Presidente da República: Fernando Henrique Cardoso

Ministro de Estado da Educação e do Desporto: Paulo Renato Souza

Secretário Executivo: Luciano Oliva Patrício

Secretária de Educação Fundamental: Iara Glória Areias Prado

Diretora do Departamento de Política da Educação Fundamental: Virgínia Zélia de Azevedo Rebeis Farha

Coordenadora Geral de Apoio às Escolas Indígenas: Ivete Maria Barbosa Madeira Campos

Equipe Técnica: Deuscreide Gonçalves Pereira, Deusalina Gomes Eirão, Célia Honório Pereira, Andréa Patrícia Barbosa de Carvalho, Cristiane de Souza Geraldo.

Comitê de Educação Escolar Indígena: Iara Glória Areias Prado-Presidente, Susana Martelleti Grillo Guimarães, Meiriel de Abreu Sousa, Luís Donisete Benzi Grupioni, Sílvio Coelho dos Santos. Aldir Santos de Paula, Rosely Maria de Souza Lacerda, Jadir Neves da Silva, Darlene Yaminalo Taukane, Alice Oliveira Machado, Valmir Jesi Cipriano, Algemiro da Silva, Nietta Lindemberg Monte, Bruna Franchetto, Terezinha de Jesus Machado Maher, Nilmar Gavino Ruiz, Marivânia Leonor Furtado Ferreira, Júlio Wiggers, Álvaro Barros da Silveira, Gersen José dos Santos Luciano e Walderclace Batista dos Santos. Publicação financiada pelo MEC - Ministério da Educação e do Desporto, dentro do Programa de Promoção e divulgação de Materiais Didático-pedagógicos sobre as Sociedades Indígenas, recomendada pelo Comitê de Educação Escolar Indígena.

Adornos e pintura corporal Karajá

Coleção Textos Indígenas Série Cultura

Adornos e pintura corporal Karajá

Programa de Educação Indígena para o Estado do Tocantins Convênio Governo do Estado do Tocantins / FUNAI / UFG 2a Edição/1998

PROJETO DE EDUCAÇÃO INDÍGENA PARA O ESTADO DO TOCANTINS COORDENAÇÃO: Profa. Dra. Raquel Figueiredo Alessandri Teixeira ÁREA PEDAGÓGICA Responsável: Profa. Dra. Sílvia Lúcia Bigonjal Braggio Co-responsável: Maria do Socorro Silva do Vale ÁREA DE ANTROPOLOGIA Responsável: Edna Luisa de Melo Taveira ÁREA DE LINGÜÍSTICA Responsável: Lydia Poleck Co-responsável: Haruê Yamanaka ÁREA DE ESTUDOS SOCIAIS Responsável: Suzana Guimarães Grillo

Publicação: Organizadora: Lydia Poleck Apoio Técnico: Marisa Damas
FICHA CATALOGRÁFICA A241 Adornos e pintura corporal Karajá. Goiânia, 1994. 47p. ilust. (Textos Indígenas, Série Cultura). Programa de Educação Indígena para o Estado do Tocantins. Convênio Governo do Estado do Tocantins / FUNAI / UFG. 1. Karajá - Adornos e pintura corporal. I. Título. II. Série. CDU 39

Sumário

Apresentação Uma explicação necessária Como as crianças Karajá aprendem a desenhar Pintura diária O preparo da tinta Pintura do menino O menino jyre Pintura do bòdu Preparos para a festa do rapaz Pintura corporal de rapaz Preparos para a festa Pintura corporal e adornos Javaé Como uma moça Javaé se prepara para a festa de Aruanã Pintura do corpo da mulher Javaé Pintura corporal de moça Javaé Pintura de corpo de moça Javaé Pintura e adornos de moça Karajá na festa de Aruanã Pintura usada por moça Karajá na festa de Aruanã Pintura do Dia do Índio Pintura corporal de adulto Pintura usada pelas pessoas rnais velhas

jyre

7 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46

Apresentação

Os textos e as ilustrações que compõem este livreto forarn produzidos por professores Javaé, Karajá e Xambioá na IV etapa do Curso de Formação realizado em Formoso do Araguaia, Estado do Tocantins. Nessa ocasião, os professores desenvolveram uma atividade de produção de textos cujo objetivo era o de dar suporte a uma exposição do Projeto com peças relativas à temática Festas, selecionadas e trazidas das aldeias. O resultado dessa atividade surpreendeu pela riqueza de detalhes nas ilustrações e pela variedade de pontos de vista de cada professor. A forma dos textos foi dada pelos autores indígenas. Entretanto, eles não têm caráter definitivo: são textos abertos, devendo ser retomados através de discussões nas escolas e comunidades das aldeias de origem. Esta publicação significa apenas um primeiro passo para que o próprio professor índio explicite o saber compartilhado por todo o grupo, reelaborando e registrando esse conhecimento com os alunos. Espera-se também que esses textos auxiliem os envolvidos no processo de revitalização que ocorre neste momento entre os Karajá de Aruanã e entre os Xambioá.

Uma explicação necessária

O Projeto de Educação Indígena para o Estado do Tocantins tem como pressuposto maior desenvolver atividades significativas para os grupos que dele participam: Apinajé, Javaé, Karajá, Krahô, Xambioá e Xerente. Essas atividades partem sempre da realidade vivida pelo professor índio; baseiam-se no que ele sabe, sente e interpreta. E é assim que surgem textos verdadeiros e completos do ponto de vista da significação. Nessa perspectiva, o Projeto busca desenvolver atitudes que deverão se refletir na prática do professor com suas crianças: em cada etapa do Curso de Formação trabalha-se como o professor índio, em sua escola. Essas atitudes deverão, no futuro, ser cultivadas por ele próprio na formação de outros professores. Dessa forma, espera-se que a prática, o uso e a familiaridade com a escrita contribuam para a formação de professores produtores e fomentadores dessa escrita. Os primeiros textos são em português para atender à solicitação dos grupos de se propiciar a troca de conhecimento entre eles e de compartilhar experiências. Para a publicação, mantiveram-se as características da construção textual indígena e a expressão própria em língua portuguesa, respeitando-se as estruturas e a organização. Sílvia Lúcia Bigonjal Braggio Lydia Poleck

Adornos e pintura corporal Karajá

Como as crianças Karajá aprendem a desenhar

As crianças Karajá aprendem a desenhar olhando, e depois imitando, quando a mãe está fazendo cerâmica. Depois, as crianças começam a fazer o desenho na areia à beira do rio, no chão, na terra, com carvão. Isso acontece quando a criança tem de 7 a 8 anos. Os desenhos que as crianças aprendem são os desenhos que elas vão pintar no corpo de outro Karajá, quando elas ficarem grandes. Mas esses desenhos vão ser usados também nas esteiras, nos cestos, nos remos, nos objetos de cerimônia e na cerâmica. Nós fazemos muita cestaria em trançado. São os homens que fazem o cesto. As mulheres fazem lindas esteiras para casamento, para cerimônia de festa, e para serem usadas no terreiro ou para dormir dentro de casa. IJYRARU KARAJÁ

Ilustração: Luiz Pereira Kurikalá Karajá

Pintura diária

Esse desenho da pintura diária chama-se benorayri. Isso quer dizer: 'desenho do peixe tucunaré'. Essa pintura corporal pode ser usada em qualquer idade.

JOEL WAHURI KARAJÁ

Ilustração: Joel Wahuri Karajá

O preparo da tinta

O desenho usado na pintura do peito e das coxas chama-se hojuju. Qualquer índio Karajá pode pintar-se assim: criança ou adulto. Quando os índios se preparam, fazem a tinta da fruta de jenipapo. A gente rala o jenipapo e depois mistura com outra tinta. Essa tinta chama-se ixarurina. Depois disso, a gente leva ao sol para que a tinta fique rnais preta. Quando a tinta já está boa, a gente prepara um pauzinho para fazer a pintura. Quem pinta é sempre outra pessoa: pode ser homem ou mulher, ou então o avô ou a avó de um rapaz, por exemplo. Quem faz a pintura do rosto é uma mulher. Depois de fazer a pintura do rosto, a gente não come. Só se pode fazer isso depois que a tinta fica firme no rosto. MALUÁ KARAJÁ

Ilustração: Maluá Karajá

Pintura do menino jyre

O menino Karajá, quando deixa a infância, tem que participar de Hetohoky e usar pintura corporal. Quando ele participa da festa pela primeira vez, ele pinta o corpo inteiro com tinta de jenipapo e raspa a cabeça. Então, o menino fica conhecido como jyre por causa da pintura e do cabelo. Dessa forma, o pessoal sabe que ele está participando da festa e não o considera rnais weryry 'menino'. Ele é considerado jyre 'menino jovem'. A pintura significa 'pintura de ariranha'. Naquele período em que o jyre está todo pintado de preto e o cabelo ainda não cresceu, ele tem uma função: enquanto os homens estão na casa de Hetohoky, jyre faz tudo para os mais velhos: busca água, lenha, comida, etc. As mulheres da aldeia mandam recado para os homens através do jyre. O menino, enquanto está no jyre, não pode usar outra pintura. Jyre, para o Karajá, Javaé e Xambioá, é o período em que o menino está terminando a infância. Às vezes ele chora quando se pinta pela primeira vez, isto é, quando participa da festa. SINVALDO KARAJÁ

Ilustração: Jurandìr Mabulewe Karajá

O menino jyre

As pessoas falam com o pai ou a mãe no dia em que o menino vai pintar o corpo inteiro. Aquele que falou com o pai ou a mãe, passa a tinta de jenipapo, e também corta o cabelo do menino bem caprichado, bem raspadinho. Aí, as pessoas chamam o menino de jyre. E o menino começa a ver a casa de Aruanã. Se alguém quer alguma coisa, manda o jyre buscar em casa. Ele corre bem rápido e traz no mesmo instante. O menino não pode ficar sem passar a tinta de jenipapo, fica sempre pintado de preto até crescer e passar a bòdu. JURANDIR MABULEWE KARAJÁ

Ilustração: Jurandir Mabulewe Karajá

Pintura do bòdu

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Nós chamamos de bòdu esse rapazinho de 13 anos. A pintura do bòdu chama-se tõsõ pintura de pica-pau'. O bòdu usa vários enfeites no braço como o dexi. No pescoço ele usa ixiura que é bem feito, de várias voltas. As voltas são de cores variadas: branco, amarelo, vermelho, azul, preto e verde. Essas cores são rnais usadas na região dos Karajá. O cabelo do bòdu é bem compridinho. Depois, o bòdu passa para rapaz. JURANDIR MABULEWE KARAJÁ

Ilustração: Jurandir Mabulewe Karajá

Preparos para a festa do rapaz

No dia da festa, o rapaz coloca todos os enfeites dele. Mas, antes disso, a irmã prepara a tinta de jenipapo. Antes de o rapaz se pintar, ele toma banho e depois enxuga o corpo. Aí, a irmã dele ou outra pessoa começa a pintar o rapaz. Só então ele coloca todos os enfeites, que são: raheto na cabeça, dohorywe nas orelhas, nõhõ no peito, dexi junto com woudexi no braço, wetaana no quadril e wylairi na perna. Depois que a festa termina, ele retira todos os enfeites. Quem guarda os enfeites do rapaz é o pai dele ou o tio. JURANDIR MABULEWE KARAJÁ

Ilustração: Jurandir Mabulewe Karajá

Pintura corporal de rapaz

A pintura do corpo desse rapaz é feita com tinta de jenipapo. Quando a mãe quer pintar o rapaz, ela prepara a tinta, pega jenipapo, rala e coloca num cuité. Depois, ela pega carvão, ajunta com a massa de jenipapo e amassa com a mão. Logo a massa de jenipapo se transforma em tinta pretinha. A mãe entrega a tinta para o cunhado do rapaz. O cunhado prepara um pincel, que é feito de pauzinho de buriti. O cunhado escolhe uma pintura para o tronco e para a coxa. Pode ser qualquer uma que ele sabe. Neste desenho, a pintura chama-se txaòhi òbirariti, que quer dizer 'Aruanã'. A pintura do peito nós chamamos de ixalyby e do rosto, ijòriti. Os adornos do rapaz são os seguintes: Raòtue - é usado amarrado no cabelo e é feito de algodão; quem faz esse adorno é a mulher, homem não faz. Dohorywe - brinco - é feito com pena de arara, amarrada com fio de algodão, um espinho e um casco de conchinha. Dexi - é feito de algodão, dura muito e é usado no braço. Woudexi - é feito também de algodão, tingido de urucum e é usado no braço.
r

Wetakana - cinto feito de seda de buriti, penas de colhereiro e de arara. E usado nos quadris. Deobute - é usado nas pernas e é feito de algodão tingido com urucum. Ixiura - colar - é feito de miçangas, tem várias voltas e muitas cores. Raheto - cocar feito de pauzinho de buriti coberto de algodão, penas de jaburu, arara e urubu. Usado na cabeça. WADOI KARAJÁ

Ilustração: Wadoi Karajá

Preparos para a festa

Quando vai ter festa, a mãe do rapaz se preocupa em juntar as coisas para a festa: fio de algodão, penas de colhereiro, penas de periquito, penas de arara vermelha ou azul, etc. Ela tinge o algodão com urucum para ficar bem bonito. Urucum é uma semente. Com as sementes ela faz o seguinte: coloca água na tigela de cuité, põe urucum, pega um pauzinho e soca. Depois, a mãe do rapaz corta linha de algodão para fazer woudexi, wylairi e dexi. Estes enfeites só são usados na festa de Hetohoky. JOSÉ HANI KARAJÁ

Ilustração: José Hani Karajá

Pintura corporal e adornos Javaé

Entre os Javaé sempre existiu a pintura de corpo, que é feita com jenipapo. Quando o Javaé é jovem, a mãe ou a tia pinta o corpo do rapaz, e não só em dia de festa, pode ser também em dia normal. Nesse desenho, o rapaz está usando a pintura kòekòe e kurawò. Depois que é feita a pintura, o jovem Javaé põe colar de continhas, dexi no braço; na cabeça ele usa um raheto, que é diferente daquele que os Karajá usam. E muito lindo! O rapaz também leva na mão uma borduna de pau d'arco. LUCIRENE BEHEDERU JAVAÉ

Ilustração: Lucirene Behederu Javaé

Como uma moça Javaé se prepara para a festa de Aruanã

A moça, quando vai se preparar para a festa de Aruanã, pega o fruto do jenipapo, rala o fruto, e depois ela põe um pouco de carvão na massa para ficar bem preto. Com essa tinta ela pinta o rosto, o corpo e também os braços e as pernas. Depois que passa um dia, Aruanã sai dançando. A moça coloca dexi no braço, e kurawò no joelho. A moça dança atrás de Aruanã até o meio dia. Depois Aruanã pára de dançar. Aí, a moça não usa rnais pintura. Ela só vai usar quando tiver outra festa. CLÁUDIO JAVAÉ

Ilustração: Cláudio Javaé

Pintura do corpo da mulher Javaé

Para a pintura do rosto, pernas e corpo da mulher, os Javaé usam a tintura de jenipapo. Usam também urucum, misturado com óleo de babaçu e de tucum. Os enfeites que as moças usam são: brinco, que é feito de pena de arara vermelha, espinho de tucum para enfiar na orelha. Elas usam enfeites nas pernas que são de algodão, tingidos com urucum. As moças usam um cinto que é feito de embira da gameleira. Essa embira é retirada da árvore com facão e é amaciada com pedra. MANOEL MARUADIÁ JAVAÉ

Ilustração: Lucirene Behederu Javaé

Pintura corporal de moça Javaé

As moças Javaé começam a participar da festa aos doze anos de idade. Nesse desenho, a pintura da coxa se chama kòekòe e a do braço, komyntaruera 'feijão redondo'. No braço é txuxonoheraru 'rabo de quati'. No rosto, a moça usa pintura de jenipapo, irasó. Os pés, walabá, são pintados nas pontas. LUCIRENE BEHEDERU JAVAÉ

Ilustração: Lucirene Behederu Javaé

Pintura de corpo de moça Javaé

Esse desenho mostra uma moça pintada como no tempo antigo. Os cabelos eram compridos e elas usavam brinco nas orelhas - esse elas ainda usam. O braço é pintado com jenipapo e o desenho se chama hãwyy axiòriti. Esse desenho só mulher usa. Na coxa e na perna pode usar qualquer desenho. O desenho da coxa chama-se kurawò e o da perna, urewoti. MANOEL MARUADIÁ JAVAÉ

Ilustração: Manoel Maruadiá Javaé

Pintura e adornos de moça Karajá na festa de Aruanã

Essa moça pintou todo o corpo de jenipapo. Ela só se pinta para a festa de Aruanã; na festa de Hetohoky ela não se pinta. Na festa de Aruanã ela não pode dançar sem adornos. Essa moça se chama Nahuria e a pintora Loiwa. Loiwa escolheu uma pintura para o tronco, coxa e braços que se chamam oe oe (pintura do tronco) e hãru (pintura dos braços e coxa). Os adornos que a moça usa são: - Kue (capivara) - brinco feito de pena de arara amarela e tem um fio de algodão com um espinho e um dente de capivara. - Ixiura - colar feito de miçanga, com várias voltas e é colocado no pescoço. - Dexi - é feito de algodão, assim dura muito. Coloca-se no pulso. - Deobute - é feito de algodão, tingido de urucum. Coloca-se na perna. - Dexiraru- é feito de pena de arara, amarelo. Coloca-se no braço. - Wylairi - é feito de algodão, tingido de urucum. Coloca-se na perna. - Nohõsa - é feito de algodão. Põe-se nas costas. - Dohoboraty - é feito de pena de arara, vermelha. Coloca-se na orelha. - Txubola - é feito de algodão. Coloca-se nos quadris. - Tuu - cinto de entrecasca, para cobrir o sexo. WADOI KARAJÁ

ilustração: Wadoi Karajá

Pintura usada por moça Karajá na festa de Aruanã

O desenho pintado no braço e na perna da moça chama-se òtubonabròriti, que significa 'pintura de jabuti'. O desenho usado nas coxas nós chamamos de rarajié-riti. Isso significa 'desenho do urubu caçador'. ISMAEL KUHANAMA KARAJÁ

Ilustração: Ismael Kuhanama Karajá

Pintura do Dia do Indio

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Em Xambioá, onde sou professor, não se pratica mais nenhuma espécie de dança e pintura típica dos Karajá-Xambioá. Mas quando é tempo de festa, principalmente a festa do Dia do índio, são apresentados alguns tipos de dança para o público presente. Um pouco antes da festa, é feita uma reunião para se escolher uma das moças da aldeia que vai ser a rainha. Um dia antes da festa, ou seja, dia 18, a moça é convidada para ir à casa da mulher rnais velha da aldeia que vai preparar a tinta de jenipapo e urucum. Quando amanhece, é dia 19 de abril. A moça é levada novamente para a casa da mulher rnais velha para que sejam colocados todos os enfeites em seu corpo. A moça recebe todo o preparo como se vê no desenho. Depois, coloca-se uma faixa branca com letras verdes e, a seguir, entrega-se uma bandeira da FUNAI para ela. Depois de tudo isso, ela é levada para o centro do campo de futebol onde ela dá o primeiro toque na bola, para o início da partida. AUGUSTO KURAHÁ KARAJÁ

Ilustração: Augusto Kurahá Karajá

Pintura corporal de adulto

Essa é urna pintura usada pelos adultos. Quem faz a pintura escolhe o desenho. Neste desenho, a pintura é hojuju, que quer dizer 'gancho'. A tinta é feita de jenipapo e é fabricada pela mulher. Ela pega seis frutas de jenipapo verde e começa a ralar. Depois, ela pega uma vasilha de cuité ou tigela, põe água e passa fuligem. Os pintores são sempre pessoas da família daquele que vai se pintar: pode ser o pai do rapaz, a mãe ou o cunhado. O pintor ou a pintora prepara o talo de taboca ou de taquari e cobre com algodão, amarrado ao talo com linha de algodão. IJYRARU KARAJÁ

Ilustração: Ijyraru Karajá

Pintura usada pelas pessoas rnais velhas

Os rnais velhos, quando é dia de festa, se pintam assim. O desenho da pintura da perna é hãru - 'peixe pacu'. A pintura da coxa chama-se oe oe. No peito, de lado, indo para as costas, o desenho é chamado de txnxò noheraru - 'rabo de quati'. LUIZ PEREIRA KURIKALÁ KARAJÁ

Ilustração: Luiz Pereira Kurikalá Karajá

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