Você está na página 1de 10

OS GRUPOS DE TRABALHO

Um dos aspectos mais desafiantes de trabalhar em grupo é o de saber por


onde começar e como. O primeiro passo é o de teres a certeza de que
percebeste aquilo que te é pedido nesse trabalho. As perguntas descritas
em baixo deverão ajudar-te a clarificares os objectivos e as expectativas
do teu Professor, a saber o que é que ele pretende do teu grupo de
trabalho, bem como ajudar-te a estabelecer os teus próprios objectivos em
termos de aprendizagem:

• Qual é o objectivo principal que este trabalho visa?

• O que é que é suposto eu aprender?

• Que capacidades é suposto desenvolver?

• De que maneira é que este trabalho em particular se relaciona com o


curso na sua globalidade?

• O que é que é suposto eu concretizar/produzir?

• Que formato é suposto usar?

• Estás familiarizado com o que é necessário para conseguires o


formato pretendido ou vais precisar de material de apoio, suporte
tecnológico ou ajuda e instruções de alguém?
• Que tipo de apoios tens disponíveis?

• Os meios de que necessitas estão disponíveis desde logo ou terás de


os requisitar?

• Que critérios serão usados na avaliação final do trabalho?

• Quais os principais componentes do projecto?

• Será um trabalho dividido em partes claramente distintas ou, pelo


contrário, um trabalho que terá de ser apresentado como um todo?

• Irás trabalhar com os teus colegas, cada um ficando com uma parte
para si e só no final se juntarem ou vão trabalhar todos juntos o
trabalho na sua totalidade?

• Existem outros grupos a trabalhar sobre a mesma temática ou sobre


temáticas próximas?

• Quais são os prazos de entrega?

Quando tiveres respostas a todas estas perguntas e a quaisquer outras que


te pareçam importantes, está na hora de conheceres melhor os teus colegas
de trabalho e de chegarem a um consenso sobre quais são os vossos
objectivos principais para esse projecto.

COMO PODES MELHORAR A DINÂMICA DO GRUPO DE FORMA


EFICAZ?
Quer te tenha sido permitido escolher os membros do grupo à vontade, quer
os mesmos tenham sido escolhidos pelo Professor da cadeira, é sempre
importante conseguir uma boa relação de trabalho com esses colegas e esta
deve ser cimentada logo no primeiro momento em que se juntam. Por
exemplo:

• Criem uma lista com todos os vossos nomes e contactos pessoais e


distribuam-na a cada um dos membros;

• Procurem perceber se têm cadeiras, interesses ou actividades em


comum;

• Encontrem objectivos e expectativas de grupo (não as individuais);

• Partilhem uns com os outros aqueles que considerem serem os


principais objectivos do trabalho, bem como o estilo a usar;

• Tentem identificar aquilo que vai ser necessário para a concretização


do trabalho, bem como o modo como o vão fazer, tentando sempre
chegar a um consenso;

• Um “Brainstorming” será uma boa técnica a usar: todos devem dar as


suas ideias, bem como falar sobre as expectativas que têm em
relação a este grupo de trabalho. Falar sobre outras experiências
com grupos pode ajudar-vos a não cometerem os mesmos erros e a
estabelecerem metas e regras de funcionamento;

• Decidam se vão trabalhar de acordo com as vossas energias do


momento ou se vão estabelecer horários de trabalho certos,
independentemente do modo como se sintam, etc.;

• Analisem as qualidades e defeitos de cada um, os vossos pontos


fortes e os vossos pontos fracos e percebam de que modos poderão
tê-los em conta para que o trabalho saia o melhor possível;

• Esclareçam as preferências de cada membro e o papel que cada um


pretende desempenhar; negoceiem e partilhem as responsabilidades;

• Determinem a quantidade, a extensão e o agendamento de cada


reunião de trabalho, tentando encontrar uma hora certa para se
encontrarem semanalmente ou algo parecido.
 E SE AS VOSSAS AGENDAS NÃO PERMITIREM QUE TODOS
ESTEJAM PRESENTES NOS DIAS E NAS HORAS COMBINADAS?

Por vezes, os grupos são tão grandes e os seus membros estão de tal forma
ocupados que se torna difícil encontrar um dia e uma uma hora em que todos
possam estar presentes. As ausências de um ou vários membros podem
atrasar ou mesmo impedir que o grupo de trabalho avance e dificultam o
desenvolver das actividades. É importante saber, com o máximo de
antecedência possível, que elementos não vão poder estar presentes, para
que os restantes se possam reorganizar e, assim, retirar o peso da sua
ausência.

 Eis alguns conselhos para diminuir as consequências negativas dessas


“faltas” ou imprevistos:

• Tenta começar por perceber que tipo de intervenção pretende o


Professor que tenham os vários elementos e, se forem expectativas
que à partida sabes não poderes ir concretizar, tenta negociar com
ele;

• Estabeleçam linhas de orientação em relação às reuniões de trabalho,


de modo a terem sempre o máximo número possível de elementos;

• Encorajar os vários elementos a serem flexíveis quanto aos horários é


uma boa ideia, desde que esta flexibilidade não se ligue com meras
preferências pessoais, mas sim a compromissos inadiáveis;
• Tentar perceber o que é que irá acontecer se uma das reuniões de
trabalho for desmarcada ou adiada, também pode ser importante,
uma vez que convém pensar em planos alternativos que permitam “pôr
o trabalho em dia” no caso de tal acontecer;

• Hoje em dia, existem outras alternativas ao encontro presencial:


correspondam-se por e-mail; conversem no MSN ou telefonem uns aos
outros, tentando colmatar qualquer imprevisto que se tenha dado.

 COMO LIDAR COM OS CONFLITOS GRUPAIS?

Alguma tensão ou pequenos conflitos são normais nas situações de grupo. A


maioria dos estudantes está há anos a estudar mas muitas vezes a sua
educação dá-se num ambiente de concorrência, de individualismo e não de
colaboração e partilha, pelo que podem surgir dificuldades em gerir o
trabalho em grupo.

A diplomacia, a cooperação e a tolerância à diferença, tanto de perspectivas


como de abordagens práticas, são claramente fundamentais para que o
trabalho de grupo aconteça sem conflitos de maior, mas esta aprendizagem
leva tempo a conseguir e é necessário ser cultivada:

• Estabeleçam regras de funcionamento;

• Atribuam papéis claramente delimitados a cada um, mas esforcem-se


para que estes sejam equitativos em termos de quantidade de
trabalho e vão avaliando como é que as coisas estão a correr com cada
um dos elementos. Se necessário, reestruturem aquilo que tinham
pensado à partida;
• Estar atento aos sinais de “conflito à vista” será também importante,
bem como lidar com eles de um modo pró-activo;

• A paciência e a boa capacidade de comunicação são geralmente


fundamentais para que o grupo funcione sem problemas e também
para resolver os conflitos que entretanto se tenham formado;

• Lembrem-se que todos têm os mesmos direitos e deveres;

• Lembrem-se que todos terão o seu próprio modo de funcionamento e


que será imperioso respeitar o estilo de trabalhar de cada qual, por
muito que isso te custe (por exemplo, se és perfeccionista e gostas
de tudo muito “direitinho” acharás certamente difícil funcionar com
alguém que “vive no caos” e que nem sabe o que é isso de material de
trabalho…);

• Perceber que a riqueza de trabalhar em grupo está exactamente nas


diferenças individuais e, portanto, naquilo que se pode aprender com
os outros é um bom ponto de partida;

• Tentem tomar decisões conjuntas, de um modo democrático e


profissional;

• Socializem uns com os outros e divirtam-se todos juntos, fora dos


horários de trabalho que estabeleceram;

• Sempre que tenham dificuldades, não hesitem em falar com o


Professor sobre elas.
 COMO É QUE SE CONSEGUE TRABALHAR EM GRUPO, SEM QUE
ISSO SE REVELE UMA PERDA DE TEMPO?

Um grupo de trabalho funciona melhor quando todos participem activamente


no desenvolver do projecto; no entanto, não é nada raro que aconteça um ou
mais dos seus membros serem pouco produtivos ou mesmo não fazerem
absolutamente nada. Aqui ficam algumas sugestões para encorajar esses
elementos a tornarem-se mais activos e participantes:

• Tentem perceber porque é que ele ou eles não estão a produzir. A


solução da situação dependerá obviamente da causa, pelo que terão
de começar por descortiná-la;

• Encorajar os elementos mais tímidos a contribuir com as suas ideias


em tópicos que saibam que eles estão à vontade pode ser também uma
boa forma de os dinamizar. Essas pessoas precisam de ser
incentivadas a participar e uma experiência positiva fará com que
percam o receio de falar e se vão envolvendo cada vez mais;

• Aqueles que parecem totalmente desinteressados na própria


experiência de aprendizagem precisam de ser confrontados com isso,
para que os próprios avaliem a sua situação na Universidade e as
razões porque estão tão desmotivados;

• Tentem avaliar até que ponto um elemento está “bloqueado” por


precisar de aconselhamento e apoio para que possa desbloquear;

• Se um dos elementos do grupo estiver demasiado ocupado com outras


tarefas que não a que estão a desenvolver, tentem que ele perceba
que, apesar de compreenderem a sua situação, ele tem
responsabilidades também neste trabalho e não se deve furtar a elas;
• Vão avaliando os progressos do grupo. Algumas pessoas precisam de
ser constantemente lembradas de que há prazos e datas acordadas
para trabalhar;

• Falem com o Professor sobre quaisquer dificuldades que tenham.

 E O QUE DEVEM FAZER SE UM DOS ELEMENTOS DO GRUPO


ESTIVER A DOMINAR?

Alguns estudantes, quer sejam do tipo de ter altos objectivos na vida, quer
do tipo extrovertido, quer do tipo altamente confiantes, tenderão a
monopolizar as conversas e discussões do grupo ou então a pôr toda a gente
a trabalhar, distribuindo-lhes as tarefas. É positivo ter características de
liderança, mas nem todas estas levam a que o grupo funcione melhor.
Tentem as seguintes abordagens, para que um dos elementos não acabe por
controlar todo o grupo:

• Logo à partida, coloquem este como um dos problemas considerarem


poder acontecer, pelo que deve constar logo à partida nas regras de
funcionamento do grupo;

• Vão sempre apresentando ideias ou fazendo actualizações ao


trabalho, de modo a que todos os membros possam participar.
Limitem o tempo que cada um fala e não permitam interrupções
sistemáticas de um dos seus elementos;

• Tentem, primeiro, desencorajar as atitudes dominadoras do elemento


em causa, usando frases indirectas acerca do que significa trabalhar
em grupo de um modo cooperativo ou fazendo comentários
humorísticos, e não críticos, sobre o facto de ele estar sempre a
falar ou a ser ditatorial;

• Escolham um elemento em particular para falar com ele a sós, de


modo a evitar que se dê uma explosão de opiniões e que se gerem
conflitos abertos em grupo.

 COMO E ONDE ENCONTRAR AJUDA?

RECORRER AO PROFESSOR NOS SEGUINTES CASOS:

• Para obter uma compreensão global do trabalho, dos seus objectivos


principais e do modo como pretende a sua concretização;

• Para obter feedback ou receber algumas directrizes que faltem;

• Para aconselhamento no que respeita aos materiais e meios a utilizar;

• Se estiverem com dificuldades em determinar a formatação, a forma


de organização pretendida, etc. do trabalho em causa.

RECORRER À BIBLIOTECA SE:

• Necessitarem de ajuda com a bibliografia ou com a localização das


obras que precisam;

• Precisarem de fazer pesquisa bibliográfica na Internet,


nomeadamente de periódicos e revistas científicas;
• Simplesmente não conseguirem saber que fontes de informação têm
disponíveis no campus.

RECORRER AOS COLEGAS SE:

• Precisarem de esclarecer dúvidas que não querem que o vosso


Professor saiba que tenham;

• Precisarem de directrizes em relação a partes específicas do


trabalho que saibam que os outros grupos já ultrapassaram;

• Se tiverem dúvidas sobre questões que vos pareça ser pouco


pertinente ir “chatear” o Professor.

Interesses relacionados