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Aula9 Barreiras a Entrada

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Trabalho de Microeconomia

Joe Bain, Hall & Hitch, Kalecki

Moderna Micro – Organização Industrial – Principais Pontos
• Joe Bain (1950) – Concorrência efetiva e concorrência potencial
 Entradas de novas firmas no mercado
• • • • • Barreiras institucionais Barreiras econômicas Diferenciação de produto – real e informacional Vantagem absoluta de custos Economias de escala

 Com poder de monópio surgem:
• Ineficiência alocativa (consumo inferior ao desejado) • Ineficiência produtiva (perda de motivação da empresa) • Ineficiência dinâmica (desestímulo a inovação)

Moderna Micro – Organização Industrial - Antecedentes
• Princípio marginalista – observação direta do processo de decisão empresarial. Maximização do lucro. • Hall & Hitch (1930) – Princípio do custo total – as firmas tinham como decisão principal a determinação do preço e não da quantidade. (determinação do preço via mark-up) • Mason (1939) – Estrutura – conduta – desempenho = firma ativa • Coase – Custo de transação.

1.3. Barreiras à Entrada
Bibliografia: KUPFER, David. Barreiras estruturais à entrada. In: ______; HASENCLEVER, Lia. Economia Industrial. Rio de Janeiro, Elsevier, 2002. pp 109-128.

Barreiras à Entrada
• Joe S. Bain (décadas de 1940 e 1950): o principal fator na determinação dos preços e da lucratividade de uma indústria está relacionado à facilidade ou dificuldade que as empresas estabelecidas encontram para impedir a entrada de novas empresas. [existência ou não de barreiras à entrada]

Concorrência Real e Potencial
Concorrência Real: presente na teoria microecônomica tradicional • A concorrência de dá em função do tamanho relativo das empresas que formam cada indústria Concorrência Potencial: • Competição de lucros entre empresas já estabelecidas e novas empresas interessadas em entrar na nova indústria [empresas entrantes ou potenciais]

Concorrência Real e Potencial
• A ênfase na concorrência potencial é típica do pensamento econômico clássico [Marx, inclusive]. • Se uma indústria apresenta lucros elevados, é de se esperar que novas empresas se estabeleçam. • Nos setores superavitários, o aumento de oferta reduz os preços e contrai os lucros, enquanto nos setores deficitários a redução da oferta eleva os lucros. • Tendência à equalização das taxas de lucro nas indústrias

Concorrência Real e Potencial
• Nessa visão, uma indústria somente poderia apresentar lucratividade superior à média por um período de tempo. • Conseqüentemente, se uma indústria apresenta lucros extraordinários permanentes, alguma restrição à mobilidade de capital existe. • Há, então, barreiras à entrada.

Conceitos Importantes
Empresas estabelecidas: • São empresas que já atuam na indústria considerada. • Comumente supõe-se que as empresas estabelecidas tentem impedir a entrada de novas empresas. • O receio da concorrência potencial anula a concorrência real.

Conceitos Importantes
Empresas entrantes: • Também chamadas de empresas potenciais. Correspondem às empresas interessadas em atuar na indústria. • O número de empresas entrantes é indefinido. • Para resolver o problema, supõe-se que as empresas potenciais organizem uma fila organizada de acordo com a capacidade de competir na indústria. • A primeira fila é a empresa que reúne os melhores requisitos competitivos, é a primeira empresa entrante

Conceitos Importantes
Incentivo à entrada: • Possibilidade de uma empresa entrante estabelecer lucros extraordinários • Considera-se que haja incentivos somente quando a possibilidade de auferir lucros extraordinários ocorra imediatamente após a entrada.

Conceitos Importantes
Entrada • Corresponde a uma adição líquida da capacidade produtiva da indústria por uma nova empresa. • Não se considera a expansão da capacidade de uma empresa, pois não há um novo agente no processo. • A fusão ou aquisição de uma outra empresa também não configura entrada, pois não significa adição de capacidade.

Conceitos Importantes
• Saída • Uma saída significa que uma empresa encerrou suas atividades. • Um certo montante de capacidade produtiva foi permanentemente eliminado da indústria. • Se uma empresa abandona as suas atividades vendendo seus ativos a outra não configura saída, pois não houve eliminação de capacidade.

Barreiras à Entrada: Definições
• São muitos os enfoques sobre barreiras à entrada na literatura de Economia Industrial. • Ponto comum: ênfase ao longo prazo e à concorrência potencial como bases teóricas. • Qualquer fator que impeça a livre mobilidade de capital para uma indústria no longo prazo e, conseqüentemente, torne possível a existência permanente de lucros supranormais na indústria constitui barreiras à entrada. • Quatro grupos de definições se destacam:

Barreiras à Entrada: Definições
1º grupo (Joe S. Bain): • Barreira à entrada corresponde a qualquer condição estrutural que permita que empresas já estabelecidas em uma indústria possa praticar preços superiores ao competitivo sem atrair novos capitais. • Nesse sentido, é possível a existência de lucros extraordinários no longo prazo porque as empresas entrantes não conseguem auferir após a entrada os mesmos lucros que as empresas estabelecidas obtêm préentrada.

Barreiras à Entrada: Definições
2º Grupo (George J. Stigler): • Existe barreiras à entrada em uma indústria se há custos incorridos pelas empresas entrantes que não foram desembolsados pelas empresas estabelecidas quando iniciaram a operação. • Essa assimetria de custos entre empresas estabelecidas e empresas entrantes após a entrada impossibilita essas últimas de obterem a mesma lucratividade das primeiras.

Barreiras à Entrada: Definições
3º Grupo (Gilbert): • Há barreiras à entrada se é possível configurar vantagens competitivas atribuíveis exclusivamente à existência da empresa. • Somente há barreiras à entrada quando há um diferencial econômico entre empresas estabelecidas e empresas entrantes simplesmente porque as primeiras existem, e as outras não. • “Prêmio pela existência”; first-mover advantages.

Barreiras à Entrada: Definições
4º Grupo (C. von Weizacker): • Aspectos normativos são valorizados na questão da entrada. • A existência de diferenciais de custos entre empresas estabelecidas e entrantes não é condição suficiente para assegurar a presença de barreiras à entrada. • É necessário que impliquem distorções na alocação de recursos do ponto de vista social.

Modelo Conceitual do Preço Limite
Suposições: • Indústria em equilíbrio temporário. • As empresas estabelecidas atuam em conjunto para prevenir a entrada. • Os produtos podem ser homogêneos ou diferenciados, mas as tecnologias apresentam custos médios de LP decrescentes até atingirem a escala mínima eficiente (curva em “L”). • Considera-se o longo prazo como uma seqüência de dois prazos: pré-entrada e pós-entrada. • A empresa entrante somente considera que haja incentivo à entrada de puder obter lucros extraordinários imediatamente após a entrada.

Modelo Conceitual do Preço Limite
• Essa última premissa, no entanto, torna-se inadequada quando aplicada a capitais já constituídos, como a diversificação de uma empresa existente em outra indústria. • Para as empresas estabelecidas, uma possibilidade é fixar o preço no nível competitivo. • Nesse caso, não há entrada simplesmente devido à ausência de incentivos. • No entanto, essa escolha é pouco atrativa para as empresas estabelecidas, pois não irão obter nenhum lucro nos dois períodos.

Modelo Conceitual do Preço Limite
• Melhor opção: fixar o preço no nível da maximização dos lucros de curto prazo (primeiro período). • No segundo período haverá entradas que levarão o preço ao nível competitivo no segundo período. • Opção intermediária: faixa de preços em que é possível obter lucros positivos (mesmo que não máximos no CP), mas na qual nenhuma entrada é incentivada.

Modelo Conceitual do Preço Limite
• O valor superior dessa faixa de preços é conhecido como preço limite. • A adoção do preço limite torna possível às empresas estabelecidas auferirem um fluxo regular permanente de lucros (no primeiro e no segundo períodos). • A questão é quando o preço limite será escolhido pelas empresas existentes. • J. S. Bain: conceito de condição de entrada. • Condição de entrada é a margem de custos médios de LP que as empresas estabelecidas podem incluir no preço sem atrair entradas.

Modelo Conceitual do Preço Limite
• Algebricamente:

PL − PC E= ∴ PL = PC ⋅ (1 + E ) PC
• Onde E é a condição de entrada, PL é o preço limite e PC é o preço competitivo no longo prazo.

Modelo Conceitual do Preço Limite
• Em relação à condição de entrada E podem prevalecer quatro situações distintas: 1. Entrada fácil: • As empresas estabelecidas não têm vantagens de custos em relação à empresa entrante e não podem sustentar lucros extraordinários. • Não há barreira à entrada e prevalece o preço competitivo.

Modelo Conceitual do Preço Limite
2. Entrada ineficazmente impedida: • As empresas estabelecidas possuem pouca vantagem competitiva e por isso preferem praticar o preço de maximização de curto prazo. • Com isso irão obter os lucros mais altos possíveis apenas no primeiro período, pois ocorrerão entradas até que o preço atinja o nível competitivo no segundo período.

Modelo Conceitual do Preço Limite
3. Entrada eficazmente impedida • As empresas estabelecidas têm vantagens competitivas significativas em relação à empresa entrante. • As empresas estabelecidas praticam o preço limite e barram entradas, ao invés de tentarem maximizar os lucros no primeiro período. • Condição para essa opção: o lucro acumulado nos dois períodos com a adoção do preço limite deve ser superior ao lucro máximo possível no primeiro período (e nulos no segundo).

Modelo Conceitual do Preço Limite
4. Entrada bloqueada • As vantagens das empresas estabelecidas são tão grandes que mesmo o preço de maximização de lucros no primeiro período é inferior ao preço limite. • O preço de maximização de lucros no primeiro período está na faixa de preços que não incentiva entradas e, portanto, as empresas existentes irão manter esses lucros permanentemente.

Barreiras Estruturais à Entrada na Prática
• Para tornar operacional o mecanismo conceitual de definição do preço limite é necessário que as características das indústrias sejam devidamente especificadas. • Por isso, é necessário detalhar os elementos presentes na estrutura da indústria que podem constituir fontes de barreira à entrada. São eles: 1. Existência de vantagens absolutas de custos a favor das empresas estabelecidas 2. Existência de preferências dos consumidores pelos produtos das empresas estabelecidas. 3. Existência de estruturas de custos com significativas economias de escala. 4. Existência de elevados requerimentos da capital.

Vantagens Absolutas de Custos
• Há vantagens absolutas de custos quando os custos médios de longo prazo das empresas entrantes é superior ao das empresas estabelecidas em qualquer nível de produção de um bem homogêneo.

Vantagens Absolutas de Custos
Preço Custo Demanda

PL

CMeLP B (entrante)

PC

CMeLP A (estabelecida) D QL QC Quantidade

Vantagens Absolutas de Custos
• De modo geral, as vantagens de custos para as empresas estabelecidas surgem como reflexo de: 1. Melhores condições de acesso a fatores de produção, principalmente tecnologia e recursos humanos e naturais; 2. Acumulação de economias dinâmicas de aprendizado; ou 3. Imperfeições nos mercados de fatores

Vantagens Absolutas de Custos
• Fontes de diferenciais absolutos de custos: • Tecnologia (patentes e aprendizado). • Acesso a matéria-prima de melhor qualidade (recursos naturais e humanos). • Acesso a capital e financiamento (riscos). • Embora sejam consideradas estruturais, as vantagens de custos podem ser modificadas por estratégias específicas das empresas. • Há situações de entrada que enfraquecem ou mesmo anulam as vantagens absolutas de custos das empresas estabelecidas (inovação).

Vantagens Absolutas de Custos
• Barreiras à entrada decorrentes de vantagens absolutas de custos são teoricamente compatíveis tanto com a definição de Bain quanto a de Stigler. • Empiricamente, no entanto, vantagens de custos são consideradas fontes pouco relevantes de barreiras à entrada na indústria em geral, apresentando importância restrita a um conjunto limitado de remos industriais. • Estão nesse grupo as indústrias extrativas de primeiro processamento de recursos naturais, como a metalurgia ou a indústria de minerais não-metálicos, ou ainda algumas agroindústrias.

Os esquemas de reprodução de Kalecki
Departamento de Bens de Produção Departamento de Bens de Consumo Capitalista Departamento de Bens de Consumo Trabalhadores

D1 P1 W1 I

D2 P2 W2 Cc

D3 P3 W3 Cw

P W Y

Conceitos e definições
lucros brutos (antes de deduzir • P1, P2, P3 depreciação) montantes de salários • w1, w2, w3 • P = lucro bruto total • W = salários totais • Cc = consumo dos capitalistas • Cw = consumo dos trabalhadores • Y = renda nacional bruta (antes da depreciação) • Suposição: trabalhadores não poupam; não há estoques

equações

• P3 = W1 + W2 (1) • P = I + Cc (2) • Cw = w1I + w2Cc (3) 1 - w3 • Y = I + Cc + w1I + w2Cc (4) 1 - w3 • I = (r + δ) K (5)

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