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TEXTO ARGUMENTATIVO

TEXTO ARGUMENTATIVO

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L .

P e l o t a s M . P . R o d r i g u e s 2 0 0 1

Capa, layout e editoração eletrônica: Ana da Rosa Bandeira Consultoria de editoração, pesquisa e digitalização de imagens: Nara Rejane da Silva

Impresso no Brasil

© Copyright 2001 – Teresinha dos Santos Brandão
Tiragem: 500 exemplares

Obra publicada por L. M. P. Rodrigues, com o patrocínio de Michigan/Alfa Pré-Vestibular e o apoio da Universidade Católica de Pelotas. Pedidos para: R. Cel. Alberto Rosa, 1886 apto. 403 CEP: 96010-770 – Pelotas - RS ou pelos e-mails: aflag.sul@zaz.com.br e naras.sul@zaz.com.br

B817t

Brandão, Teresinha Texto argumentativo : escrita e cidadania. / Teresinha Brandão. – Pelotas: L. M. P. Rodrigues, 2001. 88 p. 1. Português – estudo e ensino. 2. Produção textual. 3. Redação. I. Título.

CDD 469
Ficha Catalográfica: Bibliotec. Cristiane de Freitas Chim CRB 10/1233

Dedico este livro
AOS MEUS SOBRINHOS – a ordem é estritamente alfabética! –, ALFEU COSTA DA SILVEIRA NETO, BRUNO BRANDÃO DE VARGAS, GABRIEL FLIEG AMARO DA SILVEIRA (recém vindo ao mundo!), LUCAS DE MORAES SMITH (apesar da distância...), MARINA DUARTE GUTIERRE, MARÍLIA BRANDÃO AMARO DA SILVEIRA e PAULA BRANDÃO DE VARGAS, os quais, mesmo nos momentos em que a tristeza se fez presente em mim, foram capazes, pelo encanto, carinho e alegria que emanam, de ajudar a superá-la. Guardarei deles para sempre as lembranças do primeiro sorriso, das primeiras palavras, dos passinhos ainda inseguros, das fotos, das gracinhas. Lutarei, junto a eles, contra as preocupações e adversidades de que a vida não puder poupá-los. À AMIGA LAÍS MARIA PASSOS RODRIGUES, cujos laços de amizade ultrapassam a relação meramente profissional, propiciam momentos de grande riqueza e firmam uma relação baseada no companheirismo e cumplicidade. AOS MEUS PAIS, ARITA E PORFÍRIO E ÀS MINHAS IRMÃS, FABIANA E ROSANE, que, com entusiasmo, partilham sempre de meus sonhos e, incansavelmente, lutam por sua realização.

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A

g r a d e c i m

e n t o s

Este livro resultou dos esforços e dedicação de diversas pessoas. Seria impossível mencioná-las todas. Citarei algumas para expressar meu reconhecimento. A FLÁVIO RESMINI, SÉRGIO HUMBERTO FACCINI SILVA, JOSÉ VOLNI DUARTE E GENY DA CUNHA DUARTE, por terem, pacientemente, suportado meus momentos de ansiedade e dependência e, por meio de muita compreensão, ajudado a superá-los. A GIANE DA CUNHA DUARTE, MARTA SÓRIA E REJANE DE MORAES SMITH, cuja amizade encontra-se feito presente em quase todos os momentos da minha vida. À PROFESSORA LAIZI DA SILVA DAS NEVES, que me ensinou a ler e escrever, abrindo-me as portas para um universo desconhecido mas profundamente agradável – o mundo das palavras. ÀS AMIGAS LÍGIA MARIA DA FONSECA BLANK E RENATA BEIRO, as quais sempre vibraram com minhas vitórias e me orientaram nos passos iniciais de minha vida profissional. A ANA DA ROSA BANDEIRA E À AMIGA NARA REJANE DA SILVA, pelo paciente trabalho de digitação e dedicada criação do layout. AO AMIGO E COLEGA LUIZ GUSTAVO RIBEIRO ARAÚJO, com quem partilhei as primeiras idéias deste livro. Sou grata às suas críticas e sugestões, assim como à crença que deposita em meu trabalho. À AMIGA E PROFESSORA ANA ZANDWAIS, pela dedicação e acompanhamento crítico a mim dispensado durante o período em que fui aluna do mestrado. Seu exemplo de profissionalismo e seriedade marcaram-me profundamente. A CLÁUDIO DA CUNHA DUARTE E A GILBERTO GARCIAS, pela amizade e empenho na publicação deste livro. A MICHIGAN-ALFA PRÉ-VESTIBULAR, pelo patrocínio, e a UCPel, pelo apoio, agradeço. Sem a participação dessas instituições talvez não fosse possível a publicação da obra.

6

Teresinha Brandão

A ANDRÉ MACEDO E INÊS PORTUGAL, da equipe do Diário Popular, de Pelotas, pelo incentivo e apoio na divulgação desta obra. ... e, como não poderia deixar de mencionar, A TODOS OS MEUS ALUNOS, que enriquecem a criação deste livro porque dele se tornaram partícipes e co-autores.

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A

p r e s e n t a ç ã o

A obra Texto argumentativo: escrita e cidadania oportuniza a quem deseja aprimorar a produção textual não apenas uma teoria embasada no que há de mais atual na doutrina lingüística, mas, com diversificados exercícios, mostra a riqueza de recursos que a língua materna nos oferece. A autora, profissional dedicada, competente e com experiência no ensino médio, reconhece a importância de desmistificar o ensino de português, especialmente de redação, no sentido de demonstrar que este não se baseia em regras difíceis e rígidas, em exceções ou armadilhas, mas sim consiste num tesouro do qual dispomos para expressar nossas idéias, nossos sentimentos, nosso posicionamento diante do mundo; enfim, para exercermos a plena cidadania. De forma bastante didática, a autora, por meio de atividades criativas, cujos temas vão ao encontro do interesse dos jovens, porque atuais e estimulantes, propicia o desenvolvimento não apenas do senso crítico, do raciocínio, da capacidade de argumentar, como ainda estimula a criatividade. Destacaria, como “ponto alto” desta obra, as práticas textuais concernentes à coesão e coerência – tão indispensáveis a um bom texto –, dando ênfase à pertinência do enriquecimento do vocabulário, já que os estudantes, sem dúvida, possuem plena capacidade de raciocínio e discernimento, no entanto, às vezes lhes foge o “como dizer”. Tais exercícios fortalecem o conceito de que utilizar um vocabulário pertinente à situação de interlocução confere credibilidade às informações dadas, assim como auxilia a criação de uma imagem positiva, de seriedade do produtor; dessa forma, concorre para reforçar o peso argumentativo de um texto e a capacidade de persuasão. Assim sendo, com Texto argumentativo: escrita e cidadania, Teresinha brinda os estudantes – razão de ser desse livro –, os professores e aqueles apaixonados pelo idioma e eternos aprendizes. Laís Maria Passos Rodrigues

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P a l a v r a s

d a

a u t o r a

Gostaria, inicialmente, de ressaltar alguns aspectos relativos ao título desta obra. Embora acredite que a argumentação seja constitutiva da linguagem, independente da tipologia textual, concentrei neste livro a atenção em apenas dois tipos de texto: a carta e a dissertação. Acredito serem elas importantes por duas razões: a primeira justifica-se pelo fato de, na atualidade, a maioria dos veículos de comunicação impressos destinar um espaço privilegiado aos leitores que queiram expressar seus posicionamentos, sejam eles para ratificar ou contestar as mais diversificadas idéias. Ademais, lembro que, com a redemocratização do País, após um exaustivo período de censura, a escrita de textos desse tipo, veiculados na mídia ou via internet, tem se mostrado uma das formas mais eficientes de a sociedade civil manifestar-se e, desse modo, exercer um direito legítimo, que é fruto de sua conquista: o direito à cidadania. Outra razão – esta de ordem pragmática – diz respeito à minha prática pedagógica. Exercendo o magistério, durante alguns anos, no ensino médio, sobretudo em classes finais, de 3º ano, assim como em cursos pré-vertibulares, senti a necessidade de produzir um material didático voltado às exigências de meus alunos. Como as universidades da região em que atuo – UFPel e UCPel –, a exemplo da UNICAMP – SP, adotam, em suas provas de vestibulares, pelo menos uma das duas modalidades citadas, julgo plenamente justificável nelas ter-me concentrado. É meu desejo, pois, que a obra atenda a essas duas necessidades. Como todo trabalho humano é passível de erros e, de outro modo, sujeito a acertos, as contribuições dos que vierem a adotar este livro serão bem-vindas.

Um abraço, A autora

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S u m

á r i o

............................................................................................................................................1
Consultoria de editoração, pesquisa e digitalização de imagens: Nara Rejane da Silva............................................................................................................................. 2 Tiragem: 500 exemplares............................................................................................ 2

............................................................................................................................................4 ............................................................................................................................................5 ............................................................................................................................................8 ..........................................................................................................................................10 ..........................................................................................................................................12 ..........................................................................................................................................14 ..........................................................................................................................................15
................................................................................................................................... 15 ................................................................................................................................... 18 ................................................................................................................................... 20 ................................................................................................................................... 24 ................................................................................................................................... 28 ................................................................................................................................... 33 ................................................................................................................................... 36 ................................................................................................................................... 46 ................................................................................................................................... 48 ................................................................................................................................... 55 ................................................................................................................................... 59 ................................................................................................................................... 63

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Teresinha Brandão

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1

C o

n s i d e r a ç õ e s

i n i c i a i s :

c a r a c t

Para bem entendermos o processo de argumentação, assim como as características e os elementos que compõem um texto argumentativo, tomemos por base a coletânea a seguir, cuja temática centra-se no amor:

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Teresinha Brandão

T e x t o T e x t o “ u u u u u u q 1 :

2 :

“ M á r c ia , s e e u g a s ta s s e to d a s a s c ib e r e s p a ç o , a in d a a s s im n ã o p o O a m o r é fin a lm e n te s a r o q u a n t o c u r t o t e c la r c o m v o c m e m b a r a ç o d e p e r n a s , A m o r, R ic k m a u n iã o d e b a r r ig a s , ( d e c la r a ç ã o v ir tu a l) m b r e v e tr e m o r d e a r té r ia s , m a c o n fu s ã o d e b o c a s , m a b a t a l h a d e v e i a Ts e, x t o 3 : m r e b o liç o d e a n c a s , u e m d i z o u t r a c o i s a “ éD ib z ee sr t q u. ” e b r e v e m e n t e s e r á s a m a m e ta d e ? B r e v e G r e g ó r i o d e M a td o e s m i n h a a l m a . A N ã o : já a g o r a é s , n ã o a m e ta d e , D a lm a in te ir a , d e ix a s - m e ( I n : B A R B O S A , S . A . , A M A R o A u L -, t Ee . a E s c r e v e r é d e s v e n d a r o m U u m d ao : p e q u e n a a n p a r t e p a r a q u e e u lin g u a g e m c r ia d o r a e o p e n s a m e n to es ,x 1 i s9 8t i6 r ) p o r a l g u m te m p o e a d o r a r ló g ic o . C a m p in a s : P a p ir u
G
( E m a r ta s C d e A m o r a

r a c ilia n o
H e lo ís a )

R a m

o s

T e x t o

4 :

(VERISSIMO, Luis Fernando. As cobras em: se Deus existe que eu seja atingido por um raio. Porto Alegre: L&PM, 1997. p.19)

17

Teresinha Brandão

T e x t o

5 :

T e x t o

6 :

“ P a r a fa la r tu d o : a v id a n ã o c o m e ç a q u a n d o s e “ A m o r, e x is tir ia s u b s ta n n a s c e . C o m e ç a q u a n d o s e a m a . R o m a n tis m o à m a is a b s tr a to ? A m a r, o p a r te , s ó a d q u ir im o s c o n s c iê n c ia d e n ó s m e s m o s v e r b o t e r ia s id o ta n ta s q u a n d o , s e m p r e d e r e p e n te , s e m a v is o p r é v io , z e s c o n ju g a d o ? N in g u é s e n t im o s q u e a lg u m a c o is a m u d o u n o m u n d o , c a p a z d e c a p ta r a s in fin n a n o it e e n o d ia , n a lu z e n o v e n to , m u d o u t u d o r e v e r b e r a ç õ e s d e s s a p d e n tr o d a g e n te : e s t a m o s e n a m o r a d o s . v r a , e la e s c a p a a t é m e É a in d a u m a n ú n c io , ‘p r e v ie w ’ d e a lg u m a c o is a à q u e le q u e v a s c u lh a e q u e p o d e s e r o te s ã o , o c a s o , o r o lo , o e q u í v o c o . q ü e n t a t o d a s a s c e la s s S ã o v a r ia n t e s p a r a o g r a n d e p r o g r a m a q u e é o m â n t ic a s d o d ic io n á r io . a m o r, s í n t e s e d e tu d o o q u e fo i fr a g m e n ta r ia m e n a m o r s e d e s d o b r a e m m t e a n u n . cA i am d a o n t e é u m o f í c io . N a m o r a d o , s e r e n o v a e m h is tó r ia s u m a v o c a ç ã o . té r it a s e fu tu r a s , r e n a s c H á a m a n te s q u e n ã o s e n a m o r a m . E n a m o r a d o s c a d a p o e m a ( ...) ” q u e n ã o s ã o a m a n te s . O a m o r é e s c r a v o d o te m p o , n a s c e e p o d e m o r r e r c o m o t e m p o .”
( C a r lo s H e iAt o er sC t ro e n l ay . d a ( A u g u s t o A M P a a s i sx i ã. o n a M o r a d a d o P o . e F m F a h l h a d d e S Sã ã o P a u l o , l e o U r s a M a io r . o o a P a u l o , 1 2 / 0 6 / 9 6 1) 2 / 0 6 / 9 6 )

preferências, pontos de vista diversos sobre o amor. Ela o concebe como um sentimento plural, heterogêneo: amor “carnal” (ou “erótico”), “espiritual”, “virtual”, “racional”,... Se tomarmos o Texto 1 como exemplo, veremos que seu autor sustenta uma tese – proposição ou teoria considerada verdadeira, que pode ser defendida com argumentos – a qual aponta para uma conclusão, a saber: o “verdadeiro” amor é o carnal, aquele que merece efetivamente ser A coletânea evidencia, através de vivenciado. seus textos, opiniões, julgamentos, Além disso, nesse contrapõe a uma outra tipo de texto, perconcepção de amor não cebemos uma explicitada no texto. característica peculiar do Alguns pontos, no pro-cesso de entanto, devem ser argumentação: ele salientados para que não se pressupõe o confronto de confundam noções básicas idéias. Tal aspecto sobre o ato de argumentar. heterogêneo da Apesar de, nas argumentação pode ser escolas, de um modo geral, comprovado atra-vés do termos aprendido que verso “quem diz outra existem basicamente três coisa é besta”, o qual se

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Teresinha Brandão

tipos de texto – descritivo, narrativo e dissertativo –, e apenas o último ser sinônimo de “argumentativo”, notamos, através da coletânea, que os elementos os quais compõem um texto argumentativo podem se fazer presentes nos mais variados tipos de texto: num poema, numa charge, em ensaios, em narrações, em textos dramatúrgicos, entre outros. Mais ainda: numa conversa de bar; num diálogo entre mãe e filho em que este reivindica, faz exigências. Tais considerações explicam o fato de que a argumentação é constitutiva da linguagem, independente do texto em questão, da tipologia textual tradicionalmente ensinada nas escolas, segundo a qual “argumentação” chega até mesmo a ser sinônimo única e exclusivamente de “dissertação”. Julgamos necessário questionar, ainda, idéias as quais sustentam que, em determinados textos argumentativos, como a dissertação escolar, devem prevalecer a “impessoalidade” e a “objetividade”. Ora, nesse tipo de texto, exigir-se que o autor “não se inclua” ou que exponha de forma “objetiva”, quase “imparcialmente”, dados de uma realidade, mostra-se um despropósito. Num texto argumentativo, ocorre justamente o contrário: o autor intervém freqüentemente na análise do tema, por meio de críticas, ressalvas, na escolha do vocabulário, entre outras formas de expressão, manifestando seus sentimentos, gostos, opiniões.

Se o assunto em questão for a liberalização das drogas, no caso a maconha, e, se o autor do texto for desfavorável a tal liberalização, ele pode relativizar seu ponto de vista, admitindo que “Apesar dos inúmeros malefícios que esta droga pode causar ao organismo, é inegável sua contribuição no tratamento de alguns tipos de cânceres ou no de doentes que desenvolveram a Aids.” O levantamento de hipóteses igualmente se mostra relevante no texto argumentativo. Tomemos como exemplo um fato da atualidade – a violação do painel do Senado, no ano 2001, envolvendo os então senadores ACM e Arruda –. O aluno poderia tecer sua análise levantando hipóteses: caso eles não tivessem renunciado, a cassação teria amenizado uma possível sensação de impunidade em vigor no País? A instauração de uma CPI teria conferido maior credibilidade ao próprio Senado? Ou não? A julgar pela decisão dos dois senadores, quais as perspectivas futuras em relação ao cenário político brasileiro? Trata-se, pois, de hipóteses que podem enriquecer a análise de um tema.

2

F i n a l i d a d e s

d a

Ilustração: Nara Rejane da Silva

Lembremos, também, que, num texto argumentativo, a ressalva tornase um importante elemento de que se pode lançar mão, pois ela funciona como um mecanismo para flexibilizar o ponto de vista. O objetivo da ressalva é conciliar com o interlocutor, reconhecer parte da verdade contida nas palavras deste.

a r g u m

e n t a ç ã o

A argumentação presta-se a propósitos vários, entre os quais se destacam:

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Teresinha Brandão

r ç o c t p r o d l i d a d c a n d in t e r t e r m c u t o n a t e u z i r u m a m u d a n e / c o m p o r t a m e o , d e sa s d a e fs o ã r o m a , l o c u t o r e m f a v o i n a d a t e s e ( q u a r n ã o c r ê o u c r ê s e d o lo c u t o r ) ; ç n a r n p

e f o ã o in o m o r ) a d e t o ,

r çu a m r e m t e r l o p le t ; m

a d e t e r m i n a f a v o r d e u m a c u t o r j á c r ê a m e n t e n a t

d a t e o u e s e

r p a t m

e f u t au o s i ç ã r g u m o r n ã in a d

rm a d e t o , m e d e n t o s ( q o q u e r c a t e s e ) .

e ia u r

l e v ac ro a h e c e r n c o m ,p r e e n d e z õ e ps e l a s q u a i s a q u e le q u e s u s t e n t a d e t e r m i n a d a t e s v a n d o n e c e s s a r ia m e n t e a d o o in t e r lo c u t o r d e s c o n h lo c u t o r ) . P o r e x e m p lo , e m “ P a r t i d o X ” n ã o a p r e s e n t a v it ó r i a , m a s , a o m e n o s , s e b r e e s p a ç o ” p a r a t o r n a r p ú f o r m a p o lí t ic a . U m o u t r o c r m ig n a a d d o a , e m u m j u l g a m e n t o , n t e t e s ce o én t “r p -e r d i d a ” ; n o a e n t a n a n da ot é o m l o e c s u m - o p a r a “ m a r c a r e r en ma r - d s ee t c e o r -n h j eu c r ií d oi c o ;o m e i o n

I lu s t r a ç õ e s : N a r a R e ja n e d a S il v a

e n t a r o v o d o d e u m a d e d o o i n t e r lo a r c i a lm e n t e p

3

D i f e r e n ç a s

f u n d a m

e n t a i s

e n t r e

a

A argumentação é um processo que se dá a partir do raciocínio lógico, da organização do pensamento de forma a sustentar uma tese com argumentos claros, convincentes, sem apelar ao imediatismo e à emocionalidade. Já a persuasão (alguns teóricos tratam-na por persuasão não-válida) ocorre quando, em lugar

da racionalidade, da evidência, há o apelo à afetividade, à impulsividade, ao imediatismo. A persuasão assim vista é própria da maioria dos discursos publicitários, dos discursos políticos não-sinceros. Como exemplo de texto em que a persuasão sobrepõe-se à argumentação, analisaremos a propaganda a seguir.

A Duloren duas fotos apare-cem de tal forma que o leitor, para elaborou sua continuar a leitura, deve virar a página. campanha de lançamento de lingeries movendo o leitor pela provocação, pelo de-safio, conforme perce-bemos não só pelas fotos como também pela estrutura utilizada “Você não imagina...”, a qual desperta uma intensa curiosidade. Na revista, esta curiosi-dade é aguçada, pois as

Provocação, desafio, curiosidade, ero-tismo são, pois, palavras-chave neste texto. Não é o “raciocínio lógico” que incita o leitor a virar a página e compreender o texto, até porque, pela “lógica”, seria difícil acreditar que um membro da seita radical Ku Klux Klan, conhecida pelas suas idéias de racismo extre-mo, poderia “dobrar-se” aos apelos de uma mulher – e negra! – e, ao invés de ser seu car-rasco, tornar-se seu servo, o “dominado”. o interlocutor a concluir que fumar faz mal à saúde, ou, pelo menos, a refletir sobre os prejuízos do tabagismo. Podemos sentir, no último caso, o caráter “liberal” da argumentação já que esta permite o confronto de idéias, promove a discussão.

(Revista Nova, nº 265)

A coerção também se diferencia da argumentação: enquanto a primeira visa impor uma tese, por meio de uma proibição, por exemplo, como em “Não fume!”, cuja tese é “fumar faz mal à saúde”, a segunda conduz, através de argumentos próprios do raciocínio lógico,

E m

l e s m e n t e im p o r, d e s ã o d lo e go iu t ti m o a n d o r e s s a im p o s i ç ã b e m f u n d a m e n t a d a , f a t o q u e n ã o o c o r r e c o m a d av o n t a d e d o l o c u t o r, m a n i f e s t a a t r a v é s d e p c u r s o s . L e m b r e m o s , a d e m a is , q u e , n o t e x t o a r g u m m e s m o t e m p o e m q u e e x i s t e e s s e e f e i t o d e “ l i v r e f o r ç a r u m a e tl ae s o e u , ad di s e c r o i r r d a a r d e l a , h á a v o n t a d in t e r lo c u t o r a a d e r ir à s i d é i a s d a q u e le . A r g u m e c u t o r a a c e it a r o q u e e s t c á a r áe tn e d r o c o e t ro c . i tT i av lo v e z s e s d i t e ó r i c o C h a r o l l e s a f i r m a r q u e “ so i l h ê on r c i z oo n t e d e t o d i
C H A R O L L E S , M . L e s f o r m e s d i r P cr a e t si q eu t e is n d i r e c t s e t d e

s í n a t r e g su em : e n t a r n ã o

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As universidades UNICAMP e UFPel propõem, em suas provas de vestibulares, uma modalidade textual muito interessante: a carta argumentativa. Nesse tipo de texto, o vestibulando costuma aderir, reforçar ou contrariar uma tese a partir de uma coletânea de textos que constam na prova. Vejamos um exemplo dessa modalidade, tomando por base a

seguinte proposta. No ano de 1996, sugeriu-se aos alunos que redigissem uma carta argumentativa ao então ministro da Justiça, Nelson Jobim, com o objetivo de os vestibulandos manifestarem-se sobre a norma, criada pelo Governo Federal, a qual proibia fumar em recintos públicos fechados. Observemos o texto de um dos alunos, Fernando Rezende.

P e lo t a s , _ _ _ E x c e le n t í s s im

d e o

_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ S e n h o r N e ls o n

d e

_ _ _ _ _ _ .

J o b im

T e n d o to m a d o c o n h e c im e n to , p o r m e io d a im p r e n ta b a g is m o e m r e c in to s p ú b lic o s fe c h a d o s d e n o s s a s o c te c e r a lg u m a s c o n s id e r a ç õ e s , o fe r e c e n d o - lh e , d e s s a f d e s s e t e m a r e la t iv a m e n t e c o m p le x o e p o lê m ic o . C o n s id e r o ju s t a a r e s t r iç ã o le g a l a o u s o d o c ig a r r o d o s , j á q u e e s t a n o r m a v i s a p r o t e ng ãe or af u s ma úa dm e . N ao s e p n e t as n ot d s a u s ê n c ia d e m e d id a s c o n c o m it a n t e s a e s t a p r o ib iç ã o , n p r o ib ir to ta lm e n te a p r o p a g a n d a d e c ig a r r o s f r a g iliz a , n o É n e c e s s á r io , s e n h o r m in is t r o , a lg u m a a t e n ç ã o d o P o d r e m a b a n d o n a r o h á b it o , e u m a e s p e c ia l a t e n ç ã o a o s j d a , ir ã o e n g r o s s a r a s f ile ir a s d a s v ít im a s d e s s e m a le f í c i G o s t a r i a a i n d a d e l e m b r a r - l h e q u e o f u m o a s n, t e , a o c e s t á c o n t r ib u in d o c o m a U n iã o , p o r m e io d e u m im p o s t o la d e s s e im p o s t o d e v e r ia s e r , p o r le i, d e s t in a d a à p e s q p o r f in a lid a d e a p r e v e n ç ã o c o n tr a o s m a le s d o t a b a g is m te s d a n ic o t in a . P o r t a n t o , s o lic ito a V o s s a E x c e lê n c ia q u e c o n s id e r e d o d e t o r n a r a le i a n t it a b a g is m o m a is c o n s is t e n t e e , p o r

A t e n c io s a m F . R .

e n te ,

Comentários sobre o texto:
Destacam-se, no texto de Fernando Rezende, alguns elementos relacionados ao contexto, à situação em que foi escrito, tais como a data, o local, o interlocutor e o locutor. Quanto à interlocução, na carta, aparece explícita, através do vocativo, ou do uso de pronomes. Consideremos, no processo de interlocução, a importância de o locutor/interlocutor terem uma imagem precisa, clara um do outro para conduzir os argumentos na direção exata a que se quer chegar. Sem o locutor conhecer as necessidades, as vontades, as limitações do interlocutor, difícil se tornará esse processo. O aluno levou em conta, ao escrever a carta a Nelson Jobim, que este era um ministro de Estado, da área da Justiça, portanto, alguém que deveria ser tratado, pois não havia intimidade entre os dois, com um certo grau de formalidade. Para tanto, usou a norma culta da língua, um vocabulário próprio ao contexto, evitou intimidades ou posturas agressivas, mesmo quando criticou o Poder Público. Além disso, não tratou o ministro como se este desconhecesse o assunto em questão, pois ambos compartilhavam informações, tinham conhecimento sobre a norma. Até mesmo as sugestões e solicitações feitas por ele ao

ministro exeqüíveis ocupava.

foram ao cargo

adequadas, que este

Por outro lado, Fernando não se preocupou somente com a imagem que ele tinha do ministro, mas também com a imagem que o ministro poderia formar de Fernando, fato o qual ficou claro na apresentação que apareceu no início da carta, assim como nos próprios argumentos usados, demonstrando, com isso, “dominar”, mesmo não sendo um especialista, noções de legislação e informações sobre o tabagismo. Notemos que, na introdução da carta, o aluno deixa claras algumas informações: como tomou conhecimento do assunto, qual o assunto em questão e a finalidade do texto. No 2º parágrafo, já no desenvolvimento, ele expressa um ponto de vista (“Considero justa...”), seguido de uma ressalva (“No entanto...”). Esta se faz acompanhar de uma crítica (“...fragiliza...”). Ademais, chama a atenção para a importância de o ministro, através do Poder Público,

reverter o quadro em questão. Os argumentos do aluno mostram-se consistentes já que há uma tripla preocupação: com os fumantes, os não-fumantes e os que poderão vir a ser fumantes. No 3º parágrafo, o locutor reitera a necessidade de o ministro, como membro representante da União, tomar uma atitude quanto ao assunto, mas essa solicitação ou exigência, são feitas com polidez. Na conclusão, no 4º parágrafo, ele confirma a finalidade da carta – contribuir, por meio de seus argumentos, para que a norma seja revista (“tornar a lei antitabagismo (...) eficaz.”).

P a l á c io

d a, B J ru a s s t ií çl i a . F o t o : D a n i e l M

a c e

Agora observemos algumas texto:

marcas lingüísticas explícitas no

S e n h o fe r e m i n i /s E x c e

E x c e l e n t í s s im o o r N e l /s o e n s c J r o v ei mr e b / lh e e ss sáe c r n ri oe , vo er m - l i hn eh / a r c eh ne d o l / É n e c e s h tl e o m b r a r r / l sh oe l i c i t oC o n s i/ d eV r o o s s n a o a r i ad e / s o lic ito ; l ê; n c i a

r e s o lv i m e u

c o n t r ib e n t e /n d e r

t e m a r e l a t i cv oa m pe l ne tx e o m e p o lê m ic o / C o n s id e r o ju s ta /e s p e c ia l a te n ç ã o /m c o n s i s (t e . n ) t m a i s . . e e; f i c a z

u it ís

d ) u s o d e s u b s t a n t iv o s a r g u m e n t ta ab ça gã i o m: o / m a - o f e s

n a

r e c e n d d e o s - s h a e f, o r m a l já le s / m a le fí c io / r e s t r i ç q ã u o ee / s t a v í nt i om r m s a / / a N o e n t a n /t o G o p r e v e n ç ã o / t r a t a m e n t o ; a i n /d a P o r t a n/ t o p o r c o n s e q ü ê n

O

u s o

d a

c o

l e t â n e a

e

a

i m

p o r

Um dos aspectos considerados Além de fornecer na avaliação de redações propostas informações, argumentos, a pela UFPel e UCPel refere-se ao uso da coletânea desempenha a função de coletânea. O vestibulando não pode, delimitar o tema, por vezes amplo, segundo as bancas examinadoras, di-recionando-o, indicando que apropriar-se dela copiando trechos aspectos devem ou não ser abordados. como se estes tivessem sido No texto de Fer-nando Rezende, notaescritos por ele mesmo. No entanto, se a preocupação em posicionar-se os argumentos nela sobre a norma em contidos podem ser questão, e não em tecer parafraseados, ou seja, uma análise ampla ele pode utilizá-los, acerca dos malefícios desenvolvendo-os “com ocasionados pelo suas próprias palavras”. tabagismo. No caso de dados Para bem estatísticos, fatos aproveitarmos a coletâhistóricos (inclusive nea, o ideal seria datas), citações, por organizarmos um exemplo, é permitida a levantamento das cópia desde que se idéias, ou seja, um esclareça a fonte. esquema cujas idéias Além disso, o aluno não precisa poderão auxiliar o aluno na limitar-se às informações e/ou construção de seu texto, sobretudo argumentos da coletânea, nem mesmoNara Rejane da Silva Ilustração: se este for baseado em outro texto utilizar todos os fragmentos dela. Ele ou em um con-junto de textos. Assim, pode – e isso é mui-to proveitoso! – há determinados “passos”, uma acrescentar idéias prove-nientes de espécie de roteiro os quais podem ser seu conhecimento de mundo, de sua os seguintes: experiência cultural.

f d n r

a z e r o l e v a d o s c o n e a i d é a d a s d o s

a t i i a t e

n t a m e n t o d o s d o s n a c o l e t â s - c h a v e r e e il -e c i o n a r s t x t o s ; b á s i c a s a s z a d a s a r d e c a u s a l i d n u i d a d e , c o m p a r a ç ã

e s t r u t u e r e m u t t i c u l a d o a d e , c o n o p o s i ç ã o e t c . ;

s b c s t p

e l e c i o n u lá r i o o m o t e u b s t a n i v o s , r o n o m

a r u m v c o m p a m a : v e r t i v o s , a a d v é r b e s ;

o c t í v b o d j i o

a e s e s

-

lo ,a - c ,q f v d ( t

r g a n i z a r o p l a n o r g u m e n t a ç ã o p r i d a d o s d a d o s d a u a i s j u l g a r m a i s i m d e r e f o r ç a r i s t a e e n r i q u e c e a d o s q u e s e r ã o n o c a s o d a c o n t a ç ã o ) .

d a s ó p r i c o l e r e l e o p r o c o n r a - a

i a

t v o t e t e r g

Antes, portanto, de concentrarse na coletânea, analisemos atentamente a proposta que as bancas apresentam pois há nela itens os quais devem ser observados para que não haja fuga do tema ou inadequação ao tipo de texto.

Como exemplo de bom uso da coletânea, leia a proposta abaixo, feita no ano 2000, seguida da carta argumentativa, redigida pela aluna Ana Barbosa Duarte, assim como o comentário posterior.

Proposta de redação:
No decorrer do ano 2000, houve inúmeros eventos os quais visaram a celebrar os 500 anos de Descobrimento do Brasil. Baseando-se não só na conjuntura atual, mas também tomando por base o passado histórico de nosso país, reflita sobre a seguinte questão: “A data comemorativa dos 500 anos de descobrimento de nossa terra é motivo de comemoração para nós, brasileiros?” Para tanto, redija uma carta argumentativa ao editor do jornal Folha de São Paulo (FSP), posicionandose sobre o tema. Ao elaborar seu texto, utilize alguns argumentos expostos na coletânea abaixo, assim como outras informações que julgar relevantes. Atenção: ao assinar sua carta, use apenas as iniciais de seu nome.

“ H e s ito u m p o u c o e m e n tr a r n e s s a d is c u s s ã o s o b r e c e D e s c o b r i m e n t o e s e u s f e s t e j o s , p o r q " N eã o é ve o n u t r a or mn o m j o o g u ra r c o m o N a ta l o u A n g o v e r n o . E s s a h is t ó r ia d e fe s t e ja r a d a t a é in v e n ç ã o e N o v o , m a s v o u f ic a r m u d o g o v e r n o e s u a s c e n t e n a s d e m t oi l h f õe el i zs . d O e Br e r aa si si l aé s u g a s t o s . A p a r t i r d a i n i c i a t i v a d o g o v e p r a n í so ,m e a ar ap v o i l i ha od s o o s , ne ãm o r e c u r s o s , u m a s é r i e d e o r g a n i s m o sx i ss t ee c m o a n i s a bg oi on ui t o p . eA l o c u t e n ã o t e r m i n a n u n c a e s s e d e s f i l e d t ue r au e a an ni s a mt u or e: zd a o ds a d n e o f d a s e s c o l a s d e s a m b a à p e n c a d es a l i t ve r r or a s s sã oo b m r eu i t oo r a i cs a s s l d a s c a m p a n h a s p u b l i c iv t á s r t i aa ss . à s c a p( F a o s h ad t e e rn e ; F e r n a n d o G o m i
N o v a e s , 2 0 , S ã) o

P a u lo , S P

m m c ç s d p m n

O g o v e r n o fe s t e ja a d a t a p o r q u e , s e i lá , n ã o t e m n a "e N l ãe o c o e mx i s t a e n t om s u pi t a t a is p r a fe s t e ja r n e s s e p a í s m is e r á v r c o is a p a r a s e c o m e m a s . A s s i m , a o i n v é s d e t e r d e s e rp a r r e. oS c ó u p ea j ro c vo i om l ê dn e ica i v c o m p l i c a d a s , c o m o c o n t i n u a r d e i x d en s d e o m mp r ee t g a o d : ea bd aa r r pa o e a ã o s e e s v a i r e m s u b n u t r i ç ã o o u u s a á r o e d s i a dh ae i pr oa rp a a or a b c r u n t p a u a d ív id a c o m a b a n c a , o p e s s o l a li r od . e A l Bé m a sd íi ls i a o d oe i Dx oe r e s , r a m a s e d e c i d i u t o r r a r o n e g ó c i o e c m b fr ei ms te a n s t .o Q s ui g e n r i f i imc o b u u o o p u la ç ã o u m s e n t i m e n t o d e a m om r o àr t e p dá o t rs i aí n de i o ds e ” s l u m . e n to c o m a n a ç ã o , p a r a v q i l u ee o o p m( oi d ve o om ; s A el i s sm o n d e M o u r a , 2 h c o s s o p a s s a d o e e s q u e ç a o s p r o b l e m a s S ão o p P r a e u) sl o e, S Pt e . ( . . d n
( G u s ta v o Io s c h p e - C o lu n is t a d a ) F o 1 l 3h / a0 3 - / 0F 0 S ) P , 1 7 / 0 4 / 2 0 0 0
( E mF o l h a : d e S ã o P a u lo ,

F o lh a - P a r a q u e s e r v e m

d a t a s c o m

o

a d o s 5 0 0 a n o s ?

R o m e r o M a S a lo h m e o s m - e n t o s d e r e f l e x ã o e d e e s t u d o . É e g ã ã é p r e c is o c h a m a r a a te n ç ã o , a le r t a r a s p e s s o a s p a r a a e c o m p o n e n te q u e fu n c io n a a p e n a s c o m o d e s e n c a d e a d o

( C o m is s á r io - g e r a l d a C o m is s ã o N a c io n a l p a r a a s C o m e m o r a ç õ e s c a te d r á tic o d a F a c u ld a d e d e E c o n o m ia d a U n iv e r s id a d e d e C o im b r a , E m : F S P , 1 0 /0 4 /0 0 )

" É m o t iv m e n t o . A lé z e r a m e m n o s s o s 'd e ( q u e a in d a b r a s il e o o f e t sa o s 5 0 c o n d iç õ e s

o d e v e r g o n h a a m a n e ir a c o m o a m í d ia e x m d e p a r e c e r q u e o p a ís n ã o e x is tia a n te s d o a q u i p is a r, o a s s u n to é a b o r d a d o c o m o s e s c o b r id o r e s '. O q u e t e m o s a c o m e m o r a r ? O s n ã o a c a b o u ) ? O s 5 0 0 a n o s d u r a n te o s q u a u r o fo r a m , d e c e r t a fo r m a , r o u b a d o s d a q u i? 0 a n o s d u r a n te o s q u a is n o s te m s id o im d o p o v o b r a s ile ir o e d o B r a s il? ”
E v ilâ n ia A lfe n a s M o r e ir a ( F S P , 1 0 /0 4 /2 0 0 0 ) ( S a b a r á

" C a r a v e l a s n o v a m e n t e a o m a r ; r e "p N r oã do u çs ãe oi fo i d e d ir g- n p o d a c a r t a d e P e r o V a z d e C a m i n h a q u ê r e di ed e t aP n o t ro t u pg ea sl ; s r a o g io s g lo b a is a c io n a d o s p a r a a c o m t ia s gm e om c r oe mg r e r se s l ai v ç a ã ; n l a u t o b a n q u e t e p a r a a t ã o e s p e r a d a a co o mn oe sm s oo r a p ç a ã í os . d oD s a a n o s d o D e s c o b r i m e n t o d o B r a s i l . O d oq su e d ro e ú ll tm i m e on t re e hl a á t óp a c e le b r a r ? ? ? T a lv e z o g e n o c íd io d r e i o t r di b a o s O sN e U l v , a p o rn s e g e m e i o d a s g u e r r a s j u s t a s . O u m e l h o xr ,e om e p x l ot e, rd m e ím n o o n ds e r aa mv i t ç a d a s c i v i l i z a ç õ e s e a c r u e l d a d e d o t es r c oh na qv u d i s t a u d m o a e sm e e r i o p e u s . E , a s s i m , m a i s u m a v e z , o B rl a s ir l a a qp ul a a u n d t o a o e n íg v oe e e n h o i n o c e n t e v e r s ã o e n s i n a d a n a s e s c od l ea s d e p q e u c e t a C t i av ba r a ld c e x g o u a o B r a s i l p o r a c a s o . O i m p o r t a nb t r e a s i lme i ar oi s . ” u m a v e z c é fir m a r a in c o m p e t ê n c ia d a A m é r ic a c a tó lic a !! !”
S a m u e l P u c c i , 2 0 ( v i a ( d e e - p o a i ml ) e n t o m i ( F S P , 1 1 / 0 4 / 2 0 0a 0n ) o : 1 9 9 9 ) d e a lu n o ;

P e lo ta s , 2 9

d e

a b r il d e

2 0 0 0 .

S e n h o r E d it o r

A p ó s a r e fle x ã o s o b r e a lg u m a s m a t é r ia s p u b lic a jo r n a l F o lh a d e S ã o P a u lo , a s q u a is tr a ta v a m d a d a ta d e s c o b r im e n t o d o B r a s il, t o m e i a in ic ia t iv a d e e s c r e v e r e , d e s s a fo r m a , a m p lia r a d is c u s s ã o a c e r c a d o p o lê m ic o J u lg o , in ic ia lm e n t e , q u e e s s a c o m e m o r a ç ã o t r a t a p o r p a r t e d a s a u t o r id a d e s , c o m a c o n i v ê ns c di a o l do a- m í d i a r o s a s v iv e n c ia d a s n o p a s s a d o e o m ite a e x p lo r a ç ã o d o a lé m d e in c it a r, p r o p o s it a lm e n te , n a p o p u la ç ã o u m s e n t D e s s e m o d o , a s o c ie d a d e , v o lt a d a s o m e n te a o p a s s a d o b le m a s a t u a is [ 1 ] , fa to q u e d e s e n c a d e ia a lie n a ç ã o e c o m

F S P, 2 2 / 0 4 / 0 0

A d e m a is , m a n c h e te s c o m o " B a h ia : o B r a s il c o m e m e n t o c o m o s e e le fo s s e o m a r c o in ic ia l d e n o s s a c iv ili q u e a q u i v iv ia m a n t e s d e C a b r a l [ 4 , 7 ] o s q u a is fo r a m " c iv iliz a ç ã o " e u r o p é ia in te r e s s a d a a p e n a s e m n o s s a s r i P e ç o - lh e q u e c o n s id e r e , t a m b é m , o s m u it o s m ilh õ c o m e m o r a t iv a p o is a r é p lic a d a N a u C a b r a lin a e o r e ló g s i v a d a d a t a s ã o l ao ps e d n o a ds e e s x p e e m r dp í c i o d o d i n h e i r o p ú b l i c o , s e r e m p r e g a d a n a c o m p r a d e te r r a s a o s ín d io s , q u e p o a s s im c o m o e m in v e s t im e n t o s n o s s e t o r e s d a e d u c a ç ã o N o e n ta n to , p e n s o q u e a d a ta n ã o d e v e s e r e s q u e c m a r c o d e r e f le x ã o d o p o v o b r a s ile ir o a c e r c a d e s e u s p r o a m p lia r d is c u s s õ e s [3 ]. C o m b a s e n o s a r g u m e n t o s p o r m im e x p o s to s , s o li p o s i c i o n a m e n , t a o i . n G d o s s a e r ni a h o r e d i t o r , q u e , s e p o s s í v e l , i n c a , t e m a lg u m a m a té r ia a s e r p u b lic a d a p o r e s te jo r n a l. R e s p e ito s a m A . B .D . e n te ,

Comentários sobre o texto:
Os números destacados nos Por outro lado, Ana Duarte colchetes, no texto da aluna, indicam acrescentou informações as quais os fragmentos da coletânea os quais não se faziam presentes na coletânea, continham as idéias por como a referência feita ela apresentadas. à man-chete “Bahia: o Como percebemos, Ana Brasil começa aqui”, Duarte não copiou liveiculada teralmente os trechos freqüentemente em da coletânea, mas algumas emissoras de transfor-mou-os, televisão, durante a “traduzindo”, com época das comemorapalavras próprias, a ções. Forneceu, ainda, idéia-base de que sugestões sobre como queria lançar mão. aplicar a verba destinada às Salientemos, comemorações. tam-bém, que Ana não utilizou todos os Por fim, destafragmentos ao quemos o bom construir seu texto. As desempenho da aluna idéias da resposta ao utilizar a coletânea: “sim”, do fragmento 2, produziu críticas, assim como o acrescentou resdepoimento, de 6, por salvas (“No exemplo, não constam entanto...”). Quanto à N a u p o r t . u F g o u n e t se a: P I L E T T I , N . ; Pproposta, Cde redação, I L E T T I . em seu texto. H i s t ó r i a . &1 3 v ai d. ae d . S ã o P a u l o : Á t i c a , 1 9 9 3 . v 1 , p . 3 9 . desenvolveu-a de

forma adequada uma vez que não fugiu do tema e atendeu ao solicitado, fazendo referência não só à

conjuntura nacional presente co-mo à passada.

S u g e s t õ

e s

d

e

c o

m

o

f a z e r

( q u

E S T R U T U R A
I n t r o d u çP ão od : e c o n e t le o r g ui om a r g u m e n t a ç ã o ) a u m d e le i, p o r e x e m p lo ; s s e a u a f u n i çn ã d o i c é a r o o ; p o r t a n to , e la x p r e s s õ e s d e s g f in a lid a d e d a c a n a a a co eu n us m r a a u r e p o r ta g e m o u

( e a r tig o l

s s u n t o , o q u a l n ã o ã o d e v e s e r " v a g a " . E v ita r s ta d a s c o m o " V e n h o p o r m r ta .

D e s e n v o l v i Em x ep n o t so i :ç v e m p a r e /o u a le n a r o te x C o n c l u sA ã s o s :i m g ir " u m a d a t õ e, s ç a r m

ã o d o s ; a u r sg o u d e e n t o m a " f le x ib iliz a r " o p o n r t a r s o b r e u m c f ra í t oi c ; to m a is e n r iq u e c e d in t r o d u ç c o n s c ie x p lic it a r a ç õ e ,s o s s e r b a s ã o , n n tiz a d e q c o t a n te

s , a s e q s us a r to d e v is ta ( n ã ar e a l i z a ç ã o d e s o r. r e -s q a

m s r ã

c o m o a a m a io r " s e m e e iv in d ic o d e v e m

ã o d e v e s e ç ã o " o u q u u e f o sr m g a e iss u n s e lh o s d e c la r o s , d e t

v a g a " m e d o d e v u e p o lh a d o

O b sN . ã o h á u m a " o r d e m " o u " c o l o c a ç ã o " r i g o r o s a q u a n t o à s s : r e iv in d ic a ç ã o p o d e , p o r e x e m p lo , a p a r e c e r n o d e s e n v o lv im e n

R E L A Ç Ã O

L O C U T O R /IN T E R L O C U T O R

Q u a n to a o p o n t o d e v is t a , e m p r e g o d a 1 ª p e s s o a d o d e s t a c o , c o n s id e r o , a c e n tu o , p e r c e b o , c r e io , o b s e r v o , d i u s a - s e : s e n h o r / s e n h o r a t a , jo r n a lis t a ) ; V o s s a E x c e lê n c ia p a r a tís s im o S e n h o r...; V o s s a S e n h o r ia p a r a p a r a tr a ta m e n to r e s p e ito s o e m

a lta s

a u to r id a d e s

( p r e s id e n t e , s e

fu n c io n á r io s g r a d u a d o s .
3 ª p e s s o a : V o s s a

O b sO . :s p r o n o m e s d e t r a t a m e n t o e x i g e m p o r ta g e m / s e u e m p e n h o / s u a a tu a ç ã o .

E x c e lê n c

S U G E S T Õ E S

P A R A

IN T R O D U Ç Ã O

A c r e d it a n d o s e r m o s to d o s n ó s , b r a s ile ir o s , r e s p o n s á v e e p a r tí c ip e s n a c o n s tr u ç ã o d e n o s s a p le n a c id a d a n ia , d i n h o r ia ] a f im d e ( ...)

Ju lg o q u e V o p o d e r ia in te r b le m a " X " . D a r g u m e n to s

s v e q

s a ir e s e u e

E x c e lê n c ia , c o m o c o n g r e s s is ta e le it o m q u e s t õ e s t ã o r e le v a n t e s c o m o " X " , c jo , p o is , a t r a v é s d e m in h a m a n ife s ta ç ã a p r e s e fn u t n d e a i ms ee r n ã t oa , l ci mr e p i o ,r d â e n c i a . a r t c id a d ã o c o n s c iê n c ia d d o [o u : a r e r ia d e e x p o a s u p e r a ç ã m e s r o p r o m e t id o c o m d iv e r s a s m a té r p e ito d e ; a p r o p lh e m in h a p o s iç [o u : a m e n iz a ç ã u ia ó ã o

A c r e d ita n d o s e e , te n d o to m a d t e le v is iv o s ] a c e q u e s tã o ] " X " , g s im ] , c o n tr ib u ir

r u m o c o r c a o s ta p a r a

m a p r á s [o u : s ito d e o e , d e ] d e ( ..

C o m o u m a j o v e m e s t u d a n t e i n t e r e s s a d as t no a d ce o nn o s st rs u a ç ã o s o c ie d a d e , a c r e d ito s e r e m m in h a s o p in iõ e s [ o u : m e u p o s u p e r a ç ã o d o p r o b le m a " X " ; p o r is s o [ o u : p o r ta n t o ; d e s s e C o m o in tu ito [o u : f in a lid a d e ; o b je tiv o ; p r o p ó s ito ] d e c o n p ú b lic a e , a s s im , t e n ta r r e v e r te r o q u a d r o [ o u : c e n á r io ; n o s s a n a ç ã o , g o s t a r ia d e e x p o r - lh e m in h a p o s iç ã o [ o u : p T e n d o r e f l e t i d o , a t r a v é s d e i m f o rn mt á a r iç o õ s e ] s v e[ p i co u s l iaç dõ ae ss ; n c o o s n e v a r ia d o s m e io s d e c o m u n ic a ç ã o [o u : d a m í d ia ], a c e r c a e s c r e v o - lh e p a r a ( ...)

S U G E S T Õ E S

P A R A

A

C O N C L U S Ã O

C o m b a s e n o s a r g u m e n to s e x p o s t o s , g o s t a r ia d e s o lic it f im d e q u e V o s s a E x c e lê n c ia p o s s a a m e n iz a r ( ... ) p o r m e J u lg o , p o r ta n to , d e s u m a im p o r tâ n c ia a p u b lic a ç ã o , n e s a m p e r m it ir a r e v e r s ã o [o u : tr a n s fo r m a ç ã o ] d e q u a d r o ta d o . S u g ir o , p o r f im , q u e in te r v e n h a , a tr a v é s d o c a r g o o c u p p o lê m ic a q u e s t ã o a f im d e ( ...) . P a r a t a n t o , o id e a l s e r ia ( . D p e p e s s o r m s s e o s ta a f o r m a e , sq ou im e x p o s to o c a m in h o , s u g ir o - lh e l ei c s , m , a ci t o n- l sh i d e r e m i n h a p o s i ç ã o e p o n d e r e p u b lic a n d o , n e s t a r e v is ta , r e p o r t a g e n a is c o e r e n t e e e fic a z p a r a r e s o lv e r in d a , ( .. .)

A

c o

n t r a - a r g u m

e n t a ç ã o

n a

c a

Uma das maneiras possíveis de emitir nosso ponto de vista sobre um tema é demonstrar a falsidade da argumentação daqueles que pensam diferentemente de nós. Esse procedimento, chamado de contraargumentação, consiste em refutar argumentos alheios. Se utilizado criteriosamente, pode ser muito útil

na elaboração de textos argumentativos. No ano 2000, propôs-se o exercício abaixo aos alunos. Leia-o, assim como as instruções, o levantamento das idéias – fruto de discussão em sala de aula –, o tex-to da aluna Daniela Larentis e o comentário subseqüente.

Proposta de redação:
A autora do texto a seguir utiliza o tema “trote”, na verdade, como pretexto para traçar um perfil dos adolescentes das classes mais favorecidas do País. Nele, a articulista aponta críticas mordazes à maneira como reagem diante da realidade. Após identificar tais críticas, você deverá rebatê-las, por meio de argumentos os quais julgar pertinentes. Escreva-lhe uma carta contrapondo-se aos pontos de vista que ela assume em seu texto. Não se esqueça: você terá de necessariamente contraargumentar, refutar as idéias de Marilene Felinto.

O u t r a s

in fo r m

a ç õ e s /in s t r u ç õ e s :

E s c o lh a , n o m í n im o , t r ê s t e x to d a jo r n a lis t a , p a r a r e c u n h o ; p r o c e d a , e n tã o , a o le v a n t r e d ig ir ; a o a s s in a r s u a c a r ta , u s e a

d a s s e t e d e c la r a ç õ e s , d fu tá - la s , tr a n s c r e v e n d o - a a m e n to d a s id é ia s a fim s e u

p e n a s a s in ic ia is d e

n

T o d o c o m e ç o d e a n o é a m e s m a c e n a : c a lo u r o s d r a s p a d a s e a s c a r a s p in t a d a s , in c it a d o s o u o b r ig a d o s d e t r â n s it o p e d in d o d in h e ir o a o s m o t o r is t a s . É u m a d m a is a r t ific ia l d o s r it o s d e in ic ia ç ã o d a m a is a r tif ic ia l d a s n e a s : a u n iv e r s id a d e . O t r o t e n a d a m a is é d o q u e o r e t r a t o d a a lie n a ç ã o c e n t e s d a s c l a s s e so fma v t oe r me cp i o a d s e . s o b r a , e l e s n ã o t ê m e m C d t a n t a l i b e [ r1 d ] a d e . O u q u e r e m d iz e r q u e e s s a s s im p le s c a r a s p in t a d a s m e lh a n te à d a s m á s c a r a s d e d a n ç a d a s tr ib o s p r im itiv a s

P a r a a q u e la s tr ib o s ín d m á s c a r a s e r a m o a te s ta d o d a o d o s o b r e n a t u r a l e d a p u ja n ç a M a s e s s e s a d o le s c e n t e s u r b t ê m t a n t a c o m p le x id a d e . M o v i e s h o p p in g c e n t e r s , o e s p ír it o d n a s t r e [v 2 aA ] s . a u s ê n c i a d e c o n h e m e n t o e s a b e r lim it a - lh e s o s d a tit u d e s . E m t e m p o s m a is a d m ir á v e e m s o c ie d a d e s m a is id e a is , e s d e v a g a b u n d o s e s t a r ia a ju d a n c a m p o s , e n v o lv id E m L : i t e r a t u r a s B r a s i l e i r a s e P o r t ut a ur e cs aa s n, a n o s g d e S . Y . C a m p e d e l l i e J . B . S o u z ra e f o r m a a g r á r ia , e m p r o g r a m s is t ê n c ia s o c ia l n a s f a v e la s o u c o m c r ia n ç a s d e r u s e r t õ e s e a s f lo r e s t a s d o p a ís , c o m o f a z ia m o s e s R o n d [ o3 n . ] H o je , m a is d o q u e n u n c a , h á u m a te n d ê n c ia c a r a c e l i t e s d a e c o n o m d i ea ac d u li ta a ç l iãs ot a à a d o l e ss sc i êv no c pi ar o dl o e n eg x a c - e a p , m e n t o d a [m4 e ]e d m ea x c e s s i v a i n d u l g ê n c i a p a r a c o m s e e s s e in te n s o s p r o c e s s o s c o n flitu o s o s e p e r s is te n t e s e s fo r ç o s D e s d e a d o le s c e n te , s e m p r e o lh e i c o m d e s p r e z o e s d e d a r à a d o le s c ê n c ia ( o u p e lo m e n o s à c e r t a c a m a d a e s p e c ia l, s e m e lh a n te a o q u e s e d á à s m u lh e r e s g r á v id e m o v o s d a s o c ie d a d e q u e a c a b a p o r tr a n s fo r m a r a a d o m a g r a v i d e z d o n a d at e , nf a u s m e a d a n a g b u s s o t ri aç n o d o s v a l o r e s s o e ã g r a ç ã o s o c ia l. S e o s a d o l e s c e n t e s s e o c u p a s s o e u m p m l a i sm , es n fo r s r ai a - m e o o e m a d u r e c e r ia m d e v e r d a d e , s o lid á r io s , o c u p a d o s c o t r o . [ s5 ] M a s n ã o , f i c a m v a g a b u n d a n d o p c e a l ot a s n s d e o m m á fo o e r o sa sd a d p a r a f e s t a s e o u t r a [ 6 ] l e E v , i ao n qd u a ed e s p i o r , . s é s c o n s e g u id o d e c o r a r u m p u n h a d o d e f ó r m u la s e d a t a f i z e r a m p a s s a r n o t e s t e p a r a . [ e7 n] t r a r n a u n i v e r s i d a d e A m im q u e tr a b a lh a v a e e s tu d a v a a o m e s m o te m p a la r m e o e s p ír ito d e v a g a b u n d a g e m q u e , c u ltu a d o n a r e a lid a d e a lie n a d a d e u m a u n iv e r s id a d e p ú b lic a . N a U n iv e r s id a d e d e S ã o P a u lo , o n d e e s t u d e i, o s f a n o s n a h i b e l r e n s a c ç e ã n o t ea d uo s t e n t a d a p e l o d i n h e i r o p ú b l i c o . s
E - m a il: m fe lin to @ u o l. c o m .b r M A R IL E N E
d a E q u ip e d e F o lh a d e S ã o

F E L IN T O
A r t ic u li s t a s P a u lo , 2 5 /0 2 / 9 7

2000

Levantamento das idéias realizado pelas turmas do ano

Resumo da opinião de Marilene Felinto sobre os adolescentes de classes mais favorecidas:

v a g a s u p e a lie n “ m im lim ita

b u n d o s r f ic ia is a d o s a d o s ” ( ” a d u la ç ã o ” ) d o s

Avaliação acerca do texto de Marilene Felinto:

g e n e r a c o m p a ( s e m le t o c u lt u

liz r a v a r a

a ç ç õ r e l e

ã o e x e s i m c o h is tó

c e s n a d n ta r ic o

s iv a e q u a d a s o c o n te x )

C o n t r a - a r g u m

e n t o s :

O d s s d r r f d q e d c a d

O f a t o d e t a is a d o le s c e n t M T V n ã o s ig n i f ic a q u e s e a is " . E s t a e m i s s o r a v e i c u l g r a m a ç ã o , a lé m d e q u a d r o m e n t o , p r o g r a m a s c u lt u r a s a d o l e s c e n t e s d e d l i ar es c ie o m a é d - o s c s n a o s in t e r e s s ia / a l t a , a o c o n t r á r C i o o n d s o t a qn ut e e m e n t e h á p r o p a e im a g i n a , n ã o t ê m v e e n m ç ãp o o cd o e n t r a t o u s o d e d o b r a . G r a n d e p a r t e s ed x e u l e a s l m a eb n- t e t r a n s m is s í v e ic a d e m o m e n t o s d Ae i d a s z . e A r pe am - i s s o r a l t r a n s m it e a e s t u d a r . A l g u n s o c f aa z i ne tm e r dn ua -c i o n a l c o m o t a m a n t e a m a n h ã e , à c to a n r td r ei b , u r i en - d o p a r a a v a lo r o r ç a m o s e s t u d o s , c p u r l et u p r a a r a g n e - n s i i l ne ai r ma . e nQ t ue a n tr oa u b o - s e p a r a o v e s t i ba u l af ar ;t o f rd e e - o s o a d o le s c e n t e ü e n t a m c u r s o s d e e l mn g d u e a ms a e s , i a í o s s h o p p in g c m m u it o s c a s o s , p oa r lt ei c m i p b a r ma r s q u e o f a z e m , e a u l a s d e g i n á s t i c na o o s u g p r ra a n t di - e s c e n t r o s u r b a a m e s p o r t e s a t é m d e m m o a p i oa rr a s e g u r a n ç a , e s j á q l i v i a r o e s t r e s s e c a r p a ac rt q u í es ts i , c p r a ç a s o u o u t r o s e r o e s t a e t a p a d a v i d a . d e r ia m t e r a c e s s o , h á o p a s s a lt a d o s , in c o m o d a d o s ,

O m d ç s d r d a q p d t r

t e m p o s m u d a r a m e , c o m e l e s , a e n t a lid a d e , a s a s p ir a ç õ e s , a p o s t u r a o s j o v e n s d i a n t e d a r e a l i d a d e . A g e r a a o ã o d o s a n o s 6 0 / 7 0 a c r e d iC t ao v n a t r s a e r r i ap mo s e - n t e r a a v d é o s , d t e a ib s a na - d o l e s c e n í v e l " m u d a r o m u n d o " a t r e i p o r s e e i r a s , p a s s e a t a s e c o n f l i t m s a ci s o m x a g u i dt o o - s o l i a r b sé m d oa c q e u - e e h á d e id a d e s . A a t u a l g e r a ç ã o t a m r i t a q u e d e v e c o n t r i b u i r p pa or ar em x ee l mh o p r l ao r. T o m a n d i q u a l id a d e d e v id a d a s c p ê e n s c s i oa a d s a, se ó x c e s s i v a a qp ua er a o s s f i l h o s t i n u e d e o u t r a f o r m a : v o l td a e d a a ra e s i , t o p , o m r u m i t eo i s o p a i s p a s e q u e n a s a ç õ e s c o t i d i a n l q u o e x e r c íc i o d a p r ó p r i a p ir mo f p i s o s r ã - o h . e S s ã l oi m i t e s s a u n a t s o v o p n o t s a t du e- s , a e x i g e m p o s d if e r e n t e s e , p o r t , r e s p o n s a b ili d a d e , t a l a s t a m b n m e sd . i f e r e é t p r e s e n t a r u m b o m m e n t o n a e s c o la e r a ç ã o p a r a o v e s t ib u l d e e s t i p u la r h o r á r i s a í d a s n o t u r n a s . T " s d s m s m e e p p m b c o a e ã e e o x n o a e o u is j o v e n s n ã o s ã o g o ís t a s " , c o n f o r m e o c h a m a d o s . M u it o s a l e s d e m o n s t r a m O -ss e d s n s í v e is a o s p r o v b e l e t- i b t aê mm , o a s q u e o s c e r c q au oe s a l i d a r i z a n d o - s e a i s n e c e s s i t a d o gs r i a e e c l u í d o s , a t r a v é s d o g a j a m e n t o e m g r u s d e i g r e j a s , p a r t i c i ç ã o e m O N G s , p r o o ç ã o e m c a m p a n h a s n e f ic e n t e s o u M u di t e a s n s c i e n t i z a ç ã o , es in d t a r e e d t r a s a t i v i d a d e s .s i s t e m ç a s d o s m a s

s

o l e s c u l a r, d i r e a p r o a lí v io

e n t e s q u a p ó s o i t o a c o v a ç ã o é .

e f o r a m e s f o r ç o m e m o r a m o t i v o

u n i v e r s d e r e c ic a e d u c a n a s p r o v a c a n d i d a t o a r e f l e x ã o

i d l a c i s s e

a d e r o o n a d e n ã o p o s

s , e n m é t o l , p r v e s a m t u r a

t e n d o o p u t i b u e r c r ít

Agora leia a carta argumentativa elaborada pela aluna Daniela Larentis:

P e lo ta s , 0 1 S e n h o r a

d e

s e te m

b r o

d e

2 0 0 0 .

J o r n a lis ta

N ã o m e c o n s id e r o u m a jo v e m " s u pp oe rr f ii s is a o l " , t a m p o u c c m in u c io s a m e n t e s e u a r t ig o p u b lic a d o n a F o lh a , d e 2 5 / 0 2 p r e s n a ro s ó s ã m i n h a p r o f u n d a i n d i g n ac ço ãm o o t a m b é m ç ã o m a n ife s ta p e la s e n h o r a a o s e d ir ig ir a o s jo v e n s d a s c la I n i c i a l m , g o s et a r i a d e c o n t e s t a r s u a a f i r m a ç ã o i n j u s t a q e n t v e n s d e s fr u ta r e m d e m u i t o t e m p o z l á v - rAeo t. u a n l ã o e sn at eb , e dr e m i d c oo i l e m v à sg r a n d e s e x i g ê n c i a s d o m e r c a d o d e t r a b a l h o , t a i s a d o l e s c d a v e z m a i s , a t r a v é s d e c u r s o s , e s t á a g l iéo ms , de es t u d o s d e o u t r a p r e p a r o p a r a o d e s t i ab i us l a cr .o m A v m o i n t u i t, o d e e v i e t a p a d a v id a , m u it o s p a r tic ip a m d e a u l a Ts a dm e b g é i n á s t i c a o u m c o r d o d e q u s e h oa p i pd i an g a c e n t e r s p o s s a A so e r v i s t a c c o n t r , á er is o s e s e s p a ç o s c o n s t i t u e m - s e e m r a r o s lu g a r e s o n v e r s i d a d e c u l t u d r e l f o ro mr m s e d o e l a z e r t a i s c o m o c i n e m a s , e x p o a p a i r ia e n t r e ta n t o s ; , o fa t o r m a is a t r a t iv o e e s s e n c ia l, s e m d ú v v is to q u e o s jo v e n s , n e s s e s a m b ie n te s , e n c o n tr a m - s e m a is t r o s p e r ig o s m a is g r a v e s . I g u a l m , ej u n l tg e o i m p r o c e d e n t e a r e f e r ê n c i a f e i t a p o r V o s s a e x a c e r b a d a a d u la ç ã o à ju v e n tu d e . O s a d o le s c e n te s e s tã s e u s fa m ilia r e s , o s q u a is lh e s im p õ e m r í g i m op s l i f l i ic m a imt e s , c o d c la r a m e n te t a is a t it u d e s o b o m d e s e m p e n h o n a e s c o la , a p b r e t u d o , o a u m e n t o d a r e s p o n s a b ilid a d e c a r a c t e r í s t ic a d e p a r t e d o s j o v e n s d C e o om u t rr ea ls a çd ãé oc a a d o a s . t a n t o lim p ioai s a , t d a s p r o v a s d e v e s tib u la r e s , e m m u ita s d o s a l u n o s u m a pe o n s ã t uo r s o c mr í te i cn a t e a , a s i m p l e Ls o n o s c u jo e s fo r ç o e d e d ic a ç ã o r e s u lt a r a m n a a pe r o v a ç ã o d v i t o r i o sp o o s r te a , n t o , c o m e m o r a r. A c r e s c e n to - lh e q u e e s s e s jo v e n s n ã o s e m o s tr a m p fr e n t e à p r e o c u p a n te c o n ju n tu r a a t u a l. M u ito s c o la b o r a m , e m u n id a d e s , e n g a ja n d o - s e e m g r u a p l éo m d e i g r e j a s o u e m s O d ep r o m o v e r e m c a m p a n h a s c o n s c i e n t i z a d o r a s o u b e n e f i c e t a n ,t o p o n h o - m e à g r a v í s s i m a a c u s a ç ã o d a f a l t a d e s o l i d a r i e ju v e n tu d e a t u a l. E s ta n ã o a lm e ja s o lu ç õ e s im e d ia ta s e in d i m a cs o n s c i e n t e s , d u r a d o u r a s e s o l i d á r i a s , t a l c o m o o c o r r e u c i p a ç ã o d o s c a r a s - p i n t a sd o a sdi m ed pu er aa nc th e m o e pn rt o c e s o d e x - p r e s id e n te C o llo r, n a d é c a d a d e 9 0 , o c a s iã o e m q u e d o s j o v e n s m o s t r o u - s e e s s ce on nc it ar al . r Ei a l em s e p n r te e t e n d e m , a t i t u d e d a q u e l e s d on sã oa ns oó s 6 0 e 7 0 , r e a liz a r p a s s e v e z e s a t é m e s m c o o m i oo l e t n tma sb é m, v a a s p ir a r a m a i s p r o f u c n o d m a s c e r, t e z a , a u x ilia r ã o , a t r a v é s d o e 9 p r o f i s - s ã o , p o r e x e m p l o , e m p r o l d o s m I sa t oi , s É2 c6 a a rg e o n. 1t e 9s 2 . , p . 4 4 . D e s s e m e o s dp oe r o t e r c o n t r i b u í d o , p a r a aq us e n h o r a p t e m p o s , d a m e n t a l i d p a r di ne c d i po as l p o e v no t s e e , m , d a s i d e r a a n s d s o i ,m a f r, es nu ta e p à o s s n t uo rv a s g e r a ç õ e s . A te n c io s a m e n te , D . Z . L .

Comentários sobre o texto:

Daniela utilizou praticamente todas as idéias sublinhadas no texto de Marilene Felinto para contestá-la, fato que não era obrigatório, ou seja, as instruções não indi-cavam tal obrigatoriedade, mas também não impediam que a aluna o fizesse. Pelo fato de assim tê-las usado, seu texto tornou-se um pouco extenso se comparado aos que costumam ser produzidos em provas de vestibulares, mas nem por isso de qualidade ruim: ocorre justamente o contrário; ela fundamentou muito bem suas idéias, foi crítica, usou apropriadamente a coletânea. Além disso, selecionou um vocabulário rico e coesivos adequados. A aluna não perdeu de vista, no 1º parágrafo, as idéias da jornalista: ao se apresentar, selecionou os adjetivos “superficial” e “alienada” para retomar as críticas de Marilene expressas nas linhas 14 e 15 (“Mas esses adolescen-tes urbanos não têm tanta complexidade”) e 6 (“retrato da alienação”). Remeteu, en-tão, ao sentido global do texto e apontou nova crítica – generalização em demasia. No parágrafo seguinte, refutou as idéias contidas em 1 e 2, sublinhadas no texto-fonte, comprovando, através de uma breve análise da conjuntura socioeconômica

atual, que os jovens aproveitam bem o tempo de que dispõem. Os argumentos expressos em 4, 7 e 6 fizeram referência à responsabilidade desses jovens. O trecho “característica marcante desconhecida por grande parte dos jovens de outras décadas”, implicitamente, alude às atitudes da geração da própria Marilene quando jovem, assim como, no parágrafo posterior, em “contrariamente à atitude daqueles dos anos 60 e 70”, a aluna reafirmou tal alusão. O 4º parágrafo apresentou argumentação construí-da por meio de exemplos da atualidade. A escolha do vocabulário é considerada IstoÉ, 02/09/1992, capa própria à contraargumentação: indignação/ contestar/ injusta/ discordo/ improcedente/ um tanto limitada/ oponho-me/ gravíssima acu-sação/ perceba/ reconsiderando. Tam-bém o uso de coesivos, assinalados no texto, permite a transição adequada entre as idéias. A aluna marcou explicitamente a retomada do dizer alheio, através de expressões como: não me considero/ gostaria de contestar/ também discordo de/ julgo improcedente/ com relação ao trote, considero/ portanto, oponho-me à, típicas da réplica.

Tais estratégias fazem da redação de Daniela um bom exemplo de texto ar-gumentativo, neste caso,

estruturado de acordo com o processo de contra-argu-mentação.

S u g e s t õ

e s

d

e

c o

m

o

f a z e r

( q u

E S T R U T U R A
I n t r o d u çD T e ã e ov a m x p :e

h a v r ee r f eu r mê na c i a a o t e x t o c u j a s i d é i a s s e r b d é em l i m i t a r o a s s u n t o , n e s te tr e c h o l i c i t a r -c s e e n us m ra a / r e p r o v a ç ã o / i n d i g n a ç ã o u d o u ito d ra v é s - a r g u p o n t a d ,i z d e e r sd u o a os u d t er oc l a r a ç õ e s / p e r e f u t á - l a s . É p rf e cn i -s o , n e u d e fa to s , e x e m p lo s o u o u t m e n t o s r. eP s o s d a e l -v s a e f a z e r u m o d e v is ta e , d e s s a fo r m a ,

D e s e n v o l v i Rm e e t n tm o a: d o c o m o in t d a m e , n a t ta r o s c o n tr a x ib iliz a r o s á r io " .

o s s t r o a c o

C o n c l u sR ã e o t o m a d a d o p o c no t mo da e f i v ia s l ti da a d e d e r e s s a l t a : n s i s t ê n c i a d o s a r g u m e n t oa sp o n h t ea i ro ss u Pg oe ds et õm e -s s e a l . r a ta is a r g u m e n to s s e r e m r e c o n s id e r a d o s .

E X E M

P L O S

D E

T R E C H O S

P A R A

R E T O M

A R

O S

F A

C o n tr a p o n h o - m e à a c u s a ç ã o / a o fa to d e ( ...) C o m r e la ç ã o a " x " , ju lg o p o s s ív e l r e v id a r t a l fa to ( . . .) C o n s id e r o im p r o c e d e n te / im p r ó p r io / in ju s t o / u tó p ic a ( .. .) M a n ife s to , p r im e ir a m e n te , m in h a d is c o r d â n c ia q u a n t o a / a C o n tr a r ia m e n t e a o q u e fo i e x p o s to e m ( ... ) J u lg o , a in d a , p r e c ip ita d a s u a d e c la r a ç ã o r e fe r e n te a / a o ( . N ã o p o s s o d e ix a r d e m e s u r p r e e n d e r q u a n to a / a o ( ...) G o s ta r ia , ig u a lm e n te , d e c o n t e s t a r / q u e s t io n a r s u a a f ir m a N o m e u e n te n d e r, n ã o s e tr a t a , p o is , d e ( . .. ) , m a s ( .. .) O s e n h o r a c u s a - m e d e ( ...) ; n o e n ta n to , ( ...) N ã o p e r c e b o m o t iv o s p a r a ta is in q u ie ta ç õ e s , p o is ( .. .) E q u iv o c a d a m e n t e , V o s s a S e n h o r ia d e c la r o u ( .. .) J u lg o d if í c il a c r e d it a r ( . . . ) T a l fa to e v id e n c ia q u e o s e n h o r d e s c o n h e c e a lg u n s d m o tiv o s / à s v e r d a d e ir a s r a z õ e s ( . .. ) Q u a n t o a o a r g u m e n t o s e g u n d o o q u a l ( ... ) , a c r e d it o ( .. .) C r e io q u e a id é ia " x " a c a b a p o r r e fo r ç a r a im a g e m p r e c o n ( ...)

V O C A B U L Á R IO

P A R A

S E

U S A R

E M

C O

N T R A - A

V e r b : od si s c o r d a r , c o n t r a r i a r , c o n t r a p o r - s e , r e v i d a r , c o n t e s t a S u b s t a n ot i pv o ss i : ç ã o , d i s c o r d â n c i a , c o n t e s t a ç ã o , o b j e ç ã o , r t r a r ie d a d e , d iv e r g ê n c ia , e m p e c ilh o , … A d j e t :i ve oq su i v o c a d o , i m p r o c e d e n t e , i n f u n d a d o , i n a d m i s s í v e c a z , a r b itr á r io , d e s u m a n o , in c o r r e t o , u n ila t e r a l, d e p in c r é d u lo , s u r p r e s o , c o n s t r a n g id o , … O u t r: o us l g o n e c e s s á r i o J r e a v a l i /a r A c r e d i t o s e r e x q t ru e e m s a i m ne án vt ee l t o P e n se or i sm p r e s uc mn da í rv e e f l l e x ã o i r e v e r /

r e c o n s id e r a/r r e o fa to d e ( .. p r o fu n d a a c e r c a

S U G E S T Õ E S

P A R A

A

IN T R O

D U Ç Ã O

A p ó s le it u r a r e fe r e n t e a o a r t ig o / à r e p o r t a g e m “ x ” a c e r c a t â n c ia , d e c id i e s c r e v e r - lh e e m a n ife s ta r m in h a o p in iã o , E e c p r a x p r e io n a o n to m z ã o d a s c r í tic a s e x p o s t a s e m s e u t e x t o “ x ” , r e fe r e n s s a r m in h a r e p r o v a ç ã o e m fa c e d e s u a a tit u d e ( r - lh e , p o r m e io d e m e u s a r g u m e n to s , u m a r e fle x ã o d e v is t a .

S U G E S T Õ E S

P A R A

A

C O N C L U S Ã O
E x c e

J u lg o , p o is , p e r tin e n t e q u e V o s s a S e n h o r ia / V o s s a a fim d e e v ita r p r e ju íz o s a in d a m a io r e s a ( .. .) . S u g ir o q u e ( . ..) s e ja e fe tiv a d o / a e , d e s s e m o d o , a

a tu a l s i e n

P o r ta n t o , s o lic ito - lh e q u e r e c o n s id e r e s e u p o s ic io n a m c r í tic a s e m u m a p o s tu r a m a is o t im is ta f r e n t e a ( . .. )

U

m

o

u t r o

e x e m

p l o

d e

t e x t o

a

Uma outra modalidade textual proposta por exames de vestibulares de diversas universidades do País trata-se da dissertação. Tal qual ocorre com a carta argumentativa, a dissertação é um tipo de texto em que emitimos julgamentos, fazemos críticas e/ou ressalvas, expressamos pontos de vista e defendemos idéias as quais são sustentadas por meio de argumentos. No entanto, se há aspectos comuns entre os dois tipos de textos, também os há diferentes. Na dissertação, ao contrário da carta, não escrevemos dirigindo-nos a um interlocutor específico, determinado. O interlocutor, neste caso, pode ser considerado qualquer pessoa que vá ler o texto; portanto, a interlocução não deve ser explicitada. Outra diferença a ser salientada refere-se ao uso da 1a pessoa do singular, que, na carta, deve aparecer com freqüência e, na dissertação, evitada.

Essas são convenções as quais devemos respeitar a fim de que a redação seja adequada ao tipo de texto proposto. Quanto ao uso da coletânea, recurso normalmente exigido aos vestibulandos que prestam vestibular na UFPel, UCPel e UNICAMP, devemos levar em conta as mesmas observações já mencionadas ao estudarmos a carta argumentativa. No ano 2000, pediu-se aos alunos que redigissem uma dissertação, baseando-se numa coletânea composta por charges a qual abordava a relação entre ética/política em nosso país e questionando-os acerca da viabilidade ou não da prática política nacional em conformidade com os princípios éticos. Leia a coletânea, o levantamento com o resumo das idéias das charges, assim como a redação, de autoria da aluna Daniela Larentis. Após, reflita sobre os comentários que seguem.

TEXTO 1
OS PESCOÇUDOS – Caco Galhardo

(Folha de São Paulo, 10/7/99)

TEXTO 2
OS PESCOÇUDOS – Caco Galhardo

(Folha de São Paulo, 21/02/00)

TEXTO 3
OS PESCOÇUDOS – Caco Galhardo

(Folha de São Paulo, 17/07/00)

TEXTO 4
OS PESCOÇUDOS – Caco Galhardo

(Folha de São Paulo, 18/07/00)

TEXTO 5
OS PESCOÇUDOS – Caco Galhardo

(Folha de São Paulo, 20/7/00)

TEXTO 6
OS PESCOÇUDOS – Caco Galhardo

(Folha de São Paulo, 21/7/00)

TEXTO 7
OS PESCOÇUDOS – Caco Galhardo

(Folha de São Paulo, 22/7/00)

TEXTO 8

(Folha de São Paulo, 03/01/98)

Levantamento das idéias das turmas do ano 2000

e s t e r e ó t ip o e x c la n p e r t e s e s s ç a r ío d c o s o m o ) .

( d e v id o

à

p r ó p r ia

t r a d iç ã o )

d o

" m

a u "

d e p r iv ilé g io s : o p o lít ic o p o d e a p r o v e it a r ã o d e p r iv ilé g i o s a s i p r ó p r io o u a u m p e q C o llo r : o p e r a ç õ e s f r a u d u le n t a s , e s q u e v e r b a s ( e x . : n a a t u a lid a d e : c o n s t r u ç ã o d o E s t a d o : N ic o la u d o s S a n t o s N e t t o ) . d a " p a id lít ic a e

d e s v io d e d a J u s t iç a c o m p d o c a le v a n p e s s o f a lt a

r a e v e n d r ga od o o cp u a pr t e n ã o é a is d o p o d e d e

v o t o s ( " c lie n t e lis m o " , o u s e j a r e s t a r f a v o r e s " ; p e r s o n a lis m o e o lo g ia n e m o p a r t id o d o c a n o ) . ( f in a lid a d e : e v it a r ( a lt o g r a u d e e s c â n d a e m c o r r u p ç s o f is t ic a ç ã o

t r a n s p a r ê n c ia s u b o r n o ( o s

t e n t a t iv a

im p u n id a d e c id o s " ) .

e s c â n d a lo s , e n v o lv e n d o

f is i o lo g is m o : le g is la r e m c a u s a p r ó p r ia ; u s o d a c o m p r a e v e n d a d e v o t o s ; c a ma pe a e ch u a ç eã l oe i t o r a l r e x n d o p r ó p r io m a n d a t o ; " c lie n t e lis m o " .

B

r a s i l C

o lô n

ia :

d e p

e n d

ê n c ia i t id

t o t a l d o o : d s o m v o t o

a

m

e t r ó p o l e . a o s la t i -

B r a s i l I m p é r i o : f u n d iá r io s . R E D e p ú r a b l ic a r a d v e l h a m e 6 4 V a r g a s :

v o t o a : a

p e r m

e n t e a m

c o r o n e l is m a d q u f o r t e ir e 8 2 :

c a b r e s t o . a o v o t o . i li t a r.

u l h e r

ir e it o

i t a d u

r e p r e s s ã o

E E E

x e r c í c i o

d a

c i d a d a n

i a e

d

e a s J u

f o r m f u n d i c

s c l a r e c i m e n t o s o b r e x e c u t iv o , L e g is la t iv o

F is io lo g is m o , c o r r u p ç ã o , e s c â n d a lo s , p r iv ilé g io s , im p u n u m a s c a r a c te r ís tic a s id e n tific a d a s , c o m fr e q ü ê n c ia , n a a t iv í c it o e x p o s t o à s o c ie d a d e , a u m e n t a o s e n t im e n t o d e v e r g o n o s o q u a l, a lia d o à in s e g u r a n ç a , d e s p e r t a d ú v id a s a r e s p e i s s e s c id a d ã o s . C o n t u d o , t a l c o n ju n tu r a p o d e r ia s e r r e v e r t id i d a p o l í t i c a d op a ra t íi cs i e ad se s l ae d e f o r m a r e s p o n s á v e l e c o n s c i e n t P p I n ic ia lm e n t e , s a lie n t a - s e a fa lt a d e in t e r e s s e d a im e n s a p p o lí t ic a n a c io n a l. A s c a u s a s d e s s e d e s in t e r e s s e s ã o in ú m e r s a e m - s e e e x p lic a m c o m c la r e z a o in í c io d e u m a h e r a n ç a : a D e s c o b r im e n to a té a I n d e p e n d ê n c ia , fo i g o v e r n a d o p o r P o s e u s i n t e r e s s e s e c o n ô m i c o s e p o l í t i c o s , a c o l ô ne i as ,u ibn - i c i a n d o m is s ã o b r a s ile ir o . J á n a é p o c a im p e r ia l, o v o t o e r a p r iv ilé g io s R e p ú b lic a V e lh a , e s t a b e le c e u - s e a p o lí t ic a d o c o r o n e lis m o , to r a is e n o v o t o a c a b r e s t o , a b e r t o , o u s e ja , o b r ig a v a - s e o e m q u e n ã o s ó s e m a n tiv e s s e n o e m p r e g o c o m o ta m b é m p r e s e e s s e t ip o d e v o t o n a d a m a is s im b o liz a v a d o q u e o s in te r e s s e s c r i m i n a d l a se o n c t e a m i o b te v e d ir e ito a v o to e m 1 9 3 4 , n a E r a V a rg t o r ia l, d e 6 4 a 8 2 , c o m o g o lp e d e E s t a d o o u , p o s t e r io r m e n te , c o m e le iç õ e s in d ir e t a s , s o b fo r t e r e p r e s s ã o , e v id e n c io u s e u m a v e z m a is o to t a l a fa s ta m e n t o d a s o c ie d a d e n a p a r tic ip a ç ã o p o lític a d o P a ís . L o g o , o s m o m e n to s " c o n c e d id o s " p a r a a p r á t ic a d a c id a d a n ia , n o B r a s il, fo r a m m a r c a d o s p e la im p o s iç ã o o u a u s ê n c ia d o v o t o , g a r a n t in d o o p o d e r s e m p r e n a s m ã o s d e u m a m in o r ia . A s itu a ç ã o p o d e r ia s e r r e v e r tid a ; p o r é m , a c o n ju n tu r a p o lít ic a a tu a l m o s tr a - s e ig u a lm e n te c a ó t ic a e p r e o c u p a n te . O b s e r v a m - s e c o n s t a n te m e n te c a s o s e s c a n d a lo s o s e n v o lv e n d o p o lític o s . M u ito s a p r o v e ita m - s e d e s e u s c a r g o s . p a r a o b t e r i n ú m e r o s p r i v i l é g i o s c o m o I , s pt o, o É7 r / 4e / x1 e9 9m 3 p Él o o, af i m ?o pC ea p a s g il c e v

r a ç õ e s fr a u d u le n t a s d u r a n te o p e r í o d o C o llo r. A d e m a is , h á o v e r b a s a s q u a is d e v e r ia m s e r r e p a s s a d a s à s á r e a s d a s a ú d m o p a ra s e r e m e le ito s , a lg u n s p o lít ic o s " c o m p r a m " v o to s , p r v o r e c id a s , a t r a v é s d a o fe r t a d e c o m id a e a lg u m a s v a n t a g e n d e v id o à s s u a s " q u a lid a d e s " , e n ã o à s u a p e r fo r m a n c e o u a n ã o b a s ta s s e m e s s e s po r, e e j us ít z o d s e àp a p r oa p- su el a cç oã m a a im p u n id a d e s e n t e m - s e in a b a lá v e is e in d e s t r u t í v e is p e r a n t e q u a lq u e r f o r m is s iv id a d e , c a r a c t e r í s tic a d e s s e m u n d o p o lít ic o . E v id e n c ia d e q u a n t o à r e a lid a d e p o lí t ic a e s o c ia l, o q u a l d e s e n c a d e ia f d o P a ís . A s s im , h á a n e c e s s id a d e d e u m a r e v e r s ã o d e t a l q u a d r o c í c i o c o n s t a n t e d a c i d a d a n i a n ã o s ó n o o p p e r ré í o e d po ó e s l -e e i tl o ir t ao l r, a c l o m e d e v e - s e c o n h e c e r o p r o g r a m a d o c a n d id a t o e d o p a r tid o d u r a p o p u la ç ã o s o b r e a s f u n ç õ e s d o E x e c u tiv o , L e g is la t iv o e J a ç õ e s d o s p o lí t ic o s , e x ig in d o d a m í d ia a d iv u lg a ç ã o s o b r e o fo r m a , h a v e r á a b u s c a c o n s ta n te p e lo v o to c o n s c ie n te e a n e p r o l d o s d o P a ís p a r a q u e e s te s e d e s e n v o lv a , o p o r tu n iz a n d c e n d oa up m l í t i c a i n c e n t i v a d o r a e v e r d a d e i r a e m q u e a é t i c a m o s o

Comentários sobre o texto:
Observemos, primeiramente, o uso que Daniela Larentis faz da coletânea. A aluna utilizou, na introdução (1º parágrafo), as idéiasbase de todas as charges, resumidas e expressas através de substantivos. No desenvolvimento, no 2º parágrafo, ela lançou mão de conhecimentos de História os quais não estavam explicitados nas charges, mas haviam sido discutidos pela turma; acrescentou, portanto, informações à coletânea, enriquecendo a argumentação. No 3º parágrafo, ainda no desenvolvimento, usou as idéias implícitas nas charges 2 e 7 ao ressaltar os privilégios e escândalos referentes a alguns políticos, exemplificando. Os desvios de verbas, expressos na charge 3, constaram ainda neste parágrafo, assim como a compra e venda de votos, manifestas na charge 4. A impunidade, à qual se refere o chargista no texto 7, também foi mencionada neste trecho. Para fundamentar seu texto, sustentou sua argumentação mediante um resumo histórico no qual ressaltou a exclusão política e social da maioria dos cidadãos brasileiros e os interesses econômicos e políticos de uma minoria privilegiada. Ao analisar a conjuntura nacional, citou alguns “vícios” de determinados políticos – obtenção de privilégios, compra e ven-da de votos, impunidade –, salientando a necessidade de a população reverter tal quadro. A fim de que tal reversão ocorresse, obedecendo a princípios éticos, Daniela, na conclusão, expôs uma série de sugestões, todas visando à não-conivência e à participação da comunidade, de forma responsável, na atividade política nacional. Eis um bom exemplo de texto argu-

mentativo: crítico, bem fundamentado, com bom aproveitamento da coletânea, com a escolha de um vocabulário rico e nível de linguagem adequado à situa-

ção. Ademais, a aluna fez bom uso dos elementos coesivos, “costurando” suas idéias com elegância.

1

0

S u g e s t õ

e s

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C D R É C T É C P C A P

n v é m s a lie n t a r ( . .. ) v e m s e r e n fo c a d o s o s a s p e c to s ( ...) s s a lta - s e q u e ( ... ) r e c is o , p o is , q u e s t io n a r m o s ( .. . ) n v é m le m b r a r ( .. .) o r n a - s e fu n d a m e n ta l ( ...) n e c e s s á r io f r is a r ( . .. ) u m p r e d e s ta c a r ( ...) o d e - s e a fir m a r q u e ( .. .) o n fo r m e a le g a m ( ...) le g a - s e , c o m f r e q ü ê n c ia ( .. . ) o d e m - s e t r a ç a r, a in d a , o u tr a s d ife r e n ç a s / c a u s a s / c o n s

o e e p o

S U G E S T Õ E S P A R A A IN T R O D U Ç Ã O O u s o d e v á r i o s s u b s t a n t i v o s o u d ( ed ee vx ep m e s s õ t ee sn ce eq r u ai vo a ml e en r p e r c a m p o s e m â n tic o ) : Q u e i m ,a d a s d e s m a t a m e n t o s , p o l u i, ç ã o á g u . aE s s s a s e x p r e s s õ e s s u g e r e m a m u i t o s q u q u e r p a r a s e c o m e m o r a r o D ia M u n d ia l e n t a n to , a o s m a is e s p e r a n ç o s o s e p e r s e v e r p o lí tic o s e o s e c o lo g is ta s , s ã o e x a ta m e n t e e z a r u m tr a b a lh o d e c o n s c ie n tiz a ç ã o , e n v o lv ta is q u e a m e a ç a m o P la n e ta . ( a s s u n to : q a tu a lid a d e ; p r o p o s t a n o D ia M u n d ia l d o M e io "C r i a t i v i d a d e , e s p í r i t o e m p r e e n d e d o n h a r f u n ç õ e s. E v sa sr a a s d s ãs o a l g u m a s c a i a d a s p e r ia n gs r e s s a r n o m e r c a d o d e t r a b a S e m d ú v id a , c o m o a v a n ç o t e c n o ló g ic c ia r a a n tig o s c o n c e ito s , ta is c o m o a m a ç ã o a c a d ê m ic a lim ita d a a u m a á r e a n o : 2 0 0 0 ; tr e c h o d e r e d a ç ã o d e a lu n a "B a s e s n i t r o g d e c if r a r c e r c a p l a m e e n ot m e m c G e n o m a , tr a d to : P r o je to G e e n a d a s , g e n e s , c r o d e 9 8 % d o c ó d ig o g o ra d a ; e n tr e ta n to , c u z id o , s e ja u tiliz a d o n o m a ; a n o : 2 0 0 0 ; tr e r

c o n t a m in a ç ã e n ã o h á m o t iv d o M e io A m b a n te s , c o m o o s la s a ra z ã o p a r e n d o q u e s tõ e s u e s tõ e s a m b i A m b ie n t e ; a n o

p, r e p a r o p a r a d e s r a c t e r í s t ic a s e x ig ia l h o I s dt o, e É2 s 3 t / e5 / 2f i 0m 0 1 d e s é o , o tr a b a lh a d o r d e v e h a b ilid a d e p a r a a tu a a ." ( a s s u n t o : o p e r fil : A n a B a r b o s a D u a r te o s D, u m a n c a u ç õ ir a r e s d a ç ã o N A o . E e s p o n d e s d s a

m o s s o m e n é tic o h e r ta s p r e d e m a n e c h o d e r e

. F in s a r e e v e m á v e l lu n a

O

u s o F tr a n s B is i u a tiv e c e m r a

d e

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m: r u s n v ( .

a is

p e r g u n t a s r iv ilé g io s , tific a d a s , c t o fa z - s e a t iv id a d e , c a /p o lític a
I s t o 1 0, / 1 / 2 0 0 1 É

o lo g is m o , c o r s . E is a lg u m a id a d e p o lít ic a e s s á r io : é v iá in c o r r e r e m s il; a n o : 2 0 0 0 )

p ç ã o , e s c â n d a lo s , p c a r a c t e r í s t ic a s id e n a c u i om n aq l u. N so t i eo nn t aa m t eo n e n , e l o e x e r c íc io d e s s a a a s i ss u v ít c i: o r s e ? l a ç ã o t n o é ti

im p u n id o m fr e q e m n o n o s

O

u s o

d e

u m

a

s ig la /u m ú n ti a

n ú m

e r o

s e g u id o

d e

c o m

e n t á r io :

"7 . 7 1 6 . E s s e n s ile ir a ; n o e n t a g u n d o a C o n s d is s o , c o t id ia n s o b r e tu d o e m c o n s e q ü ê n c ia c o m p o s ta , e m d is c r im in a ç ã o L a r e n tis ) . "W . W . W . E s s a tr a v é s d e la , d o c o n te m p o z e s ; a In te r n e a n o : 2 0 0 0 ; tr e

m e r o d e v e r ia e x p r e s s a r a lg u m s e n t id o p a r t o , m u it o s c id a d ã o s , p o r d e s c o n h e c ê - lo , o t u iç ã o , a le i 7 . 7 1 6 d e s ig n a o r a c is m o c o m o m e n te , p r e s e n c ia m - s e c e n a s e x p líc ita s d e r e la ç ã o à r a ç a n e g r a . T a l e x c lu s ã o p o d e c s , p r in c ip a lm e n t e a o fu tu r o d o P a ís , c u ja p g r a n d e n ú m e r o , p o s r . "i n ( da isv sí du un ot o s : n e g r o s o u m r a c ia l; a n o : 2 0 0 0 ; t r e c h o d e r e d a ç ã o d c o n s titu i n u m a d a s s ig la a c e s s o a q u a lq u e r p á g in o , a e x tr e m a im p o r tâ n c ia a lif ic a - s e , p e r fe it a m e n t e , d e r e d a ç ã o d e a lu n a : D a n s m a is u t a d a In te d e c o m u p a r a e s s ie la L a r e

a s e h á o r â n e t q u c h o

iliz a d a r n e t. V e n ic a ç õ e fim ." n tis ) .

U s o

d e

u m

a ( n c ã i t o a çe ãs oq u e c e r d e

c ita r a

fo n t e ) :

" 'P r i s ã o n ã o s e r v e p a r a r e s s J u s t, i ç a m o n s t r o u h a v e r u m a d e s õ e s e m r e g im e fe c h a d o , n o m in a lid a d e o u d e r e s s o c ia liz p e n a s a lte r n a tiv a s , c u ja a p li p r in c ip a lm e n te n o s c a s o s r e a lte r n a tiv a s a o s u s u á r io s d e D u a r te ) . "S e g u n d o o e x - m i n i s t r o d i d. o a l f r a s e s i m p l i f i c a , d T fo r m e s e u s in te r e s s e s , a p e s s o a s e , a té m e s m o , à ta n d o - s e d e le e d e s e n c a v id a , a d e s v a lo r iz a ç ã o d ç ã o d o h o m r ve am l o/ sr iuz pa eç ã o d L a r e n tis ) .
O b sÉ . : i n t e r e s s a n t e ,

o c ia liz a r.' E s s a f r a s e , m e n c i c o n s c ie n tiz a ç ã o g e r a l d a s o c i B r a s il, n ã o s e r v ir e m c o m o m a ç ã o d o in fr a to r. A fim d e a m c a ç ã o te m m o s tr a d o e fic iê n c la tiv o s a o s u s u á r io s d e d r o g a d r eo dg aa çs ã; o n d o e : 2 0 u 0 n 0 a ; : t rA e n c a h oB ad re a a l , o q u la r a e d o h o o , a m m g r a e m d ; a n o e

R ic u p e r o e fo r m a c im a g e m a c e it a ç ã d e a n d o u o h o m e m a im a g e m

é b o m d e v e s e r m f ie l, a m a n ip u la ç ã o m e m p e ra n te a s o c íd ia a u m e n ta , g r a d v e c í r c u lo v ic io s o , c e tr im e n to d o c u lto : 2 0 0 0 ; tr e c h o d e re

e m i n t r o d u ç õ e s c o a m r g o u em s es n ts o, l da en ç a a u r tmo ro i sa d a d, e e c u r s o q u e c o n s i s t e n a c i t a ç ã o d e a u t o r i d a d e s c o n h e c i r d a d e s , d o c u m e n t o s im p o r ta n te s , d e c o n h e c im e n to e m n ív e l v is ta .

58

Teresinha Brandão

U m

a

b r e v e

r e tr o s p e c t iv a

h is tó r ic a :

" A p R e v c a a d ia n m a n d e d ç ã o

o lític a d e s o lu ç ã o In d tu a l te n h a o , r e p r e s e o m a n té m e v id a d a d e a lu n a : I

e n v o lv im e n t is t a , d e s e n c a d e a d a a p a r t ir d u s tr ia l, c r io u u m c u r io s o p a r a d o x o n a s o c a d q u ir id o u m c a r á te r a lt a m e n te te c n o ló g i n ta d o n a s a t iv id a d e s d o s p r in c ip a is c e n t - s e e s c r a v o d o t e m p o , is t o é , o m u n d o 'h ig (s a o s c s i eu dn at o d : e r . e " l a ç õ e s t r a b a l h o / l a z e r ; a n o : 2 0 s a b e l H r u s c h k a R o d r ig u e s ) . es m a p u l g u e à b a o d a ç ã o k a R

" A c i v i l i z a ç ã o h u m a n a , n r ae sc uo an ve i vv oe l uu çc ão om , so d o O r ie n t a l, o ó p io fo i o e s t o p im d e u m a m e n t e r e u n ia m - s e p a r a fu m a r c a c h im b o s r e v e la d ife r e n te d o fu tu r o : a in d a a q u e s t ã s ã o e n t r e a s d i v e r s a s c( au sl t su u r an st o e : dc ir se c n r çi ma si n . "a t r e c h o d e r e d a ç ã o d e a lu n a : Is a b e l H r u s c h

c in ó g e n o r r a ; n a s A s e d e e r v a lib e r a ç ã o d a s d r o g a o d r ig u e s

S U G E S T Õ E S P A R A A U s o d e s u g p e o s s t s í ev se i s ( õ

C O N C L U S Ã O s o lu ç õ e s p a r a

o s

p r o b le m

a s

e m

fo

" E n q u a n to o s r e s p o n s á v e is p o r to d o s e s s e s n ã o r e a v a lia r e m o s m é t o d o s d e p r o d u ç ã o , in v fo n te s tr a d ic io n a is e / o u a lt e r n a t iv a s , o B r a s il i e , a o c o n t r á r io d o q u e o c o r r e u d u r a n te o I lu m d a s L u z e s , s e r e m o s c o n h e c i d o (s a c s o- m o o ' P a í s s u n t o : c r is e e n e r g é tic a ; a n o : 2 0 0 1 ; t r e c h o d e L ú c i a R o t a B * or e r lg a et i vs o) .s à c r i s e d e e n e r g i a

a c o n te c e s tin d o e r á 'f ic a r n in is m o , n d o A p a g r e d a ç ã o

im m o o ã d e

" O in d is p e n s á v e l, p o r ta n to , n ã o é r e p r im ir o u s u á r io , m a s lo a a b a n d o n a r o v íc io , a tr a v é s d a a p lic a ç ã o d e p e n a s a t iv a s , t a is c o m o o b r ig a to r ie d a d e a fr e q ü e n ta r c u r s o s a g a se , a r l i z a ç ã o d e p r o g r a m a s c o m p s ic ó lo g o s e m e s c o la c lu s ã o d o te m a e m d is c ip lin a s d o c u r r íc u lo e p a r t ic ip a ç fa m í lia s d o s d e p e n d e n t e s e m p a le s tr a s , c o m o r ie n ta ç ã o m i l i a r e s e a o s c o n s u m ( ia d s o s r ue ns t d e l ed gr oa gl i a a I.çs " tã o, oÉ3 0 / 5 / 2 0 0 1 o : z s o u n ã o d a m a c o n h a ; a n o : 2 0 0 1 ; t r e c h o d e r e d a ç ã o d e a lu " P o r ta n ç ã o e m t e n s if ic d e fo r m a n ç a s ; to q a r a a n , a lg u m a s m e d id a s d e v e m u e s e e n c o n t r a a p o p u la ç ã a p r o m o ç ã o d e c a m p a n h a r i g o r o s qa u oe s o c s i d v ai od( laãa sor es um n . t" o : s o : 2 0 0 1 ; tr e c h o d e r e d a ç ã o o s a s p e c to in fa n t il e s tá n o q u a l s e é s d a a ju d a d o s d ir e it o a r tin s ) .
S u é c ia , p r o m

o

s e r to m a d a s in fa n til b r a s s in fo r m a t iv a v io la ç ã o d o s d e a lu n a : V ív

p a r a a ile ir a e s s o b r d ir e it o ia n S e

" D e a c o r d o c o m p o is a e x p lo r a ç ã o c o n tr o n a S u é c ia * lo n g o p r a z o , a t r a v ( a s s u n to : v io la ç ã o b e r ta S c h w o n k e M
* e n c o n tr o n a

s

a b o a c e n a b o r d d e p e s d a s
o v id o

r d a d o s , to r n a - s tu a n d o - s e . S e n o u e s s e s é r io p s s o a s c o n s c ie n c r ia n ç a s ; a n o : 2
p o r u m a

e in a d o a s r o b le te s , t 0 0 1 ;

o r g a n iz a ç ã o

n ã

1 1

A

c o

n t r a - a r g u m

e n t a ç ã o

n o

t e

Existem pelo menos três formas muito freqüentemente empregadas para se argumentar e/ou contra-argumentar: 1º) buscar as causas a fim de sus-tentar um ponto de vista; 2º) fazer concessões para que se possam marcar ressalvas ou tentar conci-liar com o interlocutor, reconhecendo, desse modo, parte da verdade que este defende;

3º) levantar hipóteses para se confirmar uma tese. Para examinarmos essas três formas, tomaremos por base a proposta reali-zada pela UNICAMP, explicitada a seguir (Atenção! Em lugar de escrever uma carta argumentativa, sugerimos que você escreva um texto dissertativo-argumentativo. Além disso, selecionamos apenas um dos textos para ser refutado e servir para ilustrar o es-quema sugerido).

( U N IC m e io s d iv e r g d o R io lo ) , v e

A M N P o/ Ss d e c o m ê n c ia d d e J a n ic u la d a a

Pú)l t im o b a te r e o p in e ir o ) e p se t oa É R I l

s a iõ B e

te m v io lê e s e e n e v is t a

p n n d

o s , v c ia p tr e N ito D

ê m o c o r r e n d o in te n s a r a tic a d a p o r m e n o r e s , ilt o n C e r q u e ir a ( S e c r e o m in g o s M a r ia n o ( O u v , d e 0 4 /0 9 /9 6 . p o lê m ic a :

s d n a s tá r id o

L e ia

s e g u ir t r e c h o

d e s s a

O E s t a t u to d o A d o le s c e n t e , c o m o e s t á h o je , é u m to r e s . Q u e m r o u b a o s tê n is d a s c r ia n ç a s q u e v ã o a o a n ç a s n o s ô n ib u s ? S ã o o s m e n o r e s in fr a t o r e s . A le i a m a io r ia , q u e s ã o a s v í tim a s . O s in fr a t o r e s f ic a m e m l s ib ilid a d e d e u m a a t u a ç ã o s e r e n a e e n é r g ic a d o s p o m e n t o s d e a lt a p e r ic u lo s id a d e t ê m c a m p o a b e r to p a r b a m a c o n t e c e a n s d c o o t mr a o g a d d a C a n d e l á r i a o u a d a s m ã e s i é h o je n ã o a c h a r a m s e u s filh o s . T e m o s q u e c o r ta r e s s a s e s m e n o r e s d a s r u a s . ( . .. ) A o c o n tr á r io d o q u e o c o r d e v e r ia m e s t a r p r e s o s , s u je it o s a o C ó d ig o P e n a l. G e n e r a l N ilt o n C e r q u e ir a

Imaginemos que alguém opte por escrever defendendo as idéias do general Nil-ton Cerqueira, a relação A é causa de B poderia ser assim esquematizada:

N m

ã o h á p e n o r e s

é c a u s a d e u n i ç ã o p e n a l a o sE x i s t e u m i n f r a t o r e s . n a l id a d e d

a l t o í n d i c e e s s e s i n f r a

60

Teresinha Brandão

Agora, vejamos duas maneiras de se refutar as idéias do general: m e s m Ao c o m c o n t i n u a r i a Ba c o n t e c e n d

Ou seja: Mesmo havendo punição penal aos menores infratores, os crimes conti-nuariam acontecendo. Idéia que pode ser expressa da seguinte forma:
1 )R e t o m a d a d a t e s eE x i s t e u m d o " a d v e r s á r io ” t a m , q qu ue a p u n iç ã o p í n d i c e d e 2 )R c d t c 3 )C
e o e a o f u n c h n d n t t a ç ã o , e s s ã o , i p ó t e s e o p a r a r á r i o s c l u s ã o a t r a v l e v a n , c a u r e s u l é Es t Aa s a c t ap n q f o r t e t e n d o o a s s u e n a l a m e a ç õ e s c r im a d ê n c i n t o é n o r e s in a i s d

n

a / M v i o lê d e 1 o s i / N

md e v e r d a d e / N m e e s na tr , o d o i ss s co r i m p e, na s p e o n d o t a i s dr eo ss í d i o p o oi s m c u m ã o s e r e s s o c ei a , u e e le s e t o r n e

o e n t a n t o e s c o n t in u in f r a t o r e s , n e l si z i m o a in d i v m a is v i o le

a r ia c u m s s e í d u o n t o .

o n

D e s s a ç ã o s e a c a u n ã o p t a d. a

f o r m a / D e s, s a g u n d o a q u a s a d o a l t o í n r o c e d e / n ã o

e e m x po ld i c o a / - A s l a f a l t a d e d ic e d e c r p o d e , p o i s

Ou, então, através de uma comprovação: n ã o é c a u s a d e

m

e s m

Ao

c o m

n

ã o

hB o u v e

Ou seja: Mesmo havendo punição penal aos menores infratores, os crimes conti-nuaram a acontecer. Idéia a qual pode ser assim expressa:
1 )R e t o m a d a d a t e s eD e d o " a d v e r s á r io ” l id p e a n i n f
a d s s a c o r d e p e a r - s d i m t o r e o c n a l e q i n u s . o , u i m o si m d p e u f et an b s q u a n d o o a s s e a p u n iç ã o r ia o ín d i c e d io u p a

a n o r

r e n t e n s

2 )R c p c

e f u t a ç o m p r o a r a r e o n t r á r

ã o , a t r a v é Os r d a e/ A b e v a ç ã o , a p o r a m a n s du ob m n t s u l t a d o s m e lh a n t e i o s c o m u m , c s e n ã o t e t r á ,r i r o e i n c i a ã o s e p o a c o m o a l i d Oa d a e d . a ç ã o d e e a q u e l e r o t e ç ã o

m , d e a s vs e t id o s a o c u o m o n r h a v im d d ê n c i a d e ,c p o , o n c a u s a e q u a d m e d id s q u e , o s m

e s d ma de en o r e s j r a u m t i p o d e m p r i m e n t o d o c a s o d a s F E o a s r , e as o o c c o i an l -i z a s a o c r i m e . ti d n a e a d s e s s a m n o t o r r a i m i r i a ó c i o a io r e s

3 )C o n c l u s ã o , s e g u i d N d e s u g e s t ã o d n c s p
Imaginemos, agora, um outro te-ma – a possibilidade de legalização da ma-conha em nosso país. Contexto: Embora no Brasil, de acordo com o Código Penal, o consumo de drogas ilícitas, entre elas a maconha, seja considerado cri-me, percebemos um aumento do consumo da Cannabis sativa e uma concomitante diminuição de condena-ções dos usuários. Em razão disso, a possível legalização dessa droga vem sendo questionada já que as evidências apontam haver maior

rs d o a n e

e s s a m n u i ç ã o i n s i s t i - e d u c r ia d a d e r u a

tolerância por parte da sociedade e maior flexibilidade por parte do Judiciário. A questão, longe de ser pacífica, é alvo de muita polêmica. Como exercício de contraargumen-tação, sugerimos que você discuta com seus colegas os argumentos favoráveis e os desfavoráveis, descritos abaixo, analise o es-quema com os quadros (A é causa de B; A não é causa de B) e elabore um outro esquema, como os anterio-res, em que aparecem a refutação seguida de comprovação, justificati-va, hipótese etc.

A R
o o

G
u

U
s u

M

E N
á r i o

T O
n n ã o

S
é

F A

V O
d

R
e

Á

V E I S
a j u d a ,

À
e

L E G
n ã o n

A L I Z A
d e ã o d r e p

Ç Ã O
r e s s

e c e s s i t a c r i m

u s u á r io

i n o s o ;

p o r t a n t o

e v e

s e r

o u t r a s d r o g a s s ã o b é m , c a u s a d o r d e

m a is i n ú m d e

p e r i g o s a s a o o r g a n is m o , e r o s a c i d e n t e s d e t r â n s i t s a ú d e p ú b li c a c u j o o b j e t i v

tr a t a - s e

d e

u

m

c a s o

62

Teresinha Brandão

A R

G

U

M

E N

T O

S

D

E S F A V O

R

Á

V E I S

À

L E G

A L I Z

c o n s e q ü ê n c ia s m a l é f i c a s a o o r g a n is m o e a o p v a ; f a lt a d e m o t iv a ç ã o p a r a r e a li z a r p r o j e t o s d c i o n a m e n t o d e ó r g ã o s c o m o o p u l m ã o ; p r o b l e c o n s e q ü ê n c ia s n o â m b i t o s o c ia l : a u m e n t o d o m a s p e l o t r á f i c o ) ; p o d e s e r v ir d e " p a s s a g e m " c o m o c o c a í n a , h e r o ín a , e n t r e o u t r a s ; d e s e s t r

C O N C L ( U * Sd à vO e e a l e g a l iz a ç ã o )
r e p s u r im i r a p e n

s e r p c r e e n v t er a d ã o n , a n ç a a s a n ã o p b a s t a : ç ã o : a é n e c e s s á r i o

t a a j u o b d

g e s t õ e s

p a r a

r e v e n

a p l ic a ç ã o d e p e n a s a l t e r n a t i v a s ( d e s d e a t é a o b r ig a t o r ie d a d e a o t r a t a m e n t o ) ;

n a s e s c o l a s : p r o g r a m a s d e p r e v e n ç ã o c o m g o g o s ; r e f o r m u l a ç ã o c u r r ic u l a r ( in t r o d u ç ã o c u l o * p r o p o s t a a t u a l d o M E C ) ;

e s d

n o s p o s t o s d e s a ú d e , h o s p i t a is , c l ín i c a s : p r o g li a r e s d o s d e p e n d e n t e s , e m p a le s t r a s ; a t e n d i m a o d e p e n a d v e é n s t e ,e a e t s p e c i a l i s t a s d a á r e a m r d é d ic a

Se alguém for desfavorável à legalização da maconha, a relação A é causa de B poderia ser assim esquematizada:

N ã o h á p u n i ç ã o r í g i d a e m E r x e i -s t e u m l a ç ã o a o s c o n s u m i d o r e s s ud m o d e m a m a c o n h a .

a u m a c o n

e n t o h a .

Pensemos que você opte por escrever contra-argumentando as idéias daqueles que são desfavoráveis à legalização da maconha, poderia refutar tal idéia seguindo o raciocínio (A não é causa de B): M e s m o h a v e n d o p r o i b i ç ã o o c o n s u m o a u m e n

o u : M e s m o h a v e n d o p r o i b i ç ã o o c o n s u m o n ã o c e s

Vejamos outra situação: Se alguém for favorável à legalização da maconha, a relação A é causa de B po-deria ser assim esquematizada:

A p r o i b i ç ã o le g a l d a m n ã o d i m in u i o c o n s u m

a c o o .

n h ca o n s u m O o d a m s e r l e g a li z a d o .

a c o n

Agora, levantemos a hipótese de que você opte por escrever contraargumen-tando as idéias daqueles que são favoráveis à legalização da maconha, poderia refu-tar tal idéia seguindo o raciocínio (A não é causa de B): M e s m o m a c o n h l i z a d o q a u e o v e n h c o n a a s u m s e r : h a a f l oe i g a l i z a ç ã o c o n s u m o n ã o d im o a d l ae g a l i z a ç ã o l e t g a al -c o n s u m o n ã o d i

o u O c o n s u m l e g a l iz a d o o d a m

a c o n

1 2

U m e m

e x e m t e x t o

p l o d e c o n t r a - a r g u m e n d i s s e r t a t i v o - a r g u m e n t

Exemplo interessante de texto dissertativo-argumentativo em que a contra-argu-mentação prevalece é a redação abaixo, de autoria de Roberto R. Von Laer. A temática centra-se na relação violência/segurança pública. Observe:

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Teresinha Brandão

D e a c o r d o c o m r e c e n te s p e s q u is a s , e n tr e e la s a D a ta fo p a ç õ e s d o s b r a s ile ir o s é a v io lê n c ia . A s itu a ç ã o to r n o u - s e tã o a o s c r im e s le m b r a m o c e n á r io d e u m a g u e r r a c iv il. A lé m d o a u b r u t a lid a d e d e s t e s c a u s a p e r p le x id a d e p r o f u n d a à s o c ie d a d e . É m u ito c o m u m ju lg a r [ 1 ] a p o b r e z a c o m o c a u s a p r in c ip a te m p a í s e s a i n d a m a i s p o b r e s q u e o B r a s i l n o s qb ua ai - i s o s n í v e x o s , c o m o s e c o n s t a t a n a Í n d ia ; o u t r o s o n d e o n í v e l d e d e s e n v í n d ic e d e c r im in a lid a d e t a m b é m o é , fa to e x is te n te , p o r e x e m c a s o b r a a s v l ei oi r l oê , n c i a n ã o é o c a s i o n a d a s o b r e t u d o p e l a p o b r e z i c a r a c t e r í s t ic a s n a c io n a is : a d e s ig u a ld a d e s o c ia l e a im p u n id a s o c ia l d o s m a is r ic o s e a d o s m a is p o b r e s é t a n t a q u e m u it o s d a d e s , o p t a m p e l o c r i m e c o m o f o r m a d e e a r st ec ze an sd ãa o i ms op cu i na il d. Sa -o m d e , c a u s a d a p o r u m a p o líc ia s u c a te a d a e c o r r u p ta e u m a J u s tiç D ia n t e d e t a l s it u a ç ã o , a p o p u la ç ã o s e n t e - s e c a d a v e z m n a r - s e v ítim a , e , s e m p o d e r c o n ta r c o m a p o líc ia , o c id a d ã o n a b r e m ã o d o s e u d ir e it o d e ir e v ir. A p o p u la ç ã o , d e v id o à in e f ic i p r o t e g e r - s e ; a q u e le s q u e p o d e m , c o n tr a ta m s e g u r a n ç a s p a r ti u m c o n t i n g e n t e m a i o p r o q í c ie a a p e r nó qp ur ia n t o o s d e m a i s c o n s t r o e l u p r o t e g e r s e u p a t r im ô n io . A s itu a ç ã o , s e m d ú v id a , é e m e r g e n c ia l. P a r a r e v e r t ê - la , a s p r in c ip a is c a u s a s d o p r o b le m a : p u n ir o s c r im in o s o s e a m e fim d e r e p r im ir a c r im in a lid a d e , a p o líc ia d e v e s o f r e r u m p r o c e d u r a m e n te c o m o s b a n d id o s , e n ã o p u n ir o s c id a d ã o s n ã o - c r im e m e d u c a ç ã o , c h a v e p a r a a m c iea l ihs o d r ai a p d o a p s u cl ao çn ã d o i ç. õ e s s o

Comentários sobre o texto:
Roberto escolheu uma tese um tanto difícil de ser refutada, a que associa necessariamente pobreza à criminalidade. O aluno não nega haver uma relação entre as duas, mas tentou comprovar que essa relação não é obrigatória (ver expressão em negrito). Esse, aliás, foi o objetivo de seu texto. Vejamos como ele procede. Na introdução, delimitou o tema – o quadro assustador de violência em nosso país –, acrescido de uma ampla conseqüência, a perplexidade dos cidadãos. No 2º parágrafo, percebemos a preocupação em questionar a tese freqüentemente aceita em relação ao tema: a pobreza é causa principal de tamanha violência. Para retomar tal tese, usa a estrutura “É muito comum julgar” [1]. Após a indicação de que, apesar de comum, essa idéia não é totalmente verdadeira, ele a refutou, usando a expressão “Porém” [2] e comprovando justamente o contrário, ou seja, lembrando, através de exemplos, casos em que a relação pobreza/violência não apresenta a primeira como causa da segunda. Para indicar as causas principais contrárias a essa – a pobreza –, empregou a estrutura “não é ocasionada sobretudo pela (...) mas é fruto de” [3]. Aprofundou, então,
C o n fe d e r a ç ã o d o s

C a b o A ir e s C o s t a , d o D F , e n t r e e n c a p u z a d o s e G a n d r a ( à d ir e it a ) , d a P o l i c i a i s C i vI si st o. É o n t e : F , 1 / 8 /2 0 0 1

a argumentação, baseando-se nas duas causas apontadas: a desigualdade social e a impunidade. Na conclusão, ratificou a idéia de que é necessário erradicar as causas apontadas por ele para conter o alto índice de criminalidade e ofereceu sugestões de como fazê-lo.

Assinalemos, pois, que o aluno empregou as marcas lingüísticas citadas acima – 1, 2 e 3 – muito bem pois elas indicam haver posições divergentes acerca do tema, reforçando e enriquecendo o processo da contra-argumentação.

1 3

S u g e s t õ

e s

d e

c o

m

o

f a z e r

( q u

E S T R U T U R A
I n t r o d u çD ã e o l i : m i t a a ã s udnot o ç s o r e t o m e d a a d a t e s e

D e s e n v o l v i Rm e e f n tt ao ç: ã o , a t r a v é sc d o ce em s ps rõ e e g s o d e u o n d eh i p ó t e s e s , s e g u id o dje s t if i c a t iv a s u s u l t a d o s c o. n t r á r i o s C o n c l u sR ã e o t o m : a d a d o p ,o a ct or e ds ec i d a s td a e n v i . s

O b sÉ . : b o m l e m b r a r q u e n ã o h á u m a " o r d e m " o u " c o l o c a ç ã o " r í g i a c im a . A r e to m a d a d a te s e p o d e s e r fe ita , p o r e x e m p lo , n o d e s e

T a l id é ia n ã o é s e n ã o u m a fo r m a r íg id a / in c o n s e q ü e n t e Q u e s t io n a - s e m u ito ( . .. ) . A n te s , p o r é m , é p r e c is o le m b r N ã o s e tr a ta d e " X " , m a s d e " Y " . É c e r t o q u e ( . .. ) m a s s e r ia lí c ito ta m b é m le m b r a r ( ... ) S e é v e r d a d e q u e ( ...) n ã o m e n o s e x a to é ( ...) D e fa to , ( ...) ; n o e n ta n to , ( ...) É p o s s ív e l q u e e s s a m e d id a v e n h a a s e r to m a d a , m a s o i É in e g á v e l a e x is t ê n c ia d e ( . . .) . A p e s a r d is s o , é v á lid o fr is r e n te a /a o ( ...) N ã o s e ip o d e a r q u e ( . . . ) g n o r A in d a q u e m u ito s a le g u e m " X " , c o n v é m s a lie n t a r ( ...)

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Teresinha Brandão

S U G E S T Õ E S

P A R A

A

IN T R O

D U Ç Ã O

A le g a - s e , c o m f r e q ü ê n c ia , q u e a p r o b le m á t ic a " X " n ã o m e io d e ( .. .) . P e la p o lê m ic a q u e e n c e r r a , t a l a s s u n to m e r H á q u e m c o n s id e r e " X " a s o lu ç ã o id e a l p a r a a m e n iz a r / r t r e t a n t o , t a l m e d id a t o r n a - s e in c o n s is t e n t e / in e f ic a z d e v i L o n g e d e s e r c o n s id e r a d a u m a q u e s tã o p a c íf ic a , " X " d i p ú b lic a : p o r u m la d o , s a lie n ta - s e ( . . .) ; p o r o u tr o , ( . .. ) A o s u s t e n t a r ma ui d i té o i a e . s. . q) ,u e c e m s ( ( ...)

S U G E S T Õ E S

P A R A

A

C O N C L U S Ã O

D e s s e m o d o , a id é ia ( . .. ) t o r n a - s e in s u s t e n tá v e l n o a t u m e d id a s t a is c o m o ( . .. ) p a r a s e g a r a n tir a r e v e r s ã o d e t a l É a b s o lu ta m e n te in d is p e n s á v e l, p o r t a n to , r e c o n s id e r a r p o is , c o n fo r m e o e x p o s t o , e le r e fo r ç a u m a im a g e m / p r e c p a s s a d a d e ( . .. ) . O id e a l s e r ia ( .. .) p a r a q u e a s itu a ç ã o p u L o g o , p o r b é m . ) (, . f. a t o m o , p o r e n a n d o u m m s x e a a is e q u e , m p lo m e lh f ic a z e s q a o in v é s , ( ...) s e r o r q u a lid u e p d e a ia m a d e a r e ç a m m e n iz a c a p a z e d e v id a , ta is m e d r o p r o b le s , is to s im a o s c id a d

id a s a c a b m a , p o d e , d e a lte r ã o s .

1 4

O

u s o

d o s

a d v é r b i o s

e

a d j e t i v

Bréal, um grande teórico da linguagem, ao estudá-la, comparou seu uso com a criação de uma peça teatral, explicando que o produtor intervém freqüentemente na ação para nela misturar suas reflexões e seu sentimento pessoal, assim como o homem quando usa a linguagem. Este, ao falar, encontra-se longe de considerar o mundo como mero espectador, como um observador desinteressado. Prova disso são as inúmeras palavras que usa para expressar suas vontades, críticas, seus pontos de

vista, emitir julgamentos acerca de determinados assuntos. Em textos argumentativos, o uso dessas categorias gramaticais desempenha função importante já que funciona para marcar ou reforçar a posição do autor diante de um fato. Destacam-se, entre elas, os advérbios ou locuções adverbiais. Observemos os exemplos abaixo, levando em conta o seguinte contexto: há uma greve e os envolvidos no acontecimento são o governo por um lado e, por outro, os metalúrgicos.

BRÉAL, M. Ensaio de Semântica. São Paulo: EDUC, 1992.

SITUAÇÃO 1: favorável ao governo O g o v e r ne c c m c of i c a i ge in u t e m ec n tm e o r e l a ç ã o o m r e t i d ã o o m s e r i e d a d e o d e r a d a m e n t e * o m é t i c a à g r e v e d o s

* Lembremo-nos que uma mesma categoria lingüística pode expressar pontos de vista diferentes. Assim, a expressão “moderadamente” pode ser usada para elogiar as atitu-des do governo em se tratando de um locutor “de direita” mas, quando empregada por um locutor “de esquerda”, serve para criticar negativamente essas atitudes. É preciso, portan-to, levar em conta a intenção e o contexto em cada enunciado.

SITUAÇÃO 2: desfavorável ao governo

O

g o v e r na c p s

ou o r e

t a o g r i ut a r i m o d a m e c i p i t a t m p u d o

a m o e m n t re e l a ç ã o c e n t e a m e n t e r

à

g

r e v e

d o s

Veja agora outros exemplos: SITUAÇÃO 3: favorável aos metalúrgicos O s m e t a lú r g ci c p o co o a r o m s m g a i t u m i d da u re a n t e a r a r d a m r e s p o n s a b i l i d a d e c i f i c a m e n t e d e i r a m e n t e g r e v e .

SITUAÇÃO 4: desfavorável aos metalúrgicos O s m e t a lú r g i i m o p s r oa pg ri ri a c a e r r o n e a m i r r a c i o n a l i r r e f l e t i d a t e n d e n c i o m e m m s d e un n t e e n e n a m r ta e n t e a g r e v e .

t e t e e n t e

Há casos de dupla adverbialização. Observe:

SITUAÇÃO 5: desfavorável ao governo O g o v e r an uo t oa rg i it u á r i a “ c e g a ” e i m e i m d au t r ua rn a t m ea n g t e e v e e r p u l s i v a m e n t e d o s

m

SITUAÇÃO 6: favorável ao governo O g o v e r cn a o u at eg l i ou s a e e d t ui c r aa m t e e n at e g r e v e n s é r i a e e f i c i e n t e m e n t e d o s m

e

Obs.: Os exemplos citados foram extraídos da obra publicada também por esta autora: RODRIGUES, L. M. P., BARBOSA, M. E. O., BRANDÃO, T. S. Maneiras do dizer: língua portuguesa no ensino médio. Pelotas: Escola de Ensino Médio Mário Quintana, 1998, p.141. Além dos advérbios, também adjetivos colaboram para demonstrar o senso crítico, enfatizar

os

argumentos e tornar o texto mais expressivo, mais convincente. O uso da adjetivação tem a ver com o contexto, a situação em que é empregada, assim como com o locutor, ou seja, com a pessoa que a emprega.

Devemos levar em conta, portanto, nas listas abaixo, as quais sugerem o uso de determinados adjetivos, as questões relativas ao contexto.

Obs.: A lista a seguir foi elaborada e cedida gentilmente pela professora Lígia Maria da Fonseca Blank.

a d e q u a d o , a u t ê n t ic o , a lt r u í s t a , a p t o , b e m s u c e d id o , b e m - fe ito , b e n e f ic e n te , c a p a z , c o n s c i e n t e , c o n f i á v e l , c a b í av le a l r, mc oa m t pe e, t a e s n s t e ,s t a d o r , a n g u s n u c o n v i n c e n t e , c o n s i s t e n t e a, nd ae cs re ô a n v i ot i od v , ei d m o o c r á t i c o , n n c l , d e c i s i v o , d i n â m i c o , e q u â n o m n ed ,e en ná év e g l , i c c o r ,í t i c o , c r i t i c á v e l , r c i e s s e n c i a l , e x c e l e n t e , e q üc i ot am t i bv o ,l i de o ,í m c oi o n , t e s t á v e l , c a ó t i c x a f e c u n d o , f i d e d i g n o , f i e l , c f au l na dm a i m o es n ,t a c l o n s t r a n g e d o r , , t o f o r t í s s i m o , h o n r a d o , í n t e c g o r n ,d ie m s pc e n c d i a ln , t e , c o r r u p t o , c o o a r e i n d i s p e n s á v e l , i m p r e s c i n d dí va e n l o s m o ,p d er d s í pv óe tl ,i c o , d i t a t o r i a l , , i e i n i g u a l á v e l , i m p o r t a n t í s s i m do e, m n ac g o g p o a , r dá ev s m , e d i d o , d r a m i o m e l i n t r a n s f e r í v e l , i n s u b s t i t u í v ee l s, ci ra r e sn ou , n ec xi ác ve e s l s, i v o , e s t é r i l , s i n v i o l á v e l , i r r e p r e e , n s í v ee sl , c i am n pd a a r l co i sa ol , e s t a r r e c e d o r , e x p e r t i n e n t e , p r ó s p e r o , p r o m i es s ou ri ,v op cr oa cd eo d, ef a n l ts e o , , f a l a c i o s o , f q p r o f í c u o , o p o r t u n o , p r o f i c i e f nr a e u , d p u r l oe bn ot o, , s gé rr ai o v , e , g r a v í s s i m o t s e r í s s i m o , ú t i l , u t i l í s s i m o , v h e i od si oo n, dz oe , l o h s i po ó c r i t a , i n d i g n o , i a l , … ir r is ó r io , in s u p o r tá v e l, in a c e itá in t o le r á v e l, ir r e c u p e r á v e l, a m p l o , e v i d e n t e , c r e s c e n i n e c , o i csn ot see nr ct ei t , i v i n ,e x e q ü í v e l , i m p e r t o i r, r c os n to r n v e rv t ei d l , o i , n t r a n s i g e n t e , e p s á c o n tí n u o , e v id e n t e , e n o r m e o e l d r á s t i c o , i n ó c u o , i n s t a n t â n l ae m , e i nn dt á i gv n a , d l ao s, t i m á v e l , l e v i a n o i m e d i a t o , i r r e v e r s í v e l , i n e v i t n e eg l l ,i g i ne on ft ee n, sp i av lo i a, t i v o , p r e o c u p á v p n e o r , n pi c e i o us o i a, rp , r e j u d i c i a l , o m i s s o im p e r c e p t ív e l, g e r a l, p le c l a , s e c tá p o l ê m i c o , p e r p l e x o , p o l í ot i pc o ,r t pu úrn ebi stl ri t có og , r a d o , o t é c n i c o , s e v e r o , v u tl te o n s do e, n… c i o s o , x e n ó f o b o , . . .

A r g u m e n t o s lú c id o s e c o n v in c e n te s , a m p la e u r g e n te m o t e r io s a s e t r a n s p a r e n te s , a p u r a ç ã o is e n t a e m e tic u lo s a , r ito p a r t ic ip a tiv o e c o m u n it á r io , c o n s u m id o r v ig ila n t e e m p r o p o s ta s s é r ia s e c o e r e n t e s , m a n ife s t a ç ã o c o n c r e t a e e c o n s c ie n te e p a r t ic ip a n te , s o lu ç õ e s le g í tim a s e d u r a d o u r p r o v i d ê n c i a s r á p i d a s e a d e q u e a s ua fs i c, i re e n c t ue rs s , o o s b i sm e er vd ai aç tã o o s c o d e a te n ta , p o lític o ín te g r o e c o m p e te n te , … S p p e le u o lu r e c r e s n fa is ltr a ç õ e s p a r c ia is e e q u iv o n c e it u o s a , s e t o r p ú b a s e s t a t a is in e fic ie n te t iz a n d o ) , p r in c íp io s fe b r a n d a s e in e fic a z e s , ja n te , lu g a r e s a fa s ta d

o c a d a s , s it u a ç ã o c a ó t ic a e d e s lic o in c h a d o e in o p e r a n te , a t it u s e o n e r o s a s , a t itu d e s tã o r a d i c h a d o s e a u t o r it á r io s , a r g u m e n p a i s c o n d e s cd ei o n dl a e mn te e n s t á e v ie r rl e e s p ó o s e in ó s p it o s , s a lá r io s in ju s t o s

A p d g

b s o r in c e f in r a v í

l pu r t i ao r i d a d e , m e t a p r io r imp ao lt i v o , a el t s o c a l ã o , d ,i t i v o r e l e v a n ct eo sn t r i b u i ç õ e s s s i ni mf r aa ç ã o , e x c e l e a n t tu e a

i t á ,r a as p e c t o i p r im o e s t a c a da at u a ç ã o , v , e v i d e n dt ee s r e s p e ç ã o , e x p r e s s i v r oe

r d i, a l e r d a d it o , ss u l t a

1 5

O

u s o

d o

s

e l e m

e n t o s

c o

e s i v o

A conexão entre os segmentos de um texto é feita por palavras ou expressões responsáveis pela concatenação, pela criação de relações entre os segmentos de um texto, estabelecendo entre eles uma certa relação semântica, a qual possui uma dada função argumentativa. O esquema que segue serve apenas de guia para redigir textos. É,

efetivamente, através do funcionamento desses textos, bem como do contexto pragmático no qual estão inseridas, que a utilização desse esquema pode ser proveitosa; do contrário, ela poderá produzir paradoxos semânticos, ou, então, produzir efeitos de sentido contrários aos desejados. Eis alguns dos conectores que servem:

1) Para iniciar a análise, introduzir os argumentos:
Exemplos: É preciso, inicialmente, observar que toda arte pressupõe criação, produção hu-mana. Ou: Deve-se analisar primeiramente (...) Iniciemos a análise observando (...) Analisemos, em primeiro lugar, (...) Para prosseguir a análise: Num segundo plano/nível/momento, observamos (...) Em segundo lugar, destacam-se os elementos (...) Deve-se acrescentar, nesta segunda etapa, que (...) Para encerrar a análise: Finalmente/Enfim, destacamos (...) Por último, gostaríamos de salientar (...)

2) Para afirmar algo com veemência:
Exemplos: É verdade que o tema acerca da chamada ‘arte engajada’ tem suscitado polê-micas.

Ou: É certo que (...) De fato (...) Efetivamente (...) Certamente (...) É inegável (...) É inquestionável (...) Indubitavelmente (...) Sem dúvida (...) Irrefutavelmente (...) É irrefutável (...) Inquestionavelmente (...)

“De fato, a literatura e a arte européias parecem chegar a um ponto crítico com o Simbolismo.” (GULLAR, F. Vanguarda e subdesenvolvimento: ensaios
sobre arte. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p.47)

3) Para expressar hipóteses, dúvidas, probabilidades:
Exemplos: É provável que muitos teóricos se oponham às palavras de ordem dos parnasia-nos, quais sejam: ‘arte pela arte’. Ou: Provavelmente (...) Possivelmente (...)/ É possível (...)

4) Para insistir no problema:
Exemplos: Não podemos esquecer que todo processo de renovação estética é atravessado por um processo de renovação social. Ou: É preciso insistir no fato de que (...) É necessário frisar que (...) É imprescindível insistir na hipótese de (...) Tanto isso é verdade que (...) Vale lembrar o argumento (...)

5) Para estabelecer relações paralelas:
Exemplos: Paralelamente às tendências vanguardistas mais exacerbadas da Europa, desen-volviam-se, no Brasil, experiências artísticas muito criativas. Ou: Ao mesmo tempo (...)

Concomitantemente (...)

6)

Para fazer referência a autores, episódios:
Exemplos:

No que se refere à obra de Chico Buarque (...) Quanto ao episódio ocorrido na Semana da Arte Moderna (...) No que diz respeito à distinção entre (...) De acordo com Ferreira Gullar (...) Conforme lemos em Érico Veríssimo (1982) (...) Retomando Graciliano Ramos (...) Nas palavras de Mário Quintana (...) Com a palavra, o autor: “A arte...” (...)

Emoção e Inteligência, n.3, p.57, fev. 2000.

7) Para estabelecer gradação entre os elementos de uma certa escala: a) no topo da escala, para indicar o argumento mais forte: até/ até mes-mo/ inclusive etc.
Exemplo: Até mesmo os mais ingênuos desconfiam do lema ‘arte pela arte’.

b) num plano mais baixo, para introduzir um argumento, deixando suben-tendida a existência de uma escala com outros argumentos mais fortes: ao menos/ pelo menos/ no mínimo/ no máximo/ quando muito etc.
Exemplo: Acreditar no lema ‘arte pela arte’ é, no mínimo, ingenuidade.

8) Para acrescentar argumentos aos demais:
Exemplo: Um conceito de ‘vanguarda’ estética no Brasil merece uma consideração profunda: é preciso, em primeiro lugar, recusarmos a idéia de que esse conceito é universal. Além disso, é necessário frisarmos que, ao contrário do que muitos pregam, esse con-ceito não possui um caráter alienante.

Ou: além do mais/ ainda/ também/ soma-se a isso/ acresça-se a esses fa-tos/ além de tudo/ ademais etc. Quando se quer dar ênfase: não é apenas/ não é senão/ nada mais é do que/ não só... mas (como) também etc. Exemplo: “Não se pode, por outro lado, ignorar o fato de que a realidade nacional não ape-nas participa e constitui – com as outras particularidades nacionais – a realidade inter-nacional, como também é constituída por ela.” (idem, p.96)

9) Para indicar uma relação de disjunção argumentativa, pelo uso de expres-sões introdutórias de argumentos que levam a conclusões opostas, que têm uma orientação argumentativa diferente: caso contrário/ do contrário/ ou então etc.
Exemplos: Não pretendemos adotar um conceito universal de ‘vanguarda’; pelo contrário, tentaremos mostrar como se constrói esse termo no contexto da realidade brasileira. “A arte religiosa da Idade Média, por exemplo, era realizada com finalidade defini-da. Era uma arte ‘popular’ imposta, tendo assim alguns pontos de contato com a arte de massa de nossos dias. Ao contrário do que acontece hoje, quando a arte de mas-sa, na maioria dos casos, vai ao encontro do consumidor (...)” (idem, p.137) Ou: por um lado/ por outro lado/ de um lado/ de outro lado etc. “Se, por um lado, essa preponderância do processo socioeconômico sobre o cul-tural dificulta a solidificação da superestrutura cultural, por outro lado atua como cor-retor e selecionador, impedindo assim que uma superestrutura falsa – não surtida das necessidades reais da sociedade – se mantenha por muito tempo sobre ela.” (idem, p.40)

10) Para comparar: tal como/ assim como/ da mesma forma que/ da mesma maneira que/ igualmente/ do mesmo modo que/ tanto quanto/ mais... menos (do) que etc.
Exemplos: “Tais considerações são válidas igualmente para o teatro, o cinema e as demais formas de arte.” (idem, p.99)

“A obra de arte aberta (‘vanguarda’) é a expressão, no plano da arte, do processo dinâmico e aberto da sociedade burguesa e de sua crise ideológica e, ao mesmo tempo, o salto para exprimir o caráter dialético da realidade.” (idem, p.77) “Fenômeno semelhante ocorre no campo das artes plásticas.” (idem, p.129)

11)

Para indicar a relação causa/ conseqüência: por causa de/ graças a/ em virtude de/ em vista de/ devido a/ por motivo de/ na medida em que/ porque/ uma vez que/ já que/ visto que/ conseqüentemente/ em con-seqüência de/ em decorrência de/ como resultado de/ em conclusão de/ razão/ motivo/ resultado/ conseqüência etc.
Exemplos: “Essa é a razão por que o discurso não carrega em seu cerne uma experiência concreta a comunicar, nada revela, não é poesia, e, a rigor, é um falso discurso.” (idem, p.97) “A pintura brasileira, conseqüentemente, não sofreu essa evolução, cujos resul-tados (...) seriam adotados pelas gerações do pós-guerra.” (idem, p.43)

12)

Para indicar conclusões: portanto/ logo/ assim/ pois/ dessa maneira/ dessa forma/ desse modo/ em suma/ em síntese etc.
Exemplos: “O específico da obra de arte é o particular e, portanto, a experiência determina-da, concreta do mundo.” (idem, p.77) “Do que foi exposto, parece-nos justo deduzir que (...)” (idem, p.41) “O que define a arte de massa é, pois, o seu raio de ação, o vasto número de pes-soas, de todas as classes e regiões, que ela pode atingir a curto prazo.” (idem, p.127)

13)

Para indicar finalidade, objetivo: para que/ a fim de que/ com o propó-sito de/ com a intenção de/ com o intuito de/ na tentativa de/ visar/ ter por objetivo/ pretender/ ter em vista/ ter em mira/ propor-se a/ pro-jeto/ objetivo/ plano/ pretensão/ aspiração/ finalidade/ meta/ alvo/ intuito etc.
Exemplos: Com o intuito de verificar algumas concepções correntes acerca do termo ‘van-guarda’ estética, decidimos, em primeiro lugar (...) Este trabalho visa, primeiramente, a analisar algumas concepções correntes relati-vas ao termo ‘vanguarda’ estética.

Este trabalho tem por objetivo examinar correntes acerca do termo ‘vanguarda’ estética.

algumas

concepções

14)

Para indicar precisão: exatamente/ justamente/ precisamente etc.
Exemplo: É justamente essa noção que faltava destacar: toda arte é política no sentido de que determina uma opção diante dos problemas concretos, afirmando ou negando determinados valores.

15)

Para explicar detalhadamente: elas podem exercer funções, tais como as de retificar, ratificar etc.: ou melhor/ ou seja/ quer dizer/ isto é/ por exem-plo/ em outras palavras/ em outros termos/ dito de outra forma/ vale dizer etc.
Exemplo: “Mas, por outro lado, nada impedirá que, mesmo obras voltadas para temáticas individuais, se situem no plano da realidade política, ou seja, no plano da atualidade.” (idem, p.142)

16)

Para marcar uma relação de contrajunção, ou seja, para contrapor enuncia-dos de orientação argumentativa contrária: mas/ porém/ todavia/ contudo/ entretanto/ no entanto/ não obstante/ embora/ ainda que/ apesar de/ apesar de que/ mesmo que etc.
Exemplos: “O caráter esquemático da arte de massa é, no entanto, no geral, alienante, uma vez que induz a uma visão falsa da realidade concreta.” (idem, p.119) “A arte de massa é, em essência, mercadoria, e nisso também ela se define como legítimo produto da sociedade capitalista, na qual tudo se transforma em mercado-rias. Mas é preciso atentar para o fato de que essa transformação da arte em merca-doria não é um fenômeno restrito às artes de massas e que ela não significa o fim da arte.” (idem, p.136) “A posição esteticista rejeita a arte de massa como atividade nãocultural, ou mes-mo anticultural. Não obstante, essa posição não está infensa à existência da arte de massa e é, até certo ponto, condicionada por ela (...).” (idem, p.138)

Obs.: A lista contendo os elementos coesivos pode ser encontrada na obra publicada também por esta autora:

RODRIGUES, L. M. P.; BARBOSA, M. E. O.; BRANDÃO, T. S. Maneiras do dizer: língua portuguesa no ensino médio. Pelotas: Escola de Ensino Médio Mário Quintana, 1998. p.53-57.

.

A

n á l i s e

d e

p r o b l e m

a s

d e

r e d a ç

Em situações um pouco tensas, como no caso de se conceder uma entrevista a um meio de comunicação, é comum o usuário da língua cometer deslizes, descuidando-se, muitas vezes, do vocabulário que emprega. Sobretudo

1

se for uma figura pública, conhecida na mídia, a impropriedade vocabular pode ser motivo de ironia, contribuindo para desqualificar sua imagem. É o que observamos no exemplo abaixo:

“A faixa etária é essa”, de Paulo Zulu. de um vocabulário ao (Justificativa sobre os 5000 reais que impróprio contexto. Depois de cobra só para marcar presença em atentamente, eventos de moda. Em: Revista Elle, lê-los ano 13, n.5, p.30, maio 2000). siga as instruções:

O uso da expressão “faixa etária” em lugar da expressão “em média”, acerca de quanto cobrava para se fazer presente, em eventos de moda, causou reações polêmicas aos leitores da revista os quais se manifestaram, através de cartas e/ou e-mails, ironizando a declaração do modelo e ator. Nos trechos abaixo, extraídos de redações de alunos, percebe-se o mesmo tipo de problema – o uso

Texto argumentativo: escrita e cidadania

7 9

E l ,l e a n o

1 3 , n .5 , p .3 0 , m

a io

2 0 0 0 .

a b c d

)T )E )E )R e a

r a n s x p li c x p li q e e s c x p r e d a p t

c r e v a a it e o q u e o q r e v a o s s ã o e a ç õ e s

u u t a in

p a l e o e e r e c d e d i s

a v r a / a u t o le r e h o p q u a n p e n s

e x p r q a l m r o b d o á v e

r e s u is e n t l e m a à i s .

s ã o u s a d a i m d iz e r a o u s a r e a f ir m o u . á t ic o , s u b s t i t in t e n ç ã o d o

1)

“Natureza, cultura, riqueza, liberdade, deuses, coletivismo, paz são alguns dos muitos prejuízos sofridos pelos índios.” (assunto: questão indígena no Brasil; ano: 2000).

2) “(...) água, este simples utensílio essencial a nossa sobrevivência, (...)” (assunto: quan-tidade e qualidade dos recursos hídricos; ano: 2000).

3) “Penso, inicialmente, que o indivíduo, aos 16 anos, não possui condições psicológicas para lidar com tamanha responsabilidade, já que, em tal fase, a instabilidade emocio-nal, a impulsividade e até mesmo o desejo de afirmação são fatores decisivos ao volan-te.” (assunto: possibilidade legal de se dirigir aos 16 anos; carta dirigida ao editor do jornal Zero Hora – RS; ano: 1999).
4) “48, 44, 39 horas semanais. Enganam-se aqueles que ainda pensam na redução da jor-nada de trabalho em detrimento do lazer.” (assunto: redução da jornada de trabalho e aumento de tempo destinado ao lazer; ano: 2000).

5) “Considero injusta a forma com que os veteranos recebem os calouros; interpreto como uma atitude infantil, indelinqüente, anacrônica e uma verdadeira barbárie (...)” (assun-to: a prática dos trotes aos calouros nas universidades brasileiras; carta argumentativa dirigida ao editor da FSP; ano: 1999). 6) “Dessa forma, torna-se indispensável que os universitários – tidos até então como a mi-noria intelectualizada – dêem exemplos tão grotescos como os dos trotes violentos.” (idem ao anterior). 7) “O vestibular, embora seja muito estressante, é um mal necessário; portanto, convém preservá-lo e, aos poucos, ir fazendo modificações que visem a torná-lo mais demagó-gico e menos elitista.” (assunto: Vestibular: um mal necessário?; ano: 1999).

Muitas tentativas de desenvolvimento do raciocínio lógicoexpositivo não são bem sucedidas, desencadeando defeitos de argumentação. Nos trechos abaixo, escritos por vestibulandos, notam-se problemas desse tipo. Depois de lêlos, identifique-os.

2

Antes, porém, observe um exemplo de trecho o qual apresenta defeito de argumentação, a comparação inadequada (ou falsa analogia), ou seja, um problema decorrente do fato de os elementos de uma comparação diferenciarem-se em algum ponto essencial da analogia. Observe:

Texto argumentativo: escrita e cidadania

8 1

“ Q u e p e r t u r b a d o r le r n o M a is ! , d e 1 2 /0 3 , u m a r t ig o s o g ia q u e a f ir m a q u e o e s t u p r o é 'n a t u r a l'! P io r a i n d a é q u e a p é c ie h u m a n a p e lo e s t u d o d o c o m p o r ta m e n to d a s m o s c a la r e m 'e s tu p r o ' e n t r e m o s c a s ? A a n tr o p o lo g ia s o c ia l e c u lt u r a l já m u it o r e b a te u a id é i t o s h u m a n o s s e r ia m d a o r d e m d a n a tu r e z a . É d e e s p e c ia l a t u a i n c l u s i v e n o s c v o i s t op so rc t oa m oe nm t oa si s p r ó x i m o s d a n a t u r e z a m m x u a is , d e c a s a m e n t o , n a s r e g r a s d e p a r e n te s c o , té c n ic a s t a m e n to s v ê m a p e n a s d a n a tu r e z a , c o m o fa z e m m u it o s e s t a n to s im p lis t a e c e g o a to d a a c u ltu r a c o n te m p o r â n e a , a o e à r e a lid a d e s o c ia l e c u ltu r a l q u e v iv e m o s h o je . P o r e s s e m o t iv o , d iz e r q u e o e s t u p r o é 'n a t u r a l' ( c o m o r is c o p o lí t ic o d e ig u a la r o s e n t id o d o t e r m o 'n a t u r a l' à p a l a v r a a ' ln ' ) o ér m i m e n s a b o b a g e m , j á q u e o c o m p o r ta m e n t o h u m a n o n ã o é r e g id o a p e n a s p e la s r e g r a s d a n a t u r e z a .”
H e lo ís a B u a r q u e d e a n t r o p o lo g ia
(F o l h a

A lm e id a , p r o fe s s o r a e d o u t o r a n d a n a U N IC A M P ( C a m p in a s , S P ) .
F o n te : w w

e m
/m _

w . g e o c it ie s . c o m

d e

S ã o

P a u lo

, 2 9 /3 /2 0 0 0 )

1)

“Resta-nos reciclar a mentalidade de boa parte da população neste sentido, a fim de que esta supere esse complexo de inferioridade típico de países como o Brasil, científica e tecnologicamente atrasados.” (assunto: transgênicos; ano: 1999).

2) “Embora o avanço da tecnologia tenha grande validade para o Brasil, isso vem causando um aumento na taxa de desemprego, conseqüência direta do aumento da legião dos sem-terra.” (assunto: estratégias do MST; ano: 2000).

3) “Portanto é necessário que o governo tome medidas urgentes a fim de solucionar este momento caótico pelo qual estamos passando.” (assunto: estratégias do MST; conclusão de uma dissertação; ano: 2000).
IstoÉ, 30/6/2001

4) “Com essa possível mudança da emancipação da Metade Sul do Estado, a região extremo sul será beneficiada uma vez que está praticamente isolada.” (assunto: emancipação da Metade Sul do estado do RS; ano: 2000).

5) “Gostaria de lembrar-lhe que um estudante será um profissional no futuro; um aluno que ‘cola’ para passar de ano não sabe a matéria e se tornará relapso em sua profissão.” (assunto: o uso da ‘cola’ nos estabelecimentos de ensino; carta dirigida ao senhor Groppa Aquino; ano: 2000). 6) “Não se trata de questionar dogmas religiosos, mas sim de resolver um gravíssimo pro-blema, principalmente com a população de menor poder aquisitivo que constitui a 4ª causa de mortalidade materna.” (assunto: planejamento familiar; ano: 2000). 7) “A raça negra não é mais escrava, merecendo direitos iguais, inclusive o de igualdade social.” (assunto: racismo; ano: 2000). 8) “Salienta-se ainda que os usuários de drogas não precisariam ir aos postos de saúde à procura de kits descartáveis, em virtude de serem vítimas da discriminação e estigma-tismo.” (assunto: Projeto de Redução de Danos, da Secretaria Municipal da Saúde de POA – troca de seringas usadas pelos dependentes por novas para evitar doenças; ano: 1998). 9) “Por tudo isso, é imprescindível uma reflexão sobre o assunto dos jovens, que são o fu-turo do país.” (assunto: avaliação sobre os 10 anos de criação do ECA; ano: 2000). 10) “Na certeza de que Vossa Excelência considerará meu apelo, e lembrandolhe serem as crianças o amanhã da Nação, despeço-me.” (idem ao anterior; carta argumentativa diri-gida ao ministro da Justiça). 11) “Por outro lado, fico ‘pasma’ ao ver crianças que deveriam estar na flor da inocência (...)” (idem ao anterior). 12) “Inicialmente, cabe ressaltar que a discriminação social, aliada à falta do auxílio da família são fatores determinantes a tal problemática. Ademais, falta de escola também contribui para o agravamento da situação. Importa enfatizar, ainda, que tais fatores acarretam não só a cometer estupros, como também atos sádicos, demonstrando a revolta pela situação em que vivem.” (assunto: violência urbana; ano: 2001).
Zezé Mota: "Há preconceito até nas relações afetivas. Já desisti de casar com rapaz branco por causa da pressão da família dele." (IstoÉ, 17/6/96)

Há determinados critérios tais co-mo a escolha adequada dos

3

termos em um texto, a ordem em que eles estão dispos-tos, a estrutura

Texto argumentativo: escrita e cidadania

8 3

gramatical nele utilizada, entre outros, os quais necessitam ser seguidos para se garantir a coerência tex-tual, além, é claro, da compatibilidade en-tre o “mundo do texto” e o “mundo real” (relação intra/extratextual).

No trecho abaixo, cujo autor é Ale-xandre Garcia, o jornalista usou a expres-são “sic” para evidenciar uma incoerência devida à impropriedade vocabular. Dessa forma, ele se isentou da responsabilidade do uso inadequado de um termo, no caso, o verbo penalizar. Observe:
I s t o É , 2 3 / 5 / 2 0 0 1 . D e s e n h o d e A r o e ir a .

" A b u in a le g ( s ic )

g te a o

o r a , s v ã q u e s m a

p o o is

o r fa lta d e p la n e ja m e n to d o G o v e r n o , o s c p a g a r. É e c o n o m iz a r e p a g a r o u a p a g a r. O G p la n o é ju s to , p o r q u e a liv ia o s m a is p o b r e s e p r ic o s . S e r á ? " jo r n a lis t a p la n o u s la fa d o G c o n tin u a : e s d e r ju e m e e r n o

D e p o is , o " S e é p c o m o o G r e s p o n s á c o r te a e n a o v e

r a o v e r n e l p e r g ia

o s a , lt a o v

s to , e n tã o q u e s e p u n a ( o u p e c o n h e c e r b e m a lín g u a p o r tu g n e r g ia : o q u e n ã o p la n e jo u ( . ..) ."
P o p u la r, 2 2 /0 5 /0 1 )

( D iá r io

A troca do verbo penalizar, que significa causar pena ou desgosto; afligir, desgostar, pelo verbo punir ocasionou, neste caso, a incoerência.

Leia os trechos abaixo, extraídos de redações de alunos, e explique o porquê da incoerência. Quando possível, proponha mudanças.

1) “Hoje em dia a maior preocupação de todos os governos é o desemprego que, no Bra-sil, é o maior problema na atualidade, pois ele é o centro de tudo.” (assunto: desem-prego; ano: 1999). 2) “(...) consiste na falta de informações dos cidadãos, uma vez que não existem campa-nhas as quais visem ao esclarecimento da população sobre o possível contágio de doen-ças sexualmente transmissíveis, inclusive sobre a, muitas vezes, impiedosa gravidez.” (assunto: iniciação sexual precoce entre os brasileiros; ano: 2000).

3) “Na verdade, as formas femininas, atualmente, têm-se distanciado de sua real função: virtude de gerar uma criança.” (assunto: topless: direito ou desonra da mulher?; ano: 2000).
4) “(...) porém espero que as pesquisas avancem e, num futuro próximo, consigamos grandes resultados, tanto na área da Saúde quanto na alimentícia.” (assunto: transgêni-cos; ano: 1999).

5) “Também nas instituições de ensino devem-se mostrar os riscos de contaminação de várias doenças, além de gravidez precoce.” (assunto: iniciação sexual precoce; ano: 2000). 6) “Na minha opinião, acredito, (...)” (assunto: o uso da ‘cola’ nos estabelecimentos de en-sino; carta dirigida ao senhor Groppa Aquino; ano: 2000). 7) “Considero, no meu entender, (...)” (idem ao anterior).
8) “Ao ler sua relevante declaração sobre o comportamento de consumidores de baixo po-der aquisitivo, resolvi escrever-lhe por considerar sua análise superficial e preconcei-tuosa.” (proposta da UFPel/98; assunto: hábito de consumo das classes menos abasta-das; comentário: “Pobre gosta de sofrer aos poucos”). 9) “Logo, tanto a privacidade e os valores individuais quanto as vantagens do conheci-mento do genoma devem ser inseridos em uma mesma conjuntura, como intuito de de-senvolvimento não só do indivíduo como da população (...)” (assunto: genoma; ano: 2000). 10) “De acordo com pesquisas realizadas pelo IBGE, uma elevada porcentagem da popu-lação brasileira acredita em um conceito inovador de ‘família’; para tais entrevistados, esta não precisa ser necessariamente composta por pai, mãe e filhos, vivendo sob o mesmo teto; uma pessoa que vive só, com um animal de estimação, pode considerar-se vivendo em uma instituição familiar.” (assunto: perfil da família no novo milênio; ano: 2000). 11) “É inegável que não existam conflitos, violência, em um país no qual as diferenças soci-ais são alarmantes (...)” (assunto: violência urbana; ano: 2000). 12) “As escolas deveriam conversar mais com os alunos até com os que estão terminando o 2º grau.” (assunto: a prática dos trotes aos calouros nas universidades brasileiras; ano: 1999). 13) “O problema da saúde, no Brasil, é, portanto, gerado pela péssima administração do orçamento.” (assunto: saúde pública no Brasil; ano: 1998). 14) “Durante seu desenvolvimento, a criança recebe influências racistas de vários locais tais como as inocentes histórias infantis, onde a princesa, o herói, o príncipe sempre são de cor branca.” (assunto: racismo; ano: 1999). 15) “Embora se estabeleçam juros altos, há a maciça escolha em adquirir bens a prazo, pois muitos consumidores vêem-se absolutamente coagidos a fazê-lo à vista, uma vez que seus salários não condizem com a realidade de consumismo exorbitante.” (assunto: Pobre gosta de sofrer aos poucos – sobre o fato de se comprar em prestações; ano: 1998/UFPel).

Texto argumentativo: escrita e cidadania

8 5

16) “Além disso, acaba ocorrendo também uma redução do número de trabalhadores, sem-do que poucos conseguem manter seus empregos.” (proposta da UFPel/98; assunto: hábito de consumo das classes menos privilegiadas; comentário: “Pobre gosta de sofrer aos poucos.”).

17) “Assim,

vemos que não somente a irresponsabilidade no trânsito é causadora fatal de vidas, mas também o desejo de querer bem a si mesmo.” (assunto: alcoolismo; ano: 1998).

18) “Será ainda relevante que os pais demonstrem

vontade e esclarecimento sobre a droga, pois poderá levar vários filhos ao consumo bem como à dependência.” (assunto: alcoolismo; ano: 1998).

I s t o, É1 8 / 7 / 2 0 0 1

19) “Em virtude dos aspectos mencionados, somos levados a crer que o álcool deve ser tra-tado com seriedade e urgência pelas autoridades governamentais.” (assunto: alcoolis-mo; ano: 1998). 20) “O problema de Saúde” (título de redação; assunto: Saúde Pública no Brasil; ano: 1998). 21) “As universidades têm liberdade para escolher seu tipo de avaliação. Entretanto, há um fator que vem desmascarando certas ‘instituiçõesfachada’, assim como descobrindo universitários dedicados e competentes – o Provão.” (assunto: provão nas universida-des; ano: 2000).

Ao articularmos as idéias em um texto, a fim de que este seja coerente, é necessário verificarmos se elas têm a ver umas com as outras e observarmos o tipo de relação a qual se estabelece entre elas. Também mostra-se importante, ao retomarmos idéias nesse texto, cuidarmos se a retomada foi feita de forma correta ou não. Em ambos os casos, o uso dos coesivos é

4

importante para garantir a coerência textual. Nos trechos abaixo, de redações de alunos, um problema de coesão acabou por interferir na sua coerência. Após a leitura do exemplo que evidencia tal problema, reformule os trechos de forma a tornar a relação coesão/ coerência adequada.

g r s c

" C o o s ta i a s ', f a m p ia e a

n s id e r o q u e , d e a s s is tir e a z e n d o a s s im o r s itu a ç õ e s q u a lid a d e d o
*O te r m o r e fe r e n te

p o r o u tr o la d o , s te tip o d e c e n a p e n se al er e m q u e s * p a r e c id a s ." ( a s s s p r o g r a m a s n a

s o c ie d a d e , e m o n d e a c o n te c e m n ã o s ã o s ó q u n t o : g u e r r a p e la T V b r a s ile ir a ; a n o :
/1 0 / 9 7

a

g e 'b u e a u 1 9

r a a p d 9

d e s ta c a d o n ã o p o s s u i I s t o, É1 c la r o n o tr e c h o .

1)

“Ao ler uma matéria na revista Veja, que mostra seu posicionamento sobre o futuro da sociedade, resolvi escrever-lhe por motivo de contrapor-me às mesmas.” (assunto: re-dução da jornada de trabalho e aumento do tempo destinado ao lazer; ano: 2000).

2) “Todo menor deve ter direito à educação, à saúde e à vida digna, segundo a Decla-ração Universal dos Direitos da Criança. No entanto, as imagens observadas na mídia e os dados expostos no encontro, na Suécia, revelam uma realidade assustadora na qual se notam a exploração da mão-de-obra infantil e o uso desses indivíduos em guerras.” (assunto: violação dos direitos das crianças; ano: 2001). 3) “As universidades federais são propriedade do povo, pois eles pagam impostos ao go-verno para que este administre os bens sociais.” (assunto: privatização das universida-des públicas brasileiras; ano: 1999). 4) “A iniciação sexual precoce, sem a devida maturidade para prevenir-se de forma ade-quada, pode acarretar uma gravidez precoce. Esta, portanto, leva ao abandono dos es-tudos, comprometendo a futura qualificação profissional, especialmente das meninas.” (assunto: iniciação sexual precoce; ano: 2000). 5) “Um país que enfrenta tantos problemas na Saúde, ainda tem que ‘lutar’ contra os re-médios, denominados como crime hediondo.” (assunto: falsificação dos remédios; ano: 1998). 6) “Alguns carcerários são injustamente colocados em um mesmo nível criminal. Porém, acabam cometendo os piores crimes com seus colegas de cela.” (assunto: reforma car-cerária; ano: 1999). 7) “Este fato marca a culpa governamental, já que este raramente investe em campanhas de prevenção.” (assunto: maternidade precoce; ano: 2000).

8) “Vossa Senhoria há de convir que, se forem penalizados pelo ECA, os pais desses jo-vens serão responsabilizados, embora caiba àqueles a punição por

Texto argumentativo: escrita e cidadania

8 7

um crime praticado por estes.” (carta argumentativa dirigida ao editor da Folha de São Paulo; assunto: ma-ioridade/menoridade penal; ano: 1999).

9) “Para a globalização se efetivar, é preciso que os donos do capital diminuam o lucro, invistam na especialização para ingressá-la no mercado tecnológico.” (assunto: globalização; ano: 1999).

“Os Estados Unidos, os países da União Européia e a Rússia lançaram na atmosfera 382 bilhões de toneladas de dióxido de carbono nos últimos cinqüenta anos, quantidade superior às emissões de todos os demais países.” (Veja, 1/8/2001, Imagem: IstoÉ, 1/8/2001.

A clareza é uma qualidade textual que consiste em expressar as idéias de forma a torná-las facilmente compreensíveis ao leitor. Muitas vezes, a falta de clareza pode ser um recurso intencional; no entanto, existem alguns “desvios” na

5

produção de um texto que comprometem o seu entendimento. Eis alguns deles: obscuridade, ambigüidade e falta de paralelismo (gramatical ou semântico).

q S n c d u b c c e e

u ó h o o m o o a s s

" M e u p r o fe s s o r d e F ís ic a é d o tip o b o n itã o . N o a n o p e s e m p r e s o n h a v a c o m i g o . A q u i l o m ee l be a l a n ç o u , m a s qeul e c o m e ç o u a m e p r e s s io n a r, p e d ia p a r a e u ir a t é a m ã o t o d a v e z q u e t in h a u m a c h a n c e . N o c o m e ç o , g o la m o r r e n d o p o r c a u s a d o p r o fe s s o r e e le c o r r e n d o a t r á e s tá v a m o s s o z in h o s n u m a s a la , e le t e n t o u am e b e ija r m o t e l. E s t a v a m e io a p a ix o n a d a , m a s c o m e c e i a fic a a , c o m e c e i a ir m a l n a s a u la s , f iq u e i d e r e c u p e r a ç ã n s e g u ia p r e s t a r a t e n ç ã o n a a u la d e le d e je ito n e n h u m s a . M e u p a i fic o u f u r io s o ! Q u e r ia ir à p o líc ia , fa la r c o m c â n d a lo . E u im p lo r e i p a r a e le n ã o fa z e r n a d a . D e p o is t u d a r e p a s s a r d e a n o .”
( R e v is ta C a r in h o )

No texto acima, o entendimento é prejudicado devido

ao uso do termo “ele”, sublinhado no

texto, pois ora tal termo re-mete ao namorado, ora ao professor de Física. Analise os trechos abaixo, frag-mentos de redações de alunos,

e explique por que as idéias dificultam a compreen-são ao leitor.

1) “Como exemplo temos a morfina, usada para combater a dor que, aos poucos, está sendo substituída pelo samário – 153.” (assunto: uso da energia nuclear [área médica]; ano: 2000). 2) “Além disso, a energia nuclear provoca a destruição das células e queimaduras (...)” (assunto: uso da energia nuclear; ano: 2000). 3) “Não podemos também deixar de falar nas emissoras de tevê, pois a influência delas sobre os adolescentes, que apresentam programas altamente erotizados em horários inadequados, incentivando, assim, a relação sexual precoce.” (assunto: iniciação sexual precoce; ano: 2000). 4) “Torna-se necessário, portanto, que o governo, a sociedade e a imprensa se unam em torno de objetivos comuns, evitando o desperdício de alimentos, o alcance de uma dis-tribuição de renda mais justa, geração de mais empregos (...).” (assunto: Dar ou não esmolas? ano: 2000). 5) “Na minha opinião é um absurdo permitir que se repitam os ‘espetáculos’ de violência e humilhações que vêm ocorrendo todos os anos cada vez que grupos de estudantes ingressam na universidade. Além disso, é preciso pensar nos traumas psicológicos das vítimas, isso quando estas não estão mortas, o que de fato já ocorreu mais de uma vez.” (assunto: a prática dos trotes aos calouros nas universidades brasileiras; carta ar-gumentativa dirigida ao editor da FSP; ano: 1999). 6) “Em se tratando de fome, temos como grande culpado os milhares de grãos que estra-gam nos armazéns governamentais e particulares os quais, em decorrência disso, são jogados fora.” (assunto: desperdício do dinheiro público; ano: 1999).

6
Um problema bastante comum en-contrado em redações de alunos diz res-peito à incompletude da frase, ou seja, a idéia pretendida pelo autor é abandona-da e a inteligibilidade torna-se comprometida. Muitas vezes, tal problema é decor-rente da pontuação inadequada, do uso impróprio do gerúndio ou do infinitivo, en-tre outras formas gramaticais utilizadas para se estruturar as frases. O trecho abaixo, parte de uma carta de leitor, extraído do jornal Diário Popular, de 30/11/97, apresenta algumas frases fragmentadas, ocasionando dificuldades de entendimento ao leitor.

Texto argumentativo: escrita e cidadania

8 9

Observe:

I l u s tr a ç ã o : J . L a n z e lo t t i. E m : H is t ó r i a s e L e n d a s d o B r a s il

d P E p a p

" E m o s P a g ix u r u m A n a s t â n c a tr o n a P o is d q u ir iu a g o s .”

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Agora, leia os trechos abaixo, extraídos de redações, e reescreva-os, atribuindo-lhes coerência. 1) “Tendo acompanhado, através da imprensa, divulgações importantes sobre a violência nas escolas, fato que decorre, em parte, de uma política adotada que mascara o contin-gente juvenil, uma vez que a maioria dos jovens não possui perspectivas de um futuro digno e promissor.” (assunto: violência juvenil; ano: 2000). 2) “Resolvi, por essa razão, manifestar-lhe meu posicionamento. Distinguindo, com clare-za, situações de violência em que o meio se torna propício (...)” (idem ao anterior). 3) “Saliento-lhe que, em certos casos, compreende-se a revolta e a violência desses jo-vens. Já que a desigualdade social acirra a falta de oportunidades de ascensão social.” (idem ao anterior). 4) “Por sua vez, essa sociedade que omite informações aos jovens, assiste filmes eróticos, novelas em que o sexo está sempre presente.” (assunto: influência da mídia X mater-nidade precoce; ano: 2000). 5) “O jovem brasileiro tem passado por alguns problemas. Entre eles, destacase o alcoo-lismo que, lamentavelmente, afeta 20% destes. Tornando-se, assim, para vários, um ví-cio preocupante.” (assunto: o alto índice de alcoolismo entre os jovens; ano: 1999). 6) “Ao tomar conhecimento do projeto de lei de autoria de Vossa Excelência, o qual trata da relevante questão do direito à realização do aborto legal, pelo SUS, por duas razões: em caso de estupro e em caso de risco de vida da

mãe.” (carta argumentativa dirigida a um congressista; assunto: aborto; ano: 1999). 7) “A justiça; é feita até para os corruptos.” (assunto: impunidade; ano: 2000).

Se compararmos a relação fala/ escrita, nas mais diversas situações do cotidiano, perceberemos que não se fala como se escreve, não se escreve como se fala, assim como não se fala nem se escreve da mesma maneira em todas as ocasiões. Logo, o que é perfeitamente acei-tável numa situação de fala, em situação informal, pode não o ser

7

numa de escrita. Igualmente, na escrita, numa situação for-mal, devem-se evitar construções da modalidade da fala. Nas frases abaixo, extraídas de redações de alunos, notam-se estruturas e escolha do vocabulário próprias da linguagem falada informal, modalidade não acei-ta em provas de redações de vestibulares. Observe:

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Agora, leia os trechos abaixo e proponha mudanças para melhorá-los, adaptando-os à modalidade escrita culta. 1) “Foram meses sem ninguém descobrir nada. Quando foi descoberto o escândalo, a mídia foi atrás, o povo também, mas, apesar de tudo, os dois senadores renunciaram.” (assunto: renúncia dos ex-senadores ACM e Arruda; ano: 2001). 2) “Em conseqüência desse ato, houve muita especulação sobre uma possível manipulação política e o incentivo à compra e venda de votos, mas desta vez não passou em branco este fato irresponsável.” (idem ao anterior). 3) “Primeiramente, gostaria de dizer que estou indignado (...)” (assunto: trote nas univer-sidades; ano: 2000).

Texto argumentativo: escrita e cidadania

9 1

4) “Não vejo mal nenhum em pintarem os alunos, fazerem eles correr e coisas deste tipo.” (idem ao anterior). 5) “É lamentável que os telespectadores tenham que assistir programas sem conteúdo in-formativo e cheio de baixarias, como é o caso do Gugu.” (assunto: guerra pela audiên-cia e a qualidade dos programas televisivos; ano: 1999). 6) “De todo modo, o único jeito de diminuir (...)” (idem ao anterior). 7) “Essas ONGs estão fazendo um grande bem social.” (assunto: influência do terceiro se-tor em nossa sociedade; ano: 2001). 8) “É preciso tornar mais fácil a solução dos problemas (...)” (idem ao anterior). 9) “Isso sem falar na falta de ética e vergonha na cara de nossos políticos, que só pensam neles.” (assunto: ética e política; ano: 2000).

10) “Quando se fala em drogas (...)” (assunto: alcoolismo entre os jovens; ano: 2000).
11) “Há muitos jovens que começam a beber na noite, exageram na bebida, sem pensar que isso pode virar uma grande tragédia.” (idem ao anterior).

I s t o, É8 / 8 / 2 0 0 1

12) “Se isso que foi citado for feito, a saúde já irá dar uma boa melhorada.” (assunto: saú-de pública no Brasil; ano: 1999). 13) “(...) porque, se continuar como está, muitos, com alto potencial, poderão ficar de fora da sociedade.” (assunto: desemprego; ano: 2000). 14) “O ECA deveria trabalhar em cima do dever escolar para menores de rua (...)” (assunto: 10 anos de criação do ECA; ano: 2000). 15) “O problema é que o estatuto muitas vezes inexiste na prática, a maioria dos artigos do texto legal não saem do papel.” (idem ao anterior).

P r o p o s t a
O jornal Folha de São Paulo publicou, em 18/10/99, uma reportagem contendo o relato de um leitor, 14 anos, Paulo (nome fictício; ver “observação”), segundo o qual está sendo expulso da escola onde estuda em razão do preconceito de que tem sido alvo. Além do depoimento do leitor, a Folha publicou uma entrevista com o diretor da escola envolvida, depoimentos de alunos da própria instituição, assim como de

n º

1

especialistas nas áreas educacional e jurídica. Após a leitura da coletânea, escreva uma carta argumentativa dirigida ao aluno Paulo ou ao diretor da escola, manifestando-se acerca da acusação de preconceito alegada pelo aluno e da postura adotada pela direção do estabelecimento. Além das informações contidas na coletânea, você poderá utilizar outras que julgar pertinentes. Ao assinar sua carta, use apenas as iniciais de seu nome.

Texto argumentativo: escrita e cidadania

93

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Silvia Ruiz
da Reportagem Local

No início do ano, Paulo, 14, da oitava série de um colégio particular da zona leste de SP, declarou sua paixão por Marcelo (nomes fictícios), 16, aluno do ensino médio da mesma escola. A partir daí, a vida dos dois virou um inferno. A história correu o colégio, e Marcelo passou a ser alvo de gozação por parte de seus amigos. Para Paulo, a situação ficou ainda pior. Segundo ele, alguns alunos passaram a ameaçá-lo, e a direção convocou seus pais para pedir que o tirassem da escola. O estudante acha que tudo não passa de preconceito contra ele. “O que eu fiz, mostrar o meu amor, me apaixonar, é algo que qualquer menina ou menino da minha idade está cansado de fazer. Mas, como eu sou diferente, tenho de guardar isso em segredo ou me torno um problema”, diz o estudante. Para a direção do colégio, não se trata de preconceito. Para o diretor,

apesar de ser um bom aluno, Paulo criou um problema para Marcelo. Em sua defesa, Paulo diz que pode até ter causado um problema, mas afirma que não conseguiu agir de outra forma. “Eu vi Marcelo há dois anos e fiquei apaixonado. Este ano resolvi me abrir.” Ele vê exagero e precipitação na possível decisão da escola de expulsá-lo. “Por que a direção não expulsa os garotos que estão fazendo a gozação?” Especialistas em Educação e advogados ouvidos pela reportagem questionam a atitude do colégio. Segundo eles, esse tipo de expulsão vai contra as tendências modernas de Educação. “Esse caso mostra, principalmente, a incompetência educativa dessa escola”, diz Rosely Sayão, psicóloga e colunista da Folha. Segundo ela, o papel dos educadores hoje é ensinar os alunos a conviver com a diversidade. “O que essa escola está

fazendo para tornar seus alunos cidadãos?” O advogado Luiz Alberto David Araujo, professor de Direito Constitucional, da PUC-SP (Pontíficia Universidade Católica) e do ITE (Instituto Toledo de Ensino), concorda com Rosely. “A escola passa um atestado de incompetência em relação a um tema presente na sociedade. Em princípio, ela tem de manter a disciplina, mas eliminar o problema, em vez de lidar com ele, não resolve nada. Essa não é uma questão de direito, mas sim de pedagogia.” (...) O promotor da Infância e Juventude, Giovane Serra Azul, diz que nunca viu um caso como esse.

“Esse é um caso muito delicado, e, para avaliá-lo, seria preciso que houvesse um processo. É difícil delinear até onde vai o interesse individual de uma pessoa e o da coletividade. É preciso ver se essa atitude do garoto está prejudicando o direito dos outros de estudar. Apenas o fato de ter declarado seu afeto e ser homossexual não é motivo de expulsão.” Segundo ele, as escolas particulares têm o direito de expulsar um aluno quando julgam que ele atrapalha a coletividade. “Há regras que são subjetivas. Mas, se os pais ou o aluno consideram que há abuso por parte da escola, podem buscar o apoio da Justiça.”
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Folha – O que o levou a escrever para o Folhateen?

Texto argumentativo: escrita e cidadania

95

Paulo – A minha escola disse que eu não vou poder estudar lá no ano que vem. Acho que estou sendo alvo de preconceito porque sou homossexual. Folha – Por que a direção da escola quer que você saia? Paulo – Eles falaram comigo e com os meus pais e disseram que eu deveria sair porque estava incomodando o garoto por quem eu sou apaixonado. A escola acha que eu sou um problema. Eles são preconceituosos e moralistas. Folha – Você acha que de fato incomodou o garoto? Paulo – No início do ano, mandei uma carta para ele e me declarei. Também disse para as minhas amigas que gostava dele. Aí, todos na escola ficaram sabendo, ficou uma pressão sobre ele. Acho que isso poderia até incomodar. Folha – E qual foi a atitude da escola? Paulo – A minha orientadora pediu para que eu parasse de procurá-lo. Também disse que eu deveria passar a entrar na escola pela secretaria, subir para a classe depois que os outros alunos já tivessem subido e que não poderia ir à cantina. Ela chegou a dizer que os pais dos meninos mais novos poderiam ficar com medo que eu fosse abusar deles no banheiro da escola. Ela também chamou os meus pais e contou tudo a eles e recomendou que eu fizesse terapia. Ela me considera um problema, e a escola não quer problemas. Folha – E o que você fez? Paulo – Fui fazer terapia. Acho que é bom até para eu me conhecer melhor e aprender a lidar com toda essa situação. Mas acho que, mesmo que quisesse, não conseguiria deixar de gostar dele. Algumas vezes, liguei para a casa dele e disse que gostava dele, mas ele nunca disse claramente que não gostava de mim. Eu acho que tenho o direito de expressar o meu amor por ele. Acho que isso é algo que a gente deve resolver entre a gente, sem a interferência da escola. Quanto aos outros alunos, disse que eu não sou um maníaco, não vou atacar nenhuma criança. Folha – O que você acha que a escola deveria fazer nesse caso? Paulo – Acho que eles deveriam conversar comigo, mas não tirar nossa liberdade. A posição da escola deve ser de orientar, não de expulsar. E, se eu fosse uma menina, a mãe dele (do outro garoto) estaria feliz, a escola iria proteger a situação. A escola, como educadora, deveria fazer com que os dois fossem respeitados e prote-gidos. Eles deveriam agir em cima de quem goza com a cara dos outros, não de mim e do garoto que eu amo. Folha – O que você pretende fazer para resolver o problema? Paulo – Meus pais não querem levar isso muito longe, não querem se expor. Meu pai acha que a gente teria de ter dinheiro para fazer alguma coisa. Folha – Você se sente discriminado pelos colegas? Paulo – Há vários alunos que dizem: “Você vai morrer”. Há preconceito da parte de alguns, a maioria não me aceita, mas muitos me respeitam. Folha – Você gostaria de permanecer na escola, mesmo achando que há preconceito contra você por parte da direção?

Paulo – Acontece que eu gosto da minha escola, dos meus amigos e sou um bom aluno. Se eu for para outro lugar, vou ter de me adaptar. Não é que eu tenha medo, mas sempre penso: “Como os alunos de uma nova escola iriam me olhar?”. Eu quero continuar, apesar de tudo o que está acontecendo. Quero fazer algo para mudar a mentalidade da escola, que não gosta de tocar nesse assunto, assim como em outros, como drogas e sexualidade. Tudo o que provoque o senso crítico dos alunos é sempre evitado.

Folha – Quando um aluno dessa escola pode ser expulso? Diretor – Quando ele não se adapta às normas da escola, os pais são avisados, depois pode haver um conselho de classe. Tentamos evitar o máximo possível a expulsão porque é uma marca que o aluno leva para o resto da vida. Folha – O Folhateen recebeu a carta de um aluno, Paulo, que diz que vai ser expulso dessa escola porque é homossexual. Diretor – Ele é bonzinho, inclusive é assumido. O problema é que o outro aluno está sendo gozado. Esse aluno não cria problema nenhum, apenas há o constrangimento do outro. Folha – Ele causa algum tumulto na escola? Diretor – Ele me parece que tem boas notas, mas cria um pouco de gozação por parte dos colegas. Folha – Por que ele seria expulso, então? Diretor – No ano que vem ele iria para o mesmo prédio (do outro garoto), eles se encontrariam no recreio, e haveria aquela gozação dos outros colegas. O problema é por aí. Se ele fosse assumido, mas ficasse no seu cantinho, não haveria problema. O problema é a gozação com a vítima, que se sente muito mal. Não é propriamente pelo fato de ser homossexual. Mas isso (a expulsão) vai ser decidido no conselho de classe no final do ano. Folha – Segundo ele, as orientadoras da escola disseram que alguns pais teriam medo de que ele assediasse crianças. Diretor – Disso eu não tenho conhecimento. Folha – Há alguma forma de essa decisão mudar? Diretor – Não está decidido. Geralmente, se os orientadores apresentam todos esses fatos, os professores (do conselho de classe) seguem mais ou menos a orientação dos orientadores. Folha – A escola pode estar sendo preconceituosa? Diretor – Não sei, aqui não tem muito disso. O nível é alto, os alunos vêm mais para estudar, não são alunos que vêm criar problemas. Folha – Mas, se fosse uma menina, aconteceria o mesmo?

Texto argumentativo: escrita e cidadania

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Diretor – Meninos e meninas apaixonados há centenas. Isso é o pão nosso de cada dia. O nosso lema é, dentro da escola, amizade, muita amizade, e apenas amizade. Folha – Esses garotos que estão fazendo gozações estão sendo amigos? Diretor – A gente não é dono da cabeça de cada aluno. Entre alunos dessa idade, gozação, essas coisas, são normais. Não sei até que ponto (a gozação) é muito acentuada. Apenas o que ouvi falar, via orientadoras, é que seria um pouco perigoso ele ir para o colegial junto com o outro. Folha – Ele está sendo ameaçado de ser mandado embora da escola pelo fato de ter declarado que gosta de outro menino? Diretor – Sim, claro. Para não ter de ser expulso, o que seria ruim para ele, o ideal seria que os pais decidissem retirá-lo da escola, para evitar o constrangimento de o conselho de classe decidir. Folha – Então a solução não seria mandar o outro menino embora da escola? Diretor – O outro é a vítima, um menino perfeitamente normal. Folha – O senhor acha que o Paulo não é normal? Diretor – A homossexualidade é considerada uma anormalidade que precisa ser respeitada, isso, sim. Ele não tem culpa nenhuma. Ele nem gostaria de ser assim. Que culpa ele tem? Mas normal, normal... Como diz a Bíblia, Deus criou o homem e a mulher, não criou um intermédio entre eles. Folha – O senhor não acha que a expulsão seria traumática para ele? Diretor – Acho que sim, mas nós temos também que ver o conjunto do colégio. Folha – Não haveria outro jeito de solucionar o caso? Diretor – Não sei. O conselho de classe é que vai decidir.

P r o p o s t a
O terceiro setor da economia reúne ações de entidades diversas – ONGs, instituições filantrópicas, fundações, entre outras –, assim como o trabalho individual ou em grupo, sem fins lucrativos, realizado, em muitos casos, através de voluntários. Tais atividades vêm despertando o interesse do Poder Público e da comunidade em geral pelo efeito do trabalho realizado nos

n º

2

mais diversos setores – educação, saúde, meio ambiente etc. Após a leitura da coletânea, posicione-se em um texto dissertativo-argumentativo, acerca do assunto, avaliando a eficiência/não-eficiência do terceiro setor nos aspectos econômicos, sociais e políticos de nossa sociedade. Além das informações contidas na coletânea, você poderá

utilizar outras que julgar adequadas

ao tema.

Terceiro setor: nova utopia social?
O terceiro setor congrega organizações sem fins lucrativos, cujas receitas podem ser geradas em suas atividades operacionais (auto-sustentação), mas, em sua grande maioria, se originam de doações, feitas por particulares, pelo setor privado e pelo Governo. Por essas características, os estudiosos do setor estão substituindo a terminologia “organizações não-lucrativas” por uma designação mais ampla. Elas hoje são categorizadas como organizações da sociedade civil (OSCs). Longe de ser uma utopia, o terceiro setor é uma surpreendente e vibrante realidade nas economias modernas. Um estudo comparativo entre sete países (Estados Unidos, Japão, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Hungria), realizado pela Johns Hopkins University, revelou que a dimensão do terceiro setor nessas economias desenvolvidas é bastante significativa, atingindo em média 3,5% do PIB. Mas é na geração de empregos que ele ganha importância, tendo em vista a catástrofe que a terceira revolução industrial tem causado no nível de emprego em todos os países. Enquanto os outros dois setores, Governo e privado, vêm praticando um processo de exclusão sem precedentes de trabalhadores, o terceiro setor vem apresentando taxas surpreendentes de criação de novos postos de trabalho. A conclusão a que se chega é que, no desenho da sociedade moderna, o terceiro setor aparece como que criando um tripé sobre o qual os sistemas econômicos se apoiarão. Nesse redesenho da sociedade, esse tripé, formado por Governo, setor privado e terceiro setor (ou setor social), oferece os meios para trabalharmos pela diminuição das desigualdades sociais e econômicas, a fim de construir uma sociedade mais justa. (Folha de São Paulo)
Luiz Carlos Merege
Professor titular da Fundação Getúlio Vargas (SP) e coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor (CETS).

Terceiro Setor
O que é?
Pode ser definido como o conjunto de atividades das organizações da sociedade civil, portanto, das organizações criadas por iniciativas privadas de cidadãos, com o objetivo de prestação de serviços ao público (saúde, educação, cultura, habitação, direitos civis, desenvolvimento do ser humano, proteção do meio ambiente). Costuma-se dizer que não têm fins lucrativos, muito embora seja melhor defini-las como organizações em que o possível lucro é reaplicado na manutenção de suas atividades ou distribuído entre seus colaboradores, jamais sendo apropriado por um dono ou proprietário. Alardeado

Texto argumentativo: escrita e cidadania

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como um novo setor da economia na mais franca expansão, pode ser o equilíbrio buscado entre as atividades capitalistas – por gerar empregos – e as de assistência social – por não ter o lucro como meta principal, mas o bem-estar da sociedade, neste problemático final de milênio para as economias tradicionais.
O b s O. : s d o i s p r i m e i r o s f r a g m e n t o s f o r a m e xA t pr ar eí d n o d s i z d de o D I M f u t u : rc o i d a d a n i a h o j e e a m a n h ã . S ã o P a u l o : Á t i c a , 1 9 9 8 . p . 8 2 e

As organizações nãogovernamentais brasileiras e o Fórum Social Mundial 2001
As organizações não-governamentais – ONGs vêm ganhando visibilidade e reconhecimento públicos em todo o mundo. No Brasil, desde a Conferência Mundial do Meio Ambiente, de 1992, o trabalho das ONGs passou a ser mais conhecido e discutido pela população e a mídia. Fenômeno recente, essas organizações sem fins lucrativos vêm se constituindo desde a década de 1970 com objetivos, tamanhos e modelos diversos. São muitas as ONGs, difíceis de serem contadas. Além do mais, por ser um conceito amplo, pouco preciso, ONG abarca um conjunto de instituições muito diferentes nas suas finalidades e origem. Um segmento importante dessas organizações, associadas à Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais – ABONG, é identificado por sua postura crítica frente aos fenômenos sociais. Atuam com o objetivo de superar as diversas formas de desigualdades, pelo reconhecimento e respeito às diferenças individuais e culturais, ou, ainda, por defender um desenvolvimento sustentável que não condene a existência e a diversidade da vida e dos recursos ambientais para as futuras gerações. As ONGs denunciam violações dos

direitos humanos, trabalham na construção dos direitos de cidadania, atuam no desenvolvimento de práticas de intervenção social. Pela natureza do seu trabalho, tais organizações não se pretendem como substitutas da ação do Poder Público. As ONGs não são universais nos seus serviços, não têm representatividade pública, não têm institucionalidade nem recursos suficientes para tal fim. Sua missão é identificar e analisar as causas dos problemas sociais, apontar soluções construindo modelos de intervenção, ajudar a envolver a população na luta cidadã. Ao mesmo tempo, não são intermediárias ou substitutas de movimentos sociais, sindicais ou qualquer outra forma de ação coletiva da sociedade civil. Ao contrário, são suportes, apoios, estímulos destes movimentos. Não substituem os partidos políticos. Ajudam de forma complementar, na medida em que buscam, com seu trabalho, sensibilizar a população para que reconheça e lute por seus direitos. As associadas da ABONG se sentem felizes em estar com outras ONGs no Fórum Social Mundial. Junto com movimentos sociais e sindicais, intelectuais, parlamentares, empresários e cidadãos do mundo vamos discutir e propor alternativas, a partir das nossas experiências, que apontem para um desenvolvimento sem exclusões e com justiça social. Vimos mostrar que acreditamos que um outro mundo é possível e que temos um papel importante na sua construção.

Associação Brasileira de Organizações NãoGovernamentais www.abong.org.br – telefone: (11) 3237-2122 Rua General Jardim, 660 – 7º - Vila Buarque – 01223-010 – são Paulo – SP A ABONG foi fundada em 1991 por um grupo de ONGs que decidiu buscar a intervenção

social agindo coletivamente. Nestes 10 anos de trabalho, o grupo inicial ganhou muitas adesões e hoje são cerca de 270 associadas. (material distribuído aos participantes do Fórum Social Mundial, realizado em POA, em janeiro de 2001)

A f ila n t r o p ia já m o v im e n t d e r e a is p o r a a d e s ã o d e e e m p r e s a s

s il " ( ...) Q u e m n ã o te m r e c u r s o s h õ e s te m p o . C e r c a d e 1 6 % d a s p e s s o a s a n h a v o lu n tá r ia s d e p r o je to a m o s 1 8 a n o s s ã o o s to d o o p a í s . O u s e ja , u m a m a s s a d e b r a s ile ir o s t r a b a lh a d e g r a ç a p a r a a m o . 'T e m m a is jo v e n s q u e r e n d o s e É m i t o q u e n o B r a s i l s e d o e p o u p or o j e t o s d e c a ju d a d o q u e a s O N G s e m c o m p a r a ç ã o c o m o u t r o s p ad í er e c r u t a r ', a f ir m a o c o n s u lt o r S t e s e s . A b a ix o , o p e r c e n tu a l d e d o a u m d o s m a io r e s e s p e c ia lis t a s e m p ç ã o d e in d iv íd u o s e e m p r e s a s n o s a e- t o r . A s o l i d a r i e d a d e d o p o v o b r a s i l to ta l a r r e c a d a d o p o r o r g a n iz d a n a p e s q u i s a d a J o o Ih s n e s r . H O o tp r a i- n s e k ç õ e s s e m fin s lu c r a tiv o s . b a lh o , q u e s e r á p u b lic a d o n o m ê s q u 1 1 % a n á lis e c o m p a r a tiv a d e 2 2 p a ís e s , 1 0 % m a is r ic o s , s o b r e o p a p e l e o d e s e m 1 0 % g a n iz a ç õ e s s e m fin s lu c r a tiv o s . O B 1 9 % fe io : a q u i s e d o a m a is q u e a m é d i F o n Pt e e : s q u i s a C o m p a r a t i v a J o h n s H o p k i n s - I s e r p e s q u is a d o s ( ... ) ( ... ) O q u e fic a p a te n te é q u e o B m u d a n d o p a r a m e lh o r n e s s e c a m p n ã o te m s id o c a p a z d e d a r c o n ta d e m a n d a s s o c ia is e x is t e n t e s . A s p e s " N u m m u n d o c a d a v ed za d m a a i cs o m a p o b r e z a e s t ã o e s p e r a n s c o n t u r b a d o , c r u e l e d g e o s v i eg ru ne a l a, r r e g a ç a n d o a s m a n g a s . É o a r e s p o n s a b i l i d a d e s vo e c mi a l f a é z e n d o c r e s c e r e n o r m e m e n t e u m a q u e s t ã o d e s o b o e r g ia v n ê i n ac çi a õ e s s e m f i n s l u c r a t i v o s . ' O r v z p a r a a s p e s s o a s e o re g s a t án i nz aa - m o d a ' , a f i r m a M i l u V i l e l a , u m ç õ e s ." d o B a n c o I ta ú e m a n te n e d o r a d e a v se sd i o t e n c i a i s . E s p e r a - s e q u e a m o d s F r a n c is c o d e A s s is A z e f i c a r .” T im ó te o , M G
(Veja, 27 de outubro, 1999)

n o B r a 1 2 b a n o e r ic o s ,

a il g f

Texto argumentativo: escrita e cidadania

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P r o p o s t a
Esperava-se que a alta tecnologia, com suas novas formas de mecanização e informatização, proporcionassem, no início do novo milênio, um largo espaço de tempo destinado ao lazer. No entanto, o que se percebe são posições polêmicas quanto às relações de trabalho, na atualidade e no futuro, e à busca por maior tempo livre aos trabalhadores. Baseando-se nas informações abaixo, bem como no seu conhecimento de mundo, redija uma carta argumentativa destinada a um dos autores dos dois primeiros

n º

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textos, apresentando argumentos para convencê-lo de que está equivocado. Neste exercício de argumentação, você deverá discordar, portanto, das opiniões desses autores. Ao assinar a carta, use apenas as iniciais de seu nome. Uma outra possibilidade é a criação de um texto dissertativoargumentativo no qual a contraargumentação seja o processo básico da redação. Você poderá utilizar outras informações que julgar pertinentes.

O O

s s

tr ê s p ila r e s d o t e m p o liv r e lu x o s c a d a v e z m a is r a r o s

s e r ã o a s e n s u a lid a d e , a c o n s is t ir ã o n o s ilê n c io , n
FSP, 22/04/01

No início do século 20, Freud publicou "A Interpretação dos sonhos", Taylor inventou o "Scientific Management", Einstein anunciou a teoria da relatividade, Picasso expôs "Les Demoiselles d'Avignon", Stravinski compôs "A Sagração da Primavera". Cada área sofreu uma profunda revolução da qual desabrocharia a sociedade pós-industrial na qual temos agora a sorte de viver. Agora as descobertas surgem como cascata, e não passa ano em que não se realizem grandes progressos. Se pensarmos que a potência dos microprocessadores, que são a base de cada tecnologia, dobra a cada 18 meses... O trabalho é investido por cinco grandes ondas de transformação: o progresso tecnológico, o desenvolvimento organizacional, a globalização, a escolarização e os meios de comunicação. Disso se deduz que todas as nossas atividades se intelectualizam, que desaparecem muitas atribuições cansativas e tediosas, que somos capazes de produzir sempre mais bens e mais serviços com cada vez menos contribuição específica de trabalho humano. Acima de tudo resulta numa dificuldade maior em discernir trabalho, diversão e aprendizado; caem as barreiras entre cansaço e tempo livre; de qualquer maneira o trabalho ocupa apenas um décimo do nosso tempo de vida. Isso significa que, enquanto até agora a família e a escola se preocuparam em preparar os jovens para o trabalho, no futuro, deverão se preocupar em prepará-los para o tempo livre. O lazer é uma profissão

e uma arte não menos importante que o trabalho, e a qualidade da nossa vida depende sobretudo da qualidade do nosso lazer. Porém os países anglo-saxões e o Japão, sendo hiperindustrializados economicamente e psicologicamente, aprenderam a organizar e viver o trabalho, mas desaprenderam a organizar e viver o tempo livre. Por outro lado, os países latinos (entre eles o Brasil), não tendo nunca assimilado profundamente o modelo industrial, conservam uma grande vitalidade extra-trabalho: sensualidade, comunicabilidade, hospitalidade, convivência. Estão, portanto, mais preparados para viver com alegria a sociedade do tempo livre que nos aguarda. Os três pilares do tempo livre serão a sensualidade, a criatividade e a estética. Os luxos cada vez mais raros e preciosos consistirão no silêncio, no espaço, na privacidade, na segurança, na alegria, na

beleza: todos pressupostos imprescindíveis para satisfazer as necessidades de introspecção, amizade, amor, lazer e convivência: isto é, as necessidades emergentes. Em um conto belíssimo, intitulado "A Rosa de Paracelso", Borges sustenta que o paraíso existe: é a vida aqui na Terra. Borges acrescentou que existe também o inferno: e consiste em não percebermos que vivemos em um paraíso. Tudo está em compreender a condição feliz à qual fomos destinados, nascendo e tomando consciência de que a felicidade consiste em procurá-la.

Domenico de Masi, sociólogo italiano e autor do livro Desenvolvimento sem Trabalho (Ed. Esfera), entre outros, assina esta coluna toda segunda semana do mês. Folha de São Paulo, São Paulo, 11 de maio de 2000. Folhaequilíbrio.

Texto argumentativo: escrita e cidadania

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( . ..) P e s q u is a r e a liz a d a e m 3 0 p a ís e s r e v O p r o b l e m a d o m u n d ot e nr ã m o a é i s e dc i on - h e i r o e m a i s t e m p o l i v r e , a s n ô m i c o , é d e e s t i l o d e v i d a r. e P m r e ac i s ea nm d oa s. Oe n B - r a s i l , c o m r 5 9 % o p ta n d c o n tr a r u m j e i t o d e c o n v e n c ec ru p s po o 8 v ºo ls u g o rs n a l i s t a . O o a d a o p r im e ir o p o p a í s e s d e s e n v o l v i d o s a r e l a( 7x 1a % , a , cs u rg t u r i d a v d - a F r a n ç a ( 6 3 % ) . O s n o r ) i a i e d a . P o d e r í a m o s , p o r e x e m p h l eo ,r d m e ai r no ds a e r s f pa i zr ie t ur a i s d o " t e m p o é d i n h e u n s a d e s iv o s p a r a o s c a p r or o s si ç ã d o e . l N so o c u o t m o e x t r e m o , o d o s q u e e s e r f r a s e s c o m o " T a k e i t e a s y "l i, v "r C , u e t sa t ã a o v ai d a n " d i a e a s F i l i p i n a s ( 6 6 % r e Í , " C a r p e d i e m " , e n f i m , " R e l aV x i e" . t n P ã o (v 5 o 9 s % c ) o. m o o s a m e r ic a n o s e o s j a p o n e N s ãe os p p a r re e c c i se a hm a v e r m u i t a r e l a ç ã o e n t a p r e n d e r a t r a b a l h a r m e n o d s e ,v iad ac up i rd o a p r o mr c ai o i sn a d a p e l o p a í s e a p r e d e s u a s f a m í l i a s e a t i r a r m ap ios p f u rl ai a ç sã , o d . eO p C r ea - n a d á , p r i m e i r o c o l o c a d é fe r ê n c ia e m p r a ia s b r a s i l e d i e a s . e Ts ee mn v og l ev in m t e e n t o H u m a n o ) , é o 5 º r D q u e a c h a o m á x i m o t u d o o qq uu ee v ep m a md o ps e E l as - r e n d a . A q u i p a r e c e m o t t a d o s U n i d o s , e s p e c i a l m e n çt eõ en sa f ái l ro e s a ó fd i ca a a s d e - c u l t u r a i s . A Í n d i a , c a m m i n i s t r a ç ã o e d e n e g ó c i o s . v E r eu , a é c ho o 1 o3 8m º á I x i H , m a s o h i n d u í s m o , r D m o q u e o b r a s i l e i r o p o n h a n a a fn a t m , í l vi aa l eo m i z a r m- a i s o t e m p o d o q u e p i e r m e i r o l u g a r . Q u e o B r a s i l t m r e e nf é o r i qa us e e, m m d g r- a u s v a r i a d o s , o c o r r e e i e e z e m b r o e s ó r e t o m e o r i t m ro e d e ã p o o oi s n dd e a C oa p r -ç ã o p e l o l a z e r é m a i s f o o g i n a v a l . Q u e o p a í s i n t e i r o p a r e ( . d. . )u r a n t e a C o p a d o m u n d o . Q u e to d a c r i a A n pç ra ó pb r r i aa s b i l ue si r ca a ed ce n mo l eó l gh i oc ra i a s t i n h a c o s t s a i b a d a n ç a r e b a t u c a r . E s mt a o m f io m s pm r ei l c v í e z eo s p o u p a r o h o m e m d o t r a p u m a i s b e m p r e p a r a d o s p a r a o a c o rr ra e d o n ro o m ô e d o o d o c a m i n h o e o t r a b a l h e b u i q u e o s a n g l o - s a x õ e s e o s o ri si e , ni n t a ai s d . e a s o u t r a s e s f e r a s d a v i d a d a s v d a m e n t e , a h u m a n id a d e p a s s o u p o r u m ( S t e p h e n V K e a j a n i t z p, r o f u n ) d a n e s t e s ú l t i m o s s é c u l o s .

* O e d it o r ia l a lu d e à p e s q u is a d o in s t itu to n o r S t a r c h W o r l d - W i l d , c o o r d e n a d a p F o o r l Th oa m, M i l l e r e e m 0 7 /0 6 /0 0 . F o l h a d e S ã o P a u( l o

" ( ...) C o m o é q u e u m s é c u lo c h e g a à m e t a d e c e le b r a n d d ic a t o s n o m u n d o in te ir o p a r a r e d u z ir jo r n a d a s fa tig a n te s e te t r a b a lh a n d o c a d a v e z m a is ? O m o t o r é o d e As ee m p pl i rc ea g ão o - d o s e s p e c i a l i s t a s , v e j a m s x ç c r e s c e n te d o e m p r e g o c o n fo r tá v e l d o p a s s a d o , a q u e le q u e p o u c o d o f u n c io n á r io . N u m a s im p lif ic a ç ã o d e u m p r o c e s s o in ú l t i m a d é c a d a , p r i n c i p a l m e n m t e p , r pe ôs sa s ol on t ta r ad aa s p da er e m d ãe o e - d e - o b r a c a o p a d r ã o o it o - à s - c in c o . L a n ç a d a s n u m a c o m p e tiç ã o fe r o z , t a d o a o m e n o r c u s t o p o s s í v e l. I n s t a u r a r a m - s e o d o w n s iz in p r o c e s s o s q u e le v a m à r e d u ç ã o d e p e s s o a l. Q u e m f ic o u te p a s s o u a t r a b a lh a r m u it o m a is , n ã o s ó p a r a d a r c o n t a d o ta m b é m , a v a g a . Q u e m s a iu p r o c u r o u a lte r n a tiv a s m e n o s o c o r r e B u r na os i l n a b u s c a d e b r e c h a s n o m e r c a d o i n f o r m a l . ( . . . ) O u tr o s e to r q u e m a n té m lo n g a s jo r n a d a s , s e m q u e is s o in fo r m a l. 'O t a x is t a , o e n c a n a d o r, a q u e le s u je it o q u e t r a b a lh a t a r d e d ic a n d o o d o b r o d e t e m p o a o b a t e n t e ', a n a lis a J o s é P a p r o f e s s o r d a U S P . ‘E le s p r e c is a m f ic a r m u it o m a is h o r a s d is p o m a n t e r o n í v e l d e r e n d a d e a n t i g a m e n t e . S a e , e lo e u s v pe os ds e r gi a e mn t e h t e r u m h o r á r io f ix o , t e r a m e s m a r e n d a e s ó t r a b a lh a r ia m m a is N e s s a n o v a c u lt u r a d e tr a b a lh a r m u ito , g a n h a r m u ito e s c o n s u m o é o u tr o fa to r p r e p o n d e ra n te . A s p e s s o a s e s tã o t ra b c o m p r a r m a is . E m 1 9 9 1 , a e c o n o m is ta J u lie t S c h o r, d e H a r v a u m a e s p é c ie d e b íb lia d o a s s u n to . ( . . . ) N e le , S c h o r c u lp a a t e le v is ã o , p r in c ip a lm e n t e , p o r im s d e s ta tu s q u e in flu e n c ia m o a m e r ic a n o a s e r u m p o v o q u e g o d e f in iç ã o q u e c a b e , s e m tir a r n e m p ô r, n a s fr o n t e ir a s d o c o m p r a s . ( ...) ”
(R e v i s t a V e ja , 0 5 /0 4 /2 0 0

P r o p o s t a
O jornal Folha de São Paulo, em sua edição de 22/04/01, publicou um suplemento especial intitulado 10 mandamentos para a carreira, contendo dez artigos escritos por especialistas os quais abordam temas como as necessidades do mercado de trabalho atual, a formação dos novos profissionais, os pré-requisitos para se obter sucesso e realização na carreira.

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Abaixo, você encontrará trechos/textos desse suplemento. Depois de lê-los, selecione as idéias que julgar adequadas e acrescente outras, se for necessário, e produza um texto dissertativoargumentativo em que seja abordado o tema “O perfil do profissional no novo milênio: atualidade e perspectivas futuras”.

Texto argumentativo: escrita e cidadania

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Trabalhador-empresa-comunidade

D

esesperados atrás de mão-de-obra qualificada, executivos dos setores de tecnologia da informação e telecomunicações, no Brasil, vêem-se forçados a oferecer salários altos e benefícios indiretos, mas, mesmo assim, encontram dificuldades de preencher as vagas. Nos setores de alta tecnologia, há uma discrepância entre a formação educacional dos trabalhadores e as vagas oferecidas, reflexo de um ciclo econômico ancorado no que se convencionou chamar de “era da informação”. Em poucas palavras, nunca se produziram tantos dados em tão pouco tempo e, mais importante ainda, nunca foram transmitidos com tanta rapidez: o novo ritmo vai definindo quem vive, sobrevive ou simplesmente morre nos negócios. Cada vez mais, o tempo é menor e, cada vez mais, ele vale mais dinheiro. Diante de tanta competitividade, seria normal supor que o trabalho só iria piorar as condições de vida dos trabalhadores,

submetidos a uma insuportável pressão. Errado – e esse erro é um dos fatos notáveis do capitalismo contemporâneo. Por puro pragmatismo, as empresas são obrigadas a ser mais generosas para atrair e manter seu mais importante patrimônio: o capital humano. Passa a ser decisiva a valorização da transmissão do conhecimento, numa aposta nos intelectos. A disseminação das universidades corporativas, dragando milhões de reais para treinamento de pessoal, mostra que, na prática, o ambiente de trabalho se confunde com o ambiente escolar. Aprende-se fazendo, fazse aprendendo. Ao se abrirem para uma visão mais complexa de quem trabalha (ser que pensa, tem idéia, interage), as empresas são obrigadas a absorver também a complexidade dos seres humanos, aceitandoos como pais, maridos, filhos. Cresce o número de empresas que oferecem períodos sabáticos, teletrabalho, horário flexível, programas psicológicos,

estímulo a atividades físicas: busca-se fazer do lugar de trabalho quase uma extensão do lar. Tratar bem a mão-de-obra virou também questão de marketing, mais especificamente de marketing social. O Brasil assiste agora à onda da responsabilidade social nas empresas, cobradas sobre como cuidam de seus empregados e como tentam melhorar sua comunidade, com ações de cultura, educação, saúde ou ambiente. A confluência de todas essas tendências – valorizar a mão-de-obra e mostrar um rosto solidário para a comunidade – é o estímulo, bancado pelas empresas, para que os funcionários exerçam atividades voluntárias. Quem preferir ficar fora dessa nova relação trabalhador - empresa - comunidade está tão habilitado a sobreviver como aqueles que, avessos à modernidade, não queriam trocar as máquinas de escrever pelo computador.

Gilberto Dimentein – Colunista, membro do Conselho Editorial

da Folha e presidente da ONG Cidade Escola Aprendiz

É preciso assumir duas novas responsabilidades
(...) O foco é a informação. Pelo fato de que a maior transformação é a transformação na informação. A mudança não está nos instrumentos: a mudança é o fato de a informação estar acessível a todos. E todos esperam por isso. Nossa atitude perante a informação mudou mais do que a tecnologia em si, talvez pelo aparecimento dos “knowledge workers” como força de trabalho crítica. Se nós aprendemos algo na escola, é como obter informação. E aprendemos a depender da informação. É irrelevante se o instrumento para obtê-la é um livro ou um site. Esses são meios para obter informação, não fins. Não fico impressionado com as informações que meus amigos executivos obtêm. Pelo contrário, fico deprimido. Quanto mais computadores têm, quanto mais dados obtêm, menos informação de fato possuem, porque, sem meias palavras, estão mal direcionados. Estão desorientados com os dados que seus computadores produzem, não com a informação de que necessitam. O computador é como a lista telefônica: é preciso saber o que se procura. (...) Portanto, é importante fazer a si mesmo a seguinte pergunta: “De quais informações eu preciso para realizar o meu trabalho?” (...) Em uma sociedade e uma economia em que o conhecimento é o recurso fundamental e mais caro, a educação contínua é do que nós mais precisamos. Em um mundo de habilidades como foi o nosso durante milhares de anos, as competências mudavam muito lentamente. Sempre digo que meu nome, que é holandês, significa “impressor”. Meus ancestrais foram tipógrafos em Amsterdã durante 250 anos, do início do século 16 a meados do século 18. Durante todo esse tempo, não tiveram de aprender nada. Todas as habilidades tipográficas necessárias já haviam sido desenvolvidas em 1510, nos primeiros 50 anos após o primeiro livro impresso. Novas habilidades só foram surgir no século 21. No que diz respeito ao conhecimento, nem preciso dizer. As coisas mudam a cada seis semanas, a cada três meses, a cada ano. A educação contínua será o setor de crescimento mais importante que teremos nos próximos, digamos, 30 anos. Isso está realmente começando. Não espere que as universidades organizem isso. Você tem de aprender a olhar para si e para seu trabalho e perguntar: “Será que preciso voltar a aprender para usufruir os benefícios de meus pontos fortes e minhas competências?” e “O que eu preciso aprender agora que essas coisas mudaram?” De que modo a educação contínua e boa parte dela são algo que temos de incorporar em nossa vida e em nosso trabalho?

Texto argumentativo: escrita e cidadania

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Uma última coisa a ressaltar é que você tem de assumir duas novas responsabilidades. Uma é a responsabilidade pela informação. Tanto para si como para a empresa. E a outra é a responsabilidade pelo seu próprio aprendizado contínuo. Não espere que alguém lhe diga do que precisa. É sua obrigação.

Peter Drucker – Consultor e professor americano, considerado o “pai da administração moderna”. Especial para a Folha (trecho de videoconferência realizada em agosto/2000, cedido pela HSM, promotora de evento www.hsm.com.br).

Mudanças e escolhas
(...) A liderança centrada em princípios é a chave para desencadear o potencial humano individual. Cada pessoa da força de trabalho precisa empreender uma viagem para se tornar líder por opção – uma pessoa que assume a responsabilidade por sua vida, suas escolhas e seu desempenho. Quando você consegue fazê-lo, desenvolve a integridade e o caráter necessários para se adaptar e reagir às transformações, para pensar de maneira criativa e encontrar as melhores soluções, para se comunicar com eficácia, para ser alguém que pode ser ensinado, para construir confiança e ser confiável. Olhando essas qualidades, não parece que elas descrevem o funcionário ideal? Uma forma de analisar as habilidades e as competências necessárias para a força de trabalho de hoje é usar a lista dos sete hábitos delineados em meu livro, “The Seven Habits of Highly Effective People” (“Os Sete Hábitos das Pessoas Muitos Eficazes”). São eles: 1. liderança própria (ser consciente de que você é responsável sobre você mesmo); 2. possuir senso claro de objetivo, significado e rumo; 3. adaptabilidade (trabalhar com outras pessoas para buscar situações em que sempre haverá ganho comum); 4. comunicação eficaz; 5. sinergia (possuir as habilidades necessárias para trabalhar em equipe); 6. respeito próprio; 7. “afiar o serrote”, que é a soma dos outros seis itens (é preciso que o funcionário aperfeiçoe todos os hábitos, conservando-se aberto a novas oportunidades e à possibilidade de ser ensinado). (...) Qualquer pessoa que participa da força de trabalho hoje deve optar por ser líder; logo, saiba escolher o caminho que quer seguir.
Stephen Covey – Autor de Os Sete Hábitos das Pessoas Muito Eficazes, um dos maiores bestsellers da área de carreiras nos EUA Especial para a Folha. Tradução de Clara Allain

R e f e r ê n c i a s

b i b l i o

g r á

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