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Turi Collura - Curso Improvisação e Composição melódica

A abordagem horizontal à improvisação

melódica A abordagem horizontal à improvisação Na prática da improvisação horizontal, é importante

Na prática da improvisação horizontal, é importante conhecermos a relação escala/acorde, isto é, aprendermos a relacionar um determinado acorde a uma determinada escala. Às vezes (na verdade, na maioria das vezes), temos à nossa disposição mais de uma opção de escala para um determinado acorde. É importante dizer que existem várias maneiras de estudarmos e aplicarmos a improvisação horizontal. Hoje estuda- remos apenas uma, bem importante. Uma breve análise dos acordes que compõem uma música nos permite isolar áreas em que podemos utilizar uma só escala. Estudaremos, então, abordagem horizontal à improvisação nesse contexto. Fixando os conceitos:

A análise harmônica permite identificar áreas em que, de fato, se recorre às notas de uma só escala. A abordagem vertical à improvisação se baseia no acorde, enquanto a abordagem horizontal se baseia em um pensamento linear, visando agrupar os acordes em áreas em que se pode usar uma só escala.

Este é o caso, por exemplo, da sequência II-V-I. Veja a figura abaixo. As três escalas da seqüência desse exemplo estão baseadas nas sete notas da escala de C Maior: D Dórico e G Mixolídio são escalas derivadas da escala Maior de C. Então, ao longo dos três compassos, pode-se pensar em uma só escala: Dó maior.

compassos, pode-se pensar em uma só escala: Dó maior. Para entendermos melhor esse conceito, iremos estudar

Para entendermos melhor esse conceito, iremos estudar o CAMPO HARMÔNICO DIATÔNICO MAIOR. Com o nome de campo harmônico diatônico, indica-se o conjunto de acordes gerados a partir das notas de uma de- terminada escala. A escala Maior gera sete acordes, cada um construído sobre cada nota da escala. O conjunto desses acordes compõe o campo harmônico diatônico maior (exemplo abaixo em C Maior):

Campo harmônico diatônico maior (ou harmonização da escala maior por tétrades):

em C Maior): Campo harmônico diatônico maior (ou harmonização da escala maior por tétrades): www.turicollura.com

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Na música popular, há uma sequência característica, chamada II-V-I. Ela é composta pelos graus II, V e I de uma tona- lidade. Observamos que o acorde II é um acorde Xm7 (isto é, um acorde menor com a sétima menor); que o acorde V

é um acorde X7 (isto é, um acorde de dominante); e que o acorde sobre o I é um acorde X7M (isto é, um acorde maior

com sétima maior). O que acabo de descrever é característico da cadência II-V-I em maior (estudaremos mais à frente

o que é uma cadência; por enquanto só precisamos aprender que a sequência de acorde II-V-I pode ser chamada de cadência II-V-I). Analisemos a música abaixo:

AFINANDO

Turi Collura

II-V-I). Analisemos a música abaixo: AFINANDO Turi Collura A música está escrita em quatro sistemas, ou

A música está escrita em quatro sistemas, ou linhas.

* Na primeira linha observamos a cadência II-V-I na tonalidade de Ré maior. Isso significa que, ao longo desses quatro compassos, podemos utilizar a escala de Ré Maior.

* Na segunda linha observamos a cadência II-V-I na tonalidade de Dó maior. Isso significa que, ao longo desses quatro compassos, podemos utilizar a escala de Dó Maior.

* Na terceira linha observamos a cadência II-V-I na tonalidade de Sib maior. Ainda, observamos que o acorde Eb7M

é o IV dessa tonalidade). Isso significa que, ao longo dos quatro compassos dessa terceira linha, podemos utilizar a escala de Sib Maior.

* Na quarta linha observamos a cadência II-V-I na tonalidade de Ré maior. Isso significa que, ao longo desses quatro compassos, podemos utilizar, novamente, a escala de Ré Maior.

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Algumas considerações sobre o que acabamos de estudar:

- Essa primeira forma de abordagem horizontal que estamos estudando, necessita do conhecimento das escalas mai- ores. VANTAGEM dessa abordagem vertical: seu pensamento é "linear", isto é, procede através dos graus da escala, com isso oferecendo a possibilidade de criar frases que contenham movimentos por graus conjuntos, enquanto a abordagem vertical nos força a proceder por saltos de terça (arpejos).

- VANTAGEM da abordagem vertical: não precisa do conhecimento de escalas. As notas tocadas são seguras. A partir delas, podemos criar cromatismos e notas de aproximação, que ampliam muito a possibilidade de criar frases.

Como podemos ver as coisas:

Podemos imaginar a escala como se fosse o "reservatório" de notas à nossa disposição, para que conectemos, entre si, as notas dos acordes de forma coerente e artísticamente interessante. A união das duas práticas (uso da escala + uso das notas dos acordes) oferece um grau maior de desenvolvimento melódico, abre nossas possibilidades criativas!