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(19/Ago) O Nome da Rosa

Sinopse
Em 1327 William de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano, e Adso von Melk
(Christian Slater), um noviço que o acompanha, chegam a um remoto mosteiro no norte da
Itália. William de Baskerville pretende participar de um conclave para decidir se a Igreja deve
doar parte de suas riquezas, mas a atenção é desviada por vários assassinatos que acontecem
no mosteiro. William de Baskerville começa a investigar o caso, que se mostra bastante
intrincando, além dos mais religiosos acreditarem que é obra do Demônio. William de
Baskerville não partilha desta opinião, mas antes que ele conclua as investigações Bernardo
Gui (F. Murray Abraham), o Grão-Inquisidor, chega no local e está pronto para torturar
qualquer suspeito de heresia que tenha cometido assassinatos em nome do Diabo.
Considerando que ele não gosta de Baskerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos
que são diabolicamente influenciados. Esta batalha, junto com uma guerra ideológica entre
franciscanos e dominicanos, é travada enquanto o motivo dos assassinatos é lentamente
solucionado.
Fonte da sinopse: http://www.adorocinema.com/filmes/nome-da-rosa/nome-da-rosa.asp

O filme ocorre no ano de 1327 (Alta Idade Média) na Itália. No século que foi marcado pelo
início do fim da idade média e início do renascimento. Estamos no último período do
pensamento medieval, a escolástica. Não podemos apontar que em determinado dia ou
determinado ano termina a idade média e em tal data começa o renascimento. Faz parte de
um processo gradativo.

A escolástica vai do século IX (constituição do sacro império romano) até o fim do século XV
(fim da Idade Média convencionado pela descoberta da América em 1492). Na escolástica o
ensino teológico-filosófico da doutrina aristotélico-tomista era ministrado nas escolas de
conventos e catedrais e também nas universidades européias da Idade Média e do
Renascimento pelos mestres chamados escolásticos. Como sistema teológico e filosófico a
escolástica tentou resolver problemas e questões tais como, a relação entre a fé e a razão, a
possibilidade da existência de Deus, as diferenças entre realismo e nominalismo. A escolástica
é marcada especialmente pelo desenvolvimento da dialética. As matérias ensinadas nas
escolas medievais eram chamadas de artes liberais, divididas em trívio - gramática, retórica,
dialética - e quadrívio - aritmética, geometria, astronomia, música.

O período Renascentista (ou Renascimento ou Renascença) foi um período da história com


manifestações culturais marcantes que se desenvolveu entre o século XIV e meados do século
XVII e que vinha de encontro ao pensamento cristão porque defendia - falando aqui de
maneira muito geral - a valorização do homem e da natureza, em oposição ao divino e ao
sobrenatural. Além de atingir a Filosofia, as Artes, as Ciências e a Astronomia, o Renascimento
fez parte de muitas transformações culturais, sociais, políticas, religiosas e econômicas que
caracterizam a transição do Feudalismo para o Capitalismo. Nesse sentido, o Renascimento
pode ser entendido como um elemento de ruptura, no plano cultural, com a estrutura
medieval.

"O Nome da Rosa" é uma viagem visual à idade média européia, no início do século XIV (início
do fim da Escolástica e início das manifestações renascentistas). Nos diálogos do frade com
seu assessor noviço, surge a discussão do essencial e do particular, dos conceitos e das
palavras. No filme o frade franciscano antecipa de certa forma a figura do intelectual
renascentista, que com uma postura racional, investiga vários crimes que estavam ocorrendo
no mosteiro que continha uma biblioteca com o maior acervo cristão do mundo. Poucos
monges tinham acesso ao acervo. Os mortos eram encontrados com a língua e os dedos roxos.
O frade busca a solução de um mistério, busca a verdade e a explicação do mistério através de
um método de investigação que tem muito de filosófico, pois questiona, interroga, duvida,
examina, através de um método empírico e analítico. O frade se utiliza da ciência e por
conseqüência da razão para dar solução aos crimes do mosteiro o que desagrada em muito a
Santa Inquisição. O frade consegue, com sua postura racional, enfim desvendar a verdade por
trás dos crimes cometidos no mosteiro. O filme como um todo pode ser visto como discussão
dos elementos formadores da cultura moderna, o surgimento do pensamento moderno, no
período da transição da Idade Média para a Modernidade
O nome da rosa – Indicado para as disciplinas de filosofia e história no caso de demonstração do
período vigente no filme.

William de Baskerville (Sean Connery) um monge franciscano e Adso (vivido pelo então
desconhecido Christian Slater) como um noviço a acompanhar seu mestre, prática das mais
comuns naqueles tempos ( idade média) se esforçam para solucionar uma série de assassinatos
que estão ocorrerendo num mosteiro medieval localizado na Itália.
Dispondo de recursos "sofisticados" para época, pois a seqüência em que William cobre seus
instrumentos é muito significativa pois peças como o astrolábio e o quadrante que eram utilizadas
pelos mouros e desconhecidas da maioria dos cristãos tem participação na trama e representam
indicativos dos caminhos modernos seguidos pelo personagem de Sean Connery, para os padrões
da época, utilizando-se de uma coerência muito parecida com a de Sherlock Holmes muito tempo
antes do nascimento do criador do imortal detetive, e fundamentando seus julgamentos nos
princípios aristotélicos num momento em que os artífices da filosofia grega eram pouco ou
totalmente desconsiderados, William de Baskerville compõe um dos grandes personagens da
literatura e do cinema. Constitui-se igualmente numa grande aula de história e de filosofia.
As perspectivas se abrem desde o princípio da trama, pois estamos respirando os ares de um
mosteiro fincado em uma montanha, administrado e controlado pelos monges Beneditinos e que
recebe a ilustre visita de monges franciscanos. O clima sombrio da localidade, a aparência doentia
de muitos dos frades e monges que surgem no decorrer da história, o tom escuro de muitas das
seqüências, propositalmente trabalhado por conta do competente diretor Jean-Jacques Annaud, o
mesmo de"Círculo de Fogo", a rejeição a conceitos considerados avançados por parte da grande
maioria dos monges que circulam no mosteiro e a presença destacada da Inquisição a partir da
metade do filme nos possibilitam compreender um pouco do que foi a Idade Média, também
chamada idade das trevas ou da escuridão.
Uma das qualidades do filme dentre muitas, está na representação de época, com a equipe sendo
auxiliada pelo notável historiador Jacques Le Goff, o que confere ao filme maior credibilidade no
que se refere à utilização do mesmo como recurso didático. O figurino, as locações, além do fato
do filme ter sido feito num autêntico mosteiro medieval, a ambientação, as músicas, os objetos
disponibilizados e mesmo a fotografia em tons lúgubres, escuros, dando-nos uma impressão de
umidade nos locais de filmagem, se tornam referências para que possamos apresentar o domínio
cristão no medievo.
A trama central gira em torno dos assassinatos descritos no início desse artigo, conferidos pelos
beneditinos a forças ocultas, a ação demoníaca que teria dominado alguns dos jovens monges
daquela casa de Deus. É conveniente observar que conceitos como Deus e as forças do bem se
confrontando com o diabo e o mal eram predominantes nesse período devido ao enorme poder da
Igreja Católica, a grande força remanescente desde a época em que os romanos e seu grande
império ruíram, ainda no remoto século V; um dos maiores veículos de difusão dessa crença foram
os trabalhos do filósofo cristão Santo Agostinho, em especial sua obra sobre a Cidade de Deus e a
Cidade dos Homens.
No período em que se passa a ação, a igreja já passava por algumas dificuldades devido ao
ressurgimento de cidades e de rotas de comércio, além da concessão aos leigos para freqüentar
as nascentes universidades, é dessa época um dos trabalhos que antecedem o Renascimento
Cultural e que são considerados como fundamentais para as transformações que se operam na
transição do mundo medieval para o moderno, ou seja, a obra clássica do italiano Dante Alighieri,
"A Divina Comédia". O surgimento da Inquisição e a forma como essa instituição da igreja foi se
tornando cada vez mais dura na sua perseguição aos hereges comprovam os temores por parte da
cúpula do mundo cristão.
A diferença de atitude do recém-chegado William contrasta com a atribuição a forças do além dos
beneditinos e nos lança numa investigação em busca de provas, de evidências dos crimes, o que
pode ser considerado como uma antecipação de posturas investigativas que passaram a ser
adotadas no mundo da modernidade, quando do surgimento de correntes filosóficas e científicas
apoiadas no empirismo e no racionalismo.
O confronto entre os franciscanos e os representantes da Inquisição, com ênfase para o
personagem Bernardo Gui, interpretado pelo premiado ator F. Murray Abraham, nos coloca
novamente frente a frente com a questão do Bem e do Mal, apenas que interiorizados na
instituição que se considera, por excelência, a representação terrena dos dotes celestiais e de sua
mensagem de bondade.
"O Nome da Rosa" nos permite transitar por diversos temas e fases da história, nos leva inclusive
aos fatores que levaram ao surgimento da Reforma do século XVI, além das já mencionadas
outras possibilidades de estudo. Leva-nos a transitar pela filosofia antiga, medieval e antever a
moderna além de averiguar o poder da igreja durante a idade média e a sua forte opressão. Abre
perspectivas para buscar na literatura do período as fontes de compreensão dessa fase tão rica
que é o período medieval. Além do que, a trama policial criada por Umberto Eco dá sustentação
para um grande filme de suspense, logo entretendo e ao mesmo tempo elucidando muito fatos
lidos nos livros mas não muito comentados, as atrocidades e barbáries cometidas pela igreja, a
proibição da leitura de obras filosóficas esclarecedoras durante o período da idade me´dia etc .

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE –


UNICENTRO
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO – PROPESP
Especialização em Docência para o Ensino Superior - 2005
Campus Universitário de Guarapuava

ROTEIRO PARA SESSÃO FÍLMICA

Filme: O nome da rosa, baseado no romance policial homônimo escrito por


Umberto Eco.

Conteúdo:
1. História Medieval: A hegemonia católica nos campos da educação e da cultura.
2. Filosofia: Platão / Santo Agostinho; Aristóteles / São Tomás de Aquino.

Síntese do conteúdo:

A Idade Média é caracterizada pela hegemonia católica nos campos da cultura e


da educação. A chamada Patrística se caracterizou pelo filosofar na fé, ou seja, pelo
exercício de pensamento de acordo com a mensagem bíblica e a ela submetida. No
vértice do pensamento da Patrística está Agostinho de Hipona (Santo Agostinho). Em
oposição, a Escolástica procurou valorizar a razão, além da fé, como caminho para a
verdade. Na Patrística tinham acesso aos saberes mais elaborados os padres e os jovens
de alta corte que pretendessem formação para o alto clero, sempre tendo padres
altamente preparados como professores; na Escolástica, leigos podiam ministrar aulas
sob a supervisão de autoridades religiosas. (no filme Em nome de Deus, retrata-se a
biografia de Abelardo, que viveu entre 1079 e 1142 e atuou como professor casto
mantido pelo clero).
Tanto Na Patrística quanto na Escolástica o ensino e a cultura estiveram sujeitas
aos crivos canônicos, todavia, na Escolástica se deu um maior desenvolvimento das
escolas palatinas (ligadas aos palácios) para além das escolas monacais (ligadas a
abadias) e episcopais (ligadas a catedrais)
Agostinho de Hipona (354 – 430) sistematizou a doutrina cristã com base na
filosofia de Platão (427 – 347 aC). São características do pensamento platônico o
idealismo e a projeção de uma existência perfeita a ser alcançada (para Platão, o
Hiperurânio; para Agostinho, a Cidade de Deus) e que é muito diferente da existência
temporal e humana (a imanência, no platonismo; a cidade dos homens, em Agostinho).
Tomás de Aquino (1221 – 1274) procurou interpretar as verdades cristãs a partir
do pensamento de Aristóteles (384 – 322 aC). O aristotelismo se diferencia do
platonismo por valorizar eventos sensíveis na elaboração do conhecimento; assim, para
Aristóteles, é a partir do que se sente pelas vias sensoriais que se conhece o mundo e se
desenvolve o pensamento pelo seu aprimoramento.
Platão e Aristóteles representam dois paradigmas clássicos do pensamento
ocidental. A diferença entre tais paradigmas filosóficos está representada no afresco
Escola de Atenas, pintado por Rafael Sanzio em 1511 (anexo).

ECO, Umberto. O nome da rosa. Trad. Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de
Andrade. 41. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.

REALE, Giovani; ANTISSERI, Dario. História da Filosofia: Antigüidade e Idade


Média. Vol. I. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1990.
Provocações:

1. Segundo REALE e ANTISSERI (1990, p. 433)

Em uma série de obras, santo Agostinho mostrou que a revelação cristã gira
essencialmente em torno da necessidade da graça, ao contrário do que
acreditavam os pelagianos. A sua tese triunfou no Concílio de Cartago de 417 e
o papa Zózimo condenou o pelagianismo. A tese de Pelágio estava em sintonia
substancial com as convicções dos gregos sobre a autarquia da vida moral do
homem, enquanto a tese de Agostinho era de que o cristianismo subvertia
aquela convicção. Escreve com razão M. Pohlenz: “O fato de a Igreja Ter se
pronunciado por tal doutrina assinalou o fim da ética pagã e de toda a filosofia
helênica – e assim começou a Idade Média”. (com grifos do original)

A primazia da graça sobre os julgamentos humanos aparece no filme? Em que


momentos?

2. REALE e ANTISSERI (1990, p. 436 - 437) observam que

[...] Platão já havia compreendido que a plenitude da inteligência, no que se


refere às verdades últimas, só podia se realizar através de uma revelação divina,
escrevendo o seguinte: “Em se tratando dessas verdades, é impossível deixar de
fazer uma destas coisas: aprender dos outros qual é a verdade, descobri-la por si
mesmo ou então, se isso for possível, aceitar, dentre os raciocínios humanos, o
melhor e menos fácil de refutar e sobre ele, como sobre uma barcaça, enfrentar
o risco da travessia do mar da vida”. E havia acrescentado, profeticamente: “A
menos que não se possa fazer a viagem de modo mais seguro e com menor
risco, sobre uma nave mais sólida, isto é, confiando-se a uma revelação
divina”. E, para Agostinho, essa nave é o ignum crucis”, ou seja, Cristo
crucificado. Diz ele: Cristo “pretendeu que passássemos através dele”. E mais:
“Ninguém pode atravessar o mar do século se não for carregado pela cruz de
Cristo”. Nisso consiste precisamente o “filosofar na fé”, ou seja, a “filosofia
cristã”: uma mensagem que mudou por mais de um milênio o pensamento
ocidental. (com grifos do original)
Considerando a expressão “cruz de Cristo” como a metáfora da mortificação da
carne no pensamento cristão mais tradicional, entende-se que seria pela negação
dos prazeres do mundo que se atravessaria os tempos desta Cidade dos Homens.
Que personagem do filme melhor se presta a tal defesa? Como o faz?

3. Os escritos de Platão foram influenciados pelos mistérios órficos (pensamento


mítico-religioso embasado nos versos de Orfeu) “[...] alimentando-se mais de fé e
crença do que de logos [...] já Aristóteles teve um enorme interesse por quase todas as
ciências empíricas [...] e também pelos fenômenos empíricos considerados enquanto
tais, ou seja, como fenômenos puros – e, portanto, apaixonou-se pela coleta e
classificação de dados empíricos enquanto tais”. (REALE e ANTISSERI, 1990, p. 178)
O personagem Willian (Guilherme) de Baskerville tende ao gosto pelos estudos e
análises empíricas, o que faz dele um lógico de orientação aristotélica. Isso é
percebido também em suas convicções religiosas que o colocam em situação difícil
perante o Santo Ofício e o torna desafeto do inquisidor Bernardo Güi.
Comentários a respeito.

4. O personagem Adso vive um conflito, o que dá nome à obra de Umberto Eco.


Em termos filosóficos, como compreender o conflito de Adso? E que importância
tal conflito tem como ilustração da transição paradigmática?

O Nome da Rosa - Filme para o 7ºA e 7ºB


O CINEMA NA EDUCAÇÃO - O NOME DA ROSA
Esta semana iremos ver um filme sobre a Idade Média.

Ficha Técnica

O Nome da Rosa
(The Name of the Rose)
País/Ano de produção: França/Itália/Alemanha, 1986
Duração/Género: 130 min., História/suspense
Distribuição: Globo Vídeo ou Flashstar Vídeo
Direcção de Jean-Jacques Annaud
Elenco: Sean Connery, F. Murray Abraham, Christian Slater.
Síntese do Filme: O Nome da Rosa
SINOPSE
Estranhas mortes começam a ocorrer num mosteiro beneditino localizado
na Itália durante a baixa idade média, onde as vítimas aparecem sempre
com os dedos e a língua roxos. O mosteiro guarda uma imensa biblioteca,
onde poucos monges têm acesso às publicações sacras e profanas. A
chegada de um monge franciscano (Sean Conery), incumbido de
investigar os casos, irá mostrar o verdadeiro motivo dos crimes,
resultando na instalação do tribunal da Santa Inquisição.

Desde o princípio, o ar que respiramos é o de um mosteiro encravado


numa montanha, controlado pelos Beneditinos e que recebe a ilustre
visita de monges Franciscanos.
A Regra de S. Bento foi formulada quando este era abade de Monte Cassino
(no Sul de Itália), abadia fundada em 529 e que continua a ser um dos
grandes mosteiros do Mundo. S. Bento foi o seu primeiro abade, e foi ele
quem estabeleceu o modelo de auto-suficiência advogado pelas primitivas
regras monásticas - dependência total dos próprios campos e oficinas que
orientou durante séculos os mosteiros da cristandade ocidental.

A atmosfera sombria da localidade, o aspecto doentio de muitos dos


frades que aparecem no decorrer da história, o tom escuro de muitas das
sequências (efeito propositadamente trabalhado pelo competente director
Jean-Jacques Annaud, do post já escrito sobre “A Guerra do Fogo"), a
rejeição de conceitos considerados avançados por parte da grande
maioria dos monges que circulam no mosteiro e a presença destacada da
Inquisição a partir da metade do filme - tudo isto revela-nos um pouco do
que foi a Idade Média.

Uma das maiores qualidades do filme está na reprodução da época, com


a equipa de Annaud a ser assessorada pelo eminente historiador francês
Jacques Le Goff, o que confere ao filme maior credibilidade no que se
refere à utilização do mesmo como recurso didáctico.
O figurino, os cenários (o filme foi feito
num autêntico mosteiro medieval), o ambiente, as músicas, os objetos
disponibilizados e mesmo a fotografia em tons lúgubres (escuros, dando-
nos uma impressão de humidade nos locais de filmagem) tornam-se
referências para que possamos apresentar o domínio cristão medieval. A
própria atmosfera de violência, muitas vezes bem patente, evidencia
práticas correntes da época no relacionamento entre os homens - que a
caridade cristã não conseguia conter -, ou até no relacionamento com as
mulheres, como é mostrado no filme.
Estuda para o próximo teste:

1. No filme “O Nome da Rosa”, apreciamos a vida quotidiana durante a Idade Média.

Verdadeiro

Falso

2. Conseguimos entender melhor a vida dentro de um mosteiro.

Verdadeiro

Falso

3. Este filme trata das guerras entre senhores nobres.

Verdadeiro

Falso

4. O mosteiro tem uma biblioteca secreta.

Verdadeiro

Falso

5. Na biblioteca, os monges:

Liam livros.

Liam livros, escreviam textos, traduziam textos e ensinavam os mais novos.


Escreviam os manuscritos.

Traduziam os manuscritos.

6. O mosteiro foi visitado pelos membros do Tribunal da Santa Inquisição.

Verdadeiro

Falso

7. A personagem principal do filme é:

Adso.

Jorge de Burgos.

William de Basqueville.

Salvatori.

8. Neste filme podemos ver personagens dos seguintes grupos sociais:

Nobreza.

Clero.

Povo.

Nobreza, Clero e Povo.

9. A obra que eles procuravam era:

a “República” de Platão.

a “Arte Poética” de Aristóteles (com uma parte dedicada à comédia).

a obra de Sócrates.

a “Regra” de S. Bento.

10. Jorge de Burgos, sacerdote cego, ultraconservador:

destrói a última cópia que havia da “Comédia de Aristóteles”

destrói a “Arte Poética” de Aristóteles (com uma parte dedicada à comédia).

destrói a obra de Sócrates.

destrói a “Regra” de S. Bento.

11. A “regra de S. Bento” foi formulada quando este era abade de Monte Cassino no Sul de
Itália.

Verdadeiro

Falso
12. Também podemos ver um julgamento no Tribunal da Santa Inquisição.

Verdadeiro

Falso

13. Ninguém foi condenado neste julgamento do Tribunal da Santa Inquisição.

Verdadeiro

Falso

14. Assistimos a um auto-de-fé, acontecimento este que raramente se dava.

Verdadeiro

Falso

15. O Tribunal da Santa Inquisição era um tribunal justo.

Verdadeiro

Falso

16. A Santa Inquisição era composta por elementos do clero.

Verdadeiro

Falso

17. Os membros do Mosteiro eram monges Beneditinos .

Verdadeiro

Falso

18. Os visitantes do Mosteiro eram monges Franciscanos.

Verdadeiro

Falso

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Outra síntese
Síntese do Filme: O Nome da Rosa

SINOPSE
Estranhas mortes começam a ocorrer num mosteiro beneditino localizado
na Itália durante a baixa idade média, onde as vítimas aparecem sempre
com os dedos e a língua roxos. O mosteiro guarda uma imensa
biblioteca, onde poucos monges tem acesso às publicações sacras e
profanas. A chegada de um monge franciscano (Sean Conery), incumbido
de investigar os casos, irá mostrar o verdadeiro motivo dos crimes,
resultando na instalação do tribunal da santa inquisição.

INTRODUÇÃO

A Baixa Idade Média (século XI ao XV) é marcada pela desintegração do


feudalismo e formação do capitalismo na Europa Ocidental. Ocorrem
assim, nesse período, transformações na esfera econômica (crescimento
do comércio monetário), social (projeção da burguesia e sua aliança
com o rei), política (formação das monarquias nacionais representadas
pelos reis absolutistas) e até religiosas, que culminarão com o cisma
do ocidente, através do protestantismo iniciado por Martinho Lutero na
Alemanha em 1517.

Culturalmente, destaca-se o movimento renascentista que surgiu em


Florença no século XIV e se propagou pela Itália e Europa, entre os
séculos XV e XVI. O renascimento, enquanto movimento cultural,
resgatou da antigüidade greco-romana os valores antropocêntricos e
racionais, que adaptados ao período, entraram em choque com o
teocentrismo e dogmatismo medievais sustentados pela Igreja.

No filme, o monge franciscano representa o intelectual renascentista,


que com uma postura humanista e racional, consegue desvendar a verdade
por trás dos crimes cometidos no mosteiro.

1. Contextualização

Discussão dos elementos formadores da cultura moderna, o surgimento do


pensamento moderno, no período da transição da Idade Média para a
Modernidade.

O Filme

O Nome da Rosa pode ser interpretado como tendo um caráter filosófico,


quase metafísico, já que nele também se busca a verdade, a explicação,
a solução do mistério, a partir de um novo método de investigação. E
Guilherme de Bascerville, o frade fransciscano detetive, é também o
filósofo, que investiga, examina, interroga, duvida, questiona e, por
fim, com seu método empírico e analítico, desvenda o mistério, ainda
que para isso seja pago um alto preço.

O Tempo

Trata-se do ano 1327, ou seja, a Alta Idade Média. Lá se retoma o


pensamento de Santo Agostinho (354-430), um dos últimos filósofos
antigos e o primeiro dos medievais, que fará a mediação da filosofia
grega e do pensamento do início do cristianismo com a cultura
ocidental que dará origem à filosofia medieval, a partir da
interpretação de Platão e o neoplatonismo do cristianismo. As teses de
Agostinho nos ajudarão a entender o que se passa na biblioteca secreta
do mosteiro em que se situa o filme.

Doutrina Cristã

Neste tratado, Santo Agostinho estabelece precisamente que os cristãos


podem e devem tomar da filosofia grega pagã tudo aquilo que for
importante e útil para o desenvolvimento da doutrina cristã, desde que
seja compatível com a fé (Livro II, B, Cap. 41). Isto vai constituir o
critério para a relação entre o cristianismo (teologia e doutrina
cristã) e a filosofia e a ciência dos antigos. Por isso é que a
biblioteca tem que ser secreta, porque ela inclui obras que não estão
devidamente interpretadas no contexto do cristianismo medieval. O
acesso à biblioteca é restrito, porque há ali um saber que é ainda
estritamente pagão (especialmente os textos de Aristóteles), e que
pode ameaçar a doutrina cristã. Como diz ao final Jorge de Burgos, o
velho bibliotecário, acerca do texto de Aristóteles – a comédia pode
fazer com que as pessoas percam o temor a Deus e, portanto, faz
desmoronar todo esse mundo.

2. Disputa de Filosofia

Entre os séculos XII e XIII temos o surgimento da escolástica, que


constitui o contexto filosófico-teológico das disputas que se dão na
abadia em que se situa O Nome da Rosa. A escolástica significa
literalmente "o saber da escola", ou seja, um saber que se estrutura
em torno de teses básicas e de um método básico que é compartilhado
pelos principais pensadores da época.

2.1 Influência aos Pensamentos

A influência desse saber corresponde ao pensamento de Aristóteles,


trazido pelos árabes (mulçumanos), que traduziram muitas de suas obras
para o latim. Essas obras continham saberes filosóficos e científicos
da Antigüidade que despertariam imediatamente interesses pelas
inovações científicas decorrentes.

2.2 Consolidação Política

A consolidação política e econômica do mundo europeu fazia com que


houvesse uma maior necessidade de desenvolvimento científico e
tecnológico: na arquitetura e construção civil, com o crescimento das
cidades e fortificações; nas técnicas empregadas nas manufaturas e
atividades artesanais, que começam a se desenvolver; e na medicina e
ciências correlatas.

2.3 Pensamento Aristotélico

O saber técnico-científico do mundo europeu era nesta época


extremamente restrito e a contribuição dos árabes será fundamental
para este desenvolvimento pelos conhecimentos de que dispunham de
matemática, de ciências (física, química, astronomia, medicina) e de
filosofia. O pensamento agora (Aristotélico) será marcado pelo
empirismo e materialismo.

3. A Época

O enredo desenvolve-se na ultima semana de 1327, num monastério da


Itália medieval. A morte de sete monges em sete dias e noites, cada um
de maneira mais insólita - um deles, num barril de sangue de porco, é
o motor responsável pelo desenvolvimento da ação. A obra é atribuída a
um suposto monge, que na juventude teria presenciado os
acontecimentos.

Este filme é uma crônica da vida religiosa no século XIV, e relato


surpreendente de movimentos heréticos. Para muitos críticos, o nome da
rosa é uma parábola sobre a Itália contemporânea. Para outros, é um
exercício monumental sobre a mistificação.

4. O Título

A expressão "O nome da Rosa" foi usada na Idade Média significando o


infinito poder das palavras. A rosa subsiste seu nome, apenas; mesmo
que não esteja presente e nem sequer exista. A " rosa de então" ,
centro real desse romance, é a antiga biblioteca de um convento
beneditino, na qual estavam guardados, em grande número, códigos
preciosos: parte importante da sabedoria grega e latina que os monges
conservaram através dos séculos.

5. Blibioteca do Mosteiro

Durante a Idade Média umas das práticas mais comuns nas bibliotecas
dos mosteiros eram apagar obras antigas escritas em pergaminhos e
sobre elas escreve ou copiar novos textos. Eram os chamados
palimpsestos, livretes em que textos científicos e filosóficos ma
Antigüidade clássica eram raspados das páginas e substituídos por
orações rituais litúrgicos.

O nome da rosa é um livro escrito numa linguagem da época, cheio de


citações teológicas, muitas delas referidas em latim. É também uma
crítica do poder e do esvaziamento dos valores pela demagogia,
violências sexuais, os conflitos no seio dos movimentos heréticos, a
luta contra a mistificação e o poder. Uma parábola sangrenta patética
da história da humanidade
Baseado: No romance de mesmo nome de Umberto Eco.

5.1 - Pensamento

O pensamento dominante, que queria continuar dominante, impedia que o


conhecimento fosse acessível a quem quer que seja, salvo os
escolhidos. No O nome da Rosa, a biblioteca era um labirinto e quem
conseguia chegar no final era morto. Só alguns tinham acesso. É uma
alegoria do Umberto Eco, que tem a ver com o pensamento dominante da
Idade Média, dominado pela igreja. A informação restrita a alguns
poucos representava dominação e poder. Era a idade das trevas, em que
se deixava na ignorância todos os outros.

6. História

Em 1327 William de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano, e


Adso von Melk (Christian Slater), um noviço que o acompanha, chegam a
um remoto mosteiro no norte da Itália. William de Baskerville pretende
participar de um conclave para decidir se a Igreja deve doar parte de
suas riquezas, mas a atenção é desviada por vários assassinatos que
acontecem no mosteiro. William de Baskerville começa a investigar o
caso, que se mostra bastante intrincando, além dos mais religiosos
acreditarem que é obra do Demônio. William de Baskerville não partilha
desta opinião, mas antes que ele conclua as investigações Bernardo Gui
(F. Murray Abraham), o Grão-Inquisidor, chega no local e está pronto
para torturar qualquer suspeito de heresia que tenha cometido
assassinatos em nome do Diabo. Considerando que ele não gosta de
Baskerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos que são
diabolicamente influenciados. Esta batalha, junto com uma guerra
ideológica entre franciscanos e dominicanos, é travada enquanto o
motivo dos assassinatos é lentamente solucionado.

O ano é 1327. Representantes da Ordem Franciscana e a Delegação Papal


se reúnem num monastério Beneditino para uma conferência. Mas a missão
deles é subitamente ofuscada por uma série de assassinatos. Utilizando
sua brilhante capacidade de dedução, o monge franciscano William de
Baskerville (Sean Connery), auxiliado pelo seu noviço Adso de Melk
(Christian Slater), se empenha para desvendar o mistério. Mas antes
que William possa completar sua investigação, o monastério é visitado
pelo seu antigo desafeto, o Inquisidor Bernardo Gui (F. Murray
Abraham). O poderoso Inquisidor está determinado a erradicar a heresia
através da tortura e se William, o caçador, persistir na sua busca,
também se tornará caça. Mas à medida que Bernardo Gui se prepara para
acender a fogueira da Inquisição, William e Adso voltam à biblioteca
labirintesca e descobrem uma verdade extraordinária ...

Resumo

Do ponto de vista do filme que hoje está sendo abordado, notamos que a
história passa em um mosteiro na Itália Medieval. A idade média
assistiu, em sua agonia um grande debate Filosófico Religioso. Perdido
o equilíbrio do tomismo, o homem medieval caiu em dois extremos
opostos.

De um lado os humanistas racionalistas Frei Guilherme de Ockham, um


édito moderno. Tais humanistas cultivaram o antropocentismo julgaram
que graças Pa ciências e a técnica, o homem seria capaz de vencer
todas as misérias do mundo, até criar uma era de grande prosperidade
material e de completa felicidade natural.

De outro lado místicos com visão extremamente pessimista da realidade.


Para eles o mundo era intrinsecamente mau e irredimível por ser obra
de um DEUS perverso, distinto da divindade. Acreditavam que a razão
humana era má e só seria desejável perder-se no nada divino.
No mosteiro, sete monges morrem estranhamente, isto aborda muito a
violência.

Há também uma violência sexual, no qual mulheres se vendem aos monges


em troca de comida e muitas vezes depois são mortas.

Movimentos ecléticos do século XIV, a luta contra a mistificação, o


poder, o esvaziamento de valores pela demagogia, são mostrados em um
cenário sangrento sobre a política da historia da humanidade.