Filinto Elísio C.

e Silva I Joaquim Tobias Dai I Alice Mateus

GUINÉ EQUATORIAL REINTEGRA A LUSOFONIA

Momento histórico, a próxima cimeira da CPLP, em Dili, oficializa a reintegração do país na Lusofonia

FORMAÇÃO DE QUADROS LUSÓFONOS

A Fundação Cidade de Lisboa já formou e mantém relações com muitas centenas de quadros de países lusófonos. Xanana Gusmão é uma das muitas visitas habituais da casa

E AINDA...
• • • •

Moçambique: Plataforma Estratégica O novo Espaço de Conflito: a Internet Brasil: Desafios Emergentes A Lusofonia em Davos

Nº 3 I JAN/FEV/MAR 2014 I REVISTA TRIMESTRAL I 10€

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Paixão Automóvel

Carlos Tavares assume o desafio de conduzir a Peugeot Citröen de volta ao topo

nota

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Guiné Equatorial integrou, durante séculos, o espaço de influência da Lusofonia, desde os tempos de D. João II até ao Tratado do Pardo em que Lisboa a entregou a Madrid, sem perguntar aos guineenses a sua opinião sobre a "transação". Neste tratado de 1778, a rainha D. Maria I cedeu as ilhas de Ano Bom e Fernando Pó, bem como os territórios da costa do Golfo da Guiné, entre o rio Níger e o rio Ogooué, a Carlos III de Espanha. A Guiné Equatorial, entretanto, libertou-se de Madrid, decidiu reintegrar a Lusofonia e pediu a adesão à CPLP. Ao fim de uns anos de injustificadas atribulações várias, motivadas por incompreensões de alguns governantes de Lisboa, a próxima cimeira da CPLP, em Dili, vai, finalmente, formalizar a reintegração da Guiné Equatorial na Lusofonia, como membro de pleno direito da CPLP. Já não é sem tempo… Tal como muitos outros Estados africanos, a Guiné Equatorial tem encontrado condições difíceis, tanto para alcançar um desenvolvimento harmonioso, como para garantir a sua segurança nacional. A Lusofonia, em que agora se reintegra, pode fornecer-lhe um novo e profícuo quadro de apoio que ajude a superar lacunas, riscos e obstáculos ao seu desenvolvimento. Esta reintegração é, portanto, um momento histórico para a Lusofonia e a oportunidade para a Guiné Equatorial, com a ajuda dos restantes Estados Lusófonos, realizar enormes progressos no seu desenvolvimento e segurança. Seja, por isso, muito bem-vinda! n José Mateus Diretor-Geral

Muito bem-vinda!

A

CEOLusófono I 3

nesta

EDIÇÃO

Capa

O gestor português, apaixonado por automóveis, concretiza o sonho de liderar uma grande construtora automóvel mundial. É o novo CEO do Grupo PSA Peugeot Citroën Perfil

12

CARLOS TAVARES

Lidera a Fundação Cidade de Lisboa, uma instituição de referência que apoiou já a formação de 700 bolseiros, oriundos de diferentes países de língua portuguesa

16

ÁLVARO PINTO CORREIA

Eleito o melhor CEO do setor bancário africano, vê reconhecido o trabalho de excelência na liderança do Banco Único, um exemplar caso de sucesso em Moçambique

18

JOÃO FIGUEIREDO

21

GEORGINA DE MELLO

A economista cabo-verdiana é a nova Diretora-Geral da CPLP e está apostada em abrir a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa às empresas e à sociedade

4 I CEOLusófono

Ciberguerra

Estratégico

Um espaço de violência informática e de 'disruptions' económicas e sociais para que Estados e empresas têm de estar preparados
CPLP

32

INTERNET É O NOVO ESPAÇO DE CONFLITO

Estratégico

A cimeira da CPLP de Dili, em julho, vai oficializar a situação da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da organização dos Estados lusófonos
Negócios & Gestão

29

GUINÉ EQUATORIAL REINTEGRA A LUSOFONIA

Em Moçambique, o Formulário Único vem acelerar, simplificar e agilizar o processo de criação de empresas

38 40 44

Finança

FACILITAR EMPRESAS

A Presidenta Dilma foi a Davos passar uma mensagem decisiva: vale a pena apostar e investir no Brasil

50 52

58

Estilos

DESAFIOS EMERGENTES

RIGA CULTURAL

Economia

CEO's de todo o mundo estão a apostar no Design para redesenhar os próprios negócios e empresas

DESENHAR NEGÓCIOS

DAVOS LUSÓFONO

Estratégico

Mais de 50 representantes lusófonos estiveram na Suiça, no encontro anual do Fórum Económico Mundial

48

Finança

Mais de duzentos eventos artísticos e culturais animam esta Capital Europeia da Cultura e os dois milhões de visitantes esperados ao longo do ano

Promover a cooperação empresarial entre os dois países foi o objetivo da visita de empresários taiwaneses a Portugal

TAIWAN EM PORTUGAL

26

3 ESTUDOS ESTRATÉGICOS

A ciberguerra, a guerra económica e o mar são domínios de capital urgência a estudar nos Estados lusófonos

Joaquim Tobias Dai, presidente da Associação E ainda: Moçambicana de 62 LIVRO HISTÓRICO Economistas, salienta a necessidade de Moçambique 63 MÚSICA LUSÓFONA ser "daqui a 15, 20 anos 66 ASSINADO uma plataforma logística multimodal"

MOÇAMBIQUE, PLATAFORMA LOGÍSTICA

No norte de Taiwan, vinho do Porto é usado para fazer um whisky que surpreende pela originalidade e sabor

64

WHISKY DE PORTO

CEOLusófono I 5

no radar
n PORTUGUÊS LIDERA PUBLICIDADE GLOBAL
O português Ricardo Monteiro afirma-se como um dos principais rostos da área da publicidade global ao ser escolhido para liderar a Havas Worldwide, empresa do Havas, o quinto maior grupo de comunicação mundial. Vai manter, no entanto, os cargos de CEO da Havas Worldwide Latin America e Iberia, responsáveis, entre outros países, pelas operações em Portugal e Brasil.

O presidente-executivo da Oi e da Portugal Telecom anunciou que a fusão entre as duas empresas poderá estar concluída no final de abril. A fusão trará "amplas sinergias", salienta Bava, e cria a maior operadora de telecomunicações de língua portuguesa, com mais de 100 milhões de clientes e quase 19 mil milhões de dólares de vendas anuais. O anúncio oficial do “casamento” entre a Portugal Telecom e a Oi surgiu depois do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ter aprovado, no Brasil, sem restrições, a operação.

n ZEINAL BAVA

6 I CEOLusófono

Deixa a presidência da Intel no Brasil para assumir um novo cargo na fabricante de processadores. Há 16 anos na Intel, Martins assumiu o comando da subsidiária brasileira em janeiro de 2011. Agora “passará a focar esforços em assuntos estratégicos de longo prazo, projetos de inovação, marco regulatório e governo", informou a empresa. Steve Long, diretor-geral da Intel para a América Latina, assume interinamente a liderança da Intel Brasil até ser escolhido um responsável definitivo para o comando da operação local.

n FERNANDO MARTINS

n TOMÁS CORREIA

Lidera o banco Montepio que vai pagar 14,6 milhões de euros para entrar no capital do moçambicano Banco Terra. No Banco Terra, o banco português ficará com um posição de cerca de 45% do capital, "mas com a responsabilidade da gestão", diz Tomás Correia. O presidente do Montepio salienta ainda que o banco está a reforçar a operação que tem em Angola, onde atua com o Finibanco Angola, que passou de um balcão, quando o Montepio o adquiriu, para os 15 atuais. O objetivo é "fechar 2014 com 26 balcões universais e 400 de empresas".

n BILIONÁRIOS LUSÓFONOS

Que têm em comum o setor financeiro inglês e o setor automóvel francês?
Ambos têm direção lusófona. Os CEOs líderes desses setores são três portugueses e um brasileiro. Carlos Goshn e Carlos Tavares dirigem o setor automóvel francês. Os portugueses Horta Osório e António Simões lideram o setor financeiro inglês.

São já cerca de setenta os bilionários lusófonos presentes na lista publicada pela revista norte-americana Forbes, com um claro domínio de rostos brasileiros, responsáveis por grandes empresas de diversos ramos de atividade, mas com maior incidência em setores como banca, construção e retalho. Jorge Paulo Lemanm, um dos fundadores da 3G Capital, que controla, entre outras empresas, a maior cervejeira do mundo e o Burguer King, lidera o contingente lusófono. Angola está representada na lista por Isabel dos Santos, a filha mais velha do Presidente José Eduardo dos Santos, considerada pela Forbes a mulher mais rica do continente africano. Detém investimentos em comunicações (Unitel e Zon Optimus) e banca, mas também em petrolíferas. Está associada a dois dos três bilionários de Portugal presentes na lista: na Galp a Américo Amorim (com negócios em cortiça que evoluiram para petróleo e banca), e no lançamento do Continente em Angola a Belmiro de Azevedo (que tem no retalho, mas também na indústria e banca os principais investimentos). A estes dois empresários portugueses junta-se a família Soares dos Santos, detentora da retalhista Jerónimo Martins. Nota ainda para a presença de dois bilionários de Macau: David Chow e Lam Fong Ngo, ambos com investimentos em casinos no território.

David Simas, exdiretor de sondagens e assessor de Obama, foi escolhido pelo Presidente dos EUA para ajudar a eleger democratas para a Camâra de Representantes e Senado norte-americanos, juntando-se assim a vários luso-descentes já em lugares de destaque na Casa Branca. O novo líder do Gabinete de Estratégia Política da Casa Branca esteve, nos últimos meses, a trabalhar na área da reforma da saúde, aconselhando a administração norte-americana com os problemas de implantação das mudanças estabelecidas pela nova

n PORTUGUÊS VAI DEFINIR ESTRATÉGIA DE OBAMA

legislação conhecida como "Obamacare". Simas irá agora aconselhar os candidatos democratas, ajudando, entre outras atividades, a calendarizar angariações de fundos e visitas de campanha do Presidente.

n EDP GANHA CONTRATOS DE ENERGIA RENOVÁVEL NO BRASIL

A elétrica portuguesa EDP, liderada por António Mexia, ganhou a adjudicação de novos projetos de produção de energia renovável no Brasil, através de subsidiárias locais. Entre estes a concessão para a nova central hidroeléctrica de São Manoel.

n SEGURO QUER TAP LUSÓFONA

O secretário-geral do PS, António José Seguro, defende que a portuguesa TAP seja a transportadora área do espaço lusófono, através da abertura de 49 por cento do seu capital à iniciativa privada de outros países de língua portuguesa. “Não podemos transformar a TAP na transportadora da lusofonia, abrindo 49 por cento do seu capital à iniciativa privada do Brasil, Angola, Moçambique ou eventualmente Timor-Leste?”, perguntou Seguro num almoço/debate, promovido pelo American Club of Lisbon e pela Câmara do Comércio Americana, sobre a atual situação da União Europeia.

CEOLusófono I 7

no radar

n TAP MELHOR COMPANHIA AÉREA DA EUROPA

n FERNANDA LICHALE VOLTA A LISBOA

Liderada pelo CEO Fernando Pinto, a TAP foi eleita, pelo terceiro ano consecutivo, a “Melhor Companhia Aérea da Europa”, pelos leitores da revista norte americana Global Traveler, uma das publicações de viagens mais lidas em todo o mundo.

Lisboa, Paris, Roma, Madrid, Lisboa, eis o percurso da recém-nomeada embaixadora de Moçambique em Portugal, Fernanda Eugénia Moisés Lichale. A embaixadora regressa assim a Lisboa 19 anos depois de aqui ter representado o seu Estado moçambicano e de aqui ter, então, conhecido o seu marido, Mario Ngwenya, atual embaixador de Moçambique na Rússia. Fernanda Lichale é um dos mais conceituados e respeitados diplomatas moçambicanos e a sua escolha mostra bem a alta importância que Maputo atribui à sua embaixada em Lisboa.

João José “Huco” Monteiro, ex-ministro da Educação da Guiné Bissau, foi escolhido para comissário da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental, com o pelouro da Gestão dos Recursos Humanos. Monteiro é especialista em ensino e lidera o Secretariado Nacional de Luta contra a Sida. A CEDEAO, criada para promover o comércio regional, a cooperação e o desenvolvimento da região da África Ocidental, engloba quinze países, incluindo dois lusófonos, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

n GUINEENSE NA CEDEAO

A Mota-Engil vai cotar a participada Mota-Engil África em bolsa, com o objetivo de “ter acesso a uma comunidade de investidores globais com fortes interesses e apetência pelos negócios desenvolvidos no continente africano”. António Mota, presidente da construtora, garantiu que a Mota-Engil controlará “mais de dois terços do capital da empresa”, estratégica para o grupo que tem em África o seu maior mercado.

n MOTA-ENGIL ÁFRICA NA BOLSA

A nova Diretora-Geral, Georgina de Mello, afirma que uma das suas principais tarefas será o reforço da abertura da organização à sociedade civil e empresarial: “Os nossos presidentes e chefes de governo estão cientes de que a CPLP tem sido muito uma organização de Estados e de governos e manifestaram a intenção de convertê-la numa organização de sociedade e de empresas para que haja mais comércio, mais circulação de pessoas e bens”.

n CPLP MAIS PRÓXIMA DAS EMPRESAS

8 I CEOLusófono

n ROBERTO MEDINA É “PERSONALIDADE DO ANO”
© I Hate Flash

Dilma Rousseff, a Presidenta do Brasil, esteve em Davos para participar no Fórum Econômico Mundial, mas aproveitou para reunir com o presidente da Saab, Hakan Buskhe, e acertar detalhes do contrato de fornecimento dos caças comprados pelo Brasil à empresa sueca. Teve ainda audiências com o brasileiro Carlos Brito, CEO da AB InBev; Thomas Montag, CEO do Bank of America Merrill Lynch; Paul Polman, diretor-executivo da Unilever; e Joseph Jimenez, diretor-executivo da Novartis.

Roberto Medina, presidente do Rock in Rio, recebeu da Câmara Portuguesa de São Paulo o título de Personalidade do Ano. O prémio visa fortalecer os laços entre a comunidade empresarial luso-brasileira e homenagear empresas brasileiras e portuguesas cujo desempenho e investimento sejam representativos em ambos os países.

n UCCLA E AICEP JUNTAS PARA CRIAR OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO
principal objetivo do protocolo assinado por Vitor Ramalho, secretário-geral da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa), e Pedro Reis, presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal). “Pretendemos selecionar missões empresariais que funcionarão sabendo antecipadamente quais são as prioridades que as cidades-membro da UCCLA colocam relativamente a essas empresas que querem investir e arranjar parceiros para as PMEs”. Temos vindo a lançar e a apoiar

Aumentar as sinergias nas áreas da cooperação empresarial e criar oportunidades de negócio de exportação e/ou internacionalização para empresas portuguesas é o

diversos projetos, mas é o conhecimento sobre a realidade das cidades que é mais importante”, salienta Vitor Ramalho. “A UCCLA tem no seu seio uma rede potente das cidades de língua portuguesa e isso é talvez um dos maiores ativos que Portugal tem na sua internacionalização e tudo o que promover um conhecimento das empresas portuguesas exportadoras sobre os projetos de desenvolvimento dessas cidades tem valor para extrair para as nossas empresas”, acrescenta o presidente da AICEP.

CEOLusófono I 9

no radar

n BOOM DO PORTUGUÊS NAS REDES SOCIAIS

O Português é a terceira língua mais utilizada no Facebook, a maior rede social do mundo, de acordo com um relatório divulgado pelo site Socialbakers. O Inglês lidera, seguido do espanhol, mas o português (a par do árabe) é a língua que tem crescido mais rapidamente, sobretudo graças ao aumento de utilizadores brasileiros (o Brasil ocupa a segunda posição entre os países com mais utilizadores de Facebook, logo atrás dos Estados Unidos). Entre maio de 2010 e novembro de 2012 o uso do português na rede social cresceu oito vezes, sendo usado por 58,5 milhões milhões de utilizadores.

A evolução do PIB brasileiro superou todas as expectativas. Graças a um aumento de novos investimentos, a economia cresceu 0,7% no quarto trimestre, mais do dobro do crescimento de 0,3% esperado pelos analistas face aos três meses anteriores, e dissipa, assim, os receios de uma recessão. Na comparação com o quarto trimestre de 2012 houve crescimento económico de 1,9% e no total do ano de 2013 a economia brasileira apresentou um crescimento de 2,3%, mais que duplicando a expansão de 1% em 2012.

n BRASIL SURPREENDE

n PARCERIA TACV-TAAG

A TAAG (Transportadora Aérea de Angola) e TACV (Companhia Aérea de Bandeira de Cabo Verde) querem associar-se para operarem na África Ocidental, dando assim uma resposta conjunta a um mercado que mostra ainda algumas debilidades. “Desde 2009 temos vindo a ter conversas com o Governo angolano, no sentido de as nossas companhias de bandeira associarem-se e, quiçá, ocuparem parte do mercado da África Ocidental”, diz a ministra das Finanças e Planeamento de Cabo Verde, Cristina Duarte.

Trocar ideias e experiências vividas, apresentar os desenvolvimentos económicos recentes e próximas iniciativas de cada país foram os objetivos do Congresso Índia e o Mercado Lusófono, realizado em Goa. O ministro-chefe de Goa, o embaixador de Portugal em Deli e o presidente da Confederação Empresarial da CPLP marcaram presença no encontro, onde as empresas indianas manifestaram interesse em expandir o seu campo de acão nos diferentes países de língua portuguesa, com parceiros locais.

n ÍNDIA E MERCADO LUSÓFONO

n TURISMO EM SÃO TOMÉ

Transformar o setor numa importante alavanca para a promoção do emprego e da economia é o objetivo da 1ª Feira Internacional de Turismo e Desenvolvimento de São Tomé e Príncipe, que terá lugar nos dias 23 a 25 de Maio. “Nós temos um turismo de lazer, que dá sobretudo uma boa fatia para investimentos, prospeção de mercado e uma outra fatia que vem mais por causa do turismo cultural”, explicou o ministro do Turismo, Demostines D’almeida, na apresentação do evento, que vai juntar os operadores turísticos do país.

10 I CEOLusófono

Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, apoia a criação de um mercado único de livre circulação de bens e pessoas entre os países lusófonos, ideia já defendida pela Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A livre circulação de bens e pessoas “seria útil e saudável”, salienta. “É um movimento que seria útil e saudável para a integração das economias, porque são economias que já têm uma conexão importante entre elas, não só pela língua, mas também pela cultura e pela vertente empresarial, não é à toa que os empresários pedem isso, é que porque há uma relação íntima de cooperação e ligação entre os sistemas económicos desses países”, disse o diretor-geral da OMC, em Lisboa. Roberto Azevêdo acrescentou, no entanto, que “não será um processo sem dificuldades políticas, porque um processo desta natureza, quanto mais ambicioso for, mais sensível politicamente se torna a empreitada, mas é uma ideia que deve ser explorada”, vincou o responsável.

n MERCADO ÚNICO LUSÓFONO

Manuel Ferreira de Oliveira, presidente executivo da Galp Energia, recomenda ao sistema científico português que avance com a criação de uma nova Escola de Sagres para a exploração em águas profundas de petróleo e gás no Brasil, em Angola e em Moçambique. Em causa está “uma grande oportunidade para estes três países e uma oportunidade inigualável para Portugal”, disse o responsável da petrolífera portuguesa, durante uma cerimónia na Universidade de Aveiro, onde foi homenageado com um doutoramento honoris causa, a par de José Formigli Filho, diretor de produção da petrolífera brasileira Petrobras.

n NOVA “ESCOLA DE SAGRES” PARA EXPLORAR PETRÓLEO

A exploração de recursos nos países lusófonos é uma “oportunidade que temos o dever de não desperdiçar, contribuindo para que no espaço lusófono se possa formar o capital humano imprescindível” para se poderem aproveitar os recursos energéticos entretanto descobertos, diz Ferreira de Oliveira. “Contamos com apoio do sistema científico e de formação avançada português para, em parceria com instituições congéneres brasileiras, angolanas e moçambicanas, contribuir para o processo transformacional que se vive nestes países”, conclui o presidente da Galp Energia.

CEOLusófono I 11

perfil

12 I CEOLusófono

“Quem é apaixonado pela indústria automóvel chega à conclusão, a um dado ponto, que tem a energia e apetite para um lugar de número um”

Paixão
Carlos Tavares
Nascido a: 14 de Agosto de 1958 Formação: Diplomado pela École Centrale de Paris Carreira: 2014: CEO da PSA Peugeot Citroën 2011: COO Renault 2009: Responsável pela Nissan América do Norte 2004: Vice-presidente executivo da Nissan 1981: Entra na Renault como Engenheiro de Teste e ocupa diversos cargos na empresa

automóvel
“Q

O português Carlos Tavares cumpre em 2014 o sonho de liderar um grande fabricante de automóveis mundial. Novo CEO da PSA Peugeot Citroën, Tavares assume o desafio de voltar a colocar a PSA numa pole-position
uem é apaixonado pela indústria automóvel chega à conclusão, a um dado ponto, que tem a energia e apetite para um lugar de número um”. A frase, dita por Carlos Tavares em entrevista à Bloomberg, em agosto do ano passado, foi a ignição para uma mudança de rumo que conduziu o português à desejada liderança de uma grande construtora automóvel mundial. Sem espaço para cumprir num futuro imediato essa ambição na Renault – onde tinha chegado há 31 anos como piloto de testes e era já o número dois, responsável pela área operacional – Carlos Tavares deixou o cargo de COO do grupo liderado pelo brasileiro Carlos Ghosn e no final do mesmo ano foi anunciado como próximo CEO do Grupo PSA Peugeot Citroën. Na entrevista à Bloomberg, Tavares deu a entender que a sua ambição pessoal de liderar a marca francesa Renault não lhe ia permitir esperar os anos que achava que Ghosn iria ainda passar à frente da Renault. "Temos um grande líder que está aqui para ficar", afirmou. Depois da saída da Renault a liderança da Ford ou da GM foram as possibilidades mais faladas, mas Tavares sabia que quer Alan Mulally (CEO da Ford), de 68 anos, quer Daniel Akerson (CEO GM), de 64 anos, ainda não tinham acabado os seus mandatos. Carlos Tavares não precisou, no entanto, de atravessar o Atlântico e é no mesmo país onde tem trabalhado nos últimos anos que atinge o topo da hierarquia de um grupo automóvel.

Desafio de liderar a Peugeot Citroën

O nova etapa profissional de Carlos Tavares no Grupo PSA Peugeot Citroën começou no início de 2014, com o português a tomar posse no Conselho de Administração do Grupo, antes de assumir a posição de CEO, em substituição de Philippe Varin, que se vai reformar. Carlos Tavares irá “trabalhar nos planos de ação que visam continuar o processo de recuperação do grupo” e, nas palavras de Thierry Peugeot, presidente do Conselho de Supervisão e um dos responsáveis da família que controla 25,5% do capital da empresa, a escolha do gestor português para liderar o Grupo PSA “assegura que a estratégia de recuperação e desenvolvimento para superar a atual crise, que tem vindo a ser implementada há vários anos, con-

CEOLusófono I 13

tinuará a ser executada no longo prazo”. Uma escolha que representa uma quebra na tradição nos 117 anos de história da companhia, que sempre foi buscar o líder aos quadros internos. Na Peugeot Citröen, Carlos Tavares enfrenta dois grandes desafios: aumentar as vendas da construtora francesa fora da Europa (região responsável por 50% da atual faturação e onde a recessão económica provocou uma quebra nas vendas); levar a bom porto as mudanças com a entrada no capital da empresa da construtora chinesa Dongfeng e do Estado francês, que já confirmaram que vão adquirir cada um 20% da PSA por 3 mil milhões de euros. A tarefa de Tavares não será fácil, uma vez que a companhia francesa passa por uma crise financeira que está a afetar todo o setor automóvel mundial. Na fase de transição, Varin, 61 anos, conduziu as negociações para a parceira com a chinesa Dongfeng. Mas Carlos Tavares é considerado o gestor com melhor perfil para gerir a PSA com capitais chineses. Carlos Tavares nasceu em Lisboa, a 14 de Agosto de 1958, e frequentou o Liceu Francês antes de emigrar com 17 anos para França. Passou pelo Lycée Pierre de Fermat e depois pela École Centrale de Paris, onde em 1981 se formou em engenharia mecânica, entrando nesse ano para a Renault como engenheiro de testes. Na Renault, onde esteve 32 anos, consolidou uma carreira que o coloca hoje entre os gestores de topo da indústria automóvel. Apaixonado pela engenharia automóvel, Tavares não tardou a ganhar reputação. Dez anos depois de ter entrado no grupo francês foi responsável pelo Clio II e, em 1998, líder do projeto Mégane e Scénic II. A partir daí a sua ascensão foi vertiginosa, graças aos profundos conhecimentos, à paixão com que se entrega-

Percurso

14 I CEOLusófono

“Poliglota”, “apaixonado pelo mundo automóvel”, “austero” e “extremamente rigoroso”. Foi assim que o jornal económico francês “La Tribune” classificou Carlos Tavares quando este foi escolhido, em Maio de 2011, para braço-direito de Ghosn na Renault.

Apaixonado pelo mundo automóvel

va ao trabalho (nos anos mais recentes, apesar do cargo de topo que ocupava, era comum vê-lo nos departamentos de engenharia da marca em conversas animadas com os engenheiros) e à reconhecida capacidade de liderar e motivar as equipas, caraterísticas que, depois de somadas, lhe mereceram o respeito de todos. Tavares foi vice-presidente de estratégia de produto e planeamento, funções de que abdicou em 2005 para se tornar no vice-presidente executivo da Nissan. Quatro anos depois era responsável pela Nissan América do Norte e aplaudido por ter invertido um ano de prejuízo num lucro de 2200 milhões de dólares. Os bons resultados alcançados, quando a Nissan enfrentava dificuldades no resto do Mundo, terão sido, apenas, um dos fatores que levaram Carlos Ghosn a colocá-lo em Tóquio para liderar a reconversão da marca japonesa, com resultados que estão à vista. Foi, por isso, natural a chegada de Tavares a número dois da organização, em Fevereiro de 2009. Como Chefe de Operações (COO) tinha direta responsabilidade sobre todas as áreas estratégicas para a Renault, com destaque para o projeto dos automóveis elétricos, a reestruturação industrial e o desenvolvimento dos novos modelos. Enquanto número dois da Renault Tavares alcançou um enorme estatuto no setor e, prova da sua capacidade, pouco mais de duas semanas após a sua saída, Carlos Ghosn anunciou um plano de reestruturação em que promoveu dois executivos para desempenhar as funções do português, suprimindo a posição de Chefe Operacional.

A escolha de Carlos Tavares assegura que a estratégia de recuperação e desenvolvimento para superar a atual crise, continuará a ser executada no longo prazo

A paixão de Carlos Tavares pelos automóveis e pelas corridas levou a que fosse apelidado de “car guy”. Na Renault tripulou alguns carros históricos da marca, mesmo quando esteve na liderança da Nissan nos EUA. Mesmo do outro lado do Atlântico, o homem que tinha entrado para a Renault como piloto de testes nunca abandonou a paixão pelas corridas e era frequente tomar um avião ao início da noite de uma sexta-feira para concorrer pela sua equipa em provas desportivas na Europa. Na manhã de segunda-feira, estava sentado na secretária do seu gabinete. Agora, na PSA, também com forte tradição nas corridas automóveis, terá não só a oportunidade de certamente pilotar os carros das marcas Peugeot e Citröen, mas sobretudo a ambicionada oportunidade de conduzir em lugar de liderança os destinos de uma grande construtora automóvel mundial. n

© Oficial Citröen

GRUPO PSA

EM NÚMEROS

1976

ano de criação do grupo

2 819 000
receitas 2012

unidades vendidas em 2013

55,4 MM€

CEOLusófono I 15

© Direitos reservados LeWeb13

Objetivo: Formar quadros lusófonos
riada por Nuno Krus Abecasis, há 25 anos, a Fundação Cidade de Lisboa tem dado um contributo decisivo não só para a estratégia de desenvolvimento, valorização e divulgação da capital portuguesa, mas também para o aumento das relações de intercâmbio e cooperação entre Portugal e outros países, em particular com os países lusófonos. Álvaro Pinto Correia é, desde 2000, presidente do conselho de administração, e, entre outras iniciativas, tem liderado um trabalho notável de formação de quadros dos países africanos lusófonos. No total, foram já 700 os bolseiros apoiados pela fundação, incluindo a atual ministra da Justiça de São Tomé e Principe, que “tiveram, assim, a oportunidade de vir para Lisboa tirar cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento, e, depois disso, regressam aos países de origem, para exercer atividade e ajudar ao desenvolvimento desses mesmos países”, explica Álvaro João Duarte Pinto Correia, em conversa com o CEO Lusófono. “Na altura [em que a fundação foi criada], esses países bem precisavam de quadros qualificados, com formações de base necessárias, sobretudo no campo da engenharia e economia. Mas temos aju-

perfil

Álvaro Pinto Correia lidera a Fundação Cidade de Lisboa, que já apoiou a formação de 700 bolseiros, oriundos dos diferentes países africanos de língua portuguesa, e mantém relações de proximidade com personalidades da Lusofonia, como Xanana Gusmão, visita habitual da instituição

C

16 I CEOLusófono

dado a formar também médicos, entre muitas outras áreas, e com todos fica uma ligação muito forte”, salienta. “Eu tive uma ligação profissional a Moçambique, quando fui administrador de Cahora Bassa, durante anos, e quando lá ia reunia muitas vezes com os bolseiros da fundação. Há, de fato, uma ligação muito estreita que eles cultivam muito. Sempre que vêm a Lisboa, vêm aqui visitar-me, e alguns até pedem para ficar aqui alojados na residência e ficam aqui alojados connosco”. Uma relação de proximidade que se estende também a personalidades ligadas à atividade da fundação, caso de Xanana Gusmão, visita habitual da instituição. Álvaro Pinto Correia explica que “cada um dos bolseiros é apoiado por grandes empresas ou instituições. E é portanto a empresa ou instituição que diz qual é o tipo de curso que prefere patrocinar e ajuda na exigente selecção dos candidatos, uma vez que, durante o curso, eles vão fazer estágios nessas empresas, podendo vir a integrar os quadros dessas empresas. Ou seja, há uma articulação entre aquilo que são as necessidades das empresas e as bolsas atribuídas”, o que contribui, ainda mais, para o sucesso desta iniciativa. Além do apoio financeiro, os bolseiros fi-

FUNDAÇÃO CIDADE DE LISBOA
EM NÚMEROS

1989 700 140

ano de fundação

bolseiros apoiados alunos dos cursos de português em Goa, por ano

ÁLVARO PINTO CORREIA
Nascido a: 4 de Junho de 1932, em Tremês, concelho de Santarém Formação: Lincenciatura em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico Carreira: 2010: Presidente do CA INAPA 2008: Presidente do CA Sofid 2007: Administrador Hidroeléctrica de Cahora Bassa 2007: Presidente Comissão de Vencimentos Portugal Telecom SGPS 2003: Coordenador da Comissão de Negociação da Dívida de Angola 2000: Presidente do CA Fundação Cidade de Lisboa 1992: Presidente CA Companhia de Seguros Fidelidade 1985: Administrador Caixa Geral de Depósitos 1984: Presidente Associação Portuguesa de Bancos 1977: Presidente Conselho de Gestão Banco Totta & Açores 1976: Secretário de Estado da Habitação e Urbanismo 1976: Secretário de Estado da Construção Civil 1968: Diretor Banco Borges & Irmão 1965: Professor Academia Militar 1958: Funções Técnicas SONEFE 1956: Assistente Instituto Superior Técnico

cam instalados na residência universitária da Fundação, onde lhes são oferecidas condições de excelência para poderem desenvolver os estudos. A aposta da Fundação no ensino não se esgota, no entanto, na vinda de estudantes de países lusófonos para Portugal. Álvaro Pinto Correia destaca também a forma como têm levado a cultura e a língua portuguesa à Índia através de Goa, onde realizam, já há dezasseis anos consecutivos, cursos de português em quatro cidades (atualmente, Margão, Panjim, Mapussá e Vasco da Gama), frequentados por cerca de 140 alunos, em cada ano. “Os cursos têm tido sempre uma enorme adesão, com os alunos a aprenderem efetivamente a falar português para poderem mais tarde ir trabalhar, sobretudo, para o Brasil, Angola, Moçambique e Portugal. É claro que isto é tudo feito em ligação estreita com o Instituto de Camões e com os ministérios”.

Formar no feminino

A fundação tem estado também a fazer uma forte aposta em projetos de cooperação e educação para o desenvolvimento, fazendo um trabalho de maior

proximidade com as populações em diferentes países lusófonos. Por exemplo, na Ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, o projeto “Formar no Feminino”, durante três anos, através de diversas iniciativas, que incluíram ações de formação, em diferentes áreas, e apoio ao empreendedorismo, ajudou a aumentar a empregabilidade de mulheres e sua integração no mercado de trabalho, além ter tido também um papel decisivo para melhorar as condições de saúde materno-infantil na ilha. Apesar das maiores dificuldades sentidas, face ao atual contexto económico do país, na obtenção de apoios, além da formação de quadros, divulgação da língua e da cultura portuguesa e dos projetos na área da cooperação e educação para o desenvolvimento, a Fundação Cidade de Lisboa continua a apoiar diversos projetos de cariz social e cultural, organizados por outras instituições, em Portugal, em São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Angola e Moçambique. Um trabalho que irá continuar, com os contributos dados em diferentes áreas, a ajudar a reforçar os laços de amizade entre os diferentes países de língua portuguesa. n

CEOLusófono I 17

perfil
O melhor de África
Q
uem tem acompanhado de perto o percurso de excelência do gestor moçambicano hoje à frente do Banco Único não ficou surpreendido com a escolha de João Figueiredo como o melhor CEO do setor bancário em África, pela prestigiada revista African Banker, em 2013. Em apenas dois anos e meio, o Banco Único tornou-se um exemplar caso de sucesso e está já entre os maiores bancos a operar em Moçambique. Para o presidente do conselho de administração e CEO do Banco Único esta eleição é “o reconhecimento e premiação da luta, entrega e dedicação de todos os colaboradores e da equipa de gestão para elevar o Banco Único e o colocar no patamar em que este prémio o coloca”. “Este prémio significou para mim um grande orgulho em ser moçambicano. Se o país não estivesse debaixo dos holofotes do mundo, se a sua economia não estivesse a progredir da forma que está, se o país não tivesse um sistema fi-

João Figueredo, o melhor CEO do setor bancário em África, lidera o Banco Único e tornou-o, em apenas dois anos e meio, um exemplar caso de sucesso
Na escola, habituou-se muito cedo a nanceiro verdadeiramente forte e conperceber que faria a diferença com trasolidado, com uma supervisão bancária balho e preocupação com os detalhes, e um Banco Central devidamente esseguindo o exemplo do truturado e disciplinador pai, lutador a quem a vida da atuação do sistema, di“Somos únicos sorria na medida do esforficilmente Moçambique na vontade de servir ço e desempenho. poderia ter a honra e o e acima de tudo Quando ingressou na privilégio de ter sido disporque cada um Universidade teve de protinguido, através da micurar um emprego para nha pessoa, com um prédos Clientes contribuir para o rendimio como este que receé tratado bi”, salienta, em declaracomo se fosse único” mento familiar. E fê-lo determinado, mesmo que ções exclusivas ao CEO isso lhe tenha custado um Lusófono, referindo ainda “divórcio” com a sua geração do Liceu, que este prémio é “o reconhecimento de já que os companheiros continuaram, toda uma vida e carreira dedicada à na sua grande maioria, os estudos no Banca”. período diurno e mantiveram o estatuto Experiência global de Estudantes como profissão. Assim, começou a trabalhar no Banco João Figueiredo nasceu na cidade da Totta & Açores, onde assumiu o lugar Beira, em Moçambique, com ascendênde administrativo polivalente, o que na cia goesa, e formou-se em Organização altura significava iniciar uma carreira e Gestão de Empresas, pelo Instituto pela base da pirâmide. Superior de Economia – Universidade “Recordo-me que no início, parecia-me Técnica de Lisboa, em 1985.

18 I CEOLusófono

João Figueiredo
Formação: Organização e Gestão de Empresas, pelo Instituto Superior de Economia – Universidade Técnica de Lisboa Carreira: 2011: Presidente e CEO do Banco Único 2001: CEO Banco Internacional de Moçambique (atual Millennium bim) 1998: Administrador Delegado Banco Standard Totta de Moçambique 1993: Diretor-geral da sucursal de Macau Banco Totta & Açores 1980: Entra no Banco Totta & Açores

que teria pela frente uma carreira infindável se quisesse chegar ao topo da mesma. Hesitei e interroguei-me muitas vezes se não seria mais fácil começar a profissão logo por cima, assim que terminasse o meu curso. Hoje, posso assegurar-vos que não há nada melhor do que conhecer a base, para um dia, de um lugar de topo, poder compreender toda estrutura da nossa Organização. Julgo mesmo que todo o Administrador de uma Empresa, CEO ou Chairman, deveria sempre, nem que fosse por um dia, viver a realidade de base da sua empresa por forma a poder perceber a sua essência”, lembra em entrevista publicada. O caminho de João Figueiredo no Banco Totta & Açores levou-o a Londres, onde esteve durante cerca de 2 anos na gestão de uma sucursal, e a diretor-geral em Macau, onde esteve entre 1993 e 1997. Regressou a Moçambique em 1998 para ser administrador delegado do Banco Standard Totta de Moçambique, tendo mais tarde ingressado no Banco Inter-

nacional de Moçambique (BIM), atualmente Millennium bim, onde foi CEO, entre 2001 e 2010, e liderou a fusão com o Banco Comercial de Moçambique.

Fazer a própria sorte

João Figueiredo fez a própria sorte. E isso mesmo diz a quem por vezes lhe diz ter sido bafejado pela fortuna. Quando lhe perguntam “como foi chegar aqui?”, a resposta é que foi um processo e um processo com muito trabalho e vontade de aprender. Habituou-se ao longo da vida a colocar toda a capacidade e dedicação em cada momento, em cada fase da carreira, para dar resposta aos inúmeros desafios que foi enfrentando. Incluindo a “navegação” em águas culturais que não eram propriamente as dele, já que a vida lhe reservou a fantástica oportunidade de trabalhar em vários pontos do globo. Esteve em diferentes instituições, com culturas organizacionais distintas, mas tem o prazer de poder dizer que nunca

teve de trabalhar numa instituição com a qual não se identificasse. Numa dada ocasião, quando os acionistas de uma instituição pretenderam proceder a uma viragem da estratégia da empresa, orientando-a para um rumo com o qual não concordava, demitiu-se e foi á procura de novos desafios. O novo desafio, neste momento, é o Banco Único, uma criação do próprio (é acionista) e de uma equipa de gestores que, aliados a um grupo de fortes investidores portugueses e moçambicanos, de onde se destacam o Grupo Amorim, a Visabeira, o Instituto Nacional de Segurança Social, a Rural Consult, a DHD e a SF Holding, constitui-se em menos dois anos e meio numa operação de referência no mercado bancário moçambicano e tem atraído a atenção da opinião pública internacional da especialidade. O projeto da criação do Banco Único começou em meados de 2010, tendo como

Um caso de sucesso único

CEOLusófono I 19

BANCO ÚNICO
Em números

2011 6º 15

Ano de criação

Balcões
base a conceção de uma estratégia e de uma operação que não teve por apoio nenhum outro banco. Foi uma operação «ground zero» e desde logo ficou marcada pelo sucesso na concretização de uma parceria ampla relacionada com a estrutura acionista do Banco Único, com a aposta na dinâmica de investidores portugueses e moçambicanos, bem como numa forte componente de gestão, munida também de uma forte dinâmica dos acionistas de diferentes setores de atuação, como a energia, media e agroindústria. Ou seja, desde a sua génese, o Banco Único foi criado assente em parcerias multissetoriais e multigeográficas. E para se diferenciar no mercado apostou em três pilares bem definidos: Tecnologia; Infraestruturas; Recursos Humanos. Uma aposta que deu excelentes resultados. Criado em agosto de 2011, o Banco Único conseguiu, desde a abertura, triplicar o número de balcões, passar de 18º para o 6º maior banco a operar em Moçambique. Foi eleito pela revista The Banker como um dos 13 mais promissores bancos do mundo e premiado como o Best Consumer Internet Bank e Best Corpo-

20 I CEOLusófono

rate Internet Bank em Moçambique pela prestigiada revista internacional Global Finance. “O percurso que já fizemos é naturalmente muito positivo e todos estes prémios e o lugar que já conquistámos no mercado são motivo de grande orgulho e, sobretudo, são a confirmação de que estamos a progredir no sentido correto”, diz o CEO. João Figueiredo lembra contudo que “estas conquistas, prémios e distinções também aumentam a nossa responsabilidade e obrigam-nos a reforçar o compromisso que assumimos desde a primeira hora no mercado de ser um banco de referência na relação com os nossos Clientes e de continuar a mudar sempre para melhor”. O Banco Único pretende posicionar-se como um banco de fato único. “Somos únicos na vontade de servir e acima de tudo porque cada um dos Clientes é tratado como se fosse único. Não temos Clientes. Temos cada Cliente! O Cliente é um mundo de oportunidades e necessidades e é alguém que deve e tem de ser tratado com muito carinho e de uma forma especial. Cada Cliente merece a

sua própria solução e daí que cada cliente seja realmente único”, diz em entrevista. Projetando os próximos anos, o líder do Banco Único afirma ao CEO Lusófono que “o paradigma da banca, tal como no universo empresarial, está a mudar e o futuro passará pela humanização das relações comerciais. O Banco Único, assumiu esta força da mudança e pretende liderar este movimento na banca universal, contribuindo e caminhando para uma banca mais relacional em que as transações serão uma consequência das relações que estabelecemos com os nossos Clientes. Só assim poderemos assegurar que a bandeira da excelência e da qualidade sejam atributos permanentes em toda a nossa atividade e devidamente reconhecidos pelo mercado. E esse é o nosso grande desafio daqui para a frente”. João Figueiredo quer, por isso, que o Banco Único esteja “na linha da frente dos bancos que estão na liderança do sistema financeiro nacional e que contribua sempre para todos os seus stakeholders, mas acima de tudo para a economia nacional e para o sistema financeiro nacional”. n

Maior banco de Moçambique

Todo o Administrador de uma Empresa, CEO ou Chairman, deveria sempre, nem que fosse por um dia, viver a realidade de base da sua empresa por forma a poder perceber a sua essência

perfil

A CPLP mudou a direção-geral. E não estamos a falar só de um cargo, mas também do rumo da própria organização. Georgina de Mello deixou isso mesmo bem claro no próprio dia em que assumiu as funções de Diretora-Geral da CPLP

Nova direção na CPLP

Georgina de Mello

CEOLusófono I 21

Georgina de Mello
Nascida a:
1 de Dezembro de 1968, na Ilha de Santo Antão em Cabo Verde

Formação:
Mestre em Património, Turismo e Desenvolvimento, pela Universidade de Cabo Verde. Licenciatura em Economia pelo ISEG

Profissão:
Economista (Gestora)

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brir a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) às empresas e à sociedade é um dos principais objetivos da nova Diretora-Geral. Sob a orientação do Secretário Executivo, Murade Murargy, a economista cabo-verdiana irá dar início a uma mudança estrutural no modo de atuação da comunidade de países lusófonos, paExperiência global ra que passe a ser uma organização de sociedade e de empresas. Georgina Benrós de Mello, nasceu em "Os nossos presidentes e chefes de goCabo Verde, mas foi em Portugal que verno estão cientes de que a CPLP tem se licenciou em Economia pelo Institusido muito uma organização de Estados to Superior de Economia e Gestão da e de governos e manifestaram a intenUniversidade Técnica de Lisboa. ção de convertê-la numa organização Depois da Licenciatura, em Lisboa, o de sociedade e de emprepercurso académico da O currículo sas para que haja mais nova Diretora-Geral da comércio, mais circulade Georgina de Mello CPLP levou-a a diversos ção de pessoas e bens, pontos do globo. Fez esturevela uma larga mais tecido económico, experiência nos setores dos de pós graduação em para que as pessoas posCabo Verde (CENFA), público e privado, sam sentir que há uma esteve no Brasil (FUNCPLP que é qualquer coi- importantes organizações DAP), Estados Unidos internacionais e ainda (Graduate School of sa que lhes toca", disse. A nova Diretora-Geral, Public and International em organizações da que substituiu no cargo o Affairs da Universidade sociedade civil bissau-guineense Hélder de Pittsburgh (EUA), Vaz, salienta a necessidade de, para para regressar ao país natal, onde, com atingir este objetivo, intensificar as rea tese “Museu Virtual de Paisagens de lações entre as empresas dos diversos Cabo Verde – Por um modelo alternatipaíses, entre as várias ONG e outros vo de turismo”, obteve o grau de Mestre organismos da sociedade civil, para que em Património, Turismo e Desenvolvio espaço da CPLP no futuro tenha mais mento, pelo Departamento de Ciências

A

Precisamos de conferir à CPLP mais conteúdo de sociedade, mais conteúdo de empresa, mais conteúdo de comércio
trocas comerciais, sociais e culturais. “Precisamos de conferir à CPLP mais conteúdo de sociedade, mais conteúdo de empresa, mais conteúdo de comércio, mais conteúdo de comércio inclusivo, mais conteúdo de investimento, mais conteúdo de empresa, mais criação sustentável de empregos, para que a CPLP de fato contribua de forma substantiva para os esforços dos governos dos nossos países, na luta pela redução da pobreza”, disse, no discurso da Cerimónia da Tomada de Funções, em Lisboa, a 3 de fevereiro de 2014. Antes de assumir as funções de Diretora-Geral, Georgina de Mello passou por um processo de seleção (mediante concurso público internacional) que abrangeu vários candidatos do Brasil, Portugal e Moçambique. Acabou por ser a eleita pelo Comité de Concertação Permanente da organização lusófona, constituído por representantes dos Estados Membros, e para esta escolha não foi certamente indiferente o currículo diversificado e internacional da economista cabo-verdiana.

Sociais e Humanas, da Universidade de Cabo Verde. Trabalhou como economista tanto em Cabo Verde, desempenhando várias funções, nos setores público e privado, como em Timor-Leste, sendo responsável pela instalação da agência de promoção do investimento e das exportações, de que foi, aliás, a primeira diretora executiva. O currículo de Georgina de Mello revela uma larga experiência nos setores público e privado (fez parte do anterior Conselho de Administração da Transportadora Aérea Cabo-Verdiana), organizações internacionais e ainda em organizações da sociedade civil. Já trabalhou com projetos de diferentes fundos e agências das Nações Unidas. Também já trabalhou com projetos financiados pelo Banco Mundial, tanto em Cabo Verde como em TimorLeste. Publicou artigos em revistas especializadas e em jornais, tanto em Cabo Verde como em Portugal, além de ter várias comunicações publicadas em livros editados na sequência de partici-

pação em conferências. É por exemplo, co-autora, com Ana Cristina Lopes Semedo, de um “Guia do Exportador para o Mercado da União Europeia”, editado em Março de 2001 na Praia, pela agência cabo-verdiana de promoção do investimento. Antes de ser escolhida para DiretoraGeral da CPLP, exercia as funções de Coordenadora da Unidade Nacional de Implementação do programa Quadro Integrado Reforçado (da Organização Mundial do Comércio) em Cabo Verde, um cargo afeto ao Ministério do Turismo, Indústria e Energia que a levou a debruçar-se, nos últimos anos, privilegiadamente, sobre o desenvolvimento do comércio, do investimento, do setor privado, e da conexão às cadeias de valor globais. Georgina de Mello reúne, assim, uma experiência de vida e profissional que se poderá revelar fundamental para cumprir a missão que irá ter em conjunto com o Secretário Executivo na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: abrir a organização à sociedade civil e empresarial. n

CPLP

Em números

1996
População

Ano de fundação

254 M 4,4%

do PIB Mundial

10,8 M

Km2 de superfície

CEOLusófono I 23

“A Guiné-Bissau é um Estado falhado em todos os sentidos. (...) As elites políticas são as principais culpadas pelo trágico estado de coisas, pela má gestão, pelo desperdício, pela corrupção e pelo empobrecimento da população”
José Ramos-Horta Representante das Nações Unidas na Guiné-Bissau

24 I CEOLusófono

© asiasociety.org

estratégico

26 INTELIGÊNCIA 29 CPLP

A ciberguerra, a guerra económica e o mar são domínios estratégicos fundamentais, mas praticamente ausentes dos estudos lusófonos, com pouco ou nada publicado em português e que tenha sido concebido e elaborado por investigadores e especialistas dos Estados lusófonos, na sua perspetiva própria A Guiné Equatorial vai reintegrar a Lusofonia, com a próxima cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, que vai decorrer em julho, em Dili, a oficializar a situação do país como membro de pleno direito da organização dos Estados lusófonos

32 CIBERGUERRA

A operação “Olympic Games” veio revelar ao grande público o potencial devastador dos ciberataques e mostra que a Internet é hoje um espaço de violência informática e de 'disruptions' económicas e sociais que colocam em risco os Estados e as empresas

CEOLusófono I 25

Inteligência

estratégico

Três estudos estratégicos que faltam à Lusofonia
A ciberguerra, a guerra económica e o mar são domínios em que pouco ou nada existe publicado em português e que tenha sido concebido e elaborado por investigadores e especialistas dos Estados lusófonos, na sua perspetiva própria
altar, em português, falta muita coisa. Faltam-nos estudos de imensos campos, tanto conceptuais como materiais. É uma lista imensa que preencheria, em “letras pequeninas”, centenas ou milhares de páginas. Mas, sabendo isto, também se sabe que há matérias prementes cuja capital urgência é incompatível com o nosso bem conhecido “logo se vê”, fórmula tradicional de um fatal “deixar andar”. Dessas matérias mais prementes, três merecem destaque pois são de urgentíssimo tratamento: a ciberguerra, a guerra económica e o mar, nas suas dimensões geopolítica e geo-económica.

F

26 I CEOLusófono

Sabemos há séculos (ou mesmo milénios) que a presença no mar e o controlo do nosso espaço marítimo são essenciais para se ser respeitado em terra… Mas, sabemo-lo há tanto tempo que alguns parecem já o ter esquecido, mesmo se hoje se ouve e lê, em português, uma permanente espécie de ladainha sobre o mar e o seu papel, para muitos ou todos os Estados lusófonos. Mas onde estão os estudos sobre a matéria? Quem os publica? Quem são os especialistas, decisores, investigadores e outros universitários que à matéria se dedicam e onde estão as suas análises, as suas perspetivas e propostas estratégicas e as suas decisões?

As Dimensões do Mar

“Géopolitiques des Mers et des Océans” faz uma notável síntese dos vastos e profundos estudos franceses sobre os 70% do planeta, onde passam 80% das trocas comerciais da economia globalizada e 90% das comunicações internacionais. As questões atuais e futuras do controlo dos mares, nas suas vertentes económicas, científicas, ambientais e geopolíticas são aqui vistas e analisadas. Cada um dos oceanos é objeto de uma descrição geo-económica objetiva e precisa: fluxos, trocas, estradas marítimas, estreitos, portos e atividades litorais… No mar passam as artérias da globa-

lização e bastariam 15 dias de interrupção do tráfego marítimo para provocar em terra incalculáveis efeitos cataclísmicos… Por isso é que, longe de ser um luxo, a potência naval de um Estado é condição imperativa da sua liberdade, da liberdade de comerciar, de proteger os seus interesses e de resistir a chantagens sobre o acesso aos recursos. Para os Estados das fachadas marítimas da África, da Europa, da América ou para Timor (numa posição de elevado valor estratégico entre o Índico e o Pacífico), estas matérias são de domínio imprescindível.

Guerra Económica

CEOLusófono I 27

Há matérias prementes cuja capital urgência é incompatível com o nosso bem conhecido “logo se vê”: a ciberguerra, a guerra económica e o mar

Após a implosão da URSS e sequente entrada na OMC do que era o “mundo comunista” e após a revolução das novas tecnologias de informação e comunicação (que aboliu distâncias), a conquista de mercados substitui-se à conquista de territórios e controlo das populações, a velha concorrência “virou” hipercompetição sem limites e, rapidamente, “globalização” tornou-se sinónimo de “guerra económica” global. A própria gestão da informação se impôs como arma económica… Num mundo que as NTIC colocaram em rede e que a hipercompetitividade lançou na guerra económica, o domínio da informação e das NTIC tornou-se uma arma decisiva para a conquista de mercados, a proteção dos empregos, o desenvolvimento da economia nacional e a garantia de segurança. A economia mundial é hoje um campo de batalha, onde empresas e nações se entregam a uma guerra sem quartel, de que ninguém se pode imaginar “abrigado” e livre de perigo. Ignorar esta realidade pode ser mortal… Xavier Leonete, o responsável da “inteligência económica” da polícia francesa, estabelece uma interessante grelha de análise ao procurar responder à pergunta que ele mesmo coloca “La France est-elle armée pour la guerre économique?”. A resposta que encontra não é certamente a que se encontrará ao colocar esta mesma pergunta para qualquer um dos Estados lusófonos. Quem fizer a pergunta que ainda não foi feita (em nenhuma capital do universo da Lusofonia) encontrará respostas diferentes em cada um dos Estados lusófonos, mas encontrará também uma constante: O seu país precisa urgentemente de novas armas para se defender.

28 I CEOLusófono

a infra-estruturas críticas, a ciberespionagem (com o roubo de dados estratégicos de Estados ou de empresas), a ciberpirataria e o ciberterrorismo… As empresas vão ter de procurar meios e formas de defender o seu património imaterial, os seus “segredos de negócio”, e de proteger os seus esforços de inovação (não é saudável ver os resultados de anos e milhões de dólares de investimento em inovação nas mãos de um concorrente…) e os Estados vão ter de se dotar de meios de defesa das suas redes e outras infra-estruturas críticas e de proteção da sua informação, mesmo a não-classificada. Por exemplo, não é admissível que um ataque aos comSe a segurança de um país, como já putadores de um hospital público vimos, se mede hoje muito mais em permita violar o segredo médico de termos de empregos que consegue milhares de cidadãos… salvar e de mercados que alcança A segurança dos cidadãos e do Estado conquistar do que em vitórias nos joga-se hoje no ciberespaço. A opinião tradicionais campos de batalha milipública (e mesmo muitares, a informação tos decisores!) não tem económica tornou-se Após os tradicionais “terra, consciência de que um parte integrante da somar, ar e espaço”, ciberataque pode saboberania nacional. E as o ciberespaço representa tar, por exemplo, toda NTIC e o seu ciberhoje o quinto domínio a rede de distribuição espaço (onde e por de água… Criar essa onde essa informação da guerra, um campo consciência pública é circula) tornaram-se geo-estratégico e político um passo essencial pauma frente de combaabsolutamente chave ra controlar os riscos e te. China, Israel e Escomeçar a resolver estados Unidos há muito sa imensa fragilidade que nos ameaque desenvolvem unidades militares ça. especializadas (e de grande secreNum “dossier especial” de “La Révue tismo) para essa nova frente de conInternationale et Stratégique”, Franflito a que se convencionou chamar de çois-Bernard Huyghe faz um ponto da ciberguerra. situação e dos desafios que se levanAssim, após os tradicionais “terra, tam nesta nova dimensão da ativimar, ar e espaço”, o ciberespaço redade humana. n presenta hoje o quinto domínio da guerra, um campo geo-estratégico e político absolutamente chave. Por aí José Mateus passa a “guerra de redes”, os ataques

Ciberguerra

estratégico

CPLP

Guiné Equatorial reintegra a Lusofonia

A cimeira da CPLP de Dili, em julho, vai oficializar a situação da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da organização dos Estados lusófonos

A

té aqui, ao bloquear a reintegração da Guiné Equatorial na Lusofonia, o Estado Português, numa infundada teimosia, não estava a ter em conta a História e não queria saber de interesses geo-estratégicos. Nem dos interesses geo-estratégicos de Lisboa, nem de Malabo (alguém se esqueceu que a ilha de Bioko, onde se situa a capital da Guiné Equatorial, se chamou durante vários séculos Fernando Pó…) e nem dos interesses geo-estratégicos de Luanda, Brasília ou Washington. Agora, Luanda e Brasília cansaram-se de “dar tempo ao tempo” e defenderam também os interesses de Lisboa. Expli-

caram a Lisboa que estava na hora de resolver a re-integração da Guiné Equatorial no espaço lusófono. E Lisboa teve de ceder… Quando Portugal deveria ter sido (por razões históricas e estratégicas) o principal defensor desta re-integração, acabou por ser o obstáculo que foi necessário Brasília e Luanda removerem… Pois, recorde-se, Portugal era o único país lusófono a opor-se à entrada da Guiné Equatorial na CPLP. Em todo este processo, só a ação discreta de Luís Amado, quando ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo Sócrates, salvou “a honra do convento” português.

Luís Amado, nos anos de 2009 e de 2010, deslocou-se a Malabo e recebeu em Lisboa o seu homólogo guineense para preparar as condições da adesão. O então ministro dos Negócios Estrangeiros via a aproximação da Guiné Equatorial à CPLP com «naturalidade e sem dramatização» e defendia que o assunto devia “ser tratado com naturalidade e bom senso” pois “existem razões próprias” deste país que “devem ser tidas em conta”. Ou seja, “não é difícil perceber as razões porque um país com as especificidades históricas e geopolíticas da Guiné Equatorial procura aproximar-se de uma organização como a CPLP”, concluía então

CEOLusófono I 29

Enagas e GEPetrol investem no Banif
As empresas públicas de gás e petróleo da Guiné Equatorial (Enagas e GEPetrol) deverão assegurar boa parte ou a totalidade dos 133 milhões que o banco português Banif, que tem Luís Amado como presidente do conselho de administração, precisa para reforçar o capital. Assinado foi já "um memorando de entendimento não vinculativo com a República da Guiné Equatorial, tendo em vista iniciativas de colaboração no setor bancário em condições que venham a ser acordadas entre as partes", revela o banco.

Luís Amado. Infelizmente, passaram-se quatro anos e Lisboa não percebeu “as especificidades históricas e geopolíticas” de que o então responsável da política externa portuguesa apontava. Que, neste início de 2014 e definida a adesão de Malabo à CPLP, um dos primeiros investimentos daquele riquíssimo país africano aconteça no banco hoje dirigido pelo ex-ministro Luís Amado não espantará ninguém. Tão pouco poderá espantar quem quer que seja que o Banif tenha preferido a outros (há vários pretendentes a entrar no capital do Banif:  sul-africanos, chineses e outros asiáticos) este investimento de centenas de milhões.

TAP e RTP África na Guiné Equatorial
A TAP vai passar a ter uma ligação entre Lisboa e Malabo, a capital da Guiné Equatorial. O objectivo é servir os portugueses que vivem e negoceiam naquele país. Além da ligação aérea, Portugal reforça a ligação ao país através da RTP África, que passará a emitir em sinal aberto na Guiné Equatorial. A garantia foi dada pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Luís Campos Ferreira, após uma reunião com as autoridades da Guiné Equatorial.

ma oficial, a abertura da embaixada em Lisboa ou a constituição da comissão nacional da CPLP. A visita de Luís Campos Ferreira, que viajou com uma delegação do Governo de Portugal e do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, “contribuiu para o reforço das relações institucionais entre os dois Estados e permitiu a assinatura de dois protocolos de cooperação – um para a promoção e difusão da língua portuguesa e outro, sob a forma de memorando de entendimento, sobre o estabelecimento de programas de formação especial entre as administrações públicas dos dois países”. Em Malabo, o governante português reuniu-se com as principais figuras da Diplomacia portuguesa em Malabo República da Guiné-Equatorial: o Presidente Teodoro Obiang e o primeiroSinal da mudança do posicionamento ministro Vicente Ehate Tomi. Além de de Lisboa, foi a visita oficial de Luís ter tido encontros com os ministros Campos Ferreira, o secretário de Esdos Negócios Estrangeiros e Coopetado dos Negócios Estrangeiros e da ração (Agapito Mba Mokuy), das MiCooperação de Portugal à Guiné Equanas, Indústria e Enertorial, em janeiro. Uma visita que teve lu- “Esta viagem marca o reforço gia (Gabriel Lima), da Informação, Imprensa gar depois de, em dedas relações bilaterais em e Rádio (Federico Abazembro, Luís Campos diversos setores, como a ga), da Aviação Civil Ferreira ter-se já moseducação, a cultura e o (Fausto Fuma), da Cultrado "profundamente turismo”, disse o secretário tura e Turismo (Guiconvencido" de que o de Estado português, llermina Mekuy Mba processo de adesão da Guiné Equatorial à à saída do encontro com o Obono) e da Educação e Ciência (Jesús EngonCPLP terá um “final feprimeiro-ministro Vicente ga Ndong). liz” e ter manifestado ao Ehate Tomi “Esta viagem marca o secretário executivo da reforço das relações bilaterais em diCPLP, o moçambicano Murade Murarversos setores, como a educação, a culgy, “o pleno apoio de Portugal” no protura e o turismo”, disse o secretário de cesso, lembrando ainda os “passos imEstado português, à saída do encontro portantes e encorajadores dados pela com o primeiro-ministro Vicente Ehate Guiné Equatorial”, nomeadamente a adoção da língua portuguesa como idioTomi. n

n SOARES DA COSTA PROCURA OPORTUNIDADES
Uma central fotovoltaica (com uma produção anual de 156 GWh), uma barragem situada a cerca de 30 quilómetros a jusante do rio Wele e a instalação de painéis fotovoltaicos em vários edifícios da cidade de Oyala asseguram o objetivo de criar a primeira capital do mundo inteiramente dependente de energias renováveis.

30 I CEOLusófono

A adesão da Guiné Equatorial à CPLP é desejável, considera o secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA). Vítor Ramalho destaca as "razões históricas" e o compromisso de evolução e aproximação aos modelos democráticos dos outros membros da CPLP.

CEOLusófono I 31

Ciberguerra

estratégico

A Internet é um espaço de violência informática e de 'disruptions' económicas e sociais. A operação “Olympic Games” (sem assinatura...) revelou ao grande público o potencial devastador dos ciberataques
m 2010, no Irão, as centrifugadores nucleares de Natanz, sítio de alta segurança, começaram a acumular problemas de funcionamento e de aparência aleatória. Os engenheiros iranianos não conseguem identificar a causa. Esta foi revelada pela jornalista David Sanger do New York Times: as centrifugadoras, instrumentos cruciais do programa nuclear iraniano, foram atacadas por um vírus informático concebido juntamente pelos Estados Unidos e por Israel.

Internet: O novo espaço de conflito
Alice Mateus

E

32 I CEOLusófono

Criado para não ser detectado, este vírus terá afectado entre 1000 a 5000 centrifugadoras, atrasando entre vários meses a vários anos o programa iraniano de arma nuclear: tal era o objectivo do programa baptizado Olympic Games. A dependência dos sistemas informáticos, da Internet e do hardware subjacente, por parte do Estado, das empresas e das pessoas, para comunicar, produzir e vender, induz um novo terreno de violência e de conflitos ainda hoje desconhecido.

Esta nova realidade conflictual contradiz as primeiras percepções da Internet, em que a Rede anunciava um mundo de diálogo e de transparência. De facto, a Rede é um espaço onde os instrumentos de violência são acessíveis, os alvos vulneráveis e as operações furtivas. A estrutura reticular implica uma inter-conexão, uma inter-dependência que aumenta terrivelmente as margens de manobra: quantos pequenos hackers piratearam o sistema infor-

A dependência dos sistemas informáticos, da Internet e do hardware subjacente, por parte do Estado, das empresas e das pessoas, para comunicar, produzir e vender, induz um novo terreno de violência e de conflitos ainda hoje desconhecido

mático de grandes empresas estrancapaz de provar a origem do ataque. geiras? A clássica correlação entre riqueza e Várias das barreiras à entrada, típicas potência, de um lado, e poder de aldos espaços de conflitos, estão aucance e capacidade de usar da violênsentes no ciberespaço. Assim, muitos cia, por outro, desapareceu neste novo ataques não implicam um custo finanterreno mudando as regras do jogo. ceiro. Neste novo contexto, o Estado e a Por exemplo, as operações conduzidas grande empresa facilmente se tornam pelos Anonymous para alvos. bloquear os sites de Foi o caso da Estónia A vulnerabilidade do Estado em 2007. Este país - um grandes empresas, e das grandes empresas através de um excesso dos mais conectados do de conexões simultâ- implica que os ciberataques mundo e que tinha asneas (ataques DDOS), sente os seus serviços sejam usados como são quase gratuitos. públicos sobre a Interinstrumentos de guerra Lembremo-nos também net – foi alvo de um cieconómica. As operações do software com o qual berataque de grande dipodem ser conduzidas por mensão. A actividade os iraquianos pirateavam o conteúdo das hoda administração, de hackers, por Estados, por ras de vôo dos drones empresas, por organizações bancos e de jornais foi americanos e que cusbloqueada por ataques não-governamentais, por ta... 26 dólares! DDOS, durante semagrupos mafiosos… A furtividade das openas a fio, bloqueando a rações permite ao ataeconomia nacional. As cante sentir-se ao abrigo das reperdas financeiras sofridas pela Espresálias legais e de contra-ataque. É tónia com estes ataques ainda hoje não difícil punir ou contra-atacar quando foram reveladas... não se conhece o atacante, nem fazê-lo Em 2011, o serviço online da PlayStacom legitimidade quando não se é tion network da Sony foi pirateado

levando ao furto dos dados de 77 milhões de utilizadores (palavras passe, informações bancárias, etc…). As perdas financeiras directas para a Sony foram da ordem de 121,5 milhões de dólares. A vulnerabilidade do Estado e das grandes empresas implica que os ciberataques sejam usados como instrumentos de guerra económica. As operações podem ser conduzidas por hackers individuais ou em grupo, por Estados, por empresas, por organizações nãogovernamentais, por grupos mafiosos… Os tipos de ataques tendem a variar de acordo com o objectivo operacional. Assim, a cibercriminalidade vai concentrar-se em obter dados para objectivos financeiros. As empresas, por outro lado, podem tentar furtar dados comerciais ou descredibilizar um concorrente. Os Estados podem agir sobre os sistemas de produção estrangeiros, de comunicação entre outros Estados e as respectivas populações, ou sobre os sistemas de segurança e defesa. Os ciberatacantes têm actualmente grandes margens de manobra pois a

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falta de consciência dos alvos deste novo tipo de predação torna-os ainda mais vulneráveis. Certos países, como os Estados Unidos, a China, o Japão e, mais perto de nós, a Suécia ou a França estão a desenvolver uma cultura (e respectivos instrumentos) de ciberconflitualidade. Tendo em conta a inter-dependência dos sistemas ligados à Rede, estes governos pedem às empresas privadas uma cooperação na luta contra a cibercriminalidade e a “ciberguerra”. No entanto, muitas empresas (não tendo percebido ainda que não estão perante uma questão de retorno sobre investimento mas de sobrevivência individual e/ou colectiva) ainda não compreenderam e menos ainda integraram esta nova dimensão de conflitualidade. Os ciberataques atribuídos à China e o discurso sobre a eventualidade de um “Pearl Harbor informático” ajudaram a uma certa tomada de consciência nos Estados Unidos. Como o sublinhou Joseph Nye, panos inteiros da sobera-

Esperemos que não seja necessário nenhum ataque informático aos sistemas de controlo aéreo, de gestão de um hospital ou da bolsa nacional para que a consciência emerja também deste lado do Atlântico

34 I CEOLusófono

nia de um Estado podem desaparecer com um simples switch. Esperemos que não seja necessário nenhum ataque informático aos sistemas de controlo aéreo, de gestão de um hospital ou da bolsa nacional para que a consciência emerja também deste lado do Atlântico. Lembremo-nos, nomeadamente, do ciberataque de 2009 a uma central hidro-eléctrica brasileira que deixou mais de 60 milhões de pessoas sem sistemas de tráfego e comunicação de base durante três dias.

Esperemos também que não seja preciso um ataque a um cabo submarino para percebermos a que ponto a defesa de nossa soberania depende da nossa capacidade em cartografar a cibergeografia e estabelecer as parcerias necessárias... É o paradoxo da Rede: destinada a aumentar a visibilidade informacional torna o mundo mais imprevisível e perigoso. A nossa actualidade é feita de disruptions. Neste novo quadro, onde riqueza e margem de acção não estão correlacionadas, Portugal, com a sua velha cultura estratégica marítima, tem uma bela janela de oportunidade... Mas que, rapidamente, se irá fechar. n

ALICE MATEUS, Mestre em Direito Europeu de Negócios pela Université de Paris/Dauphine e Mestre em Inteligência Económica pela École de Guerre Économique. Advogada do Barreau de Paris.

“Sempre defendi que a Guiné Equatorial devia estar na CPLP”
José Manuel Félix Ribeiro Professor, Doutorado em Relações Internacionais

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© Guerra e Paz Editores/Neusa Ayres 2014

“Para mim existem dois tipos de executivos: aquele que entrega e o que justifica”
Walter Schalka CEO da Suzano Papel e Celulose

36 I CEOLusófono

negócios

& GESTÃO

38 EMPRESAS 40 DESIGN

Facilitar a criação de empresas é o objetivo de Moçambique com a criação do Formulário Único, que reduz para menos de metade o tempo necessário para o registo e início da atividade. Conheça melhor uma das apostas da nova estratégia para melhoria do ambiente de negócios

São cada vez mais os CEO's que, em todo o mundo, apostam no Design não só para desenhar novos produtos e serviços inovadores, mas também os próprios negócios e as organizações que lideram. Fundamental é, no entanto, saber gerir e aceitar uma das principais caraterísticas do Design: a criatividade

Taiwan, uma das mais dinâmicas economias mundiais, tem manifestado a vontade em fazer crescer significativamente os laços com Portugal, através da cooperação entre empresas dos dois países. Uma comitiva de empresários de Taiwan esteve em Portugal para procurar oportunidades bilaterais de parceria e de negócio

44 DIPLOMACIA ECONÓMICA

CEOLusófono I 37

Empresas

negócios & GESTÃO

Moçambique adota um Formulário Único que, ao reduzir para menos de metade (de 65 para 25 dias) o tempo necessário para o registo e início da atividade, veio acelerar, simplificar e agilizar o processo de criação de empresas
uma das apostas da nova estratégia do governo de Moçambique para melhorar o ambiente empresarial, tornando-o mais atrativo. O Formulário Único para a abertura de empresas e início de atividade vem simplificar e

Facilitar abertura de novas empresas

© Wagner Magni/stock.xchng

É

38 I CEOLusófono

unificar as formalidades legais necessárias ao início de negócios no país. “Com este instrumento, o Governo passa a ter um único mecanismo que suporta toda a atividade de registo de empresas”, salienta o ministro de Indústria e Comércio, Armando Inroga.

Até aqui, num processo normal, o registo de uma empresa e a entrada em atividade chegava a demorar 65 dias. Através do Formulário Único, este período deverá ser reduzido para 25. Além do tempo necessário, o novo procedimento reduz também os custos, e

Simplificação de Negócios
TEMPO DE LICENCIAMENTO
Redução, com a integração dos Balcões Únicos na plataforma eletrónica (sectores do Comércio, Indústria, Turismo e Simplificado)

Melhoria da Competitividade
LEGISLAÇÃO
Operacionalização da Lei da Insolvência e recuperação das empresas; Operacionalização da Lei da Concorrência para torná-la mais justa

FORMULÁRIO ÚNICO
Introdução do Formulário Único e da infra-estrutura para a solicitação de licenças online

REDUÇÃO DOS CUSTOS
Introdução da isenção completa no Código do IVA (nos sectores agrícola e pescas); Diminuição de custos de transação e dos custos administrativos (licenciamento e obtenção de licenças)

LICENCIAMENTO DE CONSTRUÇÃO
Redução de tempo através da simplificação dos processos necessários a este licenciamento

Melhoria do Ambiente de Negócios
A Estratégia para a Melhoria do Ambiente de Negócios II (2013-2017) vem consolidar as reformas iniciadas na anterior (2008 a 2012), com vista a simplificar procedimentos comerciais e melhorar a competitividade da economia moçambicana face a novos desafios. O governo moçambicano acredita que, nos próximos cinco anos, será possível “tornar o país mais apetecível para negócios e investimentos sustentáveis”.

ACESSO AO FINANCIAMENTO
Introdução de novas fontes de financiamento às PMEs, alternativas ao crédito bancário; Ampliação das opções de garantias em coordenação com os bancos e a Bolsa de Valores

IMPOSTOS E TAXAS
Redução da complexidade no pagamento com a simplificação dos procedimentos para pagamento dos Impostos e Taxas (e-tributação: submissão da declaração online e pagamentos online) e redução do número de formulários

REDUÇÃO DO RISCO E CUSTO DE CRÉDITO
Criação e operacionalização da central de registo de colaterais; Operacionalização da Central de Risco de Crédito e Mutuários

“Com este instrumento, o Governo de Moçambique passa a ter um único mecanismo que suporta toda a atividade de registo de empresas”, salienta o ministro de Indústria e Comércio, Armando Inroga
os empresários deixam de ter de se deslocar a várias instituições para efetuar o registo, bastando dirigirem-se a um só local, graças à articulação interna, por parte dos vários atores do Governo, que assegura a agilização do processo, “um pressuposto para a re-

dução de custos e de tempo de registo de empresas e de início de atividades”, explica Inroga. A medida teve início com um período piloto de três meses, nas cidades de Maputo, Xai-Xai, Beira, Nampula, Pemba e Tete. “Depois destes três meses pretendemos avaliar as assimetrias de desenvolvimento em função da dinâmica de negócios em cada uma dessas regiões" mas, durante a fase piloto, o instrumento poderá sofrer algumas alterações com vista a sua melhoria, acrescenta o governante. O Formulário Único inclui duas partes. Uma referente ao licenciamento de empresas, em que intervêm o Ministério da Justiça e o subsetor de atividade

onde o empresário pretende fazer o seu negócio comercial ou industrial. E outra que consiste na declaração sobre o início das atividades com registo de trabalhadores no sistema de segurança social.

Desenvolvimento do setor privado

A simplificação dos procedimentos necessários para registar uma empresa surge após a aprovação, em setembro, da Estratégia para a Melhoria do Ambiente de Negócios II, vista pelos investidores como um sinal de que Moçambique está a dar mais atenção à necessidade de acelerar e gerar condições mais favoráveis ao desenvolvimento do setor privado. n

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Design

negócios & GESTÃO

Tiago Nunes

Em todo o mundo, CEO's promovem e tornam as organizações cada vez mais centradas no Design. Através da aposta no Design desenham não só novos produtos e serviços “inovadores”, como também os negócios e as organizações que lideram

Desenhar Negócios e Organizações

B

40 I CEOLusófono

ruce Nussbaum, um dos principais contribuidores para a afirmação do papel do Design no mundo corporativo, ao promover e difundir o “Design Thinking” enquanto abordagem para capacitar as organizações no desenvolvimento de produtos e serviços “inovadores” (que mesmo antes de o serem já eram), afir-

mou, em 2007, em resposta a um comentário a um artigo seu na Businessweek, que a seu tempo os designers se tornariam CEOs e/ou gestores de topo no mundo corporativo. Em 2011, o mesmo Bruce Nussbaum chegou a aununciar “a morte” do Design Thinking, apontanto os insucessos e a forma como algumas empresas não

souberam implementar e fazer uso desta abordagem, sobretudo ao nível da gestão da criatividade, acabando mesmo por pôr em causa o valor do Design no geral. Um anúncio que foi sobretudo uma provocação a designers e gestores, que desde então têm dado provas do valor estratégico do Design. E a verdade é que hoje o Design as-

sume cada vez mais, sobretudo desde há dois anos, um papel de destaque e um papel estratégico em algumas das maiores empresas mundiais, graças a líderes que promovem e tornam as organizações cada vez mais centradas no Design, e graças à ascenção de designers a posições de topo – Chief Design Officers ou Chief Creative Officers – e que trabalham em parceria direta com os CEO's. Um bom exemplo desta parceria entre CEO's e designers é a inevitável Apple (durante anos, a parceria Steve Jobs & Jonathan Ive, agora Tim Cook & Ive). Mas há muitos mais exemplos notáveis e notados. Entre muitos outros, a Pepsi Co, através da dupla Indra Nooyi e Mauro Porcini, a Nike, com o seu CEO (e antigo footwear designer), Mark Parker e John Hoke, ou a gigante Google, que, desde Larry Page assumiu o cargo de CEO em 2011, unificou e tem vindo a criar uma cultura de Design, convidando designers e demais talentos a repensarem a visão, oferta e toda a experiência de interação com a Google.

mas igualmente no desenho de negócios e organizações. E posso dar alguns A gigante exemplos que me são muito próximos. tecnológica SAP AG – A gigante tecnológica SAP AG – líder mundial em software de gestão –, com líder mundial em que colaboro desde 2010, enquanto consultor de inovação, há mais de 7 software de gestão –, anos tem vindo a fazer esforços para se com que colaboro desde “reinventar”, numa clara gestão da mudança, através da adoção e difusão 2010, tem vindo a fazer do “Design Thinking” e consequente esforços para se esforço na criação de uma cultura e educação pelo Design. Os resultados “reinventar”, numa desta aposta têm-se traduzido não só clara gestão da no desenvolvimento de novos produtos tecnológicos, facilmente monetizáveis, mudança, através da mas igualmente no desenvolvimento adoção e difusão do da própria empresa em termos operacionais e estratégicos, através da rede“Design Thinking” finição e otimização de processos e até mesmo de espaços de trabalho mais propícios à colaboração. Outro caso é também o da FOX Broadcasting, cliente da empresa australiana X-Team, com que colaboro desde Paralelamente, tem-se visto cada vez 2012, que demonstraram abertura pamais designers a assumir o papel de ra entender e resolver um problema CEOs e fundadores de empresas, socomplexo ao nível de processos organibretudo ao nível de startups tecnológizacionais através de uma abordagem cas, bem como a presença do Design no pelo Design. Em apenas 3 semanas, os currículo académico ou em formações resultados traduziram-se não só numa para executivos, em alnova estratégia para a gumas das principais es- Grande parte do sucesso do FOX, bem como no crescolas mundiais na área cimento da colaboração Design enquanto agente da gestão, como Standa X-Team com esse cliestratégico está na forma ford University, Harcomo as empresas souberem ente e num mapeamenvard Business School, to de oportunidades de Rotman School of Mana- gerir e aceitar uma das suas melhoria dos serviços principais caraterísticas: a gement e University of da X-Team para o fuCalifornia, Berkley, conturo. criatividade tribuíndo para a educaNuma escala muito ção de futuros líderes corporativos camenor, mas de igual impacto e valor, pazes de potenciar negócios e a criar posso dar o exemplo de um projeto valor pelo Design. (Fishing for Ideas) que teve por base um negócio familiar de venda de peixe, Uma mera questão de estética? onde, a convite do designer e estratega Cada vez mais o Design tem conseguide marcas Rui Quinta, analisámos em do quebrar a conotação puramente esconjunto e intensivamente, durante 2 tética, demonstrando a capacidade, enmeses, numa abordagem pelo Design, quanto disciplina estratégica, para sotodo o negócio desde a gestão, recursos, lucionar desafios empresariais muito compra e venda de peixe, canais de mais complexos. Atua hoje não só na distribuição, comunicação e marca. criação de novos produtos e serviços, Este projecto serviu ainda como base

CEOLusófono I 41

n DESIGN CRIA VALOR
No projeto "Fishing for Ideas", a imersão intensa no dia-a-dia da empresa, na observação dos comportamentos e hábitos de compra e venda de peixe, o constante envolvimento do cliente, de especialistas, consumidores e curiosos, ao longo do trabalho, permitiu-nos, em apenas 5 meses, criar e implementar novas ferramentas e processos, que se traduziram na aquisição de novos clientes, redução de 2/3 da dívida e criação de um novo ponto de venda exclusivo que representa hoje uma fatia importante da faturação da empresa.

para validar novas abordagens e “soluções” junto do consumidor final e que estão na génese da Peixaria Centenária. Um negócio pensado e desenhado por designers (Rui Quinta) e que é já uma referência de inovação empresarial na cidade de Lisboa. Nos últimos 10 anos, empresas orientadas pelo Design superaram a Standard & Poor’s 500 em cerca de 228%, revela um recente estudo conduzido pela DMI – Design Management Institute. Uma clara e “fresca” evidência da capacidade do Design para gerar valor nas organizações. A ascensão do Design no mundo corporativo remete para um objetivo claro: estar cada vez mais próximo e compreender o comportamento das pessoas (sejam estas consumidoras ou empregadoras), de modo a desenvolver soluções que vão ao encontro das necessidades das mesmas. Ou seja, desenhar os negócios e organizações para as pessoas com as pessoas. Esta abordagem permite reduzir riscos, e criar negócios viáveis e capazes de criar valor. Permite tornar as empresas cada vez mais empáticas e capazes de tomar decisões mais informadas

O Design entrou já no currículo académico ou em formações para executivos de algumas das principais escolas mundiais na área da gestão, como Stanford, Harvard, Rotman e Berkley

Empresas empáticas

e conscientes, abrindo um novo caminho para a inovação. Mas precisa que os líderes empresarias corram o risco de ganhar estas vantagens. Grande parte da continuidade da atual afirmação e sucesso do Design enquanto agente estratégico e para a inovação, está na forma como as empresas e respectivos líderes souberem gerir e aceitar uma das suas principais caraterísticas: a criatividade. A criatividade que traz o caos, o erro, o risco e incerteza, as emoções, que facilmente choca com um mundo em grande parte regido por processos rígidos, métricas, previsibilidade, frieza e intolerância a falhas. Será necessário ir para além da adoção de mais um processo (Design) e criar uma cultura e estrutura organizacional também ela “de Design”. A mesma cultura que levou a Apple a tornar-se a empresa mais valiosa do Mundo. n

42 I CEOLusófono

TIAGO NUNES tn@tiagonunes.me Designer e consultor de estratégia e inovação pelo Design, desenvolve projetos nacionais e internacionais para organizações como Ciência Viva, SAP AG, X-Team e FOX Broadcasting.

O gestor português Henrique de Castro saiu do cargo de chefe de operações (COO) da Yahoo, em janeiro. Na empresa liderada por Marissa Mayer tinha, entre outras, a missão de rentabilizar o negócio de publicidade, através da reformulação de produtos e criação conteúdos exclusivos para captar utilizadores e anunciantes dos concorrentes mais diretos. Uma tarefa que não se revelou fácil, apesar dos esforços da equipa de Henrique de Castro, que melhorou consideravelmente a perceção da empresa em Wall Street e Silicon Valley. Antes de entrar para a Yahoo, Henrique de Castro esteve na Google, onde se destacou como vice-presidente para a área de publicidade e media, telemóveis e plataformas. n

Henrique de Castro deixa Yahoo

A

CEOLusófono I 43

Diplomacia Económica

negócios & GESTÃO

Empresários de Taiwan visitam Portugal

Promover a cooperação económica entre os dois países, ver e dar a conhecer oportunidades de investimento bilaterais foram os objetivos da primeira visita oficial de uma comitiva de empresários de Taiwan a Portugal, visto como porta de acesso ao mercado lusófono

44 I CEOLusófono

E

m 1544, navegadores portugueses descobriram Taiwan e, rendidos à beleza natural da ilha, chamaram-lhe Formosa, iniciando então uma relação comercial com este país asiático. Hoje, Taiwan tem uma das mais dinâmicas economias mundiais e tem manifestado a vontade em fazer crescer significativamente os laços, ainda com uma enorme margem de progressão, entre as empresas dos dois países. O primeiro passo significativo foi dado com a criação, em parceria com a Associação Industrial Portuguesa (AIP), do Business Council Portugal Taiwan. O segundo teve lugar, no final do ano passado, com a primeira visita de uma comitiva de empresários de Taiwan a Portugal. Para reforçar a relação empresarial entre Portugal e Taiwan, líderes de várias empresas da ilha Formosa, dos setores das tecnologias de informação, energias renováveis, biotecnologia e indústria farmacêutica, caminhos-de-ferro e infraestruturas, maquinaria e turismo, bem como representantes de dois institutos de investigação na área da tecnologia, das tecnologias de comunicação e informação, estiveram em Portugal à procura de oportunidades de investimento e também de parcerias para acesso aos mercados lusófono e europeu. "Sendo estas as áreas mais fortes de Taiwan, estes investidores procuram parceiros económicos portugueses. As expetativas são altas, pois Portugal também é forte nessas áreas", diz o representante de Taiwan em Portugal, Jian-gueng Her, responsável pelo Centro Económico e Cultural de Taipé. Por outro lado, Jian-gueng Her salienta que "poderão abrir-se boas oportunidades de negócios para os empresários portugueses, principalmente se no futuro próximo Portugal puder abrir um escritório em Taiwan para melhor

bém encontros sobre oportunidades de apoiar os seus empresários". negócio em Portugal – nomeadamente Para Jian-gueng Her e os empresários os vários processos de privatizações e da comitiva, a crise que vive atualconcessões em curso, ou, através de mente Portugal” não é assustadora". E Portugal, nos mercados lusófono e euprova disso é a organização desta visiropeu. ta, que tem como principais objetivos "o interTecnologias de informação Em Lisboa, Santarém e Porto, a comitiva de Taicâmbio comercial bilae comunicação, energias wan teve reuniões bilateral, dando oporturenováveis, transportes terais com empresas nidade para futuros e e logística, biotecnologia (centro de investigação duradouros negócios e turismo são áreas em CEIIIA, Steconfer, Reentre os dois países, e o fer, Roff e Laboratórios intercâmbio a nível de que os investidores Azevedo) e visitas à Asinvestigação, com a posde Taiwan procuram sociação Industrial Porsível assinatura de oportunidades em Portugal tuguesa, à Associação acordos de cooperação Empresarial de Portuentre entidades de ingal e à Agência para o Investimento e vestigação". Comércio Externo de Portugal. A visita, que decorreu em finais do ano passado, foi organizada em conjunto Muita margem para crescer pela Associação Industrial Portuguesa (AIP), Associação Empresarial de PorCom 23 milhões de habitantes, Taiwan tugal (AEP) e a Agência para o Inocupa, segundo dados de 2013 da vestimento e Comércio Externo de AICEP, apenas a 48.ª posição no rankPortugal (AICEP), com o apoio do Cening de fornecedores de Portugal (90,4M tro Económico e Cultural de Taipé e da euros em 2013, com uma quota de “Chinese International Economic 0,19%) e o 70º posto na lista de clientes Cooperation Association (Taiwan). (22,2M, 0,06%), sendo o saldo da balança comercial entre os dois países claraPrimeiro encontro de empresas de mente favorável a Taiwan (68,2M de Portugal e Taiwan euros). E os números, já baixos numa perspetiEntre os vários eventos incluídos no va portuguesa, tornam-se ainda mais programa da visita, destaque para incipientes quando vistos do lado de "Primeiro encontro de empresas de Taiwan. As exportações de Taiwan paPortugal e Taiwan", promovido pelo ra Portugal representam apenas 0,1% Business Council Portugal Taiwan. do total das exportações do país asiátiO programa incluiu ainda seminários co, enquanto as importações de bens e sobre as potencialidades em Taiwan serviços portugueses nem contam perpara as entidades portuguesas e tamcentualmente, surgindo com um peso de 0,0% no total das importações da Formosa. n BOAS RELAÇÕES COM Os atuais valores da relação comercial entre os dois países mostram sobretudo SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE que há um enorme potencial de cresciSão Tomé e Príncipe é o único país mento, que poderá vir a ser concretilusófono que mantém relações zado com o início de relações empresadiplomáticas com Taiwan. riais mais efetivas entre Portugal e a 17ª economia mundial. n

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“A criação de um mercado único entre os países lusófonos seria útil e saudável para a integração das economias, que já têm uma conexão importante entre elas, não só pela língua, mas também pela cultura e pela vertente empresarial”
Roberto Azevedo Director-Geral Organização Mundial do Comércio

46 I CEOLusófono

finança

48 ECONOMIA 50 BRICS

Joaquim Tobias Dai, presidente da Associação Moçambicana de Economistas, esteve à conversa com o CEO Lusófono e destacou a necessidade de Moçambique seguir uma estratégia que permita afirmar-se, "dentro de 15, 20 anos", como uma plataforma logística multimodal

Os desafios que se colocam aos emergentes, depois de terem perdido muita da imagem de dinamismo, estiveram em destaque em Davos, onde a Presidenta Dilma Rousseff afirmou que vale a pena apostar e investir no Brasil, para além de uma visão de curto prazo

Foram mais de 50 os CEO's lusófonos e representantes institucionais e políticos presentes no encontro anual do Fórum Económico Mundial. Destaque para as intervenções de Dilma Rousseff, Carlos Ghosn, Durão Barroso, António Guterres, Alexandre Tombini e Guido Mantega

52 GLOBAL

CEOLusófono I 47

Economia

finança

“Daqui a 15, 20 anos Moçambique tem de ser não um país de recursos minerais com uma logística de recursos minerais, mas uma verdadeira plataforma logística multimodal que felizmente também tem recursos minerais”, salienta Joaquim Tobias Dai, presidente da Associação Moçambicana de Economistas, em conversa com o CEO Lusófono
xiste sempre o risco, em países com enorme potencial energético, de o desenvolvimento económico ficar demasiado centrado nesse potencial energético e nos grandes projetos industriais para extração e exportação de recursos, sem que hajam muitos pontos de contato com a economia real. Em Moçambique está, no entanto, a ser defendida uma aposta num desenvolvimento sustentável, que passa por agregar aos grandes projetos industriais, fundamentais para produzir riqueza, toda uma série de atividades conexas que

Moçambique, plataforma logística multimodal

E

48 I CEOLusófono

permitem aproveitar esse potencial e alargá-lo a outras áreas da economia. Joaquim Tobias Dai, presidente da Associação Moçambicana de Economistas, em entrevista exclusiva ao CEO Lusófono, defende que “quanto menos olharmos para os recursos naturais como dependência, maior é a nossa flexibilidade no futuro, com a diversificação da economia”. “Neste momento essa é a estratégia que se tem em vista, embora eu não possa falar pela estratégia do governo. O que temos percebido é que o governo tem feito um esforço muito grande para que não haja um setor mais beneficiado que

o outro. De modo que não se caia na dependência do petróleo”. Como membro da sociedade civil, como presidente da Associação Moçambicana de Economistas como empresário do setor privado, Joaquim Tobias Dai tem vindo a ressalvar exatamente “este perigo de olharmos para os recursos energéticos e achar que é tudo o que temos. Não é. Nós temos 36 milhões de terra arada, passível de produção agrícola. Temos que explorá-la. E esta é não só uma estratégia de crescimento como uma oportunidade de negócio, que pode ser aliada à indústria da energia”.

Tobias Dai defende, assim, uma estratégia ancorada em agricultura, com aposta na agricultura industrial de grande escala, mas sobretudo na ligada a pequenas e médias empresas, porque “essas pagam mais impostos, têm menos benefícios fiscais, têm muito menos isenções e acima de tudo empregam muito mais pessoas, porque são projetos diversificados”. “O que vai acontecer é que a indústria alimentar vai produzir frescos para essas grandes indústrias e normalmente as indústrias de processamento precedem a indústria de produção de frescos e o processamento permite depois o armazenamento em stocks e venda em contentores. E a venda em contentores vai, assim como a indústria energética de extração tem feito, solicitar mais esforços à componente logística de exportação. Portanto, vamos desenvolver a logística, o agro-processamento, a indústria de produção de frescos e a indústria energética. Tudo isso associado a uma base que já tínhamos, que são os serviços. Depois daí vem a diversificação, no fundo indústrias que trabalham para indústrias, business to business”. Fundamental para a concretização de toda essa estratégia é desenvolvimento das infraestruturas. “Esse é um desafio que o governo assumiu e que nós como privados temos feito uma pressão muito forte para que de uma vez por todas saia de uma assunção e passe à realidade”, destaca o presidente da Associação Moçambicana de Economistas.

Infraestruturas cruciais

“Deixe-me dar-lhe um exemplo. Se eu tiver uma empresa de prospeção e pesquisa de carvão, apenas os estudos sobre o verdadeiro potencial dos recursos vão ser superiores a 50 ou mesmo 100 mil dólares. E estou a falar de estudos preliminares. A empresa consegue financiar os estudos de modo próprio, mas quando percebe que o potencial é bom e quer desenvolver a atividade precisa de mais de 60 milhões. Precisa, por isso, de recorrer a empréstimos. E nenhum banco, nenhum fundo, financia sem apresentação de um plano de investimentos e de viabilidade económica, que tem de prever a venda. O banco vai perguntar: vai vender a quem, como e por onde? Ora, se a linha férrea não está a funcionar e não consegue exportar, não há financiamento. Sem financiamento, não há investimento. E esse é o grande problema. E é por isso crucial a criação e a materialização destas perspetivas de logística”, nota. Neste momento fala-se sobretudo das infraestruturas principalmente ligadas às linhas férreas, porque, como explica Tobias Dai, “a linha férrea tem uma vantagem. Quem faz uma linha férrea tem de fazer uma estrada ao lado, de serventia, para poder intervir em caso de alguma avaria. Como País é uma vantagem porque passa a ganhar mais uma estrada ao lado do caminho de ferro”. Os vários corredores que estão a ser reabilitados são absolutamente cruciais para a estratégia do desenvolvimento de Moçambique. Mas Tobias Dai sublinha a necessidade de que não sejam vistos de um modo individual, antes inte-

Joaquim Tobias Dai com o Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, na Conferência Anual dos Economistas grados: “Eu tenho defendido isso e não tenho ouvido muita gente a defender essa opinião em Moçambique. Moçambique tem de deixar de ser o corredor de Maputo, o corredor da Beira, o corredor de Nacala. Vamos olhar Moçambique como uma plataforma logística multimodal. Temos de criar uma verdadeira plataforma logística que resulta da materialização destes vários corredores. Se formos capazes de uní-los transversalmente e associar ao desenvolvimento do ramo energético, o desenvolvimento de estradas, dos caminhos de ferro, vamos criar uma rede bastante forte de logística, sendo mais fácil desenvolver qualquer atividade”. Tobias Dai salienta ainda que a situação geopolítica e geoestratégica de Moçambique permite olhar para a zona oriental de África e para a bacia do Índico, principalmente na componente de transformação agro-pecuária, com vista a chegar a países onde se está a consumir muito, como a China e a Índia. “A partir do momento em que Moçambique tiver estas infraestruturas, pode tornar-se numa plataforma logística, ponto de chegada a África ou passagem de produtos contentorizados. Isto leva à criação de terminais de contentores e também da indústria de montagem de maquinaria que vai para o interior de África. Passamos a ter uma plataforma logística multimodal. E esse é o futuro de Moçambique. O gás acaba, o carvão acaba, mas há um recurso que fica que é a logística”, conclui. n

n APOSTA NAS PME'S
"Uma das apostas necessárias é dinamizar as PME's que acabam por ser a componente fundamental de qualquer economia que se quer desenvolvida, competitiva e concorrencial. Nós olhamos muito para os grandes grupos e queremos que venham os grandes projetos. Mas são projetos localizados e que não empregam muitas pessoas e não beneficiam diretamente outras regiões do país. Portanto, há que aumentar o número de pequenas e médias empresas já hoje responsáveis por 97% da coleta de impostos. É nessas que temos que apostar, dando incentivos ao desenvolvimento e ao crescimento”.

CEOLusófono I 49

BRICS

finança

A Presidenta Dilma foi a Davos, em meados de janeiro, passar uma mensagem decisiva: vale a pena apostar e investir no Brasil, para além de uma visão de curto prazo
ilma falou com investidores, banqueiros e ‘capitães de indústria’ e a todos disse o mesmo: que o Brasil apresenta as melhores oportunidades de investimento. Procurou tranquilizá-los também garantindo que o país dispõe de suficientes reservas monetárias e que o seu sistema financeiro é suficientemente estável para aguentar borrascas monetárias. Mas porque precisava Dilma de passar esta mensagem? É que, nos últimos meses, Brasil e outros BRICS perderam muita da imagem de dinamismo, que tinham ganho nos últimos anos, e os investidores perderam o entusiasmo com os mer-

Desafios emergentes

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cados emergentes e começaram a olhar mais para norte e a orientar para aí os seus fluxos de capital. Pouco depois do “11 de Setembro”, Jim O’Neill da Goldman Sachs considerou que os EUA e a Europa entravam em declínio económico e que mercados emergentes como a China, Índia, Rússia e Brasil iam beneficiar muito com a globalização e tornar-se as novas locomotivas da economia mundial. Para bem vender a ideia, O’Neill percebeu que tinha de inventar uma “marca” que facilmente colasse na memória da opinião pública e se tornasse rapidamente uma ‘marca’ star. Nasceu assim o acrónimo BRICS.

A epopeia lançada por O’Neill foi gloriosa e durou uma década. Até Maio de 2013 quando Ben Bernanke disse algumas frases sobre uma radical mudança na política monetária da Reserva Federal americana que convenceram os investidores que valia a pena voltar a apostar no mercado americano. E inverteu-se o fluxo. Se até então os capitais afluíam do hemisfério norte para os mercados emergentes do Sul, no Verão 2013 começam a sair do Sul e a afluir a Norte. Na segunda metade do ano passado, o fenómeno ganhou proporções de tsunami… Evidentemente, uma evolução des-

Nos últimos meses, Brasil e outros BRICS perderam muito da imagem de dinamismo, que tinham ganho nos últimos anos, e os investidores perderam o entusiasmo com os mercados emergentes e começaram a olhar mais para norte
te tipo é profundamente perigosa para os mercados que afete. Como o Brasil, por exemplo. E daí a Presidenta Dilma ter ido ao Fórum de Davos com uma bem estudada mensagem para interlocutores e destinatários selecionados. A decisão de Ben Bernanke pode ter sido ditada apenas por razões internas e específicas da evolução positiva da economia americana, mas acaba por funcionar como uma autêntica manobra estratégica de guerra económica que inverte os fluxos de capital e “seca” os BRICS e outros emergentes. Obviamente, com fortes e negativas consequências nas economias dos países emergentes e, sobretudo, dos BRICS. 2013 é um ano de quebra brutal das taxas de crescimento da Índia, da China, do Brasil… Como sempre sucede nas manobras de guerra económica, a gestão da perceção das opiniões públicas é essencial e tem uma dimensão estratégica na evolução da guerra económica. Os afrontamentos surgidos no campo informacional tornam-se rapidamente uma guerra de informação. Os media começaram por lançar uma pergunta que – sentiam – estava a angustiar os mercados: a quebra no crescimento é apenas um “slow-down” ou é o fim? A pergunta parece inocente (e até o poderá ser) mas induz uma desconfiança generalizada… E abre a brecha por onde outras perguntas e afirmações vão surgir. O tabuleiro da guerra de informação está criado… O Financial Times, a bíblia dos mercados financeiros, pegou nos números do Banco Central do Brasil e concluiu que eles sugeriam que o país estaria já em recessão técnica, pois poderia ter tido, imediatamente globalizadas pelas caem 2013, dois trimestres seguidos de deias de televisão e pelas redes sociais, evolução negativa… A conclusão é, clacriou uma peça essencial para a guerra ramente, um exagero e muito pouca de informação. Se os emergentes já tigente a terá piamente tomado a sério. nham as taxas de crescimento em queMas… da, agora tinham também a instabiliCom a dúvida instilada e instalada, dade social em alta! Os media globais de muitas consultoras começaram a alertar língua inglesa fizeram rapidamente os clientes para os riscos que os inuma associação fatal: BRICS e “social vestimentos poderiam correr no Brasil. unrest”… Não há “powerpoint” de consultor que Se os papéis das consultoras internacionão apresente a evolução das taxas de nais já se atreviam a sugerir que a ecocrescimento e não caia na tentação de nomia dos emergentes, como o Brasil, ia comparar os 7,5% de crescimentos de ter um prolongado “slow-down”, pas2010 com uns minúsculos 2% expecsaram a acrescentar a isso uma situação táveis para 2014. Na melhor das hipósocial volátil provocada pelo “social teses, aconselham uma unrest” e até pela exispolítica do tipo “wait and tência de eleições. see” que, obviamente, Machadada final na adia o investimento. imagem dos BRICS, Jim Acresce a tudo isto que O’Neill abandona a saga 2013 é também o ano em dos BRICS e a Goldman que, afetadas pela evoSachs para se dedicar a lução da economia e com outras aventuras e oua angústia de perder o tras paragens. Pouco poder de compra de com- A Presidenta Dilma esteve tardou que o grupo hetepra e estatuto social muito bem na estratégia rogéneo de países que recentemente conquis- que desenhou para Davos juntara sob o famoso tados, largas massas da acrónimo passasse a ser (e na sua execução) mas, população urbana se referido como “os cinco já em 2014 e nos manifestam na rua em frágeis”. apoio das suas reivindi- próximos anos, o Brasil vai A Presidenta Dilma escações. Uma década de teve muito bem na estraprecisar de rever muito prosperidade havia criatégia que desenhou para dos mecanismos do seu do e fortalecido uma Davos (e na sua execusucesso nova classe média que ção) mas, já em 2014 e agora se sente ameaçanos próximos anos, o da e reage. Brasil vai precisar de rever muito dos A ironia é que é o sucesso do modelo que mecanismos do seu sucesso. n agora o torna alvo de contestação pela nova classe média que criou. José Mateus Esta contestação, cujas imagens foram

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Davos Lusófono
Global

finança

Mais de 50 representantes lusófonos, incluindo vários CEO's, estiveram em Davos-Klosters, Suiça, no encontro anual do Fórum Económico Mundial, em que participaram 2633 membros da elite mundial e outros convidados

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n EMPRESAS
• Carlos Ghosn CEO Renault-Nissan Alliance • Maria das Graças Silva Foster – CEO Petrobras • Pedro Melo - Presidente da KPMG Brasil • Roberto Egydio Setúbal - Presidente do CA do Itaú Unibanco • Nizan Guanaes - Fundador e Presidente, Grupo ABC • Miguel Gradin - CEO GranEnergia Investimentos • Bernardo Gradin - CEO GranBio Investimentos • David Hertz - Fundador e Presidente, Gastromotiva • Paulo Sérgio Passos - Presidente Empresa de Planejamento e Logística • Frederico Pinheiro Fleury Curado - Presidente e CEO Embraer • Vitor Sarquis Hallack - Presidente do CA Grupo Camargo Corrêa • Luciano Galvão Coutinho - Presidente, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social • Carlos Fadigas - CEO Braskem • André Santos Esteves - CEO Banco BTG Pactual • Luiz Carlos Trabuco Cappi - Presidente, Banco Bradesco • Eduardo de Cerqueira Leite - CEO Baker & McKenzie • Carlos Alves de Brito - Presidente e CEO Anheuser-Busch InBev NV • José Manuel Soares dos Santos - Presidente Unilever Jerónimo Martins • Pedro Soares dos Santos - Presidente e CEO Jerónimo Martins SGPS • António Simões - CEO HSBC no Reino Unido • Rui Amaral - CEO Eurocash SA • Beatriz Pessôa de Araújo - Partner, membro da Comissão Executiva Internacional, Baker & McKenzie, Londres

n POLÍTICA
• Dilma Rousseff - Presidenta do Brasil • Esperança Laurinda Francisco Nhinane Bias Ministra dos Recursos Naturais e Energia de Moçambique • António de Magalhães Pires de Lima Ministro da Economia, Inovação e Desenvolvimento de Portugal • Marcelo Côrtes Neri - Ministro-Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil • Luiz Alberto Figueiredo Machado - Ministro das Relações Exteriores do Brasil • Sérgio Cabral - Governador do Estado do Rio de Janeiro • Eduardo Henrique Accioly Campos Governador do Estado de Pernambuco • Antônio Augusto Junho Anastasia Governador do Estado de Minas Gerais

n INSTITUCIONAL
• Roberto Azevedo - Director-Geral, Organização Mundial do Comércio • Alexandre Antônio Tombini - Governador, Banco Central do Brasil • António Guterres - Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) • Suzana Pádua - Co-Fundadora e Presidente, Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE)

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Global

finança

Carlos Ghosn
Oradores: Carlos Ghosn, Phumzile Mlambo-Ngcuka, Christine Lagarde, Linda Yueh, Sheryl Sandberg

António Guterres
Oradores: Antonio Guterres, Mark Malloch-Brown, Valerie Amos, Peter Maurer, Ahmet Davutoglu, Elissa Golberg, Nonny De La Peña, Rouba Mhaissen

Alexandre Tombini
Oradores: Lawrence H. Summers, Haruhiko Kuroda, Geoff Cutmore, George Osborne, Alexandre Tombini, Thomas J. Jordan

Mulheres na liderança

A crise humanitária na Síria

O futuro da política monetária

Único homem neste painel, Carlos Ghosn, Presidente e CEO da Renault-Nissan Alliance, quando questionado sobre se deveria haver mais mulheres à frente dos destinos do mundo, destacou que no painel estavam " três bons exemplos que estamos a chegar a esse ponto. Temos lutado e promovido diversifidade em geral, e a paridade é um ponto importante nisso, particularmente quanto a mulheres em postos de liderança”. Ghosn recordou que a Nissan Motors Japan introduziu quotas, que levaram a que o número de mulheres em lugares de liderança aumentasse para cerca do triplo do que se verifica na média nacional das empresas japonesas, e salientou ainda o fato de quarenta e cinco por cento dos automóveis vendidos serem comprados por mulheres, com 85% das vendas de carros a serem influenciadas por elas. “Portanto, ter mulheres em posição de licerança torna-se numa questão de negócio em si, para que tenhamos a certeza de que o produto será apelativo para esses 85% de casos em que é a mulher quem decide". n

Se é inequívoco que a crise na Síria é atualmente o principal problema humanitário no mundo, não há consenso quanto à forma como deve ser abordada. Mas, o alerta deixado pelo Alto-Comissário para os Refugiados, António Guteres, é claro: "Devemos sublinhar que a comunidade internacional falhou em três aspetos. Primeiro, em três anos não conseguiu implementar paz na Síria. Segundo, não conseguiu um acordo que possa ser respeitado e permita o acesso às pessoas. E terceiro falhou ao não mostrar suficiente solidariedade com os países que estão na linha da frente e que estão agora a receber, segundo estimativas dos governos, mais de três milhões de pessoas. O conflito está agora a espalhar-se para o Iraque e para o Líbano. Portanto não é somente uma questão da enorme impacto económico, social e demográfico dos refugiados, é o enorme impacto de segurança que a crise síria está a provocar nos países vizinhos. E a verdade é que a comunidade internacional não mostrou apoio suficiente a estes países. E eles precisam desse apoio. Porque isto já não é para eles somente um problema humanitário, é um problema de desenvolvimento, um problema estrutural. "É necessário um apoio financeiro maciço, mas também a demonstração a esses países de que o problema dos refugiados não é somente uma responsabilidade dos países vizinhos, mas de toda a comunidade internacional". n

A intervenção de Alexandre Tombini, Governador do Banco Centrao do Brasil, deu-se um dia depois de a inflação no seu país ter uma descida inesperada: "Você mencionou que a inflação está caindo. Sim, do pico. Logo após termos começado o processo de aperto, conseguimos baixar a inflação em um ponto. Ainda precisamos avançar mais nessa direcção, mas está funcionando", disse. A inflação em meados de Janeiro baixou de 5,85% para 5,63% em relação ao mês anterior. A meta do banco central do Brasil é uma inflação anual de 4,5%, mais ou menos dois pontos percentuais. Ao ser questionado pelo mediador do debate sobre se o crescimento da economia brasileira no terceiro trimestre de 2013 – que teve alta de 2,2% na comparação com o mesmo período de 2012 – era bom o suficiente, Tombini disse que não. “Não foi bom o suficiente. Temos de fazer mais, ir adiante. O governo tem uma ampla gama de áreas para atuar no que se refere à oferta. Temos uma ampla agenda em infraestrutura – aeroportos, grandes jogos em breve (Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016) -, ênfase em educação, em agenda pró-crescimento e de oferta. Estamos muito bem organizados nessa direcção”. n

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Davos Lusófono
Durão Barroso
Na sessão de encerramento, José Manuel Barroso, Presidente da Comissão Europeia, avisou que embora a zona euro esteja a mostrar sinais de recuperação, a crise está longe de ter acabado. "Não estamos fora da crise com estes elevados níveis de desemprego", disse Barroso. "Precisamos de manter a ênfase nas reformas. Aprendemos as nossas lições, mas o trabalho está longe de ter terminado". Falando no painel que incluia Angel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), de Paris; Joe Kaeser, Presidente e CEO, Siemens, Alemanha; Enda Kenny, Taoiseach da Ireland; Fredrik Reinfeldt, primeiro ministro da Suécia; e Fabrizio Saccomanni, Ministo da Economia e Finanças de Itália, Barroso descreveu o aumento da competitividade como a chave para o renascer da zona euro. A receita que apresentou para aumentar a competitividade inclui o aprofundamento dos mercados internos, a implementação de acordos de comércio como a Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP), e o aumento do investimento em investigação e desenvolvimento. n

Guido Mantega
Para Guido Mantega, Ministro das Finanças do Brasil, não será em breve que o seu país vai regressar aos níveis de crescimento registados antes da crise, mas está já a consolidar as reformas introduzidas na última década, que aumentaram o rendimento das pessoas mais pobres da sociedade brasileira. Vão também continuar os esforços para promover o investimento privado, e em breve serão leiloadas licenças que ascenderão a 250 mil milhões de dólares. Estas verbas serão investidas em caminhos de ferro, portos e aeroportos, estradas e outras infraestruturas. n

Dilma Rousseff
Discurso
Dilma Rousseff, a Presidenta do Brasil, disse aos participantes no 44º Forum Económico Mundial que o seu país está desejoso e pronto para receber investimento de qualquer parte do mundo, ao mesmo tempo que continua a retirar milhões de cidadãos da pobreza para a classe média. "O Brasil mais que precisa e mais que quer a parceria com o investimento privado nacional e externo", disse Rousseff. "Nosso sucesso nos próximos anos estará associado à parceria com os investidores do Brasil e de todo o mundo. Sempre recebemos bem um investimento externo. Meu governo adotou medidas para facilitar ainda mais essa relação. Aspetos da conjuntura recente não devem obscurecer essa realidade." O crescimento de uma nova classe de consumidores, combinado com a estabilidade macroeconómica, oferecem óptimas oportunidades de investimento, disse. A exploração das jazidas de petróleo, bem como a necessidade de melhorar estradas, portos, caminhos de ferro,transportes urbanos, e a sanidade urbana, criam enormes oportunidades para o investimento estrangeiro, acrescentou Rousseff. Citou os recentes leilões de privatização de concessões de estradas e aeroportos como exemplo de como o país acarinha o investimento privado, e como os setores público e privado trabalham bem em conjunto no Brasil. Rousseff pediu uma liberalização urgente do comércio e disse que o Brasil apoia tanto a Rodada de Doha como as negociações bilaterais entre a União Europeia e o bloco económico sul-americano Mercosul. "É hora de superarmos posturas defensivas e reconhecer o papel do comércio mundial na recuperação das economias", disse. n

Sessão de Encerramento

BRICS em crise da meia-idade?

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“Usando a música como linguagem universal capaz de unir pessoas em todo o mundo, o Rock in Rio Lisboa é um veículo de comunicação de emoções e causas, sendo já uma referência em todo o mundo”
Roberta Medina Vice-Presidente Executiva do Rock in Rio

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© Agência Zero

estilos

58 CULTURA 62 MÚSICA 63 LIVROS

O CEO Lusófono foi conhecer Riga, Capital Europeia da Cultura 2014. A principal cidade da Letónia oferece aos visitantes mais de duzentos eventos artísticos e culturais, ao longo deste ano

"Lemm Project", o singular e original projeto musical Lusófono, composto por músicos de todos os países da Lusofonia, junta em palco Angola, Goa, Guiné, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, Brasil, Macau, São Tomé e Príncipe e Timor

A obra "Judeus Ilustres de Portugal", da jornalista Miriam Assor e com prefácio de Miguel Esteves Cardoso, conduz os leitores por uma extraordinária viagem, do século XV ao século XX, através da vida de 14 homens e mulheres que marcaram a História

No norte de Taiwan encontrámos um whisky que surpreende pela qualidade e originalidade. Usa vinho do Porto como sabor principal, combinado com as características do whisky taiwanês da conceituada destilaria Kavalan

64 GOURMET

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Cultura

estilos

no centro

Riga
do
Embaixada da Letónia em Portugal. Mais do que investir em infraestruturas, ou nos grandes espetáculos e exposições, apesar de serem vários e de particular interesse, Riga apostou na participação da população. Apostou em transformar toda a cidade num enorme centro cultural. E isso mesmo se sente nas ruas. Há sempre algo a acontecer, há música enquanto se caminha pelo acolhedor Centro Histórico, projeções de vídeo nas fachadas dos edifícios, e até o Mercado Central (onde nos foi dado literalmente a provar o programa cultural da cidade para este ano) tem instalações de vídeo , música ao vivo, performances teatrais. Tudo isto não só por iniciativa da organização, mas também por iniciativa espontânea da população, das associações culturais, dos comerciantes. Ao lado

mundo cultural
do mercado, a estação de comboios é palco de concertos de música clássica. No fim de semana em que tiveram lugar as Cerimónias de Inauguração, esculturas de fogo, feitas por participantes de 12 países, aqueceram a margem do rio gelado, onde, ao cair da noite, um fantástico espetáculo de luz deu as boas vindas a um ano recheado de boa oferta cultural. Na música, destaque para a Ópera Nacional da Letónia com uma surpreendente atuação multimedia de Rienzi, de Richard Wagner, que iniciou a composição da ópera durante seu período como mestre de capela em Riga, entre 1837 e 1839. Em julho, uma série de concertos batizados de “Nascidos em Riga” reúne artistas letões mundialmente reconhecidos, incluindo o violinista Gidon Kreme e as cantoras de ópera Maija Kovaleska,

Riga é, em 2014, Capital Europeia da Cultura (a par de Umea na Suécia). Mais de duzentos eventos artísticos e culturais animam a principal cidade da Letónia e os dois milhões de visitantes esperados ao longo do ano
á algo de notável na forma como mais de 14 mil pessoas vindas de todas as zonas do país desafiaram o intenso frio que se fazia sentir (-12 graus), a 18 de Janeiro, para criar, ao longo de todo o dia, uma cadeia humana de dois quilómetros. De mão em mão, livros oferecidos pelos próprios habitantes saíram do antigo edifício da biblioteca nacional e atravessaram a cidade e a ponte sobre o Rio Daugava para chegar ao imponente novo edifício, o Castelo da Luz. Um ato carregado de simbolismo (recorda a manifestação de 1989 a favor da independência dos Estados Bálticos), mas revelador da forma como a população está empenhada em ser parte fundamental desta Capital Europeia da Cultura 2014, que o CEO Lusófono teve o prazer de visitar a convite da

H

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Inese Galante e Aleksandrs Antonenko. No mesmo mês, cerca de 20 mil cantores de 90 países vão participar na competição coral World Choir Games. Nos museus, a exposição “Rota do Âmbar" dá aos visitantes uma visão do significado cultural da primeira moeda da região do Mar Báltico e das atuais aplicações tecnológicas dadas ao âmbar, enquanto a exposição “1914” recorda, com uma instalação carregada de simbolismo, o início da Primeira Guerra Mundial. Mas a obra prima desta Capital Europeia da Cultura é mesmo a cidade. 800 anos de história deixaram marcas em Riga onde a arquitetura Arte Nova (classificada como Património Mundial da UNESCO) se mistura com a arquitetura moderna e o trabalho de artistas contemporâneos convive lado a lado com trabalhos de excelência de grandes artistas do passado. Em negócios ou em lazer há muitos e bons motivos, ao longo de todo o ano, para aproveitar ao máximo a oferta cultural de Riga, que sai dos espaços tradicionais para as ruas da cidade, e isso sente-se a cada passo. n

Além de Riga vale a pena visitar Sigulda, cidade parceira desta iniciativa e uma das mais belas da Letónia. Em contraste com vida urbana da capital, Sigulda, que cresceu nas duas margens do rio Gauja, surpreende os visitantes com cenários de cortar o fôlego, monumentos históricos, castelos, atividades ao ar livre e eventos musicais vibrantes ao longo do ano.

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© Kaspars Garda

© Martins Otto

© Aleksandrs Kendenkovs

Cultura

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no centro
© Kaspars Garda

mundo cultural
© Kaspars Garda

Riga
do

lda Vanaga, embaixadora da Letónia em Portugal e no Brasil, vê neste papel de Riga como Capital Europeia da Cultura 2014 uma oportunidade estratégica para promover a cidade e o país. “Riga é uma cidade muito bonita e esta dinâmica cultura é mais um excelente motivo para pessoas de outros países, não apenas europeus, mas de todo o mundo, virem a Riga conhecer esta fantástica cidade”. Para a diplomata a iniciativa pode também ajudar o país em termos de relações económicas e comercias, sendo a cultura sempre um facilitador dessas relações. “A Letónia tem uma muito forte tradição cultural, que aliás ajudou o país a superar diversos momentos da sua história. Este ano todas a pessoas que venham à Letónia em negócios, podem também desfrutar esta intensa vida cultural e isso ajuda muito. Não temos apenas crescimento económico e oportunidades de negócio para mostrar a quem nos visita, temos também uma grande diversidade de oferta cultural. A recente adesão ao Euro veio tornar mais práticos não só os negócios com países europeus mas também com o resto do Mundo. "Este era um objetivo da Letónia há já vários anos que facilita os negócios e o investimento. O euro é uma vantagem, em particular tendo em conta as empresas que têm já negócios com países não só da zona euro, mas também países fora da zona euro que negoceiam em euros e que, assim, podem com ainda maior facilidade investir e desenvolver relações comerciais com a Letónia, salienta a Alda Vanaga. n

Cultura atrai negócios
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© Kaspars Garda

Música

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pela Lusofonia
Gonzaga Coutinho (Goa) e Luiz Arantes (Brasil)

Lemm Project viaja
O
primeiro concerto de Lemm Project foi o porto de partida para uma viagem, ao ritmo do pop e trip-hop, por toda a Lusofonia, juntando em palco Portugal, Brasil, Angola, Goa, Guiné, Cabo Verde, Moçambique, Macau, São Tomé e Príncipe e Timor. Resultado de diversos encontros musicais em português, gravados e produzidos, ao longo dos últimos três anos, nos conceituados estúdios da EP Produções Musicais, com a cumplicidade de quem está entre amigos (e isso mesmo se sentiu em palco), Lemm Project juntou no Auditório do Museu do Oriente vários convidados especiais, que participam também no álbum de estreia deste projeto, a lançar em breve, incluindo o cabo-verdiano Tó Cruz, o angolano Yami e o goês Gonzaga Coutinho.

Fotos © Rui M. Leal

Lemm Project, projeto musical lusófono, apresentou-se em concerto a 8 de Fevereiro, no Auditório do Museu do Oriente, em Lisboa
O projeto reflete o desejo de Eddie Lemm, personagem musical criada por Edgar Pinto, produtor com trabalhos realizados com alguns dos mais conceituados músicos portugueses e internacionais, partilhar o estúdio e o palco com artistas com que tem feito amizade ao longo dos anos. Como primeiro roteiro desta viagem musical, Eddie Lemm escolheu a Lusofonia, num registo autobiográfico, que reflete o seu percurso de vida, mas que é feito de uma partilha de experiências entre músicos lusófonos, através de uma fusão de ritmos modernos com diferentes sonoridades vindas dos vários países de língua portuguesa. Lemm Project brindou, assim, em palco, a Lusofonia, com várias agradáveis surpresas a marcarem esta estreia, a que o CEO Lusófono teve o privilégio de assistir. n

Yami (Angola) e Eddie Lemm (Portugal)

Tó Cruz (Cabo Verde)

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Livros

Judeus Ilustres
de
udeus Ilustres de Portugal” conta-nos como de formas variadas, cada uma das 14 personalidades retratadas no livro contribuiu, enriqueceu, dignificou e honrou Portugal, marcando terminantemente o universo histórico, nacional e além-fronteiras. Da Medicina à Filosofia, da Ciência ao setor pioneiro empresarial, da Poesia litúrgica a autoridades rabínicas, da Música à Matemática, da Literatura à liderança comunitária. Foram humanistas, homens e mulheres corajosos que optaram por atuar ao serviço do próximo, colocando, muitas vezes, as próprias vidas em risco ou num último plano. O célebre médico Amato Lusitano, a empresária destemida Dona Grácia Naci, o famoso naturalista Garcia de Orta, o cientista Pedro Nunes, o pensador Isaac Cardoso, o rabino Isaac Aboab da Fonseca, que, fugido da perseguição que alastrava em Portugal incendiada pelos fogos da Inquisição, encontrou na Holanda a paz para fundar a sinagoga portuguesa em Amesterdão. A extinção formal da Inquisição

A obra da jornalista Miriam Assor, com prefácio de Miguel Esteves Cardoso, revela, numa extraordinária viagem do século XV ao século XX, a vida de 14 homens e mulheres que marcaram a História de Portugal

Portugal

J

Editora: Esfera dos Livros N.º de páginas: 224 + 16 Extratextos Preço: 17 €

em 1821 trouxe de volta ao País estes homens e mulheres perseguidos, que dominando várias línguas e em contato permanente com a Europa e o mundo – quer por razões comerciais quer por razões pessoais – trazem uma lufada de ar fresco a Portugal. Alfredo Bensaúde, fundador e o primeiro director do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. A sua filha, Matilde, pioneira da investigação biológica, única mulher entre os criadores da Sociedade Portuguesa de Biologia. Alain Oulman, o compositor que revolucionou o fado e que teve como principal divulgadora desse seu infindo talento a voz de Amália. O catedrático Moses Amzalak, líder da Comunidade Israelita de Lisboa, que aproveitou a sua proximidade com o ditador Salazar para realizar as operações de socorro aos refugiados do Holocausto. Também os irmãos Samuel Sequerra e Joel Sequerra, a viver em Barcelona, salvaram cerca de mil compatriotas das mãos nazis. Já Abraham Assor chega a Portugal pouco tempo antes de acabar a Segunda Guerra Mundial e seria, por meio século, o rabino da Comunidade Israelita de Lisboa. n

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Gourmet

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Whisky de Taiwan
Sabor a

Porto
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No norte de Taiwan, o CEO Lusófono encontrou um dos principais tesouros do norte de Portugal: Vinho do Porto, usado, na destilaria Kavalan, da King Car Corporation, para fazer um whisky que surpreende pela originalidade e sabor

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oncertmaster é um whisky single malte que usa as castas ruby, tawny e vintage de Vinho do Porto como sabor principal, combinadas com as características do whisky taiwanês da conceituada destilaria Kavalan, uma das mais tecnicamente avançadas do Mundo, para compor uma sinfonia harmónica, de cores naturais, sem aditivos, mantendo o sabor original, com um acabamento de Porto, composto por várias camadas de sabores e fragrâncias. Suave, cremoso e refrescante, graças ao ar puro de Yilan, onde o Kavalan é destilado, o Concertmaster é, em primeiro lugar, amadurecido em cascos de carvalho americano especialmente selecionados e, em seguida, terminado em barricas de Porto, onde adocica os sabores e ganha uma extraordinária suavidade. Um whisky original e que foi um dos encantos descobertos pelo CEO Lusófono nesta viagem a convite do Centro Económico e Cultural de Taiwan. n

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Moda

Fotos © João Portugal

África na Moda
Moçambique foi o cenário escolhido pela estilista portuguesa Micaela Oliveira para fotografar a nova coleção 2014
atriz Rita Pereira foi a estrela da sessão fotográfica, feita na Reserva do Elefantes, em Maputo, e não deixou ninguém indiferente. Micaela Oliveira tem-se afirmado nos últimos anos como uma referência na criação de vestidos de alta-costura, tendo já uma ligação ao país africano onde, juntamente com Rita Pereira, esteve, no final de dezembro do ano passado, a participar na Mozambique Fashion Week. n

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Assinado...

uma entrevista, a nova Secretária-Geral da CPLP, Georgina Benrós de Mello, afirmou ser necessário acrescentar sustentabilidade ao que já existe, nomeadamente aos três eixos da Comunidade: a difusão da língua portuguesa, a cooperação e a concertação político-diplomática. Trocando em miúdos, rematou ela em primeira pessoa. “Criar um tecido económico e social que suporte isto tudo, que transforme a CPLP naquilo que os cidadãos querem”. Ao ler a entrevista, recordei a posição do Nobel nigeriano Wole Soyinka em como "o tigre não precisa proclamar a sua tigritude. Ele salta sobre a presa e a mata". Transpondo tempos e espaços, creio ser hora grávida de transformarmos a Lusofonia num verdadeiro ativo estratégico do presente. Para o desenvolvimento futuro, saiba-se. Uma das premissas na criação da CPLP, consubstanciada nos laços históricos e culturais

Lusofonia para além da “tigritude”
Filinto Elísio C. e Silva

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(linguísticos à cabeça), era o seu circulação de pessoas, bens e potencial do futuro. Criar uma serviços, mais ambientes de vasta e poderosa, para não dizer negócios, mais mercado, mais estratégica, comunidade desenvolvimento, no assumir lusófona estava nos objetivos (descomplexado e pragmático) dos idealizadores. E a de ser “gloriosa riqueza”. Comunidade, com todos os seus Impõe-se-nos uma inovada efes e erres, é aquela que se prática de transformar a sustenta. Comunidade numa rede mais A Cimeira da CPLP, ativa e bem-sucedida em julho próximo, Tenhamos, pois, a para os mais de 250 está programada, responsabilidade milhões de falantes entre vários aspetos, do português. Seja de fazer este para integrar a esta dimensão de caminho e de Guiné-Equatorial, sexta língua do plantar a agenda que se torna mundo, para além do bandeira da prioritária, e para puramente avaliar o desempenho Lusofonia “nos proclamatório, um negócios do dos nossos países no impulso mais referente aos significativo da mundo”, como Objetivos do Milénio. bem alertou nossa participação Seria, entretanto, Xanana Gusmão económica e política salutar um na construção de compromisso coletivo por um uma nova ordem mundial. modelo de sustentabilidade Tenhamos, pois, a económica e um roteiro de ações responsabilidade de fazer este programáticas com resultados caminho e de plantar a políticos tangíveis. bandeira da Lusofonia “nos Vai-se mais longe, ou seja, de negócios do mundo”, como bem forma mais sintonizada ao alertou Xanana Gusmão. desafio global. Sugere-se para a Ousemos abandonar “a Declaração de Dili um quadro proclamação da tigritude”. estratégico e incisivo para mais Ousemo-lo... a nível global. n

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