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A efetividade dos direitos fundamentais sociais está intimamente ligada ao conceito de mínimo existencial, necessário e indispensável, principalmente os consignados

no art. 6º da Constituição Federal, que fazem parte da garantia aos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade. Assim, qualquer argumento que vise a não garantia do conteúdo deste direito não pode ser admitido, importando em violação ao texto constitucional. Portanto, a aplicação da chamada reserva do possível (fática = impossibilidade material e jurídica = impacto no orçamento público) não deve ser, sequer, cogitada, quanto mais aplicada. Como o Legislativo e o Executivo têm de agir para a efetivação dos direitos fundamentais, sua defesa é tarefa, consoante à essência, do Poder Judiciário, conforme o art. 5º, XXXV da Constituição Federal, “ a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”, cabendo às Cortes conferir aos direitos fundamentais a máxima eficácia possível. Desta forma, o Poder Judiciário tem o “poderdever” de recusar-se a aplicar preceitos que não respeitem os direitos fundamentais por meio da jurisdição constitucional, em que pese a chamada dificuldade contramajoritária, como garantidora da própria democracia frente às omissões ou prestações insuficientes dos poderes inertes.