poetas da escola

(...) o poeta se aproxima da criança, que vê o mundo com olhos virgens e que, por quase nada saber, está aberta ao mistério das coisas. Para a criança — como para o poeta — viver é uma incessante descoberta da vida.
Ferreira Gullar

Cenpec Fundação Itaú Social Ministério da Educação

Apresentação
Bem-vindo à Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro! Ela é resultado da parceria entre o Ministério da Educação (MEC), a Fundação Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). A união de esforços do poder público com a iniciativa privada e a sociedade civil visa um objetivo comum: proporcionar ensino de qualidade para todos. O MEC encontrou no Programa Escrevendo o Futuro a metodologia adequada para realizar a Olimpíada — uma das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação, idealizado para fortalecer a educação no país. Este Caderno do Professor vai ajudá-lo na preparação dos seus alunos para a Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. É uma ferramenta que poderá ser incorporada ao dia-a-dia escolar, contribuindo para que os alunos escrevam textos cada vez melhores e ampliem o domínio da leitura e da escrita. O tema proposto para o concurso é “O lugar onde vivo”. Escrever sobre a comunidade onde se vive estimula novas leituras, pesquisas e estudos, proporcionando um outro olhar sobre a realidade e uma perspectiva de transformação social. O envolvimento de todos na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é fundamental para ampliar e enriquecer o trabalho nas nossas escolas e para que sejam produzidos melhores textos por crianças e jovens dos vários cantos do Brasil. Desejamos a você um ótimo trabalho! Cenpec Fundação Itaú Social Ministério da Educação

Copyright © 2008 by Cenpec e Fundação Itaú Social Coordenação téCniCa Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária – CENPEC Créditos da publiCação Coordenação Sonia Madi Autora Anna Helena Altenfelder Colaboradoras Beatriz Cortese Dileta Delmanto Maria Antonieta A. R. de Oliveira Maria Aparecida Laginestra Maria Tereza A. Cardia Regina Andrade Clara Zoraide Faustinoni Silva Leitura crítica Isabel Cristina Santana Edição Adriano Quadrado Organização da publicação Alice Lanalice Projeto gráfico e capa Criss de Paulo e Walter Mazzuchelli Ilustração Criss de Paulo Editoração e revisão AGWM Editora e Produções Editoriais

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Altenfelder, Anna Helena Poetas da escola / Anna Helena Altenfelder. São Paulo : Cenpec : Fundação Itaú Social ; Brasília, DF : MEC, 2008. Bibliografia. ISBN 978-85-85786-69-4 1. Olimpíada de Língua Portuguesa 2. Poemas 3. Poesias escolares brasileiras 4. Textos 5. Versos escolares I. Título. 08-00402 Índices para catálogo sistemático: 1. Olimpíada de Língua Portuguesa : Escolas : Educação 371.0079 CDD-371.0079

Contato Rua Dante Carraro, 68 05422-060 — São Paulo — SP Telefone: 0800-7719310 e-mail: escrevendofuturo@cenpec.org.br www.escrevendofuturo.org.br

Professor,
Você está recebendo este Caderno do Professor — Orientação para produção de textos porque se inscreveu na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. O conjunto de cadernos é composto por Poetas da escola (4 a e 5a séries do Ensino Fundamental ou 5o e 6o anos do Ensino Fundamental de Nove anos — Categoria I), Se bem me lembro... (7a e 8a séries ou 8o e 9 o anos do Ensino Fundamental de Nove anos — Categoria II) e Pontos de vista (2o e 3o anos do Ensino Médio — Categoria III). Aparentemente é apenas um concurso de textos, mas, na realidade, a Olimpíada constitui uma estratégia de mobilização que oferece aos professores oportunidade de formação. Apostamos na idéia de que os professores possam vivenciar uma metodologia de ensino de língua que trabalha com gêneros textuais por meio de seqüências didáticas. Essa metodologia, anteriormente adotada pelo Programa Escrevendo o Futuro, tem despertado o interesse dos alunos e melhorado os textos que eles escrevem, tornando evidentes sua evolução e conquistas. A Olimpíada inclui os participantes numa rede de conhecimento, oferecendo publicações periódicas com análise e divulgação dos textos dos alunos e dos relatórios dos professores. A rede também inclui uma comunidade virtual de aprendizagem e cursos on-line. O ponto de partida é o roteiro de atividades deste Caderno. Ele foi preparado com muito cuidado e utilizado por milhares de professores e alunos de todo o país. Convidamos você a mergulhar neste material e a preparar a realização das oficinas que se seguem. Explore bem o Caderno antes de iniciá-las. Veja quanto tempo você vai precisar para realizar cada uma delas. Faça um plano de trabalho. Você ficará satisfeito em descobrir que muitos dos conteúdos didáticos abordados nas oficinas estão contidos no seu planejamento anual. Portanto, é importante desenvolver as atividades com todos os alunos da classe. Poderão ser incluídas atividades e feitas adaptações de acordo com as necessidades e oportunidades que surgirem. Mas recomendamos que a ordem das oficinas seja mantida, porque elas estão organizadas numa seqüência didática. Nessa Olimpíada, não estamos em busca de talentos, nosso propósito é contribuir para a melhoria da escrita de todos os alunos das turmas participantes. O que importa é que cheguem ao final dessa caminhada sabendo se expressar no gênero estudado. Isso fará do aluno um cidadão mais bem preparado. E é você, professor, que possibilitará essa conquista. Antes de começarmos, mais um recadinho: no final deste Caderno há um texto chamado “Para saber mais ainda”, no qual você pode encontrar as concepções de língua, ensino e aprendizagem em que este trabalho se apóia. Bem-vindo à Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Um ótimo trabalho para você e sua turma!
Equipe da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro

Sumário
Sobre poemas e poetas

Introdução

8

4 Memória de versos

• Ampliar o repertório dos alunos

21

com a apresentação de novos poemas.

• Resgatar e valorizar a cultura da comunidade.

1 Mural de Poemas

• Planejar o Mural de Poemas. • Resgatar a experiência dos alunos com poemas. • Conhecer o repertório de poemas dos alunos. • Reconhecer os poemas em suas diversas formas.

11

5 Os clássicos

• Conhecer poemas consagrados da
literatura brasileira.

25

2 O que faz um poema
• Conhecer as características do
poema: rimas, versos e estrofes.

15

6 Rimando

• Identificar rimas em poemas. • Criar rimas.

29

3 Primeiro ensaio

• Apresentar a situação de produção. • Pedir aos alunos que escrevam um
poema para avaliar o que já sabem.

19

7 Sons e quadras
repetição de versos.

• Identificar rima, aliteração e • Criar quadras.

33

8 Poeta do povo

• Escrever acrósticos. • Trabalhar com poema popular.

39

12 Nosso poema

• Produzir um texto coletivo.

61

9 Metáforas

• Identificar e usar comparações,
imagens e metáforas.

45

13 Virando poeta
“O lugar onde vivo”.

• Escrever um poema com o tema

65

10 O lugar onde vivo
de diferentes autores. os alunos vivem.

• Estudar poemas sobre a terra natal • Resgatar sentimentos sobre o lugar onde

49

14 Últimos retoques

• Aprimorar os poemas produzidos.

69

Critérios de avaliação Textos recomendados

74 75 82 83 88

11 Um novo olhar

Recado final 55 Para saber mais ainda Referências bibliográficas

• Propiciar um olhar novo e original

sobre o lugar onde os alunos vivem.

Introdução
Sobre poemas e poetas
Seus alunos certamente já leram ou ouviram poemas. Canções, cantigas de roda, trava-línguas que fazem parte das brincadeiras deles, as músicas que ouvem e cantam, repentes, quadras e cordel. Tudo isso são poemas. É difícil definir as características próprias de um poema. Um texto escrito em versos rimados é um poema, mas outro feito sem rimas também pode ser. Um texto cujas palavras se organizam na folha de papel lembrando a forma do girassol também pode ser um poema. Poemas têm várias formas e falam de diferentes temas. Ao tomarmos como exemplo poemas consagrados da língua portuguesa, como “Infância”, de Carlos Drummond de Andrade; “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias; “A onda”, de Manuel Bandeira; ou “Emigração e as conseqüências”, de Patativa do Assaré, observamos que revelam sentimentos como tristeza e angústia, cantam saudades e belezas da terra natal, contam uma história, ou ainda denunciam injustiças e desigualdades sociais, ou seja, versam sobre diferentes temas. Os poetas escrevem para emocionar, divertir, convencer, fazer pensar o mundo de um jeito novo. Eles usam diferentes recursos, como rimas, repetições, metáforas e até formas diferentes de colocar as palavras no papel. Tudo para transmitir idéias, experiências e emoções ao leitor. O poeta pode jogar com a sonoridade, rimando as palavras, repetindo sons parecidos nos versos, fazendo que eles ecoem ao longo do texto. Esses autores também trabalham com ritmo. Fazem que o poema tenha cadência, como um tambor batendo a intervalos regulares. Por isso é tão gostoso ouvir poemas sendo declamados! Poetas também usam como recurso a comparação. Podem ir além e transmitir a impressão que algo lhes causou, criando imagens. Quando fazem isso, criam metáforas. Assim, dão às palavras um sentido mais rico, como se elas quisessem dizer algo mais.  poemas

Apesar de tantas possibilidades, podemos identificar dois aspectos comuns a todos os textos. O primeiro é a maneira original de os poetas verem as coisas, que encanta e emociona o leitor. O segundo, o uso das palavras de forma especial, de modo diferente do habitual. Nas oficinas, vamos estudar esses aspectos. E, também, tratar de alguns recursos poéticos que ajudarão os alunos a ler, analisar e produzir poemas. Marisa Lajolo, no livro Palavras de encantamento, da Coleção Literatura em Minha Casa, nos fala de poetas, poemas e poesia:

“[...] poeta brinca com as palavras... parece que o poeta diz o que a gente nunca tinha pensado em dizer [...]” “[...] um poema é um jogo com a linguagem. Compõe-se de palavras: palavras soltas, palavras empilhadas, palavras em fila, palavras desenhadas, palavras em ritmo diferente da fala do dia-a-dia. Além de diferentes pela sonoridade e pela disposição na página, os poemas representam uma maneira original de ver o mundo, de dizer coisas [...]” “[...] poeta é, assim, quem descobre e faz poesia a respeito de tudo: de gente, de bicho, de planta, de coisas do dia-a-dia da vida da gente, de um brinquedo, de pessoas que parecem com pessoas que conhecemos, de episódios que nunca imaginamos que poderiam acontecer e até a própria poesia! [...]”

Poema ou poesia?
Qual é a diferença entre poesia e poema? Poesia, segundo o Minidicionário Aurélio da língua portuguesa, é a “arte de criar imagens, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados”. Já o poema é definido como “obra em verso ou não em que há poesia”. Então, esta é a diferença: quando falamos em poema, estamos tratando da obra, do próprio texto; e, quando falamos em poesia, tratamos da arte, da habilidade de tornar algo poético. Uma pintura, uma música, uma cena de filme também podem ser poéticas.

poemas 

O tempo das Oficinas
Cada oficina foi organizada para tratar de um tema, de um assunto; algumas poderão ser feitas em trinta ou quarenta minutos e outras levarão três ou quatro aulas. Por isso, é essencial que você, professor, leia todas as atividades com calma. Aproprie-se dos objetivos e estratégias de ensino, providencie o material e estime o tempo necessário para que sua turma faça o que foi proposto. Enfim, é preciso planejar cada passo, pois só você, que conhece seus alunos, conseguirá determinar qual a forma mais eficiente de trabalhar com eles.

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poemas

Mural de Poemas
ObJEtIvOS

oficina

• Planejar o Mural de Poemas. • Resgatar a experiência dos alunos com poemas. • Conhecer o repertório de poemas dos alunos. • Reconhecer os poemas em suas diversas formas.

poemas

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Atividades
1ª etapa A idéia agora é descobrir o que os alunos já sabem de poemas para depois ampliar o repertório deles. Se a maioria conhece só poemas infantis, vamos apresentar alguns clássicos. Mas, se eles conhecem os grandes poetas, vamos lhes apresentar alguns populares. O levantamento do repertório serve, portanto, para cada professor saber os pontos do trabalho que devem ser mais enfatizados, de modo que os alunos possam compreender e apreciar mais e melhor os poemas. Divida a classe em grupos de quatro ou cinco alunos para que conversem e compartilhem os poemas lidos ou ouvidos que guardam na lembrança. Cada grupo deve escolher um relator, que vai expor para a classe como foi a conversa que tiveram. Relacione na lousa o título dos poemas ou os versos lembrados pelos alunos. Em seguida, cada grupo seleciona um dos poemas relacionados e o copia em uma folha de papel. Diga que esse trabalho será usado na próxima etapa da atividade.

12

poemas

2ª etapa Você não acha que seria interessante fazer um registro de tudo o que os alunos vão aprender? Para isso, sugerimos a montagem de um mural na sala de aula. Nele, os alunos vão fixar, ao longo deste trabalho, os poemas estudados. No final das oficinas, a turma terá uma coletânea dos poemas conhecidos, dos descobertos e dos preferidos.

Registrar é importante
O registro é muito importante para você, professor, aperfeiçoar seu trabalho. No entanto, muitas vezes precisamos desenvolver esse hábito e vencer a falta de tempo. Mas tomar nota ajuda a fazer questionamentos e a descobrir soluções que nos fazem crescer. Registre as oficinas. Escreva sobre as atividades desenvolvidas, suas impressões, as dificuldades e as reações do grupo. Como nos diz a educadora Madalena Freire (1996): “O registrar de sua reflexão cotidiana significa abrir-se para seu processo de aprendizagem”. Lembre-se de que cada professor de aluno semifinalista da Olimpíada deverá, com base em seus registros, escrever um “relato de experiência” e com ele concorrerá a prêmios. Esse é mais um motivo para você registrar o percurso vivido em sala de aula!

Confeccione com os alunos o mural. Converse com eles para planejar a organização. Onde ele vai ser colocado? Como deixá-lo bem organizado e bonito? Para inaugurar o mural, coloque os poemas que, na etapa anterior, foram copiados em uma folha de papel.

Um mural caprichado
O visual do mural merece muita atenção. Ele pode ser ilustrado e bem chamativo. Mas o mais importante é que facilite a leitura dos poemas. Afinal, eles são a alma do projeto, a razão de ser desse mural.

poemas

13

14

poemas

O que faz um poema
ObJEtIvO

• Conhecer as características

oficina

do poema: rimas, versos e estrofes.

poemas

15

Atividades
Agora vamos estudar as características dos poemas. A idéia não é dar uma aula teórica, mas conversar com a turma sobre alguns aspectos importantes dos poemas. Provoque os alunos para que pensem, troquem idéias, tirem conclusões, busquem informações. Seu papel é coordenar e esquentar a conversa. Para iniciar, faça perguntas sobre os poemas que estão no mural. Por que escolheram esses poemas? Como sabem que são poemas? Por que eles são diferentes de uma notícia de jornal, de uma receita de bolo ou de um conto? Como eles se organizam no papel? Eles preenchem todo o espaço das linhas, da margem esquerda à direita? Os versos pulam linhas? Do que tratam os poemas? Quando for necessário, dê informações sobre poemas, rimas, versos, estrofes. Relacione o que eles já sabem com as informações novas. No final, organize e sistematize as idéias surgidas no grupo. Em seguida, copie na lousa o poema “Tem tudo a ver”, de Elias José, do livro Palavras de encantamento, da Coleção Literatura em Minha Casa.

16

poemas

Tem tudo a ver
A poesia Tem tudo a ver Com tuas dores e alegrias, Com as cores, as formas, os cheiros, Os sabores e a música Do mundo. A poesia Tem tudo a ver Com o sorriso da criança, O diálogo dos namorados, As lágrimas diante da morte, Os olhos pedindo pão. A poesia Tem tudo a ver Com a plumagem, O vôo e o canto do pássaro, A veloz acrobacia dos peixes, As cores todas do arco-íris O ritmo dos rios e cachoeiras, O brilho da lua, do sol e das estrelas, A explosão em verde, em flores e frutos. A poesia — é só abrir os olhos e ver — Tem tudo a ver Com tudo.

Poesia: uma lente para ver o mundo
Nesse poema, o autor mostra que a poesia é viva, dinâmica, e fala de pessoas, de animais, de objetos, de acontecimentos, de tudo. Muita gente acha que a função da poesia é cantar amores ou falar do que é belo. Mas seus alunos precisam entender que, na verdade, a poesia coloca em palavras a maneira como o poeta enxerga o mundo. E ela pode falar de qualquer coisa, não só das grandes e belas.

Faça perguntas aos alunos. Sobre o que fala o poema? Por que o autor diz que “poesia tem tudo a ver com tudo”? O que os poemas podem exprimir? Depois de discutir com o grupo o conteúdo do poema “ Tem tudo a ver”, incentive os alunos a pensar nos recursos que o autor usou para compô-lo, e continue fazendo perguntas. Esse poema tem rimas? É possível compor poemas sem rima? poemas 17

O que rima combina
Palavras que rimam são palavras que se combinam, pois terminam com o mesmo som. A rima é um dos recursos que os poetas usam, mas nem todo poema precisa ser rimado. Antigamente havia normas para escrever versos. O poeta tinha regras definidas sobre as rimas e o número de sílabas de cada verso. Mas hoje já não é assim. O autor tem liberdade para seguir ou não essas regras.

Se os seus alunos acham que poema tem que ter rima, leia e comente os poemas de Cora Coralina e de Ferreira Gullar em “Textos recomendados”, ao final deste Caderno. Eles vão deixar claro que o poeta pode usar outros recursos para dar cadência e ritmo ao texto. Vamos pensar agora na organização do poema. Explique-lhes que o poema de Elias José tem vinte e quatro versos e quatro estrofes. E pergunte em seguida se alguém sabe dizer o que é verso e o que é estrofe. Ajude o grupo a chegar à definição correta de verso e de estrofe e registre-a na lousa. Observando o mural, identifique com os alunos os versos e as estrofes dos poemas lá afixados. Pergunte a eles o que aprenderam a respeito de poemas. Faça com a turma uma lista de tudo o que foi aprendido. Escreva os itens na lousa à medida que os alunos forem falando. Divida a classe em grupos e distribua tiras de papel. Cada grupo vai copiar um item e depois todos vão organizar as tiras no mural.

Versos e estrofes
verso é cada uma das linhas do poema. Estrofe é cada grupo de versos separados do grupo seguinte por um espaço. Um poema pode ter uma ou várias estrofes. E cada estrofe, um número variado de versos.

1

poemas

Primeiro ensaio
oficina
ObJEtIvOS

• Apresentar a situação de produção. • Pedir aos alunos que escrevam um
poema para avaliar o que já sabem.

poemas

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Atividades
As crianças agora vão escrever o primeiro poema delas. Antes, lembre-lhes que cada gênero de texto tem características próprias. Um artigo de opinião tem forma muito diferente de um poema ou de um texto de memórias. Isso porque a situação de produção também varia: quem escreve (autor do texto), para quem escreve (os leitores do texto), com que finalidade escreve (divertir o leitor ou convencê-lo de alguma idéia, por exemplo), e, finalmente, onde será publicado (jornal, livro, revista, internet). Diga aos alunos que agora eles serão os poetas, aqueles que escrevem para mostrar o mundo de um jeito novo, com o intuito de emocionar, fazer pensar ou divertir os leitores. Explique-lhes que seus poemas serão conhecidos por muitas pessoas. Embora apenas um poema possa ser escolhido para representar a escola na Olimpíada Escrevendo o Futuro, os outros não precisam ficar na gaveta. Todos os textos podem ser reunidos em um livro a ser produzido pelo grupo e entregue para os pais, para a biblioteca da escola ou a da cidade. Podem ser apresentados em cordéis, em grandes murais, em saraus. Distribua uma folha de papel para cada aluno e peça-lhes que escrevam um poema. O tema é “O lugar onde vivo”.

Primeira escrita
A produção inicial aponta o que os alunos já sabem sobre o gênero e dá pistas para que o professor possa melhor intervir no processo de aprendizagem. Esse primeiro texto também é importante para que os alunos avaliem a própria escrita. Com sua ajuda, eles podem perceber o que é preciso melhorar e poderão envolver-se mais nas atividades das oficinas. Além disso, será possível comparar essa produção com o texto final e identificar os avanços, constituindo um processo de avaliação continuada. Atenção: se você for semifinalista da Olimpíada, precisará levar a primeira produção para o encontro regional.

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poemas

Memória de versos
oficina
ObJEtIvOS

• Ampliar o repertório dos alunos com
a apresentação de novos poemas. • Resgatar e valorizar a cultura da comunidade.

poemas

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Atividades
1ª etapa Nesta oficina, você lerá para os alunos o texto da página ao lado: “Cantador”, de Antonio Gil Neto, e vai propor a eles que se tornem colecionadores de poemas, pesquisando os textos conhecidos pela comunidade. Antecipar o conteúdo de um texto é uma boa estratégia para despertar o interesse dos alunos. Assim, apresente o “Cantador” para a turma e faça perguntas. Pensando no título, o que vocês acham que a história vai contar? Vocês conhecem algum cantador? Leia para a classe os primeiros quatro parágrafos do texto e pergunte: O que será que aconteceu naquele dia em Alvorada do Norte? Em seguida, leia o restante do texto em voz alta e no final converse com a turma. O que sentiram ao ouvir a história? Podemos dizer que essa é uma história poética? Lembre-lhes que poético, segundo o dicionário, não são só poemas, mas tudo aquilo que “produz inspiração, que tem qualidade, atmosfera, encanto, ou características da poesia”. O “Cantador (de sentimentos escondidos)”, embora seja um conto, é poético, pois traz encanto, produz inspiração.

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poemas

Cantador (de sentimentos escondidos)
Esta pequena história foi contada por meus bisavós, que contaram aos meus avós que, por sua vez, recontaram aos meus pais, que me contaram de novo... Agora a conto a você. Era um tempo em que Alvorada do Norte era uma cidade pequena e próspera. Vivia seus dias de trabalho e mansidão alternados, como se alternam os dias e as noites, o sol e a lua, a chuva e o vento. O que aconteceu é que naquele belo dia a cidadezinha amanheceu de um jeito um tanto diferente. Uns minutinhos antes das dezenas de galos soltarem seus cocoricós costumeiros, as pessoas da minha cidade, ainda abraçadas a seus travesseiros ou mesmo de pé, no preparo da labuta do dia, ouviram algo diferente adentrando por portas e janelas ainda fechadas: “Acorda, Maria Bonita / Levanta vai fazer o café / que o dia já vem raiando / e a polícia já está de pé...” Mais ou menos no ritmo de um leve susto e do escuro se encontrar com o claro daquela manhã, os alvoradenses foram se dando conta do que acontecia: “Meu coração / não sei por quê / bate feliz / quando te vê / E os meus olhos ficam sorrindo / E pelas ruas / vão te seguindo / Mas mesmo assim / foges de mim...” Vou contar logo, porque não é fácil de explicar. Pelas ruas poucas da cidade passava naquele dia, como aparição, miragem, encomenda, um presente dos deuses. Era um jovem cantador. O que mais sei do que me foi dito é que ele apenas falava bem falado, cantava pelo ar palavras bem bonitas que deixavam todo mundo encantado, curioso, incomodado. Umas pessoas riam, outras se embeveciam e ainda outras experimentavam emoções pouco sentidas: Logo que alguém abria a janela, soltava: “Menina, minha menina / faz favor de entrar na roda / cante um verso bem bonito / diga adeus e vá-se embora...” Vez por outra ele surpreendia seu cantar misturando-o com um achado pelo caminho. Rodopiando e declamando, cheirava solenemente uma flor e a entregava ao seu ouvinte — especialmente se fosse uma bela garota — como um adereço. Eu só sei que ele andou e voltou várias vezes pelas ruelas principais entoando com cerimônias de gesto e voz algumas preciosas palavras que tocaram de perto o sentimento das crianças, dos jovens e dos adultos. E depois, sem passe de mágica, nem mais, nem menos, sem dizer adeus a ninguém, ele foi embora: “Adeus amor eu vou partir / ouço ao longe um clarim...” Desapareceu pelo ziguezague das estradas, com seu maracatu de corpo. Acho que ele foi encantar outros corações em outros lugares, penso eu... O que sei, com certeza, é que até hoje, quando escuto um barulho diferente na minha rua, que já não é a mesma de outrora, seja de vento leve na folhagem, passarinho querendo fazer ninho ou até mesmo de alegria inventada, levanto bem de mansinho e espreito na minha janela para ver o cantador de palavras bonitas passar.
Antonio Gil Neto, verão, 2007.

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23

2a etapa
Proponha a seus alunos que se transformem em “coletores de poemas”, assim como o saltimbanco do texto coletava poemas e os espalhava, encantando os corações dos moradores da cidade. Planeje com eles a forma de coletar os poemas que a comunidade conhece. Os alunos podem sair pela cidade, pelo bairro, ou simplesmente pela rua da escola, e entrevistar os moradores. A pesquisa também pode ser feita na própria escola, com professores, funcionários e colegas mais velhos. E, como tarefa de casa, peça-lhes que entrevistem pais, avós, vizinhos e parentes. A idéia é entrevistar uma ou mais pessoas, fazendo diversas perguntas. Você gosta de poemas? Sabe o nome de algum poeta? Você conhece algum poema? O aluno deve solicitar ao entrevistado que recite ou escreva um poema. Se ele não souber nenhum de cor, o aluno pode pedir a ele que copie poemas de um livro que tenha. Ou mesmo que empreste esse livro. Se na cidade morar algum poeta, é interessante convidá-lo a ir à escola para conversar com os alunos. O grupo pode escrever uma carta a ele pedindo que envie um de seus poemas para a turma. No final, escolham os melhores poemas coletados e coloquem no mural. Assim eles poderão ser relidos para encantar os corações.

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poemas

Os clássicos
oficina
ObJEtIvO

• Conhecer poemas consagrados
da literatura brasileira.

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Atividades
Para esta oficina, você usará os textos recomendados que estão no final deste Caderno. Faça cópia deles. Você também pode ampliar a seleção incluindo seus poemas preferidos. Divida a classe em grupos de três ou quatro alunos e distribua as cópias dos poemas entre eles. Peça a cada grupo que leia o poema recebido. Você pode percorrer os grupos, ajudando na leitura. Para isso, veja orientações no quadro “Buscando sentido”, da página ao lado, bem como as orientações da página 2. Depois de trabalhar a leitura, uma idéia interessante para motivar os alunos é promover um sarau, que é uma reunião festiva para conversar, ouvir apresentações musicais ou trechos de livros e poemas. Organize o sarau com seus alunos. Cada grupo vai criar um modo de apresentar para a classe o poema lido. Afinal, os poemas podem ser declamados de várias maneiras: com gestos e movimentos ou em forma de jogral, por exemplo. Escolha você também um poema para declamar aos alunos. O importante é que a declamação mexa com os ouvintes. O declamador deve preparar a leitura, cuidando do ritmo, das pausas e da entonação da voz. Peça aos alunos que escolham alguns dos poemas recitados para serem copiados e afixados no mural.

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Arrume “a casa” para o sarau
Organize com os alunos o ambiente para o sarau: mude a disposição das carteiras, fazendo um círculo, ou escolha um outro espaço da escola. O local escolhido pode ser enfeitado, decorado. Se possível, ofereça um lanche para encerrar o encontro.

Buscando sentido
Já não podemos pensar o ensino da escrita desconectado da leitura. É por isso que convidamos você, professor, a valorizar também as atividades de leitura ao desenvolver as oficinas. Para ler um texto não basta identificar as letras, sílabas e palavras, é preciso buscar o sentido, compreender, interpretar, relacionar e reter o que for mais relevante. Quando lemos algo, temos sempre um objetivo: buscar informação, ampliar o conhecimento, meditar, entreter-nos. O objetivo da leitura é mobilizar as estratégias que o leitor vai utilizar. Sendo assim, ler um artigo de jornal é diferente de ler um romance, uma história em quadrinhos ou um poema. Geralmente, quando lemos um poema, temos como objetivo o entretenimento, a busca do encantamento com a forma original e diferente que os poetas têm de ver o mundo. Diferentemente de outros gêneros de texto, um poema pode ser lido muitas vezes e a cada leitura despertar uma nova emoção, novas idéias, novas sensações... Por outro lado, ler poemas traz desafios para o leitor. É preciso buscar significados, sentidos, descobrir como o poeta “brincou com as palavras”. Nossos alunos, na maioria das vezes, não têm familiaridade com a leitura de poemas. Assim, é tarefa sua, professor, ajudá-los a vencer esse desafio.

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Relacionamos abaixo algumas orientações para que você trabalhe a leitura de poemas. As sugestões podem e devem ser usadas em todas as oficinas.

• Leia poemas em voz alta para os alunos, pois para apreciarmos devidamente um poema é preciso escutá-lo.

• Poemas evocam sensações, impressões, sentimentos. Ajude seus alunos

a descobrir o que o poema desperta em cada um deles. Você poder fazer perguntas como: O que sentiram ao escutar/ler o poema? Ouvir esse poema nos faz lembrar de coisas alegres ou tristes? Fechando os olhos, vocês conseguem imaginar o que o poeta quis nos mostrar? sentimentos, as belezas do lugar onde vive, mas muitas vezes nós nos identificamos com aquilo que o poema exprime. Ajude seus alunos a relacionar o poema lido com as próprias experiências deles, sensações, sentimentos, perguntando, por exemplo: Você já se sentiu da mesma forma que o poeta? Já ocorreu algum fato parecido com você? Você se lembra de um lugar (ou pessoa) que causou em você a mesma impressão que o autor desse poema descreve? uma estratégia que deve ser adotada na leitura de poemas. Para isso você pode perguntar aos seus alunos: Por que o poeta usou essas palavras em seus versos? para encontrar o ritmo certo para a declamação.

• Poetas exprimem um olhar único e original sobre um acontecimento, seus

• Identificar a forma inovadora e diferente dos recursos poéticos também é

• É preciso também compreender os efeitos de sonoridade que o poeta usou • Atividades nas quais os alunos são convidados a declamar poemas são
muito interessantes para o trabalho com a leitura. Para declamar um poema é necessário compreendê-lo e apreender os sentimentos que o autor quis exprimir para encontrar o “tom“ adequado a ser usado na declamação. Se possível, ouça com os alunos CDs com poemas declamados por autores famosos, por exemplo: “Coleção Poesia Falada”, da editora Nossa Cultura; “Ou isto ou aquilo”, da gravadora Luz da Cidade (poemas de Cecília Meireles declamados por Paulo Autran).

Enfim, é importante preparar a apresentação com cuidado, e isso vale também para você, professor.

2

poemas

Rimando
oficina
ObJEtIvOS

• Identificar rimas em poemas. • Criar rimas.

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Atividades
Compor rimas é um exercício divertido, mas requer dedicação. Muitas vezes, é preciso recorrer à memória e ao dicionário para encontrar palavras que normalmente não usamos. Mas vale a pena, porque os poemas podem ganhar originalidade. Nesta oficina, a turma vai compor um texto coletivo. Não se trata de uma simples colagem de frases. O texto, como um todo, tem que fazer sentido e ser harmonioso. Para iniciar, diga aos alunos que eles irão trabalhar com o texto “Duas dúzias de coisinhas à-toa que deixam a gente feliz”, de Otavio Roth. Peça a eles que contem sobre as coisas do dia-a-dia (“coisinhas à-toa”) que os deixam felizes. Talvez alguns falem de coisas grandes e importantes, como a paz no mundo ou a preservação do meio ambiente. Mas insista para que pensem em coisas simples. Então, leia o texto para eles.

Duas dúzias de coisinhas à-toa que deixam a gente feliz
Passarinho na janela, pijama de flanela, brigadeiro na panela. Gato andando no telhado, cheirinho de mato molhado, disco antigo sem chiado. Pão quentinho de manhã, dropes de hortelã, grito do Tarzan. Tirar a sorte no osso, jogar pedrinha no poço, um cachecol no pescoço. Papagaio que conversa, pisar em tapete persa, eu te amo e vice-versa. Vaga-lume aceso na mão, dias quentes de verão, descer pelo corrimão. Almoço de domingo, revoada de flamingo, herói que fuma cachimbo. Anãozinho de jardim, lacinho de cetim, terminar o livro assim.
Otavio Roth. Duas dúzias de coisinhas à-toa que deixam a gente feliz. São Paulo, Ática, 1994.

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Converse com os alunos. Que sensações e sentimentos o texto desperta? Comente que Otavio Roth brinca com as palavras, produzindo um texto original e divertido. Discuta a sonoridade. Vocês sabem como se chama a repetição de sons no final das palavras? Que sons se repetem no texto? Quais são as palavras que rimam? Copie o texto na lousa e assinale as rimas junto com os alunos. Lance o desafio. Vamos escrever o nosso “Duas dúzias de coisinhas à-toa que nos deixam felizes”? O texto não precisa ter duas dúzias. Pode ter quatro dúzias, duas dúzias e meia, dependendo do número de alunos. Peça aos alunos que pensem em uma “coisinha”. Em seguida, deverão procurar outros dois colegas cuja coisinha rima com a dele, formando grupos de três. Se os alunos não conseguirem a rima, vão ter de mudar as palavras. Eles podem tentar achar sinônimos ou trocar as palavras até encontrarem as rimas. O importante é que cada trio consiga obter três “coisinhas” que rimem. Incentive seus alunos a procurar palavras para enriquecer suas rimas; para tanto, sugira que façam listas e procurem no dicionário. Os alunos devem evitar o uso de aumentativo e diminutivo para não ficar fácil demais. Passe pelos grupos para ajudar com sugestões, quando for preciso. Cada trio apresentará então suas coisinhas. Escreva as rimas na lousa ou numa folha grande de papel. Conte quantas coisinhas à-toa deixam a classe feliz. E peça aos alunos que sugiram um título para o poema da turma.

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Sons e quadras
ObJEtIvOS

of

ici

• Identificar rima, aliteração e repetição de versos. • Criar quadras.

na

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Atividades
1a etapa
Para encantar os leitores, transmitir idéias e emoções de forma original, os poetas utilizam recursos poéticos. Rimas, aliterações e repetições possibilitam o jogo com a sonoridade das palavras, fazendo que ecoem ao longo do poema. Incentive a turma a usar esses e outros recursos que estudaremos nas próximas oficinas. Assim, farão poemas que vão encantar os leitores. Pergunte quem conhece uma quadra. Vale dar dicas a eles.

Portuguesa, com certeza
As quadras são estrofes compostas por quatro versos. Elas nasceram com o povo português na era medieval. Quadra é uma forma antiga e popular de organizar os versos e é usada até hoje no brasil. As crianças conhecem muitas quadras populares, algumas como cantigas de roda:

O cravo brigou com a rosa, Debaixo de uma sacada. O cravo saiu ferido, E a rosa despedaçada.
Transcreva na lousa as quadras seguintes:

Não sei se vá ou se fique Não sei se fique ou se vá Ficando aqui não vou lá E ainda perco o meu pique
Sílvio Romero. Contos populares do Brasil. São Paulo, José Olympio, 1954.

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poemas

Ô seu moço inteligente Faça o favor de dizer Em cima daquele morro Quanto capim pode ter?
Ricardo Azevedo. Armazém do folclore. São Paulo, Ática, 2000.

Pergunte se os versos rimam e com quais palavras? Veja se a turma consegue descobrir a diferença entre os dois esquemas de rima.

Fique rima com pique
Os versos podem rimar de diferentes formas. Na primeira quadra, recolhida por Sílvio Romero, o primeiro verso rima com o quarto (fique e pique) e o segundo verso rima com o terceiro (vá e lá). Já Ricardo Azevedo rima o segundo verso com o quarto (dizer e ter).

Escreva na lousa a próxima quadra.

Lá no fundo do quintal Tem um tacho de melado Quem não sabe cantar verso É melhor ficar ________________________
Ricardo Azevedo. Armazém do folclore. São Paulo, Ática, 2000.

Pergunte qual palavra rima com “melado” para completar a que está faltando. A palavra que o autor usou é “calado”, mas seus alunos podem dar outras sugestões. O importante é construir a rima sem perder o sentido do verso. Muitas vezes os alunos ficam tão preocupados em encontrar palavras que rimam que se esquecem de verificar se o verso construído transmite ao leitor uma idéia, um sentimento ou uma sensação. Você pode e deve conversar a esse respeito. Leia e analise com a turma os poemas que estão em “Textos recomendados” e mostre como os poetas, ao usarem o recurso da rima, são cuidadosos na escolha das palavras. Os versos e as estrofes não são construídos apenas com palavras que rimam entre si; eles devem articular-se como um conjunto que produz sentido. poemas 35

2a etapa
Entre os grandes poetas que compuseram quadras está Fernando Pessoa, um dos maiores da língua portuguesa. “A quadra é um vaso de flores que o povo põe à janela da sua alma”, escreveu ele. Os estudiosos de sua obra registraram mais de quatrocentas quadras, muitas das quais sem data. Acredita-se que ele tinha a intenção de formar um livro com elas, mas isso nunca ocorreu. Inicie a atividade apresentando o poeta aos alunos. Fale de sua importância e leia a frase que ele escreveu sobre as quadras.

Poeta maior
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa (Portugal) em 1888. Ele é considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa de todos os tempos. Em sua obra, usou vários “heterônimos”, isto é, ele usava nomes diferentes para assinar seus poemas. Mais do que pseudônimos, esses heterônimos eram personagens completos. tinham biografia, estilos literários diferentes, maneiras diversas de ver o mundo. Era como se Fernando Pessoa encarnasse outras personalidades. Em alguns poemas, Pessoa assinava seu próprio nome. Em outros, assinava Alberto Caeiro, um poeta que buscava a simplicidade da natureza, escrevia com a linguagem simples e o vocabulário limitado. Em outros, assinava Ricardo Reis, que tinha uma forma humanística de ver o mundo, procurava o equilíbrio dos clássicos. Outro heterônimo era Álvaro de Campos, um poeta moderno, um homem identificado com seu tempo. Na página 58, você encontrará um poema de Alberto Caeiro. Copie na lousa ou tire cópias das quadras de Fernando Pessoa.

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poemas

Quadras ao gosto popular
Eu tenho um colar de pérolas Enfiado para te dar: As pérolas são os meus beijos, O fio é o meu penar. ............................................ A caixa que não tem tampa Fica sempre destapada Dá-me um sorriso dos teus Porque não quero mais nada. ............................................ No baile em que dançam todos Alguém fica sem dançar. Melhor é não ir ao baile Do que estar lá sem estar. Vale a pena ser discreto? Não sei bem se vale a pena. O melhor é estar quieto E ter a cara serena. ............................................ Não digas mal de ninguém, Que é de ti que dizes mal. Quando dizes mal de alguém Tudo no mundo é igual.

Fernando Pessoa. Obra poética. Rio de Janeiro, Aguilar, 1969, pp. 645-665.

Pergunte aos alunos quais as palavras que rimam e qual o esquema de rima usado por Fernando Pessoa. Nas três quadras à esquerda, o segundo verso sempre rima com o quarto, nas duas outras também o primeiro rima com o terceiro. Mostre que o poeta não usa apenas verbos no infinitivo (por exemplo: cantar, dançar, chorar) para fazer as rimas, porque aí ficaria muito fácil e pouco criativo. Ele também não usa palavras no aumentativo (terminadas em “ão”) e no diminutivo (terminadas em “inho”), pelo mesmo motivo. Em suas rimas, há muita variedade: verbos, substantivos e adjetivos. Divida a classe em trios e peça a cada grupo que crie uma quadra.

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3a etapa
Mostre aos alunos que há outras formas de brincar com as palavras. Uma bem interessante é a usada por Cruz e Souza no poema “Violões que choram”.

Violões que choram
Cruz e Souza

Vozes veladas, veludosas vozes, Volúpias dos violões, vozes veladas, Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Cruz e Souza. Obras completas. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1997.

Desafie os alunos com algumas perguntas. Por que esse poema pode ser considerado sonoro e musical? Qual é o som que se repete ao longo dele? Diga que Cruz e Souza, neste poema, além da repetição de palavras, usou como recurso a aliteração, ou seja, a repetição de fonemas nas palavras que compõem os versos, como vozes, violões e vivas.

Mais aliterações
Há muitos outros poemas compostos com base na aliteração. “A onda” de Manuel Bandeira é um bom exemplo. Cecília Meireles usa esse recurso em vários de seus versos, como nos poemas “O colar de Carolina” e “O menino dos ff e rr”. “As três tias”, de Elias José, também apresenta aliteração. Esses poetas são bastante conhecidos, por isso não é difícil encontrar suas obras. Procure-as na biblioteca da escola ou na do município.

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Poeta do povo
ObJEtIvOS

oficina

• Escrever acrósticos. • trabalhar com poema popular.

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Atividades
1a etapa
Além de poetas clássicos e modernos, existem os chamados “poetas populares”, que compõem versos que encantam e emocionam o leitor, como o cordel. Nesta oficina, os alunos vão conhecer um dos nossos maiores poetas populares: Patativa do Assaré. Além de folhetos de cordel, esse poeta tem inúmeros poemas publicados em livros, revistas e jornais. Faça perguntas. Quem conhece um folheto de cordel? Vocês já ouviram ou leram cordel? Quais autores de cordel vocês conhecem?

Poemas pendurados no varal
Cordel é um estilo de poema popular da tradição nordestina. Cantado ou declamado, ele está presente nos festejos da comunidade sertaneja: feiras, festas religiosas, comícios. É uma poesia narrativa, ou seja, conta uma história. Geralmente o tema é o cotidiano, a denúncia dos sofrimentos do povo, a exaltação de heróis, as lendas nativas. Chama-se “cordel” porque, nos pontos de venda, os livretos costumam ser pendurados em um varal de fios de algodão — os cordéis.

Peça aos alunos que leiam o cordel “Emigração e as conseqüências”, de Patativa do Assaré. Explique que o poema conta a história da seca no Nordeste, do sofrimento do povo, das injustiças sociais, da migração para o sul. Fala da luta, do trabalho e do perigo da entrada dos filhos na marginalidade. Faça cópias ou copie o poema na lousa. Usando as orientações sobre leitura de poemas da página 2, da Oficina 5, leia o cordel com seus alunos.

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Emigração e as conseqüências
Nesse estilo popular Nos meus singelos versinhos, O leitor vai encontrar Em vez de rosas espinhos Na minha penosa lida Conheço do mar da vida As temerosas tormentas Eu sou o poeta da roça Tenho mão calosa e grossa Do cabo das ferramentas. Por força da natureza. ....................................... Sou poeta nordestino Porém só conto a pobreza Do meu mundo pequenino Eu não sei contar as glórias Nem também conto as vitórias Do herói com seu brasão Nem o mar com suas águas Só sei contar minhas mágoas E as mágoas de meu irmão. ....................................... Meu bom Jesus Nazareno Pela vossa majestade Fazei cada pequeno Que vaga pela cidade Tenha boa proteção Tenha em vez de uma prisão Aquele inferno medonho Que revolta e desconsola Bom conforto e boa escola Um lápis e o caderno.

Patativa do Assaré. Uma voz do Nordeste. São Paulo, Hedra, 2000.

Mostre a eles que todo poema tem um tema, isto é, um assunto principal, e faça perguntas: Qual o tema desse poema? Do que fala Patativa do Assaré?

Estilo versus Tema Estilo = maneira de se expressar de um escritor ou de um grupo literário. tema = principal assunto ou mensagem de um poema.

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Leia os seguintes versos e pergunte aos alunos o que eles entenderam.

Nesse estilo popular Nos meus singelos versinhos, O leitor vai encontrar Em vez de rosas espinhos
Comente que belos versos, como os de Patativa, também podem falar sobre sofrimento e dificuldades. Afinal, a poesia traduz a forma como o poeta vê o mundo. E no mundo também há coisas tristes. Explique que nesses versos Patativa anuncia o estilo de poesia que ele faz, o popular. Ele avisa que o leitor não vai encontrar apenas “rosas” (coisas belas), mas também “espinhos” (tristeza e problemas). Leia mais uma vez o poema em voz alta para eles. Peça a eles que fechem os olhos e escutem atentamente. Pergunte se percebem o ritmo do poema.

Como se fosse um tambor...
Muitos poetas querem que seus versos tenham ritmo e cadência, como se houvesse um tambor batendo a intervalos regulares. Patativa conseguiu esse efeito em seu poema. Chame a atenção dos alunos para o ritmo dos versos, mostrando como esse efeito encanta o leitor. Isso pode ajudá-los na hora de escrever poemas.

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Transcreva na lousa mais alguns versos de Patativa do Assaré. Ressalte a primeira letra de cada verso e lance o desafio. Quem descobre algo diferente nesse poema?

Posso dizer que cantei Aquilo que observei Tenho certeza que dei Aprovada a relação Tudo é tristeza e amargura Indigência e desventura Veja, leitor, quanto é dura A seca no meu sertão.
Patativa do Assaré. ABC do Nordeste flagelado. São Paulo, Hedra, 2001.

Comente que Patativa do Assaré ordenou as letras iniciais dos versos para formar uma palavra. Nesse caso, o próprio nome do autor: Patativa. Esse recurso é chamado “acróstico”.

Mais um recurso poético
Acróstico é um recurso poético em que as letras iniciais dos versos formam uma palavra ou frase na vertical. Muitas vezes os acrósticos revelam um nome próprio. Os poetas populares usam muito o recurso do acróstico com o próprio nome para identificar seus textos. Assim, indicam que os cordéis expostos em espaços públicos, como feiras, são deles.

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2a etapa
Sugira a cada aluno que crie um acróstico com o nome deles. Para compor os versos, eles podem falar de suas características, seu jeito de ser, as coisas de que gostam. Para ajudar, escreva na lousa as frases a seguir, e peça a eles que completem os espaços.

Eu sou ___________________________________ Eu gosto muito quando _______________________ Fico triste quando _________________ __________ _ Meus amigos dizem que _____________________ Fico desanimado quando ____________________ Minha maior qualidade é _____________________ Às vezes eu ___________________________________ Sonho com __________________ _________________
Peça aos alunos que escrevam o nome deles na vertical. E depois procurem palavras e frases para contar um pouco sobre eles. Podem inspirar-se no exercício que acabaram de fazer. Ajude a turma na escolha de uma ou mais palavras para cada verso, respeitando a letra no início da linha. Você pode usar este exemplo para auxiliar os alunos:

Pequena Alegre Um dia eu fui... Livre, leve Agora eu sou.
Agora é só finalizar os versos dos acrósticos e mostrar para o grupo. Escolha alguns acrósticos para colocar no mural.

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oficina

Metáforas
ObJEtIvO

• Identificar e usar comparações,
imagens e metáforas.

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Atividades
1a etapa
Ao ver o mundo de um modo poético, os poetas fazem comparações e criam metáforas. Nesta oficina, os alunos vão ler, compreender e apreciar esses recursos. Diga que você lerá a letra de uma canção infantil feita por um poeta famoso, Vinicius de Moraes. Se seus alunos conhecerem a melodia, podem cantar a música.

O leão
Leão! Leão! Leão! Rugindo como o trovão Deu um pulo, e era uma vez Um cabritinho montês. Leão! Leão! Leão! És o rei da criação! Tua goela é uma fornalha Teu salto, uma labareda Tua garra, uma navalha Cortando a presa na queda.
Vinicius de Moraes. A arca de Noé. São Paulo, Companhia das Letras, 1991, p. 38.
AuTOrizADO pElA VM EMprEEnDiMEnTOs ArTísTiCOs E CulTurAis lTDA. ©VM

Pergunte aos alunos por que no verso “rugindo como o trovão” o poeta compara o rugido do leão a um trovão? Converse sobre o significado de força, de poder e de volume de som que a comparação rugido–trovão traz ao poema. Explique que, quando usamos as expressões “é pequeno como...”, “sua garra é afiada como...”, estamos fazendo comparações. Mas podemos ir além. Quando dizemos que alguém tem “olhos de jabuticaba”, referimo-nos aos olhos muito pretos dessa pessoa. Quando dizemos que “choveu canivetes”, damos a idéia de que choveu muito forte. Esse é um jeito poético e eficiente de fazer comparações. Há outros exemplos nos versos de Vinicius de Moraes. Mostre aos alunos: 46 poemas

Tua goela é uma fornalha Teu salto, uma labareda Tua garra, uma navalha Cortando a presa na queda.
O que o poeta quis dizer com “tua goela é uma fornalha”? E com “tua garra, uma navalha”? Explique que esse tipo de recurso se chama “metáfora”. Com a metáfora, nós falamos de um objeto ou de uma qualidade com palavras que se referem a outros objetos ou qualidades, mas podem ser tomadas emprestadas para fazer comparação. Por exemplo, se nós dizemos que uma pessoa tem “vontade de ferro”, tomamos emprestada a força do ferro para dizer que aquela pessoa tem uma vontade muito forte.

2a etapa
Copie na lousa os versos do poema “Meus oito anos” de Casimiro de Abreu. Peça aos alunos que observem o uso da metáfora.

O céu bordado d’estrelas, A terra de aromas cheia, As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar!
Pergunte aos alunos se eles podem imaginar um céu bordado d‘estrelas. Como seria? Qual é o sentido dos versos “ondas beijando a areia” e “a lua beijando o mar”? Mostre como a metáfora deixa o verso mais interessante. Se o poeta dissesse apenas que “havia muitas estrelas no céu” e “a lua refletia sua luz no mar” os versos não seriam tão poéticos.

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Peça aos alunos que procurem no mural outros versos que tenham comparações ou metáforas. Agora os alunos vão fazer comparações para contar sobre o lugar onde vivem. Você pode fazer um ensaio com eles na lousa, criando coletivamente as comparações e as metáforas. Façam juntos uma lista de características, qualidades e problemas do lugar onde vivem. O registro das comparações e imagens feitas deve ser usado mais tarde para ajudar na produção final. Convide a turma a pensar no rio, no mar ou na rua da escola. Pensar em uma praça, uma árvore, um lugar da cidade de que eles gostem. Faça perguntas sobre as sensações que esse lugar desperta. Quais as cores que percebem. E os sons e os cheiros que lá existem. Copie o exercício na lousa e peça aos alunos que o completem fazendo as comparações. Vamos usar como exemplos o rio, a cidade e a rua, mas você deve adaptar o exercício aos lugares que sejam significativos para os alunos. Essa tarefa pode ser feita em duplas ou individualmente.

O rio é __________________ como _____________________________ O rio tem cheiro de __________________________________________ A cor do rio parece __________________________________________ A minha rua tem um barulho como ____________________________ Minha cidade até parece ______________________________________
Agora incentive a turma a criar metáforas como fazem os poetas. Este exercício ajudará a produzir poemas mais interessantes e originais.

O rio _______________________________ Minha rua __________________________ O céu ______________________________ Minha cidade _______________________

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oficina

O lugar onde vivo
ObJEtIvOS

• Estudar poemas sobre a terra •

natal de diferentes autores. Resgatar sentimentos sobre o lugar onde os alunos vivem.

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Atividades
1a etapa
Para esta oficina trabalharemos com: “Milagre no Corcovado”, de Ângela Leite de Souza, e “Cidadezinha”, de Mário Quintana. Providencie cópias das páginas 51 e 52 para seus alunos. Na primeira etapa, vamos tratar do tema dos poemas. O tema escolhido foi o lugar onde viveu o poeta. Na segunda etapa, vamos ver que os poetas, apesar de falarem do mesmo tema, usam recursos poéticos diferentes. Comece perguntando se os alunos conhecem o Rio de Janeiro. Já viram fotos ou imagens na televisão? O que conhecem do Rio de Janeiro? O que mais os impressiona? Pergunte-lhes se já viram fotos do Cristo Redentor, no Corcovado. Se possível, leve imagens do Rio de Janeiro, principalmente do Corcovado. Depois, leia o poema “Milagre no Corcovado”, de Ângela Leite de Souza. Para fazer a leitura dos poemas, não se esqueça de retomar as orientações da página 2, Oficina 5.

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Milagre no Corcovado
Todas as noites De céu nublado No Corcovado Faz seu milagre o Redentor: Fica pousado no algodão-doce Iluminado Como se fosse De isopor Mas todos sabem Que bem de perto Esse Jesus É um gigante De mais de mil E cem toneladas... Suba de trem, Vá pela estrada, Quem chega lá, Ao pé do Cristo, vira mosquito. E olhando em volta Para a cidade De ponta a ponta maravilhosa A gente sente um arrepio: O milagre é o próprio Rio!
Ângela Leite de Castilho Souza. Meus Rios. Belo Horizonte, Formato, 2000, pp. 19-20.

Após a leitura do “Milagre no Corcovado”, faça perguntas a seus alunos. Qual o tema desse poema? Sobre o que fala a autora? Fechando os olhos, vocês conseguem imaginar o que a poetisa quis nos mostrar? Leia a seguir o poema “Cidadezinha”, de Mário Quintana.

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Cidadezinha
Cidadezinha cheia de graça... Tão pequenina que até causa dó! Com seus burricos a pastar na praça... Sua igrejinha de uma torre só... Nuvens que venham, nuvens e asas, Não param nunca nem um segundo... E fica a torre, sobre as velhas casas, Fica cismando como é vasto o mundo!... Eu que de longe venho perdido, Sem pouso fixo (a triste sina!) Ah, quem me dera ter lá nascido! Lá toda a vida poder morar! Cidadezinha... Tão pequenina Que toda cabe num só olhar...
Mário Quintana. Prosa e verso. São Paulo, Globo. © by Elena Quintana

Qual é o tema desse poema? Ele nos faz lembrar de coisas alegres ou tristes? Vocês conseguem imaginar a “Cidadezinha” que Quintana descreve em seu poema? Como é essa cidade? É parecida ou muito diferente da nossa cidade? Agora faça perguntas sobre a diferença entre os dois textos. O que esses poemas têm em comum? Por que eles tratam do mesmo assunto e ainda assim têm títulos diferentes? O que os títulos dizem para quem vai ler os poemas? Reforce para seus alunos a diferença entre título e tema. O tema do poema que eles vão produzir é “O lugar onde vivo”. Mas eles não devem repetir o tema no título. É melhor que eles criem algo original e sugestivo. Embora todos devam escrever sobre o mesmo tema, cada aluno poderá escolher um título diferente.

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2a etapa
Retome os dois poemas. Copie-os numa folha grande de papel ou na lousa e pergunte aos alunos como cada poeta consegue mostrar seu olhar único sobre o lugar onde vive. Peça-lhes que identifiquem os recursos poéticos que cada autor usou: rimas, comparações, metáforas. Que recurso poético Quintana usou em seu poema? Peça que observem as palavras que rimam. Será que ele só se preocupou em encontrar as rimas ou também conseguiu mostrar como era a cidadezinha? Leia com eles o poema em voz alta. É possível perceber o seu ritmo? E no poema “Milagre no Corcovado”, a autora usa rimas? Que recursos poéticos ela usa? Como consegue contar suas impressões sobre o Cristo no Corcovado? Identifique com eles as comparações e as metáforas do poema. Termine a oficina lembrando aos alunos que eles também podem usar recursos poéticos para falar sobre o lugar onde vivem de forma inovadora.

Diferentes recursos
Mário Quintana usa o recurso da rima para exprimir a simplicidade e o encanto da sua cidade. Além de usar rimas originais, ele se preocupou com o ritmo do poema. Ângela Leite de Castilho Souza não rima seus versos. Mas usa outros recursos, como a comparação e a metáfora. No verso “fica pousado no algodão-doce” ela mostra sua visão do Cristo iluminado à noite, cercado pelas nuvens. Para a autora, é um milagre o gigante de muitas toneladas pousado no algodão-doce.

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poemas

Um novo olhar
ObJEtIvO

oficina

• Propiciar um olhar novo e original

sobre o lugar onde os alunos vivem.

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Atividades
1a etapa
Nossa intenção nesta oficina é ajudar os alunos a se inspirarem e encontrarem o que dizer em seus textos. A maioria dos poetas têm uma fonte em que buscam inspiração para compor poemas. Muitas vezes essa fonte é o lugar onde vivem ou viveram. Manuel Bandeira, por exemplo, tem no Recife de sua infância um de seus temas preferidos. Da mesma forma, a vivência interiorana e a paisagem de Minas Gerais marcam a obra de Carlos Drummond de Andrade. Seus alunos também devem se inspirar no lugar onde vivem. A fonte de inspiração, porém, não é só a cidade, mas o bairro, a rua, as paisagens, os locais interessantes e seus moradores, a cultura e as peculiaridades. Você irá ajudá-los a buscar essa inspiração, resgatando impressões, sensações e sentimentos. Assim, eles vão encontrar um olhar pessoal e único sobre o lugar onde vivem. O poema que irão escrever não precisa falar sobre todos os aspectos da cidade. Se a preocupação for enumerar muitos elementos, os versos podem ficar longos e desinteressantes. Por outro lado, o poema deve revelar peculiaridades do lugar que podem encantar e conduzir o leitor ao mundo do poeta.

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poemas

Leia para a classe os versos abaixo, escritos por poetas que retratam o lugar onde viveram.

Confidência do itabirano
Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas...
Sentimento do mundo. Rio de Janeiro, Record. Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond. <www.carlosdrummond.com.br>.

Alma cabocla
E, na doçura que encerra Esta simpleza daqui, Viver de novo, na serra, Entre as gentes desta terra, A vida que eu já vivi...
Paulo Setúbal. Obras completas. São Paulo, Saraiva, 1958.

Ter o que dizer
buscar o que dizer num poema é muito diferente de buscar assunto para outros tipos de texto. Por exemplo, quando ensinamos nossos alunos a escrever um artigo de opinião, é preciso fazer uma pesquisa para a coleta de vários dados. Mas, no caso dos poemas, isso é bem diferente. Fazer poesia não é organizar informações objetivas em forma de versos. O ofício do poeta não é descrever aquilo que vê, mas expressar sentimentos e vivências interiores. Do contrário, o poema pode perder seu encantamento e originalidade.

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Converse com seus alunos sobre o lugar onde vivem: a cidade, o bairro, as ruas, os espaços interessantes que os impressionam de alguma forma. Se possível, organize um passeio pelos arredores da escola ou por lugares importantes da cidade. O objetivo não é coletar dados, mas incentivar a turma a observar pequenos detalhes, perceber as impressões e as sensações causadas por essa observação. O que eles sentem? Qual a cor predominante? Quais os ruídos do lugar onde vivem? O sol, as nuvens, o calor, o frio... que sensações despertam? Depois do passeio e da conversa sobre a cidade, pergunte aos alunos qual a impressão que têm dos lugares. O que mais chama a atenção? Se tivessem que descrever esses lugares para pessoas que não os conhecem, como o fariam? Explique ao grupo que, para escrever sobre o lugar onde vivem, é preciso antes de tudo aprender a olhar para esse lugar. Tem que ser um olhar diferente daquele do dia-a-dia, como nos explica Alberto Caeiro:

Não basta abrir a janela Para ver os campos e rios. Não é bastante não ser cego Para ver as árvores e flores.
O que o poeta quis dizer com esses versos? Como podemos olhar de forma diferente para o lugar onde vivemos? Interrogue seus alunos. Comente que muitas vezes olhamos as coisas com pressa ou de maneira superficial. Assim deixamos de ver todos os detalhes, de observar coisas que estão ocultas à primeira vista.

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A matéria-prima da poesia
Poemas não falam só de lugares. Poemas também podem tratar de pessoas, da sabedoria do povo. Como já vimos, há os que falam de problemas e aflições. São inúmeras as possibilidades. Essas são algumas. Provavelmente você e seus alunos descobrirão outras.

2a etapa
Proponha uma viagem imaginária em que todos serão convidados a olhar sem pressa para os lugares visitados ou sobre os quais vocês conversaram. Diga a eles que você vai ser o guia desse passeio. Peça a todos que se sentem o mais confortavelmente possível, fechem os olhos e pensem nesses lugares. Vá mencionando os locais, incentivando a turma a identificar as impressões, sensações e sentimentos que despertam. No final da viagem, peça a cada um deles que escreva no caderno palavras soltas ou frases sobre o que viram e sentiram. Monte com eles um painel, usando a lousa como base. Cubra toda a lousa com um grande papel ou com várias folhas emendadas. Aquele espaço representará o lugar onde vocês vivem. O que eles gostariam de registrar? Os alunos podem usar lápis, recortes ou tinta para compor um desenho. O painel deve ser feito em conjunto, e isso requer organização. Antes de começar, não se esqueça de planejar as etapas, dividir tarefas e funções. Agora, cada aluno vai escolher uma ou duas palavras que escreveu no caderno para copiar em pedaços de papel. Depois, deve procurar um lugar no painel para colar a palavra ou palavras escolhidas. No final, todos vão observar atentamente o resultado. Peça-lhes que conversem um pouco sobre o painel. O que mais podemos falar a respeito do lugar em que vivemos?

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Nosso poema
ObJEtIvO
• Produzir um texto coletivo.

oficina

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Atividades
1a etapa
Nesta oficina, os alunos vão escrever um poema coletivamente. Esse “ensaio geral” irá ajudá-los a resgatar e organizar uma síntese para incorporar os recursos aprendidos nas oficinas anteriores ao texto final. Será um trabalho na chamada “zona proximal” do desenvolvimento cognitivo dos alunos, quando a troca de informações entre estudantes de uma mesma turma permite que os colegas que estão em um momento mais avançado do conhecimento auxiliem o processo de aprendizagem dos demais e o seu próprio, pois aquele que ensina sempre aprende.

Zona proximal
A expressão “zona proximal” foi criada por Lev vygotsky (1896-1934), psicólogo bielo-russo (nascido na bielo-Rússia, país da Europa oriental que faz divisa com Polônia, Rússia, Letônia e Ucrânia). Zona proximal nomeia as aprendizagens que os alunos fazem com a ajuda de colegas mais experientes em determinada matéria. Ela antecede a zona real do conhecimento, quando o aluno consegue fazer a tarefa sem ajuda. No nosso caso, o texto individual será escrito na zona real do conhecimento. Mas, antes, haverá a produção coletiva, um trabalho na zona proximal do conhecimento.

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Diga aos alunos que nesta oficina eles escreverão juntos um poema. Para começar, peça à turma que observe o Mural de Poemas. Mostre quanto trabalho foi feito e pergunte a eles o que aprenderam até aqui. Ajude fazendo perguntas, dando sugestões, lembrando o que eles possam ter esquecido. Vocês podem fazer um quadro-resumo do que foi realizado ao longo das oficinas.

• Relembramos, ouvimos e lemos vários poemas. • Aprendemos o significado de diversas palavras, como
poema, poesia, poeta, verso, estrofe, estilo, tema.

• Com a poesia podemos expressar emoções e sentimentos enquanto falamos sobre pessoas, paisagens e outros temas.

• O poeta usa a linguagem de maneira diferente da que
fazemos no dia-a-dia. Emprega recursos poéticos, como rimas, aliterações, repetições, comparações e metáforas.

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2a etapa
Antes de iniciar a produção do texto, voltem ao painel montado na oficina anterior para decidir sobre o que o poema vai falar. Você pode copiar na lousa as palavras escolhidas. Pergunte a eles se o que foi selecionado é suficiente. O lugar onde vivemos é realmente assim? Será que não estamos nos esquecendo de coisas importantes? Agora que já conversaram sobre “o que” dizer, é hora de resolver o “como” dizer. Decidam juntos quantos versos e quantas estrofes o poema vai ter. E também quais os recursos poéticos que vão usar, entre rimas, versos livres (sem rimas), aliterações, repetição de palavras ou frases, comparações e metáforas. Comecem a compor o poema de acordo com o que ficou combinado. Escreva na lousa os versos criados em conjunto. Vá fazendo perguntas, incentivando o uso de recursos poéticos. A cada estrofe, você pode parar e reler o que foi feito para ajudá-los a pensar em formas mais originais de escrever os versos. Por exemplo, se seus alunos decidiram usar rimas, ajude-os a encontrar palavras e sinônimos. Pergunte se, além de rimar, o texto também tem sentido. Ajude-os a fazer comparações e criar metáforas. Leia os versos em voz alta para que os alunos percebam se não estão muito longos ou muito curtos, ou seja, se o ritmo está adequado. Verifique se conseguem fugir dos chavões e escrever de forma original. Releia o poema com a turma para ver o que ainda pode ser melhorado. Por fim, criem um título bem sugestivo e atraente. Na Oficina 14, você encontrará um roteiro para melhorar o poema depois de concluído pelo aluno.

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poemas

Virando poeta
oficina
ObJEtIvO

• Escrever um poema com

o tema “O lugar onde vivo”.

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Atividades
Chegou a hora tão esperada! Nesta oficina, seus alunos escreverão individualmente o poema para o concurso. Não se esqueça de que seu entusiasmo pela tarefa contagiará a todos. A fim de motivar a turma, leia para a classe o poema de Carla Marinho Xavier, aluna da professora Maria Luiza Alves da Silva. Elas foram as vencedoras da categoria “Poesia” da terceira edição do Prêmio Escrevendo o Futuro, em 2006. Mostre aos alunos os recursos que Carla usou para fugir do lugar-comum e mostrar um olhar único sobre sua terra.

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poemas

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O mundo dentro da represa do Frade 1444444444444444444424444444444444444444443
A represa é presa Presa com água E feita de pedra, pesada Com mil toneladas de água Lá embaixo os peixes: Cascudo, cará, carapeba Brincam de esconde-esconde Se entocando nas pedras. Desce a correnteza, correndo Descansa na represa E cai pelo caidor Fazendo cócegas nas pedras A água de baixo Temendo a água de cima Faz onda para escapar Fugindo para outro lugar Sobre a estreita ponte O danado do vento Vem assustar a gente Com seu sopro violento As árvores nas beiras Se seguram na areia Temerosas Não querem ser levadas Pela força da correnteza Da minha janela vejo esse mundo: Um mundo dentro do outro Preso nas muralhas da represa

O título sugestivo instiga o leitor e, ao mesmo tempo, antecipa o conteúdo do poema.

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Faz comparações e cria imagens para transmitir suas impressões. Pegando na mão do leitor, a autora apresenta a ele seu mundo.

Não são utilizadas rimas para compor os versos. A sonoridade é conseguida com a repetição de palavras, sílabas ou sons ao longo dos versos.

Revela de forma muito original os elementos da represa. Água, vento e árvores ganham vida e sentimentos. A água faz cócegas, o vento assusta as pessoas e as árvores têm medo.

O texto encanta a todos ao ultrapassar o lugar-comum, brincando com o sentido das palavras. A autora conclui o poema reafirmando seu olhar único e pessoal sobre o lugar onde vive.

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Vamos iniciar, então, a produção do poema. Retome com seus alunos a situação de produção. Eles, como participantes da Olimpíada, vão escrever um poema sobre o lugar onde vivem. Cada aluno deve exprimir, no texto, a visão pessoal e original do lugar onde vivem. Para mostrar impressões e sentimentos, devem usar as palavras de forma diferente. Os recursos poéticos estudados ao longo das oficinas deverão ser utilizados. O tema proposto é “O lugar onde vivo”. Pensando no tema, o aluno escolhe o que vai falar e faz um primeiro rascunho, deixando a emoção fluir e soltando a imaginação. Depois desse primeiro ensaio, ele vai tomar algumas decisões.

• O poema terá rimas ou não? • O poema será composto em quadras? • O poema terá aliterações, repetições de palavras ou versos? • Como fazer para que o poema tenha um ritmo harmônico e
cadenciado?

• É possível fazer algumas comparações ou até mesmo criar
metáforas? Com base nas decisões tomadas, cada aluno escreve um poema. Na próxima oficina, você vai ajudá-los a melhorar e reescrever o poema quantas vezes forem necessárias.

6

poemas

Últimos retoques
oficina
ObJEtIvO

• Aprimorar os poemas
produzidos.

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Atividades
1a etapa
Para compor poemas, mesmo os poetas consagrados ficam muito tempo melhorando seus versos, arrumando, organizando, mexendo nas palavras. É preciso tempo, não só para fazer correções, mas para aprimorar o texto. É assim que os poetas deixam de lado o lugar-comum, rompem com os clichês e conseguem encantar o leitor com um texto original e criativo. Explique aos alunos que você vai copiar na lousa exemplos de estrofes que devem ser melhoradas. Juntos, vocês vão pensar em formas de aprimorar os versos.

O lugar onde vivo
Minha cidade é bela É mesmo especial Eu gosto muito dela É tudo muito legal. ............................ Lá tem muita coisa legal Alegria e felicidade Outra não tem igual Assim é minha cidade.
Leia com eles esses versos e depois faça perguntas. É possível imaginar como é esse lugar? O autor consegue mostrar como é o lugar onde vive? Que sugestão vocês dão para melhorar o poema? Chame a atenção dos alunos para o título, que repete o tema proposto: o lugar onde vivo. Se o autor procurasse um título mais criativo, seu poema ganharia em qualidade. Nesse exemplo, o autor não consegue mostrar ao leitor o lugar onde vive. Por que o lugar é legal e especial? Faltam informações. 70 poemas

É preciso acrescentar versos que mostrem como é o lugar onde vive o autor. Essas informações é que vão revelar o olhar e as impressões dele. O autor usa duas vezes a palavra “legal”. A repetição pode ser um recurso que dá ritmo ao poema. Mas, nesse caso, parece que a palavra foi repetida porque o poeta não descobriu alternativa. Ele deveria ter usado outras palavras. Copie na lousa uma outra estrofe que deve ser melhorada.

A escola onde estudo É Imaculada Conceição Que muito tem se empenhado Em cumprir sua missão.
Questione os alunos. Como podemos melhorar esses versos? Será que, se retirássemos algumas palavras, os versos não ganhariam um ritmo mais cadenciado? Que palavras podemos tirar sem comprometer o sentido dos versos? Explique aos alunos que, para obter maior concisão e elegância, é possível eliminar algumas palavras. No caso dos poemas rimados, isso pode contribuir para o ritmo do texto. Mostre como fica melhor desta maneira:

A escola onde estudo Imaculada Conceição Muito tem se empenhado Em cumprir sua missão.

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2a etapa
Agora, convide seus alunos a aprimorar os poemas que escreveram. Copie no quadro os itens abaixo. Depois, peça a cada um deles que verifique se o texto dele atende a todos os aspectos.

• O título do poema é criativo? • O texto tratou do tema, mostrando
peculiaridades do lugar onde vivem?

características e

• O poema usa alguns dos recursos estudados nas oficinas: rima, quadra, aliteração, comparação, metáfora?

• O poema tem um ritmo cadenciado?
Depois desse exercício, você pode pedir a eles que passem os poemas a limpo e os coloquem no mural. Escolha junto com a classe os três melhores poemas e os envie para a comissão julgadora da escola. Para finalizar, sugerimos a realização de um novo sarau. Dessa vez com poemas escritos pelos próprios alunos. Prepare uma cerimônia especial. Convide os pais e a comunidade para a apresentação dos poemas. É hora de celebrar a conquista de todos!

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Afinando um pouco mais o olhar
Apontamos alguns problemas que geralmente aparecem nos textos dos alunos, mas sabemos que eles não são os únicos. Relacionamos a seguir mais algumas questões às quais você deve ficar atento.

• É preferível evitar rimas muito comuns, como o diminutivo e o aumentativo
das palavras (“inho” e “ão”). Rimas ricas ocorrem quando o poeta combina palavras de categorias gramaticais diferentes: adjetivos, substantivos, verbos. Mostre de novo a primeira estrofe do poema “Cidadezinha”, de Mário Quintana, e chame a atenção dos alunos para esse fato.

• Podem ser revistos os poemas que deslizam para a expressão de sentimentos
pessoais e se esquecem de contar como é “o lugar onde vivo”. Nesse caso, acrescente uma ou duas estrofes que ressaltem algum aspecto interessante do lugar: uma paisagem bonita, um jeito de ser do povo, um acontecimento curioso, uma festa popular.

• Às vezes, o poeta desrespeita intencionalmente as regras gramaticais: pontuação, concordância, ortografia. Ele pode usar a transcrição oral de uma palavra para mostrar o jeito de falar do povo, por exemplo. Mas verifique se seus alunos estão usando intencionalmente esse recurso ou estão errando por não saberem a grafia correta de uma palavra ou uma regra de concordância.

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Critérios de avaliação
Para a comissão julgadora
A comissão julgadora deve manter a coerência e valorizar os mesmos critérios usados pelos professores nas oficinas. A avaliação deve considerar, sobretudo, se o texto inspira e desperta emoção no leitor. A tabela a seguir orientará cada avaliador a atribuir os pontos.

(4 a e 5a séries do Ensino Fundamental ou 5o e 6o anos do Ensino Fundamental de Nove anos)

Categoria I – Gênero Poesia

Os 10 pontos ficam assim divididos:
• O poema está apropriado ao tema proposto “O lugar onde vivo” , compreendendo não só a cidade, mas o bairro, a rua, os locais interessantes e seus moradores, aspectos culturais e peculiaridades regionais. • O poema mostra um conjunto que produz sentido. Observação dos elementos da poesia

Pertinência ao tema proposto

2,5

2,5

• O poema apresenta alguns dos recursos poéticos trabalhados nas oficinas. • Esses recursos despertam a sensibilidade do leitor. • O texto deixa transparecer que o autor observou um aspecto especial do lugar onde vive e conseguiu expressá-lo. • O texto surpreende o leitor por trazer inovação. • O título do poema é sugestivo.

Busca de informações sobre o tema

2,5 2,5

Originalidade

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Textos recomendados

Ascenso Ferreira

sertão

Sertão! — Jatobá! Sertão! — Cabrobó! — Cabrobó! — Ouricuri! — Exu! — Exu! Lá vem o vaqueiro, pelos atalhos, Tangendo as reses para os currais... Blém... blém... blém... cantam os chocalhos dos tristes bodes patriarcais. E os guizos fininhos das ovelhinhas ternas dlin... dlin... dlin... E o sino da igreja velha: Bão... bão... bão .....................................
Poemas de Ascenso Ferreira. Recife, Nordestal, 1981, p. 26.

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Coisas do reino da minha cidade
Cora Coralina
(nome literário de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas)

Olho e vejo por cima dos telhados patinados pelo tempo copadas mangueiras de quintais vizinhos. Altaneiras, enfolhadas, encharcados seus caules, Troncos e raízes das longas chuvas do verão passado. Paramentadas em verde, celebram a liturgia da próxima florada. Antecipam a primavera no revestimento de brotação bronzeada, onde esvoaçam borboletas amarelas. As mangueiras estão convidando todos os turistas, para a festa das suas frutas maduras, nos reinos da minha cidade. ................................................................................................ Estas coisas nos reinos de Goiás.
Cora Coralina. Vintém de cobre — Meias confissões de Aninha. Coisas do reino da minha cidade. 9a ed. São Paulo, Global, 2007.

Mar azul
Ferreira Gullar

mar azul marco azul mar azul marco azul barco azul mar azul marco azul barco azul arco azul mar azul marco azul barco azul arco azul ar azul
Toda criança do mundo. Rio de Janeiro, Objetiva, v. 1, 2002, p. 35. Coleção Literatura em Minha Casa.

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Episódio sinistro de Virgulino Ferreira (ii)
Carlos Pena Filho

A feira de Vila Bela tem chocalhos para vacas. Na feira de Vila Bela, feijão e pó nas barracas. Na feira de Vila Bela, arreios, cordas e facas. Na feira de Vila Bela, chapéus de couro, alpercatas. Na feira de Vila Bela, um ceguinho pede esmola. Na feira de Vila Bela, o cego e sua viola: — Dona, siga o meu conselho, vá rezar uma oração, porque eu já vejo a distância a ira de Lampião. Fiquem somente os soldados, o sargento e o capitão. Fico eu também que sou cego E não sei da claridade. Se Lampião me matar, mata somente a metade, que a outra já levou Deus po r sua agreste vontade. ....................................
Livro geral. 2a ed. Recife, Liceu, 1999, p. 26.

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infância
Carlos Drummond de Andrade
A Abgar Renault

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo. Minha mãe ficava sentada cosendo. Meu irmão pequeno dormia. Eu sozinho menino entre mangueiras lia a história de Robinson Crusoé, comprida história que não acaba mais. No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu a ninar nos longes da senzala — e nunca se esqueceu chamava para o café. Café preto que nem a preta velha café gostoso café bom. Minha mãe ficava sentada cosendo, olhando para mim. — Psiu... Não acorde o menino. Pára o berço onde pousou um mosquito. E dava um suspiro... que fundo! Lá longe meu pai campeava no mato sem fim da fazenda. E eu não sabia que minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Alguma poesia. Rio de Janeiro, Record. Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond. <www.carlosdrummond.com.br>.

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na rua Mário de Andrade
Manoel de Barros

Na rua Mário de Andrade vou andar — Por ter sido Tarumã e hoje ser Mário de Andrade Ainda não sei onde é mas vou procurar — na rua Mário de Andrade vou andar... Vou ir com Macunaíma rente às paredes vou ir com Mário de Andrade Ele, Mário, me diz: é preciso flanar... Eu digo a ele — ó Mário, era o que eu ia te falar É preciso flanar em ruas — os passos levando sempre para nenhum lugar E Mário me diz: — Poeta, nenhum-lugar é o melhor lugar de um poeta chegar Não há que ter nem começo nem fim essa antiga rua Tarumã Como serão seus moradores? Vou até lá

Saberão quem foi esse homem bom — o da rua Lopes Chaves? Bem — mas também ele não sabia quem fora Lopes Chaves Não há como não saber quem foi o nome da rua em que se morou ou vai morar Se nome de gente, é bom que ele desapareça completamente Não seja mais nem lembrança nem a sombra de um homem — como queria o poeta Bandeira Talvez melhor conservar rua Tarumã mas vai ver que lá não existe um pé de tarumã! sequer uma criança que conheça tarumã ............................... Se houver flores nessa rua Mário de Andrade — a todos nós ela agradará Se houver sobrados líricos com janelas azuis ou verdes — pronto!

Gramática expositiva do chão: Poesia quase toda. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1990.

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Canção do exílio
Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá, As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu´inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Cinco estrelas. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p. 44. Coleção Literatura em Minha Casa. 

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na minha terra
Álvares de Azevedo

Amo o vento da noite sussurrante a tremer nos pinheiros, e a catinga do pobre caminhante no rancho dos tropeiros; e os monótonos sons de uma viola no tardio verão, e a estrada que além se desenrola no véu da escuridão;

a restinga da areia onde rebenta o oceano a bramir, onde a lua na praia macilenta vem pálida luzir; e a névoa e flores e o doce ar cheiroso do amanhecer na serra, e o céu azul e o manto nebuloso do céu da minha terra. ..................................

Antologia poética. 3 a ed. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1960, p. 204.

pátria minha
Vinicius de Moraes

.................................................. Não te direi o nome, pátria minha Teu nome é pátria amada, é patriazinha Não rima com mãe gentil Vives em mim como uma filha, que és Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez. Agora chamarei a amiga cotovia E pedirei que peça ao rouxinol do dia Que peça ao sabiá Para levar-te presto este avigrama: “Pátria minha, saudades de quem te ama... Vinicius de Moraes.”
“Pátria minha”, in: FERRAz, Eucanaã (org.). Vinicius de Moraes: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2004.
AuTOrizADO pElA VM EMprEEnDiMEnTOs ArTísTiCOs E CulTurAis lTDA. ©VM

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Recado final
Um dedo de prosa sobre a conversa que não acaba aqui
Pois é, professor, encerramos as atividades sobre poemas. Mas o trabalho com leitura e escrita continua. Um texto vai puxando outro, como uma conversa sem fim. Neste Caderno falamos diretamente com você, que está na sala de aula “com a mão na massa”. Para preparar estas oficinas, também conversamos com outras pessoas que discutem ou discutiram a escrita e seu ensino. Você talvez queira conhecer algumas de suas idéias. No “Para saber mais ainda” há um resumo de algumas delas. Em “Referências bibliográficas” encontra-se uma relação de textos e livros que foram consultados para a elaboração deste Caderno. 

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Para saber mais ainda

Por dentro da proposta. Para cada lugar, um jeito de falar.
Língua, discurso e gênero
Pela manhã, a mãe deixa um bilhete para o filho e faz a lista de compras. Chegando ao trabalho, prepara o material para a discussão com sua equipe. Na hora do almoço, telefona para o filho para saber se ele está bem. À tarde, antes de sair, anota os compromissos do dia seguinte. Após o trabalho vai ao mercado e preenche o cupom para o sorteio de um carro. Na volta para casa, encontra um amigo e conversam durante alguns instantes. À noite, ao ler o jornal, depara-se com um artigo do qual discorda e resolve escrever uma carta para a coluna do leitor. No decorrer do dia, essa pessoa produziu diversos textos orais e escritos: telefonema, conversa, bilhete, lista de compras, mensagens, lembretes... Todos nós produzimos diversos textos que se dão em diferentes gêneros — orais ou escritos, formais ou informais. Cada situação exige o uso de uma forma particular de comunicação. Afinal, não nos expressamos da mesma maneira quando escrevemos uma carta reclamando de um produto defeituoso ou quando comentamos o mesmo assunto com um amigo. As finalidades são distintas, os interlocutores são diferentes e os meios de circulação do texto não são os mesmos. Muitos gêneros são aprendidos informalmente, nas relações sociais, com familiares ou amigos. Para ler ou escrever uma lista de compras ou um bilhete, por exemplo, basta ser alfabetizado e compartilhar com pessoas essa prática. Outros gêneros, porém, exigem aprendizagem sistematizada, como os textos literários, científicos e jornalísticos. A escola é responsável pelo ensino dos gêneros formais. Essa aprendizagem amplia nossa competência lingüística e discursiva e nos dá mais possibilidade de participação social.

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O papel da escola
A escola não tem condições de ensinar todos os gêneros existentes, nem pode prever todos aqueles que os alunos utilizarão em sua vida futura. Ainda assim, o trabalho escolar é muito importante. Até mesmo para que o aluno se torne autônomo, capaz de aprender sozinho os gêneros de que vai necessitar no futuro. É preciso garantir a todos os alunos os saberes lingüísticos necessários para o exercício da cidadania. Isso porque uma vida digna em sociedade pressupõe o domínio das competências de ler, escrever e refletir sobre a língua escrita. A pessoa que fala, lê ou escreve está imersa numa história, numa cultura e em diferentes grupos sociais nos quais exerce papéis variados. Trata-se de um processo de construção de sentido que ocorre na relação entre os interlocutores e o contexto em que atuam. Uma reflexão sobre a concepção de língua e de ensino e aprendizagem que fundamentam as práticas escolares pode ser um bom começo para uma ação pedagógica mais sintonizada com as necessidades dos sujeitos no mundo. A escola precisa identificar situações autênticas de comunicação. Por exemplo, os alunos de determinada escola recebem uma revista feita para jovens, mas comentam com a professora que os assuntos não são de seu interesse. Surge a oportunidade. A professora pergunta o que eles poderiam fazer para que a revista tratasse de novos temas. Como os alunos podem não ter idéia de que é possível usar a escrita para isso, a professora propõe que escrevam uma carta à redação da revista. Cria-se uma situação autêntica de produção de texto. Provavelmente os alunos já tiveram contato com cartas pessoais, mas essa nova situação exige linguagem formal. Torna-se necessário, portanto, ensinar como escrever a carta. Está criada uma situação de produção de texto com base numa necessidade efetiva — a carta tem uma finalidade definida e será, de fato, enviada ao destinatário. Quanto mais a escola estiver sintonizada com seus alunos, mais condições terá de identificar e, mesmo, provocar situações em que eles tenham real necessidade de ler e produzir textos. Como promover situações semelhantes a essa? Por exemplo, a simulação de júris em que alunos assumem os papéis de réu, de juiz, de promotor, de jurados. Ou de uma redação de jornal, em que os alunos representarão as diferentes funções nela existentes: repórter, redator, editor, revisor. Também há os textos escritos em situações de provas, concursos, olimpíadas. Nesse caso, o aluno precisa demonstrar domínio na produção de determinado gênero. Seja qual for a situação, é necessário dar instrumentos para o aluno escrever da melhor forma possível. Na sala de aula o texto, além de ser a materialização de práticas reais de linguagem, torna-se também objeto de ensino e aprendizagem. E isso requer um trabalho planejado, contínuo, em que a atuação do professor é crucial. 

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É importante acolher os conhecimentos que os alunos trazem, introduzir novos conteúdos e valores por meio de situações desafiadoras e fazer a mediação entre os discursos dos alunos — geralmente construídos em esferas cotidianas de interação, como a família e a vizinhança — e os discursos produzidos em outras esferas, como as da ciência, da política e da mídia. O ensino de leitura e produção de texto torna mais claro ao aluno o que dele se espera. Isso ocorre, sobretudo, quando dizemos exatamente qual é a proposta: com que finalidade o aluno vai escrever, para quem, sobre qual assunto, em que gênero.

Seqüência didática
Seqüência didática é um conjunto de atividades ligadas entre si, planejadas para ensinar um conteúdo etapa por etapa. Essa seqüência de atividades permite que os alunos cheguem gradualmente ao domínio de determinado conteúdo ou competência. Ao organizar a seqüência didática para o ensino de gêneros textuais (orais ou escritos), o professor planeja seu trabalho para orientar seus alunos a ler, escrever e escutar ativamente, a explorar diversos exemplares do gênero escolhido. Assim, eles dominarão pouco a pouco suas características e produzirão textos dos gêneros estudados. O trabalho com seqüências didáticas supõe um rico processo de interação em aula — com a participação e orientação do professor como parceiro mais experiente e conhecedor do conteúdo que ensina —, cria um campo que favorece a apropriação, por parte dos alunos, de um dos instrumentos culturais elaborados historicamente pelo homem — os gêneros textuais. É importante enfatizar que a idéia central do trabalho com seqüências didáticas “é a de que se devem criar situações com contextos que permitam reproduzir em grandes linhas e no detalhe a situação concreta de produção textual, incluindo sua circulação, ou seja, com atenção para o processo de relação entre produtores e receptores” (Marcuschi, 2002). No Caderno do Professor — Orientação para produção de textos, a seqüência didática apresenta o seguinte passo-a-passo para o ensino dos gêneros textuais.

Passo 1

Apresentação do projeto de escrita e da situação de produção
O professor inicia a seqüência didática apresentando o gênero a ser estudado, ressaltando a importância de ler e produzir textos daquele gênero. Aqui há uma boa oportunidade para verificar se os alunos sabem em que situações sociais esses textos são produzidos, com que finalidade, para quem ler, e em que suportes textuais são encontrados. O professor também apresenta o plano de estudo do gênero, o objetivo da proposta e cada uma das etapas de trabalho, que ele deve registrar num cartaz para que todos possam consultá-las quando necessário.

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Passo 2

Diagnóstico inicial
O diagnóstico inicial tem por objetivo verificar o que a turma já sabe do gênero que será estudado. O professor deve avaliar se eles sabem em que situações sociais esse gênero é utilizado, se eles já leram ou escreveram algum texto desse gênero e em que contextos o fizeram. O professor pede à turma que escreva o texto, indicando os elementos da situação de produção: a quem se destina o texto (pais, colegas, pessoas da comunidade), qual é a sua finalidade (convencer, divertir, informar), onde será publicado (coletânea, jornal da escola ou da cidade, mural). Como as turmas são heterogêneas, a avaliação inicial favorece o planejamento de intervenções diferenciadas, possibilitando que todos cheguem ao final da seqüência didática proposta com maior domínio do gênero.

Passo 3

Leitura de textos
Para que os alunos ampliem seu repertório e se aproximem do gênero estudado, eles precisam ler bons e variados textos. O professor deve atuar como mediador entre os estudantes e o texto, incentivando, questionando, dando informações sobre o autor, seu tempo, suas fontes, sua obra, seus interlocutores, seu estilo etc.

Passo 4

Estudo das características do gênero
Para o estudo do gênero, são propostas várias atividades de oralidade, leitura, escrita e reflexão sobre a língua. Elas levam o aluno a identificar as características peculiares do gênero, como formas de composição, expressões próprias e tempos verbais utilizados.

Passo 5

Pesquisa sobre o tema
Em qualquer situação comunicativa, é preciso conhecer o assunto sobre o qual se escreve ou fala. A pesquisa é fundamental — consultar diferentes fontes, entrevistar pessoas, analisar documentos e coletar dados da cultura local. Essas informações são organizadas em uma síntese (cartaz ou quadro) para serem compartilhadas com o grupo e consultadas sempre que necessário. 

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Passo 6

Produção coletiva do texto
Na produção coletiva do texto, orientada pelo professor, os alunos organizam e sintetizam o que foi aprendido. A troca de informações entre colegas permite ao aluno que está em uma etapa mais avançada de conhecimento auxiliar no processo de aprendizagem dos demais. Durante as discussões, aparecem diferentes pontos de vista, e os alunos podem compreender que há vários modos de dar tom ao texto. Na negociação sobre o que deve ser escrito, de que maneira e em que ordem, há a possibilidade de autoria coletiva. Além de incentivar a participação de todos, essa produção oferece um modelo para a escrita do texto individual.

Passo 7

Produção individual
O desafio dessa etapa é a escrita individual do texto, tendo em mãos o roteiro que orienta a produção do gênero estudado. Para mobilizar os alunos, o professor pode relembrar a situação de comunicação proposta no início da seqüência didática. Além disso, deve rever as aprendizagens sobre elementos do gênero feitas ao longo da seqüência didática. Espera-se, nessa produção final, que o aluno ponha em prática grande parte do que foi ensinado.

Passo 8

Aprimoramento e reescrita do texto
Depois da escrita individual, o aluno — de posse de um roteiro e com auxílio do professor — fará a revisão e as reformulações necessárias para o aprimoramento de seu texto.

Passo 9

Publicação do texto produzido
Para finalizar o trabalho, o professor prepara os textos produzidos pelos alunos para publicação. Por exemplo, se trabalhou com artigos de opinião, pode publicá-los no jornal local, jornal mural ou na internet. No caso dos poemas, pode apresentá-los em um sarau ou organizá-los em uma coletânea. Se o gênero foi memórias literárias, pode transformar os textos elaborados em um livro de memórias. Por fim, para valorizar a conquista dos alunos, o professor pode promover uma cerimônia especial de lançamento da publicação ou de inauguração do mural. Pode ainda realizar um sarau com a participação das famílias dos alunos.

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Referências bibliográficas
BAKHTIN, Mikhail. “Os gêneros do discurso”, in: Estética da criação verbal — 1953/79. São Paulo, Martins Fontes, 2003. BERALDO, Alda. Trabalhando com poesia. São Paulo, Ática, v. 1, 16. BERENBLUM, Andréa e PAIVA, Jane. Por uma política de formação de leitores. Brasília, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. DOLZ, Joaquim e PASQUIER, Auguste. “Un decálogo para enseñar a escribir”, in: Cultura y Educación, 2, 16, pp. 31-41. ELIAS JOSÉ. “Tem tudo a ver”, in: LEITE, Maristela de Almeida & SOTO, Pascoal (coords.). Palavras de encantamento: Antologia de poetas brasileiros. São Paulo, Moderna, v. 1, 2001. Coleção Literatura em Minha Casa. FREIRE, Madalena. Observação, registro e reflexão. São Paulo, Espaço Pedagógico, 16. GOLDSTEIN, Norma. Análise do poema. São Paulo, Ática, 1. GULLAR, Ferreira. “O prazer de ler”, in: MURRAY, Roseana. A bailarina e outros poemas. São Paulo, FTD, v. 1, 2001. Coleção Literatura em Minha Casa. LAJOLO, Marisa. “Carta aos leitores”, in: LEITE, Maristela de Almeida e SOTO, Pascoal (coords.). Palavras de encantamento: antologia de poetas brasileiros. São Paulo, Moderna, v. 1, 2001. Coleção Literatura em Minha Casa. —. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. 6a ed. São Paulo, Ática, 2000. Coleção Educação em Ação. LAJOLO, Marisa e ZILBERMAN, Regina. Literatura infantil brasileira — História e histórias. 6a ed. São Paulo, Ática, 1. Coleção Fundamentos. LIMA, Ricardo da Cunha. De cabeça pra baixo. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 2000. MACHADO, Ana Maria. “Poesia: semente de toda a literatura”, in: Cinco estrelas. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001. Coleção Literatura em Minha Casa. MARCUSCHI, Luiz A. Gêneros textuais: O que são e como se constituem. Recife, UFPE, 2002. Mimeo. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Pró-Letramento — Programa de Formação Continuada de Professores dos Anos/ Séries Iniciais do Ensino Fundamental: Alfabetização e Linguagem. Edição revista e ampliada, incluindo SAEB/Prova Brasil matriz de referência/Secretaria de Educação Básica. Brasília, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. PEREIRA, Andrea. Biblioteca na escola. Brasília, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. ROJO, Roxane (org.). A prática da linguagem em sala de aula: praticando os PCNs. São Paulo, Educ; Campinas, Mercado de Letras, 2000. SCHNEUWLY, Bernard. Gêneros e tipos de texto: Considerações psicológicas e ontogenéticas. FPSE/Université de Genève,14. Mimeo. 

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