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Conceito de Iluminismo (Begriff der Aufklrung, em Dialektik der Aufklrung) Max Horkheimer e Theodor Adorno, 1947.

. Desde sempre o iluminismo, no sentido mais abrangente de um pensar que faz progressos, perseguiu o objetivo de livrar os homens do medo e de fazer deles senhores. Mas, completamente iluminada, a terra resplandece sob o signo do infortnio triunfal. (p.97). Bacon captou o esprito da cincia que se seguiu a ele. O casamento feliz entre o entendimento humano e a natureza das coisas, que ele tem em vista, patriarcal: o entendimento, que venceu a superstio, deve ter voz de comando sobre a natureza desenfeitiada. (...) A tcnica a essncia desse saber. Seu objetivo no so os conceitos ou imagens nem a felicidade da contemplao, mas o mtodo, a explorao do trabalho dos outros, o capital. Por sua vez, as inmeras coisas que, segundo Bacon, ainda so guardadas nele no passam de instrumentos: o rdio (...), o avio de combate (...), o telecomando (...). O que os homens querem aprender da natureza como aplic-la para dominar completamente sobre ela e sobre os homens (...). S um pensar que faz violncia a si prprio suficientemente duro para quebrar os mitos (p.98). O iluminismo totalitrio (p.99). Mas os mitos que tombam como vtimas do iluminismo j eram, por sua vez, seus prprios produtos. (p.100). Assim como os mitos j so iluminismo, assim tambm o iluminismo se envolve em mitologia a cada passo mais profundamente. Ele recebe todo o seu material dos mitos, para ento destru-los, e, enquanto justiceiro, cai sob o encantamento mtico. (p.103). O preo que os homens pagam pela multiplicao do seu poder a sua alienao daquilo sobre o que exercem o poder. O iluminismo se relaciona com as coisas assim como o ditador se relaciona com os homens. Ele os conhece, na medida em que os pode manipular. (p.101) O mercado no questiona sobre o seu nascimento, mas o preo dessa vantagem, pago por quem fez a troca, foi o de ser obrigado a permitir que as suas possibilidades de nascena fossem modeladas pela produo das mercadorias que nele podem ser compradas. Os homens foram presenteados com um si-mesmo prprio a cada um e distinto de todos os outros, s para que se torne, com mais segurana, igual aos outros. (p.104) Antes, os fetiches estavam sob a lei da igualdade. Agora, a prpria i gualdade se converte em fetiche (p.107).