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1. INTRODUÇÃO

“[...] não se pode ser tão original no mundo científico. Uns e outros contribuem
para uma continuidade que nos irmana”.
(Maurício Knobel)

Nos hospitais-escola faz parte da rotina, quase diária, a prática da visita médica
à beira do leito. Tal atividade tem objetivos didáticos e assistenciais, que visam
possibilitar aos estudantes e residentes de medicina o contato com pacientes
(QUAYLE, 1998). Assim, acompanhados por professores e médicos mais experientes,
eles apresentam os casos e discutem o quadro clínico e os exames físicos dos
pacientes internados. Nota-se então que a prática da medicina envolve o médico, com a
sofisticação técnica e o especialismo; e o paciente, com sua fragilidade diante do
desconhecido (ESTIVALET, s/d); justificando então a importante relação estabelecida.

Apesar de ter valor inquestionável para a formação médica, faz-se necessário


refletir sobre os efeitos psicológicos que a visita médica pode proporcionar aos
pacientes. Existe uma tendência em considerar tais visitas como ruins do ponto de vista
do bem-estar psicológico do paciente (SANCOVSKI, 2002), o que talvez não se faça
verdade absoluta. Observa-se que ela é percebida pelo paciente de maneira ambígua e
conflitiva; enquanto alguns referem dificuldades para compreender o que é dito a
respeito de sua doença e sentem-se desamparados e excluídos de seu próprio
tratamento, outros sentem-se acolhidos e prestigiados quando recebem por parte de
toda equipe atenção e informação sobre sua doença e tratamento (MARTINS;
QUAYLE; LIVRAMENTO; LUCIA, 2003).

Atualmente muito se fala sobre Humanização Hospitalar. Há um discurso de


necessidade de esforço contínuo em humanizar o atendimento, e para isso, acredita-se
que seja essencial humanizar a relação entre a equipe de saúde e o paciente. Partindo
desse ponto de vista, torna-se importante o estudo da percepção dos pacientes na
situação da visita médica e como a relação com o médico é favorecida ou prejudicada
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durante a mesma, uma vez que saber o que pensam e sentem os pacientes a respeito
pode auxiliar na formulação de atividades práticas desenvolvidas pelas escolas
médicas, contribuindo para a melhora do cuidado prestado aos doentes.

O interesse pelo tema surgiu durante as participações nas visitas médicas à


beira dos leitos, com os pacientes internados no Departamento Médico pela equipe de
Cardiologia na Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Vale ressaltar que
a ISCMSP é um hospital-escola de referência e grande porte. Por meio de observações
e relatos de pacientes e alguns membros da equipe de saúde, percebeu-se alguns
sentimentos despertados por essa discussão de caso ocorrida à beira, a margem, em
volta do leito de cada paciente, na presença também de seus colegas de quarto e
acompanhantes.

Diante disso, o objetivo do presente trabalho é verificar a percepção dos


pacientes frente a visita médica em um hospital-escola bem como a inserção e a
importância do psicólogo como integrante da equipe multiprofissional nesse momento.
Além de compreender melhor os sentimentos despertados durante a hospitalização e
como se estabelece a relação médico-paciente.

Levando-se em conta tais dados, este trabalho de revisão bibliográfica conta com
três capítulos teóricos, abordando os seguintes assuntos: história do hospital,
enfatizando os hospitais-escola e a influência da hospitalização nos indivíduos; a
relação médico-paciente, uma relação estabelecida, muitas vezes, por dependência,
regressão e uma difícil comunicação entre as partes; e finalmente a visita médica a
beira do leito, foco de nosso estudo, levantando também a importância da equipe
multiprofissional (incluindo-se o psicólogo) participativa das visitas à beira do leito para
a humanização hospitalar. Finalmente faz-se uma discussão, ressaltando divergências
e convergências da literatura com a prática percebida no trabalho junto à equipe de
Cardiologia da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo durante as visitas
médicas à beira do leito.
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2. DO HOSPITAL À INTERNAÇÃO

“A morte recuou e trocou a casa pelo hospital, está ausente no mundo


familiar do dia-a-dia”.
(Philipe Ariès, 1975)

2.1 – Instituição Hospitalar

Da missão em resgatar pobres, moribundos e doentes do meio social à função


de salvar vidas, o hospital percorreu um longo caminho até chegar ao modelo
encontrado hoje (PITTA, 1999).

A palavra hospital vem do latim ‘hospes’, que significa hóspede, a qual deu
origem à ‘hospitalis’ e ‘hospitium’, que designavam o lugar onde se hospedavam na
Antigüidade, além de enfermos, viajantes e peregrinos (CAMPOS, 1995). A figura do
hospital surgiu historicamente no ano 360 d.C. (CAMPOS, 1995; FOCAULT, 1979;
NIGRO, 2004). Nessa época, a doença era considerada com base em uma concepção
mítico-mágica, e a prática da “medicina”, como uma função religiosa nas civilizações
grega e romana. Na Grécia politeísta acreditava-se que as pessoas adoeciam ou
recuperavam a saúde porque essa era a vontade dos deuses.

Até a Idade Média, os doentes de famílias tradicionais eram cuidados em casa.


Assim, de acordo com Kovács (1987), o homem, de forma geral, antes do advento da
tecnologia médica estava mais familiarizado com a morte, sendo permitida a expressão
de tristeza e dor. A partir dessa tecnologia médica, a vivência da morte com todas as
expressões subjetivas começaram a se deslocar ao hospital, no século XVIII tem seu
significado e suas práticas também transformados.

Antes do século XVIII, somente eram cuidados no hospital os indivíduos que não
possuíam recursos financeiros ou os excluídos do meio social; assim, o hospital era
uma instituição de assistência ao pobre, como também de exclusão e separação. Neste
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ambiente, a equipe de saúde era apenas um pessoal caritativo que estava ali para fazer
uma obra de caridade que lhe assegurasse a salvação eterna (FOUCAULT, 1979).

Para legitimar a mudança do caráter asilar e caritativo para científico-terapêutico,


o hospital necessitou do aporte de dispositivos de medição objetivos. A soberania do
discurso médico na instituição hospitalar, portanto, configura a afirmação da ciência
médica moderna alicerçada sobre os pilares quantitativistas (ESTIVALET, s/d).

O nascimento do hospital como unidade de tratamento de doenças, tal como


concebido hoje, surge aos poucos com o ajuste, segundo Foucault (1979), de dois
processos: o deslocamento da intervenção médica e a disciplinarização do espaço
hospitalar. A disciplina é uma técnica de exercício de poder que foi não inteiramente
inventada, mas durante o século XVIII elaborada em seus princípios fundamentais;
existindo historicamente há muito tempo, na Idade Média e mesmo na Antiguidade. Os
mecanismos disciplinares são antigos, mas existiam em estado isolado, fragmentado,
até os séculos XVII e XVIII, quando o poder disciplinar foi aperfeiçoado como uma nova
técnica de gestão dos homens. Fala-se sempre das invenções técnicas do século XVIII
– as tecnologias químicas, metalúrgicas, etc. – mas nada se diz da invenção técnica
dessa nova maneira de ferir os homens, controlar suas multiplicidades, utilizá-las ao
máximo e majorar o efeito útil de seu trabalho e sua atividade, graças a um sistema de
poder suscetível de controlá-los.

Com esses dois fenômenos (o deslocamento da intervenção médica e a


disciplinarização do espaço hospitalar), distintos em sua origem, Foucault (1979)
ressalta que, ambos poderiam se ajustar com o aparecimento de uma disciplina
hospitalar, que teria função de assegurar o esquadrinhamento, a vigilância, a
disciplinarização do mundo confuso do doente e da doença, além de transformar as
condições do meio em que os mesmos são colocados. Individualizaria e distribuiria os
doentes onde eles pudessem ser vigiados e onde fosse registrado o que acontece; ao
mesmo tempo modificaria o ar que respiram, a temperatura, a água, o regime, de modo
que o quadro hospitalar se tornasse um instrumento de modificação com função
terapêutica.
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Segundo Lima Gonçalves (1983), o hospital atualmente representa a própria


força do homem na batalha contra a morte, recuperando, reabilitando e promovendo a
saúde. E nesse sentido, tanto a Organização Mundial de Saúde, como o Ministério da
Saúde, estão de acordo ao definirem o conceito de hospital.

Para a Organização Mundial de Saúde, o hospital:

é parte integrante de um sistema coordenado de saúde, cuja função é


dispensar à comunidade completa assistência médica, preventiva e curativa,
incluindo serviços extensivos à família em seu domicílio e ainda um centro de
formação dos que trabalham no campo da saúde e para as pesquisas
biossociais (CAMPOS, 1995, p.20).

O Ministério da Saúde assim definiu:

o hospital é parte integrante de uma organização médica e social, cuja função


básica consiste em proporcionar à população assistência médico-sanitária
completa, tanto curativa como preventiva, sob quaisquer regimes de
atendimento, inclusive o domiciliar, e cujos serviços externos irradiam até o
âmbito familiar, constituindo-se também em centro de educação, capacitação
de recursos humanos e de pesquisas em saúde, bem como de
encaminhamentos de pacientes, cabendo-lhe supervisionar e orientar os
estabelecimentos de saúde a eles vinculados tecnicamente (CAMPOS, 1995,
p.20).

Frente a isso, Pitta (1999), defende a idéia de que com algumas mudanças
significativas que o hospital vem incorporando nos últimos séculos, ele está
transformando cada vez mais suas características de ofício em processo tecnológico de
trabalho. E, ao falar-se em processo tecnológico vale ressaltar os Hospitais-Escola,
também chamados de Hospitais Universitários, ou Hospitais de Ensino.

2.1.2 – Hospital-Escola

Segundo Cortopassi, Lima e Gonçalves (2006), as competências definidas como


necessárias à formação do médico abarcam habilidades, aspectos cognitivos e
atitudes, sendo as últimas marcadas pela exigência de uma atuação médica humanista
e pautada em princípios éticos. Uma vez que o ensino médico é essencialmente
prático, é imprescindível que, durante sua formação, o estudante interaja com pacientes
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e usuários, o que é feito na maior parte dos casos nos Hospitais-Escola, observando
como o fazem seus professores, aprendendo e modelando sua relação com o paciente.

Os Hospitais-Escola são tão antigos, para Médici (2001), como o conceito de


saúde, o qual surgiu com o renascimento. De acordo com o autor, a concepção
tradicional define um hospital de ensino como uma instituição que se caracteriza por:

 ser um prolongamento de um estabelecimento de ensino em saúde (como uma


faculdade de medicina, por exemplo);
 promover treinamento universitário na área de saúde;
 ser reconhecido oficialmente como hospital de ensino, estando submetido à
supervisão das autoridades competentes;
 propiciar atendimento médico de maior complexidade (nível terciário) a uma
parcela da população. Embora nas últimas duas décadas, ampliou-se nos
países desenvolvidos a autonomia desses hospitais, os quais passam a manter
funções definidas nos sistemas de saúde e a se subordinar progressivamente à
lógica desses sistemas.

Assim, para Sancovski (2002), durante o ensino médico o aluno - estudante,


interno e/ou também residente - irá deparar-se com a doença, com o doente, com a
morte, com o ser médico e outras situações geradoras de ansiedade, como a visita
médica à beira do leito. Com isso, a visita médica, embora tenha caráter didático-
educativo, deve ter como prioridade o assistencialismo.

Conforme Médici (2001) os hospitais-escola respondem por uma atenção médica


basicamente curativa, com pouca preocupação a prevenção. Os países desenvolvidos
estão começando lentamente a mudar, especialmente no que se refere ao
gerenciamento de enfermidades crônicas, onde a educação do paciente e de seus
familiares é indispensável para eficácia dos tratamentos.

O lado prático da medicina, desde o seu nascimento, envolve de um lado o


médico que tenta entender, tratar e curar; e de outro o paciente, que desconhece o
motivo do sofrimento, e busca ser curado. Assim, na internação hospitalar interagem
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extremos: a mais alta sofisticação técnica e o especialismo, por um lado, e por outro
prevalece a necessidade do contato básico diante do sofrimento e da fragilidade
humana (ESTIVALET, s/d). Diante disso, deve-se pensar na representação da
hospitalização para o paciente.

2.2 – Adoecimento e Internação hospitalar

O hospital, o processo de hospitalização e o tratamento que visa o


restabelecimento não fazem parte dos projetos existenciais da maioria das pessoas
(ANGERAMI-CAMON, 2004). Assim, toda enfermidade, por mais leve que seja,
segundo Balint (1988), implica no renunciar a uma parte da liberdade e dos prazeres
aos quais se está acostumado. Quebra-se então a linha de continuidade da vida, das
funções desempenhadas diariamente, de certa previsibilidade que guardamos sobre o
amanhã (BOTEGA, 2006). O impacto da doença imobiliza e congela a existência e
conseqüentemente a relação do sujeito com o mundo, assim para Freud ([1914] 1996):

uma pessoa atormentada por dor e mal-estar orgânico deixa de se interessar


pelas coisas do mundo externo, na medida em que não dizem respeito a seu
sofrimento. [...] Devemos então dizer: o homem enfermo retira suas catexias
libidinais de volta para seu próprio ego, e as põe para fora novamente quando
se recupera (p.89).

Pacientes reagem diferentemente às doenças e à internação hospitalar. Para


Botega (2006), os fatores que determinam as respostas individuais a essa condição não
são conhecidos em sua totalidade; apesar disso, o significado pessoal e subjetivo que o
adoecimento desperta no indivíduo parece ser o fator fundamental, moldado por
características de personalidade, circunstâncias sociais e pela própria natureza da
enfermidade e de seu tratamento. O estar doente pode então ser sentido de diversas
maneiras, de acordo com as vivências pessoais e experiências anteriores de
enfermidades em familiares ou amigos. Para certas pessoas, de acordo com Balint
(1988), “ficar doente constitui rude golpe, para outras bem-vindo alívio” (p. 224). Assim,
conforme Rocco (1992), as experiências individuais do adoecer levam o sujeito utilizar
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seus mecanismos inconscientes de defesa e adaptação, tais como: regressão, negação


e racionalização, principalmente.

Em relação aos mecanismos de defesa, Kusnetzoff (1982) afirma que diante de


estímulos que possam resultar num perigo ameaçador ao equilíbrio do aparelho
psíquico, entram em funcionamento as diversas operações defensivas, objetivando
redução da tensão. A palavra defesa, numa visão psicanalítica, exprime o conjunto de
operações efetuadas pelo ego perante os perigos que procedem do id, do superego e
do mundo exterior. Logo, o ego em si mesmo é uma defesa que se constitui diante os
perigos internos e externos. Neste sentido, tais mecanismos podem ser considerados
estratégias utilizadas pelo ego para lidar com os diferentes eventos ou perigos que
podem gerar angústia ou sofrimento. Hall, Lindzey e Campbell (2000) descrevem os
mecanismos de defesa como medidas extremas, as quais o ego é forçado a tomar
frente a pressões de excessiva ansiedade. Algumas características são comuns a
quaisquer mecanismos de defesa: eles negam, falsificam ou distorcem a realidade e
operam inconscientemente, de modo que a pessoa não tem consciência do que está
acontecendo.

Retomando os mecanismos defensivos pelos quais as experiências individuais


do adoecer levam o sujeito utilizar usualmente, de acordo com Rocco (1992), faz-se
necessário entender melhor cada um deles:

- a regressão, termo psicanalítico usado para descrever uma volta a etapas


iniciais do desenvolvimento emocional, é evidenciada, segundo Rocco (1992), quando o
doente volta a apresentar comportamentos primitivos, ficando numa posição frágil e
dependente.

- a negação, para Laplanche e Pontalis (2001), é um processo pelo qual o


sujeito, embora formulando um dos seus sentimentos, desejos ou pensamentos até
então recalcado, continua a defender-se dele negando que lhe pertença. É um dos
mecanismos de defesa mais arcaico, pois ao escotomizar a percepção da realidade –
no caso, a doença – impede qualquer tentativa de alterá-la (ROCCO, 1992). Para
Botega (2006), por meio da negação o paciente passa a agir como se não estivesse
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sob ameaça, podendo postergar ou abandonar o tratamento, desacreditar nos


resultados de exames, ou até mesmo tentar fazer crer que o seu problema clínico é de
natureza mais branda.

- a racionalização (ou também intelectualização), apontam Laplanche e Pontalis


(2001), é um procedimento pelo qual o sujeito tenta dar uma explicação coerente, do
ponto de vista lógico e/ou aceitável, do ponto de vista moral, a uma atitude, ato, idéia ou
sentimento, cujos motivos verdadeiros não percebe. Implica em poder separar os
aspectos afetivos atuantes na escolha do símbolo, de todos aqueles que se sustentam
nos aspectos racionais da lógica formal. Em termos do ego, implica na adequação do
pensamento à realidade compartilhada. Para Rocco (1992), embora não permita que o
paciente perceba de forma adequada sua doença, é ainda um mecanismo que permite
a ele o cumprimento das prescrições médicas, sendo por isso menos prejudicial que o
mecanismo de negação.

Mas, como ressalta Botega (2006), é preciso respeitar esses mecanismos de


defesa, pois significam para muitos pacientes a impossibilidade de suportar a carga
emocional advinda da situação de doença.

Enfim, a doença (e juntamente a ela a internação hospitalar) constitui para o


homem uma ameaça de dor, invalidez e morte. Com isso, desenvolve-se um sentimento
de insegurança e uma necessidade de apoio, trazendo a tona a importante relação
entre médico, equipe de saúde e paciente; considerando aspectos físicos, biológicos e
psicológicos inerentes a situação descrita.
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3. RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE

“É na linguagem que o homem acha um substituto para o ato”.


(Freud, 1895)

O encontro entre médico e paciente, segundo Botega (2006), não é apenas


regido por elementos objetivos e racionais, uma vez que ao entrar em contato com o
doente, o médico recebe um indivíduo que traz consigo expectativas conscientes e
inconscientes.

O assunto da relação médico-paciente tem sido tratado extensamente por


numerosos autores. Para Sancovski (2002), a relação que se estabelece entre médico
e paciente, passível de complexidades e ambigüidades presentes nas relações
humanas, faz-se primordial para a Medicina. O repensar da atuação da medicina a
partir da segunda metade do século XX tem ocorrido dentro de várias perspectivas. Nos
anos 50, de acordo com Jaspers (1991), enfatizou-se a necessidade de recuperar os
elementos subjetivos da comunicação entre médico e paciente.

De qualquer modo, é de comum acordo na literatura que essa relação


condiciona uma situação em que há uma significativa carga ansiógena, sendo a
ansiedade do paciente muito mais fácil de ser percebida, encontrando-se ele numa
situação de exceção, particularmente ameaçadora e incerta (BALINT, 1998; BOTEGA,
2006; SANCOVSKI, 2002). Por sua vez, o médico com uma ansiedade mais sutil e
controlada - porém não menos significativa - muitas vezes em virtude de sua própria
formação profissional, mais organiscista e objetiva, entendem e apreendem o que é
concretamente detectável e palpável, dificultando a abstração das informações
(SANCOVSKI, 2007).
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3.1 – Dependência e Regressão

Segundo Balint (1988), são muitos os fatores do contato médico-paciente que


impulsionam o paciente a estabelecer uma relação de dependência infantil; sendo isto
para o autor inevitável, porém cabe presumir que grau de dependência é desejável. Ao
buscar o auxílio médico, o indivíduo procura algo mais que o restabelecimento de um
processo biológico desorganizado (MARTINS et al., 2003). Em grau maior ou menor,
mesmo o indivíduo mais equilibrado, ao ficar doente deposita no médico temores e
esperanças, suas expectativas boas e ruins (BOTEGA, 2006).

Assim, a instalação da doença costuma levar o paciente a um estado conhecido,


de acordo com Zimerman (1992), por regressão, e que consiste num retorno a um nível
de funcionamento primitivo, com a reedição de ansiedades, fantasias e expectativas
próprias da infância. O paciente torna-se em parte, para Martins e colaboradores
(2003), uma criança assustada, que espera o médico com seus poderes mágicos e
onipotentes, anteriormente atribuídos à mãe e o pai.

Todo paciente, segundo Sancovski (2007), tem muito da criança medrosa que
procura a mãe cuidadora no médico, em busca de apoio. Assim, do mesmo modo que
os pais durante a infância, o médico posteriormente passa a ser depositário de
fantasias que configuram a transferência1 (BOTEGA, 2006).

a criança assustada que o paciente pode trazer dentro de si espera reencontrar


no médico a capacidade materna de aplacar a angústia e a dor, de forma que
possa transmitir suas fantasias terríveis desencadeadas pela doença e recebe-
las de volta transformadas, elaboradas e mais aceitáveis. Ou, ainda, espera
encontrar no médico alguém que se assemelhe à figura paterna, investida de
força e habilidade, capaz de controlar e domar os perigos do mundo (BOTEGA,
2006, p.63).

Para Zimerman (1992) essa relação de transferência tanto pode ser negativa
como positiva. Ou seja, um mesmo médico pode estar sendo visto por um paciente
como uma mãe boa que dá a ele cuidados e alimentos (no caso, medicamentos),

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De acordo com Laplanche e Pontalis (2001), a transferência designa em psicanálise o processo pelo
qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados objetos no quadro de um certo tipo de
relação. Numa explicação mais simplista, implica um deslocamento de valores, de direitos, de entidades,
mais do que um deslocamento material de objetos.
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enquanto para outro paciente esse médico pode estar sendo visto como a mãe má, que
o envenena com medicamentos.

Da mesma forma, o médico também tem sentimentos de todas as ordens em


relação a seus diferentes pacientes, fenômeno denominado de contratransferência2. A
transferência e a contratransferência são simultâneas e interativas, sendo que elas
configuram um vínculo muito particular na relação médico-paciente (SANCOVSKI,
2002).

O encontro entre o médico e o paciente envolve ainda, para Botega (2006), um


jogo de identificações e a busca de encaixes e afinidades entres ambos, e para isso
existe a linguagem/comunicação, uma intermediária nessa relação que necessita ser
decodificada.

3.2 – A difícil comunicação

Nos primórdios da prática médica, a comunicação verbal era fortemente


enfatizada, pois, de acordo com Martins e colaboradores (2003), era o único
instrumento disponível para obtenção de informações sobre o paciente. Uma vez que
os métodos de investigação e os exames eram precários e escassos, e a religião
dificultava os estudos de anatomia e proibia os exames físicos em pacientes vivos.
Então, a única forma investigativa era o médico estabelecer uma relação sólida com o
paciente, através de longas conversas sobre os sintomas, história familiar, etc.

De acordo com Rossi e Batista (2006), as Diretrizes Curriculares Nacionais do


Curso de Graduação em Medicina (Brasil, 2001) apontam para a necessidade da
formação de um médico generalista, humanista, crítico e reflexivo, capacitado para
atuar, pautado em princípios éticos, no processo de saúde-doença em seus diferentes
níveis de atenção. Assim, conforme Martins e colaboradores (2003), dentre as

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A contratransferência é um fenômeno normal, em uma convergência e integração dos campos
intrapsíquico e interpessoal, sendo processos inconscientes que a transferência provoca no outro.
(BOTEGA, 2006).
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habilidades específicas, destacam a necessidade de o aluno aprender a comunicar-se


adequadamente com os colegas de trabalho, os pacientes e seus familiares,
informando-os e educando-os por meio de técnicas apropriadas. É necessário ao
médico ouvir o paciente, representando esse ouvir uma parte importante do apoio que o
paciente necessita. O doente assustado com sua enfermidade, na situação de
dependência que esta lhe confere, precisa ter alguém que não só escuta suas queixas,
mas que as valoriza de forma intensa, detendo-se em aspectos que até então eram
considerados desagradáveis (ROCCO, 1992). O discurso médico usado pelos membros
da equipe médica é bastante técnico. Raramente a linguagem usada por eles é
compreendida pelos pacientes, que se sentem excluídos de seu próprio tratamento
(MARTINS et al., 2003).

Com o avanço da medicina, através do crescimento da indústria farmacêutica e


da tecnologia, o médico foi adquirindo cada vez mais o direito e o poder de manipular,
cortar, examinar e tocar o corpo, curar e decidir sobre a vida e a morte (MARTINS et al.,
2003). Desta forma, a relação com o paciente vai se tornando mais distante, uma vez
que a necessidade das palavras é substituída por aparatos tecnológicos. Segundo
Freud em 1926 (1996), a palavra é um instrumento poderoso, através dela
manifestamos sentimentos e influenciamos outras pessoas. “As palavras podem fazer
um bem indizível e causar terríveis feridas” (p.183).

Dubé (2000, apud ROSSI; BATISTA, 2006) afirma que a efetiva comunicação,
relevante para os serviços de prevenção e para a prática diária, está na base das
habilidades do médico, não somente para o levantamento da história básica e de mais
dados, mas para a construção da relação com o paciente, na facilitação, negociação e
parceria.

De acordo com Fiske (1990, apud ROSSI; BATISTA, 2006), podemos identificar
dois eixos principais no processo comunicacional: o primeiro considera a comunicação
como uma linha de transmissão da mensagem entre o emissor e o receptor, onde A
informa B; para o segundo a comunicação é uma interação, uma troca de signos,
significados, significantes, onde A e B se relacionam.
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Entretanto, segundo Moretto (2002), o discurso médico tem uma função


silenciadora na maior parte das vezes, em que a fala do sujeito depois de ouvida é
descartada. A comunicação adequada por parte do profissional da saúde – ressaltando
os médicos - tentaria diminuir mal-entendidos e conflitos, atingindo objetivos definidos
para a solução de problemas detectados na interação com os pacientes (SILVA, 1996).
Mesmo pacientes com boas habilidades de leitura e capacidade para lidar com
números podem ficar desnorteados em conversas médicas. O médico em formação
precisa aprender a evitar os jargões inacessíveis aos pacientes, bem como o emprego
de descrições qualitativas ambíguas, tais como 'algum' ou 'provável', que os pacientes
podem interpretar de modo diverso do pretendido (BLANK, 2006). Por vezes essa
comunicação não é satisfatória para os pacientes, os doentes reclamam entre si e
reprovam o que a equipe diz, por exemplo, nas visitas médicas ao leito, tema que será
abordado no capítulo seguinte.

Enquanto os avanços tecnológicos mostram-se significativos, para Jaspers


(1991), não se percebe mudanças correspondentes nas condições de vida, como
também, não se verifica o aperfeiçoamento das práticas de saúde, como as compostas
pela comunicação e pela observação. Atualmente existem recursos para lidar com cada
fragmento do homem, mas falta ao médico a habilidade para dar conta do mesmo
homem em sua totalidade mente-corpo. Desta forma, conforme Adams (2002) os
profissionais da saúde exaustos impedem que o relacionamento médico-paciente
aconteça de forma positiva. Os pacientes oferecem confiança, respeito e muito mais; no
entanto é difícil que os médicos os tratem com alegria; e a primeira causa dessa
dificuldade é a falta de comunicação.

Enfim, a sociedade atual tem favorecido contatos interpessoais cada vez mais
numerosos e superficiais, nos quais as necessidades de comunicação ficam
acumuladas, conforme Sancovski (2007), favorecendo insatisfações e revoltas. E como
ressalta Rossi e Batista (2006): saber se comunicar é entender o paciente e se fazer
entender por ele, entrando em vigência o esquema clássico de comunicação: emissor -
mensagem - receptor, e o foco do processo é a mensagem.
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4. A VISITA MÉDICA

“Falar é uma necessidade, escutar é uma arte”.


(Goethe)

4.1 - A visita médica à beira do leito

A visita médica é uma prática quase que diária nos hospitais escola, a qual
didaticamente contribui para a formação do médico. Sempre acompanhados por um ou
mais professores, um grupo de residentes e estudantes participa das discussões
clínicas à beira do leito e dos exames físicos dos pacientes internados, apresentando
os casos. A partir do século XIX, esse exame do doente diante de uma assembléia de
vários estudantes tornou-se rotina em todo o mundo, constituindo assim, a clássica
visita médica, método privilegiado para o ensino da medicina (LIMA FILHO, 1990, apud
MARTINS et al., 2003).

Há muito tempo se fala das apresentações dos casos à beira do leito. Conforme
Sylvius (1679, apud SANCOVSKI, 2002), esse modelo de apresentação evita a
passividade, o dogmatismo e uma visão estreita e vazia da medicina. Longe do leito os
estudantes podiam receber uma mensagem perniciosa sobre o valor dos pacientes,
assim, à beira do leito as visitas proporcionam uma oportunidade de encorajar,
exemplificar valores e atitudes de sustentação. Num levantamento com 100 pacientes,
em uma pesquisa de campo, Romano (1941, apud SANCOVSKI, 2002) concluiu que
quando conduzida com simpatia e tato, a visita à beira do leito não é uma experiência
emocional negativa para os pacientes, ao contrário, ela os informa e lhes dá maior
segurança. Em uma outra pesquisa, com a utilização de uma entrevista estruturada
para detectar os efeitos emocionais da visita médica e da visita cirúrgica, Kaufman e
colaboradores (1956, apud SANCOVSKI, 2002), confirmaram que os pacientes menos
instruídos – com baixo nível de escolaridade – ficam menos satisfeitos com as
apresentações à beira do leito, possivelmente por um desconforto com a complexa
terminologia médica. Payson e colaboradores (1965, apud SANCOVSKI, 2002)
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descreveram o quanto essas visitas médicas são voltadas ao ensino e quão pouco se
toca nos aspectos sociais e psicológicos das doenças e se dá atenção para o paciente.
Seguindo esse pensamento, Siegler (1978, apud SANCOVSKI, 2002) ressaltou a
importância de ver o paciente como um sujeito, humanizando com isso os cuidados
médicos. Diferentemente, Wartman e colaboradores (1983, apud QUAYLE et al., 1998),
apuraram que freqüentemente os pacientes mostram-se satisfeitos quanto aos
aspectos formais e de informação da visita médica, embora insatisfeitos no que se
refere à comunicação com os médicos durante a mesma. A capacidade do médico em
utilizar técnicas de comunicação, para Verhaak (1989, apud SANCOVSKI, 2002),
enfatiza a importância da atenção, do interesse e da capacidade em esclarecer
queixas. Com isso, Brody e colaboradores (1989, apud QUAYLE et al., 1998) também
observaram satisfação do paciente quanto à visita médica, desde que recebessem
orientação do médico, aconselhamento e informações sobre sua doença; o que para
Lerman e colaboradores (1990, apud QUAYLE et al., 1998) conclui em aumento de
confiança por parte do paciente e também expectativa de melhora. Enquanto, para
Milner e Hafner (1991), a visita médica aumenta a ansiedade do paciente.

Estudos mais recentes, feitos para a realidade brasileira têm mostrado a


ambigüidade de sentimentos trazidos pelos pacientes no que se refere à visita médica
(MARTINS et al., 2003).

 A visita médica é uma prática de ensino:

Alguns pacientes percebem o objetivo didático da visita sem que isto interfira no
seu tratamento. Trata-se de uma percepção neutra, que não interfere no vínculo
médico-paciente, não despertando sentimentos conflitantes (MARTINS et al., 2003).
17

 A visita médica propicia conforto e amparo e é esclarecedora:

Embora a minoria absorva do discurso médico empregado durante a visita


informações satisfatórias a respeito de seu diagnóstico e tratamento; a percepção dos
que compreendem atende suas expectativas, trazendo confiança e fortalecendo o
vínculo médico-paciente (MARTINS et al., 2003).

 A visita médica propicia segurança e confiança:

O fato de os médicos irem até o leito discutir sobre o caso traz segurança e
confiança, fazendo com que o paciente sinta-se valorizado, prestigiado e importante
(MARTINS et al., 2003). Os pacientes interpretam as perguntas rotineiras em relação a
sono e alimentação, por exemplo, como se fossem preocupações pessoais dos
profissionais com o seu bem-estar (CORTOPASSI et al., 2006).

Além disso, falar abertamente, na frente dos pacientes, acerca de seus


problemas e doenças, aumenta a confiança dos mesmos sobre a equipe, embora possa
diminuí-la em relação aos profissionais menos experientes (QUAYLE, 1998).

 A visita médica é um código:

O discurso usado pelos membros da equipe médica é bastante técnico, como já


citamos no capítulo anterior ao nos referirmos a difícil comunicação entre médico-
paciente. Como o objetivo principal da visita é a prática de ensino, vemos que, por um
lado, ela atende a esse objetivo didático, mas dificulta a compreensão pelo paciente de
seu estado de saúde. Raramente a linguagem utilizada na visita médica é
compreendida pelos pacientes, que se sentem excluídos de seu próprio tratamento,
gera ansiedade e pode suscitar a criação de fantasias atemorizantes sobre o seu caso
(MARTINS et al., 2003). Segundo Cortopassi e colaboradores (2006), os pacientes que
não compreendem o que é dito na visita médica à beira do leito, dizem tratar de uma
18

situação desagradável, embora sentimentos de gratidão pelo atendimento levam muitos


a superar situações desagradáveis pelas quais são expostos.

 A visita médica mostra divergências de conduta:

Na situação de discussão em equipe, surgem algumas divergências sobre a


conduta a ser seguida, claramente percebida pelo paciente. Este acontecimento pode
causar um enfraquecimento do vínculo com o médico, ficando o paciente inseguro e
confuso quanto aos procedimentos impostos a ele (MARTINS et al., 2003).

Existem diferenças na dinâmica de cada situação de visita: a discussão mais


acirrada pode dar ao paciente a impressão de disputa; o residente mais inseguro, ou
aquele que encontrou maiores dificuldades para apresentar o caso, pode se ver
repreendido durante a visita (QUAYLE, 1998).

 A visita médica causa medo:

A prática da visita médica, segundo Martins e colaboradores (2003), desperta ao


indivíduo o medo inerente ao ser humano quando se trata de sobrevivência; é o medo
da condenação, de confrontar-se com uma real ameaça a vida.

Em muitos hospitais-escola, de acordo com Rocco (1992), professores e alunos,


sem perceber, transmitem informações ao paciente em linguagem equívoca e
inadequada; os termos técnicos podem além de incompreensíveis, tornarem-se
ameaçadores, causando medo aos pacientes.

A própria situação de discussão de alternativas terapêuticas pode ser vivenciada


com insegurança pelo paciente, podendo dar a impressão que seu caso é muito grave e
que os médicos não sabem o que fazer. Além disso, se instala um quadro de
19

apreensão quando as alternativas não são cuidadosamente apresentadas, oferecendo-


lhe oportunidades para esclarecer dúvidas (SANCOVSKI, 2002).

 A visita médica exclui a fala do paciente:

No momento da visita a participação do paciente em geral é restrita. O paciente


permanece no leito e assiste à discussão de seu caso, sendo consultado apenas para
esclarecimento de dúvidas a respeito de sua vida, história pessoal ou antecedentes
familiares (MARTINS et al., 2003). Realizam-se discussões à beira do leito sem se olhar
para o paciente, muitas vezes em sua ausência, com utilização de linguagem técnica
prolixa e tomando-se decisões sem que ele esteja a par (SANCOVSKI, 2002).

 Na visita médica há falta de atenção, esclarecimento e desinteresse e


provoca frustração:

O anseio e a expectativa criados pelo paciente não encontra abrigo no discurso


médico durante a visita à beira do leito. O conteúdo da fala e discussão que segue
sobre o caso muitas vezes não satisfaz a necessidade de informações e
esclarecimentos, contribuindo para um enfraquecimento do vínculo médico-paciente
(MARTINS et al., 2003). Uma queixa bastante mencionada refere-se à falta de interação
entre o paciente e a equipe durante a visita (QUAYLE, 1998). Durante a visita não é
levado em conta o interesse do paciente em saber sobre seu estado e como vai
transcorrer o tratamento, o que pode despertar ansiedade e frustração; e que muitas
vezes não é percebido pela equipe médica (MARTINS et al., 2003).

A atenção recebida ou é de maneira ambígua ou ambivalente, conforme Quayle


(1998), tratando-se de uma atenção impessoal, uma preocupação com o caso e não
com o indivíduo. Nas instituições hospitalares, é muito comum que o paciente seja visto
de maneira separada: doença x portador. Na atuação médica parece haver espaço
somente para a manifestação somática da doença e o que se nota é que há uma
20

necessidade gritante, fundamental do paciente reparar, resgatar, recuperar, sua


identidade cindida.

4.2 - Equipe multiprofissional

Ao longo do século XX, o desenvolvimento do modelo biopsicossocial de atenção


à saúde permitiu uma nova organização dos profissionais da saúde, passando de um
sistema tradicional centrado no médico (cura da doença), para um modelo de “time”,
incluindo diferentes categorias profissionais – assistentes sociais, biomédicos,
enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, nutricionistas,
odontólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais (BRUSCATTO; KITAYAMA;
FREGONESE; DAVID, 2004).

De acordo com Moniz (apud BRUSCATTO et al., 2004) a Equipe


Multiprofissional define-se como uma associação de pessoal da saúde, de formação
diversa, justificada por possuir um fim último, responsabilizando-se pela saúde global de
um indivíduo e também sua comunidade. Assim, o trabalho multiprofissional ocorre com
a interação dos profissionais, desde uma simples comunicação de idéias até a
integração de conceitos, termos, métodos e procedimentos (BRUSCATTO et al., 2004).

O trabalho em equipe é hoje uma prática crescente no atendimento à saúde


(TONETTO; GOMES, 2007), podendo ser inserido, por exemplo, nas visitas médicas à
beira do leito. As equipes se caracterizam pelo modo de interação presente na relação
entre os profissionais, podendo ser: interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar
(CHIATTONE, 2000 apud TONETTO; GOMES, 2007).

Para que haja reconhecimento da importância da prática de saúde em equipe,


deve-se inicialmente compreender os diferentes significados de cada modo de
interação (DINIZ; CARVALHAES, 2002). Para Araújo e Rocha (2007) a equipe ser
multidisciplinar refere-se basicamente à associação ou justaposição de disciplinas que
abordam um mesmo objeto a partir de distintos pontos de vista; não se verificando uma
21

integração interdisciplinar. Ou seja, a equipe é interdisciplinar quando há essa interação


das diferentes disciplinas científicas, sob a dominação de uma delas, a qual impõe às
outras como campo integrador e coordenador. E finalmente, a equipe é transdisciplinar
quando há uma integração das disciplinas de um campo particular para uma premissa
geral compartilhada, estruturadas em sistemas de vários níveis e com objetivos
diversificados, havendo uma tendência de horizontalização das relações
interdisciplinares.

Na prática, de acordo com Tonetto e Gomes (2007), poucos são os trabalhos


que contemplam essa diferenciação. Há, no entanto, expectativas de que profissionais
da saúde sejam capazes de ultrapassar o desempenho técnico baseado em uma única
especialização (BUCHER, 2003); embora tenha se tornado impossível a um só
profissional adquirir todas as informações contidas nos estudos das áreas primarias,
secundária e terciárias, e aplicá-las na assistência ao paciente e a seus familiares
(DINIZ; CARVALHAES, 2002).

Para se entender o funcionamento multiprofissional é importante, para Romano


(1999), saber também quanto as diferentes atividades são contribuidoras,
complementares ou competitivas entre si. Se forem contribuidoras não se pressupõe
uma relação próxima, como se a ajuda viesse de fora. Se forem complementares, tem
que haver um trabalho conjunto, podendo surgir aqui alguns desentendimentos entre
membros da equipe. Enquanto, se forem competitivas os desentendimentos e conflitos
costumam ser freqüentes, uma vez que nenhuma especialidade e/ou profissão
consegue sentir a necessidade de tolerar o outro.

No âmbito hospitalar, a falta de clareza quanto às atribuições dos diferentes


profissionais, principalmente em profissões emergentes, é um dos fatores que dificulta o
trabalho em equipe. Os serviços de saúde contam hoje com um conjunto diversificado
de profissionais em condições de oferecer atendimentos de altíssima qualidade. A
articulação desses atendimentos em equipes multidisciplinares sistematiza o trabalho,
melhora os resultados, reduz os custos (TONETTO; GOMES, 2007), e humaniza o
espaço hospitalar.
22

A partir de definições de dicionários, o vocábulo humanização se remete ao


efeito ou ação de humanizar, tornar mais sociável, mais tratável. Contudo, a
humanização na área da saúde abrangeria desde o contato com o paciente até o
atendimento de familiares; levando em consideração as necessidades verdadeiras do
paciente, não sendo elas apenas materiais, mas também psicológicas e sociais
(PREGNOLATTO, AGOSTINHO, DIAS, BAPTISTA, 2003). De acordo com Zen e
Brustcher (1986, apud PREGNOLATTO et al., 2003), o médico deve integrar os
recursos tecnológicos com a compreensão da personalidade do paciente e suas
reações, promovendo desta forma um atendimento mais humano para o paciente que
pensa e sente, e não como um amontoado de sinais e sintomas, da forma como é
apresentado a equipe durante a visita médica ao leito. Assim, fica clara a importância
da equipe multiprofissional para que seja efetivada a humanização no ambiente
hospitalar, não deixando de incluir o psicólogo nesse contexto, em especial durante a
visita médica à beira do leito.

Apesar dos avanços obtidos, o trabalho em equipe ainda constitui um importante


desafio para o desenvolvimento da Psicologia Hospitalar. A crescente inserção da
Psicologia em equipes de saúde é hoje um fato reconhecido. No âmbito hospitalar,
sabe-se que a Psicologia vem participando mais ativamente na definição de condutas e
tratamentos (ROMANO, 1999). Contudo, há queixas entre psicólogos de que muitas
das suas observações clínicas não são prontamente aceitas pelas equipes. Tais
dificuldades têm gerado discussões sobre qual o modo mais apropriado da Psicologia
se inserir nas equipes multidisciplinares (TONETTO; GOMES, 2007). Uma das
dificuldades apontadas na relação do psicólogo com a equipe, de acordo com Tonetto e
Gomes (2007) é a ausência de linguagem clara e objetiva.

O fato de o psicólogo pertencer a uma equipe tem repercussões, para Bruscatto


e colaboradores (2004), diretas na sua atuação, seja nos limites da mesma, no vínculo
estabelecido com o paciente, ou com colegas de outras profissões. Com o paciente,
seu trabalho é bastante específico, atuando de forma situacional, no sentido da
resolução de conflitos e da promoção da saúde. Enquanto na equipe, sua função é
redirecionar o olhar dos demais profissionais para a individualidade de cada paciente, e
23

para os aspectos subjetivos envolvidos na hospitalização, colaborando assim para a


humanização do atendimento. Enfim, visualiza-se a importância da presença do
psicólogo junto à equipe no momento da visita médica à beira do leito.
24

5. DISCUSSÃO

"Não basta ensinar ao homem uma especialidade,


porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade.
É necessário que adquira um sentimento,
senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido,
daquilo que é belo, do que é moralmente correto".
(Albert Einstein)

No presente estudo teórico, realizado por meio de levantamento bibliográfico foi


possível verificar alguns dados que caracterizam a percepção dos pacientes internados
em um hospital-escola no que se refere as visitas médicas, objetivo principal de tal
estudo. Para tanto as presentes informações buscaram uma seqüência evolutiva,
iniciada pelo funcionamento de um hospital-escola, as repercussões da hospitalização
para o indivíduo, a relação entre esse indivíduo internado e o médico – ressaltando a
regressão por parte do paciente e a difícil comunicação transmitida pelo médico – e
finalmente chegou-se ao objeto do estudo: a visita médica, reforçando importância do
psicólogo inserido junto a equipe de saúde neste momento.

Embora o tema relação médico-paciente seja muito discutido na literatura


científica, detectou-se que a visita médica pouco foi estudada até os dias de hoje,
principalmente na realidade brasileira. Para muitos autores, o ponto central e talvez
principal da Medicina, e logo do ensino médico, estaria na relação estabelecida entre
médico e paciente; trazendo a tona a discussão de como deve acontecer a
comunicação entre ambos (JASPERS, 1991; SANCOVSKI, 2002). Mas poucos se
remetem ao momento em que essa comunicação ocorre de forma enormemente
técnica, embora o paciente esteja presente, como é no momento da discussão de caso
da equipe na presença do paciente em seu leito.

Percebe-se que os avanços tecnológicos têm por vezes comprometido essa


relação, uma vez que as longas conversas são substituídas por modernos instrumentos
de diagnóstico. Segundo Martins e colaboradores (2003), as expectativas, dúvidas e
25

temores dos pacientes ficam sem o devido esclarecimento, não sendo abordadas, o
que pode gerar ansiedade e frustração. O paciente é mantido à margem, à beira, da
discussão; o que foi possível observar no momento das visitas médicas na Irmandade
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e logo após as mesmas.

Rocco (1992) ressalta o quanto pode ser negativo para o paciente o


comportamento de médicos e estudantes num hospital-escola, os quais buscam, antes
de mais nada, ensinar e aprender a todo custo, mesmo em detrimento do fundamental:
o atendimento adequado do paciente. Assim, vigiar as palavras e atitudes, evitar
demonstrações intempestivas ou respeitar os valores morais do paciente são algumas
das maneiras de o professor ensinar aos seus alunos a boa relação com o paciente;
ressaltando aqui que só o bom atendimento propicia o bom ensino, sendo este a base
de qualquer pesquisa clínica.

Nos hospitais-escola o paciente não tem como referencial um único médico, isso
favorece, de acordo com Quayle (1998), ao concluio do anonimato, dificultando a
instalação da relação médico-paciente. Por sua vez, a hora da visita médica é a hora
em que todos aqueles integrantes estão cuidando e discutindo sobre o seu caso, mas
que não estabelece a inter-relação com seu maior interessado: o paciente. As principais
funções dos sentidos de cada um daqueles membros da equipe ficam privadas e
impedidas; não se vê, não se ouve, não se sente os odores daquele clima, daquela
relação, não se toca o ser e o que se pode deixar destas ausências é um gosto muito
ruim (SANCOVSKI, 2002). Assim, para Sancovski (2002), seria benéfico apresentar o
grupo da visita ao paciente, tendo um médico que declara em público ser o responsável
pelo tratamento daquele paciente, apresentando o professor ou assistente, sem usar
termos técnicos, e se usados, imediatamente traduzidos, já leva a uma descontração.

Contudo, a visita médica é uma prática comum nos hospitais-escola, a qual


didaticamente contribui para a formação do médico. Sempre acompanhados por
professores, ou seja, médicos mais experientes, um grupo de residentes e estudantes
participa das discussões clínicas à beira do leito e dos exames físicos dos pacientes
internados, apresentando os casos (MARTINS et al., 2003; QUAYLE et al., 1998;
26

SANCOVSKI, 2002). Na Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, as


visitas são acompanhadas apenas por professores e residentes, não fazendo parte os
estudantes internos nem mesmo outros profissionais de saúde.

Segundo Sancovski (2002) talvez as modificações tenham que iniciar pela


denominação da prática didático-assistencial dos hospitais-escola:Visita médica à beira
do leito? Tudo o que está à beira, está à margem, é marginal, está nos arredores, nas
vizinhanças, mas não está lá, portanto não faz parte, não é incluso, se aproximando,
porém não havendo integração. Ilustrando melhor, de acordo a autora, pode-se morar
porta a porta com um vizinho durante anos sem comunicação, inter-relação, exceto em
alguns casos a formal e cordial, porém sem aproximação. Propõe-se, portanto, que a
atividade da visita médica à beira do leito, passe a ser denominada, e vivida, como
visita médica no leito do paciente. Enfim, acredita-se que talvez a própria denominação
deixe mais clara a necessidade do paciente estar inserido na discussão, uma vez que a
discussão é a respeito do próprio, de seu quadro clínico e seu tratamento.

Percebe-se que muitos pacientes durante a visita se apresentam curiosos frente


à fala da equipe, e ao receberem atendimento psicológico após a visita, relatam a
frustração por não conseguirem compreender e não poderem participar da discussão,
de modo que dêem opiniões e possam esclarecer dúvidas a respeito de seu quadro
clínico e tratamento. Mesmo pacientes com algumas habilidades de leitura e
capacidade para lidar com números podem ficar desnorteados em conversas médicas.
Para muitos autores é realmente rara quando a linguagem utilizada na visita médica é
compreendida pelos pacientes (CORTOPASSI et al., 2006; MARTINS et al., 2003),
levando estes a não compreendem o que é dito, relatando se tratar de uma situação
desagradável, incomoda, e muitas vezes amedrontadora. Alguns pacientes após a
visita, relatam um enorme medo de terem seu prognóstico fechado, pois uma vez que
não compreendem o que é dito, criam fantasias e temores a respeito de seu quadro
clínico. Sendo a sutileza da relação médico-paciente e a força transformadora ou
devastadora que as palavras podem ter ainda pouco valorizadas, ou mesmo
desconsideradas por grande parcela da equipe de saúde (SANCOVSKI, 2007). O
próprio esforço dos residentes para apresentar o caso de falar inchaço ao invés de
27

anasarca, falta de ar no lugar de dispnéia, desmaios e não síncopes, etc. já aproxima,


relaxa, reflete numa sensação de alegria e conforto no paciente.

Segundo Sancovski (2002), quando um médico explica ao paciente que vai


realizar um exame, e este pergunta se dói, é importante que o médico dialogue com ele
e lhe diga a verdade. Percebe-se que quando o paciente sente ter informações
detalhadas sobre os procedimentos o mesmo sente-se mais confortável, e o vínculo
com o médico se faz de maneira positiva. Vale ressaltar que a compreensão implica
numa simbolização por parte do paciente, num alcance, numa representação psíquica
de algo que não tinha forma; uma vez que a simbolização é o passar do pensamento
concreto para o pensamento lógico-abstrato. Assim, se não há compreensão concreta
não se faz possível a transição para o pensamento lógico-abstrato. E como pode ser
eficaz a inserção do psicólogo se o paciente não consegue nem mesmo compreender
seu quadro clínico físico?

Contudo, a importância do psicólogo como parte da equipe multiprofissional, para


Romano (1999), mostra a evidência desse profissional se expor, mostrar e demonstrar
sua capacidade e seu raio de ação, efetivando a contribuição para tornar-se um
membro da equipe, assim como devem fazer profissionais de outras áreas da saúde
ainda pouco integradas dentro da hierarquia profissional (como assistentes sociais,
fonoaudiólogos, etc). Só que antes de qualquer coisa, é preciso ter claro o nosso
potencial e no que a equipe gostaria que fosse o nosso investimento enquanto
psicólogos. De nada adianta ficar lutando em uma direção que não corresponde à
demanda.

De acordo com Diniz e Carvalhaes (2002), as trocas das dores físicas, psíquicas
e sociais dos pacientes podem resultar em benefícios assistenciais, abrindo caminhos
para mais pesquisas e conseqüentemente contribuindo para o desenvolvimento da
psicologia hospitalar e principalmente para a humanização hospitalar. Acredita-se que
somente será melhor o atendimento e a humanização do hospital quando os pacientes
receberem por parte da equipe os devidos cuidados e sentirem-se incluídos enquanto
sujeitos.
28

Enfim, cabe concluir, em concordância com Quayle (1998), que para o


aperfeiçoamento da prática da visita médica, de forma que traga benefícios ao paciente,
faz-se importante: chamar o paciente pelo nome; evitar discussões sobre aspectos
polêmicos de diagnóstico e tratamento; restringir as discussões somente ao necessário;
oferecer informações ao paciente em linguagem acessível, de modo que ele possa
compreender e participar de seu tratamento; além é claro de evitar críticas e
desacordos quanto à conduta de outros profissionais durante a visita à beira do leito.
29

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através deste estudo, foi possível perceber que a visita médica tal como é
conduzida na Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo muito se assemelha
às descritas na literatura, sendo percebida pelo paciente de maneira ambígua e
conflitiva.

Pelo estudo realizado, ficou nítida a escassez de literatura, o que dificultou o


trabalho, mostrando a necessidade de mais estudos sobre o tema, principalmente
abordando aspectos psicológicos envolvidos na visita médica e a importância do
psicólogo inserido na equipe durante esse momento. Embora a prática tenha mostrado
claramente a necessidade e o benefício de se ter um profissional de psicologia durante
a visita médica à beira do leito.

Diante disso a tarefa do psicólogo possibilitaria um olhar diferenciado a angústia


do paciente e aos demais sentimentos despertados nessa situação, corroborando para
uma melhor Humanização Hospitalar.

É necessária a intensificação de programas psicossosicais e acompanhamento


psicológico para, além de promover a humanização no ambiente hospitalar, melhorar a
qualidade de vida dos pacientes e auxiliar aos residentes e estudantes no ensino
médico.

Considera-se que este trabalho foi um importante identificador da necessidade


de pesquisas qualitativas e quantitativas que possam auxiliar o ensino médico.
30

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