Você está na página 1de 186
_ JOSE GARLOS SUSSEKIND f curso de analise estrutural “Bakes ENTORAG ORD. No final do capitulo, apresentamos ax idéias bésicas para a geragdo © 0 estudo das treligas isdstiticas no espaco, mostrande como obedecém is sesmas ‘idéias bisicas validas para treligas planas © quinto capitulo estuda os quadros isostéticos espaciais, recebendo énfase maior 0 ca80 das grelhas. Este estudo nfo aparece, normalmente, nas obras clissicas sobre Estitica, 0 que, a nosso ver, tem contribuido para criar ‘quase que um tabu a respeito destas estruturas, que jityamos poder evitar comegando a estudilas paralelamente a0 estudo das estruturas planas, Este procedimento vem sendo adotado, com grande éxito, nat cadeiras de Ansilise Estrutural na Pontificia Universidade Catdlica do Rio de Janeiro, 0 que nos levou & colocagdo do assunto no primeiso volume deste Curso. Finalmente, 0 sexto capitulo estuda os efeitos estiticos das cargas -moveis atuantes nas estruturas isostaticas, através do processo das linhas de influéncia. O processo é aplicado para todos 0s tipos de estruturas isostticas, obtendo-se a envoliorize recessérias 20 projeto das pontes, viadutos, vigas de rolamento ete. ‘Ao fim de cada capitulo apresentamos uma lista de problemas pro- postos, cuja resolugdo ¢ indispensivel a sedimentaso da feoria ¢ exemplos aptesentados durante # exposicfo de cada astunto € que representam a parcela de trabalho individual que cada leitor precisa realizar para atingir ‘um bom dominio da Isostatica~ base s6lida e indispensével para 0 prossegui- mento no estudo da Anilise Estrutural, Ne oportunidad, queremos deixar registrados nossos agradecimentos 20 amigo José de Moura Villas Boas, pelo trabalho de revisio deste volume, e 20s demais amigos que, com suas sugest&es, estimulo ¢ ajuda no tragado das figu- 12s, colaboraram para elaboragI0 deste trabalho. Rio de Janeiro, 3 de Junho de 1974 CAPITULO I CONCEITOS FUNDAMENTAIS 1 — DOMINIO DE ESTUDO DA ANALISE ESTRUTURAL A Anilise Estrutural € parte da Meciinica que estuda as estruturas, consis tindo este estudo na determinacso dos esforgos e das deformagdes a que clas ficam submetidas quando solicitadas por agentes externos (cargas, variagdes téemices, movitnento de seus apoios, etc.) As estruturas se compSem de uma ou mais pecat, ligadas entre sie 20 meio exterior de modo a formar um conjunto estével, isto 6, um conjunto capar, de recebersolicitagdes externas, absorvé-las intemnaente e transmitilas até seus apoios, onde estas solicitagGes externas encontrardo seu sistema estitico equilibrante, ‘AS pegas que compéem as estruturas posiuem, evidentemente,tré, dimen sbes. Trés casos podem ocoreer: 2) duat dimens6cs s60 pequenas em relapto 8 terceira; +b) uma dimensfo & pequena em relagfo a outras duas; ©) as trés dimensbes sfo consideriveis. No 19 caso, que corresponde ao da maioria das estruturas da pritica, « imensfo maior & 0 comprimento da pega, estando as duas outras dimensGes situadas no plano a ele perpendicular (plano da seco transversal da peca) Neste caso, o estudo estitico da pega, que sexé denominada barra, pode set feito considerando-a unidimensional, isto é, considerando-a representada pelo seu eixo (lugar geométrico dos centros de gravidade de suas segdes trans versais). Uma barra serd dita reta ou curva, conforme set eixo seja reto ou curvo. Conforme os eixos das diversas barras que compdem a estrutura este- Jam ow ndo contidos no mesmo plano, a estrutura sera chamada estrutura plana ou espacial. © 29 © 0 30 casos sto aqueles, respectivamente, das placas; das cascas (Cuja espessura é pequens em presenga da superficie da pega, superficie esta 2 Curso de antlise estrutural plana para as placas e curva para as cascas) e dos blocos (caso das barragens) € nfo serfo abordados neste Cusov de Andlise Estrutural;sfo estudados, 4 par- tir da teoria da Elasticidade, em Cadeiras proprias (em nivel de especializacto ‘ou posgraduacio, dependendo da Universidade), Noss Curso de Andlise Estrutural serd, ento, um curso da Andlise Estru- tural das barras. A teoria que aqui desenvolvetemos tem precis4o excelen- te para barras cuja relagéo do comprimento para a altura seja superior 10 : 1, apresentando preciso ainda boa para relages até 5 : 1. Estas elagdes ‘englobam a esmagadora maioria das barras da pritica. (Nos casos em que esta, relaglo te torne inferior, a peca nfo mais poderd ser clasificada como barra, devendo ser estudada como placa, casca ou bloco, conforme 0 caso.) 2.— AS GRANDEZAS FUNDAMENTAIS: FORA E MOMENTO" 1 — Forga ‘A nogio de forga é das mais intuitivas possfveis: podemos exeroer uma forga sobre um corpo por meio de um esforgo muscular; uma locomativa exetce forga sobre os vagses que ela reboca; uma mola esticada exerce foreas sobre as pegas que fixam suas extremidades; etc. Em todos estes casos, 0 corpo que exerce a forga esti em contato com aquele sobre o qual ela é exer- cida — tratam-se, pois, de forgas de contato. Hé, também, forgas que atuam através do espago, sem contato, chamadas, por esta razio, forges de apo a distancia — s4o as forges devidas 3 existéncis de campos agindo sobre 0 corpo. E 0 caso das forcas elétricas, magnéticas, das forgas de gravitagto e, ‘io caso da Terra, das forgas devidas & gravidade (que sfo os pesos dos corpos). Estas Sltimas seco os mais importantes da Andlise Extrutural, conforme Yeremos em seu desenvolvimento, & comum chamar-se as forgas que atuam ‘numa estrutura de cargas, denomina¢o esta que manteremos em nosso Curso. ‘As forgas sfo grandezas vetoriais, caracterizadas por diego, sentido ¢ intensidade, Sua unidade, no sistema MT*S, que ¢ 0 adotado em Engenharia Estrtural,é 2 tonelads fore, eno simbolo 1%, ou, mais simplifcadamente, w ‘Nido & nosso objetivo, neste t6pizo, escever um trstado Sobre Eststica Abstrata, 1M estudada nat Cadeiras de Mecdnica Raclonal que antecedem as de Andlse Estrtural Faremos, apenas, uma reapresentacio, 3 nossa manelra, dos conceltas bisicos, a respeito dos quais, muita vezes, 0 aluno que s2 inicia no estudo da Andlis Estrotoral apresenta ‘vidas, conforme tem demonstrado nossa experiéncia, bem como a de diversos colegas de magistério. ?Nio confunai este ultima com a unidade de massa do sistema MTS. ‘ Conceitos fundamentais 3 'No caso mais geral, que & 0 das forgas situadas no espago, elas eam de- finidas por um ponto de passagem ¢ por suas componentes X, Ye Z segundo (05 cixos trlortogonais &, ¥. 2, & partir das quais podemos oxpressi-as pela igualdade 1.1: Fe ate rpezé ay Nio nos deteremos no estudo das propriedades das fospas, para ss quais valem as propriedades dos vetores, jé estudadas em Caleulo Vetorial 2.2 — Momento Seja a barra da Fig. I-1, suportada em C por um cutelo sem atrito e tendo tum peso de 10 kg suspenso em B, que se deseja contrabalangar por um peso suspenso em A, E ficil ver que 0 peso 2 ser colocado em A, a fias de contrabalangar 0 feito da rotagéo_ da barra em tomo do cutelo C, deve ser inferior 4 10 kg. por estar mait afastado de C do que este dtimo; por tentativas, veriamos que seu valor deve ser de 5 kg. Este exemplo simples foi excothide para i'ustrar 0 fato de que 0 efeito de rotagdo de uma forga em torno de um ponto depende do valor da forga ¢ também de sua distancia ao ponto, sendo diretamente pro- porcional a ambos. Se desejarmos, entio, criar uma srandeza fisica, através da ual queiramas representar a tendéncia de rotago em tormo de um ponto, provocada por uma forga, esta grandeza devers ser fungo da fosga e de sua distincia 20 ponto, Esta grandeza é 0 momento, que serd definido da maneira a seguir. ‘Chama-se momento de uma forca F em relaggo a um ponto O ao produto vetorial do vetgr OM (sendoM um ponto qualquer situado sobre a linia de ago da forga F) pela forca F, conforme indica a Fig. 1-2. Temos: ii = OMAF (2)