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A ARTE DA PESQUISA

Wayne C. Booth Gregory G. Co\omb Joseph M. Williams

Tradução

HENRIQUE A. REGO MONTEIRO

Martins Fontes

São Paulo

2008

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Índice

Prefácio

XI

J. Pesquisa , p esq ui sado res e le itores

Prólogo: Inician do um projeto de p esquisa

I.

Pe nsa r po r escrito : os usos público e privado da p esquisa

7

 

1.1

Por

qu e

p esq u isar?

7

1.2

Po r

qu e

r e di g ir um r e l a tó ri o?

9

1.3

Po r

que

e laborar um docume nto fo rmal ?

II

2 . Relacionando-se com seu leitor: (re)criando a si mes- mo e a seu pú.blico

15

 

2.

1 Di álogos entre pesqui sadores

15

2.2 Autores, leitores e seus papéis sociais

2.3 Le ito res e se us prob le mas co mun s

17

24

2.4 A uto res c seus probl emas co muns

.

29

UGESTÓES ÚTE IS: Li sta de ve rifi cação para ajudá-lo a preender se us le it o res

S

com-

32

 

I . M"'OOolog"

001.42

 

2.

M~todo logla da peoqui

001.42

II.

Fa zen do

perguntas, e nco ntr a ndo r es postas

35

3

PP.!Iqul

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M<-I<><IoI08i.

00 1.42

Prólogo:

P/anejando seu proje to

35

"rCltlO$ os di~il()5 d~l~ ffliçifo rrservados à

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Ru~ eo"ulhdro RJ>m/lI/w, 330 OJ325-OOO São Paulo sr "rei . (1 1) 3241 .3677 FIU: I1l J 3105.6993

Brasil

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rom.br

S UGEST ÕES ÚTEIS: Traba lhand o em g rupo

38

3.

De topicos a p erguntas

45

8.2 Usando afirmações plausíveis para orientar sua

3. 1 Interesses, tópicos, perguntas e problemas

45

pesquisa

128

3.2 De um interesse a um tópico

46

8.3 Apresentando evidências confiáveis

129

3.3 De um tópico amplo a um

3.4 De um tópico específico a perguntas

específico

48

50

3.5

De

uma pergunta à avaliação de sua importânc ia .

 

54

SUGESTOES ÚTEIS: D esco brindo tópicos

:

:'.

59

4. De perguntas a problemas

63

4

. 1 Problemas, problemas, problemas

64

4.2

A estrutura comum dos problemas

68

4.3 Descobrindo um problema de pesquisa

77

4.4 O problema do problema

8 1

5. De perguntas afontes de informações

85

5. 1 Encontrando informações em bibliotecas 86

5.2

Co lh e nd o informaçõe s eo m pessoas

5 .3 Trilhas

5.4 O que você encontra

6.

Usa ndo fo ntes de informações

6.

6.2 Leia criticamente

6.3 Faça anotações completas

6.4 Peça ajuda

1 Usando fo ntes seeundárias

SUG ESTOI!S ÚTEIS: Leitura rápida

UI. Fazendo uma afirmação e s ustentando-a Prólogo: Argumentos, rascunhos e discussões 7 . Cr iando bons argumentos: uma visão geral

9 1

94

95

97

97

99

100

107

10 8

113

113

11 7

 

7.1

Discussões e argumentos

117

7 .2

Afirmações e evidênc ia s

I 19

7.3

Fundamento s

120

7.4

Ress alvas

122

8.

Afirmações e evidências

125

8.1

Faze ndo afirmações de peso

125

8.4 Usando evidências para desenvo lver c organizar seu relatório

138

SUGESTOES ÚTEI S: Uma s is t e mática de contrad ições

142

9 . Fundamentos

9 . 1 Fundamento: a base de nossa conv icção e de nossa argumentação

9.2 Com que se parece um fundamento?

9.3 A qualidade dos fundamentos

SUGESTOES ÚTEIS: Contesta ndo fundamentos

10. Qualificações

10. J

Uma revisão

10.2

Qualificando seu argumento

10.3

Elaborando um argumento eompleto

147

147

150

152

167

173

17 3

176

186

10.4 O argumento como guia para a pesquisa e a lei-

tur3

10 .5 Algumas palavra s so bre sentim e ntos fortes

I

SUGESTOES Ú1CJS : Argum e nto s - duas armadilha s comuns

Iv. Preparando-se para redigir, redigindo e revisando

Prologo : Planej ando novamente

SUGESTÕES ÚTEIS: Preparando o esboço

11

. Pre-rascunho e ra sc unho

11 .1 Preliminares para o ra scunho

11.2 Planejando sua organização: quatro armadilhas

11.3 Um plano para

11.4 Criando um rascunho pass ivei de revisão

o rascunho

188

189

191

195

195

199

203

203

206

209

216

11.5 Uma armadilha a ev it ar a lodo custo

11 .6

2 18

As últimas elapas

222

SUGESTÕES ÚTEI S: U s ando ci t ações e paráfra s es

225

12.

Apresentação visual das €Vidências

229

15

. 1 Os três e lemen tos de uma introdução

299

 

12.

12.2

12 .3

1 Vi s ual ou verba l?

229

15.2 Dec1are o problema

 

302

Alguns princípios gerais de elaboração

232

15.3 Criando uma base comum de compreensão com-

Tabelas

234

partilhada

308

12.4

Di agra mas

23 7

15

.4 Desestabilize a base comum, e nun ciando seu

12 .5

Gráfi co s

244

problema

309

12.6

Contro lando o impacto retórico de um recurso

15.5

Apresente sua solução

3 13

 

visual

: 246

15 .6 Rápido ou devagar?

 

3 16

 

12.7

Comunicação visual e ética

: 249

15.7

A introdução como um

todo

3 17

12 .8

Ligando pa lavras a imagens

251

S UQESTOES ÚTEIS: As primeiras e as últimas palavras

319

12.9

Vi sualização científica

252

12.

10 Ilu stra ções

252

12 . 11 Tomando vis íve l a lógica d e s ua organização.

253

V.

Co n siderações finais

 

325

12 . 12 Usando recurs os visua is como um aux ílio à reflexão

255

Pesquisa e ética

325

SUGESTOES ÚTEIS: Pequeno gu ia para recorrer a um orie n-

Pós-escrito aos professores

329

tador

257

Ensaio bibliográfico

337

13. Revisando sua organização e argumentação

13 . 1 Pe nsa ndo como leitor

259

259

13.2

Ana li sa ndo e revisando s ua organização

260

13 .3

Rev isando se u argumento

268

13.4

o último passo

271

S UGES TOES Ú'TEIS: Título s e s umários

14. Revisando o estilo: contando sua história com cla- reza

272

277

14.1

Avaliando o esti lo

277

14 .2

Prim e iro

princípio:

hi stórias e gramáti ca

279

14.3

Segundo

princípio:

o antigo antes do novo

289

14.4

Escolhendo entre as vozes ativa e passiva

291

14 .5

Um último

princípio: o mai s co mpl exo por

últilno

293

14 .6

Polimento final

296

SUGESTOES ÚTEIS: Uma rápida revisão

15

introduções

297

299

Índke rem;ss;vo

345

'.

Prefácio

ESCREVEMOS ESTE UVRO pensando nos pesq ui sadores es- tud an tes. d esde os novato s mai s inexpe ri entes até os profi ss io- nai s. cursando pós-graduação. Com ele esperamos:

• at ra ir a atenção dos pe squi sa do res ini cian tes para a natureza , os uso s c os obj eti vos d a pe squisa e de se u s re latórios;

• orienta r os pesquisadores inician tes e interme diários quanto às comp lexidades do planejamento, da organização e da elabo- raçã o d o esboço d e um re lató ri o que propo nh a um problema significativo e ofereça uma solução convincente;

• mostrar a tod os os pesq uisado res. do inic ia nte ao avançado, co mo le r seus relató rios da maneira como os le itores o fariam , identifi ca nd o passagens e m qu e el es provavelm ente enco n- tr a riam difi cul d ade e a lt e ra ndo-as rápida e e fi caz.m ~nte.

sobre pesquisa abordem a lgumas

Embo ra outros ma nuais

de ssas qu estões, este se dife re nc ia de diversas man e iras .

Muitos man uais em circulação reconhecem que os pesqui- sadores não seguem a seqüênc ia que va i de encontrar um tópi co ao estabe lecimento de uma tese, de preencher fic has de anota- ções à elaboração de um rascunho e à revisão. Como sabe qual- quer um que já tenha passado por essa experiência, a pesquisa

na realidade anda para a fre nte e para trás, avançando um passo

o

u do is e recua ndo, ao mesmo tempo antecipando etapas

ainda

n

ão ini ciada s e, então, prosseg uindo uma vez mai s. Mas, ate

sabemos, nenhum m anual tentou mostrar como eada par-

te do processo influencia todas as outras - como o ato de fazer perguntas sobre um tó pico pode preparar o pesquisador para

onde

XII

A ARTE DA PESQUISA

redigir o rascunho, como o processo de redigir o rascunho pode revelar problemas com um arg umento, como os elementos de

uma boa introdução podem mandar o pesquisador de volta à

biblioteca para pesquisar mai s. Este livro explica por que os pesqui sadores devcn; traba- lh ar simultaneamente nos diversos estág io s de se u projeto, como essa sobreposição pode ajudá-los a compreender melhor O problema e a administrar a complexidade que esse processo acarreta. Isso significa, é claro, que você terá de ler este livro

duas vezes, porque mostraremos não apenas como os estágios an-

teriores antecipam os posteriore s, mas també m como os pos te- riores motivam os anteriores.

Em virtude da complexidade que uma pesquisa envolve,

fomos explícitos a respeito do maior número possivel de eta- pas, incluindo algumas geralmente tratadas como partes de um misterioso processo criativo."Entre os assuntos que "destrincha- mos" estão os seguintes:

• como converter o interesse por um assunto em um tópi co, esse tópico em algumas boas perguntas e as respostas a essas perguntas na solução de um problema;

• c omo criar um argumento que sati sfaça o de sejo dos le itores de saber por que deveriam aceitar sua afirmação;

• como prever as objeções de leitores sensa los, mas céticos, e co- mo qualificar adequadamente os argumentos;

• como criar uma problema de sua

• como redigir conclusões que façam o leitor compreender não apenas a afimlação principal , mas também sua mais ampla lmportancla;

• como ler seu próprio texto da maneira como os outros o fa- riam, e assim saber melhor que pontos alterar c como. Sabemos que alguns pesquisadores iniciantes seguirão nos- sas sugestões de um modo que poderia ser considerado mecâ- nico. Não estamos muito preocupados com isso, porque acre- ditamos que é melhor alcançar um objetivo mecanicamente do que não alcançar objetivo nenhum. Acreditamos também que os professores podem confiar nos alunos, sabendo que e les supe-

"ve nda" a importânc ia do

introdução que

pesqui sa aos leitores;

.

I

PREFÁCIO

XIII

rarão as inevitáveis dificuldades iniciais. Todos nós tendemos a agir mecanicamente quando experimentamos uma técnica pela primeira vez, mas finalmente conseguimos ocultar seus auto- mati smos por trás de seu sentido verdadeiro. Outro aspecto di stinto deste livro é que encorajamos in- sistentemente os pesquisadores a pensarem em seus leitores e mostramos claramente como fazê-lo, explicando como os lei- tores lêem. O objetivo de um relatório de pesquisa é estabele- cer um diálogo com pessoas que possam não estar di spo stas a

mudando .

E é em seu relatório que você manté m esse diálogo. À medida

que O lêem, os leitores esperam encontrar determinados indí- cios dc organização; preferem certos padrões de esti lo; tacita- mente fazem perguntas, levantam objeções, querem ver os as-

suntos apresentados de modo mais explícito do que você pode achar necessário. Acreditamos que, se você entender como os

leitores lêe m e so uber eomo sati s fa ze r s uas expectativas da m e-

lh or mane ira possivel, terá uma ótima oportunidade de ajudá-los

a ver as coisas do seu je ito . Concentramo-nos no processo d e fa ze r tudo isso, mos-

trando co m o as caracte ri stica s formais do " produto" - O rela-

planejamento e criação.

Conforme você verá, os elementos de um relatório, sua estru-

tura, seu estilo e suas convenções fonnai s não são fónnulas va-

porque milhare s de outros antes

deles as usaram. Tais formatos e mode los são o meio pelo qual os pesquisadores, iniciantes ou experientes, testam seu traba- lho, avaliam sua compreensão do assunto e até mesmo encon- tram novas direções a seguir. Em outras palavras, acreditamos que as exigências formais do produto não só orientam o pes- quisador ao longo do processo de criação, como também con- tribuem para desenvolver sua criatividade. Tentamos ainda indicar o que os pesquisadores em diferen~

tes estágios de sua vida profiss ional deveriam saber e se r capazes de fa zer. Se você está diante de se u prime iro projeto d e pes-

qu e os pesquisadores experientes

fariam, mas não se preocupe se não conseguir faze r tudo . Deve

mudar de opinião mas que, por boas razões, acabam

tório - podem ajudá- lo no processo de

zias que os redatores imitam só

quisa, deve ter uma id éia do

XIV

A ARTE DA PESQUISA

saber, no e ntanto, o que provavelmente seus professores espe- ram de você, a inda mais se estiver se preparando para ser um pesquisador sé ri o. Portanto , vez por o utra avisamos que vam os apresentar um assunto partic ulanne nte importante para pes- quisadores experientes. Os que estiverem apenas se inic iando

pu lar essas partes. Espera'mos que

podem se ntir-se tenta dos a

não o façam . Este li vro originou-se da convi cção que temos d e que as têcnicas de fazer e relatar pesquisas não só podem ser aprendi- das como também e nsinadas. Sempre que pudemos explicar claramente as etapa s do processo, explicamos. Quando não , ten- tamos delinear seus contornos ger<lis. Alguns aspectos da pes- quisa podem ser aprendidos apenas no contexto de uma cútnu- nidade de pesquisadores comprometidos com tópi cos e manei- ras de pensar partic ulares, interessados em compartilhar com outros o fru to de seu trabalho. Mas, quando um contexto des- ses não está di sponíve l, os estudantes a inda podem aprender importa ntes téc ni cas de pes quisa através de in strução direta e levá- Ias às comunidades de que pretendam participar. Analisa- mos algumas maneiras especí fi cas de fazer isso c m nosso "Pós- escrito aos professores".

Este li vro ta mbém teve orige m em nossa ex pe ri ê nc ia, que nos ens ino u qu e pesq ui sa nào é O t ipo de coisa que se aprenda de uma vez por todas. Nós três já deparamos com projetas de pesquisa que nos forçaram a refrescar a memória quanto à maneira de pesquisar, mesmo d epo is de décadas de experiên-

ci a . Nos mo me ntos em que t ive mos de nos adaptar a um a nova

co munidad e de pesquisa , ou a mudanças na no ssa próp ri a, usa-

mos os princípios ap rese ntados aqui para conseguinno s nos co n-

centrar naquilo que era mai s importante para os leitores. Assi m, escrevemos um livro que você poderá consultar sempre que as

ci rc un stânc ias exig irem, o qual , esperamos, será

zes, acompanha ndo seu cresc ime nto como pesqui sado r.

útil muitas ve-

Queremos agradecer às pessoas quc nos ajudaram a rea- li zar este p roj e to. Entre e las incluem- se seus prime iro s le itores:

Steve Biege l, Jane Andrcw e Donald Freeman. O capítulo sobre

P REFÁCIO

xv

a apresentação visual de dados foi melhorado significativa- mente após os comentários de Jae Hannon e Mark Monrnonier. Estamos em débito também com os integrantes do departa- mento editorial da Universidade de Chicago que, desde que concordamos em assumir este proj eto, quase uma década atrás,

não nos largaram enquanto não o tenninamos. Da parte de WCB: Além das centenas de pessoas que me ensinaram aquilo que foi minha contribuição para este livro, gostaria de agradecer a minha esposa, Phy lli s, minhas duas fi- lhas , Kathe rine e Aliso n, meu s três netos, Emily, Robin e Aaron , pois, juntos, esses seis me mantiveram otimista quanto ao futu- ro da inve stigação respons áve l.

Da

parte de GGC : Ao longo de momentos tumultuados e

ca lmos,

ao longo de períodos criativos e improdutivos, sempre

tive minha casa c minha família - Sandra, Robin, Karen e Lau- rcn - como ponto de re ferê ncia e de apoio. Da parte de JMW: Joan, Megan, 01, Chris, Davc c Joe me apoiaram, tanto quando estâvamos juntos, como separados. Jun-

tos é melhor.

I

PARTE I

Pesquisa, pesquisadores e leitores

Prólogo: Iniciando um projeto de pesquisa

SE vocí:; ESTÁ COMEÇANDO seu primeiro projeto de pesqui- sa, talvez sinta-se um tanto intimidado pela aparente dificul- dade da tarefa. Como procurar um assunto? Onde encontrar informações relevantes, como organizá-Ias depois? Mesmo que já tenha escrito um relatório de pesquisa num curso de reda- ção, a idéia de escrever outro pode lhe parecer ainda mais per- turbadora, caso agora, pela primeira vez, você precise apresen- tar um trabalho de verdade. Até mesmo pesquisadores expe- rientes sentem-se um pouco ansiosos ao iniciarem um projeto, especialmente se for diferente dos outros que já executaram. Assim, seja qual for sua preocupação no momento, todos os pesquisadores já a tiveram - e muitos ainda a têm. A diferença é que pesquisadores experientes sabem o que encontrarão pela frente: trabalho árduo, mas também o prazer da investigação, alguma frustração, mas compensada por uma satisfação ainda maior, momentos de indecisão, mas a confiança de que, no fi- nai, tudo irá se encaixar.

Fazendo planos

Pesquisadores experientes também sabem que, como qual- quer outro projeto complexo, a pesquisa será mais facilmente organizada caso se disponha de um plano, por mais tosco que seja. Antes de começar o trabalho, pode ser que eles não façam idéia exatamente do que estão procurando, mas sabem, de ma-

2

A AR77! DA PESQUISA

ne ira geral, de que tipo de materi al vão precisar, co mo encon- trá-lo e co mo utili zá -l o. E, uma vez reunido esse material , pes- quisadores competentes não começam simplesmente a escrever,

assim como cons trutore s

a madeira. Eles planejam o tipo e alarma do produto f/,uepre- tendem obter. um produto que exprima sua intenção de alcançar um determinado resultado e cujas partes ,odas sejam planeja- das contribuindo para a o btenç ão desse resultado. Isso , porém ,

não quer dizer que bons pesquisado res prendam-se to talmente

ao plano

planos, se encontram um problema ou se, de repente, compreen- dem melhor o proje to, o u descobrem, de alguma maneira, um objet ivo mais interessan te que os conduza por um novo ca mi-

nho. Mas todos sempre começam com um propósito e a lgum

tipo de planejament o. Na verdade, quase todo projeto de redação começa com um

documento de formato específico,

gera lmente moldado pela experiê nc ia de gerações de escrit ores,

competentes não vão Jogo serra ndo

que traça ram. Estão sempre prontos a me dificar os

plano que visa produz ir um

PESQUISA , PESQUlSADOHES E LEITORES

3

É claro que, mesmo limitado po r esses fo rmatos, quem re-

ado rar diferentes pontos de vista, enfa- id é ias e imprimir um a feição persona-

um plan ejamento

padronizado, estará beneficiando tanto a e le mesmo quanto

lizada ao se u trabalho. No entanto, seguind o

dige te m a liberdade de tizar um a va ri edade de

aos leitore s, tomando mai s fá cil o trabal ho

obje tivo deste livro e ajudar você a

planejamento.

O

A importância da pesquisa

de redigir e de ler. c ri ar c s eguir esse

Antes de mais nada, responda a uma pcrgunta: além de uma no ta de ava liação, o que a p esq ui sa re prc scnta para você? Uma res p os ta , que muito s poderão co nsid erar idealista, é qu e

a pesqu isa o ferece o pra ze r d e reso lve r um e ni g m a, a sati s fa- ção d e d esco brir al go novo , algo qu e ning ué m ma is co nhece, contribuindo, no fina l, para o enriquccimento do conhecimen-

que adotam certos formatos não só para agradar os editores ou

to

hurnano. Para o pesq uisador inic ian te, no e nta nto, ex istem

supervisores, mas para se pouparem do trabalho de inventar

outros beneficios, mais práticos e imediatos. Em primeiro lugar,

um novo formato para cada projeto e, tão importante quanto

a

p es qui s a o

ajudará a co mprc e nd e r o a ss unto estu<;lado

u.m

isso, para ajudar os le itores a identificarem seus objetivos. Um

modo muito

melh or do q ue

repórter sabe que tem de adotar o formato de pirâmide inver-

lo~go prazo , as t éc nica s de

qualque r outro tipo de trabalho . A pe s qui sa e r e d ação, uma vc z -üs~i­

tida numa reportagem, começando o texto com a informação

mlladas, capacitarão o pesqui sador a trabalhar por conta pró-

de mai or interesse, não em seu ben efi cio, ma s para que nós,

pria mai s tarde, pois, afinal, coletar informações, organizá-las

le itores, possamos desde logo identificar a essência da no tícia

de

modo coerente e apresentá-Ias de maneira confiável e con-

e decidir se continuaremos a ler ou não. O formato de um rela-

tório de auditoria ori enta o contador quanto às inform ações

que

trar os dado s necessários para a avali ação da empresa como

no pro ntuá- possam uti -

li zá-Ia, e um policial redige o bo letim de ocorrência num for- mato padronizado, pensando naqueles que mais tarde irão inves- tigar o crime. Do mes mo mod o, os leitores tiram maior proveito da le itura de um relatório quando o pesquisador re lata os resul- tados de sua pesqui sa num formato que lhes seja familiar.

investimento . Uma enfenne ira sabe o que escreve r rio do paciente, de modo que as o utras enferm eiras

deverá incluir, mas tam m ajuda os acion;S fas a encon-

,

vincente são ha bilidades indispe nsâve is, numa época apropria-

dame nte

po do co nh ec im ent o, você vai p recisar das téc ni cas qu e só a

pesqui sa é capaz de ajudá-lo a dominar, seja seu objetivo o

proj eto , ou

As técnicas de pesqui sa e rcdação são ig ua lmente impor- tantes para quem usa pesquisas de outras pessoas, e hoje em

dia is so inc lui todos nó s. Som os inundado s p or informaç ões, cuja maior parte destina-se a servir aos interesses comerciais ou políticos de alguém. Mais do que nunca, a soc iedade preci sa

de pessoas com espírito críti co, capazes de examinar uma pes-

c hamada de " Era da In formação". Em qua lque r cam-

a linha de produção.

4

A A R71i DA PESQUISA

quisa, fazer suas próprias indagaçõcs e encontrar as respostas. Só depois de passar pelo processo ince rto e geralmente confuso

de conduzir sua própri a pesqui sa,

inteligente as pe squi sas dos outro s. Redigindo seu próprio re-

latório, entenderá o tipo de trabalho que há por trás 'das afir-

mações do s espec iali stas

ti cos. Descobrirá, em p rim eira mão , co mo o co nhec imento se

desenvolve a partir de respostas a indagações de uma pesqui- sa, como esse novo conhecimento depende das pe rguntas que

você fa z ou deixa de fa zer, co mo essas perguntas depend em

não ape nas de seus inte resses e metas, mas também dos inte-

resses e metas dos le ito res, e como os fonn atas padronizados de apresentação da pesquisa modelam o tipo de perguntas que você faz, podendo até de termin ar as qu e pode fa zer. Mas sejamos fran cos: a rcdação de um relatório de pesqu i- sa exige muito. São mu itas as tarefas envolvidas, todas pedindo sua atenção, geralmente ao mesmo tempo. Por mais cuidadoso

você saberá ava li ar de modo

e do que é encontrad o em livros didá-

que você seja no plan ejam ento, a pesqui sa segui rá um cam i-

nho tortuoso, dando g uinadas imprevisíveis. podendo dar voltas sobre si mesma. As eta pas se sobrepõem : todos nós fazemo s um esboço antes de term inar a pesquisa, continuamos a pesquisar de pois·de começar o rascunho. Alguns trabalham mais no final rur projeto , só reconhece nd o o probl ema que te nt aram reso lver depois de encontrar a solução. Outros partem atrasados para a

etapa do rascunho, fazendo a maior parte do trabalho de tenta- ti va e e rro, não no papel , mas de cabeça. Ca da reda tor tem um estilo diferente, e, con si derando qu e os projeta s diferem un s dos outros, um único planejamento não pode resolver todos os problemas. Por mais comp lexo que seja o processo, no e nt anto, iremo s tratá-lo passo a passo, de modo que você possa avançar com segurança, mesmo quando deparar com as inevitáveis dificul- dades e confusões que todo pesqui sador enfrenta, mas que acaba aprendendo a supera r. Quando conseguir administrar as partes, você conseguirá administrar o todo, e estará pronto para.iniciar novas pesquisas com mai or confiança.

PESQUISA, PESQUlS.4DORF.5 E LEl10RES

Como usar este livro

5

A me lh o r man eira de você Iidar com essa complex idade

(e com a ansiedade que poderá causar) é ler este livro uma vez, rapidamente, para saber o que irá e ncontrar. Então, dependen-

exp e ri ência, defina quai s

balho parecem fáceis ou dificeis para você. Quando começar

a trabalhar, leia com mais atenção os capítulos pertinentes à

tarefa que tem e m mãos. Se você é um pesquisador inexperien- te, comece pelo começo. Se está nwn c urso avançado, mas ainda não se se nt e mui to à vontade em se u ca mpo de estudo, salte a

Part e I , le ia a II , m as co nce ntre-se na UI e na I V. Se é um p es -

talvez ache mai s úte is o Capítulo 4 da

Parte II, os Ca pítulo s 9 e 10 da Parte 1I1 e a Parte I V inteira.

Na Parte I, apresentamos algumas questões sempre levan-

tadas por aqueles que fazem sua prim eira p esq ui sa: por qu e os leitores esperam que se redija de detenn inada maneira (Capí- tulo I) e por que se deve coneeber o projeto não como um tra-

ba lho isolado, mas como um diálogo com os pesquisadores

c ujos ~rabalhos você irá consultar e também com aqueles que irão ler seu trabalho (Capitulo 2).

Na Parte li , ana li sam os o proeesso de e labo ração d e seu

como e ncontrar um assunto, s intetizá-lo , questi o ná - lo

e just ifi cá-l o (Capi tulo 3), como tran s fo rm ar essas questões

em um problema de pesquisa (Capítulo 4), como encontrar e

utilizar

orie nt e m a bu sca de respos-

tas (Ca pítulo 5) e como refletir sob re o que fo i enco ntrado (Capitulo 6).

Na Part e lU , di sc utimos a natureza de um bom argumen-

to de pesq ui sa. Começa m os com lima v isão gera l do que vem

a ser um argumento de pesquisa (Cap ítulo 7), e ntão explicamos que afirmações são consideradas significativas e que evidên- cias em se u favor são confiáveis (Capítu lo 8). Anali sa mos um e lemento abstrato ma s dec is ivo do argumento d e pesqui sa, cha- mado de "fundamento" (Capítulo 9), e concluímos eom uma de sc ri ção do modo eo m o todo redator d eve apresentar obje- ções, estipular condições limitadoras e ex primir condi ções de

in ce rt eza (Capí tul o 10).

projeto :

quisador experie nte,

do de seu grau d e

partes de seu tra -

font es bib li ográficas qu e

6

A ARTE DA PESQUISA

Na Parte rv, comenta mo s as eta p as do p rocesso de reda- ção do relatório final, começando pelo esboço (Capítulo II ). Em seguida, abo rdamos um assun to que geralmente não apa-

rece em livros deste tipo : como transmitir visualmente infor- mações complexas, mesmo aquelas que não sejam q\lantitati- vas (Capítulo 12) . Os dois capítulos subseqüentes sã9' dedica- dos à verificação c correção da organização do relatório (Ca- pítul o 13) e seu es tilo (Ca pítulo 14). A segu ir, exp li camos como redigir uma introdução que convença os leitores de que o con- teúdo do re latório compe nsa ra o tempo que e les gastarão na leitura (Capitulo 15). Por fim, nos estendemos por mais algumas página s, num a refl exão sobre algo além das técni cas de exe- cução de uma pesquisa: a questão da ética da pesquisa, em um a sociedade que cada vez mais depende de seus resultados. Nos intervalos entre os capítulos, você encontrará "Suges- tões útei s" , breves inserç ões que co mpl ementam os capítu lo s. Algumas dessas sugestões são para a aplicação do que você

nos cap ítulos, outras são considerações suplementares

não apre-

apre nde u

para alunos adia ntados, e muitas tratam de questões

sentadas nos capítulos, mas todas ac rescentam a lgo novo.

A pesquisa é um trabalho arduo, mas, assim como todo tra- balho desafiador bem feito, tanto o processo quanto os resul- tados trazem enonne sa tisfação pessoal. Além di sso, as pes qui- sas e seus resultados são também atos sociais, que exigem uma reflexão constante sobre a relação de seu trabalho com os leito- res e sobre sua responsabi lidade , não apenas perante o tcma e você mesmo, mas também perante eles, especialmente se acre- dita que o que tem a dizer é algo bastante importante para levar os lei tores a mud ar de v id a, modificando o modo de pensar.

Capítulo I

Pensar por escrito: os usos público e privado da pesquisa

Ao ENTRAR NA SALA de leitura de uma biblioteca, voc ê vê

a s ua volta séculos dc pesquisa , o trabalho de dezenas de milha-

res de pesquisadores que pensaram longamente sobre incontá- veis questões e problemas, colhe ram informações, deram res- postas e soluções e, então, compartilharam tudo isso com os outros. Professores de todos os níveis educacionais dedicam a vida à ~esquisa, governos gastam bilhões nessa área, as empre- sas até m ais. A pesquisa avança em laboratórios, em bibliote- cas, nas selvas, no espaço, nos oceanos e em cavernas abaixo deles . A pesquisa e s ua d ivul gação constituem urna indús tria enonne n o mundo atua l. Maior ainda é a divulgação de seus relatórios. Quem não for capaz de faze r uma pesquisa confiá- vel, nem relatórios confiáve is sobre a pesquisa de outros, aca- bará por se achar à margem de um mundo que cada vez mais vive de informação.

1.1 Po.- que pesquisa.-?

Você já sabe o que é pesquisa, porque é o que faz todos

os dia s. Pesqui sa r

rias para encontrar respos ta para lima pergunta e assim che- gar à solução de um problema.

é si mpl esmente reun ir informações n ecessá-.

PROBLEMA ; Depoi s de um dia de compras , você percebe que sua

carteira sumiu.

8

A ARTl:: DA PESQlRSA

PESQUISA : Você se lembra dos lugare s onde esteve

e começa a te-

lefonar aos departamentos de achados e perdidos.

PROBLEMA: Você precisa dc uma nova junta de cabeçote para um Mustang modelo 1965. PESQUISA: Você liga para as lojas de autopcças para descQ.brir qua l delas tcm a peça cm estoque.

PROBLEMA: Você precisa saber onde Betty Friedan nasceu. PESQUISA: Você vai à biblioteca para procurar a informação no

Quem É Quem.

PROBLEMA : Você ouve falar de uma nova espéc ie de peixe e quer saber mais a respeito.

PESQUISA : Você pesquisa nos arquivos dos jornais, uma reportagem sobre o assunto.

à procura de

Entretanto, embora quase todos nós façamos esse tipo de pesquisa diariamente, poucos precisam redigir um relatório a

res peito,

para nosso próprio uso. Mesmo assim, temos de confiar nas pesquisas de outros que registraram por escrito seus resulta- dos, prevendo que um dia poderíamos precisar dessas infonna- ções para resolver um problema: a companhia telefônica pes- quisou para compor a lista teJefônica; os fornecedores de auto- peças pesquisaram para montar seus catálogos; o autor do artigo

do Quem t Quem pesquisou sobre Betty Friedan; os jornalis- tas pesquisaram sobre o peixe. De fato, as pesquisas feitas por outros detenninam a maior parte daquilo em que todos nós acreditamo s. Do s três autores

deste livro, apenas Williams já esteve na Austrália, mas Booth

e Colomb acreditam na

está lá, porque durante toda a vida leram sobre o assunto em

relatórios em que confiaram, viram o país em m apas fidedignos

e ouviram Williams falar pessoa lmente a respeito. Ninguérnja- mais esteve em Vênus, mas boas fontes nos indicam que é um planeta quente, seco e p1ontanhoso. Sempre que procuramos algo em um dicionário ,?U uma enciclopédia, estamos pesqui- sando através de pesquisas de outros, mas só podemos confiar no que encontramos se aqueles que fizeram a pesquisa a con- duziram com cu idado e apresentaram um relatório preciso.

porque nossa pesqui sa normalmente é feita apenas

existência da Austrá li a: sabem que ela

PESQUISA, PESQUISADORES E LEJTORES

9

De fato , sem pesquisas confiáveis publicadas, seríamos prisioneiros apenas do que vemos e ouvimos, confinados às opi- niões do momento. Sem dúvida, a maioria de nossas opiniões cotidianas é bem fundamentada (afinal de contas, tiramos mui- tas delas de nossas próprias pesquisas e experiências). Mas idéias errôneas, até mesmo estranhas e perigosas, florescem, porque muitas pessoas aceitam o que ouvem, ou aqui lo e m que dese- jam acred itar, sem provas válidas e, quando agem de acordo com essas opiniões, podem levar a si mesmas, e também a nós, ao desastre. Só quando sabemos que podemos coruiar na pes- quisa de outros somos capazes de nos libertar daqueles que, controlando nossas crenças, controlariam nossa vida. Se, como é provável, você está lendo este livro porque um professor pediu-lhe que desenvolva seu próprio projeto, pode ser que pense em desenvolvê-lo só para se exercitar. Não é um mau motivo. Mas seu projeto também lhe dará a oportunidade de participar das mais antigas e respeitadas di scussões da hu-

manidad e, conduzidas

Washipgton, Albert Einstein, Margaret Mead, o grande estudio- so islâmico Averrúis, o filósofo indi ano Radhakrishnan, Santo Agostinho, os estudiosos do Talmude, todos aq ueles, enfim, que, contribuindo para o conhecimento humano, li vraram-nos da ignorância e do erro. E les e inúmeros outros estiveram um dia no ponto em que você está agora. Nosso mundo, hoje, é dife-

rente por causa das pesquisas deles. Não é exagero afirmar que, se bem feita, a sua mudará o mundo de amanhã.

por Aristóteles, Marie C urie, Booker T.

1.2 Por que redigír um relatório?

fácil rec usar

nosso convite para participar desse diálogo. Ao fazer o relató-

rio de sua pesquisa, você terá de satisfazer uma multidão de

requi sito s estranhos e compli cados, e a maioria dos estudantes sabe que seu re latório será lido não pe lo mundo, mas apenas pelo professor. E, além disso, meu professor sabe tudo sobre o assunto. Se ele simplesmente me desse as respostas ou indi·

Alguns de vocês, entretanto, poderão achar

10

A ARTE DA PESQUISA

casse os livros certos, eu poderia me concentrar em aprender a que neles. O que eu ganh o redigindo um relatório, a não

ser provar que posso fazê-lo ?

J.2. / Escrever para lembrar

A primeira razão para registrar por escrito o que você des- cobriu é apenas lembrar. Algumas pessoas, excepcionalmente, conseguem reunir informações sem as registrar. Mas a maio- ria de nós se perde, quando e nche a cabeça de novos fatos e argumentos: pensamos no que Smith descobriu à luz da tese de Wong e comparamos as descobertas de ambos com os resulta- dos estranhos de Brunelli , especialmente por serem corrobo-

rados por Boskowitz. Mas, espe re um minuto. O que fo i m esmo que Smith disse? A mai or parte das pessoas só consegue res- ponder a questões mais complicadas com a ajuda da escrita - relacionando fontes, compilando resumos de pesqui sa, man-

diante. O que você

não registrar por escrito provavelmente será esquecido ou, pior,

será lembrado de modo in cor reto. Essa é uma da s razões pelas quais os pesquisadores não esperam chegar ao fim do proces- so para começar a escrever: eles escrevem desde o início do projeto até o fim , para entenderem melhor e guardarem por mais tempo o que descobriram.

tendo anotações de labo ratório e ass im por

1.2. 2 Escrever para en render

Uma segunda razão para escrevermos é ver com maior clareza as relações entre nossas idéias. Ao organi zar e reorga- ni za r os res ultados de s ua pesqui sa, você vê novas re lações e contrastes, comp li cações e impli cações que do co ntrário pode- riam te r passado despercebidos. Mes mo que pudesse g uardar na mente tudo o que descobr iu , você ainda pre cisaria de ajuda para organizar argumentos que insistem em tomar diferentes direções, inspiram relações compli cadas, causam desacordo entre

PESQUISA , PESQUISADORES E IErTORES

11

especialistas. Quero usar as afirmações de Wong para sus te ,,·

tar m e u argum ento, mas o argumento de la

é rebat ido por estes

dados de Smith. Quando os comparo, vejo que Smith não COII-

WOflg. Espere 11m miltu-

este trecho de Brun elJi,

posso salientar a parte do argumento de Wong que me permi-

te refutar o de Smith mais f acilmente. Escrever induz a pe nsar, ajudando-o não apenas a entender o que está aprendendo, mas a encontrar um sentido e um significado mais amplos.

s idera a última parte do argumento de

to: se e u a illlroduzjr, j untamente com

1.2.3 Escrever para rer perspectiva

Uma terceira razão pela qual escrevemos é que, quando projetamos nossos pensamentos no papel, nós os vemos sob

uma nova luz, que é sempre mais clara e normalmente menos

li sonj eira. Quase todos nós - estudantes e profi ss ionais - ac ha-

mos qu e no ssas idéias são m ais coe re ntes no ca lor d e nossa mente ç10 que quando transpostas para as fria s letras impressas. Você melhora sua capacidade de pensar quando estimula a mente com anotações, esboços, resumos, comentários e outras formas de pôr pensamentos no papel. Mas você só pode refletir clara- me nte sobre esses pensamentos quando os separa do rápido fluxo do pensamento e os fixa numa forma escrita coerente. Em resumo, escrevemos para podermos pensar m elhor, lembrar ma is e ver com maior clareza. E, como veremos, quan- to melhor escrevemos, mais criticamente podemos ler.

1.3 Por que elaborar um documento rormal?

Mesm o sabendo que escrever é uma parte importante da aprendi zagem, da reflexão e da compreensão, alguns de vocês podem ai nda quere r saber por que preci sam transformar seu

for-

trabalho num ensaio ou rel atór io de pesq ui sa fonnai s. Essa

malização pode colocar um problema para estudantes que nào vêem ne nh uma razão para seg ui r um proce dim e nto d e cuja

12

A ARTE DA PESQlRSIt

criação eles não participaram. Por que eu deveria adorar uma linguagem que não é minha? O que há de errado com minha

linguagem, minhas preocupações? Por que não posso relatar

minha pesquisa do meujeito? Alguns estudantes chegam a achar

ameaçadoras essas exigênc ias: temem que, se tive re (ll de pen-

sar e escrever como seus professores, acabarão, de cert o modo,

se

tom ando iguais a eles.

ver com todos

os aspectos de sua vida. Uma educação que não afetasse quem

e o que você é seria ine fi caz. Quanto mai s profunda sua edu -

E sua preocupação é leg ítima, porque tem a

cação, mais ela o mudará. Por isso é tão

importante

escolhe r

c uidado sam ent e o que você estuda e com quem . Ma s

seria um

erro pensar que escrever um relatório de pesquisa ameaçaria sua

identidade. Apre nder a pesquisar mudará seu modo de pensar,

e nsinando-lhe mai s maneiras de pensar.

depo is de ter pesq ui s ado , {'arqu e será mai s li vre para esco lh er quem quer ser.

A razão mais importante para relatar a pesqui sa de um mo-

do que aten d a expec tat iva d os le itores tal vez sej a a de que

escrever para os outros é mais dificil do que escrever para si

m esmo. No momento em que você registra suas idéias por es- crito, elas lhe são tão famili ares, que você precisa de ajuda para

fos sem . O

neces-

s idades e expectativas de seus leitores. É por isso que os mode- los e planos padronizados são os recipi entes ma is apropriados

para suas descobertas e conclusões. Eles irão ajudá-lo a ver s uas

idéias à luz mais clara

se us le it ores, não ape nas para que você

tamb é m para aj ud á- I a s a crescer. lnvaria ve im ente, você en~ende me lhor suas impressões quando as escreve para torná-Ias aces- s ívei s aos outros, o rga ni zando s uas descob ertas para ajudar os leitores a ver explic itamente como você avaliou os fatos como

re lac ionou uma idé ia à o utra, como se a ntecipou às pe;gumas

e preocupações deles. Todo pesquisador recorda-se de algum mom ento em que, ao escrever para os leitores, descobri u uma falha , um erro, um a oportu nidade perdida, coisas que lh e haviam escapado num primeiro rascunho, escrito mais para si mesmo.

vê -Ias com o rea lmente são, não como gostaria q ue

,!,elhor q ue você tem a fazer nesse sentido é imaginar as

Você será diferente

do co nheciment o

e das expectati vas de teste tais id éias m as

PESQUISA, PESQUISADORES E LEITORES

13

Aqueles que pretendem partici par de uma comunidade que dependa de pesquisas tcrão de demonstrar que não só são ca- pazes de dar boas respostas a perguntas dificeis, mas também que conseguem infonnar seus resultados satisfaloriamente, ou seja, de modo claro, acessível e, mais im portante,familiar. De- pois de conhecer os modelos padronizados, você será mais exi- gente ao ler os relatórios de pesquisa dos outros, compreenderá

todos e será mais ca-

paz de criticar as exigências criteriosamente.

pesquisa, e nfim, é simplesmente

m elhor o que sua

com unidade espera de

Redigir um re latório de

uma questão de pe nsa r po r escrito. Assim, suas idéias terão a

a te nção que merecem . Apresentadas por escrito, estarão "ali", desvencilhadas de suas recordaçõcs, opiniões c desejos, prontas pard serem mais ampl am.ente analisadas, de senvo lvidas, combi - nadas e compreendidas, porque você estará cooperando com seus leitores em uma e mpreitada comum para produz ir um co- nhecimento novo. Em resumo, pensar por escrito pode ser mai s

meticuloso,

àqueles que têm pontos de vista diferentes - mais ponderado - do qup quase todas as outras formas de pensar. Você pode, é claro, si mu la r tudo isso, fazendo apenas o s u- fic iente para sat isfa ze r se u professor. Este livro talvez o ajude nesse sentido, mas, agindo 'assim, você estará enganando a s i mesmo. Se você encontrar um assunto que o interesse, se fizer wna pergunta que deseje responder, se descobrir um problema que queira resolver, e ntão seu projeto poderá ter o fascínio de uma hi stó ria de mi s tério , uma hi s tória c uj a s o lução d ará o tipo de satisfação q ue surpreende até mesmo os pesquisadores mais

experi entes.

sistemático, abrangente, comp leto e mais adequado

'.

Capítulo 2

Relacionando-se com seu leitor:

(re)criando a si mesmo e a seu público

A MAIOR PARTE DAS CO ISAS IMPORTANTES

QUE FAZEMOS, fa-

zemo s com o utras pessoas. À primeira vista , podemos p ensar que com a pesquisa é di ferente. Imaginamos um estudioso litário , le ndo e m uma bibl io teca sil enciosa ou tmbalhando um laboratório, cercado apenas por artefatos de vidro e com-

é tão repleto de vozes quanto uma

em

so-

putadores. Mas nenhum lu ga r

biblioteca ou um laboratório, e, mesmo quando parecemos tra-

balhar completamente sozinhos, trabalhamos para alcançar um

fim que sempre nos envolve em um di álogo com

Nós nos relacionamos com outras pessoas toda vez que lemos li v ro , u samos um a ap~ re lhage m d e pesqu i sa o u co nfi amos em uma fórmu la estatística. Toda vez que consultamos uma fo nt e, que nos reunimos com a lguém e, reu nindo-no s, partici-

um

os outros.

pamos de um di álogo que pode ter décadas, até m esmo los de idade.

sécu-

2.1 Diálogos entre pesquisadores

Exatamente co mo acontece e m sua vi da soc ia l, você, com o

pesquisador, faz jul game ntos sobre aqueles com quem troca idéias (como agora deve estar ju lgando nós três): Garcia pare- ce confiável. ainda que um p ouco previsível; Alhambra é agra-

dável. mas descuidada

no que d iz respeito às evidências que

apreseI/ta ; WalJace co l e ra bons dados . m as não COI/fi o em SilOS conclusões.

16

A ARTE DA PESQlRSA

Esses j ulgamentos, porém, não

são um a v ia de mão única -

você j ulgando suas fontes - porque elas já o julgaram, criando, em certo sentido, lima persona para você. As duas passagens

a seguir

fe

"criam" le itores diferentes, atribuindo -lhes ní ve is di-

rentes de conhec ime nto e experiência:

\

A regulagem da interação das proteínas contráteis acti- na e miosina no filamento fino do sarcômero. por meio de bloqueadores de cálcio, é agora um meio comum de controlar espasmos cardíacos.

2 - Seu músculo mais importante é o coração, mas ele

de espasmos

I -

não fun ciona

quando está acometido

musculares. Esses es pasmos agora podem se r contro-

lados por drogas conhecidas como bloqueadores de cá lcio. Os b loqu ea dores de cá lcio atuam sobre peq ue- nas unidades de fibras musculares c hamadas sarcô- meros. Cada sarcômero tem dois f il amentos, um g ros-

fino conté m duas prot eínas, a actina e a miosina intera-

gem, seu 'coração se contrai . Essa interação é contro-

lada pelos bloqueadores de calcio.

so e um fi no . O fi lame nt o actina e miosina . Q uando

o prim eiro trec ho le m bra um especia li sta esc reve ndo a ou-

tro ; o segundo , um médico ex pli cando cu idadosa mente idéias comp lexas a um paciente.

Seu texto refletirá não s6 os julgamentos que você fez sobre ~ conhecimento e a capacidade de compreensão de seus leitores, mas, mais importante ainda, o que você quer que eles ide ntifiquem como significativo em suà pesqui sa. E seus lei- tores o julgarão com a precisão com que você os julgar. Se cal-

cu lar ma l a quantidade de informações de qu e eles precisam , se apresentar suas descobertas dc um modo que não atenda aos

inte resses deles, você pe rde rá a prec isa para sustentar seu lado

Portanto, antes mesmo de dar o primeiro passo cm direção

a um relatório de pesquisa, você deve pensar no tipo de diálogo

que pretende ter com seus lei tores, no tipo de re lação q ue dese-

credibi li d ade de que todo auto r do diálogo.

\

PESQlRSA, PESQUISADORES E LEITORES

17

ja estabe lecer com eles, no tipo de relação que espera que quei- ram e possam ter com você. Isso significa saber não só quem são eles e quem é você, mas quem você e e les pensam que todos vocês devem ser. Você pode pensar qu e a res posta é ó bv ia: Eu sei quem sou,

e meu leitor é O meu professor, mas os pesquisadores estudan-

tes se mp re tra ba lh a m em ci rcunstânc ias co mplicadas.

pel, você parecerá diferente do que é em pessoa. E seus profes- sores , como le itores, reag irão de modo difere nt e de como rea- gem em classe. Coordenar tudo isso significa reconhecer: I) os diferentes papéis sociais que o autor c o leitor criam para si me smos e um para o outro e 2) os int eresses comuns qu e todo le itor e todo auto r compartilh a m.

No pa-

2.2 A ut ores, leitores e se us pap éis sociais

Suas decisões sob re si mesmo e scus le itores são bastan- te complicadas, porque trabalhos de pesquisa exigidos em sala

de a ul a criam silUaçõcs

seus primei ros proje tas, você talvez não O esteja fazendo por- que, na ve rdade , sente a prement e necess id ade de fo nnular um a p erg unta c uj a respos ta modifique o mund o. Por outro lado, é improvável que seu professor tenha lhe pedido para fazer a pes- qui sa po rqu e s inta a necess idad e premente de sabe r sua respos - ta. Você provavelme nte está escrevendo para atingir uma meta men os d ire ta: apre nd er sobre pesqu isa , representando o papel de p esqu isado r e imaginando o papel d e se u le itor.

esse é um de

obv iamente art ifi c iais. Se

Representar um papel não é uma parte insignificante do apre ndizado. As pessoas pode m aprender uma técnica de três mane iras : le ndo sobre ela ou ou vindo s ua exp li cação, observan- do e nquant o outros a praticam, ou prat ica ndo a técni ca p or s i

mesm as. O apre ndi zado m ais efi caz co mbina

ma s a terceira é dec is iva: nào bas ta ape nas ler, ouvir e obse r-

var -

é preciso fazer. E, um a vez q ue a pesqui sa é uma ativi -

dade soc ia l, prati cá- Ia signifi ca dese mp enhar um papel soc ial. Co m essa finalidade em v ista , se u re lató rio deve cri ar

papéis taOlo para você quanto para seu professor. Mas esses

as três alternati vas,

18

ti ARTE DA PESQUISA.

papéis não podem ser os da sala de aula, onde o professor fa:

perguntas para que você mostre que sabe as respostas, ou vo~e faz as perguntas porque não sabe as respostas. Em seu relata- ria você deve se converter em autor/pesquisador e dar a seu

d e~e~ia ,desejar ,

pr~fessor o papel

de um l e itor que deseja , ,?u

saber o que você descobriu. Na verdade, deve se Imàgmar tro- cando papéis com seu professor, você se tornando professor

de le, c ele, seu aluno.

2.2.1 Criando seu papel

Ao longo de toda sua pesquisa, imagine-se como alguém que possui uma informação ou afirmação bastante importante para ser passada a outros que possam querer conh:cê-Ia. Ima-

ginando isso, você deve representar o pape l .espe~lfico de um profissional da área. Se estive r num curso de biOlogia, por exem· pio, espera·se qu e tenha apontamentos c0';lplet~s sobre o ~uc ocorre no laboratório (incluindo erros e sltuaçoes sem salda)

e da mesma maneira como faria um pesquisador experiente,

r~late seus resultados de forma profissional. Se seu proj eto, num curso de história, for preparar seu histórico familiar, você deve consultar a literatura sobre as raízes étnicas e socioeco· nômicas de sua família, da mesma maneira que um historiador

profissional faria. Ou pode ser que lhe peçam para represen·

tar o papel de uma pessoa informada, que não seja um profis· sional " de dentro", mas exatamente o que você é: um estudan·

te escreve ndo se u primeiro rel atório de pesquisa em um cu rso

, Seu professor pode até mesmo dar informações detalhadas:

introdutório.

Escreva um histórico de sua família para o "Projeto Diver·

sidade ", com o parte da comemoração de

componha para arrecadação de fundos : seu histórico, jUllfa-

celllenário e de uma

mente com Olltros, será publicado nllma brochura diSlribuida

para mosuar a diversidade dos

estudantes deste campus.

peta associação de ex

alunos

PESQUISA , Pl:iSQfJISADORES E UrroRES

19

De acordo com essas infonnaçõcs, seus leitores não seriam hi s· toriadores profissionais, mas alunos em potencial e seus pais. Mas suponha que lhe sej a pedido para interpretar o papel de um pesq uisador que faz um relatório sobre a presença de toxinas num lago, para a diretora da Agência Estadual de Pro- teção ao Mci o Ambient e. Nessc caso , tal vez fosse convenien· te fazer uma pesquisa sobre essa dirctora. para descobrir quem ela é e como pretende usar seu relatório. No passado, ela esteve mai s li gada à política ou à c iência? Se a resposta for a segu n· da a lte rnati va, que tipo de ciê ncia? O relatório será para e la apenas, ou também para o governador? Ela precisa das infor· maçõcs para decidir o que fará no futuro, ou para justificar uma decisão que foi tomada? Em resumo, o primeiro passo no preparo de uma pesqui· sa ecompreender seu papel num determinado "palco". Por que lhe pediram para escrever o relatório? O que seu professor, curso ou programa querem que você aprenda com isso? Querem que você experimente o sabor da pesquisa, visando prepará-lo para se especializar em uma área, tornar·se um profissional? Ou ser'á que desejam dar aos alunos em busca de educação li· beral uma oportunidade de pensar muito sobre um assunto de sua própria escolha? Se você não souber, pergunte. Outra questão a considerar é como a aparência de seu relatório influi no papel que você representa nesse contexto social previsto. No trabalho de biologia, o texto deveria ter a forma de um relatório de laboratório, de um memorando ofi- c iai recomendando providências, ou de um sumário de dire to- ria? No caso do trabalho de história, você tem menos formas para escolher, mas deve procurar sabe r, por exemp lo, se pode elaborar a hi stória como uma narrativa na primeira pessoa, em que você fa lará de seu passado e do que descobriu sob re ele. Ou será que o trabalho deve ser um relato formal , na terce ira pessoa? Não comece sua pesqui sa antes de saber quais são suas opções quanto à forma do re latório.

20

2.2.2 Criando um papel para seu leitor

A ARTE DA PESQUISA

Seus leitores também devem desempenhar um papel, que você criará para eles. Considerando que seu professor talvez

seja seu principal leitor, você deve atribuir-lhe o papel ,de alguém que, se tiver bons motivos, irá se preocupar com seu'problema

de pesquisa e querer conhecer a solução. Ele também poderá

es tipu lar um papel para si mesmo - alguém " d a" especialidade, que espera que você escreva como os demais autores da área.

O u, o que seria mais dificil , e le poderia representar o papel de

um leitor comum que não tem conhecimento especializado da

área e seus métodos. Dependendo do pape l que ele se atribua,

co ncentrar- se e m diferentes aspecto s do rel a tó ri o. Como lei tor especia li za do, procurará c itações dos estudos cláss icos sobre

o assunto, fonnatadas corrctamente, e como leitor comum irá querer explicações claras, "cm linguagem simples", dos ter-

mos técnicos. Se você estiver redigindo uma tese para ser lida por uma banca examinadora, terá de pensar nos diversos pa- péis de maneira mais complicada ainda. Se você é um pcsquisador experiente, compreende como os leitores diferem uns dos outros, mas, se está escrevendo seu primeiro relatório de pesquisa, precisa saber que os le itores ado- tam papéis baseando-se no modo como usarão sua pesquisa. As diferenças mais importantes encontram-se entre os que lêem por diversão, os que querem uma solução para um problema prático e aqueles que se dedicam à pura busca do conhecimen- to e da compreensão. Para entender essas diferenças e corno afetam sua pesqui- sa, imagine três formas de diálogos sobre balões, dirigíveis e zepelins.

Por diversão. Esse tipo de troca de idé ias ocor re entre pes- soas que se reúnem para fa lar sobre ze pelins por passatempo. Para entrar no diálogo, você só precisa mostrar interesse pelo assunto e ter algo novo ou interessante para oferecer, como, por exemplo, uma carta do lia Otto, na qua l ele descreve sua viagem no primeiro zcpcli m a c ru za r O A tl â nti co e qual foi o

seu professor irá

PESQUISA, PESQUlStt.DORES E LEITORES

21

cardápio do jantar. O que está em jogo aqui é um momento de

diversão entre pessoas que gostam de falar sobre zepelins e tal-

enriquecimento pessoa l. Sua conver-

sa seria o tipo de trabalho que você escreveria e m uma aula de

redação, cm que se espera que o autor seja animado, com algo interessante, talvez engraçado para contar, que se concentre mais e m expor suas próprias reações do que em fazer uma aná-

lise imparcial do assunto. Como sua tarefa é compartilhar com

outras pessoas se u entusiasmo por um assun to que

e ntus iasme e oferecer algo que elas não conheçam e achariam

interessante, você deve consultar suas fontes, procurando histó-

rias divertidas, fato s

prático. Agora imagi ne um segundo diá-

logo, dessa vez com o pessoal do departamento dc relações publicas da Giganto Inc. Eles gostariam de usar um dirigível em uma campanha publicitária, mas não sabem quanto isso custaria, nem até que ponto seria eficaz. Então, contrataram

você para de scobrir. Pa ra sai r- se bem nesse diálogo , você pre- cisa etltender que há mais coisas em jogo do que meramente a satisfação da curiosidade. Será necessário responder à per-

g unta d a pesq ui sa de uma m aneira que aj ude o pessoal

resolver seu problema prático,fazendo a lgo: sc alugarem o di- rigível, aumentarão as vendas da Giganta? Esse é o tipo de pú- blico para o qual você poderá escrever, quando seu professor criar um roteiro "da vida real" para seu trabalho, ou seja, onde haja alguém interessado em usar sua pesquisa para resolver um

problema real , tangível,

dc RP

vez proc ure m ob ter a lgum

também as

estranhos e assim por di ante.

Por um motivo

pragmático. Se souber o que seus lei-

tores farão com suas respostas, você saberá que informações procurar, compreendendo que há outras com as quais não pre- cisa se incomodar - é improvável que o pessoal da G iganta quei-

ra sabcr quando foi inventado aque le artcfa to m a is leve que o

a r, ou se bi lidade

inte resse pe las eq uações usadas para a na li sar sua esta - aerodinâmica.

P a ra e nt e nd er. Finalmente, imag in e qu e s ua esco la tcnha um departamento de artefatos mais leves que o ar, tão impor- tante quanto o departamento de inglês ou de química. A facu!-

22

A ARTE DA PESQUISA

dade oferece cursos sobre dirigíveis, balões e zepeJins, pesqui· 53-OS e participa de uma troca de idéias mundial, publicando pesquisas a respeito dessas aeronaves. Desse diálogo partici- pam centenas, talvez milhares de pesquisadores. Alguns deles se conhecem, outros nunca se encontraram, mas tod~ lêem os me s mo s l ivros e periódicos. O objeti vo deles não é se div erti r (embora se divirtam) ou aj udar alguém afazer algo - ~omo me- lhorar a imagem de uma empresa (embora pudessem gostar de amar como consultores, pagos pela Giganta Ine.). O objetivo deles é propor perguntas, e responder a elas. sobre artcfatos mais leves que o ar, s ua hi stória, suas conseqüências soc iais,

a teoria e a Iilcratura a respeito do assunto. Eles determinam

o valor de seu trabalho não pelo que possam oferecer como fonte de entretenimento ou pela ajuda que possam dar a alguém, mas pelo que aprendem, pe lo co nh ecimento que adquirem a respe i- to de dirigíveis, p ela ava li ação de quanto conseguem se apro- ximar da verdade . Como conseqüência, esses estudiosos de artefatos mais leves que o ar estão intensamente preocupados com a qualida- de intelectual de seu diálogo: esperam que todos os participan- tes sejam objetivos, rigorosamente lógicos, fi éis aos fatos, ca- pazes de ana lisar as pergun tas de todos os ângu los, não impor- ta para onde a investigação os conduza ou quanto tempo lhes tome. Esperam que o diálogo focalize as complexidades, ambi- güidades, incertezas, os mistérios e, então, que apresente so lu- ções. Confiam nas pesquisas uns dos outros ao mesmo tempo em que competem entre si para produzir as próprias pesquisas:

desse modo, testam tudo antes de fazer seu relatório, porque o que mai s valorizam é fazer as coisas co~retamente, e porque sabem que a verdade é sempre parcial - incompleta e facciosa. Entendem que toda verdade apresentada é contestável e sen'l testada pelos outros participantes do diálogo, não exatamente por serem controversos (embora possam ser) ou mesmo cíni- cos (embora alguns sejam), mas porque desejam aproximar-se da verdade sobre dirigívei s. Tais leitores se interessarão por qualquer coisa nova que você tenha a dizer, mas vão querer saber o que fazer com a nova

PESQUISA , PESQUISADORES F. LEnORES

23

informação e de que modo ela afeta o que sabem sobre d iri- gíveis. Ficarão espec ia lmente interessados se você convencê- los de que não compreendem algo tão bem quanto imaginavam:

A maior parte das pessoas pensa que os arte/atos mais leves

que o ar originaram-se na Europa. no século XV/li. mas eu descobri um desenho do que parece ser um balão de ar quen-

te de quatro séculos anles, nllma parede, na América Central.

É de um diálogo desse tipo que você participa quando re-

lata pesquisas para uma comunidade d e estudioso s. Não impor- ta que seu estilo seja eJeganle (em bora isso me faça admirar mais seu trabalho), nào importa que você me conte histórias

divertidas (ainda que eu possa apreciá-Ias. se elas me ajudarem

a entender melhor suas idéias). não importa que o que você saiba me enriqueça (embora isso possa me deixar contente). Apenas diga-me algo que não sei, deforma que eu possa com-

preender melhor o que sei. Esses três tipos de leitores podem estar interessados em artefatos mais leves que o ar, mas o interesse de cada um no assunt? é di~erente. portanto vão querer que sua pesquisa re- solva tipOS diferentes de problemas: entretê-los, ajudá-los a so- lucionar algum problema , ou si mplesmente ajudá-los a com- preender melhor um assunto. Se essa for sua primeira incursão na pesquisa, você terá de descobrir o que está e m jogo no meio a que pertence. Se não souber, pergunte, porque esse requisito o levará a caminhos di- ferentes de pesquisa. Claro que no decorrer da pesqu isa você poderá descobrir algo que mude sua int enção: enq ua nto coleta hi s tória s engra- çadas sobre o desenvolvimento do zepelim, talvez descubra que a história oficial desse dirigível está errada. Mas, se você não tive r, desde o início , uma noção do que realmente pretende,

está arriscado a fi car perambulando sem rumo de uma fonte

de informações para outra, o que o conduzirá, e a seus leilo-

res, a

nenhum .

24

2.3 Le itores e seus pro bl emas

com uns

A ARTE DA PESQUISA

I

Dependendo do que esteja em jogo. leitores e autores re- p resentam papéis sociais diferentes, por trá s dos quai s ex istem preocupações comuns a todo leitor, assim comp problemas "

comuns a todo autor.

2.3.1 Leitores e o que você sabe sobre eles

Todos os

leitores comparti lham um interesse: querem ler

relatórios que apresentem o mínimo poss íve l de dificuldades desnecessárias. Podem apreciar a elegância e a vivacidade de

espírito, cipal d e

como é útil pensar no processo de redação de seu re latório co-

mo um caminho para um ponto de destino, ta mbem e útil ima- ginar uma trajetória se melhante para scus leitores, quc terão

você como guia. Eles que rem que sua introdução lhes indique para onde ir, e que você explique por que deseja conduzi-los po r esse caminho, que dê uma idéia da pergunta a que a jornada

responderá, que probl ema, Seus leitores também

pesquisa e as conclusões muda rão suas opiniões e convicções:

é assim que irão aferir a importância de scu trabalho. O que você pretende? Oferecer a leitores agmdecidos a solução de um proble ma que durante mu ito tempo eles sentiram q ue pre - ci sava m resolver, ou tentará vender uma solução a leitore s qu e, não só podem rejeitá-Ia, como tam~m, ta lvez, nem sequer queiram saber do problema? Todos os le itores projetam em um re latório d e pesqui sa os próprios interesses e concepções. Portanto, antes de redigi-lo, você precisa definir a pos ição de les c a sua em relação à per- gunta a que você está respondendo e ao problema que está resol- vendo. Se sua pergunta já é um assunto palpitante na comuni- dade, a maio ri a dos leito res a apreciará , an tes m esmo de você apresentá-la. Nesse caso, concentre-se em definir II posição deles em re lação a sua respos ta:

mas em primeiro lugar querem ente nder o seu trabalho e sa ber co mo você chegou a

ponto prin- e le. Assim ,

intelectual ou práti co,

se rá resolvido.

vão querer saber de que mane ira sua

PESQUISA, PESQUISADORES E l .En oRES

25

• Se conhecem a resposta, você os estará fazendo perder tempo.

Se acred itam em uma resposta errada, ou cm uma resposta certa pelas razões erradas, antes de mais nada você terá de demovê- los do eITO e, então, convencê-los de que sua resposta

é a corre ta, pe las razões co rretas - wna ta refa d ifíc il.

• Se eles não têm uma resposta, você está com sorte: só pre-

cisará convencê-los de que possui a resposta certa, e eles a

receberão, agradecidos.

Se, por outro lado, sua pergunta não for um assunto pal-

pitante, sua taTefa será mais complicada, porque a maioria dos

leitores não terá conhecimento de sua pergunta ou de seu pro-

blema, antes de você apresentá-los. Nesse caso, você precisará , primeiro, convencê-los de que sua pergunta é boa.

o

Alguns leitores, por qualquer razão, não terão nenhum inte- resse em sua pergunta, de modo que não se interessarão pela

resposta. Convencê-los a

interessar-se pela

pe rgunta poderá

ser um desafio maio r do que convencê-los de que você en- controu a resposta corre ta .

o

A l1g uns leitores poderão mostrar-se rece ptivos a seu problema

por perceberem que a solução os ajuda rá a e ntender melhor seus pró prios probl e ma s. Se for assi m , você es tará com so rte .

o

Outros leitores poderão rejeitar tanto sua pergunta como a resposta, porque aceitá-Ias desestabiliza ria convicções man- tidas há longo tempo . Poderiam mudar de idéia, mas apenas por boas razões, enfat ica mente expos ta s.

o

Fina lmente , a lguns le ito re s estarão tão e nt ri nc heirado s e m suas co nvicções, q ue nada os fará leva r cm consideração uma

nova pergunta maneira . Você

o u um ve lho probl ema tratado d e uma nova só po derá ignorá-los.

2.3.2 Leitores e o que você espera deles

Para entender seus leitores, portanto, você precisa saber qual é a posição dele s. Mas também precisa decid ir aonde de- seja levá-los e o qu e eles farão quand o chegarem lá. Pode ria se r um a· das alternativa s descritas a seguir, ou to da s e la s.

26

A AR71:,: DA PESQUISA

Aceitar um conhecimento novo. Se você oferecer aos

leitores apenas conclusões e conhec imentos novos, deverá pre- sumir que eles já tê m interesse pelo assunto, ou, então, dispor- se a convencê- los de que, tomando-se receptivos, só terão a lucrar. Se eles já tiverem interesse, apenas apresent~r as infor-

menos in-

mações será m enos trabalhoso, mas também muito

teressante e geralmente menos marcante. Vez por outra, um

pesquisador dirá: Aqui estão as informações que descobri. e espero que possam interessar a alguém. Os leitores já interes-

sados fi carão gratos,

ma s irão se interessar mais se o pe squi sa·

dor mostrar como os novos dados podem forçá-los a ocupar-se de uma nova questão, especia lmente se tais dados perturbarem sua ant iga maneira de pensar. Vamo s di zer que você po ss ua infonnaçõcs sobre tecelagem

tibetana do séc ul o X IX . Isso pode se r novo para se us leitore s, ma s você não t e m nenhum argumento diferent e além de : Vo cês provavelmente não conhecem este assunto. Tudo bem, mas me- lh or seria ima gi nar co mo sua nova informação poderia reque- rer que eles mudassem de opinião sobre o Tibete, a tece lagem ou até mesmo sobre o século XIX. Isso significa achar pergun-

quc seu novo co nhe-

c imento possa responder. No mundo d os negóc ios e do comércio, é comum um su- ' pervisor orientar os pesquisadores para reunirem e relatarem informações, mas essa pessoa normalmente quer as informa- ções para resolver um problema que elajá sabe que tem. Nesse caso, há uma divisão de trabalho: Você consegue as informações de que eu preciso para resolver meu problema.

ta s que possa m interessar aos leitores,

e

,

Mudar convicções. Você pedirá mai s de seus leitores (e si me s mo) se pedir- lhes não s ó que aceitem novos conhe·

de

c imentos, ma s também mudem conv icções arraigadas. Quanto mai s arrai~adas estive rem essas convicções, mai s difí c il se rá mudá-Ias. t assim que os leitores avaliam a importân cia da pes- quisa. Por exemplo, seria fácil convencer a maioria de nós de

que há exatamente 202 asteróides conhccidos, a uma distância de um quilôm ctro e mei o ou mai s, porque poucas pessoas estão

se pudéssemos ser convenc idos de

preocupadas com isso. Mas,

1

,

PESQUISA , PESQUISADORES E LErroRES

27

que esses 202 asteróides são restos de um planeta que um dia existiu entre a Terra e Marie e explodiu em uma guerra nuclear, teríamos de mudar muitas convicções sobre vários assuntos

importantes, o menor dos quais seria o número exato de aste· rÓides. Ao pensar na questão de que está tratando, pense tam· bém no impacto que pretende produzir na estrutura geral de convicções e conhecimentos de seus leitores. Quanto maior o impacto, mais importante será sua questão, e mais você terá de trabalhar para ser convincente. O fato doloroso, no entanto, é que mesmo pesquisadores experientes acham dificil prever até que ponto suas descobertas farão os le itores mudarem s uas convicções. E, mesmo quando conseguem, geralmente lutam para explicar por que os leitores deveriam mudar. Agora, uma coisa importante: Se você for um pesquisador iniciante. não pense que lera de salúfazer uma expectativa tão elevada quanto essa. No in ício, não se preocupe em saber se os resultados de sua Pfsquisa serão novos para os outros, se serão capazes de mu- dar a opinião de alguém, além da sua. Preocupe-se antes de mais nada em saber se o trabalho é importante para você. Se conseguir encontrar uma pergunta a que você queira respon- der, já será uma conqu ista importante. Se conseguir encontrar uma resposta que mude apenas o que voce pensa sobre uma porção de coisas, conquistou algo ainda mais importante - des- cobriu como novas idéias desestabilizam e reorganizam con- vicções estáveis.

Se você for um pesquisador experiente, porém, terá de dar

o próximo passo. Seus leitores esperam que você apresente um problema que não reconheçam como seu, mas também como

deles , um problema cuja so lu ção mudará a opinião deles,

modo que eles achem significativo. (Discutiremos esse requi- sito mais detalhadamente no Capítulo 4.)

Praticar uma ação. De vez em quando , os pesquisado- res pedem que os le itores pratiquem uma ação porque acredi- tam que a solução de seu problema de pesquisa poderá ajudar os leitores a reso lver um problema rea l. Às vezes isso é fá cil -

de um

28

A ARn" DA PESQUISA

um químico descobre como produzir gasolina não poluente e, então, tenta persuadir as companhias de petróleo a usarem sua fórmula.

pesquisa não

levarão a uma ação específica mas, sim, a uma conflusão que apenas mudará a co mpreensão de se us le ito res. NQ mundo da pesquisa erudita, entretanto, essa não é uma conquista despre- zível. No cômputo final, a importância da pesquisa acadêmica

depende do quanto ela abala e reorganiza convicções, não que- rendo dizer que essas novas convicções levarão a uma ação. Te nha em mente que praticamente todo pesquisador aca-

Mais freqü entemente, os resultados de sua

dêmi co

começa satisfazendo interesses. não de seus leitores,

mas os

seus próprios. Também esteja cie nte de que mesmo

pesquisadores experientes geralmente não podem, logo no co- meço, responder a perguntas sobre a importância de sua pes- qu is a. Por mai s pa radoxal que po ssa parece r, quase todos s6

compree ndem exatamente a terão para os o utros quando

se u relató ri o . Portanto, aqu i vai ma is uma palavra de conforto

para q uem es teja in ic iando se u prim eiro proj eto: quando você

parte de um interesse seu - como deve ser - provavelmente não sabe o q ue esperar de seus le itores, ou até de si mesmo. S6 descobrirá isso depois de encontrar uma resposta que o ajude

a entender me lh or a pergunta que deseja submeter à ap reciação de seus leitores. Mesmo então, seu melhor leitor talvez seja você mesmo.

importânc ia que s uas desco bertas termi nam o prime iro rascunho de

N odo é mais im portante poro o sucesso do pesqu i so do que seu

compromisso com elo . Algumas das pesquisas mais

mundo foram conduzidos por pessoas

ferenço , porque nunca duvidaram de suo próprio visão. Bárbara iVlcClintock, uma geneticista, lutou durante anos, sem reconheci' menta. porque suo comunidad e de pesquiso nõo considerava seu trabalho importante. Mos elo acreditou nele e fina lmente, quando o comunidade foi persuadido o fazer perguntas a que elo pode- rio responder, Bórbaro conquistou a honro mais alto da ciêncio : o Prêmio Nobel.

que triunfaram sob re o indi·

importantes da

1

I

I

PESQUISA , PESQUTSADORES J:: LEITORES

2.4 Autores e seus problemas comuns

29

Da mesma maneira que todos os leitores têm certas preo- cupações em comum, todos os autores enfrentam alguns pro- blemas iguais. O mais importante para os iniciantes é a dife- rença que a expe ri ência faz . Q u ando um au to r co nhece rea l- me nte uma área, interioriza seus métodos tão bem, que e capaz de fazer por hábito o que antes fazia apenas atraves de normas

prática começam um traba lho com a

intuição de qual será sua forma final e do que os leitores espe-

ram. Os menos experientes têm de pensar não só em seus

ass unto s e probl emas especí fi cos, ma s também d e fazer o que

o s auto re s ex pe ri e ntes fazem

para isso principalme nte que você se es força tanto, para apren· der a pesquisar mais, com menos desperdício de esforço. E essa e a meta deste liv ro: oferecer- lh e diret ri zes, li stas de con -

ferência e ve rificação e s ugestões rápidas para ajudá-lo a avaliar seu progresso e seus planos e, o que é mais importante, mos-

trar- lh e como pensar e escrever como um leitor: e m re sumo,

tomar cl aro o que os a u tores expe ri entes fazem intuiti vamente . Todo o mund o começa co mo n ovato, e q ua s e todo s n ÓS nos sentimos assim outra vez, ao começar um novo proj eto no

q ua l não estamos in te ira ment e confiantes. Nós três, os auto-

lembramo -n os de j á have r tentado redigi r conciusões pre -

liminares, conscientes de que nosso texto e ra impreciso e con-

fu so, porque era assim que nos sentíamos. Lembramo-nos de fi -

car simplesmente repetindo o que líamos, qu ando dev íamos es ta r ana li sando , sinte ti zando e c riti cando o tex to. Tivemos essa ex-

periência qu ando é ramos es tuda nt es, primeiro co mo alunos de faculdade , depois d e pós-graduação, e passa mos po r e la quase toda vez que começamos um projeto que exige que estudemos um assunto verdadeiramente novo. À medida que você adq uire ma is habilidade e experiên- cia, algumas dessas ansiedades são superadas. A prática compen- sa. Por que, então, uma vez que você tcnha "aprendido a pesqui- sar", não consegue livrar-se completamente da ansiedade? O fato é que aprender a pesquisar não é como aprender a andar de

res,

e re fl exão. Auto res com

intuitivamente . Mas e

claro que é

30

A A~ DA PESQUISA

bic icleta, uma habilidade

que você pode repetir cada

que expe rimenta uma

bicicleta nova. Pesquisar

envo lve alg umas h abil ida- des repetiti vas, mas, como os objelos de pesquisa são infi nitamente variados, e os modos de informar os res ult ados va ri am d e para área, cada novo pro-

area

Sobrecarg a cognitivo:

Algumas palavra s tranquilizadoras

As dificuldades que os pesquiso' dores iniciantes enfrenlçm têm me- nos o ver com idade óu realizo · çães do que com o experiência no

área estudada . Uma vez, um de nós explicava o alguns professores de redação jurídica que os pro- blemas de ser novato despertam uma sensação de insegurança nos novos estudan tes de direilo,

mesmo en tre os que eram

bons

reclotores antes de entrar na facul-

dade. No fim do converso, uma mulher comentou que, 0 0 iniciar o curso de direil:>, expe~imentaro al- guma sensoçao de Incerteza e con fusõo. Antes d o curso. elo fora professoro de antropologia, publi- cara um trabalho e fOfO elogiado pelos revisores pelo clareza e pelo vigor de seu texto. Então, decidira mud ar de carreiro e cur.sor a fa- culdade de direila. Segundo elo ,

escrevia de moneilO Ião incoeren te,

nos primeiros seis meses, que leve medo de eslor sofrendo de alguma doença degenerativo do cérebro. Não estava, é claro: simplesmente, experi mentavo um tipo d e afas ia temporória que aflige o maioria de nós, quando lenlomos escrever so- bre um oSS~Jnto que não domino'

mos. Nõo fOi de surpreender que, 00 começar o enleooer melhar os leis, passasse a pensor e escrever melhor.

vez

j eto traz cons igo pro bl e-

mas novos. A di fe re nça entre o esp ec iali s ta e o novato reside c m parte no fato de q ue o esp ec ia li s ta cOnlro la me lh or as téc ni -

cas repetitivas, mas, além disso, ele lambém conse- g ue prever me lh o r as ine- vitáve is in certezas e sup e- rá-Ias. Então, como você po-

de evitar a sensação de que

está sobrecarregado? Em primeiro lugar, to- me consciência das incer- tezas q ue inev itave lmente enfrentara. Esse deve ser

o objetivo da primeira e

rápid a le itu ra deste li vro.

Em segundo lu gar, do- mine o assunto que esco-

lheu, escrevendo sobre e le ao longo da pesquisa. Não se limite a tirar fo tocópias de s uas

fontes e sublinhar palavras: escreva resumos, críticas, pergun-

tas sobre as q ua is

mais esc rever, à

medida que avança, não importa quão esquematicamente o

re fl e t ir mai s ta rde. Q ua nto

PESQUISA , PESQUISADORES li lEiTORES

31

faça, mais confiante estará ao enfre ntar o intimidame primei- ro rascunho. Em terceiro lugar, mantenha sob controle a complexidade

de sua larefa. Todas

processo de pesqui sa afetam

as demais, portanto use o que aprendeu sobre cada parte, de

modo a dividir o complexo conjunto de tarefas em etapas ma-

nejáve is. Su pere

os primeiros estágios. e ncontrando um tóp i-

as partes do

co e

fonn ulando algumas boas

perguntas, e, então, seu trabalho

será

mais

e ficaz ma is tarde, quando você redigir o

rascunho e

rev isá -l o. Inve r sa m e nte, se pude r prever co mo fará

o ra sc unllO

e a rev isão, te rá maior e fi các ia na etap a de procurar um tó pi -

c o e formul a r um pro bl e ma. Pod e rá da r às tare fa s a a te nção que cada uma requ e r, se soube r com o coo rde ná-Ias, qu a ndo se

concentrar em uma em partic ular, qua ndo fazer

uma avaliação,

com o revisa r se us pl a nos e até mesm o quand o

alterá-los.

Em quarto luga r, conte com seu professor para ajudá-lo a vencer suas di f ic uldades. Bons professores querem que seus

a lu nos tenham s ucesso c p restam- lhes aj uda. .ryrais impo rtante de tudo, reconheça o problema pelo q ue ele é : suas d ificu ld ades não ind icam necessari amen te qu e você

tenh a fa lhas g raves . Para superar os p roblemas que tod os os iniciantes e nfrentam , faça exatame nte o que está faze ndo, o q ue todo pesquisador be m-sucedido sempre fez: vá em frente.

Sugestões úteis:

Lista de verificação para ajudá-lo

a compreender seus leitores

'-.

Embora você d eva pe nsa r em seu s le ito res des de o come- ço, não espere poder responder a todas as perguntas seguintes ' até estar próximo do fim de sua pesquisa. Portanto, plancje re- tomar a esta li sta de verifi cação algumas veze s, cada vez apri- morando mais o papel que irá criar pam seus leitores.

Como é sua comunidade de leitores?

1 - Seus leitores sào:

Profissionais da área de sua pesqui sa?

• Leitores comuns que têm:

- níveis

d iferentes de conhecimento e interesse?

r

PESQUISA . PESQ UISA DORES E LEITORES

Eles compreenderam seu problema/sua questão?

33

1

- Seus leitores reconhecem o problema que seu traba-

lho propõe?

2

- É o tipo de problema que e les têm, mas que ainda não reconheceram?

3

- O problema não é deles, mas seu?

4

- Levarão o problema a sério imediatamente, ou você pre-

cisará persuadi-los de que é importante?

5

- O probl e m a da pesquisa é m otivado por uma

dificul.

dade tangível c real, ou por uma difi culdade

intelec-

tua l, conceituaI?

Como eles reagirão a sua solução/resposta'!

- O que você espera que seus leito res façam como re- sultado da leitura de seu relatório? Que aceitem as no- vas informações, mudem ce rtas o pin iões, pratiquem a lguma ação?

2 r A so lu ção irá contradize r as op ini ões deles? Como?

- níveis semelhantes de conhecimento e interesse?

3

-

2 - Para cada g rupo uniforme de lei tores, rep ita a aná li- se que se segue.

4

O s leitores já têm alguns argumen to s padronizados contra sua sol ução?

- A so lução será apresentada isoladamen te, ou os leito - res vão querer conhecer as etapas que leva ram a e la?

o que seus leitores espera m que você faça por eles?

1 - Que os divirta?

Como seu relatório será recebido?

2

- Que os ajude a resolver algum problema real?

I

-

Seus leitores pediram seu relatório? Você

o e nviara

3 - Que os ajude a compreende r melhor algum assunto?

sem que s eja so li c itado? Eles blicação?

o e ncontra rão num a pu -

Quanto sabem seus leitores?

2

- Antes de atingir seus leitores

princ ipa is, seu relatório

1 - Nível de conheci mento geral

(comparado ao seu):

muito menor menor o mesmo maior muito maior 2 - Conhecimento do assunto em questão (comparado ao seu):

muito menor menor o mesmo maior muito maior

3 - Que interesse especial cles têm pelo assunto?

4 - Que aspectos do assunto esperam que você discuta?

prec isará ser aprovado por um intermed iário - seu su-

pervisor, o editor de uma publicação, um assistente de

diretor ou ad mini strador, um

3 - O s le it o res esperam que seu relatório obe deça a um

técnico especiali sta?

fo rmato padrão? Se for o caso, q ua l?

T

PA RTE II

Fazendo perguntas, encontrando respostas

Prólogo: Planejando seu projeto

SE voei':: LEU ESTE LIVRO UMA VEZ, cntão es pro nt o para ini c iar se u proj e to . Mas, antes de ir à biblioteca, faça um p la- nejamento c uidadoso. Se o trabalho que seu professor lhc indi-

cada etapa do projeto, novam ente, siga a s in s-

truções de seu trabalho, então retorne à Parte III antes de come- çar a redigir o rascunho. Se, por outro lado, você precisa pla- nejar sua própria pesquisa, até mesmo encontrar um assunto, poderá se ntir- se intimidado. Mas conseguira des incumbir- se da

tarefa, se executá- Ia passo a passo .

fórmula pronta para ori entar toda s as pes-

quisas: você terá de gastar algum tempo pesquisando c lc ndo, até descobrir onde ese para onde vai. Perderá te mpo em si- tuações sem saída, mas acabará aprendendo mais do que seu trabalho exige. No final, porém, o esforço extra irá compe nsar, não apenas porque você fará um bom relatório, mas também

porque

ve rá aumentada sua capacidade de lidar mai s e fi cazm e n-

te com problemas novos. Quando começar, leve e m conta que terá de considerar as seguintes ctapas ini c iai s:

cou define uma pergunta e especifi ca leia por alto os próx imos doi s capitulos

Não ex iste uma

Es tabeleça um tópico bas tante especi fi co para permitir- lhe dominar uma quantidade razoável de informações, não "a história da redação científica", mas "os e nsaios das A tas da Real Socieda de ( 1800- 1900), precursores dos mod ern os arti- gos científicos".

A ARTE DA PESQUISA

A

pa rt ir do assu nt o esco lhido , desenvolva pe rguntas qu e

irão

no

rtea r s ua pesq ui sa e o ri entar você para u m problema

q ue

pretenda resolver.

• Reúna dados relevante s para responder às pergun tas. De po is de cole tar os dados que respondam ~ m a iori a de suas perguntas, você terá, é claro, de organizá- los em form a de um a rgu me nto (o te ma da Part e III) e re di gi -los num ras- c unho (o tema da Pa rte IV).

co lc tando , ordenand o e re unindo s uas

À

med id a que for

in fo rm ações , escreva o

trabalho de redação se rá fa zer s imples anotaçõe s, ape nas pa ra

re gistrar

ra compreensão". fa ça descrições mostrando co mo há re lação entre

pantes, resumos de fontes de informações, "posições" e "esco-

la s", li stas d e casos re lac ionados, an ote as

laç ão ao que você leu, peque na parte dessas

e m se u rascun ho fi nal , é importante fazê- Ias, po rque escreve r sobre s uas fontes, à medi-

da que avan ça, ajudará vo -

cê a e nte ndê-Ias me lho r e estim ulará o dese nvol vi- mento de seu senso críti- co. Tomar notas também

o aj uda rá, quando chegar o mo mento d e sentar- se pa- ra começar seu primeiro rascunho. Você logo descob ri rá qu e não pode cum prir es- sas etapas na ord em exata em que as aprese nta mos. Perceberá que está esbo- ça ndo um sum ário antes de ter co letado todos os da- dos, formulando um argu- mento antes de ter todas

e ass im po r diante. A inda que ape nas uma ano tações prelimina res venha a aparece r

máx im o que puder. G rand e parte d esse

o q ue você encontrou, sem esquecer as " anotações pa-

em linhas gerai s, di agramas fatos apare ntemente discre-

co ntradi çõ es em re-

Quais sà o seus d ados?

Não imporlO o que óreQ peften- çom, todos os pesqu isadores usam in formações como evidências pa-

ro sustentar suas a firmações . Mos,

dependendo de suo óreo de oruo' ção. eles a tribuem nomes d iferen· tes às evidências. Uma vez q ue o

no me mbis comum é dados, ado-

toremos esse termo quando nos referirmos a qualquer tipo de infor' mo ção usa do nas d iversas Óreos .

O b serve q ue por dados estaremos

nos refe rindo a mais do que a i n-

for rnoçõe5 quontilo ti\.oUs, comuns nas

ciências naturais e sociais, embo-

ra o termo passo soar estranho aos

ouvi dos de pesquisad or es do óreo de ciências humanas.

r

I

I

FAZENDO PERGUNTA S, ENCONTRANDO RESPOSTAS

37

as p rovas, e, quando pensar qu e tem um argum ento que val e a pena , p ode rá descobrir que p rec isa vo ltar à b ibli o teca em busca d e m a is p rovas. Tal vez chegue mes mo a descobrir qu e precisa repensar as perguntas que formulou. Pesquisar não é um pro- cesso no qual pode-se ir de um ponto a outro de modo sim-

pl es, linear. N o enta nto , por mais indireto que sej a seu progresso,

você se sen ti rá

ma is co n f iante de qu e es tá prog red indo d e fat o,

se entender e administrar os componentes do processo.

Sugestões úteis:

Trabalhando em grupo

\

Sugerimos que você peça a seus amigos que leiam ver- sões de seu re latório, de modo a poder vê-lo como os outros

o vêem. Mas também pode acontecer de lhe pedirem para redi-

g ir um re lat óri o como parte de um trabalho em grupo. Nesse caso, você lerá pe la frente tanto oportu ni dades quanto des a- fio s: um grup o dispõe de mai s recursos do que alguém traba- lha ndo sozinho. mas, para tirar proveito dessa vantagem, pre-

cisa conduzir-se com muito cuidado .

Três aspectos fund a mentais do trabalho em grupo

Conversar bastante

o primeiro aspecto fundamenta l dos traba lhos em g rupo

é que os participantes devem conversar bastante e chegar a um

consenso sobre um plano de trabalho. Mais

caso de um autor isolado, o grupo precisa de um plano, e co n- versa r a respei to é o único modo de cri á-lo, acom panhar se u progresso e, o que é mais importante, mudá-lo quando o proje- to est iver mai s definido . Marquem reuniões regulare s, mante- nham conta tos telefõnicos sema nai s, troquem endereços, e-mail, façam tudo o que puderem para garantir que uns conversem

a inda do que no

com os outros sempre que houver oportunidade. Ant es de com eça r, ce rtifiquem- se de q ue o grupo es teja de acordo quanto as metas - a pergunta ou problema de que irá tratar, o tipo de afirmação que espera apresentar, o tipo de evi- dênc ias necessárias para sustentá-la . O grupo modificará e ssas metas à medida que os participantes compreenderem melhor

o projeto, mas desde o iníc io deve haver um entendimento sobre

FAZENDO PERGUNTA S, ENCOtvrRANDO

RES{~AS

39

isso. O grupo deve falar sobre os leitores - o que eles sabem,

o que acham importante, o que vocês esperam que eles façam

com seu rela tório. Finalmente, o grupo deve delinear as

para atingir as metas, estabelecendo o que cada um deve fazer

e quando. Para focalizar as discussões nas etapas do projeto, usem estes capítulos como guia. Ut ilizem as listas de verificação para trocar idéias sobre os leitores (pp. 32-3), para fazer per- guntas sistematicamente (pp. 50-4), reformulá-Ias em forma de um problema (pp. 68-77). Designem alguém para manter um esboço que esteja sempre atua lizado, primeiro como esbo- ço do tópico (p. 199), depois como esboço da argumentação (p. 140) e finalment e de seus pontos essenciais (pp. 200-20 1).

uma li sta

para reuni-lo s, manten ham um a re lação de fontes consultadas e ainda a se re m co ns ultada s, com anotações breves sobre a importância de cada fonte. Quanto mais os integrantes do grupo conversarem, mais facil idade terào para escrever juntos. Se, como é o caso dos três autores deste livro, os integrantes tiverem a mesma formação acadêmica, já trabalharam juntos e são capazes de prever as

opiniões uns dos outros, poderão conversar menos. Mesmo ass im, na redução deste livro. nó s trê s batemos recordes de te-

cen tenas de me nsage ns de e-mail e nos

reunimos uma dúzia de vezes (em certas ocasiões, dirigindo mais de cem quilômetros para fazer isso).

etapas

Se o projeto e nvo lver muito s dados , estabe leçam

lefonemas, trocamos

Concordar para discordar e depois para concordar

Estar de acordo é esse ncial , mas não esperem que o grupo

concorde unanimemente sobre todos os assuntos. Podem espe- rar di vergê nc ia s sobre deta lhes, às vezes bem 11umerosas. Reso l-

v idas essas di ve rgê ncia s, poderão s urg ir as me lho res op in iões do g rupo , porque vocês terão de se r explícitos quan to àqu il o em que ac red itam e por qu ê. Por outro lado , nào há nad a que

impeça mai s o progresso do que a lgué m

fi car ins istindo em sua

40

A AR7E DA PliSQUISA

versão, em incluir s ua parcela de dados. Se a prime ira

trabalho em grupo é conversar bastante, a segunda é manter as

di ve rgên c ia s em e quilibri o. Se o desa co rdo for

que não r e present e m um imp acto s ignifi c ati.vo do trabalho. é melhor esqueçer. Guardem sua mtranS!gen cl3 para

regra do

so bre que ~tões

sob.re~ cO ~Junto

questões de principio ético ou de acordo fundamental.

Organizar~se como equipe. com um líder

o grupo deve pedir a alguém para atuar como moderador, agilizador, coo rd enador, organi zador. Essa fun ção recebe nomes diferentes, mas a maioria dos grupos precisa de algué m para manter o c umpriment o do cronograma, indagar sobre os pro-

g

ressos , mediar as di scu ssões e, quando o grupo

parecer trava-

d

o, decidir qual ca minho seg uir . Os int eg rante s d o

alternar-se nessa função, ou uma pessoa só pode exerce-Ia du- rante to d o o proj eto. O resto do grupo s impl esm e nt e co ncor- da qu~,depois de um extenso debate, é o moderador/agiliza-

com a qual todos concordam,

dor quem toma uma dec isão, antes de seguir em frente.

Três estratégias para trabalhar cm grupo

A seguir, veremos três maneiras de os grupos organizarem

a lguns dos ri scos que cada um a delas oferece.

grupos cost uma combi~ ar as es trat égias qu e se

se u trabalho e

A mai o ri a d os

ajustem melhor a sua situação em particular.

Dividir, delegar e ir à luta

Esta es tratégia ex plora o fato de que um grupo tem mais habilidades do que um indivíduo. Tudo vai melhor quando os integran tes têm experiências e talentos diferentes, e o grupo div id e as tarefa s para fazer o melhor uso de cada um . Po r exe rn -

FAZENDO PERGUNTA S,

ENCONt RANDO RESPOSTAS

41

pio, um grupo que trabalhe numa pesquisa sociológica pode decidir que duas pessoas são boas para reunir dados, outras duas para analisar esses dados e produzir gráfi cos, duas mais

par a redigir o rascunho, e qu e t odas participarão da ~d~çào e

revi são do tex to . Es ta es tratég ia depende de cada partI Cipante

reservar tempo suficiente para seu trabalho, na seqüência em que esse tiver de ser feito . Se os outros tiverem menos que

fa zer num d eterminado mo ment o, poderão exec utar o utro s

tipos de trabalho, de acordo com as necessidades.

O uso menos proveitoso dcsta estratégia é dividir o doc u-

mento e m partes para cada participante pesquisar, organizar,

fa

ze r o rascunho do texto e rev isá-lo. Isso só funcio na qu ando

as

partes de um relatório são relativamente independe ntes. Mas.

mesmo assim, alguém terá de cuidar de reunir todas as partes,

e isso poderá ser um trabalho desagradável, especialmente se os pa rticipantes do grupo não consultaram uns aos outros ao longo do caminho. Não importa como o grupo divida o trabalho: uma gran-

admini stração torna-se neces~á.ria,porque o

de capacidade de

m a ior perigo é a fa lta de coo rden ação. Caso dI v Idam as tare-

participant es devem sempre co nversar sobre

o que es tão fazendo e de ixa r perfe itamente cl a ro quem tem a ob ri gação de fazer o qu ê. Então , co loqu em es sas detc nn ina- ções no papel e entreguem uma cópia a cada um.

fas ou partes, os

Escrever lado a lado

E m alguns grupos, os integra nt es participam de todo o

trabalho , at uando lado a lado du rante todo o processo. Esta

estratégia func io na melhor quando o grupo é te unido, trabalha bem em conj unto c dedi ca

tare fa - p or exe mpl o, um g rupo de estudantes d e enge nharia

de um proje-

que dedicam doi s se m estres ao dese nvo lvi m e nto

pequeno, bastan- bastante tempo à

to. A desvantagem e que a lgumas pessoas ficam pouco à von- tade p ara fa lar sobre id é ias in comp leta s antes de defini - las por

escrito. Out ras podem ac ha r a in da mais in cômodo eomparti-

42

II AR1'E DA PESQUISA

lhar rascunhos e textos não revisados. Os participantes de um g rupo que usa esta estratégia devem ser tolerantes uns com os outros. O que costuma acontecer é que a pessoa mais confian- te do grupo ignora os sentimentos dos outros, domina o pro-

cesso e inibe o progresso.

~ "

Trabalhar em turnos

Em alguns grupos, os participantes trabalham em conj un-

to durante todo o

texto e o revisam e m turno s, de modo a fazê- lo evoluir para a

versão final como um todo. Essa estratégia é eficaz quando os

participantes di vergem sobre o que é impo rtante, mas suas di-

vergências comple me ntam-se

Por exemplo, num ,.grupo envolvido num trabalho sobre o Álamo, uma pessoa pode se interessar pelo choque de cultu-

ras, outra pe las co nseqü ências políticas e um a terceira pe lo

papel da narrati va na

trabalhar a partir das mesmas fontes, mas identificar aspectos diferente s do as su nto como o s ma is importantes. Entretan to , depois de compartilharem o que descobriram, revezam-se na redação da s ve rsõe s de um tex to único . O primeiro redator c ria um rascunho in compl eto, mas com estrutura sufic ien te para qu e os outros veja m o es boço do argumento e o amp li em e reor- ganizem. Cada parti c ipa nt e, então , em s is tema de reveza men- to, encarrega-se do rascunho, acrescentando e desenvolvendo as idéias que lhe pareçam mais importa ntes. O grupo concor- da que a pessoa que esteja trabalhand9 no texto no momento seja seu "dono", pode ndo, portanto, fazer as mudanças q ue achar necessárias, desde que essas mudanças refli tam a inter-

pretação do gr upo

cu ltura popular. O s parti cipan te s podem

d ese nvo lv ime nto do

projeto, ma s redigem o

em vez de se contradizere m.

como um todo.

fina l pare ce rá ate nd er a prop ósi-

tos contraditórios, seguindo um caminho e m ziguezague, indo de um interesse incompatí vel pam o utro. U m g rupo que trab a- lha pelo sistema de turnos precisa estar de acordo sobre a meta final e a forma do todo, e cada integrante deve respeitar c acei- ta r as perspectivas dos outros.

O ri sco é qu e o produto

FAZENDO PERGUNTAS, ENCONTRANDO RESPOS TA S

43

Pode ser que seu grupo ache que pode usar uma estraté- gia diferente em cada fase do trabalho. Por exemplo, no início do plancjamento, ta lvez vocês que iram trabalhar lado a lado , pelo menos até definire m o sentido geral do problema. Para a coleta de dados, vocês poderão achar mais eficaz irem à luta

rev isão , poderão qu e re r li vro, mi sturamos as es-

tratégias. No iníc io, trabalhamos lado a lado até termos um esbo-

ço. Desenvolvemos então capítu los separados e voltamos a tra- balhar lado a lad o, qu ando nosso progresso ex ig iu, e sentimos que precisávamos revisar nosso plano (o que aconteceu três vezes, pelo me nos). Na maior parte, e ntretanto, dividimos o trabalho, para que cada um redigisse capitulas independentes.

turn os, e o bem pouco

se parad am e nt e. E, nas fa ses finai s da trabalhar cm turn os. Ao escrever este

Quando o tex to fi co u completo, traba lham os e m resultado foi que muitos capítulos assemelham -se aos o riginais redi g idos por um ou outro de nós.

O traba lho cm grupo é dificil, c às vezes duro para o ego,

mas também pode ser altamente compensador.

Capítulo 3

De tópicos a perguntas

usar seus inte resses para

encontrar um tópico, res tringir esse tópico a uma dimensão controlável e, então, elaborar perguntas que serão o ponto cen- trai de sua pesquisa. Se você é um estudante avançado e te m dezena s de tó pi cos aos quais gosta ria de se dedicar , pode

pular para o Ca pítul o 4.

primei ro projeto, ac hará

No entant o, se está começando seu este capítulo bastante útil.

Neste capítulo, você verá como

3_1 Interesses, tópicos, perguntas e problemas

SE VOC~ TEM LIBERDADE para se

d ed icar a q u a lqu er tó p i-

co de pesquisa que o interesse, isso poderá ser frustrante - tan- tas esco lh as , tão pouco tempo . Esco lher um tópico, e ntreta nto , é o primeiro passo; portanto não pense que, tendo encontra- do um, você só precisará procurar informações e relatar o que enco~trou. A lém de um tóp ico, você prec isa enco ntrar um a ra-

zào (i ndependente daquela de c ump rir sua tarefa) para dedicar semanas ou meses pesquisando sobre ele e, então, pedir aos leito res que gastem tempo le ndo a respe ito dele. Pesqui sadores faze m mais do que eavar in formaçõe s e re-

latá - Ia s. Usa m essas informações para responder à pergunta que seu tópico inspirou-os afazer. No princípio, a pergunta pode

ser inter essa nt e apenas pa ra o pesq ui sa dor: Abraão Linco ln era bom e m matemáti ca? Por que os gatos esfregam o foc inho na s pessoas? Existe mesmo algo como um tom de voz perfeito ina- to? É assim que as pesquisas ma is significativas começam - com uma comichão inte lectual que apenas uma pessoa sente, levando-a a querer coçar-se. A uma certa altura, porém, o pes- quisador tcm de decidir se a pergunta e sua resposta serão sig-

apc na s, ma s fin a lmen-

te para o utros: um professor, colegas, uma comunidade intei- ra de pesqu isadores. C hegando a esse ponto, ele prec isa encarar sua tare fa de ma- ne ira d iferente: deve ter como objetivo não só enco ntrar res-

nificativas, de inici o para o pesquisador

46

A ARTE DA PESQUISA.

posta para uma perg unta, mas propor e resolve r um problema

acharão que val e a pe na

s~r.reso lvi d o. Ess a pal a vra " prob le ma" , n o e ntan t o , t e m um s i g-

qu e, a se u ver, Qutras pe ssoas também

mflcado Ião espe cia l no mundo da pesquisa,

que é o assunto

do,próximo .c~pítulointe iro. Levanta questões

q\le poucos pes-

qUIsadores Inic iantes e stão preparados para resolver inteira-

mente, c que podem perturbar até mesmo um pcs'quisador mai s experi ente. Po rtanto, não se sinta intimidado se no princípio não

o utro s julga -

de ser reso lvi do. Mas você ne m sequer c hegará a

esse ponto, a não ser que se es force para achar em seu tópico

qu es tão que pe lo m enos você co nsid e re que val e a pena propor.

Nes te ca pítulo , foca li zare mo s os passos qu e condu ze m à formulação de uma pergunta de pesquisa. Como transfornlar um interesse em um tópico de pesquisa? Como encontrar per-

uma

p.uder : ncontrar em se u tópico um problema qu e

nam dig no

guntas se va le

o pont o de v is ta do pesqui sad or ape nas, m as também d os le i- tores? O proce sso é o seguinte:

que possam o ri e nt a r a pesqu isa? Depois , com o d ec idir a pe na dedi car- se a essas pe rguntas e respostas, não so b

I

2

-

-

3 -

4 -

Encontrar um interesse numa ampl a á rea temática.

Restring ir O interesse para um tó pico pla usível.

Q uestionar esse tópico sob diversos pontos de vista . De finir um fundamento lógico pa ra o projeto.

No próximo capítulo abo rdare mos uma questão ma is pe rturba- dora, a de converter perguntas em um problema de pesquisa.

3.2 De um interesse a um tópico

Pesqui sa d o res expe ri e nt es tê m im eresses m a is d o qu e s uo fl Cle ntes a qu e se dedi car. Um interesse é s impl es me nt e uma

área gera l de inves ti ga ção qu e go stari a mo s d e ex plorar. A s fa- v~rit.as d e n ós tr ês atu a lm e nt e s ão : s o c i e d a d e e lin g u age m , coe-

re~cla e cogni ção tex tuai s, ê tica e p esq u isa . Mas, qUIsadores inic ia ntes tam bém te nh a m interesses, às

difi eil local izar cntre e les um tópico ad eq ua do à pesqui sa aca-

e mbo ra pes -

vezes ac ha m

eq ua do à pes qui sa aca- e mbo ra pes - vezes ac ha

f"'AZENOO PERGUNTAS,

ENCONI'RANDO RESPOSTAS

47

dêmica. Um tópico é um interesse específico o bastante para

servir de base a uma pesquisa que possa ser relatada de mane i-

ra plau s ível e m um li vro o u arti go que

luir em co mpreen são e maneira de pe nsar : os si nais lingüí sti -

cos de muda nça soc ial

rote iros mentais na criação de coerência do leito r, atê que po nto

a pesquisa atual é motivada por pagamentos feitos por baixo

dos panos. Se você está livre para estudar qualquer tópico dentro do razoável, só existe um c1ichê q ue pode mos lhe oferecer: come-

ce pe lo qu e o

rá mais para a qua lidade de seu trabalho do que saber que vale a pena dese nvolvê -lo e comprometer-se com e le. inicie relac io- nando quatro ou c inco áreas sobre as quai s gostaria de apre n- der mai s, então esco lha uma que ofereça o m elh or po te ncia l para produzir um tópico que seja específico e que possa con-

duzir a

ça do, é prováve l que s e lim ite a assun to s q ue int e ressem a pes- soas de seu campo de estud o, mas sempre é possível encontrar outro~,consultando alg um livro didático recente, conversando com outro estudante ou com seu professor. Você até pode ten-

tar ide nti fica r um inte resse qu e fo rn eça um tó pi co para um tra-

balho de o utro c urso, agora ou no futuro. Se ainda está confuso, aqui vai uma maneira de garimpar temas: se este é seu prime iro proj eto de pesqu isa em um c urso de redação, procure na sala de leitura de sua biblioteca uma fon- te bibliog rá fi ca geral o u um índi ce bibli og rá fi co (di scutiremo s esses recursos ma is detalhadamente no Cap ítulo 5 e nas "Su- gestões úteis" subseqüentes). Se você é um estudante avança- do , tente enco ntrar um índi ce es pec ia li zado e m se u ca mpo d e estudo, como, por exemplo, um índice sobre psicologia, sobre filosofia, e ass im po r di ante. Então, corra os o lhos pelos títul os atê enco'ntrar um que atraia seu inte resse. Esse títul o não só forn ecera um poss íve l tópi co, mas tamb é m um a li sta de fo nt es. Se está red ig ind o seu pr im e iro re latór io de pesqui sa em um determinado campo e ainda nào definiu um tópico, você poderá ir à bibli oteca p a ra descobri r ond e estão as me lh ores f O I1 -

ajude m o utros a evo-

n a Ing laterra e li sab eta na, o p apel dos

in teresse ma is pro funda me nt e. Nada co ntribui -

boas fonte s d e dados. Se você está e m um c urso avan-

48

A AR71i DA PESQUISA

tes a respeito. Se escolher o tópico e, depoi s de uma busca con- sideráve l, descobrir que as fontes são escassas, terá de reco- meçar. Ao identificar as areas com recursos promissores, des- cobrirá os pontos forte s e fmcos de sua biblioteca, o que sig-

nifi c a que pode rá pl a nejar O

cu id adosamente. (Se você está realmente confu so>procure mai s

o ri e ntaçõe s e m "Su ges tões útei s", no final d este cap ítulo .)

proj e to a~al e os futuro s m a is

3.3 De um tópico amplo a um específico

esco lh er um tópi co tão

geral quanto o subtítulo de um verbete de enciclopédia: "Vôo

difí ce is de "; "Espé-

cies naturais, doutrina das", É provável que um tópico que possa

ser definido em menos de quatro ou cinco palavras seja geral

dem a i s. Caso en co ntre~se mai s especifico:

espacial, hi stória do"; "S hakesp ea re, peças

A esta altura, você co rre o ri sco de

diant e d esse tipo d e tópico, to rne~o

o Ii vre~arb itri o e a in evi ta bi li ~

O co m bate

e nt re o livre-arbitrio

dad e

hi s tórica

em

G uerra

e

e a inev itab ilidade his tó rica na

Paz, de T o lsto i.

 

desc ri ção de três

batalhas e m

 

Guerra e Paz, de Tolstoi.

A

hi s tória da aviação comerc ial.

A contribuição do Exérc ito para

o

desen vo lvime nto dos 'OC-3 nos primeiros anos da aviação comercia l.

R estring imos esses tópi cos, modi ficando-o s com o ac rés-

cimo d e palavras e frases. Nos exe mpl os ac im a, acrescentamos

combate, descrição, contribui-

substanti vos são especiais por-

que cada um deles está relacionado com um verbo: combater, descrever, COllfribuir e desenvolver. A ce rta altura, você terá

quatro substantivos especia is:

ção

e desenvolvimento. Esses

frase que designa um tó pi co - " li vre-arbítrio

hi stóri ca cm Tol stoi ", " hi s tória da aviação

come rcial" - para uma fra se que estabeleça uma afirmação

de passar de uma

e in ev itabilidade

FAZENDO P/;'RGUNTAS, ENCONTRANDO RESPO!>TAS

49

potencial. Se você restringir seu tópico usando substantivos derivados de verbos, estará a um passo de uma afirmação que pode ser desafiadora o bastante para despe rtar o inte resse de se us le itores. Co mpare es te s exe mplo s:

Li

vre -a rbítri o e in evitab ilidade

tanto

li vre-a rbí tr io

quanto

hi

stóric a e m Guerra e Paz, de

-+

in evitabilid ade

hi stóricll

em

Tolstoi.

o combate e ntre o li vre- lIrbí-

trio e a inev itabi lid ade hi stó ri -

ca na descrição de três ba ta lh as em Guerra e Paz, de Tolstoi.

Guerra e Paz, de Tolstoi .

Tol stoi descre l'e três batalhas d e um modo que faz o li v re-ar- bítrio combater a inevitabilida-

de hi stórica.

A hi stó ri a da av iação comercial.

A aviação comercia l tem um a história.

A cOlltribuição do Exercito no

O

Exé rci t o contribui" na mll -

desenvolvimento dos DC -3

nos

neira pela qual os DC-3 se de-

primeiros a nos da av iação

co-

seltvolveram nos primeiros anos

merciaI·

da aviação com erc ia l.

Essas pod em ainda nã o se r afirmaçôes parti c ul a rm e nte in-

tere::;sant es. Mas , uma vez qu e va i e labo rar se u projeto fi nal a partir de uma ri e del as, você deve, desde o princípio , aprovei-

tar todas as oportunidades para co nseg ui r os tipo s d e ::;:firma- ções de que eventualmente preci::;ará.

A va ntagem de um tó pi co específico e qu e você reconhe-

ce ma is fa c ilme nte os prob lemas, lacunas e inconsistências que poderá questionar. Isso o ajudará a transformar seu tópico em um a pergun ta de pesqui sa. (Se seg uir nossa sugestão, de co- meçar com um índice ou resumo, se u tópico já será restringi- do pelo título.)

C uidado: você pode limitar demais seu tópico quando não consegue encontrar fo ntes com fac i\idade.

50

Ao ARTE DA PESQUISA

A histó ria da aviação comercial

O apo io milita r ao dese nvolvi me nto dos D C-3 nos prime iros anos da aviação comercial americana

A decisão de prolongar a extremidade das asas no 'protótipo do DC-3 como res ultado do desejo mili ta r de u sar os,OC-3 como transportadores de carga

3.4 De um tópico especifico a pergunta s

Tendo encontrado um tópico que pareça tonlo interessan-