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ASSESSOTEC

ASSESSORIA TÉCNICA EM ACIONAMENTOS


https://sites.google.com/view/calcular-potencia-do-motor/pagina-inicial
José Luiz Fevereiro Cel.55 11 9.9606.7789
e-mail:fevereirojl@gmail.com

COMO CALCULAR A POTÊNCIA DO MOTOR E SELECIONAR O


REDUTOR NO ACIONAMENTO DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS

𝑇 ∗ 𝑟𝑝𝑚
𝑇 = 4000𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,44𝑚 = 1760𝑘𝑔𝑓𝑚 𝑃= = 𝐶𝑉
716,2

A teoria aplicada à prática no cálculo do torque necessário, da potência do motor e na seleção


do redutor para o acionamento de diversos tipos de equipamentos
Edição dezembro 2020

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ORIGEM DESTA APOSTILA

A Redutores Transmotécnica Ltda. foi um dos maiores fabricantes de redutores industriais no Brasil.
Trabalhei nessa empresa desde 1974 até 2004 na área de vendas. O cargo exigia, muitas vezes,
bastante conhecimento de cálculos da potência requerida do motor para o acionamento de máquinas e
equipamentos e, em função desses cálculos, eram selecionados os redutores. Os redutores da
Transmotécnica funcionavam bem, mesmo solicitados acima da capacidade nominal, um sinal de que
estavam com folga na capacidade de transmitir a potência ou, o motor estava sobre dimensionado para
o acionamento o que é muito comum ainda hoje. Citando exemplos: Em uma empresa, fabricante de
pequenos transportadores, o cliente estava acostumado a colocar um motor de 2,0CV no acionamento
de um dos transportadores. Como o redutor para essa potência era caro para o cliente, fiz alguns
cálculos da potência necessária para o acionamento e cheguei a pouco mais de 0,5CV. Colocamos
motor de 0,75CV e redutor coerente com essa potência e nos testes funcionou com folga. Em uma
outra empresa, fabricante de equipamentos para fábrica de massas, que comprava do concorrente um
redutor para 40CV, redução 1:40, para misturador de massas, fornecemos um com a mesma redução,
mas com capacidade nominal 25CV, sabendo por cálculos aproximados que o motor anterior estava
superdimensionado. Nos testes, o redutor funcionou bem e, após 5 anos, foi enviado por uma fábrica
de bolachas de Guarulhos à nossa fábrica para conserto. Aberto o redutor constatamos surpresos que
estava com muitos quilos de farinha misturada ao óleo de lubrificação, que deve ter entrado aos
poucos pelo respiro durante os anos de funcionamento.
Durante esse tempo todo, calculando a potência necessária para o acionamento de diversos tipos de
equipamentos, adquiri muito conhecimento nessa área e resolvi produzir esse trabalho para consulta
de projetistas e vendedores técnicos de motores, redutores, acoplamentos e outros.

1
PARTE I – EQUIPAMENTOS MECÂNICOS Pag PARTE II – AGITADORES E MISTURADORES Pag
Alavancas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Teoria básica da mecânica dos fluídos . . . . . . 105
Coeficiente de atrito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03
- coeficiente de viscosidade dos fluídos . . . . . 105
- atrito de deslizamento .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03
- ângulo de atrito. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 04 - resistência viscosa – Lei de Stokes. . . . . . . . . 105
- atrito de rolamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 04 - resistência dinâmica – Lei de Newton. . . . . . 108
- braço de alavanca resistente ao rolamento 05
- viscosidade cinemática. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108
Conversão de unidades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Energia cinética. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 - movimento laminar e turbulento. . . . . . . . . . 109
Energia cinética rotacional .. . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 - número de Reynolds. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109
Equivalência Newton/kgf. . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . 03
Forças – Noções. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 Agitadores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110
- força de atrito.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03
- força de aceleração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07 - cálculo da potência de acionamento. . . . . . . 110
- forças atuantes no plano inclinado. . . . . . . . . . 07 - dimensões do tanque padronizado. . . . . . . . 110
Momento de torção – Torque - Noções. . . . . . . 07
- dimensões diferentes do tanque padrão. . . 111
- momento de aceleração e frenagem . . . . . . . . 09
- momento de inércia de massa . . . . . . . . . . . . . . 10 - agitadores tipo pás – tabelas e gráfico do
Potência – Noções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 número de potência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113
Polias e roldanas – multiplicação de força . . . 18 - agitadores tipo turbina - tabelas e gráfico
Veloc. angular e periférica. Radianos/s- rpm 18 do número de potência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123
Elementos de transmissão - agitadores tipo âncora - tabelas. . . . . . . . . . . 131
Acoplamentos elásticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
- agitadores tipo hélice naval. . . . . . . . . . . . . . . 136
Corrente de rolos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Polias e correias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 - disco de Cowles – disco dispersor . . . . . . . . 137
Redutores e engrenagens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
Teste da potência motora instalada . . . . . . . . . . 43 Misturadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138

Equipamentos – Métodos de cálculo -Y, V e duplo cone. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138


Calandra (de chapas). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 - Duplo eixo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139
Carro de transporte de carga . . . . . . . . . . . . . . . . 56
- Ribbon Blender . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 140
Correia transportadora sobre roletes . . . . . . . . 43
Correia transportadora sobre chapa metálica 46 - Seleção de motores e redutores. . . . . . . . . . . 140
Elevador de canecas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
Elevador de carga e guincho de obra . . . . . . . . . 72
Foulard – Cilindro sobre pressão . . . . . . . . . . . . 78
Fuso com rosca trapezoidal . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
Girador de tubos - dispositivo de soldagem . . 89
Guincho de arraste . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
Guincho giratório. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
Laminador (de chapas). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
Mesa pantográfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
Plataforma giratória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
Ponte rolante. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
Rosca transportadora – Transp. helicoidal . . . 52
Tombador e virador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
Transportador de corrente . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50

2
NOÇÕES DE FORÇA
Chama-se força a tudo que é capaz de modificar o movimento ou repouso de um corpo.
Qualquer corpo tem massa, popularmente denominada peso, mas nos conceitos da física, peso de um
corpo é a força com que a Terra o atrai.
A intensidade da força pode ser medida, no sistema técnico, em kgf (kilograma força) ou, no sistema
internacional de medidas, em N (Newton).
l N é a força necessária para deslocar no espaço um corpo de massa 1 kg acelerando-o a razão de
1m/s². Na superfície de nosso planeta, sobre a ação da força gravitacional de 9,8 m/s², é preciso uma
força acima de 9,8 N para elevar um corpo de massa 1 kg.
1 kgf é a força mínima necessária para elevar um corpo de massa 1 kg vencendo a mesma força
gravitacional da Terra.
Concluindo, 1 kgf equivale a 9,8N. Na prática costuma-se arredondar para 10 N
Exemplo: Para elevar um corpo de massa 5 kg, é necessário aplicar uma força com intensidade
superior a 5 kgf ou 49 N, contrária a força da gravidade.

Força necessária p/ elevar o corpo = 5kgf ou 49N

m
5kg

Força gravitacional da Terra (força peso) = 5 kgf ou 49 N

Mas para deslocar um corpo na horizontal, que esteja apoiado sobre uma superfície horizontal, não é
necessário aplicar uma força igual a massa do corpo. A força necessária para arrastar um armário é
muito menor que a força para levantar o mesmo.
Para deslocar um corpo apoiado sobre um plano horizontal é necessário vencer a FORÇA DE ATRITO
gerada pelo atrito entre as superfícies de contato. Esta força tem sentido de direção contrário à força
que se faz para se deslocar o corpo e será sempre de menor valor do que seu peso.

Força necessária
para
Força de
atrito deslocar o objeto

Força peso ou força gravitacional da Terra

A força de atrito é o resultado da multiplicação da força peso pelo COEFICIENTE DE ATRITO.


Conhecendo a força peso exercida pelo corpo e o coeficiente de atrito é possível calcular a força
necessária ou requerida para deslocar um corpo na horizontal.

1- COEFICIENTE DE ATRITO DE ESCORREGAMENTO OU DESLIZAMENTO. Citando como exemplo, é o


atrito gerado entre os pés de uma mesa e o assoalho quando você arrasta esse móvel ou outro
qualquer.
Exemplo: Força necessária para deslocar um armário com pés de madeira com massa m= 200 kg
sobre um assoalho de madeira sabendo-se que o coeficiente de atrito de deslizamento entre madeira e
madeira é 0,4.
Sistema técnico: 𝐹𝑛 = 200𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,4 = 80𝑘𝑔𝑓
Sistema internacional: 𝐹𝑛 = 200𝑘𝑔 ∗ 9,8𝑚⁄𝑠 2 ∗ 0,4 = 200𝑁 ∗ 0,4 = 784𝑁
O coeficiente de atrito depende do material e do acabamento das partes em contato, mas não depende
da área de contato. Os valores, resultados dos testes em experiências práticas, são encontrados em
qualquer manual técnico.

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COEFICIENTES DE ATRITO DE DESLIZAMENTO
Atrito em repouso Atrito em movimento
Materiais em contato A seco Lubrifi Com A seco Lubrifi Com
cado água cado água
Aço / aço 0,15 0,10 - 0,12 0,08 -
Aço/bronze 0,19 0,10 - 0,18 0,06 -
Aço/ferro cinzento 0,28 0,15 - 0,20 0,08 -
Aço/gelo 0,014
Bronze/bronze - - - 0,20 - 0,15
Cortiça/metal 0,60 0,25 0,62 0,25 0,12 0,25
Couro/metal - - - 0,35 0,30 -
Ferro cinz./bronze 0,30 0,15 - 0,28 0,08 0,10
Ferro cinz./ferro cinz. 0,28 - - 0,20 0,08 -
Poliamida/aço 0,35 0,11 0,30 - - -
Poliuretano/aço 0,36

ÂNGULO DE ATRITO
Como conhecer na prática o coeficiente de atrito estático entre dois materiais:
Utilizar uma placa plana feita com um dos materiais a serem testados. Para a outra peça, um bloco de
formato cúbico com um dos lados bem plano o qual servirá de base. Poderá ser um pedaço de madeira
qualquer com um dos materiais de teste colado na base. Iniciar o teste inclinando a rampa suavemente
a partir de 0° até atingir a inclinação onde o corpo principia a deslizar lentamente pela rampa. Nesse
exato momento medir o ângulo de inclinação  denominado ângulo de atrito ou, conhecendo a base B
da rampa e a altura A, calcular o coeficiente de atrito pela fórmula:

A
 = tang  =
B
Na figura ao lado, um exemplo
da determinação do coeficiente
de atrito estático entre aço e
bronze
 = tang = tang10 = 0,1762
ou
A 0,1735
= = = 0,1762
B 0,9848

2- ATRITO DE ROLAMENTO - BRAÇO DE ALAVANCA DA RESISTÊNCIA AO ROLAMENTO


Coulomb, em ensaios de laboratório, fez experimentos para determinar os valores dos atritos de
rolamento e verificou que esse atrito está em razão direta do peso e em razão inversa do diâmetro da
roda ou esfera. Para melhor entender o atrito de rolamento, observe as figuras a seguir:

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As figuras representam uma roda de aço apoiada sobre uma superfície plana e de material mais mole
onde, devido à força peso P e em função da deformação dos materiais, há um aumento da área de
contato. Com a roda parada (fig. 1), f é a metade do valor do contato (atrito estático). Quando a roda
entra em movimento (fig.2 e 3), f diminui de valor (atrito cinético).
Na figura 2, o raio da roda r é a mesma distância de P até a aplicação da força F e também uma
alavanca onde a dimensão f é o braço de alavanca da resistência ao rolamento.
A força F, com apoio em N, eleva e movimenta P e, para fazer a roda girar, o seu valor deverá ser:
𝑓
𝐹 = 𝑃 conforme figura 2 ou ainda 𝐹 = 𝑃 ∗ 𝑡𝑔𝛽 conforme figura 4
𝑅
O valor de f depende muito das rugosidades das superfícies e dos tipos de materiais em contato.

No sistema de deslocamento de um corpo qualquer, sobre rodas ou cilindros, a outra força de atrito se
refere aos mancais de rolamentos (de esfera ou de roletes) entre o eixo e a roda ou cilindro (𝐹𝑎𝑡2 ). O
valor de f para mancais de rolamentos é na prática 0,1 mm. A fórmula para o cálculo da força de atrito
relativa aos mancais de rolamento é:
𝑓
𝐹𝑎𝑡2 = 𝑃
𝑟
r – raio médio do mancal de rolamento

Exemplo com cálculos no sistema técnico:


Calcular as forças de atrito geradas pelo movimento de um carro com massa 1000kg com rodas
diâmetro 560mm (R= 280 mm) e diâmetro médio dos rolamentos 50mm (r=25mm).
Considerar f = 4mm para pneus deslocando sobre asfalto em bom estado.
Calculando, a força de atrito de rolamento dos pneus com o solo.

𝑓 4
𝐹𝑎𝑡1 = 𝑃 = 1000𝑘𝑔𝑓 = 14,3𝑘𝑔𝑓
𝑅 280

Para o cálculo da força de atrito gerada pelos mancais de rolamentos entre o eixo e a roda,
considerando r (raio médio do rolamento) = 25mm teremos para o mesmo carro:
𝑓 0,1
𝐹𝑎𝑡2 = 𝑃 = 1000𝑘𝑔𝑓 = 4𝑘𝑔𝑓
𝑟 25

Observação: Na prática, a fórmula para cálculo da força de atrito gerada pelos mancais de rolamento
(𝐹𝑎𝑡2 ), a fração f /r é substituída pelo coeficiente de atrito para mancais de rolamento representado
pela letra grega  cujo valor aproximado é 0,005.
𝐹𝑎𝑡2 = 𝑃 ∗ 𝜇 = 1000𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,005 = 5𝑘𝑔𝑓

A força tangencial necessária ou requerida Ft para fazer a roda girar e a força de tração necessária Fn
para puxar o carro por um cabo preso ao seu eixo, deve ser levemente maior do que a soma das duas
forças de atrito.
𝐹 = 𝐹𝑡 = 𝐹𝑛 = 𝐹𝑎𝑡1 + 𝐹𝑎𝑡2 = 14,3𝑘𝑔𝑓 + 4𝑘𝑔𝑓 = 18,3𝑘𝑔𝑓

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COEFICIENTE DE ATRITO DE ROLAMENTO. Nas fórmulas anteriores, a soma dos valores de f /R + f /r,
é o coeficiente de atrito de rolamento para carros rodando em vias asfaltadas.
Os valores do coeficiente de atrito de rolamento são mais divulgados nas tabelas e mais utilizados nos
cálculos da força de atrito.
O valor de f é dado geralmente em mm e o coeficiente de atrito é adimensional.

Valores de f e do coeficiente de atrito de rolamento


Materiais f (mm) Coeficiente de atrito de rolamento Sem unidade
Aço / madeira dura 1,2 Carros sobre vias asfaltadas 0,010 a 0,015
Aço / aço 0,5 Vagões 0,004 a 0,005

FORÇA RADIAL, FORÇA AXIAL e FORÇA TANGENCIAL

DESLOCANDO UM CORPO NUM PLANO INCLINADO


Quando for necessário deslocar um corpo num plano inclinado, outro fator deverá ser
considerado, ou seja, o ângulo de inclinação ou a altura A em relação ao comprimento C.

A figura acima representa um corpo de peso P em um plano inclinado onde a componente “a” é uma
força resultante de P.sen que tende a puxar o corpo rampa abaixo. Quanto maior a inclinação, ou
seja, sen aproximando-se de 1, maior será o valor dessa força.
A componente “b”, (resultado de P.cos), multiplicada pelo coeficiente de atrito entre os materiais do
corpo e da rampa, gera uma força de atrito Fat, resistente ao movimento para cima. Essa força tende a
ser menor quanto maior for a inclinação (cos tende a 0).
Para o corpo subir a rampa, o valor da força Fn deverá ser maior do que a soma destas duas forças.
Concluindo:
A B
Fn  P  sen + P  cos   ou Fn  P  + P   
C C
Fn = força de tração necessária ou requerida para fazer o corpo subir a rampa
P = força peso exercida pelo corpo
a e b = componentes da força peso
 = ângulo de inclinação
 = coeficiente de atrito
A B
sen = cos = C = B 2 + A2
C C

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FORÇA DE ACELERAÇÃO
Quando for necessário deslocar grandes massas partindo do repouso para alta velocidade em tempo
muito curto, há necessidade de se considerar a FORÇA DE ACELERAÇÃO que em muitos casos é maior
do que a força de atrito. Exemplo: Translação de pontes rolantes, correias transportadoras de minério,
vagões, locomotivas e similares.
No sistema técnico, o cálculo da força de aceleração causa confusão porque G é a força peso, ou seja, a
massa submetida à força da gravidade. No cálculo da força de aceleração, a força da gravidade deixa de
ser importante e, na fórmula, é preciso elimina-la dividindo por 9,8m/s²

No sistema técnico
𝐺(𝑘𝑔𝑓) ∗∝ (𝑚/𝑠²)
𝐹𝑎 = = 𝑘𝑔𝑓
9,8𝑚/𝑠²
No sistema internacional
𝐹𝑎 = 𝑚(𝑘𝑔) ∗∝ (𝑚/𝑠²) = 𝑁

aceleração em m/s²
𝑣𝑎𝑟𝑖𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 (𝑚⁄𝑠)
∝=
𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑎𝑐𝑒𝑙𝑒𝑟𝑎çã𝑜 (𝑠)
m = massa
G = força peso

Simplificando a fórmula, considerando a variação da velocidade partindo do repouso até a velocidade


de trabalho.
𝐺 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐. 𝑑𝑒 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜 (𝑚⁄𝑠)
𝐹𝑎 = ∗ = 𝑘𝑔𝑓
9,81 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑎𝑐𝑒𝑙𝑒𝑟𝑎çã𝑜 (𝑠)
ou
𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐. 𝑑𝑒 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜 (𝑚⁄𝑠)
𝐹𝑎 = 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 ∗ =𝑁
𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑎𝑐𝑒𝑙𝑒𝑟𝑎çã𝑜 (𝑠)

Exemplo: Calcule a força de aceleração necessária para acelerar uma ponte rolante com massa
30000kg do repouso até a velocidade de trabalho 0,666 m/s com tempo de aceleração de 4 s.
30000 0,666 0,666
Fa =  = 509kgf ou Fa = 30000 = 4995N
9,81 4 4

NOÇÕES DE TORQUE
Quando uma força atua sobre um corpo e a direção dessa força não passa pelo ponto de apoio do corpo
ela irá produzir um giro do mesmo. Ao produto da intensidade da força pela distância de atuação da
mesma até o ponto de apoio dá-se o nome de TORQUE, MOMENTO DE TORÇÃO, MOMENTO TORÇOR
ou ainda CONJUGADO.
Quando você aplica uma força no arco do volante do seu carro você está aplicando um MOMENTO DE
TORÇÃO ou TORQUE sobre o sistema de direção do mesmo.
A força tangencial exercida pelo seu braço na periferia do volante multiplicada pelo raio (diâmetro do
volante dividido por 2) resultará no valor desse torque ou momento de torção.

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Para o momento de torção normalmente são usadas as unidades de medida Nm (para força em N e
raio em m) e kgfm (para força em kgf e raio em m)
Outro exemplo para entender o que é torque ou momento de torção é o da bicicleta:
Quando você põe o peso do seu corpo sobre o pedal da bicicleta você está aplicando um momento de
torção sobre o conjunto pedal-pedivela.
No sistema técnico, a força peso G exercida pelo seu corpo sobre o pedal e multiplicada pelo
comprimento do pedivela R (na posição da foto), lhe dará o valor desse momento de torção.

Exemplo:
G = força peso do ciclista: 60 kgf
R = comprimento do pedivela: 0,20 m
M = 60kgf x 0,20m = 12 kgfm
Aos momentos acima nós poderemos chamar de MOMENTO DE TORÇÃO FORNECIDO
Nos catálogos de motores esse momento é chamado de CONJUGADO NOMINAL (em kgfm)
Nas tabelas técnicas dos catálogos de redutores e acoplamentos elásticos, você verá o torque ou
momento de torção indicado para o eixo de saída. Este é o torque que o redutor e o acoplamento foram
calculados para suportar (porém inclui alguns fatores de segurança sobre esse torque) e ao qual
chamamos de MOMENTO DE TORÇÃO NOMINAL ou TORQUE NOMINAL.
Em alguns catálogos de redutores você verá o torque no eixo de saída expresso em daNm (10*Nm).
Isto facilita a leitura do catálogo porque na prática 1daNm é igual a 1kgfm (na realidade 1daNm é igual
a 1,02 kgfm). Em outros catálogos o torque está em kgfm ou Nm.
A finalidade de um conjunto motor redutor é fornecer um momento de torção a uma determinada
rotação no eixo de saída, momento esse necessário para o acionamento de uma máquina ou
equipamento qualquer. O motor fornecerá o torque ou conjugado a uma alta rotação e o redutor
multiplicará esse torque na mesma proporção (deduzido o rendimento) em que reduz a rotação.
Para calcular um momento de torção fornecido no eixo de saída de um redutor acionado por um motor
devem-se utilizar as fórmulas seguintes:
-Para calcular o momento em kgfm a potência do motor deverá estar em CV e a fórmula será:
716,2  P 
M2 = = kgfm
n
M 2 – Momento de torção no eixo de saída em kgfm
n – Rotação por minuto no eixo de saída do redutor
P – Potência do motor em CV
 – Rendimento do redutor

- Para calcular o torque em Nm, a potência do motor deverá estar em kW e a fórmula será:
9550  P 
M2 = = Nm
n
M2 – Momento de torção no eixo de saída em Nm
n – Rotação por minuto no eixo de saída do redutor
P – Potência do motor em kW
 -- Rendimento do redutor
Quando calcular um acoplamento para o eixo de saída de um redutor também deverá levar em conta
as fórmulas acima além dos fatores de serviço indicados pelo fabricante.

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MOMENTO DE TORÇÃO RESISTENTE AO MOVIMENTO. Esse é o momento gerado pelas massas a
serem deslocadas e pelos atritos internos entre as peças quando uma máquina se encontra em
movimento.
Seguindo o exemplo do volante do carro: O atrito do pneu com o solo, gera um momento de torção
resistente quando você tenta girar o volante. Então, para que você possa efetivamente mudar a direção
do veículo, precisa gerar no eixo do volante um momento de torção maior do que o momento
resistente gerado pelo atrito entre os pneus e o solo.
Ou seja: Para que a máquina funcione é necessário que o MOMENTO DE TORÇÃO FORNECIDO seja
maior do que o MOMENTO DE TORÇÃO RESISTENTE.

MOMENTO DE ACELERAÇÃO e MOMENTO DE DESACELERAÇÃO ou FRENAGEM


é muito importante quando a finalidade é acelerar ou frear cilindros e discos com grande massa de
inércia e em tempo muito curto.
Em inúmeros casos é maior do que o momento necessário para vencer as forças de atrito nas partes
internas dos equipamentos.
As fórmulas seguintes são utilizadas para calcular o momento de aceleração e frenagem de mesas
giratórias, cilindros pesados, fornos rotativos e outros equipamentos girantes de alta massa de inércia.

Para cilindros ou discos maciços Ex.: Mesa giratória e eixos maciços


𝑚 ∗ 𝑛 ∗ 𝑟2
𝑀𝑎 = 𝑀𝑓 =
2 ∗ 19,1 ∗ 𝑡
Gnd 2
mnd 2
Ma = M f = = kgfm ou Ma = M f = = Nm 2 / s 2
4  9,8119,1 t 4  19,1  t

Para anéis (aros) tubos ou cilindros ocos. Ex: Cilindros rotativos e secadores
Gnd2 mnd 2
Ma = M f = = kgfm2 / s 2 ou Ma = M f = = Nm 2 / s 2
2  9,8119,1  t 2  19,1  t
G = força peso
m = massa em kg
n = rotação por minuto
r = diâmetro do cilindro em m
t = tempo de aceleração ou frenagem em s

Considerações: A constante 19,1 expressa nas duas fórmulas, serve para ajustar as diferentes unidades
entre o numerador e o denominador. No numerador rotação por minuto e no denominador o tempo de
aceleração ou frenagem em segundos.

Nas fórmulas do sistema técnico, o valor de 9,8m/s², é utilizado para eliminar a força gravitacional do
planeta embutida na força peso (𝐺 = 𝑚 ∗ 9,81𝑚/𝑠²)

Sistema em equilíbrio

𝐺 ∗ 𝑟 = 𝐺1 ∗ 𝑟1

É possível também calcular o momento de aceleração ou frenagem a partir do momento de inércia de


massa (página seguinte)

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MOMENTO DE INERCIA DE MASSA
O momento de inércia, representado pelas letras J ou I, mede a massa de um corpo em torno de seu
eixo de rotação e depende da sua geometria. A massa, quanto mais afastada do eixo de rotação, mais
aumenta o momento de inércia, motivo pelo qual um disco oco com a mesma massa de um cilindro
maciço gera maior momento de inércia por ter raio maior. Sua unidade de medida no sistema
internacional é kg.m². Catálogos de acoplamentos elásticos e hidráulicos e, motores elétricos fornecem
o momento de inércia de massa.
A seguir as fórmulas utilizadas em função da geometria do corpo e em relação ao eixo de giro

Anel ou aro J = m  r 2 = kgm2

mr2
Disco ou cilindro maciço J= = kgm2
2

m(R ² + r ² )
Disco ou cilindro oco J = = kgm2
2

A fórmula para calcular o momento de aceleração ou frenagem desses componentes é

m  v  r m    2r  n  r m    r 2  n
Ma = = = = Nm 2 / s 2
t 60  t 30  t

Na fórmula acima se J = m  r 2 = kgm2 substituindo m  r por J teremos


2

J   n
Ma = = Nm 2 / s 2
30  t

t = tempo de aceleração ou frenagem em s


v = m/s
n = rotações por minuto
r = raio em metros

10
ENERGIA CINÉTICA

Energia cinética é a energia que um corpo em movimento possui devido a sua velocidade.
A fórmula para calcular a energia cinética é
m  v2
Ec = =J
2
v = velocidade em m/s
Exemplos de aplicação da fórmula

1 - Calcular a energia cinética de uma barra de massa m=10 g no instante em que está com uma
velocidade de 700 m/s.

Sistema internacional
m  v 2 0,01kg  7002
Ec = = = 2450J
2 2

Sistema técnico
G  v 2 0,01kgf  7002
Ec = = = 249kgfm2 / s 2
g 2 9,81m / s ²  2

2 - Calcular a energia cinética de um corpo de massa 5kg que cai em queda livre de uma altura de 10 m.
Usar o sistema internacional.
Cálculo da velocidade final
9,8𝑚
𝑣 2 = 𝑣02 + 2 ∗ 𝑔 ∗ ℎ = 0 + 2 ∗ 2 ∗ 10
𝑠
𝑣 2 = 196
𝑣 = 14𝑚/𝑠

Cálculo da energia cinética


m  v 2 5  142
Ec = = = 490J
2 2
vo = velocidade inicial
g = força gravitacional da terra
h = altura
v = velocidade final
Para explicação da unidade joule J veja a descrição abaixo (fonte: wikipédia)
O joule (símbolo: J) é a unidade de energia e trabalho no sistema internacional, e é definida

O nome da unidade foi escolhido em homenagem ao físico britânico James Prescott Joule.
O plural do nome da unidade joule é joules.
Um joule compreende a quantidade de energia necessária para se efetivar as seguintes ações:
• A aplicação da força de um newton pela distância de um metro. Essa mesma quantidade
poderia ser dita como um newton metro. No entanto, e para se evitar confusões, reservamos o
newton metro como unidade de medida de binário (ou torque);
• O trabalho necessário para se mover a carga elétrica de um coulomb através de uma diferença
de potencial de um volt; ou um coulomb volt, representado por C·V;
• O trabalho para produzir a energia de um watt continuamente por um segundo; ou um watt
segundo (compare quilowatt-hora), com W·s. Assim, um quilowatt-hora corresponde a
3.600.000 joules ou 3,6 megajoules;

11
• A energia cinética de uma massa de 2 kg movendo-se à velocidade de 1 m/s. A energia é linear
quanto à massa, mas quadrática quanto à velocidade, como em E = ½mv²;
• A energia potencial de uma massa de 1 kg posta a uma altura de 1 m sobre um ponto de
referência, num campo gravitacional de 1 m/s². Como a gravidade terrestre é de 9,81 m/s² ao
nível do mar, 1 kg a 1 m acima da superfície da Terra, tem uma energia potencial de 9,8 joules
relativa a ela. Ao cair, esta energia potencial gradualmente passará de potencial para cinética,
considerando-se a conversão completa no instante em que a massa atingir o ponto de
referência. Enquanto a energia cinética é relativa a um modelo inercial, no exemplo o ponto de
referência, energia potencial é relativa a uma posição, no caso a superfície da Terra.
• Outro exemplo do que é um joule seria o trabalho necessário para levantar uma massa de 98g
(uma pequena maçã) na altura de um metro, sob a gravidade terrestre, que também se
equivale a um watt por um segundo.

ENERGIA CINÉTICA ROTACIONAL DE UM DISCO OU CILINDRO MACIÇO

Em um disco ou cilindro sólido é possível calcular o momento de torção máximo gerado pela energia
cinética rotacional. É o caso do volante de uma prensa qualquer.
m  v2 d
Mc =  = Nm 3 / s 2
2 4
v = velocidade em m/s
 d n
v= = m/ s
60
n = rotações por minuto
d = diâmetro da peça em m.
A divisão do diâmetro da peça por 4 determina o raio médio para o cálculo do centro das massas.

Exemplo de aplicação
O rotor de um motor, um acoplamento elástico ou hidráulico, pode gerar um torque adicional
momentâneo no eixo de entrada de um redutor consequentemente causando sua quebra no caso de
dimensionamento inadequado. Isso só ocorrerá se houver um travamento do equipamento acionado.
Se conhecermos o momento de inércia e o diâmetro desse componente (o momento de inércia do
motor é mencionado no catálogo) poderemos aplicar a fórmula a seguir para o cálculo desse momento
J  2  n2  d
Mc = = Nm 3 / s 2
3600

A fórmula acima foi deduzida a partir da primeira fórmula da seguinte maneira:


m  v2 d m 2 d m    2r  n  d m  2  2 2  r 2  n 2 d m   2  r 2  n 2
2

Mc =  = v  =    =   =
2 22 2 4 2  60  4 2 602 4 2  3600

Sabendo que o momento de inércia para discos ou cilindros maciços é


mr2 mr2
J= = kgm2 e substituindo na fórmula por J teremos
2 2
J  2  n2  d
Mc = = Nm 3 / s 2
3600
Exemplo:
Cálculo do momento de energia cinética rotacional desenvolvido por um motor WEG de 20 CV - 4 polos
1720 rpm cujo momento de inércia J é 0,0803kgm² e diâmetro do rotor 160mm.
J  2  n2  d 0,0803  2 17202  0,16
Mc = = Nm 3 / s 2 = = 104Nm 3 / s 2
3600 3600
Conclusão: No instante do travamento de um equipamento qualquer acionado por esse motor, o
mesmo fornecerá um torque instantâneo 130% maior do que em regime normal de funcionamento

12
MOMENTO DE TORÇÃO REQUERIDO: é o momento necessário para acionar um equipamento
qualquer. Na partida é a soma do momento resistente por atrito e do momento de aceleração. Na
frenagem o momento resistente de atrito será subtraído do momento de frenagem e o momento de
aceleração requerido será maior do que o momento de frenagem desde que os tempos de partida e
parada sejam iguais.

NOÇÕES DE POTÊNCIA
POTÊNCIA é o produto da força multiplicado pela velocidade.
Se você conhece a força necessária para deslocar um peso e sabe qual a velocidade em m/s é fácil
calcular a potência necessária ou requerida de acionamento através da fórmula abaixo:
No sistema técnico:
𝐹∗𝑣
𝑃= = 𝐶𝑉
75

F – força em kgf v – velocidade em m/s


kW
No sistema internacional, a potência é medida em kW (quilowatts) ou W (watts) = .
1000
Para o cálculo usar a força em N (Newton) e as fórmulas são as seguintes:
P = F v =W
F v
P= = kW
1000
F – força em N v – velocidade em m/s

Comparando:
- 1W é a potência necessária para deslocar um corpo de massa 1kg a 1m/s² e, como na superfície do
Planeta, a aceleração da gravidade é 9,8 m/s², há necessidade de 9,8 W para elevar esse corpo a
altura de 1 m no tempo de 1 segundo.
- 1 CV é a potência necessária para elevar um corpo de massa 75 kg (força peso 75kgf) a altura de 1 m
no tempo de 1 segundo.
- Na superfície da Terra para elevar um corpo de massa 75 kg à altura de 1 metro no tempo de
1 segundo, é necessário a potência de 75kg x 9,8m/s² = 735 W

Concluindo:
1 CV = 735 W
1 CV = 0,735 kW
1kW = 1,36 CV

Exemplo de aplicação da fórmula


Qual a potência em CV e Watts de uma queda de água de vazão 0,20 m³ por segundo sendo a altura da
queda 10 m?

No sistema técnico

𝐹 ∗ 𝑣 200𝑘𝑔𝑓 ∗ 10𝑚/𝑠
𝑃= = = 26,6𝐶𝑉
75 75

No sistema internacional
9,8𝑚
𝑃 = 𝐹 ∗ 𝑣 = 𝑚 ∗ 𝑔 ∗ 𝑣 = 200𝑘𝑔 ∗ ∗ 10𝑚 = 1960𝑊−→ 19,6𝑘𝑊
𝑠2

13
CÁLCULO DA POTÊNCIA NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE UM EQUIPAMENTO EM FUNÇÃO DO
MOMENTO ou TORQUE REQUERIDO.

Podemos calcular a potência requerida de acionamento de um equipamento, ou seja, a potência do


motor que será utilizado, a partir do conhecimento do momento de torção ou torque requerido e da
rotação por minuto no seu eixo de acionamento. O rendimento do sistema de transmissão, geralmente
um redutor, também deverá ser conhecido.

PARA POTÊNCIA EM CV
M n
P= = CV
716,2 
M – Momento de torção requerido em kgfm no eixo de acionamento da máquina.

PARA POTÊNCIA EM kW
M n
P= = kW
9550 
M – Momento de torção requerido em Nm no eixo de acionamento da máquina.
n – rotação por minuto no eixo de acionamento da máquina.
 – rendimento do sistema de acionamento (redutor, polias e engrenagens)

Exemplo de cálculo com objetivo didático para aplicação das fórmulas referentes as forças de atrito,
força de aceleração, torque e potência.
Cálculo da potência do motor e seleção do redutor para o movimento de translação de um pórtico
acionado por dois motores e redutores (terreno nivelado).
Neste caso foi usado um sistema antigo de motorização. Atualmente, a maioria dos equipamentos
deste tipo, dispensa o uso de polias, correias e transmissão por corrente.

Dados:
Massa da carga: 22000 kg
Massa da estrutura do pórtico: 6000 kg
Velocidade desejada: v =10 m/min
Tempo de aceleração do repouso até a velocidade máxima: 6 s
Diâmetro da roda (Dr) = 400mm
Atrito das rodas com os trilhos: f1 = 0,5mm (braço de alavanca da resistência ao rolamento aço sobre
aço)
Diâmetro médio dos rolamentos dos mancais das rodas (d): 100mm
Atrito dos rolamentos dos mancais das rodas: f2 = 0,1mm
Diâmetro da polia do motor (dp): 75mm
Diâmetro da polia no eixo de entrada do redutor (Dp): 150mm
Diâmetro do pinhão no eixo de saída do redutor (de): 80mm
Diâmetro da engrenagem no eixo das rodas (De): 240mm

14
Para melhor entendimento das fórmulas de cálculo, vamos calcular isoladamente as forças envolvidas
no sistema. Como são dois acionamentos, a massa da carga + estrutura poderia ser dividida por 2 mas
há uma particularidade: A carga no pórtico pode estar deslocada para as laterais com a força peso
concentrada encima de uma das rodas. Sendo assim, para maior segurança nos cálculos, podemos
considerar a força peso da carga toda de um lado e sendo movimentada por um único motor. A massa
da estrutura em equilíbrio será dividida por 2.

Então a massa sobre as rodas de um único lado será 22000kg + 6000kg / 2 = 25000kg
Lembrando que, no sistema técnico, a medida de força peso (G) é a própria massa. No sistema
internacional, a força peso (massa x aceleração da gravidade) leva em consideração a força da
gravidade do lugar onde se encontra o equipamento e, na superfície do nosso planeta para efeito dos
cálculos, o valor da gravidade (g) é 9,81m/s².
Para fins didáticos, os cálculos serão efetuados no sistema técnico e sistema internacional. As fórmulas
do sistema internacional estarão dentro de um retângulo para facilitar a visualização.

Forças resistentes ao movimento contínuo


1 - Força de atrito de rolamento entre as rodas e os trilhos:
No caso de roda sobre trilhos, há um atrito de escorregamento entre o flange das rodas e os trilhos. O
valor desse atrito depende do bom alinhamento dos trilhos e até mesmo de ventos transversais que
podem provocar uma força transversal ao pórtico e as rodas. Então, para compensar, é adicionado na
fórmula o coeficiente multiplicador kf referente a esse atrito.
Valores de kf - 1,2 para trilhos bem alinhados
1,5 para trilhos mal alinhados e ventos fortes transversais ao movimento.
2 ∗ 𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 2 ∗ 0,5𝑚𝑚 ∗ 1,2
𝐹𝑎𝑡1 = 𝐺 = 25000𝑘𝑔𝑓 = 75𝑘𝑔𝑓
𝐷𝑟 400𝑚𝑚

2 ∗ 𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 9,81𝑚 2 ∗ 0,5𝑚𝑚 ∗ 1,2


𝐹𝑎𝑡1 = 𝐺 ∗ 𝑔 ∗ = 25000𝑘𝑔 ∗ ∗ = 735𝑁
𝐷𝑟 𝑠2 400𝑚𝑚

2 - Força de atrito referente aos rolamentos dos mancais:


2 ∗ 𝑓2 2 ∗ 0,1𝑚𝑚
𝐹𝑎𝑡2 = 𝐺 = 25000𝑘𝑔𝑓 = 50𝑘𝑔𝑓
𝑑 100

2 ∗ 𝑓2 9,81𝑚 2 ∗ 0,1𝑚𝑚
𝐹𝑎𝑡2 = 𝑚 ∗ 𝑔 = 25000𝑘𝑔 ∗ ∗ = 490𝑁
𝑑 𝑠2 100
d = diâmetro médio dos rolamentos dos mancais das rodas (mm)

Conhecidas as forças, partimos para o cálculo do momento de torção requerido no eixo das rodas:
3 - Momento de torção para vencer a força de atrito entre as rodas e os trilhos
𝐷𝑟 400𝑚𝑚
𝑀𝑎𝑡1 = 𝐹𝑎𝑡1 ∗ = 75𝑘𝑔𝑓 ∗ = 15𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000 2000

𝐷𝑟 400𝑚𝑚
𝑀𝑎𝑡1 = 𝐹𝑎𝑡1 ∗ = 735𝑁 ∗ = 147𝑁𝑚
2 ∗ 1000 2000

4 - Momento de torção para vencer a força de atrito nos rolamentos dos mancais de apoio.
𝑑 100𝑚𝑚
𝑀𝑎𝑡2 = 𝐹𝑎𝑡2 ∗ = 50𝑘𝑔𝑓 ∗ = 2,5𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000 2000

𝑑 100𝑚𝑚
𝑀𝑎𝑡2 = 𝐹𝑎𝑡2 ∗ = 490𝑁 ∗ = 25𝑁𝑚
2 ∗ 1000 2000

15
5 – Momento de torção para vencer os atritos de rolamento
𝑀𝑎𝑡 = 𝑀𝑎𝑡1 + 𝑀𝑎𝑡2 = 15𝑘𝑔𝑓𝑚 + 2,5𝑘𝑔𝑓𝑚 = 17,5𝑘𝑔𝑓𝑚

𝑀𝑎𝑡 = 𝑀𝑎𝑡1 + 𝑀𝑎𝑡2 = 147𝑁𝑚 + 25𝑁𝑚 = 172𝑁𝑚

As fórmulas 3, 4 e 5 podem ser substituídas pelas fórmulas a seguir


𝐺 ∗ (𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 + 𝑓2 ) 25000𝑘𝑔𝑓(0,5 ∗ 1,2 + 0,1)
𝑀𝑎𝑡 = = = 17,5𝑘𝑔𝑓𝑚
1000 1000

𝐺 ∗ 𝑔(𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 + 𝑓2 ) 25000𝑘𝑔 ∗ 9,8𝑚/𝑠²(0,5 ∗ 1,2 + 0,1)


𝑀𝑎𝑡 = = = 172𝑁𝑚
1000 1000

6 - Maquinas com elevada massa de inércia e baixo coeficiente de atrito, necessitam de torque
relativamente alto na partida.
Para calcular o momento de aceleração é preciso calcular a força de aceleração.
Força de aceleração (velocidade em m/s e tempo de aceleração em s).
No sistema técnico, o cálculo da força de aceleração causa confusão porque a força peso é a massa do
corpo submetida à força da gravidade. Na fórmula de cálculo da força de aceleração, a força da
gravidade deixa de ser importante e é preciso substituí-la dividindo por 9,81m/s²
0,166𝑚
𝐺 𝑣 25000𝑘𝑔𝑓 𝑠
𝐹𝑎 = ∗ = ∗ = 70,5𝑘𝑔𝑓
𝑔 𝑡𝑎 9,81𝑚 6𝑠
𝑠2
0,166𝑚
𝑣 𝑠
𝐹𝑎 = 𝑚 = 25000𝑘𝑔 ∗ = 691,6𝑁
𝑡𝑎 6𝑠

Momento de aceleração para vencer inércia das massas


𝐷𝑟 (𝑚𝑚 ) 400𝑚𝑚
𝑀𝑎 = 𝐹𝑎 ∗ = 70,5𝑘𝑔𝑓 ∗ = 14,1𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000 2000

𝐷𝑟 (𝑚𝑚 ) 400𝑚𝑚
𝑀𝑎 = 𝐹𝑎 ∗ = 691,6𝑁 ∗ = 138,3𝑁𝑚
2 ∗ 1000 2000

7 – Momento de torção requerido no eixo das rodas. Somando os momentos:


𝑀 = 𝑀𝑎𝑡 + 𝑀𝑎 = 17,5𝑘𝑔𝑓𝑚 + 14,1𝑘𝑔𝑓𝑚 = 31,6𝑘𝑔𝑓𝑚

𝑀 = 𝑀𝑎𝑡 + 𝑀𝑎 = 172𝑁𝑚 + 138𝑁𝑚 = 310𝑁𝑚

8 - Momento de torção ou torque requerido no eixo de saída do redutor:


𝑀 ∗ 𝑑𝑒 31,6𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 80𝑚𝑚
𝑀2 = = = 11𝑘𝑔𝑓𝑚
𝐷𝑒 ∗ 𝜂𝑒 240𝑚𝑚 ∗ 0,95

𝑀 ∗ 𝑑𝑒 310𝑁𝑚 ∗ 80𝑚𝑚
𝑀2 = = = 109𝑁𝑚
𝐷𝑒 ∗ 𝜂𝑒 240𝑚𝑚 ∗ 0,95
De – diâmetro engrenagem de transmissão por corrente no eixo da roda (mm)
de – diâmetro engrenagem de transmissão por corrente no eixo de saída do redutor (mm)
e = rendimento do conjunto de engrenagens e corrente

16
9 - Cálculo da rotação por minuto no eixo das rodas:
10𝑚
𝑣 ∗ 1000 ∗ 1000
𝜂𝑒 = = 𝑚𝑖𝑛 = 7,96𝑟𝑝𝑚
𝜋 ∗ 𝐷𝑟 3,14 ∗ 400𝑚𝑚

Dr = diâmetro da roda (mm) v = velocidade do carro (m/min)

10 - Cálculo da rotação por minuto no eixo de saída do redutor:


𝑛𝑒 ∗ 𝐷𝑒 7,96𝑟𝑝𝑚 ∗ 240𝑚𝑚
𝑛2 = = = 23,9𝑟𝑝𝑚
𝑑𝑒 80𝑚𝑚

11 - Cálculo da rotação por minuto no eixo de entrada do redutor considerando motor de 4 polos -
1750rpm
𝑛𝑚 ∗ 𝑑𝑝 1750𝑟𝑝𝑚 ∗ 75𝑚𝑚
𝑛1 = = = 875𝑟𝑝𝑚
𝐷𝑝 150𝑚𝑚

12 - Cálculo da redução do redutor:


𝑛1 875𝑟𝑝𝑚
𝑖𝑟 = = = 36,6
𝑛2 23,9𝑟𝑝𝑚

13 - Cálculo da potência necessária ou requerida do motor:


𝑀 ∗ 𝑛𝑒 31,6𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 7,96𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 0,42𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂𝑒 ∗ 𝜂𝑟 ∗ 𝜂𝑝 716,2 ∗ 0,95 ∗ 0,97 ∗ 0,90

𝑀 ∗ 𝑛𝑒 310𝑁𝑚 ∗ 7,96𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 0,31𝑘𝑊
9550 ∗ 𝜂𝑒 ∗ 𝜂𝑟 ∗ 𝜂𝑝 9550 ∗ 0,95 ∗ 0,97 ∗ 0,90

e = rendimento do conjunto de engrenagens e corrente


r = rendimento do redutor
 p = rendimento do conjunto de polias

MULTIPLICADORES PARA CONVERSÃO DE UNIDADES MÉTRICAS, SI E AMERICANAS

COMPRIMENTO FORÇA, POTÊNCIA, MOMENTO


Polegadas x 25,4 = Milímetros Libras x 4,4484 = Newtons
Pés x 0,30480 = Metros Libras x 0,45359 = kgf
Newton x 0,1020 = kgf
HP x 1,014 = CV
MASSA E VOLUME HP x 0,746 = Kilowatts
Onças x 28,35 = gramas CV x 0,736 = Kilowatts
Libras x 0,45359 = quilogramas Pound-feet x 1,3556 = Newton metro
Polegadas cúbicas x 16,387 = cm³ Pound-feet x 0,13825 = kgfm
Polegadas cúbicas x 0,016387 = litros Lb in x 0,01152 = kgfm
Galões x 3,78543 = litros Psi x 0,0731 = kg/cm²
Galões x 0,003785 = m³ kgfm x 0,98 = daNm
Pés cúbicos x 28,32 = litros daNm x 1,02 = kgfm
Pés cúbicos x 0,0283 = m³ Pa (pascal)= N/m²
MPa (megapascal) = N/mm² = 0,1019 kgf/mm²

17
VELOCIDADE ANGULAR e VELOCIDADE TANGENCIAL ou PERIFÉRICA
Define-se velocidade angular como sendo o ângulo descrito na unidade de tempo que o móvel percorre
o percurso A - B. É representado pela letra grega 

obtemos a velocidade angular em radianos por segundo- rad/s pela fórmula


𝑣(𝑚/𝑠)
𝜔= = 𝑟𝑎𝑑/𝑠
𝑅(𝑚)

EQUIVALÊNCIAS
- rotações por minuto (rpm) em radianos por segundo (rad/s)
𝑛 ∗ 2 ∗ 𝜋 𝑟𝑎𝑑 𝑟𝑎𝑑
= ∴ 𝑛 ∗ 0,1047 =
60 𝑠 𝑠
Exemplo: A roda de um trem gira a razão de 125 rpm e o seu diâmetro é 650mm. Determinar sua
velocidade linear ou tangencial e a velocidade angular.
 Dn   0,65m 125rpm v 4,25
v= = = 4,25m / s = = = 13,07rad / s
60 60 R 0,325

- radianos em graus
180°
𝑟𝑎𝑑 = = 𝑔𝑟𝑎𝑢𝑠
𝜋

POLIAS E ROLDANAS – MULTIPLICAÇÃO DE FORÇA

18
Conjunto de polias com multiplicação exponencial da força

ALAVANCAS

P – Peso a ser
elevado
F – Força a ser
aplicada
 – Ponto de
apoio
 -- Ponto fixo

19
ASSESSOTEC
ASSESSORIA TÉCNICA EM ACIONAMENTOS
José Luiz Fevereiro Cel. (11) 9.9606.7789

ACOPLAMENTOS ELÁSTICOS
A função do acoplamento elástico é compensar possíveis desalinhamentos entre os eixos do redutor e
do equipamento acionado, evitando o mal funcionamento dos seus respectivos rolamentos ou quebra
por fadiga de um dos eixos. Conseguir o alinhamento na fabricação, principalmente em equipamentos
fora de série, é difícil.
No exemplo abaixo, uma rosca transportadora apoiada em 2 rolamentos e acionada por um
motoredutor com eixos coaxiais.

Detalhes do acoplamento com seu elemento elástico de borracha flexível

A seguir, possíveis desalinhamentos, aqui exagerados para melhor visualização e entendimento.

20
Desalinhamento angular

O detalhe a seguir, mostra a folga irregular provocada entre as duas metades do acoplamento pelo
desalinhamento angular da base do motoredutor

Desalinhamento de nível

21
E se fosse utilizado acoplamento rígido com os mesmos desalinhamentos?

Nessa situação algo vai quebrar.


O acoplamento se for a parte mais fraca do conjunto.

Se o acoplamento for muito resistente, quebrará o eixo do redutor ou seus rolamentos.

22
ASSESSOTEC
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SISTEMA DE POLIAS E CORREIAS


Cálculo da velocidade e rpm

1 – fórmula para o cálculo da velocidade periférica da polia motora e da correia V em m/min


𝑣1 = 3,14 ∗ 𝐷1 (𝑚 ) ∗ 𝑛1 (𝑟𝑝𝑚) = 𝑚/𝑚𝑖𝑛
𝑛1 – rotação por minuto no eixo do motor e da polia motora – conforme motor selecionado
𝐷1 – Diâmetro da polia motora em metros

𝑛2 – fórmula para o cálculo da rotação por minuto no eixo da polia movida


𝐷1 (𝑚)
𝑛2 = 𝑛1 ∗
𝐷2 (𝑚)
𝐷2 – Diâmetro da polia movida em metros

𝑣2 – fórmula para o cálculo da velocidade da correia transportadora em m/min


𝑣2 = 3,14 ∗ 𝐷𝑡(𝑚 ) ∗ 𝑛2 (𝑟𝑝𝑚) = 𝑚/𝑚𝑖𝑛
Dt – Diâmetro do tambor em metros

Cálculo da força e torque

D1 = Diâmetro da polia motora

D2 = Diâmetro da polia movida

Dt = Diâmetro do tambor

R1 = Raio da polia motora

R2 = Raio da polia movida

Rt = Raio do tambor

23
No catálogo do motor, baixar o valor do torque (conjugado nominal) no eixo do motor

Ou calcular o torque no eixo do motor / eixo da polia motora através da fórmula a seguir
716,2 ∗ 𝑃
𝑇1 = = 𝑘𝑔𝑓𝑚
𝑛1
P = Potência do motor em CV
𝑛1 = rotação por minuto no eixo do motor

𝐹1 = fórmula para o cálculo da força de tração na correia em V, força tangencial na polia motora e na
polia movida
𝑇1
𝐹1 =
𝑅1

𝑇2 = fórmula para o cálculo do torque no eixo da polia movida / eixo do tambor


𝑇1 ∗ 𝐷2
𝑇2 = = 𝑘𝑔𝑓𝑚
𝐷1

𝐹2 = Força tangencial no tambor. Força de elevação. Força de tração na correia transportadora


𝑇2
𝐹2 =
𝑅𝑡

24
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TRANSMISSÃO POR CORRENTE DE ROLOS

Esse tipo de transmissão é utilizado em máquinas


e equipamentos para transmitir o torque e rotação
de um eixo para outro, desde que a relação de
transmissão não ultrapasse i = 6. É versátil e sua
eficiência chega a 98% de rendimento quando em
condições corretas de trabalho e lubrificação.

Informações necessárias para seleção da corrente e engrenagens.


- Potência transmitida em kilowatts
- características da máquina acionada
- rotação no eixo motor e eixo movido
- distância entre centros dos eixos

Para um projeto correto observe os passos a seguir


1 - Determine a relação de transmissão
Usar a tabela 1 para seleção da quantidade de dentes das engrenagens com as seguintes
recomendações
- a quantidade ideal do número de dentes das engrenagens deve ser:
acima de 19 para máquinas sem choques
acima de 25 para acionamentos sujeitos a trancos.
- principalmente em altas reduções, a relação de transmissão (i), associada a distância entre
centros, deve ser de tal forma que o ângulo de abraçamento da corrente na engrenagem
menor,
seja superior a 120°

𝑍2
𝑖=
𝑍1

25
Tabela 1 – Relação de transmissão
Núm. de dentes
Número de dentes da engrenagem motora 𝑍1
engrenagem movida 𝑍2
15 17 19 21 23 25
- - - - - 1,00 25
2,53 2,23 2,00 1,80 1,65 1,52 38
3,80 3,35 3,00 2,71 2,48 2,28 57
5,07 4,47 4,00 3,62 3,30 3,04 76
6,33 5,59 5,00 4,52 4,13 3,80 95
7,60 6,70 6,00 5,43 4,96 4,56 114

2 - Selecione o fator de aplicação f1


Este fator leva em consideração a sobrecarga dinâmica exercida sobre a corrente. O valor pode ser
determinado pelo projetista em função de sua experiência ou consultando a tabela 2

Tabela 2 – Características da máquina acionada


Características do motor
Funcionamento Choques leves Choques
suave moderados
Motores elétricos, Motores elétricos com Motores a
Características da máquina acionada turbinas e motores partidas frequentes e explosão com
a explosão com motores a explosão menos de 6
acoplamento com 6 ou mais cilindros cilindros com
hidráulico com acoplamento acoplamento
mecânico mecânico
Bombas centrífugas,
compressores, máquinas
de impressão, calandras
de papel,
Funciona- transportadores com
mento suave cargas uniformes, 1,0 1,1 1,3
escadas rolantes,
agitadores e
misturadores de líquidos,
secadores rotativos e
ventiladores
Bombas e compressores
com 3 ou mais cilindros,
betoneiras,
Choques transportadores com 1,4 1,5 1,7
moderados carga não uniforme,
agitadores e
misturadores de sólidos
Escavadeiras, moinho de
rolos e de bolas,
maquinas de
processamento de
Choques borracha, prensas, 1,8 1,9 2,1
pesados guilhotinas, bombas e
compressores de 1 e 2
cilindros, equipamentos
de perfuração

3 - Selecione o fator de aplicação f2 (fator relativo aos dentes)


Este fator, determinado conforme tabela 3, irá modificar a seleção da potência final porque, ao ser
selecionada uma engrenagem de um determinado diâmetro, a mesma irá modificar a transmissão da
potência máxima que é função da força de tração exercida sobre a corrente. Menor diâmetro da
engrenagem maior a tração sobre a corrente.

26
O fator de dente f2 é calculado por meio da fórmula f2 = 19/𝑍1
O valor 19 no numerador é devido a classificação das curvas de seleção serem para uma roda dentada
de 19 dentes.
Tabela 3- Fator f2 para rodas dentadas padronizadas
𝒁𝟏 f2 𝒁𝟏 f2
15 1,27 21 0,91
17 1,12 23 0,83
19 1 25 0,76

4 – Calcule o valor da potência de seleção multiplicando a potência transmitida pelos fatores f1 e f2.
𝑃𝑠 = 𝑃𝑡 ∗ 𝑓1 ∗ 𝑓2
5 – Selecione o passo da corrente cruzando a rpm da engrenagem motora com a potência de seleção
nas tabelas a seguir

27
6 – Cálculo da quantidade de passos ou elos da corrente

𝑍1 + 𝑍2 2 ∗ 𝐶 (𝑍2 − 𝑍1 )2 ∗ 𝑝
𝑄= + + = 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑜𝑠
2 𝑝 39.48 ∗ 𝐶

A quantidade de passos ou elos da corrente deve ser arredondada para número par e, evidentemente,
inteiro. Se uma roda tensora for utilizada para esticar a corrente, dois passos devem ser adicionados
ao comprimento da corrente.
C é a distância entre centros em mm determinada pelo projetista e deve estar entre 30 e 50 passos

28
7 - Cálculo da distância exata entre centros
A distância entre centros efetiva, estará em função da quantidade de passos ou elos.
𝑝
𝐶 = [2𝑄 − 𝑍2 − 𝑍1 + √(2𝑄 − 𝑍1 − 𝑍2 )² − (0,81(𝑍2 − 𝑍1 )2 )]
8
p – passo da corrente – mm 𝑍1 – quantidade de dentes da engrenagem motora
Q – quantidade de passos ou elos 𝑍2 – quantidade de dentes engrenagem movida

Fatores de segurança
O fator de segurança deve ser 8 para máquinas e equipamentos que não transportem passageiros.
Para equipamentos de transporte de passageiros o fator de segurança deve ser 10

Velocidade da corrente
𝑛1 ∗ 𝑝 ∗ 𝑍1
𝑣= = 𝑚/𝑠
60000
𝑛1 = 𝑟𝑝𝑚 𝑑𝑎 𝑒𝑛𝑔𝑟𝑒𝑛𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑚𝑜𝑡𝑜𝑟𝑎
A velocidade, em geral, não deve exceder a 45m/min
Para velocidades superiores, selecionar a corrente como se fosse utilizada para transmissão de carga,
convertendo em potência de acordo com a fórmula abaixo:
𝐹∗𝑣
𝑃= = 𝑘𝑊
1000
F – Carga – N (Newton)
v – Velocidade da corrente – m/s
O resultado obtido é o valor da potência transmitida. Após multiplicar pelos fatores f1 e f2, entrar no
gráfico para selecionar a corrente considerando a rpm da engrenagem menor.
6000 ∗ 𝑣
𝑟𝑝𝑚 =
𝑝 ∗ 𝑍1

Lubrificação
O sistema de transmissão por corrente deve ser protegido contra poeira e umidade e lubrificado com
óleo mineral de boa qualidade e não detergente. Evitar o uso de óleos demasiadamente viscosos e
menos ainda a graxa, porque não penetra nas superfícies internas de trabalho
Viscosidade recomendada do óleo em função da temperatura
Temperatura ambiente Lubrificante
C° SAE
-5 a +5 20
5 a 40 30
40 a 50 40
50 a 60 50
Na gama de temperaturas acima, pode ser usado óleo multiviscoso SAE 20W50
Para temperaturas muito elevadas (250°C), utilizar lubrificantes secos como grafite coloidal ou
bissulfeto de molibdênio

Cálculo do diâmetro primitivo das engrenagens


conforme http://cerello.ind.br/engrenagem.php

29
Exemplo de cálculo
Informações básicas
Bomba rotativa acionada por motor elétrico 1800 rpm
Potência requerida – 7,5kW
Rotação da bomba – 300rpm
Distância entre centros – 460mm
Serviço suave
Seleção da relação de transmissão
𝑍1 = 19 dentes
Relação de transmissão
𝑍2 𝑛2 1800
𝑖= = = =4
𝑍1 𝑛1 450

𝑍2 = 4 ∗ 𝑍1 = 4 ∗ 19 = 76 𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠
Selecionando fatores, de aplicação 𝑓1 e de dentes 𝑓2
𝑓1 = 1,0 – motor elétrico acionando bomba rotativa
𝑓2 = 1,0 – Engrenagem motora com 19 dentes
Calculando potência selecionada
𝑃𝑠 = 𝑃𝑡 ∗ 𝑓1 ∗ 𝑓2 = 7,5 ∗ 1 ∗ 1 = 7,5𝑘𝑊

Selecionando a corrente consultando o gráfico

Trace uma linha laranja correspondente a rotação da engrenagem motora.


Para corrente simples, trace uma linha vermelha correspondente a potência de seleção. Na intersecção
da linha laranja com a linha vermelha e selecione a corrente imediatamente acima - passo 1/2”.
Para corrente dupla, trace uma linha verde correspondente a potência de seleção. Na intersecção da
linha laranja com a verde e selecione a corrente imediatamente acima -passo 3/8”.

30
Essas correntes transmitem com folga a potência transmitida pelo motor e optaremos pela corrente
simples de passo ½” → 12,7mm

Calculando a quantidade de passos da corrente


𝑍1 + 𝑍2 2 ∗ 𝐶 (𝑍2 − 𝑍1 )2 ∗ 𝑝 19 + 76 2 ∗ 460 (76 − 19)2 ∗ 12,7
𝑄= + + = + + = 122,21
2 𝑝 39.48 ∗ 𝐶 2 12,7 39,48 ∗ 460
Comprimento da corrente arredondando a quantidade para número inteiro
𝐿 = 𝑄 ∗ 𝑝 = 122 ∗ 12,7 = 1549,4𝑚𝑚

Calculando a distância exata entre centros


𝑝
𝐶 = [2𝑄 − 𝑍2 − 𝑍1 + √(2𝑄 − 𝑍1 − 𝑍2 )² − (0,81(𝑍2 − 𝑍1 )2 )]
8
12,7
𝐶= [2 ∗ 122 − 76 − 19 + √(2 ∗ 122 − 19 − 76)² − (0,81(76 − 19)2 )]
8

𝐶 = 1,5875 [149 + √19570,29]

𝐶 = 1,5875[149 + 139,89] = 458,61𝑚𝑚


Velocidade da corrente em m/s
𝑛1 ∗ 𝑝 ∗ 𝑍1 1800 ∗ 12,7 ∗ 19
𝑣= = = 7,23𝑚/𝑠
60000 60000
Carga na corrente em função da potência transmitida
𝑃𝑠 ∗ 1000 7,5𝑘𝑊 ∗ 1000
𝑤= = = 1037𝑁
𝑣 7,23𝑚/𝑠
Calculando os diâmetros primitivos das engrenagens conforme fabricante CERELLO. Veja tabela na
página seguinte
Diam. primitivo 19 dentes = 12,7 ∗ 6,076 = 77,1652𝑚𝑚
Diam. primitivo 76 dentes = 12,7 ∗ 24,198 = 307,3146𝑚𝑚

31
Diâmetro primitivo das engrenagens
Para o cálculo do diâmetro primitivo usar a tabela a seguir na seguinte forma:
Determine o número de dentes, verifique na tabela o fator X correspondente, multiplique o passo da
corrente pelo fator e obtenha o diâmetro primitivo

Exemplo:
-- Engrenagem 32 dentes passo 1 ½” → 31,75mm = 10,202 x 31,75mm = 323,91mm

32
CARACTERÍSTICAS DIMENSIONAIS DAS CORRENTES
CORRENTE SIMPLES

CORRENTE DUPLA

33
CORRENTE TRIPLA

Este trabalho foi resumido com o objetivo de facilitar o projetista com as informações mais
necessárias.
Para mais informações consulte o trabalho do Prof. Flavio de Marco Filho da Universidade Federal do
Rio de Janeiro
https://pt.scribd.com/document/56103356/Elementos-de-Transmissao-Flexiveis-2009-4

Para desenho
Como desenhar uma engrenagem de corrente

34
ASSESSOTEC
ASSESSORIA TÉCNICA EM ACIONAMENTOS
José Luiz Fevereiro Cel. (11) 9.9606.7789

ENGRENAGENS E REDUTORES

Engrenagens
São rodas dentadas utilizadas na maioria das máquinas para transmitir o movimento de um eixo para
outro e sempre invertem o sentido de rotação. Sendo ambas de mesmo diâmetro, mantém a mesma
velocidade entre os eixos. Na maioria das vezes, a engrenagem motora, de menor diâmetro, diminui a
rotação e multiplica o torque no eixo da engrenagem movida. Em alguns casos é o contrário.
A permanência ou mudança de velocidade de uma engrenagem em relação a outra, se chama relação
de transmissão (i) e, seu valor, está em função dos diâmetros primitivos e número de dentes das
mesmas.

Engrenagens cilíndricas com dentes retos Engrenagens cilíndricas com dentes helicoidais

Engrenagens com dentes helicoidais transmitem maior potência do que engrenagens com dentes retos
de mesmo diâmetro e largura. Isso por causa do maior largura efetiva e portanto, maior contato entre
os dentes. Além disso são mais silenciosas porque transmitem o movimento do dente de uma
emgrenagem para o dente da outra de forma progressiva.
Clique abaixo para
Teoria
Planilha de cálculos

35
Redutores e motoredutores com eixos coaxiais e engrenagens helicoidais
São compactos e os eixos de entrada e de saída estão na mesma linha de centro

Motoredutor e redutor com engrenagens helicoidais e eixos paralelos


eixo de saída vazado eixo de saída maciço com motor acoplado

Redutor com eixos paralelos e engrenagens helicoidais, especial para acionamento de extrusoras

Engrenagens cônicas com dentes retos


Este tipo de engrenagem é utilizado quando se deseja transmitir
torque e rotação de um eixo para outro posicionado em ângulo
diferente (eixos não paralelos entre si). Sendo os dentes
paralelos ao eixo de giro, a transmissão de movimento, provoca
impactos entre os dentes do par de engrenagens e consequente
barulho e vibração.

Engrenagens cônicas com dentes helicoidais


Tem a mesma função da engrenagem cônica com dentes retos, mas transmite o movimento de forma
mais silenciosa em função de baixo impacto entre os dentes. Com essa vantagem em relação as
engrenagens com dentes retos, pode trabalhar com altas rotações (motores de 2 polos ou 3500 rpm).
Além disso é mais eficiente tendo maior rendimento na transmissão de potência.

36
Motoredutor e redutor com engrenagens cônicas

Rosca sem fim e coroa


Este tipo de engrenamento é utilizado para transmitir rotação e torque de um eixo para outro em
ângulo de 90°. Sua vantagem em relação aos tipos anteriores é a maior relação de transmissão de
velocidade com o mesmo número de peças sendo que, com um único conjunto, pode chegar a redução
de 1:100. Um conjunto duplo pode chegar a redução de 1:10000. A desvantagem é o baixo rendimento.

Redutores a rosca sem fim


Com relação ao preço, os redutores a rosca sem fim, tem menores custos de fabricação até o torque
aproximado de 80kgfm no eixo da corôa (reduções próximas de 1:30), comparado aos redutores de
engrenagens cônicas helicoidais que cumprem a mesma função. Mas o rendimento é baixo,
principalmente nas altas reduções, necessitando maior potência do motor de acionamento.

37
Motoredutor com dupla rosca sem fim Motoredutor com braço de torção

UMA PARTE DA HISTÓRIA DO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DE REDUTORES NO BRASIL


A Redutores Transmotécnica Ltda. foi no passado um dos maiores fabricantes de redutores industriais
no Brasil. Nos anos 90 foi vendida para um grupo americano e comprada de volta por uma fábrica de
balanças nacional. Posteriormente foi adquirida por um empresário que a associou a mais 2 fabricas
de redutores. Trabalhei nessa empresa desde 1974 até 2004 na área de vendas e acompanhei,
assistindo palestras do departamento de engenharia, o desenvolvimento da tecnologia de projeto e
fabricação de nova linha de redutores. Nosso departamento de engenharia era dirigido por
engenheiros alemães mais focados nas normas DIN do que AGMA. Afirmavam que a norma DIN era
superior nos detalhes.
Em 1974, a Transmotécnica lançou a nova linha de redutores a rosca sem fim denominada Xevex, com
aço temperado na rosca sem fim e bronze centrifugado da Termomecânica na coroa. Além dos
materiais, o perfil dos dentes foi modificado obrigando ao desenvolvimento de caracóis especiais
fabricados pela SU, hoje Sar SU. A capacidade de transmissão de torque subiu muito em relação aos
redutores fabricados anteriormente com tecnologia mais conservadora e, nos acionamentos, passamos
a fornecer redutores bem menores para a mesma máquina. Os redutores funcionavam bem, mesmo
acima da capacidade nominal, um sinal de que estavam com folga na capacidade de transmitir e
multiplicar o torque do motor.
Após o lançamento da linha a rosca sem fim mais moderna, o departamento de engenharia passou a se
envolver no desenvolvimento de redutores a engrenagens helicoidais com maior tecnologia de projeto
e fabricação. A linha antiga consistia em projeto comum à todos os fabricantes brasileiros e com
material das engrenagens aço 1045 cortado por fresas comuns e posteriormente nitretado com
tratamento de baixa temperatura feito pela Brasimet, processo denominado pela mesma de “Tenifer”.
Os cálculos das engrenagens eram os mais comuns à época. Os dentes eram cortados no ângulo de
pressão 15°. Lembro que a tensão admissível, estava de acordo com o livro de um professor de
engenharia da FEI mas o fator de segurança era bem alto. O material aço 1045 posteriormente
nitretado, com dureza baixa em relação aos utilizados nas engrenagens atualmente, obrigava o
projetista a se preocupar mais com o desgaste dos dentes após determinadas horas de trabalho.
O pé do dente, em função do módulo adotado e da largura do dente, estava sempre com folga na
relação tensão admissível / tensão atuante. Em função disso, os dentes das engrenagens de um redutor
raramente quebravam por causa de um tranco qualquer no acionamento da máquina, mas com o
tempo de trabalho, os dentes das engrenagens se desgastavam obrigando sua troca.
Em 1984, a Transmotécnica lançou a nova linha de redutores com eixos paralelos e engrenagens
helicoidais denominada Maxidur. Com a utilização de material aço cromo níquel molibdênio no pinhão
e 20 manganês cromo 5 na engrenagem, com alta dureza após a tempera, a pressão específica no
contato dos dentes ficou bem menor do que a resistência oferecida pelo material, a tal ponto que a
engenharia afirmava que os redutores poderiam durar dezenas de anos com aplicação correta e
manutenção adequada. A maior dureza dos dentes permitiu módulos menores e consequentemente
um pé do dente de menor dimensão. Então a preocupação do projetista passou a ser a resistência a
flexão do pé do dente e houve a necessidade de mudar o ângulo de pressão de 15° para 25° para tornar
o pé do dente proporcionalmente mais largo em relação aos dentes com material mole. Também foi
adotado deslocamento de perfil para aumentar mais ainda a espessura do pé do dente em relação a
cabeça. Outros detalhes também foram adotados para aumentar a resistência do pé do dente à flexão.
Com todos esses procedimentos puderam ser diminuídos os diâmetros das engrenagens para o mesmo

38
torque e, evidentemente, o entre centros dos eixos que, por falta de espaço, obrigou o uso de
rolamentos especialmente desenvolvidos para esses redutores. Os tamanhos e pesos dos redutores
reduziram aproximadamente 2/3 em relação aos anteriores de mesma capacidade.

Diferença entre os dentes de engrenagens com ângulo de pressão 15° e 25°


Ângulo de pressão 15° Ângulo de pressão 25°

Essa linha de redutores funcionou muito bem em diversos equipamentos. Selecionamos vários
redutores para elevação de turbina em usina de força com cálculos bem apertados relativos ao torque
e potência do motor. Capacidade nominal do redutor com fator de serviço 1,2 sobre o motor. O cliente
(fabricante muito importante de pontes rolantes), comprou, instalou e não tivemos problemas.
Mas, com essa linha de redutores compactos, tivemos alguns problemas em torres de resfriamento
devido as vibrações inerentes a esse tipo de equipamento. Nossa engenharia chegou a conclusão que,
na seleção do redutor, não estavam sendo seguidos os fatores de serviço indicados pela norma AGMA,
ou seja 2 para trabalho 24 h/dia, que obrigava a seleção de um tamanho maior. Os redutores da linha
antiga, com engrenagens de aço 1045, eram bem maiores permitindo a utilização de eixos e mancais
sobre dimensionados para os esforços gerados no eixo e nas engrenagens, não exigindo tanto cuidado
na seleção. Outros fabricantes de redutores internacionais também tiveram problemas de baixa
durabilidade com essa linha de redutores, mas a Hansen Industrial Gearboxes, adquirida pela
Sumitomo Drive Technologies passou a fornecer redutores específicos para esse tipo de aplicação.

VERIFICAÇÃO DAS CARGAS RADIAIS ADMISSÍVEIS NAS PONTAS DE EIXO DOS REDUTORES
Quando cargas radiais incidirem sobre um ponto mais afastado da dimensão K/2 da ponta de eixo do
redutor há necessidade de verificar se essa carga P2 é admissível pelos rolamentos do mesmo. A força
Fr1 e a dimensão L1 são os dados fornecidos pelo catálogo do fabricante.
Para verificar a força radial admissível na nova posição aplicar a fórmula a seguir
L1
Fr 2 = Fr1
L2

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TESTE DA POTÊNCIA MOTORA DA MÁQUINA OU EQUIPAMENTO

1 – A potência motora necessária para o acionamento de um equipamento qualquer, pode ser avaliada,
medindo a amperagem e voltagem do motor.
Para verificar a potência absorvida utilize a fórmula abaixo:
U  I  3   cos
P= = kW
1000
U = Voltagem da rede
I = amperagem medida a plena carga
 = porcentagem de rendimento do motor (verificar catálogo do fabricante)
cos = fator de potência (verificar no catálogo do fabricante)
Observação:  e cos estão em função da potência instalada, conforme se pode verificar no catálogo do
fabricante. Exemplo: Motor de 3,7 kW (5 CV) – 4 polos (1730rpm) funcionando em 220V e com
amperagem 10A (aproximadamente 75% da nominal).

Verificando no catálogo da WEG:


Conjugado Rendim.  Fator pot. cos
Potência Corrente Conjug. com Conjug. % da potência nominal
Carcaça Rpm nominal nominal rotor máximo
CV kW 220 v kgfm bloqueado Cmax 50 75 100 50 75 100
Cp/Cn Cn
5,0 3,7 100L 1730 13,6 2,07 3,1 3,0 80,5 82,3 83,5 0,68 0,79 0,85

220  10  1,73  0,823  0,79


P= = 2,46kW → 3,34CV
1000
A maioria dos motores fornece um conjugado na partida até 3 vezes maior do que o nominal servindo
para iniciar a partida de equipamentos com grande massa de inércia desde que não sejam muitas
partidas por hora.

2 – Ou, em alguns casos, substituindo o acionamento motorizado por acionamento manual através do
sistema descrito a seguir:

Exemplo real: Rosca transportadora, acionada por um motor de 5,0CV e redutor de 1:27 que não
movimenta a rosca nem mesmo com 80kg de material, sendo que foi projetada para movimentar no
mínimo 250kg.

Dados da rosca
Comprimento: 6m
Diâmetro externo: 0,30m
Passo: 0,25m
Inclinação: 45°
Rpm: 62 rpm
Mancais em bronze fosforoso
Material a ser transportado: Areia de quartzo
Densidade do material: 2,0 ton/m³
Capacidade de transporte mínima desejada: 4 ton/h

40
Material necessário para o teste: Um tubo de aço com parede grossa e 1m de comprimento, um grifo de
cano de tamanho adequado, um saco de 60kg para ser enchido com o próprio material e balança para
mais de 100kg.

Calculando o torque fornecido pelo motoredutor


716,2 ∗ 𝐶𝑉 716,2 ∗ 5
𝑇2 = ∗𝜂 = ∗ 0,95 = 54,8𝑘𝑔𝑓𝑚
𝑟𝑝𝑚 62
𝜂 = 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑜 𝑟𝑒𝑑𝑢𝑡𝑜𝑟

Para substituir a força tangencial fornecida pelo motoredutor de 5,0CV, o peso necessário pendurado
na ponta do tubo com comprimento C = 1m, deverá ter o valor de:
𝑇2 54,8𝑘𝑔𝑓𝑚
𝐹𝑜𝑟ç𝑎 𝑝𝑒𝑠𝑜 = = = 54,8𝑘𝑔𝑓
𝐶 1𝑚

Se dispõe somente de uma alavanca de 0,80m aumentar o peso para


𝑇2 54,8𝑘𝑔𝑓𝑚
𝐹𝑜𝑟ç𝑎 𝑝𝑒𝑠𝑜 = = = 68𝑘𝑔𝑓
𝐶 0,80𝑚

O resultado será válido para alavanca posicionada exatamente na horizontal.

41
Para alavanca na posição inclinada em relação a horizontal, aumentar seu comprimento de acordo com
os desenhos a seguir:

Se, nas situações acima, o peso de 55kg movimentar com facilidade a rosca com o material, diminuir o
peso para valores menores. Neste caso, poderá também ser diminuído o comprimento da alavanca.
Dessa forma, verificar a potência realmente necessária para movimentar o material.
Para calcular a potência do novo motoredutor utilizar a fórmula

𝑝ê𝑠𝑜 ∗ 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑟. 𝑎𝑙𝑎𝑣𝑎𝑛𝑐𝑎 ∗ 𝑟𝑝𝑚


𝑃= = 𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝑟𝑒𝑛𝑑. 𝑑𝑜 𝑟𝑒𝑑𝑢𝑡𝑜𝑟

Neste exemplo, após executado os testes acima e visto que um peso bem menor do que 50kgf
movimentava a rosca, foi constatado que o motor não girava o equipamento porque não haviam ligado
os fios corretamente na caixa de ligação.

Nas páginas seguintes:


ACIONAMENTOS – MÉTODOS DE CÁLCUL0

42
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CORREIA TRANSPORTADORA APOIADA SOBRE ROLETES.


TRANSPORTADOR DE CORREIA PARA MATERIAIS A GRANEL

Transportador Tekroll

Para o cálculo da potência necessária para o acionamento de transportadores de correia apoiada sobre
roletes, devemos conhecer as cargas que incidem sobre os roletes e seus rolamentos, como a força
peso do material e da correia ao longo do transportador. Com esses dados podemos calcular a força de
tração necessária para vencer as forças resistentes devidas aos atritos da correia rolando sobre os
roletes e seus rolamentos e, quando for transportador em aclive, os valores referentes à elevação do
material.
Nos transportadores de correia para produtos a granel, normalmente, os dados de transporte são
informados em toneladas por hora (t/h).
Para facilitar o entendimento vamos efetuar os cálculos usando o sistema técnico de medidas.

Cálculo da força peso exercida pelo material (Gm) sobre a correia em função da capacidade de
transporte:
𝐿 ∗ 𝑇 ∗ 1000
𝐺𝑚 = = 𝑘𝑔𝑓
𝑣 ∗ 60
L = comprimento do transportador (m)
T = capacidade de transporte (ton/hora)
v = velocidade da correia (m/min)
Forças de atrito geradas pela correia rolando sobre os roletes de apoio

Podemos dividir as forças de atrito na parte superior e inferior da correia.


Na parte superior o valor dessa força será em função, principalmente, do peso da carga (𝐺𝑚 ), mais
metade do peso da correia (𝐺𝑏 ) e do contato com a correia com o rolete (f ) . O valor de f depende da
maior ou menor tensão de estiramento da correia como se pode observar na figura acima, mas, para
efeito de cálculo, será admitido um valor mais alto, ou seja, 4mm.

43
Para simplificação da fórmula, será considerado também o peso de todos os roletes (𝐺𝑟 ) do
transportador.
𝐺𝑏 𝑓 ∗ 2
𝐹𝑎𝑡𝑠 = [(𝐺𝑚 + ) ∗ ] + (𝐺𝑟 ∗ 𝜇𝑜 ) = 𝑘𝑔𝑓
2 𝑑

Na parte inferior da correia, a forças de atrito serão geradas principalmente pelo peso da correia
rolando sobre os roletes (e seus rolamentos) ou, em alguns casos, atrito de escorregamento da correia
diretamente sobre chapa de aço ou qualquer outro material. Os valores dos coeficientes de atrito estão
listados numa tabela mais abaixo.
𝐹𝑎𝑡𝑖 = 𝐺𝑏 ∗ 𝜇 = 𝑘𝑔𝑓 𝑜𝑢 𝐹𝑎𝑡𝑖 = 𝐺𝑏 ∗ 𝜇𝑜 = 𝑘𝑔𝑓
𝐺𝑚 = peso do material ao longo da correia (kgf)
𝐺𝑏 = peso da correia (kgf)
𝐺𝑟 = peso dos roletes (kgf)
d = diâmetro dos roletes de apoio (mm)
f = 4 mm = braço de alavanca da resistência ao rolamento entre correia e rolete.
𝜇 - coeficiente de atrito de escorregamento da correia de retorno sobre apoio deslizante
𝜇𝑜 - coeficiente de atrito de rolamento da correia sobre os roletes

Tipo de apoio Materiais em contato Coeficientes de atrito


Atrito de rolamento o Roletes com rolamentos 0,01
Correia/UHMW 0,56
Atrito de escorregamento  Correia de poliamida / aço 0,35
Correia de poliuretano / aço 0,36

Força para flexionar a correia em torno do tambor de acionamento e de retorno.


No cálculo da CEMA - Associação Americana dos Fabricantes de Transportadores- é admitido 41kg
para os dois tambores considerando correia de largura 84 polegadas. Então, podemos considerar para
correias de menor largura, uma força proporcionalmente diminuída.
𝐵
𝐹𝑓𝑙 = 41 ∗ = 0,49 ∗ 𝐵 = 𝑘𝑔𝑓
84
B – Largura da correia em polegadas
Forças adicionais 𝑭𝒂𝒅
Se fazem parte do sistema, devem ser somadas as forças resistentes devidas a outros componentes

𝐹𝑎𝑑 = 𝐹𝑟𝑎 + 𝐹𝑡𝑝 + 𝐹𝑔𝑢 = 𝑘𝑔𝑓


1 - 𝐹𝑟𝑎 = Força para vencer atritos em cada raspador:
𝐹𝑟𝑎 = 1,4 ∗ 𝐵 = 𝑘𝑔𝑓

2 - 𝐹𝑡𝑝 = Força para acionamento de cada tambor dos trippers conforme tabela a seguir:
Largura da correia
16 20 24 30 36 42 48 54 60 72 84
(polegada)
𝐹𝑡𝑝 (kgf) 22,7 37,7 49,8 63,4 67,9 72,5 77 81,5 86,1 95,3 104,5

44
3 - 𝐹𝑔𝑢 = Força de atrito referente às guias laterais:
𝐹𝑔𝑢 = (0,004 ∗ 𝐿𝑔 ∗ 𝐵) + (8,92 ∗ 𝐿𝑔 ) = 𝑘𝑔𝑓
𝐿𝑔 = comprimento das guias laterais (m)
B – Largura da correia em polegadas

Cálculo da força de tração


1 - Transportador horizontal:
𝐹𝑡 = 𝐹𝑎𝑡𝑠 + 𝐹𝑎𝑡𝑖 + 𝐹𝑓𝑙 + 𝐹𝑎𝑑 = 𝑘𝑔𝑓

Cálculo simplificado da força de tração. Fórmula prática para estimar a força de tração em
transportadores horizontais, baseada em um coeficiente de atrito em função do comprimento.
𝐹𝑡 = [(𝐺𝑚 + 𝐺𝑏 + 𝐺𝑟 ) ∗ 𝐶] + 𝐹𝑎𝑑 = 𝑘𝑔𝑓

O valor de C é obtido na tabela a seguir


COEFICIENTE C PARA CORREIA APOIADA SOBRE ROLETES
Compr. (m) Até 5 5-15 15-30 30-60 60-90 90-120 120-150 150-200
C 0,13 0,12 0,08 0,055 0,045 0,035 0,032 0,03

2 - Transportador em aclive:
Força para elevar o material a uma altura H
𝐻
𝐹𝑒 = 𝐺𝑚 ∗ = 𝑘𝑔𝑓
𝐿
H – altura de elevação ou desnível (m)
L – comprimento do transportador (m)

Cálculo da força de tração para transportador em aclive


𝐹𝑡 = 𝐹𝑎𝑡𝑠 + 𝐹𝑎𝑡𝑖 + 𝐹𝑓𝑙 + 𝐹𝑎𝑑 + 𝐹𝑒 = 𝑘𝑔𝑓

Para transportadores com muita carga, alta velocidade e muitas partidas por hora, é bom verificar a
FORÇA DE ACELERAÇÃO das massas em movimento através das fórmulas:
𝐺 ∗𝑣
𝐹𝑎 = = 𝑘𝑔𝑓
60 ∗ 9,8 ∗ 𝑡𝑎
𝐹𝑎 = força de aceleração
G = peso total = 𝐺𝑚 +𝐺𝑏 + 𝐺𝑟
v = velocidade da correia (m/min)
𝑡𝑎 = tempo de aceleração. A maioria dos motores admite até 6s para acelerar quando há poucas
partidas por hora.

Cálculo do momento de torção requerido no eixo do tambor de acionamento:


M = (Fa + Ft )
D
= kgfm
2 1000

Cálculo da rotação por minuto no eixo do tambor.


v 1000
n= = rpm
 D
v = velocidade da correia (m/min)
D = diâmetro do tambor de acionamento (mm)

Pode ser selecionado o redutor e o acoplamento de ligação entre os eixos do redutor e do tambor em
função de torque e redução

45
Cálculo da potência requerida de acionamento no eixo de entrada do redutor /eixo do motor:
a - A partir do torque e da rpm do tambor:
𝑀∗𝑛
𝑃= = 𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂

b - A partir da soma de 𝐹𝑎 + 𝐹𝑡 e da velocidade de transporte:


(𝐹𝑎 + 𝐹𝑡 ) ∗ 𝑣
𝑃= = 𝐶𝑉
60 ∗ 75 ∗ 𝜂
P = potência requerida de acionamento – potência mínima do motor
M = momento de torção requerido no eixo do tambor
n = rpm no eixo do tambor de acionamento
 = rendimento do redutor
v = velocidade do transportador em m/min
Para obter a potência em kW multiplicar o valor por 0,736

No cálculo de potência foi considerado a força de tração para vencer os atritos somado à força de
aceleração das massas em movimento do transportador. Na maioria dos transportadores o momento
de aceleração das massas em movimento é menor do que o momento necessário para vencer os
atritos, principalmente quando se admite um tempo de aceleração próximo de 6 segundos. Sendo que
a maioria dos motores na partida fornece o dobro ou mais do momento nominal, esse adicional de
torque poderia ser aproveitado para dar a partida se forem poucas por hora. Mas na seleção do
redutor e do acoplamento há necessidade de adicionar a força de aceleração ao cálculo.

CORREIA TRANSPORTADORA APOIADA SOBRE CHAPA METÁLICA

Chapa de apoio

Para calcular o torque requerido para o acionamento deste tipo de transportador onde a correia
desliza sobre uma chapa lisa de aço, devemos considerar o peso do material distribuído sobre a
correia somado ao peso da mesma.
Quando for informado a capacidade de transporte em kg/h, aplicar a seguinte fórmula para cálculo do
peso do material sobre o transportador
𝐿∗𝑄
𝐺𝑚 = = 𝑘𝑔𝑓
𝑣 ∗ 60
L = comprimento do transportador (m)
Q = kg/h de material transportado
v = velocidade do transportador (m/min.)
1 – Transportador horizontal
𝐷
𝑀 = (𝐺𝑚 + 𝐺𝑐 ) ∗ 𝜇 ∗ = 𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000

46
2 – Transportador inclinado

𝐷
𝑀 = [𝐺𝑚 ∗ 𝑠𝑒𝑛 ∝ +(𝐺𝑚 + 𝐺𝑐 ) ∗ 𝑐𝑜𝑠 ∝∗ 𝜇] ∗ = 𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000
M = Momento de torção necessário no eixo do tambor de acionamento
𝐺𝑚 = força peso do material sobre o transportador (kgf)
𝐺𝑐 = força peso da correia (kgf)
D = diâmetro do tambor (mm)
 =  a  para correia de material sintético deslizando sobre chapa de aço
A
 = ângulo de inclinação em graus = sen =
L

Cálculo da rotação por minuto no eixo do tambor / eixo de saída do redutor.

𝑣 ∗ 1000
𝑛= = 𝑟𝑝𝑚
𝜋∗𝐷
v = velocidade da correia (m/min)
D = diâmetro do tambor de acionamento (mm)

Cálculo da potência necessária de acionamento

𝑀∗𝑛
𝑃= = 𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂
Para obter a potência em kW multiplicar o valor por 0,736
M = momento de torção necessário no eixo do tambor
n = rotação no eixo do tambor de acionamento
 = rendimento do motoredutor.

Exemplo de aplicação
Iremos utilizar como exemplo o projeto de uma esteira transportadora de peças automotivas.
Detalhes do projeto

47
Capacidade de transporte: 1260 peças por hora
Massa de cada peça com embalagem = 15kg
Massa da correia: 10kg
Comprimento do transportador = 7m
Diâmetro do tambor: 141,3mm
Largura da correia: 280mm
Velocidade desejada: 20m/min

Inicialmente devo saber qual o peso a ser transportado no tempo de 1 hora.


Q = peso total das peças a ser transportado em 1 hora = 1260 peças/hora x 15kgf = 18900kgf/h

Para calcular a força peso do material sobre a esteira num momento qualquer 𝐺𝑚
𝐿∗𝑄 7𝑚 ∗ 18900𝑘𝑔𝑓/ℎ
𝐺𝑚 = = = 110𝑘𝑔𝑓
𝑣 ∗ 60 20𝑚/𝑚𝑖𝑛 ∗ 60
L = comprimento do transportador em m
Q = capacidade de transporte em kgf/h
v = velocidade em m/min

Para selecionar a correia é necessário calcular a força de tração 𝐹𝑡 exercida sobre a mesma
𝐹𝑡 = 𝐺𝑚 ∗ 𝜇 = 110𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,4 = 44𝑘𝑔𝑓
 = coeficiente de atrito de escorregamento = 0,30 a 0,40 para correia de material sintético
deslizando sobre chapa de aço

Carga de trabalho exercida pela força de tração sobre toda a largura da correia – 280mm
𝐹𝑡 44𝑘𝑔𝑓
𝐶𝑡 = = = 0,15𝑘𝑔𝑓/𝑚𝑚
𝑙 280𝑚𝑚

Cálculo do momento de torção necessário no eixo do tambor / eixo de saída do redutor


𝐷 141𝑚𝑚
𝑀 = (𝐺𝑚 + 𝐺𝑐 ) ∗ 𝜇 ∗ = (110𝑘𝑔𝑓 + 10𝑘𝑔𝑓 ) ∗ 0,4 ∗ = 3,4𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000 2 ∗ 1000
Gm = força peso do material sobre o transportador (kgf)
Gc = força peso da correia (kgf)
D = diâmetro do tambor (mm)

Cálculo da rotação no eixo do tambor / eixo de saída do redutor


𝑣 ∗ 1000 20𝑚 ⁄𝑚𝑖𝑛 ∗ 1000
𝑛= = = 45𝑟𝑝𝑚
𝜋∗𝐷 3,14 ∗ 141𝑚𝑚
v = velocidade da correia (m/min)
Conhecendo o momento de torção necessário para o acionamento e a rotação por minuto no eixo do
tambor / eixo de saída do redutor pode ser selecionado o motoredutor

Motoredutor NMRZ 50 redução 1:40 eixo de saída vazado com flange # 110mm e motor 0,5CV 4 polos.
Torque nominal: 7,5kgfm; rotação de saída com motor de 4 polos = 43rpm; capacidade nominal:
0,68CV; rendimento: 0,71

Cálculo da potência requerida do motor a partir do torque calculado M e rotação n


𝑀∗𝑛 3,4𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 43𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 0,3𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂 716,2 ∗ 0,71
 = rendimento do motoredutor.

48
Relação de correias transportadoras fabricadas pela DAMATEC

49
ASSESSOTEC
ASSESSORIA TÉCNICA EM ACIONAMENTOS
José Luiz Fevereiro Cel. (11) 9.9606.7789

TRANSPORTADOR DE CORRENTE

Para calcular a potência necessária para acionamento de transportadores de corrente, considerar o


peso do material distribuído sobre o transportador somado ao peso da corrente e das placas ou
taliscas. A corrente que trabalha sobre as guias de apoio gera uma força de atrito resistente ao
movimento. Quando em aclive (figura abaixo), a força da gravidade, atuando sobre a carga, também
gera resistência ao movimento que deve ser vencida pelo conjunto motor redutor. O peso da corrente
e taliscas não é influenciado pela força da gravidade porque estará em equilíbrio ou seja: o peso da
parte que sobe é o mesmo da parte que desce, mantendo o equilíbrio, mas continua valendo a força de
atrito com as guias ainda que de menor valor.
As fórmulas estão no sistema técnico para facilitar os cálculos
Para o cálculo do momento de torção
1 – Para transportador horizontal:
M = (Gca + Gco ) 
D
= kgfm
2 1000

2 – Para transportador em aclive:

𝐷
𝑀 = [𝐺𝑐𝑎 ∗ 𝑠𝑒𝑛𝜃 + (𝐺𝑐𝑎 + 𝐺𝑐𝑜 ) ∗ 𝑐𝑜𝑠𝜃 ∗ 𝜇] ∗ = 𝑘𝑔𝑓𝑚
2000

M = Momento de torção necessário ou requerido no eixo da engrenagem de acionamento


Gca = força peso da carga sobre o transportador (kgf)
Gco = força peso da corrente + placas ou taliscas (kgf)

50
D = diâmetro da engrenagem de acionamento (mm)
 =  para corrente de aço deslizando sobre poliamida
 (estático) = 0,12 para corrente de aço deslizando sobre apoios de aço (sem lubrificação)
 (dinâmico) = 0,08 para corrente de aço deslizando sobre apoios de aço (sem lubrificação)
 (estático) = 0,12 para corrente de aço deslizando sobre apoios de aço (engraxado)
 (dinâmico) = 0,04 para corrente de aço deslizando sobre apoios de aço (engraxado)
A
 = ângulo de inclinação em graus = sen =
L

Calculando a rotação por minuto no eixo da engrenagem motora / eixo de saída do redutor.
v 1000
n= = rpm
 D
v = velocidade do transportador (m/min)
D = diâmetro da engrenagem de acionamento (mm)

Definido o momento de torção no eixo da engrenagem e a rotação por minuto pode-se partir para a
seleção do motor e do redutor. Se o mesmo for montado direto no eixo da engrenagem, multiplicar o
torque necessário M pelo fator de serviço e com este valor selecionar o tamanho do redutor ou
motorredutor pelo torque de saída. Na mesma tabela pode ser verificado qual a
capacidade de entrada ou potência do motor, mas neste caso, não esquecer que já está incluído o
rendimento do redutor.
Se preferir, a potência do motor e a capacidade do redutor em CV no eixo de entrada, pode ser
calculada pela fórmula:
M n
P= = CV → Para obter a potência em kW multiplicar o valor por 0,736
716,2 
P = potência requerida de acionamento
M = momento de torção nominal no eixo da engrenagem
n = rpm no eixo da engrenagem de acionamento
 = rendimento do motoredutor.

Outro método de cálculo

51
ASSESSOTEC
ASSESSORIA TÉCNICA EM ACIONAMENTOS
José Luiz Fevereiro Cel. (11) 9.9606.7789

ROSCA TRANSPORTADORA– TRANSPORTADOR HELICOIDAL


Planilha de cálculos

Cálculo da capacidade de transporte


𝑄 = 47 ∗ 𝐷2 ∗ 𝑝 ∗∝∗ 𝛾 ∗ 𝑛 = 𝑡/ℎ
Q = Capacidade de transporte (t/h)
L = comprimento da rosca (m)
 = grau de enchimento conforme tabela abaixo
 = densidade do material (t/m³)
D = diâmetro externo da rosca (m)
p = passo da rosca (m)
n = rotação por minuto (determine ou consulte tabela abaixo)

Fórmula para o cálculo da potência de acionamento e tabelas extraídas do livro TRANSPORTI


MECCANICI de Vittorio Zignoli
𝑃 = (0,004 ∗ 𝐿) ∗ (𝜇 ∗ 𝑛 + 𝛽 ∗ 𝑄) = 𝐶𝑉
 = coeficiente de atrito dos mancais conforme tabela abaixo
 = fator referente coeficiente de atrito entre a rosca e o material conforme tabela a seguir

Nota: A fórmula de cálculo de Vittorio Zignoli é a mesma para roscas horizontais e inclinadas
possivelmente porquê, na rosca inclinada, considera que parte do material escapa pela folga entre a
rosca e a calha diminuindo a capacidade de transporte. Em relação a outros métodos de cálculo
apresenta valores maiores no resultado compensando perda de potência com sistema de transmissão.

Cálculo da potência do motor pelo método ASSESSOTEC

Cálculo da força peso do material sobre a rosca


𝐷 2
𝐺 = 𝜋 ( ) 𝐿 ∗ 𝛼 ∗ 𝛾 ∗ 1000 = 𝑘𝑔𝑓
2
Cálculo da capacidade de transporte
𝐺 ∗ 𝑝 ∗ 𝑛 ∗ 60
𝑄= = 𝑡/ℎ
𝐿 ∗ 1000

Cálculo da potência do motor


(𝐺 ∗ 𝛽) + (𝐺 ∗ 𝑠𝑒𝑛𝜃) ∗ (1 + 𝜇) ∗ 𝑝 ∗ 𝑛
𝑃= = 𝐶𝑉
4500 ∗ 𝜂

 = ângulo de inclinação
 = rendimento do redutor

52
CLASSES DOS MATERIAIS
Fator adicional  (referente atrito da rosca com o material)
Densidade 
Grau de enchimento 

CLASSE I – Material em pó não abrasivo com bom escorregamento  =   =    t/m³
   
Cal em pó hidratada   Farinha de linho  
Carvão em pó   Farinha de trigo  
Farelo   Cevada granulada  

CLASSE II – Material granulado ou em pedaços com pó, não abrasivo, com bom escorregamento
 =   =    t/m³
   
Pó de alumínio   Grão de café / grão de cacau  
Cal hidratada   Semente de algodão  
Carvão granulado   Grão de trigo  
Grafite granulado   Grão de soja  

CLASSE III – Material semi abrasivo em pequenos pedaços misturados com pó


 =   =  a  t/m³
   
Alumina granulada   Avelã torrada  
Asbesto granulado   Gesso granulado calcinado  
Bórax granulado   Lignite granulado  
Manteiga / toicinho / banha   Cevada moída  

CLASSE IV – Material abrasivo em pó ou semi abrasivo em pedaços com pó


 =   = 0,8 a 1,6 t/m³
   
Asfalto em pedaços   Argila em pó  
Bauxita em pó   Farinha de ossos  
Cimento em pó   Feldspato em pó  
Dolomita   Grão de rícino  
Areia de fundição   Resina sintética  

COEFICIENTE DE ATRITO DOS MANCAIS E VELOCIDADE MÁXIMA ADMISSÍVEL EM FUNÇÃO DAS


CLASSES DOS MATERIAIS E DO DIÂMETRO DA ROSCA
Diâmetro Rotação por minuto máxima Coeficiente de atrito  referente mancais
externo admissível em função da classe Mancais Mancais em Mancais
D com bronze em bronze
(mm) rolamento lubrificado fosforoso
I II III IV V
100 180 120 90 70 31 0,012 0,021 0,033
150 170 115 85 68 30 0,018 0,033 0,054
200 160 110 80 65 30 0,032 0,054 0,096
250 150 105 75 62 28 0,038 0,066 0,114
300 140 100 70 60 28 0,055 0,096 0,171
350 130 95 65 58 27 0,078 0,135 0,255
400 120 90 60 55 27 0,106 0,186 0,336
450 110 85 55 52 26 0,140 0,240 0,414
500 100 80 50 50 25 0,165 0,285 0,510

53
O fabricante americano STEPHENS. ADAMSON MFG. CO indica valores diferentes para o coeficiente de
atrito  dos materiais com a rosca. Veja a seguir:
Materiais −t/m³  Materiais (não incluídos na lista −t/m³ 
acima)
Alumina 1,7 2,0 Açúcar de cana ou beterraba refin. 1,4 2,0
Asfalto moído 1,3 0,5 Açúcar (raw) não refinado 2,0
Bauxita moída 2,2 1,8 Açúcar (beet pulp) seco 0,4 1,0
Cal, seixo 1,5 1,3 Açúcar (beet pulp) molhado 1,0 1,0
Cal (pedra) moída 2,4 2,0 Amendoim descascado 1,1 0,5
Cal (pedra) em pó 2,2 1,0 Areia seca 2,0 2,0
Cal hidratada 1,1 0,8 Arroz 1,0 0,5
Cal hidratada em pó 1,1 0,6 Aveia 0,5 0,4
Carvão (antracita) em pedaços 1,7 1,0 Cacau (beans) 1,0 0,6
Cimento Portland 2,2 1,0 Centeio 1,2 0,4
Café verde 0,9 0,4 Cevada 0,6 0,4
Café torrado 0,7 0,5 Farinha de soja 1,1 0,5
Farinha de soja 1,1 0,5 Germe de trigo 0,8 0,8
Gesso moído 2,5 2,0 Sabão pedaços 0,3 0,6
Gesso em pó 2,0 1,0 Sabão em pó 0,6 0,9
Milho 0,8 0,4 Sal seco grosso 1,3 1,2
Semente de algodão seco 1,0 0,5 Sal seco fino 2,1 1,2
Semente de algodão com casca 0,3 0,9 Serragem 0,3 0,7

Exemplo de aplicação

Dados:
Comprimento da rosca: 15m
Diâmetro externo da rosca: 0,15m
Passo da rosca: 0,15m
Inclinação:  = 20°
Rotação da rosca 115 rpm
Produto a ser transportado: Semente de algodão
Densidade 0,8 ton/m³
Mancais em bronze fosforoso
Capacidade de transporte mínima desejada: 4 ton/h

Cálculo da capacidade de transporte


𝑄 = 47 ∗ 𝐷2 ∗ 𝑝 ∗∝∗ 𝛾 ∗ 𝑛 = 47 ∗ 0,152 ∗ 0,15 ∗ 0,3 ∗ 0,8 ∗ 115 = 4.38𝑡/ℎ

Consultando a tabela para selecionar grau de enchimento, peso específico e coeficiente de atrito do
material com a rosca;
CLASSE II – Material granulado; grau de enchimento  =  densidade  = 0,8 t/m³; coeficiente de
atrito  = 
Consultando a tabela para selecionar coeficiente de atrito relativo aos mancais
Mancais em bronze fosforoso e diâmetro da rosca 150mm,  = 
Cálculo da potência do motor
𝑃 = (0,004 ∗ 𝐿) ∗ (𝜇 ∗ 𝑛 + 𝛽 ∗ 𝑄) = (0,004 ∗ 15) ∗ (0,054 ∗ 115 + 1,2 ∗ 4,38) = 0,68𝐶𝑉

54
Cálculo da potência do motor pelo método ASSESSOTEC

Cálculo da força peso do material sobre a rosca


𝐷 2 0,15 2
𝐺 = 𝜋 ( ) 𝐿 ∗ 𝛼 ∗ 𝛾 ∗ 1000 = 𝜋 ( ) 15 ∗ 0,3 ∗ 0,8 ∗ 1000 = 63,585𝑘𝑔𝑓
2 2

Cálculo da capacidade de transporte


𝐺 ∗ 𝑝 ∗ 𝑛 ∗ 60 63,58 ∗ 0,15 ∗ 115 ∗ 60
𝑄= = = 4,38𝑡/ℎ
𝐿 ∗ 1000 15 ∗ 1000

Cálculo da potência do motor


(𝐺 ∗ 𝛽) + (𝐺 ∗ 𝑠𝑒𝑛𝜃) ∗ (1 + 𝜇) ∗ 𝑝 ∗ 𝑛
𝑃= = 𝐶𝑉
4500 ∗ 𝜂

(63,58 ∗ 1,2) + (63,58 ∗ 𝑠𝑒𝑛20)


∗ (1 + 0,054) ∗ 0,15 ∗ 115 = 0,44𝐶𝑉
4500 ∗ 0,9

Seleção do motor: Considerando a potência calculada de 0,68CV, na lista de fabricantes o motor 0,75CV
4 polos (1720rpm) atende a necessidade com alguma folga.

Seleção do redutor: A redução do redutor (i) deve ser calculada dividindo a rpm do motor pela rpm da
rosca. Neste caso, 1720 / 115 = 14,95 ou, arredondando, i= 15 ou ainda 1:15. Para seleção do
tamanho do redutor em função da sua capacidade nominal, deve ser considerado que pode haver
travamento da rosca e, devido ao conjugado máximo (torque) do motor possivelmente muito acima do
nominal no momento do travamento, o redutor deve ser selecionado com reserva na sua capacidade
de transmitir e multiplicar o torque do motor para o eixo da rosca. O ideal é com fator de serviço 2 ou
seja, 100% a mais da sua capacidade nominal.
Na lista da maioria dos fabricantes, o redutor a rosca sem fim com redução 1:15 e 50mm de entre
centros dos eixos de entrada e saída, tem sua capacidade nominal de 1,45CV ou seja, fator de serviço
1,93 sobre o motor e acima de 2 sobre a potência necessária para realizar o trabalho de movimentação
do material.
Para o acionamento, poderia ser selecionado redutor coaxial a engrenagens helicoidais (figura 1
abaixo) mas, em geral, são mais caros do que redutor a rosca sem fim apesar de necessitarem de motor
de menor potência por causa do seu maior rendimento. Neste caso, o motoredutor coaxial do mesmo
fabricante, capacidade nominal de 1,0CV, com eixo de saída maciço de 20mm, custaria 84% a mais
além de exigir o uso de acoplamento elástico entre os eixos e também base de sustentação.
Uma opção intermediária no custo, seria o motoredutor com engrenagens helicoidais, eixo de saída
vazado e sistema de montagem que dispensa o uso de acoplamento elástico e base do motoredutor

Opção selecionada com motoredutor a rosca sem fim Siti MU50; redução 1:15; capacidade nominal
1,45CV; torque no eixo de saída 7,0kgfm a rosca sem fim

55
ASSESSOTEC
ASSESSORIA TÉCNICA EM ACIONAMENTOS
José Luiz Fevereiro Cel. (11) 9.9606.7789

CARRO DE TRANSPORTE DE CARGA


Planilha de cálculos
No cálculo da potência requerida de acionamento de um carro de transporte temos,
Acionamento direto no eixo das rodas
Exemplo - Dados:
Massa da carga + massa do carro = 25000kg Velocidade = 15m/min
Diâmetro da roda 300mm Tempo de aceleração = 3s
Considerar a possibilidade de algum desalinhamento no paralelismo dos trilhos

Motoredutor Carro

Cálculo do momento de torção devido aos atritos de rolamento no eixo das rodas - 𝑀𝑎𝑡
Considere o peso do carro + peso da carga concentrado em uma única roda.
1- Fórmula utilizada para rodas de aço sobre trilhos e terreno nivelado
No sistema internacional
(𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 + 𝑓2 ) (0,5 ∗ 1,5 + 0,1)
𝑀𝑎𝑡 = 𝑚 ∗ 𝑔 ∗ = 25000𝑘𝑔 ∗ 9,8𝑚/𝑠² ∗ = 208,2𝑁𝑚
1000 1000

No sistema técnico
(𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 + 𝑓2 ) (0,5 ∗ 1,5 + 0,1)
𝑀𝑎𝑡 = 𝐺 ∗ = 25000𝑘𝑔𝑓 ∗ = 21,2𝑘𝑔𝑓𝑚
1000 1000
m = massa da carga + massa do carro (kg)
G = Força peso da carga + força peso do carro (kgf)
𝑓1 = braço de alavanca da resistência ao rolamento da roda de aço sobre os trilhos: 0,5mm
𝑓2 = braço de alavanca da resistência ao rolamento dos mancais: 0,1 para mancais de
rolamento
𝑘𝑓 = Valor relativo ao atrito dos flanges das rodas com os trilhos
1,2 para trilhos bem alinhados - 1,5 para trilhos mal alinhados

2- Fórmula utilizada para rodas com pneus rolando sobre asfalto ou concreto nivelado
No sistema internacional No sistema técnico
𝑓3 𝑓3
𝑀𝑎𝑡 = 𝑚 ∗ 𝑔 ∗ = 𝑁𝑚 𝑀𝑎𝑡 = 𝐺 ∗ = 𝑘𝑔𝑓𝑚
1000 1000
𝑓3 = braço de alavanca da resistência ao rolamento: 4mm

Convertendo a velocidade para m/s


15𝑚/𝑚𝑖𝑛
= 0,25𝑚/𝑠
60
56
Cálculo do momento de aceleração para a partida.

No sistema técnico
𝐺∗𝑣 𝐷 25000𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,25𝑚/𝑠 0,3𝑚
𝑀𝑎 = ( )∗ = ( )∗ = 31,8𝑘𝑔𝑓𝑚
9,8 ∗ 𝑡𝑎 2 9,8 ∗ 3𝑠 2

No sistema internacional
𝑚∗𝑣 𝐷 25000𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,25𝑚/𝑠 0,3𝑚
𝑀𝑎 = ( )∗ =( )∗ = 312,5𝑁𝑚
𝑡𝑎 2 ∗ 1000 3𝑠 2

m = massa
v = m/s
D = Diâmetro das rodas (m)
𝑡𝑎 = tempo de aceleração (s)

Cálculo da rotação por minuto no eixo das rodas


𝑣 15𝑚/𝑚𝑖𝑛
𝑛= = = 15,9𝑟𝑝𝑚
𝜋 ∗ 𝐷 3,1416 ∗ 0,3𝑚
v = velocidade do carro (m/min) D = diâmetro da roda (m)

Cálculo da potência requerida para o acionamento no eixo das rodas – eixo de saída do redutor:

No sistema técnico
(𝑀𝑎𝑡 + 𝑀𝑎 ) ∗ 𝑛 (21,2𝑘𝑔𝑓𝑚 + 31,8𝑘𝑔𝑓𝑚 ) ∗ 15,9𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 1,24𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂 716,2 ∗ 0,95

No sistema internacional
(𝑀𝑎𝑡 + 𝑀𝑎 ) ∗ 𝑛 (208,2𝑁𝑚 + 312,5𝑁𝑚 ) ∗ 15,9𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 0,91𝑘𝑊
9550 ∗ 𝜂 9550 ∗ 0,95

n = rotação por minuto no eixo da roda  = rendimento do redutor

Quando não houver controle sobre o tempo de aceleração, em equipamentos com baixo momento de
atrito e alto momento de inércia como este, é importante que o redutor seja selecionado com fator de
serviço 1,5 ou mais sobre o motor.
Neste caso, a aceleração assim como a desaceleração antes do freio entrar em operação, serão
controladas pelo inversor de frequência.

Acionamento externo

No caso de acionamento externo por qualquer tipo de cabo ou corrente, é necessário calcular a força
resistente aos atritos de rolamento nas rodas:
-- para rodas de aço rolando sobre trilhos
2 ∗ (𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 + 𝑓2 )
𝐹𝑟 = 𝐺 ∗ = 𝑘𝑔𝑓
𝐷𝑟

57
𝐷𝑟 – Diâmetro das rodas (mm)
𝑘𝑓 - Valor relativo ao atrito dos trilhos com o flange das rodas
1,2 para trilhos bem alinhados
1,5 para trilhos mal alinhados
G - Peso da carga + peso do carro (kgf)
𝑓1 = braço de alavanca da resistência ao rolamento da roda de aço sobre os trilhos: 0,5mm
𝑓2 = braço de alavanca da resistência ao rolamento dos mancais: 0,1 para rolamentos
- rodas com pneus rolando sobre asfalto ou concreto
2 ∗ 𝑓3
𝐹𝑟 = 𝐺 ∗ = 𝑘𝑔𝑓
𝐷𝑟
𝑓3 = braço de alavanca da resistência ao rolamento: 4mm

Cálculo da força de aceleração


𝐺 ∗𝑣
𝐹𝑎 = = 𝑘𝑔𝑓
9,8 ∗ 60 ∗ 𝑡𝑎
v = velocidade do carro = m/min
𝑡𝑎 = tempo de aceleração em segundos

Cálculo da força de tração


𝐹𝑡 = 𝐹𝑟 + 𝐹𝑎 = 𝑘𝑔𝑓

Cálculo do momento de torção no eixo da polia – eixo de saída do redutor


𝐷𝑝
𝑀𝑡 = 𝐹𝑡 ∗ = 𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000

Cálculo da rotação por minuto no eixo da polia - eixo de saída do redutor:


𝑣 ∗ 1000
𝑛= = 𝑟𝑝𝑚
𝜋 ∗ 𝐷𝑝
v = velocidade do carro (m/min)
Dp = diâmetro da polia (mm)

Para o cálculo da potência requerida ou potência mínima do motor e capacidade do redutor:


𝑀𝑡 ∗ 𝑛
𝑃= = 𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂

Para obter a potência em 𝑘𝑊 multiplicar o valor por 0,736


n = rotação por minuto no eixo da polia

 = rendimento do redutor

58
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ASSESSORIA TÉCNICA EM ACIONAMENTOS
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GUINCHOS DE ARRASTE
Planilha de cálculos

Para calcular a potência requerida para o acionamento, somar o peso do carro + carga e anotar o
diâmetro das rodas. Se houver inclinação do terreno, anotar o desnível (dimensões C e A).
Cálculo da força resistente ao rolamento devido aos atritos nas rodas:
1 - Plano horizontal:
(𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 + 𝑓2 )
𝐹𝑟 = 𝐺 ∗ = 𝑘𝑔𝑓 → 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑟𝑜𝑑𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑎ç𝑜 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑡𝑟𝑖𝑙ℎ𝑜𝑠
𝑟
(𝑓1 + 𝑓2 )
𝐹𝑟 = 𝐺 ∗ = 𝑘𝑔𝑓 → 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑟𝑜𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑚 𝑝𝑛𝑒𝑢𝑠 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑎𝑠𝑓𝑎𝑙𝑡𝑜 𝑜𝑢 𝑐𝑜𝑛𝑐𝑟𝑒𝑡𝑜
𝑟

2- Em terreno inclinado

𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 𝐴
𝐹𝑟 = 𝐺 ∗ + 𝐺 ∗ = 𝑘𝑔𝑓 → 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑟𝑜𝑑𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑎ç𝑜 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑡𝑟𝑖𝑙ℎ𝑜𝑠
𝑟 𝐶
𝑓1 𝐴
𝐹𝑟 = 𝐺 ∗ + 𝐺 ∗ = 𝑘𝑔𝑓 → 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑟𝑜𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑚 𝑝𝑛𝑒𝑢𝑠 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑎𝑠𝑓𝑎𝑙𝑡𝑜 𝑜𝑢 𝑐𝑜𝑛𝑐𝑟𝑒𝑡𝑜
𝑟 𝐶
G = força peso do carro +carga (kg)
𝑓1 = braço de alavanca da resistência ao rolamento:
- roda de aço sobre trilho = 0,5mm
- eixo de aço e roda de madeira = 1,2mm
- pneu ou roda revestida com borracha rodando sobre asfalto ou concreto liso = 4mm
𝑘𝑓 = coeficiente de atrito referente flange da roda =1,2 a 1,5 para rodas sobre trilhos
𝑓2 = braço de alavanca da resistência ao rolamento dos mancais: 0,1 para mancais de rolamento
r = raio da roda (mm)
Cálculo da força de aceleração
𝐺 ∗𝑣
𝐹𝑎 = = 𝑘𝑔𝑓
9,8 ∗ 60 ∗ 𝑡𝑎

59
v = velocidade do carro (m/min)
𝑡𝑎 = tempo de aceleração desejado (s).
A força de tração Ft é igual a soma da força resistente com a força de aceleração
𝐹𝑡 = 𝐹𝑟 + 𝐹𝑎

Tendo a força de tração, determine o diâmetro do cabo e do tambor. Estime a quantidade de camadas
do cabo acumuladas em torno do tambor e calcule o diâmetro efetivo conforme fórmula.

Cálculo do diâmetro efetivo do conjunto tambor + cabo


𝐷𝑒 = 𝐷𝑡 + 𝐷𝑐 ∗ 𝑞
Dt = Diâmetro do tambor
Dc = Diâmetro do cabo
q = Quantidade de camadas do cabo em torno do tambor

Cálculo do momento de torção no eixo do tambor / eixo de saída do redutor:


𝐹𝑡 ∗ 𝐷𝑒
𝑀= = 𝑘𝑔𝑓𝑚
1000 ∗ 2

Cálculo da rpm em função da velocidade máxima


1000 ∗ 𝑣
𝑛= = 𝑟𝑝𝑚
𝜋 ∗ 𝐷𝑒
v = velocidade máxima (m/min)

Cálculo da potência requerida em função da velocidade máxima desejada:


𝑀∗𝑛
𝑃= = 𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂
Para obter a potência em kW multiplique o valor por 0,736
 = rendimento do redutor

Exemplo de aplicação com seleção do motor e redutor


Peso próprio do carro: 10000kgf
Carga: 70000kgf
Velocidade: 15 m/min
Diâmetro das rodas de aço: 414mm → r = 207mm
Curso do carro: 22m
Terreno nivelado

Cálculo da força resistente Fr, referente aos atritos nas rodas considerando que os trilhos estão
nivelados:
(𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 + 𝑓2 ) 0,5 ∗ 1,4 + 0,1
𝐹𝑟 = 𝐺 ∗ = 80000𝑘𝑔𝑓 ∗ = 309𝑘𝑔𝑓
𝑟 207𝑚𝑚

Cálculo da força de aceleração


𝐺 ∗𝑣 80000𝑘𝑔𝑓 ∗ 15𝑚/𝑚𝑖𝑛
𝐹𝑎 = = = 680𝑘𝑔𝑓
9,8 ∗ 60 ∗ 𝑡𝑎 9,8 ∗ 60 ∗ 3𝑠

A força de tração Ft é igual a soma da força resistente com a força de aceleração


𝐹𝑡 = 𝐹𝑟 + 𝐹𝑎 = 309 + 680 = 989𝑘𝑔𝑓

Diâmetro do cabo 9,5mm = carga de ruptura 5960kgf. Fator de segurança = 5960 / 989 = 6
Diâmetro do tambor: 216mm

60
Cálculo do diâmetro efetivo considerando 2 camadas de cabo em torno do tambor
𝐷𝑒 = 𝐷𝑡 + 𝐷𝑐 ∗ 𝑞 = 216𝑚𝑚 + 9,5𝑚𝑚 ∗ 2 = 235𝑚𝑚

Momento de torção no eixo do tambor / eixo de saída do redutor


𝐹𝑡 ∗ 𝐷𝑒 989𝑘𝑔𝑓 ∗ 235𝑚𝑚
𝑀= = = 116,2𝑘𝑔𝑓𝑚
1000 ∗ 2 2000

Cálculo da rpm em função da velocidade máxima


1000 ∗ 𝑣 1000 ∗ 15𝑚/𝑚𝑖𝑛
𝑛= = = 20,3𝑟𝑝𝑚
𝜋 ∗ 𝐷𝑒 3,14 ∗ 235𝑚𝑚

Cálculo da potência requerida em função da velocidade máxima:


𝑀∗𝑛 116,2𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 20,3𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 3,6𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂 716,2 ∗ 0,92
 = rendimento do redutor
Redutor selecionado: Siti MBH 100 B5-100 com eixo de saída vazado; redução: 1:82,6;
Capac. nominal a 1700 rpm: 5,27CV; torque nominal no eixo de saída: 171 kgfm
Fator de serviço em relação ao torque necessário: 171/116 = 1,47
Motor recomendado 4,0CV - 4 polos - Conjugado nominal 1,66 kgfm em regime

GUINCHOS PARA ARRASTE DE BARCOS

Para calcular a potência requerida para o acionamento de guincho para retirar barcos da água em uma
rampa. Considerar o peso do barco com tudo que estiver dentro + peso da carreta, velocidade
desejada e dimensões da rampa. A fórmula de cálculo da potência do motor deve considerar, para
efeito de segurança, a possibilidade de uma roda estar travada pela entrada de água dentro de um
rolamento, o que acontece frequentemente. O coeficiente de atrito de escorregamento do pneu
travado, inflado e molhado varia 0,25 a 0,7. No caso de uma carreta com 4 rodas, como somente
aproximadamente1/4 do peso estará sobre uma das rodas travadas, na fórmula foi tomado o valor de
0,6/4 = 0,15 para determinar a força de tração Ft. Nesse caso, o coeficiente de atrito de rolamento
normal dos pneus com o solo, valor de 0,010 a 0,015 será desprezível e por isso não considerado na
fórmula. Ainda devido a esse alto valor de coeficiente de atrito, quando a carreta for montada com
rodas de madeira, sem rolamento, a potência do motor estará bem folgada.
Cálculo da força de tração
𝐴
𝐹𝑡 = 𝐺 ∗ + 𝐺 ∗ 0,15 = 𝑘𝑔𝑓
𝐶

G = peso ou massa do barco + carreta (kg)


A = Altura do solo em relação ao nível da água (m)
C = Comprimento da rampa (m)
Cálculo do diâmetro efetivo do conjunto tambor + cabo
𝐷𝑒 = 𝐷𝑡 + 𝐷𝑐 ∗ 𝑞
Dt = Diâmetro do tambor
Dc = Diâmetro do cabo
q = Quantidade de camadas do cabo em torno do tambor

61
Cálculo do momento de torção no eixo do tambor / eixo de saída do redutor:
𝐹𝑡 ∗ 𝐷𝑒
𝑀= = 𝑘𝑔𝑓𝑚
1000 ∗ 2

Cálculo da rpm em função da velocidade máxima


1000 ∗ 𝑣
𝑛= = 𝑟𝑝𝑚
𝜋 ∗ 𝐷𝑒
v = velocidade máxima (m/min)

Cálculo da potência requerida em função da velocidade máxima desejada:


𝑀∗𝑛
𝑃= = 𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂
Para obter a potência em kW , multiplique o valor por 0,736
 = rendimento do redutor

Exemplo de aplicação
Peso do barco + carreta = 1000kgf
Dimensões da rampa
C = 10m
A = 1,5m
Velocidade desejada = 10m/min

Cálculo da força de tração


𝐴 1,5𝑚
𝐹𝑡 = 𝐺 ∗ + 𝐺 ∗ 0,15 = 1000𝑘𝑔𝑓 ∗ + 𝐺 ∗ 0,15 = 300𝑘𝑔𝑓
𝐶 10𝑚

Diâmetro do cabo considerando fator de segurança = 5 -> 300kgf x 5 = 1500kgf


Cabo flexível para guincho (filler) = 5mm (carga de ruptura > 1500kgf)
Diâmetro do tambor (aconselhável min. 21 x diâmetro do cabo ->125mm. Com 5 camadas de cabo em
torno do tambor o diâmetro efetivo passa a ser
𝐷𝑒 = 𝐷𝑡 + 𝐷𝑐 ∗ 𝑞 = 125 + 5 ∗ 5 = 150𝑚𝑚
Cálculo do momento de torção no eixo do tambor / eixo de saída do redutor:
𝐹𝑡 ∗ 𝐷𝑒 300𝑘𝑔𝑓 ∗ 150𝑚𝑚
𝑀= = = 22,5𝑘𝑔𝑓𝑚
1000 ∗ 2 2000

Cálculo da rpm em função da velocidade máxima


1000 ∗ 𝑣 1000 ∗ 10𝑚/𝑚𝑖𝑛
𝑛= = = 21,2𝑟𝑝𝑚
𝜋 ∗ 𝐷𝑒 3,14 ∗ 150𝑚𝑚
v = velocidade máxima (m/min)

Redutor Siti a rosca sem fim selecionado pela rotação e pelo torque no eixo de saída (M = 22,5kgfm)
Redução disponível 1:80 -> rpm obtida com motor de 4 polos -> 1700/80 = 21,2rpm
MU 90 1:80 - Torque nominal 30kgfm - Cap. nominal 1,5CV - rendimento 0,63

Cálculo da potência requerida em função da velocidade máxima desejada:


𝑀∗𝑛 22,5𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 21,2𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 1,0𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂 716,2 ∗ 0,63
𝜂 = rendimento do redutor
Motofreio selecionado para ser acoplado ao redutor 1,0CV – 4 polos – carcaça 80 – flange C DIN

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FUSO COM ROSCA TRAPEZOIDAL


Planilha de cálculos
Para calcular a potência necessária de acionamento de um fuso com rosca trapezoidal submetido a
uma força F qualquer em sua extremidade (força ou carga axial) as equações são:

F = força axial de tração ou compressão Ft = força tangencial


p = passo da rosca dm = Diâmetro médio da rosca
𝜃 = Ângulo de avanço do fuso  = ângulo da rosca
𝑝 180°
𝜃= ∗ = 𝑔𝑟𝑎𝑢𝑠
𝜋 ∗ 𝑑𝑚 𝜋

Cálculo da força tangencial na rosca (conforme Shigley)


𝜇𝑓 ∗ 𝜋 ∗ 𝑑𝑚 ∗ 𝑠𝑒𝑐 ∝ +𝑝 ∗ 𝑁𝑒
𝐹𝑡 = 𝐹
𝜋 ∗ 𝑑𝑚 − 𝜇𝑓 ∗ 𝑝 ∗ 𝑁𝑒 ∗ 𝑠𝑒𝑐 ∝
𝑁𝑒 = Número de entradas ou filetes da rosca.
 = ângulo da rosca = 30° → sec30° = 1,154
𝜇𝑓 =coeficiente de atrito entre os materiais do fuso e da porca roscada (fonte – Shigley)
Fuso de aço e porca de bronze sem lubrificação = 0,15 a Fuso e porca de aço sem lubrificação = 0,15
0,23 a 0,25
Fuso de aço e porca de bronze lubrificado = 0,10 a 0,16 Fuso e porca de aço lubrificado = 0,11 a
Fuso roscado e porca com esferas recirculantes = 0,02 0,17
Os valores acima também são válidos para porca de Os valores acima também são válidos para
latão porca de ferro fundido

Cálculo da força de atrito devida ao mancal de apoio com rolamentos

R é a força resistente à força axial e, estando em equilíbrio, R = F.

Cálculo da força de atrito devida ao mancal de apoio com colar


𝐹𝑎𝑡 = 𝐹 ∗ 𝜇𝑐
𝜇𝑚 = coeficiente de atrito do mancal de apoio: 0,01 para mancais com rolamento.

63
𝜇𝑐 = coeficientes de atrito relativos ao colar

A força necessária para rotacionar o fuso é o resultado da somatória da força de atrito gerada pelo
conjunto fuso/porca com a força de atrito gerada pelo mancal de apoio
𝐹𝑠 = 𝐹𝑡 + 𝐹𝑎𝑡

Cálculo do momento de torção devido às forças Ft e Fat. Essas forças deverão ser somadas, mas como
atuam em diâmetros diferentes, há necessidade de separação na fórmula,
𝐹𝑡 ∗ 𝑑𝑚 + 𝐹𝑎𝑡 ∗ 𝐷
𝑀𝑡 =
2000
D = diâmetro médio do rolamento de apoio. Não há necessidade de muita precisão porque não muda
significativamente o valor do torque de acionamento

Cálculo da potência real do motor


-- no sistema técnico
𝑀𝑡(𝑘𝑔𝑓𝑚) ∗ 𝑛
𝑃= = 𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂
-- No sistema internacional
𝑀𝑡(𝑁𝑚) ∗ 𝑛
𝑃= = 𝑘𝑊
9550 ∗ 𝜂
𝜂 = rendimento do redutor.

Caso não seja usado redutor o rendimento da transmissão é 1 (100%). Em compensação não haverá
aumento de torque proporcionado pelas engrenagens do redutor
Neste caso, é melhor utilizar motor de 4 polos (mais barato) com inversor de frequência para chegar
na rotação calculada. O motor deve ser selecionado pelo torque acima do calculado para o
acionamento. No catálogo de motores o torque (conjugado nominal) está em kgfm

Exemplo de aplicação na página seguinte

64
Deslocamento de um carro utilizando fuso com rosca trapezoidal
Peso do carro + carga = 1600kgf. Deslocamento: 900mm. Tempo para efetuar o percurso 25s
Para apoio do fuso será montado um acoplamento rígido ligando o fuso ao eixo do motor. No lado
oposto será previsto mancal com rolamentos para suportar a carga axial em ambos sentidos
Para a movimentação do carro, foi selecionado um fuso com as seguintes dimensões de rosca:

Fuso passo = 3mm; diâmetro externo d4 = 14,5mm; diâmetro médio d2 = 12,5mm; diâmetro interno
d3 = 10,5mm; 𝑁𝑒 = Número de entradas ou filetes da rosca = 1 entrada

Neste exemplo de aplicação, no sentido de facilitar o entendimento, os cálculos serão feitos no sistema
técnico.

Cálculo da força axial sobre o fuso, necessária para vencer as forças resistentes ao deslocamento do
carro.

- força de atrito devida à resistência ao rolamento das rodas sobre os trilhos


2 ∗ 𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 2 ∗ 𝑓2 2 ∗ 0,5 ∗ 1,2 2 ∗ 0,1
𝐹𝑎𝑡 = 𝐺 ( + ) = 1600𝑘𝑔𝑓( + ) = 13,7𝑘𝑔𝑓
𝐷𝑟 𝑑 230𝑚𝑚 60𝑚𝑚
𝐷𝑟 = diâmetro das rodas = 230mm
d = diâmetro médio dos rolamentos das rodas = 60mm
𝑓1 = braço de alavanca da resistência ao rolamento aço sobre aço = 0,5mm
𝑓2 = Atrito dos rolamentos dos mancais das rodas = 0,1mm
𝑘𝑓 = coeficiente referente atrito dos flanges das rodas com os trilhos = 1,2 para trilhos bem alinhados

- força necessária para aceleração do carro em função do tempo de aceleração pré determinado de 1s
Antes é necessário calcular a velocidade do carro
𝑝𝑒𝑟𝑐𝑢𝑟𝑠𝑜 900𝑚𝑚 36𝑚𝑚 36𝑚𝑚/𝑠
𝑣= = = → = 0,036𝑚/𝑠
𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 25𝑠 𝑠 1000

𝐺 ∗ 𝑣 1600𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,036𝑚/𝑠
𝐹𝑎 = = = 5,8𝑘𝑔𝑓
𝑔 ∗ 𝑡𝑎 9,81𝑚/𝑠² ∗ 1𝑠
𝑡𝑎 = tempo de aceleração do carro em segundos

Força axial atuante no fuso. Soma da força de atrito com a força de aceleração
𝐹 = 𝐹𝑎𝑡 + 𝐹𝑎 = 13,7 + 5,8 = 19,7𝑘𝑔𝑓

65
Cálculo da rotação do fuso com passo 3mm:
𝑣 ∗ 60 36𝑚𝑚/𝑠 ∗ 60
𝑛= = = 720𝑟𝑝𝑚
𝑝 3𝑚𝑚

Cálculo da força tangencial na rosca


𝜇𝑓 ∗ 𝜋 ∗ 𝑑𝑚 ∗ 𝑠𝑒𝑐 ∝ +𝑝 ∗ 𝑁𝑒
𝐹𝑡 = 𝐹
𝜋 ∗ 𝑑𝑚 − 𝜇𝑓 ∗ 𝑝 ∗ 𝑁𝑒 ∗ 𝑠𝑒𝑐 ∝
0,18 ∗ 3,14 ∗ 12,5𝑚𝑚 ∗ 1,154 + 3𝑚𝑚 ∗ 1
𝐹𝑡 = 19,7𝑘𝑔𝑓 ∗ = 5,67𝑘𝑔𝑓
3,14 ∗ 12,5𝑚𝑚 − 0,18 ∗ 3𝑚𝑚 ∗ 1 ∗ 1,154

Fuso passo = 3mm; diâmetro médio 𝑑𝑚 = 12,5mm


𝑁𝑒 = Número de entradas da rosca = 1
 = ângulo da rosca = 30° → sec30° = 1,154
𝜇𝑓 = coeficiente de atrito entre os materiais do fuso e da porca roscada = 0,18

Cálculo da força de atrito devida ao mancal de apoio com rolamentos


𝐹𝑎𝑡 = 𝐹 ∗ 𝜇𝑚 = 19,7𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,01 = 0,19𝑘𝑔𝑓 → 1,9𝑁
𝜇𝑚 = coeficiente de atrito do mancal de apoio para mancal com rolamento = 0,01

Cálculo do momento de torção devido às forças Ft e Fat.


𝐹𝑡 ∗ 𝑑𝑚 + 𝐹𝑎𝑡 ∗ 𝐷 5,69𝑘𝑔𝑓 ∗ 13,5𝑚𝑚 + 0,19𝑘𝑔𝑓 ∗ 25𝑚𝑚
𝑀𝑡 = = = 0,04𝑘𝑔𝑓𝑚 → 0,4𝑁𝑚
2000 2000
D = diâmetro médio do rolamento de apoio. 25mm

Cálculo da potência do motor para acionamento

- no sistema técnico
𝑀𝑡 ∗ 𝑛 0,04𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 720𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 0,04𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂 716,2 ∗ 1

- no sistema internacional
𝑀𝑡 ∗ 𝑛 0,4𝑁𝑚 ∗ 720𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 0,03𝑘𝑊
9550 ∗ 𝜂 9550 ∗ 1
𝜂 = rendimento do redutor.

Como não será usado redutor o rendimento da transmissão é 1 (100%).


O motor será selecionado pelo conjugado nominal acima do calculado. Mt = 0,04kgfm
Motor 0,25CV – 4 polos, 1720rpm, conjugado nominal 0,1kgfm com inversor de frequência para chegar
na rotação calculada de 720rpm.
A frequência para o motor trabalhar com 720 rpm é proporcional a rotação com frequência 60Hz -
1720rpm
60𝐻𝑧 ∗ 720
𝑓𝑟𝑒𝑞𝑢ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎çã𝑜 𝑎 720𝑟𝑝𝑚 = = 25𝐻𝑧
1720

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ELEVADORES DE CARGA - GUINCHOS DE OBRA


Planilha de cálculo
- Elevadores ou guinchos com cabo simples

Em elevadores ou guinchos para obras com cabo simples (não há polia para retorno do cabo encima da
cabina), a força de tração no cabo F, é igual à força G (peso da cabina + carga).
𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑐𝑎𝑏𝑜 𝑠𝑖𝑚𝑝𝑙𝑒𝑠 → 𝐹 = 𝐺

- Elevadores ou guinchos com cabo duplo

Para cabo duplo, a força peso G (carga + cabine) está dividida pelos 2 seguimentos do cabo.
𝐺
𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑐𝑎𝑏𝑜 𝑑𝑢𝑝𝑙𝑜 → 𝐹 =
2

67
Determine o diâmetro do cabo e o diâmetro do tambor em função da força de tração F
Fator de segurança para elevadores de carga – 8 a 10
Fator de segurança para elevadores de passageiros – 12
CABOS CIMAF
Resistência a ruptura em tf (tonelada força)

Diâmetro mínimo do tambor


Tipo Diâmetro
6 x 19 S 34 x diâmetro do cabo
6 x 21 F 30 x diâmetro do cabo
6 x 25 F 26 x diâmetro do cabo
8 x 19 S 26 x diâmetro do cabo
6 x 36 WS 23 x diâmetro do cabo
6 x 41 WS 20 x diâmetro do cabo

Para efeito de cálculo do momento de torção, da velocidade e potência do motor, é importante


considerar que todos esses valores vão aumentando à medida que os cabos vão enrolando e se
sobrepondo em camadas em torno do tambor (figura abaixo). Isto acontece no caso de elevadores
para obras com muitos andares. Para poucos andares, um comprimento do tambor adequado,
permitindo várias voltas numa só camada, é o suficiente para que não haja sobreposição do cabo.
O momento de torção necessário para o acionamento é maior quando há uma maior quantidade de
camadas do cabo em torno do tambor, ou seja, quando o elevador está no ponto mais alto do percurso.
Nessa posição, calcular o diâmetro efetivo do tambor (De)
Cálculo do diâmetro efetivo do conjunto tambor + cabo
𝐷𝑒 = 𝐷𝑡 + 𝐷𝑐 ∗ 𝑞
Dt = Diâmetro do tambor
Dc = Diâmetro do cabo
q = Quantidade de voltas do cabo em torno do tambor

Cálculo do momento de torção no eixo de saída do redutor / eixo do tambor


𝐷𝑒
𝑀=𝐹∗ = 𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000
F = Força de tração no cabo (kgf)

68
Cálculo da rpm no eixo tambor para elevador ou guincho com cabo simples
v 1000
n= = rpm
  De
Cálculo da rpm no eixo tambor para elevador ou guincho com cabo duplo
v  2 1000
n= = rpm
  De
v = velocidade de subida em m/min.

Cálculo da potência mínima requerida para o acionamento


𝑀∗𝑛
𝑃=
716,2 ∗ 𝜂𝑟
Para obter a potência em kW multiplicar o valor por 0,736
𝜂𝑟 rendimento do motoredutor.

Para o cálculo direto da potência necessária de acionamento no eixo do motor, pode ser usada a
fórmula a seguir:
𝐺∗𝑣
𝑃= = 𝐶𝑉
60 ∗ 75 ∗ 𝜂𝑟
𝑚∗𝑔∗𝑣
𝑃= = 𝑘𝑊
60 ∗ 1000 ∗ 𝜂𝑟
v = velocidade máxima em m/min 𝜂𝑟 = rendimento do motoredutor.
G, m = Peso da carga mais cabina kg g = força da gravidade = 9,8m/s²

Exemplo de aplicação (exemplo real)


Elevador de tubos de aço
Comprimento da estrutura de suporte do elevador: 8m
Devido ao grande comprimento da estrutura de suporte são planejados 2 acionamentos, um de cada
lado do comprimento
Peso da carga + moitão + cabo de aço = Máx.12000kgf divididos por 2 acionamentos
Altura da elevação: 5m
Velocidade de elevação: 4,5m/min
Cada acionamento se compõe de 1 motofreio redutor, 1 moitão móvel com 2 polias, 1 moitão fixo com
2 polias com rolamento e aproximadamente 30 m de cabo de aço.

Cálculo da força de tração do cabo em torno do tambor.


𝐺 6000𝑘𝑔𝑓
𝐹= 𝑝
= = 1626𝑘𝑔𝑓
𝑛𝑐 ∗ 𝜂 4 ∗ 0,984
 = rendimento de cada polia
nc = número de seguimentos do cabo = 4
p = quantidade total de polias do sistema = 4

Tração máxima no cabo


𝐺 6000𝑘𝑔
𝑇= = = 3062𝑘𝑔𝑓
2 ∗ 𝜂 2 ∗ 0,98

Seleção do cabo e diâmetro do tambor em função da força de tração.


Fator de segurança recomendado para elevação de cargas: 8 a 10
Diâmetro do cabo 6x41 AF WS: 7/8” (22mm). Carga de ruptura 31800kgf.
Fator de segurança 10 em relação a tração máxima.
Diâmetro do tambor 451mm (20,5 vezes o diâmetro do cabo)

Cálculo do momento de torção no eixo do tambor / eixo de saída do redutor


𝐷𝑒 473𝑚𝑚
𝑀=𝐹∗ = 1626𝑘𝑔𝑓 ∗ = 384,5𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000 2000
69
Cálculo da rpm no eixo do tambor / eixo de saída do redutor.
𝑣 ∗ 𝑛𝑐 ∗ 1000 4,5𝑚/𝑚𝑖𝑛 ∗ 4 ∗ 1000
𝑛= = = 12,1𝑟𝑝𝑚
𝜋 ∗ 𝐷𝑒 3,14 ∗ 473𝑚𝑚

Cálculo da potência mínima requerida para o acionamento


𝑀∗𝑛 384,5𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 12,1𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 7,1𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂𝑟 716,2 ∗ 0,92
𝜂𝑟 = rendimento do motoredutor = 0,92

Motofreio WEG 7,5CV – 4polos – 1740rpm. Conjugado (torque) nominal 3,09kgfm


Conjugado máximo 2,8 x Cn = 3,09 x 2,8 = 8,6kgfm
Redutor Siti MBH 140 redução 1:140,98 com eixo de saída vazado diâmetro 70mm.
Torque nominal 475kgfm. Capacidade nominal 8,6CV, Rpm no eixo de saída 12,34rpm

Nota importante: No sistema de elevação de carga, o inversor tem a função de manter a velocidade na
descida e desacelerar antes do freio entrar em ação e, para isso, é importante a correta parametrização
do mesmo. Deve ser usado um resistor junto do inversor para dissipar as correntes excessivas que
podem queimar o inversor na desaceleração.
No caso deste equipamento, nos primeiros testes, a velocidade de subida ficou de acordo com os
cálculos e, o consumo medido no inversor, 10,7 A à 380V. Mas, na descida, a velocidade chegou ao
dobro da desejada (amperagem 6A) e somente estabilizou após a correta parametrização do inversor.

70
ELEVADORES COM CONTRAPESO
CABO SIMPLES

Cálculo do momento de torção no eixo da polia para elevador de cabo simples com contra peso:
Recomendação: Peso do contrapeso = (Peso da cabina + peso da carga) dividido por 2. Desta forma,
quando houver carga total, o motor deverá fornecer potência para elevar a carga + cabina. Quando não
houver carga nenhuma, o motor fornecerá potência para elevar o contra peso, porém, com mesmo
valor.

Exemplo:
Peso da cabina: 600kgf
Peso da carga: 900kgf
Contra peso ideal: 600kgf + 450kgf = 1050kgf
Calculando a diferença:
- com carga máxima: Gca - Gcp = (600 + 900) - 1050 = 450kgf (para o motoredutor elevar a carga +
cabina)
- sem carga: Gcp - Gca = 1050kgf - 600kgf = 450kgf (o motoredutor puxa o contrapeso para cima)
Para o cálculo do momento de torção no eixo da polia considerando carga máxima:
M =
(Gca − Gcp )  D = kgfm
2 1000
Gca = Peso da carga mais cabina (kgf)
Gcp =Peso do contrapeso (kgf)
D = diâmetro da polia (mm) + diâmetro do cabo (mm)

Cálculo da rpm no eixo da polia para elevador de cabo simples com contrapeso
v  1000
n= = rpm
 D
v = velocidade de subida em m/min.

Para o cálculo da potência mínima requerida para o acionamento


𝑀∗𝑛
𝑃=
716,2 ∗ 𝜂𝑟
𝜂𝑟 = rendimento do motoredutor.

71
CABO DUPLO

Recomendação: Para o cálculo do contrapeso veja a recomendação na página anterior;

Cálculo do momento de torção máximo requerido no eixo da polia


M=
(Gca − Gcp )  D = kgfm
2  2 1000
Gca = Peso da carga mais cabina (kg)
Gcp = Peso do contrapeso (kg)
D = diâmetro da polia (mm) + diâmetro do cabo (mm)

Cálculo da rpm no eixo da polia para elevador de cabo duplo com contrapeso
2  v  1000
n= = rpm
 D
v = velocidade de subida em m/min.

Para o cálculo da potência mínima requerida para o acionamento


𝑀∗𝑛
𝑃=
716,2 ∗ 𝜂𝑟
𝜂𝑟 = rendimento do motoredutor.

72
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PONTE ROLANTE
Planilha de cálculo

Movimento de translação
No cálculo da potência requerida de acionamento da translação da ponte ou do carro, o maior valor é
devido à aceleração das massas, aproximadamente 2/3 da potência do motor.
Cálculo do momento requerido para vencer os atritos de rolamento e do flange das rodas.
(𝑓1 ∗ 𝑘𝑓 + 𝑓2 )
𝑀𝑎𝑡 = 𝐺 ∗ = 𝑘𝑔𝑓𝑚
1000

𝑘𝑓 = Valor relativo ao atrito do flange das rodas com os trilhos


1,2 para trilhos bem alinhados
1,5 para trilhos mal alinhados ou ventos fortes transversais ao movimento
G = Peso da carga + peso da estrutura da ponte + peso do carro (kgf) para translação da ponte
G = Peso da carga + peso do carro (kgf) para translação do carro
𝑓1 = braço de alavanca da resistência ao rolamento da roda sobre os trilhos: 0,5mm
𝑓2 = braço de alavanca da resistência aos rolamentos dos mancais: 0,1 para mancais com
rolamento

O momento de aceleração é função da força de aceleração.


No sistema técnico, o cálculo da força de aceleração das massas em movimento, causa alguma confusão
porque a denominada força peso é a massa do corpo submetida à força da gravidade, então nestes
cálculos, é preciso elimina-la dividindo seu valor pela força g = 9,8m/s²
𝐺∗𝑣∗𝐷
𝑀𝑎 = = 𝑘𝑔𝑓𝑚
9,8 ∗ 60 ∗ 𝑡𝑎 ∗ 2 ∗ 1000
v = m/min
D = Diâmetro da roda (mm)
𝑡𝑎 = tempo de aceleração desejado ou conforme norma (tabela abaixo):

CLASSE FEM – ISO 2m M5 3m M6


Veloc. linear (m/min) 5 10 12,5 16 20 25 32 40 50 63 80 100
Tempo de partida (s) 1,4 2 2,2 2,5 2,75 3,1 3,5 4 4,5 5 5,6 6

Momento de torção requerido no eixo da roda motora. Somando os momentos:


M = M at + M a = kgfm

73
Cálculo da rotação por minuto no eixo das rodas:
𝑣 ∗ 1000
𝑛= = 𝑟𝑝𝑚
𝜋∗𝐷
v = velocidade da ponte ou do carro (m/min)
D = diâmetro das rodas (mm)

Cálculo da potência do motor do carro


𝑀∗𝑛
𝑃= = 𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂𝑟

Cálculo da potência do motor de translação da ponte. Normalmente são utilizados dois motores, um de
cada lado da ponte. Para o cálculo da potência de cada motor aplicar a fórmula a seguir:
𝑀∗𝑛
𝑃= = 𝐶𝑉
716,2 ∗ 2 ∗ 𝜂𝑟
P = potência de cada motor n = rotação por minuto no eixo da roda
M = momento requerido nas rodas 𝜂𝑟 = rendimento do redutor

Não havendo inversor de velocidade para controlar o tempo de aceleração e frenagem, o fator de
serviço aplicado ao redutor e aos acoplamentos deve ser 1,5 ou acima, sobre a potência do motor.

Elevação
Na elevação da carga, normalmente é utilizado um sistema de moitões com uma ou várias polias entre
o tambor e a carga diminuindo a força F e consequentemente o torque necessário do redutor

Sistema com tambor simples


Força de tração F do cabo em torno do tambor
𝐺
𝐹= = 𝑘𝑔𝑓
𝑛𝑐 ∗ 𝜂𝑝
𝑣𝑝 = 𝑣 ∗ 𝑛𝑐
G = Peso da carga (P) + peso do moitão (kgf)
𝑛𝑐 = número de seguimentos do cabo de tração
p = quantidade total de polias do sistema
𝜂 = rendimento das polias com rolamento = 0,99
𝑣𝑝 = velocidade periférica do tambor
𝑣 = velocidade de elevação

Momento de torção requerido no eixo de saída do redutor


(𝐷𝑡 + 𝐷𝑐)
𝑀=𝐹∗ = 𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000
Dt = Diâmetro do tambor (mm)
Dc = Diâmetro do cabo (mm)

Cálculo da rotação n no eixo de saída do redutor


𝑣 ∗ 𝑛𝑐 ∗ 1000
𝑛= = 𝑟𝑝𝑚
𝜋 ∗ (𝐷𝑡 + 𝐷𝑐)
𝑣 = velocidade de elevação (m/min)

74
Sistema com tambor gêmeo ou tambor duplo Ponte 15T
Velocidade de ekevação 2m/min
Cálculo da força de tração conforme dados da ponte ao lado
𝐺 15000𝑘𝑔𝑓 Moitão com 4 polias e 8 seguimentos
𝐹= 𝑝
= = 1992𝑘𝑔𝑓 do cabo de tração
𝑛𝑐 ∗ 𝜂 8 ∗ 0,996 2 polias fixas + polia compensadora
G = Peso da carga (P) + peso do moitão (kgf)
𝑛𝑐 = número de seguimentos do cabo de tração
p = quantidade de polias do sistema
A polia de compensação (1), praticamente não gira. Não entra no
cálculo de rendimento
𝜂 = rendimento das polias com rolamento = 0,99

Momento de torção no eixo do tambor / eixo de saída do redutor


𝐹 ∗ 2 ∗ (𝐷𝑡 + 𝐷𝑐) 1992 ∗ 2 ∗ 520
𝑀= = = 1035𝑘𝑔𝑓𝑚
2 ∗ 1000 2 ∗ 1000
Dt = Diâmetro do tambor = 500mm
Dc = Diâmetro do cabo = 20mm

Cálculo da rotação n no eixo do tambor


𝑣 ∗ 𝑛𝑐 ∗ 1000 2 ∗ 8 ∗ 1000
𝑛= = = 4,9𝑟𝑝𝑚
2 ∗ 𝜋 ∗ (𝐷𝑡 + 𝐷𝑐) 2 ∗ 3,14 ∗ 520
𝑣 = velocidade de elevação (m/min)

Cálculo da potência mínima do motor


𝑀∗𝑛 1035𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 4,9𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 7,45𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂𝑟 716,2 ∗ 0,95
ou
𝐺 ∗𝑣 15000𝑘𝑔𝑓 ∗ 2𝑚/𝑚𝑖𝑛
𝑃= 𝑝
= = 7,45𝐶𝑉
75 ∗ 60 ∗ 𝜂 ∗ 𝜂𝑟 4500 ∗ 0,996 ∗ 0,95
𝜂𝑟 = rendimento do redutor = 0,95 para redutores com engrenagens helicoidais
𝑣 = velocidade de elevação (m/min)

75
O diâmetro do cabo pode ser definido pela norma NBR 8400
𝐷𝑐 = 𝑄√𝑇
T = Tração máxima no cabo
𝐺
𝑇=
2

CABOS CIMAF

Resistência a ruptura em tf (tonelada força)

Diâmetro mínimo do tambor para os cabos 6 x 41 WS: 20 vezes o diâmetro do cabo

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GUINCHO GIRATÓRIO

No cálculo da potência requerida de acionamento do giro do braço, mais de 90% do valor é devido à
aceleração das massas. O momento resistente devido aos rolamentos é pouco significativo.
Cálculo da potência do motor e seleção do redutor para o giro, utilizando um exemplo real.

Massa da carga: 500kg Velocidade circular máxima da carga: 17m/min


Massa da talha (inclui cabo e moitão): 60kg Tempo de aceleração do movimento de translação: 2 s
Raio de giro 6m Rotação desejada no eixo da viga / eixo da coluna: 0,45rpm
Viga perfil W 360 x 64 x 6500mm Diâmetro do anel (pista de rolamento): 550mm
Massa da viga: 64𝑘𝑔 ∗ 6,50𝑚 = 416𝑘𝑔 Diâmetro do rolete: 150mm

77
Conjunto de redução:
Motoredutor coaxial Siti MNHL 25, redução aproximada 1: 240 com pinhão montado na ponta de eixo
Jogo de pinhão / engrenagem redução 1:2,85 (De/Dp = 171/60). A engrenagem faz parte do rolete.

Forças que incidem sobre os rolamentos e sobre o rolete


Massa da carga (𝑚𝑐 ) = 500kg
Massa da talha (𝑚𝑡 ) = 60kg
Massa da viga (𝑚𝑣 ) = 416kg

Força axial sobre o rolamento de suporte da viga


𝐹𝑎 = (𝑚𝑐 + 𝑚𝑡 +𝑚𝑣 ) ∗ 𝑔 = (500𝑘𝑔 + 60𝑘𝑔 + 416𝑘𝑔) ∗ 9,8𝑚/𝑠² = 9574,5𝑁
g = aceleração da gravidade = 9,8m/s²

Força radial entre o anel e o rolete com seus rolamentos


(𝑚𝑐 + 𝑚𝑡 ) ∗ 𝑔 ∗ 5,810 + 𝑚𝑣 ∗ 𝑔 ∗ 3,020
𝐹𝑟 = =𝑁
1,740
560𝑘𝑔 ∗ 9,8𝑚/𝑠² ∗ 5,810𝑚 + 416𝑘𝑔 ∗ 9,8𝑚/𝑠² ∗ 3,020𝑚
𝐹𝑟 = = 30635𝑁
1,740𝑚

Força tangencial necessária para vencer os atritos de rolamento nos eixos dos roletes
2 ∗ 𝑓1 2 ∗ 0,5𝑚𝑚
𝐹𝑎𝑡 = 𝐹𝑟 ∗ = 30635𝑁 ∗ = 204𝑁
𝐷𝑟 150𝑚𝑚
𝐹𝑎𝑡 = Força de atrito
𝑓1 = braço de alavanca da resistência ao rolamento dos roletes: 0,5mm
𝐷𝑟 = Diâmetro do rolete (mm)

A força tangencial necessária para vencer os atritos de rolamento


𝐹𝑡 ≥ 𝐹𝑎𝑡

Momento de torção necessário no eixo do rolete motorizado para vencer os atritos de rolamento
𝐹𝑡 ∗ 𝐷𝑟 204𝑁 ∗ 150𝑚𝑚
𝑀𝑎𝑡 = = = 15,3𝑁𝑚
2 ∗ 1000 2 ∗ 1000

78
Potência para vencer atrito de rolamento no eixo do rolete
𝑀𝑎𝑡 ∗ 𝑛𝑟 15,3𝑁𝑚 ∗ 1,65𝑟𝑝𝑚
𝑃1 = = = 0,003𝑘𝑊
9550 9550
𝑛𝑟 = rotação no eixo do rolete

Conferindo a velocidade máxima da carga em função da rotação no eixo da viga.


2 ∗ 𝜋 ∗ 𝐿 ∗ 𝑛 2 ∗ 3,14 ∗ 5,81𝑚 ∗ 0,45𝑟𝑝𝑚
𝑣= = = 0,28𝑚/𝑠
60 60
n = rotação no eixo da viga
L = distância do centro da coluna até o limite de utilização da talha

Cálculo da potência de aceleração da carga + talha


(𝑚𝑐 + 𝑚𝑡 ) ∗ 𝑣 560𝑘𝑔 ∗ 0,28𝑚/𝑠
𝑃2 = = = 0,08𝑘𝑊
1000 ∗ 𝑡𝑎 1000 ∗ 2𝑠
𝑡𝑎 = tempo de aceleração desejado

Calculando a velocidade média da viga


2 ∗ 𝜋 ∗ 𝑛 𝐿 2 ∗ 3,14 ∗ 0,45𝑟𝑝𝑚 ∗ 6𝑚
𝑣= ∗ = = 0,14𝑚/𝑠
60 2 60 ∗ 2

Cálculo da potência de aceleração da viga


𝑚𝑣 ∗ 𝑣 416𝑘𝑔 ∗ 0,14𝑚/𝑠
𝑃3 = = = 0,03𝑘𝑊
1000 ∗ 𝑡𝑎 1000 ∗ 2𝑠
𝑡𝑎 = tempo de aceleração desejado

Potência mínima do motor incluindo rendimento do redutor e jogo de engrenagens externas


𝑃1 + 𝑃2 + 𝑃3 0,003𝑘𝑊 + 0,08𝑘𝑊 + 0,03𝑘𝑊
𝑃𝑚 = = = 0,124𝑘𝑊
𝜂1 ∗ 𝜂2 0,95 ∗ 0,95

𝜂1 = rendimento do redutor = 0,95


𝜂2 = rendimento do par de engrenagens = 0,95 engraxado

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ELEVADOR DE CANECAS
Planilha de cálculos

Para o cálculo da potência requerida para o acionamento de elevadores de canecas, não se considera o
peso das canecas ou da correia por estarem em equilíbrio em ambos os lados do elevador ( Gc). Para
cálculo do momento de torção no tambor de acionamento, considerar o peso do material dentro das
canecas cheias (G) e a força resistente devido à extração (Fr). A fórmula de cálculo é baseada na
prática dos fabricantes deste tipo de equipamentos e na norma CEMA.
Na maioria das vezes é informada a capacidade de transporte em ton./hora (Q) e para se obter o valor
de G (peso do material dentro das canecas), utilizam-se as fórmulas:
𝑄∗𝐴
𝐺 = 𝑞 ∗ 𝑐 ∗ 𝛾 = 𝑘𝑔𝑓 𝑜𝑢 𝐺= = 𝑘𝑔𝑓
𝑣 ∗ 3,6
q = quantidade de canecas carregadas
c = capacidade máxima de cada caneca (dm³ - litros)
 = peso específico do material
Q = capacidade de transporte em t/h
A = altura do elevador (m)
v = velocidade de transporte (m/s)

Para o cálculo do momento de torção no eixo do tambor de acionamento:


 12  D2 D
M = G + 1 = kgfm
 A  2
M = momento de torção no eixo do tambor acionador
G = peso do material dentro das canecas carregadas (kgf)
D2 = diâmetro do tambor inferior (m)
A = altura do elevador (m)
D = diâmetro do tambor de acionamento (m)

80
Calculando a rotação por minuto no eixo do tambor de acionamento.
v  60
n= = rpm
 D
v = velocidade m/s
D = diâmetro do tambor de acionamento (m)

Para o cálculo da potência necessária de acionamento no eixo de entrada do redutor / eixo do motor
utilizar a fórmula:
M n
P= = CV
716,2 
Para obter a potência em kW multiplicar o valor por 0,736
P = potência requerida ou necessária de acionamento
M = momento de torção no eixo do tambor
n = rpm no eixo do tambor de acionamento
 = rendimento do redutor.

Verificação da capacidade de transporte do elevador em ton/hora


3,6  c    v
Q= =t/h
p
c = capacidade total de cada caneca (dm³ - litros)
 = peso específico do material
v = velocidade de transporte (m/s)
p = passo das canecas (m)

81
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FOULARD - CILINDROS SOBRE PRESSÃO

Para o cálculo da potência necessária para o acionamento de cilindros emborrachados, operando na


indústria têxtil, de plásticos ou de papel, submetidos a uma pressão gerada por pistões pneumáticos,
hidráulicos ou qualquer outro meio, aplicar as fórmulas a seguir:

Para o cálculo da força tangencial Ft necessária para acionar os cilindros:


f
Ft = F  + Fa = kgf
D

F = pressão em kgf
f =
k
(mm )
2
k = área de contato entre cilindros (mm)
D = diâmetro do cilindro (mm)
Fa = força de arraste ou tração do tecido, plástico ou papel (kgf). É muitas vezes a força resistente ao
giro de uma bobina contida por um freio no eixo da mesma.
Para cálculo do momento de torção M no eixo do cilindro:
Ft  D
M= = kgfm
2000

Para o cálculo das rotações por minuto


v  1000
n= = rpm
 D
v = velocidade m/min
D = diâmetro dos cilindros (mm)

82
Para o cálculo da potência do motor:
M n
P= = CV
716,2  
Para obter a potência em kW, multiplicar o valor por 0,736
 = rendimento do redutor

Exemplo de aplicação
Foulard
Pressão 10000kgf
Diâmetro dos cilindros: 300mm
Velocidade 8 a 80 m/min controlada por inversor de frequência trabalhando 9 a 90 Hz
Área de contato entre os cilindros sobre pressão: K= 60mm → f = 30mm
Força de tração para puxar o tecido: 100kgf

Cálculo da força tangencial Ft necessária para acionar os cilindros:


f 30
Ft = F  + Fa = 10000  + 100 = 1100kgf
D 300
Cálculo do momento M no eixo do cilindro / eixo de saída do redutor
Ft  D 1100  300
M= = = 165kgfm
2000 2000

Para calcular as rotações por minuto no eixo de saída do redutor é necessário considerar neste caso
que a rotação do motor de 4 polos (1750rpm a 60 Hz) com 90Hz estará trabalhando a
1750  90
n1 = = 2625rpm
60
Acima de 1800rpm o motor de 4 polos alimentado por inversor de frequência perde torque e, para
calcular a rotação dos cilindros / rotação de saída do eixo de saída do redutor, sua redução e a
potência do motor, é correto fazer os cálculos a partir da rotação nominal do motor ou seja, 1750rpm
ou 60Hz. Então, se a velocidade da máquina a 90Hz é de 80 m/min, a 60Hz será
80  60
v= = 53,3m / min
90

Então a rpm no eixo de saída do redutor deverá ser


v  1000 53,3  1000
n= = = 56,5rpm
 D   300
Para o cálculo da potência do motor:
M n 165  56,5
P= = = 13,7CV → 15CV
716,2   716,2  0,95

Seleção do redutor: Motoredutor Siti MBH 125 redução 1: 31,55 com eixo de saída vazado; capac.
nominal a 1750rpm 22CV; torque de saída 280kgfm

83
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LAMINADORES
Para calcular a potência necessária de acionamento de cilindros de laminação é necessário conhecer
resistência a compressão  do material a ser laminado no ponto de escoamento; a espessura do
material antes de ser laminado (E) e após ser laminado (e); largura da chapa ou da fita a ser laminada;
diâmetro dos cilindros e dos mancais; coeficiente de atrito entre os materiais em contato dos mancais;
velocidade de laminação e rendimento do sistema de transmissão. As fórmulas apresentadas, foram
por mim desenvolvidas a pedido de um amigo que precisava ter uma ideia da potência do motor para
um laminador que estava projetando a pedido do diretor da fábrica de panelas. Após os primeiros
testes, medindo a amperagem consumida pelo motor, chegamos a conclusão que a potência do motor
estava acima do necessário

Os valores do ângulo de contato , da distância f e do arco de contato c, podem ser obtidos pelas
fórmulas a seguir:
Ângulo de contato 
 E −e
 = cos −1 1 − 
 D 
tan 
f =D = mm
4

c = D = mm
360
Os valores acima também podem ser obtidos desenhando os cilindros e a chapa a ser laminada em
qualquer programa de desenho como no exemplo a seguir.

84
Calcular a pressão de laminação Q nos cilindros
Q =   l  c = kgf
 = resistência a compressão do material a ser laminado em kgf/cm²
c = arco de contato em cm
l = largura da chapa ou da fita a ser laminada em cm

Calcular a força de atrito gerada pelos mancais Fat1 (a fórmula considera os 2 eixos e 4 mancais)
Fat = Q   = kgf
Fat1 = 2  Fat
Fat1 = 2  Q   = kgf
 = coeficiente de atrito de escorregamento dos mancais entre os materiais em contato.
Calcular a força de atrito referente ao rolamento dos 2 cilindros sobre a chapa.
f (mm)
Fat 2 = Q  = kgf
R(mm)
Calcular o torque resistente devido aos atritos nos mancais dos cilindros
Fat1  d
T1 = = mkgf
2
d = diâmetro dos mancais (eixo dos cilindros) em metros

Calcular o torque resistente ao rolamento dos cilindros


Fat 2  D
T2 = = mkgf
2

Calcular a rotação por minuto dos cilindros em função da velocidade de laminação.


v
rpm =
 D
D = diâmetro dos cilindros em metros v = velocidade de laminação em m/min

85
Calcular a potência necessária de acionamento
(T1 + T2 )  rpm
P=
716,2  
 = rendimento do redutor (+ conjunto de polias e correia + engrenagens de redução entre eixo de
saída do redutor e eixo dos cilindros, se fizerem parte do sistema de transmissão)
Exemplo:  = 0,95 x 0,9 x 0,98 = 0,84 (redutor + conjunto de polias e correia + engrenagens)

Tabelas de resistência de alguns tipos de aço e ligas de alumínio.


1MPa = 0,102kgf/mm² = 10,2kgf/cm²
Aços

Alumínio Alcoa

86
EXEMPLO DE APLICAÇÃO
Laminador montado na Alumínio Nacional Industria e Comercio
https://www.youtube.com/watch?v=rom7AR6v-Gs
Material: Alumínio 1200-0
Resistência a compressão: 30,5MPa → 305kgf/cm²
Redução de laminação: 9,6 para 8,0mm
Largura da chapa 960mm
Diâmetro dos cilindros: 620mm
Diâmetro dos mancais: 490mm
Coeficiente de atrito de escorregamento entre eixo do cilindro/mancal → aço/celeron grafitado = 0,07
Rotação dos cilindros: 23 rpm
Rendimento do sistema: 90%

Ângulo de contato
 E −e
 = cos −1 1 − 
 D 
 9,6 − 8 
cos −1 1 −  = 4,11
 620 

tan  tan 4,11


f =D = 620 = 11,14mm
4 2

 4,11
c = D = 3,14  620  = 22.23mm  2,22cm
360 360

Q =   l  c = 305kgf / cm²  96cm  2,22cm = 65000kgf


c = arco de contato = 2,22 cm
l = largura da chapa ou da fita a ser laminada = 96cm

Forças de atrito
Fat1 = 2  Q   = 2  65000* 0,07 = 9100kgf
 = coeficiente de atrito de escorregamento entre os materiais em contato nos mancais

87
f (mm) 11,14
Fat 2 = Q  = 65000  = 2336kgf
R(mm) 310

Torque resistente devido as forças de atrito


Fat1  d 9100* 0,49
T1 = = = 2230mkgf
2 2
d = diâmetro dos mancais = 0,49m

Fat 2  D 2336* 0,62


T2 = = = 724mkgf
2 2
D = diâmetro dos cilindros = 0,62m

Cálculo da potência mínima do motor


(T + T2 )  rpm (2230 + 724)23
P= 1 = = 105,4CV
716,2  716,2 * 0,9
 = rendimento total do sistema = 0,9

Com a laminadora pronta e funcionando, foi feita medição da amperagem consumida pelo motor de
200CV (superdimensionado) que chegou no máximo 85 e 109 amperes na redução da espessura de
9,6mm para 8mm. Veja o vídeo

Calculando a potência absorvida pelo motor com voltagem 440V.


Pc = V * A * 3 * cos  * m = 440 *100 *1,73 * 0,9 * 0,8 = 54806W  54,8kW  74,5CV
m = rendimento do motor.
Nota: Motores superdimensionados apresentam baixo rendimento conforme catálogo WEG

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GIRADOR DE TUBOS
As forças resistentes ao giro são as forças de atrito entre os tubos e os roletes de apoio. Os roletes
normalmente são revestidos com borracha dura para evitar o deslizamento.
Para calcular a força de atrito a fórmula mais correta seria:
Fat = G  cos   = kgf
Porém na prática a fórmula mais utilizada é a seguinte:
Fat = G   = kgf
G = Força peso do tubo em kgf
 = coeficiente de atrito de rolamento = 0,015

Cálculo do torque necessário para o acionamento no eixo dos roletes


Fat  d
M2 = = mkgf
2  1000

Cálculo da rotação nos eixos dos roletes


n1  D
n2 = = rpm
d
n1 = rpm do tubo
v  60  1000
n1 = = rpm
 D
v = Velocidade máxima de soldagem (m/s)
D = Diâmetro do tubo (mm)
d = Diâmetro dos roletes (mm)

Cálculo da potência de acionamento


M 2  n2
P= = CV → Para obter a potência em kW multiplicar o valor por 0,736
716,2  
 = rendimento do redutor (consultar catálogo do fabricante)

Exemplos de aplicação nas páginas seguintes

89
Exemplo 1:
Força peso do tubo: G =12000kgf
Diâm. do tubo: D = 730mm
Rpm desejada: n1 = 2 rpm
Diâm. dos roletes d = 254mm
Roletes revestidos de borracha: Coeficiente de atrito  = 0,015

Fat = G   = 12000 0,015 = 180kgf

Cálculo do torque necessário no eixo do rolete


Fat  d 180  254
M2 = = = 22,86mkgf
2  1000 2  1000

Cálculo da rotação nos eixos dos roletes


n1  D 2  730
n2 = = = 5,75rpm
d 254

Cálculo da potência de acionamento


M 2  n2 22,86  5,75
P= = = 0,3CV
716,2  716,2  0,6
 = rendimento do redutor = 0,6
Seleção do motor e do redutor ou motoredutor
Em função de partidas e paradas frequentes selecionado motor de 0,5CV - 4 polos
Seleção do redutor que acionará direto o eixo do rolete. Selecionado em função da potência do motor
de 0,5CV 4 polos
Motoredutor a dupla rosca sem fim Siti CMI 50-90 redução 1:300 com motor 0,5CV 4 polos
www.zararedutores.com.br

90
Exemplo 2:

Dispositivo de solda de um tubo com 600mm de diâmetro, 1200kg de peso e rotação do tubo com 1,5
rpm e acionamento dos 2 roletes frontais.
As fórmulas de cálculos são as mesmas, porém, a seleção dos redutores que acionam direto os eixos
dos roletes, deve ser feita em função do torque em cada rolete ou M 2 dividido por 2. Posteriormente
foi selecionado um tamanho acima para aproveitar redutores em série com iguais dimensões de
flanges. A seleção do motoredutor de entrada foi feita em função da potência do motor. O rendimento
 é o resultado da multiplicação dos rendimentos dos 3 redutores.
Fat = G   = 1200 0,015 = 18kgf

Cálculo do torque necessário no eixo dos roletes


Fat  d 18  600
M2 = = = 5,4mkgf
2  1000 2  1000

Cálculo da rotação nos eixos dos roletes


n1  D 2  600
n2 = = = 4rpm
d 300

Cálculo da potência de acionamento


M 2  n2 5,4  4
P= = = 0,15CV
716,2   716,2  0,2
 = rendimento do redutor
 = 0,55  0,61 0,61 = 0,2

www.zararedutores.com.br
www.sitiriduttori.it

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CALANDRAS DE CHAPAS

Imagem internet

Objetivo da calandra: Calandrar chapas de aço SAE1020 com espessura (e)120 mm e largura
(b)1000mm. Tensão de flexão. Resistência à ruptura do material (f) = 40kg/mm²
Velocidade dos rolos: 2 rpm

Fórmulas básicas
Tensão de flexão Momento fletor Módulo resistente para chapa plana
𝑀𝑚𝑎𝑥 𝑃∗𝐿 𝑏 ∗ 𝑒²
𝜎𝑓 = 𝑀𝑚𝑎𝑥 = 𝑊=
𝑊 4 6

𝜎𝑓 ∗ 2 ∗ 𝑏 ∗ 𝑒²
𝑃=
3∗𝐿

sendo
L = 1560mm
b = largura da chapa = 1000mm
e = espessura da chapa = 120mm
𝜎𝑓 = tensão de flexão = 40kgf/mm²
Como o objetivo é garantir a operação de curvatura e deformação permanente do material, vamos
trabalhar com a resistência do mesmo na faixa de ruptura. r = 40kg/mm²

O valor da força P para curvar a chapa deverá ser igual ou acima de

𝜎𝑓 ∗ 2 ∗ 𝑏 ∗ 𝑒² 40𝑘𝑔𝑓/𝑚𝑚² ∗ 2 ∗ 1000𝑚𝑚 ∗ (120𝑚𝑚)²


𝑃= = = 246154𝑘𝑔𝑓
3∗𝐿 3 ∗ 1560𝑚𝑚

Os mancais dos cilindros Ra e Rb servirão como duas reações de apoio à força P exercida em ângulo de
34°.
𝑃 ∗ 𝑐𝑜𝑠34° 246154𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,829
𝑅𝑎 = 𝑅𝑏 = = = 102035𝑘𝑔𝑓
2 2

92
Cálculo das forças de atrito (forças resistentes ao giro Fr e Fe)

k = contato entre o cilindro e a chapa.

- A pressão específica (kgf/mm²) do cilindro sobre a chapa provoca deformação a qual deve ficar
equilibrada com o limite de resistência ao escoamento (𝜎𝑒 ) dos materiais das superfícies em contato.
Em razão disso, o valor de k pode ser calculado pela fórmula:
𝑃 = 𝑘 ∗ 𝑏 ∗ 𝜎𝑒 → sendo que 𝜎𝑒 = 19𝑘𝑔𝑓/𝑚𝑚²
𝑃
𝑘=
𝑏 ∗ 𝜎𝑒
𝑃 246154𝑘𝑔𝑓
𝑘1 = = = 13𝑚𝑚
𝑏 ∗ 𝜎𝑒 1000𝑚𝑚 ∗ 19𝑘𝑔𝑓/𝑚𝑚²
𝑅𝑎 102035𝑘𝑔𝑓
𝑘2 = = = 5,4𝑚𝑚
𝑏 ∗ 𝜎𝑒 1000𝑚𝑚 ∗ 19𝑘𝑔𝑓/𝑚𝑚²
𝑘3 = 𝑘2

- Força de atrito de rolamento do cilindro P com diâmetro 510mm sobre a chapa.


𝑘1 13𝑚𝑚
𝐹𝑟1 = 𝑃 ∗ = 246154𝑘𝑔𝑓 ∗ = 6253𝑘𝑔𝑓
𝐷 510𝑚𝑚

- Força de atrito de rolamento dos cilindros de apoio Ra e Rb com diâmetro 410mm sobre a chapa
𝑘2 5,4𝑚𝑚
𝐹𝑟2 = 𝑅𝑎 ∗ = 102035𝑘𝑔𝑓 ∗ = 1336𝑘𝑔𝑓
𝐷 410𝑚𝑚
𝐹𝑟3 = 𝐹𝑟2 = 1336𝑘𝑔𝑓

- Forças de atrito nos mancais de deslizamento


𝜇 = 𝑐𝑜𝑒𝑓𝑖𝑐𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑑𝑒 𝑎𝑡𝑟𝑖𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑑𝑒𝑠𝑙𝑖𝑧𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎ç𝑜 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑒 𝑏𝑟𝑜𝑛𝑧𝑒: 0,02 𝑙𝑢𝑏𝑟𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎𝑑𝑜; 0,3 𝑎 𝑠𝑒𝑐𝑜.
Fonte

93
Força de atrito de deslizamento do mancal de bronze do cilindro P
𝐹𝑒1 = 𝑃 ∗ 𝜇 = 246154𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,2 = 49231𝑘𝑔𝑓

Força de atrito de deslizamento do mancal de bronze do cilindro Ra


𝐹𝑒2 = 𝑅𝑎 ∗ 𝜇 = 102035𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,2 = 20407𝑘𝑔𝑓

Força de atrito de deslizamento do mancal de bronze do cilindro Rb


𝐹𝑒3 = 𝑅𝑏 ∗ 𝜇 = 102035𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,2 = 20407𝑘𝑔𝑓

Torque necessário para vencer as forças de atrito nos eixos dos cilindros
𝑃 ∗ (𝑘1 /2 + 𝜇 ∗ 𝑟) 𝑅𝑎 ∗ (𝑘2 /2 + 𝜇 ∗ 𝑟) 𝑅𝑏 ∗ (𝑘3 /2 + 𝜇 ∗ 𝑟)
𝑇= + +
1000 1000 1000

246154 ∗ (6,5 + 0,2 ∗ 130) 102035 ∗ (2,7 + 0,2 ∗ 75) 102035 ∗ (2,7 + 0,2 ∗ 75)
𝑇= + + =
1000 1000 1000

𝑇 = 11604𝑘𝑔𝑓𝑚

Potência necessária para acionamento da calandra


𝑇∗𝑛 11604𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 2𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 38𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂1 ∗ 𝜂2 716,2 ∗ 0,95 ∗ 0,9

𝑛 = rotação do cilindro
𝜂1 = rendimento do redutor
𝜂2 = rendimento do par de engrenagens

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TOMBADORES E VIRADORES
Para calcular a potência de acionamento de tombadores ou viradores é necessário calcular
inicialmente o braço de alavanca da resistência ao giro ou basculamento cujo valor será o produto do
peso da peça situado no seu baricentro, multiplicado pela distância do mesmo ao centro de giro.
No caso destes tipos de equipamentos é mais elucidativo usar exemplos de aplicação e o sistema
técnico (kgfm e CV).

Exemplo de aplicação 1:
O usuário necessita bascular um tambor de 200litros contendo um líquido que deverá ser derramado
em outro recipiente. A estrutura de apoio do tambor deverá girar em torno de um eixo mancal e, para
diminuir o custo do redutor o fabricante do equipamento resolveu utilizar um conjunto de
engrenagens, entre o eixo de saída do redutor e o eixo do mancal de giro, com redução de 1:5 (pinhão
diâmetro 60mm e engrenagem 300mm).
O ângulo de basculamento de 120° deverá ser feito no tempo de 15 segundos.
Dados:
Peso do tambor com o líquido: 265kgf
Peso da estrutura móvel de suporte: 33 kgf
Neste caso, para calcular o torque ou momento de torção resistente ao acionamento, há necessidade de
separar o peso das partes da estrutura móvel e da carga que estão com seus baricentros em distâncias
diferentes do centro de giro. Posteriormente os momentos serão somados.

Momento ou torque referente ao suporte base de 15kg


Mb = 15kg 1,072m = 16,08kgfm
Momento ou torque referente ao suporte lateral de 18kg
Ml = 18kg  0,605m = 10,89kgfm

95
Momento ou torque referente ao tambor com carga pesando no total 265kg. Evidentemente aqui
haverá um pequeno sobre dimensionamento porque, antes mesmo do tambor atingir a linha
horizontal, haverá derramamento do líquido e, consequentemente, diminuição do peso, mas em
termos práticos, são válidos os valores.
Mc = 265kg  0,57m = 151kgfm
Para calcular o momento de giro/momento de torção no eixo de giro temos que somar todos os
momentos.
Momento de torção de basculamento no eixo de giro do conjunto
M = Mb + Ml + Mc = 16,08 + 10,89 + 151 = 177,97mkgf
O momento de torção no eixo de saída do redutor será reduzido pelo conjunto de pinhão e
engrenagem com redução de 1:5
177,97
M2 = = 37,46mkgf
5  0,95
O valor 0,95 refere-se ao rendimento do conjunto pinhão / engrenagem (perda de 5% em atritos
referentes ao engrenamento e mancais).

Para calcular as rotações por minuto (rpm) no eixo de giro


Se para girar 120° o tempo é de 15 segundos para girar 360° (giro completo) o tempo deverá ser
360/120 = 3 vezes maior ou 15s x 3 = 45 segundos. Então 1 giro completo a cada 45 segundos. Para
calcular rotação por segundo usar o inverso do tempo: 1/45 = 0,0222 rotações por segundo. Para o
cálculo da rotação por minuto multiplicar por 60: 0,0222 x 60 = 1,33 rpm.

Ou use a fórmula válida para quando for informado tempo de basculamento em segundos:
  60 120  60
n= = = 1,33rpm
t  360 15  360
 = ângulo de basculamento
t = tempo de basculamento em segundos
Para calcular a rotação por minuto no eixo de saída do redutor multiplicar a rpm no eixo de giro pela
taxa de redução do pinhão e engrenagens
𝑛2 = 1,33 ∗ 5 = 6,65𝑟𝑝𝑚

Para calcular a potência mínima do motor


M 2  n2 37,46  6,65
P= = = 0,36CV
716,2   716,2  0,95
𝑛2 = rotação por minuto no eixo de saída do redutor
 = rendimento do redutor

Seleção do redutor: Pelo desenho da máquina o redutor mais adequado para essa aplicação deverá ser
do tipo ortogonal com torque no seu eixo de saída superior a 37,46 kgfm ou 367Nm e rotação 6,65
rpm. Considerando inicialmente motor de 4 polos ou 1750 rpm a redução aproximada deverá ser
1750/6,65 = 264.

96
Exemplo 2
Forno de refinamento de aço líquido
Este forno, revestido internamente com material refratário, com 4000kgf de aço líquido em seu
interior, deverá fazer giros completos com 2 voltas por minuto em torno de um eixo mancal onde será
montado o redutor e motofreio adequado para o acionamento. Com o movimento de giro o aço líquido
se movimenta dentro do forno deslocando seu centro de gravidade a todo o momento em relação ao
eixo mancal.

O vaso formado por um duplo cone não simétrico e com revestimento interno, tem seu centro de
gravidade não coincidente com o centro do eixo mancal, resultando um momento de torção resistente
ao giro.
Para calcularmos o momento de torção necessário para fazer o sistema girar, é melhor fazer
isoladamente o cálculo dos momentos devidos ao desbalanceamento do vaso e, posteriormente ao
deslocamento do produto dentro do mesmo.
Primeiramente calcular o momento de giro do vaso posicionando na horizontal. As massas dos dois
lados do eixo mancal foram calculadas anteriormente e os centros de gravidade foram obtidos
utilizando os recursos do AutoCad. Veja figura a seguir:

Partindo da posição horizontal, o lado direito com 5213kgf tende a girar o conjunto no sentido horário
e o lado esquerdo com 4016kgf se contrapõe, tendendo a girar no sentido anti horário. Então, a

97
fórmula a seguir vai determinar qual é o momento resultante. Evidentemente, pelos maiores valores
de massa e afastamento do centro (575mm), o vaso tenderá a girar no sentido horário até atingir a
posição vertical com o lado mais pesado para baixo.
𝑀𝑣 = 4016𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,496𝑚 − 5213𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,575𝑚 = 1005𝑘𝑔𝑓𝑚

Em seguida, verificar qual o maior torque desenvolvido pelo deslocamento de aço líquido dentro do
vaso. No caso deste vaso, olhando os desenhos que estão em escala, é obvio que a somatória dos
momentos de giro no sentido horário será maior do que a somatória no sentido anti horário. Então,
usando os recursos do AutoCad ou outro programa de desenho qualquer, primeiramente girar o vaso
no sentido anti horário em diversos ângulos até encontrar o ponto no qual o baricentro da carga de
4000kgf esteja mais afastado do centro do eixo mancal conforme figura

𝑀𝑐𝑎ℎ = 4000𝑘𝑔𝑓 ∗ 0,49𝑚 = 1960𝑘𝑔𝑓𝑚


Este momento, relativo ao deslocamento da carga, é de sentido anti horário e contrário ao momento
Mv devido ao desbalanceamento do vaso que tende para o sentido horário.
Então podemos determinar qual a diferença entre os mesmos.
𝑀1 = 𝑀𝑐𝑎ℎ − 𝑀𝑣 = 1960𝑘𝑔𝑓𝑚 − 1005𝑘𝑔𝑓𝑚 = 955𝑘𝑔𝑓𝑚

A seguir usar o mesmo procedimento anterior deslocando a carga de 4000kgf para o lado direito,
conforme figura abaixo, e verificar o momento de giro.

Mch = 4000kg  0,44m = 1760mkgf

98
Este valor do momento de giro da carga é no sentido horário e por tanto deverá ser somado ao
momento devido ao desbalanceamento do vaso que também é no sentido horário.
M 2 = Mv + Mch = 1005 + 1760 = 2765mkgf

Supondo que os valores de carga, as massas dos componentes do vaso e os baricentros estejam bem
calculados e situados nos pontos corretos, este é o momento de torção mínimo necessário para acionar
esse equipamento, mas se houver alguma desconfiança quanto aos dados informados, é melhor utilizar
um fator de segurança. Se utilizar fator de segurança 1,3 (30% a mais) então a potência do motor
poderá ser calculada pela fórmula a seguir:
M 2  fs  n2 2765  1,3  2
P= = = 10,56CV → 12,5CV
716,2   716,2  0,95
fs = fator de segurança
n2 = rotação por minuto do equipamento
 = rendimento do redutor

Seleção do redutor: Este tipo de equipamento giratório tem o torque resistente muito variável
chegando a ser negativo em alguns ângulos. Se o sentido de rotação for horário e considerada a
posição mostrada na última figura, o torque gerado pela carga em função da força de gravidade,
tenderá a acelerar o motor que nesse momento deverá atuar como freio se alimentado por inversor de
velocidade. Estando o motor trabalhando como freio, o redutor deverá suportar o torque gerado pelo
sistema e seu dimensionamento deverá ser feito em função do torque M2 multiplicado pelo fator de
serviço recomendado pela norma AGMA para este tipo de equipamento.

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MESA PANTOGRÁFICA
Para este caso vamos utilizar um exemplo efetuando os cálculos no sistema técnico.
Média de 10 partidas/hora:
Carga total incluindo estrutura: G = 1100 kgf
Ângulo de partida do braço: 10 °
Fuso com rosca trapezoidal diâmetro 30 mm / passo 6 mm - Fuso de aço. Porca de bronze
Rotação do fuso: 123 rpm

Os maiores esforços para elevar a carga são exercidos quando a mesa está na posição mais baixa. É
nessa posição que devem ser efetuados os cálculos.
Para calcular a força axial exercida no fuso com rosca trapezoidal, aplicar a fórmula a seguir:
Fn = G = 1100kgf
cos cos10o
F1 = Fn = 1100kgf = 6239kgf
sen sen10o

Essa fórmula foi deduzida da seguinte forma:


Fn Fn Fn  cos
F2 = F1 = F2 * cos  F1 =  cos  F1 =
sen sen sen

Para vencer os atritos nos eixos e possíveis desalinhamentos, multiplicar o valor de F1 por 1,4.
F = F1 1,4 = 8735kgf

Para calcular o torque no fuso / eixo de saída do redutor:


 p  D  6  30
M = F + = 8735 + 0,18  = 32mkgf
 D   2 1000  30    2 1000
p = passo da rosca (mm)
D = Diâmetro primitivo da rosca (mm)
 = coeficiente de atrito entre os materiais do fuso: Aço com bronze a seco = 0,18

M n 32 123
Para calcular a potência do motor: P = = = 5,8CV
716,2  716,2  0,95
 = rendimento do redutor

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PLATAFORMA GIRATÓRIA
Como existem muitos tipos de plataforma giratória é melhor utilizar um exemplo como demonstração
de método de cálculo. Esta plataforma foi fabricada e colocada em funcionamento numa exposição de
lançamento de um carro de marca conhecida.

101
DADOS
Peso total: 5100kg
Peso do carro: 1700kg

102
Distância do eixo central de giro da plataforma até o centro de gravidade do carro considerando que
esteja a 1/3 de sua altura quando em posição normal: 784/2 + 484 + 1300/3 = 1526mm
Peso e diâmetro da plataforma horizontal: 1000kg; 5000mm
Peso e dimensões da plataforma vertical: 2400kg; largura: 750mm x 5000mm; altura: 4000mm
Peso total apoiado em 16 rodízios de aço com rolamento no eixo e banda de rodagem diâmetro
150mm revestida com poliuretano dureza 90 shore.
Velocidade desejada: 180° em 6 segundos → 360° em 12 segundos → 1volta/12s = 0,0833
rotações/segundo → 0,0833 x 60 = 5 rotações por minuto
Aceleração de 0 até velocidade nominal: 2 segundos
Velocidade (média) no diâmetro 2,5m = 3,14 x 2,5m x 0,0833 r/s = 0,654 m/s → 2,35 km/h
No eixo de saída do redutor será montado um pinhão com 11 dentes acionando uma engrenagem com
144 dentes montada no eixo central da plataforma

Potência para vencer o atrito de rolamento


Coeficiente de atrito admitido para o rolamento: 0,015
Força resistente ao rolamento Fr = 5100kg x 9,8 x 0,015 = 749N
0,654𝑚 490𝑊
𝑃 = 𝐹𝑟 ∗ 𝑣 = 749𝑁 ∗ = 490𝑊 ∴ = 0,49𝑘𝑊
𝑠 1000

Potência para aceleração da plataforma horizontal. Tempo de aceleração 2 segundos


Momento de inercia
𝑚𝑟²
𝐽=
2
Momento de aceleração
𝑟𝑝𝑚 1000𝑘𝑔 ∗ 2,5²𝑚 5𝑟𝑝𝑚
𝑀 = 𝐽(𝑘𝑔𝑚 2 ) = ∗ = 818𝑁𝑚
(
9,55 ∗ 𝑡𝑎 𝑠 ) 2 9,55 ∗ 2𝑠
Potência
𝑀(𝑁𝑚 ) ∗ 𝑟𝑝𝑚 818𝑁𝑚 ∗ 5𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 0,43𝑘𝑊
9550 9550

Potência para aceleração da plataforma vertical. Tempo de aceleração 2 segundos


Momento de inercia
1
𝐽= 𝑚(𝑎2 + 𝑏2 )
12
Momento de aceleração
𝑟𝑝𝑚 1 5𝑟𝑝𝑚
𝑀 = 𝐽(𝑘𝑔𝑚 2 ) = 2400𝑘𝑔 ∗ (0,752 𝑚 + 52 𝑚 ) ∗ = 1338,35𝑁𝑚
9,55 ∗ 𝑡𝑎(𝑠) 12 9,55 ∗ 2𝑠
Potência
𝑀(𝑁𝑚 ) ∗ 𝑟𝑝𝑚 1338,35𝑁𝑚 ∗ 5𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 0,7𝑘𝑊
9550 9550

Potência para aceleração do carro em 2 segundos


Peso do carro: 1700kg
Raio de giro: 1526mm = 1,526m
Velocidade do carro em m/s
5𝑟𝑝𝑚
2𝜋𝑟𝑛 = 2 ∗ 3,14 ∗ 1,526𝑚 ∗ = 0,798𝑚/𝑠
60

Potência de acionamento
𝑚𝑣 1700𝑘𝑔 ∗ 0,798𝑚/𝑠
𝑃= = = 0,67𝑘𝑊
1000𝑡𝑎 1000 ∗ 2𝑠

103
Potência do motor incluindo perdas com atrito interno do redutor (0,8) e engrenagens externas
(0,95):
0,49𝑘𝑊 + 0,43𝑘𝑊 + 0,7𝑘𝑊 + 0,67𝑘𝑊
𝑃𝑚 = = 3,01𝑘𝑊 ∗ 1,36 = 4,09𝐶𝑉
0,8 ∗ 0,95

Seleção do motor
Como não há muito espaço para motor de maior capacidade e, visando menor custo, foi selecionado
um motor de 3,0CV – 4 polos – 1710rpm baseado nos cálculos e nas seguintes considerações:
-- Conforme dados do motor abaixo, seu fator de serviço é 1,15 e seu conjugado (torque) máximo em
relação ao nominal 3 vezes maior;
-- 79% da potência calculada é devida a aceleração das massas em movimento e 21% ao atrito de
rolamento;
-- O percurso de 180° no tempo de 6 segundos será dividido em aceleração e velocidade nominal sendo
2 segundos (33% do tempo) para aceleração e 4 segundos (67% do tempo) para velocidade nominal.
Daí, conclui-se que, o motor trabalhará 33% do tempo com potência 28% acima da nominal e 67% do
tempo com 29% da sua capacidade nominal. Deverá ser o suficiente para baixar a temperatura elevada
no momento da partida e aceleração.

Dados técnicos do motor de 3,0CV – 4 polos

Seleção do redutor
Redução total baseada no motor de 1710rpm e 5rpm no eixo central da plataforma:
1710 / 5 → 1:342
Redução externa por pinhão e engrenagem 1:11
Redução do redutor 342/11 = 31
Motoredutor Zara a rosca sem fim NMRZ 90, redução 1:30,0. Capacidade nominal 4,9CV; Torque
nominal 48,5 kgfm; Rendimento 0,8. Eixo de saída 35mm. Com motor 3,0CV 4 polos 220/380V

104
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AGITADORES E MISTURADORES
Teoria básica da mecânica dos fluídos
RESISTÊNCIA DO MEIO
As forças que dificultam o movimento de um corpo dentro de um fluído decorrem de duas causas
- atrito entre as partículas do fluído devido à diferença de velocidade entre as mesmas
- inércia do fluído devido aos choques do corpo com as partículas do fluído
Para baixas velocidades, a resistência do movimento é determinada principalmente pela viscosidade
do fluído denominada resistência viscosa.
Para velocidades mais altas, a resistência é determinada também pela inércia das partículas do fluído.
É a resistência dinâmica.
Resistência da água

RESISTÊNCIA VISCOSA - LEI DE STOKES


Quando um fluído escoa, verifica-se um movimento relativo entre as suas partículas, resultando atrito
entre elas. Este atrito interno recebe o nome de viscosidade.
A resistência é viscosa em velocidades inferiores a 0,03m/s na água. Neste caso vale a lei de Stokes que
diz: a resistência é proporcional à velocidade.
Para uma esfera pequena, movendo-se a baixa velocidade em um fluído viscoso, a resistência ao
movimento é dada pela fórmula
𝑅 = 6∗𝜋∗𝜇∗𝑟∗𝑣
 = coeficiente de viscosidade dinâmica do fluído
r = raio da esfera
v = velocidade
A resistência viscosa pode ser dimensionada por vários métodos.
-- Pelo método de Hoppler - deixando uma esfera com dimensões conhecidas cair lentamente num
líquido viscoso. A força da gravidade agirá sobre a esfera, aumentando sua velocidade, até o momento
em que a força resistente (empuxo + resistência do líquido) tiver o mesmo valor equilibrando as
forças. A partir desse momento a velocidade de descida será constante. A força de empuxo é o valor do
peso do líquido deslocado pela esfera, quando mergulhada no mesmo.
Neste caso a fórmula usada é:
P = Força peso da esfera = Força de empuxo + Resistência viscosa do líquido.
4
𝑃= ∗ 𝜋 ∗ 𝑟 3 ∗ 𝜌𝑒 ∗ 𝑔
3
4
𝐸 = ∗ 𝜋 ∗ 𝑟 3 ∗ 𝜌𝑙
3
𝑅 = 6∗𝜋∗𝜇∗𝑟∗𝑣

105
Então:
4 4
∗ 𝜋 ∗ 𝑟 3 ∗ 𝜌𝑒 ∗ 𝑔 = ∗ 𝜋 ∗ 𝑟 3 ∗ 𝜌𝑙 + 6 ∗ 𝜋 ∗ 𝜇 ∗ 𝑟 ∗ 𝑣
3 3

Concluindo
2 ∗ (𝜌𝑒 − 𝜌𝑙 ) ∗ 𝑔 ∗ 𝑟²
𝜇=
9∗𝑣
e = peso específico da esfera
l = peso específico do líquido
g = gravidade
r = raio da esfera
v = velocidade terminal
Utilizando as unidades: gramas, cm, cm/s, teremos o valor em g/cms (poise) - Sistema CGS
Utilizando as unidades: kg, m, m/s, teremos o valor em Ns/m (Pas) - Sist. internacional
Eliminando na fórmula anterior a força g, teremos o valor em kgfs/m - Sistema técnico
-- Pelo viscosímetro de Ostwald - Através da resistência do líquido ao escoamento, passando por um
tubo capilar e medindo o tempo de vazão.
Neste caso a fórmula utilizada é
𝜋 ∗ 𝑟4 ∗ 𝑠 ∗ 𝑃
𝜇=
8∗𝑉∗𝐿
r = raio da esfera
s = tempo de escoamento em segundos
V = Volume do líquido que flui pelo tubo
L = Comprimento do tubo
P = Pressão hidrostática
𝑃 = ℎ∗𝜌∗𝑔
h = altura da coluna do líquido
 = densidade do líquido
g = força da gravidade
Utilizando as unidades: pascal (N/m²), m, s, teremos o valor em Ns/m (Pas)

COEFICIENTE DE VISCOSIDADE DINÂMICA DOS FLUIDOS


O coeficiente de viscosidade dinâmica dos fluídos pode ser medido em
- Poise (P) (gramas/cms) no sistema CGS ou
- Pas (Ns/m²) no sistema internacional SI
Pa (pascal) é a unidade do sistema SI para medir pressão = Força(N) / área(m²)
1 poise (P) = 0,1Pas
1 centipoise (cP) = 0,001Pas
1 Pas = 1000 centipoises

106
Viscosidade absoluta ou dinâmica de alguns materiais a 20º C (fonte wikipédia)
Unidade: Pas
Álcool etílico 0,248 × 10−3 Ácido sulfúrico 30 × 10−3
Acetona 0,326 × 10−3 Óleo de oliva 81 × 10−3
Metanol 0,597 × 10 −3 Óleo de rícino 0,985
Álcool propílico 2,256 × 10−3 Glicerol 1,485
Benzeno 0,64 × 10−3 Polímero derretido 103
Água 1,0030 × 10 −3 Piche 107
Nitrobenzeno 2,0 × 10 −3 Vidro 1040
Mercúrio 17,0 × 10−3 Sangue 4 × 10−3

No interior de um líquido, as partículas contidas em duas lâminas paralelas de área S , movem-se com
velocidades v diferentes e proporcionais à distância d entre si. A lâmina com maior velocidade
tenderá a acelerar a lâmina com menor velocidade devido ao atrito entre as partículas.
Nos agitadores o atrito é causado pela diferença de velocidade entre o líquido próximo das pás e o
líquido próximo ao fundo e às laterais do tanque, onde tende a ficar parado.

A força tangencial decorrente dos atritos internos deve ser calculada pela fórmula a seguir:
∆𝑣
𝐹 =𝜇∗𝑆∗
∆𝑑
S = área do tanque =   r 2
 = coeficiente de viscosidade dinâmica do fluído
O resultado será em:
N, se usarmos as unidades do sistema SI (Pas; m²; m/s; m)
Dina, se usarmos as unidades do sistema CGS (poise; cm²; cm/s; cm)
1N = 1kg.m/s²
1N = 0,98kgf
1 dina = 1g.cm/s²
1N = 100000 dina

107
RESISTÊNCIA DINÂMICA - LEI DE NEWTON
Para velocidades de 0,05m/s a 2m/s na água, a intensidade da resistência do meio é dada pela lei de
Newton.
Sistema técnico
𝑚 2 𝑚2
2
𝑣 𝑘𝑔𝑓 𝑚 (
2 ) 𝑘𝑔𝑓 𝑚 2
𝑅 = 𝑐𝑓 ∗ 𝜌 ∗ 𝑆 ∗ = 𝑐𝑓 ∗ 3 ∗ ∗ 𝑠 = 𝑐𝑓 ∗ 3 ∗ ∗ 𝑠2 = 𝑘𝑔𝑓
2∗𝑔 𝑚 1 2 ∗ 9,8 𝑚 𝑚 1 2 ∗ 9,8 𝑚
𝑠 2 𝑠 2

Sistema internacional
𝑚 2 𝑚2
𝑣2 𝑘𝑔 𝑚 2 ( 𝑠 ) 𝑘𝑔 𝑚 2 𝑠 2 𝑘𝑔𝑚
𝑅 = 𝑐𝑓 ∗ 𝜌 ∗ 𝑆 ∗ = 𝑐𝑓 ∗ 3 ∗ ∗ = 𝑐𝑓 ∗ 3 ∗ ∗ = 2 =𝑁
2 𝑚 1 2 𝑚 1 2 𝑠
c f = coeficiente de resistência dinâmica (ver tabela abaixo)
 = peso específico do fluído (kg/m³)
S = área da secção mestra do móvel (m²) (pás dos agitadores e misturadores)
g = força da gravidade = 9,81 m/s²
v = velocidade relativa do móvel (m/s)
𝑁𝑜𝑠 𝑎𝑔𝑖𝑡𝑎𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 → 𝑣 = 𝜋 ∗ 𝐷 ∗ 𝑁
D = 2/3 do diâmetro das pás
N = rotação por segundo
Peso específico da água: 1000kg/m³

VISCOSIDADE CINEMÁTICA
Viscosidade cinemática é o quociente da divisão do valor da viscosidade dinâmica () pela densidade
do fluído ().
g
 cm 3 cm 2
V = = cm  s =
g
= = = stokes
 g cm  s g s
cm 3
A viscosidade cinemática pode ser medida em
stokes(st) - cm²/s (sistema CGS)
m²/s no sistema SI (sistema internacional)
1st = 0,0001m²/s
1 centistokes (cst) = 0,000001m²/s
m²/s = 1000000 centistokes

108
Viscosidade cinemática de alguns materiais
VISCOSIDADE
FLUÍDO TEMPER. °C PESO ESPECÍFICO
CINEMÁTICA
g/cm³ centistokes
0 0,99987 1,792
10 0,99973 1,308
Água
20 0,99823 1,007
30 0,99567 0,804
5 0,737 0,757
10 0,733 0,710
Gasolina
20 0,725 0,648
30 0,716 0,596
5 0,865 5,98
10 0,861 5,16
Óleo combustível
20 0,855 3,94
30 0,849 3,13
5 0,001266 13,70
Ar 10 0,001244 14,10
Pressão atmosférica 20 0,001201 15,10
30 0,001162 16,00

MOVIMENTO LAMINAR E MOVIMENTO TURBULENTO


A observação dos líquidos em movimento nos leva a distinguir dois tipos de movimento

Regime laminar Regime turbulento


O regime muda de laminar para turbulento de acordo com a velocidade. A velocidade para a qual essa
transição ocorre denomina-se velocidade crítica.
O melhor critério para se determinar o tipo de movimento (laminar ou turbulento), não se prende
unicamente a velocidade, mas também ao valor do número de Reynolds Re (adimensional)

NÚMERO DE REYNOLDS
Reynolds concluiu que, para cada velocidade de escoamento e determinada forma geométrica de um
corpo movendo-se em um líquido viscoso, se a relação entre força de inércia e viscosidade (fórmula
abaixo) for pequena o escoamento será laminar, mas se for grande será turbulento.
Num tanque agitador ou misturador, para se determinar o número de Reynolds aplicar a fórmula:
𝐷2 ∗ 𝑁 ∗ 𝜌
𝑅𝑒 =
𝜇

D = Diâmetro do impelidor em m
N = rotação por segundo
 = Peso específico em kg/m³
 = viscosidade em Pas

109
CÁLCULO DA POTÊNCIA DE ACIONAMENTO DE IMPELIDORES EM TANQUES PADRONIZADOS
Um tanque padronizado deve ter suas dimensões proporcionais conforme abaixo.
Impelidores tipo turbina

pás retas pás inclinadas

D 1 H J 1 E W 1 L 1
= =1 = =1 = =
T 3 T T 12 D D 5 D 4
Quantidade de lâminas do impelidor: 4 a 16 (usual - 6 a 8 lâminas). Quantidade de defletores: 4
A potência de acionamento de um impelidor é função da densidade e viscosidade do líquido a ser
agitado, da velocidade periférica, do formato das pás e das dimensões do tanque. É o valor resultante
da multiplicação de uma fórmula teórica ( P = N 3  D5   ) pelo 𝑁𝑝 (número de potência) com valores
empíricos.
𝑃 = 𝑁 3 ∗ 𝐷5 ∗ 𝜌 ∗ 𝑁𝑝
P = Potência em Watts
N = rotação por segundo
D = Diâmetro do impelidor em m
 = Peso específico em kg/m³
𝑁𝑝 = Número de potência
O número de potência está relacionado ao número de Reynolds. Cada tipo de impelidor tem um
número de potência obtido em experimentos práticos feitos em laboratórios. Esses experimentos são
feitos com tanques padrão, com rotações variáveis e líquidos diferentes.

Regime laminar Regime de transição Regime turbulento


𝐷2 ∗ 𝑁 ∗ 𝜌
𝑅𝑒 =
𝜇

110
Os agitadores com alta velocidade, contendo líquidos com alto peso específico e baixa viscosidade
(resultando em alto número de Reynolds), provocam agitação turbulenta e resultam em número de
potência invariável como se pode notar na curva 6 do gráfico. Números de potência iguais significam
que a força resistente ao avanço das pás é sempre a mesma e a potência absorvida pelo sistema será
função principalmente da velocidade (parte teórica da fórmula).
Os agitadores com baixa velocidade, contendo líquidos com alta viscosidade (resultando em baixo
número de Reynolds) tem movimento laminar. A superfície do líquido é plana e o sistema de agitação
vai depender muito da viscosidade do líquido.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

111
Exemplo de cálculo da potência necessária de acionamento.
Volume do tanque: 6000 litros
Diâmetro do tanque: 2,0m
Impelidor tipo turbina com 6 pás retas D = 0,635m; relação W/D = 1/8
Rotação = 85rpm → 1,41rps
Viscosidade (µ): 1000cP → 1 centipoise (cP) = 0,001Pas → 1000 x 0,001= 1Pas
Peso específico: 1000 kg/m³
Cálculo do Número de Reynolds
D2  N   0,6352 1,411000
Re = = = 568
 1
D = Diâmetro do impelidor em m
N = rotação por segundo
 = Peso específico em kg/m³
 = viscosidade em Pas
Gráfico para determinar o Np (Núm. de potência) em função de Re (Núm. de Reynolds)

IMPELIDOR TIPO TURBINA

Re = 568  N po = 2,0
Cálculo da potência de acionamento
𝑃 = 𝑁 3 ∗ 𝐷5 ∗ 𝜌 ∗ 𝑁𝑝𝑜 = 1,413 ∗ 0,6355 ∗ 1000 ∗ 2,0 = 578𝑘𝑔𝑚 2 /𝑠 3 = 578𝑊

578W = 0,578kW → 0,578kW x 1,36 = 0,79CV

Seleção do motor e redutor


Motoredutor SITI MI 60, redução 1:20, com motor 1,0CV 4 polos. Capacidade nominal 1,6CV
Conjunto motoredutor com mancais e travessa para montagem no tanque agitador

112
IMPELIDORES TIPO A
Cálculo da potência de acionamento de impelidores tipo pás (tipo A) conforme tabelas extraídas do
livro AGITATOR SELECTION AND DESIGN - E.E.U.A. HANDBOOK - publicado por
The Engineering Equipment Users Association - London, S.W.1

Observe nas tabelas da página 94 e adiante que os valores de potência de acionamento foram
calculados em função da densidade e viscosidade do líquido, dos diâmetros e altura dos tanques, dos
defletores, das dimensões das pás, da velocidade média a 2/3 do centro do agitador. A distância do
impelidor ao fundo do tanque (C) também influi na potência e, quanto mais próximo do fundo, maior
será a potência requerida para o acionamento.
Para calcular a potência de acionamento de impelidores com dimensões diferentes incluindo a altura
das pás (W), porém nas demais dimensões proporcionais as dos agitadores das tabelas, utilizar as
fórmulas a seguir:
Cálculo do Nº Reynolds
𝐷2 ∗ 𝑛 ∗ 𝜌
𝑅𝑒 =
𝜇 ∗ 60 ∗ 0,001

Cálculo da potência de acionamento em CV


𝑛
𝐷5 ∗ (60) ³ ∗ 𝜌 ∗ 𝑁𝑝𝑜 ∗ 10 ∗ 𝑊
𝑃= = 𝐶𝑉
735 ∗ 𝐷
D = Diâmetro do impelidor em m
W = Altura da pá
n = rotação por minuto
 = Peso específico em kg/m³
 = viscosidade em centipoises (cP)
N po = Número de potência obtido no gráfico

Para obter o número de potência consultar o gráfico a seguir:


Observação: O gráfico não faz parte do livro. As curvas de número de potência em relação ao número
de Reynolds foram levantadas pelo autor deste trabalho consultando as tabelas do livro e calculando o
número de potência de cada impelidor em função das características do líquido, da rotação e
dimensões dos agitadores.

113
Gráfico do Número de potência em função do Número de Reynolds dos impelidores tipo A

Dimensões dos tanques agitadores com valores da potência de acionamento publicados nas tabelas da
página seguinte e adiante.
DIMENSÕES PROPORCIONAIS

DIMENSÕES mm

TIPO A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8

T-H 686 991 1220 1448 1830 2592 3736 4575

D 457 661 813 966 1220 1728 2491 3050

W 51 63 82 95 127 178 254 305

C 133 190 235 279 356 502 724 889

J 70 100 120 146 184 268 305 305

Volume (litros) 255 760 1420 2380 4810 13640 40935 75150

114
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE

IMPELIDORES TIPO
A1
DIAMETRO DO VASO 0,69m (255 litros)
DIÂMETRO DA PÁ 457mm

VISCOSID.
VELOC centipoises
RPM PERIF. 1 10 102 103 104 105 106
DENSIDAD
m/min
kg/l
0,6 0,01 0,013 0,13 1,3
30 43 1,0 0,01 0,013 0,13 1,3
1,4 0,01 0,013 0,13 1,3
0,6 0,01 0,01 0,01 0,013 0,05 0,5 5
60 86 1,0 0,01 0,01 0,01 0,02 0,05 0,5 5
1,4 0,01 0,01 0,02 0,03 0,05 0,5 5
SEM 0,6 0,04 0,04 0,06 0,09 0,2 2,1
DEFLETORES 120 172 1,0 0,06 0,06 0,09 0,14 0,2 2,1
1,4 0,09 0,09 0,12 0,18 0,3 2,1
0,6 0,3 0,3 0,4 0,7 1,0
240 344 1,0 0,5 0,5 0,7 1,0 1,5
1,4 0,7 0,7 0,9 1,3 2,0
0,6 2,4 2,4 3,0
480 688 1,0 4,0 4,0 5,0
1,4 6,0 6,0 6,0
0,6 0,01 0,01 0,01 0,01 0,013 0,13 1,3
30 43 1,0 0,01 0,01 0,01 0,01 0,013 0,13 1,3
1,4 0,01 0,01 0,01 0,01 0,013 0,13 1,3
0,6 0,03 0,03 0,03 0,03 0,05 0,5 5
COM 60 86 1,0 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,5 5
DEFLETORES 1,4 0,07 0,07 0,07 0,07 0,07 0,5 5
0,6 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 2,1
120 344 1,0 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 2,1
1,4 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 2,1
0,6 1,8 1,8 1,8 1,8 1,8
240 688 1,0 3,0 3,0 3,0 3,0 3,0
1,4 4,0 4,0 4,0 4,0 4,0

115
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
A2
DIAMETRO DO VASO 0,99m (760 litros)
DIÂMETRO DA PÁ 661mm

VISCOSID.
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,01 0,03 0,3 3,0
30 62 1,0 0,013 0,03 0,3 3,0
1,4 0,018 0,03 0,3 3,0
0,6 0,03 0,03 0,04 0,06 0,13 1,3 13
60 124 1,0 0,04 0,04 0,06 0,10 0,14 1,3 13
1,4 0,06 0,06 0,08 0,12 0,19 1,3 13
0,6 0,2 0,2 0,3 0,45 0,7 5,5
SEM 120 249 1,0 0,4 0,4 0,45 0,7 1,0 5,5
DEFLETORES 1,4 0,5 0,5 0,6 0,9 1,3 5,5
0,6 1,7 1,7 2,0 3,0 5,0
240 498 1,0 3,0 3,0 3,0 5,0 7,0
1,4 4,0 4,0 4,0 6,0 9,0
0,6 13 13 14
480 996 1,0 22 22 22
1,4 30 30 30
0,6 0,02 0,02 0,02 0,02 0,035 0,3 3,0
30 62 1,0 0,03 0,03 0,03 0,03 0,035 0,3 3,0
1,4 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,3 3,0
0,6 0,16 0,16 0,16 0,16 0,16 1,3 13
COM 60 124 1,0 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 1,3 13
DEFLETORES 1,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 1,3 13
0,6 1,2 1,2 1,2 1,2 1,2 5,5
120 249 1,0 2 2 2 2 2 5,5
1,4 3 3 3 3 3 5,5
0,6 10 10 10 10 10
240 498 1,0 17 17 17 17 17
1,4 25 25 25 25 25

116
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
A3
DIAMETRO DO VASO 1,22m (1420litros)
DIÂMETRO DA PÁ 813mm

VISCOSID.
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,016 0,02 0,07 0,7 6,5
30 76 1,0 0,02 0,04 0,07 0,7 6,5
1,4 0,03 0,05 0,07 0,7 6,5
0,6 0,08 0,08 0,11 0,17 0,3 2,5 25
60 153 1,0 0,13 0,13 0,17 0,25 0,4 2,5 25
1,4 0,18 0,18 0,25 0,4 0,5 2,5 25
0,6 0,6 0,6 0,8 1,2 1,8 11
SEM 120 306 1,0 1,0 1,0 1,2 1,8 3,0 11
DEFLETORES 1,4 1,4 1,4 1,6 2,5 4,0 11
0,6 5,0 5,0 5,5 8,5 13
240 612 1,0 8,5 8,5 8,5 13 20
1,4 12 12 12 17 25

0,6 0,06 0,06 0,06 0,06 0,07 0,65 6,5


30 76 1,0 0,10 0,10 0,10 0,10 0,10 0,65 6,5
1,4 0,14 0,14 0,14 0,14 0,14 0,65 6,5
0,6 0,45 0,45 0,45 0,45 0,45 2,5 25
COM 60 153 1,0 0,8 0,8 0,8 0,8 0,8 2,5 25
DEFLETORES 1,4 1,1 1,1 1,1 1,1 1,1 2,5 25
0,6 3,5 3,5 3,5 3,5 3,5 11
120 306 1,0 6,0 6,0 6,0 6,0 6,0 11
1,4 8,5 8,5 8,5 8,5 8,5 11

117
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
A4
DIAMETRO DO VASO 1,45m (2380 litros)
DIÂMETRO DA PÁ 966mm

VISCOSID.
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,04 0,4 4,0
15 45 1,0 0,04 0,4 4,0
1,4 0,04 0,4 4,0
0,6 0,035 0,035 0,055 0,08 0,16 1,6 16
30 91 1,0 0,06 0,06 0,08 0,12 0,19 1,6 16
1,4 0,08 0,08 0,11 0,16 0,25 1,6 16
0,6 0,25 0,25 0,4 0,6 0,85 6,5 65
SEM 60 182 1,0 0,45 0,45 0,6 0,9 1,3 6,5 65
DEFLETORES 1,4 0,65 0,65 0,75 1,1 1,7 6,5 65
0,6 2,0 2,0 2,5 4,0 6,0 25
120 364 1,0 3,5 3,5 4,0 6,0 9,0 25
1,4 5,0 5,0 5,5 8,0 12 25
0,6 17 17 20 30
240 728 1,0 30 30 30 45
1,4 40 40 40 55
0,6 0,04 0,4 4,0
15 45 1,0 0,04 0,4 4,0
1,4 0,04 0,4 4,0
0,6 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 1,6 16
COM 30 91 1,0 0,35 0,35 0,35 0,35 0,35 1,6 16
DEFLETORES 1,4 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 1,6 16
0,6 1,6 1,6 1,6 1,6 1,6 6,5 65
60 182 1,0 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 6,5 65
1,4 4,0 4,0 4,0 4,0 4,0 6,5 65
0,6 13 13 13 13 13 25
120 364 1,0 22 22 22 22 22 25
1,4 30 30 30 30 30 30

118
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
A5
DIAMETRO DO VASO 1,83m (4810 litros)
DIÂMETRO DA PÁ 1220mm

VISCOSID.
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,06 0,6 6,0
15 57 1,0 0,06 0,6 6,0
1,4 0,07 0,6 6,0
0,6 0,08 0,08 0,11 0,16 0,25 2,5 25
30 115 1,0 0,13 0,13 0,16 0,25 0,40 2,5 25
1,4 0,18 0,18 0,20 0,35 0,50 2,5 25
0,6 0,6 0,6 0,75 1,2 1,7 9,0 90
SEM 60 230 1,0 1,0 1,0 1,2 1,8 2,5 9,0 90
DEFLETORES 1,4 1,4 1,4 1,5 2,5 3,5 9,0 90
0,6 5,0 5,0 5,5 8,0 12 35
120 460 1,0 8,0 8,0 8,0 12 20 35
1,4 11 11 11 16 25 40
0,6 40 40 40 60 90
240 920 1,0 65 65 65 90 130
1,4 90 90 90 110 170
0,6 0,06 0,6 6,0
15 57 1,0 0,06 0,6 6,0
1,4 0,08 0,6 6,0
0,6 0,45 0,45 0,45 0,45 0,45 2,5 25
COM 30 115 1,0 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 2,5 25
DEFLETORES 1,4 1,1 1,1 1,1 1,1 1,1 2,5 25
0,6 3,5 3,5 3,5 3,5 3,5 9,0 90
60 230 1,0 6,0 6,0 6,0 6,0 6,0 9,0 90
1,4 8,5 8,5 8,5 8,5 8,5 9,0 90
0,6 30 30 30 30 30 35
120 460 1,0 50 50 50 50 50 50
1,4 70 70 70 70 70 70

119
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
A6
DIAMETRO DO VASO 2,60m (13640 litros)
DIÂMETRO DA PÁ 1728mm

VISCOSID.
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,04 0,4 4,0
7,5 41 1,0 0,04 0,4 4,0
1,4 0,04 0,4 4,0
0,6 0,17 1,6 16
15 81 1,0 0,25 1,6 16
1,4 0,35 1,6 16
0,6 0,4 0,4 0,55 0,8 1,2 6,5 65
SEM 30 163 1,0 0,7 0,7 0,8 1,2 1,9 6,5 65
DEFLETORES 1,4 1,0 1,0 1,1 1,6 2,5 6,5 65
0,6 3,5 3,5 4,0 6,0 9,0 25 250
60 326 1,0 5,5 5,5 6,0 9,0 13 25 250
1,4 8,0 8,0 8,0 11 18 30 250
0,6 25 25 30 40 60 100
120 652 1,0 45 45 50 60 95 140
1,4 65 65 65 80 120 190
0,6 0,04 0,4 4,0
7,5 41 1,0 0,04 0,4 4,0
1,4 0,06 0,4 4,0
0,6 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 1,6 16
15 81 1,0 0,55 0,55 0,55 0,55 0,55 1,6 16
1,4 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 1,6 16
0,6 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 6,5 65
COM 30 163 1,0 4,0 4,0 4,0 4,0 4,0 6,5 65
DEFLETORES 1,4 6,0 6,0 6,0 6,0 6,0 6,5 65
0,6 20 20 20 20 20 25 250
60 326 1,0 35 35 35 35 35 35 250
1,4 50 50 50 50 50 50 250
0,6 160 160 160 160 160 160
120 652 1,0 300 300 300 300 300 300
1,4 400 400 400 400 400 400

120
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
A7
DIAMETRO DO VASO 3,76m (40935 litros)
DIÂMETRO DA PÁ 2491mm

VISCOSID.
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,13 1,2 12
7,5 59 1,0 0,20 1,2 12
1,4 0,25 1,2 12
0,6 0,65 0,95 5,0 50
15 117 1,0 0,95 1,4 5,0 50
1,4 1,2 1,9 5,0 50
0,6 2,5 2,5 3,0 4,5 6,5 19 190
SEM 30 235 1,0 4,5 4,5 5,0 7,0 10 19 190
DEFLETORES 1,4 6,0 6,0 7,0 9,0 13 19 190
0,6 20 20 25 30 45 75 750
60 469 1,0 35 35 35 45 70 110 750
1,4 50 50 50 60 95 140 750
0,6 170 170 170 200 350 500
120 938 1,0 300 300 300 350 500 750
1,4 400 400 400 450 650 1000
0,6 0,14 1,2 12
7,5 59 1,0 0,25 1,2 12
1,4 0,35 1,2 12
0,6 2,0 2,0 2,0 2,0 2,0 5,0 50
15 117 1,0 3,5 3,5 3,5 3,5 3,5 5,0 50
1,4 4,5 4,5 4,5 4,5 4,5 5,0 50
COM 0,6 16 16 16 16 16 19 190
DEFLETORES 30 235 1,0 25 25 25 25 25 25 190
1,4 35 35 35 35 35 35 190
0,6 130 130 130 130 130 130 700
60 469 1,0 200 200 200 200 200 200 700
1,4 300 300 300 300 300 300 700

121
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
A8
DIAMETRO DO VASO 4,57m (75150 litros)
DIÂMETRO DA PÁ 3050mm

VISCOSID.
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,35 2,0 20
7,5 72 1,0 0,5 2,0 20
1,4 0,65 2,0 20
0,6 0,9 0,9 1,0 1,6 2,5 8,5 85
15 144 1,0 1,5 1,5 1,5 2,5 3,5 8,5 85
SEM 1,4 2,0 2,0 2,0 3,0 5,0 8,5 85
DEFLETORES 0,6 7,0 7,0 7,5 11 17 35 350
30 287 1,0 12 12 12 17 25 40 350
1,4 16 16 16 20 35 50 350
0,6 60 60 60 80 120 180 1400
60 574 1,0 95 95 95 120 180 250 1400
1,4 130 130 130 160 250 350 1400

0,6 0,40 2,0 20


7,5 72 1,0 0,65 2,0 20
1,4 0,90 2,0 20
0,6 5,5 5,5 5,5 5,5 5,5 8,5 85
15 144 1,0 9,0 9,0 9,0 9,0 9,0 9,0 85
COM 1,4 12 12 12 12 12 12 85
DEFLETORES 0,6 40 40 40 40 40 40 350
30 287 1,0 70 70 70 70 70 70 350
1,4 100 100 100 100 100 100 350
0,6 350 350 350 350 350 350 1400
60 574 1,0 550 550 550 550 550 550 1400
1,4 800 800 800 800 800 800 1400

122
IMPELIDORES TIPO TURBINA
Potência de acionamento de agitadores conforme tabelas extraídas do livro AGITATOR SELECTION
AND DESIGN - E.E.U.A. HANDBOOK - publicado por
The Engineering Equipment Users Association - London, S.W.1
Observe nas tabelas que os valores de potência de acionamento foram calculados em função da
densidade e viscosidade do líquido, do diâmetro e altura do nível do líquido dentro do tanque, dos
defletores, das dimensões das pás, da velocidade média a 2/3 do centro do agitador. A distância do
impelidor ao fundo do tanque também influi na potência e, quanto mais próximo do fundo, maior será
a potência requerida para o acionamento.
Para calcular a potência de acionamento de agitadores com dimensões diferentes, porém
proporcionais as dos agitadores das tabelas, utilizar as fórmulas a seguir:
Cálculo do Nº Reynolds – Diâmetro em m; rotação por minuto; viscosidade em centipoises
D2  n  
Re =
  60  0,001

Cálculo da potência de acionamento em CV


3
 n 
D 5      N po
P=  60  = CV
735
D = Diâmetro do impelidor em m
n = rotação por minuto
 = Peso específico em kg/m³
 = viscosidade em centipoises (cP)
N po = N° de potência obtido no gráfico a seguir
O gráfico a seguir não faz parte do livro. As curvas de número de potência em relação ao número de
Reynolds foram levantadas pelo autor deste trabalho consultando as tabelas do livro e calculando o
número de potência de cada agitador em função das características do líquido, da rotação e dimensões
dos impelidores.
IMPELIDORES TIPO TURBINA

123
Dimensões dos tanques com valores da potência de acionamento publicados nas tabelas

TIPO B1 B2 B3 B4 B5 B6

D 228 305 458 610 915 1220

L 57 76 114 152 228 305

W 44 63 89 120 184 241

Quant. palhetas 6 6 6 8 8 12
Dimensões em mm

DIMENSÕES DOS DEFLETORES


T 686 991 1220 1448 1830 2592 3736 4575
J 70 100 120 146 184 268 305 305
f 19 25 38 51 76 76 76 76
g 25 51 76 89 102 102 102 102

DIMENSÕES PROPORCIONAIS

pás retas pás inclinadas

124
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
B1
DIAMETRO DO VASO 0,685 a 1,22m
VISCOSIDE.
centipoises
RPM DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
kg/l
0,6 0,016 0,017 0,05
120 1,0 0,01 0,01 0,02 0,025 0,055 0,5 5
1,4 0,014 0,015 0,03 0,035 0,065
0,6 0,02 0,02 0,04 0,055 0,11
180 1,0 0,03 0,035 0,06 0,085 0,14 1,1 11
1,4 0,04 0,045 0,075 0,12 0,16
0,6 0,04 0,045 0,085 0,12 0,2
SEM 240 1,0 0,065 0,07 0,12 0,2 0,25 1,8 18
DEFLETORES 1,4 0,09 0,10 0,14 0,3 0,35
0,6 0,12 0,13 0,25 0,4 0,6
360 1,0 0,2 0,2 0,3 0,65 0,8 4 40
1,4 0,25 0,3 0,4 0,85 1,1
0,6 0,25 0,3 0,45 0,9 1,2
480 1,0 0,45 0,45 0,6 1,4 1,8 7,5 75
1,4 0,6 0,65 0,8 1,7 2,5
0,6 0,025 0,025 0,025 0,025 0,05
120 1,0 0,04 0,04 0,04 0,04 0,05 0,5 5
1,4 0,06 0,06 0,06 0,06 0,06
0,6 0,085 0,085 0,085 0,085 0,11
180 1,0 0,14 0,14 0,14 0,14 0,14 1,1 11
1,4 0,2 0,2 0,2 0,2 0,16
0,6 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2
COM 240 1,0 0,35 0,35 0,35 0,35 0,35 1,8 18
DEFLETORES 1,4 0,45 0,45 0,45 0,45 0,45
0,6 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7
360 1,0 1,1 1,1 1,1 1,1 1,1 4 40
1,4 1,6 1,6 1,6 1,6 1,6
0,6 1,6 1,6 1,6 1,6 1,6
480 1,0 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 7,5 75
1,4 4,0 4,0 4,0 4,0 4,0

125
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
B2
DIAMETRO DO VASO 0,680 a 1,83m
VISCOSIDE
centipoises
RPM DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
kg/l
0,6 0,01 0,012 0,025 0,025 0,065
90 1,0 0,017 0,02 0,035 0,045 0,08 0,6 6
1,4 0,025 0,025 0,045 0,06 0,09
0,6 0,025 0,025 0,05 0,06 0,12
120 1,0 0,04 0,04 0,075 0,10 0,16 1,1 11
1,4 0,055 0,055 0,085 0,14 0,19
0,6 0,075 0,08 0,14 0,2 0,35
SEM 180 1,0 0,12 0,13 0,19 0,35 0,45 2,5 25
DEFLETORES 1,4 0,16 0,17 0,25 0,55 0,55
0,6 0,16 0,17 0,3 0,5 0,65
240 1,0 0,25 0,3 0,35 0,85 1,0 4,5 45
1,4 0,35 0,4 0,5 1,1 1,3
0,6 0,5 0,5 0,7 1,6 2
360 1,0 0,8 0,85 1,1 1,5 3 10 100
1,4 1,1 1,2 1,4 3 4
0,6 0,045 0,045 0,045 0,045 0,065
90 1,0 0,075 0,075 0,075 0,075 0,08 0,6 6
1,4 0,11 0,11 0,11 0,11 0,11
0,6 0,11 0,11 0,11 0,11 0,12
120 1,0 0,18 0,18 0,18 0,18 0,18 1,1 11
1,4 0,25 0,25 0,25 0,25 0,25
0,6 0,35 0,35 0,35 0,35 0,35
COM 180 1,0 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 2,5 25
DEFLETORES 1,4 0,85 0,85 0,85 0,85 0,85
0,6 0,85 0,85 0,85 0,85 0,85
240 1,0 1,4 1,4 1,4 1,4 1,4 4,5 45
1,4 2 2 2 2 2
0,6 3 3 3 3 3
360 1,0 5 5 5 5 5 10 100
1,4 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5

126
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
B3
DIAMETRO DO VASO 0,990 a 2,59m
VISCOSIDE
centipoises
RPM DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
kg/l
0,6 0,025 0,03 0,055 0,06 0,11
60 1,0 0,04 0,045 0,075 0,10 0,14 0,9 9
1,4 0,055 0,06 0,085 0,13 0,17
0,6 0,075 0,085 0,14 0,2 0,3
90 1,0 0,13 0,13 0,18 0,4 0,4 2 20
1,4 0,17 0,18 0,25 0,55 0,55
0,6 0,17 0,18 0,3 0,45 0,6
SEM 120 1,0 0,3 0,3 0,4 0,9 0,9 4 40
DEFLETORES 1,4 0,4 0,4 0,5 1,1 1,2
0,6 0,5 0,55 0,75 1,7 1,9
180 1,0 0,85 0,9 1,1 2,5 3 8,5 85
1,4 1,1 1,2 1,5 3 4
0,6 1,1 1,2 1,5 3,5 4
240 1,0 1,8 2,0 2,5 5 6,5 15 150
1,4 2,5 2,5 3 6 9
0,6 0,10 0,10 0,10 0,10 0,11
60 1,0 0,17 0,17 0,17 0,17 0,17 0,9 9
1,4 0,25 0,25 0,25 0,25 0,25
0,6 0,35 0,35 0,35 0,35 0,35
90 1,0 0,55 0,55 0,55 0,55 0,55 2 20
1,4 0,8 0,8 0,8 0,8 0,8
0,6 0,8 0,8 0,8 0,8 0,8
COM 120 1,0 1,4 1,4 1,4 1,4 1,4 4 40
DEFLETORES 1,4 1,9 1,9 1,9 1,9 1,9
0,6 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5
180 1,0 4,5 4,5 4,5 4,5 4,5 8,5 85
1,4 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5
0,6 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 15
240 1,0 11 11 11 11 11 15 150
1,4 15 15 15 15 15 17

127
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
B4
DIAMETRO DO VASO 1,22 a 3,73m
VISCOSIDE
centipoises
RPM DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
kg/l
0,6 0,055 0,06 0,11 0,13 0,2
45 1,0 0,09 0,10 0,14 0,2 0,25 1,5 15
1,4 0,13 0,13 0,18 0,4 0,35
0,6 0,13 0,13 0,2 0,3 0,4
60 1,0 0,2 0,2 0,3 0,65 0,6 2,5 25
1,4 0,3 0,3 0,4 0,85 0,8
0,6 0,4 0,4 0,55 1,2 1,2
SEM 90 1,0 0,6 0,65 0,85 1,8 1,9 6 60
DEFLETORES 1,4 0,85 0,9 1,1 2,5 2,5
0,6 0,85 0,9 1,2 2,5 3,0
120 1,0 1,3 1,5 1,8 3,5 4,5 11 110
1,4 1,8 2 2,5 4,5 5,5
0,6 2,5 2,5 3,5 7 9 25
180 1,0 4,0 4,5 5 10 14 25 250
1,4 5,5 6,0 7 12 19 30
0,6 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2
45 1,0 0,35 0,35 0,35 0,35 0,35 1,5 15
1,4 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5
0,6 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5
60 1,0 0,85 0,85 0,85 0,85 0,85 2,5 25
1,4 1,2 1,2 1,2 1,2 1,2
0,6 1,8 1,8 1,8 1,8 1,8
COM 90 1,0 3 3 3 3 3 6 60
DEFLETORES 1,4 4 4 4 4 4
0,6 4 4 4 4 4 11
120 1,0 7 7 7 7 7 11 110
1,4 10 10 10 10 10 12
0,6 14 14 14 14 14 25
180 1,0 25 25 25 25 25 25 250
1,4 35 35 35 35 35 35

128
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
B5
DIAMETRO DO VASO 1,83 a 4,57m
VISCOSIDE
centipoises
RPM DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
kg/l
0,6 0,18 0,19 0,3 0,4 0,5
30 1,0 0,3 0,3 0,4 0,9 0,9 3 30
1,4 0,4 0,4 0,55 1,1 1,1
0,6 0,55 0,55 0,75 1,7 1,7
45 1,0 0,85 0,95 1,2 2,5 2,5 7 70
1,4 1,2 1,3 1,5 3 3
0,6 1,2 1,2 1,6 3,5 3,5 12
SEM 60 1,0 1,9 2 2,5 5 5,5 12 120
DEFLETORES 1,4 2,5 3 3,5 6,5 7 14
0,6 3,5 4 4,5 9,5 11 30
90 1,0 6 6,5 7 14 17 30 250
1,4 8 9 9,5 17 25 40
120 0,6 7,5 8,5 10 19 25 50
1,0 13 14 15 25 40 65 500
1,4 18 20 20 35 55 75
0,6 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65
30 1,0 1,1 1,1 1,1 1,1 1,1 3 30
1,4 1,5 1,5 1,5 1,5 1,5
0,6 2 2 2 2 2
45 1,0 3,5 3,5 3,5 3,5 3,5 7 70
1,4 5 5 5 5 5
0,6 5,5 5,5 5,5 5,5 5,5 12
COM 60 1,0 9 9 9 9 9 12 120
DEFLETORES 1,4 12 12 12 12 12 14
0,6 18 18 18 18 18 30
90 1,0 30 30 30 30 30 30 250
1,4 40 40 40 40 40 40
120 0,6 40 40 40 40 40 50
1,0 70 70 70 70 70 70 500
1,4 100 100 100 100 100 100

129
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
B6
DIAMETRO DO VASO 2,59 a 4,57m
VISCOSIDE
centipoises
RPM DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
kg/l
0,6 0,7 0,75 1,0 2 2 7
30 1,0 1,1 1,2 1,5 3 3 7,5 70
1,4 1,6 1,7 2 4 4 8
0,6 2 2,5 3 6 6 16
45 1,0 3,5 4 4,5 8,5 9 18 160
1,4 5 5,5 6 11 13 20
0,6 4,5 5 6 12 13 30
SEM 60 1,0 7,5 8,5 9,5 17 20 35 300
DEFLETORES 1,4 11 12 13 20 30 40
0,6 14 16 18 30 45 80
90 1,0 25 25 25 45 70 100 650
1,4 35 35 40 50 120 130
0,6 3 3 3 3 3 7
30 1,0 4,5 4,5 4,5 4,5 4,5 7,5 70
1,4 6,5 6,5 6,5 6,5 6,5 8
0,6 9,5 9,5 9,5 9,5 9,5 16
45 1,0 16 16 16 16 16 18 100
1,4 20 20 20 20 20 20
0,6 20 20 20 20 20 30
COM 60 1,0 35 35 35 35 35 35 300
DEFLETORES 1,4 50 50 50 50 50 50
0,6 75 75 75 75 75 80
90 1,0 130 130 130 130 130 130 650
1,4 180 180 180 180 180 180

130
IMPELIDORES TIPO ÂNCORA
São utilizados para mistura de líquidos muito consistentes com viscosidade entre 5 e 50 Pa.s
O tipo âncora fornece um escoamento misto
Há também o tipo helicoidal para fluxo axial

Cálculo da potência de acionamento em CV


3
 n 
D 5      N po
P=  60  = CV
735
D = Diâmetro do impelidor em m
n = rotação por minuto
 = Peso específico em kg/m³
 = viscosidade em centipoises (cP)
N po = N° de potência obtido conforme fórmulas abaixo
Para determinar o número de potência N po no caso de agitadores para fluídos de alta viscosidade
devem-se usar relações empíricas

p = (pitch) passo em m

Re = Num. de Reynolds
  N  D2
Re =

 = Peso específico (kg/m³)


N = rotação por segundo
D = Diâmetro do impelidor (m)
 = viscosidade (Pas)

131
TABELAS DE POTÊNCIA EM CV
NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE
IMPELIDORES TIPO ÂNCORA
Tabelas extraídas do livro AGITATOR SELECTION AND DESIGN - E.E.U.A. HANDBOOK - publicado por
The Engineering Equipment Users Association - London, S.W.1
Observe nas tabelas que os valores de potência de acionamento foram calculados em função das
características do líquido, dos diâmetros e altura dos tanques, das dimensões da âncora e da
velocidade periférica. A distância da âncora às paredes do tanque também influi na potência
necessária e quanto mais próxima, maior é a necessidade.
Dimensões dos tanques com valores da potência de acionamento publicados nas tabelas

TIPO C1 C2 C3 C4 C5 C6

T 685 990 1220 1450 1830 2590

D 635 940 1170 1370 1750 2515

W 50 75 100 115 127 180

C 25 25 25 38 38 38

Volume (litros) 250 690 1400 2100 4800 13600


Dimensões em mm

132
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
C1
DIAMETRO DO VASO 0,685m
VISCOSIDADE
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,09
18 36 1,0 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 0,05 0,14
1,4 0,19
0,6 0,02 0,2 0035 0,09 0,13 0,45 2
54 108 1,0 0,03 0,04 0,045 0,12 0,19 0,45 3
1,4 0,04 0,05 0,06 0,13 0,25 0,5 4
0,6 0,15 0,18 0,2 0,5 0,85 2
SEM 108 215 1,0 0,25 0,3 0,35 0,7 1,2 2,5
DEFLETORES 1,4 0,35 0,4 0,45 0,75 1,6 2,5
0,6 0,5 0,6 0,7 1,4 2,5
162 323 1,0 0,85 1,0 1,1 1,8 4
1,4 1,1 1,3 1,5 2,5 5
0,6 1,2 1,4 1,6 3
216 431 1,0 1,9 2 2,5 4
1,4 2,5 3 3,5 5

TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO


C2
DIAMETRO DO VASO 0,99m
VISCOSIDADE
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,01 0,01 0,05 0,18
12 35 1,0 0,01 0,02 0,07 0,35
1,4 0,02 0,02 0,08 0,35
0,6 0,04 0,05 0,06 0,16 0,25 0,7 4
36 106 1,0 0,07 0,08 0,09 0,2 0,35 0,75 5,5
1,4 0,09 0,11 0,12 0,25 0,45 0,85 6
0,6 0,3 0,4 0,4 0,85 1,6 3
SEM 72 212 1,0 0,5 0,6 0,7 1,1 2,5 4
DEFLETORES 1,4 0,7 0,8 0,9 1,5 3 5,5
0,6 1,0 1,2 1,4 2,5 5 8,5
108 319 1,0 1,8 1,9 2,5 3,5 7,5 13
1,4 2,5 2,5 3 4,5 10 17
0,6 2,5 3 3 5
144 425 1,0 4 4,5 5 7,5
1,4 5,5 6 7 9,5

133
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
C3
DIAMETRO DO VASO 1,22 mm
VISCOSIDADE
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,01 0,08 0,25
9 33 1,0 0,02 0,08 0,35
1,4 0,03 0,085 0,45
0,6 0,05 0,06 0,075 0,19 0,3 0,75 5
27 99 1,0 0,08 0,10 0,11 0,25 0,4 0,85 6,5
1,4 0,11 0,13 0,15 0,3 0,55 1,0 6,5
0,6 0,4 0,45 0,5 1,0 2 3,5 25
SEM 54 198 1,0 0,65 0,75 0,8 1,4 3 5 30
DEFLETORES 1,4 0,9 0,95 1,2 1,7 4 6,5 30
0,6 1,3 1,5 1,7 3 6 10
81 297 1,0 2 2,5 2,5 4 9 16
1,4 3 3 4 5,5 12 20
0,6 3 3,5 4 6,5 14 25
108 397 1,0 5 6,5 6,5 9 20 35
1,4 7 7,5 9 11 25 45

TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO


C4
DIAMETRO DO VASO 1,45m
VELOC VISCOSIDADE
PERIF. centipoises
RPM m/min DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
kg/l
0,6 0,02 0,1 0,35
8 34 1,0 0,03 0,1 0,5
1,4 0,04 0,11 0,65
0,6 0,08 0,09 0,11 0,25 0,45 1,0 7
24 103 1,0 0,13 0,15 0,17 0,35 0,65 1,2 8,5
1,4 0,18 0,2 0,25 0,4 0,8 1,4 8,5
0,6 0,6 0,7 0,8 1,4 3 5 25
SEM 48 206 1,0 1,0 1,1 1,3 2 4,5 7,5 35
DEFLETORES 1,4 1,4 1,5 1,8 2,5 5,5 10 40
0,6 2 2,5 2,5 4 9 15
72 310 1,0 3,5 3,5 4,5 6 14 25
1,4 4,5 5 6 7,5 18 30
0,6 5 5 6 6 20 35
96 413 1,0 7,5 8 10 13 30 50
1,4 11 12 14 16 40 65

134
TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO
C5
DIAMETRO DO VASO 1,83 m
VISCOSIDADE
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,03 0,12 0,45
6 33 1,0 0,04 0,13 0,7
1,4 0,055 0,13 0,9
0,6 0,11 0,13 0,15 0,3 0,6 1,1 9
18 99 1,0 0,18 00,2 0,25 0,4 0,85 1,5 9,5
1,4 0,25 0,3 0,35 0,55 1,1 1,9 10,5
0,6 0,9 1,0 1,1 1,9 4 8,5 40
SEM 36 199 1,0 1,4 1,5 1,8 3,0 6 11 45
DEFLETORES 1,4 2 2 2,5 3,5 8 14 45
0,6 3 3 4 6 12 20
54 298 1,0 5 5 6 8,5 19 30
1,4 6,5 7 8,5 10 25 40
0,6 7 7 8,5 13 30
72 398 1,0 11 12 14 18 40
1,4 15 17 20 20 50

TABELA DE POTÊNCIA EM CV NECESSÁRIA PARA ACIONAMENTO DE IMPELIDORES TIPO


C6
DIAMETRO DO VASO 2,59m
VISCOSIDADE
VELOC centipoises
RPM PERIF. DENSIDADE 1 10 102 103 104 105 106
m/min kg/l
0,6 0,25 1,5
5 39 1,0 0,25 2
1,4 03 2,5
0,6 0,4 0,45 0,5 0,85 1,8 3
15 117 1,0 0,65 0,7 0,8 1,3 3 4,5 20
1,4 0,9 0,9 1,2 1,6 3,5 5
0,6 3 3 4 6 13 20 90
SEM 30 235 1,0 5 5 6,5 8 19 30 95
DEFLETORES 1,4 7 7,5 9 10 25 40 95
0,6 10 11 13 18 40 65 200
45 352 1,0 16 18 20 25 60 100 220
1,4 20 25 30 35 75 120 250
0,6 25 25 30 35 85 150
60 470 1,0 40 40 50 55 130 200
1,4 50 60 70 75 170 280

135
IMPELIDORES TIPO HÉLICE NAVAL
São impelidores em formato de hélice e medem geralmente menos de 1/4
do diâmetro do tanque de mistura, e giram a uma grande velocidade
(acima de 1000 rpm).
Este tipo de impelidor relativamente pequeno, tem bastante eficiência em
tanques grandes. Devido à natureza predominante longitudinal dos fluxos
de corrente do produto, os hélices não são muito efetivos se forem
montados no centro do tanque verticalmente, sendo recomendado a sua
instalação descentralizada com o eixo formando um certo ângulo com a
vertical do tanque. Os impelidores tipo hélice são bastante utilizados na
mistura de produtos de pouca viscosidade e, como cortam e cisalham as
substâncias do produto, são utilizados também para dispersar sólidos e
no preparo de emulsões.

Site para consulta


Este site mistura muitos tipos de impulsores e seus números de potência estão anotados.
Sem defletores, a maioria dos tipos, impõe um padrão de fluxo tangencial. Com defletores, a maioria
mostra suas características reais de fluxo. Os impelidores são classificados pelos padrões de fluxo que
foram destinados a criar.
O impelidor tipo hélice foi provavelmente o primeiro de fluxo axial. A maioria dos hélices é projetado
com um passo quase perfeito, mas são fundidos e pesados.
O passo do hélice descreve a distância que uma ponta de lâmina percorre na direção axial para uma
rotação. Um passo de 1:1 significa que em um hélice com diâmetro de 500mm, o líquido na periferia
das pás, percorre uma distância de 500mm a cada rotação.
Um hélice com passo 1:1 é denominado como sendo de passo quadrado. Hélices com passo 1,5:1, são
chamados de passo super ou passo ingreme e podem obter 50 a 70% a mais de fluxo em relação aos
hélices de passo quadrado.

Cálculo da potência de acionamento em CV


3
 n 
D      N po
5

P=  60  = CV
735
D = Diâmetro impelidor em m
n = rotação por minuto
 = Peso específico em kg/m³
 = viscosidade em centipoises (cP)
N po = N° de potência fornecido pelo fabricante
Exemplo de impelidor tipo hélice naval com o número de potência fornecido

Observação: O número de potência informado é válido para a relação


D/T (diâmetro do impelidor / diâmetro do tanque) anotado.

136
IMPELIDOR TIPO PBT
É de fluxo axial, leve por ser feito de material plano e fácil
de construir com 4 pás inclinadas a 45°. A largura das
lâminas é 20% do diâmetro.
Número de potência 1,27
A fórmula para o cálculo da potência de acionamento é o
mesmo do agitador tipo hélice

DISPERSORES
Disco de Cowles
Os dispersores são batedores especiais utilizados para homogeneizar produtos pastosos, deixando um
aspecto cremoso ao produto. Este tipo de batedor efetua o cisalhamento dos sólidos quebrando em
partículas extremamente minúsculas. Veja um modelo de dispersor e o movimento por ele executado.

Cálculo da potência do motor para acionar disco de Cowles


𝑛∗2∗𝜋 2
𝜇 ∗ ( 60 ) ∗ 𝑅2 ∗ 𝑉
𝑃= = 𝐶𝑉
2 ∗ 𝑥² ∗ 736

P = Potencia em CV
R = Raio do disco dispersor (m)
 = Viscosidade do produto em centipoises
V = Volume do tanque (m³)
x = distância do disco dispersor ao fundo do tanque (m)
n = rotação por minuto

137
MISTURADORES ROTATIVOS
Site para consulta

Como o próprio nome diz, funcionam girando e misturando o alimento. As formas dos misturadores
rotativos são variadas: Duplo Cone e em forma de Y e V. São bastante utilizados na indústria
farmacêutica e na produção de alimentos em pó.

Misturadores em Y ou V
Estes tipos de misturadores consistem de dois cilindros colocados em um angulo que forma a letra "Y"
ou "V".

Duplo Cone
Este tipo de misturador corresponde a dois cones unidos por uma pequena seção cilíndrica.

O produto a ser misturado não deve ocupar mais de 60% do volume do recipiente

Para os misturadores em Y, V ou duplo cone, o cálculo do torque de acionamento consiste em conhecer


o centro de gravidade das massas em movimento de um lado e do outro do eixo do misturador. Deve-
se procurar a posição onde há uma maior concentração do material em um dos lados como na figura 2
do desenho a seguir:

138
figura 1 figura 2 figura 3 figura 4

MISTURADOR COM DUPLO EIXO


Os eixos giram em sentido contrário com suas pás levando o produto das laterais para o centro e em
seguida para cima com efeito de mistura muito intensa.

139
MISTURADOR RIBBON BLENDER

É conhecido como misturador de cintas. É formado por um canal horizontal com um eixo central e um
agitador de cintas helicoidais. Estas cintas helicoidais são montadas de tal forma que as mesmas atuam
em direções contrárias sobre um único eixo, ou seja, uma move lentamente o produto em uma direção
e a outra move rapidamente o produto em direção oposta.

SELEÇÃO DE MOTORES E REDUTORES PARA O ACIONAMENTO


Misturadores Ribbon Blender
Para calcular a potência necessária de acionamento do motor é preciso conhecer a resistência do
produto ao avanço das lâminas Fr em toda sua extensão e também sua rotação. Para calcular a força
resistente Fr em kgf, os fabricantes costumam considerar o valor do volume de massa e seu peso
dentro do misturador.

Exemplo
Misturador Ribbon Blender
Volume útil: V =1000litros
Densidade da massa: d = 1,2kg/litro
Largura: 780mm; comprimento 2700mm
Diâmetro médio das lâminas externa e interna: D = 500mm
Rotação desejada: 32 rpm
Resistência estimada ao avanço das lâminas Fr = Peso da mistura = V x d = 1000litros x 1,2 = 1200kgf
Para calcular o torque resistente Tr em kgfm
D 500
Tr = Fr = 1200 = 300mkgf
2 1000 2000
Para calcular a potência de acionamento em CV aplicar a fórmula
T  rpm 300  32
P= r = = 14CV
716,2   716,2  0,95
rpm = rotação por minuto das lâminas
 = rendimento do redutor (verificar no catálogo do fabricante)

Seleção do motor. Selecionar um motor com potência imediatamente superior à potência necessária.
No exemplo acima motor de 15CV - 4 polos (1760rpm) por ser mais comercial. Motores de rotações
mais baixas tem maior custo e os de maior rotação 3500 rpm (2 polos) diminuem a vida útil do
redutor. As diferentes reduções do mesmo tamanho de redutor normalmente não alteram o valor do
mesmo.

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Seleção do motor no site da WEG

O conjugado nominal do motor não está mencionado na tabela acima, mas pode ser calculado pela
fórmula:
716,2 ∗ 𝑃 716,2 ∗ 15𝐶𝑉
𝐶𝑛 = = = 6,1𝑘𝑔𝑓𝑚
𝑟𝑝𝑚 1760𝑟𝑝𝑚

Curvas de corrente e conjugado (torque) máximo em relação ao nominal

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Seleção do redutor:
Como pode ser observado no gráfico, na curva de torque do motor (linha vermelha), com 80% da
rotação nominal (0,8 x 1760 = 1408 rpm), o motor atinge torque 3,2 vezes maior do que o nominal. Os
misturadores estão sujeitos a altos momentos de inércia (impactos) ou maior resistência da massa ao
avanço das pás em função de pedaços de material mais compactos. Ou ainda mal uso por parte do
utilizador. Por causa desses fatores os fabricantes de redutores indicam fator de serviço mínimo 1,5
sobre a potência do motor ao selecionar um redutor para misturador.
No exemplo acima a redução do redutor seria: 1760 / 32 = 55
Procurando no catálogo da SITI
Capacidade nominal mínima: 15CV x 1,5 = 22,5 CV e redução 1:55
MBH 140 - Reduções disponíveis: 1:48,6 → 26 CV a 1760 rpm → rotação de saída = 36 rpm
1:64,7 → 19 CV a 1760 rpm → rotação de saída = 27 rpm
As rotações não são as desejadas no projeto inicial ocasionando a necessidade de maior ou menor
potência de acionamento, mas o torque permanece o mesmo.
Recalculando:
- Selecionando redução mais baixa - 1:48,65 → rotação e potência de acionamento mais alta
𝑇 ∗ 𝑟𝑝𝑚 300𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 36𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 15𝐶𝑉  = rendimento do redutor
716,2 ∗ 𝜂 716,2 ∗ 0,95

- Selecionando redução mais alta -1:64,7 → rotação e potência de acionamento mais baixa
𝑇 ∗ 𝑟𝑝𝑚 300𝑘𝑔𝑓𝑚 ∗ 27𝑟𝑝𝑚
𝑃= = = 11,9𝐶𝑉
716,2 ∗ 𝜂 716,2 ∗ 0,95

CONCLUSÃO: Para seleção do tamanho do redutor pouco importa aumentar ou reduzir a rotação do
equipamento porque a sua seleção, será feita em função do torque resistente.
A seleção do redutor também pode ser feita tomando o torque resistente e multiplicando pelo fator de
serviço e com esse valor selecionando um redutor com torque igual ou maior no catálogo do fabricante
No nosso exemplo anterior:
Torque resistente: 300kgfm
300 x 1,5 = 450 kgfm
No catálogo da SITI: Redutor MBH 140, redução 1:48,65, 5000Nm ou 510kgfm

VERIFICAÇÕES FINAIS:
Cálculo do torque no eixo de saída do redutor ou eixo do misturador. Este é o torque fornecido pelo
motoredutor. Não confundir com o torque necessário para acionamento do equipamento ou torque
resistente. O torque fornecido deve estar acima do torque resistente
716,2 ∗ 𝑃 ∗ 𝜂 716,2 ∗ 15𝐶𝑉 ∗ 0,95
𝑇= = = 283𝑘𝑔𝑓𝑚
𝑟𝑝𝑚 36𝑟𝑝𝑚

Outra fórmula para calcular o torque no eixo de saída do redutor


Conjugado nominal do motor x redução do redutor x rendimento do redutor
6,1 x 48,65 x 0,95 = 282kgfm

O torque fornecido pelo conjunto motor redutor tem que estar acima do torque resistente. Mas o
torque resistente é calculado em função da força resistente que, como foi estimada, poderá ser menor
do que a real. Porém em alguns casos se for de maior valor haverá necessidade de se fazer correções
no equipamento já existente. Uma das correções seria diminuir a quantidade de material dentro do
misturador. Se o motor está subdimensionado e o redutor apresenta problemas de quebra das
engrenagens por ser mal selecionado ou de má qualidade, diminuir o raio das pás poderia ser uma boa
solução, mas com a provável necessidade de maior tempo para a mistura. Aumentar a redução do
redutor só vai melhorar a situação do motor, mas o torque fornecido no eixo de saída será maior,
aumentando a possibilidade de quebra do redutor.

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