Você está na página 1de 21

ECA

VAMOS ESTUDAR?
Estatuto da Criança e do Adolescente
Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990
O Estatuto, em seus 267 artigos,
garante os direitos e deveres de
cidadania a crianças e adolescentes,
determinando ainda a
responsabilidade dessa garantia aos
setores que compõem a sociedade,
sejam estes a família, o Estado ou a
comunidade. Ao longo de seus
capítulos e artigos, o Estatuto discorre
sobre as políticas referentes a saúde,
educação, adoção, tutela e questões
relacionadas a crianças e adolescentes
autores de atos infracionais.
Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990
Fundamentos internacionais e constitucionais
O Estatuto da Criança e do Adolescente resgata juridicamente a cidadania e a atenção universalizada a todas as
crianças e adolescentes e respeita as normativas internacionais:
· Declaração dos Direitos da Criança (Resolução 1.386 da ONU - 20 de novembro de 1959);
· Regras mínimas das Nações Unidas para administração da Justiça da Infância e da Juventude - Regras de
Beijing (Resolução 40/33 - ONU - 29 de novembro de 1985);
· Diretrizes das Nações Unidas para prevenção da Delinqüência Juvenil - diretrizes de Riad (ONU - 1º de março
de 1988 - RIAD).

Tomando mais precisas e mais minuciosas as normas relativas aos direitos fundamentais da pessoa humana, a
própria ONU aprovou, em 1966, os chamados Pactos de Direitos Humanos, compreendendo o Pacto de
Direitos Econômicos e Sociais e o Pacto de Direitos Civis e Políticos. Neste último encontram-se inúmeros
dispositivos referentes à condição jurídica e ao tratamento que deve ser dispensado aos menores de idade,
havendo especial menção à criança no art. 24, assim redigido: "Toda criança tem direito, sem discriminação
alguma por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião, origem nacional ou social, posição econômica ou
nascimento, às medidas de proteção que sua condição de menor requer, tanto por parte de sua família como
da sociedade e do Estado".

A Constituição brasileira de 1988 inspirou-se nas mais avançadas conquistas de caráter humanista quando fixou
a filosofia e os objetivos que devem servir de parâmetros à legislação brasileira sobre a criança e o
adolescente. Com efeito, a Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana, aprovada pela ONU em
1948, fez referência expressa aos cuidados e à assistência especiais a que tem direito a criança, dispondo
enfaticamente, no art. 25, que "todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da
mesma proteção social".
O Estatuto da Criança e do Adolescente introduz em 1990 mudanças significativas em relação à legislação
anterior, o chamado Código de Menores, instituído em 1979. Crianças e adolescentes passam a ser
considerados cidadãos, com direitos pessoais e sociais garantidos, desafiando os governos municipais a
implementarem políticas públicas especialmente dirigidas a esse segmento. Vejamos alguns artigos:
Art. 2º - Considera-se criança, para os
efeitos desta Lei, a pessoa até doze
anos de idade incompletos, e
adolescente aquela entre doze e dezoito
anos de idade.
Art. 3º - A criança e o adolescente
gozam de todos os direitos
fundamentais inerentes à pessoa
humana, sem prejuízo da proteção
integral de que trata esta Lei,
assegurando-se-lhes, por lei ou por
outros meios, todas as oportunidades e
facilidades, a fim de lhes facultar o
desenvolvimento físico, mental, moral,
espiritual e social, em condições de
liberdade e de dignidade.
Art. 4º - É dever da família, da comunidade, da
sociedade em geral e do Poder Público assegurar,
com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos
referentes à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização,
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único A garantia de prioridade
compreende:
a) primazia de receber proteção e socorro em
quaisquer circunstâncias;
b) precedência de atendimento nos serviços
públicos ou de relevância pública;
c) preferência na formulação e na execução
das políticas sociais públicas;
d) destinação privilegiada de recursos
públicos nas áreas relacionadas com a
proteção à infância e à juventude.
Art. 13. Os casos de suspeita ou
confirmação de maus-tratos contra criança
ou adolescente serão obrigatoriamente
comunicados ao Conselho Tutelar da
respectiva localidade, sem prejuízo de
outras providências legais.
Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos
de ensino fundamental comunicarão ao
Conselho Tutelar os casos de:
I - maus-tratos envolvendo seus alunos;
II - reiteração de faltas injustificadas e de
evasão escolar, esgotados os recursos
escolares;
III - elevados níveis de repetência
 DAS ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO TUTELAR
 Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar:
 I - atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98
e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII;
 II - atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas
previstas no art. 129, I a VII;
 III - promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:
 a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social,
previdência, trabalho e segurança;
 b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento
injustificado de suas deliberações.
 IV - encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração
administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente;
 V - encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
 VI - providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre
as previstas no art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de ato
infracional;
 VII - expedir notificações;
 VIII - requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou
adolescente quando necessário;
 IX - assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta
orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da
criança e do adolescente;
 X - representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos
direitos previstos no art. 220, § 3º, inciso II da Constituição Federal;
 XI - representar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda ou
suspensão do pátrio poder.
Art. 16 O direito à liberdade
compreende os seguintes aspectos:
 I - ir, vir e estar nos logradouros
públicos e espaços comunitários,
ressalvadas as restrições legais;
 II - opinião e expressão;
 III - crença e culto religioso;
 IV - brincar, praticar esportes e
divertir-se;
 V - participar da vida familiar e
comunitária, sem discriminação;
 VI - participar da vida política, na
forma da lei;
 VII - buscar refúgio, auxílio e
orientação.
Art. 17. O direito ao respeito
consiste na inviolabilidade da
integridade física, psíquica e
moral da criança e do
adolescente, abrangendo a
preservação da imagem, da
identidade, da autonomia, dos
valores, idéias e crenças, dos
espaços e objetos pessoais
Art. 18. É dever de todos velar
pela dignidade da criança e do
adolescente, pondo-os a salvo
de qualquer tratamento
desumano, violento,
aterrorizante, vexatório ou
constrangedor
Art. 53. A criança e o adolescente têm
direito à educação, visando ao pleno
desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o
exercício da cidadania e qualificação para o
trabalho, assegurando-se-lhes:
I - igualdade de condições para o acesso e
permanência na escola
II - direito de ser respeitado por seus educadores;

III - direito de contestar critérios avaliativos,


podendo recorrer às instâncias escolares
superiores;

IV - direito de organização e participação em


entidades estudantis;

V - acesso a escola pública e gratuita próxima de


sua residência.

Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis


ter ciência do processo pedagógico, bem como
participar da definição das propostas educacionais.
Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança
e ao adolescente:
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não
tiveram acesso na idade própria;

II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio;

III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência,


preferencialmente na rede regular de ensino;

IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade;


V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e
da criação artística, segundo a capacidade de cada um;

VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do


adolescente trabalhador;

VII - atendimento no ensino fundamental, através de programas


suplementares de material didático-escolar, transporte,
alimentação e assistência à saúde.
§ 1º. O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é
direito público subjetivo.
§ 2º. O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo
Poder Público ou sua oferta irregular importa
responsabilidade da autoridade competente
§ 3º. Compete ao Poder Público recensear os
educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a
chamada e zelar, junto aos pais ou responsável, pela
freqüência à escola.
Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação
de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular
de ensino.
Art. 57. O Poder Público estimulará pesquisas,
experiências e novas propostas relativas a calendário,
seriação, currículo, metodologia, didática e avaliação,
com vistas à inserção de crianças e adolescentes
excluídos do ensino fundamental obrigatório.
Art. 58. No processo
educacional respeitar-se-ão os
valores culturais, artísticos e
históricos próprios do
contexto social da criança e
do adolescente, garantindo-se
a estes a liberdade de criação
e o acesso às fontes de
cultura.
Art. 59. Os Municípios, com apoio dos Estados e
da União, estimularão e facilitarão a destinação de
recursos e espaços para programações culturais,
esportivas e de lazer voltadas para a infância e a
juventude.
DA LIBERDADE ASSISTIDA
Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a
medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o
adolescente.
§ 1º. A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a
qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento.
§ 2º. A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses,
podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por
outra medida, ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor.
Art. 119. Incumbe ao orientador, com o apoio e a supervisão da autoridade
competente, a realização dos seguintes encargos, entre outros:
I - promover socialmente o adolescente e sua família, fornecendo-lhes
orientação e inserindo-os, se necessário, em programa oficial ou
comunitário de auxílio e assistência social;
II - supervisionar a freqüência e o aproveitamento escolar do adolescente,
promovendo, inclusive, sua matrícula;
III - diligenciar no sentido da profissionalização do adolescente e de sua
inserção no mercado de trabalho;
IV - apresentar relatório do caso.
Ação penal
Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua
apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da
autoridade judiciária competente:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Incide na mesma pena aquele que procede à apreensão sem
observância das formalidades legais.

Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a
vexame ou a constrangimento:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.

Art. 236. Impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho


Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função prevista nesta
Lei:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.

Art. 245. Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção


à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade
competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou
confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente:
Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de
reincidência.
Art. 247. Divulgar, total ou parcialmente, sem autorização devida, por qualquer
meio de comunicação, nome, ato ou documento de procedimento policial,
administrativo ou judicial relativo a criança ou adolescente a que se atribua ato
infracional:
Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de
reincidência.
§ 1º. Incorre na mesma pena quem exibe, total ou parcialmente, fotografia de
criança ou adolescente envolvido em ato infracional, ou qualquer ilustração que
lhe diga respeito ou se refira a atos que lhe sejam atribuídos, de forma a permitir
sua identificação, direta ou indiretamente.

Art. 250. Hospedar criança ou adolescente, desacompanhado dos pais ou


responsável ou sem autorização escrita destes, ou da autoridade judiciária, em
hotel, pensão, motel ou congênere:
Pena - multa de dez a cinqüenta salários de referência; em caso de reincidência, a
autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até
quinze dias.
Mesmo sendo referência mundial em termos de legislação destinada à infância e à adolescência, o Estatuto necessita
ainda ser compreendido de forma legítima. Um longo caminho deve ser trilhado pela sociedade civil e pelo Estado
para que seus fundamentos sejam vivenciados cotidianamente.
As escolas e seus educadores devem conhecer essa legislação, assim como os órgãos de apoio presentes na
comunidade, como é o caso dos chamados Conselhos Tutelares — entidades públicas presentes obrigatoriamente em
cada município e formadas por conselheiros da comunidade, cujo objetivo é receber denúncias de violação do ECA e
assegurar seu cumprimento.
Dessa forma, os educadores
devem trabalhar para que os
pressupostos do ECA sejam
cumpridos, proporcionando o
desenvolvimento de nossas
crianças e adolescentes