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A partir da literatura existente, podemos inicialmente dizer que o culto da jurema um culto de possesso, de origem indgena e de carter essencialmente

e mgico-curativo, baseado no culto dos "mestres", entidades sobrenaturais que se manifestam como espritos de antigos e prestigiados chefes de culto, como juremeiros e catimbozeiros. Tem por base um sistema mitolgico no qual a jurema considerada rvore sagrada e, em torno dela, dispe-se o "reino dos encantados", formado por cidades, que por sua vez so habitados pelos "mestres", cuja funo quando incorporados, curar doenas, receitar remdios e exorcizar as "coisas-feitas" e os maus espritos dos corpos das pessoas. O termo jurema vem do tupi "Yu-r-ema" e Cascudo (1978:980 define o nome dado a uma "arvore espinheta do serto, da qual o gentio extraia um suco capaz de dar sono e xtase a quem o ingeria." Para Bastide (1959:158), "a cura da doena um finalidade essencial dessa religio; os espritos no so chamados Terra para serem adorados, mas para atender s necessidades da clientela religiosa." Os grupos indgenas atribui jurema "o poder de ruptura com o mundo opressor do quotidiano, na medida em que as foras adquiridas durante o ritual, por interferncia da jurema, teriam dado aos participantes outros poderes que no aqueles usuais com que contam os demais segmentos da sociedade local." O Catimb e o espiritismo popular so um apelo aos espritos msticos ou aos espritos dos matos para que venham ajudar os pobres viventes a elevar-se espiritualmente e a encontrar uma soluo para seus problemas cotidianos, inclusive os da sade fsica. O catimb era primitivamente, entre os ndios selvagens, uma festa de colheita e da preparao da jurema, mas tornou-se pouco a pouco um culto destinado a fazer descer os espritos das florestas, dos rios e das montanhas, nos corpos dos catimbozeiros, para que respondessem s consultas dos infelizes e dos doentes. COMPREENDER O CULTO DA JUREMA IMPLICA ENTENDER O CONTEXTO EM QUE ELE SE REALIZA, EM QUE CONDIES, COMO SE EFETUAM E SE ESTABELECEM AS RELAES DAS DIFERENTES PRTICAS RELIGIOSAS EM UM MESMO CAMPO RELIGIOSO.