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Muito se tem falado sobre Reforma na Educação brasileira.

Ultimamente até o Papa tem influenciado na Educação brasileira. Mas será


que aos verdadeiros interessados, os educandos brasileiros, se têm dada a
devida atenção? Temos visto um sem número de fóruns, seminários e
reuniões políticas em Brasília desde os anos 80, e ainda assim, enfrentamos
graves problemas na educação.

O resultado direto da maioria dessas discussões, contudo, acaba


quase que invariavelmente, influenciando de uma forma ou de outra, nas
leis que servirão de diretrizes para a prática docente no país. O “texto da
Lei” atua, traz uma proposta muito importante, de integração. Há até uma
tendência um pouco maior em se utilizarem métodos científicos e
experimentados, em detrimento dos antigos preceitos educacionais. Isto é
ótimo. Mas é só o começo. É preciso que se perceba que o mundo está em
constante mudança e faz-se necessário que acompanhemos essa mudança.

Nesse sentido, podemos afirmar que a formulação do Referencial


Curricular Nacional e os PCN’s significaram um enorme avanço em direção à
uma “escola” nova, mais dinâmica e mais eficiente. Notamos, contudo, que
não é o suficiente. É como dissemos, o começo do caminho. É a bússola
indicando o caminho, e ele é longo. A própria distância entre o que diz o
“texto da lei” e nossa realidade, é ainda gigantesca.

Nossa “missão”, como os educadores do futuro, é diminuir essa


distância. Sabemos, entretanto, das dificuldades de tal empreitada. Há
muito a se fazer, e não só no campo da Educação. Não há como se pensar
em “Educação”, sem se levar em conta os fatores sociais e seus
desdobramentos. Não há como ignorar o papel da família no processo de
formação dos indivíduos. Há que se conscientizar as pessoas que é nos
primeiros anos da vida que se forma o caráter, que criancinhas aprendem
MUITO com os exemplos que tem à sua frente, e que o professor não é o
responsável pela criação de seus filhos, mas por sua educação, ou seja,
processo de letramento, docência e acompanhamento acadêmico, e que o
maior responsável direto pela criança é ele, o pai, é ela, a mãe. Se
conseguirmos fazer os pais o futuro perceberem tal realidade com mais
compromisso, aí sim, daremos um salto verdadeiramente grande no sentido
de unidos, pais e educadores, mudarmos os rumos da educação como a
conhecemos, e darmos às nossas crianças mais que esperanças; Dar-lhes
certeza de um futuro digno.

Como dissemos, um grande salto. Mas há outros passos tão


necessários quanto. É preciso que haja estabilidade entre os outros fatores
sociais que compõe essa equação. Parece “chover no molhado”, mas o
Governo tem uma parcela FUNDAMENTAL no processo. Seria ingenuidade
nossa ficarmos aqui falando da educação básica e sua importância no
processo de desenvolvimento do aluno e na necessidade de maior
compromisso dos pais na criação e orientação das crianças, e ignorarmos a
realidade social dessas famílias. Não podemos mais aceitar que as regras
sejam baseadas nas estatísticas da classe média, que sejam pensadas
levando-se em conta índices que nem sempre refletem a realidade. Há que
se levar em conta que a grande maioria da população brasileira é pobre,
que muitas famílias são desestruturadas, por diversas razões, e que o Brasil
é um país de contrastes e diferenças, e que são essas diferenças que
compuseram o Brasil, desde sua origem.

Há que se ter em conta às múltiplas realidades vivenciadas por cada


família, cada criança. Há crianças que aprendem a ler e escrever a palavra
“PAI” muito antes de saber seu real significado. Muitos jamais saberão. Há
crianças que precisam assumir responsabilidades muito cedo, sendo os
“pais” de seus irmãozinhos, pois seus pais precisam trabalhar o dia todo,
para ganhar esse mínimo salário mínimo, sem o qual todos morreriam de
fome. Há crianças filhas de lares instáveis, que são vítimas de todos os tipos
de abusos e privações, e ao contrário do que possam pensar alguns, esses
casos não são minoria.

Não podemos mais pensar em uma escola que não esteja integrada à
realidade de seus alunos, nem podemos aceitar mais governos
descompromissados com a educação das crianças e com as questões
sociais e pessoais das famílias. Como ensinar às crianças que devem se
alimentar corretamente, com todos os grupos de cores, se eles não têm
nada em casa para comer? Como lhes dizer que precisam estudar para ter
um futuro melhor se eles vêem seus pais desempregados? Como lhes dizer
que se afastem das drogas e do crime se mesmo formados, não terão
oportunidades reais na vida? Precisamos fazer alguma coisa. Precisamos
mudar nossa concepção de mundo, de tal modo que haja mesmo um futuro
para nossos filhos.