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TRATADO DE SIMBOLICA 8 ae 1056 OS DIRBITOS RESERVADOS INDICE ‘TEMA 1 Art. 1— Que & Simbétiea? Art 2— Que & Simbolo? TEMA 1 Art 1 — A ginese do Simbolo Act. 2 — Comontirios paicolégicos & Simsbologendtica ‘Art. 2 — O Simboto © 9 Psicologia TEMA IT eno ordem onto- Act. 3 — 4 Via Symbotion ‘Act 4— Dialéctien da parlicipagio © dialéctica sista ‘Art. 5 — Sintese de ansiogia Tema Ast. 1— 0 conselente ¢ 0 inconsciente na Simbélica . Aut, 2 — Contribuigdes da Psicelogia moderna & Simbologia, TeMA Vv © SMMBOLO F SUAS APLICACORS Art 1— A simbélica dos nimores Ar 2— A simbélica da nidade ‘Art, 3 — A simbética do 2—O binivic, Ar 42088 ted” © terninlo, A tindade Art, 5 — © quaternario — © nimero 4 Art, 6 — 0 quinirio . Art, 7-0 genio Ark 8 — 0 seplentrio Ark 9 — 0 octonario .. a nos religides mbolos religtoros da luz © das odres dos sons na Literatura, © simbélica do 0 tempo PHMA VIL AM Unico — Consideragso sdbre 0 simbot BIBEIOGRAETA - 189 14 200 an 20 249 287 TEMA ARTIGO 1 QUE E SIMBOLICA? Todas os grandes fundadores de religido foram ama- dos, compreendides, porque falaram em simbolos, eterna mas também por pro- Com simbolos, expressamos 0 que no poderiamos fa- zer de porque, com éle, transmitimos o intrans- inconsciente, que, por ni mos onvi-lo, segreda-nos seus impelos, lesejos e seus temores, alrayés de simbolos. E usa-os para bi 1s inibiedes npo- mos, € 0 que temeriamos sequer des E (da a natureza, em sua linguagem muda, express se através de simbolos, que o artista sente e vive, que o sofo interpreta, e © cientista traduz nas grandes leis que regem os factos da acontecer eésmico. Eo simbolo surge na arte, na linguagem das linhas, dos volumes © das eOres, das tonalidades, dos sons, das harmo- . do signifieado analégico dos tarmos e dos juizos, das ss que nem sempre despontan, E vémo-lo nos temples ¢ 1 08 estos ¢ ede 10 vémo-to no yoo esguio des passaros. a reli ligifio © a filosol vivos, os coer, Tudo i escapa aos nossos nossos coragaes. tudo aponta, tudo se refere a algo, q! othos, mas que nem sempre esenp: w MARIO FERREIRA DOS SANTOS © simbolo é a linguagem universal do aconlecer cbs- E como poderiamos evitar que se formasse uma Sim- bélien? Mas, que é Simbélica? ® o estudo da génese, desen- volvimento, vida e morte dos simbolos. Justifica-se a Simbéliea como disciplina filoséfica, pois podemos considerar todas as coisas, no seu aparecer, na forma como se apresentam, como um apontar para algo a0 qual clas se referem. Nesse caso, 0 simbolo seria o modo de signifi ente, que sempre se refere a algo. do Simbolo €, portanto, uma sub-eategoria dos séres f los, que apresentaria caracteristicas similares 4 de pula Seria uma das ealegorias intensistas, que no se deve con indir com as categorias extensistas da filosofia Estas referem-se preferentemente aos modos exle! ser, enquanto as outras, como 0 simbolo, o valor, a tensdo, etc., referem-se aos modos intensistas (1). Sal Simbolo — objecto imbies Yalor — objecto de $ Tonsiio — objecto da “Teoria Geral das Tensi Eu bjecto da “ftiea” (o dever-ser, 0 sollen) Esthetos — objecto da “Estética”. (1) As categorins sristtétions earacteriam-se pele aetuallzagio cas note? que se incluem ma compreensio do conceito exter quanto as categories intensistas actustizam a extensio do mes ceito, dinémicamente considerada, A aplicagio de ambas permite maior amplitude dialéctica, no sentido que damos, de maior conceeeso, 45 categorlas Imtensisfas aparentemente podem ser reduzidas & categoria de relagio. HE, certamente, relagio, nas hii um afirmar onto- 1igico que witrapassa 0 dmbilo dzquela categoria; como notaremos neste llvz9 @ em outros trabslhos nossos ye Sami ossas obras que estudant tnis objectos. fA SIMBOLICA UMA SIMBOLOGIA? siderar a Si conclu’? uma discipl " jeclo material, formal-lerminativo, e formal-motivo. |, temos todas as coisas finitas, que G a formalidade win, Lemos, em Jholo, o referente, enquanto tal. As coisas, reais on ideais, pertencem a mas por haver nelas significagdes a um terceiro (¢ : do), apresentam wm aspecto especifica, que ndo & pro Ambito das outras cténcias. . portanto, tera de usar um método, que The seja peculiar. © método de interpreiar os significados dos simbolos amaxemos de método «dia eltdo, un anuloyia, lefinicdo do “4 ampliar o finh simbolizados, bem como o seu nexo @ redo res 1 ARTIGO 2 QUE = SIMBOLO? que servisse im, entre os sinigo: Era eo pelo meio, ca a como um sf omeveiais que se ymbolé, o, A mocda usada Desde logo se v8 que os pint se p a espécie, MARIO FERREIRA DOS SANTOS revela um Mostremos, pr alguns b emprésa — tados em seus es: tencio — q jende fazer mostra —~ que ¢ ap indicio — que ¢ apes cimento, como as al € tudo 0 relacdo Ora, se 0 sin é simbolo. we era o sinal que os caval Déste modo se todo si a figura que indica uma intenedo, dis brazies, d im sinal alusivo ao pens mbém os usa vens que chuva, ete, SIMBOLO E SINAL que nos aponta euira cots e sinal & 0 gy YRATADO DE SIMBOLICA 6 » pelo qual algo representa 01 Dai decorre que o sinal 6 sempre de a coisa signifieada, e que depende daguela que pas que al sev sm quando representa a raziio de convenién- fio mio & uma tmayem, O sinal, que 6 imagem, é dividido em stnal inst 1éle que, p ta ontro que éle, e 0 sinal format (conceito) é a participagio é 5 diferenca especifica do al, ¥ © que estu Sobre 0 simhal que passaremos a analisar e justili Jas, sintetiai a) Poliss aptiddo a se seferire bolo pode ser déste ou dag ferido, ano, dos 4 Vomos topo de um Apresente 2 ©) grade signifieabilidade a um simbe a) fusionabiiidade — com o simbotizs ecde freqiien! Todes os favtos sio ibstracto, Dessa fo TRAYADO DE SIMBOLICA v isso, tenlia maior yalor que o simbolizado quanto a existen- cialidade, pois oportunamente limitaremos seu ateance. © simbolo nao esgota a existencialidade do simbolizade. Ape~ nas se refere a éle, No caso do conceito, a existenciatidade déste é en tro, em nds. O exquema abstracto, que & 0 conceito, nas uma caplagao do esquema conerelo da cofsa, no que cla tem de conium com outras. Negar a aulonomia existen- cial do coneeito esquemia concrete do facto, do qual le é apenas win esqque- ma de esquema, wn esquema abstracto. © nao tex compreendide bem claramente éste ponto & que levou muitos fildsofos a situagdes insustentveis 1 Fie sofia, hh) Fangio simbélica — é proviso distingnir claramente » simbéliea do simbolo de @ funedo meramente sig- . Esta ¢ apenas indieativa, esta aponta. 0 simbolo tem uma fungio analégica, explicadora portanto. 0 simbolo oferece uma vfa explicativa, como ainda veremos. © simbolo ¢ assim dual. Néle ha: gio intuinseca, que revela, afinal, un ponte de identificagdo com 0 simbolizado, 2) uma parte ficcional quanto ao simbolizado. Passemos agora A parte analitica do estado do sim- bolo (1). (2)_Em nossos trabslhos de temitica @ de problemitica, teremos bportunidade de nos referir & seve de Ockam, que considers os conceitos ‘come simbolns, ¢ nfo como simbolizados. Sem discutir ainda as razbes fe Ockum, quereinos, por ora, Iembrar gue o coneeito, como simbo- fizado, o € quemto ao homem (na order gnoseoiéuica postanto) © no quanto & ordem Sntica © a onsol6gica dos séres pols, neste caso, 0s coisas, cone esquemas coneretos, s40 simbolos dos esquemas come ‘moilus quo, como esséncia, como factar de universalidade, que corres ponder és formas ou idias exetaplares da ordem teolégice, como vemos nas obras de Teologia e de Problemitica TEMA U ARTIGO 1 A GENESE DO SIMBOLO ndo © esquema bioligico da adaptacdo, que lis mossas conceped 4 presenca dos faclores emergentes so 0s b 108 € 08 p ores predisponentes (extrinsecos), que cos ¢ os histé génese do s dos faclores da vem os “esquemas si ano & corpo KATADO DE SIMROLICA » fuclores psicot6: Os factores biondmicos, emerge 0 imaplexo corp propriamente em fio soma © o ema como res emergentes tom do, assim, 08 f nergencia, que realiza uma a nente ser as formas que se ussemelham as ¢ mas (intentionaliter) jeclo), ©