P. 1
Tudo sobre o leite adulterado com soda cáustica e água oxigenada1

Tudo sobre o leite adulterado com soda cáustica e água oxigenada1

|Views: 4.664|Likes:
Publicado porleleleite

More info:

Published by: leleleite on Feb 29, 2008
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/08/2013

pdf

text

original

Sections

TUDO SOBRE Leite adulterado com soda cáustica e água oxigenada

Outubro 2007 Sumário: 1 – Soda é misturada ao leite há 2 anos, dizem funcionários 2 – Presa quadrilha acusada de adulterar leite 3 – Promotoria apura conexão GO-MG na fraude 4 – Leite brasileiro tem "defeitos", diz estudo 5 – Ex-funcionário denunciou leite adulterado 6 – Governo muda fiscalização de leite 7 – Químico prestou consultoria para mais 8 laticínios 8 – Queijo vencido ia para SP, diz funcionário 9 – Venda de leite UHT de 4 fábricas é proibida 10 – 1/3 do leite brasileiro não passa por fiscalização 11 – Governo vai investigar 7 marcas de leite 12 – Fiscalização: 11 marcas de leite são reprovadas em PE

1 – Soda é misturada ao leite há 2 anos, dizem funcionários 25-10-2007 SAÚDE – NUTRIÇÃO – ALIMENTOS – LEITE ADULTERADO – TOXINAS – DOENÇAS – ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS – A informação foi dada por trabalhadores da Copervale, cooperativa de Uberaba, em depoimento à Polícia Federal À polícia os empregados declararam não beber o leite longa vida integral devido à adição da mistura com soda, ácido cítrico, sal e açúcar DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE RENATA BAPTISTA DA AGÊNCIA FOLHA

Funcionários da Copervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande) afirmaram, em depoimentos prestados à Polícia Federal anteontem, que a mistura com soda cáustica era adicionada ao leite longa vida integral havia mais de dois anos. "Nos interrogatórios que fiz ontem [anteontem], a grande maioria dos funcionários da empresa que estava presa confirmou a fraude. Disseram que colocavam soda cáustica no leite havia mais de dois anos", disse o delegado Ricardo Ruiz. A adulteração do leite longa vida (de caixinha) integral também foi confirmada, segundo Ruiz, pelo presidente da Copervale. O nome dele não divulgado, mas a Folha apurou tratar-se de Luis Galberto Ribeiro Ferreira. Os diretores da Copervale, de Uberaba (MG), estão entre as 27 pessoas presas nesta semana durante a operação Ouro Branco, realizada pela Polícia Federal. A ação atingiu também a Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos, suspeita de adicionar água oxigenada misturada em soro ao leite. Juntas, as duas cooperativas produzem 400 mil litros de leite por dia. De acordo com a investigação, produtos impróprios para o consumo, como soda cáustica, água oxigenada e citrato de sódio, eram adicionados ao leite para aumentar o prazo de conservação e o volume do produto. Se ingeridas em grandes quantidades, essas substâncias podem ser prejudiciais à saúde, porém, em pequena proporção, não trazem risco ao consumidor, segundo a Anvisa e especialistas. Dos 27 suspeitos presos, apenas seis continuavam encarcerados na tarde de ontem. Os demais foram soltos, a pedido da PF e do Ministério Público, porque teriam colaborado com a investigação. Os nomes dos detidos não foram divulgados. Os 13 funcionários da Copervale presos pela PF na segunda estão entre os liberados. Eles disseram em depoimento que não bebiam o leite longa vida integral justamente por nele haver mistura com soda cáustica, ácido cítrico, citrato de sódio, sal e açúcar -a confirmação da composição ainda depende de exames laboratoriais. A Folha tenta ouvir o advogado da Copervale, Paulo Pimenta, desde segunda-feira. Ele disse anteontem que a cooperativa não iria se pronunciar. A soda cáustica é usada nas cooperativas de leite no processo de limpeza dos tanques de pasteurização. Cláudio Fernando Costa, que trabalha em pequenos laticínios de Minas há 20 anos, disse que o uso da soda precede o de outros dois ácidos

até o enxágüe final. Rentabilidade Segundo o delegado Ruiz, a rentabilidade da fraude, no caso da Copervale, estava na adição de água para dar volume ao leite. Ele afirmou que a adulteração permitia "enganar" o exame de crioscopia, aplicado para verificar se o leite contém água. Misturadas à água, substâncias como a soda cáustica geram um pH que altera os resultados do exame. A PF trabalha com o percentual de 10% de adulteração -em um litro de leite, 10% seriam formados pela mistura diluída em água. O presidente da Leite Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Leite do Brasil), Jorge Rubez, disse que o valor do leite é determinado pela qualidade, e não pela quantidade. No caso da Copervale, se a mistura era de fato capaz de burlar a crioscopia, a qualidade do leite produzido era falseada. Procon O Procon-SP (órgão de defesa do consumidor) notificou ontem a Nestlé e a Parmalat para responder em 48 horas se distribuíram no Estado de São Paulo leite das cooperativas mineiras envolvidas nas denúncias de adulteração. Conforme o diretor de fiscalização do Procon, Paulo Góes, o órgão aguarda os resultados da operação da Polícia Federal para decidir se notifica outras empresas. Góes afirma que o órgão solicitou informações para as marcas em virtude de veículos de comunicação terem divulgado "de maneira pública e notória" que ambas receberam leite adulterado. O Ministério Público de São Paulo solicitou à Promotoria de Passos informações sobre eventual venda do leite da Casmil, cooperativa da cidade, a empresas paulistas. Colaboraram ANDRÉA MICHAEL, da Sucursal de Brasília, LUISA ALCANTARA E SILVA, da Redação, e PABLO SOLANO Frase "Observamos caixas de leite longa vida com preço abaixo do custo de produção. Isso indica fraude" ELIAS JOSÉ ZYDEK diretor-executivo da cooperativa Frimesa Segundo Anvisa, produto não provoca reação

[ SERÁ QUE NÃO PROVOCA REAÇÃO???] LUISA ALCANTARA E SILVA DA REDAÇÃO A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou que os consumidores não precisam suspender o consumo de leite devido à denúncia de adulteração. Para a gerente-geral de alimentos do órgão, Denise Resende, a quantidade de produtos como soda cáustica e água oxigenada adicionada ao leite é pequena e não há risco de o produto provocar reações. "Com relação a problemas para a saúde, não temos preocupação. A preocupação maior é com a qualidade nutricional do leite", diz ela. "O produto não vai causar dano nenhum para a saúde. Não vai causar diarréia na criança que consumir", afirma Denise. De acordo com ela, o problema é que produto não vai apresentar todas as proteínas e nutrientes que estavam previstos. "O que não deixa de ser uma infração", afirma. Denise afirmou que os resultados das análises do leite que pode estar adulterado deverão sair no início da próxima semana. Ela afirmou ainda que os consumidores "podem continuar tomando" e que a agência está "agindo o mais rápido possível para dar uma resposta para o consumidor". Ela explicou que o leite só seria prejudicial à saúde se tivesse grande quantidade de substâncias impróprias -o que não é o caso. "Nós temos um monitoramento de qualidade de alimentos que é feito pelos Estados e municípios, e não identificamos nenhum problema grave que tenha acontecido com o leite até então", diz ela. Se o problema fosse grave, afirma Denise, a adulteração já teria sido percebida. O mesmo disse o médico Anthony Wong, chefe do centro de assistência toxicológica do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Do jeito que foi acrescentada ao leite, [a soda cáustica] não causa lesão nenhuma", disse ele. "A soda pode causar queimaduras e até matar, mas só se ingerida em grande quantidade." Ele citou produtos de limpeza que são altamente tóxicos e levam à morte, que nunca devem ser ingeridos.

Para Paulo Fernando Machado, coordenador da Clínica do Leite da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP), "esse leite não tem efeito [nocivo] algum para a população". "Ninguém vai ficar doente." Mesmo se tomado todo dia? "Pode tomar, não é cumulativo." Ele explicou que a soda cáustica, ao se misturar com outras substâncias do estômago, transforma-se em uma espécie de sal, "como se fosse sal de cozinha", e em água. Já a água oxigenada, quando entra em contato com o leite, se transforma em água. Machado disse ainda que não é necessário ferver o produto e que mesmo crianças podem tomá-lo. "Crianças são muito mais sensíveis, mas, nessas concentrações, não tem problema nenhum", afirmou. Opinião semelhante tem a engenheira de alimentos Eliana Paula Ribeiro, professora da Escola de Engenharia Mauá. "Não existe risco. Mal para a saúde não vai fazer." Segundo ela, se o caso fosse grave, a adulteração já teria sido percebida pelos consumidores, pois a soda cáustica tem gosto de sabão. "O chato é que o consumidor está comprando uma coisa que não é o leite normal, está diluído." Parmalat nega o uso de leite adulterado em seus produtos DA REDAÇÃO A Parmalat afirma que os seus produtos não estão comprometidos por substâncias relacionadas à adulteração do leite em cooperativas de Minas. Segundo a empresa, o leite comprado da Copervale e da Casmil, suspeitas de adulterar o produto, representa parcela insignificante da sua produção -apenas cerca de 1% do volume total comprado em todo o país, que é de 2 milhões de litros de leite cru por dia. Em nota divulgada anteontem, a empresa informou que análises de amostras não apontaram problemas de qualidade. Sobre a notificação do Procon a respeito da distribuição no Estado de São Paulo do leite das cooperativas suspeitas, a Parmalat disse que esse é um procedimento padrão do órgão e que se coloca à

disposição para os esclarecimentos. A empresa informa que já descredenciou as cooperativas e que disponibilizou o telefone 0800 11 22 22 e o e-mail sac@parmalat.com.br para esclarecer seus clientes. A Calu, citada como uma das clientes das cooperativas, informa, por meio de comunicado postado em seu site, na última segunda, que não tem nenhum vínculo comercial com as empresas investigadas. A Nestlé, também notificada pelo Procon-SP para fornecer informações sobre a origem do leite distribuído em São Paulo, informou, por meio de nota, que não compra das cooperativas Copervale e Casmil. Afirmou ainda não produzir leite longa vida (só leite em pó) e que o leite cru que adquire passa por análises. (LAS) ANÁLISE Crime de consumo MARIA INÊS DOLCI COLUNISTA DA FOLHA É inaceitável que o descontrole e a falta de fiscalização sobre a produção de gêneros de primeira necessidade no país cheguem ao ponto de permitir que crianças, principalmente, bebam leite contaminado com soda e água oxigenada, com risco à saúde. É intolerável tamanha inoperância dos órgãos públicos, que coloca sob suspeita a qualidade de todo o leite produzido no país. E tamanho crime de consumo só para aumentar o volume e prazo de validade do produto, que absurdo! Um dos motivos para se pagar impostos é justamente para garantir o controle sobre a qualidade dos produtos e serviços que consumimos, entre eles o leite, alimento básico para crianças e idosos. Em relação aos criminosos que assumiram a fraude, devem ser tratados como assassinos, afinal, milhares ou milhões de pais devem ter feito esforços para comprar leite para a família sem suspeitar que estavam entregando um produto perigoso, envenenado com soda cáustica e água oxigenada. Trata-se de uma

ação tão ou até mais criminosa do que dar um tiro ou uma facada em alguém porque, além de tudo, é feito na surdina, sem o conhecimento da vítima e a mínima possibilidade de reagir. Esperamos que não seja mais um caso que termine em impunidade. Se a justiça não for implacável e não submeter tais criminosos às penalidades previstas em lei para tentativa de homicídio, o país estará caminhando para trás em relação aos direitos e garantias. Além disso, essa ação absurda põe em dúvida a segurança e a qualidade de todos os alimentos que consumimos. Que segurança temos ao comprar o leite longa vida se suspeitamos que esse crime já era praticado há algum tempo? Corremos o risco de adoecer e até morrer pelos simples ato de tomar um copo de leite. Nunca jamais neste país deveriam acontecer tamanha irresponsabilidade e falência de todos os sistemas de controle do Estado. Não só se deve punir os criminosos confessos como as instituições que falharam no controle devem ser alvo de investigação para punir e responsabilizar os ir(responsáveis). Mas não basta a punição dos responsáveis pela fraude. Cobramos medidas urgentes e drásticas de todos os órgãos envolvidos na fiscalização do mercado de consumo para garantir efetivo monitoramento da qualidade dos produtos que estão no mercado. A Anvisa e o Ministério da Agricultura devem apresentar resultados de análises do leite nos diversos pontos do país para tranqüilizar o consumidor. Quem suspeitar da qualidade do leite ou que sentir alterações na textura ou no odor deve levar o produto para troca no ponto-devenda e exigir providências da vigilância sanitária de seu município. Vamos fazer nossa parte como consumidores não aceitando conivência com tal situação. Se você beber leite integral longa vida que está dentro do prazo de validade e em condições de conservação e passar mal, configurase acidente de consumo. Neste caso, todos os danos decorrentes do consumo do produto devem ser reparados pelo fornecedor. MARIA INÊS DOLCI é coordenadora da Pro Teste (associação de defesa do consumidor)

Associação estima queda de 10% no consumo Em 2007, cada brasileiro deve consumir 140 litros de leite COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DA FOLHA RIBEIRÃO, EM UBERABA A Leite Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Leite do Brasil) estima queda de 10% no volume de leite UHT e pasteurizado que seria comercializado em um período de dez dias -a contar de terça, quando ocorreu a operação da Polícia Federal- por conta dos focos de adulteração em MG. UHT é a sigla, em inglês, para ultra high temperature, método de estelirização em temperatura ultra elevada. O consumo de leite em 2007 é estimado em 140 litros por habitante. A avaliação leva em conta o fato de grandes empresas, como a Parmalat, terem os seus nomes envolvidos no caso -a empresa nega envolvimento. "A primeira reação das pessoas é não consumir ou passar para outros tipos de leite, como o em pó", avalia Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil e da Câmara Setorial do Leite e Derivados de São Paulo. Segundo a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), ainda não é possível prever o impacto do caso nas vendas. Consumidores já suspendem a compra de marcas citadas no caso. Alternativas ao longa vida também são experimentadas. "Esse caso é um incentivo a mais para eu consumir leite de soja ou em pó", diz a professora Marilema Robert, 64. A cineasta Raquel Raposo, 25, adotou como método preventivo deixar de lado marcas com preço muito baixo. "Ficamos sem saber ao certo o que tem dentro da caixinha." Devolução de produtos Os moradores de Uberaba estão devolvendo aos supermercados não apenas o leite integral da Copervale, da marca Centenário, que está sob suspeita de adulteração, como também outros produtos da

cooperativa, como leite desnatado, doce de leite e requeijão. Os supermercados aceitam a devolução desde que seja apresentada a nota fiscal. De acordo com o promotor de Defesa do Consumidor João Davina, 1,2 milhão de caixinhas do leite Centenário já foi retirado de circulação. "Estão devolvendo tudo da marca Centenário, do queijo até o leite desnatado. Muitos estão comprando leite em pó", afirmou Benedito Gaspar, gerente do supermercado LS Guaralto, que fica no bairro Mercês, de classe média. A escola estadual Gabriel Toti, de ensino fundamental e médio, devolveu ontem 40 caixinhas do leite Centenário. O produto era servido na entrada dos alunos e usado para fazer doce. "Soubemos que o leite pode fazer mal e, por isso, devolvemos", disse uma funcionária que não quis se identificar. O auxiliar de depósito João Quintino da Silva, 27, devolveu dez caixas de leite integral. Ele disse que ficou preocupado porque o filho de três anos consome o produto desde bebê. "Ele nunca teve nada, mas devolvi porque dizem que tem problema e fiquei com medo." Cristopher George Gonçalves, 22, auxiliar de serviços gerais, afirmou que toma leite Centenário desde menino e que nunca passou mal. (ODERSIDES ALMEIDA e JUCIMARA DE PAUDA) Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2510200709.htm

- Sugestão de Leitura complementar:
As toxinas e os químicos dos alimentos não naturais, são a causa de um grande número de enfermidades Por Kevin Trudeau,

“Vamos falar sobre o que pomos nos nossos corpos. Pomos coisas no nosso corpo através da boca, do nariz, dos ouvidos e da pele. Falemos do que entra pela boca. Penso que o Jack LaLane disse-o da melhor forma. O Jack LaLane é um ser humano incrível, está na casa dos noventa, mas é vibrante, saudável e forte. Ele não fica doente, é um indivíduo dinâmico e saudável. O Jack diz que se foi feito pelo homem, não é para comer. É aí que reside o cerne da questão: o que é ingerido devia estar conforme aos desígnios da natureza. Se o homem fez, você não o devia comer. Se comer uma maçã, poder pensar que é uma maçã, que o homem não a fez e por isso pode comê-la. Bem, temos um problema. Quase todas as frutas e vegetais são, hoje em dia, feitos pelo homem. Sabia que frutos e vegetais têm sido geneticamente modificados pelo homem para se tornarem mais resistentes às doenças? Tem de compreender que a indústria alimentar é igual à indústria farmacêutica, só o dinheiro é que importa. Quem produz comida tal como um agricultor, tem o seu negócio e tem de vender mais e produzir mais a custos reduzidos para ganhar dinheiro. Por isso, o que os agricultores fazem é ver como podem cultivar digamos o máximo de maçãs, de cenouras ou de cebolas no seu campo de cultivo, como podem produzir no mais curto espaço de tempo com uma maior redução de custos de modo ao lucro ser maior. A solução é mexer com a mãe-natureza e mudar estes frutos e vegetais naturais com qualquer mistura vinda dum laboratório para que eles cresçam mais e mais depressa, contra o curso natural das coisas e tornando-os resistentes à doença. Assim certificam-se que terão uma colheita completa e que poderão vender mais e ganhar mais dinheiro. Por isso, através dessa modificação, a sua cenoura completamente natural já não é natural, é um produto feito pelo homem. (pág.77-78) ....... “O mesmo se aplica aos laticínios porque com a utilização de medicamentos, de hormônios do crescimento, a pasteurização e a homogeneização, os laticínios são um grande motivo de preocupação, salvo no caso de serem biológicos, não pasteurizados e homogeneizados. Existem dois aspectos essenciais a considerar quanto aos laticínios, um é a pasteurização e outro a homogeneização. A pasteurização é aquecer o laticínio a uma temperatura muito alta para matar qualquer bactéria, e o problema é que este processo também mata as enzimas do leite, tornando-o muito mais difícil de digerir e tornando-o num produto não natural. Mas o mais importante e o mais perigoso é a homogeneização.

Lembra-se do leiteiro? Dantes o leiteiro ia a nossa casa entregar o leite. Porque é que precisávamos dum leiteiro? Porque é que não podíamos comprar o leite diretamente da loja? Porque o leite azedava muito depressa, estragava-se em poucos dias. A indústria alimentar achou que estava a perder dinheiro por não vender o leite nas lojas por causa dele se estragar muito depressa. Por isso, foi encontrada uma solução incrível, um processo chamado homogeneização. Quando o leiteiro entregava o nosso leite, pode lembrar-se que a nata se separava do leite. Você tinha de retirar a nata antes de beber o leite. O processo de homogeneização faz com que o leite gire a grandes velocidades, destruindo os conjuntos de moléculas no interior do leite para a nata não se separar do leite. Assim sendo, o leite não se estraga em poucos dias, pode até durar algumas semanas antes de se estragar. Agora que a indústria alimentar pode fazer com que o leite seja transportado, pode pô-lo nas prateleiras e vendê-lo, o leiteiro já não é necessário. O problema é que o leite homogeneizado e pasteurizado, bem como todos os laticínios, não são naturais. Os conjuntos de moléculas são num número tão reduzido que ferem as suas artérias. Elas obstruem o seu aparelho digestivo, tornando muito difícil digerir a comida, o que é uma das maiores causas do refluxo gastro-esofágico, da obesidade, das alergias e da prisão de ventre. E o ferimento das artérias faz com que o colesterol LDL se agarre às artérias, uma das grandes causas da arteriosclerose e das doenças cardíacas. A questão é que os laticínios pasteurizados e homogeneizados não são naturais, os laticínios naturais, 100% biológicos, são naturais. Laticínios biológicos naturais, são naturais. Lembre-se do que o Jack LaLane disse, que se o homem fez, não é para comer.” (pág. 79-80). “A indústria alimentar coloca dezenas de milhares de ingredientes químicos na comida e, em muitos casos, não têm de os indicar no rótulo. Como é que eles se safam? Com a ajuda dos nossos amigos os representantes dos lobbies e pagando aos políticos e aos elementos da Entidade Reguladora dos Alimentos e dos Medicamentos (FDA). É só o dinheiro que importa. Mas isso é mau? Os aditivos colocados nos alimentos são químicos não naturais e tóxicos. Eles afetam de forma negativa o organismo, suprimem o seu sistema imunológico tornando-o mais suscetível a doenças, fazendo-o envelhecer mais depressa e alterando o pH do seu corpo de alcalino para ácido. Isto significa que está mais vulnerável ao câncer, às doenças cardíacas, à diabetes, às alergias, etc., etc., etc.” (pág. 81).

Fonte: “Curas Naturais Que Eles Não Querem que Você Saiba” – Kevin Trudeau, Editora Alliance Publishing Group, Inc., Espanha, 2007

3 – Promotoria apura conexão GO-MG na fraude Ministério Público investiga se a Casmil, de Passos (MG), adquiriu tecnologia das fraudes no leite de um laticínio de Pires do Rio (GO) Laticínio goiano também é suspeito de ter fornecido soro de queijo para a cooperativa mineira dar volume ao leite PAULO PEIXOTO DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE O Ministério Público de Minas Gerais investiga possível conexão entre produtores de leite do Estado e de Goiás nas fraudes no produto. Autoridades dos dois Estados já identificaram leite adulterado. Documento da Promotoria, ao qual a Folha teve acesso, aponta que a Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos (MG), sob suspeita de adulteração, teria adquirido a tecnologia das fraudes no leite do dono de um laticínio de Pires do Rio (GO), o Laticínio Búfalo. O laticínio goiano também é suspeito de ter fornecido soro de queijo para a cooperativa mineira dar volume ao leite. A informação foi passada ao Ministério Público por um funcionário da Casmil que prestou depoimento sob a condição de não ter seu nome revelado. Diz o documento: "A tecnologia para a realização das fraudes fora adquirida em mãos de uma pessoa de nome Marcos, conhecida pela alcunha Japonês, proprietária do Laticínio Búfalo, (...) e seria utilizada como forma de enfrentar as graves dificuldades financeiras vivenciadas pela Casmil". A Folha localizou em Pires do Rio a Indústria e Comércio Laticínios Pires do Rio, que, segundo funcionários, trata-se do Búfalo. O

proprietário é Marcos Michiata, que nega as suspeitas. A Vigilância Sanitária de Pires do Rio informou que investiga denúncia de adição de formol ao leite em uma indústria, mas não disse se a irregularidade ocorre no Laticínio Búfalo. Laudo do Lanagro (Laboratório Nacional Agropecuário), vinculado ao Ministério da Agricultura, com resultados das análises do leite cru resfriado vendido pela cooperativa de Passos, indicou presença de soro e água oxigenada. O funcionário que deu as informações à Promotoria disse que, inicialmente, o soro usado pela Casmil para encorpar o leite era do Laticínio Búfalo. Depois, a empresa teria passado a usar soro resultante de seu próprio processo industrial. "A utilização do soro pela própria Casmil passou a ser possível porque o informante, que é seu funcionário, acabou por descobrir técnica mais eficiente e barata do que aquela criada pelo "Japonês'", diz o documento da Promotoria. outro lado "Eu não sou químico", diz empresário DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE Empresário do setor de laticínios há quase 30 anos, Marcos Michiata negou ter fornecido a tecnologia para a Casmil fraudar o leite. "Sou fabricante de queijo, não sou químico, não sou engenheiro. Estou extremamente chateado com isso. Tenho um nome a zelar." Michiata disse que há cerca de dois anos vendeu leite para a Casmil e que conhece o presidente da cooperativa mineira que está preso. Segundo ele, a relação foi apenas comercial. Disse que não tem mais negócios com a Casmil e que há seis meses não vai a Passos. Ele também negou que tenha vendido soro para a cooperativa de Passos. Segundo ele, essa informação não tem sentido porque a Casmil produzia queijo e poderia usar o próprio soro. Michiata disse que as notas fiscais que emitiu foram da venda de leite.

Procon de GO divulga marcas com problemas DA AGÊNCIA FOLHA O Procon de Goiás divulgou ontem as marcas de leite que foram reprovadas em análises feitas no Estado. Doze das 19 marcas analisadas de leite de saquinho e seis das 24 de leite UHT longa vida (de caixinha) apresentaram irregularidades em teste no laboratório da Universidade Federal de Goiás. Em duas marcas de leite pasteurizado, a Big Leite e a Capilat, foi constatada a presença de soda cáustica. Em cinco, alto índice de água oxigenada. Outros problemas foram nível de gordura abaixo do adequado, adição de soro e presença de coliformes fecais (fezes). O dono da Nívea e da Lacton, Reginaldo Gonçalves, reconheceu o problema. "Recebemos o leite desse jeito dos produtores. Vamos tentar regularizar." O dono da Vitta, Glauco Forte, contestou a análise do Procon. "Vou falar com os produtores para saber se alguém acrescentou amido ao leite." Os representantes da Marajoara Alimentos, da Dália Alimentos e do grupo Pão de Açúcar, dona da marca Escolha Econômica, disseram que fizeram contraprova e o leite está nos padrões. A Saga Agroindustrial, do leite São Gabriel, afirma que fechou acordo com o Procon em julho e obedece aos padrões fixados pelo órgão. A reportagem procurou ontem representantes das demais marcas reprovadas, mas ninguém foi localizado. MARCAS REPROVADAS Escolha Econômica, Manacá, Marajoara, São Gabriel, Dália, Big Leite, Capilat, Danleite, Gogó, Lacton, Nívea, Nutri Leite, Santa Rita, Santos, Tayná, Vitalat, Vitta. Para Promotoria, esquema só foi viável com conivência de fiscais

PAULO PEIXOTO DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE Boletins de análise do leite com suspeita de adulteração pela Casmil, de Passos (MG), foram preenchidos pelo SIF (Serviço de Inspeção Federal) indicando ausência de peróxido de hidrogênio (água oxigenada), segundo documento do Ministério Público mineiro. "A análise dos referidos produtos feito pelo Lanagro [Laboratório Nacional Agropecuário] veio a confirmar que efetivamente estava sendo fraudado o leite fornecido pela Casmil, e, o que é pior, ideologicamente falsos se revelaram os documentos emitidos pelo SIF", diz. Os técnicos do Lanagro analisaram três amostras de leite cru e identificaram água oxigenada. Segundo a Promotoria, os boletins preenchidos pela inspeção federal informavam "ausência de conservantes". Para os promotores, esse fato "confirma a conivência dos fiscais com a fraude". Eles apontam ainda que "muito dificilmente esquema criminoso como esse poderia existir sem o envolvimento direto de servidores públicos". Três pessoas que prestaram depoimento e que são citadas pela Promotoria levantaram suspeitas sobre a ação dos fiscais. Um dos depoentes foi o ex-funcionário Milton Carneiro. Ele era uma das pessoas que "recuperavam" o leite estragado adicionando produtos químicos. "A atividade do declarante nunca foi inspecionada pelos técnicos do SIF", diz o documento da Promotoria. Marcas afirmam que lotes já foram retirados das gôndolas DA REDAÇÃO DA FOLHA RIBEIRÃO A Parmalat afirmou que foi informada pela Anvisa sobre a interdição de apenas dois lotes (identificados por LCZI 06:23 e LCZL01 12:42, fabricados em 22 de junho de 2007 e com validade até 22 de outubro de 2007) e, em nota, afirmou que os dois lotes interditados

"já não estavam mais no mercado, inclusive porque seus respectivos prazos de validade já haviam expirado". A empresa disse que "garante que todos os seus produtos disponíveis ao consumidor não pertencem a estes lotes e não têm qualquer restrição". As cooperativas mineiras que tiveram lotes de leite interditados disseram ontem que os produtos já estão sendo retirados das prateleiras dos supermercados. De acordo com a Calu, antes mesmo de a empresa ter sido comunicada oficialmente iniciou o recolhimento dos três lotes do leite longa vida considerados fora dos padrões. Já a Copervale informou que o leite Centenário também está sendo retirado das gôndolas. Segundo Geraldo Cardoso Sobrinho, 69, nomeado interventor da cooperativa, os leites estão sendo devolvidos nos pontos de venda. Há leite centenário em cidades de SP. Anvisa interditou um lote a mais do que foi anunciado MARCELO TOLEDO DA FOLHA RIBEIRÃO A Anvisa interditou um lote de leite longa vida integral a mais do que os oito que haviam sido anunciados anteontem. Ao todo, são nove lotes, produzidos entre junho e agosto, das marcas Parmalat, Centenário e Calu (veja quadro nesta página) -três de cada empresa. Os efeitos da decisão, no que se refere à Parmalat, serão quase nulos, já que os três lotes estão vencidos. A retirada do produto do mercado começou a ser feita ontem. Segundo a Anvisa, a decisão foi tomada após laudos da Polícia Federal informarem sobre irregularidades no leite das cooperativas Casmil e Copervale, de Minas. Conforme a PF, ele era adulterado com produtos como soda cáustica e água oxigenada. As cooperativas tinham como clientes Parmalat, Nestlé e Calu, entre

outras. A Anvisa informou que, segundo os laudos, as amostras dos lotes estão fora dos padrões de qualidade por apresentarem teor de gordura diferente do informado. Além disso, os níveis de acidez e alcalinidade não atendiam aos padrões. O nível de alcalinidade, segundo a agência, pode indicar a presença de produtos químicos, como soda cáustica. Nota da Anvisa alerta, porém, que não foi encontrada soda no leite, mas PF e Ministério Público mineiro estão convictos de seu uso porque os policiais apreenderam, na segunda, mil litros de uma fórmula com a substância que seria misturada ao leite na Copervale. O primeiro laudo da Anvisa sobre os lotes interditados deverá ficar pronto em dez dias, mas, conforme Maria Cecília Martins Brito, diretora da agência, o processo deve durar cerca de 90 dias, pois as empresas podem pedir novas análises. A diretora afirmou que são mínimos os riscos para quem já consumiu leite desses lotes, pois as substâncias adicionadas estariam em baixa quantidade. No máximo, disse, o produto poderá causar náuseas leves. A Parmalat afirmou que foi informada pela Anvisa sobre a interdição de apenas dois lotes (LCZI 06:23 e LCZL01 12:42) e, em nota, disse que eles "já não estavam mais no mercado, inclusive porque seus respectivos prazos de validade já haviam expirado". A empresa disse que "garante que todos os seus produtos disponíveis ao consumidor não pertencem a estes lotes e não têm qualquer restrição". A Calu e a Copervale disseram que estão retirando os produtos dos supermercados. Ministério da Agricultura tem 1 fiscal para 8 laticínios Para associação, cada funcionário do governo deveria cuidar de até 4 fabricantes

Dos 212 funcionários do serviço de inspeção federal, dois foram presos sob acusação de facilitar a fraude do leite em MG ANGELA PINHO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O Ministério da Agricultura tem 212 fiscais para inspecionar 1.700 produtores de leite e derivados em todo o país, segundo dados da pasta -a proporção é de 1 para cada 8 fabricantes. Eles são ligados ao SIF (Serviço de Inspeção Federal). A Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários estima em 400 o total de fiscais necessários -1 para cada 4. O ministério não comentou. Após a operação desencadeada pela Polícia Federal na segunda em Minas Gerais e que resultou em 27 prisões, o quadro do ministério já sofreu duas baixas. Isso porque entre os presos estão dois fiscais, acusados de participação na adulteração de leite em Minas -e que pode ter se repetido em Goiás, diz o Procon local. A operação ocorreu após três meses de investigação da PF e do Ministério Público de Uberaba, que detectou adulteração no leite da Copervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande), de Uberaba, e da Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos. A investigação apontou que substâncias como soda cáustica, água oxigenada e citrato de sódio eram adicionadas ao leite. Entre os clientes das cooperativas estão Parmalat, Nestlé e Calu, além de marcas próprias, como a Centenário (da Copervale). Luiz Antonio da Silveira, preso segunda, era fiscal da regional de Passos e, segundo o Ministério Público mineiro, atuava "direta e permanentemente na fiscalização da Casmil". O outro preso é Afonso Antonio da Silva, responsável pela fiscalização da Copervale e suspeito de facilitar a fraude. A Folha não conseguiu contatá-los. Os 212 ficais do ministério atuam desde a produção até a embalagem do produto, monitorando também o processo de pasteurização do leite. Depois que o leite é embalado e está pronto para ser comercializado, a fiscalização passa a ser tarefa da Anvisa e dos órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária.

Maria Cecília Martins Brito, diretora da Anvisa, afirmou que os fiscais não inspecionavam "de maneira sistemática" soda cáustica e água oxigenada no leite, pois não havia denúncia nesse sentido. Agora, essas substâncias serão avaliadas. Brito ressaltou que, após receberem autorização da Anvisa, a responsabilidade pela qualidade do produto é das empresas, mesmo que tenham comprado o leite cru de outro estabelecimento. Segundo a ONG Contas Abertas, o ministério gastou neste ano cerca de R$ 3,1 milhões no programa de inspeção industrial e sanitária dos produtos, subprodutos e derivados de origem animal. O valor é maior do que o gasto no ano passado -R$ 1,3 milhão-, mas menor do que o de 2004, quando foram direcionados ao programa R$ 4,2 milhões. Conivência Boletins de análise do leite com suspeita de adulteração pela Casmil foram preenchidos pelo SIF indicando ausência de água oxigenada, segundo documento do Ministério Público de MG. "A análise dos referidos produtos feito pelo Lanagro [Laboratório Nacional Agropecuário] veio a confirmar que efetivamente estava sendo fraudado o leite fornecido pela Casmil, e, o que é pior, ideologicamente falsos se revelaram os documentos emitidos pelo SIF", diz. Para os promotores, esse fato "confirma a conivência dos fiscais com a fraude". Colaboraram PAULO PEIXOTO , da Agência Folha, em Belo Horizonte, e JOSÉ ERNESTO CREDENDIO , da Reportagem Local Leite brasileiro é ruim, diz pesquisadora Andrea Rossi Scalco, professora da Unesp, afirma que os laticínios brasileiros só se preocupam com o volume de produção Para a docente, o problema se estende a toda a cadeia leiteira, desde a produção até a distribuição, porque demanda supera oferta JOSÉ ERNESTO CREDENDIO DA REPORTAGEM LOCAL Laticínios raramente rejeitam leite de baixa qualidade enviado para

processamento, afirma Andrea Rossi Scalco, professora do Cepeagro (Centro de Pesquisa em Administração e Agronegócios) da Unesp, com mestrado em qualidade na agroindústria do leite. Segundo ela, isso ocorre porque, como em parte do ano a demanda supera a oferta e os preços sobem, os laticínios precisam garantir fornecedores, principalmente na entressafra. A preocupação do laticínio é com volume, não com qualidade, diz a professora. FOLHA - Que tipo de leite é consumido no Brasil? ANDREA ROSSI SCALCO - A baixa qualidade é notória. Não está vinculada somente aos laticínios, mas a toda cadeia, desde a produção até a distribuição final. É preciso haver um mecanismo de coordenação. Os produtores não têm noção nenhuma do que é e como está a qualidade do leite, nem sabem que os parâmetros existem. FOLHA - Os laticínios atuam para contornar essa deficiência? SCALCO - Não vejo esforço dos laticínios com relação a isso. Por enquanto, o Brasil não supre a necessidade de leite, tem que importar. Está faltando, então ninguém vai exigir qualidade. O laticínio compra o que está na frente dele, não está preocupado se o consumidor vai ter algum problema ou não. A preocupação do laticínio é com volume, não com qualidade. Só se preocupa quando afeta a produtividade dele, se, por exemplo, a quantidade de microorganismos prejudica o rendimento na produção de queijo. FOLHA - Mas o consumidor não reage contra essa deficiência? SCALCO - Não temos no Brasil uma cultura formada para o consumo de produtos de qualidade, e o preço ainda é importante. E tudo que a indústria vê na frente ela pega. FOLHA - E as cooperativas, que têm um papel importante na cadeia de produção? SCALCO - Fazem algum programa de melhoria, mas há desmotivação do produtor, e ele não participa. Fala-se mais em produtividade e qualidade, mas a indústria exige volume, a qualidade não é levada em consideração. FOLHA - Então, é um problema que começa no campo e vai se alastrando? SCALCO - Na produção, é preciso melhorar procedimentos de higiene e limpeza, e isso você não encontra na maioria das propriedades. Muitas vezes é porque o produtor não tem

conhecimento, a ponto de limpar o peito da vaca com o rabo do animal e achar que está limpo. FOLHA - Os laticínios estão estruturados para oferecer bons produtos? SCALCO - Estão, com equipamentos básicos, mas têm. A única área travada é a de queijo, que é feito em tanques abertos. FOLHA - Há um problema de refrigeração já nas propriedades. Os laticínios descartam leite que deveria ser descartado? SCALCO - É muito difícil que laticínios recusem, apesar de falarem que recusam. Os que operam com capacidade baixa, se observam que tem antibiótico no tanque, não vão jogar fora, vão processar aquele produto. FOLHA - Como contornar tantos problemas? SCALCO - É necessário começar com a capacitação dos produtores. Projeto tem, há uma gama de projetos, mas... É complicado falar para o produtor: "Você tem que fazer tudo isso aqui". Ele pergunta: "Quanto eu vou receber a mais por isso?". Presidente da Copervale é o único que continua preso após operação da PF DA FOLHA RIBEIRÃO, EM UBERABA O juiz Alexandre Henry Alves, de Uberaba, determinou ontem a prisão preventiva do presidente da Copervale, Luiz Gualberto Ribeiro Ferreira. O executivo cumpria prisão provisória (com duração de cinco dias) desde segunda-feira com mais quatro diretores da cooperativa e o químico Pedro Renato Borges. O delegado da Polícia Federal de Uberaba, Ricardo Ruiz da Silva, havia pedido a prisão temporária também de Borges, que foi negada. Borges é acusado pela PF de ser o responsável pela fórmula com soda cáustica que teria sido adicionada ao leite produzido pela Copervale -o químico negou tudo. Ruiz alegou no pedido de preventiva que Borges e Ferreira poderiam atrapalhar a coleta de provas. Ontem à tarde, Romes

Monteiro da Fonseca Júnior (gerente de produção), foi libertado. Os outros três diretores deveriam ser soltos, mas não haviam deixado a prisão até a conclusão desta edição. "Meu cliente não tem nada a ver com isso", disse ontem em Uberaba (MG) o advogado Rodrigo Bueno Braga, que defende o químico Pedro Renato Borges. Braga, que também defende Ferreira, presidente da cooperativa, disse que o executivo não quis comentar o inquérito. "Nos contatos que tive com ele, ele apenas quis saber notícias da família", afirmou. Ontem, Braga e os outros advogados dos seis presos reclamaram ter tido dificuldades para ter acesso ao inquérito na PF. O diretor comercial, Luiz Ricardo Freire Rezende, também defendido por Braga, negou as acusações. Os advogados Gilberto Ferreira e Rossini Moura Júnior, que defendem o diretor executivo da empresa, José Afonso de Freitas, disseram que seu cliente não tinha conhecimento do que se passava na produção da Copervale. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2710200701.htm

4 – Leite brasileiro tem "defeitos", diz estudo Segundo pesquisadora da Unicamp, produto é considerado "desagradável" e "pobre" para os padrões internacionais Associação brasileira de produtores admite que leite tem gosto de queimado e explica que diferença está na forma de processamento MAURÍCIO SIMIONATO DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS Uma pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aponta que o leite de vaca consumido pelo brasileiro possui defeitos de sabor considerados graves em outros países e que seu gosto é tido como "pobre" e "desagradável".

Para a professora e veterinária Georgiana Sávia Brito Aires, autora da pesquisa, não foi surpresa a revelação na semana passada de adulteração do produto. "É um absurdo o que acontece com a qualidade do leite brasileiro. A indústria deve conscientizar os fornecedores", afirma. A pesquisadora diz que, nos Estados Unidos, o julgamento de sabor é feito há mais de cem anos. No Brasil, não há essa prática. Ela avaliou amostras de leite consumidos em países da Europa, nos EUA e no Canadá e as comparou com o sabor do produto brasileiro por análises físico-química, microbiológica e sensorial. Quinze degustadores de leite foram treinados por ela para avaliar os produtos. As dez principais marcas nacionais foram comparadas. Em todas foi constatado algum tipo de "defeito de sabor". O termo é usado internacionalmente. Para a avaliação, foi utilizada uma escala norte-americana de 21 tipos de defeitos de sabor. Cada um dos defeitos teve sua intensidade classificada pelos degustadores entre suave, moderada e intensa. "As indústrias brasileiras não têm um especialista degustador de leite para avaliar os defeitos de sabor. No exterior, o sabor tem peso de quase metade na qualidade do produto", diz a pesquisadora. Segundo os resultados do estudo, alguns leites de caixinha, os esterilizados UHT, possuem um sabor de "cozido" ou de "aquecimento intenso". No leite pasteurizado, que, na maioria das vezes, é embalado em saco plástico, o que pode deixar o sabor desagradável é a oxidação pela exposição à luz. Aires diz que outros defeitos de sabor constatados são provocados pela alimentação inadequada da vaca, doenças, falta de condições de higiene, entre outros motivos. A pesquisadora explica que por causa da tradição brasileira de beber o leite com algum complemento (como café),o sabor é mascarado. O estudo fez parte de sua tese de doutorado na defendida em julho. Produtores O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Leite, Jorge Rubez, diz que o gosto do leite brasileiro é diferente devido ao processamento, que não é o mesmo realizado em outros países. Segundo ele, o sabor do leite brasileiro não dá, de fato, "sensação

de frescor" e tem um gosto de queimado. Para Rubez, é preciso diminuir o tempo entre a ordenha e a refrigeração para diminuir a proliferação de bactérias e, com isso, o tempo de fervura para que o produto tenha um sabor mais agradável. Colaborou RENATA BAPTISTA ,da Agência Folha Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2810200705.htm

5 – Ex-funcionário denunciou leite adulterado Empregado que trabalhava no setor de produção da Copervale protocolou denúncia na Polícia Federal acusando a empresa Denúncia em que informou que a diretoria obrigava a adulteração para gerar mais lucro seria represália a demissão de diretor DA FOLHA RIBEIRÃO A denúncia de que a Copervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande), de Uberaba (MG), estaria adulterando o leite com a adição de soda cáustica foi protocolada na Polícia Federal no dia 10 de agosto por um funcionário que trabalhava no setor de produção da cooperativa, segundo a Folha apurou ontem com envolvidos no caso. O denunciante, identificado apenas como Gilson, teria dito que a diretoria obrigava alguns funcionários a adulterar o leite para obter mais lucro. A reportagem tentou ouvir ontem o delegado da PF de Uberaba, Ricardo Ruiz da Silva, mas o telefone dele estava desligado. Durante a semana, Ruiz informou apenas que a PF tinha recebido uma denúncia. As denúncias de adulteração de leite surgiram após a Operação Ouro Branco, desencadeada na última segunda pela PF em Minas. A operação teve 27 prisões e ocorreu após três meses de investigação da PF e do Ministério Público de Uberaba, que

detectou adulteração no leite da Copervale e da Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos. A investigação apontou que substâncias como soda cáustica e água oxigenada eram adicionadas ao leite. Entre os clientes das cooperativas estão a Parmalat, a Nestlé e a Calu. Segundo a Folha apurou, a denúncia encaminhada à PF seria uma represália à demissão de um diretor da Copervale após Luiz Gualberto Ribeiro Ferreira vencer a eleição para a presidência da cooperativa. Uma semana após a operação, apenas Ferreira segue preso em Uberaba. Ele teve sua prisão preventiva decretada na última sexta, quando venceu o prazo da prisão provisória. Em Passos, o presidente da Casmil, Dácio Del Fraro, dois diretores da cooperativa e um fiscal do Ministério Público Estadual tiveram sua prisão provisória prorrogada na sexta. Defesa conjunta Os advogados dos envolvidos na suspeita de adulteração do leite em Uberaba articulam uma defesa conjunta dos clientes. No sábado, eles se reuniram na cidade mineira com os diretores que foram soltos na madrugada – Luiz Ricardo Freire Rezende, José Afonso de Freitas e Romes Monteiro Fonseca Júnior – e com o químico Pedro Renato Borges, acusado pela Polícia Federal de ser o inventor da fórmula com soda cáustica que seria adicionada ao leite na Copervale. A reportagem tentou ouvir os diretores e o químico ontem, sem sucesso. Os advogados informaram que seus clientes estavam muito abalados e preferiam passar o final de semana recolhidos com a família. Na sexta, o advogado do químico, Rodrigo Bueno Braga, afirmou que seu cliente não tinha "nada a ver com essa história de fraude". Borges, que é uma espécie de consultor de laticínios, trabalhou oito anos na Colaba de Batatais e depois passou por fábricas em Aguaí, Catanduva, Boa Esperança e São Sebastião do Paraíso.

Na saída da penitenciária, à 0h15 de sábado, o único que deu entrevista foi o fiscal do Ministério da Fazenda Afonso Antonio da Silva. "Minha prisão foi arbitrária. Só fui levar uns documentos na cooperativa e fui preso", disse. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2910200710.htm

6 – Governo muda fiscalização de leite Para coibir adulteração, Ministério da Agricultura fará auditorias aleatórias; MG, SP, GO e RS serão os primeiros Fabíola Salvador e Ana Carolina Moreno Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou ontem uma alteração no sistema de fiscalização das empresas de laticínios sob controle do Serviço de Inspeção Federal (SIF), uma semana depois que a Operação Ouro Branco da Polícia Federal (PF) desmantelou uma quadrilha que adicionava de forma irregular substâncias químicas ao leite. De acordo com o ministro, uma equipe formada por três fiscais federais agropecuários - dois médicos veterinários e um agente de inspeção sanitária - fará auditorias aleatórias nas empresas. As vistorias serão mensais e definidas por sorteio. Até agora, a fiscalização é de responsabilidade de um agente que trabalha permanentemente nas empresas. Aos poucos, a figura do fiscal fixo será eliminada, explicou o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Nelmon Oliveira da Costa. Segundo ele, as auditorias serão feitas num primeiro momento em Minas, São Paulo, Goiás e Rio Grande do Sul. “Esperamos que a nova fiscalização aumente a eficiência”, disse o ministro. Ele acrescentou que o grupo responsável pelas auditorias fará uma avaliação criteriosa do funcionamento da empresa, de seus processos produtivos e também do desempenho dos servidores responsáveis pelo SIF enquanto ainda trabalharem nas empresas. Na Operação Ouro Branco, um fiscal foi preso acusado de participação na fraude que envolveu cooperativas de Minas.

A alteração agradou aos fiscais e à bancada ruralista da Câmara. O vice-presidente da Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), Wilson Roberto de Sá, disse que a mudança permitirá o aprimoramento da fiscalização. No sistema atual, contou, cada fiscal é responsável por oito empresas, o que torna inviável o controle efetivo nas 1.700 indústrias de lácteos do País. “Não é possível acompanhar o processo como se deveria”, afirmou. Do total de indústrias de laticínios, 200 são voltadas exclusivamente para a produção de leite UHT. Em entrevista coletiva tumultuada, o ministro disse que as fraudes ocorridas em Minas não têm relação com o número de fiscais federais e chamou as pessoas que fraudaram o produto em Minas de “vigaristas”. Segundo números do ministério, há no País 1,3 mil fiscais federais agropecuários, dos quais 212 vistoriam estabelecimentos industriais de leite e derivados. Na entrevista, Stephanes tentou tranqüilizar a população e disse que recomendava o consumo do produto. “Pode trazer que eu bebo”, afirmou ao ser questionado se continuava tomando leite. “O fato de duas dúzias de pessoas desonestas terem adulterado um produto criou a dúvida em relação à qualidade da produção brasileira, mas o leite continua sendo de ótima qualidade”, disse. Em São Paulo, além dos nove lotes de leite interditados na semana passada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), todas as marcas de leite integral longa-vida serão fiscalizadas. Desde sexta-feira, a Fundação Procon já encaminhou 45 amostras de leite recolhidas na cidade para verificar se o produto foi adulterado. http://www.estado.com.br/editorias/2007/10/30/ger1.93.7.20071030.12.1.xml

7 – Químico prestou consultoria para mais 8 laticínios Acusado de criar a fórmula para adulterar leite disse em depoimento que prestou serviços para empresas de MG e SP

Segundo a Polícia Federal, os laticínios podem ser investigados; empresas negam ter comprado qualquer tipo de fórmula JUCIMARA DE PAUDA DA FOLHA RIBEIRÃO O químico Pedro Renato Borges, acusado de ser o responsável pela fórmula adicionada ao leite da Copervale, de Uberaba (MG), prestou serviços para mais oito laticínios. A cooperativa é um dos pivôs da investigação sobre adulteração de leite em Minas. Investigação da Polícia Federal encontrou substâncias como soda cáustica e água oxigenada no leite da Copervale e da Casmil, de Passos. Entre os clientes delas estão Parmalat, Nestlé e Calu -há ainda marcas próprias, como Centenário (Copervale). No depoimento à PF, Borges contou que, além de Copervale, Casmil e Calu (Uberlândia, MG), ele prestava serviços para Laticínios Herculândia (de Herculândia, SP), Fazenda Bela Vista (Tapiratiba, SP), Doceria Primavera (Cravinhos, SP), Laticínio Canto de Minas (Ituiutaba, MG), Biolac (Monte Carmelo, MG), Cooperativa Agropecuária Boa Esperança (Boa Esperança, MG), Coplap Cooperativa de Produtores da Alta Paulista (Tupã, SP) e Laticínio Zacarias (Monções, SP). As empresas confirmaram que ele lhes prestou consultoria, mas negaram ter comprado qualquer fórmula (leia texto abaixo). Segundo a PF, os oito laticínios podem ser investigados no inquérito que apura a adulteração no leite. O químico disse que ganhava de R$ 800 a R$ 1.200 por visitas mensais a cada cooperativa. No depoimento, negou ter inventado a fórmula que era adicionada ao leite da Copervale para mascarar o volume de água. Borges foi um dos presos na operação Ouro Branco deflagrada pela PF no dia 22 em Uberaba e Passos sobre adulteração de leite integral longa vida. Foi solto na madrugada de sábado. Seu advogado, Rodrigo Bueno Braga, disse que ele é inocente -em Uberaba só permanece preso o presidente da Copervale, Luiz

Gualberto Ribeiro Ferreira. "Ele [Borges] esparramou a mistura para todo o lugar. Se fiscalizarem vão pegar", disse à Folha o homem que denunciou a fraude à PF, na condição de não ser identificado. Segundo ele, a maioria dos funcionários da Copervale, inclusive diretores, sabia da adulteração. Em São Paulo, técnicos da prefeitura, do Estado e do Ministério da Agricultura fiscalizaram ontem a interdição ao leite adulterado. Nenhum produto de lotes bloqueados foi encontrado nos mercados. outro lado Empresas negam uso de fórmula ilegal DA FOLHA RIBEIRÃO Todos os laticínios citados em depoimento pelo engenheiro químico Pedro Renato Borges negaram à reportagem ter comprado a fórmula com soda cáustica que, segundo a Polícia Federal, foi criada por Borges para fraudar o leite. Os donos ou representantes das empresas admitiram que o acusado prestou serviço para eles, mas a maioria afirmou que ele projetou o parque industrial, orientou sobre documentação, implantou programas de qualidade do leite ou promoveu cursos sobre higiene operacional. FRANCA: CETESB PROÍBE DESPEJO DE LEITE ADULTERADO EM ESGOTO A Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) proibiu a Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos (MG), de despejar 74 mil litros de leite interditados em seus tanques na estação de tratamento de esgoto de Franca devido ao risco de poluição. A cooperativa transportou anteontem 49 mil litros interditados para a estação de tratamento de esgoto. Ontem, outros caminhões chegariam, mas a Cetesb alegou que o leite -com ou sem substâncias proibidas, como água oxigenada e soda

cáustica- pode prejudicar o tratamento do esgoto e a eficácia do sistema. Governo muda fiscalização em empresas após fraude do leite DA SUCURSAL DE BRASÍLIA Após a prisão de dois fiscais do SIF (Serviço de Inspeção Federal) por suposto envolvimento com o esquema de adulteração de leite, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou mudanças na fiscalização do produto. A partir de agora, as empresas serão inspecionadas por três profissionais -dois médicos veterinários e um agente de inspeção sanitária. Os estabelecimentos a serem visitados por cada equipe serão escolhidos por sorteio. Antes, as empresas eram inspecionadas sempre pelo mesmo fiscal. A promotoria de Minas aponta "conivência dos fiscais com a fraude" descoberta em Minas Gerais. Há 212 fiscais, contando os dois que foram presos, para 1.700 estabelecimentos produtores de leite e derivados, média de um para oito. Segundo a Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários, o ideal seria que cada servidor inspecionasse até quatro locais. Para o ministro, o número de funcionários é adequado. "O problema não tem nada a ver com número de fiscais, tanto que tinha lá o fiscal", afirmou. Ele disse que os servidores que foram presos responderão a processos criminais e administrativos e, se comprovada a culpa, serão afastados. A Folha não conseguiu contatá-los. PF apreende 16 t de queijo impróprio para consumo Produto vencido ou prestes a vencer era reembalado para que fosse comercializado Depósito em Uberaba (MG) onde a mercadoria estava estocada foi achado após denúncia; polícia diz que produto seria vendido em SP

ANDRÉA MICHAEL DA SUCURSAL DE BRASÍLIA JUCIMARA DE PAUDA DA FOLHA RIBEIRÃO, EM UBERABA A Polícia Federal apreendeu ontem, em Uberaba (MG), 16 toneladas de queijo tipo mussarela impróprio para o consumo. A mercadoria estava com prazo de validade já vencido ou prestes a vencer, mas ainda assim seria comercializada nos mercados de Minas Gerais. Os policiais federais suspeitam que também seria vendida no Estado de São Paulo. Uma denúncia anônima levou a PF a um depósito no bairro Parque das Américas, onde o queijo estava estocado. Segundo o delegado da PF Ricardo Ruiz da Silva, uma pessoa de Uberaba, que não teve o nome divulgado, comprava o queijo vencido ou prestes a vencer de 18 laticínios do Estado de Goiás e o trazia para a cidade mineira. Toda a mercadoria era guardada em uma câmara fria dentro do depósito. As embalagens vencidas eram retiradas e outras, com novas datas de validade, eram colocadas no queijo, para que ele pudesse ser comercializado. "Encontramos vários sacos plásticos com embalagens, o que significa que muitos queijos estão sendo comercializados", afirmou Silva -o mesmo delegado que, na semana passada, comandou a Operação Ouro Branco. A maioria dos queijos reembalados tinha as marcas Milklac, Milknata e Lunat. O delegado da PF disse que as marcas não são originais. Elas teriam sido adulteradas. A Folha localizou à noite uma fábrica da Milklac em Suzano, na Grande São Paulo. Como ela já estava fechada, não foi possível contatar os seus responsáveis. A reportagem telefonou para 14 supermercados da Grande São Paulo, mas nenhum deles tinha nenhuma das três marcas à venda. Na operação da PF em Uberaba, três pessoas foram detidas, mas seus nomes não foram divulgados. A Polícia Federal ainda não sabe qual a participação delas no esquema da compra do queijo.

Até a conclusão desta edição, os policiais ainda não haviam localizado os responsáveis pela fraude. Ouro Branco Segundo o delegado, esse flagrante não tem ligação com a operação Ouro Branco, realizada na semana passada para desbaratar uma quadrilha de adulteração de leite que funcionava na região conhecida como Triângulo Mineiro. Naquela operação, a polícia descobriu que cooperativas produtoras de leite adicionavam no produto substâncias impróprias para o consumo, como soda cáustica e água oxigenada, com o objetivo de ampliar seu prazo de validade. Juntas, a Copervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande) e a Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), suspeitas da fraude, produziam 400 mil litros de leite por dia. Colaborou LUISA ALCANTARA E SILVA , da Redação http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3010200721.htm

8 – Queijo vencido ia para SP, diz funcionário Empregado do galpão em MG onde houve a apreensão afirma que produto era vendido na capital e no interior do Estado Em depoimento à PF, ele disse ainda que empresário acusado de ser o responsável pelo esquema comercializava 20 toneladas por semana ANDRÉA MICHAEL DA SUCURSAL DE BRASÍLIA JUCIMARA DE PAUDA DA FOLHA RIBEIRÃO, EM UBERABA O depoimento à Polícia Federal de um funcionário do galpão, em Uberaba (MG), no qual queijo tipo mussarela vencido era preparado

para comercialização, revelou que o empresário acusado de ser responsável pelo esquema vendia 20 toneladas do produto por semana. Os pontos de distribuição se localizavam principalmente em São Paulo, tanto no interior quanto na capital. O nome do funcionário, que passou a colaborar com a investigação, é mantido sob sigilo. A PF busca o dono do esquema, que deve ser preso. Conforme o depoimento, o comércio de queijo vencido funcionava havia pelo menos três meses. O produto vencido ou próximo da data de vencimento era adquirido em seis laticínios de Goiás e transportado para o galpão em Uberaba que foi alvo, anteontem, da operação da PF. No local, foram apreendidas 16 toneladas de queijo. Também foram encontradas, em grande quantidade, embalagens usadas. Três delas estavam com o carimbo de inspeção do Ministério da Agricultura e quatro tinha apenas o selo de inspeção de Goiás. Três homens foram detidos pela PF para esclarecimento e liberados logo após prestarem depoimento. Apenas um deles demonstrou ter informações sobre esquema ilegal. Ele disse que cada peça de quatro quilos era vendida por R$ 7,50. Em uma conta rápida, é possível inferir que o empresário faturava cerca de R$ 37,5 mil por semana, uma média de R$ 168,75 mil mensais com a venda do produto. Em São Paulo, segundo o depoimento do colaborador, a mercadoria era vendida nos municípios de Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Guará e Bauru, além da capital paulista. A PF chegou ao depósito por meio de uma denúncia anônima. O delegado que conduz o caso é Ricardo Ruiz, que na semana passada comandou a Operação Ouro Branco, sobre adulteração de leite. Descarte Todo o queijo apreendido será descartado no aterro sanitário da cidade. Inicialmente, a idéia era analisá-lo, detectar o que estava próprio para consumo e doar o alimento.

"Devido ao acondicionamento, havia mofo, embalagens abertas e algumas peças estavam com caco de vidro. Então, a melhor solução é o descarte total", afirmou a zootecnista Marília Penna Maciel, da Vigilância Sanitária de Uberaba. Os queijos estavam embalados com as marcas Milklac, Lunat, Triângulo Mineiro, Macnata, Lev, Lacto Rei e Milknata -a reportagem localizou uma fábrica com o nome Milklac em Suzano, na Grande São Paulo. A empresa informou que compra leite para a merenda escolar e não produz queijo. Pela manhã, a vigilância fez blitze em Uberaba em busca de remessas de queijo com as embalagens falsificadas. Os fiscais apreenderam 2.464 quilos em um comércio de frios porque o produto estava sendo comercializado sem nota fiscal. MG tem 30 mil queijeiros sem fiscalização DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE Estimativa do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) aponta que existem 30 mil produtores caseiros de queijo no Estado, dos quais apenas 56 (0,5%) recebem selo de qualidade da produção. A fama do queijo tipo Minas deixou de ser exclusividade dos laticínios mineiros, mas o Estado ainda mantém tradição de produção artesanal em pequena escala. O IMA catalogou cerca de 10 mil produtores caseiros, atraídos por uma lei estadual de 2002 que criou o selo QMA (Queijo Minas Artesanal). Mas somente 56 (0,5%) obtiveram até agora o selo, por produzirem de acordo com padrões de produção, higiene e armazenagem. É o órgão go governo estadual que certifica e fiscaliza quem produz e vende exclusivamente no Estado -laticínios que vendem para outro Estado devem ser fiscalizados pelo Ministério da Agricultura. A dificuldade de fiscalização é grande, segundo o IMA, pois muitos produtores são sazonais. O órgão tem 700 funcionários para fiscalizar 356 produtores de leite, carne, ovos e mel -quase dois fiscais por empresa. Os laticínios são 232. (PAULO PEIXOTO)

Promotoria dá 10 dias para defesa de empresas DA FOLHA RIBEIRÃO, EM UBERABA O Ministério Público de Minas notificou ontem pelo correio as empresas Calu, Centenário e Parmalat a apresentarem defesa em dez dias sobre os problemas detectados em lotes específicos de leite longa vida. Laudo sobre amostras coletadas em agosto nos supermercados de Uberaba concluiu que os produtos estavam impróprios para o consumo. Na semana passada, a Anvisa interditou os lotes. "Após recebermos a defesa verificaremos se as empresas serão ou não multadas. Caso ocorra, a multa será aplicada conforme o faturamento da empresa", disse o promotor João Vicente Davina. Com base nos laudos, Ministério Público e Polícia Federal deflagraram na semana passada a Operação Ouro Branco contra adulteração de leite longa vida integral. A Parmalat informou ontem que só se pronunciará após receber a notificação, o que não havia ocorrido. A Copervale, que produz o leite Centenário e é acusada de adulteração, disse que está fazendo uma apuração própria da fraude na empresa. A Calu afirmou, em entrevista anterior, que mandou analisar seu leite. Venda de leite UHT cai em 11 Estados após fraude DA AGÊNCIA FOLHA COLABORAÇÃO PARA A AGÊNCIA FOLHA A crise do leite em Minas Gerais, causada pela descoberta de adulteração com substâncias como soda cáustica e água oxigenada, teve impacto nas vendas de leite longa vida em ao menos 11 Estados. Associações supermercadistas de Acre, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins apontaram queda de 10% a 60% nas vendas do leite UHT (de caixinha). O consumidor, segundo as associações, está substituindo o leite UHT pelo produto em pó ou de saquinho e por sucos e

refrigerantes. Também está optando por marcas locais. A ASPB (Associação de Supermercados da Paraíba) foi a que identificou maior migração de consumidores de leite para outras bebidas. Apontou queda de 60% nas vendas, mas sem prejuízo para os mil supermercados do Estado porque "o consumidor está comprando mais leite em pó e sucos", segundo José Bernardino da Silva, presidente da associação. Na Bahia, a associação local estima que os cerca de 4.000 supermercados tenham sofrido perda de 33% nas vendas de leite, com prejuízo de R$ 5 milhões em outubro. "Houve aumento na venda de sucos e refrigerantes", disse José Humberto Sousa, presidente da Abase (Associação Baiana de Supermercados). Em Santa Catarina, houve queda de 20%, em média. O consumidor catarinense passou a valorizar as marcas locais, que cresceram até 10%. No Acre, as vendas do leite Parmalat -envolvido em suspeitas de adulteração- caíram em torno de 20%. No Tocantins, a redução na venda é de 15%. A marca Manacá, reprovada pelo Procon de Goiás, teve redução de 70%. Em Mato Grosso, representantes de supermercadistas estimam em 30% a queda da venda do leite Parmalat e em 15% a dos demais. "Consumidores estão sem confiança de comprar e procuram a gerência para saber a procedência", afirmou José Catena Filho, vice-presidente da Asmat (Associação dos Supermercados de Mato Grosso). Segundo a Aspas (Associação Paraense de Supermercados), as marcas regionais sofreram pouca diminuição na venda, mas a Parmalat caiu cerca de 50%. Em Sergipe e no Maranhão, houve queda de 10%. No Espírito Santo, redução de 15%. A associação pernambucana também notou queda, mas não estimou percentual. No Rio Grande do Sul e no Paraná, representantes do setor afirmaram que não houve queda. Segundo as associações, os consumidores compram leite de marcas locais. (CÍNTIA ACAYABA, TALITA BEDINELLI e RICARDO VIEL) DEMORA:

PF AINDA NÃO ENCAMINHOU LEITE RECOLHIDO HÁ UMA SEMANA Uma semana após determinar o recolhimento de amostras de leite em todo o Brasil, a Polícia Federal ainda não comunicou aos Estados para onde encaminhar o material. As caixas de leite longa vida que serão destinadas à perícia ainda estão estocadas em salas das superintendências regionais. A demora, segundo o órgão, ocorreu porque a PF aguardava que todas as superintendências finalizassem a coleta. Apenas ontem à tarde foi decidido que o material será analisado pelos Setecs (Serviços Técnico-Científicos) de cada superintendência, mas a maioria dos Estados ainda não havia sido informada. A reportagem consultou ontem oito superintendências regionais da PF, que não sabiam o que fazer. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3110200738.htm

9 – Venda de leite UHT de 4 fábricas é proibida Governo diz que leite longa vida de unidades da Casmil, da Avipal, da Copervale e da Parmalat estão fora dos padrões Exames do Ministério da Agricultura apontaram alto teor de acidez e alcalinidade; proibição vale até que novos laudos sejam feitos ANGELA PINHO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA MARCELO TOLEDO DA FOLHA RIBEIRÃO O Ministério da Agricultura proibiu quatro fábricas de comercializarem leite longa vida (UHT) após constatar que os produtos descumpriam as conformidades técnicas -tinham alto teor de acidez e de alcalinidade. A pasta não informou quais níveis foram descumpridos por cada marca. As empresas podem até produzir o leite, mas ele não pode ser vendido.

A proibição atingiu as unidades da Parmalat em Carazinho (RS), da Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), em Passos (MG), da Copervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande), em Uberaba (MG), e da Avipal, em Itumbiara (GO). A circular proibindo a comercialização foi enviada às empresas na sexta-feira da semana passada. Anteontem, porém, o ministério mandou outro comunicado para reforçar o anterior e especificar que o que estava sendo vetado era apenas o leite longa vida (de caixinha). Ou seja, as empresas poderão continuar vendendo leite pasteurizado (embalado em saquinho) e derivados. O veto incluía ainda uma quinta fábrica, em Santa Helena de Goiás (GO), da Parmalat. Ontem à noite, a empresa, que tem cinco unidades no país segundo sua assessoria, divulgou nota em que informava que a produção em Goiás foi liberada. A nota inclui laudo do Ministério da Agricultura assinado pelo coordenador geral de inspeção da pasta, Marcius Ribeiro de Freitas. Procurado pela Folha, Freitas confirmou que a venda da produção da unidade de Santa Helena foi liberada ontem. Investigação As fábricas foram alvo de investigação do Ministério Público e da Polícia Federal após a operação Ouro Branco, da PF, descobrir a adição de substâncias como água oxigenada e soda cáustica no leite produzido por duas cooperativas de Minas que lhes forneciam o produto cru -foram presas 28 pessoas em Uberaba e Passos, mas nenhuma delas segue na cadeia. Os órgãos do governo afirmam que a adulteração, feita para aumentar o volume do produto, reduz a quantidade de nutrientes, mas não traz graves riscos à saúde. "Mortes nós não teremos", afirmou Maria Cecília Brito, diretora da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na sexta-feira da semana passada, após alertar o consumidor para ficar atento a mudanças de cor e cheiro.

Novos laudos Segundo o ministério, as empresas estão liberadas para produzir e estocar leite, mas não poderão vender o produto aos supermercados e outros pontos-de-venda até que a pasta conclua laudos técnicos em curso, o que ainda não tem prazo para ocorrer. "Se estiver fora do padrão, não quer dizer que não é saudável. Pode não trazer o mesmo benefício. Mas tem que recolher, porque não poderia ir para o mercado. Isso, no entanto, não quer dizer que o leite esteja fraudado", disse Jorge Rubez, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite. O comunicado enviado às empresas anteontem diz que "fica suspensa a comercialização do leite UHT" , mas explica que "a suspensão não interfere nos procedimentos de fabricação da empresa nem nos produtos encontrados no mercado varejista". A ressalva foi feita porque a atribuição de fiscalizar o leite depois que ele está pronto para ser vendido ao consumidor -na prateleira do supermercado- é da Anvisa. Na semana passada, a agência já havia determinado a interdição cautelar de nove lotes de leite produzidos pelas cooperativas mineiras, das marcas Calu, Parmalat e Centenário. Isso significa que os supermercados tiveram que retirá-los de suas prateleiras. O consumidor que tivesse algum dos produtos em casa foi orientado a não utilizá-lo. Um laudo da agência deve ficar pronto na semana que vem. outro lado Empresa afirma que leite é de boa qualidade Parmalat diz apoiar inspeção; Calu nega erro e Casmil diz não produzir leite UHT DA REDAÇÃO DA FOLHA RIBEIRÃO A Parmalat enviou ontem à noite, via e-mail, cópia do laudo do Ministério da Agricultura que liberou a venda do leite longa vida (UHT) produzido na fábrica de Santa Helena de Goiás. No documento, a Parmalat afirma que, com as análises, o ministério

"confirmou hoje [ontem] a qualidade dos leites" e que "apóia esta iniciativa, pois isso comprova a excelência dos leites Parmalat". A empresa citou ainda análises da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (MG) e do Procon de Goiás, afirmando que seus produtos estão entre as marcas aprovadas e não apresentam "nenhuma restrição para o consumo". Ela disse ainda que "não houve interrupção na produção ou comercialização dos seus produtos no varejo durante a inspeção de rotina". Sobre o leite produzido na fábrica de Carazinho (RS), a Parmalat informou que só vai se pronunciar quando tiver o resultado da análise do Ministério da Agricultura, que "deve ser apresentado em breve". Ontem, a pasta não divulgou os resultados dos laudos. A reportagem entrou em contato com a Avipal por meio da empresa Eleva (do mesmo grupo da Avipal e da Elegê), mas o funcionário que se identificou como segurança do escritório em Porto Alegre (RS) disse que não havia mais ninguém no local e que não tinha autorização para passar o telefone de nenhum funcionário. A Calu, que tem seu leite processado e envasado pela Avipal em Itumbiara (GO), disse estar tendo a imagem prejudicada injustamente. "Ou o erro foi da Avipal, na hora de processar ou envasar o nosso leite [da Calu], ou do Ministério da Agricultura, que pode ter cometido algum erro na hora da análise", afirmou ontem Eduardo Dissimoni, presidente da Calu. Sem longa vida A Casmil informou ontem que não produz, há mais de um ano, o leite longa vida. Dos 240 mil litros de leite captados diariamente, segundo Leonardo dos Reis Medeiros, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos e um dos quatro membros da junta de intervenção da cooperativa, 60 mil são usados para a produção de derivados e leite pasteurizado (de saquinho) -o restante é vendido. Procurada pela Folha após ter ouvido a empresa, a assessoria do ministério não soube informar o motivo da fábrica, que alega não

produzir leite longa vida, ter sido incluída na suspensão. A Folha não conseguiu ouvir a Copervale ontem. A reportagem tentou ouvir o interventor Geraldo Cardoso Sobrinho nove vezes, na cooperativa e em seu celular, sem sucesso. Em entrevista anterior, ele afirmou que, quando o leite foi interditado pela Anvisa, na sexta-feira da semana passada, a cooperativa já estava retirando os lotes do mercado por precaução. Leite ácido pode prejudicar a saúde, afirmam especialistas DA REPORTAGEM LOCAL Alterações na acidez e na alcalinidade do leite podem trazer conseqüências à saúde, segundo especialistas consultados ontem pela Folha. Daniel Bandoni, nutricionista da USP (Universidade de São Paulo), afirma que os efeitos da acidez já são conhecidos de outros produtos e que eles afetam principalmente o sistema digestivo. "Azia, queimação e reações alérgicas são alguns problemas que um produto com acidez elevada pode causar", diz. Também da USP, o coordenador do curso de Vigilância Sanitária de Alimentos, Pedro Manuel Leal Germano, afirma que um leite muito ácido pode causar gastrite, ardor nas mucosas do sistema digestivo e efeitos mais graves em pessoas que já têm outros problemas. "Para quem tem esofagite ou hérnia de hiato, é altamente prejudicial", diz Germano. Se excessivo, o consumo pode ainda provocar vômitos. Ele afirma que a alcalinidade também pode prejudicar o sistema digestivo. Já Bandoni defende que os efeitos da alcalinidade podem ir além e provocar alterações principalmente na boca, na língua e na saliva de quem consome o leite com um pH muito básico. Os dois especialistas concordam que a maioria dos sintomas está ligada diretamente à quantidade de produtos ilegais presente no leite e à freqüência de consumo.

pH Segundo o Ministério da Agricultura, o leite normal apresenta pH ligeiramente ácido, porém, praticamente neutro, entre 6,4 e 6,8. O pH é mais ácido se mais próximo do zero e mais alcalino se mais próximo de 14. (MÁRCIO PINHO) MINAS: LEITE DAS COOPERATIVAS CASMIL E COPERVALE COMEÇA A SER DESCARTADO O leite interditado das cooperativas Copervale e Casmil, em Minas Gerais, sob suspeita de adulteração com soda cáustica e água oxigenada começou a ser descartado ontem, 11 dias após a interdição. Um lote com cerca de 20 mil litros da Copervale deixou Uberaba na manhã de ontem para seguir para Lavras, onde seria jogado no aterro de resíduos industriais da cidade. "Em toda a viagem, a carga será acompanhada por fiscais, para que a destinação seja a correta", afirmou o diretor da Vigilância Sanitária de Uberaba, Marco Túlio Azevedo Cury. Já em Passos, também ontem, um carregamento de 19.500 litros deixou a Casmil rumo a Varginha, onde seria despejado na estação de tratamento de esgoto. O restante, aproximadamente 40 mil litros, deve ser enviado entre hoje e amanhã para a estação de Varginha. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0311200701.htm

10 – 1/3 do leite brasileiro não passa por fiscalização A cada três litros produzidos, um, em média, é feito no mercado informal e não é tributado O destino mais comum desse tipo de produto é ser transformado em queijo, que dura mais mesmo sem refrigeração adequada

RENATA BAPTISTA JOÃO CARLOS MAGALHÃES DA AGÊNCIA FOLHA A cada três litros de leite produzidos no Brasil, um, em média, é feito no mercado informal, não passa por fiscalização do governo e não é tributado. Por não pagar impostos e gastar pouco com equipamentos para a conservação do leite, os produtores informais conseguem vendê-lo por preço abaixo do de mercado. A produção de leite no Brasil foi colocada em xeque após a Polícia Federal prender 28 pessoas acusadas de adulterar o produto, adicionando substâncias impróprias como soda cáustica e água oxigenada. Dados da Leite Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Leite) mostram que, dos 26 bilhões de litros de leite obtidos anualmente no país, ao menos 9 bilhões (34%) não obedecem a instrução normativa nº 51, de 2002, do Ministério da Agricultura, que estabelece critérios de qualidade. A associação chegou a esse número subtraindo da quantidade total de leite produzido o que as cooperativas e empresas do setor dizem processar. O total é calculado pelo IBGE. Normalmente, o produtor informal mora em regiões pouco urbanizadas e tem uma pequena propriedade, com poucos animais e de baixa produtividade. A retirada, o manuseio e a conservação são com técnicas caseiras. Quase toda essa produção paralela é vendida de porta em porta, em feiras livres e em estradas. O destino mais comum desse leite é ser transformado em queijo. Assim, fica mais fácil o transporte e a conservação, já que queijos duram mais mesmo sem refrigeração. Para Marcos Veiga dos Santos, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, a produção desse mercado informal gera um problema de saúde pública e concorrência desleal.

Como esses produtos não sofrem a pasteurização -aplicação de uma grande diferença de temperatura ao leite-, podem conter microorganismos transmitidos pelo bovino, entre eles os causadores da tuberculose e da brucelose (infecção que provoca febre, anemia, nevralgias). O presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez, afirmou que as condições higiênicas dos pequenos produtores nem sempre são ruins. "A ordenha manual pode ser mais eficaz do que a mecânica. Tudo depende dos cuidados de cada produtor." Mesmo assim, ele vê necessidade de mais fiscalização. Produtores confirmaram que, por não terem máquinas que purifiquem o leite, os fabricantes informais tendem a ser mais cuidadosos. Mas como não são fiscalizados pelo governo, não há dados oficiais que mostrem o grau de pureza ou de higiene. O leite ou o queijo produzido informalmente não tem a marca em sua embalagem do SIF (Serviço de Inspeção Federal), órgão de fiscalização do Ministério da Agricultura. No Norte e no Nordeste, legislação é só "educativa" Para coordenador do ministério da Agricultura, seria "irreal" cobrar produtores No Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, a legislação vale desde 2005; padrão ainda não é exigido de produtores do resto do país DA AGÊNCIA FOLHA A instrução normativa nº 51 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que estabelece os padrões de qualidade que devem ser seguidos na produção do leite no país, ainda não é obrigatória nas regiões Norte e Nordeste, onde é cumprida apenas de "maneira educativa". Segundo o ministério, primeiro é preciso mostrar aos produtores daquelas regiões como deverá ser feita a produção de leite, dando a eles tempo para se adaptar às mudanças previstas. Marcius Ribeiro de Freitas, coordenador-geral de Inspeção Federal do Dipoa (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem

Animal), disse que seria "irreal" cobrar dos produtores do Nordeste e do Norte conformidade com a lei. "Hoje, não há suporte energético adequado para equipamentos, não há estradas nem pontos de coleta para escoamento da produção", afirma. Na opinião do coordenador, o período educativo deve durar ao menos mais um ano. Para os produtores de leite das regiões Sul, Sudeste e CentroOeste, onde a produção leiteira se concentra, a norma passou a vigorar em julho de 2005. Desde então, eles tiveram dois anos para se preparar. A lei, criada em 2002, é considerada uma maneira de homogeneizar a qualidade do produto e aproximá-lo de um padrão aceito internacionalmente. Seu maior avanço é em relação à conservação do leite. A norma estabelece que, ao sair da vaca, o leite seja armazenado em tanque a cerca de 4C, evitando assim a proliferação de bactérias. Ao mesmo tempo, determina que indústrias de laticínios e cooperativas façam repetidos testes com amostras -outra maneira de detectar e controlar possíveis contaminações no produto. Concorrência ajuda Mas o professor de zootecnia da USP Marcos Veiga dos Santos diz que, mesmo sem a lei, muitas vezes o mercado já exige do produtor, por conta da concorrência, as condições estabelecidas pela resolução. "Há uma auto-regulação", afirmou. Para ele, a melhor maneira de obrigar o cumprimento da norma é penalizar financeiramente o produtor que não seguir suas determinações e incentivar quem estiver de acordo com a resolução. Segundo Freitas, quem descumprir a norma pode ser multado ou mesmo chegar a ter propriedade e equipamentos interditados. Ainda assim, ele concorda que é necessário dar tempo aos produtores e ao mercado para adaptação. "Não se pode esperar que essa lei tenha efeito em pouco tempo", disse Santos. "O ciclo da pecuária é lento, de três a cinco anos, que é o tempo para nascer e crescer uma vaca capaz de gerar leite", afirmou. (RB e JCM)

Frases Hoje, não há suporte energético adequado para equipamentos, não há estradas nem pontos de coleta para escoamento da produção MARCIUS RIBEIRO DE FREITAS coordenador-geral de Inspeção Federal do Dipoa (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal) do Ministério da Agricultura Não se pode esperar que essa lei [que estabelece padrões de qualidade mais próximos dos internacionais] tenha efeito em pouco tempo. O ciclo da pecuária é lento, de três a cinco anos, que é o tempo para nascer e crescer uma vaca capaz de gerar leite MARCOS VEIGA DOS SANTOS professor de zootecnia da USP Para ministério, dados estão inflados DA AGÊNCIA FOLHA O coordenador-geral de Inspeção Federal do Dipoa (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcius Ribeiro de Freitas, afirmou que os números da Leite Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Leite) estão inflados. "Não tenho nenhum dado oficial, mas, pela minha experiência, acho que não passa de 10% [o percentual do leite produzido no mercado paralelo e que não é nem fiscalizado nem tributado]", disse Freitas, discordando da estimativa de 30% da entidade que reúne produtores de leite no país. Ainda assim, de acordo com ele, "falta uma atenção maior" à produção informal de leite no Brasil por parte dos órgãos responsáveis pela fiscalização. Endereços Freitas afirmou que uma das maiores dificuldades para inspecionar esses pequenos estabelecimentos é a alta rotatividade de endereços de seus donos e o fato de ser uma produção familiar e

tradicional. "Ainda existe aquela cultura que diz que o que é natural é melhor, que o que vem da fazenda é melhor. É muito difícil mudar isso", disse. "E o escândalo em Minas Gerais [resultado da Operação Ouro Branco, ação da Polícia Federal que ocorreu no último dia 22 de outubro e que interditou duas cooperativas de Leite, uma em Uberaba e outra em Passos] reforçou essa sensação de que o que é industrializado é pior", afirmou Freitas. Para o coordenador-geral do Dipoa, apesar de ser "uma situação complexa", uma das possíveis soluções é a união dos fiscais municipais, estaduais e federais com os da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para "atacar o problema". "Há a necessidade de um esforço conjunto para criar uma união formal dos órgãos [de fiscalização do produto] e assim tentar diminuir o problema", afirmou. Freitas aponta também a grande extensão territorial do Brasil como outro fator que dificulta a fiscalização sobre os produtores que atuam de maneira informal. Em nota emitida no último dia 23 de outubro, sobre a operação desencadeada pela Polícia Federal em Minas Gerais, o Ministério da Agricultura declarava que o modelo de fiscalização do leite utilizado no Brasil é o mesmo modelo adotado na maior parte do mundo. (JCM) Leite não deve ser excluído da dieta, dizem especialistas Na opinião de médicos, fraude deve ser punida, mas adição de substâncias não ocasiona graves problemas de saúde Um adulto precisa ingerir 1.000 miligramas de cálcio por dia -a quantidade pode ser alcançada com a ingestão de um copo de leite LUISA ALCANTARA E SILVA DA REDAÇÃO Apesar da fraude verificada na composição de alguns lotes de leite,

especialistas ouvidos pela Folha afirmam que o alimento não deve ser descartado da dieta diária. De acordo com eles, a adulteração do leite, deflagrada no dia 22, quando a Operação Ouro Branco, da Polícia Federal, prendeu 28 pessoas acusadas de adulterar o produto, adicionando substâncias como soda cáustica e água oxigenada, deve sim ser punida, mas não pode causar pânico na população. Nos últimos dias, o médico gastrenterologista Jayme Murahovschi disse que recebeu algumas "poucas" ligações de pacientes preocupados com a adulteração do leite. "Não deve ser adulterado, é claro, mas o que houve não traz problemas", diz ele. "A soda cáustica queima, mas, olha só, o leite é um neutralizante dela, então a adulteração não causa complicação nenhuma", disse. "A soda cáustica pode até matar se ingerida em grande quantidade, mas, nesse caso [do leite], não tem problema", afirmou. "Se fosse em maior quantidade, já teria sido sentida, porque as pessoas iriam reclamar de queimaduras na boca", explica. O médico Anthony Wong, chefe do centro de assistência toxicológica do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma o mesmo. "Do jeito que foi acrescentada ao leite [a soda cáustica], não causa lesão", disse ele. "Ela só causa problemas, e muito sérios, se ingerida em grande quantidade." Matéria-prima Walkiria Viotto, engenheira de alimentos e professora da Unicamp, diz que "não existe milagre em alimentos. Se a matéria-prima [no caso, o leite cru] é ruim, o produto resultante vai ter má qualidade". Mas a população, segundo ela, não deve entrar em desespero. "Não foi uma fraude grosseira, não dava na cara. Então, não tem problema do ponto de vista de saúde pública. É mais um problema econômico, porque você está comprando leite e levando outro produto." "Mal à saúde não vai causar mesmo, entretanto, há um risco nutricional associado à fraude", diz Cláudia Parma, gerente da Vigilância em Alimentos da Secretaria de Saúde de Minas Gerais. "Do ponto de vista da nutrição, principalmente no caso de crianças e de idosos, eles podem não estar tendo na sua dieta a quantidade de ingredientes necessários, mas ninguém vai ficar de cama."

Irritação Para Paulo Henrique da Silva, pesquisador do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, "pode ser que, ao longo do tempo, algumas pessoas [mais sensíveis] possam ter irritação gástrica". E quem achar que está com um problema deve consultar um médico. "Mas não vai haver nada que possa levar a uma situação grave." Ele afirma que o leite é uma fonte reconhecida de proteínas de alto valor nutricional e de cálcio, facilmente absorvido pelo organismo e que, por isso, "nós não devemos, em nenhuma fase da vida, deixar de fazer uso de produtos lácteos". Silva diz que o consumidor está protegido desde que ele não consuma os lotes que a Vigilância Sanitária identificou. Dieta diária Um adulto precisa ingerir 1.000 miligramas de cálcio por dia. A quantidade pode ser alcançada com a ingestão de um copo de leite, que tem aproximadamente 240 miligramas de cálcio, e outros produtos lácteos, como iogurte e queijos. Além disso, é importante adicionar à dieta diária folhas verdes escuras, como couve, brócolis e almeirão. Pessoas que não gostam de leite devem ficar atentas, pois há alimentos que substituem o valor nutritivo do produto, mas é difícil de alcançar a quantidade de cálcio encontrada em um copo de 250 mililitros de leite. "Tem que comer um montão de couve todo dia, e ninguém come muita", diz o médico Jayme Murahovschi. Para quem estiver disposto a trocar o leite do café da manhã por outra bebida, a nutricionista Sheila Mustafá sugere suco de brócolis, que, para ficar mais saboroso, pode ser batido com maçã, abacaxi e hortelã. Outro alimento rico em cálcio que a nutricionista sugere é o gergelim - em uma porção de 100 gramas, há cerca de 400 miligramas de cálcio.

NOTA Leia com atenção (abaixo), as informações sobre a ingestão de cálcio, bem como as várias fontes deste mineral precioso para a nossa saúde, do Dr. Sidney Federmann: Pág. 72 A dieta com excesso de proteínas (carne – queijo – ovos) faz perder cálcio pela urina originando osteoporose. As pessoas, geralmente a partir dos 50 anos de idade, começam a sentir dores dorsais e lombares, em conseqüência de osteoporose de coluna vertebral. A partir desse diagnóstico é recomendado a elas o aumento no consumo de leite, queijo e manteiga pelo conteúdo em cálcio. Porém, estes alimentos têm excesso de proteínas, principalmente o queijo, as quais ocasionam perda de cálcio pela urina, não melhorando a osteoporose, mas piorando. Além disso, o aumento no consumo destes alimentos tornam essas pessoas obesas e aumentam o risco de adenoma de próstata, Câncer de próstata, Câncer de mama, de cólon e reto, de pulmão e doenças cardiovasculares, como o Infarto do miocárdio, Hipertensão arterial, e Acidente vascular cerebral. O correto seria aumentar o aporte de cálcio através do aumento do consumo de vegetais verdes, que têm mais cálcio que os alimentos lácteos, não têm excesso de proteínas que provoca perdas de cálcio pela urina, não têm excesso de gorduras que causam as doenças acima e utilizar cereais integrais em uma dieta balanceada, como a que recomendamos. (dieta do Dr Ornish) Considerando-se 100% as necessidades diárias de cálcio de um adulto, 100 grs de leite de vaca têm 25% das necessidades diárias de cálcio, 100 grs de arroz integral têm 19% das necessidades diárias de cálcio, 100 grs de farinha de trigo integral têm 29%, 100 grs de folha de abóbora têm 106%; 100 grs de folha de mandioca têm 67%; 100 grs de farinha de trigo refinada (branca) têm 5%; 100 grs de arroz branco têm 2%; 100 grs de maisena têm 0% e 100 grs de açúcar (refinado, cristal – açúcar branco) têm 0% das necessidades diárias de cálcio. Portanto, o cálcio deve ser proveniente das verduras com alta concentração de cálcio, como o brócoli, folhas de abóbora, folhas de mandioca principalmente e arroz integral, pão, macarrão e bolachas feitas com farinha de trigo integral (não a “especial” que é refinada), mandioca, alface, sementes de abóbora,, de gergelim, para haver bom aproveitamento para os ossos, evitando e tratando a osteoporose. Estes alimentos não têm excesso de proteínas, o

que provocaria eliminação de excesso de nitrogênio pela urina, que prejudicaria a reabsorção do cálcio nos túbulos renais para sua posterior fixação óssea. Como já citamos, o cálcio dos alimentos é absorvido nos 600 m2 de mucosa intestinal, indo para a circulação sangüínea, sendo filtrado nos glomérulos renais e reabsorvido nos túbulos renais para posterior aproveitamento ósseo. Neste local é que o excesso de nitrogênio urinário, produto do metabolismo das proteínas e proveniente de alimentos animais, com excesso de proteínas, impede a reabsorção do cálcio, causando perdas urinárias de cálcio, sendo fator causal para cálculos de vias urinárias. Se procurarmos ingerir o cálcio proveniente de alimentos animais, de alto teor protéico como o queijo, em conjunto com alimentos com excesso de proteínas como carnes e ovos, haverá excesso de nitrogênio na urina e haverá Pág. 73 grandes perdas de cálcio via urinária, sendo as perdas maiores que a ingestão, mesmo que se tome grandes quantidades de leite e preparados farmacêuticos com cálcio, favorecendo estes últimos, o aparecimento de cálculos de vias urinárias. Com a alimentação integral, balanceada, proposta, haverá proporções fisiológicas de proteínas e cálcio, não havendo excesso de nitrogênio na urina. Se a pessoa necessitar de maior quantidade de proteínas (atleta, crianças), terá que comer maior quantidade de alimentos com distribuição harmônica dos outros nutrientes, incluindo o cálcio, não havendo os exageros prejudiciais de proteínas. Isso é desejável, pois a pessoa aumentará proporcionalmente a ingestão de selênio, zinco, Vitamina E, Vitamina C e caroteno, intimamente relacionados com boas atividades imunitárias e de proteção contra o câncer. O uso de leite e derivados lácteos, como fonte de cálcio, também aumentam o risco de adquirir doenças cardiovasculares e câncer, pelo seu alto teor de gorduras. Se estivéssemos utilizando o arroz integral e a farinha de trigo integral nos alimentos, pelo seu maior teor de fibras, este efeito seria minimizado, pelo seu efeito de impedir a absorção das gorduras. Além disso, a dieta sem excesso de proteínas, efetivamente retarda a progressão das doenças renais do diabético e do paciente não diabético. O uso de carnes, queijos, ovos nas refeições aumenta a pressão plasmática renal podendo causar Esclerose glomerular

progressiva, sendo a principal causa da insuficiência renal após os 50 anos, no diabético e no não-diabético. A esclerose glomerular progressiva, foi reproduzida em cães aos quais era dado carne em 2 refeições diárias, “ad libitum”. Não houve esta doença nos cães alimentados com carne 3 a 4 dias, como ocorre na natureza. Também as proteínas do leite de vaca são estranhas ao ser humano, que fabrica anticorpos contra a lacto globulina bovina. Existem mais de 100 antígenos no leite de vaca, que provocam a produção de mais de 100 anticorpos no ser humano. Esta reação imunológica é um importante fator desencadeante em crianças sensíveis, para a destruição das células pancreáticas produtoras de insulina e o aparecimento do Diabetes tipo 1 ou infantil, que é a mais grave, ou insulino dependente, a qual não surgiria se a criança não ingerisse o leite de vaca em sua vida. A Diabete tipo 1 foi reproduzida em ratos, aos quais foi dado leite de vaca, os quais também, como as crianças, fabricam grande número de anticorpos contra as proteínas do leite de vaca, desencadeando também, a destruição das células pancreáticas produtoras de insulina. As crianças e ratos diabéticos têm grande produção de anticorpos contra as proteínas do leite da vaca, comparado com os não diabéticos. Além do excesso de proteínas, também o excesso de sal aumenta obrigatoriamente as perdas de cálcio do corpo, ocasionando osteoporose. O risco de fraturas é inversamente proporcional à densidade óssea. Pág. 74 As populações em países em desenvolvimento têm menor risco de fraturas relacionadas com a idade avançada e menos osteoporose, apesar da menor ingestão de cálcio, porque eles fumam menos, bebem menos álcool, fazem mais trabalho físico (o qual promove formação óssea) e consomem menos proteínas e sal. Os alimentos com excesso de sal são os mesmos com excesso de proteínas, isto é, carnes, queijo, manteiga e margarina, bem como os alimentos industrializados em geral.” Fonte: LIVRO: “Alimentação que evita o Câncer e outras doenças”, Dr. Sidney Federmann/ Dra. Miriam Federmann; Editora Minuano, 9ª edição, São Paulo, [trecho]

Fraude faz o volume do produto crescer DA REDAÇÃO A Operação Ouro Branco da Polícia Federal foi deflagrada no último dia 22 e descobriu a adição de substâncias impróprias para o consumo, como soda cáustica e água oxigenada, no leite fornecido por duas cooperativas de Minas Gerais -Copervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande) e Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro), de Passos. A operação prendeu 28 pessoas, que já estão soltas. O objetivo da fraude era aumentar o volume e prolongar a data de validade do leite. Até sexta-feira, nove lotes de leite longa vida da Parmalat, Calu e Centenário foram recolhidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) por apresentarem irregularidades. O Ministério Público Federal em Minas Gerais abriu um inquérito civil para apurar falhas no sistema de fiscalização do Ministério da Agricultura. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0411200701.htm

11 – Governo vai investigar 7 marcas de leite Laudos apontam mais de 20% de diferença entre o valor nutricional e a indicação na embalagem; não houve problemas em SP Operação conjunta entre Justiça e Agricultura foi feita antes da denúncia de adulteração do leite em cooperativas mineiras ANGELA PINHO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O Ministério da Justiça abriu procedimento administrativo para investigar seis empresas que, de acordo com laudos do Lanagro (Laboratório Nacional Agropecuário), fabricavam leite com valor

nutricional diferente do informado no rótulo. Uma operação conjunta entre a pasta e o Ministério da Agricultura feita em maio -antes da descoberta da adulteração do leite em Minas Gerais- encontrou essa irregularidade em oito amostras de leite em pó e longa vida de 57 analisadas: Parmalat, Andrinse, Marajoara (duas amostras), Cilpe, Lebon, Alimba (que também pertence à Parmalat) e Total. A análise foi concluída neste mês. As amostras apresentavam níveis de gordura, carboidratos e proteínas com diferença maior do que 20% em relação ao informado na embalagem. Resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permite variação até 20%, tanto da quantidade de nutrientes como do valor calórico. A agência argumenta que esse índice é comum aos países do Mercosul, e "admitido devido à variação natural da composição das matérias-primas, do processo de fabricação e da metodologia de análise". As análises das amostras de leite foram feitas em conjunto com o Procon em Goiás, Tocantins, Paraíba, São Paulo -onde não foi detectada irregularidade- e Santa Catarina. A partir dos exames do Lanagro, a Agricultura abriu também 18 procedimentos para apurar infrações ao regulamento técnico do leite. Entre as irregularidades encontradas estão níveis de gordura, proteínas, carboidratos e acidez fora dos padrões. O procedimento administrativo do Ministério da Justiça pode acarretar multa entre R$ 200 e R$ 3 milhões, prevista no Código de Defesa do Consumidor. A penalidade do procedimento do Ministério da Agricultura tem o teto de R$ 16 mil. A operação conjunta foi feita após pedido da CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária). "Sugerimos que se fizesse um convênio porque há muito tempo a gente trabalhava com o Ministério da Agricultura e ele tinha muitas dificuldades pelo conjunto de regras a que tinha que obedecer", disse Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da entidade. Ele diz que, quando um produtor adiciona substâncias para aumentar o volume do leite, prejudica a concorrência.

Parmalat diz que vai esperar notificação A empresa não quis se manifestar ontem sobre a decisão do Ministério da Justiça de abrir processo administrativo DA SUCURSAL DE BRASÍLIA A Parmalat informou, por meio da assessoria de imprensa, que "prefere se manifestar somente após tomar conhecimento da decisão" sobre a abertura de processo administrativo pelo Ministério da Justiça. A empresa é uma das maiores do setor e em 2005 enfrentou problemas financeiros. No começo da tarde, antes de ter conhecimento da decisão do ministério, a Parmalat divulgou nota em que informava que a empresa "sempre assegurou a qualidade dos leites e de todo o processo industrial". A nota, com data do dia 3 de novembro, fazia referência à Operação Ouro Branco, da Polícia Federal, que apontou a adição de substâncias como soda cáustica e água oxigenada por cooperativas mineiras. A Marajoara Indústria de Lacticínios, que fica em Goiás, não quis comentar o assunto. "Não temos essa informação. Tão logo a gente tenha conhecimento, podemos comentar", disse o advogado da empresa, Jaime José dos Santos. Sebastião Vilanova, um dos diretores da Cooperoeste (Cooperativa Regional de Comercialização do Extremo Oeste), de São Miguel D'Oeste (SC), dona da marca Andrinse, afirmou ontem desconhecer as irregularidades apontadas. O gerente industrial da Lebon, da empresa Ilcasa (Indústria de Laticínios de Campina Grande), que se identificou apenas como Elias, afirmou que não há irregularidade no leite da empresa. A reportagem não conseguiu contato com os fabricantes das marcas Cilpe e Total.

Diferença pode prejudicar dieta, diz nutricionista DA REPORTAGEM LOCAL Quantidades descompensadas de carboidratos ou proteínas no leite podem ajudar a engordar, prejudicar uma determinada dieta ou causar deficiência de nutrientes, segundo o nutricionista da USP (Universidade de São Paulo) Daniel Bandoni. Ele afirma que muito carboidrato, ou até mesmo proteína, pode aumentar o valor calórico do leite e causar ganho de peso. "Isso é prejudicial principalmente às pessoas que fazem uma dieta ou que compram o leite achando que vão consumir determinadas calorias e acabam ingerindo mais." Já a falta dos nutrientes pode ser prejudicial principalmente a crianças e idosos, de acordo com o nutricionista. Isso porque esses nutrientes são importantes no crescimento dos mais novos e muitas vezes ajudam a reabilitar um idoso que tenha outras doenças ou esteja desnutrido. Segundo Bandoni, o fato de os nutrientes estarem em defasagem em torno de 50% em relação ao rótulo representa um índice muito alto e é preciso estar atento à composição desses produtos. "Se fosse uma diferença, digamos, de até 10%, poderia até ser uma margem de erro. Mas 50%, não." MS fecha 2 laticínios por indícios de falta de higiene na produção DA AGÊNCIA FOLHA O governo de Mato Grosso do Sul interditou dois laticínios por produzirem leite contaminado com coliformes. O problema, segundo a Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), é indício de falta de higiene na produção. Outras três indústrias do Estado estão fechadas por irregularidades do mesmo tipo. Os laticínios, interditados na terça-feira, são das cidades de Ponta Porã e Glória de Dourados. Segundo a Iagro, a contaminação foi

detectada em amostras enviadas pelas indústrias para análises de rotina. As duas fábricas produzem leite pasteurizado (de saquinho), que é comercializado apenas em Mato Grosso da Sul. Segundo a Iagro, as duas indústrias vão ter que apresentar melhorias na estrutura para voltar a funcionar. Também vão ter que comprovar aos técnicos da agência que resolveram problemas de higienização nas instalações. Na semana passada, um laticínio de São Gabriel do Oeste foi fechado pelo governo e pelo Ministério Público. O leite produzido no local continha coliformes fecais (fezes). http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0811200701.htm ----------------------------------12 – FISCALIZAÇÃO: 11 MARCAS DE LEITE SÃO REPROVADAS EM PE Onze das 13 marcas de leite longa vida integral tipo UHT vendidas em Pernambuco foram reprovadas para consumo em análises da Vigilância Sanitária do Estado. Dez marcas apresentaram nível de alcalinidade maior do que o permitido e uma exibia rótulo com dados errados. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1502200816.htm

========================== “As autoridades de saúde pública precisam estimular a população a fazer exercícios físicos. O ideal é que as pessoas tenham uma aderência total ao exercício, mas, mesmo se tivermos uma pequena aderência, isso já seria altamente significativo do ponto de vista da saúde pública”. - Dr. Sérgio Ferreira de Oliveira, médicoassistente da Unidade Clínica de Aterosclerose e médicocolaborador do Núcleo Diabetes-Coração do Incor-HC

“Perder um pouco de peso e fazer meia hora por dia de atividade física é o suficiente para diminuir à beça as chances de um prédiabético desenvolver a doença pra valer”. (Revista Saúde! é Vital – edição especial N.51, pág. 16) [ ... “a atividade física regular, a caminhada, a corrida, enfim, o “movimento” realizado com REGULARIDADE, tem uma influência direta e decisiva para o equilíbrio de nossas emoções, das nossas faculdades mentais e de todos os mecanismos metabólicos e biológicos de nosso corpo. Este recurso, SIMPLES, e natural, jamais deve ser desprezado por todos aqueles que desejam ter saúde e qualidade de vida.” ] [ CUIDADO: somente faça uso de algum medicamento, se for extremamente necessário. Existem opções saudáveis e naturais para se ter saúde e MUITA qualidade de vida. Adote um estilo de vida saudável, que nada mais é do que ter uma “alimentação equilibrada”, a “prática de exercícios físicos regulares”, alguns minutos de “meditação diária”, e uma atenção especial ao “sono reparador” ] FITOTERAPIA – CURAS NATURAIS – HOMEOPATIA Um estilo de vida inteligente! “Toxinas acumuladas que não foram expulsas ou eliminadas, permitem que o corpo crie um ambiente onde a doença pode se “desenvolver”. Kevin Trudeau ----------------------------------

Livros recomendados:::
“O Leite que ameaça as mulheres”, um documento explosivo: o consumo de derivados do leite teria uma influência preponderante sobre os cânceres de mama; Raphaël Nogier, Ícone Editora Ltda, São Paulo, 1999. “As Alergias Ocultas nas Doenças da Mama”, Raphaël Nogier, Organização Andrei Editora Ltda,1998. “Leite: Alimento ou Veneno?” do pesquisador e cientista Robert Cohen, Editora Ground, São Paulo, 2005.

“Alimentação que evita o Câncer e outras doenças”, Dr. Sidney Federmann/ Dra. Miriam Federmann – Editora Minuano” “Curas Naturais “Que” Eles Não Querem Que Você Saiba”, Kevin Trudeau, Editora Alliance Publishing Group. Inc., 576 páginas, Spain, 2007 (Edição em português publicada pela LTVM, S.A.) (pedidos pelo tel: 012-11-3527-1008 ou www.gigashopping.com.br/ ) “Técnicas de Controle do Estresse”, Dr. Vernon Coleman, Imago Editora, 116 páginas (O Livro Explica Como, Porque e Quando o Estresse Causa Problemas Alem de Mostrar Formas Eficientes de Controlar e Minimizá-lo em sua Empresa.) “Fazendo as Pazes com Seu Peso”, Obesidade e Emagrecimento: entendendo um dos grandes problemas deste século, Dr. Wilson Rondó Jr., Editora Gaia, São Paulo, 3ª Edição, 2003. “Homeopatia e Medicina” Um novo debate, Dr. François Choffat, 326 páginas, Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 1996. “A dieta do doutor Barcellos contra o Câncer” e todas as alergias, Sonia Hirsch - uma publicação Hirsch & Mauad, Rio de Janeiro, 2002, www.correcotia.com “A Menopausa e os Segredos dos Hormônios Femininos”, Dr. José Carlos Brasil Peixoto, médico homeopata. Pedidos: diretamente ao autor: swjcbp@portoweb.com.br “Medicina Ortomolecular”, Um guia completo sobre os nutrientes e suas propriedades terapêuticas - Paulo Roberto de Carvalho, Edição Nova Era, Rio de Janeiro, 2002 “O fim da Terra e do Céu”, O apocalipse na Ciência e na Religião, Marcelo Gleiser, 336 páginas, Editora Companhia das Letras, Rio de Janeiro, 2002. www.companhiadasletrinhas.com.br/ “Tratado de Homeopatia” , 616 páginas, Pierre Cornillot (Organizador), (Dr. Gerson Vitor Mairensse, Dr. Jorge Carlos Pereira Jotz ), tradução: Jeni Wolf, Artmed, 2005

"Atividade Física e Envelhecimento Saudável", Dr. Wilson Jacob Filho, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas (SP), Editora Atheneu. “O Fator Homocisteína”, A revolucionária descoberta que mostra como diminuir o risco da doença cardíaca, Dr. Kilmer McCully e Martha McCully, 231 páginas, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2000. “Apague a Luz!”, durma melhor e: perca peso, diminua a pressão arterial e reduza o estresse; T S Wiley e Bent Formby, Ph.D. – Editora Campus, 2000. EDITORA CAMPUS Ligue grátis: 0800-265340 e-mail: info@campus.com.br www.campus.com.br http://www.livrariasaraiva.com.br/

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->