Por ser um conHunto de concepçLes 1ragmentadas, muitas .ezes incoerentes, condiciona a aceitação mec^nica e passi.a de .alores não-Juestionados. *om 1reJ_Gncia se torna 1onte de preconceitos, Juando desconsidera opiniLes di.ergentes. Por isso 0 preciso encontrar 1ormas Jue possi"ilitem a passagem do senso co%u% para o bo% senso( este entendido como ela"oração coerente do sa"er e como e2plicitação das intençLes conscientes dos indi.>duos li.res. Messa perspecti.a, o homem de "om senso 0 ati.o, capaz de re1le2ão e dono de si mesmo. !ece"ida a herança cultural pelo senso comum, reela"ora sua concepção considerando a realidade concreta Jue precisa interpretar e trans1ormar. I "om senso tem sua especi1icidade e .ale enJuanto 1orma .igorosa de orientação .ital para todos os homens. Por isso não podemos consider'-lo um sa"er menor ou seJuer in1erior a 1ormas mais rigorosas ou e1icazes de conhecimento, como, por e2emplo, a ciGncia. &esmo o cientista recorrer' ao "om senso nos in4meros campos não-a"arcados pelo seu sa"er especializado. ,nJuanto o senso comum tende N rigidez, o "om senso 0 1le2>.el, din^mico, a"sor.endo com discernimento as in1luGncias mais di.ersas. Por e2emplo, Juando 1oi constatado pelos te3ricos do heliocentrismo Jue a 8erra não era o centro do uni.erso, cou"e ao "om senso repudiar as e.idGncias dos sentidos Jue indica.am Hustamente o contr'rio6 Por outro lado, o "om senso resiste sa"iamente N aceitação cega das determinaçLes alheias, ainda Jue .enham de especialistas de JualJuer natureza. Por e2emplo, mesmo Jue não entendamos de medicina, precisamos estar in1ormados a prop3sito do tratamento a ser aplicado, como tam"0m podemos discutir JuestLes re1erentes N 0tica m0dica. ,, ainda Jue não seHamos economistas, podemos Juestionar os e1eitos do plano econ)mico Jue .isa com"ater a in1lação mediante arrocho salarial. a necess'rio Jue desmisti1iJuemos a tendGncia a cultuar as pessoas KestudadasK em detrimento do homem Ksem-letrasK ou simplesmente não-especialista. SualJuer homem, se não 1oi 1erido em sua li"erdade e dignidade e te.e ocasião de desen.ol.er a ha"ilidade cr>tica, ser' capaz de autoconscientizar-se e de analisar adeJuadamente a situação em Jue .i.e. Mo entanto, a passagem do senso comum para o "om senso não se 1az espontaneamente, e podemos constatar Jue nem sempre ocorre de 1ato. Veremos por JuG.

A ideologia I conceito de ideologia tem in4meros signi1icados. Por isso 0 importante .eri1icar em Jue sentido 0 usado dentro de determinado conte2to. ideologia pode ser considerada o conHunto de id0ias, concepçLes ou opiniLes so"re algum ponto suHeito a discussão. Por e2emplo, a ideologia da raça pura, a ideologia da segurança nacional. Iu, ainda, ideologia signi1ica o conHunto de id0ias sistematizadas Jue Husti1icam determinada pr'tica. Por e2emplo, a ideologia de um partido pol>tico, a ideologia religiosa ou a ideologia de uma escola. I 1il3so1o italiano $ramsci dizia ser -mportante não considerar toda ideologia como sendo de antemão ar"itr'ria e, portanto, in4til para trans1ormar a realidade. Pois h' ideologias historicamente necess'rias Jue Korganizam as massas humanas, 1ormam o terreno so"re o Jual os homens se mo.imentam, adJuirem consciGncia de sua posição, lutam etc.K. Pode-se dar ao conceito de ideologia Ko signi1icado mais alto de uma concepção de mundo Jue se mani1esta implicitamente na arte, no direito, na ati.idade econ)mica, em todas as mani1estaçLes de .ida indi.iduais e coleti.asK e Jue tem por 1unção conser.ar a unidade ideol3gica de todo o "loco social. Jui, .amos pri.ilegiar a an'lise 1eita por &ar2, cuHa interpretação H' 1oi incorporada ao pensamento pol>tico e econ)mico at0 de te3ricos não-mar2istas, tal sua 1ecundidade e aplica"ilidade em di.ersos campos de re1le2ão. %egundo &ar2, todas as 1ormas de pensamento e de representação dependem das relaçLes de produção e de tra"alho: enJuanto muitos pensam Jue Kas id0ias mo.em o mundoK, &ar2 considera, ao contr'rio, Jue as id0ias são deri.adas das condiçLes materiais de produção da e2istGncia. (Ver *ap. :D, *oncepçLes de pol>tica.) Ira, onde e2iste sociedade di.idida em classes, h' e2ploração do tra"alho e separação entre tra"alho intelectual e tra"alho manual. 8al situação le.a N alienação, uma .ez Jue a grande maioria dos tra"alhadores perde a autonomia (como .imos no *ap. <, t0cnica). a Hustamente a ideologia Jue não permite a percepção da alienação e impede a re.olta contra a dominação. %em precisar recorrer N .iolGncia 1>sica, a ideologia mant0m o consenso e a coesão da sociedade, escondendo as distorçLes, mascarando as desigualdades sociais e ocultando a e2ploração. ideologia é o conHunto de representaçLes e id0ias, "em como de normas de conduta por meio das Juais o homem 0 le.ado a pensar, sentir e agir da maneira Jue con.0m N classe dominante. ,ssa consciGncia da realidade 0 uma 1alsa consciGncia, porJue camu1la a di.isão e2istente dentro da sociedade, apresentando-a como una e harm)nica, como se todos partilhassem dos mesmos o"Heti.os e ideais. !e.endo: a ideologia, no sentido &ositi#o( e2erce a 1unção de cimento do grupo social, tornando a sociedade de 1ato unida em tomo de crenças comuns Jue 1azem Hustamente a 1orça das tradiçLes. Mo sentido negati#o( a unidade 0 1alsa, pois esconde a di.isão inHusta da sociedade para manter a dominação. ,2aminemos alguns e2emplos. I tra"alhador "raçal geralmente 0 semi-anal1a"eto (não 1reJ_entou escola ou a"andonou os estudos muito cedo)7 ganha mal7 não tem casa pr3pria7 não melhora seu padrão de .ida7 os 1ilhos reproduzem seus passos.

Pma interpretação ideol3gica Husti1icaria a situação da seguinte maneira: ele 0 um tra"alhador "raçal porJue não tem competGncia para outro tipo de ser.iço7 não 1ez o de.ido es1orço para estudar (tal.ez por preguiça ou por de1iciGncia intelectual)7 se não tem "ens 0 porJue es"anHou o Jue ganha, não 1ez poupança7 se não melhora o padrão de .ida 0 porJue não cumpre as e2igGncias de um "om empregado, aplicado e perse.erante. ,m todo caso, con.0m não perder as esperanças, um dia a sorte poder' lhe sorrir. ,, Juem sa"e, com es1orço seu 1ilho possa at0 se 1ormar doutor6 s Husti1icati.as são todas de ordem indi.idual, como se cada homem 1osse o 4nico respons'.el pelo seu pr3prio destino. ,m"ora seHa .erdadeiro Jue as pessoas são sempre respons'.eis pelas suas escolhas, em sociedades de classes as oportunidades o1erecidas não são iguais, o Jue lança os despri.ilegiados em um KHogo de cartas marcadasK no Jual as chances de melhorar dependem menos deles e mais daJueles Jue detGm os meios de produção. -sso signi1ica Jue os "ens produzidos pela sociedade serão usu1ru>dos por uma minoria. e2clusão e e.asão escolar não ocorrem porJue as crianças po"res são pouco inteligentes ou preguiçosas, mas porJue esse "em 0 de 1ato negado a elas. I mesmo acontece com a melhor remuneração do tra"alho, o direito N produção e consumo da cultura, o acesso ao lazer etc. I discurso ideol3gico impede Jue o oprimido tenha uma .isão pr3pria do mundo porJue lhe impLe os .alores da classe dominante, tornados uni.ersais, l0m disso, KnaturalizaK as açLes humanas, e2plicando-as como decorrentes da Kordem natural das coisasK e não como o resultado da inHusta repartição dos "ens. -sso não signi1ica Jue alguns conheçam a realidade e a maior parte se encontre KenganadaK pela ideologia. ,sta permeia toda a sociedade, o Jue permite Jue a classe pri.ilegiada considere natural a sua dominação. ideologia 0 .eiculada das mais di.ersas maneiras: pela 1am>lia, escola, empresa, -greHa, Juartel, meios de comunicação de massa, en1im, pelos respons'.eis pela sua disseminação e reprodução. *omo superar a ação da ideologiaR A contra-ideolog*a !etomando nosso percurso: o senso comum, por ser ingGnuo e acr>tico, geralmente est' permeado pela ideologia. Para desco"rir o n4cleo sadio do senso comum, Jue 0 o "om senso, torna-se necess'rio multiplicar os espaços poss>.eis em Jue as contradiçLes sociais se-Ham mais "em compreendidas, o Jue pode ser 1eito nos mesmos locais onde a ideologia se dissemina, ou seHa, na 1am>lia, na escola, e assim por diante. -sso pode acontecer porJue nada atua mecanicamente so"re o homem de modo a impedir JualJuer reação (caso contr'rio, não se poderia 1alar em li"erdade humana6). %e a 1am>lia reproduz os .alores .igentes, pais conscientes podem aHudar seus 1ilhos a re.italizar certos .alores7 da mesma 1orma, algumas escolas se empenham em denunciar os con1litos em .ez de camu1l'-los7 ou certos segmentos da -greHa 1azem opção pelos po"res e não mais recomendam a paciGncia e resignação diante da e2ploração7 ou o tra"alhador dei2a de Juerer ser Koper'rio-padrãoK e se 1ilia ao sindicato, onde tem condiçLes de adJuirir sua consciGncia de classe.

-n4meros são os espaços poss>.eis para o e2erc>cio da contra-ideologia. I importante 0 Jue não seHa um es1orço solit'rio, mas Jue cada .ez mais se amplie como tare1a coleti.a.

,e,!*Q*-I% :. Faça o 1ichamento do cap>tulo e le.ante as d4.idas. <. +istinga os conceitos: senso comum, "om senso e sa"edoria. @. Psando o conceito positi.o de ideologia, e2pliJue o Jue o le.ou a escolher a escola Jue .ocG 1reJ_enta. D. Ma introdução ao cap>tulo, 1izemos re1erGncia Ns perple2idades do adolescente. nalisando a Juestão do sa"er in1antil e a necessidade de entrar no mundo adulto desconhecido, interprete este trecho da cr)nica KPara &aria da $raçaK, de Paulo &endes *ampos: KMão te espantes Juando o mundo amanhecer irreconhec>.el. Para melhor ou pior, isso acontece muitas .ezes por ano. nSuem sou eu no mundoRn ,ssa indaga ção perple2a 0 o lugar-comum de cada hist3ria de gente. Suantas .ezes mais deci1rares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais 1orte 1icar's. Mão importa Jual seHa a resposta7 o importante 0 dar ou in.entar uma respostaK. ?. (FPV,%8-:;;A) VocG tem opinião so"re as a1irmaçLes a"ai2oR %e tem, de1enda sua opinião. %e não, e2pliJue por JuG. h KMão 0 preciso zangar-se. 8odos n3s temos as nossas opiniLes.K h K%em d4.ida. &as 0 tolice Juerer uma pessoa ter opinião so"re assunto Jue desconhece. (...) Sue dia"o6 ,u nunca andei discutindo gram'tica. &as as coisas da minha 1azenda Hulgo Jue de.o sa"er. , era "om Jue não me .iessem dar liçLes. VocGs me 1azem perder a paciGncia.K E. (F.,.%. P %%I%-&$) Faça a leitura atenta do te2to a"ai2o e desen.ol.a o tema: H/ mundo ideal ter' poucos humoristasK. KI humor, numa concepção mais e2igente, não 0 apenas a arte de 1azer rir. -sso 0 comicidade, ou JualJuer outro nome Jue se escolha. Ma .erdade, humor 0 uma an'lise cr>tica do homem e da .ida. Pma an'lise não o"rigatoriamente comprometida com o riso, uma an'lise desmisti1icadora, re.eladora, c'ustica. 5umor 0 uma 1orma de tirar a roupa da mentira, e o seu G2ito est' na alegria Jue ele promo.e pela desco"erta inesperada da .erdade.K (iiraldo, em entre.ista pu"licada na re.ista Ue2a( @:/:</E;.) B. Ma citação do cartunista iiraldo, o humor 0 analisado como 1orma de conhecimento. &as não h' d4.ida de Jue e2istem programas humor>sticos de natureza ideol3gica Jue, em .ez de Kdesocultarem a .erdadeK, de 1ato a camu1lam. Por e2emplo, Juando re1orçam os preconceitos so"re a mulher, o negro, o homosse2ual etc. /usti1iJue. C. partir do te2to de leitura complementar de $ramsci (te2to :), responda: a) %egundo o autor, Jual 0 o ponto comum entre 1iloso1ia e "om sensoR ") Sual 0 a di1erença entre esses dois tipos de conhecimentoR

;. Leia o poema KPro.0r"io re.istoK, de MeFton de Lucca (te2to < da leitura complementar), e responda: a) Sual 0 a am"ig_idade do conceito &o#o Jue o autor insinuaR (!esponda mostrando a di1erença entre senso comum e "om senso.) ") ,m Jue sentido o pro.0r"io K.oz do po.o, .oz de +eusK pode ser considerado Ko1ensi.oK a +eusR c) *onsiderando o pro"lema en1ocado pelo poema, como poder>amos criticar as reaçLes populares Juando, ao se deseHar K1azer Hustiça com as pr3prias mãosK, ocorrem linchamentosR P,%SP-% :. Faça um le.antamento das propagandas (outdoors( re.istas, 8V) Jue apresentem caracter>sticas ideol3gicas. /usti1iJue. <. ,scolha um partido pol>tico atuante e procure descre.er sua ideologia. (a preciso consultar os estatutos do partido.) L,-8P! *I&PL,&,M8 ! M!ilosofia e bo% sensoL Sual 0 a id0ia Jue o po.o 1az da 1iloso1iaR Pode-se reconstru>-la atra.0s das e2pressLes da linguagem comum. Pma das mais di1undidas 0 a de Ktomar as coisas com 1iloso1iaK, a Jual, analisada, não tem por Jue ser inteiramente a1astada. a .erdade Jue nela se cont0m um con.ite impl>cito N resignação e N paciGncia, mas parece-me Jue o ponto mais importante seHa, ao contr'rio, o con.ite N re1le2ão, N tomada de consciGncia de Jue aJuilo Jue acontece 0, no 1undo, racional e Jue assim de.e ser en1rentado, concentrando as pr3prias 1orças e não se dei2ando le.ar pelos impulsos instinti.os e .iolentos. Poder-se-ia reagrupar essas e2pressLes populares Huntamente com as e2pressLes similares dos escritores de car'ter popular, tomando-as dos grandes dicion'rios, nos Juais entram os termos K1iloso1iaK e K1iloso1icamenteK, e se poder' perce"er Jue estes tGm um signi1icado muito preciso, a sa"er, o de superação das pai2Les "estiais e elementares por uma concepção da necessidade Jue 1ornece N pr3pria ação uma direção consciente. ,ste 0 o n4cleo sadio do senso comum, o Jue poderia ser chamado de "om senso, merecendo ser desen.ol.ido e trans1ormado em algo unit'rio e coerente. 8ornam-se e.identes, assim, as razLes Jue 1azem imposs>.el a separação entre a chamada 1iloso1ia Kcient>1icaK e a 1iloso1ia K.ulgarK e popular, Jue 0 apenas um conHunto desagregado de id0ias e de opiniLes. $! &%*-, nt)nio, Conce&ção dialética da hist'ria. !io de /aneiro, *i.ilização #rasileira, :;CE. p. :?-:E. Pro#érbio re#isto a .oz do po.o 0 a .oz de +eus... Jue po.oR Jue +eusR o Jue "eiHou %t'linR o Jue delirou com 5itlerR ou o Jue soltou #arra"'sR

(ser' Jue +eus H' não teria se en1orcado em suas pr3prias cordas .ocaisR) MeFton de Lucca

CAPÍTULO ' / &ensa%ento %*tico
9uando &ensa%os e% %itos( ho2e( i%ediata%ente le%bra%os de alguns %itos gregos( co%o o de Pandora( que abriu a cai@a &roibida soltando todos os %ales( restando so%ente a es&erança( ou ainda do saci&erer>( de Tu&ã e outras lendas que &o#oara% a nossa inf5ncia e que t>% orige% nas culturas ind*gena ou africana. Para n's( &ortanto( os %itos &ri%iti#os não &assa% de hist'rias fantasiosas que são contadas ao lado das hist'rias da "ranca de +e#e ou da "ela Ador%ecida. / %ito( &oré%( não é isso. 9uando #ira u%a hist'ria( u%a lenda( ele &erde a sua força de %ito. / que é o %ito I mito, entre os po.os primiti.os, 0 uma 1orma de se situar no mundo, isto 0, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. , um modo ingGnuo, 1antasioso, anterior a toda re1le2ão e não-cr>tico de esta"elecer algumas .erdades Jue não s3 e2plicam parte dos 1en)menos naturais ou mesmo a construção cultural, mas Jue dão, tam"0m, as 1ormas da ação humana. +e.emos salientar, entretanto, Jue, não sendo te3rica, a .erdade do mito não o"edece a l3gica nem da .erdade emp>rica, nem da .erdade cient>1ica. a .erdade intu>da, Jue não necessita de pro.as para ser aceita. I mito nasce do deseHo de dominação do mundo, para a1ugentar o medo e a insegurança. I homem, N mercG das 1orças naturais, Jue são assustadoras, passa a emprestar-lhes Jualidades emocionais. são mais mat0ria morta, nem são independentes do suHeito Jue as perce"e. atraentes ou ameaçadoras e repelentes. s coisas não o contr'rio, estão sempre

impregnadas de Jualidades e são "oas ou m's, amigas ou inimigas, 1amiliares ou so"renaturais, 1ascinantes e ssim, o homem se mo.e dentro de um mundo animado por 1orças Jue ele precisa agradar para Jue haHa caça a"undante, para Jue a terra seHa 10rtil, para Jue a tri"o ou grupo seHa protegido, para Jue as crianças nasçam e os mortos possam ir em paz. I pensamento m>tico est', então, muito ligado N magia, ao deseHo, ao Juerer Jue as coisas aconteçam de um determinado modo. a a partir disso Jue se desen.ol.em os rituais como meios de propiciar os acontecimentos deseHados. I ritual é o %ito to%ado ação.

Is e2emplos são in4meros: H' nas ca.ernas de Lascau2 e

ltamira, o homem do Paleol>tico (:AAAA a

?AAA a.*.) desenha.a os animais, dentro de um estilo muito realista, e depois Kataca.a-osK com 1lechas, para garantir o G2ito da caçada. Is ritos de nascimento e de morte 0 Jue .ão dar ao rec0m-nascido um reconhecimento como ser .i.o, pertencente a uma determinada sociedade7 ou, ao de1unto, a mudança de seu estatuto ontol3gico (de ser .i.o a ser morto) e a aceitação pela comunidade dos mortos. Iutro e2emplo 0 o da e2pulsão de uma comunidade: uma .ez realizados os ritos, a pessoa e2pulsa não precisa sair da comunidade, pois todos os outros integrantes passarão a não .G-la, não ou.i-la, en1im, a agir como se não e2istisse ou não esti.esse presente. Para a comunidade, terminado o ritual, a pessoa e2pulsa desapareceu sim"olicamente, mesmo Jue continue de corpo presente. , essa e2clusão social aca"a, em geral, le.ando N morte.

!unç4es do %ito l0m de acomodar e tranJ_ilizar o homem em 1ace de um mundo assustador, dando-lhe a con1iança de Jue, atra.0s de suas açLes m'gicas, o Jue acontece no mundo natural depende, em parte, dos atos humanos, o mito tam"0m 1i2a modelos e2emplares de todas as 1unçLes e ati.idades humanas. I ritual 0 a repetição dos atos dos deuses Jue 1oram e2ecutados no in>cio dos tempos e Jue de.em ser imitados e repetidos para Jue as 1orças do "em e do mal se mantenham so" controle. +esse modo, o ritual KatualizaK, isto 0, toma atual o aconteci%ento sagrado que te#e lugar no &assado %*tico. I mito, portanto, 0 u%a &ri%eira fala sobre o %undo( uma primeira atri"uição de sentido ao mundo, so"re a Jual a a1eti.idade e a imaginação e2ercem grande papel, e cuHa 1unção principal não 0 e2plicar a realidade, mas acomodar o homem ao mundo. Caracter*sticas do %ito I mito primiti.o 0 sempre um mito coleti.o. I grupo, cuHa so"re.i.Gncia de.e ser assegurada, e2iste antes do indi.>duo e 0 s3 atra.0s dele Jue os suHeitos indi.iduais se reconhecem enJuanto tal. ,2plicando melhor, o suHeito ?O tem consciGncia, s3 se conhece como parte do grupo. < atra#és da e@ist>ncia dos outros e do reconheci%ento dos outros que ele se afir%a. Por isso, pode ser e@&ulso si%bolica%ente: no momento em Jue 1alta o reconhecimento dos outros integrantes do grupo, ele não se reconhece, não se encontra mais. Iutra caracter>stica do mito 0 o 1ato de ser sempre dogm'tico, isto 0, de apresentar-se como .erdade Jue não precisa ser pro.ada e Jue não admite contestação. sua aceitação, então, tem de ser atra.0s da 10 e da crença. Mão 0 uma aceitação racional, e não pode ser nem pro.ado nem Juestionado. +entro dessa perspecti.a de coleti.ismo, a transgressão da norma, a não-o"ediGncia da regra a1eta o transgressor e toda sua 1am>lia ou comunidade. ssim 0 criado o tabu 0 a proi"ição 9, en.olto em clima de temor e so"renaturalidade, cuHa deso"ediGncia 0 e2tremamente gra.e. %3 os ritos de puri1icação ou de K"ode e2piat3rioK, nos Juais o pecado 0 trans1erido para um animal, podem restaurar o eJuil>"rio da comunidade e e.itar Jue o castigo dos deuses recaia so"re todos. / %ito ho2e

&as, e Juanto aos nossos dias, os mitos são di1erentesR I pensamento cr>tico e re1le2i.o, Jue te.e in>cio com os primeiros 1il3so1os, na $r0cia do s0culo V- a. *, e o desen.ol.imento do pensamento cient>1ico a partir do s0culo e-V, com o !enascimento, ocuparam todo o lugar do conhecimento e condenaram N morte o modo m>tico de nos situarmos no mundo humanoR ,ssa 0 a posição de1endida por positi.ismo. ,ssa corrente 1ilos31ica e2plica a e.olução da esp0cie humana em trGs est'dios: o m>tico (teol3gico), o 1ilos31ico (meta1>sico) e o cient>1ico. ,ste 4ltimo apresenta-se como o coroamento do desen.ol.imento humano, Jue não s3 0 superior aos outros, como 0 o 4nico considerado .'lido para se chegar N .erdade. ssim, ao opor o poder da razão N .isão ingGnua o1erecida pelo mito, o positi.ismo, de um lado, empo"rece a realidade humana. I homem moderno, tanto Juanto o antigo, não 0 s3 razão, mas tam"0m a1eti.idade e emoção. %e a ciGncia 0 importante e necess'ria N nossa construção de mundo, não o1erece a 4nica interpretação .'lida do real. o contr'rio, a pr3pria ciGncia pode .irar um mito, Juando somos le.ados a ciGncia.) acreditar Jue ela 0 1eita N margem da sociedade e de seus interesses, Jue mant0m total o"Heti.idade e Jue 0 neutra. (Para uma discussão mais apro1undada, .er *ap. B, Megar o mito 0 negar uma das 1ormas 1undamentais da e2istGncia humana. I mito é a primeira 1orma de dar signi1icado ao mundo: 1undada no deseHo de segurança, a imaginação cria hist3rias Jue nos tranJ_ilizam, Jue são e2emplares e nos guiam no dia a-dia. ugusto *omte, 1il3so1o 1rancGs do s0culo e-e, 1undador do

*ontinuamos a 1azer isso pela .ida a1ora, independente de nosso desen.ol.imento intelectual. ,ssa 1unção de criar 1'"ulas su"siste na arte popular (.er *ap. :;) e permeia a nossa .ida di'ria. 5oHe em dia, os meios de comunicação de massa tra"alham em cima dos deseHos e anseios Jue e2istem na nossa natureza inconsciente e primiti.a. Is super-her3is dos desenhos animados e dos Juadrinhos, "em como os personagens de 1ilmes como ,a%bo( /s 2usticeiros e outros, passam a encarnar o #em e a /ustiça e assumem a nossa proteção imagin'ria, e2atamente porJue o mundo moderno, com in1lação, seJ_estros, .iolGncia e insta"ilidade no emprego, especialmente nos grandes centros ur"anos, re.ela-se cada .ez mais um lugar e2tremamente inseguro. Mo campo pol>tico, certas 1iguras são trans1ormadas em her3is, pregando um modelo de comportamento Jue promete com"ater, al0m da in1lação, a corrupção, os pri.il0gios e demais mordomias. Prometem, ainda, le.ar o pa>s ao desen.ol.imento, colocando-o no Primeiro &undo. Prometem riJueza para todos. 8Gm de ganhar a eleição, não 0R 8am"0m artistas e esportistas podem ser trans1ormados em modelos e2emplares: são 1ortes, saud'.eis, "em-alimentados, tGm sucesso na pro1issão 9 sucesso Jue 0 traduzido em reconhecimento social e poder econ)mico 9, são e2celentes pais, 1ilhos e maridos, .i.em cercados de pessoas "onitas, interessantes e ricas. *omo não miti1ic'-losR t0 a no.ela, ao tra"alhar a luta entre o #em e o &al, est' lidando com .alores m>ticos, pr0-re1le2i.os, Jue se encontram dentro de todos n3s. li's, nas no.elas, o casamento tam"0m 0 trans1ormado em mito: 0 o grande anseio dos Ho.ens enamorados, 0 a solução de todos os pro"lemas, o apaziguamento de todas as pai2Les e con1litos. Por isso Juase todas terminam com um .erdadeiro 1esti.al de casamentos. %3 Jue os astros trans1ormados em mito são her3is sem poder real: tGm somente poder sim"3lico no imagin'rio da população. , as 1estas de 1ormatura, de no Mo.o, os trotes dos calouros, o "aile de Juinze anos, não são em tudo semelhantes aos rituais de passagemR +a morte de um estado e passagem para outroR ssim, .emos Jue mito e razão se complementam nas nossas .idas. %3 Jue o mito de hoHe, se ainda tem 1orça para in1lamar pai2Les, como no caso dos astros, dos pol>ticos ou mesmo de causas pol>ticas ou religiosas, não se apresenta mais com o car'ter e2istencial Jue tinha o mito primiti.o. Iu seHa, os mitos modernos não a"rangem mais a totalidade do real. Podemos escolher um mito da se2ualidade (&adonna, tal.ezR), outro da maternidade, outro do pro1issionalismo, sem Jue tenham de ser coerentes entre si. %em Jue causem uma re.olução em toda nossa .ida. ssim como hou.e uma especialização do tra"alho, parece Jue hou.e uma especialização dos mitos. +e JualJuer 1orma, como mito e razão ha"itam o mesmo mundo, o pensamento re1le2i.o pode reHeitar alguns mitos, principalmente os Jue .eiculam .alores destruti.os ou Jue le.am N desumanização da sociedade. *a"e a cada um de n3s escolher Juais serão nossos modelos de .ida. E)ER%*%IOS +. Le.ante, a partir do te2to, as caracter>sticas do mito primiti.o e do mito moderno. <. Is de1ensores da pena de morte trans1ormam-na em mitoR ,2pliJue. @. *ite uma 1igura m>tica para o seu grupo e e2pliJue como ela se trans1ormou em 1igura e2emplar.

D. ,2pliJue o te2to seguinte, a partir do conceito de mito: KMão h' homem do campo Jue não conheça para seu uso pr3prio in1usLes de ra>zes e 1olhas para males de di1erentes 3rgãos, "anhos de .'rias er.as para machucados e in1lamaçLes, rezas e simpatias para chamar a chu.a ou a1astar a peste de seu Juintal, para li.rar-se de um achaJue, para atrair dinheiro etc. &esmo na cidade, cresce o contingente dos Jue, de uma 1orma ou de outra, se ligam Ns "enzeduras, aos ntra"alhosn nos terreiros, dos Jue guardam seus amuletos e medalhas, dos Jue dei2am os seus e2-.otos Hunto aos santos, dos Jue con1essam uma crença no poder paranormal de operar Jue tGm certos m0diuns ou ndoutoresn, ou na e1iciGncia de uma simpatia 1eita com 10 e respeito.K (!e.ista )ito e %agia( nR :, ,ditora 8rGs.) ?. Leia a terceira parte do *ap>tulo ::, Jue 1ala so"re o amor e a pai2ão, e e2pliJue por Jue a pai2ão esta"elece um tempo e um espaço m>ticos. E. ,scolha um ritual moderno e e2pliJue sua 1unção m>tica. B. Leia na segunda parte do *ap>tulo :? os te2tos so"re preconceito, discriminação e racismo, e discuta o mito da Kdemocracia racial no #rasilK. LEITURA %OMPLEMENTAR "(ito e re)igião% -...? I .erdadeiro su"strato do mito não 0 de pensamento, mas de sentimento. I mito e a religião primiti.a não são, de maneira alguma, totalmente incoerentes, nem destitu>dos de senso ou de razão7 mas sua coerGncia depende muito mais da unidade de sentimento Jue de regras l3gicas. ,sta unidade 0 um dos impulsos mais .igorosos e pro1undos do pensamento primiti.o. %e o pensamento cient>1ico deseHar descre.er e e2plicar a realidade ser' o"rigado a empregar seu m0todo geral, Jue 0 o de classi1icação e sistematização. .ida 0 di.idida em pro.>ncias separadas, Jue se distinguem nitidamente uma da outra. s 1ronteiras entre os reinos das plantas, dos animais, do homem 9 as di1erenças entre as esp0cies, 1am>lias e gGneros 9 são 1undamentais e indel0.eis. &as a mente primiti.a ignora e reHeita todas elas. %ua .isão da .ida 0 sint0tica e não anal>tica7 não se acha di.idida em classes e su"classes, a perce"ida como um todo ininterrupto e cont>nuo, Jue não admite distinçLes "em de1inidas e incisi.as. Is limites entre as di1erentes es1eras não são "arreiras intranspon>.eis, mas 1luentes e 1lutuantes. Mão e2iste di1erença espec>1ica entre os .'rios reinos da .ida. Mada possui 1orma de1inida, in.ari'.el, est'tica: por s4"ita metamor1ose JualJuer coisa pode trans1ormar-se em JualJuer coisa. %e e2iste algum traço caracter>stico e not'.el do mundo m>tico, alguma lei Jue o go.erne 9 0 a da metamor1ose. &esmo assim, di1icilmente poderemos e2plicar a insta"ilidade do mundo m>tico pela incapacidade do homem primiti.o de apreender as di1erenças emp>ricas das coisas. Meste sentido, o sel.agem, muito 1reJ_entemente, demonstra sua superioridade em relação ao homem ci.ilizado, por ser suscet>.el a in4meros traços distinti.os, Jue escapam N nossa atenção. Is desenhos e pinturas de animais, Jue encontramos nos est'dios mais "ai2os da cultura humana, na arte paleol>tica, 1oram ami4de admirados pelo seu car'ter naturalista. !e.elam assom"roso conhecimento de toda sorte de 1ormas animais. e2istGncia inteira do homem primiti.o depende, em grande parte, de seus dotes de o"ser.ação e discriminação7 se 1or caçador, de#erá estar 1amiliarizado co% os menores detalhes da .ida animal e ser capaz de distinguir os rastros de .'rios animais. 8udo isto est' pouco de acordo

com a presunção de Jue a mente primiti.a, por sua pr3pria natureza e essGncia, 0 indi1erenciada ou con1usa, pr0-l3gica ou m>stica. I Jue caracteriza a mentalidade primiti.a não 0 sua l3gica, mas seu sentimento geral da .ida. I homem primiti.o não .G a natureza com os olhos do naturalista Jue deseHa classi1icar coisas com a 1inalidade de satis1azer uma curiosidade intelectual, nem dela se acerca com um interesse puramente pragm'tico ou t0cnico. Mão a considera mero o"Heto de conhecimento ne% o campo de suas necessidades pr'ticas imediatas. 8emos o h'"ito de di.idir nossa .ida nas duas es1eras da ati.idade pr'tica e da te3rica. Mesta di.isão, somos propensos a esJuecer Jue e2iste um estrato in1erior de"ai2o de am"as. I homem primiti.o não 0 .>tima deste tipo de esJuecimento7 seus pensamentos e sentimentos estão ainda encerrados nesse estrato original in1erior. %ua .isão da natureza não 0 meramente te3rica nem meramente pr'tica7 0 si%&ática. %e dei2armos escapar este ponto não poderemos a"ordar o mundo m>tico. I traço mais 1undamental do mito não 0 uma direção especial de pensamento nem uma direção especial da imaginação humana7 0 1ruto da emoção e seu cen'rio emocional imprime, em todas as suas produçLes, sua pr3pria cor espec>1ica. I homem primiti.o não carece, de maneira nenhuma, da capacidade de apreender as di1erenças emp>ricas das coisas. &as, em sua concepção da natureza e da .ida, todas as di1erenças são apagadas por um sentimento mais 1orte: a pro1unda con.icção de uma 1undamental e indel0.el solidariedade da #ida( Jue transpLe a multiplicidade e a .ariedade de suas 1ormas isoladas. Mão atri"ui a si mesmo um lugar 4nico e pri.ilegiado na escala da natureza. (...) * %%-!,!, ,rnst, Antro&ologia filos'fica. %ão Paulo3 &estre /ou, s.d. p. :@D-:@E. / %ito do 1u&er%an Pma imagem sim"3lica de particular interesse 0 a do %uperman. I her3i pro.ido de poderes superiores aos do homem comum 0 uma constante da imaginação popular, de 50rcules a %ig1rid, de !oldão a Pantagruel e at0 a Peter Pan. FreJ_entemente, a .irtude do her3i se humaniza, e os seus poderes, mais Jue so"renaturais, são a alta realização de um poder natural, a ast4cia, a .elocidade, a ha"ilidade "0lica, e mesmo a inteligGncia silogizante e o puro esp>rito de o"ser.ação, como acontece em %herloc\ 5olmes. &as numa sociedade particularmente ni.elada, em Jue as pertur"açLes psicol3gicas, as 1rustraçLes, os comple2os de in1erioridade estão na ordem do dia7 numa sociedade industrial, onde o homem se torna n4mero no ^m"ito de uma organização Jue decide por ele, onde a 1orça indi.idual, se não e2ercitada na ati.idade esporti.a, permanece humilhada diante da 1orça da m'Juina Jue age pelo homem e determina os mo.imentos mesmos do homem 9 numa sociedade de tal tipo, o her3i positi.o de.e encarnar, al0m de todo limite pens'.el, as e2igGncias de poder Jue o cidadão comum nutre e não pode satis1azer. I %uperman 0 o mito t>pico de tal gGnero de leitores: o %uperman não 0 um terr'Jueo, mas chegou N 8erra, ainda menino, .indo do planeta *r>pton. *r>pton esta.a para ser destru>do por uma cat'stro1e c3smica e o pai do %uperman, h'"il cientista, conseguira p)r o 1ilho a sal.o, con1iando-o a um .e>culo espacial. *rescido na 8erra, o %uperman .G-se dotado de poderes so"re-humanos. %ua 1orça 0 praticamente ilimitada, ele pode .oar no espaço a uma .elocidade igual N da luz, e Juando ultrapassa essa .elocidade atra.essa a "arreira do tempo, e pode trans1erir-se para outras 0pocas. *om a simples pressão das mãos, pode su"meter o car"ono a uma tal

temperatura Jue o trans1orma em diamante7 em poucos segundos, a uma .elocidade supers)nica, pode derru"ar uma 1loresta inteira, trans1ormar 'r.ores em toros e construir com eles uma aldeia ou um na.io7 pode per1urar montanhas, le.antar transatl^nticos, a"ater ou edi1icar diJues7 seus olhos de raios e permitem-lhe .er atra.0s de JualJuer corpo, a dist^ncias praticamente ilimitadas, 1undir com o olhar o"Hetos de metal7 seu superou.ido coloca-o em condiçLes .antaHos>ssimas, permitindo-lhe escutar discursos de JualJuer ponto Jue pro.enham. a "elo, humilde, "om e ser.içal: sua .ida 0 dedicada N luta contra as 1orças do mal e a pol>cia tem nele um cola"orador incans'.el. 8oda.ia, a imagem do %uperman não escapa totalmente Ns possi"ilidades de identi1icação por parte do leitor. +e 1ato, o %uperman .i.e entre os homens so" as 1alsas .estes do Hornalista *lar\ [ent7 e, como tal, 0 um tipo aparentemente medroso, t>mido, de med>ocre inteligGncia, um pouco em"araçado, m>ope, s4cu"o da matriarcal e mui sol>cita colega &iriam Lane, Jue, no entanto, o despreza, estando loucamente enamorada do %uperman. Marrati.a mente, a dupla identidade do %uperman tem uma razão de ser, porJue permite articular de modo "astante .ariado a narração das a.enturas do nosso her3i, os eJu>.ocos, os lances teatrais, um certo sus&ense pr3prio de romance policial. &as, do ponto de .ista mito po0tico, o achado chega mesmo a ser sapiente: de 1ato, *lar\ [ent personaliza, de modo "astante t>pico, o leitor m0dio torturado &or comple2os e desprezado pelos seus semelhantes7 atra.0s de um 3".io processo de identi1icação, um accountant JualJuer, de uma cidade norte-americana JualJuer, nutre secretamente a esperança de Jue um dia, das .estes da sua atual personalidade, possa 1lorir um super-homem capaz de resgatar anos de mediocridade. ,*I, V%berto. A&ocal*&ticos e integrados. %ão PAV:/( Perspecti.a. :;BA. p. <DE-<DC.

CAPÍTULO * / conheci%ento filos'fico
Conta a tradição que $i'genes( fil'sofo grego da escola c*nica( século .U a.C.( disc*&ulo de Ant*stenes( aceitando o &rinc*&io de que &ara atingir a #erdadeira felicidade é necessário H#i#er co%o u% cachorroH( abandona sua casa e &assa a #i#er e% u% barril. Já 3uclides( da escola &itag'rica( ta%bé% do século .U a.C( ou#iu esta &ergunta de u% disc*&ulo: 0 )estre( o que ganharei a&rendendo geo%etria7 Co%o res&osta( o fa%oso ge=%etra e fil'sofo ordenou a u% escra#o: 0$>-lhe u%a %oeda( u%a #e6 que &recisa ganhar algo( alé% do que a&rende. ,ssas hist3rias e muitas outras, Jue relatam a e2centricidade de 1il3so1os antigos e modernos, re.elam a imagem mais comum Jue temos dessas pessoas: são indi.>duos com Ha ca"eça na luaK, preocupados com pro"lemas Jue nada tGm a .er com o cotidiano ou com a .ida pr'tica.

&as se o 1il3so1o 1osse assim, por Jue, então, condenar %3crates, na $r0cia antiga, a morrer "e"endo cicutaR Por Jue proi"ir a leitura dos li.ros de [arl &ar2R 8al.ez a di.ulgação da imagem do 1il3so1o como sendo uma pessoa KdesligadaK do mundo seHa e2atamente a de1esa da sociedade contra o KperigoK Jue ele representa. PerigoR Sue perigo pode representar um homem Jue s3 1az discursosR Sue s3 lida com a pala.raR

P!-&,-! P !8, 9 I Jue 0 1iloso1ia tare1a da 1iloso1ia
A 1iloso1ia 0 um modo de pensar, 0 uma postura diante do mundo. 1iloso1ia não 0 um conHunto de

conhecimentos prontos, um sistema aca"ado, 1echado em si mesmo. ,la 0, antes de mais nada, uma pr'tica de .ida Jue procura pensar os acontecimentos al0m da sua pura aparGncia. ssim, ela pode se .oltar para JualJuer o"Heto. Pode pensar a ciGncia, seus .alores, seus m0todos, seus mitos7 pode pensar a religião7 pode pensar a arte7 pode pensar o pr3prio homem em sua .ida cotidiana. Pma hist3ria em Juadrinhos ou uma canção popular podem ser o"Heto da re1le2ão 1ilos31ica. 1iloso1ia 0 um Hogo irre.erente Jue parte do Jue e2iste, critica, coloca em d4.ida, 1az perguntas importunas, a"re a porta das possi"ilidades, 1az-nos entre.er outros mundos e outros modos de compreender a .ida. 1iloso1ia incomoda porJue Juestiona o modo de ser das pessoas, das culturas, do mundo. Suestiona as pr'ticas pol>tica, cient>1ica, t0cnica, 0tica, econ)mica, cultural e art>stica. Mão h' 'rea onde ela não se meta, não indague, não pertur"e. ,, nesse sentido, a 1iloso1ia 0 perigosa, su".ersi.a, pois .ira a ordem esta"elecida de ca"eça para "ai2o. Podemos, agora, perce"er a razão da condenação de %3crates na de [arl &ar2 no #rasil p3s-ED. ntig_idade ou da proi"ição da leitura m"os 1oram (e são, ainda) su".ersi.os, perigosos, pois, ao indagar so"re a

realidade de sua 0poca, 1izeram surgir no.as possi"ilidades de comportamento e de relação social. +o ponto de .ista do poder esta"elecido, mereceram a morte e/ou o "animento de suas o"ras. / &ensa%ento filos'fico Suando a 1iloso1ia surge, entre os gregos, no s0culo V- a.*, ela englo"a tanto a indagação 1ilos31ica propriamente dita Juanto o Jue hoHe chamamos de conhecimento cient>1ico. I 1il3so1o teoriza.a so"re todos os assuntos, procurando responder não s3 ao &orqu> das coisas, mas, tam"0m, ao co%o( ou seHa, ao 1uncionamento. a por isso Jue ,uclides, 8ales e Pit'goras são 1il3so1os e dedicam-se tam"0m ao estudo da geometria. rist3teles, por sua .ez, de"ruça-se so"re pro"lemas 1>sicos e astron)micos, na medida em Jue esses pro"lemas interessam N cultura e N sociedade de sua 0poca. a s3 a partir do s0culo eV--, com $alileu e o aper1eiçoamento do m0todo cient>1ico (.er *ap. B), 1undado na o"ser.ação, e2perimentação e matematização dos resultados, Jue a ciGncia começa a se constituir

como 1orma espec>1ica de a"ordagem do real e a se destacar da 1iloso1ia. parecem, pouco a pouco, as ciGncias particulares, Jue in.estigam a realidade so" pontos de .ista espec>1icos: N 1>sica interessam os mo.imentos dos corpos7 N "iologia, a natureza dos seres .i.os7 N Ju>mica, as trans1ormaçLes das su"st^ncias7 N astronomia, os corpos celestes7 N psicologia, os mecanismos do 1uncionamento da mente humana7 N sociologia, a organização social etc. I conhecimento 0 1ragmentado entre as .'rias ciGncias, pois cada uma se ocupa somente de uma peJuena parte do real. s a1irmaçLes de cada uma delas são chamadas Hu>zos de realidade, uma .ez Jue se re1erem aos 1en)menos e pretendem mostrar como estes ocorrem e como se relacionam com outros 1en)menos. +e posse desses dados so"re o 1uncionamento dos 1en)menos naturais e humanos, torna-se poss>.el pre.G-los e control'-los. 1iloso1ia trata dessa mesma realidade, mas, em .ez de 1ragment'-la em conhecimentos particulares, toma-a como totalidade de 1en)menos, ou seHa, considera a realidade a partir de uma .isão de conHunto. SualJuer Jue seHa o pro"lema, a re1le2ão 1ilos31ica considera cada um de seus aspectos, relacionando-o ao conte2to dentro do Jual ele se insere e resta"elecendo a integridade do uni.erso humano. +o ponto de .ista 1ilos31ico, por e2emplo, 0 imposs>.el considerar a in1lação "rasileira somente a partir de princ>pios econ)micos. a preciso relacion'-la com interesses de classes, interesses pol>ticos, interesses sociais. Pm pa>s economicamente inst'.el 0 um pa>s pol>tica e socialmente inst'.el. ` ciGncia econ)mica interessa somente .eri1icar como a in1lação 1unciona para poder control'-la, sem se incomodar com os re1le2os Jue esse controle possa ter so"re a sociedade. a por isso Jue, sem desmerecer o conhecimento especializado "uscado pelas .'rias ciGncias, de1endemos a necessidade da re1le2ão 1ilos31ica, re1le2ão esta Jue 1az a cr>tica dos 1undamentos de conhecimento e da ação humanos. *a"e ao 1il3so1o re1letir so"re o Jue 0 ciGncia, o Jue 0 m0todo cient>1ico, sua .alidade e limites. ciGncia 0 realmente um conhecimento o"Heti.oR I Jue 0 a o"Heti.idade e at0 Jue ponto um suHeito hist3rico 9 o cientista 9 pode ser o"Heti.oR *a"e ao 1il3so1o, tam"0m, re1letir so"re a condição humana atual: o Jue 0 o homemR o Jue 0 li"erdadeR o Jue 0 tra"alhoR Juais as relaçLes entre homem e tra"alhoR etc. Mem mesmo a escola 1oge ao cri.o da re1le2ão 1ilos31ica: para Jue e2ista, 0 necess'rio Jue partamos de uma .isão de homem como ser incompleto, portanto educ'.el. Para so"re.i.er, os animais não precisam ser educados, pois guiam-se pelos instintos. %3 os KeducamosK, isto 0, domesticamos, para acomod'los Ns nossas necessidades humanas. I caso dos homens 0 di1erente. &as para Jue o ser humano 0 educadoR Para o pleno e2erc>cio da li"erdade e da responsa"ilidade ou s3 para se manter dentro da ordem esta"elecidaR ,m outras pala.ras, educamos para Jue cada homem sai"a pensar por si pr3prio ou para Jue sai"a aceitar as regras Jue outros pensaram para eleR 1iloso1ia Juer encontrar o signi1icado mais pro1undo dos 1en)menos. Mão "asta sa"er como 1uncionam, mas o Jue signi1icam na ordem geral do mundo humano. cada 1ato, cada ação em relação ao todo. respons'.eis por nossas escolhas. 1iloso1ia emite Hu>zos de .alor ao Hulgar 1iloso1ia .ai al0m daJuilo Jue 0, para propor como poderia ser. a,

portanto, indispens'.el para a .ida de todos n3s, Jue deseHamos ser seres humanos completos, cidadãos li.res e

ssim, o 1iloso1ar 0 uma pr'tica Jue parte da teoria e resulta em outras teorias. Caracter*sticas do &ensa%ento filos'fico / tra"alho do 1il3so1o 0 re1letir so"re a realidade, JualJuer Jue seHa ela, descobrindo seus signi1icados mais pro1undos. *omo isso 0 1eitoR ,m primeiro lugar, .amos esta"elecer o Jue 0 a re1le2ão. !e1letir 0 pensar, considerar cuidadosamente o Jue H' 1oi pensado. *omo um espelho Jue re1lete a nossa imagem, a re1le2ão do 1il3so1o dei2a .er, re.ela, mostra, traduz os .alores en.ol.idos nos acontecimentos e nas açLes humanas. Para chegar a essa re.elação, a re1le2ão 1ilos31ica, segundo +emer.al %a.iani, de.e ser: h ,adical 0 ou seHa, chegar at0 a raiz dos acontecimentos, isto 0, aos seus 1undamentos7 N sua origem, não s3 cronol3gica, mas no sentido de chegar aos .alores originais Jue possi"ilitaram o 1ato. 1ilos31ica, portanto, 0 uma re1le2ão em pro1undidade. h ,igorosa 0 isto 0, seguir um m0todo adeJuado ao o"Heto em estudo, com todo o rigor, colocando em Juestão as respostas mais super1iciais, comuns N sa"edoria popular e a algumas generalizaçLes cient>1icas apressadas. h $e con2unto 0 como H' 1oi dito anteriormente, a 1iloso1ia não considera os pro"lemas isoladamente, mas dentro de um conHunto de 1atos, 1atores e .alores Jue estão relacionados entre si. relacionando-os a outros aspectos da situação da 0poca. ssim, em"ora os sistemas 1ilos31icos possam chegar a conclusLes di.ersas, dependendo das premissas de partida e da situação hist3rica dos pr3prios pensadores, o processo do 1iloso1ar ser' sempre marcado por essas caracter>sticas, resultando em uma re1le2ão rigorosa, radical e de conHunto. Ceticis%o e dog%atis%o e% filosofia partir do Jue 1oi colocado, perce"emos Jue para 1iloso1ar não podemos manter nem uma atitude c0tica nem sua contrapartida, uma atitude dogm'tica perante o mundo e o conhecimento humano. %e, de um lado, necessitamos de certezas, de conhecimento .'lido para orientar nossas açLes, de outro, sa"emos Jue essas certezas 1azem parte de momentos hist3ricos, de pontos de .ista a partir dos Juais analisamos o nosso estar no mundo. / ceticis%o I c0tico, no sentido comum, 0 aJuele Jue descon1ia de tudo, Jue não acredita nas possi"ilidades Jue estão a sua 1rente. Por e2emplo, alguns alunos, no in>cio do segundo semestre leti.o, diante do seu mau desempenho escolar, tornam-se c0ticos com relação N possi"ilidade de apro.ação e não se es1orçam mais. +o ponto de .ista 1ilos31ico, por0m, d'-se o nome de ceticismo N corrente de pensamento Jue du.ida de toda e JualJuer possi"ilidade de se chegar ao conhecimento .erdadeiro. Por e2emplo, &ontaigne, 1il3so1o 1rancGs do s0culo eV-, partindo da id0ia de Jue toda .erdade 0 relati.a N 0poca, ao conte2to hist3rico e N situação pessoal de cada um, a1irma Jue o homem de.e renunciar N pretensão de chegar a JualJuer certeza. Mão h' possi"ilidade seJuer de sa"er se as sensaçLes são reais ou re1le2ão 1ilos31ica conte2tualiza os pro"lemas tanto .erticalmente, dentro do desen.ol.imento hist3rico, Juanto horizontalmente, re1le2ão

imaginadas.

ssim sendo, os homens de.em a"ster-se de emitir JualJuer Hu>zo, uma .ez Jue toda a1irmação 0

pass>.el de d4.ida. Para o c0tico, portanto, o suHeito 0 incapaz de apreender o o"Heto de conhecimento. Ma sua 1orma menos radical, o ceticismo apresenta-se como pro"a"ilidade, isto 0, em"ora seHa imposs>.el ter a certeza de Jue os Hu>zos estão de acordo com a realidade, pode-se a1irmar a pro"a"ilidade de Jue esteHam. atitude c0tica 0 t>pica das 0pocas de crise, Juando .erdades esta"elecidas são destru>das sem Jue se tenha, ainda, esta"elecido no.os princ>pios so"re os Juais 1undamentar o conhecimento e as açLes. Messes momentos, coloca-se tudo em d4.ida, e2aminam-se todas as certezas, opiniLes e crenças, numa "usca de solo seguro so"re o Jual erigir uma no.a construção de sa"er. Ma 1iloso1ia moderna, o ceticismo se mani1esta atra.0s do empirismo de 5ume, 1il3so1o escocGs do s0culo eV---, Jue, como .eremos mais adiante, a1irma Jue, na impossi"ilidade de conhecer as coisas em si, o homem se "aseia na crença ou no h'"ito para poder agir. I ceticismo, ainda, inspira a atitude cr>tica e Juestionadora da 1iloso1ia contempor^nea, colocando JuestLes so"re a relati.idade do conhecimento e os limites da razão. / dog%atis%o Mo senso comum, o dog%ático( por outro lado, 0 a pessoa Jue acredita ter a posse da .erdade e se recusa ao di'logo, não admitindo nenhum Juestionamento de suas certezas. &uitas .ezes, os pais são dogm'ticos e recusam-se a colocar em discussão certas regras Jue, para eles, são as 4nicas .erdadeiras e corretas. ,m 1iloso1ia, entretanto, d'-se o nome de dogmatismo N doutrina ou atitude Jue a1irma, de 1orma a"soluta, a capacidade humana de chegar a .erdades seguras, atra.0s do uso e2clusi.o da razão. a essa mesma crença cega na razão Jue 1az com Jue o dogm'tico não admita discussLes. +o ponto de .ista hist3rico, o dogmatismo 0 a atitude dos primeiros 1il3so1os, os chamados pr0socr'ticos, Jue tGm como certo o poder de conhecer a realidade tal Jual ela 0. Is so1istas são os primeiros a pro"lematizar a Juestão da .erdade do conhecimento. ,ntretanto, é com [ant, no s0culo eV---, Jue a denominação dogmatismo passa a assumir conotação mais espec>1ica. %egundo ele, dogmatismo 0 toda e JualJuer posição Jue acredite estar na posse da certeza, ou da .erdade, antes de 1azer a cr>tica da 1aculdade de conhecer. I KcriticismoK \antiano s3 se de1ine em oposição aos dois perigos in.ersos: o empirismo (Jue tem um tanto de ceticismo) e o dogmatismo.

E)ER%*%IOS :. Le.ante, de acordo com o te2to, as caracter>sticas do conhecimento 1ilos31ico. <. !esuma, em pala.ras suas, o Jue 0 a atitude c0tica e o Jue 0 ceticismo em 1iloso1ia. e2periGncia de .ida, procure e2emplos de atitudes c0ticas. partir de sua

@. !esuma, em pala.ras suas, o Jue 0 a atitude dogm'tica e o Jue 0 dogmatismo em 1iloso1ia. e2periGncia de .ida, cite um e2emplo de atitude dogm'tica.

partir de sua

D. K*a"e a um 1il3so1o ocupar um posto retirado. Pm 1il3so1o 0 a consciGncia, culpada, cheia de .ergonha, de uma sociedade. Parece-me Jue o 1il3so1o moderno de.e ser um p'ria, um malsucedido, e seria um p0ssimo sinal, para ele, ser co"erto de gl3ria.K (!en0 $arrigues.) a) ,2pliJue por Jue o 1il3so1o de.e ocupar um posto retirado, discutindo o conceito de KretiradoK ") Por Jue o 1il3so1o encarna a consciGncia culpada da sociedadeR c) ,m Jue sentido o 1ato de ser "em-sucedido 0 um p0ssimo sinal para o 1il3so1oR ?. Ka pr3prio da 1iloso1ia o mo.imento pelo Jual, não sem es1orços e apalpadelas e sonhos e ilusLes, nos desem"araçamos daJuilo Jue tomamos por .erdadeiro e procuramos outras regras para o Hogo. a pr3prio da 1iloso1ia o deslocamento e a trans1ormação dos esJuemas do pensamento, a modi1icação dos .alores adJuiridos e todo o tra"alho Jue se 1az para pensar de outro modo, para 1azer outra coisa, para tornar-se di1erente daJuilo Jue se 0. +esse ponto de .ista, os 4ltimos trinta anos .Gm sendo um per>odo de ati.idade 1ilos31ica intensa. m4tua inter1erGncia entre a an'lise, a pesJuisa, a cr>tica neruditan ou nte3rican e as mudanças no comportamento, na conduta real das pessoas, em sua maneira de ser, em sua relação consigo mesmas e com os outros 1oi constante e consider'.el.K (I 1il3so1o dis1arçado. -n Filoso1ias: entre.istas do te &onde. %ão Paulo, Wtica, :;;A. p. <E.) a) +iscuta a ati.idade 1ilos31ica em 1ace do KserK e do Kpoder serK. ") &ostre a relação entre 1iloso1ia e .ida, por meio desse te2to. c) +iscuta, a partir desse te2to, as atitudes c0tica e dogm'tica em 1iloso1ia. E. partir dos te2tos de leitura complementar de /aspers (te2to :) e de #enci.enga (te2to <), 1aça uma dissertação so"re KI Jue 0 1iloso1iaK. L,-8P! *I&PL,&,M8 ! M/ que é filosofiaL m...) I pro"lema crucial 0 o seguinte: a 1iloso1ia aspira N .erdade total, Jue o mundo não Juer. 1iloso1ia 0, portanto, pertur"adora da paz. , a .erdade o Jue ser'R 1iloso1ia "usca a .erdade nas m4ltiplas signi1icaçLes do ser-.erdadeiro segundo os modos do a"rangente. #usca, mas não possui o signi1icado e su"st^ncia da .erdade 4nica. Para n3s. a .erdade não 0 est'tica e de1initi.a, mas mo.imento incessante, Jue penetra no in1inito. Mo mundo, a .erdade est' em con1lito perp0tuo. 1iloso1ia le.a esse con1lito ao e2tremo, por0m o despe de .iolGncia. ,m suas relaçLes com tudo Juanto e2iste, o 1il3so1o .G a .erdade re.elar-se a seus olhos, graças ao interc^m"io com outros pensadores e ao processo Jue o torna transparente a si mesmo. Suem se dedica N 1iloso1ia pLe-se N procura do homem, escuta o Jue ele diz, o"ser.a o Jue ele 1az e se interessa por sua pala.ra e ação, deseHoso de partilhar, com seus concidadãos, do destino comum da humanidade. ,is por Jue a 1iloso1ia não se trans1orma em credo. ,st' em cont>nua pugna consigo mesma.

/ %P,!%, [arl. .ntrodução ao &ensa%ento filos'fico. %ão Paulo, *ultri2, :;B:. p. :@C. "O+ ,i)-+o,o+ e a ,i)o+o,ia% Fil3so1os di1erentes tGm posturas di.ersas com relação a esta imagem institucional de sa"edoria e compreensão. I 1il3so1o Jue descre.i at0 agora le.a muito a s0rio o seu papel de guardião da tradição: para ele a possi"ilidade e a alternati.a são um risco perigoso, do Jual de.e se proteger, e suas KdemonstraçLesK tGm e2atamente o o"Heti.o de a1astar do p4"lico ignorante o espectro da cat'stro1e. &as h', ainda, o 1il3so1o Jue tem simpatia pelas alternati.as, Jue, na .erdade, est' con.encido de Jue uma certa alternati.a (um tipo de sociedade, ou organização econ)mica, ou legal, ou uma determinada pr'tica cient>1ica) seHa muito melhor Jue a realidade atual: este se dedicar' com 1er.or mission'rio a 1azer propaganda da sua alternati.a pre1erida e a con.encer o mundo de seu tr'gico erro. ,, por 1im, h' o 1il3so1o mais desencantado (ou mais c>nico) Jue se re"ela contra a imagem institucional, pelo menos no n>.el do discurso, e Jue, portanto, mais naturalmente se escuda atr's de outros tipos sociais: o escritor, o esteta, o pro.ocador. ,ste não crG sa"er como estão as coisas ou como de.eriam estar, não tem sa"edoria N .enda mas, no entanto, continua a criticar toda a (presum>.el) sa"edoria e2istente, a re.elar-lhe a ausGncia de 1undamentos, não porJue tenha algo melhor 1undamentado a o1erecer, mas porJue a sua tare1a, ou pai2ão ou destino, 0 o de re.elar a 1alta de 1undamento de cada crença, de cada pr'tica, o"rigar as pessoas a de1rontar-se com os .'rios modos de ser do mundo. rist3teles e [ant eram 1il3so1os do primeiro tipo7 Platão e &ar2, do segundo7 %3crates e Mietzsche, do terceiro. , todos, em"ora com moti.açLes di1erentes, deram a sua importante contri"uição para o alargamento das 1ronteiras do poss>.el Jue constitu>a o seu .erdadeiro o"Heti.o. #,&*-V,M$ , ,rmano. Giochia%o co% la filosofia. &ilão, moldo &ondadori, :;;A.

%,$PM+ P !8, 9 I nascimento da 1iloso1ia
re1le2ão 1ilos31ica, com as caracter>sticas descritas, nasceu na $r0cia no s0culo V- a.*, com os 1il3so1os Jue antecederam a %3crates. &assage% da consci>ncia %*tica e religiosa para a consciGncia racional e 1ilos31ica não 1oi 1eita de um salto. ,sses dois tipos de consciGncia coe2istiram na sociedade grega, assim como, dentro de certos limites, coe2istem na nossa. I processo de ur"anização e a organização pol>tica da $r0cia ao redor das cidades e2igiram a regulamentação das ati.idades dos indi.>duos, le.ando os homens N procura de uma maior racionalidade da ação e do pensamento. teogonia op)s-se a cosmologia, isto 0, a crença na origem di.ina e m>tica do mundo 1oi su"stitu>da pela "usca da arché( do princ>pio não s3 material, mas tam"0m regulador da ordem do mundo. ,sta "usca da arché( do princ>pio ou 1undamento das coisas, trans1ormou-se na Juestão central para os pr0-socr'ticos. s respostas 1oram m4ltiplas e di.ergentes: para alguns era a 'gua, para outros, o ar, para outros, ainda, o 1ogo ou os Juatro elementos. ,, com esta di.ersidade de respostas, rompe-se a atitude m>tica, monol>tica e dogm'tica, em"ora o conte4do da re1le2ão 1ilos31ica permaneça muito semelhante ao do mito, pois a estrutura de entendimento do mundo 0 semelhante.

5es>odo, no s0culo V--- a.*, 1az o relato do mito da origem do mundo, segundo o Jual $aia (8erra) surge do *aos inicial e, depois, pelo processo de se&aração( gera Prano (*0u) e Pontos (&ar). Vne-se( então, a Prano e d' in>cio Ns geraçLes di.inas. *omo se .G, no mito esses seres primiti.os não são apenas seres da natureza, mas di.indades. lguns 1il3so1os gregos, por sua .ez, e2plicam Jue, a partir de um estado inicial de inde1inição, ocorre a se&aração dos contr'rios (Juente e 1rio, seco e 4mido etc.), Jue .ai gerar os seres naturais, como o c0u de 1ogo, o ar 1rio, a terra seca e o mar 4mido. Para eles, a ordem do mundo deri.a de 1orças opostas Jue se eJuili"ram reciprocamente, e a união desses o&ostos e2plica os 1en)menos mete3ricos, as estaçLes do ano, o nascimento e morte de tudo o Jue .i.e. Portanto, os conte4dos dos dois relatos, o m>tico e o 1ilos31ico, apresentam semelhanças, em"ora a atitude 1ilos31ica reHeite as inter1erGncias de deuses7 do so"renatural, "uscando coerGncia interna, de1inição dos conceitos, o de"ate e a discussão. *om %3crates, essa "usca da discussão e do rigor le.a N criação do chamado m0todo socr'tico. Voltando sua atenção para o pro"lema do homem, %3crates 1az uma an'lise detalhada das Jualidades indi.iduais e das .irtudes humanas, determinando e de1inindo essas Jualidades como sendo a "ondade, a Hustiça, a temperança, a coragem etc. %3crates, entretanto, não de1ine o pr3prio ser humano. Por JuGR PorJue o homem, ao contr'rio da natureza, não pode ser de1inido em termos de propriedades o"Heti.as, s3 em termos da sua consciGncia. , para alcançarmos uma .isão clara do car'ter do homem, para compreendG-lo, precisamos encar'-lo 1ace a 1ace, atra.0s do di'logo. I m0todo socr'tico en.ol.e duas 1ases. primeira, chamada ironia( consiste em 1azer perguntas ao interlocutor Jue o o"riguem a Husti1icar, sempre com maior pro1undidade, seu ponto de .ista, at0 Jue ele perce"a Jue seus argumentos não se sustentam. ,sta 0 a 1ase destruti.a, pois le.a as pessoas a admitir a pr3pria ignor^ncia a respeito do assunto. %ão destru>das as opiniLes do senso comum e o conhecimento espont^neo, muitas .ezes "aseados em estere3tipos e preconceitos. segunda parte, chamada %ai>utica (parto), 0 a ssim, %3crates, com suas perguntas, construção de no.os conceitos "asea- dos em argumentação racional. partir de uma "ase mais s3lida e de um racioc>nio coerente e rigoroso. *om o tra"alho destes pensadores nasce a 1iloso1ia, Jue continua a se desen.ol.er atra.0s dos s0culos como re1le2ão cr>tica e radical so"re a totalidade da .ida humana. E)ER%*%IOS +. *om "ase na leitura complementar KFragmentos de pr0-socr'ticosK: a) *ompare a posição de 8ales de &ileto e de 5er'clito. ") *ompare a posição de 5er'clito e de ParmGnides. <. &ostre, no te2to de leitura complementar K den4ncia de &eletoK, o uso da ironia. LEITURA %OMPLEMENTAR M!rag%entos de &ré-socr5ticosL 8ales de &ileto

demole o sa"er constitu>do para, depois, ainda atra.0s de perguntas e da contraposição de id0ias, reconstru>-lo a

lguns dos Jue a1irmam um s3 princ>pio de mo.imento 9

rist3teles, propriamente, chama-os de

1>sicos 9 consideram Jue ele 0 limitado7 assim 8ales de &ileto, 1ilho de ,2amias, e 5ipão, Jue parece ter sido ateu, a1irma.am Jue 'gua 0 o princ>pio, tendo sido le.ados a isso pelas (coisas) Jue lhes apareciam segundo a sensação7 pois o Juente .i.e com o 4mido, as coisas mortas ressecam-se, as sementes de todas as coisas são 4midas e todo alimento 0 suculento. +onde 0 cada coisa, disso se alimenta naturalmente: 'gua 0 o princ>pio da natureza 4mida e 0 continente de todas as coisas7 por isso supuseram Jue a 'gua 0 princ>pio de tudo e a1irmaram Jue a terra est' deitada so"re ela. Is Jue supLem um s3 elemento a1irmam-no ilimitado em e2tensão, como 8ales diz da 'gua. X%-&PLQ*-I, F>sica, <@, <: (+[ :: 5er'clito de a1eso (...) Is pontos particulares de sua doutrina são os seguintes: 1ogo 0 o elemento e Ktodas as coisas são permutas de 1ogoK (1ragmento ;A), originadas por rare1ação e condensação7 mas nada e2plica com clareza. 8udo se origina por oposição e tudo 1lui como um rio (c1. 1ragmentos :<, ;:), e limitado 0 o todo e um s3 cosmo h'7 nasce ele de 1ogo e de no.o 0 por 1ogo consumido, em per>odos determinados, por toda a eternidade. , isto se processa segundo o destino. +os contr'rios, o Jue le.a a gGnese chama-se guerra e disc3rdia (c1. 1ragmento CA), e o Jue le.a a con1lagração, conc3rdia e paz, e a mudança 0 um caminho para cima e para "ai2o, e segundo ela se origina o cosmo. (;) *ondensado o 1ogo se umidi1ica, e com mais consistGncia torna-se 'gua, e esta, solidi1icando-se, passa a terra7 e este 0 o caminho para "ai2o. -n.ersamente, a terra se derrete e se trans1orma em 'gua, e desta se 1ormam as outras coisas Jue ele re1ere Juase todas N e.aporação do mar, e este 0 o caminho para cima. (...) X+-I$,M,% L a!*-I, -e, : 9 :B (+[ << :)Y 5er'clito diz em alguma passagem Jue todas as coisas se mo.em e nada permanece im3.el. 3( ao comparar os seres com a corrente de um rio, a1irma Jue não poderia entrar duas .ezes num mesmo rio(c1. 1ragmentos ;:, :<). 9 0cio, -, <@, B7 5er'clito retira do uni.erso a tranJ_ilidade e a esta"ilidade, pois isso 0 (+[ << E)Y pr3prio dos mortos7 e atri"u>a mo.imento a todos os seres, eterno aos eternos, perec>.el aos perec>.eis. XPL 8VI, *r'tilo, p. DA< ParmGnides de ,l0ia &as se os partid'rios do imo"ilismo do todo nos parecem dizer mais a .erdade, ha.emos de procurar Hunto deles nosso re14gio contra os Jue 1azem mo.er-se o im3.el. 9 %e2to ,mp>rico, Contra os )ate%áticos( e, DE: (I mo.imento) não e2iste segundo os 1il3so1os da escola de ParmGnides e de &elisso. rist3teles, num de seus di'logos relacionados N posição de Platão, os chama de imo"ilistas e não-1>sicos7 imo"ilistas, porJue são partid'rios da imo"ilidade7 e não-1>sicos, porJue a natureza 0 princ>pio de mo.imento, Jue eles negam, a1irmando Jue nada se mo.e. XPL 8VI, 8eeteto, :C: a (+[ <C <E)Y /s &ré-socráticos( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, "ril *ultural, :;BC. p. B, BE e :@;. A denQncia de )eleto :@)Y

PP9 ,ntão, &eleto, por esses mesmos deuses de Jue agora se trata, 1ala com mais clareza ainda, a mim e a estes senhores7 não consigo entender se a1irmas Jue ensino a crer na e2istGncia de certos deuses 9 nesse caso admito a e2istGncia de deuses, a"solutamente não sou ateu, nem 0 esse o meu crime, se "em Jue não seHam os deuses do po.o, mas outros, e por serem outros 0 Jue me processas 9 ou se a1irmas Jue não creio mesmo em deus nenhum e ensino isso aos outros. 9 -sso 0 o Jue a1irmo, Jue não crGs mesmo em deus nenhum. (...) 9 8u não mereces 10, &eleto, nem mesmo a tua pr3pria, ao Jue parece, ,ste homem, tenienses, acho Jue 0 por demais temer'rio e estou.ado e me 1ez esta den4ncia apenas por temeridade e estou.amento de Hu.entude7 ele d' a impressão de estar propondo uma adi.inha para me e2perimentar: K%er' Jue o s'"io %3crates .ai perce"er Jue estou "rincando e me contradizendo, ou ser' Jue o .ou lograr com os demais ou.intesRK Penso Jue ele se contradiz na den4ncia, co%o se dissesse: K%3crates 0 r0u de crer nos deuses em .ez de crer nos deuses.K -sso 0 de Juem est' "rincando. ,2aminai comigo, senhores, por Jue penso Jue ele diz isso7 tu, &eleto, responde-nos. V3s, de .ossa parte, lem"rai-.os do Jue .os pedi no começo e não .os amotineis se eu arranHar a discussão N minha maneira ha"itual. ,2iste, &eleto, uma pessoa Jue acredite na e2istGncia de coisas humanas e não na dos homensR Sue ele responda, senhores, e não le.ante protestos so"re protestos6 5' algu0m Jue não acredite em ca.alos e sim na eJuitaçãoR não creia em 1lautistas, e sim na arte de tocar 1lautaR Mão h', e2celente homem7 se não Jueres tu responder, eu o direi a ti e aos demais presentes. !esponde, por0m, N pergunta Jue .em ap3s aJuelas: h' Juem acredite em poderes demon>acos, mas não Jue e2istam dem)niosR 9 Mão h'. 9 I"rigado por teres respondido, em"ora contrariado, so" a coação do tri"unal. Por conseguinte, a1irmas Jue eu acredito e ensino Jue h' poderes demon>acos7 seHam no.os, seHam antigos, segundo dizes, acredito em poderes demon>acos7 1oi o Jue Huraste na den4ncia. Ira, se acredito em seus poderes, 1orça 0 concluir Jue acredito em dem)nios. Mão 0 assimR %em d4.ida7 1aço de conta Jue concordas, H' Jue não respondes. Is dem)nios, não 0 .erdade Jue os consideramos deuses ou 1ilhos de deusesR %im ou nãoR 9 Por certo. 9 Logo, se acredito em dem)nios, estes ou são uma sorte de deuses 9 e eu teria razão a1irmando Jue est's propondo uma adi.inha por "rincadeira, dizendo Jue eu creio em deuses em .ez de crer em deuses, pois Jue acredito em dem)nios 9 ou são 1ilhos de deuses, uma sorte de "astardos, nascidos de nin1as ou de outras mulheres a Juem os atri"ui a tradição 9 e Jue homem pode acreditar em 1ilhos de deuses e não em deusesR %eria a mesma a"erração de Juem acreditasse serem os machos 1ilhos de 0guas e Humentos, sem crer em 0guas e Humentos. Mão, &eleto, não 0 admiss>.el Jue tenhas apresentado essa den4ncia sem o prop3sito de nos p)r N pro.a, sal.o se 1oi N 1alta de um crime real por Jue me processes7 de con.enceres algu0m, por est4pido Jue seHa, de Jue uma mesma pessoa possa acreditar em poderes demon>acos e di.inos, mas sem acreditar em dem)nios, deuses e her3is, não e2iste a m>nima possi"ilidade. Por conseguinte, tenienses, a ausGncia da culpa a mim imputada na den4ncia de &eleto não parece demandar longa de1esa7 "asta o Jue 1oi dito.

Ficai, por0m, certos de Jue 0 .erdade o Jue eu dizia h' pouco, Jue muita gente me 1icou Juerendo muito mal. I Jue me .ai condenar, se eu 1or condenado, não 0 &eleto, nem mim. Platão. A defesa de 1'crates( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, Mo.a *ultural, :;;:, p. ::-:D. nito, mas a cal4nia e o rancor de tanta gente7 0 o Jue perdeu muitos outros homens de "em e ainda os h' de perder, pois não 0 de esperar Jue pare em

3scola de Atenas( do pintor renascentista italiano !a1ael %anzio (s0c eV-), presta uma homenagem ao sa"er grego e N 1iloso1ia, representando o encontro de Platão e rist3teles.

8,!*,-! P !8, 9

teoria do conhecimento

teoria do conhecimento na -dade &oderna
+a ntig_idade até o in*cio do !enascimento, em"ora tenham surgido .'rias teorias a respeito de como se e1etua o conhecimento, não h' discord^ncia so"re a possi"ilidade de o homem conhecer o real. +o ponto de .ista epistemol3gico, esta 0 a posição realista, em Jue os o"Hetos correspondem plenamente ao conte4do da percepção. I !enascimento, entretanto, .ai trazer grandes modi1icaçLes, dentre as Juais .ale destacar: h a separação entre 10 e razão, Jue .ai le.ar ao desen.ol.imento do m0todo cient>1ico para o estudo das ciGncias naturais7

h o antropocentrismo, Jue esta"elece a razão humana como 1undamento do sa"er7 h o interesse pelo sa"er ati.o, em oposição ao sa"er contemplati.o, Jue le.a N trans1ormação da natureza e ao desen.ol.imento das t0cnicas. Mo rastro dessas mudanças, os pensadores do s0culo eV-- aborda% a tem'tica do conhecimento de modo inteiramente no.o, colocando em Juestão a pr3pria possi"ilidade do conhecimento. Mão se trata mais de sa"er Jual 0 o o"Heto conhecido. +e.e-se, agora, indagar so"re o suHeito do conhecimento: Juais as possi"ilidades de engano e acertoR Juais os m0todos Jue podemos utilizar para garantir Jue o conhecimento seHa .erdadeiroR s respostas a essas indagaçLes dão origem a duas correntes 1ilos31icas diametralmente opostas, a sa"er, o racionalismo e o empirismo. I racionalis%o I principal representante do racionalismo no s0culo eV-- 0 o 1rancGs !en0 +escartes, Jue, descontente com os erros e ilusLes dos sentidos, procura o 1undamento do .erdadeiro conhecimento. ssim, esta"elece a dQ#ida co%o m0todo de pensamento rigoroso. +u.ida de tudo Jue lhe chega atra.0s dos sentidos, du.ida de todas as id0ias Jue se apresentam como .erdadeiras. ` medida Jue du#ida( por0m, desco"re Jue mant0m a capacidade de pensar. Por essa .ia, esta"elece a primeira .erdade Jue não pode ser colocada em d4.ida: se du.ido, penso, se penso, e2isto, em"ora esse e2istir não seHa 1>sico. ,2isto enJuanto ser pensante (suHeito ou consciGncia) Jue 0 capaz de du.idar. Formula esta desco"erta em uma 1rase muito conhecida: Penso( logo e@isto. A partir dessa primeira .erdade intu>da, isto 0, conce"ida Kpor um esp>rito puro e atento, tão 1'cil e distinta, Jue nenhuma d4.ida resta so"re o Jue compreendemosK, +escartes di1erencia dois tipos de id0ias: algumas claras e distintas, outras con1usas e du.idosas. PropLe, então, Jue as id0ias claras e distintas, Jue são id0ias gerais, não deri.am do particular, mas H' se encontram no esp>rito, co%o instrumentos com Jue +eus nos dotou para 1undamentar a apreensão de outras .erdades. ,ssas são as id0ias inatas, Jue não estão suHeitas a erro e Jue são o 1undamento de toda ciGncia. Para conhecG-las "asta Jue nos .oltemos para n3s mesmos, atra.0s da re1le2ão. +entre as id0ias inatas, encontramos as de um +eus Per1eito e -n1inito (su"st^ncia in1inita), da su"st^ncia pensante e da mat0ria e2tensa. I ponto de partida de +escartes 0, pois, o pensamento, a"straindo toda e JualJuer relação entre este e a realidade. *omo passar, por0m, do pensamento para a su"st^ncia e2tensa, ou seHa, a mat0ria dos corposR ,2atamente porJue pensamos, podemos pensar a id0ia de in1inito, ou seHa, de +eus, com todos os seus atri"utos, dentre os Juais est' a per1eição. Ira, para ser per1eito, +eus de.e e2istir. +a id0ia de +eus, passamos a poder a1irmar sua e2istGncia enJuanto ser. *ontinuando o racioc>nio, esse ser per1eito não nos engana e, se nos 1az ter id0ias so"re o mundo e2terior, inclusi.e so"re nossos corpos, 0 porJue criou esse mesmo mundo e2terior e sens>.el. ssim, a partir de uma id0ia inata, podemos deduzir a id0ia da e2istGncia da mat0ria dos corpos, ou seHa, da su"st^ncia e2tensa.

+e.emos notar, entretanto, Jue a razão não a1eta nem 0 a1etada pelos o"Hetos.

razão s3 lida com as

representaçLes, isto 0, com as imagens mentais, id0ias ou conceitos Jue correspondem aos o"Hetos e2teriores. a neste ponto Jue se coloca, com maior nitidez, a necessidade do m0todo para garantir Jue a representação corresponda ao o"Heto representado. I m0todo de.e garantir Jue: h as coisas seHam representadas corretamente, sem risco de erro7 h haHa controle de todas as etapas das operaçLes intelectuais7 h haHa possi"ilidade de serem 1eitas deduçLes Jue le.em ao progresso do conhecimento. ssim, a Juestão do m0todo de pensamento toma-se crucial para o conhecimento 1ilos31ico a partir do s0culo eV--. I modelo 0 o ideal matem'tico, não porJue lide com n4meros ou grandezas matem'ticas, mas porJue, 1iel ao sentido grego de ta %athe%a( .isa o conhecimento completo, per1eito e inteiramente racional. / e%&iris%o ,m reação ao racionalismo cartesiano, principalmente N teoria das id0ias inatas, /ohn Loc\e escre.e, em :E;A, o 3nsaio sobre o entendi%ento hu%ano( no Jual de1ende Jue todas as id0ias tGm origem na e@&eri>ncia sens*#el. a a partir dos dados da e2periGncia Jue, por a"stração, o entendimento, ou intelecto, produz id0ias. razão humana 0 .ista como uma 1olha em "ranco so"re a Jual os o"Hetos .ão dei2ar sua impressão sens>.el Jue ser' ela"orada, atra.0s de certos procedimentos mentais, em id0ias particulares e id0ias gerais. ,ntretanto, o mecanismo >ntimo do real ultrapassa os limites de toda e2periGncia poss>.el, isto 0, podemos o"ser.ar os 1en)menos, mas não suas causas ou suas relaçLes. Para Loc\e, todas as nossas id0ias pro.Gm de duas 1ontes: a sensação e a refle@ão( A sensação apreende impressLes .indas do mundo e2terno. refle@ão é o ato pelo Jual o esp>rito conhece suas pr3prias operaçLes. s id0ias simples são aJuelas Jue se impLem N consciGncia s id0ias podem ser simples e comple2as. comple2as. +a.id 5ume, 1il3so1o escocGs, le.a mais adiante o empirismo de Loc\e, a1irmando Jue as relaçLes são e2teriores aos seus termos. ,2plicando, as relaçLes não são o"ser.'.eis, portanto não estão nos o"Hetos. ,las são modos Jue a natureza humana tem de passar de um termo a outro, de uma id0ia particular a outra. , esses modos são 1ruto do h'"ito ou da crença. Por e2emplo, tendo o"ser.ado a 'gua 1er.er a :AA graus, podemos dizer Jue toda 'gua sempre 1er.e a :AA graus. Iu, .endo o sol nascer todos os dias, assumimos Jue amanhã tam"0m nascer'. I Jue o"ser.amos, no entanto, 0 uma seJ_Gncia de e.entos, sem ne2o causai. I Jue nos 1az ultrapassar o dado e a1irmar mais do Jue pode ser alcançado pela e2periGncia 0 o h'"ito criado atra.0s da o"ser.ação de casos semelhantes, a partir do Jue imaginamos Jue este caso se comporte da mesma 1orma Jue os outros. ssim, a 4nica "ase para as id0ias ditas gerais 0 a crença, Jue, do ponto de .ista do entendimento, 1az uma e2tensão ileg>tima do conceito. / criticis%o Oantiano

na e2periGncia sens>.el e são irredut>.eis N an'lise. o correlacionar id0ias simples, o esp>rito constitui as id0ias

-n1luenciado pela leitura de 5ume, em especial pelas cr>ticas Jue este 1az ao dogmatismo racionalista, [ant tenta encontrar uma solução Jue supere a dicotomia representada pelo ceticismo emp>rico e pelo racionalismo. 8endo como pressuposto o ideal iluminista da razão aut)noma capaz de construir conhecimento, [ant .G a necessidade de proceder N an'lise cr>tica da pr3pria razão como meio de esta"elecer seus limites e suas possi"ilidades. Podemos sintetizar o pro"lema \antiano na seguinte pergunta: 0 poss>.el conhecer o ser em si, o supra-sens>.el ou %eta-f*sico atra.0s de procedimentos rigorosos da razãoR Por seres meta1>sicos ele entende +eus, a li"erdade e a imortalidade. I primeiro passo para o"ter a resposta 0 1azer a cr>tica da razão pura. ,m suas pala.ras, a cr>tica 0 um Kcon.ite 1eito N razão para empreender de no.o a mais di1>cil das tare1as, o conhecimento de si mesma, e para instituir um tri"unal Jue a garanta nas suas pretensLes leg>timas e Jue possa, em contrapartida, condenar todas as usurpaçLes sem 1undamentoK. Para empreender essa tare1a, [ant propLe o Km0todo transcendentalK, m0todo anal>tico com o Jual empreender' a decomposição e o e2ame das condiçLes de conhecimento e dos 1undamentos da ciGncia e da e2periGncia em geral. Feita a re1le2ão cr>tica, chega N conclusão de Jue h' duas 1ontes de conhecimento: a sensibilidade( Jue nos d' os o"Hetos, e o entendi%ento( Jue pensa esses o"Hetos. %3 pela conHugação das duas 1ontes 0 poss>.el ter a e2periGncia do real. b a partir desses dados Jue [ant 1az a re.olução na teoria do conhecimento: em .ez de admitir Jue nosso conhecimento se regula pelo o"Heto, in.erte a hip3tese: são os o"Hetos Jue de.em regular-se pelo nosso modo de conhecer. I suHeito cognoscente tem 1ormas (ou modos pr3prios) a partir das Juais rece"e os o"Hetos. s for%as ou conceitos a &riori (anteriores N e2periGncia) são as condiçLes uni.ersais e necess'rias para o aparecimento de JualJuer coisa N percepção humana e para Jue esse aparecimento se torne progressi.amente mais intelig>.el ao entendimento. ssim, as 1ormas são constituti.as de toda nossa e2periGncia de mundo, de todo nosso conhecimento. -sto Juer dizer Jue não somos 1olhas em "ranco, so"re as Juais os o"Hetos dei2am suas impressLes, mas, enJuanto suHeitos do conhecimento, aHudamos a constru>-lo, cola"oramos com nosso modo de perce"er e entender o mundo. *omo conseJ_Gncia, s3 conhecemos os 1en)menos enJuanto se relacionam a n3s, suHeitos, e não N realidade em si, tal Jual 0, independente da relação de conhecimento. s 1ormas a &riori di.idem-se em: h 1ormas a &riori da sensi"ilidade 9 espaço e tempo7 h 1ormas a &riori do entendimento puro 9 1ormas relacionais como causa e e1eito, su"st^ncia e atri"uto, ,2empli1icando: a nossa percepção dos o"Hetos sens>.eis sempre os relaciona a um espaço, isto 0, esses o"Hetos se posicionam mais para 1rente ou mais para tr's, mais ao alto ou mais a"ai2o, N direita ou N esJuerda de outros o"Hetos Jue tomamos como re1erGncia. sensi"ilidade. o mesmo tempo, classi1icamos essa percepção como sendo anterior, posterior ou simult^nea a outras. ,ssa ati.idade relacionai s3 0 poss>.el atra.0s das 1ormas a &riori da

+o mesmo modo, relacionamos algumas percepçLes sucessi.as como pertencendo N categoria de causa e e1eito. e2periGncia, portanto, 0 uma unidade sint0tica, ou seHa, não 0 s3 a com"inação de %atéria (KaJuilo Jue no 1en)meno corresponde N sensaçãoK) e for%a (KaJuilo Jue 1az com Jue a di.ersidade do 1en)meno seHa ordenada na intuição, atra.0s de certas relaçLesK), mas, tam"0m, a com"inação das 1ormas da intuição e do entendimento e suas relaçLes 1uncionais. *om isso, [ant conclui pela impossi"ilidade do conhecimento atra.0s do uso puramente especulati.o da razão. razão especulati.a, entretanto, em"ora não possa conhecer o ser em si, a"strato, Jue não se o1erece N e2periGncia e aos sentidos, pode pens'-lo e coloca pro"lemas Jue s3 poderão ser resol.idos no ^m"ito da razão pr'tica, isto 0, no campo da ação e da moral. Iu seHa, em"ora +eus, a li"erdade e a imortalidade não possam ser conhecidos (agnosticismo) por não terem uma mat0ria Jue se o1ereça N e2periGncia sens>.el, nem por isso tGm sua e2istGncia negada. %e o conhecimento não nos le.a at0 eles, de.emos encontrar uma outra .ia de acesso, uma .ez Jue a li"erdade, por e2emplo, 0 o 1undamento da .ida moral. A crise da ra6ão Meste 1inal do s0culo ee, estamos testemunhando o despertar de um mo.imento irracionalista Jue critica o uso da razão como sendo arma do poder e agente da repressão, em .ez de ser instrumento da li"erdade humana, como 1ora proclamado pelo -luminismo do s0culo eV--Q. %eguindo esta corrente, .emos 1lorescer o indi.idualismo e2acer"ado, o narcisismo, o .ale-tudo, a desra6ão Jue le.a ao aniJuilamento de todos os princ>pios e .alores. &as ser' Jue podemos atri"uir a culpa pelos descaminhos ao uso da razãoR

Cabeça rafaelesca e@&lodindo (:;?:), tela a 3leo de %al.ador +ali, pintor surrealista espanhol. pintura 1az re1erGncia ao mundo moderno (ao Jual pertenceu !a1ael %anzio, pintor italiano renascentista) e N contemporaneidade, Jue desnuda a crise da razão.

A herança ilu%inista
K -lustração 1oi, apesar de tudo, a proposta mais generosa de emancipação Hamais o1erecida ao gGnero humano. ,la acenou ao homem com a possi"ilidade de construir racionalmente o seu destino, li.re da tirania e da superstição. Prop)s ideais de paz e toler^ncia, Jue at0 hoHe não se realizaram. &ostrou o caminho para Jue nos li"ert'ssemos do reino da necessidade, atra.0s do desen.ol.imento das 1orças produti.as. %eu ideal de ciGncia era o de um sa"er posto a ser.iço do homem, e não o de um sa"er cego, seguindo uma l3gica des.inculada de 1ins humanos. %ua moral era li.re e .isa.a uma li"erdade concreta, .alorizando, como nenhum outro per>odo, a .ida das pai2Les e pregando uma ordem em Jue o cidadão não 1osse oprimido pelo ,stado, o 1iel não 1osse oprimido pela religião, e a mulher não 1osse oprimida pelo homem. %ua doutrina dos direitos humanos era a"strata, mas por isso mesmo uni.ersal, transcendendo os limites do tempo e do espaço, suscet>.el de apropriaçLes sempre no.as, e gerando continuamente no.os o"Heti.os pol>ticos.K !ouanet.) ,sse impulso cr>tico nascido com a -lustração, cuHos principais representantes, na França, 1oram +iderot e Voltaire e, na lemanha, [ant, não se esgotou com ela. +e.emos, neste ponto, di1erenciar a -lustração, enJuanto id0ias Jue 1loresceram no s0culo eV--- (de1esa da ciGncia e da racionalidade cr>tica contra a 10, a superstição e o dogma religioso7 de1esa das li"erdades indi.iduais e dos direitos do cidadão contra o autoritarismo e o a"uso do poder), e cuHo principal representante 1oi [ant, do -luminismo, considerado como tendGncia intelectual não-limitada a nenhuma 0poca, Jue com"ate o mito e o poder a partir da razão. I -luminismo, assim entendido, apresenta-se como processo Jue coloca a razão sempre a ser.iço da cr>tica do presente, de suas estruturas e realizaçLes hist3ricas. ssim, a tare1a iniciada por [ant, de superação da incapacidade humana de se ser.ir do seu pr3prio entendimento e ousar ser.ir-se da pr3pria razão, não poder' Hamais ser completada. a tare1a Jue precisa ser re1eita a cada momento, a partir das duas condiçLes necess'rias: o e2erc>cio da ra6ão cr*tica e da cr*tica racional. 5oHe, entretanto, os conceitos de razão e de cr>tica de.em ser ree2aminados. Suando 1alamos em razão, não mais acreditamos ingenuamente Jue, s3 pelo 1ato de sermos homens, seHamos automaticamente racionais. +e.emos, a partir dos estudos de Freud e &ar2, admitir Jue a razão pode tam"0m ser deturpadora e per.ertida, ou seHa, admitir Jue tanto os impulsos do inconsciente Juanto a ideologia (ou 1alsa consciGncia) são respons'.eis por distorçLes Jue colocam a razão a ser.iço da mentira e do poder. ,2empli1icando, Juando a racionalidade assume as .estes de razão de ,stado ou de razão econ)mica (como no caso do #rasil), estamos lidando com uma .isão parcial e instrumental da razão Jue tenta adeJuar meios a 1ins. a a razão Jue o"ser.a e normaliza, razão Jue calcula, classi1ica e domina, em 1unção de interesses de classes e não dos interesses da sociedade como um todo. ,, se o poder Jue oprime 1ala em nome da racionalidade, para com"atG-lo parece necess'rio contestar a pr3pria razão.

,sse tipo de racionalidade de.e ser contestado, mas não atra.0s do irracionalismo e, sim, pela ati.idade cr>tica da razão mais completa e mais rica, Jue dialoga e se e2erce na inter-su"Heti.idade. / no#o .lu%inis%o I e2erc>cio da razão plena 0 a tare1a do no.o -luminismo, Jue de.e mostrar aos de1ensores do irracionalismo Jue a cr>tica não-racional le.a ao con1ormismo, uma .ez Jue, sem o tra"alho conceituai, não h' como sair da 1acticidade, ou seHa, do .i.ido. ssim, a no.a razão cr>tica precisa: h 1azer a cr>tica dos limites internos e e2ternos da razão, consciente de sua .ulnera"ilidade ao irracional7 h esta"elecer os princ>pios 0ticos Jue 1undamentam sua 1unção normati.a7 h .incular essa construção a ra>zes sociais contempor^neas, su"metendo-a N pro.a de realidade. ,sse solo social aparece no processo comunicati.o, dentro do Jual os suHeitos propLem e criticam argumentos, criticam as moti.açLes su"Hacentes e desen.ol.em as capacidades humanas de sa"er, de "usca da .erdade, da Hustiça e da autonomia. DROPES I no.o -luminismo concorda com [ant em Jue 0 necess'rio ousar sa"er, e para isso propLe uma no.a razão, e remo.er todas as tutelas, e para isso propLe uma no.a cr>tica. I o"Heti.o 0 o mesmo: assegurar, en1im, o ad.ento da autonomia integral e para todos. (!ouanet.) -luminismo: mo.imento 1ilos31ico, tam"0m conhecido como -lustração ou %0culo das Luzes, Jue se desen.ol.eu notadamente na França, lemanha e -nglaterra, no s0culo eV---, caracterizando-se pela de1esa da ciGncia e da racionalidade cr>tica contra a 10, a superstição e o dogma religioso. Ma .erdade, o -luminismo 0 muito mais Jue um mo.imento 1ilos31ico, tendo uma dimensão liter'ria, art>stica e pol>tica. Mo plano pol>tico, o -luminismo de1ende as li"erdades indi.iduais e o direito dos cidadãos contra o autoritarismo e o a"uso do poder. Is iluministas considera.am Jue o homem podia se emancipar atra.0s da razão e do sa"er, ao Jual todos de.eriam ter li.re acesso. I racionalismo e a teoria cr>tica no pensamento contempor^neo podem ser considerados herdeiros da tradição iluminista. (/ P- %%P, 5ilton e & !*IM+,%, +anilo. $icionário básico de filosofia.? ,e,!*Q*-I% :. partir do te2to de leitura complementar de +escartes so"re o m0todo (te2to :), colha argumentos Jue Husti1iJuem Ka d4.ida met3dicaK. <. *onsulte o te2to < de leitura complementar e diga o Jue são id0ias inatas, segundo +escartes. W. Le.ante as principais caracter>sticas do empirismo. D. partir do te2to @ de leitura complementar, identi1iJue a posição empirista de 5ume. ?. +e acordo com os te2tos de leitura complementar D e ?, de [ant, responda: a) I Jue 0 conhecimento a &riori7

") I Jue 0 conhecimento a &osteriori7 c) Por Jue o espaço e o tempo são 1ormas a &riori da sensi"ilidadeR E. Fiche as id0ias principais do te2to de leitura complementar H/ no.o -luminismoK, de !ouanet (te2to E). B. *omo o -luminismo ainda est' presente no mundo modernoR L,-8P! *I&PL,&,M8 ! M/ %étodoL Mão sei se de.a 1alar-.os das primeiras meditaçLes Jue a> realizei7 pois são tão meta1>sicas e tão pouco comuns, Jue não serão, tal.ez, do gosto de todo mundo. ,, toda.ia, a 1im de Jue se possa Hulgar se os 1undamentos Jue escolhi são "astante 1irmes, .eHo-me, de alguma 1orma, compelido a 1alar-.os delas. +e h' muito o"ser.ara Jue, Juanto aos costumes, 0 necess'rio Ns .ezes seguir opiniLes, Jue sa"emos serem muito incertas, tal como se 1ossem indu"it'.eis, como H' 1oi dito acima7 mas, por deseHar então ocupar-me somente com a pesJuisa da .erdade, pensei Jue era necess'rio agir e2atamente ao contr'rio, e reHeitar como a"solutamente 1also tudo aJuilo em Jue pudesse imaginar a menor d4.ida, a 1im de .er se, ap3s isso, não restaria algo em meu cr0dito, Jue 1osse inteiramente indu"it'.el. ssim, porJue os nossos sentidos nos enganam Ns .ezes, Juis supor Jue não ha.ia coisa alguma Jue 1osse tal como eles nos 1azem imaginar. ,, porJue h' homens Jue se eJui.ocam ao raciocinar, mesmo no tocante Ns mais simples mat0rias de geometria, e cometem a> paralogismos, reHeitei como 1alsas, Hulgando Jue esta.a suHeito a 1alhar como JualJuer outro, todas as razLes Jue eu tomara at0 então por demonstraçLes. , en1im, considerando Jue todos os mesmos pensamentos Jue temos Juando despertos nos podem tam"0m ocorrer Juando dormimos, sem Jue haHa nenhum, nesse caso, Jue seHa .erdadeiro, resol.i 1azer de conta Jue todas as coisas Jue at0 então ha.iam entrado no meu esp>rito não eram mais .erdadeiras Jue as ilusLes de meus sonhos. &as, logo em seguida, ad.erti Jue, enJuanto eu Jueria assim pensar Jue tudo era 1also, cumpria necessariamente Jue eu, Jue pensa.a, 1osse alguma coisa. ,, notando Jue esta .erdade: eu &enso( logo e@isto( era tão 1irme e tão certa Jue todas as mais e2tra.agantes suposiçLes dos c0ticos não seriam capazes de a a"alar, Hulguei Jue podia aceit'-la, sem escr4pulo, como o primeiro princ>pio da 1iloso1ia Jue procura.a. +,%* !8,%, !en0. $iscurso do %étodo( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, "ril *ultural, :;B@. p. ?D. M.déias inatasL Primeiramente, considero ha.er em n3s certas noçLes primiti.as, as Juais são como originais, so" cuHo padrão 1ormamos todos os nossos outros conhecimentos. , não h' senão muito poucas dessas noçLes7 pois, ap3s as mais gerais, do ser, do n4mero, da duração etc., Jue con.0m a tudo Juanto possamos conce"er, possu>mos, em relação ao corpo em particular, apenas a noção da e2tensão, da Jual decorrem as da 1igura e do mo.imento7 e, Juanto N alma somente, temos apenas a do pensamento, em Jue se acham compreendidas as percepçLes do entendimento e as inclinaçLes da .ontade7 en1im, Juanto N alma e ao corpo em conHunto, temos

apenas a de sua união, da Jual depende a noção da 1orça de Jue dispLe a alma para mo.er o corpo, e o corpo para atuar so"re a alma, causando seus sentimentos e suas pai2Les. +,%* !8,%, !en0. *aria a 3lisabeth. *ol. Is pensadores. %ão Paulo, "ril *ultural, :;B@. p. @A;. $a orige% das idéias (...) se sucede Jue, por um de1eito do 3rgão, um homem não 0 suscet>.el de determinada esp0cie de sensação, .eri1icamos sempre Jue ele 0 igualmente incapaz de 1ormar as id0ias correspondentes. Pm cego não pode 1azer id0ia das cores, nem um surdo dos sons. Sue a cada um deles se restitua o sentido de Jue carece e, a"rindo-se essa porta a no.as sensaçLes, ter-se-' a"erto tam"0m uma porta Ns id0ias, e ele não ter' di1iculdade em conce"er esses o"Hetos. I mesmo acontece Juando o o"Heto pr3prio para e2citar uma certa sensação nunca 1oi aplicado ao 3rgão. Pm lapão ou um negro não tem nenhuma noção do gosto do .inho. ,, conJuanto seHam raros ou ine2istentes os e2emplos de uma de1iciGncia desse gGnero na mente, e2emplos de pessoas Jue nunca e2perimentaram ou Jue seHam completamente incapazes de e2perimentar um sentimento ou pai2ão pr3prios de sua esp0cie, não o"stante .emos Jue a mesma o"ser.ação ocorre em grau mais atenuado. Pm homem de h'"itos pac>1icos não pode 1azer id0ia de um in.eterado esp>rito de .ingança ou crueldade, nem 0 1'cil a um coração ego>sta conce"er os e2tremos da amizade e da generosidade. dmite-se 1acilmente Jue outros seres possam ser dotados de muitos sentidos Jue n3s nem seJuer imaginamos, porJue as id0ias de tais coisas nunca 1oram introduzidas em n3s da 4nica maneira pela Jual uma id0ia pode ter acesso ao intelecto, isto 0, a sensação e1eti.amente presente. 5l&,, +a.id. .n#estigação sobre o entendi%ento hu%ano( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, :;B@.p. :@?. $a distinção entre conheci%ento &uro e e%&*rico Mão h' d4.ida de Jue todo o nosso conhecimento começa com a e2periGncia7 do contr'rio, por meio do Jue a 1aculdade de conhecimento de.eria ser despertada para o e2erc>cio senão atra.0s de o"Hetos Jue toJuem nossos sentidos e em parte produzem por si pr3prios representaçLes, em parte pLem em mo.imento a ati.idade do nosso entendimento para compar'-las, conect'-las ou separ'-las e, desse modo, assimilar a mat0ria "ruta das impressLes sens>.eis a um conhecimento dos o"Hetos Jue se chama e2periGnciaR 1egundo o te%&o( portanto, nenhum conhecimento em n3s precede a e2periGncia, e todo o conhecimento começa com ela. &as, em"ora todo o nosso conhecimento comece co% a e2periGncia, nem por isso todo ele se origina Hustamente da e2periGncia. Pois poderia "em acontecer Jue mesmo o nosso conhecimento de e2periGncia seHa um composto daJuilo Jue rece"emos por impressLes e daJuilo Jue a nossa pr3pria 1aculdade de conhecimento (apenas pro.ocada por impressLes sens>.eis) 1ornece de si mesma, cuHo aditamento não distinguimos daJuela mat0ria-prima antes Jue um longo e2erc>cio nos tenha chamado a atenção para ele e nos tenha tornado aptos a abstra*-lo. Portanto, 0 uma Juestão Jue reJuer pelo menos uma in.estigação mais pormenorizada e Jue não pode ser logo despachada de.ido aos ares Jue ostenta, a sa"er, se h' um tal conhecimento independente da "ri6 *ultura6,

e2periGncia e mesmo de todas as impressLes dos sentidos. 8ais conheci%entos denominam-se a &riori e distinguem-se dos e%&*ricos( Jue possuem suas 1ontes a &osteriori( ou seHa, na e2periGncia. (...) Mo Jue se segue, portanto, por conhecimentos a &riori entenderemos não os Jue ocorrem independente desta ou daJuela e2periGncia, mas absoluta%ente independente de toda a e2periGncia. IpLem-se-lhes os conhecimentos emp>ricos ou aJueles Jue são poss>.eis apenas a &oster*ori( isto 0, por e2periGncia. +os conhecimentos a &riori denomina.am-se &uros aJueles aos Juais nada de emp>rico est' mesclado. 0 um conceito Jue s3 pode ser tirado da e2periGncia. [ M8, -mmanuel. Cr*tica da ra6ão &ura( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, &o.a *ultural, :;;:. p. <?<E. ssim, por e2emplo, a proposição: cada mudança tem sua causa, 0 uma proposição a &riori( s3 Jue não pura, pois mudança

:) I espaço não 0 um conceito emp>rico a"stra>do de e2periGncias e2ternas. Pois a representação de espaço H' tem Jue estar su"Hacente para certas sensaçLes se re1erirem a algo 1ora de mim (isto 0, a algo num lugar do espaço di.erso daJuele em Jue me encontro), e igualmente para eu poder represent'-las como 1ora de mim e uma ao lado da outra e por conseguinte não simplesmente como di1erentes, mas como situadas em lugares di1erentes. Logo, a representação do espaço não pode ser tomada emprestada, mediante a e2periGncia, das relaçLes do 1en)meno e2terno, mas esta pr3pria e2periGncia e2terna 0 primeiramente poss>.el s3 mediante re1erida representação. <) I espaço 0 uma representação a &riori necess'ria Jue su"Haz a todas as intuiçLes e2ternas. /amais 0 poss>.el 1azer-se uma representação de Jue não haHa espaço algum, em"ora se possa muito "em pensar Jue não se encontre o"Heto algum nele. ,le 0, portanto, considerado a condição da possi"ilidade dos 1en)menos e não uma determinação dependente destes7 0 uma representação a &riori Jue su"Haz necessariamente aos 1en)menos e2ternos. (...) $o te%&o :) I tempo não 0 um conceito emp>rico a"stra>do de JualJuer e2periGncia. *om e1eito, a simultaneidade ou a sucessão nem seJuer se apresentaria N percepção se a representação do tempo não esti.esse su"Hacente a &riori. %omente a pressupondo pode-se representar Jue algo seHa num e mesmo tempo (simult^neo) ou em tempos di1erentes (sucessi.o). <) I tempo 0 uma representação necess'ria su"Hacente a todas intuiçLes. *om respeito aos 1en)menos em geral, não se pode suprimir o pr3prio tempo, não o"stante se possa do tempo muito "em eliminar os 1en)menos. I tempo 0, portanto, dado a &riori. %3 nele 0 poss>.el toda a realidade dos 1en)menos. ,stes podem todos em conHunto desaparecer, mas o pr3prio tempo (como a condição uni.ersal da sua possi"ilidade) não pode ser suprimido. (...) [ M8, -mmanuel. Cr*tica da ra6ão &ura( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, &o.a *ultural, :;;:. p. D: e DD.

M/ no#o .lu%inis%oL ssim, o no.o -luminismo proclama sua crença no pluralismo e na toler^ncia e com"ate todos os 1anatismos, sa"endo Jue eles não se originam da manipulação consciente do clero e dos tiranos, como Hulga.a a -lustração, e sim da ação de mecanismos sociais e ps>Juicos muito mais pro1undos. !e.i.e a crença no progresso, mas o dissocia de toda 1iloso1ia da hist3ria, Jue o conce"e como uma tendGncia linear e autom'tica, e passa a .G-lo como algo de contingente, pro"a"il>stico e dependente da ação consciente do homem. I 4nico progresso humanamente rele.ante 0 o Jue contri"ui de 1ato para o "em-estar de todos, e os automatismos do crescimento econ)mico não "astam para assegur'-lo. I progresso, nesse sentido, não 0 uma doação espont^nea da t0cnica, mas uma construção intencional pela Jual os homens decidem o Jue de.e ser produzido, como e para Juem, e.itando ao m'2imo os custos sociais e ecol3gicos de uma industrialização sel.agem. ,sse progresso não pode depender nem de decisLes empresariais isoladas nem das diretrizes "urocr'ticas de um ,stado centralizador, e sim de impulsos emanados da pr3pria sociedade. I -luminismo mant0m sua 10 na ciGncia, mas sa"e Jue ela precisa ser controlada socialmente e Jue a pesJuisa precisa o"edecer a 1ins e .alores esta"elecidos por consenso, para Jue ela não se con.erta numa 1orça cega, a ser.iço da guerra e da dominação. !epLe em circulação a noção \antiana da Kpaz perp0tuaK, com pleno conhecimento das 1orças s3cioecon)micas Jue conduzem N guerra. !esgata o ideal do cosmopolitismo, do NeltbIrgertu%( sa"endo Jue nas condiçLes atuais a uni.ersalidade poss>.el não poder' ir muito al0m da es1era cultural. ssume como sua "andeira mais .aliosa a doutrina dos direitos humanos, sem ignorar Jue na maior parte da humanidade s3 pro1undas re1ormas sociais e pol>ticas podem assegurar sua 1ruição e1eti.a. *om"ate o poder ileg>timo, consciente de Jue ele não se localiza apenas no ,stado tir^nico, mas tam"0m na sociedade, em Jue ele se tornou in.is>.el e total, molecular e di1uso, aprisionando o indi.>duo em suas malhas tão seguramente como na 0poca da monarJuia a"soluta. Luta pela li"erdade, c)nscio de Jue ela não pode ser apenas o do citoBen rousseau>sta, mas tam"0m a de todos Jue se inserem em campos setoriais de opressão, regidos por .ersLes KregionaisK da dial0tica hegeliana do senhor e do escra.o, como a relação homem-mulher, heterosse2ualhomosse2ual, etnia dominante-etnias minorit'rias. d.oga uma moral n^o-repressi.a, deri.ada da moral da -lustração, Jue 1a.oreceu a plena li"eração das pai2Les, mas não a 1unda numa razão legi1erante, Jue desco"re por atos indi.iduais de intuição normas .'lidas para todos os homens, e sim num processo consensual Jue permite o tr^nsito de uma normati.idade heter)noma para uma normati.idade aut)noma. %a"e, en1im, Jue grande parte desses .alores s3 podem ser realizados pela mudança das relaçLes sociais, mas não desconhece Jue as tentati.as at0 hoHe empreendidas para mud'-las le.aram a no.as 1ormas de tirania. (...) !IP M,8, %0rgio Paulo. As ra64es do .lu%inis%o. %ão Paulo, *ompanhia das Letras, :;CB. p. @<-@@.

CAPÍTULO . A ci>ncia P!-&,-! P !8, 9 I Jue 0 ciGncia
/ carbQnculo( doença infecciosa &ro#ocada &or bactéria( tra6ia inQ%eros &re2u*6os aos criadores de gado quando( e% XYYX( o franc>s :ouis Pasteur se ocu&ou co% o assunto. :e#antou a hi&'tese de que os ani%ais &oderia% ser i%uni6ados caso fosse% #acinados co% bactérias enfraquecidas de carbQnculo. 1e&arou então sessenta o#elhas da seguinte %aneira: e% de6 não a&licou nenhu% trata%entoA #acinou duas #e6es as outras CZ( e a&'s alguns dias lhes a&licou u%a cultura conta%inada &or carbQnculoA não #acinou as CZ restantes( %as inoculou a cultura conta%inada. $e&ois de algu% te%&o( #erificou que as CZ o#elhas não#acinadas %orrera%( as CZ #acinadas sobre#i#era% e( co%&aradas co% as de6 que não tinha% sido sub%etidas a nenhu% trata%ento( ficou constatado que a #acina não lhes &re2udicara a saQde. / %étodo cient*fico I e2emplo cl'ssico de procedimento cient>1ico das ciGncias e2perimentais acima re1erido nos mostra o seguinte: inicialmente, h' um pro"lema Jue desa1ia a inteligGncia humana7 o cientista ela"ora uma hip3tese e esta"elece as condiçLes para seu controle, a 1im de con1irm'-la ou não. &as nem sempre a conclusão 0 imediata, como no caso citado, sendo necess'rio repetir as e2periGncias ou alterar in4meras .ezes as hip3teses. conclusão 0 então generalizada, ou seHa, considerada .'lida não s3 para aJuela situação, mas para outras similares. l0m disso, Juase nunca se trata de um tra"alho solit'rio do cientista, pois, hoHe em dia, cada .ez mais as pesJuisas são o"Heto de atenção de grupos especializados ligados Ns uni.ersidades, Ns empresas ou ao ,stado. +e JualJuer 1orma, a o"Heti.idade da ciGncia resulta do Hulgamento 1eito pelos mem"ros da comunidade cient>1ica Jue a.aliam criticamente os procedimentos utilizados e as conclusLes, di.ulgadas em re.istas especializadas e congressos. ciGncia "usca compreender a realidade de maneira racional, desco"rindo relaçLes uni.ersais e necess'rias entre os 1en)menos, o Jue permite pre.er acontecimentos e, conseJ_entemente, tam"0m agir so"re a natureza. Para tanto, a ciGncia utiliza m0todos rigorosos e atinge um tipo de conhecimento sistem'tico, preciso e o"Heti.o. 9uest4es sobre o %étodo ,m tese, o m0todo e2perimental se caracteriza pelas seguintes etapas: o"ser.ação, hip3tese, e2perimentação, generalização (lei e teoria). &as, na pr'tica, o processo não se realiza necessariamente nesta ordem, podendo .ariar con1orme as circunst^ncias. lguns pensadores chegam at0 a a1irmar Jue os cientistas não seguem propriamente normas metodol3gicas, por não serem elas de 1ato .erdadeiros instrumentos de desco"erta. &esmo não le.ando em conta tal posição e2trema, 0 preciso realçar alguns aspectos suHeitos a discussão. Por isso .amos analisar cada etapa.

)étodo .em de %eta( Kao longo deK, e hod's( K.ia, caminhoK. a o percurso Jue se segue na in.estigação da .erdade, a 1im de se alcançar um 1im determinado. Ma ciGncia, o m0todo consiste na estrutura racional Jue permite a 1ormulação e .eri1icação das hip3teses. /bser#ação e hi&'tese Mão 0 adeJuado pensar Jue a ciGncia começa seu tra"alho pela o"ser.ação dos 1atos, s3 realizando a seleção de dados em 1ase posterior. Pois são tantos os 1atos, Jue de.emos selecionar os mais rele.antes7 mas como considerar a rele.^ncia de um 1ato, a não ser Jue H' tenhamos algumas hip3teses preliminares Jue orientem nosso olharR Por e2emplo, ao in.estigar as pro.'.eis causas da Juisa ser' cega, sem o"Heti.o e destinada ao 1racasso. Portanto, o"ser.ação e hip3tese se acham sempre relacionadas de maneira rec>proca. %e de in>cio a hip3tese orienta a seleção dos 1atos, em outro momento mais a.ançado da pesJuisa, H' tendo sido 1eito o le.antamento dos dados, ela tem o papel de reorganizar os 1atos, dando-lhes uma interpretação pro.is3ria como proposta antecipada de solução do pro"lema. 5' muita lenda em torno de Jual seria a 1onte da hip3tese. s pessoas tendem a 1antasiar a respeito do ato criador, e imaginam o Kcientista genialK 1azendo desco"ertas espetaculares com um passe de m'gica. a "em .erdade Jue a 1ormulação da hip3tese apro2ima o cientista do artista, pois e2iste intuição e Kiluminação s4"itaK -insight? nas desco"ertas cient>1icas. &as não con.0m e2agerar este aspecto, pois sem d4.ida ele 0 precedido por longo tra"alho e rigorosa ela"oração conceituai, sem o Jue os KclarLesK tal.ez nem ocorressem ou se dispersassem no .azio. l0m disso, para ser cient>1ica, a hip3tese precisa ser .eri1icada e con1irmada pelos A confir%ação da hi&'tese .eri1icação da hip3tese pode ser 1eita de in4meras maneiras, dependendo das t0cnicas dispon>.eis e tam"0m do tipo de ciGncia. Por e2emplo, em astronomia, a con1irmação s3 pode ser 1eita mediante no.a o"ser.ação dirigida pela hip3tese. 8am"0m são espec>1icas as 1ormas de .eri1icação de hip3teses re1erentes N e.olução das esp0cies, N origem do uni.erso ou a um determinado per>odo da hist3ria humana. lgumas ciGncias tGm condiçLes de controle mais rigoroso por meio da e@&eri%entação. +i1erentemente da o"ser.ação, 1eita nas condiçLes apresentadas naturalmente, a e2perimentação 0 a .eri1icação dos 1en)menos em condiçLes determinadas pelo e2perimentador (como no e2emplo dado na a"ertura do cap>tulo). import^ncia da e2perimentação 0 Jue ela se 1az em condiçLes pri.ilegiadas, permitindo a repetição, .ariação das condiçLes de e2periGncias e simpli1icação dos 1en)menos, o Jue torna o controle da in.estigação mais rigoroso. possi"ilidade de mensuração e a utilização de instrumentos dão maior precisão N ciGncia, pois permitem trans1ormar as Jualidades em Juantidades. Por e2emplo, o som 0 medido em deci"0is, a temperatura 0 .eri1icada na coluna de merc4rio, o peso 0 indicado pelo mo.imento da agulha na "alança, o Jue supera as a.aliaçLes puramente su"Heti.as e imprecisas. 1atos e .alidada pela comunidade intelectual. ids, o Jue de.e o pesJuisador o"ser.arR ,.identemente ele H' de.e ter de antemão crit0rios Jue o au2iliem nessa "usca, caso contr'rio a pes-

,2iste portanto uma reciprocidade entre t0cnica e ciGncia, pois, se a t0cnica 0 condição de aper1eiçoamento da ciGncia, por sua .ez o desen.ol.imento cienti1ico tem pro.ocado r'pida e.olução da tecnologia: se os estudos de 'tica permitem melhorar os microsc3pios e telesc3pios, outros mundos se a"rem diante do olhar humano por meio de instrumentos cada #e6 mais precisos. Mo entanto, a possi"ilidade de utilização da matem'tica e da t0cnica .aria con1orme as ciGncias. 1>sica 0 altamente Kmatematiz'.elK, o Jue não acontece com as ciGncias humanas. ,m"ora possam, em algumas circunst^ncias, recorrer Ns estat>sticas, 0 preciso reconhecer Jue nem sempre isso 0 poss>.el (.oltaremos ao assunto mais adiante). Generali6ação %e a hip3tese não 1or con1irmada pela e2perimentação, o tra"alho de.e ser recomeçado. &as, caso o resultado seHa positi.o, 0 poss>.el 1azer generali6aç4es ou 1ormular leis pelas Juais são descritas as regularidades dos 1en)menos. grande 1orça do m0todo cient>1ico reside na possi"ilidade de desco"erta das relaçLes constantes e necess'rias entre os 1en)menos, o Jue permite a pre.isi"ilidade e portanto o controle so"re a natureza. s leis podem ser de dois tipos: generalizaçLes emp>ricas e leis te3ricas. s generali6aç4es e%&*ricas( ou leis &articulares( resultam da o"ser.ação de casos particulares. Por e2emplo, Ko calor dilata os corposK, Ko 1>gado tem 1unção glicogGnicaK, ou ainda a lei da Jueda dos corpos, a lei dos gases e assim por diante. s leis te'ricas ou teorias propriamente ditas são leis mais gerais e a"rangentes Jue re4nem as di.ersas leis particulares so" uma perspecti.a mais ampla. a o caso da gra.itação uni.ersal de MeFton, Jue englo"a as leis planet'rias de [epler e a lei da Jueda dos corpos de $alileu. e.olucionista de +arFin são outros e2emplos. pesar do rigor do m0todo, não é con.eniente pensar Jue a ciGncia 0 um conhecimento certo e de1initi.o, pois ela a.ança em cont>nuo processo de in.estigação Jue supLe alteraçLes e ampliaçLes necess'rias N medida Jue surgem 1atos no.os, ou Juando são in.entados no.os instrumentos. Por e2emplo, nos s0culos eV--- e e-e, as leis de MeFton 1oram re1ormuladas por di.ersos matem'ticos Jue desen.ol.eram t0cnicas para aplic'-las de maneira mais precisa. Mo s0culo ee, a teoria da relati.idade de ,instein desmentiu a concepção cl'ssica de Jue a luz se propaga e% linha reta. solar de :;:;. -sso ser.e para mostrar o car'ter pro.is3rio do conhecimento cient>1ico, sem no entanto desmerecer a seriedade e o rigor do m0todo e dos resultados. Iu seHa, as leis e as teorias continuam sendo de 1ato hip3teses com di.ersos graus de con1irmação e .eri1ica"ilidade, podendo ser aper1eiçoadas ou superadas. DROPES hip3tese de Jue os raios luminosos Jue passam pr32imo do %ol so1reriam um des.io 1oi con1irmada por o"ser.açLes durante o eclipse teoria da relati.idade de ,instein e a teoria

Fazemos a ciGncia com 1atos, como 1azemos uma casa com pedras7 mas a acumulação de 1atos não 0 ciGncia, assim como um monte de pedras não 0 uma casa. (Poincar0.) +e.emos considerar o estado presente do uni.erso como o e1eito de seu estado anterior e como a causa daJuilo Jue .ai seguir-se. Pma inteligGncia Jue, por um instante dado, conhecesse todas as 1orças de Jue a natureza 0 animada e a situação respecti.a dos seres Jue a compLem, englo"aria na mesma 13rmula os mo.imentos dos maiores corpos do uni.erso e os do mais le.e 'tomo7 nada seria incerto para ela, e o 1uturo, como o passado, seria presente a seus olhos. (Laplace.) ciGncia se empenha em eliminar tudo o Jue nela 1or puramente pessoal. Procura remo.er tudo o Jue 1or 4nico no cientista, indi.idualmente considerado: recordaçLes, emoçLes e sentimentos est0ticos despertados pelas disposiçLes de 'tomos, as cores e os h'"itos de p'ssaros, ou a imensidão da Via L'ctea. ([neller.)

,e,!*Q*-I% :. Faça o 1ichamento da primeira parte do cap>tulo. +estaJue suas d4.idas. <. Leia a citação de Poincar0 (dropes :) e e2pliJue por Jue a simples o"ser.ação dos 1atos não conduz N ciGncia. Messe caso, o Jue seria necess'rio para talR @. KMada h' para responder NJueles Jue perguntam como se de.e agir para in.entar. -lus3ria toda esperança de um mecanismo. genialidade 0 original, aut)noma, indisciplin'.el, sempre pessoal e impre.ista.K (Le !oZ.) 8endo em .ista a citação, e2pliJue em Jue aspectos a 1ormulação da hip3tese cient>1ica apro2ima o cientista do artista, e em Jue sentido se distingue dele. D. Leia a citação de [neller (dropes @) e e2pliJue o signi1icado dela usando os conceitos de sub2eti#o e ob2eti#o. Z. A partir da citação de Laplace (dropes <), e2pliJue os seguintes conceitos aplic'.eis N ciGncia: a) o determinismo7 ") a pre.isi"ilidade7 c) a possi"ilidade de trans1ormar a natureza. E. teoria da atração uni.ersal de MeFton permite calcular a massa do %ol e dos planetas, e2plicar as mar0s, as .ariaçLes da gra.idade em 1unção da latitude, e possi"ilitou inclusi.e a desco"erta de Metuno, planeta at0 então desconhecido. a) Sue tipo de lei 0 a lei de MeFtonR ") 8endo em .ista o e2emplo dado, e2pliJue uma das 1unçLes dessa lei. B. I "i3logo *laude #ernard diz com relação Ns teorias: Ka necess'rio mudar Juando H' desempenharam sua 1unção, do mesmo modo Jue se muda um "isturi cego Jue ser.iu durante muito tempoK. ,2pliJue como a ciGncia não se constitui em conhecimento certo e de1initi.o. C. Leia o te2to complementar KPor Jue o homem Juer conhecerRK, de Wl.aro Vieira Pinto, e responda: Para o autor, não 0 a simples curiosidade Jue le.a o homem a "uscar o sa"er. I Jue seria, entãoR

LEITURA %OMPLEMENTAR MPor que o ho%e% quer conhecer7L I homem não se dispLe a conhecer o mundo porJue o perce"e como um enigma Jue lhe daria KgostoK resol.er. ,2plicaçLes Jue apelam para a K.ontade de deci1ração de um mist0rioK, de espanto em 1ace das Kmara.ilhasK da realidade (Platão), de K.ontade de poderK (Mietzsche) são inteiramente ingGnuas, situam-se 1ora de JualJuer "ase o"Heti.a. simples e prosaica a1irmati.a de rist3teles, no pre^m"ulo da )etaf*sica( ao dizer proposição aristot0lica não 1unda a epistemologia da Jue o homem 0 um animal naturalmente deseHoso de conhecer, tem a superioridade de concordar com a situação de 1ato, em"ora 1alte e2plicar-nos por Jue isto acontece. pesJuisa cient>1ica porJue ser.e apenas para reconhecer um 1ato inicial, não o1erecendo a e2plicação dele, Jue de.eria ser o .erdadeiro ponto de partida de todas as cogitaçLes su"seJ_entes. 8al ponto de partida n3s o encontramos, se não estamos eJui.ocados, na teoria dial0tica da e2istGncia, ao considerar o homem não um ser (no sentido aristot0lico), um animal dotado de atri"utos in.ari'.eis, mas um e2istente e% &rocesso de 1azer-se a si mesmo, o Jue consegue pelo en1rentamento das o"struçLes Jue o meio natural lhe opLe e pela .it3ria so"re elas, graças ao desco"rimento das 1orças Jue o hostilizam e dos modos de empregar umas para anular o e1eito de outras, Jue o molestam, o destroem ou impedem de realizar os seus prop3sitos. I homem não conhece, não in.estiga a natureza para satis1azer um deseHo imoti.ado, mas para se reali6ar na condição de ente humano. V-,-! P-M8I, [l#aro. Ci>ncia e e@ist>ncia. !io de /aneiro, Paz e 8erra, :;E;. p. D<E-D<B.

%,$PM+ P !8, 9 5ist3rico da ciGncia
I conhecimento cient>1ico é conJuista relati.amente recente da humanidade. !e.olução *ient>1ica do s0culo eV-- marca a autonomia da ciGncia, a partir do momento Jue ela "usca seu pr3prio m0todo, desligado da re1le2ão 1ilos31ica. Para melhor entender o Jue signi1ica essa re.olução, .amos analisar o conceito de ciGncia e2istente antes da -dade &oderna. A ci>ncia grega +entre as ci.ilizaçLes antigas, os gregos 1oram os primeiros a desen.ol.er um tipo de conhecimento racional mais desligado do mito. I pensamento laico, não-religioso, logo se toma rigoroso e conceituai, 1azendo nascer a 1iloso1ia no s0culo V- a.*. Mas col)nias gregas da /)nia e &agna $r0cia, surgiram os primeiros 1il3so1os (posteriormente conhecidos como pr0-socr'ticos), e sua principal preocupação era a cosmologia, ou estudo da natureza. #usca.am o princ>pio e2plicati.o de todas as coisas (a arché?( cuHa unidade resumiria a e2trema multiplicidade da natureza. s respostas eram as mais .ariadas, mas a teoria Jue permaneceu por mais tempo 1oi a de ,mp0docles, para Juem o mundo 1>sico 0 constitu>do de Juatro elementos7 terra, 'gua, ar e 1ogo. &uitos desses 1il3so1os, tais como 8ales e Pit'goras no s0culo V- a.*. e ,uclides no s0culo --- a.*, ocupa.am-se com astronomia e geometria, mas, di1erentemente dos eg>pcios e "a"il)nios, desliga.am-se de preocupaçLes religiosas e pr'ticas, .oltando-se para JuestLes mais te3ricas. lguns princ>pios 1undamentais da mec^nica 1oram esta"elecidos por rJuimedes no s0culo --- a.*-, .isto por $alileu como o 4nico cientista grego no sentido moderno da pala.ra de.ido N utilização de medidas e

enunciação do resultado so" a 1orma de lei geral. &as rJuimedes constitui e2ceção, H' Jue a ciGncia grega era mais .oltada para a especulação racional e desligada da t0cnica e das preocupaçLes pr'ticas. I auge do pensamento grego se deu nos s0culos V e -V a.*., per>odo em Jue .i.eram %3crates, Platão e rist3teles. Platão opLe de maneira .igorosa os sentidos e a razão, e considera Jue os primeiros le.am N opinião -do@a?( 1orma imprecisa, su"Heti.a e mut'.el de conhecer. Por isso 0 preciso "uscar a ciGncia -e&isté%e?( Jue consiste no conhecimento racional das essGncias, das id0ias imut'.eis, o"Heti.as e uni.ersais. s ciGncias como a matem'tica, a geometria, a astronomia são passos necess'rios a serem percorridos pelo pensador, at0 atingir as culmin^ncias da re1le2ão 1ilos31ica. rist3teles atenua o idealismo plat)nico, e seu olhar 0 sem d4.ida mais realista, não des.alorizando tanto os sentidos. Filho de m0dico, herdou o gosto pela o"ser.ação e deu grande contri"uição N "iologia. &as, como todo grego, rist3teles tam"0m procura apenas conhecer por conhecer, estando suas re1le2Les desligadas da t0cnica e das preocupaçLes utilit'rias. l0m disso, persiste a concepção est'tica do mundo, pela Jual os gregos costumam associar a per1eição ao repouso, N ausGncia de mo.imento. A astrono%ia ,m"ora ristarco de %amos tenha proposto um modelo heliocentrico, a tradição Jue rece"emos dos rist3teles e mais tarde por Ptolomeu, "aseia-se no modelo gregos a partir de ,udo2o, con1irmada por

geocGntrico: a 8erra se acha im3.el no centro do uni.erso e em torno dela giram as es1eras onde estão Kcra.adasK a Lua, os cinco planetas, o %ol. Ma 4ltima es1era, as estrelas 1i2as 1echam o mundo 1inito e es10rico. +eus, enJuanto Primeiro &otor -m3.el, 0 uma hip3tese necess'ria para e2plicar o mo.imento imprimido N es1era das estrelas 1i2as, Jue por sua .ez transmite por atrito o mo.imento Ns es1eras cont>guas. Iutra caracter>stica marcante dessa astronomia 0 a hierarqui6ação do cosmos, ou seHa, o uni.erso se acha di.idido em dois mundos, sendo Jue um 0 considerado superior ao outro: h o mundo sublunar( considerado in1erior, corresponde N região da 8erra Jue, em"ora im3.el ela mesma, 0 local dos corpos perec>.eis, corrupt>.eis, porJue se encontram em constante mo.imento (lem"rar Jue, para eles, o mo.imento 0 imper1eição). 8odas as coisas na 8erra são constitu>das pelos Juatro elementos. h o mundo su&ralunar( de natureza superior, corresponde aos K*0usnn: Lua, &erc4rio, VGnus, %ol, &arte, /4piter, %aturno e as estrelas 1i2as. %ão corpos constitu>dos por uma su"st^ncia desconhecida, o 0ter (a JuintaessGncia), Jue 1az com Jue os astros seHam incorrupt>.eis, per1eitos, inalter'.eis. &esmo o mo.imento das es1eras 0 circular, caracter>stica do mo.imento per1eito. A f*sica Para rist3teles, a 1>sica 0 a parte da 1iloso1ia Jue "usca compreender a essGncia das coisas naturais constitu>das pelos Juatro elementos e Jue se encontram em constante mo.imento retil>neo em direção ao centro da 8erra ou em sentido contr'rio a ele. -sto porJue os corpos pesados (gra.es) como a terra e a 'gua tendem para "ai2o (para o centro), pois este 0 o seu Klugar naturalK. /' os corpos le.es como o ar e o 1ogo tendem para

cima. I mo.imento 0 então compreendido como a transição do corpo Jue "usca o estado de repouso, no seu lugar natural. 1>sica aristot0lica parte, portanto, das de1iniçLes das essGncias e da an'lise das Jualidades intr>nsecas dos corpos (por e2emplo, a gra.idade 0 considerada u%a KJualidadeK dos corpos pesados). Conclusão A partir deste "re.e es"oço, podemos con1erir N ciGncia grega as seguintes caracter>sticas: h encontra-se ligada N 1iloso1ia, cuHo m0todo orienta o tipo de a"ordagem dos pro"lemas7 h 0 Jualitati.a, porJue a argumentação se "aseia na an'lise das propriedades intr>nsecas dos corpos7 h não 0 e2perimental, e se acha desligada da t0cnica7 h 0 contemplati.a, porJue "usca o sa"er pelo sa"er, e não a aplicação pr'tica do conhecimento7 h "aseia-se em uma concepção est'tica do mundo. a poss>.el compreender a concepção grega de ciGncia ao e2aminarmos a maneira pela Jual os indi.>duos se relaciona.am para produzir sua e2istGncia. Ma sociedade grega escra.ista o tra"alho manual era des.alorizado (por ser ocupação de escra.os), e portanto era depreciada JualJuer ati.idade t0cnica. ,m contrapartida, era .alorizada a ati.idade intelectual, digna dos homens KsuperioresK Jue não precisam se ocupar com os a1azeres do dia-a-dia.

A ci>ncia %edie#al A -dade &0dia, per>odo compreendido do s0culo V at0 o s0culo eV, rece"e a herança greco-latina e mant0m a mesma concepção de ciGncia. JualJuer ati.idade manual. Fora algumas e2ceçLes 9 como as e2perimentaçLes de !oger #acon e a 1ecunda contri"uição dos 'ra"es 9, a ciGncia herdada da tradição grega se .incula aos interesses religiosos e se su"ordina aos crit0rios da re.elação, pois, na -dade &0dia, a razão humana de.ia se su"meter ao testemunho da 10. partir do s0culo e-V, a ,scol'stica 9 principal escola 1ilos31ica e teol3gica medie.al 9 entra em decadGncia. ,sse per>odo 1oi muito preHudicial ao desen.ol.imento da ciGncia porJue no.as id0ias 1ermenta.am nas cidades, mas os guardiães da .elha ordem resistiam Ns mudanças de 1orma dogm'tica (presos Ns suas .erdades como se 1ossem dogmas). ,sterilizados pelo princ>pio da autoridade, a1erra.am-se Ns .erdades dos K.elhos li.rosK, 1ossem eles a #>"lia, rist3teles ou Ptolomeu. 8ais resistGncias não se restringiam apenas ao campo intelectual, mas resulta.am muitas .ezes em processos e perseguiçLes. I %anto I1>cio, ou -nJuisição, ao controlar toda produção, 1azia a censura pr0.ia das id0ias Jue podiam ser di.ulgadas ou não. $iordano #runo 1oi Jueimado .i.o no s0culo eV- porJue sua teoria do cosmos in1inito era considerada pante>sta, uma .ez Jue a in1initude era atri"uto e2clusi.o de +eus. A ,e#olução Cient*fica pesar das di1erenças e.identes, 0 poss>.el compreender essa continuidade, de.ido ao 1ato de o sistema de ser.idão tam"0m se caracterizar pelo desprezo N t0cnica e a

I m0todo cient>1ico, como n3s o conhecemos hoHe, surge na -dade &oderna, no s0culo eV--. I !enascimento *ient>1ico não constituiu uma simples e.olução do pensamento cient>1ico, mas .erdadeira ruptura Jue supLe no.a concepção de sa"er. a preciso e2aminar o conte2to hist3rico onde ocorreram trans1ormaçLes tão radicais, a 1im de perce"er Jue elas não se desligam de outros acontecimentos igualmente marcantes: emergGncia da no.a classe dos "urgueses, desen.ol.imento da economia capitalista. !e.olução *omercial, !enascimento das artes, das letras e da 1iloso1ia. 8udo isso indica o surgimento de um no.o homem, con1iante na razão e no poder de trans1ormar o mundo. Is no.os tempos são marcados pelo racionalis%o( Jue se caracteriza pela .alorização da razão enJuanto instrumento de conhecimento Jue dispensa o crit0rio da autoridade e o da re.elação. *hamamos de secularização ou laicização do pensamento a preocupação em se desligar das Husti1icati.as 1eitas pela religião, Jue e2igem adesão pela crença, para s3 aceitar as .erdades resultantes da in.estigação da razão mediante demonstração. +a> a intensa preocupação com o %étodo( ponto de partida para a re1le2ão de in4meros pensadores do s0culo eV--: +escartes, %pinoza, Francis #acon, $alileu, entre outros. Iutra caracter>stica dos no.os tempos é o saber ati#o( em oposição ao sa"er contemplati.o. Mão s3 o sa"er .isa a trans1ormação da realidade, como tam"0m passa ele pr3prio a ser adJuirido pela e2periGncia, como .eremos, de.ido N aliança entre a ciGncia e a t0cnica. Pma e2plicação poss>.el para Husti1icar a mudança 0 Jue a classe comerciante, constitu>da pelos "urgueses, se imp)s pela .alorização do tra"alho, em oposição ao 3cio da aristocracia. import^ncia da "4ssola, do aper1eiçoamento dos na.ios, da m'Juina a .apor etc. $uas no#as ci>ncias ,m oposição ao modelo geocGntrico da astronomia de Ptolomeu, *op0rnico, no s0culo eV-, prop)s o modelo da teoria heliocGntrica. &as sua hip3tese não causou tanto impacto Juanto a di.ulgação 1eita por $alileu no s0culo seguinte, a ponto de as autoridades eclesi'sticas o o"rigarem a retratar-se so" pena de ser condenado N morte. a "om lem"rar Jue as reaçLes contra $alileu partiam dos adeptos da escol'stica decadente e re1letiam de maneira geral o temor daJueles Jue pertenciam N antiga ordem (a aristocracia e o clero com ela comprometido) e não Jueriam a destruição das hierarJuias da no"reza e da -greHa. &as Jue mudanças são essas Jue tanto a1ligiam os antigosR $alileu $alilei torna-se respons'.el pela moderna concepção de ciGncia ao criar o m0todo cient>1ico. %ua contri"uição te3rica te.e como resultado a re1ormulação completa de duas no.as ciGncias, a astronomia e a 1>sica. *om o uso da luneta, $alileu desco"re Jue o uni.erso 0 in1inito e Jue os astros não são constitu>dos de mat0ria incorrupt>.el (o %ol tem manchas e a Lua 0 montanhosa), o Jue destr3i a di.isão hier'rJuica do mundo supralunar e su"lunar. o mundo geocGntrico, 1inito, ordenado, Jualitati.o, opLe-se o uni.erso descentralizado e geom0trico em Jue os espaços podem ser medidos. l0m disso, os in.entos e desco"ertas tornam-se necess'rios para o desen.ol.imento do com0rcio e da ind4stria. #asta lem"rar a

grande no.idade no desen.ol.imento da 1>sica 0 a introdução da e2perimentação e da matematização. ,nJuanto a 1>sica antiga 0 Jualitati.a, preocupada com a e2plicação das Jualidades intr>nsecas das coisas, $alileu o"ser.a e realiza e2perimentaçLes em la"orat3rio, usa instrumentos e 1az a descrição Juantitati.a do 1en)meno. ,nJuanto rist3teles se pergunta.a a respeito da natureza dos corpos pesados ou le.es para compreender a Jueda dos corpos, $alileu e2plica KcomoK os corpos caem me não Kpor JuGK caem), esta"elecendo a relação entre o tempo Jue um corpo le.a para percorrer um plano inclinado e o espaço percorrido. +epois de repetir in4meras .ezes as e2periGncias, a lei da Jueda dos corpos 0 e2pressa numa 1orma geom0trica. principal contri"uição de $alileu ao desen.ol.imento da ciGncia moderna est' precisamente na com"inação do uso da linguagem matem'tica na construção das teorias, o Jue lhes d' maior rigor e precisão, com o recurso aos e2perimentos Jue permitem compro.ar empiricamente as hip3teses cienti1icas. (/ P- %%P, 5ilton e & !*IM+,%, +anilo. $icionário básico de filosofia.? A e@&ansão da ci>ncia / no.o m0todo cient>1ico mostrou-se 1ecundo, não cessando de ampliar sua aplicação. Is resultados o"tidos por $alileu na 1>sica e na astronomia, "em como as leis de [epler e as conclusLes de 8Zcho-#rahe, possi"ilitaram a MeFton a ela"oração da teoria da gra.itação uni.ersal. %urgem as academias cient>1icas onde os cientistas se associam para troca de e2periGncias e pu"licaçLes. %ão importantes a cademia de *iGncias, da Jual participaram +escartes, Pascal e MeFton, a !eal %ociedade de Londres e a cademia de #erlim. os poucos o no.o m0todo 0 adaptado a outros campos de pesJuisa, 1azendo surgir di.ersas ciGncias particulares. Mo s0culo eV--- La.oisier torna a Ju>mica uma ciGncia de medidas precisas7 o s0culo e-e 1oi o do desen.ol.imento das ciGncias "iol3gicas e da medicina, destacando-se o tra"alho de *laude #ernard com a 1isiologia e o de +arFin com a teoria da e.olução das esp0cies. As ci>ncias hu%anas *hamamos ciGncias humanas aJuelas Jue tGm por o"Heto de estudo o pr3prio homem (psicologia, sociologia, hist3ria, geogra1ia humana, economia, antropologia, ling_>stica etc.). *om o desen.ol.imento das ciGncias da natureza, deseHou-se estender o rigor do m0todo tam"0m aos assuntos re1erentes ao homem, assuntos estes Jue sempre 1oram o"Heto da 1iloso1ia. Mo entanto, a comple2idade dos atos humanos torna muito di1>cil e espec>1ica a a"ordagem cient>1ica dos 1en)menos. %3 para citar algumas di1iculdades: j o pr3prio homem 0 o"Heto de conhecimento, o Jue di1iculta a o"Heti.idade7 j mesmo nos casos em Jue a e2perimentação não 0 imposs>.el, nem sempre 0 1'cil identi1icar e controlar os di.ersos aspectos Jue in1luenciam os atos humanos7

j certas e2periGncias so1rem restriçLes de car'ter moral, pois não se pode su"meter o ser humano a situaçLes perigosas para sua integridade 1>sica ou mental7 j mesmo Jue haHa o recurso Ns estat>sticas, nem sempre a matematização 0 poss>.el7 j sendo um ser consciente e li.re, o homem não pode ter um comportamento totalmente pre.is>.el. Ira, se o ideal de cienti1icidade se esta"eleceu a partir dos princ>pios da e2perimentação e matematização, como 1icam as aspiraçLes de constituição das ciGncias humanasR Por isso, Juando surgiram as primeiras teorias da psicologia e da sociologia, elas .ieram marcadas pela in1luGncia positi.ista Jue pretendia reduzir as ciGncias humanas Ns ciGncias da natureza. ,ntão, por e2emplo, para os representantes da psicologia e2perimental, como ]undt e, posteriormente, ]atson e %\inner, o 1en)meno ps>Juico 0 aJuele Jue pode ser medido e controlado, desprezando-se os 1atos da consciGncia su"Heti.a. +a mesma maneira, +ur\heim, ao desen.ol.er o m0todo sociol3gico, recomenda.a Jue os 1atos sociais 1ossem o"ser.ados como coisas. ,m"ora essa tendGncia metodol3gica 9 Jue podemos chamar de naturalista 9 ainda continue e2istindo, h' tam"0m a tendGncia humanista Jue "usca o m0todo espec>1ico das ciGncias humanas. Messa linha, todo comportamento humano e2iste num conte2to Jue de.e ser interpretado não necessariamente por leis e n4meros, mas por uma compreensão de tipo Jualitati.o. l0m disso, aceitam-se pressupostos não .eri1ic'.eis e2perimentalmente, como, por e2emplo, a hip3tese do inconsciente proposta por Freud na psican'lise. +e JualJuer 1orma, as di1iculdades são in4meras e as discussLes a respeito do m0todo das ciGncias humanas ainda estão em a"erto. E)ER%*%IOS +. Faça o 1ichamento da segunda parte do cap>tulo e le.ante as d4.idas. <. K+e.emos distinguir o a"solutamente pesado, Jue 0 aJuilo Jue desce at0 o 1undo de todas as coisas, do a"solutamente le.e, Jue 0 aJuilo Jue so"e N super1>cie de todas as coisas. direção do mo.imento natural do elemento terra 0 o centro do 8odo. +a> in1erimos Jue, como os corpos compostos principalmente do elemento terra se mo.em em linha reta para o centro da 8erra, este 0 o centro do Pni.erso.K ( rist3teles.) a) ,sse te2to se re1ere ao elemento terra: Juais são os outros elementos Jue os antigos considera.am ser constituti.os da naturezaR *ite tam"0m de Jue elemento 0 constitu>da a região supralunar. ") Sue teoria da astronomia est' sendo considerada nesse te2toR !elate essa teoria em grandes linhas. c) Suais são os estudiosos Jue criticam essa teoria nos s0culos eV- e eV--R d) !elem"re os conceitos de l3gica do *ap>tulo @, I Jue 0 conhecimento, e responda: Jue tipo de racioc>nio (induti.o, deduti.o ou anal3gico) 0 usado por rist3teles no trecho citadoR , como, a partir dessa constatação, rist3teles, e não com te2tos e podemos distinguir a ciGncia grega da ciGncia modernaR @. K%enhor %impl>cio, .enha com as suas razoes e demonstraçLes, ou com as de simples autoridades, porJue os nossos racioc>nios tGm de 1azer-se em torno do mundo sens>.el e não com "ase num mundo de papel.K Messe di'logo, $alileu 1az uma cr>tica N ,scol'stica decadente e indica uma caracter>stica no.a da ciGncia moderna. ,2pliJue.

D. K

1iloso1ia encontra-se escrita neste grande li.ro Jue continuamente se a"re perante nossos olhos (isto 0, o

uni.erso), Jue não se pode compreender antes de entender a l>ngua e conhecer os caracteres com os Juais est' escrito. ,le est' escrito em l>ngua matem'tica, os caracteres são tri^ngulos, circun1erGncias e outras 1iguras geom0tricas sem cuHos meios 0 imposs>.el entender humanamente as pala.ras7 sem eles n3s .agamos perdidos dentro de um o"scuro la"irinto.K ($alileu.) a) partir da citação, e2pliJue Jual 0 a import^ncia da linguagem matem'tica para o surgimento da ciGncia moderna. ") ,2pliJue de Jue maneira a matem'tica pode ser usada nas ciGncias humanas e Juando se torna imposs>.el sua aplicação. ?. partir do te2to de leitura complementar K+o mundo 1echado ao uni.erso in1initoK, de le2andre [oZr0: a) Faça um Juadro comparati.o das caracter>sticas do pensamento antigo e do moderno. ") ,2pliJue e dG e2emplos: a cosmologia grega se "aseia em conceitos de .alor. c) ,2pliJue e dG e2emplos: a astronomia moderna determina a separação entre o mundo do .alor e o mundo dos 1atos. d) KI homem perdeu seu lugar no mundoK7 o Jue [oZr0 Juer dizer com issoR L,-8P! *I&PL,&,M8 ! $/ %undo fechado ao uni#erso infinito dmite-se de maneira geral Jue o s0culo eV-- so1reu, e realizou, uma radical>ssima re.olução espiritual de Jue a ciGncia moderna 0 ao mesmo tempo a raiz e o 1ruto. ,ssa re.olução pode ser descrita, e 1oi, de .'rias maneiras di1erentes. ssim, por e2emplo, alguns historiadores .iram seu aspecto mais caracter>stico na secularização da consciGncia, seu a1astamento de metas transcendentes para o"Heti.os imanentes, ou seHa, a su"stituição da preocupação pelo outro mundo e pela outra .ida pela preocupação com esta .ida e este mundo. Para outros autores, sua caracter>stica mais assinalada 1oi a desco"erta, pela consciGncia humana, de sua su"Heti.idade essencial e, por conseguinte, a su"stituição do o"Heti.ismo dos medie.os e dos antigos pelo su"Heti.ismo dos modernos7 outros ainda crGem Jue o aspecto mais destacado daJuela re.olução ter' sido a mudança de relação entre teoria e pr'2is, o .elho ideal da #ita conte%&lati#a cedendo lugar ao da #ita acti#a. ,nJuanto o homem medie.al e o antigo .isa.am N pura contemplação da natureza e do ser, o moderno deseHa a dominação e a su"Hugação. 8ais caracterizaçLes não são de nenhum modo 1alsas, e certamente destacam alguns aspectos "astante importantes da re.olução espiritual 9 ou crise 9 do s0culo eV--, aspectos Jue nos são e2empli1icados e re.elados, por e2emplo, por &ontaigne, #acon, +escartes ou pela disseminação geral do ceticismo e do li.repensamento. ,m minha opinião, no entanto, esses aspectos são concomitantes e e2pressLes de um processo mais pro1undo e mais 1undamental, em resultado do Jual o homem, como Ns .ezes se diz, perdeu seu lugar no mundo ou, dito tal.ez mais corretamente, perdeu o pr3prio mundo em Jue .i.ia e so"re o Jual pensa.a, e te.e de

trans1ormar e su"stituir não s3 seus conceitos e atri"utos 1undamentais, mas at0 mesmo o Juadro de re1erGncia de seu pensamento. Pode-se dizer, apro2imadamente, Jue essa re.olução cient>1ica e 1ilos31ica 9 0 de 1ato imposs>.el separar o aspecto 1ilos31ico do puramente cient>1ico desse processo, pois um e outro se mostram interdependentes e estreitamente unidos 9 causou a destruição do *osmos, ou seHa, o desaparecimento dos conceitos .'lidos, 1ilos31ica e cienti1icamente, da concepção do mundo como um todo 1inito, 1echado e ordenado hierarJuicamente mum todo no Jual a hierarJuia de .alor determina.a a hierarJuia e a estrutura do ser, erguendo-se da terra escura, pesada e imper1eita para a per1eição cada .ez mais e2altada das estrelas e das es1eras celestes), e a sua su"stituição por um uni.erso inde1inido e at0 mesmo in1inito Jue 0 mantido coeso pela identidade de seus componentes e leis 1undamentais, e no Jual todos esses componentes são colocados no mesmo n>.el de ser. -sto, por seu turno, implica o a"andono, pelo pensamento cient>1ico, de todas as consideraçLes "aseadas em conceitos de .alor, como per1eição, harmonia, signi1icado e o"Heti.o, e, 1inalmente, a completa des.alorização do ser. o di.3rcio do mundo do .alor e do mundo dos 1atos. [I(!a, le2andre. $o %undo fechado ao uni#erso infinito. !io de /aneiro/%ão Paulo, Forense uni.ersit'ria/,dusp. :;B;. p. :@-:D.

8,!*,-! P !8, 9 *iGncia e 1iloso1ia
Mos 4ltimos trGs s0culos, a ciGncia e a tecnologia 1oram capazes de alterar a 1ace do mundo, com mudanças tão radicais como nunca se te.e not>cia antes. I rigor do no.o sa"er e a e1ic'cia da no.a t0cnica propLem in4meras JuestLes 1ilos31icas, entre elas a necessidade de criticar os mitos Jue ine.ita.elmente da> surgiram. Is mitos da ciGncia / %ito do cientificis%o ` medida Jue a ciGncia se mostrou capaz de compreender a realidade de 1orma mais rigorosa, tomando poss>.el 1azer pre.isLes e trans1ormar o mundo, hou.e a tendGncia a desprezar outras a"ordagens da realidade como o mito, a religião, o "om senso da .ida cotidiana, a .ida a1eti.a, a arte e a 1iloso1ia. con1iança total na ciGncia .aloriza apenas a racionalidade cient>1ica, como se ela 1osse a 4nica 1orma de resposta Ns perguntas Jue o homem se 1az e a 4nica capaz de resol.er os pro"lemas humanos. ,ssa 1orma de pensar 1oi e2plicitada no s0culo e-e pelo 1il3so1o 1rancGs ugusto *omte, 1undador do positi.ismo, corrente 1ilos31ica segundo a Jual a humanidade teria passado por est'dios sucessi.os (teol3gico e meta1>sico) at0 chegar ao ponto superior do processo, caracterizado pelo conhecimento positi.o, ou cient>1ico. *omo decorrGncia do cienti1icismo, desen.ol.eu-se o mito do especialista, cuHa conseJ_Gncia 0 a tecnocracia: apenas teria capacidade de decisão o t0cnico competente7 portanto, sa"er 0 poder. (Ver *ap. <, t0cnica.) I %ito da neutralidade cientifica

ciGncia 0 um sa"er Jue se pretende o"Heti.o, capaz de superar a su"Heti.idade do pr3prio cientista e os preconceitos do senso comum. ,, na .erdade, atinge de 1ato alto n>.el de o"Heti.idade, podendo seus processos e produtos ser .eri1icados pela comunidade cient>1ica. ,m decorrGncia disso, muitos pensam Jue a ciGncia 0 um sa"er neutro, isto 0, as pesJuisas cient>1icas não so1reriam nenhuma in1luGncia social ou pol>tica e .isariam apenas o conhecimento KpuroK e desinteressado. Meste sentido, o cientista se ocuparia apenas da descrição dos 1en)menos, sem se preocupar com Hu>zos de .alor. Portanto, não s3 a ati.idade cient>1ica estaria N margem das JuestLes hist3ricas, como não ca"eria ao cientista discutir o uso pol>tico de suas desco"ertas. #em sa"emos dos riscos Jue a humanidade corre diante do Kaprendiz de 1eiticeiroK Jue se nega a discutir os 1ins a Jue se destinam suas desco"ertas. (Ver *ap. <, t0cnica.) A função da filosofia Pma das 1unçLes da 1iloso1ia 0 analisar os 1undamentos da ciGncia. I pr3prio cientista H' est' na .erdade colocando JuestLes propriamente 1ilos31icas Juando se pergunta em Jue consiste o conhecimento cienti1ico, Jual o seu alcance, Jual a .alidade do m0todo Jue utiliza e Jual 0 sua responsa"ilidade no Jue se re1ere Ns conseJ_Gncias das desco"ertas. Por isso 0 importante Jue o cientista se disponha a 1iloso1ar, a 1im de in.estigar os pressupostos e as implicaçLes do seu sa"er. l0m disso, a 1iloso1ia "usca recuperar a .isão de totalidade, perdida diante da multiplicação das ciGncias particulares e da .alorização do mundo dos KespecialistasK. a a 1iloso1ia Jue, diante do sa"er e do poder, a.alia se estes estão a ser.iço do homem ou contra ele, isto é( se ser.em para seu crescimento espiritual ou se o degradam, se contri"uem para a li"erdade ou para a dominação. / sono da ra6ão des&erta %onstros (:B;;), de Francisco de $oZa. razão precisa estar desperta para identi1icar se os 1ins da ciGncia e da t0cnica estão a ser.iço da humanização ou da alienação. ssim, é preciso Juestionar a ideologia do progresso Jue Husti1ica as ilusLes e preconceitos do homem Kci.ilizadoK por este se Hulgar superior a JualJuer outro. Mão 0 em nome do progresso Jue as tri"os ind>genas tGm sido sistematicamente e2pulsas dos seus territ3riosR , não seria o caso de perguntar Juais são os .alores do homem Kur"ano e ci.ilizadoK Jue 0 indi.idualista, so1re de solidão e tem sido .>tima dos descontroles do progresso, como a poluição am"ientalR +iante de tais JuestLes, não h' como sustentar a neutralidade da ciGncia. "om"a at)mica não pode ser considerada apenas como resultado do sa"er so"re a energia at)mica, nem como simples t0cnica de produzir e2plosão. 8rata-se de um sa"er e de uma t0cnica Jue dizem respeito N .ida e N morte de seres humanos. *omo tal, ca"e ao cientista a responsa"ilidade social de indagar a respeito dos 1ins a Jue se destinam suas desco"ertas. , não 0 poss>.el alegar isenção, uma .ez Jue a produção cient>1ica não se realiza 1ora de um determinado conte2to social e pol>tico cuHos o"Heti.os a serem alcançados estão claramente de1inidos. s altas ci1ras necess'rias ao encaminhamento das pesJuisas supLem o apoio 1inanceiro das instituiçLes p4"licas e pri.adas, Jue e.identemente su".encionam os tra"alhos Jue mais lhes interessam. Pode-se 1alar Jue, por muito tempo, hou.e uma Kind4stria da guerraK alimentando a Kcorrida armamentistaK e e2igindo o constante desen.ol.imento da ciGncia e tecnologia no campo militar.

I papel da 1iloso1ia consiste, portanto, em analisar as condiçLes em Jue se realizam as pesJuisas cient>1icas, in.estigar os 1ins e as prioridades a Jue a ciGncia se propLe, "em como a.aliar as conseJ_Gncias das t0cnicas utilizadas. !esta lem"rar Jue, no desempenho desse papel, o 1il3so1o não tem respostas prontas, nem um sa"er aca"ado. Mão ca"eria ao 1il3so1o nortear, de 1orma onipotente, os rumos da ciGncia. ao lado dos cientistas e dos t0cnicos a 1im de Jue a a"ordagem espec>1ica Jue ela 0 capaz de 1azer os au2ilie a não perder de .ista Jue a ciGncia e a t0cnica são apenas meios, e de.em estar a ser.iço da humanidade. E)ER%*%IOS :. Faça o 1ichamento da terceira parte do cap>tulo e destaJue as d4.idas. ... <. tenda N proposta de dissertação (FPV,%8-F$V/;:) K9 Por 1a.or, Jue caminho de.o escolher para sair daJuiR 9 -sso depende muito do lugar para onde .ocG Juer ir, disse o $ato. 9 Mão me importa muito para onde... 9 ,ntão não importa muito o caminho Jue .ocG escolher, 1alou o $ato. 9 ... desde Jue eu chegue a algum lugar, completou lice. 9 Ih6 .ocG certamente chegar', se caminhar "astante, disse o $ato.K Faça uma dissertação com "ase no Hogo de id0ias Jue ocorre no di'logo acima. VocG de.e assumir uma posição e procurar de1endG-la com argumentos Jue a Husti1iJuem. ,sse di'logo de lice com o $ato, H' 1amoso, est' no li.ro Alice no &a*s das %ara#ilhas( de LeFis *arroll, e o cientista ca"eria a tem sido usado com 1reJ_Gncia por 1il3so1os e pensadores para ilustrar o eterno con1lito entre ciGncia e 0tica. Mumerosas correntes acham Jue os o"Heti.os da ciGncia de.em ser de1inidos 1ora dela. tare1a de indicar os caminhos para se chegar a estes o"Heti.os. VocG concorda com essas correntes ou acha, como muitos outros, Jue a ciGncia tem import^ncia em si mesma e Jue o cientista, como lice, não de.e importar-se com o lugar onde chegar, desde Jue chegue a algum lugar, ou Jue o lugar seria, ou, ainda, estaria no pr3prio percursoR @. Leia o te2to complementar KI mito da ciGnciaK, de 5ilton /apiassu: a) Procure no dicion'rio o sentido das pala.ras: esoteris%o( tau%aturgos( alqui%istas. ,m seguida, mostre como o autor est' Juerendo indicar o sentido m>tico Jue o sa"er cient>1ico adJuiriu. ") ,m oposição a essa imagem ingGnua, Jual a .isão Jue o autor tem a respeito da .erdade na ciGnciaR c) +iante das JuestLes colocadas, Jual de.e ser a 1unção do 1il3so1oR P,%SP-% Faça uma pesJuisa "i"liogr'1ica so"re a 1iloso1ia de decorrGncias desse pensamento. L,-8P! *I&PL,&,M8 ! / %ito da ci>ncia ugusto *omte, o positi.ismo. ,2pliJue Juais são os est'dios do desen.ol.imento da humanidade segundo *omte, Jual 0 a concepção de ciGncia, e Juais são as 1iloso1ia de.e caminhar

/ sa"er especializado desperta a admiração temerosa por parte daJueles Jue o ignoram. 5' todo um respeito admirati.o em relação N linguagem cient>1ica, dotada de uma uni.ersalidade de direito, ha"ilmente restringida aos iniciados. %eu esoterismo protege o segredo, so"retudo pela matematização e pela 1ormalização. I poder de dominar a mat0ria e de fa6er coisas( da ciGncia, acarreta, nos não-iniciados, uma atitude de su"missão. a por isso Jue ela e2erce so"re muitos um poder Juase m'gico, um Kpoder dogm'ticoK. , 0 por isso, igualmente, Jue muitos .Gem nos cientistas os detentores do Kmagist0rio da realidadeK: s3 eles estão ha"ilitados a dizer o sentido( a propor a #erdade para todos, como se 1ossem taumaturgos ou .erdadeiros alJuimistas. I Jue se pede a eles, atra.0s das .ulgarizaçLes, 0 muito menos um complemento de in1ormaçLes do Jue a 1orma presente das JuestLes 4ltimas, pois as antigas respostas teol3gicas 1oram desprestigiadas. Is cientistas são .istos como se 1ossem os propriet'rios e2clusi.os do sa"er, de.endo 1echar todas as Kcicatrizes do não-sa"erK e 1ornecer os "'lsamos para as ang4stias indi.iduais e sociais. ,ssa imagem m>tica do cientista ignora Jue ele 1az parte e depende de uma estrutura "em real do mundo Jue o cerca. I mundo cient>1ico nada tem de ideal, não 0 uma terra de inocGncia, li.re de todo con1lito e su"metida apenas N lei da .erdade uni.ersal, isto 0, de uma .erdade test'.el e .eri1ic'.el em toda parte, atra.0s do respeito aos procedimentos de rigor e aos protocolos da e2perimentação. *omo se o cientista pudesse ser o detentor de uma .erdade una Jue, uma .ez 1ormulada em sua coerGncia, estaria isenta da discussão7 e como se ele pudesse guardar para sempre a imagem de um indi.>duo sempre >ntegro e rigoroso, Hamais suHeito N incoerGncia das pai2Les. / P- %%l, 5ilton. / %ito da neutralidade cient*fica. !io de /aneiro, -mago ,ditora, :;B?, p. XX\.

Pnidade --(ora)
A%or sagrado e a%or &rofano (:?:?), tela a 3leo do pintor renascentista 8iciano Vecelli. pintura ilustra @ dualidade corpo/esp>rito, ao separar o amor se2ual (pro1ano) do amor materno (sagrado), tema aJui a"ordado so" o ponto de .ista morai.

CAPÍTULO / / %undo dos #alores
. Todo %undo 2á ou#iu falar no H2eitinho brasileiroH: poder, não pode, mas sempre d'-se um Heito... )uitos até chega% a achar que se trata de #irtude a co%&lac>ncia co% a qual as &essoas Hfecha% os olhosH &ara certas irregularidades e ainda fa#orece% outras tantas. Certos H2eitinhosH &arece% inocentes ou engraçados( e Js #e6es até são #istos co%o sinal de #i#acidade e es&erte6a: &or e@e%&lo( quando se fura a fila do =nibus ou do cine%a. /u( então( &ara &egar o filho na escola( que %al há e% &arar e% fila du&la7 /utros H2eitinhosH não a&arece% tão Js claras( %as ne% &or isso são %enos tolerados: notas fiscais co% #alor declarado aci%a do &reço &ara o co%&rador le#ar sua co%issão( co%&ras se% e%issão de nota fiscal &ara sonegar i%&ostos( concorr>ncias &Qblicas co% Hcartas %arcadasH. / que intriga nessa hist'ria toda é que as &essoas que estão se%&re Hdando u% 2ei tinhoH sabe%( na %aioria das #e6es( que transgride% &adr4es de co%&orta%ento. )as raciocina% co%o se isso fosse absoluta%ente nor%al( #isto que é co%u%: s' eu7 e os outros7 todo %undo age assi%( que% não fi6er o %es%o é trou@aA que% não gosta de le#ar #antage% e% tudo7 Is e2emplos dados ora são transgressLes medianamente gra.es (como interromper o tr^nsito na rua), ora são açLes claramente imorais (como o rou"o do dinheiro p4"lico nas concorrGncias 1raudulentas). ,m todos esses casos, o KHeitinhoK surge como 1orma autorit'ria e indi.idualista de desconsiderar as normas da .i.Gncia em coleti.idade. Mão mais considerando apenas o 1amigerado KHeitinhoK, açLes de outro tipo tam"0m podem ser consideradas repro.'.eis, como mentir, rou"ar, matar, e2plorar o tra"alho alheio e assim por diante. ,stamos diante dos 1atos Jue pretendemos analisar. *ertas açLes são o"Heto de #aloração: podemos consider'-las Hustas ou inHustas, certas ou erradas, "oas ou m's. ,, em 1unção de tais a.aliaçLes, são dignas de admiração ou desprezo. Por0m o Jue 0 #alorar7 I Jue são #alores7 / que é #alor Ilhe N sua .olta. ,scolha um o"Heto ou pessoa e 1aça um 2u*6o de realidade: a) esta caneta 0 azul7 ") esta caneta 0 no.a7 c) &aria saiu por aJuela porta7 d) a "arraca est' cheia de 1rutas7 e) /oão 1oi N igreHa. I"ser.e tam"0m Jue, ao mesmo tempo, 0 ine.it'.el 1azer 2u*6os de #alor: a) esta caneta azul não 0 tão "onita Juanto a .ermelha7 ") a caneta antiga escre.ia melhor Jue esta7 c) &aria não de.eria ter sa>do antes de terminar o tra"alho7 d) as 1rutas 1azem "em N sa4de7 e) orar recon1orta o esp>rito. Mo primeiro caso trata-se de a.aliação est0tica, no segundo considera-se o .alor de utilidade, no terceiro parece ocorrer a transgressão de um .alor moral, no Juarto h' re1erGncia ao .alor .ital e, no 4ltimo, ao .alor religioso.

5', portanto, o mundo das coisas e o mundo dos .alores. &as não podemos dizer Jue os .alores são da mesma maneira Jue as coisas são. -sto 0, não e2iste o .alor em si enJuanto coisa, mas o .alor 0 sempre uma relação entre o suHeito Jue .alora e o o"Heto .alorado. tri"uir um .alor a alguma coisa 0 não 1icar indi1erente a ela. Portanto, a não-indiferença é a principal caracter>stica do .alor. -sso signi1ica Jue os .alores e2istem na ordem da afeti#idade( ou seHa, não 1icamos indi1erentes diante de alguma coisa ou pessoa, pois somos sempre afetados por elas de alguma 1orma. !eclamamos da caneta Jue não escre.e "em, ou.imos .'rias .ezes com prazer a m4sica de nossa pre1erGncia, recriminamos Juem usa de .iolGncia e assim por diante. Valorar 0 uma e2periGncia 1undamentalmente humana Jue se encontra no centro de toda escolha de .ida. Fazer um plano de ação nada mais 0 do Jue dar prioridade a certos .alores, ou seHa, escolher o Jue 0 melhor (seHa do ponto de .ista moral, utilit'rio etc.) e e.itar o Jue 0 preHudicial para se atingir os 1ins propostos. conseJ_Gncia de JualJuer .aloração 0, sem d4.ida, dar regras para a ação pr'tica. ssim, se o ar 0 um .alor para o ser .i.o, 0 preciso e.itar Jue a poluição atmos10rica preHudiJue a Jualidade desse "em indispens'.el. %e a credi"ilidade 0 um .alor, não posso estar o tempo todo mentindo, caso contr'rio as relaçLes humanas 1icariam preHudicadas. Portanto, diante daJuilo Jue é( a e2periGncia dos .alores orienta para o Jue de#e ser. Meste cap>tulo, dentre os mais di.ersos .alores poss>.eis, escolhemos analisar os #alores %orais. &oral 0 o conHunto de regras de conduta consideradas .'lidas para um grupo ou para uma pessoa. Veremos, a seguir, Jual 0 a origem desses .alores e o Jue caracteriza o ato propriamente moral. $e onde #>% os #alores7 %e os .alores não são coisas, pois resultam da e2periGncia .i.ida pelo homem ao se relacionar com o mundo e os outros homens, tal.ez pud0ssemos concluir Jue tais e2periGncias .ariam con1orme o po.o e a 0poca. a o Jue parece nos sugerir a di.ersidade de costumes: para algumas tri"os, 0 indispens'.el matar os .elhos e as crianças Jue nascem com algum de1eito, o Jue para n3s pode parecer incr>.el crueldade. Ma -dade &0dia era proi"ido dissecar cad'.eres, e no entanto as instituiçLes de Hustiça tinham o direito de torturar seres .i.os. Mosso costume de comer "i1e escandaliza o hindu, para Juem a .aca 0 animal sagrado. -sso signi1ica Jue os .alores são em parte herdados da cultura. li's, a primeira compreensão Jue temos do mundo 0 1undada no solo dos .alores da comunidade a Jue pertencemos. ,m tese, tais .alores e2istem para Jue a sociedade su"sista, mantenha a integridade e possa se desen.ol.er. Iu seHa, a moral e2iste para se .i.er melhor. 8al.ez essa a1irmação cause espanto, se considerarmos Jue as regras morais são conce"idas como condição de repressão humana, sendo, assim, geradoras de in1elicidade. -sso tam"0m 0 .erdadeiro, mas s3 enJuanto de1ormação da moral autGntica e em conte2to di1erente daJuele Jue estamos considerando aJui. I Jue nos interessa en1atizar, em um primeiro momento, 0 Jue os grupos humanos precisam de regras para .i.er "em.

Por isso 0 poss>.el entender como, em certas tri"os, onde h' escassez de alimentação, h' o costume de matar crianças de1eituosas e .elhos incapazes de produzir, uma .ez Jue se tornam peso preHudicial N so"re.i.Gncia do grupo. +ito de outra 1orma, mesmo Jue .arie o conteQdo das regras morais, con1orme a 0poca ou lugar, todas as comunidades tGm a necessidade 1ormal de regras morais. a 1ormalmente correto Jue a coragem 0 melhor Jue a co.ardia, Jue a amizade 0 um .alor deseH'.el entre os mem"ros de um grupo. Mo entanto, a coragem 0 um .alor 1ormal cuHo conte4do .aria. 8omemos um e2emplo corriJueiro, ainda Jue não re1erente N moral propriamente dita: se alguns riem do caipira com medo de atra.essar a a#enida na grande cidade( certamente ser' ele Jue rir' do citadino assustado com sapos e co"ras na 1azenda. 8ransportando o e2emplo para o campo da moral, a coragem do guerreiro da tri"o 0 certamente di1erente da coragem do homem ur"ano desa1iado, por e2emplo, pelos riscos da corrupção. %e a amizade 0 um .alor uni.ersal, a sua e2pressão .aria con1orme os costumes. Ma sociedade patriarcal, em Jue a mulher se encontra con1inada ao lar e su"ordinada ao homem, 0 impens'.el Jue ela tenha amigos do se2o masculino 1ora do c>rculo de amizades do seu pr3prio marido ou distante do seu olhar "ene.olente. -sso muda nos n4cleos ur"anos, ap3s a li"eração da mulher para o tra"alho 1ora do lar. 1ocial e &essoal Voltemos N o"Heção ensaiada alguns par'gra1os atr's: nem sempre as regras morais .isam ao "em da comunidade enJuanto um todo. %endo in4meros os e2emplos, .amos selecionar apenas alguns deles. Por mais est'.el Jue seHa a sociedade, sempre h' mudança das relaçLes entre as pessoas e grupos, na luta pela su"sistGncia. ,ntão, certas regras .alem em determinadas circunst^ncias e dei2am de .aler Juando ocorrem alteraçLes nas relaçLes humanas. Mo entanto, e2iste a tendGncia de se resistir Ns mudanças, e, Juando as regras permanecem in1le2>.eis, sedimentadas, aca"am sendo es.aziadas de seu conte4do .ital e 1icam caducas e sem sentido. com a .ida. $eralmente as morais conser.adoras se petri1icam Juando a sociedade se di.ide em grupos antag)nicos nos Juais certos setores deseHam manter pri.il0gios. Messes casos, o Jue 0 mostrado como "om para todos na .erdade s3 é "om para os Jue se acham no poder. (*on1erir a de1inição de ideologia no *ap. D, I senso comum.) Para manter o status quo( isto 0, a situação .igente de 1orma inalterada, predominam a intoler^ncia e a negação do pensamento di.ergente. Por e2emplo, o 1anatismo religioso considera her0tico todo pensamento Jue se distancia da ortodo2ia. Mas sociedades escra.istas, muito tempo ap3s a a"olição da escra.atura, persistem os preconceitos relati.os N raça escra.izada. *em anos ap3s a Lei Wurea, os negros "rasileiros ainda tGm de lutar não s3 contra os Hulgamentos depreciati.os Jue os "rancos 1azem deles, mas tam"0m contra a pr3pria autoimagem mutilada pela herança de su"missão. e2periGncia e1eti.a da .ida moral supLe, portanto, o con1ronto cont>nuo entre a %oral constitu*da misto 0, os .alores herdados) e a %oral constituinte( representada pela cr>tica aos .alores ultrapassados. I sociedade passa, então, por um momento de crise moral para cuHa superação são e2igidas in.enti.idade e coragem, a 1im de ser recriada uma moral .erdadeiramente din^mica e comprometida

es1orço de construção da .ida moral e2ige a discussão constante dos .alores .igentes, a 1im de .eri1icar em Jue medida sua realização se 1az em 1a.or da .ida ou da alienação. / su2eito %oral %eriam então os .alores, al0m de relati.os ao lugar e ao tempo, tam"0m su"Heti.os, isto 0, dependentes das a.aliaçLes de cada indi.>duoR %e cada um pudesse 1azer o Jue "em entendesse, não ha.eria moral propriamente dita. I suHeito moral tem a intuição dos .alores como resultado da intersu"Heti.idade, ou seHa, da relação com os outros. Mão 0 o suHeito solit'rio Jue se toma moral, pois a moral se 1unda na solidariedade: 0 pela desco"erta e pelo reconhecimento do outro Jue cada homem se desco"re a si mesmo. -ntuir o .alor 0 desco"rir aJuele Jue con.0m N so"re.i.Gncia e 1elicidade do suHeito enJuanto pertencente a um grupo. I Jue acontece com 1reJ_Gncia 0 Jue, em certas 0pocas, não h' condiçLes de se perce"er alguns .alores 9 por e2emplo, Jue a escra.idão 0 desprez>.el 9, e outras 0pocas em Jue .alores 1undamentais são esJuecidos: na cidade grande, o indi.idualismo e2acer"ado torna as pessoas menos generosas e mais descon1iadas. I suHeito moral surge Juando, ao responder N pergunta Kcomo de.o .i.erRK, o 1az com pretensão de .alidade uni.ersal. Iu seHa, o suHeito moral não 0 o eu emp>rico, indi.idual, ego>sta, mas 0 o eu enJuanto capaz de reconhecer o Iutro como sendo um Iutro-,u: o Iutro 0 tão importante Juanto eu sou. Mingu0m nasce moral, mas torna-se moral. 5' uma longa caminhada a ser percorrida para a aprendizagem de descentralização do eu su"Heti.o, a 1im de superar o egocentrismo in1antil e tornar-se capaz de Kcon.i.erK. / ho%e% #irtuoso Suando nos re1erimos ao homem .irtuoso, a imagem Jue nos .em 0 de algu0m am'.el, d3cil, cordato, capaz de ren4ncia e pronto para ser.ir aos outros. 8rata-se de uma representação inadeJuada e muitas .ezes perigosa. Mietzsche re1eria-se N Kmoral de escra.osK como sendo aJuela em Jue as 1alsas .irtudes se 1undam na 1raJueza, no ser.ilismo, na ren4ncia do amor de si e, portanto, na negação dos .alores .itais. pala.ra #irtude .em do latim #ir( Jue designa Ko homemK, Ko .arãoK (da> o adHeti.o #iril?. Uirtus é KpoderK, K1orçaK, KcapacidadeK. I termo grego areté signi1ica KJualidade da e2celGnciaK, Km0ritoK. Portanto, o homem .irtuoso nada tem de 1r'gil7 ao contr'rio, .irtude 0 capacidade de ação, 0 potGncia. Para [ant, a K.irtude 0 a 1orça de resolução Jue o homem re.ela na realização do seu de.erK. .irtude, enJuanto disposição para Juerer o "em, supLe a coragem de assumir os .alores escolhidos e en1rentar os o"st'culos Jue di1icultam a ação. Por isso a noção de .irtude não se restringe a apenas um ato moral, mas consiste na repetição e continuidade do agir morai. rist3teles H' a1irma.a Jue Kuma andorinha, s3, não 1az .erãoK, para dizer Jue a /brigação e liberdade .irtude não se resume no ato ocasional e 1ortuito, mas precisa se tornar um h'"ito.

Mo "re.e percurso Jue 1izemos at0 aJui, perce"emos Jue o ato moral 0 comple2o e supLe contradiçLes insol4.eis entre social e pessoal, tradição e ino.ação e assim por diante. Mão h' como optar por apenas um lado da Juestão, mas 0 preciso admitir Jue tais contradiçLes constituem o pr3prio KtecidoK da moral. *ontinuando na mesma linha, não dei2a de nos causar perple2idade o 1ato de Jue o ato moral e2ige obrigação e liberdade. VeHamos do Jue se trata. %e a construção da consciGncia moral se realiza a partir da aprendizagem da con.i.Gncia entre os homens, 0 preciso admitir Jue o ato moral 0 um ato de #ontade. *omo tal, distingue-se do dese2o( H' Jue este 0 in.olunt'rio, surge com maior ou menor 1orça e traz a e2igGncia de realização. Mo entanto, 0 imposs>.el atender a todos os deseHos por serem in4meros e antag)nicos, e tam"0m porJue a .ida em comum seria in.i'.el. moral surge pois do controle do deseHo. ,.identemente, não se trata da re&ressão do deseHo, pois o Jue se "usca não 0 a sua anulação, mas a consciGncia clara do indi.>duo Jue escolhe e decide o Jue de#e ser 1eito em determinada situação.

I ato .olunt'rio resulta da consciGncia da o"rigação moral. %3 Jue o de.er moral não pode ser entendido como constrangimento e2terno, como coação de uns so"re outros, pois a su"missão ao de.er precisa ser li#re%ente assu%ida. Iu seHa, s3 h' autGntica moral Juando o indi.>duo age por sua pr3pria iniciati.a, enJuanto ser de li"erdade. utonomia (de auto( Kpr3prioK) signi1ica autodeterminação, capacidade de decidir por si pr3prio a partir dos condicionamentos e determinismos. Por isso, todo ato moral est' suHeito a sanção( ou seHa, merece apro.ação ou desapro.ação, elogio ou censura. I senso moral reage porJue nossa a1eti.idade 1oi atingida: certos atos considerados imorais, como por e2emplo o assassinato de uma criança, pro.ocam-nos indignação. Mo Ca&*tulo ] .oltaremos a tratar da Juestão da li"erdade humana. Progresso %oral Mem sempre a %udança moral eJui.ale a &rogresso moral. ,2iste progresso Juando se d' um a.anço com melhoria de Jualidade. -sso signi1ica Jue certos .alores antigos não precisam ser considerados necessariamente ultrapassados, da mesma 1orma Jue .alores dos Kno.os temposK algumas .ezes podem não indicar progresso. Suais seriam então os crit0rios para a.aliar o progresso moralR ,2aminemos alguns deles. h A%&liação da esfera %oral: certos atos, cuHo cumprimento antes era garantido por 1orça legal (direito), por constrangimento social (costumes) ou por imposição religiosa, passam a ser cumpridos por e2clusi.a o"rigação moral. Por e2emplo, um pai di.orciado não precisaria da lei para reconhecer a o"rigação de continuar

sustentando seus 1ilhos menores de idade. Por outro lado, certas situaçLes em Jue as pessoas 1azem o "em tendo em .ista a recompensa di.ina são indicaçLes de diminuição da es1era moral, porJue, nesse caso, o est>mulo para a ação não 0 a o"rigação moral, mas uma certa K"arganhaK .isando recompensa. h Caráter consciente e li#re da ação: a responsa"ilidade moral est' na e2igGncia de um co%&ro%isso li.remente assumido. !espons'.el 0 a pessoa Jue reconhece seus atos como resultantes da .ontade e res&onde pelas conseJ_Gncias deles. Suando adultos, co%o mulheres e escra.os, permanecem tutelados, o resultado 0 o empo"recimento moral das relaçLes humanas. h Grau de articulação entre interesses coleti#os e &essoais: enJuanto nas tri"os primiti.as o coleti.o predomina so"re o pessoal, nas sociedades contempor^neas o indi.idualismo e2acer"ado tende a desconsiderar os interesses da coleti.idade. a importante Jue o desen.ol.imento de cada um não seHa 1eito N re.elia do desen.ol.imento dos demais. I 4ltimo item nos 1az re1letir so"re as relaçLes entre pol>tica e moral. ,m"ora seHam campos de ação di1erentes e sem d4.ida aut)nomos, pol>tica e moral estão estreitamente relacionadas. pol>tica diz respeito Ns açLes relati.as ao poder e N administração dos assuntos p4"licos. Suando h' deseJuil>"rio de poder na sociedade, e a maior parte das pessoas não atinge a cidadania plena, isto é( não tem 1ormas de atuação pol>tica, isso repercute na moral indi.idual de in4meras maneiras: as e2igGncias de competição para manter ou alcançar pri.il0gios e a luta pela so"re.i.Gncia na sociedade desigual ele.am a n>.eis intoler'.eis o ego>smo e o indi.idualismo, geradores de .iolGncia dos mais di.ersos tipos. a assim Jue se pode 1alar em 1alta de 0tica tanto diante da mal.ersação de .er"as p4"licas, pro.ocando, por e2emplo, o colapso da rede de hospitais (Juem h' de negar Jue se trata de .iolGnciaR), como tam"0m 0 imoral seJ_estrar ou assaltar a mão armada. &as os pro"lemas decorrentes da decadGncia 0tica Jue presenciamos não podem ser resol.idos a partir de tentati.as isoladas de educação moral do indi.>duo. , preciso Jue e2ista a .ontade pol>tica de alterar as condiçLes patogGnicas, isto 0, as condiçLes geradoras da doença social, para Jue se possa dar possi"ilidade de superação da po"reza moral. +ito de outra 1orma, não "asta Kre1ormar o indi.>duo para re1ormar a sociedadeK. Pm &ro2eto %oral desligado do &ro2eto &ol*tico est' destinado ao 1racasso. Is dois processos de.em caminhar Huntos, pois 1ormar o homem plenamente moral s3 0 poss>.el na sociedade Jue tam"0m se es1orça para ser Husta. DROPES #asta um Juase-nada, um não-sei-JuG para Jue o ato de generosidade se re.ele como c'lculo s3rdido. %e sou generoso para Jue lou.em minha generosidade, se amo para Jue me amem, meus atos não possuem mais .erdade. (+escamps, re1erindo-se a um pensamento de /an\0l0.itch.) 8rata-se de Jue, mais uma .ez, o homem se perdeu. PorJue não 0 coisa no.a nem acidental. I homem se perdeu muitas .ezes ao longo da hist3ria 9 e ainda mais: 0 constituti.o do homem, di1erentemente de todos os demais seres, o ser capaz de perder-se, de se perder na sel.a da e2istGncia, dentro de si mesmo, e, graças a

essa outra sensação de perda, Kre-operarK energicamente para .oltar a encontrar-se.

capacidade e o desgosto

de sentir-se perdido são o seu tr'gico destino e seu ilustre pri.il0gio. mIrtega Z $asset.) ge de tal modo Jue a m'2ima de tua ação possa sempre .aler como princ>pio uni.ersal de conduta. ge sempre como se 1osses simultaneamente legislador e suHeito na rep4"lica das .ontades. ([ant.) Mão e2iste isto de li.ros morais ou imorais. Li.ros são coisas "em escritas ou mal escritas. , s3. (Iscar ]ilde.) ,e,!*Q*-I% :. Faça o 1ichamento do ca&*tulo e anote as principais dQ#idas. C. Faça duas dissertaçLes a partir dos temas a seguir: a) (FPM+. % M8I % M+!a-%P) K solidão 0 o1icina de id0ias.K ") (FPV,%8-C;) K8udo .ale a pena/%e a alma não 0 peJuena.K (Fernando Pessoa.) @. 8endo em .ista o 1ato de Jue a escra.idão H' 1oi legal, mas nem por isso pode ser considerada moral, dG outros e2emplos de atos (de hoHe ou de outras 0pocas) Jue tam"0m seHam legais, mas imorais. D. +e acordo com o dropes :, em Jue consistiria para +escamps a generosidade .erdadeiraR ?. !eleia o dropes <, de Irtega Z $asset, e e2pliJue o Jue o autor Juer dizer com o sentido positi.o e KnãoacidentalK do Kperder-seK humano. Faça re1erencia ao comportamento moral. E. partir da citação de [ant, no dropes @, responda: a) ,m Jue sentido [ant, ao re1erir-se ao su2eito( não o considera como indi.>duoR ") ,2pliJue a citação a partir do conceito de autono%ia. D. Leia o te2to complementar KValores morais e nNo-moraisK, de %'nchez V'sJuez e resol.a estas quest4es: a) Pm mesmo o"Heto pode ter di.ersos .alores. ,2pliJue e dG e2emplos. ") Suando se pode 1alar em .alor moral propriamente ditoR c) Leia a citação de Iscar ]ilde, no dropes D, e a e2pliJue usando os argumentos do te2to de %'nchez V'sJuez. L,-8P! *I&PL,&,M8 ! Ualores %orais e não-%orais Is o"Hetos .aliosos podem ser naturais, isto 0, como aJueles Jue e2istem originariamente N margem ou independentemente do tra"alho humano (o ar, a 'gua ou uma planta sil.estre), ou arti1iciais, produzidos ou criados pelo homem (como as coisas 4teis ou as o"ras de arte). &as, desses dois tipos de o"Hetos, não se pode dizer Jue seHam "ons de um ponto de .ista moral7 os .alores Jue encarnam ou realizam são, em casos distintos, os da utilidade ou da "eleza. `s .ezes se costuma 1alar da K"ondadeK desses o"Hetos e, por essa razão, empregam-se e2pressLes como as seguintes: Keste 0 um "om rel3gioK, Ka 'gua Jue agora estamos "e"endo 0 "oaK, Ke escre.eu um "om poemaK etc. &as o uso de K"omK em semelhantes e2pressLes não possui nenhum ge sempre de tal modo Jue trates a 5umanidade, tanto na tua pessoa como na do outro, como 1im e não apenas como meio.

signi1icado moral. Pm K"omK rel3gio 0 um rel3gio Jue realiza positi.amente o .alor correspondente: o da utilidade, ou seHa, Jue cumpre satis1atoriamente a necessidade humana concreta N Jual ser.e. Pm K"omK rel3gio 0 um o"Heto K4tilK. , algo an'logo podemos dizer da 'gua Juando a Juali1icamos como K"oaK7 com isso, Jueremos dizer Jue satis1az positi.amente, do ponto de .ista de nossa sa4de, a necessidade organiza Jue de.e satis1azer. , um K"omK poema 0 aJuele Jue, por sua estrutura, por sua linguagem, realiza satis1atoriamente, como o"Heto est0tico ou o"ra de arte, a necessidade est0tica humana N Jual ser.e. ,m todos esses casos, o .oc'"ulo K"omK su"linha o 1ato de Jue o o"Heto em Juestão realizou positi.amente o .alor Jue era chamado a encarnar, ser.indo adeJuadamente ao 1im ou N necessidade humana respecti.a. ,m todos esses casos, tam"0m, a pala.ra K"omK tem um signi1icado a2iol3gico positi.o 9 com relação ao .alor KutilidadeK ou ao .alor K"elezaK 9, mas não tem signi1icado moral algum. (...) Podemos 1alar da K"ondadeK de uma 1aca enJuanto cumpre positi.amente a 1unção de cortar para a Jual 1oi 1a"ricada. &as a 1aca 9 e a 1unção relati.a 9 pode estar a ser.iço de di1erentes 1ins7 pode ser utilizada, por e2emplo, para realizar um ato mau so" o ^ngulo moral, como 0 o assassinato de uma pessoa. +esde o ponto de .ista de sua utilidade ou 1uncionalidade, a 1aca não dei2ar' de ser K"oaK por ter ser.ido para realizar um ato repreens>.el. Pelo contr'rio, continua sendo K"oaK e tanto mais Juanto mais e1icientemente ti.er ser.ido ao assassino, mas essa HbondadeH instrumental ou 1uncional est' alheia a JualJuer Juali1icação moral, apesar de ter ser.ido de meio ou instrumento para realizar um ato moralmente mau. Juali1icação moral recai aJui no ato de assassinar, para o Jual a 1aca ser.iu. Mão 0 a 1aca 9 eticamente neutra, como o são em geral os instrumentos, as m'Juinas ou a t0cnica em geral 9 Jue pode ser Juali1icada de um ponto de .ista moral, mas o seu uso7 isto 0, os atos humanos de utilização a ser.iço de determinados 1ins, interesses ou necessidades. VG-se, então, Jue os o"Hetos 4teis, ainda Jue se trate de o"Hetos produzidos pelo homem, não encarnam .alores morais, em"ora possam encontrar-se numa relação instrumental com esses .alores (como .imos no e2emplo anterior da 1aca). (...) Is .alores morais e2istem unicamente em atos ou produtos humanos. 8ão-somente o Jue tem um signi1icado humano pode ser a.aliado moralmente, mas, por sua .ez, tão-somente os atos ou produtos Jue os homens podem reconhecer como seus, isto 0, os realizados consciente e li.remente, e pelos Juais se lhes pode atri"uir uma responsa"ilidade moral. Messe sentido, podemos Juali1icar moralmente o comportamento dos indi.>duos ou de grupos sociais, as intençLes de seus atos e seus resultados e conseJ_Gncias, as ati.idades das instituiçLes sociais etc. Ira, um mesmo produto humano pode assumir .'rios .alores, em"ora um deles seHa o determinante. ssim, por e2emplo, uma o"ra de arte pode ter não s3 um .alor est0tico, mas tam"0m pol>tico ou moral. a inteiramente leg>timo a"strair um .alor dessa constelação de .alores, mas com a condição de não reduzir um .alor ao outro. Posso Hulgar uma o"ra de arte por seu .alor religioso ou pol>tico, mas sempre com a condição de nunca pretender deduzir desses .alores o seu .alor propriamente est0tico. Suem condena uma o"ra de arte so" o ponto de .ista moral nada diz so"re o seu .alor est0tico7 simplesmente est' a1irmando Jue, nessa o"ra, não se realiza o .alor moral Jue ele Hulga Jue nela de.eria realizar-se. Por conseguinte, um mesmo ato ou produto humano

pode ser a.aliado a partir de di.ersos ^ngulos, podendo encarnar ou realizar di1erentes .alores. &as, ainda Jue os .alores se Huntem num mesmo o"Heto, não de.em ser con1undidos. %oM*5,i VW%Sl,i, dol1o. <tica. !io de /aneiro, *i.ilização #rasileira, :;BA. p. :<B-:<;.

CAPÍTULO 0 A liberdade
9uando algué% se li#ra de u%a situação constrangedora e desabafa( H1into-%e li#re co%o u% &ássaroH( se% dQ#ida está a&enas se referindo Jquilo que tal e@&ressão si%boli6a: &arece que a i%ensidão do céu a* está &ara ser li#re%ente HconquistadaH( se% obstáculos de nenhu%a es&écie. "e% sabe%os que se trata de u%a %etáfora. / &ássaro não é u% ser li#re( %as se encontra deter%inado &elo instinto de sobre#i#>ncia t*&ico de sua es&écie. +ão #ai H&ara onde querH( %as &ara onde &recisa ir( a fi% de continuar e@istindo. 1eu &r'&rio #=o está su2eito Js leis da f*sica. I 1il3so1o alemão [ant "rinca com essa id0ia, imaginando uma pom"a 'gil, indignada contra a resistGncia do ar Jue a impediria de .oar mais depressa. Ma .erdade, argumenta, 0 Hustamente essa resistGncia Jue lhe ser.e de suporte, pois seria imposs>.el .oar no .'cuo. / ho%e% é deter%inado7 %e o .)o li.re do p'ssaro 0 uma ilusão, da mesma 1orma podemos dizer Jue incorremos em engano semelhante ao considerarmos o homem capaz de li"erdade a"soluta. *omecemos re1letindo so"re as conJuistas do m0todo cient>1ico. Vimos, no *ap>tulo B, Jue a construção do conhecimento cient>1ico se 1az a partir do &rinc*&io do deter%inis%o( segundo o Jual tudo Jue e2iste no mundo est' suHeito N r>gida relação entre causa e e1eito. , a ciGncia s3 se toma poss>.el porJue o conhecimento da relação necess'ria entre causa e e1eito 9 isto 0, o conhecimento dos determinismos naturais 9 permite a desco"erta das leis da natureza, a partir das Juais são 1eitas pre.isLes e desen.ol.idas as t0cnicas. 8ranspondo tais consideraçLes do campo da ciGncia da natureza para o n>.el humano, não h' como negar Jue tam"0m o homem se acha preso a determinismos: tem um corpo suHeito Ns leis da 1>sica e da Ju>mica, 0 um ser .i.o Jue pode ser compreendido pela "iologia. Por isso, H' no s0culo eV---, os materialistas 1ranceses +n5ol"ach e La &ettrie reduziam os atos humanos a elos de uma cadeia causai uni.ersal. 8emos de admitir inclusi.e a e2istGncia de determinismos psicol3gicos na ati.idade ps>Juica normal e cotidiana, pela Jual o homem entra em contato com o mundo para conhecG-lo e reagir a1eti.amente a ele. Por e2emplo, se nos preocupamos com m0todos de ensino, 0 preciso antes compreender os mecanismos da inteligGncia humana tais como mem3ria, in.enção, intuição, a"stração e assim por diante. Por isso, a aprendizagem da aritm0tica era tão penosa antigamente: desconhecendo-se Jue o pensamento in1antil ainda 0 concreto, e2igia-se da criança o uso do racioc>nio a"strato, cuHo desen.ol.imento s3 acontece a partir da adolescGncia.

]atson e %\inner, psic3logos contempor^neos pertencentes N corrente co%&orta%entalista( consideram Jue o homem tem a ilusão de Jue 0 li.re, Juando na .erdade apenas desconhece as causas Jue agem so"re ele. *om o desen.ol.imento da ci>ncia do co%&orta%ento seria poss>.el conhecer de tal 1orma as moti.açLes Jue daria para pre.er e portanto planeHar o comportamento humano. :.) l0m de todos esses aspectos determinantes, podemos acrescentar os determinismos culturais: ao nascer, o homem se encontra em um mundo H' constitu>do, rece"endo como herança a moral, a religião, a organização social e pol>tica, a l>ngua, en1im os costumes Jue não escolheu e Jue de certa 1orma determinam sua maneira de sentir e pensar. Mo s0culo e-e, o 1il3so1o 1rancGs 8ai-ne, disc>pulo de ugusto *omte, considera.a Jue o homem não 0 li.re, mas determinado pelo %o%ento( pelo %eio e pela raça. ,ssa concepção in1luenciou "astante os intelectuais do s0culo e-e, e a literatura naturalista 0 uma e2pressão de tal concepção. #asta lermos I cortiço e I %ulato( de lu>sio de ze.edo, para identi1icarmos as K1orças in-control'.eisK do meio e da raça agindo de As condiç4es da liberdade Para os deterministas, tudo tem uma causa, inclusi.e a ação humana. Podemos at0 não conhecer tais causas, mas elas e2istem. Le.ar essas conclusLes at0 as 4ltimas conseJ_Gncias 0 admitir Jue o homem não 0 li.re. 1inal, o homem 0 li.re ou 0 determinadoR Mão h' como negar os determinismos Jue agem so"re o homem, H' Jue ele se encontra situado no tempo e no espaço, tendo rece"ido uma herança cultural espec>1ica. &as o homem não 0 apenas essa situação dada, 0 tam"0m a consci>ncia dos deter%inis%os. -sso signi1ica Jue, ao tomar conhecimento das causas Jue agem so"re ele, 0 capaz de realizar uma ação transfor%adora( a partir de um &ro2eto de ação. +ei2a de ser passi.o e passa a ser atuante. ,stamos reHeitando JualJuer discussão puramente te3rica a respeito da li"erdade, o Jue nos le.aria a a"straçLes atemporais. a na ação, 0 na pr'tica Jue se constr3i a li"erdade, a partir dos desa1ios Jue os pro"lemas do seu e2istir apresentam ao homem. 8ais soluçLes não resultam de alternati.as dadas para serem escolhidas, mas supLem imaginação criadora, in.enção, Kardis da razãoK. 5' um .elho ditado indiano Jue diz KInde Juer Jue o homem ponha o p0, pisa sempre cem caminhosK. I homem, enJuanto ser consciente, 0 capaz de reconhecer as 1orças Jue agem so"re ele. ,sse conhecimento torna-lhe poss>.el o e2erc>cio da .ontade, presente em sua ação trans1ormadora so"re a natureza. I 1il3so1o 1rancGs lain d' o e2emplo do "arco a .ela: KSuando eu era peJueno, e antes Jue ti.esse .isto o mar, acredita.a Jue os "arcos iam sempre para onde o .ento os empurra.aK. &as, na .erdade, o .eleHador usa o "arco de acordo com leis in.ari'.eis, isto 0, usa a 1orça do .ento para ir para onde Juiser: KIrienta sua .ela pelo mastro, .ergas e cordames, ap3ia seu leme na onda corrente, corta caminho com sua marcha o"l>Jua, .ira e recomeça. .ançando contra o .ento pela pr3pria 1orça do .entoK. 1orma ine2or'.el no comportamento das pessoas. li's, 0 esse o tema de um romance de %\inner, Nalden ..( onde uma eJuipe de cientistas do comportamento dirige uma cidade ut3pica. (Ver dropes

I .eleHador aprendeu a conhecer o mar, o .ento, a .ela, o casco, para sa"er como aplicar a inteligGncia e dirigir o "arco para a direção escolhida. Iutros e2emplos: s3 podemos curar a doença ao conhecer suas causas7 s3 constru>mos um pr0dio se respeitamos as leis da 1>sica7 s3 1a"ricamos um a.ião se conhecemos as leis da aerodin^mica. +a mesma 1orma, o conhecimento das pai2Les humanas 0 condição para Jue o homem se torne mais li.re e se desen.ol.a como pessoa integral. %e em um primeiro momento a criança 0 le.ada pela preponder^ncia do deseHo, ao mesmo tempo Jue 0 constrangida pelas normas Jue lhe são e2teriores, a educação consiste no es1orço de superação de tal est'dio. I uni.erso in1antil 0 marcado pela heterono%ia( em Jue as açLes são comandadas Kde 1oraK, pelos .alores herdados dos pais e da sociedade em Jue ela .i.e. Suando a educação 0 "oa, a criança de.e caminhar em direção N autono%ia( N deli"eração, N capacidade de organização aut)noma das regras. #em sa"emos Jue nem sempre 0 isso Jue ocorre de 1ato... :iberdades Suando nos re1erimos N li"erdade de maneira geral, 0 preciso admitir Jue são .'rios os en1oJues pelos Juais podemos compreendG-la. %e ningu0m 0 solit'rio, pois con.i.e na comunidade dos homens, a li"erdade 0 um desa1io Jue permeia todos os campos da ati.idade humana. ssim, podemos 1alar em liberdade ética Juando nos re1erimos ao suHeito moral, capaz de decidir com autonomia a respeito de como de.e se conduzir em relação a si mesmo e aos outros. [ant dizia Jue a li"erdade consiste na o"ediGncia Ns leis Jue o pr3prio suHeito moral se impLe. Mo entanto, ser aut)nomo 0 um desa1io Jue muitas pessoas não conseguem suportar. Is riscos de enganos, a intranJ_ilidade, a ang4stia da decisão e a responsa"ilidade Jue o ato li.re acarreta 1azem com Jue a li"erdade seHa considerada antes um pesado encargo do Jue pri.il0gio. Por isso h' tantos Jue a ela renunciam, para se acomodarem na segurança das .erdades dadas. liberdade econ=%ica não de.e ser con1undida com a li"erdade a"soluta nos neg3cios. Por um lado, porJue toda ati.idade produti.a supLe relaçLes de dependGncia entre as pessoas, e, por outro, porJue con.0m preca.er-se contra as aparGncias da li"erdade. li.re iniciati.a, 1undada na id0ia de Jue Kde.e .encer o melhorK, muitas .ezes nos 1az esJuecer de Jue em uma competição esporti.a, por e@e%&lo( os concorrentes sempre a iniciam em p0 de igualdade: mesmo Juando os talentos são di1erentes, todos começam Huntos na linha de partida. I mesmo não ocorre no sistema econ)mico 1ortemente marcado por pri.il0gios e disputas desiguais. Por e2emplo, o parJue industrial de um pa>s su"desen.ol.ido não pode disputar sem preHu>zos com poderosas multinacionais. +a mesma 1orma, o contrato Kli.reK Jue o oper'rio assina esconde a assimetria das relaçLes, pois, em situaçLes em Jue h' grande o1erta de mão-de-o"ra, recusar um "ai2o sal'rio signi1ica muitas .ezes KoptarK pelo desemprego.

liberdade 2ur*dica é uma das conJuistas das modernas sociedades democr'ticas Jue de1endem a igualdade perante a lei. Mingu0m pode ser su"metido N ser.idão e N escra.idão7 JualJuer um tem (ou de.eria ter...) a garantia da li"erdade de locomoção, pensamento, agremiação e ação, nos limites esta"elecidos pela lei. aristocracia supLe a e2istGncia de indi.>duos KespeciaisK -aristos( K3timoK) Jue teriam pri.il0gios. Foi contra as .antagens da no"reza Jue a "urguesia se insurgiu no s0culo eV---, implantando os ideais contidos na +eclaração dos +ireitos Jue ser.iram de inspiração para a construção da no.a ordem Hur>dica da> em diante. (Ver dropes <.) Mo entanto, nem todos tGm acesso N lei de igual maneira. Hustiça 0 lenta e cara e o poder econ)mico inter1ere sempre Jue pode. o se 1azer as leis de um pa>s, 0 Juase imposs>.el e.itar a inter1erGncia daJueles Jue detGm algum poder e deseHam manter pri.il0gios. Por ocasião da *onstituinte de :;CC, a discussão a respeito dos mais di.ersos assuntos, como re1orma agr'ria, aposentadoria e .er"as para educação p4"lica, 1oi al.o de pressLes as mais di.ersas, não podendo ser su"estimadas as 1orças decorrentes do poder econ)mico. t0 aJui nos re1erimos ao homem enJuanto participante da sociedade ci.il, isto 0, enJuanto pai, 1ilho, tra"alhador, empres'rio, estudante e assim por diante. Is espaços da casa, da 1'"rica, da escola são caminhos poss>.eis da li"erdade (ou não6...). liberdade &ol*tica se coloca no espaço p4"lico, no espaço do cidadão, isto 0, do homem enJuanto participante dos destinos da cidade. (Ver tam"0m *ap. :<, I Jue 0 pol>tica.) 5' li"erdade pol>tica Juando o cidadão tem conhecimento do Jue acontece nas di.ersas inst^ncias do poder p4"lico. l0m do conhecimento, 0 preciso Jue e2ista a li"erdade de opinião, de .oto, de associação, en1im do li.re e2erc>cio da cidadania, com suas m4ltiplas caracter>sticas. %er li.re em pol>tica 0 amadurecer o su1iciente para aceitar o pluralismo, e portanto con.i.er com a di1erença e os ine.it'.eis con1rontos dela decorrentes. a amadurecer para superar os interesses pessoais Juando isso 1or e2igido pelo interesse coleti.o. La #o0tie, 1il3so1o do s0culo eV-, pergunta.a-se, um tanto perple2o, por Jue o homem troca a li"erdade pela Kser.idão .olunt'riaK, essa estranha e2pressão aparentemente inconce">.el: como 0 poss>.el Jue o homem, sendo essencialmente li"erdade, deseHe se su"meter a outroR Mão precisamos ir longe para con1irmar isso: Juando .i.emos situaçLes de relati.a intranJ_ilidade, com muitas gre.es, in1lação ou alto >ndice de criminalidade, sempre surgem pessoas Jue anseiam por um K"raço 1orteK Jue Kponha ordem na casaK. Pede-se a .olta do Kpai onipotenteK, Juer seHa 5itler na Juer seHam os generais do golpe militar no #rasil. 8odos esses tipos de li"erdade a Jue nos re1erimos são a"ordados so" outro en1oJue no *ap>tulo :@, democracia. Podemos concluir Jue a li"erdade não 0 alguma coisa Jue 0 dada, mas resulta de um proHeto de ação. a uma 'rdua tare1a cuHos desa1ios nem sempre são suportados pelo homem, da> resultando os riscos de perda da li"erdade. *omo .imos, os descaminhos da li"erdade surgem Juando ela 0 su1ocada N re.elia do suHeito 0 no caso da escra.idão, da prisão inHusta, da e2ploração do tra"alho, do go.erno autorit'rio 9 ou Juando o pr3prio homem a ela a"dica, seHa por comodismo, medo ou insegurança. lemanha nazista,

*a"e N re1le2ão 1ilos31ica o olhar atento para denunciar os atos de prepotGncia "em como a ação silenciosa da alienação e da ideologia. DROPES Mossos mem"ros estão praticamente sempre 1azendo o Jue quere% 1azer 9 o Jue eles escolhe% 1azer 9 mas n3s cuidamos para Jue eles Jueiram 1azer precisamente as coisas Jue são melhores para eles e para a comunidade. %eu comportamento 0 determinado, ainda Jue eles seHam li.res. +itadura e li"erdade, determinismo e li.re-ar">trio. I Jue 0 isso senão pseudoJuestLes de origem ling_>sticaR Suando perguntamos o Jue o 5omem pode 1azer do 5omem, n3s não Jueremos dizer a mesma coisa por KhomemK em am"os os casos. Sueremos perguntar o Jue alguns poucos homens podem 1azer da humanidade. , essa 0 a Juestão central do s0culo ee. Sue tipo de mundo podemos construir 9 n3s Jue entendemos a ciGncia do comportamentoR (%\inner.) Art. ?d 8odos são iguais perante a lei, sem distinção de JualJuer natureza, garantindo-se aos "rasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa>s a in.iola"ilidade do direito N .ida, N li"erdade, N segurança e N propriedade. -Constituição do "rasil( :;CC.)
,e,!*Q*-I%

:. Faça o 1ichamento do cap>tulo e destaJue as d4.idas. <. -nterprete a seguinte citação de Voltaire, indicando Jual 0 a sua import^ncia para a manutenção da democracia: KMão estou de acordo com o Jue .ocG diz, mas lutarei at0 o 1im para Jue .ocG tenha o direito de dizG-loK. @. *omente em Jue medida esta 1rase de %artre signi1ica uma cr>tica ao determinismo a"soluto: K%omos aJuilo Jue 1azemos do Jue 1azem de n3sK. D. Leia o te2to de %\inner (dropes :) e e2pliJue em Jue sentido a posição do autor 0 determinista. ?. Leia o rt. ?d da Constituição do "rasil (dropes <) e analise-o tanto a partir do ponto de .ista de Juem te% propriedades, como daJueles Jue não as t>%. E. *onsiderando a leitura complementar HA li"erdade do cidadãoK, de &ar2, responda: a) Sual 0 a distinção 1eita entre os conceitos de homem e de cidadão segundo a concepção "urguesaR ") ,m Jue medida essa concepção é t>pica de uma .isão indi.idualista da sociedadeR c) *omo &ar2 1aria a cr>tica da seguinte citação de %pencer, um pensador li"eral: K termina onde começa a li"erdade do outroKR B. Leia o te2to complementar KI homem 0 li"erdadeK, de %artre7 a) ,2pliJue como %artre interpreta a 1rase de +ostoie.s\i K%e +eus não e2istisse, tudo seria permitidoK. ") Faça uma dissertação a partir da 1rase de Ponge KI homem 0 o 1uturo do homemK. %,&-MW!-I Faça um semin'rio com o seguinte tema: A luta (ela de esa dos direitos !umanos li"erdade de cada um

%ugerimos consultar artigos de Hornais, re.istas, pu"licaçLes de organizaçLes como *omissão de /ustiça e Paz, Irdem dos d.ogados do #rasil (ou de cada ,stado).

nistia -nternacional,

L,-8P! *I&PL,&,M8 ! XI ho%e% é liberdadeL +ostoie.s\i escre.eu: K%e +eus não e2istisse, tudo seria permitidoK. > se situa o ponto de partida do ntes de mais nada, não h'

e2istencialismo. *om e1eito, tudo 0 permitido se +eus não e2iste, 1ica o homem, por conseguinte, a"andonado, H' Jue não encontra em si, nem 1ora de si, uma possi"ilidade a Jue se apegue. desculpas para ele. %e, com e1eito, a e2istGncia precede a essGncia, não ser' nunca poss>.el re1erir uma e2plicação a uma natureza humana dada e imut'.el7 por outras pala.ras, não h' determinismo, o homem 0 li.re, o homem 0 li"erdade. %e, por outro lado, +eus não e2iste, não encontramos diante de n3s .alores ou imposiçLes Jue nos legitimem o comportamento. ssim, não temos nem atr's de n3s, nem diante de n3s, no dom>nio luminoso dos .alores, Husti1icaçLes ou desculpas. ,stamos s3s e sem desculpas. a o Jue traduzirei dizendo Jue o homem est' condenado a ser li.re. *ondenado porJue não se criou a si pr3prio7 e, no entanto, li.re porJue, uma .ez lançado ao mundo, 0 respons'.el por tudo Juanto 1izer. I e2istencialista não crG na 1orça da pai2ão. Mão pensar' nunca Jue uma "ela pai2ão 0 uma torrente de.astadora Jue conduz 1atalmente o homem a certos atos e Jue, por conseguinte, tal pai2ão 0 uma desculpa. Pensa, sim, Jue o homem 0 respons'.el por essa sua pai2ão. I e2istencialista não pensar' tam"0m Jue o homem pode encontrar au2>lio num sinal dado so"re a terra, e Jue o h' de orientar7 porJue pensa Jue o homem deci1ra ele mesmo esse sinal como lhe aprou.er. Pensa, portanto, Jue o homem, sem JualJuer apoio e sem JualJuer au2>lio, est' condenado a cada instante a in.entar o homem. +isse Ponge num "elo artigo: KI homem 0 o 1uturo do homemK. a per1eitamente e2ato. %omente, se se entende por isso Jue tal 1uturo est' inscrito no c0u, Jue +eus o .G, nesse caso 0 um erro, at0 porJue nem isso seria um 1uturo. &as se se entender por isso Jue, seHa Jual 1or o homem, tem um 1uturo .irgem Jue o espera, então essa 1rase est' certa. % !8!,, /ean-Paul. / e@istencialis%o é u% hu%anis%o( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, *ultural, :;B@. p. :?-:E. X liberdade do cidadãoL Is droits de lPho%%e( os direitos humanos, distinguem-se, como tais, dos droits du citoBen( dos direitos ci.is. Sual o homemj Jue aJui se distingue do cidadãoR %implesmente, o %e%bro da sociedade burguesa. Por Jue se chama o mem"ro da sociedade "urguesa de KhomemK, homem simplesmente, e d'-se a seus direitos o nome de direitos hu%anos7 *omo e2plicar o 1atoR Pelas relaçLes entre o ,stado pol>tico e a sociedade "urguesa, pela essGncia da emancipação pol>tica. !egistremos, antes de mais nada, o 1ato de Jue os chamados direitos hu%anos( os droits de lPho%%e( ao contr'rio dos droits du citoBen Xdireitos do cidadãoY, nada mais são do Jue direitos do %e%bro da sociedade "ril

burguesa( isto 0, do homem ego>sta, do homem separado do homem e da comunidade. *onstituiçLes, a *onstituição de :B;@, proclamou:

mais radical das

j Meste trecho, todas as pala.ras em negrito esta.am em 1rancGs no original alemão, de &ar2. De"lara4.o dos direitos do !omem e do "idad.o Art. 56 Estes direitos3 et". 7os direitos naturais e im(res"rit#veis8 s.o6 a igua)dade, a )i1erdade, a +egurança e a 2ro2riedade3 ,m Jue consiste a )i1erdade4 rt. E: 9A liberdade $ o (oder (r:(rio do !omem de a;er tudo a<uilo <ue n.o "on lite "om os direitos de outro=> ou, segundo a +eclaração dos +ireitos do 5omem, de :B;:7 9A liberdade $ o (oder (r:(rio do !omem de a;er tudo a<uilo <ue n.o (re?udi<ue a nin@u$m9. li"erdade, por conseguinte, 0 o direito de 1azer e empreender tudo aJuilo Jue não preHudiJue os outros. I limite dentro do Jual todo homem pode mo.er-se inocua%ente em direção a outro 0 determinado pela lei, assim como as cercas marcam o limite ou a linha di.is3ria entre duas terras. 8rata-se da li"erdade do homem como de uma m)nada isolada, do"rada so"re si mesma. (...) aplicação pr'tica do direito humano da li"erdade 0 o direito humano J &ro&riedade &ri#ada. ,m Jue consiste o direito humano N propriedade pri.adaR rt. :E (*onstituição de :B;@): 9O direito A 2ro2riedade $ o direito asse@urado a todo "idad.o de @o;ar e dis(or de seus bens3 rendas3 dos rutos de seu trabal!o e de sua ind1stria "omo mel!or l!e "onvier9. I direito humano N propriedade pri.ada, portanto, 0 o direito de des1rutar de seu patrim)nio e dele dispor ar"itrariamente (N son gré?( sem atender aos demais homens, independentemente da sociedade, 0 o direito do interesse pessoal. li"erdade indi.idual e esta aplicação sua constituem o 1undamento da sociedade "urguesa. %ociedade Jue 1az com Jue todo homem encontre noutros homens não a reali6ação de sua li"erdade, mas, pelo contr'rio, a li%itação desta. (...) (...) o homem, enJuanto mem"ro da sociedade "urguesa, 0 considerado como o #erdadeiro homem, como !omem3 distinto do "idad.o por se tratar do homem em sua e2istGncia sens>.el e indi.idual i%ediata( ao passo Jue o homem &ol*tico é apenas o homem a"strato, arti1icial, aleg'rico( %oral. I homem real s3 0 reconhecido so" a 1orma de indi.>duo ego*staA e o homem #erdadeiro( somente so" a 1orma do "idad.o abstrato. (...) %omente Juando o homem indi.idual real recupera em si o cidadão a"strato e se con.erte, como homem indi.idual, em ser genérico( em seu tra"alho indi.idual e em suas relaçLes indi.iduais7 somente Juando o homem tenha reconhecido e organizado suas 9(r:(rias or4as9 como 1orças sociais e Juando, portanto, H' não separa de si a 1orça social so" a 1orma de 1orça &ol*tica( somente então se processa a emancipação humana. & !e, [arl. A questão Judaica. !io de /aneiro, chiam0, s.d.

CAPÍTULO 15

Conce&ç4es éticas
/ que eu quero da #ida7 9uero ser feli68 . )as o que é ser feli67 3is a questão8 Para uns a felicidade está e% buscar o &ra6er. Para outros( os &ra6eres &ro#oca% instabilidade( dor e sofri%ento( &or isso o ideal seria sufocar as &ai@4es. confor%e o de#er. ,ssas JuestLes, Jue certamente JualJuer pessoa H' se colocou muitas .ezes, tam"0m tGm sido preocupação dos 1il3so1os atra.0s dos tempos. Vimos no *ap>tulo C, I mundo dos .alores, Jue, geralmente, Juando 1alamos em %oral( nos re1erimos Ns regras de conduta aceitas por um grupo ou pessoa. Ira, uma das preocupaçLes do homem ao se comportar moralmente é sa"er distinguir o "em do mal, H' Jue agir moralmente 0 agir de acordo com o "em. Portanto, o suHeito moral, ao se perguntar como de.e agir em determinada situação, certamente se apro2ima de outras JuestLes mais te3ricas e a"stratas tais como: em Jue consiste o "emR Jual 0 o 1undamento da ação moralR Jual 0 a natureza do de.erR *olocando tais JuestLes, estar' entrando no campo da ética( teoria Jue realiza a re1le2ão cr>tica so"re a e2periGncia moral e Jue tem por 1im discutir as noç4es e &rinc*&ios que funda%enta% a conduta %oral. Agir de acordo co% o be% Podemos dizer Jue a re1le2ão 0tica se inicia no mundo ocidental na $r0cia antiga, no s0culo V a.*., Juando se acentua o desligamento da compreensão de mundo "aseada nos relatos m>ticos. Is so1istas reHeitam o 1undamento religioso da moral e consideram Jue os princ>pios morais resultam das con#enç4es sociais. Por essa 0poca destaca-se o es1orço de %3crates no sentido de se contrapor N posição dos so1istas, "uscando os 1undamentos da moral não nas con.ençLes, mas na pr3pria nature6a hu%ana. %eu disc>pulo Platão, no di'logo chamado 3utifron( %ostra %3crates discutindo inicialmente so"re as açLes do homem >mpio ou santo con1orme a ordem constitu>da, para então se perguntar em Jue consiste a impiedade e a santidade em si, independentemente dos casos concretos. +a> para 1rente, muitas 1oram as soluçLes dadas pelos 1il3so1os para a Juestão re1erente N natureza do "em moral. Para rist3teles, todas as ati.idades humanas aspiram a algum "em, dentre os Juais o maior 0 a felicidadeA mas para ele a 1elicidade não consiste nos prazeres nem na riJueza: considerando Jue o pensar 0 o Jue mais caracteriza o homem, conclui Jue a 1elicidade consiste na ati.idade da alma segundo a razão. Para os hedonistas (do grego hedoné( KprazerK), o "em se encontra no prazer. ,m um sentido "em gen0rico, podemos dizer Jue a ci.ilização contempor^nea 0 hedonista Juando identi1ica a 1elicidade com a aJuisição de "ens de consumo: ter uma "ela casa, carro, "oas roupas, "oa comida, m4ltiplas e2periGncias se2uais. ,, tam"0m, na incapacidade de tolerar JualJuer descon1orto, seHa uma simples dor de ca"eça, seHa o en1rentamento sereno das doenças e da morte. Mo entanto, o principal representante do hedonismo grego, no s0culo --- a.*, ,picuro, considera Jue os prazeres do corpo são causa de ansiedade e so1rimento, e, para Jue a alma permaneça impertur"'.el, 0 preciso, á que% &ense que a &erfeita felicidade s' se encontra na #ida futura( reali6ando-se e% $eus. Para outros( ainda( não é a felicidade que i%&orta( o que #ale é agir

portanto, desprezar os prazeres materiais. ,ssa atitude o le.a a pri.ilegiar os prazeres espirituais, dentre os Juais destaca aJueles re1erentes N amizade. Ma mesma 0poca, o est'ico ieno de *>tio despreza os prazeres em geral, ao considerar Jue muitos males decorrem deles. #usca eliminar as pai2Les, Jue s3 produzem so1rimento, e considera Jue a .ida .irtuosa do homem s'"io, Jue .i.e de acordo com a natureza e a razão, consiste em aceitar com impassi"ilidade o destino e o so1rimento. I estoicismo 1oi retomado em !oma por %Gneca e por &arco ur0lio, imperador e 1il3so1o. I ideal ascese consiste asc0tico, Jue 1oi muito "em aceito pelo cristianismo medie.al, deri.a desse modo de pensar. 1lagelação. Para os 1il3so1os e te3logos medie.ais, como %anto 8om's de na .ida 1utura, realizando-se em +eus. Variadas tGm sido as soluçLes encontradas para as JuestLes 0ticas no decorrer da hist3ria da 1iloso1ia, mas desde a e2pansão do cristianismo a cultura ocidental 1icou marcada pela tradição moral cuHo 1undamento se encontra nos .alores religiosos e na crença na .ida depois da morte. Messa perspecti.a, os .alores são considerados transcendentes, porJue resultam de doação di.ina, o Jue costuma le.ar N identi1icação do homem moral com o homem temente a +eus. Mo entanto, a partir da -dade &oderna, culminando no mo.imento da -lustração no s0culo eV---, a moral se torna laica. Portanto, ser %oral e ser religioso dei2am de ser insepar'.eis, tornando-se per1eitamente poss>.el admitir Jue um homem ateu seHa moral, e, mais ainda, Jue o 1undamento dos .alores não se encontra em +eus, mas no pr3prio homem. A %oral ilu%inista I s0culo eV--- 0 conhecido como o %0culo das Luzes porJue em todas as e2pressLes do pensamento e ati.idade do homem, a razão, como uma luz, se torna o instrumento para interpretar e reorganizar o mundo. !ecorrer N razão supLe a recusa da intoler^ncia religiosa, a reHeição do crit0rio de autoridade. Para [ant, maior e2poente do -luminismo, a ação moral 0 aut)noma, pois o homem 0 o 4nico ser capaz de se determinar segundo leis Jue a pr3pria razão esta"elece. Portanto, a moral iluminista 0 racional, laica (não-religiosa), acentua o car'ter pessoal da li"erdade do indi.>duo e o seu direito de contestação. 8am"0m é uma moral uni.ersalista, porJue, em"ora admita as di1erenças dos costumes dos po.os, aspira por encontrar o n4cleo comum de .alores uni.ersais. 3% busca do ho%e% concreto partir do 1inal do s0culo e-e e no decorrer do s0culo ee, os 1il3so1os começam a se posicionar contra a moral 1ormalista \antiana 1undada na razão uni.ersal, a"strata, e tentam encontrar o homem concreto da ação moral. Juino, a 1elicidade plena s3 se encontra

no aper1eiçoamento da .ida espiritual por meio de pr'ticas de morti1icação do corpo como HeHum, a"stinGncia,

a nesse sentido Jue podemos compreender o es1orço de pensadores tão di1erentes como Mietzsche, &ar2, [ier\egaard, Freud e os e2istencialistas. +entre estes, .amos destacar "re.emente a importante contri"uição de Mietzsche. I pensamento de Mietzsche se orienta no sentido de recuperar as 1orças inconscientes, .itais e instinti.as su"Hugadas pela razão durante s0culos. Para tanto, critica %3crates por ter encaminhado pela primeira .ez a re1le2ão moral em direção ao controle racional das pai2Les. %egundo Mietzsche, nasceu a> o homem descon1iado de seus instintos, e essa destruição culminou com o cristianismo, acelerando o processo de KdomesticaçãoK do homem. moral cristã 0 a moral do re"anho, geradora de sentimentos de culpa e ressentimentos, e 1undada na aceitação do so1rimento, da ren4ncia, do altru>smo, da piedade, t>picos da moral dos 1racos. Por isso Mietzsche de1ende a transmutação de todos os .alores, superando a moral comum para Jue os atos do homem 1orte não seHam pautados pela mediocridade das .irtudes esta"elecidas. Para tanto 0 preciso recuperar o sentimento de potGncia, a alegria de .i.er, a capacidade de in.enção. A questão %oral ho2e &uitos são os pro"lemas a serem en1rentados pelo homem contempor^neo, ao discutir a respeito da moral: o espontane>smo, o indi.idualismo, o relati.ismo moral, o narcisismo hedonista, a recusa da razão dominadora. %e lem"rarmos ainda os riscos de massi1icação do homem pelos meios de comunicação, estaremos diante de um Juadro Ns a.essas do Jue poder>amos considerar como condiçLes adeJuadas de uma .ida moral autGntica, H' Jue esta supLe consciGncia cr>tica, li"erdade, reciprocidade e responsa"ilidade. Juestão Jue se coloca hoHe 0 a da superação dos empecilhos Jue di1icultam a e2istGncia de uma .ida moral autGntica. inda mais: o es1orço de recuperação da 0tica passa pela necessidade de não se esJuecer da dimensão planet'ria da sociedade contempor^nea, Juando todos os pontos da 8erra, essa Kaldeia glo"alK, se acham ligados pelos meios de comunicação de massa e pelos mais .elozes transportes. -sso nos 1az considerar a moral al0m dos limites restritos dos peJuenos grupos, como a 1am>lia, o "airro, a cidade, a p'tria. sucum"a N tentação de dominar o outro por considerar a di1erença um sinal de in1erioridade. DROPES I .erdadeiro homem 0 aJuele Jue .i.e a .ida de seu tempo. rua, a "atalha do dia-a-dia. (!auh.) I maior perigo para a .ida moral não pro.0m do ego>smo consciente do indi.>duo, mas do ego>smo coleti.o, sancionado pelas instituiçLes e pelos c3digos, e Jue constitui nossa atmos1era social. (!auh.) ,ncara-se geralmente a 0tica como algo inteiramente a"strato e 0 por isso Jue ela 0 detestada em segredo. Suando se pensa Jue ela 0 estranha N personalidade, 0 di1>cil algu0m entregar-se a ela, porJue não se sa"e ao certo o Jue disso resultar'. ([ier\egaard.) mat0ria da re1le2ão moral 0 o Hornal, a generosidade da moral planet'ria supLe a garantia da pluralidade dos estilos de .ida, a aceitação das di1erenças, sem Jue se

,e,!*Q*-I% :. Faça o 1ichamento do cap>tulo e le.ante as d4.idas. <. Leia o te2to complementar K 1elicidadeK, de rist3teles, e responda: a) Para rist3teles, o Jue mais caracteriza a natureza do homemR ") I Jue 0 mais apraz>.el para o homemR Portanto, em Jue consiste a 1elicidadeR @. Leia o te2to complementar K*omo se portar na in1elicidadeK, de %Gneca, e identi1iJue as caracter>sticas do estoicismo. D. Leia o te2to complementar KFragmentosK, de ,picuro, e responda7 a) ,m Jue consiste o "em para ,picuroR ") *omo ,picuro compreende o prazerR ?. Leia o te2to complementar KFragmentoK, de Mietzsche, e responda: a) Sual o sentido dos conceitos contrapostos por Mietzsche: mortos-.i.os7 po.o-companheiros7 pastorrapinanteR ") Sue tipo de moral Mietzsche est' criticando Juando .aloriza o in1rator, considerando-o criadorR L,-8P! *I&PL,&,M8 ! MA felicidadeL %e a 1elicidade 0 ati.idade con1orme N .irtude, ser' razo'.el Jue ela esteHa tam"0m em concord^ncia com a mais alta .irtude7 e essa ser' a do Jue e2iste de melhor em n3s. Suer seHa a razão, Juer alguma outra coisa esse elemento Jue Hulgamos ser o nosso dirigente e guia natural, tomando a seu cargo as coisas no"res e di.inas, e Juer seHa ele mesmo di.ino, Juer apenas o elemento mais di.ino Jue e2iste em n3s, sua ati.idade con1orme N .irtude Jue lhe 0 pr3pria ser' a per1eita 1elicidade. Sue essa ati.idade 0 contemplati.a, H' o dissemos anteriormente. Ira, isto parece estar de acordo não s3 com o Jue muitas .ezes asse.eramos, mas tam"0m com a pr3pria .erdade. PorJue, em primeiro lugar, essa ati.idade 0 a melhor (pois não s3 0 a razão a melhor coisa Jue e2iste em n3s, como os o"Hetos da razão são os melhores dentre os o"Hetos cognosc>.eis)7 e, em segundo lugar, 0 a mais cont>nua, H' Jue a contemplação da .erdade pode ser mais cont>nua do Jue JualJuer outra ati.idade. , pensamos Jue a 1elicidade tem uma mistura de prazer, mas a ati.idade da sa"edoria 1ilos31ica 0 reconhecidamente a mais apraz>.el das ati.idades .irtuosas7 pelo menos, Hulga-se Jue o seu culti.o o1erece prazeres mara.ilhosos pela pureza e pela dura"ilidade, e 0 de supor Jue os Jue sa"em passem o seu tempo de maneira mais apraz>.el do Jue os Jue indagam. (...) , dir-se-ia, tam"0m, Jue esse elemento Xa razãoY 0 pr3prio do homem, H' Jue 0 a sua parte dominante e a melhor dentre as Jue o compLem. %eria estranho, pois, Jue não escolhesse a .ida do seu pr3prio ser, mas a de outra coisa. , o Jue dissemos atr's tem aplicação aJui7 o Jue 0 pr3prio de cada coisa 0, por natureza, o Jue h' de melhor e de apraz>.el para ela7 e, assim, para o homem a .ida con1orme N razão 0 a

melhor e a mais apraz>.el, H' Jue a razão, mais Jue JualJuer outra coisa, 0 o homem. +onde se conclui Jue essa .ida 0 tam"0m a mais 1eliz. !-%8O8,L,%. atica a Mic)maco, *ol. Is pensadores. %ão Paulo, "ril *ultural, :;B@. p. D<C-D@A. M!rag%entosL *hamamos ao prazer princ>pio e 1im da .ida 1eliz. *om e1eito, sa"emos Jue 0 o primeiro "em, o "em inato, e Jue dele deri.amos toda a escolha ou recusa e chegamos a ele .alorizando todo "em com crit0rio do e1eito Jue nos produz. Mem a posse das riJuezas nem a a"und^ncia das coisas nem a o"tenção de cargos ou o poder produzem a 1elicidade e a "em-a.enturança7 produzem-na a ausGncia de dores, a moderação nos a1etos e a disposição de esp>rito Jue se mantenha nos limites impostos pela natureza. ausGncia de pertur"ação e de dor são prazeres est'.eis7 por seu turno, o gozo e a alegria são prazeres de mo.imento, pela sua .i.acidade. Suando dizemos, então, Jue o prazer 0 1im, não Jueremos re1erir-nos aos prazeres dos intemperantes ou aos produzidos pela sensualidade, como crGem certos ignorantes, Jue se encontram em desacordo conosco ou não nos compreendem, mas ao prazer de nos acharmos li.res de so1rimentos do corpo e de pertur"açLes da alma. imediata desaparição de uma grande dor 0 o Jue produz insuper'.el alegria: esta 0 a essGncia do "em, se o entendemos direito, e depois nos mantemos 1irmes e não giramos em .ão 1alando do "em. , como o prazer 0 o primeiro e -nato "em, 0 igualmente por este moti.o Jue não escolhemos JualJuer prazer7 antes, pomos de lado muitos prazeres Juando, como resultado deles, so1remos maiores pesares7 e igualmente pre1erimos muitas dores aos prazeres Juando, depois de longamente ha.ermos suportado as dores, gozamos de prazeres maiores. Por conseguinte, cada um dos prazeres possui por natureza um "em pr3prio, mas não se de.e escolher cada um deles7 do mesmo modo, cada dor 0 um mal, mas nem sempre se de.e e.it'-las. *on.0m, então, .alorizar todas as coisas de acordo com a medida e o crit0rio dos "ene1>cios e dos preHu>zos, pois Jue, segundo as ocasiLes, o "em nos produz o mal e, em troca, o mal, o "em. ,PQ*l!I. <tica( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, "ril *ultural, :;B@. p. <?. Co%o se &ortar na infelicidade ,stamos todos ligados N 1ortuna: para uns a cadeia 0 de ouro e 1rou2a, para outros 0 apertada e grosseira7 mas Jue importaR 8odos os homens participam do mesmo cati.eiro, e aJueles Jue encadeiam os outros não são menos algemados7 pois tu não a1irmar's, suponho eu, Jue os 1erros são menos pesados Juando le.ados no "raço esJuerdo. s honras prendem este, a riJueza aJuele outro7 este le.a o peso de sua no"reza, aJuele o de sua o"scuridade7 um cur.a a ca"eça so" a tirania de outrem, outro so" a pr3pria tirania7 a este sua permanGncia num lugar 0 imposta pelo e2>lio, NJuele outro pelo sacerd3cio. 8oda a .ida 0 uma escra.idão. a preciso, pois, acostumar-se N sua condição, Juei2ando-se o menos poss>.el e não dei2ando escapar nenhuma das .antagens Jue ela possa o1erecer: nenhum destino 0 tão insuport'.el Jue uma alma razo'.el não encontre JualJuer coisa

para consolo. VG-se 1reJ_entemente um terreno diminuto prestar-se. graças ao talento do arJuiteto, Ns mais di.ersas e incr>.eis aplicaçLes, e um arranHo h'"il torna ha"it'.el o menor canto. Para .encer os o"st'culos, apela N razão: .er's a"randar-se o Jue resistia, alargar-se o Jue era apertado e os 1ardos tornarem-se mais le.es so"re os om"ros Jue sa"erão suport'-los. %aM,* . +a tranqIilidade da al%a( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, "ril *ultural, :;B@. p. <:E. M!rag%entoL Pma luz se acendeu para mim: 0 de companheiros de .iagem Jue eu preciso, e .i.os 9 não de companheiros mortos e cad'.eres, Jue carrego comigo para onde eu Juero ir. &as 0 de companheiros .i.os Jue eu preciso, Jue me sigam porJue Juerem seguir a si pr3prios 9 e para onde eu Juero ir. Pma luz se acendeu para mim: não 0 ao po.o Jue de.e 1alar iaratustra, mas a companheiros6 Mão de.e iaratustra tornar-se pastor e cão de um re"anho. +esgarrar muitos do re"anho 9 1oi para isso Jue eu .im. +e.em .oci1erar contra mim po.o e re"anho: rapinante Juer chamar-se iaratustra para os pastores. Pastores digo eu, mas eles se denominam os "ons e Hustos. Pastores digo eu: mas eles se denominam os crentes da .erdadeira crença. Vede os "ons e Hustos6 Suem eles odeiam maisR Juele Jue Jue"ra suas t'"uas de .alores, o Jue"rador, o in1rator: 9 mas este 0 o criador. Vede os crentes de toda crença6 Suem eles odeiam maisR Jue"rador, o in1rator: 9 mas este 0 o criador. M-,8i%*5,, Friedrich. ssim 1alou iaratustra. *ol. Is pensadores. %ão Paulo, "ril *ultural, :;C@. p. <<C. Juele Jue Jue"ra suas t'"uas de .alores, o

CAPÍTULO 11 Te%as afins: a afeti#idade P!-&,-! P !8, 9 Mada se 1az sem pai2ão
5omem: ser de deseHo Suando perguntamos Ko Jue 0 o homemRK, a resposta mais comum 0 Ko homem 0 um animal racionalK. -sso 0 "em .erdadeiro, mas incompleto. I homem 0 tam"0m um ser de dese2o. , como surge o deseHoR %urge N medida Jue o homem esta"elece relaçLes com a natureza e com os outros homens, ocasião em Jue .i.Gncia emoçLes e sentimentos, isto 0, reage afeti#a%ente aos acontecimentos. SualJuer ação humana se e2plica pelo 1ato de ser moti.ada: o homem sente falta( &recisa de alguma coisa e dese2a alcanç'-la. Por isso sai em "usca de alimento, de a"rigo, de repouso, como tam"0m do reconhecimento dos outros, do amor, da "eleza etc. Messa "usca, tenta e.itar a dor, o so1rimento, o descon1orto, a solidão e a morte.

ra6ão é importante por 1ornecer ao homem os meios para compreender a realidade, solucionar pro"lemas, proHetar a ação e rea.aliar o Jue 1oi 1eito. &as o impulso, a energia, a .i"ração .Gm do dese2o. a este Jue pLe o homem em mo.imento. ,nJuanto os atos da razão são resultado da .ontade, os sentimentos e emoçLes afeta% os homens independentemente de seu consentimento. Suando somos afetados( não podemos e.itar a resposta, seHa ela de prazer, dor ou c3lera. a nesse sentido Jue podemos entender o conceito de &ai@ão a partir de sua etimologia: &ai@ão .em de &athos( Jue em grego tem a mesma raiz de so1rer, suportar, dei2ar-se le.ar por. ,2iste uma longa tradição Jue identi1ica a pai2ão aos a1etos 1ortes e incontrol'.eis. l0m disso, a pai2ão 0 com 1reJ_Gncia associada apenas ao amor, principalmente ao amor intenso, 1ulminante e Kpertur"ador da almaK Jue impede o homem de perce"er os acontecimentos com clareza. 8rata-se de uma concepção negati.a, pois os Jue pensam dessa 1orma consideram a pai2ão uma esp0cie de 1raJueza humana, e portanto perigosa, H' Jue o homem por ela Karre"atadoK perde o controle de si. Vamos aJui considerar a pai2ão como JualJuer a1eto, seHa 1raco ou 1orte. , mais: h a pai2ão amorosa não 0 a 4nica e2istente7 pode-se 1alar tam"0m em pai2Les em relação ao 3dio, medo, in.eHa, gl3ria7 isto 0, e2istem tantas pai2Les Juantos são os a1etos humanos7 h a pai2ão não 0 dist4r"io ou doença, mas 1az parte da realidade humana (preHudicial seria a a&atia( a ausGncia de sentimento e pai2ão)7 h não h' por Jue se en.ergonhar das pai2Les: elas surgem independentemente de nossa .ontade, isto 0, não podemos ter ou não ter pai2Les7 por isso, a pai2ão não 0 alguma coisa a ser e.itada ou negada. Pai2ão de .ida e pai2ão de morte Mão con.0m concluir apressadamente Jue o homem pode .i.er todas as pai2Les tal como elas se impLem. %e isto ocorresse, a .ida em comum se tornaria imposs>.el e o pr3prio indi.>duo en1rentaria impulsos contradit3rios e inconcili'.eis. .ida propriamente moral. %e Knada se 1az sem pai2ãoK, tam"0m 0 .erdade Jue ra6ão e &ai@ão são inse&ará#eis. &as a relação Jue se esta"elece entre esses dois p3los .aria de acordo com as di.ersas correntes 1ilos31icas. Para Platão, o homem 0 constitu>do por trGs almas, uma pela Jual compreendemos (racional), outra pela Jual nos irritamos (irasc>.el) e outra pela Jual KdeseHamos os prazeres da comida, da reprodução e todos os outros da mesma 1am>liaK (concupisc>.el). I homem s'"io 0 aJuele Jue 1ortalece a razão, alma superior, e não se dei2a arrastar pela 1orça das pai2Les. /' não 0 assim Jue pensa o holandGs %pinoza (s0c. eV--), para Juem a razão não 0 superior aos a1etos, nem ca"e a ela control'-los. eles. Para %pinoza, a tristeza 0 a consciGncia Jue temos da diminuição da nossa realidade e da nossa capacidade de agir. Por e2emplo, ignorar 0 tristeza, perder o amado 0 tristeza. +a> deri.am outros a1etos (tristes): desesperança, autopiedade, medo, ressentimento, in.eHa, 3dio. a poss>.el ultrapassar esse estado s a1ecçLes do corpo e sentimentos da alma são forças de e2istir e agir e Hamais serão .encidas por uma idéia ou por uma #ontade( mas apenas por outros afetos %ais fortes e &oderosos do que l0m do Jue, não se poderia contar com a possi"ilidade de e2istGncia de uma

criando condiçLes para as pai2Les alegres se tornarem mais 1ortes Jue as tristes. *onhecer e criar geram alegria, Jue consiste na consciGncia do aumento de nossa capacidade de agir. s pai2Les alegres 1azem nascer o amor, a amizade, o contentamento, a esperança, e s3 elas serão capazes de com"ater as pai2Les nascidas da tristeza. s "oas pai2Les permitem o desen.ol.imento humano, 1acilitam o encontro das pessoas e proporcionam a alegria. s m's pai2Les impedem o crescimento, corrompem as relaçLes e orientam para as 1ormas de e2ploração e destruição. ,m resumo, a "oa pai2ão 0 .oltada para a .ida, enJuanto a m' pai2ão se .olta para a morte. DROPES Fil3so1os h' Jue conce"em os a1etos, em n3s con1litantes, como .>cios em Jue caem os homens por sua pr3pria culpa. Por isso costumam ridiculariz'-los, deplor'-los, censur'-los e (Juando Juerem parecer mais santos) detest'-los. (...) *once"em os homens não como são, mas como gostariam Jue 1ossem. Por isso Juase todos, em lugar de 0tica escre.eram s'tira e, em pol>tica, Juimera con.eniente ao pa>s da Ptopia ou N -dade de Iuro dos poetas, Juando nenhuma instituição era necess'ria (...) 8i.e todo o cuidado em não ridicularizar as pai2Les humanas, nem lament'-las ou detest'-las, mas compreendG-las. (%pinoza.) E)ER%*%IOS +. Faça o 1ichamento desta primeira parte do cap>tulo, destacando as d4.idas. <. Vamos desco"rir as a1inidades entre conceitos Jue tGm a mesma raiz de &ai@ão -&athos?. Procure o signi1icado das seguintes pala.ras: apatia, empatia, simpatia, antipatia, patol3gico, pat0tico, homeopatia, alopatia, psicopata, incompat>.el, paciGncia, paciente, impass>.el, passi.o, passional, telepatia. Pai2ão de *risto. @. partir da citação de %pinoza (dropes), responda: a) Sue tipo de concepção 0tica 0 criticada por %pinozaR ") Para %pinoza, se as pai2Les não são .>cios, o Jue são elasR D. *om "ase no te2to de leitura complementar KFragmentosK, de %pinoza, responda: a) I Jue são a1ecçLesR ") ,m Jue sentido as a1ecçLes e os deseHos estão interligadosR c) 8endo em .ista a de1inição de tristeza, Juais são os e1eitos da in.eHa, da .ingança ou da humildadeR L,-8P! *I&PL,&,M8 ! M!rag%entosL ,ntre as esp0cies de a1ecçLes, Jue de.em ser muito numerosas, as mais not'.eis são a lu@Qr*a( a e%briague6( a lubricidade( a a#are6a e a a%bição( as Juais não são senão designaçLes de amor ou de deseHo, Jue e2plicam a natureza de cada uma destas a1ecçLes pelos o"Hetos a Jue se re1erem. *om e1eito, por lu24r>a, em"riaguez, lu"ricidade, a.areza e am"ição não entendemos senão um amor ou um deseHo imoderado de comida, de "e"ida, de relaçLes se2uais, de riJueza e de gl3ria. l0m disso, estas a1ecçLes, enJuanto as

distinguimos das outras apenas pelo o"Heto a Jue se re1erem, não tGm contr'rias. Ma .erdade, a temperança, a sobriedade e a castidade( Jue costumamos opor N lu24ria, N em"riaguez e N lu"ricidade, não são a1ecçLes ou pai2Les, mas indicam a capacidade da alma Jue modera essas a1ecçLes. I dese2o -Cu&iditas? é a pr3pria essGncia do homem, enJuanto esta 0 conce"ida como determinada a 1azer algo por uma a1ecção JualJuer nela .eri1icada. alegria -:aetitia? é a passagem do homem de uma per1eição menor para uma maior. triste6a -Tristitia? 0 a passagem do homem de uma per1eição maior para uma menor. in#e2a -.n#idia? é o 3dio na medida em Jue a1eta o homem de tal maneira Jue ele se entristece com a 1elicidade de outro e, ao contr'rio, e2perimenta contentamento com o mal de outrem. I contenta%ento -Acquiescentia in se i&so? 0 a alegria nascida do 1ato de o homem se contemplar a si mesmo e N sua capacidade de agir. hu%ildade - u%ilitas? é a tristeza nascida do 1ato de o homem contemplar a sua impotGncia ou a sua 1raJueza. #ingança -Uindicta? é o deseHo Jue nos impele a 1azer mal, por um 3dio rec>proco, NJuele Jue, a1etado por uma a1ecção semelhante para conosco, nos causou um dano. %P-MIi , #aruch. atica, *ol. Is pensadores. %ão Paulo, <<A,<<D,<<B. "ril *ultural, :;B@. p. <:E-<:B. <:;,

%,$PM+ P !8, 9

amizade

adolescGncia 0 o momento em Jue os amigos assumem papel primordial, Jue grupos se 1ormam, Jue desco"rimos, pouco a pouco, nossa identidade. ,m 1unção disso, trataremos aJui da amizade, em"ora a a"ordagem seHa mais psicol3gica Jue propriamente 1ilos31ica. %er' Jue Juando chamamos algu0m de amigo estamos realmente 1alando de amizade ou a estamos con1undindo com algum outro tipo de relaçãoR VeHamos alguns tipos de relaçLes Ns Juais Ns .ezes damos o nome de amizade. ,m primeiro lugar, chamamos de amigos os meros conhecidos, pessoas com Juem mantemos "oas relaçLes, sim, mas com Juem não di.idimos nossos segredos, nem nossos deseHos mais pro1undos. aca"a sendo super1icial, sem confiança %Qtua( "ase da .erdadeira amizade. Iutras .ezes, consideramos amigos aJueles Jue participam do mesmo grupo ideol3gico, Jue partilham as mesmas id0ias Jue n3s, seHam elas pol>ticas, religiosas, 0ticas etc. Messes casos, podemos muito claramente separar os amigos (Jue ap3iam essas id0ias) dos ad.ers'rios (Jue com"atem ou são contra as id0ias do nosso grupo). Psamos, ainda, a pala.ra KamigoK para um terceiro grupo de pessoas, aJuelas Jue, por sua posição social, pro1issional ou econ)mica, nos são 4teis e aHudam a Kdar um HeitinhoK nos nossos pro"lemas. ,ste 0 o tipo de KamigoK muito comum nos neg3cios e na pol>tica. relação

5', por 1im, aJuelas pessoas com Juem esta"elecemos uma relação de amizade "aseada na simpatia e nas a1inidades pessoais. %ão as pessoas Jue nos compreendem, apesar de nem sempre concordarem conosco. ,stes são os .erdadeiros amigos, em Juem depositamos con1iança e a Juem dedicamos a1eto. Caracter*sticas da a%i6ade amizade 0 uma relação de amor, de a1eto, de tipo muito especial. ,la se desen.ol.e no tempo, a partir de encontros sucessi.os Jue nos re.elam no.as perspecti.as, no.os caminhos, 1azendo-nos compreender uma parte de n3s mesmos e do mundo Jue nos rodeia. a um momento de autenticidade, de reconhecimento da identidade 1rente N di.ersidade do outro. amizade não en.ol.e so1rimento. Is amigos sentem-se "em na companhia um do outro, sem am"i.alGncia (amor e 3dio). Mão h' lugar para mesJuinharias, maledicGncias nem mal-entendidos. *ada um aHuda o outro a desco"rir, por si mesmo, aJuilo Jue 0 essencial em sua .ida, percorrendo Huntos uma parte do caminho. amizade 0 um sentimento rec>proco. Mão 0 poss>.el ser amigo de algu0m Jue não seHa, por sua .ez, nosso amigo. amizade 0 uma relação descont*nua. Podemos passar muito tempo sem .er um amigo, mas, Juando o .emos, 0 uma alegria, um reencontro sem co"ranças pelo tempo Jue passou. Podemos retomar as con.ersas, sem o"st'culos, sem mal-estar, sem maiores e2plicaçLes. amizade, tam"0m, não 0 e2clusi.ista, ou seHa, podemos ter .'rios amigos, sem Jue um rou"e nada do Jue damos ao outro. Mão h' concorrGncia entre amigos. 5' reconhecimento do .alor da indi.idualidade 4nica e incon1und>.el de cada um. Toda indi#idualidade %erece esse reconheci%ento. Ma adolescGncia, entretanto( Js .ezes, a amizade 0 possessi.a. 8emos ci4mes do amigo Jue d' atenção a outra pessoa. %entimo-nos rou"ados do tempo e do a1eto Jue ele dedica a outrem. a o momento de parar e re.er essa amizade. Mosso ci4me 0 1ruto do sentimento de posse, Jue est' ligado ao nosso pr3prio "em e N nossa insegurança, ou 0 resultado do descaso do outro Jue H' não .aloriza a nossa relação e a nossa indi.idualidade como anteriormenteR Mo primeiro caso, somos n3s Jue não correspondemos N amizade e deseHamos amputar as possi"ilidades de desco"erta, de a1eto, de encontro do outro. Mo segundo caso, 0 o outro Jue não se comporta como amigo, Jue se desinteressa da relação e Jue nos desilude com a 1alta de reciprocidade. %eHa por uma razão ou por outra, a amizade est' em crise e 0 necess'rio discuti-la, resol.er os mal-entendidos para Jue um no.o encontro seHa poss>.el, ou Jue os caminhos se separem. amizade 0, na sua essGncia, uma relação entre dois indi.>duos isolados, donos de si %es%os e iguais( tanto em termos de poder Juanto em termos de dignidade. Mão 0 poss>.el ha.er amizade Juando h' deseJuil>"rio de poder, ou seHa, Juando h' do%inação. 8am"0m não h' amizade Juando 1alta dignidade a JualJuer uma das partes. 8al.ez não seHa muito 1'cil encontrar .erdadeiros amigos. &as, Juando os temos, .ale a pena culti.ar sua amizade, Jue pode .ir a durar a .ida inteira. E)ER%*%IOS +. Le.ante, no te2to, as principais caracter>sticas da amizade.

<. *ompare essas caracter>sticas com as relacionadas a"ai2o, discutindo sua adeJuação7 h amigo 0 Juem 1az o outro sorrir7 h amigo 0 aJuele Jue 1acilita a nossa .ida7 h amigo 0 Juem est' sempre presente7 T amigo 0 aJuele Jue concorda sempre conosco. @. Leia o te2to complementar K lmas agradecidasK, de &achado de amizade a> presentes. LEITURA %OMPLEMENTAR A)ma+ agradecida+ +esta ocasião em diante 1oi Jue Ili.eira começou a apreciar o e2-colega. ,ra &agalhães um rapaz de agudo esp>rito, "oa o"ser.ação, con.ersador ameno, um pouco lido em o"ras 14teis e correntes. 8inha, al0m disso, o dom de ser naturalmente insinuante. *om estas prendas Huntas não era di1>cil, era antes 1ac>limo angariar as "oas graças de Ili.eira, Jue, N sua e2trema "ondade, reunia uma natural con1iança, ainda não diminu>da pelos c'lculos da .ida madura. +emais &agalhães tinha sido in1eliz7 esta circunst^ncia era aos olhos de Ili.eira um realce. Finalmente, o seu e2-colega H' lhe con1iara, no traHeto do escrit3rio ao hotel, Jue não conta.a um amigo de"ai2o do sol. Ili.eira Jueria ser esse amigo. Sual importa mais N .ida, ser +. Sui2ote ou %ancho PançaR o ideal ou o pr'ticoR a generosidade ou a prudGnciaR Ili.eira não hesita.a entre esses dois opostos pap0is7 nem seJuer pensara neles. ,sta.a no per>odo do coração. pertaram-se os laços da amizade entre os dois colegas. Ili.eira mudou-se para a cidade, o Jue deu azo a Jue os dois amigos se encontrassem mais .ezes. 1reJ_Gncia .eio a uni-los ainda mais. sua pala.ra Ili.eira apresentou &agalhães a todos os seus amigos7 le.ou-o N casa de alguns. a1iança.a o h3spede Jue, dentro em pouco tempo, capta.a as simpatias de todos. Misto era &agalhães superior a Ili.eira. Mão 1alta.a ao ad.ogado inteligGncia, nem maneiras, nem dom para se 1azer estimado. &as os dotes de &agalhães supera.am os dele. tinha seus longes de sarc'stico. Mão se magoa.a com isto Ili.eira, antes parecia ter certa gl3ria em .er Jue seu amigo o"tinha por seu m0rito a estima dos outros. Facilmente acreditar' o leitor Jue estes dois amigos se 1izessem con1identes de todas as coisas, principalmente de coisas de amores. Mada esconderam a este respeito um ao outro, com a di1erença de Jue &agalhães, não tendo amores atuais, con1iou ao amigo apenas algumas proezas antigas, ao passo Jue Ili.eira, a "raços com algumas a.enturas, não dissimulou nenhuma delas, e tudo contou a &agalhães. , 1oi "em Jue o 1izesse, porJue &agalhães era homem de "om conselho, da.a ao amigo pareceres sensatos, Jue ele ou.ia e aceita.a com grande pro.eito seu e para maior gl3ria da rec>proca amizade. con.ersa de &agalhães era mais picante, mais .ariada, mais atraente. 5' muito Juem pre1ira a amizade de um homem sarc'stico, e &agalhães ssis, identi1icando as caracter>sticas da

dedicação de &agalhães ainda se mani1esta.a por outro modo. Mão era raro .G-lo desempenhar um papel de conciliador, au2iliar uma inocente mentira, aHudar o amigo em todas as di1iculdades Jue o amor depara aos seus alunos. %%-%, &achado de. ist'rias ro%5nticas. /ac\son -nc. ,ditores, :;@C. .ol. :@. p. :A<-:AD.

8,!*,-! P !8, 9 I amor e a pai2ão
Por Jue 1alar do amorR Mão "asta amarR resposta 0 não. ,m JualJuer idade, o amor, a pai2ão entre duas pessoas 0 algo mara.ilhoso, mas Juanto mais conhecermos a estrutura desses sentimentos e das emoçLes Jue lhes são relacionadas, melhor poderemos .i.G-las, tanto na adolescGncia Juanto em outros momentos da .ida. ,stamos, portanto, escolhendo uma das pai2Les nnalegresK, discutidas no te@to so"re o deseHo, u%a #e6 Jue en1ocaremos somente a pai2ão amorosa e, ainda aJui, do ponto de .ista psicol3gico. Francesco l"eroni, soci3logo italiano contempor^neo, esta"elece algumas di1erenças entre a pai2ão e o amor, como .eremos a seguir. A &ai@ão pai2ão, segundo l"eroni, 0 uma re.elação, uma 1ulguração Jue trans1orma toda nossa .ida. a o ad.ento do e@traordinário Jue nos retira da tranJ_ilidade da .ida cotidiana, na Jual os laços a1eti.os se encontram H' consolidados, e nos atira num rodamoinho Jue trans1igura a Jualidade da .ida e da e2periGncia, le.ando-nos a alterar radical e pro1undamente nossas relaçLes com os outros e nossa postura 1rente ao mundo. pai2ão, ainda de acordo com a terminologia de l"eroni, 0 um Kestado nascenteK Jue pode le.ar uma ssim, pessoa a desco"rir outra ou a desco"rir ideais coleti.os Jue a 1açam ligar-se a um grupo ou mo.imento.

a pai2ão 0 um i%&ulso #ital Jue nos le.a a e2plorar todos os poss>.eis de nossa .ida, Jue nos 1az descobrir emoçLes intensas e ati.a nossa imaginação, tornando-nos mais criati.os e contri"uindo para Jue assumamos riscos. ,ntretanto, não nos apai2onamos em JualJuer momento da .ida. a preciso Jue esteHamos dispon>.eis, predispostos a nos apai2onar, dispostos a romper com o passado e a colocar em Juestão a nossa .ida, "uscando outras respostas. Por isso, nos apai2onamos com maior 1acilidade durante a adolescGncia. HA adolescGncia 0 o per>odo de passagem da in1^ncia e da 1am>lia in1antil para o mundo adulto em toda sua comple2idade. %e o estado nascente 0 um separar o Jue esta.a unido e unir o Jue esta.a separado, não h' nenhuma idade melhor Jue esta para Jue esse processo se desen.ol.a em sua plenitude. %eparar da 1am>lia, do mundo de .alores, das emoçLes, das crenças in1antis e unir a outras pessoas Jue podem ser amadas, e, tam"0m, a partidos, grupos, N pol>tica, N ciGncia. adolescGncia 0, por isso mesmo, a idade do cont>nuo morrer e renascer para outra coisa, do cont>nuo e2perimentar as 1ronteiras do poss>.el. Ma adolescGncia, portanto, .emos o eclodir de pai2Les r'pidas, um cont>nuo unir e separar, numa sucessão de re.elaçLes e desilusLes.K ( l"eroni.) pai2ão 0, ainda, e@clusi#ista. %eu o"Heto 0 um s3 e não pode ser su"stitu>do. dedicação. Mo entanto, pode ser unilateral( isto 0, pode não ser correspondida. pai2ão e2ige total

pai2ão cria, tam"0m, o te%&o e o es&aço %*ticos. +eterminadas datas, determinados lugares são considerados Ksagrados nn pelo par enamorado. %ão KseusK. ,stão ligados N origem da pai2ão e são comemorados seguidamente, tendo a 1unção de reati#ar os sentimentos. pai2ão caracteriza-se por ser ao %es%o te%&o necessidade de 1usão com o ser amado e necessidade de indi.iduação, por ser a procura do essencial para am"os, mesmo Jue os proHetos indi.iduais seHam di1erentes. pai2ão se alimenta da tensão criada pela diferença que se dese2a igualdade. +eseHamos a di1erença o mesmo tempo, por0m, tentamos do outro porJue 0 ela Jue nos atrai, por a"rir no.os horizontes de .ida. polimor1o. , 0 o pr3prio 1ato de o ser amado ser impre.is>.el Jue nos 1az sentir medo da perda e o ci4me. e2igir ren4ncias numerosas a 1im de tornar o parceiro um ser d3cil, in3cuo, domesticado. I outro aceita, renuncia a amizades, programas, .iagens, Ns .ezes, at0 N pro1issão. &uda seu comportamento e sua aparGncia para manter o amado 1eliz, trans1orma-se na imagem deseHada por ele, perde sua indi.idualidade, sua li"erdade de ser e de escolher. I parceiro, por sua .ez, se .G seguro, mas diante de uma pessoa Jue não mais o interessa, Jue não aponta mais para no.as possi"ilidades de .ida, Jue não tem mais a 1orça .ital pela Jual se apai2onou. ,ste 0 o 1im da pai2ão e o começo da desilusão e do rancor, isto 0, o momen to em Jue a pai2ão alegre degenera em pai2ão triste. / a%or `s .ezes, em continuação N pai2ão, outras, nascendo sem ela, temos o amor. I amor 0 um sentimento de tranJ_ilidade, de ternura, de reconhecimento das "oas Jualidades do outro e de aceitação de seus de1eitos. +ura mais Jue a pai2ão porJue se encai2a e se desen.ol.e 1ora das situaçLes e2traordin'rias, dentro dos limites da .ida cotidiana. &assage% da pai2ão para o amor 0 1eita atra.0s de pro.as, algumas cruciais, Ns Juais nos su"metemos e su"metemos o outro. %e as pro.as 1orem superadas, a pai2ão .ai se re.estindo de certeza e o amor passa a preencher os espaços da .ida cotidiana, durante a Jual nos preocupamos com o outro, assumimos certas tare1as para o seu "em-estar, dedicamo-nos N realização de proHetos comuns. pro.a N Jual nos su"metemos 0 a &ro#a da #erdade: Jueremos sa"er se estamos mesmo apai2onados, ou se podemos nos distanciar e dar a pai2ão por encerrada. a a pr3pria 1orça dos nossos sentimentos Jue nos impele a resistir, a crer Jue nos enganamos, Jue estaremos "em sem o outro. /' nos ine"riamos, agora Jueremos paz. #asta, entretanto, pouco tempo de separação para Jue sintamos o renascer da pai2ão, do encantamento, da necessidade e do deseHo de estar com o outro. Meste caso, a pro.a 1oi superada. pro.a Jue diz respeito ao outro 0 a &ro#a da reci&rocidade. o mesmo tempo Jue reorganizamos toda a nossa .ida ao redor do ser amado, deseHamos Jue ele tam"0m esteHa disposto a se reorganizar, 1azendo de n3s o centro de todos os seus interesses. Is dois lados 1azem ren4ncias em nome de um proHeto comum. m"os modi1icam seus planos e aceitam entrar no proHeto do outro. 5', contudo, casos em Jue não podemos renunciar Juele Jue 1or o mais inseguro do casal começa a colocar limites cada .ez mais estreitos como pro.as de amor, a

limitar essa di1erença, para nos sentirmos seguros. I ser amado 0 sempre 1orça .ital li.re, impre.is>.el e

a parte de nosso proHeto, sem renunciar, tam"0m, NJuilo Jue somos, ao pr3prio sentido de nossas .idas e do amor. ,sses são os pontos de não-retorno, o n3 Jue o outro de.e aceitar, tomar como seu, inserir no seu proHeto, a"rindo espaço para o nosso eu real. %uperadas essas pro.as, chegamos N tranJ_ilidade do amor compartilhado. -sso não Juer dizer, entretanto, Jue ele .' durar a .ida inteira. +e.emos sempre nos lem"rar de Jue o amor 0 uma relação Jue precisa ser cuidada para não cair no ressentimento, na co"rança por todas as ren4ncias 1eitas. a um cont>nuo re1azer de proHetos Jue se adaptem a cada mudança de curso de JualJuer um dos parceiros e a cada 0poca da .ida a dois, pois o eJui l>"rio entre a indi.idualidade de cada um, sua necessidade de realização e as e2igGncias do proHeto comum 0 e2tremamente 1r'gil. ,e,!*Q*-I% :. Le.ante as caracter>sticas da pai2ão, no te2to. C. Le.ante as caracter>sticas do amor, no te2to. @. #aseando-se nas caracter>sticas le.antadas nesse te2to e no te2to so"re a amizade (segunda parte), responda: a) ") amizade pode ser con1undida com a pai2ãoR Por JuGR amizade 0 um dos elementos constituti.os do amorR Por JuGR

D. Leia o te2to complementar KIs 3culos escurosK, de !oland #arthes, e responda: a) Sual 1oi o tema a"ordado pelo autorR ") I Jue signi1icam os K3culos escurosKR c) ,2pliJue o par'gra1o ? do te2to de #arthes, usando os conceitos de linguagem e pensamento Jue 1oram desen.ol.idos no *ap>tulo @. ?. Faça uma dissertação so"re o tema Ka poss>.el ha.er amizade entre se2os opostosRK %,&-MW!-I Faça um semin'rio com o seguinte tema: Os ti(os de amor !umano L,-8P! *I&PL,&,M8 ! "Ami6ade e enamoramento% Parece-me oportuno começar logo essa an'lise, para entrar no ^mago do pro"lema. , eu o 1aria comparando a amizade a uma 1orma de amor com a Jual, na maioria das .ezes, 0 con1undida: o enamoramento. +eso"struiremos o campo, mostrando Jue são dois 1en)menos muit>ssimo di1erentes, at0 mesmo opostos. I enamoramento 0 um 1ato, um acontecimento Jue tem um in>cio de1inido. ,m sua origem h' o estado nascente, uma 1ulguração, uma re.elação. amizade, por0m, não se materializa com uma re.elação 4nica inicial, mas com uma s0rie de encontros e de apro1undamentos sucessi.os. Iutra di1erença entre enamoramento e amizade 0 Jue não e2iste um enamoramento .erdadeiro e um menos .erdadeiro. Mão h' graus de enamoramento: muit>ssimo, multo, "astante, um pouco. Suando digo Kestou enamoradoK, digo tudo. I enamoramento segue a

lei do tudo ou nada. m'2imo de per1eição.

amizade, no entanto, tem muitas 1ormas e muitos graus: .ai desde um m>nimo at0 um amizade pode ser peJuena, apenas um mo.imento da alma, ou então grande, grand>ssiamizade, por0m, .ai na direção do mais. Suando 1alamos de

ma. I enamoramento 0 per1eito desde o in>cio.

amizade temos tam"0m sempre em mente um ideal, uma utopia. Prossigamos com a nossa an'lise. I enamoramento 0 uma pai2ão. ,m alemão, pai2ão 0 :eidenschaft. :eiden é o so1rimento. Ma pai2ão, de 1ato, tam"0m h' sempre um so1rer. I enamoramento 0 G2tase, mas tam"0m tormento. amizade, por0m, tem horror ao so1rimento. Suando pode, e.ita-o. Is amigos procuram-se para se sentirem "em Huntos. %e não conseguem, tendem a a1astar-se, a p)r um pouco de dist^ncia entre eles. Iutra di1erença 1undamental 0 Jue posso enamorar-me de algu0m e não ser correspondido. Mem por isso dei2o de estar enamorado. I enamoramento nasce sem reciprocidade e .ai em "usca dela. amizade, no entanto, reJuer sempre, acho eu, uma reciprocidade JualJuer. Mão 1ico sendo amigo de algu0m Jue não seHa meu amigo. Mo enamoramento 0 sempre terr>.el dei2ar Juem amamos. Para li.rar-me de um enamoramento não correspondido, preciso e2ercer uma .iolGncia so"re mim mesmo, odiar o outro. &as o 3dio pelo amado 0, por sua .ez, um so1rimento, o mais atroz dos so1rimentos. Ma amizade, por0m, não h' espaço para o 3dio. %e odeio um amigo, H' não sou seu amigo, a amizade terminou. (...) L#,!IM-, Francesco. O+ -cu)o+ e+curo+ Es"onder. Figura deli"erati.a: o suHeito apai2onado se pergunta, não se de.e declarar ao ser amado Jue o ama (não 0 uma 1igura de con1issão), mas at0 Jue ponto de.e esconder dele suas nKpertur"açLesK (as tur"ulGncias) da sua pai2ão: seus deseHos, suas a1liçLes, en1im, seus e2cessos (na linguagem raciniana: seu furor?. (...) @. -mpor a m'scara da discrição mda impassi"ilidade) N minha pai2ão: eis a> um .alor propriamente her3ico7 Ka indigno das grandes aYmas espalhar ao seu redor a pertur"ação Jue sentemK (*lotilde de Vau2)7 o capitão Paz, her3i de #alzac, in.enta para si mesmo uma amante 1alsa, para ter certeza de esconder hermeticamente da mulher do seu melhor amigo Jue morre de amor por ela. ,ntretanto, esconder totalmente uma pai2ão (ou mesmo simplesmente seu e2cesso) não 0 con.eniente: não porJue a pessoa humana seHa muito 1raca, mas porJue a pai2ão 0, por essGncia, 1eita para ser .ista: 0 preciso Jue se .eHa o esconder: saiba que estou lhe escondendo algu%a coisa( esse 0 o parado2o ati.o Jue tenho Jue resol.er: 0 preciso ao %es%o te%&o Jue isso se sai"a e Jue não se sai"a: Jue se sai"a Jue eu não Juero mostr'-lo: eis a mensagem Jue diriHo ao outro. :ar#atus &rodeo: a.anço mostrando minha m'scara com o dedo: ponho uma m'scara so"re a minha pai2ão, mas designo essa m'scara com um dedo discreto (e insinuante). 8oda pai2ão tem 1inalmente seu espectador: na hora de morrer, o capitão Paz não pode se impedir de escre.er N mulher Jue ele amou em silGncio: não e2iste o"lação amorosa sem teatro 1inal: o signo 0 sempre .encedor. D. -maginemos Jue eu tenha chorado, por causa de algum incidente do Jual o outro nem mesmo se deu conta (chorar 1az parte da ati.idade normal do corpo apai2onado), e Jue, &ara que não se #e2a( ponho 3culos a%i6ade. !io de /aneiro, !occo, :;C;. p. :A-::.

escuros nos meus olhos em"açados ("elo e2emplo de denegação: escurecer a .ista para não ser .isto). intenção do gesto 0 calculada: Juero guardar o "ene1>cio moral do estoicismo, da KdignidadeK (me tomo por *lotilde de Vau2), e ao mesmo tempo, contraditoriamente pro.ocar a doce &ergunta (K&as o Jue 0 Jue #oc> te%7H?A Juero ser ao mesmo tempo lament'.el e admir'.el, Juero ser no mesmo instante criança e adulto. gindo desse modo, Hogo, arrisco: pois 0 sempre poss>.el Jue o outro não pergunte nada so"re esses 3culos inusitados, e Jue, na .erdade, não .eHa neles nenhum signo. ?. Para 1azer compreender ligeiramente Jue so1ro, para esconder sem mentir, .ou utilizar uma h'"il preterição: .ou di.idir a economia dos meus signos. Is signos .er"ais 1icarão encarregados de caiar, de mascarar, de tapear: não demonstrarei nunca, .er"almente, os e2cessos do meu sentimento. Mada tendo dito so"re os estragos dessa ang4stia, poderei sempre, Juando ela ti.er passado, ter certeza de Jue ningu0m ter' sa"ido dela. Força da linguagem: com minha linguagem posso 1azer tudo: at0 e principalmente não di6er nada. Posso 1azer tudo com minha linguagem, %as não co% %eu cor&o. I Jue escondo pela linguagem, meu corpo o diz. Posso modelar N .ontade minha linguagem, não minha .oz. Mão importa o Jue diga minha .oz, o outro reconhecer' Jue Keu tenho JualJuer coisaK. %ou mentiroso (por preterição), não comediante. &eu corpo 0 uma criança ca"eçuda, minha linguagem 0 um adulto muito ci.ilizado... # !85,%, !oland. !rag%entos de u% discurso a%oroso. !io de /aneiro, Francisco l.es, +BC+. p. C;;A.

Pnidade -V
Po)7tica

CAPÍTULO 1! / que é &ol*tica
3% é&oca de eleiç4es é %uito co%u% ou#ir frases co%o estas: 9 +ão dou &al&ite &orque não entendo nada de &ol*tica. +e% quero entender... 9 Acho que o fato de u% candidato &ertencer a u% &artido ou a outro não te% a %enor i%&ort5nciaA &or isso escolho que% considero ser a %elhor &essoa. 0 +ão tenho gosto e% #otar. /s &ol*ticos se%&re di6e% as %es%as coisas. Pro%ete% e não cu%&re%. 9uere% é se arran2ar na #ida( isso si%8 0 9ual é a função do de&utado7 +ão sei... 9 3scolhi este candidato &orque lhe de#o alguns fa#ores &essoais. Alé% disso( ele &ro%eteu colocar %inha ir%ã no ser#iço &Qblico. ,ssas 1rases indicam alguns posicionamentos a respeito do 1ato pol>tico.

Suando as pessoas identi1icam pol>tica com politicagem, podem estar e2pressando o desalento a prop3sito da ação dos homens p4"licos7 ou então re1orçam a postura interesseira do eleitor Jue sempre espera tirar pro.eito pessoal da escolha do candidato. lguns tGm uma .isão imo"ilista, considerando Jue as mudanças, mesmo Juando e2istem, não alteram intrinsecamente o mundo humano (sempre e2istiram ricos e po"res...). Iutros assumem posição naturalista e determinista ao admitirem Jue os 1atos acontecem independentemente da .ontade dos homens. Iu, ao contr'rio, acomodam-se no paternalismo segundo o Jual apenas pessoas especiais, Kos grandes homensK, teriam capacidade de mando e decisão. n3s, Khomens comunsK, restaria o"edecer sem discutir. *om 1reJ_Gncia as pessoas não resistem ao indi.idualismo Jue reduz a comple2idade das relaçLes humanas N es1era dos neg3cios e da .ida 1amiliar, "astando ao "om cidadão o cumprimento das o"rigaçLes particulares. (%er' Jue o mundo não .ai al0m do meu HardimR) ,m"ora as 1rases do in>cio e2pressem di1erentes posiçLes pessoais, elas tGm algo em comum, ou seHa, são indicati.as de desin1ormação. $eralmente não se sa"e o Jue 0 pol>tica, Jual o papel do homem dedicado N pol>tica, e em Jue medida o cidadão comum tam"0m 0 pol>tico. 8al.ez nem se suspeite de Jue todos n3s estamos en.ol.idos totalmente na pol>tica, mesmo sem Juerer ou sem sa"er disso. !orça e &oder ,m sentido "em amplo, todos n3s temos poderes: poder de produzir, de consumir, de criar, de punir, de comandar7 poder de seduzir, de agraciar... I menos poderoso dos indi.>duos de.e ter poderes, mesmo Jue secretos6 li's, Freud perce"eu com muita arg4cia Jue certos doentes Kinde1esosK manipulam pessoas, mantendo-as na sua dependGncia. Mo entanto, para Jue algu0m e2erça de 1ato poder, 0 preciso Jue possua força. *on.0m lem"rar Jue o conceito de 1orça não precisa estar necessariamente ligado ao de coerção ou .iolGncia, assim como o conceito de poder não signi1ica e2clusi.amente dominação ou constrangimento. &as a1inal, o Jue é o poderR a a capacidade ou a possi"ilidade de agir, de produzir e1eitos (so"re indi.>duos ou grupos humanos). Portanto, o poder não 0 um ser( mas uma relação. &ais ainda, 0 um con2unto de relaç4es( por meio das Juais indi.>duos ou grupos inter1erem na ati.idade de outros indi.>duos ou grupos. Preciso de 1orça 1>sica para poder carregar um pacote pesado. %e amo algu0m, sou mo"ilizado pela 1orça do seu charme, portanto o amado e2erce um poder de atração so"re o amante. Mas sociedades democr'ticas os partidos tGm poder e 1orça Juando demonstram ser 1ormas atuantes de mo"ilização social e de inter1erGncia em outros centros de poder. s pessoas interagem por meio de 1orças criati.as Jue atuam e mo.imentam as relaçLes humanas. "ordamos aJui trGs tipos de uso positi.o de 1orça7 a 1>sica, a ps>Juica e a moral. 8rata-se portanto de energias Jue nos possi"ilitam .i.er melhor e en1rentar as di1iculdades da .ida. , isto 0 positi.o, din^mico e .ital. %e o con1ronto de 1orças em si não 0 um mal, de.eria ser normal as pessoas tolerarem as di.ergGncias, con.i.erem com as di1erenças, aprenderem a tra"alhar os con1litos. &as sa"emos Jue, na maior parte das situaçLes, as 1orças não estão eJuili"radas. o contr'rio, a 1orça 1>sica com 1reJ_Gncia se trans1orma em mera

coerção 9 e portanto em .iolGncia 9 toda .ez Jue .isa o constrangimento de indi.>duos ou grupos o"rigados a agir con1orme uma .ontade e2terior ou impedidos de agir de acordo com sua pr3pria intenção. s 1orças ps>Juicas e morais se con.ertem em persuasão per.ersa Juando, por meio da ideologia, grupos dominados são le.ados a pensar, sentir e Juerer o Jue interessa ao grupo dominante, a 1im de serem mantidos pri.il0gios. !etomando o e2emplo dos amantes: o medo da perda, o ci4me, o deseHo de controle degeneram o poder e a 1orça origin'rios da atração amorosa e trans1ormam a relação inicialmente .olunt'ria em o"rigação e constrangimento. +a mesma 1orma, em todos os segmentos da .ida comunit'ria, o inde.ido e2erc>cio do poder e da 1orça instaura relaçLes hier'rJuicas e esta"elece a dominação. *onsideremos agora os conceitos de 1orça e poder no dom>nio estrito da pol>tica. / que é &ol*tica &ol*tica é a ati.idade Jue diz respeito N .ida p4"lica. ,timologicamente, &olis( em grego, signi1ica KcidadeK. pol>tica 0 portanto a arte de go.ernar, de gerir os destinos da cidade. I ho%e% &ol*tico é aJuele Jue atua na .ida p4"lica e 0 in.estido de poder para imprimir determinado rumo N sociedade, tendo em .ista o interesse comum. ação pol>tica não 0 e2clusi.idade de alguns seres especiais. *ada indi.>duo, enJuanto cidadão (1ilho da cidade), de.eria ter espaços de participação e1eti.a Jue em a"soluto não se restringem apenas ao e2erc>cio do .oto6 ,ste 0 apenas u% dos instrumentos da cidadania na sociedade democr'tica. Portanto, todos n3s temos uma dimensão pol>tica Jue precisa ser atuante. ,m"ora não se con1unda com as ati.idades comuns do homem (na 1am>lia, tra"alho, lazer etc.?( a pol>tica de certa 1orma permeia todas as ati.idades humanas o te%&o todo. -nter1ere na .ida de cada um de m4ltiplas maneiras: na regulamentação legal das açLes dos cidadãos, H' Jue as leis são 1eitas pelos representantes escolhidos pelo po.o7 na gestão dos assuntos relati.os N educação, sa4de, a"astecimento, transportes7 nos aparelhos repressi.os como tri"unais, pol>cia, prisLes. a imposs>.el pensar em um setor seJuer onde, de uma 1orma ou de outra, em maior ou menor grau, a in1luGncia da pol>tica não se e2erça na .ida de cada um.

Por e2emplo, nas esJuinas mo.imentadas das grandes cidades costumamos .er .endedores de "alas, limLes, panos de p3. Ma maioria das .ezes são crianças. primeira impressão 0 de Jue certas pessoas escolhem de li.re e espont^nea .ontade esse tipo de ser.iço, mas a an'lise cuidadosa re.ela a realidade cruel do

desemprego e conseJ_entemente de 1ormas marginais de so"re.i.Gncia, como o su"emprego. +iante das ta2as de escolarização, 1icamos sa"endo Jue pelo menos um terço das nossas crianças em idade escolar se encontra 1ora da escola. Mão 0 poss>.el analisar tal situação como simples decorrGncia da .ontade de cada um: as crianças não 1reJ_entam escola e estão soltas na rua não por .ontade pr3pria, nem porJue seus pais são relapsos. mesmo tempo Jue se situa entre os oito ou dez pa>ses mais ricos do mundo6 a por estas situaçLes e muitas outras Jue ningu0m pode se considerar apol>tico, so" pena de a pretensa neutralidade Husti1icar a pol>tica .igente. I homem despolitizado compreende mal o mundo em Jue .i.e e 0 1acilmente mano"rado por aJueles Jue detGm o poder. Pol*tica: teoria e &rática ,m todos os tempos e lugares, nas mais di.ersas situaçLes, sempre hou.e homens dominando homens: homens lutando pela conJuista e manutenção do poder e homens lutando contra a opressão. a ine.it'.el Jue perguntemos: a1inal, o Jue Husti1ica o poderR Juando 0 leg>timoR Juais os seus 1undamentos e limitesR Iu ainda: como conJuistar o poder e como mantG-loR como tratar aJueles Jue se su"metem ao poderR Iu ainda: por Jue tantos se su"metem a tão poucosR o tentar responder a JuestLes como essas, homens de todos os tempos ela"oraram teorias as mais di.ersas, "uscando e2plicaçLes ora nos mitos e nas religiLes, ora em tentati.as predominantemente racionais. ,m JualJuer caso, as teorias pol>ticas são a e2pressão do mundo em Jue .i.emos. , não são apenas teorias, pois sempre trazem um con.ite N ação: h para manter e Husti1icar o status quoA h ou para le.ar N trans1ormação da sociedade, seHa pela utopia, pela re1orma ou pela re.olução. Por isso 0 importante estudar os cl'ssicos, para e2aminar como eles perce"eram os pro"lemas do seu tempo. %em d4.ida isso nos au2iliar' na interpretação do presente. Mos cap>tulos desta Pnidade, optamos por a"ordar as JuestLes re1erentes N so"erania. so"erania consiste no poder de mando de 4ltima inst^ncia, ou seHa, o poder supremo. Suando perguntamos Jual o lugar ocupado pelo poder, constatamos a di.ersidade das respostas dadas, assim como são di1erentes as Husti1icati.as de todo tipo de poder, inclusi.e o desp3tico. partir da -dade &oderna, o ,stado surgiu como o 4nico representante supremo do poder e do uso leg>timo da 1orça. *om as teorias contratualistas nos s0culos eV-- e eV--- são discutidas a origem e a legitimidade do poder, e essa 1ecunda re1le2ão acentua a tendGncia de deslocamento da so"erania do ,2ecuti.o para o Legislati.o (como na concepção de Loc\e), de 1orma a .alorizar o poder Jue os cidadãos depositam nas mãos de seus representantes. direta de !ousseau. 8ais JuestLes ainda hoHe são atuais, estando presentes nas discussLes, pelas correntes li"erais, so"re a não-inter.enção do ,stado em 'reas Jue antes eram de sua competGncia. I mesmo ocorre nos pa>ses do Leste europeu Jue, a partir do 1im da d0cada de CA, começaram a reagir N e2cessi.a centralização do poder estatal. teoria da so"erania popular atinge o seu auge na concepção de democracia ntes, 0 preciso tentar entender por Jue o #rasil tem um dos >ndices mais .ergonhosos de distri"uição de renda, ao

,m meio a tais discussLes, continuam a surgir propostas Jue .isam maior participação pol>tica, com ampliação dos espaços poss>.eis de e2pressão da cidadania ati.a, em "usca de um tipo de e2erc>cio de poder Jue permita a instauração de uma sociedade sem pri.il0gios. +!IP,% I #rasil 0 considerado a Cc potGncia econ)mica do mundo ocidental e nesses termos se apro2ima dos pa>ses industrializados da ,uropa. Por outro lado, os indicadores sociais o apro2imam dos pa>ses menos desen.ol.idos do mundo a1ro-asi'tico: con1orme os dados comparati.os do #anco &undial (re1erentes a :;C?), o #rasil enca"eça a lista dos cinco pa>ses de %ais alta ta@a de concentração de renda. ,m termos num0ricos, essa potGncia econ)mica tem cerca de E?p da população K.i.endoK numa 1ai2a Jue se estende da mais a"soluta mis0ria a um n>.el de estrita po"reza. /' os :Ap mais ricos tGm acesso a Juase ?Ap da renda da população (sendo Jue apenas ?p dos mais ricos detGm @@p). (50lio /aguari"e.) /bser#ação: ,ste te2to do 50lio /aguari"e 0 de :;CE7 nas estat>sticas mais recentes o #rasil ocupa a posição de ::c potGncia mundial. E)ER%*%IOS :. Faça o 1ichamento do cap>tulo e le.ante as d4.idas. <. m' pol>tica (a KpoliticagemK) se caracteriza pela inde.ida con1usão entre o espaço p4"lico e o pri.ado. ,2pliJue. Para e2empli1icar, consulte Hornais e re.istas. @. *onsiderando os espaços poss>.eis de atuação pol>tica do cidadão comum (como 1am>lia, escola, tra"alho, "airro, cidade), escolha um destes espaços para discutir so"re as 1ormas poss>.eis do e2erc>cio do poder. D. Leia o te2to complementar de #o""io (te2to :) e e2pliJue: a) passi.idade do cidadão s3 interessa ao d0spota. ") 5' Juem pense Jue certos po.os não estão Kpreparados para a democraciaK e por isso precisam de tutela at0 chegarem N maioridade pol>tica. %ão pessoas assim Jue tam"0m consideram Jue Ko po.o "rasileiro ainda não sa"e .otarK. *omo poder>amos criticar essa maneira de pensarR ?. Leia o te2to complementar de ]e11ort (te2to <) e e2pliJue: a) I poder não 0 uma coisa, mas uma relação. ") Sual 0 a di1erença entre poder constitu>do e poder constituinteR *om Jual desses poderes se identi1ica a democracia e por JuGR E. 8endo em .ista o te2to complementar de %\inner (te2to @), responda: a) Sual 0 a posição do autor Juanto N Juestão da participação pol>ticaR ,m Jue essa posição 0 di1erente da Jue 1oi desen.ol.ida no cap>tuloR ") Sual 0 a comparação Jue %\inner 1az entre o Kespecialista em autom3.elK e o cidadão Jue participa da ati.idade pol>ticaR *omo poder>amos criticar essa comparação, tendo em .ista o car'ter espec>1ico da cidadaniaR B. *ompare os te2tos de #o""io e %\inner, indicando as di1erenças entre eles. SEMINDRIO

+i.ida a classe em grupos e encarregue cada u% deles de pesJuisar a respeito de um partido pol>tico. LEITURA %OMPLEMENTAR O cidadão não-educado (...) Mos dois 4ltimos s0culos, nos discursos apolog0ticos so"re a democracia, Hamais este.e ausente o argumento segundo o Jual o 4nico modo de 1azer com Jue um s4dito trans1orme-se em cidadão 0 o de lhe atri"uir aJueles direitos Jue os escritores de direito p4"lico do s0culo passado tinham chamado de acti#ae ci#itatisKA com isso, a educação para a democracia surgiria no pr3prio e2erc>cio da pr'tica democr'tica. *oncomitantemente, não antes: não antes como prescre.e o modelo Haco"ino, segundo o Jual primeiro .em a ditadura re.olucion'ria e apenas depois, num segundo tempo, o reino da .irtude. Mão, para o "om democrata, o reino da .irtude (Jue para &ontesJuieu constitu>a o princ>pio da democracia contraposto ao medo, princ>pio do despotismo) 0 a pr3pria democracia, Jue, entendendo a .irtude como amor pela coisa p4"lica, dela não pode pri.ar-se e ao mesmo tempo a promo.e, a alimenta e re1orça. V% dos trechos mais e2emplares a este respeito 0 o Jue se encontra no cap>tulo so"re a melhor 1orma de go.erno das Consideraç4es sobre o go#erno re&resentati#o de /ohn %tuart &ill, na passagem em Jue ele di.ide os cidadãos em ati.os e passi.os e esclarece Jue, em geral, os go.ernantes pre1erem os segundos (pois 0 mais 1'cil dominar s4ditos d3ceis ou indi1erentes), mas a democracia necessita dos primeiros. %e de.essem pre.alecer os cidadãos passi.os, ele conclui, os go.ernantes aca"ariam prazerosamente por trans1ormar seus s4ditos num "ando de o.elhas dedicadas tão-somente a pastar o capim uma ao lado da outra me a não reclamar, acrescento eu, nem mesmo Juando o capim 0 escasso). -sto o le.a.a a propor a e2tensão do su1r'gio Ns classes populares, com "ase no argumento de Jue um dos rem0dios contra a tirania das maiorias encontra-se e2atamente na promoção da participação eleitoral não s3 das classes acomodadas (Jue constituem sempre uma minoria e tendem naturalmente a assegurar os pr3prios interesses e2clusi.os), mas tam"0m das classes populares. %tuart &ill dizia: a participação eleitoral tem um grande .alor educati.o7 0 atra.0s da discussão pol>tica Jue o oper'rio, cuHo tra"alho 0 repetiti.o e concentrado no horizonte limitado da 1'"rica, consegue compreender a cone2ão e2istente entre e.entos distantes e o seu interesse pessoal e esta"elecer relaçLes com cidadãos di.ersos daJueles com os Juais mant0m relaçLes cotidianas, tornando-se assim mem"ro consciente de uma comunidade. j ,m latim no original: cidadania ati.a, direitos do cidadão. (M. do T.? #I##-I, Mor"erto. / futuro da de%ocracia. !io de /aneiro, Paz e 8erra, :;CE. p. @:-@<.

M/ &oder de%ocráticoL !egra geral, estamos preparados para perce"er o sentido da pol>tica antes na .iolGncia do Jue no di'logo, antes na coerção do Jue na li"erdade. , Juanto ao poder, se algu0m nos pergunta o Jue 0 isso, as primeiras imagens Jue nos ocorrem são so"re os aparatos de poder. %ão so"re o poder como coisa. %eria casual na tradição pol>tica "rasileira a re1erGncia tão constante nos discursos o1iciais aos Kpoderes constitu>dosKR a Jue

a tradição 9 conser.adora e autorit'ria 9 1az de tudo para o"scurecer a dimensão essencialmente constituinte da noção de poder, ou seHa, o poder como algo Jue se cria, como associação li.re de .ontades. Para a tradição 0 mais 1'cil perce"er, por e2emplo, o poder de um "urocrata Jue apenas implementa decisLes de outros, do Jue o poder de uma proposta pol>tica Jue mo"iliza enormes Juantidades de pessoas para chegar a determinadas decisLes. Perce"e melhor o poder morto do KaparelhoK, da Km'JuinaK, do Jue o poder .i.o, potencialmente trans1ormador, das relaçLes pol>ticas reais. Mo limite, .G no poder a capacidade da repressão muito mais do Jue a da li"ertação. ],FFI!8, Francisco *. Por que de%ocracia7 %ão Paulo, #rasiliense, :;CD. p. @?. Wa)den / &sic'logo a%ericano 1Oinner é autor de inQ%eros ensaios onde desen#ol#e de for%a original a teoria co%&orta%entalista. 1uas idéias ta%bé% se encontra% no ro%ance ]alden ::, uma sociedade do 1uturo, onde descre#e a uto&ia de u%a co%unidade e% que as &essoas #i#e% de acordo co% os &adr4es cient*ficos da Hengenharia co%&orta%entalH. +o Ca&*tulo ] -A liberdade? consta outro trecho da referida obra. Ue2a%os aqui algu%as de suas consideraç4es sobre &ol*tica: !ogers tinha encontrado em uma "i"lioteca uma c3pia do .elho artigo de Frazier e o leu para n3s. Mele esta.a e2posta a tese Jue !ogers ha.ia esJuematizado trGs dias antes. ação pol>tica era in4til na construção de um mundo melhor e os homens interessados nisso 1ariam melhor .oltando-se para outros meios tão logo Juanto poss>.el. SualJuer grupo poder' ter auto-su1iciGncia econ)mica se contar com os recursos da tecnologia moderna e os pro"lemas psicol3gicos da .ida grupai poderão ser resol.idos pela aplicação dos princ>pios da Kengenharia comportamentalK. (...) 9 M3s nos metemos em pol>tica para 1ins pr'ticos imediatos. 8odos n3s .otamos, mas não nos interessamos todos por isso. 8emos um dministrador Pol>tico Jue se in1orma das Jualidades dos candidatos Ns eleiçLes locais e estaduais. *om a aHuda dos PlaneHadores, ele planeHa o Jue chamamos de Kc0dula ]aldenK e .amos todos Ns urnas e .otamos nela sem alteração. 9 maioria dos mem"ros .ota como lhes 1oi ditoR 9 , por Jue nãoR VocG pensa Jue eles seriam tão tolos a ponto de .otar metade de um Heito e metade de outroR Messe caso, poder>amos 1icar em casa. Lem"rem-se de Jue nossos interesses são semelhantes e Jue nosso dministrador Pol>tico est' na melhor posição poss>.el para nos dizer Jual candidato agir' dentro desses interesses. Por Jue 0 Jue os nossos mem"ros teriam de perder tempo 9 e isso toma tempo 9 para se in1ormarem so"re assunto tão comple2oR (...) Lem"ro-me de Juando todo mundo podia 1alar so"re princ>pios mec^nicos segundo os Juais o seu autom3.el anda.a ou não conseguia andar. 8odo mundo era um especialista em carro e sa"ia como polir o platinado de um magneto e tirar a trepidação das rodas dianteiras. %ugerir Jue esses assuntos 1ossem dei2ados a especialistas teria sido denunciado como 1ascismo se o termo H' ti.esse sido in.entado. &as hoHe, ningu0m sa"e como 1unciona o carro e não .eHo Jue seHam menos 1elizes por isso. ,m ]alden ::, ningu0m se preocupa Juanto ao go.erno, e2ceto os poucos a Juem essa preocupação 1oi atri"u>da. %ugerir Jue todo o mundo tome

interesse pareceria tão 1ant'stico Juanto sugerir Jue todos se 1amiliarizassem com as nossas m'Juinas diesel. ,stou mesmo certo de Jue raramente algu0m pensa nos direitos constitucionais dos mem"ros. eleitorado se le.antarK. %[-MM,!, #urrhus F. Nalden ..( u%a sociedade do 1uturo. %ão Paulo, ,PP, :;B?. p. :?, :;;-<AA e <EE. 4nica coisa Jue importa 0 a 1elicidade do dia-a-dia e a segurança 1utura. SualJuer in1ração ali, sem d4.ida, K1aria o

CAPÍTULO 18 A de%ocracia
H/ "rasil é u%a de%ocracia7H $iante desta &ergunta( tal#e6 qualquer &essoa res&onda( se% %uito esforço( afir%ati#a%ente. Afinal( na década de YE co%eça%os a sair da ditadura %ilitar( &artici&a%os da ca%&anha das H$iretas-2áH( a&'s #inte anos de 2e2u% c*#ico escolhe%os u% &residente ci#il &elo #oto direto( li#re e uni#ersal. / "rasil é u%a de%ocracia &orque( alé% das eleiç4es li#res( há liberdade de i%&rensa -não há %ais censura?( há igualdade racial( liberdade de &ensa%ento etc. )as algué% &oderia ob2etar: e os altos *ndices de %iserabilidade do &o#o brasileiro7 1eria real%ente de%ocrático u% &a*s que está entre os cinco co% &ior distribuição de renda no %undo7 3 será que( de fato( e@iste igualdade se@ual e racial7 á iguais o&ortunidades de trabalho7 Alé% disso( o atendi%ento de saQde( educação e habilitação te% sido estendido de for%a ho%og>nea a todos os seg%entos sociais7 +ão há co%o negar essa contradição. $e fato( o "rasil é e não 0 u%a de%ocracia. Co%o é &oss*#el7 < o que #ere%os a seguir. +emocracia: 1ormal e su"stancial I ideal de uma sociedade .erdadeiramente democr'tica 0 Jue ela seHa uma democracia 1ormal e substancial. ,m"ora haHa .ariaçLes nos graus de apro2imação desse ideal, sa"emos Jue pelo menos at0 agora nenhuma nação preencheu totalmente tais reJuisitos, o Jue não nos impede de ela"orarmos proHetos a serem perseguidos na construção de um mundo melhor. I aspecto for%al da democracia consiste no conHunto das instituiçLes caracter>sticas deste regime: o .oto secreto e uni.ersal, a autonomia dos poderes, pluripartidarismo, representati.idade, ordem Hur>dica constitu>da, li"erdade de pensamento e e2pressão e assim por diante. 8rata-se propriamente das Kregras do HogoK democr'tico, do esta"elecimento dos %eios pelos Juais a democracia se e2erce. democracia substancial diz respeito não aos meios, mas aos fins Jue são alcançados, aos resultados do processo. +entre estes .alores se destaca a e1eti.a 9 e não apenas ideal 9 igualdade Hur>dica, social e econ)mica. Portanto, a democracia su"stancial diz respeito aos conte4dos alcançados de 1ato. +entre os mais di.ersos pa>ses constatamos Jue em alguns pode ha.er democracia 1ormal, sem Jue se tenha conseguido cumprir as promessas da democracia su"stancial, enJuanto em outros pode ha.er democracia

su"stancial implantada sem recurso ao e2erc>cio democr'tico do poder. a o caso das democracias &ara o &o#o( mas não &elo &o#o. A 1im de melhor compreender tais contradiçLes, .amos e2aminar Juatro campos poss>.eis do e2erc>cio democr'tico: econ)mico, social, Hur>dico e pol>tico. a) Demo"ra"ia e"onEmi"a6 h' democracia econ)mica Juando e2iste Husta distri"uição de renda, iguais oportunidades de tra"alho, contratos li.res, sindicatos 1ortes. 8ais aspectos 1ormais podem le.ar ou não N e1eti.a democracia su"stancial. %a"emos Jue a li.re concorrGncia, sem os de.idos cuidados para ser mantido o interesse coleti.o, pode pro.ocar conseJ_Gncias danosas para a maioria da população. Por outro lado, tam"0m o controle total 1eito pelo ,stado 0 paternalista e pode le.ar a distorçLes, co%o ocorreu nas sociedades socialistas do Leste europeu, onde os "ens de produção 1oram apropriados pelo ,stado. ") Demo"ra"ia so"ial6 em"ora as pessoas seHam di1erentes e participem de grupos di.ersos, ningu0m pode ser discriminado, e todos de.em ter possi"ilidade de acesso aos "ens materiais como moradia, alimentação e sa4de, e aos "ens culturais em todos os n>.eis7 educação, pro1issionalização, lazer, arte. b preciso e2istir a"ertura para a produção e consumo da cultura, e Jue não haHa censura, a 1im de Jue as in1ormaçLes circulem li.remente. Muma sociedade democr'tica o sa"er de.e ser acess>.el a todos sem tomar-se pri.il0gio de alguns. c) Demo"ra"ia ?ur#di"a6 a democracia supLe o estado de direito, o respeito N *onstituição, a autonomia do Poder /udici'rio. I poder autorit'rio se caracteriza pela su"missão dos poderes Legislati.o e /udici'rio ao ,2ecuti.o. #asta lem"rar o tempo da ditadura militar no #rasil, Juando se go.erna.a por meio de atos institucionais, indi1erentes N so"erania do *ongresso. indica ainda resJu>cios do estado de ar">trio. Para ser su"stancial, a democracia Hur>dica de.e se "asear em leis Jue realmente atendam ao interesse da comunidade e precisa contar com uma Hustiça 'gil e resistente Ns pressLes de grupos. d) Demo"ra"ia (ol#ti"a6 o coração da democracia est' no reconhecimento do .alor da coisa p4"lica, separada dos interesses particulares. Meste sentido, h' a e2igGncia da institucionali6ação do poder, ou seHa, Juem ocupa o poder o 1az enJuanto representante do po.o, e, como tal, não 0 propriet'rio do poder, mas ocupa um Klugar .azioK, um espaço Jue ser' assumido tam"0m por outras pessoas, garantindo a rotati#idade do poder. I acesso ao poder na democracia pol>tica 0 ascendente, 1azendo-se Kde "ai2o para cimaK, pela escolha popular e com os recursos do pluripartidarismo, garantia da e2istGncia da oposição e1eti.a. Pois se a democracia supLe o consenso, isto 0, a aceitação comum das regras ap3s as discussLes, tal procedimento não elimina a permanGncia do dissenso( a possi"ilidade de discordar sempre Jue necess'rio. democr'tico Ktra"alharK o con1lito e não neg'-lo ou camu1l'-lo. l0m disso, a ampliação da democracia ocorre paralelamente N multiplicação dos 3rgãos representati.os da sociedade ci.il, de modo a ati.ar as 1ormas de participação dos cidadãos em geral. a isto Jue pode tornar a democracia uma &olicracia( o regime Jue não tem apenas um centro, mas cuHo poder se irradia para in4meros pontos da sociedade. Por e2emplo, são importantes as organizaçLes tanto ocasionais como permanentes Jue li's, uma caracter>stica da democracia 0 a aceitação do con1lito como e2pressão das opiniLes di.ergentes. Faz parte do processo continuidade do uso e a"uso de medidas pro.is3rias

representam interesses de setores da coleti.idade, tais como associaçLes de "airros, mutirLes, grupos contra a .iolGncia, grupos ecol3gicos, ao lado de outras importantes instituiçLes como a Irdem dos ssociação de -mprensa, os partidos pol>ticos, os sindicatos etc. 8al di1usão de poderes d' condiçLes para o melhor cumprimento da .ontade geral, "em como para o controle dos a"usos, e2igindo-se maior transparGncia das açLes nas di.ersas inst^ncias de poder. I Jue preHudica o processo de democratização 0 o des.irtuamento da ati.idade pol>tica, .oltada para interesses particulares, a descaracterização dos partidos sem esto1o ideol3gico ao sa"or de casu>smos e concha.os, e a grande maioria despolitizada e não-participante. $e%ocracia: direta ou re&resentati#a7 Suanto ao tipo de so"erania popular, distinguimos a democracia direta da democracia representati.a. mais antiga democracia de Jue se tem not>cia 0 a ateniense. 8rata-se da de%ocracia direta( em Jue todo cidadão tem não s3 o direito, como tam"0m o de.er de participar da assem"l0ia p4"lica a 1im de decidir os destinos da &olis. A igualdade Jue da> resulta se caracteriza pela isono%ia (igualdade perante a lei) e pela isegoria mdireito N pala.ra na assem"l0ia). I apogeu da democracia grega se deu no s0culo V a.*, mas, a "em da .erdade, 0 preciso lem"rar Jue na sociedade grega os escra.os, mulheres e estrangeiros não eram considerados cidadãos e portanto se acha.am e2clu>dos da .ida p4"lica. !esta.a, de 1ato, apenas :Ap do corpo social capaz de decisão pol>tica. I Jue importa, no entanto, 0 o surgimento do ideal democr'tico como um .alor no.o Jue se contrapLe N concepção aristocr'tica de poder. pesar da e2periGncia democr'tica, os principais te3ricos gregos, como Platão e reser.a a democracia, Jue para eles ocupa o 4ltimo lugar dentre as 1ormas de go.ernos. Ma -dade &oderna surgem as teorias pol>ticas contratualistas (Jue a"ordaremos no pr32imo cap>tulo) e Jue começam a ocupar-se com a Juestão da legitimidade do poder. Para um li"eral como Loc\e, a legitimidade do poder se encontra na origem parlamentar do poder pol>tico. -sto signi1ica Jue a ocupação de u% cargo pol>tico não de.e resultar de um pri.il0gio aristocr'tico, mas do mandato popular alcançado pelo .oto: a representação pol>tica torna-se leg>tima porJue nasce da .ontade popular. ,m outras pala.ras: na -dade &0dia transmitia-se por herança tanto a propriedade como o poder pol>tico7 o herdeiro do rei, do conde ou do marJuGs rece"ia não s3 os "ens como tam"0m o poder so"re os homens Jue .i.iam nas terras herdadas. /' co% o li"eralismo, esta"elece-se a distinção entre sociedade pol>tica e sociedade ci.il, entre p4"lico e pri.ado. Ma .erdade, o li"eralismo dos s0culos eV-- e eV--- não era igualit'rio, mas 1undamentalmente elitista. Por isso, 0 preciso entender Jue a representação pol>tica se re1eria aos Jue possu>am propriedades e, com o .oto censit'rio, e2clu>a-se do poder a grande maioria, apenas Kpropriet'ria do seu corpoK, ou seHa, da força de tra"alho. inda no s0culo eV---, em pleno per>odo de .alorização da legitimidade da representação, !ousseau de1ende a de%ocracia direta. Para ele, com o contrato social, cada indi.>duo aliena incondicionalmente seu rist3teles, .Gem com d.ogados, a

poder em 1a.or da coleti.idade, mas a .ontade geral não pode ser alienada nem representada. -sto signi1ica Jue para !ousseau os deputados e go.ernantes não são representantes do po.o, mas apenas seus o1iciais, estando su"ordinados N so"erania popular, a 4nica Jue decide por meio de assem"l0ias, ple"iscitos e re1erendos. #ontade geral é um conceito 1undamental para compreender a democracia rousseau>sta. 8odo indi.>duo 0 ao mesmo tempo uma pessoa pri.ada e uma pessoa p4"lica (cidadão): enJuanto pessoa pri.ada trata de seus interesses particulares, e enJuanto pessoa p4"lica 0 parte de um corpo coleti.o Jue tem interesses comuns. Mem sempre o interesse de um coincide com o de outro, pois muitas .ezes o Jue "ene1icia a pessoa particular pode ser preHudicial ao coleti.o. teresses enJuanto pessoa particular. I pr3prio !ousseau reconhecia as di1iculdades em implantar a democracia direta, so"retudo em naçLes de territ3rio e2tenso e grande densidade populacional. &as essa o"Heção não nos de.e desanimar na "usca do aper1eiçoamento do Hogo democr'tico. contr'rio, o desa1io est' Hustamente em desco"rir 1ormas para melhor apro2imação dos ideais da democracia. $e%ocracia e cidadania %e at0 hoHe temos nos contentado com a democracia representati.a, não h' como dei2ar de sonhar com mecanismos t>picos da democracia direta Jue possi"ilitem a presença mais constante do po.o nas decisLes de interesse coleti.o. &a *onstituição "rasileira de :;CC 1oi introduzida a Kiniciati.a popular de proHetos de leisK, atra.0s de mani1estação do eleitorado, mediante porcentagem m>nima estipulada con1orme o caso. ,ssa 1orma de atuação ainda ser' regulamentada e de.em ser en1rentadas di1iculdades as mais di.ersas para o e2erc>cio e1eti.o. &as alguns poderiam argumentar: para participar enJuanto cidadão pleno 0 preciso Jue haHa politização, caso contr'rio ha.er' apatia ou manipulação. +a> o desa1io: Juem educa o cidadãoR *idadania se aprende no e2erc>cio mesmo da cidadania. ,m"ora a escola seHa aliada importante, não 0 nela 1undamentalmente Jue se d' a aprendizagem, pois h' o risco da ideologia e do discurso .azio, Juando o ensino não 0 acompanhado de fato pela ampliação dos espaços de atuação pol>tica do cidadão na sociedade. participação popular se intensi1ica com as H' re1eridas organizaçLes sa>das da sociedade ci.il. ,ssas organizaçLes, ao colocarem seus representantes em con1ronto com o poder constitu>do, tornam-se .erdadeiras escolas de cidadania. I importante do processo 0 Jue, ao lado dos outros poderes, como o &oder oficial do munic>pio, do estado e 1ederal, e o &oder das elites econ=%icas( desen.ol.e-se o &oder alternati#o. Iu seHa, o es1orço coleti.o na de1esa de interesses comuns trans1orma a população amor1a, ine2pressi.a e despolitizada em co%unidade .erdadeira. Ma luta contra a tirania e o poder ar"itr'rio, nem as regras da moral, nem apenas as leis impedirão o a"uso do poder. Ma .erdade, como H' dizia &ontesJuieu, s3 o poder controla o poder. E)ER%*%IOS :. Faça um le.antamento das principais caracter>sticas da democracia. o prender a ser cidadão 0 Hustamente sa"er Jual 0 a .ontade geral, t>pica do interesse de todos enJuanto componentes do corpo coleti.o, mesmo Jue N re.elia dos seus pr3prios in-

<. !e.eHa no *ap>tulo :<, I Jue 0 pol>tica, a citação de 50lio /aguari"e (dropes) e 1aça a cr>tica da situação "rasileira usando os conceitos de democracia 1ormal e democracia su"stancial. @. K D. K lei, ora, a lei6K ($et4lio Vargas) / KI ,stado sou euK (Lu>s e-V). ,2pliJue em Jue sentido essas democracia 0 su".ersi.a no sentido mais radical da pala.ra porJue, onde chega, su".erte a concepção a1irmaçLes contrariam o ideal democr'tico. tradicional de poder (...) segundo a Jual o poder 9 pol>tico ou econ)mico, paterno ou sacerdotal 9 desce do alto para "ai2o.K (#o""io) 8endo em .ista essa citação, e2pliJue o Jue 0 poder ascendente e descendente. ?. Faça uma dissertação com o seguinte tema: (P.F.%*) KMão h' instituição humana Jue não tenha seus perigos. Suanto maior a instituição, maiores as chances de a"usos. democracia 0 uma grande instituição e por isso mesmo est' suHeita a ser considera.elmente a"usada. &as o rem0dio não 0 e.itar a democracia e sim reduzir ao m>nimo a possi"ilidade de a"uso.K (!ichard t-ten"ourough. s pala.ras de $andhi.) E. Leia o te2to complementar K pelo aos .aloresK, de #o""io, e resol.a estas JuestLes: a) Suais são os .alores necess'rios para a construção da democraciaR ") pliJue os conceitos de pluralismo, consenso e dissenso para e2plicar a seguinte a1irmação: KMa pol>tica democr'tica, o ad.ers'rio 0 um opositor, e não um inimigo Jue de.e ser destru>doK. B. Leia o te2to complementar de !ousseau (te2to <) e e2pliJue Jual 0 a posição dele a respeito da representação. , de Jue tipo de democracia se trataR C. Leia o te2to complementar de nt)nio *^ndido (te2to @) e responda: a) 5' uma tendGncia para identi1icar cultura erudita-classe rica e cultura popular-classe po"re. *omo o autor re.G essa posiçãoR ") &ede-se o >ndice de democracia de um pa>s analisando a capacidade de produzir e consumir "ens culturais por parte de toda a população. Sual 0 a conclusão a Jue podemos chegar com relação Ns oportunidades no nosso pa>sR Pma sugestão para resposta 0 1azer um le.antamento dos espaços culturais acess>.eis Ns classes populares. P,%SP-% Mem todos os 1il3so1os de1endem a democracia como 1orma ideal de go.erno. Faça uma pesJuisa a respeito dos argumentos usados por Platão. %,&-MW!-I% :. Is sonhos da sociedade igualit'ria %ugestLes de temas para di.ersos grupos de tra"alho: 8om's &orus e *ampanella7 os Mi.eladores (the Le.ellers)7 #a"eu17 os socialistas ut3picos (%aint-%imon, Proudhon, Fourier, IFen)7 &ar27 os anarJuistas (#a\unin, [ropot\in). <. I a.esso da democracia %ugestLes de temas: o autoritarismo na m0rica Latina7 a e2periGncia do totalitarismo: nazismo e 1ascismo.

L,-8P! *I&PL,&,M8 ! A&elo aos #alores (...) 0 preciso dar uma resposta N Juestão 1undamental, aJuela Jue ouço 1reJ_entemente repetida, so"retudo pelos Ho.ens, tão 1'ceis Ns ilusLes Juanto Ns desilusLes. %e a democracia 0 predominantemente um conHunto de regras de procedimento, como pode pretender contar com Kcidadãos ati.osKR Para ter os cidadãos ati.os ser' Jue não são necess'rios alguns ideaisR a e.idente Jue são necess'rios os ideais. &as como não darse conta das grandes lutas de id0ias Jue produziram aJuelas regrasR 8entemos enumer'-lasR Primeiro de tudo nos .em ao encontro, legado por s0culos de cru0is guerras de religião, o ideal da toler^ncia. %e hoHe e2iste uma ameaça N paz mundial, esta .em ainda uma .ez do 1anatismo, ou seHa, da crença cega na pr3pria .erdade e na 1orça capaz de imp)-la. -n4til dar e2emplos: podemos encontr'-los a cada dia diante dos olhos. ,m segundo lugar, temos o ideal da não-.iolGncia: Hamais esJueci o ensinamento de [arPopper segundo o Jual o Jue distingue essencialmente um go.erno democr'tico de um não-democr'tico 0 Jue apenas no primeiro os cidadãos podem li.rar-se de seus go.ernantes sem derramamento de sangue. s tão 1reJ_entemente ridicularizadas regras 1ormais da democracia introduziram pela primeira .ez na hist3ria as t0cnicas de con.i.Gncia, destinadas a resol.er os con1litos sociais sem o recurso N .iolGncia. penas onde essas regras são respeitadas o ad.ers'rio não 0 mais um inimigo (Jue de.e ser destru>do), mas um opositor Jue amanhã poder' ocupar o nosso lugar. 8erceiro7 o ideal da reno.ação gradual da sociedade atra.0s do li.re de"ate das id0ias e da mudança das mentalidades e do modo de .i.er: apenas a democracia permite a 1ormação e a e2pansão das re.oluçLes silenciosas, como 1oi por e2emplo nestas 4ltimas d0cadas a trans1ormação das relaçLes entre os se2os 9 Jue tal.ez seHa a maior re.olução dos nossos tempos. Por 1im, o ideal da irmandade (a fraternité da !e.olução Francesa). $rande parte da hist3ria humana 0 uma hist3ria de lutas 1ratricidas. Ma sua !ilosofia da hist'ria( (...) 5egel de1iniu a hist3ria como um Kimenso matadouroK. Podemos desmenti-loR ,m nenhum pa>s do mundo o m0todo democr'tico pode perdurar sem tornar-se um costume. &as pode tornarse um costume sem o reconhecimento da irmandade Jue une todos os homens num destino comumR Pm reconhecimento ainda mais necess'rio hoHe, Juando nos tornamos a cada dia mais conscientes deste destino comum e de.emos procurar agir com coerGncia, atra.0s do peJueno lume de razão Jue ilumina nosso caminho. #I##-I, Mor"erto. / !uturo da de%ocracia. D. ed. !io de /aneiro, Paz e 8erra, :;CE. p. @C-DA. $os de&utados ou re&resentantes Muma &olis "em constitu>da, todos correm para as assem"l0ias7 so" um mau $o.erno, ningu0m Juer dar um passo para ir at0 elas, pois ningu0m se interessa pelo Jue nelas acontece, pre.endo-se Jue a .ontade geral não dominar', e porJue, en1im, os cuidados dom0sticos tudo a"sor.em. i%&orta7 9 pode-se estar certo de Jue o ,stado est' perdido. diminuição do amor N p'tria, a ação do interesse particular, a imensidão dos ,stados, as conJuistas, os a"usos do $o.erno 1izeram com Jue se imaginasse o recurso dos deputados ou representantes do po.o nas s "oas leis contri"uem para Jue se 1açam outras melhores, as m's le.am a leis piores. Suando algu0m disser dos neg3cios do ,stado: 9ue %e

assem"l0ias da nação. , o Jue em certos pa>ses ousam chamar de 8erceiro ,stadoj. +esse modo, o interesse particular das duas ordens 0 colocado em primeiro e segundo lugares, 1icando o interesse p4"lico em terceiro. so"erania não pode ser representada pela mesma razão por Jue não pode ser alienada, consiste essencialmente na .ontade geral e a .ontade a"solutamente não se representa. a ela mesma ou 0 outra, não h' meio-termo. Is deputados do po.o não são, nem podem ser seus representantes7 não passam de comiss'rios seus, nada podendo concluir de1initi.amente. a nula toda lei Jue o po.o diretamente não rati1icar7 em a"soluto, não 0 lei. I po.o inglGs pensa ser li.re e muito se engana, pois s3 o 0 durante a eleição dos mem"ros do parlamento7 uma .ez estes eleitos, ele 0 escra.o, não 0 nada. +urante os "re.es momentos de sua li"erdade, ou uso, Jue dela 1az, mostra Jue merece perdG-la. !IP%%, l, /ean-/acJues. +o contraio social, *ol. Is pensadores. %ão Paulo, "ri6 *ultural, :;B@. p. ::@-::D.

M$e%ocracia e literaturaL Mas sociedades de e2trema desigualdade, o es1orço dos go.ernos esclarecidos e dos homens de "oa .ontade tenta remediar na medida do poss>.el a 1alta de oportunidades culturais. Messe rumo, a o"ra mais impressionante Jue conheço no #rasil 1oi de &'rio de ndrade no "re.e per>odo em Jue che1iou o l0m da remodelação em larga escala da +epartamento de *ultura da cidade de %ão Paulo, de :;@? a :;@C. Pela primeira .ez entre n3s .iu-se uma organização da cultura com .istas ao p4"lico mais amplo poss>.el. #i"lioteca &unicipal, 1oram criados: parJues in1antis nas zonas populares7 "i"liotecas am"ulantes, em 1urgLes Jue estaciona.am nos di.ersos "airros7 a discoteca p4"lica7 os concertos de ampla di1usão, "aseados na no.idade de conHuntos organizados aJui, como Juarteto de cordas, trio instrumental, orJuestra sin1)nica, corais. partir de então a cultura musical m0dia alcançou p4"licos maiores e su"iu de n>.el, como demonstram as 1ichas de consulta da +iscoteca P4"lica &unicipal e os programas de e.entos, pelos Juais se o"ser.a diminuição do gosto at0 então Juase e2clusi.o pela 3pera e o solo de piano, com incremento concomitante do gosto pela m4sica de c^mara e a sin1)nica. , tudo isso conce"ido como ati.idade destinada a todo o po.o, não apenas aos grupos restritos de amadores. o mesmo tempo, &'rio de ndrade incrementou a pesJuisa 1olcl3rica e etnogr'1ica, .alorizando as culturas populares, no pressuposto de Jue todos os n>.eis são dignos e Jue a ocorrGncia deles 0 1unção da din^mica das sociedades. ,le entendia a princ>pio Jue as criaçLes populares eram 1ontes das eruditas, e Jue de modo gera. a arte .inha do po.o. &ais tarde, inclusi.e de.ido a uma troca de id0ias com !oger #astide, sentiu Jue na .erdade h' uma corrente em dois sentidos, e Jue a es1era erudita e a popular trocam in1luGncias de maneira incessante, 1azendo da criação liter'ria e art>stica um 1en)meno de .asta intercomunicação.
K +o Antigo ,egi%e franc>s( os 3stados Gerais di#idia%-se no Pri%eiro 3stado( co%&osto de re&resentantes da nobre6a( no 1egundo 3stado( for%ado &elos re&resentantes do clero( e no Terceiro 3stado( que reunia os re&resentantes da burguesia( no &ri%iti#o sentido da &ala#ra( isto é( dos habitantes dos burgos.

-sto 1az lem"rar Jue, en.ol.endo o pro"lema da desigualdade social e econ)mica, est' o pro"lema da intercomunicação dos n>.eis culturais. Mas sociedades Jue procuram esta"elecer regimes igualit'rios, o pressuposto 0 Jue todos de.em ter a possi"ilidade de passar dos n>.eis populares para os n>.eis eruditos como

conseJ_Gncia normal da trans1ormação de estrutura, pre.endo-se a ele.ação sens>.el da capacidade de cada um graças N aJuisição cada .ez maior de conhecimentos e e2periGncias. Mas sociedades Jue mantGm a desigualdade como norma, e 0 o caso da nossa, podem ocorrer mo.imentos e medidas, de car'ter p4"lico ou pri.ado, para diminuir o a"ismo entre os n>.eis e 1azer chegar ao po.o os produtos eruditos. &as, repito, tanto num caso Juanto no outro est' impl>cita como Juestão maior a correlação dos n>.eis. , a> a e2periGncia mostra Jue o principal o"st'culo pode ser a 1alta de oportunidade, não a incapacidade. ntonio * M+-+I.K+ireitos humanos e literaturaK. -n F,%8,!, nt)nio *arlos !. (org.) $ireitos hu%anos e... %ão Paulo, #rasiliense/*omissão /ustiça e Paz de %. Paulo, :;C;. p. :<@-:<D.

CAPÍTULO 1& Conce&ç4es de &ol*tica
9uando teori6a%os a res&eito de &ol*tica( Js #e6es acontece ou#ir algué% %uito &rag%ático afir%ar: HA teoria na &rática é outra...H )as essa afir%ação des%erece o &a&el da teoria e ridiculari6a o trabalho fi los'fico( &orque a boa teoria é aquela que não se desliga da &rática: nasce dela e &ara ela #olta( nu% H#ai#é%Hconstante e inter%iná#el. $essa for%a( recu&era-se o sentido &ositi#o e não de&reciati#o da e@&ressão( 2á que não há co%o des&re6ar o caráter fecundo da teoria que antecede a ação e a orienta( da %es%a for%a que a &rática efeti#a obriga a re#er( a&erfeiçoar ou até alterar a teoria. .sso significa que a teoria é i%&ortante &ara a ação( e toda #e6 que o ho%e% o&4e resist>ncia J refle@ão( corre o risco de se tornar #*ti%a de aç4es HcegasH t*&icas de %o#i%entos conser#adores e reacionários que i%&ede% as %udanças necessárias &ara %anter #i#a a sociedade. 1ão assi% os gru&os de fanáticos religiosos( be% co%o os ati#istas de tend>ncia autoritária: %uita ação( gestos e rituais( redu6indo a teoria a &ala#ras de orde% e afir%aç4es &obres e% argu%entação. Por isso é i%&ortante analisar as teorias que ora 2ustifica% as %udanças &ol*ticas e% &rocesso( ora a2uda% a co%&reender quais são as alteraç4es que se fa6e% necessárias. Todo fil'sofo é filho do seu te%&o e do lugar onde #i#e e é nesse conte@to que de#e%os buscar co%&reend>-lo.

P!-&,-! P !8, 9 Pol>tica antiga e medie.al *oncepção grega de pol>tica
+asce o cidadão Ma $r0cia antiga, os tempos hom0ricos (s0c. e-- a V--- a. *.) se caracterizam pelo poder da aristocracia guerreira, marcada pela crença nos mitos, cuHos relatos 1oram reunidos por 5omero na .l*ada e na /disséia.

%egundo a perspecti.a do mito, as açLes humanas se e2plicam pela inter1erGncia dos deuses e as leis Jue regem o comportamento humano tam"0m tGm origem di.ina. &as H' no per>odo arcaico (s0c. V--- a V- a. *.) ocorrem grandes alteraçLes com o desen.ol.imento das ati.idades comerciais, o Jue determina o aparecimento da &olis (cidade-,stado) grega. passagem da predomin^ncia do mundo rural da aristocracia dona de terras para o mundo ur"ano .em acompanhada de outras mutaçLes igualmente importantes, como o surgimento da escrita, da moeda, das leis escritas, Jue culminam com o aparecimento da 1iloso1ia no s0culo V- a. *. s mudanças são marcadas pela "usca de uma no.a racionalidade, desligada do mito e, portanto, da tutela di.ina. conseJ_Gncia de tais alteraçLes para a pol>tica se 1az sentir de maneira di1erente con1orme o lugar, mas em tenas, so"retudo, desen.ol.e-se a concepção de cidadania e de de%ocracia. ,m oposição N id0ia aristocr'tica de poder, o cidadão pode e de.e atuar na .ida p4"lica independentemente da origem 1amiliar, classe ou 1unção. 8odos são iguais, tendo o mesmo direito N pala.ra e N participação no e2erc>cio do poder. Ma .erdade, con1orme H' dissemos no *ap>tulo :@ ( democracia), são considerados cidadãos apro2imadamente :Ap da população ati.a da cidade, sendo e2clu>dos os estrangeiros, as mulheres e os escra.os. Mo entanto, o importante 0 Jue se desen.ol.e uma no#a conce&ção de &oder( opondo a democracia N aristocracia e o ideal do cidadão ao do guerreiro. Is so1istas (Prot'goras, $3rgias e outros) .i.eram no s0culo V a. *, e são os 1il3so1os respons'.eis pela ela"oração te3rica Jue legitima o ideal democr'tico da no.a classe dos comerciantes. &estres da ret3rica, os so1istas ensinam a usar os instrumentos da .irtude pol>tica, ou seHa, a arte de 1alar "em e persuadir, tão necess'ria para o cidadão nas assem"l0ias e praças p4"licas. A &ol*tica nor%ati#a ordem democr'tica grega 1oi destru>da ap3s o longo en.ol.imento de maced)nios. a nesse conte2to Jue .i.em Platão e rist3teles. Platão, Ho.em de 1am>lia aristocr'tica, presencia tais alteraçLes pol>ticas e critica a democracia Jue permitiu a condenação N morte de seu mestre %3crates. Ma concepção plat)nica, as JuestLes pol>ticas não podem ser assunto de decisão de JualJuer pessoa, pois s3 os homens preparados de.em se ocupar delas. Ma o"ra A ,e&Qblica( imagina uma cidade ideal onde os 1uturos administradores, educados durante grande parte da .ida, seriam escolhidos entre os 1il3so1os, representantes do mais alto grau da 1ormação humana. I homem comum, incapaz de superar as di1iculdades do conhecimento opinati.o, se ocuparia apenas com os pro"lemas concretos do dia-a-dia, como agricultura, com0rcio e de1esa da cidade, dei2ando aos s'"ios competentes a direção dos destinos comuns. rist3teles, disc>pulo de Platão, critica os e@ageros do mestre e desen.ol.e a cl'ssica di.isão das 1ormas de go.erno 9 monarJuia, aristocracia e rep4"lica 9 con1orme se re1iram ao go.erno de um s3, de um peJueno grupo ou do po.o. *onsidera Jue o importante 0 promo.er a Hustiça e tam"0m a K.ida "oaK, ou seHa, Jue os cidadãos tenham possi"ilidade de .i.er em uma cidade 1eliz. Para tanto, 0 preciso Jue as 1ormas de go.erno não tenas e ,sparta na $uerra do Peloponeso, culminando com a derrota de tenas. Finalmente, no s0culo -V a. *, a $r0cia 1oi conJuistada pelos

seHam corrompidas, o Jue acontece Juando a monarJuia degenera em tirania, a aristocracia em oligarJuia e a rep4"lica não resiste N demagogia. concepção pol>tica grega parte do pressuposto de Jue e2iste um modelo de go.ernante ideal, capaz de ser educado para o e2erc>cio correto de suas 1unçLes p4"licas. 8rata-se de uma concepção nor%ati#a e &rescriti#a porJue esta"elece normas e indica caminhos para distinguir o "om go.erno da ação pol>tica corrompida. a "em .erdade Jue, dentre as trGs 1ormas de go.erno, a democracia 0 considerada a Jue teria menos chance de atingir os o"Heti.os, de.ido ao constante risco de anarJuia e, portanto, de implantação da tirania. l0m disso, rist3teles não considera Jue todos os homens tGm igual capacidade de go.ernar, e por isso e2clui das artes pol>ticas os artesãos e os comerciantes. *om o o"Heti.o de preparar para o "om go.erno, .aloriza a educação da Hu.entude a 1im de 1ortalecer as .irtudes Jue 1ormam o "om cidadão e o "om go.ernante. A &ol*tica %edie#al 8anto na teoria da pol>tica romana 9 como a de *>cero, ainda na tam"0m na -dade &0dia se "usca de1inir as .irtudes do rei Husto e "om. -dade &0dia tem como caracter>stica 1undamental a predomin^ncia do pensamento religioso. *omo conseJ_Gncia, as teorias pol>ticas en1atizam a supremacia do poder espiritual so"re o poder temporal e toda ação se acha atrelada N ordem moral cristã. Por e2emplo, %anto a1irma.a Jue todo poder .em de +eus. inter1erGncia da -greHa nos assuntos pol>ticos pro.ocou di.ersos atritos entre papas e imperadores, determinando a 1ormação de 1acçLes opostas entre aJueles Jue de1endiam o poder do papa e os de1ensores da autonomia do imperador. +ante lighieri, autor da $i#ina Co%édia( tam"0m escre.eu um li.ro so"re pol>tica no Jual de1ende a autonomia do poder temporal, o Jue signi1ica uma ruptura com o pensamento pol>tico medie.al. &ais radical ainda 0 &ars>lio de P'dua, Jue acentua no.os .alores desligados da tutela religiosa e 1undados na .ontade do po.o. DROPES cidade 0 .irtuosa, não por o"ra do acaso, mas da ciGncia e da .ontade. Mo entanto, uma rep4"lica s3 pode ser .irtuosa Juando os pr3prios cidadãos Jue tomam parte no go.erno são .irtuosos7 ora, em nosso sistema, todos os cidadãos tomam parte no go.erno. ssim, trata-se de .er como um homem pode tornar-se .irtuoso. %endo poss>.el 1ormar na .irtude todos os homens ao mesmo tempo, sem tomar N parte cada cidadão, tal 0 o melhor partido7 porJue o geral arrasta o particular. ( rist3teles.) gostinho, no 1inal do -mp0rio !omano, H' ntig_idade 9 Juanto na teoria pol>tica medie.al, 0 mantida a preocupação normati.a Jue pre.alece no pensamento grego. Messe sentido,

E)ER%*%IOS

:. Faça um 1ichamento da primeira parte, le.antando as d4.idas.

<. Faça um esJuema comparati.o (semelhanças e di1erenças) entre a pol>tica grega e a medie.al. @. partir da citação de rist3teles (dropes), dG uma caracter>stica da 1iloso1ia pol>tica grega. D. Mo s0culo V- o papa $reg3rio, o $rande, escre.e em carta a um imperador: KI poder so"re todos os homens 1oi dado no lto aos meus senhores para aHudar aJueles Jue Juerem 1azer o "em, para a"rir mais o caminho Jue conduz ao *0u, para Jue o reino terreno 1iJue ao ser.iço do reino dos *0usK. nalise esse trecho, indicando como se esta"elece, no pensamento pol>tico medie.al, a relação entre pol>tica e religião. ?. ,m outro te2to, o papa $reg3rio assim se e2pressa: K%e denunciam N rainha homens .iolentos, ad4lteros, ladrLes, indi.>duos Jue cometeram outras iniJ_idades, Jue a rainha se apresse a corrigi-los para apaziguar a c3lera di.inaK. nalise este trecho indicando como se esta"elece no pensamento pol>tico medie.al a relação entre pol>tica e moral. E. +entro da concepção medie.al de pol>tica, analise o Jue signi1ica o seguinte trecho de &ars>lio de P'dua: K%o" uma m'scara de honestidade e de decGncia, o papado 0 tão perigoso para o gGnero humano Jue causar', se o não deti.erem, um preHu>zo intoler'.el N ci.ilização e N p'triaK.

%,$PM+ P !8, 9 Li"eralismo: antecedentes e desen.ol.imento autonomia da pol>tica: &aJuia.el
Mo !enascimento e -dade &oderna ocorrem trans1ormaçLes 1undamentais Jue H' .inham sendo preparadas desde a -dade &0dia. I desen.ol.imento das cidades, o 1ortalecimento da "urguesia comercial, a 1ormação das monarJuias nacionais são aspectos interligados de outra realidade a se con1igurar e Jue e2ige no.os instrumentos te3ricos de interpretação. Mo s0culo eV-, &aJuia.el representa um marco na ela"oração da moderna concepção de pol>tica. &aJuia.el 0 respons'.el pela autonomia da ciGncia pol>tica, desligada das preocupaçLes predominantemente 1ilos31icas da pol>tica normati.a dos gregos e des.inculada da 10 e da moral cristã. ,nJuanto a pol>tica tradicional "usca.a descre.er o "om go.erno, dando as regras do go.ernante ideal, &aJuia.el .eri1ica com toda crueza co%o os ho%ens go#erna% de fato. -sto signi1ica reconhecer Jue a pol>tica 0 a l3gica da 1orça, e Jue 0 imposs>.el go.ernar sem 1azer uso da .iolGncia. *on.0m não reduzir o pensamento maJuia.eliano ao simplismo do mito do KmaJuia.elismoK: não se trata de Husti1icar a .iolGncia a JualJuer preço, mas reconhecer Jue ela é necess'ria em determinadas circunst^ncias (como por e2emplo, Juando um no.o pr>ncipe conJuista o poder ou luta para não perdG-lo). identi1icar as 1orças do con1lito para nele atuar com e1ic'cia. Para Jue essa atuação não seHa .ã, 0 preciso reconhecer Jue os .alores morais, isto 0, aJueles Jue .alem para regular as condutas indi.iduais, não ser.em Juando se trata da ação pol>tica, Jue en.ol.e o destino dos cidadãos enJuanto pertencentes a uma comunidade. pol>tica não se re1ere portanto Ns utopias e Ns a"straçLes, mas ao Hogo e1eti.o das 1orças em circunst^ncias concretas. I "om pol>tico 0 aJuele Jue consegue

recusa da predomin^ncia dos .alores morais na ação pol>tica indica um no.o conceito de ordem, a ordem mundana enJuanto proHeto do ,stado (e não mais a ordem di.ina). +e 1ato, naJuele momento hist3rico em Jue se 1orma.am as monarJuias nacionais, era necess'ria uma teoria Jue Husti1icasse o 1ortalecimento do ,stado so"erano e secular (isto 0, não-religioso). / fortaleci%ento do 3stado ,m"ora com 1reJ_Gncia utilizemos a pala.ra ,stado para nos re1erirmos Ns instituiçLes pol>ticas da ntig_idade e -dade &0dia, trata-se de uma impropriedade, H' Jue a pala.ra 3stado s' começa a ser empregada no !enascimento e -dade &oderna. (Ma $r0cia era usada a pala.ra &olis( na !oma antiga e -dade &0dia diziase ci#itas.? do poder. +essa 1orma, s3 o ,stado se toma apto para 1azer e aplicar as leis, recolher impostos, ter um e20rcito, atri"uiçLes estas Jue, por e2emplo, na -dade &0dia, podiam ser e2ercidas tam"0m pelos no"res em seus respecti.os territ3rios. os poucos o ,stado monopoliza os ser.iços essenciais para garantia da ordem interna e e2terna, o Jue e2ige o desen.ol.imento do aparato administrati.o 1undado em uma "urocracia controladora. I ,stado Jue surge como resultado da 1ormação das monarJuias nacionais 0 inter.encionista e procura Husti1icar o uso Jue 1az da 1orça por meio de di.ersas teorias absolutistas. &as se e2istem te3ricos Jue ainda sustentam o Kdireito di.ino dos reisK (Filmer e #ossuet), cada .ez mais a legitimação do poder passa a ser "uscada em crit0rios racionais (5o""es), o Jue 0 t>pico das teorias contratualistas. As teorias contratualistas Mos s0culos eV-- e eV--- a principal preocupação da 1iloso1ia pol>tica 0 o funda%ento racional do &oder soberano. Iu seHa, o Jue se procura não 0 resol.er a Juestão da Hustiça, nem Husti1icar o poder pela inter.enção di.ina, mas colocar o pro"lema da legiti%idade do poder. a por isso Jue 1il3so1os tão di1erentes como 5o""es, Loc\e e !ousseau tGm idGntico prop3sito: in.estigar a origem do ,stado. Mão propriamente a origem no tempo, mas o Kprinc>pioK, a Krazão de serK do ,stado. 8odos partem da hip3tese do homem em estado de nature6a( isto 0, antes de JualJuer socia"ilidade, e, portanto, dono e2clusi.o de si e dos seus poderes. Procuram então compreender o Jue Husti1ica a"andonar o estado de natureza para constituir o ,stado, mediante contrato. 8am"0m discutem o tipo de soberania resultante do pacto 1eito entre os homens. 5o""es, ad.ertindo Jue o homem natural .i.e em guerra com seus semelhantes, conclui Jue a 4nica maneira de garantir a paz consiste na delegação de um poder a"soluto ao so"erano. Loc\e, como arauto do li"eralismo, critica o a"solutismo. Para ele, o consentimento dos homens ao aceitarem o poder do corpo pol>tico institu>do não retira seu direito de insurreição, caso haHa necessidade de limitar o poder do go.ernante. l0m disso, o Parlamento se 1ortalece enJuanto leg>timo canal de representação da sociedade, e de.e ter 1orça su1iciente para controlar os e2cessos do ,2ecuti.o. !ousseau .ai mais longe ainda, atri"uindo a so"erania ao Kpo.o incorporadoK, isto 0, ao po.o enJuanto corpo coleti.o, capaz de decidir o Jue 0 melhor para o todo social. *om isso desen.ol.e a concepção radical da l0m da pala.ra no.a, 0 tam"0m no.a a realidade a Jue ela se re1ere: o ,stado passa a signi1icar a posse de um territ3rio em Jue o comando so"re seus ha"itantes se 1az a partir da centralização cada .ez maior

democracia direta, em Jue o cidadão 0 ati.o, participante, 1azendo ele pr3prio as leis nas assem"l0ias p4"icas. !ousseau, na .erdade, antecipa algumas das cr>ticas Jue no s0culo seguinte os socialistas 1arão ao li"eralismo. +enuncia a propriedade como uma das causas da origem da desigualdade e, ao desen.ol.er os conceitos de .ontade geral e cidadania ati.a, reHeita o elitismo da tradição "urguesa do seu tempo. l0m disso, as teorias contratualistas se "aseiam em uma concepção indi.idualista da sociedade, o Jue 0 t>pico do pensamento li"eral. teorias socialistas. pesar das di1erenças, o Jue e2iste em comum nas teorias contratualistas 0 a Gn1ase no car'ter racional e laico (não-religioso) da origem do poder. a o pr3prio homem Jue d' o consentimento para a instauração do poder, rea1irmando assim o .alor do indi.>duo e do cidadão. / liberalis%o Ma .ida di'ria, o uso do conceito liberal é "astante eJu>.oco, podendo ter in4meros signi1icados. ssim, um adolescente diz ter Kpais li"eraisK Juando tem a cha.e da casa e namora Juem Juiser e como Juiser e seus passos não são regulados com rigor e2cessi.o. +a mesma maneira, numa Kescola li"eralK, di1erentemente das escolas tradicionais, a disciplina 0 menos r>gida e são o1erecidos maiores espaços de discussão e rei.indicação. ,m am"os os e2emplos, a atitude considerada Kli"eralK se re1ere Ns condiçLes de a"ertura e toler^ncia. Psa-se tam"0m a e2pressão Kpro1issão li"eralK para designar a ati.idade de m0dicos, dentistas, ad.ogados, classi1icação esta Jue lem"ra a antiga di.isão entre escra.os e homens li.res. ,stes, na medida em Jue esta.am deso"rigados das ati.idades manuais, poderiam se ocupar com as Kartes li"eraisK. *on.0m dei2ar de lado tais signi1icados da pala.ra liberal. Jui nos interessa analisar o conceito de liberalis%o enJuanto teoria pol>tica e econ)mica Jue surge a partir do s0culo eV--, culminando com as re.oluçLes "urguesas (a !e.olução $loriosa na -nglaterra, em :ECC, e a !e.olução Francesa, em :BC;). &esmo assim, são grandes as di1iculdades para de1inir um mo.imento tão comple2o e Jue assumiu caracter>sticas di1erentes no desenrolar do tempo. Ma .erdade, seria mais correto 1alar em liberalis%os. Is principais te3ricos do liberalis%o econ=%ico são dam %mith e +a.id !icardo. Is representantes do liberalis%o &ol*tico( no per>odo dos s0culos eV-- a e-e, são, entre outros: Loc\e, &ontesJuieu, [ant, 5um"oldt, #enHamin *onstant, %tuart &ill, 8ocJue.ille. Caracter*sticas do liberalis%o s teorias li"erais de1endem o ,stado laico, recusando a inter.enção da -greHa nas JuestLes pol>ticas. +e1endem a econo%ia de %ercado( segundo a Jual e2iste um eJuil>"rio natural decorrente da lei da oferta e da &rocura( o Jue reduz a necessidade de inter.ençLes mteoria do 3stado %*ni%o?. economia de mercado supLe ainda a de1esa da &ro&riedade &ri#ada dos bens de &rodução e a garantia de 1uncionamento da economia a partir do princ>pio do lucro e da li#re iniciati#a( o Jue .aloriza o esp>rito empreendedor e competiti.o. +esde o in>cio, o li"eralismo de1ende a e2istGncia do ,stado laico e não-inter.encionista. 3stado laico porJue não se identi1ica com nenhuma con1issão religiosa nem deseHa JualJuer inter1erGncia da -greHa nos assuntos pol>ticos. ,m contrapartida, o ,stado tam"0m não de.e inter1erir nas sociedade 0 compreendida como a somat3ria dos indi.>duos, e o ,stado tem por 1im garantir Jue os interesses particulares possam coe2istir em harmonia. ,sta concepção ser' criticada pelas

crenças pessoais, 1azendo pre.alecer o ideal da toler^ncia depois das sangrentas guerras religiosas do s0culo eV-. 3stado não-inter#encionista( porJue critica o controle Jue as monarJuias a"solutistas e2erciam so"re a economia, cuHa e2pressão era o monop3lio estatal t>pico do mercantilismo. 8ais alteraçLes pro.ocam a n>tida se&aração entre o &Qblico e o &ri#ado( ou seHa, entre os assuntos do ,stado (Jue de.e se ocupar com a pol>tica, isto 0, com as JuestLes da es1era p4"lica) e os da sociedade ci.il (setor das ati.idades particulares, so"retudo econ)micas). o mesmo tempo, são criadas instituiçLes para Jue os cidadãos possam ter .oz ati.a nas decisLes pol>ticas. +a> o fortaleci%ento do Parla%ento( 3rgão por e2celGncia de representação das 1orças atuantes da sociedade e capaz de ini"ir os e2cessos do poder central. de1esa da origem parlamentar do poder signi1ica a superação das antigas teorias de Jue o poder .em de +eus ou da tradição 1amiliar, H' Jue o .oto signi1ica o li.re consentimento do cidadão. Para manter a ordem 0 1undamental o eJuil>"rio dos trGs Poderes 9 o ,2ecuti.o, o Legislati.o e o /udici'rio 9, tese desen.ol.ida pela primeira .ez por &ontesJuieu. s alteraçLes nas instituiçLes constituem passo signi1icati.o para superar o poder a"soluto em direção N democracia e trans1ormar o s4dito em cidadão. &as 0 preciso não esJuecer Jue por muito tempo o li"eralismo continua sendo uma concepção elitista do poder, H' Jue s3 os propriet'rios são considerados cidadãos totais, com direito ao .oto e N representação. penas recentemente conJuistou-se o su1r'gio uni.ersal, o Jue tam"0m democracia.) não signi1ica por si s3 garantia para se e.itarem os pri.il0gios. (*onsultar o *ap. :@,

consciGncia li"eral tam"0m 1oi marcada pela .alorização do &rinc*&io da legalidade: as di.ersas +eclaraçLes de +ireitos proclamam a igualdade perante a lei7 institui-se o habeas cor&us a 1im de e.itar prisLes ar"itr'rias7 te3ricos como o italiano *0sar #eccaria de1endem o a"randamento das penas cru0is. l0m disso, as +eclaraçLes de +ireitos e2igem garantia das li"erdades indi.iduais de pensamento, crença, e2pressão, reunião e ação, desde Jue não seHam preHudicados os direitos de outros cidadãos. +eri.a da> a concepção tradicional de li"erdade, segundo a Jual Ka li"erdade de cada um .ai at0 onde o permite a li"erdade do outroK. 8rata-se do 1undamento indi#idualista t>pico do pensamento "urguGs7 a l3gica do mercado 0 Jue, se cada um desen.ol.er "em o seu tra"alho, ha.er' natural seleção dos melhores, Jue 1ormarão as elites de cuHa capacidade empreendedora resultarão "ene1>cios para o todo social. / liberalis%o de%ocrático I li"eralismo surge com o desen.ol.imento do capitalismo comercial e se e2pande ap3s a !e.olução -ndustrial, no s0culo eV---. *om a implantação do sistema 1a"ril e o aumento da produção, as relaçLes de tra"alho se tornam cada .ez mais comple2as. partir de :CBA, o antigo capitalismo li"eral se aHusta em no.as 1ormas de ca&italis%o de %ono&'lios com a 1ormação de grandes trustes. s cidades crescem, surgem as 1erro.ias e o na.io a .apor. I maJuinismo intensi1ica o otimismo 1undado na crença do progresso e na .alorização do poder humano. &as no s0culo e-e 0 cruel o contraste entre riJueza e po"reza: a Hornada de tra"alho 0 de catorze a dezesseis horas, sendo usada inclusi.e mão-de-o"ra in1antil e 1eminina com sal'rios mais "ai2os ainda. classe dos prolet'rios se organiza em sindicatos e surgem as teorias socialistas e anarJuistas Jue denunciam as contradiçLes do sistema.

Para en1rentar os pro"lemas, a teoria li"eral se adapta Ns no.as e2igGncias, em parte para e.itar Jue as massas seHam de todo seduzidas pelo ideal socialista. %urge então o liberalis%o de%ocrático( cuHo discurso d' Gn1ase N igualdade social e N necessidade de alteração das prec'rias condiçLes de .ida das massas oprimidas. /ohn %tuart &ill, um dos representantes dessa tendGncia, sugere co-participação na ind4stria e representação proporcionai. Foi tam"0m .igoroso de1ensor da li"erdade de e2pressão e do direito de .oto para as mulheres. A inter#enção estatal os poucos começa a se con1igurar a tendGncia inter.encionista do ,stado, .isando a solução dos pro"lemas sociais do tra"alhador, como seguro de sa4de, aposentadoria, desemprego. -sto signi1ica uma re.ersão das e2pectati.as iniciais, Juando se e2igia a separação entre ,stado e sociedade ci.il. crise de :;<;, decorrente da KJue"raK da #olsa de Mo.a -orJue, pro.oca s0rias conseJ_Gncias econ)micas em todos os pa>ses da m0rica e da ,uropa. s 1alGncias rompem o eJuil>"rio econ)mico, e altas -t'lia e a lemanha passam pelas ta2as de in1lação e desemprego aumentam as tensLes sociais e diminuem a con1iança no sistema. +iante da crise, são di1erentes as respostas dadas pelas naçLes. promo.e rigorosos aHustes, desen.ol.endo o estado do be%-estar social. Ma -nglaterra, o principal te3rico da plani1icação estatal da economia 0 o 1il3so1o e economista [eZnes. Mos ,stados Pnidos, o presidente !oose.elt implanta o programa conhecido como +eR $eal( segundo o Jual o ,stado se torna o principal agente do reati.amento econ)mico, sem no entanto sucum"ir N tentação totalit'ria. construção de grandes o"ras p4"licas aHuda a aumentar a ta2a de emprego, são concedidos cr0ditos para as empresas, al0m de serem adotadas in4meras medidas assistenciais de atendimento aos tra"alhadores (doença, desemprego, in.alidez, maternidade, .elhice, aposentadoria). / neoliheralis%o partir da d0cada de EA o estado do "em-estar social mostra sinais de desgaste, seHa pelas cr>ticas N inter.enção do ,stado, seHa porJue as despesas go.ernamentais tendem a aumentar al0m do arrecadado, pro.ocando a crise 1iscal do ,stado e conseJ_entemente o aumento do d01icit p4"lico, da in1lação e da insta"ilidade social. Ma d0cada de CA, os go.ernos de !eagan nos ,P e de &argareth 8hatcher na -nglaterra são indicadores dessa reorientação neoli"eral, Jue tende a desin.estir o ,stado das 1unçLes assumidas ao longo deste s0culo. a por isso Jue ainda se encontram no centro do de"ate JuestLes como a pri.atização de setores tão di1erentes como uni.ersidade, prisLes, ser.iço de aposentadoria, e tam"0m de empresas estatais Jue, no #rasil, por e2emplo, eram at0 pouco tempo consideradas intoc'.eis, como as de re1inamento de petr3leo e de siderurgia. Cr*ticas ao %odelo liberal !e1letindo so"re as mudanças Jue se processaram a partir da implantação do modelo li"eral, podemos o"ser.ar Jue, se por um lado hou.e um desen.ol.imento cient>1ico e tecnol3gico nunca .isto na hist3ria da e2periGncias totalit'rias do 1ascismo e do nazismo, enJuanto nos ,stados Pnidos e -nglaterra o go.erno

humanidade, por outro lado não 1oram resol.idos os grandes pro"lemas sociais criados pelo modo de produção capitalista. I 8al.ez não seHa esse o ponto de .ista dos Jue analisam os e1eitos do capitalismo a partir do e2emplo de dez ou onze naçLes capitalistas "em-sucedidas em todo o glo"o. &as 0 "om não esJuecer Jue nos poucos pa>ses onde a situação dos tra"alhadores atingiu n>.eis razo'.eis de "em-estar, isto 1oi conseguido mediante pressLes de natureza di.ersa, desde as 1orças sindicais inspiradas pelas teorias socialistas, at0 as lutas dos grupos minorit'rios, como o mo.imento 1eminista, da Hu.entude, dos negros ou os grupos ecol3gicos. PressLes de tão di1erente natureza tGm o"rigado o li"eralismo a mudar. Mo entanto, trata-se de apenas uma das 1aces Jue não de.e colocar na som"ra a realidade mais dura dos pa>ses capitalistas de 8erceiro &undo 9 como o #rasil 9 onde não e2iste eJuil>"rio na distri"uição de renda e onde, portanto, a maioria da população não tem acesso aos "ens sociais. >ndices gra.>ssimos de anal1a"etismo, desnutrição, mortalidade in1antil, pro"lemas de moradia não podem ser entendidos como simples incapacidade de cada pa>s em en1rentar seus pr3prios desa1ios. o contr'rio, a situação dos pa>ses de 8erceiro &undo de.e ser compreendida na l3gica da sua relação com os pa>ses desen.ol.idos Jue a> instalam ind4strias utilizando mão-de-o"ra "arata, da> retiram a "ai2os preços a mat0ria-prima de Jue necessitam, e a> encontram o mercado consumidor dos seus produtos. Mão se trata de no.idade a >ntima relação entre pa>ses desen.ol.idos e pa>ses de 8erceiro &undo. e2pansão do capitalismo, "em como a superação de suas crises, sempre 1oi marcada pela criação de laços de dependGncia, tais como a colonização da m0rica do s0culo eV- ao eV---, o imperialismo na W1rica e na Wsia e, mais recentemente, a implantação das multinacionais nos pa>ses não-desen.ol.idos. condicionam decisLes pol>ticas e .igiam o K"om comportamentoK de seus tutelados. &esmo nos pa>ses "em-sucedidos, as seguidas crises do modelo li"eral 9 em Jue ora predomina a li.re iniciati.a, ora se 1az necess'ria a inter.enção do ,stado 9 demonstram Jue a .erdadeira democracia ainda não 1oi implantada. 1inal, a Kpedra de toJueK do li"eralismo 0 a li.re iniciati.a, mas, toda .ez Jue ela 0 dei2ada na sua pr3pria l3gica, as inHustiças sociais precisam ser corrigidas pelo ,stado. , isto, sa"emos, constitui uma contradição, tendo em .ista o ideal li"eral do K,stado-m>nimoK. ,2aminadas as JuestLes sociais e econ)micas, resta a"ordar o aspecto pol>tico. Vimos Jue inicialmente o li"eralismo era elitista (s3 podia .otar ou ser .otado aJuele Jue possu>a propriedades), e Jue s3 mais tarde o li"eralismo se tornou mais democr'tico, com o su1r'gio uni.ersal. &esmo assim, permanecem di1>ceis as condiçLes de .erdadeira representati.idade dos di.ersos setores da sociedade ci.il, so"retudo dos tra"alhadores. I grande desa1io para o modelo li"eral consiste na superação da democracia puramente 1ormal para a instauração da democracia su"stancial. (Ver *ap. :@, li"eralismo. democracia.) Veremos a seguir as teorias apresentadas como alternati.as N concepção pol>tica e econ)mica do l0m disso, a d>.ida e2terna trans1orma os pa>ses do 8erceiro &undo em eternos de.edores dos "ancos internacionais Jue

E)ER%*%IOS :. Faça o 1ichamento da segunda parte, le.antando as d4.idas. <. ,2pliJue Jual 0 a no.idade da pol>tica moderna Juanto: a) N noção de ,stado7 ") N relação pol>tica/moral/religião. @. ,2pliJue Juais são as semelhanças e di1erenças entre 5o""es, Loc\e e !ousseau Juanto: a) N origem do- poder7 ") N noção de so"erania. D. Le.ante as principais caracter>sticas do li"eralismo. ?. Sual 0 o conte2to hist3rico e ideol3gico em Jue surge o li"eralismo democr'tico do s0culo e-eR E. ,m Jue situaçLes o capitalismo necessitou da inter.enção estatal e em Jue medida isto constitui uma contradição ao ideal li"eralR B. partir do te2to de leitura complementar KFragmentosK, de Loc\e, resol.a as seguintes JuestLes: a) ,2pliJue o primeiro 1ragmento usando os conceitos de estado de nature6a( &acto e consenti%ento. ") Sual 0 a no.idade do pensamento de Loc\e em relação N pol>tica a"solutistaR ,2pliJue tam"0m como at0 hoHe nele se encontra um dos pilares do pensamento li"eral. c) Suando Loc\e diz &o#o( não se re1ere a todos os cidadãos. segundo 1ragmento de Loc\e. C. Leia o te2to complementar KIs trGs poderesK, de &ontesJuieu, e responda: a) I Jue &ontesJuieu Juer dizer com Hé preciso Jue o poder 1reie o poderKR ") I Jue acontece com a democracia Juando o poder ,2ecuti.o se torna mais 1orte do Jue os outros doisR c) Ma hist3ria do #rasil H' aconteceu, por di.ersas .ezes, a so"reposição do ,2ecuti.o aos outros poderes. +G e2emplos. ;. Leia o te2to complementar de %tuart &ill (te2to @) e e2pliJue em Jue aspecto o seu pensamento ultrapassa os limites do li"eralismo do s0culo eV---. L,-8P! *I&PL,&,M8 ! "9ragmento+% %endo os homens, con1orme acima dissemos, por natureza, todos li.res, iguais e independentes, ningu0m pode ser e2pulso de sua propriedade e su"metido ao poder pol>tico de outrem sem dar consentimento. maneira 4nica em .irtude da Jual uma pessoa JualJuer renuncia ' li"erdade natural e se re.este dos laços da sociedade ci.il consiste em concordar com outras pessoas em Huntar-se e unir-se em comunidade para .i.erem em segurança, con1orto e paz umas com as outras, gozando garantidamente das propriedades Jue ti.erem e des1rutando de maior proteção contra Juem Juer Jue não 1aça parte dela. SualJuer n4mero de homens pode 1azG-lo, porJue não preHudica a li"erdade dos demais7 1icam como esta.am na li"erdade do estado de natureza. Suando JualJuer n4mero de homens consentiu desse modo em constituir uma comunidade ou go.erno, 1icam, Juem especi1icamente est' se re1erindoR d) !eleia o te2to complementar de !ousseau no *ap>tulo :@ e e2pliJue em Jue sentido ele se distingue do

de 1ato, a ela incorporados e 1ormam um corpo pol>tico no Jual a maioria tem o direito de agir e resol.er por todos. (m...) o poder legislati.o não pode trans1erir o poder de ela"orar leis a outras mãos JuaisJuer7 porJuanto, sendo tão-s3 poder delegado pelo po.o, os Jue o tGm não podem trans1eri-lo a terceiros. %omente o po.o pode indicar a 1orma da comunidade, a Jual consiste em constituir o legislati.o e indicar em Jue mãos de.e estar. , Juando o po.o disser, suHeitar-nos-emos a regras e seremos go.ernados por leis 1eitas por estes homens, e, dessa 1orma, ningu0m mais poder' dizer Jue outros homens lhes 1açam leis7 nem pode o po.o 1icar o"rigado por JuaisJuer leis senão as Jue 1orem promulgadas pelos Jue escolheu e autorizou a 1azG-las. %endo o poder do legislati.o deri.ado do po.o por concessão ou instituição positi.a e .olunt'ria, o Jual importa somente em 1azer leis e não em 1azer legisladores, o legislati.o não ter' o poder de trans1erir a pr3pria autoridade de 1azer leis, colocando-a em outras mãos. I moti.o Jue le.a os homens a entrarem em sociedade 0 a preser.ação da propriedade7 e o o"Heti.o para o Jual escolhem e autorizam um poder legislati.o 0 tornar poss>.el a e2istGncia de leis e regras esta"elecidas como guarda e proteção Ns propriedades de todos os mem"ros da sociedade, a 1im de limitar o poder e moderar o dom>nio de cada parte e de cada mem"ro da comunidade7 pois não se poder' nunca supor seHa .ontade da sociedade Jue o legislati.o possua o poder de destruir o Jue todos intentam assegurar-se entrando em sociedade e para o Jue o po.o se su"meteu a legisladores por ele mesmo criados. LI*[,, /ohn. 1egundo tratado sobre o go#erno( *ol. Is pensadores. %ão Paulo, ;E e :<B. M/s tr>s &oderesL 5', em cada ,stado, trGs esp0cies de poderes: o poder legislati.o, o poder e2ecuti.o das coisas Jue dependem do direito das gentes, e o e2ecuti.o das Jue dependem do direito ci.il. Pelo primeiro, o pr>ncipe ou magistrado 1az leis por certo tempo ou para sempre e corrige ou a"-roga as Jue estão 1eitas. Pelo segundo, 1az a paz ou a guerra, en.ia ou rece"e em"ai2adas, esta"elece a segurança, pre.ine as in.asLes. Pelo terceiro, pune os crimes ou Hulga as Juerelas dos indi.>duos. *hamaremos este 4ltimo o poder de Hulgar e, o outro, simplesmente o poder e2ecuti.o do ,stado. li"erdade pol>tica, num cidadão, 0 esta tranJ_ilidade de esp>rito Jue pro.0m da opinião Jue cada um possui de sua segurança7 e, para Jue se tenha esta li"erdade, cumpre Jue o go.erno seHa de tal modo, Jue um cidadão não possa temer outro cidadão. Suando na mesma pessoa ou no mesmo corpo de magistratura o poder legislati.o est' reunido ao poder e2ecuti.o, não e2iste li"erdade, pois pode-se temer Jue o mesmo monarca ou o mesmo senado apenas esta"eleçam leis tir^nicas para e2ecut'-las tiranicamente. &ão ha.er' tam"0m li"erdade se o poder de Hulgar não esti.er separado do poder legislati.o e do e2ecuti.o. %e esti.esse ligado ao poder legislati.o, o poder so"re a .ida e a li"erdade dos cidadãos seria ar"itr'rio, pois o Huiz seria legislador. %e esti.esse ligado ao poder e2ecuti.o, o Huiz poderia ter a 1orça de um opressor. "ril *ultural, :;B@. p. BB,

8udo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos principais, ou dos no"res, ou do po.o, e2ercesse esses trGs poderes: o de 1azer leis, o de e2ecutar as resoluçLes p4"licas e o de Hulgar os crimes ou as di.ergGncias dos indi.>duos. &IM8,%SP-,P. $o es&*rito das leis. *ol. Is pensadores. %ão Paulo, :?B. "ril *ultural, :;B@. p. :?E-

:o$erno re2re+entati$o (...) o 4nico go.erno Jue pode satis1azer plenamente todas as e2igGncias do ,stado social 0 aJuele no Jual todo o po.o participa7 Jue toda a participação, mesmo na menor das 1unçLes p4"licas, 0 4til7 Jue a participação de.er' ser, em toda parte, tão ampla Juanto o permitir o grau geral de desen.ol.imento da comunidade7 e Jue não se pode, em 4ltima inst^ncia, aspirar por nada menor do Jue a admissão de todos a uma parte do poder so"erano do ,stado. &as como, nas comunidades Jue e2cedem as proporçLes de um peJueno .ilareHo, 0 imposs>.el a participação pessoal de todos, a não ser numa parcela muito peJuena dos neg3cios p4"licos, o tipo ideal de um go.erno per1eito s3 pode ser o representati.o. %8P !8 &-LL, /ohn. -n ],FFI!8, Francisco *. (org.). /s clássicos da &ol*tica. 1ão Paulo.Atica( :;C;. .. <. p. <<@.

8,!*,-! P !8, 9 I socialismo
5ou.e 0poca, no auge da Kguerra 1riaK, em Jue o mundo se acha.a di.idido entre Kas 1orças do #em e do &alK. Psamos tal e2pressão Hustamente para en1atizar o aspecto caricatural dessa oposição carregada de preconceitos e intransigGncias. s duas potGncias econ)micas e militares dos ,P e P!%% disputa.am a hegemonia, 1azendo tremer as pessoas diante da ameaça da guerra nuclear. Mos pa>ses capitalistas, a propaganda anticomunista era emocional, entremeada por lances ingGnuos Juando se delinea.a o per1il do Krusso comedor de criancinhas e destruidor da 1am>liaK. Mo entanto, a realidade mais triste consistia na Kcaça Ns "ru2asK Jue le.a.a para a cadeia, desemprego e condenação p4"lica os suspeitos de aderirem Ns KestranhasK id0ias. Foi assim Jue aconteceu nos ,P , na d0cada de ?A, durante o macarthismo (mo.imento comandado pelo senador &c*arthZ) e nas ditaduras da d0cada de EA (#rasil, *hile, acusados. A uto&ia da igualdade m0rica Latina a partir da rgentina, Pruguai), onde as perseguiçLes não raro culmina.am com a morte dos

Ma hist3ria da humanidade h' in4meros e2emplos de utopias. etimologicamente, uto&ia signi1ica Ko Jue não e2iste em lugar nenhumK, ou seHa, o ideal de uma sociedade per1eita. tipo. Mo s0culo e-e, as teorias socialistas 1azem a cr>tica ao modelo "urguGs, 1rente Ns di1iculdades reais en1rentadas pelos tra"alhadores. ,m"ora seHam teorias muito di1erentes, de maneira geral indicam a necessidade de limitação da propriedade pri.ada e a inter.enção do poder p4"lico a 1im de garantir a igualdade social. %ão 1eitas cr>ticas tam"0m ao indi.idualismo "urguGs, e2altando-se a solidariedade, cooperação e responsa"ilidade social. 8e3ricos como %aint-%imon, Fourier, Proudhon, IFen rece"em a denominação de socialistas ut'&icos( em contraposição ao socialis%o cient*fico de &ar2 e ,ngels. ,stes reconhecem a import^ncia dos primeiros te3ricos, mas entendem Jue se trata de uma concepção paternalista Jue desconsidera a capacidade de ação pol>tica da pr3pria classe tra"alhadora. / %ar@is%o KPm 1antasma ronda a ,uropa 9 o 1antasma do comunismoK. a assim Jue &ar2 e ,ngels começam o )anifesto co%unista. Foi lançado em :CDC, ano contur"ado de.ido Ns lutas entre as 1orças conser.adoras da no"reza e clero contra a "urguesia Jue deseHa.a se manter no poder, Juando mo.imentos li"erais e nacionalistas se traduziam em re.oluçLes iniciadas na França e e2pandidas para outras regiLes da ,uropa. I )anifesto é um di.isor de 'guas, indicando Jue o proletariado procura a e2pressão de sua pr3pria ideologia, oposta ao pensamento li"eral. )aterialis%o hist'rico e dialético %egundo &ar2, ao e2aminarmos a maneira pela Jual os homens produzem os "ens necess'rios N .ida, 0 poss>.el compreender as 1ormas do seu pensamento, tais como o direito, a moral, a literatura, a 1iloso1ia, a ciGncia, a religião e assim por diante. Por e2emplo, a e2altação da coragem tem sentido na moral medie.al, pois ela re1lete os .alores da sociedade centrada nos interesses da no"reza guerreira, propriet'ria dos 1eudos. *hamamos a essa 1orma de compreensão da realidade de %aterialis%o. A teoria mar2ista 0 materialista porJue, ao e2plicar as mani1estaçLes espirituais humanas, as considera deri.adas da estrutura material da sociedade (ou seHa, da estrutura econ)mica), di1erentemente dos idealistas para Juem Kas id0ias mo.em o mundoK. &as o materialismo mar2ista 0 dialético( pois o mundo 0 conce"ido como processo, e o real 0 contradit3rio e din^mico. Messe sentido, a consciGncia do homem, mesmo sendo determinada pela mat0ria e estando historicamente situada, não 0 pura passi.idade: a consciGncia determinada pode reagir so"re as causas Jue atuam so"re ela. Portanto, o mar2ismo não consiste apenas em uma an'lise te3rica, mas tam"0m se con1igura como uma &rática &ol*tica re#olucionária Jue pretende destruir o capitalismo e instaurar a no.a ordem socialista. %ão pala.ras de &ar2: KIs 1il3so1os sempre se preocuparam em interpretar a realidade, 0 preciso agora trans1orm'hist3ria est' cheia de sonhos desse

laK. Por isso a doutrina mar2ista 0 chamada de filosofia da &rá@is( entendida como a união dial0tica da teoria e da pr'tica. A luta de classes ,m"ora o pr3prio &ar2 reconhecesse Jue, nas di.ersas 0pocas hist3ricas, sempre e2istiram m4ltiplas categorias sociais, não lhe resta d4.ida de Jue no s0culo e-e se presencia de 1orma marcante a polarização de duas classes antag)nicas e hostis: a burguesia e o &roletariado. I capitalista 0 propriet'rio dos "ens de produção, enJuanto o oper'rio s3 possui sua 1orça de tra"alho, .endida em troca de sal'rio em dinheiro. %egundo &ar2, o sal'rio pago ao tra"alhador na .erdade esconde a %ais-#alia( Jue 0 o .alor criado pelo oper'rio al0m do .alor de sua 1orça de tra"alho, e Jue 0 apropriado pelo capitalista. Iu seHa, o capitalista contrata o oper'rio para tra"alhar durante um certo per>odo de horas para alcançar uma determinada produção, mas, por di.ersos moti.os, como racionalização da produção, ou aper1eiçoamento de maJuin'rio, o oper'rio aca"a produzindo muito mais do Jue 1oi calculado inicialmente. ,sse .alor superior criado não "ene1icia o oper'rio, mas s3 Juem o contrata. a assim Jue o capital se reproduz sem cessar, enJuanto o tra"alhador en1renta situaçLes cada .ez mais di1>ceis. .enda da 1orça de tra"alho aliena o oper'rio de sua capacidade criati.a de produção e o aliena em relação ao produto do seu tra"alho. I controle do processo de produção permanece nas mãos do capitalista e o tra"alhador se desumaniza ao permanecer na dependGncia daJueles Jue possuem os meios de produção. (Ver *ap. <, t0cnica.) &as, geralmente, de.ido N ideologia (.er *ap. D, I senso comum), o oper'rio não perce"e a pr3pria alienação e, portanto, não reconhece a e2ploração de Jue 0 .>tima. Ma teoria mar2ista 0 importante o processo de for%ação da consci>ncia de classe( por meio da Jual o tra"alhador desco"re Jue seus interesses são di.ergentes daJueles da classe dominante. Por isso são .alorizadas as e2periGncias e1eti.as de rei.indicação dos tra"alhadores, por meio de organizaçLes representati.as como os sindicatos e partidos pol>ticos. $ramsci, te3rico do mar2ismo, en1atiza a necessidade da 1ormação do intelectual org5nico( ou seHa, o intelectual ligado a sua classe e capaz de ela"orar coerente e criticamente a e2periGncia prolet'ria. ,u%o ao socialis%o Para o mar2ismo, a classe oper'ria re.olucion'ria seria capaz de destruir o ,stado "urguGs, e o socialismo consistiria na s>ntese decorrente da superação da contradição entre capitalismo e proletariado. I socialis%o consiste em uma sociedade &'s-%ercantil (Jue reHeita o capital e o mercado) constru>da a partir da su&ressão da &ro&riedade &ri#ada dos bens de &rodução (Jue se tornam coleti.os). I 1im 4ltimo do socialismo 0 atingir o co%unis%o( 1ase em Jue a sociedade sem classes não precisa mais do ,stado, e este, portanto, tenderia a desaparecer. &as, antes de isso acontecer, h' a 1ase de transição em Jue 0 necess'ria a e2istGncia de um ,stado 1orte e centralizador, capaz de plani1icar a economia. ,nJuanto a "urguesia não ti.er sido liJuidada no mundo inteiro, a classe oper'ria pode se 1ortalecer por meio da ditadura do &roletariado.

&ais adiante .eremos as di.ersas cr>ticas 1eitas a &ar2 ainda no seu tempo, "em como 1aremos re1erGncia Ns re.oluçLes Jue implantaram o socialismo. / anarquis%o l0m do socialismo ut3pico e do mar2ismo, tam"0m o anarJuismo, no s0culo e-e, se apresenta como mo.imento Jue .isa superar o modo de produção capitalista. Proudhon, um dos socialistas ut3picos, desen.ol.eu id0ias anarJuistas, retomadas pelos russos #a-\unin e [ropot\in. Ma linguagem comum, as pessoas costumam identi1icar anarJuismo com caos, desordem, mas, na .erdade, o princ>pio do anarJuismo est' na recusa de JualJuer autoridade, so"retudo a do ,stado. s organizaçLes anarJuistas são não-coerciti.as e 1undadas na cooperação .olunt'ria e na autodisciplina. Para Jue a autogestão se torne poss>.el, 0 estimulada a 1orma direta de relação, ou seHa, o contato Kcara a caraK. s decisLes começam a ser tomadas desde os n>.eis simples da .ida social (local de tra"alho, "airros) para s3 então ascender a inst^ncias mais amplas. Proudhon e #a\unin são contempor^neos de &ar2 e com ele partilham os ideais igualit'rios. &as ta%bé% criticam se.eramente o car'ter autorit'rio da doutrina mar2ista, so"retudo no Jue se re1ere N ditadura do proletariado, pois sempre descon1iaram de Jue o poder centralizado tende a se perpetuar. A social-de%ocracia ,nJuanto o anarJuismo e o mar2ismo deseHam atingir o socialismo pelos meios radicais da re.olução, a social-democracia considera poss>.el atingir o mesmo 1im respeitando o Hogo democr'tico e as instituiçLes. /s sociais-democratas tam"0m não se identi1icam com as tendGncias do re1ormismo "urguGs cuHas modi1icaçLes não chegam a negar o capitalismo, como, por e2emplo, o Nelfare state( isto 0, o estado de "em-estar social. s e2periGncias da social-democracia tGm ocorrido onde um partido 1orte se encontra em estreita relação com os sindicatos, esta"elecendo-se a cola"oração permanente entre ,stado, empresas e classe tra"alhadora. Is pa>ses Jue conseguiram a.anços nesse sentido 1oram os da ,scandin'.ia, a lemanha, a Wustria, a #0lgica, so"retudo a partir do per>odo de recessão ap3s a Jue"ra da #olsa de Mo.a -orJue, Para o ,stado poder arcar com os "ene1>cios sociais, 0 desen.ol.ido um sistema de tri"utação de rendas de maneira Jue os mais ricos paguem mais imposto. !ecentemente a social-democracia tem so1rido cr>ticas de.ido N ele.ada carga 1iscal, muitas .ezes desestimulante, o Jue tem trazido impasse N economia. o ,stado so"recarregado de 1unçLes não consegue conter o aumento do aparelho "urocr'tico. +o ponto de .ista ideol3gico, a social-democracia so1re acusaçLes tanto dos li"erais (Jue a consideram paternalista, com o risco de tornar o ,stado muito 1orte), como tam"0m dos socialistas (Jue a acusam de .i.er "em demais com o capitalismo, sem conseguir super'-lo). / socialis%o real ,m :;:B, a !e.olução !ussa deu origem N P!%%, a primeira rep4"lica socialista. p3s a %egunda $uerra, .'rios pa>ses da ,uropa centro-oriental passaram a 1azer parte do "loco da chamada K*ortina de FerroK, seguidos pela *hina, *u"a e pa>ses a1ricanos. &as, a partir dos anos CA, não 1oi mais poss>.el esconder as di1iculdades por Jue passa.a o colosso so.i0tico, como .eremos adiante. Antecedentes da crise l0m disso,

p3s a re.olução de :;:B, 1oram in4meras as di1iculdades en1rentadas para a superação da economia semi1eudal russa, al0m de pro"lemas decorrentes do isolamento da P!%% em relação aos outros pa>ses do glo"o, Jue lhe era% 1rancamente hostis. 5a.ia tam"0m o risco dos mo.imentos internos de contra-re.olução. pesar disso, nos anos DA a P!%% tinha se tornado grande potGncia mundial e o anal1a"etismo 1ora totalmente erradicado. plani1icação econ)mica rigidamente centralizada deu Gn1ase N ind4stria pesada, enJuanto nos setores de agricultura e produção dos "ens de consumo 1oram en1rentadas di1iculdades maiores. Para implantar as re1ormas, %t'lin monopolizou o poder, criando um ,stado totalit'rio com ausGncia de oposição. o se tornar doutrina o1icial, o mar2ismo-leninismo ortodo2o Husti1ica inde.idamente a impiedosa caça aos dissidentes, instaurando a era do terror com mortes, con1inamento em campos de concentração, tra"alhos 1orçados, pol>cia pol>tica. +epois da morte de %t'lin, [ruche. inicia o processo de KdesestalinizaçãoK, criticando os des.ios do seu antecessor. Mo per>odo da gestão de #reHne. (de :;ED a :;C<), o desen.ol.imento da economia militar e espacial suga enormes recursos, em descompasso com a insu1iciente produção de "ens de consumo. diminuição do crescimento le.a a um per>odo de estagnação em Jue não 0 poss>.el e.itar a Jueda da Jualidade de .ida. I ,stado-Partido centraliza e2cessi.amente o poder, e a camada pri.ilegiada de "urocratas com capacidade de decisão pol>tica não consegue e.itar a corrupção. A crise do :este euro&eu o chegar ao poder em :;C?, $or"ache. d' in>cio a uma s0rie de medidas saneadoras. elementos de regulação de mercado. &erestroiOa( Jue signi1ica Kreestruturação da economiaK, .isa Jue"rar a rigidez do planeHamento estatal com a introdução de glasnost( Jue signi1ica Ka"erturaK, KtransparGnciaK, re1ere-se Ns re1ormas nas instituiçLes pol>ticas, .isando a reno.ação dos Juadros da .elha e autorit'ria elite "urocr'tica dirigente, tendo como conseJ_Gncia a li"eração de presos pol>ticos, a garantia da imprensa li.re e da li"erdade indi.idual. KordemK mantida pela 1orça se desintegra e os pa>ses-sat0lites (8checoslo.'Juia, 5ungria, Pol)nia, #ulg'ria, !omGnia, lemanha Iriental) proclamam um a um sua independGncia. Posteriormente, a pr3pria P!%% se desintegra, incapaz de manter unidas as !ep4"licas constitu>das por di1erentes etnias.

A #enda de &edaços do %uro de "erli% co%o sou#enir &ode si%boli6ar o &rocesso de deco%&osição acelerada do cha%ado socialis%o real e a entrada dos &a*ses do :este euro&eu no %undo e% que tudo é transfor%ado e% %ercadoria. / socialis%o está %orto7 Mo momento em Jue escre.emos estas pala.ras, muitas são as especulaçLes em torno do destino dos pa>ses socialistas. Para os li"erais, Ko comunismo não deu certoK e o retorno para a economia de mercado signi1icaria o reconhecimento da superioridade do capitalismo. Para os socialistas, no entanto, K.oltar ao capitalismoK 0 um retrocesso Jue 1aria reacender as contradiçLes Jue in.ia"ilizam a .erdadeira democracia social. esse respeito, o pensador italiano #o""io H' pondera.a, "em antes desse desmoronamento, Jue, se o 8al.ez o melhor seHa entender o conceito de crise não como morte ou 1im, mas como processo de trans1ormação em direção a uma outra realidade social a ser constru*da. , "em sa"emos, desde &aJuia.el, Jue a pol>tica não se guia por modelos r>gidos, mas se in.enta a cada passo, con1rontando a teoria com a pr'tica. I pr3prio &ar2 sa"ia disso, H' Jue o car'ter dial0tico da sua concepção de mundo reHeita os dogmatismos das doutrinas prontas. Ma .erdade, a presente crise deri.a dos des.ios do mar2ismo, denunciados h' muito tempo por te3ricos dissidentes, muitos deles perseguidos e mortos, como 8r3ts\i, opositor de %t'lin7 !osa Lu2em"urgo, cr*tica do Partido 4nico7 $ramsci, Jue recusara o dogmatismo do mar2ismo o1icial. Posteriormente, intelectuais como %artre criticaram as in.asLes so.i0ticas nos pa>ses do Leste europeu. 8e3ricos os mais di.ersos, como os 1il3so1os da ,scola de Fran\1urt ou os pol>ticos adeptos do euroco%unis%o( "uscaram outros caminhos para o socialismo Jue não passassem necessariamente pela .iolGncia e Jue pudessem melhor atender a realidade atual. 1inal, &ar2 .i.eu no s0culo e-e, Juando as contradiçLes entre capital e tra"alho eram n>tidas e cru0is. 5oHe, socialismo criou o estado de não-li"erdade, em contrapartida o capitalismo 0 o estado da não-Hustiça.

com as conJuistas sociais resultantes do estado do "em-estar e com a ampliação do setor de ser.iços, criando m4ltiplas 1ormas de tra"alho, certamente os caminhos a serem trilhados de.em ser outros. Juelas pessoas Jue hoHe deseHam "uscar no.as .ias Jue superem o simplismo das soluçLes maniJue>stas tGm como norte o ideal permanente de uma sociedade onde e2ista li"erdade pol>tica e indi.idual, mas Jue tam"0m seHa igualit'ria. , igualdade não signi1ica necessariamente ausGncia de desn>.eis e assimetria 9 pois as pessoas são sempre di1erentes 9 mas sim a ausGncia de e2ploração de uns so"re outros.
E)ER%*%IOS

:. Faça o 1ichamento da terceira parte, le.antando as d4.idas. <. K8odas as relaçLes entre a sociedade e o ,stado, todos os sistemas religiosos e Hur>dicos, todos os pontos de .ista te3ricos Jue surgem na hist3ria, apenas podem ser compreendidos se as condiç4es materiais da #ida da 0poca 1orem compreendidas e se as primeiras 1orem deduzidas dessas condiçLes materiais.K (,ngels.) ,2pliJue por Jue esta 0 uma concepção materialista. @. Suais são as principais semelhanças e di1erenças entre socialismo, anarJuismo e social-democraciaR D. 8endo em .ista a oposição li"eralismo-socialismo, #o""io considera Jue, se por um lado o socialismo real criou o estado de não-li"erdade, em contrapartida o capitalismo 0 o estado da não-Hustiça. ,2pliJue o signi1icado desse coment'rio. ?. Leia o te2to complementar K&aterialismo dial0ticoK, de ,ngels, e responda: a) %egundo o mar2ismo, os acontecimentos hist3ricos s3 aparentemente são dominados pelo acaso. Suais são as causas dessas trans1ormaçLesR ") Suais são as contradiçLes ocorridas entre no"reza e "urguesia e entre "urguesia e proletariadoR c) p3s a leitura desse te2to, como poder>amos a.aliar a e2pressão corrente de Jue Ko ,stado ser.e aos interesses da comunidade como um todoKR PESFUISA !ecolha in1ormaçLes a respeito dos acontecimentos do Leste europeu a partir da Jueda do muro de #erlim e 1aça uma redação com o seguinte tema: K crise do mar2ismo na Pnião %o.i0ticaK. L,-8P! *I&PL,&,M8 ! )aterialis%o dialéticoK (...) a hist3ria do desen.ol.imento da sociedade re.ela-se num determinado ponto essencialmente di1erente da hist3ria da natureza. Ma natureza 9 desde Jue dei2amos de lado a ação e2ercida pelos homens so"re ela 9 são unicamente 1atores inconscientes e cegos Jue agem uns so"re os outros e 0 atra.0s da sua ação rec>proca Jue se mani1esta a lei geral. (...) Pelo contr'rio, na hist3ria da sociedade os agentes são unicamente os homens, dotados de consciGncia, agindo com re1le2ão ou pai2ão ou prosseguindo o"Heti.os determinados 9 nada a> se e1etuando sem uma intenção consciente, sem um 1im escolhido. &as esta di1erença, seHa Jual 1or a sua import^ncia para a in.estigação hist3rica (so"retudo de 0pocas e 1atos tomados isoladamente), não pode

impedir Jue, de 1ato, o curso da hist3ria esteHa suHeito ao imp0rio de leis gerais, internas N hist3ria. PorJue, tam"0m aJui, apesar dos 1ins conscientemente prosseguidos por todos os indi.>duos, 0 o acaso Jue, de modo geral, aparentemente reina N super1>cie. %3 raramente se realiza o 1im deseHado. (...) *ontudo, onde Juer Jue, N super1>cie, o acaso pareça imperar, ele est' constantemente su"metido ao Hugo de leis Jue lhe são interiores e permanecem ocultas: tudo o Jue h' a 1azer, portanto, 0 desco"ri-las. (...) *om e1eito, ao passo Jue em todas as 0pocas anteriores a desco"erta das causas motoras da hist3ria era Juase imposs>.el 9 de.ido ao emaranhado con1uso em Jue as relaçLes e os seus e1eitos se encontra.am e Jue os dissimula.am 9, a nossa 0poca simpli1icou de tal modo estes encadeamentos Jue o mist0rio pode ser resol.ido. +esde o triun1o da grande ind4stria, ou seHa, pelo menos desde os tratados de paz de :C:?, H' não constitu>a segredo para ningu0m em -nglaterra Jue toda a luta pol>tica local de então gira.a em torno das pretensLes de duas classes ao poder: a aristocracia 1undi'ria -landed aristocracB? e a "urguesia -%iddie class?. ,m França, 1oi com o regresso dos #our"ons Jue se tomou consciGncia do mesmo 1ato. (...) Por outro lado, desde :C@A a classe oper'ria, o proletariado, 1oi reconhecida como uma terceira 1orça com"atendo, nestes dois pa>ses, pelo poder. situação tinha-se simpli1icado de tal modo Jue seria preciso 1echar propositadamente os olhos para não .er na luta destas trGs classes e, no con1lito dos seus interesses, a 1orça motora da hist3ria moderna, pelo menos nos dois pa>ses mais a.ançados. &as como se tinham 1ormado estas classesR %e, N primeira .ista, ainda se podia atri"uir N grande propriedade 1undi'ria, outrora 1eudal, uma origem de.ida, pelo menos em princ>pio, a causas pol>ticas, N usurpação pela .iolGncia, uma e2plicação deste gGnero H' não era poss>.el para a "urguesia e o proletariado. Meste caso a origem e o desen.ol.imento destas duas grandes classes aparece, de um modo claro e tang>.el, como pro.indo de causas puramente econ)micas. (...) "urguesia e o proletariado tinham-se am"os 1ormado em conseJ_Gncia de uma trans1ormação das condiçLes econ)micas ou, mais precisamente, ,ste te2to 1oi e2tra>do de uma edição de Portugal, por isso 1oram 1eitas peJuenas adaptaçLes ao portuguGs do #rasil, do modo de produção. Ma "ase do desen.ol.imento destas duas classes est' a passagem, em primeiro lugar, do artesanato corporati.o N manu1atura e da manu1atura N grande ind4stria utilizadora de m'Juinas e acionada a .apor. (...) ,st' portanto pro.ado Jue, pelo menos na hist3ria moderna, todas as lutas pol>ticas são lutas de classes e Jue todas as lutas Jue no seu termo emancipam classes, apesar da sua 1orma necessariamente pol>tica 9 porJue JualJuer luta de classes 0 uma luta pol>tica 9, giram, em 4ltima an'lise, em torno de uma emancipação econ=%ica. Portanto, pelo menos neste per>odo, o ,stado, o regime pol>tico, constitui o elemento secund'rio, e a sociedade ci.il, o dom>nio das relaçLes econ)micas, o elemento decisi.o. sociedade ci.il o elemento determinado pelo primeiro. .elha concepção tradicional, N Jual o pr3prio 5egel tam"0m se su"mete, considera.a o ,stado o elemento determinante e a ssim o 0 aparentemente. (...) Ma hist3ria moderna, a .ontade do ,stado 0, no conHunto, determinada pelas necessidades em mutação da sociedade, pela supremacia de uma classe ou outra, em 4ltima an'lise, pelo desen.ol.imento das 1orças produti.as e das relaçLes de troca. (...) I ,stado não 0 no 1undo mais do Jue o re1le2o, so" uma 1orma condensada, das necessidades econ)micas da classe reinante so"re a produção.

,&$,L%, Friedrich. KLudFig Feuer"ach e o 1im da 1iloso1ia cl'ssica alemãK. -n & !e-,M$,L%. Antologia filos'fica. Lis"oa, ,stampa, :;B:. p- :D: a :DC.

Te%as afins: a #iol>ncia P!-&,-! P !8, 9 .iolGncia
9uando assisti%os a algu% &rogra%a de tele#isão sobre #iol>ncia( é ine#itá#el que a refer>ncia &rinci&al se2a a roubos a %ão ar%ada( assassinatos e estu&ros( enfi%( aos atos dos indi#*duos isolados que a%edronta% as fa%*lias nas grandes cidades. Geral%ente aqueles &rogra%as ter%ina% co% a rei#indicação de %aior &roteção &or &arte da 1egurança PQblica. 1e% desconsiderar o fato do au%ento real desse ti&o de cri%inalidade( é &reciso abordar o fen=%eno da #iol>ncia a &artir de u%a #isão %ais abrangente( &ois ne% se%&re as &iores for%as de #iol>ncia Hsalta% aos olhosH. / que é #iol>ncia7 Jueles Jue são o"Heto de .iolGncia trans1ormam-se em #*ti%as( pois são preHudicados de alguma 1orma pelo uso da 1orça ou pri.ados de algum "em, seHa ele a .ida, a integridade do corpo ou do esp>rito, a dignidade, a li"erdade de mo.imento ou os "ens materiais. Por isso constitui .iolGncia matar, 1erir, prender, rou"ar, humilhar, e2plorar o tra"alho alheio. ,2iste .iolGncia Juando algu0m #oluntaria%ente 1az uso da 1orça para obrigar uma pessoa ou grupo a agir de 1orma contr'ria a sua .ontade, ou Juando os i%&ede de agir de acordo com sua pr3pria intenção. Iu, ainda, Juando &ri#a algu0m de um "em. Ti&os de #iol>ncia Mem sempre 0 1'cil identi1icar a .iolGncia. Por e2emplo, uma cirurgia não constitui .iolGncia, primeiro porJue .isa o "em do paciente, depois porJue 0 1eita com o consentimento do doente. &as certamente ser' .iolGncia se a operação 1or realizada sem necessidade ou se o paciente 1or usado como co"aia de e2perimento cienti1ico sem a de.ida autorização. &as, se o motorista causador de um acidente alegar Jue não 1oi .iolento por não ter causado preHu>zo .oluntariamente, 0 preciso .eri1icar se não hou.e descuido ou omissão da parte dele. 1inal, a #iol>ncia &assi#a ocorre toda .ez Jue dei2amos de 1azer determinadas açLes cuHo cumprimento seria necess'rio para sal.ar .idas ou e.itar so1rimentos. a nesse sentido Jue podemos lastimar os altos >ndices de acidentes de tra"alho apontados no #rasil pela Irganização -nternacional do 8ra"alho (I-8). Iutras .ezes, estamos diante da #iol>ncia indireta. Por e2emplo, se sa"emos Jue o cloro1luorcar"ono (*F*) destr3i a camada de oz)nio da 8erra e com isso pro.oca c^ncer de pele, usar um desodorante s&raB contendo *F* signi1ica agressão não s3 aos contempor^neos, como tam"0m Ns geraçLes 1uturas. 5' situaçLes em Jue não e2iste .iolGncia 1>sica, mas outro tipo de .iolGncia, de natureza psicol3gica. Por e2emplo, não e2iste .iolGncia Juando tentamos superar as contradiçLes e con1litos con.encendo, por meio da persuasão, os Jue pensam de maneira di1erente da nossa. Mo entanto, e2iste .iolGncia Juando, mesmo sem usar o chicote ou a palmat3ria, o pai ou o pro1essor e2igem o comportamento deseHado, doutrinando as crianças,

impondo .alores e do"rando-as para a o"ediGncia cega e aceitação passi.a da autoridade. Messe caso, em"ora não haHa .iolGncia 1>sica, e2iste #iol>ncia si%b'lica( H' Jue a 1orça Jue se e2erce 0 de natureza psicol3gica e atua so"re a consciGncia, e2igindo a adesão irre1letida Jue s3 aparentemente 0 .olunt'ria. Icorre .iolGncia sim"3lica tam"0m nos casos em Jue um candidato a cargo p4"lico distorce in1ormaçLes para conseguir .otos, Juando a imprensa manipula a opinião p4"lica ou ainda Juando o go.erno usa propaganda e slogans para ocultar seus desmandos. ,n1im, constitui .iolGncia sim"3lica toda manipulação ideol3gica Jue o"riga a adesão sem cr>ticas das consciGncias e das .ontades. I manipulador dirige, molda as 1ormas de pensar e agir de maneira Jue o manipulado acredita estar pensando e agindo por li.re .ontade. Portanto, a .iolGncia e2iste, mas não se apresenta como tal. Mem sempre a .iolGncia Ksalta N .istaK, não sendo claramente perce"ida. `s .ezes não 0 poss>.el se conhecer o agente causador, outras .ezes a ação nem 0 pre.ista nos c3digos penais, e portanto a tendGncia 0 não reconhecG-la como .iolGncia propriamente dita. Por e2emplo, a e2istGncia da po"reza parece ser conseJ_Gncia ine.it'.el de uma certa Kordem naturalK Jue comanda as relaçLes entre os homens. 5a.eria, então, pessoas po"res ou pa>ses su"desen.ol.idos de.ido N incompetGncia, ao descuido ou N 1atalidade: K 1inal, sempre 1oi assim...K, 0 o Jue se costuma dizer. Por0m, na raiz desses pro"lemas encontramos a .iolGncia da desigualdade social decorrente da inHusta repartição das tare1as e dos pri.il0gios Jue le.am ao irregular apro.eitamento dos "ens produzidos pela comunidade. Messe sentido, 0 .iolGncia a 1ome cr)nica em amplas regiLes do mundo enJuanto resultado do planeHamento econ)mico Jue .isa, em primeiro lugar, o interesse dos neg3cios. a tam"0m .iolGncia a criança permanecer 1ora da escola, pri.ando-se de educação e do sa"er acumulado pela sociedade em Jue .i.e, porJue precisa tra"alhar, ou por outros moti.os decorrentes dos des1a.orecimentos da classe a Jue pertence. *hamamos de #iol>ncia branca a esse tipo de pri.ação, de.ido ao 1ato de não ser sangrenta -#er%elha?. &as nem por isso pode ser considerada menos cruel. A #iol>ncia &ode ser 2usta7 !esta sa"er se toda e JualJuer .iolGncia 0 conden'.el. Ma hist3ria da humanidade sempre temos not>cia de e2emplos de .iolGncia Jue ser.em N opressão. &as, Ns .ezes, a .iolGncia se torna o 4nico recurso de de1esa e garantia dos .alores humanos. Messe caso, mesmo sendo uma 1orma de constrangimento e destruição, 0 "en01ica por estar a ser.iço da .ida. a o caso da de1esa da pr3pria .ida, da .ida dos Jue amamos, da li"erdade da p'tria, das re.oltas de escra.os, das insurreiçLes dos po.os colonizados. esgotados todos os outros caminhos poss>.eis. Pma .ez desencadeada a .iolGncia leg>tima, 0 preciso Jue ela seHa &ro#is'ria( passageira, desaparecendo assim Jue 1orem cessadas as causas Jue pro.ocaram a primeira .iolGncia contra a Jual se insurgira a .iolGncia leg>tima. ,.identemente não 0 1'cil sa"er Juando a .iolGncia 0 Husta, mesmo porJue nem sempre 0 poss>.el perce"er de imediato Juem 0 opressor e Juem 0 oprimido. A H#iol>ncia leg*ti%aH do 3stado .iolGncia 0 Husta e leg>tima Juando 0 li"ertadora, ou Juando .isa e.itar a morte, desde Jue seHa usada como 4ltimo recurso, H' ten- do sido

/' .imos Jue, a partir da -dade &oderna, o ,stado signi1ica a posse de um territ3rio em Jue o comando so"re seus ha"itantes se 1az a partir da centralização cada .ez maior do poder. Para isso são utilizadas instituiçLes pol>ticas, Hur>dicas, administrati.as, policiais e econ)micas. I ,stado &ode impor leis, 1azG-las cumprir e punir os in1ratores, H' Jue dispLe de aparelho repressi.o constitu>do por tri"unais, pol>cia, prisLes, e20rcito, se tornando, por isso, o 4nico a Juem 0 permitido o uso da #iol>ncia leg*ti%a. *om muita 1reJ_Gncia, a hist3ria nos tem mostrado o a"uso desses poderes7 a"solutismo dos reis na -dade &oderna e,no s0culo ee, autoritarismo na lemanha (5itler) e Pnião %o.i0tica (%t'lin). Mo entanto, ainda Juando o ,stado se con1igura democr'tico, ocorrem 1ormas de .iolGncia Jue, mesmo não sendo claramente perce"idas, nem por isso são menos e1icazes. Por meio da .iolGncia sim"3lica, o ,stado inter1ere em in4meros setores da .ida p4"lica de modo a 1azer reproduzir comportamentos deseH'.eis para a manutenção do poder. b nesse sentido Jue &ar2 considera o ,stado um instrumento a ser.iço da classe dominante. os aparelhos repressi.os do ,stado (tri"unais, prisLes etc.), o 1il3so1o 1rancGs lthusser acrescenta os a&arelhos ideol'gicos de 3stado( tais como escola, 1am>lia, meios de comunicação de massa, instituiçLes de cultura, partidos pol>ticos, a partir dos Juais o ,stado transmite a ideologia e e2erce a .iolGncia sim"3lica. Foucault, outro 1il3so1o 1rancGs, pre1ere e2aminar a Juestão do poder não enJuanto mani1estação do ,stado e de seus aparelhos, mas como uma rede de micropoderes Jue se estende por todo o corpo social. Para Foucault, a ordem na sociedade 0 esta"elecida pelas normas aceitas racionalmente, legitimadas pelo sa"er Jue, a partir dos s0culos eV-- e eV---, cria a sociedade disci&linar( caracterizada pela organização do espaço, controle do tempo e .igil^ncia do olhar, e Jue .isa ao controle dos corpos: a disciplina 1a"rica corpos su"missos e adestrados, corpos Kd3ceisK. Mão 0 por acaso Jue, na re1erida 0poca, surgem os Klocais de .igil^nciaK como a 1'"rica, a caserna, a escola, o hospital, o hosp>cio, a prisão. ,m"ora algumas dessas instituiçLes ti.essem similares em tempos anteriores, em nenhum caso o controle e .igil^ncia aconteceram de 1orma tão e1icaz Juanto a partir da -dade &oderna. Uiol>ncia e &ol*tica .iolGncia tem sido o"Heto de atenção de soci3logos, psic3logos e cientistas pol>ticos deseHosos de compreender a ampliação do 1en)meno nos mais di.ersos campos da ati.idade humana. +esde a d0cada de BA, temos .isto su"ir assustadoramente os >ndices de .iolGncia ur"ana no mundo inteiro. Is tipos de .iolGncia .ariam con1orme o pa>s e, e.identemente, dependem tam"0m do desen.ol.imento econ)mico. &esmo assim, seHa no Primeiro ou no 8erceiro &undo, h' preocupação com o aumento dos casos de seJ_estres, estupros, assaltos a mão armada e at0 rou"o de tGnis Kde marcaK nas portas das escolas. con1rontos .iolentos entre KganguesK ri.ais. Para complicar o Juadro, no in>cio da d0cada de ;A o #rasil en1renta tam"0m o agra.amento da inHusta distri"uição de renda (.er *ap. :<, I Jue 0 pol>tica). Mo pa>s das hierarJuias, do desprezo pelos direitos humanos 1undamentais, não h' como e.itar o desen.ol.imento da Kcultura da .iolGnciaK. ordem institu>da se 1ragiliza diante do poder dos cart0is de narcotr'1ico. *ada .ez mais grupos de Ho.ens "uscam emoçLes nas drogas e nos m0rica Latina e totalitarismo na -t'lia (&ussolini),

I n4mero .ergonhoso de assassinatos de crianças e adolescentes no #rasil indica o desprezo por outra .iolGncia anterior: a do aumento da mis0ria, Jue encaminha os peJuenos ao tra"alho precoce ou a ati.idades marginais. I n4mero enorme de crianças a"andonadas ou carentes (com 1am>lia, mas sem condiçLes para sustent'las) le.a a distorçLes di1>ceis de re.erter. *omo passam a ser in1ratoras, são recolhidas Ns instituiçLes totais (re1ormat3rios), onde, al0m de serem su"metidas a maus-tratos, se aper1eiçoam nas KartesK do crime. Iu, então, grupos clandestinos de KHusticeirosK são contratados para e2terminar os peJuenos K"andidosK. ,ssa Juestão tem sido o"Heto de discussLes at0 no e2terior, e pro.ocou a ela"oração do contro.ertido ,statuto da *riança e do dolescente. Kcultura da .iolGnciaK tam"0m transparece nos atos coleti.os de linchamento em Jue a KHustiça 0 1eita com as pr3prias mãosK, "em como na aceitação passi.a, por uma parte da população, de grupos como o ,sJuadrão da &orte, Jue 1ez in4meras .>timas so"retudo na #ai2ada Fluminense, no !io de /aneiro. a a partir desse clima de .iolGncia Jue a classe m0dia e as camadas populares mais po"res 9 geralmente as mais atingidas pela .iolGncia institucional 9 eJui.ocadamente aplaudem iniciati.as como as de implantação da pena de morte, considerada por alguns como a solução para a diminuição dos >ndices de criminalidade.

prete2to de K1azer Hustiça com as pr3prias mãosK, N re.elia das instituiçLes do +ireito, o ,sJuadrão da &orte se caracteriza pela clandestinidade e pela .iolGncia contra aJueles Jue, por sua .ez, H' são .>timas da

marginalização social e econ)mica. (

charge acima, de Luiz $G, 1oi e2tra>da da o"ra )aca%bQ6ios e

soru%báticosA os anos BB-CA nas charges de Luiz $G. %ão Paulo, 8. . Sueiroz, :;C:. p. E;.) Suando e como .amos interromper o c>rculo .icioso da .iolGnciaR &esmo considerando a .iolGncia um 1en)meno e2istente em todos os tempos e lugares, sendo ilusão imaginar um mundo em Jue ela se e2tinguisse de .ez, não h' como negar Jue estamos .i.endo uma 0poca de e2altação da .iolGncia. #asta .er Jue 1ilmes atraem multidLes ao cinema, ou ser.em tranJ_ilamente de entretenimento para as crianças na %essão da 8arde. &uitos Ho.ens se ocupam com lazeres nada d3ceis como KrachasK de autom3.el, Hogos de guerra (&aint-ball?( Juando não saem depredando o patrim)nio p4"lico, destruindo tele1ones, cai2as de correio, placas de sinalização. Por isso, seria simplismo reduzir a e2plicação do aumento da .iolGncia e do crime como resultado apenas da mis0ria crescente. a .erdade Jue esta 0 tam"0m uma das causas da .iolGncia, por isso con.0m .eri1icar se, na sociedade em Jue .i.emos, todas as pessoas tGm igual chance de educação, sa4de pre.enti.a, ha"itação, alimentação, acesso N /ustiça7 se h' amparo N .elhice, aos doentes e in.'lidos. &as tam"0m é preciso constatar se h' pluralismo (coe2istGncia de opiniLes di.ergentes)7 se h' toler^ncia (não-discriminação dos di1erentes)7 se não h' censura e se as in1ormaçLes circulam li.remente7 ou se a produção e o consumo da cultura não constituem pri.il0gio de poucos. &as tam"0m con.0m sa"er se os homens não perderam o deseHo de sonhar e não se encontram em"rutecidos por tra"alhos desinteressantes ou por relaçLes super1iciais. dias melhores. .iolGncia tender' a diminuir nas sociedades .erdadeiramente democr'ticas. Por isso, o com"ate N .iolGncia passa primeiro pela necessidade de implantação da democracia. , ainda mais7 a .iolGncia se e2pande onde não e2iste cidadania. Por cidadãos entendemos homens participantes da pol>tica, independentemente da posição social Jue ocupam. Pma sociedade de cidadãos não admite o pre.alecimento de relaçLes hierarJuizadas separando os homens em Kin1erioresK e KsuperioresK, o Jue permite o dom>nio de uns so"re outros. $uerra e paz A guerra Is con1litos e2istentes entre as naçLes podem ser resol.idos por meio da di&lo%acia( Juando os representantes, como em"ai2adores e c)nsules, esta"elecem con.ersaçLes a 1im de chegar a acordos .antaHosos para am"as as partes. Suando a diplomacia se torna insu1iciente, a guerra surge como instrumento pol>tico e2tremo, H' Jue o con1lito não mais se resol.e pela persuasão, nem pela aceitação das di1erenças, %as pelo recurso N 1orça militar. guerra .isa, então, ou a destruição do ad.ers'rio, ou a ane2ação dos seus territ3rios, ou a suHeição de sua pol>tica interna aos interesses do agressor. Por0m não podemos concluir apressadamente Jue toda guerra 0 inHusta e2clusi.amente por 1azer uso da .iolGncia. .iolGncia tende a progredir em sociedades cuHos homens permanecem pouco criati.os, Jue perderam o sentido da e2istGncia e a esperança em

guerra Husta por e2celGncia seria a guerra de de1esa ou mesmo a de reparação de uma o1ensa, e inHusta a guerra de agressão. Iutra 0 a guerra como instauração de um direito no.o contra o .elho tornado inHusto, isto 0, como ato criati.o de direito. (...)7 então, guerra Husta por e2celGncia seria a guerra re.olucion'ria ou de li"ertação nacional, e inHusta a guerra imperialista. (#o""io.) Pacifis%o Suando se 1ala em guerra, 0 ine.it'.el analisar seu contraponto, ou seHa, o estado de paz. ssim como a guerra, tam"0m e2iste paz inHusta. , esta ocorre Juando o .encido 0 humilhado, o"rigado a aceitar condiçLes "aseadas em sentimentos de .ingança e retaliação por parte do .encedor. a "em .erdade, não 0 1'cil dizer Juando a guerra ou a paz são Hustas ou inHustas em uma situação concreta, de.ido N 1alta de Huiz imparcial capaz de analisar os interesses das partes em con1ronto. guerra no s0culo ee atingiu n>.eis tão desen.ol.idos de tecnologia Jue os riscos do con1ronto com armas nucleares tGm colocado em perigo o destino do glo"o. +a> o aumento dos mo.imentos e da 1ormação de organizaçLes paci1istas para pressionar os go.ernos das grandes potGncias a 1im de serem e.itados os con1rontos armados. Is di.ersos grupos paci1istas nem sempre partem dos mesmos princ>pios, e nem sempre tGm os mesmos o"Heti.os. +e maneira geral, podemos su"di.idi-los em trGs tendGncias principais: desarmamento, controle Hur>dico das naçLes por meio do +ireito -nternacional e con.ersão moral do homem. /rgani6aç4es internacionais l0m dos riscos representados pelas armas so1isticadas, cada .ez mais os con1litos tendem a se internacionalizar. +eri.a da> a "usca de um consenso Jue esteHa acima dos interesses das naçLes en.ol.idas, o Jue estimula a criação de organismos supranacionais. +epois da %egunda $uerra, a Irganização das MaçLes Pnidas (IMP) surge como instrumento .'lido na tentati.a de solucionar os con1litos de 1orma pac>1ica. Mão h' como negar sua import^ncia, mesmo Jue nem sempre tenha conseguido e.itar as pressLes dos pa>ses mais poderosos. Is grupos internacionais tGm se e2pandido a partir de interesses os mais di.ersos. Por e2emplo, são 1ormados grupos para tratar de JuestLes tão di1erentes Juanto pesJuisa cient>1ica, o"ser.^ncia das condiçLes m>nimas de tra"alho, interesses econ)micos, sa4de, alimentação, educação, direitos humanos, ecologia, "em como interesses regionais, tais como a unidade europ0ia ou a latino-americana, ou ainda dos pa>ses da ,uropa oriental, e assim por diante. Mo estado atual de planetarização das relaçLes, mais do Jue nunca 0 preciso superar os nacionalismos e os preconceitos deri.ados da 2eno1o"ia (horror aos estrangeiros), do pro.incianismo e do imperialismo, para se "uscar en1im o eJuil>"rio entre as naçLes. %eria utopiaR %em d4.ida, trata-se de assunto delicado, uma .ez Jue nem sempre h' como sa"er se, por tr's de interesses aparentemente uni.ersalistas, não se escondem maneiras de inter1erir na so"erania das naçLes, perpetuando as 1ormas de dominação. #asta re1letir so"re as discussLes em torno do destino da maz)nia... DROPES

&ilhLes de seres humanos no 8erceiro &undo pagam um pesado tri"uto anual 9 em mortes, doenças, carGncias di.ersas 9 N 1ome e N desnutrição. população da Wsia, <?p da W1rica, :@p da su"alimentação (menos de < mil calorias/dia) a1eta <Cp da m0rica Latina. %egundo a Irganização &undial da %a4de, :B

milhLes de crianças de menos de ? anos morrem cada ano, a maioria nos pa>ses em desen.ol.imento7 :? milhLes dessas crianças escapariam se se "ene1iciassem das condiçLes alimentares e das precauçLes sanit'rias Jue .igoram nos pa>ses industrializados. -Correio da Vnesco. out./no../C<, ano :A/::. P- <@.) I #rasil te.e, no ano passado, ECA con1litos agr'rios, Jue en.ol.eram ECD.?:@ pessoas e pro.ocaram :A< assassinatos, oito acidentes com .>timas, :?@ ameaças de morte e EC tentati.as de homic>dios. ,sses dados 1azem parte de um relat3rio da *omissão Pastoral da 8erra (*P8), apresentado na 4ltima Juarta-1eira em -taici aos "ispos reunidos na <Bc ssem"l0ia $eral da *M## (*on1erGncia Macional dos #ispos do #rasil). (...) %egundo os "ispos, a KescaladaK de crimes .isa Keliminar as lideranças e aJueles Jue estão engaHados na luta pela re1orma agr'riaK. (...) I relat3rio cita o assassinato de duas lideranças sindicais ocorrido no ano passado: -.air 5igino de lmeida, delegado sindical, morto em Hunho, e *hico &endes, em dezem"ro, am"os de eapuri. (/ornal !olha de 1. Paulo. :D a"r. :;C;. p. -;.) Is atos de .iolGncia e2ercidos contra pessoas mais 1r'geis ou dependentes, como .elhos, mulheres, crianças, su"ordinados e po"res, são mais 1reJ_entes do Jue se imagina. su"ordinados, e2ercendo o &equeno &oder. lguns te3ricos consideram Jue as pessoas com pouco poder de decisão no tra"alho e na pol>tica tendem a KdescontarK em dependentes ou ssim, o 1uncion'rio p4"lico insatis1eito e de "ai2o sal'rio se mãe, dominada pelo marido, e2erce seu poder contra os atri"ui poder e2traordin'rio diante do usu'rio Jue chega ao guichG. I su"ordinado, com rai.a de o"edecer Ns ordens dos superiores, maltrata a mulher e os 1ilhos. 1ilhos. ( daptado de um te2to de 5eleieth %a11ioti.) m0dia de um morto por dia em con1rontos com a Pol>cia &ilitar em %ão Paulo (largamente e2cedida no ano de :;C<, Juando alguns c'lculos apontam D@D cad'.eres), at0 mesmo para uma cidade de :< milhLes de ha"itantes, 0 intoler'.el para o go.erno democr'tico. (...) Mos 4ltimos dez anos, em toda a -nglaterra 1oram mortos pela pol>cia dez cidadãos em açLes contra o crime comum. Mão se trata de uma di1erença de KculturaK: muitas cidades hoHe na -nglaterra pouco se di1erenciam Juanto aos pro"lemas sociais daJuelas do 8erceiro &undo. *on1litos raciais, desemprego, po"reza, aumento da delinJ_Gncia, a escalada da repressão como conseJ_Gncia tam"0m da luta contra o terrorismo, estão ali presentes. (...) Is n4meros de mortos pela pol>cia Jue estamos le.antando com relação a Mo.a -orJue, ]ashington, *hicago, %ão Francisco, Paris, !oma, &ilão, 8urim, tendem a demonstrar Jue, apesar da criminalidade e da densidade demogr'1ica desses grandes centros capitalistas, nem sempre ultrapassam as unidades. Mo #rasil, se computados os mortos pelas pol>cias militares, ci.is, nas penitenci'rias, nas cadeias, somente nas grandes capitais o n4mero atinge a casa do milhar. (P-M5,-!I, Paulo %. $e%ocracia S #iol>ncia( p. :D:.) E)ER%*%IOS

:. !e1erindo-se N desigual distri"uição de renda no pa>s, o cientista pol>tico 50lio /aguari"e comenta: KFoi o homem, e não JualJuer mão in.is>.el, Juem assim p)s. , se o p)s, pode tam"0m disp)-loK. !e1lita so"re isso, tendo em .ista a responsa"ilidade de todos n3s na alteração desse Juadro. <. Leia o te2to do Correio da Vnesco (dropes :) e identi1iJue o tipo de .iolGncia a Jue se re1ere. @. Leia o trecho da !olha de 1. Paulo (dropes <) e resol.a estas JuestLes: a) !elacione .iolGncia e democracia. ") Faça um le.antamento do Kcaso *hico &endesK e relacione .iolGncia, pol>tica e ecologia. D. Leia o dropes @ e responda: a) Mão h' casa em Jue não aconteça "ate-"oca e "riga entre irmãos ou entre pais e 1ilhos. Suando esses con1litos normais se trans1ormam em a"uso do &equeno &oder7 ") e2emplos de e2erc>cio do &equeno &oder .ocG relacionariaR ?. Leia o te2to complementar K%onho imposs>.elK, de *hico #uarJue, e o"ser.e como o autor entremeia os adHeti.os i%&oss*#el( in#enc*#el( inacess*#el( terr*#el (Jue indicam a situação dada) e a eles contrapLe os .er"os lutar( #encer( ro%&er( #oar( #irar (Jue apontam para a ação deseHada). a) 8endo em .ista essa oposição, e2pliJue o signi1icado do poema. ") ,m Jue sentido a interpretação 1eita tam"0m poder' ser aplicada ao tema da .iolGnciaR E. Leia o te2to complementar K*rime e criminalidadeK, de 50lio Pellegrino, e e2pliJue Jual 0 a cr>tica 1eita: a) ao uso do 2arope para amenizar a tosse em Mo.a Lima7 ") ao uso e2clusi.o de medidas policiais para com"ater a criminalidade. B. Leia o te2to complementar de 5annah rendt (te2to @) e resol.a estas JuestLes: a) ,2pliJue por Jue um go.erno se "aseia no poder e não pode se sustentar e2clusi.amente pela .iolGncia. ") ,m Jue consiste o terrorR c) Procure na hist3ria e2emplos em Jue a .iolGncia se trans1ormou em terror. SEMINDRIO +. Or@ani;a4Ges interna"ionais %ugestão: 1azer o tra"alho em duas 1ases 9 na primeira, 1azer o le.antamento das organizaçLes de de1esas dos mais di.ersos interesses (ecol3gicos, econ)micos, de sa4de, alimentação, educação, direitos humanos etc.)7 na outra 1ase, cada grupo escolhe uma das organizaçLes para pesJuisar e 1azer o tra"alho. 5. A (ena de morte %ugestão para 1azer o tra"alho em duas 1ases: a) Le.antamento dos mais di.ersos argumentos a 1a.or e contra a pena de morte. ") *lassi1icação dos argumentos segundo dois crit0rios: h argumentos 0ticos (ou de princ>pios). Por e2emplo: Ka .ida 0 um .alor in.iol'.elK7 ou KJuem matou de.e morrerK7 h argumentos pragm'ticos (ou de resultados). Por e2emplo: Ka pena de morte intimida o poss>.el partir de sua e2periGncia de .ida, Jue

criminoso, o Jue 1az diminuir o >ndice de criminalidadeK7 ou Kas estat>sticas pro.am Jue a pena de morte não intimida ningu0mK. L,-8P! *I&PL,&,M8 ! 1onho i%&oss*#el %onhar, mais um sonho imposs>.el Lutar Juando 0 1'cil ceder Vencer o inimigo in.enc>.el Megar Juando a regra 0 .ender %o1rer a tortura implac'.el !omper a inca">.el prisão Voar num limite impro.'.el 8ocar o inacess>.el chão a minha lei a minha Juestão Virar esse mundo *ri.ar esse chão Mão importa sa"er %e 0 terr>.el demais Suantas guerras terei de .encer Por um pouco de paz , amanhã %e esse chão Jue eu "eiHei For meu leito e perdão Vou sa"er Jue .aleu +elirar e morrer de pai2ão , assim, %eHa l' como 1or, Vai ter 1im in1inita a1lição , o mundo Vai .er uma 1lor #rotar do imposs>.el chão *hico #uarJue

MCri%e e cri%inalidadeL (...) contou-me um amigo uma hist3ria e2emplar, Jue teria ocorrido na cidade mineira de Mo#a Lima, por .olta dos anos WE. ,2iste em Mo.a Lima u%a importante mina de ouro 9 a mina de &orro Velho 9 Jue, NJuela 0poca, .i.ia o seu 1ast>gio, e era propriedade de uma companhia inglesa. Is oper'rios, nas entranhas da terra, per1ura.am a rocha com suas "rocas e picaretas e, dessa 1orma, respira.am durante anos, nas galerias 1undas, a poeira de pedra Jue o tra"alho le.anta.a. %em nenhuma proteção, os mineiros, ao 1im de algum tempo, e na sua Juase totalidade, contra>am a silicose, causada pelo dep3sito do p3 de pedra em seus pulmLes desprotegidos, dist^ncia 9 a mol0stia Jue lhe d' origem. &as noites de Mo.a Lima, Juando "usca.a repouso, a cidade era sacudida e inJuietada por uma tro.oada surda e ca.a Jue, nascendo dos case"res oper'rios, res.ala.a em ondas recorrentes at0 as 1raldas das montanhas em torno. ,ra a grande tosse dos po"res, sintoma e den4ncia da silicose Jue os ro>a. Is ingleses, pertur"ados em seu sono e em sua "oa consciGncia, em .ez de adotarem medidas h'"eis para Jue a silicose cessasse, resol.eram en1rentar o pro"lema pelo e2clusi.o ataJue ao sintoma. &ontaram em Mo.a Lima, com "anda de m4sica e 1oguetes, uma 1'"rica de 2arope contra tosse Jue, ao mesmo tempo, produzia para consumo dos colonizadores mat0ria-prima de re1rigerantes não encontrados no Pa>s. 1'"rica andou de .ento em popa, produzindo ton0is e ton0is de 2arope, .endido a preço m3dico, mas não tão modesto Jue impedisse uma peJuena margem de lucro por unidade adJuirida. Is ingleses, dessa 1orma, uniram o 4til ao agrad'.el. I a"randamento da grande tro.oada "r)nJuica 1oi trans1ormado em 1onte de renda 9 e de sossego 9, permitindo aos s4ditos de %ua &aHestade #rit^nica a "oa consciGncia e a possi"ilidade de um sono reparador. silicose, intocada, tra"alha.a em silGncio. ,sse modelo tragic)mico pode ser aplicado, com estrita literalidade, a JualJuer pretensão de com"ater o crime epidGmico sem le.ar em conta a sua condição de sintoma, desenraizado, portanto, das causas sociais Jue o produzem e alimentam. Cri%inalidade é efeito( 0 1orma per.ersa de protesto, gerada por uma patologia social Jue a antecede e Jue 0, ta%bé% ela( per.ersa. criminalidade est' para a patologia social assim como a tosse con.ulsi.a est' para a silicose. %em os 1iltros despoluidores da Hustiça social e da decGncia pol>tica, toda e JualJuer medida contra o crime, por mais .iolenta e repressi.a Jue seHa, constituir' mero recurso paliati.o. a claro Jue a criminalidade, enJuanto sintoma, tem de ser adeJuadamente com"atida por medidas policiais en0rgicas, tanto Juanto 0 imperati.o minorar, com rem0dio apropriado, a so1rida tosse do silic3tico. &as Jue não se 1iJue nisto, H' Jue o puro e simples com"ate ao e1eito não remo.e 9 nem resol.e 9 a causa Jue o produz. o contr'rio: a luta isolada contra o e1eito pode tornar-se danosa e per.ersa, uma .ez Jue, destruindo sua 1unção alertadora e denunciadora, pro.oca uma cegueira perigosa, Jue apro1unda a raiz do mal. P,LL,$!-MI, 50lio. KPsican'lise da criminalidade "rasileiraK. -n P-M5,-!I, Paulo %0rgio e #! PM, ,ric (org.). $e%ocracia S #iol>ncia. !io de /aneiro, Paz e 8erra, :;CE. p. ;E a ;C. silicose, al0m de encurtar a .ida e a capacidade de tra"alho, pro.oca tam"0m uma tosse cr)nica, oca e ressoante, capaz de denunciar 9 a

MPoder( #iol>ncia( terrorL / &oder corresponde N ha"ilidade humana de não apenas agir, mas de agir em un>ssono, em comum acordo. I poder Hamais 0 propriedade de um indi.>duo7 pertence ele a um grupo e e2iste apenas enJuanto o grupo se manti.er unido. Suando dizemos Jue algu0m est' Kno poderK, estamos na realidade nos re1erindo ao 1ato de encontrar-se essa pessoa in.estida de poder por um certo n4mero de pessoas, para atuar em seu nome. Mo momento em Jue o grupo de onde originara-se o poder desaparece, Ko seu poderK tam"0m desaparece. (...) $o.erno algum, e2clusi.amente "aseado nos instrumentos da .iolGncia, e2istiu Hamais. &esmo o go.ernante totalit'rio, cuHo principal instrumento de dominação 0 a tortura, precisa de uma "ase de poder 9 a pol>cia secreta e a sua rede de in1ormantes. (...) 5omens isolados sem outros Jue os ap3iem nunca tGm poder su1iciente para 1azer uso da .iolGncia de maneira "em-sucedida. ssim, nas JuestLes internas, a .iolGncia 1unciona como o 4ltimo recurso do poder contra os criminosos ou re"eldes, isto 0, contra indi.>duos isolados Jue, pode-se dizer, recusam-se a ser dominados pelo consenso da maioria. (...) I terror não 0 a mesma coisa Jue a .iolGncia7 0 antes a 1orma de go.erno Jue nasce Juando a .iolGncia, ap3s destruir todo o poder, não a"dica, mas, ao contr'rio, permanece mantendo todo o controle. Pode-se o"ser.ar Jue a e1ic'cia do terror depende Juase Jue inteiramente do grau de atomização social. 8odos os tipos de oposição organizada de.erão desaparecer para Jue seHa li"erada a 1orça total do terror. (...) distinção decisi.a entre o dom>nio totalit'rio, "aseado no terror, e as tiranias e ditaduras, impostas pela .iolGncia, 0 Jue o primeiro .olta-se não apenas contra os seus inimigos mas tam"0m contra os amigos e correligion'rios, pois teme todo o poder, at0 mesmo o poder dos amigos. I cl>ma2 do terror 0 alcançado Juando o ,stado policial começa a de.orar os seus pr3prios 1ilhos, Juando o carrasco de ontem torna-se a .>tima de hoHe. !,M+8, 5annah. +a .iolGncia, *ol. Pensamentos pol>ticos. #ras>lia, ,d. da Pni.ersidade de #ras>lia, :;C?. p. <D, <B e @A.

%,$PM+ P !8, 9 Formas de discriminação Preconceito e discriminação
Preconceito (pr0-conceito) signi1ica conceito (ou opinião) 1ormado antecipadamente, sem adeJuado conhecimento dos 1atos. a imposs>.el não se ter preconceito algum, pois, sem nos darmos conta, internalizamos sem discussão muito da nossa herança cultural. I perigo do preconceito est' na recusa em ree2aminar as con.icçLes Juando se tornam dogm'ticas. Meste ponto, o preconceito 0 1onte de intoler^ncia, e portanto de .iolGncia. I preconceito le.a N discriminação Juando o di1erente 0 considerado in1erior, e2clu>do dos pri.il0gios Jue os KmelhoresK des1rutam. Is antrop3logos nos ensinam Jue, ao analisarmos os costumes de outros po.os, con.0m não a.ali'-los a partir de nossos .alores culturais, o Jue signi1icaria uma atitude etnocGntrica. Suando isto acontece, corremos o risco de procurar neles Ko Jue lhes 1altaK e esJuecemos de .er com clareza o Jue eles são de 1ato. +a mesma 1orma, ainda dentro de cada cultura, h' preconceitos Jue le.am N discriminação dos po"res, negros, homosse2uais, mulheres, idosos, loucos e tantos outros.

I grande preconceito do Kci.ilizadoK 0 considerar os po.os tri"ais como inferiores( e não apenas diferentes. conseJ_Gncia de tal atitude 0 o paternalismo t>pico da mentalidade colonizadora Jue deseHa Kle.ar a cultura, o progresso, a .erdadeira 10K ao po.o KatrasadoK. o racis%o A origem da discriminação, seHa ela de raça ou de se2o, geralmente 0 conseJ_Gncia da desigualdade social. +esde a adulto. Mo #rasil, a longa tradição hist3rica de r>gidas hierarJuias sociais se e2pressa por meio de 1ormas pol>ticas de dominação. Mo entanto, ao contr'rio dos ,P ou da W1rica do %ul, locais onde o racismo 0 e2pl>cito, os "rasileiros camu1lam o preconceito por meio do Kmito da democracia racialK. -sso, em 4ltima an'lise, at0 preHudica o eJuaciona-mento do pro"lema e a luta organizada das .>timas do preconceito. I *ndio Para analisar o pro"lema do racismo no #rasil desde o seu in>cio, precisamos lem"rar Jue a colonização das m0ricas partiu da necessidade de e2pansão comercial da "urguesia enriJuecida pela !e.olução s col)nias signi1ica.am, portanto, não s3 maior possi"ilidade de consumo, como tam"0m a *omercial. ntig_idade grega, em toda a hist3ria do mundo ocidental o poder 0 branco( %asculino e

condição de 1ornecimento de produtos tropicais e metais preciosos indispens'.eis para a e2pansão capitalista. Suando os primeiros Hesu>tas aJui chegaram, o processo de cristianização dos >ndios por eles empreendido 1acilitou a pol>tica de dominação da metr3pole. &esmo Jue possamos considerar não ter sido esta a intenção dos mission'rios, im"u>dos de ardor religioso, eles 1oram .>timas de a.aliaçLes etnocGntricas, pois esta.am con.encidos da superioridade da sua cultura e religião. padrLes estranhos, deram in>cio N desintegração da cultura ind>gena. Is colonizadores, usando a .iolGncia 1>sica, dizimaram as tri"os ind>genas e escra.izaram os Jue puderam. pesar disso, geralmente são enaltecidos nos relatos da hist3ria o1icial como .alentes des"ra.adores do sertão e conJuistadores Jue Kle.aram o progressoK Ns terras K"'r"arasK. o KdocilizaremK os >ndios, adeJuando-os a

,m pleno s0culo ee, apesar da contri"uição da antropologia e etnologia, continua a .iolGncia contra os >ndios, e2pulsos dos seus territ3rios ou aculturados de maneira inadeJuada por moti.os os mais di.ersos: construção de estradas, instalação de 1azendas, garimpo etc. / negro +a mesma 1orma Jue o >ndio 1oi in1eriorizado, a origem do preconceito contra o negro se acha na tradição da escra.idão. Mão importa se para c' .ieram, entre os negros a1ricanos, alguns de seus .alorosos che1es guerreiros. 8ornados escra.os, a in1eriorização se tornou ine.it'.el. ,, tal.ez para conciliar o a"surdo da dominação com a tradição cristã, os senhores acalmaram a consciGncia com a con.icção de Jue o negro era semi-animal, "ruto e re"elde, e2igindo pulso 1orte por parte do dominador. Por resistir ao tra"alho escra.o, o negro passa a ser a.aliado por meio de estere3tipos: 0 indolente, malandro, cachaceiro. Iu seHa, a situação su"umana a Jue são lançados os escra.os 0 compreendida a partir de uma in#ersão t>pica da ideologia: em .ez de considerar a in1eriorização do negro como conseJ_Gncia da dominação, a dominação 0 Husti1icada porJue o negro 0 considerado um ser in1erior. I pr3prio negro interioriza a concepção do "ranco, o Jue di1iculta a a1irmação de sua identidade e o assumir da consciGncia 0tnica. +a> os des.ios de comportamento dos negros Jue, ao deseHarem se integrar no mundo dos "rancos, representam pap0is re1orçadores da e2clusão, agindo de acordo com padrLes K"rancosK. a nessa linha Jue ou.imos 1alar em Knegros de alma "rancaK e na .alorização do Knegro humildeK em contraposição ao Knegro pern3sticoK Jue Knão reconhece seu lugarK. %igrante I preconceito e a discriminação não atingem apenas o >ndio e o negro, .>timas do estigma da escra.idão. ,m um pa>s como o #rasil, com irregular desen.ol.imento nas di.ersas regiLes, o %ul e %udeste constituem o espaço do progresso e da riJueza, onde se instalam as ind4strias, a pecu'ria e a agricultura planeHada. Por moti.os hist3rico-sociais Jue não ca"e e2aminar aJui, outras amplas regiLes permanecem empo"recidas, al0m de serem periodicamente assoladas pela seca e pela 1ome, o Jue o"riga seus ha"itantes N contingGncia da migração para o %ul, na esperança de dias melhores. +esenraizados, desadaptados, mal conseguem so"re.i.er nos grandes centros, ocupando 1unçLes su"alternas, en1rentando o desemprego e as di1iculdades de moradia. ,m contraposição, os ha"itantes do K%ul-mara.ilhaK apro.eitam a mão-de-o"ra "arata, desJuali1icada, mas discriminam aJueles Jue são chamados gen0rica e peHorati.amente de K"aianosK. / %achis%o +issemos no item anterior Jue o poder 0 "ranco, masculino e adulto. Portanto, uma das caracter>sticas da nossa ci.ilização 0 ser androc>ntrica( ou seHa, centrada na 1igura masculina. Is direitos, de.eres, aspiraçLes e sentimentos das mulheres se acham h' tempos (calculam-se seis milGnios6) su"ordinados aos interesses do &atriarcado( isto é( ao sistema de relaçLes sociais Jue garante a dependGncia da mulher em relação ao homem. $eralmente as 1ormas de dominação se impLem pela KnaturalizaçãoK, Jue consiste em considerar naturais certas caracter>sticas Jue na .erdade 1oram constru*das a &artir das relaç4es sociais. Masce o Kmito da 1eminilidadeK, segundo o Jual a Knatureza 1emininaK teria certas .irtudes e de1eitos pr3prios da mulher: por um

lado ela seria sens>.el, amorosa, altru>sta, maternal, intuiti.a, e por outro lado seria 1r'gil, dependente, sem iniciati.a, inst'.el, dei2ando-se le.ar pela emoção, ao mesmo tempo Jue tam"0m pode ser considerada .ol4.el, dissimulada e perigosa... &as todas as .ezes Jue procuramos de1inir o Kser-em-siK, tal como a Knatureza do homemK, a Knatureza da mulherK, a Knatureza da criançaK, corremos o risco de 1orHar estere3tipos, 1ormas simpli1icadas, redutoras e empo"recidas de compreender a e2istGncia humana. Is estere3tipos da 1eminilidade geralmente resultam da atitude preconceituosa com relação N mulher e contri"uem para sua discriminação. ,m outras pala.ras, o estere3tipo da 1eminilidade acentua a situação de dependGncia e in1antiliza a mulher, .ista como ser relati.amente incapaz. Ma hist3ria de todas as culturas, ela se acha con1inada ao lar, su"ordinada ao pai e depois ao marido, ocupando-se de tare1as dom0sticas tais como gerar e educar os 1ilhos, cuidar da alimentação e manutenção da casa, sem nunca se a1astar dos dom>nios dom0sticos. 8al.ez esse es"oço da situação 1eminina pareça estar "astante superado nos grandes centros ur"anos, onde a mulher conJuistou espaços nos mais di.ersos campos de tra"alho e .em garantindo sua autonomia. &esmo assim, o processo de emancipação não atingiu muitas regiLes do glo"o, não penetrou no campo. ,, mesmo onde a li"eração parece consolidada, persistem 1ormas sutis de dominação. Por e2emplo, a mulher Jue tra"alha 1ora arca com a dupla Hornada de tra"alho, uma .ez Jue as tare1as dom0sticas são consideradas KnaturalmenteK incum"Gncia 1eminina. pr3pria mulher assume esse papel, apesar do risco de não conseguir se pro1issionalizar sem sentimento de culpa, nem se ocupar adeJuadamente com os ser.iços da casa. l0m disso, sa"emos Jue as mulheres são discriminadas pro1issionalmente, rece"endo remuneração a"ai2o dos homens para ser.iços idGnticos, sendo preteridas em cargos de che1ia e constantemente e2clu>das da .ida pol>tica. Suando a duras penas conseguem conJuistar cargos p4"licos, com 1reJ_Gncia ocorre a con1usão entre o p4"lico e o pri.ado, ou seHa, as pessoas não conseguem separar a 1igura p4"lica da deputada, senadora ou ministra da 1igura de mãe, mulher ou amante. Is me2ericos Jue en.ol.em a conduta se2ual da mulher adJuirem tal dimensão Jue chegam a comprometer os crit0rios de a.aliação do seu desempenho pro1issional. Podemos dizer Jue o processo de emancipação 1eminina 0 a grande e principal re.olução do s0culo ee, e a Jue mais 1undamentalmente .em su".ertendo a ordem do mundo. !econhecer Jue a mulher 0 um ser humano integral e Jue, apesar de di1erente do homem, pode con.i.er com ele muito al0m da relação de mando e o"ediGncia, a"re caminho para uma humanidade mais Husta (e, por Jue não, mais 1elizR) em Jue a amizade poder' pre.alecer so"re a hierarJuia. ,acis%o( &atriarcado( ca&italis%o I racismo e o patriarcado são 1ormas de dominação antigas, mas com o surgimento do capitalismo no s0culo eV- deu-se a integração desses trGs sistemas. !elacion'-los nos permite compreender melhor Jue não .i.emos em uma sociedade igualit'ria, mas di.idida, hierarJuizada, Jue separa Kin1erioresK e KsuperioresK a partir de crit0rios Jue precisam ser desmisti1icados. %egundo a soci3loga 5ele>eth %a11io-ti, esses trGs sistemas de dominação (racismo, patriarcado e capitalismo) esta"elecem uma sim"iose, uma 1usão entre eles, de tal 1orma Jue Hé praticamente imposs>.el

a1irmar Jue tal discriminação pro.0m do patriarcado, ao passo Jue outras se .inculam ao sistema de classes e/ou ao racismoK. ssim, por e2emplo, se consider'ssemos s3 o patriarcado, a mulher não tra"alharia 1ora de casa. &as as necessidades criadas pelo ad.ento do capitalismo as le.aram para ati.idades na 1'"rica. Por outro lado, a oper'ria não 0 considerada igual ao seu companheiro de tra"alho, 0 discriminada no sal'rio, na participação sindical, na determinação das tare1as consideradas 1emininas. +a mesma 1orma, entre os homens e2iste a discriminação dos negros, mulatos, >ndios e migrantes. Ma Kordem das "icadasK (para lem"rar a seleção 1eita nos galinheiros), a mulher negra e po"re ocuparia a 4ltima posição. ,, por 1im, o tra"alhador em geral (seHa "ranco, negro, homem ou mulher) se encontra in1eriorizado na relação patrão-empregado, na t>pica di.isão de classes do mundo capitalista. Por isso, não 0 poss>.el com"ater apenas uma das 1ormas de dominação sem le.ar em conta as outras duas. o contr'rio, a ação simult^nea contra as 1ormas de poder ar"itr'rio em cada um dos trGs sistemas constitui a condição para se tentar construir a sociedade democr'tica, em Jue ningu0m possa ser considerado superior de.ido N cor, ao se2o ou Ns posses. &uitas das discussLes desen.ol.idas neste cap>tulo são decorrentes de pesJuisas realizadas nos campos das ciGncias sociais e da psicologia, dando su"s>dio para a re1le2ão 1ilos31ica a respeito da natureza das 1ormas ar"itr'rias de e2erc>cio do poder, a 1im de Jue possamos proHetar um 1uturo melhor para a humanidade: se constatamos o que é e co%o é( torna-se poss>.el pensar co%o de#eria ser. ainda-não Jue poder' .ir-a-ser. E)ER%*%IOS :. Faça o 1ichamento da segunda parte e le.ante as d4.idas. <. / te@to a seguir 1oi e2tra>do de um li.ro did'tico, .e>culo este Jue tem contri"u>do inad.ertidamente para Husti1icar a discriminação. Messe sentido, 1aça a cr>tica do trecho em Juestão: K>ndio: 9 VocG Juer me e2plicar, "andeirante, Jual 0 a di1erença entre entradas e "andeirasR 9 s "andeiras eram e2pediçLes, geralmente particulares, organizadas pela necessidade de encontrar mão-deo"ra para a la.oura. >ndio: 9 Prazer em conhecG-lo, sr. #andeirante. Is "rasileiros agradecem a magn>1ica contri"uição Jue .ocGs deram N nossa P'tria.K @. Procure o signi1icado da pala.ra @enofobia e e2pliJue em Jue sentido ela pode ser indicati.a de preconceito. !e1ira-se tam"0m a como essa atitude pode ocorrer at0 entre "rasileiros de regiLes di1erentes. +G e2emplos. D. Leia o te2to complementar KPreconceitoK, de 5or\heimer e dorno e resol.a estas JuestLes: a) ,2pliJue o te2to a partir destes t3picos: estere3tipo e repetição7 os clichGs do orador7 o "em e o mal. ") Procure o signi1icado de %anique*s%o. c) ,2pliJue por Jue o nazismo 0 uma doutrina maniJue>sta. (%e 1or necess'rio, consulte um li.ro de hist3ria contempor^nea.) utopia, no sentido positi.o, 0 o

%,&-MW!-I +. A eman"i(a4.o da mul!er %ugestão de roteiro: hist3rico do mo.imento7 mulher e tra"alho dom0stico7 a pro1issionalização da mulher. <. I ra"ismo %ugestão: separe os assuntos por grupos de estudo (negro, >ndio, migrante, Hudeu). LEITURA %OMPLEMENTAR Preconceito A todo o momento, os instrumentos de propaganda do tipo nazista são r>gidos estere3tipos de pensamentos e repetiçLes constantes. *om esses meios, as reaçLes .ão sendo gradualmente em"otadas, con1erese N tri.ialidade propagand>stica uma esp0cie de auto-e.idGncia a2iom'tica e as resistGncias da consciGncia critica são minadas. cozinhados. 8emos, em primeiro lugar, os clichGs do pr3prio orador. ,le apresenta-se como o grande homem comum, idGntico a todos os outros e, al0m disso, um gGnio 9 impotente mas iluminado pelos re1le2os do poder, homem comum e, ao mesmo tempo, semideus: assim 5itler se re1eria a si mesmo como o Ksoldado da $rande $uerraK ou o Ktam"orK do regimento. este clichG soma-se depois a a1irmação de Jue o agitador, Jue ssim procura a aliança de uma poderosa camarilha e se lhe o1erece como o mais 1iel dos seus es"irros, encontra-se totalmente isolado, perseguido pela cal4nia, ameaçado, sem outro apoio do Jue a sua pr3pria 1orça. 1ala.a 5itler dos sete camaradas isolados Jue se reuniram em &uniJue para sal.ar a neles pr3prios toda a sua 10. Pm truJue recomendado pelo pr3prio 5itler 0 a su"di.isão do mundo em o.elhas "rancas e o.elhas negras, os "ons, a cuHo grupo se pertence, e os maus, ou seHa, o inimigo criado e2pressamente para as 1inalidades da demagogia. Is primeiros estão sal.os, os outros condenados, sem transição ou limitação, e sem e2ame de consciGncia, como 5itler recomenda numa passagem c0le"re do &ein ^a%&fK( onde diz Jue, para algu0m se a1irmar com e1ic'cia contra um ad.ers'rio ou um concorrente, 0 necess'rio pint'-lo com as tintas mais negras. ,m Pro&hets of $eceit( elucida-se a 1unção psicol3gica desses ardis. I ou.inte poder-se-' identi1icar, simultaneamente, com o grande homem comum e .G-lo como um ente superior7 este proporciona satis1ação N necessidade de pro2imidade e calor e, ao mesmo tempo, N necessidade do ou.inte de .er-se con1irmado naJuilo Jue, de JualJuer modo, H' 07 e, por 4ltimo, N necessidade de uma 1igura ideal a Jue possa se su"ordinar Hu"ilosamente. .ocação do l>der para a solidão e o isolamento não contri"ui apenas para con.ertGlo em her3i 9 o her3i tradicional 0 sempre solit'rio 9 mas tam"0m atenua a descon1iança, geralmente di1usa, contra a propaganda e a pu"licidade, Jue induz a supor, com razão, Jue o orador 0 um simples agente de potGncias ocultas e interessadas. Finalmente, a di.isão do mundo em KmocinhosK e K"andidosK atua so"re a .aidade dos ou.intes. Is "ons são de1inidos de tal modo Jue, por parte do ou.inte, o sentimento 0 de Jue 0 igual a eles e pode at0 considerar-se um deles7 assim, o esJuema economiza a necessidade de pro.ar Jue se 0 lemanha, depositando isso se de.e Jue da massa de discursos e literatura do 3dio seHa poss>.el e2trair e e2pressar em 13rmulas um n4mero limitad>ssimo de truJues ret3ricos padronizados, todos eles pre.iamente

"om. +epois, a e2istGncia dos mal.ados a"solutos o1erece uma aparGncia de legitimidade N descarga dos impulsos s'dicos do ou.inte so"re as .>timas escolhidas em cada ocasião. 5I![5,-&,!. &a2 e +I!MI, 8heodor. Te%as básicos da sociologia. %ão Paulo, *ultri2. :;B@. p. :B?-:BE.

Pnidade V
;+t<tica

/ que é arte7 0 3% %useu s' te% #elharia. 9 Ah( não adianta ir a %useus( &orque eu não entendo nada de arte. 9 Arte %oderna( ne% &ensar. 3sses caras fa6e% uns rabiscos( uns borr4es e di6e% que é arte %oderna. 0 3 as esculturas7 A%arra% uns ara%es e ganha% &r>%ios. rte 0 interpretação do mundo rte antiga, arte contempor^nea, artesanato, arte popular, arte 1igurati.a, arte a"strata. Sue con1usão6 8udo 0 arteR Iu s3 o Jue est' no museuR Suem escolhe o Jue .ai para o museuR Vamos tentar começar do começo, esta"elecendo algumas distinçLes e respondendo a uma pergunta de cada .ez. ,m primeiro lugar, dei2emos de lado essas di.isLes da arte e pensemos um pouco so"re arte como 1orma de o homem marcar sua presença, criando o"Hetos (Juadros, 1ilmes, musicas, esculturas, .>deos etc.) Jue o1erecem uma interpretação do mundo tanto Juanto uma 1rase. %3 Jue em .ez de dizer as coisas são assi%( ele

mostra, atra.0s da sua criação, Jue as coisas &ode% ser assi%. ,sta, então, 0 uma das primeiras caracter>sticas da arte: o o"Heto art>stico 1ala N nossa imaginação, dei2a .er/ou.ir/sentir o Jue poderia ser. ,, desse ponto de .ista, não e2iste arte .erdadeira e arte 1alsa. Mão e2iste mentira em arte. PorJue a arte não e2iste para mostrar a realidade como ela 0, mas como pode ser. , as 1aces do poder ser são muitas. +a>, muitos tipos de arte. pro1undando um pouco esta id0ia, .emos Jue, no mundo atual, a 1unção da arte e o seu .alor não estão no copiar a realidade, mas sim na representação sim"3lica do mundo humano. ssim, a arte tam"0m 0 um dos modos pelos Juais o homem atri"ui sentido N realidade Jue o cerca, e uma 1orma de organização Jue trans1orma a e2periGncia, o .i.ido, em o"Heto de conhecimento, sendo, portanto, sim"3lica. (Ver tam"0m Pr3logo, prendendo a ler o mundo, e *ap. @, I Jue 0 conhecimento.) &as como se d' esse conhecimentoR +o lado do artista Jue cria a o"ra, ele parte da intuição, isto 0, do conhecimento imediato da 1orma concreta e indi.idual da e2periGncia para a sim"olização desse conhecimento em um o"Heto Jue tam"0m é concreto, sens>.el e indi.idual. +o nosso lado, de o"ser.adores, de p4"lico da o"ra de arte, 1azemos o caminho in.erso: partimos da o"ra para chegar ao conhecimento de mundo Jue ela cont0m. ,sse percurso não 0 1'cil. ,2ige treino da sensi"ilidade, disponi"ilidade para entendG-la e algum conhecimento de hist3ria e hist3ria da arte. , como se chega a>R sensi"ilidade s3 pode ser treinada atra.0s da 1amiliaridade com muitas, com in4meras o"ras de arte. +a> a import^ncia dos museus, Jue re4nem e conser.am .'rias o"ras, para Jue as pessoas possam ir adJuirindo essa 1amiliaridade com estilos, materiais, meios e modos di1erentes de 1azer arte. disponi"ilidade 0 o dei2ar os preconceitos de lado (Knão entendo nada de arteK7 Karte moderna 0 um monte de ra"iscosK7 Kesses "orrLes at0 eu 1açoK etc.), 0 o despir-se de 1rases 1eitas e do medo de 1azer papel de "o"o. a assim mesmo. %empre Jue estamos diante de algu%a coisa Jue não conhecemos ou não conseguimos entender, nossa reação 0 de negação e de a1astamento por termos medo de 1azer papel de "o"o6 disponi"ilidade 0 isso: o Juerer entender, o dei2ar Jue a o"ra re.ele os seus sentidos a n3s, por mais di1erentes e inesperados Jue eles possam ser. I conhecimento de hist3ria nos possi"ilita encai2ar as o"ras de arte dentro do conHunto de ati.idades, acontecimentos e .alores da 0poca em Jue 1oi criada e da nossa. hist3ria da arte 1az com Jue reconheçamos escolas, estilos e propostas e at0 t0cnicas Jue nos aHudam a entender melhor o Jue cada o"ra nos o1erece. Análise de u%a obra de arte Vamos, agora, 1azer uma e2periGncia e considerar a o"ra UictorB "oogie-Noogie( de Piet &ondrian, pintor holandGs Jue desen.ol.eu um estilo muito pessoal dentro do geometrismo a"strato. ,sta 0 sua 4ltima o"ra (o"s.: aJui .amos reproduzir o Juadro em preto-e-"ranco, mas .ocG ir' encontr'-lo em cores na contracapa). / que #e%os7 Pma tela Jue, em .ez de estar apoiada so"re um de seus lados, est' eJuili"rada so"re um ^ngulo. +entro dela, so"re 1undo "ranco, cruzam-se linhas .erticais e horizontais, 1ormadas pela r'pida seJ_Gncia de

Juadradinhos amarelos, .ermelhos, azuis e pretos. I cruzamento dessas linhas 1orma Juadrados e ret^ngulos. lguns permanecem da mesma cor do 1undo ("ranco) e outros são pintados de cinza. Is tri^ngulos Jue aparecem na "eirada são resultado do corte das 1ormas Juadrangulares e1etuado pelas diagonais Jue limitam o espaço pict3rico. gora, "usJuemos algumas in1ormaçLes da hist3ria da arte para podermos co%&reender melhor esse Juadro. Piet &ondrian nasceu na 5olanda, em :CB<, e morreu em Mo.a -orJue, em :;DD, tendo .i.ido em Paris entre :;:A e :;@C. +urante a $uerra de :D a :C, entretanto, este.e no seu pa>s natal. ,ntre @C e DA, morou em Londres, de onde se mudou para Mo.a -orJue. +urante a sua .ida, &ondrian este.e em contato com o impressionismo, o e2pressionismo, o cu"ismo, o dada>smo, o surrealismo, o suprematismo, en1im, com todos os mo.imentos Jue "usca.am a emancipação da pintura do modelo 1igurati.ista, ou seHa, da c3pia mais ou menos 1iel da realidade. *omo mem"ro de um mo.imento chamado +e %tiHl, "usca.a a uni.ersalidade da linguagem pict3rica, não como imitação da realidade, mas como representação pura do esp>rito humano, numa 1orma esteticamente Kpuri1icadaK, ou seHa, a"strata.

UictorB "oogie-Noogie m:;D@-:;DD), de Piet &ondrian. I"ra de arte contempor^nea, de estilo neoplasticista. e2ecutada com tinta a 3leo e papel colorido so"re tela. %eguiu uma tradição de so"riedade, clareza e l3gica tipicamente holandesa e protestante. 8ra"alhou com as relaçLes entre cores, tamanhos, planos e linhas. I ritmo eJuili"rado dessas relaçLes 1az, para ele, o a"soluto, o uni.ersal aparecer na relati.idade do espaço (a tela) e do tempo (o dele como criador7 o nosso como espectadores). Voltando ao Juadro UictorB "oogie-Noogie( podemos agora entender um pouco melhor o Jue ele nos propLe: a sucessão r'pida de cores Jue 1or%a% as linhas aponta para um determinado ritmo da .ida moderna, sim"olizado pelo boogie-Roogie( m4sica ur"ana deri.ada do "lues( Jue apresenta uma repetição hipn3tica do padrão r>tmico e 1oi grande sucesso em Mo.a -orJue no 1inal dos anos @A. ,ra m4sica para dançar, segundo uma seJ_Gncia de passos Jue marca.am o ritmo. Por outro lado, o ^ngulo reto 0 a posição mais eJuili"rada entre duas linhas Jue se encontram e esse eJuil>"rio 0 acentuado pelo uso da teia apoiada so"re um dos ^ngulos. I contraste ou oposição entre as linhas .erticais e horizontais dentro do Juadro e as linhas diagonais Jue limitam a tela7 entre as cores prim'rias (azul,

amarelo e .ermelho) e as não-cores ("ranco, preto e cinza)7 entre linhas e planos esta"elece as relaçLes de eJuil>"rio din^mico, ou seHa, de eJuil>"rio pronto a ser destru>do e suplantado por um outro. a o eJuil>"rio Jue se atinge num momento determinado, Jue aceita a mudança e a "usca de um outro ponto de eJuil>"rio. ssim, a o"ra nos 1ala de .'rios eJuil>"rios humanos7 nos 1ala de crescimento interno, Jue 0 uma sucessão de pontos de eJuil>"rio Jue se rompem e se re1azem sempre de maneira di1erente7 nos 1ala da .ida moderna, com ritmo cada .ez mais acelerado. ,sse 0 o conhecimento de mundo encerrado dentro dessa o"ra. , s3 chegaremos a ele se nos permitirmos sentir os ritmos, os pontos de eJuil>"rio e os contrastes entre os di.ersos elementos da composição. , a>R %er' Jue a .isita a um museu de arte não 0 uma grande id0iaR DROPES Arte i@urativa 9 0 aJuela Jue retrata a 1igura de um lugar, o"Heto ou pessoa de 1orma Jue possa ser identi1icado, reconhecido. indi.idualizadores). Arte abstrata 9 0 aJuela Jue se utiliza somente de 1ormas, cores ou super1>cies, sem retratar nenhuma 1igura. Pode ser geom0trica, Juando utiliza 1ormas geom0tricas, ou in1ormal. Arte moderna 9 arte produzida a partir da segunda metade do s0culo e-e e Jue dei2a em segundo plano o assunto da o"ra para preocupar-se com as JuestLes da 1orma e da linguagem art>stica. Arte "ontem(orHnea 9 dentro da periodização da hist3ria da arte, designa a produção art>stica dos 4ltimos @A, DA anos, compreendendo uma pluralidade de mani1estaçLes dentro das mais di.ersas correntes est0ticas. Ian@uarda 9 constitu>da por aJueles Jue estão N 1rente de seu tempo, Jue 1azem e2perimentaçLes com as linguagens art>sticas, tentando encontrar, atra.0s de suas o"ras, respostas para as JuestLes le.antadas pela cultura contempor^nea. ção cultural e arte-educação 9 muitos museus mantGm um ser.iço de arte-educação Jue atende a escolas. ,m %ão Paulo, o &useu de rte *ontempor^nea da P%P e o &useu Lasar %egall tGm muitas ati.idades na 'rea. s "i"liotecas p4"licas e os centros de cultura tam"0m são instituiçLes Jue o1erecem ati.idades na 'rea de artes. Procure em sua cidade. E)ER%*%IOS :. *ompare as 1unçLes de um museu com as de uma "i"lioteca. <. Faça um le.antamento das mani1estaçLes art>sticas de seu "airro, cidade ou região. @. VocG conhece algum artistaR ,ntre.iste-o para conhecer um pouco mais de sua o"ra. Faça, antes, um roteiro de perguntas Jue seHa adeJuado N produção do artista entre.istado. D. Leia o te2to complementar de &ichel Foucault (te2to <), Jue tem como tema as relaçLes entre arte 1igurati.a e realidade, e discuta a 1rase K-sto não 0 um cachim"oK, escrita por &agritte em seu desenho. ?. %a"endo Jue a ação cultural se "aseia em Kin1ormar, discutir, in.entarK, le.ante as id0ias principais do te2to de leitura complementar K ção culturalK, de Lu>s &ilanesi. "range desde a 1iguração realista (parecida com o real) at0 a estilizada (sem traços

E. ,scre.a uma dissertação com o seguinte tema: KIs museus como centros de ação culturalK. LEITURA %OMPLEMENTAR "Ação cu)tura)% (...) supLe-se Jue a id0ia de ação cultural esteHa delineada o su1iciente para esta"elecer a 1orma de um centro de cultura. ação proposta não pode ser entendida de modo 1ragmentado, mas integrando os trGs .er"os, as trGs açLes 1undamentais Xin1ormar, discutir, in.entarY. +iscussão se 1az em JualJuer lugar, pre1erencialmente num "ar. Mão 0 preciso um pr0dio para isso. Pm la"orat3rio de teatro precisa de uma "oa sala e, depois, um palco. Pm curso, Juase sempre, não pede muito mais Jue uma sala e alguns eJuipamentos "'sicos. Pma "i"lio teca tradicional e2ige pouco: espaço para acer.o, leitura e administração (uma "i"lioteca contempor^nea precisa de outras 'reas). /' a integração disso tudo reclama um cuidado maior. Messe espaço e em outros Jue nele esti.erem integrados de.er' ocorrer o Jue 0 1undamental ao homem: as possi"ilidades de esta"elecer relaçLes com os outros homens, com o mundo no Jual .i.e e consigo mesmo. casa da cultura e suas rami1icaçLes na cidade, pois ela pode ser um centro irradiador e não uma 1ortaleza cercada por um muro Jue s3 os iniciados atra.essam, estimular' permanentemente a ação Jue "usca a essGncia pelo des.elamento permanente das aparGncias para chegar a uma .erdade pro.is3ria pela re.elação e/ou G2tase. Messa casa poder' ser ou.ido o Choros n7 XE( de Villa-Lo"os, ou lido o Tristes tr'&icos( de L0.i-%trauss, assistido um 1ilme de *harles *haplin ou lido um poema de +rummond ou o Hornal do dia, contemplada uma pintura de 8omie Ihta\e, .ista a cer^mica do Vale do /eJuitinhonha e o desenho de m3.eis da ,scandin'.ia, deci1rado Lacan, aprendido inglGs e, em tudo, encontrar relaçLes, numa "usca Jue .isa esta"elecer pontes para o entendimento mais amplo da hist3ria e da e2istGncia pessoal. ,m cada situação ser' acrescentado algo Jue se integra na tessitura geral da .ida de cada um relacionada com a de todos os homens e com a natureza em todos os tempos. , tudo isso ser' amalgamado com as discussLes, com a con.i.Gncia e a1eto, e com o 1azer, e2traindo de si pr3prio a capacidade de reinterpretar os discursos e in.entar no.as e2pressLes no processo cont>nuo da mutação do homem em "usca de sua 1elicidade. &-L M,%-, Lu>s. A casa da in#enção. %ão Paulo, %iciliano, :;;:. p. :E:-:E<. 3is dois cachi%bos Primeira .ersão, a de :;<E, eu creio7 um cachim"o desenhado com cuidado e, em cima (...) esta menção: K-sto não 0 um cachim"oK. outra .ersão (...) mesmo cachim"o, mesmo enunciado, mesma caligra1ia. &as em .ez de se encontrarem Hustapostos num espaço indi1erente, sem limite nem especi1icação, o te2to e a 1igura estão colocados no interior de uma moldura7 ela pr3pria est' pousada so"re um ca.alete, e este, por sua .ez, so"re as t'"uas "em .is>.eis do assoalho. ,m cima, um cachim"o e2atamente igual ao Jue se encontra desenhado no Juadro, mas muito maior. primeira .ersão s3 desconcerta pela sua simplicidade. .olunt'rias. segunda multiplica .isi.elmente as incertezas moldura, de p0, apoiada contra o ca.ale-te e repousando so"re as ca.ilhas de madeira, indica Jue

se trata do Juadro de um pintor: o"ra aca"ada, e2posta, e trazendo, para um e.entual espectador, o enunciado Jue a comenta ou e2plica. ,, no entanto, esta escrita ingGnua Jue não 0 e2atamente nem o t>tulo da o"ra nem um de seus elementos picturais, a ausGncia de JualJuer outro ind>cio Jue marcaria a presença do pintor, a rusticidade do conHunto, as largas t'"uas do assoalho 9 tudo isso 1az pensar no Juadro-negro de uma sala de aula: tal.ez, uma es1regadela de pano logo apagar' o desenho e o te2to7 tal.ez, ainda, apagar' um ou outro apenas para corrigir o KerroK (desenhar alguma coisa Jue não ser' realmente um cachim"o, ou escre.er uma 1rase a1irmando Jue se trata mesmo de um cachim"o). &al1eito pro.is3rio (um Kmal-escritoK, como Juem diria um mal-entendido) Jue um gesto .ai dissipar numa poeira "rancaR

&as isso 0 ainda apenas a menor das incertezas. ,is outras: h' dois cachim"os. &ão seria necess'rio dizer, em .ez disso: dois desenhos de um mesmo cachim"oR Iu ainda um cachim"o e seu desenho, ou ainda dois desenhos representando cada um deles um cachim"o, ou ainda dois desenhos dos Juais um representa um cachim"o mas o outro não, ou ainda dois desenhos Jue, nem um nem outro, são ou representam cachim"os, ou ainda um desenho representando não um cachim"o, mas um outro desenho Jue, ele, representa um cachim"o, de tal 1orma Jue sou o"rigado a perguntar: a Jue se re1ere a 1rase escrita no JuadroR o desenho, de"ai2o do Jual ela se encontra imediatamente colocadaR KVeHam esses traços agrupados so"re o Juadro-negro7 por mais Jue possam se assemelhar, sem a menor discrep^ncia, a menor in1idelidade, NJuilo Jue est' mostrado l' em cima, não se enganem com isso: 0 l' em cima Jue se encontra o cachim"o, não neste gra1ismo elementar.K &as tal.ez a 1rase se re1ira precisamente a esse cachim"o desmedido, 1lutuante, ideal 9 simples sonho ou id0ia de um cachim"o. %er' necess'rio então ler: KMão "usJuem no alto um cachim"o .erdadeiro7 0 o sonho do cachim"o7 mas o desenho Jue est' l' so"re o Juadro, "em 1irme e rigorosamente traçado, 0 este desenho Jue de.e ser tomado por uma .erdade mani1estaK. &as isto ainda me espanta: o cachim"o representado no Juadro 9 madeira enegrecida ou tela pintada, pouco importa 9, esse cachim"o Kde "ai2oK est' solidamente contido num espaço com .is>.eis par^metros:

largura (o te2to escrito, os limites superiores e in1eriores da moldura), altura (os lados da moldura, os montantes do ca.alete), pro1undidade (as ranhuras do assoalho). ,st'.el prisão. ,m troca, o cachim"o do alto não tem coordenadas. enormidade de suas proporçLes torna incerta sua localização (...): esse cachim"o desmedido encontra-se diante do Juadro desenhado, empurrando-o para longe, atr's deleR Iu então encontra-se suspenso e2atamente acima do ca.alete, como uma emanação, um .apor Jue teria aca"ado de se desprender do Juadro 9 1umaça de um cachim"o tomando ela pr3pria a 1orma e o arredondado de um cachim"o, assim se opondo e parecendo com o cachim"o (...)R Iu então não se poderia supor, no limite, Jue ele se encontra atr's do Juadro e do ca.alete, mais gigantesco então do Jue parece: seria a pro1undidade arrancada, a dimensão interior 1urando a tela (ou o painel) e, lentamente, l' longe, num espaço de agora em diante sem limite, dilatando-se at0 o in1inito. +essa incerteza, entretanto, seJuer estou seguro. Iu antes, o Jue me parece muito du.idoso, 0 a oposição simples entre a 1lutuação não-localizada do cachim"o do alto e a esta"ilidade do de "ai2o. Ilhando mais de perto, .G-se 1acilmente Jue os p0s do ca.alete portador da moldura onde a tela se encontra capturada, e onde o desenho se aloHa, esses p0s Jue repousam so"re um assoalho cuHo aspecto grosseiro o torna .is>.el e seguro, são, de 1ato, chan1rados: s3 possuem super1>cie de contato pelas trGs pontas 1inas Jue retiram do conHunto, Jue 0, no entanto, um pouco maciço, toda esta"ilidade. Sueda iminenteR +esa"amento do ca.alete, da moldura, da tela ou do painel, do desenho, do te2toR &adeiras Jue"radas, 1iguras em 1ragmentos, letras separadas umas das outras a ponto de as pala.ras, tal.ez, não se poderem mais reconstituir 9 toda essa de sordem no chão, enJuanto l' em cima o grande cachim"o sem medida nem par^metro persistir' em sua imo"ilidade inacess>.el de "alãoR FIP* PL8, &ichel. .sto não é u% cachi%bo. !io de /aneiro, Paz e 8erra, :;C;. p. ::-:?. !unç4es da arte :Qcia: 0 /nte% eu fui ao cine%a #er Is anos /[. !oi su&erlegal. )ostra a construção de "ras*lia( o inicio da indQstria auto%obil*stica( a #ida no fi% da década de ZE... Uera: 0 Ah( eu não gosto desse ti&o de fil%e( não. 9uando #ou ao cine%a( quero %e di#ertir. 1abe( entrar nu%a hist'ria( #er co%o é a #ida das outras &essoas( e% outros &a*ses... Uoc> #iu Mamorada de aluguelR q sobre a #ida de adolescentes nu%a cidade6inha a%ericana. )uito interessante. :Qcia: 9 +ão #i( não. / %eu na%orado fa6 o curso de cine%a e detesta esse ti&o de fil%e. 3ntão a gente s' assiste uns fil%es %eio co%&licados. _s #e6es é até dif*cil seguir a hist'ria. ,sse di'logo 0 "astante ilustrati.o dos .'rios interesses e preocupaçLes com Jue as pessoas se apro2imam da arte, seHa ela cinema, m4sica, 8V, pintura, escultura, arJuitetura ou JualJuer outra. , isso .em acontecendo desde a ntig_idade. Foi s3 neste s0culo Jue a arte passou a ser .alorizada por si, como o"Heto Jue possi"ilita uma e2periGncia est0tica por seus .alores intr>nsecos. +ependendo do tipo de interesse, podemos distinguir trGs 1unçLes principais para a arte. !unção &rag%ática ou utilitária

+entro dessa 1unção, a arte ser.e como meio para se alcançar um 1im não-art>stico, não sendo .alorizada por si mesma, mas s3 pela sua 1inalidade. ,sses 1ins não-art>sticos .ariam muito no decorrer da hist3ria. eg>pcia, por e2emplo, tinha 1inalidade religiosa. su"stituto atra.0s do Jual o K[aK, esp>rito protetor do morto, encarna.a para iniciar uma segunda e2istGncia. /' na -dade &0dia, uma .ez Jue a maior parte da população dos 1eudos era anal1a"eta, a arte ser.iu para ensinar as leis da religião cat3lica e relatar as hist3rias da #>"lia. Meste caso, a arte 1oi usada com 1inalidade &edag'gica. A m4sica de protesto, Jue surge no #rasil em meados dos anos EA e cuHo melhor e2emplo é KPra não dizer Jue não 1alei de 1loresK de $eraldo Vandr0, pretendia conscientizar a população so"re sua situação pol>tica le.ando a uma mudança atra.0s da re.olução. Mão podemos esJuecer Jue, nessa 0poca, o pa>s .i.ia so" ditadura militar, Jue e2ercia uma 1orte repressão Ns .ozes discordantes, al0m de censura dos meios de comunicação. ssim, o re1rão: KVem .amos em"ora Sue esperar não 0 sa"er Suem sa"e 1az a hora Mão espera acontecerK tornou-se em"lem'tico de toda uma geração, sendo ressuscitado na campanha das K+iretas-H'K, em :;CD, Juando essa mesma geração, H' aos Juarenta anos, e seus 1ilhos 1oram para as ruas, pensando Jue esta.am K1azendo acontecerK. ,sse 0 um e2emplo do uso &ol*tico Jue se pode 1azer da arte. Portanto, as 1inalidades a ser.iço das Juais a arte pode estar podem ser pedag3gicas, religiosas, pol>ticas ou sociais. partir desse ponto de .ista, Juais seriam os crit0rios para se a.aliar uma o"ra de arteR ,sses crit0rios tam"0m .ão ser e2teriores N o"ra: não interessar' sa"er se a o"ra tem ou não Jualidade est0tica. #asta Jue se a.alie, do ponto de .ista %oral( a 1inalidade N Jual a o"ra ser.e. ,sse 0 o crit0rio moral. I outro 0 o crit0rio da eficácia da o"ra em relação N finalidade( isto 0, a o"ra conseguiu atingir essa 1inalidade pedag3gica, religiosa, pol>tica ou socialR ssim, a o"ra de arte ser' "oa se atingir a 1inalidade "oa para a Jual 0 usada. !unção naturalista Ma 1unção naturalista, o interesse est' mais .oltado para o conteQdo da o"ra do Jue para seu %odo de a&resentação. o"ra de arte seria como uma Hanela Jue dei2a entre.er uma realidade Jue est' al0m e 1ora dela, isto 0, não no mundo art>stico, mas no dos o"Hetos retratados. a o caso dos retratos 1eitos por pintores. o encomendar o retrato do presidente da !ep4"lica ou do diretor da escola para pendurar no Pal'cio da l.orada ou na sala da diretoria, não nos interessa nem a t0cnica, nem a composição, nem a criati.idade, nem a e2pressi.idade da o"ra. -nteressa s3 sa"er se o presidente ou o diretor tGm aJuela cara e discutir se 0 Ho.em ou .elho, "onito ou 1eio, se aJuela mancha no nariz 0 uma .erruga ou uma pinta. b o assunto Jue nos interessa, não o modo como 1oi pintado. arte s esculturas dos 1ara3s ser.iam como um KduploK, como um

,ssa atitude perante a arte surge H' na $r0cia, no s0culo V a.*, Juando escultores Kimita.amK a realidade, ou seHa, tenta.am, em suas o"ras, criar uma ilusão de realidade. ,ssa tendGncia, retomada pela arte renascentista, nos s0culos e-V e eV, principalmente na -t'lia, caracteriza a arte ocidental at0 o s0culo e-e, Juando surge a 1otogra1ia, Jue passa a cumprir essa 1inalidade de retratar a realidade. partir de então, a 1unção da arte, especialmente a pintura, te.e de ser repensada e hou.e uma ruptura com o naturalismo. Is crit0rios de a.aliação de uma o"ra de arte do ponto de .ista da 1unção naturalista são: a correção da representação (se 0 o assunto Jue nos interessa, de.e ser representado corretamente para Jue possamos identi1ic'-lo)7 a inteireza, ou seHa, a Jualidade de ser inteiro, >ntegro (o assunto de.e ser representado por inteiro)7 e o .igor, Jue con1ere um poder de persuasão, especialmente se a situação representada 1or imagin'ria. *omo e2emplo deste 4ltimo, temos a 1igura do ,.8., no 1ilme de mesmo nome. ,le 0 representado com tamanho .igor Jue 1icamos con.encidos da possi"ilidade de sua e2istGncia, enternecemo-nos com suas a.enturas e torcemos por ele at0 o 1inal. !unção for%alista Vamos, agora, e2aminar o interesse 1ormalista Jue, como o pr3prio nome indica, .isa a for%a de apresentação da o"ra, 1orma essa Jue contri"ui decisi.amente para o signi1icado da o"ra de arte. ,sse, portanto, 0 o 4nico dos interesses Jue se ocupa da arte enJuanto tal e por moti.os est0ticos, isto 0, Jue 1azem parte do mundo art>stico. +o ponto de .ista 1ormalista, .amos procurar, em cada o"ra, os princ>pios Jue determinam a sua organização interna: os elementos da composição e as relaçLes Jue e2istem entre eles. Mão importa o tipo de o"ra analisado, todos en.ol.em a estruturação interna de signos selecionados a partir da linguagem ou do c3digo espec>1ico de cada arte. Por e2emplo, o Juadro de &ondrian Jue analisamos no *ap>tulo :E 1oi constru>do ou estruturado a partir de signos de uma linguagem pict3rica muito de1inida, ou seHa, do abstracionis%o geo%étrico. / artista selecionou o Juadrado e o ret^ngulo, dentre as poss>.eis 1iguras geom0tricas7 e, dentre todas as cores poss>.eis, escolheu o azul, o .ermelho e o amarelo, al0m do "ranco, preto e cinza. Foi com esses elementos Jue ele construiu a sua o"ra, esta"elecendo muitas relaçLes internas entre eles. PP Messa 1unção, h' uma .alorização da e2periGncia est0tica como um momento em Jue, pela percepção e pela intuição, temos uma consciGncia intensi1icada do mundo. ,m"ora a e2periGncia est0tica propicie o conhecimento do Jue nos rodeia, esse conhecimento não pode ser 1ormulado em termos te3ricos porJue ele 0 imediato, concreto e sens>.el. a sentimento, porJue irre1letido, supondo uma certa disponi"ilidade para acolher o a1eti.o. a preciso lem"rar Jue podemos nos negar a essa disponi"ilidade, pois ela pressupLe um certo engaHamento no mundo: o o"Heti.o não é pens'-lo, nem agir so"re ele7 0, tão-somente, senti-lo na sua pro1undidade. Para e2empli1icar melhor essa 1unção, .amos tomar como e2emplo um Juadro Jue 0 "astante conhecido por todos, a )ona :isa( de Leonardo da Vinci. Passados Juase cinco s0culos de sua criação, não somos, certamente, mo.idos pelo interesse naturalista. 1inal, não temos id0ia de Jue aparGncia poderia ter a retratada e, tam"0m, não temos muita curiosidade em

sa"er, uma .ez Jue não a conhecemos. ssim, apesar de ser um retrato, o 4nico interesse Jue temos por ele 0 o modo como 1oi 1eito e os signi1icados Jue pode encerrar. Mosso interesse 0 pelo Juadro em si e não pelo assunto retratado.

)onalisa (cerca de :?A?), tela a 3leo do pintor renascentista italiano Leonardo da Vinci. a tam"0m conhecida como K$iocondaK, por retratar uma dama da sociedade 1lorentina. gora, .eHamos: 0 um retrato de mulher, a 3leo, de peJuenas dimensLes (?@ 2 DD cm). modelo, em primeiro plano, "em destacado, 0 .ista da cintura para cima, nem de 1rente, nem de per1il, mas de trGs-Juartos. ,ssa 1igura est' inserida dentro de um grande tri^ngulo imagin'rio Jue pode ser traçado a partir dos ^ngulos in1eriores da tela, passando pelos om"ros e terminando um pouco para 1ora da "orda superior da tela. I segundo e o 4ltimo planos, "em menores Jue o primeiro, mostram uma paisagem com estradas, rochedos e lagos. ,nJuanto o primeiro plano 0 pintado com riJueza de detalhes (o"ser.e o "ordado ao redor do decote do .estido), os outros dois .ão, gradati.amente, Ksaindo de 1ocoK. 5' tam"0m uma mudança de coloração entre o segundo e o 4ltimo planos: dos tons de marrom passa para o azul-es.erdeado. Mo primeiro plano, h' uma a"und^ncia de tons escuros, principalmente na parte in1erior, Jue, aliada N posição horizontal do "raço, cria uma sensação de peso, de esta"ilidade para a 1igura. *ontrastando com esses tons escuros, o rosto, o colo e as mãos, isto 0, onde a pele aparece, apresentam uma grande luminosidade. I .olume da 1igura 0 dado pelo som"reado, pelo uso do claro-escuro Jue .ai criando o rele.o. e2pressão do rosto 0 .erdadeiramente inde1in>.el. 5' um meio-sorrisoR 5' uma e2pressão de desd0m, de pouco-casoR 5', pelo menos, um apelo claro: apesar de ser retratada de trGs-Juartos, o olhar da modelo se dirige para n3s, para o espectador. %eria, tal.ez, dirigido ao pintor Jue ocupa.a o nosso lugar, ao pintar o JuadroR %ão indagaçLes .'lidas para as Juais Hamais teremos uma resposta de1initi.a. *ontrastando com o rosto, temos as mãos, Jue parecem rela2adas, em posição de completo repouso.

ssim, atra.0s da o"ser.ação cuidadosa da 1orma de apresentação dessa o"ra de arte, .amos 1azendo surgir uma s0rie de signi1icaçLes: h I 1ato de ser um retrato aponta para a .alorização do indi.>duo e para a ascensão da "urguesia, ocorrida durante o !enascimento7 h a colocação central da modelo na tela indica a .alorização do centro, presente tanto no geocentrismo Juanto no antropocentrismo7 h a esta"ilidade da 1igura, dada tanto pelo uso das cores Juanto pela sua 1orma triangular, nos remete a uma esta"ilidade social Jue e2istia no começo do s0culo eV- (o Juadro data, possi.elmente, de :?A?)7 h os detalhes do primeiro plano e a 1orma como 0 retratada a dist^ncia atra.0s da paisagem inserem este Juadro dentro da categoria est0tica do 1igurati.ismo naturalista, porJue o autor tentou criar uma ilusão de realidade so"re a tela7 h a luminosidade Jue aparece no rosto, no colo e nas mãos .aloriza a pele, em detrimento e em oposição ao tecido da roupa. ,sta .alorização da pele 0, tam"0m, uma .alorização da sensualidade e dirige o nosso olhar7 h a e2pressão inde1in>.el e o olhar dirigido a Juem pinta/contempla o Juadro criam uma atração e uma ligação entre espectador/pintor/modelo Jue .em desa1iando os s0culos. 8odos esses signi1icados agregados, mais os Jue outros o"ser.adores desco"rirão, 1ormam o sentimento de mundo captado pela intuição do pintor e e2presso nessa o"ra. Voltando, agora, ao di'logo Jue iniciou este cap>tulo, perce"emos Jue o interesse Jue moti.ou L4cia a .er o document'rio /s anos J^ 1oi tanto pragm'tico Juanto naturalista. I interesse em aprender a respeito da realidade hist3rica e social "rasileira do 1inal dos anos ?A e in>cio dos EA 0 um interesse pragm'tico. Por outro lado, o interesse naturalista tam"0m se 1ez presente a partir do momento em Jue o 1oco de sua atenção não era o 1ilme, enJuanto 1ilme, mas a realidade Jue ele mostra.a. Por outro lado, o interesse de Vera 0 1rancamente naturalista: Juer .er como 0 a .ida das outras pessoas. , o namorado de L4cia 0 mo.ido pelo interesse 1ormalista: Juer .er 1ilmes Jue ponham em 2eJue a linguagem cinematogr'1ica, Jue in.entem possi"ilidades no.as para o cinema. *om isso, .emos, tam"0m, Jue as 1unçLes não são mutuamente e2clusi.as. +ependendo do interesse com Jue nos apro2imamos de uma o"ra, ora uma, ora outra dessas 1unçLes aparecer' com maior import^ncia. E)ER%*%IOS +. Volte ao dropes do *ap>tulo :E, I Jue 0 arte, e relacione as 1unçLes Jue podem aparecer na arte 1igurati.a e na arte a"strata. <. *onstrua situaçLes Jue e2empli1iJuem cada uma das 1unçLes, como a historinha Jue inicia este cap>tulo. @. Faça o 1ichamento das principais id0ias do te2to de leitura complementar KI hero>smo da .isãoK, de %usan %ontag, e, depois, responda: a) Sual a 1unção da 1otogra1ia para os primeiros 1ot3gra1osR ") I Jue signi1ica a K.isão ati.a, a.aliati.a, aJuisiti.a, gratuitaKR

c) JuGR

partir de :;:?, com as 1otos ampliadas de 1ragmentos, a 1otogra1ia passa a ter no.a 1unção. Sual 0 e por

L,-8P! *I&PL,&,M8 ! / hero*s%o da #isão Is primeiros 1ot3gra1os 1ala.am como se a c^mera 1osse uma m'Juina copiadora7 como se, apesar de serem manipuladas por pessoas, 1ossem as c^meras Jue .issem. in.enção da 1otogra1ia 1oi acolhida como um meio para ali.iar a so"recarga da sempre crescente acumulação de in1ormaçLes e impressLes sensoriais. Fo2 8al"ot (...) XdizY Jue a id0ia da 1otogra1ia lhe surgiu em :C@@, numa .iagem N -t'lia, .iagem Jue se tinha tornado o"rigat3ria na -nglaterra para os herdeiros ricos, Juando 1azia alguns es"oços da paisagem no Lago *omo. o desenhar com a aHuda da c^mera escura, um dispositi.o Jue proHeta.a a imagem sem a 1i2ar, 1oi le.ado a re1letir, diz ele, Kso"re a inimit'.el "eleza dos Juadros Jue a natureza pinta e Jue a lente da c^mera 1az incidir no papel ne a perguntar-sen se seria poss>.el Jue estas imagens naturais pudessem ser impressas de um modo duradouroK. c^mera insinuou-se a Fo2 8al"ot como um no.o modo de registro cuHo encanto deri.a.a precisamente da sua impessoalidade, pois registra.a uma imagem KnaturalK, ou seHa, uma imagem Jue se 1orma.a Kpela ação e2clusi.a da luz, sem JualJuer au2>lio do l'pis do artistaK. I 1ot3gra1o era considerado um o"ser.ador arguto mas imparcial: um escritor e não um poeta. &as, como rapidamente se desco"riu Jue ningu0m tira a mesma 1otogra1ia da mesma coisa, a suposição de Jue as c^meras proporciona.am uma imagem impessoal e o"Heti.a deu lugar N .eri1icação de Jue as 1otogra1ias são uma e.idGncia, não s3 do Jue ali est' mas do Jue algu0m .G, não s3 um registro mas uma a.aliação do mundo. 8ornou-se claro Jue não ha.ia apenas uma ati.idade simples e unit'ria chamada .isão (registrada e suportada pela c^mera), mas tam"0m Ka .isão 1otogr'1icaK, Jue era simultaneamente uma no.a maneira de as pessoas .erem e uma no.a 1orma de ati.idade. (...) Por0m, rapidamente os .iaHantes com as suas c^meras assimilaram um leJue de assuntos mais .asto do Jue os lugares 1amosos e as o"ras de arte. .isão 1otogr'1ica signi1ica.a uma aptidão para desco"rir "eleza no Jue toda a gente .G mas menospreza por demasiado .ulgar. %upunha-se Jue os 1ot3gra1os não se de.iam limitar a .er o mundo tal como ele 0, incluindo as suas H' aclamadas mara.ilhas7 de.iam criar interesse, atra.0s de no.as decisLes .isuais. +esde a in.enção das c^meras Jue h' um hero>smo peculiar Jue se espalha pelo mundo: o hero>smo da .isão. 1otogra1ia inaugurou um no.o modelo de ati.idade independente Jue permite a cada pessoa e2i"ir uma determinada sensi"ilidade, 4nica e '.ida. Is 1ot3gra1os partiram para os seus sa1'ris culturais, sociais e cient>1icos N procura de -magens surpreendentes. -riam apresar o mundo, por maior Jue 1osse a paciGncia e

descon1orto e2igidos por essa modalidade de .isão ati.a, a.aliati.a, aJuisiti.a, gratuita. espera do momento e2atoK para tirar a sua c0le"re 1otogra1ia KFi1th .enue, ]interK X?.r

1red %tieglitz relata .enida, -n.ernoY7 o

orgulhosamente Jue ag_entou trGs horas durante uma tempestade de ne.e, em << de 1e.ereiro de :C;@, KN momento e2ato 0 aJuele em Jue se podem .er as coisas (especialmente as Jue toda a gente H' .iu) de uma maneira no.a. Para a imaginação popular, essa "usca trans1ormou-se na imagem de marca do 1ot3gra1o. Mos anos <A, o 1ot3gra1o tinha-se tornado um her3i moderno, tal como o a.iador e o antrop3logo, sem ter necessariamente de dei2ar a sua terra. Is leitores da imprensa popular eram con.idados a Huntarem-se Kao nosso 1ot3gra1oK numa K.iagem de desco"ertaK, .isitando no.os dom>nios como Ko mundo .isto de cimaK, Ko mundo .isto atra.0s da lente ampliadoraK, Kas "elezas do JuotidianoK, Ko uni.erso in.is>.elK, Ko milagre da luzK, Ka "eleza das m'JuinasK, a imagem Jue pode ser Kencontrada nas ruasK. apoteose da .ida Juotidiana e o gGnero de "eleza Jue s3 as c^meras re.elam 9 um ^ngulo da realidade material Jue o olhar não pode .er ou não pode normalmente isolar, ou uma panor^mica tirada, por e2emplo, a partir de um a.ião 9 são as principais metas da campanha do 1ot3gra1o. Por momentos, o grande plano pareceu ser o m0todo .isual mais original da 1otogra1ia. Is 1ot3gra1os .eri1icaram Jue, Juanto mais de perto capta.am a realidade, mais magn>1icas eram as 1ormas Jue surgiam. Mos princ>pios da d0cada de DA do s0culo passado, o .ers'til e engenhoso Fo2 8al"ot não se limitou a compor 1otogra1ias a partir dos gGneros da pintura 9 retrato, cenas dom0sticas, paisagens ur"anas, paisagens rurais, naturezas mortas 9, mas utilizou tam"0m a sua c^mera para 1otogra1ar uma concha, as asas de uma "or"oleta (ampliadas com a aHuda de um microsc3pio solar), duas prateleiras de li.ros do seu escrit3rio. &as essas imagens são ainda reconhec>.eis como uma concha, asas de "or"oleta e li.ros. Suando a .isão .ulgar 1oi ainda mais desrespeitada e o o"Heto, isolado dos seus conte2tos, se tornou a"strato, surgiram no.as con.ençLes so"re a "eleza. I "elo passou a ser Hustamente aJuilo Jue os olhos não .Gem ou não podem .er: essa .isão 1ragmentada, desorganizada Jue s3 a c^mera proporciona. %IM8 $, %usan. 3nsaios sobre fotografia. Lis"oa, +on Sui2ote, :;CE. p. CD-CB. !eio ou bonito7 $e&ende do gosto7 Feio não 0 "onito o morro e@iste %as &ede% &ara se acabar. Canta( %as canta triste Porque triste6a é s' o que se te% &ara cantar. Chora( %as chora rindo Porque é #alente e nunca se dei@a quebrar. A%a( o %orro a%a A%or bonito( a%or aflito que &ede outra hist'ria. *arlos LZra e $ian1rancesco $uarnieri

est0tica 0 um ramo da 1iloso1ia Jue se ocupa das JuestLes tradicionalmente ligadas N arte, como o "elo, o 1eio, o gosto, os estilos e as teorias da criação e da percepção art>sticas. +o ponto de .ista estritamente 1ilos31ico, a est0tica estuda racionalmente o "elo e o sentimento Jue este desperta nos homens. +essa 1orma, surge o uso corrente, comum, de est0tica como sin)nimo de "eleza. a esse o sentido dos .'rios institutos de est0tica: institutos de "eleza Jue podem a"ranger do salão de ca"eleireiro N academia de gin'stica. pala.ra est0tica .em do grego aisthesis e signi1ica K1aculdade de sentirK, Kcompreensão pelos sentidosK, Kpercepção totalizanteK. ssim, retomando o Jue 1oi e2posto no cap>tulo anterior, a o"ra de arte, sendo, em primeiro lugar, indi.idual, concreta e sens>.el, o1erece-se aos nossos sentidos7 em segundo lugar, sendo uma interpretação sim"3lica do mundo, sendo uma atri"uição de sentido ao real e uma 1orma de organização Jue trans1orma o .i.ido em o"Heto de conhecimento, proporciona a compreensão pelos sentidos7 ao se dirigir, enJuanto conhecimento intuiti.o, N nossa imaginação e ao sentimento -não N razão l3gica), toma-se em o"Heto est0tico por e2celGncia. / belo VeHamos, agora, as JuestLes relati.as N "eleza e N 1ei4ra. %er' Jue podemos de1inir claramente o Jue 0 a "eleza, ou ser' Jue esse 0 um conceito relati.o, Jue .ai depender da 0poca, do pa>s, da pessoa, en1imR ,m outros termos, a "eleza 0 um .alor ob2eti#o( Jue pertence ao o"Heto e pode ser medido, ou sub2eti#o( Jue pertence ao suHeito e Jue, portanto, poder' mudar de indi.>duo para indi.>duoR s respostas a essas perguntas .ariaram durante o decorrer da hist3ria. +e um lado, dentro de uma tradição iniciada com Platão (s0c. -V a.*), na $r0cia, h' os 1il3so1os Jue de1endem a e2istGncia do K"elo em siK, de uma essGncia ideal, o"Heti.a, independente das o"ras indi.iduais, para as Juais ser.e de modelo e de crit0rio de Hulgamento. ,2istiria, então, um ideal uni.ersal de "eleza Jue seria o padrão a ser seguido. s Jualidades Jue tornam um o"Heto "elo estão no pr3prio o"Heto e independem do suHeito Jue as perce"e. Le.ando essa id0ia a suas 4ltimas conseJ_Gncias, poder>amos esta"elecer regras para o 1azer art>stico, com "ase nesse ideal. , 0 e2atamente isso Jue .ão 1azer as academias de arte, principalmente na França, onde são 1undadas a partir do s0culo eV--. +e1endendo o outro lado, temos os 1il3so1os empiristas, como +a.id 5ume (s0c. eV---), Jue relati.izam a "eleza, reduzindo-a ao gosto de cada um. Juilo Jue depende do gosto e da opinião pessoal não pode ser discutido racionalmente, donde o ditado: K$osto não se discuteK. I "elo, dentro dessa perspecti.a, não est' mais no o"Heto, mas nas condiçLes de recepção do suHeito. [ant, ainda no s0culo eV---, tentando resol.er esse impasse entre o"Heti.idade e su"Heti.idade, a1irma Jue o "elo 0 KaJuilo Jue agrada uni.ersalmente, ainda Jue não se possa Husti1ic'-lo intelectualmenteK. Para ele, o o"Heto "elo 0 uma ocasião de prazer, cuHa causa reside no suHeito. I princ>pio do Hu>zo est0tico, portanto, é o senti%ento do suHeito e não o conceito do o"Heto. pesar de esse Hu>zo ser su"Heti.o, ele não se reduz N

indi.idualidade de um 4nico suHeito, uma .ez Jue todos os homens tGm as mesmas condiçLes su"Heti.as da 1aculdade de Hulgar. a algo Jue pertence N condição humana, isto 0, porJue sou humano, tenho as mesmas condiçLes su"Heti.as de 1azer um Hu>zo est0tico Jue meu .izinho ou o cr>tico de arte. I Jue o cr>tico de arte tem a mais 0 o seu conhecimento de hist3ria e a sensi"ilidade educada. ssim, o "elo 0 uma Jualidade Jue atri"u>mos aos o"Hetos para e2primir um certo estado da nossa su"Heti.idade, não ha.endo, portanto, uma id0ia de "elo nem regras para produzi-lo. ,2istem o"Hetos "elos Jue se tornam modelos e2emplares e inimit'.eis. 5egel, no s0culo seguinte, introduz o conceito de hist3ria. "eleza muda de 1ace e de aspecto atra.0s dos tempos. , essa mudança (chamada de#ir?( Jue se re1lete na arte, depende mais da cultura e da .isão de mundo presentes em determinada 0poca do Jue de uma e2igGncia interna do "elo. 5oHe em dia, numa .isão 1enomenol3gica, consideramos o "elo como uma Jualidade de certos o"Hetos singulares Jue nos são dados N percepção. #eleza 0, tam"0m, a imanGncia total de um sentido ao sens>.el, ou seHa, a e2istGncia de um sentido a"solutamente insepar'.el do sens>.el. I o"Heto 0 "elo porJue realiza o seu destino, 0 autGntico, 0 .erdadeiramente segundo o seu modo de ser, isto 0, 0 um o"Heto singular, sens>.el, Jue carrega um signi1icado Jue s3 pode ser perce"ido na e2periGncia est0tica. Mão e2iste mais a id0ia de um 4nico .alor est0tico a partir do Jual Hulgamos todas as o"ras. *ada o"Heto singular esta"elece seu pr3prio tipo de "eleza. / feio I pro"lema do 1eio est' contido nas colocaçLes Jue são 1eitas so"re o "elo. Por princ>pio, o 1eio não pode ser o"Heto da arte. Mo entanto, podemos distinguir, de imediato, dois modos de representação do 1eio: a representação do assunto K1eioK e a 1orma de representação 1eia. Mo primeiro caso, em"ora o assunto K1eioK tenha sido e2pulso do territ3rio art>stico durante s0culos mpelo menos desde a ntig_idade grega at0 a 0poca medie.al), no s0culo e-e ele 0 rea"ilitado. Mo momento em Jue a arte rompe com a id0ia de ser Kc3pia do realK e passa a ser considerada criação aut)noma Jue tem por 1unção re.elar as possi"ilidades do real, ela passa a ser a.aliada de acordo com a autenticidade da sua proposta e com sua capacidade de 1alar ao sentimento. I pro"lema do "elo e do 1eio 0 deslocado do assunto para o modo de representação. , s3 ha.er' o"ras 1eias se 1orem mal1eitas, isto 0, se não corresponderem plenamente N sua proposta. ,m outras pala.ras, Juando hou.er uma o"ra 1eia, nesse 4ltimo sentido, não ha.er' uma o"ra de arte.

5oHe em dia est' cada .ez mais di1>cil satis1azer o gosto do p4"lico. / $P !. [tila( #oc> é bárbaro. !io de /aneiro, *i.ilização #rasileira, :;EC. p. <D. / gosto Juestão do gosto não pode ser encarada como uma pre1erGncia ar"itr'ria e imperiosa da nossa su"Heti.idade. Suando o gosto 0 assim entendido, nosso Hulgamento est0tico decide o Jue &referi%os em 1unção do Jue so%os. , não h' margem para melhoria, aprendizado, educação da sensi"ilidade, para crescimento, en1im. -sso porJue esse tipo de su"Heti.idade re1ere-se mais a si mesma do Jue ao mundo dentro do Jual ela se 1orma. %e Juisermos educar o nosso gosto 1rente a um o"Heto est0tico, a su"Heti.idade precisa estar mais interessada em conhecer do Jue em &referir. Para isso, ela de.e entregar-se Ns particularidades de cada o"Heto. Messe sentido, ter gosto 0 ter capacidade de Hulgamento sem preconceitos. a dei2ar Jue cada uma das o"ras .' 1ormando o nosso gosto, modi1icando-o. %e n3s nos limitarmos NJuelas o"ras, seHam elas m4sica, cinema, programas de tele.isão, Juadros, esculturas, edi1>cios, Jue H' conhecemos e sa"emos Jue gostamos, Hamais nosso gosto ser' ampliado. a a pr3pria presença da o"ra de arte Jue 1orma o gosto: torna-nos dispon>.eis, 1az-nos dei2ar de lado as particularidades da su"Heti.idade para chegarmos ao uni.ersal. &i\el +u1renne, 1il3so1o 1rancGs contempor^neo, e2plica esse processo de 1orma muito 1eliz, e por isso .amos cit'-lo. +iz Jue a o"ra de arte Kcon.ida a su"Heti.idade a se constituir como olhar puro, li.re a"ertura para o o"Heto, e o conte4do particular a se p)r a ser.iço da compreensão em lugar de o1usc'-la 1azendo pre.alecer as suas inclinaçLes. ` medida Jue o suHeito e2erce a aptidão de se a"rir, desen.ol.e a aptidão de compreender, de penetrar no mundo a"erto pela o"ra. $osto 0, 1inalmente, comunicação com a o"ra para al0m de todo sa"er e de toda t0cnica. I poder de 1azer Hustiça ao o"Heto est0tico 0 a .ia da uni.ersalidade do Hulgamento do gostoK. ssim, a educação do gosto se d' dentro da e@&eri>ncia estética( Jue é a e2periGncia da presença tanto do o"Heto est0tico como do suHeito Jue o perce"e. ,la se d' no %o%ento e% Jue, e% .ez de impor os meus padrLes N o"ra, dei2o Jue essa mesma o"ra se mostre a partir de suas regras internas, de sua con1iguração 4nica. ,m outras pala.ras, no momento em Jue entro no mundo da o"ra, Hogo o seu Hogo de acordo com suas regras e .ou dei2ando aparecer alguns de seus muitos sentidos. -sso não Juer dizer Jue .' ser sempre 1'cil. Precisamos começar com o"ras Jue nos esteHam mais pr32imas, no sentido de serem mais 1'ceis de aceitar. , dar um passo de cada .ez. I importante 0 não parar no meio do caminho, pois o uni.erso da arte 0 muito rico e muito enriJuecedor. tra.0s dele, desco"rimos o Jue o %undo &ode ser e, tam"0m, o Jue n's &ode%os ser e conhecer. Uale a pena. *oncluindo tudo isso Jue aca"amos de discutir: os conceitos de "eleza e 1ei4ra, os pro"lemas do gosto e a recepção est0tica constituem o territ3rio desse ramo da 1iloso1ia denominado estética. ,e,!*Q*-I%

:. *ompare o padrão de "eleza 1eminina e masculina na $r0cia, na -dade &0dia e no !enascimento, atra.0s de esculturas e pinturas. Suais as alteraçLes encontradasR <. *ompare os padrLes de "eleza de grupos 0tnicos di1erentes, le.antando seus .alores. ,sses padrLes são mostrados e respeitados em sua di.ersidade na nossa sociedadeR @. Le.ante o padrão de "eleza di.ulgado pela 8V. ,le est' de acordo com a composição da nossa populaçãoR D. Sual o papel Jue a 8V e a pu"licidade desempenham na 1ormação do nosso gosto, no Jue diz respeito ao padrão de "eleza humanaR Z. A partir do te2to de leitura complementar, de &arcelo *oelho, responda: a) cr>tica de arte 0 terreno da su"Heti.idadeR Por JuGR ") Sue argumentos ele usa para pro.ar Jue gosto se discuteR c) Suais são as razLes apontadas para a situação da cr>tica de arte no #rasilR E. Faça uma dissertação com o tema: K import^ncia da cr>tica de arte nos Hornais "rasileirosK. P,%SP-% , %,&-MW!-I :. &ostre como o gosto europeu passa a ser in1luenciado pelos artigos Haponeses, na segunda metade do s0culo e-e, principalmente com o impressionismo. <. &ostre a in1luGncia da arte a1ricana so"re o cu"ismo 1rancGs. L,-8P! *I&PL,&,M8 ! 5' algo de &obre no gosto de cada u% tempo de permissi.idade nos .alores culturais cria a ilusão de Jue o gosto 0 uma Juestão 1isiol3gica 8odo mundo reclama dos cr>ticos de cinema. a um pouco como a meteorologia ou o hor3scopo 9 as pessoas lGem, mas não acreditam. FreJ_entemente, irritam-se "astante. *onheço por e2periGncia pr3pria a tentação de ser inHusto, prepotente e su"Heti.o 9 e as reaçLes Jue isso Ns .ezes desperta. XI autor discorre so"re suas pre1erGncias com relação a .'rios aspectos do 1ilme comparando-o ao de LaFrence Ili.ier.Y Gosto se discute *omo se .G, estamos no dom>nio da su"Heti.idade pura. I cr>tico declara sua pre1erGncia, e, se por uma Juestão de compostura Hornal>stica, e.ita o uso da primeira pessoa (esse KeuK tão intrometido no papel impresso), passa por in1le2>.el e dono da .erdade. I "om senso recomendaria a seguinte conclusão7 gosto não se discute... /ean %immons ou 5elena #onham-*arter, Juestão de pre1erGncia pessoal. &as7 entre o 1ilme de ie11irelli e o de LaFrence Ili.ier, a decisão 0 mais complicada. Messe ponto, a id0ia de Jue Kgosto não se discuteK me parece 1undamentalmente errada. $ostos se discutem sim, e diariamente. &ais do Jue se discutem: em cada per>odo hist3rico, h' gostos em luta, .it3rias, derrotas, re.anches. Pma ilusão de nosso tempo 9 um tempo de toler^ncia est0tica, de permissi.idade nos a%let( de ie11irelli,

.alores culturais, de repressão totalit'ria ao Hulgamento cr>tico 9 0 pensar Jue o gosto seHa uma Juestão indi.idual, Juase 1isiol3gica, e Jue ningu0m tem de dar palpite so"re a pre1erGncia alheia. (...) < bo%( é rui% +escon1io Jue esse pro"lema tenha uma dimensão mais ampla do Jue supLe a nossa .ã irritação. *om a cultura de massas, parece ter-se esta"elecido um estado de anomia no /ulgamento est0tico: não h' mais um p4"lico uni1orme, Jue compartilha das mesmas re1erGncias culturais. Mão h', numa 0poca em Jue, artisticamente, tudo 1icou Kal0m do "om e do ruimK, muita legitimação do Hulgamento, e, .' l' a pala.ra, para a pedagogia cr>tica. o mesmo tempo, como no #rasil o consumo de cultura 0 restrito, a deslegitimação do Hulgamento est0tico, do isto 0 "om, isto 0 ruim, não se acompanhou de uma deselitização geral, de uma complacGncia com a cultura de massas, Jue parece ha.er, por e2emplo, no Hornalismo cultural norte-americano. Is cr>ticos da .lustrada en1rentam, assim, uma situação am">gua: di1erenças de estilo pessoal ' parte, terminam o1endendo e2atamente aJuela parcela dos leitores a Juem, teoricamente, de.eriam persuadir, con.encer, KilustrarK. Pelo menos, 0 para isso Jue de.eria ser.ir a cr>tica7 em desespero de causa, agredimos. 9uestão de &ro#ar 5' sa>das para essa situaçãoR VeHo, pelo menos, duas perspecti.as poss>.eis. inclinaçLes irremo.>.eis de cada pessoa. primeira 0 mais uma con.icção pessoal. Mão acredito Jue o gosto seHa uma Juestão puramente su"Heti.a, Jue s3 depende das o contr'rio, a e2periGncia cotidiana mostra Jue muitas .ezes mudamos de opinião so"re um 1ilme ou uma m4sica de Jue gost'.amos, e Jue uma con.ersa com Juem acha coisas di1erentes do Jue n3s geralmente modi1ica, ainda Jue não admitamos isso de imediato, as impressLes Jue t>nhamos de in>cio. I gosto se 1orma 9 e se educa 9 no di'logo e no con1ronto, por mais cego e "rutal Jue este pareça a princ>pio, e não na es1era >ntima de nossas reaçLes pessoais7 estas, por sua .ez, s3 se 1ortalecem, ganham intensidade e consciGncia, se desa1iadas na ad.ersidade. Mão h' como Kpro.arK Jue ie11irelli 1ez um 1ilme melhor Jue LaFrence Ili.ier. &as h' como chamar a atenção para o Jue h' de ruim no 1ilme de Ili.ier7 não 0 o caso de pichar simplesmente, mas de dar e2emplos. Mo começo do 1ilme, um dos guardas pronuncia a c0le"re 1rase: K5' algo de podre no reino da +inamarcaK. -mediatamente, a c^mera de LaFrence Ili.ier .agueia pelo cen'rio, desce escadas, como Jue N procura desse Kalgo de podreK: .ai adiante, hesita, des.ia-se, at0 en1ocar, melodram'tica, o leito conHugai do rei e da rainha. Messe intencionalismo do diretor, nessa .ontade de circunscre.er o drama sha\espeariano a uma interpretação psicanal>tica, nessa e2plicitude de meios, nessa histeria signi1icati.ista, s3 posso .er um caso de mau gosto. , não me resta senão apelar ao leitor: não 0 de mau gosto essa cenaR Mão 0, a1inal, pretensioso, "om"'stico, .ulgar, toloR , no 1im, 0 um pouco desse modo Jue Kgostos se discutemK. Centrali6ação VeHo tam"0m uma segunda perspecti.a de superação para os atuais desentendimentos entre leitores e cr>ticos. +epende de um 1en)meno social mais amplo. indiJue uma coisa "oa. (...) atual tendGncia para K.oltar aos cl'ssicosK, a .oga internacional de re.alorizar, por e2emplo, o te2to no teatro 9 H' discutida aJui por Melson de %' 9 tal.ez

X+epois da moda, das 4ltimas d0cadas, de contestar a cultura ocidental esta"elecida, a .olta aos cl'ssicosY tal.ez se 1aça pre.er de agora em diante7 e pode ser Jue isso solidi1iJue um pouco mais o Ko"Heti.ismoK, o crit0rio, di1>cil de demonstrar, mas e2istente, de di1erenciação entre o "om e o ruim, e, em suma, a discussão dos gostos a partir de uma "ase minimamente comum. %e 0 isso, então um 1ilme como a%let( 1eito por um diretor razoa.elmente neutro e con.encionai, não 0 de Hogar 1ora neste momento. *I,L5I, &arcelo. in !olha de 1. Paulo( :: set. :;;:. Arte de elite( arte &o&ular( arte de %assa t0 aJui .imos discutindo caracter>sticas e e2emplos do Jue chamamos arte de elite, ou arte da cultura erudita. I termo elite aJui, portanto, est' sendo usado no sentido sociol3gico e designa uma minoria social dominante em termos culturais, em .irtude do conhecimento e do dom>nio de .'rios c3digos no campo das artes. Arte de elite: caracter*sticas !esumindo o Jue H' .imos, podemos dizer Jue essa arte 0, em geral, conser.ada em museus e nas grandes coleçLes particulares. 8em .alor est0tico indiscut>.el, isto 0, sustenta a apreciação est0tica de um p4"lico com sensi"ilidade treinada, e2igindo conhecimentos espec>1icos so"re arte e so"re linguagens art>sticas. arte de elite caracteriza-se por: h implicar um es1orço para captar o signi1icado da e2istGncia humana7 h e2igir do p4"lico uma mudança no modo de .er o mundo7 h en.ol.er o desen.ol.imento da linguagem art>stica7 h en.ol.er a e2pressão pessoal do artista. ,ste não 0, entretanto, o 4nico tipo de arte Jue e2iste. 8odos n3s H' ou.imos 1alar e ti.emos contato tanto com a arte popular, ou 1olcl3rica, Juanto com a arte de massa .eiculada pelos meios de comunicação de massa. I Jue serão elas e como se distinguem da arte de eliteR Arte 2o2u)ar ou ,o)c)ore Caracter*sticas da arte &o&ular %egundo rnold 5auser, te3rico e historiador da arte, a arte popular ou 1olcl3rica compreende a produção po0tica, musical, pl'stica, teatral e de dança de um setor da população Jue não 0 intelectualizada, nem ur"ana, nem industrial. *aracteriza-se por: h ser an)nima, isto é( a 1orma de sua apresentação 0 1ruto de in4meras cola"oraçLes ao longo do tempo, sem Jue haHa um 4nico autor7 h traduzir a .isão de mundo e os sentimentos coleti.os do grupo no Jual tem sua origem, ou seHa, o conte4do da e2periGncia e2pressa na arte 1olcl3rica 0 comum a toda uma coleti.idade7 h desen.ol.er-se dentro de con.ençLes 1i2as7

h ter como p4"lico o pr3prio grupo Jue a criou e Jue, em geral, 0 composto pelos ha"itantes rurais e de peJuenos .ilareHos7 h não ser inspirada nem in1luenciada por modas. lguns antrop3logos e soci3logos .Gm discutindo essas caracter>sticas da arte popular com o o"Heti.o de alargar o uso do conceito, adeJuando-o N realidade das sociedades modernas. ssim, podemos tam"0m encontrar arte popular, hoHe, nas cidades grandes, industrializadas, para onde migraram os ha"itantes rurais, inclusi.e de outras regiLes do pa>s, ou, ainda, de outros pa>ses, como 0 o caso das col)nias italiana, Haponesa e alemã no #rasil. ,ncontramo-la, ainda, em algumas mani1estaçLes ur"anas como a dança de salão, Jue preser.a ritmos e danças populares de .'rias regiLes, ou em peças do .estu'rio e nos adereços. I traço distinti.o Jue realmente caracteriza uma produção art>stica como sendo 1olcl3rica 0 o 1ato de ela ser produzida pelo grupo, estar enraizada na .i.Gncia desse grupo e, por essa razão, ter esse mesmo grupo como p4"lico. I adHeti.o KpopularK, portanto, 0 usado porJue o Kpo.oK 0 a orige% e o fi% da produção. Messe sentido, a produção 1olcl3rica não 0 um espet'culo, uma curiosidade para ser consumida pelos turistas de outras regiLes. ,la 0 a e2pressão mais genu>na de um grupo de pessoas, 0 a representação sim"3lica de seu modo de .ida, de suas ra>zes, de suas crenças e aspiraçLes. a atra.0s dela Jue o grupo encontra o re1le2o de sua identidade cultural. Por essa razão, Juando se "usca a identidade de uma nação, seu 1olclore 0 .alorizado. Mo entanto, no momento em Jue ele 0 retirado da 0poca e do lugar em Jue se originou, e das mãos dos atores Jue o .inham recriando tradicionalmente, ele perde sua razão de ser, perde a ligação e2istencial tanto com os apresentadores Juanto com o p4"lico e toma-se mero espet'culo Jue pode ser .isto e esJuecido7 em uma pala.ra, consu%ido. *omo e2emplo, podemos citar o *arna.al, em especial o do !io de /aneiro, Jue dei2ou de ser a mani1estação de alegria, Ns .ezes cr>tica, de "locos de 1oliLes, para se trans1ormar na Kpassarela do sam"aK, na Jual des1ilam e ganham pu"licidade artistas de 8V, cantores, modelos, mem"ros da Kalta sociedadeK. O tra1a)ho do arti+ta e o do arte+ão A partir das di1erenças esta"elecidas entre arte de elite e arte popular, 1ica mais 1'cil entender as di1erenças entre o tra"alho do artista e o tra"alho do artesão. %e pensarmos na produção artesanal de uma região ou de um grupo social ou 0tnico, como o artesanato ind>gena, a cestaria produzida no litoral paulista, a cer^mica de $oi's ou da #ahia, .eremos Jue em toda essa produção est' presente a re&etição de padrLes tradicionais. I cesto 0 trançado segundo uma determinada t0cnica, adeJuada N 1i"ra utilizada, e de.e ser con1eccionado em determinada 1orma e tamanho, com a decoração t>pica da região. +essa primeira caracter>stica decorre uma outra: como o artesão repete padrLes, ele sa"e e2atamente Jual tipo de produto ter' ao 1inal de seu tra"alho. %a"e Jual ser' sua aparGncia e seu tamanho, sa"e a Juantidade de material a usar, as 1erramentas de Jue .ai precisar e as t0cnicas Jue empregar' em cada est'dio da produção.

I tra"alho do artista, ao contr'rio, en.ol.e a criação, a desco"erta de uma no.a com"inação de elementos. ssim, Juando começa seu processo de criação, ele não sa"e ao certo a Jue resultado 1inal chegar'. Pode precisar de outros materiais al0m daJuele com Jue começou a tra"alhar, pode precisar de 1erramentas no.as, e pode ter de in.entar ou ino.ar as t0cnicas.

rtesã de -tacoatiara ( &) pacientemente trança cestos, seguindo t0cnica tradicional.

/ $P !. [tila( #oc> é bárbaro. !io de /aneiro, *i.ilização #rasileira, :;EC. p. BC. I"ser.e o cartum. ,le 1oi 1eito de acordo com as con.ençLes da arte eg>pcia, Jue representa.a a 1igura humana com a ca"eça e as pernas de per1il, e o corpo de 1rente.

I meio art>stico (pintura, cinema, escultura, m4sica, dança etc.) e o material Jue o artista escolhe são condiçLes do pensar art>stico, são partes constituti.as da sua e2pressão, e2pressão essa Jue .ai surgindo N medida Jue ele .ai tra"alhando. I proHeto do artista condiciona o meio e o material Jue, por sua .ez, condicionam as t0cnicas e o estilo. 8udo isso reunido 1orma a linguagem da o"ra, sua marca incon1und>.el, seu signi1icado sens>.el. I artista, portanto, ao contr'rio do artesão, em"arca em uma .iagem em a"erto. I porto de desem"arJue s3 re.elar' o seu nome Juando a o"ra ti.er sido completada. Messe sentido, podemos dizer Jue o artista cria( enJuanto o artesão confecciona. Para o artesão "asta o conhecimento t0cnico apurado. I artista, al0m desse, precisa ser capaz de intuir as 1ormas organizadoras do mundo e da natureza humana para poder e2press'-las. o colocar essas di1erenças entre arte e artesanato, entretanto, não estamos Juerendo desmerecer nem o tra"alho do artesão nem o produto desse tra"alho. I "om artesão tem grande conhecimento do material com Jue tra"alha e das t0cnicas Jue emprega. l0m disso, ao repetir os padrLes tradicionais 9 o modo tradicional de con1eccionar um certo tipo de o"Heto 9 Jue ti.eram sua origem e sua razão de ser numa determinada cultura, ele est' sendo uma das 1orças de conser.ação dessa cultura. 5', entretanto, principalmente nos centros ur"anos, uma outra produção, geralmente de "ai2a Jualidade t0cnica, Jue tam"0m 0 chamada de artesanato e produz peças para o consumo tur>stico ou de pessoas Jue não tGm nenhum conhecimento da cultura local e tomam por t>pico ou art>stico aJuilo Jue 0 simplesmente ruim e mal1eito. l0m da 1alta de Jualidade t0cnica e art>stica, 1alta, tam"0m, a relação com a cultura, o Jue le.a a uma .isão estereotipada e mecanizada de um 1azer Jue esta.a ligado ao modo de .ida do .erdadeiro artesão.

Arte de ma++a A arte de massa 0 constitu>da por aJueles produtos da ind4stria cultural Jue se destinam N sociedade de consumo e Jue .isam responder ao Kgosto m0dioK da população de um pa>s ou, em termos de multinacionais da produção, do mundo. arte de massa caracteriza-se por: h ser produzida por um grupo de pro1issionais Jue pertence a uma classe social di1erente do p4"lico7 h ser dirigida pela demanda, passando, portanto, por modismos7 h ser 1eita para um p4"lico semiculto e passi.o7 o Kpo.oK, nesse caso, 0 s3 o al.o da produção, não sua origem7 h .isar o di.ertimento como meio de passar o tempo. cultura de massa e, como parte dela, a arte de massa pressupLe a e2istGncia da ind4stria cultural, de um lado, produzindo artigos em s0rie para serem consumidos pelo p4"lico7 e, do outro, a KmassaK, um n4mero indeterminado de pessoas (Juanto mais, melhor), despidas de suas caracter>sticas indi.iduais, de classe, 0tnicas, de região, at0 mesmo de pa>s, Jue são tratadas como um todo razoa.elmente homogGneo, para o Jual esta produção 0 direcionada.

ssim, essa produção .isa atender ao chamado Kgosto m0dioK e, por isso, tam"0m ter' de dei2ar de lado as caracter>sticas espec>1icas de classe, de região, de gosto, para assumir uma certa ho%ogeneidade Jue não causar' KindigestãoK a ningu0m. de arte, Jue parece, mas não 0. Passemos para um e2emplo concreto: a m4sica sertaneHa, cuHa matriz 0 a m4sica caipira, de .iola. Is instrumentos 1oram mudados, tornando o som muito mais KricoK7 os cantores perderam o sotaJue do KcaipiraK7 o ritmo passou a englo"ar a canção rancheira, o "alanço, o chamam0 e contri"uiçLes latino-americanas, como a guar^nia7 os temas a1astaram-se das preocupaçLes da população rural e passaram a 1alar da .ida na cidade (.eHa KFuscão pretoK ou K]his\Z com geloK), das alegrias e di1iculdades dos caminhoneiros e de amores malresol.idos7 as Kduplas sertaneHasK passaram a ostentar signos de cau"3is americanos ("otas, chap0us, cintos, roupas de couro com 1ranHas, camisas 2adrezes) numa clara re1erGncia aos 1ilmes de Kmocinho e "andidoK e N cultura dominante (caipira americano de.e ser muito melhor Jue o "rasileiro, não 0R7 pelo menos, 1ala inglGs...)7 com isso, 1azem enorme sucesso e ganham muito dinheiro para si e para suas gra.adoras. ,sse 0 um produto t>pico da ind4stria cultural. I p4"lico dessa produção, encarado como massa e não como grupos heterogGneos "em caracterizados, 0, na .erdade, um conceito abstrato( %e não tem consciGncia de si como grupo social, não pode 1azer e2igGncias, toma-se passi.o, rece"e e consome o Jue lhe 1or dado pelos produtores. Podemos entender essa colocação se pensarmos Jue o p4"lico, por não se reconhecer por meio dessa produção, não mant0m uma ligação .i.encial com ela, podendo consumir m4sica sertaneHa hoHe, roc\ amanhã, sem se sentir .erdadeiramente ligado a nada. Pode usar enJuanto 1or moda e descartar Juando ti.er cansado. isso, tam"0m, est' ligado o pro"lema da alienação promo.ida pela arte de massa. ,ssa Juestão 1oi le.antada especialmente por dorno e 5or\heimer, 1il3so1os da ,scola de Fran\1urt, H' na d0cada de DA. Para eles, os produtos da ind4stria cultural le.am ine.ita.elmente N alienação (.er conceito N p'g. D@) porJue não induzem o homem a se situar na realidade social, econ)mica e hist3rica, nem a pensar criticamente so"re sua situação no mundo, o1erecendo um tipo de di.ersão in3cuo e escapista7 isto, porJue a ind4stria cultural tra"alha so"re as opiniLes comuns, rea1irmando o Jue H' pensamos e estimulando o con1ormismo a .alores culturais assentados. ssim, o grande perigo da arte de massa, transmitida pelos meios de comunicação de massa (&*&), 0 o de trans1ormar esse enorme p4"lico em um grande re"anho de seres passi.os, incapazes de JualJuer trans1ormação de sua realidade. *onsiderando Jue, na d0cada de DA, a 8V apenas principia.a a aparecer, tanto nos ,stados Pnidos Juanto na ,uropa, compreende-se per1eitamente a .isão radical e Kde 1im do mundoK desses pensadores. 5oHe, passados cinJ_enta anos, tGm sido 1eitos muitos estudos a respeito da recepção dos meios de comunicação e perce"eu-se Jue eles não ti.eram e1eitos tão de.astadores. Is meios de comunicação, por atenderem ao gosto m0dio, sem d4.ida, aca"am por homogeneizar seus produtos, promo.endo uma certa alienação da .ida e de seus pro"lemas. ,ntretanto, o espectador não so1re, em 13rmula encontrada 0 a da KpasteurizaçãoK, Jue tira o Jue uma o"ra de arte tem de e2pressi.o, de di1erente, de no.o, de espec>1ico, para o1erecer uma .ersão p'lida e in3cua, um arremedo

seu dia-a-dia, s3 a in1luGncia dos &*&. ,le .ai N escola, ao tra"alho, encontra amigos, .ai N igreHa, ao "ar, ao cinema, en1im, est' e2posto a uma s0rie de situaçLes Jue 1azem com Jue ele não seHa um receptor completamente passi.o, algu0m Jue simplesmente rece"e tudo o Jue lhe dão sem 1azer nenhuma ela"oração pessoal, sem 1azer nenhuma s>ntese. ssim, o Jue precisamos e podemos 1azer, 1rente aos produtos da ind4stria cultural, 0 sa"er escolher entre as alternati.as de programação por ela o1erecida7 sa"er rece"er essa programação, conhecendo seus limites e suas 1unçLes7 sa"er discutir criticamente os modelos propostos e os .alores impl>citos a eles. Feito isso, poderemos calmamente ligar o r'dio enJuanto descansamos ou 1azemos algum tra"alho mec^nico, sendo en.ol.idos pelos ritmos mais populares da parada de sucessos. Iu sentar em 1rente N 8V, no momento de 1olga, para rela2ar das tensLes do cotidiano, para nos distrairmos com aJuele 1ilme, cap>tulo de no.ela, seriado enlatado, programa de audit3rio, sa"endo Jue 0 um espaço de pura di.ersão consumista Jue nada e2ige de n3s, Jue pouco acrescenta ao nosso crescimento, mas Jue 0 a folga( o re1resco do Jual nossa ca"eça e nosso coração precisam para continuar na luta e construir nossa humanidade. ,e,!*Q*-I% :. Fiche as caracter>sticas da: a) arte de elite7 ") arte popular7 c) arte de massa. <. Leia a tira a seguir e, depois, responda Ns JuestLes considerando os conceitos apresentados no te2to te3rico.

a) I Jue o pro1essor entende por artesanatoR ") Sue cr>tica est' presente na resposta do meninoR @. partir do te2to de leitura complementar K ind4stria culturalK, de dorno, e2pliJue por Jue Kas massas não são a medida, mas a ideologia da ind4stria culturalK. D. *onsiderando o te2to de leitura complementar de 8ei2eira *oelho, responda: a) Suais são as condiçLes "'sicas para a e2istGncia da ind4stria culturalR ") ,ssas condiçLes e2istem no #rasil como um todo ou s3 em algumas regiLesR LEITURA %OMPLEMENTAR .ndQstria cultural( %eios de co%unicação de %assa( cultura de %assa (...) a ind4stria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa surgem como 1unçLes do 1en)meno da industrialização. , esta, atra.0s das alteraçLes Jue produz no modo de produção e na 1orma do

tra"alho humano, Jue determina um tipo particular de ind4stria (a cultural) e de cultura (a de massa), implantando numa e noutra os mesmos princ>pios em .igor na produção econ)mica em geral: o uso crescente da m'Juina e a su"missão do ritmo humano de tra"alho ao ritmo da m'Juina7 a e2ploração do tra"alhador7 a di.isão do tra"alho. ,stes são alguns dos traços marcantes da sociedade capitalista li"eral, onde 0 n>tida a oposição de classes e em cuHo interior começa a surgir a cultura de massa. +ois desses traços merecem uma atenção especial: a rei1icação (ou trans1ormação em coisa: a coisi1icação) e a alienação. Para essa sociedade, o padrão maior (ou 4nico) de a.aliação tende a ser a coisa, o "em, o produto, a propriedade: tudo 0 Hulgado como coisa, portanto tudo se trans1orma em coisa 9 inclusi.e o homem. , esse homem rei1icado s3 pode ser um homem alienado: alienado de seu tra"alho, trocado por um .alor em moeda in1erior Ns 1orças por ele gastas7 alienado do produto de seu tra"alho, Jue ele mesmo não pode comprar, pois seu tra"alho não 0 remunerado N altura do produzido7 alienado, en1im, em relação a tudo, alienado de seus proHetos, da .ida do pa>s, de sua pr3pria .ida, uma .ez Jue não dispLe de tempo li.re, nem de instrumentos te3ricos capazes de permitir-lhe a cr>tica de si mesmo e da sociedade. Messe Juadro, tam"0m a cultura 9 1eita em s0rie, industrialmente, para o grande n4mero 9 passa a ser .ista não como instrumento de cr>tica e conhecimento, mas como produto troc'.el por dinheiro e Jue de.e ser consumido como se consome JualJuer outra coisa. (...) *I,L5I M,88I, /os0 8ei2eira. / que é indQstria cultural, *ol. Primeiros Passos. %ão Paulo, #rasiliense, :;CA.p. :A-::. A ind=+tria cu)tura) 8udo indica Jue o termo ind4stria cultural 1oi empregado pela primeira .ez no li.ro $ialeOtiO der AufOlãrung( Jue 5or\heimer e eu pu"licamos em :;DB, em pro"lema da cultura de massa. msterdã. ,m nossos es"oços trata.a-se do "andonamos essa 4ltima e2pressão para su"stitu>-la por Kind4stria culturalK, a

1im de e2cluir de antemão a interpretação Jue agrada aos ad.ogados da coisa7 estes pretendem, com e1eito, Jue se trata de algo como uma cultura surgindo espontaneamente das pr3prias massas, em suma, da 1orma contempor^nea da arte popular. Ira, dessa arte a ind4stria cultural se distingue radicalmente. o Huntar elementos de h' muito correntes, ela atri"ui-lhes uma no.a Jualidade. ,m todos os seus ramos 1azem-se, mais ou menos segundo um plano, produtos adaptados ao consumo das massas e Jue em grande medida determinam esse consumo. Is di.ersos ramos assemelham-se por sua estrutura, ou pelo menos aHustam-se uns aos outros. ,les somam-se Juase sem lacuna para constituir um sistema. -sso, graças tanto aos meios atuais da t0cnica, Juanto N concentração econ)mica e administrati.a. in1erior. *om o preHu>zo de am"os. ind4stria cultural 0 a integração deli"erada, a partir do alto, de seus consumidores. ,la 1orça a união dos dom>nios, separados h' milGnios, da arte superior e da arte arte superior se .G 1rustrada de sua seriedade pela especulação so"re o e1eito7 a -n1erior perde, atra.0s de sua domesticação ci.ilizadora, o elemento de natureza resistente e rude, Jue lhe era inerente enJuanto o controle social não era total. Ma medida em Jue nesse processo a ind4stria cultural inega.elmente especula so"re o estado de consciGncia e inconsciGncia de milhLes de pessoas Ns Juais ela se dirige, as massas não são, então, o 1ator primeiro, mas um elemento secund'rio, um elemento de c'lculo7 acess3rio da maJuinaria. I consumidor não 0 rei, como a ind4stria cultural gostaria de 1azer crer, ele não 0 o

suHeito dessa ind4stria, mas seu o"Heto. I termo %ass %edia( Jue se introduziu para designar a ind4stria cultural, des.ia, desde logo, a Gn1ase para aJuilo Jue 0 ino1ensi.o. Mão se trata nem das massas em primeiro lugar, nem das t0cnicas de comunicação como tais, mas do esp>rito Jue lhes 0 insu1lado, a sa"er, a .oz de seu senhor. ind4stria cultural a"usa da consideração com relação Ns massas para reiterar, 1irmar e re1orçar a s massas não são a medida mas a ideologia da ind4stria cultural, ainda Jue esta 4ltima não mentalidade destas, Jue ela toma como dada a &riori( e imut'.el. a e2clu>do tudo pelo Jue essa atitude poderia ser trans1ormada. possa e2istir sem a elas se adaptar. s mercadorias culturais da ind4stria se orientam, como disseram #recht e %uhr\amp h' H' trinta anos, segundo o princ>pio de sua comercialização e não segundo seu pr3prio conte4do e sua 1iguração adeJuada. 8oda a &rá@is da ind4stria cultural trans1ere, sem mais, a moti.ação do lucro Ns criaçLes espirituais. partir do momento em Jue essas mercadorias asseguram a .ida de seus produtores no mercado, elas H' estão contaminadas por essa moti.ação. &as eles não almeHa.am o lucro senão de 1orma mediata, atra.0s de seu car'ter aut)nomo. I Jue 0 no.o na ind4stria cultural 0 o primado imediato e con1esso do e1eito, Jue por sua .ez 0 precisamente calculado em seus produtos mais t>picos. autonomia das o"ras de arte, Jue, 0 .erdade, Juase nunca e2istiu de 1orma pura e Jue sempre 1oi marcada por cone2Les de e1eito, .G-se no limite a"olida pela ind4stria cultural. *om ou sem a .ontade consciente de seus promotores. ,stes são tanto 3rgãos de e2ecução como tam"0m os detentores de poder. +o ponto de .ista econ)mico, eles esta.am N procura de no.as possi"ilidades de aplicação de capital em pa>ses mais desen.ol.idos. ind4stria cultural enJuanto instituição poderosa. s antigas possi"ilidades tornam-se cada .ez mais prec'rias de.ido a esse mesmo processo de concentração, Jue por seu turno s3 torna poss>.el a cultura Jue, de acordo com seu pr3prio sentido, não somente o"edecia aos homens, mas tam"0m sempre protesta.a contra a condição esclerosada na Jual eles .i.em, e nisso lhes 1azia honra7 essa cultura, por sua assimilação total aos homens, torna-se integrada a essa condição esclerosada7 assim, ela a.ilta os homens ainda uma .ez. s produçLes do esp>rito no estilo da ind4stria cultural não são mais ta%bé% mercadorias, mas o são integralmente. ,sse deslocamento 0 tão grande Jue suscita 1en)menos inteiramente no.os. 1inal, a ind4stria cultural não 0 mais o"rigada a .isar por toda parte aos interesses de lucro dos Juais partiu. ,sses o"Heti.aram-se na ideologia da ind4stria cultural e Ns .ezes se emanciparam da coação de .ender as mercadorias culturais Jue, de JualJuer maneira, de.em ser a"sor.idas. ind4stria cultural se trans1orma em &ublic relations( a sa"er, a 1a"ricação de um simples good-Rill( sem relação com os produtores ou o"Hetos de .enda particulares. Vai-se procurar o cliente para lhe .ender um consentimento total e não-cr>tico, 1az-se reclame para o mundo, assim como cada produto da ind4stria cultural 0 seu pr3prio reclame. +I!MI, 8heodor ]. K-nd4stria culturalK. -n *I5M, $a"riel. Co%unicação e indQstria cultural. %ão Paulo, Ma-cionat/,dusp, :;B:. p. <CB-<CC. A te)e$i+ão 0 )ãe( o 2antar 2á está &ronto7 T= co% %uita fo%e. 0 Ah( s' de&ois que acabar a no#ela.

0 João6inho( #oc> 2á deu a co%ida do cachorro7 - .h8( esqueci. +o &r'@i%o inter#alo eu dou. 0 Uoc> #iu a %aldade que a )ercedes fe6 co% a %ãe7 < rui%( %es%o. )erece &erder o %arido. 0 Tá falando da #i6inha7 9 +ão8 A )ercedes da no#ela. ,ntre os meios de comunicação de massa, o Jue tem maior p4"lico 0 a tele.isão. %e olharmos o panorama das cidades de JualJuer tamanho, no centro ou na peri1eria, .eremos uma Juantidade impressionante de antenas nos telhados. ,m preto-e-"ranco ou em cores, ela 0 presença o"rigat3ria em todos os lares. !epresenta in1ormação e di.ersão gratuitas. $ratuitasR +epois de comprado o aparelho, assim parece. Mão precisamos pagar entrada, nem ta2a de uso. %3 a conta de luz. Mão precisamos sair de casa, en1rentar a condução, o tr^nsito, a 1ila. #asta ligar o aparelho, 1icar N .ontade, podendo at0 1azer outra coisa, enJuanto assistimos N 8V. *omo ela conseguiu conJuistar todo esse espaçoR TV como meio de comunicação de ma++a 5' in4meras discussLes so"re se a tele.isão 0 um "em ou um mal. +e um lado, coloca-se o seu car'ter de democratização da cultura, uma .ez Jue 0 acess>.el a todos, indistintamente. +e outro, discute-se a sua 1unção alienadora e de 1ormação da opinião p4"lica, e manipuladora, por se apro.eitar da natureza emocional, intuiti.a e irre1le2i.a da comunicação por imagens. Mas pala.ras de Pm"erto ,co, 1il3so1o italiano contempor^neo, temos: KLem"remos Jue uma educação atra.0s da imagem tem sido t>pica de toda sociedade a"solutista e paternalista: do ntigo ,gito N -dade &0dia. imagem 0 o resumo .is>.el e indiscut>.el de uma s0rie de conclusLes a Jue se chegou atra.0s da ela"oração cultural7 e a ela"oração cultural Jue se .ale da pala.ra transmitida por escrito 0 apan'gio da elite dirigente, ao passo Jue a imagem 1inal 0 constru>da para a massa su"metida. Messe sentido, tGm razão os maniJueus: h' na comunicação pela imagem algo de radicalmente limitati.o, de insupera.elmente reacion'rio. ,, no entanto, não se pode reHeitar a riJueza de impressLes e desco"ertas Jue, em toda a hist3ria da ci.ilização, os discursos por imagens deram aos homens.K -A&ocal*&ticos e integrados( p. @E@.) Ma .erdade, tanto um aspecto Juanto outro estão presentes. 8V, como meio de comunicação, não 0 "oa nem m', apesar de, por ser parte da ind4stria cultural, .ir marcada pela ideologia da classe dominante. Is pro"lemas, no entanto, começam a se agra.ar a partir do momento em Jue o meio passa a ser usado. a sua utili6ação( portanto, Jue de.e ser analisada, utilização Jue se d' em uma determinada sociedade, historicamente situada e composta por suHeitos com caracter>sticas espec>1icas. Para tanto, precisamos le.antar os elementos Jue compLem a linguagem tele.isi.a e seu uso na sociedade "rasileira. ntes de mais nada, .amos lem"rar Jue, no #rasil:

h o canal de tele.isão 0 concessão do ,stado, Jue pode ser suspensa a JualJuer momento. ssim, s3 tGm canal de 8V os grupos Jue interessam ao ,stado, Jue não 1arão oposição cont>nua e Jue não de1enderão um tipo di1erente de ideologia7 h a 8V 0 um empreendimento comercial pri.ado e, como tal, .isa o lucro7 h a 8V 0 sustentada pelos anunciantes, Jue, antes de gastarem sua .er"a de pu"licidade, .eri1icam o >ndice de audiGncia de cada programa. Portanto, o conte4do da programação so1re .'rios tipos de in1luGncia e de KcensuraK7 do ,stado e dos grupos econ)micos Jue compram o espaço pu"licit'rio. Iu seHa, do poder pol>tico e econ)mico do pa>s. Linguagem da TV / Jue caracteriza o .e>culo 8V e estrutura sua linguagem espec>1ica, distinguindo-o do cinema, 0 a possi"ilidade de transmissão direta, no momento em Jue as coisas acontecem. ,ssa 0 a 1orça da tele.isão: sua atualidade, a instantaneidade entre o acontecimento e sua apresentação. ,ssa caracter>stica le.a os espectadores a con1undir realidade e representação, 1azendo-os acreditar Jue a 8V 0 um .e>culo KtransparenteK, o"Heti.o e não-de1ormador da realidade. Ira, 0 preciso Jue nos lem"remos de Jue cada imagem Jue aparece no .>deo 0 1ruto de uma escolha em termos de enJuadramento (Juais os elementos Jue .ão ser mostrados e Juais os Jue .ão ser dei2ados de lado7 Juais os Jue aparecerão em primeiro plano, portanto maiores e mais .is>.eis, Juais em 4ltimo plano, e assim por diante)7 de seJ_Gncia (Jual a cena Jue .em em primeiro, segundo, terceiro... at0 o 4ltimo lugar)7 de te2to ou m4sica Jue acompanhar' a imagem. Suem escolhe as imagens Jue .ão ao ar 0 o diretor do programa. ssim, 0 ele Jue ela"ora a interpretação dos 1atos. *omo resultado, o Jue aparece em nosso aparelho de 8V H' não é a realidade, mas um relato, uma representação dessa realidade, segundo o ponto de .ista do diretor do programa. ,sta primeira caracter>stica da linguagem da 8V d' origem a toda uma est0tica tele.isi.a7 o naturalis%o. 8odos os outros programas Jue não são transmitidos ao .i.o imitam essas transmissLes. Is cen'rios cuidadosamente preparados no est4dio dão a impressão da saia de .isitas da casa de algu0m, da cozinha, do Hardim, da praça, da escola, da redação do Hornal, e assim por diante. Pma segunda caracter>stica da linguagem tele.isi.a 0 sua. frag%entação. 8oda programação 0 estruturada aos pedaços, os chamados "locos, separados pela apresentação da propaganda. ssim, enJuanto te2to, teremos sempre rupturas, e o espectador de.e aprender a 1azer as ligaçLes entre um "loco e outro. *omo terceira caracter>stica, apontamos o rit%o acelerado da linguagem tele.isi.a, Jue est' ligado N primeira caracter>stica, a instantaneidade da representação. I tempo da 8V 0 o tempo moderno, da ind4stria, da e1iciGncia, da metr3pole. ,sta caracter>stica tem, como conseJ_Gncia, a su&erficialidade com Jue os assuntos são tratados na 8V. Para ser entendido de maneira r'pida, o conte4do de.e ser dilu>do, reduzido a sua 1orma mais estereotipada ou massi1icada. Jue os e2pliJue. ,, outra .ez, aparece a 1ragmentação. gora, não mais como recurso de linguagem, mas como recurso ideol'gico. a a pr3pria .isão de mundo Jue aparece de modo 1ragment'rio, impedindo Jue os telespectadores, ssim, os acontecimentos são retirados do desenrolar hist3rico, onde encontramos suas ra>zes e suas causas, e são apresentados como se 1ossem 1atos isolados, sem nenhuma an'lise

Jue somos todos n3s, tenhamos a .isão do todo, Jue possamos atri"uir um sentido glo"al ao mundo e Jue encontremos o nosso lugar espec>1ico de ação. ,, 1inalmente, a linguagem tele.isi.a caracteriza-se por assumir a 1orma de es&etáculo. I Jue 0 espet'culoR a tudo o Jue chama a atenção, atrai e prende o olhar. tele.isão, tra"alhando so"re a 1orma de apresentação de seus programas, trans1orma JualJuer conte4do em espet'culo de grande e1ic'cia .isual. a s3 pensarmos na transmissão pela 8V da $uerra do $ol1o, no in>cio de :;;:, para compreendermos como 1unciona a linguagem da tele.isão. Foi a primeira transmissão direta de uma guerra. ,la .eio parar dentro de nossas casas. Mo entanto, o conte4do KguerraK, ine.ita.elmente ligado a morte, destruição, dor, so1rimento, 1oi es.aziado e 1icamos com o espet'culo KlimpoK de preparaçLes otimistas, com soldados "em-alimentados, "em-.estidos e suas m'Juinas mort>1eras "em cuidadas, 1rutos da mais desen.ol.ida tecnologia. s pr3prias cenas de "om"ardeio 1oram .istas atra.0s de aparelhos: .iu-se indistintamente o al.o sendo enJuadrado, a "om"a atingindo-o com per1eição. s implicaçLes da destruição, no entanto, Hamais 1oram le.adas adiante. Is poucos 1eridos Jue .imos 1oram apresentados em cenas r'pidas, sem grandes e2plicaçLes. Suem eramR Inde mora.amR I Jue pensa.am da guerraR Suais suas necessidades ou deseHosR I Jue aconteceu com eles depoisR %o"re.i.eramR Ficaram 1isicamente de1icientesR Mão sa"eremos Hamais. estrutura do espet'culo, Jue prende nossa atenção, neutraliza todos os conte4dos, pois os trata como se tudo ti.esse o mesmo .alor. Mo caso da $uerra do $ol1o, as cenas de guerra 1oram apresentadas, alternadamente, com as cenas dos des1iles de carna.al, no %am"3dromo. 8udo igual, com a mesma Gn1ase. Ma .erdade, tudo se passa no mundo da 1antasia. 8anto 1az Jue seHa o carna.al, a guerra, o terremoto, a enchente, a no.ela ou o programa de audit3rio.

TV e 2=1)ico *omo H' dissemos no in>cio, entre os meios de comunicação de massa, a 8V 0 o Jue tem p4"lico mais .asto e indi1erenciado: 0 acess>.el a todas as classes sociais, a todas as idades, a todos os n>.eis de cultura, dos anal1a"etos aos intelectuais. Ligar a 8V 0 um h'"ito esta"elecido dentro do nosso cotidiano. Podemos assisti-la sozinhos ou com a 1am>lia e/ou amigos, em sala clara, enJuanto a .ida continua ao nosso redor e inter1ere no modo de nos relacionarmos com a 8V.

*omo o pr3prio te2to tele.isi.o 0 entrecortado por an4ncios, ele nos d' a pausa para o ca10, o lanche, o copo dn'gua, o tele1onema, o dedo de con.ersa. &esmo durante o programa Jue nos interessa, podemos estar, tam"0m, 1azendo outra coisa, com um olho c', outro l'. ,ssas condiçLes da recepção da programação tele.isi.a aHudam a Knaturaliz'-laK, isto 0, a 1azer com Jue passemos a considerar natural tudo o Jue 0 apresentado pela 8V, uma .ez Jue est' dentro do nosso mundo ha"itual. ,, assim como aceitamos o nosso cotidiano, aceitamos o Jue 0 o1erecido pela 8V, passi.amente, sem maiores discussLes ou cr>ticas. Por Jue não desligamos o aparelho Juando o programa não agradaR Por Jue temos o h'"ito de ligar sempre em um s3 canal, em .ez de procurar programas mais interessantes em outrosR 8al.ez a tensão criada pelo tra"alho 1ragmentado, pelas di1iculdades de .ida e de realização pessoal le.e-nos a sermos telespectadores passi.os, Jue se entregam NJuilo Jue o grupo produtor da programação de 8V Juer nos dar. %e pensarmos, em termos de #rasil, no n4mero de anal1a"etos, no n4mero de al1a"etizados Jue sa>ram da escola ap3s poucos anos, sem termin'-la, nos Jue tra"alham desde os doze ou catorze anos, na po"reza crescente Jue o"riga a tra"alhar cada .ez mais e ter cada .ez menos tempo li.re, a Juestão da re cepção passi.a e, com ela, a Juestão da alienação 9 como 1uga da pr3pria realidade Jue parece insuport'.el atra.0s do espet'culo super1icial e atraente o1erecido pela telinha 9 são per1eitamente e2plic'.eis. Messa perspecti.a, portanto, a discussão não de.e girar em torno de de.ermos ou não assistir tele.isão, nem se esta 0 um "em ou um mal, pois ela 0 uma realidade do nosso mundo. I Jue de.emos discutir 0 como assistir tele.isão de uma 1orma mais cr>tica, perce"endo os .alores Jue estão sendo propostos, discutindo com outras pessoas, na pr3pria escola, &or que eles são propostos e se ser.em para n3s, para nossa realidade. A te)eno$e)a gora Jue conhecemos um pouco o 1uncionamento da 8V como meio de comunicação de massa, .amos e2aminar um tipo de produção tele.isi.a de enorme sucesso Hunto ao p4"lico "rasileiro e Jue tem sido produto de e2portação com grande aceitação não s3 na teleno.ela. Origen+ A no.ela, como 1orma liter'ria, tem sua origem nos romances de 1olhetim do s0culo e-e, na França. Is Hornais, a partir de :C@A, passaram a pu"licar cap>tulos de romances em suas ediçLes di'rias para aumentar a .endagem. ssim, a frag%entação da narrati#a é a estrutura Jue de1ine o 1olhetim. *om o passar do tempo, escritores importantes começaram a escre.er em 1ragmentos, direto para o 1olhetim. /' nessa 0poca, podiam ser di.ididos em trGs tipos7 o 1olhetim rom^ntico, o hist3rico e o social, Jue discutia, de uma 3tica um pouco mais realista, os pro"lemas sociais da 0poca. *omo gGnero liter'rio, a no.ela se encai2a no melodrama, ou seHa, 0 um drama sentimental, cuHo enredo in.eross>mil trata dos re.eses so1ridos pelos .irtuosos nas mãos dos mal.ados. I melodrama sempre tem 1inal m0rica Latina, *u"a inclusi.e, mas tam"0m na ,uropa: a

1eliz, com o triun1o da .irtude. %eus personagens são simples e estereotipados, como o her3i ou mocinho, a hero>na Jue so1re, o .ilão implac'.el. %eu desen.ol.imento não depende do crescimento interior dos personagens, mas de incidentes sensacionais e da encenação espetacular. ,sse gGnero torna-se "astante popular na m0rica Latina por ser capaz de e2pressar o modo de sentir do po.o atra.0s da di.isão entre o #em e o &al (maniJue>smo), Jue, na .erdade, re1lete .alores 0ticos pro1undamente arraigados na população e d' continuidade ao maniJue>smo cristão. ssim, .emos Jue não s3 a 1ragmentação do 1olhetim 0 adaptada N linguagem tele.isi.a, como tam"0m o gGnero escolhido 0 adeJuado a um meio de comunicação de massa por ser sentimental, simples, estereotipado e por rea1irmar .alores 0ticos de #em e &al, al0m de prestar-se ao tratamento de espet'culo t>pico da 8V. Portanto, nada mais 3".io Jue o grande desen.ol.imento da teleno.ela no #rasil. Caracter7+tica+ da te)eno$e)a +o ponto de .ista estético( a no.ela caracteriza-se pelo naturalismo Jue decorre de seu proHeto de contar uma hist3ria. Por isso, opta-se pela semelhança com o real, mesmo Jue este se apresente de 1orma idealizada. Lem"remos Jue esta opção est' condicionada pela caracter>stica espec>1ica do .e>culo tele.isão, Jue 0 a possi"ilidade da transmissão direta. Mo resto da programação, a est0tica naturalista cria a ilusão de realidade, não ha.endo ruptura entre transmissão direta e construção 1iccional. Suanto N i%age%( a .alorização do detalhe .ai re1orçar essa ilusão de realidade, assim como o tipo de atuação dos atores, "astante natural, despida de JualJuer teatralidade. I tamanho da tela o"riga a 1azer tomadas pr32imas, de rosto e de meio-corpo, principalmente, usando-se as panor^micas em raras ocasiLes. ,ste 1ato, aliado ao ritmo mais lento, espichado, Jue tenta imitar o ritmo da .ida (inclusi.e com as comemoraçLes de Matal e no-Mo.o coincidindo dentro e 1ora da no.ela), 1az com Jue os personagens entrem não s3 em nossas casas, mas tam"0m em nossas .idas. *on.i.emos com eles diariamente durante meses, criamos uma tal 1amiliaridade com seus rostos, seus treHeitos, seu modo de agir, de pensar e de 1alar Jue passamos a discutir seus pro"lemas como se 1ossem de amigos >ntimos. +o ponto de .ista da estrutura( cada 1ragmento da teleno.ela 0 constru>do como uma sucessão de situaçLes de rela2amento Jue e.oluem para um ponto de tensão, interrompido pelo corte da propaganda. Mo "loco seguinte, teremos a resolução da tensão, no.o per>odo de rela2amento Jue e.olui para outro ponto de tensão e assim por diante. I mesmo procedimento 0 adotado de cap>tulo para cap>tulo, mantendo aceso o interesse dos espectadores. te%ática tam"0m .aria pouco. *omo os 1olhetins do s0culo passado, dependendo do hor'rio teremos no.elas hist3ricas, rom^nticas ('gua-com-aç4car) ou as ditas KsociaisK, tipo dramalhão, al0m das 1arsas, como ,oque 1anteiro. Is te%as predominantes na totalidade das teleno.elas "rasileiras podem ser resumidos a dois: as relaçLes amorosas e as relaçLes de poder. 8anto um Juanto outro ser.em para a di.isão do mundo em #em e &al. 8anto u% Juanto outro propLem uma s0rie de modelos de comportamento Jue re.elam .alores Jue são

pr3prios de uma determinada ideologia. *omo esses .alores são transmitidos para todo o #rasil, in1luenciam toda a população "rasileira. +entro do tema relaç4es de &oder( assistimos Ns lutas pela ascensão social e na carreira, pela conJuista do poder econ)mico traduzido em "rigas por heranças, pela presidGncia de grandes empresas, por cargos pol>ticos, Jue .ão resultar em poder 1amiliar e poder pol>tico. +entro do tema relaç4es a%orosas( encontramos con1litos causados pelos namoros entre pessoas de classes sociais di1erentes, de 1am>lias inimigas e, ainda, os pro"lemas da in1idelidade. I modo como essas lutas e con1litos são apresentados e resol.idos esta"elece o conHunto de .alores pelos Juais aJueles personagens 1azem suas escolhas e planeHam suas açLes. ,m"ora a escolha de um ou outro tema dependa do momento hist3rico, uma .ez Jue 0 a import^ncia de um assunto em determinado momento Jue .ai possi"ilitar o en.ol.imento do espectador (resultando em "om -"ope Jue, por sua .ez, ele.a o preço da pu"licidade inserida naJuele hor'rio), os .alores propostos não são muito di1erentes ao longo do tempo. , isto se d' porJue esses são os .alores da classe dominante e porJue o discurso da teleno.ela 0 um discurso altamente ideol3gico. I Jue isso Juer dizerR Sue a teleno.ela uni.ersaliza os .alores de uma determinada classe, 1azendo com Jue pareçam ser .'lidos para todos. o proceder assim, 1az desaparecer os con1litos de .alores das di.ersas classes, "em como os con1litos de interesses, apresentando uma .isão homogGnea da sociedade. *onsiderando-se a di.ersidade cultural da população, a di.ersidade de interesses e de .alores e2istentes no #rasil, a teleno.ela, ao propor os .alores da classe m0dia alta do !io e de %ão Paulo para todo o pa>s, est' 1azendo, nada mais, nada menos, &ro&aganda ideol'gica( numa tentati.a de construir a KmassaK homogGnea nacional, de gosto m0dio, para a Jual 0 produzida. VeHamos alguns e2emplos. pesar de retratar o cotidiano dos personagens, o tra"alho Jue, em nossas .idas, ocupa pelo menos metade do tempo em Jue estamos acordados Juase não aparece. Presidentes de 1irmas e altos 1uncion'rios são mostrados em umas poucas reuniLes-cha.e, nas Juais h' sempre disputa de poder, assinando alguns pap0is ou dando ordens a su"alternos. 8al.ez seHa por isso Jue garotos de .inte anos, Jue Hamais tra"alharam antes nem completaram sua educação, possam assumir as companhias herdadas e ter enorme sucesso. muita 1o1oca, 0 claro. s empregadas dom0sticas ser.em para atender N campainha ou passar pela sala, de uni1orme engomado, com um espanador na mão. s .ezes, são con1identes da patroa. Perguntamos: de onde .em o dinheiroR *omo os personagens mantGm o padrão de .ida mostrado pelas roupas, pelo tamanho das casas, pelos m3.eis e o"Hetos de decoraçãoR &esmo Juando, teoricamente, a casa 0 de um personagem po"re, não 1altam a cristaleira, o so1' da moda co"erto de( tecido, adornos .ariados. I pr3prio padrão da casa 0 o mesmo da classe dominante: Juartos indi.iduais, "anheiro, sala, cozinha, cada c)modo com sua 1inalidade espec>1ica. -sso se estende, tam"0m, aos h'"itos: at0 o ca10 da manhã 0 tomado sentado, com a mesa posta segundo padrLes da classe m0dia alta. Mingu0m toma ca10 no copo de gel0ia6 s secret'rias, por sua .ez, limitam-se a atender tele1onemas, l0m de e.itar Jue pessoas indeseHadas .isitem seus che1es e Jue passem in1ormaçLes secretas aos inimigos.

ssim, a po"reza, no .>deo, 0 saneada, limpa, esterilizada. Ficamos com a po"reza idealizada Jue não 1az ningu0m perder o sono, com os CAp da riJueza do pa>s concentrados nas mãos de ?p da população. parentemente, os <Ap Jue so"ram para os ;?p dos ha"itantes do #rasil são su1icientes para Jue todos le.em uma .ida digna. li's, como de.eria ser. Is con1litos Jue aparecem são entre os representantes do #em e os do &al. Mão h' con1litos de classe ou de interesses sem Jue, necessariamente, algu0m seHa mau. l0m disso, "em e mal são reduzidos N dimensão s pessoas nem, moral indi.idual, Hamais sendo le.ado em conta o social ou o pol>tico. Pro"lemas sociais e pol>ticos s3 são tratados em tom de 1arsa (como em / be%-a%ado( ,oque 1anteiro ou 9ue rei sou eu7?. reconhecem Jue 0 assim mesmo, mas aca"am achando Jue o pa>s não tem Heito, Jue nada pode ser 1eito. ,, desse modo, Hogando a culpa num passado hist3rico, o discurso ideol3gico mant0m o mesmo estado de coisas, as mesmas pessoas ou classe de pessoas no poder, sem Jue seHam 1eitas mudanças sociais Jue "ene1iciariam grandes parcelas da população. Para terminar, gostar>amos de repetir Jue a teleno.ela 0 um tipo de produção Jue encontra enorme eco entre n3s pro.a.elmente porJue responde a anseios de di.ersão de toda uma população. !epresenta aJuele momento de 1uga, de 1antasia Jue nada e2ige do telespectador. Precisamos estar conscientes, entretanto, de Jue, dentro dessa 1antasia, estão sendo passados .alores Jue de.em ser encarados como pertencentes a uma classe espec>1ica e Jue não são nem os 4nicos, nem necessariamente os mais deseH'.eis. E)ER%*%IOS :. Faça o resumo do enredo de uma das no.elas em cartaz. Sual o tema ou temas tratados atra.0s desse enredoR ,sse tema 0 importante para a sociedade "rasileiraR *omo 0 apresentada a realidade dos .'rios personagensR 5' contradição entre essa realidade representada na no.ela e a realidade social do pa>sR <. Sue outros programas .ocG gosta de .er na 8VR tele.isi.a. @. *omente a tira do K*ondado de #loomK a partir do Jue .ocG aprendeu so"re 8V. D. 1azR nalise o trecho de um poema de *arlos +rummond de ndrade, transcrito a seguir. Sual a cr>tica Jue ele nalise-os a partir das caracter>sticas da linguagem

Ier e ouvir3 sem brin"ar Mingu0m pergunta mais: 9 VocG .ai "rincar no carna.alR #rincar, irmão, Juem pode "rincar se perdida 1oi a id0ia de "rinJuedoR lguns ainda perguntam: 9 *omo 0R Vai pular no carna.alR ,ntão 0 isso a 1esta: um pulo e outro pulo e mais outroR Meste caso, campeon>ssimo seria o /oão do Pulo. I Jue ouço dizer 0 simplesmente: 9 Vai .er o carna.alR

*onclusão, ano CA: *arna.al 0 o .isual. L,-8P! *I&PL,&,M8 ! 1olidão e% cadeia Pm dia JualJuer, uma hora JualJuer desses 4ltimos dez anos. Pm ponto JualJuer do pa>s (o Jue em termos de tele.isão signi1ica JualJuer munic>pio com mais de ?A mil ha"itantes7 o resto não conta, porJue o mercado consumidor potencial 0 muito peJueno para Husti1icar JualJuer in.estimento).Pm "rasileiro JualJuer no isolamento de seu lar liga o aparelho de tele.isão e entra em cadeia com todos os Jue supLe seus iguais, pelo resto do territ3rio nacional. Pm "rasileiro JualJuer: o homem isolado, desin1ormado, con1ormado. I homem ur"ano ou su"itamente ur"anizado por 1orça de um processo de industrialização .iolento (se em :;?A o #rasil tinha DAp de sua população nas cidades e EAp no campo, em BB a população ur"ana representa.a E?p do total contra @?p de população rural). I homem moderno e desenraizado cuHas tradiçLes, JuaisJuer Jue tenham sido, 1oram aceleradamente sendo su"stitu>das por crenças mais seculares e mais coerentes com o ritmo do pa>s: a 10 na 1elicidade .ia consumo, no poder das cadernetas de poupança, na .ia"ilidade da casa pr3pria e carro do ano comprado com cr0dito 1acilitado7 u1anista do seu terno no.o e da "ela 1achada da agGncia "anc'ria pr32ima N sua residGncia 9 assim como do supermercado inaugurado h' pouco 9 para sua maior comodidade. ,ste homem con.icto do progresso de seu pa>s, Jue 1az dele o cidadão participante de um no.o sonho, endi.idado e angustiado, asso"er"ado de tra"alho e deseHos de ascensão. I 1ilho calouro na 1aculdade de 1im de semana, a mulher pedindo um segundo carro, a 1ilha de ca"elos cortados N KPigmaleão BAK, a sogra orgulhosa da no.a te.G em cores, a geladeira cheia de em"alagens coloridas 9 margarina da moda em .ez de manteiga, iogurte com 1rutas, pudim de pacote, tudo. mais sedutor e Juem sa"e um pouco mais "aratoR I homem permanentemente insatis1eito cuHa participação no processo pol>tico do pa>s 1icou limitada a concordar ou não com os apelos da ,!P ou com as mensagens editoriais do /ornal Macional. I homem desentendido Jue perdeu em um curto per>odo de tempo a imagem de seu pa>s tal como o conce"ia h' dez ou Juinze anos atr's (uma imagem carregada de .alores rurais, ainda Jue de1asados em relação N 0poca) e perdeu ao mesmo tempo seus canais ha"ituais de articulação com a comunidade 9 KcanaisK Jue .ão do campinho de 1ute"ol de .'rzea N participação sindical, da 1esta de rua Ns eleiçLes diretas. este "rasileiro resta o consolo da 1esta glo"al, resta entrar em cadeia Ns oito da noite pelo /ornal Macional, pela no.ela do momento (e sendo mulher, mais despudorada desse tipo de en.ol.imento, Juem sa"e at0 en.iar uma carta N /anete *lair pedindo um 1inal recon1ortanteR). este homem e2propriado de sua condição de ser pol>tico, resta a tele.isão como contecem. encarregada de reintegr'-lo sem dor e sem riscos N .ida da sociedade, ao Lugar Inde as *oisas

Pois este lugar 0 o pr3prio espaço da imagem tele.isi.a, e este 0 o principal papel Jue a rede l>der em audiGncia representou na d0cada. ,la 0 I Ve>culo. ,la 1ala para estes "rasileiros, como se 1alasse deles 9 sem dei2ar de considerar os mais marginalizados economicamente, para Juem acena com a possi"ilidade de ser co%o eles. ,la a"sor.e e canaliza suas aspiraçLes emergentes e, c4mplice, coloca no .>deo sua imagem e dessemelhança, capitalizando seus deseHos para o terreno do poss>.el. %endo Jue os limites do poss>.el tam"0m 0 ela Juem con-

diciona sutilmente impondo, com a 1orça da imagem, padrLes de comportamento, de identi1icação, de Hu>zo e at0 mesmo um no.o padrão est0tico compat>.el com a no.a 1achada do pa>s Kem .ias de desen.ol.imentoK. [,5L, &aria !ita. KPm s3 po.o, uma s3 ca"eça, uma s3 nação.K -n Anos DE. Tele#isão. !io de /aneiro, ,uropa, :;CA. p. ?-<;. Uigil5ncia e &artici&ação +o momento em Jue um suHeito se pLe diante da tela, produz-se uma e2periGncia "astante no.a Jue *ohen-%0at chama de K1ortuit>smo inicialK. ,st'-se diante de uma super1>cie "ranca, e no instante em Jue a luz se apaga, 1ica-se num estado de tensão total a esperar alguma coisa Jue ainda não se sa"e o Jue seHa, e Jue, em todo o caso, 0 deseHada e .alorizada pela nossa tensão. partir do momento em Jue se delineia a imagem e se desen.ol.e o discurso (a est3ria), *ohen-%0at mostra, com um diagrama "astante claro, Jue e2istem .'rias possi"ilidades de empenho psicol3gico, Jue .ão do mais total distanciamento cr>tico (a pessoa Jue se le.anta e .ai em"ora, caceteada), ao Hu>zo cr>tico, Jue acompanha a 1ruição, ao a"andono inad.ertido a uma e.asão irrespons'.el, at0 a participação, a 1ascinação ou mem casos patol3gicos) a pr3pria hipnose. &as parece Jue, ao contr'rio do Jue se pensa, as possi"ilidades de .igil^ncia cr>tica são escass>ssimas, mesmo nos pro1issionais Jue .ão ao cinema na 1unção de cr>ticos (os Juais, de h'"ito, s3 atingem esse distanciamento da segunda .ez Jue assistem ao 1ilme)7 de 1ato, o espectador culturalmente dotado .G-se ha"itualmente oscilar entre uma .igil^ncia das mais "randas e a participação, ao passo Jue as massas passam rapidamente do 1ortuitismo inicial a um estado de participação-1ascinação. I Jue se disse não 0 apenas 1ruto de induçLes moralistas ou de psicologia apro2imati.a: *ohen-%0at sustenta Jue pode pro.'-lo com e2perimentos eletroence1alogr'1icos, Ns .ezes realizados mesmo em pessoas do o1>cio, interessadas em demonstrar a possi"ilidade de uma .isão .igilante. s e2periGncias 1eitas le.am a pensar Jue a imagem em mo.imento induza o espectador a coagir com a ação representada, atra.0s do 1en)meno de indução p3stero-motriz: em outros termos, se, naJuela tela, uma personagem d' um murro, o eletroence1alograma re.ela, no c0re"ro do espectador, uma oscilação eJui.alente a um KcomandoK Jue o 3rgão central, por uma esp0cie de instinti.a mimese, d' ao aparelho muscular7 comando Jue não se traduz em ação s3 porJue, na maioria dos casos, o comando 0 mais 1raco do Jue o Jue seria necess'rio para passar da realização ner.osa N ação muscular autGntica. *ohen-%0at e2plica, tam"0m, essa situação de participação total, psico1>sica, recorrendo aos processos de compreensão sem^ntica. comunicação de uma pala.ra pLe em ati.idade, na minha consciGncia, todo um campo sem^ntico Jue corresponde ao conHunto das di.ersas acepçLes do termo (com as conotaçLes a1eti.as Jue cada acepção comporta)7 o processo de compreensão e2ata realiza-se porJue, N luz do conte2to, o meu c0re"ro inspeciona, por assim dizer, o campo sem^ntico e indi.idua a acepção deseHada, e2cluindo as demais (ou mantendo-as no 1undo). /' a imagem me apanha Hustamente de modo in.erso: concreta e não-geral como o termo ling_>stico, comunica-me todo o comple2o de emoçLes e signi1icados a ela cone2os, o"riga-me a colher instantaneamente um todo indi.isa de signi1icados e sentimentos, sem poder discernir e isolar o Jue me ser.e. a essa a .elha di1erença entre Kl3gicoK e Kintuiti.oK, estamos de acordo, mas Jue se especi1ica, no ^m"ito da presente e2planação, numa oposição entre um sa"er l3gico, Jue produz e1eitos de comportamento (ao comando

KdG-me um li.roK, eu separo o e2ato signi1icado da 1rase, e meu sa"er determina o comportamento conseJ_ente), e a .isão de e1eitos de comportamento em ação (a cena representada), Jue se tornam causas de meu sa"er al3gico, comple2o, entretecido de reaçLes 1isiol3gicas (como ocorreria se, por .ia .er"al, me 1ossem comunicados não termos re1erenciais, mas e2clamaçLes de e1eito imperati.o, tais como Kalto6K, K"asta6K, Katenção6K e assim por diante). ,*I, Pm"erto. A&ocal*&ticos e integrados. %ão Paulo, Perspecti.a, :;BA. p. @DA-@D:, ORIENTAÇÃO JIJLIO'RDKI%A Introdu4.o L Kiloso ia ! M5 , &aria L4cia &oderna, :;CE. * %%-!,!, ,rnst. Antro&ologia filos'fica. %ão Paulo, &estre /ou, :;B<. *5 P-, &arilena e outros. Pri%eira filosofiaA liçLes introdut3rias. %ão Paulo, #rasilien-se, :;CD. 5P-%& M, +enis e V,!$,i, < .. &I!,M8,, &anuel $. !unda%entos de filosofiaA liçLes preliminares. <. ed. %ão Paulo, &estre /ou, :;EE. !,i,M+,, nt)nio (org.). Curso de filosofia. !io de /aneiro, /orge iahar/%ea1, :;CE. 5ist3ria da 1iloso1ia *5 8,L,8, François. ist'ria da filosofiaA id0ias, doutrinas. !io de /aneiro, iahar. C .. 5-!%*5#,!$,!, /ohannes. ist'ria da filosofia. %ão Paulo, 5erder. D .. 5P-%& M, +enis e V,!$,i, #astos, :;BA. MPM,%, #enedito. A filosofia conte%&or5neaA traHetos iniciais. %ão Paulo, Wtica, :;;:. %*- ** , &ichele F. ist'ria da filosofia. %ão Paulo, &estre /ou, :;EE. @ .. Di"ion/rios de iloso ia ## $M MI, Micola. $icionário de filosofia. %ão Paulo, &estre /ou, :;BA. *PV-LL-,!, rmand-/oseph. Pequeno #ocabulário da l*ngua filos'fica. C. ed. %ão Paulo, Macional, :;E;. / P- %%P, 5ilton e & !*IM+,%, +anilo. $icionário básico de filosofia. !io de /aneiro, /orge iahar ,ditor, :;C;.. /IL-V,8, !0gis. Uocabulário de filosofia. !io de /aneiro, gir, :;B?. &I! , /os0 F. $icionário de filosofia. Lis"oa, +om Sui2ote, :;BC. Revistas * +,!MI% +, 5-%8O!- , F-LI%IF- + *-bM*- . *ampinas, Pnicamp. *-bM*- , F-LI%IF- . %ão Paulo, FFL*5 da P%P. ndr0. ist'ria dos fil'sofos ilustrada &elos te@tos. !io de /aneiro, Freitas ndr0. Co%&>ndio %oderno de filosofia. !io de /aneiro, Freitas #astos, :;EC. . e & !8-M%, &aria 5elena P. !ilosofandoA introdução N 1iloso1ia. %ão Paulo,

+-%*P!%I. %ão Paulo, P%P. & MP%*!-8I. *ampinas, Pnicamp. !,FL,eVI. *ampinas, Puccamp. !,V-%8 #! %-L,-! +, F-LI%IF- . %ão Paulo, -nstituto #rasileiro de Filoso1ia. !,V-%8 F-LI%OF-* #! %-L,-! . !io de /aneiro, PF!/. Observa4.o6 Iutras pu"licaçLes constam do *at'logo re1erido no 1inal desta "i"liogra1ia. %ole4Ges I% P,M% +I!,%. 1ão Paulo, "ril *ultural. PILb&-* . %ão Paulo, &oderna. P!-&,-!I% P %%I%. %ão Paulo, #rasiliense. LI$I%. %ão Paulo, &oderna. Orienta4.o (ara trabal!os +L,!, &a2 e V M +I!,M, *h. A arte de ler. !io de /aneiro, gir, :;BD. %8-V,! , rmando. )etodologia da in#estigação cientifica. Porto legre, $lo"o, :;B@. F!,-!,, Paulo. A i%&ort5ncia do ato de ler. %ão Paulo, *ortez/ utores ssociados, :;C<. & !8-M%, &aria 5elena. I que é leitura( *ol. Primeiros Passos. %ão Paulo, #rasiliense, :;C<. %,L8-8i, / 5I+ , +,P8%*5, *II[. )étodos de &esquisa nas relaç4es sociais. %ão Paulo, ,dusp, :;B<. %,V,!-MI, :;C?. ssssssss)étodos de estudos &ara o C` grau. %ão Paulo, *ortez/ utores ssociados, :;CD. Jiblio@ra ia @eral +I!MI, 8heodor. Co%unicação e indQstria cultural. %ão Paulo, Macional/,dusp, :;B:. L#,!IM-, Francesco. Lna%ici6ia. &ilão, $arzanti, :;;A. (8radução "rasileira: A a%i6ade. !io de /aneiro, !occo, :;C;.) ssssss. Lninna%ora%ento. &ilão, $arzanti, :;;A. (8radução "rasileira: 3na%ora%ento e a%or. !io de /aneiro, !occo, :;CE.) ( L , &arcos, ( L , &aria -gnez M. Cultura &o&ular no "rasil. %ão Paulo, Wtica, :;CB. #I##-I, Mor"erto. 9ual socialis%o7 0 debate sobre u%a alternati#a. !io de /aneiro, Paz e 8erra, :;C@. ssssss. 3stado( go#erno( sociedade 9 &or u%a teoria geral da &ol*tica. !io de /aneiro, Paz e 8erra, :;CB. / futuro da de%ocracia 0 u%a defesa das regras do 2ogo. !io de /aneiro, Paz e 8erra, :;CE. *5 8,L,8, François e outros. ist'ria das idéias &ol*ticas. !io de /aneiro, /orge iahar ,ditor, :;C?. *5 PQ, &arilena. I que é ideologia( *ol. Primeiros Passos. %ão Paulo, #rasiliense, :;CA. *5,V LL-,!, /ean-/acJues. ist'ria do &ensa%ento &ol*tico. !io de /aneiro, iahar, :;C<. *5-PP, 5erchel #. Teorias da arte %oderna. %ão Paulo, &artins Fontes, :;CC. nt)nio /oaJuim. )etodologia do trabalho cient*fico. :<. ed. re.. e ampl. %ão Paulo, *ortez,

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