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Lixo

Adailton Morais

Vivemos no auge do capitalismo, o auge da produção de artificiais e supérfluos.


Bens que produzem diariamente toneladas e toneladas de lixo que
congestionam os aterros sanitários, as ruas, os campos, os rios, oceanos e até
o espaço sideral. Lixo não tratado produzido pelas relações de consumo
humanas. Nunca a reciclagem foi um conceito tão imperativo! Mas o que dizer
do lixo produzido pelas relações pessoais, interpessoais e espirituais? O lixo
espiritual existe.

O lidar com o eu, e com o outro em meio aos problemas e circunstâncias da


vida, às vezes, acaba por produzir-nos, infelizmente, ódio, rancor, medo,
preconceito e culpa, . . . lixo! Lixo que, muito mais urgente, precisa ser
reciclado, tratado.

Quase que diariamente recolhemos o lixo das nossas residências para os


centros de reciclagem ou aterros sanitários. Se não o fizermos tornará
impossível a convivência com o cheiro produzido, as substâncias produzidas
pela sua deterioração e as doenças que podem trazer.

A patologia da intolerância, violência, terrorismo, fome, corrupção e homicídio


tornam-se cada vez piores em nossos dias porque temos sido incapazes de
livrar-nos do nosso lixo espiritual, diferente do que acontece com o nosso lixo
material.

Enquanto não ouvirmos ao célebre convite do Nazareno Jesus Cristo,

“Vinde a mim vós, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu


vos aliviarei. (. . .) E encontrareis desscanso para as vossas almas”,1

e entregar-lhe todo o nosso lixo, continuaremos submersos nesse mar de


horrores sociais que, a cada dia, torna-nos mais perpeplexos ao contemplar.

1- Mateus 11. 28-30